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Caminho de
Fisterra-Muxía
Os Caminhos de Santiago na Galiza
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O Caminho de Fisterra – Muxía
A peregrinação jacobeia como tal conclui na cidade de
Santiago de Compostela. No entanto, quase desde a
descoberta do sepulcro do apóstolo Santiago (s. IX)
na que hoje é a urbe compostelana, determinados
peregrinos, tanto da Península Ibérica como do resto
da Europa, decidiam prolongar a sua viagem à Costa
da Morte, na zona mais ocidental da Galiza, frente
às bravas águas do oceano Atlântico. A razão desta
tradição obedece a vários motivos, todos distintos,
mas todos relacionados, e o seu resultado é o que
se conhece como o Caminho de Fisterra-Muxía.
A Costa da Morte era para os antigos –e assim foi
até ao final da Idade Média– o último reduto da
terra conhecida, a ponta ocidental da Europa
continental, o trecho final de um itinerário
marcado no céu pela Via Láctea, um espaço mítico
e simbólico que tinha no impressionante volume
do cabo Fisterra (“Finisterre”) a sua parte mais
extrema. Era um lugar carregado de todo o tipo
de crenças e ritos pagãos, no qual os romanos
(s. II a. C.) se surpreenderam ao ver o enorme sol
a desaparecer entre as águas.
Viaggio in ponente a San Giacomo
di Galitia e Finisterrae (s. XVII).
Domenico Laffi
Farol de Fisterra
Textos
Manuel Rodríguez
Coordenação
Ana B. Freire
Rosa García
Documentação:
albergues e serviços
Pilar Cuíña
Rosa Fernández
Ana B. Freire
Rosa García
Coroni Rubio
Fotografia
Arquivo da S.A. de Xestión
do Plan Xacobeo
Javier Toba
Tono Arias
Assistência técnica
Dpto. de Arquitectura da
S.A. de Xestión do Plan Xacobeo
Revisão
Dori Abuín
Carla Fernández-Refoxo
Carmo Iglesias
Alfonso Salgueiro
Tradução para o português
Interlingua Traduccións S.L.
Paulo Bandeira Lourenço
Revisão e actualização
Carraig Linguistic Services
Desenho e maquetagem
Permuy Asociados
Impressão
UTE (Unión Temporal de Empresas)
Alva Gráfica, S.L.
Gráficas Anduriña, S.C.L.
Tórculo Artes Gráficas, S.A.
D.L.: X XXXX-XXXX
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Caminho de Fisterra – Muxía
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Vista desde o mirante de Ézaro. Carnota
Cabo Vilán
No entanto, o processo de cristianização da
tradição pagã de Fisterra, seria já patente em
meados do primeiro milénio. A partir do século
XII, o Códice Calixtino vincula estas terras com a
tradição jacobeia. O célebre códice assinala que
os discípulos de Santiago viajaram à
desaparecida cidade de Dugium, na actual
Fisterra, procurando a autorização de um
legado romano para enterrar o Apóstolo no que
hoje é Compostela. Contudo, o legado,
receoso, prende-os. Os discípulos conseguem
fugir e quando estão a ponto de ser alcançados,
cruzam uma ponte que acaba por ruir à
passagem da tropa romana que os persegue.
Paço de Cotón. Negreira
Porém, a tradição jacobeia da finisterra galega
fundamenta-se, sobretudo, na integração na
mesma de numerosos elementos ancestrais da
zona, que não só oferecia aos antigos
peregrinos a visão da parte mais extrema do
mundo conhecido, como também duas das
devoções mais populares da Galiza. Trata-se do
Santo Cristo, na Fisterra, do qual o licenciado
Molina (s. XVI) diz que a ele “acodem os muitos
romeiros que vêm ao Apóstolo”, atraídos pelo
facto de poderem prostrar-se diante do filho de
Deus em tão extremo lugar, após a sua estadia
em Santiago, e da Virgem de A Barca,
Monumento às botas.
