O Senhor das Moscas: O mal inato do ser humano

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O Senhor das Moscas: O mal inato do ser humano
O Senhor das Moscas: O mal inato do ser humano - Simplicíssimo
Escrito por Roger Beier
Seg, 16 de Outubro de 2006 22:00 - Última atualização Seg, 16 de Outubro de 2006 15:38
Eis o livro fez meu fim de semana chuvoso e de feriado prolongado em São Paulo bem mais
feliz. Livro que, apesar de ter sido escrito em 1954, por William Golding, deu o Nobel a seu
autor apenas em 1983. Livro que foi muito bem recomendado por meus amigos e que, talvez
por isso, tenha, de certa forma, frustrado minhas expectativas. Não que isso seja ruim, mas
que certamente não figura entre meus Top 5.
O livro é muito bem escrito, envolvente, tem um enredo brilhante, com um ritmo que o faz se
sentir perdido na ilha junto com os garotos e certamente inspirou muitos outros escritores e
tantos cineastas. Há comentários de que o programa Survivor e a série Lost sejam inspiradas
neste livro que, apesar do fracasso inicial, tornou-se um clássico da literatura inglesa.
Escrito no pós-guerra, novo período de desencantamento com a humanidade, o livro faz uma
série de analogias, a começar pelo título, que se refere a Belzebu (Baal-Zeboub), deus filisteu
transformado em príncipe dos demônios pelos hebreus e cristãos, cujo significado etimológico
do nome é justamente Senhor das Moscas. Basicamente, o livro trata da descoberta do mal
que existe no coração do homem que, independente da idade e do meio onde este vive, surge
como algo natural. Mostra como crianças (entre 6 e 12 anos), após um acidente aéreo,
sobrevivem em uma ilha perdida, sem a presença de adultos (autoridade), abastecida de
comida e bebida à vontade (clara analogia ao Éden), e como essa situação vai se
desenvolvendo à selvageria assim que surge a figura dos porcos, um dos alimentos que a ilha
oferece e, que bem adiante no livro, se tornará o senhor das moscas (alusão ao Belzebú e à
tentação do Éden). O livro quer mostrar como os meninos, apesar de terem recebido fina
educação inglesa, regridem à pura selvageria, criando ritos e sacrifícios, desrespeitam as
"leis" por eles mesmos acordadas e chegam até a matar uns aos outros após
viverem algum tempo nesta ilha. Tudo em função do medo do desconhecido, da forma como os
líderes do grupo explorarm o medo do mundo externo e fazem com que os seguidores os
obedeçam.
Há também a analogia política do livro, na qual Ralph, um dos líderes, representa a
democracia; Jack, a força tirânica e ditatorial; e Porquinho, a inteligência que apóia a
democracia. Essa analogia é menos rica e muito inserida no período da guerra fria, que vivia
seus momentos mais quentes. Mas o que vale mesmo, aquilo pelo qual o livro é reconhecido, é
a tal perda da inocência da humanidade, se é que houve isso um dia, e a caricatura perfeita do
surgimento do mal no coração do homem.
Portanto, a leitura é extremamente recomendada, mas sugiro que tenham muito cuidado e não
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O Senhor das Moscas: O mal inato do ser humano - Simplicíssimo
Escrito por Roger Beier
Seg, 16 de Outubro de 2006 22:00 - Última atualização Seg, 16 de Outubro de 2006 15:38
façam como eu. Não pensem que será um dos melhores livros que vocês já leram pois, muito
provavelmente, se frustrarão. Não que o livro não possa ser. Sem dúvida nenhuma pode, mas
é que quando você cria grandes expectativas, a tendência é que elas sejam grandemente
frustradas.
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