Fernando Alvim aulas, orais e rock n`roll

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Fernando Alvim aulas, orais e rock n`roll
BiMestral
Março 2010 DISTRIBUIÇÃO GRATUITA
Temos universidades
e politécnicos a mais?
Fernando Alvim
aulas, orais
e rock n’roll
04
e bandas, tunas, comidas,
automobilismo na universidade
Patricia Ajuda
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a referência em Lisboa, Algés e Almada
Aprende o FrAncês
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63 anos de experiência no ensino do francês em lisboa
L Aulas em pequenos grupos (12 níveis)
L Horário diurno e pós-laboral durante a semana, ou aos sábados
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bloCos semanais:
1 - Os media, a sociedade mediatizada e a notícia.
2 - Ocorrências e meta-ocorrências.
3 - Escrever com prazer e com regra: o caso da crónica.
4 - A entrevista.
5 - Liberdade, responsabilidade e concorrência no espaço
público mediatizado.
6 - As novas tecnologias e o jornalismo online.
7 - Desafios da rede: os blogues e os novos processos de edição.
8 - Textos de reportagem.
9 - Textos de crítica, editorial e comentário.
10 - Textos de divulgação.
11 - A persuasão no espaço público contemporâneo.
12 - Textos de viagem.
13 - Uma reportagem como se fosse a primeira.
CompetênCias através da artiCulação de módulos
prátiCos e teóriCos:
1 - Compreensão aplicada da organização do evento noticioso.
2 - Articulação entre a ideia de espaço público e registos mediáticos.
3 - Compreensão variada da arte da crónica.
4 - Adequação da linguagem a novas formas de ciberjornalismo.
5 - Apreensão do significado da reportagem e de subgéneros afins.
6 - Compreensão retórica da ideia de crítica e das suas aplicações.
7 - Compreensão dos figurinos de persuasão na arena mediática.
8 - Interiorizar permanentemente dados de índole gramatical.
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21 392 92 69 (directo)
EDITORIAL
Há universidades a mais
em Portugal?
imagem de capa José Miguel Soares
Esta pergunta poderia ser feita por algum tecnocrata preocupado com os custos
do ensino superior. Surpreendentemente,
a questão é levantada e debatida dentro da
própria universidade.
É inegável que, em algumas cidade e
regiões, a existência de uma instituição
de ensino é quase uma questão de sobrevivência. Essas instituições cumprem um
papel regional. Mas que papel pode desempenhar na ciência, cultura e economia
da Europa uma instituição com três ou
quatro mil alunos? Não falamos de uma
faculdade com três mil alunos que se insere numa universidade de trinta mil, mas
de uma universidade inteira, isolada no
mapa. Que grandes descobertas científicas
podem vir de uma universidade assim?
Que prémios Nobel podem nascer aí?
Uma opção seria fechar tudo, «pôr aquilo à venda, aproveitando toda a tecnologia
simplex e promovendo leilões na web»,
como sugere o professor Alexandre de
Sousa em http://www.aulamagna.pt/
opiniao/fazer-coisas-com-tangrantuga.
Humor à parte, a realidade que temos hoje
não é menos risível nem muito mais produtiva do que isso. Sobretudo se tivermos
em conta as exigências científicas colocadas pelo futuro aos países que querem
continuar a ser desenvolvidos.
Outra ideia seria criar grandes universidades e politécnicos, dispersos geograficamente mas com um alto grau de colaboração e de criação de sinergias entre
si. Impossível? E é possível continuar a
discutir eternamente o défice e o emagrecimento dos salários?, em vez de procurarmos soluções para os nossos problemas de
atraso científico, cultural e, já agora, económico e empresarial?
aulamagna 03
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ANFITEATRO
Reorganização da rede de ensino superior
Há universidades
e politécnicos a mais?
O tempo do small is beautiful terminou. As personalidades ouvidas pela Aula
Magna não contestam que é necessário um processo de concentração de
recursos no ensino superior português, como sugeriu o Reitor da Universidade
de Lisboa, António Nóvoa, mas apresentam algumas nuances em relação à
forma como ele deve ser feito. As fusões são um dos caminhos apontados
texto João Pedro Barros
aulamagna 04
António Nóvoa
A rede do ensino superior público português compreende 15 universidades públicas
e 15 institutos politécnicos, com realidades
muito distintas. Entre os 2.267 alunos do
Instituto Politécnico do Cávado e do Ave, a
mais pequena destas instituições, e os 27.372
inscritos na Universidade do Porto (UP), a
maior, há uma enorme diferença. No ensino privado, há 97 unidades orgânicas com
registo na base de dados do Ministério
da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior
(MCTES). Nestes dias de globalização, o tamanho importa e é essencial para o sucesso a
nível internacional, pelo que vários estabelecimentos de ensino superior europeus e norte-americanos se envolveram em processos
de fusão ou de concentração. Nova Iorque,
Amesterdão e Estrasburgo são exemplos
mais ou menos recentes, até porque a pujança das universidades chinesas ou indianas a
isso obrigou. Voltemos a Portugal: será a dispersão das nossas instituições exagerada?
O Reitor da Universidade de Lisboa,
António Nóvoa, colocou o dedo na ferida
no seu discurso de abertura do ano académico, em Novembro. Sem grandes rodeios,
considerou «absurda» a actual malha de
instituições públicas e frisou que nunca
existiu em Portugal uma «universidade de
referência no plano internacional». Será a
sua opinião consensual? A Aula Magna foi
ouvir uma série de personalidades ligadas
ao meio académico para perceber que soluções se podem adoptar.
A dispersão é, sem margem para dúvidas, mais evidente em Lisboa. Na capital,
Reitor da Universidade de Lisboa
Falemos de Oxford. Tem
cerca de 20 000 alunos,
tantos como a UL, e cerca de 4 000 professores
e investigadores, tantos
como a totalidade das universidades de
Lisboa. Mas tem um orçamento anual
de cerca de 950 milhões de euros, praticamente idêntico ao da totalidade das
universidades portuguesas! Temos de
ser mais corajosos e mais ambiciosos,
ainda que isso implique romper com
certas rotinas e interesses que se instalaram no sistema do ensino superior
em Portugal.