Cabo Fisterra
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na pouco distante costa de Muxía. Segundo uma tradição que
remonta à Idade Média, a Virgem Maria acudiu a este belo lugar na
sua “barca de pedra” para dar ânimo a Santiago na sua predicação,
acontecimento que vincula este santuário com o da
Virgem do Pilar de Saragoça.
O Caminho de Fisterra e Muxía é, depois do Francês, o itinerário com
mais referências na literatura de peregrinação. De Jorge Grissaphan,
cavaleiro magiar do século XIV, é o relato mais antigo. Narra as suas
peripécias como peregrino e eremita em Fisterra. Em finais do século XV,
o polaco Nicolás von Popplau peregrina a Muxía, após tê-lo feito a
Compostela, descrevendo os restos do “barco
destroçado, feito de pura pedra”, da Virgem Maria.
O veneziano Bartolomeo Fontana (s. XVI), na sua
peregrinação a partir de Itália, visita Fisterra e assinala
que os livres de pecado mortal poderão mover com
um dedo as pedras do “navio” de Muxía. Doménico
Laffi (s. XVII), erudito clérigo bolonhês, foi também até
Fisterra, mencionando o farol para orientar os
navegantes pelas difíceis águas da zona. Em muitos
destes relatos é feita referência ao monte de San
Guillermo, lendário eremita da zona, cuja ermida, hoje
desaparecida, se associava a ritos de fecundidade.
Nas páginas seguintes mostram-se as singularidades desta rota jacobeia
que, ao contrário de todas as demais, tem na cidade de Santiago a sua
origem. Aqui as metas são o cabo de Fisterra e o santuário de A Barca,
a 89 e 87 quilómetros, respectivamente, de Compostela.
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Caminho de Fisterra – Muxía
Porto de Lira. Carnota
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Santiago de Compostela
Depois de passar diante da igreja
barroca de San Froitoso e da sua
fachada orientada à contemplação
desde o Obradoiro, pelo que se
remata com quatro notáveis estátuas
das Virtudes da Prudência, Justiça,
Força e Temperança, o Caminho avança
por pequenas e típicas ruas, entre as quais
se destaca a de Hortas.
Fachada do Hostal
dos Reis Católicos.
Santiago de Compostela
Depois de visitar a catedral de Santiago, arranca-se em direcção
ao Caminho de Fisterra-Muxía partindo da Praça do Obradoiro,
o espaço mais emblemático da cidade, que se abandona, passando
entre o palácio de Raxoi e a Pousada dos Reis Católicos –antigo
Hospital Real–, pela desaparecida porta do Peregrino ou da Trinidad.
O seguinte destino é a “carballeira” (carvalhal)
de San Lourenzo, à qual Rosalía de Castro dedica
um dos poemas de Follas Novas, obra de referência
da poesia do século XIX. O paço de San Lourenzo de
Trasouto, antigo convento franciscano de origem medieval,
destaca pelo seu conjunto arquitectónico, a igreja medieval e as
obras de arte renascentistas e barrocas que guarda no seu interior.
O claustro é embelezado por um singular jardim de buxo.
O rio Sarela aproxima-se por momentos do traçado semi-urbano
da Rota. Se caminharmos ao entardecer e é dia de céu limpo,
a partir de alguns pontos iniciais deste itinerário é possível
contemplar excepcionais quadros do pôr do sol a pintar a cidade
antiga e a fachada da catedral.
Rua das Hortas. Santiago de Compostela
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Vista de Santiago desde o
Caminho de Fisterra-Muxía
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Caminho de Fisterra – Muxía
Carvalheira de S. Lourenzo. Santiago de Compostela
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Ames – Negreira
Já no município de Ames, o Caminho alcança o núcleo de
Augapesada, que conserva uma pequena ponte de origem medieval,
antes de iniciar a ascensão ao alto de Mar de Ovellas, a partir do qual
se contempla em todo o seu esplendor o vale de A Maía.
