Língua P ortuguesa: resolução de questões

Сomentários

Transcrição

Língua P ortuguesa: resolução de questões
Apresentação
interpretação de texto;
relação do texto com as partes que o compõem;
concordância e regência (nominais e verbais);
colocação pronominal;
acentuação; e
as novas regras de ortografia.
Verônica Daniel Kobs
Língua Portuguesa: resolução de questões
O material de Língua Portuguesa: Resolução de
questões tem como objetivo treinar os alunos no
que se refere ao formato e aos temas das provas
de diferentes concursos de renome realizados
no país. A parte de análise das questões ajuda
a desenvolver o senso crítico do aluno, de modo
a possibilitar a revisão da resposta e, em caso de
erro, permite a compreensão do problema e a
redefinição do raciocínio. Esse processo familiariza o candidato com as especificidades das
provas, que, além de conhecimento gramatical,
exigem boa desenvoltura na produção e na interpretação de textos e muita atenção na leitura
das questões.
São apresentadas a questão a ser analisada, a
resposta correta e, em seguida, uma análise que
justifica a resposta certa e explica por que as
outras alternativas estão incorretas. Dentre os
temas privilegiados, destacam-se
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Língua Portuguesa:
resolução de questões – Aula 3
Verônica Daniel Kobs*
Para responder às questões de 1 a 4, considere os parágrafos abaixo, que iniciam o livro O Ócio Criativo, de Domenico de Masi.
Eu me limito a sustentar, com base em dados estatísticos, que nós, que partimos de uma sociedade onde uma grande parte da vida das pessoas adultas
era dedicada ao trabalho, estamos caminhando em direção a uma sociedade
na qual grande parte do tempo será, e em parte já é, dedicada a outra coisa.
Essa é uma observação empírica, como a que foi feita pelo sociólogo americano Daniel Bell quando, em 1956, nos Estados Unidos, ao constatar que o
número de “colarinhos brancos”1 ultrapassava o de operários, advertiu: “Que
poder operário que nada! A sociedade caminha em direção à predominância
do setor de serviços.” Aquela ultrapassagem foi registrada por Bell. Ele não
a adivinhou ou profetizou. Da mesma maneira, eu me limito a registrar que
estamos caminhando em direção a uma sociedade fundada não mais no trabalho, mas no tempo vago.
Além disso, sempre com base nas estatísticas, constato que, tanto no
tempo em que se trabalha quanto no tempo vago, nós, seres humanos, fazemos hoje sempre menos coisas com as mãos e sempre mais coisas com o
cérebro, ao contrário do que acontecia até agora, por milhões de anos.
(MASI, 2000, p. 8)
1. Para concatenar suas ideias, o autor iniciou o segundo parágrafo com
a locução “Além disso”. Essa expressão poderia ser substituída, sem
prejuízo para o texto, por:
a) “em contrapartida”.
b) “ademais”.
c) “por outro lado”.
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*
Doutora em Estudos Literários, Mestra em Literatura Brasileira e licenciada
em Letras português-latim
pela Universidade Federal
do Paraná (UFPR).
1
Referência àqueles que,
no exercício de suas atividades profissionais, precisam usar traje formal (terno
e gravata).
Língua Portuguesa: resolução de questões – Aula 3
d) “por conseguinte”.
e) “não obstante”.
Análise
A locução “além disso” pode ser substituída por ademais porque essa é a
única alternativa que dá ideia de acréscimo. Como o enunciado afirma, a locução conjuntiva que abre o segundo parágrafo foi usada para o autor concatenar suas ideias – afinal, o primeiro parágrafo encerra-se com uma relação entre
trabalho e tempo vago, associação que é retomada no parágrafo seguinte.
Entre as outras opções dadas, “em contrapartida”, “por outro lado” e “não obstante”, todas têm sentido totalmente diferente daquele expressado por “além
disso”. As conjunções que correspondem às alternativas a, c e e são chamadas
adversativas, porque indicam contrariedade ou oposição. Observe estes exemplos, que opõem a necessidade de ter um carro ao preço do veículo:
Não obstante o preço, decidiu pela compra do carro.
O preço não era atraente. Em contrapartida, precisava de um carro.
Um carro facilitaria sua vida. Por outro lado, o preço do automóvel geraria uma grande dívida.
A opção da letra d traz uma locução conjuntiva (“por conseguinte”) usada
para estabelecer relações de causa e consequência, como no período a seguir:
“Não estudou. Por conseguinte, não foi aprovado.”
2. As frases de Daniel Bell foram transcritas entre aspas e precedidas do
verbo advertir e do sinal de dois pontos. Chama-se a esse recurso discurso direto. Na transposição para o discurso indireto, algumas adaptações precisam ser feitas. Nesse caso, como a primeira frase a ser transcrita (“Que poder operário que nada!”) é exclamativa, a melhor solução
é fazer uma paráfrase, como consta na alternativa:
a) Daniel Bell advertiu que falar em poder operário era uma coisa superada.
b) Daniel Bell advertiu que o poder operário era uma criação da sociedade.
2
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Língua Portuguesa: resolução de questões – Aula 3
c) Daniel Bell advertiu que não gostava muito de falar de poder operário.
d) Daniel Bell advertiu que o poder operário vivia uma crise de consumo.
e) Daniel Bell advertiu que nunca houve de fato um poder operário.
Análise
A resposta certa é a letra a, que indica “que falar em poder operário era
uma coisa superada”. Porém, para se chegar a essa resposta não basta a leitura do enunciado no qual o trecho transcrito aparece isolado. É fundamental
a leitura do primeiro parágrafo do texto, para evitar julgamento apressado e
incorreto.
Lendo apenas o enunciado, poderia-se considerar correta a opção c, ou a
e, já que ambas sugerem desaprovação em relação ao tema.
