MANEJO DA PALMA FORRAGEIRA Mércia Virginia

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MANEJO DA PALMA FORRAGEIRA Mércia Virginia
MANEJO DA PALMA FORRAGEIRA
Mércia Virginia F. dos Santos1,3, Márcio V. da Cunha1, Mário de A. Lira2,3, José
Carlos B. Dubeux Jr.1,3, Joelma de L. Freire4, Maria do Socorro de C.Pinto5,
Djalma C.dos Santos2, Toni C. de Souza4 , Maria da Conceição Silva2
1
Professor(a)
da
UFRPE:
[email protected];
[email protected];
[email protected]
2
IPA: [email protected]
3
Bolsista CNPq
4
Doutorandos PDIZ-UFRPE
5
Bolsista PNPD-Capes
Resumo: A palma é importante recurso forrageiro para região semiárida do Brasil. A
escolha do sistema de plantio adequado para a palma forrageira é influenciada pelo
tamanho da propriedade, poder aquisitivo do produtor, disponibilidade de mecanização
e preço do produto obtido. A palma forrageira alcança boa produtividade se manejada
corretamente, com tratos culturais e manejo de colheita adequados. O armazenamento
pós-colheita é uma alternativa para diminuição de custos com corte ou transporte.
Informações sobre sistemas de plantio da cultivar Orelha de elefante mexicana,
tolerante à cochonilha do carmim, ainda não são disponíveis na literatura, devendo ser
avaliada, notadamente em sistemas de plantio intensivos. São necessários estudos que
associem o manejo de colheita da palma com as características morfogênicas e
estruturais da cultura no sentido de otimizar o manejo da palma para produção de
forragem.
1
Palavras-chave: cactácea forrageira, intensidade de corte, freqüência de colheita,
semiárido
CACTUS PEAR MANAGEMENT
Abstract: Cactus is an important forage resource for the semiarid region of Brazil.
Choice of the best production system depends upon farm size, farmer´s purchase power,
availability of mechanization, and final price received by the farmer from marketed
products. Forage cactus reachs high productivity if correctly managed, including
agronomic practices and correct harvest management. Post-harvest management is a
possible way to reduce transportation cost. Information regarding pest-tolerant varieties,
as ‘Orelha de elefante mexicana’ is scarce in the literature, particularly in intensive
systems. Additional studies are necessary in order to link harvest management,
morphogenic, and structural characteristics of this crop in order to maximize its
management for forage production.
Keywords: cactus forage, cutting intensity, frequency of harvest, semi-arid
1 - INTRODUÇÃO
No Brasil, se for considerada a aptidão agroecológica por regiões, se evidencia
fração muito reduzida de áreas apropriadas para a agricultura (Lira et al., 2006), sendo a
produção animal uma das grandes aptidões do país. Pela irregularidade na distribuição
de chuvas, a pecuária é a grande vocação da região Nordeste do Brasil, tendo a caatinga
como importante recurso forrageiro, a qual pelas características sazonais das plantas,
pelas condições adversas de clima e solo, e principalmente, por parte da vegetação ser
de plantas não forrageiras, apresenta baixa capacidade de suporte (Santos et al., 2010a).
Assim, o cultivo de espécies forrageiras perenes, adaptadas as condições do
semiárido, é importante alternativa para a sustentabilidade de produção nessa região. A
palma forrageira (Opuntia e Nopalea) é de metabolismo MAC (Metabolismo Ácido das
Crassuláceas) e apresenta elevada eficiência no uso da água. Experimentalmente,
produções anuais de aproximadamente 55 t de matéria seca/ha/ano (Santos et al., 2011)
em condições de sequeiro, foram observadas para palma na região semiárida de
Pernambuco.
Conforme Farias et al. (2005), para a obtenção de elevadas produtividades da
palma e manutenção dessa produtividade ao longo dos sucessivos cortes, aspectos
como correção do solo e adubação, técnica de plantio adequada, controle de plantas
2
daninhas e manejo correto de colheita devem ser considerados, além da utilização de
uma cultivar melhorada.
O objetivo dessa revisão é apresentar os principais aspectos de manejo da palma
forrageira.
2 – HISTÓRICO E CULTIVARES
A palma (Opuntia e Nopalea) é uma cultura originária do México, sendo
atualmente cultivada em todo o mundo. Provavelmente foi introduzida no país durante o
período de colonização para a produção da cochonilha do carmim. Em 1893, Barbosa
Rodrigues recomendou o uso de Opuntia como forrageira para alimentação do gado nas
épocas de seca (Menezes et al., 2005).
