Volvo Ocean Race Volvo Ocean Race

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Volvo Ocean Race Volvo Ocean Race
Volvo
EuRodo
P U B L I C A Ç Ã O D A V O LV O D O B R A S I L V E Í C U LO S LT D A .
◆
2006
◆
EDIÇÃO ESPECIAL
Volvo Ocean Race
VIDA AO EXTREMO!
7
Vida ao extremo
8
O percurso
10
Os desafios da rota
Revista editada
pela Volvo do Brasil
Veículos Ltda.
Avenida Juscelino
Kubitschek de Oliveira,
2600 • CIC
Cx Postal 7981
CEP 82260-900
Curitiba, PR
Fone 41 3317 8736
Fax 41 3317 8403
www.volvo.com.br
Editor Executivo:
Solange Fusco
Editor:
Marco Antonio Greiffo
Redação:
Angela Wanke
(MTB 8294/67)
Projeto Gráfico:
Saulo Kozel Teixeira
Revisão:
Silmara Vitta
Tratamento de
imagens:
Paulo Azarão
Diagramação e
Editoração Eletrônica:
SK Editora
Fotos:
Divulgação Volvo Ocean
Race, Equipe Brasil 1,
Eduardo Monteiro e
arquivo Volvo
Impressão:
Posigraf
Tiragem:
20.000 exemplares
Filiada à Aberje.
Informações obtidas
junto aos sites oficiais
da Volvo Ocean Race
e Brasil1
4
■
Volvo Ocean Race l 2006
14
O barco
16
As equipes
20
Um grande negócio
22
Entrevista:
Robert
Scheidt
Que os bons ventos
nos acompanhem
F
23
Curiosidades
24
Brasil 1 iça suas velas
26
Passo-a-passo da
construção
27
Entrevista:
Torben
Grael
28
Rio de Janeiro se
prepara para a regata
oi dada a largada a mais um desafio dos mares. A Volvo Ocean Race, uma
das mais importantes provas náuticas do mundo, iça as velas cruzando os
cinco continentes do globo. Com corajosos velejadores, equipes altamente
profissionais e o uso da mais potente e eficiente tecnologia da vanguarda
náutica, a Volvo Ocean Race segue a tradição de uma prova que há mais de 30
anos instiga a bravura, o desejo, o desafio de superar limites e desafiar a força
da mãe natureza, com o devido respeito ao ambiente navegado. Não é sem
motivo que a Volvo dá nome a esta competição cujas características se
encaixam nos valores fundamentais da marca: qualidade, segurança e respeito
ao meio ambiente. Além do planejamento, da tecnologia, do trabalho em equipe
e da coragem para realizá-lo.
Como competição que não confere prêmios em dinheiro, mas apenas
troféus e o próprio prestígio decorrente da envergadura do empreendimento, a
Volvo Ocean Race distingue-se de qualquer outra do gênero por diversos
fatores.
A Volvo Ocean Race é a interação do homem com a natureza. Por meio
dela, a companhia pretende ensinar o respeito ao meio ambiente. Para atingir
essa meta criou o Volvo Adventure, um dos mais importantes prêmios de
preservação ambiental do planeta, que tem o apoio do UNEP (United Nations
Environment Programme) e da ONU (Organização das Nações Unidas).
As sete equipes que disputam a competição, nesta edição, trazem a bordo a
vanguarda da tecnologia náutica, mas não é só isso. Os barcos recebem os
equipamentos de segurança mais modernos da atualidade. Pelo monitoramento
por satélite sabe-se o tempo todo a localização exata deles. Os motores da
Volvo Penta, dotados do que há de mais avançado em tecnologia, só podem ser
usados em situações de emergência. Os valores da Volvo se interligam ainda
quando se fala em qualidade, pois sem qualidade não há segurança. Os barcos
(VO 70) têm que ser confiáveis quando a equipe está trabalhando no limite. Já
o respeito ao meio ambiente é indissociável do esporte a vela. Os atletas
respeitam e compreendem o planeta, afinal precisam tirar dele o melhor proveito
para vencer.
Nesta edição, nós brasileiros temos um motivo a mais para acompanhar a
regata. Pela primeira vez na história da prova, um barco brasileiro participa da
Volvo Ocean Race: o Brasil 1. Uma participação louvável, pois o barco, que tem
como capitão o medalhista olímpico Torben Grael, participa da prova em
condições de igualdade com os maiores velejadores do mundo. Além do Torben,
um time de elite da vela brasileira dá força ao projeto. Isso é um orgulho para
nós, que vemos que uma prova como esta atrai a atenção do mundo e vai
contribuir para a divulgação da marca Brasil em todos os cantos do planeta.
Mais uma vez, acreditamos que o site www.VolvoOceanRace.org irá
superar o recorde de ter sido o mais visitado entre todos os eventos esportivos
do mundo até hoje. Na edição 2001/2002, o site recebeu mais de 3 milhões
de acessos. Também esperamos uma cobertura maciça da imprensa de todo o
mundo. Na última prova, além dos mais de 15 mil artigos publicados em jornais
e revistas, a regata alcançou uma audiência acumulada superior a 800 milhões
de espectadores, computando-se apenas a exposição nos programas de TV.
Enfim, preparamos também esta edição para que você possa acompanhar
detalhes sobre a prova. Conheça a estrutura das equipes, o
barco, a dinâmica de pontuação, o trabalho desenvolvido em
terra, as expectativas com a prova e, especialmente, a equipe
que leva a bordo a bandeira brasileira.
Que os bons ventos nos acompanhem! Boa leitura!
Solange Fusco
Gerente de Comunicação Corporativa da Volvo do Brasil e
coordenadora da etapa brasileira da VOR
Volvo Ocean Race l 2006
1■
5
CURIOSIDADES
A VOLVO OCEAN RACE
ERA ORIGINALMENTE
CONHECIDA COMO
WHITBREAD ROUND
THE WORLD RACE.
A PRIMEIRA REGATA
PARTIU DA
INGLATERRA EM
SETEMBRO DE 1973.
DESDE ENTÃO, A
COMPETIÇÃO
ACONTECE A CADA
QUATRO ANOS.
6
■
Volvo Ocean Race l 2006
Vida ao extremo!
EM NOVEMBRO, FOI DADA A LARGADA DE MAIS
UMA EDIÇÃO DA VOLVO OCEAN RACE.
UMA DAS MAIS DURAS PROVAS DE TRAVESSIA
MARÍTIMA DA ATUALIDADE. IÇE AS ÂNCORAS E
ACOMPANHE AGORA ESSE DESAFIO.
N
avegar os mares do mundo.
Percorrer 32.700 milhas náuticas
(60.560 km) marcadas por condições
extremas: tempestades, mar revolto,
icebergs, baleias, ondas gigantescas
ou calmarias, que podem deixar a
tripulação por horas, dias a fio, a
deriva. Assim é a arena em que sete
grupos da elite da vela náutica mundial
se enfrentam na maior regata
oceânica de todos os tempos: a Volvo
Ocean Race. Um espetáculo que
desafia o homem e a tecnologia
durante os oito meses que dura o
percurso. A maior regata náutica da
atualidade movimenta milhões de
dólares, centenas de participantes e
milhões de espectadores ao redor da
terra. E você deve estar se
perguntando: por quê? Ora, pelo prazer
de vencer limites. Pela intensidade da
competição. Pela superação das
condições impostas pela mãe natureza.
Pela aventura. Pela deliciosa sensação
de, a cada etapa, chegar ao seu
destino. A vitória é mais do que o
pódium. É o próprio navegar. Vence
quem possuir o melhor arsenal,
composto pela alta tecnologia de
barcos potentes e uma afinada equipe,
com os melhores velejadores do
mundo. Na edição da Volvo Ocean
Race 2005-2006, sete barcos, 84
velejadores participam da disputa.
Além de ótimos profissionais, os
velejadores devem ter o perfil
adequado para viver em equipe, num
espaço mínimo, onde passam dias e
dias velejando em condições extremas
de calor, frio, desconforto, cansaço, e
muita, mas muita competição.
Certamente homens bravios que
precisam ser ótimos, mais que isso,
excelentes. Sem isso, não chegam ao
final da prova que é tida como o
Everest da vela oceânica. Tal como
numa escalada, a regata é composta
por várias etapas, chamadas pernas.
Vencer uma a uma é seguir rumo ao
Olimpo, lugar dos deuses. Na travessia,
nossos valentes velejadores seguem...
abençoados por Netuno. Está dada a
largada para a maior competição
náutica da face da terra.
POR SER UM DOS MAIORES DESAFIOS
DO HOMEM E DA TECNOLOGIA, A
REGATA TEM OS MESMOS VALORES
DEFENDIDOS PELO GRUPO VOLVO:
QUALIDADE, SEGURANÇA E RESPEITO
PELO MEIO AMBIENTE.
Quando tudo começou
Volvo Ocean Race está em sua nona edição. Realizada a cada quatro anos, a
mais famosa das regatas de volta ao mundo começou em um bar. Em 1971,
em uma roda de amigos, surgiu a idéia de criar o “Everest da vela”: uma viagem de
27 mil milhas náuticas que levaria os marinheiros aos limites do planeta. A idéia
estava lançada, mas sua realização estava distante. Nenhuma outra corrida, no mar
ou na terra, exigia tanto de homem e equipamento. Quem iria bancar um
empreendimento tão ousado, tão arriscado? Além disso, uma corrida dessas
proporções exigiria portos e fiscais espalhados pelo planeta, para garantir
legitimidade. Sem contar que, até 1971, barcos particulares não faziam aventuras
desse tipo. Uma regata de volta ao mundo já tinha sido realizada, em 1967, com
final desastroso: dos oito barcos que largaram, só um chegou ao final. Com tantas
dificuldades, a “maratona de volta ao mundo” foi salva pela Marinha Real da
Inglaterra, que considerou uma corrida desse porte como uma boa oportunidade de
treinamento para oficiais. Depois do apoio oficial, o patrocínio privado apareceu. Em
8 de setembro de 1973, 17 barcos, de sete países, com 167 tripulantes, largaram
da base naval de Portsmouth, na Inglaterra, para a primeira volta ao mundo. Catorze
barcos conseguiram chegar ao final da travessia. Surgia a “Whitbread Round the
World Race”. A Volvo entrou como patrocinadora na edição 1997-1998 quando o
troféu levava seu nome. A partir da edição de 2001-2002 assumiu também a
organização e a competição passou a se chamar Volvo Ocean Race.
