caderno de resumos - IV CONGRESSO BRASILEIRO DE

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caderno de resumos - IV CONGRESSO BRASILEIRO DE
CADERNO DE RESUMOS
PUBLICAÇÃO PROVISÓRIA PARA ACOMPANHAR A
PROGRAMAÇÃO, AS SESSÕES DE POSTERES E DE
APRESENTAÇÕES ORAIS DO EVENTO
Ribeirão Preto, 14 de Abril de 2016
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Mensagem da Presidente
Os cursos de Educação Física, Fisioterapia, Fonoaudiologia e Odontologia do campi de Ribeirão Preto da Universidade
de São Paulo têm a honra de promover o IV Congresso Brasileiro de Eletromiografia e Cinesiologia e a IV Jornada
Nacional de Procedimentos Mioterápicos. Nos dias 14, 15 e 16 de abril de 2016 a Faculdade de Medicina de Ribeirão
Preto será o ponto de encontro de pesquisadores, clínicos e estudantes em formação interessados no estudo do
movimento humano. O evento tem o objetivo de nos atualizar em diferentes tópicos relativos a Cinesiologia e
Biomecânica, indo do gesto esportivo à avaliação postural, do disfuncional ao são, da cabeça e pescoço até os dedos
do pé. Para tanto, preparamos uma programação que incluiu palestrantes nacionais e estrangeiros que poderão ser
vistos em minicursos pré evento, key-notes e mesas redondas. Além disso, o evento abre espaço para a produção
recente na área, através da mostra de trabalhos e já tradicionais premiações. A estrutura de programação foi
idealizada ainda pensando em criar oportunidades para que todos possam circular, conversar e estabelecer contatos
profissionais. Esperamos poder receber bem a todos os congressistas em Ribeirão Preto no próximo Abril, para
entregar pessoalmente um congresso com a excelência que distingue o nosso campi. À todos os congressistas,
desejamos que seja um frutuoso momento acadêmico e pessoal.
Sintam-se bem vindos!
Dra. Anamaria Siriani de Oliveira
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Comissão Organizadora do IV COBEC
Claudia Maria de Felcio
Daniela Cristina Carvalho de Abreu
Débora Bevilaqua Grossi
Luciana Vitaliano Voi Trawitzki
Marisa Semprini
Paulo Roberto Pereira Santiago
Renato de Moraes
Rinaldo Roberto de Jesus Guirro
Selma Siéssere
Simone Cecilio Hallak Regalo
Thais Cristina Chaves
Comissão Científica do IV COBEC
Alexandre Wesley Carvalho Barbosa
Ana Beatriz de Oliveira - Email
Cristiane Rodrigues Pedroni
Delaine Rodrigues Bigaton
Edson Dozinetti Verri
Fabiano Politti
Gilmar Moraes Santos
Heleodório Honorato dos Santos
Helga Tatiana Tucci
Matheus Machado Gomes
Thais Cristina Chaves
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Página |5
APRESENTAÇÕES ORAIS – SEXTA-FEIRA 15 DE ABRIL
Pág.
HORÁRIO
Nome
13
16:45
Tatiane Totta
15
17:00
17
17:15
19
17:30
Fernanda Vincia
Sidequersky
Filipe Herlon Cabral
de Freitas
Natalia Miguel
Martinho
21
17:45
Marina Mello Villalba
23
18:00
Mayara Thaysa de
Abreu
TÍTULO
COORDENAÇÃO NEUROMUSCULAR DA MASTIGAÇÃO EM ADULTOS JOVENS COM FISSURA
LABIOPALATINA E TIPO MASTIGATÓRIO BILATERAL ALTERNADO
ANÁLISE DA CINEMÁTICA DA MASTIGAÇÃO NAS DEFORMIDADES DENTOFACIAIS E
DESORDENS TEMPOROMANDIBULARES
COMPARAÇÃO ENTRE OS VALORES DE MOMENTO DO MÉDIO-PÉ DE INDIVÍDUOS COM
DIFERENTES NÍVEIS DE PRONAÇÃO DURANTE A POSTURA ORTOSTÁTICA RELAXADA
CORRELAÇÃO ENTRE PALPAÇÃO DIGITAL, ATIVIDADE ELETROMIOGRÁFICA E
PARÂMETROS BIOMÉTRICOS ULTRASSONOGRÁFICOS DO ASSOALHO PÉLVICO EM
MULHERES COM INCONTINÊNCIA URINÁRIA PREDOMINANTEMENTE DE ESFORÇO:
ESTUDO PRELIMINAR.
ANÁLISE DA RESISTÊNCIA DOS MÚSCULOS DO CORE POR MEIO DO TESTE DE PRANCHA
LATERAL EM PRATICANTES DE DIFERENTES ATIVIDADES FÍSICAS
COMPARAÇÃO DA ATIVAÇÃO MUSCULAR NO SUPINO COM HALTERES VERSUS SUPINO
NA MÁQUINA SMITH
APRESENTAÇÕES ORAIS – SÁBADO 16 DE ABRIL
Pág..
HORÁRIO
25
11:15
27
11:30
29
11:45
31
12:00
33
12:15
35
12:30
Nome
Mayerly Carolina
Anaya Niño
Rosangela Alice
Batistela
Rafael Reimann
Baptista
Frederico Balbino
Lizardo
Fabrício José Jassi
Vinicius Alota Ignacio
Pereira
TÍTULO
EFEITO DA CRIOTERAPIA SOBRE A ATIVIDADE EMG DO TIBIAL ANTERIOR E SÓLEO EM
INDIVÍDUOS COM SPASTICIDADE PÓS- AVE
O EFEITO DO TOQUE LEVE E DO SISTEMA ÂNCORA NO CONTROLE DA POSTURA EM
ADULTOS JOVENS DURANTE A REALIZAÇÃO DA TAREFA DUPLA COGNITIVA
ELECTROMYOGRAPHIC RESPONSES OF THE UPPER LIMBS TO THE T-27 AIRCRAFT FORCE
SIMULATOR OF THE BRAZILIAN AIR FORCE 1ST TRAINING SQUADRON
EXERCÍCIO PROPRIOCEPTIVO COM BOSU MAXIMIZA ATIVIDADE ELETROMIOGRÁFICA DOS
MÚSCULOS DO TORNOZELO
EFEITOS DE DUAS FORMAS DE APLICAÇÃO DA BANDAGEM FUNCIONAL ELÁSTICA NO
CONTROLE POSTURAL DE INDIVÍDUOS COM DOR LOMBAR CRÔNICA NÃO ESPECÍFICA:
ESTUDO PILOTO
EFEITO DA DOENÇA DE PARKINSON E DO MEDICAMENTO NOS PARAMETROS ESPAÇO
TEMPORAIS DA MARCHA NO DESVIAR DO OBSTÁCULO
APRESENTAÇÕES EM PÔSTERES – SEXTA-FEIRA 15 DE ABRIL
16:30 às 18:00h
Pág.
CÓDIGO
NOME
TÍTULO
BCM.123
Ana Cristina Corrêa
Cervi
Ana Cristina Corrêa
Cervi
Carina Ferreira
Pinheiro
Gabriel Pádua da Silva
134
CMH.109
Bruno Ferreira
CORRELAÇÃO DA FORÇA DE ABDUTORES DO QUADRIL E DO PICO DE VALGO: COMPARAÇÃO
ENTRE DUAS TAREFAS FUNCIONAIS PARA AVALIAÇÃO DO VALGO DINÂMICO DE JOELHO
COMPARAÇÃO DO ÂNGULO DE ROTAÇÃO DO JOELHO ENTRE AS TAREFAS DE SINGLE-LEG
LANDING E STEP DOWN TEST
AVALIAÇÃO ELETROMIOGRÁFICA DA MUSCULATURA CERVICAL ANTAGONISTA DURANTE
CONTRAÇÃO ISOMÉTRICA VOLUNTÁRIA MÁXIMA EM PACIENTES COM MIGRÂNEA
ANÁLISE ELETROMIOGRÁFICA DE MEMBROS INFERIORES EM INDIVÍDUOS INFECTADOS
COM O VÍRUS DA IMUNODEFICIÊNCIA HUMANA
INFLUÊNCIA DA ATAXIA NA EFICIÊNCIA MASTIGATÓRIA
138
CMH.111
Carina Ferreira
Pinheiro
146
CMH.115
148
CMH.116
150
CMH.117
Daiane Lazzeri de
Medeiros
Daiane Lazzeri de
Medeiros
Daiane Lazzeri de
Medeiros
152
CMH.118
42
BCM.103
44
BCM.104
60
BCM.112
82
Daiane Lazzeri de
Medeiros
DIFERENÇAS NA RAZÃO FLEXÃO-RELAXAMENTO ENTER OS MÚSCULOS EXTENSORES
CERVICAIS EM TRABALHADORES USUÁRIOS DE COMPUTADOR COM E SEM DOR CERVICAL
CRÔNICA
A INFLUÊNCIA DA VISÃO NO CONTROLE POSTURAL DE CRIANÇAS COM PARALISIA CEREBRAL
NA POSIÇÃO ORTOSTÁTICA
ALTERAÇÕES DO COMPORTAMENTO MOTOR DA MUSCULATURA MASTIGATÓRIA EM
INDIVÍDUOS COM FISSURA LABIOPALATAL TRANSFORAME INCISIVO UNILATERAL
CONTRIBUIÇÃO DA ARTICULAÇÃO ESCAPULOTORÁCICA EM UMA CRIANÇA COM PARALISIA
OBSTÉTRICA DO PLEXO BRAQUIAL DURANTE O MOVIMENTO DE ELEVAÇÃO DO MEMBRO
SUPERIOR - ESTUDO DE CASO
ÍNDICES ELETROMIOGRÁFICOS DURANTE A MASTIGAÇÃO HABITUAL E PADRONIZADA DE
MATERIAIS DE DIFERENTES CONSISTÊNCIAS EM MULHERES COM E SEM DISFUNÇÃO
TEMPOROMANDIBULAR
Página |6
Pág.
CÓDIGO
NOME
154
CMH.119
172
CMH.128
Daiane Lazzeri de
Medeiros
Gabriel Pádua da Silva
174
CMH.129
176
CMH.130
182
CMH.133
184
CMH.134
192
CMH.138
Marcelo Palinkas
212
CMH.148
214
CMH.149
216
CMH.150
234
INS.105
250
INS.113
Thiele de Cássia
Libardoni
Thiele de Cássia
Libardoni
Thiele de Cássia
Libardoni
Ana Izabela Sobral de
Oliveira
Daiane Lazzeri de
Medeiros
260
INS.118
262
INS.119
264
INS.120
268
INS.122
278
INS.127
280
INS.128
288
INS.132
290
INS.133
318
INT.114
Delaine Rodrigues
Bigaton
324
INT.117
Gisele Harumi Hotta
326
INT.118
Gisele Harumi Hotta
368
INT.139
Thiele de Cássia
Libardoni
Gabriela Ferreira
Carvalho
Gabriela Ferreira
Carvalho
Lidiane Lima
Florencio
Lidiane Lima
Florencio
Isadora Orlando de
Oliveira
Isadora Orlando de
Oliveira
Lidiane Lima
Florencio
Marcela Mendes
Bragatto
Natanael Teixeira
Alves de Sousa
Natanael Teixeira
Alves de Sousa
Thiele de Cássia
Libardoni
Walter Ansanello
Netto
TÍTULO
FENDA LABIOPALATAL E DISFUNÇÃO CERVICAL: INFLUENCIA NA ATIVIDADE ELÉTRICA DOS
MÚSCULOS MASTIGATÓRIOS E CERVICAIS
ANÁLISE DO PADRÃO FUNCIONAL DO SISTEMA ESTOMATOGNÁTICO EM INDIVÍDUOS COM
ESCLEROSE MÚLTIPLA
ALTERAÇÃO DO EQUILÍBRIO ESTÁTICO EM SUPERFÍCIE ESTÁVEL E INSTÁVEL EM PACIENTES
COM MIGRÂNEA
AVALIAÇÃO DOS LIMITES DE ESTABILIDADE EM DIFERENTES SUBTIPOS DE PACIENTES COM
MIGRÂNEA
MULHERES COM MIGRÂNEA APRESENTAM ATIVIDADE ELÉTRICA AUMENTADA DOS
MÚSCULOS EXTENSORES DO PESCOÇO DURANTE TESTE DE ESTABILIZADORES CERVICAIS
PRESENÇA DE PONTO GATILHO MIOFASCIAL ATIVO NO ESTERNOCLEIDOMASTOIDEO DE
MULHERES COM MIGRÂNEA ALTERA A ATIVIDADE ELÉTRICA DO MESMO DURANTE TESTE
DE FLEXÃO CRANIOCERVICAL
ANÁLISE DO SISTEMA ESTOMATOGÁTICO DE MULHERES COM ARTRITE REUMATOIDE
COMPARAÇÃO DE ESCORE DE EQUILÍBRIO ENTRE OS SEXOS DE CRIANÇAS COM 8 A 12
ANOS
COMPARAÇÃO DO ALINHAMENTO DA CABEÇA ENTRE DIFERENTES SEXOS E FAIXAS ETÁRIAS
VALORES DE REFERÊNCIA PARA O ALINHAMENTO DA CABEÇA EM ADULTOS SAUDÁVEIS:
DADOS PRELIMINARES
CONFIABILIDADE DO FLEXION ROTATION TEST EM PACIENTES COM MIGRÂNEA E
SAUDÁVEIS
APLICAÇÃO DOS SISTEMAS DINÂMICOS NA ANÁLISE CINEMÁTICA DA ARTICULAÇÃO
ESCAPULOTORÁCICA EM INDIVÍDUOS COM DOR NO OMBRO COM E SEM DISCINESE
ESCAPULAR
AVALIAÇÃO FUNCIONAL LOMBOPÉLVICA: CONFIABILIDADE E MEDIDAS DE ERRO DE TESTES
CLÍNICOS
CONFIABILIDADE E VALIDADE DO DINAMÔMETRO MANUAL LAFAYETTE® EM TESTES DE
QUADRIL PARA USO CLINICO NA FISIOTERAPIA
CORRELAÇÃO ENTRE A ATIVIDADE ELÉTRICA DO MÚSCULO ESTERNOCLEIDOMASTOIDEO
DURANTE TESTE DE FLEXÃO CRANIOCERVICAL E A POSTURA DA CABEÇA DE MULHERES
COM MIGRÂNEA
CORRELAÇÃO DA FORÇA NOS MOVIMENTOS CERVICAIS E CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS EM
INDIVÍDUOS COM CERVICALGIA
OS SALTO VERTICAL E HORIZONTAL SE CORRELACIONAM COM A DINAMÔMETRIA
ISOCINÉTICA MUSCULAR EM ATLETAS DE BASQUETE DE ALTO RENDIMENTO
A DINAMOMETRIA ISOCINÉTICA APRESENTA CORRELAÇÃO COM A ATIVIDADE
ELETROMIGRÁFICA EM ATLETAS DE BASQUETE DE ALTO RENDIMENTO
COMPARAÇÃO E PREDIÇÃO DO PICO DE TORQUE ENTRE CRIANÇAS DO SEXO FEMININO E
MASCULINO
CONFIABILIDADE INTRA-SESSÃO E INTER- EXAMINADOR DO INCLINÔMETRO NA
MENSURAÇÃO DA AMPLITUDE DE MOVIMENTO DO OMBRO EM INDIVÍDUOS COM
SÍNDROME DO IMPACTO SUBACROMIAL
EFEITOS DA MANIPULAÇÃO CERVICAL ALTA SOBRE A ASSIMETRIA E TORQUE DOS
MÚSCULOS MASTIGATÓRIOS EM MULHERES COM DISFUNÇÃO TEMPOROMANDIBULAR
MIOGÊNICA
ANÁLISE DOS SISTEMAS DINÂMICOS NA CINEMÁTICA DA ESCÁPULA DE INDIVÍDUOS COM
SÍNDROME DO IMPACTO SUBACROMIAL SUBMETIDOS AO TREINAMENTO COM
BIOFEEDBACK DE POSIÇÃO
EFEITOS DA TERAPIA DE LASER DE BAIXA POTÊNCIA SOBRE A ATIVIDADE
ELETROMIOGRÁFICA DO MÚSCULO MASSETER
EFEITO DA INSTRUÇÃO PARA ATIVAÇÃO CONSCIENTE DOS MÚSCULOS DO ABDÔMEN NA
ATIVAÇÃO ESCAPULOTORÁCICOS EM EXERCÍCIOS ISOMÉTRICOS DE CADEIA CINÉTICA
FECHADA
APRESENTAÇÕES EM PÔSTERES – SÁBADO 16 DE ABRIL
11:00 às 12:30h
Pág.
CÓDIGO
NOME
38
BCM.101
Amanda Gomes de
Assis Couto
40
BCM.102
Ana Carolina Panhan
TÍTULO
DÉFICIT DE ROTAÇÃO INTERNA DA GLENOUMERAL E SUA CORRELAÇÃO COM A AVALIAÇÃO
CLÍNICA DA DISCINESE ESCAPULAR EM ATLETAS DE ESPORTES AQUÁTICOS: DADOS
PARCIAIS
FUNÇÃO DO MÚSCULO OCCIPITOFRONTAL: AVALIAÇÃO ELETROMIOGRÁFICA
Página |7
Pág.
