A MACRO E MEGAFAUNA BÊNTICA ASSOCIADA AOS BANCOS

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A MACRO E MEGAFAUNA BÊNTICA ASSOCIADA AOS BANCOS
MACROFAUNA BÊNTICA EM BANCOS DE VIEIRA
A MACRO E MEGAFAUNA BÊNTICA ASSOCIADA AOS BANCOS DA VIEIRA Euvola ziczac
(MOLLUSCA: BIVALVIA) NO LITORAL SUL DO BRASIL.
JACKSON ALEXANDER KLEIN
Centro de Estudos do Mar, Av. Beira Mar, s/n. Pontal do Sul – CEP 83255-000, Pontal do Paraná, PR
[email protected]
CARLOS ALBERTO BORZONE
Centro de Estudos do Mar, Av. Beira Mar, s/n. Pontal do Sul – CEP 83255-000, Pontal do Paraná, PR
[email protected]
PAULO RICARDO PEZZUTO
Centro de Ciências Tecnológicas, da Terra e do Mar (CTTMar) – UNIVALI – Caixa Postal 360, CEP 88302-202, Itajaí – SC
Doutorando em Zoologia – UFPR
[email protected]
RESUMO
A vieira Euvola ziczac foi uma das principais espécies de invertebrados bênticos de importância comercial no Brasil entre 1974
e 1980, quando sua pescaria entrou em colapso. Visando obter subsídios para eventuais propostas de recuperação do recurso,
foram identificados os possíveis predadores da espécie na sua região de ocorrência. Para tanto, foram analisados os padrões
de distribuição, composição específica, diversidade e abundância da macrofauna bêntica a partir de coletas realizadas com um
“beam trawl” em dezembro de 1995 e dezembro de 1997, entre as isóbatas de 20 e 50 metros de profundidade, na plataforma
interna do sul de São Paulo, Paraná e norte de Santa Catarina. Nos sedimentos predominam areias finas a muito finas, com
frações de silte-argila aumentando com a profundidade, porém nunca excedendo os 10 %. Análises numéricas feitas a partir da
composição específica e abundância das espécies da macro e megafauna mostraram a formação de dois grupos principais de
estações separados pela isóbata de 30 metros. Apenas um agrupamento de espécies foi reconhecido, integrado por Crepidula
aculeata, Dardanus insignis, Chicoreus tenuivaricosus, Portunus spinicarpus, Ostrea puelchana e E. ziczac. Este agrupamento
manteve a sua identidade entre os dois períodos amostrados. Os resultados apresentados junto a informações bibliográficas
mostram C. tenuivaricosus é um importante predador da vieira E. ziczac.
PALAVRAS-CHAVE: macrofauna bêntica, pescaria multiespecífica, bancos de vieira, plataforma interna.
ABSTRACT
Benthic macro and megafauna associated to beds of the Scallop Euvola ziczac (Mollusca: Bivalvia) In southern Brazil.
The scallop Euvola ziczac was one of the main benthic resources in southern Brazil between 1973 and 1980, when its fishery
collapsed. In order to obtain guidelines for future restocking programs, this study was conducted to identify the possible
predators of E. ziczac in the region. Species composition and distribution patterns of the benthic macro and megafauna of the
inner continental shelf of southern São Paulo, Paraná and northern Santa Catarina, between 20 and 50 meters depth were
studied from beam-trawl samples obtained during December 95 and December 97 cruises. Sediments are formed by fine to
very fine sands with a silt-clay fraction increasing with depth, but never exceeding 10 %. Numerical analysis of benthic data
showed the formation of two major groups of stations, separated by 30 meters isobath. Crepidula aculeata, Dardanus insignis,
Chicoreus tenuivaricosus, Portunus spinicarpus, Ostrea puelchana and E.ziczac formed one high similarity species group. This
group maintained its identity between the two samples period. From the sampled species C. tenuivaricosus resulted the most
import predator of E.ziczac.
KEY-WORDS: benthic macrofauna, multispecific fishery, scallop beds, inner shelf.
1 – INTRODUÇÃO
Os organismos bênticos de regiões costeiras, principalmente nas áreas mais rasas da plataforma,
apresentam grande importância econômica e ecológica. Isto se dá tanto pela sua participação na reciclagem de
nutrientes e matéria orgânica depositados, quanto pela sua utilização como itens alimentares pelo homem ou por
peixes demersais de importância econômica (Caddy 1989). Apesar disto, são poucos os trabalhos que tratam da
ocorrência e distribuição das associações bênticas de plataforma ao largo da costa sul e sudeste do Brasil. Com
exceção de Forneris (1969), Pires-Vanin (1993) e Capítoli (1996), que analisaram as comunidades de fundo como
um todo, a maioria dos autores se preocupou com a taxonomia e distribuição de grupos restritos, como moluscos
(Absalão 1987, Absalão 1991, Gonçalves & Lana 1991, Migotto et al. 1993) ou equinodermos (Absalão 1989,
Ventura, 1991).