No entanto, considerando o fragmento em questão como parte do texto
dado, podem ser invalidadas não só as alternativas c e e mas também a b e a d,
que fazem referência a coisas que não são mencionadas no texto, ainda mais
em associação ao “poder operário”.
Já no caso da resposta correta, a letra a, várias partes do texto a reforçam.
Ao afirmar que o trecho em análise faz menção a algo já superado, demonstra-se a coerência do discurso destacado em relação ao primeiro período do
texto, que fala da mudança ocorrida na utilização do tempo pela sociedade.
Desse modo, a exclamação “Que poder operário que nada!” surge como mais
um exemplo de mudança, resultante da constatação de que “o número de
‘colarinhos brancos’ ultrapassava o de operários”.
3. Ao repetir que se baseia em estatísticas, De Masi emprega um recurso
argumentativo que tem por finalidade:
a) validar o conteúdo opinativo e subjetivo de suas afirmações.
b) caracterizar o valor dos números e índices na sociedade moderna.
c) destacar a impessoalidade de suas previsões e vaticínios.
d) enfatizar a necessidade de todos se preocuparem com a realidade.
e) convencer o leitor de que nem todas as estatísticas são negativas.
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Língua Portuguesa: resolução de questões – Aula 3
Análise
O texto argumentativo é subjetivo e opinativo. Ao usar um dado estatístico, o autor utilizou um recurso objetivo para dar respaldo à sua concepção.
Por esse motivo a letra a está correta.
As demais alternativas estão incorretas, por diferentes razões.
A letra b trata os números como importantes apenas na sociedade moderna, o que não é pertinente. Um dado estatístico tem, em qualquer época, a
função de reforçar uma informação subjetiva, comprovando sua pertinência.
A opção c menciona a “impessoalidade” do texto e é justamente isso que a
torna incorreta. Um texto argumentativo sempre vai ser pessoal e parcial, pois
é feito com base na defesa de um ponto de vista bem definido.
A letra d é incorreta porque afirma que é real apenas o dado estatístico,
como se o texto não tivesse também essa propriedade, mas o texto trata justamente de uma alteração percebida na sociedade.
Sobre a alternativa e, o problema está na distinção sugerida entre estatísticas negativas e positivas. O texto não utiliza os números com essa finalidade.
O problema não é qualificar, mas identificar as mudanças ocorridas, reconhecendo-as como uma característica da sociedade contemporânea.
4. O acento indicativo de crase empregado em “A sociedade caminha em
direção à predominância do setor de serviços” está corretamente mantido na seguinte reescritura do trecho:
a) Caminhamos em direção à uma vida ociosa e criativa.
b) Caminhamos buscando à predominância do ócio criativo.
c) Caminhamos objetivando à criatividade e à vida ociosa.
d) Caminhamos em direção à criatividade e à suas benesses.
e) Caminhamos em direção à ociosidade e à criatividade.
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Análise
O acento grave está corretamente empregado na letra e porque o à antes
das palavras ociosidade e criatividade resulta da junção da preposição a, exigida para completar o significado da expressão “em direção a”, com o artigo
a, admitido pelos substantivos – que, aliás, estão concordando em gênero e
número (feminino singular) com o artigo.
Na alternativa a, o a craseado aparece diante do artigo indefinido uma. A
opção está errada pelo fato de não ser possível usar dois artigos (definido e
indefinido) ao mesmo tempo.
A letra b está incorreta porque, usando acento grave no à que segue o
verbo buscar (buscando), classifica o verbo é como transitivo indireto, mas
buscar exige um objeto direto como complemento, como neste exemplo:
“Buscou a irmã na rodoviária.”
A opção c está incorreta pela mesma razão: objetivar não é verbo transitivo
indireto, mas direto, ou seja, ele não se liga ao verbo por meio de preposição.
Portanto, aqui o acento grave não é permitido.
A alternativa d apresenta apenas um detalhe que a torna incorreta: a falta
de concordância entre o artigo que se junta à preposição a, formando à e não
às, e o pronome possessivo suas. O correto, neste caso, seria “Caminhamos em
direção à criatividade e às suas benesses.”
(ANALISTA DE SISTEMAS 1, 2009. Adaptado.)
5. Veja, abaixo, a charge “Inclusão digital”.
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Língua Portuguesa: resolução de questões – Aula 3
Essa charge procura alcançar um efeito de humor colocando em destaque:
a) a homonímia entre palavras ambíguas.
b) os desvios ortográficos do enunciado.
c) a adaptação dos estrangeirismos.
d) a oposição semântica de duas preposições.
e) a religiosidade e o tecnicismo.
Análise
A letra d está correta porque faz referência à mudança do com pelo sem na
mensagem pintada no muro, na qual aparece “www.sem.br”. Com e sem são
preposições opostas e, portanto, constituem oposição semântica, ou seja, têm
significados totalmente distintos.
Entre as outras opções, todas incorretas, podemos excluir sem muita dificuldade a a, já que a homonímia refere-se a termos afins e não opostos, como
é o caso das preposições. Além disso, a alternativa também não se aplica à
inclusão, porque essa palavra não é ambígua. Ela apenas admite diferentes
adjetivos: “inclusão digital”, “inclusão social” etc.
A letra b chama atenção para desvios ortográficos que não existem na
charge.
A letra c faz menção ao estrangeirismo que, com certeza, está presente na
origem de muitos vocábulos da área da informática, mas o humor refere-se a
um recurso da língua portuguesa: a troca do com pelo sem.
Por fim, a alternativa e traz à tona a religiosidade, traço que não é enfatizado na charge e, por essa razão, ela também está incorreta.
6. A chamada publicitária estampada em um jornal dizia:
VAI FICAR SÓ OLHANDO?
APROVEITE LOGO ESTAS OFERTAS!