No Nordeste do Brasil, região na qual se encontra a maior área de cultivo da
palma forrageira em todo mundo, as espécies mais cultivadas são Opuntia ficus-indica
Mill. cvs. Gigante, Redonda e Clone IPA-20 e Nopalea cochenillifera Salm Dyck cv.
Miúda. A cultivar Miúda é plantada em larga escala no estado de Alagoas, enquanto que
nos outros estados nordestinos predomina o plantio de cultivares de Opuntia ficusindica Mill (Santos et al., 2010b). De maneira geral, pode-se afirmar que as cultivares
de Opuntia ficus-indica Mill. toleram secas mais intensas e são mais tolerantes à
cochonilha de escamas (Diaspis echinocacti Bouché), quando comparadas com a cv.
Miúda. Quanto à produtividade, a palma Miúda tem se mostrado inferior às cultivares
gigante e redonda (Santos et al., 2006a), no entanto, quando essa produção é
considerada em termos de matéria seca, os resultados se equivalem, uma vez que a
miúda possui maior teor de matéria seca que as cultivares do gênero Opuntia. Além
disso, a cultivar Miúda apresenta resistência à cochonilha do carmim (Dactylopius
opuntiae Cockerell), que é atualmente a principal praga da cultura da palma no
Nordeste do Brasil. Por esta razão, há uma tendência de aumentar a área de plantio com
esta cultivar (Santos et al., 2010b).
O uso de variedades resistentes a cochonilha do carmim tem recebido atenção
especial e, neste sentido, o IPA e a UFRPE selecionaram clones resistentes a cochonilha
do carmim (Santos et al., 2006b; Santos et al., 2007; Vasconcelos et al., 2009), das
quais tem se destacado o clone Orelha de Elefante Mexicana (Opuntia spp.),conforme
Santos et al. (2008) e Santos et al. (2011).
3
3- ASPECTOS MORFOFISIOLÓGICOS
A palma apresenta metabolismo fotossintético MAC (Metabolismo Ácido das
Crasssuláceas) e, por isso, abre os estômatos para a absorção do CO2 durante a noite,
para reduzir a perda de água para o ambiente. O CO2 absorvido durante a noite é
armazenado temporariamente na forma de ácido málico no vacúolo celular para
posteriormente ser utilizado nas reações fotossintéticas do dia seguinte.
Além
do
metabolismo
MAC,
a
palma
apresenta
algumas
estruturas
morfoanatômicas que representam adaptações a ambientes com déficit hídrico, tais
como presença de tricomas e estômatos profundos, no interior de criptas formadas por
camadas de cutinas sobre a epiderme (Santos et al., 2010b).
Em se tratando de palma forrageira, a luz é um fator que assume grande
importância, considerando a disposição quase perpendicular dos cladódios em relação
ao solo, dificultando a interceptação da luz incidente, o que resulta em um crescimento
inicial lento, em função da baixa área fotossintética (Farias al., 2005). Segundo Santos
(1992), o índice de área do cladódio (IAC) obtido em plantas de palma foi de 0,73 ou
1,46 quando adotado o cálculo recomendado por Nobel (1995), que considera os dois
lados do cladódio. Esse IAC observado na palma pode ser considerado baixo quando
comparado ao IAF, medida análoga usada para gramíneas e leguminosas.
As características morfofisiológicas da palma, notadamente o lento crescimento
devido ao metabolismo fotossintético MAC e o baixo IAC determinam a dinâmica de
colheita para obtenção de maior produtividade.
4 – SISTEMA DE PLANTIO
A escolha do sistema de plantio ideal para a palma forrageira será influenciada
por aspectos sociais e econômicos, tais como tamanho da propriedade, acesso ao
crédito, disponibilidade de mecanização, custo de aquisição de insumos agrícolas, preço
do produto final, dentre outros (Farias et al., 2005).
O melhoramento genético da palma forrageira associado à otimização no manejo
da cultura tem promovido um incremento considerável na produtividade dessa
forrageira no Nordeste brasileiro (Figura1). Pesquisas realizadas pelo Acordo
IPA/UFRPE mostram que em meados da década de 90, a palma apresentava produção
média de 10 t de MS/ha/ano (Santos et al., 2006a), enquanto ao final desta mesma
década, Santos et al. (2000) constataram produção de 20 t de MS/ha/ano. Recentemente,
4
o clone Orelha de Elefante Mexicana se destacou quanto produtividade com produção
de aproximadamente 55 t de MS/ha/ano (Santos et al., 2011), sendo o corte realizado
aos dois anos, conservando-se os cladódios primários e sob condições de sequeiro. Vale
ressaltar que neste experimento, conforme Santos D.C. – comunicação pessoal, houve
algum comprometimento de stand em algumas parcelas, o que pode ter diminuído a
competição entre plantas e promovido a alta produção observada.
