MATER LEGIONIS 1 Setembro de 2010. MATER

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MATER LEGIONIS 1 Setembro de 2010. MATER
MATER LEGIONIS
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Setembro de 2010.
MATER LEGIONIS, Revista Digital, é um serviço da website
www.legiomariae.com/portuguese da Regia de Brasília, nos objetivos de
identidade, formação e expansão da Legião de Maria. O Diretor da Revista, Geraldo de
Brito Freire, atende no e-mail [email protected]giomariae.com
SUMÁRIO
EDITORIAL
PALAVRA DO FUNDADOR:
Maria e o Espírito Santo
[3]
CONCILIUM LEGIONIS MARIAE
Allocutio: A recitação diária da Catena Legionis, Abril de 2010 [ 12 ]
ARTIGOS
Nossos Legionários Mártires
Voltar ao Essencial
Um Lema...Para Estudo do Manual
Revista Digital na Legião, o que é isso?
BIBLIOGRAFIA
[ 14 ]
[ 24 ]
[ 27 ]
[ 31 ]
VAMOS COMEÇAR A LEGIÃO DE MARIA? [ 34 a 73 ]
Padre Mário Teixeira Gurgel, SDS.
ESTUDO DO MANUAL
A página mais importante do Manual
[ 74 ]
“OUTROS ASSUNTOS”
O Concilium Legionis visita a Legião no Brasil [ 77 ]
Boletim Mensal, Abril de 2010
Revista oficial MARIA LEGIONIS, em espanhol
Revista Legião de Maria, nº 74, 2010
\\\\\\\ Ecce Mater tua ///////
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EDITORIAL
MATER LEGIONIS, Revista Digital, é um serviço da web site
www.legiomariae.com/portuguese da Regia de Brasília.
MATER LEGIONIS quer servir Maria Santíssima na pessoa dos seus
Legionários. Servir nos objetivos de identidade, formação e expansão da Legião de
Maria.
Em a graça de Deus todo mês estarão disponíveis – não variedades e ilustrações
– e sim textos sérios, subsídios a auxiliarem na vida legionária. Aqui, Legionários e
Oficiais, encontrarão matéria para abrir horizontes e para avançar na “conquista do
mundo”.
Primeiro conseguiu-se pôr na Internet a íntegra do Manual (em 2007); agora,
através de MATER LEGIONIS, Revista Digital, garante-se todo mês, bom material
para fomentar a vida legionária. A Revista Digital significa acesso instantâneo a todos.
Sem custos, exceto de cópia tirada na impressora, para a leitura profunda, meditada.
No 1º número, Setembro de 2010, oferecemos o Artigo do Fundador: “Maria e o
Espírito Santo”, lição fundamental quer pelo tema, quer pela autoria de Frank Duff.
A seguir quisemos reproduzir um Allocutio magistral: “A recitação diária da
Catena Legionis”, de Abril de 2010, no Concilium Legionis, seguido de alguns
comentários.
Quando se soube do Lema do Concilium: “Voltar ao essencial pelo estudo do
Manual”, enviamos aos Conselhos dois Artigos, como também à Revista Legião de
Maria, que publicou um deles. Ei-los ambos e convém enfatizar: o ano está terminando,
aproveitemos enquanto é tempo.
MATER LEGIONIS apresenta-se no Artigo: “Revista Digital na Legião, o que
é isso?”.
Na sessão “Bibliografia” oferecemos a íntegra do livrinho Vamos começar a
Legião de Maria? (98 páginas) do então Padre Mário Teixeira Gurgel.
Por fim, em “Outros Assuntos” as pequenas notícias, comunicações, anúncios...
tal qual em nosso Praesidium.
Entre outras coisas, damos a notícia da Revista oficial MARIA LEGIONIS, em
espanhol, colocada na internet. Noticiamos, também, a Revista Legião de Maria, nº 74,
que acaba de sair, com a transcrição do índice de ambas revistas.
Esperamos sugestões para contínua melhoria de MATER LEGIONIS.
Boa leitura, bom proveito, em Jesus e Maria.
Geraldo de Brito Freire, Diretor da Revista.
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E-mail
[email protected]
\\\\\\\ Ecce Mater tua ///////
PALAVRA DO FUNDADOR
MARIA E O ESPÍRITO SANTO
[Artigo do Servo de Deus FRANK DUFF, fundador da Legião de Maria, in Maria
Legionis, 1972, nº 3, páginas 1 a 6, da edição espanhola)
Vou descer ao princípio fundamental. Vou falar das coisas importantes que
devem estar presentes em vosso trabalho, há de produzir verdadeiro impacto. Vossa
ambição é colossal: conquistar de golpe, converter uma povoação em uma semana mais
ou menos. É magnífico e fantástico ao mesmo tempo. É algo possível se fôsseis canais
do Espírito Santo. Pois ele pode converter de um golpe, em um abrir e fechar de olhos.
Vou discutir convosco a mecânica de tudo isso. Vou falar sobre o mais excelso,
a Santíssima Trindade e Maria, a grande Mãe de Deus. Tende paciência comigo nesta
tarefa, a mais difícil de todas. Trato de fazer o que sempre procurei, reduzir as coisas à
simplicidade. Estou animado a isso por umas palavras do Arcebispo de Dublin dirigidas
a vós no Manual: “Não há no ensino da Igreja um corpo de doutrina que só uns poucos
podem compreender.”
Já que Maria é a esposa do Espírito Santo, cheia de sua graça, inseparável
companheira em sua missão externa, segue-se que se fez semelhante a ele até aquele
grau em que uma criatura o pode ser. A Igreja ensina-nos que foi levada até as fronteiras
do infinito. Partindo disto podemos continuar dizendo que ela proporciona a mais
completa expressão humana dele.
Jesus e o Espírito Santo
Aqui vem a objeção de que certamente é Jesus quem mais fielmente reflete o
Espírito Santo. Por definição este está em Jesus em um grau mais alto do que está em
Maria, mas não é esta a questão. Estou pensando em termos de projeção humana. Além
disso, ver Jesus como refletindo a Segunda e Terceira Pessoas levaria a uma
identificação destas Pessoas e não a uma desejável distinção das mesmas. Servimos a
este propósito, quando consideramos Jesus refletindo a Segunda Pessoa (que ele é) e a
Maria como refletindo-nos a Terceira Pessoa, com cujo papel está tão divinamente
entrelaçada.
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Enquanto tais imagens, como a pomba ou as línguas de fogo, apresentam-se a
nós como símbolos do Espírito Santo, não se pode dizer que se lhes assemelham. Por
outro lado, o Espírito Santo ao estabelecer uma união tão inexprimível com Maria está
fazendo necessariamente uma verdadeira revelação de si mesmo através dela. À
primeira vista isto desconcertará os que pensam em Maria como em mero canal das
graças do Espírito Santo, enquanto é muito mais do que isso. Volto ao fato de que Jesus
é a revelação da Segunda Pessoa, e Maria de forma menor e puramente humana cumpre
a mesma missão relativa à Terceira Pessoa. Uma plena compreensão disto está, desde já,
fora de nosso alcance, mas algo – e até muito – pode ser entendido, posto que isso se
pretende. Todas as verdades divinas se dão para nós a entendermos em partes. A razão
deve reforçar a fé, e isto progressivamente.
Isto aplica-se no caso presente. O Espírito Santo não se projetaria através de
Maria, se esta operação estivesse fora do nosso alcance para compreendê-la. Se o
Espírito Santo propõe-se manifestar-se a nós humanamente, teria que escolher não
meros símbolos pictóricos ou artísticos, mas uma pessoa. E esta pessoa necessitaria
estar no ponto mais alto da escala humana.
Teria que haver uma razoável adequação ou compatibilidade entre ele e aquele
meio que ele escolha para refletir-se. Assim como a Segunda Pessoa não desdenhou
valer-se da humanidade de Jesus Cristo e do seio de Maria para sua intervenção nos
assuntos humanos, assim não há nenhuma incongruência em que o Espírito Santo faça
um uso algo semelhante de um ser humano excelso como a Virgem.
A Segunda Pessoa Divina
Desde já há uma diferença. Desde o momento em que a Segunda Pessoa encarnou-se,
foi uma com Jesus e agora não existe de outra maneira. Jesus é a Segunda Pessoa
Divina. Por isso deve dar de forma humana a imagem mesma de Deus Filho, a quem
veremos no céu. De outra maneira Jesus não estaria realizando a intenção divina de
proporcionar-nos o mais completo retrato da Segunda Pessoa que os recursos finitos
podem proporcionar.
A mente esforça-se ineficazmente com a idéia de que Jesus manifesta-nos de
forma real a “imagem” mesma da Segunda Pessoa. Mas deve haver uma verdade nele,
que estamos obrigados a decifrar um pouco.
Por exemplo, quando os que viveram com Jesus entraram no céu, contemplaramno em toda sua glória como Segunda Pessoa e continuava sendo o mesmo Jesus que eles
haviam conhecido. Sua manifestação ou transfiguração em pura divindade não queria
dizer que ele se apresentava a eles como alguém diferente, ao qual deviam ser
apresentados, por assim dizer. Não, entraram com toda a naturalidade na velha
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familiaridade respeitosa de trato, como o fizeram depois da sua Ressurreição. Isto é o
que quero dizer ao afirmar que Jesus enquanto estava na terra refletiu de alguma
maneira para eles a imagem da Segunda Pessoa.
Até que ponto podemos argumentar igualmente com relação à Virgem Maria e
ao Espírito Santo? Podemos certamente chegar longe. Maria, ainda que não fosse
divina, estava submersa na Divindade até o máximo grau possível sem deixar de ser
criatura. Para efeitos práticos isto significaria que podemos aplicar a Maria e ao Espírito
Santo a mesma idéia que aplicamos a Jesus e à Segunda Pessoa. Os apóstolos ao
entrarem no céu veriam o Espírito Santo tão semelhante a Maria que teriam que dar uma
segunda olhada para distingui-los.
No caso de Jesus não haverá problema de distingui-lo da Segunda Pessoa, que é
ele, mas somente de ver a essência divina. Mas o Espírito Santo e Maria, por muito
parecidos que possam ser, são pessoas distintas, uma divina e outra humana. Neste
problema de identificar e separar ao mesmo tempo duas coisas distintas, temos esta
imagem que pode nos ajudar. A tela de um televisor tem sua própria forma externa, mas
uma vez que a imagem retransmitida chega à tela, a forma desta perde-se na imagem.
Este exemplo mostra como o efeito do menor funde-se com o maior.
O caso de Maria e do Espírito Santo é, desde logo, de uma ordem muito mais
alta. Por contra-posição ao caso da televisão, quanto mais se afirma o Espírito Santo em
Maria, mais é ela Maria, mais pessoal se faz. Já não é um caso de supressão, mas de
acentuação. Esta manifestação divina dá-se em um ponto mais alto em Maria, mas não
se limita a ela. É parte do mistério do interesse de Deus pela personalidade humana.
Quanto mais nos abandonamos a ele e nos perdemos nele, mais desenvolve-se nossa
personalidade.
Imagem distinta
Aclaradas estas coisas, acerco-me agora da questão da imagem do Espírito
Santo. Cada uma das três Pessoas Divinas tem sua própria imagem exterior e distinta. A
diversidade é uma das notas da Trindade Santa. Contemplaremos essa imagem durante
toda a eternidade. Mas não é suficiente deixar este assunto da imagem para a eternidade
como se não tivesse relação com nossa vida na terra. Verdadeiramente interessa-nos
aqui muito intimamente, porque afeta certamente e vitalmente nossa atitude para com
estas Pessoas.
Nossas vidas deveriam entrar cada dia em relação com cada uma destas Divinas
Pessoas por meio da adoração e oração. Tal aproximação deve ter algo em que se
apoiar. Não podemos rezar no vazio, isto é, sem idéia de aonde ou a quem vão nossas
preces. Pode-se encher em certa medida este vazio pondo um nome a nossa frente, quer
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dizer concretizando-nos a nós mesmos que estamos a ponto de dirigirmos a uma das
Pessoas Divinas, à Virgem Maria ou a um santo. Mas isto é uma imagem
correspondente para vestir o nome com uma forma. É duro em todas as circunstâncias
realizar o ato espiritual de rezar. Essa dificuldade aumenta incomensuravelmente se não
temos mais que um nome a quem nos dirigir, ou se temos somente símbolos
desmerecedores para propor a nossa imaginação, por exemplo a Santíssima Trindade
sob a forma de um triângulo luminoso ou o Pai Eterno como um olho humano.
O ponto mais alto que normalmente alcançamos com relação ao Pai é tal como o
pintor Miguel Ângelo, quer dizer um ancião de barba patriarcal. Para a Segunda Pessoa
temos uma imagem justa, a de Jesus Cristo. Para o Espírito Santo temos a pomba ou
uma língua de fogo! Não é bastante. Tais símbolos impediriam nossa comunicação com
o céu e a reduziria ao mínimo. Seria na mesma ordem como olhar as belezas da natureza
através de uma venda sobre nossos olhos ou tratar de falar com uma mordaça.
Uma relação importante
Por isso é um assunto de importância realmente grande que estabeleçamos uma
relação razoável com o Espírito Santo que é o agente de todas as ações externas da
Trindade, o doador de todas as graças, da que depende nossa vida agora e sempre.
É surpreendente pensar que a Segunda Pessoa Divina poderia encarnar-se em um
animal, por exemplo, um cordeiro, que é a figura bíblica do Filho de Deus. Se ele
houvesse encarnado assim, a imolação do Cordeiro poderia realizar a Redenção, ainda
que seja difícil ver como poderia estabelecer o Corpo Místico ou elevado o homem até
Deus.
Então esse Cordeiro real, sendo Deus, exigiria nossa adoração. Mas nessa
apresentação de si mesmo feito pela Segunda Pessoa haveria uma tal falta de aptidão
como para excluí-la. É quanto nossa imaginação pode fazer para contemplar Deus
unindo-se de forma tão íntima com a humanidade, que não podemos descer mais na
escala.
O mesmo pensamento de aptidão levar-nos-á a conceder à humanidade de Jesus
Cristo tal grau de excelência em todos os aspectos, que constituiria uma real adequação
para a união com a divindade. Uma devida adequação do nosso ponto de vista teria que
incluir não somente a santidade e uma qualidade humana sublime senão também uma
forma física excelente. Aqui é onde nossa imaginação falha. Não podemos entender
como a essência divina pode refletir-se em uma imagem humana. Mas exatamente
porque nossa razão pode dirigir-se a Deus, a quem não podemos representar, nossa
razão mesma nos diz que Jesus Cristo deve proporcionar-nos uma adequada semelhança
humana com a Segunda Pessoa Divina.
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O papel de Maria: meramente humano
Agora vamos aplicar a mesma linha de raciocínio ao caso diferente do Espírito
Santo e Maria. É diferente porque o Espírito Santo não chegou a encarnar-se nela.
Deixou-a em todos os aspectos uma pessoa humana, uma pura criatura. Seu papel na
Encarnação e Redenção haveria de ser exclusivamente humano. Isto era necessário
segundo a concepção que Deus tinha do grande drama. Projetou a participação de
Maria, enquanto que parecia em muitos aspectos submergir-se na divindade para que
permanecesse, não obstante, humana. É evidente que esta intervenção a coloca no ponto
mais alto possível da capacidade humana, tão próxima a Deus, que não podemos elevar
nossa imaginação tão longe. Mas o princípio essencial da Redenção é que a participação
de Maria seja humana. Tinha que atuar em proveito de toda a humanidade.
No entanto, suposto que não é divina, não se aplicam a ela as mesmas
considerações, como temos sugerido com relação a Jesus Cristo? Não se aplicaria o
mesmo argumento de acomodação a sua união com o Espírito Santo? Posto que essa
união é tão intensa quanto Deus possa fazê-la, não podemos raciocinar validamente que
Maria é feita e destinada a mostrar-nos uma semelhança análoga com o Espírito Santo,
parecida à semelhança de Jesus com a Segunda Pessoa Divina?
Ao lado desta função de interpretar, por assim dizer, o Espírito Santo para nós,
pareceria como se Maria tivesse uma função adicional de um personagem interessante.
Ao encarnar-se em Jesus Cristo, Deus tomou a forma de homem. Isto faz que
alguns digam que a mulher foi relegada a um lugar inferior na economia divina. Mas
esta não podia ser em nenhuma circunstância a intenção divina. Deus não é varão e não
teria nenhuma razão para promover o homem a um grau mais elevado. Verdadeiramente
pode suceder que quando se fizer o balanço final, a maior parte dos habitantes do céu
sejam mulheres. Se por certas razões de conveniência ele se encarna em um homem, o
mais provável é que equilibre a balança de alguma forma na ordem temporal.
As mesmas palavras usadas com relação à entrada do homem e a mulher contém
uma igualdade essencial: “Homem e mulher os criou” (Gn 1, 27). A forma de seus
corpos e a estrutura de suas mentes indicam o mesmo. As diferenças são somente
funcionais. Tampouco podemos imaginar as almas de um sexo como inferiores às do
outro sexo.
Funções diferentes
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É verdade que há diferenças evidentes de funções. Algumas destas são
interpretadas como se indicassem uma superioridade masculina, uma força física maior
e alguns aspectos mentais. Mas é concebível que estes poderiam ser ilusórios e
poderiam inclusive levar em direção contrária. Por exemplo, porque dar uma
importância à força física que poderia então usar-se para argumentar que o animal é
superior ao homem! O mesmo podia aplicar-se ao entendimento; se se pudesse alegar
que o homem apresenta uma superioridade em determinadas direções não poderia ser a
postura real igual que em um caso de músculos mais fortes, quer dizer que o que está
em jogo é somente uma função ou ofício, não uma qualidade real; e que o ofício da
mulher pode ser mais delicado e discreto, mas não de um nível inferior no essencial.
O homem tem uma missão a desempenhar no mundo, a qual requer certas
qualidades para levá-la a cabo, e o mesmo aplica-se ao caso da mulher. Ao fim o
homem será o que exercita a força e as coisas que seguem essa força. Mas isto não
significa virtude. O ofício do homem pode ocupar um posto mais alto, exatamente como
o dinheiro, na avaliação tosca da humanidade, mas não na mente de Deus. Os preciosos
dados de seu sistema monetário são a fé e o amor puro. Por isso, a seus olhos o atavio
de qualidade na mulher não é inferior. Não seria inteligente que uma mulher fosse
seduzida por sinais mais tangíveis e mundanos.
Não obstante é um fato que Deus se fez homem. Isto não nos mostra Deus
elevando o sexo masculino acima da mulher? Um homem e não uma mulher se fez
Deus. De que forma podemos suavizar esta aparente disparidade radical?
Parece-me que temos a resposta mais fácil na Virgem Maria e nas idéias que
temos sugerido. Se Deus encarnou-se em um homem, estabeleceu a relação mais alta e
próxima que se possa citar. A razão, além disso, para realizar essa relação especial com
uma pessoa varão não era a de proporcionar um grau mais alto de honra ou de
preferência ao sexo masculino senão que foi feita por outras razões suficientes, algumas
das quais podemos entrever. Por exemplo, o papel redentor a que Nosso Senhor foi
destinado era tal que não podemos imaginar a uma mulher desempenhando-o, pelo
menos nos tempos de Cristo. Sigamos este caminho e veremos que inadequada estaria
uma mulher nele. Teria sido um ultraje para a forma de pensar daquele tempo o fazer
que uma mulher se submetesse a realizar as diversas partes dessa função. Não
necessitamos completar este quadro.
Por que não uma mulher?
Mas diz nosso mestre objetante: “Não poderia Deus encontrar outra forma
apropriada para dar a uma mulher o papel de Redentor?” A onipotência de Deus não
sofreria, desde logo, menosprezo. Mas isto acarretaria sem dúvida um drástico reajuste
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do primeiro plano escolhido e só com o propósito na mente do objetante de privar ao
homem de uma suposta superioridade para dar-se a uma mulher. Isto seria
verdadeiramente feminismo como vingança! E ultrapassaria o motivo de queixa ao
homem!
Talvez se possa admitir então que o tempo e as circunstâncias requeriam que a
Encarnação se realizasse em um homem. Mas isso não dá ao gênero masculino uma
superioridade ou supremacia. Além disso, esse eminente teólogo que é Laurentin,
argüiu que em Jesus Cristo devem encontrar-se todas as qualidades femininas, de forma
que nele a mulher é exaltada igualmente com o homem. Ainda que certa, é esta uma
idéia bastante abstrusa, que poucos poderão captar. Por outra parte, nem todas as
mulheres verão como suficiente a representação feita por um homem. Melhor seria que
houvesse uma solução mais evidente e aceitável.
Creio que a temos na idéia da cooperação de Maria. Esta não passa por alto a
explicação de Laurentin, mas complementa-a. Tudo aquilo referente à mulher, que em
certo grau Jesus não pretende exaltar em si mesmo, realiza-o Maria. Ela não o faz em
sua qualidade de escrava de Nazaré, mas, se é que podemos distinguir, em seu papel de
esposa do Espírito Santo. Por meio de Maria a Terceira Pessoa da Trindade santa nos
apresenta de forma semelhante como a Segunda o fez por meio de Jesus Cristo.
Um ulterior propósito à vista seria o sumamente importante de fazermos a
diferenciação de Pessoas da Santíssima Trindade. Não basta olhar Deus constituindo
três Pessoas de uma maneira confusa. Devemos dissociar o melhor que pudermos a
Trindade em suas Pessoas, cada uma das quais desempenha um papel distinto com
relação a nós e a nossa salvação: e com cada uma das quais deveríamos ter
determinadas e claras relações.
Jesus faz isto com relação a Segunda Pessoa divina, que Ele é realmente. Em
Jesus está também o Espírito Santo, mas contentar-se com isto seria essa falta de
diferenciação que tratamos de evitar e que Maria vem aclarar. Por Maria se estabelece
essa diferenciação de forma simples e viva.
Diferenciação de Pessoas
O mero fato de conseguir essa diferenciação entre as três Pessoas divinas seria
um avanço. Mas eu penso aqui em termos de uma espécie de revestimento de carne de
cada uma das divinas Pessoas, quer dizer, atribuir a cada uma um caráter, uma
personalidade, que possamos entender e que nos capacite pra dirigir-nos a ela sem
esforço, o qual, de certo modo, no-las faz presentes.
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Se, seguindo o tema desta descrição, vemos em Jesus a Segunda Pessoa divina e
em Maria de certa maneira a Terceira Pessoa, tivemos certamente êxito, alijando de
nossas mentes qualquer vacuidade que pudéssemos ter com relação à Trindade. Além
disso, podemos ver que a divindade aproxima-se da humanidade manifestando-se a
Jesus como homem e em Maria como mulher.
Esta forma de pensar capacita-nos a ver especialmente no Espírito Santo o que
podemos chamar o lado feminino de Deus e que de outra maneira poderíamos passar
por alto. Maria foi feita semelhante ao Espírito Santo, na medida em que uma criatura
podia sê-lo, e reflete em conseqüência sua imagem no grau mais completo
humanamente possível.
A Imaculada Conceição foi o nascimento espiritual de Maria. Não será
permitido sugerir que, como qualquer progenitor, imprimiu o Espírito Santo nela sua
própria imagem e figura? Isto ver-se-ia acentuado pelo conseqüente crescimento de
graça que haveria de convertê-la em digna mãe de Jesus e apta cooperadora do mesmo
Espírito Santo. Ele revela-se por ela em tal medida que quase podemos vê-lo nela. É
desta maneira como falam de Maria as conhecidas e aprovadas revelações de Santa
Brígida da Suécia: “Aquele que me vê, pode ver a divindade e a humanidade em mim
como em um espelho e a mim em Deus. Pois quem quer que vê a Deus, vê as três
divinas Pessoas nele; e quem quer que me veja, vê, por assim dizer, as três Pessoas nele;
e quem quer que veja, vê, por assim dizê-lo, as três Pessoas. Pois a divindade envolveume em si mesma com meu corpo e alma e encheu-me de toda virtude” (Introdução à
Verdadeira Devoção do Cardeal Vaughan).
“Retrato humano” do Espírito Santo
E por suposição o mesmo pode dizer-se ao inverso. Se Maria foi feita na medida
do possível para que se pareça ao Espírito Santo, segue-se que o Espírito Santo é
semelhante a ela. Ela proporciona-nos de forma humana um retrato inteligível dele, mas
que vive e faz entrega da virtude interior assim como da imagem externa.
Nas considerações anteriores há um adicional raio de luz com relação a esta
sublime mulher a quem a Trindade Santa escolheu antes dos tempos como sua
cooperadora no drama da humanidade, entretecendo estreitamente seus destinos com o
Redentor. Ela cobre a inevitável distância entre o homem caído e seu Criador e torna
possível a Redenção. É a verdadeira Mãe da Segunda Pessoa divina, apresentando-a de
uma forma que nos capacita a todos a amá-la e a alguns a amá-la no mais alto grau.
Então encontramo-la realizando uma finalidade quase igual com relação à
Terceira Pessoa divina. Aqui há um pequeno ponto de reflexão. O catecismo, ou melhor
um estágio ulterior a este, ensina que o Pai engendra o Filho e que ao mesmo tempo o
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Espírito Santo procede do Pai e do Filho. Ele é engendrado, por assim dizer, pelo
conhecimento e o amor mútuo conseqüente. Esta operação trinitária começou antes do
tempo ou melhor não começou nunca e continua desenvolvendo-se sempre. Este é um
pensamento demasiado profundo para nos determos nele. Nossas mentes não podem
resistir mais do que nossos olhos agüentam a visão do sol.
O Pai realizou esta operação no tempo, quando fez que seu Filho, a Segunda
Pessoa, tomasse carne em Maria. Fez isto pelo poder do Espírito Santo, que leva a cabo
todas as obras externas da Trindade. Isto significa que um ser humano era introduzido
de uma forma especialmente íntima na vida da Trindade Santa. Ela chegou a ser
verdadeiramente a Mãe do Deus-Homem, Jesus Cristo, e cooperou livremente com a
força do Espírito Santo no sublime mistério da Encarnação. Posto que Maria é para
sempre a Mãe de Jesus Cristo, é também para sempre a cooperadora com o Espírito
Santo em todas as obras de salvação. Isto a constitui medianeira de todas as graças.
Poderíamos pensar mais profundamente e dizer que, já que coopera livremente
na Encarnação do Filho de Deus, é por ele, com o agrado divino, associada com o Pai e
o Filho na obra de comunicar o Espírito Santo em todas as tarefas de santificação, tão
exatamente igual que, através de sua livre vontade, ela deu Jesus Cristo ao mundo. Este
é um traço de grandeza e a razão, que transcende a todas as demais razões, de porque é
chamada companheira, advogada, cooperadora, medianeira.
Esta múltipla função sua, que a mostra em uma relação característica com cada
Pessoa divina, faz que seja descrita pela Igreja como o complemento da Trindade Santa.
É esta uma expressão que deve ser tomada no sentido mais pleno, pois foi incorporada
de uma forma externa mas vital às operações da Trindade. Não podemos compreender a
maior parte de tudo isto. Mas o que é compreensível deve ser provado, porque é
necessário para nossa vida espiritual. Devemos ter uma idéia das três divinas Pessoas e
captar a extraordinária participação de Maria; um dos seus aspectos é que faz
aproximar-se de cada Pessoa desde sua distância divina e lhes confere uma
substancialidade que nos faz capazes de tratar com familiaridade com elas até o ponto
de conversar nas formas de um avançado amor humano, e até o ponto de falar e
comportar-nos como crianças. A Maria devemos o estabelecimento de uma relação tão
escolhida, uma relação de amor e não de medo.
Diria que como resultado de tratar de associar o Espírito Santo com a Virgem
Maria ao longo das anteriores linhas, consegui aproximar o Espírito Santo desde sua
vacuidade anterior e fazer que seja em minha imaginação uma Pessoa muito real com
um elemento algo substancial. Vejo-o como possuindo características análogas às da
Virgem Maria, escondendo-se nela muito, mas sempre como uma Pessoa distinta,
realmente feminina (ainda que o costume me obrigue a dizer “ele”) e combinando a
delicadeza, que vemos na Virgem Maria, com um infinito poder e amor. Para os fins do
mecanismo de comunicação, isto representa um grande avanço. Rezamos a um ser
gracioso, radiante, amoroso e não já a uma sombra temível!
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Esposo de Maria?
A esta altura talvez se diga que o Espírito Santo, sendo esposo de Maria, não se
pode imaginá-lo com caracteres femininos. Mas esse termo “Esposo de Maria” não deve
conter o sentido de que o Espírito Santo é o marido de Maria ou o Pai de Jesus Cristo.
Não é nenhuma destas coisas. É o meio e a força através da qual o Pai produz seu Filho
em Maria. Por esta razão muitos escritores têm buscado outro termo distinto do de
esposo para descrever sua relação com Maria.