CÓDIGO
BCM.105
46
BCM.106
48
BCM.107
50
BCM.108
NOME
TÍTULO
Ana Cristina Corrêa
Cervi
Ana Cristina Corrêa
Cervi
Ana Paula de Oliveira
Carnevalli
Ananda Cezarani
CORRELAÇÃO ENTRE O PICO DE FLEXÃO DO JOELHO E O PICO DE VALGO DURANTE A
REALIZAÇÃO DE DIFERENTES TAREFAS FUNCIONAIS PARA AVALIAÇÃO DO VALGO DINÂMICO
ANÁLISE DO VALGO DINÂMICO DO JOELHO EM DIFERENTES ÂNGULOS DE FLEXÃO NAS
TAREFAS FUNCIONAIS “SINGLE LEG STEP DONW” E “SINGLE LEG LANDING”
CORRELAÇÃO ENTRE FORÇA MUSCULAR E INCAPACIDADE DA COLUNA CERVICAL
52
BCM.109
BCM.117
Barbara de Lima
Lucas
Bárbara Gama da
Silva
Bruno Leonardo da
Silva Grüninger
Carlos Alberto
Carranza López
Caroline Baldini
Prudencio
Cyntia Rogean de
Jesus Alves de
Baptista
Deborah Hebling
Spinoso
Denny Marcos Garcia
BCM.118
Elisa Bizetti Pelai
BCM.119
Felipe Marrese
Bersotti
Fernanda Grazielle da
Silva Azevedo Nora
Fernando Carvalheiro
Reiser
Franciele Voltarelli da
Silva Dias
Gabriel Paglioni
Garcia
Giovana Duarte Eltz
54
BCM.110
56
BCM.111
58
BCM.113
62
BCM.114
64
BCM.115
66
BCM.116
68
70
72
74
BCM.120
76
BCM.121
78
BCM.122
80
BCM.124
84
86
BCM.125
BCM.126
88
BCM.127
90
BCM.128
Giovanna Prado
Conteçote
Gislaine Aparecida
Folha
Guilherme Spagnol
92
BCM.129
94
BCM.130
96
BCM.131
98
BCM.132
100
BCM.133
Guilherme Thomaz de
Aquino Nava
Ivanize Mariana
Masselli dos Reis
Kizzy Silva Germano
do Nascimento
Laíse Angélica
Mendes Rodrigues
Larissa Sinhorim
102
BCM.134
104
BCM.135
Lianna Ramalho de
Sena Rosa
Lucas Resende Sousa
106
BCM.136
Maria Paula Martins
Gomes
BCM.137
Raffi Antunes Braga
Bomtempo
108
110
ANÁLISE DA RAZÃO DA FORÇA MUSCULAR ISOMÉTRICA ENTRE FLEXORES E EXTENSORES DO
JOELHO EM PACIENTES DEAMBULADORES COM DISTROFIA MUSCULAR DE DUCHENNE
ANÁLISE DO SISTEMA ESTOMATOGNÁTICO DE INDIVÍDUOS SUBMETIDOS AO IMPLANTE
ZIGOMÁTICO
ANÁLISE DA POTÊNCIA DE MEMBRO SUPERIOR EM ATLETAS DA SELEÇÃO PARALÍMPICA
BRASILEIRA DE HALTEROFILISMO
ANÁLISE CINEMÁTICA DOS MOVIMENTOS DA CABEÇA E DOR EM MULHERES COM
DISFUNÇÃO TEMPOROMANDIBULAR, DISFUNÇÃO CERVICAL E ASSINTOMÁTICAS
ESTUDO DA FUNÇÃO DO MÚSCULO TEMPORAL POR MEIO DA ELETROMIOGRAFIA DE
SUPERFÍCIE EM DIFERENTES CLASSES ESQUELÉTICAS
RECRUTAMENTO MUSCULAR DO ASSOALHO PÉLVICO NO PÓS- PARTO VAGINAL E CESÁREA
DE PRIMIPARAS
ÂNGULO QUADRICIPITAL NÃO INFLUENCIA A VELOCIDADE DA MARCHA DE CRIANÇAS E
ADOLESCENTES SAUDÁVEIS DURANTE A EXECUÇÃO DO TESTE DE CAMINHADA DOS 10
METROS
FRAQUEZA MUSCULAR DE QUADRÍCEPS ESTA ASSOCIADA A DIMINUIÇÃO DA MOBILIDADE
FUNCIONAL EM PACIENTES COM OSTEOARTRITE DE JOELHO
ANÁLISE DA CINÉTICA DA PÁLPEBRA SUPERIOR E DO SUPERCÍLIO EM PACIENTES
SUBMETIDOS À CORREÇÃO DE PTOSE PALPEBRAL E SUJEITOS NORMAIS
FORÇA DO GRUPO MUSCULAR EXTENSOR DE JOELHO EM JOGADORES DE FUTEBOL
CATEGORIA SUB-20
EFEITO DE UM PROTOCOLO EXPERIMENTAL DE FADIGA APLICADO AO MÚSCULO
QUADRÍCEPS FEMORAL
ESTUDO ELETROMIOGRÁFRICO DO CHUTE NO TAEKWONDO: UM ESTUDO PILOTO
ELETROMIOGRAFIA E DESEMPENHO DOS MÚSCULOS FLEXOR SUPERFICIAL DOS DEDOS E
DO EXTENSOR DOS DEDOS EM ARQUEIROS DE ELITE
OROFACIAL CHARACTERISTICS OF SLEEP-RELATED BREATHING DISORDER
PADRÃO DE ATIVAÇÃO ELETROMIOGRÁFICA DOS MÚSCULOS ESTABILIZADORES DE
ESCÁPULA EM INDIVÍDUOS COM E SEM DISCINESE ESCAPULAR ASSINTOMÁTICOS
ANÁLISE ELETROMIOGRÁFICA DO ARREMESSO DE JOGADORES DE BASQUETE
TEMPO DE ENDURANCE DOS MÚSCULOS DO “CORE” EM ATLETAS ARREMESSADORES COM
E SEM DISCINESIA ESCAPULAR
ATIVIDADE ELETROMIOGRÁFICA DOS MÚSCULOS MASSETERES E TEMPORAIS EM
PACIENTES COM APNEIA OBSTRUTIVA DO SONO
AVALIAÇÃO EMG, FORÇA DE MORDIDA E MOBILIDADE MANDIBULAR EM INDIVÍDUOS COM
FRATURAS DE TERÇO MÉDIO E SUPERIOR DA FACE
ANÁLISE DO RECRUTAMENTO MUSCULAR DURANTE A FLEXÃO E A EXTENSÃO DO TRONCO
FRENTE AO AUMENTO GRADUAL DE PESO: RESULTADOS PRELIMINARES
ELETROMIOGRAFIA DE SUPERFÍCIE EM MÚSCULOS INSPIRATÓRIOS: REVISÃO SISTEMÁTICA
ELETROMIOGRAFIA DE MUSCULATURA SUPRAHIOIDEA EM INDIVÍDUOS COM
DEFORMIDADES DENTOFACIAIS CLASSE II E CLASSE III DURANTE PROVAS DE DEGLUTIÇÃO
INFLUÊNCIA DO TORO MANDIBULAR NOS MÚSCULOS MASTIGATÓRIOS
ANÁLISE DA DISTRIBUIÇÃO DE PRESSÃO PLANTAR EM ATIVIDADES FUNCIONAIS DURANTE
FASES DO CICLO MENSTRUAL EM MULHERES USUÁRIAS E NÃO USUÁRIAS DE
CONTRACEPTIVO ORAL
TESTE DE FLEXÃO CRANIOCERVICAL: COMPARAÇÃO ENTRE MULHERES COM DISFUNÇÃO
CERVICAL MUSCULOESQUELÉTICA, TEMPOROMADIBULAR E ASSINTOMÁTICAS
VARIABILIDADE DE PARÂMETROS CINEMÁTICOS DE IDOSOS DE DIFERENTES DÉCADAS
ETÁRIAS
ANÁLISE BIOMECÂNICA DA PARTICIPAÇÃO DO MÚSCULO TRÍCEPS NA POSIÇÃO
INTERMEDIÁRIA ENTRE ADUÇÃO E EXTENSÃO DE OMBRO NO EXERCÍCIO LAT PULL DOWN
ATRAVES DA ELETROMIOGRAFIA
ESTIMATIVA DO FLUXO DE ENERGIA NO RETROPÉ NO PLANO FRONTAL GERADO PELOS
MOMENTOS INTERNOS DO TORNOZELO E DO COMPLEXO ARTICULAR DO MEDIOPÉ
DURANTE A MARCHA
Página |8
Pág.
CÓDIGO
NOME
112
BCM.138
Renan Alves Resende
114
BCM.139
116
BCM.140
118
CMH.101
120
CMH.102
122
CMH.103
124
CMH.104
126
CMH.105
Ricardo José Tecchio
Serrão
Valmir Marcos
Baccaro
Adriano Percival
Calderaro Calvo
Ana Claudia Mattiello
Sverzut
André Augusto
Martines Teixeira
Mendes
André Macari
Baptista
Ângela Kazue Morita
128
CMH.106
Beatriz Mendes Tozim
130
CMH.107
132
CMH.108
136
CMH.110
140
CMH.112
142
CMH.113
144
CMH.114
156
CMH.120
158
CMH.121
160
CMH.122
162
CMH.123
164
CMH.124
166
CMH.125
168
CMH.126
Bruna Carvalho
Cardoso
BRUNA OLIVEIRA
PLASSA
Camila Roza
Gonçalves
Carolina de Almeida
Silva
Claudia Lucia Pimenta
Ferreira
Cyntia Rogean de
Jesus Alves de
Baptista
Daniel Peteossi
Rodrigues Santos
Danilo Stefani
Esposto
Diego Eduardo Robles
Cruz
Emanuela Juvenal
Martins
Felipe Balistieri
Santinelli
Felipe Marrese
Bersotti
Fernando Max Lima
170
CMH.127
178
CMH.131
180
CMH.132
186
CMH.135
188
CMH.136
190
CMH.137
194
CMH.139
196
CMH.140
198
CMH.141
Lígia Maria
Napolitano Gonçalves
Mariana Barcellos
Machado
Marília Martins de
Oliveira Pupim
Mirian Nagae
200
CMH.142
Mirian Nagae
Flávia Pessoni Faleiros
Macedo Ricci
Gabriella de Almeida
Tolentino
Guilherme Thomaz de
Aquino Nava
Liege Maria Di
Bisceglie Ferreira
Lígia Franco Oliveira
TÍTULO
MILD LEG LENGTH DISCREPANCY AFFECTS THE SAGITTAL PLANE BIOMECHANICS OF THE
LOWER LIMBS OF KNEE OSTEOARTHRITIS INDIVIDUALS DURING WALKING
ATIVAÇÃO DOS MÚSCULOS ESTABILIZADORES DA ESCÁPULA EM INDIVÍDUOS COM E SEM
DISCINESE ESCAPULAR ASSINTOMÁTICOS
ANÁLISE ELETROMIOGRÁFICA DOS MÚSCULOS TIBIAL ANTERIOR E SÓLEO EM PACIENTES
HEMIPARÉTICOS NOS AMBIENTES AQUÁTICO E TERRESTRE
ADULTOS UTILIZAM RECURSOS SOMATOSSENSORIAIS NO EQUILÍBRIO UNIPODAL
PADRÕES DE DISTRIBUIÇÃO DA PRESSÃO PLANTAR EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES
SAUDÁVEIS DE 6 A 16 ANOS EM FUNÇÃO DA FAIXA ETÁRIA E GÊNERO
DOR LOMBAR INESPECIFICA INFLUENCIA NA FORÇA MUSCULAR E NA ATIVIDADE
ELETROMIOGRÁFICA DOS ERETORES DA ESPINHA DE SOLDADORES DE UMA INDÚSTRIA
METALÚRGICA NAVAL?
EFEITO DA PREFERÊNCIA PEDAL E DO TIPO DE CHUTE NAS FASES INICIAIS DO CHUTE NO
FUTSAL
ATIVAÇÃO ANTAGONISTA DURANTE O TESTE DE BIERING-SORENSEN EM INDIVÍDUOS COM
DOR LOMBAR RECORRENTE E PESSOAS SAUDÁVEIS
CO-CONTRAÇÃO DOS MÚSCULOS DO TRONCO DURANTE A MARCHA EM JOVENS COM DOR
LOMBAR
ASSOCIAÇÃO ENTRE VARIÁVEIS TEMPORAIS E ESPACIAIS DA MARCHA COM A OSCILAÇÃO
DO CENTRO DE MASSA EM IDOSOS VIVENTES EM INSTITUIÇÕES DE LONGA PERMANÊNCIA
COMPARAÇÃO DAS VARIÁVEIS CINEMÁTICAS DA MARCHA DE IDOSOS VIVENTES NA
COMUNIDADE E EM INSTITUIÇÕES DE LONGA PERMANÊNCIA
EFEITOS DO DISPOSITIVO DE COMPRESSÃO TECIDUAL SUPERFICIAL NO CONTROLE DO
TÔNUS MUSCULAR ESPÁSTICO
TESTE DE CAMINHADA E CAMINHADA TANDEM EM PACIENTES COM MIGRÂNEA COM
AURA E SEM AURA E MIGRÂNEA CRÔNICA
AMPLITUDE E FREQUÊNCIA MEDIANA DO ESPECTRO DA POTÊNCIA DE SUJEITOS COM
DESORDEM TEMPOROMANDIBULAR
TESTE DE CAMINHADA DOS 10 METROS EM CRIANÇAS SAUDÁVEIS: INFLUÊNCIA DA
ACELERAÇÃO E DA DESACELERAÇÃO
IMPORTÂNCIA DA EXPERIÊNCIA PARA A PERCEPÇÃO AUDITIVA DO EFEITO DA BOLA NO
TÊNIS DE MESA
ANÁLISE FUNCIONAL DOS MÚSCULOS MASTIGATÓRIOS E CERVICAIS EM MULHERES
SUBMETIDAS À MASTECTOMIA – ESTUDO PILOTO
ELECTROMECHANICAL DELAY IN HEALTHY SUBJECTS VERSUS SUBJECTS WITH LUMBAR
MUSCLE-SKELETAL SYMPTONS
ANÁLISE COMPARATIVA DA FORÇA MUSCULAR ISOCINÉTICA DE CRIANÇAS E
ADOLESCENTES SAUDÁVEIS E COM MIELOMENINGOCELE
COMPARAÇÃO ENTRE O DESVIO DO OBSTÁCULO DURANTE O ANDAR PARA O LADO MAIS
ACOMETIDO E MENOS ACOMETIDO PELA DOENÇA DE PARKINSON
EFEITO DA FADIGA DO MÚSCULO QUADRÍCEPS FEMORAL NO SENSO DE POSIÇÃO
ARTICULAR DO JOELHO
EXPERIMENTAL INDUCED PAIN INTENSITY DO NOT CORRELATE TO NEITHER FACIAL NOR
NECK MUSCLE ACTIVITY
ATIVIDADE ELETROMIOGRÁFICA DE TRAPÉZIO SUPERIOR E SERRÁTIL ANTERIOR DURANTE A
EXECUÇÃO DE ALCANCE EM DIFERENTES ALTURAS EM INDIVÍDUOS ASSINTOMÁTICOS
REDUÇÃO DO PICO DE FORÇA DOS MÚSCULOS EXTENSORES CERVICAIS EM MULHERES
COM MIGRÂNEA
AVALIAÇÃO DO RECRUTAMENTO MUSCULAR DURANTE O SENTAR E O LEVANTAR EM
INDIVÍDUOS COM E SEM DOR LOMBAR CRÔNICA IDIOPÁTICA: RESULTADOS PRELIMINARES
AVALIAÇÃO DO EQUILÍBRIO OCLUSAL EM CASO DE DOR OROFACIAL ATRAVÉS DOS NÍVEIS
DE CORTISOL E DHEA: RELATO DE CASO
ANÁLISE DO LIMIAR DE FADIGA ELETROMIOGRÁFICA DOS MÚSCULOS MASSETERES E
TEMPORAIS
ESCLEROSE LATERAL AMIOTRÓFICA (ELA) E POSSÍVEIS ALTERAÇÕES NO SISTEMA
ESTOMATOGNÁTICO
A DOR INFLUENCIA O PADRÃO DE ATIVAÇÃO DOS MÚSCULOS MASTIGATÓRIOS EM
INDIVÍDUOS COM DISFUNÇÃO TEMPOROMANDIBULAR?
ANÁLISE ELETROMIOGRÁFICA E AVALIAÇÃO DA FORÇA MUSCULAR RESPIRATÓRIA DE
PACIENTES COM ESCLEROSE MÚLTIPLA
HIPERLACRIMEJAMENTO GUSTOLACRIMAL (SÍNDROME DAS LÁGRIMAS DE CROCODILO):
RELATO DE CASO
ATIVIDADE EXACERBADA DO MÚSCULO BUCINADOR EM SUJEITOS PROGNATAS
Página |9
Pág.