O Reitor da U.L.,
sem grandes rodeios,
considerou «absurda»
a actual malha de
instituições públicas
e frisou que nunca existiu
em Portugal
uma «universidade
de referência no plano
internacional».
existem quatro universidades públicas –
Universidade de Lisboa (UL), Universidade
Técnica (UTL), Universidade Nova (UNL)
e Instituto Universitário de Lisboa, antigo
ISCTE –, que, em alguns casos, oferecem
formações concorrentes. Em 2008, as três
primeiras instituições assinaram um protocolo de entendimento, que se reflecte,
por exemplo, em programas conjuntos de
doutoramento. António Nóvoa já manifestou vontade de juntar a UL à UTL, criando a maior instituição de ensino superior
portuguesa, com mais de 42 mil alunos.
Não faltam vozes a falar numa mega-universidade, como Paulo Teixeira Pinto, expresidente do conselho de administração
do BCP e membro do Conselho Geral
da UL. Porém, o Reitor, em declarações
à Aula Magna, rejeita o título. «Seria um
erro [uma mega-universidade]. Mas também não me conformo com a proliferação
de instituições, paroquiais, sem verdadeira dimensão universitária. Pode, e deve,
haver instituições especializadas, de ensino e investigação, que têm uma acção de
referência em certos domínios. Mas uma
Universidade é outra coisa. É um lugar
único, plural, onde é possível um diálogo
entre disciplinas muito diversas», argumentou.
O discurso
do Reitor concentrou-se, em boa parte, na
situação em Lisboa, mas não esqueceu o
resto do país, onde há «várias instituições
nas mesmas cidades» e «universidades a
50 quilómetros umas das outras». Pedro
Saraiva, deputado do PSD e membro da
Comissão de Educação e Ciência revelou
outro número: «Se olharmos não apenas
Cooperar sem extinguir
aulamagna 05
Catarina Fernandes
Maria roque dos santos
Ensino Superior | O RJIES permite que as instituições se juntem em consórcios
André Moz Caldas
Presidente da Associação
Académica da Universidade
de Lisboa
Não se vislumbra nenhum risco para os estudantes [com
eventuais fusões], antes pelo contrário.
Em termos de cantinas e residências,
acesso a bibliotecas e espaços de estudo e desportivos, pode haver várias
vantagens, assim como na própria miscigenação do corpo docente. Não vejo
onde possam ser prejudicados.
para a rede pública, mas igualmente para
a privada e cooperativa, existem em Portugal mais de 150 instituições de ensino
superior. Atendendo à dimensão geográfica e populacional do nosso país, trata-se
de um número anormalmente elevado».
Ainda assim, António Nóvoa adopta um
discurso que é seguido de forma consensual pelas personalidades ouvidas pela
Aula Magna, o de que é possível «dar corpo» às instituições sem recorrer a soluções
mais radicais. «Não advogo a extinção de
instituições. As diferentes universidades
e politécnicos ganharam uma identidade
própria e, de um modo geral, têm dado
um importante contributo nas suas regiões. Mas é urgente encontrar formas de
articulação, de cooperação e de associação
entre as instituições», reforçou.
O socialista Manuel Mota, membro do
Grupo de Trabalho do Ensino Superior da
Assembleia da República, afina pelo mesmo diapasão. Na sua opinião, é «relevantíssimo» manter a coesão territorial, para a
qual as unidades orgânicas no interior do
país dão um contributo valioso, até porque
há «muitos alunos que só frequentam o
ensino superior devido ao factor proximidade». O deputado põe mesmo o acento
tónico na «necessidade de aumentar o número» de alunos em Portugal (em 2008/09,
eram 373 002), lembrando o «Contrato de
Confiança» assinado entre o Governo e as
instituições de ensino superior público,
em Janeiro. Mas não exclui a hipótese de
fusões, lembrando que «o enquadramento jurídico do RJIES (Regime Jurídico das
Instituições de Ensino Superior) permite
que as instituições se juntem em consórcio, atingindo uma dimensão qualitativa e
Estas parcerias
nacionais ou
internacionais surgem
como uma forma de
assegurar dimensão
institucional sem que
os cooperantes percam
a sua identidade ou
autonomia.
quantitativa interessante». Estas parcerias
nacionais ou internacionais surgem como
uma forma de assegurar dimensão institucional sem que os cooperantes percam a
sua identidade ou autonomia.
Se o socialista parece satisfeito com a
acção do governo no sentido de melhorar
estes mecanismos, já Pedro Saraiva (que
foi consultor da Presidência da República
para o ensino superior, entre 2006 e 2009)
não poupa críticas: «É uma matéria em que
o Governo do Partido Socialista, verdadeiramente, não fez quase nada ao longo dos
Bruno Teixeira
Em Portugal, há
cerca de 4 000 cursos
registados, sendo 1.874
de licenciatura ou
mestrado integrado, com
mais de 800 designações
distintas.
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Em Coimbra e no Porto | Há quem defenda a fusão das universidades com os politécnicos
últimos cinco anos». O social-democrata
não rejeita as fusões, mas defende uma
análise caso a caso. «Internacionalmente,
temos assistido a movimentos de integração, como sucedeu há anos em Manchester,
mas igualmente de reforço de individualização, de que é exemplo recente a emancipação do Imperial College, em Londres,
ou ainda de manutenção de universidades
de excelência separadas por duas estações de metro, como sucede com o MIT
e a Universidade de Harvard, nos Estados
Unidos», aponta.
