Revista Ônibus 62 - SINETRAM | Sindicato das Empresas de

Сomentários

Transcrição

Revista Ônibus 62 - SINETRAM | Sindicato das Empresas de
1
Revista Ônibus
Revista Ônibus
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Revista Ônibus
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Revista Ônibus
SUMÁRIO
Revista Ônibus – Ano XI – Número 62 – Dezembro de 2010 / Janeiro de 2011
Solenidade de Abertura do 14º Etransport
14º Etransport tem início em clima
de otimismo quanto ao futuro______________________ 12
Dia 10
Novidades da Indústria
Fabricantes de chassis e carroçarias
apresentam novos produtos e projetos________________ 14
Fórum Fetranspor de Segurança no Transporte
Especialistas alertam para crise mundial no trânsito_ _____ 18
Palestra Magna: Uma Nova Visão na Mobilidade Urbana
Besserman: modelo atual de
desenvolvimento é insustentável____________________ 20
Dia 11
Dia 12
Painel 5 – RioCard: Inovação em Produtos e Serviços
Pagamento eletrônico: vantagens para o negócio________ 48
Palestra: Conjuntura Econômica e Perspectivas para o Brasil
Miriam Leitão prevê panorama
positivo na gestão Dilma__________________________ 52
29º Encontro do Colégio de Advogados da NTU
Processos licitatórios e sua importância para o transporte_ __ 54
Programa Rio Sustentável
Prefeitura quer reduzir emissões
de GEE em 8% até 2012_ ________________________ 56
Bienal de Marketing ANTP
Exemplos internacionais e prêmios na Bienal da ANTP____ 65
Painel 1 – A Gestão Ambiental no Setor de Transportes:
Desafios para o Licenciamento e a Sustentabilidade
Fetranspor e Inea assinam termo de
cooperação durante congresso_ ____________________ 22
Painel 6 – Tecnologias Voltadas para a Gestão
Operacional e Informação ao Cliente
Consórcios apresentam ações
para a melhoria da mobilidade_ ____________________ 70
Painel 2 – Liderança em Desenvolvimento e
Retenção de Talentos
Futuro das empresas depende de bons líderes_ _________ 26
Fórum Boas Práticas em Educação para o Setor
de Transporte de Passageiros
Educação e conhecimento são os desafios
empresariais do terceiro milênio ____________________ 73
Palestra – Fator Acidentário de Prevenção:
Como Reduzir Risco e Promover Saúde
Serviços médicos:
melhor solução é investir_ ________________________ 28
Painel 3 – Jogos Olímpicos e Copa do Mundo: Oportunidades
de Melhorias e Novos Negócios para as Cidades Sede
Bons sistemas de transporte são
essenciais para eventos mundiais___________________ 30
Seminário: Veículos Híbridos – Aplicações para
Ônibus Urbanos / Painel: Aplicações de Ônibus
Híbridos no Mundo – uma Visão Tecnológica
Indústria mundial aposta em coletivos híbridos__________ 75
Mesa Redonda: Corredores Expressos
para Ônibus: Novas Perspectivas
BRTs têm menor custo e dependem de decisões políticas___ 78
Palestra – Responsabilidade Social Corporativa e sua Relação
com o Negócio
Fetranspor e Instituto Ethos:
parceria em prol da sustentabilidade_________________ 34
8ª FetransRio
Feira reúne tecnologias voltadas para
um transporte mais inteligente_ ____________________ 80
11º Encontro de Boas Práticas da NTU – Políticas Tarifárias de
Integração e o Dilema do Custeio
Encontro mostra soluções adotadas
por quatro capitais brasileiras______________________ 38
Solenidade de Encerramento do 14º Etransport. Entrega do
Prêmio de Mobilidade Urbana 2009/2010
Primeira edição do Prêmio Mobilidade Urbana:
emoção no encerramento do Etransport_______________ 84
Cenário Econômico Brasileiro
Economista vê com otimismo perspectivas para 2011_____ 42
Prêmio Alberto Moreira
A hora do reconhecimento aos profissionais
que fizeram a diferença em 2010_ __________________ 87
Painel 4 – Operação Consorciada de Transportes: Uma Solução
para Redução de Custo?
Porto Alegre, Goiânia e Fortaleza mostram
como operam sistemas de consórcio_ ________________ 44
Revista Ônibus
6
Pesquisa
Participantes dão notas altas
a 14º Etransport e 8ª FetransRio_ ___________________ 89
AUDITÓRIO 1
AUDITÓRIO 2
AUDITÓRIO 3
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Revista Ônibus
EDITORIAL
Encontro marcado para 2012
O sucesso do 14º Etransport, que levou à Marina da Glória,
nos dias 10, 11 e 12 de novembro, 8 mil pessoas, foi motivo
de grande satisfação para o sistema de transportes. Discutiu
questões de relevância para o deslocamento das pessoas e
tudo que a ele se relaciona: infraestrutura de transporte, tecnologia, meio ambiente, informação ao cliente, soluções de BRT
e sua relação com cidades mais justas, segurança de trânsito e
muitos outros, como liderança e preparação para os grandes
eventos esportivos que acontecerão nos próximos anos.
Encontros paralelos, como o 29º Colégio de Advogados
da NTU e a Bienal de Marketing da ANTP, contribuíram para
aumentar a importância do Etransport e se constituíram em
solução prática para os participantes, que puderam usufruir
de mais de um evento de transporte em um único local.
A Feira Rio Transportes – FetransRio – foi sucesso de
público, com estandes lotados e expositores satisfeitos. Lançamentos de produtos e novidades da indústria do ramo levaram
a imprensa a prestigiar a exposição, com destaque para ônibus
híbridos e o modelo usado em sistemas de BRT e sua estação.
Já consolidado e apontado como o mais importante congresso de transporte da América Latina, o Etransport busca
contribuir para soluções de transporte coletivo eficientes, modernas, sustentáveis e capazes de tornar os espaços urbanos
menos agressivos e mais agradáveis à população. A troca de
informações técnicas, a apresentação de casos de sucesso e a
reunião de empresários, técnicos e representantes do poder
público num fórum tão expressivo criam oportunidades de
reflexão que podem render bons frutos à mobilidade.
Pela primeira vez, foram contabilizadas as emissões de
carbono geradas por Congresso e Feira, para compensação
Diretoria:
Presidente:
Lélis Marcos Teixeira
Diretor Administrativo e Financeiro:
Paulo Marcelo Tavares Ferreira
Diretor de Mobilidade Urbana:
Arthur Cesar de Menezes Soares
Diretor de Marketing
e Comunicação:
João Augusto Monteiro
Diretor Comercial e Marketing
do RioCard:
Edmundo Fornasari
Conselho de Administração:
Titulares:
Presidente:
José Carlos Reis Lavouras
Vice-presidente:
João Augusto Morais Monteiro
Demais Conselheiros:
Narciso Gonçalves dos Santos
Generoso Ferreira das Neves
Florival Alves
José Carlos Cardoso Machado
Marcelo Traça Gonçalves
João dos Anjos Silva Soares
Francisco José Gavinho Geraldo
Alexandre Antunes de Andrade
Amaury de Andrade
Joel Fernandes Rodrigues
Suplentes:
Isidro Ricardo da Rocha
Manuel João Pereira
Manoel Luis Alves Lavouras
ambiental dos eventos, tornando-os neutros. De
forma coerente com esse posicionamento, o
material produzido para os participantes utilizou
papel reciclado e tecido natural.
As premiações que tiveram
lugar durante o Congresso reconheceram o desempenho profissional
“A troca de informações técnicas, a
de rodoviários de oito
apresentação de casos de sucesso e
dos dez sindicatos filiados à Federação (Prêmio
a reunião de empresários, técnicos
Alberto Moreira) e trabae representantes do poder público
lhos produzidos nas áreas
num fórum tão expressivo criam
de Educação e Cultura;
Jornalismo; Responsabioportunidades de reflexão que podem
lidade Socioambiental;
render bons frutos à mobilidade“
Relacionamento com o
José Carlos Reis Lavouras
Cliente e Tecnologia no
é presidente do Conselho de
Transporte (Prêmio MoAdministração da Fetranspor
bilidade Urbana).
Acreditamos que o Etransport, além de provocar reflexão,
deixa à mostra o esforço contínuo do empresariado deste
Estado em prol do tema desta edição: mobilidade inteligente.
Aqui fica o agradecimento às entidades nacionais e
internacionais que ajudaram a enriquecer o Congresso,
assim como a palestrantes, organizadores e expositores da
FetransRio e, claro, aos patrocinadores. Como desejava a
mensagem estampada na saída da Marina da Glória, teremos
novo encontro em 2012, durante o 15º Etransport e a 9ª
FetransRio. Você já está convidado.
Domenico Emanuelle Siqueira Lorusso
Jacob Barata Filho
Marco Antônio Feres de Freitas
Conselho Fiscal:
Efetivos:
Valmir Fernandes do Amaral
Luiz Ronaldo Caetano
Humberto Valente
Suplentes:
Carlos Alberto Souza Guerreiro
Jorge Luiz Loureiro Queiroz Ferreira
Fábio Teixeira Alves
Delegado representante / CNT
Efetivo: Narciso Gonçalves dos Santos
Suplente: Jacob Barata Filho
Revista Ônibus
Editora chefe:
Tânia Mara Gouveia Leite
Redação:
Roselene Alves
Renato Siqueira
Andréa Cardoso
Roberta Araujo
Fotografia:
Jorge dos Santos
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Luiza Ribeiro
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(21) 2253-3879
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Fetranspor
Correspondência para a Revista Ônibus devem ser encaminhadas para Revista Ônibus – Rua da Assembléia 10, 39º andar, Centro, Rio de Janeiro – RJ. CEP 20011-901
ou para o faz (21)2531-3711 ou, ainda, para o e-mail: [email protected]
Rua da Assembléia 10, 39º andar – Rio de Janeiro – RJ – CEP 20011-901 – Tel.: (21) 3221-6300 – Fax: (21) 2531-3711
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Solenidade de Abertura do 14º Etransport
AUDITÓRIO 1 Dia 10/11 – 18h
14º Etransport tem início em
clima de otimismo quanto ao futuro
Júlio Lopes propõe desoneração e novas opções
de financiamento para o setor de transportes
Uma bela apresentação da Orquestra VillaLobos marcou o início da solenidade de abertura do 14º Etransport, na noite do dia 10 de
novembro, na Marina da Glória. A Orquestra,
formada por jovens de comunidades de baixa
renda do Rio de Janeiro, apresentou o Hino
Nacional Brasileiro, o frevo “Água Morna”, de
Pixinguinha, e “Corcovado”, de Tom Jobim,
emocionando todos os participantes.
Em seguida, foi apresentado um vídeo sobre o tema principal do Etransport – Mobilidade Urbana – destacando os desafios do Rio de
Janeiro para atender melhor às necessidades da
população, em termos de transporte, e algumas
soluções propostas para o setor, como o BRT –
Bus Rapid Transit.
Revista Ônibus
12
O presidente executivo da Fetranspor, Lélis
Teixeira, e o secretário estadual de Transportes, Júlio Lopes, representando o governador
Sérgio Cabral, destacaram, em seus discursos,
as mudanças que aconteceram no Brasil, no
Estado do Rio de Janeiro e, especialmente, no
setor de transportes desde o último Etransport,
realizado em 2008.
Lélis Teixeira lembrou que, nestes dois últimos
anos, o setor vive um momento mais otimista,
com a priorização do transporte coletivo e os investimentos que estão sendo feitos para a realização de grandes eventos mundiais, como os Jogos
Mundiais Militares, a Copa do Mundo de 2014 e
as Olimpíadas de 2016. “Nesse período, mudaram
as condições do Brasil, que ganhou mais respeito
Solenidade de Abertura do 14º Etransport
em nível mundial, graças também à sua taxa de
crescimento importante”, afirmou. Ele citou ainda
grandes mudanças que já começaram a ocorrer,
algumas perceptíveis, outras nem tanto. “Hoje, já
temos o Bilhete Único Intermunicipal e o Carioca
e o projeto do BRT”, ressaltou.
Ele mencionou o fato de o Brasil ser predominantemente urbano, o que traz grandes desafios para o transporte, no sentido de garantir
maior mobilidade para todas as cidades. “Por
isso, precisamos discutir as melhores práticas
para oferecer melhor qualidade no transporte e,
consequentemente, melhor qualidade de vida à
população. A Fetranspor tem o prazer de realizar
um dos maiores eventos do país, não só em termos de inovações tecnológicas, mas no campo
das ideias e propostas”, frisou Lélis.
Júlio Lopes, por sua vez, destacou a criação do Bilhete Único como uma das maiores
“Este evento orgulha o Rio de Janeiro e prestigia
todo o esforço que o governo do Estado tem
feito pela recuperação do transporte”
“A Fetranspor tem o prazer de realizar um dos
maiores eventos do país, não só em termos
de inovações tecnológicas, mas no campo das
ideias e propostas”
Lélis Teixeira,
Presidente executivo da Fetranspor
Júlio Lopes, secretário estadual
de Transportes do Rio de Janeiro
conquistas dos últimos anos. Lopes também
anunciou que o governo do Estado pretende
oferecer novas alternativas de financiamento
para o transporte e promover a desoneração do
setor, de modo que as empresas possam se tornar mais competitivas em relação ao transporte
ilegal. “Este evento orgulha o Rio de Janeiro e
prestigia todo o esforço que o governo do Estado tem feito pela recuperação do transporte.
Graças ao esforço coletivo, estamos conseguindo avançar na construção de um futuro melhor”, declarou.
A mesa de abertura do 14º Etransport foi
composta também pelo presidente do Conselho
de Administração da Fetranspor, José Carlos Reis
Lavouras; pelo secretário municipal de Transportes, Alexandre Sansão; pelo presidente da NTU,
Otávio Vieira da Cunha; pelo vice-presidente da
ANTP, Cláudio Senna Frederico; pelo presidente
da Anttur, Martinho Ferreira de Moura, representando o presidente da CNT, Clésio Soares
de Andrade, e pelo presidente da Fetranscarga,
Eduardo Rebuzzi.
13 Revista Ônibus
Novidades da Indústria
AUDITÓRIO 1 Dia 10/11 – 15h
Fabricantes de chassis e carroçarias apresentam
novos produtos e projetos
A estação BRT da
Mercedes foi uma das
atrações da feira
No painel “As Novidades da Indústria”,
algumas das mais importantes empresas, como
Mercedes-Benz, MAN Latin America, Scania e
a encarroçadora Marcopolo, mostraram seus
planos para o futuro dos transportes no Rio
de Janeiro, que sofrerá avanços em função das
Olimpíadas e da Copa do Mundo.
O gerente de Vendas e Mercado Interno da
Marcopolo, Paulo Corso, anunciou a realização
de campanhas de incentivo ao uso do ônibus
na cidade de Caxias do Sul, assim como outras
voltadas para os públicos interno e externo.
Corso também falou sobre os investimentos
realizados pela marca, ao longo dos últimos
anos, em equipamentos e processos, e informou
que, em 2010, foram investidos cerca de R$ 60
milhões somente na fábrica da Ciferal no Rio de
Janeiro. “O Brasil é o mercado ao qual dedicamos a maior parte dos nossos investimentos”.
Outro ponto destacado foi o volume de vendas das carrocerias G7. Em pouco mais de um
Revista Ônibus
14
O diretor de Marketing da Fetranspor,
João Augusto Monteiro, conduziu o
painel que deu início ao congresso
ano após o seu lançamento, atingiu o patamar
de 3 mil unidades. Talvez por esse motivo, Corso
aproveitou a ocasião e anunciou a ampliação da
linha, com a concepção do Double Decker e do
Low Driver, além de outro produto, ainda em fase
de projetos, para atender à demanda proveFábricas de motores e
niente da implantação
dos BRTs no Brasil.
encarroçadora mostraram
Dentre as vantagens divulgadas por
projetos para as demandas
Corso a respeito das
carrocerias que já inde transporte no Estado nos
tegram a linha G7 –
próximos anos
como Viaggio 900 e
1050 e Paradiso 1050
e 1200 –, está a economia de combustível,
comprovada graças ao acompanhamento nas
garagens dos clientes, em função do menor
peso, o que permite a outros componentes ter
maior vida útil.
Novidades da Indústria
“O Brasil é o mercado ao qual dedicamos
a maior parte dos nossos investimentos”
Paulo Corso, gerente de Vendas
e Mercado Interno da Marcopolo
Com relação à carroceria voltada
para os BRTs que serão construídos no
país, Corso disse que, apesar dos projetos já estarem sendo concebidos, é preciso conhecer melhor as características
dos sistemas que serão implementados.
Mesmo assim, aposta no know how da
empresa: “produzimos cerca de 2.500
ônibus para o Transmilênio e mais
400 unidades para os BRTs da África do Sul, sem
contarmos os ônibus rodoviários”.
Aguinaldo Mariano, gerente nacional de
Vendas de Ônibus da Mercedes, apresentou os
números da empresa, que detém 70% de partici-
“Somos favoráveis ao biodiesel e ao diesel de
cana. Esta é uma solução doméstica e pode ser
utilizada tanto em veículos novos quanto nos
existentes no mercado”
Aguinaldo Mariano, gerente nacional
de Vendas de Ônibus da Mercedes
pação no mercado regional, e falou que o objetivo
principal da marca é atender aos clientes, oferecendo custos operacionais compatíveis e segurança.
Mariano também abordou os investimentos no uso
de combustíveis alternativos, dando como exemplo
principal o diesel de cana de açúcar.
Além disso, mostrou o portfólio da empresa,
com produtos capazes de atender às necessidades do BRT, tanto para linhas troncais quanto
alimentadoras. “Temos chassis que comportam
desde 20 até 160 passageiros. É marca da Mercedes desenvolver tecnologias com bom custo
operacional. Somos favoráveis ao biodiesel e ao
diesel de cana. Esta é uma solução doméstica e
pode ser perfeitamente utilizada tanto em veículos novos quanto nos existentes no mercado”.
Tamanha participação de mercado chancelou
a fábrica no Brasil como centro de desenvolvimento capaz de produzir não somente para o mercado
interno como para o resto do mundo. “Este ano
estamos comemorando a venda do ônibus de
número 400 mil para o mercado brasileiro”.
Ricardo Alouche, diretor de Vendas e PósVendas da MAN Latin America, frisou que a marca
vem se preparando para entrar no segmento de BRT,
visando às transformações pelas quais as cidadessede da Copa do Mundo passarão, assim como
o Rio de Janeiro, sede das Olimpíadas em 2016.
Alouche ressaltou o importante papel que a
FetransRio tem para o mercado de ônibus no país,
15 Revista Ônibus
Novidades da Indústria
e disse que a MAN tem orgulho de ter participado
de todas as edições da Feira. “O crescimento da
FetransRio mostra que hoje é o grande símbolo
para o setor de transporte de passageiros. A Feira
se transformou na principal referência no transporte
coletivo nacional. Aqui estamos para analisar tendências, possibilidades de novos negócios e saber
o que podemos fazer no futuro”.
Outro ponto citado pelo diretor de Vendas
foi o otimismo da marca em relação à absorção
de produtos pelo mercado nacional, em função
dos investimentos que serão feitos para a Copa
do Mundo e as Olimpíadas, refletido na forma
de participação na Feira: “É a primeira vez que
apresentamos toda a nossa gama de produtos,
desde o micro-ônibus até o articulado” – disse.
Este último ainda um protótipo, mas que Ricardo
garantiu que estará à disposição dos frotistas a
partir da metade de 2011.
“Todas as montadoras
e encarroçadoras estão
preparadas para dar suporte
aos projetos de BRT que serão
implementados no país”
Wilson Pereira, diretor
executivo da Scania
Revista Ônibus
16
Com tantas novida“A Feira se transformou
des, Alouche encerrou a
sua participação, anunna principal referência no
ciando que a fábrica da
MAN em Resende passou
transporte coletivo nacional.
a ser o centro de produção e desenvolvimenAqui estamos para analisar
to de chassis de ônibus
para países emergentes. tendências, possibilidades de
Segundo Ricardo, a matriz alemã reconheceu a novos negócios e saber o que
capacidade de desenvolpodemos fazer no futuro”
vimento e produção de
ônibus, principalmente
Ricardo Alouche, diretor de Vendas
pelo desempenho obtido e Pós-Vendas da MAN Latin America
no mercado interno.
