A Unção do Espírito Santo

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A Unção do Espírito Santo
Volume 23 / Número 1
EDIÇÃO PORTUGUÊS
ATOS
A Unção do
Espírito
Santo
“Não por força nem por poder,
mas pelo meu Espírito, diz o
Senhor dos Exércitos.”
(Zacarias 4:6.)
por Rev. Frank R. Parrish
Esperamos que você desfrute desta edição ampliada da Revista ATOS!
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A Unção do
Espírito Santo
por Rev. Frank R. Parrish
Nota do Autor – Importante!
Querido Líder de Igreja e Companheiro:
Esta edição da Revista ATOS sobre a “Unção”
tem o objetivo de ser um estudo bíblico cuidadoso
e minucioso sobre esse assunto. Isso exigirá uma
seriedade em sua reflexão, estudos e esforços,
a fim de que você obtenha uma compreensão
melhor sobre esse tema vital.
Talvez seja necessário muito tempo para você
terminar este estudo. Talvez você estude somente
duas ou três páginas por dia. No entanto, eu recomendo
muito que você se aplique, tanto em oração como num
estudo diligente. Se você fizer isso, a sua vida e o seu
ministério serão transformados!
Eu estava no ministério muitos anos antes de
compreender o desejo de Deus com relação à unção do
Seu Espírito em minha vida e ministério. Quando eu
abri o meu coração e permiti que Deus “abrisse os olhos
do meu entendimento”, eu fui transformado! O meu
ministério foi transformado! A presença e o poder do
Espírito Santo tornaram-se muito mais ativos e visíveis
em (e através da) minha vida e ministério.
Muito mais fruto tornou-se evidente em meu
ministério. Experimentei a presença de Deus de
uma maneira mais profunda do que eu jamais havia
experimentado. A minha vida não ficou mais fácil, mas
houve uma capacidade maior para eu viver como mais
do que vencedor, através de Cristo, que me ama (veja
Romanos 8:37).
Eu gostaria de encorajá-lo a aplicar-se como um
obreiro diligente e firme em seu estudo deste material.
Eis aqui algumas sugestões práticas que o ajudarão a
fazer isso:
Em primeiro lugar, eu dei muitas referências bíblicas
em todo este ensino. Por favor, tome o tempo necessário
para encontrar e ler cada uma das referências bíblicas.
Isso servirá para vários propósitos muito importantes:
1) Na qualidade de líder de igreja, você jamais deve
simplesmente aceitar todos os ensinos que lê ou ouve,
independentemente de qual seja a fonte. Sempre
busque nas Escrituras por você mesmo (At 17:11);
2) Na qualidade de líder de igreja, é importante que
você progrida em seu conhecimento, familiaridade
e entendimento das Escrituras (2 Tm 2:15-18). Isso
protegerá você e os que lidera dos erros, como também
fará com que você seja um obreiro capacitado com a
Palavra de Deus; 3) Somente a Palavra de Deus é apoiada
2 / ATOS
pelo poder de Deus (2 Tm 3:16,17; Hb 4:12,13;
2 Pe 1:20,21). É somente a ação combinada do
Espírito Santo e da Palavra de Deus que pode
transformar o coração humano.
Em segundo lugar, mantenha um caderno à
mão, e faça anotações, perguntas, ou escreva
Rev. versículos bíblicos para um estudo adicional.
FRANK
PARRISH Deus falará com você e lhe revelará verdades à
medida que você estudar a Sua Palavra. Permita
que este estudo seja uma jornada de crescimento pessoal
para você, o que o ajudará muito mais do que o simples
recebimento de um bom material de estudo.
Finalmente, meu querido obreiro e companheiro, eu
gostaria de encorajá-lo muito a acompanhar o seu tempo
de estudo com muitas orações e espera no Senhor, pois
é o Espírito Santo que revela a verdade, a natureza e o
caráter de Cristo (Jo 14:17,26). Não permita que este
estudo envolva somente a sua mente, pois aí então você
estaria sendo limitado no que você pode receber. Nossa
mente é um dom de Deus, mas ainda assim é limitada
(veja 1 Coríntios Capítulos 3 e 4). Abra o seu coração,
e permita que o Espírito Santo o ensine e o molde. Você
somente pode guiar os outros onde você mesmo foi
guiado. Assim sendo ore, estude e desfrute deste ensino,
e que você possa crescer no poder da unção de Deus, até
mesmo enquanto estiver lendo este material!
Observe também a nova característica importante
que acrescentamos a esta edição da Revista ATOS. Em
todo este ensino, haverá notas especiais minhas para
você. Elas têm o propósito de fazer com que você, como
líder de igreja, receba uma análise mais minuciosa
e aprofundada de um importante princípio da Bíblia
com relação ao crescimento ministerial ou pessoal.
Essas notas especiais são identificadas da seguinte
maneira: “De Pastor Para Pastor”, e são colocadas num
fundo cinza, a fim de que você possa identificá-las
prontamente.
Pastor, eu o amo em Cristo e creio nos propósitos de
Deus para você. Você é o instrumento escolhido de Deus,
que Ele deseja usar para o Seu Reino e glória, e para
abençoar a Sua Igreja. Eu o abençoo em nome do Senhor
Jesus Cristo. E que agora Deus o abençoe, o fortaleça e
o edifique, à medida que você estudar e receber da Sua
Palavra e do Seu Espírito!
Seu irmão, Rev. Frank R. Parrish
Diretor do World MAP
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009 A Unção do
Espírito
Santo
“Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz
o Senhor dos Exércitos.” (Zacarias 4:6.)
por Rev. Frank R. Parrish
A
Introdução a Este Ensino
ntes que um estudo bíblico eficaz sobre a “Unção” possa começar, precisamos estabelecer alguns importantes
princípios fundamentais. Esses princípios formarão
uma plataforma bíblica da qual poderemos alcançar uma perspectiva apropriada sobre a unção.
As seções iniciais deste artigo abordarão estes princípios
fundamentais. Talvez eles sejam novos para você, ou talvez já
sejam conhecidos. Contudo, já que é vital que tenhamos um
fundamento comum do qual possamos desenvolver este estudo, gostaria de pedir-lhe que estude cuidadosamente os princípios seguintes. Permita um tempo para que o Espírito Santo
revele, determine, teste e confirme o quanto estes princípios
são bem estabelecidos e vividos na prática em sua própria vida
e ministério.
Líder e companheiro, este não é um estudo com “atalhos”
fáceis para a maturidade, como também não oferece fórmulas
rápidas ou técnicas mirabolantes que podem ser usadas para
transformá-lo num “sucesso”.
Ao contrário, este é um estudo bíblico sobre como nós,
como líderes de igreja, precisamos crescer e operar no Reino
de Deus. O caminho para a maturidade é um processo necessário para que possamos ser verdadeiramente frutíferos e para
Esboço de “A Unção do Espírito Santo”
INTRODUÇÃO
I. BASE HISTÓRICA E BÍBLICA DA UNÇÃO
A. A Unção no Antigo Testamento
1. Origem da Palavra “Ungir”
2. Origem da Palavra “Messias”
B. A Unção no Novo Testamento
1. Aleipho
2. Chrio
3. Chrisma
II. A NATUREZA, O PROPÓSITO
E A FUNÇÃO DA UNÇÃO
A. A NATUREZA DA UNÇÃO
1. O que a Unção Não é
2. Três Aspectos da Santificação
3. O Caminho Para o Crescimento
B. O PROPÓSITO DA UNÇÃO
1. A Unção Definida
2. Poder com um Propósito
a. Capacitação Divina
b. Quem Pode Ter a Unção?
C. A FUNÇÃO DA UNÇÃO
1. A Unção Relacionada ao Chamado
2. A Unção Não Deve Ser Guardada
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009
Para Nós Mesmos
3. A Unção Pode Ser Limitada ou Interrompida
4. A Unção Pode Ser Usada de Maneira Abusiva
ou Incorreta
D. PREFIGURAÇÕES DA UNÇÃO
NO ANTIGO TESTAMENTO
1. Prefigurações Simbólicas
2. Lições com o Óleo da Unção
III.ANDANDO NA UNÇÃO
A. PROTEGENDO A UNÇÃO
1. Ratos no Poço
2. O Caminho Para a Pureza
3. Sete Características da Unção Genuína
B. CRESCENDO NA UNÇÃO
1. Caráter e Unção
2. As Pegadas do Mestre
a. Jesus Era Submisso às Autoridades
b. Jesus Cresceu em Maturidade
c. Jesus Andava em Humildade
d. Jesus Entendia as Provações
3. Busca da Pessoa de Deus
C. RECEBENDO A UNÇÃO DELE
1. Sejam Cheios!
2. Busquem a Deus!
ATOS / 3 EDIÇÃO PORTUGUÊS
Volume 23 / Número 1
ATOS
Índice
A Unção do Espírito Santo
“Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito,
diz o Senhor dos Exércitos.” (Zacarias 4:6.)
por Rev. Frank R. Parrish
Nota do Autor ............................................................ 2
Introdução e Esboço.................................................... 3
Parte I
Base Histórica e Bíblica da Unção............................... 9
Parte II
A Natureza, o Propósito e a Função da Unção.......... 11
Parte III
Andando na Unção................................................... 35
Editores..................................... Frank & Wendy Parrish
Editor Internacional....................................Gayla Dease
Revisor Final............................................... Keith Balser
Fundador do World MAP......................Ralph Mahoney
Artes Gráficas.......................................... Vander Santos
Ilustrações.............................................. Dennis McLain
Tradutor................................................. Marcos Taveira
Revisora.................................................... Nadya Denis
Leitura Final.........................................Maura Ocampos
Impressão Gráfica............................Editora Betânia S/C
VISÃO E MISSÃO
DA REVISTA ATOS
Prover ensino bíblico prático e treinamento ministerial grátis a líderes de igreja na Ásia, África e América Latina que pregam ou ensinam a Palavra de Deus
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em sua própria nação e ao redor do mundo.
ATOS, no original, (ISSN 0744-1789) é publicada
a cada três meses pelo “World MAP”, 1419 N. San
Fernando Blvd., Burbank, CA 91504, EUA. Toda correspondência deve ser dirigida para o endereço acima ou para Caixa Postal 5053, 31611-970 Venda
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4 / ATOS
que tenhamos um ministério duradouro, que glorifique muito a
Deus!
Portanto, vamos nos aplicar com diligência, à medida que
aprendermos sobre esta questão da unção. Deus pode abençoar somente o que Ele estabeleceu como Sua maneira e vontade. Assim sendo, é essencial que coloquemos um fundamento
apropriado da Sua Palavra, antes de seguirmos adiante aos assuntos relacionados à unção (Is 28:10).
Ministério Ilimitado
O assunto da UNÇÃO é de grande importância para todo e
qualquer crente em Jesus Cristo. No entanto, o entendimento
da UNÇÃO – o que ela é, como funciona, e como podemos caminhar e crescer nela – é vital. Isso é especialmente aplicável
aos que são chamados ao ministério de tempo integral.
Infelizmente, a UNÇÃO é geralmente mal entendida, ou é
um assunto que talvez seja até mesmo evitado por alguns líderes.
Muito embora seja algo que Deus deseja dar-nos, muitos líderes
não sabem o que ela é, ou como recebê-la. Assim sendo, eles
tentam substituir a unção do Espírito Santo por outras coisas.
Alguns líderes talvez se tornem capacitados na administração ou organização. Talvez eles busquem a instrução, acrescentando diplomas e títulos, antes e depois de seus nomes. Talvez eles participem de muitas conferências e sejam inspirados
por ótimos palestrantes. Talvez até mesmo desenvolvam suas
próprias habilidades de falar ou de cantar, a fim de liderarem
ou motivarem as pessoas mais eficazmente.
Os itens mencionados acima não são necessariamente errados, e podem provar ou não que são úteis no ministério. MAS
ELES NÃO SÃO A UNÇÃO! Tampouco podem substituir a
genuína unção do Espírito Santo na vida do ministro.
As capacitações educacionais e administrativas podem ser
boas e úteis. No entanto, elas são limitadas com relação ao que
podem ajudar o líder a realizar. Quando dependemos da nossa
educação, o melhor resultado que podemos esperar é o limite
da nossa educação. Quando dependemos da nossa eloquência
ou de outras habilidades, ficamos limitados ao que essas habilidades podem realizar.
Contudo, quando dependemos do Espírito Santo, ficamos limitados somente pelo que o Espírito Santo pode fazer!
O que quer que escolhamos, para disto dependermos, ou
nisto colocarmos a nossa confiança, a fim de realizarmos o chamado ao ministério, será isto que estabelecerá os limites do que
seremos capazes de fazer. Quanta limitação você quer em seu
ministério?
Com Deus, não há nenhum limite! (Veja Lucas 18:27.) Portanto, se eu puser a minha confiança e dependência em Deus e
em Seu poder e capacidade, então as minhas únicas limitações
no ministério serão a vontade de Deus e os Seus desejos para
mim (Fp 4:13).
A vontade de Deus para todos os crentes nascidos de novo
é que eles demonstrem as evidências dos frutos do Espírito em
seus comportamentos e ações (Gl 5:16-26). Os frutos do Espírito
são o caráter de Cristo. Este mesmo tipo de caráter é exigido especialmente dos que são chamados para liderarem outras vidas
no Corpo de Cristo. O papel do líder é ser um exemplo de um
comportamento santo aos que ele lidera (1 Co 11:1; Fp 3:17; 1
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009 Tm 4:12). Não há nenhum dom, habilidade administrativa, ou
habilidade de pregação ou ensino, que possa substituir o fato de
termos um caráter e integridade semelhantes ao de Cristo.
Também é a vontade de Deus – especialmente para os que
são chamados para liderarem – que tenhamos o poder sobrenatural do Espírito Santo. Jesus disse aos Seus discípulos: “Não
Me escolhestes a Mim, mas Eu vos escolhi e vos designei, para
que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça” (Jo 15:16).
Através dessa passagem vemos que o desejo de Jesus é que
o nosso fruto permaneça. Como isso pode acontecer? Quando
o nosso ministério está repleto do poder da unção de Deus, o
poder do Espírito Santo. O Seu poder através de nós nos capacita a influenciarmos as pessoas de uma maneira que a vida
delas seja frutífera e duradoura.
Não importa quão talentoso ou dinâmico seja o líder. Sem
a capacitação do Espírito Santo, o líder não consegue cumprir,
no ministério, a vontade de Deus, da maneira de Deus. Felizmente para nós, Deus sabe o que precisamos muito melhor do
que nós. E Ele já nos forneceu o Seu poder e capacitação para
nos ajudar a cumprirmos o Seu sublime chamado.
Forma sem Poder
Hoje em dia, há muitas igrejas e ministérios em que a presença e o poder do Espírito Santo têm sido limitados. Estes ministérios talvez tenham grandes multidões, instalações sofisticadas,
ou eventos emocionantes. Mas, se a presença e o poder genuínos
do Espírito Santo não forem bem-vindos e evidentes, essas reuniões podem ser cerimônias meramente religiosas e vãs.
Grandes auditórios ou estádios podem ter multidões enormes, instalações sofisticadas e eventos emocionantes para um
mero jogo de futebol. Contudo, essas circunstâncias externas
têm pouco a ver com o fazer discípulos que diligentemente
sigam a Jesus Cristo!
Na história da Igreja, há muitos lugares do nosso mundo
em que Deus fez obras grandiosas e milagrosas através de
vasos humanos submissos a Ele. Muitas dessas igrejas, e até
mesmo vastas regiões geográficas, foram outrora conhecidas
por sua dinâmica presença cristã. Infelizmente, hoje em dia,
elas estão espiritualmente entenebrecidas. Os lugares em que
a Igreja outrora desenvolveu-se e teve uma grande influência
agora estão vazios e sem a luz do Evangelho.
Dentre as mais conhecidas da história do Novo Testamento
encontram-se as Igrejas da Ásia Menor (hoje a nação da Turquia).
Podemos ler sobre essas igrejas no Livro do Apocalipse. Elas são
comumente conhecidas como as “Sete Igrejas do Apocalipse”.
Essas igrejas foram outrora proclamadas como poderosas
fortalezas da obra redentora de Cristo no coração dos homens.
Muitos milagres aconteceram lá. (Leia o Livro de Atos.) Hoje,
no entanto, os turistas pagam para andarem em meio às ruínas
dos locais em que grandes apóstolos outrora pregaram a Palavra da Vida. Esses lugares agora estão sem vida e destituídos
do poder do Evangelho.
O que aconteceu com igrejas e ministérios que outrora foram grandes? Aquelas ruínas vazias, agora ocupadas somente
pelos pássaros, permanecem como um alerta e uma lição a todos nós.
O que podemos aprender é o seguinte: Sempre que nós, os
líderes de igreja, começamos a depender de nossas próprias caVOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009
Pregando
a Palavra
da Vida.
pacidades, ou das tradições, títulos, políticas de igrejas, ou até
mesmo da instrução e do aprendizado, em vez da dependência do
Espírito Santo de Deus e das eternas verdades da Sua Palavra,
a vida e o poder de Deus começam a ir embora de nós, como
líderes, e dos ministérios ou igrejas que Deus nos confiou.
O que é a Igreja?
O Espírito Santo inspirou Paulo a abordar a situação da
Igreja (veja 1 Coríntios 3). A Igreja de Corinto estava sendo
repreendida por suas brigas carnais, imaturas e egoísticas entre
eles mesmos. Eles estavam se dividindo em grupos com o propósito de tentarem reivindicar a sua suposta superioridade de
uns sobre os outros (1 Co 3:1-4). Isto era, e ainda é hoje, nada
mais que um orgulho ostentoso, o pecado do Diabo (1 Tm 3:6).
O comportamento orgulhoso e os esforços de auto-dependência por parte dos homens ainda atrapalham a frutificação na
Igreja de hoje.
Paulo prossegue e afirma claramente que é Deus Quem faz
com que a Igreja cresça verdadeiramente. “Assim então, nem o
que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá
o crescimento.” (1 Co 3:7.)
Há apenas UM FUNDAMENTO sobre o qual a Igreja pode
ser edificada: Jesus Cristo, que é a Principal Pedra Angular (1
Co 3:10,11; veja também Efésios 2:20-22). Ele é a nossa Pedra
Principal ou Fundamental hoje, tanto quanto o era quando a
Igreja nasceu há mais de 2.000 anos!
O Coração da Igreja
Há algo muito singular com relação ao uso de uma pedra
principal ou fundamental no mundo antigo que nos ajudará a
compreendermos melhor a razão pela qual Jesus é chamado de
“a principal pedra angular” (Mt 21:42).
No antigo Oriente Médio, todas as casas e outras construções eram construídas da mesma maneira. Uma pedra era cuidadosamente posicionada primeiramente, e essa era a principal
pedra angular. O restante da construção, inclusive o seu tamanho, traçado e posição, era medido e alinhado com relação a
esta única pedra angular específica.
ATOS / 5 Disciplinando
e edificando
pessoas.
Esta é a ilustração usada pelo Espírito Santo, através de
Paulo, para mostrar a preeminência de Cristo com relação à
maneira pela qual a Igreja viva deve ser edificada. Ela é feita
de pedras vivas, que estão crescendo e estão espiritualmente
vivas, e estão todas sobre a “Principal Pedra Angular” da salvação através de Jesus Cristo (1 Pe 2:4-10). Nada mais se alinha apropriadamente sem esta “Principal Pedra Angular” bem
no centro da Igreja.
Na qualidade de líderes de igreja, somos chamados para
sermos parceiros com Cristo, em obediência aos Seus propósitos e planos, no sentido de ajudarmos na edificação da Igreja
Viva de Deus. A Igreja do Novo Testamento, a Igreja de Cristo,
constitui-se das pessoas que chegaram a um conhecimento de
salvação através da fé em Jesus Cristo. O termo “igreja” no
Novo Testamento não significa uma estrutura organizacional,
títulos, construções ou denominações. A “Igreja” são as pessoas que são salvas e justificadas pela fé em Cristo, e que são
discípulos que estão amadurecendo.
Frutificação Verdadeira
Os outros termos usados no Novo Testamento para se descrever a Igreja incluem: “pedras vivas” (1 Pe 2:5); “o Corpo
de Cristo” (1 Co 12:27); o “campo”, “edifício”, ou “templo”
de Deus (1 Co 3:9,16,17). Todos estes termos têm o seguinte
fator em comum: eles se referem às pessoas que são verdadeiros crentes em Jesus Cristo.
É vitalmente importante que compreendamos isto. Como líderes de igreja, somos chamados a mais do que a administração
da igreja, a supervisão de novas construções, ou a coordenação
das funções da igreja. Somos chamados para sermos parceiros
com Deus no discipulado e na edificação de pessoas.
Somos chamados por Deus para pastorearmos e alimentarmos a Igreja Viva do Deus Vivo, os crentes, e para ajudá-los
a se tornarem discípulos de Jesus Cristo em crescimento. Não
conseguimos cumprir adequadamente este papel de mordomia
sem a ajuda e o poder de Deus (veja Salmos 127:1).
Deus certamente nos responsabilizará pela maneira com
que edificamos sobre o Único Fundamento de salvação através de Cristo (1 Co 3:12-23). Será que estamos simplesmente
atraindo uma multidão através das nossas próprias idéias, forças e talentos? Isso talvez pareça ser algo bem-sucedido por
algum tempo, mas não produz os frutos duradouros que Deus
deseja (Jo 15:5,8,16).
Ou será que, ao contrário, estamos nos rendendo diariamen6 / ATOS
te ao Espírito de Deus e nos entregando à Sua vontade? Será
que estamos sendo dirigidos por Ele como verdadeiros filhos de
Deus (Rm 8:14), dependendo d’Ele para todos os momentos de
ministério que Ele permite que tenhamos? Se esse for o caso, aí
então, através do Seu poder e ajuda, podemos ser verdadeiramente frutíferos, e os nossos frutos terão uma natureza eterna (Jo
15:16).
Entenda, por favor, que frutos e frutificação não são definidos por Deus da mesma maneira que a sabedoria humana talvez
os defina. Os homens talvez digam que frutificação significa
termos grandes multidões como seguidores, ou tornarmo-nos
ricos e influentes. A sabedoria humana talvez os defina como o
fato de termos fama, poder ou fortuna.
No entanto, a verdadeira frutificação na perspectiva de
Deus é definida e medida por um só critério: a vida de pessoas que estão sendo transformadas à imagem e ao caráter
de Cristo à medida que amadurecem como Seus discípulos. A
compreensão dos seguintes princípios o ajudará a entender a
verdade desta definição.
Restaurados à Sua Semelhança
A humanidade foi criada à imagem de Deus (Gn 1:26,27).
Não é necessariamente uma imagem física, e sim uma imagem
de habilidades e capacidades. “Imagem”, neste contexto bíblico, refere-se às qualidades da razão, do intelecto, das emoções,
da curiosidade e da capacidade de se fazer escolhas. Fomos
criados com a capacidade de amarmos, sacrificarmos e apreciarmos o que é bom, verdadeiro e correto.
Por que Deus nos criou desta maneira? Deus nos criou com
um só propósito: para Si mesmo, para que tivéssemos um relacionamento com Ele. Este é verdadeiramente o nosso mais sublime chamado! Deus não precisava nem desejava mais anjos,
ou Ele teria criado mais deles. Ao contrário, vemos em toda a
Bíblia que Deus desejava filhos e filhas que compartilhassem
de um relacionamento de intimidade e amor com Ele.
Contudo, a oportunidade de um relacionamento com Deus
foi arruinada quando o pecado entrou no mundo através da desobediência voluntária de Adão e Eva. A desobediência deles
trouxe o pecado a toda a raça humana (Rm 5:12-21). No entanto, nessa ocasião, o fantástico plano de Deus para a redenção
do Seu relacionamento com a humanidade foi colocado em
ação (Gn 3:15: “a sua Semente” refere-se à posterior encarnação e ao nascimento virginal do Filho de Deus, Jesus).
No tempo designado (Gl 4:4,5), Cristo veio à terra e morreu pelos nossos pecados. O Seu ato sacrificial abriu a possibilidade de um relacionamento restaurado com o nosso Criador, Deus, o qual havia sido destruído pelo pecado. Através
do recebimento da obra de salvação de Cristo, e através da fé
n’Ele, os nossos pecados podem ser perdoados, e nós podemos
conhecer a Deus e ter comunhão com Ele.
A Obra de Transformação
Mas, além disso, Deus também quer nos libertar das consequências do pecado e dos danos que ele causa em nossa vida.
Assim sendo, como um resultado direto da nossa salvação em
Cristo, Deus começa a operar em nossa vida para nos transformar de volta à “imagem” segundo a qual fomos criados.
“Pois os que dantes conheceu, Ele também predestinou para
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009 O Espírito Santo
impactará outros
através de
você.
serem conformes à imagem do Seu Filho, para que Ele pudesse ser o Primogênito dentre muitos irmãos.” (Rm 8:29.) Esse
versículo revela que, para os que vêm a Cristo na salvação, a
vontade preordenada de Deus é que devemos ser transformados,
a fim de que sejamos “conformados à imagem do Seu Filho”.
A obra de transformação começa na salvação e continua
durante toda a nossa vida. Deus é infinitamente sábio. Ele planejou que o Seu Reino funcionasse de uma certa maneira por
razões específicas. À medida que formos cada vez mais transformados à “imagem” da nossa criação original (a imagem do
Seu Filho), duas coisas cruciais acontecerão:
1) Nós conseguiremos andar num relacionamento com
Deus de uma maneira desobstruída e cada vez mais profunda.
Foi o pecado que destruiu e que ainda pode destruir o nosso
relacionamento com Deus. Assim sendo, à medida que somos
libertos do pecado e das suas consequências, temos então uma
capacidade maior de experimentarmos um relacionamento
mais amoroso e profundo com o nosso Criador.
2) Seremos restaurados ao lugar e ao propósito que Deus
tinha em mente para nós. O homem não foi criado no pecado
nem para o pecado. Fomos criados em santidade, na inocência e na pureza. Toda a Criação original de Deus era boa. “Aí
então Deus viu tudo o que Ele havia feito, e de fato era muito
bom.” (Gn 1:31.)
Não fomos criados com defeitos, mas o pecado destruiu
a bondade do nosso padrão original. Portanto, à medida que
formos libertos do pecado e transformados no sentido de ficarmos cada vez mais libertos das suas consequências, o resultado
será alegria, paz e uma sensação de liberdade cada vez maiores
em nossa vida. Aí então estaremos muito mais bem preparados
para cumprirmos a vontade e o propósito de Deus.
Portanto, podemos dizer confiantemente que a transformação pessoal é uma das mais altas prioridades de Deus
para cada indivíduo. A transformação é melhor definida neste
contexto como “sermos transformados mais à imagem de Jesus
em nossos pensamentos, desejos, e ações”.
Transformação Através do Poder do Espírito Santo
Quando somos salvos, a nossa antiga vida tem um fim. Começamos um processo, que dura a vida toda, de todas as coisas
se tornarem novas (2 Co 5:17). Somos transformados, pelo poder do Espírito e da Palavra de Deus, à “imagem do Seu Filho”
(Rm 8:29).
Essa maravilhosa obra de transformação não pode ser pleVOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009
namente realizada pela nossa própria força ou pelos nossos
esforços (Jr 13:23). Podemos mudar a nós mesmos em coisas
pequenas, e, geralmente, apenas externamente. Podemos nos
esforçar muito para tentarmos disciplinar nossa vida e desenvolvermos bons hábitos.
No entanto, há algumas obras em nós, muito mais profundas, as quais precisamos desesperadamente, como, por exemplo: cura de angústias e dores; libertação de rejeições e de
outras formas de escravidão; libertação dos nossos caminhos
egoísticos e pecaminosos. Esse tipo de transformação é possível somente pelo poder do Espírito Santo (Rm 8:1-11; veja
também Mateus 19:23-26; Efésios 2:1-10; Hebreus 9:13,14).
Deus exige que cresçamos e amadureçamos depois de nos
achegarmos a Cristo como nosso Salvador. Muito embora a
Sua graça e o Seu perdão sejam reais e sempre presentes (1
Jo 1:9), isto nunca é uma desculpa para continuarmos com
um comportamento pecaminoso ou egoístico. Deus perdoa de
fato um tropeço ou fracasso. Contudo, não podemos continuar
nesses pecados, mas, ao contrário, devemos seguir adiante em
nossa caminhada com Deus (Lc 9: 23-26).
Os que não querem mudar ou que resistem ao processo de
transformação do Espírito Santo estão na verdade em rebeldia
contra Deus (Tg 1:21-25). O juízo de Deus sobre a rebeldia é
severo (Pv 29:1; Hb 3:8-11).
Os Frutos que Deus Busca
Ser um ministro frutífero do Evangelho significa que a vida
das pessoas a quem você ministra está sendo transformada cada
vez mais à semelhança de Jesus. Lembre-se de que ser frutífero
tem pouco a ver com multidões ou estatísticas. É fácil atrair muitas pessoas à sua igreja. Simplesmente ofereça comida e roupas
grátis, ou dinheiro, e você consegue uma multidão! Ou forneça
entretenimento, e diga-lhes coisas que “façam cócegas em seus
ouvidos” (2 Tm 4:3,4), e faça com que elas se sintam bem.
Contudo, uma multidão não forma uma congregação. Uma
grande reunião de pessoas não significa necessariamente que
você tenha uma saudável igreja neo-testamentária, ou que você
esteja fazendo discípulos!
A pergunta que sempre precisamos fazer a nós mesmos
sobre o nosso ministério é a seguinte: “Será que a vida das
pessoas a quem eu ministro está sendo transformada no sentido
de elas se tornarem mais semelhantes a Jesus?” Será que a sua
meta é mais pessoas em sua igreja, ou será que é fazer verdadeiros discípulos que estejam amadurecendo e crescendo em
Cristo? Não importa se há 10 pessoas ou 1.000 pessoas. Você
está sendo frutífero se o seu rebanho estiver se tornando mais
semelhante a Jesus!
O Tipo Certo de Fraqueza
Já estabelecemos que sermos transformados à semelhança de
Cristo é a vontade de Deus para todos os seguidores de Cristo.
Sabemos que isso não pode ser plenamente realizado pelos esforços humanos, mas somente pelo poder e pela presença do Espírito
Santo. Assim sendo, o que isso nos ensina sobre a maneira pela
qual devemos conduzir o ministério que Deus nos deu?
Em palavras simples, precisamos compreender o seguinte:
É o poder evidente e presente do Espírito Santo, operando
e movendo-se sem restrições, através de um vaso humano
ATOS / 7 submisso a Ele, que causará o maior impacto sobre a vida
De Pastor Para Pastor: A natureza do “espinho na carde uma outra pessoa.
ne” de Paulo é desconhecida por nós. Contudo, sabemos
Isso pode parecer uma verdade tão óbvia! Contudo, quantas
com certeza que não era algum pecado ou fracasso moral
e quantas vezes os nossos esforços bem intencionados tomam
por parte de Paulo. Deus nunca faz vista grossa ao nosso
o lugar da obra do Espírito Santo em nosso meio?
pecado, mas, em vez disso, Ele nos convence do peca Se formos honestos como líderes e dermos uma boa olhado e nos disciplina, a fim de nos levar a um verdadeiro
da em nós mesmos, precisaremos admitir que geralmente nós
arrependimento (Pv 3:11,12; 2 Co 7:9,10; 1 Jo 1:9). Não
somos o problema. Não é preciso muito tempo no ministério
há nada oculto diante de Deus. Muito embora a Sua mipara reconhecermos que somos insuficientes para a tarefa. Assericórdia possa permitir a alguém um certo tempo para
sim sendo, ficamos ocupados com programas, cursos, e outras
que se arrependa, Ele não é enganado quando tentamos
maneiras de sermos eficientes ou bem-sucedidos. Mas a realiesconder o pecado. O nosso pecado, mais cedo ou mais
dade é que não temos em nós mesmos o que é necessário para
tarde, será revelado (Nm 32:23; Gl 6:7; 1 Tm 5:24). ■
realizarmos tudo o que Deus quer que realizemos! Será que
você poderia admitir isso sobre você mesmo?
Deus Usa os Humildes
Como líderes, queremos fazer o nosso melhor o tempo Para os propósitos deste ensinamento, vamos definir “fratodo. Contudo, nossos melhores esforços humanos não são su- queza” da seguinte forma:
ficientes para realizarmos plenamente a vontade e o propósito
● reconhecermos a nossa incapacidade de realizar a vonde Deus.
tade de Deus por nós mesmos;
Talvez isso pareça ser más notícias. No entanto, na reali● entregarmos nosso coração e dependermos totalmente
dade, se estivermos dispostos a aceitarmos e abraçarmos isto,
do poder do Espírito Santo;
a nossa insuficiência será o ponto inicial de boas novas! Olhe
● permitirmos que o Espírito Santo opere através de nós
o que um dos maiores apóstolos escreveu sobre este aparente
para realizarmos as coisas de valor eterno no ministério
paradoxo:
– vidas transformadas – através do Seu poder, e não do
“Com relação a isto [o ‘espinho na carne’ de Paulo – vs. 7],
nosso poder.
eu supliquei ao Senhor três vezes, para que ele se afastasse de Os líderes de igreja freqüentemente sentem muita pressão no
mim. E Ele me disse: ‘A Minha graça é suficiente para você, sentido de serem um “sucesso” no ministério. Infelizmente, os nospois a Minha força é aperfeiçoada na fraqueza.’ Portanto, sos conceitos de sucesso geralmente são definidos pelos padrões
de muito bom grado eu me gabarei em minhas enfermidades, do mundo, ou até mesmo pelo nosso próprio orgulho. Queremos
para que o poder de Cristo possa permanecer sobre mim. Por- ser importantes aos olhos dos outros. Queremos ser “grandes” no
tanto, eu me alegro nas fraquezas, nas injúrias, nas necessida- Reino de Deus, a fim de que Deus nos use grandiosamente!
des, nas perseguições, nas angústias, por amor a Cristo. Pois No entanto, a realidade é, e sempre foi, que não há nenhum
quando estou fraco, então sou forte.” (2 Co 12:8-10.)
grande homem de Deus – somente homens humildes grande Paulo não aceitou uma atitude de derrota, nem achou que mente usados por Deus! (Veja Mateus 20:20-28.)
estivesse sendo punido por Deus. Em vez disso, ele se regozi- Uma vez mais, o ingrediente principal para um ministério
jou em sua revelação e experiência pessoal da graça vencedora verdadeiramente frutífero é a presença e a obra do Espírito
de Deus!
Santo! Deus não Se opõe às pessoas que têm instrução, dons
É pela graça de Deus que temos a vida e a vitória de um organizacionais, ou muitos talentos. Contudo, nenhuma dessas
vencedor (Rm 8:37). No entanto, foi a entrega absoluta e o coisas é adequada para substituir o poder da unção do Espírito
franco reconhecimento de Paulo da sua necessidade que tanto Santo no ministério.
Deus pode usar as nossas habilidades e dons
abriu o caminho como tampara enriquecer a nossa eficácia, mas Ele deixou
bém liberou o poder do Esbem claro em Sua Palavra que “sem Ele nada
pírito Santo em (e através
podemos fazer” (Jo 15:5). “Não por força, nem
da) sua vida.
por poder, mas pelo Meu Espírito, diz o Senhor
Paulo não tentava esdos Exércitos.” (Zc 4:6.)
conder ou encobrir as suas
fraquezas. Ao contrário,
Deus sabe do que precisamos e já fez uma
O plano de Deus provisão perfeita para nós. Ele disponibilizou a
ele “se gabava nas fraquepara sua vida. Unção do Espírito Santo, para que fôssemos
zas” (2 Co 12:9) e “sentia
prazer” (2 Co 12:10) em
frutíferos à medida que cumprimos o Seu chasuas dificuldades, pois era
mado ao ministério.
UNÇ
nessas situações que Paulo
Portanto, vamos agora estudar juntos, para
ÃO
era totalmente dependente
obtermos um entendimento sólido e bíblico da
do poder e da suficiência
Unção do Espírito Santo.
de Deus – e ele conseguia
Este estudo tentará: 1) definir a unção, o que
experimentar o poder que o
ela é, e o que ela não é; 2) explicar como a unção
sustentava e o capacitava!
funciona na vida e através da vida do ministro;
(Veja também 2 Coríntios
e 3) revelar como podemos tanto receber como
3:1-6.)
crescer nesta unção. &
8 / ATOS
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009 A Unção do
Espírito
Santo
PARTE I
Base Histórica e Bíblica da Unção
A. A UNÇÃO NO ANTIGO TESTAMENTO
A fim de entendermos plenamente o Antigo Testamento,
precisamos usar também o Novo Testamento. As Escrituras do
Novo Testamento são como uma “lente” que frequentemente ajuda a dar foco e clareza às Escrituras da Antiga Aliança
(“Testamento”).
O Novo Testamento explica que o Antigo Testamento (a
Antiga Aliança ou Antigo Acordo) da Lei é a Palavra de Deus
(Mt 5:17,18; 2 Pe 1:20,21). Contudo, vivemos agora sob a
Nova Aliança (“testamento” ou “acordo”) da graça e da salvação através da fé em Jesus Cristo como Salvador. Não vivemos mais sob a Antiga Aliança da Lei e não conseguimos
alcançar a salvação através das nossas próprias obras (Gl
3:21-25).
A Nova Aliança substituiu a Antiga Aliança (veja Hebreus
Capítulos 7 e 8). Esta Nova Aliança cumpre a Antiga Aliança
(Mt 5:17,18; Lc 24:25-27) e estabelece “um novo e vivo caminho” (Hb 10:20) como base para o relacionamento do homem
com Deus.
Contudo, as Escrituras do Antigo Testamento ainda fazem
parte da eterna Palavra de Deus (Is 40:8). À medida que estudamos a Antiga Aliança, ainda podemos aprender muitos princípios importantes que podem ser aplicados à nossa vida sob a
Nova Aliança.
Ao escrever aos coríntios (1 Co 10:1-13), Paulo explica
que a história, os eventos e as lições registrados no Antigo Testamento deveriam ser estudados, compreendidos e aplicados à
nossa vida como crentes neo-testamentários. “Ora, estas coisas tornaram-se nossos exemplos...” (1 Co 10:6.)
Assim sendo, podemos ter valiosas revelações sobre a unção do Espírito Santo que agora encontra-se disponível aos
crentes neo-testamentários, estudando as figuras ou “tipos” de
unção prefigurados no Antigo Testamento.
1. Origem da Palavra “Ungir”
A palavra hebraica referente a “ungir” no Antigo Testamento é masah, e é usada 69 vezes. Esta palavra significa aplicar óleo, derramando-o, espalhando-o ou esfregando-o sobre o
objeto ou indivíduo que está sendo ungido.
A prática da unção era comum entre muitas culturas e povos do antigo Oriente Médio. Esta prática tinha um uso tanto
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009
comum quanto sagrado. Por exemplo, a unção de convidados
como um ato de hospitalidade era feita até mesmo nos dias de
Jesus (Sl 23:5; Lc 7:46; Jo 12:3).
Contudo, a prática da unção tinha um uso muito mais profundo no Antigo Testamento para o povo de Israel. Encontramos a unção pela primeira vez quando Jacó transformou num
memorial o seu primeiro encontro com Deus. Jacó ungiu a
pedra sobre a qual ele havia colocado a sua cabeça enquanto
sonhava (Gn 28:10-18).
Mais tarde, o óleo era usado para se ungir o altar e outros
objetos usados na adoração a Deus no Tabernáculo (Êx 30:2629; Lv 8:10,11). Os sacerdotes também eram ungidos com óleo
(Êx 28:41; 30:30; Lv 8:12). (Também havia uma unção com
sangue de carneiro para os sacerdotes, a qual examinaremos
mais tarde neste artigo, ao estudarmos as prefigurações do Antigo Testamento referentes à unção.)
A prática da unção também estendia-se aos reis (1 Sm 9:16;
15:1; 16:3,12) e ocasionalmente aos profetas (1 Rs 19:16).
A unção era usada para três importantes propósitos no
Antigo Testamento. Em primeiro lugar, ela era usada para se
consagrar: separar para um uso santo, como em certos objetos físicos. Isso incluía a autorização do objeto para o serviço
a Deus (por exemplo, os implementos usados no Tabernáculo
para a adoração – Êx 30: 26-29).
Em segundo lugar, o ato de se ungir, muito embora sendo
feito por um agente humano, era considerado como que sendo
feito por Deus. Um claro exemplo disto é quando Samuel ungiu tanto a Saul como a Davi para servirem como reis sobre
Israel (1 Sm 10:1; 16:12,13; 2 Sm 12:7). Essa unção representava a escolha e o chamado de Deus de um indivíduo para que
ele fosse o Seu servo designado.
Em terceiro lugar, a unção era, em alguns casos, acompanhada por uma capacitação divina. Isso era de Deus e estava
diretamente associado com a realização da tarefa que Deus
havia designado à pessoa que estava sendo ungida. (Veja 1 Samuel 16:1-13; 2 Reis 2:9-15.)
2. Origem da Palavra “Messias”
Esta palavra é proveniente da raiz “masah”, da palavra
hebraica “masiah”, que foi traduzida como “messias”, e significa “o ungido”. Ela é usada 39 vezes no Antigo Testamento
ATOS / 9 para se identificar uma grande gama de indivíduos. O uso mais
óbvio é referente ao Messias – Jesus, o Filho de Deus (Is 9:7;
11:1-5; Isaías Capítulo 53). No entanto, essa palavra também é
usada para se designar os reis de Israel em 1 e 2 Samuel e nos
Salmos. É usada principalmente para se indicar a linhagem real
de Davi (Sl 2:2; 18:50; 84:9; etc.).
B. A UNÇÃO NO NOVO TESTAMENTO
Três palavras diferentes são usadas no Novo Testamento
com relação a “ungir”. Cada uma destas palavras revela um
aspecto diferente da unção:
1. Aleipho (usada 8 vezes): esfregamento verdadeiro e físico de um óleo ou unguento. (Veja Marcos 6:13; Lucas 7:38,46;
Tiago 5:14.) Em Tiago 5:14, a unção não tinha um propósito
medicinal. Ao contrário, ela era um símbolo tanto da presença
do Espírito Santo como da consagração do enfermo para se
pedir com fé a cura de Deus.
Devemos notar que não é errado recebermos ajuda médica.
Deus criou os elementos dos quais os remédios são feitos, e
deu sabedoria aos médicos para que os usem apropriadamente.
No entanto, os cristãos devem viver pela fé em todas as decisões da vida. Não devemos considerar a oração como sendo a
última opção, quando nada mais funciona. Quando houver enfermidades ou ferimentos, procure primeiramente a Deus para
a cura. Se Deus curar milagrosamente, aí então louvado seja
o Seu Nome! Se Deus escolher usar a medicina e os médicos
para curar, aí então louvado seja o Seu Nome! Se não houver
nenhuma cura, ainda assim louvado seja o Seu Nome – pois,
a nossa cura final e o nosso lar final estão em Sua presença,
quando O veremos face a face (1 Ts 4:16-18). O nosso Deus é
sempre fiel e digno de confiança!
2. Chrio (usada 5 vezes): indica uma designação ou comissão especial de Deus que separa a(s) pessoa(s) para se cumprir
uma dada tarefa. (Veja Lucas 4:18; Atos 10:38; 2 Coríntios
1:21; Hebreus 1:9.)
3. Chrisma (usada 3 vezes): uma capacitação pelo Espírito
Santo para sabermos o que é verdadeiro e certo; o poder do
Espírito Santo operando em conjunto com a Palavra de Deus
no coração do crente.
Tanto 1 João 2:20 como 2:27 se referem ao ministério do
Espírito Santo revelando a verdade ao coração do seguidor de
Cristo. (Veja também João 14:16,17,26; 1 Coríntios 2:10-16;
Efésios 1:17,18.)
O Apóstolo João estava escrevendo esta Carta (1 João)
para se opor à heresia de um grupo de pessoas que afirmava
ter um conhecimento especial de Deus. Esses falsos mestres
negavam que o Filho de Deus havia vindo na carne [Encarnação] (1 Jo 2:18-23). Eles afirmavam que somente eles tinham
um conhecimento verdadeiro de Deus e que todos deveriam
segui-los.
Contudo, João tranquilizou e garantiu aos cristãos que
aqueles indivíduos estavam agindo sob a influência demoníaca
do espírito do Anticristo (v. 18). João se opôs a esses falsos
ensinos, relembrando aos crentes que eles já têm o Espírito
Santo e sabem o que é verdadeiro (v. 20). Ele também salientou
que é o Espírito Santo que “os ensina com relação a todas as
coisas” (v. 27).
João não está diminuindo nem desqualificando o ministé10 / ATOS
rio de ensino. (Veja Romanos 12:7 e Efésios 4:11.) Em vez
disso, João está enfatizando o ministério do Espírito Santo,
que nos dirige no entendimento da Verdade na Palavra de
Deus (Jo 16:13).
O Ungido
Já aprendemos que “messias” significa “o ungido”. Os
Evangelhos do Novo Testamento não deixam nenhuma dúvida de que Jesus de Nazaré era (e é) O Messias, O Ungido!
Jesus foi (e é) ungido para uma missão ou propósito específico.
Na linguagem grega original do Novo Testamento, Jesus é
chamado de “o Cristo” ou “Jesus Cristo”. “Jesus” é um nome,
mas o termo “Cristo” é um título que significa “o Ungido”.
Todo o Novo Testamento claramente revela Jesus como sendo
o Ungido (Jo 1:41; 4:25,26).
Os judeus estavam buscando um messias (hebraico referente a “o ungido”), um rei da linhagem real de Davi, que
restaurasse a nação de Israel à sua antiga glória, como nos
dias de Salomão. Devido a isso, muitos judeus rejeitaram a
Jesus. Ele não Se encaixava em suas errôneas e incorretas
idéias preconcebidas sobre o Messias prometido (Mt 11:1-19;
Jo 6:26-29).
Os judeus não compreenderam que Deus tinha um plano
muito maior, que ia além deles (Is 42:5-9; 49:5,6; At 4:8-12;
13:44-49). Deus deu a eles (e a nós) algo muito maior do que
um rei terreno e temporário. Ele deu ao mundo o Rei dos reis,
um verdadeiro Salvador para todos, por toda a eternidade – Jesus, o Messias! Toda a glória ao Seu nome!