André Moz Caldas,
presidente da Associação Académica da
Universidade de Lisboa (AAUL), retoma
o tom mais vigoroso adoptado pelo seu
Reitor. Não só considera fulcral uma eventual fusão entre a UL e a UTL – que daria
origem a uma «grande universidade», com
«transversalidade de saberes» – como põe
em causa o próprio sistema binário (universidades e politécnicos). «Será que se
justifica a distinção orgânica? Temos experiências como as das universidades de
Aveiro ou do Algarve, em que coexistem o
politécnico e o universitário. Em Coimbra
ou no Porto, também se poderia fundir a
universidade com o politécnico, reduzindo
custos administrativos, organizativos e de
serviços, e assegurando mais massa crítica
para se poder investir», propõe. De qualquer forma, «não faz sentido racionalizar a
rede encerrando universidades», sublinha.
O dirigente associativo pensa, fundamentalmente, na racionalização de recursos: «Fazer três, quatro ou cinco contratos de segurança é diferente de fazer um
grande contrato. Também fará sentido,
Binário em causa?
certamente, comprar certos reagentes de
laboratório em maior escala. Comprar três
milhões de tinteiros ou 150 não é certamente a mesma coisa». Porém, também
acusa o ministro de não facilitar este processo e manifesta vontade de «continuar
a denunciar a situação, até haver vontade
política». «Os ilustres pensadores do passado criaram instituições universitárias
distintas, mas isso não precisa de ser patrocinado com receitas públicas. Depois,
quando alguém lhes dá uma esmola, ficam
todos contentes», remata, referindo-se ao
Podem chamar-lhe
moda mas o fenómeno
de concentração de
recursos e de cooperação
institucional que se
espalhou por todo o
mundo está aí para
durar e dar que falar.
«Contrato de Confiança».
Em Portugal, há cerca de 4.000 cursos
registados, sendo 1.874 de licenciatura
ou mestrado integrado, com mais de 800
designações distintas. Todavia, em relação
a eventuais fusões no ensino superior privado (ou envolvendo os sectores público
e privado), os nossos entrevistados não
se quiseram alongar muito. Para Manuel
Mota, o papel da Agência de Acreditação e
Avaliação do Ensino Superior (A3ES) será
fundamental na reabilitação da oferta educativa, ao integrar um conjunto de indicadores como a empregabilidade. Mas há um
«ponto prévio»: «Não houve financiamento para cursos com menos de 10 alunos,
tirando casos excepcionais, o que já implicou uma forte reorganização». De resto, o
socialista não quis «condenar» o eventual
excesso e/ou falta de qualidade de cursos
de «papel e caneta» que proliferam por
um grande número de instituições. «Não
temos dados de empregabilidade, porque
formações de ‘banda larga’ como Direito,
Gestão ou Economia proporcionam o
acesso a várias funções. Por vezes há erros:
em Inglaterra encerraram-se muitos cursos na área educativa e passados uns anos
percebeu-se que foi um erro, porque deixou de haver oferta. Há um ciclo de sustentabilidade a manter», notou.
André Moz Caldas salienta outro dado:
fundir cursos ou faculdades mais tradicionais, nas áreas da Medicina ou Direito,
será sempre muito complicado. «Há uma
grande tradição, são cursos muito antigos,
com corpos docentes muito conservadores, convencidos de que o seu projecto
educativo é o melhor», afirma.
António Nóvoa agitou as águas, porque
não quer que as universidades portuguesas «continuem na periferia, sempre a admirar as ‘universidades de excelência’ que
existem lá fora». Pedro Saraiva acrescenta
outros dados de reflexão: «Análises do panorama mundial do ensino superior colocam-nos, apesar de resultados de excelência alcançados em determinados sectores e
instituições, abaixo da quadragésima posição no que toca à qualidade do sistema de
ensino superior, atrás dos países mais habituais, mas igualmente e infelizmente já
também da Polónia, Turquia, China, Índia
ou Brasil».
Podem chamar-lhe moda mas o fenómeno de concentração de recursos e de cooperação institucional que se espalhou por
todo o mundo está aí para durar e dar que
falar. Talvez tudo se resuma a uma simples
frase do Reitor da UL: «O tempo do small
is beautiful já passou».
Fernando Alvim
Aprender com a vida
Gosta mais de aprender do que de ensinar e pensa fazê-lo ao longo a vida. Não
desdenha o ensino superior, por onde passou sem grande entusiasmo, mas
prefere o conhecimento que se pode adquirir ao longo do caminho. Até porque
Fernando Alvim é homem dos sete ofício. A Aula Magna foi visitá-lo à Antena 3,
onde anima o programa Prova Oral, e acompanhou-o ao ginásio. E descobriu um
antigo estudante que não brincava em serviço. Nos exames e nas eleições…
Falta menos de uma hora para começar
mais uma edição da Prova Oral, o programa
que dinamiza de segunda a quinta, a partir
das 19h, na Antena 3. Mas não aparenta
nervosismo. Os Moonspell já lá estão, como
banda convidada, mas o apresentador ainda
tem tempo e disponibilidade para receber a
Aula Magna. Fala depressa, como se a urgência se tivesse entranhado na sua personalidade. Fernando Alvim é daqueles que tem
como lema de vida «Fazer». E não hesita em
pôr mãos à obra.
Nasceu em Vila Nova de Gaia, em 1974,
e desde cedo descobriu uma paixão pela
rádio. O pai reconhecia-lhe um comportamento obsessivo e Fernando Alvim lá se
desdobrava em multiplas tarefas, primeiro
achando que era de feitio, depois percebendo que talvez fosse mesmo de génio. Aos 18,
já profissionalizado na rádio, criou o Festival
Termómetro, de onde saíram algumas bandas que deram que falar. É director da revista
365, que advoga um ano cheio de hetorodoxia, com muita cultura à mistura, e tem créditos firmados na televisão e no humor e em
tudo o que se mete. A vida, para ele, é uma
disciplina em que se aprende todos os dias.
Radialista, jornalista, promotor cultural,
humorista, figura da televisão, agitador
cultural. Como te apresentas?