CÓDIGO
NOME
202
CMH.143
204
CMH.144
Nayara Soares da
Silva
Nise Ribeiro Marques
206
CMH.145
Paola Errera Magnani
208
CMH.146
210
CMH.147
218
CMH.151
Roberto Negri
Barbosa
Saulo Cesar Vallin
Fabrin
Tiago Penedo
220
CMH.152
222
CMH.153
224
CMH.154
226
INS.101
228
INS.102
230
INS.103
232
INS.104
236
INS.106
238
INS.107
240
INS.108
Ana Paula Ferro
242
INS.109
244
INS.110
246
INS.111
Andrei Nakagawa
Silva
Andrei Nakagawa
Silva
Carlos Eduardo
Girasol
248
INS.112
252
INS.114
254
INS.115
256
INS.116
258
INS.117
266
INS.121
270
INS.123
272
INS.124
274
INS.125
276
INS.126
282
INS.129
Veridiana Wanshi
Arnoni
Victor Rodrigues
Nepomuceno
Wanderley Jordão
Junior
Alessandro Ribeiro de
Pádua Machado
Amanda Medeiros de
Freitas
Amanda Medeiros de
Freitas
Amanda Medeiros de
Freitas
Ana Paula de Oliveira
Carnevalli
Ana Paula de Sousa
Paixão
Cyntia Rogean de
Jesus Alves de
Baptista
Diana Carolina Reina
Torres
Flávia Medeiros
Guilherme Gallo
Costa Gomes
Gustavo Moreira da
Silva
Lígia Maria Tezo
Daloia
Marcelo Rodrigues
Barbosa da Silva
Marila Rezende
Azevedo
Marília Artese Barros
Marina Foresti dos
Santos
Rafael Cestaro de
Souza
TÍTULO
EFEITOS DA BAIXA VISÃO E DA CEGUEIRA NO COMPLEXO POSTURAL
IDENTIFICAÇÃO DE PARÂMETROS DISCRIMINATIVOS DE QUEDAS EM IDOSOS UTILIZANDO A
CINEMÁTICA DA MARCHA
COMPARAÇÃO DA ATIVAÇÃO MUSCULAR DE TRONCO ENTRE INDIVÍDUOS COM E SEM
LESÃO MEDULAR
IMPORTÂNCIA DA INFORMAÇÃO AUDITIVA PARA A IDENTIFICAÇÃO DO EFEITO DA BOLA NO
TÊNIS DE MESA: COMPARAÇÃO ENTRE HOMENS E MULHERES
INFLUÊNCIA DA ESCOLIOSE IDIOPÁTICA SEVERA NO SISTEMA ESTOMATOGNÁTICO, COLUNA
VERTEBRAL E FORÇA RESPIRATÓRIA
AJUSTES ESPAÇO-TEMPORAIS DURANTE A FASE DE APROXIMAÇÃO PARA DESVIO DE UM
OBSTÁCULO EM IDOSOS COM DOENÇA DE PARKINSON
ANÁLISE DO LIMIAR DE FADIGA ELETROMIOGRÁFICA DOS MÚSCULOS MASTIGATÓRIOS EM
INDIVÍDUOS COM OSTEOPOROSE
IMPACTO DA SÍNDROME DA FIBROMIALGIA NA MUSCULATURA MASTIGATÓRIA E CERVICAL
FADIGA E DOR EM MULHERES COM E SEM DISFUNÇÃO TEMPOROMANDIBULAR DURANTE
A FORÇA DE MORDIDA MÁXIMA
A METHOD TO QUANTIFY WRIST TREMOR AND ASSIST DEEP BRAIN STIMULATION
CONFIGURATION
ANÁLISE DA COMPOSIÇÃO MUSCULAR POR MEIO DA ELETROMIOGRAFIA DE SUPERFÍCIE
APLICAÇÃO DA ANÁLISE DE COMPONENTES PRINCIPAIS EM SINAIS DE ELETROMIOGRAFIA
DE SUPERFÍCIE
ANÁLISE DA FREQUÊNCIA MÉDIA EM CONTRAÇÕES ISOMÉTRICAS UTILIZANDO
ELETROMIOGRAFIA DE SUPERFÍCIE
CONFIABILIDADE DA AVALIAÇÃO DA FORÇA MUSCULAR VOLUNTÁRIA MÁXIMA DOS
MUSCULOS CERVICAIS PELA DINAMOMETRIA MANUAL EM MULHERES SAUDÁVEIS
CARACTERÍSTICAS DA FREQUÊNCIA, AMPLITUDE, ENTROPIA E VARIABILIDADE ESTIMADOS
POR SENSORES INERCIAIS E ELETROMIOGRÁFICOS EM INDIVÍDUOS COM TREMOR DE
PUNHO NA DOENÇA DE PARKINSON
CONFIABILIDADE DA BIOMPEDANDIA ELETRICA NA AVALIAÇÃO DO MEMBRO SUPERIOR DE
MULHERES SUBMETIDAS AO TRATAMENTO DO CANCER DE MAMA: ESTUDO PILOTO.
FILTRAGEM DE SINAIS ELETROMIOGRÁFICOS UTILIZANDO EMPIRICAL MODE
DECOMPOSITION
DETECÇÃO DO ONSET NO SINAL EMG: INFLUÊNCIA DO GRAU DE SUAVIZAÇÃO DA
ENVOLTÓRIA DO SINAL EMG NA DETECÇÃO POR USO DE LIMIAR SIMPLES
CORRELAÇÃO ENTRE A TEMPERATURA CUTÂNEA SOBRE PONTO GATILHO MIOFASCIAL NO
MÚSCULO TRAPÉZIO SUPERIOR E ATIVIDADE ELETROMIOGRÁFICA EM INDIVÍDUOS COM
CERVICALGIA CRÔNICA
EFEITO DA FAMILIARIZAÇÃO DO TESTE DE CAMINHADA DOS 10 METROS EM CRIANÇAS
SAUDÁVEIS
REPRODUTIBILIDADE INTRA AVALIADOR E NÍVEL DE ACORDO DAS VARIÁVEIS OBTIDAS EM
DOIS PROTOCOLOS DE DINAMOMETRÍA EM HOMENS JÓVENS E SADIOS
ANÁLISE DE MUDANÇAS NA CLASSIFICAÇÃO DO START BACK SCREENING TOOL PARA
PREDIZER DESFECHOS CLÍNICOS EM PACIENTES COM DOR LOMBAR CRÔNICA QUE
RECEBEM TRATAMENTO FISIOTERÁPICO
AVALIAÇÃO EM TEMPO REAL DO PROTÓTIPO ELETROGONIÔMETRO FLEX NA PRECISÃO DOS
ÂNGULOS DA ARTICULAÇÃO DO COTOVELO
METODOLOGIA DE ANÁLISE DA INTERFERÊNCIA CAUSADA PELA CONTRAÇÃO DO MÚSCULO
FRONTAL NO ESCALPO
CONFIABILIDADE INTEREXAMINADORES DA AVALIAÇÃO PELO DINAMÔMETRO HANDHELD
EM ESCOLARES DE 6 A 14 ANOS
A INFLUÊNCIA DO USO DE FAIXAS ESTABILIZADORAS NA CONFIABILIDADE DO
DINAMÔMETRO MANUAL LAFAYETTE
AVALIAÇÃO CLÍNICA DO BRUXISMO DO SONO EM JOVENS ADULTOS COM AUXÍLIO DE
DISPOSITIVO DESCARTÁVEL DE EMG
CORRELAÇÃO ENTRE A IMPEDÂNCIA ELÉTRICA DO TRONCO E O LIMIAR DE DOR À PRESSÃO
SOBRE PONTO GATILHO MIOFASCIAL EM PACIENTES COM DOR CERVICAL CRÔNICA
CORRELAÇÃO ENTRE RAZÃO DE FLEXÃO RELAXAMENTO E INCAPACIDADE RELACIONADA À
DOR CERVICAL CRÕNICA
COMPARAÇÃO ENTRE VARIÁVEIS CINÉTICAS E CINEMÁTICAS DO MEDIOPÉ ESTIMADAS POR
TRÊS CONFIGURAÇÕES DE MARCAS DE RASTREAMENTO DOS MOVIMENTOS DO ANTEPÉ
DURANTE A MARCHA
P á g i n a | 10
Pág.
CÓDIGO
NOME
TÍTULO
INS.130
Rafaela de Melo Silva
INS.131
Raphael Borges de
Oliveira Gomes
Adriana Arruda Piccini
CORRELAÇÃO ENTRE A ELETROMIOGRAFIA DE SUPERFÍCIE DOS MÚSCULOS DO ASSOALHO
PÉLVICO DE NULIGESTAS COM OS MÉTODOS PALPAÇÃO DIGITAL, PRESSÃO DE CONTRAÇÃO
E DINAMOMETRIA
COMPARAÇÃO ENTRE TRÊS CONFIGURAÇÕES DE RASTREAMENTO DOS MOVIMENTOS DO
ANTEPÉ DURANTE A PRONAÇÃO E SUPINAÇÃO DO PÉ EM ORTOSTATISMO
PROTOCOLO DE REEDUCAÇÃO DA POSTURA PÉLVICA E SEUS EFEITOS SOBRE OS MÚSCULOS
DO ASSOALHO E A BASCULA - ESTUDO PILOTO
EFICÁCIA DO MÉTODO MCKENZIE NO TRATAMENTO DE PACIENTES COM DOR LOMBAR
CRÔNICA NÃO ESPECÍFICA: ANÁLISE PRELIMINAR DE UM ESTUDO PLACEBO CONTROLADO
RANDOMIZADO
COMPARAÇÃOATRAVÉS DA UNIDADE PRESSÓRICA DE BIOFEEDBACK E PALPAÇÃO CLÍNICA
NOS RESULTADOS DE EXERCÍCIOS PARA ESTABILIZAÇÃO DA COLUNA LOMBAR EM
SUPERFÍCIE ESTÁVEL E PRANCHA DESLIZANTE
O EFEITO IMEDIATO DA ESTIMULAÇÃO ELÉTRICA TRANSCRANIANA POR CORRENTE
CONTÍNUA ASSOCIADA AO USO DA FES, SOBRE A ATIVIDADE ELÉTRICA DO MÚSCULO TA DE
INDIVÍDUOS COM HEMIPARESIA DECORRENTE DE AVE: ESTUDO ALEATORIZADO,
CONTROLADO E DUPLO CEGO
EFEITO AGUDO DE EXERCÍCIOS DO MÉTODO PILATES NA ATIVAÇÃO DOS MÚSCULOS DO
TRONCO DE PESSOAS COM E SEM DOR LOMBAR INESPECÍFICA
EFEITO AGUDO DA CORRENTE DE ALTA VOLTAGEM SOBRE A DOR E FORÇA MUSCULAR EM
MULHERES COM OSTEOARTRITE DE JOELHO
DOZE SESSÕES DE TREINAMENTO COM O MÉTODO PILATES PROMOVEM MELHORA DA
FLEXIBILIDADE DOS ISQUIOTIBIAIS E DA MOBILIDADE DA COLUNA VERTEBRAL
EFEITO DO MÉTODO PILATES NA RESISTÊNCIA MUSCULAR E ELETROMIOGRAFIA DOS
MÚSCULOS MULTÍFIDOS EM IDOSAS COM DOR LOMBAR CRÔNICA
EFEITO DA BANDAGEM ELÁSTICA NA ATIVAÇÃO MUSCULAR DO QUADRÍCEPS E TORQUE
ISOMÉTRICO DOS EXTENSORES DO JOELHO EM INDIVÍDUOS COM OSTEOARTRITE
EFEITO AGUDO DO TREINAMENTO COM HASTE OSCILATÓRIA NA ATIVAÇÃO DOS
MÚSCULOS ESTABILIZADORES DA ESCÁPULA EM INDIVÍDUOS ASSINTOMÁTICOS COM E
SEM DISCINESE ESCAPULAR
EFEITOS DA ACUPUNTURA SISTÊMICA NO SINAL ELETROMIOGRÁFICO DURANTE A
CONTRAÇÃO ISOMÉTRICA VOLUNTÁRIA MÁXIMA DO MÚSCULO TRAPÉZIO
EFEITO DO USO NOTURNO DE ÓRTESE DE POSICIONAMENTO DE PUNHO NA FUNÇÃO E
SINTOMAS DA SÍNDROME DO TÚNEL DO CARPO: ESTUDO DE DOIS CASOS
TREINAMENTO ABDOMINOPÉLVICOS PARA OS MÚSCULOS DO ASSOALHO PÉLVICO:
COMPARAÇÃO DE PROTOCOLOS
EFEITO DA ESTIMULAÇÃO ELÉTRICA DE ALTA VOLTAGEM SOBRE A CO-CONTRAÇÃO E
COEFICIENTE DE SOBREPOSIÇÃO DOS MÚSCULOS MASTIGATÓRIO NA DISFUNÇÃO
TEMPOROMANDIBULAR
EFEITO DO FORTALECIMENTO DA MUSCULATURA PÓSTEROLATERAL DO QUADRIL EM
INDIVÍDUOS COM OSTEOARTRITE DE JOELHO
EFEITO DO TRATAMENTO FISIOTERAPÊUTICO NO TORQUE E ATIVIDADE MIOELÉTRICA DO
JOELHO E QUADRIL PRÉ E PÓS RECONSTRUÇÃO DO LIGAMENTO CRUZADO ANTERIOR (LCA):
UM ESTUDO CONTROLADO
ANÁLISE DA ATIVIDADE ELÉTRICA E DA FORÇA MUSCULAR GLOBAL EM PACIENTES COM
DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÔNICA (DPOC) SUBMETIDOS A TRATAMENTO
FISIOTERAPÊUTICO
EFEITOS DE DOIS PROTOCOLOS FISIOTERAPÊUTICOS NA ESPASTICIDADE E FUNÇÃO DO
MEMBRO SUPERIOR DE SUJEITOS HEMIPARÉTICOS
A INFLUÊNCIA DO FORTALECIMENTO DO QUADRIL EM PACIENTES COM SÍNDROME DA DOR
FEMOROPATELAR: REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
TREINAMENTO COM VIBRAÇÃO DO CORPO INTEIRO PODE FAVORECER A COATIVAÇÃO
ENTRE OS MÚSCULOS DO ASSOALHO PÉLVICO E TRANSVERSO DO ABDOMEN/OBLÍQUO
INTERNO?
EFEITOS DA TERAPIA POR CONTENSÃO INDUZIDA EM PACIENTES PÓS ACIDENTE VASCULAR
ENCEFÁLICO EM CURSO CRÔNICO
INFLUÊNCIA DA TERAPIA A LASER DE BAIXA INTENSIDADE NA REDUÇÃO DA FADIGA
ELETROMIOGRÁFICA DO MUSCULO BICEPS BRAQUIAL APÓS OITO SEMANAS DE
TREINAMENTO DE RESISTÊNCIA
EFEITO IMEDIATO DE UMA SESSÃO DE TREINAMENTO DO MÉTODO PILATES SOBRE O
PADRÃO DE CO-CONTRAÇÃO DOS MÚSCULOS ESTABILIZADORES DO TRONCO EM
INDIVÍDUOS COM E SEM DOR LOMBAR CRÔNICA INESPECÍFICA
EFEITOS DO TRATAMENTO DE TRIGGER-POINTS MIOFACIAIS SOBRE A AMPLITUDE DE
ABERTURA BUCAL EM PACIENTES COM DISFUNÇÃO TEMPOROMANDIBULAR
UTILIZAÇÃO DA TÉCNICA DE STRAIN-COUTERSTRAIN NO TRATAMENTO DA DOR OROFACIAL
EM PACIENTES COM DISFUNÇÃO TEMPOROMANDIBULAR
284
286
INT.101
292
INT.102
Alessandra Narciso
Garcia
INT.103
Alethéa Gomes
Nardini
INT.104
Aline Marina Alves
Fruhauf
INT.105
Aline Prieto de Barros
Silveira
Amanda Gomes de
Assis Couto
Ariane Cristina Dias
de Souza
Beatriz Mendes Tozim
294
296
298
300
INT.106
302
INT.107
304
INT.108
306
INT.109
308
INT.110
Bruna Carvalho
Cardoso
Caio Giorgetto Leite
310
INT.111
312
INT.112
314
INT.113
316
INT.115
Cristhyano Pimenta
Marques
Danielle Soares
Figueiredo
Danielli Nunes
Cristovam
Elisa Bizetti Pelai
320
INT.116
322
INT.119
Felipe Marrese
Bersotti
Heleodório Honorato
dos Santos
328
INT.120
Heleodório Honorato
dos Santos
INT.121
Heleodório Honorato
dos Santos
Inara Ribeiro Cunha
330
332
INT.122
334
INT.123
Isabela Garcia
Carrilho Peres
INT.124
João Carlos Comel
INT.125
Kamila Verlene
Soares Gomes Vieira
INT.126
Laura Zanforlin Nagel
INT.127
Leandro Ribeiro
Reche de Souza
Leandro Ribeiro
Reche de Souza
336
338
340
342
344
INT.128
346
P á g i n a | 11
Pág.
CÓDIGO
NOME
TÍTULO
Liege Maria Di
Bisceglie Ferreira
Lucas Caetano Carlos
AVALIAÇÃO DA DEGLUTIÇÃO PRÉ E PÓS EQUILÍBRIO OCLUSAL ATRAVÉS DO AJUSTE
OCLUSAL FUNCIONAL
ATIVIDADE MUSCULAR DO CORE DURANTE UM PROTOCOLO DE FADIGA EM PRATICANTES
DE DIFERENTES MODALIDADES DE TREINAMENTO
EFEITO DE DOIS PROGRAMAS DE TREINAMENTO ABDOMINOPÉLVICO EM MULHERES
JOVENS NULÍPARAS, CONTINENTES: ESTUDO CONTROLADO, RANDOMIZADO
EFEITOS DO ULTRASSOM ESTÁTICO ASSOCIADO A TERAPIA MANUAL PARA O TRATAMENTO
DE PONTOS GATILHOS MIOFASCIAIS EM INDIVÍDUOS COM CERVICALGIA: ESTUDO CLÍNICO
PILOTO
EFEITO DO TRATAMENTO DA DEFORMIDADE DENTOFACIAL NA POSTURA DE CABEÇA
348
INT.129
350
INT.130
352
INT.131
354
INT.132
356
INT.133
358
INT.134
360
INT.135
362
INT.136
Melissa Nara de
Carvalho Picinato
Pirola
Natalia Akemi
Yamada Terada
Odinê Maria Rêgo
Bechara
Ricardo da Silva Alves
364
INT.137
Rodrigo Martin Oda
366
INT.138
370
INT.140
Saulo Cesar Vallin
Fabrin
Vanessa Veis Ribeiro
372
INT.141
374
INT.142
Marilia Fernandes
Andrade
Matheus Pereira
Oliveira
Vinicius Cobos
Stefanelli
Vinícius Cobos
Stefanelli
ANÁLISE DO SINAL ELETROMIOGRÁFICO E BIOMECÂNICO DE FLEXO-EXTENSORES DE
JOELHO EM DIABÉTICOS TIPO 2 APÓS TREINAMENTO SENSÓRIO MOTOR
ANÁLISE DOS MUSCULOS CERVICAIS EM MULHERES COM DISFUNÇÃO
TEMPOROMANDIBULAR TRATADAS COM ACUPUNTURA
INFLUÊNCIA DA PRÁTICA DE EXERGAMES NA MELHORA DA FADIGA EM PACIENTES COM
CÂNCER
EFEITO DA MEDICAÇÃO DOPAMINÉRGICA SOBRE OS PARÂMETROS ESPAÇO-TEMPORAIS DO
PASSO DE DESVIO DO OBSTÁCULO EM IDOSOSCOM DOENÇA DE PARKINSON
ACUPUNTURA NA REABILITAÇÃO DA PARALISIA FACIAL DE BELL COM BASE NAS
RAMIFICAÇÕES DO NERVO FACIAL
EFEITO DO BIOFEEDBACK ELETROMIOGRÁFICO ASSOCIADO A TERAPIA VOCAL NA
QUALIDADE VOCAL DE MULHERES DISFÔNICAS: RESULTADOS PRELIMINARES
EFEITOS DA LIBERAÇÃO CICATRICIAL ABDOMINAL SOBRE A DOR E ATIVIDADE
ELETROMIOGRÁFICA LOMBAR DE PACIENTE COM DOR LOMBAR CRÔNICA
ZUMBIDO NO OUVIDO CAUSADO POR CONTRAÇÕES ESPASMÓDICAS DO MÚSCULO
SALPINGOFARÍNGEO: DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO OSTEOPÁTICO - RELATO DE CASO
P á g i n a | 12
APRESENTAÇÕES ORAIS
P á g i n a | 13
COORDENAÇÃO NEUROMUSCULAR DA MASTIGAÇÃO EM ADULTOS
JOVENS COM FISSURA LABIOPALATINA E TIPO MASTIGATÓRIO
BILATERAL ALTERNADO
Tatiane Totta1; Giédre Berretin-Felix2; Cláudia Maria de Felício3; Katia Flores Genaro1,2
1 Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC-USP); 2 Faculdade de Odontologia de Bauru
(FOB-USP); 3 Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP – USP)
Introdução: Indivíduos com fissura labiopalatina
(FLP) podem apresentar deformidade dentofacial
como efeito iatrogênico das cirurgias primárias,
repercutindo na função mastigatória. Dentre os tipos
mastigatórios, a mastigação bilateral alternada (BA)
é considerada o padrão mais adequado1. Por meio do
método “Differential Lissajous EMG Figure”, que
verifica a coordenação entre os músculos masseter e
temporal durante a mastigação, e analisa de forma
diferencial
e
simultânea
parâmetros
eletromiográficos
entre
pares
musculares
contralaterais2, as autoras hipotetizaram que
indivíduos com FLP, mesmo com mastigação BA,
apresentariam parâmetros eletromiográficos distintos
dos indivíduos sem fissura.