Sumário
A unção no Antigo Testamento era um ritual muito significativo. A unção de objetos, sacerdotes, profetas e reis físicos
os consagrava aos propósitos de Deus. No entanto, precisamos
notar que essa unção era apenas um tipo ou prefiguração do
que Deus cumpriria sob a Nova Aliança.
Sob a Nova Aliança, deveria haver um novo e vivo caminho para um relacionamento entre Deus e o homem. Isso foi
primeiramente sinalizado pelo envio de Jesus (Jo 7:28,29), o
Filho de Deus, o Ungido, para realizar o propósito e a missão
de Deus (Jo 3:14-17). Jesus cumpriu isso, morrendo na Cruz
pelos nossos pecados, abrindo assim a porta de salvação a todos os que creriam n’Ele (Rm 10:9-13; Ef 2:1-10; Hb 7:11-25;
9:11-15).
Parte do plano de salvação de Deus-Pai para a humanidade
era a provisão de uma ajuda divina aos que cressem em Seu
Filho. Os crentes poderiam ter toda a ajuda e o poder que necessitassem para cumprirem a vontade de Deus para eles.
Assim sendo, quando Jesus havia terminado a Sua obra designada por Deus na terra (Jo 17:4; 19:30), Ele prometeu nos
enviar o “Ajudador” (Jo 7:37-39; 15:26; 16:5-15). Este “Ajudador” (Consolador) é o Espírito Santo – Deus-Espírito.
O que havia sido prefigurado por tipologia no Antigo Testamento com o derramamento ou espalhamento de óleo (unção)
deveria tornar-se agora uma realidade plena para os crentes em
Jesus Cristo no Novo Testamento (Aliança). Isso foi iniciado
quando o Deus-Espírito foi derramado no Dia de Pentecostes
(Jl 2:28-32; Lc 24:49; At 2:1-39).
&
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009 A Unção do
Espírito
Santo
PARTE II
A Natureza, o Propósito
e a Função da Unção
A. A NATUREZA DA UNÇÃO
Há muita confusão com relação ao assunto da unção devido
a uma falta de ensinamentos e estudos sãos e bíblicos sobre o
assunto. Nesta seção, definiremos a unção da maneira como ela
nos é revelada nas Escrituras.
Mais tarde nesta seção, definiremos o que a unção é de fato.
Por enquanto, contudo, vamos esclarecer o que a unção NÃO
é:
1. O que a Unção NÃO é
a. A unção NÃO é uma força impessoal ou um poder
místico. A unção não é como a eletricidade (uma força nãoviva), nem é algum tipo de poder mágico. Simão, o mágico
(At 8:9-25), tinha um tipo de poder (demoníaco), mas ele logo
percebeu que o que ele tinha não era nada em comparação com
o poder que residia dentro dos apóstolos. A unção de Deus é
sobrenatural e espiritual.
b. A unção, da maneira retratada nas Escrituras,
NÃO é um simples emocionalismo, a demonstração de
uma personalidade forte, ou um estilo específico de pregação. Deus frequentemente toca de fato nossas emoções quando estamos nos movendo no poder da Sua unção. Contudo,
a mera demonstração de fortes emoções não significa que a
unção de Deus esteja presente. As pessoas podem demonstrar fortes emoções quando estão se divertindo ou praticando
esportes. Mas, obviamente, isso não significa que a unção de
Deus esteja presente!
Quando um pregador fala em voz alta, ou fica entusiasmado e pula para lá e para cá, algumas pessoas acham que ele está
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009
ungido. No entanto, a verdadeira unção de Deus pode ser ou
não manifestada com ações físicas e externas.
Da mesma forma, a presença da unção de Deus não pode
ser “ganha pelo nosso merecimento” ou obtida pela nossa instrução, conhecimento ou organização. Tampouco são os nossos
grandes talentos ou capacidades naturais um sinal da unção de
Deus. Muito embora nossos talentos humanos e naturais sejam
dons de Deus, até mesmo uma pessoa não-salva pode ter e usar
os seus talentos. O fato de termos talentos e capacidades não
deve ser confundido com a unção.
É verdade que Deus pode injetar o Seu poder em nossas
capacidades, através da Sua unção, para liberá-las além do que
poderíamos realizar com as nossas próprias forças, assim como
Ele o fez com Salomão (1 Rs 4:29-34). No entanto, nossos talentos e capacidades nunca devem substituir nossa dependência em Deus para a Sua capacitação divina.
A unção proveniente de Deus é divina e sobrenatural, e envolve o Seu poder e a Sua capacidade!
c. A unção não é salvação. Todo aquele que se arrependeu de seus pecados e se voltou a Cristo para a salvação tem
o Espírito Santo! No entanto, isso não é a mesma coisa que a
unção do Espírito Santo.
Vamos analisar as obras do Espírito Santo na salvação:
● Uma pessoa somente pode nascer de novo pela obra e poder do Espírito Santo (Jo 3:3-8; Rm 8:9,16).
● Uma pessoa é unida sobrenaturalmente ao Corpo universal
de Cristo na salvação, o qual é constituído por todos os que
têm fé n’Ele para a salvação (1 Co 12:13).
● Uma pessoa é “selada” pelo Espírito Santo na salvação (2
ATOS / 11 O Espírito Santo ministra em
nós e através de nós.
Co 1:22; 5:5; Ef 1:13,14). A palavra grega referente a “selar” é “arrabon”, e significa “garantia” ou “entrada de um
pagamento”. No entanto, além destas definições simples,
encontra-se um significado mais profundo. Primeiramente,
ser “selado” significa ser marcado como que pertencendo a
Deus. É um símbolo vivo de que Deus aceitou o pagamento feito por nós. Este pagamento é o sacrifício de sangue
do Filho de Deus pelos nossos pecados (Ef 1:7). Em segundo lugar, quando nos achegamos a Cristo em fé para a
salvação (Rm 10:9,10), o Espírito Santo nos é dado como
um “depósito” ou “primeira prestação” do investimento de
Deus em nós. Este investimento é a garantia (ou promessa)
de Deus de que podemos progredir diariamente na vida,
alegria, bênção e poder do Espírito Santo até o dia em que
Deus nos receber plenamente para Si no Céu! (Fp 1:6; 2 Pe
1:5-11).
A obra e o ministério do Espírito Santo começam em nós
e através de nós na salvação. O que recebemos quando somos
salvos é apenas o primeiro passo do nosso processo de amadurecimento. A vontade de Deus para todos os crentes é que eles
se tornem discípulos maduros como Seus filhos e filhas. Isso
requer um compromisso constante da nossa parte com relação
a um crescimento e transformação pessoal. Precisamos nos entregar diariamente à obra do Espírito Santo em nossa vida à
medida que Ele nos convence de pecados, nos disciplina, nos
encoraja e nos capacita!
De Pastor Para Pastor: Como pastor e líder da igreja,
você é chamado por Deus para ser um exemplo, para
o resto do rebanho, de um compromisso de estar sempre crescendo nas coisas de Deus. É tentadora a idéia de
que, como líderes, não precisamos mais fazer do nosso
crescimento pessoal em Cristo uma prioridade. Contudo,
o exato oposto disto é a verdade! (Veja 1 Pedro 5:2,3.)
Pelo fato de que somos líderes, devemos muito
mais ser exemplos das palavras de Jesus: “Se alguém
desejar vir após Mim, que se negue a si mesmo, e tome
a sua cruz diariamente, e siga-Me” (Lc 9:23). Todos os
crentes receberam o Espírito Santo na salvação. Assim
sendo, vamos nos submeter à Sua obra e influência em
nossa vida todos os dias! ■
12 / ATOS
d. A unção NÃO é a mesma coisa que o Batismo do
Espírito Santo. Este batismo é uma experiência distinta, disponível a todos os crentes em Cristo (Mt 3:11). O batismo do
Espírito Santo também não é a mesma coisa que o Espírito
Santo vindo para habitar dentro do crente na salvação.
O dom do Espírito Santo foi profetizado pelo profeta Joel
mais de 800 anos antes que este dom fosse derramado no Dia
de Pentecostes. (Veja Joel 2:28-32 e Atos 2:1-39.)
O Batismo do Espírito Santo tem o propósito de equipar a
todos os seguidores de Cristo a serem mais úteis e cheios de
poder para a obra do Mestre! Isso levará o crente em Cristo a:
● uma paixão mais profunda pelas almas;
● um poder maior na oração e um maior desejo por ela;
● um amor mais profundo por Cristo e pelo Seu Corpo;
● uma capacitação para a batalha espiritual;
● uma revelação maior na Palavra de Deus.
Todos os crentes em Cristo recebem o dom do Espírito
Santo habitando neles na salvação (Jo 3:5,6; Rm 8:15,16). O
Batismo do Espírito Santo é para um enchimento e transbordamento do Espírito de Deus. Esse batismo não o torna mais
salvo ou mais amado por Deus. No entanto, ele o equipará melhor a viver uma vida mais eficaz e vencedora em Cristo!
Se você recebeu o Batismo do Espírito Santo, lembre-se
de que esta não é uma experiência única em nossa vida, que
simplesmente alcançamos. Ao contrário, é um estilo de vida a
ser mantido. Devemos ser continuamente cheios! [Veja a Parte
III, Seção C, Sejam Cheios!, para mais detalhes sobre esse assunto.]
De Pastor Para Pastor: Ao estudarmos o Espírito
Santo, também precisamos falar um pouco sobre a presença de outros espíritos em nosso mundo. Há três categorias de espíritos agindo na terra nos dias atuais:
1) Espíritos demoníacos
Espíritos demoníacos estão presentes na terra hoje
em dia. A tarefa que eles mesmo se impuseram é desviar toda a humanidade (Ap 12:7-9) e cegá-la à verdade
de quem Jesus é (2 Co 4:4; 1 Jo 2:22; 4:1-3). O mundo
demoníaco age basicamente através das falsas religiões. Elas usam o engano como seu instrumento mais
poderoso, trabalhando com o Diabo, que é “mentiroso
e pai da mentira” (Jo 8:44).
Os espíritos demoníacos têm uma forte influência
nos não-crentes (2 Co 4:3,4). Contudo, eles também
tentam atingir os verdadeiros crentes em Cristo, aqueles através dos quais a gloriosa luz do Evangelho é
pregada (Ef 6:10-12; 2 Co 10:3-5; 11:3). O mundo
demoníaco, exatamente como o pecado, não tem nenhum poder sobre os cristãos – a menos que o cristão
escolha, voluntariamente, cooperar com os seus ardis
ou tentações.
Satanás usa vasos humanos (até mesmo alguns
que afimam que são cristãos) para tentar desviar as
pessoas (Mt 24:24; 2 Co 11:13-15; 2 Pedro Capítulo 2).
Os demônios até mesmo falam verdades parciais de
vez em quando (Mt 4:1-11; Mc 5:1-8; At 16:16-19), mas
nunca fazem isso para glorificar a Deus ou promover
Sua vontade.
Os espíritos demoníacos sabem que Deus é real e
verdadeiro: “Vocês creem que há um só Deus. É bom
que vocês façam isto. Até mesmo os demônios creem
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009 – e tremem” (Tg 2:19). Contudo, os demônios não se
arrependem. Eles estão trabalhando arduamente para
enganar a humanidade, pois sabem que o juízo logo
virá sobre eles (Ap 12:12).
2) Espíritos humanos
Todo e qualquer ser humano que é concebido tem
um espírito. O homem é constituído por três partes: um
corpo, uma alma e um espírito (1 Ts 5:23; Hb 4:12). O
nosso espírito, no entanto, está morto dentro de nós
até que sejamos vivificados espiritualmente através da
fé em Cristo (Ef 2:1-8).
A Bíblia ensina que uma vez que um ser humano tenha morrido fisicamente, o seu espírito deixa o
seu corpo. Os que estão em Cristo partem para estar
na presença do Senhor (2 Co 5:6,8). Os que morrem
sem Cristo são mantidos para o dia do juízo (Hb 9:27;
Ap 20:11-15). Os espíritos dos seres humanos mortos
não têm permissão de vagarem sobre a terra! Tampouco eles se reencarnam em outros seres humanos
ou em outras formas de vida. Todas as pessoas têm
somente UMA vida, e, depois disto, vem o juízo (Hb
9:27).
Há muitas religiões que adoram muitos tipos de espíritos. Algumas pessoas até mesmo creem que podem
comunicar-se com o espírito de um ancestral ou de
algum outro indivíduo morto. Contudo, essas pessoas
não estão se comunicando com seres humanos mortos.
Elas estão na verdade se comunicando com espíritos
demoníacos que estão se disfarçando de espíritos de
seres humanos mortos.
Não seja enganado por essas falsificações! A Bíblia ensina que Satanás e seus demônios podem até
mesmo assemelhar-se a um “anjo de luz” e tentar imitar algo bom (2 Co 11:14). Se eles conseguem fazer
isso, não é difícil para eles imitar a voz ou conhecer a
história de uma pessoa que esteja morta. Nunca tente
comunicar-se com os mortos, nem fazer parte de qualquer ritual ou cerimônia que esteja tentando adorar ou
orar a ancestrais ou outros seres humanos mortos. Se
você fizer isso, estará convidando interações demoníacas!
3) O Espírito Santo
O Espírito Santo é o Espírito de Deus, e é o único Espírito que é digno de ser chamado de santo (Rm
1:4). O Espírito Santo é totalmente Deus, assim
como o Pai é Deus e Jesus é Deus (Mt 28:19; 2 Co
13:13 ou 14).
Atributos divinos são atribuídos ao Espírito Santo
nas Escrituras:
● Ele é chamado de Deus (Jo 4:24; At 5:3,4; 1 Co
3:16; 2 Co 3:17).
● Ele é eterno (Hb 9:14).
● Ele é onisciente [conhece todas as coisas] (Jo
14:26; 1 Co 2:10).
● Ele é onipresente [presente em todo lugar] (Sl
139:7).
● Ele é onipotente [todo-poderoso] (Lc 1:35; na Criação, Gn 1:2).
● Ele tem presciência (At 1:16; 11:27,28).
● Ele tem amor (Rm 15:30).
● Ele inspirou as Escrituras (2 Pe 1:21; 2 Tm 3:16).
● Ele é o Agente no direcionamento divino (Mc 13:11;
Rm 8:14).
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009
● Ele é uma “Pessoa”, assim como Jesus e o Pai são
“Pessoas” (Jo 14:16,17,26); Ele pode ser entristecido (Ef 4:30).
Um estudo completo da Pessoa do Espírito Santo
é muito mais extenso do que este artigo permite. Contudo, tanto o Antigo como o Novo Testamento revelam
que: o Espírito Santo é real e é Deus; Ele é co-existente, co-igual e co-eterno com o Pai e o Filho; e Ele é a
Terceira Pessoa da Trindade. ■
e. A unção NÃO é a mesma coisa que a santificação.
Vamos definir e estudar brevemente a santificação para obtermos um melhor entendimento deste importante processo
bíblico.
A Santificação Definida
A santificação tem dois significados importantes. O primeiro deles é a consagração – uma separação de alguém ou
algo para um uso específico e santo.
Aprendemos com o Antigo Testamento que isso tinha
a ver com objetos físicos, tais como: casas (Lv 27:14);
campos (Lv 27:16); utensílios usados no Templo (2 Cr
29:18,19). Todas essas coisas eram santificadas e separadas
para um uso santo.
As pessoas também eram separadas para um propósito
especial: os primogênitos de Israel (Êx 13:2); os sacerdotes (2 Cr 29:4,5,15); o profeta Jeremias (Jr 1:5); o próprio Jesus, como o imaculado Filho de Deus (Jo 10:36;
17:19).
O segundo significado da santificação é a purificação
– uma lavagem ou purificação da corrupção moral. Por
exemplo: Paulo ao abordar a situação de toda a vida do
crente (1 Ts 5:23); a consciência do crente (Hb 9:13,14),
etc.
Santificação:
ser separado para uso sagrado.
ATOS / 13 De Pastor Para Pastor: Essas duas definições de
santificação ajudam a ressaltar a diferença entre o conceito de santificação do Antigo Testamento e do Novo
Testamento.
No Antigo Testamento, o que era comum era considerado santo e santificado quando era separado especificamente para o uso ou serviço de Deus.
No Novo Testamento, o que era comum era cheio com
o Espírito de Deus e transformado para se tornar um vaso
adequado para uso do Mestre (2 Tm 2:19-21).
Como líderes no Corpo de Cristo, fomos chamados
com um chamado santo (2 Tm 1:9). Este chamado nos
separa para o serviço de Cristo. Contudo, Deus ainda não
terminou neste ponto. Ele começa uma obra de “santificação” dentro de nós, transformando-nos continuamente
pelo Seu Espírito e pela Sua Palavra. À medida que cooperamos com esta obra e obedecemos a Palavra, Ele nos
transforma no tipo de pessoa cujos pensamentos, palavras, e ações na vida diária refletem Aquele que é Senhor
dentro de nós. ■
2. Três Aspectos da Santificação
a. Santificação Posicional – Uma Obra Realizada. Enquanto Se encontrava nesta terra, Jesus era moralmente perfeito e sem nenhum pecado. Ele foi enviado aqui pelo Pai para
realizar o propósito de vir ao nosso mundo caído e oferecerSe como um sacrifício de penalidade pelos nossos pecados.
É através d’Ele, e somente através d’Ele, que podemos ter o
perdão, a salvação e a redenção de Deus.
Quando alguém vem à fé em Cristo e se entrega ao senhorio de Cristo, esta pessoa é soberanamente unida ao Corpo
de Cristo, a Igreja (1 Co 12:13). A palavra grega referente a
“igreja” é “ekklesia”, e significa “os chamados para fora”. Essa
definição nos ajuda a vermos como todos os crentes em Cristo
têm o propósito de ser chamados para fora ou de ser separados
para serem usados por Deus.
Este tipo de santificação – de sermos separados para um uso
santo – é conhecido como santificação posicional. (Veja 1 Coríntios 1:30; 6:11; 2 Tessalonicenses 2:13.) A santificação posicional é uma obra concluída de Deus, a qual é dada a todos os
indivíduos na salvação (At 26:18; Rm 15:16; 1 Co 6:11).
Cristo derramou o Seu próprio sangue e deu a Sua vida pelos nossos pecados. Uma das obras realizadas através desse fato
foi a santificação dos que creem n’Ele. “Através desta vontade
fomos santificados, através da oferta do corpo do Senhor Jesus
Cristo de uma vez por todas” (Hb 10:10); “Mas sois d’Ele, em
Cristo Jesus, que Se tornou para nós a sabedoria de Deus – e
justiça, e santificação, e redenção” (1 Co 1:30).
O fato de serem “santificados” é a razão pela qual os crentes da
Igreja Primitiva eram chamados de “santos” (1 Co 1:2; Ef 1:1).
A santificação é dada gratuitamente a nós devido à obra
consumada de Cristo na Cruz. Nunca poderíamos fazer boas
obras o suficiente ou esforços religiosos para merecê-la. Nunca
poderíamos ser “bons o suficiente” para merecermos a aceitação ou salvação de Deus pelos nossos próprios méritos.
Quando o nosso imaculado e moralmente perfeito Pai Celestial olha para nós, Ele está ciente de todas as imperfeições
e falhas. Contudo, Ele nos vê através do sangue de Jesus, Seu
Filho, que nos cobre (nos santifica). Essa “cobertura” pelos
14 / ATOS
nossos pecados é a única maneira pela qual podemos ser perfeitamente aceitáveis a um Deus santo e justo (Ef 1:6,7). Estas
são realmente Boas Novas!
Através do sangue eterno do Cordeiro Imaculado, os crentes
foram santificados (Hb 10:11-14; 13:12). A oferta de Cristo do
Seu sangue derramado é uma obra de santificação feita de uma
vez por todas (Hb 9:28; 10:12). Não precisamos de uma “segunda obra da graça” (como alguns ensinam) para sermos aceitáveis
a Deus. No momento em que cremos em Cristo e em Seu sacrifício pelos nossos pecados (Rm 10:9,10), Deus atribui a nós a
santidade de Cristo e nos declara “santificados” (1 Co 1:30).
b. Santificação Progressiva – Um Processo Prático. A
segunda parte do significado triplo da santificação é o processo
da santificação que continua por toda a vida do crente. É geralmente chamada de santificação progressiva.
Já aprendemos que a santificação posicional é um ato soberano de Deus que nos concede a santidade fornecida somente
pelo sacrifício de Cristo. Não conseguimos merecer isto através de nenhum esforço humano, já que toda a humanidade está
desesperadamente perdida sob o pecado (Rm 3:9-26).
No entanto, uma vez que alguém venha à fé em Cristo para
a salvação, a próxima grande obra de Deus é o processo de
“sermos transformados à mesma imagem [de Cristo] de glória
em glória, como que pelo Espírito do Senhor” (2 Co 3:18).
Pois a vontade de Deus é que “sejamos conformados à imagem
do Seu Filho, para que Ele possa ser o Primogênito dentre
muitos irmãos” (Rm 8:29).
Esse processo de santificação (ou santificação progressiva) é diferente da forma posicional de santificação. A santificação posicional é um ato único, soberano, feito por Deus
quando recebemos a obra salvadora de Cristo. Por outro lado,
a santificação progressiva envolve nossa vontade, nossos desejos e esforços de uma forma consistente.
Essa ação e compromisso de toda uma vida no sentido de
sermos “transformados” é uma parceria divino-humana. Os
crentes precisam fazer uma parceria com Deus e cooperar com
a Sua obra divina de transformação em suas vidas.
A Bíblia é clara no sentido de que todos os seguidores de
Cristo devem se esforçar ao máximo para se tornar mais semelhantes a Cristo, vivendo uma vida santa e pura. “Portanto, tendo estas promessas, amados, purifiquemo-nos de toda
imundícia da carne e do espírito, aperfeiçoando a santidade
no temor de Deus” (2 Co 7:1).
Temos o seguinte mandamento: “Despojai-vos, com relação
à vossa antiga conduta, do velho homem, que se corrompe de
acordo com as concupiscências enganosas, e renovai-vos no
espírito da vossa mente, e revesti-vos do novo homem, que foi
criado de acordo com Deus, em verdadeira justiça e santidade”
(Ef 4:22-24). Separe, por favor, alguns momentos agora mesmo para ler os seguintes versículos, que são apenas algumas das
muitas exortações sobre este assunto: Romanos 6:11-13; 12:1,2;
13:14; 2 Timóteo 2:20,21; 1 Pedro 1:13-19; 1 João 3:3.
Esse é um aspecto vital da nossa fé cristã. Contudo, também é onde muitos crentes deixam de se tornar tudo o que
Deus queria para eles. Eles permanecem prisioneiros da ira,
do pecado, na escravidão, ou temor, em vez de permitirem que
Deus os liberte dessas coisas. Muito embora tentem com suas
próprias forças livrar-se de hábitos ou práticas ímpias, eles não
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009 estão cientes da sua necessidade da ajuda de Deus para se tornarem totalmente libertos.
Está claro nas Escrituras que é impossível tornarmo-nos
santos e moralmente puros sem o poder de Deus para nos
ajudar (Jr 13:23; 17:9,10; Rm 3:20,23; 7:18). Sim, o sangue
de Cristo fornece a base para a nossa santificação inicial (Hb
10:29). No entanto, é a constante ação conjunta do Espírito
Santo e da eterna Palavra de Deus (Ef 5:26) que continuamente
nos molda cada vez mais à imagem de Cristo (Rm 8:29,30; 2
Co 3:18; Fp 1:6; 1 Pe 5:10). Essa obra é um processo que dura
toda a nossa vida e que continua até que finalmente O vejamos
“face a face” (1 Co 13:12; 1 Jo 3:2).
Deus deseja operar constantemente dentro de nós para nos
moldar. Contudo, Ele também precisa ter a nossa total cooperação e esforços com a ajuda do Espírito Santo e da Palavra de Deus. Precisamos optar por ouvir e obedecer, por ouvir
atentamente e responder às instruções da Palavra de Deus e do
Espírito Santo.
A santificação progressiva é uma transformação que dura
toda a nossa vida. Nunca seremos perfeitos ou imaculados nesta vida (1 Jo 1:8), mas podemos e precisamos estar continuamente crescendo em busca da maturidade espiritual.
c. Santificação Completa ou Final. A nossa perfeição
imaculada aguarda a vinda do Senhor Jesus Cristo ou o momento em que, na hora da nossa morte, passaremos desta vida
para a presença do Senhor. Será aí que seremos libertos deste
corpo de carne corruptível, e, “num piscar de olhos, com a última trombeta” (1 Co 15:52) seremos transformados em seres
incorruptíveis e imortais (1 Co 15:45-47; veja também Filipenses 3:20,21; 1 Jo 3:2).
Na Cruz, quando Cristo morreu pelos nossos pecados, fomos salvos da penalidade do pecado. À medida que crescemos
na fé e na santidade, somos libertos cada vez mais do poder
do pecado. E, quando Cristo voltar (ou quando morrermos no
Senhor), seremos salvos da presença do pecado!
A santificação não é a unção. Contudo, a santificação (especialmente a santificação progressiva) é vitalmente importante ao assunto da unção. O fato de vivermos uma vida santa e
comprometida tem um impacto direto sobre o fluir da unção
em nossa vida e ministério. [Isso será discutido mais detalhadamente na Parte III, Seção A, Protegendo a Unção.]
3. O Caminho Para o Crescimento
Os cristãos devem estar crescendo constantemente. A Bíblia nos exorta a “crescermos na graça e no conhecimento do
nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2 Pe 3:18; veja também 2 Pedro 1:5-11).
A santificação progressiva é um processo que requer uma
parceria entre Deus e cada indivíduo (Fp 2:12,13). Deus está
em ação para o nosso bem, uma vez que precisamos ter a Sua
ajuda para nos tornarmos semelhantes a Cristo em nosso caráter. Mas qual é a nossa parte neste processo?
Precisamos:
a. Ter fé em Cristo. Sem fé, não podemos receber o dom da
salvação nem receber o dom de Cristo da salvação posicional.
Na salvação, Cristo Se torna a nossa santificação (1 Co 1:30).
Recebemos este dom d’Ele através da fé n’Ele (At 26:18).
b. Entregar nossa vida a Deus. É assim que começamos
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nossa vida como cristãos; é assim que precisamos viver diariamente também. Uma contínua entrega ou rendição a Deus é
de importância fundamental. Ele é quem sabe o que é necessário para nos moldar mais à imagem de Cristo. (Veja Romanos
6:13,19-21;12:1,2; 2 Timóteo 2:21.) Entregarmo-nos diariamente a Deus também é necessário para que a nossa fé cresça
e seja fortalecida, à medida que escolhemos depender d’Ele e
confiar n’Ele (Hb 11:6).
c. Obedecer a Palavra de Deus. As Sagradas Escrituras são
o nosso padrão final para a nossa fé e conduta. “Como o jovem
pode purificar o seu caminho? Observando-o conforme a Tua
Palavra” (Sl 119:9). O Espírito Santo usa a Palavra de Deus
para falar conosco e moldar o nosso caráter (Jo 14:26). A Palavra
de Deus nos capacita e nos transforma em instrumentos úteis
para a glória de Deus (2 Tm 3:16,17). A Palavra de Deus nos
purifica (Ef 5:26). A Bíblia também nos revela nossas motivações e pensamentos mais profundos (Hb 4:12). Precisamos ler a
Bíblia todos os dias, e, em seguida, precisamos obedecê-la (Tg
1:22). Deus fornece tudo o que é necessário para que vivamos e
cresçamos na santidade (2 Pe 1:3,4). No entanto, precisamos dar
voluntariamente nossa cooperação e obediência!
d. Fazer um compromisso pessoal de buscar a santidade. “Buscai a paz com todos, e a santidade, sem a qual ninguém verá ao Senhor.” (Hb 12:14; veja também Mateus 5:8.)
Pedro exorta os crentes a serem sóbrios e a colocarem totalmente a sua confiança na graça de Deus. Devemos obedecer
a Deus e não nos conformarmos às antigas concupiscências
que outrora nos controlavam. Esta expectativa divina para com
a nossa santidade deve-se ao fato de que Deus é santo em Seu
caráter e justo em todos os Seus juízos (1 Pe 1:13-21). O mais
importante em nossa vida e em nosso destino não é uma vida
de felicidade ou comodidade, e sim de santidade.
A busca de um estilo de vida santo – em nossas ações, pensamentos, relacionamentos e palavras – não é opcional para o
seguidor de Cristo. Nunca deveríamos tolerar o que não é de
acordo com um Deus santo! O nosso modelo e exemplo não é o
que os outros fazem (quer sejam cristãos ou não), ou os esmorecimentos nos comportamentos que talvez testemunhemos até
mesmo em outros líderes. O nosso guia final para a vida não é
a nossa cultura, tribo ou família. Como cidadãos do Reino de
Cristo (Fp 3:17-20), somos responsáveis em seguirmos acima
de tudo o que Deus nos revelou através da Sua Palavra, pelo
Espírito Santo. É isso que precisamos nos esforçar para obedecer! (Lc 9:23-26.)
Se diligentemente vivermos nossa vida de acordo com o
santo padrão do caráter revelado de Deus e da Palavra, temos
a garantia de que cresceremos na santificação. E, à medida que
crescemos na santificação, tornamo-nos “vasos para honra,
santificados e úteis para o Mestre, preparados para toda boa
obra” (2 Tm 2:21).
B. O PROPÓSITO DA UNÇÃO
Pelo fato de que há alguma confusão com relação à unção,
tomamos o tempo na seção anterior para identificarmos o que a
unção não é. Vamos rever sucintamente o que já aprendemos:
● A unção não é uma força mística ou impessoal.
● A unção não é uma dotação, capacidade, talento, emocionalismo ou uma personalidade carismática.
ATOS / 15 ● A unção não é salvação.
● A unção não é o Batismo do Espírito Santo.
● A unção não é a santificação do crente.
1. A Unção Definida
Assim sendo, o que é então a unção?
A unção pode ser definida melhor da seguinte maneira:
A unção não é nada mais do que a Pessoa e a presença do
Espírito Santo, trazendo Consigo o poder, a autoridade e os
dons necessários para cumprirmos a vontade do Pai num dado
momento de nosso ministério ou tarefas.
É preciso que seja dito que o Espírito Santo está diretamente
envolvido em cada um dos cinco importantes itens citados acima. Sem a presença e a ação do Deus-Espírito Santo, esses cinco
aspectos vitais da vida de cada crente talvez não aconteçam.
No entanto, esta faceta da obra do Espírito Santo chamada
de unção tem um propósito singular e específico.
2. Poder com um Propósito
a. Capacitação Divina. O propósito principal da unção do
Espírito Santo é dar ao crente uma capacitação sobrenatural.
Essa capacitação é dada a qualquer pessoa que Deus desejar, a fim de ajudá-la a realizar o que Deus quer que seja realizado. Talvez seja para falar ou pregar, fazer uma obra, cantar
ou tocar um instrumento musical. Talvez seja para impor as
mãos sobre os enfermos para curá-los, ou para que Deus realize outros sinais e maravilhas. Também pode nos ajudar a
orarmos e intercedermos mais eficazmente.
Também é importante observarmos que Deus pode ungir
um indivíduo para uma capacidade maior para liderar ou para
por em prática uma capacidade, até mesmo nos negócios ou
num comércio. (Veja Êxodo 31:3.)
O desejo de Deus é ungir o Seu povo para oportunidades
ministeriais, tanto dentro como fora da Sua Igreja. Mas lembrese: é para os propósitos e glória D’ELE, e não para os nossos
próprios propósitos e glória!
Lembre-se do que é a unção: É Deus através do Seu Espírito
dando a um vaso humano em submissão qualquer que seja o po-
A unção pode
aumentar
habilidades
musicais
e outras.
16 / ATOS
der, autoridade e dons que sejam necessários para cumprirmos a
vontade do Pai num dado momento de um ministério ou tarefa.
É importante compreendermos que a unção é a Pessoa do
Espírito Santo! O poder de Deus não está separado da Sua
Pessoa e presença. Quando dizemos que alguém está ungido,
queremos dizer que a Pessoa do Espírito Santo está singularmente presente em sua vida para realizar a vontade de Deus
através dele.
b. Quem Pode Ter a unção? À medida que lemos o Antigo Testamento, é fácil reconhecermos quando o Espírito Santo
vinha sobre um profeta, juiz, rei, sacerdote, etc.
Contudo, a dispensação do Espírito Santo era diferente no
Antigo Testamento do que é no Novo Testamento. O Apóstolo
João escreveu: “Mas isto Ele falou com relação ao Espírito, o
Qual os que cressem n’Ele receberiam, pois o Espírito Santo
ainda não havia sido dado, porque Jesus ainda não havia sido
glorificado” (Jo 7:39).
O Espírito Santo, o Qual é totalmente Deus, existe desde toda a eternidade. Ele esteve ativo na Criação (Gn 1:2) e
durante todo o Antigo Testamento. Mas Deus-Pai ainda não
havia dado plenamente o Deus-Espírito até que o Deus-Filho
houvesse aberto o caminho da salvação através da Sua morte
sacrificial na Cruz (Jo 14:16,17; 16:7).
De Pastor Para Pastor: Como cristãos que creem na Bíblia, nós não adoramos três deuses. Adoramos Um só Deus, que Se expressa em três Pessoas. Dentro de Deus, há três “Pessoas”, que não
são três deuses, nem três partes. Os Três são Um,
e cada um d’Eles é co-igual e co-eternamente Deus.
Nossa mente limitada tem grandes dificuldades para
compreender a natureza três-em-um de Deus. Contudo, as Escrituras revelam de fato esta verdade sobre Ele. ■
Há uma diferença básica entre a dispensação do Espírito
Santo no Antigo Testamento e a dispensação no Novo Testamento. No Antigo Testamento, o Espírito Santo vinha temporariamente sobre um vaso humano escolhido. O Espírito Santo
capacitava o indivíduo (profeta, sacerdote, juiz, etc.) para que
ele executasse a vontade de Deus num dado momento. Aí então o Espírito Santo saía de sobre ele até o próximo momento
de uma tarefa ministerial.
No entanto, no Novo Testamento, o Espírito Santo era dado
para que Ele fizesse residência em corações humanos e vivesse
num relacionamento permanente com eles. Vamos analisar alguns
exemplos da unção do Espírito Santo no Novo Testamento:
Jesus
A primeira Pessoa do Novo Testamento a ser ungida pelo
Espírito Santo foi – Jesus! Jesus recebeu a unção capacitadora
do Espírito Santo em Seu batismo nas águas (Mt 3:16). Após a
tentação de Jesus no deserto, o Seu primeiro ato de ministério
público foi ler Isaías 61:1,2 na sinagoga. Aí então Ele declarou
que aquelas Escrituras Messiânicas haviam sido cumpridas naquele momento (Lc 4:14-21).
Você notará que a unção do Espírito Santo citada em Isaías 61:1,2 tinha o propósito de proporcionar o cumprimento da
vontade do Pai através do ministério terreno de Jesus.
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009 A unção nos transformará
durante nossa vida.
Jesus era tanto totalmente Deus como totalmente Homem
em Seu corpo físico na terra (Fp 2:5-8). Contudo, Ele precisava
do poder do Espírito Santo para fazer a vontade do Pai. Se Jesus,
o Filho de Deus, precisava do Espírito Santo, quanto mais você
e eu também precisamos d’Ele? (Veja também Atos 10:38.)
A Igreja Primitiva
Os Líderes da Igreja Primitiva
No Dia de Pentecostes (At 1:12 – 2:4), os líderes da Igreja
Primitiva e os discípulos restantes estavam orando num cenáculo. Os que estavam presentes incluíam os 11 Apóstolos originais (Judas já estava morto), o novo Apóstolo, escolhido por
sorteio para substituir Judas, e um pequeno grupo de outros
discípulos (aproximadamente 120 pessoas ao todo). De repente, a promessa do Espírito Santo (Jl 2:28-32) foi derramada
sobre eles (At 2:2-4).
O Apóstolo Paulo converteu-se mais tarde à fé em Cristo.
Ele também recebeu o Espírito Santo e começou a pregar fervorosamente o Evangelho de Jesus Cristo (At 9:1-22).
Evangelistas como Filipe foram cheios com o Espírito Santo e foram dirigidos por Ele (At 8:29). Os que receberam o
dom do ensino, como Apolo, por exemplo, não poderiam ter
ensinado com tanta autoridade sem a unção do Espírito Santo
(At 18:24-28; veja também 1 Coríntios 3:5-7). Os que foram
chamados para servirem o Corpo de Cristo, que crescia rapidamente, estavam cheios do Espírito, como no caso de Estêvão
(At 6:1-10).
Há passagens adicionais no Novo Testamento sobre este
assunto também (por exemplo, Atos 4:13,33; 11:27,28;
21:10,11).
Os Discípulos da Igreja Primitiva
Os que foram cheios com o Espírito no Cenáculo no Dia de
Pentecostes eram apenas o início dos muitos outros crentes que
foram cheios e ungidos com o Espírito Santo (At 4:31; 5:32;
13:52, etc.).
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009
Poder Para a Evangelização
À medida que a chama do Evangelho se espalhava, assim
também se espalhavam os poderosos derramamentos do Espírito Santo. Isso cumpriu as palavras de Jesus que foram dadas um pouco antes da Sua Ascensão: “Mas recebereis poder
quando o Espírito Santo vier sobre vós; e sereis testemunhas
para Mim em Jerusalém, e em toda a Judéia e Samaria, e até
aos confins da terra” (At 1:8).
A lista de Jesus de localizações geográficas não era apenas
linguagem poética. O Livro de Atos revela o cumprimento da
promessa do Espírito Santo de ser derramado sobre todos os
que creem n’Ele e o início da evangelização do mundo.
Em Jerusalém… (cumprida no Dia de Pentecostes – Atos
Capítulo 2). Parecia que este novo grupo de crentes judeus pararia a sua pregação em Jerusalém. Isso poderia ter colocado
em perigo o propósito e a missão de Cristo de o Evangelho ser
dado a todos os povos, de todas as épocas, em toda parte.
No entanto, uma perseguição começou quase que imediatamente depois que o Evangelho começou a ser pregado. Deus
usou essa perseguição para compelir e espalhar a Igreja Primitiva para fora de Jerusalém, a fim de que aquele grupo cumprisse a vontade do Pai de levar a mensagem de salvação a todas as
pessoas.
Aí então, em Atos Capítulo 8, somos apresentados a um
cruel perseguidor da Igreja – Saulo. Suas investidas pareciam
más notícias, até lermos nas Escrituras que “os que foram espalhados foram a toda parte, pregando a Palavra [Evangelho]” (At 8:4). Isso incluiria tanto a Judéia como a Samaria
(At 8:1-25).
A Marcha Externa do Evangelho
Observe que o Espírito Santo estava sendo derramado sobre os que recebiam o Evangelho (At 8:16,17). Havia também
sinais e maravilhas que acompanhavam a pregação do Evangelho (8:6,13).
Contudo, uma obra maior ainda estava para ser desvendada
para a Igreja Primitiva. Deus queria que o Evangelho fosse pregado em toda parte. Jesus ordenou que os discípulos “fossem a
todo o mundo e pregassem o Evangelho a toda criatura” (Mc
16:15). Uma palavra semelhante foi registrada em Atos 1:8:
“... até aos confins da terra.”
Essa marcha externa começou quando Filipe encontrou um
eunuco etíope, o qual logo se converteu a Cristo (At 8:26-40).
Atribui-se a este mesmo etíope, segundo a tradição da Igreja,
o fato de ser a primeira pessoa a apresentar o Evangelho ao
continente da África!
Logo depois, Saulo foi radicalmente transformado pelo seu
encontro com Jesus (At 9:1-19), e ele foi chamado para ser o
Apóstolo aos Gentios (At 9:15). No entanto, o foco da maior
parte da pregação do Evangelho ainda era o povo judeu – até
que Deus fizesse algo radical!
Continuamos em nossa leitura e lemos sobre Cornélio, um
romano (At 10:1-48). Pedro foi enviado a Cornélio para começar a compartilhar o Evangelho com os gentios. Isso foi algo
difícil para Pedro fazer como judeu (At 10:9-16).
Mas, enquanto Pedro estava pregando, o Espírito Santo
caiu sobre Cornélio e toda a sua casa – bem no meio do sermão
de Pedro! (At 10:44). Mesmo assim, os irmãos judeus que esATOS / 17 tavam presentes ainda tiveram dificuldades com o fato de que
o Evangelho e o Espírito Santo estivessem sendo dados aos
gentios (At 10:45-48).
Finalmente, houve uma importante reunião dos apóstolos em Jerusalém, com Pedro sendo chamado para testificar
(At 11:1-15). Eles finalmente entenderam e aceitaram o que
Jesus havia lhes falado claramente: O Evangelho deveria ser
pregado a todas as pessoas – “até aos confins da terra” (At
1:8).
O Plano de Deus Revelado
É de vital importância observarmos algo com relação ao
Livro de Atos. O Evangelho de Jesus Cristo NÃO era simplesmente uma nova religião ou uma nova versão de doutrinas judaicas. Tudo o que havia acontecido entre a humanidade e Deus desde o Jardim do Éden – toda a história do
Antigo Testamento – havia contribuído para este ponto do
tempo.
Deus tinha uma estratégia divina que foi colocada em ação
depois que o homem escolheu o pecado (Gn 3:15). Esse plano
era a salvação da penalidade de morte do pecado, pela graça
através da fé em Jesus Cristo (e não de obras). Isso foi possibilitado somente pela morte sacrificial e subsequente ressurreição de Jesus. Lemos sobre essa provisão de Cristo nos Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas, e João).
O propósito de Deus, no entanto, ia além de uma nova fé
e de um relacionamento restaurado com Ele. Deus queria (e
quer) viver dentro de nós, para nos dar a certeza e o poder que
precisamos para vivermos em vitória e para cumprirmos a Sua
vontade nesta vida.
Portanto, em Sua infinita sabedoria e amor, Deus derramou
o Espírito Santo, o Qual habitaria dentro de todos os crentes
(Jl 2:28,29). Cristo não veio para trazer uma nova religião ou
teologia. Ao contrário, Ele veio para cumprir tudo o que Deus
havia prometido para a salvação da humanidade!
Sim, o sacrifício de Cristo permite que sejamos restaurados a uma comunhão íntima com Deus. No entanto, o Senhor
também quer que o poder vivificador do Deus Todo-Poderoso
18 / ATOS
habite dentro de nós na Pessoa do Espírito Santo. É um poder
que o mundo não consegue ignorar nem explicar. Eles podem
zombar, criticar ou condenar, assim como o fizeram no Dia de
Pentecostes (At 2:5-13). Contudo, eles não conseguem deter a
obra e o poder do Espírito Santo através da vida submissa do
crente!
O que vemos em todo o Livro de Atos com relação a sinais, maravilhas, salvações, curas, etc. é tão possível e relevante para nós hoje como o era para a Igreja Primitiva (Jl 2 ;
At 2:33,38,39). Precisamos da presença e do poder do Espírito
Santo, não menos hoje do que há 2.000 anos! Graças a Deus
que “Jesus Cristo [e o Espírito Santo] é o mesmo ontem, hoje,
e para sempre” (Hb 13:8).
Todos os Crentes em Cristo de Todas as Épocas
Pedro, sob a inspiração do Espírito Santo, declarou que o
dom prometido do Espírito Santo habitando dentro de nós é
“para vós e para vossos filhos [significando as futuras gerações], e para todos os que estão longe, para todos quantos o
Senhor nosso Deus chamar”. (Veja Atos 2:33,38,39.)
Os que são identificados com “todos os que estão longe”
certamente incluiria não somente as futuras gerações, mas também todas as tribos gentias, e todas as outras tribos, línguas e
raças da terra (Ef 2:11-19; Gl 3:28; Cl 3:11).
Um Relacionamento Para a Vida Toda
O dom da presença ungidora do Espírito Santo vem para
habitar no coração de cada seguidor de Cristo. Essa é uma
unção geral que todos os crentes em Cristo recebem na salvação.
O Apóstolo João nos dá algumas revelações sobre essa unção geral em sua Primeira Epístola. João relembra os primeiros
seguidores de Cristo sobre um fato importante: “Mas vocês
têm uma unção do Santo, e vocês sabem todas as coisas” (1 Jo
2:20).
Através da estrutura da língua grega neste texto no original,
fica claro que João não estava se referindo a uma cerimônia
religiosa de se ungir com óleo ou com uma outra substância.
Toda tribo... ...toda geração
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009 Esta unção era do “Santo”, o Qual é Jesus Cristo, o Filho de
Deus (Jo 6:69; At 3:14; 4:27).
Em outras palavras, “O Ungido” (Jesus Cristo) dá aos Seus
seguidores um dom de Si Mesmo. Este dom é o Espírito Santo
com a finalidade de viver em nós e permanecer em nós (Mt
3:11; At 1:5; Jo 14:16,17,26; 16:7). Esta unção é para todos
os crentes que colocam a sua esperança em Cristo, para a sua
salvação pela graça, através da fé.
Aí então João, pelo Espírito Santo, continua: “Mas a unção que recebestes d’Ele permanece em vós, e não é preciso
que ninguém vos ensine; mas assim como a mesma unção vos
ensina com relação a todas as coisas, e é verdadeira, e não é
mentira, e, exatamente como ela vos tem ensinado, assim também n’Ele permanecereis” (1 Jo 2:27).
Esta unção não é uma experiência que acontece uma única
vez em nossa vida. Ao contrário, ela deve ser um relacionamento crescente com o Espírito Santo, durante toda a nossa
vida. É o Espírito Santo que nos conduz à verdade, nos ensina
todas as coisas, e faz com que nos lembremos do que Jesus
ensinou (Jo 14:26). O Espírito Santo nos ajuda a compreender
a verdade e a glorificarmos a Jesus (Jo 16:13,14).
Obviamente, João não está dando a entender que os ministérios de ensino não são necessários (Deus nos dá mestres
– veja Romanos 12:7; Efésios 4:11). João está se referindo à
revelação e ao entendimento que a Pessoa do Espírito Santo
traz ao indivíduo à medida que ele responde a Ele em sua vida
(1 Co 2:10-16; Ef 1:17,18).