Wilson Pereira, diretor executivo da Scania,
encerrou o painel reafirmando os objetivos da
montadora de trabalhar, pensando em longo
prazo, entregando produtos, serviços e informando sobre a sua linha de financiamento. Pereira citou a volta da marca para o segmento de
ônibus com motores dianteiros, após nove anos
de ausência, e disse que o principal foco será
no nicho de chassis de ônibus rodoviários. Ele
garantiu que a empresa trabalha para mostrar ao
mercado as principais soluções em transporte,
como o ônibus movido a etanol. Pereira afirmou
que todas as montadoras e encarroçadoras estão preparadas para dar suporte aos projetos de
BRT que serão implementados no país.
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17 Revista Ônibus
Fórum Fetranspor de Segurança no Transporte
AUDITÓRIO 2 Dia 10/11 – 15h
Especialistas alertam para
crise mundial no trânsito
É preciso urgentemente humanizar o trânsito e reduzir os altos índices
de acidentes que ainda acontecem no Brasil e no mundo. Essa foi a principal
conclusão do Fórum Fetranspor de Segurança no Trânsito, que ocorreu no
dia 10 de novembro, durante o 14º Etransport.
A coordenadora de Educação do Detran, Janete Bloise, revelou que o
órgão está muito esperançoso porque o Rio de Janeiro está “acordando”.
“Precisamos de um pouco mais de solidariedade no trânsito”, afirmou,
acrescentando que o Detran tem buscado fazer a sua parte através de maior
investimento na formação dos profissionais.
O presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, por
sua vez, destacou que o trânsito é o grande espelho da irregularidade e
mencionou que, após o Código Brasileiro de Trânsito, observou uma menor
incidência de acidentes. “Mas ainda clamamos que o Código seja mais
cumprido e cobrado”, declarou.
O coronel da PM e membro do Conselho Estadual de Trânsito no Rio
(Cetran), Antônio Germano, representou o presidente do órgão no evento,
e lembrou que, para termos um trânsito mais seguro, é fundamental que as
três partes funcionem perfeitamente,
tanto a fiscalização, como a educação
e a engenharia.
Tragédia anunciada
“São mais de 50 mil mortes
anuais causadas pelo trânsito no
Brasil e cerca de 400 mil feridos”
José Mauro Braz de Lima, professor,
diretor do Hospital-Escola São
Francisco de Assis
Revista Ônibus
18
Para o professor José Mauro Braz
de Lima, diretor do Hospital-Escola São
Francisco de Assis, da Universidade
Federal do Rio de Janeiro, quando se
fala em saúde e mobilidade, estamos
falando de uma tragédia anunciada.
“Segundo o DPVAT, são mais de 50 mil
mortes anuais causadas pelo trânsito
no Brasil e cerca de 400 mil feridos,
dentre eles, 25% ainda ficam com
sequelas”, alertou.
O diretor de Comunicação da
Abramet (Associação Brasileira de
Medicina de Tráfego), Dirceu Rodrigues Alves Júnior, falou do trabalho da
Associação e de sua preocupação com
“Continuamos a nossa luta em
busca do Acidente Zero”
Dirceu Rodrigues Alves Júnior, diretor
de Comunicação da Abramet
todos os agentes envolvidos no trânsito – transeuntes, motoristas ou passageiros do transporte
coletivo. Dirceu Rodrigues lembrou que as mortes
no trânsito superam os óbitos nas últimas guerras.
Falou também daquelas pessoas que são feridas
nos acidentes e que ficam com graves sequelas,
incapacitadas de voltar ao mercado de trabalho.
“Continuamos a nossa luta em busca do Acidente
Zero”, concluiu.
A coordenadora nacional da ONG Criança Segura, Alessandra Françóia, abordou o trabalho da
organização no sentido de promover a prevenção
de acidentes com crianças de até 14 anos. Até
2015, a meta da ONG é reduzir em 25% o número
de mortes por acidentes entre crianças e adolescentes. Para atingir esse objetivo, a ONG utiliza
três estratégias: a comunicação, a mobilização e a
sugestão de políticas públicas que ofereçam maior
segurança à criança dentro dos veículos.
Alessandra Françoia destacou que, graças ao
trabalho da ONG nos Estados Unidos, já consegui-
Fórum Fetranspor de Segurança no Transporte
ram reduzir em 20% os acidentes, mas lamenta
que os números continuem assustadores, pois
830 mil crianças ainda morrem todos os anos em
decorrência de acidentes de trânsito e 90% dessas
mortes acontecem em países em desenvolvimento.
“Hoje, 830 mil crianças morrem todos os anos
vítimas de acidentes de trânsito”, alertou. Elas
são mais atingidas pelos acidentes, em virtude da
baixa estatura, da menor base de conhecimento,
da estrutura física em desenvolvimento, da menor
tolerância e do tamanho da cabeça.
“Hoje, 830 mil crianças morrem
todos os anos vítimas de
acidentes de trânsito, 90% em
países em desenvolvimento”
planeta causados pelos acidentes no
trânsito. Dentre essas pessoas, 54%
não estavam nos veículos. Outra
constatação assustadora é que 90%
das vítimas são de países de baixa e
média renda. “Vivemos uma verdadeira crise mundial no trânsito, que pode
devastar o futuro do mundo, pois tem
impacto na economia, na sociedade
e no desenvolvimento. AIDS, tuberculose e malária matam menos que
violência e trânsito”, destacou.
Ao final do fórum, foi lançado “Um livro que fala de Medicina
o livro “Medicina do Transporte”,
de Transporte, escrito por
organizado pelo consultor médico
da Fetranspor, Fernando Moreira,
especialistas renomados, e que
que aborda temas como tabagismo,
avaliação de condutores, doenças
oferece muitas informações
cardiológicas, gestão de saúde nas
empresas, abusos de bebidas alcoópara quem trabalha com esse
licas, obesidade e distúrbios do sono.
Moreira não escondeu sua satisfação
assunto”
com o lançamento do livro. “Fiquei
Fernando Moreira,
realmente emocionado de ver esse
consultor médico da Fetranspor
projeto concretizado e a qualidade
final do trabalho. É um livro que fala
de Medicina de Transporte, escrito por especialistas
renomados, e que oferece muitas informações para
quem trabalha com esse assunto”, contou.
Alessandra Françóia, coordenadora
nacional da ONG Criança Segura
Mas a coordenadora anunciou também uma
notícia positiva: há uma tendência de queda dos
acidentes no Brasil. E lembrou a obrigatoriedade
do uso de bebê conforto para crianças de até
um ano de idade, de cadeirinha, até 4 anos, e do
assento de elevação, de 4 a 7,5 anos.
Em seguida, o representante da Sociedade
Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, Marcos
Musafir, falou sobre a criação da Década do Trânsito pela ONU (Organização das Nações Unidas) e
OMS (Organização Mundial de Saúde) e os grandes
desafios a serem superados, devido à magnitude
do problema. Afinal, são 3 mil óbitos por dia no
19 Revista Ônibus
Palestra Magna: Uma Nova Visão na Mobilidade Urbana
AUDITÓRIO 1 Dia 10/11 – 16h30min
Besserman: modelo atual de
desenvolvimento é insustentável
Em sua palestra magna, na abertura do 14º
Etransport, Sergio Besserman, assessor da Prefeitura do Rio, enfatizou que o modelo atual de
desenvolvimento é insustentável. Na análise do
economista, para se alcançar o desenvolvimento sustentável, é necessário que o conceito de
sustentabilidade seja compreendido e respeitado, principalmente pelas instituições. Ele afirma
que a vida no planeta vai mudar amplamente,
quando todos assimilarem e aplicarem este
conceito no dia a dia. Besserman afirmou que
o desenvolvimento não é sustentável porque as
relações de consumo cometeram um equívoco
em relação aos recursos naturais.
“A visão do século XX não é mais útil neste século. Foi cometido um grande equívoco no
século passado, a começar pelo pensamento de
que não precisávamos do planeta. A ideia central
era o desenvolvimento econômico de um lado e
a vida do outro. Nas últimas décadas, descobrimos que estamos degradando a qualidade dos
serviços da natureza. Há um custo. E terá que
ser colocado, institucionalmente, nos preços de
todos os negócios”, advertiu o especialista, que
é responsável pelo Programa Rio Sustentável.
Sobre a proposta do congresso, o economista teceu elogios à Federação. “A Fetranspor
está antenada à questão da sustentabilidade. E
isto é decisivo para quaisquer negócios, que estarão submetidos a altíssimos preços, caso não
compreendam esta necessidade”. E completou:
“A vida no planeta vai mudar se todos compreenderem esta relação de negócio e sustentabilidade”, frisou.
“A Fetranspor está antenada à
questão da sustentabilidade. E
isto é decisivo para quaisquer
negócios, que estarão
submetidos a altíssimos preços,
caso não compreendam esta
necessidade”
Sergio Besserman, assessor da
Prefeitura do Rio
Revista Ônibus
20
Palestra Magna: Uma Nova Visão na Mobilidade Urbana
Besserman acrescentou que nos dias
a­ tuais só existe a possibilidade de crescimento do ponto de vista da sustentabilidade.
Neste momento, traçou um paralelo com o
tema da palestra: “Uma nova visão na mobilidade urbana. Estamos fadados a nos debruçar sobre esta questão. A sustentabilidade é
a essência do conceito para a mobilidade urbana. É ela quem decidirá o futuro. Cabe-nos
a responsabilidade de como pensar e gerar a
mobilidade dos cidadãos com o menor custo
para o planeta. E estamos juntos diante deste
desafio”, sinalizou.
O economista fez uma síntese dos diversos tipos de agressões ambientais no mundo.
Ao todo, segundo ele, são 21 acontecimentos. Destes, destacou seis casos: desertos
crescentes; extinção dos semiáridos; erradicação do solo verde; buraco da camada de
ozônio; escassez de água doce; aumento de
acidez nos oceanos, alterando a ecologia e
provocando mudanças climáticas.
Para ele, a escassez de água doce já é motivo de guerra e poderá ser causa de inúmeros conflitos por todo o globo terrestre, destacando casos recentes na Cisjordânia. Em
relação às mudanças climáticas, Besserman
afirmou que, cada vez mais, haverá aumento
de chuvas em alguns lugares e diminuição em
outros. “Com o aquecimento global, principal fator das mudanças climáticas, continuará chovendo tanto ou mais, porém, não nos
mesmos lugares”.
Após enumerar as catástrofes causadas ao
meio ambiente no último século, Besserman
disse que é necessário um esforço em todos
os níveis da sociedade para que esses problemas sejam resolvidos nos próximos dez anos.
“Para que surja um novo mundo, precisamos
que surjam mudanças de todas as formas. E
o setor de transportes é importante para que
consigamos ganhar esta guerra. Mudanças
não apenas na tecnologia, mas no modo de
vida, de pensar e de gerar a mobilidade”.
De acordo com ele, a cidade do Rio já está
à frente na corrida em prol da sustentabili-
“O Rio é uma capital ecológica.
Isto é uma marca. E o mundo
vai colocar os olhos no Rio,
principalmente nos próximos
anos de grandes eventos”
dade. “A agenda do mundo é a sustentabilidade. E isto envolve os negócios. Trilhões de
dólares serão movimentados, de acordo com
as mudanças climáticas. O Rio é uma capital
ecológica. Isto é uma marca. E o mundo vai
colocar os olhos no Rio, principalmente nos
próximos anos, de grandes eventos. E esta é
uma chance de fortalecer esta marca”.
Ao final da palestra, o economista lançou um
desafio para o setor de transportes. “Chegar ao
Rio + 20 com um BRT diferente, ou seja, sustentável. E valorizando o espaço público, preocupandose com a redução da emissão de gases poluentes.
Além disso, focando em uma governança de sustentabilidade, cujo modelo de negócio contribua
para que as cidades se tornem mais eficientes”.
21 Revista Ônibus
Painel 1 – A Gestão Ambiental no Setor de Transportes:
Desafios para o Licenciamento e a Sustentabilidade
AUDITÓRIO 1 Dia 11/11 – 9h30min
Fetranspor e Inea assinam termo de
cooperação durante congresso
A gestão ambiental no setor de transportes
foi tema do primeiro painel de debates do 14º
Etransport, que contou com a presença do
presidente do Instituto Estadual do Ambiente
(Inea), Luiz Firmino. Na ocasião, o presidente
executivo da Fetranspor, Lélis Teixeira, e Luiz
Firmino assinaram o Convênio de Cooperação
entre a Federação e o Inea, com o intuito de
promover e facilitar o processo de licenciamento
ambiental das empresas de ônibus.
Esse licenciamento é o processo administrativo pelo qual o Inea autoriza a localização,
instalação, ampliação e operação de empreendimentos utilizadores de recursos considerados
efetiva ou potencialmente poluidores e que
podem causar degradação ambiental.
“Durante muito tempo, houve um distanciamento entre o setor de transportes e o órgão de
meio ambiente. E a Fetranspor vem quebrando
esta distância, inclusive com o lançamento do
Selo Verde. Este convênio reforça o interesse
da Federação em continuar aproximando as
empresas do Inea. E reflete a preocupação da
Fetranspor com o licenciamento ambiental das
empresas”, afirmou Luiz Firmino.
Para Lélis, a assinatura do convênio com o Inea
é motivo de orgulho. “Neste congresso, procuramos reafirmar o nosso objetivo para o setor de
transportes, que é a mobilidade inteligente, uma
mobilidade sustentável. Temos a consciência de
querer atuar, com a intenção de preservar para o
futuro os recursos naturais. Por isto, esta assinatura é um motivo de orgulho”, comemorou.
O gerente de Operações da Mobilidade Urbana, Guilherme Wilson, acredita que o convênio vai
ampliar as chances das empresas conquistarem a
A assinatura do Termo
de Cooperação vai
facilitar o processo de
licenciamento ambiental
das empresas de ônibus
Revista Ônibus
22
Painel 1 – A Gestão Ambiental no Setor de Transportes:
Desafios para o Licenciamento e a Sustentabilidade
“Inclusive as empresas que têm passivo
“Durante muito tempo, houve um
ambiental poderão solicitar um dos
distanciamento entre o setor de transportes
licenciamentos, que é a Licença de
e o órgão de meio ambiente. A Fetranspor
Operação e Recuperação”
vem quebrando esta distância”
Ana Cristina Henney, diretora de
Licenciamento Ambiental do Inea
licença ambiental. “Este convênio é um marco inédito para o Sistema Fetranspor, porque ele significa
uma aproximação entre as empresas e o órgão
ambiental. E o Centro de Serviços Ambientais da
Fetranspor vai intermediar esta relação, traduzindo
as exigências legais. Hoje o Centro de Serviços
pode assumir o licenciamento de uma forma integral, cuidando do processo até a sua liberação”.
A diretora de Licenciamento Ambiental do Inea,
Ana Cristina Henney, apresentou o novo sistema
de licenciamento (SLAM), instituído pelo Decreto
Estadual nº 42.159, de 2 de dezembro de 2009. O
SLAM estabelece oito tipos de licença ambiental
(ver Box), os quais já podem ser conferidos e solicitados através do portal do Inea. “Este sistema vai
viabilizar o licenciamento no Estado do Rio. Inclusive empresas que têm passivo ambiental poderão
solicitar um dos licenciamentos, que é a Licença
de Operação e Recuperação”, disse Ana Cristina.
Participou também deste painel o diretor de
Infraestrutura e Monitoramento do Inea, Carlos
Alberto Fonteles, que destacou a preocupação do
Instituto com a sustentabilidade, dando ênfase
Luiz Firmino, Presidente do Instituto
Estadual do Ambiente (Inea)
ao monitoramento da qualidade do ar, realizado
para determinar o nível de concentração dos
poluentes presentes na atmosfera. Seus resultados não só permitem um acompanhamento
sistemático da qualidade do ar na área monitorada, como também constituem elementos
básicos para a elaboração de diagnósticos sobre
a mesma, subsidiando ações governamentais
para o controle das emissões.
Segundo Fonteles, dentre as diversas fontes
que contribuem para a degradação da qualidade
do ar na Região Metropolitana, os veículos se
sobressaem, contribuindo com a parcela mais
significativa de emissão de poluentes, que corresponde a 77%. Nesse sentido, a própria rede de
monitoramento está voltada, na quase totalidade
das suas estações de amostragem, para a medição
das concentrações de poluentes provenientes do
tráfego de veículos. Para fazer o monitoramento
da qualidade do ar na Região Metropolitana, o
Inea opera uma rede de amostragem constituída
por 22 estações manuais e cinco automáticas
(quatro estações fixas e uma móvel).
23 Revista Ônibus
As licenças só têm validade quando a sua concessão é publicada no Diário Oficial do
Estado do Rio de Janeiro e em um jornal de grande circulação, no prazo de 30 dias após
seu recebimento. A não publicação da licença pode acarretar sua anulação ou a aplicação
das penalidades previstas nos artigos 84 e 87 da Lei nº 3.467, de 14 de setembro de 2000.
A Central de Atendimento e as Superintendências Regionais do Inea fornecem os gabaritos
para a publicação das licenças. As cópias das publicações devem ser enviadas para a Central
de Atendimento ou para a Superintendência Regional que concedeu a licença, dentro desse
prazo de 30 dias. As licenças concedidas pelo SLAM são:
Licença Prévia – É concedida na fase
preliminar do planejamento do empreendimento e estabelece as condicionantes a serem
atendidas nas próximas fases da implantação.
Licença de Operação – Expedida após a
verificação do efetivo cumprimento do que
consta nas licenças anteriores, com as medidas de controle ambiental e demais condicionantes determinadas para a operação.
Licença Prévia e de Instalação – Atesta a
viabilidade ambiental de empreendimentos
e, concomitantemente, aprova sua implantação, quando a análise de viabilidade
ambiental da atividade ou empreendimento
não depender da elaboração de EIA/Rima
nem RAS, estabelecendo as condições e
medidas de controle ambiental que deverão
ser observadas.
Licença Ambiental de Recuperação
– Aprova a remediação, recuperação,
descontaminação ou eliminação de passivo ambiental existente, na medida do
possível e de acordo com os padrões técnicos exigíveis, em especial daqueles em
empreendimentos fechados, desativados
ou abandonados.
Federação das Empresas
de Transportes de Passageiros
do Estado do Rio de Janeiro
Licença de Instalação – Autoriza a instalação
do empreendimento de acordo com as especificações constantes dos planos, programas e
projetos aprovados, incluindo as medidas de
controle ambiental e demais condicionantes. A LI
pode autorizar a pré-operação, por prazo especificado na licença, visando à obtenção de dados
e elementos de desempenho necessários para
subsidiar a concessão da Licença de Operação.
Licença Ambiental Simplificada – Concedida em uma única fase, atesta a viabilidade
ambiental, aprova a localização e autoriza a
implantação e/ou a operação de empreendimentos. E também estabelece as condições e
medidas de controle ambiental que deverão
ser observadas.
Licença de Instalação e de Operação
– Aprova a instalação e a operação de empreendimentos cuja operação represente um
potencial poluidor insignificante, estabelecendo
as condições e medidas de controle ambiental
que devem ser observadas na sua implantação
e funcionamento.
Licença de Operação e Recuperação – Autoriza a operação do empreendimento concomitante à recuperação ambiental de passivo
existente em sua área, caso não haja risco à
saúde da população e dos trabalhadores.
25 Revista Ônibus
Painel 2 – Liderança em Desenvolvimento
e Retenção de Talentos
AUDITÓRIO 3 Dia 11/11 – 9h30min
Futuro das empresas
depende de bons
Quais são as características de um bom líder? Segundo Luiz Carlos Cabrera, sócio-fundador da Panelli Motta Cabrera e palestrante
do painel “Liderança em Desenvolvimento e
Retenção de Talentos”, para ser um bom líder é preciso ter foco no resultado, promover
ações socialmente corretas voltadas para o
crescimento das pessoas, não ser superficial,
não desdenhar o trabalho nem a educação e
ter um propósito na vida.
Na opinião do consultor, algumas empresas, durante determinados períodos, focaram
tanto no resultado que perderam a perenidade. “Quando olho a profunda transformação
que o setor de transportes vai passar observo
que todas as empresas deverão trabalhar intensamente seus programas de desenvolvimento de talentos”, destacou.
Para Cabrera, o bom líder tem de exercer
sua liderança, necessita ter comprometimento e agir sempre com ética. “Ética é quando
o que a gente combina para a gente vale para
todos”, lembrou. Em sua opinião, o bom líder
também precisa estar disponível, saber ouvir
ativamente, ser íntegro, saber elogiar e ensinar. “Tem poder quem ensina, e não quem
conserva o conhecimento”, aconselhou. O
consultor revelou a sua imagem do líder ideal: é um zelador de valores e por isso deve
sempre praticar a política do bem.