Objetivo: Analisar se há diferença nos parâmetros
eletromiográficos entre indivíduos com FLP, com
mastigação BA, e indivíduos sem fissura.
Métodos: Estudo transversal aprovado pelo Comitê
de
Ética
do
HRAC-USP
(CAAE:
26648914.5.0000.5441), e parte integrante do projeto
“Inter-relações Morfofuncionais no Complexo
Craniofacial”, do Núcleo de Apoio a Pesquisa em
Morfofisiologia do Complexo Craniofacial (processo
nº 11.1.21626.01.7). Participaram 38 adultos jovens,
ambos os gêneros, entre 18 anos e 28 anos de idade
(média: 23±2,5), divididos em dois grupos. O grupo
fissura (GF): 15 indivíduos com FLP unilateral
operada, não sindrômica, todos com mordida cruzada
posterior bilateral, e o grupo controle (GC): 23
indivíduos com boa saúde geral e oral (mínimo de 28
dentes, sem má oclusão), sem sinais e sintomas de
disfunção temporomandibular (DTM)3. Foram
fatores de inclusão do GC: ausência de histórico de
distúrbios neurológicos centrais ou periféricos,
fibromialgia, cirurgias ou traumas na região da
cabeça e pescoço; uso crônico de analgésicos, antiinflamatórios ou psicotrópicos; além de reabilitação
protética. A mastigação foi classificada por três
avaliadoras experientes e considerada BA quando os
ciclos mastigatórios ocorreram 50% em cada lado ou
40% de um lado e 60% do outro, conforme avaliação
clínica da mastigação de biscoito4,5, registrada com
câmera digital (Sony DSC-HX1 9.1MP) posicionada
em tripé à frente do indivíduo, que estava sentado e
com os pés apoiados no chão. A concordância
(Kappa) de cada avaliadora com a opinião da maioria
demonstrou concordância substancial para a
avaliadora 1 e moderada para as demais. Para a
avaliação eletromiográfica a pele na região dos
músculos masseter e temporal anterior foi limpa com
álcool 70% e eletrodos bipolares de superfície (AgCl)
foram posicionados paralelos às fibras musculares5.
A atividade eletromiográfica durante a mastigação
unilateral de goma de mascar (15 segundos em cada
lado)2,5 foi registrada por meio do Eletromiógrafo
BTS FREEEMG 300, de oito canais (BTS
Bioengineering®), e na análise utilizou-se os
programas BTSDental Contact AnalyseeSmart
Analyser-MatLab2011, seguido pelo“differential
Lissajous EMG figure”. O sinal foi normalizado pela
máxima contração voluntária (MCV) com rolos de
algodão posicionados bilateralmente na região dos
primeiros molares/segundo pré-molares2,5. Da MCV
obtiveram-se os parâmetros: simetria entre pares
musculares contralaterais (POC) e força de
deslocamento lateral (TORQUE), enquanto da
mastigação unilateral calculou-se os parâmetros:
simetria do padrão muscular entre a mastigação
direita e esquerda (SMI), bem como a frequência
mastigatória, que corresponde ao quociente entre o
número de ciclos mastigatórios e o tempo do teste. O
Teste t de Student (p≤0,05) foi utilizado na análise.
Resultados: Os resultados estão descritos na Tabela
1.
P á g i n a | 14
Tabela 1: Média e desvio padrão dos valores de cada
parâmetro eletromiográfico.
Parâmetro
POC (%)
Temporal
Masseter
SMI (%)
Torque (%)
Frequência
(Hz)
lado direito
lado esquerdo
GF
Grupos
GC
Valor
de p
79,28±9,85
75,50±11,8
0
42,50±31,1
0
7,15±6,87
86,31±3,11
84,06±9,53
0,017*
0,027*
64,10±25,1
0
5,31±3,66
0,033*
1,279±0,25
2
1,316±0,19
0
1,347±0,16
1
1,387±0,16
9
0,360
0,352
0,246
*: Diferença significante no Teste-t.
Discussão: A hipótese testada foi confirmada, pois,
no GF, mesmo com padrão mastigatório
fisiologicamente adequado1, as médias de POC entre
os músculos contralaterais foram menores, assim
como foi menor a simetria dos padrões mastigatórios
entre as mastigações unilaterais. A deformidade
dentofacial no GF pode ter afetado a coordenação
muscular da mastigação, mas também a presença de
mordida cruzada posterior unilateral, assim como
verificado em jovens com a mesma má-oclusão,
porém sem DDF6. Contudo, os valores de TORQUE
foram compatíveis aos obtidos em jovens com
oclusão normal7, o que demonstra que a deformidade
ou a mordida cruzada não levaram à contração
desequilibrada entre os músculos masseteres e
temporais a ponto de ocasionar força de
deslocamento lateral. Também não afetaram a
frequência mastigatória, pois a velocidade
mastigatória foi semelhante à verificada em
indivíduos normoclusais sem DTM5.
Conclusões: No presente estudo, os indivíduos com
FLP e mastigação BA apresentaram menor simetria
entre os lados direito e esquerdo, tanto no músculo
masseter, quanto no temporal na MCV, e durante a
mastigação, comparados ao grupo controle.
Referências:
1- De Felício CM. Desenvolvimento normal das
funções estomatognáticas. In: Fernandes FDM et al,
organizador. Tratado de fonoaudiologia. Roca.
2009a. p.17-27.
2- Tartaglia GM et al. Clin Oral Implants Res. 2008
Oct;19(10):1081-8. doi: 10.1111/j.16000501.2008.01574.x.
3- Pereira Júnior F, Favilla EE, Dworkin S, Huggins
K. Critérios de diagnóstico para pesquisa das
disfunções temporomandibulares (RDC/TMD).
Tradução oficial para a língua portuguesa. JBC J
Bras Clin Odontol Integr. 2004;8(47):384-95.
4- De Felício CM et al. J Oral Rehabil. 2012
Oct;39(10):744-53. doi: 10.1111/j.13652842.2012.02336.x.
5- Ferreira CL et al. J Electromyogr Kinesiol. 2014
Aug;24(4):565-71. doi:
10.1016/j.jelekin.2014.04.005.
6- Ferrario VF et al. J Oral Rehabil. 1999;26(7):57581.doi: 10.1046/j.1365-2842.1999.00419.x
7- De Felício CM et al. J Oral Rehabil. 2009b
Aug;36(8):577-83. doi: 10.1111/j.13652842.2009.01970.x.
Fontes financiadoras: Pró-Reitoria de Pesquisa da
Universidade de São Paulo.
Fonte dos dados: Esses dados são parte do conteúdo
da Tese de Doutorado intitulada: “Análise do padrão
mastigatório
em
indivíduos
com
fissura
labiopalatina”. O trabalho é desenvolvido junto ao
Programa de Pós-Graduação em Ciências da
Reabilitação, pelo Hospital de Reabilitação de
Anomalias Craniofaciais, Universidade de São Paulo.
P á g i n a | 15
ANÁLISE DA CINEMÁTICA DA MASTIGAÇÃO NAS DEFORMIDADES
DENTOFACIAIS E DESORDENS TEMPOROMANDIBULARES
Fernanda V Sidequersky1; Andrea Mapelli1,2; Lúcia D Giglio1; Denny M Garcia1; Francisco V Mello-Filho1;
Cláudia M de Felício1; Luciana V V Trawitzki1
1 Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, Brasil
2 Università degli Studi di Milano, Milano, Italy
Introdução: Os fatores causais desordem
temporomandibular (DTM) não estão bem
esclarecidos e papel de má oclusões na etiologia dessa
disfunção têm sido debatido ao longo de vários anos.
Contudo, indivíduos com deformidades dentofaciais
(DDF) apresentam má oclusões graves, mas não
necessariamente apresentam DTM. Uma questão que
se coloca é se há diferenças entre eles na função
mastigatória já que essa pode ser influenciada por
diversos fatores.
Objetivos: Verificar se pacientes com DDF e DTM
apresentam características particulares na cinemática
da mastigação que permitam distingui-los e se eles se
diferenciam de indivíduos saudáveis (C).
Métodos: Foram avaliados 99 voluntários jovens e
adultos entre 18 e 40 anos, 39 deles portadores de
DTM com deslocamento de disco com redução.
Também foram selecionados 40 pacientes com DDF,
sendo 13 classe II (DDF-CII) (caracterizada por
retrognatismo mandibular e/ou por excesso de
crescimento maxilar), e 27 classe III (DDF-CIII)
(caracterizada por prognatismo mandibular e/ou por
deficiência maxilar, tendo a mandíbula mais
anteriorizada em relação à maxila). Para compor o
grupo (C) foram selecionados 20 voluntários sem
DTM conforme o Research Diagnostic Criteria for
TMD (RDC-TMD)1 e sem distúrbios miofuncionais
orofaciais. Os movimentos mandibulares foram
registrados durante a tarefa funcional de mastigação
unilateral (à direita e depois à esquerda), por 25s em
média, de uma goma de mascar sem açúcar (1,5g;
Trident®). A prova foi iniciada com os dentes em
posição de intercuspidação (ICP). Para o registro
foram empregadas oito câmeras de alta resolução
(BTS SMART), compostas por sensores sensitivos
aos raios infravermelhos (infrared, IR), acopladas a
um vídeo processador com frequência de amostragem
de 500 Hz, que fornecem a projeção tridimensional
dos marcadores passivos. Três marcadores passivos e
reflexivos (diâmetro, 5 mm), posicionados na glabela,
e região frontotemporal à direita e à esquerda,
definiram a referência do plano craniano e dois
pontos de referência condilares (condylar reference
points, CRPs) foram localizados por palpação e
marcados enquanto o sujeito mantinha a boca fechada
em ICP. Outros três marcadores passivos (diâmetro,
5 mm) foram posicionados nos vértices de um
triângulo equilátero construído com fio ortodôntico
(lados, 40 mm; peso, 2 g); este aparato (antena)
fixado na gengiva na região anterior da mandíbula
usando adesivo cirúrgico (Stomahesive; Convetec
Inc., Deeside, United Kingdom), fornece o sistema de
referência mandibular e descreve seu movimento
relativo ao plano craniano.2, 3 Um marcador adicional
(dental mandibular) posicionado na linha média da
borda incisal (interincisal point, IP), foi usado como
ponto de referência estática para identificar o
marcador dental (oclusal) relativo à antena extraoral.
Os parâmetros cinemáticos calculados durante a
mastigação foram: área média frontal e sagital dos
ciclos descritos pelo IP; porcentagem (%) da área
frontal do lado de trabalho; porcentagem (%) da área
sagital posterior; velocidade do IP nas fases de
abertura/fechamento dos ciclos mastigatórios. O
estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética local
(HCRP- 14332/2011).
Cálculos estatísticos: Estatística descritiva foi
calculada para todas as variáveis. As médias dos
grupos DTM, DDF-CII, DDF-CIII e C foram
comparadas pelo teste 1-way ANOVA. O teste
Kruskal-Wallis foi usado para verificar as diferenças
entre os grupos. O nível de significância estabelecido
foi de 5%.
Resultados: Pacientes e indivíduos saudáveis não
apresentaram
diferenças
estatisticamente
significantes quanto à variável idade (1-way
ANOVA, p≥0.05). Quanto às variáveis da cinemática
da mastigação, foi descrito o valor médio entre os
lados. Foi observado que os pacientes com a DDFCII apresentaram a porcentagem da área sagital
posterior estatisticamente menor quanto comparado
aos demais grupos durante a mastigação.
P á g i n a | 16
Table 1: Parâmetros cinemáticos da mastigação,
médiaDP.
C
(n=20)
DDF
CII
CIII
(n=13) (N=27)
DTM
(n=39)
25±4
26±7
26±8
31±10
32±15
28±6
33±17
26±12
9±4
14±7
11±5
10±5
78±9
72±14
68±10
75±14
Referências Bibliográficas:
1 Dworkin SF, LeResche L. J Craniomandib Disord.
1992 Fall;6(4):301-55.
2 Sforza C et al. J Craniomaxillofac Surg.
2009;37:27-33.
doi: 10.1016/j.jcms.2009.01.002.
3 De Felício CM et al. J Electromyogr Kinesiol.
2013;23(3):627-33.
doi: 10.1016/j.jelekin.2013.01.016.
4 Ferrario VF et al. Cranio. 2006;24: 274-82. doi:
10.1179/crn.2006.043
94±6
*75±25
92±13
91±10
Agradecimento
Velocidade do IP na fase
de abertura [mm/s]
35±8
31±5
38±10
35±9
Velocidade do IP na fase
de fechamento [mm/s]
46±13
35±7
48±14
45±14
Medidas
[unidade]
Idade [anos]
Área média frontal do IP
[mm2]
Área média sagital do IP
[mm2]
Porcentagem da área
frontal do lado de trabalho
[%]
Porcentagem da área
sagital posterior [%]
*Valor significativo de p
* Teste Kruskal-Wallis (p> 0,05)
DP= Desvio Padrão; NS, não significativo.
Não foram observadas diferenças significativas no
índice de velocidade do ponto IP durante a fase de
abertura e fechamento mandibular na mastigação,
porém observou-se uma diminuição do índice no
grupo DDF-CII, principalmente durante o
fechamento do ciclo.
Discussão: Não foram observadas diferenças
significativas que pudessem distinguir a mastigação
entre os grupos com DDF e DTM.
Quanto à ausência de diferenças entre os grupos, deve
ser resssaltado que neste tipo de análise, quando
diferentes indivíduos são agrupados, principalmente
aqueles do grupo com alteração, características
individuais altamente relevantes podem ser
ocultadas. Nesse estudo utilizamos a goma de mascar
para verificar possíveis características para
diferenciar os grupos, entretanto, podemos ressaltar
que a mastigação de uma goma de mascar é realizada
facilmente sem quebrar ou selecionar partículas; e
envolve um padrão simples de fechamento
mandibular para o esmagamento do bolo. A goma de
mascar foi usada para a padronização do bolo
(volume e peso), pois segundo a literatura este
alimento mantém as suas características durante toda
a prova.4
Conclusão: Os resultados sugerem que é necessário
o aprofundamento do cálculo dos índices da
cinemática da mastigação para conseguir diferenciar
os grupos de pacientes estudados.
Núcleo de Apoio a Pesquisa em Morfofisiologia do
Complexo Craniofacial (NAP-CF) da Faculdade de
Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São
Paulo. (Processo USP 11.1.21626.01.7 - Programa de
Incentivo à Pesquisa da Reitoria da Universidade de
São Paulo).
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e
Tecnológico – CNPq (Bolsa Jovens Talentos).
P á g i n a | 17
COMPARAÇÃO ENTRE OS VALORES DE MOMENTO DO MÉDIO-PÉ DE
INDIVÍDUOS COM DIFERENTES NÍVEIS DE PRONAÇÃO DURANTE A
POSTURA ORTOSTÁTICA RELAXADA
Letícia Silveira1; Karina Rocha1; Vanessa Araújo1; Fabrício Magalhães1; Thales Souza1;
Filipe Herlon Cabral de Freitas1; Sérgio Fonseca1
1 Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
Introdução: O desenvolvimento de lesões
musculoesqueléticas tem sido associado a
alterações na postura e no movimento de pronação
e supinação do complexo tornozelo-pé, comumente
mensurados pelo ângulo de eversão e inversão do
retropé em relação a perna1. Diversos fatores podem
contribuir para a quantidade de movimento de
eversão e inversão do retropé em relação a perna,
como o alinhamento do antepé e a rigidez passiva
do quadril2. Entretanto, somente alguns desses
fatores foram estabelecidos, sendo necessário
investigar outros fatores que contribuem para o
movimento angular da articulação retropé-perna no
plano frontal2. O momento interno do complexo
articular do médio-pé pode ser um possível fator
contribuinte. Em indivíduos com maiores valores de
eversão do retropé, o momento eversor do
complexo articular do médio-pé, que é um
momento inversor sobre o retropé, poderia resistir a
essa posição. Portanto, a hipótese é que indivíduos
com maiores valores angulares de eversão do
complexo articular retropé-perna apresentarão
menor momento eversor do complexo articular do
médio-pé.