Bem, não referiste todas as actividades,
como por exemplo estafeta.
Estafeta?
Sim. Quando vou entregar o correio de
cada número da revista 365, que é algo que
eu gosto muito de fazer, nas recepções das
aulamagna 07
texto Luís Ricardo Duarte
fotografias José Miguel Soares
Laboratório
agências de publicidade dão um cartãozinho
que diz «estafeta». E é precisamente o que eu
sou naquela altura, pois é a missão que estou
a desempenhar.
Num mundo em que se fala tanto da
especialização, tu contrapões um perfil
multifacetado?
Já não tenho a certeza se o mundo apela a
essa especialização. Hoje provavelmente valoriza-se mais o multitasking. O que, como
se sabe, era algo que estava reservado às mulheres, que em relação ao homem têm muito
mais capacidade para isso. Mas agora temos
de o desenvolver. Porque não me parece que
seja muito produtivo, hoje em dia, saber apenas um coisa. Quantas mais melhor.
E como desenvolver tantas actividades
ao mesmo tempo?
Se calhar há quem pense que sou muito organizado e que tenho uma vida exemplarmente gerida. Mas não. Às vezes acontecem-me
coisas que eu próprio fico espantado como
consegui desenvencilhar-me delas. No dia
em que estou a dar esta entrevista, confundi
as datas e percebi que apenas tinha 30 minutos para escrever uma crónica. Afinal não era
para o dia seguinte. Era para já…
aulamagna 08
Qual é o segredo dessa produtividade?
A chamada pressão alta. Comigo funciona
muito bem. Sei que vou ter de o conseguir.
E faço. Mas não gosto de fazer as coisas a
martelo, daí que estas situações também me
incomodem.
Em todas essas actividades, é possível
encontrar um denominador comum?
Não sei, talvez uma anarquia desorgani-
Os estudantes são hoje
em dia mais completos.
As pessoas já perceberam
que não basta ter a
chamada inteligência
tradicional. Também
é necessário uma
inteligência emocional
e social.
zada… Invariavelmente, nunca faço o que
devia para a combater. No entanto, o denominador comum talvez seja a vontade de
fazer coisas. Não me deixar intimidar pelas
dificuldades que surgem, nem pela falta de
dinheiro. É uma tarefa viciante.
É o postulado da criatividade?
Exactamente. Cheguei à conclusão que, de
facto, para fazer as coisas, por maiores que
elas sejam, preciso de boas ideias, muito
mais do que de bons financiamentos.
Comportamentos obsessivos
O mais surpreendente no teu percurso é
não só fazeres muitas coisas, mas teres
começado muito cedo, logo aos 17.
Na verdade, comecei aos 13 e profissionalizei-me aos 17. Pelo que dizia o meu progenitor, sempre fui uma pessoa obcecada e
obsessiva. Durante muito tempo pensei que
era uma característica má. Pensava que tinha de deixar de o ser. Só depois percebi que
também podia ser uma qualidade.
Se numa mesa
de jantar de quatro
pessoas, todos
deixarem de falar,
garanto-te que serei
o primeiro a quebrar
o gelo. Independentemente
do que disser. O silêncio
a mim impressiona-me.
Como surgiu a paixão pela rádio?
Ao lado da minha casa havia uma rádio e tinha uns amigos que iam para lá diariamente.
Era o tempo em que só se pensava em jogar
futebol e andar atrás das raparigas, algo que
continuo a fazer até hoje. Mas juntei a isso
a necessidade de fazer rádio. É algo de que
gosto mesmo muito. E acredito que a rádio
é uma base que me proporciona uma série
de competências que outros meios não me
possibilitariam.
Como por exemplo?
O conseguir resolver problema à última
da hora. A minha experiência radiofónica
já me salvou muitíssimas vezes. O facto de
quase ninguém que trabalha na rádio admitir o silêncio, e de saber lidar com isso e de
falar, foi-me útil muitas vezes.
Não convives bem com o silêncio?
Nada, de tal modo que não o admito. Se
numa mesa de jantar de quatro pessoas, todos
deixarem de falar, garanto-te que serei o primeiro a quebrar o gelo. Independentemente
do que disser. O silêncio a mim impressiona-me.
Nesse caso, como é que alguém que
preza uma vida de agitação vê aquelas
pessoas que passam uma vida inteira na
universidade, a estudar, no silêncio das
bibliotecas e dos arquivos?
Muito bem. É como encarar os filhos dos
outros. Desde que não sejam meus está tudo
bem. Mas encaro bem. Também estive no
ensino superior e sei o que isso é. Frequentei
dois cursos.
Dois?
O primeiro foi um tiro um pouco ao lado:
Gestão internacional de exportação. Foi
um curso que deixei a meio. Mudei-me
para Engenharia publicitária e de marketing. Mas quando estava no final do curso
tive uma proposta irrecusável para vir para
Lisboa. Na altura, achei que um curso e uma
faculdade podem manter-se durante anos e
anos. Uma oportunidade não. Aproveitei a
oportunidade que me estava a ser dada e até
agora posso dizer que nunca me arrependi,
nem senti falta de concluir o curso.
Voltar às aulas não é uma prioridade?
Ciclicamente vou-me formando, fazendo
muitos workshops de variadíssimas áreas,
desde escrita criativa a planeamento cultural. É o que está a dar. Agora um curso inteiro? Não me parece. No entanto e apesar
de eu próprio dar alguma formação, sobretudo na área da rádio, gosto muito mais de
aprender do que de ensinar. É mais lucrativo
aprender.
Senhor presidente
Como era o Fernando Alvim estudante
universitário?
Muito marrão.
Isso poderá surpreender alguns fãs.