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Língua Portuguesa: resolução de questões – Aula 3
Os verbos que iniciam as duas frases:
a) destoam na flexão, pois apenas o verbo aproveitar está na terceira
do singular.
b) destoam na flexão, pois apenas o verbo aproveitar está na segunda
do singular.
c) estão conjugados no imperativo e se dirigem ao interlocutor da
mensagem.
d) estão flexionados corretamente na segunda pessoa do singular.
e) estão flexionados corretamente na terceira pessoa do singular.
Análise
A letra e está correta porque, de fato, vai demonstra que o verbo ir está
conjugado na terceira pessoa do singular do presente do indicativo e aproveite corresponde à terceira pessoa do singular do verbo aproveitar, no imperativo afirmativo.
Por consequência, a justificativa que demonstra que a letra e é a opção
correta invalida as alternativas a e b, que consideram que os verbos estão
conjugados em pessoas diferentes, e a d, a qual afirma que ambos os verbos
correspondem à segunda, e não à terceira pessoa do singular.
A letra c é correta na parte que informa que os verbos da chamada dirigem-se ao interlocutor, mas é errada a afirmação de que os dois verbos estão
conjugados no imperativo. Vai, conforme mencionado acima, corresponde ao
presente do indicativo.
7. Duas placas colocadas na entrada de uma galeria oferecem empregos.
Elas informam que:
PRECISAM-SE DE COSTUREIRAS
CONTRATAM-SE COZINHEIROS
Levando em conta o que é recomendado pelo uso prestigiado na linguagem padrão, podemos afirmar que:
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Língua Portuguesa: resolução de questões – Aula 3
a) apenas a primeira frase está correta, pois o verbo precisar tem sujeito indeterminado.
b) as duas frases estão corretas, já que ambas têm sujeito indeterminado e pronome reflexivo.
c) apenas a segunda frase está correta, pois o verbo contratar concorda com o sujeito cozinheiros.
d) as duas frases estão incorretas, pois a indeterminação deixa o verbo na terceira pessoa do singular.
e) as duas frases estão incorretas, pois a indeterminação deixa o verbo na terceira pessoa do plural.
Análise
Nessa questão, está correta a alternativa c, a qual afirma que em “Contratam-se cozinheiros” o verbo contratar concorda com o sujeito. De fato, o sujeito cozinheiros, por estar no plural, exige o verbo também no plural. Porém,
muitas pessoas confundem-se na análise desse tipo de construção e acabam
interpretando o sujeito simples, como é o caso aqui, como se fosse indeterminado. Para sair da dúvida, basta optar pela transcrição do período na voz
passiva analítica, em que teremos “Cozinheiros são contratados.” Essa mudança facilita o entendimento da classificação do sujeito, que é simples, e da necessidade de concordância entre o substantivo e o verbo.
Nas outras opções, podem ser percebidas incorreções que assim se caracterizam, por se desviarem da explicação que justifica a correção da alternativa c.
A letra a erra ao considerar correto o texto da primeira placa: “Precisa-se de
costureiras”, com o verbo no singular, seria a forma correta, porque, como o
sujeito é indeterminado, não deve haver concordância entre o verbo precisar
e costureiras, que, no exemplo, não passa de objeto indireto.
A opção b está incorreta porque julga os dois sujeitos em análise como
indeterminados, mas já vimos que o texto da segunda placa possui sujeito
simples. O outro problema acontece na classificação do se como pronome
reflexivo, inadequada nos dois casos. Com o verbo precisar, o se desempenha
a função de partícula de indeterminação do sujeito e, com o verbo contratar,
o se cumpre a função de pronome apassivador, razão pela qual o texto da
segunda placa pode ser transformado em voz passiva analítica.
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A letra d está incorreta porque a afirmação apresentada aplica-se apenas
ao primeiro exemplo. Conforme explicação já mencionada, o modo de tornar
o exemplo que tem o verbo precisar correto é passar o verbo para a terceira
pessoa do singular. No entanto, no segundo exemplo, não temos um sujeito
indeterminado, mas simples – e, por essa razão, a opção torna-se errada.
A justificativa para o fato de a letra e também estar errada segue esse
mesmo raciocínio, pois a opção trata os sujeitos dos dois exemplos como indeterminados. Já vimos que o texto da segunda placa apresenta sujeito simples. Ressalte-se também que a letra e tenta confundir o candidato, mas se
perde em seu objetivo, já que contratam corresponde à terceira pessoa do
plural e, portanto, atenderia ao quesito apresentado na alternativa se o sujeito fosse indeterminado, e não simples.
8. Assinale a proposição correta, quanto aos elementos linguísticos e semânticos do texto.
Feliz aniversário, Darwin!
(1) Charles Darwin completaria hoje 200 anos, não fosse
(2) pela seleção natural. Ela, afinal, é a maior responsável
(3) pelo barroco processo de desenvolvimento que leva
(4) os organismos complexos inexoravelmente à morte
(5) – conceito que não se aplica muito a bactérias e
(6) arqueobactérias, seres que se reproduzem gerando
(7) clones de si próprios, partilham identidades com
(8) a transferência horizontal de genes e podem ficar
(9) milênios em vida suspensa (no gelo, por exemplo).
(10) A contribuição de Darwin para a ciência e para a história,
(11) porém, continua viva, e muito viva, exatamente com a
(12) ideia de seleção natural. Só por isso ele já merece os
(13) parabéns. Feliz aniversário, Darwin.
(LEITE, 2010)
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Língua Portuguesa: resolução de questões – Aula 3
a) A forma verbal completaria (1) se refere a uma ação que vai ocorrer
no futuro, a menos que acontecimentos no tempo presente o impeçam.
b) É o mesmo o sujeito gramatical dos verbos – “reproduzem”, “gerando” e “partilham” (6 e 7).
c) A palavra conceito (5) se refere à expressão “organismos complexos”.
d) Inexoravelmente (4) é advérbio derivado de inexorável, adjetivo
que significa: “inadvertido”.
e) O conectivo adversativo porém (11) se opõe, no contexto, à ideia
de que a contribuição de Darwin para a história e para a ciência foi
pequena.