De que maneira influi Maria em nossa forma de pensar com relação ao Pai? Pois
bem, se alcançamos o grau de familiaridade com alguns membros de uma família, se
estabelece por isso mesmo um laço parecido com outro membro a que não vemos. Por
Maria chegamos a uma intimidade com a Segunda e Terceira Pessoas da família divina,
e essa intimidade alcança e chega também ao Pai. É necessário aproximarmos mais dele
por razão da insuficiência da imagem comum que temos dele. Não é um temível senhor
de barba branca. Não é homem de modo algum. É um ser extraordinariamente formoso,
que nos ama de forma que não podemos comprovar e que arrebatará nossos corações na
eternidade. Devemos ter alguma forma de concepção digna dele. Mas isto fica para
outro dia.
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ALLOCUTIO
Por Frei Liam Ó Cuiv, Diretor Espiritual da Curia Veneranda,
na reunião do Concilium Legionis, abril de 2010.
Este ano, em que estamos voltando às bases da Legião, é importantíssimo que
enfatizemos o segundo item da Ordem Permanente, a recitação diária da Catena. Catena
significa elo, cadeia. Entendamos que a oração do Magnificat, rezado diariamente é uma
cadeia ou elo que liga todos os membros da Legião, todas as classes de membros. Aliás,
quando alguém deixa de pertencer à Legião, seja qual for o motivo, deve ser encorajado
a continuar a recitação da Catena, pois terá sempre alguma ligação com a Legião. É
preciso que os Legionários conheçam o importante papel da reza da Catena, na vida do
Legionário.
A Catena começa com a pergunta: “Quem é esta?” Quem é Nossa Senhora? Em
seu Magnificat, Ela nos dá uma resposta perfeita. Maria nos revela sua verdadeira
identidade, seu coração, sua alma. Ela nos mostra, mais perfeitamente, seu espírito, e
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como diz o Manual, “mostra-nos o espírito de Maria”. Na Anunciação, Maria se diz a
Serva do Senhor. Ela quer apenas, fazer a vontade de Deus. no Magnificat, Ela
demonstra sua alegria e entoa o mesmo tema: Ela está totalmente mergulhada em Deus.
No Magnificat, a Legião destaca o que é mais profundo em Nossa Senhora: sua
vida de oração, sua relação com o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Seu Coração é o lugar
onde a Santíssima Trindade gosta de habitar e é o lugar onde nós devemos habitar
também. É claro, que nós sempre temos um lugar no seu Coração, porque Ela é nossa
Mãe e todas as Mães guardam os filhos no coração. Por que Ela é nossa Mãe, deseja
partilhar conosco tudo o que possui. Não há nada em Maria que Ela não queira partilhar
conosco. Partilha conosco sua relação com seu Filho Jesus, sua relação com o Espírito
Santo e com Deus, nosso Pai. Então, na Catena, rezamos com Maria, usando suas
próprias palavras e lhe pedimos que nos dê a participação em seu espírito, tão belamente
expresso em seu Magnificat. Foi realmente, um golpe de mestre, que Frank Duff
colocasse o Magnificat como o centro de todas as orações legionárias. Bem, ele diria
que isso foi escolha e dom de Maria dar seu coração e sua vida de oração à Legião.
Permitam-me que lhes mostre, rapidamente, algumas convicções de Nossa
Senhora reveladas no seu Magnificat. Primeiramente, sabemos que Deus A ama total e
incondicionalmente. E que foi escolhida por Deus. Que Deus A ama em sua baixeza, em
seu nada. E Ela quer que tenhamos a mesma certeza. Ela está plenamente certa de que
tudo o que é bom nela, é obra de Deus. Sabe que Deus a remiu e se regozija em Deus,
seu Salvador. Nós Legionários precisamos recordar as palavras de Santo Efrém: “Que o
espírito de Maria esteja em cada alma para glorificar Deus”. Numa palavra: Maria
expressa tudo o que é: “Minha alma glorifica o Senhor”. Ela não nos deseja outra coisa
e nos convida a fazer o mesmo.
Ela sabe que sua existência é dom de Deus e nos diz que esse dom está
disponível para aqueles que a reverenciam.
Ela nos mostra que o orgulho é a destruição do mundo, porque impede que
recebamos a graça. O Senhor derruba os corações soberbos. E nós sabemos por nossa
própria experiência que o orgulho pode destruir ou enfraquecer a própria Legião de
Maria.
Maria fala-nos, ainda, do poder da humildade. As graças fluem abundantemente,
quando há uma humildade autêntica. Humildemente, devemos desempenhar um papel
na solução de todos os problemas e dificuldades da Legião.
O Magnificat deve ajudar-nos, a verdadeiramente, adquirir o coração e o espírito
de Maria. É por isso que a Catena é tão importante na formação do espírito da Legião.
Quando rezamos o Magnificat, juntos, nas nossas reuniões, fazemos uma meditação
pessoal com todo o fervor. Se vocês querem realmente conhecer, amar e servir Maria
encontrarão na Catena a melhor maneira para começar a fazê-lo.
Para encerrar esta “allocutio” feita no tempo da Páscoa, imitemos Santo Efrém e
baseemos nossas palavras no Manual: “Por Vós, ó Maria, temos um penhor seguríssimo
da nossa ressurreição”.
*Comentário.
13
Este Allocutio nos dá lições essenciais em linguagem simples e direta. O
assunto, a recitação da Catena, foi realçado para mostrar a ligação diária de todos
legionários com Maria Santíssima, seja ativo ou auxiliar.
Diz que Nossa Senhora revela-se no Magnificat, que também o mesmo é lição
de vida e norma para os legionários. Explicou como entender. Há que ler em
profundidade para impregnar nossa alma no conteúdo.
Como chega o Allocutio do Boletim Mensal nos Praesidia? Se chega, como se
usa? Pois é claro que todo Praesidium liga-se ao Concilium e à Legião do mundo,
através do Boletim – é uma das suas funções. Há muito que aproveitar do Boletim no
Praesidium. Primeiro, que o Allocutio seja lido, re-lido, estudado, comentado, posto em
prática, incorporado à vida do legionário. Pelo alto nível, o Allocutio do Concilium é
verdadeiro padrão, modelo, exemplo. É possível aprender a fazer Allocutio no estudo
deles. Isso porque em muitos Praesidia, na ausência do Diretor Espiritual, o Presidente
profere o Allocutio – que se prepare à luz do Allocutio exemplar.
Outro fator a considerar: o Allocutio do Concilium tem valor permanente. Não
se esgota no mês, nem no ano. Levando a sério este fato, há a idéia de publicar uma
coleção de Allocutio do Concilium. Por exemplo, dos últimos 10 anos, que dariam um
livrinho contendo 120 deles. Pode-se, então, preparar um índice com os assuntos para
realçar e facilitar os estudos, além de orientações para fazer bom Allocutio.
Há pessoas que podem preparar este livrinho, em Brasília, MAS não se guardou
a coleção do Boletim Mensal... Existirá esta coleção com alguém e que nos mande cópia
xexox do Allocutio? Algum legionário zeloso fará isso pela Legião, pelos legionários,
por Maria?
\\\\\\\ Ecce Mater tua ///////
ARTIGOS
NOSSOS LEGIONÁRIOS MÁRTIRES
Por Enda Dunleavy, Secretário do Concilium Legionis.
[Extraído de www.legiondemaria.org em 28-8-2010, traduzido e *comentado.
Ver no final do Artigo.]
Convidado para fazer a Conferência de PPC esta tarde (31 de outubro de 2009)
volto ao tempo de minha primeira Conferência de PPC que aconteceu em França (1960
e 1961) e a seguir nas Terras Altas da Escócia (1962 e 1963) e a eventos anteriores a
este quando fizemos um círculo semanal francês para Correspondentes em Annunciata
House estabelecido pelo falecido Ir. Harris O‟Carrol. Tínhamos como professora de
francês a Senhorita Louise Gavan Duffy que em 1916 estava entre as equipes de
mulheres lutando e prestando serviços médicos e apoio no Escritório Principal de
Correios (GPO). Considerada uma mulher extraordinariamente valorosa em seu tempo,
14
sua participação como membro significou muito para Frank Duff e os legionários da
época. E entre os novos Correspondentes Franceses que assistiram ao Círculo Francês
estava Maurice Foley que foi designado Correspondente de Dacar, Senegal. Realmente
guardo uma recordação preciosa dele, um cartão postal de Cross Lane Hospital,
Scarborough, datado de 22 de julho de 1958. Apesar de estar enfermo no hospital
durante três semanas, promete escrever a carta a Dacar e tê-la pronta, para meados da
próxima semana, “estará bem assim?” Continua dizendo: “Talvez interesse saber que
um grupo de estudantes do Colégio Universitário de Dublin (UCD) acaba de chegar a
Londres e estão trabalhando com o Praesidium ali. Tinha a esperança de unir-me a eles
mas não será possível agora”. Falava dos primeiros voluntários de PPC, “Apóstolos nas
Férias”, assim foram chamados, a primeira equipe registrou 12 conversões atestadas à fé
Católica. É bom saber que a PPC mantém desde então essa prioridade em nossa mente,
a busca de conversões à fé Católica. Maurice foi o primeiro Presidente de PPC.
Quando me solicitaram a Conferência pedi conselho para meu tema. Sugeriramme Os Macabeus. Como este tema também agradou a Frank Duff, estava feliz em voltar
a ler este livro da Bíblia e de selecionar o que mais interessava deste assombroso
episódio na história do Judaísmo. Lê-lo foi confirmar minha crença de que a história de
todas as nações para bem ou para mal encontra-se representada na história dos judeus. O
que mais despertou a imaginação na história dos Macabeus foi o martírio dos sete
irmãos e sua mãe em Macabeus 2, 7. A história tem muito que ver com a devoção à
verdadeira fé, o que também é assunto de PPC.
A história dos Macabeus encontra também paralelismos na Legião e
especialmente em seus Mártires. Assim pois, recordemos nossos mártires já que seu
espírito nos sustenta. Tenho uma coleção de Maria Legionis que comecei desde o
primeiro momento em que entrei na Legião. Esses primeiros números recordo-os
vivamente e a maior parte dos artigos tratados neles. Mais tarde, quando surgiu a
oportunidade, completei-a com os números anteriores até o dia, quando tive completa a
coleção. Infelizmente, com o passar do tempo, iam me pedindo um número ou outro e
como não tínhamos fotocopiadoras, a coleção foi ficando desfalcada. Recordo que
Malta queria ter a coleção completa e isto me fez ficar com menos números. No entanto,
os que restaram continuam muito valiosos.
Vejo que o primeiro mártir legionário mencionado é Frei Joseph Seng (o Cheng,
também pronunciado Shen, sendo seu nome chinês completo Shen Shi-Xian). A
primeira vez que conheceu a Legião foi como estudante em Roma. Enquanto lecionava
no Propaganda Fide College,em Roma, realizou a grande tarefa de traduzir o Manual da
Legião em chinês. Sua primeira cópia enviada à China perdeu-se. Fez de novo. Depois
de ordenar-se, passou dois meses em Dublin em 1949, conhecendo Frank Duff,
aprofundando seu conhecimento da Legião, assistindo ao Concilium. Em seu regresso à
China, foi designado ao Escritório Central Católico em Xangai, onde conheceu Frei
McGrath e renovou seu compromisso com a Legião chegando a Diretor Espiritual da
15
Curia de língua inglesa em Xangai e Diretor Espiritual Diocesano também. Viajou para
Tientsin onde conquistou a simpatia dos legionários a ponto de o chamarem “Tio Joe”.
Sabendo que seus movimentos eram vigiados, não hesitou em adotar o disfarce de um
mendigo vestido de farrapos e assim visitou Bispos de várias dioceses para promover a
Legião. Então, quando a campanha contra a Igreja piorava, ele junto com Frei Adão
McGrath concentraram suas energias no trabalho do Escritório Católico Central, o qual,
com a ajuda da Legião, pôs em sobreaviso os católicos de toda a China sobre os
movimentos planejados pelos Comunistas para solapar as bases da Igreja, especialmente
o artifício da “Associação Católica Patriótica” destinada a separar a Igreja de Roma. Sua
foto aparece na capa do volume 9, nº 2 de 1953. O texto o descreve como “Diretor
Espiritual da Legião em Xangai e co-tradutor do Manual em chinês. Sua prisão por suas
atividades legionárias o leva à morte na prisão comunista. A data de sua morte na prisão
parece ter sido pelo Natal de 1952.
Foi o primeiro de muitos legionários mártires. É um fato importante estabelecer.
Foi o nosso primeiro mártir legionário? Também há o Padre Beda Chang, S.J. que foi
aprisionado ao mesmo tempo que Frei Seng. Foi o Diretor do Colégio secundário Santo
Inácio e Diretor do Corpo Docente na Universidade Aurora. Amigo e Conselheiro dos
estudantes, seria sem dúvida um partidário da Legião. Morreu talvez, um ano antes que
Frei Joseph Seng. Ele foi o primeiro mártir da era comunista na China. Houve outros
que deram suas vidas nas mesmas datas mas, como disse Mons. Riberi, inclusive no
caso dos sacerdotes, muitas vezes seu destino chega a ser conhecido só através de
circunstâncias acidentais.
No entanto, sabemos de alguns outros. Irmão Fan-lan-peng, Presidente da Curia
de Tayuan, foi executado junto com o Secretário de sua Curia em 24 de dezembro de
1952. Detalhes de seu valor heróico estão registrados em Maria Legionis de junhoagosto de 1956. “Não tenho medo de morrer”, disse aos torturadores, “Pelo contrário,
considero uma bênção, porque me traz liberdade e união eterna com meu Senhor e
Salvador”. Seu último grito foi “Vida longa à Legião de Maria”.
O Irmão Chang Huan-Hsiang, Presidente do Senatus de Pequim, foi outro.
Como Presidente do que foi considerado o Senatus nacional da China, conheceu o que
estava reservado para ele se não renunciasse à Legião. Acusado pelos membros de sua
própria família, foi encarcerado, torturado e finalmente condenado em juízo público e o
mataram a pauladas em sua cidade natal. Testemunhou um sacerdote encarcerado em
cela contígua, que escutou sua última confissão, Frei J. Schyns, um missionário de
Scheut e ex-reitor da Academia Verbist, Pequim.
O Irmão Francis D. S. Shen, Presidente do Senatus de Xangai, pai de sete filhos,
é outro dos encarcerados nessa mesma época. Sua mulher o animou a perseverar na
Legião, dizendo “Cuidarei dos meninos”. Encarcerado em 7 de outubro de 1951,
segundo Filomena Hsieh (A Nuvem Brilhante, Taipé, 2003), foi sentenciado a doze anos
16
de prisão. Por causa de persistir no ensino da fé, foi levado a um segundo juízo,
condenado a morte e executado em 30 de novembro de 1963.
Em sua palestra ao Comitium de Los Angeles em 1957, Frei John Chinn, um
antigo Diretor Espiritual na China disse que mais de 2.000 legionários chineses
derramaram seu sangue pela fé. Outros, principalmente missionários expulsos dizem ser
impossível saber os números. Tudo o que sabiam era que em toda a parte os legionários
haviam sido presos, interrogados sob coação e encarcerados. Muito poucos renunciaram
a sua filiação à Legião e aqueles que o fizeram, segundo Frank Duff, foram muitas
vezes suspeitos de serem infiltrados na Legião como informantes. Alguns dos que
traíram e fraquejaram, soube-se mais tarde, que se arrependeram e foram à polícia
retirar a renúncia. Frank expôs o assunto com veemência quando disse em um folheto
que escreveu em 1965 a pedido de Tom Smith “Guardo um rancor pessoal contra Mao.
Assassinou 40.000 de nossos legionários”. Como chegou a esse número: “Os
missionários expulsos estavam informando Roma ou a suas Congregações” disse.
Depois vinham aqui. Entendemos inteiramente.
A Irmã Eamon O‟Sullivan (Molly para seus amigos corkonianos), uma
Missionária Franciscana de Maria, que foi fervente legionária, Diretora Espiritual em
Pequim morreu em 1 de setembro de 1966 em Hong-Kong depois de ser colocada num
carrinho de equipamento da ferrovia dos Guardas Vermelhos e lançada da ponte de
Lowu, que separava a China continental de Hong-Kong. A história dos sofrimentos que
suportou nas mãos dos Guardas Vermelhos é contada no livro de Frei Des Forrestal (A
ponte de Lowu, Veritas, 1987). Seus restos mortais foram trazidos de volta para casa,
em Cork, onde o Alcaide e o Conselho Municipal os receberam. Na Municipalidade
antes que o funeral chegasse a sua última etapa no Convento de Loughglynn. Ela
seguramente está também entre os mártires da Legião. Frei Forrestal em seu livro fala
das centenas de jovens legionários que foram à polícia, não para assinar sua confissão
mas equipados de cobertores para dormir prontos a ir à prisão antes que renunciar à
Legião. Isto ocorreu não só em um local, mas em muitos, o que envergonhou a polícia
de forma que alguns protestaram ante as altas autoridades como ficou registrado pelo
Internúncio Riberi.
O cenário seguinte é África. Fazendo referência de novo a nosso Circulo Francês
com a Senhorita Gavan Duffy, recordo que conseguimos um detalhado informe sobre
Dahomey, capital da moderna República de Benin, o qual contou uma história diferente,
mas uma vez mais de mártires legionários. Era e continua sendo o costume étnico de
que as moças em uma família eram vistas como um ativo financeiro porque podiam ser
dadas em casamento por um dote. Isto não é necessariamente mal porque protege as
moças em seus anos de juventude. De fato, recordo em recente informe sobre a África
Central, onde a um jovem lhe haviam dado sua noiva por uma nota promissória, quando
ele deixou de honrar a promissória, que provavelmente era um número vultoso, os pais
da moça vieram e confiscaram a noiva. Em todo caso, havia um Praesidium de moças
17
que se converteram em cristãs e batizadas. Mas um número delas, três se recordo bem,
foram dadas em casamento a pagãos. Estas jovens legionárias recusaram casar-se com
estes pagãos. O resultado, que sabiam bem qual era, foi que foram assassinadas. Até
onde sei, foram elas nossas primeiras mártires em África. Desde aquele momento, como
aconteceu na China, o número dos mártires legionários aumentou e continua
aumentando. Alguns nomes conhecemos, mas da maior parte não. Aqui estão alguns
relacionados por terem sido mortos pela fé ou por persistir em seu trabalho da Legião
apesar das advertências. Isto está sujeito a verificação nos informes originais.
Baltazar Kalamu, um dos primeiros legionários de Kasaye morreu pela fé em
1961. Fortunato Kabangele, Secretário da Curia de Mweka, também em Kasaye, Congo.
Francis Ilunga, Presidente do Praesidium de Ruwe, Kalwezi, Congo. Abbé Thomas
Beya, primeiro tradutor do Manual Tschiluba. Pierre Boumsang, Praesidente do
Praesidium no país Bassa, Camerun. Laurent Yumba, Presidente da Curia de Kambi,
Bernard Mabika e Henry Makena, Presidente e Secretário da Curia de Lusambo, Kasai.
A Beata Marie Clémentine Nengapeta, conhecida como Anuarite, que foi membro ativo
da Legião em Bafwabaka, Congo, martirizada em 1964 por Simbas que haviam
deportado algumas monjas e cujo líder escolheu a Anuarite para si mesmo. Cardeal
Emile Biayenda de Brazzaville, um legionário e Diretor Espiritual assassinados em 23
de março de 1977.
Cada um destes nomes representa um exemplo de heroísmo. Escolhamos um,
Pierre Boumsang do país Bassa perto de Edea, Camerun. Aqui está o que o registro diz:
“Um notável Presidente de Praesidium no país Bassa filiado à Curia de Samba fundado
pela falecida Irmã Eileen Sheehy foi o Irmão Pierre Boumsag. Conselheiro da cidade e
reconhecido como pilar do povoado. O subprefeito para a área, um protestante, notou o
aumento de ataques terroristas nos postos da Missão, percebeu que Pierre estava em
perigo e lhe ofereceu a ele, a sua mulher e filhos, proteção em um lugar perto do Quartel
General da região. Pierre lhe agradeceu e disse “Sou catequista daqui. Que tipo de lição
de catecismo seria para nossos cristãos se agora abandono?” Os terroristas chegaram,
Pierre lhes faz frente com as palavras de Nosso Senhor: “Sou eu a quem buscam,
deixem a estes ir-se em paz.” Agarraram-no e também ao professor, um sobrinho seu
que também era legionário. Na entrada do povoado Pierre disse: “Estes são os limites de
meu povoado. Prometi que não abandonaria meus cristãos, assim que me matem aqui se
querem”. Pelo que ali mataram os dois com facas. No dia seguinte os cristãos
recuperaram seus corpos e os enterraram no povoado”.
Não posso passar o Congo sem mencionar uma Enviada famosa que poderia ser
esquecida hoje, Anne O‟Connor. Em todo esse período fratricida, ela nunca deixou de
viajar animando e enviando relatórios. Sempre que chegava a um posto militar dirigiase ao oficial superior com “Legião de Maria – de passagem!” Tanto que os soldados
congoleses a chamavam “General Jupe” e os Praesidia também multiplicaram-se entre
os soldados.
18
Alguns dos relatórios que Anne enviou são horrorosos de ler mas tem sentido a
leitura se somos sérios em nossa fé. Eis um tirado de Maria Legionis, número 1 de
1962.
De Laurent Yumba, o seguinte informe nos foi dado por um sacerdote: “Laurent
era um professor e foi capturado por seus alunos de sexto ano primário que o levaram a
Manono, maltratando-o pelo caminho. Ao chegar a Manono, foi encarcerado com outros
professores e empregados da Géomine, por volta de 30 no total. No cárcere, nosso
querido Irmão Laurent Yumba instruiu e preparou onze de seus companheiros de prisão
para o Batismo. No dia de sua morte, o executor começou tomando um trago de sangue
humano e a seguir pôs mãos a obra. A Laurent e seus companheiros lhes fez primeiro
beber gasolina; em seguida foram cortados os membros de seus corpos, braços, orelhas,
narizes, etc., depois disto os restos mutilados empilharam em um monte para queimar.
Assim foi seu martírio, um heróico testemunho a nossa fé. Aqui em Sola,
celebramos uma Missa de Réquiem solene – mas de minha parte, a ofereci como Missa
de ação de graças por esta graça maravilhosa. Permita regozijar no Senhor quem está
maravilhado em encontrar para Ele almas de eleição dentre os legionários de África.
Que fonte de graça para nossas comunidades cristãs de jovens instáveis.”
Menciono estes nomes e suas histórias de forma que possamos tirar inspiração
deles. Dão glória a nosso movimento. Sua valentia nos inspira. Deveríamos recorrer às
palavras de Frank Duff. “Ainda que o caráter possa ser mostrado nos grandes
momentos, é nos pequenos momentos que é feito”. Assim se inclusive alguém não é
chamado ao martírio como o foram nossos Irmãos Chineses e Africanos, podemos
entrar no mesmo caminho mostrando valentia nos pequenos momentos.
Por último, não seria correto omitir Mary Lee Walters, secretária do Comitium
de Pittsburg, mártir da pureza. Foi uma jovem mulher maravilhosa, uma legionária
realmente ativa e sensacional, que ficou em seu local para terminar algum trabalho. Foi
interceptada por um homem, a quem resistiu e não respondeu a suas insinuações.
Apesar de múltiplas punhaladas, lutou até o final e deu sua vida por sua virtude. Frank
Duff disse dela, “Seria inclusive um melhor exemplo do que Santa Maria Goretti já que,
além de sua resistência heróica, tinha um estimulante histórico de trabalho apostólico”.
Um aspecto dos sofrimentos dos legionários era que os católicos de qualquer
lugar, tanto na China onde ocorreu o primeiro martírio como no Congo uma década
depois, foram despertados sobre a importância da Legião e se deram conta que eles
também foram chamados a serem ativos pela fé. Por exemplo a Diocese de Tiyuan,
China, uma grande localidade com uma grande população e muita indústria. O Núncio
Riberi e Frei McGrath foram alertados de uma grande batida mas a Diocese não chegou
a saber e um grande ataque comunista se deu sobre a Legião e houve martírios. Também
19
no Congo, os cristãos estavam desanimados, começaram a ouvir sobre a Legião,
pensaram que se era tão importante para os comunistas que os missionários legionários
estivessem fora, então deveria ser algo bom. Este processo de pensamento ajudou a
rápida extensão da Legião.
E para que não acreditemos ser esta selvageria sem comparação, permitam-me
terminar com um extrato dos Macabeus tão importante na mente de Frank Duff.
O glorioso martírio dos sete irmãos e sua mãe.
Capítulo 7. 1 - Aconteceu também que sete irmãos, detidos com sua mãe,
começaram a ser coagidos pelo rei a tocar na proibida carne de porco, sendo por isso
atormentados com flagelos e nervos.
2 - Um dentre eles, fazendo-se porta-voz dos outros, assim falou: “Que pretendes
interrogar e saber de nós? Estamos prontos a morrer, antes que a transgredir as leis de
nossos pais.”
3 - O rei, enfurecido, ordenou que se pusessem ao fogo assadeiras e caldeirões.
4 - Tornados estes logo incandescentes, ordenou que se cortasse a língua ao que se havia
feito porta-voz dos outros, e lhe arrancassem o couro cabeludo e lhe decepassem as
extremidades, tudo isto aos olhos dos outros irmãos e de sua mãe.
5 - Já mutilado em todos os seus membros, mandou que o levassem ao fogo e o
fizessem assar, enquanto ainda respirava. Difundindo-se abundantemente o vapor das
assadeiras, os outros exortavam-se entre si e com sua mãe, a morrer generosamente. E
diziam:
6 - “O Senhor Deus nos observa e tem verdadeiramente compaixão de nós, segundo o
que Moisés declarou no seu cântico, que atesta abertamente: „Ele terá compaixão de
seus servos.‟”
7 - Tendo passado o primeiro desta forma à outra vida trouxeram o segundo para o
ludibrio. Tendo-lhe arrancado a pele da cabeça com os cabelos, perguntaram-lhe:
“Queres comer, antes que teu corpo seja torturado membro por membro?”.
8 - Ele, porém, na língua de seus pais, respondeu: “Não!” Por isso, foi também
submetido aos mesmos tormentos que o primeiro.
9 - Chegado já ao último alento, disse: “Tu, celerado, nos tiras dessa vida presente. Mas
o Rei do mundo nos fará ressurgir para uma vida eterna, a nós que morremos por suas
leis!
10 - Depois deste, começaram a torturar o terceiro. Intimado a pôr fora a língua, ele a
apresentou sem demora e estendeu suas mãos com intrepidez,
11 - dizendo nobremente: “Do céu recebi estes membros, e é por causa de suas leis que
os desprezo, pois espero dele recebê-los novamente.”
12 - O próprio rei e os que rodeavam ficaram espantados com o ânimo desse
adolescente, que em nada reputava o sofrimento.
13 - Passado também este à outra vida, começaram a torturar da mesma forma ao
quarto, desfigurando-o.
20
14 - Estando ele já próximo a morrer, assim falou: “É desejável passar para a outra vida
às mãos dos homens, tendo da parte de Deus as esperanças de ser um dia ressuscitado
por ele. Mas para ti, ao contrário, não haverá ressurreição para a vida!”
15 - Imediatamente trouxeram à frente o quinto, começando a torturá-lo.
16 - Ele, porém, fixando os olhos sobre o rei disse: “Tendo autoridade sobre os homens,
tu, embora, sejas corruptível, fazes o que bem queres. Não penses, porém, que o nosso
povo tenha sido abandonado por Deus.
17 - Quanto a ti, espera um pouco e verás o seu grande poder: como ele há de
atormentar a ti e à tua descendência”.
18 - Depois deste trouxeram o sexto, que disse antes de morrer: “Não te iludas em vão!
Nós sofremos tudo isto por nossa própria causa, porque pecamos contra o nosso Deus,
acontecendo-nos em conseqüência coisas espantosas.
19 - Tu, porém, não creias que ficarás impune, depois de teres empreendido fazer guerra
contra Deus!”
20 - Mas sobremaneira admirável e digna de abençoada memória foi a mãe, a qual,
vendo morrer seus sete filhos no espaço de um só dia, soube portar-se animosamente
por causa das esperanças que no Senhor depositava.
21 - A cada um deles exortava na língua de seus pais, cheia de nobres sentimentos,
animando com ardor viril o seu raciocínio de mulher. E lhes dizia:
22 - “Não sei como é que viestes a aparecer no meu seio, nem fui eu que vos dei o
espírito e a vida, nem também fui eu que dispus organicamente os elementos de cada
um de vós.
23 - Por conseguinte, é o Criador do mundo que formou o homem em seu nascimento e
deu origem a todas as coisas, quem vos retribuirá, na sua misericórdia, o espírito e a
vida, uma vez que agora fazeis pouco caso de vós mesmos, por amor às suas leis.”
24 - Antíoco suspeitou estar sendo vilipendiado e desconfiou ser de censura aquela voz.
Estando, pois, ainda em vida o mais moço, começou a exortá-lo não só com palavras,
mas ainda com juramentos lhe assegurava que o faria rico e o tornaria feliz, contanto
que abandonasse as tradições dos antepassados. Mais: que o teria na conta de seu amigo
e lhe confiaria altos encargos.
