Aos moldes de Maria no mês de Maria

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Aos moldes de Maria no mês de Maria
CARTA AOS ARTISTAS DO BRASIL
“Aos moldes de Maria no mês de Maria”
A paz de Jesus, meus irmãos!
Há um ano escrevi uma carta motivada pelo capítulo 19, vers. 27b do Evangelho de
João - “E dessa hora em diante o discípulo a levou para sua casa”. Trata-se de João Evangelista,
que levou Maria para casa depois que Jesus lhe disse, no mesmo versículo: “Filho, eis aí tua
mãe”. Recordando-me da proposta daquela carta, lembrei que tínhamos um grato convite de
levarmos Maria para casa assim como João, e toda meditação foi desenvolvida em cima desse
texto.
Hoje, um ano depois, motivado a falar novamente desse versículo com um desejo de
aprofundar um pouco mais nessa moção, convido você a olhar fixamente para esse trecho
bíblico e mergulhemos um pouco mais nesse mistério.
Depois disse ao discípulo: “Eis aí tua mãe”.
E dessa hora em diante o discípulo a levou para sua casa. J0 19, 27
Esse discípulo, chamado João Evangelista, certamente não estava aos pés da Cruz de
Jesus por um acaso. Não era somente uma companhia a Maria e as outras mulheres ou um
consolo a elas, mas sim, porque era exatamente o lugar onde ele deveria estar, afinal de
contas, ele tinha um diferencial. Para concluir o raciocínio, permitam-me olhar um pouco pra
esse discípulo.
João Evangelista
Era o mais jovem entre os apóstolos. Estava entre os prediletos que acompanhavam
Jesus, tanto que veremos em algumas passagens, repetidas vezes, Jesus chamando consigo
João, Pedro e Tiago. Ele, João, o próprio autor do Quarto Evangelho, vai se referir, por vezes,
como o discípulo amado. Nota-se que João tinha uma proximidade a Jesus desigual em relação
aos outros apóstolos. Escolhi uma cena narrada em seu próprio Evangelho no capítulo 13, a
partir do versículo 21, que vai nos mostrar que no meio de uma notícia drástica que Jesus
acaba de dar – “Um de vós há de me trair” – na angustia dos apóstolos recebendo tal
informação, existe um ato que destoa de todo o contexto “Um dos discípulos, a quem Jesus
amava, estava à mesa reclinado ao peito de Jesus.” Jo 13, 23. Não era uma informação
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comum, certamente os apóstolos ficaram confusos e angustiados com a dureza dessas
palavras de Jesus. Saber que existia em seu meio um traidor, depois de conviverem com Jesus
durante 3 anos, agora tinha que saber, quem dentre os doze, um traiu o seu mestre. Como
absorver o impacto dessa noticia? Quais reações tiveram? No versículo 22 diz que eles
olhavam uns para os outros sem saber de quem falava, e essa era uma reação esperada. No
mínimo a “curiosidade” e a preocupação em saber quem iria fazer isso com Jesus.
Mas, no versículo 23, João surpreende. A notícia é triste, o clima ficou muito pesado,
os apóstolos estão inquietos... e João? Está com a cabeça reclinada ao peito de Jesus... Nem
me atrevo a deduzir o que João pensava nessa hora, e essa curiosidade levo comigo há muito
tempo. Só sei que ele era diferente dos demais e Pedro percebeu isso. Simão Pedro acenou-lhe
para dizer-lhe: “Dize-nos de quem é que ele fala”. Reclinando-se esse mesmo discípulo sobre o
peito de Jesus, interrogou-o: “Senhor, quem é?”
Bom, já que não temos ideia do que se passava pela mente de João nessa hora, o que
podemos questionar é por que Pedro pediu pra João perguntar a Jesus? Por que o próprio
Pedro não o fez? Sabemos quanto Pedro tomava sempre a iniciativa das coisas, mas dessa vez,
a iniciativa de Pedro foi somente pedir pra João perguntar a Jesus. E eu pergunto: por quê?
Simples, irmãos, porque João estava mais próximo a Jesus do que os demais. Ele ouvia as
batidas do coração de Jesus, ouvia Jesus respirando. A voz de Jesus aos ouvidos de João
ressoava diferente dos demais apóstolos. João estava numa situação privilegiada. Se Pedro foi
o único que teve a graça de andar por sobre as águas tempos atrás, João agora tem a honra de
reclinar sua cabeça sobre o peito de Jesus como ninguém e pode participar de perto da voz
angustiante de seu Mestre. Convido a vocês amigos da Palavra de Deus a se aprofundarem um
pouco mais no evangelho de João e vocês verão que esse menino sempre quis estar perto de
Jesus. Ele aparece em cenas cruciais no qual faz jus ao título de discípulo amado. Mas, vou me
limitar somente a essa da ultima ceia. Vamos prosseguir.
João, o discípulo amado, aos Moldes de Maria
O jovem apóstolo que deixou tudo por Jesus subiu ao calvário e viu seu mestre
pregado na cruz. Num cenário de morte, envolvido em lágrimas, ouve a voz de Jesus ofegante,
mas com certeza de uma boa nova que não se esperava: “Mulher eis aí o teu filho... e filho, eis
aí tua mãe”. Depois de sepultarem Jesus, João acolhe Maria em sua casa. Veja o que Frei
Raniero Cantalamessa nos escreve sobre esse versículo:
Maria passou os últimos anos da vida com João. Aquilo que se lê no Quarto Evangelho,
a propósito de Maria em Caná da Galiléia e debaixo da Cruz, foi escrito por alguém que vivia
debaixo do mesmo teto com Maria, porque é impossível não admitir um relacionamento
estreito, senão a identidade, entre “o discípulo que Jesus amava” e o autor do Quarto
Evangelho. A frase: “O verbo se fez carne”, foi escrita por alguém que vivia debaixo do mesmo
teto com aquela em cujo seio esse milagre realizara, ou ao menos com alguém que a tinha
conhecido e freqüentado.
