Os trens na formação dos bairros cariocas

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Os trens na formação dos bairros cariocas
Transportes
A expansão da cidade seguiu não apenas os trilhos dos bondes, mas também dos
trens. Se os bondes foram os principais responsáveis pelo adensamento dos
bairros da Zona Sul e da Zona Norte, os trens ajudariam a formar os subúrbios
cariocas, principalmente a partir da década de 1870, pois atendiam inicialmente
ao transporte de carga e ao escoamento da produção agrícola naquelas regiões.
A Estrada de Ferro D. Pedro II, pouco antes de ser encampada pelo governo
imperial em 1865, bifurcou-se
bifurcou
em dois ramais, na altura
ltura da estação de Deodoro,
aberta em 1858. O primeiro ramal seguia em direção a Minas Gerais e ficou
conhecido como ‘linha do centro’. Em 1867, chegou a Entre Rios (atual Três
Rios), onde se encontraria com a primeira rodovia do país, a Estrada de
Rodagem
m União e Indústria, inaugurada em 1861. O outro era o ‘ramal de São
Paulo’ e atingiu o Porto de Cachoeira (atual Cachoeira Paulista) em 1875.
Até a Proclamação da República, quando passaria a se chamar Central do Brasil,
a Estrada de Ferro D. Pedro II instalou uma linha dupla até o Engenho de Dentro,
em 1871, e abriu várias estações de subúrbio. Na ‘linha do centro’ foram
inauguradas as de Todos os Santos (1868), Riachuelo (1869), Engenho de
Dentro (1871), Piedade (1873), Sampaio, Derby Club e Rocha (18
(1885), Cupertino
(atual Quintino Bocaiúva, 1886), Encantado, Méier e Mangueira (1889). Já o
‘ramal de São Paulo’ prosseguiu por Realengo (1878), Campo Grande (1879) e
Santa Cruz (1875). Havia ainda o ramal da Gamboa, que passava por túneis no
Morro da Providência,
ência, inaugurado em 1877.
Sede Monárquica
Os trens na formação dos bairros cariocas
Já como Central do Brasil, em 1890 abriria as estações de Madureira e Bangu.
Em 1897, Madureira ganhou uma terceira linha e, em 1903, uma quarta linha se
abriria entre a Central e Deodoro. Nos anos seguintes, construíram
construíram-se duas
novas linhas entre Engenho de Dentro e Madureira, e foi duplicada a linha entre
Campo Grande e Santa Cruz.
Além da Central, os trens suburbanos contaram com outras três estradas de
ferro: a Rio do Ouro, a Linha Auxiliar e a Leopoldina.
A Estrada de Ferro
rro Rio do Ouro recebeu autorização para funcionar em 1875 e
nos anos seguintes começou o trabalho de assentamento dos trilhos a partir do
Caju, onde ficava originalmente sua estação inicial. Destinava
Destinava-se ao transporte
de materiais e operários durante a construção
construção de adutoras para o abastecimento
de água da cidade, ligando as represas do Rio do Ouro, na Serra do Tinguá, à
corte. Quando foi inaugurada, em 1883, tinha 58 quilômetros de extensão e
contava com quatro estações, nos subúrbios de Vicente de Carval
Carvalho, Irajá,
Colégio e Areal (Coelho Neto).
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Em 1898, quando abriu as estações da Liberdade (Del Castilho) e Inhaúma, a Rio
do Ouro já atendia ao público em geral. Nas décadas seguintes continuaria sua
ampliação, com as estações Vieira Fazenda (Jacarezinho, 1908), Silva e Souza
(Triagem, 1910) e Pavuna (1910), e chegou a ter cinco ramais. A ferrovia foi
incorporada à Estrada de Ferro Central do Brasil em 1928, com seus 146km de
extensão, e desativada no inicio da década de 1970. A maior parte do seu leito
foi utilizada para a implantação da Linha 2 do Metrô.
A Linha Auxiliar passou a se chamar assim em 1904, um ano após sua
incorporação à Central do Brasil. Sua origem remonta à Empresa de
Melhoramentos no Brasil, organizada em 1890 pelo engenheiro André Gustavo
Paulo de Frontin. A Estrada de Ferro Melhoramentos foi inaugurada em 1893,
funcionando precariamente entre as estações de Mangueira e Entre Rios (Três
Rios), passando por Sapopemba (Deodoro). Em 1898 começou a ganhar uma
série de melhorias e inaugurou as estações Herédia de Sá, Vieira Fazenda, Del
Castilho, Magno (Madureira) e Barros Filho. Quando foi incorporada à Central do
Brasil, já possuía 61 estações e paradas. Em 1905, instalaria uma nova estação
inicial, a Alfredo Maia, em São Cristóvão, e abriria outras estações, como Cintra
Vidal, Sapé e Costa Barros. Em 1908, construiu as estações Zieze, Terra Nova,
Tomás Coelho, Cavalcanti, Engenheiro Leal e Eduardo Araújo.
A Leopoldina Railway Company foi constituída em 1897, com capitais nacionais e
ingleses, e se valeu de uma série de concessões anteriores, entre elas a que
pertencera a Antônio Paulo de Melo Barreto, obtida em 1872, que deu ensejo à
Estrada de Ferro Leopoldina. Adquiriu a Companhia Geral de Estradas de Ferro,
com 45km de extensão, de São Francisco Xavier a Merity (Duque de Caxias).
Comprou também a Northern Railway Company, dona da Estrada de Ferro do
Norte, que contava com as estações de Bonsucesso, Ramos e Penha, e ganharia
no início do século XX, já sob o controle da Leopoldina Railway, novas estações e
paradas, como as de Lucas (1908), Triagem, Amorim, Brás de Pina, Cordovil e
Vigário Geral (1910). Sua estação central, na Avenida Francisco Bicalho, com o
nome de Barão de Mauá, só seria inaugurada em 1926.
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