A
Volvo Ocean Race l 2006
1■
7
Por dentro
do percurso
AS INOVAÇÕES
NESTA EDIÇÃO DA
VOLVO OCEAN
RACE – VOR COMEÇARAM LOGO
NA LARGADA. A
CORRIDA
COMEÇOU EM
SANXENXO, NA
REGIÃO DA GALÍCIA,
ESPANHA. A
PRIMEIRA ETAPA
FOI UMA “INPORT
RACE”, UMA REGATA
EM RAIA DEFINIDA,
PRÓXIMA À COSTA,
NO DIA 5 DE
NOVEMBRO. O
OBJETIVO FOI
APROXIMAR O
PÚBLICO, QUE
PODÊ VER A
COMPETIÇÃO.
CINCO DIAS DEPOIS
A CORRIDA
INICIAVA SUA
PRIMEIRA ETAPA
OCEÂNICA, TAMBÉM
CHAMADA COMO
PERNA, PARTINDO
DO PORTO DE VIGO,
NA ESPANHA.
8
■
Volvo Ocean Race l 2005
CALENDÁRIO
12/Nov/2005
Vigo
2/Jan/2006
Cidade do Cabo
12/Fev/2006
Melbourne
19/Fev/2006
Wellington
2/Abr/2006
Rio de Janeiro
7/Mai/2006
Baltimore/Annapolis
11/Mai/2006
New York
3/Jun/2006
Portsmouth
15/Jun/2006
Roterdã
17/Jun/2006
Gotemburgo
Volvo Ocean Race l 2006
■
9
Os desafios ao
longo da rota
Etapa 1 VIGO
CIDADE DO CABO
A primeira etapa da VOR 2005-2006
é também a mais longa: são cerca de
6.400 milhas náuticas entre Vigo na
Espanha e Cidade do Cabo, na África
do Sul (ou 11.852 km) . Além disso,
logo no começo da corrida os
competidores enfrentam um grande
desafio: os “doldrums”, a área de
calmarias tropicais, fruto do encontro
entre os ventos vindos do sul e do
norte.
Nesta etapa, os veleiros terão de
cruzar o Atlântico duas vezes,
10
■1
Volvo Ocean Race l 2006
passando pelo arquipélago de
Fernando de Noronha, na costa do
Brasil, que será um “portão de
pontuação”. No percurso, os
velejadores enfrentarão ainda bruscas
mudanças climáticas, passando do
inverno do sul europeu ao sol
escaldante dos trópicos e terminando
no verão da África do Sul.
Etapa 2 CIDADE DO CABO
MELBOURNE
Etapa longa (6.100 mn / 11.297 km),
que conta com o trecho mais
aguardado pelos competidores: o
paralelo 40. A área é famosa por
ventos fortíssimos, ondas gigantes,
tempestades, neblinas e icebergs. A
razão para tudo isso é a proximidade
do pólo e ausência de barreiras
terrestres para os ventos seguirem de
leste a oeste.
Barcos e tripulações são testados ao
extremo e, segundo velejadores
experientes é esta a etapa mais
emocionante da corrida. A
organização da prova também
implantou portões de pontuação,
predeterminando uma rota para os
competidores.
Etapa 3 MELBOURNE
WELLINGTON
A terceira etapa termina no primeiro
pit-stop da VOR 2005-2006. De
Melbourne, os barcos atravessam o
mar da Tasmânia, na Austrália, e
chegam em Wellington, capital da
Nova Zelândia. Lá, ficam apenas por
três dias e partem em direção ao
Brasil. Mesmo pequena, a etapa
promete ser das mais competitivas.
Os táticos deverão levar em conta ao
traçar suas rotas as regiões de alta
pressão, com pouco vento. Além
disso, é nas etapas mais curtas que
as tripulações menos dormem, pois a
disputa é muito acirrada.
Etapa 4 WELLINGTON
RIO DE JANEIRO
Após o pit-stop em Wellington, a
VOR penetra ainda mais ao sul do
globo, na segunda etapa mais longa
da corrida, com 6.700 mn (12.408
km). Os barcos vão passar pelo
paralelo 40 e devem navegar pelo
paralelo 50, novamente aproveitando
a força dos ventos do extremo sul. O
maior desafio da etapa, porém, não
são os ventos fortes da região, mas
a passagem pelo Cabo Horn, outro
portão de pontuação, que apresenta
um dos climas mais duros do
planeta. Após a passagem, porém, a
rota fica bem mais fácil para os
competidores, que podem aproveitar
a corrente de Falkland para chegar
até a costa brasileira, aportando no
Rio de Janeiro.
Etapa 5 BRASIL
BALTIMORE
A quinta etapa passa pela costa
brasileira e vai para os Estados
Unidos, cruzando o Caribe. Ao sair
do Rio de Janeiro, os velejadores
terão de tomar algumas decisões.
Seguir pela costa, navegando contra
a corrente marítima do Brasil, ou ir
para mar aberto, um percurso mais
longo, mas com mais vento. No
Nordeste brasileiro, os barcos terão
de passar novamente por Fernando
de Noronha, depois seguem mais
uma vez para os “doldrums”, as
calmarias equatoriais. Já existiram
equipes, em edições anteriores, que
ficaram dias e dias paradas pela
total falta de vento. A etapa também
é considerada dura, devido ao calor
a bordo, que deixa os velejadores
bastante irritados e cansados.
dias e meio. Para o recorde conta o
percurso desde o farol de Ambrose, na
costa norte-americana, até a península
de Lizard, no sudoeste da Inglaterra.
Etapa 8 PORTSMOUTH
ROTERDÃ
A sexta etapa da VOR 2005-2006 vai
de Annapolis, cidade próxima a
Baltimore, até Nova York. Uma das
cidades mais famosas dos Estados
Unidos, a “Big Apple” recebe pela
primeira vez uma etapa da corrida. O
percurso é um dos menores e mais
rápidos da corrida (400 mn ou 740
km), com a corrente do Golfo atuando
em favor dos veleiros.
A oitava etapa terá 1.500 milhas
náuticas (2.778 km) e promete ser
muito exigente. Os velejadores
saem do sul da Inglaterra, em
Portsmouth, passam novamente
pela península The Lizzard,
contornam a Ilha da Grã-Bretanha e
da Irlanda pelo norte, para então
enfrentar as difíceis condições do
Mar do Norte. Outro problema é
grande tráfego marítimo da região.
A chegada será em Roterdã,
Holanda, um dos maiores portos
comerciais do mundo.
Etapa 7 NOVA YORK
PORTSMOUTH
Etapa 9 ROTERDÃ
GOTEMBURGO
A sétima etapa da VOR 2005-2006
atravessa o Atlântico, de Nova York até
Portsmouth, na costa sul da Inglaterra.
A travessia será uma corrida pelos
recordes.
Com os novos VO 70, mais leves e
velozes que os barcos anteriores da
corrida, os competidores devem
quebrar o recorde de travessia
atlântica de oeste para leste,
atualmente em pouco mais de quatro
A etapa será uma das mais curtas da
corrida, com 500 milhas náuticas ou
cerca de 926 km . Como será uma
perna rápida, os velejadores devem
dormir pouco e correr muito. O final
promete ser apoteótico, já que na
última edição da Volvo, Gotemburgo,
terra do Grupo Volvo, foi a cidade que
melhor acolheu os velejadores, com
milhares de pessoas nas praias e
encostas esperando pelos barcos.
Etapa 6 ANNAPOLIS
NOVA YORK
Volvo Ocean Race l 2006
■
11
Velocidade, perícia
e muita tecnologia
V
elas ao vento, velocidade máxima. O show nos mares será um desfile de
modernidade. Os barcos que disputarão a Volvo Ocean Race são a obra-prima da
tecnologia náutica. Eles estão mais modernos, leves e velozes. Feitos de carbono, em
algumas partes do barco, a tecnologia é a mesma utilizada na construção de
aeronaves, ônibus espaciais e carros de Fórmula 1. Uma mudança de regras nesta
edição trouxe alterações significativas
para a concepção dos barcos. Os
A VOLVO OCEAN RACE É UMA
novos VO 70 são mais longos que os
VO 60 usados nas regatas anteriores.
REGATA MONOTIPO, OU SEJA,
TEM APENAS UM MODELO DE A denominação quer dizer Volvo Open
70 e o número se refere ao
BARCO PARTICIPANDO.
comprimento do barco em pés. Um
mastro 5,5 metros mais alto
possibilitou velas bem maiores. Outra grande inovação deste ano é a utilização da
quilha basculante, que deixou os barcos mais leves, pois não é mais necessário
levar 2.500 kg de água como lastro. Essa é a primeira competição em que esse
equipamento é obrigatório. Com tudo isso, espera-se que os barcos sejam capazes
de percorrer uma média de 900 km diários e de atingir picos de velocidade de 70
km/h. A previsão, inclusive, é de que os barcos completem a regata 20 dias mais
rápido que na edição anterior. Em contrapartida, as tripulações serão menores, com
dez integrantes contra os 12 da última regata, o que exige muito esforço de cada
membro da equipe.
12
■
Volvo Ocean Race l 2006
Como é
feita a
pontuação
sistema de pontuação da Volvo
Ocean Race 2005/2006 é bastante
interessante. Todas as etapas, sejam os
percursos entre as pernas, as regatas em
raia definida ou mesmo os pit-stops, são
consideradas para efeitos de pontuação.
Nas etapas mais longas, por exemplo,
serão utilizados portões (locais
predeterminados no oceano) para
atribuição de pontuações extras. Ao passar
por um portão será atribuída a metade de
pontos dada para uma etapa inteira. O
primeiro barco que passar por um portão
de pontuação já conquista 3,5 pontos.