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João conviveu com Maria dia e noite. Tomou refeições com ela, celebrou com ela os
mistérios do Senhor. Certamente João ouviu detalhadamente toda a história de Maria. Irmãos,
vocês conseguem imaginar Maria narrando pra João como foi seu encontro com o Arcanjo
Gabriel? “Ave Maria, quanta alegria!” Vocês conseguem ouvir a voz de Maria narrando pra
João sua viagem para a casa de sua prima Isabel? Que maravilha pra João ouvir a emoção da
mãe contando o nascimento do menino Deus, O Verbo se fazendo Carne e habitando entre
nós. Os pastores e os anjos cantando “Glória a Deus nas alturas!” Talvez algo que nunca
imaginamos, mas como seria Maria falando pra João da pessoa de José, seu santo esposo? O
brilho nos olhos, a voz carregada de amor por um homem que só soube cuidar dela e do filho
de Deus... João teve a honra, a alegria, a graça de ter Maria em sua casa. Não como uma
hospede, mas como Mãe. A mãe de Jesus agora, mãe de João. Aquela que sabe da pessoa de
Jesus como ninguém nesta terra, agora, habita na casa de João. João viveu aos Moldes de
Maria.
E por fim, João rezava com Maria. São Alberto Magno escreve que a Divina Mãe foi
abaixo de Jesus a mais perfeita na oração, de quantos tem existido e hão de existir. Sendo
assim, agora o discípulo amado se aproxima de Jesus em oração por meio da mãe.
Ministério de Música e Artes da RCCBRASIL, meus irmãos. Neste mês de maio vamos acolher
Maria em nossa casa. “Devemos imitar João, tomando, desde agora, Maria conosco em nossa
vida” Raniero Cantalamessa
De forma prática, sinto em pedir a vocês que nos motivemos uma vez mais às práticas
de orações do Santo Rosário, do Ângelus, Salve Rainha. Temos muita dificuldade de sermos
fieis nessas práticas. O tempo nos consome com tantas atividades, sendo elas profissionais, de
estudos ou pessoais. Mas, a nós do Ministério de Música e Artes, foi pedido, neste tempo, para
vivermos AOS MOLDES DE MARIA. Eu digo a vocês com toda a certeza que é impossível
vivermos essa moção sem a oração à Virgem Santíssima. Não vai passar de apreciações de
alguns escritos. Nos últimos meses ouvi e li muitos comentários de admiração pelas cartas,
mas, se não passar disso, não tem eficácia alguma. Buscar viver Aos Moldes de Maria é para
que eu, você e nosso Ministério dêem frutos de santidade. Vejam o que São João Paulo II nos
escreve em sua carta apostólica:
“O Rosário transporta-nos misticamente para junto de Maria dedicada a acompanhar o
crescimento humano de Cristo na casa de Nazaré. Isto permite-lhe educar-nos e plasmar-nos,
com a mesma solicitude, até que Cristo esteja formado em nós plenamente (cf. Gal 4, 19). Esta
ação de Maria,totalmente fundada sobre a de Cristo e a esta radicalmente subordinada, « não
impede minimamente a união imediata dos crentes com Cristo, antes a facilita.É o princípio
luminoso expresso pelo Concílio Vaticano II, que provei com tanta força na minha vida,
colocando-o na base do meu lema episcopal: Totus tuus. Um lema, como é sabido, inspirado na
doutrina de S.Luís Maria Grignion de Montfort, que assim explica o papel de Maria no processo
de configuração a Cristo de cada um de nós: “Toda a nossa perfeição consiste em sermos
configurados, unidos e consagrados a Jesus Cristo. Portanto, a mais perfeita de todas as
devoções é incontestavelmente aquela que nos configura, une e consagra mais perfeitamente a
Jesus Cristo. Ora, sendo Maria entre todas as criaturas a mais configurada a Jesus Cristo, daí se
conclui que de todas as devoções, a que melhor consagra e configura uma alma a Nosso Senhor
é a devoção a Maria, sua santa Mãe; e quanto mais uma alma for consagrada a Maria, tanto
mais será a Jesus Cristo”. Nunca como no Rosário o caminho de Cristo e o de Maria aparecem
unidos tão profundamente. Maria só vive em Cristo e em função de Cristo!”
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Somos os discípulos amados de Jesus, assim como João. As palavras do Senhor vem aos nossos
ouvidos, músicos, dançarinos, atores, poetas(...) ouçamos com a mesma intensidade que foi para João:
“Filhos, eia aí tua mãe”. João a levou para sua casa, e nós irmãos? O que faremos com essas palavras de
Jesus?
Que neste dia 22 de maio estejamos dispostos a nos comprometer com esse chamado do
Senhor ao nosso Ministério: Viver Aos Moldes de Maria. E pra que isso aconteça, precisamos levar Maria
para nossa casa. Quanta honra!
Meus amigos, temos um encontro marcado. Dias 14, 15 e 16 de novembro de 2014, na sede da
Canção Nova, em Cachoeira Paulista, o Congresso Nacional de Músicos Adoradores. Marque em sua
agenda e acompanhe mais informações pelo portal da RCCBRASIL.
Um grande abraço desse pobre pecador!
Juninho Cassimiro
Coordenador Nacional do Ministério de Música e Artes
Renovação Carismática Católica do Brasil - RCCBRASIL
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