O espaçamento de plantio deve ser escolhido de acordo com a preferência e a
disponibilidade de capital do produtor (Menezes et al., 2005), mas em qualquer sistema
utilizado, a cultura deve receber adubação e tratos culturais adequados (Santos et al.,
2006a).
O espaçamento menos adensado permite o consórcio com culturas anuais, tais
como milho e feijão, e, além disso, facilita os tratos culturais com tração animal,
importante para a agricultura familiar do semiárido, e minimiza os riscos de pragas e
doenças na cultura, por permitir uma maior aeração e exposição das plantas ao sol
(Ramos et al., 2011).
A densidade comumente sugerida é de 40.000 plantas/ha, que pode proporcionar
produtividade de aproximadamente 25 t de MS/ha/ano quando o cultivo for manejado e
adubado adequadamente (Figura 2), conforme Santos et al. (2008). Segundo Farias et al.
(2005), o espaçamento de plantio tem relação direta com a interceptação de luz pela
cultura. Dubeux Jr et al. (2006) verificaram que palmais com populações de até 40.000
mil plantas/ha tiveram maior IAC que aqueles com 5000 mil plantas/ha. Santos et al.
(2006) verificaram que no cultivo adensado a produção de matéria seca aumentou em
torno de 80% se comparada com o cultivo tradicional. Vale ressaltar que a palma em
sistema de plantio adensado requer maior nível de adubação e esse sistema apresenta
maior dificuldade no controle de invasoras.
5
Figura 1. Incremento na produção experimental da palma forrageira nos últimos 50
anos no Nordeste do Brasil – Dados experimentais IPA/UFRPE.
Considerando que a estrutura fundiária do Nordeste é formada na sua maioria
por pequenas propriedades, o uso de adubação é uma importante estratégia de manejo
para aumentar a eficiência de produção de forragem (Dubeux Jr et al., 2010). A
adubação mineral e orgânica de manutenção é uma importante medida de manejo da
cultura da palma, devendo ser realizada a cada corte, considerando a elevada extração
de nutrientes da cultura. Dubeux Jr e Santos (2005) recomendam o uso de 20 a 30 t/ha
de esterco bovino após cada colheita, dependendo do espaçamento de plantio utilizado,
contudo Santos et al. (2008) verificaram resposta linear da produtividade da cultivar
Clone IPA-20 até 80 t/ha de esterco bovino. A palma apresenta resposta à adubação
fosfatada, notadamente quando cultivada em populações adensadas (40.000 plantas por
ha) e teores de P no solo (Mehlich-1) abaixo de 10 mg.dm-3. Em populações menos
densas (5.000 plantas/ha) as respostas são bem menores (Dubeux Jr et al., 2006)
Informações de aspectos de sistema de plantio da cultivar Orelha de Elefante
Mexicana, a qual é tolerante à cochonilha do carmim, ainda não são disponíveis na
literatura, devendo ser avaliados, notadamente em sistemas de plantio adensados, sob
adubação e irrigação. Vale salientar que a irrigação da palma forrageira não é comum
6
no Nordeste, embora haja relatos de experiências bem sucedidas em alguns locais do
Rio Grande do Norte e Pernambuco.
Figura 2. Efeito de populações de plantio sobre a produtividade da palma forrageira cv.
Clone IPA-20. Fonte: adaptado de Santos et al. (2008).
5 - TRATOS CULTURAIS
O controle de plantas invasoras é de fundamental importância no cultivo da
palma forrageira. Além da competição por luz, a competição com plantas daninhas por
água e nutrientes, devido ao sistema radicular superficial da palma, reduz a
produtividade desta cultura e aumenta o risco de incêndios. O controle de plantas
daninhas pode ser realizado mecanicamente ou quimicamente. Os controles mecânicos
mais usados no Nordeste do Brasil são a limpeza com enxada ou roçada no verão
(Santos et al., 2010b). Existem alguns trabalhos sobre o uso de herbicidas na cultura da
palma (Felker e Russel, 1988; Farias et al., 2005), entretanto no Brasil não há
atualmente produtos registrados para uso nesta cultura.