Assim sendo, vemos pela Palavra de Deus que há uma unção que todos os crentes em Cristo recebem na hora da sua
salvação.
De Pastor Para Pastor: O que o Espírito Santo ilumina ou revela com relação à verdade sempre estará de
acordo com o que Ele já revelou na Palavra escrita de
Deus (Jo 16:13,14). Não haverá jamais uma revelação
nova que acrescentará ou discordará da Bíblia! ■
C. A FUNÇÃO DA UNÇÃO
Enquanto estivermos estudando a obra e o mover do Espírito Santo, precisamos reconhecer que há mistérios. Há um elemento da soberania de Deus no assunto da unção que vai além
da nossa compreensão (Jo 3:8). A nossa única resposta à soberania de Deus precisa sempre ser, simplesmente e com todo o
nosso coração, rendermo-nos ao Seu senhorio e vontade.
Deus, em Sua sabedoria, escolheu deixar um elemento de
mistério em Seus caminhos, exigindo que vivêssemos pela fé
(2 Co 5:7; Hb 11:6). Há muitas coisas nesta vida que vemos e
compreendemos somente “em parte” (1 Co 13:12). A nossa
postura para com o Senhor precisa ser sempre uma postura de
confiança, obediência, e submissão à totalidade da Sua Palavra.
Princípios Práticos da Unção
Ao continuarmos neste estudo, vamos rever a definição de
“unção”:
“Unção” é a Pessoa do Espírito Santo, trazendo com
a Sua presença todo o poder, dons e autoridade que são
necessários para cumprirmos a vontade do Pai num dado
momento de um ministério ou tarefa.
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009
Com esse entendimento claro em nossa mente, analisemos
alguns princípios sobre a maneira pela qual funciona a unção
do Espírito Santo.
1. A Unção Relacionada ao chamado
A unção está diretamente ligada ao chamado de um indivíduo de cumprir uma tarefa ministerial dada por Deus.
Em outras palavras, quando Deus dá a alguém uma tarefa
ou chamado ministerial, Ele também disponibiliza todo o poder, autoridade, dons, revelações, discernimento, etc., que são
necessários para se cumprir a tarefa! Aleluia!
Quando Deus lhe ordena ou o dirige a cumprir a vontade
d’Ele, tudo o que você precisa para cumprir com sucesso a
vontade d’Ele encontra-se disponível pelo poder e unção do
Espírito Santo. O que Deus ordena que alguém faça, Ele lhe dá
a capacitação divina para fazê-lo!
Obviamente, sempre há muitos estudos, aprendizados e
transformações pessoais que deveriam estar acontecendo ao
longo do caminho. À medida que nos aplicarmos – crescendo em nossas capacidades, dons e conhecimento da Palavra
– aí então Deus liberará ainda mais.
O princípio de sermos fiéis com o que temos e Deus
liberando mais (Lc 16:10a; 19:17) é um princípio essencial
para crescermos na unção de Deus.
Funcionando na Unção
Deus deseja ungir-nos, para que cumpramos a Sua vontade
e chamado. Lemos sobre um princípio semelhante em funcionamento na apresentação de Paulo sobre a fé.
Romanos 12:3: “Deus repartiu a cada um uma medida de
fé.” Esta medida de fé (assim como acontece com a unção) é
uma capacitação divina proporcional ao dom que Ele nos deu.
“Tendo então diferentes dons, de acordo com a graça que
nos é dada, vamos usá-los: se profecia, profetizemos proporcionalmente à nossa fé; ou ministério, vamos usá-lo em nossas
ministrações; o que ensina, no ensino” (Rm 12:6,7).
Paulo declara o mesmo princípio um pouco diferentemente
em sua Carta aos Efésios: “Mas a cada um de nós, a graça foi
dada de acordo com a medida do dom de Cristo” (Ef 4:7).
Em outras palavras, este dom medido de capacitação divina
medida está diretamente ligado ao fato de o indivíduo ser capaz de funcionar no dom que Deus lhe designou com vistas ao
ministério.
De Pastor Para Pastor: O contexto de Efésios 4:7 está
diretamente ligado aos dons espirituais mencionados em
alguns versículos posteriormente, em Efésios 4:11. Este
versículo (4:7) NÃO pertence a uma medida de graça referente à salvação, como alguns ensinam erroneamente. A
graça de Deus para a salvação pela fé é dada igualmente
a TODAS as pessoas, pois Ele deseja que ninguém pereça e que todos se salvem (At 2:21; 17:30,31; Rm 3:22,23;
11:32; 1 Tm 2:4; 4:10; Tt 2:11; 2 Pe 3:9). Deus deseja de
fato que todos recebam o Seu dom gratuito da salvação
pela fé em Cristo (Ef 2:8). Infelizmente, no entanto, muitos
têm rejeitado e continuarão a rejeitar essa oferta – e o que
é pior ainda, milhões de pessoas hoje em dia nunca nem
mesmo ouviram a mensagem de salvação do Evangelho
através de Jesus Cristo. ■
ATOS / 19 De Pastor Para Pastor: Muito embora esta não seja
a ocasião para um estudo completo sobre os dons espirituais, permita-me dar-lhe um importante princípio com
relação aos dons espirituais.
Todos os dons espirituais – quer sejam dons de manifestação (1 Co 12:1-11), dons motivacionais (Rm 12:3-8)
ou dons ministeriais (Ef 4:11) – são soberanamente designados por Deus. Não cabe a nós escolhermos cuidadosamente qual dom queremos ou achamos que é o mais
necessário. Deus designa os Seus dons de acordo com o
Seu conhecimento ilimitado e santidade perfeita. (Veja 1
Coríntios 12:11.)
Muito embora todos os crentes tenham um propósito
ministerial no Corpo de Cristo e no mundo em que vivemos, há uma ampla variedade de chamados e dons. Com
cada um deles, Deus dá o poder divino, a fé, a graça e a
unção que são necessários para cumprirmos a Sua vontade e propósito.
Muito embora jamais devamos tentar controlar ou manipular a unção (o Espírito Santo), nós podemos crescer
na unção. À medida que somos fiéis com o que Deus nos
dá, Ele libera mais (Mt 25:21). Também podemos aprender a funcionarmos melhor na unção do Espírito Santo, a
fim de sermos mais frutíferos no ministério e estarmos em
conformidade com a vontade de Deus. [Isso será comentado mais na Parte III, Seção B, Crescendo na Unção.] ■
“Transferindo-se” a Unção
Um certo ensino afirma que a pessoa que é ungida e é poderosa no ministério pode impor as mãos sobre uma outra pessoa e
conceder-lhe uma “parte da sua unção” – até mesmo uma porção
dupla! Isso tem sido chamado de uma “transferência de unção” e
baseia-se imprecisamente nos eventos bíblicos referentes a Elias
e ao seu sucessor, Eliseu. (Veja 1 Reis 19:16,19; 2 Reis 2:1-13.)
Contudo, o texto bíblico não confirma esse ensino. Elias de
fato lançou o seu manto (a sua capa) sobre Eliseu (1Rs 19:19).
Porém, isso foi somente uma confirmação simbólica do que
o Senhor já havia falado com relação ao chamado divino de
Eliseu de ser o sucessor de Elias (1 Rs 19:16). Nesse evento, Elias não deu o chamado a Eliseu, como também ele não
poderia dar-lhe a unção para cumpri-lo. Isso era uma ação de
Deus. Elias simplesmente foi obediente à Palavra de Deus e
comunicou o que Deus havia lhe ordenado que ele dissesse a
Eliseu (1Rs 19:19).
Eliseu reconheceu claramente que ele não tinha a capacidade de prosseguir com o ministério profético de Elias quando
Deus o chamou. Eliseu sabia que ele precisava do poder de
Deus (unção), indiretamente mencionado nas Escrituras como
o “espírito de Elias” (2 Rs 2:9,15). Assim sendo, Eliseu pediu
a Elias uma “porção dupla” do seu espírito (2 Rs 2:9).
Mas, como Elias era o profeta ungido de Deus, a sua única
resposta ao pedido de Eliseu de uma porção dupla foi uma declaração profética: “Coisa dura pediste. Contudo, se me vires
quando for tomado de ti, assim se te fará; porém, se não, não
se fará” (2 Rs 2:10).
Fica claro ao lermos este trecho bíblico que Elias sabia que
ele não poderia dar nada espiritual a Eliseu. Ele poderia confirmar o chamado de Deus sobre Eliseu, mas ele não poderia
ungi-lo para que ele cumprisse este chamado.
20 / ATOS
Obviamente, Deus (em Sua soberania) realmente permitiu que
Eliseu visse a Elias sendo levado ao Céu. Assim sendo, Eliseu
pegou o manto de Elias, de acordo com a vontade de Deus, como
havia sido profetizado. Deste ponto em diante, a unção de Deus
era claramente evidente no ministério de Eliseu (2 Rs 2:15).
O Doador dos chamados, dos dons, e da unção é o próprio
Deus, pois somente Deus pode dar o Espírito Santo! Não estamos no controle de Deus ou do Seu Espírito; não podemos
decidir quem será ungido, ou quanta unção receberá. Tampouco estamos a cargo dos dons e chamados de Deus. Se Deus nos
ungiu para o ministério, não podemos escolher dar esta mesma
unção a uma outra pessoa.
Deus Chama – Nós Confirmamos
Até mesmo Moisés, um dos maiores servos de Deus, não podia dar aos outros a unção que Deus lhe havia dado. No entanto,
o próprio Senhor tomou de fato da unção que Ele havia colocado sobre Moisés e o Senhor a deu aos anciãos (Nm 11:16,17).
Deus ordenou a Moisés que ele desse parte da sua autoridade a Josué (Nm 27:20) e que o comissionasse (Nm 27:23).
Mas isso aconteceu depois que Deus já havia designado a
Josué como sucessor de Moisés (Nm 27:18). Além disso, Josué estava presente quando o Senhor ungiu os anciãos (Nm
11:16,17,28), que é a razão pela qual Josué foi descrito como
sendo alguém “em quem está o Espírito”, como líder dentre os
israelitas (Nm 27:18).
Foi o Senhor que chamou e ungiu a Josué. Moisés confirmou o chamado de Josué e o comissionou a prosseguir o
trabalho depois que ele falecesse.
Foi o Espírito Santo que deu o dom profético e a unção a Elias,
e aí então a Eliseu, juntamente com sinais e maravilhas. (Veja
também Números 11:25-29; 1 Samuel 10:6,10; 1 Reis 18:46.)
De Pastor Para Pastor: Não é errado desejarmos
de Deus uma “porção dupla” do Seu Espírito. Tampouco
é errado pedirmos um dom específico a fim de atuarmos
no ministério. Devemos pedir; aí então precisamos confiar
em Deus com relação ao que Ele nos dará, e quando Ele
nos dará.
Mas note também que Eliseu foi obediente em cumprir tudo o que Deus o havia chamado a fazer – tanto em
sua resposta ao chamado original, como também em seu
preparo para receber a unção de Deus (1 Rs 19:20,21;
2 Rs 2:1-11). O chamado e a unção de Deus não são
cumpridos automaticamente em nossa vida. Pelo contrário, a nossa obediência, a nossa submissão e a nossa
total cooperação são necessárias em todos os passos do
caminho – durante o preparo, como também no cumprimento da tarefa ministerial. ■
Uma Transmissão
O conceito de um indivíduo “transferindo” a sua unção a
um outro não é correto. No entanto, as Escrituras de fato nos
fornecem inúmeros exemplos do que é chamado de uma transmissão. Isso está muito associado com a imposição de mãos
(Hb 6:2) e com a oração, conforme a direção do Espírito Santo.
(Veja Atos 13:1-3; 1 Timóteo 4:14; 2 Timóteo 1:6.)
Eu estou ciente de poderosos homens e mulheres de Deus
que oram para que outros recebam uma transmissão do Espírito
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009 Santo. Já aprendemos que eles não podem dar os seus dons ou
unção a alguma outra pessoa. No entanto, parece de fato como
se algo do que Deus está fazendo pelo Seu Espírito através de
um ministério, ou durante um tempo especial em que Deus está
Se movendo de uma maneira marcante e soberana, possa ser vivificado em nosso interior, ou transmitido aos outros. Às vezes,
os que receberam oração nessas reuniões aparentemente se movem num nível maior de autoridade, como também no poder do
Espírito Santo, depois de receberem oração.
Eu pessoalmente já recebi poderosas transmissões do Espírito Santo. Esses eventos transformaram a minha vida pessoal, como também a minha direção no ministério, depois de
receber essas orações. No entanto, esta é a obra soberana do
Espírito Santo, trazendo uma nova transmissão da unção em
minha vida, e não as obras do homem.
Transmissão que Confirma
O exemplo bíblico mais claro deste tipo de transmissão
encontra-se no ministério em desenvolvimento de Timóteo.
Paulo relembra a Timóteo de um momento, no início do
seu ministério, em que Paulo e os anciãos das igrejas de Icônio
e Listra impuseram as mãos sobre Timóteo e oraram por ele:
“Não negligencie o dom que está em você, o qual lhe foi dado
por profecia, com a imposição das mãos do presbitério” (1 Tm
4:14).
Esse mesmo evento é mencionado novamente na Segunda
Carta de Paulo a Timóteo: “Portanto, eu o lembro a despertar
o dom de Deus que está em você através da imposição das
minha mãos. Pois Deus não nos deu um espírito de temor, mas
de poder, e de amor, e de uma mente sã”. (2 Tm 1:6,7; veja
também 1 Timóteo 1:18.)
A palavra original usada para “dom” nesta passagem é charisma. Isso sugere que uma manifestação do Espírito Santo foi
concedida a Timóteo quando Paulo e os anciãos oraram por
ele.
Comissionado para o
serviço do Senhor.
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009
Paulo não foi o autor do dom ou do chamado de Timóteo.
Quando Paulo e os anciãos impuseram as mãos sobre Timóteo
e oraram por ele, o Espírito Santo revelou a vontade de Deus
para Timóteo e falou profeticamente através deles para confirmar o chamado e o desejo de Deus para a vida de Timóteo. Enquanto eles comissionavam Timóteo para o serviço do Senhor,
foi o Espírito Santo que ungiu Timóteo para que ele cumprisse
o chamado de Deus para a sua vida.
De Pastor Para Pastor: É através das ocasiões de
oração e de imposição de mãos que o Espírito Santo frequentemente revela algo da vontade e dos propósitos de
Deus. A Sua vontade pode ser revelada como um quadro
mental, uma palavra profética, um versículo de confirmação, ou uma impressão do que o Espírito Santo deseja
com relação a um indivíduo ou à sua situação.
Nessas ocasiões, precisamos esperar pacientemente
no Senhor e ouvir. Contudo, se não estivermos ouvindo
algo específico do Senhor, não devemos falar.
O valor do nosso papel como pastores vem do fato
de sermos fiéis e obedientes a Deus e à Sua Palavra.
Talvez sejamos tentados a querer agradar os outros, ou a
sentirmo-nos pressionados a sermos líderes “espirituais”
que tenham uma palavra para as pessoas. Isto é o que a
Bíblia chama de “temor dos homens”. É uma armadilha
que pode levar a meios-termos muito piores e a reações
carnais (Pv 29:25).
Somos chamados para sermos fiéis: a Deus, à Sua
Palavra, e ao direcionamento do Espírito Santo. Se você
estiver orando por alguém, e o Senhor não falar com você
com relação a esta pessoa, isto é perfeitamente normal. O
Senhor talvez queira falar com ela diretamente, ou numa
outra ocasião, ou de uma outra maneira. Se Deus estiver em silêncio, nós também devemos estar em silêncio.
Se Deus falar conosco com relação a uma outra pessoa,
precisamos ser fiéis e cuidadosos em dizermos somente
o que Deus estiver dizendo ou revelando – nada a mais
nem a menos.
Nunca é o nosso papel dizermos a alguém o que fazer,
onde ir, etc. Nós simplesmente submetemos ao indivíduo
o que é que estamos sentindo do Espírito Santo. Geralmente, isso deve confirmar algo a esse indivíduo que o
Senhor já colocou em seu coração. A questão fica então a
ser cumprida entre ele e Deus.
Finalmente, esta nota importante: Uma palavra profética do Senhor SEMPRE concorda com o que Deus já
nos revelou através da Bíblia, a Sua santa Palavra escrita!
Tudo o que fazemos na vida precisa conformar-se e concordar com a Palavra de Deus e com os princípios nela
revelados. ■
Seguindo o Direcionamento do Espírito Santo
Outros exemplos de transmissão podem ser vistos em Atos
6:1-7 e 13:1-3. Esses eventos na Igreja Primitiva não foram somente cerimônias simbólicas. Nessas narrativas, os líderes do
Corpo de Cristo buscaram o direcionamento do Espírito Santo
e o seguiram especificamente. Aí então, com uma certeza de
fé, eles oraram em obediência a esse direcionamento. Em resposta, Deus equipou, abençoou e ungiu os que receberam as
orações para cumprirem o que Ele havia designado para eles.
O fator crucial é o seguinte: O direcionamento do EspíriATOS / 21 to Santo é para se revelar o expresso propósito e vontade de
Deus. O próprio Jesus reconheceu que o Seu ministério terreno
somente era possível porque Ele estava fazendo a vontade de
Deus-Pai (Jo 5:19,30; 6:38; 8:29). Nós também podemos fazer
isto e não devemos fazer nada menos do que isto!
À medida que seguirmos o direcionamento do Deus-Espírito, Ele nos usará para cumprirmos a Sua vontade. Parte disto
talvez seja confirmarmos o Seu chamado em outros, e, aí então,
orarmos para que eles sejam ungidos e dotados para tudo o que
Deus propôs para eles, para a Sua glória e para a edificação do
Seu Corpo (Ef 4:12-16).
Liberação Maior
Em muitos dos seminários do World MAP para pastores, eu
tenho ensinado sobre o assunto da unção ou sobre o batismo do
Espírito Santo. Nestas conferências, inúmeros pastores têm recebido um novo enchimento do Espírito Santo; outros são batizados no Espírito Santo pela primeira vez. Eu pessoalmente
não lhes dei nada, a não ser ensinar através das Escrituras sobre
estes assuntos. Eu posso ter orado por eles, mas foi o Espírito
Santo que os tocou e os encheu (Lc 3:16; Jo 16:7) – porque eles
tiveram fome de receber mais d’Ele!
Recebemos muitos e muitos relatórios destes mesmos pastores sobre mudanças dramáticas em seus ministérios. Eles
observam um aumento nos sinais, maravilhas e milagres em
suas reuniões; eles têm um novo zelo por Deus e pela evangelização; eles conduzem muitos à salvação ou ao batismo do
Espírito Santo.
O que tem acontecido?
Uma das razões é que tem havido um ensino da Palavra de
Deus, que traz iluminação sobre um certo assunto. Aí então a
pessoa que ouve o ensino toma uma decisão de receber pela fé
o que ela aprendeu – e a agir de acordo com isso!
Mas há mais coisas que acontecem. O Espírito Santo está
presente e movendo-Se de uma maneira singular, testificando
sobre a verdade da Palavra de Deus que acabou de ser apresentada. Assim sendo, quando as pessoas respondem com um
coração aberto e com fé – e, em sua fome por Deus, pedem
para receber tudo o que Ele forneceu para elas – Ele responde
à fome delas de uma maneira profunda (Mt 5:6; Jo 6:35). E
elas recebem de fato! Mais da unção de Deus para o ministério
é liberada para elas.
Entenda, por favor, que Deus não Se limita ao local de uma
conferência ou a um evento. O Deus-Espírito está presente em
toda parte, e Ele responde aos que O buscam com todo o seu
coração (Jr 29:12,13). Deus o encontrará onde quer que você
esteja, quando você O buscar de todo o seu coração. Aleluia!
Eu quero dizer novamente que ninguém entende plenamente como o Espírito de Deus pode mover-Se e agir e como
Ele Se move e age. Contudo, sabemos de fato que Deus, através do Seu Espírito, responde à nossa fome por Ele.
O Espírito Santo enche as pessoas novamente em resposta à
oração (Lc 11:9-13). Quando a sua fé é estimulada, elas começam a pedir com fé, crendo deste ponto em diante (Hb 11:6).
Os Melhores Pedidos
Como já aprendemos, os apóstolos impunham as mãos
uns nos outros e em outros obreiros, orando por eles e comis22 / ATOS
sionando-os ao ministério (At 13:2,3; 6:1-6). Deus os dirigia
a fazer isto. Assim sendo, algo necessário e dinâmico estava
acontecendo.
Talvez não compreendamos tudo o que se refere aos caminhos do Espírito Santo. Mas sabemos o seguinte: À medida
que o Espírito Santo nos dirige a orarmos pelos outros – e à
medida que permitimos que outros homens e mulheres de Deus
orem por nós – a unção, os dons, a sabedoria de Deus e outras
coisas mais são transmitidos. Muito embora não possamos decidir quem recebe os dons e a unção de Deus, certamente podemos orar para que os outros sejam poderosos instrumentos
e para que sejam usados eficazmente no serviço de Deus pelo
poder do Espírito Santo! (2 Tm 1:6,7).
Sempre precisamos nos submeter e aceitar de braços abertos a vontade soberana de Deus para nossa vida nessas questões. Talvez os melhores pedidos que podemos fazer a Deus
sejam: “Quais são os dons e a tarefa que Tu tens para mim?
Como o Senhor me chamou para usá-los? O que Tu queres
dar-me para que eu possa cumprir a Tua vontade?”
Deus tem tarefas, chamados e propósitos ministeriais específicos para todo homem e mulher. Juntamente com essas
coisas, Ele nos dá abundantemente “acima de tudo o que pedimos ou pensamos, de acordo com o poder [o Espírito Santo]
que opera em nós” (Ef 3:20) para nos capacitar a cumprirmos
a Sua vontade, à medida que entregamos completamente nossa
vida e desejos a Ele.
2. A Unção Não Deve Ser Guardada Para Nós Mesmos
A unção não tem o propósito de ser contida, possuída ou
mantida para nós mesmos.
O propósito básico da unção é capacitar-nos para sermos
eficazes no ministério ou em nossas tarefas. Isso inclui darmos
de graça aos outros no ministério o que nos foi dado pelo Espírito Santo.
O próprio Jesus, no início do Seu ministério, disse: “O Espírito do Senhor está sobre Mim, porque Ele Me ungiu...” (Lc
4:16-21). Você notará, ao ler esses versículos, que Jesus em seguida citou várias coisas para as quais Ele foi especificamente
ungido para fazer pelos outros.
A unção é um privilégio sagrado. Não devemos desejá-la
a fim de sermos percebidos como sendo mais espirituais ou
melhores que uma outra pessoa. A unção é uma capacitação do
Espírito Santo, dada para nos tornar mais frutíferos e eficazes
no ministério e em nosso chamado. Isso significa que de fato
nos tornaremos melhores servos a todos (Jo 13:12-17). Um estilo de vida e uma atitude de doação, em todos os níveis e dimensões da vida, é o mandamento da Bíblia a todos os crentes
(Mt 10:8; Lc 6:38; At 20:35).
Deus deseja que o Seu povo dê continuamente dos seus
recursos e capacidades para beneficiar outros. Sem um estilo
de vida de doação, não seremos saudáveis espiritualmente, e
o Corpo de Cristo também estará carente. Deus nos deu um
exemplo na geografia de Israel que ajudará a ilustrarmos esse
princípio.
Vida ou Morte
Israel tem duas grandes extensões de água. Uma delas é o
Mar da Galiléia, e a outra é o Mar Morto. O Mar da Galiléia
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009 é um lindo lago de água doce que é repleto de vida. O Mar
Morto é exatamente como o seu nome. Ele é tão cheio de sal e
minerais que não consegue ser propício à vida. A água do Mar
Morto não é potável e é tão insalubre que uma exposição prolongada a ela pode queimar a sua pele, causar uma cegueira, ou
até mesmo matá-lo!
O Mar da Galiléia é suprido pela água doce de riachos e
correntezas que nele deságuam. No extremo inferior, esta água
doce, em seguida, flui para fora e entra no Rio Jordão, o qual,
por sua vez, desemboca diretamente no Mar Morto. Como é
possível então que a vivificante água doce do Mar da Galiléia
se torne o tóxico e sem vida Mar Morto?
Há uma importante diferença entre estes dois “mares”:
Águas boas e saudáveis desembocam em ambos, mas fluem
para fora somente do Mar da Galiléia. O Mar Morto não tem
nenhuma saída. A água do Mar Morto somente fica estagnada
e evapora, deixando para trás um acúmulo cada vez maior de
sal e minerais. A água se torna venenosa e sem vida.
Da mesma maneira, a unção do Espírito Santo na vida do
ministro tem o propósito de produzir a vida de Jesus nos outros. Ela aumenta a vida de Deus dentro de nós, e, aí então, flui
através de nós para os outros. Devemos dar continuamente aos
outros através de um ministério e um serviço poderosamente
capacitados e vivificantes.
Quando oramos pelos outros, pregamos, ensinamos
a Palavra, e compartilhamos palavras de edificação sob a
unção do Espírito Santo, somos ministros vivificantes, que
abençoamos e edificamos os outros. Se nos tornarmos egoístas com o nosso tempo ou esforços – e escolhermos não
fornecer um “fluir” contínuo da vida do Espírito Santo dentro de nós no ministério e no serviço aos outros – a unção
do Espírito Santo ficará estagnada dentro de nós. O nosso
propósito é recebermos contínua e revigoradamente do Espírito Santo (Ef 5:18,19), e aí então distribuirmos as “águas
vivas” que recebemos, através do ministério e serviço aos
outros (Jo 7:37-39).
Você pode ler sobre este princípio em Mateus 25:14-30. O
que aconteceu com o servo que não fez nada com os dons e
com a unção que Deus lhe havia dado?
3. A Unção Pode Ser Limitada ou Interrompida.
Já aprendemos que a unção é a Pessoa e a presença do
Deus-Espírito Santo. O Espírito Santo não é uma força incorpórea ou impessoal. O Espírito Santo é a Pessoa de Deus.
As Escrituras revelam que o Espírito Santo pode ser “entristecido” (Ef 4:30). Isso significa “deixá-Lo angustiado, ficar
magoado ou ficar contristado”. O Espírito Santo também pode
ser “extinguido” (1 Ts 5:19). Essa palavra contém a idéia de
ser suprimido ou sufocado, como um fogo que é apagado com
água.
a. Extinguindo o Espírito Santo. Como extinguimos o
Espírito Santo? Isso acontece muito frequentemente quando as
pessoas são resistentes ou apáticas, com relação à obra e ao
mover do Espírito Santo. Se as pessoas estiverem relutantes
em responder aos direcionamentos ou desejos do Espírito Santo de Se mover em seu meio, elas poderão parar (extinguir) a
Sua obra em seu meio.
Por outro lado, o Espírito Santo também pode ser extinVOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009
guido quando os nossos esforços humanos ou o nosso entusiasmo substituem a verdadeira obra do Espírito Santo. Há
igrejas em que as pessoas realmente preferem praticar os seus
próprios rituais e formalidades a cada semana, sem nenhum
desejo de darem as boas-vindas a uma nova obra do Espírito
Santo em seus cultos. Quando isso acontece, Ele não tem a
liberdade de agir e mover-Se. Dessa forma, o Espírito é “extinguido”.
Há outros lugares em que as pessoas querem “agir” como
se o Espírito Santo estivesse presente. Elas podem pular para
lá e para cá, gritar, tremer ou outras coisas semelhantes. É verdade que quando o poder do Espírito Santo está em ação, há
às vezes manifestações físicas. Mas, se isso for feito somente
como uma formalidade, e não em resposta a uma obra genuína
do Espírito Santo, esse comportamento também pode extinguir
a verdadeira obra que o Espírito Santo deseja fazer nesse momento.
Todas as vezes que as pessoas escolhem substituir a verdadeira presença e obra do Espírito Santo por uma formalidade,
Ele não tem a liberdade de mover-Se da maneira como deseja.
Assim sendo, Ele é extinguido.
O que todos esses exemplos têm em comum? Todos eles
revelam a tentativa do homem de controlar ou imitar a obra de
Deus. As pessoas podem decidir que elas estão confortáveis
com uma certa formalidade ou estilo que elas querem adotar.
Todas as semanas, é o mesmo programa ou formalidade em
seus cultos.
Infelizmente, isso pode impedir que o Espírito Santo aja
de fato em seus cultos para ministrar Sua vida, poder, cura e
unção às pessoas. Não há nenhum espaço ou convite para Ele
vir e agir. Nessas situações, a vontade do homem se opõe ao
desejo do Espírito Santo – e o Espírito Santo é “extinguido” ou
não tem a liberdade de agir.
A Bíblia fala especificamente sobre os esforços da carne
humana substituindo o poder e a presença do Espírito Santo:
“Não por força, nem por poder, mas pelo Meu Espírito, diz o
Senhor dos Exércitos” (Zc 4:6).
De Pastor Para Pastor: Líder de igreja: até mesmo
o seu próprio estilo ou forma pode limitar a obra do Espírito Santo. Todas as vezes que um grupo de crentes se
reúne, é preciso estar sensível ao que o Espírito Santo
quer fazer.
Talvez Ele deseja mover-Se de uma maneira dócil, sossegada, e ministrar cura. Talvez o Espírito Santo venha com
poder e liberte os cativos! Talvez Ele introduza uma sensação de uma celebração triunfante durante a adoração, para
edificar a fé e a expectativa dos crentes; ou talvez Ele traga
uma grande convicção de pecado, e, com isso, um desejo
de arrependimento aos que estão presentes, com relação
aos seus fracassos diante de Deus.
O ponto é que sempre devemos dar as boas-vindas e
permitir tempo para a obra do Espírito Santo em nossos
cultos. Precisamos orar, ouvir e obedecer aos direcionamentos e palavras proféticas que talvez venham. Aí então, o nosso “estilo” de ministério ou de pregação deve
alinhar-se com o que o Espírito Santo estiver fazendo
nesse momento.
Por exemplo, se estivermos sendo exuberantes ou
gritando quando o Espírito Santo quiser ministrar paz ou
ATOS / 23 “quietude” (Sl 46:10), extinguiremos a Sua obra nesse
momento. Se ignorarmos um sentimento de celebração
que está surgindo na adoração, talvez interrompamos um
irrompimento vitorioso no meio do povo.Talvez precisemos até fazer uma pausa durante a adoração e permitir
que todos os presentes esperem no Senhor para ouvir
d’Ele pessoalmente.
Movendo-se com o Espírito Santo
É vitalmente importante que, como líderes de igreja,
desenvolvamos um discernimento e sensibilidade com
relação ao Espírito Santo. Isso é feito melhor através de
prolongados tempos de oração nos dias que antecedem
o dia em que os crentes se reunirão. Esses tempos de
oração não devem envolver somente o pedido para que
Deus abençoe o que você já planejou. Esta é uma oportunidade de submeter o seu coração e planos a Deus, e de
esperar n’Ele, para você receber um sentimento do que
ELE deseja fazer! Tome tempo durante a reunião também
para esperar, ouvir e discernir.
Decida ser uma pessoa que esteja comprometida a
qualquer coisa que Deus queira fazer. Lembre-se: esta
é a Igreja d’Ele, e estas pessoas são o povo d’Ele. Você
está aí para servi-las, cuidar delas e discipulá-las. Mas,
o que é mais importante, o seu papel é mostrar às pessoas o caminho que as leva a Deus e ensinar-lhes como
responder ao Seu Espírito em tudo! O Espírito Santo pode
fazer uma obra de libertação, edificação ou cura numa
pessoa muito rapidamente durante um culto. Esse tipo de
trabalho, de outra maneira, talvez leve meses, ou talvez
nunca aconteça absolutamente, sem o ministério do Espírito Santo nesse momento. Assim sendo, vamos nos mover com o Espírito Santo e cooperar com a Sua obra todas
as vezes que nos reunirmos! ■
b. Entristecendo o Espírito Santo. As Escrituras também
falam sobre entristecermos o Espírito Santo (Ef 4:30). “Entristecer” significa deixar alguém triste ou angustiado. O Espírito
Santo pode ser entristecido por qualquer coisa que permitimos
ou nutrimos em nosso coração que não tenha as características
de Jesus.
Podemos ter atitudes, hábitos, pensamentos, palavras ou
ações – o que quer que seja que não for semelhante a Cristo
entristecerá o Espírito Santo.
“E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, pelo qual
fostes selados para o dia da redenção. Que toda amargura,
ira, cólera, gritaria, maledicência e malícia sejam tiradas do
vosso meio. Antes sede benignos uns com os outros, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus em
Cristo vos perdoou.” (Ef 4:30-32.)
A exortação de Paulo aos cristãos efésios os ajuda a compreender que eles são o templo do Espírito Santo, tanto individualmente (1 Co 6:19) como corporativamente (1 Co 3:9-17),
como Corpo de Cristo.
Pelo fato de que o Espírito de Deus habita em nós, podemos ter um relacionamento íntimo com Ele. O Espírito Santo
pode ser entristecido porque Ele nos ama (Rm 5:5). Vamos
nos afastar de qualquer pensamento ou ação que possa causar
tristeza e angústia ao Espírito de Deus que habita dentro de
nós.
24 / ATOS
O Espírito e a Palavra
Talvez haja líderes que digam que dão as boas-vindas à obra
do Espírito Santo em seu meio. No entanto, eles podem tornarse presunçosos, negligenciando o estudo diligente da Palavra
de Deus e o preparo necessário para ensinar e discipular os
outros nos caminhos do Senhor. Eles simplesmente “deixam
que o Espírito Santo faça a obra”. Esse tipo de pensamento é
errado e pode levar a sérios problemas na vida do líder e dentro
da igreja. Essa atitude pode tornar-se uma desculpa para a preguiça ou para a falta de disciplina, o que Deus não abençoa.
A Bíblia fala muito claramente aos líderes sobre essa questão. “Sê diligente para apresentar-te a Deus aprovado, um
obreiro que não tem do que se envergonhar, que divide corretamente a palavra da verdade.” (2 Tm 2:15.)
Como líderes, precisamos preparar nosso coração com
muita oração e encher nossa mente com a Palavra de Deus.
Precisamos estudar diligentemente as Escrituras e preparar ensinos da Palavra de Deus que ajudem os que lideramos a se
tornarem discípulos maduros de Jesus Cristo. Não podemos
nunca ensinar erros, doutrinas falsas ou idéias carnais devido a
uma falta de estudo e de familiaridade com a verdade da Palavra de Deus. Seremos julgados pelo que ensinamos aos outros
(Tg 3:1).
Quando estamos preparados através da Palavra de Deus,
podemos ter a total expectativa de que a unção do Espírito
Santo trará poder à pregação da verdadeira Palavra de Deus.
Podemos ter a expectativa de que o Espírito Santo nos usará
como um instrumento nesse momento de ministério, e também
ter a expectativa de que o Seu poder se seguirá com sinais e
maravilhas.
Mas, se não formos diligentes em estudar a Bíblia e orar,
provavelmente ministraremos muito mais das nossas próprias
idéias ou inclinações carnais. Como o Espírito Santo pode nos
ungir quando não estamos apresentando a Palavra de Deus ou
representando plenamente a Cristo em nossa vida e ministério?
Unção Espontânea
A Bíblia ensina de fato que há ocasiões em que o Espírito
Santo pode encher nossa boca com as palavras certas: “Mas,
quando vos entregarem, não vos preocupeis com a maneira
nem com o que deveríeis falar, pois vos será dado nesta hora o
que deveríeis falar.” (Mt 10:19; veja também Marcos 13:11 e
Lucas 12:11,12.) No entanto, esses versículos se referem a situações de perseguições ou de circunstâncias incomuns, e não
a uma reunião semanal normal do seu rebanho! Portanto, essa
referência bíblica nunca deve ser usada como uma desculpa
para não estudarmos diligentemente a Palavra de Deus e não
prepararmos ensinos sãos.
Talvez haja ocasiões em que seremos chamados inesperadamente para pregarmos, orarmos ou ministrarmos. Eu creio
que nesses momentos vem uma unção espontânea (ajuda) do
Espírito Santo. Lembre-se: Ele é Aquele que deseja tornar Jesus conhecido e atrair as pessoas à salvação através de Jesus
Cristo! Ele nos usa em qualquer situação para fazer isto. Mas,
quanto mais preparados estivermos na Palavra de Deus e na
oração, tanto mais bem preparados estaremos para que Deus
nos use eficazmente.
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009 Deus requer que os Seus líderes sejam diligentes e fiéis
para com a Sua Palavra. Isso é para o benefício pessoal do líder, como também para o benefício dos que ele lidera. O hábito
diário do estudo bíblico e da oração desenvolve dentro de nós
uma “represa espiritual” à qual o Espírito Santo pode recorrer.
O Espírito Santo então acrescenta o Seu poder, sabedoria e revelação divinas ao que dizemos. Esta combinação pode mudar
a vida do ouvinte!
A Palavra de Deus nos exorta a estarmos sempre preparados para que o Espírito Santo nos use em qualquer situação (2
Tm 4:2; 1 Pe 3:15). Isso é conquistado somente através de um
estudo diligente da Palavra de Deus e da oração!
4. A Unção Pode Ser Usada de Maneira Abusiva ou
Incorreta.
Há vários exemplos nas Escrituras de homens e mulheres
que usaram incorretamente ou abusaram do poder do Espírito
Santo. Ao fazerem isso, este mau comportamento deles trouxe
o juízo e a correção de Deus.
a. Juízes Capítulos 13-16 – Sansão. O dom de Deus a Sansão foi uma grande força física. Quando o Espírito Santo vinha
sobre Sansão (Jz 13:24,25; 14:6,19; 15:14), ele fazia grandes
feitos contra os filisteus que oprimiam a Israel. No entanto,
muito embora Sansão tivesse um dom excelente e incomum, a
sua fraqueza moral causou a sua queda e encurtou a sua vida e
serviço a Israel. (Veja Juízes Capítulo 16.)
Sansão achava que poderia viver à sua própria maneira e
ainda assim esperar que Deus o ungisse. Isso foi uma presunção total e causou o seu fracasso como servo de Deus. Ainda
que ele tivesse se arrependido mais tarde e Deus o usasse uma
vez mais, a vida e o ministério de Sansão provavelmente cumpriram muito menos do que Deus intencionava.
[Analisaremos mais detalhadamente como o caráter tem
um impacto direto sobre a unção do líder de igreja na Seção
III. B.1., Caráter e Unção.]
b. Levítico 10:1-3 – Nadabe e Abiú. Esses dois filhos de
Aarão (o Sumo Sacerdote) foram ungidos para servirem como
sacerdotes ao povo de Israel. A Bíblia revela que eles ofereceram fogo “profano” (estranho ou estrangeiro) diante do Senhor, de uma maneira “que Ele não havia lhes ordenado” (Lv
10:1). Isso foi feito em desobediência ao mandamento anterior
de Deus (Êx 30:9).
Deus havia estabelecido os horários e os métodos precisos
para os sacrifícios e ofertas dos sacerdotes. A obediência ao
Senhor e aos Seus caminhos sempre é uma prioridade máxima.
O fato de que Nadabe e Abiú foram ungidos como sacerdotes
não os isentou de sua desobediência. O juízo de Deus foi rápido e severo sobre esses dois filhos de Aarão, cujo serviço para
Deus foi feito da maneira deles (Lv 10:2).
Como líderes de igreja, precisamos sempre obedecer
tanto o direcionamento do Espírito Santo como os princípios e mandamentos da Palavra de Deus. Não podemos cair
na armadilha de acharmos que podemos escolher minuciosamente a maneira pela qual nós queremos seguir a Deus
e ministrar em Sua Igreja. Precisamos aceitar de braços
abertos TUDO o que Ele nos revela através da Sua Palavra
sobre um ministério eficaz, e exercê-lo com todas as nossas
forças!
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009
De Pastor Para Pastor: É tentador para os líderes de
igreja que Deus unge – especialmente os que Deus está
usando grandemente – achar que os mandamentos básicos das Escrituras de alguma forma não se aplicam mais
a eles. Eles se esquecem que tudo o que fazem é feito
diante dos olhos de um Deus santo (Lv 10:3).
Todos nós já ouvimos sobre homens e mulheres a
quem Deus estava usando grandemente e que então caíram em fracassos morais, impropriedades financeiras,
e em outras graves ofensas e pecados. Estes fracassos
raramente vêm sobre eles num só momento. Eles geralmente começam com “pequenos” meios-termos e desculpas, que levam a uma desobediência à Palavra e a um
fracasso total (Tg 1:14,15).
Nunca podemos nos esquecer que Deus é santo, e
que Ele nos chamou para que fôssemos santos também
(Lv 11:44; 1 Pe 1:16). A Palavra de Deus, os Seus mandamentos e os Seus preceitos são para todos os crentes
e seguidores de Cristo – especialmente para os Seus
líderes chamados e ungidos! ■
c. Números 11:16-30 – os Anciãos. A Bíblia registra um
evento nas jornadas de Israel em que Deus colocou o Seu Espírito sobre 70 anciãos e eles profetizaram (v. 25). Houve dois
homens que não se reuniram com os outros no Tabernáculo,
mas permaneceram no arraial. O Espírito veio sobre eles também, e eles começaram a profetizar (v. 26).
Josué, que na época era o assistente de Moisés, pediu que
esses dois homens fossem impedidos e proibidos de profetizar
(v. 28). Moisés, no entanto, repreendeu a Josué e expressou o
seu desejo profético de que todos os membros do povo de Deus
tivessem o Espírito Santo sobre eles (v. 29; veja também Joel
2:28,29; Atos 2:14-21).
Obediência a Deus:
nossa prioridade máxima.
ATOS / 25 Josué, provavelmente, tinha boas intenções, pois estava
preocupado com o fato de que aqueles dois homens estivessem
profetizando fora de ordem, uma vez que não estavam presentes com os outros anciãos. Josué, no entanto, estava errado em
achar que era responsabilidade sua decidir quando e através de
quem Deus falaria.
De Pastor Para Pastor: Quando os líderes tentam
exercer o seu próprio controle ou restringir a ação do
Espírito Santo, eles estão errados. Frequentemente, os
nossos desejos e motivações são bons, no sentido de
que “todas as coisas sejam feitas decentemente e com
ordem” (1 Co 14:40). Mas os nossos caminhos não são
os caminhos de Deus (Is 55:8,9). Os nossos padrões ou
conceitos humanos sobre as coisas com as quais nos
sentimos confortáveis talvez não tenham nada a ver com
o que Deus deseja fazer num dado momento.
Deus pode mover-Se de maneiras incomuns, através
de fontes improváveis, e com métodos incomuns. Considere a jumenta de Balaão (Nm 22:22-40), ou Jesus
usando a terra e a saliva ao curar um homem cego (Jo
9:1-7).
Estamos vivendo em dias de uma grande colheita e
do derramamento do Espírito de Deus. Extraordinários
eventos, milagres, declarações proféticas e outras manifestações do Espírito de Deus estão aumentando ao redor
do mundo. Precisamos usar o discernimento, sim, e não
simplesmente aceitar ou crer em tudo que está sendo feito em nome de Deus (Mt 7:21-23). No entanto, também
precisamos aprender a cooperarmos e nos movermos
com o Espírito Santo em qualquer momento.
Não somos os que decidem quando, como e através
de quem o Espírito Santo pode agir. O vaso que Deus
usa certamente não será perfeito. Nenhum de nós o
é, mas somos aqueles através dos quais Deus decidiu
agir!
Contudo, precisamos observar que as Escrituras também deixam claro que não devemos nos envolver com os
que estão vivendo em pecado ou ensinando coisas erradas (1 Tm 6:3-5; 2 Tm 3:1-5). Também precisamos ter
o cuidado de julgarmos corretamente as profecias (1 Co
14:29). Não devemos usar os padrões externos do mundo
para avaliarmos ou conhecermos um irmão ou irmã (2 Co
5:16,17).
Como pastores, em nosso desejo de liderar, podemos
ser tentados a tomar o controle. Aí então estaremos correndo o risco de interferirmos ou interrompermos completamente a obra do Espírito Santo em nosso meio (como
Josué quase o fez).
Devemos dedicar tempo para discipularmos os que
servimos com relação a quando e como profetizar. Contudo, precisamos então estar dispostos a permitir que o
Espírito Santo aja através deles à medida que eles aprendem e crescem.
Lembre-se: o nosso papel como pastores é liderar e
fazer com que as pessoas cresçam como discípulos. Isso
significa, entre outras coisas, que nós lhes ensinamos – e
liberamos – para que elas recebam do Espírito Santo e
respondam ao Seu direcionamento. ■
d. Atos 5:1-11; 8:9-24 – Ananias & Safira; Simão, o Feiticeiro. O Livro de Atos registra duas tentativas separadas na
26 / ATOS
Igreja Primitiva de se usar incorretamente o poder do Espírito
Santo.
1) A primeira delas envolvia Ananias e Safira (At 5:1-11).
Eles estavam tentando enganar a liderança da Igreja Primitiva
com relação à venda de sua propriedade. Porém, quando Pedro
os confrontou, ele citou a ofensa deles como uma “mentira ao
Espírito Santo” (v. 3).
Fica claro com esse texto que a questão não tinha a ver
com a quantia de dinheiro que eles deram (v. 4). Eles foram
julgados por sua hipocrisia. Deus estava confrontando o tipo
de hipocrisia e espírito religioso que caracterizava os escribas
e fariseus (Mt 23:1-36; 6:1-6; Mc 12:38-40; etc.).
Os que seguem a Cristo devem ter uma retidão que exceda
a retidão dos fariseus (Mt 5:20). Deve ser uma retidão do coração, e não uma forma externa ou simplesmente uma aparência
de retidão. Também deve ser dito que se alguém tiver de fato
esta retidão interna, ela se revelará num comportamento externo que também seja verdadeiramente um comportamento de
retidão (Mt 23:25,26).