Análise
A resposta certa à essa questão é a b porque, de acordo com o texto, os
verbos reproduzir (“reproduzem”), gerar (“gerando”) e partilhar (“partilham”)
têm realmente o mesmo sujeito gramatical. Esse sujeito é composto, ou seja,
tem dois núcleos (bactérias e arqueobactérias), como comprova o trecho: “[…]
conceito que não se aplica muito a bactérias e arqueobactérias, seres que se
reproduzem gerando clones de si próprios, partilham identidades […].” Talvez
o que cause confusão seja o fato de os núcleos do sujeito serem retomados
pela palavra seres e de os verbos aparecerem associados a ela. Entretanto, seres
é um conectivo que impede a repetição de bactérias e arqueobactérias, mas
que se refere a elas e, sendo assim, os verbos também fazem essa associação.
A alternativa a está incorreta. Ela afirma que “a forma verbal completaria
se refere a uma ação que vai ocorrer no futuro”. Completaria está conjugado
no futuro do pretérito e indica impossibilidade. A ideia passada é totalmente
oposta àquela transmitida pelo futuro do presente (completará). No texto, a
forma verbal completaria aparece neste fragmento: “Charles Darwin completaria hoje 200 anos”. A impossibilidade é total, porque a ação só se realizaria,
se Darwin estivesse vivo ainda hoje.
A letra c menciona que “a palavra conceito se refere à expressão ‘organismos
complexos’”. Isso está errado. Vamos retomar o trecho do texto em que a palavra conceito aparece: “[…] leva os organismos complexos inexoravelmente à
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morte – conceito que não se aplica muito a bactérias e arqueobactérias”. Com
a releitura, percebe-se claramente que conceito refere-se à morte, até porque,
se estivesse se referindo a “organismos complexos”, conceito deveria ser usado
no plural, e não no singular.
Na opção d, o problema está no significado que se dá para inexoravelmente. O adjetivo inexorável, que dá origem ao advérbio, não significa “inadvertido” e sim “implacável, estável, inalterável”.
Finalmente, a letra e acerta na classificação do porém (“conectivo adversativo”, ou seja, palavra que indica oposição ou contrariedade), mas erra na interpretação da relação que a conjunção estabelece no texto. A alternativa afirma
que o porém indica “que a contribuição de Darwin para a história e para a ciência
foi pequena”. A informação não procede, pois, retomando o trecho em questão
(“A contribuição de Darwin para a ciência e para a história, porém, continua viva
[…]”), concluímos que a oposição se dá pela associação da morte de Darwin
com a “vida” ou a permanência de sua teoria, seu legado para o mundo.
9. Assinale o segmento do texto inteiramente correto quanto às normas
da língua escrita formal.
a) O termo quarteirização designa um método de resolução de problemas de que a modernidade trouxe e muitas empresas ainda
não se deram conta.
b) Essa estratégia possibilita aos empresários de se dedicarem apenas ao seu negócio, sua atividade-fim, deixando os diversos trâmites administrativos nas mãos de uma empresa especializada.
c) Um exemplo para se entender a quarteirização e como ela funciona está na rodoviária Tietê, na cidade de São Paulo, pertencente à prefeitura. Como esta não dispõe do conhecimento necessário para administrar a rodoviária, contrata uma empresa que
subcontratará outras para o serviço de segurança, alimentação,
limpeza etc.
d) A quarteirização é o próximo estágio da terceirização, uma estratégia de otimização dos mercados produtores que buscam um
quarto elemento da cadeia produtiva os parceiros prestadores de
serviços nas áreas que não são primordiais à sua atividade.
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Língua Portuguesa: resolução de questões – Aula 3
e) A quarteirização advem da utilização das empresas já terceirizados, dos serviços profissionais e qualificados de uma quarta empresa, que desenvolverá serviços à empresa prestadora, ajudando-lhe e garantindo melhor desempenho na prestação de serviços
do cliente final.
(BERNARDO, 2007. Adaptado.)
Análise
Nesta questão, a única alternativa que traz um texto correto é a c: a pontuação está adequada e não há erros de concordância ou de regência, frequentes nas demais opções. “Para se entender” recebe adequadamente o
complemento “a quarteirização”, sem preposição, porque se trata de objeto
direto. Também está correta a utilização do acento grave em “pertencente à
prefeitura”, situação em que o a preposição, exigido pelo termo pertencente,
funde-se com o artigo definido a, admitido pelo substantivo prefeitura, com
o qual concorda em gênero e número. O trecho usa corretamente também o
verbo dispor, que exige objeto indireto, o que torna necessário o uso da preposição de: “esta não dispõe do conhecimento necessário”.
Agora vamos identificar os erros que aparecem nas opções a, b, d e e. Para
isso, transcreveremos cada trecho, destacando as partes incorretas e depois
apresentaremos um breve comentário sobre os problemas identificados.
a) O termo quarteirização designa um método de resolução de problemas
de que a modernidade trouxe e muitas empresas ainda não se deram conta.
O erro está no uso da preposição de, que completa adequadamente a expressão “não se dar conta”, mas que não cabe para completar o verbo trazer.
Portanto, o texto da alternativa a ficaria correto se fosse escrito desta forma:
“O termo quarteirização designa um método de resolução de problemas que
[sem preposição antes do que] a modernidade trouxe e muitas empresas
ainda não se deram conta disso [preposição de + isso = disso].
b) Essa estratégia possibilita aos empresários de se dedicarem apenas ao
seu negócio, sua atividade-fim, deixando os diversos trâmites administrativos
nas mãos de uma empresa especializada.