Pois é. Mas era mesmo marrão, ao ponto de
me enclausurar dias inteiros em casa a estudar. O meu objectivo e a minha norma sempre foram dar o meu melhor. Se percebesse
que tinha estudado, já não me afectaria se
depois a nota fosse má. O que me chateava, e
também me aconteceu, era ver uma nota má
justamente porque não tinha estudado. Era
algo que não gostava que me acontecesse,
mesmo sendo um aluno mediano.
Tinhas algum método de estudo?
Nunca. Em nenhum momento tive métodos
de estudo ou de trabalho. O que eu fazia era
estudar. Ficava em casa, fechado, durante vários dias. Ninguém me via.
Fazias apontamentos, sublinhavas livros?
Fazia apontamentos, passava mais de metade do meu tempo a fazer resumos. Passava
ali os meus dias. Foi uma coisa muito tortuosa. Sofri muito a estudar. Enquanto estudante, foram mais as horas de sofrimento do
que as de verdadeiro prazer. Não ia para a
escola passear os livros.
Também te metias nas associações de
estudantes?
Cheguei a ser presidente da AE da minha
escola. Mas daquilo que eu mais gostava
sinceramente era dos torneios de futebol. Eu
vivia para isso. Depois estudava para tirar
Eras uma espécie de futuro jogador da
NBA que precisa de ter boas notas para
poder continuar a jogar?
Era um bocado isso. Aliás, na minha equipa jogava o Pedro Emanuel [ex-jogador do
Futebol Clube do Porto], hoje em dia uma
referência futebolística. Ele era o defesa e eu o
atacante. Não há dúvida de que o influenciei.
Que rumo deste à AE?
Foram bons tempos. E uma actividade que
eu exerci um ano. Lembro-me que ganhei as
eleições devido a uma promessa eleitoral que
passava por garantir um cacifo a cada aluno.
Na altura dava uma série americana na televisão, o Beverly Hills, 90210, em que todos os
estudantes tinham um. Muitos consideraram
que era uma grande ideia e deram-me o seu
voto de confiança. Escusado será dizer que
não houve cacifos para ninguém.
Então a tua década de 90 não foi contra
o cavaquismo, mas sim a favor do cacifismo?
Exactamente. Cacifismo. É um termo muito
bem aplicado. Hoje em dia estou muito arrependido e peço desculpa aos estudantes pela
promessa eleitoral não cumprida.
Mas também participavas nas grandes
contestações políticas da época?
Sim, fui às manifestações da PGA e essas coisas. Mas não sabia o que estava lá a fazer. Ia
porque todos iam. Estava lá a reivindicar um
Sofri muito a estudar.
Enquanto estudante,
foram mais as horas
de sofrimento do que
as de verdadeiro prazer.
Não ia para a escola
passear os livros.
direito, mas basicamente não sabia porquê.
Aliás, eu acredito que a maioria das pessoa
que vai a essas manifestações não sabe por
que razão está lá.
Esse é o problema do Ensino Superior:
as pessoa não saberem o que lá estão a
fazer?
Poderá ser um deles, mas de certeza que não
é «o» problema. Não sei. No entanto, acredito que muitas vezes as plataformas estudantis são usadas como trampolim político. Há
um jogo viciado, o que não é bom. Contudo,
quando a liderança estudantil é encarada
com seriedade, parece-me que é muito bom
ter bons líderes a fazerem coisas em prol da
universidade. Por isso é que há universidades
mais fortes e outras mais fraquinhas.
Estudantes mais completos
Através do Prova Oral, da Antena 3, contactas com muitos estudantes. És daqueles que defendem que «no meu tempo é
que era»?
Não sou nada saudosista. Desconfio sempre
das pessoas que falam muito do passado.
Normalmente quer dizer que estão sem presente e com muito menos futuro. Nunca uso
essa expressão. Até porque nunca achei que o
meu tempo fosse assim tão bom.
Mas que imagem fazes dos estudantes do
ensino superior?
É uma imagem muito boa. O Erasmus é cada
vez mais utilizado. E a mentalidade estudantil
é menos estanque. Os estudantes perceberam
que é preciso ir lá para fora e conhecer novos mundos. A Internet também veio ajudar.
Sente-se que as mentes estão mais abertas.
Quando isso acontece, o futuro só pode ser
mais promissor. Os estudantes são hoje em
dia mais completos.
Em que sentido?
Além de estudarem, têm uma vida. Bem,
há quem tenha uma vida sem estudar, mas
não falo desses. As pessoas já perceberam
que não basta ter a chamada inteligência
tradicional. Também é necessário uma inteligência emocional e social. O que vale ter
uma grande média de curso e depois ser um
nerd ou não ter amigos, nem saber fazê-los?
Tão pouco saber criar bom ambiente numa
empresa? O que vale contratar uma pessoa
com estas características? Só para a manter
sempre isolada.
Ou seja, ser estudante e preparar futuro
profissional é actualmente mais difícil?
Pois é. Mas é a lei da vida. Devemos premiar
as pessoas mais completas.
aulamagna 09
umas notas que dignificassem minimamente
o meu nome.
PÁTIO.Comes e bebes
Comer bem a preço estudantil
Pezinhos de Évora
aulamagna 10
O restaurante O Parque justifica um desvio até aos arredores da cidade.