Serão dois pit-stops durante a regata, ou
seja, pequenos percursos que duram entre
24 e 48 horas mas valem, na pontuação,
como uma etapa normal. O primeiro será
em Wellington, Nova Zelândia, e o
segundo, em Nova York. Uma outra
inovação nesta edição da Volvo Ocean
Race será a inclusão de sete regatas
locais, com pontos válidos para o resultado
final. O limite de tripulantes para as regatas
locais, que ocorrerão próximas aos portos,
será ampliado visando permitir um
tripulante extra, eventualmente um membro
do time de apoio em terra, um velejador de
destaque local, um especialista em regatas
ou um especialista local. Três convidados
serão adicionados em cada barco, sendo
um nomeado pela equipe, um membro da
mídia e um representante da organização
(VOR). No Rio de Janeiro haverá uma
dessas regatas. O vencedor da competição
será aquele que
obtiver a maior
pontuação
acumulada
durante toda
O “Waterford
a regata.
Crystal Trophy” é
O
Conforto. O que é isso?
que atrai centenas de velejadores
que sonham em participar da
Volvo Ocean Race certamente não é o
conforto. Os barcos, equipados com
tecnologia de ponta, deixam de lado
aquelas condições que para muitos
seriam indispensáveis: um banho
quente, uma cama macia e um banheiro
razoável. No interior de cada barco não
há espaço para luxo e todo o excesso é
simplesmente descartado, afinal, o que
interessa mesmo é deixar o barco o
mais leve possível, para ganhar
velocidade. Assim, dentro do barco há
o mínimo indispensável. Uma cozinha é
equipada para esquentar a água que irá
hidratar a comida. O cardápio é
composto geralmente por porções
certas para cada velejador, que já têm
consciência de que não devem esperar
muito sabor no que comem. Um
dessalinizador transforma a água do
mar em água potável. E na hora de
O
dormir, outro desafio. As “ camas” são
na verdade pequenas redes acopladas
à estrutura do barco. O desconforto, a
pouca ventilação e o calor da cabine
não deixam lá muita chance para
sonhos tranqüilos. Na hora da higiene
esqueça os banhos quentes, no
máximo, algumas toalhas umedecidas.
Mas pelo menos não é preciso bater na
porta do banheiro para entrar,
simplesmente porque não há porta.
O barco conta ainda com um
motor a diesel, que só pode ser
usado em situação de emergência.
Também há um posto de navegação
com equipamentos de comunicação,
rádio de ondas curtas, GPS, telefone
via satélite, computador conectado à
internet e o barômetro digital. Agora,
pergunte se existe alguma chance de
um velejador desistir da prova por
essas condições tão duras? Ora,
nem pensar.
Volvo Ocean Race l 2006
o grande prêmio
que os
competidores
recebem ao final
de cada perna.
O troféu é
destinado ao
primeiro,
segundo e
terceiro
lugares de
cada etapa
■
13
COMBUSTÍVEL
CADA BARCO TERÁ 120 LITROS DE
COMBUSTÍVEL DE EMERGÊNCIA.
AS HÉLICES LIGADAS AO MOTOR
SÃO RETRÁTEIS. OUTRO MOTOR
TERÁ CAPACIDADE DE 230 LITROS,
USADO PARA GERAR ENERGIA
PARA O SISTEMA DE NAVEGAÇÃO,
INSTRUMENTOS, LUZES,
PURIFICAÇÃO DA ÁGUA SALGADA,
MOVIMENTAR A QUILHA,
COMUNICAÇÃO ETC.
O barco
1
Vela mestra
Mede 172 metros quadrados e é feita de kevlar,
o mesmo material usado em coletes à prova
de balas.
2
Botes salva-vidas
Suficientes para todos os tripulantes.
SELOS
3
Comunicação por satélite
Mensagem e informação da posição.
ANTES DA LARGADA DE CADA
ETAPA, VÁRIOS ITENS SÃO
SELADOS: ÂNCORA, MOTOR, BOTE
SALVA-VIDAS, LEME DE
EMERGÊNCIA, ENTRE OUTROS.
4
Painel de instrumentos
Aqui, dados essenciais como a
velocidade, profundidade e direção
ficam indicados. Cada um deles é
detectado por sensores de bordo.
TESTES INDISPENSÁVEIS
5
Radar
Envia ondas de rádio e localiza
objetos usando o
tempo e a direção
do eco.
CADA BARCO TEVE DE PASSAR
POR UM TESTE DE PELO MENOS
2.000 MILHAS VELEJADAS ANTES
DE 28 DIAS DO INÍCIO DA REGATA.
6
EQUIPAMENTOS
OBRIGATÓRIOS DE
SEGURANÇA
3
Vela de proa
(“Jib”)
Para ventos fortes,
ajuda a aumentar a
velocidade.
7
8
2
Quilha basculante
É uma inovação em relação
ao barco da regata passada
que usava grandes tanques
de água com lastro. A quilha é móvel e permite
mais agilidade na navegação.
ÂNCORAS E CABOS COM 80
METROS DE COMPRIMENTO;
INSTRUÇÕES DE COMO DESVIRAR
O BARCO; CARTAS NÁUTICAS;
BÚSSOLAS; DUAS MÁQUINAS DE
PURIFICAÇÃO DE ÁGUA SALGADA;
50 LITROS DE ÁGUA DE
EMERGÊNCIA;TRÊS EXTINTORES
DE INCÊNDIO; BUZINA DE
NEBLINA/LANTERNAS;
COMBUSTÍVEL DE EMERGÊNCIA;
ROUPAS DE EMERGÊNCIA COM
CORES LARANJA E GPS, CABO
PARA CINTO DE SEGURANÇA AO
LONGO DO CONVÉS; FACAS PARA
CADA TRIPULANTE; BOTES SALVAVIDAS COM MANUAL; RADAR;
REFLETOR DE RADAR; SEXTANTE;
VELAS DE TEMPORAL; SALVAVIDAS; CINTO DE SEGURANÇA; E
ROUPA DE SOBREVIVÊNCIA.
8
Timões gêmeos
Os barcos de competição não possuem apenas um
timão e sim dois, além de um número diferente de “steeres”, que mudam a
direção do leme.
9
Mastro
Feito de fibra de carbono seis vezes mais forte que o aço, fica a 31,5 metros
acima da água. É a mesma altura que um prédio de 9 andares.
10 Boca
Único acesso ao interior do barco.
11 Motor
É responsável pela geração de energia que alimenta os equipamentos de
transmissão, faz a geração de luz para a cabine e também para o
dessalinizador.
12 Motor de emergência
Motor Volvo Penta só utilizado em situação de extrema emergência. Seu uso
inadequado desclassifica o barco.
14
■
Volvo Ocean Race l 2006
5
1
6
9
4
10
DICIONÁRIO DA VOR
Sindicato
12
Nome dado às equipes da Volvo Ocean
Race.
Perna
11
Regata entre dois portos. A Volvo Ocean
Race tem nove pernas.
Pit-stop
Parada curta entre duas etapas, ou duas
pernas.
Portões
7
São locais predeterminados no oceano,
por onde os barcos devem passar em
sua rota e onde há atribuição de
pontuações extras. A Ilha de Fernando
de Noronha, no Brasil, é um desses
portões.
Inport race
É uma regata em raia definida, próxima
à costa, onde a população poderá ver de
perto os barcos. No Rio de Janeiro está
prevista uma regata desse tipo.
Bolina
Sistema métrico
Comprimento total
21,5 m
Boca
4.7 m – 5.7 m
Calado
4.5 m
Área da vela mestra
172 m2
2
Área da vela Genoa (“jib”)
140 m
Área da vela “Spinnaker”
500 m2 (máx)
Altura do mastro
31,5 m acima da água
Peso
12.500 kg a 14.000 kg
Quilha
4.500 kg
Peça móvel encaixada na parte de baixo
do casco, que fica submersa e impede
que o barco seja levado lateralmente
pelos ventos.
Quilha
Peça da parte de baixo do casco, que
fica submersa e impede que o barco
seja levado lateralmente pelos ventos.
Bombordo
Lado esquerdo (olhando para a proa).
Boreste
Lado direito.
Contravento
Vento que vem pela frente do barco.
Través
Vento que vem pelos lados do barco.
Vento de popa
Vento que vem por trás do barco.
Volvo Ocean Race l 2006
■
15
As equipes
A
s equipes da Volvo Ocean Race,
que são chamadas de sindicatos,
precisam investir alto para participar da
regata. Estima-se que cada uma gaste
no total perto de US$ 15 milhões,
quantia que inclui o custo do
barco, os equipamentos, os
salários da tripulação, a
promoção, os testes (de
velas, por exemplo) e o
deslocamento para os
onze portos da regata.
Além da equipe de
velejadores, cada
sindicato possui
uma bem
estruturada equipe
de terra, que se
encarrega de toda a logística:
alimentação, transporte, hospedagem,
reposição de peças, mecânica e a
promoção da equipe em cada parada.
Sete veleiros participam da
nona edição. São eles o ABN
AMRO 1 e ABN AMRO 2,
ambos de bandeira holandesa,
com um barco formado por uma
tripulação experiente e outro com jovens
talentos da vela, pinçados entre os
principais mercados do banco ABN,
entre eles o Brasil. O Ericsson Racing
Team é o barco de bandeira sueca. O
barco do Team Pirate, de bandeira
norte-americana, é patrocinado pela
A CHEGADA MAIS APERTADA
DA HISTÓRIA DA COMPETIÇÃO
ACONTECEU EM SYDNEY EM
1997, QUANDO NOVE BARCOS
CRUZARAM A LINHA NUM
INTERVALO DE APENAS 1H40,
DEPOIS DE PERCORREREM
2.200 MILHAS NÁUTICAS.
16
■
Volvo Ocean Race l 2006
Walt Disney Company. Assim como o
veleiro Ericsson Racing, será
gerenciado em terra pelo sindicato
sueco Atlant Ocean Racing. O
Sunergy and Friends é o
representante da Austrália, onde os
esportes a vela são extremamente
populares. A Espanha será
representada pelo barco MoviStar
patrocinado pela multinacional
espanhola Telefónica. Embora seja
a primeira representação
brasileira na Volvo Ocean
Race, o sindicato Brasil 1
já entra como um dos
favoritos, pois junta um
projeto da Farr Yatch
Design a um comandante
como Torben Grael,
considerado um dos
grandes nomes do esporte
pela comunidade da vela
mundial.