Entre os diversos fatores biológicos responsáveis pela diversidade e distribuição dos organismos no fundo
marinho, a predação e a competição podem ser considerados como os fatores mais importantes, uma vez que são
capazes de afetar a composição e o funcionamento das comunidades (Levinton 1982). O impacto da predação
nas comunidades bênticas varia de acordo com o tipo de ambiente. Nos ambientes de substratos inconsolidados,
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os efeitos da predação não são muito claros (Commito & Ambrose 1985). Alguns estudos mostram que grandes
variações nas densidades de organismos da infauna são devidas a predadores epibênticos (Nelson 1986). Outros
estudos, ao contrário, indicam que os predadores epibênticos não controlam a composição e a densidade das
espécies da infauna (Evans 1983, Ventura 1991). No entanto, é bem aceito que a predação pode ser considerada
de grande relevância no que se refere ao controle de populações específicas, tanto na fase de recrutamento,
como na fase adulta. Isto torna o seu estudo de grande relevância, sobretudo quando encontram-se envolvidas
espécies ecologicamente e/ou economicamente importantes no ecossistema.
Na região sul do Brasil, ao longo dos últimos trinta anos, uma frota camaroeira vem atuando na área e
explorando, além do camarão rosa (Farfantepenaeus paulensis e F. brasiliensis), outras espécies de invertebrados
como os camarões vermelho (Pleoticus mulleri) e ferrinho (Artemesia longinaris), a vieira (Euvola ziczac,
previamente Pecten ziczac, uma revisão taxonômica e sistemática do grupo pode ser consultada em Waller 1991),
algumas espécies de lulas (Loligo plei e L. sanpaulensis), a lagosta sapateira (Scyllarides deceptor), o pitú
(Metanephrops rubelus) e o polvo (Octopus vulgaris), além de diversas espécies de peixes demersais (Perez &
Pezzuto 1998). Apesar da importância econômica desta pescaria multiespecífica, pouco se conhece das
características oceanográficas e biológicas da área onde suas espécies-alvo passam uma parte importante de seu
ciclo de vida (Borzone et al. 1999).
No caso da vieira E. ziczac, a sua captura iniciou-se nos anos de 1972 e 1973, devido ao seu alto valor de
mercado e aos baixos rendimentos da pescaria do camarão-rosa. A produção atingiu um máximo em 1980,
quando o desembarque anual chegou a aproximadamente 8.800 toneladas. A partir daí ocorreu o colapso da
pescaria, sendo que atualmente a produção anual muitas vezes não ultrapassa poucas centenas de quilos
(Pezzuto & Borzone 1997). Em 1995 o CTTMar/UNIVALI e o CEM/UFPR iniciaram um projeto visando avaliar a
condição atual do recurso, estudar aspectos da sua dinâmica populacional e verificar as possibilidades de
recuperação da pescaria e eventual explotação em bases sustentáveis. Entretanto, dentre os aspectos envolvidos
na recuperação de recursos bênticos colapsados, deve-se considerar as variáveis que condicionam não só a sua
própria explotação, mas também aquelas que determinam a sua mortalidade natural, e que podem assim
influenciar as estratégias a serem adotadas para a recuperação dos estoques. Nesse sentido, a predação pode
ser apontada como um dos principais problemas associados à sobrevivência de recrutas, juvenis e adultos de
vieiras tanto em populações naturais (e.g. Brun 1968), como em programas de cultivo de fundo e dispersão de
sementes em bancos para crescimento e explotação (Nadeu & Cliche 1998). Dentre os principais predadores de
vieiras encontram-se asteróideos, gastrópodos, braquiúros, lagostas e polvos (Orensanz et al. 1991), que,
sobretudo em cultivos de fundo, podem ser responsáveis pela eliminação de grande parte ou mesmo da totalidade
dos recrutas produzidos (Hatcher et al. 1996, Haugum et al. 1997).