Estamos numa zona que oferece também interessantes exemplos
de arquitectura religiosa, como a igreja barroca de Trasmonte,
e de construções tradicionais, que têm a sua culminação no núcleo
da Ponte Maceira. As casas, e os restos de algum antigo moinho
restaurado, repartem-se em ambas as margens do rio Tambre,
comunicadas pela ponte mais significativa de todo este caminho.
Trata-se de uma bela construção de finais do século XIV, reconstruída
no século XVIII, que teve durante séculos grande importância nas
comunicações entre Santiago e as terras da finisterra.
Monumento
ao peregrino.
Negreira
No outro lado da ponte, abre-se para o caminhante a comarca
de A Barcala, de grande produção láctea e de carne.
Negreira, capital desta comarca, é a maior povoação –supera os
dois mil habitantes– que cruza o peregrino antes de alcançar a
Rio Tambre na Ponte Maceira
Paço da Chancela. Negreira
costa. O paço da Chancela dá entrada nesta localidade,
em cujo escudo se representa a ponte que com a sua
destruição teria cortado a passagem aos soldados que
perseguiam os discípulos de Santiago, que fugiam do
legado romano de Fisterra.
Negreira, vila de origem medieval à qual alude Ernest
Hemingway na novela Por quem os sinos dobram, tem no
paço de O Cotón, fortaleza medieval restaurada no século
XVII, e na contígua capela de San Mauro, os seus
monumentos mais característicos.
Troço urbano do Caminho em Negreira
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Caminho de Fisterra – Muxía
Capela de San Mauro. Negreira
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Negreira – Hospital
Uma pequena ponte sobre o rio Barcala situa o peregrino à saída
de Negreira. A rota volta a coincidir em diversos pontos, ao longo
deste trecho, com o antigo caminho real a Fisterra. Assim no-lo
recordam lugares como Camiño Real e Portocamiño.
Por momentos, o trajecto percorre zonas de altiplano que
permitem amplas perspectivas sobre terras dos municípios
de Negreira e Mazaricos, este último já na comarca de Xallas,
conhecida, sobretudo, pelo seu artesanato em vime e os seus
originais chapéus femininos, realizados em palha.
Espigueiros de Olveiroa
Outra característica deste trecho é a sua arquitectura popular,
que sobreviveu em parte nos núcleos rurais, com modestos,
mas belos e variados, exemplos e algum conjunto de espigueiros
–construções destinadas à conservação dos produtos do campo–
de notável beleza, como, entre outros, os do lugar das Maroñas,
que também conta nas suas imediações com a igreja românica
de Santa Mariña. Um dos pontos de maior interesse paisagístico
oferece-se ao caminhante nas elevações do monte Aro (556 m),
a partir do qual se contempla parte da comarca de Terra de Xallas.
Na parte final deste trecho a água é a grande protagonista.
O rio Xallas e as suas ribeiras tornam-se presentes sobretudo
na Ponte Olveira, cuja ponte, construída no século XVI e reformada
posteriormente, situa o caminhante nas terras do município de
Dumbría. A rota, que decorre perto da represa de A Fervenza,
sobre o Xallas, atinge o seu fim quando se alcança o lugar de
Olveiroa, de novo com notáveis exemplos da arquitectura
popular da zona.
Este trecho conclui em Hospital, uma aldeia que contou com
um modesto hospital para peregrinos, hoje desaparecido.
À saída deste núcleo, o Caminho bifurca: será necessário decidir
se se segue a rota que leva a Fisterra ou a que conduz a Muxía
e ao santuário de A Barca.
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Caminho de Fisterra – Muxía
Vista desde o “Monte Velho”.
Comarca de Xallas
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Hospital – Fisterra
Se o viajante se dirige em primeiro lugar a Fisterra, o caminho irá
levá-lo às imediações do santuário de A Nosa Señora das Neves
(s. XVIII), com a sua “fonte santa” e uma concorrida romaria
cada 8 de Setembro, e à também popular ermida de San Pedro
Mártir, com outra fonte “milagrosa” para várias maleitas.
Já no alto de O Cruceiro da Armada (247 m), o caminhante
contempla, pela primeira vez, ainda à distância, o cabo Fisterra.