Barco 1
Projetista:
Juan Kouyoumdjian (ARG)
Comandante:
Mike Sanderson (NZL)
Tripulação:
Brad Jackson (NZL),
David Endean (NZL), Jan
Dekker (FRA), Robert
Greenhalgh (ING), Stan
Honey (EUA), Tony
Mutter (NZL), Justin
Slattery (IRL), Sidney
Gavignet (FRA) e Mark
Christensen (NZL).
Construção:
Lelystad (HOL)
Encarregados da construção:
Killian Bushe (IRL)
Batizado:
Janeiro de 2005
Barco 2
Projetista:
Juan Kouyoumdjian (ARG)
Comandante:
Sebastien Josse (FRA)
Tripulação:
Simon Fisher (ING), Nick
Bice (AUS), Scott Beavis
(NZL), Phil Harmer (AUS),
Luke Malloy (AUS), Lucas
Brun (BRA), André Mirsky
(BRA), Gerd-Jan Poortman
(HOL), Simeon Tienport
(HOL), Andrew Lewis (EUA) e
George Peet (EUA)
Construção:
Lelystad (HOL)
Encarregado da construção:
Killian Bushe (IRL)
Batizado:
Agosto de 2005
Sunergy and Friends é o representante da Austrália, onde os esportes a vela
são extremamente populares e foi o primeiro a confirmar a participação na
Volvo Ocean Race 2005/2006. Será um time com forte apelo nacional, pois seu
skipper (comandante) - Grant Wharington - e o projetista - Don Jones - são
australianos. O barco foi construído com ajuda de recursos do governo local. A equipe
não usou a Farr Yacht Designs para projetar seu barco. Quem ficou com a tarefa foi o
australiano Don Jones, acostumado a desenhar embarcações com uma das maiores
inovações do VO 70, a quilha basculante.
O
SUNERGY AND FRIENDS (AUS)
equipe holandesa, patrocinada
pelo banco ABN Amro, entra
com a maior verba da VOR
2005/2006: 20 milhões de euros,
para dois barcos. O capitão do
barco principal é o neozelandês
Mike Sanderson, recordista da
regata Sydney-Hobart. O segundo é
formado por velejadores com menos
de 30 anos e terá dois brasileiros,
os cariocas Lucas Brun e André
Mirsky. Os dois barcos foram
projetados pelo argentino Juan
Kouyoumdjian, projetista em duas
America's Cup (La Defi-1995 e
Prada-2000).
A
ABN AMRO ONE E TWO (HOL)
Projetista: Don Jones (AUS)
Comandante: Grant Wharington (AUS)
Tripulação: Ian “Barney” Walker (AUS) Will Grieve Oxley (AUS),
Adam Hawkins (AUS), Andrew Henderson (AUS), Ben Jones
(AUS), Graeme Taylor (AUS), Ian Johnson (AUS), Jeremy Era
(AUS) e Micheal Blackburn (AUS)
Construção: Mornington (AUS)
Encarregado da construção: Mal Hart (AUS)
Batizado: Junho 2005
Volvo Ocean Race l 2006
■
17
TELEFONICA MOVISTAR (ESP)
POR REGULAMENTO,
CADA BARCO PODERÁ
USAR NO MÁXIMO 11
VELAS POR PERNA DA
COMPETIÇÃO. NO TOTAL,
SERÁ PERMITIDO O USO
DE 24 VELAS, MUITAS
ESPECÍFICAS PARA
CADA TIPO DE
CONDIÇÃO CLIMÁTICA A
SER ENCONTRADA.
Espanha volta com força total
para a VOR, após 12 anos de
ausência. O barco espanhol
MoviStar é patrocinado pela
multinacional espanhola Telefónica.
Tem como skipper o holandês
Bouwe Bekking, mas seu gerente
de terra merece destaque. Ele é
Pedro Campos, o velejador espanhol
mais experiente, que acumula títulos
em uma dezena de competições
internacionais e participou de três
America’s Cup. A equipe é uma
forte candidata, pois já deu a volta
ao mundo durante os treinos e
quebrou o recorde mundial de
velocidade. O timoneiro é Iker
Martinez, espanhol que ganhou a
medalha de ouro nas Olimpíadas de
Atenas 2004.
A
Projetista:
Bruce Farr (Farr Yachts)
Comandante:
Bouwe Bekking (HOL)
Tripulação:
Pedro Campos (ESP),
Iker Martínez (ESP), Pepe
Ribes (ESP), Chris
Nicholson (AUS), Xabi
Fernández (ESP), Andrew
Cape (AUS) e Stu
Bannatyne (NZL)
Construção:
Sydney (AUS)
Encarregado da construção:
Estaleiro BoatSpeed (AUS)
Batizado:
Março 2005
18
■
Volvo Ocean Race l 2006
ERICSSON RACING TEAM (SUE)
time sueco na VOR será patrocinado pela Ericsson. Os encarregados pela
equipe são veteranos nas regatas de volta ao mundo. Os suecos Richard
Brisius e Johan Salén defendem uma tradição: nas três últimas edições da corrida,
eles terminaram no pódio. Outro sueco, Magnus Olsson, que disputou cinco regatas
de volta ao mundo, também está envolvido no projeto. O capitão do time será o
inglês Neal McDonald, que levou o barco sueco Assa Abloy ao vice-campeonato na
última VOR. O Ericsson Racing Team é gerenciado em terra pelo sindicato Atlant
Ocean Racing.
O
Projetista: Bruce Farr (Farr Yachts)
Comandante: Neal McDonald (ING)
Tripulação: Steve Hayles (ING), Richard Mason (AUS),
Guillermo Altadill (ESP), Tom Braidwood (AUS), Jason
Carrington (ING), Tony Kolb (ALE), John Kostecki (USA), Tim
Powell (ING), David Peter Rolfe (NZL) e Magnus Woxen (SWE)
Construção: Lymington (ING)
Encarregado da construção: Jason Carrington (ING)
Batizado: Julho 2005
BRASIL 1 (BRA)
mbora seja a primeira
representação brasileira na Volvo
Ocean Race, a equipe Brasil 1 já entra
como um dos favoritos, pois junta um
projeto da Farr Yatch Design a um
skipper como Torben Grael, considerado
um dos grandes nomes do esporte pela
comunidade da vela mundial, não só
pelas cinco medalhas olímpicas, mas
também pelas participações na
America’s Cup. Outros dois brasileiros
medalhistas olímpicos estão na
tripulação; Marcelo Ferreira, que ganhou
duas medalhas de ouro e uma de
bronze ao lado de Torben na Classe
Star, e Kiko Pelicano, que foi bronze na
Classe 49er em Atlanta 1996, ao lado
de Lars Grael. O gerente da equipe de
terra é Alan Adler, campeão mundial da
Classe Star em 1989. A navegadora
australiana Adrienne Cahalan será a
única mulher da flotilha.
E
Projetista:
Bruce Farr (Farr Yachts)
Comandante:
Torben Grael (BRA)
Tripulação:
Marcelo Ferreira, Kiko
Pellicano, André Fonseca
e Joca Signorini (BRA),
Adrienne Cahalan e Justin
Clougher (AUS),
Guillermo Altadill e
Roberto “Chuny”
Bermudez (ESP), Stuart
Wilson (NZL) e Knut Frostad (NOR)
Construção:
ML Boats (BRA)
Encarregado da construção:
Marco Landi (BRA)
Batizado:
Junho 2005
PIRATES OF THE CARIBEAN (EUA)
único barco norte-americano da regata é também o mais inusitado de toda a prova. Patrocinado pela
Walt Disney Company, a equipe recebeu o nome de “Pirates of the Caribean II – Dead man’s chest”. A
participação na regata de volta ao mundo faz parte da estratégia de divulgação do segundo filme da série
Piratas do Caribe, com Johnny Depp. O nome do barco é “Black Pearl” (Pérola Negra), como o navio pirata
do filme. A coordenação da equipe é dos suecos Richard Brisius e Johan Salén, responsáveis também pelo
Ericsson. Assim como o veleiro Ericsson Racing, também será gerenciado em terra pelo sindicato sueco
Atlant Ocean Racing. O barco tem no comando o legendário Paul Cayad, vencedor da Whitbread, pelo Troféu
Volvo em 1997/1998.
O
Projetista: Bruce Farr (Farr Yachts)
Comandante: Paul Cayard (USA)
Tripulação: Julian ‘Jules’ Salter, Freddie Loof, Rodney Ardern, Dirk de Ridder, Nigel
King, Craig Satterthwaite, Justin Ferris, Curtis Blewett, Jerry Kirby e Justin ‘Juggy’
Clougher
Construção: Lymington (ING)
Encarregado da construção: Jason Carrington (ING)
Batizado: Setembro 2005
Volvo Ocean Race l 2006
■
19
Um grande negócio
E
nquanto os velejadores buscam ir
ao extremo da aventura, as empresas
que patrocinam a prova estão de olho
nos bons negócios que podem ser
gerados por um evento como esse.
Assim, todo investimento realizado é
medido centavo a centavo em retorno
de exposição da marca. Para a Volvo,
este é o principal investimento da
plataforma de divulgação da marca em
todo o mundo em 2005 e 2006. Na
última edição, a regata computou na
exposição dos programas de TV paga
uma audiência acumulada superior a
O SITE OFICIAL DA REGATA
WWW.VOLVOOCEANRACE.ORG É ATUALIZADO A
CADA 20 MINUTOS. COM ISSO É POSSÍVEL
OBSERVAR QUASE QUE INSTANTANEAMENTE O
DESENVOLVIMENTO DA PROVA. É COMO QUE
SE FOSSE POSSÍVEL NAVEGAR LADO A LADO
COM OS VELEJADORES, 24 HORAS POR DIA.
20
■1
Volvo Ocean Race l 2006
800 milhões de espectadores. Somente
em cobertura da imprensa escrita, foram
publicados mais de 15 mil artigos,
computando os 11 países por onde a
prova passou. Mas os números não
ficam aí. Mais de 3 milhões de pessoas
ingressaram na página oficial da regata.