Aparentemente, Ananias e Safira estavam usando o singular e profundo mover do Espírito Santo na Igreja Primitiva
para o seu benefício próprio. Eles estavam dando a impressão
de estarem cooperando com a obra, mas, obviamente, eles
tinham motivações egoísticas e segundas intenções. As suas
ações revelam que eles não respeitavam a autoridade dos
apóstolos que Deus havia designado como líderes – e, em última análise, não respeitavam nem honravam o Espírito Santo
de quem os apóstolos haviam recebido autoridade.
Deus viu o coração de Ananias e Safira, e trouxe um juízo
rápido e severo sobre eles (At 5:5,9,10).
O desejo de Deus é o de uma Igreja pura e santa (Ef 5:27).
Para realizar isso, o Senhor da Igreja age incessantemente para
transformar e purificar a Sua Noiva (Ef 5:26,27). Ele nos ama
o suficiente para nos disciplinar e nos castigar (1 Pe 4:17; Hb
12:3-11).
2) A segunda ocasião de uma tentativa de se usar inapropriadamente a unção do Espírito Santo na Igreja Primitiva encontra-se em Atos 8:9-24. Aqui, encontramos Simão,
o feiticeiro, que era um novo convertido a Cristo (v. 13).
Enquanto Simão seguia Filipe, ele ficou estupefato com as
coisas grandiosas e milagrosas que via o Espírito Santo fazendo!
Quando Simão testemunhou os apóstolos ministrando aos
outros no poder do Espírito Santo, ele cobiçou este poder para
si mesmo. Em sua imatura e ainda mundana forma de pensar,
Simão ofereceu dinheiro aos apóstolos a fim de receber aquele
poder (v. 18,19).
Pedro, pelo poder do Espírito Santo, discerniu as motivações do coração de Simão. “Pois eu vejo que você está envenenado pela amargura e preso pela iniqüidade” (v. 23). Era
óbvio que Simão tinha motivações egoísticas. O seu coração
estava preso pelo pecado, e ele não desejava o Espírito Santo a
fim de glorificar a Deus e servir aos outros.
“Amargura” neste contexto é como um ciúme ou uma inveja competitiva (Tg 3:14). Simão queria ser importante e impressionar os outros, talvez como quando ele era um feiticeiro
(At 8:9-11). Ele queria o poder de Deus para o seu benefício
próprio.
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009 De Pastor Para Pastor: Até mesmo hoje em dia, encontramos líderes que são verdadeiramente dotados, ungidos, e que estão sendo usados por Deus. Infelizmente,
porém, eles podem começar a achar que são mais importantes do que deveriam achar. Eles começam a agir como
se o poder fosse deles, e não de um Deus misericordioso
(2 Co 4:5-7). Eles usam o ministério para engrandecer o
próprio nome, para ganhar riquezas, ou para influenciar
os outros a segui-los.
A maioria dos líderes não começam desta maneira.
Os bons líderes anseiam em ver Deus movendo e recebendo a glória quando a vida das pessoas é transformada
pelo Seu poder. No entanto, se não formos cautelosos e
diligentes no sentido de guardarmos o nosso coração (Pv
4:23), poderemos nos desviar.
O Diabo não consegue negar, frustrar, atacar ou vencer o poder de Deus (Jo 1:5). Assim sendo, Satanás tenta
enganar e envenenar o coração do líder (2 Co 2:11; 11:1315), para fazer dele um vaso que esteja servindo a si próprio e não mais servindo a Deus e Seus propósitos. ■
Ficando Firmes na Fidelidade
No caso de Ananias e Safira, e com Simão, lições de cautela
e sobriedade são fornecidas a nós. Precisamos estar cientes de
que Satanás tem o poder de influenciar os nossos pensamentos
e ações, se permitirmos isto (At 5:3). Não devemos dar-lhe
nenhum espaço para ele agir (Ef 4:27).
No entanto, quando os líderes de fato fracassam – escolhendo o pecado em vez da retidão – isto é um problema muito sério. Em primeiro lugar, pelo fato de que o nosso Deus é
santo, o pecado viola o nosso relacionamento com Ele. Todos
os seguidores de Cristo foram chamados e receberam o mandamento de terem santidade pessoal e pureza moral (1 Pe 1:1319).
Em segundo lugar, somos chamados para sermos líderes
a quem é confiado o cuidado do povo de Deus. Quando cedemos ao pecado, quebramos esta confiança e tornamo-nos
maus exemplos para o povo que lideramos. Também deixamos
as ovelhas vulneráveis aos ataques do Inferno (1 Pe 5:2-4; At
20:28-30; Hb 13:7,17; Tg 3:1). Se Satanás conseguir destruir
um líder, as ovelhas serão dispersas e ficarão vulneráveis à
queda (Mc 14:27).
Os nossos fracassos também ferem as nossas famílias e a
nossa reputação. Ferimos a Família de Deus também, e ferimos
a reputação de outros líderes de igreja fiéis, os quais, consequentemente, são vistos com desconfiança e suspeitas. (Veja as
instruções de Paulo sobre a escolha de anciãos em 1 Timóteo
3:1-7.) Satanás visa líderes de igreja muito especificamente
com os seus estratagemas de destruição. Mas lembre-se: ele
não consegue fazer com que você peque, a menos que você
escolha seguir as tentações dele. Resista ao Diabo, e ele tem
que fugir de você (Tg 4:7).
O seu papel e unção de liderança é um privilégio; também é
uma responsabilidade séria e essencial. A Bíblia nos dá muitas
exortações sobre permanecermos fiéis e terminarmos bem (Mt
24:13; Fp 3:17-19; 2 Tm 4:6-8). Devemos permanecer firmes
em nossa esperança e fé em Cristo até o fim, sendo exemplos
ao rebanho da nossa fidelidade, por amor a Jesus e para a Sua
glória (1 Pe 5:2,3).
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009
D. PREFIGURAÇÕES DA UNÇÃO NO ANTIGO
TESTAMENTO
Ao continuarmos o nosso estudo, vamos examinar algumas
prefigurações da unção no Antigo Testamento. Como foi mencionado anteriormente, o Antigo Testamento foi dado para a
nossa instrução e exemplo (Rm 15:4; 1 Co 10:11). Ele nos ajudará a adquirirmos um quadro mais completo da unção como
uma promessa dada e que foi inicialmente cumprida no início
da era da Igreja Neo-Testamentária. (Veja Atos Capítulo 2.)
1. Prefigurações Simbólicas
Há várias prefigurações simbólicas no Antigo Testamento
da Pessoa e obra do Espírito Santo.
a. Fogo – No Tabernáculo e no altar de incenso, as ofertas
queimadas tinham um fogo que ardia continuamente e que foi
originalmente iniciado por Deus (Lv 9:24; 2 Cr 7:1-3). Este
fogo deveria ser mantido e estar ardendo sempre (Lv 6:13).
Esta mesma imagem de fogo, que simboliza a presença
viva do Espírito de Deus, também é vista no Novo Testamento
(Mt 3:11; At 2:3).
b. Água – A água é um símbolo usado no Antigo Testamento para mostrar o Espírito Santo trazendo um refrigério espiritual e bênçãos de Deus. Nesta parte do mundo em que a água
era rara, o uso simbólico da água para representar o Espírito de
Deus falava claramente às pessoas (Sl 23:2; Is 35:6,7).
Ezequiel teve uma visão de um grande rio fluindo da habitação de Deus em Seu Templo (Ez 47:1-12). Isso refletia o fluir
irrestrito do Espírito de Deus sobre o Seu povo.
Jeremias usa a “fonte de águas vivas” (Jr 2:13; 17:13) para
retratar a presença de Deus através do Seu Espírito. Jesus também fala de águas vivas: “... do seu coração fluirão rios de
água viva. Mas isto Ele falou com relação ao Espírito...” (Jo
7:37-39.) Nesta ocasião, Jesus estava profetizando especificamente sobre o derramamento vindouro do Espírito Santo (Jo
14:16,17; At 2).
c. Sangue - Lemos no Antigo Testamento sobre uma unção
especial para os sacerdotes que envolvia o sangue (Êx 29:1921).
d. Óleo - O óleo era amplamente usado em todo o Antigo
Testamento. Desde o uso comum na culinária, nas luminárias
e nos cosméticos, até a mais elevada das funções do Templo, o
óleo tinha um papel importante.
O óleo era especialmente simbólico da presença e do poder
consagrador do Espírito Santo. Vemos isto com os reis (1 Sm
10:1), sacerdotes (Êx 29:1-9), e com a purificação cerimonial
dos leprosos (Lv 14:10-18).
O óleo também simbolizava a alegria (Is 61:3), e a sua ausência representava a tristeza ou a humilhação (Jl 1:10). O óleo
também era uma imagem da prosperidade (Dt 33:24), do consolo (Jó 29:6), e do alimento espiritual (Sl 45:7).
Um Poderoso Quadro Simbólico
Através desta breve análise do Antigo Testamento, vemos o
rico depósito de símbolos, quadros e imagens que nos revelam
muito sobre a unção do Espírito Santo e da Sua obra em nossa
vida. Como prefigurações, eles representam a unção e a obra
do Espírito Santo que temos à nossa disposição hoje! Essa unção é a promessa cumprida do nosso Pai Celestial (Jl 2:28-32)
ATOS / 27 de derramar o Seu Espírito sobre o Seu povo (At 2:15-20, 3339).
Um dos quadros simbólicos mais poderosos da unção
do Espírito Santo é a fabricação e o uso do santo óleo da
unção.
Um estudo da seguinte passagem nos dará muitas revelações sobre a natureza e a função da unção do Espírito Santo:
“Falou mais o Senhor a Moisés, dizendo: Tu pois toma
também para ti das principais especiarias – quinhentos siclos
de mirra líquida, a metade disto de canela aromática (duzentos e cinqüenta ciclos), duzentos e cinqüenta ciclos de cálamo
aromático, quinhentos siclos de cássia, de acordo com o siclo
do santuário, e um him de azeite de oliveira. E disto farás um
óleo de unção santo, um unguento composto segundo a arte do
perfumista. Será um óleo de unção santo. Com ele ungirás o
tabernáculo da congregação e a arca do testemunho, a mesa e
todos o seus utensílios, o castiçal e os seus utensílios, e o altar
do incenso, o altar das ofertas queimadas com todos os seus
utensílios, e a pia com a sua base. Tu os consagrarás, para
que possam ser santíssimos; tudo o que os tocar precisa ser
santíssimo. E ungirás a Aarão e seus filhos, e os consagrarás,
para que possam ministrar a Mim como sacerdotes. E falarás
aos filhos de Israel, dizendo: Este será um óleo de unção santo
para Mim por todas as vossas gerações. Não será derramado
na carne do homem, nem fareis nenhum outro como ele, conforme a sua composição. Santo é, e será santo para vós. Quem
quer que seja que compuser tal perfume como este, ou que dele
puser sobre um estranho, será extirpado do seu povo.” (Êx
30:22-33.)
O óleo da unção era sagrado e santo ao Senhor. Os israelitas
deveriam considerar o óleo da unção da mesma maneira. Esta
mistura era um óleo da unção separado e singular, que deveria
ser usado somente para cerimônias sagradas (vv. 31-33).
Deus deu uma fórmula divina para este óleo da unção (vv.
22-25). Ele não deveria ser duplicado para outros usos. O seu
uso era proibido para qualquer um que fosse estrangeiro ao
povo da aliança de Israel (v. 33).
Designação Divina
Como ele era uma prefiguração da unção do Espírito Santo,
os estatutos muito rígidos com relação a este óleo da unção
especial nos revelam três princípios muito importantes:
Em primeiro lugar, Deus tem uma vontade soberana com
relação à unção do Seu Espírito. Exatamente como Ele dirigiu
os ingredientes do óleo da unção (Êx 30:22-25), assim também
é somente Deus que dirige a Sua unção (1 Sm 10:1) e a maneira pela qual esta unção deve ser expressa através da vida de
uma pessoa (1 Co 12:7,11).
Em segundo lugar, o óleo da unção era para os sacerdotes que serviam no Tabernáculo (Êx 30:30). Ele não deveria
ser derramado sobre a carne de alguém (Êx 30:32). Todos os
genuínos crentes em Jesus Cristo, como “sacerdócio real” de
Deus (1 Pe 2:9,10; Ap 1:6), têm uma unção do Espírito Santo
(1 Jo 2:20-27).
Esta unção não se encontra disponível ao incrédulo. O Espírito de Deus habita somente nos que são salvos e que andam
em obediência a Deus (Jo 3:5,6; Rm 8:14-16; 1 Co 12:3).
28 / ATOS
De Pastor Para Pastor: No Antigo Testamento, o
Sumo Sacerdote entrava no Santo dos Santos uma vez
por ano para fazer expiação pelo povo. (Veja Levítico 16.)
Somente ele tinha um acesso direto a Deus a cada ano.
Por ocasião da morte de Cristo na Cruz, o véu bem
espesso e semelhante a um tapete, que separava o Santo
dos Santos no Templo, foi sobrenaturalmente rasgado em
duas partes, de alto a baixo (Mc 15:38; veja também Êxodo 26:31-33). Este poderoso evento revela que um pleno
acesso a Deus agora era possível a todas as pessoas.
Quando Cristo cancelou a dívida do pecado da humanidade na Cruz, a salvação pela fé n’Ele foi disponibilizada
a todos os que O recebessem (Rm 10:9,10).
Todos os que invocam o nome do Senhor serão salvos
(Rm 10:12,13). E todos os que são salvos pela fé em Jesus
Cristo têm um livre acesso ao “trono da graça” (Ef 3:12; Hb
4:16; 10:19), que é a própria presença de Deus! Aleluia!
Os cristãos não precisam mais de um sacerdote ou de
ninguém mais para ir a Deus em nome deles. Todos os crentes podem e devem ter o seu relacionamento pessoal com
Deus através da oração, da adoração e da comunhão. Eles
podem conversar e orar a Ele; eles podem ouvi-Lo.
Esse acesso a Deus para todos os que crêem em Seu
Filho para a salvação é o motivo pelo qual todos os crentes são chamados de um sacerdócio santo. “... vós também, como pedras vivas, estão sendo edificados numa
casa espiritual, um sacerdócio santo, para oferecerdes
sacrifícios espirituais [isto é, adoração, oração, ações de
serviço, dízimos e ofertas] aceitáveis a Deus através de
Jesus Cristo.” (1 Pe 2:5; veja também Apocalipse 1:6.)
Os “sacrifícios espirituais” aos quais somos chamados
não fazem com que sejamos aceitos por Deus. Já somos
aceitos por Deus por causa do sacrifício de Jesus na Cruz.
A nossa salvação é somente pela fé em Jesus, e não por
nenhuma das nossas obras próprias (Ef 2:8,9).
É por isso que o véu que separava o Santo dos Santos
no Templo foi rasgado desde o alto até embaixo. Este ato
demonstrava simbolicamente que a nossa salvação foi
iniciada por Deus. Isso significa que Deus nos alcançou
pelo favor imerecido (graça) de Cristo, morrendo pelos
nossos pecados na Cruz.
Os nossos esforços no sentido de sermos retos são
fúteis em última análise e não podem nos obter a salvação (Rm 3:9-20; Gl 2:16). No entanto, vivemos na prática
e expressamos a nossa fé através de sacrifícios espirituais, à medida que andamos em obediência a Deus e no
serviço ao Seu Corpo e ao mundo (Tg 2:14-26).
Pastor, você precisa ensinar essas verdades básicas
da Cruz frequentemente. Os que você lidera precisam
compreender a salvação que eles receberam gratuitamente, e, por sua vez, precisam ser capazes de comunicá-la claramente aos que estão tentando desesperadamente “receber por merecimento” a salvação, através
de outro meio que não é o que Cristo já nos forneceu (1
Pe 3:15). ■
Em terceiro lugar, o óleo da unção não deve ser duplicado
para outros usos, nem deve ser falsificado (Êx 30:32,33).
A unção com o óleo no Antigo Testamento simbolizava a
designação divina de um objeto ou pessoa. Esta designação
consagrava o objeto ou a pessoa a um lugar ou função especial
nos propósitos de Deus.
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009 Com uma designação soberanamente ordenada vinha a autoridade e o poder necessários para se capacitar o indivíduo a
cumprir o que Deus havia decretado (1 Sm 16:13; Is 61:1). O
mesmo princípio se aplica ao crente do Novo Testamento, independentemente do lugar de serviço que Deus lhe deu, dentro
ou fora da Igreja. Isso também se aplica aos que Deus chamou
especificamente para o serviço ministerial de tempo integral (2
Co 1:21; 1 Ts 5:24). Deus nos disponibiliza tudo o que precisamos, não somente para que sejamos servos frutíferos Seus, mas
também para que sejamos vencedores na vida e no ministério!
O Problema com as Falsificações
A disponibilidade da unção de Deus para nós é uma notícia maravilhosa! Contudo, precisamos ter cuidado para não
falharmos com relação às admoestações de Êxodo 30 sobre
falsificarmos o óleo da unção. Deus considerava isto uma ofensa grave, até mesmo criminosa (Êx 30:32,33). O que pecasse
desta maneira era “estirpado” do povo de Israel. Os estudiosos
bíblicos frequentemente associam essa palavra com o fato de
alguém ser condenado à morte.
O que o simbolismo da falsificação significa para nós hoje,
como ministros do Novo Testamento? Já examinamos o pecado de usarmos a unção de Deus para o nosso benefício próprio
(Fp 1:15,16). Há outras maneiras pelas quais a unção de Deus
é falsificada no ministério hoje.
Algumas pessoas no ministério erroneamente acham que a
meta das suas pregações é fazer com que as pessoas fiquem entusiasmadas. Assim sendo, elas falsificam a unção através do seu
exuberante estilo de pregação ou ensino. Às vezes, elas dizem
coisas que as pessoas querem ouvir, até mesmo contradizendo a
Bíblia. Talvez contem histórias exageradas, ou talvez usem outras formas de manipulação para entusiasmarem a multidão.
Outros no ministério talvez queiram ser impressionantes
para ganharem seguidores para si mesmos. Eles talvez falsifiquem a unção, fingindo entender os “profundos mistérios” que
ninguém mais entende (2 Co 11:3,4). Eles reivindicam títulos ou
posições a fim de impressionar os outros, ou usam a sua posição
ou autoridade para influenciar os outros a fazerem coisas que
talvez sejam pecaminosas ou que talvez beneficiem o líder.
Há muitas outras maneiras em que as pessoas são tentadas a
falsificarem ou usarem inapropriadamente a unção. No entanto,
o ponto em questão é o seguinte: a falsificação ou o uso inapropriado da unção do Espírito Santo é uma grave ofensa a Deus. É
também uma forma de engano que, quando houver persistência,
dá lugar ao mundo demoníaco na vida do líder de igreja. No fim,
isso trará o juízo de Deus na vida dessa pessoa também.
A falsificação da unção do Espírito Santo é abordada no
Novo Testamento. Um dos exemplos mais evidentes é quando
Paulo condena os “falsos apóstolos”. Paulo os iguala à tentativa de Satanás de imitar os anjos de Deus a fim de desviar os
crentes. (Veja 2 Coríntios Capítulo 11.)
Há hoje em dia os que aparentam ser mensageiros ungidos
por Deus, mas que não são. O Novo Testamento dá muitas admoestações sobre eles (Mt 7:15-20; At 20:27-30; 2 Co 11:1-15;
Gl 1:6-10; Cl 2:18-23; 1 Tm 4:1-3; 2 Tm 3:1-9; 2 Pe 2:1-22; 1
Jo 4:1-6; Jd 3-19).
Mais tarde neste artigo, estudaremos sete características
que se encontram nos que agem com uma genuína unção do
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009
Espírito Santo. Esta lista será útil no exame do seu próprio ministério, como também no discernimento da presença genuína
do Espírito Santo em outros ministérios ou líderes de igreja.
De Pastor Para Pastor: Não há nada errado com o
desejo de sermos eficazes no ministério e de termos o
poder da unção do Espírito Santo. Mas é errado fingirmos
que somos algo que não somos, incluindo-se a tentativa
de agirmos como se estivéssemos ungidos.
Além disso, por que deveríamos fazer o esforço de
fingirmos que estamos ungidos, quando podemos verdadeiramente ser ungidos – se quisermos receber a unção
nos termos de Deus, e não nos nossos próprios termos?
Podemos proteger nossa vida do pecado e do engano
com relação à unção – e entrarmos numa unção cada vez
maior e genuína do Espírito – de várias maneiras:
●Aceite os dons e o chamado que Deus lhe deu. Não
inveje nem critique o que os outros têm, nem tente imitálos.
● Ore diariamente para conhecer a vontade de Deus
para você e para o seu ministério.
●Esteja satisfeito com o lugar para o qual Deus o chamou e com o que Ele está pedindo que você faça.
●Peça continuamente a ajuda e o poder de Deus para
você fazer a vontade d’Ele.
● Relembre a si mesmo todos os dias que você está
no ministério para servir a Deus e aos outros, e não para
servir a si mesmo ou para o seu benefício próprio.
Também mantenha em mente que não há nenhum estilo de pregação ou de liderança específico que seja mais
“ungido” do que um outro estilo. Eu já vi líderes ungidos
que falam dócil e sossegadamente. Enquanto ensinam a
Palavra de Deus, as pessoas são soberanamente curadas ou tocadas pelo Espírito Santo. Outros líderes talvez
demonstrem expressões físicas externas ou talvez comecem a falar mais alto quando o Espírito Santo está ministrando através deles aos outros. Nenhum destes estilos é
certo ou errado.
O importante é cultivar uma sensibilidade ao Espírito
Santo todas as vezes que você ministrar. Espere, ouça,
corresponda ao que Ele estiver dizendo e fazendo numa
dada reunião. Aí então alinhe o seu estilo com o que o
Espírito Santo desejar ministrar num certo momento.
Lembre-se de que Deus o chamou exatamente como
você é. Ele lhe deu dons específicos por uma razão. Ele
deseja usá-lo como a pessoa que você é, juntamente com
os dons que você tem – em combinação com a unção e
a obra transformadora do Espírito Santo – para ministrar
aos outros. ■
2. Lições com o Óleo da Unção
Vamos examinar agora, mais minuciosamente, os ingredientes do óleo da unção e o que eles revelam sobre a unção do
Espírito Santo.
Especificamente, o óleo da unção continha mirra, canela,
cálamo aromático, cássia e azeite de oliva (Êx 30:23,24).
a. Mirra. A mirra era um narcótico suave, usado como
analgésico. Conhecida pelo seu cheiro agradável, era também
usada na fabricação de perfumes e cosméticos.
A mirra se encontrava entre os presentes que foram dados
ao Bebê Jesus pelos magos (Mt 2:11). Na Cruz, houve uma
tentativa de se dar mirra a Jesus para aliviar o Seu sofrimento,
ATOS / 29 porém Ele a recusou (Mc 15:23). Ao recusar esse analgésico,
Cristo Jesus ficou firme em Sua missão de “provar a morte por
todos” (Hb 2:9). Devido à sua fragrância, a mirra também foi
uma das especiarias usadas para o sepultamento de Jesus (Jo
19:39).
O uso da mirra como um agente que remove a dor tem um
significado profético para nós. Jesus Cristo, o Ungido, veio
para carregar os nossos fardos na Cruz. Neste lugar de sacrifício, Jesus cumpriu o Seu propósito de ser Aquele que nos cura
(1 Pe 2:24) e Aquele que nos liberta da escravidão do pecado e
da morte (Hb 2:9,14-18).
Como um símbolo profético no óleo da unção, a mirra nos
retrata como o Espírito Santo nos ajuda a introduzirmos as
pessoas na cura e libertação de suas angústias, da escravidão
ao pecado e das enfermidades. O profeta Isaías fala profeticamente do poder da unção: “... o jugo será destruído por causa
do óleo da unção” (Is 10:27). A palavra hebraica referente a
um jugo sendo “destruído” neste versículo vai além de simplesmente ser danificado ou quebrado; ela significa “completamente destruído”.
O poder do Espírito Santo pode libertar totalmente as pessoas e trazer uma cura completa aos enfermos. O desejo de
Deus é que ministremos aos outros desta maneira com a unção
do Espírito Santo.
b. Canela. Nos tempos bíblicos, a canela era uma especiaria rara, cara e altamente apreciada (Ct 4:14). A canela tem
uma fragrância agradável, mas é mais conhecida pelo seu gosto bem forte ao ser usada em certas comidas. Assim sendo, a
presença desta especiaria no santo óleo da unção nos retrata o
fogo ou zelo que vem da unção do Espírito Santo.
João Batista descreveu Jesus, o Messias, como Aquele que
nos batizaria com o Espírito Santo e com fogo (Mt 3:11). A
palavra “fogo” neste versículo é interpretada por alguns como
um agente de purificação no coração do crente. Há uma certa
verdade nesta interpretação, mas o seu significado vai ainda
além. O fogo é explosivo, poderoso e consumidor. As Escrituras falam de Jesus sendo consumido com o zelo pela Casa de
Seu Pai (Jo 2:13-17).
Intrepidez Sobrenatural
Há um exemplo claro deste tipo de zelo ardente do Espírito Santo no Novo Testamento. Antes do Dia do Pentecostes, os discípulos e os poucos crentes que restaram estavam
juntos numa sala em Jerusalém (At 1:12-14). Jesus lhes havia dito que eles deveriam evangelizar o mundo (At 1:8).
Contudo, como que uma tarefa tão grande assim poderia ser
realizada por tão poucos? Eles não eram grandes oradores,
filósofos, ou bem instruídos. Eram pessoas comuns, cercadas por uma cultura hostil, que havia acabado de crucificar
o seu líder.
Esses homens e mulheres não eram covardes, mas estavam
confusos, incertos, e sem nenhuma idéia do que fazer ou de
como fazê-lo. No entanto, eles sabiamente esperaram, continuando em oração, enquanto mantinham a unidade e o encorajamento mútuo. Muito embora não compreendessem, eles se
ativeram à promessa que Jesus lhes havia feito de um poder
vindouro do Espírito Santo (At 1:5,8). E, assim sendo, eles
aguardaram...
30 / ATOS
Os discípulos passaram de uma
condição de temor, de ovelhas
inseguras, para uma condição
de intrepidez, de pastores que
testificavam e operavam milagres!
Eles anunciavam o Evangelho sem
timidez, até mesmo a ponto de
passarem por sofrimentos e pela
morte. Esse é o zelo ardente que vem
da unção do Espírito Santo.
“E, de repente, veio um som do Céu, como de um vento
veemente e impetuoso, o qual encheu toda a casa em que
estavam assentados. Aí então lhes apareceram línguas divididas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada
um deles. E todos foram cheios com o Espírito Santo...” (At
2:2-4.)
Num só momento, a vida daquelas 120 pessoas foram
transformadas ao serem cheias com o Espírito Santo! Imediatamente, aquele evento ganhou notoriedade (At 2:5-13). Pedro,
um pescador inculto, que havia negado a Cristo por temor, de
repente fica de pé e intrepidamente prega o seu primeiro sermão sob a unção do Espírito Santo (At 2:14-39). Como resultado, cerca de 3.000 almas foram acrescentadas ao Reino de
Deus naquele mesmo dia (At 2:41).
Os discípulos passaram de uma condição de temor, de ovelhas inseguras, para uma condição de intrepidez, de pastores
que testificavam e operavam milagres! Eles anunciavam o
Evangelho sem timidez, até mesmo a ponto de passarem por
sofrimentos e pela morte. Esse é o zelo ardente que vem da
unção do Espírito Santo (At 4:23-31).
Esse zelo não é um momento passageiro das emoções
humanas. É uma força, uma intrepidez que surge do interior
como uma chama quando temos a unção do Espírito Santo. É
uma profunda confiança na verdade da Palavra de Deus e do
Evangelho de Jesus Cristo que nos move a agirmos, a orarmos,
a pregarmos, a crermos num milagre – tudo isso pelo poder do
Espírito Santo!
c. Cálamo Aromático. É altamente aromático. A raiz era
muito desejada pelos perfumistas. A agradável fragrância era
liberada mais, ferindo-se ou triturando-se a raiz da planta.
Da mesma maneira, há um tipo de ferimento ou trituramento da vida do crente que é necessário para se liberar o aroma
perfumado da presença de Deus dentro de nós.
Observe que este não é o mesmo tipo de quebrantamento
e destruição que vem de escolhas pecaminosas e rebeldes. Ao
contrário, é um quebrantamento santo que vem somente pela
mão de Deus.
Este trituramento espiritual, ainda que doloroso às vezes,
produz duas coisas:
Em primeiro lugar, ele mata a nossa carne – os nossos desejos egoísticos e a nossa dependência própria (Lc 9:23-26;
Rm 12:1,2; 13:14; Gl 5:16-26).
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009 Em segundo lugar, esta “quebra” da nossa vida permite que
uma medida maior da graça e do poder de Deus se manifeste
em nós e através de nós. Paulo escreve exatamente sobre isso
em sua Carta aos Coríntios (2 Co 12:7-10).
De Pastor Para Pastor: Como líderes de igreja, sentimos a necessidade de sermos fortes, confiantes e competentes. O resultado disso pode ser não deixarmos nenhum espaço para que o Espírito Santo seja forte através
de nós. Há um tipo certo de fraqueza que faz com que
nos apoiemos apropriadamente no Espírito Santo e dependamos da Sua unção em nossa vida. É assim que o
ministério é feito pelo Seu poder, e não pelo nosso próprio
poder.
Há uma base bíblica para o tipo de ferimento que
acompanha a unção do Espírito Santo. Esse trituramento
não pode, e não deve, ser evitado. É uma parte necessária
do nosso amadurecimento à imagem de Cristo – levandonos a uma vida de entrega, confiança e obediência, como
nada mais consegue fazer.
Tome, por favor, alguns minutos, e leia os seguintes
exemplos bíblicos, meditando na verdade de cada um deles:
● Jesus – Isaías 53:1-6; Atos 3:18; Hebreus 5:8;
12:2
● Paulo (e outros) – Atos 9:15,16; Romanos 8:18; 2
Coríntios 1:3-7; 4:7-18; 6:4-10; 11:22-30; 12:7-10
● Todos os crentes – 1 Tessalonicenses 2:14-16; 2
Timóteo 3:12; 1 Pedro 4:1-19 ■
Autonegação Vivificadora
O poderoso princípio de se quebrar e ferir é visto em outros
simbolismos bíblicos também. Por exemplo, na comunhão, o
quebrar e o triturar são uma parte necessária da formação dos
elementos (Lc 22:14-20; 1 Co 11:23-26). Jesus usou o pão (trigo quebrado e moído) e o vinho (uvas trituradas) como símbolos do que Ele estava para fazer por toda a humanidade através
da Sua crucificação.
Jesus Cristo carregou o juízo de Deus sobre Si mesmo
como justa consequência dos nossos pecados. A Sua morte sobre a Cruz revela o trituramento divino final que foi necessário
para se liberar a vida (At 2:23,24) – a vida eterna da salvação,
pela fé em Jesus. Graças a Deus que não temos que passar por
esse sofrimento, muito embora seja isso o que o nosso pecado
e a nossa rebelião merecem!
No entanto, há um morrer do nosso ego que é necessário a
fim de que a vida e o poder de Deus dentro de nós sejam liberados através de nós. Isso NÃO é um tipo de martírio fanático
ou automutilação para “provar” a nossa espiritualidade. Contudo, o andar com Cristo e o servi-Lo plenamente exigem uma
disposição de se viver uma vida de autonegação e submissão à
vontade de Deus, até mesmo a ponto do sacrifício (2 Sm 24:1824; Lc 9:23-26).
Tornando-nos Vasos Dignos de Confiança
A atitude de Jesus em meio ao sofrimento é o nosso exemplo máximo: “... o qual, pela alegria que Lhe estava proposta, suportou a Cruz, desprezando a vergonha, e assentou-Se à
destra do Trono de Deus” (Hb 12:2). Jesus aceitou plenamente
os propósitos de Deus-Pai em Seus sofrimento e sacrifício.
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009
Obviamente, Jesus não teve prazer no sofrimento (Lc
22:42-44). No entanto, Ele de fato compreendeu a necessidade
da Cruz (Lc 24:46-49). A Sua disposição de sofrer e morrer em
nosso lugar não somente liberou a nossa salvação, mas também foi um ato de obediência para cumprir a vontade do Pai
(Mt 26:39,42,44).
O nosso sofrimento e o nosso sacrifício podem ser pequenos, comparados com o que Jesus nos deu, mas é algo difícil,
no entanto. Contudo, temos de fato o benefício do maravilhoso
compromisso de Deus de usar o nosso sofrimento para a Sua
glória e para o nosso bem ao mesmo tempo! (Tg 1:2-5,12.)
Deus está comprometido em tomar os sofrimentos e tribulações que encontramos nesta vida e transformá-los em bênçãos
no final (Rm 5:1-5; 8:18; 2 Co 4:17).
O compromisso do nosso Pai para conosco é claramente declarado: “E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente
para o bem dos que amam a Deus, dos que são chamados de
acordo com o Seu propósito” (Rm 8:28). E qual é o “propósito”
de Deus para os que creram em Cristo para a salvação? Isso também foi claramente declarado exatamente no versículo seguinte:
“... sermos conformados à imagem do Seu Filho, para que Ele
pudesse ser o Primogênito entre muitos irmãos” (Rm 8:29).
Deus deseja usar tudo em nossa vida para nos moldar à
imagem de Cristo, a vasos adequados para o uso do Mestre (2
Tm 2:19-21). Às vezes, o nosso sofrimento é devido à fragmentação deste mundo e à natureza pecaminosa das pessoas
que estão nele. Em outras ocasiões, Deus pode orquestrar as
circunstâncias em nossa vida para o Seu uso e propósito divino. De qualquer maneira, Deus promete usar essas coisas para
o nosso bem.
Deus nos transformará de tal maneira que nos tornemos
vasos puros e dignos de confiança da Sua vontade e propósito,
permitindo que a unção do Espírito Santo possa fluir através de
nós desobstruidamente. Mas precisamos cooperar com a Sua
obra em nossa vida e nos rendermos a ela!
A Fragrância de Cristo
Todo crente em Cristo, especialmente todo líder de igreja,
é chamado para ser alguém que “exale a fragrância do Seu
conhecimento em toda parte. Pois somos para Deus a fragrância de Cristo entre os que estão sendo salvos e entre os que
estão perecendo” (2 Co 2:14,15). Este aroma da realidade da
presença de Deus será liberado através da nossa vida à medida que nos entregarmos à Sua santa obra de “trituramento” e
transformação.
Em toda a Escritura, e hoje em dia, Deus usa homens e mulheres comuns de maneiras poderosas. Frequentemente, eles
suportam trituramentos e ferimentos em seu preparo e durante
o seu serviço. Mas, devido a isso, os propósitos de Deus são
cumpridos e a fragrância de Deus é liberada através de suas
vidas. Vale a pena sermos lembrados outra vez que não há na
verdade nenhum grande homem e mulher de Deus – somente
homens e mulheres humildes (quebrantados, rendidos), que
são grandemente usados por Deus!
d. Cássia. A cássia é a casca de uma planta que é semelhante à canela. A cássia era usada como um laxante nos tempos
bíblicos. Como um símbolo no santo óleo da unção, a cássia
representa o efeito purificador da unção do Espírito Santo.
ATOS / 31 É verdade que a unção do Espírito Santo nos fornece poder,
dons e capacitações divinas. Mas, além disso, a obra do Espírito Santo é transformar a vida dos que Ele unge.
Podemos estudar um exemplo claro da importância desta
obra na vida do Rei Saul. Samuel ungiu a Saul para que ele
fosse rei sobre Israel (1 Sm 10:1). Saul foi separado para o
propósito designado de Deus de ser rei. A unção deu a Saul
autoridade, dons e capacitações para executar a sua tarefa dada
por Deus.
As Escrituras revelam ainda mais do que Saul recebeu com
a sua unção: “Aí então o Espírito do Senhor virá sobre ti, e
profetizarás com eles, e serás transformado num outro homem” (1 Sm 10:6). Aí então, logo depois disto: “E aconteceu
que, quando ele se virou para se afastar de Samuel, Deus lhe
deu um outro coração” (v. 9).
Podemos ver que a unção não somente equipou a Saul com
o que ele necessitava, mas também incluiu uma obra transformadora. Isso o transformou num instrumento muito mais
valioso e útil nas mãos de Deus. Este é um quadro maravilhoso
e encorajador do que a unção do Espírito Santo pode nos fornecer como instrumentos de Deus também.
Infelizmente, Saul (assim como outros) virou as costas a
tudo o que Deus lhe havia dado, rejeitando a Palavra e os mandamentos de Deus, para fazer a própria vontade (1 Sm 15:2233). Como foi trágico que o que começou como um grande
reinado sobre Israel terminou em vergonha para o Rei Saul e a
sua família!
De Pastor Para Pastor: Deus deu ao Rei Saul tudo
o que ele precisava para cumprir a sua tarefa e para ser
um rei bem-sucedido. Saul fez isto por algum tempo, e foi
frutífero. Mas, infelizmente, Saul escolheu fazer o que ele
queria, em vez do que Deus havia ordenado, e o seu fim
foi o fracasso.
Quando Deus nos chama, Ele disponibiliza o que necessitaremos para cumprir Sua vontade. Mas nunca se
esqueça de que o que o Pai está nos moldando para ser é
tão importante quanto o que Ele está nos chamando para
fazer. Deus deseja a nossa transformação, de modo que
nos tornemos semelhantes a Cristo em nosso caráter e
em nossas ações.
O nosso Pai exige que obedeçamos a Sua Palavra e que confiemos n’Ele em todas as coisas. Nunca
amadureceremos a um ponto em que não mais precisaremos crescer e corresponder à obra transformadora do Espírito Santo! Esse é um processo que dura a
vida inteira.
O Espírito Santo nos corrige, repreende, e nos convence do pecado. Deus não nos condena (Rm 8:1), mas Ele
realmente exige que Lhe obedeçamos e nos rendamos
à Sua obra transformadora. Às vezes podemos tropeçar
ou falhar, mas precisamos nos arrepender rapidamente e
voltar ao alinhamento e à submissão apropriados a Deus
e à Sua vontade.
Deus age para nos transformar:
● Para a Sua glória;
● Para a nossa alegria, paz e bênção; e
● Para nos fazer mais frutíferos e eficazes no ministério como Seus embaixadores e como servos uns
dos outros. ■
32 / ATOS
Colheremos o que semearmos, quer seja a
retidão e a bênção, ou a corrupção (Gl 6:7,8).
Deus nos responsabilizará, como líderes, de
acordo com um padrão mais rígido.
Respondendo à Obra do Espírito
Ao estudarmos a cássia, aprendemos sobre uma obra fundamental do Espírito Santo. Ele vem para purificar o que não
está alinhado com a vida, o caráter e a Pessoa de Cristo. Um sinal vital de uma pessoa verdadeiramente ungida é que ela está
se transformando cada vez mais à semelhança de Cristo em seu
caráter – e não necessariamente em alguma grande capacidade,
dom ou ministério que ela exiba.
Como líderes de igreja, precisamos permitir que o Espírito Santo lide continuamente com as nossas fraquezas carnais,
tentações e falhas. Não devemos entristecer o Espírito Santo,
resistindo à Sua obra transformadora em nós (Ef 4:30).
Colheremos o que semearmos, quer seja a retidão e a bênção, ou a corrupção (Gl 6:7,8). Deus nos responsabilizará,
como líderes, de acordo com um padrão mais rígido (Tg 3:1).
Não se engane! Não podemos enganar a Deus. Se você persistir no pecado, mais cedo ou mais tarde ele se tornará óbvio a
todos (Nm 32:23).
Assim sendo, escolha a retidão! Responda à obra do Espírito Santo! Obedeça e confie em Deus! Receba a Sua unção
em sua vida e ministério! Seja exemplo de um vaso receptivo,
ensinável e rendido à obra do Espírito Santo! Permita que Ele
aja em você, a fim de que Ele possa ser glorificado ainda mais
através de você! Amém!
e. Azeite de Oliva. O óleo é o símbolo mais frequentemente usado para se representar o Espírito Santo, tanto no Antigo
como no Novo Testamento. O azeite de oliva, como um ingrediente do santo óleo da unção, tem um significado profundo.
Ele tem elementos de cada um dos outros quatro ingredientes,
e acrescenta mais uma característica singular.
Nos tempos bíblicos, o azeite de oliva era:
● usado como um remédio, para tratar de enfermidades e
dores (como a mirra);
● usado como combustível para as luminárias, e estava
associado ao fogo (como a canela);
● feito através do trituramento e do ferimento, e exalava
um aroma agradável (como o cálamo);
● usado para se limpar e purificar tanto externa quanto
internamente (como a cássia).
Contudo, o azeite de oliva tem uma qualidade adicional que
é vital ao Corpo de Cristo. O azeite de oliva é um lubrificante
natural. Ao ser colocado entre ou sobre dois objetos, ele reduz
o atrito e o desgaste.
Esse simbolismo fala conosco sobre a necessidade e a importância da unidade no meio do povo de Deus. As Escrituras
apresentam este conceito de se associar a unção e a unidade de
uma maneira linda: “Ó quão bom e quão agradável é que os irmãos vivam em união! É como o óleo precioso sobre a cabeça,
escorrendo sobre a barba, a barba de Aarão, escorrendo sobre
a orla das suas vestes. É como o orvalho do Hermon, descendo
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009 A Igreja: um todo harmonioso... cada parte é importante.
sobre os montes de Sião; pois lá o Senhor ordena a bênção – a
vida para sempre” (Sl 133).
A unidade no meio do povo de Deus é uma fonte de alegria e paz. Deus Se agrada quando o Seu povo caminha num
relacionamento correto de uns com os outros. A Sua bênção é
liberada e a unção do Espírito Santo flui mais livremente.
Relacionamento Sinfônico
O conceito bíblico de unidade é frequentemente mal compreendido. Nas Escrituras, unidade não é a mesma coisa que
uniformidade.
A uniformidade é quando todas as coisas são exatamente as
mesmas, e não há nenhuma diferença em nenhum aspecto.
No entanto, o conceito de unidade nas Escrituras é como
uma sinfonia. Numa sinfonia, há muitos instrumentos musicais
diferentes. Cada um deles toca uma parte diferente, mas todas
estas várias partes estão contribuindo sob a direção de um maestro. Assim sendo, há um todo lindo e harmonioso.
Isto também se aplica ao Corpo de Cristo. Há muitos diferentes dons, chamados, estilos, personalidades e capacidades.
No entanto, todos fomos chamados a um relacionamento sinfônico (Jo 17:20,21). Ninguém é exatamente o mesmo que uma
outra pessoa. Contudo, cada um foi chamado para tocar uma
parte importante. Deus, então, dirige os participantes dispostos
a uma harmoniosa sinfonia – o Seu Corpo, amando uns aos
outros como um testemunho ao mundo (Jo 13:34,35).
Paulo fala sobre isso ao comentar sobre os dons de manifestação do Espírito Santo em 1 Coríntios Capítulo 12 (veja também 1 Coríntios 14:26-40). A Igreja Primitiva era um exemplo
dessa unidade, a qual era promovida pela presença ungidora do
Espírito Santo (At 2:42, 44-47).
Perigos da Desunião
A desunião entre os membros do Corpo de Cristo tem amplas ramificações. Paulo repreendeu os coríntios com relação
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009
ao seu divisionismo (1 Co 3:1-23). Ele os chamou de carnais
e imaturos: “Pois ainda sois carnais. Porque onde há invejas, lutas e divisões entre vós, porventura não sois carnais,
comportando-se como meros homens?” (V. 3.)
A desunião e as divisões entre os irmãos é uma ofensa
grave. Ela não é somente algo destrutivo; ela também limita
seriamente a rapidez e a eficácia da obra do Reino de Deus.
A argumentação de Paulo sobre os dons de manifestação, mencionada acima, foi ocasionada pela desordem e pela desunião
criadas pelo orgulho e egoísmo das pessoas.
O mais lamentável é o fato de que quando os membros do
Corpo de Cristo não têm amor uns para com os outros e não
servem os propósitos do Senhor de uma maneira unificada, o
nosso testemunho diante do mundo é severamente tolhido. A
Bíblia insistentemente nos relembra que o mundo saberá que
somos cristãos pelo nosso amor uns para com os outros (Jo
13:35). Se o mundo não vê a presença do amor entre nós, o
nosso testemunho ao mundo parece questionável.
Nós podemos fazer grandes obras em nome de Cristo –
ser grandes pregadores, fazer cruzadas evangelísticas e muito
mais. Mas, se não amamos os nossos irmãos e irmãs em Cristo,
esses atos perdem a sua eficácia. (Veja 1 Coríntios 13.)
Há inúmeras exortações nas Escrituras com relação ao perigo das atitudes que violam ou impedem a unidade no Corpo de
Cristo. Por favor, tome alguns minutos e leia apenas algumas
delas:
● Romanos 13:13,14
●Gálatas 5:13-23
● Efésios 4:20-29
● 1 Timóteo 6:3-5
● Tito 3:9-11
● Tiago 3:14-16
● 1 João 2:9-11; 3:10-18
Esses versículos mostram claramente que onde há divisões,
lutas, inimizades, amargura, ciúme, competições, ressentimenATOS / 33 O Espírito Santo
nos conduzirá nos
relacionamentos certos.
tos, etc., a unidade é tolhida e até mesmo quebrada. Isso entristece o Espírito Santo (Ef 4:30) e pode apagar a Sua presença
ungidora (1Ts 5:19).
É óbvio que onde as atitudes carnais estão presentes, o
Diabo também está por trás do cenário, trabalhando arduamente para trazer divisões e impedir a obra de Deus (Tg
3:16). “Divida e conquiste” é uma estratégia tão velha quanto
o próprio Diabo – uma estratégia que ele aprendeu a usar bem
para impedir e tentar destruir o Corpo de Cristo. No entanto,
suas estratégias somente serão eficazes se cooperarmos com
elas!
Relacionamentos: Valorizados por Deus
A unção do Espírito Santo traz cura e reconciliação dos relacionamentos dentro do Corpo de Cristo. Isso deve ser verdadeiro especialmente entre os líderes. Deus espera que vivamos
num relacionamento correto – primeiramente com Ele, e, aí
então, uns com os outros (Ef 2:14-17). São somente o orgulho
humano, a inveja e o egoísmo amargurado os obstáculos. São
essas atitudes que o Diabo usa para semear a desunião, o ódio
e a falta de perdão no Corpo.