Objetivos: O objetivo deste estudo foi comparar o
momento interno eversor do complexo articular do
médio-pé entre indivíduos com valores altos e
baixos de eversão do complexo articular retropéperna durante a postura ortostática relaxada.
Métodos: Este estudo foi conduzido com 18
indivíduos saudáveis (idade: 24,17 ± 3,97 anos;
massa corporal: 62,54 ± 10,49 kg e altura: 169 ± 11
cm). Esse estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética
da UFMG (CAAE 0427.0.203.000-11). Marcadores
passivos reflexivos foram colocados no antepé,
retropé e perna do membro inferior esquerdo e
capturados por um sistema opto-eletrônico (8
câmeras ProReflex, Qualisys, Suíça) a 120Hz. As
forças de reação do solo foram registradas por meio
de duas plataformas de força em linha (AMTI,
USA) a 1200Hz. Os participantes permaneceram
em posição ortostática relaxada por cinco segundos
com o retropé posicionado em uma das plataformas
de força e o antepé na outra. Além disso, foram
realizadas três coletas estáticas de cinco segundos
com a articulação subtalar posicionada em neutro
por um examinador experiente. O modelo
biomecânico proposto por Bruening et al.3 foi
implementado no software Visual 3D (C-motion
Inc., USA). As marcas de rastreamento do antepé
foram modificadas em relação ao modelo original,
sendo utilizadas as cabeças do 2º e 4º metatarsos e
a base do 2º metatarso. Os dados cinemáticos foram
filtrados utilizando-se o filtro passa-baixa
Butterworth com frequência de corte de 6 Hz,
enquanto os dados cinéticos foram filtrados com
frequência de corte de 10 Hz. Em sequência,
calcularam-se as médias do ângulo retropé-perna
(normalizado pela subtalar em neutro) e do
momento interno do complexo articular do médiopé (normalizado pela massa corporal) no plano
frontal durante a postura ortostática relaxada. A
amostra foi dividida em dois grupos segundo o
valor da mediana do ângulo retropé-perna.
Indivíduos com valores do ângulo retropé-perna
inferiores a -1,83º foram alocados no grupo 1 (n=9,
média do ângulo: -5,83º) enquanto os demais foram
alocados no grupo 2 (n=9, média do ângulo: 1,63º).
Teste-t independente foi conduzido para comparar
os valores médios do momento do complexo
articular do médio-pé entre os dois grupos (α=0,05).
Resultados: Os grupos apresentaram diferença
significativa entre si (p=0,016). O momento do
complexo articular do médio-pé foi inversor e
apresentou-se menor nos indivíduos com maiores
valores de eversão do retropé-perna (0,006 ± 0,005
P á g i n a | 18
Nm/kg) em relação àqueles com menores valores
desse ângulo (0,015 ± 0,008 Nm/kg).
Discussão: Ao contrário do esperado, o momento
do complexo articular do médio-pé foi inversor e
não eversor. Um menor momento inversor do
complexo articular do médio-pé foi encontrado nos
indivíduos com maiores valores de eversão de
retropé-perna. Esse menor momento inversor do
complexo do médio-pé constitui um menor
momento eversor no retropé, o que é contrário ao
maior ângulo de eversão do retropé observado.
Portanto, o resultado do presente estudo contradiz o
momento eversor esperado no complexo do médiopé, que resistiria à eversão do retropé na postura
ortostática. Apesar de pesquisas prévias sugerirem
a influência da mobilidade passiva do médio-pé na
pronação do retropé2, o presente estudo não
encontrou relação entre o momento interno (com
componentes ativos e passivos) gerado no médio-pé
e a postura de pronação do retropé. Estudos futuros
são indicados para elucidar outros fatores que
expliquem a pronação do retropé durante a postura
ortostática.
Conclusão: O momento interno inversor do
complexo articular do médio-pé apresentou-se
menor nos indivíduos com maiores valores de
eversão do retropé-perna e, portanto, parece não ser
um fator contribuinte para explicar a quantidade de
eversão do complexo articular retropé-perna.
Referências
1. Chuter VH et al. Gait Posture. 2012;36(1):7-15.
doi: 10.1016/j.gaitpost.2012.02.001.
2. Souza TR et al. Man. Ther. 2014;19(5):379-85.
doi: 10.1016/j.math.2013.10.003.
3. Bruening DA et al. Gait Posture.
2012;35(4):535-40. doi:
10.1016/j.gaitpost.2011.11.012
Fontes financiadoras: Esse trabalho é financiado
pelas agências governamentais CNPq e CAPES.
Fonte dos dados: Estes dados são parte do Projeto
de Doutorado intitulado: Influência do alinhamento
e rigidez do pé na cinemática e cinética dos
membros inferiores durante a marcha, de Vanessa
Lara de Araújo. O trabalho é desenvolvido junto ao
Programa de Pós-Graduação em Ciências da
Reabilitação, UFMG.
P á g i n a | 19
CORRELAÇÃO ENTRE PALPAÇÃO DIGITAL, ATIVIDADE
ELETROMIOGRÁFICA E PARÂMETROS BIOMÉTRICOS
ULTRASSONOGRÁFICOS DO ASSOALHO PÉLVICO EM MULHERES COM
INCONTINÊNCIA URINÁRIA PREDOMINANTEMENTE DE ESFORÇO: ESTUDO
PRELIMINAR
Natalia Martinho1; Simone Botelho1,2; Marília Andrade2; Anita Nagib1; Rodrigo Jales1; César Amorim3;
Cássio Riccetto1.
1. Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP, Campinas/SP,
Brasil.
2. Curso de Fisioterapia. Escola de Enfermagem. Universidade Federal de Alfenas – UNIFAL, Alfenas/MG,
Brasil.
3. Universidade Cidade de São Paulo – UNICID, São Paulo/SP, Brasil.
Introdução: A avaliação dos músculos do assoalho
pélvico feminino (MAP) tem sido recomendada pela
International Continence Society (ICS) como parte da
rotina de avaliação clínica dos sintomas do trato
urinário inferior em mulheres, podendo ser realizada
por diversos métodos1. A palpação digital é um dos
métodos mais prático e amplamente utilizado para
avaliação funcional do assoalho pélvico, devido sua
simplicidade e baixo custo2. Este método já foi
correlacionado com a eletromiografia de superfície,
observando que ambos podem ser usados para validar
os dados utilizados na pratica clínica e em pesquisa
científica3. Um outro método que vem sendo descrito
como confiável para avaliar parâmetros biométricos
referentes ao assoalho pélvico é a ultrassonografia
transperineal4. Entretanto, ainda não existem estudos
que tenham realizado a correlação entre estes
métodos. Assim, a partir deste estudo será possível
compreender qual a relação entre força muscular,
atividade elétrica e condição anatômica dos MAP em
mulheres com sintomas predominantes de
incontinência urinária de esforço (IUE).
Objetivos: Investigar se a palpação digital e
atividade eletromiográfica dos MAP correlacionam
com a espessura do músculo pubo-retal em repouso e
com a área do hiato genital durante a contração
voluntária máxima (CVM) dos MAP em mulheres
com sintomas predominantes de IUE. Métodos:
Estudo clínico, transversal e controlado, aprovado
pelo
Comitê
de
Ética
em
Pesquisa
(CAAE:42456114.8.0000.5404). Inicialmente, foram
recrutadas 39 mulheres e destas foram investigados
se as mesmas preenchiam os critérios de elegibilidade
do estudo e se apresentavam IUE predominante. Os
sintomas de IUE foram investigados por meio de dois
questionários
validados
internacionalmente
International
Consultation
on
Incontinence
Questionnaire Urinary Incontinence – Short Form
(ICIQ UI- SF)5 e International Consultation on
Incontinence Questionnaire – Overactive bladder
(ICIQ – OAB)6. Destas participantes, 8 não
preenchiam os critérios de inclusão devido força dos
MAP grau 0 ou 1 (n=3), presença de incontinência
urinária de urgência predominante (n=1) e
antecedente de cirurgia para tratamento de IUE e
prolapso dos órgãos pélvicos (n=4). Dessa forma, a
amostra final do estudo foi de 31 mulheres, as quais
foram avaliadas quanto à força e atividade
eletromiográfica dos MAP por meio de palpação
digital7
e
eletromiografia
de
superfície3,
respectivamente; bem como foram submetidas ao
exame de ultrassonografia transperineal 3D (GE
Voluson) para análise da espessura do músculo puboretal em repouso e área do hiato genital durante a
CVM dos MAP8. Para análise estatística foram
utilizados os testes Kolmogorov-Smirnov, Pearson e
Spearman, adotando-se nível de significância de 5%.
Resultados: Verificou-se correlação significativa
direta entre a atividade eletromiográfica dos MAP e a
espessura do músculo pubo-retal em repouso
(p=0,009; r=0,45; 95%IC=0,12-0,69), bem como foi
encontrada correlação significativa inversa entre a
palpação digital e a área do hiato genital durante a
CVM dos MAP (p=0,02; r=-0,39; 95%IC=-0,66- 0,04). Discussão: Sabendo-se que as desordens
uroginecológicas podem ser desencadeadas por
alterações
anatômicas,
biomecânicas
e
neuromusculares, faz-se importante utilizar métodos
de avaliação que permitam compreender a condição
dos MAP em sua totalidade, bem como investigar
qual a relação entre os achados de cada método.
Assim, apesar dos resultados do estudo ainda serem
preliminares, já foi possível verificar que quanto
maior a espessura do músculo pubo-retal em repouso,
maior a atividade eletromiográfica dos MAP; bem
como quanto menor a área do hiato genital durante a
CVM dos MAP, maior a graduação da força dos
MAP. Como limitações do estudo, pode-se citar o
P á g i n a | 20
número reduzido de participantes, necessitando dar
continuidade à pesquisa a fim de comprovar que tais
métodos de avaliação se correlacionam e que podem
ser usados como métodos de avaliação dos MAP
complementares e válidos. Além disso, sugere-se a
realização de novos estudos de correlação entre
outros métodos comumente utilizados na avaliação
dos MAP, tais como perineômetro e dinamômetro
vaginal, e em diferentes grupos populacionais.
Conclusões: Os resultados preliminares encontrados
neste estudo indicam que a força e atividade
eletromiográfica dos MAP correlacionam-se com os
parâmetros biométricos ultrassonográficos do
assoalho pélvico em mulheres com sintomas
predominantes de IUE.
Referências:
1
Abrams P et al. Neurourol Urodyn. 2010;29:213240.
2
Bø K; Sherburn M. Phys Ther. 2005;85:269-82.
3
Botelho S et al., Neurourol Urodyn. 2013;32:420423.
4
Ubukata H et al. J Phys Ther Sci. 2015;27(8):24957.
5
Tamanini JTN et al. Instrumentos de Avaliação
(questionários). In: TRUZZI, J.C.; DAMBROS, M.
editores. Bexiga Hiperativa - Aspectos Práticos.
Nome da Rosa. 2004.
6
Pereira SB et al. Rev Bras Ginecol Obstet.
2010;32(6):273-278.
7
Laycock
J;
Jerwood
D.
Physiother.
2001;87(12):631-642.
8
Dietz HP et al., Ultrasound Obstet Gynecol.
2005;25(6):580-585.
Fonte
financiadora:
Coordenação
de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
(CAPES).
Fonte dos dados: Os resultados preliminares
apresentados fazem parte do conteúdo da tese de
doutorado intitulada: “Análise da coativação entre os
músculos abdominais e do assoalho pélvico e sua
relação
com
os
parâmetros
biométricos
ultrassonográficos do assoalho pélvico de mulheres
com incontinência urinária predominantemente de
esforço”. O trabalho é desenvolvido junto ao
Programa de Pós-Graduação em Ciências da Cirurgia
da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP.
P á g i n a | 21
ANÁLISE DA RESISTÊNCIA DOS MÚSCULOS DO CORE POR MEIO DO TESTE DE
PRANCHA LATERAL EM PRATICANTES DE DIFERENTES ATIVIDADES FÍSICAS
Marina Mello Villalba1; Lucas Caetano Carlos2; Giovana Duarte Eltz2; André Boava2; Caio Bellucio²;
Adalgiso Coscrato Cardozo2; Mauro Gonçalves2.
1,2
Universidade Estadual Paulista, UNESP, Rio Claro- SP.
Introdução: Umas das tendências mais estudadas
nas ultimas décadas, no ambiente do treinamento
físico, de acordo com American College of Sports
Medicine (2010) é o treinamento do core. O core é
uma estrutura musculoesquelética que inclui a
coluna, quadril, pélvis e porção proximal dos
membros inferiores, que trabalham em conjunto na
estabilização da coluna vertebral, para realização de
movimentos funcionais (AKUTHOTA et al., 2008).
Alguns métodos de treinamento utilizam exercícios
que focam essa musculatura, como exercícios de
estabilidade, exercícios respiratórios específicos e
exercícios com peso livre (WANG et al., 2012),
dentre os principais, encontramos o Crossfit.
Segundo McGill (2001), dentre as capacidades físicas
relacionadas ao core, como flexibilidade, controle
motor, força e resistência, a mais válida e confiável
para avaliar esse complexo é a resistência (Waldhelm
e Li, 2012) por ser importante na manutenção de uma
postura neutra da coluna de uma forma funcional
além de apresentar uma alta correlação com episódios
de dor lombar crônica (Leetun et al., 2004).
Um dos testes que tem sido amplamente utilizado por
clínicos atualmente, é o teste de prancha lateral,
proposto por McGill et al. (1999), no qual é realizado
o apoio lateral para avaliar ou testar a musculatura do
tronco, principalmente os músculos da região ânterolateral do tronco e o quadrado lombar. Desta maneira
realiza-se o exercício bilateralmente e compara-se o
equilíbrio muscular por meio da avaliação do tempo
de manutenção. Este procedimento contribui para a
análise do desequilíbrio de lateralidade que na
literatura vem sendo demonstrado como um
importante indicador de causa da dor lombar
(EVANS et al., 2005).
A hipótese deste estudo é que praticantes de
modalidades específicas relacionadas ao treinamento
do core apresentarão valores similares para ambos os
lados no teste de prancha lateral.
Objetivo: Comparar o efeito de diferentes atividades
físicas nos valores de razão entre tempos obtidos
durante o teste de prancha lateral dos lados Não
Dominante/ Dominante (ND/D).
Métodos: Participaram do presente estudo 15
homens e 9 mulheres, com idades entre 18 e 35 anos,
sendo cinco homens e três mulheres praticantes das
modalidades: Crossfit (CF), Musculação (M) e
também aqueles considerados Sedentários (S). Esse
trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa
(CEP), CAAE: 30539514.6.0000.5465. Como
critérios de inclusão para o, CF e M, as participantes
deveriam praticar suas modalidades por pelo menos
seis meses no mínimo duas vezes por semana. Já para
o grupo S, não poderiam ter realizado atividades
regulares por pelo menos seis meses. Foram
realizados os testes de prancha lateral nas
participantes, apenas uma vez, bilateralmente. O teste
era interrompido quando o participante não conseguia
manter a posição e o quadril tocar o solo (MCGILL
et al., 1999). Para diferença de lateralidade,
seguiremos a equação proposta por McGill (1999)
que consta da divisão do tempo obtido durante o teste
do lado não dominante pelo lado dominante. Para
uma comparação entre os grupos foi utilizado uma
ANOVA one-way, com post-hoc de Bonferroni sendo
adotado o nível de significância de p<0,05.
Resultados: O grupo Crossfit teve idade média de
25,6±7,09; Musculação 22,8±3,68; Sedentários
21,6±2,66. A única diferença significativa encontrada
foi na razão ND/D do grupo CF em relação ao grupo
S (P=0,008) conforme apresentado na Figura 1.
Figura 1. Comparação das razões de lateralidade
entre os grupos S: sedentários; CF: Crossfit; M:
Musculação. *P<0,05
Discussão: A análise do desequilíbrio de lateralidade
é um importante indicador de causa da dor lombar
(McGill (1999); EVANS et al., 2005). Neste sentido,
P á g i n a | 22
o presente estudo demonstra que a prática específica
de exercícios para o core, e em particular o Crossfit e
a musculação, são alternativas para desenvolver um
melhor equilíbrio de resistência dos músculos do
tronco
bilateralmente.
Entretanto,
quando
comparadas as razões entre as modalidades Crossfit,
Musculação com os indivíduos que não praticam
atividade alguma verifica-se que os praticantes de
Crossfit foram aqueles que realmente apresentaram
um equilíbrio maior, o que não ocorreu entre aqueles
que praticavam musculação e os sedentários. Este
fato se deve ao grande número de exercícios que
compõem o Crossfit exigindo assim uma ação mais
simétrica dos músculos do tronco (GLASSMAN et
al., 2009), e com isto, a realização dos movimentos
com mais eficiência e segurança (MARTUSCELLO,
2013).
Conclusão: Ao comparar o efeito de diferentes
atividades físicas nos valores de razão entre tempos
obtidos durante o teste de prancha lateral dos lados os
indivíduos que praticam Crossfit apresentam melhor
equilíbrio entre os lados.
Referências: Thompson W. R. et al. ACSM's
Health & Fitness Journal, 2016
AkuthotaKUTHOTA, V. et al. Current sports
medicine reports, v. 7, n. 1, p. 39-44, 2008.
Evans, K. et al. Physical Therapy in Sport, v. 6, n.
3, p. 122-130, 2005.
Glassman, G. 2009 http:// www.cross fit.com/cfinfo/whatcrossfit.html. Acessado em Dezembro 1,
2013.
Leetun, D. T. et al.Medicine & Science in Sports &
Exercise, v. 36, n. 6, p. 926-934, 2004.
Martuscello J. M. Journal of Strength and
Conditioning Research, 2013.
McGill, S. et al. Archives of physical medicine and
rehabilitation, v. 80, n. 8, p. 941-944, 1999.