Desta forma, como parte deste projeto, o presente trabalho teve como objetivo o estudo da composição
específica e dos padrões de distribuição da macro e megafauna bêntica associada aos bancos de vieira na região sul
do Brasil, com especial interesse no reconhecimento de possíveis predadores potenciais da espécie, e que poderão
consistir em espécies-alvo de estudos posteriores, envolvendo a recuperação do estoque atualmente colapsado.
2 – MATERIAL E MÉTODOS
A área estudada compreende a plataforma continental da região sul do Brasil, abrangendo o litoral sul de
São Paulo, todo o litoral do Paraná e norte de Santa Catarina, entre as latitudes 47° 30’ W e 48° 30’ W e 25° 00’ S e
26° 30’ S (Fig. 1). A região é caracterizada pela presença de fundos inconsolidados quase que na sua totalidade. A
presença de afloramentos rochosos se restringe às áreas mais internas da plataforma, representados pelas ilhas
de Bom Abrigo e Castilho em São Paulo e Figueira, Currais e Itacolomis no Paraná, além de alguns registros de
lajes submersas.
Hidrologicamente, toda a região a profundidades maiores dos vinte metros sofre efeitos da intrusão de
uma massa de água denominada Água Central do Atlântico Sul (ACAS), por baixo das águas costeiras dominadas
pela Corrente do Brasil. No verão observa-se a intrusão destas águas frias e ricas em nutrientes sobre grandes
extensões da plataforma continental, resultando na formação de uma forte termoclina aproximadamente de
novembro a abril (Matsuura 1986, Castro Filho 1990, Borzone et al. 1999). Durante o inverno, a presença de
águas frias e de baixa salinidade é causada pela intrusão de águas de origem subantártica (Campos et al. 1996),
resultando num forte ciclo térmico semi-anual, que deve exercer importante influência na biologia das espécies
demersais capturadas na área (Borzone et al. 1999). De acordo com este último, os sedimentos na área estudada
apresentam-se relativamente homogêneos, com as poucas variações sempre relacionadas ao gradiente
batimétrico. Predominam areias quartzosas finas a muito finas (2,70 a 3,27 φ), com frações de silte-argila
aumentando com a profundidade, porém nunca excedendo os 10 %. O grau de seleção do sedimento é moderado
(< 0,9), e os valores de curtose apresentam-se altos (> 8) ao sul da área estudada e em profundidades
intermediárias (30-40 m). Os teores de matéria orgânica e de carbonato de cálcio são baixos (<3,5 e <12,22 %,
respectivamente) se comparados com valores obtidos em profundidades maiores que 50 m (Mahiques et al.
1999), e mostram sempre um aumento com a profundidade (Borzone et al. 1999).
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MACROFAUNA BÊNTICA EM BANCOS DE VIEIRA
Os cruzeiros nos quais foram obtidas as amostras da fauna bêntica foram desenvolvidos entre os dias 4 e
9 de dezembro de 1995 e 12 e 13 de dezembro de 1997, no N/Pq Diadorim (CEPSUL/IBAMA), um arrasteiro de
23,5 m de comprimento e motor Caterpillar de 420 Hp. No primeiro cruzeiro, 23 estações de amostragem foram
distribuídas em 7 transversais, entre as isóbatas de 20 e 50 m. Apenas uma das transversais foi estendida em
direção à costa, com uma estação atingindo profundidade inferior a vinte metros (Fig. 1). Cada estação foi
posicionada por meio de GPS Furuno 3100 e a profundidade registrada em ecossonda Furuno Color Video FCV
582. No segundo cruzeiro foram amostradas novamente as estações 16 e 231 (16a e 231a) e feitos três arrastos
sucessivos em direção ao sul a partir da estação 3 (3a, 3b e 3c).
FIGURA 1 – Área estudada e estações de coleta do cruzeiro desenvolvido entre os dias 4 e 9 de dezembro de
1995 no N/Pq Diadorim (CEPSUL/IBAMA)
Na obtenção de material biológico foi utilizado um beam-trawl com marco metálico medindo 1,90 x 0,45 m
e rede de 5 cm de malha medida entre nós opostos com malha esticada (BG). No cruzeiro de dezembro de 1997
foi adicionado um sobressaco com malha menor (3 cm entre nós opostos com malha esticada), visando a captura
de vieiras de menor tamanho. Os tempos de arrasto e comprimento de cabo foram sendo testados no decorrer do
cruzeiro, assim como o aumento do peso do BG, visando melhorar sua eficiência na captura de vieiras. Nesse
sentido, dotou-se o equipamento de um conjunto de correntes espantadeiras que permitiu uma melhor remoção
dos organismos localizados nos primeiros centímetros do sedimento. Uma subamostra representativa da
macrofauna bêntica de até 4 litros aproximadamente foi obtida em cada arrasto, fixada com formalina a 10 % e
acondicionada em galões de 50 litros para posterior identificação. Nesta identificação e nas posteriores análises,
somente foram considerados organismos vivos. Maiores detalhes destes cruzeiros podem ser consultados em
Borzone & Pezzuto (1997) e Pezzuto et al. (1998).