Pessoas são diferentes
A presidente da Vicky Bloch Associados,
Vicky Bloch, que também participou do pai-
Revista Ônibus
26
líderes
nel, explicou de modo objetivo e simplificado
o que é preciso para reter talentos. Segundo ela, a atração e a retenção de qualquer
pessoa na empresa começam pela sua admiração em relação ao lugar em que ela está.
“Sessenta e cinco por cento das pessoas que
saem das empresas é porque não admiram
seus chefes, as pessoas que deveriam ser responsáveis pelo crescimento delas”, destacou.
“Ética é quando o que a gente combina para a
gente vale para todos / Tem poder quem ensina,
e não quem conserva o conhecimento”
Luiz Carlos Cabrera, sócio-fundador
da Panelli Motta Cabrera
Painel 2 – Liderança em Desenvolvimento
e Retenção de Talentos
“Sessenta e cinco por cento das
pessoas que saem das empresas é
porque não admiram seus chefes,
as pessoas que deveriam ser
responsáveis pelo crescimento delas”
Vicky Bloch, presidente
da Vicky Bloch Associados
Vicky Bloch lembrou os cem anos em que
a relação de trabalho era baseada na troca,
na simples obediência, por segurança no
emprego, e que a nova relação só começou
no final da década de 80, tendo, portanto,
apenas 20 anos. “Temos apenas 20 anos de
construção de um novo vínculo, baseado em
trocas simbólicas. Vivemos a mudança de um
modelo de concessão para um modelo de
consórcio”, frisou.
Para a consultora, quando as pessoas não
falam com prazer e encantamento do trabalho, em geral, a responsabilidade é daquele
que deveria servir ao outro com conhecimento, o líder. “Acredito que reter talento é ser
solidário com o outro. A retenção de talento
passa pelo conceito de sustentabilidade das
relações”, afirmou. Segundo ela, a nova geração de profissionais precisa de motivação,
de um sistema de avaliação ético, de um
sistema de remuneração justo, baseado em
performance, de poder equilibrar sua qualidade de vida, de ver os valores defendidos
pela empresa aplicados na prática e de ser
tratado com respeito e dignidade.
E que tipo de líder, afinal, essa geração
espera? Na opinião de Vicky Bloch, espera
um líder que gere admiração, prepare o futuro da empresa, faça acontecer, engaje o
profissional talentoso, invista na perenização
(na capacidade de gerar talentos não só a
curto prazo, mas que permaneça e sustente
a próxima geração) e no profissional. O bom
líder também deve focar a relação com os
profissionais, reconhecendo que cada pessoa
é diferente da outra; deve garantir a autoestima pessoal e coletiva das pessoas e ter compaixão com aqueles que convivem com ele.
27 Revista Ônibus
Palestra – Fator Acidentário de Prevenção:
Como Reduzir Risco e Promover Saúde
AUDITÓRIO 3 Dia 11/11 – 11h
Serviços médicos:
melhor solução é investir
As empresas de ônibus precisam fortalecer
seus serviços médicos, trabalhando de forma
mais preventiva, com o objetivo de melhorar a
qualidade de vida dos seus funcionários. Esta
foi a opinião dos dois palestrantes do painel
“FAP: Como Reduzir Riscos e Promover Saúde”.
O médico Sérgio Barros, especialista em Medicina do Sono e responsável pelo Programa de
Medicina do Sono da Viação Águia Branca e da Salutaris, na sua apresentação, alertou para a grande
interferência dos problemas do sono na qualidade
de vida e no desempenho profissional das pessoas.
Citou a sonolência, junto com outros fatores como
mau tempo, falha mecânica, falha do condutor, ingestão de álcool e vias mal conservadas, como as
principais causas de acidentes de trânsito.
Segundo afirmou, os
“Temos que entender as
problemas de sono dos
funcionários resultam, por
causas da insônia, porque
exemplo, em maior absenteísmo, licenças e afastaela não é uma doença,
mentos. O Programa avalia
também como está o estaé um sintoma”
do psicológico da pessoa,
Sérgio Barros, médico especialista
pois, na avaliação do méem Medicina do Sono
dico, insônia e depressão
andam juntas. “Não adianta tomar remédio contra a insônia. Temos que
entender as causas da insônia, porque ela não é
uma doença, é um sintoma”, frisou.
Barros falou principalmente sobre o trabalho realizado há dez anos nas duas empresas, destacando a Sala de Simulação
de Alerta, onde os motoristas praticam
exercícios para combater os horários em
que é normal sentir maior sonolência,
e o programa de alimentação saudável.
Graças a essas ações, os motoristas têm
melhorado sua qualidade de vida e seu
desempenho. A empresa também procura trabalhar com a autoestima dos
colaboradores. “Todo mundo gosta de
Sérgio Barros fala
sobre interferência
dos problemas do
sono na qualidade de
vida e no desempenho
profissional
Revista Ônibus
28
Palestra – Fator Acidentário de Prevenção:
Como Reduzir Risco e Promover Saúde
ser bem tratado. Noventa e sete por cento dos
entrevistados reconhecem o Programa como
fundamental para a melhoria da qualidade de
vida”, destacou.
Ao final da palestra, o médico sugeriu
que as empresas do setor tenham uma maior
preocupação com a seleção e a formação do
condutor e que desenvolvam principalmente
ações preventivas e educativas para garantir
melhor qualidade de vida aos funcionários e
menores riscos de acidentes de trânsito.
Mais prevenção
Já o médico Armando Pimenta, membro
do Conselho Técnico Científico da Associação
Brasileira de Medicina do Trabalho e da Comissão de Saúde da International Association
of Oil & Gas Producers, falou especificamente
sobre o Fator Acidentário de Prevenção (FAP)
e seu impacto sobre o setor de transportes. Pimenta afirmou que o FAP apontou duas mil
novas correlações entre doenças e ambiente
de trabalho. “Houve um enorme aumento do
auxílio-doença, pois, ao mudar a forma de cálculo, gerou-se um benefício de auxílio-doença
maior do que o valor que o funcionário receberia se voltasse ao trabalho”, afirmou.
Pimenta recomendou às empresas que invistam na prevenção de doenças, evitando que
os funcionários fiquem enfermos e, se ficarem,
que evitem encaminhá-los para o benefício
previdenciário. “Agora, a melhor saída para as
empresas de ônibus é fortalecer o serviço mé-
“A melhor saída para as empresas de ônibus é
fortalecer o serviço médico, saindo do aspecto
tradicional do médico do trabalho e realizando
um trabalho mais preventivo”
Armando Pimenta, médico, membro do Conselho Técnico
Científico da Associação Brasileira de Medicina do Trabalho
e da Comissão de Saúde da International Association of
Oil & Gás Producers
dico, saindo do aspecto tradicional do médico
do trabalho e realizando um trabalho mais preventivo”, aconselhou. O médico citou, como sugestão, a criação de um posto de enfermagem,
onde possa ser feito acompanhamento permanente da saúde dos funcionários e o incentivo a
uma alimentação mais saudável.
29 Revista Ônibus
Painel 3 – Jogos Olímpicos e Copa do Mundo: Oportunidades
de Melhorias e Novos Negócios para as Cidades Sede
AUDITÓRIO 1 Dia 11/11 – 11h
Bons sistemas de transporte
são essenciais para
eventos mundiais
Exemplo de Johanesburgo e projetos brasileiros
conquistaram atenção do público
Um dos painéis do segundo dia de atividades
do 14º Etransport teve como temática central a
preparação das cidades para as Olimpíadas e
para a Copa do Mundo. Para referendar a pauta
da apresentação, foram mostradas, como exemplos, as transformações pelas quais a cidade
de Johanesburgo, na África do Sul, passou em
função da construção dos estádios Soccer City
e Ellis Park. Para falar do assunto, foi convidado
o gerente de Infraestrutura do Departamento de
Transportes da cidade, Wonder Matshiga.
Sobre os projetos para duas cidades brasileiras, discorreram o gerente de Coordenação
de Políticas de Sustentabilidade da BHTRANS,
Marcelo Cintra, e o secretário municipal de
Transportes do Rio de Janeiro, Alexandre Sansão. Também participaram do painel o superintendente da NTU, Marcos Bicalho, e o vicepresidente do Rio Ônibus, Octacílio Monteiro.
Bicalho abriu a sua explanação dizendo
que esse é um momento muito favorável para
os serviços urbanos, tendo em vista os grandes
investimentos que serão feitos nas 12 cidades
que receberão os jogos da Copa do Mundo em
2014. “É a oportunidade de recuperação dos
serviços de transportes e para, enfim, termos
uma política de mobilidade beneficiando toda
a sociedade” – afirmou.
Bicalho demonstrou entusiasmo em função
dos 11,5 bilhões de reais que serão investidos
Revista Ônibus
30
“É a oportunidade de
recuperação dos serviços
de transportes e para,
enfim, termos uma
política de mobilidade
beneficiando toda a
sociedade”
Marcos Bicalho,
superintendente da NTU
Painel 3 – Jogos Olímpicos e Copa do Mundo: Oportunidades
de Melhorias e Novos Negócios para as Cidades Sede
“Os vencedores da licitação terão
a responsabilidade de reorganizar
o sistema face aos compromissos
assumidos até a Copa e as Olimpíadas”
Alexandre Sansão, secretário municipal de
Transportes do Rio de Janeiro
nas cidades, bem como pelo fato de que parte
desse recurso será utilizado em projetos de mobilidade. “Ao todo serão 20 sistemas de BRT que
serão implantados no país face à realização da
Copa do Mundo e das Olimpíadas em 2016”.
Tanto Cintra quanto Sansão falaram sobre
as ações em desenvolvimento para a reorganização dos sistemas de transportes das cidades,
assim como a respeito das apostas em sistemas de BRT, que serão implementados nas respectivas capitais.
Sansão deu ênfase aos três projetos que estão sob a responsabilidade do município, citou
o processo licitatório pelo qual o transporte por
ônibus da cidade do Rio passou, e disse que a
tendência é a racionalização do sistema, pois
os consórcios terão suas obrigações. “Essa foi a
mudança dos modelos jurídico e operacional do
sistema de transporte por ônibus. Os vencedores
da licitação terão a responsabilidade de reorganizar o sistema face aos compromissos assumidos até a Copa e as Olimpíadas. Outro ponto
destacado pelo secretário foi a implantação do
Bilhete Único Carioca, instrumento que permite
ao usuário fazer duas viagens pagando apenas
uma tarifa e que vai servir aos consorciados para
estimar demanda e racionalizar o sistema.
Já Marcelo Cintra contextualizou os problemas de trânsito que assolam as grandes cidades, mas focou no plano para melhorar a fluidez
em torno do estádio do Mineirão, facilitando,
assim, os deslocamentos dos torcedores que
irão assistir às partidas, uma vez que a Copa
atrai pessoas do mundo inteiro. Assim como outras cidades do país, Belo Horizonte apostou em
sistemas de BRT para aumentar a velocidade
operacional na cidade, porém afirmou que não
será uma tarefa das mais fáceis a implantação
dos corredores em virtude das características
do local. No entanto, Cintra aposta no sucesso
dos sistemas, que trarão maior nível de inteligência para o transporte público. “Nós temos
um transporte coletivo com nível de informação
insuficiente e que não dá alternativa ao usuário de escolha nos seus deslocamentos. O Rio
“Nós temos um transporte coletivo com nível de
informação insuficiente e que não dá alternativa
ao usuário de escolha nos seus deslocamentos”
Marcelo Cintra, gerente de Coordenação de Políticas de
Sustentabilidade da BHTRANS
31 Revista Ônibus
Painel 3 – Jogos Olímpicos e Copa do Mundo: Oportunidades
de Melhorias e Novos Negócios para as Cidade Sede
O exemplo africano apresentado por Wonder
Matshiga mostrou a receita para o sucesso da
Copa – a união de esforços dos governos e
também a participação popular
de Janeiro deu um exemplo muito bom com o
bilhete único, porque dessa maneira as pessoas
podem escolher qual a melhor forma de usar o
transporte público” – finalizou.
O exemplo africano apresentado por Wonder Matshiga mostrou a receita para o sucesso
da Copa – a união de esforços dos governos
e também a participação popular. Segundo
Matshiga, quatro anos é muito pouco tempo
para se preparar uma Copa, mas com trabalho e dedicação foi possível realizar um grande
evento. O gerente ainda destacou as melhorias
na cidade, com muitas intervenções realizadas
“Os investimentos do
governo vão permitir aos
empresários promover
uma revolução no sistema
de transportes”
Octacílio Monteiro, vicepresidente do Rio Ônibus
Revista Ônibus
32
principalmente ao redor dos estádios. Como
exemplos, a instalação de sistemas de BRT e a
recuperação de calçamentos e passarelas, além
da sinalização, que foi totalmente renovada.
Dentre os desafios citados por Matshiga,
está a manutenção dos equipamentos públicos,
a qual requer altos investimentos, sendo necessário assegurar a sustentabilidade dos mesmos.
Para o sul-africano, é importante destacar que,
além dos dois estádios construídos na cidade,
outros projetos trouxeram bastante movimentação para Johanesburgo, como o centro de
imprensa e os de treinamento, que serviram de
base para algumas seleções.
“Somente nos estádios Soccer City e Ellis
Park foram realizadas 15 partidas durante toda
a Copa do Mundo, com uma média de 84 mil
torcedores. Para garantir o acesso de todos aos
jogos, foi necessária a realização de um planejamento de utilização de toda a infraestrutura
de transportes. Foi necessária a utilização de
todos os meios de transportes em
sua plena capacidade” – finalizou.
Encerrando o debate, o vicepresidente do Rio Ônibus, Octacílio Monteiro, falou com otimismo
sobre as perspectivas do Rio Janeiro para incrementar o sistema
de transporte na cidade e servir
bem a toda a população, assim
como turistas e torcedores que
vierem para a Copa ou para os jogos olímpicos. “Os investimentos
do governo vão permitir aos empresários promover uma revolução
no sistema de transportes. Era o
passo que faltava para a melhoria
do transporte no Rio de Janeiro”.
33 Revista Ônibus
Palestra – Responsabilidade Social Corporativa
e sua Relação com o Negócio
AUDITÓRIO 1 Dia 11/11 – 14h
Fetranspor e Instituto Ethos:
parceria em prol da
sustentabilidade
“Reflexão sobre o sentido de responsabilidade universal”. Foi desta forma que Celina
Carpi, diretora do Instituto Ethos, iniciou sua
fala durante a palestra Responsabilidade Social
Corporativa e Sua Relação Com o Negócio,
exibindo um vídeo sobre a Carta da Terra –
documento que orienta a adoção de valores
e princípios necessários para a construção de
um planeta justo e sustentável –, mobilizando
todos para refletirem sobre o assunto. Além
de Celina, a diretora do projeto Rio Como
Vamos, Tereza Lobo, também estava presente.
A apresentação foi conduzida pela gerente
de Responsabilidade Social Corporativa da
Fetranspor, Márcia Vaz.
Após o vídeo, Celina destacou que as
empresas hoje vivem um grande desafio, que
é criar uma sociedade de baixo carbono. “As
empresas que estiverem dispostas a encontrar
uma solução para esta questão encontrarão
excelentes oportunidades de negócios. O único
problema é que não há um caminho seguro
para percorrer”, alertou ela. Em seguida, Celina esclareceu qual é o objetivo do Ethos em
relação às empresas.
“É o de criar um novo modelo de gestão empresarial, baseado em uma missão que envolva
as questões econômica, social e ambiental. Então, é atuar pensando no progresso, no planeta e
nas pessoas. É oferecer um suporte que as motive
a trabalhar, alinhando as metas empresariais com
o desenvolvimento sustentável”. Uma das dire-
Revista Ônibus
34
trizes da missão do Instituto Ethos é disseminar
a prática da responsabilidade social empresarial,
ajudando a compreender e incorporar de forma
progressiva o conceito do comportamento empresarial socialmente responsável.
A Fetranspor, disposta a ampliar este
conceito no sistema rodoviário, fechou uma
parceria com o Instituto Ethos durante o 14º
Etransport. O Instituto é uma organização
sem fins lucrativos, caracterizada como OSCIP
(Organização da Sociedade Civil de Interesse
Público). Sua missão é mobilizar, sensibilizar
e ajudar as empresas a gerir seus negócios de
forma socialmente responsável. É um pólo de
organização de conhecimento, troca de experi-
Celina Carpi,
diretora do
Instituto Ethos,
e Maria Cristina
Bumachar,
Coordenadora
do Instuto Ethos
Palestra – Responsabilidade Social Corporativa
e sua Relação com o Negócio
“Nosso maior desafio hoje e
para as próximas décadas é a
economia do baixo carbono”
Celina Carpi, diretora do
Instituto Ethos
ências e desenvolvimento de ferramentas para
auxiliar as empresas a analisar suas práticas de
gestão e aprofundar seus compromissos com
a responsabilidade social e o desenvolvimento
sustentável. Além disso, o Ethos é uma referência internacional e vem desenvolvendo projetos
em parceria com diversas entidades no mundo.
“A Federação quer ajudar as empresas de
ônibus e seus sindicatos a prosperar, contribuindo para um desenvolvimento social, econômico
e ambientalmente sustentável. Por isto, decidiu
fechar a parceria com o Instituto Ethos, por ser
uma entidade que tem expertise no assunto.
Desta maneira, acreditamos que vamos poder
identificar formas inovadoras e eficazes de atuar
em parceria na construção do bem-estar comum.
Através de indicadores e orientações, o Ethos vai
nos mostrar a relevância de um comportamento
socialmente responsável, inclusive para o retorno
sobre os investimentos. E, assim, esperamos
prosperar mais e mais”, esclareceu Márcia Vaz.
Celina acredita que a transparência é um
dos principais geradores do compromisso
sustentável. E, então, apresentou o relevante
trabalho da Global Reporting Initiative (GRI)
– uma ONG com sede em Amsterdã, na Holanda, cuja missão é desenvolver e disseminar
diretrizes para a elaboração de relatórios de
sustentabilidade. Desde 1997, a GRI tem focado suas atividades no desenvolvimento de um
padrão de relatório que aborde os aspectos
relacionados à sustentabilidade econômica,
social e ambiental das organizações.
Futuro do Ethos
De acordo com Celina, o propósito atual do
Instituto é encontrar um modelo eficaz de atu-
ação no mercado e na economia, influenciando
os clientes. E este modelo, segundo ela, está
relacionado ao futuro do Ethos. “Nosso maior
desafio hoje e para as próximas décadas é a
economia do baixo carbono. Ou seja, transformar o mercado em uma economia verde. Quais
serão os instrumentos e os atores para esta conquista? Os governos são os grandes formadores
de mercado. Então, devemos atuar integrando
ações que nos tragam uma economia verde,
responsável e inclusiva”, afirma.
Celina completou: “Vamos fazer uma terceira geração de indicadores, que serão apresentados no Fórum Global pela Sustentabilidade.
O Ethos está propondo um encontro anual
para debater e agir neste tema, cuja primeira
edição acontecerá no Rio de Janeiro em 2012.
E o sistema de transporte tem de se adequar
à economia do baixo carbono. O transporte
tem uma missão importante, pois ele dá ao
indivíduo e à sociedade a oportunidade de se
desenvolver”, destacou.
Tereza Lobo deu continuidade ao assunto,
apresentando o programa “Rio Como Vamos”,
o qual dirige. “O Rio Como Vamos é um movimento apartidário. O nosso objetivo é acompanhar e colaborar para a melhoria da qualidade
de vida no Rio, medida por indicadores, técnicos
e por meio de diálogos com todos os agentes
Tereza Lobo,
diretora do
“Rio Como Vamos”
35 Revista Ônibus
Palestra – Responsabilidade Social Corporativa
e sua Relação com o Negócio
públicos e privados. É possível ter uma economia verde e fazer com que as empresas tenham
sucesso, sem degradar o meio ambiente e sem
esquecer a questão social. A rede empresarial
no Rio é muito ativa. Neste momento, está se
formando uma série de ações para que se possa
caminhar rumo à sustentabilidade”.
Segundo Tereza Lobo, uma das prioridades
do movimento é ouvir a população. Através das
informações das pessoas, o Rio Como Vamos
gera notícias que possam deixar claro o quanto
é necessário melhorar. E aproveitou para lançar
um desafio ao setor de transportes: “Ouvimos
reclamações deste setor, mas agora é a hora
de mudar para que surjam notícias positivas
sobre os transportes. Queremos apresentar o
Rio como a cidade da sustentabilidade. Vamos
entrar numa década importante, na qual acontecerão muitas transformações, sobretudo no
setor de transportes, visando à realização de
eventos mundiais. E o mais interessante é que
a população está otimista frente aos projetos
que vão trazer mudanças para a cidade nos
próximos anos”.
cindível contra a evasão escolar. Essas e outras
ações comprovam o interesse da Fetranspor na
sustentabilidade”.