Argumentos? Pratos do dia como os muito bons pezinhos de coentrada
ou as iscas, doses bem servidas, preços de amigo
Cozinheiro França | Com ele o Parque já pode entrar na pole position dos achados gastronómicos low-cost
texto João Pacheco
fotografias Marina Marques
É sabido que antigamente os
largos eram «o centro do mundo». Como se pode ler no incontornável livro de contos O Fogo e
as Cinzas, de Manuel da Fonseca. É preciso lê-lo, por exemplo,
na digestão de um bom almoço
alentejano. Mas antes, o que é
importa é deixar o «largo» do
Giraldo, sair das muralhas de
Évora e vir até ao antigo bairro
do Moinho do Cu Torto - hoje
mais inocuamente conhecido
como bairro de Nossa Senhora
do Carmo. Para almoçar bem
por pouco dinheiro, a opção é
acertada. Mas convém chegar
antes da uma ao restaurante O
Parque, porque os lugares sentados são pouco mais de quarenta e costumam ser ocupados
cedo por grupos de trabalhadores. Talvez ande por cá Rico,
Restaurante
O Parque
Rua de Viana, 35
Bairro Nossa Senhora do Carmo
(vindo de Lisboa de carro, virase à direita na rotunda do Hotel
Ibis e segue-se sempre em frente
passando mais duas rotundas. O
restaurante é do lado direito da
estrada)
266 709 035
Das 6h às 22h, de segunda a
sábado
Universidades mais próximas:
Universidade de Évora
Tenda, Fortes, Carona, Cristéta
ou outros membros do Grupo
Euromilhões, uma sociedade
de apostadores com quadro de
apostas afixado junto ao balcão.
Ao lado deste quadro de honra,
há polaroids deslavadas onde se
podem ver momentos de competição entre homens e petiscos.
Chega de paisagem. Para o aquie-agora, importa escolher mesa.
Já. De preferência longe do televisor, apóstolo da TVI e não das
comidas e bebidas que interessa
conhecer.
As coordenadas destas mesas
foram-me dadas pelo escultor
João Cutileiro, que vive em Évora
e sabe da poda. Frequentador da
casa e das iscas aqui cozinhadas,
Cutileiro apregoou-mas como
as melhores da restauração portuguesa. Chegadas à mesa, as
iscas apresentaram-se à altura,
embora dispensando o exagero
de serem as-melhores-de-todas.
Claro que merecem estar na
Primeira Divisão das Iscas, em
parte graças ao mérito de a dose
ser muito bem servida e custar
seis euros - como a generalidade
dos pratos do dia. Já as batatas
fritas que acompanham as iscas
e outros pratos... Enfim, deverão
ser evitadas e trocadas por umas
mais seguras batatas cozidas. É
verdade que aqui as batatas fritas são caseiras, mas falta-lhes
serem bem fritas.
A minha primeira vinda ao
Parque foi em Março, numa
quarta-feira - dia de cabidela de
galinha. O dito arroz de cabidela
é servido numa terrina de inox
com uma micro concha metálica, muito molho e hortelã fresca.
A galinha é de facto boa e sabe
sempre bem ver um prato como
a cabidela a resistir nas ementas
do país. Mas no conjunto, esta
cabidela será uma escolha a não
repetir. Sendo boa de sabor, veio
com um arroz triste, que não
justificava a saída das muralhas
de Évora. Muitos pontos acima
esteve a carne de porco à alentejana, com ameijoas honestas e
sem falhas a assinalar. Mas a par
das iscas - que são o prato-fetiche da casa e são servidas todos
os dias – o melhor foi mesmo
o encontro com uns pezinhos
de porco de coentrada. Chegaram num molho perfeito para o
mergulho das fatias de pão frito,
muito bem feitos.
É também em mesas baratas
como esta que se defende o património da gastronomia portuguesa, num trabalho quotidiano
quase sempre não reconhecido e
muitas vezes heróico. Com este
festim de pezinhos, O Parque já
pode entrar na pole position dos
achados gastronómicos low-cost,
categoria que já teve muitos concorrentes em Évora e continua a
tê-los noutras paragens menos
batidas do Alentejo.
PÁTIO.festas
O Piolho é o ponto de encontro
D.r.
Ana Leite
U-Lusófona do Porto
Apesar de ser aluna de Direito da
Universidade Lusófona, Ana Leite
não costuma frequentar muitas
festas da instituição. «Sei que não
é muito bonito de se dizer, mas
as entradas costumam ser muito caras», adianta. Porém, isso
não a impede de se divertir por
outras andanças, em eventos de
outras instituições. As festas da
Direito da Universidade Católica
do Porto, no Via Rápida, ficaram-
lhe particularmente na memória.
De resto, este é um dos locais de
animação nocturna favoritos de
Ana Leite.
Porém, a estudante confessa que,
por vezes, não há um plano muito
organizado. Por exemplo, já tem
uma festa combinada entre amigos
da universidade para o dia 19 de
Fevereiro, no final da época de frequências. «Às vezes é preciso aliviar a cabeça», sublinha. O ponto
de encontro é o mítico café Piolho,
na baixa do Porto. Depois, logo se
vê qual é o destino final.
As festas de
Direito da
Universidade
Católica do
Porto, no
Via Rápida,
ficaram-lhe
particularmente
na memória.
A movida das segundas à noite
Todas as segundas-feiras – Queima Douro, no La Movida Beach
Alexandra Fulgêncio
F-Letras da U-Porto
Para esta estudante de Ciências
da Comunicação, falta no Porto
um local que consiga reunir todos
os estudantes do ensino superior,
ao contrário do que acontece em
Coimbra. No entanto, as segundas-feiras da discoteca La Movida
Beach têm-se aproximado desse
objectivo. «A presença de bares de
várias faculdades, as bebidas a preços aliciantes e o ambiente académico parecem ter conquistado os
Ao que parece,
o slogan
«Estudante
que é estudante
sai às
segundas-feiras»
tem vindo
a encontrar
seguidores.
estudantes do Porto, principalmente na época de férias», nota. Ao que
parece, o slogan «Estudante que é
estudante sai às segundas-feiras»
tem vindo a encontrar seguidores.
A discoteca Via Rápida também
tem tido bastante sucesso junto
dos universitários, com festas específicas quase todas as quintas-feiras
e entradas a rondar os seis euros.
Para algo completamente diferente,
Alexandra Fulgêncio elege o Altar,
na Rua de Cedofeita: às quartasfeiras, a noite é dedicada à música
pimba e a entrada é gratuita.
De volta à diversão
24 de Fevereiro – Casa do Estudante – Arraial académico
D.R.
Diogo Melo
U-Aveiro
Em Aveiro, não há início de semestre sem arraial académico.