Foram feitas análises numéricas a partir de uma matriz reduzida dos dados transformados pela raiz da raiz
das abundâncias (n.º de indivíduos de uma determinada espécie ou táxon) nas amostras. Nestas análises
procurou-se identificar o grau de similaridade faunística entre as amostras coletadas, com o objetivo de
reconhecer padrões na distribuição das espécies e possíveis associações entre as mesmas. Foi utilizado, para
tanto, o índice de dissimilaridade de Bray-Curtis, que leva em consideração a abundância dos organismos e não é
afetado pela ausência freqüente de uma ou mais espécies (Field et al. 1982). As análises de agrupamento do tipo
hierárquico combinatório, representadas através de dendrogramas, foram efetuadas utilizando-se a média
aritmética simples (UWPGMA) para união entre objetos. Também foi utilizado o método de ordenação por n-MDS
(non-metric Multi Dimensional Scaling), com os resultados plotados em gráficos de dispersão. A identificação dos
agrupamentos foi feita através da interpretação conjunta dos resultados das duas analises.
Outras abreviaturas utilizadas no texto são: CTTMar/UNIVALI (Centro de Ciências Tecnológicas, da Terra
e do Mar/Universidade do Vale do Itajaí), CEM/UFPR (Centro de Estudos do Mar/Universidade Federal do Paraná)
e CEPSUL/IBAMA (Centro de Pesquisa e Extensão Pesqueira das Regiões Sudeste e Sul/Instituto Brasileiro do
Meio Ambiente).
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3 – RESULTADOS
3.1 – Diversidade e distribuição dos organismos
Na Tabela 1 estão relacionados os organismos capturados nos diversos cruzeiros realizados na região.
Deve-se ressaltar que, pelo tipo de amostrador utilizado, alguns organismos da infauna, como poliquetas e
pequenos moluscos e crustáceos, não foram bem amostrados. Na Figura 2 estão relacionadas as abundâncias
relativas ao número de espécies encontradas na área. Crustáceos, moluscos e equinodermos constituíram os
táxons superiores melhor representados nas amostras. Os moluscos apresentaram a maior riqueza,
representando mais de 50% das espécies capturadas, sendo o gastrópode Crepidula aculeata o mais abundante
numericamente. Entre os crustáceos, o pagurídeo Dardanus insignis foi o mais abundante, seguido pelo
portunídeo Portunus spinicarpus.
TABELA 1 – Lista completa de espécies coletadas na área de estudo durante os cruzeiros de dezembro de 195 e
dezembro de 1997 (as espécies utilizadas na análise numérica estão identificadas pelo seu código em negrito e
entre parêntesis).
Phylum Mollusca- Classe Bivalvia
Adrana patagonica (Orbigny, 1846)
Anadara chemnitzi (Philippi, 1851)
Anatina anatina (Spengler, 1802)
Arcinella brasiliana (Nicol, 1953) (Ab)
Callista maculata (Linnaeus, 1758)
Chione paphia (Linnaeus, 1767)
Chione pubera (Bory Saint-Vicent, 1827) (Cp)
Chlamys tehuelcha (Orbygny, 1846) (Ch)
Clausinella gayi (Hupé, 1854)
Cooperella atlantica Rehder, 1943
Corbula caribaea Orbigny, 1842
Corbula lyoni Pilsberg, 1897
Corbula patagonica Orbigny, 1846
Dosinia concentrica (Born, 1778)
Euvola (= Pecten) ziczac (Linnaeus, 1758) (Ez)
Gastrochaena hians (Gmelin, 1791)