McGill, S. M. Exercise and sport sciences reviews,
v. 29, n. 1, p. 26-31, 2001.
Waldhelm, A. et al. Journal of Sport and Health
Science, v. 1, n. 2, p. 121-128, 2012.
Wang, X. Q. et al. PloS one, v. 7, n. 12, p. e52082,
2012.
Fonte dos dados: Esses dados são parte do conteúdo
do Trabalho de Conclusão de Curso intitulado:
Análise de resistência dos músculos do core através
do teste de prancha lateral em praticantes de
diferentes modalidades de treinamento. O trabalho é
desenvolvido junto ao Instituto de Biociências/
UNESP- RC.
P á g i n a | 23
COMPARAÇÃO DA ATIVAÇÃO MUSCULAR NO SUPINO COM HALTERES
VERSUS SUPINO NA MÁQUINA SMITH
Mayara Thaysa de Abreu1; Juliana Landolfi Maia1; Sergio Luiz Ferreira Andrade1; Ricardo Martins de
Souza1
1 Centro de Pesquisa em Atividade Física, Exercício e Esporte (CEPAFEE) do Centro Universitário
Autônomo do Brasil (UniBrasil)
Introdução: O treinamento resistido (TR) é
constantemente utilizado por profissionais da área da
saúde para promover aumentos no tamanho e na força
muscular (Gentil et Al., 2013). Buscando maior
eficiência, a seleção dos exercícios é uma importante
variável dos programas de treinamento, pois cada
padrão de movimento apresenta características que
podem influenciar diretamente na ativação dos
músculos envolvidos (Calatayud et Al., 2015).
Consequentemente, as adaptações neurais ao
treinamento resistido são específicas aos movimentos
treinados (Gabriel et Al., 2006). Estudos recentes
demonstraram que exercícios multiarticulares
produzem uma grande ativação de músculos
considerados como acessórios, o que justifica a
diminuição no número de exercícios uniarticulares,
reduzindo assim o tempo total das sessões (Gentil et
Al., 2015). Entretanto, não está completamente claro
se diferentes exercícios multiarticulares, executados
com diferentes implementos, produzem o mesmo
padrão de ativação muscular.
Objetivos: O objetivo do presente estudo foi o de
investigar a ativação muscular dos músculos peitoral
maior (esternal [PM]), deltóide anterior (DEL) e do
tríceps braquial (cabeças lateral [TLA] e longa
[TLO]) no exercício de supino em dois tipos de
equipamentos (máquina Smith[SM] e halteres
[HAL]).
Métodos: 12 homens (idade 22,64±4,92anos;
estatura 1,75±0,07m; massa 83,30±8,68kg) com
experiência em TR (mínimo 1 ano) foram recrutados
e frequentaram o laboratório em 4 sessões. Todos os
procedimentos foram aprovados pelo comitê de ética
da instituição (48741215.5.0000.0095). Após a
familiarização com os procedimentos (sessão 1) as
sessões 2 e 3 foram realizadas para a determinação da
carga máxima (1RM). Os exercícios foram realizados
de forma alternada (sessão 1 - 1º SM e 2º HAL; sessão
2 - 1º HAL e 2º SM) e a 1RM definida a partir da
equação de Brzyck (Nascimento et al., 2007) a partir
da maior carga levantada. Na sessão 4 foi adquirido o
sinal de eletromiografia (EMG). Após um
aquecimento (50% 1RM), os eletrodos foram
posicionados segundo SENIAM (2015). Inicialmente
um teste de contração isométrica voluntária máxima
(CIVM) foi aplicado. Dez minutos após, uma única
série do primeiro exercício foi executada até a falha
concêntrica (70% 1RM, 2s:2s conc:exc). Vinte
minutos após, o mesmo procedimento foi realizado
com o segundo exercício. Os sujeitos foram divididos
para que metade executasse o teste na ordem SMHAL e a outra metade na ordem HAL-SM. O teste de
Kolmogorov-Smirnov foi usado para confirmar a
normalidade dos dados. Uma ANOVA-two way foi
aplicada para identificar diferenças entre as
condições, com nível de significância de p≤0,05. O
teste post-hoc de Tukey identificou onde as
diferenças ocorreram. O tamanho do efeito foi
calculado de acordo como método proposto por
Cohen.
Resultados: Foram encontradas maiores ativações
médias (%CIVM ao longo de toda a série) do TLO
(SM 57,72±16,49%; HAL 48,47±16,54%; -15,96%;
p=0,014; d=0,77) e do DEL (SM 75,56±24,05%;
HAL 59,60±15,80%; -9,25%; p=0,05; d=0,55) no
exercício realizado na SM em comparação com HAL.
Nenhuma outra diferença entre as condições foi
identificada (p>0,05).
Discussão: Os resultados sugerem que na SM a EMG
é, em geral, maior dos que a obtida no HAL. Isso se
deve a fato de que na SM o equipamento permite uma
melhor ancoragem das mãos e, independentemente
das ações musculares, o padrão do movimento
realizado é limitado pelas características do
equipamento. Deste modo, os músculos podem
alcançar maiores níveis de ativação ao longo do
exercício sem que este padrão sofra alterações. No
HAL isso não é possível, pois neste exercício o
equilíbrio dos halteres demanda uma coordenação
intermuscular específica para que o movimento
pretendido possa ser executado, devido ao fato que
maiores graus de liberdade são possíveis. Isso é
particularmente interessante quando se observa o
%CIVM do TLO, a única porção biarticular avaliada.
Músculos biarticulares tem dentre suas funções a
capacidade de regular o movimento entre articulações
adjacentes. Neste estudo é possível que uma menor
magnitude de ativação do TLO durante a execução do
P á g i n a | 24
HAL foi consequência da necessidade de regular o
movimento com a finalidade de assegurar o equilíbrio
dos halteres durante o padrão de movimento
pretendido, evitando que a extensão do cotovelo
ocorresse antes da adução horizontal do ombro,
permitindo que o exercício fosse executado de forma
satisfatória.
Conclusões: Esses resultados podem ser importantes
na definição dos exercícios tendo em vista que ganhos
de força e até de hipertrofia são relativamente
dependentes dos níveis de ativação musculares
encontradas, e quanto maiores essas ativações
maiores e mais rápidos são tais aumentos
morfológicos e funcionais. Não descartamos aqui a
execução de exercícios com HAL. Em geral,
exercícios com maiores graus de liberdade geram
maiores ativações em músculos estabilizadores do
movimento, o que pode ser interessante em algumas
condições.
Referências:
Calatayud, J et al. J Strength Cond Res.
2015;29(1):246-53.doi:
10.1519/JSC.0000000000000589
Gentil, P et al. Appl Physiol Nutr Metab.
2013;38(3):341-44. doi: 10.1139/apnm-2012-0176
Gentil, P et al. Asian J Sports Med.
2015;6(2):e24057. doi: 10.5812/asjsm.24057
Nascimento, MA et al. Rev Bras Med Esporte.
2007;13(1):47-50.
doi:
10.1590/S151786922007000100011.
Gabriel, D. A., Kamen, G., & Frost, G. (2006). Neural
adaptations to resistive exercise.Sports Medicine,
36(2), 133-149.
Hermens, HJ et al. Seniam. Disponível em:
http://www.seniam.org/ Acesso em: 22 mar. 2015.
Fonte dos dados: Os resultados aqui apresentados
são parte de um projeto de iniciação científica
desenvolvido no Centro Universitário Unibrasil, à
qual os autores são vinculados.
P á g i n a | 25
EFEITO DA CRIOTERAPIA SOBRE A ATIVIDADE EMG DO TIBIAL ANTERIOR
E SÓLEO EM INDIVÍDUOS COM SPASTICIDADE PÓS- AVE
Mayerly Carolina Anaya Niño; Villabona Esperanza1 Herrera
1
Escoela Fisioterapia da Universidade Industrial de Santander (UIS) .
Introdução :
A crioterapia é um método terapêutico
frequentemente usado em situações clínicas para
reduzir a espasticidade . No entanto, não tem sido
claramente estabelecido seu efeito sobre o padrão
de activação do músculo espástico e seus
antagonistas.
Objetivo:
Avaliar os efeitos imediatos e tardios da bolsa de
gelo (BG) sobre a atividade eletromiográfica do
músculo sóleo espástico e seu antagonista, em
pacientes pós-AVE.
Métodos :
Estudo experimental de medidas repetidas
randomizados em dois grupos: BG (GBG, n=10) e
controle (GC, n=5). O BG foi aplicado 20min em
plantiflexores. As variáveis independentes: grupo
experimental, tempos de medição (antes T0, T1 e
T2, imediatamente após 30min após o
resfriamiento) e tipo de contração isométrica
voluntária submáxima (CISV em dorsiflexão e
flexão plantar). Variáveis de saída : amplitude
RMS e frequência média (Hz) . Os dados foram
normalizados com base na medição em T0.
Participantes: Quinze pacientes de ambos os sexos
(11 homens) com hemiparesia espástica pós-AVE;
com idade média de 60,7 ± 10,7años e tempo médio
de progressão de 36 meses (RIC17-49). AVE
isquêmica e valorização foi determinada na Escala
Modificada de Ashworth grau 2 em 80% dos casos.
Não houve diferenças significativas nas
características basais dos participantes em ambos
os grupos. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de
Ética para as Ciências (CIENCI) UIS (Inscrição
D13-16096).
Análise estatística: As comparações entre T0 e T1
e T2 foram realizadas para cada grupo utilizando t
de Student pareada para freqüência média (FM) e o
teste de postos de Wilcoxon para RMS amplitude,
após verificação da distribuição das variáveis por
teste de Shapiro Wilk. Uma análise de covariância
(ANCOVA) também foi realizado para cada um
dos tempos da pós-intervenção, o ajuste para o
grupo de medição e intervenção inicial. Nível de
significância =0,05.
Resultados:
A Tabela 1 mostra os resultados e as comparações
das variáveis obtidas em ambos os grupos e cada
tempo de medição são apresentados. No GBG
houve alteração na amplitude RMS dos músculos
avaliados durante CISV dorsiflexão ( P > 0,05 );
FM tibial anterior diminuiu e sóleo aumento entre
T0- T2 ( p <0,05) e T0- T1 ( p <0,001 ) registros ,
respectivamente. Durante CISV plantar houve
aumento na amplitude RMS em ambos os músculos
(p < 0,05 ) e reduziu a FM no sóleo , imediatamente
e 30 minutos após o resfriamiento. O GC mostrou
única diferença entre T0 e T1 RMS sóleo no CISV
dorsiflexão. A ANCOVA demonstrou que
imediatamente após o resfriamiento foi diminuída
a FM no sóleo durante a CISV em flexão dorsal
(19,5Hz p=0,01) e plantar (22,7Hz p=0,006 ).
Discussão:
Pesquisas anteriores mostraram resultados
contraditórios sobre os efeitos da crioterapia na
atividade EMG dos músculos espásticos e seus
antagonistas. Martins et ai. não encontraram
alterações nos valores RMS de tibial anterior após
a aplicação de compressas de gelo por 30 minutos
em plantiflexores. Enquanto isso, Da Silva et ai.
descobriu que 20 minutos de compressas de gelo
no RMS braço espástica aumenta em 20,9% no
flexor do cotovelo e diminuiu 5,6% nos extensores.
A literatura não relata a análise da FM, portanto
essa variável foi registrada neste estudo,
juntamente com a amplitude RMS durante CISV
dorsiflexão e flexão plantar, imediatamente e trinta
minutos após o resfriamento. O GC não estava
envolvido com crioterapia, ou placebo, mas
manteve condições experimentais semelhantes ao
GBG.
Embora nenhuma alteração foi testada na
amplitude RMS durante a flexão dorsal, foi
determinado um aumento na FM do músculo
espástico e seu antagonista pós-crioterapia. Estes
resultados sugerem um padrão de recrutamento
melhor em que o antagonista para o padrão
espástico. Também durante a flexão plantar houve
um aumento no padrão de recrutamento de ambos
os músculos, com o sóleo FM diminuiu, indicando
uma melhor activação do antagonista para o
músculo espástico, na flexão plantar padrão
espástica. Estes resultados sugerem uma melhora
no desempenho motor, algo que deve ser avaliado
em futuras pesquisas.
Os nossos resultados apoiam a utilização de
P á g i n a | 26
crioterapia na espasticidade, o que poderia resultar
da activação do termorreceptores, induzindo a
inibição espinal músculo espástico, facilitando o
seu antagonista, uma melhor activação do tono do
músculo supra-espinhal de controlo, ou uma
combinação destes mecanismos.
Conclusões:
Vinte minutos de aplicação de BG no músculo
sóleo espástico melhora seu padrão de
recrutamento de unidades motoras bem como do
seu antagonista, durante a flexão dorsal e plantar
CISV; estes efeitos são mantdos até 30min póscrioterapia, em repouso.
Referências
1.
Oksa J et al. Aviat Spac Envir Med.
2000;71(2):156-61.
2.
Wolf S et al. Brain Res. 1975; 91:151-5.
3.
Martins F et al. Rev Bras Fisioter.
2012;16:337-44.
4.
Da Silva D et al. Braz J Biomed Eng.
2012;28:248-60.
Fontes de financiamento. Grupos de Estudos da
Dor . Escola de Fisioterapia. Universidade
Industrial de Santander.
Fontes de dados: Os dados apresentados fazem
parte do projeto intitulado " Efeito imediato e noite
da crioterapia na excitabilidade reflexas e atividade
muscular em plantiflexores e seus antagonistas em
pacientes espástica pós-AVE" , para se qualificar
para o título mestrado em fisioterapia da
Universidade industrial de Santander.
Tabela 1. Parâmetros EMG antes (T0) imediatamente (T1) e 30 minutos após (T2) de cada um dos
protocolos de intervenção
GRUPO BOLSA DE GELO (n=10)
T0
T1
CISV Dorsiflexión
RMS TA
1,00
RMS SL
1,00
FM TA
FM SL
CISV Plantiflexión
RMS TA
84,3 ± 17,9
117,7 ± 34
1,00
0,97
(0,74-1,6)
1,14
(0,92-1,32)
88,5 ± 24,4
102,7 ± 26,5b
T2
T0
1,17
(0,44-1,99)
1,11
(0,77-2,14)
92,6 ± 20,5a
112,8 ± 36,8
1,00
1,00
91,6 ± 28.8
109,6 ± 29,4
GRUPO CONTROL (n=5)
T1
T2
1,22
(1,02 – 1,22)
1,21
(1,20-1,29)
91,8 ± 22,2
115,7 ± 32,7
0,99
(0,94-1,84)
1,07
(0,92-1,10)
89,6 ± 25,8
115,7 ± 23,6
1,27
1,46
1,00
0,84
1,38
(1,02-1,37)a
(1,37-1,69)a
(0,82-1,36)
(0,93-1,49)
RMS SL
1,00
1,38
1,23
1,00
1,15
1,26
(1,19-1,54)b
(1,06-2,09)a
(1,03-1,29)
(1,23-1,35)
FM TA
93,7 ± 21,1
92,4 ± 17,6
95,3 ± 17,2
109,6 ± 29,4
115,7 ± 32,7
115,7 ± 23,6
FM SL
133,4 ± 25,1
112,4 ± 24,8b
124,6 ± 24,1a
141,1 ± 16,5
141,4 ± 14,8
141,5 ± 11,8
RMS de dados de amplitude correspondentes a mediana (intervalo interquartil) e da freqüência média (FM) para significar ± desvio padrão. CISV : contração
isométrica submáxima Voluntário . TA: Tibial. SL: sóleo
a
p<0,05 b p<0,001
P á g i n a | 27
O EFEITO DO TOQUE LEVE E DO SISTEMA ÂNCORA NO CONTROLE DA
POSTURA EM ADULTOS JOVENS DURANTE A REALIZAÇÃO DA TAREFA
DUPLA COGNITIVA
Rosangela A. Batistelal1; Renato Moraes2
1 Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto; 2 Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto
Introdução: Os benefícios para o controle postural
obtidos por meio da informação háptica adicional
(IHA) com o uso do toque leve (TL) e do sistema
âncora (SA) já foram evidenciados, especialmente em
adultos jovens1,2,3. No entanto, ainda não se sabe se
esses mesmos benefícios permaneceriam sob
condição de tarefa dupla cognitiva (TDC). Dessa
forma, quais seriam as alterações no controle postural
diante dessas tarefas cognitivas e nessas condições de
IHA?
Objetivo: Identificar as alterações comportamentais
que ocorrem no controle postural de adultos jovens
perante situações de TDC com e sem o uso do SA e
do TL.
Métodos: Após consentimento e assinatura no termo
de consentimento (CAAE 38716614.1.0000.5659),
participaram desse estudo 20 adultos jovens (24±3
anos). A tarefa consistiu em ficar na postura ereta
sobre uma plataforma de força (Bertec 4060-NC),
com os olhos abertos, fixando o olhar para um alvo
(diâmetro de 11,5 cm) a uma distância de 2 m. As
condições posturais foram: 1) sem IHA; 2) com o SA
(dois cabos flexíveis com cargas de 125 g nas
extremidades, sendo seguro um em cada mão com os
cabos esticados e as cargas apoiadas no chão)2,3; e 3)
com o TL (toque do dedo indicador em uma
superfície rígida fixada em um cabo maleável preso
no teto e no chão)1. Para cada uma dessas tarefas
posturais, as seguintes tarefas cognitivas secundárias
foram realizadas: a) Tarefa Visual de Stroop (TVS projeção de 40 palavras/cores em uma TV de 29” com
variações nos intervalos entre os estímulos de 600 a
1000 ms); b) Tarefa Auditiva de Monitoramento de
Dígitos (TAMD - apresentação em áudio de 3
números alvos por meio de fones de ouvido, com
intervalos de 500 a 1000 ms entre a sequência de
números de 1 a 9). Inicialmente foram realizadas 3
tentativas controles na postura ereta com os cotovelos
fletidos a aproximadamente 90°, olhando para o alvo
com os pés afastados na largura dos ombros com base
de apoio no chão. Após a realização da condição
controle todas as outras 9 condições foram
randomizadas e realizadas em cima de uma trave de
equilíbrio (40 x 10 x 4 cm). Foram realizadas 3
tentativas por condição, com duração de 30 s cada. As
variáveis do controle postural foram: amplitude e
velocidade média de oscilação do centro de pressão
(COP) nas direções anteroposterior (AMOap e
VMOap) e mediolateral (AMOml e VMOml),
respectivamente, distância percorrida pelo COP nas
direções AP (DPap) e ML (DPml), frequência média
da oscilação do COP nas direções AP (FMap) e ML
(FMml) e área da elipse ajustada ao deslocamento do
COP. Para as análises estatísticas nas condições (sem
IHA, TL e SA) e nas tarefas (sem tarefa dupla [STD]
e TVS/TAMD), ANOVA com medidas repetidas nos
dois fatores e testes post-hoc foram realizados para
localizar as diferenças (α<0,05).