A palma responde bem a capinas e roços, e a mesma deve ser tratada como
qualquer outra cultura. Em São Bento do Una – PE foram obtidos aumentos acima de
100% na produção de forragem quando foi realizado o roço no palmal, comparado com
7
o tratamento que não recebeu nenhum trato cultural (Santos et al., 2006a). Nos plantios
tradicionais de palma forrageira, os tratos culturais podem ser feito através de roçagem
no final da estação chuvosa.
6 - PRAGAS E DOENÇAS
No Nordeste do Brasil, embora haja registros de doenças, os problemas são
pequenos e localizados. Com relação ao ataque de pragas, duas espécies de cochonilhas
são os principais problemas: a cochonilha de escamas (Diaspis echinocacti-Bouché),
um inseto da ordem Hemiptera e família Diaspididae, conhecida vulgarmente por
escama, piolho ou mofo da palma, e a cochonilha do carmim (Dactylopius opuntiae
Cockerell), pertencente à ordem Hemiptera, família Dactylopiidae.
A ocorrência de cochonilha do carmim tem promovido acentuada redução da
produção de palma forrageira, principalmente nos estados da Paraíba e Pernambuco, nos
quais predomina o cultivo das cultivares gigante, redonda e o clone IPA 20, do gênero
Opuntia, que são suscetíveis a essa praga. Estimativas realizadas por órgãos de pesquisa
estimam a mortalidade de cerca de 100 mil hectares implantados com a cultura (Ribeiro,
2009).
Segundo Cavalcanti et al. (2001), o controle desse inseto pode ser mecânico,
químico, biológico e com uso de variedades resistentes. Trabalhos de seleção de clones
visando resistência à cochonilha do carmim (Santos et al., 2006b; Santos et al., 2007;
Vasconcelos et al., 2009), identificaram que os clones cv. Miúda, Orelha de Elefante
Mexicana, IPA-Sertânia (ou palma baiana), IPA-200013 e IPA-200015 foram
considerados como resistentes a cochonilha do carmim. Destes clones, os três primeiros
têm sido recomendados para plantio na região de ocorrência da praga. Vale salientar que
a cultivar miúda e a IPA Sertânia mostram-se susceptíveis a cochonilha de escama e,
portanto, no plantio destas cultivares deve ser considerados os métodos de controle
desta praga, segundo Santos et al. (2006b).
7 - MANEJO DE COLHEITA
A colheita da palma usualmente é feita a cada dois anos e resultados
demonstram a necessidade de preservar uma área de cladódio residual para promover
uma rebrota vigorosa e maior longevidade do palmal (Santos et al., 2010b). A
8
quantidade de matéria seca colhida é dependente de diferentes fatores de manejo e varia
conforme a cultivar (Tabela 1).
Tabela 1. Produção de matéria seca de cultivares de palma colhidas a cada dois anos e
conservando-se o artículo primário
Cultivares
Miúda
Gigante
Clone IPA-20
Orelha de Elefante
Mexicana
Orelha de Elefante
Africana
20.000
20.000
20.000
20.000
20.000
20.000
40.000
40.000
No de
Colheitas
1
3
1
1
3
1
1
1
PMS
(t/ha)
18,14
20,64
21,70
21,43
28,88
25,65
29,00
19,40
Cunha et al. (2008)
Santos et al. (2011)
Santos et al. (2011)
Cunha et al. (2008)
Santos et al. (2005)
Cunha et al. (2008)
Dubeux Jr et al. (2006)
Dubeux Jr et al. (2006)
500 kg de NPK
20.000
1
49,10
Santos et al. (2011)
500 kg de NPK
20.000
1
17,30
Santos et al. (2011)
Adubação (ha)
Plantas/ha
100 kg de N
20 t de esterco
500 kg de NPK
100 kg de N
20 t de esterco
100 kg de N
-----
Fonte
A palma é também considerada uma reserva estratégica de forragem e, neste
caso, a frequência de corte pode variar conforme a necessidade do produtor e das
condições climáticas. Em diagnóstico realizado por Almeida (2011) na região semiárida
do Estado da Bahia, observou-se que a colheita da palma forrageira é realizada em
intervalos de um a três anos ou quando se faz necessário, isto é, sob dependência do
período de estiagem e da escassez de forragem para os rebanhos. Rangel et al. (2009),
constataram, no Cariri Ocidental Paraibano, que 73,3% dos pecuaristas realizam o
primeiro corte da palma entre 2 a 3 anos, enquanto 16,7% cortam com 1 ano de
implantação do palmal.