Nas rádios do mundo, calcula-se que
um bilhão de pessoas tenha ouvido
programas sobre a competição. O
retorno estimado dos investimentos
realizados para colocar uma equipe no
mar gira em torno de 200 a 300%. E
essa não é uma quantia modesta, já que
cada equipe investe cerca de US$ 15
milhões de dólares para participar da
prova. A regata também é tida como
uma das mais estratégicas
oportunidades de exposição de marca,
para companhias globais, como é o caso
da maioria dos patrocinadores. Os
nomes dos barcos começam a correr o
mundo assim que as inscrições iniciais
são feitas, muito antes da largada,
estendendo-se pelos oito meses da
regata. Além de promover a exposição
da marca, as companhias têm chance
de se aproximar de mercados já
atendidos ou abrir novas oportunidades
em mares nunca antes navegados.
Nesta edição, por exemplo, um dos
barcos da equipe ABN Amro tem sua
equipe formada pelos melhores
velejadores entre os mercados onde
atua, dois brasileiros fazem parte da
equipe. Já o Team Pirate, ou Pérola
Negra, cujos patrocinadores majoritários
são a Wall Disney Company e a Volvo
Cars, vai utilizar a regata para divulgar o
filme “Os Piratas do Caribe II”, que
novamente é estrelado por Johnny
Depp como o Capitão Jack Sparrow. A
continuação do sucesso internacional de
2003, que está sendo filmada
atualmente em Los Angeles e Caribe,
será lançada em julho de 2006.
Tommy Svensson:
a importância da Volvo Ocean Race
A ORGANIZAÇÃO DE UMA PROVA ESPORTIVA MUNDIAL EXIGE MUITA
PREPARAÇÃO, UMA LOGÍSTICA APURADA, E A CERTEZA DE MESES DE INTENSO
TRABALHO. TODO ESTE ESFORÇO, CONTUDO, GERA BENEFÍCIOS IMENSOS.
GANHAM AS EQUIPES E AS EMPRESAS PATROCINADORAS, QUE SE TORNAM
CONHECIDAS AO REDOR DO MUNDO. GANHAM OS PAÍSES E CIDADES-PORTOS
QUE RECEBEM MILHARES DE TURISTAS E VISIBILIDADE MUNDIAL. DE FATO, ESTE
É UM MOMENTO ÍMPAR. NESTA ENTREVISTA, O PRESIDENTE DA VOLVO DO BRASIL,
TOMMY SVENSSON, FALA SOBRE A IMPORTÂNCIA QUE ISSO TEM PARA O
GRUPO, PARA A VOLVO DO BRASIL E TAMBÉM PARA NOSSO PAÍS, JÁ QUE PELA
PRIMEIRA VEZ NA HISTÓRIA DA VOLVO OCEAN RACE, UMA EQUIPE BRASILEIRA
PARTICIPA DA PROVA.
Por que a Volvo apóia um evento de iatismo?
Trata-se de um esporte ambientalmente correto, que tem familiaridade com os valores Volvo - baseado
na qualidade, segurança e respeito ao meio ambiente -, e ainda reúne outros atributos como ousadia,
espírito de equipe, coragem, determinação. Sentimentos bastante valorizados também no mundo
corporativo em todos os lugares onde a Volvo atua. Particularmente no Brasil, esperamos que o iatismo
deixe de ser um esporte de elite, como foi o tênis, e se popularize. Acredito que a participação de um
barco brasileiro nesta edição contribua fundamentalmente para isso. O país tem uma costa atlântica
estupenda, já tem muitos esportistas náuticos mundialmente reconhecidos, veja o caso de Torben e
Lars Grael, Robert Scheidt, e pode vir a descobrir talentos despertados pelo conhecimento de uma
prova como a Volvo Ocean Race, que desafia o homem e a tecnologia, num dos sonhos que
acompanha a humanidade há séculos: o desafio de dar a volta ao mundo.
Os investimentos financeiros da Volvo na promoção de uma regata como essa são
consideráveis. Qual é o retorno esperado?
De fato, há investimentos diretos que são aportados pelo Grupo Volvo e em cada mercado as
unidades locais também disponibilizam recursos para otimizar o retorno de imagem da marca junto aos
seus clientes e à comunidade, como é o caso da Volvo do Brasil. Hoje, a Volvo Ocean Race é a ação
do Grupo que recebe o maior investimento financeiro em promoção de imagem. O foco é a visibilidade
da marca. Visibilidade que é atingida de maneira estratégica, afinal, são realizados esforços de
comunicação, ao longo de oito meses, em todos os países por onde a regata passa. Há o entusiasmo
dos meses que antecedem a chegada ao porto, a própria competição, e depois o reflexo de continuar
sintonizado na marca, acompanhando o desenrolar da regata. Nos grandes mercados da Volvo, como
o europeu e o americano, a valorização dos esportes náuticos está para eles como o futebol está para
os brasileiros. Outras grandes empresas já perceberam que essa é
uma grande estratégia global de fixação da marca e fazem
investimento na prova. Se o retorno não fosse garantido,
certamente não contaríamos com a participação de tão
importantes empresas globais.
Essa é a primeira vez que a prova conta com uma
equipe brasileira. Que análise o senhor faz desta
participação?
Em primeiro lugar, diria que ficamos muito orgulhosos. Foi uma
grata surpresa ter a presença do capitão Torben Grael e o
empresário Alan Adler, da Vela Brasil, na fábrica da Volvo,
de posse deste projeto ambicioso. Ver hoje o barco no
mar, e ter acompanhado o desenvolvimento do
projeto, é sensacional. Como já disse, o investimento
para estruturar uma equipe na competição é alto, e a
equipe brasileira já é vencedora por isso: ter
conseguido transformar o sonho em realidade.
Desde a primeira edição da prova, o Brasil esteve
praticamente em todas as provas da regata, como
um dos portos de destino da competição. Agora
não. Mais do que isso, o Brasil ganhou o mundo.
Está competindo em condições de igualdade com
outras equipes já tradicionais na prova. Sinto
que todos os brasileiros devem se sentir
orgulhosos por isso. É a bandeira
do Brasil que tremula pelos mares
do mundo. O difícil, realmente, é
manter a imparcialidade na torcida.
Preservação
do albatroz
Volvo Ocean Race juntou-se ao
renomado cineasta e naturalista David
Attenborough na campanha “Save the
Albatross”, da BirdLife International, que visa
a preservação dos albatrozes. Um tipo muito
antigo de pássaro, que consegue sobreviver
em ambientes marinhos hostis, mas não
escapa das linhas de pesca. Cerca de 100
mil albatrozes morrem por ano –
aproximadamente um a cada cinco minutos
– afogados ao tentar comer as iscas de
anzóis em linhas e rede de pesca. O
resultado é que 19 das 21 espécies que
existem no mundo estão ameaçadas de
extinção. A Volvo Ocean Race aderiu ao
projeto porque, durante as etapas da regata
que passam pelo Oceano Glacial Antártico,
as equipes vão passar por algumas das
águas mais ricas do mundo em espécies de
albatroz. Com isso, poderão contribuir com a
divulgação da campanha e mobilização das
populações na necessidade de preservação
da espécie. “Os albatrozes têm sobrevivido
nos ambientes marinhos mais hostis por 50
milhões de anos; a maioria das pessoas
nunca viu um albatroz, mas ficarão chocadas
pelo fato de que, num período de 8 meses,
mais de 60 mil se afogam devido aos anzóis
das longas linhas de pesca”, destaca o
executivo chefe da campanha, Graham
Wynne. A campanha visa a realização de
ações simples e eficientes. Pessoas
treinadas serão colocadas em embarcações
pesqueiras que usam linha de pesca para
ensinar às tripulações práticas para impedir
mortes de aves marinhas. Entre as técnicas
está a fixação de flâmulas nas linhas de
pesca para espantar os pássaros, o uso de
linhas mais pesadas para fazer os anzóis
afundarem mais rápido e tingir as iscas para
torná-las menos visíveis. Mais informações
no site www.savethealbatross.net .
A
Volvo Ocean Race l 2006
■
21
Robert Scheidt
Interesse
brasileiro
sta edição da regata deve trazer
também um grande apelo comercial e
de visibilidade para as marcas no Brasil já
que esta é a primeira vez que o país terá
uma equipe verde-amarela na competição.
Desde a primeira edição da prova, em
1973, o Brasil esteve praticamente em
todas as provas da regata como destino de
uma das pernas da competição. Nesta
edição, os maiores patrocinadores do barco
brasileiro – VIVO, Motorola, Qualcomm e
Apex – traçam estratégias especiais para
um melhor aproveitamento comercial da
regata. A Nívea, que também patrocina
cotas da equipe, já gravou um comercial
especial com a modelo Gisele Bünchen,
que deverá ser exibido durante a prova.
Estima-se que centenas de estrangeiros
acompanhem a prova no Rio de Janeiro. Já
é quase impossível encontrar vaga nos
hotéis durante o período em que a regata
estará aqui.
E
é o porta-voz da VOR no Brasil
O VELEJADOR ROBERT SCHEIDT, BICAMPEÃO OLÍMPICO E
OCTACAMPEÃO MUNDIAL DA CLASSE LASER, É NOVAMENTE O
PORTA-VOZ DA VOLVO OCEAN RACE NO BRASIL. ELE JÁ EXERCEU
ESSA FUNÇÃO NA EDIÇÃO DE 2001-2002. NAQUELA ÉPOCA, SEU
PAPEL FOI FUNDAMENTAL, POIS OS ESPORTES A VELA, APESAR DE
ACUMULAREM DEZENAS DE TÍTULOS MUNDIAIS E 14 MEDALHAS EM
OLIMPÍADAS (SEIS DE OURO), AINDA NÃO SÃO DE FÁCIL
COMPREENSÃO PARA O GRANDE PÚBLICO. ROBERT AJUDOU
ESPECTADORES E JORNALISTAS A ENTENDER AS PARTICULARIDADES
DE UMA REGATA DE VOLTA AO MUNDO, EM ARTIGOS PARA JORNAIS E
DEZENAS DE ENTREVISTAS. NESTA EDIÇÃO, ELE SERÁ NOVAMENTE O
INTERLOCUTOR DA VOLVO OCEAN RACE NO BRASIL.
Novamente você é o porta-voz da prova no Brasil, que importância dá a isso?
