EXPANSÃO DO IMPERIALISMO

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EXPANSÃO DO IMPERIALISMO
EXPANSÃO DO IMPERIALISMO
Na segunda metade do século XIX, alguns países ricos da Europa Ocidental promoveram uma expansão imperialista pela África e pela Ásia. Essa expansão imperialista européia foi uma das grandes marcas desse período. As
sociedades de muitos países africanos e asiáticos ainda refletem permanências históricas desses processos de
colonização.
CRESCIMENTO CAPITALISTA
A Segunda Revolução Industrial
A segunda metade do século XIX foi um período de grande crescimento para a economia da Europa Ocidental e
dos Estados Unidos. Esse crescimento podia ser observado na ampliação do comércio mundial e no acúmulo de
capitais entre os empresários das grandes potências. Calcula-se que 80% do capital mundial concentrou-se nas
mãos de empresários de uns poucos países ricos, como Inglaterra, França, Alemanha e Estados Unidos.
Na Europa e nos Estados Unidos, a expansão capitalista pode ser vinculada ao grande desenvolvimento técnico
e científico registrado nesse período (1850-1900). Para caracterizar esse desenvolvimento, costuma-se chamálo de Segunda Revolução Industrial.
Novas tecnologias
Entre as características da Segunda Revolução Industrial, os historiadores geralmente destacam:
 A utilização de novas fontes de energia, como o petróleo e a eletricidade. O petróleo e seus derivados, como
a gasolina e o diesel — foi, progressivamente, sendo utilizado no lugar do carvão. A eletricidade começou a
ter ampla utilização a partir da invenção do dínamo, em 1867, por Siemens.
 A produção do aço em larga escala, obtido por meio de um novo método desenvolvido pelo inglês Henry
Bessemer, em 1856. Outros aperfeiçoamentos na fabricação do aço levaram à redução de seu preço, razão
pela qual o ferro passou a ser substituído em grande parte pelo aço.
 A invenção da locomotiva elétrica (1879), do motor a gasolina (1884), do automóvel (1885) e do motor a diesel (1897), e o desenvolvimento da aviação a partir dos inventos do brasileiro Alberto Santos Dumont e dos
irmãos americanos Wright.
 A invenção do telégrafo (1837), do telefone (1876), do fonógrafo (1877), do rádio (1897), da fotografia (1839)
e do cinema (1895).
As novas possibilidades de aumento da produção, decorrentes da Segunda Revolução Industrial, estimularam
os capitalistas das grandes potências a expandir seus negócios e sua força política.
Capitalismo financeiro e monopolista
A nova fase da economia capitalista foi marcada pela concentração da produção e do capital em torno de
grandes empresas ou associações de empresas.
Como ocorreu essa concentração econômica? A livre concorrência entre as empresas transformou-se numa
batalha de preços. Nessa batalha, os proprietários das empresas mais poderosas foram vencendo os mais fracos. Os empresários vencedores foram concentrando capitais e dominando toda a produção em certos setores.
Surgiram, então, os monopólios industriais que, eliminando a concorrência, podiam fixar preços em busca de
maiores lucros.
Esses monopólios eram representados pelo cartel, pela holding e pelo truste:
 Cartel: um grupo de empresas, que estabelecem entre si um acordo com o objetivo de controlar os preços
ou o mercado de um determinado setor econômico.
 Holding: a empresa que possui o controle acionário (a maioria das ações) de outras empresas, embora mantenham independência.
 Truste: a fusão de diversas empresas do mesmo ramo.
O processo de concentração econômica também atingiu o setor bancário. Os bancos associaram-se às grandes
indústrias para financiar seus investimentos e participar dos lucros de seus projetos.
A fusão do capital bancário com o capital industrial marcou essa nova fase do capitalismo, conhecida como
capitalismo financeiro e monopolista. Suas principais características foram:
 aumento da produção industrial, que para ser vendida necessitava da ampliação dos mercados consumidores;
 acúmulo de capitais, que passaram a ser investidos em novos projetos lucrativos.
A seguir, o historiador Eric Hobsbawm destaca quatro grandes mudanças que ocorreram na economia capitalista, a partir de 1870.
A economia capitalista mudou de quatro formas significativas.
Em primeiro lugar, entramos numa nova era tecnológica, uma era de novas fontes de poder (eletricidade e petróleo, turbinas e motor a explosão), de nova maquinaria baseada em novos materiais (ferro, ligas, metais nãoferrosos), de indústrias baseadas em novas ciências, tais como a indústria em expansão da química orgânica.
Em segundo lugar, entramos também cada vez mais na economia de mercado de consumo doméstico (economia,
na qual a produção é consumida no país, pelo próprio mercado interno), iniciada nos Estados Unidos, desenvolvida
(na Europa ainda modestamente) pela crescente renda das massas trabalhadoras, mas sobretudo pelo enorme
aumento da população dos países desenvolvidos. De 1870 a 1910, a população da Europa cresceu de 290 para 435
milhões, a dos Estados Unidos, de 38,5 para 92 milhões.