Farias et al. (2000) relataram que o manejo da colheita foi fator determinante
para manutenção da produtividade ao longo de sucessivas colheitas de um palmal em
São Bento do Una – PE. Em geral, espaçamentos mais largos (e.g, 2 m x 1 m ou 3,0 m x
1,0 m x 0,5 m) evidenciam a necessidade de preservar os artículos secundários quando a
colheita é feita a cada dois anos; quando a colheita é feita a cada quatro anos pode-se
preservar apenas os primários (Tabela 2).
Santos et al. (1996) avaliaram a produtividade anual da palma miúda submetida
a três freqüências de colheita (anual, bienal e trienal) e três densidades de plantio
(5.000, 10.000 e 20.000 plantas/ha). A produtividade de MS em t/ha/ano, para as
populações de 5, 10 e 20 mil plantas/ha, foi de 5,9, 7,8 e 9,9 t/ha/ano, respectivamente.
9
Para as diferentes frequências de colheita foram obtidas produtividades de 6,9; 9,7 e 6,9
t de MS/ha/ano para as freqüências anual, bienal e trienal, respectivamente.
Tabela 2. Efeito de espaçamento, freqüência e intensidade de cortes sobre a produção
de matéria verde e seca de artículos de palma e de grãos e restolhos de sorgo,
em consórcio com palma forrageira1
Espaçamento/
Densidade de plantio
Frequências de corte
(anos)
Primários
Secundários
Primários
Secundários
2
2,0 m x 1,0 m
5.000 plantas/ha
Intensidade de
corte2
4
Média
Primários
Secundários
Primários
Secundários
2
3,0 m x 1,0 m x 0,5 m
10.000 plantas/ha
4
Média
Primários
Secundários
Primários
Secundários
2
7,0 m x 1,0 m x 0,5 m
5.000 plantas/ha
4
Média
Produção de
MS
t de MS/ha/ano
4,20
6,41
5,21
5,10
5,13 a
3,82
4,51
4,51
5,30
4,53 b
2,21
3,40
2,61
2,80
2,75 c
1
Médias seguidas de letras iguais, nas colunas, não diferem entre si (P > 0,05) pelo teste de
Tukey. 2 Conservação dos cladódios no momento do corte.
Fonte: adaptado de Farias et al. (2000).
O baixo IAC da palma forrageira pode ser parcialmente atenuado por uma maior
densidade de plantas ou por colheitas menos freqüentes, com a conservação de maior
número de cladódios (Lira et al., 2006). Santos et al. (2006a) citam que no corte da
palma, quando são conservados na planta cladódios onde não são reduzidas as
superfícies fotossintetizantes, a palma apresenta benefícios em produtividade e
longevidade. Em cultivos adensados, por exemplo, nos quais o espaçamento é menor
deve-se conservar os cladódios primários, enquanto para cultivos em filas duplas, devese deixar todos os cladódios secundários.
Dependendo do espaçamento e da necessidade do criador a palma pode ser
colhida em intervalos de dois ou quatro anos, sem a perda do valor nutritivo da
forragem. Os sistemas de plantio nos espaçamentos 2,0 x 1,0 m e 3,0 x 1,0 x 0,5 m
permitem colheitas a cada quatro anos, com produções duas vezes superiores às
colheitas a cada dois anos, quando são conservados apenas cladódios primários.
10
Não há trabalhos na literatura que associem o manejo de colheita da palma com
as características morfogênicas e estruturais da cultura, tais como taxa de aparecimento
e alongamento de cladódios, altura da planta e número de cladódios por ordem e total.
Vale salientar que estas características podem ser influenciadas pelo genótipo e pelas
condições de cultivo (irrigação, adubação, plantio adensado etc.).
8 - MANEJO PÓS-COLHEITA
A palma forrageira geralmente é colhida manualmente para ser fornecida
diretamente no cocho, o que aumenta os custos de produção (Santos et al. 1992; Santos
et al., 2006a). O armazenamento pós-colheita pode ser uma alternativa para diminuir os
custos com a colheita e transporte do material, contudo o armazenamento deve ocorrer
em local com sombra ou coberto e ventilado. Os ramos de palma devem ser amontoados
inteiros, devendo ocorrer o fracionamento do material no momento do uso.