Se você sente que o seu irmão tem algo contra você, vá
até ele e tente acertar as coisas (Mt 5:23,24). Se você tiver
alguma coisa contra alguém, ARREPENDA-SE rapidamente! (Mt 5:21,22). Arrependa-se por ter se ofendido e permitido que a ira, o ódio e as atitudes críticas se arraigassem em
seu coração. Perdoe os outros, para que o juízo de Deus não
venha sobre você (Mt 6:14,15; veja também Mateus 18:2135).
Deus dá uma grande importância aos relacionamentos –
tanto é que Ele enviou o Seu Filho para sofrer e morrer, a fim
de que o relacionamento com Ele, o qual foi quebrado pelo
nosso pecado, pudesse ser restaurado. Dessa mesma maneira,
34 / ATOS
o Seu amor e o Seu perdão para conosco possibilitam
os relacionamentos corretos de uns com os outros.
Já aprendemos que o que Deus ordena, Ele sempre torna possível. E Ele nos ordenou que tivéssemos relacionamentos corretos uns com os outros (Jo
13:34,35).
Precisamos valorizar e investir continuamente em
nosso relacionamento com Deus. Também precisamos
fazer a mesma coisa com os nossos irmãos e irmãs em
Cristo.
Todo ministério duradouro e transformador de
vidas flui de relacionamentos saudáveis. Este processo começa com o que recebemos de Deus em nosso relacionamento com Ele. Aí então, por amor, compaixão, e pelo que recebemos de Deus, nós nos damos
aos outros e os servimos. Esse é o padrão de Deus para
o ministério. A vida de Jesus nesta terra serve como
um exemplo contínuo desse tipo de padrão ministerial
para nós.
Unidade, Diversidade, Amor
Há diferenças de expressão no Corpo de Cristo.
Contudo, não é preciso que as diferenças se tornem
pedras de tropeço à unidade e ao relacionamento
(Rm 14:13). Lembre-se: unidade não é o mesmo
que uniformidade. Unidade é um relacionamento sinfônico
à medida que cada um de nós responde à obra interna da
unção do Espírito Santo em nossa vida. O Espírito Santo
sempre nos convence do pecado, nos ajuda e nos leva a um
relacionamento correto com os outros – se formos receptivos.
Uma diretriz simples para a unidade foi expressa da seguinte maneira: “Nas coisas essenciais, unidade; nas não-essenciais, diversidade; em todas as coisas, caridade (amor)”.
À medida que crescemos e vivemos na unção do Espírito
Santo, vamos ter a graça e o amor uns para com os outros! À
medida que fazemos isso, a unção do Espírito Santo e o testemunho de Cristo podem ser liberados mais plenamente em nós
e através de nós!
Recebendo Entendimento
Este breve estudo sobre o santo óleo da unção (Êx 30:2233) revela que Deus nos deu algumas imagens e prefigurações
impressionantes sobre a obra do Seu Espírito Santo. Certamente, o nosso estudo das Escrituras nos dá entendimento, sabedoria e esperança (Rm 15:4).
No decorrer deste estudo até esta seção, talvez você tenha
algumas perguntas, como, por exemplo:
● Será que eu posso crescer na unção? Em caso afirmativo, como?
● Será que há algo parecido com uma “unção falsa”? Em
caso afirmativo, como eu posso reconhecer uma unção
genuína?
● O que fere ou extingue a unção em minha vida?
● Será que eu posso ser continuamente cheio com a unção
do Espírito Santo?
Falaremos sobre essas e outras perguntas na próxima seção, Andando na Unção. &
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009 A Unção do Espírito
Santo
PARTE III
Andando na Unção
Ao iniciarmos o nosso estudo sobre aprendermos a viver
diariamente na unção do Espírito Santo, vamos rever brevemente alguns princípios cruciais.
A unção do Espírito Santo não é um “distintivo espiritual”
a ser alcançado. Tampouco é uma mera familiaridade com palavras ou frases religiosas. Ao contrário, é um relacionamento
vivo e crescente com o Espírito Santo.
Lembre-se: o Espírito Santo é uma Pessoa, exatamente
como Jesus e o Pai são Pessoas. Portanto, podemos – e devemos – aprender a andar num relacionamento diário e vivo com
o Espírito Santo.
Já aprendemos que a unção não é algum tipo de força ou
poder místico para usarmos ou manipularmos com propósitos
egoísticos. A unção é, no entanto, um poder divino, uma capacitação, e um dom diretamente ligado à Pessoa do Espírito
Santo e à Sua presença em nossa vida. O poder que vem da
presença do Espírito Santo flui através do nosso relacionamento pessoal com Ele.
A unção é a Pessoa do Espírito Santo, trazendo com
a Sua presença todo o poder, dons e autoridade que são
necessários para cumprirmos a vontade do Pai num dado
momento do ministério ou de uma tarefa.
A Nossa Responsabilidade Primordial
Já aprendemos que durante a época do Antigo Testamento,
o Espírito Santo de Deus “vinha sobre” os Seus profetas, sacerdotes, juízes e outros servos.
Nos tempos do Novo Testamento e nos tempos subsequentes – também conhecidos como “A Era da Igreja” – o Espírito
Santo tem sido derramado (Atos Capítulo 2). O Deus-Espírito
habita dentro de cada crente genuíno, para nos guiar, consolar
e ministrar, através de nós, a outros (Jo 7:37-39; 14:16,17,26).
Todos os crentes em Jesus Cristo receberam o Espírito Santo (1 Jo 2:20,27). Isso é necessário porque todos os crentes são
chamados a alguma forma de expressão de ministério como
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009
membros do Corpo de Cristo (Ef 4:12). Todos nós precisamos
da ajuda do Espírito Santo todos os dias!
Mas, para os que são chamados a uma tarefa ministerial
específica, encontra-se disponível uma unção específica e profunda. Esta unção é dada por Deus em Sua soberania. Podemos
recebê-la e crescer nela, ou escolhermos rejeitá-la ou ignorá-la.
Este tipo de unção (capacitação divina pelo Espírito Santo)
relaciona-se diretamente com os dons e chamado. Por exemplo, alguém chamado para cumprir o dom de evangelista (Ef
4:11) talvez não tenha a unção para um dom apostólico. Ele
funcionará melhor e será mais frutífero ao agir de acordo com
o poder, dons e autoridade para os quais foi ungido – neste
caso, como evangelista.
Contudo, na aplicação cotidiana e prática, talvez não seja tão
simples assim. Muito embora alguém possa ser chamado e ungido para uma tarefa ministerial específica, cada um de nós ainda
tem um chamado geral como crente em Cristo de viver e funcionar diariamente como um participante do Corpo de Cristo.
Por exemplo, pelo que podemos ver nas Escrituras, Timóteo foi provavelmente chamado para ensinar e pastorear na
igreja. Contudo, Paulo também lhe ordenou a “fazer a obra de
um evangelista” (2 Tm 4:5) – não ser um evangelista, mas, às
vezes, fazer a obra necessária para evangelizar os outros.
Portanto, vemos que, como ministros de Cristo, todos nós
temos responsabilidades e tarefas gerais a fazermos que talvez
não envolvam o nosso chamado específico. No entanto, ainda
assim elas são necessárias e importantes para o funcionamento
sadio do Corpo de Cristo.
A nossa responsabilidade primordial e fundamental, como
crentes em Jesus Cristo e como líderes de igreja, é a obediência
a Cristo. Precisamos obedecer ao Senhor e viver de acordo com
os padrões que Ele já nos deu através da Sua Palavra.
Nas Escrituras, vemos que muitas responsabilidades foram
designadas aos crentes: servir aos outros, alimentar os pobres,
cuidar dos órfãos, treinar os santos, alcançar os perdidos – a
ATOS / 35 lista prossegue. Haverá tempos e ocasiões em sua vida com
Cristo em que você precisará devotar tempo e esforços a essas
formas de serviço ministerial, além do seu chamado ou tarefa
primordial.
Uma boa diretriz a ser seguida no discernimento do que
você deve estar fazendo no ministério é a seguinte: “Tudo o
que as suas mãos encontrarem para fazer, faça-o com todas
as suas forças” (Ec 9:10; veja também Colossenses 3:23). Ore
com relação a todas as oportunidades, e, em seguida, obedeça
ao Senhor rapidamente quando Ele o chamar para servir aos
outros. Não importa se a tarefa diante de você for grande ou
pequena – o que é importante é que quando o Senhor lhe pedir
que a faça, você Lhe obedeça!
De Pastor Para Pastor: A minha primeira “posição”
oficial como ministro licenciado e formado em escola bíblica foi como zelador de tempo integral de uma igreja grande. Eu passei dois anos limpando banheiros, despejando
o lixo, passando o aspirador de pó em salas de reuniões,
pegando papéis e outras coisas jogadas no chão, e fazendo outras tarefas maçantes, porém necessárias.
Eu realmente não gostava desse emprego. Não era
fácil. E era humilhante. Mas eu sabia que Deus havia me
pedido que o fizesse. E era parte do melhor preparo para
a aprendizagem de servir ao Corpo de Cristo que eu jamais poderia ter recebido. Foi verdadeiramente um teste
da minha fidelidade.
A minha obediência com relação a esta tarefa e a minha diligência em executá-la levaram à porta aberta para
a próxima tarefa, e assim por diante com cada tarefa ministerial através dos anos. Eu tenho iniciado igrejas, ensinado jovens, pastoreado igrejas, falado em conferências,
dirigido equipes missionárias, evangelizado e muito mais.
E, de alguma forma, pela graça de Deus, neste período de
30 anos, o Senhor me preparou e me dirigiu à posição de
estar dirigindo agora um ministério mundial.
Eu realmente creio que não estaria dirigindo o World
MAP hoje, se eu não estivesse disposto a obedecer ao
Senhor da melhor maneira possível em toda esta trajetória – passo a passo, cumprindo cada tarefa – não importando o que Ele me pedisse para fazer em Seu nome.
Eu nem sempre obedeci perfeitamente, e tenho cometido
erros ao longo do caminho. Mas, de maneira geral, fiz o
melhor possível para continuar seguindo o caminho da
obediência que Deus tem colocado diante de mim.
Deus tem um plano para a sua vida. Ele sabe melhor
como dirigi-lo de maneira a cumpri-lo. A nossa obediência
a Deus e à Sua Palavra não é uma opção – é uma necessidade! ■
O Nosso Chamado Primordial
Independentemente do nível de liderança ou influência, o
nosso chamado primordial é sempre com relação ao nosso relacionamento com Cristo. Esse relacionamento inclui a
obediência, a confiança, o serviço, a santidade pessoal, a humildade, todos os frutos do Espírito (Gl 5:22,23), e o crescimento
contínuo. Essas características fornecem o fundamento para um
precioso e crescente relacionamento com Jesus Cristo. Um dos
resultados deste sólido fundamento de relacionamento pessoal
é a liberação do ministério através de você, e a unção que você
necessitará para cumprir as suas tarefas ministeriais.
36 / ATOS
Com esta revisão básica dos princípios fundamentais em
mente, vamos agora analisar mais detalhadamente o que significa “Andar no Espírito”.
A. PROTEGENDO A UNÇÃO
Quando o Espírito Santo nos unge para o ministério, é um
privilégio sagrado. É algo que precisamos fomentar e proteger
em nossa vida.
Obviamente, eu não estou querendo dizer que o Espírito
Santo (Aquele que nos unge) precisa, de alguma forma, da nossa proteção. Ao contrário, precisamos proteger o nosso próprio
coração e vida da poluição espiritual e moral deste mundo (2
Pe 1:2-4; 1 Jo 2:15-17).
Salomão, o escritor de Provérbios, exorta: “Guarda o teu
coração com toda diligência, porque dele procedem as fontes
da vida” (Pv 4:23). É através da nossa vida que a unção do Espírito Santo flui no ministério aos outros. Assim sendo, a nossa
vida (o nosso coração) precisa ser mantida pura.
1. Ratos no Poço
Paulo afirma que cada crente em Cristo é um “templo do
Espírito Santo” (1 Co 6:19,20). Como tal, somos exortados a
não permitir que o nosso “templo” seja poluído, sendo participantes do pecado. (Veja também Romanos 6.)
A Bíblia contém inúmeras exortações sobre permanecermos puros em nosso corpo, alma, e espírito (1 Jo 3:2,3). Essas
passagens são dirigidas a todos os crentes, especialmente aos
líderes do Corpo de Cristo!
Por que a pureza pessoal é tão importante? Porque o Espírito Santo habita dentro de nós – de cada um de nós que fomos redimidos “com o precioso sangue de Cristo, como de um
cordeiro sem mancha e sem mácula” (1 Pe 1:19), e não com o
sangue de touros e bodes (Hb 9:13,14). Quando participamos
de ações ou atitudes pecaminosas, o lugar em que o Espírito
Santo deseja habitar torna-se impuro e poluído.
Mantendo-nos Puros
Digamos que há uma fazenda ou vilarejo com um único
poço de água disponível. Todos usam este poço e dependem
da água deste poço. A água é usada para a limpeza, para o preparo dos alimentos, para a lavagem das roupas e para se beber.
Imagine que você precise usar esta água, mas aí então você
descobre que ratos mortos estão flutuando no poço.
Isso nos dá um quadro gráfico de como nossas escolhas podem causar um impacto no templo do Espírito Santo dentro de
nós. Ele é a nossa maior fonte para tudo o que precisamos para
a nossa vida diária. Mas não somente para nós pessoalmente.
O Espírito de Deus dentro de nós, como líderes de igreja, nos
ajuda a sermos uma fonte santa para os outros.
Verdadeiramente, no ministério, nós damos aos outros do
que nós somos e do que recebemos (Mt 10:8; veja também a
analogia do Mar da Galiléia/Mar Morto na página 22). Mas, e
se estivermos permitindo que “ratos” entrem em nossa vida?
Certamente a presença de hábitos e atitudes pecaminosos nos
envenenará e nos poluirá, afetando nosso ministério, nosso
relacionamento, nossa família, nosso emprego – tudo o que
tocarmos.
Quais são alguns dos “ratos no poço” mais comuns? O
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009 Como líder no Corpo de Cristo, você
foi chamado para uma vida de pureza e
santidade. A unção que Deus dá aos Seus
servos chamados é muito mais preciosa
e sagrada que o santo óleo da unção do
Tabernáculo do Antigo Testamento – pois ela
é a própria presença do Espírito Santo!
Novo Testamento nos dá várias categorias, e, em seguida, cita
os itens específicos dentro destes agrupamentos:
● Frutos da carne (Gl 5:19-21).
● Comportamento inapropriado, baseado no engano do
pecado (Ef 4:17-32).
● Legalismo, ou o espírito de religiosidade (Gl 5:1-6;
Cl 2:11-23).
● Lutas por posições, títulos, poder (Mt 6:1,2,5,16; 23:212).
● Uso do ministério para se acumular riquezas e posses
(Mt 6:19-21,24; 1 Tm 6:3-10; 2 Tm 4:10).
● Atitude crítica, amargura, falta de perdão (Mt 7:1-6;
18:21-35; Cl 3:12-19; Hb 12:15; Tg 3:13-18).
● Falsos ensinamentos, heresias (Mt 24:4,5,11,23-27;
Gl 1:8; 2 Co 11:13-15; 1 Tm 4:1-5, 2 Tm 2:14-18; 2
Pe 2:1-22; Jd 7-19).
Essa é apenas uma breve descrição dos “ratos” que podem
arruinar o “poço” pessoal do seu coração, e também poluir os
outros que estão dentro da esfera da sua influência de vida e
ministério.
Como líder no Corpo de Cristo, você foi chamado para uma
vida de pureza e santidade (Mt 5:8; 1 Co 9:24-27; Hb 12:14; 1
Pe 1:13-19). A unção que Deus dá aos Seus servos chamados
é muito mais preciosa e sagrada que o santo óleo da unção do
Tabernáculo do Antigo Testamento – pois ela é a própria presença do Espírito Santo!
O nosso chamado mais sublime é o de vivermos num relacionamento correto com Deus. Isso requer que tenhamos uma vida
pura e imaculada como um “templo” apropriado (1 Co 6:19,20),
um lugar de residência para o Espírito Santo. Uma vida de pureza glorifica e agrada a Deus, nosso Pai, e nos faz muito mais
dignos de confiança e utilizáveis nas mãos do Mestre.
Somente você pode manter o seu próprio poço puro. Decida-se agora a ser um vaso limpo, do qual flua o Espírito de
Deus sem impedimento, e a Palavra de Deus sem adulteração.
Torne-se um instrumento ministerial purificado, o qual Deus
possa ungir para fazer grandiosos feitos para a Sua glória e
propósitos! (1 Co 10:31; 2 Tm 2:19-21)
Uma Lição do Fracasso
Salomão foi um rei levantado por Deus e que recebeu dons
excepcionais (1 Rs 3:5-14; 4:29-34). Ele recebeu duas visitações milagrosas do Senhor. (Veja 1 Rs 3 e 9.) Foi ordenado a
Salomão que ele observasse todos os caminhos de Deus e obedecesse aos Seus estatutos e leis (1 Rs 3:14; 6:11-13; 9:4-9). E
isso Salomão fez – por algum tempo.
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009
No entanto, lemos mais tarde que o governo de Salomão
terminou em destruição e ruínas para ele e para todo o seu reino (Veja 1 Rs 11.)
Salomão, como tantos e tantos líderes, começou bem, mas
acabou mal. Como isso aconteceu? Pode ser sumarizado numa
só palavra: desobediência.
Um exame mais meticuloso do Livro de 1 Reis revela que
Salomão era uma pessoa brilhante, “mais sábio do que todos
os homens” (1 Rs 4:31). Ele obteve riquezas inigualadas (1 Rs
10:11-29) e o louvor e a honra dos homens (1 Rs 10:1-9). Mas
aí então, Salomão começou a violar os claros mandamentos de
Deus (1 Rs 11:1,2). E, lentamente, escolha após escolha, concessão após concessão, Salomão ficou absorto consigo mesmo
e com as bênçãos e privilégios que foram obtidos por causa da
unção e dos dons de Deus. Esse caminho acabou na destruição
do reinado de Salomão.
O que, então, podemos aprender com a vida e o reinado de
Salomão?
a. A distração leva ao relaxamento (falta de disciplina e
diligência). Salomão escreveu que são “as raposinhas que estragam as vinhas” (Ct 2:15). A corte de Salomão estava repleta
de riquezas e oportunidades, e de muitas pessoas que fariam
qualquer coisa para ficar perto dele.
Você crê que Deus conhece a capacidade do coração humano de ser distraído, até mesmo por prazeres aparentemente
inocentes – e aí então ser levado a uma indisciplina e finalmente à desobediência? Eu creio que sim. Sabendo isso, Ele falou
repetidamente a Salomão para obedecer a tudo o que Ele lhe
havia ordenado (1 Rs 6:12; 9:4). Mas Salomão não ouviu ao
Senhor, especialmente depois que ele ficou “bem-sucedido”.
DI
STRAÇÃO
CHAMADO
DE DEUS
Lembre-se de Salomão:
Distraído... arruinado.
ATOS / 37 De Pastor Para Pastor: Líder de igreja: Até mesmo o
ministério pode tornar-se uma distração caso se torne a
sua paixão consumidora – ele pode afastá-lo do tempo na
presença de Deus, devido ao fato de você estar ocupado
demais ou devido à pressão pela constante necessidade
dos outros. Jesus, enquanto estava nesta terra, exemplificou para nós a necessidade de tomarmos tempo para
ouvirmos do Seu Pai e de sermos espiritualmente revigorados (Mc 1:35-39; Lc 5:16; 6:12).
Nunca podemos esquecer que o Senhor é a fonte e a
origem da unção do Seu Espírito e do nosso entendimento da Sua Palavra (Jo 1:33; 6:63,68). Isso vem d’ELE! Um
ministério verdadeiramente frutífero é o transbordamento
do que recebemos aos pés de Jesus em oração, esperando n’Ele e estudando a Sua Palavra (Lc 10:41,42; Jo
15:16). A maioria de nós conhecemos essa verdade bem
simples e básica. O problema acontece quando deixamos
de aplicar diariamente esse princípio fundamental para
uma vida e um ministério cheios de poder.
Vamos ficar de guarda contra os tipos de distrações que
nos esgotam, ou que nos levam a meios-termos e ao pecado. O coração de Salomão foi afastado de Deus pelo que
ele permitiu em sua vida (1 Rs 11:1-4,9). A sua lealdade e
a sua obediência a Deus foram enfraquecidas com ocupações mundanas a ponto de causar a sua própria destruição
e a ruína de tudo sobre o qual Deus o havia estabelecido.
Algumas perguntas boas a fazer a si mesmo com relação a QUALQUER atividade em sua vida são as seguintes: “Será que esta atividade ou atitude está me aproximando mais de Deus e dos Seus propósitos para a minha
vida? Ou será que está me distanciando?” ■
b. O louvor dos homens é uma armadilha mortal. Ensinar ou pregar para se obter o louvor dos homens é uma armadilha que leva ao engano. É somente Deus que pode realizar
coisas de valor eterno (Zc 4:6).
Sim, Deus realmente deseja usar-nos como vasos através
dos quais Ele possa agir. No entanto, o poder e a glória pertencem somente a Deus por qualquer coisa que seja feita através
de nós. Pois, sem Ele, não podemos fazer nada (Jo 15:5).
Deus revelou em Sua Palavra que Ele não compartilha a Sua
glória com ninguém (Is 42:8; 48:11). Não devemos buscar a glória ou o louvor dos homens pela obra do ministério (Jo 7:18).
Uma das críticas mais incisivas que Jesus fez foi aos escribas e fariseus. Ele os repreendeu pelo amor deles aos louvores
dos homens (Mt 23:5-12; Jo 5:41-44). Muito embora eles conhecessem as Escrituras e estivessem familiarizados com os
caminhos de Deus, o orgulho os levou a não estarem dispostos
a aceitarem ou crerem em Jesus Cristo como seu Messias (Jo
5:39,40).
Seguindo em Suas Pegadas
Jesus recebeu a unção do Espírito Santo sem medida (Jo
3:34,35). Ele era e é o Rei sobre todos os reis e o Senhor sobre
todos os senhores. Contudo, por amor a nós, Ele Se fez um
Servo humilde (Mt 20:28; Fp 2:3-11).
Verdadeiramente, como líderes no Corpo de Cristo, devemos permitir “o mesmo sentimento em nós, que também estava
em Cristo Jesus...” (Fp 2:5). Não recebemos o Espírito Santo
sem medida, como Jesus recebeu. Contudo, temos de fato to38 / ATOS
dos os Seus recursos disponíveis a nós, à medida que vivemos
num relacionamento de obediência a Ele e ao Espírito Santo (2
Pe 1:2-4).
Obviamente, até mesmo com tais recursos, não estamos
acima, nem somos melhores que o nosso Mestre. Em vez disso, devemos ser semelhantes a Ele (Jo 13:12-17), usando o que
Deus fornece para humildemente servirmos aos outros. Portanto, nunca deveríamos nos orgulhar de nós mesmos quando
Deus nos usa no ministério. Precisamos nos resguardar do orgulho – o pecado do Diabo (1 Tm 3:6).
O Mais Perigoso dos Pecados
O orgulho é um pecado mortal que pode lentamente envenenar até mesmo o líder mais comprometido e impedir o fluir da
unção do Espírito Santo. Talvez um líder de igreja tenha grandes habilidades, sabedoria, ou conhecimento, mas orgulhar-se
dessas coisas é tolice. Primeiramente, porque tudo o que temos
vem de Deus. Em segundo lugar, porque toda a nossa sabedoria,
capacitação e habilidades de fato não são nada em comparação
com a unção do Espírito de Deus e também com o que somente
Deus pode fazer (Mt 7:21-23; 1 Co 3:18-21; 4:20; 8:1-3)!
O orgulho é provavelmente o mais perigoso dos pecados. Foi
o pecado fundamental de Satanás (Is 14:12-14). O orgulho pode
fazer com que pensemos que podemos fazer as coisas melhor do
que Deus, e no final nos leva a uma rebelião contra Deus.
Quando começamos a fazer os nossos próprios planos independentemente da submissão a Deus, estamos na verdade
em rebelião contra Deus. Quando não estamos totalmente rendidos a Ele, ficamos separados d’Ele, pois, “Deus resiste aos
orgulhosos, mas dá graça aos humildes” (Tg 4:6).
O orgulho faz com que nos sintamos auto-suficientes e autodependentes. Consequentemente, cremos que não precisamos mais ser ensinados por Deus ou pelos homens. Resistimos
ao pensamento de que precisamos de alguma coisa de Deus, e
paramos de pedir. Assim sendo, também paramos de receber
(Tg 4:1,2). É preciso uma fé humilde, como de uma criança,
para pedirmos ou aprendermos com o nosso Pai Celestial (Mt
18:3,4).
Deus é o Fornecedor de tudo o que precisamos. Precisamos
reconhecer humildemente que precisamos d’Ele e do que Ele
supriu para nós, ou nunca receberemos nada. O orgulho impede que tenhamos este tipo de humildade, roubando-nos assim
as bênçãos do Reino de Deus, inclusive a Sua unção.
Confie Somente no Senhor
Imagine por um momento uma moeda. Num dos lados está
estampada a palavra “orgulho”. No outro lado está estampado
“o temor dos homens”. Esses dois pecados da carne frequentemente se manifestam juntos na vida de uma pessoa.
“O temor do homem traz uma armadilha, mas todo aquele
que confia no Senhor estará seguro” (Pv 29:25). O “temor do
homem” tem muitas facetas. Algumas maneiras comuns pelas
quais os pastores caem nesta armadilha são:
● Temor de desagradar ou aborrecer os membros da congregação (até mesmo a ponto de tolerar os pecados deles).
● Demonstrar privilégios extras aos que dão dinheiro ou
que têm influência.
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009 ● Dizer ou fazer coisas para tentar ganhar a aprovação de
(ou para ser notado como sendo melhor do que) outros
pastores amigos ou outros crentes.
Há muitas outras maneiras pelas quais podemos cair na armadilha do temor do homem. Contudo, independentemente do
método, quando você dá lugar ao temor do homem, você fica
preso à armadilha de fazer a vontade de outras pessoas. Você
fica preso na armadilha das suas opiniões e julgamentos. Como
então você poderá servir ao Senhor com todo o seu coração,
quando você está ocupado, servindo as opiniões dos homens?
Não podemos servir a dois mestres (Mt 6:24). Não podemos
ficar em pé quando o nosso coração está dividido (Sl 86:11; Mc
3:24,25).
Jesus também enfrentou este problema, através dos desejos
egoísticos das pessoas (Mc 1:35-39; Jo 6:15,22-40), dos julgamentos dos fariseus (Mt 22:15-22; Lc 7:36-50), ou até mesmo através das exigências da Sua própria família terrena (Mt
12:46-50; Jo 7:1-9).
Em todos estes e em outros pontos, Jesus não tentou satisfazer as opiniões das pessoas. Ao contrário, Jesus manteve o
Seu foco em fazer somente a vontade de Deus, acima de todas
as demais coisas, e independentemente do custo.
Até mesmo quando as pessoas criam em Jesus e pareciam
segui-Lo, Ele sabia quão volúvel podia ser o coração das pessoas (Jo 2:23-25). Jesus admoestava os Seus seguidores a não
confiarem nem buscarem os louvores dos homens (Lc 6:26),
pois, se for a boa opinião dos homens que buscarmos, o nosso
coração não está disposto a servir somente ao Senhor.
O Senhor está procurando pessoas cujo coração seja total e
somente leal a Ele. É através de pessoas assim que Ele faz grandes
coisas (2 Cr 16:9) e sobre as quais Ele derrama a Sua unção!
Observe o que nos mantém seguros do temor do homem:
é a confiança no Senhor (Pv 29:25). Quando conhecemos o
Senhor, quando O buscamos para conhecermos a Sua vontade,
quando agimos em obediência ao que Ele disse porque confiamos n’Ele totalmente, não importa o que os homens possam
pensar.
A nossa confiança precisa ser no Senhor! Quando estamos
mais interessados no que ELE pensa, não somos presos na armadilha de temermos o que as pessoas pensam.
c. Grandes meios-termos começam com as “raposinhas” dos pequenos meios-termos (Ct 2:15). Há um problema comum entre os líderes que Deus está usando de uma
maneira significativa. Eles talvez comecem a achar que são tão
importantes que não precisam mais obedecer todos os princípios e padrões de Deus. Talvez eles os conheçam e sejam aptos
a ensiná-los, mas não creem mais que precisem pessoalmente
viver de acordo com eles.
Isso é o que eu denominei de “Cláusula de Exceção da
Liderança”. É quando os líderes acham que se tornaram tão
importantes que não precisam mais ser humildes, ou servir, ou
ser pacientes com os outros, ou ser abnegados, etc. Em suas
mentes, eles se tornam a “exceção” aos padrões de Deus. Eles
consideram desculpável a busca de seus caminhos egoísticos
e carnais por causa de sua “importância” ou “sucesso”. Eles
aceitam a maneira de pensar do mundo, que de alguma forma o
seu sucesso no ministério é devido às suas grandes habilidades
e talentos – e começam a viver como se fossem celebridades!
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009
Até mesmo quando as pessoas criam em
Jesus e pareciam segui-Lo, Ele sabia quão
volúvel podia ser o coração das pessoas
(Jo 2:23-25). Jesus admoestava os Seus
seguidores a não confiarem nem buscarem
os louvores dos homens (Lc 6:26), pois,
se for a boa opinião dos homens que
buscarmos, nosso coração não estará
disposto a servir somente ao Senhor.
Pelo fato de que Deus é fiel em continuar a ministrar através deles (Rm 11:29), esses líderes começam a presumir da
bondade de Deus. Eles começam lentamente a adotar atitudes
e comportamentos que mais tarde os levarão a pecados cabais.
Isso resultará em seu fracasso no ministério, até mesmo a ponto de destruir a sua fé (1 Tm 1:19) ou de cauterizar a sua consciência (1 Tm 4:2). Causará também um entristecimento (Ef
4:30) e uma extinção (1 Ts 5:19) do Espírito Santo de Deus. E,
mais tarde, parará completamente o fluir da unção de Deus.
Como líderes de igreja, somos chamados para sermos um
exemplo do caráter de Cristo ao Corpo de Cristo. Não devemos ser a exceção! Precisamos conhecer a Palavra de Deus e
viver de acordo com ela, da melhor maneira possível. Se de
fato falharmos, precisamos nos arrepender rapidamente (2 Co
7:10; Ap 3:19).
Que cada um de nós ouça as admoestações das Escrituras:
“... saiba com certeza que o seu pecado o alcançará” (Nm
32:23; veja também Gálatas 6:7,8; 1 Timóteo 5:24,25).
Guardando o Seu Coração
A Bíblia exorta: “Guarda o teu coração com toda a diligência, pois dele procedem as fontes da vida” (Pv 4:23). Salomão escreveu esse versículo, talvez depois de ter destruído
o seu relacionamento com Deus e arruinado o seu reinado.
Não sabemos ao certo, mas a verdade do que Salomão escreveu pelo Espírito de Deus ainda fala claramente conosco
hoje.
O Diabo tem muitos “ratos” que ele usa para nos tentar.
A nossa própria carne também tem muitos desejos errôneos e
pecaminosos. Contudo, essas coisas podem entrar e poluir o
poço da nossa vida se simplesmente abrirmos a porta para elas.
Elas podem corromper nosso coração – o lugar da habitação
para o Espírito de Deus – simplesmente se permitirmos que
elas entrem e se dermos lugar ao pecado.
Assim sendo, o que podemos fazer para mantermos o nosso
“poço” puro? Como somos o templo do Espírito Santo (1 Co
6:19,20), há alguns passos práticos que podemos dar. Vamos
analisá-los agora.
2. O Caminho Para a Pureza
a. Viva de acordo como os padrões da Palavra de Deus.
O salmista faz uma pergunta crucial, e, em seguida, a responde.
“Como o jovem pode purificar o seu caminho? Observando-o
conforme a Tua Palavra” (Sl 119:9).
ATOS / 39 Através das Cartas de Paulo a Timóteo e a Tito, o Espírito
Santo dá claras direções a todos os pastores. As três “Epístolas
Pastorais” (1 & 2 Timóteo e Tito) foram escritas a pastores
(Timóteo e Tito) sobre assuntos pastorais.
É nas Cartas a Timóteo que lemos que a Palavra de Deus –
e não as opiniões dos homens – é o nosso guia para tudo o que
fazemos, dizemos, nos tornamos, e ministramos (1 Tm 4:1216; 2 Tm 2:15-18; 3:16,17).
Jesus fala que a Palavra de Deus é o nosso padrão para a vida.
Ele declara que fazer menos do que seguir toda a Palavra é um
fracasso que nos põe em risco de juízo (Mt 5:17-20). A Palavra de
Deus é inspirada pelo Espírito Santo (2 Tm 3:16; 2 Pe 1:19-21) e
é confirmada pelo Espírito Santo (Jo 14:26; Hb 4:12,13).
As opiniões e idéias dos homens – não importa quão bemintencionadas ou atraentes – não são o nosso guia para a vida.
Também não são o que devemos ensinar às nossas congregações sobre a vida no Reino de Deus. Precisamos ter muito
cuidado com relação às opiniões dos homens (1 Co 2:1-16),
mesmo se por acaso concordarmos com elas, pois os homens,
até aqueles que respeitamos e em quem confiamos, são apenas
isto: meros homens.
É verdade que algumas pessoas podem nos ajudar. Elas podem nos ensinar o que aprenderam. O seu conhecimento da
Palavra de Deus e a sua experiência podem ser benéficos para
nós, mas isto só vai até aí e é útil apenas no que concorda plenamente com a Palavra de Deus!
A nossa vida não pode ser purificada pelas opiniões das
pessoas ou pelas últimas tendências no ministério. Somente
podemos andar em retidão diante do Senhor à medida que O
seguimos e obedecemos a Sua Palavra.
Há somente um Espírito Santo e somente uma fonte para
a eterna Palavra de Deus – a Bíblia! Assim sendo, leia-a, medite nela, estude-a, memorize-a, obedeça-lhe, viva-a, pregue-a,
ensine-a! Amém!
b. O Espírito Santo age na oração. “O espírio do homem
é a lâmpada do Senhor, sondando todas as profundezas do seu
coração” (Pv 20:27). Os nossos tempos de oração são uma
fonte de bênção e instrução, como também um lugar de comunhão. A oração também pode ser uma arma poderosa quando
dirigida pelo Espírito Santo.
Infelizmente, nas movimentadas atividades da vida, os líderes de igreja como você e eu frequentemente negligenciamos os tempos vitais de simplesmente esperarmos no Senhor.
Mas é somente à medida que damos tempo para esperarmos e
ouvirmos que o Espírito Santo pode verdadeiramente agir em
nosso coração.
Cada um de nós precisa de um “exame de coração” regular
e minucioso pelo Espírito Santo. À medida que oramos e esperamos no Senhor, Ele pode revelar motivações escondidas,
áreas de impureza ou de fraquezas. Em Seu amor por nós e
pelo Corpo de Cristo, o Espírito Santo quer nos convencer de
pecados e nos moldar, a fim de que possamos resolver estas
mesmas coisas que, caso contrário, atrapalharão, ou até mesmo
destruirão nossa vida e ministério.
Guardando-nos do Engano de Nós Mesmos
O simples fato de que estamos ativos no ministério, que conhecemos a Bíblia, e que podemos ensinar os outros não signi40 / ATOS
fica que sejamos perfeitos. Mais do que qualquer outro motivo,
essas coisas devem nos fazer mais conscientes da capacidade
do coração humano de ser enganado e de dar desculpas para o
pecado!
Separe, por favor, alguns momentos agora e leia os seguintes versículos:
● Provérbios 16:2,25; 28:26
● Jeremias 17:9,10
● 1 Coríntios 10:12,13
Há muitos outros versículos que revelam claramente a
nossa necessidade de abrirmos nosso coração diante do Espírito Santo. O Senhor já conhece nossa área de conflitos.
Não podemos escondê-la d’Ele. No entanto, podemos enganar a nós mesmos e permitir que o pecado, os desejos
carnais, ou ao desânimo devido a comportamentos pecaminosos continuem até que produzam o fruto da iniquidade em
nossa vida.
O Senhor está procurando corações que sejam mantidos
puros e isentos do pecado. Ele deseja que nada atrapalhe a Sua
unção, ou a frutificação em nossa vida e ministério. À medida
que você humildemente demonstra ser digno de confiança no
sentido de guardar o seu coração do pecado e permite que o
Espírito Santo o purifique de dentro para fora, a unção de Deus
pode ser derramada sem limitações.
De Pastor Para Pastor: Quanto mais tempo caminhamos com o Senhor, tanto mais fácil é não sentirmos
necessidade da obra de moldagem do Espírito Santo em
nossa vida.
Infelizmente, para os líderes de igreja isso é especialmente verdadeiro. Ficamos tão ocupados aprendendo sobre a Palavra de Deus e ensinando-a que começamos a
presumir que também a estamos aplicando diariamente
em nossa vida. Ficamos tão absortos em orar pelo nosso ministério e pelos outros que negligenciamos o passar
tempo apenas esperando no Senhor para ouvirmos d’Ele
para o nosso próprio bem. Aprendemos a continuar sorrindo e agindo como se tudo estivesse bem, até mesmo
se estivermos lutando contra o pecado ou o desânimo interno. Será que você consegue admitir que isso às vezes
pode ser verdadeiro?
Jesus declarou que a nossa retidão precisa ser uma
retidão do coração. Ela precisa exceder a forma limitada
e externamente religiosa dos fariseus (Mt 5:20).
Lembre-se de que Jesus não morreu pela humanidade a fim de começar uma nova religião. Ele deu a Sua
vida para que pudéssemos ser restaurados a Deus, e, aí
então, ser continuamente transformados, cada vez mais,
à imagem do que o homem foi originalmente criado para
ser, antes que o pecado tão brutalmente nos danificasse
(Mt 15:10-20; 23:23-28; Rm 12:1,2; 2 Co 3:18; 1 Jo 3:1-3).
Já aprendemos que esse é um processo que dura a vida
toda, até mesmo para nós como líderes.
Se negligenciarmos a condição interna do nosso coração, torna-se muitíssimo fácil cairmos como presas do
pecado. Talvez os problemas comecem pequenos, mas
pequenos meios-termos sempre levam a meios-termos
maiores e mais destrutivos. É por isso que é essencial
permitirmos que o Espírito Santo aja em nosso coração
diariamente, para nos persuadir e para acabar com os
problemas antes que eles nos levem ao pecado. ■
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009 “Sonda-me, ó Deus…”
Precisamos desesperadamente que o Espírito Santo seja uma
lâmpada brilhando em nossa alma e espírito. Precisamos que Ele
revele a condição do nosso coração, para que possamos ser purificados, renovados e transformados. Essa é a vontade de Deus
para nossa vida! (Fp 1:6; 2 Co 3:18; Rm 8:29.)
À medida que cooperamos em oração com essa obra do
Espírito, somos desenvolvidos em “vasos de honra” (2 Tm
2:20,21). Aí então, Deus poderá derramar livremente a unção
do Seu Espírito Santo, liberando mais de quem Ele é, tanto em
nós, como também através de nós para outros, no ministério.
Que a nossa oração diária seja como a de Davi: “Sondame, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me e conhece as
minhas ansiedades; e vê se há em mim algum caminho mau, e
guia-me pelo caminho eterno” (Sl 139:23,24).
c. Ande em obediência. “E somos testemunhas Suas destas coisas, como também é o Espírito Santo, que Deus deu aos
que O obedecem.” (At 5:32.)
Já falamos sobre o lugar da Palavra de Deus e da obra
transformadora do Espírito Santo na vida pessoal do pastor.
Essas são chaves vitais para vivermos uma vida de pureza.
No entanto, ambas podem ser ineficazes em nossa vida – se
nos recusarmos a obedecer.
Desobedecemos quando ignoramos os mandamentos de
Deus ou simplesmente negligenciamos seguir por completo o
que o Espírito Santo revelou ao nosso coração (Tg 1:21-25).
Saul é um exemplo claro desse tipo de fracasso. (Veja 1 Samuel 15:1-35.) Davi aprendeu bem com os fracassos de Saul e
escreveu sobre esse princípio vital. (Veja Salmos 40:6-8.)
Os líderes de igreja frequentemente estão dispostos a servirem e até mesmo a se sacrificarem para o ministério. Isso
não está errado. Contudo, Deus deseja algo mais importante
do que o sacrifício. Ele requer a nossa obediência humilde e
consagrada (1 Sm 15:22,23).
Já estudamos a importância da obediência ao Senhor e à Sua
Palavra em questões das nossas motivações internas, atitudes e
comportamento diário. No entanto, a obra do Espírito também requer a nossa obediência em questões da obra do Senhor – tanto
no que fazemos, como também na maneira como o fazemos.
Alinhados Através da Obediência
Moisés aprendeu uma lição imensamente dolorosa com relação à obediência ao direcionamento de Deus (Nm 20:7-13).
Deus ordenou a Moisés que ele “falasse à rocha diante dos
olhos deles, para que ela liberasse a sua água” (v.8). No entanto, Moisés golpeou a rocha (v.11). A consequência foi o fato
de que não foi permitido a Moisés entrar na Terra Prometida
(v.12; veja também Deuteronômio 31:1,2; 32:48-52). Por que
Moisés desobedeceria este claro mandamento do Senhor? Os
filhos de Israel haviam enfrentado a seca e a sede no deserto
duas vezes antes (Êx 15:22-26; 17:1-7). Na primeira ocasião,
Deus instruiu Moisés a lançar uma árvore em águas amargas
e não-potáveis, e as águas ficaram doces. Na segunda ocasião,
Deus disse a Moisés para golpear uma rocha, e águas frescas
saíram.
Mas, na terceira ocasião, Deus pediu que Moisés fizesse
algo diferente. Ele pediu que Moisés falasse à rocha. Em vez
disso Moisés regressou a um método antigo e golpeou a rocha.
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009
Talvez Moisés não estivesse aberto a esta nova maneira pela
qual Deus queria mover-Se. Talvez Moisés estivesse irado ou
impaciente com os filhos de Israel, que estavam reclamando.
Não sabemos ao certo. Mas isto sabemos com certeza: a desobediência de Moisés desagradou ao Senhor (Nm 20:12).
A lição importante é esta: O resultado nesta situação não foi
tão importante quanto o método! Os filhos de Israel de fato obtiveram a sua água desejada. Contudo, a medida de Deus com relação
à obediência não consistia no resultado. Ela consistia no fato de o
Seu servo seguir completamente a maneira de Deus de realizar
o Seu propósito. Essa é a essência da obediência!
Devemos seguir a Palavra de Deus e o direcionamento
do Espírito Santo, até mesmo se não compreendermos a razão com nossa mente limitada. (Veja Isaías 55:8,9; 1 Coríntios
1:18-25.) Deus nos deu o Seu Espírito Santo para nos dirigir
e nos direcionar. Nós, como filhos de Deus, somos chamados
para crermos n’Ele e obedecer-Lhe (Rm 8:14).
Entenda por favor que a obediência não é uma questão de
se merecer a bênção ou a unção de Deus. Contudo, quando
andamos em obediência, alinhamo-nos com o Senhor e com os
princípios da Sua Palavra. À medida que fazemos isso, mais do
poder da unção de Deus encontra-se disponível a nós.
Este princípio foi abordado por Paulo: “Mas eu disciplino
o meu corpo e o coloco em sujeição, para que, tendo pregado
aos outros, eu mesmo não fique desqualificado” (1 Co 9:27).
Paulo estava plenamente consciente de que o seu comportamento pessoal estava diretamente ligado ao ministério que
Deus lhe havia dado.
Padrões do Novo Testamento
O pastor tem dois aspectos básicos com relação à sua vida:
a vida particular/pessoal e a vida pública/ministerial. A expectativa de Deus com relação à obediência envolve ambas as áreas. A vida do pastor, tanto pessoal quanto pública, precisa estar
sob a disciplina e o desenvolvimento do Espírito Santo e da
Palavra de Deus.
Se o líder de igreja for dedicado à obediência em todas as
áreas da sua vida, a unção do Espírito de Deus fluirá para todas
as áreas também.
É um erro crermos que a unção é simplesmente para o ministério público. O Senhor está igualmente interessado em sua
eficácia em sua vida familiar e pessoal, como também na maneira em que Ele poderá usá-lo num trabalho secular ou em
outras circunstâncias.
Os requisitos no Novo Testamento para os líderes de igreja (leia 1 Timóteo 3:1-7) são também os nossos padrões como
pastores. Os presbíteros da Igreja Primitiva eram os pastores das
igrejas locais. Assim sendo, as diretrizes e padrões para sua vida
pessoal e pública são os padrões para os pastores hoje.
A Ordem Bíblica
Muitos e muitos pastores negligenciam esses padrões, especialmente no que tange às necessidades de suas esposas e
filhos. Eles acham que, de alguma forma, é algo santo o fato
de negligenciarem as suas famílias a fim de dedicarem todo o
tempo ao ministério. A Palavra de Deus deixa bem claro que
NÃO foi para fazerem isso que Deus chamou os pastores!
O marido (incluindo-se o pastor) deve amar a sua esposa,
ATOS / 41 como Cristo ama a Igreja, abundante e sacrificialmente. O pastor e sua esposa devem ter respeito e amor um pelo outro, orando e servindo um ao outro. Os filhos não devem ser mimados,
nem tratados como servos. Eles devem ser cuidados e tratados
carinhosamente, criados de uma maneira santa e amorosa. Devemos ser, para nossos filhos, exemplo do caráter de Cristo e
do amoroso Pai Celestial. (Veja Efésios 5:22-33; 6:1-4; Colossenses 3:18-21; 1 Pedro 3:7.)
As nossas famílias devem ser uma prioridade, e a provisão de
suas necessidades é uma responsabilidade que não podemos ignorar: “Mas, se alguém não provê à subsistência dos seus, especialmente dos seus próprios familiares, negou a fé e é pior do que os
incrédulos” (1 Tm 5:8). A ordem bíblica é: o nosso relacionamento com Deus em primeiro lugar, a nossa família em segundo, e o
ministério e outras responsabilidades depois dessas duas coisas.