Esquerda: Igreja de
Nossa Senhora das Neves
Direita: Igreja de
Santa Maria da Xunqueira. Cee
O cabo é o símbolo da comarca do mesmo nome, pela qual
viajaremos no que resta do caminho, tanto se nos dirigimos a
Fisterra como se o fazemos em direcção a Muxía. Esta comarca,
dada como poucas a todo o tipo de lendas, conta com uma das
franjas costeiras de maior beleza da Península Ibérica, na qual se
alternam os grandes e tranquilos areais com abruptas formações
rochosas e um mar bravo como poucos. O marisco, a pesca
e a agricultura, com produtos artesanais de grande qualidade,
também contribuem para fazer da zona um paraíso para a vista
e os sentidos.
Estaleiro de Cee
Cee, a primeira localidade da comarca à qual chega o peregrino,
conta com uma notável actividade comercial –destaca-se o seu
mercado de domingo– e de serviços. O paço de O Cotón e o
edifício do século XVIII da Fundação Fernando Blanco são dois
dos símbolos da localidade, na qual também se destaca a igreja
de A Xunqueira, de cabeceira gótica.
Muito perto de Cee está a vila de Corcubión, que conserva uma
parte antiga declarada conjunto histórico e artístico, reflexo em
grande medida da antiga relevância do seu porto. A igreja de
San Marcos, do gótico com influências marítimas e neogótico,
deve o seu nome à imagem do patrono da localidade, uma obra
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Caminho de Fisterra – Muxía
Passeio de Corcubión,
com Cee ao fundo
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de madeira policroma, de
origem italiana, de finais do
século XV. Corcubión rende
culto à riqueza da actividade
de mariscar da zona
celebrando no primeiro
sábado de Agosto de cada
ano a Festa da Amêijoa.
A “Cruz de Baixar” com a Praia de Langosteira ao fundo. Fisterra
O caminho chega a Fisterra
depois de bordejar, durante
uns dois quilómetros, as
formações em dunas da bela
e extensa praia de
Langosteira. Fisterra,
localidade de resistentes
marinheiros e pescadores,
está ligada à tradição
jacobeia desde os seus
inícios, como já se explicou
na parte inicial desta
publicação.
E o epicentro dessa relação
é a igreja de Santa María das
Areas, de origem medieval,
situada fora da localidade,
a caminho do cabo Fisterra.
Uma arcada, que se
considera que formou parte
do desaparecido hospital
medieval de peregrinos,
dá lugar a um templo no
qual brilha com luz própria
Igreja de Santa Maria das Areas. Fisterra
Vista desde as ruínas de S. Guilherme. Fisterra
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o Santo Cristo de Fisterra, singular escultura do século XIV que,
segundo a lenda, apareceu na costa depois de ser lançada à água
por um barco durante uma tempestade. Para muitos antigos
peregrinos, a visita, após a peregrinação a Santiago, à que
consideravam a mais ocidental das representações de Cristo
era uma forma idónea de culminar a sua viagem.
Fisterra celebra cada Páscoa a festa do Santo Cristo, declarada de
Interesse Turístico Nacional. Trata-se de uma representação da vida
e morte de Jesus que alcança o seu apogeu no domingo de Páscoa
com a sua ressurreição, bailando-se, como cólofon, uma antiga e
singular dança (“a danza das areas”). A representação é realizada
por actores não profissionais, habitantes de Fisterra.
Para além da capela barroca do Santo Cristo (1695), destaca-se no
templo de Santa María das Areas a renascentista Virgem do Carmo.
A capela maior (século XIV) guarda uma imagem pétrea da Virgem
Maria, do século XVI. Também se venera uma
imagem de Santiago com um ritual que recorda
o da catedral compostelana. Apesar da portada
principal ser românica, no exterior do templo
predomina o gótico com influências marítimas.