Márcia também
disse que neste ano
Atuação da
“Ouvimos reclamações deste foi iniciada uma pesFetranspor
quisa para identifisetor,
mas
agora
é
a
hora
A gerente de Rescar ações e objetivos
ponsabilidade Social
relacionados à área
de
mudar
para
que
surjam
da Fetranspor, Márcia
de responsabilidade
Vaz, enumerou uma
social das empresas
notícias
positivas
sobre
os
série de iniciativas da
de ônibus e sindicatos
Fetranspor, ao longo
que fazem parte do
transportes”
dos anos, comprovanSistema Fetranspor.
Teresa Lobo, diretora do
do o interesse consO resultado será diprojeto Rio Como Vamos
tante da Federação
vulgado em janeiro
em gerar e conquistar
de 2011. “Além dessa
a sustentabilidade, para trazer bons resultados pesquisa, temos interesse em criar um Relatório
aos negócios, à sociedade e ao planeta. “Uma Corporativo de Sustentabilidade para acomdas iniciativas da Fetranspor foi contribuir para panhar o crescimento de nossas iniciativas e
a inclusão social na área da mobilidade. E o os resultados das nossas estratégias. E ainda
Bilhete Único é o maior exemplo, possibilitando vamos lançar um Banco de Boas Práticas, onde
uma economia diária ao cliente e promovendo ficarão armazenados os projetos sociais e/ou
a inclusão social. Com a economia possibilitada socioambientais das nossas empresas, inclusive
pelo Bilhete Único, o cidadão pode investir em disponíveis para todo o mercado”, finalizou.
lazer, cultura e educação. O Vale-Transporte,
sem dúvida, é outro exemplo, pois foi impres-
Revista Ônibus
36
37 Revista Ônibus
11º Encontro de Boas Práticas da NTU – Políticas
Tarifárias de Integração e o Dilema do Custeio
AUDITÓRIO 3 Dia 11/11 – 14h
Encontro mostra
soluções adotadas
por quatro capitais brasileiras
As dificuldades parecem ser as mesmas. Entretanto, de acordo com cada região e divisão
modal, as soluções são pensadas e colocadas
em prática com o objetivo de proporcionar maior
mobilidade para os usuários do transporte. A
formulação de políticas tarifárias, tendo em vista o equilíbrio econômico financeiro do sistema
e consequentemente dos seus operadores em
quatro grandes cidades do país, bem como os
desafios da implementação, representaram a
tônica do 11º Encontro da NTU. Belo Horizonte,
Salvador, Porto Alegre e Rio de Janeiro foram os
exemplos apresentados no painel.
Luis Claudio Rocha, superintendente da
Transfácil de Belo Horizonte, falou sobre a distribuição dos cartões BH Bus, os modelos em
circulação, as formas de aquisição e a quantidade de linhas que integram o sistema. Rocha dis-
Batinga –
“Distribuição
de linhas foi o
desafio para
encontrar o
modelo de
integração”
Rocha –
Implantação
gradativa e risco
inicial para os
operadores
Revista Ônibus
38
se que, a partir da implantação do novo modelo, houve a absorção de mais de 110 mil novos
passageiros, garantindo o equilíbrio do sistema,
mas que, de acordo com os operadores, ainda é
possível captar mais clientes.
Com a implantação do sistema de bilhetagem sendo feita de forma gradativa – iniciada
em 2004, mas reformulada em 2008 –, face
ao processo licitatório pelo qual o sistema de
transporte da cidade foi submetido, Rocha explicou que, no primeiro momento, as integrações
só eram realizadas nos terminais BH Bus. “Temos cinco terminais, sendo quatro de integrações entre linhas de ônibus e um que permite a
transação entre ônibus e metrô. Inicialmente só
­fazíamos as integrações em ambientes controla-
11º Encontro de Boas Práticas da NTU – Políticas
Tarifárias de Integração e o Dilema do Custeio
dos, depois foi possível fazer as integrações com
as linhas já nas ruas”.
Com todo o processo já devidamente implementado e sistema equilibrado, o desafio para os
operadores da cidade mineira passa a ser outro.
“Hoje todo o custo do sistema é coberto pela
tarifa e este deve ser analisado. Estamos trabalhando para captar nova demanda e utilizar todo
o equipamento, dando capilaridade ao sistema,
utilizando a mesma frota”.
O gerente operacional da Transcard de Salvador, Carlos Batinga, manteve discurso semelhante, apresentando os produtos relacionados
ao Salvador Card. Segundo Batinga, a capital
baiana foi uma das primeiras cidades do país a
operar com bilhetagem eletrônica, e o grande
desafio foi conceber um sistema capaz de integrar várias linhas de ônibus, logo que existia uma
superposição de itinerários. “Salvador não teve
critério na distribuição das linhas, o que gerou a
indefinição de um modelo. A cidade tem mais de
400 linhas, com uma frota média de 5 ônibus por
linha, ou seja, a demanda é grande e o sistema
não apresenta regularidade”.
Para tentar minimizar os reflexos dessa política de transportes, a cidade foi dividida em quatro
grupos de linhas e a integração é realizada entre
aquelas pertencentes a grupos diferentes. “Dentro de um mesmo bloco não existe a possibilidade do uso do benefício”.
A alternativa encontrada para melhorar os
deslocamentos na capital baiana foi a implantação de integrações para as linhas mais curtas.
A integração temporal foi adotada no sistema
denominado Amarelinho, cuja tarifa custa 50%
menos do que as aplicadas no sistema regular.
Luiz Mário Magalhães, gerente executivo da
Associação dos Transportadores de Passageiros
de Porto Alegre, falou que, na capital gaúcha, a
implantação do sistema tarifário ocorreu de forma gradativa, com a integração ocorrendo sempre na segunda viagem.
Magalhães citou que a implantação do sistema em Porto Alegre levou em consideração todos
os perfis de usuários e foi concluída em 2008.
Hoje a administração é feita por consórcios que
“A integração não prejudica a recuperação de
mercado e esperamos que seja uma tendência”
Luiz Mario Magalhães
têm participação direta no custo do sistema, que
possui um caixa único para arrecadação, na busca do equilíbrio do mesmo.
Luiz citou algumas particularidades do modelo adotado, como o risco assumido pelos controladores do sistema, ao cobrar 50% do valor da
tarifa na segunda parte da viagem, assim como a
forma de integração temporal que, segundo ele,
“se fosse feita com um tempo uniforme, deixaríamos de contemplar satisfatoriamente linhas
com viagens mais longas e daríamos um sobretempo para as mais curtas”.
Outra característica apresentada por Magalhães foi a divisão das linhas por tempo de viagem em cinco grupos, todas integradas, com a
única restrição para uso em um mesmo ônibus.
Para chegar a esse modelo, o tempo de viagem
considera sempre o primeiro grupo de linhas,
que leva até 20 minutos para percorrer todo o
seu trajeto. O segundo grupo de linhas, com
duração de 21 a 40 minutos, até o quinto grupo, que inicia com mais de 81 minutos em seu
percurso total.
Magalhães finalizou, citando que, durante
os primeiros nove meses de 2010, foi registrado
39 Revista Ônibus
11º Encontro de Boas Práticas da NTU – Políticas
Tarifárias de Integração e o Dilema do Custeio
Richele – “Redução da quantidade de tarifas foi o
primeiro passo para concepção do bilhete único”
um aumento de 1,6% no número de usuários
em relação ao ano anterior. “Isso mostra que a
integração não prejudica a recuperação de mercado e esperamos que isso seja uma tendência”.
Finalizando o painel, a diretora de Mobilidade Urbana da Fetranspor, Richele Cabral, que
mostrou como foi possível conceber os bilhetes
únicos intermunicipal e da cidade do Rio de Janeiro, os quais possuem características similares,
porém com valores tarifários distintos
em função da abrangência de cada um.
“O bilhete único intermunicipal
exigiu tamanho esforço para a sua concepção pelo fato de haver em toda Região Metropolitana um universo de 74
tarifas. Não havia como se estabelecer
uma tarifa única se somente de ônibus
tínhamos tantos valores. Para isso, estruturamos um estudo, promovendo o
zoneamento dos municípios, e mapeamos as tarifas praticadas por eles. Nosso
primeiro passo foi reduzir o número de
tarifas existentes”, informou Richele.
“Graças ao apoio tecnológico da
RioCard, gestora do sistema de viagens
no Estado, foi possível fazer o planejamento de origem e destino, além de
Revista Ônibus
40
estabelecer os níveis tarifários. Dessa forma reduzimos as distâncias entre os valores das tarifas
e estabelecemos um limitador de valores para as
tarifas que ficaram acima do determinado pela
lei, que era de R$ 4,40”.
De acordo com os dados da RioCard, 50%
das viagens realizadas no Estado são feitas através dos cartões eletrônicos e 20% destes são
bilhetes únicos.
Com relação ao bilhete único municipal,
Richele apresentou os primeiros números, visto
que este foi implantado no dia 6 de novembro.
Ele possui algumas caraterísticas diferentes em
relação à política tarifária estabelecida no bilhete único do Estado. No bilhete único da cidade o
valor é debitado de forma integral logo na primeira viagem. Além disso, no município, o tempo
para integração é de duas horas, ou seja, trinta
minutos a menos do que o período estabelecido
para o benefício estadual.
Outra diferença entre os bilhetes únicos: o do
governo do Estado prevê o subsídio, enquanto
no do município isso não ocorre. Por esse motivo
a diretora de Mobilidade acredita que o transporte deve ser racionalizado. “Pelo fato de não
haver subsídio, os empresários terão de promover a racionalização do sistema, caso contrário,
perderão receita. Esta deve ser feita de forma
imediata, para que haja a manutenção do equilíbrio do modelo” – finalizou.
41 Revista Ônibus
Cenário Econômico Brasileiro
AUDITÓRIO 1 Dia 11/11 – 15h30min
Economista vê com otimismo
perspectivas para 2011
“As perspectivas para a economia brasileira
em 2011 são bastante otimistas, principalmente devido a quatro fatores: os juros baixos; o
aumento da oferta de linhas de financiamento
pelo governo, através do BNDES e da CEF; a
confiança dos consumidores e dos empresários
na economia; e a menor taxa de desemprego da
história do Brasil.” A afirmação é do economista
sênior do Banco Itaú, Luiz Cherman, que fez a
palestra Cenário Econômico Brasileiro. “O PIB do
ano tem expectativa de crescimento de 4,6%. É
um número bastante forte e que nem sempre
acontece”, explicou.
Segundo Cherman, embora os juros do Brasil
sejam considerados bem altos em termos mundiais, são baixos se comparados aos anos anteriores. Ele explicou também que a perspectiva é
que o real fique valorizado, e que o governo está
adotando uma série de medidas para evitar uma
supervalorização. Cherman acredita que os juros
vão ter que subir um pouco no próximo ano e
que a distribuição de renda já está melhorando,
assim como a expansão do crédito.
O diretor financeiro do Banco Guanabara,
Roberto Leonardo, que também participou do
painel, perguntou ao economista do Banco
Itaú quais são as expectativas em relação ao
crescimento da economia proporcionado pela
realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas.
Na opinião de Cherman, as Olimpíadas devem
trazer maior aquecimento para a economia do
que a Copa do Mundo. Pelo menos isso é o que
tem acontecido nos países que sediaram os dois
eventos recentemente.
Leonardo perguntou também ao economista
do Banco Itaú sobre sua opinião acerca do endividamento das famílias. Cherman respondeu que,
embora as pessoas gastem atualmente cerca de
Revista Ônibus
42
25% de sua renda com juros e amortização, a
inadimplência está reduzida.
Respondendo a uma pergunta do presidente
executivo da Fetranspor, Lélis Teixeira, sobre
a influência da política externa no mercado
brasileiro, Cherman explicou que o mercado
está cauteloso com a política que a economia
americana está desenvolvendo, mas afirmou que
há claros indícios de que a economia vai crescer
e que esse cenário externo está favorável ao
crescimento do Brasil.
Concluindo a palestra, o economista destacou que a sociedade brasileira não precisa
se preocupar, porque o Brasil melhorou muito
nos últimos anos e ele imagina que o próximo
governo siga o mesmo rumo.
A mesa de debates teve também a participação do diretor administrativo financeiro da Fetranspor, Paulo Marcelo Marcelo Tavares Ferreira.
Da esquerda para a direita: Luiz Cherman, Roberto
Leonardo e Paulo Marcelo Tavares
43 Revista Ônibus
Painel 4 – Operação Consorciada de Transportes:
Uma Solução para Redução de Custo?
AUDITÓRIO 1 Dia 11/11 – 16h30min
Porto Alegre, Goiânia e Fortaleza
mostram como operam
sistemas de consórcio
A operação consorciada foi o cerne do
quarto painel do 14º Etransport. Experiências
de três estados foram apresentadas ao público
– Porto Alegre, Goiânia e Fortaleza –, com o
intuito de que os presentes pudessem avaliar se
a operação consorciada é ou não uma solução
para a redução de custos. O vice-presidente
da NTU, Claudio de Senna Frederico, foi o
mediador da mesa, que reuniu o presidente
executivo da Fetranspor, Lélis Teixeira; o diretor
geral da Rede Metropolitana de Transporte
Coletivo (RMTC) da Grande Goiânia, Leomar
Avelino; o engenheiro executivo da Associação
de Transportes de Passageiros de Porto Alegre,
Luiz Mário Magalhães; e o superintendente
do Sindicato de Transportes de Passageiros do
Ceará, Pessoa Neto.
Revista Ônibus
44
Para Frederico, a operação consorciada é um
fato que não tem volta. Ou seja, os demais estados
que ainda não operam em sistema de consórcio
não terão outra saída, a não ser optar por esta
decisão. Ele relembrou sua época de secretário
de Transportes de São Paulo, durante o governo
de Mário Covas. “Confesso que, à época, minha
intenção já era que houvesse uma transferência
de parte das responsabilidades públicas para o
sistema de consórcio, em busca de novas soluções
e para satisfação do cliente”.
Leomar Avelino afirmou que a crença de
que a operação consorciada é a melhor para
o setor e para o cliente é o que mais mobiliza
todos os operadores nesta direção. Ele destacou
três pontos favoráveis na operação de Porto
Alegre: “A primeira é a crença. Acreditamos na
Painel 4 – Operação Consorciada de Transportes:
Uma Solução para Redução de Custo?
Para Frederico, a operação consorciada será
realidade em todos os estados. Quem ainda não
opera em sistema de consórcio não terá outra saída,
a não ser optar por esta decisão
questão da inovação e de
uma melhora contínua.
Segundo, porque há uma
valorização da integração.
Temos um único gestor
nos 18 municípios. Temos
unidade no controle operacional. Temos unidade tarifária. E, por último,
estamos aprendendo a dar foco na rede, no mercado, tendo o cliente como o mais importante”.
A RMTC é dividida em três áreas operacionais e
teve quatro lotes licitados. Possui 276 linhas e mais
35 sublinhas, operadas por 1.467 veículos. A rede
conta com 4 mil empregados nos quatro consórcios.
São quatro empresas e cada uma tem sua cota de
participação no consórcio, de acordo com a participação no mercado. A operação possibilita mais de 20
milhões de viagens por mês, nos 50km de corredores
exclusivos, e quase 4km de faixas exclusivas.
“A palavra integração é muito importante para
a nossa rede. Inicialmente, tínhamos a dúvida se
o consórcio era ou não um serviço terceirizado. O
consórcio não é terceirizado. Ele é a extensão das
empresas operadoras. É a presença corriqueira dos
empresários na definição de estratégias, diretrizes,
enfim, tudo que é necessário para garantirmos
qualidade ao serviço”, explicou Avelino.
Segundo ele, o papel das operadoras é “disponibilizar a frota, motoristas capacitados e a
receita para a operação do consórcio”. Avelino
enfatizou que o consórcio vive da receita repassada pelas operadoras, mas que todas também
participam do lucro. Cinco processos definem
a rede: planejamento operacional, serviço de
informação metropolitano, central de controle
operacional, gestão de controle de terminais e
gestão da qualidade.
“A rede de consórcio já foi implantada dentro
de uma gestão de qualidade, seguindo a base
da NBR ISO 9001. Já passamos pela primeira
auditoria e atingimos 80% de conformidade.
Ainda não estamos 100% satisfeitos. Mas caminhamos com uma unidade bastante importante
para o crescimento e fortalecimento do serviço”,
comemorou Leomar Avelino.
“Temos unidade no controle operacional.
Temos unidade tarifária. E, por último, estamos
aprendendo a dar foco na rede, no mercado,
tendo o cliente como o mais importante”
Leomar Avelino, diretor geral da RMTC
45 Revista Ônibus
Painel 4 – Operação Consorciada de Transportes:
Uma Solução para Redução de Custo?
Operação de cooperação
O superintendente do Sindicato de Transportes
de Passageiros do Ceará, Pessoa Neto, mostrou as
características do consórcio de Fortaleza. A principal
diferença é que a operação não segue uma padronização do consórcio institucional. É uma operação
de cooperação, que já agregou mais de 90% das
empresas. Pessoa Neto relatou as inúmeras dificuldades no serviço de transporte coletivo em Fortaleza,
culminando com a crise que se estendeu de 1997 a
2004. Apesar da dificuldade financeira, ele afirmou
que as empresas não tomaram a decisão de operar em
cooperação por conta dessa situação. “Todas estavam
em busca de novas soluções, de melhorias. Ninguém
aguentava mais atirar no próprio pé. Mas a tendência é que a implantação do consórcio institucional
aconteça o mais depressa possível”, esclareceu Neto.
O consórcio de Fortaleza opera com 19 empresas, das 22 existentes, com 1.611 veículos. Cerca
de 93% dos clientes são pagantes. Para Neto, uma
das principais vantagens é que as próprias empresas se fiscalizam. “O custo adicional é rateado
entre as empresas. Todas cooperam mutuamente
e se fiscalizam. A partir de 2008, passamos a ter
mais proatividade. Além disso, todas estão procurando fazer interação e ter a melhor ordenação
dentro da operação”.
Já em Porto Alegre existem três consórcios e
cada um segue uma padronização visual. O enge-
Pessoa Neto
Revista Ônibus
nheiro executivo da Associação de Transportes de
Passageiros de Porto Alegre, Luiz Mário Magalhães,
disse que um dos destaques do consórcio de Porto
Alegre é o fato de ser um caixa único de receita e
lucro. “O princípio básico é o percentual de receita,
que tem de ser igual ao custo”, explica.
O sistema opera com 1.622 veículos, com 398
linhas. A tarifa única é de R$ 2,45. São 13 empresas privadas e uma pública, que circulam em 50km
de corredores exclusivos e quase 4km de faixas
exclusivas. “Não queríamos um modelo de gestão
de fusão. Optamos pela permanência das empresas. A missão dos três consórcios é disponibilizar a
frota para a operação. O ônibus sai da garagem e
já fica à disposição do consórcio. Nosso principal
objetivo é a racionalização dos serviços prestados,
visando à qualidade com o menor emprego dos
fatores de produção de transportes”.
O presidente executivo da Fetranspor, Lélis
Teixeira, encerrou o painel pontuando como foi o
processo licitatório no Rio. “O que emergiu entre as
empresas cariocas é a compreensão da formação
do consórcio. A formação ganhou a divisão de cinco
áreas, e apenas quatro foram licitadas. Temos hoje
quatro consórcios, que vão melhorar a qualidade
de vida da população. O que se prevê no Rio não
é um caixa único, mas sim a participação de todas
as empresas no mercado. Compreendemos que
atender bem a população de cada região dos consórcios é a maior qualidade do produto”, avaliou.
Luiz Mário Magalhães
46
Lélis Teixeira
47 Revista Ônibus
Painel 5 – RioCard: Inovação em Produtos e Serviços
AUDITÓRIO 1 Dia 12/11 – 9h30min
Pagamento eletrônico:
vantagens para o negócio
São Paulo, Rio e Fortaleza mostram experiências
com cartões de transporte
O advento dos meios eletrônicos de pagamento no setor de transportes é uma realidade.
Operadores, nas grandes cidades do país,
veem na bilhetagem eletrônica a chave para
a retenção e captação de clientes. Além disso,
de posse de informações importantes,uma vez
que os cartões utilizados são identificados, é
possível ampliar os negócios, desde que as empresas criem mecanismos de inovação.
Essa foi a questão
debatida no primeiro
painel do último dia
do Etransport.