Nesta opção, o problema também é de regência. O de é dispensável, porque
“essa estratégia”, que é o sujeito, “possibilita aos empresários” alguma coisa. O
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que a estratégia possibilita, então, deve cumprir a função de objeto direto, até
porque já existe um objeto indireto no período: “aos empresários”. Vejamos
a correção do trecho, com base nesta explicação: “Essa estratégia possibilita
aos empresários se [sem preposição antes do se] dedicarem apenas ao seu
negócio, sua atividade-fim, deixando os diversos trâmites administrativos nas
mãos de uma empresa especializada.”
d) A quarteirização é o próximo estágio da terceirização, uma estratégia
de otimização dos mercados produtores que buscam um quarto elemento da
cadeia produtiva os parceiros prestadores de serviços nas áreas que não são
primordiais à sua atividade.
Aqui o erro é de pontuação. Entre “produtiva” e “os parceiros”, era preciso
usar vírgula ou dois pontos, para apresentar qual é o “quarto elemento da
cadeia produtiva”. Conclui-se, portanto, que o final do período, desde “os parceiros” até “atividade” funciona como aposto, o que justifica a sugestão do uso
de vírgula ou dois pontos: “A quarteirização é o próximo estágio da terceirização, uma estratégia de otimização dos mercados produtores que buscam um
quarto elemento da cadeia produtiva: os parceiros prestadores de serviços
nas áreas que não são primordiais à sua atividade.”
e) A quarteirização advem da utilização das empresas já terceirizados, dos
serviços profissionais e qualificados de uma quarta empresa, que desenvolverá serviços à empresa prestadora, ajudando-lhe e garantindo melhor desempenho na prestação de serviços do cliente final.
Nessa alternativa, os erros são mais básicos. Advém foi usado sem acento,
enquanto deveria ter sido grafado com acento agudo, já que se refere à quarterização, sujeito que está no singular. Outro erro é o uso do particípio terceirizados na forma masculina, sem fazer a concordância correta com empresas,
palavra que está na forma feminina plural. Por fim, temos o problema da regência incorreta do verbo ajudar: quando esse verbo traz um só objeto, geralmente é usado como verbo transitivo direto e o pronome lhe, de acordo com
a gramática, só pode cumprir função de objeto indireto. Vejamos o trecho
corrigido: “A quarteirização advém da utilização das empresas já terceirizadas,
dos serviços profissionais e qualificados de uma quarta empresa, que desenvolverá serviços à empresa prestadora, ajudando-a e garantindo melhor desempenho na prestação de serviços do cliente final.”
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10.Assinale a opção que preenche corretamente as lacunas do texto.
A chegada da crise financeira mundial (1) pequenos municípios exibe mais
uma face perversa do abalo global que já fez tremer os gigantes do crédito
internacional. A população mais pobre dessas comunidades começa a pagar
preço alto ao (2) situar no lado mais fraco das contas públicas brasileiras. A
desaceleração da atividade econômica já seria suficiente (3) provocar uma expressiva perda de arrecadação em todos os níveis da administração pública.
Mas (4) um complicador a mais para os municípios pequenos. Forçado (5) conceder desonerações tributárias para ajudar a manutenção de empregos, o governo federal abriu mão de parte do Imposto sobre Produtos Industrializados
(IPI), um dos principais formadores do Fundo de Participação dos Municípios
(FPM). Por causa da excessiva proliferação de cidades, muitas vezes, emancipadas apenas para atender a interesses de grupos políticos locais, é imensa a
quantidade de orçamentos dessas comunidades em todo o país que dependem quase (6) exclusivamente desse fundo. (ESTADO DE MINAS, 3 mar. 2009)
a) nos – o – ao – a – em – que
b) aos – se – para – há – a – que
c) a – a – de – é – de – em
d) por – lhe – por – existe – por – de
e) em – o – ao – é – por – de
Análise
A alternativa que completa corretamente todos os espaços da questão é
a b, porém isso não significa que as outras opções não tragam nenhuma proposta correta de preenchimento. Sendo assim, acompanhe abaixo cada um
dos seis fragmentos que deveriam ser completados, com todas as possibilidades corretas de respostas e alguns comentários.
1) A chegada da crise financeira mundial aos/a pequenos municípios exibe
[…].
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Para completar o sentido do verbo chegar ou de substantivos que dele
derivam, como chegada, a preposição exigida é a. Sempre chegamos a algum
lugar, embora, na fala, ou em textos informais, seja comum nos depararmos
com “Cheguei atrasado no colégio.”
O espaço do texto pode ser completado com a simplesmente, ou com a
mais o artigo definido os, que concorda com “pequenos municípios”. Por isso,
estão corretas as formas aos e a.
2) A população mais pobre dessas comunidades começa a pagar preço
alto ao se situar no lado mais fraco […].
A única opção correta é o uso do se, porque, nesse caso, o verbo situar é pronominal e significa que algo está colocado ou localizado em algum ponto. A construção é diferente de “O professor situou o aluno na explicação do conteúdo.”
3) A desaceleração da atividade econômica já seria suficiente para provocar uma expressiva perda […].
Esse espaço também só tem uma opção de preenchimento correto, ainda
mais que é estabelecida uma relação de causa e efeito, na qual o para é muito
utilizado. No exemplo dado, o para relaciona causa (“a desaceleração da atividade econômica”) e a consequência (“uma expressiva perda”).
4) Mas há/existe um complicador a mais […].
Esta lacuna é uma das mais fáceis de ser preenchida. Pode-se usar tanto
haver como existir e em ambos os casos os verbos estão flexionados corretamente. Sobre essa questão, nunca é demais o lembrete: o verbo haver, quando
utilizado no sentido de existir, não tem plural. Sendo assim, se o fragmento
dado estivesse no plural, o verbo haver seria mantido no singular. Observe:
“Mas há dois complicadores a mais […].”