Para mim, é uma honra muito grande ser novamente o porta-voz dessa regata. A meu ver, a VOR forma a
tríade de importância máxima como competição a vela, com as Olimpíadas e a America’s Cup. Além disso,
posso ter contato com alguns dos maiores velejadores do mundo que competem na Volvo Ocean Race.
Vou ter bastante o que aprender com eles, o que vem ao encontro do meu interesse no momento atual,
porque quero aumentar meu conhecimento sobre “barcos grandes”.
Você, que acaba de conquistar o octacampeonato da Classe Laser, já pensou em participar da
prova, como um dos velejadores?
A VOR é “o grande desafio” para qualquer velejador, e com certeza no futuro terei a oportunidade de
concretizá-lo. Meu foco está na carreira de velejador olímpico, pelo menos até Pequim 2008, quando
espero ter a chance de mais uma vez representar o Brasil.
Você acredita que a Volvo Ocean Race possa contribuir para a popularização do esporte?
A VOR já contribui decisivamente para a popularização da vela no Brasil, mesmo porque é uma regata que
tem encantos maiores do que simplesmente vencer. A própria questão do desafio inerente ao dar a volta
ao mundo está presente no imaginário de todos - que atire a primeira pedra quem nunca pensou nisto. O
fato de contarmos, pela primeira vez, com a participação de uma tripulação brasileira no Brasil 1,
comandada pelo Torben Grael, maior medalhista olímpico do país, trará ainda mais emoção, sem contar
toda a mídia gerada pelo barco Black Pearl (Pérola Negra) patrocinado pela Disney, que faz parte da
estratégia de marketing do lançamento do filme Piratas do Caribe II.
Esta é a primeira vez que um barco brasileiro participa da prova. Quais são as chances de uma
vitória verde-amarela?
Ah, assim não vale! Será que vou ter que quebrar a minha imparcialidade de porta-voz da VOR? A disputa
será acirradíssima. Veja só, os mais experientes velejadores estarão competindo, com sindicatos (é assim
que se chama a equipe de vela em campeonatos) com patrocinadores fortíssimos, o que significa
investimentos pesados, que podem fazer diferença, como maior tempo para treinar e entrosar a equipe. Por
exemplo, o barco espanhol já bateu recordes de velocidade, a equipe holandesa tem dois barcos na
disputa, e os americanos estão arregimentando
uma tripulação vencedora das versões
anteriores da VOR. Lógico que como
brasileiro que sou, o Brasil 1 tem a minha
torcida, e acredito sim nas suas chances de
vencer, que aumentariam muito se mais
patrocinadores aderirem ao projeto. Tudo isso
é mais um motivo para acompanharmos de perto
a competição!
22
■
Volvo Ocean Race l 2006
Um mundo de
curiosidades
A VOLVO OCEAN RACE É UMA DAS TRÊS COMPETIÇÕES ESPORTIVAS
MAIS VISTAS AO REDOR DO MUNDO, SEGUIDA DE PERTO PELAS
OLIMPÍADAS E PELA FÓRMULA 1. A ÚLTIMA EDIÇÃO DA PROVA
ALCANÇOU UM PÚBLICO ACUMULADO DE MAIS DE 800 MILHÕES DE
TELESPECTADORES. ESPERA-SE QUE A EDIÇÃO 2005-2006
ULTRAPASSE ESSE NÚMERO, POIS AS REGATAS LOCAIS DEVERÃO
DESPERTAR MAIOR INTERESSE DO PÚBLICO. OUTRO FATOR
DETERMINANTE PARA CATIVAR A AUDIÊNCIA É O FATO DE QUE ESTE
ANO TODAS AS EQUIPES INSCRITAS SÃO DE PAÍSES QUE ABRIGAM
PORTOS DE PARADA.
✔
Nos oito meses da regata, os barcos irão passar por quatro oceanos e
cinco continentes.
✔
As tripulações experimentam variações de temperatura de –50 OC
a + 40OC.
✔
O grande objetivo dos barcos é levar o mínimo de peso a bordo, porque
isso impacta na velocidade. Os velejadores chegam ao cúmulo de cortar
o cabo de suas escovas de dente, eliminando com isso um peso
desnecessário a bordo.
✔
✔
As escalas nos portos têm duração de seis a 32 dias.
✔
Noventa e sete velejadores de 16 países competiram nos oito
barcos da regata de 2001-2002. Ao todo, 1.875 velejadores já
participaram da competição. O país que mais teve participantes é a
Inglaterra, com 457.
✔
O website oficial foi introduzido pela primeira vez na edição de 1997. Na
época, a posição dos barcos era atualizada a cada seis horas. Hoje a
posição é atualizada a cada 20 minutos.
✔
Cada barco tem dez câmeras de vídeo, que devem render 20 minutos
de gravação semanal obrigatória.
✔
Todos os dias um membro da tripulação escala o mastro de 31,5
metros ou nove andares acima do deck, para checar danos.
✔
✔
A velocidade dos barcos passa freqüentemente dos 30 nós (70 km/h).
✔
Esta edição da Volvo Ocean Race deverá empregar, diretamente, nos
nove portos de parada até junho de 2006 cerca de 5 mil pessoas.
O número de 10 tripulantes foi estipulado para que os barcos tenham
gente suficiente trabalhando 24 horas por dia, para velejar em
velocidade máxima.
Não há comida fresca a bordo. A tripulação recebe alimentos
desidratados congelados, que são reidratados com água do mar
dessalinizada.
Volvo Ocean Race l 2006
■
23
Brasil 1
iça suas velas
24
■
Volvo Ocean Race l 2006
na largada da prova é indescritível.
Mas isso é apenas o começo, temos
mais oito meses pela frente”, destaca
Alan Adler, da Vela Brasil. Cerca de
US$ 15,8 milhões estão sendo
investidos ao longo de três anos. A
participação da equipe só foi possível
graças a um bem sucedido projeto
de marketing que reuniu
patrocinadores da iniciativa privada e
pública. A VIVO, maior operadora de
telefonia móvel do Hemisfério Sul, é
a patrocinadora master, mas outras
empresas se reuniram ao projeto
como: Motorola, Qualcomm,
ThyssenKrupp, Nivea Sun, Ágora
Senior Corretora de Valores e
também o Governo Brasileiro através
da Apex (Agência de Promoção das
Exportações do Brasil), Ministério da
Indústria, Desenvolvimento e
Comércio Exterior, Ministério do
Turismo e Ministério dos Esportes,
além de um apoio especial da Varig.
Agora, para quem pensa que o Brasil
estará na competição apenas a
passeio, lá vai um aviso do capitão:
“O objetivo é entrar na competição
para brigar pela vitória”.
OPINIÃO
‘‘
A IMAGEM DE ARROJO E
TECNOLOGIA DESSE SEGMENTO
ESPORTIVO, ALÉM DO ESPÍRITO DE
EQUIPE, DA LIDERANÇA E DO
SUCESSO DOS ATLETAS
ENVOLVIDOS, SÃO ALGUNS DOS
CONCEITOS QUE A VIVO QUER
MANTER ASSOCIADOS À SUA
MARCA.
Francisco Padinha,
presidente da VIVO
‘‘
ESTAMOS MUITO ANIMADOS
COM ESSA PARCERIA QUE ASSOCIA
A IMAGEM DA MAIOR REGATA DE
VOLTA AO MUNDO À NOSSA
EMPRESA, TRANSMITINDO VALORES
COMO PIONEIRISMO, GARRA E
CORAGEM. A MOTOROLA ACREDITA
NOS ATLETAS BRASILEIROS E, POR
ISSO, NOS ORGULHAMOS DE ESTAR
ENVOLVIDOS COM A VOLVO OCEAN
RACE.
‘‘
Volvo Ocean Race 2005-2006
terá um atrativo especial para os
brasileiros. O sonho, há muito tempo
acalentado por velejadores e
esportistas, finalmente tornou-se
realidade. Pela primeira vez, o Brasil
ingressa na Volvo Ocean Race. E já
iça as velas conquistando o respeito
dos adversários. Também, não é para
menos. O projeto batizado como
Brasil 1 leva a bordo a elite náutica
nacional. No comando nada menos
que Torben Grael, dono de seis títulos
mundiais e de cinco medalhas
olímpicas. A iniciativa de inscrever o
sindicato brasileiro na competição foi
da empresa de marketing esportivo
Vela Brasil. Sonho de um grupo de
velejadores liderados por Alan Adler,
um dos grandes nomes da vela no
Brasil. “Participar da VOR era um
projeto muito difícil de se realizar, mas
é assim que são realizados os sonhos.
Batalhamos muito para concretizá-lo.
Desenvolvemos um projeto audacioso
de patrocínio. Batemos de porta em
porta e gradativamente fomos vendo
que nosso sonho foi se tornando
realidade. A emoção de ver o barco
‘‘
A
Luis Carlos Cornetta,
presidente da Motorola
‘‘
TEMOS O MAIOR PRAZER
EM ASSOCIAR A MARCA QUALCOMM,
QUE SEMPRE ESTEVE NA
VANGUARDA DAS
TELECOMUNICAÇÕES COM SUA
INOVADORA TECNOLOGIA CDMA, A
UM PROJETO ARROJADO COMO O
DO BRASIL 1. ESSA AÇÃO RESSALTA
TAMBÉM NOSSO PROPÓSITO DE
INCENTIVAR O ESPORTE NACIONAL E
DIVULGAR A IMAGEM DO PAÍS NO
EXTERIOR.
‘‘
Marco Aurelio Rodrigues,
presidente da Qualcomm do Brasil
primeiro grande impulso que o Brasil 1 recebeu foi o apoio do ministro
do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Luiz Fernando Furlan, que
tem trabalhado pela viabilidade do projeto desde junho de 2003. Nas
palavras do próprio ministro, “esta é uma forma criativa e inovadora de
mostrar uma faceta surpreendente do Brasil, assim como surpreendente é a
pauta exportadora brasileira”. Usando o próprio Ministério do
Desenvolvimento, o Ministério do Turismo e a Apex (Agência de Promoção
de Exportações do Brasil) no projeto, o país terá a chance de mostrar ao
mundo justamente essa diversidade.