Como convidados
para a discussão, o
superintendente da
SPTrans, José Carlos
Martinelli; o diretor
do Crie/Coppe – UFRJ,
Marcos Cavalcanti; o
diretor do SindiÔnibus
de Fortaleza, Paulo
Cesar Barroso Vieira;
e o diretor executivo de Negócios da Riocard,
Edmundo Fornasari.
Martinelli disse que, em São Paulo, a solução
para a captação de novos clientes foi a integração das empresas vinculadas à EMTU, que cuida
Edmundo
conduziu
o debate e
apresentou
o exemplo
do Rio
Revista Ônibus
48
do transporte na Região Metropolitana de São
Paulo, com as operadoras da capital, assim como
com trens e metrô. Segundo ele, graças a essa
operação, o sistema de Bilhete Único corresponde hoje a 88% dos usuários de ônibus na capital
e 58% de metrô. “A implantação da bilhetagem
eletrônica na cidade se deve ao conceito de integração que foi levado em consideração desde
o planejamento inicial”, citou.
Este fato é comprovado pelo número de transações realizadas nos sistemas que abrangem a
cidade e a Região Metropolitana de São Paulo,
assim como pelo número de usuários cadastrados
na SPTrans, totalizando 7 milhões de pessoas.
Em seguida, Paulo Barroso apresentou um
resumo da operação com o sistema de bilhetagem de Fortaleza, que, em função da parceria
com a empresa Libercard, criou mecanismos
incentivadores para o uso do cartão, gerando,
assim, receitas para operadores do sistema de
transporte e seus parceiros. A ideia foi conceber
um cartão híbrido, aliando transportes e os
produtos da rede Libercard, atendendo principalmente clientes das classes C e D, oferecendo
uma série de produtos e serviços. Hoje o sistema
conta com 1 milhão e 780 mil cartões ativos.
De acordo com Barroso, em três meses,
a quantidade de usuários aumentou, houve
diminuição dos custos operacionais, e o valor
Painel 5 – RioCard: Inovação em Produtos e Serviços
“As razões do sucesso dos cartões
foram a conversão de um cartão de
transporte para um de funcionalidade
híbrida, aumento da rede de recarga,
adoção de políticas de venda eletrônica,
além da forte campanha publicitária
com a bandeira da Libercard”
Paulo Barroso, diretor do
SindiÔnibus de Fortaleza
de negócios no período chegou à casa
de 5 milhões de reais.
“Atualmente o sistema conta com 715
mil recargas a bordo
em seus 2.250 ônibus.
Além disso, temos 320
vans regulamentadas.
O setor conta com sete
terminais de integração, onde funcionam
as 29 empresas operadoras do serviço”.
Paulo finalizou a sua apresentação dizendo
que “as razões do sucesso do uso dos cartões
foram a conversão de um cartão de transporte
para um de funcionalidade híbrida, o aumento da
rede de recarga, a adoção de políticas de venda
eletrônica, além da forte campanha publicitária
com a bandeira da Libercard”.
Na sequência, Edmundo falou sobre os produtos RioCard, as iniciativas para a ampliação de mercado – como a implantação do seguro RioCard –, a
implementação do sistema nas vans regularizadas
pelo poder público, além do RioCard Jovem, com
promoções para atrair a atenção dos adolescentes
para o uso do cartão. “Não dá para pensar num
produto somente para atender ao requisito legal.
O nosso interesse é aumentar a participação nas
pequenas empresas, até porque nas grandes corporações já estamos bem inseridos”, disse.
“Entendemos que utilizamos
o transporte como principal
atividade, mas o negócio é
transação eletrônica”
Edmundo Fornasari, diretor executivo
de Negócios da RioCard
Fornasari foi enfático, quando afirmou que
é preciso entender que a principal atividade
da empresa é transporte e que, para isso, deve
ser referência, citando a avaliação feita pela
IBM, que considerou a RioCard uma empresa
inovadora. Além disso, Edmundo apontou como
vantagem a operação ininterrupta dos cartões
em todos os modais, sendo o Rio de Janeiro um
dos poucos estados que possuem essa abrangência em termos de pagamento de transporte.
“Entendemos que utilizamos o transporte como
principal atividade, mas o nosso negócio é
transação eletrônica”, afirmou.
Edmundo acrescentou um conceito maior ao
sistema de bilhetagem eletrônica.
Encerrando o painel, o professor e diretor do
CRIE/Coppe, Marcos Cavalcanti, fez uma análise de como as empresas podem se beneficiar
das informações sobre clientes, concorrentes
e cenários, assim como adotar políticas para a
retenção do capital intelectual, com o objetivo
49 Revista Ônibus
Painel 5 – RioCard: Inovação em Produtos e Serviços
de um melhor aproveitamento, o que ele considera um fator crítico para o sucesso de qualquer
organização.
Cavalcanti enfatizou o período pelo qual
as empresas estão passando, em que a capacidade de gerar novos produtos e serviços – de
governança, de inovação, de gerenciamento
do capital humano – é primordial para a sobrevivência das mesmas. “Nenhuma dessas
caraterísticas vai aparecer no balanço financeiro das empresas”.
No caso das operadoras de transportes
que trabalham com sistema de bilhetagem,
Cavalcanti provocou. “É preciso criar valor a
partir das informações e do conhecimento.
As empresas precisam repensar o seu modelo
de negócios e, assim, saber como utilizar as
informações a seu favor. Com a bilhetagem
eletrônica é possível saber os hábitos dos
clientes e, portanto, oferecer-lhes novos serviços
agregados a um único instrumento que, nesse
caso, é o cartão” – afirmou.
Revista Ônibus
50
“As empresas precisam
repensar o seu modelo de
negócios e saber como utilizar
as informações”
Marcos Cavalcanti,
diretor do CRIE/Coppe
51 Revista Ônibus
Palestra: Conjuntura Econômica e Perspectivas para o Brasil
AUDITÓRIO 1 Dia 12/11 – 11h30min
“Estamos no momento de dar
um salto, de ficar ricos”
Miriam Leitão
Miriam Leitão prevê
panorama positivo
na gestão Dilma
Na opinião da jornalista especializada em
Economia do Jornal O Globo, da Rede CBN e da
GloboNews, Miriam Leitão, o Brasil vive um momento positivo, de crescimento. E as expectativas
para o novo governo, que tomou posse no dia 1º
de janeiro, também são bastante otimistas. “Apesar do presidente Lula ter eleito a sucessora que
ele escolheu pessoalmente, ela é muito diferente
dele e, por isso, é certo que será um governo diferente. Essa eleição foi marcada pela forte presença
do presidente como agente de propaganda. Pouca
gente conheceu verdadeiramente a candidata. Há
muitas dúvidas, por exemplo, como será a relação
dela com a oposição e com a coalisão. De toda forma, acredito que não vai ser mais do mesmo jeito,
porque tem muita coisa acontecendo na economia
mundial, que vai fazer com que a Dilma enfrente
muitos desafios”, declarou.
Revista Ônibus
52
A jornalista afirmou que o principal desafio
que a nova presidente do Brasil, Dilma Roussef,
enfrentará será a escolha da equipe econômica.
Além disso, ela terá de conseguir a aprovação do
Congresso para as medidas que pretende adotar a
fim de implantar a reforma tributária. “Todo mundo
sonha com a reforma tributária, mas cada um da
sua forma. E a nova presidente vai ter que conviver
com o poder pulverizado, porque o eleitor brasileiro, que é mais inteligente do que se pensa, fez uma
distribuição de poder”, afirmou.
Miriam Leitão traçou um panorama positivo
do Brasil. Explicou que o país reagiu muito rapidamente à crise econômica, porque tinha altas
reservas cambiais e o governo criou estímulos fiscais que o ajudaram a sair mais rapidamente da
crise. “O Brasil está crescendo, os investimentos
aumentaram, os empregos sobem, as rendas au-
Palestra: Conjuntura Econômica e Perspectivas para o Brasil
tos, mas a população voltou a ter acesso ao crédito.
mentam, os consumos se expandem, o crédito é
A carga tributária brasileira é outro problema. Sobe
abundante e há uma alta confiança do empresário
o tempo todo. Às vezes, os impostos são irracionais
no país”, destacou. A má notícia, segundo a pae empregar aqui custa caro, o que é contraditório
lestrante, é que o Brasil não segura o crescimento.
no momento em que o mundo todo quer criar em“O crescimento brasileiro sobe e desce. Parte dos
prego. Ou seja, o problema do Brasil é que o país
números do crescimento é recuperação e parte é
ainda não removeu os obstáculos ao crescimento
crescimento mesmo. A pergunta é se cresceremos
e ele sonha e merece cresde forma sustentável, isto porque
“O
Brasil
sonha
e
merece
crescer
de
cer de forma sustentável.
temos algumas dúvidas”, frisou.
Se não enfrentarmos os
A jornalista traçou também
forma
sustentável.
Mas
para
isso
tem
problemas agora, depois
um cenário da economia mundial.
vai ficar difícil. Estamos no
Disse que para a América Latina
que
vencer
obstáculos,
como
a
carga
momento certo de dar um
as previsões são otimistas, com
salto, de ficar ricos”, afirexceção da Venezuela, que sofre
tributária
elevada
e
o
problema
da
mou a jornalista.
por não ser uma democracia. Os
Ela citou alguns faEstados Unidos vivem o que Mieducação”
tores
favoráveis a esse
riam Leitão chamou de paralisia
crescimento, como o
decisória, a Inglaterra tem uma
fato
de o Brasil ter uma
liderança morna e a França tem
população jovem, conum governo fraco, mergulhado
centrada no auge da caem problemas sociais, segundo
pacidade produtiva, e a
a palestrante, que também charedução do número de
mou a atenção para o fato de a
filhos por família, como
Alemanha ser a economia que
deve confirmar o próximo
mais cresce na Europa e que na
censo demográfico. Mas
China a população está enriquealertou que para o Brasil
cendo, mas o sistema político
crescer de fato, é preciso
ainda é muito tosco. E afirmou
que o país vença outros
que o mundo deve continuar em
desafios, como o problecrise, mas agora, diferentemenma da educação, cujos
te da fase aguda, a crise é mais
números ainda são muito ruins. Segundo a joreconômica.“O mundo rico cresce pouco e vai continalista, se antes os países cresciam se tivessem
nuar crescendo pouco. Os Estados Unidos não conforça bruta, hoje crescem se tiverem “cérebro”.
seguem sair dos 10% de desemprego”, ressaltou.
Concluindo a palestra, Miriam Leitão citou
também, entre outros desafios fundamentais
Desafios ao crescimento
para o crescimento do Brasil, a reforma da PrePara o próximo ano, a expectativa é que o Bravidência, a elevação da taxa da poupança, a gasil continue crescendo, mas que cresça menos. “O
rantia de que o país cresça antes de envelhecer,
Brasil cresce por causa da recuperação dos salários,
as barreiras profissionais que dificultam e impeque tem puxado o consumo. Outra questão que dedem o melhor aproveitamento dos profissionais,
vemos destacar é o aumento enorme do crédito. É
a desigualdade que ainda existe entre os sexos
parte das anormalidades de um país que viveu anos
que precisa ser vencida, a reforma espacial e lode inflação e hiperinflação não ter crédito. Mas no
gística – que depende principalmente da priogoverno Lula começou a recuperação do crédito.
rização do transporte coletivo –, e a superação
Aqui, o dinheiro é mais caro, os juros são muito aldos obstáculos ambientais.
53 Revista Ônibus
29° Encontro do Colégio de Advogados da NTU
AUDITÓRIO 3 Dia 12/11 – 9h30min
Processos licitatórios e sua
importância para o transporte
Com o auditório
lotado, uma
das principais
preocupações
do encontro
foi a forma de
aplicação do
novo sistema de
transporte no
Rio de Janeiro
A manhã do último dia do Congresso foi
contemplada com o 29º Encontro do Colégio
de Advogados da NTU, dirigido pelo vice-presidente da NTU, Eurico Galhardi. Participaram
da mesa de trabalhos os palestrantes Maximino
Gonçalves, representando a empresa Fontes e
Tarso Ribeiro Advogados, do Rio de Janeiro; Guilherme Aquino, do Sindicato das Empresas de
Transporte Metropolitano de Belo Horizonte; e
Sacha Breckenfeld Reck, da empresa curitibana
Guilherme Gonçalves Advogados Associados.
Abrindo o ciclo de palestras, Maximino
explanou sobre as licitações do Rio de Janeiro.
Segundo ele, o Ministério Público (MP) questiona, desde 2004, a forma como o transporte por
ônibus funciona na cidade. No que diz respeito
aos consórcios, sua forma e regiões de atuação, o representante da Fontes e Tarso Ribeiro
Advogados citou a dificuldade encontrada pela
cidade para ajustá-los perfeitamente dentro de
cinco áreas, pois alguns bairros, como a Tijuca,
não se encaixam numa região específica, ficando, neste caso, dentro do Intersul, pela sua
proximidade com a Zona Sul, embora seja um
bairro da Zona Norte da cidade.
Para Maximino, há vantagens e desvantagens para as empresas ao se associarem em
consórcios. Segundo ele, hoje o Rio possui
8.800 ônibus, sendo 47 empresas operando na
cidade. Entretanto, o edital de licitação exigia
um mínimo de mil veículos circulando por dia.
Sendo assim, a maneira mais lógica para as
“É o nosso dever licitar,
participar de uma licitação,
pois isso vai nos trazer uma
melhora muito maior”
Guilherme Aquino
atuais empresas operantes ganharem a licitação
seria a junção delas em consórcios. “Isso foi
um fator determinante para essa associação,
pois nenhuma delas sozinha possui essa frota
exigida”, esclareceu. De acordo com o edital,
as empresas têm um prazo de dois anos para
se adequarem à nova realidade, sendo que a
líder de cada consórcio será a responsável legal
pela aplicação das exigências, já que ela firmou
o contrato. As demais empresas terão papel
solidário, ajudando a principal no cumprimento
dessas obrigações.
A história da licitação
Guilherme Aquino deu prosseguimento à
palestra citando o gênio Albert Einstein, que
dizia que “é mais fácil quebrar uma molécula
Revista Ônibus
54
29° Encontro do Colégio de Advogados da NTU
“Se uma empresa apresentar problema na
licitação, todas as demais do consórcio serão
desabilitadas”
Representante da empresa curitibana Guilherme Gonçalves
Advogados Associados, Sacha Breckenfeld Reck
do que um preconceito”. Segundo Aquino, seus
colegas do poder público têm dificuldade em
aceitar uma licitação, mas, para ele, esse é o
melhor caminho, em especial para o setor de
transportes.
Fatos históricos foram apresentados por
Aquino, que revelou detalhes curiosos como a
primeira concessão em terras brasileiras, que
ocorreu no reinado de D. João VI; e que em 1837
chegou ao país um ônibus com quatro rodas
e dois andares, porém tracionado por cavalos.
“Mas foi somente em 1941 que surgiram os
primeiros ônibus com formato semelhante aos
de hoje”, ressaltou ele.
Totalmente a favor dos processos licitatórios, o palestrante trouxe à tona o exemplo
de Minas Gerais: “Em 2008, a Região Metropolitana de Minas Gerais licitou as linhas
intermunicipais da região metropolitana e o
Estado de Minas Gerais agora licita as linhas
intermunicipais de transportes. Isso mostra que
licitação é o caminho. É o nosso dever licitar,
participar de uma licitação, pois isso vai nos
trazer uma melhora muito maior”, enfatiza.
O representante da empresa curitibana
Guilherme Gonçalves Advogados Associados,
Sacha Breckenfeld Reck, concorda plenamente
com seu colega de profissão. Há cinco anos dedicando sua carreira de advogado ao transporte
coletivo, Sacha apresentou o case de Curitiba,
que também optou pelo sistema de consórcios
para o transporte coletivo.
“Antes de darmos início ao processo licitatório visitamos Belo Horizonte, São Paulo e Goiânia para pegar exemplos a serem aplicados em
Curitiba. O que podemos dizer é que a questão
da documentação foi um fator negativo para o
consórcio, pois isso é algo que dá trabalho para
conseguir nesse sistema. Algumas empresas são
desclassificadas por causa de documentação”,
explica Sacha.
Antes de lançar o edital, Curitiba realizou
auditorias em todas as empresas de ônibus para
evitar transtornos durante o processo, “pois se
uma empresa apresentar algum problema na
fase de licitação, todas as demais do consórcio
são desabilitadas e isso geraria muito transtorno. Em Curitiba, o sistema de concessão tem
sido satisfatório”, esclareceu o advogado.
Da esquerda
para a direita,
Guilherme
Aquino, Eurico
Galhardi e
Maximino
Gonçalves
55 Revista Ônibus
Programa Rio Sustentável
AUDITÓRIO 3 Dia 12/11 – 11h30min
“Já conheci as cidades mais famosas do
mundo e duvido que seja possível reunir
tantas fotografias com essas maravilhas
como conseguimos no Rio. Mas uma cidade
não se sustenta apenas por sua beleza”
Subsecretário de Meio Ambiente da cidade do Rio
de Janeiro, Altamirando Fernandes,
Prefeitura quer reduzir
emissão de GEE em 8% até
Altamirando Fernandes fala sobre os planos
do Rio para o meio ambiente
Em pouco mais de uma hora e meia de palestra,
realizada no dia 12 de dezembro, último dia do
Etransport, o subsecretário de Meio Ambiente da
cidade do Rio de Janeiro, Altamirando Fernandes,
falou sobre o Rio e suas maravilhas. “Já conheci as
cidades mais famosas do mundo e duvido que seja
possível reunir tantas fotografias com essas maravilhas como conseguimos no Rio. Mas uma cidade
não se sustenta apenas por sua beleza”, disse ele,
apontando para a sua apresentação em slide.
Jogos Olímpicos Militares, em 2011; Rio+20,
em 2012, quando todas as lideranças do mundo
virão à cidade discutir a questão do aquecimento
global; Copa das Confederações, em 2013; Copa
do Mundo, em 2014; e Olimpíadas em 2016. Ou
seja, muitos eventos importantes atrairão olhares
do mundo para o Rio. “Esses eventos principais
trazem eventos paralelos, como feiras, congressos,
e isso é muito bom”, afirmou Altamirando.
Segundo o subsecretário, a Prefeitura tem um
planejamento estratégico com mais de 40 ações
para fazer tudo acontecer sem riscos para as
Revista Ônibus
56
pessoas e o meio ambiente. “O desenvolvimento
precisa ser feito de forma sustentável. Não há
desenvolvimento sem ser de forma sustentável.
Essa é a nossa filosofia”, enfatizou.
Metas e ações planejadas
Redução dos gases que geram o efeito estufa
no Rio de Janeiro em 8% até 2012. Essa é a meta
da Prefeitura. “Se cada cidade fizer o seu papel
a gente vai ter o bem-estar de todos porque o
mundo é feito de cidades”, afirmou. Segundo ele,
o sistema de transporte tem 36% de responsabilidade pelo efeito estufa, atrás apenas do lixo de
resíduos sólidos, com 37% de responsabilidade
sobre a emissão de CO2. “Trabalhando em cima
disso, mais de 70% das emissões seriam reduzidas”, disse o subsecretário.
Para melhorar a situação do meio ambiente,
ações serão implantadas nos próximos anos
como, por exemplo, a recuperação e ampliação da
cobertura vegetal, através do plantio de árvores;
2012
Programa Rio Sustentável
e a mitigação das emissões dos grandes grupos
poluidores, por meio da desativação do aterro
de Gramacho que, no final de 2011, deixará de
receber lixo. “O Rio produz 9 mil toneladas por
dia de lixo. Viena e Londres não têm problemas
com o lixo, pois possuem centros de tratamento
de resíduos para seu melhor reaproveitamento.
O que está sendo feito em Seropédica resultará
em algo semelhante, para produzir energia a
partir do lixo que descartamos. Mas não apenas
Seropédica será beneficiada; Itaguaí e a cidade do
Rio também”, comentou ele, lembrando que um
programa de coleta seletiva é importante para a
cidade e que a Prefeitura está trabalhando para
implantar esse conceito. “Esperamos, até o final
do governo, ter 30% dessa coleta na cidade.”
Entrar com a coleta seletiva na Zona Sul e em
parte das zonas Oeste e Norte em 2011: essa é
a meta. Hoje o centro da cidade já possui coleta
seletiva desde 2010. Um galpão na Zona Portuária
foi comprado pela Prefeitura do Rio para que os
catadores de lixo possam ter uma assistência
social e um local específico para o lixo que recolhem do centro da cidade. “Os grandes prédios do
Centro estarão contribuindo com essa separação
para facilitar o trabalho desses catadores”, explicou Altamirando.
De acordo com o palestrante, grandes cidades
do mundo inteiro estão investindo na bicicleta
como transporte principal para médias distâncias e
para fazer a interligação com o transporte público.