Uma tradição com longos anos,
que se repete a 24 de Fevereiro, em
volta da Casa do Estudante, que
é também a sede da Associação
Académica da U- Aveiro (AAUAv).
«Há sempre porco no espeto, cerveja e tunas a actuar, em volta da
casa», explica-nos Diogo Melo,
aluno de Ciências de Engenharia
Civil da instituição. Esta festa fun-
«Há sempre
porco no espeto,
cerveja e tunas
a actuar, em
volta da casa»
ciona como um regresso à diversão
nocturna, após o período de frequências, mas a AAUAv não perde
o balanço e, logo no dia a seguir,
há novo evento: Sunglasses at night
vai ser «uma festa divertida, para
chamar de novo o pessoal ao bar
do estudante». Diogo Melo sabe
do que fala, porque faz parte da
direcção da associação, que quer
dinamizar um espaço conhecido
pela animação às quartas e quintas-feiras. «Queremos organizar
várias festas, com temas diferentes,
para que não haja monotonia».
aulamagna 11
D.R.
PÁTIO.desporto
Com o automobilismo
também se aprende
aulamagna 12
O professor José Ferreira Duarte, da FEUP, foi eleito personalidade desportiva
de 2009 pela Confederação do Desporto de Portugal. O prémio distinguiu ­
o seu empenho na criação do Desafio Único, uma porta de entrada no mundo
do desporto automóvel
D.R.
texto João Pedro Barros
A relação entre o automobilismo e o
ensino superior não é evidente. «Não
são meios totalmente divorciados, mas
reconheço que estão francamente dissociados», admite José Ferreira Duarte. No
entanto, o professor do Departamento
de Engenharia Mecânica da FEUP (FEngenharia da U-Porto) foi galardoado
precisamente por conseguir «remar» em
sentido contrário: ele é o principal mentor do Desafio Único, uma competição
automóvel de baixo custo que criou com
um grupo de alunos e que aproxima os
formandos da prática da engenharia mecânica. «Esta ligação só pode parecer excêntrica para quem não conhece o automobilismo. Através dela, os alunos aprendem metodologias de trabalho e põem
tudo em prática», explica a personalidade
desportiva de 2009 da Confederação do
Desporto de Portugal (CDP).
A competição, composta por duas categorias e organizada pela FEUP, é reservada
a automóveis Fiat Uno e Punto. Se a falta
de participantes é uma constante nas provas de velocidade portuguesas, o Desafio
Único é uma excepção: «Conseguimos
ter os paddocks cheios, com alegria. Na
última prova do ano passado, em Braga,
tínhamos 155 pilotos, mais mecânicos e
amigos», lembra o docente. Com alguma
contenção, o custo de uma época pode ficar-se pelo 5.000 euros, garante.
De qualquer forma, não é a componente competitiva que mais atrai José Ferreira
Duarte, mas sim a formativa. «Senti que o
prémio era atribuído a uma forma de dinamizar e formar pessoas nesta área, mais do
que a mim. A organização tem uma equipa com 20 pessoas e a nível técnico há seis
alunos a trabalhar. A competição é uma
boa escola», reforça.
O Desafio
Único permite precisamente aos alunos da
área de Produção, Desenvolvimento e Engenharia Automóvel, impulsionada pelo
professor, meter as «mãos na massa». O
desenvolvimento da prova é disso exemplo: «Tudo nasceu de uma conversa com
o ex-aluno Manuel Vieira. Pensámos criar
um troféu de baixo custo e, em 2006, um
grupo de alunos fez o protótipo e estabeleceu os regulamentos técnicos e desportivos».
Uma competição criada na FEUP
O número de equipas directamente ligadas às universidades foi diminuindo, confessa José Ferreira Duarte. Ainda assim, no
ano passado, duas equipas eram totalmente constituídas por alunos (ver caixa), e
outras duas, num regime pré-profissional,
eram assistidas por ex-alunos da faculdade. ISEP e ISEC (institutos superiores de
Engenharia do Porto e de Coimbra) já tiveram equipas na prova.
José Ferreira Duarte crê que os alunos
que escolhem este caminho formativo
«Esta ligação [ao
ensino superior]
só pode parecer
excêntrica para
quem não conhece
o automobilismo.
Através dela, os alunos
aprendem metodologia
de trabalho e põem
tudo em prática»
D.R.
aulamagna 13
«Há muita aptidão para
a competição automóvel
e para a engenharia
automóvel, de uma
forma mais geral. Temos
muito poucas equipas de
alto nível, mas bastante
apetência»
José Ferreira Duarte | Há quatro anos a acelerar o desporto no ensino superior
o fazem porque gostam de automóveis:
«Há muita aptidão para a competição automóvel e para a engenharia automóvel,
de uma forma mais geral. Temos muito
poucas equipas de alto nível, mas bastante apetência. Não é por acaso que a maior
parte das equipas de Fórmula 1 está em
Inglaterra: lá a formação em engenharia
automóvel existe há muito tempo. Se os
nossos alunos estiverem dispostos a deslocar-se para o estrangeiro, têm a mesma
capacidade de alunos de outros países
para integrar essas equipas». Por enquanto, o desafio está dentro de portas.
A quarta época daquela que muitos consideram ser a mais animada competição
motorizada de Portugal tem início em
Abril. A toda a velocidade.
«Conseguimos ter os
paddocks cheios, com
alegria. Na última prova
do ano passado, em
Braga, tínhamos 155
pilotos, mais mecânicos ­
e amigos»
Evoluir a acelerar
Cristiano Amaro foi um dos pilotos da
FEUP Motorsports Division em 2009.
Hoje já é ex-aluno da instituição, mas
promete continuar a dar uma «mãozinha» à equipa, que fica a cargo dos
finalistas deste ano. Como os motores
são selados e as suspensões são iguais
para todos, as afinações valem «ouro».