25 - Como não lhe desse o moço a mínima atenção, o rei mandou chamar a mãe para
convidá-la a fazer-se conselheira de salvação para o rapaz.
26 - Tendo-a exortado longamente, ela aceitou tentar persuadir ao filho.
27 - Inclinou-se para este e, ludibriando o cruel tirano, assim falou na língua de seus
pais: “Filho, tem compaixão de mim, que por nove meses te trouxe em meu seio e por
três anos te amamentei, alimentei-te e te eduquei até esta idade, provendo sempre ao teu
sustento.
28 - Eu te suplico, meu filho, contempla o céu e a terra e observa tudo o que nele existe.
Reconhece que não foi de coisas existentes que Deus os fez, e que também o gênero
humano surgiu da mesma forma.
29 - Não temas o carrasco. Ao contrário, tornando-te digno dos teus irmãos, aceita a
morte, a fim de que eu torne a receber-te com eles na Misericórdia.
21
30 - Mal estava ela terminando de falar quando o moço disse: “Que estais esperando?
Eu não obedeço ao mandamento do rei! Ao mandamento da Lei, porém, que foi dada
aos nossos pais por meio de Moisés, a esse eu obedeço.
31 - Quanto a ti, que te fizeste o inventor de toda a maldade que se abate sobre os
hebreus, não escaparás às mãos de Deus.
32 - Porquanto nós, é por causa de nossos pecados que padecemos.
33 - E se agora, a escopo de castigo e de correção, o Senhor, que vive, está
momentaneamente irritado contra nós, ele novamente se reconciliará com os seus
servos.
34 - Mas tu, ó ímpio e mais celerado que todos os homens, não te eleves estultamente,
agitando-te em vãs esperanças, enquanto levantas a mão contra os servos do Céu,
35 - pois ainda não escapaste ao julgamento de Deus todo-poderoso, que tudo vê.
36 - Nossos irmãos, agora, depois de terem suportado uma aflição momentânea por uma
vida eterna, já estão na Aliança de Deus. Tu, porém, pelo julgamento de Deus, hás de
receber os justos castigos da tua soberba.
37 - Quanto a mim, como meus irmãos, entrego o corpo e a vida pelas leis de nossos
pais, suplicando a Deus que se mostre logo misericordioso para com a nação e que,
mediante provas e flagelos, te obrigue a reconhecer que só ele é Deus.
38 - Possa afinal deter-te em mim e nos meus irmãos, a ira do Todo-poderoso, que se
abateu com justiça por sobre todo o nosso povo!”
39 - Enfurecido, o rei tratou a este com crueldade ainda mais feroz que aos outros,
sentindo amargamente o sarcasmo.
40 - Assim também este, ilibado, passou para a outra vida, confiando totalmente no
Senhor.
41 - Por último, depois dos filhos, morreu a mãe.
42 - Seja suficiente, porém, sobre os banquetes sacrificais e as torturas exorbitantes, o
que foi até aqui referido.
A idéia de Frank Duff foi que a Legião faça parte dos preparativos da Igreja para
uma luta colossal a vir no próximo século. E já estamos nesse século.
*Comentário.
A leitura da estimulante Conferência do Irmão Enda Dunleavy merece várias
considerações. A conferência para animar os voluntários da PPC atingiu objetivo
crucial: valorizou a fé, a vida devemos dar para mantê-la até o fim; sendo o apostolado
essencial da Legião trazer muitos à única Fé Católica.
Por outro lado, nossa Revista Digital, neste número inaugural, quer valorizar
tudo que o Ir. Dunleavy relata sobre a Revista Oficial Maria Legionis, na condição de
antigo Presidente do Concilium, e na época da Conferência (2009), Secretário do
Concilium, e agora, Correspondente, portanto, credenciado pelos cargos e dedicação.
Uma leitura “legionária” nunca é inútil, isto é, assim como nos habituamos a
“pôr em prática” o Manual, em quaisquer outras leituras buscamos “realizar”. Pois bem,
22
Ir. Dunleavy teve como fonte para a Conferência a Revista Maria Legionis. Comentou
que fez o esforço e obteve a coleção completa... desfalcada por não haver fotocopiadora.
Há interesse real por Maria Legionis, a ponto de não se conseguir manter a
coleção inteira... A tecnologia da informação resolve de maneira total o problema. Da
seguinte forma, e é nossa sugestão. Que o Concilium Legionis coloque a coleção
completa de Maria Legionis na website oficial. Sendo que neste momento, o mesmo
website, está sendo dinamizado. Solução acima de toda expectativa, pois feito isso,
legionários no mundo inteiro terão acesso a Maria Legionis completa... na própria casa!
Importante porque “fonte” para a história da Legião, como bem vimos na
presente Conferência. Revista, como diz o nome, “re-vista”, revê os acontecimentos,
exato o que precisamos para comemorar o Centenário, dando a conhecer o que vivemos
nestes passados 100 anos.
Ir. Dunleavy refere-se a Frank Duff. A última frase na Conferência merece um
destaque especial. O Fundador, dentre seus dons, possuía uma visão certeira sobre os
destinos da Legião. Nas famosas 8 Entrevistas realizadas em 1979, meses antes da
morte, disse: “No meu entender, a Legião só agora chegou à maioridade, só agora. Até
este momento tem estado, por assim dizer, no berço. Agora é um soldado crescido e
armado, pronto para a tremenda luta em que nos vamos ver envolvidos no século que
vem.” (Primeira Entrevista, em agosto de 1979).
“...tremenda luta... no século que vem...” A forças anti-católicas assanham-se no
mundo inteiro. Dizem os entendidos, que hoje há mais perseguições e martírios do que
no passado. No Brasil aproxima-se uma crise terrível. Exemplo concreto é o “Plano
Nacional dos Direitos Humanos – 3” (PNHD 3), no qual se identificam mais de
quinhentos itens que levariam o Brasil a ser o país mais à esquerda no mundo, bem
longe da nossa identidade de Terra de Santa Cruz. Aborto, prostituição, como profissão
legal, jogo e drogas liberalizados, símbolos católicos proibidos, programas educacionais
absurdos, distribuição de preservativos na escola, fim da propriedade privada, imprensa
censurada. O povo nada sabe. Que tipo de apostolado nós legionários vamos fazer?
VOLTAR AO ESSENCIAL
O Concilium Legionis pôs como Lema para a Legião: “Voltar ao essencial pelo
estudo do Manual”. Que significa a palavra “essencial”? Em dicionário se lê: “o
indispensável, o necessário, o básico, o constitutivo, o importante”. Então, nos foi dada
23
a tarefa de atenção redobrada ao fundamental, ao que é central na Legião... através do
estudo do Manual.
Na busca do essencial na Legião de Maria, o primeiro a considerar é o nome. É
comum pensar que a Legião se organiza em torno de dois fatores: Maria e Apostolado.
Mas, está descartado este entendimento; leiamos no Manual:
“A Legião não se baseia, portanto, como alguns pretendem, sobre dois
princípios, Maria e o Apostolado, mas sobre um só princípio – Maria – o qual abrange,
por si só, o apostolado e toda a vida cristã.” [...] Qualquer cuidado que nós pudermos
dispensar ao Corpo Místico de Cristo é apenas um complemento aos cuidados que ela
mesma lhe dedica. O apóstolo não faz mais do que associar-se às atividades maternais
de Maria. E neste sentido Nossa Senhora poderia declarar: 'Eu sou o Apostolado', à
semelhança do que outrora disse em Lourdes: 'Eu sou a Imaculada Conceição'.” (página
32).
Quanto ao nome, temos: “de Maria” e “legião”. O grupo inicial das 15 pessoas
que se reuniram em 7 de setembro de 1921, queria trabalhar sob Nossa Senhora,
segundo a Verdadeira Devoção que descobrira e começava a entender. Isso nos obriga a
ler “de Maria” no sentido da consagração total de São Luís Maria de Montfort.
“Viver habitualmente e sempre – e isto constitui a essência da devoção – em
completa dependência da vontade de Maria, a exemplo do Filho de Deus, em Nazaré,
fazendo todas as ações por ela, com ela, nela, e para ela, de forma a considerá-la
atuando sempre conosco, dirigindo os nossos esforços e repartindo os seus frutos. 339
“Vivei alegremente com Maria, com ela suportai todas as aflições; trabalhai,
recreai-vos e descansai com ela. Com ela procurai Jesus, levai-O em vossos braços; e,
com Jesus e Maria, fixai a vossa residência em Nazaré. Ide com ela a Jerusalém, ficai
junto da Cruz de Jesus, e sepultai-vos com Ele. Com Jesus e Maria ressuscitai e com
Eles subi ao Céu. Com Jesus e Maria, vivei e morrei”. 27
O outro elemento do nome, “legião”, foi decidido, em 1925, e a partir daí,
definiu-se: Praesidia, Tessera, Vexilum, etc. “A Legião de Maria é uma Associação de
católicos que [...] se constituíram em Legião para servir na guerra, perpetuamente
travada pela Igreja contra o mundo e as potências do mal.” 9 “A Legião Romana, cujo
nome foi adotado pela organização, atravessou os séculos com uma gloriosa tradição de
lealdade, de coragem, de disciplina, de resistência e de triunfos [...] a Legião de Maria
não pode apresentar-se à sua Rainha com menos virtudes que a Legião Romana. 13
Para entender e explicar a Legião, Dom Mário Gurgel, saudoso bispo que tanto
fez pela Legião, propôs como “estrutura” essencial o tripé: reunião, oração, trabalho.
“O Praesidium reúne-se semanalmente, numa atmosfera sobrenatural de oração,
de práticas de piedade e de suave espírito fraterno. Nesta reunião, é marcada uma tarefa
especial a cada membro e recebido o relatório do trabalho realizado. A reunião semanal
24
é o coração da Legião, de onde jorra, para as veias e artérias, o sangue, que garante a
vida, a fonte da luz e da energia; é um tesouro inesgotável que provê a todas as
necessidades. É o grande exercício de comunidade, onde o Salvador, segundo a Sua
promessa, assiste invisível, no meio dos Seus, e onde graças especiais são derramadas
sobre o trabalho de cada um. É aí que os legionários são formados no espírito de
religiosa disciplina que os leva, primeiro, a agir no propósito de agradarem a Deus e de
se santificarem a si próprios; em seguida, a recorrer à organização como o meio mais
apropriado para atingirem estes fins; e, por último, a entregar-se inteiramente à tarefa
que lhes foi confiada, sem jamais a subordinar aos seus gostos pessoais.” 71
O parágrafo acima, talvez o mais belo sobre Praesidium, mostra como são
entrelaçados oração e trabalho, no tripé. “Recordai com que insistência São Paulo exorta
os cristãos a socorrer e lembrar em suas orações „todos os homens, porque Deus quer
que todos se salvem... pois Jesus Cristo se entregou a si mesmo para redenção de todos‟
191. A Legião une todos legionários (Ativos e Auxiliares) na corrente (Catena)
“composta principalmente do Magnificat, a oração própria de Maria, o hino vespertino
da Igreja, “o mais humilde e agradecido, o mais sublime e excelso de todos os cânticos”.
192
A genuína devoção a Maria obriga ao apostolado. “Sendo a maternidade das
almas a sua função essencial, a sua verdadeira vida, segue-se que, sem participação
nesta maternidade, não pode haver união real com ela. Seja-nos permitido, por
conseqüência, declarar mais uma vez: a autêntica devoção a Maria conduz
necessariamente ao apostolado. Maria sem maternidade e cristão sem apostolado são
idéias semelhantes: tanto uma como a outra seriam incompletas, irreais, inconsistentes e
falsas, para as intenções divinas.” 32.
Iniciamos pelo nome; chegamos ao tripé; busquemos agora 10 pontos essenciais
mais importantes. Alguns se repetem; ei-los:
1 - De Maria (já visto acima).
2 - “A Eucaristia é o bem infinito. Neste sacramento, com efeito, está o próprio Jesus
tão presente como outrora em Nazaré ou no Cenáculo de Jerusalém. A Sagrada
Eucaristia não é o símbolo da Sua pessoa ou um instrumento do Seu poder: é o mesmo
Jesus, vivo e inteiro. Por isso, Aquela que O concebeu e nutriu “encontrava na hóstia
adorável o fruto bendito do seu ventre, e renovava na sua vida de união com Jesus
Sacramentado os ditosos dias de Belém e Nazaré.”48 “A Eucaristia é o centro e a fonte
da graça: por isso, deve constituir também a pedra angular do sistema legionário. A
mais ardente atividade não fará nada que preste, se esquecer, por um só momento, que o
seu motivo principal é o estabelecimento em todos os corações do reino da Eucaristia”.
48
3 - Santificação pessoal, como fim e meio, pois, “...a própria santificação constitui não
só o fim principal da Legião, mas a mola real de todo o trabalho legionário”. 222
25
4 - Praesidium (já visto acima). 5- Legião (já visto acima).
6 - “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura”. “A Legião de Maria
deve ter a obsessão desta última ordem do Senhor. Deve procurar, como primeiro
objetivo do seu apostolado, estabelecer um contato de qualquer espécie com todas e
cada uma das pessoas à sua volta em toda a parte”. 305 “Não nos criemos ilusões: temos
de levar a Fé ao conhecimento do todos quantos vivem fora da Igreja. A timidez, o
respeito humano, os obstáculos, qualquer que seja sua natureza, hão de ceder diante do
desejo intenso de partilhar com quem não o possui o inestimável tesouro da Fé”. 310 “O
maior serviço que podemos prestar às pessoas é apresentar-lhes as verdades da fé –
dizer-lhes, por exemplo, quem é Deus, quem é o homem, qual a finalidade da vida e o
que se segue à morte. Acima de tudo, falar-lhes de Cristo”. 205
7 - “Em princípio, todo Praesidium deveria encarregar-se de um trabalho que
pudéssemos chamar de heróico. Mesmo no começo da sua existência, não será
impossível encontrar dois membros de ânimo disposto a lançarem-se em obras de
semelhante natureza. Aproveitem-se tais membros. O seu exemplo constituirá um ideal
mais elevado que os colegas buscarão alcançar quase automaticamente”. 227 “Dar a
cada um dos trabalhos o melhor das energias, o melhor que se possa dar, é um dos
princípios básicos da Legião. Simples ou difícil, o trabalho deve ser feito no espírito de
Maria”. 282 “A Legião exige dos seus membros, em todas as circunstâncias e a todo o
custo – como princípio fundamental – que se esforcem por atingir os objetivos préestabelecidos”. 282
“Toda impossibilidade é divisível em muitas partes, cada uma das quais é possível”, diz
um ditado legionário, parecendo contrariar o raciocínio comum. A idéia, todavia, é
sumamente compreensível. Constitui a condição essencial da realização concreta”. 283
8 - “Um vago idealismo, seguido por vagos apelos a fazer o bem, será fatalmente
seguido de vagas realizações. A Legião, porém, encarna o seu ideal numa
espiritualidade definida, num programa de oração definido, numa tarefa semanal
definida, num relatório semanal definido e, também, como se poderá verificar, numa
realização definida. Finalmente, e isto não é o menos importante, a Legião baseia o seu
método no princípio dinâmico da união com Maria”. 183
9 - “Embora não constituísse o seu objetivo inicial, as visitas domiciliares foram
tradicionalmente o trabalho preferido da Legião, a sua tarefa peculiar, o meio de
efetivação de bem incalculável. É uma característica da Legião”.229 “A família –
pensemos bem sobre isso – é o alvo estratégico. Conquistar a família é ter nas mãos a
sociedade. E como ganhá-la, sem nos aproximarmos dela?” 182
10 - “O motivo principal das visitas legionárias não será, em nenhum caso e em
nenhuma parte, o espírito de filantropia e de simples compaixão natural pelos infelizes.
Todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim o
fizestes” (Mt 25, 39). Com estas palavras gravadas no coração, o legionário deverá ver a
26
Nosso Senhor na pessoa do próximo, quer dizer, em todos os homens sem distinção, e
prestar-lhes os seus serviços em harmonia com esta norma”. 292
“Torna-se necessário insistir em que a realização de um bem real e extenso só pode ser
conseguido através de uma amizade sincera entre os visitados e os legionários”. 292
Enfim, a síntese da Legião, de como viver a vida legionária, encontramos na
página fundamental que é o Compromisso Legionário. Deve ser mais utilizada, por
exemplo, em Leitura Espiritual, no Praesidium e em particular; como tema de Allocutio;
escolhida para estudo do Manual. Ótimo tema para Congresso, que aliás, busca
focalizar o essencial da Legião.
A transcrição extensa do Manual dá ar de coisa já vista, produz cansaço.
Fiquemos atentos, o Manual, em si mesmo, é todo essencial. O que se fez foi evidenciar
o mais importante.
“Quando os seus membros se tornarem assim, cópias vivas de Maria, a Legião
pode considerar-se, de verdade, Legião de Maria, cooperadora da sua missão e certa de
que com ela vai triunfar”. 27
\\\\\\\ Ecce Mater tua ///////
UM LEMA... PARA ESTUDO DO MANUAL
O Concilium Legionis estabeleceu para a Legião o Lema “Voltar ao essencial
pelo Estudo do Manual”, a ser cumprido no ano 2010. De fato, se se quer revigorar a
Legião, o estudo do Manual, que contém as diretrizes de espiritualidade, apostolado,
reunião e administração, é providencial e excelente prática.
Vale lembrar que a Legião já existia quando o Manual foi escrito para a
fundação em outro país e obter o pleno reconhecimento eclesiástico. A primeira edição,
em 1925, era o “retrato” do que se vinha fazendo. De mais ou menos 40 páginas,
cresceu muito, até o livro de 375 páginas, maduro e consolidado de hoje. Mostra
correspondência ao próprio crescimento da Legião, desenvolvendo sua identidade,
assegurando unidade mundial.
Escrito pelo Fundador, pode se dizer sua “autobiografia espiritual”. Ele, o líder,
nada estatuiu que não fosse apoiado na experiência espiritual e apostólica. Confirma,
pois, que o Manual provém da experiência viva. A nota de especial validade é o fato de
a Legião estar em todo mundo, bem aclimatada, apta e avançando; e pelos bispos,
abençoada como excepcional, entre as associações católicas.
O Allocutio no Concilium vem, muitas vezes, como é justo, apoiado no Manual.
Tem dado algumas indicações de “literatura auxiliar” ao seu estudo. Por exemplo, sobre
27
o Compromisso Legionário, centro do Manual, lembra o Allocutio (em novembro de
2009) o livro Teologia do Apostolado da Legião de Maria, rico e específico comentário
do Compromisso. Sobre este livro diz o Manual: “Obra de incalculável valor, devia
andar nas mãos de todos os legionários”(página 80). Essa a razão de a Regia de Brasília
ter convidado os Conselhos do Brasil a fazerem, juntos, a reedição, pois estava
esgotado. Afinal, Brasília a fez sozinha, em 2000; e ainda há bom estoque porque não
foi divulgado, como seria de se esperar.
O Allocutio do Concilium (maio de 2009) fez alusão ao Artigo “A Legião é
Cristocentrismo puro” e claro, deseja seja lido. Foi divulgado em 1966. É, portanto,
quase certo que a grande maioria dos legionários no mundo não o leu e nem tenha
acesso a ele. Constata-se que Livro e Artigo apontados diretamente em reunião do
Concilium e até recomendado em Manual, não estão ao alcance dos legionários.
Como disponibilizar? Ora, quanto ao livro Teologia do Apostolado... basta os
Conselhos fazerem pedido a Brasília! Quanto ao Artigo “...Cristocentrismo...”, por zelo
de alguns legionários que trabalham em divulgar pela Internet, ele está disponível, tanto
em
espanhol
(www.legiondemaria.org),
quanto
em
português
(www.legiomariae.com/portuguese). Está disponível em inglês?
Fazemos, pois, um pedido ao Concilium Legionis.
Sendo, como é, a fonte única e insubstituível dos Artigos do Fundador,
disponibilize, no website oficial mundial, uma seleção dos bons, mais necessários e
estratégicos Artigos que sirvam ao estudo do Manual, para melhor realização do Lema.
Constituem eles meio indispensável ao estudo sério, profundo e técnico do Manual.
Colocados em inglês, e traduzidos como o Boletim Mensal, sejam divulgados
em websites ou revistas e jornal que existam. Assim, o estudo feito com mais qualidade
e mais substancial animará, com certeza, os legionários a cumprir bem o Lema. Ocorre
que poucos legionários acessam a Internet. Isso mudará com o tempo, e hoje estamos na
dependência de livros, revistas e jornais, que devem existir e são os que propiciam
leitura pausada própria a estudo. A Internet é excelente e própria à divulgação mundial
imediata, mas para estudo requer tirar o texto em impressora.
Quanto à Revista, no Brasil, em 10 anos não saíram 10 números... significa,
pois, dificuldades. Quanto a Jornal, não há um de âmbito brasileiro e, nos jornais
regionais, caberá Artigo do porte de “...Cristocentrismo...” ?
O Praesidium é o mestre de estudo.
O legionário recebe, toda semana, um item do Manual que estuda e prepara em
casa, e no Praesidium, realizam o estudo conjunto, por cerca de 10 minutos. Pode
acontecer, por várias razões, que se faça muito de leve, superficial. Ou que se dê pouca
importância e se tire pouco proveito. O Concilium, no Lema, objetiva revalorizar este
ponto da Agenda e assim revigorar a Legião.
28
Claro que o Praesidium deve fazer planejamento anual como os Conselhos. No
planejamento se faça escolha de pontos do Manual para estudo. Talvez uma sequência
de itens para 2 ou 3 meses (8 a 12 reuniões) dedicada a um tema mais necessário. Tanto
quanto possível também a Leitura Espiritual e Allocutio focalizem o mesmo tema. Por
exemplo, sequência sobre diretrizes do apostolado, ou reunião do Praesidium, ou
principais deveres, ou espiritualidade, ou animar ao trabalho heróico, perseverante, etc.
É importante variar as técnicas de estudo. Deve resultar em algo por escrito
como relatório, ou artigo, ou questionário, ou frases com resoluções, metas, projetos,
práticas concretas. Sejam indicados um ou dois legionários, não o Secretário, para a
redação final. Nisto se preparam futuros oficiais. Seria bom Praesidia trocarem estes
seus estudos escritos; que se reestudem, reescrevam, desenvolvam. Coisa simples de
início e se vá aprofundando. Revista, jornal e website publiquem os textos.
A Regia de Brasília possui website com foco especial no Manual e seu estudo;
hoje, uma feliz coincidência em vista do Lema. Primeiro ofereceu a digitação inteira do
Manual; qualquer legionário pode baixar o arquivo em seu computador e fazer estudos,
por escrito, com grande facilidade. O segundo passo está sendo o de fazer o
Questionário (com perguntas e as respostas) e lista das Frases mais significativas. Todos
lembram o Catecismo e sua estrutura: “Quem é Deus? Deus é um espírito perfeitíssimo,
eterno, criador do céu e da terra.” Insuperável clareza, síntese, sobriedade e definição.
Pois bem, a Regia convocou Praesidia e legionários a fazerem o Questionário de todo o
Manual. Estudo básico, de alcance universal. Onde houver afirmação, faça-se o
contrário: coloque-se pergunta; resulta esta operação na “pergunta – resposta”, a melhor
forma de construir o conhecimento. Após o questionário redigido, seja revisto e
melhorado em outro Praesidium. Já se vê como é eficaz e interessante um estudo assim.
Fica escrito, e de novo, ponto de partida a outros estudos seguintes. Logo teremos
completado a tarefa, se Deus quiser.
Iniciou-se também outro estudo: “O Manual, capítulo por capítulo”. Consiste em
apresentar cada capítulo sob o aspecto que se queira focalizar. Há disponível o maior
capítulo: Principais diretrizes do apostolado legionário; o menor: O espírito da Legião;
o mais importante: Compromisso Legionário; e em redação: Nome e origem. Já
disponível e, a colaboração para completar a tarefa, esperada e bem vinda.
Os Índices tiveram transcrição do item indiciado. Isto é, não apenas a indicação
de tal livro e versículo da Bíblia, mas transcrição do versículo. O mesmo para o Índice
Papal e Índice de Escritores. O website está apresentando os Boletins Mensais, a partir
do número 1.000. Também a Revista Maria Legionis, capa e índice, enquanto se espera
a Revista em papel. E, claro, Artigos de Frank Duff, aqueles que se conseguiu obter e
traduzir. Sejam bem vindos, faça-nos uma visita, enriqueça os estudos dos seus
legionários.
Temos, no Brasil, 400 mil legionários ativos (em 2010) e é lastimável a falta de
Publicações adequadas. A Regia de Brasília tem feito grande esforço para que os
29
Conselhos se entendam e se combinem para Publicações. Já desde 1999 existe o
Caderno do Legionário de Maria, hoje na 12ª edição, que serve como “caderno de
anotações” e muito mais, pois contém mais de 400 frases do Manual, a serem meditadas
dia a dia; liturgia e santos; textos e orações para vida legionária, no tripé: oração,
reunião, trabalho. Relativo ao Caderno do Legionário não houve nem reconhecimento à
altura do seu valor e nem encomendas suficientes que honrem o trabalho dos que o
fazem todos os anos.
Convidamos várias vezes os Conselhos para fazer Maria Legionis; editar os
livros do Fundador e um “Jornal da Legião no Brasil”, além de melhorar a Revista. Não
se animaram sequer para confirmar a correspondência que enviamos. Por último,
propusemos aos Conselhos um Regimento para o Encontro de Oficiais em Aparecida,
pois só o compromisso estável e claro entre nós possibilita edições. Não tivemos
respostas sérias ao Regimento.
Conclusão.
Agradecemos ao Concilium Legionis o tema tão oportuno. Ao mesmo tempo se
afirma: o Estudo do Manual com qualidade se faz com a “literatura auxiliar”, que se
pede à fonte única: o Concilium mesmo.
Por outro lado, do esforço de 400 mil legionários, que toda semana estudam o
Manual, tem de resultar em algo por escrito, que ao menos sustente uma boa Revista!
Que existam Publicações adequadas aos nossos 9 Conselhos: Escritos do
Fundador, Maria Legionis, Jornal da Legião no Brasil e a nossa Revista, no mínimo!
Convidamos, mais uma vez, os Conselhos, a que nos combinemos e
distribuamos as tarefas das Publicações.
Maria Santíssima nos ajude em tudo pela sua Legião.
\\\\\\\ Ecce Mater tua ///////
“REVISTA DIGITAL NA LEGIÃO, O QUE É ISSO?”
Algo muito simples. A Internet, a rede de comunicação mundial, com acesso
através de computador, funciona dispondo site ou website, isto é, “páginas” das mais
diversas origens: empresas, pessoas, comércio, universidades, jornais, associações,
enfim, qualquer um.
O local, a website, ou a “página” tem os mais variados formatos: propaganda,
jornal, vídeo, texto, opinião, livro e... Revista! Iniciamos, pois, na website da Regia de
Brasília, no “endereço” www.legiomariae.com/portuguese uma “Revista Digital”,
30
portanto, disponível a todos, através da Internet, com apenas uns toques no teclado do
computador.
Adotamos o nome MATER LEGIONIS porque focalizamos Maria Santíssima
na sua qualidade de Mãe dos Legionários, Mãe da Legião. A Ela queremos servir na
pessoa de seus filhos legionários. Servir nos objetivos de identidade, para que sejamos
mesmo Legião de Maria. Servir na formação, e considerando que o Manual está inteiro
na mesma web site, cabe então agora o Estudo do Manual sistemático e por escrito,
coisa que define bem o perfil da nossa Revista Digital. Servir à expansão da Legião em
vários sentidos: fazendo sua propaganda; abrindo horizontes sobre o sistema legionário;
estimulando a que seja todo implantado; dando subsídios a legionários, Praesidia e
Conselhos; mantendo endereços para que seja contatada; facilitando a comunicação
entre nós.
Mas a maioria dos membros são pessoas simples, de pouca escolaridade, como é
que vão acessar a Internet? Um caminho fácil seria, por exemplo, o seguinte. Nossos
legionários, na maioria casados, com filhos e até netos, os quais em bom número sabem
acessar a Internet, têm ao alcance algum computador e talvez em casa. Com toda a
tranqüilidade o legionário peça ao seu familiar abra a Internet em nosso “endereço” e
terá em segundos MATER LEGIONIS ante os olhos.
Como a lerá? Primeiro, uma vista geral do Sumário e do Editorial. Feito isso,
anota o que mais lhe interessa, para ler com vagar. Se quiser ou precisar uma leitura
mais séria, peça que lhe tirem cópia em papel através da impressora. Ninguém consegue
fazer leitura profunda em tela de computador. A tela de computador possui iluminação
que intimida a reflexão. Tudo no computador leva à ligeireza, à superficialidade. Não
serve para nosso tipo de leitura. A única forma de aproveitar devidamente a Revista
Digital é tirá-la no papel através da impressora. São dois critérios: tirar aos poucos,
apenas o que interessa mais ou imprimi-la toda, encardenar ou colocar em envelope e
fazer a coleção: sai todo mês! Vai então estudar, refletir, meditar no texto impresso em
papel.