No entanto, ele ressalta que, para isso, é preciso
que a cidade do Rio tenha uma infraestrutura
adequada através de bicicletários, malha cicloviária, pontos para aluguel de bicicletas, locais
para encher pneu e um transporte coletivo de
qualidade para essa integração. “O Rio de Janeiro
está voltado para isso. Temos que lembrar que
nas cidades onde as pessoas se transportam de
bicicleta as taxas de obesidade e de hipertensão
são baixas”, ressaltou Altamirando.
Para ele, investimento é a palavra-chave. Em
2009, o Rio tinha 149 km de ciclovia. Entretanto,
tudo isso está voltado para o lazer, na orla da
cidade. “Estamos com uma meta de em 2012
termos 300 km de ciclovia. O metrô da Pavuna
tem bicicletário, assim como na estação Arco
Verde, e isso incentiva a população a usar suas
bicicletas. Na Zona Oeste até tem muita gente
que usa a bicicleta para fazer interligação com
transporte público, porém não há uma infraestrutura (ciclovias) para isso acontecer com
segurança e qualidade. Por este motivo, estamos
implantando isso na Zona Oeste também”,
finalizou o subsecretário.
A era do transporte sustentável
Num segundo momento, o subsecretário do
Meio Ambiente resolveu abordar a questão do
transporte sustentável, já que é um fator determinante para o Rio de Janeiro evitar a emissão
de CO2. “A era do automóvel acabou; foi bom
enquanto durou. Não dá para pensar que cada um
pode ter seu automóvel, senão vamos fica parados
em vez de andar, pois a cidade não aguenta mais
tantos carros nas ruas”, elucidou ele, citando o
exemplo de Berlim, onde é caro ter automóvel,
pois não se tem garagem e os estacionamentos
são caros. “Em compensação, Berlim tem bondes,
ligações com trens, corredores exclusivos para
ônibus... É essa filosofia que queremos implantar
no Rio, senão daqui a cinco anos estaremos como
São Paulo”, disse ele.
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59 Revista Ônibus
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Revista Ônibus
64
Bienal de Marketing ANTP
AUDITÓRIO 2 Dias 11/11 e 12/11
Exemplos internacionais
e prêmios na Bienal da ANTP
No segundo dia do Etransport, a inovação tecnológica se fez ainda mais presente.
No auditório 2, onde aconteceu a Bienal de
­Marketing da ANTP, Michael Lichtenegger, CEO
da UITP (União Internacional de Transporte
Público), participou via satélite, com tradução
simultânea, e apresentou exemplos que mostram a importância do marketing no transporte
público. Para ele, é preciso enxergar o mercado
de transporte público como qualquer outro. “Se
os clientes estão exigindo um serviço melhor,
é preciso trabalhar junto com o marketing
para essa imagem do TP melhorar”, explicou
Mi­chael, dizendo que em sua cidade isso funcionou muito bem.
Com dados em tela, Lichtenegger mostrou
que, em Viena, 28% da população não utilizava
o transporte público por falta de conhecimento
ou por não gostar do serviço. Nesse caso, foi
preciso investimento em marketing para ganhar
essa parcela da população, criando uma mu-
65 Revista Ônibus
Bienal de Marketing ANTP
dança no conceito de transporte de massa. O para cada grupo e preparar uma estratégia
CEO da UITP lembrou que conhecer o público- de marketing para cada um deles são formas
alvo é de suma importância para saber onde corretas para lidar com a situação.
e como trabalhar novas ideias. Segundo ele, é
fundamental motivar cada grupo de clientes,
Mais contribuições para o
mas também é necessário dar atenção aos
marketing no transporte
funcionários. “É preciso motivar os rodoviários
Na mesa da Bienal estavam presentes a
para eles trabalharem de maneira mais eficaz.
Por isso, o marketing interno da empresa é coordenadora técnica da ANTP, Valeska Perez;
o diretor de Marketimportante”, coming da Fetranspor, João
pletou, salientando
Augusto Monteiro; a
“Este seminário deve servir
que os clientes degerente de visão da
vem ser divididos
para
que
as
empresas
copiem
América Latina da UITP,
– a fim de melhorar
Eleonora Pazos; e o via pesquisa para deos
bons
exemplos”
ce-presidente da ANTP,
senvolvimento da
Valeska Perez, coordenadora
Claudio de Senna Freestratégia de matécnica
da
ANTP
derico. “A ideia de que
rketing – em quatro
o transporte público só
grupos distintos: os
é bom se for invisível
VIPs, que sempre
utilizam o TP como meio de transporte e em está no passado. Temos que conquistar os emitinerários longos; os jovens da era 2.0 (uma presários, mostrando que marketing não é gasto
parte da população que está se tornando cada e sim investimento, que serve para fortalecer a
vez mais usuária do TP); a população acima organização deles”, enfatizou Valeska logo no
dos 50 anos, que está envelhecendo e usando início da Bienal.
Já Eleonora Pazos utilizou como exemplo
mais o transporte de massa para se locomover;
e os chamados de “heróis verdes” (pessoas que Dubai, ao falar sobre a importância do marketing
preferem os ônibus, trens e metrôs para não para o transporte público nas grandes cidades.
colaborarem com a poluição do planeta e com Segundo ela, esse emirado árabe se espelhou nos
o caos no trânsito). Olhar de forma diferente exemplos de Paris, Viena e Nova Iorque através
de um benchmarking, chegando à conclusão
de que essas cidades têm ótimos transportes
de massa. Sendo assim, percebeu que, para
sua cidade se tornar visível e positivamente
reconhecida pelo mundo, era preciso investir
pesadamente no transporte e na propaganda
mais acertada.
Michael Lichtenegger apresentou um case
de Viena, mostrando como eles utilizaram a comunicação para chamar a atenção dos clientes.
“Colocamos histórias, imagens familiares com
frases curtas, nos pontos de transportes públicos
– como plataformas de trens e metrôs e em pontos
de ônibus –, com o objetivo de tocar o cliente,
fazer com que ele se identifique com aquilo que
está vendo e, assim, perceba que nos importamos
com a sua qualidade de vida, tempo e bem-estar”,
sintetizou Michael.
Valeska acredita
que a troca de
experiências
entre países
é importante
para o sistema
de transporte
público
Revista Ônibus
66
Bienal de Marketing ANTP
“Se os clientes estão exigindo
um serviço melhor, então, é
preciso trabalhar junto com o
marketing para essa imagem
do TP melhorar”
keting premiou cases de sucesso em diferentes
categorias – Marketing Promocional, Marketing
Institucional, Endomarketing, Marketing de
Produto, Responsabilidade Social e Marketing
de Relacionamento.
As empresas que mais subiram ao palco,
para receberem seus troféus em diferentes categorias inscritas, foram a Endec, de Campinas
(SP), e a carioca Metrô Rio.
Michael Lichtenegger, CEO da UITP
Entrega da Menção Honrosa
Ao final do primeiro momento, Valeska Perez
agradeceu a participação de todos e a contribuição de Michael, enfatizando que a troca de
experiências entre países, ainda que culturalmente diferentes, é válida, já que acrescenta
muito ao sistema de transporte público urbano.
Premiações para os melhores
projetos realizados
Um breve intervalo foi suficiente para deixar
os concorrentes aos prêmios mais ansiosos
para saberem se levariam o troféu em formato
de ovo de avestruz, todo trabalhado e coberto
com folhas de ouro.
Transmitida ao vivo para o programa “Em
Movimento”, da ANTP TV, a Bienal de Mar­
Encerrando esta edição da Bienal de
Marketing, o vice-presidente da ANTP, Claudio
de Senna Frederico, entregou, no dia 12 de
novembro, a menção honrosa para as empresas
Itamaracá, Metrô Rio e Consórcio de Transportes Grande Recife. A menção honrosa técnica
foi para a CBTU Metrô de BH, premiada no dia
11, na categoria Marketing Promocional, pelo
projeto BH Music Station.
A mediadora desta Bienal, Valeska Perez,
lembrou que a webloteca disponível no site da
ANTP abrigará as mais de 200 peças originárias
dos 55 trabalhos apresentados no evento, e
que “este seminário deve servir para que as
empresas copiem os bons exemplos apresentados aqui”, enfatizou a coordenadora técnica
da ANTP.
67 Revista Ônibus
Bienal de Marketing ANTP
Valeska Perez (E) entrega
o prêmio para Juliana
Cabral, gerente de
Marketing da Fetranspor
CRC da Fetranspor ganha prêmio em
Relacionamento com o Cliente
A Central de Relacionamento com o Cliente
(CRC) da Fetranspor foi a grande vencedora da
categoria Marketing de Relacionamento. Antes
do anúncio da vitória, a gerente de Marketing
da Fetranspor, Juliana Cabral, fez uma breve
apresentação sobre a Central.
A CRC concorreu com trabalhos de diversas
regiões do país: “Estação Aberta” – CBTU/Metrô
BH; “Hora do Conto, Um Encontro Marcado com
a Fantasia” – ACTU; “Escovódromo Itamaracá”
– Transportadora Itamaracá; “4ª Rodada nas
Comunidades, garantindo voz e vez à sociedade
para as questões da Mobilidade Urbana” – Emdec;
“Cadastre-se ou Recadastre-se 2010” – Setransp
Aracaju; “Mídias Sociais – A Entrada do Metrô Rio
nas Redes Sociais” – Metrô Rio; “Projeto Encontros” – Metrô SP; “Reestruturação da Central de
Atendimento e Criação da Ouvidora” – Viação Piracicabana; “Vem Ver Cultura” – Rodoviária Caxangá.
Para a coordenadora da Central, Patrícia
Araújo, apesar de reconhecer o valor do serviço
Revista Ônibus
68
para as empresas, o resultado acabou surpreendendo, pois foi a primeira vez que a CRC havia
sido inscrita em uma premiação. “Na verdade
ficamos apreensivos quanto ao resultado, pois
a qualidade dos projetos inscritos era muito
boa. Contudo, sabemos que a CRC é um case
de sucesso que, inclusive, serve de benchmarking
para outras federações; sabíamos que tínhamos
grandes chances”.
Patrícia completa dizendo que o trabalho
de parceria foi fundamental para que a Central
tivesse esse reconhecimento. Também citou que
o prêmio chega para concretizar o êxito de um
trabalho desenvolvido de forma ampla graças à
magnitude do projeto. “A CRC foi e é um projeto
muito ousado. Vê-la recebendo um prêmio de uma
das maiores instituições do setor de transportes do
país é a realização de um sonho. O projeto CRC
foi uma herança do Rio Ônibus que foi adaptado
para todo o setor, e agradecemos muito aos
nossos parceiros”.
Bienal de Marketing ANTP
Os premiados
Marketing Promocional:
Edmundo
Fornasari
recebe
prêmio
destinado
ao RioCard
Jovem
• Metrô Rio: “Parcerias Culturais: Cartão Pré-pago”;
• Emdec – Empresa Municipal de Desenvolvimento de
Campinas: “Programa Preferência pela Vida”;
• CBTU-Metrô de BH: “BH Music Station”.
Marketing Institucional:
• Viação Piracicabana: ”Projeto Transportando Vidas”;
• Emdec: “O Novo Portal da Emdec”;
RioCard JOVEM premiado
na categoria Marketing
de Produto
• Metrô Rio: “Campanha Réveillon Solidário”.
O recebimento do prêmio da Bienal de Marketing
legitima o esforço da RioCard em agregar tecnologia e
praticidade aos usuários de transportes públicos do Rio
de Janeiro, bem como a posiciona como uma empresa
inovadora no que se refere à bilhetagem eletrônica.
O cartão, com design e material diferenciados, foi
criado para atrair o público jovem a utilizar o transporte público. Mais do que uma simples divulgação
comercial, a campanha “Seu Mundo”, do RioCard
Jovem, criou uma plataforma de comunicação que
usava os diferentes perfis do universo jovem para
informar sobre atividades de interesse. Através das
redes sociais (sobretudo o Twitter e Orkut), os perfis
criados pela campanha forneciam informações sobre
cursos, concursos, vestibulares, festas, shows, eventos
esportivos, dicas de passeios ecológicos etc. Esse foi o
principal diferencial da campanha do RioCard Jovem,
um produto segmentado que buscou “falar a língua”
do seu público-alvo.
Outro ponto forte do case foi o concurso cultural “Cheguei de RioCard” no qual diversos jovens
participaram enviando fotos sobre seus pontos
preferidos da cidade.
Os vencedores ganharam relógios exclusivos
que pagam a passagem e estão funcionando como
pilotos dessa tecnologia que promete agregar ainda
mais praticidade aos produtos RioCard.
• Metrô Rio: “Implantação do Cartão Pré-pago”;
Marketing de Produto:
• Concessionária Novo Rio: “O Novo Cartão Postal da
Cidade Maravilhosa – Terminal Novo Rio”;
• RioCard: “RioCard Jovem – Criação, Lançamento e
Campanha”.
Endomarketing:
• Viação Belém Novo: “Programa Portas Abertas”;
• Emdec: “Motorista Nota 10”;
• Metropolitana: “Produtividade: Profissional Modelo
Top 2010”.
Marketing de Relacionamento:
• Fetranspor: “CRC – Central de Relacionamento com o
Cliente”;
• CBTU-Metrô BH: “Estação Aberta”;
• ACTU: “Hora do Conto: Um Encontro Marcado Com a
Fantasia”.
Responsabilidade Social:
• Transportadora Itamaracá: “Projeto Moeda Maracás”;
• Viação Flecha Branca: “Projeto Ir e Vir em Cachoeiro
de Itapemirim”;
• Metrô Rio: “Abrindo Caminhos – Programa de Inclusão
e Empregabilidade de Pessoas com Deficiência”.
69 Revista Ônibus
Painel 6 – Tecnologias Voltadas para a Gestão
Operacional e Informação ao Cliente
AUDITÓRIO 1 Dia 12/11 – 14h
Consórcios apresentam ações
para a melhoria
As experiências da Grande Goiânia e da
Grande Vitória em desenvolvimento e gestão
de sistemas de informação ao cliente foram o
destaque do Painel 6, do 14º Etransport, que
abordou o tema Tecnologias Voltadas para a
Gestão Operacional e Informação ao Cliente.
A diretora de Mobilidade Urbana da Fetranspor, Richele Cabral, mediou os debates.
O diretor geral do Consórcio da Rede
Metropolitana de Transportes Coletivos da
Grande Goiânia, Leomar Avelino Rodrigues,
explicou aos participantes como funciona o
SIM – Serviço de Informação Metropolitano
– e quais são os principais benefícios deste
sistema para os clientes. Através do SIM, o
usuário tem acesso a dados sobre trajetos,
linhas, pontos de parada e horários em tempo real, bem como pode ainda ser atendido
Revista Ônibus
70
da mobilidade
Durante o dabate, foram
discutidas soluções como:
SIM – Serviço de Informação
Metropolitano, da Grande
Goiânia; o Sistema da Grande
Vitória, operado pela Ceturb – GV;
e outras soluções de informação
Da esquerda para
a direita, Miguel
Sérgio Lima,
Richele Cabral,
Leomar Avelino
e Antônio Carlos
Dias
integrada, com exemplos de
diversas cidades do mundo
online para fazer elogios, sugestões, reclamações e denúncias, entre outras vantagens.
Para transmitir essas informações aos clientes, o Consórcio utiliza vários instrumentos
de comunicação, como totens de embarque,
sinalização de terminais, call centers, o site
institucional, displays nos pontos de parada e
balcões de informações dentro dos terminais,
sistemas de som e envio de mensagens aos
clientes cadastrados através de SMS. “Para
nós, gestão operacional e informação aos
clientes são fundamentais para que ele possa
viajar bem e voltar bem”, destacou.
Já o assessor de Desenvolvimento Organizacional da Ceturb – GV, Miguel Sérgio Lima,
falou sobre o sistema da cidade, que gerencia
dez terminais de integração, com 28 linhas
troncais e 211 alimentadoras, além de uma
tarifa única. Segundo ele, a maior missão da
Ceturb é administrar o transporte coletivo de
Painel 6 – Tecnologias Voltadas para a Gestão
Operacional e Informação ao Cliente
pessoas, buscando uma mobilidade eficaz. “O
fato de repetirmos isso como um mantra aumenta nosso compromisso perante o usuário”,
ressaltou.
Lima explicou que o sistema de gerenciamento de informações ainda será implantado (está
Enquanto o sistema não entra em funcionamento, a Ceturb presta outros serviços
ao usuário, através do Disque-Ceturb e do
site, além do Ceturb Móbile, que possibilita
o download de um programa para acesso às
linhas de ônibus e aos horários. É um processo interessante e simples, que será incorporado
“Para nós, gestão
ao sistema maior quando
este for adotado. O cliente
operacional e informação aos paga apenas uma vez pelo
ao programa e pode
clientes são fundamentais acesso
usá-lo sempre que precisar.
“Nosso usuário quer regupara que ele possa viajar
laridade e pontualidade.
Conseguimos regularidade,
bem e voltar bem”
mas nem sempre pontualiLeomar Avelino, diretor geral do
Consórcio da Rede Metropolitana dade. Pontualidade só vade Transportes Coletivos mos conseguir com o BRT”,
da Grande Goiânia destacou Lima.
A hora da verdade
O executivo de Soluções
para o Governo da IBM
“Nosso usuário quer
América Latina, Antonio
Dias, também palesregularidade e pontualidade. Carlos
trante do painel, destacou
Conseguimos regularidade, que só é possível definir se
o sistema de informação
é bom ou não na hora da
mas nem sempre
verdade, quando o cliente
pontualidade. Pontualidade só está no ponto esperando o
ônibus e precisa que o mesvamos conseguir com o BRT” mo atenda às suas necessiMiguel Sérgio Lima, assessor de dades. Dias faz parte de um
Desenvolvimento Organizacional time da IBM que tem trabado Ceturb – GV lhado no setor de transportes, pensando como pode
integrar todos os sistemas que estão crescendo
em fase de licitação), mas a maior preocupação nas cidades. “A área de transportes é responsáda Ceturb é que o mesmo atenda realmente às vel pela mudança cultural do cidadão, de como
necessidades do consumidor. “Através do siste- ele gasta o tempo dele. Ou seja, o transporte
ma, o usuário vai acompanhar todo o processo. provoca uma mudança comportamental na vida
Na licitação está previsto tudo que há de mais das pessoas. É fundamental, também, que os
modais de transporte e a infraestrutura como
moderno para atender o cliente”, disse.
71 Revista Ônibus
Painel 6 – Tecnologias Voltadas para a Gestão
Operacional e Informação ao Cliente
“A área de transportes é responsável
pela mudança cultural do cidadão,
de como ele gasta o tempo dele.
Ou seja, o transporte provoca uma
mudança comportamental na vida
das pessoas”
Antonio Carlos Dias, executivo de Soluções
para o Governo da IBM América Latina
um todo funcionem perfeitamente e de forma
interligada, pois se não funcionar assim, uma
parte prejudica a outra”.
Na opinião de Antônio Carlos Dias, é preciso analisar os sistemas de informação sob
a ótica do cidadão e levar em conta tanto a
parte do transporte público como a do tráfego,
Revista Ônibus
72
bem como verificar como este está afetando
o transporte e sendo afetado por ele. “Temos
que ter essa noção de ecossistema, porque
no meio disso tudo está o usuário, ávido por
informações relevantes, que tenham utilidade
no seu dia a dia”, frisou.
Segundo o executivo, a experiência de Cingapura mostra que o usuário está mais exigente.
Há um slogan conhecido na cidade que diz que
operação em tempo real é tarde demais. “Saber
que o trânsito está engarrafado não ajuda ninguém. O cliente quer saber como o trânsito vai se
comportar daqui a duas horas, qual é o tempo de
chegada do ônibus”, alertou. Ele falou também
sobre o sistema adotado por Londres, operado
pela IBM, onde há cobrança de pedágio para os
automóveis entrarem no centro.
Dias citou ainda a experiência de Estocolmo, na Suécia, considerada muito positiva, que
também desestimulou a circulação de automóveis no centro, através da cobrança de pedágio.
Com isso, metade da população deixou de usar
o transporte individual, substituindo-o pelo coletivo, ou alterou o horário de ida ao centro. As
empresas aumentaram a frota em 10%, mas a
verdade é que, com a redução do tráfego, os
mesmos ônibus conseguiram circular mais vezes.
O resultado foi um serviço de transporte mais
rápido, pontual e com menor lotação. “Outros
benefícios da iniciativa foram a redução de 25%
do trânsito dentro do anel viário, a diminuição
em 15% das emissões de CO², o aumento da receita para o município de Estocolmo e o fato de
que as taxas de congestionamento vão financiar
melhorias para o trânsito”, concluiu.