Laevicardium brasilianum (Lamarck, 1819) (Lb)
Litophaga patagonica (Orbigny, 1847)
Mactra fragilis Gmelin, 1791
Mactra janeiroensis E. A. Smith, 1915
Musculus viator (Orbigny, 1846)
Nucula semiornata Orbigny, 1846
Ostrea puelchana Orbigny, 1841 (Op)
Pododesmus rudis (Broderip, 1834)
Semele casali Doello-Jurado, 1949
Trachycardium muricatum (Linnaeus, 1758)
Classe Gastropoda
Agaronia travassosi Morretes, 1938
Anachis isabellei (Orbigny, 1841)
Anachis obesa ( C. B. Adams, 1845)
Cabestana feliponei (Lhering, 1907)
Chicoreus tenuivaricosus (Dautzenberg, 1927) (Ct)
Conus tostesi Petuch, 1986
Crepidula aculeata (Gmelin, 1791) (Ca)
Fusinus frengueli (Carcelles, 1953)
Fusinus marmoratus (Philippi, 1846)
Halistylus columma Dall, 1890
Mitrella lunata (Say, 1826)
Natica pusila Say, 1822
Odontocymbiola americana (Reeve, 1856) (Oa)
Oliva circinata Marrat, 1870
Olivella defiorei Klappenbach, 1964
Pleurotomela aguayoi (Carcelles, 1953)
Polinices lacteus (Guilding, 1833)
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Phylum Arthropoda- Classe Malacostraca
Ordem Decapoda
Collodes rostratus A. Milne Edwards, 1880
Dardanus insignis (de Saussure, 1858) (Di)
Farfantepennaeus brasiliensis Latreille, 1817
Farfantepennaeus paulensis Pérez Farfante, 1967
Hepatus pudibundus (Herbst, 1785) (Hp)
Heterocrypta lapidea Rathbun, 1901
Hexapanopeus schmitti Rathbun, 1930
Hypoconcha arcuata Stimpson, 1858
Myniocerus augustus (Danna, 1852)
Persephona mediterranea (Herbst, 1794) (Pm)
Pilumnus spinosissimus Rathbun, 1898
Porcellana sayana (Leach, 1820)
Portunus spinicarpus (Stimpson, 1871) (Psc)
Portunus spinimanus Latreille, 1819 (Psm)
Ranilia constricta (A. Milne Edwards, 1880)
Zaops ostreum (Say, 1817)
Majidae indet.
Caridae indet.
Ordem Isopoda
Ananthura aff. Barnard, 1925
Gnathia sp.
Ordem Amphipoda
Ischyroceridae sp. 1
Ischyroceridae sp. 2
Ischyroceridae sp. 3
Cerapus tubularis Say, 1818
Ordem Stomatopoda
Hemisquilla braziliensis (Moreira, 1903)
Classe Pycnogonida
Pycnogonida indet.
Phylum Echinodermata -Classe Equinoidea
Encope emarginata (Lezke, 1778) (Ee)
Lytechinus variegatus (Lamarck, 1816)
Classe Ophiuroidea
Ophiuroidea indet.
Classe Asteroidea
Astropecten brasiliensis Müller & Troshcel, 1842 (Asp)
Luidia clathrata (Say, 1825)
Luidia senegalensis (Lamarck, 1816) (Ls)
Luidia scotti Bell, 1917
Tethyaster vestitus (Say, 1825) (Tv)
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MACROFAUNA BÊNTICA EM BANCOS DE VIEIRA
Prunum martini (Petit, 1853)
Sinum perspectivum (Say, 1831)
Strombus pugilis Linnaeus, 1758 (Sp)
Thais haemastoma (Linnaeus, 1767) (Th)
Tonna galea (Linnaeus, 1758)
Turritela hookeri Reeve, 1849
Typhis cleryi (Petit, 1842)
Zidona dufresnei (Donovan, 1823) (Zd)
Classe Cefalopoda
Octopus vulgaris Cuvier, 1797
Classe Polyplacophora
Chaetopleura angulata (Spengler, 1797)
Chaetopleura sowerbiana (Reeve, 1847)
Phylum Porifera -Classe Demospongiae
Demospongiae indet.
Phylum Briozoa- Classe Eurystomatoda
Eurystomatoda indet. (Eu)
Cupuladria sp. Canu & Bassler, 1919 (Cu)
Phylum Annelida- Classe Polychaeta
Polynoidae indet.
Thelepus setosus (Quatrefages, 1866)
Kuwaita sp?