Um lembrete: ao ler, vá assinalando aquilo que vai precisar mais no futuro
porque agora vem pela frente um excesso de material legionário. O maior problema em
qualquer situação de estudo é fazer uso efetivo do material, que sempre é abundante.
Pouco adianta ter o Manual de 375 páginas... se ele é mal aproveitado. E isto,
infelizmente, é comum. Pouco adiantará ter livros, revistas e jornais legionários se...
forem mal aproveitados, fraca a leitura, como hoje temos do Manual.
MATER LEGIONIS, Revista Digital teme ser mal interpretada (não tem
ilustrações), mal lida, pouco utilizada e... ignorada pela massa dos 400 mil Ativos.
Dirige-se a todos, mas para real divulgação é preciso que funcione a estrutura da
Legião: primeiro os Conselhos, com diretoria que serve os Praesidia. Depois os
Praesidia com diretoria que serve os Ativos. O sucesso da Legião no Brasil em termos
31
de estudo do Manual, real entendimento do sistema e publicações compatíveis está para
acontecer.
Queremos oferecer sempre matérias sérias, de qualidade, que mereçam a atenção
dos legionários. Devem levar ao Praesidium, onde divulgarão a nova fonte de material
legionário. Se necessitarem mais cópias, tirem xerox, porque fica mais barato. Assim
MATER LEGIONIS chegará aos Praesidia, aos Conselhos. Sugerimos seu uso no
Estudo do Manual; algumas raras vezes como Leitura Espiritual (a norma é usar o
Manual); como subsídios para Allocutio, além do uso pessoal. A Revista é de trabalho,
de estudo, não é de lazer, variedades e ilustrações. Na medida em que for utilizada será
mais entendida. Mais para a frente teremos duas versões, a ilustrada, com fotos, vídeos,
desenhos, gráficos; e a versão texto, para cópia econômica.
Todo o material colocado na Revista Digital é de uso livre. Podem reproduzir
em jornais, revistas, em palestras, congressos. Apenas pedimos que citassem a fonte:
Mater Legionis 1, Setembro de 2010 www.legiomariae.com/portuguese Lógico que se
quiserem publicar um livro inteiro, com mais de 50 páginas, por exemplo, o Vamos
começar a Legião de Maria? que está logo adiante na sessão Bibliografia, aí será bom
combinar com os Conselhos da Legião no Brasil. Porque publicação em livro deveria
ser para todos no Brasil, onde os Conselhos assumam uma cota. Tem sido difícil,
porque os Conselhos ainda não se entenderam sobre publicações.
Nosso conteúdo mais precioso são os escritos do Fundador. Prometemos que
cada MATER LEGIONIS trará algum texto de autoria de Frank Duff. Devem ser lidos
com toda a atenção. Devem ser confrontados com o Manual. Devem ser colocados,
zelosamente, em prática. Frank Duff, o Fundador, tem a graça própria, específica e
principal de orientar a Legião de Maria. Leiamos seus textos conscientes disso, sendo o
Manual, o primeiro e mais importante deles, mas não o único.
A seguir vêm as normas do Concilium Legionis Mariae, que divulgaremos da
melhor maneira possível. Um bom exemplo são os dois Artigos (inseridos na presente
Revista) motivados pelo Lema 2010, do mesmo Concilium. Divulgamos, também, a
Revista oficial Maria Legionis, transcrevendo seu índice, traduzimos o “Pedido do
Editor”, que podem ver mais adiante em “Outros Assuntos”.
Fazendo assim estamos cumprindo a orientação do próprio Concilium Legionis
que remodelou sua website e diz que isso “incentivará os Conselhos, em todo o mundo
a atualizar e a desenvolver seus sites, de acordo com as orientações do Concilium.”
(Boletim Mensal, Abril de 2010).
Os colaboradores da Revista hão de se esmerar redigindo Artigos substanciosos
a partir de larga experiência. Esperam eles que os leitores também colaborem, façam
observações, contribuam com críticas e sugiram temas ou apresentem pedidos concretos
que teremos prazer em atender, no possível. Por outro lado, Conselhos e legionários que
32
queiram fazer anúncios ou comunicação, têm nossas páginas à disposição, conforme
seja conveniente e adequado.
Em “Bibliografia” temos coragem e temos espaço suficiente para oferecer até
livros inteiros. Em Revista Digital não há limite de páginas. Buscaremos livros,
revistas, jornais legionários, ou de interesse legionário, para inseri-los tanto quanto
possível. Dessa forma, se Deus permitir, ao fim de umas tantas edições teremos
verdadeira coleção de livros de grande valor legionário. A Revista Digital pode ser
baixada em arquivo no computador e seu conteúdo “transcrito” para novos textos,
redigidos como Estudo do Manual, ou para congressos, palestras, apostolado,
catecismo. “Transcrito” porque tudo que estiver em MATER LEGIONIS está em
formato que permite o uso como se fosse digitado, daí transformado em novos escritos,
adaptado ou reescrito, com toda a facilidade. Tendo isso em mente, utilizemos com
vontade os recursos do mundo digital, na vida e no serviço legionários.
MATER LEGIONIS pretende ser mensal. Apresentar a Revista Digital com
qualidade, todo mês, é proeza significativa. Queira a Mãe Santíssima nos obter a graça
de os Legionários bem utilizar. Queira Deus Espírito Santo iluminar Legionários,
Praesidia e Conselhos a participarem colaborando com a Revista, sendo a primeira
colaboração ler, divulgar, usar.
“Nós somos todos vossos, ó Rainha e Mãe nossa, e tudo quanto temos vos
pertence”. Esta última declaração em nosso Manual (página 351) seja realidade,
façamos o esforço para torná-la realidade. É o Compromisso que todos assumimos.
Geraldo de Brito Freire, Diretor da Revista.
E-mail
[email protected]
\\\\\\\ Ecce Mater tua ///////
BIBLIOGRAFIA
Comentário.
O primeiro livrinho que o Padre Mário Teixeira Gurgel, SDS, escreveu para a
Legião de Maria está, na íntegra, colocado a seguir.
Dar a conhecer a Legião de Maria aos colegas padres era uma necessidade, nos
idos de 1960, ainda antes do Vat II. Nas imensidões do Brasil pouco se sabia e ele pôde
fazer o livrinho dando testemunho pessoal de realização como padre que se multiplicou
através da Legião.
Hoje, em grande parte, tem valor histórico. A realidade do Brasil, da Igreja e a
grande difusão da Legião tornaram vencidas várias páginas. Mas serve de rascunho para
quem quiser elaborar um outro livrinho, por exemplo, para orientar um padre a tornar-se
33
Diretor Espiritual hábil, que se utilize da Legião rendendo o máximo. Ou mostrar como
a Legião pode render bem numa paróquia. Ao ainda, um livrinho conciliando padres e
legionários, unidos em prol da evangelização intensa, profunda, capilar.
Aqui fica um convite aos Diretores Espirituais para, com conhecimento de
causa, testemunharem, em livrinho, como armados de Praesidia levam avante a aventura
da evangelização contanto com pessoas comuns.
Considerando, portanto, como rascunho, nos dispensamos de atualizar dados,
citações de novo Manual, etc. Boa leitura, ânimo, mãos à obra em um outro livrinho
especial para Nossa Senhora e seus legionários, sob Direção Espiritual esperta e
competente.
VAMOS COMEÇAR A LEGIÃO DE MARIA?
Pe. Mário Teixeira Gurgel, SDS.
2ª edição
Imprimi Potest
Parangaba, 25 de Janeiro de 1963
Pe. Agostinho Mascarenhas, S.D.S.
Vice-Provincial
Imprimatur
+ Antonius Maria
Archieppus,Coadj.
Scti Pauli, die 1ª maii 1963
Lembrete inicial
Como nas grandes curvas do perfil social da Humanidade, sopram sobre a Igreja
ventos pentecostais de apostolado, elevando-a, periodicamente, a superiores níveis de
extraordinária vitalidade.
Escrevia Santo Agostinho que os possantes vendavais espalham o olor ingrato
dos pântanos estagnados, mas difundem também o aroma exuberante dos campos
floridos.
O perene Pentecostes da Igreja aviventa-se, em nossos tempos. Não importa que
se ponham de manifesto relapsas inércias que tentam desfigurar o esplendor de um
Corpo Místico sempre vivo. Muito mais conta o rejuvenescimento de todos os corações
batizados que querem ser apóstolos. O perfume dos gestos vivazes se faz mais presente
do que os malodores dos braços cruzados.
Dinamias necessárias dessa alvorada de conquista, Sacerdotes, meus Irmãos,
cabe-nos despertar todas as energias latentes, generosas e vencedoras, a estender as
áreas do Evangelho de Jesus, do Reino de Maria.
Sim, hemos descoberto e orientado os apóstolos leigos, sentindo que nos
podemos apoiar neles, com esperança e bom êxito.
34
Sem embargo, teríamos explorado todos os veios do pujante nascedouro? Não
haveria ainda uma experiência a tentar, no completamento do nosso manípulo de
combatentes, do nosso ramalhete de apóstolos?
Quem sabe nos responderão as páginas desta brochura esclarecedora, bem-vinda,
sugestiva...
Nós a aprovamos e abençoamos, com todo o coração.
São Paulo, 28 de agosto de 1959
+ Antonio Maria
Arc. Coad. e Dir. Esp. do Senatus de São Paulo
À guisa de introdução
Meu caro amigo e irmão no sacerdócio:
A brochura que lhe levo às mãos não é um elogio de encomenda, nem muito
menos um estudo de gabinete. É um DEPOIMENTO e um CONVITE.
Como você, eu sempre senti a angústia de uma DESCOBERTA que
possibilitasse a penetração que a nossa atividade sacerdotal, infelizmente, não pode ter,
em vista dos preconceitos que a cercam no mundo em que vivemos e em razão da nossa
deficiência em número para atender às múltiplas necessidades que clamam pela única
solução possível: a solução do Evangelho.
Foi quando vim a conhecer a LEGIÃO DE MARIA. A princípio, tive dúvidas e
receios, como você talvez os tenha. No entanto, resolvi tentar. E tive, graças a Deus, a
DESCOBERTA que esperava durante doze anos de sacerdócio. Encontrei na Legião de
Maria, nesse exército da Virgem poderosa, com sua riqueza de espiritualidade e
organização, o segredo de estender a minha atividade sacerdotal e de fazê-la chegar
àqueles que mais necessitavam, mas que fugiam à benéfica atuação do Evangelho que
lhes era pregado na igreja.
Há sete anos venho me dedicando ao movimento legionário em várias partes do
Brasil. Tive, assim, oportunidade de estudar mais a fundo a espiritualidade e
organização do movimento legionário, de verificar de perto os seus frutos e os seus
problemas.
É pensando em você que tem as mesmas preocupações que eu tive, que me
decidi a escrever estas páginas, portadoras do entusiasmo de uma experiência bem
sucedida e da certeza de ter descoberto uma obra de Deus para a qual queria também
convidá-lo.
Nesses tempos em que os céus apontam MARIA SANTÍSSIMA como a
portadora da Salvação – Jesus – , quando vemos o extraordinário desenvolvimento que
vem tendo a Legião de Maria, não será o caso de ver nisso o DEDO DE DEUS?*
* “Sente-se que o „Dedo de Deus‟ está aí” (J. E. Cardeal Van Roey, Arc. de Malines).
CAPÍTULO I
Um pouco de história
35
Em 1921, na sede da Conferência de São Vicente de Paulo em Dublin (Irlanda),
havia todos os domingos uma distribuição de refeições gratuitas às crianças pobres. A
esse trabalho davam seu valioso concurso um grupo de senhoras caridosas que tomavam
parte, igualmente, nas reuniões de Pioneiros da Temperança que tinham uma secção no
mesmo prédio, acompanhando as discussões que então se faziam, especialmente sobre a
“Verdadeira Devoção a Nossa Senhora” de São Luís Grignion de Montfort, bem como
os relatórios sobre trabalhos realizados pelos mesmos em prol dos desventurados.
Pouco a pouco foi surgindo no íntimo dessas piedosas senhoras o desejo ardente
de fazerem também alguma coisa por Deus e pelo próximo. Foi marcada uma reunião.
A 7 de setembro daquele ano, pelas 20 horas da noite, quando já começara o dia
litúrgico da Natividade de Nossa Senhora, ali se encontravam reunidas em torno de uma
mesa onde sobre uma toalha branca, como sobre um altar, se achava uma imagem de
Nossa Senhora das Graças, ladeada de dois castiçais com velas acesas e dois jarros de
flores. De início, como é costume nas Conferências de São Vicente, de joelhos,
invocaram o Espírito Santo, a que se seguiram o terço, algumas invocações e uma
leitura espiritual. Puseram-se, depois, em torno da imagem de Nossa Senhora, a discutir
as bases do movimento, acordando-se, de início, que as reuniões seriam semanais e que
o trabalho seria estritamente espiritual, deixando-se o cuidado da distribuição de
socorros materiais à Conferência de São Vicente. Foi escolhida uma secretária e
marcada primeira atividade: visita aos doentes de um hospital de Dublin que abrigava os
cancerosos e que era dirigido pelas Irmãs da Misericórdia. Daí o nome que se deu
primitivamente à organização, de Associação de Nossa Senhora da Misericórdia.
Ninguém haveria de supor que, de tão humildes origens, a Legião tomaria um
surto tão grandioso. Só uma proteção especial de Maria Santíssima o pode explicar
suficientemente. A Legião seria o seu exército. “Não foram eles que a adotaram; foi Ela
que os adotou, e desde então com Ela marcharam e combateram, certos de que haviam
de vencer e perseverar” (Manual da Legião de Maria, página 10).
De fato, adaptando-se a todas as necessidades do apostolado e preferindo os
mais difíceis e heróicos, foi tomando conta do Universo. Em 1928, penetra na Escócia;
em 1929, na Inglaterra; em 1931, vêmo-la invadir os Estados Unidos; em 1933, penetra
na Nova Zelândia, África e Índias Ocidentais; em 1937, na China, onde até hoje, apesar
da perseguição, representa para os “sem Deus” a força “mais reacionária”, o inimigo
número UM1. Nos anos seguintes, propaga-se pela Costa Rica, Panamá, Malta, França,
Filipinas, Egito, Síria, Terra Santa, Holanda, México, Alemanha, Itália, Bélgica,
Colômbia, Dinamarca, Noruega, Japão, etc.
1
As primeiras providências tomadas pelo regime comunista na China foram colocar fora da lei a Legião
de Maria e encarcerar todos os chefes do movimento. Mas apesar do grande número de mártires e da
intensa ação policial, os legionários continuam sua atividade apostólica, substituindo no que podem os
missionários expulsos ou mortos.
36
A fundação oficial da Legião de Maria no Brasil se verificou no Rio em Outubro
de 19512 e o trabalho oficial de extensão em 1954, com a vinda a nosso país, da
primeira Enviada3, Srta. Joaquina Lucas fundou numerosos grupos legionários no Rio,
Goiás, Espírito Santo, Bahia, Ceará e Pernambuco. Em 1955 foram designados ao
Brasil outros dois enviados da Legião, a Srta. Mary Clerkin e o jovem Alfonso Lambe
que com a primeira espalharam o movimento por São Paulo, Paraná, etc. Retirando-se
Da. Joaquina Lucas par a Europa e Alfonso Lambe para a Argentina, a Srta. Mary
Clerkin, auxiliada por legionários do Brasil, iniciou novas frentes, difundindo
incrivelmente a Legião por todos os recantos de nossa Pátria de modo a já se
encontrarem grupos legionários na maior parte das dioceses e prelazias.
2
A autorização para fundar a Legião no Rio foi dada por S. Emcia. Revma. Dom Jaime Câmara, no dia
24 de Outubro de 1951.
3
Enviado – é um legionário experimentado escolhido pela Direção Central em Dublin (Concilium
Legionis) para difundir a Legião em determinadas partes do globo. Há enviados da Legião em todos os
continentes e nas mais remotas missões. Vários deles já foram vítimas de seu zelo, como Edel Quinn (cf.
Apêndice nº 2), após 7 anos e meio de trabalho e Alfonso Lambe, recentemente falecido na Argentina,
depois de 5 anos e meio de apostolado. Além dos citados trabalhou e trabalha como enviado no Brasil
Timóteo McMahon. Atualmente exerce essa missão também Tomás Honey.
É consolador verificar o impulso do movimento pela consulta de dados relativos
aos últimos anos:
Em 1957, havia no Brasil 457 praesidia4 e 3.804 legionários ativos5.
Em 1959 o número de praesidia era 1.533 e o de sócios ativos 13.687. E em fins
de 1961 já dispunha a Legião de Maria no Brasil em plena atividade 2.705 praesidia e
24.914 sócios ativos.
Sem dados completos a respeito do corrente ano, podemos no entanto, em vista
da linha ascendente que se nota no desenvolvimento da Legião, afirmar que já está
passando de 3.000 o número de praesidia e de 30.000 o de sócios ativos.
4
Praesidium – é o grupo local da Legião. Explicação detalhada no Cap. II.
5
Sócio ativo – cf. Cap. II, nº 3.
ADVERTÊNCIA
Como, a cada passo, nos teremos de reportar ao MANUAL OFICIAL DA
LEGIÃO DE MARIA (3ª ed. Bras. 1961), como fonte mais autêntica e insubstituível
para conhecimento da Legião, fica de antemão convencionado que todas as citações que
não contiverem indicação de fonte são do citado Manual.
CAPÍTULO II
QUE É A LEGIÃO DE MARIA – ESTRUTURA
1. Definição e Finalidade
37
O Manual da Legião de Maria responde a estas questões preliminares com as
seguintes palavras: “A Legião de Maria é uma Associação de Católicos que, com a
aprovação da Igreja e sob a poderosa chefia de Maria Imaculada, Medianeira de todas as
Graças... se constituíram em Legião para servir na guerra perpetuamente travada pela
Igreja contra o mundo e as potências do Mal” (p. 9). E em outra parte: “A Legião tem
por fim a santificação dos seus membros pela oração e pela cooperação, sob a direção
da autoridade eclesiástica, na obra de Maria e da Igreja: o esmagamento da cabeça da
serpente e a extensão do Reino de Cristo” (p. 13).
Evidentemente, como toda a associação religiosa, a Legião tem e terá sempre
como finalidade primordial a perfeição de seus membros6, de que o apostolado não pode
ser legítimo nem eficiente, se não for o transbordamento de riquezas que nos encham o
coração, e que ansiemos por derramar em outras almas. Mas é de notar-se que para a
Legião de Maria, o apostolado não é apenas FRUTO, mas também – tanto como a
oração – um MEIO de santificação, desde que feito com o espírito sobrenatural de
continuar a obra de Maria e da Igreja. Daí vem que não se pode conceber a sua própria
fundação – sem o apostolado.
2. Apostolado legionário
Desejando continuar a obra de Maria e colocando-se inteiramente a serviço da
Igreja, o legionário não pode fugir a esse dever essencial que cumpre no entanto possuir
características especiais para ser reconhecido como legítimo trabalho legionário.
Antes de mais nada, o apostolado desenvolvido pela Legião se caracteriza “por
uma estreita cooperação com o sacerdote” (Mons. Riberi). “A Legião respeita o
sacerdote e obedece-lhe com o acatamento que deve aos legítimos superiores” (p. 36).
“Salvo a aprovação do Concilium7 e as reservas apontadas no Manual Oficial da
Legião, a Legião de Maria está à disposição do Bispo da Diocese e do Pároco para toda
e qualquer forma de atividade social e de Ação Católica que estas autoridades julguem
convenientes aos legionários e útil à Igreja. Os legionários nunca tomarão sobre si
qualquer destas atividades dentro da Paróquia, sem a aprovação do Pároco ou do
Ordinário.” (p. 13)
Em dependência do Pároco, os legionários procurarão exercer uma
atividade de CONTATO PESSOAL. “A essência do trabalho da Legião consiste na
ânsia de atingir CADA indivíduo EM PARTICULAR, de incluir na esfera de seu
apostolado... todos os homens” (p. 361). A razão de escolha desse método pela Legião
se baseia em que tal modalidade é muito mais eficiente8 e profunda e condiz mais com
a índole do movimento que não pretende um apostolado indefinido9, nem uma atividade
em que se perca o seu caráter “essencialmente oculto” (p. 372), sem, portanto,
manifestações de aparato externo.
6
“A santificação pessoal é... não só o fim da Legião de Maria, mas também o seu principal meio de ação”
(p. 57).
7
Cf. Organização.
38
8
O segredo do apostolado legionário junto às multidões é uma convicção muito simples. Crê que a massa
se decompõe em indivíduos. Que um milhão de homens perfaz o total de um milhão de almas pessoais,
irredutíveis, um milhão de mundos. E que é necessário aproximar-se delas uma a uma, como os apóstolos
ofereceram o pão miraculoso a cada mão estendida... uma a uma, porque não se espiritualiza em massa,
porque cada uma é um problema pessoal, porque cada uma custou todo o sangue do Redentor” (Suenens,
Teologia do Apostolado da Legião de Maria, p. 128).
9
Cf. p. 362.
Dentro dessa característica, quanta variedade de trabalho se pode entregar ao
zelo dos legionários! Sem o intuito de esgotar as modalidades já em uso, ou as que
poderão ser utilizadas pela Legião para levar o Evangelho às almas, modalidade estas
que se adaptam às circunstâncias locais, a critério do pároco, citaremos apenas algumas
atividades legionárias mais importantes: Visitas domiciliares – Visitas a hospitais –
Visitas a cárceres – Recenseamento paroquial – Resolução de casos – Difusão de Boa
Imprensa – Catequese – Terço em família – Movimentos de instrução de adultos10 –
Obras em prol da juventude – Recrutamento para outras associações religiosas –
Movimentos de Primeiras Sextas-Feiras, Entronizações, Horas de Adoração,
Santificação do Natal – Preparação de Missões populares – Apostolado em prol de
determinadas classes: decaídas, imigrantes, soldados, marinheiros, pescadores, etc. –
Trabalho em prol da conversão dos infiéis etc.11
A Legião aspira que, entre os trabalhos possíveis no lugar, lhe sejam reservados
os mais difíceis e laboriosos. “Pede a Legião com insistência que não a privem de obras
difíceis ou que exigem notável espírito de iniciativa...” (p. 312). “Em princípio, todo o
praesidium deveria encarregar-se de um trabalho que pudéssemos chamar de heróico”
(ibidem)12.
Tais trabalhos, embora sejam designados para os legionários aos pares13, no
entanto, é de responsabilidade pessoal de cada legionário que os recebe semanalmente
do presidente do praesidium para uma duração mínima de duas horas semanais e dos
mesmos deverá prestar contas na reunião seguinte do praesidium (p. 261). Isso não só
controla e unifica as atividades do grupo, mas serve para a formação dos legionários
pelos relatórios e discussões que os mesmos acarretam
10
Há um interessante movimento nesse sentido, orientado pela Legião, denominado movimento dos
Patrícios.
11
A Legião só exclui, como se pode verificar de sua própria fundação (cf. Capítulo I), a coleta e
distribuição de esmolas. O Manual expõe as razões graves dessa determinação (p. 357, 360) e a
experiência tem se encarregado de demonstrar a sua oportunidade.
12
O Manual na página 380 cita Pio X: “O maior obstáculo ao apostolado é a pusilanimidade, ou antes, a
covardia dos bons”. – Um dos primeiros trabalhos empreendidos pela Legião, encabeçada por seu
fundador Frank Duff, foi a organização, entre mil dificuldades, de um retiro para 25 decaídas.
13
Todo o trabalho, por vários motivos, inclusive os de prudência, mútua animação e disciplina, é feito
dois a dois. Cf. Manual, p. 364. Cf. Novos Rumos da Igreja Missionária por Dom Suenens, p. 185.
As duas horas semanais de apostolado não significam peias ao zelo do legionário
que é sempre instado a “estar sempre alerta para aproveitar as oportunidades, e
39
promover os objetivos gerais da Legião: destruir o império do pecado, desarraigá-lo e
plantar nas suas ruínas o estandarte de Cristo Rei” (p. 217).
3. Espécies de sócios
Homens e senhoras, rapazes e moças, todos são bem vindos, desde que imbuídos
de verdadeiro espírito cristão, às fileiras dos dois grandes grupos legionários: Sócios
ativos e sócios auxiliares.
a) Ativos – Denominam-se ativos os sócios que se comprometem a 4 obrigações
fundamentais: Reunião semanal – Recitação diária da folha de orações da Legião,
denominada Tessera, ou ao menos de parte dela chamada “Catena Legionis”14 –
Exercício de um apostolado semanal de duas horas ao menos – Guarda de segredo a
respeito de tudo o que vier a saber durante o seu trabalho ou durante a reunião, pelos
relatórios dos demais. Essa última obrigação se compreende facilmente como dever
sagrado de caridade cristã para com as pessoas com que entramos em contato e, por
isso, a Legião exige o cumprimento dessa obrigação com a máxima severidade (p. 207).
Dentre os ativos – cuja vida espiritual deve ser incrementada o mais possível e
por todas as formas pelo Diretor Espiritual (p. 252) – há um grau mais elevado mas que
deve ser de livre aceitação e de caráter íntimo (só do conhecimento do Presidente e do
Vice-Presidente). É o grau de pretoriano a que devem aspirar todos os legionários
ativos. Denomina-se pretoriano o sócio ativo que, além de se comprometer a rezar todas
as orações da Tessera, se obriga à assistência diária à Santa Missa e Comunhão diária,
bem como a recitar diariamente algum dos ofícios aprovados pela Igreja, como o da
Imaculada Conceição, do Coração de Jesus, das Almas do Purgatório etc.
b) Auxiliares – a Legião sabe que os frutos de sua atividade estão na proporção
direta da oração. Por isso, a par do grupo de ativos, deseja que cada praesidium possua
um grande número de sócios auxiliares que, como o nome revela, auxiliam os ativos,
não com suas esmolas, mas com suas orações, comprometendo-se a rezar diariamente as
orações da Tessera, inclusive o terço16.
Os sacerdotes e religiosos (as) que o desejarem, poderão também ser inscritos no
número dos auxiliares e isso honrará muito a Legião e lhe trará inumeráveis graças. São
denominados auxiliares ADJUTORES. Como os mesmos já têm outra obrigações
religiosas, se não quiserem recitar todas as orações da Tessera, basta que recitem
diariamente a Catena Legionis e façam a Nossa Senhora a oferta de tudo o que puderem
dispor em suas Missas, Comunhões, orações, trabalhos e sofrimentos, segundo o
espírito de São Luís Maria Grignion de Montfort (p. 268)17
14
Denomina-se TESSERA, a folha de orações da Legião de Maria porque é o distintivo que identifica o
legionário, assim como a “tessera” (tabuinha com a palavra da senha) identificava os soldados romanos
ao voltarem ao acampamento. CATENA LEGIONIS (Corrente de orações da Legião) denomina-se a
parte da Tessera que compreende o canto de Nossa Senhora denominado MAGNIFICAT com a oração de
Nossa Senhora Medianeira porque é, de fato, uma grandiosa cadeia que une os milhões de legionários do
mundo inteiro (ativos e auxiliares) aos pés de Maria, sua Rainha.
15
Cf. p. 280
40
16
Cf. p. 271
Todos os sócios são admitidos inicialmente, em registro provisório, por um período de três meses (cf. p.
72, 6 e 280, 26). Os auxiliares, depois desse período se consta continuarem a rezar as orações de
obrigação, são registrados definitivamente. Os ativos, se durante o tempo de prova não faltaram à reunião
e ao trabalho, e demonstram ter espírito legionário, são admitidos a fazer o Compromisso Legionário,
com o que ficam definitivamente incorporados às fileiras legionárias.
17
4. Sentido prático
Se é verdade que foi a preocupação constante em se manter fiel ao seu espírito
que explica, depois da proteção especial de Nossa Senhora, a vitalidade sempre
crescente da Legião de Maria, não se pode negar também que muito concorreu pra
facilitar a difusão do movimento o seu caráter eminentemente prático. Característico
como o seu apostolado de contato pessoal e as suas classes de sócios, é esse sentido
prático que se observa em toda a organização e nos mínimos detalhes dentro do
movimento legionário.