5) Forçado a conceder desonerações tributárias […].
Esse item também só apresenta uma possibilidade correta, que é dada
pela preposição a, – afinal, alguém é “forçado a alguma coisa”.
6) […] é imensa a quantidade de orçamentos dessas comunidades em
todo o país que dependem quase que exclusivamente desse fundo.
No último espaço deixado no texto, é correta a utilização do que. No entanto, ressalte-se que o que não é exigido pelo verbo depender (que exige a
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preposição de), mas pelo quase. Isso se comprova facilmente com a retirada
do quase, que implicaria, também, a ausência do que. Veja: “[…] é imensa a
quantidade de orçamentos dessas comunidades em todo o país que dependem exclusivamente desse fundo.”
Terminada a análise da questão, conclui-se que, apesar de, em um caso ou
outro, algumas opções de preenchimento listadas nas letras a, c, d e e poderem ser utilizadas, a letra b é a única que apresenta sugestões corretas para
os seis espaços que precisam ser completados no texto. Portanto, a resposta
correta é a letra b.
11.Os trechos a seguir constituem um texto adaptado de Zero Hora (28
fev. 2009), mas estão desordenados. Ordene-os nos parênteses conforme a posição no texto final e indique a opção correspondente.
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((
A emergência e a multiplicidade desses planos e desses pacotes
de estímulo estão preocupando até mesmo o diretor-gerente
do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, para quem essas manifestações desconexas e parciais
não representam soluções e, ao contrário, podem tornar-se
parte da crise.
((
A questão do protecionismo, tema central nos debates sobre o
comércio internacional nas últimas décadas, ganha agora uma
renovada atualidade em decorrência das medidas que, nos
países ricos e nas nações em desenvolvimento, os governos têm
adotado para enfrentar os efeitos da crise global.
((
Exemplos dessas medidas pontuais e restritas são, entre outras,
a proposta subordinada ao slogan buy American, pela qual os
consumidores dos Estados Unidos são convocados a comprar
produtos locais, e as que o governo de Buenos Aires está
adotando para proteger a indústria argentina contra a presença
de produtos estrangeiros, mesmo do Mercosul. Alguns dos itens
brasileiros só entram na Argentina pagando taxas que vão a
413%.
((
A ausência de medidas planetárias para enfrentar esse problema
que tem tal dimensão estimula soluções parciais e limitadas, que
se multiplicam de país para país, que levam à adoção de pacotes
de estímulos distintos e que acabam por dar força a tentativas
quase nacionalistas de defesa de interesses.
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((
Para ele, esse é o risco de uma política de “empobrecer o vizinho”,
que é a que transparece das decisões de países importantes, a
começar pelos da União Europeia, dos Estados Unidos e do Japão.
A globalização que ocorreu nas últimas três décadas, mesmo
que agora surja como um fenômeno em retração por causa da
crise, é ainda um elemento fundamental para o entendimento
do inter-relacionamento econômico e financeiro internacional
e para avaliar os efeitos devastadores e abrangentes da atual
crise.
a) 2, 3, 5, 1, 4.
b) 4, 1, 3, 2, 5.
c) 1, 5, 4, 3, 2.
d) 3, 4, 2, 5, 1.
e) 5, 2, 1, 4, 3.
Análise
Os relatores ou conectivos são peças-chave para resolver esta questão. Sabemos que um texto deve cuidar para que suas partes (períodos e parágrafos)
formem um todo coeso e coerente. Por isso, cada bloco, pequeno ou grande,
deve fazer parte de um encadeamento. Isso significa dizer que nenhuma informação é avulsa e independente no texto. Importa o que veio antes dela,
assim como essa parte determina o que virá a seguir.
Por essa razão, desvendar a sequência de um texto é um exercício lógico,
em que temos de verificar se as informações são apresentadas em um esquema progressivo. Para dar continuidade à ideia, é fundamental que o texto
utilize relatores, para evitar repetição e dar muitas informações sobre um
mesmo objeto ou sujeito. O exercício, portanto, exige boa desenvoltura na
interpretação e também na escrita.
Vamos, então, colocar as partes do texto na ordem correta e destacar elementos importantes, responsáveis pela progressão das informações. Além
disso, os parágrafos serão numerados, para enfatizar a correspondência com
a ordem apresentada na letra b, indicada como a resposta certa da questão
em análise.
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Língua Portuguesa: resolução de questões – Aula 3
1) A questão do protecionismo, tema central nos debates sobre o comércio internacional nas últimas décadas, ganha agora uma renovada atualidade
em decorrência das medidas que, nos países ricos e nas nações em desenvolvimento, os governos têm adotado para enfrentar os efeitos da crise global.
2) A ausência de medidas planetárias para enfrentar esse problema que tem
tal dimensão estimula soluções parciais e limitadas, que se multiplicam de país
para país, que levam à adoção de pacotes de estímulos distintos e que acabam
por dar força a tentativas quase nacionalistas de defesa de interesses.
3) Exemplos dessas medidas pontuais e restritas são, entre outras, a proposta subordinada ao slogan buy American, pela qual os consumidores dos
Estados Unidos são convocados a comprar produtos locais, e as que o governo de Buenos Aires está adotando para proteger a indústria argentina contra
a presença de produtos estrangeiros, mesmo do Mercosul. Alguns dos itens
brasileiros só entram na Argentina pagando taxas que vão a 413%.
4) A emergência e a multiplicidade desses planos e desses pacotes de estímulo estão preocupando até mesmo o diretor-gerente do Fundo Monetário
Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, para quem essas manifestações
desconexas e parciais não representam soluções e, ao contrário, podem tornar-se parte da crise.