A partir da localidade de Fisterra, o peregrino
deve realizar um último e curto trajecto
para chegar à ponta do mítico cabo Fisterra,
que nos anuncia o edifício do antigo farol,
reabilitado para usos turísticos. O espírito
e a natureza, o mar e o céu, a lenda e o
presente dão a mão nesse extremo ocidental
da Europa no qual os antigos acreditaram
adivinhar o fim do mundo conhecido, talvez
definitivamente convencidos ao observar os
seus grandiosos crepúsculos.
Porto pesqueiro de Fisterra
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Caminho de Fisterra – Muxía
Peregrinos no farol de Fisterra
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Fisterra – Muxía
Conta a tradição que a Virgem Maria arribou
num barco de pedra no que é hoje o santuário
de A Barca, em Muxía, para dar ânimo ao
Apóstolo Santiago na sua predicação pelo
noroeste da Península Ibérica. Daí nasce o
significado jacobeu deste lugar e a sua inclusão
nas rotas jacobeias desde a Idade Média.
Vista de Muxía desde o Monte Facho
Secadouro de peixe. Muxía
A distância entre Fisterra e A Barca é de 31
quilómetros. O primeiro e imediato encontro é
em San Martiño de Duio, em cujas imediações
se ocultariam as ruínas da desaparecida cidade
de Dugium. Segundo a tradição medieval, aqui
residia o legado de Roma ao qual os discípulos
de Santiago se dirigiram, para que autorizassem
a sepultura em terra compostelana dos restos
do Apóstolo.
O caminho avança entre aldeias, campos de
cultivo, bosques e a presença do mar, com
praias tão agrestes como a de O Rostro,
até à pequena ria de Lires, onde é possível
contemplar uma notável variedade de aves.
Na rota encontram-se singulares mostras de
arquitectura rural tradicional misturadas com
notáveis igrejas, como as de origem românica
de Santa Leocadia de Frixe e Santa María
de Morquintián.
O último esforço antes de Muxía é
representado pela subida ao alto de
As Aferroas (289 m), com as suas amplas vistas.
A praia de Lourido é a antessala desta
localidade, situada num belo espaço costeiro.
“Pedra dos quadris”. Muxía
Fundada no século XII,
Muxía explode de cor
cada mês de Julho com
as festas do Carmo e a
sua vistosa e concorrida
procissão marítima.
A localidade tem na
pesca e no artesanato
de renda duas das suas
actividades mais
características.
A partir de Muxía, o
santuário de A Nosa
Señora da Barca está a um
passo. A ele se chega
bordejando o Monte
Corpiño, pelo “Camiño da
Pel” (Caminho da Pele),
assim denominado porque
nas suas imediações se
situava uma fonte na qual
os peregrinos se asseavam –um símbolo de purificação e respeito
ao final da rota– antes de entrarem no santuário. O Caminho entre
Fisterra e Muxía pode fazer-se também em sentido inverso,
se se opta por visitar em primeiro lugar o santuário de A Barca.
Um recanto de Muxía
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Caminho de Fisterra – Muxía
Igreja de Santa Maria de Muxía
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Vista exterior do mosteiro
de San Xulián de Moraime
Hospital – Muxía
O Caminho de Fisterra-Muxía oferece duas
alternativas a partir da saída de Hospital.
Mostrámos o itinerário que se dirige a Fisterra e,
partindo desta localidade, a Muxía. Agora
vamos atentar no que leva directamente a
Muxía, um trajecto de quase 30 quilómetros
que, pouco após o seu início, cruza a pequena
povoação de Dumbría, com uma igreja do
século XVII.
O caminho decorre por alguns trechos
empedrados do velho caminho real e oferece
em San Martiño de Ozón motivos para uma
paragem: um dos maiores espigueiros da Galiza,
a sua igreja de abside românica e os vestígios
do antigo mosteiro beneditino de San Martiño.
A igreja do santuário –s. XVII– é a primeira visão que recebe
o peregrino. No interior guarda um retábulo maior barroco de
grande qualidade e, sobretudo, a imagem gótica de A Nosa
Señora da Barca, a quem se dedica –o domingo depois do dia
8 de cada mês de Setembro– uma das maiores romarias da Galiza.