Isso se evidencia, por exemplo, na ausência de distintivos, ou de demasiada
variedade de obrigações ou práticas de piedade, na maneira de assegurar maior
eficiência e maior preservação do espírito pela estreita ligação entre os grupos locais e
os conselhos diretores. E até nas mínimas prescrições, como a de se fazerem as
reuniões, não da maneira ordinariamente usada, mas de forma a ficarem todos em torno
da mesa onde se encontra a imagem de Nossa Senhora. Queremos salientar aqui o modo
prático, simples e eficiente com que a Legião providencia a formação dos seus
membros para o apostolado. Essa sublime pedagogia pode resumir-se em três meios:
a) A oração – Inseparável de todo o sistema e sublime atestado das sólidas bases
da Fé em que o mesmo se apóia, ela penetra inteiramente o legionário e sua atividade. 18
É na oração diária (recitação diária da Tessera) que ele vai buscar alimento para si e
para os outros, a força de que necessita e as graças que os demais precisam para a
conversão e o aperfeiçoamento. Esse espírito de oração impregna também toda a
reunião que se inicia, se interrompe, finaliza com a oração. É parte integrante da
mesma19 e dela nunca se pode separar. A Oração é na Legião, o NEXO que une todos
em um único exército (Catena – cf. Manual, página 208), o PENHOR de todo o êxito
(p. 220), a PEDAGOGIA da desconfiança em si e de absoluta confiança em Deus.
18
“A Legião de Maria tem por fim a santificação dos seus membros PELA ORAÇÃO e pela cooperação
ativa... na obra de Maria” (p. 15)
19
“O Terço é para a reunião legionária o que a respiração é para o corpo” (p. 305).
“O repúdio da impossibilidade é a chave do possível. Só esta atitude pode
resolver os problemas: é o eco da frase evangélica: A Deus nada é impossível; é a
resposta do crente a uma fé capaz de lançar os montes ao mar” (´. 401). É ela que faz o
legionário estar convencido de que “o triunfo é uma alegria; o revés, o adiamento de um
triunfo” (p. 377)20
41
b) O Trabalho de apostolado – A Legião forma os seus membros não antes, mas
concomitantemente com o trabalho; não os forma apenas para o trabalho, mas COM O
TRABALHO e PELO TRABALHO. “A formação no entender da Legião, há de fazerse segundo o método que chamaremos, à falta de outra expressão, de mestre e
aprendiz... Em vez de longas conferências, o mestre coloca a obra diante do aprendiz e,
por demonstração prática, indica-lhe como se faz, explicando cada ponto, à medida que
o trabalho prossegue. Depois, sob o olhar do mestre que lhe corrige os desacertos, o
aprendiz tenta por si mesmo o trabalho” (p. 39-40). A Legião, pois, não se põe a fazer
conferências durante longo tempo, para depois lançar os legionários ao trabalho, mas
desde sua entrada eles são convidados a trabalhar com legionários experimentados e
seus resultados discutidos na prestação de contas. É um método muito mais eficiente e
prático porque mais concreto e pessoal e evita o perigo de se ficar só em estudos e
decisões platônicas que não correspondem à realidade local e, por isso, nunca serão
levadas à prática, além de ocasionarem freqüentemente, com o tempo, a perda do fervor
apostólico com a demora em se lançar à luta. “Nada contribui mais para o progresso do
espírito apostólico do que o exercício do apostolado” (p. 63)21.
c) A Reunião Semanal – Nossas reuniões religiosas, mensais, com participação
pouco ativa da maioria dos membros que se limitam a ouvir (quando ouvem), com uma
elevada porcentagem de faltas, sem um plano determinado ou com poucos e
burocráticos itens, têm geralmente pouca influência na formação de nossos fiéis. Para a
Legião, pelo contrário, a reunião é feita semanalmente, com participação efetiva de cada
um, pois cada um tem que dar alguma coisa no relatório que é individual e nas demais
partes da Ordem a seguir22. O entremear de orações, relatórios, discussões, estudos, tudo
20
Sobre a importância da oração e, especialmente do Terço para o legionário, vejam-se as palavras de
Frank Duff, fundador da Legião: “Ainda que vós me torturásseis não haveríeis de conseguir que eu
aceitasse uma pessoa que dá pouca importância ao Terço. Como se irá discutir e trabalhar? É um
obstáculo insuperável, obstáculo, como a falta de uma perna ao homem que deseja ser corredor” (La
Revue du Rosaire)
21
“A formação de apóstolos, é para a maior parte das pessoas um problema de fácil solução, mediante
uma série de conferências e um livro de texto nas mãos dos interessados. Julga a Legião, pelo contrário,
que não pode haver formação efetiva sem trabalho correspondente que a acompanhe... O sistema de
conferência produz o teorista e os homens que pensam converter o mundo com os jogos malabares de
inteligência. Estes perderiam o amor e dedicação aos serviços humildes e ao prosseguimento laborioso
dos contatos individuais de que tudo depende” (p. 39).
22
Veja Apêndice nº 1.
feito em conjunto e sob o olhar ao mesmo tempo carinhoso e sobrenaturalizante de
Nossa Senhora – concorrem para que a reunião semanal seja, na Legião de Maria, o
meio mais eficiente para a perseverança e formação de seus associados. “O que a lente é
para os raios solares, é a reunião para os membros: foco que os concentra, os incendeia
e os inflama e a tudo quanto deles se aproxima. Ela é o vínculo: partido ou votado ao
desleixo, os membros desertam e pouco a pouco a obra esboroa-se (p. 60). “A reunião
semanal é o CORAÇÃO da Legião, donde jorra para as veias e artérias, o sangue
42
vivificante; a fonte de luz e energia; e um tesouro inexaurível que provê a todas as
necessidades. É o grande exercício de comunidade, onde o Salvador, segundo a Sua
promessa, assiste invisivelmente, no meio dos seus e onde graças especiais são
derramadas sobre o trabalho de cada um... Considerem os legionários a assistência à
reunião semanal do Praesidium como o primeiro e mais sagrado dever para com a
Legião. Nada a pode substituir. SEM ELA O TRABALHO SERÁ COMO UM
CORPO SEM ALMA” (p. 62). “Ela é para o trabalho o que a raiz é para a flor: A
CONDIÇÃO INDISPENSÁVEL DA VIDA” (p. 201).
5. Organização militar
O nome Legião indica-nos outra característica da Legião de Maria: a de uma
associação de moldes militares e que aproveita para o seu espírito, sobrenaturalizada, o
que de melhor vemos na sua homônima, a Legião Romana. “A Legião de Maria está
organizada à maneira de exército, especialmente do exército da antiga Roma, cuja
terminologia adotou23 – se bem que as tropas e armas legionárias não sejam deste
mundo” (p. 10). “Evidentemente que a Legião não pode apresentar-se à sua Rainha com
menos virtudes que a Legião Romana... as velhas virtudes daquela milícia são, por
conseguinte, o mínimo exigido no serviço legionário” (p. 16); tudo, evidentemente,
“suavizado pelo contato com sua Rainha que melhor do que ninguém sabe ensinar o
segredo de servir com amor e bondade” (p. 434) e incutir em seus soldados a convicção
de que “a dureza, qualquer que seja a sua tonalidade, deve banir-se do apostolado
legionário” pois “cada legionário deve ter esculpidas a fogo em sua alma, as palavras
que a Igreja põe nos lábios de Maria: “O meu espírito é mais doce que o mel” (Ecles.
XXIV, 27) (p. 389-390).
Isto posto, a convicção de que é soldado da excelsa Rainha incutirá nos
legionários disciplina24, coragem heróica25, perseverança26, responsabilidade
perante os compromissos e, acima de tudo, idealismo e decisão sincera de copiar em
sua vida as virtudes de sua excelsa Rainha e continuar-lhe a obra salvadora.
23
Alguns exemplos: Praesidium: grupo local. Curia, Comitium, Senatus, Concilium Legionis: centros
diretores. Tessera: Folha de Orações da Legião. Catena Legionis: Magnificat e Oração de Nossa Senhora
Medianeira (Parte da Tessera). Vexillum: Estandarte para solenidades legionárias. Acies: Solenidade anual
em que os legionários desfilando aos pés da imagem de Nossa Senhora e tomando nas mãos o Vexillum,
renovam sua consagração à Virgem Santíssima. Veja Revista da Legião de Maria, Ano VI, nº 21, p. 55.
24
Cf. p. 135; 302, nº 10 e 11.
25
Cf. p. 18; 204 e 312.
26
Cf. p. 180 e 418.
Essa índole militar nota-se na estreita concatenação dos grupos legionários com
os organismos diretivos e que se poderá esquematizar da seguinte forma:
Concilium Legionis Mariae (em Dublin – mundial)
Senatus (nacional ou regional)
43
Regia (regional ou diocesano)
Comitium (diocesano)
Curia (distrito)
Praesidium (local)
Sócio Ativo e Sócio Auxiliar
O Praesidium – entre os Romanos, um grupo de soldados encarregados da
guarda de uma localidade – é o grupo local da Legião. Consta de 5 oficiais (Diretor
Espiritual que será o Pároco ou sacerdote por ele designado, Presidente, VicePresidente, Secretário e Tesoureiro, escolhidos pelo Conselho diretivo imediatamente
superior, depois de ouvido o Diretor Espiritual) e, no máximo uns 20 sócios ativos. Essa
limitação de número de ativos não é obrigatória, mas tem por fim evitar que a reunião
(ordinariamente de hora a hora e meia)28 se prolongue demasiadamente com o excessivo
número de relatórios e decaia de eficiência o praesidium. O praesidium pode ser adulto
(maiores de 18 anos) ou juvenil; masculino, feminino ou misto. Pode haver vários
funcionando na mesma paróquia e até no mesmo local e com o mesmo Diretor
Espiritual (evidentemente tendo cada grupo sua reunião separada). Cada um deles pode
dedicar-se a vários apostolados ou ter um apostolado específico ou um campo
delimitado para suas atividades.
A Curia é o conselho diretivo constituído por todos os oficiais dos vários
praesidia que existem em determinado território. Esses oficiais se reúnem
mensalmente para discutir assuntos referentes ao movimento legionário dentro de sua
circunscrição.
Quando há numerosas Curiae em determinado território, uma delas é elevada à
categoria de Conselho superior, denominado Comitium, encarregado de supervisionar
as atividades de várias Curiae. O mesmo se dá com relação a vários Comitia. Todos
esses vários organismos diretores estão finalmente ligados com o Concilium Legionis,
direção suprema da Legião, com sede em Dublin. A concatenação entre os praesidia e
os conselhos diretores, destes entre si e de todos com o Concilium Legionis é feita por
meio de reuniões de oficiais, visitas,29 relatórios periódicos,30 de correspondência31
e dos Enviados de que acima falamos.
28
P. 301, nº 8 e 302 nº 9.
“ A Curia deverá providenciar para que cada Praesidium seja visitado periodicamente, ao menos duas
vezes por ano, a fim de o estimular e de se assegurar que tudo marcha ordenadamente.
30
Ao menos uma vez por ano cada Praesidium apresentará à Curia um relatório de suas atividades (p.
126, nº 5 b).
31
Os Praesidia cujos oficiais, por motivo de distância, não puderem assistir à reunião mensal da Curia
deverão manter correspondência mensal com a mesma, remetendo uma carta e a cópia de primeira ata do
mês.
29
CAPÍTULO III
QUE É A LEGIÃO DE MARIA – ESPIRITUALIDADE
44
Se ficássemos apenas na consideração da estrutura e das características externas
da Legião, poderíamos ter vislumbrado a sua sombra, ou o que é pior, a sua caricatura,
mas não o seu retrato. Como bem nota o Pe. Donncath O‟Floinn (The Legion of Mary
and the Spiritual Life), a Legião, sem ter nada de esotérico ou extravagante em sua
espiritualidade, apresenta no entanto, como fio de ouro a emoldurá-la, um conjunto de
verdades que são as mais fundamentais para a vida cristã de nossos dias e que, em seu
todo e em suas inter-relações, têm na Legião de Maria o movimento mais parece
assimilá-las e difundi-las entre os seus membros e entre os fiéis sobre os quais atua. Daí
a necessidade imprescindível para todo o que deseja conhecer a Legião de Maria e com
ela trabalhar, de aprofundar-se na sua espiritualidade, lendo e meditando com
freqüência as belíssimas páginas do Manual da Legião de Maria, que embora não seja
propriamente um livro de meditação, é um manancial da mais pura espiritualidade cristã
e legionária, fonte de onde emana todo o apostolado dessa organização.
“Pense-se o que se pensar de certas observações, aliás muito secundárias, que
lhe são feitas, temos de reconhecer nele uma doutrina marial seguríssima, um ascetismo
rigoroso e de primeira qualidade, um tesouro de teologia pastoral e, através de tudo isso,
o crepitar duma chama abrasadora de Pentecostes... Depois da Sagrada Escritura e
dos documentos pontifícios não conheço obra mais dinâmica” (Con. Guynot).
Receando embora o desfiguramento que todo o resumo representa, citaremos
aqui essas verdades e a sua interdependência, certos de que o leitor procurará depois ler
com mais vagar as páginas do Manual a que aqui tão fartamente nos reportamos, e que
demonstrarão as profundas raízes da Fé que formam a subestrutura e o arcabouço de
toda a organização e atividade da Legião de Maria.
1) Corpo Místico: A doutrina do Corpo Místico, tão belamente exposta por S.
Paulo em suas epístolas32, como elucidação do que o próprio Nosso Senhor já ensinara
na parábola da videira e dos sarmentos (Jo 15, 5), é uma das verdades mais inculcadas
pelos últimos Sumos Pontífices e, em especial por Pio XII na monumental encíclica
Mystici Corporis. É nesta visão de Cristo e da Igreja que se baseia o verdadeiro espírito
de apostolado que nada mais é senão o amor de Deus a confundir-se com o amor do
próximo, de vez que estamos amando a Cabeça quando amamos e fazemos bem aos
membros. Disse certa vez Santa Ângela de Foligno: “Saiamos em busca de Cristo;
talvez o encontremos em qualquer hospital entre os enfermos e padecentes” (apud
Kock-Sancho, Docete, III, nº 347)33.
O Manual da Legião, referindo-se a esta verdade, chama-a “DOUTRINA
FUNDAMENTAL de todo o serviço legionário” (p. 236), e não satisfeito com as
referências que à mesma se fazem quase em cada página, dedica-lhe um longo capítulo
de 18 páginas. “Nenhum esforço tem sido malbaratado no intuito de fazer ver aos
legionários que tal critério deve ser não só a pedra basilar do seu serviço, mas o alicerce
da disciplina e da harmonia na vida interna da Legião... Que ele tenha sempre presente
esta verdade transformadora” (ibidem). “Não pode dizer a vista à mão: não preciso de
tua ajuda; nem a cabeça aos pés: não me sois necessários (1Cor 12, 21). Tais palavras
revelam ao legionário a importância da sua cooperação na obra do apostolado”... A frase
45
estranha de São Paulo quando fala em completar em sua carne o que falta à Paixão de
Cristo “não significa de modo algum, que a obra de Cristo ficasse imperfeita; ela
salienta apenas, o princípio de que cada membro do Corpo Místico tem de contribuir na
medida do possível para a própria salvação e para a dos membros restantes... Sublime
pensamento este: Jesus Cristo necessita de mim para levar a luz e esperança aos que
jazem nas trevas, o consolo aos aflitos, a vida aos mortos no pecado” (p. 242).
2) O Divino Espírito Santo: Com a maior divulgação da doutrina do Corpo
Místico, mais também se difundiu a compreensão e estima da ação do Divino Espírito
Santo neste Corpo, vivificando-o e santificando-o como sua Alma, como tão belamente
se lê numa das coletas da Sexta-feira Santa: “Onipotente e Eterno Deus cujo Espírito
santifica e governa todo o Corpo da Igreja” e nesta tão bela e significativa
comparação de Santo Tomás de Aquino: “O coração exerce certa influência oculta; e
por isso se compara ao coração o Espírito Santo que invisivelmente vivifica a Igreja”
(3 qu. 8, a. 1, ad. 3)34
A Legião cônscia de que toda a santificação vem do Espírito Santo, procura por
todas as formas inculcar em seus membros a convicção desta verdade. Seu estandarte
(Vexillum) tem a encimá-lo o Divino Espírito Santo. Suas orações iniciam com a
invocação do Espírito Santo que presidiu a fundação e igualmente preside o início de
toda e qualquer reunião legionária. Até a cor da Legião, que se presumiria fosse o azul,
é o vermelho, cor do Amor Eterno.35 O que é mais notável, a Promessa Legionária que
os membros ativos fazem, após 3 meses de provação e que os incorpora definitivamente
nas fileiras da Legião de Maria, em vez de ser uma consagração a Nossa Senhora, como
talvez se esperasse, é uma invocação ao Divino Espírito Santo: “Espírito Santíssimo,
eu... desejando alistar-me hoje nas fileiras da Legião de Maria, e reconhecendo que não
32
Vejam-se por ex. Ef 1, 22: “E o constitui a ele mesmo cabeça de toda a Igreja que é o seu corpo”. Rm
12, 5: “Assim, ainda que muitos, somos um só corpo em Cristo”. Cl 1, 18: “E Ele é a cabeça do corpo da
Igreja”. 1Cor 12, 27: “Vós outros, pois, sois corpo de Cristo, e membros uns dos outros”. E inúmeros
outros.
33
Veja-se o belíssimo capítulo sobre o Apostolado no Corpo Místico, na obra do Pe. Dr. M. TeixeiraLeite Penido: Corpo Místico, Vozes, 1944, p. 330.
34
Veja-se O Dom de Pentecostes do P. Maurício Meschler, ed. Vozes.
35
Cf. p. 223
36
Cf. também o Manual, p. 229: “Por isso, ao ingressar na Legião de Maria, cada membro pede a
plenitude do Espírito Santo, e a graça de ser instrumento do Seu poder divino”.
posso por mim mesmo, prestar serviço digno, suplico-vos que desçais sobre mim e me
enchais de Vós mesmo, a fim de que os meus débeis atos sejam sustentados pela Vossa
Onipotência e se tornem instrumentos de Vossos soberanos desígnios... Confiado em
que me acolhereis e Vos dignareis utilizar os meus serviços – e convertereis neste dia a
minha fraqueza em força, tomo lugar nas fileiras da Legião... para cumprir a Vossa
vontade e operar os Vossos prodígios de graça que renovarão a face da terra e
estabelecerão o Vosso Reino, Espírito Santíssimo, sobre todas as coisas” (p. 77-78)36.
46
3) A Santíssima Eucaristia: A santificação que se faz pelo Espírito Santo, Alma
do Corpo Místico, tem por fim unir-nos sempre mais a Cristo, nossa Cabeça. Ora é pela
Eucaristia que essa união dos membros com Cristo, e entre si, tem o seu ápice. É o que
indica São Paulo (1Cor 10, 16-17): “O Pão que partimos não é a participação do Corpo
do Senhor? Visto que há um só Pão, nós embora muitos formamos UM SÓ CORPO
porque participamos DUM SÓ PÃO”. E Pio XII, em sua citada Encíclica, após falar das
grandiosidades que se encerram no mistério do Corpo Místico, passa a falar da
Eucaristia, pois, a exposição “pareceria imperfeita, se a ela não acrescentássemos
alguma coisa sobre a Santíssima Eucaristia, pela qual a citada união nesta vida mortal é
levada ao seu mais alto grau”. E continua mais à frente: “O sacramento da Eucaristia
nos dá o Autor da graça sobrenatural para que possamos dele haurir aquele Espírito de
caridade pelo qual não vivamos mais a nossa vida, mas a de Cristo e em todos os
membros de seu corpo social amemos o próprio Redentor” (Mystici Corporis).
Daí a insistência do Manual da Legião em penetrar os seus legionários de uma
ardente vida eucarística e zelo por atrair à Eucaristia todas as almas. “O fim total da
Legião consiste na santificação dos seus membros para que estes santifiquem, por seu
turno, os outros membros do Corpo Místico. É, pois, evidente que, sendo a Eucaristia o
centro, a fonte da graça, deve também constituir a pedra angular do sistema
legionário. A mais ardente atividade não fará nada que preste, se esquecer por um só
momento, que o seu motivo principal é o estabelecimento em todos os corações, do
reino da Eucaristia. Deste modo será atingido o fim por que Jesus veio ao mundo:
comunicar-se às almas, para as fazer uma só coisa com Ele. Ora o meio principal para
conseguir tal união é a Eucaristia. “Eu sou, diz Jesus, o pão vivo que desceu do Céu.
Quem comer deste pão viverá eternamente; e o pão que Eu lhe darei é a Minha carne,
para a salvação do mundo” (Jo 6, 51-52) (p. 232). “O legionário deve aproveitar todos
os recursos para despertar nas pessoas sobre que incida o seu apostolado, o
conhecimento e o amor da Santíssimo Sacramento” (p. 234).
Noutra parte, falando sobre um dos trabalhos recomendáveis, a Cruzada a favor
da assistência diária à Santa Missa e da Comunhão freqüente, afirma: Esse apostolado
não deve constituir, em geral, uma tarefa própria, mas antes UMA PARTE
INTEGRANTE DE TODA A ATIVIDADE LEGIONARIA, e por conseguinte ter-se
sempre presente e prosseguir-se com constância” (350). E até mesmo em se tratando da
conversão de não-católicos, considera o Manual que “não há meio mais eficaz para
conseguir tal intento do que apresentar a doutrina católica da Eucaristia, síntese de
quanto é capaz a divina liberalidade” (p. 403)37.
37
Cf. Manual, p. 222. Cf. Teologia do Apostolado da Legião de Maria por D. Suenens, p. 156 a 161.
É dessa preocupação que provém o apelo insistente que a Legião faz aos seus
legionários ativos para que se inscrevam como pretorianos, assumindo assim o
compromisso de Missa e Comunhão diárias, ou se isso não lhes for possível, para que
intensifiquem o mais que puderem a sua vida eucarística, como fonte de amor, de graça
e de zelo.38
47
4) Maria Santíssima: Muitos, ao se deparar com uma associação como a nossa,
Legião de Maria, terão a impressão de que Nossa Senhora é apenas mais cultuada; que a
devoção a Ela prestada é apenas um aprimoramento da devoção que geralmente o povo
tem para com a Mãe de Deus. Mas não é assim. A devoção popular para com Nossa
Senhora consiste quase sempre numa espécie de contrato “dou para que me dês”, ou
num sentimentalismo religioso tradicional sem profundidade, ou ainda na veneração de
um aspecto particular de suas prerrogativas, sem nexo com as demais ou com o
conjunto das verdades da Religião. Maria para a Legião é muito mais do isso, ou melhor
não é nada disso. A devoção que os legionários lhe devem deve ser fruto de uma
profunda convicção da posição de Maria na obra da Redenção e do lugar que Deus lhe
reservou na economia da graça. Podemos considerá-la o mais admirável elo entre todas
as verdades que acabamos de referir, e a Legião só tem sentido quando a coloca na sua
verdadeira situação e se propõe apenas continuar-lhe a missão.
a) Maria e o Corpo Místico: “Maria, pelo Seu privilégio de Mãe de Cristo – da
Cabeça e dos membros – constitui um indesatável laço de união do Corpo Místico. Se
é certo que “somos membros do Corpo, formados da Sua carne e dos Seus ossos (Ef 5,
30), somos também – e pela mesma razão, e com igual verdade – filhos de Maria, Sua
Mãe... Só no seio maternal de Maria e dócil aos seus cuidados, a alma irá crescendo em
Cristo até chegar à idade perfeita (Ef 4, 13, 15) (p. 239). “Os cuidados postos por Maria
na alimentação, no desvelo e carinho do Corpo físico do Seu Divino Filho, continua a
dispensá-los agora em favor de todos e cada um dos membros do Corpo Místico...
Considera-se assim que não são propriamente os legionários que se valem do auxílio de
sua Rainha para melhor servir os restantes membros do Corpo Místico, mas é Ela que se
digna utilizá-los” (p. 240).
Daí ser prescrição que em todas as primeiras reuniões do mês, ao se recordarem
as obrigações fundamentais do Legionário, se aponte o dever do apostolado com as
seguintes palavras: “A execução de um substancial e ativo trabalho legionário em
espírito de fé e UNIÃO COM MARIA, de tal forma que, naqueles por quem o
legionário trabalha e nos seus colegas de ação... seja ainda Maria, Mãe de Jesus,
que contemple e sirva a Pessoa adorável de Seu Divino Filho” (p. 290)39.
38
“Que força para o Legionário alimentado com este sagrado corpo! Não se deverão temer as fadigas do
caminho... Maria vê-lo-á partir sem temor, como a Mãe que sabe que os filhos são robustos e não
desfalecerão no caminho. Possa cada Legionário jamais omitir voluntariamente um só dia esta comunhão
vivificante!” (D. Suenens, Obra cit., p. 159)
39
Cf. ainda p. 370 e 406.
b) Maria e Espírito Santo: Se a vivificação do Corpo Místico é obra do Divino
Espírito Santo, o legionário deve estar convencido de que “tendo Vós (Espírito Santo)
vindo regenerar o mundo em Jesus Cristo, SÓ POR MARIA O QUISESTES FAZER,
que sem Ela, não Vos podemos conhecer nem amar; que é por Ela que os Vossos dons,
virtudes e graças são distribuídas, a quem lhe apraz, quando lhe apraz, e na medida e
maneira que lhe apraz; reconheço que o segredo do perfeito serviço legionário consiste
48
na UNIÃO TOTAL COM AQUELA QUE VOS ESTÁ INTEIRAMENTE UNIDA”
(Promessa Legionária, p. 77). Por isso, no estandarte da Legião, quando procurando
adaptar o Vexillum da Legião Romana, se substituiu a águia romana pela pomba
(símbolo do Divino Espírito Santo), e a efígie do imperador pela imagem de Nossa
Senhora, teve-se a “representação final em que o Espírito Santo utiliza Maria como
canal, para a terra, das suas influências vivificadoras” (p. 223)40.
c) Maria e a Eucaristia: Finalmente, Mãe do Corpo Místico, Medianeira das
Graças que nos vêm do Espírito Santo, nada deseja tanto Maria Santíssima, como a
alimentação de seus filhos pela Eucaristia. “Maria é a Mãe do Corpo Místico. E assim
como outrora provia solícita às necessidades de Jesus Menino, assim deseja agora
ardentemente nutrir o Corpo Místico de que é Mãe, não menos que de Jesus. Que
angústias para o Seu Coração maternal ao ver a fome – às vezes extrema – de Seu Filho
no seu Corpo Místico, porque poucos se alimentam como devem do Pão Divino, e
muitos outros, muitos... absolutamente nada. Que todos quantos aspiram unir-se a
Maria para participar de Sua solicitude maternal, partilhem também das Suas
angústias e se esforcem, com Ela, por mitigar a fome do Corpo Místico de Jesus”
(p. 234).
d) A Legião e Maria: Maria é pois, podemos dizê-lo, o resumo de toda a
espiritualidade legionária. “A Legião não assenta, como alguns pretendem, sobre dois
princípios – Maria e o Apostolado – mas sobre um só princípio – Maria – o qual
abrange de per si, o apostolado e, retamente entendido, toda a vida cristã” (Manual,
página 188)41.
É por isso que se alguém nos perguntasse qual o espírito da Legião e quais as
virtudes a serem especialmente praticadas pelos legionários, responderíamos coma as
palavras taxativas do Manual: “O espírito da Legião é o próprio espírito de Maria de
quem os legionários se esforçarão de modo particular por adquirir a profunda
humildade, a obediência perfeita, a doçura angélica, a aplicação contínua à oração, a
mortificação universal, a pureza perfeita, a paciência heróica, a sabedoria celeste, o
amor corajoso e sacrificado a Deus, e acima de tudo, a sua Fé, virtude que só Ela
praticou no mais alto grau, jamais igualado” (p. 16).
40
Observe-se que é ainda nessa ordem de idéias que a festa de Acies – parada dos legionários, a que nos
referimos em nota anterior – se faz no dia 25 de março (ou em dia próximo), dia em que o Espírito Santo,
descendo sobre Maria, fê-la canal da suprema graça para a humanidade.
41
Dar Maria ao mundo como meio infalível de ganhar o mundo para Jesus Cristo, eis o supremo ideal da
Legião” (p. 177). Esse ideal comum à Legião e à “Verdadeira Devoção” de São Luís Grignion de
Montfort mostra-nos como a espiritualidade da Legião se arraiga nos pensamentos monfortianos. Veja-se:
Manual, p. 82, 194, 277, 435 – Observe-se ainda que, embora o Manual tenha a verdadeira obsessão de
em todas as suas páginas centralizar tudo em Maria, como caminho para Jesus, dedica-lhe além disso
longas páginas exclusivas: Cap. 5, p. 23 a 32; 27, p. 177 a 200 e 28, 7 página 406 a 418).
CAPÍTULO IV
49
FRUTOS DA LEGIÃO DE MARIA
Seria muito longo relatar todo bem que, graças a Nossa Senhora, tem sido
possível realizar por meio da Legião nos mais longínquos recantos do globo.
Procuraremos aqui resumidamente, e de maneira geral, citar os benefícios para as
paróquias, para os legionários e não menos para os próprios sacerdotes, oriundos da
existência na localidade de um ou mais praesidia da Legião de Maria.
I. PARA A PARÓQUIA
1 – Renovação espiritual – Para demonstrar essa renovação operada em
milhares de paróquias, será bastante aduzir dados estatísticos, infelizmente incompletos,
retirados dos relatórios das atividades legionárias no Brasil em 1961.