Scoletoma sp. sensu lato Orensanz, 1990
Typosyllis hialina (Grube, 1863)
Typosyllis variegata (Grube, 1860)
Axiothela sp. Verril, 1900
Pherusa parmata (Grube, 1877)
Dodecaceria sp. Örsted, 1843
Hydroides dianthus (Verril, 1873)
Neantes indica beunnea (Day, 1957)
Rullierinereis sp. Pettibone, 1971
Sabella sp. Linnaeus, 1767
Phylum Cnidaria-Classe Anthozoa
Astrangia rathbuni Vaughan, 1906 (Ar)
Ellisela elongata (Pallas, 1766) (El)
Ord. Actiniaria indet. (An)
Classe Hidrozoa
Stylactaria sp.Stechow, 1921 (St)
FIGURA 2 – Abundância relativa dos principais taxas superiores encontrados na área (poliquetas e pequenos
moluscos e crustáceos nâo foram incluídos)
Os gastrópodes foram extremamente abundantes em algumas estações, destacando-se o strombídeo
Strombus pugilis e o muricídeo Chicoreus tenuivaricosus. O primeiro foi encontrado exclusivamente nas estações
mais rasas. O segundo apresentou grandes abundâncias junto aos locais com presença de vieira, nas estações
intermediárias. Nestes locais foram também capturados exemplares do cefalópode Octopus vulgaris. Nas estações
de maior profundidade, o volutídeo Zidona dufresnei e recrutas do ranelídeo Cabestana feliponei foram os mais
representativos numericamente.
Em relação aos bivalves, a distribuição da vieira Eulova ziczac limitou-se a uma faixa restrita de
profundidades, entre 36 e 45 m, existindo uma maior abundância nos entornos das estações 3 e 26. Estes pontos
foram posteriormente amostrados ao longo do ano. O venerídeo Chione pubera apresentou as maiores
abundâncias, formando um banco nas estações mais ao norte da área amostrada. Os outros bivalves capturados
não se destacaram numericamente, com exceção do ostreídeo Ostrea puelchana, que apresentou uma
distribuição razoavelmente uniforme nas estações de maior profundidade, e ocorreu geralmente aderido a
pequenos fragmentos de concha.
Entre os crustáceos, merece destaque o portunídeo Portunus spinicarpus, ocorrendo sempre nas estações
com vieira, além das estações mais profundas. Com uma distribuição mais uniforme e nas estações de maior
profundidade, foram observados o diogenídeo Dardanus insignis, apresentando maior abundância, além dos
porcelanídeos Porcellana sayana e Minyocerus augustus de distribuição semelhante. O pinoterídeo Zaops
ostreum foi encontrado apenas nas estações mais profundas, associado a Ostrea puelchana, com a qual é
comensal (Melo 1996).
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Os equinodermas foram bem representados pelos asteróideos Astropecten brasiliensis, Luidia clathrata,
L. scotti, L. senegalensis e Tethyaster vestitus, o primeiro mostrando uma ampla distribuição em todas as
estações. L. senegalensis ocorreu em apenas duas estações rasas, e T. vestitus e L. scotti foram capturadas nas
estações mais profundas. L. clathrata se distribuiu preferencialmente nas estações mais rasas. O equinóideo Encope
emarginata foi encontrado exclusivamente nas estações mais rasas.
O cnidário antozoa Ellisela elongata ocorreu preferencialmente em estações mais profundas, e também na
estação 5, inferior aos 20 metros de profundidade. Astrangia rathbuni foi encontrada nas estações mais profundas
e também na estação 5, enquanto que uma espécie de anêmona não identificada apresentou ampla distribuição
entre as isóbatas de 40 e 50 metros. O hidrozoário Stylactaria sp. teve sua distribuição restrita às estações
próximas da isóbata de 40 metros.
Poríferos e briozoários apresentaram uma ocorrência ocasional, devido a falta total na área de substratos
consolidados que não as conchas de moluscos vivos ou mortos dispersas sobre o fundo. Uma exceção foi o
briozoário Cupuladria sp., característico de substratos inconsolidados, que ocorreu com relativa freqüência. No geral,
todos os componentes da fauna analisada apresentaram baixas densidades, como foi confirmado visualmente durante
mergulhos exploratórios feitos em cruzeiros posteriores. É importante destacar que toda a área sofre contínuas
perturbações pela ação da frota camaroeira de São Paulo e Santa Catarina, orientada à captura do camarão rosa
(Farfantepenaeus paulensis e F. brasiliensis), e da frota de parelhas orientada à captura de peixes demersais.
3.2 – Análise numérica
Na análise de agrupamento das estações amostrais dos cruzeiros realizados em dezembro de 1995 e
dezembro de 1997 observa-se, a um nível aproximado de 50 % de similaridade, a formação de dois grupos de
estações (Fig. 3a). O primeiro grupo foi formado pelas estações 2, 5, 6, 7, 11, 15, 20 e 25, posicionadas entre as
isóbatas de 20 e 30 metros de profundidade. O segundo grupo compreendeu as estações restantes de dezembro
de 1995 junto com todas as estações amostrais de dezembro de 1997, as quais também estiveram localizadas em
profundidades superiores a 30 metros.