5) Para ele, esse é o risco de uma política de “empobrecer o vizinho”, que
é a que transparece das decisões de países importantes, a começar pelos da
União Europeia, dos Estados Unidos e do Japão. A globalização que ocorreu
nas últimas três décadas, mesmo que agora surja como um fenômeno em retração por causa da crise, é ainda um elemento fundamental para o entendimento do inter-relacionamento econômico e financeiro internacional e para
avaliar os efeitos devastadores e abrangentes da atual crise.
No primeiro parágrafo, temos “a questão do protecionismo”, caracterizada,
inclusive, como “tema central”. Isso é próprio do início de um texto, que deve
apresentar o tema, em linhas gerais, para depois aprofundá-lo. Além disso, o
parágrafo ainda menciona que a questão “ganha agora uma renovada atualidade”, situação que é associada aos “efeitos da crise global”.
Já no segundo parágrafo, usa-se “esse problema” como relator, o qual
retoma o problema dos “efeitos da crise global”. Inclusive, o verbo enfrentar,
que já tinha aparecido anteriormente, volta a ser usado, no início do segundo
parágrafo.
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O parágrafo 3 é aberto com “Exemplos dessas medidas pontuais e restritas”,
parte longa que retoma as “soluções parciais e limitadas”, citadas no segundo
parágrafo. Perceba que a relação entre as expressões se dá a partir do uso de
sinônimos (soluções/medidas, parciais/pontuais e limitadas/restritas).
No quarto parágrafo, mencionam-se “a emergência e a multiplicidade
desses planos e desses pacotes de estímulo”. Mas que planos e pacotes são
esses? Trata-se do incentivo à compra de produtos locais, citado no parágrafo anterior, que deu como exemplos as atitudes dos governos dos Estados
Unidos e da Argentina. Ainda no parágrafo 4, o texto traz a avaliação do diretor-gerente do FMI sobre as políticas dos países citados.
Dando continuidade à concepção que começou a ser apresentada nesse parágrafo, o quinto e último bloco do texto inicia-se com “Para ele”, referência clara
ao diretor-gerente do FMI, cuja opinião continua a ser registrada no texto.
Para responder às questões 12 a 15, considere o poema abaixo.
Vaidade
Florbela Espanca
Sonho que sou a Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!
Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!
Sonho que sou Alguém cá neste mundo...
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a terra anda curvada!
E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho...
E não sou nada!...
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Língua Portuguesa: resolução de questões – Aula 3
12.No primeiro verso do poema, encontramos o eu poético feminino afirmando seu sonho de ser “a Poetisa eleita”. Outro de seus sonhos é que:
a) sua inspiração lhe diga tudo o que sabe.
b) seus versos encham todo o mundo.
c) a terra ande curvada aos seus pés.
d) a imensidade lhe seja pura e perfeita.
e) a claridade de seus versos deleite os mortos.
Análise
A questão avalia a interpretação e propõe alternativas que distorcem os
versos do poema, o que pode fazer o candidato tomar por verdadeira uma
ideia que é falsa, apenas por ela apresentar palavras que integram o texto. As
alterações parecem sutis, mas, na verdade, invertem o sentido expressado no
poema.
A única alternativa que é fiel ao sentido original é a letra c, porque o eu
lírico declara que sonha que é “Alguém cá neste mundo…/ Aquela de saber
vasto e profundo,/ Aos pés de quem a terra anda curvada!”
Já a letra a afirma que o sonho do eu lírico é que “sua inspiração lhe diga
tudo o que sabe”, enquanto, na verdade, o desejo é de ser “a Poetisa eleita,/
Aquela que diz tudo e tudo sabe”. Inspiração parece apenas um detalhe, mas
o fato é que essa palavra não faz parte dos versos em questão e, portanto, a
inclusão desse termo na alternativa distorce o sentido original.
O mesmo artifício aparece na letra b, já que o sonho do eu lírico não é que
“seus versos encham todo o mundo”, mas que “a claridade” dos seus versos
cumpra essa função.
Na opção d, a armadilha se repete. A resposta sugerida afirma que o sonho
corresponde a uma “imensidade” que “lhe seja pura e perfeita”. No entanto,
uma releitura do poema revela que a imensidade é decorrência da inspiração,
essa sim caracterizada como “pura e perfeita”.
A letra e talvez traga a opção menos problemática, porque faz maior desvio
de sentido. No poema, há um conjunto de versos afirmando que a claridade de
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seus versos deve deleitar até mesmo aqueles que “morrem de saudade”. Isso
é muito diferente da proposta da alternativa, que afirma que a claridade deve
deleitar “os mortos”.
13.Na primeira estrofe do poema, há seis verbos, todos empregados no
presente do indicativo. Qual a única afirmação correta a respeito desses verbos?
a) Todos eles são irregulares ou anômalos.
b) Apenas um deles pertence à terceira conjugação.
c) Todos indicam uma projeção para o futuro.
d) Nenhum deles pertence à primeira conjugação.
e) Todos eles representam uma verdade permanente.
Análise
A questão pede que o candidato avalie seis verbos: sonhar, ser, dizer, saber,
ter e reunir. Cada opção faz uma reflexão sobre esses verbos, analisando-os
sob aspectos diferentes.
A alternativa correta é a b, que afirma que apenas um dos verbos citados
acima segue a terceira conjugação. A afirmação é verdadeira, pois só reunir
tem essa característica.
A letra a está incorreta porque nem todos os verbos da primeira estrofe
são irregulares: sonhar e reunir são regulares.
Outra opção que diz respeito ao aspecto gramatical é a letra d, que menciona que nenhum verbo “pertence à primeira conjugação”. Essa alternativa
está incorreta, porque sonhar é exemplo da primeira conjugação.