SACRAMENTOS
Voltas aos Sacramentos
Batismos de adultos
Primeiras Comunhões de adultos
Batismos de crianças
Primeiras Comunhões de crianças
Uniões legitimadas
Confissão e Comunhão a doentes
Extremas Unções
Crismas
15.568
1.814
6.988
7.175
55.421
7.429
34.696
4.697
8.464
CATEQUESE
Horas de catecismo
Crianças catequizadas
Adultos catequizados
Crianças conduzidas à Missa (médias)
175.531
359.769
24.783
27.702
BOA IMPRENSA
Livros, revistas, jornais e impressos distribuídos
1.001.478
CONVERSÕES
Protestantes
Espíritas
Outras religiões
RECRUTAMENTO PARA
OUTRAS ASSOCIAÇÕES
723
546
235
30.725
50
2 – Solução de casos aparentemente sem remédio – Em quase todo o desvio
da Fé ou da Moral, há um problema de ordem pessoal, uma história que precisa ser
desvendada e que, muitas vezes, conhecida, serve de ponte para a solução pronta do
caso.
Quantas vezes nos pomos a argumentar contra os erros de determinada seita,
tencionando converter alguém, esquecendo-nos de que, talvez, o que mais impeça essa
alma de voltar, não são propriamente as verdades da Fé, mas uma questão de índole
pessoal que só terá solução, se pudermos penetrar, graças a uma convivência prolongada
informal, na vida íntima, na história e nos problemas da alma. “Para atuar com
proveito sobre as almas é mister abordá-las pessoalmente, intimamente” (395). E é
isso justamente o que faz a Legião no seu apostolado de contato pessoal42,
especialmente no que lhe é mais peculiar, a visita aos domicílios. Bem dizia um
Arcebispo, Diretor Espiritual de uma Curia da Legião: “A Legião leva a mercadoria na
casa do freguês”.
3 – Criação entre os católicos da Consciência do dever do apostolado – Em uma
visita a um crente, este, acompanhando as legionárias até a porta, após amigável
conversa, confessou: “Moças, muito obrigado pela visita. Mas não levem a mal se lhes
digo: é a primeira vez que vejo católicos se interessarem por propagar a sua Religião”.
Tal afirmação é certamente exagerada, mas também não podemos negar que, nesse
particular, estamos muitas vezes bem longe de igualar os nossos irmãos separados. “A
verificação de que a Igreja ocupa uma posição de aparente inferioridade nas obras de
zelo, produz uma deplorável impressão no espírito dos católicos, provocando inúmeras
e tristes reações... A Legião fará desaparecer rapidamente uma tal censura” (p. 42).
Um dos melhores frutos da Legião é justamente esse de sacudir a inércia de
muito católico que julga que, pelo fato de assistir à sua Missa e receber a Santa
Comunhão, já se desincumbiu de todos os deveres de cristão, ficando o apostolado
como responsabilidade exclusiva do sacerdote43. A Legião, pelo seu exemplo e pelo
intenso trabalho de recrutamento, despertará neles a consciência de suas
responsabilidades perante Deus, pelas almas que se perdem e pelo sangue de Cristo que
se torna inútil devido à inércia dos fiéis.44
42
“Quando uma epidemia se declara, impõem-se urgentes medidas gerais preventivas ou curativas.
Porém, o mal não será debelado, a não ser que os médicos aceitem – às vezes mesmo com perigo de vida
– cuidar os contaminados individualmente, um por um” (Suenens, Teologia do Apostolado da Legião de
Maria, p. 129).
43
“Antes de subir ao céu, Cristo confiou aos seus Apóstolos, e por eles a toda a Igreja, o encargo de
evangelizar o mundo em seu nome. Cada cristão deve, pois, persuadir-se de que uma parte desse encargo
lhe repousa sobre os ombros, e de que ninguém pode desobrigar-se dele em seu lugar” (Pio XII, O
Apostolado da Mulher Católica, Alocução de 30/9/57 – D. P. Vozes, nº 125, p. 18). Veja-se o que narra
Suenens, em Novos Rumos da Igreja Missionária, p. 98/99. – Cf. ainda Manual, p. 35, nota.
44
Queixamo-nos, às vezes de que o povo não nos ajuda, de que lutamos sozinhos e não encontramos
cooperadores no meio da comunidade para a catequese e outras formas de apostolado. Lamentamo-nos:
Quid statis tota die otiosi... Quem sabe poderíamos ouvir a mesma resposta do Evangelho: Quia nemo
nos conduxit (Mt 20, 6ss). “Quer dizer isso que o sacerdote deverá procurar seus colaboradores,
51
infatigavelmente e por toda a parte. Não deve esperar que o procurem espontaneamente: será preciso
vencer as resistências que opõem, o receio e a timidez, vencer as teorias errôneas atrás das quais se
entrincheiram. Sob pena de não ser compreendido, não poderá satisfazer-se com um apelo geral e
coletivo: deverá aproximar-se das almas, uma a uma, e dirigir-lhes um convite direto, concreto, preciso”
(Suenens, Novos Rumos da Igreja Missionária, p. 98).
4 – Reavivamento do espírito cristão de comunidade (Corpo Místico) –
Recrutando membros para o corpo de auxiliares da Legião, os legionários vão criando
no seio da paróquia o interesse por todos, e especialmente, pelos membros
espiritualmente doentes. O legionário auxiliar sabe que não vive só para si e que a sua
oração está sendo frutuosa na obtenção da graça para muitos corações afastados de Deus
ou esfriados em suas relações com a Divina Cabeça. Isso o arranca desse individualismo
egoísta tão comum e o faz viver as alegrias e as preocupações de todo o Corpo Místico e
entrar nessa torrente de preces que canalizam as graças de Deus para todos os
membros45.
5 – Difusão da oração em família e, especialmente, da devoção a Nossa
Senhora – A recitação diária da Tessera, incluindo o Terço, tem sido para muitos lares
um meio valioso para difundir e assegurar a oração em família, e especialmente o belo
costuma de recitação diária do terço com inestimáveis frutos e a certeza moral de uma
constância que, de outra forma, seria bem difícil de se obter46. Demais a mais será
sempre a maior preocupação da Legião difundir por todos os meios a devoção à sua
Rainha.
45
“Inúmeros católicos, perdidos nas suas aldeias, vivendo em circunstâncias propícias a tornar insípida,
quando não rotineira, a religião, compreenderam, afinal, como Auxiliares, que desempenham papel
importante na Igreja; quantos, tendo chamado a si como coisa própria, os interesses da Legião, lêem com
avidez qualquer escrito que se lhe refira e que lhes venha às mãos! Reconhecem-se como partes na luta
travada, ao longe, pela Legião, em prol das almas, luta cuja sorte depende das orações” (274).
46
“Pessoas que, aliás, não pensariam em rezar diariamente o Terço, cumprem fielmente as obrigações do
Serviço Auxiliar, que prescreve a recitação cotidiana das orações da Tessera (incluindo o Terço), (p. 274
nº 5).
6 – Arrefecimento e mesmo anulações das investidas sectárias – Cantando os
louvores de Nossa Senhora, a Igreja proclama: “sola interemisti “cunctas haereses”.
De fato, onde penetra o exército de Maria, ali diminui a força dos ataques e os êxitos
das hostes inimigas e, muitas vezes, já se tem notado que totalmente desaparecem os
efeitos de suas atividades47. Justamente agora, quando protestantes e espíritas
recrudescem as usa investidas, quão urgente seria que se estimulassem por toda a parte
os grupos de legionários de Maria!
47
Vejam-se as declarações de O PATRIOTA, órgão da Igreja “Reformada” (controlada pelos comunistas)
de Nandiang, China: “Em toda a localidade onde não havia um núcleo da Legião de Maria, foi fácil
estabelecer “o movimento patriótico anti-imperialista”. Enquanto que, onde a Legião estava organizada,
foi e ainda é impossível pensar nisso.
52
II. PARA O LEGIONÁRIO
1 – Afervoramento de sua vida espiritual – A Legião não é apenas um
sistema, uma organização; é antes, pelo contrário, um modo de viver profundamente as
verdades fundamentais do cristianismo. Tudo nela tende a fazer que cada legionário se
embeba, até o mais íntimo, dessa vida da graça para levá-la aos outros. Orações,
reuniões, leituras, a presença contínua de Maria, o convite insistente para o grau de
pretoriano e, não menos, o próprio trabalho, quase que obrigam o soldado de Maria a se
santificar sempre mais, para sempre melhor santificar. As verdades que antes eram para
ele capítulos esparsos e desconexos e com as quais pouco se preocupava, tornam-se um
conjunto grandioso e vital, algo de sublime, que é preciso viver.
2 – Forma-o para o apostolado – A experiência que nada tem de irreal e
ilusório, os relatórios comentados na reunião, as orientações do Diretor Espiritual, o
acompanhamento de casos da vida, tornam-se uma escola invejável de um apostolado
eficiente e prático, adaptado às circunstâncias do lugar. Em pouco tempo terá o
legionário cabedal extraordinário de conhecimentos religiosos e espirituais e até noções
práticas de psicologia que lhe possibilitarão o mais frutuoso dos apostolados. E como
isso se faz numa reunião impregnada de “uma atmosfera sobrenatural de oração e
práticas de piedade” (p. 62), haverá perigo que resvale do verdadeiro espírito de
apostolado que é, antes de tudo, graça que se transmite para uma ânsia de técnica em
que é muito comum confundir apóstolo com propagandista48.
48
Considerando este fato, Mons. Riberi, outrora internúncio na China e hoje na Irlanda, chega a afirmar:
“É (a Legião de Maria) no meu entender, a organização que mais se aproxima do ideal da ação católica”.
3 – Inflama-lhe o zelo apostólico – Vejamos aqui uns dados esclarecedores
dessa afirmação, retirados do relatório supramencionado da Legião de Maria em 1961:
Visitas domiciliares feitas
555.102
Visitas a doentes
147.727
Visitas a cárceres
3.853
Visitas a outras instituições
13.439
Visitas com a imagem de Nossa Senhora
50.723
Outras visitas (recenseamento etc.)
28.600
Total 799.444
Terços rezados em lares, em hospitais,
em cadeias, em velórios, em cemitérios,
quartéis e em praças públicas
Entronizações
173.275
8.464
53
Esse trabalho, ao mesmo tempo que já é uma demonstração do zelo legionário,
serve para mais o inflamar. É isso que explica o verdadeiro heroísmo de certos
legionários que, ou já deram a vida pelo seu ideal (como aconteceu na China) ou,
escondidamente levam uma vida toda feita de sacrifício das mais legítimas alegrias e
diversões, fazendo às vezes o seu apostolado à noite, após um dia de estafante trabalho
nas fábricas, porque não dispõem de outra ocasião. Ainda outros, como Edel Quinn e
Alfonso Lambe, abandonam a Pátria para, em terras estranhas, viver e morrer pelo
desenvolvimento da Legião49.
49
“Para mim a Legião de Maria é algo que porá fogo em nosso cristianismo” afirma Dom MacManus,
Bispo de Ponce – Porto Rico.
4 – Afervora-lhe o espírito de Fé e aumenta-lhe a Confiança, Amor,
Perseverança, Disciplina – Sete anos na direção de praesidia me dão autoridade para
testemunhar esta experiência que, por certo, tranqüilizará muitos sacerdotes desejosos
de iniciar o movimento legionário. São virtudes que naturalmente decorrem do espírito
da Legião e que vão embebendo todo o legionário desde que de fato se procure fazê-lo
viver a sua condição de soldado de Maria. É essa, a meu ver, mais uma razão, da
eficiência da Legião nas obras de apostolado. A melhor apologia do seu espírito e de sua
atividade está nos frutos de transformação que produz nos seus membros.
5 – Leva-o a olhar a vida com mais seriedade – O espírito de seriedade e a
própria estrutura da Legião, o contato que promove com os problemas mais pungentes
da humanidade, não como divertimento estatístico, mas com a finalidade de lhes trazer a
solução do Evangelho, o aspecto sobrenatural sob qual tudo se considera na reunião do
Praesidium, leva o legionário insensivelmente a olhar tudo com mais seriedade, o que
não deixa de ter sobre sua própria vida uma influência grandemente benéfica. Pessoas
que talvez pouco se deram anteriormente ao trabalho de estudar a fundo a sua Religião,
de considerar os problemas vitais em que os homens se debatem, de dar o seu
verdadeiro valor a cada coisa, e a todas um sentido sobrenatural e cristão, depois e
algum tempo na Legião começam a mudar de maneira extraordinária.
6 – É um viveiro de vocações sacerdotais e religiosas – Ainda aqui recorramos
aos relatórios. Foi o seguinte o movimento de vocações saídas das fileiras legionárias no
Brasil em 1961:
Vocações sacerdotais
Vocações religiosas
221
136
Nada mais próprio para despertar o interesse pelo sacerdócio do que o auxílio
prestado ao sacerdote no apostolado.
III. PARA O SACERDOTE
54
1 – Transforma a mentalidade ambiente com relação ao sacerdote – “Um
dos objetivos principais da ação legionária é conduzir o sacerdote ao meio do povo...
tornando compreensível a sua função e valorizando a sua influência” (p. 36). Quanta
ignorância e injustiça no modo de julgar o clero. E o que é pior, nós mesmos sacerdotes,
afora o bom exemplo, pouco podemos fazer para destruir essa mentalidade. A Legião de
Maria, pelo seu contato pessoal, tem ocasião de ouvir e corrigir, caridosa e
eficientemente muitas destas injustiças.
Quantos, afastados da Igreja, não se tornaram por esta forma mais acessíveis à
ação sacerdotal. Para quantos não foi a visita do legionário o único meio de desfazer
preconceitos que há anos o afastavam dos sacramentos e do ministro de Deus. “Sem
deixar de pertencer ao rebanho, a Legião ambiciona ser o elo que o liga aos seus
Pastores: facilita-lhes o trabalho, permite-lhes um contato pessoal e contínuo com os
fiéis, e por outro lado, mantém estes debaixo da influência terna e ardente dos
respectivos Párocos” (p. 432).
2 – Põe-lhe à disposição um grupo disciplinado e humilde, pronto para
qualquer obra de apostolado – A Legião faz questão de ser a tropa de choque nas
mãos do sacerdote. O apostolado a ser exercido depende de sua decisão e, se houver
possibilidade de escolha, deseja apenas que se lhe reserve o mais dificultoso50.
50
Nas reuniões legionárias não há lugar para negativas e preferências: o legionário é
soldado e, como tal, não lhe compete escolher, mas aceitar humilde e
corajosamente a atividade apostólica que lhe for confiada. “Que para com os
Pastores da Igreja se dêem provas de uma lealdade sem reserva e duma afetuosa
obediência... A exemplo de Maria, a “Serva do Senhor” e, debaixo de sua proteção
e guia, a Legião aspira à honra de ser a serva dos Ministros do Senhor” (p. 431).
3 – Possibilita-lhe uma atuação mais eficiente e constante – Mais eficiente,
porque o Praesidium “manejado por um sacerdote ou religioso e como poderosa
máquina nas mãos de um mecânico. Toca os registros do controle, deita mão às
manivelas – e assim desenvolve um potencial de energia capaz de realizar o que,
normalmente, se lhe afigurava impossível. Desta maneira, uma hora e meia despendida
por semana a guiar os membros de um Praesidium, a encorajá-los, a sobrenaturalizá-los,
permitir-lhe-á estar em toda a parte, ouvir tudo, exercer influência em cada um,
excedendo em muito na realização dum programa, as possibilidades das suas
forças físicas” (p. 44). A Legião “multiplica a atividade do sacerdote, estende o seu
zelo, espalha ao longe as suas palavras, representa-o por toda a parte junto de todos” (p.
432).
Mais constante, porque não se trata de uma campanha momentânea, mas de um
trabalho semanalmente renovado e constantemente continuado. Daí afirmar o Pe. José
Alves Vilaça: “A Legião de Maria é missão permanente na paróquia”.
55
4 – Dá-lhe oportunidade de formar elites de vida cristã e apostolado – O
sacerdote sente-se muitas vezes desanimado ao ver que todo o seu esforço se despende
nas obras essenciais do seu ministério, quando não em atividades burocráticas, e que,
pouco mais consegue do que fazer cristãos pelo batismo e elevá-los quiçá, pouco acima
desse marco inicial. Com a Legião, se lhe possibilita criar núcleos de verdadeiras elites
espirituais, sem o perigo dos ensoberbecimentos tão comuns51.
51
Ouçam-se as palavras de um líder comunista de Xangai: “Nós que vencemos a alguns milhões de
nacionalistas bem armados, não fomos capazes de fazer calar a algumas centenas de Legionários de
Maria”.
5 – Possibilita-lhe conhecer a situação da Paróquia – Dom José Joaquim
Gonçalves, Bispo Auxiliar de São José do Rio Preto afirma que a Legião apresenta um
Raio X da Paróquia nos relatórios. Com efeito, embora o ideal do Pastor seja, como diz
o Evangelho, aquele que conhece as ovelhas e a quem as ovelhas conhecem (Jo 10, 14),
tal desiteratum dificilmente o conseguiremos nós sacerdotes nas nossas visitas aos lares,
com mais eficiência do que simples leigos visitantes, sem tomar em consideração o
fator tempo e o acúmulo de outras ocupações. A razão é evidente: Para nós, mesmo que
as portas se abram, as bocas se fecham. Para um leigo torna-se muito mais fácil a
penetração, quando não é o único modo possível.
E então, tem o sacerdote nos relatórios dos seus legionários um retrato fiel do
que é a sua paróquia; não desses retratos retocados nas grandes procissões que tanto
enganam, mas uma cópia fiel do que vai em cada lar e em cada alma. Isso lhe possibilita
SABER quais os verdadeiros problemas, quais as questões mais urgentes, quais os
meios mais oportunos, ensejando-lhe PROGRAMAR sua atividade apostólica e com
mais eficiência EXECUTAR o seu plano. Só isso já seria motivo mais que suficiente
para que todos os curas de almas desejassem possuir em suas paróquias alguns grupos
legionários, batedores de Deus52.
52
“Na sua extensa paróquia, que V. Revma. Jamais chegará a conhecer e a trabalhar sozinho, os
legionários serão os seus pés visitando todos: católicos, indiferentes crentes, espíritas, pagãos. Serão seus
ouvidos que registrarão todas as objeções e críticas contra a Igreja, os seus sacerdotes e fiéis. Pelos olhos
dos seus legionários o Vigário perscrutará e perceberá o avanço aberto e assustador das seitas heréticas, a
enorme indiferença e ignorância da maior parte do rebanho católico. Eles serão a sua boca a anunciar o
Evangelho em todos os lares, nas ruas, nos escritórios, nos ônibus, nas praças públicas” (Pe. Francisco
apud Anais de N. S. do Sagrado Coração, Ano XIX, Set. de 1956 e transcrita em “Carta aos Padres” de
Jan. de 1957).
6 – É pelos relatórios, uma escola de Pastoral – Muitos sacerdotes me têm
confessado e eu pessoalmente tenho constatado quanto se pode aprender nas reuniões
semanais da Legião. Nos relatórios apresentados em sua simplicidade e multiforme
variedade, pelo contato com problemas concretos e a preocupação em resolvê-los, se
tem um curso eficiente e diuturno de pastoral, onde os casos e problemas se apresentam,
56
não com coloridos de imaginação, mas na crueza da realidade e à espera de solução.
Também para o sacerdote é verdade: aprende fazendo,solucionando, resolvendo.
7 – Afervora-lhe o espírito de apostolado – Quando vemos simples leigos a se
sacrificarem para não faltar a seus deveres de apostolado, aceitar humildemente
encargos humilhantes, penetrar em celas, onde sentados às vezes no chão, ensinam aos
presos o catecismo e com eles rezam o Terço; quando vemos senhora e moças de
família a percorrer as mansardas e favelas para levar o Evangelho aos pobres, quando
vemos tanto heroísmo simples, diuturno, escondido, perseverante, não é possível que
nos não afervoremos e que tais exemplos não sirvam pra nos abrasar mais no zelo pela
salvação de nossos irmãos. Assim, para o próprio sacerdote, a fundação de grupos
legionários é um dos mais eficientes meios de renovação apostólica.
CAPÍTULO V
OBJEÇÕES À FUNDAÇÃO DA LEGIÃO DE MARIA
As páginas anteriores terão deixado na alma do colega a semente do interesse e,
talvez, ocorra a pergunta: “Por que não começarei também eu com a Legião? Poderei
obter na minha paróquia, no meu colégio, na organização que dirijo, os frutos que
outros já obtiveram... “Mas”... E vêm os “mas” de objeções e dificuldades que já tantas
vezes impediram grandes movimentos. Muitas delas também eu as tive antes de me
dedicar à direção de grupos legionários. Outras ouvi de sacerdotes temerosos e que,
graças a Deus, viram como a própria atividade legionária em suas paróquias se
encarregou de as anular. Procuraremos, pois, desfazer as mais comuns; estamos certos
de que a “sua” dificuldade se encontrará entre elas.
1 – Não se deve entregar ao leigo o que pertence ao sacerdote. Fazer o
contrário é criar um grupo que, em vez de ajudar, torna-se um espinho para o
pobre pároco. A dificuldade é justa. Demos a César o que é de César. Mas também não
assumamos, como coisa exclusivamente nossa, a parte que pertence ao leigo53. Também
é ele soldado de Cristo; e há mesmo apostolados que só ele pode fazer, de vez que o
ambiente e os preconceitos nos entravam a atividade54. Além disso, quando sabemos
que o nosso número é tão exíguo e que há tantos leigos com possibilidade de nos ajudar
a reter as almas que nos vão fugindo e a fazer voltar as que se afastaram, porque não nos
valer desse valioso auxílio para podermos melhor atender às nossas obrigações
específicas e nas quais ninguém nos pode substituir? “Nos vero orationi et ministerio
verbi instantes erimus” (At 6, 4)55. Demais a mais, essa necessidade do auxílio dos
leigos no apostolado tornou-se por demais evidente de Pio XI para cá56.
53
“O apostolado religioso direto, necessário à vida da Igreja, não é, como por muito tempo se acreditou,
ao que parece, monopólio do Clero... O cristão está no mundo, e deve impregná-lo do Espírito de Deus.
Como o sacerdote, porém, ele não é do mundo. Pertence ao Reino de Deus, à Igreja, e porque a ele
pertence de maneira ativa, está obrigado a uma missão específica: a de contribuir, com a sua parte, para a
evangelização do mundo” (Suenens, Novos Rumos da Igreja Missionária, p. 85/86).
57
54
“Confiem-se ao leigo as tarefas que ele pode executar tão bem ou mesmo melhor que o sacerdote” (Pio
XII, Aos participantes do II Congresso Mundial para o Apostolado dos Leigos, D. P. Vozes, p. 19).
“Avalia-se, ao menos entre os missionários da África que um missionário acompanhado de catequistas
consegue mais do que 7 missionários; com efeito, o catequista competente trabalha num meio familiar,
cuja língua e cujos costumes ele conhece bem; entra em contato com os indivíduos bem mais facilmente
que um missionário vindo de longe” (Idem, ibidem, p. 31).
55
“Falando um dia Sua Santidade Pio X com um grupo de cardeais, disse-lhes: Que coisa é mais
necessária nos nossos tempos presentes para a salvação da sociedade?” – Levantar escolas católicas,
respondeu um. – Não retorquiu o Papa. – Multiplicar as igrejas, tornou outro. – Também não. –
Intensificar o recrutamento sacerdotal, sugeriu um terceiro. – Não, não replicou o Papa. “O que há de
mais necessário é a existência em cada paróquia de um grupo de leigos simultaneamente virtuosos,
resolutos e verdadeiramente apostólicos” (p. 38).
56
Pio XI: “Relembrai aos vossos fiéis que é participando nos trabalhos de apostolado quer individual quer
social (cujo fim é tornar Jesus Cristo mais conhecido e amado) e sob a direção dos seus pastores e Bispos,
que merecerão verdadeiramente o nome de “geração escolhida”, “sacerdócio real, gente santa, povo de
conquista” de que S. Pedro fala com tanto louvor (1Pd 2, 9). (Pio XI, Ubi Arcano). E Pio XII: “Se a
história mostra que, desde as origens da Igreja, os leigos tinham parte na atividade que o sacerdote
desenvolve a serviço da Igreja, verdade é que hoje em dia mais do nunca devem eles prestar essa
colaboração com ainda mais fervor, “para edificação do Corpo de Cristo” (Ef 4, 12) em todas as formas
de apostolado” (Pio XII, Aos participantes do II Congresso Mundial para o Apostolado dos Leigos, D. P.
Vozes, p. 18).
Além disso, não nos esqueçamos que, se não buscamos esse auxílio, não
conseguiremos contrapor uma reação eficiente às organizações leigas de inúmeras seitas
que estão inundando o Brasil, e cooperaríamos, com tremenda responsabilidade, para
criar e desenvolver esse catolicismo frio e raquítico que é a melhor massa pra fabricar
hereges. É preciso que tomemos consciência de que a organização do apostolado dos
leigos, especialmente no Brasil, é coisa de máxima urgência, pois vamos perdendo
terreno de dia para dia57.
Com relação ao medo de que os leigos se compenetrem demais e queiram
substituir ou dar ordens ao sacerdote, isso dependerá da formação que lhes
proporcionarmos. E justamente aqui temos um particular importante na Legião: sua
organização militar, onde não há margem para discussões; suja obediência inteira ao
sacerdote e não menos o espírito de humildade que é o espírito de Maria e da Legião
fazem com que o sacerdote nada tenha a temer de seu grupo de auxiliares leigos58.
2 – Na minha paróquia não há necessidade, porque o povo é bom – Um
sacerdote que assim pensava e era vigário de uma paróquia à primeira vista ideal, pois
pequena e de movimento religioso relativamente grande, confessou-me após a fundação
da Legião que ficara grandemente decepcionado, ao verificar que os legionários lhe
traziam ao conhecimento a existência de pessoas, a 100 metros da matriz, que havia
anos não faziam a Páscoa e muitos outros que faltavam constantemente à missa
dominical.
É verdade inconteste que em toda paróquia, para a pequena porcentagem que
cumpre suas obrigações mínimas de Missa Dominical e Páscoa anual, há a grande
massa que fica alheia a tudo isso. E mesmo que fosse verdade que a maioria ou todos
58
fizessem o mínimo exigido, seria isso suficiente para nos deixar tranqüilos? Será
NORMAL um cristianismo minimalista?59
57
“A América do Sul, continente cuja extensão é duas vezes a Europa, inclusive a Rússia, oferece um
exemplo perturbador. Sabendo-se que a América Latina com os seus 170 milhões de batizados
representam 37% dos católicos do mundo, pode-se tomar consciência do aspecto trágico de certos fatos.
Nessa terra tradicionalmente católica, o protestantismo passou de 700.000 adeptos em 1925 para
4.500.000 na hora atual. E a menos que sobrevenha uma transformação gigantesca, é facílimo adivinhar o
que reservará o futuro, quando se pensa que esse continente católico não conta hoje em dia mais de
30.000 sacerdotes, ou seja, apenas o dobro do clero da Bélgica, para um número 20 vezes maior de
habitantes; quando se conhece o esforço da emissora protestante de Quito, a qual financiada por 50 seitas
dos EE.UU. cobrem com sua propaganda toda a América Latina; quando se sabe que 16.000 pastores nela
trabalham numa atividade que, no dizer de um historiador, representa “o maior sucesso moderno da
Reforma desde o século XVII” (Novos Rumos da Igreja Missionária de D. L. J. Suenens, p. 79). O
mesmo afirma Pio XII, Aos participantes do II Congresso mundial para o Apostolado dos Leigos, nº 15 e
46 (D. P. Vozes, nº 127).
58
Cf. Manual, p. 180ss.
59
“O Católico medíocre não é um católico normal. Deveríamos sujeitar a uma crítica cerrada, a um
processo de revisão, a noção de “bom católico” ou de “católico praticante”. Há um mínimo de trabalho
apostólico, abaixo do qual não se pode ser católico, e este mínimo indispensável, por que seremos
julgados no juízo final, não é atingido pela massa dos católicos ditos praticantes”. (Suenens, Teologia do
Apostolado da Legião de Maria, cit. pelo Manual, p. 219).
Não nos deixemos enganar pelos grandes movimentos de campanhas e procissões! A
realidade será para nós, como para o mencionado sacerdote, uma triste decepção. Quem
afirma não necessitar da Legião em sua Paróquia porque o povo é bom, está preparando
para si os mais amargos desenganos e queira Deus que acorde a tempo!60
3 – Já tenho associações de apostolado. A Legião seria uma como as outras e
poderiam se destruir mutuamente – Só há motivo para parabenizá-lo pelo fato de já ter
associações de apostolado em sua paróquia: é sinal que o vigário é zeloso e tem
consciência da necessidade do apostolado dos leigos. Mas, convenhamos, a Legião não
seria apenas uma outra associação numericamente diversa. Ela tem, como vimos, uma
espiritualidade profunda e uma organização de rara eficiência: os dados apresentados no
capítulo anterior são disso prova cabal.