Em terceiro lugar, havia uma competição internacional entre economias industriais nacionais rivais — a inglesa, a
alemã, a norte-americana. Essa competição levava à concentração econômica, ao controle de mercado e à manipulação.
Por fim, o mundo entrou no período do imperialismo. As potências passaram a dividir o globo para realizar seus
próprios negócios. As novas indústrias precisavam de matérias-primas que não existiam nos países desenvolvidos:
petróleo, borracha, metais não-ferrosos. A nova economia precisava de quantidades crescentes de matérias-primas
produzidas nos países subdesenvolvidos. Essa divisão global entre áreas desenvolvidas e subdesenvolvidas, embora
não fosse nova, começou a tomar uma forma moderna e durou até a década de 1930.
NEOCOLONIALISMO
Grandes potências conquistam regiões do mundo
Na fase do capitalismo financeiro e monopolista, os empresários começaram a enfrentar um problema. A venda da produção industrial e a realização de novos investimentos de capitais estavam limitadas pelas barreiras
impostas dentro do mercado interno das grandes potências capitalistas. É que todos os governos dessas nações tomavam medidas protecionistas, dificultando a invasão de seus próprios mercados pelos produtos vindos de países concorrentes.
A solução encontrada, dentro do modelo do capitalismo financeiro, para exportar a produção industrial e investir os capitais acumulados foi conquistar novos mercados. O alvo foram as nações pobres e ainda não industrializadas da Ásia, da África e da Oceania. Assim, para expandir-se, as grandes potências adotaram uma política
imperialista, passando a dominar outros países do mundo.
O termo imperialismo denomina a política de dominação que o governo de alguns países passou a exercer sobre outros a partir do final do século XIX. Esse domínio, por exemplo, pode ser territorial ou econômico. O domínio territorial geralmente é feito por uma intervenção militar, ou seja, tropas do país imperialista instalam-se
no país dominado, ocupando seu território. O domínio econômico, por sua vez, é feito por meio da interferência na vida econômica do país dominado, através de tratados e acordos assinados entre os representantes das
regiões dominadas e os dos países europeus. Esse era o maior interesse dos países imperialistas.
O imperialismo, também chamado de neocolonialismo, que significa "novo colonialismo" (neo = novo), foi uma
nova forma de dominação adotada pelas ricas nações capitalistas do século XIX para controlar algumas regiões.
Comparado ao colonialismo do século XVI, o neocolonialismo consistia numa forma diferente de dominação. A
finalidade, contudo, era a mesma: explorar o país dominado. O objetivo da política neocolonialista era repartir
o mundo entre as grandes potências capitalistas, ampliando e integrando os mercados mundiais. Por meio de
uma estrutura que envolvia militares, funcionários e seus auxiliares, a metrópole impôs o controle político e
econômico das regiões colonizadas.
Mito da superioridade da civilização industrial
Uma das principais justificativas para o neocolonialismo do século XIX era a missão civilizadora das grandes
potências, que tinham por obrigação difundir o progresso pelo mundo. Na visão do escritor inglês R. Kipling
(1865-1936), essa missão civilizadora aparece como se fosse um grande fardo do homem branco, algo que os
europeus tinham o dever de carregar. Posteriormente, essas concepções de Kipling foram apontadas, por muitos historiadores, como símbolos da ideologia imperialista.
Os grupos sociais interessados na expansão européia difundiam que a superioridade da civilização industrial do
Ocidente tinha por base três elementos:
 as características biológicas da "raça branca" (européia);
 a fé religiosa (cristianismo);
 o desenvolvimento técnico e científico (Revolução Industrial).
Com base nessas idéias preconceituosas, racistas e de superioridade cultural, criaram-se argumentos para justificar a exploração brutal de diferentes povos africanos e asiáticos.
Podemos notar, neste trecho de um discurso do ministro francês Jules Ferry (1832-1893), os motivos da conquista colonial:
Para os países industriais exportadores, a expansão colonial é uma questão de salvação.
Em nosso tempo, e diante da crise que atravessam as indústrias européias, a fundação de colônias representa a
criação de uma válvula de escape para nossos problemas. (...)
Devemos dizer abertamente que nós, pertencentes às raças superiores, temos direitos sobre as raças inferiores.
Mas também temos o dever de civilizá-las.
DOMINACÃO DA ÁFRICA E ÁSIA
O processo da dominação imperialista européia sobre os continentes africano e asiático é conhecido, respectivamente, como Partilha da África e Partilha da Ásia.
Os governantes da Bélgica, Portugal, Espanha, Alemanha e Itália desenvolveram políticas voltadas para a conquista colonial. Entretanto, os maiores impérios coloniais foram estabelecidos principalmente pelos dirigentes
e grupos econômicos da França e da Inglaterra.