Santos et al. (1992) verificaram que não houve perdas aparentes de matéria seca,
proteína bruta, fibra bruta e carboidratos solúveis da palma forrageira até 16 dias de
armazenamento pós-colheita, sugerindo assim que maior quantidade de palma pode ser
colhida, mesmo que não haja utilização imediata (Tabela 3).
Tabela 3. Composição química (% da matéria seca) da palma forrageira cv. Redonda,
submetida a diferentes períodos de armazenamento, São Bento do Una – PE
Cultivares
1
Redonda
Gigante
Miúda
MS
PB2
FB3
CS4
MS1
PB2
FB3
CS4
MS1
PB2
FB3
CS4
0
15,3a
3,51a
14,5a
27,9a
13,8a
3,91a
16,6a
26,2b
22,5b
2,25a
12,3a
56,6a
Período de armazenamento
(dias pós-colheita)
4
8
12
15,2a
17,6a
15,2a
3,65a
3,86a
3,58a
12,9a
13,4a
13,1a
30,9a
29,6a
28,2a
14,6a
17,0a
14,7a
4,08a
4,14a
4,01a
12,9b 13,3b
13,2b
33,0a 29,5ab 29,4ab
22,8b 23,7ab
24,2a
2,23a
2,23a
2,20a
9,9ab 11,9ab
9,6b
57,4a
58,8a
57,7a
16
16,1a
3,71a
14,2a
29,1a
15,3a
4,12a
13,4b
29,7ab
23,8ab
2,14a
10,9ab
59,2a
Média
CV (%)
15,9
3,66
13,6
29,1
15,1
4,05
13,9
29,5
23,4
2,21
10,9
57,9
11,9
13,8
10,7
12,4
11,3
10,3
9,7
10,2
3,05
12,5
12,0
5,01
Valores nas colunas seguidos da mesma letra, não diferem (P>0,05) pelo teste de Tukey. 1MS =
matéria seca; 2PB = proteína bruta; 3FB = fibra bruta; 4CS = carboidratos solúveis.
Fonte: Adaptado de Santos et al (1992).
11
Em experimento conduzido na Estação Experimental de Caruaru, observou-se
que armazenamento pós-colheita de até 56 dias promoveu maior aparecimento de danos
e apodrecimento na palma Míúda (Tabela 4), em relação ao Clone IPA-20, o que pode
estar associado ao maior teor de carboidratos da primeira cultivar (Silva, N.G.M. –
comunicação pessoal).
Vale ressaltar que são poucas as informações disponíveis na literatura sobre o
armazenamento pós-colheita da palma forrageira e seus efeitos no valor nutritivo e
desempenho animal.
Tabela 4. Índice de apodrecimento1 das espécies de palma forrageira ao longo dos
tempos de armazenamento no período seco.
Períodos de armazenamento pós-colheita
(dias)
0
8
16
24
32
40
48
56
CV (%)
Cultivares
Clone IPA – 20 Cultivar Miúda
1,0dA
1,0eA
1,1cB
3,0dA
2,2bB
3,0dA
2,7aA
3,0dA
3,0aA
3,2dA
3,0aB
3,6cA
3,0aB
4,0bA
3,1aB
4,7aA
5,0
Médias seguidas de igual letras minúsculas na coluna e letras maiúsculas não diferem entre si ao
nível de 5% de significância pelo teste de LSMEANS.
1
Indice de apodrecimento referente a observação de danos nos cladódios, sendo 1 menor
apodrecimento e 3 maior.
Fonte: (Silva, N.G.M. – comunicação pessoal).
9 – CONSIDERAÇÕES FINAIS
A palma forrageira pode alcançar alta produtividade se manejada corretamente,
com sistema de plantio adequado, tratos culturais, intensidade e frequência de corte que
levem em consideração a capacidade fotossintética da cultura;
O armazenamento pós-colheita é uma alternativa para diminuição de custos com
corte ou transporte.
Informações de aspectos de sistema de plantio da cultivar Orelha de elefante
mexicana, tolerante à cochonilha do carmim, ainda não são disponíveis na literatura,
devendo ser avaliadas, notadamente em sistemas de plantio adensados, com adubação.
12
São necessários estudos que associem o manejo de colheita da palma com as
características morfogênicas e estruturais da cultura no sentido de otimizar o manejo da
palma para produção de forragem.
10- AGRADECIMENTO
Ao Professor Iderval Farias, pela dedicação durante toda vida acadêmica aos
estudos com Palma em Pernambuco.
11 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALMEIDA, J. de. A palma forrageira na região semiárida do estado da Bahia:
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