FIGURA 3 – Resultado da análise numérica das estações amostradas nos cruzeiros de dezembro de 1995 e
dezembro de 1997. a) dendrograma, b) ordenação por n-MDS
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MACROFAUNA BÊNTICA EM BANCOS DE VIEIRA
A ordenação por n-MDS gerou resultados semelhantes ao dendrograma, apresentando valor de stress
igual a 0,09, o que reflete uma boa relação entre as distâncias plotadas e as similaridades (Fig. 3b). Nesta análise
observa-se a menor similaridade das estações 5 e 29 em relação aos dois grupos de estações mencionados, e
podem até ser consideradas como um grupo a parte, apesar deste resultado não ser confirmado na análise de
agrupamento. A presença exclusiva de Luidia senegalensis nestas duas estações foi determinante desta
separação.
Analisando o dendrograma referente às espécies, observa-se, a um nível aproximado de 50 % de
similaridade, a formação de um grupo pelas espécies Crepidula aculeata, Dardanus insignis, Chicoreus
tenuivaricosus, Portunus spinicarpus, Ostrea puelchana, Euvola ziczac, as anêmonas e o briozoário epibionte
não identificado (Fig. 4a). A ordenação por n-MDS apresentou resultados semelhantes à análise de
agrupamento, porém com um alto valor de stress (0,16), o que caracteriza uma representação inadequada
das similaridades no espaço bidimensional (Fig. 4b) (Clarke & Warwick 1994). Ambas análises mostraram
poucas similaridades entre a maioria das espécies, não sendo observados grupos de espécies muito
coesos.
FIGURA 4 – Resultados das análises numéricas das espécies amostradas nos cruzeiros de dezembro de 1995 e
dezembro de 1997. a) dendrograma, b) ordenação por n-MDS (os códigos das espécies podem ser consultados
na Tabela 1)
4 – DISCUSSÃO
São poucos os estudos referentes à macrofauna bêntica em áreas de plataforma interna no sul do Brasil.
A maioria dos autores desenvolveu seus estudos baseados em grupos restritos, sendo que existe um número
reduzido de publicações que tratam das comunidades bênticas como um todo. A utilização de diferentes métodos
amostrais assim como a diferente delimitação de áreas e de esforço de amostragem, também interfere na
comparação dos dados, uma vez que os resultados obtidos são afetados diretamente pelo tipo de amostragem
utilizada.
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Gonçalves & Lana (1991) estudaram padrões de distribuição de bivalves e gastrópodes na plataforma
continental da costa sudeste do Brasil, a partir de amostras obtidas por dragas retangulares de 1,20 m de boca, e
2
por um pegador de tipo Van Veen modificado de 1/16 m , entre as isóbatas de 20 e 100 metros. Na análise
posterior dos dados, limitada à presença e ausência de organismos sem discriminação do tipo de amostrador
utilizado, foi determinada a existência de três associações de moluscos, sendo a variável granulométrica (teores
de areia, silte e argila) um dos fatores responsáveis por esta distribuição. No entanto, apenas uma associação foi
discriminada entre os 20 e os 50 metros de profundidade, definido como um setor interno de areias finas bem
selecionadas. Os moluscos característicos desta associação foram Olivella defiorei, Nassarius scissuratus e
Tellina sp. A, sendo localmente abundantes Chione paphia, Transenella sp.A, Chicoreus senegalensis e
Laevicardium laevigatum.
Já Absalão (1987), a partir de material coletado com uma uma draga retangular de 0,75 m de boca, entre
as isóbatas de 10 e 50 metros na plataforma interna do Rio Grande do Sul, descreve três agrupamentos
malacológicos principais, sendo que o segundo agrupamento caracterizado pelas espécies Olivella puelcha,
Tellina gibber e Cadulus tetraschistus, corresponderia ao descrito por Gonçalves & Lana (1981) para fundos
arenosos não ultrapassando os 40 metros de profundidade.
No presente trabalho não foram identificados estes agrupamentos, embora a maioria das espécies
de moluscos mencionadas tenha ocorrido ocasionalmente na área estudada, com exceção do gastrópode
Chicoreus tenuivaricosus (identificado erroneamente por Gonçalves & Lana (1981) como Chicoreus senegalensis)
que mostrou-se abundante nos dois trabalhos. É importante ressaltar as diferenças no tipo de amostrador
utilizado, já que o beam trawl funciona na verdade como uma rede de arrasto onde a boca é fixa a um
marco metálico, capturando especialmente organismos da epifauna, muitos de hábito vágil, e da infauna
mais superficial.