No exterior, a magia do lugar insinua os seus segredos: só é
preciso seguir o ritual e aproximar-se à ponta rochosa, quase com
um pé no mar, e compreender que ali estão ainda o casco, a vela
e o timão de pedra do barco no qual a Virgem chegou a este
ponto perdido para dar ânimos a Santiago na sua predicação.
É o momento em que cada um deve sonhar o seu próprio sonho.
Significativo é também o desaparecido mosteiro
de San Xulián de Moraime, ao qual se chega
depois de se cruzar o lugar de Os Muíños,
já perto do mar e que deve o seu nome ao
grande número de moinhos tradicionais ali
existentes. Este mosteiro foi o mais influente da
comarca de Fisterra e dele se conserva o templo
românico de três naves, com pinturas góticas.
Espigueiro e “cruzeiro” de Ozón
O trecho de entrada em Muxía oferece uma
diáfana visão sobre esta localidade e o seu
espaço envolvente, do qual se faz senhor absoluto o mar, com as
suas formações rochosas, a sua luz e os seus areais. O passeio
marítimo de Muxía, o porto e a igreja de Santa María –gótico
com motivos marítimos– são os pontos finais de um caminho
que alcança a sua meta no santuário de A Nosa Señora da Barca.
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Caminho de Fisterra – Muxía
Santuário da Virgem da Barca.
Muxía
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Rede de albergues
A partir de 1 de Janeiro de 2008, para aceder aos albergues
o peregrino deverá comprar em cada um deles uma
senha-albergue (3 €), que dá direito unicamente ao uso das
instalações em que foi adquirida e na data que figura no
verso da mesma. Não será válida em qualquer outra data
nem em qualquer outro albergue. Só se poderá permanecer
uma noite em cada albergue, com excepção dos do Monte
do Gozo e de S. Lázaro, ambos em Santiago de Compostela,
e o número de peregrinos acolhidos por dia estará limitado
às camas de que cada instalação dispuser. A ordem de
preferência é a do costume: peregrinos a pé, a cavalo,
de bicicleta e os que viajam com carro de apoio.
Uma vez adquirida a senha é muito importante conservá-la
até se abandonar o albergue, caso contrário, os albergueiros
poderão pedir ao peregrino que desocupe as instalações.
O albergue deverá deixar-se livre antes das 8 da manhã para
permitir a sua limpeza. Este permanecerá aberto das 13 até
às 22 horas.
Negreira
Fisterra
Edifício de nova planta*
Rua Patrocinio s/n. Negreira
20 lugares
3 lugares para bicicletas
Próximo albergue, a 33,2 km
(Olveiroa, Dumbría)
Restauração de edifício*
Rua Real, 2. Fisterra
36 lugares
Lugares para bicicletas
Olveiroa
Restauração de um núcleo de
edificações tradicionais do país*
Olveiroa, s/n. Dumbría
34 lugares
Lugares para bicicletas
3 lugares para cavalos
Próximo albergue,
a 30 km (Fisterra); a 29 km (Muxía)
No caso de chegar algum peregrino com mobilidade
reduzida e o albergue ter a sua capacidade lotada,
poderá pedir-se a colaboração das pessoas já alojadas de
forma a acomodá-lo nas instalações.
Albergues de Negreira, Fisterra e Olveiroa
Muxía
Edifício de nova planta
Rua Enfesto, 22. Muxía
32 (+ 32) lugares
* Dispõe de infra-estruturas
para deficientes físico
Posto de informação do Caminho
Albergue
1. Negreira
2. Olveiroa
3. Muxía
Em todo o caso, o peregrino e quantos se acercam
ao Caminho de Santiago dispõem doutras alternativas
para o momento do seu descanso. Diversos centros religiosos
e municipais atendem também o peregrino, sobretudo nos
momentos de maior afluência. Nos últimos anos também tem
aparecido, ao longo das distintas rotas, uma moderna e
variada rede de hotéis e casas de turismo rural que diversificam
os serviços e atractivos do Caminho.