«Ao longo de uma época evoluí muito, como engenheiro e piloto. Já andava em karts, mas nunca tinha feito um
campeonato», recorda. Os resultados
não foram nada maus: em 71 pilotos
classificados, Amaro e o companheiro
de equipa João Guimarães atingiram
o 13.º lugar da classificação.
PÁTIO.BANDAS estudantis
marina Marques
Porn Sheep Hospital
É rock da pessada, alternativo e intenso. Não brincam ao
vivo, nem deixam os créditos
por mãos alheias. É serviço
limpo e eficaz, como o trigo.
São uma banda de concerto
que talvez tenha como objectivo não deixar ninguém indiferente. E a idade dos jovens
músicos, todos à volta da casa
dos vinte, não lhes retira experiência. Andam na estrada
há muito tempo, primeiro no
projecto Party On Feet, agora
como Porn Sheep Hospital. O
seu som mistura «pode–rosas
sequências musicais, em ritmos frenéticos e complexos».
A paisagem sonora que ambicionam nasce da fusão entre
o Mathcore, o Post-Rock e o
Rock Progressivo.
aulamagna 14
Nome
Retirado de um bar em Moscovo, justamente chamado Porn
Sheep Hospital
Data de criação
Novembro de 2007, depois do
fim do grupo Party On Feet
Género
Entre o Mathcore, o Post-Rock
e o Rock Progressivo
Membros da banda
Gonçalo Duarte, da U-Lusófona de Humanidades e Tecnologias de Lisboa, guitarrista, Tiago Martins, da F-Belas
Artes da U-Lisboa, baixita,
Rui Penim, bateria, e Francisco Caetano, vocalista
Miles
Davis,
Radiohead,
Michael C. Hall, entre muitos
outros.
Fevereiro, Sex, às 22, depois de
uma actuação no IPJ de setubal,
a 6 de Fevreiro
Influências
Discografia
Sítio oficial
Próximo concerto
Bar B side, em Benavente, 12 de
Mais fotografias e informações
em www.aulamagna.pt
Viagens
Renovação
Stanley Kubrick, Tera Melos,
The Mars Volta/ATDI, Meet Me
In St. Louis, Meshuggah, Maps
& Atlases, The Dillinger Escape
Plan, King Crimson, Sonic Vs.
Mario, Alessandro Devillart,
Porn Sheep Hospital | Gonçalo Duarte e Francisco Caetano, em cima,
Rui Penim e Tiago Martins
Uma demo com vários singles,
nomeadamente LSDTV ou
Hannus
www.myspace.com/pornsheephospital
Sofia Mogas
Canadá em 2004 e 2006, a convite da Luso-Can Tuna, que organiza o Festival Internacional
de Tunas do Canadá, e regularmente aos Açores e um pouco
por todo o país.
Festivais
Escstunis
Um grupo de 35 músicos, um
festival anual e muitas viagens,
por Portugal e pelo Mundo. Eis
a Escstunis.
Instituição
ES-Co­mu­ni­ca­ção Social do IPLisboa
Data de criação
Dezembro de 1994. «É uma
tuna jovem, tendo em conta as
outras. Nasceu da iniciativa de
dois ou três alunos que tinham
um maior gosto pela praxe e
que pensaram em fundar uma
tuna», diz Joana Rodrigues.
Concertos memoráveis
«Tanto os que fazemos na ES de
Comu­ni­cação Social (a nossa
casa), como os na Aula Magna
da U-Lisboa, on­de organizamos um festival.»
O Tuna Mista, de periodicidade
anual, chegando, em 2010, à sua
14.ª edição. «Começámos logo
no segundo ano de existência.
Pri­mei­ro o festival era realizado na nossa escola e, só depois,
quando começamos a ter tunas
mais conhecidas e com mais
possibilidades, passámos para
a Aula Magna», infor­ma Joana
Rodrigues.
«Normalmente,
convidamos cinco tunas mistas
ou quatro e uma masculina ou
feminina, que no entanto não
vai a concurso». No âmbito do
festival, são atribuídos prémios
para melhor pandeireta, melhor estandarte, melhor serenata, melhor original, melhor
instrumental e melhor solista.
«É muito emocionante assistir às primeiras actuações dos
caloiros. Eles quando vêm são
candidatos. Estão uns bons meses só a assistir aos ensaios da
tuna e a aplaudir. É muito bom
vê-los deste lado, depois quando passam a caloiros e podem
trajar, podem actuar e tocar. É
um sinal de renovação e cada
vez que isso acontece sentimos
um grande orgulho».
Ensaios
Na ESCS, duas vezes por semana, às terças e quintas.
Próximo concerto
No IV Olé Tunas, o Festival
de Tunas Académicas da Ilha
Terceira, que se realiza entre 18
a 21 de Fevereiro
Sítio oficial
www.escstunis.com
Informações recolhidas por
Catarina Ferreira Amaral.
BAR
Golgona Anghel
Tu e eu ainda não fizemos de nós mesmos.
Haverá tempo para tudo dizias
e ao longo deste ano (para dar uma noção de duração),
fizemos de didascálias numa obra sem personagens.
Fomos o verão em forma de melão num quadro de feira,
os enfeites de carnaval no funeral do papa,
a cadeira eléctrica do pai natal,
a pedinte à entrada do metro,
a sorte com o seu penteado retro.
aulamagna 15
Marina Marques
Como todos os negócios com direito a um espaço comercial,
o nosso afecto ocupava o tempo de antena da primavera,
os bancos do cinema King, o lugar estratégico das estrelas,
o vazio da web e o mal estar das massas.
O nosso amor fazia concorrência aos gelados
e outros reguladores naturais do metabolismo.
Como a noite era branca e prudente.
Como Paris ficou tão longe, de repente.
Rima e soa barato.
Mas a literatura tem destas coisas.
Disse-o Bataille no livro sobre «a literatura e o mal».
Garanto e cito, como sempre, do original.