O manuseio das finanças pelo pastor também deve ser dirigido pelos princípios da Palavra de Deus e pelo Espírito Santo.
Os recursos que Deus fornece ao pastor pessoalmente devem
ser usados para:
● bendizer ao Senhor através de dízimos e ofertas;
● abençoar as nossas famílias através do nosso suprimento de suas necessidades;
● abençoar os outros ao compartilharmos do que Deus
supriu para nós.
Toda a Ajuda que Necessitamos
O ministério público do pastor também deve ser realizado
em obediência à Palavra de Deus e pelo direcionamento do
Espírito Santo. O Espírito Santo nos ajuda e frequentemente
nos direciona com relação ao que Ele quer que façamos em
situações ministeriais específicas.
À medida que nos dedicarmos e nos disciplinarmos, ouvirmos conselhos santos, estudarmos a Palavra de Deus, orarmos
regularmente enquanto seguimos o direcionamento do Espírito
Santo, cresceremos e amadureceremos como líderes cristãos.
Ao fazermos isso, podemos esperar um fluir cada vez maior da
unção de Deus sobre nossa vida e através do nosso ministério
(Veja as exortações de Paulo a Timóteo: 1 Timóteo 4:12-16;
6:11,12,20; 2 Timóteo 1:6,7,13,14; 2:1,15,16,22-25; 4:1-5.)
Esse é o desejo de Deus para nós! Ele disponibiliza toda a ajuda que necessitamos para servi-Lo fielmente e para vivermos
de acordo com os Seus caminhos. Mas precisamos escolher
obedecer!
De Pastor Para Pastor: Se um pastor ou líder de igreja violar ou continuamente ignorar os princípios básicos
com relação à sua vida particular e pública, a unção de
Deus será extinta. Haverá a perda da frutificação, tanto no
lar como no ministério.
A menos que haja um total arrependimento e um novo
e genuíno compromisso com os propósitos de Deus, o
líder corre o risco de sofrer uma destruição, tanto pessoalmente como no ministério. Essa destruição talvez leve algum tempo, mas tenha a certeza de que todos colhemos
o que semeamos (Gl 6:7,8).
Infelizmente, há líderes dotados e poderosamente ungidos na Igreja hoje em dia que têm uma vida hipócrita.
Em outras palavras, eles ensinam uma coisa, mas vivem
de outra maneira.
42 / ATOS
Todos falhamos às vezes, e nenhum de nós é imaculadamente perfeito. Contudo, não estou me referindo
a um ponto ocasional de falha, após o qual vem um rápido arrependimento. Estou me referindo a uma constante
e flagrante violação dos padrões da Palavra de Deus na
vida pessoal do líder.
O nosso Deus e Pai e o nome de Jesus Cristo são desonrados com isso. As pessoas do mundo são afastadas
da salvação através de Cristo devido a essa hipocrisia. Os
membros da Igreja e famíliares também se decepcionam
devido a essa falta de integridade na vida pessoal dos
líderes.
Isso é errado, e, se o seu comportamento faz com que
outros tropecem, Jesus nos adverte que há um juízo que
não falha (Lc 17:1,2). O juízo de Deus sobre as nossas
obras virá com certeza (1 Co 3:11-15). ■
O Senhor de Todas as Áreas da Nossa Vida
O Espírito Santo habita dentro de nós como crentes; Ele
nos unge para que os propósitos de Deus sejam cumpridos. O
desejo d’Ele é encher as nossas vidas totalmente, e não somente o que se relaciona com o ministério. Jesus deve ser o Senhor
de todas as áreas da nossa vida – de todo o nosso coração, e
não somente de uma parte (1 Pe 3:15). Precisamos obedecer ao
Senhor e a Sua Palavra em todas as áreas da nossa vida, para
que Ele possa receber glória e para que possamos ser instrumentos eficazes para os Seus propósitos!
d. Precisamos de relacionamentos com os nossos colegas.
Os pastores e líderes são frequentemente relutantes no sentido
de revelarem coisas sobre sua vida. As suas inseguranças podem
dar lugar ao ciúme ou à competição mútua. Satanás se aproveita
destas tendências a fim de manter o Corpo de Cristo (especialmente os líderes) dividido e um com medo do outro.
Uma boa parte da nossa eficácia como líderes de igreja se
perderá sem relacionamentos sadios com outros líderes. Precisamos uns dos outros, provavelmente mais do que imaginamos
ou queremos admitir. Os crentes, incluindo os pastores, são
uma família (irmãos e irmãs). Essa é uma característica muito
mais importante do que títulos, posições, afiliações denominacionais, ou o tamanho da igreja.
Os vários dons e funções no Corpo de Cristo são dados a
fim de trabalharmos eficientemente juntos (Rm 12:3-8; 1 Co
12). Nenhum de nós tem o que é preciso para ser eficaz no ministério sem a parceria de outros crentes e líderes. No entanto,
este tipo de unidade requer maturidade, amor, atitude de servo
e humildade.
Forte Apoio
Os pastores, especialmente, precisam uns dos outros. Precisamos dar lugar e buscar relacionamentos com outros pastores
e líderes consagrados. O propósito principal disto é a criação
de uma responsabilidade mútua. Precisamos ter isto para a
nossa saúde espiritual e proteção contra fracassos.
Esses relacionamentos devem permitir uma abertura genuína, um lugar para compartilharmos nossos desafios, dificuldades e triunfos na vida e no ministério. Neste círculo de amizade e relacionamento, podemos receber ministrações, orações e
aconselhamentos bíblicos.
Deus deseja este tipo de relacionamento para nosso cresciVOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009 mento e maturidade: “Como o ferro afia o ferro, assim o homem aguça o rosto do seu amigo” (Pv 27:17).
Os relacionamentos de confiança podem fornecer um lugar
seguro para compartilharmos nossos temores, preocupações
e tentações. Podemos confessar nossas falhas e pecados (Tg
5:16) e receber ministrações e encorajamento.
Todos os que estão no ministério precisam de encorajamento. O Diabo trabalha arduamente para tentar os líderes e
levá-los a caírem em fracassos pessoais ou a abandonarem o
ministério. Às vezes, as pessoas – até mesmo em nossas congregações – nos entendem erradamente ou talvez se oponham
a nós, ou até mesmo ajam com ódio em relação a nós. Precisamos do apoio de amigos espiritualmente fortes e dignos de
confiança para nos ajudarem a passarmos por essas situações,
a fim de emergirmos como vitoriosos através de Cristo!
De Pastor Para Pastor: Não creia na mentira que
é mais “espiritual”, a de que você não precisa de outras
pessoas em sua vida. Na verdade, quanto mais maduros
nos tornarmos, tanto mais reconheceremos a nossa necessidade de relacionamentos santos no Corpo de Cristo.
Paulo nos diz que juntos formamos o Templo de Deus,
cheio com o Espírito Santo (1 Co 3:16,17).
Os grupos de amizade e responsabilidade devem ser
escolhidos em oração e com cuidado. Nem todos que
você conhece serão parceiros compatíveis para a oração,
e nem todos terão maturidade para serem dignos de confiança. Encontre pessoas que você respeita e em quem
possa confiar. Procure aquelas que têm maturidade, sabedoria e sensibilidade ao Espírito Santo para genuinamente falarem a verdade em amor.
A oração deve ser o foco principal em um grupo assim.
Além disso, esses grupos devem envolver a comunhão
somente com pessoas do mesmo sexo – homens com homens, e mulheres com mulheres.
Esses relacionamentos vitais nos manterão “afiados”
e firmemente estabelecidos no caminho do crescimento,
da pureza, e de uma unção maior! ■
3. Sete Características da Unção Genuína
As confusões com relação à natureza e propósito da unção
frequentemente se devem a uma exposição única ou a curto
prazo a um evento ministerial. Talvez seja um poderoso sermão, uma oração comovente, ou a presença de sinais ou milagres numa reunião.
A visão a curto prazo pode levar a mal-entendidos de duas
maneiras. Primeiramente, é fácil acharmos erroneamente que a
unção é entusiasmo, talento, dons, estilo, ou habilidades no ministério. Em segundo lugar, talvez pensemos que um momento
de auge em uma manifestação sobrenatural seja o propósito
total da unção.
Muito embora esses momentos milagrosos ou de entusiasmo possam ser verdadeiramente o resultado da unção do Espírito Santo, precisamos nos lembrar de que há mais coisas com
relação à unção.
É importante desenvolvermos uma visão a longo prazo da
unção. Esse é o entendimento de que a unção genuína resultará
em vidas transformadas (Rm 12:1,2).
Por “vidas transformadas” eu quero dizer vidas que estão
solidamente fundamentadas na Palavra de Deus e na oração.
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009
As pessoas que têm uma vida transformada estão alcançando e
servindo o mundo ao seu redor através do seu testemunho e do
seu serviço de amor. Elas estão resistindo ao pecado e às obras
da carne, andando em humildade e arrependimento. Elas estão
ativas no Corpo de Cristo. Tendo descoberto os seus dons espirituais, elas estão usando-os no ministério. Elas estão se tornando
mais semelhantes a Cristo o tempo todo!
Essas coisas devem ser verdadeiras com relação a um líder
transformado, bem como àqueles a quem um líder ungido está
ministrando.
Um ministério verdadeiramente ungido é consistentemente
frutífero, com o resultado contínuo de vidas sendo salvas e discipuladas para serem seguidoras de Cristo.
Um ministério ungido não é um caminho ao reconhecimento, às riquezas, ou à comodidade. O Apóstolo Paulo era um
homem profundamente ungido, grandemente usado por Deus.
Contudo, ele sofreu intensamente, foi pobre e frequentemente
perseguido, passou tempos na prisão, e foi até mesmo desprezado pela Igreja que ele buscava servir (2 Co 4:8-15; 7:2-6;
11:23-33). A vida de Paulo foi terminada pelo machado de um
executor quando ele foi decapitado em Roma. No entanto, um
pouco antes da sua morte, Paulo declarou que a sua recompensa total era uma “coroa de retidão, que o Senhor, o justo Juiz,
lhe daria naquele Dia, e não somente a ele, mas também a
todos os que amam a Sua vinda” (2 Tm 4:8).
A vida de Paulo não chegou a grandes coisas, de acordo
com os padrões do mundo de “sucesso”. Até mesmo alguns
cristãos de hoje talvez não achem que Paulo foi um grande
apóstolo.
No entanto, a reputação de Paulo foi que ele proclamava intrepidamente o Evangelho de Jesus Cristo (At 17:1-6). Ele era
conhecido como um homem de autoridade e poder, até mesmo
pelo mundo demoníaco (At 19:15). Ele ensinava e discipulava outros, e iniciava igrejas. Paulo foi inspirado pelo Espírito
Santo a escrever o que se tornou um terço do nosso Novo Testamento (a maior parte escrita enquanto ele estava na prisão
pela sua fé). E o Apóstolo Paulo foi um agente principal para
a divulgação do Evangelho por todo o mundo conhecido de
então. Paulo era verdadeiramente ungido de Deus, cheio do
poder do Espírito Santo! (Cl 1:24-29)
Precisamos ser claros com relação ao propósito da unção
de Deus. Não recebemos a unção de Deus para o nosso ganho
pessoal ou para o entretenimento de outras pessoas. É para que
os propósitos de Deus sejam cumpridos! É para ministrarmos
de maneira tal que as pessoas sejam transformadas pela Palavra e pelo poder do Deus!
Testando a Nós Mesmos
Precisamos usar discernimento nestes dias, para percebermos o que é de Deus e o que é do homem. Precisamos
discernir o que é do Espírito de Deus, e o que é de um espírito diferente (2 Co 11:4). A Bíblia nos diz que, à medida
que o tempo avançar, o mundo demoníaco tentará cada vez
mais desviar as pessoas. Até mesmo cristãos serão enganados
e desviados, rejeitando o que é verdadeiramente de Deus (2
Tm 3:1-9; 4:3,4).
Precisamos “testar os espíritos” (1 Jo 4:1-6), porque o Diabo busca ativamente enganar e destruir as pessoas (2 Co 2:11;
ATOS / 43 10:1-5; 11:14; 1 Pe 5:8). Além disso, homens malignos tentarão usar a Deus e as coisas espirituais para servirem a si próprios (2 Co 11:13-15; Fp 1:15,16; 2 Pe 2).
Como, então, podemos saber o que é verdadeiramente a
unção do Espírito Santo? E por qual medida podemos testar a
nós mesmos para garantirmos que estamos andando fiel e obedientemente a Cristo com relação à unção?
Eis aqui sete características que serão evidentes com relação à unção do Espírito Santo.
A unção genuína do Espírito Santo:
1) sempre glorificará Jesus (Jo 16:14), e não os homens, ou
nem mesmo o ministério;
2) será fiel e consistente com todo o conselho da Palavra de
Deus (Jo 14:26), uma vez que o Espírito Santo jamais violará
a Palavra de Deus escrita;
3) fará com que aconteça uma vida espiritual nos que são
expostos ao ministério ou que o recebem (Jo 6:63) – as pessoas
ficarão mais comprometidas com Jesus, com a Sua Palavra, e
com os Seus caminhos;
4) direcionará as pessoas a Jesus e à Sua salvação, e não a
uma outra pessoa ou a sinais e maravilhas (Jo 15:26);
5) promoverá a paz e a unidade no Corpo de Cristo (1 Co
12:1-14) entre os que amam ao Senhor e a Sua Igreja mais do
que os seus próprios pontos de vista;
6) terá o poder de transformar vidas (1 Co 2:4,5; 4:20; 1Ts
1:5), que é o produto de um ministério ungido;
7) produzirá o caráter de Cristo nas pessoas (Gl 5:16-24; 2
Co 3:18) – esta é a vontade de Deus para todos os seguidores
de Cristo!
A presença dessas sete importantes características da unção genuína será uma marca dos que ministram na unção do
Espírito Santo. Essas características também nos ajudam a
perceber a necessidade de uma visão da unção a longo prazo.
Pode haver uma unção a curto prazo ou espontânea para
um momento específico do ministério. Mas, como pastores
do Corpo de Cristo, somos ungidos para fazermos discípulos
e treinarmos o povo de Deus – um trabalho a longo prazo – e
não para termos apenas momentos ocasionais de um ministério
emocionante.
Use a lista acima para examinar seu ministério. Como líder
de igreja, você tem um precioso e importante chamado para
pastorear as pessoas do Corpo de Cristo. Cristo é o nosso Sumo
Pastor. Ele o chamou como um subpastor. Será a Ele que você
prestará contas pela maneira pela qual você cumpriu o Seu encargo de cuidar das Suas ovelhas (1 Pe 5:1-4).
Será que Podemos Receber Mais?
O nosso papel é seguirmos diligente e fielmente a Cristo.
Precisamos aplicar os padrões e princípios da Palavra de Deus
em nossa vida e crescer constantemente em nossa capacidade
de sermos dirigidos pelo Seu Espírito.
O chamado ministerial que Deus lhe deu não é o seu ministério. É o ministério DELE que Ele deseja exercer através
de você! O ministério, quando exercido à maneira de Deus, dá
origem a uma grande frutificação (Jo 15:14-16) e é acompanhado da Sua unção.
Já estabelecemos que a unção do Espírito Santo é sobera44 / ATOS
Lembre-se que o poder de Deus não está
separado da Sua Pessoa. A unção é a presença do Espírito Santo – que sempre estará sujeita à vontade e propósito de Deus, e
não à nossa própria vontade e propósito.
namente designada por Deus. Ela será consistente com o nosso
chamado e dons. Essa unção não está sujeita à vontade humana, a não ser a nossa capacidade de recebê-la ou rejeitá-la.
Se você for como eu, você deseja mais da unção de Deus
em sua vida e ministério. O clamor do seu coração é ser um
vaso eficaz através do qual os propósitos do Reino de Deus
possam ser cumpridos.
Assim sendo, será que é possível não somente recebermos
a unção de Deus, mas também crescermos na unção que Deus
nos dá? Será que podemos receber mais do que temos agora?
Vamos analisar brevemente essas perguntas.
B. CRESCENDO NA UNÇÃO
O desejo do Senhor é que você tenha a unção do Espírito
Santo. Também é desejo d’Ele que você cresça em sua capacidade de viver e ministrar na unção do Espírito Santo.
Não há nenhum atalho para crescermos na unção de Deus.
Tampouco a unção é nossa, para que a agarremos e a usemos a
fim de sermos poderosos no ministério para o nosso benefício
próprio. Lembre-se de que o poder de Deus não está separado
da Sua Pessoa. Unção é a presença do Espírito Santo – que
sempre estará sujeita à vontade e propósito de Deus, e não à
nossa própria vontade e propósito.
1. Caráter e Unção
É importante compreender que, à medida que você cresce
no caráter de Cristo, você crescerá na unção. O nosso caráter
complementará e liberará a unção através da nossa vida, ou
bloqueará e impedirá a obra do Espírito Santo através de nós.
(Veja Efésios 4:30; 1 Tessalonicenses 5:19.)
Lembre-se de que acima de tudo somos filhos e filhas de
Deus. A obra sacrificial de Cristo possibilitou que fôssemos
restaurados a um relacionamento com o nosso Pai Celestial.
Jesus Cristo, como Cabeça da Igreja (Cl 1:18; 2:19), nos
chamou e nos deu dons espirituais – a fim de que, como filhos
e filhas de Deus, pudéssemos servir o Corpo de Cristo (Ef 4:1116; 2 Tm 1:9). Esses dons e chamados espirituais funcionam
plena e corretamente apenas quando são capacitados e direcionados pelo Espírito Santo (1 Co 12:7 – todos os dons funcionam de acordo com esse princípio).
É por isso que podemos dizer que todos os ministérios
verdadeiramente ungidos fluem de relacionamentos. O nosso
relacionamento de submissão e de um crescimento cada vez
maior com Cristo é a base sobre a qual funciona o ministério
que transforma vidas. Independentemente do seu nível de maturidade ou experiência com o Senhor, isso ainda é verdadeiro.
Jamais se esqueça de que um ministério eficaz flui do fato de
mantermos um relacionamento revigorado e cada vez mais profundo com Jesus Cristo!
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009 De Pastor Para Pastor: É realmente fácil demais no
ministério negligenciarmos o nosso relacionamento com o
Senhor. Talvez comecemos a achar que o “maná” de ontem,
proveniente d’Ele, seja suficiente para hoje. Mas não é!
Jesus faz uma poderosa admoestação que ilustra esse
problema. Leia Mateus 7:21-23. As pessoas que estão
sendo descritas nesses versículos são pessoas da Igreja
– pessoas com ministérios proféticos, ministérios de libertação, os que ministram com sinais e maravilhas, etc.
Contudo, esses líderes, em algum ponto ao longo do
caminho, deixaram o seu “primeiro amor” (Ap 2:1-5). Eles
foram enganados, achando que a manutenção de uma
aparência de sucesso no ministério (tendo a forma externa) seria suficiente. Eles talvez até mesmo consigam
citar passagens bíblicas e usar a autoridade do nome de
Jesus. No entanto, eles não estão andando num relacionamento genuíno, obediente e revigorado com o Senhor.
Eles não O conhecem, e Ele não os conhece. O seu fim é
terrível (Mt 7:23). ■
A Estratégia de Satanás
Como já aprendemos, uma das obras do Espírito em nossa
vida, depois da salvação, é a nossa transformação pessoal (Rm
8:29; 2 Co 3:18). É a nossa cooperação, que dura a vida toda,
com essa obra – juntamente com a nossa obediência diária à
Palavra de Deus e o nosso tempo em Sua presença – que desenvolve dentro de nós um caráter santo.
Satanás resiste ativamente ao crescimento do caráter santo
nos líderes de igreja. O Diabo não consegue corromper ou roubar de nós a unção e os dons do Espírito Santo. Ao contrário, o
oposto é verdadeiro: “Para este propósito o Filho de Deus foi
manifesto, para que Ele pudesse destruir as obras do Diabo”
(1 Jo 3:8; veja também Lucas 10:17-20; Romanos 8:37-39; 2
Coríntios 10:3-5; Colossenses 2:14,15; Hebreus 2:14).
Pelo fato de que o Diabo não tem nenhum poder para danificar ou corromper a unção e os dons do Espírito Santo, o seu
alvo principal é você! Satanás busca ativamente roubar, matar,
e destruir os santos (Jo 10:10). Uma das maneiras pelas quais
Satanás: velho
observador do
comportamento humano.
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009
ele faz isso é tentando solapar o caráter santo, especialmente
nos líderes da Igreja.
O Diabo tenta corromper os líderes de igreja e torná-los
inadequados para os propósitos de Deus (1 Co 9:24-27; 2 Tm
2:19-22). Ele faz isso através de tentações, enganos, temores,
intimidações, divisões, orgulho, egoísmo. Qualquer que seja o
pecado, Satanás será a fonte!
As tentações de Satanás geralmente começam de maneiras
pequenas. Ele começa a apelar aos nossos desejos carnais e natureza egoística. O Diabo teve séculos para observar o comportamento humano e para desenvolver maneiras de tentar fazer
com que caiamos. Não precisamos temê-lo – mas certamente
precisamos ser cautelosos e ficar de guarda o tempo todo! (1 Pe
5:8,9.)
Observe que somos mais vulneráveis às artimanhas do Diabo quando negligenciamos o nosso contínuo e crescente relacionamento com Jesus Cristo (1 Tm 4:1,2; 2 Tm 1:1-9; Hb
2:1-3). Se não estivermos perto de Cristo, seremos muito mais
tentados a fazermos exceções para nós mesmos, a darmos desculpas para deslizes de comportamento, a acolhermos pensamentos concupiscentes. Todas essas coisas levam ao pecado,
ao engano e ao fracasso (Tg 1:13-15).
O desejo de Deus é que a Sua unção penetre em nosso caráter. O caráter santo (ou a sua falta) causa um impacto direto
em nossa frutificação e eficácia no ministério. Deus quer que
a Sua unção venha a fluir em nossa vida e através dela, sem a
barreira da iniquidade. Não é nenhum exagero dizermos que
a unção tem tanto a ver com o caráter (o nosso) como com o
poder (de Deus).
Vamos dedicar um momento agora para aprendermos com
a vida do Homem mais ungido que já viveu.
2. As Pegadas do Mestre
Verdadeiramente, Jesus Cristo foi a Pessoa mais ungida que
já andou sobre a terra. Ele tinha o Espírito Santo sem medida
(Jo 3:33-35). A Sua inigualável unção foi profetizada séculos
antes do Seu nascimento (Is 61:1-3). Jesus confirmou essa profecia no início do Seu ministério (Lc 4:17-20).
O ministério de Jesus na terra confirmou que Ele era verdadeiramente O Ungido. Um rápido exame no Evangelho de
Lucas, Capítulos 4 e 5, revelam o Seu grande poder desde o
início do Seu ministério. Jesus foi ungido para:
● Expulsar demônios (4:33-37, 41);
● Ensinar com autoridade (4:22,32);
● Curar os enfermos (4:38-40;5:15);
● Chamar as pessoas ao arrependimento (5:17-26,31,32);
● Fazer sinais e maravilhas (5:4-9);
● Profeticamente chamar as pessoas ao ministério (5:10,
27);
● Desenvolver um grupo de liderança central (5:11);
● Curar um leproso, que era algo espantoso para aquela
época (5:12-15).
Essa é apenas uma amostra de como Jesus começou o Seu
ministério terreno. Ele realizou muitíssimo mais do que isso.
Há apenas um Filho de Deus que veio à Terra, morreu por nós,
e aí então ressuscitou para mostrar que Ele era verdadeiramente Deus!
Jesus é Aquele que nos chamou (1 Co 1:26-31). Ele nos deu
ATOS / 45 todos os dons necessários (Ef 4:11-16) e o poder (Jo 16:7) para
cumprirmos a Sua vontade (Jo 15:16).
Cristo encarregou a Sua Igreja a dar prosseguimento à Sua
obra (At 1:4-8). É somente pelo poder do Espírito Santo de
Deus que podemos realizar isso plenamente. Esse mesmo Espírito que ungiu Jesus foi derramado sobre a Terra, e está disponível a todos os que creem em Jesus Cristo para a salvação!
(Rm 8:14-17) Aleluia!
Andando nas Pegadas de Jesus
Deus está procurando os que são leais a Ele (2 Cr 16:9). Jesus mostrou-Se leal a Deus e agradável a Ele (Mt 3:17). Jesus
foi obediente à vontade do Pai em todas as coisas (Hb 10:5-7).
Muito embora Jesus fosse capaz de pecar, Ele jamais pecou
(Hb 4:15).
Já que Ele é o nosso exemplo em todas as coisas, o que
podemos aprender com a vida de Jesus Cristo com relação a
crescermos na unção? Vamos andar em Suas pegadas por um
momento para recebermos as lições que promoverão o crescimento em nosso caráter e nas questões espirituais.
a. Jesus Era Submisso às Autoridades. Jesus escolheu ser
submisso às autoridades que foram estabelecidas sobre Ele. Até
mesmo quando Ele ainda era um Menino, Ele era submisso a
Seus pais e a outras autoridades da Sua comunidade (Lc 2:4151). E, durante todo o Seu ministério terreno, Jesus submetiaSe continuamente ao Seu Pai Celestial.
A Bíblia ensina que nós, como líderes, também estamos
Deixe o exemplo
de Jesus guiar seu
crescimento.
46 / ATOS
sujeitos a estruturas de autoridade em nossa vida. Há governos, denominações, igrejas, empregos – todas estas coisas têm
estruturas de autoridade.
Nós podemos encontrar segurança e conforto no fato de
termos essas autoridades sobre nós. No entanto, em alguns casos, talvez não concordemos completamente com elas. Talvez
até mesmo nos encontremos em submissão a autoridades que
são ímpias, egoísticas, ou tirânicas.
É provável que durante a nossa vida sirvamos a figuras de
autoridade benevolentes e também aparentemente injustas.
Mas, qualquer que seja a natureza dessas figuras de autoridade, a Palavra de Deus nos instrui com relação à importância
da submissão como um padrão de vida. Isso inclui a submissão a:
● Deus (Tg 4:7);
● Autoridades governamentais (Rm 13:1-7; 1 Pe 2:13-17;
veja também a nota abaixo);
● Liderança no Corpo de Cristo (1 Co 16:15,16; 1 Ts
5:12,13; Hb 13:7,17);
● Uns aos outros no Corpo de Cristo (Ef 5:21; 1 Pe 5:5);
● Maridos, por suas esposas (Ef 5:22; Cl 3:18);
● Pais, por seus filhos (Ef 6:1-3; Cl 3:20);
● Empregadores, por seus empregados (Ef 6:5-8; Cl 3:2225; 1 Pe 2:18-21).
NOTA: Como cristãos, devemos ser pacientes com o nosso governo sempre que possível. Jesus não exigiu a derrubada
de Roma, muito embora, naquela época, ela oprimisse a Israel
terrivelmente. Mas, se um governo ou líder nega ao povo a
liberdade de adorar e obedecer a Deus, precisamos continuar
servindo a Deus – muito embora isso possa trazer perseguições
(1 Pe 4:12-19).
A única ocasião em que você pode considerar não se submeter às autoridades estabelecidas sobre a sua vida é se elas
lhe ordenarem a violar as Escrituras, ou a violar um princípio
de conduta moral (por exemplo, mentindo, roubando, tendo
um comportamento sexual imoral, etc.).
Por exemplo, se uma autoridade governamental ordenar
que você pare de pregar o Evangelho ou que você se abstenha
de falar em nome de Jesus, o mandamento supremo de Cristo
o impulsiona a esta proclamação de qualquer modo. Os apóstolos continuaram a pregar desta maneira (At 4:1-31; 5:17-42;
8:1-4). Se você enfrentar esse tipo de situação, ela exigirá muito cuidado, sabedoria e coragem. Seja dirigido pelo Espírito
Santo, e Deus será glorificado! (Mc 13:9-13.)
O Princípio da Submissão
A submissão é um princípio fundamental na vida do crente,
especialmente na vida do líder de igreja. Precisamos nos submeter a Deus, acima de tudo, em todas as coisas. Em seguida
precisamos escolher nos submeter aos que estão em autoridade
sobre nós – quer seja em nossa comunidade, denominação, trabalho, ou numa outra situação.
Até mesmo se não concordarmos com eles, se não gostarmos deles ou se não merecerem nosso respeito, precisamos
permanecer submissos em nossas atitudes e ações.
A única exceção é se, em seu papel de autoridade, eles exigirem que você viole a Palavra de Deus, ou se eles estiverem
conduzindo outras pessoas a fazerem o mesmo.
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009 De Pastor Para Pastor: Há ocasiões em que talvez
tenhamos dificuldades com uma figura de autoridade. Talvez achemos que não estamos sendo tratados justamente
ou recebendo um respeito ou agradecimento apropriado.
O exemplo de Jesus para nós nessas situações é que
Ele “Se esvaziou, assumindo a forma de um escravo” (Fp
2:7). Cristo não buscava a aprovação ou o louvor dos homens, em parte porque Ele sabia quão fútil isso é. As pessoas podem mudar rapidamente as suas opiniões (Jo 2:23-25;
6:15,26,60-66).
Jesus Cristo buscava a satisfação do Seu Pai Celestial. Ele também escolhia o papel de um Servo (Mt 20:28).
Do Seu coração de submissão e serviço veio a salvação
para nós como também uma grande glória para Deus (Fp
2:7-11).
Como líderes de igreja, seremos colocados às vezes
em posições de autoridade. A fim de liderarmos eficazmente com autoridade, precisamos primeiramente aprender a viver e caminhar sob autoridade! Isso significa que
precisamos compreender como viver de acordo com o
princípio da submissão.
Se você estiver tendo um problema com um líder em
autoridade, há alguns passos práticos a serem tomados.
Em primeiro lugar, ore diariamente por essa pessoa. Isso
o ajudará a obter a perspectiva de Deus sobre ela. Em
seguida, busque ao Senhor com relação à solução d’Ele
para o seu conflito. Busque as Escrituras e espere no Senhor para a resposta d’Ele.
Talvez você precise ir a essa pessoa e compartilhar
suas preocupações de uma maneira humilde (Mt 5:23,24).
Você também pode buscar conselhos dos que são sábios
e objetivos, os quais o ajudarão a resolver o problema, em
vez de somente ficarem do seu lado.
Finalmente, mantenha correto o seu coração (que inclui nenhuma reclamação ou fofoca) e confie que Deus
será o seu Defensor (Sl 5:1; 7:10; 31:2; 59:16,17; etc.).
Isso é exemplificado na vida de Davi, o qual escolheu
honrar a Deus e esperar o Seu tempo, muito embora o
comportamento de Saul fosse difícil e às vezes ímpio.
(Leia 1 Samuel 16 – 24.) ■
Deus talvez não seja o autor de uma tribulação ou dificuldade em nossa vida, mas Ele de fato promete usar todas as
situações para o nosso bem. Esse “bem” é o fato de Ele nos
moldar à imagem de Cristo (Rm 8:28,29).
Às vezes Deus usa as dificuldades que enfrentamos para
testar o nosso coração (Êx 20:20; 1 Cr 29:17). Em outras ocasiões, um relacionamento desafiador talvez nos force a amadurecermos. A escolha de respostas santas em meio a dificuldades
sempre faz com que cresçamos em nosso caráter.
Se escolhermos adotar a atitude e o coração de Cristo no
meio das tribulações, isso frequentemente leva ao fato de Deus
nos confiar uma medida maior da Sua autoridade, influência e
unção.
b. Jesus Cresceu em Maturidade. Jesus entregou-Se a um
padrão de crescimento firme e equilibrado (Lc 2:52). Muito
embora esse versículo provavelmente envolva a juventude de
Jesus, ainda assim ele estabelece um exemplo para nós de um
padrão saudável de crescimento e maturidade pessoal.
1) “cresceu em sabedoria” – Uma fonte principal de sabedoria é a Palavra de Deus. À medida que você a lê e a estuda,
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009
peça que o Espírito Santo abra o seu entendimento e fale com
você com relação à verdade (2 Tm 2:15).
Jesus disse que o Espírito Santo “vos ensinará todas as
coisas e trará à vossa lembrança todas as coisas que Eu vos
disse” (Jo 14:26). O Espírito de Deus vivificará (tornará vivas
e relevantes) as palavras de Jesus.
O Espírito Santo extrai da Palavra de Deus o que depositamos em nossa vida. Fazemos depósitos ao lermos e estudarmos a Bíblia, como também ouvindo ou estudando ensinos e
sermões bíblicos sãos.
Como líderes de igreja, precisamos nos entregar completamente ao estudo, memorização e aplicação das Escrituras a fim
de crescermos em sabedoria. Esta leitura e estudo, no entanto,
não é para fazermos sermões! É para o nosso crescimento pessoal. Aí então, do poço cada vez mais profundo dos ricos depósitos
da Palavra de Deus em nossa vida, podemos extrair as verdades
que o Senhor vivificar em nosso coração ao ministrarmos aos
outros. Isso trará grandes bênçãos pessoais para nós, como também para as pessoas a quem ministramos (1 Tm 4:12-16).
2) “cresceu em… estatura” – Já aprendemos que os nossos corpos são templos do Espírito Santo (1 Co 6:12-20; 1Ts
4:1-8). Portanto, precisamos ser bons administradores dos corpos que Deus nos deu. A nossa saúde física pode ter um impacto direto sobre a nossa capacidade de sermos eficazmente
usados por Deus no ministério.
Todos estamos cientes dos óbvios abusos ao nosso corpo
físico que devem ser evitados: embriaguez ou abuso de drogas
(Ef 5:18); imoralidade sexual (1 Ts 4:3-5); glutonaria (1 Co
6:12,13; 9:24-27). Em vez de fazermos uso desses abusos, usemos nosso corpo no serviço do Senhor!
A Bíblia de fato diz que o exercício físico tem menos valor
do que a santidade (1 Tm 4:8), mas o exercício ainda tem algum valor. No entanto, devemos manter as nossas prioridades,
não ficando mais preocupados com as nossas condições físicas
do que com as nossas condições espirituais.
Exercícios diários moderados são bons para a nossa saúde.
Fazer o melhor possível para comermos alimentos saudáveis
também é importante. Devemos observar nossas agendas para
garantirmos que estamos dormindo adequadamente. Essas
questões podem contribuir com a nossa eficácia e longevidade,
aumentando o número de anos que Deus pode nos usar e receber glória através do nosso serviço a Ele!
3) “cresceu... na graça com Deus” – Jesus andava em obediência à vontade do Pai. Todo o Seu ministério era fazer o que
Deus-Pai queria que Ele fizesse (Jo 5:19,30). Jesus falava o
que o Pai estava dizendo (Jo 8:26,28) e fazia as obras de Deus
(Jo 5:17; 9:4; 14:10).
Jesus obedecia perfeitamente à vontade do Pai – tanto que
pôde dizer: “O Pai não Me deixou sozinho, pois Eu sempre
faço as coisas que O agradam” (Jo 8:29; veja também João
4:34; 6:38).
Mas, além da Sua obediência, Jesus também andava num
estreito e íntimo relacionamento com o Pai pelo Espírito. Jesus
frequentemente saía sozinho para orar (Lc 5:16). O tempo do
verbo grego original nesse versículo revela que o passar tempo
a sós em oração era um hábito regular para Jesus.
A obediência de Jesus não ganhou o amor ou o favor de
Deus. No entanto, ela de fato garantiu que nenhum pecado ou
ATOS / 47 meio-termo violasse o Seu relacionamento com o Pai. Isso é
importantíssimo para nós, pois Jesus estendeu esta mesma promessa de um relacionamento íntimo a nós!
Jesus promete “manifestar-Se” (revelar-Se) a nós à medida que andamos em obediência aos Seus mandamentos (Jo
14:21-24). A nossa obediência a Cristo e à Sua Palavra, em
coisas grandes e pequenas, ajuda-nos a nos posicionar espiritualmente para andarmos mais intimamente com o Senhor. A
nossa obediência não ganha o favor do Senhor, mas ela de fato
permite um relacionamento e uma comunhão cada vez mais
profundos com o Pai, o Filho, e o Espírito Santo. E é desse
lugar de relacionamento íntimo que a unção do Espírito Santo
fluirá em nós e através de nós de uma maneira crescente.
4) “cresceu… na graça com… os homens” – Isso não significa que Jesus buscava o louvor ou a opinião favorável dos
homens. Jesus, no entanto, de fato escolheu não agir com arrogância, muito embora Ele fosse verdadeiramente superior a
todos os homens! Ao contrário, Jesus falava e agia com amor.
Graça e Verdade
Jesus exemplificou para nós o equilíbrio perfeito do caráter
de Deus: “E a Palavra Se fez carne e habitou entre nós, e nós
contemplamos a Sua glória, a glória como do Unigênito do
Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1:14); “pois a lei foi
dada através de Moisés, mas a graça e a verdade através de
Jesus Cristo” (v.17).
Jesus passava tempo com os pecadores (Mt 9:9-13) e com
os religiosos (Lc 7:36-50). Ele falava do amor e propósito de
Deus a qualquer um que ouvisse. Jesus não buscava a aprovação ou o louvor dos homens, mas Ele de fato procurava revelar
o coração e a Palavra de Deus-Pai em todas as situações.
Jesus ensinava que Deus espera que mantenhamos puros e
imaculados os nossos relacionamentos. A Bíblia claramente revela um grande número de comportamentos carnais e pecaminosos que são inaceitáveis a Deus em nossos relacionamentos,
incluindo-se os seguintes: falta de perdão, amargura, ira, inveja, ciúme, contendas, fofocas, espírito crítico, etc. (Mt 5:21-24,
43-48; 6:12,14,15; 7:1-6; 18:21-35; Rm 12:9-21; Gl 5:13-15,
19-21; 1 Jo 2:9,10; 3:10-18 – essas são apenas algumas das
muitas referências que ilustram a forte ênfase de Deus com
relação a termos relacionamentos corretos uns com os outros.)
Não podemos controlar as atitudes ou o comportamento dos
outros, mas podemos decidir quais serão os nossos comportamentos e atitudes. E, muitas vezes, a nossa atitude de “graça e verdade” abre o caminho para a reconciliação e a paz com outros.
Quando trabalhamos para termos relacionamentos corretos,
cheios com a “graça e verdade” de Deus, isto facilita a unidade. Uma maior unidade no Corpo de Cristo é uma chave para a
liberação da presença e unção do Espírito Santo em nossa vida,
em nossas igrejas, e em nossas comunidades. Também é um testemunho ao mundo da verdade do Evangelho (Jo 17:20,21).
c. Jesus Andava em Humildade. Indubitavelmente, o
Deus-Filho era o mais humilde de todos os homens. Jesus era
totalmente Deus, e, contudo, Ele assumiu a forma de um Homem e o papel de um humilde Servo, para que Ele pudesse entregar a Sua vida por todos nós (Fp 2:7,8). Se quisermos andar
em Suas pegadas, precisamos andar em humildade.
Jesus começou o Seu ministério humilhando-Se, até mes48 / ATOS
mo quando não parecia ser necessário. Vemos isso quando Jesus veio a João Batista, enquanto este último estava batizando
as pessoas para o arrependimento do pecado (Mt 3:13-17).
Obviamente, Jesus não precisava arrepender-Se, pois Ele
não tinha nenhum pecado (Hb 4:15). João até mesmo tentou
dissuadir a Jesus, sabendo que Jesus era imaculado e superior
a ele (Mt 3:14). Contudo, Jesus ainda assim pediu para ser batizado por João: “Permita que seja assim por agora, pois assim
é adequado, para que cumpramos toda a justiça” (v. 15).
Por que Jesus pediu para ser batizado? Este evento marcou a
inauguração, o início, do ministério de Jesus. Concordantemente, Jesus escolheu neste ato de submissão ao batismo nas águas
identificar-Se com os pecadores – pessoas como você e eu.
Jesus, o Imaculado Filho de Deus, escolheu colocar-Se ao
lado da humanidade pecaminosa em Sua missão de trazer a
esperança da salvação a toda a humanidade. A fim de “cumprir
toda justiça”, Jesus reconheceu a vontade de Deus de que Ele
assumisse o fardo dos pecados da humanidade e fosse o seu
Redentor e Salvador.
O Servo dos Servos
Jesus sabia que Sua missão designada por Deus seria tornar-Se um humilde Servo para para a humanidade (Mt 20:28).
Ele estava ciente disso, até mesmo aos doze anos de idade (Lc
2:41-50). Isso foi confirmado novamente através do que aconteceu imediatamente após o Seu batismo nas águas.
“Depois de ser batizado, Jesus saiu imediatamente da
água; e eis que os Céus se abriram a Ele, e Ele viu o Espírito
de Deus descendo como uma pomba e pousando sobre Ele. E
subitamente uma voz veio do Céu, dizendo: Este é o Meu Filho
amado, em quem Eu Me comprazo.” (Mt 3:16,17.)
Três coisas aconteceram com Jesus enquanto Ele humildemente obedecia à vontade de Deus no batismo:
1) “os Céus se abriram” (v.16 b) – Isso simbolizava Deus
revelando a Si Mesmo e os Seus propósitos de uma nova e
poderosa maneira através do Seu Filho. Jesus era e é Deus
(Cl 1:15,16,19; Hb 1:3). Vê-Lo, ouvi-Lo, e conhecê-Lo é verdadeiramente conhecer a Deus. Em Jesus, Deus havia Se revelado ao homem pecaminoso de uma maneira mais clara do que
jamais havia acontecido.
2) “o Espírito de Deus descendo” (v.16 c ) – Jesus recebeu
uma poderosa e ilimitada unção do Espírito Santo. Isso O capacitou a cumprir o propósito e a vontade de Deus, revelando o coração de Deus mais plenamente e abrindo o caminho da salvação
a todos. Recebendo a unção do Espírito Santo, Jesus tornou-Se
Aquele que batiza o crente com o Espírito Santo (Lc 3:16).
3) “Meu Filho amado, em quem Eu Me comprazo” (v.17)
– Com toda certeza, Deus falou com uma profunda revelação
para confirmar a identidade de Cristo. No entanto, essa declaração traz consigo um significado ainda mais profundo.
Há duas partes nessa declaração que são provenientes de
passagens proféticas do Antigo Testamento sobre o Messias.
“Este é o Meu Filho amado...” é de Salmos 2:7. Os judeus
historicamente aceitavam todo este Salmo como sendo uma
descrição profética do Messias vindouro.
A segunda parte, “em quem Eu Me comprazo”, é de Isaías
42:1. Esse capítulo de Isaías, juntamente com o Capítulo 53,
profetiza sobre o Messias como sendo o Servo Sofredor, o ReVOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009 dentor que traria a justiça, a misericórdia e a salvação de Deus
a toda a humanidade.
Ao falar essas palavras, Deus confirmou que Jesus verdadeiramente é o há muito aguardado e profetizado Messias. Ele
é o Escolhido de Deus para ser o Salvador, Rei de todos os reis,
e Senhor de todos os senhores. Isso também confirmava que o
caminho à eterna e divina coroa era somente através da Cruz. O
Rei de reis deveria primeiramente ser o Servo de todos (Fp 2:511). O Seu caminho ao Trono era a obediência ao Pai (Hb 5:8).
Jesus cumpriria a missão que era motivada pelo amor (Jo 3:16).
Jesus Ofereceu Ajuda a Todos
Com esses eventos ligados ao batismo de Jesus, podemos
aprender importantes lições com relação à unção. Em primeiro lugar, a obediência voluntária de Jesus de Se humilhar, até
mesmo quando não era necessário, liberou mais do que Deus
pretendia para Ele e desejava fazer através d’Ele. Jesus ofereceu ajuda a todos, sem condenação, oferecendo o amor, o
perdão e a salvação de Deus (Jo 8:1-11). Ele liderava pelo
exemplo em humildade (Jo 13:1-17), revelando essencialmente o coração de amor do Pai na Cruz (1 Jo 4:9,10).
De Pastor Para Pastor: Líder de igreja, nós também
precisamos andar numa humilde obediência a Deus. Precisamos humildemente oferecer ajuda e alcançar a todos
com o Evangelho. Essas verdades talvez pareçam óbvias, mas isso não significa que estejamos praticando-as!
O humilhar a nós mesmos é frequentemente um desafio
muito grande. A humildade está diretamente ligada ao
nosso caráter. E o nosso caráter é um fator vital para o
crescimento e a frutificação do nosso desempenho na unção do Espírito Santo.
Deus resiste aos orgulhosos, mas dá graça aos humildes. Qual de nós não necessita mais da graça de Deus em
sua vida? Ela é liberada a nós através da nossa humildade.
Essa humildade não é um “rastejamento” ou um ódio a
nós mesmos com o intuito de impressionarmos os outros,
mostrando-lhes como somos tão “espirituais”. A pessoa
verdadeiramente humilde não precisa ostentar a sua humildade aos outros. Quando alguém finge ser humilde, o
resultado é tão desagradável quanto uma demonstração
de orgulho. A verdadeira humildade é uma questão do coração. É uma atitude de solicitude altruística pelos outros.
É uma ausência total de arrogância ou vaidade.
Permita-me recomendar várias atitudes e ações santas
que nos ajudam a andarmos numa humildade obediente.
Seria sábio fazermos destas coisas hábitos diários:
● Pedirmos perdão a quem magoamos ou ofendemos.
● Perdoarmos de coração, até mesmo quando o perdão não for solicitado.
● Amarmos alguém que aparentemente para nós seja
impossível de se amar ou de merecer alguma coisa.
● Pedirmos ajuda e aceitá-la.
● Recusarmos títulos, posições, ou privilégios cujo
uso único é colocar-nos “acima” dos outros.
● Escolhermos uma tarefa de serviço que não traga
nenhuma atenção, nenhum louvor, nenhuma honra, e nenhuma recompensa imediata.
● Permitirmos que outros recebam o crédito que talvez seja devidamente nosso. ■
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009
Jesus ensinava frequentemente sobre a humildade, conhecendo as nossas tendências humanas ao orgulho (Mt 6:1-15;
18:1-4; 20:20-28). Se desejamos receber a unção genuína do
Espírito Santo – que resulta na frutificação de vidas transformadas – então precisamos andar como Jesus andou.