O
‘‘
‘‘
Uma vitrine para o mundo
A ESTRUTURA
ORGANIZADA PARA A PARTICIPAÇÃO
DO BRASIL NA VOLVO OCEAN RACE
DEVERÁ MARCAR HISTÓRIA NO
DESENVOLVIMENTO DA PARCERIA
ESPORTIVA ENTRE EMPRESAS
PRIVADAS E O ESPORTE. NUNCA O
PAÍS INVESTIU TANTO NUM PROJETO
ESPORTIVO COMO NESTE. TEMOS
ORGULHO EM TER CONQUISTADO A
CONFIANÇA DOS NOSSOS
PARCEIROS E AGORA IREMOS
TRABALHAR PARA QUE O RETORNO
SEJA UMA RECOMPENSA PARA
TODOS.
Enio Ribeiro,
diretor de marketing da Vela Brasil, empresa
responsável pelo projeto Brasil 1
Volvo Ocean Race l 2006
■
25
Como nasce
um campeão
O passo-a-passo
da construção
A
construção do Brasil 1
começou em setembro de 2004,
quando a equipe do engenheiro
paulista Marco Landi iniciou a
montagem dos moldes do casco e do
convés. As duas peças são construídas
separadamente. Os moldes são
montados com peças de madeira
cortada a laser. O processo durou
cerca de um mês e meio, depois,
começou a laminação. Casco e convés
são feitos de fibra de carbono, com
recheio de nomex. Fornos de alumínio
são montados ao redor dos moldes. A
combinação garante resistência e
leveza, duas características essenciais
nos barcos de competição. Em março
de 2005, a laminação foi concluída e a
equipe do estaleiro passou a montar
as estruturas internas. Além das
instalações elétricas e dos
equipamentos eletrônicos, foi montado
também o sistema hidráulico que vai
mover a quilha basculante, a maior
inovação nas embarcações da Volvo
Logística precisa
■
Volvo Ocean Race l 2006
m média, o Brasil 1 teve que
esperar 25 dias entre a
chegada de um material ao país e
sua liberação legal. A solução para
isso foi adiantar todos os pedidos. A
quilha e a bolina, por exemplo, foram
encomendados 3 meses antes. As
duas peças, aliás, são chave para
definir o peso final do barco.
Pelas regras, o Brasil 1 tem de ter
13.850 kg sem as velas e tripulação.
O objetivo é que o bulbo seja o mais
pesado possível. Para os que não
são iniciados na área náutica, vale
uma explicação. Enquanto a quilha –
a parte alongada na parte inferior do
barco, serve para dar rumo ao barco,
evitando o deslocamento lateral do
barco (veja pág. 12), o bulbo é um
peso situado no final da quilha, que
evita que o barco vire com a força
do vento nas velas. No caso dos
barcos VO 70, cujo mastro têm 31,5
metros, é fundamental que o bulbo
seja bem pesado, para permitir um
equilíbrio seguro à embarcação. Por
isso, tudo o que pode ser mais leve
é construído mais leve. Até 100
gramas fazem diferença. Quanto
mais peso é colocado no bulbo, mais
rápido torna-se o barco.
E
Ocean Race deste ano. Em Indaiatuba,
até 25 pessoas, contabilizando mais
de 35.000 horas, trabalharam
simultaneamente no veleiro.
UM TESTE RIGOROSO EXIGIDO PELA PROVA É O TESTE DE INVERSÃO. O
OBJETIVO É VERIFICAR SE O BARCO TEM CAPACIDADE DE VOLTAR À
POSIÇÃO ORIGINAL EM CASO DE ACIDENTE DURANTE ALGUMA ETAPA
DA PROVA. O TESTE REALIZADO PELO BRASIL 1, EM JULHO DE 2005,
DUROU CERCA DE 15 MINUTOS. LEVANTADO POR UM GUINDASTE E
DEIXADO DE PONTA-CABEÇA, O BARCO VOLTOU À POSIÇÃO NORMAL
ASSIM QUE FOI LIBERADO. DENTRO DO BARCO ESTAVAM O
COMANDANTE TORBEN GRAEL, ANDRÉ FONSECA E KIKO PELICANO E O
NEOZELANDÊS ANDY MEIKLEJOHN. TODO O PROCESSO FOI
ACOMPANHADO POR UM REPRESENTANTE DA ORGANIZAÇÃO DA REGATA.
26
primeiro veleiro nacional na
regata de volta ao mundo tem
peças e matérias-primas de dez
países. A quilha e o bulbo são
norte-americanos. O sistema
hidráulico que os move vieram da
Itália. As velas são neozelandesas e
o leme, australiano. No total, o Brasil
1 “nasceu” em dez diferentes
países. Além de Estados Unidos,
Itália, Nova Zelândia e Austrália, o
veleiro de 70 pés tem ainda peças
ou matérias-primas provenientes de
Finlândia, Suécia, França, Inglaterra
e Dinamarca. Além, claro, do Brasil,
local de construção da embarcação,
a primeira do gênero feita na
América Latina. O barco foi
construído no estaleiro ML Boats,
em Indaiatuba, no interior de São
Paulo, sob a coordenação de Marco
Landi. “É um orgulho construir um
veleiro tão moderno no nosso país,
mas isso também representa um
problema”, conta Alan Adler, diretor
do projeto e velejador campeão
mundial de Star em 1989. “Temos
materiais vindos de todas as partes
do mundo e a liberação na
alfândega não era imediata.”
O
Com a palavra, o capitão do Brasil 1
Torben Grael
O Brasil há muito tempo sonhava com a possibilidade de participar da
VOR. Como foi possível realizar esse sonho?
Nos últimos anos a vela tem ganhado uma exposição muito grande. Já são três
Olimpíadas seguidas com medalhas olímpicas e três bicampeões olímpicos, eu,
Marcelo (Ferreira), que também está no Brasil 1, e Robert Scheidt. Com toda a
atenção que essas medalhas geraram, os patrocinadores também acordaram para a
vela e o potencial do esporte. E, com patrocinadores fortes, pudemos finalmente
dar um passo mais ambicioso, que é o Brasil 1 e a volta ao mundo.
Quais são os ganhos que a participação do Brasil 1 traz para o esporte
náutico nacional?
O Brasil 1 é um projeto pioneiro. Vai abrir as portas para a vela brasileira. É,
certamente, uma maneira de conseguirmos viabilizar, por exemplo, uma participação
brasileira na America’s Cup, uma das mais celebradas provas náuticas da
atualidade. Os velejadores também vão lucrar com isso. Certamente cresce o
mercado para os brasileiros em competições importantes.
Você poderia falar um pouco da composição da equipe e se há chance de
vitória ou esta é uma pretensão muito alta, já que o Brasil é um estreante
na prova?
O time foi montado com base em duas coisas: potencial e experiência. O Brasil 1 é
um projeto brasileiro e por isso a tripulação tinha de ser muito brasileira. Mas como
não temos experiência em regatas longas, os estrangeiros escolhidos trouxeram
essa bagagem. E essa mistura tem tudo para dar certo. A viagem até Portugal
mostrou aos estrangeiros que eles podem confiar nos brasileiros e, com isso, a
confiança geral cresceu. Não é absurdo pensar em vitória. Temos uma nova
geração de barcos e quatro dos sete inscritos são do mesmo projetista. Isso quer
dizer que todos os times vão andar muito próximos e a diferença será o
entrosamento da tripulação.
Quais foram os maiores desafios encontrados para a concretização do
projeto?
O projeto é muito complexo e exigiu muito trabalho. Não é fácil tornar viável uma
iniciativa de mais de US 15 milhões. Foram necessárias muita conversa e reuniões
com patrocinadores, além do apoio de órgãos governamentais.
Logística
minuciosa
em terra
m cada perna, antes de o barco
chegar ao seu destino, a equipe
de terra já está toda pronta para
recebê-lo, com contêineres arrumados,
peças prontas e fornecedores
contatados. Os contêineres, inclusive,
são o ponto central do trabalho da
equipe de terra. A organização dos
bastidores é extremamente
interessante. O Brasil 1 tem dois
conjuntos de três contêineres, onde é
transportado tudo o que o time irá
precisar em cada parada, das velas
que não foram usadas em determinada
etapa, oficinas para executar o reparo
dos barcos, escritório e até bicicletas,
para o transporte nas paradas. Como o
transporte é feito por navio, mais lento
do que o Brasil 1, os conjuntos são
iguais. Enquanto um era usado em
Vigo, na Espanha, por exemplo, o outro
estava chegando à Cidade do Cabo,
na África do Sul.
E
Quais foram as maiores surpresas já vividas com este projeto?
Apesar de todas as dificuldades naturais, conseguimos cumprir os cronogramas de
construção do barco no Brasil. Este era um desafio enorme, já que todo o material
foi importado de vários países do mundo.
Na viagem do Brasil para Portugal, o
entrosamento da tripulação foi muito
rápido. Os estrangeiros viram que os
brasileiros são bons também em travessias
e não só na vela olímpica. Confiávamos muito
no projeto e, por isso, o barco só ratificou a
nossa confiança com sua velocidade e
resistência.
E, por fim, o que você espera da torcida
brasileira?
Desde que o barco entrou na água estamos
recebendo centenas de e-mails da comunidade
náutica brasileira e de muita gente que torce
para o nosso sucesso. Esse apoio só tende a
aumentar com o desenrolar da regata. Acho
que a grande festa será feita na parada da
Volvo no Rio de Janeiro, em março
de 2006. Esperamos contar com
uma grande torcida!
Volvo Ocean Race l 2006
■
27
Equipe de estrelas
U
m grande trunfo do Brasil 1 na prova é sua
equipe, formada por 11 velejadores de seis
países. Os barcos são muito parecidos. Dos sete
inscritos, quatro são do mesmo projetista. Tenho
certeza que, no final, o vencedor será o barco com
a tripulação que trabalhou melhor”, explica Torben.
Entre os velejadores estão a primeira mulher a
bater um recorde de navegação de volta ao
mundo, a australiana Adrienne Cahalan, dois vicecampeões da última edição da regata, os
neozelandeses Andy Meiklejohn e Stuart Wilson, e
o espanhol Roberto “Chuny” Bermudez, com
inúmeras participações em regatas de volta ao
mundo, além de campanhas da America's Cup,
uma das mais importantes provas náuticas
mundiais. O norueguês Knut Frostad, que
disputou três Volvo/Whitbread, as duas últimas
como comandante, também está no grupo. E
ainda o irlandês Damian Foxallo. Além de Torben
Grael, os brasileiros são Marcelo Ferreira, Kiko
Pellicano, João Signorini, André Fonseca e o
reserva Eduardo Penido, todos da elite nacional da
vela. A cada regata, dez estarão a bordo do Brasil
1, o velejador Knut Frostad participará apenas das
etapas mais difíceis nos mares do Sul.