Além disso, tem a possibilidade de se adaptar a qualquer meio – elevado, médio,
operário, militar e até em prisões – e de aceitar qualquer atividade apostólica, preferindo
mesmo as mais difíceis. Finalmente tem a seu favor, uma organização mais rígida e
concreta, uma dependência completa do Pároco em cujas mãos que ser humilde
instrumento, um corpo de auxiliares rezando pelo êxito da empresa, e a proteção
maternal de Nossa Senhora61.
Não se deve temer, ademais, que duas associações religiosas ativas venham a se
destruir mutuamente. Primeiro, porque os campos de atividade podem ser delimitados, e
é raro, senão inexistente mesmo em outras associações, esse trabalho mais comum da
Legião que é a visita domiciliar para fins exclusivamente de apostolado espiritual. Em
segundo lugar, porque uma associação religiosa, especialmente a que se dedica ao
59
apostolado, não morre por concorrência de outras, mas unicamente por desintegração
interna por falte de espírito: quando ela desaparece, é que já estava morta por
deficiências internas, e nunca por circunstâncias exteriores.
Finalmente, no caso concreto da Legião, ela prima por ser ativa recrutadora de
membros para as demais associações. Enquanto, em 1958, recrutou 3.966 sócios para as
suas fileiras de ativos, recrutou 5.471 pessoas para outras associações. É esse, aliás, um
dos trabalhos especificamente propostos pelo Manual da Legião para atividade
apostólica dos legionários62.
60
Cf. Manual, p. 45 e 54.
Cf. Manual, p. 49. Vejam-se as palavras de Mons. Riberi no Manual, p. 36.
62
Cf. Manual, p. 430, 382.
61
4 – Não tenho na Paróquia pessoas idôneas – Seria o mesmo que dizer que
não há na Paróquia pessoas capazes de viver o ideal do cristianismo, pois todo o
verdadeiro cristão é chamado ao apostolado. Aliás, se a situação de fato é tão dolorosa,
não está justamente a localidade mais necessitada de um grupo ativo, ainda que
pequeno, como fermento para levedar a massa?
Demais a mais, geralmente, subestimamos demasiadamente as possibilidades ou
exageramos as condições para a aceitação de apóstolos63. Se, talvez, não puderem fazer
determinado apostolado, será isso razão para excluí-los de todo o apostolado? Não é
possível que não haja numa Paróquia de 10.000 ou 20.000 almas, algumas que possam
prestar-se às lides do apostolado: e essas serão a semente que dará como novos frutos
uma grande messe de novos e fervorosos apóstolos. Por certo, os escravos de Roma,
convertidos em apóstolos do cristianismo na Cidade dos Césares, não seriam também, à
primeira vista, os transformadores ideais da Roma pagã. Quando comecei o primeiro
praesidium, após preparativos e uma conferência, apresentaram-se 3 pessoas para
iniciar. Três anos depois, eram 9 praesidia com quase 180 membros ativos. Vale, pois, a
pena tentar64.
5 – Temos associações demais. Para que mais uma? – Há muita verdade nessa
afirmação que, ao mesmo tempo, uma justa queixa. E este fato, às vezes, exige muito
desperdício de forças por parte do pobre sacerdote, especialmente quando se trata de
associações puramente devocionais, cujos resultados práticos quase nunca passam de
cuidarem de determinados altares e promoverem determinadas festas. No entanto, se é
aconselhável uma escalamento, não seria razoável dar mais tempo às associações que
formam e que auxiliam o sacerdote na sua missão apostólica?
6 – Tenho tanto trabalho, que não posso assumir mais a direção de um
praesidium – Ninguém nega a justeza do desabafo de nossos heróicos párocos e demais
sacerdotes, geralmente assoberbados de ocupações e deveres que lhes tomam quase todo
o dia. Seria justo pedir-lhes ainda mais um sacrifício, qual o de assistir às reuniões de
um praesidium a que servissem de Diretor Espiritual? Primeiramente, note-se que um
praesidium da Legião será, ao mesmo tempo, um alívio para o sacerdote, de vez que os
60
legionários poderão encarregar-se de muito trabalho de apostolado (como catequese,
preparação de adultos para a Primeira Comunhão, preparação de doentes para a visita do
sacerdote etc) que ordinariamente onera o pobre sacerdote, especialmente por exigir
saídas constantes e demoradas.
Depois, dando a um grupo de leigos uma participação ativa nas obras de
apostolado, ele está acostumando os paroquianos a trabalhar, e o paroquiano que
trabalha, é o paroquiano que não dá trabalho ao padre, com esses pequenos fuxicos e
brigas que, às vezes, vem tornar ainda mais dolorosa a vida do pobre Pároco.
Finalmente, convenhamos que a expressão falta de tempo é relativa. Convençamo-nos
da urgência do apostolado leigo e encontraremos um pouco de tempo para uma hora
semanal, especialmente considerando que não é indispensável a presença do Diretor
63
Cf. p. 141.
Cf. Manual, p. 50: “Estai certos de que em toda a parte há lugar para a Legião. Experimentai,
concedendo-lhe um campo de ação por pequeno que seja. Em presença dos resultados, com certeza
convincentes, permiti que esse punhado de legionários se multiplique como os cinco pães de cevada do
Evangelho”.
durante a reunião inteira e que o praesidium não deixará de funcionar se, por acaso, alguma vez ele tiver
de estar ausente, contanto que esteja à testa do grupo um presidente seguro e que dê conta ao Diretor
Espiritual dos pontos mais importantes da reunião 65.
64
7 – A Legião é por demais rígida e não se coaduna com a índole do nosso
povo – Tal afirmação, se fosse verdadeira, redundaria em blasfêmia. De fato, Jesus
afirma que é preciso renunciar, tomar a cruz, fazer violência - e nada disso corresponde
à índole do povo e às inclinações da natureza66. Seria então, o caso de desistirmos de
pregar o Evangelho em toda a sua pureza e rigidez, como imprópria para determinado
povo?
Aliás, a prática aí está para demonstrar o contrário. Fechando os olhos e tocando
com o dedo em partes do globo, dificilmente apontaremos nele lugar na terra onde não
exista a Legião, com toda a sua disciplina, em toda a sua espiritualidade e viço67. É
preciso não esquecer o poder onipotente da graça de Deus68. Comecemos e veremos o
que outros antes de nós, duvidando, começaram e puderam constatar, gratamente
surpreendidos: é justamente o cuidado em se manter o espírito e a disciplina da Legião
que lhe assegura a certeza de se firmar e progredir em toda a parte. É essa a razão por
que a Legião repele com justa razão toda a tentativa de mudar o seu sistema que já se
tem comprovado e que não assenta em fantasia69.
8 – Temo indiscrições por parte dos legionários – Desde que haja o devido
cuidado na seleção e orientação, esse deixa de ter consistência. Demais a mais, a
65
“Não é tempo perdido o que se gasta em preparar e instruir os próprios colaboradores. Aqueles que vos
hão de auxiliar no apostolado não podem ser considerados como um “peso”, a não ser que se queira
compará-lo ao peso das asas, que não estorvam os movimentos, mas os facilitam”. (Pio XII, citado por D.
Suenens, Novos Rumos da Igreja Missionária, p. 102).
61
66
“Luta é vida. O fato de devermos sempre reagir para nos mantermos bons legionários, é talvez o que dá
vitalidade à nossa organização legionária. Não temamos a luta, mas sim a estagnação, a paz da inércia ou
da displicência ou do indiferentismo”. (D. Antônio de Almeida Lustosa: Legionário e Lutador, apud.
Revista Legião de Maria, Março de 1959).
67
A Legião está atuando e florescendo nas mais variadas circunstâncias de lugar e meio em todos os
recantos do Brasil e sempre em toda a sua disciplina e com o máximo cuidado na preservação do seu
espírito, o que põe por terra todos os argumentos em prol de uma suposta “adaptação”.
68
“Quando se trata de obras sobrenaturais, não sejamos tão humanamente prudentes que ignoremos a
força da Graça. Por que insistir tanto nas dificuldades e objeções de toda a ordem, sem tomarmos na
devida conta os auxílios do Céu? A Legião de Maria baseia-se na oração, dedica-se à conquista das almas
e pertence inteiramente a Maria. Por isso, considerando-a, não falemos de prudência humana, mas de
sabedoria divina” (Manual, p. 56).
69
Cf. p. 102.
seriedade com que tudo é tratado na Legião, a severidade com que se insiste
constantemente na obrigação de guardar o segredo legionário, estão aí para servir de
proteção contra imprudências. Aliás, se já tantos começaram e não tiveram motivos para
arrepender-se da fundação de um ou vários praesidia por estas razões, porque só nós,
unicamente por receio de uma possibilidade até hoje tão remota, deixaremos de
empregar para o bem, métodos há muito empregados pelos nossos adversários para o
mal?70
9 – Será prudente colocar jovens diante de problemas e situações tão graves
como as que, às vezes, se deparam nas visitas? – Preliminarmente, deve-se notar que
a própria Legião, por motivo e prudência, impõe a condição de que as visitas sejam
feitas aos pares e não sozinhos (p. 364). A experiência tem demonstrado que as visitas,
feitas com uma finalidade sobrenatural, têm o condão não só de preservá-los, mas os faz
ver tais problemas numa luz toda a especial e os leva a tirar deles as mais úteis lições
pra a sua própria vida.
10 – E quando encontrarem não católicos? Não serão insuficientes suas
noções religiosas para rebater e discutir? – Nunca ninguém se converteu graças a
discussões que só fazem acirrar os ânimos. Os legionários não irão discutir. Irão ganhar
a simpatia e lavara a explicação da sua Fé; se se afirma que esta é insuficiente,
reconhecemo-lo; eles terão ocasião de ter a devida explicação ao dar o relatório (e todos
estarão aprendendo com ele) e voltarão muitas vezes à mesma casa. Foi assim que uma
simples legionária de curso primário conseguiu a conversão de uma acatólica. É o que
nos esquecemos que para converter alguém é necessário antes de tudo demonstrar-lhe
muito amor e muita humildade71 e conseguir pela oração a graça de Deus que é, em
última análise, quem traz a alma de volta a Deus, “Spiritus ubi vult spirat”72.
70
Cf. p. 55.
“O mundo pertence a quem mais o ama e melhor lhe testemunha o seu amor” (Cura de Ars, citado pelo
Manual, p, 70). Manual, p. 367 e 389.
72
“Aliás, a história da Igreja nos mostra, desde a origem, que o maior número de conversões se opera
através de pessoas simples: escravos, artesãos, soldados e viajadores. Os sábios vieram por sua vez, mas
71
62
não foram os primeiros, como também não o foram os magos no presépio. Para convencer o próximo
basta fé real e sincera e falar-lhe de igual para igual. Este será sempre o caminho normal para tocar os
corações. Certamente, em estádio ulterior, quando se tratar de dar instrução religiosa desenvolvida ou de
responder a objeções especiais, será importante e necessário lançar mão dos sábios. Mas não é esse, em
geral, o primeiro passo: não se inculca a fé a golpes de silogismos” (Suenens, Teologia do Apostolado da
Legião de Maria, p. 177; cf. 1Cor, 26-29).
CAPÍTULO VI
VAMOS COMEÇAR?
Provavelmente, após a leitura dessas páginas, algum colega no sacerdócio se
tenha decidido finalmente a tentar a organização de um praesidium. Muitos talvez já
sonhem com os seus legionários percorrendo a paróquia e espalhando o bem. Mas,
perguntarão: “Como começar?” é o que procuraremos responder com dados da
experiência pessoal na direção de grupos legionários.
I – Procure conhecer mais a fundo a Legião – As poucas páginas deste folheto
não são suficientes para tanto. É necessário, antes de iniciar a Legião, penetrar-lhe
especialmente o espírito, as características e os métodos. Isso aplainará muitas
dificuldades e preconceitos e possibilitará dirigir convenientemente, evitando que se
confunda o movimento legionário com outras organizações, deturpando-lhe os ideais e
tornando-a infrutífera. Esse conhecimento só será possível pela leitura do MANUAL
OFICIAL DA LEGIÃO DE MARIA, livro extraordinário como os colegas poderão ter
notado pelas numerosas citações que dele trouxemos. Muitos sacerdotes o têm
escolhido para livro de meditação ou leitura espiritual. No apêndice indicamos além do
Manual, outros livros e revistas que se podem ler com grande fruto antes de iniciar o
praesidium73.
Seria também do máximo interesse assistir a alguma reunião de Praesidium
ou Curia (os sacerdotes, religiosos, religiosas são sempre bem-vindos) para ver,
praticamente, como se realiza a Legião, analisando-lhe os métodos de formação e os
trabalhos apresentados. Não deixa de ter também muita utilidade uma palestra com
algum sacerdote que já tenha experiência da direção de grupos legionários e que,
certamente, de bom grado se prestará a auxiliar o novel Diretor.
Além disso, a Curia com quem o sacerdote deverá entrar em contato para
fundar o seu praesidium lhe dará todos os esclarecimentos necessários e lhe enviará
conforme ficar combinado, legionários experimentados que acompanharão os primeiros
passos do praesidium, orientando e, mesmo, auxiliando os novos legionários nas
primeiras atividades apostólicas, especialmente nas visitas domiciliares74.
II – Obtenha as devidas licenças – Evidentemente, a Legião como toda a
associação religiosa só poderá ser iniciada em uma paróquia com as licenças do Bispo,
se ainda não tem autorização pra trabalhar na diocese; do Pároco, se o sacerdote que
quer iniciar não é o próprio Pároco da localidade75.
63
III – Ponha-se em contato com a Curia mais próxima – Evidentemente, pela
própria organização militar da Legião, não se pode conceber um Praesidium sem
filiação a um Conselho Superior76. Não seria legítimo o Praesidium iniciado sem prévio
73
Cf. Apêndice nº 2, 87.
Cf. Apêndice nº 3, p. 91.
75
Cf. p. 105, nº 5.
76
Cf. p. 104, nº 4.
74
entendimento com o mesmo. Além disso, a Curia lhe dará todas as orientações
necessárias, combinará detalhes e fornecerá o material indispensável (Livros, cadernos,
folhetos, Tessera, modelos etc.). Conforme as possibilidades, terá o máximo prazer em
visitar sua paróquia e auxiliará no trabalho de recrutamento. Na incerteza sobre a Curia
a que se deverá dirigir, basta enviar sua correspondência pra algum dos endereços que
anotamos no fim deste trabalho77.
IV – Procure despertar a consciência de dever de apostolado – Nas
pregações, conselhos e mesmo conversas, procure inculcar nos fiéis a convicção da
necessidade e do dever do apostolado pra os leigos. Enquanto não se despertar essa
convicção, não se despertará o desejo de trabalhar apostolicamente78.
V – Comece a recrutar os primeiros legionários em potência – Este trabalho
tem de ser pessoal. Não o faça do púlpito79. É necessário seleção, e o púlpito não é
apropriado a isso: é preferível fazê-lo no confessionário onde se conhecem melhor as
almas, ou na convivência diária. Não é também aconselhável fazê-lo em reuniões de
outras associações porque daria a impressão que se deseja destruir a associação para
implantar a Legião de Maria.
A escolha de determinados membros de associações já existentes não dará na
vista e eles poderão continuar a ser ótimos membros da Legião, sem deixar no entanto,
suas anteriores obrigações, ordinariamente poucas. Isso não significa que não se devam
(é até aconselhável) escolher pessoas que não pertençam a outras associações: há ótimos
elementos em expectativa.
O grupo inicial não precisa ser grande. Doze, dez, seis e até cinco ou quatro80
para iniciar. Na escolha, nem seja por demais indulgente, nem sumamente severo. Não é
preciso que sejam pessoas de máxima piedade (embora desejável), mas devem ser boas,
responsáveis, humildes e prudentes. Cuidemos em não afastar os jovens81 –
naturalmente maiores de 18 anos, se o praesidium a se iniciar é (como acontece
comumente no início) de adultos. Talvez seja interessante que o grupo inicial seja
misto; isso dará margem a que possamos aproveitar os homens também, de vez que
dificilmente logo de início conseguiremos um grupo só masculino
77
Cf. Apêndice nº 3, p. 91. A fundação de Praesidia por própria conta sem o necessário contato com a
Curia já trouxe muita dor de cabeça à Legião e aos que assim agiram, pois tais Praesidia definham e
morrem em breve como a planta sem raiz.
64
78
“Recente investigação sobre o zelo apostólico revelou o seguinte: 72% dos católicos interrogados
confessam que jamais procuraram conquistar alguém para a Igreja; 28% apenas declaram havê-lo
tentado” (Suenens, Novos Rumos da Igreja Missionária, p. 21).
79
Cf. nota 44.
80
Cf. p.47.
81
“Embora a Legião não seja só para jovens, é, todavia, a estes que deve especialmente dirigir-se,
procurando satisfazer as suas nobres aspirações. Se a Legião não consegue atrair a juventude, falha no
melhor dos seus fins, pois o movimento que não consegue prender a mocidade nunca exercerá dilatada
influência. Mais: a juventude é a chave do futuro” (p. 142).
VI – Desde o início assista sempre que puder às reuniões semanais – Sua
presença é um incentivo e encorajamento. Além disso, só assim poderá
convenientemente instruí-los, formá-los espiritualmente, especialmente no amor a Maria
Santíssima82, espírito de oração e apostolado, e dirigi-los em seus trabalhos. Só assim
poderá desempenhar a sua função de “Mestre de noviços”, de “mola do Praesidium”, de
“princípio animador da sua vida espiritual” (p. 252/253).
Cuide que todos participem da reunião; não deixe ninguém parado. Procure que
todos se interessem pelo problema de cada um. Durante as reuniões, não tome a si
substituir os demais oficiais; faça-os “fazer”. Doutro modo se acostumarão a vê-lo
substituir a eles, se desinteressarão por suas funções e, na sua ausência, terão
dificuldades de atuar83.
Não transforme a reunião numa aula, falando continuadamente e a propósito de
tudo; no momento em que só o Diretor falar, a reunião (que vai de hora a hora e meia)
se tornará insuportável para todos, inclusive para ele84.
VII – Manuseie freqüentemente o Manual e siga à risca as suas
determinações – como também as da Ordem da reunião. Doutra forma, além do mau
exemplo de desobediência às prescrições da organização (e com o tempo, os membros o
haveria de notar), a experiência tem demonstrado, como já anotamos, que as adaptações
do sistema legionário são sempre prejudiciais ao espírito da Legião e comprometem
seriamente o êxito de suas atividades apostólicas. “Ninguém pode compreender a
força espiritual que a Legião de Maria representa sem o estudo aprofundado do
Manual” (Bispo de Ross, Irlanda). “É importantíssimo sujeitarmo-nos aos
regulamentos do Manual. Para conhecer o espírito do movimento é indispensável o
estudo do Manual” (Mons. Leen, Arc. de Maurícia).85
82
“Um dos deveres essenciais do Diretor Espiritual da Legião de Maria é infundir em todos os membros
o amor esclarecido e ardente à Mãe de Deus, e, em particular, àqueles seus privilégios que a Legião honra
de modo especial” (p. 254).
83
“É essencial que o sacerdote não se deixe cair nos autoritarismos, confie nos recursos dos leigos, resista
à tentação de fazer as coisas por si a pretexto de que assim se farão mais depressa e melhor, saiba animar
e apagar-se. Numa palavra saiba ser tudo e nada ser. Um sacerdote autoritário faz com que desmorone
pela base toda a possibilidade de colaboração” (Suenens, Novos Rumos da Igreja Missionária p. 100).
84
Cf. p. 254.
85
Cf. p. 102. Há no Manual uma anotação prévia: “Se a experiência transata pode servir de indicação para
o futuro, nenhum ramo da Legião falhará, no caso de se conformar, fielmente, com as normas aqui
65
traçadas. Por isso, se não vos sentis apto, devido à falta de preparação, a pôr em prática, com inteireza, o
sistema legionário não comeceis a Legião” (Manual, anotação prévia, p. 5).
VIII – Combine com o presidente os trabalhos que deseja sejam
distribuídos, de acordo com a capacidade de cada um, substanciais e sempre maiores.
Com brandura exija regularidade, pontualidade, disciplina e responsabilidade para com
os compromissos assumidos.
IX – Cuide que a reunião semanal nunca deixe de se realizar – mesmo que
não possa alguma vez assistir à mesma86. Só mude o horário ou o dia da reunião, por
extrema necessidade, mas nunca deixe uma semana sem reunião, ainda que por causas
diversas devessem faltar alguns oficiais ou membros. Nem permita que se atrase o
início da reunião para esperar quem quer que seja, oficial ou membro.
X – Promova intenso recrutamento – e cuide que os legionários não descurem
essa obrigação. É vital para manter o espírito de conquista, mesmo que o praesidium já
tenha bastante membros; se a reunião precisa exceder de hora e meia ou os relatórios
têm de ser abreviados, é tempo de desmembrar o praesidium em dois. Consulte a esse
respeito a Curia, e cuide que na divisão haja equilíbrio no número e qualidade dos
membros e oficiais.
XI – Se puder, assista à reunião mensal da Curia – a que seu praesidium
esteja agregado, especialmente quando ele tiver que apresentar relatório. Cuide que os
oficiais de seu praesidium não faltem a essa obrigação mensal87. Se o seu praesidium
dista da Curia de forma a estar dispensado dessa presença, cuide que o secretário
mantenha correspondência mensal com a Curia. Isso preservará o praesidium de desvios
e servirá para incentivá-lo.
XII – Tenha muita prudência na escolha dos oficiais – Muito embora a
nomeação oficial dos mesmos seja feita pela Curia, essa obviamente, apenas aprova a
escolha feita pelo Diretor Espiritual. O cuidado deve ser especialmente grande na
escolha do presidente que, a par de dotes de piedade, entusiasmo e prudência, deve ser
da mais completa confiança88. Às vezes pode ser aconselhável deixar a escolha dos
oficiais para a segunda reunião, determinando-se na primeira apenas o secretário.
XIII – Finalmente não se esqueça de rezar muito – antes de iniciar e todo o
tempo que estiver como guia de um grupo de legionários. Enquanto eles combatem, é
preciso que o sacerdote, qui multum orat pro populo, esteja como Moisés, de braços
abertos e levantados para o alto, atraindo as bênçãos de Maria Santíssima para a sua
Legião.
APÊNDICE Nº 1
ORDEM DA REUNIÃO DO PRAESIDIUM
66
1 – Orações iniciais – Em torno da mesa (sobre a qual há o altar legionário,
constando de uma imagem de Nossa Senhora das Graças sobre uma toalha com dois
castiçais com velas acesas e dois jarros de flores naturais) todos se ajoelham, e o
sacerdote tira as orações: Invocação ao Divino Espírito Santo, Terço, Jaculatórias (Cf.
Tessera). A primeira, terceira e quinta dezenas, são iniciadas pelo Diretor Espiritual. A
segunda e quarta, pelos membros (p. 287).
2 – Leitura Espiritual – O Diretor Espiritual ou o Presidente faz a leitura,
extraída comumente do Manual, durante uns cinco minutos. Ao terminar, todos fazem o
sinal da Cruz (p. 288).
3 – Acolhida aos convidados, se houver89.
4 – Leitura da Ata – O secretário, sentado, lê em voz alta, a ata que, ao fim, é
assinada pelo presidente.
5 – Instrução permanente – É um resumo, em quatro itens, dos principais
deveres legionários (Reunião semanal – Trabalho legionário – Recitação da Catena –
Segredo) e se lê em todas as primeiras reuniões do mês.
6 – Chamada – feita pelo Vice-presidente. Anota-se: c (compareceu); f (faltou);
a (atrasado) e j (justificado).
7 – Recrutamento de membros ativos – Cada um deverá prestar contas se
convidou outras pessoas para serem membros ativos.
8 – Relatório do Tesoureiro.
9 – Relatório da reunião da Curia – Os oficiais deverão relatar sucintamente
nas reuniões do praesidium que se seguem à reunião da Curia, o que lá se passou e
discutiu.
10 – Prestação de contas do trabalho semanal – É um dos pontos altos da
reunião e o Diretor deve cuidar que não se torne desinteressante ou monótono. Como os
trabalhos são marcados para pares de legionários, cada um é chamado a relatar uma
parte do trabalho feito em conjunto. A informação deverá ser feita em voz alta e os
demais poderão comentá-la. É através dos relatórios que os membros recebem grande
parte de sua formação e podem unir atividade e espiritualidade. Pela sua função própria,
o relatório é tão importante para a reunião como as atas. (p. 292)90.
11 – Catena Legionis – Reza-se de pé, uma hora depois de começada a reunião.
A antífona é rezada por todos juntos em voz alta; o Magnificat é rezado pelo Diretor
67
Espiritual (ou em sua ausência pelo Presidente) em alternativa com os demais
legionários e a Oração rezada por ele só. Se houver legionários para fazer a Promessa
Legionária, deve ser feita nessa ocasião e nunca fora da reunião91.
86
Cf. p. 105 e 300.
Cf. Manual, p. 256, nº 1; 260, nº 1; 263, nº 1; 265, nº 1.
88
Cf. 259, nº 16, e p. 109, nº 13.
89
Só devem ser convidados a assistir à reunião pessoas convidadas para ser sócias ativas. Nem mesmo
sócios auxiliares devem só “por piedade” a ela assistir sem intenção de se associar como ativos.
Compreende-se, em vista de segredo legionário a respeito dos assuntos tratados nos relatórios.
90
Cf. Manual, p. 291-294.
91
Cf. Manual, p. 77, p. 74 b. A promessa deve ser feita entre três e seis meses de prova.
87
12 – Allocutio – Consiste em uma prática (Não uma leitura!) de cinco minutos
dada pelo Diretor Espiritual ou, em sua ausência, pelo Presidente. Sugere-se que se faça
um comentário sobre algum ponto do Manual. Ao terminar, todos fazem o sinal da
Cruz.
13 – Coleta Secreta – Passa-se uma bolsa de pano não transparente, de mão em
mão, devendo cada um colocar dentro a sua mão, depositando ou não o óbolo. As
rendas dessas coletas serão utilizadas pra a aquisição do altar (imagem, castiçais, velas,
jarros, flores, toalha, vexillum), dos livros dos oficiais, e o restante entregue
mensalmente à Curia para os gastos com a fundação de novos praesidia.
14 – Continuação da prestação de contas do trabalho semanal – Caso não
tenha terminado antes da Catena.
15 – Recrutamento de membros auxiliares – o Vice-presidente indaga dos
legionários os nomes e endereços dos novos sócios auxiliares recrutados e anuncia o
término do período de prova dos antigos auxiliares a fim de que os recrutantes dos
mesmos verifiquem se continuam fiéis às obrigações e podem assim ser passados para o
registro definitivo.
16 – Estudo do Manual – É lido e posto em discussão um ponto do Manual da
Legião.
17 – O presidente indica e distribui os trabalhos para a semana – designando
os pares, locais e tipos de trabalho. A hora é de livre combinação de cada par, a não ser
que haja motivos para fixar o horário.
18 – Outros assuntos – Estudos, nomeações, leitura de correspondência,
comunicações são feitas nesta ocasião. Cuide-se que não se prolongue demais para que
a reunião não passe da hora e meia regulamentar.
68
19 – Orações finais – São rezadas por todos em voz alta, de joelhos. Se estiver
presente o sacerdote dará, ao final, sua bênção.
NOTA – Esta Ordem indica a seqüência INVARIÁVEL de toda a reunião do
praesidium e nenhum item deve ser omitido devido à ausência de qualquer um dos
oficiais. Neste caso, qualquer membro pode conduzir a reunião, segundo os números
indicados. Cuide-se que a reunião comece exatamente na hora marcada com qualquer
número de legionários presentes, mesmo que por acaso, faltassem todos os oficiais.
APÊNDICE Nº 2.
PARA MELHOR CONHECER A LEGIÃO
[A seguir temos dados de 1960! Portanto, aqui estão apenas a título “histórico”]
MANUAL OFICIAL DA LEGIÃO DE MARIA (4ª edição oficial brasileira).
Indispensável para quem quiser conhecer a fundo o espírito da Legião. Não se trata,
como à primeira vista poderá parecer, de um livro de orações, mas de um compêndio de
tudo que é preciso saber para se conhecer, amar e viver o espírito do movimento.
Insubstituível para todo o legionário e, em especial, para o Diretor Espiritual. (preço:
Cr$ 300,00, via de superfície e Cr$ 350,00 via aérea).
REVISTA DA LEGIÃO DE MARIA (trimestral) De feitio prático e
apresentação atraente e inteiramente dedicada a assuntos de espiritualidade legionária e
notícias da Legião no Brasil e no mundo. Assinaturas em 1963: Via de superfície: Cr$
160,00 e via aérea: Cr$ 200,00.
VIDA DE EDEL QUINN – Alma de verdadeira apóstola, essa jovem, mal
curada de tuberculose, deixou a Pátria pra se embrenhar pelas selvas da África como
enviada da Legião. Lá faleceu, vítima de seus heróicos esforços, após fundar grande
número de praesidia. É uma leitura que empolga e edifica. (Preço Cr$ 20,00).