Fórum Boas Práticas em Educação para
o Setor de Transporte de Passageiros
AUDITÓRIO 2 Dia 12/11 – 14h
Educação e conhecimento
são os desafios empresariais do
3º milênio
“Educação, conhecimento e aprendizagem
suas histórias: clássico, motivacional, estraestão em pauta nas empresas para os próximos
tégico e competitivo. Esses modelos foram
anos, pois é impossível pensar em retenção
formados pelas histórias das empresas, mas
de talentos sem pensar nesses três pontos”.
também pela expectativa dos clientes”, comAssim, começou o Fórum de Boas Práticas,
plementou Fischer.
com as palavras do professor e doutor da
Usando como exemplo a rede de fast food
FIA/USP, André Fischer, no último dia do 14º
McDonald´s, ele disse que, mesmo tendo uma
Etransport, que abordou o tema
taxa de rotatividade elevada
Educação e Conhecimento: Desafios
(cerca de 70%), ela é boa para
“O mercado deve mudar.
da Gestão de Pessoas na Empresa
o país porque treina rapidaContemporânea.
mente o jovem, que entra no
O mais provável é que os
Segundo o professor, o Brasil tem
mercado inexperiente, mas sai
uma rotatividade de 42% por ano
da empresa com um padrão de
dirigentes tornem-se mais
nas empresas, sendo que, no setor de
atendimento válido para o seu
transportes, esse número representa
profissionalizados e os clientes crescimento profissional.
24%. Fischer avisa que, desde 2006,
a satisfação e a motivação dos emmais exigentes”
Grupo JCA contribui
pregados estão aumentando esses André Fischer, professor
com suas experiências
índices. “Com essas mudanças, o e doutor da FIA/USP
João Cândido, dimercado deve mudar.
retor do Grupo JCA,
O mais provável é que
contribuiu para o Fóos dirigentes tornemrum, apresentando a
se mais profissionaexperiência do Grupo
lizados e os clientes
onde trabalha, e apromais exigentes”, enveitou para elogiar
fatizou ele, lembrando
bastante a UCT por
que a comunidade de
permitir que pessoas
RH hoje tem instrudistantes possam ter
mentos. “Ela mudou
acesso ao seu conbastante e aprendeu
teúdo.
muito nesse período.
Há mais de seis
Com esse aprendizadécadas no mercado
do, ela criou quatro
e atuante nas regiões
grandes modelos em
73 Revista Ônibus
Fórum Boas Práticas em Educação para
o Setor de Transporte de Passageiros
João Cândido,
diretor do
Grupo JCA,
elogia atuação
da UCT, durante
palestra no
Painel 6
Sul e Sudeste do Brasil, com mais de 8 mil
funcionários diretos, o Grupo JCA, ao longo
dos anos, vem reformulando sua estratégia,
pensando nos concorrentes que têm crescido,
incorporando tecnologia e as transformações do
mercado e da sociedade, e vendo que o perfil
dos clientes está mudando, se tornando mais
exigente. “Fizemos uma pesquisa de valores,
um diagnóstico e, com isso, preparamos uma
declaração de visão e missão, uma declaração
dos valores e comportamentos e um contrato de
liderança para fazer com que essa nova cultura
do Grupo se firme e se
realize efetivamente”,
esclareceu João Cân“Para que os indicadores gerais da
dido.
A empresa, nesempresa sejam atendidos, é preciso
se processo de reforque os indicadores individuais de cada mulação, usou 4.500
pessoas, entre sócios,
motorista também sejam solucionados” gerentes, executivos
André Cerqueira e colaboradores em
geral, em sua pesquisa, para conhecer os
valores pessoais de cada um e aqueles ligados
à empresa. “Com isso, foi possível perceber se
essas pessoas, com seus valores pessoais cruzados com os da empresa, estão satisfeitas com o
emprego, ou não, e o que fazer para mudar um
quadro não satisfatório”, completou o diretor,
que enfatiza que jamais atingirão os clientes
se não fizerem o trabalho de casa. Por isso, a
importância das declarações (missão e visão)
Revista Ônibus
74
voltadas para o clima organizacional, visando
à satisfação dos colaboradores.
A Viação Águia Branca, representada por
Cerqueira, gerente operacional da empresa,
apresentou seu case “Transportando Atitudes
Seguras e Sustentáveis”, mostrando que a instituição se preocupa com seus colaboradores,
treina constantemente seus motoristas, os quais
só vão para as ruas quando se sentem preparados. Além disso, orienta seus funcionários
sobre a importância da boa alimentação e do
sono, bem como procura mantê-los motivados,
através do Programa Motorista Top Ouro, que
ensina, reconhece e valoriza o profissional.
“Para que os indicadores gerais da empresa
sejam atendidos, é preciso que os indicadores
individuais de cada motorista também sejam
solucionados”, disse André, lembrando que
esse, quando na estrada, é o diretor, o gerente,
o gestor da empresa. “Ele está representando
toda a organização”.
A qualidade do combustível, reduzindo
partículas de enxofre na atmosfera, também é
uma questão que tem a atenção do grupo Águia
Branca. Prova disto é que 100% da frota da
instituição é aprovada pelo Programa Despoluir.
André Cerqueira, gerente operacional
da Viação Águia Branca
Seminário: Veículos Híbridos – Aplicações para Ônibus Urbanos / Painel:
Aplicações de Ônibus Híbridos no Mundo – uma Visão Tecnológica
AUDITÓRIO 3 Dia 12/11 – 14h
Indústria mundial
aposta em coletivos
híbridos
Cidades como Bruxelas, Londres e Gotemburgo usam tecnologia
A busca por uma solução de transporte públi- Curitiba. Já a Agrale mostrou as características do
co menos poluente pode ser considerada o ponto Hybridus, recém-lançado no Brasil, após testes no
principal do painel que tratou da aplicação de veí- Chile e na Argentina, o qual também adota o sisculos híbridos no mundo. Os ganhos ambientais e tema em série por meio de ultracapacitores.
Iniciando os debates, o diretor de Tecnolooutros benefícios para os operadores foram abordados durante as apresentações, que contaram gia da MAN citou que, ao aplicar a tecnologia
com a participação de três palestrantes interna- híbrida, a empresa trabalha atendendo requisicionais: o diretor de Tecnologia da MAN, Eberhard tos sociais e políticos, além de considerar este
Hipp; o diretor de Meio Ambiente da Volvo Bus, o caminho para a substituição de combustíveis
Edward Jobson; e o diretor de Desenvolvimento líquidos em caminhões e ônibus. Hipp falou sode Ônibus da Mercedes-Benz do Brasil, Christian bre a hibridização dos veículos, que pode ser de
Flecksteiner. A contribuição nacional ficou por três maneiras: sistema paralelo, energia dividida
conta dos diretores técnicos da Eletra, Antonio e serial – esta última empregada geralmente nos
Vicente de Sousa, e da
Agrale, Pedro Soares.
Os ônibus híbridos podem
As tecnologias disponíveis em cada uma
ser competitivos em relação
das montadoras ganharam foco nas palestras. a outros modais e deve ser
Dentre elas, destacamse os sistemas em série, prioridade o uso de veículos
utilizados pela Daimler
Mercedes em seus veímenos poluentes, com
culos híbridos em países
menor emissão de ruídos
da América do Norte,
Europa e no Japão. Da
mesma forma, a MAN
aposta neste tipo de sistema, empregando-o em ônibus. Além disso, Hipp abordou os benefícios
sua frota nas cidades de Nuremberg, na Alema- desta tecnologia – a redução da emissão de poluentes e do consumo de combustível –, mencionha, e em Paris, capital francesa.
Já a Volvo optou pelo sistema paralelo – tam- nando os exemplos de Nuremberg e Paris.
Na sequência, Edward Jobson afirmou que os
bém com ótimos resultados no que diz respeito
à eficiência energética –, apresentando exemplos ônibus híbridos podem ser competitivos em relade seu emprego em cidades como Bruxelas (Bél- ção a outros modais e que deve ser prioridade
gica), Londres (Inglaterra), Gotemburgo (Suécia) e o uso de veículos menos poluentes, com menor
75 Revista Ônibus
Seminário: Veículos Híbridos – Aplicações para Ônibus Urbanos / Painel:
Aplicações de Ônibus Híbridos no Mundo – uma Visão Tecnológica
emissão de ruídos, citando as recentes experiências em Curitiba com o Hibribus, que percorreu
aproximadamente 45 mil quilômetros. Apesar do
custo inicial, Jobson acredita perfeitamente que
o investimento é recompensado.
Já o diretor de Desenvolvimento de Ônibus
da Mercedes, Christian Flecksteiner, discorreu
sobre a legislação no mundo com o registro de
emissões nas grandes capitais e o avanço de
motores padrão Euro IV e Euro V. Além disso,
apresentou os números de veículos híbridos em
circulação em diferentes continentes. “São três
mil na América do Norte, 60 na Europa e 1.000
no Japão, que é o centro de desenvolvimento
dos veículos híbridos”.
Christian também falou da busca por economia de combustíveis da ordem de 20%
para toda a frota até 2020, bem como sobre
o acúmulo de experiências em diferentes regiões, como Europa, Ásia e Estados Unidos,
demonstrando que exemplos de cidades com
topografias diferentes podem servir para atingir tal meta.
Características, dificuldades e benefícios deram o tom das palavras de Antonio Vicente de
Sousa, diretor-técnico da Eletra, que discursou
sobre a possibilidade de produção de veículos
elétricos com até 25 metros, o uso de motores
com corrente contínua ou alternada, além da
adoção de bancos de baterias. “Quanto mais
leve o banco de baterias, melhor”.
A produção de veículos elétricos em larga
escala esbarra no custo da bateria. No Brasil
existe somente um tipo, a de chumbo ácido
(aproximadamente 25 mil reais). A ideal para
essa espécie de veículo seria a de íon lítio, cujo
valor é em torno de 100 mil dólares.
Os benefícios apontados por Vicente são:
alto grau de confiabilidade, rapidez na manutenção preditiva e corretiva, redução na emissão de poluentes, acarretando melhorias para a
saúde da população.
Pedro Soares, diretor-técnico da Agrale, foi
breve em sua exposição e falou que o futuro
do transporte converge para o uso de motores
elétricos, mas antes passará pelos híbridos, e
citou algumas características do modelo recémlançado pela marca, o Hybridus.
Revista Ônibus
76
Pedro Soares
apresentou as
caraterísticas
do Hybridus
Sustentabilidade no transporte dá o
tom no segundo painel
Dando continuidade ao seminário que tratou
do uso dos híbridos, foi realizada uma mesa redonda para abordar questões ligadas à aplicação
dos veículos no cenário nacional, assim como para
debater tecnologias alternativas em busca de um
transporte sustentável.
Inicialmente o moderador do debate, o gerente
de Operações de Mobilidade Urbana da Fetranspor,
Guilherme Wilson, falou sobre a possibilidade de
substituição da matriz tecnológica no transporte
público de passageiros com a hibridização de
veículos. “Trouxemos a visão tecnológica com as
principais montadoras que disponibilizam esse tipo
de veículo no mercado e vamos tratar da eficiência
energética com qualidade de combustível”.
Participante do debate, o professor e engenheiro da Coppe, Marcio D´Agosto, relatou alguns
entraves que dificultam o alcance de melhorias no
transporte, como os congestionamentos. “Atualmente o transporte coletivo anda mais e transporta
menos. A taxa de passageiros por quilômetro vem
caindo. Aumenta a frota e consequentemente o
consumo de combustível. O custo ponderado por
quilômetro tem aumentado”.
D´Agosto também disse que a tecnologia
híbrida pode ser uma alternativa, com a redução
de combustível, que representa o principal custo
operacional. Ela permite diminuir a emissão de
poluentes e ruídos, sem comprometer o alto torque,
e se prevalecendo da eficiência energética durante
a operação com o anda e para, característica das
metrópoles brasileiras.
Seminário: Veículos Híbridos – Aplicações para Ônibus Urbanos / Painel:
Aplicações de Ônibus Híbridos no Mundo – uma Visão Tecnológica
lio às grandes cidades, por meio do
programa de redução de emissões de
gases, assim como do fomento ao uso
de energias limpas.
Uma dessas ações é feita em conjunto com o ITDP, órgão que atua no
desenvolvimento de soluções para um
transporte mais sustentável, auxiliando
e estruturando as cidades para emitir
menos carbono, através da adoção de
novas tecnologias, dentre elas, a híbrida, que Manuel considera importante
Marcio D´Agosto alertou para o alto consumo
de combustível e a diminuição do número de
para o transporte nos próximos 15 ou
passageiros transportados­
20 anos. “Para isso é necessário apoio
do governo, assim como de investidores,
como
bancos,
para auxiliar nos investimentos da
O presidente da Associação Brasileira de
­Veículos Elétricos, Pietro Erber, destacou a recente estrutura do transporte”.
Alex Messias, gerente de Marketing de Transredescoberta da tecnologia eletrônica, nos últimos
15 anos, a qual oferece amplas possibilidades de portes da Petrobras Distribuidora, encerrou o
desenvolvimento, e citou algumas variáveis deter- painel, mostrando o que a empresa faz em prol
minantes para a adoção da mesma. A disponibili- da sustentabilidade no transporte, como o incendade do uso de combustíveis fósseis no futuro, a tivo a teste com o diesel de cana-de-açúcar que
preocupação com o ambiente urbano e problemas vem sendo realizado no município de São Paulo,
de saúde, além da segurança energética devem e anunciou que “ano que vem faremos um teste
ser verificadas para garantir o uso da eletricidade ainda maior no Rio de Janeiro”.
Messias também falou sobre os planos da
nos veículos.
Erber criticou o fato de não haver incentivos no empresa voltados para a comercialização do Arla
Brasil para as empresas utilizarem ônibus híbridos 32, solução à base de ureia que funcionará no
ou elétricos e disse que essa pauta deve ser tratada sistema de pós-tratamento dos motores a diesel,
com seriedade face aos benefícios, como a redução e que ajuda na redução da emissão de poluentes.
de óxido nitroso (NOX) e material particulado. “É Finalizou anunciando um projeto para construção
preciso pensar uma alternativa para que o investi- de uma unidade de produção de hidrogênio a ser
mento inicial seja recuperado. O governo deveria utilizado em ônibus.
dar incentivos”.
Já o coordenador de Operações da Secretaria
Municipal de Transportes do Rio de Janeiro, Antonio
Jofre, apresentou os projetos voltados para um
transporte mais sustentável nas cidades, como os
BRTs e as faixas exclusivas que a Prefeitura denominou de BRS (Bus Rapid Service), com o objetivo
de dar prioridade e equilíbrio ao transporte por
ônibus. “Nosso compromisso com o COI e a Fifa
prevê a adoção dos BRTs, de 20 BRSs e o uso do
biodiesel B20”.
Em seguida, Manuel Oliveira, diretor-regional
da Fundação Clinton, em Bogotá, citou o trabalho
que vem sendo realizado pela instituição no auxí-
Alex Messias,
gerente de
Marketing de
Transportes
da Petrobras
Distribuidora,
encerrou o painel
77 Revista Ônibus
Mesa Redonda: Corredores Expressos para Ônibus:
Novas Perspectivas
AUDITÓRIO 1 Dia 12/11 – 16h30min
BRTs têm menor custo e
dependem de decisões políticas
As perspectivas para o transporte do Rio de
Janeiro, com a adoção de novas tecnologias e a
implantação de sistemas de BRT (Bus Rapid Transit), foram os principais pontos da fala de Lélis
Marcos Teixeira, presidente da Fetranspor, que
considerou que o Estado terá futuro promissor,
com as mudanças geradas pelos eventos de grande porte que aqui acontecerão, como a Copa do
Mundo e os Jogos Olímpicos.
Qualidade no gerenciamento dos projetos e
excelência na operação dos corredores foram citados como itens de fundamental importância para
o sucesso da implantação do sistema. Segundo
Lélis, o Rio está sendo bem aquinhoado com projetos de BRT (Transoeste, Transcarioca, Transolímpico e Avenida Brasil) e há ainda estudos sobre
a possibilidade de instalação de 20 BRSs (Bus
Rapid Service), que poderão servir como pontos
de integração importantes, dando acesso ao BRT.
Segurança e adoção das melhores práticas operacionais são atributos que vão contribuir para o
aumento da qualidade e do conforto dos clientes,
na nova realidade do transporte coletivo de passageiros do Estado, que vai contar com novas tec-
Revista Ônibus
78
nologias, como GPS e câmeras ligadas à polícia,
afirmou Lélis Teixeira.
Para Horácio Lucateli, superintendente do Sindicato de Transporte de Passageiros de Salvador,
a capital baiana representa um exemplo interessante, pois foi criada
como uma fortaleza,
Legislação mais moderna, com
para não ser mexida.
A descontinuidade nos
política setorial bem definida,
investimentos em infraestrutura ao longo
aliada a um plano diretor
dos anos atrapalhou o
desenvolvimento urbae à realização de estudos e
no, e houve uma série
de prejuízos para o seprojetos técnicos são caminhos
tor. A implantação da
a serem trilhados pela
bilhetagem eletrônica
foi importante para a
capital baiana
criação da Rede Integrada de Transportes
(RIT) e continuará sendo para novos projetos. Lucateli apontou como um dos principais desafios
para o transporte coletivo da cidade a questão da
segurança, que apareceu, em recente pesquisa,
Mesa Redonda: Corredores Expressos para Ônibus:
Novas Perspectivas
como o item mais citado espontaneamente pela
população. A legislação também foi considerada
como um ponto negativo, por ser obsoleta. Para
Lucateli, o caminho para se obter as condições necessárias para que a capital baiana faça frente às
expectativas que se desenham no horizonte, em
nível nacional, é a criação de uma legislação mais
moderna, com política setorial bem definida, aliada a um plano diretor e à realização de estudos e
projetos técnicos.
O colombiano Enrique Peñalosa concordou
com Lélis Teixeira em suas declarações sobre o
Rio de Janeiro e a implantação de sistemas de
BRT. Para ele, não se trata apenas de uma questão de custo mais baixo, quando se decide entre
um metrô e um BRT. “A questão principal é saber
que tipo de cidade se quer. As soluções de transporte têm muito a ver com decisões políticas. O
primeiro artigo da Constituição diz que todos
somos iguais perante a lei, mas essa igualdade
deve se refletir também no espaço viário das cidades”, lembrou Peñalosa. Se há uma decisão
política de criar mais espaço para os automóveis,
esta fará aumentar sua utilização. Uma cidade
mais humana implica mais espaço para pedestres e sistemas eficientes de transporte público.
A mobilidade humana e os engarrafamentos
foram mostrados como problemas distintos, de
soluções também diferentes. Uma boa política
de transporte deve reduzir o uso do carro? Ou
facilitar este uso? Para Peñalosa, criar mais vias
para os automóveis, como acontece em muitas
Enrique Peñalosa
cidades americanas, é
Itens como mais segurança e adoção
algo como tentar apagar fogo com gasolina.
das melhores práticas operacionais
Ele aponta algumas
verdades que parecem
são atributos que vão contribuir para o
ir contra a intuição humana, como “a terra aumento da qualidade e do conforto no
gira em torno do sol”,
transporte por ônibus no Rio
e inclui, entre elas, “todos os transportes públicos são maravilhosos”. O ônibus precisa ser
melhor aproveitado, segundo o especialista colombiano, que considera este o modal essencial
para a mobilidade. Ele cita o exemplo de Londres
que, com 8 milhões de habitantes, tem 1.800km
de ferrovias e, ainda assim, desloca mais ­pessoas
por meio de ônibus. Um dos empecilhos para os
sistemas de BRT, na opinião de Peñalosa, é a percepção do ônibus como um sistema de transporte inferior. Contrariamente a isso, ele diz que, em
Bogotá, o sistema Transmilênio incrementou o
comércio, valorizou o preço das terras, favoreceu
a democracia. A grande capacidade dos ônibus
permite o deslocamento diário de 1,8 milhão de
passageiros, num percurso de 84 quilômetros.
Seus ônibus conseguem ter um índice de passageiros transportados por sentido maior do que o
de qualquer país da Europa. Tudo isso aliado a
um transporte que permite que se veja a paisagem. Por esses motivos, Peñalosa destacou que
soluções de transporte por sistemas de BRT vêm
sendo adotadas em todo o mundo.