Alguns dos participantes da equipe do Brasil 1,
velejadores e equipe de terra se esforçarão ao máximo em busca do pódio
28
■
Volvo Ocean Race l 2006
a travessia dos oceanos o Brasil 1 tem uma importante função:
valorizar a marca Brasil no exterior. Assim, todo o estilo da marca
e até mesmo o nome do barco têm razões de ser. O veleiro é
predominantemente azul e amarelo, enfatizando a brasilidade do
projeto sem apropriação literal dos símbolos nacionais. O desenho é
composto por um losango amarelo, também presente na bandeira
brasileira. Para reforçar a relação com a água, os contornos da marca são formados por gotas,
forma que sugere dinâmica e movimento. O nome Brasil 1 já tinha sido escolhido por
representar um projeto pioneiro e inovador, com reais chances de vitória e formado por uma
tripulação experiente, além de remeter, também, à primeira colocação, ao topo do pódio.
Pavilhão Brasil
E
m cada parada da regata, uma
verdadeira Vila da Volvo nasce em
torno do porto onde os barcos estão
ancorados. É ali, na Ocean Village, que
se concentram os quartéis-generais das
equipes, restaurantes, bares, e também
estandes de exposições dos
patrocinadores. O Brasil está
aproveitando o espaço para divulgar o país ao longo dos oito meses em que dura a prova,
por regiões do mundo bastante seletas. Uma estratégia que é fundamental para a
divulgação institucional, onde se pretende mostrar a diversidade cultural e empresarial
brasileira, com foco em negócios e parcerias comerciais ao redor do mundo. O Pavilhão
Brasil organizado pela Apex (Agência de Promoção de Exportações do Brasil) em parceria
com o Brasil 1, já é um sucesso. No primeiro fim de semana da prova, em Sanxenxo,
região da Galícia, o Pavilhão Brasil recebeu cerca de 50 mil visitantes. O público foi
atraído pelo clima descontraído do local e pela boa música do espaço, embalado pela
bossa nova eletrônica, pelo chorinho e pelo samba. No local, sete estandes mostram
alguns aspectos da indústria brasileira, da aeronáutica (Embraer) ao artesanato (Projeto
Terra), passando pela indústria têxtil (Bia Brasil, Pantanal Fashion, Flor Brasil) e chegando
ao sabor do café brasileiro (Fazenda Vista Alegre). O Bar Brasil, entre um sábado e
domingo vendeu mais de 2.000 caipirinhas e foram consumidos 50 barris de chope. A
previsão é que o sucesso se repita a cada parada. Ótimo para os expositores. Ótimo para
o Brasil, que mostra sua cara e, principalmente, suas potencialidades.
Primeira viagem
O
transporte do Brasil 1 do estaleiro ML, onde foi construído, na cidade de Indaiatuba,
interior de São Paulo, até a Marina da Glória, no Rio de Janeiro, foi uma operação
logística e tanto. Um caminhão FH12 Globetrotter transportou o veleiro por um trajeto de
540 quilômetros. Foram necessários três dias para completar a operação. O veleiro, com
21,5 metros e 4 toneladas chamou muita atenção por onde passou.
www.volvooceanrace.org
A cara do Brasil
N
Para
acompanhar
a regata
esmo estando em
terra firme a milhas
de distância da competição,
será possível acompanhar
cada instante da
competição graças à
tecnologia a bordo dos
barcos que transmite via
satélite a posição de cada
um 24 horas por dia. Na
regata 2005-2006 os
barcos vão enviar suas
posições por satélite a cada
20 minutos para o Escritório
Central. Essas informações
poderão ser acompanhadas
pelo website oficial
www.volvooceanrace.org
Na edição anterior, a
posição era enviada de hora
em hora. Hoje é possível
acompanhar a regata com
informações atualizadas de
20 em 20 minutos. Cada
barco possui dez câmaras
fixas, que proporcionarão 20
minutos de gravação
obrigatória por semana.
Além disso, um botão
vermelho no convés pode
ser acionado sempre que a
tripulação entender que o
momento pode render uma
boa seqüência de cenas.
Pelo website oficial é
possível ler e-mails e ouvir
ligações das tripulações,
vindos dos mais remotos
mares do planeta.
M
Volvo Ocean Race l 2006
■
29
No Brasil, o Rio de Ja
D
epois de passar pelo ventos
fortes do temido Cabo Horn, bem ao
extremo sul do mundo, e navegar por
uma das etapas mais longas do
percurso – 6.700 mn (12.408 km) –
a Volvo Ocean Race deve chegar ao
Rio de Janeiro na metade do mês de
março de 2006. Na paisagem, um
Cristo de braços abertos para esperar
os corajosos velejadores. A Marina da
Glória será o palco do evento, que
sediará a regata até a partida das
equipes no dia 2 de abril de 2006. A
organização da parada foi destaque
na última edição da prova, em
2001/2002, recebendo elogios como
um dos locais mais apreciáveis do
percurso. Os ingredientes continuam
os mesmos: a paisagem de um dos
mais celebrados cartões-postais do
mundo e a alegria n´alma, que é
peculiar aos brasileiros. Pela presença
30
■
Volvo Ocean Race l 2006
de um barco brasileiro na prova, a
expectativa é que o evento atraia para
a Marina da Glória milhares de
espectadores. O lugar, que irá
também sediar as provas de vela dos
Jogos Pan-Americanos, em 2007,
está recebendo investimentos
especiais em sua infra-estrutura. Mas
é para o show da Volvo Ocean Race
que a Marina se prepara. Linda,
glamourosa e cheia de entusiasmo.
O que vai acontecer
O Race Village da
Marina da Glória
será aberto ao
público já a partir
do dia 8 de
março de 2006,
quando as
equipes de terra se preparam para
receber os velejadores. Mas é a partir
do dia 15 de março que a
programação promete ser agitada.
Aos finais de tarde, com a paisagem
do Pão de Açúcar como testemunha,
a Marina da Glória será palco de
apresentações musicais. A bossa
nova, estilo musical que nasceu no
Rio de Janeiro e ganhou o mundo, o
samba e o chorinho embalarão as
conversas na Praça de Alimentação.
No dia 18 de março está prevista a
realização da Regata Volvo Optimist,
uma regata local com barcos
convidados. A visitação de alunos de
escolas públicas aos barcos
também será promovida enquanto
a flotilha estiver ancorada na
Marina da Glória. Uma forma de
aproximar a comunidade ao
evento. E, para quem pensa que
a parada só será de esportes
aneiro
náuticos, se engana. Jogos de vôlei,
com os tripulantes nas areias de
Copacabana, serão momentos de
descontração. No dia 25 de março,
um sábado, acontecerá às 11 h, na
Baía da Guanabara, a In Port Race,
prova que garante pontuação às
equipes. Um show à parte, já que os
barcos disputam a regata bem
próximo às margens da baía,
permitindo que o público acompanhe
e torça por seus favoritos. À noite, é
momento da Cerimônia de Premiação
dos vencedores da quarta etapa da
prova, o percurso entre Welligton, na
Austrália, e o Rio de Janeiro.
O dia da partida
No dia 2 de abril, as equipes
partem para uma nova etapa da
disputa, rumo a Baltimore, nos
Estados Unidos. A Marina da Glória
se vestirá para a festa de partida.
Estão sendo esperados centenas de
barcos para acompanhar as primeiras
milhas da regata. Os hotéis
no Rio de Janeiro já estão com
a capacidade próxima à máxima
até o dia da regata. A abertura da
Marina para o público será às 11 h. A
cerimônia da largada será
emocionante, com a Banda da
Marinha Brasileira. O navio Cisne
Branco, um verdadeiro ícone da
Marinha, será responsável por dar o
tiro de largada da prova. Às 13 h, do
dia 2 de abril, as equipes partem para
mais uma etapa da aventura. “Que
Nossa Senhora dos Navegantes os
proteja”, comenta Ingrid Schimidt,
madrinha do barco brasileiro e mãe
do capitão Torben Grael.
Um parceiro
fundamental
PARA MARCAR
NA AGENDA
8 de março
Abertura do Race Village
18 de março
Regata Volvo Optmist
25 de março
11 h, na Baía da Guanabara
Inport Race
21 h, no Iate Clube,
Cerimônia de Premiação da
4ª etapa da Volvo Ocean Race
2 de abril
11h45
Cerimônia de partida
13h
Largada prova, rumo a
Baltimore\Estados Unidos
Volvo Penta do Brasil mais
uma vez dará suporte às
equipes na parada da flotilha no
Rio de Janeiro. O presidente da
unidade, Eli Werneck, lembra
que este apoio é fornecido
desde que a prova chegou ao
Brasil. “Nas edições mais
recentes, como a realizada em
São Sebastião no litoral paulista
em 1997-98, e a última prova
no Rio de Janeiro na versão
2001/2002, montamos um
posto de atendimento junto à
Ocean Village para dar
assistência direta às equipes.
Nesta edição, também
estaremos na Marina da Glória
oferecendo esse apoio”,
esclarece Werneck. Os barcos
da Volvo Ocean Race são
equipados com poderosos
motores Volvo. Um motor
auxiliar a diesel de 19 hp é
utilizado para gerar,
continuamente, a energia
elétrica necessária para os
equipamentos de comunicação,
as transmissões ao vivo, o
auxílio à navegação, para a
iluminação. Este motor também
fornece água potável,
permitindo o funcionamento do
dessalinizador mantido a bordo.
Já o motor D2-55 é utilizado
para realizar a propulsão na
entrada e na saída dos portos
ou ainda para situações de
emergência. Este motor é
lacrado pela organização da
prova que, inclusive, pode
desclassificar o barco se o
motor for usado
inadequadamente. Durante a
regata, apenas a força do vento
pode impulsionar os barcos.
A
Volvo Ocean Race l 2006
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