Resultados: Na TVS, a ANOVA apontou efeito de
tarefa nas variáveis AMOap (F1,19=8,571; p=0,009) e
AMOml
(F1,19=6,737;
p=0,018);
VMOml
(F1,19=5,737; p=0,027), área (F1,19=29,137; p<0,001),
FMap (F1,19=10,524; p=0,004) e FMml (F1,19=6,971;
p=0,016). Houve efeito de condição na distância
percorrida (F2,38=18,368; p<0,001). A ANOVA
também apontou efeito de tarefa na TAMD nas
variáveis AMOap (F1,19=5,888; p=0,025) e AMOml
(F1,19=6,520; p=0,019); área (F1,19=15,525; p=0,001)
e FMml (F1,19=9,211; p=0,007). Houve efeito de
condição para a distância percorrida (F2,38=10,919;
p=0,003). As comparações pareadas mostraram que a
tarefa STD apresentou maiores valores de AMO,
VMO, área e FM quando analisada tanto na TVS
quanto na TAMD. No entanto, a distância percorrida
foi menor nas condições de TL e SA quando
comparadas à condição controle sem IHA, tendo
menores valores na condição de SA.
Discussão: Estes resultados sugerem que
independentemente da IHA, as tarefas cognitivas
secundárias reduziram a oscilação postural, ou seja,
desempenharam o papel de uma tarefa supra-postural
(TSP). A TSP facilita o uso de um foco externo, o
qual permite que o controle postural funcione num
modo mais automático de controle, melhorando o
desempenho na tarefa postural, através da integração
funcional entre o controle postural e a TSP.4,5 Dessa
forma, o sistema de controle postural reduz a
oscilação postural a fim de facilitar o desempenho na
tarefa cognitiva.4,5 Além disso, a redução na distância
percorrida nas condições de TL e SA, também sugere
que a IHA reduz a oscilação postural por meio das
P á g i n a | 28
“dicas” sobre a posição do corpo em relação a
superfície de suporte1.
Conclusões: Assim conclui-se que alterações
comportamentais ocorreram no controle postural de
adultos jovens perante situações de TDC
independentemente da adição ou não da informação
háptica. Além disso, a IHA também contribuiu para
reduzir a oscilação corporal.
Referências
1. Vuillerme N et al. Exp Brain Res. 2006;169:232236. doi:10.1007/s00221-005-0142-7.
2. Mauerberg-DeCastro E. Motor Control.
2004;8:339-358.
3. Mauerberg-DeCastro E et al. Psychol Neurosci.
2014;7(3):301-318. doi: 10.3922/j.psns.2014.045
4. Wulf G et al. Q J Exp Psychol A. 2001;54(4):11431154. doi: 10.1080/713756012
5. Prado JM. Gerontology. 2007;53:274-281. doi:
10.1159/000102938
Fontes financiadoras: Bolsa CAPES Demanda
Social
Fonte dos dados: Esses dados são parte da Tese de
Doutorado intitulada: “O efeito do toque leve e do
sistema âncora no controle da postura em adultos
jovens e em idosos (caidores e não caidores) durante
a realização da tarefa dupla cognitiva”, desenvolvido
junto ao Programa de Pós-Graduação em
Reabilitação e Desempenho Funcional, FMRP-USP.
P á g i n a | 29
ELECTROMYOGRAPHIC RESPONSES OF THE UPPER LIMBS TO THE T-27
AIRCRAFT FORCE SIMULATOR OF THE BRAZILIAN AIR FORCE 1ST
TRAINING SQUADRON
Rafael Baptista1,2; Thiago Bezerra3; Michele Rosa2; Thais Russomano2,4.
1 PUCRS, School of Physical Education, Porto Alegre, RS, Brazil; 2 PUCRS, Microgravity Centre, Porto
Alegre, RS, Brazil; 3 FAB, Magistério do Ensino Superior da Força Aérea Brasileira, SP, Brazil; 4 Centre of
Human Aerospace and Physiological Sciences, KCL, UK
Introduction: Brazilian Air Force Pilots are
submitted to training using Flight Simulators. There
are few evidences about the electromyographic
responses of the pilots’ muscles during these
simulations. Understand the electromyographic
responses during flight simulations is very important
for the physical conditioning of the pilots.
Purpose: The study aimed to analyse the
electromyographic responses of flight instructor
pilots of the Brazilian Air Force Academy (BAFA),
using a prototype Flight Simulator (SFAEMB312/T27).
Methods: Twelve BAFA pilots (28.83±2.5 yr,
68.90±7.40 kg, 173±0.04 cm) were evaluated during
a flight simulation and had their electromyographic
responses analyzed using Root Mean Square (RMS)
values. This study was approved by the Ethics
Committee of the School of Medicine of the Ribeirão
Preto University (protocol number 340.178/2013).
Ten muscles (flexor carpi radialis, extensor carpi
ulnaris, biceps brachii, triceps brachii, anterior
deltoid, posterior deltoid, upper trapezius, pectoralis
major, infraspinatus, latissimus dorsi) of the
dominant upper limb using the joystick were
included, during nose-up, nose-down and right/left
roll manoeuvres over 60 seconds. The skin
preparation and electrodes positioning were
perfomed
according
to
the
Surface
ElectroMyoGraphy for the Non-Invasive Assessment
of Muscles (SENIAM). When not available at the
Surface ElectroMyoGraphy for the Non-Invasive
Assessment of Muscles the electrodes positioning
were made according to the Konrad(1). SENIAM has
developed recommendations for sensor locations on
the following muscles: The electrodes were placed
for the biceps brachii on the line between the medial
acromion and the fossa cubit at 1/3 from the fossa
cubit.
For the triceps brachii at 50% on the line between the
posterior crista of the acromion and the olecranon at
2 finger widths medial to the line. For the anterior
deltoid at one finger width distal and anterior to the
acromion. For the posterior deltoid in the area about
two fingerbreaths behind the angle of the acromion.
For the upper trapezius at 50% on the line from the
acromion to the spine on vertebra C7. Data was
analysed using one-way ANOVA with a 5%
significance level using the GraphPad Instat software
version 10.0.
Results: The study demonstrated that the most active
muscle in each of the flight movements to be: anterior
deltoid muscle for nose-down (162.280±52.39mV;
p=1.078); flexor carpi radialis for nose-up
(123.349±39.65mV; p=0.7670); biceps brachii for
internal rotation (440.263± 84.53mV; p=1.069); and
posterior
deltoid
for
external
rotation
(545.028±157.59mV; p=1.188). Data analysis of the
mean values for maximal electromyographic
responses of activation of the 10 studied muscles
suggests greater muscle activation during the external
rotation movements (3598.87±375.01mV; p=1.042),
followed in decreasing order by the internal rotation
movements (1598.96±110.90mV; p=0.693), nose-up
(1371.47±121.37mV; p=0.884) and nose-down
(993.86±110.38mV; p=1.110).
Discussion: The data suggests that the deltoid
muscles (anterior and posterior) provide a major
contribution to movements during flight simulation,
taking into consideration their function in stabilizing
the
glenohumeral
joint.
The
greater
electromyographic responses of activation found
during lateral rotation of the shoulder also
demonstrates the importance of this joint in the
manoeuvres under study.
Conclusion:
Mean
values
for
maximal
electromyographic responses of activation of the 10
studied muscles suggests greater muscle activation
during the external rotation movements, followed in
decreasing order by the internal rotation movements,
nose-up and nose-down.
References
1. KONRAD, P. The ABC of EMG. Noraxon. 2006.
Fontes financiadoras: Não houve financiamento.
Fonte dos dados: Esses trabalho é um
desdobramento da Dissertação de Mestrado
intitulada: projeto e desenvolvimento de simulador de
P á g i n a | 30
forças da aeronave EMB 312 T-27 tucano, defendida
por Thiago Augusto Rochetti Bezerra. A dissertação
foi desenvolvido junto ao Departamento de
Biomecânica, Medicina e Reabilitação do Aparelho
Locomotor da Faculdade de Medicina de Ribeirão
Preto da Universidade de São Paulo, os dados foram
re-analisados, interpretados e discutidos entre os
autores no Laboratório de Biomecânica Aeroespacial
do Centro de Microgravidade da Pontifícia
Universidade Católica do Rio Grande do Sul, gerando
o presente trabalho.
P á g i n a | 31
EXERCÍCIO PROPRIOCEPTIVO COM BOSU MAXIMIZA ATIVIDADE
ELETROMIOGRÁFICA DOS MÚSCULOS DO TORNOZELO
Frederico Balbino Lizardo1; Gabriela Moreira Ronzani1; Gilmar da Cunha Sousa1; Daniela Cristina de
Oliveira Silva1; Lázaro Antônio dos Santos1; Fausto Bérzin2; Delaine Rodrigues Bigaton3.
1- Laboratório de Eletromiografia Cinesiológica, Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, MG,
Brasil. 2- Faculdade de Odontologia de Piracicaba, Universidade Estadual de Campinas, Piracicaba, SP,
Brasil. 3- Faculdade de Ciências da Saúde, Universidade Metodista de Piracicaba, Piracicaba, SP, Brasil.
Introdução: As entorses de tornozelo representam
aproximadamente 15% de todas as lesões esportivas
colegiais e cerca de 800.000 atendimentos por ano1.
O treinamento proprioceptivo é recomendado para
melhorar o equilíbrio e o controle neuromuscular do
tornozelo e para restaurar as funções motoras dos
membros inferiores2.
O bosu é um instrumento de superfície instável
que possui uma sólida plataforma de base com uma
redoma de borracha inflável, semelhante a uma bola
de ginástica partida ao meio, que tornou-se bastante
popular nas academias de ginástica e clínicas de
terapia física3.
Muitos aparelhos proprioceptivos são difundidos
tanto na prática clínica quanto no treinamento
desportivo, entretanto, existem lacunas na literatura
comparando o nível de atividade eletromiográfica dos
músculos do tornozelo utilizando o bosu em relação
a outros equipamentos tradicionais (balancinho, cama
elástica e disco proprioceptivo).
Objetivos:Analisar a atividade eletromiográfica dos
músculos tibial anterior (TA), fibular longo (FL) e
cabeça medial do gastrocnêmio (GM) durante o
exercício proprioceptivo com bosu e comparar com
diferentes aparelhos tradicionalmente utilizados
(balancinho, cama elástica e disco proprioceptivo).
Métodos: A amostra foi composta por 11 voluntários
do gênero masculino com idade entre 23 + 2,14 anos,
massa corporal 70,53 + 10,29 kg e estatura 176,3 +
6,88 cm, fisicamente ativos e sem histórico de
distúrbios osteomioarticulares do membro inferior.
Os voluntários não possuíam histórico de treinamento
de equilíbrio e não utilizavam anti-inflamatórios,
analgésicos ou mio-relaxantes que pudesse
influenciar a atividade muscular. Este estudo foi
aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (número
303.825) da Universidade Federal de Uberlândia
(UFU) .
O tamanho da amostra (n) foi determinado por meio
do cálculo amostral com base na Raiz Quadrada da
Média (Root Mean Square – RMS) do músculo TA,
obtido em um estudo piloto com quatro voluntários,
utilizando o aplicativo GPower 3.1, power de 80% e
alpha = 0,05. Este cálculo forneceu uma amostra de
tamanho mínimo de n = 10 para este estudo. A coleta
de dados foi realizada utilizando-se eletrodos de
superfície diferenciais simples com ganho de 20
vezes e razão de rejeição em modo comum de 92dB
a 60Hz, e registrada por meio de um eletromiógrafo
computadorizado projetado de acordo com normas
internacionais (MyosystemBr1 P84 / DataHominis
Tecnologia Ltda., Uberlândia, MG, Brasil), que
apresenta impedância de entrada de 1015 Ohms, conversor analógico/digital com resolução de 16 bits,
filtros Butterworth e bateria recarregável integrada
para total portabilidade.
O sinal eletromiográfico foi quantificado pelo RMS e
normalizado (RMSn) pela Contração Isométrica
Voluntária Máxima. Os sinais eletromiográficos
foram submetidos a um filtro passa-alta de 20 Hz e
passa-baixa de 500 Hz e a freqüência de amostragem
utilizada foi de 2000 Hz por canal.
Os eletrodos de superfície foram colocados nos
músculos TA, FL e GM do antímero direito de acordo
com as recomendações do SENIAM (Surface
electromyography for the non-invasive assessment of
muscles)4. O eletrodo de referência foi fixado sobre o
processo estilóide da ulna2.
Na coleta dos dados foram realizadas duas CIVM de
5 segundos com descanso de três minutos. Cada
sujeito executou três repetições de 10 segundos em
cada exercício proprioceptivo com tempo de repouso
de 30 segundos entre as repetições e um minuto entre
os diferentes exercícios.
Na análise estatística utilizou-se o programa
GraphPad Prism (versão 3.0 – Graphpad Software,
Inc). O teste Shapiro Wilk foi aplicado para avaliar a
normalidade dos dados e a análise de variância de
medidas repetidas (ANOVA) foi utilizada para
comparação dos valores RMSn do mesmo músculo
em diferentes exercícios, em todas análises foi
realizado o teste de comparações múltiplas de
Bonferroni, com nível de significância em 5%
(p<0,05). O tamanho do efeito (effect size / ES) foi
calculado utilizando a descrição de Cohen's (ES = 0,2
pequeno; ES = 0,5 médio e ES = 0,8 grande).
Resultados: A atividade dos músculos TA, FL e GM
no bosu e bosu invertido foram significativamente
maiores em relação ao balancinho (TA= p < 0.001;
ES=1.72-1.53; FL= p < 0.001; ES=1.32-1.45; GM= p
P á g i n a | 32
< 0.05; ES=0.95-1.37) e cama elástica (TA= p <
0.001; ES=2.12-1.74; FL= p < 0.001; ES=1.52-1.67;
GM= p < 0.001; ES=1.29-1.91).
O sinal eletromiográfico do músculo TA foi mais alto
no bosu invertido em relação ao disco proprioceptivo
(p<0.05; ES=0.83), além disso, a atividade dos
músculos TA e GM no disco foram maiores em
comparação com a cama elástica (p<0.05; ES=1.25).
Discussão: No presente trabalho ficou demonstrado
que o bosu proporcionou maior atividade
eletromiográfica nos músculos da perna em relação a
maioria dos aparelhos proprioceptivos. A inclusão de
exercícios proprioceptivos no programa de prevenção
e reabilitação não deve ser baseada em evidencias
casuais sem uma compreensão dos mecanismos
neuromusculares. Essa compreensão é necessária e de
suma importância para os profissionais da medicina
desportiva para otimização do programas de
prevenção e reabilitação de atletas5.
A utilização do bosu no treinamento de equilíbrio
pode fornecer benefícios, entretanto, acredita-se que
a utilização de estímulos variados (diferentes
aparelhos) possa ser um fator importante para que
possa ser respeitado dois princípios do treinamento,
como a individualidade biológica e a sobrecarga
progressiva. O primeiro preconiza que o treinamento
deve ser elaborado de maneira individualizada,
respeitando as limitações funcionais de cada sujeito,
enquanto o segundo, defende a idéia do aumento
progressivo da carga de trabalho para melhora
constante da aptidão física6.
A partir dos resultados do presente trabalho, seria
interessante no treinamento proprioceptivo utilizado
em um programa de prevenção ou reabilitação, que o
indivíduo inicie com cama elástica, seguindo para o
balancinho, avançando para o disco e, por último,
utilizando o bosu que deve ser aproveitado primeiro
com a plataforma em contato com o solo e
posteriormente com a plataforma invertida (bosu
invertido), devido à maior dificuldade observada na
última situação.
Nesta pesquisa foram avaliados indivíduos do gênero
masculino, jovens, saudáveis, fisicamente ativos e
sem lesão de tornozelo, portanto, os resultados devem
ser aplicados com precauções para diferentes
populações, pois indivíduos com instabilidade
articular aguda e crônica podem apresentar outro
padrão de recrutamento nos diferentes equipamentos,
tornado-se um fator limitante deste trabalho.
Conclusões: Conclui-se
que o bosu é um
equipamento que proporcionou maior atividade nos
músculos do tornozelo em relação a maioria dos
aparelhos proprioceptivos, devendo ser utilizado para
diversificar um programa de prevenção ou
reabilitação de lesões de membro inferior,
preferencialmente em estágios avançados destes
programas.
Referências:
1- Needle AR et al. J Athl Train. 2013; 48(2): 192202. doi: 10.4085/1062-6050-48.1.09.
2- Oliveira DCS et al. Rev bras med esporte. 2012;
18(4):
261-6.
dx.doi.org/10.1590/S151786922012000400009.
3- Behm D et al. Int J Sports Phys Ther. 2012; 7(2):
226-41.
4- Hermens HJ et al. The SENIAM cd-rom: European
recommendations for surface electromyography.
1999.
5- Ferreira LAB et al. Fisioter. Mov. 2009; 22(2):
177-87.
6- Evangelista AL et al. Treinamento funcional e
core training: exercícios práticos aplicados. Phorte.
2011.
Fonte dos dados: Esses dados são parte de um
trabalho original.