Lélis Teixeira
Horácio Lucateli
79 Revista Ônibus
8ª Feira Rio Transportes – FetransRio
Dias 10, 11 e 12/11
Feira reúne tecnologias
voltadas para um
transporte mais inteligente
Tradicionais e novos fornecedores se encontram
com os profissionais que estão à frente do setor
As cerca de 8.000 pessoas que visitaram os
16.000m² da 8ª edição da FetransRio constataram
que o futuro do transporte por ônibus no Brasil
passa pela implementação do BRT (Bus Rapid
Transit). Os 90 estandes e mais de 70 ônibus expostos demonstraram claramente o interesse dos
fornecedores em participar da transformação que
a mobilidade inteligente trará ao Rio de Janeiro
e ao país.
O Sistema Fetranspor apresentou projetos e ações em várias
áreas, que mostram a interação do setor com a população
A Revista Ônibus
distribuiu 2.000
ônibus articulados,
símbolo da
mobilidade, para
montar
Revista Ônibus
80
A direção da Fetranspor e autoridades do setor prestigiaram
a abertura da 8ª FetransRio no dia 10 de novembro
8ª Feira Rio Transportes – FetransRio
Estava disponível para a apreciação dos técnicos e investidores do setor toda a
tecnologia envolvida na reestruturação do transporte de passageiros, incluindo:
sistemas completos de BRTs, veículos de piso baixo, combustíveis alternativos, articulados e bi-articulados;
controle e monitoração de frota;
cartões de bilhetagem biodegradáveis e produzidos com materiais alternativos;
securitização especializada;
serviços em sistemas de acessibilidade;
sistemas de troca de marchas servo-assistidos e automatizados;
financiamento de consultoria em gestão e planejamento e call centers;
além de todos os tradicionais produtos e serviços necessários para o crescimento e aperfeiçoamento do setor.
O ônibus
turístico
“conversível”
da Scania
foi uma das
atrações mais
visitadas da
feira
A Marcopolo anunciou a ampliação
da linha de ônibus Geração 7. Mais
três modelos serão incorporados ao
portfólio de produtos da marca
A Man Latin America frisou que
a marca vem se preparando para
entrar no segmento de BRT
Cerca de 8.500 pessoas foram à Marina da
Glória nos três dias do evento
81 Revista Ônibus
8ª Feira Rio Transportes – FetransRio
Dias 10, 11 e 12/11
A Mercedes-Benz apresentou a sua tecnologia em BRT
e afirmou que o objetivo principal da marca é atender
aos clientes com custos operacionais compatíveis e
segurança, além do conforto para os passageiros em
um sistema de transporte sustentável
Estande do Bradesco
A Volvo
apresentou
sua solução
ecológica: o
Hibribus. Com
propulsão
híbrida elétrica
ou biodiesel
Estande da APB
Prodata, que atende
mais de 5 países e já
chegou à marca de
72.000 validadores
vendidos
Estande do Itaú
A Mercedes-Benz
apresentou seus
novos modelos
de chassi e ainda
levou o modelo
S400 Hybrid, maior
e mais econômico
sedã da marca,
além de menos
poluente
A Scania
apresentou
chassis da Série
F e Série K
Revista Ônibus
82
RINO COM
A excelência Scania no transporte
de grande capacidade de passageiros.
Alto desempenho, robustez, conforto e economia: a Scania, com sua solução completa em BRT,
oferece tudo o que você precisa para ônibus com grande capacidade de transporte de passageiros,
incluindo desde o chassi modelo 4x2, de 13,2 metros, até as versões do articulado de 3 ou 4 eixos
para encarroçamento, com até 20,3 metros. Sem falar no exclusivo K270 de 15,0 metros. E, para
deixar o seu ônibus sempre em dia, você conta com Peças e Serviços Scania, que asseguram
atendimento especializado nas próprias garagens das empresas ou nas Casas Scania, presentes em
mais de 100 pontos em todo o Brasil. A Scania tem sempre as melhores soluções para as necessidades
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83 Revista Ônibus
Solenidade de Encerramento do 14º Etransport.
Entrega do Prêmio de Mobilidade Urbana 2009/2010
Dia 12/11 – 18h
Primeira edição do Prêmio
Mobilidade Urbana:
emoção no encerramento
do Etransport
O 14º Etransport chegou ao fim por volta das
21 horas do dia 12 de novembro, mas não sem
antes contar com os pronunciamentos de ilustres
personalidades do setor e do poder público. A
cerimônia teve momentos de emoção, com a entrega do Prêmio Mobilidade Urbana, promovido,
pela primeira vez, pela Fetranspor.
Dentre os cerca de 70 inscritos nas cinco
categorias (Educação e Cultura, Jornalismo,
Planejamento de Transportes e Tecnologia, Relacionamento com Clientes e Responsabilidade
Socioambiental), foram eleitos os primeiros
colocados em cada uma, bem como entregues
menções honrosas a outros participantes.
Na mesa, o presidente do Conselho da
Fetranspor, José Carlos Lavouras; o ministro de
Estado das Cidades, Márcio Fortes; Júlio Lopes,
representando o governador do Rio de Janeiro;
Rômulo Orrico, representando o prefeito do Rio
de Janeiro; o presidente executivo da Fetranspor,
Lélis Teixeira; e a coordenadora técnica da ANTP,
Valeska Perez.
Lélis Teixeira anunciou os impressionantes números da 14ª edição do Congresso: foram 23 fóruns,
6.993 pessoas nos três dias do evento, até a última
apuração, além de palestrantes internacionais.
“Não basta investir em quantidade, mas sim
em qualidade. Depois da qualidade consolidada,
a quantidade virá automaticamente”, frisou o ministro Márcio Fortes, comentando que, graças ao
PAC da Moblidade, as gavetas do governo estão
cheias, mesmo em época de final de mandato.
Mesa de
encerramento do
14º Etransport
Revista Ônibus
84
Solenidade de Encerramento do 14º Etransport.
Entrega do Prêmio de Mobilidade Urbana 2009/2010
Confira abaixo os trabalhos vencedores
do Prêmio Mobilidade Urbana
Categoria Educação e Cultura
1º lugar: “Programa Trânsito e Escola”, do Departamento de Trânsito do
Estado do Rio de Janeiro;
Menções honrosas: “Programa Circulando no Trânsito”, da Secretaria
de Mobilidade Urbana de Macaé; e “Roteiros Geográficos do Rio”, da
Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Categoria Jornalismo
1º lugar – mídia impressa: “O Y do Problema no Metrô”, de Amanda
Pinheiro;
Menções honrosas: “Sufoco nos Trilhos, Sufoco a Bordo”, de Eduardo Antonio Auler Monteiro e Silva; e “Bilhete Único Pode Acabar em ­Prejuízo”,
de Mahomed Mahmud Saigg.
1º lugar – mídia eletrônica: “As Dificuldades Enfrentadas Pelos Passageiros de Trem e Metrô no Rio de Janeiro”, de Alexandre Mata Tortoriello;
Menções honrosas: “Falta de Acessibilidade”, de Aline Santos Prado; e
“Implantação do Bilhete Único na Região Metropolitana”, de Alexandre
Mata Tortoriello.
Categoria Planejamento de Transportes e Tecnologia
1º lugar: “Integração Tarifária Temporal – O Caso de Petrópolis”, do
Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários de Petrópolis;
Menções honrosas: “Rede de Mobilidade Sustentável: O Desafio do
Transporte no Rio de Janeiro”, de Robert Jeferson de Melo e Silva; e
“Corredor Metropolitano Alameda São Boaventura e Av. Feliciano Sodré”,
de Niterói Transporte e Trânsito.
Categoria Relacionamento com o Cliente
1º lugar: “SAC Rio Ônibus”, do Sindicato das Empresas de Ônibus da
Cidade do Rio de Janeiro;
Menção honrosa: “Construção de Experiências Positivas em Transporte
Coletivo Urbano de Passageiros”, da Empresa de Transportes Flores.
Categoria Responsabilidade Socioambiental
1º lugar: “Rio Ônibus Criança”, do Sindicato das Empresas de Ônibus
da Cidade do Rio de Janeiro;
Menção honrosa: “Atendimento Diferenciado para Pessoas com Mobilidade Reduzida”, da Secretaria de Acessibilidade e Cidadania de Niterói;
e “CarUni – Carona Universitária”, de Fábio Brito da Fonseca.
85 Revista Ônibus
Solenidade de Encerramento do 14º Etransport.
Entrega do Prêmio de Mobilidade Urbana 2009/2010
Confira os cases ganhadores do Prêmio
Mobilidade Urbana 2010
Programa Trânsito na Escola
Integração tarifária temporal – o caso de Petrópolis
O Detran do Rio de Janeiro apresentou seu case de sucesso
para o PMU de 2010. O Programa Trânsito na Escola, desenvolvido pelo próprio órgão, consiste em levar educação sobre
o trânsito a alunos da Educação Infantil ao Ensino Médio,
cumprindo a Lei Estadual nº 4.864/06.
Desde sua implantação, em junho de 2009, já foram beneficiados 5.394 alunos e 1.439 professores, em 11 municípios
do Rio, sendo 1.130 escolas atendidas pelo Programa.
Este case vencedor apresenta o projeto de integração temporal
implantado no transporte coletivo de Petrópolis, município do Rio
de Janeiro. Essa ação foi considerada pioneira dentre as realizadas
nos municípios fluminenses e contribuiu significativamente para
melhorar a mobilidade dos usuários do sistema integrado de
transporte, já que possibilita a conexão entre as rotas de ônibus
em qualquer ponto e não apenas no Terminal Centro.
Para o sucesso da integração foram analisados alguns sistemas
já implantados em outras cidades brasileiras, com o objetivo de
reunir subsídios e referências, sobretudo quanto aos critérios
e restrições que seriam adotados no caso de Petrópolis, para
programar a matriz de integração.
Superlotação e ligação perigosa entre as linhas 1 e 2
do Metrô Rio
A reportagem vencedora do jornal impresso O Dia revelou
que a ligação entre as linhas 1 e 2 do metrô pode provocar
acidente grave por causa do declive existente nesse trecho e
da sinalização ainda ser manual.
Um doutor em Engenharia de Transportes foi ouvido pela
jornalista para explicar sua tese de que há falhas no sistema
de sinalização do Metrô Rio e como acidentes poderiam ser
evitados. Passageiros também confirmaram as reclamações
de superlotação nos trens. Embora a concessionária alegue
que seu sistema controla o acesso de passageiros para evitar
a superlotação, os entrevistados argumentam que sofrem com
o excesso de pessoas dentro dos vagões.
As dificuldades encontradas nos trens e no metrô do
Rio de Janeiro
A reportagem vencedora da categoria Mídia Eletrônica do PMU
2010 foi veiculada no Jornal do Rio depois de uma série de
transtornos enfrentados pelos usuários do transporte ferroviário
na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Com câmeras escondidas, os jornalistas embarcaram em Japeri e continuaram a
viagem de metrô da Central do Brasil até Botafogo, constatando
a falta de conforto nos trens da Supervia, que seguem lotados e
com atrasos. Porém, as reclamações dos passageiros vão além,
chegando ao Metrô Rio, que apresenta os mesmos problemas.
Na época, o governo do Estado já havia renovado a concessão do
Metrô até 2038 e planejava também estender o prazo de concessão
da Supervia.
Revista Ônibus
86
SAC Rio Ônibus
Há oito anos, o Rio Ônibus criou o Serviço de Atendimento
ao Cliente (SAC), que uniu suas 47 empresas filiadas em uma
única central de atendimento, facilitando assim o contato dos
passageiros de ônibus da cidade do Rio com as empresas, além
de estreitar o relacionamento do Sindicato com suas associadas.
Este novo canal de comunicação fez parte do planejamento
estratégico elaborado pelo Sindicato, objetivando um novo posicionamento no mercado e uma melhor política de atuação. Além
disso, foi o embrião da atual Central de Relacionamento com o
Cliente (CRC), mantida pela Fetranspor e que serve a todas as
empresas de transportes por ônibus do Estado do Rio de Janeiro,
atendendo os clientes de suas linhas.
Rio Ônibus Criança
Criado há 11 anos pela área de Recursos Humanos do Rio Ônibus,
o Programa Rio Ônibus Criança promove o acesso de crianças e
adolescentes de escolas municipais a espaços turísticos, esportivos e culturais. Através da cessão de ônibus para essas atividades
extraclasse, o Programa visa a agregar valor ao currículo escolar,
uma vez que essas atividades precisam estar atreladas ao Projeto
Político Pedagógico das escolas participantes.
Além disso, o Rio Ônibus Criança busca a conscientização dos
jovens sobre a importância do transporte coletivo por ônibus e
dos profissionais que nele atuam. Sendo assim, essa iniciativa
amplia a visão do aluno a respeito da cidade onde vive e facilita
a absorção de certos conteúdos.
Prêmio Alberto Moreira
Dia 11/11 – 19h
Prêmio Alberto Moreira
A hora do reconhecimento aos profissionais
que fizeram a diferença em 2010
A ansiedade pelo anúncio dos nomes dos 15
melhores trabalhadores rodoviários do Estado do
Rio de Janeiro nas categorias Administração, Manutenção, Operacional, Cobrador e Motorista, além
da emoção e da alegria dos vencedores, marcaram
a solenidade de entrega do Prêmio Alberto Moreira.
A maioria dos trabalhadores rodoviários compareceu à solenidade acompanhada de seus familiares
e organizou uma verdadeira torcida pela vitória.
Foi, sem dúvida, uma noite inesquecível, de festa,
alegria e confraternização para os representantes
das empresas e todos os convidados ali presentes.
Um show de humor com o cobrador da
empresa Salutran, de Nova Iguaçu, Flávio Dias,
abriu a noite de forma descontraída. Flávio levou
os convidados às gargalhadas com imitações do
apresentador Sílvio Santos, do então presidente
da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e do
cantor Netinho.
Em seguida, o Coral Infanto-Juvenil do
TransÔnibus, composto por filhos de funcionários
das empresas filiadas ao sindicato, cantou o Hino
Nacional e as músicas “Depende de Nós”, de Ivan
Lins, e “Assim Caminha a Humanidade”, de Lulu
Santos, em uma apresentação que emocionou
todos os participantes da solenidade.
O presidente executivo da Fetranspor, Lélis
Teixeira, lembrou que o evento foi realizado não
apenas para premiar os vencedores, mas como
reconhecimento ao trabalho dos 102 mil profissionais do setor. “Os trabalhadores rodoviários são os
embaixadores do transporte, aqueles que representam nosso setor junto à sociedade. A valorização
da categoria ultrapassa a festa. Hoje, as empresas
investem bastante em gestão de pessoas”, frisou.
Teixeira falou sobre a criação da Universidade Corporativa do Transporte (UCT), cujo principal objetivo
é capacitar e promover os trabalhadores do setor
para a vida pessoal e profissional. “As inovações
apresentadas aqui na feira se perdem se não tiverem a participação dos rodoviários”, destacou. O
presidente também dirigiu a palavra às famílias dos
trabalhadores rodoviários ali presentes, sugerindo
que elas se sentissem orgulhosas desses profissionais, que são responsáveis pelo deslocamento de
tantas pessoas diariamente.
87 Revista Ônibus
Prêmio Alberto Moreira
Em seguida, o deputado federal Hugo Leal e o secretário estadual de
Transportes, Júlio Lopes, que também fizeram parte da mesa da solenidade,
destacaram a importância de valorizar o ser humano e os talentos nas empresas.
A mesa foi composta ainda pela coordenadora do Fórum Permanente do
Movimento Estratégico da Alerj, Geisa Rocha, pelo diretor do Banco Itaú, Marco
Buckton, e por Daniel Moreira, filho de Alberto Moreira, ex-superintendente da
Fetranspor, já falecido, que inspirou o prêmio pelo belo trabalho que realizou
em busca de maior valorização dos profissionais do setor.
Após os pronunciamentos, a hora mais esperada da festa: o anúncio dos
nomes dos 15 vencedores dentre os 254 profissionais que concorreram ao
Prêmio. Um momento de muita alegria e emoção para aqueles que conseguiram se destacar dentre pessoas tão qualificadas. Todos os 15 profissionais
ganharam o Troféu Alberto Moreira; aqueles que conquistaram os terceiros
lugares receberam cheques no valor de R$ 2.000,00; os segundos colocados,
no valor de R$ 4.000,00; e os primeiros, de R$ 6.000,00.
Os vencedores foram:
Administrativo
1º lugar: Luiz Carlos Moreira dos Santos – Breda Rio Transportes
2º lugar: Ednei Francisco Raphael – Evanil Transportes e Turismo
3º lugar: Marcos Antonio Locatelis – Limousine Carioca
Operacional
1º lugar: Joucenir Domingos da Silva – Transportadora e Industrial
Autobus
2º lugar: Laudinel Ribeiro – Viação Cidade do Aço
3º lugar: Euzimar Crespo Alves – Transportes Amigos Unidos
Manutenção
1º lugar: Manuel Salustiano da Silva – Viação Redentor
2º lugar: Custódio Dejair Soares – Transportes Amigos Unidos
3º lugar: Pedro Maximiniano da Silva Filho – Transturismo Oriental
Cobrador
1º lugar: Armando da Costa – Transportes Amigos Unidos
2º lugar: Márcio Luiz Gomes de Sá – Evanil Transportes e Turismo
3º lugar: Márcia Maria da Silva – Viação Elite
Motorista
1º lugar: Anildes Drumond Pinheiro – Evanil Transportes e Turismo
2º lugar: Arildo Bernardo Ferreira – Expresso Mangaratiba
3º lugar: André Luiz da Conceição Gesta de Andrade – Viação
Senhor do Bonfim
Revista Ônibus
88
Pesquisa
Participantes dão notas
altas a
14º Etransport e 8ª FetransRio
Em pesquisa realizada durante os eventos, expositores e congressistas conferiram notas altas
a itens como organização, apresentação visual e
comunicação do 14º Congresso sobre Transporte
de Passageiros e da 8ª Feira Rio Transportes.
Aplicadas pela Sensor Pesquisas, 947 entrevistas com os dois diferentes públicos-alvo demonstraram elevado grau de satisfação em relação a ambos
os eventos e a intenção de participar dos próximos.
Para o diretor da Sensor, Hugo Aloy, “se tivesse
de escolher uma única palavra para definir tanto o
Congresso quanto a Feira, escolheria a palavra sucesso”. Já o diretor de Marketing e Comunicação
da Fetranspor, João Augusto Monteiro, acredita
que “agora é verificar tudo o que pode ser melhorado, pois a cada biênio o desafio é maior. Quanto
maior o grau de satisfação do público, maior a nossa responsabilidade para os eventos posteriores”.
Em decorrência do grande número de participantes desta edição, a pesquisa teve de aumentar
a amostragem inicialmente prevista. O objetivo principal de sua realização foi verificar o nível de satisfação dos visitantes e suas expectativas quanto ao 15° Etransport e à 9ª FetransRio.
A nota global dada ao Congresso foi 8,8, e
à Feira, 9.
Veja a seguir alguns dos resultados:
Congresso
Data escolhida
9%
45%
45%
Ótima
Boa
Horários
Ótimos
Bons
10% 3%
37%
Regulares
NS/NR
Regular
NS/NR
10%
44%
45%
Divulgação / Material de comunicação
50%
Ótima
Boa
Regular
NS/NR
89 Revista Ônibus
Pesquisa
Programação Visual
8%
31%
61%
Ótima
Boa
Regular
NS/NR
36%
Notas de 0(zero) a 10(dez)
atribuídas ao CONGRESSO de
uma maneira geral.
24%
18%
15%
0% 0% 0% 0% 0% 0% 1%
0
1
2
3
4
5
6
5%
7
8
9
10 NS
Feira
Em relação aos objetivos comerciais, o resultado foi:
9%
45%
45%
Bom
Razoável
Pequeno
NS/NR
10%
A FETRANSRIO atendeu às suas expectativas?
45%
Sim
Não
6%2%
28%
Pretende participar da próxima edição da FETRANSRIO?
64%
Certamente participará
Provavelmente participará
Não sabe se participará
Certamente não participará
41%
Notas de 0(zero) a 10(dez)
atribuídas à FEIRA de uma
maneira geral.
30%
22%
4%
0% 0% 0% 0% 0% 0% 2%
0
Revista Ônibus
90
1
2
3
4
5
6
7
1%
8
9
10 NS
Como seria bom se a natureza tivesse mais verde e a cidade tivesse mais vida, com
menos poluição e congestionamentos. Andar de ônibus ajuda a diminuir a emissão
de poluentes nocivos à saúde, promove a redução de veículos nas ruas e rodovias e
estimula a harmonia na sociedade. Andar de ônibus é bom, seguro e confortável.
É bom para todos, inclusive você!
marcopolo.com.br
Respeite a sinalização de trânsito
91 Revista Ônibus
Revista Ônibus
92

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