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4. Fisterra
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Camiño de Fisterra – Muxía
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Serviços
Câmaras Municipais
Urgências
Santiago de Compostela
Corcubión
Urgências médicas
Praça do Obradoiro, s/n.
Pazo de Raxoi
Tf.: 981-542300
Fax: 981-563864
[email protected]
www.santiagodecompostela.org
Praça de José Carrera, 1
Tf.: 981-745400
Fax: 981-747100
[email protected]
061
Ames
Praça do Concello, 2
Bertamiráns
Tf.: 981-883002
Fax: 981-883925
[email protected]
www.concellodeames.org
Negreira
Rua do Carme, 3
Tf.: 981-885250
Fax: 981-885328
[email protected]
www.welcome.to/negreira
Santa Comba
Praça do Concello, 1
Tf.: 981-880075
Fax: 981-880716
[email protected]
www.santacomba.net
Emergências
(de todo o tipo, gratuito e internacional)
112
Cee
Rua Domingo Antonio de Andrade, s/n
Tf.: 981-745100
Fax: 981-746757
[email protected]
www.finisterrae.com/concello/cee/httm
Fisterra
Rua Santa Catalina, 1
Tf.: 981-740001
Fax: 981-740677
[email protected]
www.finisterrae.com
Informação Jacobeo
Posto de Informação, Santiago
Tf.: 902-332010
Rua do Vilar, 30-32, rés-do-chao
[email protected]
www.xacobeo.es
Central de Reservas
de Turismo Rural
Muxía
Tf.: 902-200432
[email protected]
Rua Real, 35
Tf.: 981-742001
Fax: 981-742298
[email protected]
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Oficinas de Turismo
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Os Caminhos de Santiago
A descoberta do sepulcro do apóstolo Santiago
o Maior, a princípios do século IX, gerou de imediato
uma populosa corrente de peregrinação em
direcção a este lugar, no qual hoje está a
cidade galega de Santiago de Compostela.
Esta afluência acabou por formar, desde os mais
diversos pontos de Europa, uma densa rede de
itinerários conhecida, no seu conjunto, como o
Caminho de Santiago, ou a Rota Jacobeia.
Os momentos de maior apogeu da
peregrinação produziram-se nos séculos
XI, XII e XIII com a concessão de determinadas
indulgências espirituais. No entanto,
esta corrente manteve-se, com maior ou menor
intensidade, ao longo dos restantes séculos.
Desde a segunda metade do século XX,
o Caminho de Santiago vive um novo renascer
internacional que combina o seu tradicional
acervo espiritual e sociocultural com o seu
poder de atracção turística e como renovado
lugar de encontro aberto a todo o tipo de
gentes e culturas.
Tradicionalmente, os períodos de maior afluência de
peregrinos e visitantes no Caminho coincidem com
os Anos Santos Compostelanos, que se celebram
cada 6, 5, 6 e 11 anos, mas qualquer ano e momento é
idóneo para realizar algum itinerário desta rota e visitar
a cidade que tem como meta: Compostela.
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Caminho de Europa
O Caminho de Santiago gerou ao longo dos seus doze séculos de
existência uma extraordinária vitalidade espiritual, cultural e social.
Devido à sua existência nasceu a primeira grande rede assistencial da
Europa e foram criados mosteiros, catedrais e novos núcleos urbanos.
Pelo encontro entre gentes de tão diversa procedência que esta
rota propiciou, surgiu uma cultura baseada no intercâmbio aberto
de ideias e correntes artísticas e sociais, assim como um dinamismo
socio-económico que favoreceu, sobretudo durante a Idade Média,
o desenvolvimento de diversas zonas de Europa.
A marca do Caminho e dos peregrinos a Compostela é reconhecível
numa infinidade de testemunhos públicos e privados, em distintas
manifestações de arte ou, por exemplo, nos mais de mil livros que
nas últimas décadas se ocuparam, em todo o mundo, desta senda,
obra e património de todos os europeus.