O SACERDOTE E A LEGIÃO DE MARIA, pelo P. Francis J. Ripley, C.M.S.
Opúsculo valioso para orientar um sacerdote desejoso de desempenhar bem seu encargo
de Diretor Espiritual de Praesidium. Escrito por um Diretor Espiritual de Praesidium
culto, zeloso e experiente, cada página é um tesouro. Preço: Cr$ 20,00.
A LEGIÃO DE MARIA AUXILIAR DO SACERDOTE, por Mons. Laurence
Forristal. O autor procura demonstrar com exemplos palpitantes a eficiência da Legião
de Maria nos mais variados setores do apostolado. Livro muito útil para interessar
sacerdotes pelo movimento legionário. Preço: Cr$ 30,00.
A SERVIÇO DA RAINHA, por Dom Antonio Maria Alves de Siqueira, DD.
Arcebispo Coadjutor de S. Paulo e Diretor Espiritual do Senatus de S. Paulo. Belíssimo
69
ramalhete de pensamentos recolhidos de Congressos e Retiros em que S. Excia. Revma.
falou aos legionários. Ótimo para meditação, leitura espiritual e preparação para
Alocuções. Preço: Cr$ 100,00.
ESPIRITUALIDADE E APOSTOLADO DA LEGIÃO DE MARIA.
Coletânea dos temas apresentados e debatidos no 1º Congresso Nacional de Diretores
Espirituais da Legião de Maria em S. Paulo (1960). Preço: Cr$ 20,00.
SANTA TERESA DO MENINO JESUS E A LEGIÃO DE MARIA, por
Beatriz Berrini. A autora demonstra com rara habilidade os pontos em que coincidem a
espiritualidade da Santinha de Lisieux com as idéias fundamentais do ideal legionário.
Preço: Cr$ 35,00.
OS PATRÍCIOS, por Frank Duff. Na brochura o fundador da Legião esclarece
o que é o movimento dos Patrícios, modalidade de apostolado orientado pela Legião e
que ensina os católicos a conhecer a sua religião, expor suas idéias, defender seus
princípios e fazer apostolado. Preço: Cr$ 15,00.
JESUS, FILHO DE MARIA, pelo Pe. Neubert. São meditações belíssimas que
levarão os legionários a viver o espírito da Verdadeira Devoção de S. Luís Grignion de
Montfort, muito inculcada pelo Manual da Legião como característica do movimento.
Preço: Cr$ 50,00.
TEOLOGIA DO APOSTOLADO DA LEGIÃO DE MARIA, por D. J. L.
Suenens. Explicação teológico-ascética da Promessa Legionária, o livro se presta
extraordinariamente a servir de orientação a todos quantos se dedicam a formar
apóstolos, na elucidação das bases teológicas de todo o verdadeiro apostolado.
À exceção desse último que se encontra nas livrarias católicas, os demais, bem
como assinaturas da Revista da Legião, poderão ser adquiridos por registrado com valor
declarado, vale postal ou cheque (em nome de Legião de Maria) na sede do Senatus da
Legião em São Paulo, à Rua Conselheiro Crispiniano, 344, com, 1.101 – São Paulo
(Capital).
APÊNDICE Nº 3
ALGUNS ENDEREÇOS DA LEGIÃO NO BRASIL
[A seguir temos dados de 1960! Portanto, aqui estão apenas a título “histórico”]
Se deseja organizar um grupo da Legião de Maria ou se quer ter maiores
esclarecimentos a respeito da associação, escreva, por favor, para um dos seguintes
endereços:
70
Tomás Honey – Enviado do Concilium Legionis Mariae ao Brasil. Cartas aos
cuidados de um dos dois Senatus.
Setor Norte – Comitium de Fortaleza – a/c J. J. R. de S. – Avenida Visconde de
Cauipe xxxx – Benfica – Fortaleza – Ceará.
Setor Nordeste – Comitium de Recife – a/c M. das D. N. do A. – Av. Rui
Barbosa, xxx – Recife – Pernambuco.
Setor Centro-Leste – Senatus do Rio de Janeiro – Rua Teófilo Otoni, 82 – 21º
andar, sala 2.104 – Rio de Janeiro – Guanabara.92
Setor Centro-Oeste – Comitium de Anápolis – Caixa Postal nº 160 – Anápólis
– Goiás.
Setor Sul – Senatus de São Paulo – Rua Cons. Crispiniano, 344 – conj. 1.101 –
S. Paulo, S.P.93
92
A Sede da Legião de Maria na Guanabara acha-se aberta aos interessados às 2ªs e 5ªs das 16.00 às
18.00 horas; 3ªs, 4ªs e 6ªs das 17.30 às 18.30 horas.
93
O horário de funcionamento da sede da Legião de Maria em São Paulo é o seguinte: 2ªs feiras: das
14.30 às 16.00 horas; 4ªs e 5ªs feiras: das 10.00 às 11.00 horas; 6ªs feiras: das 17.00 às 19.00 horas.
APÊNDICE Nº 4
A HIERARQUIA E A LEGIÃO
“Agradeço à Legião de Maria os grandes serviços prestados à Igreja” (Pio XII).
“O número sempre crescente de Curiae, Praesidia e Membros ativos, bem como
a extraordinária atividade apostólica desenvolvida nos mais variados setores da vida
humana, comprovam o valor e a eficácia dessa associação mariana em tão boa hora
implantada no Brasil” (D. Armando Lombardi, Núncio Apostólico).
“Com toda a minha gratidão dou minha bênção à Legião de Maria, que desejo
ver mais conhecida e propagada nesta Arquidiocese” (Cardeal D. Jaime Câmara).
“A Legião de Maria é a pulsação apostólica do Coração da Medianeira de todas
as Graças” (Dom Antonio Maria Alves de Siqueira).
“Fiz muitas descobertas em minha longa vida, mas a mais bela de todas é a
Legião de Maria” (Cardeal Suhard).
71
“Desde a época das grandes ordens religiosas, a Legião de Maria é o maior
movimento que se estabeleceu para o bem” (Dom Montini, Arc. de Milão).
“Desaparecerá o Ditador Vermelho passando em revista suas tropas na Praça
Vermelha. Aparecerá Nossa Senhora no Kremlin na Praça Branca, passando em revista
as tropas da Legião de Maria” (Fulton Sheen).
“O meu único pesar é que a Legião de Maria não esteja ainda instalada em todas
as paróquias da minha Diocese (Arc. de Los Angeles – EUA).
“A Legião de Maria é o modelo do que deve ser a Ação Católica” (Card.
Griffin).
“Eu vos asseguro que tenho a maior admiração pelo trabalho dos legionários que
servem sob a bandeira de Nossa Senhora” (Card. Pizzardo).
“Queira a Mãe de Deus, por toda a nossa Arquidiocese, espalhar os núcleos da
abençoada Legião” (Dom Antonio de Almeida Lustosa).
“Com toda a alegria dou o meu testemunho a respeito da Legião de Maria. Sou
testemunha do grande bem que vem fazendo esta aguerrida agremiação, espiritualmente
poderosa. Tenho mesmo para mim que o seu apostolado, de tal modo conta com o
beneplácito divino, que parece carismático... A Legião de Maria é uma grande
missionária da restauração do Reino de Cristo por Maria” (Dom Geraldo Maria de
Morais Penido).
“A Legião de Maria assegura-nos a conquista das almas para Deus” (Dom José
Medeiros Leite).
“É um presente que nos veio do céu, pelas mãos de Nossa Senhora, nesta
semana mariana: a Legião de Maria. Sementeira de apóstolos, sementeira de mártires!
Fiquei empolgado pela Legião! (Dom Gonçalves).
“A Legião de Maria é uma obra que merece todo o apoio da Autoridade
Eclesiástica e é de grande interesse para a vida espiritual e apostólica de nossas
paróquias na formação de elites” (Dom D‟Elboux).
ÍNDICE
Cap. I – Um pouco de história
Cap. II – Que é a Legião de Maria
Estrutura
1. Definição e finalidade
72
2. Apostolado legionário
3. Espécie de sócios
4. Sentido prático
5. Organização militar
Cap. III – Que é a Legião de Maria
Espiritualidade
1. Corpo Místico
2. O Divino Espírito Santo
3. A SSma. Eucaristia
4. Maria Santíssima
Cap. IV – Frutos da Legião de Maria
I – Para a Paróquia
II – Para o Legionário
III – Para o Sacerdote
Cap. V – Objeções à fundação da Legião de Maria
Cap. VI – Vamos começar?
Apêndice nº 1: Ordem da reunião do praesidium
Apêndice nº 2: Para melhor conhecer a Legião
Apêndice nº 3: Alguns endereços da Legião no Brasil
Apêndice nº 4: A Hierarquia e a Legião
\\\\\\\ Ecce Mater tua ///////
ESTUDO DO MANUAL
Introdução
Há uma forma de estudar o Manual que é a de comentar, como um todo, cada
capítulo. Estudar em si, no contexto dos outros capítulos e da vida legionária. Deu-se à
série de estudos o nome sugestivo de “O Manual, capítulo por capítulo”. Alguém já
adiantou-se e comentou, como pôde e à sua maneira, o maior e o menor capítulo. Serão
divulgados logo que possível. Também o mais importante deles, o capítulo 15:
Compromisso Legionário, escolhido para vir em primeiro lugar.
Tarefa à espera de voluntários. Estão, pois, os legionários, Praesidia e Conselhos
convidados a continuarem o estudo. O Manual contém 41 Capítulos e 11 Apêndices.
Merecem cada um seu adequado, devido e próprio comentário, e sendo singulares
podem ser tratados de maneira específica. Nada impede que se façam mais de um
comentário sobre mesmo capítulo, conforme julguem bom para avançar o Estudo do
Manual. Os estudos se faziam em casa, no Praesidium, em congressos, agora também se
pode fazer no mundo digital... Aguardamos e agradecemos novos textos para auxiliar na
vida legionária, que se pauta pelo Manual, estudado a fundo e exaustivamente, a fim de
aplicar-se devidamente.
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O MANUAL, CAPÍTULO POR CAPÍTULO:
Capítulo 15 – COMPROMISSO LEGIONÁRIO
A PÁGINA MAIS IMPORTANTE DO MANUAL
O Manual, uma das nossas preciosidades, é livro dos mais significativos na
Igreja do século XX, em vista do porte da Legião de Maria. Qual a sua página mais
importante? Concordarão, sem dúvida, que o Compromisso Legionário por ser o texto
da consagração, por ser o texto que sobretudo nos define, por trazer a essência da
Legião, tem essa maior importância.
Foi decidido que o ingresso oficial na Legião fosse solenizado com uma
cerimônia onde o candidato pronuncia esta declaração de dedicação, de princípios, de
disciplina e de militância. No Manual, na página 89, lá estão cinco parágrafos de sólido
conteúdo religioso. Aí está toda a alma da Legião.
Há uma nota, na 3ª edição do Teologia do Apostolado da Legião de Maria,
muito interessante. Ei-la. “Sabe-se que foi solicitado a alguns sacerdotes e a Frank Duff
para redigirem, cada um, o rascunho do Compromisso Legionário. Na reunião para
decidir, sendo Frank o único leigo, foi-lhe dada a primeira palavra. Então, entendendo
que propunha o Compromisso explícita e diretamente dirigido ao Espírito Santo, todos
retiraram o próprio rascunho – haviam concebido uma simples consagração apenas a
Maria Santíssima...”
Foi o seu significativo valor que despertou o interesse de Mons. Suenens que lhe
dedicou, em 1950, um grande comentário, publicado com o título acima. O livro foi
destacado no próprio Manual, na página 80, com as seguintes palavras: “Obra que devia
estar nas mãos de todos os legionários.” Em boa hora, atendeu a este voto, a 3ª edição
do livro esgotado há décadas. Encontra-se disponível nos Conselhos ou na Regia de
Brasília.
O Cardeal Suenens fala: “Fiz o seu comentário por duas vezes, antes e depois do
Concílio.” Em nota acrescenta: “Antes do Concílio publiquei-o sob o título Teologia do
Apostolado da Legião de Maria. Após o Concílio republiquei-o sob o título A Promessa
Legionária (1982). In FD, precursor e pioneiro da nova evangelização, página 67,
Senatus de Lisboa.
Um outro comentário, Cual um ejército... escrito pelo Padre Delfin Castañon,
está disponível no Site www.legiondemaria.org
Seja como for, o Compromisso merece muitos outros estudos e que legionários
até escrevam suas reflexões sobre esta página.
Portugal imprimiu um cartão com o texto para uso na cerimônia de filiação.
Assim também a Regia de Brasília imprimiu uma cópia do Compromisso para ser
assinada e tida em recordação permanente da cerimônia.
Nota-se nos legionários e Praesidia um receio, uma inibição relativa ao
74
Compromisso. Porque é solene, incisivo, declaratório? Ou por causa de uma norma:
“não é permitido o seu uso como fórmula na Acies.” Que se desembaracem e circule
entre nós página tão fundamental. Seja assunto de Allocutio, como estudo do Manual,
na piedade individual, na meditação, leitura espiritual. Vem a calhar o que Afonso
Lambe relatou que fazia. Passou a rezar o Compromisso na sua ação de graças após a
comunhão diária. Vem à memória o que tem acontecido a respeito da Acies. É a
renovação anual de nossa consagração. Um por um dos legionários empunha o Vexillum
e diz: “Eu sou todo Vosso, ó minha Rainha e minha Mãe, e tudo quanto tenho vos
pertence.” Esta bela frase contém nossa vida espiritual, e até um resumo do
Compromisso. Pois não é que é comum tê-la ali no altar, escrita para que a possam
pronunciar inteira e perfeitamente. Isto que parece bom, não é! Porque significa que não
a vivem, pois não a possuem de cor! Devia ser comum recitá-la mesmo várias vezes ao
dia. É uma verdadeira jaculatória que expressa nossa vinculação a Nossa Senhora e às
sucessivas Acies que ano após ano celebramos. Que os Conselhos recomendem aos
Oficiais e Praesidia obter que todos os legionários venham a recitá-la com freqüência.
Nunca mais os tais dizeres apareçam como coisa não sabida numa Acies. Outro tanto
diga-se sobre o Compromisso: deve ser „moeda corrente‟ entre nós.
A vida espiritual do legionário só tem a ganhar se usado o Compromisso. Dele
podem ser tiradas inúmeras frases para nos inspirar durante o dia e ao fazer o trabalho
semanal. “Maria é a Mãe da minha alma.” “Apresento-me diante de Vós [Espírito
Santo] como soldado e filho de Maria.” “Que eu seja puro nAquela que fizestes
Imaculada.” “Tomo lugar nas fileiras da Legião e ouso prometer um serviço fiel.” “Que
o Vosso poder me cubra e comunique à minha alma o Vosso fogo e o Vosso amor.” etc.
O Compromisso, quase todo ele, pode ser transcrito como jaculatórias.
A respeito da gloriosa história dos legionários chineses um Papa referiu
exatamente que os fortificou o Compromisso Legionário. Porque nos idos de 1950 não
eram muitos os Manuais disponíveis na China. Viviam, então, do Compromisso. Nos
dias maus que vivemos, e não estamos longe de várias formas de martírio, façamos
como eles: o denso conteúdo nos sustentará.
Frank Duff sempre aconselhava que ao referir-se a problemas cada qual juntasse
alguma sugestão. Seria útil um concurso, focalizando nosso Compromisso. Um
concurso de redações em que se inscrevam legionários ou Praesidia para escrever, por
exemplo, de 7 a 50 páginas, um comentário sob o título: “O Manual explica o
Compromisso Legionário”. O prêmio, a publicação dos melhores, na Revista ou em
separado. Além do bem que é o esforço para meditar o Compromisso, há o lucro de
revitalizar o estudo do Manual e obter matéria para a Revista.
Segue adiante parte da Entrevista em que Frank Duff descreve como e para que
viemos ter o texto de ingresso na Legião.
“Al Norrell: Com certeza! Poderia dizer-nos como é que apareceu a Promessa
Legionária?
Frank Duff: Sim. Por estranho que pareça, a Promessa Legionária está
associada com o Pentecostes. Sugerira-se, muitas vezes, que devia haver uma promessa
legionária. É fácil de dizer; concretizar a idéia é coisa muito diferente. Qual a sua
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natureza? Uma simples promessa podia ser um gesto inteiramente vazio de sentido.
Poderíamos ter uma fórmula que seria uma promessa e nada mais. Ao passo que temos
de sugerir, duma forma ou outra, todo o projeto da Legião. Temos de levar o membro a
manifestar certa compreensão do que a Legião realmente é, e isso em circunstâncias de
grande solenidade. E dar então mais um passo – recusar o ingresso na organização a
alguém que levante dificuldades acerca da Promessa. Esta declaração, evidentemente, é
como outros elementos materiais da Legião, os quais são a Tessera e o Vexillum. Na sua
estrutura, devem espelhar todo o sistema espiritual da Legião. Em todas estas coisas, o
Espírito Santo domina o quadro: no conjunto das orações, na Tessera que é uma pintura
artística, e no Vexillum. Ora isto tem de ser retratado.
Foi num Domingo de Pentecostes – hesito em mencionar o ano, porque não me
recordo exatamente – que, no mosteiro do Monte Melleray se me apresentou a idéia
duma forma pormenorizada. Emergiu no meu espírito a conclusão eletrizante de que a
Promessa devia dirigir-se ao Espírito Santo e não a Nossa Senhora. Eletrizante, porque,
até então, embora as orações começassem com a invocação ao Espírito Santo e embora
o Espírito Santo encimasse os objetos artísticos, Nossa Senhora era ainda a pessoa
dominante. Toda a gente pensava primeiro em Nossa Senhora e secundariamente no
Espírito Santo. Foi aqui que surgiu uma idéia revolucionária: “temos de pôr em primeiro
lugar aquilo que de fato ocupa o primeiro lugar”. E a Promessa foi então escrita com a
forma que atualmente possui.
Em meu entender, este foi um momento importante na história da Legião. Um
momento de compreensão, aquele em que a Legião pela primeira vez teve realmente um
vislumbre de si mesma, como Legião do Espírito Santo. Não cortava, digamos, com o
seu dever de vassalagem. Não rejeitava Nossa Senhora em favor de algo maior. Não.
Conhecia Maria com mais clareza, e desta compreensão emergia um extraordinário
conhecimento do Espírito Santo – do que o Espírito Santo era em Maria. Assim nasceu
a Promessa. [...]”
Que as palavras do Fundador nos movam a ir com freqüência ao belo
Compromisso Legionário. Seja ele a estrada segura, simples, direta, eficaz na verdadeira
devoção...
\\\\\\\ Ecce Mater tua ///////
“OUTROS ASSUNTOS”
*Uma comitiva do CONCILIUM LEGIONIS, incluindo o Presidente Tommy
McCabe, esteve no Brasil por 15 dias, passou rápido por Brasília, foi a São Paulo para
Encontro com os Oficiais dos Conselhos e série de palestras, depois certamente esteve
em outros Conselhos. O relatório da visita no Concilium traz o número oficial de 400
mil Ativos. Agradecemos, pois, a atenção que nos deram.
*O CONCILIUM LEGIONIS remodela a website oficial.
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A seguir, a notícia conforme o Boletim Mensal, de Abril de 2010:
“Graças aos novos meios de comunicação, o Senhor pode andar pelas ruas de
nossas cidades, parando à nossa porta e entrando nos nossos corações, dizendo, mais
uma vez: “Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, eu
entro e cearei com ele e ele Comigo” (Ap 3, 20). (Mensagem de S. S. o Papa Bento XVI
no 44º Dia Mundial das Comunicações, 2010).
“O Santo Padre tem incentivado a utilização dos meios de comunicações para a
evangelização. Como outras organizações, paróquias, dioceses e ordens religiosas, a
Legião de Maria faz uso da internet como meio de comunicação de informação e a
promoção da missão da Igreja e a Boa Nova em geral. Esses progressos na tecnologia
trouxeram muitas mudanças para o Concilium, que lançou recentemente uma website
com nova diagramação. (http://www.legionofmary.ie/)* Esperamos que isso traga uma
maior consciência dos benefícios da utilização da tecnologia moderna e que mostre, de
maneira positiva, que muito poderá contribuir para a partilha dos conhecimentos e
informações de uma maneira mais rápida e eficaz, fazendo-os mais acessíveis aos
legionários de todo o mundo. O primeiro passo será dado para promover a Verdadeira
Devoção a Maria, com artigos e palestras. Também incentivará os Conselhos, em todo o
mundo a atualizar e desenvolver suas websites, de acordo com as orientações do
Concilium. Janet Lowthe.”
*Comentário.
Atenção*: por lapso, o endereço da website, no Boletim Mensal, impresso no
Brasil, está incorreto. (http://www.legionofmary.ie/) dará acesso sem problema.
Muito boa notícia, especialmente porque o próprio Concilium estimula que os
Conselhos tenham presença na internet, e neste ponto a Regia de Brasília tem trabalhado
bem. Exatamente agora, em Setembro, em que chegou o Boletim de Abril, lançamos a
promissora MATER LEGIONIS, Revista Digital, que atende o que pede o Concilium.
Enfatizando o Boletim: “...maior consciência dos benefícios da utilização da
tecnologia moderna... conhecimentos e informações de uma maneira mais rápida e
eficaz, fazendo-os mais acessíveis aos legionários de todo o mundo.” Portanto, parabéns
e obrigado, aos que fazem e colaboram na Revista Digital.
*Comunicamos que a Revista oficial MARIA LEGIONIS (3/2009), em
espanhol, está disponível em www.legiondemaria.org desde 11-9-2010. Eis o índice, em
espanhol, apenas para mostrar que a língua dos irmãos latinos não é difícil:
Glorificación de Nuestra Señora – Canónico Gerald Healy
Indulgencia Especial para el “Año Sacerdotal” – Cardenal Stafford
Nueva página web del Papa para los jóvenes – L‟Osservatore Romano
El Sacramento de la Reconciliación – Fr. John Peyton
Aventura para la Legión en Asia – Nepal y Mongolia
Alabanzas a Maria
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75º Jubileo de la Legión en Nueva Zelandia
Boletin del Vaticano
Visita de la Legión a Albania – Joseph Micallef
Publicaciones recomendadas [ver abaixo* ]
El Manual Hindi
Frank Duff y un praesidium en la prisión – Houston, USA
Carta de pedido del Editor [ver abaixo*]
Noticias
Fr. Sean Hayes, SMA.
* Comentários.
Sob o título Publicaciones recomendadas há na Revista uma lista de livros e
folhetos. Evidente que isso vale para o Brasil. O Concilium RECOMENDA tais livros.
Os Conselhos no Brasil, em conjunto, devem publicá-los. Da lista, a Regia de Brasília,
tem PRONTO para edição, há vários anos, o primeiro deles: Frank Duff, Fundador da
Legião de Maria. Outro livro, que relata os primeiros tempos da Legião, Batismo de
Fogo (ou Miracles on Tap) de Frank Duff, está traduzido e digitado, faltam
diagramação e impressão. Mais não fizemos porque NÃO conseguimos apoio dos
Conselhos. Se agora Oficiais e Membros dos Conselhos quiserem tratar o assunto, na
primeira página está o e-mail do Diretor de MATER LEGIONIS ao dispor; sempre
lembrando que nós trabalhamos para 400 mil legionários Ativos e milhões de
legionários Auxiliares... é muita responsabilidade!
Além dos livros, que valor dá o Concilium Legionis à Revista oficial? A
resposta a temos na própria Revista nos termos do Editor, o porta voz, na seguinte
“Carta”, que traduzimos e se transcreve a seguir.
* “Carta de pedido del Editor” [tradução:]
CONCILIUM LEGIONIS MARIAE
[endereço]
Querido amigo,
Este é um pedido de ajuda.
Desde a primeira publicação da revista por Frank Duff em 1937, esta tem sido a
voz da Legião de Maria, dando vida a seu espírito através de artigos sobre doutrina,
devoção e a prática combinada com as notícias das atividades da Legião de Maria em
todo o mundo.
Maria Legionis é indispensável para os legionários ativos, fomentando o
conhecimento e o apreço de seu apostolado. A revista dá aos membros auxiliares uma
idéia do que se está fazendo pelas almas em diferentes partes do mundo, e os ajuda a
dar-se conta de que tomam parte neste esforço através de sua oração diária.
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Nos últimos anos a circulação tem diminuído. Para reverter esta tendência
sugerimos-lhe o seguinte para 2010:
* Que cada Conselho ou praesidium aumente seu pedido em uns 25%, o que requererá o
apoio dos fundos da Legião, assim como uma campanha para encontrar novos
assinantes.
* Os exemplares da revista Maria Legionis devem dar-se gratuitamente aos Diretores
Espirituais dos Conselhos e praesidia. Isto também se aplica a cada pároco e a todos os
sacerdotes da paróquia, assim como também a todos os religiosos para que a Legião seja
conhecida. O custo destes exemplares deve ser coberto pelo Conselho ou praesidium
como corresponder.
* Estes exemplares também devem distribuir-se gratuitamente nos oratórios, livrarias,
estabelecimentos com salas de espera e assim sucessivamente, em um esforço para dar a
conhecer a Legião e suas atividades.
* Você pode considerar a possibilidade de ofertar a um amigo ou colega uma assinatura
anual.
* Isto será possível através dos legionários que adotem um enfoque inovador e de
pensamento construtivo de que a revista chegará a um maior número de pessoas. Como
se diz hoje em dia temos que pensar nos que estão “fora da casa”.
Sinceramente estamos muito gratos pelo apoio dos jovens na importante tarefa
de distribuição de Maria Legionis.
Atenciosamente, o Editor.
*Comentário.
Depois de leitura atenta, de constatar o que o Concilium Legionis sugere sobre a
divulgação de Maria Legionis, de ler “Maria Legionis é indispensável...” será possível
que nossos Conselhos, Oficiais e membros, responsáveis pela vida legionária de 400
mil Ativos, continuarão sem providenciar a edição de Maria Legionis no Brasil?
Quantas e quantas vezes a Regia de Brasília procurou os Conselhos para pôr Maria
Legionis nas mãos dos legionários. Esperamos e-mail de interessados nessa tarefa, em
especial quem possa traduzir do inglês, e todos os demais, que têm amor à Legião, que
levem o tema ao Conselho, e enfim, se resolva esta pendência lamentável.
REVISTA LEGIÃO DE MARIA
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Temos a satisfação de anunciar a Revista “LEGIÃO DE MARIA” que acaba de
sair [julho/2010]. O Senatus de Recife está na coordenação e impressão da mesma. A
Revista vem melhorando a cada novo número. No entanto, é o único veículo que a
Legião no Brasil edita em âmbito nacional – fora o Boletim Mensal – o que não deixa
de ser uma deficiência, porque uma verdadeira “legião” de membros necessitam e
supomos, gostariam de ver muito mais publicado para nossas fileiras. Abaixo
informações sobre a Revista e o sumário completo. Em 1060, esta Revista era
trimestral, conforme diz o Padre Mário T. Gurgel (ver página 69). Portanto,
regredimos...
LEGIÃO DE MARIA [revista da associação no Brasil]
Ano 50, nº 74, 2010, 66 páginas.
Tiragem de 26.500 exemplares.
Supervisão geral: Senatus e Regiae do Brasil
Coordenação: Senatus Recife
Equipe: Edivan Costa, Socorro Braum, Isaac Braum, Paulo Silva, Ana Regina, Marta
Braga, Geraldo Luckwu, Danilo Félix.
Jornalista responsável: Ana Paula Soares – 14305/MC
Correspondência:
Centro Social N. Sra. da Soledade
Av. Oliveira Lima, 1029 – Boa Vista
50050-390 – Recife/PE
Fone: (81) 3221-5540
E-mail: [email protected]
Sumário
Editorial
Palavra do Pastor
Palavra do Diretor Espiritual
Palavra do Pastor
Campanha da Fraternidade
Catequese – A Catequese e a Legião de Maria
Conhecendo melhor a Bíblia
Ano Sacerdotal
Notícias da Igreja – O Sínodo sobre a Palavra
Notícias da Igreja – Missionários da Luz!
Espaço aberto – Romaria Nacional a Aparecida
Conselhos em notícias
Entrevista com Timóteo
Estudo do Manual – Voltar ao essencial
Espaço aberto – Eucaristia e oração
Padroeiros – São Paulo
Entrevista com Frank Duff
80
Manual em detalhes – Valorização do estudo na reunião semanal
Mariologia – As aparições de Nossa Senhora
Mariologia – Frank Duff, São Luís de Montfort e o Tratado da Verdadeira Devoção
A Legião de Maria no Mundo
Espaço jovem – É possível conciliar escola e Igreja?
Peregrinação por Cristo
A voz do Concilium Legionis – Amigos importantes de Frank Duff
Enviados – Edel Quinn
Formação – II Encontro Nacional de Diretores Espirituais da Legião de Maria
Homenagens – Mercedes Silva
Homenagens – Maria Mendes
Quadrinhos – Os Juvenis em: a amizade
\\\\\\\ Ecce Mater tua ///////
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