As questões c e e dizem respeito ao sentido dos verbos. A alternativa c considera que todos os verbos “indicam uma projeção para o futuro”. Retomando a
estrofe em que eles aparecem, percebe-se que todos são usados no tempo presente e que, portanto, apenas sonhar pode indicar tal projeção, não pelo tempo
verbal em que é usado, mas pelo seu significado. Sonhar pode ser empregado
no sentido de “fazer planos” e, por isso, pode ser relacionado ao futuro.
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Quanto à letra e, é errada a afirmação de que os seis verbos em análise “representam uma verdade permanente”. A maioria deles refere-se a uma ação
passageira. É o caso de sonhar e reunir, por exemplo. A única exceção é aplicada ao verbo ser, que, por oposição a estar, indica permanência. Os exemplos
que comprovam essa diferença são “Ele é triste” e “Ele está triste”. Enquanto está
indica que a tristeza é passageira, o é indica que a tristeza faz parte do sujeito.
14.Sobre as rimas que ocorrem nas duas primeiras estrofes do poema, é
correto afirmar que elas são feitas:
a) entre verbos no gerúndio e substantivos concretos.
b) em posição interna e externa nos oito versos.
c) com palavras paroxítonas terminadas em vogal átona.
d) sem simetria apenas na primeira estrofe.
e) de modo aleatório, com pouca regularidade.
Análise
A resposta certa dessa questão é a letra c, porque, de fato, todas as palavras que encerram os versos das duas estrofes que abrem o poema são paroxítonas, por exemplo, deleita e insatisfeita. Como palavras paroxítonas, elas
têm a penúltima sílaba tônica, razão pela qual a sílaba final é composta por
vogal átona e, em todos os casos dos versos analisados aqui, as sílabas finais
terminam com vogal.
Está incorreta a opção a porque as rimas privilegiam verbos no particípio
(e não no gerúndio) e substantivos abstratos (e não concretos). Podemos citar
como exemplos: insatisfeito e saudade, respectivamente.
A letra b está errada porque menciona rimas internas, ou seja, similaridades sonoras que relacionam a última palavra de um verso com outra palavra
localizada no início ou no meio do verso seguinte, o que não ocorre nos oito
versos selecionados para análise: todas as rimas são externas.
O erro da letra d é afirmar que não há simetria nas rimas da primeira estrofe. A proposição pode levar muitos candidatos ao engano, porque sabe
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e imensidade formam uma rima não tradicional. No entanto, as palavras não
deixam de rimar, porque coincidem na vogal tônica – a. Isso significa que a
identidade sonora dos versos é minúscula, mas não é inexistente.
A alternativa e está incorreta porque afirma que o esquema de rimas dos
versos é aleatório. Essa informação não procede, já que as duas estrofes apresentam rimas alternadas, característica que revela regularidade.
15.O último terceto do poema mostra uma repetição de estruturas sintáticas que:
a) constroem uma gradação necessária para que se desfaça a atmosfera de sonho e o eu poético possa afirmar sua fragilidade.
b) reforçam a ideia de distanciamento do sonho diante da realidade,
mas sustentam a valorização do eu poético.
c) atuam expressivamente para negar a inadequação do eu poético
diante da atmosfera de sonho de sua realidade.
d) valorizam o aspecto atemporal do sonho sem comprometer a observação concreta da instabilidade do eu poético.
e) enfatizam o idealismo utópico do eu poético em suas reflexões sobre o desejo de sonhar e o sonho de desejar.
Análise
Essa questão tem como resposta certa a letra a porque o fato de os versos
de abertura do terceto apresentarem palavras iguais, sobretudo no início (“E
quando mais”), gera a gradação mencionada na alternativa. É como se, no
primeiro verso, o eu lírico estivesse um pouco distanciado da realidade. No segundo verso, essa distância aumenta e, finalmente, no último verso, “Acordo
do meu sonho”, o eu lírico, frágil, é devolvido à realidade.
A letra b se inicia com a oposição entre sonho e realidade, que só fica estabelecida com a leitura do terceiro verso, o qual não está incluído na análise
sugerida pela questão. Além disso, a alternativa menciona a “valorização do
eu poético”, traço que não fica claro nos versos analisados.
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Língua Portuguesa: resolução de questões – Aula 3
Na opção c, o problema está na união de sonho e realidade em “atmosfera de sonho de sua realidade”. A inadequação do eu lírico relaciona-se à
realidade e não ao sonho: por não se encaixar na realidade é que ele se entrega ao mundo dos sonhos.
A letra d afirma que os versos não comprometem a “observação concreta da instabilidade do eu poético”, porém não há como não acontecer esse
comprometimento, já que o uso do sonho como fuga da realidade acentua a
instabilidade do eu lírico.
Finalmente, a letra e está incorreta porque os versos em questão não constituem o melhor exemplo do “idealismo utópico do eu poético”, mais enfatizado no início do poema (“Sonho que sou a Poetisa eleita”).
Dica de estudo
Para resolver problemas básicos de fala e escrita e se preparar para concursos,
é importante rever, em qualquer gramática, a explicação sobre sujeito indeterminado e sujeito simples e as funções do se.
Referências
ANALISTA DE SISTEMAS 1. Disponível em: <www.lfg.com.br/concursos/FURNAS_
ANALISTA_SIST_OBJ_2009.pdf>. Acesso em: 10 maio 2010.
LEITE, M. Feliz Aniversário, Darwin! Disponível em: <http://cienciaemdia.folha.
blog.uol.com.br/arch2009-02-08>. Acesso em: 20 abr. 2010.
MASI, Domêncio de. O Ócio Criativo. Rio de Janeiro: Sextante, 2000.
Sites consultados
<http://concursos.correioweb.com.br>
<www.dominiopublico.gov.br>
<www.concursos-publicos.net>
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Gabarito
1. B
2. A
3. A
4. E
5. D
6. E
7. C
8. B
9. C
10.B
11.B
12.C
13.B
14.C
15.A
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Língua Portuguesa: resolução de questões – Aula 3
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