É um caminhar de uma humilde obediência e fidelidade à
vontade de Deus revelada em Sua Palavra; é um caminhar de
acordo com a orientação e o direcionamento do Espírito Santo
todos os dias (Mq 6:8).
d. Jesus Entendia as Provações. Imediatamente após o
Seu batismo, Jesus foi “dirigido pelo Espírito” ao deserto para
jejuar, orar e batalhar contra Satanás (Lc 4:1-12). Talvez achássemos que após a Sua experiência de ser batizado e ungido
pelo Espírito Santo, Jesus seria enviado imediatamente a um
ministério poderoso e visível. Mas a sabedoria de Deus é muito maior do que a nossa (Is 55:8,9) e os Seus propósitos são
estabelecidos com uma meta eterna em mente. É óbvio que a
provação de Jesus foi de acordo com o plano de Deus (Mt 4:1;
Mc 1:12,13; Lc 4:1).
Há muito que se aprender com as atitudes adotadas por Jesus durante a Sua hora de tribulação e provação. Ele não murmurava nem reclamava. Ele não cedia ao temor ou à confusão.
Durante toda a provação, e com a sua subsequente vitória, Jesus colocava a Sua total confiança em Deus-Pai.
De Pastor Para Pastor: Como líderes de igreja, enfrentamos provações, tribulações e tentações múltiplas e
singulares. O fato de sermos líderes na Igreja pode nos
enviar dos mais altos pináculos da alegria às maiores profundezas da frustração e da derrota – e, muitas vezes,
isso acontece simplesmente entre um domingo e o próximo domingo!
Amigo pastor: como líder na igreja, você é um alvo
para os ataques do Inferno. Talvez você se sinta sozinho
em suas lutas, achando que ninguém mais o compreende. Pode ser tentador você pensar que se você fosse
mais maduro ou espiritual, você não passaria por tempos
tão difíceis assim. Talvez você seja até mesmo tentado a
desistir e abandonar o ministério. Essas mentiras do Diabo têm o propósito de desanimá-lo. Não creia nelas!
A verdade é que qualquer um que tente servir ao Senhor enfrentará perseguições, provações e tentações (2
Tm 3:12) – inclusive Jesus. A Sua vida é um exemplo
para nós de como podemos enfrentar e aguentar as provações com um sentimento maior de vitória e confiança
em Deus.
Jesus sabia que Deus não O deixaria nem O abandonaria. Ele sabia que Deus é fiel e que as Suas promessas
são verdadeiras. Ele sabia que Ele podia cumprir a vontade do Pai, com o poder do Espírito Santo e com a ajuda
de Deus: “Aquele que vos chama é fiel, o qual também o
fará” (1 Ts 5:24). Eu recomendo que você memorize esse
versículo e medite nele quando você enfrentar desafios
ou dificuldades. Aí então dedique um tempo para estudar
cuidadosamente as revelações e princípios abaixo, provenientes da vida de Jesus. Eles também o ajudarão durante as ocasiões de desafios. ■
Jesus não questionava o motivo pelo qual aquilo estava
acontecendo com Ele. Em vez disso, Jesus suportava a provação, confiando que uma parte do propósito de Deus estava
ATOS / 49 sendo realizada, tanto em Sua vida como através da Sua vida.
Jesus encontrava a paz e a força em Sua submissão a Deus e
em Sua confiança no imutável poder da Palavra de Deus.
Armadura que Serve
Quando Deus nos leva a um novo nível de responsabilidade
ou libera uma nova unção para nós, Ele geralmente permite
que se siga um período de provação. Vamos analisar algumas
das razões pelas quais a provação pode ser tão importante assim:
Precisamos “crescer” na unção que Deus nos dá. Deus
nos “esticará” espiritualmente para o nosso bem. No entanto, o
crescimento pode ser desconfortável. Talvez sejamos tentados
a ficarmos ressentidos ou a resisti-lo. Contudo, pelo fato de que
Deus sabe o que nos aguarda o futuro, Ele procurará prepararnos para a vitória, em vez da derrota. Isso requer que sejamos
fortalecidos e amadurecidos, e requer que nos entreguemos ao
processo.
Podemos ver uma prefiguração desse princípio no Antigo
Testamento (1 Sm 17:38,39). Davi estava para enfrentar o gigante Golias. Saul queria que Davi usasse a sua armadura pessoal.
No entanto, Davi rejeitou a armadura de Saul e declarou: “Eu
não consigo andar com ela, pois eu não a testei” (v. 39).
Davi não poderia usar eficientemente a armadura que não
lhe servia bem e que ele não estava acostumado a usar. Muito
embora a armadura funcionasse bem para Saul, ela não havia
sido experimentada por Davi e ele não estava familiarizado
com ela.
Da mesma maneira, a unção e os dons nos quais somos chamados a andar devem ser nossos – e não de outra pessoa. É
fácil demais colocarmos a nossa confiança nos dons e na unção
de uma outra pessoa. Talvez tentemos imitá-la, até mesmo pregando os seus sermões ou fazendo uma mímica do seu estilo.
Tentamos funcionar numa “armadura” que não é a nossa!
A tentativa de se funcionar na unção de uma outra pessoa
é um problema porque Deus chamou você. Ele quer usar você.
A unção que Ele lhe deu é para você. Você é um vaso singular
que Deus deseja usar de uma maneira específica. A tarefa que
Ele tem é para você, e a unção que Ele lhe dá se encaixará perfeitamente em sua tarefa.
No entanto, geralmente é necessário algum tempo para
você compreender e “crescer” em seu chamado, em sua tarefa,
e em sua unção. Às vezes, Deus usa um tempo de provação ou
tribulação para ajudá-lo a desenvolver-se e a “caber na armadura” que Ele tem para você. Quando você se entrega a Deus
nessas ocasiões, Ele faz com que você cresça, a fim de que
você fique forte e capaz de funcionar em sua própria “armadura” – a sua unção que Ele lhe deu – para que você possa ser
vitorioso e frutífero em Seu chamado.
Precisamos aprender a extrair os recursos que Ele nos
deu. As tribulações frequentemente nos revelam as nossas inadequabilidades. Em tempos difíceis, reconhecemos mais do
que nunca o quanto necessitamos do Senhor e do que somente
Ele pode suprir.
Já aprendemos a importância de termos um tipo santo de
fraqueza, que aumenta a nossa dependência em Deus (2 Co
12:7-10). Esse tipo de fraqueza permite que sejamos vasos
através dos quais a unção do Espírito Santo possa fluir.
50 / ATOS
A Nossa Contínua Necessidade de Deus
Quando estamos cheios com a unção de Deus e funcionando com confiança e fé (a qual se baseia na obediência) ainda há
um perigo do qual precisamos estar cientes. Este perigo é que,
pouco a pouco, podemos começar a depender de nós mesmos
e da nossa experiência e habilidade acumulada. Aí então dependemos cada vez menos do Senhor ou do poder do Espírito
Santo. Isso não precisa acontecer, mas pode acontecer se não
tivermos cuidado.
Jesus disse: “Eu sou a videira, e vós sois os ramos. Aquele
que permanece [continua, demora-se, habita, faz residência]
em Mim, e Eu nele, produz muitos frutos, pois sem Mim nada
podeis fazer” (Jo 15:5).
Permita-me enfatizar aqui que a unção do Espírito Santo
tem tudo a ver com Jesus. Não tem a ver com dons, poder, ou
ministério. Nem ao menos tem a ver com as pessoas a quem
estamos ministrando – tem tudo a ver com Jesus! As sete características da verdadeira unção [citadas na página 44] têm
uma coisa em comum: TODAS elas apontam para Jesus.
É somente n’Ele, pelo Espírito de Deus, que nós “vivemos
e nos movemos e temos a nossa existência” (At 17:28). Independentemente do quanto Deus esteja nos usando, e independentemente de quanta experiência adquiramos, sempre precisamos manter uma fé simples, como a de uma criança. Este
tipo de fé envolve uma confiança humilde e uma dependência
cada vez maior no Senhor.
A nossa natureza humana pode nos levar a um egoísmo e
a um sentimento de independência de Deus. No entanto, as
tribulações e as provações nos relembram da nossa contínua
necessidade d’Ele, como também da Sua graça e toque sobre a
nossa vida.
Precisamos ser purificados a fim de sermos libertos
para recebermos mais da Sua unção. Jesus disse: “É o Espírito que vivifica; a carne não serve para nada. As palavras que
Eu vos falo são espírito, e elas são vida” (Jo 6:63).
A presença do Espírito de Deus em nossa vida faz com que
a nossa natureza pecaminosa fique desconfortável – como deve
ficar! Porque o Espírito e a carne (a natureza pecaminosa) estão em guerra um com o outro, ou são “contrários” um ao
outro (Gl 5:16,17; veja também Tiago 4:1-10; 1 Pedro 2:11).
Deus conhece o que está em nosso coração, mente e personalidade que impedirá ou bloqueará a unção do Seu Espírito Santo. As provações e tribulações frequentemente funcionam como
agentes de purificação, forçando as nossas fraquezas a subirem
à superfície, a fim de que elas sejam tratadas.
Removendo as Impurezas
Os artesãos que trabalham com prata e ouro lhe dirão que
o minério, ao ser extraído, está cheio de impurezas. Ele tem
que ser aquecido e derretido a fim de se forçar as impurezas a
subirem à superfície. Aí então as escórias (materiais refugados)
são habilidosamente retiradas da superfície do metal líquido
(Pv 25:4). Esse processo é geralmente repetido muitas e muitas
vezes, até que o metal esteja purificado e seja utilizável. Os
que estão aquecendo o minério sabem o momento exato de se
remover o precioso metal das chamas, a fim de se evitar que ele
seja danificado.
De modo semelhante, Deus usa nossas tribulações para
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009 fazer com que as impurezas em nós sejam “levadas à superfície” e expostas. Aí então elas podem ser reconhecidas – e
removidas através do arrependimento, da cura e da libertação, livrando-nos das amarras da nossa natureza pecaminosa.
De Pastor Para Pastor: Líder de igreja: o que sobe
à superfície em sua vida quando as circunstâncias “ficam
quentes” (se intensificam) ou quando você se sente pressionado? Como você reage, ou a que você recorre para
um alívio? O que sobe à superfície revela uma atitude ou
comportamento que talvez Deus queira purificar, curar
ou remover da sua vida? Será que pode haver algo que
talvez Ele queira ensinar-lhe em meio à tribulação ou dificuldade?
As ocasiões em que somos confrontados com as nossas fraquezas e impurezas não devem ser temidas. Deus,
em Seu amor, usa as provas, as provações e as tribulações para purificar-nos e moldar-nos. Ele também nos
dá revelações, entendimento e toques soberanos do Seu
amor e graça, e revelações da Sua Palavra. Ele usa essas
ocasiões para “esticar” a nossa fé e para transformar o
nosso caráter a fim de que sejamos vasos mais eficazes
e úteis. ■
A Sabedoria Testada
Deus usa as tribulações para nos purificar e nos fortalecer.
Deus não nos prova a fim de fazer com que nos sintamos fracassados ou porque não somos “bons o suficiente”. Não! Deus
permite provações e tribulações em nossa vida para aumentar
a nossa força, pois Ele não quer que sejamos fracos nas horas
em que precisarmos ser fortes (Pv 24:10; Jr 12:5). Deus usa as
tribulações para nos preparar para podermos receber mais da
Sua unção e sermos fiéis a Ele!
É por isso que Tiago nos exorta a “considerarmos uma
grande alegria quando entrarmos em várias tribulações” (Tg
1:2). As Escrituras vão adiante e nos encorajam a suportarmos
pacientemente as tribulações (vv. 3,4), sabendo e confiando
que o nosso Deus fiel as usará para o nosso bem e para a Sua
glória. Essa é a Sua promessa para nós (Rm 8:28,29).
Tiago prossegue e nos aconselha a também pedirmos sabedoria (Tg 1:5-8) – e, com fé, esperarmos a resposta de Deus.
Por que precisamos dessa sabedoria? Será que é só para escaparmos das tribulações? Não, mas, ao contrário, é para nos
dar discernimento e entendimento, a fim de que, independentemente da fonte da tribulação, saibamos o que fazer enquanto
Deus estiver operando em nós.
Satanás é o autor do mal; ele vem para
roubar, matar e destruir... O Diabo não
consegue arruinar ou limitar nossos dons
ou unção diretamente, os quais estão
sob o governo soberano de Deus. No
entanto, Satanás nos tenta na área do
nosso caráter. Ele tenta nos atacar, nos
enganar, nos poluir, ou nos desqualificar
como instrumentos de Deus.
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009
Necessidade de Uma História Provada
Deus deseja dar-nos mais do Seu Espírito. No entanto, isso
requer que tenhamos a força de caráter e a maturidade para não
desperdiçarmos ou usarmos inadequadamente os Seus dons.
Você não daria um carro a uma criança de cinco anos de idade,
não importando o quanto ela se sentisse pronta para dirigi-lo,
não é? Ela não teria a maturidade para lidar com a responsabilidade. Ela precisa primeiramente crescer física, mental e
emocionalmente.
Esse mesmo princípio se aplica no Reino de Deus. Olhe para
as instruções de Paulo a Timóteo sobre a designação de presbíteros e diáconos (1 Tm 3:1-13). É louvável e bom se alguém
quiser ser um líder. Contudo, essa pessoa precisa ter uma história provada de comportamento e caráter santos, e de maturidade
na vida. Especificamente, Paulo instrui a Timóteo que um novo
convertido não deve ser designado como presbítero, pois os novos convertidos ainda não têm esse tipo de maturidade.
Ficando de Pé na Tentação
O nosso Deus é perfeito em santidade. Ele jamais cometerá um ato maligno, e Ele jamais nos tentará – a nós, os objetos
do Seu amor – a praticarmos o mal ou a pecarmos (Jó 34:1012; Tg 1:13-18).
Satanás é o autor do mal; ele vem para roubar, matar e destruir (Jo 10:10). O Diabo não consegue arruinar ou limitar nossos dons ou unção diretamente, os quais estão sob o governo
soberano de Deus. No entanto, Satanás nos tenta na área do
nosso caráter. Ele tenta nos atacar, nos enganar, nos poluir, ou
nos desqualificar como instrumentos de Deus. Se ele conseguir persuadir-nos a escolhermos atitudes ou comportamentos
pecaminosos, aí então a obra de Deus através da nossa vida
poderá ser atrapalhada ou destruída através do nosso fracasso
pessoal.
O que então devemos fazer, uma vez que o nosso “adversário, o Diabo, anda em derredor, rugindo como leão, buscando a quem possa tragar” (1 Pe 5:8)? Devemos lidar com
as tentações da mesma maneira que Jesus o fez no deserto (Lc
4:3-12). Os métodos para resistirmos às obras do Diabo estão sumarizados para nós também em Tiago 4:7-10. Leia essa
passagem das Escrituras, e vamos estudá-la agora juntos por
alguns momentos.
“Submeta-se a Deus” – obedeça e confie no Senhor. A obediência à Sua Palavra nos manterá longe dos lugares ou situações de tentação. Além disso, corra a Ele primeiramente em
oração quando você estiver sendo tentado. Não tente resistir às
tentações sem a ajuda de Deus.
“Resista ao Diabo” – use a Palavra de Deus e a sua linguagem espiritual de oração (“línguas – 1 Coríntios 12 e 14).
Una-se em oração com alguém em quem você confia.
“Aproxime-se de Deus” – coloque toda a sua situação diante de Deus em oração e permita que Ele resplandeça a luz do
Seu Espírito e da Sua Palavra em seu coração. Seja paciente e
espere n’Ele, para que Ele faça o que somente Ele pode fazer.
Resista à tentação de fazer as coisas com as próprias mãos e de
tentar resolver ou consertar a situação por você mesmo.
“Limpe as suas mãos”, “purifique o seu coração”, “humilhe-se” – à medida que o Espírito Santo revelar ou convencê-lo
de pecados em áreas de escravidão e fraquezas em sua vida,
ATOS / 51 coloque essas situações diante de Deus em oração
com um coração humilde e arrependido. Confesse
as suas falhas e a sua necessidade da obra purificadora de Deus, do Seu perdão, cura e libertação.
Graça Para Sermos Vencedores
Além disso, há uma outra poderosa lista de
instruções que nos ajudam a saber como nos envolver em batalhas espirituais. Leia Efésios 6:1018. Essa passagem nos instrui a vestirmos a nossa
armadura, a tomarmos a Espada do Espírito (a Palavra de Deus) e a sermos “banhados” em oração.
Aí então, depois de haver feito todo o possível,
fique firme em sua fé, confiança e submissão a
Deus. Você pode resistir ao Diabo e às suas obras,
e ele tem que fugir! Deus lhe dará a vitória hoje!
O inimigo não desiste. Ele tentará novamente,
uma vez que a meta dele é a sua destruição. Isso
foi verdade até mesmo com Jesus. Muito embora
Ele enfrentasse uma grande tribulação no deserto – e teve uma vitória total – esse não foi o Seu
combate final com o inimigo. (Veja Lucas 4:13;
veja também Mateus 16:23; Lucas 22:1-6.) No
entanto, com todas as tentações, Jesus não cedeu ao pecado.
Lembre-se de que Deus está completamente a seu favor (Rm
8:31). Ele até mesmo prometeu que não permitiria que você fosse tentado além do que você consegue resistir. Ele sempre providenciará uma maneira de escape (1 Co 10:13; 2 Pe 2:9).
Vamos nos regozijar, portanto, porque temos um Rei que
intimamente conhece e compreende as nossas lutas. Este justo
e amoroso Salvador liberalmente nos convida a recebermos a
Sua força, poder e graça para sermos vencedores como Ele (Hb
4:14-16).
Precisamos buscar um padrão vitalício de confiança no
poder do Espírito Santo.
Quando Jesus voltou depois de quarenta dias no deserto, a
Bíblia registra o seguinte: “Aí então Jesus voltou no poder do
Espírito à Galiléia, e notícias sobre Ele percorreram todas as
regiões vizinhas” (Lc 4:14).
Jesus veio à Sua cidade natal de Nazaré. Este era o lugar
em que Ele havia crescido e em que Ele ia à sinagoga para
o Sábado (Lc 4:16-30). Foi lá que Ele Se levantou para ler,
escolhendo de todas as Escrituras a seguinte passagem de Isaías 61:1,2: “O Espírito do Senhor está sobre Mim, porque Ele
Me ungiu para pregar o Evangelho aos pobres; Ele Me enviou
para curar os quebrantados de coração, para proclamar liberdade aos cativos, e a recuperação da vista aos cegos, para libertar os que estão oprimidos; para proclamar o ano aceitável
do Senhor” (Lc 4:18,19).
Jesus declarou que a Sua obra messiânica seria realizada
pelo “Espírito do Senhor”. Jesus foi ungido e capacitado pelo
Espírito Santo. Foi somente através desta unção que Ele pôde
fazer tudo o que Ele declarou profeticamente com relação ao
Seu ministério.
Total Dependência do Senhor
Na passagem citada acima, Jesus está estabelecendo o padrão perfeito de como podemos executar a vontade do Pai.
52 / ATOS
Como sabemos, Jesus
veio somente para fazer
a vontade do Pai, e não
a Sua própria vontade.
Semelhantemente, você
e eu somos chamados
para fazermos a vontade do Pai, e não a nossa
própria vontade. Não
somos chamados para
realizarmos “o nosso
programa”, independentemente do quão
bom acharmos que ele
possa ser. Ao contrário,
somos chamados, autorizados e capacitados
para realizarmos a vontade de Uma só Pessoa
– Deus. E para fazermos a vontade de Deus,
Não ceda!
precisamos do poder de
Deus!
Como já aprendemos, o nosso grande desafio, à medida que
amadurecemos nas coisas de Deus, é nos tornarmos cada vez
mais dependentes dEle e do poder do Espírito Santo. É fácil
demais começarmos a depender dos nossos crescentes dons
e habilidades. Talvez tenhamos algum sucesso, e, assim sendo, nos afastamos da oração planejada ou do estudo da Bíblia.
Talvez não nos sintamos tão famintos espiritualmente, ou tão
ansiosos de vermos Deus operando na vida das pessoas ou da
nossa comunidade. A nossa confiança é então colocada mais
em nossas experiências e habilidades acumuladas, e menos no
poder e unção do Espírito de Deus.
Nessas situações, as dificuldades e tribulações podem fazer com que nos ajoelhemos uma vez mais, e elas podem nos
trazer de volta ao nosso lugar de dependência do Senhor para
tudo o que necessitamos na vida e no ministério.
Podemos ver, na vida de Jesus, ocasiões de grandes milagres e ministério, e ocasiões de grandes tribulações e oposições. Mas, em ambas as situações, o Imaculado Filho de Deus
era totalmente dependente do poder capacitador do Espírito de
Deus.
Jesus escolheu assumir as limitações de um corpo humano
e esvaziar-Se dos Seus privilégios divinos (Fp 2:7). Devido a
isso, Jesus aceitou ficar completamente dependente da vontade
do Pai e do poder capacitador do Espírito Santo. Isso O susteve
durante Sua vida e Seu ministério, e até mesmo em Sua morte
e subsequente e gloriosa ressurreição!
Se Jesus, o Deus-Filho, precisava do poder da unção do Espírito Santo para cumprir a vontade do Pai, quanto mais você
e eu precisamos?
Provações:
Os Instrumentos de Deus que nos Moldam
Deus usa as provações em nossa vida. Ele não está nos punindo nessas ocasiões. Exatamente o oposto é a verdade. Pelo
fato de que Deus nos ama, Ele nos disciplina (Hb 12:3-11).
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009 Pelo fato de que verdadeiramente somos Seus filhos e filhas
(Rm 8:14-16), Ele faz o que é necessário para moldar-nos e
fazer com que cresçamos à Sua imagem (2 Co 3:18). Pelo fato
de que somos co-herdeiros com Cristo (Rm 8:17), e estamos
destinados a governarmos e reinarmos com Ele (2 Tm 2:12; Ap
5:10), passaremos por provações para que elas nos preparem
para o que está por vir (Rm 8:18; 2 Co 4:17).
Não vamos temer nem fugir das provações e dificuldades que
virão a cada um de nós. Mas, ao contrário, como escreve Tiago,
vamos “considerar como uma grande alegria quando passarmos por várias provações” (Tg 1:2), pois elas são os próprios
instrumentos que Deus usará para moldar-nos, transformar-nos,
e preparar-nos para sermos usados para Sua glória!
3. Busca da Pessoa de Deus
Como já vimos, há muitos princípios e lições a ser aprendidos com a vida e ministério de Jesus. Inquestionavelmente,
ninguém jamais ensinou como Ele (Lc 4:32). Jesus executou
sinais, maravilhas e milagres em todo o Seu ministério – tantos, na verdade, que o Apóstolo João declara que foram muito
numerosos para se registrar! (Jo 21:25)
Uma vez que Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e para
sempre (Hb 13:8), as obras que Ele fez durante o Seu ministério terreno ainda estão sendo feitas hoje. As grandes obras
e os milagres estão sendo feitos pelo Espírito Santo, através dos
membros do Corpo de Cristo. Isso significa que o ministério que
Jesus começou, enquanto Se encontrava na Terra, Ele deu agora
aos Seus seguidores, para que eles o continuassem (At 1:1-8).
Não recebemos, obviamente, a Sua missão de morrer na
Cruz pelos pecados da humanidade. Essa foi uma missão de
Cristo somente. A salvação eterna é somente através do sacrifício d’Ele (At 4:12). Não há nada que possamos fazer para
acrescentarmos a esta obra grandiosa e consumada. Nós devemos apenas recebê-la!
De Pastor Para Pastor: Entenda, por favor, que o ministério de Jesus não foi encurtado pela Sua crucificação.
O motivo principal da missão de Jesus aqui na Terra foi
a Sua morte na Cruz para a salvação da humanidade.
Essa salvação foi gloriosamente realizada através da Sua
morte e subsequente ressurreição (Jo 19:30; Ef 1:17-23;
Fp 2:5-11; Hb 9:11-15).
Assim sendo, podemos dizer com confiança que ninguém matou ou assassinou Jesus contra a Sua vontade.
Ao contrário, a morte de Cristo pelos nossos pecados
foi parte do propósito preordenado de Deus para Ele (Jo
1:29; 12:27; 19:5-11; At 2:22-24,33). Jesus recebeu voluntariamente essa missão e a realizou plenamente. ■
Obras Maiores
Os que entre nós receberam a salvação através de Jesus Cristo receberam o ministério de Jesus para continuá-lo, até mesmo
“aos confins da terra” (At 1:8). Recebemos o Espírito Santo
para nos capacitar a cumprir esse abençoado mandamento.
Jesus também disse: “Com toda certeza Eu vos digo que
quem crê em Mim, as obras que Eu faço, ele também fará; e
obras maiores do que estas ele fará, porque Eu vou para o Meu
Pai” (Jo 14:12). Nesse versículo, vemos claramente que Jesus
nos chamou para continuarmos as Suas obras.
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009
Contudo, precisamos entender que isso não significa que
as nossas obras de alguma forma serão superiores às de Cristo. Tampouco poderemos jamais nos tornar iguais a Cristo de
maneira nenhuma (Mt 10:24,25; Jo 13:16), pois somente Jesus
era e é Deus, e somente Jesus é Um em essência com Deus-Pai
e com Deus-Espírito Santo (Jo 10:30).
Quando Jesus disse “obras maiores”, Ele estava Se referindo ao fato de que faríamos obras que são maiores em número
e extensão. A extensão do ministério de Jesus foi de aproximadamente três anos e meio. O nosso ministério pode estender-se
durante toda a nossa vida.
O ministério terreno de Jesus foi geograficamente confinado a uma pequena área e a um número relativamente pequeno de pessoas. Isso é limitado em comparação aos milhões
de seguidores de Cristo e ao nosso chamado de irmos até “os
confins da terra” (At 1:8). Devemos “pregar o Evangelho a
todas as criaturas” (Mc 16:15) e “fazer discípulos de todas as
nações” (Mt 28:19). Assim sendo, essas são as “obras maiores” que faremos!
Boas Novas Para Todos
O plano no coração de Deus-Pai foi trazer a salvação a todas
as pessoas. Através da morte e ressurreição de Jesus, isto agora
é possível. No entanto, estas Boas Novas maravilhosas precisam ser contadas a todas as nações (Mt 24:14; Jo 4:35). Como
saberão, a menos que alguém lhes conte? (Rm 10:14,15.)
A tarefa de todos os crentes é fazer com que as Boas Novas da salvação através de Cristo sejam conhecidas a todas as
pessoas. Mas, para realizarmos isso, precisamos do poder e da
capacitação do Espírito Santo de Deus!
Pelo poder do Espírito Santo, “Ele convencerá o mundo do
pecado, da justiça, e do juízo” (Jo 16:7-11). Foi também pelo
Espírito Santo que sinais e maravilhas foram feitos pelos primeiros apóstolos (At 2:43; 5:12; etc.). Os mesmos sinais e maravilhas pelo poder do Espírito Santo têm continuado através da Era
da Igreja, e estão disponíveis a nós hoje (1 Co 12:9,10).
A maioria dos pastores e líderes de igreja de hoje anseia em
ver mais do poder evidente de Deus através de seus ministérios. Desejamos ver os enfermos curados, os demônios expulsos, os mortos ressuscitados – e muito mais – e tudo isso para
a glória de Jesus!
Essas obras certamente estão disponíveis a nós hoje pelo
poder do Espírito Santo. Jesus as fez em Seu ministério pelo
Espírito Santo (At 2:22). E Ele prometeu que nós também as
faríamos (Jo 14:12) pelo mesmo Espírito Santo (1 Co 12:11).
Nós podemos e devemos esperar – e ter fé – que Deus confirme a pregação do Evangelho com um poder de milagres através
dos nossos ministérios (Mc 16:19,20). Isso Ele fará pelo poder
do Espírito Santo, de acordo com a Sua vontade. Aleluia!
Os Sinais Apontam Para Deus
Neste ponto precisamos trazer uma perspectiva de equilíbrio e cuidado. O foco ou meta do nosso ministério nunca deve
ser milagres, sinais e maravilhas. Tampouco essas coisas devem tornar-se o desejo do nosso coração.
É verdade que Deus está fazendo muitas coisas maravilhosas e milagrosas no mundo hoje, mas qual é o propósito desses
poderosos sinais, maravilhas e milagres?
ATOS / 53 Um “sinal” ou “maravilha” é um evento ou ocorrência
anormal ou muito incomum (leia mais sobre sinais no encarte
especial abaixo). O propósito que Deus tem para os sinais é
atrair a nossa atenção. Por exemplo, uma sarça ardente no deserto talvez não seja tão incomum assim. No entanto, quando
esta sarça continua a ter uma aparência de que está queimando
por muito tempo, mas não é consumida, ela certamente atrai a
nossa atenção e percepção! (Veja Êxodo 3:1-3.)
Contudo, um sinal é mais do que simplesmente um fenômeno ou algo incomum. O propósito principal dos sinais ou
milagres é apontar para algo. O que quer que seja que o sinal
ou maravilha esteja apontando determina a sua validade.
Todos os sinais e maravilhas feitos pelo Espírito Santo
sempre e em todos os casos apontam para Deus-Pai ou para o
Deus-Filho, Jesus. O sinal em si não é o “destino final” ou o ponto focal. Ao contrário, o sinal deve levar as pessoas ao destino.
Deus conseguiu a atenção de Moisés com uma sarça ardente que não se consumia. No entanto, uma vez que Deus tinha
a atenção de Moisés, Ele começou a revelar a Si Mesmo (Êx
3:4-6) e o Seu propósito para o Seu povo (Êx 3:7 - 4:17).
Qual era mais importante? Deus fazer com que uma sarça
ardesse continuamente, ou o que Ele revelou sobre Si Mesmo
e o Seu propósito?
Será que o Evangelho é Claramente Pregado?
A base para julgarmos sinais e maravilhas, palavras proféticas, visões e ocorrências espirituais semelhantes não é o fato
de serem incomuns ou sobrenaturais. Até mesmo o Diabo pode
usar o engano para realizar sinais e maravilhas sobrenaturais
limitados (2 Co 11:14). As obras de Satanás com relação a isso
aumentarão à medida que entrarmos nos tempos do fim (Mt
24:23-25; 2 Ts 2:8-10; Ap 13:13,14; 16:14; 19:20).
O mundo demoníaco tentará produzir milagres falsos a fim
de enganar as pessoas, afastando-as da verdade do Evangelho
e de Jesus como o único caminho da salvação. No entanto, até
mesmo esse exemplo negativo mostrará que os sinais e maravilhas podem atrair a atenção das pessoas.
Assim sendo, a verdadeira base para julgarmos os sinais e
Uma Breve Análise de Sinais e Maravilhas
Os sinais, maravilhas e milagres de
Deus são bons, e, às vezes, são algo
que devemos esperar ver hoje. Eles
não cessaram com a morte dos primeiros apóstolos (aprox. 100 d.C.).
Tampouco cessaram quando as Escrituras do Novo Testamento foram
“canonizadas” (o termo usado para
significar um reconhecimento oficial
por parte da liderança da Igreja dos
escritos apostólicos como sendo inspirados por Deus – aprox. 300 d. C.).
O Espírito Santo está fazendo ainda hoje as obras que Jesus começou
há quase 2.000 anos! Jesus é o “mesmo ontem, hoje e para sempre” (Hb
13:8). E Ele é O que nos chamou para
continuar as Suas obras (Jo 14:12),
pelo poder do Espírito Santo.
Contudo, por mais emocionantes
que sejam os sinais, maravilhas e
milagres, há um limite com relação
ao que eles conseguem realizar. Já
estabelecemos que os sinais existem para capturarem a atenção das
pessoas e que eles devem sempre
direcioná-las a Jesus.
Isso é vital, porque os sinais e
maravilhas não fazem com que a
“fé salvadora” cresça no coração
da pessoa. A fé que é desenvolvida
somente num sinal ou maravilha tem
a tendência de ser superficial e nãoduradoura. (Para um exemplo disto,
leia João 6, especialmente os versículos 14, 15, 26-35, 60-64.)
Em última análise, para entrar na
salvação, a pessoa precisa escolher
54 / ATOS
corresponder à verdade de Jesus
Cristo – quem Ele é e o que Ele fez
por ela na Cruz. Ela precisa crer n’Ele,
arrepender-Se dos seus pecados, e
recebê-Lo como seu Senhor e Salvador.
O Primeiro Lugar Pertence a Jesus
Jesus, no início do Seu ministério, compreendia a natureza maligna e superficial do coração humano
(Jr 17:9). Jesus não Se entregou
nem Se “comprometeu” com as
pessoas que O estavam seguindo
(Jo 2:23-25). Ele discerniu que elas
tinham apenas uma fé superficial
n’Ele, que surgia “quando viam os
sinais que Ele fazia” (v. 23).
Os milagres, sinais e maravilhas
feitos pelo poder do Espírito Santo
são legítimos e válidos. Deus usaos para ganhar a atenção das pessoas, mas a fé duradoura precisa
ser edificada em algo – Alguém! –
muito mais eterno e sólido: Jesus
Cristo!
Uma fé que é edificada na Pessoa de Cristo e em Seu sacrifício
pelos nossos pecados é uma fé sólida, duradoura e salvadora. Esse é
o tipo de fé que transforma vidas e
que permanece forte e cresce, apesar das adversidades e tribulações.
Esse é o tipo de fé que pode durar
a vida toda – até a eternidade!
O Espírito Santo de fato usa sinais, maravilhas e milagres para
capturar a atenção das pessoas,
mas Ele faz isso a fim de levá-las
a uma oportunidade de escolherem
crer em Cristo para a salvação. Vamos analisar dois exemplos disso.
No primeiro exemplo (Jo 9:141), Jesus curou um homem que
havia nascido cego. Esse homem
foi curado, mas, em seguida, Jesus
o confrontou com a oportunidade
de crer n’Ele (Jo 9:35-38).
No segundo exemplo (At 13:412), Paulo confrontou um feiticeiro
maligno. Sob a unção do Espírito
Santo, Paulo declarou um juízo profético sobre o feiticeiro (vv. 9-11). Um
procônsul, que viu essa demonstração de poder, ficou convencido de
que o que Paulo havia lhe ensinado
sobre Cristo era verdadeiro (v. 12).
Você observará que, em ambos
os casos, a fé em Cristo não se
baseou no sinal em si. Baseou-se
na questão de a pessoa ter crido
ou não em Jesus Cristo (Jo 9:3538; At 13:12). O sinal ou maravilha
simplesmente serviu para validar a
verdade e o poder do Evangelho de
Jesus Cristo.
Líder de igreja: os sinais e maravilhas devem ter o seu lugar em seu
ministério, mas o primeiro lugar em
todas as coisas pertence a Jesus.
Tudo o mais deve simplesmente e
muito claramente direcionar as pessoas a Ele. Jesus é o Salvador delas! Jesus é o Senhor delas! Todo
o louvor e glória para Ele!
&
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009 maravilhas pelo Espírito Santo é a seguinte: Será que este acontecimento glorifica a Jesus? Será que ele direciona as pessoas
ao Senhor? Será que leva as pessoas a responderem a Ele? – a
amarem, adorarem, obedecerem e seguirem a Jesus Cristo? Será
que o Evangelho está sendo claramente pregado, a fim de que os
não-salvos tenham uma oportunidade de se arrependerem? Será
que o nome de Jesus Cristo está sendo exaltado acima de todos
os outros nomes? Essas são as perguntas que precisamos responder à medida que buscamos um discernimento e entendimento
sobre a questão dos sinais e maravilhas.
Nenhum Outro Deus
Isto nos leva a um dos princípios mais importantes do
andar, ministrar e crescer na unção do Espírito Santo:
Será que estamos buscando a Deus pelo que Ele fará
por nós? Ou será que estamos buscando a Deus por quem
Ele é, e buscando-O devido ao nosso desejo de termos um
relacionamento com Ele – desejando somente conhecê-Lo e
fazê-Lo conhecido?
Já estabelecemos que o poder de Deus não está separado da
Pessoa de Deus. A unção do Senhor é o Espírito de Deus operando num vaso humano submisso a Ele, e através desse vaso.
Mas o que acontece quando alguém perde o seu foco em
Deus, ou direciona inadequadamente a sua fome por coisas espirituais e se afasta d’Ele? Podemos ver os resultados desastrosos disso entre os líderes religiosos judeus dos dias de Jesus.
Jesus confrontou os líderes religiosos que desejavam matáLo (Jo 5:16-18). Eles eram homens com uma instrução meticulosa e profunda, mas haviam se perdido no caminho, apesar
do seu conhecimento.
Jesus os repreendeu por haverem perdido de vista o propósito específico de todo o seu aprendizado: “Examinais as Escrituras, pois cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de
Mim testificam. Mas não quereis vir a Mim para terdes vida”
(Jo 5:39,40).
Os líderes judeus conheciam as Escrituras, mas eles haviam
falhado em compreender a Palavra Viva – Jesus, que estava
bem na frente deles! (Jo 1:1-5,14.)
Mais tarde, uma vez mais, Jesus repreendeu a elite religiosa
por sempre buscar um sinal, muito embora eles já tivessem
testemunhado muitos sinais assim (Mt 12:38,39). E Jesus os
repreendeu uma terceira vez ao falar sobre a cegueira dos fariseus, escribas e mestres da lei, os quais estavam pedindo mais
um outro sinal (Mt 16:1-4).
Aí então, pouco antes do final do ministério de Jesus, quando a cegueira voluntária dos fariseus com relação à verdade
permaneceu inalterada, Jesus pronunciou um juízo sobre eles
(Mt 23:37-39).
Onde Jesus estava querendo chegar com isso? Há muitas lições a ser aprendidas com os confrontos de Jesus com os líderes
religiosos dos Seus dias. Mas, essencialmente, Jesus estava salientando que os judeus estavam buscando o que eles queriam que
Deus fizesse por eles – mas não a causa do próprio Deus!
Essa é uma das razões pelas quais eles rejeitaram a Jesus
como o Messias. Ele não lhes dava o que queriam, ou seja, que
Ele iniciasse naquele exato momento um Reino na Terra em que
os fariseus, escribas e mestres da lei estivessem entre os líderes
privilegiados. Eles desejavam poder, influência e riquezas maVOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009
Deus é justamente zeloso pelo nosso
amor e devoção. Em primeiro lugar,
porque somente Ele em todo o Universo
é digno do nosso amor e adoração.
Em segundo lugar porque Deus é o nosso
Criador e devemos a nossa existência
como raça humana viva a Ele.
Em terceiro lugar porque Ele deu o Seu
Filho para nos redimir – a nós, os objetos
do Seu perfeito amor – do pecado e da
morte (Cl 2:11-15; 1 Jo 4:9,10).
teriais. Eles haviam ficado confortáveis com as suas posições,
títulos de respeito e status social (Mt 6:2,5,6,16-18; 23:2-7; Jo
12:42,43; etc.). Eles haviam perdido o foco inteiramente, pensando somente em si mesmos. Jesus, obviamente, condenava
esta atitude de serviço a si próprios e de orgulho religioso.
Os líderes religiosos haviam se esquecido de uma verdade
fundamental sobre o Deus a quem diziam que serviam. “Não
terás nenhum outro deus diante de Mim... Pois Eu, o Senhor
teu Deus, sou um Deus zeloso.” (Êx 20:3,5.)
Deus é justamente zeloso pelo nosso amor e devoção. Em
primeiro lugar, porque somente Ele em todo o Universo é digno do nosso amor e adoração. Em segundo lugar, porque Deus
é o nosso Criador e devemos a nossa existência como raça humana viva a Ele (Gn 1:26-28; 2:18-25; Jo 1:3). Em terceiro
lugar, porque Ele deu o Seu Filho para nos redimir – a nós, os
objetos do Seu perfeito amor – do pecado e da morte (Cl 2:1115; 1 Jo 4:9,10).
Essa verdade é confirmada novamente no Novo Testamento:
“O Espírito que em nós habita tem ciúmes” (Tg 4:5). Essa afirmação foi feita durante uma repreensão aos primeiros cristãos
que estavam tentando usar a Deus para satisfazerem os seus desejos egoísticos (Tg 4:1-4). Eles foram chamados de “adúlteros
e adúlteras” (v. 4), porque estavam traindo o seu relacionamento comprometido e santo com o seu Salvador, a fim de buscarem
os prazeres carnais e passageiros deste mundo.
Mas, mesmo assim, Deus não os rejeitou. Em vez disso,
Ele teve zelo por eles, pois somente Ele os amava verdadeiramente. Deus recebe de volta e perdoa o adúltero que verdadeiramente se arrepende (Tg 4:6-10).
Fica claro, então, que não devemos violar o nosso amor e
serviço a Deus, ficando apaixonados por qualquer outra coisa.
Evite Ser Afastado
Em nossa função como pastores e líderes no Corpo de Cristo, deve haver somente Um que possua a nossa lealdade, fidelidade, desejo e esperança – Jesus!
● Não sinais, maravilhas, ou milagres;
● Não um grande ministério, ou os que têm um grande
ministério;
● Não dons, chamados, capacidades, posições ou títulos;
ATOS / 55 ● Nem mesmo as bênçãos d’Ele.
Dizem que os maiores obstáculos para os crentes são frequentemente as bênçãos que Deus dá ao Seu povo. Por que isso
seria assim? Porque a nossa atenção e desejos podem facilmente ser afastados de Deus, e, em vez disso, ficar fixados nas
bênçãos d’Ele. Nosso coração é enganosamente egoístico (Jr
17:9). Muito embora possamos ser salvos, ainda assim somos
muito propensos ao pecado (1 Jo 1:8).
Mas entenda, por favor: É quando buscamos a face de Deus
(o Seu coração, Ele próprio) que descobrimos a vontade de
Deus e o que Ele deseja fazer.
À medida que seguirmos e obedecermos à Sua vontade,
aí então veremos a poderosa mão de Deus através do Seu Espírito em ação! A busca de Deus e o nosso relacionamento com
Ele precisam ser sempre a nossa prioridade. É desse lugar que
tudo de valor no ministério fluirá.
De Pastor Para Pastor: Amigo e líder de igreja: entenda por favor que não é errado você querer que a presença e a unção do Espírito Santo sejam derramadas sobre você e o seu ministério. O grande desejo de Deus é
que você tenha isso!
Mas, se não formos sábios e cautelosos, nosso coração pode ser seduzido. Em nosso desejo de termos
sucesso no ministério, podemos começar a focar o que
Deus pode fazer por nós, em vez de concentrarmos o
nosso amor por Ele, somente por quem Ele é.
Vagarosa e sutilmente, podemos ser afastados de uma
busca santa da Pessoa de Deus no lugar de ansiarmos pelo que Ele pode fazer por nós. Foi precisamente
isso o que aconteceu com os fariseus. Eles substituíram
um relacionamento de submissão com Deus pelo seu
conhecimento sobre Deus. Eles sabiam muito sobre as
Escrituras e questões religiosas, mas não O conheciam.
Não desejavam o próprio Deus, mas buscavam o que Ele
podia fazer por eles.
Alguns líderes de hoje, em vez de se sentirem atraídos
para Deus, são atraídos pelos fenômenos sobrenaturais
que frequentemente acompanham o mover do Espírito
Santo. É como alguém que quer se casar com um homem
rico ou uma mulher rica, por causa das riquezas que essa
pessoa possui. Esse indivíduo deseja as riquezas da pessoa, e o que ela pode fazer por ele, mais do que deseja a
pessoa. Que atitude terrível e egoística!
Quando ansiamos por experiências sobrenaturais, o
nosso amor pelo próprio Deus pode transformar-se em
algo inferior a puro – e pode até mesmo ficar frio (Mt
24:12). Isso é semelhante à atitude revelada em Simão, o
feiticeiro, que buscava o poder milagroso do Espírito Santo para o seu benefício próprio (At 8:9-24).
O nosso Deus é zeloso por nós. Ele deseja a nossa
lealdade, o nosso amor e a nossa devoção, porque Ele
nos ama com um amor eterno (Rm 5:5; 1 Jo 3:1). Os que
fixaram todo o seu coração no Senhor são o tipo de pessoas para as quais Ele olha. É através dos Seus filhos
consagrados que Ele pode manifestar-Se de maneira poderosa (Dn 11:32). ■
Verdadeiros Filhos, Verdadeiros Servos
Jesus disse: “Se alguém Me servir, que Me siga; e onde Eu
estiver, lá estará o Meu servo também. Se alguém Me servir, a
ele o Meu Pai honrará” (Jo 12:26).
Observe que, neste versículo, Jesus está na posição de preeminência. Jesus é o Senhor da Igreja (Ef 1:22), e nós devemos
segui-Lo. Ele não está nos seguindo por aí, no ministério, para
abençoar o que pedimos que Ele abençoe.
O nosso primeiro chamado como líderes de igreja é um relacionamento diário de busca do Senhor – conhecendo-O, amando-O, adorando-O, tendo comunhão com Ele (Sl 63:1-8). É a partir deste lugar que verdadeiramente descobriremos a Sua vontade
e planos para a nossa vida, nosso ministério, e tudo o mais.
O desejo de Deus é derramar a Sua bênção, a Sua unção,
os Seus sinais e maravilhas sobre a Sua Igreja, e sobre você
como Seu líder chamado. Mas será que Ele pode confiar isso a
você? Será que você tem a maturidade, a força de caráter, e a
sabedoria para permanecer leal somente a Ele?
Deus promete liberar mais da Sua “mão”, se o nosso coração
pertencer somente a Ele. “Pois os olhos do Senhor percorrem
toda a terra, para mostrar-Se forte por aqueles cujos corações
são leais [totalmente comprometidos, obedientes] a Ele.” (2 Cr
16:9.) Ele zelosamente quer o nosso coração com um zelo santo,
pois Ele nos ama com o Seu amor eterno (Rm 8:31-39).
O Nosso Primeiro Chamado
Muitas vezes nas Escrituras, somos exortados a buscar a
“face” de Deus (2 Cr 7:14; Os 5:15; Sl 27:8; etc.). A face de
Deus, da maneira retratada na Escrituras, representa a Pessoa
de Deus, o Seu coração.