Essas conquistas coloniais desencadearam em diversas regiões da África e da Ásia uma série de rebeliões anticolonialistas organizadas por grupos locais. Diante do poderio militar e econômico das potências européias, a
maior parte dessas revoltas foram sufocadas. No entanto, não se pode dizer que a resistência dos grupos africanos e asiáticos cessou. Nenhuma potência colonial exerceu sua dominação de modo completamente tranqüilo e seguro.
Mais de 90% do território africano foi dominado por nações européias. A divisão do território africano resultou
de um processo iniciado no século XIX. Na Conferência de Berlim, que aconteceu de novembro de 1884 a fevereiro de 1885, reunindo representantes dos Estados Unidos, da Rússia e de outros catorze países europeus,
foram definidos os critérios para a conquista dos territórios da África que ainda eram livres.
Partilha da Ásia
Na Ásia, a expansão européia enfrentou forte resistência dos países da região, como China e Japão. Entretanto,
o poderio militar dos europeus, aliado ao dos Estados Unidos, gradativamente foi vencendo essa resistência.
A partir de 1867, a economia e a sociedade japonesas entraram em rápida modernização, caminhando no sentido de tornar o Japão uma potência imperialista na Ásia.
Conquistas britânicas
A expansão colonial do Império Britânico chegou a dominar um quinto da superfície do planeta onde vivia
aproximadamente 23% da população mundial. Na África, britânicos conquistaram vasta região, que incluía África do Sul, Rodésia, Tanganica, Quênia, Uganda e Sudão, além de manterem influência sobre o Egito.
A extração de diamantes ,e de ouro na região do Orange, na África do Sul, provocou lutas entre os britânicos,
comandados pelo governador Cecil Rhodes, e os africanos de origem holandesa que habitavam a região, os
bôeres. Esses confrontos ficaram conhecidos como a Guerra dos Bôeres (1899-1902), vencida pelas tropas britânicas.
Na Ásia, uma das principais regiões do imperialismo britânico foi a Índia, cuja dominação, iniciada no século
XVIII, estendeu-se a uma área que hoje corresponde aos territórios da índia, Paquistão e Bangladesh. Em 1857,
grupos de indianos organizaram violenta revolta contra a exploração inglesa. Foi a Revolta dos Cipaios (1857-
1858), brutalmente reprimida pela Inglaterra. Consolidando a dominação plena sobre os indianos, a rainha Vitória foi coroada, em 1877, imperatriz da Índia.
Outra importante região asiática onde atuava o imperialismo inglês era a China. Nessa região, os ingleses dedicaram-se principalmente ao comércio do ópio, que era cultivado na Índia para ser vendido aos chineses.
Quando, por volta de 1840, as autoridades do governo chinês decidiram reprimir o comércio ilegal do ópio, os
ingleses entraram em guerra contra a China. A chamada Guerra do Ópio (1840-1842) terminou quando os chineses foram obrigados a assinar o Tratado de Nanquim. Por esse tratado, o governo da Inglaterra conseguiu
uma série de vantagens econômicas, como o direito sobre a cidade portuária de Hong Kong, recentemente
devolvida ao governo chinês (1997).
Era vitoriana
A rainha Vitória ocupou o trono britânico de 1837 a 1901. Durante esse longo período, a política industrial e colonialista inglesa atingiu seu apogeu. A Inglaterra foi considerada por muitos analistas econômicos da época
como a Oficina do mundo, abastecendo os mercados internacionais com seus produtos industrializados.
No plano interno, o reinado da rainha Vitória foi marcado pela prosperidade industrial e comercial, pelo puritanismo moral e pela estabilidade política. Sob a influência de líderes como Benjamin Disraeli e William Gladstone,
consolidou-se o sistema parlamentarista de governo.
A prosperidade econômica inglesa não beneficiou todos os setores da sociedade. Permaneceu concentrada
entre os grupos de empresários da indústria e do comércio.
Conquistas francesas
Depois do britânico, o império colonial francês foi o segundo do mundo. Essa conquista colonial francesa teve
início no governo de Luís Filipe, após a Revolução de 1832. Nesse ano, os franceses conquistaram a Argélia, situada no norte da África. O domínio do território argelino foi assegurado por tropas especiais pertencentes à
chamada Legião Estrangeira. Eram tropas formadas principalmente por criminosos e aventureiros em busca de
recompensas materiais.
Os domínios franceses na África ampliaram-se com a conquista de Senegal, Guiné, Costa do Marfim e Marrocos.
Criaram-se, assim, vastas regiões conhecidas como África Ocidental Francesa e África Equatorial Francesa.
Na Ásia, as forças da França conquistaram a região da Indochina, que atualmente corresponde ao Vietnã, Camboja e Laos. Nessa área, foram exploradas as plantações de seringueira para a fabricação da borracha.

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