Entretanto, os resultados apresentados demonstraram que os organismos da mega e macrofauna bêntica
seguem uma distribuição em função da batimetria, o que também poderia estar refletindo as variações
batimétricas dos parâmetros oceanográficos. A profundidade também foi assinalada por Pires-Vanin (1993) como
o fator estruturador das comunidades benticas na plataforma interna da região de Ubatuba, São Paulo. Segundo
esta autora, locais rasos (15 a 30 metros de profundidade) estariam sujeitos à influência das condições fisicas da
Água Costeira, e locais profundos (maiores que 70 metros) sob influência direta da ACAS. Assim, o gradiente
ambiental estaria formado pela variação batimétrica e pelo grau de mistura entre as duas massas de água.
Borzone et al. (1999) mostraram que a influência da ACAS na região estudada atinge profundidades menores de
20 metros, sendo difícil, portanto, associar o agrupamento bêntico achado abaixo da isóbata dos 30 metros
apenas à influências de massas de água. Mais de um fator, junto fundamentalmente com as caracterísiticas do
sedimento, parecem determinar a distribuição da macrofauna descrita no presente trabalho. A estreita faixa de
distribuição da vieira Euvola ziczac, entre os 36 e os 45 metros de profundidade, parece estar associada a valores
elevados de curtose no sedimento, sendo isto um reflexo de contínuas ressuspensões e selecionamento do
sedimento por correntes de fundo (Borzone et al. 1999), refletindo um possível papel do hidrodinamismo na
formação de grupos de espécies.
Foi observado, através da análise de agrupamento e da ordenação por n-MDS, que o único grupo de
organismos que apresentou altas similaridades foi o que compreendeu o bivalve objeto do presente estudo.
Dentre as espécies deste grupo o gastrópode muricídeo Chicoreus tenuivaricosus é um predador de E.ziczac
(Rios 1994). Numerosas conchas mortas de vieira (mesmo adultas) coletadas ao longo dos cruzeiros
apresentavam perfurações circulares promovidas por gastrópodes das superfamílias Naticoidea e Muricoidea
(Carriker 1981). Como o único representante destas superfamílias coletado foi C. tenuivaricosus, o seu
papel como predador de vieiras ficou evidenciado. Segundo Zenger et al. (1975) a predação deste gastrópode
seria a principal causa de mortalidade natural das populações de Euvola ziczac, tendo sido registrados os
seus orifícios em 75 % das valvas vazias coletadas durante cruzeiros de prospecção da espécie efetuados na
década de 70.
Finalmente, é importante mencionar que embora não existiram diferenças nas composições da
macrofauna associada ao banco sul de E. ziczac após dois anos, ambas as amostragens foram realizadas durante
o verão, quando as condições oceanográficas na área são extremamente distintas das verificadas no inverno
(Borzone et al. 1999). Assim, não se deve descartar a possibilidade de ocorrência ou variação acentuada na
abundância de outros predadores vágeis potenciais da vieira em outras épocas do ano, associados às trocas de
massas d’água sobre a região. Novos estudos realizados em caráter temporal, com maior representatividade de
espécies amostradas, em conjunto com análises de conteúdo e/ou comportamento alimentar poderão fornecer
dados mais conclusivos sobre o papel destas e outras espécies na predação de E. ziczac, colaborando assim para
a avaliação das possibilidades e decisões sobre eventuais estratégias para o repovoamento e recuperação do
recurso no sul do Brasil.
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MACROFAUNA BÊNTICA EM BANCOS DE VIEIRA
AGRADECIMENTOS
Os autores desejam expressar seus agradecimentos ao CEPSUL/IBAMA (SC) pelas facilidades
oferecidas, e à tripulação do N/Pq Diadorim pela colaboração na realização dos cruzeiros. Este projeto foi
financiado por CTTMar/UNIVALI, CEM/UFPR, CEPSUL/IBAMA, IFS (International Foundation for Science), CNPq
(Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, Brazil) através de bolsa de pesquisa para
Carlos A. Borzone, e CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, Brazil) através de
bolsa de doutorado para Paulo R. Pezzuto. Esta contribuição faz parte de uma tese de doutorado (Paulo R.
Pezzuto) em andamento no Departamento de Zoologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
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Submetido: 22/03/1999
Aceito: 18/07/2001
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