Contudo, em nenhum lugar das Escrituras somos exortados a buscar a “mão” de Deus. A “mão” de Deus, ou a “mão”
do Senhor, refere-se às Suas obras, Suas ações, Suas bênçãos.
Podemos ver os resultados da operação de Deus (a Sua mão)
através do que Ele faz. E não é errado querermos ver esses
resultados em nosso ministério e através dele.
56 / ATOS
De Pastor Para Pastor: Deus absoluta e incondicionalmente o ama! Independentemente das suas imperfeições, Ele o ama profunda, pessoal e eternamente. Você
não foi criado somente para o serviço ministerial.
Se Deus quisesse mais servos, Ele simplesmente teria
feito mais anjos. Mas Ele criou você porque Ele queria filhos e filhas que andassem num relacionamento com Ele.
Os anjos são incapazes de terem esse tipo de relacionamento com o seu Criador. Somente nós, seres humanos,
podemos experimentar isso (Hb 2:14-18; 1 Pe 1:12).
Cristo não deu a Sua vida a fim de que você pudesse
estar no ministério. Ele morreu para ser o sacrifício pelos
seus pecados, a fim de que você pudesse ser restaurado
a um relacionamento com Deus.
Não somos apenas servos do Senhor. Somos os amigos de Cristo (Jo 15:15) e co-herdeiros com Ele (Rm 8:17).
Somos filhos e filhas do Deus Vivo (Rm 8:15,16). Temos
o privilégio e a oportunidade de servirmos ao Senhor e ao
Seu Corpo por amor e gratidão a Ele! ■
Diariamente em Sua Presença
A unção do Espírito Santo está diretamente ligada com a
nossa constante prioridade de buscarmos a Pessoa de Deus.
O Rei Davi, a quem o Senhor Se referia como “um homem
segundo o Meu [de Deus] próprio coração” (At 13:22), nos dá
instruções para um relacionamento com Deus: “Quando disVOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009 seste: ‘Busca a Minha face’,o meu coração disse a Ti: ‘A Tua
face, Senhor, buscarei’” (Sl 27:8).
“Buscar” significa “procurar e tentar encontrar fervorosa,
diligente e persistentemente, até que o objeto da nossa busca
seja encontrado”. Jesus também falou sobre esse princípio (Mt
6:33; 13:44-46; Lc 11:9-13).
Buscar a Deus custa tempo e energia. Talvez tenhamos que
desistir de alguns confortos, privilégios ou atividades. Mas é
através da busca de Deus que chegamos a conhecê-Lo. Deste
relacionamento íntimo, começamos a conhecer a Sua vontade
para nossa vida e nosso ministério. À medida que andamos em
obediência à Sua vontade, Ele libera a Sua unção sobre nós e
através de nós.
Vamos colocar sempre a nossa prioridade máxima num
tempo diário na presença do Senhor. É aí que receberemos o
que é verdadeiramente eterno em substância, e que não diminui nem se enfraquece (Lc 10:38-42). Decida-se hoje, e todos
os dias: “A Tua face, Senhor, buscarei.”
Revisão
Ao concluirmos esta seção, “Crescendo na Unção”, lembre-se, por favor, que cada um de nós pode e deve crescer no
poder ungidor do Espírito Santo. Isso inclui você (como pastor
e líder) – e as pessoas que você lidera!
Você tem responsabilidades como um subpastor (1 Pe
5:2-4) do povo de Deus. Elas incluem a garantia de que cada
pessoa que você lidera esteja crescendo em seu entendimento
da Palavra de Deus, como também crescendo em sua capacidade de ministrar no poder do Espírito Santo. Esse é o padrão
bíblico para um crescimento sadio no Corpo de Cristo. (Veja
Efésios 4:11-16, especialmente o versículo 12).
O caminho para o crescimento na unção talvez seja um tanto quanto diferente do que você poderia esperar. Vamos rever os
princípios mais importantes e vitais para o crescimento na unção:
● Pureza;
● Fraqueza santa;
● Humildade;
● Submissão a autoridades;
● Resposta certa às provações;
● Um coração somente para Deus;
● Andar e crescer num relacionamento diário com Deus.
Jesus era o nosso exemplo de todas essas características.
Ele era o Homem mais ungido que já andou sobre a terra. Ele
nos convida a andarmos em Suas pegadas, no caminho da unção de Deus. À medida que fizermos isso, receberemos uma
medida plena de tudo o que necessitamos para cumprirmos o
sublime chamado do Senhor para nós!
C. RECEBENDO A UNÇÃO DELE
Eu fazia parte da equipe ministerial numa Conferência Para
Pastores em Cuba. Pouco antes do final da conferência, foi permitido algum tempo para testemunhos dos participantes. Um
cavalheiro idoso e um tanto quanto debilitado fisicamente, e
que era obviamente cego, foi ajudado em seu caminho enquanto vinha vagarosamente à plataforma.
Este irmão idoso começou o seu testemunho, compartilhando que ele havia servido ao Senhor toda a sua vida. Os
membros da sua família também estavam servindo ao Senhor.
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009
Ele informou a multidão sobre as muitas igrejas que ele havia
iniciado durante a sua vida, inclusive as seis igrejas que ele
havia iniciado naquele ano!
Ele falou sobre o fato de ter perdido a visão e como isso
foi um grande desafio, incluindo a necessidade de ter alguém
lendo a Bíblia para ele todos os dias.
Aí então ele pausou por alguns momentos e abaixou a sua
cabeça. O auditório com mais de 1.000 pastores ficou em silêncio. Subitamente, aquele homem levantou as suas mãos num
gesto de triunfo e gritou: “Eu perdi a minha visão, mas não
o fogo!” Toda a assembléia irrompeu em brados de alegria e
adoração a Deus.
O que manteria um homem com 76 anos de idade “em chamas” – e ainda pregando, ensinando, evangelizando e iniciando igrejas? Somente a unção do Espírito Santo e a dedicação
daquele homem no sentido de ser usado por Deus, para os Seus
propósitos e glória!
Tesouro num Vaso de Barro
A minha esperança é que Deus me use eficazmente todos os
dias da minha vida até que Ele me leve ao meu lar celestial. Mas
não é preciso muito tempo no ministério para percebermos que
o serviço no ministério pode ser cansativo e exaustivo em todos
os níveis – física, mental, emocional e espiritualmente.
Isso não é de todo mal, pois não devemos ser egoístas com
os dons, com o poder, e com a unção de Deus. Devemos continuamente dar o que Deus nos deu. Tampouco devemos ser preguiçosos ou indisciplinados no ministério (Lc 9:62; Ec 9:10;
Cl 3:23). Ao contrário, devemos nos esforçar ao máximo pela
causa de Cristo.
Contudo, se ficarmos cansados demais, “esgotados” ou
exaustos, isto poderá criar sérios problemas. Deus sabe que
somos finitos e limitados em nossas forças. Assim sendo, Ele
de fato nos oferece a Sua força, sabedoria, graça, capacidades
e poder, a fim de fazermos a Sua vontade – e precisamos desesperadamente dessas coisas, pois, sem Ele, não podemos fazer
nada (Jo 15:5).
Paulo compreendia esta necessidade ao escrever: “Mas temos este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do
poder seja de Deus, e não de nós” (2 Co 4:7). Como um experiente e amplamente realizado apóstolo de Cristo, Paulo sabia
que o poder e a motivação para se fazer a vontade de Deus
não estão nas habilidades ou capacidades naturais do homem.
Em vez disso, “esse tesouro” dentro do “vaso de barro” que é
nossa vida – que nos dá tudo o que necessitamos – é a unção
do Espírito Santo! (Leia 2 Coríntios 3:1 - 4:18.)
Ele Supre Nossas Necessidades
Os requisitos do ministério (ou o simples viver como cristão no mundo de hoje) podem nos exaurir do poder e da força
de Deus. O próprio Jesus precisava ser revigorado espiritualmente, recebendo o ministério do Espírito de Deus.
Um estudo dos Evangelhos revela as muitas ocasiões em que
Jesus Se apartava para lugares solitários para orar (por exemplo,
Lucas 4:42; 5:16; 6:12). Após esses tempos de oração, Jesus agia
poderosamente, tomava importantes decisões em Seu ministério, era preparado para suportar provações, etc.
O que está sendo revelado a nós pelo exemplo de Jesus?
ATOS / 57 Para respondermos essa pergunta, vamos examinar duas passagens bíblicas.
1. Sejam Cheios!
“E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissipação,
mas enchei-vos com o Espírito.” (Ef 5:18.)
Há três princípios significativos que vêm da estrutura original da língua grega para a frase “enchei-vos com o Espírito”.
a. Essa frase está no tempo verbal do presente. Isso significa que a ação está acontecendo agora e continuamente. Em outras
palavras, “enchei-vos com o Espírito” significa que devemos ser
continuamente cheios com o Espírito Santo. Essa é uma notícia
maravilhosa! “Ser continuamente cheios” significa que podemos
ser cheios não somente uma vez, mas vez após vez!
Recebemos o Espírito Santo na salvação (Rm 8:15,16; Ef
1:13-15). Essa é uma unção geral dada a todos os crentes (1 Jo
2:20,27). Quando somos soberanamente chamados para tarefas ministeriais, Deus disponibiliza unções adicionais que nos
ajudarão a funcionarmos frutiferamente nessas tarefas.
Deus nos dá da Sua Pessoa, poder e dons. Mas, à medida
que distribuímos isso no ministério, podemos ficar “vazios” ou
espiritualmente exauridos. Assim sendo, Deus possibilitou que
fôssemos cheios com o Seu Espírito Santo vez após vez, tanto
quanto necessário!
Esse padrão é claramente visto no ministério da Igreja Primitiva. O Livro de Atos registra algumas dessas ocasiões para nós:
● Pedro foi cheio para pregar o Evangelho e defender a fé
(At 4:8).
● Os discípulos receberam intrepidez e poder para pregarem o Evangelho, apesar das perseguições (At 4:31).
● Paulo foi inicialmente cheio com o Espírito Santo
(At 9:17), e depois cheio novamente quando ele estava
para enfrentar poderes demoníacos (At 13:9).
● Seguindo-se a um confronto com líderes religiosos, os
discípulos foram cheios novamente com o Espírito Santo (At 13:42-52).
● Estêvão foi cheio uma vez, e cheio novamente (At 6:5;
7:55).
● Barnabé também foi cheio novamente (At 13:52).
Esse enchimento repetido com o Espírito Santo trazia um
grande poder à pregação e ensino destes discípulos. As suas
intrépidas declarações do Evangelho também eram acompanhadas por sinais e maravilhas (At 5:12).
Alguns talvez creiam que estes milagres ocorriam somente
através dos primeiros apóstolos. Mas o Livro de Atos revela
que sinais e maravilhas pelo Espírito Santo estavam sendo feitos através de quem quer que Ele escolhesse.
Por exemplo: Estêvão, que havia sido designado para servir
às mesas (At 6:8), e “os irmãos” (At 14:1-7). Paulo escreve
sobre o fato de que o Espírito Santo pode mover-Se milagrosamente através de qualquer um que Ele escolha para capacitar
e dirigir. (Veja 1 Coríntios 12:1-11.)
Aumento Através da Doação
Há um benefício adicional ao fato de sermos continuamente cheios com o Espírito Santo. À medida que “de graça recebemos e de graça damos” (Mt 10:8), a nossa capacidade de
recebermos mais da Sua unção é aumentada! Esse princípio
58 / ATOS
do Reino de Deus é válido nas finanças, no tempo, no serviço e
em outras áreas – quanto mais damos, tanto mais recebemos.
Estamos crescendo todas as vezes que ministramos, distribuindo a vida e o poder do Espírito Santo aos outros. Isso
significa que podemos então receber mais, e, desta forma, ter
mais para distribuirmos.
Este abençoado processo de recebermos e darmos, recebermos e darmos, é um benefício a todos os envolvidos. Deus
é bendito e glorificado porque a Sua vontade está sendo cumprida. Os membros do Corpo de Cristo são abençoados e estão
crescendo e se tornando discípulos fortes (Ef 4:12-16). Você,
como ministro, está sendo abençoado – como um poderoso e
fiel servo do Senhor, cumprindo o Seu chamado e crescendo
em sua capacidade de se dar no ministério, como também de
receber mais do Espírito Santo!
Tudo isto depende do sermos cheios com o Espírito Santo – continuamente. É um processo separado do recebimento
do dom soberano do Espírito Santo na salvação, ou do sermos
batizados com o Espírito Santo (At 8:14-17; 19:1-7). Devemos
viver de uma maneira tal que sejamos continuamente cheios
com o Espírito Santo, vez após vez!
b. A frase “enchei-vos com o Espírito” (Ef 5:18) também
foi conjugada no Modo Imperativo. Isso significa que essa
frase é um mandamento, e não uma sugestão! Deus sabe muito
melhor do que nós o quanto necessitamos do Seu poder e capacitação. Verdadeiramente, precisamos do Espírito Santo a fim
de vivermos como vencedores na vida diária. Mas, ainda mais
do que isso, precisamos de uma presença transbordante do Seu
Espírito a fim de sermos frutíferos e eficazes no ministério.
Quando Deus dá um mandamento, ele é sempre:
● justo e razoável
● para a Sua glória
● para o nosso bem
● possibilitado pela Sua provisão!
Deus, através da Sua vontade soberana, possibilitou para
nós a provisão ilimitada do Espírito Santo. E Ele ordena que
sejamos continuamente cheios com a Sua provisão divina do
Espírito Santo. Aleluia!
Esse é um mandamento que deveríamos nos apressar a obedecer todos os dias, e em todos os momentos de necessidade.
c. A frase também foi escrita na Voz Passiva. Isso significa que os novos e contínuos enchimentos do Espírito Santo
não podem ser realizados pelos nossos esforços. Não podemos
merecê-los ou trabalhar para sermos dignos de recebê-los. Eles
são uma dádiva de Deus para nós. Podemos apenas abrir nosso
coração e receber o que Ele deseja dar-nos.
No entanto, precisamos estar posicionados para receber o
enchimento do Espírito! Nisso está uma chave importante de
se viver uma vida cheia do Espírito e de se ter um ministério
cheio do Espírito.
Você já se perguntou por que algumas pessoas aparentemente estão sempre cheias com o Espírito Santo, movendo-se
nos dons, na sabedoria, no poder, etc. – ao passo que outros
aparentemente não agem dessa maneira?
A maneira de você se posicionar para estar continuamente
cheio com o Espírito Santo de Deus é rendendo-se. Isso significa que tudo na sua vida precisa ser submetido e entregue a
Deus – a sua vontade, os seus planos, as suas fraquezas, e, esVOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009 pecialmente, os seus pontos fortes. Quando você faz isso, você
está entregando todo o seu ser ao Espírito Santo e aos desejos
d’Ele para você.
A entrega da nossa vida ao Espírito Santo nos coloca numa
posição espiritual de recebermos mais pronta e liberalmente o
que Ele deseja dar-nos.
Contudo, observe, por favor, que a entrega da nossa vida ao
Espírito Santo não é a mesma coisa que sermos possuídos. Os
demônios são os únicos que tentam tomar a vontade e a personalidade da pessoa (Lc 8:29-38a). Os líderes das seitas e das
falsas religiões talvez tentem também controlar ou subjugar
outras pessoas, porque estão agindo sob enganos demoníacos.
Não somos chamados para ser “fantoches” religiosos, sem
uma mente ou capacidade de fazer escolhas. Ao contrário, somos chamados a um relacionamento de amor, confiança e cooperação com a presença do Espírito Santo vivendo dentro de
nós. Ele está presente para agir em nós, para nos transformar
e nos purificar, e para agir através de nós como vasos ministrantes para o Senhor Deus. Quando entregamos nossa vida a
Deus e à Sua obra desta maneira, somos posicionados a receber
novos e contínuos enchimentos de unção.
De Pastor Para Pastor: Como filhos do nosso Pai
Celestial devemos ser direcionados pelo Espírito Santo
(Rm 8:14). A palavra “direcionados” neste versículo está
no Particípio Presente. Isso significa que devemos ser
continuamente direcionados.
Esse direcionamento contínuo do Espírito Santo inclui,
mas não se limita a um conhecimento formal dos mandamentos e princípios das Escrituras – e à nossa obediência
a eles. Essa é uma maneira básica de sermos direcionados pelo Espírito Santo, uma vez que Deus já nos revelou
em Sua Palavra como devemos viver no dia-a-dia.
Mas o fato de sermos continuamente direcionados
pelo Espírito Santo também envolve o desenvolvimento
de uma sensibilidade aos Seus direcionamentos, os quais
podem vir a qualquer hora. O Espírito Santo talvez o direcione com relação ao seu ministério, à sua vida pessoal,
ao ponto de necessidade de uma outra pessoa, ou a muitas outras coisas. Ele sempre está presente com você,
para ajudá-lo e direcioná-lo nesta vida. O Espírito Santo
também o ajuda a saber como cooperar com Ele na ministração às necessidades dos outros.
Se um direcionamento for do Espírito Santo, ele sempre o levará a obedecer os mandamentos e os padrões
morais da Palavra de Deus escrita. Se você se sente direcionado pelo Espírito Santo a fazer uma mudança importante ou a fazer algo que é incomum para você, é sábio
seguir as exortações das Escrituras e buscar conselheiros espiritualmente maduros (Pv 11:14; 24:6). Eles podem
ajudar a confirmar se o que você está sentindo é de fato
do Espírito Santo – ou indicar que talvez não seja. Isso o
ajudará a guardar-se contra erros ou enganos. ■
Sumário
Aprendemos três importantes princípios com relação à frase bíblica “enchei-vos com o Espírito” (Ef 5:18).
● Nós podemos ser continuamente cheios, além de apenas uma experiência.
● Nós precisamos ser continuamente cheios, como Deus
nos ordenou.
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009
● Nós recebemos o contínuo e divino enchimento e unção do Espírito Santo somente através de Deus. É uma
dádiva d’Ele, e a condição para recebê-la é entregar
nossa vida a Ele.
2. Busquem a Deus!
Talvez você esteja se perguntando neste exato momento:
“O que preciso fazer para receber este novo enchimento (unção) do Espírito Santo de Deus? Será que devo ir a um lugar
especial? Dizer palavras específicas? Buscar alguém para orar
por mim? Será que preciso ir a reuniões especiais?”
A seguinte passagem bíblica sagrada revela como e quando
podemos receber mais da unção do Espírito Santo. Jesus disse:
“Assim Eu vos digo: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo aquele que pede recebe, e o que busca encontra, e a quem bate abrir-se-lhe-á. Se
um filho pede pão a qualquer pai dentre vós, será que ele lhe
dará uma pedra? Ou se pedir um peixe, será que lhe dará uma
serpente ao invés de um peixe? Ou se pedir um ovo, será que
lhe oferecerá um escorpião? Se vós, então, sendo maus, sabeis
como dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o vosso
Pai Celestial dará o Espírito Santo aos que Lhe pedirem!” (Lc
11:9-13).
Nessa passagem, Jesus nos dá instruções muito simples de
como podemos ser novamente cheios, vez após vez, com o Espírito Santo.
a. Nós devemos pedir, buscar, bater. Deus é o Doador do
Espírito Santo (v. 13). A admoestação nesse versículo de buscarmos ao Senhor – pedir, buscar, bater – foi escrita no Tempo
Presente na língua grega original.
Esta estrutura verbal significa que continuamos a fazê-lo,
até mesmo agora. Devemos continuar pedindo, continuar buscando, continuar batendo – até que recebamos uma resposta do
nosso amoroso Senhor.
Temos a promessa: “Todo aquele que pede recebe, e o que
busca encontra, e a quem bate abir-se-lhe-á” (v. 10). Aleluia!
Deus Se deleita em derramar o Seu Espírito sobre nós. A nossa
parte é simplesmente pedir-Lhe.
Jesus usou três exemplos sobre a nossa busca do Espírito
Santo – pedir, buscar, bater. Ele não está revelando três mecanismos ou métodos separados. Ele está nos exortando a buscarmos a Deus fervorosamente, e com sinceridade.
Observe que não há nenhuma menção de implorarmos ou
de tentarmos provar os nossos méritos para recebermos. Esses
esforços não são necessários. Aliás, são atitudes que podem na
verdade bloquear a nossa capacidade de simplesmente recebermos pela fé como amados filhos e filhas de Deus.
b. O Espírito Santo é para filhos e filhas. Os que são filhos e filhas de Deus, que assim se tornaram através do novo
nascimento espiritual (Jo 1:12,13; 3:5-8), não precisam implorar ao seu amoroso Pai Celestial por Suas bênçãos prometidas.
Jesus ilustra essa grande verdade com a analogia de como
nós, como pais, responderíamos aos nossos próprios filhos (Lc
11:11,12). Aí então Jesus prossegue e compara o nosso papel
de pais com a posição de Deus como nosso Pai Celestial (v.
13).
Em seguida, Jesus contrasta a nossa natureza limitada, peATOS / 59 caminosa, com a ilimitada perfei 3) Uma falta de uma total
ção e amor de Deus. Se nós, como
entrega de toda a sua vida (Rm
pais “malignos” (pecaminosos),
12:1,2; Gl 2:20). Eu já escrevi soPLENITUDE
não negaríamos a nossos filhos
bre a importância de você entregar
DE DEUS
boas dádivas, por que acharíamos
toda a sua vida a Deus. No entanto,
que o nosso perfeito e santo Pai
permita-me salientar que a unção
Celestial faria isso a Seus filhos?
do Espírito Santo é dada a fim de
PECADO
(Para mais detalhes com relação
que o servo de Deus rendido tenha
Barreira poder no serviço e para o serviço.
ao coração de Deus para conosco,
leia Romanos 5:6-10; 8:31-39; 1
mortal Se desejamos o poder de Deus por
Jo 3:1; 4:10,12-19).
qualquer outra razão que não seja
Não somos mendigos que preservir a Ele e aos outros, não podecisam suplicar e implorar diante de
mos esperar a Sua unção em nossa
um Deus relutante. Somos filhos e
vida.
filhas do Deus Altíssimo, e Ele Se
O nosso serviço rendido deve
deleita em encher-nos com o Seu
ser direcionado por Deus, pois Ele
Espírito Santo!
sabe melhor como usar-nos no
Devemos pedir com humildade
Corpo de Cristo. Não chegamos
e com uma entrega total de nossa
necessariamente a escolher o que
vida. Contudo, nós, como Seus fifaremos por Deus. Nosso coração
lhos e filhas, podemos “nos aprodeve desejar fazer o que quer que
ximar com intrepidez do trono da
Ele possa pedir que façamos.
graça, para que possamos obter
A nossa posição de completa
misericórdia e encontrar graça que nos ajude em tempos de rendição é necessária a fim de recebermos o poder de Deus
necessidade” (Hb 4:16; veja também Efésios 3:12; Hebreus e conhecer a Sua vontade. Em seguida precisamos escolher
10:19-22).
obedecê-Lo. É assim que podemos ser genuinamente frutíferos
c. O que pode nos impedir de receber? Há problemas que no ministério.
podem nos atrapalhar de sermos continuamente cheios com o 4) Uma fé que seja fraca ou ausente (Hb 11:6; Tg 1:6). “A
Espírito Santo.
fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra de Deus” (Rm 10:17).
1) A presença do pecado ou de meios-termos em nossa Precisamos aprender com as Escrituras o que Deus disponibilivida (Rm 6:12-14; 1 Co 5:6,7). A Bíblia ensina que jamais se- zou para nós, ou a nossa fé será fraca.
remos perfeitamente impecáveis nesta vida (1 Jo 1:8). Todos Ao ler este estudo bíblico sobre a unção, você aprendeu
teremos pontos ocasionais de falhas, pelos quais precisamos que o poder do Espírito Santo está disponível a você hoje. E
rapidamente nos arrepender e receber o perdão de Deus.
não somente um pouquinho, como uma gota d’água no deserto.
No entanto, não devemos nos entregar a contínuos meios- O Espírito Santo deve fluir através de você como RIOS! (Jo
termos com o mundo, com a carne, e com o Diabo. A Bíblia 7:37-39.)
cita este tipo de comportamento como “prática” do pecado Deus é um Pai amoroso, que Se deleita em dar da Sua vida
(Gl 5:21). Isso significa envolver-se no pecado como um hábi- e poder aos Seus filhos. Mas precisamos pedir com fé, confianto regular ou praticá-lo repetidamente.
do que Ele responderá ao clamor do nosso coração (Sl 138:3).
Esses pecados contínuos nos desqualificam de sermos vasos Se você está preocupado porque a sua fé é fraca ou pequeadequados para o uso do Mestre (1 Co 9:24-27; 2 Tm 2:19-21). na, lembre-se então do que Jesus disse com relação à fé: “...
O nosso Deus é um Deus santo e nos chama a sermos santos se tiverdes fé como uma semente de mostarda, direis a esta
também, pelo poder do Seu Espírito e da Sua graça operando montanha: ‘Move-te daqui para lá’, e ela se moverá; e nada
dentro de nós (1 Pe 1:13-19).
vos será impossível” (Mt 17:20b).
O Espírito, que é santo (Rm 1:4), deseja operar através de Jesus revelou que a nossa fé pode ser pequena, mas aininstrumentos que também sejam santos.
da assim eficaz – SE for direcionada a Deus! Não devemos
2) A presença de motivações egocêntricas, como do nos- colocar a nossa fé em nós mesmos, ou na quantidade de fé
so ego ou orgulho (Mt 7:21-23; Fp 2:3,4; 1 Tm 6:3-5). Já es- que temos. Devemos colocar a nossa fé em Deus e em Sua
tudamos o pecado do orgulho e os seus perigos. Como líderes Palavra. Pois, o que Ele diz, Ele fará! Podemos confiar que Ele
de igreja, devemos ser como Jesus, que é “manso” e “humilde” cumprirá a Sua Palavra, e podemos assim colocar a nossa fé
(Mt 11:29).
totalmente n’Ele.
Deus não unge os que estão servindo com motivações erra- Portanto, fortaleça a sua fé na Palavra de Deus. Confie no
das (Tg 4:6). Precisamos permitir que nosso coração seja son- que está revelado na Palavra sobre Aquele que é o seu Criador,
dado pelo Espírito Santo (Pv 16:2) e purificado do desejo de o seu Salvador, o seu Rei! Vá a Ele frequentemente, busque a
ter nossa própria glória. Ei aqui alguns versículos bíblicos para Sua face – e Ele lhe responderá (Jr 29:11-13).
você ler e meditar neles: 2 Crônicas 16:9; Provérbios 13:10; 5) Uma falta de fome espiritual (Sl 63:1,2; 84:1,2; Mt 5:6;
16:5,18; Mateus 23:8-14; Gálatas 5:20; Filipenses 1:15,16; 1 Jo 6:35,48; 7:37-39). Deus sempre responde a uma fome espiTimóteo 3:6; Tiago 3:14 - 4:4.
ritual por mais d’Ele.
60 / ATOS
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009 Uma falta de fome espiritual pode ser causada por muitas
coisas, como por exemplo:
● Tragédias, angústia ou morte (como na perda de um
membro da família), causando um tédio emocional ou
espiritual.
● Desânimo, fracassos ou cansaço, fazendo com que você
se sinta desesperançado ou desmotivado a buscar ao Senhor.
● Ira, amargura ou falta de perdão com relação aos outros
– inclusive com relação a Deus ou a si mesmo – extinguindo o desejo por Deus.
● Prazeres e distrações deste mundo, ou preguiça e complacência, bloqueando ou até mesmo destruindo uma
fome santa por mais de Deus.
A vida pode ser difícil e cheia de desafios a ser vencidos.
Mas podemos ser encorajados porque Deus providenciou maneiras de superar qualquer angústia, tristeza ou fracasso que
possamos ter experimentado. O poder de Deus de cura e libertação, o Seu amor e perdão, a Sua misericórdia e graça – e
a Sua unção – são nossos se simplesmente nos achegarmos a
Ele.
O Apóstolo Paulo nos dá uma revelação de como ele ia
além das coisas que poderiam atrapalhar a sua busca e fome por
Deus. Ele escreveu o seguinte aos filipenses (3:12-14): “Não
que eu já tenha alcançado, ou que já esteja aperfeiçoado...”
(v. 12a.) Paulo reconhecia humildemente as suas fraquezas e
falhas.
“… mas eu sigo adiante, para que eu possa alcançar aquilo para o qual Cristo Jesus também me alcançou...” (v. 12b.)
Paulo sabia que ele não poderia desistir. Ele tinha que prosseguir, por amor ao Evangelho.
“Irmãos, eu não me considero como que tendo alcançado…” (v. 13a.) Paulo não compreendia tudo, inclusive tudo o
que havia acontecido com ele.
“… mas uma coisa eu faço, esquecendo-me das coisas que
estão atrás...” (v. 13b.) Paulo tomou uma decisão consciente
de abrir mão da dor ou mágoa, do sucesso ou fracasso – de
tudo o que era passado.
“… e avançando para as coisas que estão à frente...” (v.
13c.) Paulo escolheu abrir mão do passado, e avançar em direção dos propósitos de Deus para ele.
“Eu avanço firmemente em direção do alvo, pelo prêmio
do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus.” (v. 14.) Paulo
decidiu continuar buscando a Deus, e a vontade de Deus, qualquer que fosse o custo.
Em meio a todo tipo de adversidade ou provação, de toda
alegria e vitória, Paulo seguia ao Senhor com todo o seu coração. Arar o solo não-cultivado do nosso coração (Os 10:12)
nem sempre é um processo curto ou fácil. Mas se nos colocarmos abertamente diante de Deus – d’Aquele que nos criou, que
nos salvou, que nos amou – poderemos receber um coração
renovado e uma nova fome pelo Senhor (Ez 36:26,27).
d. Precisamos esperar no Senhor. As Escrituras nos
exortam a frequentemente “esperarmos no Senhor” (Sl 25:5;
27:14; 37:7,9,34; Is 30:18; 40:31; Lm 3:25,26; etc.). Esse é
um princípio importante da vida cristã. Sempre há bênçãos que
vêm da espera no Senhor.
No entanto, nem sempre é da nossa natureza esperarmos.
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009
Tornamo-nos impacientes, temerosos ou esquecidos. A nossa
vida atarefada, a obra do ministério, as pressões para tomarmos
uma decisão – muitas coisas nos pressionam e fazem exigências do nosso tempo.
Mas há uma verdade na vida que é simples, porém dolorosa: sempre arrumamos tempo para o que é verdadeiramente
importante para nós. Infelizmente, nem sempre percebemos o
que é realmente importante até que seja tarde demais.
De Pastor Para Pastor: É importante separamos um
tempo ocasionalmente para avaliarmos as nossas prioridades, analisarmos nossa vida meticulosamente, e considerarmos todas as nossas atividades. Aí então devemos
colocar tudo isso diante do Senhor, considerar a Sua Palavra, e decidir se as nossas prioridades estão alinhadas
com as d’Ele.
Se a exortação bíblica de passarmos tempo para “esperarmos no Senhor” não é prioritária em nossa lista, ela
deveria ser. Pois esta é a única maneira pela qual nós O
ouviremos falando conosco. ■
Aproximando-nos Mais de Deus
Para recebermos mais do Espírito Santo em nossa vida, precisamos pedir. E, em seguida, precisamos esperar no Senhor.
Ao esperarmos, é muito mais provável que ouçamos a Sua
“voz mansa e suave” (1 Rs 19:12). A espera permite que o Espírito Santo lide com o nosso coração e vida, preparando-nos
para recebermos mais da Sua presença e poder. Talvez Ele revele um bloqueio ou barreira para o nosso recebimento, talvez
Ele nos convença de algum pecado, talvez Ele nos instrua ou
direcione, ou outras coisas mais.
É frequentemente durante as ocasiões em que esperamos
pacientemente que a obra de transformação está ocorrendo em
nossa vida. À medida que somos transformados, recebemos.
À medida que recebermos mais do Seu Espírito, obviamente
seremos mais eficazes e frutíferos no serviço.
Um outro grande benefício de esperarmos no Senhor é que
o tempo em Sua presença nos aproxima cada vez mais d’Ele.
Passamos a conhecê-Lo de uma maneira muito mais profunda
e pessoal.
Enquanto espera no Senhor, talvez você queira ficar em silêncio (Sl 46:10). Ou você pode orar silenciosamente em língua espiritual, ou adorar em voz baixa (1 Co 14:2,15). Mas
lembre-se: o propósito principal de esperarmos no Senhor é
ouvirmos e recebermos. Isso é feito melhor de uma maneira
silenciosa e suave.
Em sua fome por mais de Deus, as suas orações podem
elevar-se no volume. Isso não é necessariamente errado, mas
apenas lembre-se de que você não tem que provar o seu desejo
ou merecimento com o volume das suas orações. Você tampouco precisa implorar em voz alta ao Senhor para que Ele ouça e
responda.
Em vez disso, confie em Sua promessa: “… quanto mais o
vosso Pai Celestial dará o Espírito Santo aos que Lhe pedem”
(Lc 11:13).
Não Tenha Medo
Alguns talvez tenham medo de que esperar no Senhor por
mais do Espírito Santo pode trazer um espírito demoníaco. Isso
ATOS / 61 não é possível! Os demônios somente podem entrar onde foram especificamente convidados, ou pela participação da pessoa em atividades satânicas, como a feitiçaria, por exemplo.
Se você estiver orando ao Senhor e o seu desejo for para Ele
somente, nenhum demônio poderá subitamente “vir de mansinho” sobre você. Você não precisa ter medo disso!
O mundo demoníaco está ciente de que, à medida que você
receber mais do Espírito Santo, você andará no poder de Deus
de uma maneira mais intensa. Isso significa que a sua intrepidez
e autoridade em questões espirituais aumentarão naturalmente. Assim sendo, o Diabo talvez procure tentá-lo ou distraí-lo,
para afastá-lo do tempo gasto buscando ao Senhor.
Mas lembre-se: Você é um santo que foi comprado e lavado
com o sangue de Jesus Cristo. Satanás e seus demônios não
têm nenhum poder sobre você que você não lhes dê diretamente. O Diabo foi derrotado na Cruz (Cl 2:14,15). Assim sendo,
tome a sua armadura e espada (Ef 6:10-18) e fique firme no
Espírito à medida que você se aproxima de Deus (Tg 4:7,8).
e. Receba a unção do Espírito Santo pela fé. Somos filhos de Deus e herdeiros das Suas promessas (Rm 8:17; 2 Co
1:20; Gl 3:26). Isso inclui a promessa do Espírito Santo (At
2:38,39). Já aprendemos que este não é um enchimento que
acontece somente uma vez, mas é um contínuo e novo enchimento da Sua presença e poder em nossa vida (Ef 5:18). O
que Deus prometeu Ele cumprirá. Assim sendo, apenas peçaLhe!
Portanto, vamos pedir – e continuar pedindo, buscando e
batendo – até que tenhamos recebido (Lc 11:9,10). Deus quer
que você tenha o Espírito Santo por completo (Lc 11:13). Simplesmente abra o seu coração e creia n’Ele e em Seu desejo de
enchê-lo – enquanto você espera pacientemente por Ele (Hb
11:6).
A oração por um novo enchimento pode ser uma ocorrência
diária, porque devemos ser continuamente cheios! Precisamos
do Seu poder e presença, a cada momento, em tudo o que fazemos.
Apenas Receba
Recebemos pela fé, e não pelos nossos sentimentos. Estamos buscando uma transmissão da presença do Espírito Santo,
e não uma experiência emocional. Enquanto você pede, você
pode assumir qualquer posição física com a qual você se sinta
confortável – sentado, ajoelhado, de pé ou prostrado no chão.
Você pode estar em seu quarto de oração, na cozinha, no quarto, na igreja ou ao ar livre. A posição e o local não são tão
importantes quanto o seu coração aberto e o seu desejo de receber.
Quando você pedir um novo enchimento do Espírito Santo,
use quaisquer palavras que estiverem em seu coração. Não há
uma maneira certa ou errada de se orar a Deus. Ele quer ouvir
de você, exatamente da maneira como você é.
O seu pedido poderá assumir um formato parecido com o
seguinte: “Vem, Espírito Santo. Eu abro o meu coração para
receber mais de Ti. Eu entrego o meu coração e a minha vida a
Ti. Eu peço que Tu me enchas novamente. Enche a minha vida
com a Tua presença. Enche a minha boca com louvores a Deus.
Enche o meu ministério com o Teu poder, para que eu possa
ser um vaso útil para Deus...” Use as suas próprias palavras e
62 / ATOS
abra o seu coração a Deus. Ore e receba! Seja cheio, em nome
de Jesus! Aleluia!
Conclusão
Meus irmãos e irmãs, amigos obreiros nos campos de Deus,
e parceiros no serviço ministerial para o Evangelho: vocês e eu
temos um chamado sublime de fato! Temos a honra de servirmos ao amado Corpo de Cristo, aos que “não foram redimidos
com coisas corruptíveis, como prata ou ouro… mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem manchas e
sem máculas” (1 Pe 1:18,19).
Este é um chamado que não podemos – e não devemos
– tentar cumprir com a nossa própria força. Graças a Deus,
pois Ele nos deu tudo o que precisamos para verdadeiramente
sermos frutíferos, verdadeiramente eficazes, e para verdadeiramente glorificá-Lo!
Começamos este estudo com a Palavra de Deus:
“Não por força, nem por poder,
mas pelo Meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos.”
(Zacarias 4:6.)
Deus, através das eras, já fez coisas grandes e maravilhosas, mas há tantas outras coisas que Ele prometeu fazer e que
ainda estão para ser cumpridas!
Há “obras maiores” a serem feitas – milagres, sinais e maravilhas para a glória de Jesus (Jo 14:12). E Deus quer fazê-las
através de você! O Senhor deseja a intrépida proclamação do
Evangelho, a conversão dos perdidos a Cristo, e o estabelecimento da Igreja d’Ele. Ele deseja isso para a SUA igreja, para
a SUA cidade, para a SUA nação! Glória a Deus!
Deus está continuamente procurando os que entregarão
totalmente a própria vida à vontade d’Ele. Ele está buscando
aqueles cujo coração é leal a Ele, através dos quais Ele possa
mostrar-Se forte. Ele responde aos que O desejam acima de
qualquer outra coisa, e que permitem que a sua fome espiritual
por Ele cresça – os que intrepidamente dirão: “Eis-me aqui!
Envia-me a mim” (Is 6:8).
Há apenas uma maneira de você cumprir completamente
o chamado e a vontade de Deus para a sua vida e ministério
– isto é, através da unção do Espírito Santo! É pelo poder do
Espírito Santo que você receberá a transformação, as capacitações e os dons necessários para que você seja e faça tudo o que
Deus deseja e espera de você. E basta apenas pedir!
Deus lhe dará abundantemente do Seu Espírito. Creia nisso, receba a Sua unção, ande nela e ministre com ela. À medida
que você distribuir a vida e o poder do Espírito Santo em serviço aos outros, Ele terá mais para derramar, tanto para dentro
de você, como através de você.
Que o Senhor o abençoe e abra os seus olhos espirituais
para que você compreenda a Sua verdade. Que você receba a
Sua graça e ajuda para obedecê-Lo em todas as coisas. Que Ele
o unja abundantemente, como também o seu ministério, para
que a vida de outras pessoas possa ser transformada e tornar-se
uma glória para Aquele que morreu para salvá-las. E que Deus
receba todo o louvor, toda a glória, toda a honra que Lhe é
devida de sua vida e ministério, à medida que você caminha e
cresce na unção do Seu Espírito Santo. Eu peço isso diante do
Pai, no forte e poderoso nome de Jesus Cristo nosso Salvador.
Amém!
&
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1. Veja a data de validade em sua etiqueta de endereço postal da ATOS.
2. Se esta data de validade for INFERIOR A SEIS MESES a partir de agora, então é hora de fazer a renovação!
3. Você NÃO precisa fazer a renovação depois de cada edição da ATOS. Você somente precisa fazer a renovação SE a sua assinatura de três anos já terminou ou terminará nos próximos seis meses.
Você poderá fazer a renovação da SUA ASSINATURA DA ATOS on-line, ou pelo correio.
● Para fazer a sua renovação on-line, entre no site www.revistaatos.com.br e preencha o formulário de
assinatura, preenchendo todos os campos obrigatórios, para que tenhamos o seu cadastro completo e
sempre atualizado.
● Para fazer a sua renovação pelo Correio, recorte o formulário abaixo ou copie-o numa outra folha de
papel.
1. Siga TODAS as instruções do Formulário de Renovação (faça um círculo nas respostas SIM ou
NÃO).
2. Responda TODAS as perguntas do Formulário de Renovação – escreva claramente e com
letras de fôrma.
3. Envie pelo Correio sem demora o Formulário de Renovação ao escritório do World MAP mais
perto de você.
NOTA: A Revista ATOS não é um “curso por correspondência”. Você não receberá um “certificado” ou “diploma” depois de ler a ATOS. A nossa esperança e oração é que você receba algo
muito mais valioso: ensinamentos com base bíblica e um treinamento ministerial prático! Isso
o capacitará a tornar-se mais eficaz em seu ensino, ministração e testemunho aos outros.
A Revista ATOS é enviada gratuitamente a líderes de igrejas que pedem para recebê-la na
Ásia, África e América Latina. Os líderes de igrejas receberão a ATOS durante três anos.
Em seguida, eles precisam renovar a sua assinatura para receberem a ATOS por mais três anos.
FORMULÁRIO DE RENOVAÇÃO DE ASSINATURA e/ou SOLICITAÇÃO DE O CAJADO DO PASTOR
Circule SIM ou Não conforme seu interesse:
1. Como minha assinatura da Revista ATOS expirará nos próximos seis meses, preciso renová-la:
SIM NÃO
2. O número de minha etiqueta é: ___ ___ ___ ___ - ___ ___ ___ ___ Data de vencimento é: _____________/_____________
3. Eu sou líder de igreja na Ásia, África ou América Latina e ensino ou prego a Palavra de Deus a um grupo de 20 ou mais
pessoas, pelo menos uma vez por semana.
(Isso DEVE ser verdade para você receber a Revista ATOS ou O Cajado do Pastor.)
SIM NÃO
4. Você já tem uma cópia de O Cajado do Pastor?
SIM NÃO
5. Você está solicitando uma cópia de O Cajado do Pastor?
SIM NÃO
6. POR FAVOR, COMPLETE OS ESPAÇOS ABAIXO COLOCANDO SEU NOME E ENDEREÇO COMPLETOS EM LETRAS DE FÔRMA.
Nome completo: ____________________________________________________________________________________________________
Rua: ____________________________________________________________________________________________­___ N.°: __________­
Complemento: ______________________­ Bairro: ____________________________________________ CEP: _______________________
Cidade: ___________________________________________________________ Estado: ________ Sexo: ( ) Masculino ( ) Feminino
Tel.: (___)_________________________ Celular: (___)_________________________ E-mail: ____________________________________ CPF: _______________________________ Profissão: ____________________________________________________________________
Estado Civil: ___________________________________ Data de Nascimento: _____/_____/_____
Cargo (ou responsabilidade) na igreja: ____________________________________________________________
Minha assinatura: _____________________________________________ Data: _____/_____/______________
7. Esta edição de ATOS foi: ( ) fácil de entender ( ) difícil de entender ( ) de grande ajuda ( ) desnecessária
Escreva e compartilhe conosco sobre como a Revista ATOS ou o livro O Cajado do Pastor têm ajudado em seu ministério.
Apreciaríamos receber fotos sua usando a Revista ATOS ou O Cajado do Pastor em seu trabalho de pregação ou ensino.
REMETA ESTE FORMULÁRIO COMPLETO PARA A REVISTA ATOS. VEJA O ENDEREÇO NA PÁGINA 4.
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009
ATOS / 63 ATENÇÃO LÍDER DE IGREJA:
Você está estudando as Escrituras com a
ajuda de O Cajado do Pastor, este poderoso
equipamento literário do World MAP?
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O Cajado do Pastor é conhecido por
alguns como “Uma Escola Bíblica em
Livro” – é uma obra de 1000 páginas
projetada para treinar e equipar líderes
de igreja. Contém escritos, com base
bíblica, de muitos autores cheios do
Espírito. Esse livro foi compilado
para satisfazer as necessidades
especiais de líderes de igreja
que trabalham na Ásia,
África e América Latina. Se
você é um novo assinante
da Revista Atos e ainda
não recebeu uma cópia de O
Cajado do Pastor, peça sua cópia
agora.
Neste livro, O Cajado do Pastor, você achará:
[1]Um Manual de Treinamento Para Novos Crentes que cobre todos os assuntos que você precisa ensinar a novos convertidos.
[2]Uma Concordância Tópica com milhares de referências bíblicas, que cobrem 200 principais tópicos da
Bíblia. Essa seção de referência de O Cajado do Pastor o ajudará a ensinar a Bíblia a outros.
[3]Um Guia Para Treinamento de Líderes, contendo o melhor material de treinamento de liderança de
igreja reunido por World MAP durante os últimos trinta anos.
Tudo isso e muito mais está contido em um único volume chamado O Cajado do Pastor!
Para receber a sua cópia deste poderoso livro de treinamento de liderança, O Cajado do Pastor, você poderá fazer a sua solicitação on-line em www.world-map.com/applyform.html, ou preencher cuidadosamente
o Formulário de Solicitação na parte interna da capa de trás desta revista (ou escrever claramente e COM
LETRAS DE FÔRMA todas as informações numa outra folha de papel, se você não quiser recortar a sua
revista). Uma vez que você tiver respondido todas as perguntas e escrito as suas respostas tão claramente
quanto possível, envie o formulário pelo Correio ao escritório do World MAP mais perto de você. (Os endereços estão numa lista no Formulário de Solicitação). Se você tiver acesso à Internet, a solicitação on-line
será mais rápida e lhe economizará o custo da postagem! Você receberá a sua cópia de O Cajado do Pastor
tão logo quanto possível! No entanto, pelo fato de que o correio pode ser lento às vezes, espere pelo menos
6 meses para que O Cajado do Pastor chegue até você. Obrigado!
64 / ATOS
VOLUME 23 – NÚMERO 1 – 2009 

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