As vias principais do Caminho de Santiago foram declaradas
Primeiro Itinerário Cultural Europeu (1987) pelo Conselho de
Europa, Bem Património da Humanidade pela UNESCO nos seus
traçados ao longo de Espanha e França (1993 e 1998,
respectivamente) e Prémio Príncipe de Astúrias da Concórdia 2004,
outorgado pela Fundação Príncipe
de Astúrias.
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Galiza, o país de Santiago
Caminho Francés
Caminho do Sudeste–
Via da Prata
A Península Ibérica formaria parte, segundo
determinados textos antigos, das terras nas quais
o apóstolo Santiago predicou o cristianismo. Após
morrer decapitado na Palestina, por volta do ano 44 d.C.,
os seus discípulos, segundo a tradição, trasladaram
o seu corpo numa nave até à Galiza, uma das terras
hispânicas incluídas na sua predicação.
Caminho Português
Rota do mar de Arousa
e rio Ulla
Caminho de Fisterra-Muxía
Caminho Inglés
Caminho do Norte
Caminho Primitivo
Os difíceis tempos dos primeiros anos do cristianismo
e o despovoamento de grande parte do norte peninsular
teriam levado ao esquecimento do lugar de enterro.
No entanto, por volta do ano 820 são descobertos uns
restos que as autoridades eclesiásticas e civis consideraram
como sendo os de Santiago o Maior. Sucede isto num
perdido bosque galego e o acontecimento daria lugar ao
nascimento da actual cidade de Santiago de Compostela.
Convertida na atractiva meta de uma peregrinação que
levava ao sepulcro do único apóstolo de Cristo enterrado
em solo europeu, juntamente com São Pedro, em Roma,
a Santiago chegarão, ao longo dos séculos, peregrinos de
todas as procedências e pelos mais diversos itinerários.
Caminhos jacobeus galegos
Devido à grande diversidade de procedências dos peregrinos,
irão definindo-se sobre o solo galego seis itinerários principais
de chegada de toda Europa.
O itinerário que alcança uma maior concorrência e relevância,
tanto socio-económica, como artística e cultural, é o denominado
Caminho Francês, que entra em Espanha, a partir de França,
pelos montes Pirenéus, e na Galiza pelo mítico alto de O Cebreiro.
No entanto, outros cinco itinerários conseguiram adquirir,
mesmo assim, o seu lugar na história das peregrinações jacobeias.
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São os Caminhos Primitivo e do Norte, que
alcançaram relevância nos primeiros tempos
da peregrinação, com dois traçados principais
que entram na Galiza pelas Astúrias,
procedentes do País Basco e Cantábria;
o Caminho Inglês, seguido sobretudo pelos
peregrinos que, partindo do norte de Europa
e as Ilhas Britânicas chegavam a portos como
os de A Coruña e Ferrol; o Caminho
Português, que desde o sudoeste da Galiza
utilizavam os peregrinos procedentes de
Portugal; e o Caminho do Sudeste, pelo qual
se dirigiam a Santiago os peregrinos que,
desde o sul e centro da Península, seguiam a
popular Via da Prata, entre Mérida e Astorga,
para continuar, por terras de Ourense,
em direcção a Compostela.
Também se consideram itinerários jacobeus,
pela sua simbologia histórica, outros dois.
São o Caminho de Fisterra-Muxía, utilizado
por determinados peregrinos medievais que,
depois de venerarem a tumba apostólica,
se sentiam atraídos pela viagem até
ao cabo Finisterra, o extremo ocidental
da terra naqueles tempos conhecida,
e a denominada Rota do mar de Arousa
e rio Ulla, que rememora o itinerário pelo
qual, segundo a tradição, chegaram
de barco à Galiza os restos mortais
do Apóstolo (s. I).
O Cebreiro. Caminho Francês
Oseira. Caminho do Sueste-Via da Prata
“Compostela” e credencial
Corunha. Caminho Inglês
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Cabo Fisterra.
Caminho de Fisterra-Muxía

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