P á g i n a | 33
EFEITOS DE DUAS FORMAS DE APLICAÇÃO DA BANDAGEM FUNCIONAL
ELÁSTICA NO CONTROLE POSTURAL DE INDIVÍDUOS COM DOR LOMBAR
CRÔNICA NÃO ESPECÍFICA: ESTUDO PILOTO
Fabrício José Jassi1,2; Tiago Del Antônio1; Ana Beatriz Borges Lopes1; Rodrigo Benicio Pedroso Picalho1;
Renato de Moraes2; Thais Cristina Chaves2
1 Universidade Estadual do Norte do Paraná; 2 Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de
São Paulo.
Introdução: Alterações no controle motor dos
músculos profundos do tronco e alterações
proprioceptivas na região lombossacral podem
colaborar para mudanças no controle postural em
indivíduos com dor lombar crônica (DLC)1. Em uma
revisão sistemática, Mazaheri et al2 concluíram que a
maioria dos estudos demonstram aumento da
oscilação corporal ou nenhuma alteração em
indivíduos com DLC. O uso de bandagem funcional
elástica (BFE) tornou-se um método popular de
tratamento
para
várias
condições
musculoesqueléticas e em indivíduos com DLC3. No
entanto, revisões sistemáticas têm demonstrado a
falta de evidência para melhora da dor e incapacidade
em indivíduos com DLC3. A direção do
posicionamento da BFE, assim como, a tensão
aplicada podem estar relacionados a diferentes
efeitos4. Entretanto, os efeitos dos diferentes tipos de
aplicação ainda não foram adequadamente abordados
na literatura. Assim, considerando-se a falta de
evidência para utilização do BFE e a possível
alteração no controle postural de indivíduos com
DLC, torna-se relevante estudos que possam verificar
o efeito da aplicação de diferentes tipos de BFE no
controle postural de indivíduos com DLC.
Objetivos: O objetivo do estudo foi verificar o efeito
de duas formas de aplicação de BFE no controle
postural de pacientes com DLC não específica. A
hipótese desse estudo foi que ambos os
posicionamentos da BFE resultariam em alterações
positivas no controle postural de indivíduos com
DLC.
Métodos: A amostra foi composta por 16 indivíduos
do gênero feminino com idade média 18,55±0,99
anos, estudantes universitárias. Os critérios de
elegibilidade foram: presença de DLC não específica
com intensidade de dor igual ou superior a três na
escala numérica de dor. Os critérios de exclusão
foram:
red
flags,
doenças
neurológicas,
reumatológicas e cardíacas graves, histórico de
cirurgias na coluna ou traumas na coluna, hérnias de
disco, estenose lombar, deformidades da coluna,
espondilolistese e gravidez. Os indivíduos foram
subdivididos aleatoriamente em dois grupos: BFE
Longitudinal (BFEL) (n=8) e BFE Estrela (BFEE)
(n=8). O estudo foi aprovado pelo comitê de ética da
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da
Universidade de São Paulo (071/2015-CEP/CSEFMRP-USP).
Para avaliação do controle postural estático foi
utilizada a plataforma de força (Biomec 400, EMG
system of Brasil Ltda®). A análise posturográfica do
centro de pressão (COP) foi conduzida a partir de dois
parâmetros do equilíbrio: (1) área (A-COP) e (2)
velocidade média de deslocamento do COP nas
direções anteroposterior (Vm-A/P) e mediolateral
(Vm-M/L).
A BFE foi aplicada na região lombar, no grupo BFEL
a aplicação se deu na posição longitudinal (10-15%
de tensão)3, e no grupo BFEE no formato estrela
(25% de tensão)5 (Figura). Os procedimentos de
coleta ocorreram em três momentos: (I) avaliação do
controle postural pré aplicação da BFE; (II) avaliação
do controle postural após três dias com BFE e (III)
reavaliação do controle postural imediatamente após
a retirada da BFE. Foram realizadas três avaliações
de 40 segundos para cada momento (I, II e III) com
indivíduo na posição bípede.
Para análise estatística foi utilizada uma análise de
variância multivariada para medidas repetidas e Post
Hoc Sidak (p<0,05).
Resultados: Os resultados do estudo estão descritos
na tabela 1 e 2. Para o grupo BFEL observou-se
diminuição significativa da Vm-A/P de deslocamento
do COP entre os momentos I e III (p<0,05), enquanto,
que para o grupo BFEE ocorreu um aumento
significativo da Vm-M/L de deslocamento do COP
entre os momentos II e III (p=0,006).
Figura. Aplicação da BFE longitudinal e estrela.
P á g i n a | 34
Tabela 1. Valores médios e desvio padrão dos parâmetros de
controle postural nas três situações avaliadas no estudo para o
grupo BFEL.
BFEL
I
II
III
A-COP (cm2)
Desv. Pad.
Vm-A/P (cm/s)
Desv. Pad.
Vm-M/L (cm/s)
Desv. Pad.
2,87
2,07
1,52
0,38
1,25
0,23
2,97
3,95
1,47
0,29
1,25
0,23
1,86
1,34
1,46
0,34
1,20
0,24
MANOVA
ns
I-III *
ns
Desv. Pad.: desvio padrão ns: não significativo
Significativo (p<0,05).
*
Tabela 2. Valores médios e desvio padrão dos parâmetros de
controle postural nas três situações avaliadas no estudo para o
grupo BFEE.
BFEE
I
A-COP (cm2)
Desv. Pad.
Vm-A/P (cm/s)
Desv. Pad.
Vm-M/L (cm/s)
Desv. Pad.
1,63
0,90
1,45
0,31
1,26
0,31
II
1,97
1,26
1,47
0,23
1,27
0,26
III
MANOVA
1,90
0,92
1,52
0,24
1,32
0,26
Desv. Pad.: desvio padrão ns: não significativo
Significativo (p<0,05).
ns
ns
II-III*
*
Discussão: Em ambos os grupos BFEL e BFEE
ocorreram mudanças significativas nas Vm-A/P e
Vm-M/L, respectivamente, em indivíduos com DLC
não específica. No entanto, no grupo BFEE ocorreu
aumento da velocidade (M/L) logo após a retirada da
BFE, indicando efeito de redução da velocidade de
oscilação postural durante aplicação da bandagem.
Os resultados de Kang at al6 dão respaldo a nossos
achados. Os autores avaliaram a influência do taping
postural (três fitas verticais e duas longitudinais
aplicadas na lombar) em indivíduos com DLC e
verificaram mudanças na ativação da musculatura
extensora e na cinemática lombopélvica durante
tarefa específica. A aplicação em estrela parece ter
efeitos imediatos no controle postural de indivíduos
com DLC e, portanto, mais efetiva para esta
finalidade. Não foram encontrados estudos que
compararam os efeitos dos diferentes métodos de
aplicação sobre o controle postural em indivíduos
com DLC. Por outro lado nossos resultados ainda são
preliminares.
Conclusões: Ambas as formas de aplicação do KT
podem modificar as estratégias de controle postural.
Porém, a aplicação da BFE em estrela demonstrou
alterações no controle postural durante sua aplicação,
destacando os efeitos deste método de aplicação.
Referências
1.
Caffaro RR, França FJR, Burke TN,
Magalhães MO, Ramos LAV, Marquez AP. Postural
control in individuals with and without nos-specific
chronic low back pain: a preliminary case-control
study. Eur Spine J. 2014;23:807-813.
2.
Mazaheri M, Coenen P, Parnianpour M, et al.
Low back pain and postural sway during quiet
standing with and without sensory manipulation: A
systematic review. Gait Posture. 2013; 37:12-22.
3.
Parreira PCS, Costa LCM, Takahashi R,
Junior LCH, Junior MAL, Silva TM, Costa LOP.
Kinesio Taping to generate skin convolutions is not
better than sham taping for people with chronic nonspecific low back pain: a randomized trial. Journal of
Physiotherapy. 2014;60:90-96.
4.
Voglar M, Sarabon N. Kinesio taping in
young healthy subjects does not affect postural reflex
reactions and anticipatory postural adjustments of the
trunk: a pilot study. J Sports Sci Med.
2014;13(3):673-9.
5.
Castro-Sánchez AM, Lara-Palomo IC,
Matarán-Peñarrocha GA, Fernández-Sánchez M,
Sánchez-Labraca N, Arroyo-Morales M. Kinesio
Taping reduces disability and pain slightly in chronic
non-specific low back pain: a randomized trial.
Journal of Physiotherapy. 2012;58: 89-95.
6.
Kang MH, Choi SH, Oh JS. Postural taping
applied to the low back influences kinematics and
EMG activity during patient transfer in physical
therapists with chronic low back pain. Journal of
Electromyography and Kinesiology. 2013;23:787793.
Fonte dos dados: Os resultados apresentados são de
um estudo piloto do projeto de doutorado intitulado:
Efeitos do kinesio taping sobre a intensidade de dor
e controle postural estático e dinâmico nos
subgrupos de pacientes com dor lombar crônica: um
ensaio clínico randomizado aleatorizado duplo cego.
O trabalho é desenvolvido junto ao Programa de PósGraduação em Reabilitação e Desempenho
Funcional, FMRP-USP.
P á g i n a | 35
EFEITO DA DOENÇA DE PARKINSON E DO MEDICAMENTO NOS
PARAMETROS ESPAÇO TEMPORAIS DA MARCHA NO DESVIAR DO
OBSTÁCULO
Vinícius Alota Ignácio Pereira1; Lucas Simieli1; Pedro Henrique Alves de Paula1; Sergio Tosi Rodrigues1;
Paula Fávaro Polastri Zago1; Fabio Augusto Barbieri1
1 Departamento de Educação Física - Univ. Estadual Paulista - Campus Bauru;
Introdução: A doença de Parkinson (DP) é
caracterizada pela morte e disfunção dos neurônios
produtores da substância nigra localizado nos núcleos
da base (TAKAKUSAKI et al., 2004). Dentre os
sinais e sintomas da doença, estão as alterações nos
padrões da marcha, principalmente na presença de
obstáculos. A fase de ultrapassagem do obstáculo é
um momento em que os idosos com DP apresentam
dificuldade, tornando-s mais suscetíveis a quedas
nessa condição (GRIMBERGEM et al., 2004). Como
alternativa para amenizar os efeitos da doença, o
tratamento farmacológico é utilizado. As respostas à
medicação apresentam melhoras no padrão motor,
principalmente na marcha (PIERUCCINI-FARIA et
al., 2006).
Objetivos: Analisar o passo de desvio de obstáculo
de sujeitos com DP, com e sem o efeito do
medicamento.
Métodos: Participaram desse estudo dezesseis
idosos,
oito
com
DP
(66.75±8.50anos/
1.58±0.09metros/70.41±15.87Kg) diagnosticada por
neurologistas e oito neurologicamente saudáveis, o
grupo
controle
–
GC
(67.00±6.14anos/1.62±0.06metros/68.38±07.80Kg ) .
Os idosos do grupo DP deveriam fazer uso do
medicamento
específico
para
a
doença.
Primeiramente, os participantes permitiram a
participação no estudo através da assinatura do termo
de consentimento aprovado pelo Comitê de Ética
local (CAAE: 45435615.7.1001.5398). Todos os
participantes passaram por uma avaliação cognitiva
(Mini Exame do Estado Mental) e o grupo com DP
por avaliação clínica específica para a doença
(UPDRS). Para a análise da marcha, os participantes
foram convidados a percorrer uma passarela de 10m
de comprimento por 4,5m de largura. Os participantes
foram instruídos a andar em velocidade preferida e
desviar de um obstáculo (1m de altura e 40cm de
diâmetro), localizado no meio da passarela (5m
depois do início). Foram realizadas 10 tentativas do
andar com desvio de obstáculo. Para coleta de dados
tridimensionais foi utilizado o sistema de vídeo da
ViconMotion System® com 8 câmeras (Bonita
System Cameras) com frequência de coleta de 100
Hz. Os parâmetros analisados foram: comprimento
do passo, largura do passo, duração do passo,
velocidade do passo e porcentagem em duplo
suporte.Para análise estatística, foi empregado uma
ANOVAone-way com fator para grupo (GC, DP-on e
DP-off) e foi mantido o nível de significância
(p<0,05). Testes post hoc de Tukey foram utilizados
quando necessário.
Resultados: A ANOVA revelou efeito principal de
grupo para as variáveis: comprimento do passo
(p<0,05); duração do passo (p<0,05); velocidade
(p<0,05) e porcentagem em duplo suporte (p<0,05).
Para comprimento e duração, GC apresentou maiores
valores que o grupo DP, tanto no estado ON quanto
no estado OFF do medicamento. Já para velocidade,
GC apresentou maior velocidade que DP no estado
OFF. E para duplo suporte, GC permaneceu menos
tempo em duplo suporte quando comparado com DP
em estado ON.
Tabela1: Média±desvio padrão das variáveis analisadas
GC
Comprimento(cm)
Duração(s)
DP
ON
DPOFF
59,60±10,42*# 46,99± 43,49±
10,07
10,17
0,77± 0,42*#
0,54±
0,09
0,55±
0,09
Velocidade(m/s)
94,51± 43,65#
89,28± 81,08±
22,53
22,90
Duplo Suporte(%)
32,98±14,29*
39,06± 35,44±
8,62
10,03
*:Diferença entre GC e DP-ON; #: Diferença entre GC e DP-OFF
Discussão: Os resultados revelaram que sujeitos do
GC apresentaram maior comprimento do passo que
os DP, independente do efeito da medicação,
indicando maior segurança durante o desviar do
obstáculo. A maior duração do passo, do GC, indica
a necessidade do grupo em absorver as informações
do ambiente corretamente. Já o grupo DP, devido às
complicações da doença, não utiliza as informações
da maneira correta, diminuindo o tempo de duração
do passo e realizando o desvio. Já para a velocidade
do passo, o tratamento farmacológico com dopamina
parece apresentar efeito positivo, melhorando o
controle
do
movimento
e
facilitando-o,
principalmente no momento do desvio do obstáculo.
Conclusões: Com esses achados é possível notar os
déficits causados pela doença de Parkinson nos
padrões da marcha e ainda, que há sim influência do
tratamento medicamentoso na marcha dos sujeitos
com Parkinson.
Referências:
TAKAKUSAKI, K.; SAITOH, K.; HARADA, H.;
KASHIWAYANAGI, M. Role of basal gangliabrainstem pathways in the control of motor
behaviors. Neurosci Res, v. 50(2), p. 137-151, 2004.
GRIMBERGEN, Y. A.; MUNNEKE, M.; BLOEM, B. R.
Falls in Parkinson’s disease. CurrOpinNeurol, v. 17(4),
p. 405-415, 2004.
PIERUCCINI-FARIA, F.; MENUCHI, M. R. T. P.;
VITÓRIO, R.; GOBBI, L. T. B.; STELLA, F.; GOBBI, S.
P á g i n a | 36
Kinematic parameters for gait with obstacles among
elderly patients with Parkinson’s disease, with and without
levodopa: A pilot study. Brazilian J of Physical
Theraphy, v. 10(2), p. 233-239, 2006.
Fontes
financiadoras:
FAPESP
2014/20549-0) e (2015/15928-4)
(processo
Fonte dos dados: Esses dados são parte do conteúdo
do projeto regular aprovado pela FAPESP - Impacto
de ajustes motores e da informação visual no desviar
do obstáculo durante o andar em idosos com doença
de Parkinson. E do projeto de mestrado aprovado pela
FAPESP - Tarefa dupla cognitiva, desviar do
obstáculo durante o andar e assimetria: efeitos nas
estratégias motoras e visuais em idosos com doença
de parkinson – desenvolvido junto ao departamento
de Educação Física da UNESP – Câmpus Bauru.
P á g i n a | 37
APRESENTAÇÕES DE
PÔSTERES
P á g i n a | 38
BCM.101. DÉFICIT DE ROTAÇÃO INTERNA DA GLENOUMERAL E SUA
CORRELAÇÃO COM A AVALIAÇÃO CLÍNICA DA DISCINESE ESCAPULAR
EM ATLETAS DE ESPORTES AQUÁTICOS: DADOS PARCIAIS
Fernanda de Miranda Fragoso1; Amanda Gomes de Assis Couto1 Anamaria Siriani de Oliveira1
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto; Universidade de São Paulo
Introdução: As lesões por “overuse” são as lesões
músculo esqueléticas mais comum entre os atletas
competitivos de esportes aquáticos, sendo o ombro a
articulação mais acometida (1). Várias são as
alterações que acometem a mecânica do ombro de
atletas “overhead”, sendo o Déficit de Rotação
Interna da Glenoumeral (GIRD) e a Discinese
Escapular as mais frequentes (2,3). Entretanto, não há
estudos na literatura que correlacionam os valores de
amplitude de mvoimento de rotação interna e a
avaliação clínica da discinese escapular em atletas
competitivos de esportes aquáticos.
Objetivos: O objetivo geral é verificar se há
associação entre o déficit de rotação interna da
glenoumeral (GIRD) e a discinese escapular em
atletas competitivos de esportes aquáticos.
Métodos: Esse é um estudo analítico de caráter
observacional exploratório com corte transversal. O
protocolo do estudo foi aprovado pelo comitê de ética
em pesquisa com seres humanos da universidade
(HCRP n° 12195/2015). A amostra foi composta por
44 atletas competitivos da natação e do polo aquático
de ambos os sexos, com idades entre 12 e 18 anos.
Para garantir o recrutamento de atletas competitivos,
foram incluídos no estudo atletas que treinam pelo
menos 5 vezes por semana, com treinos de pelo
menos 3 horas por dia, que realize a prática esportiva
há pelo menos 2 anos em média e que participe de
competições periodicamente. Foi realizado a
avaliação da amplitude de movimento de rotação
interna com a goniometria e a avaliação clínica da
dinâmica escapular com método de classificação de
SIM/NÃO (4,5). Para verificar a associação entre o
GIRD e a discinese escapular foi utilizado o teste quiquadrado.
Resultados: Abaixo está a distribuição dos valores de
amplitude de movimento de rotação interna do
membro dominante em relação a classificação clínica
da discinese escapular
Para verificar se havia uma associação entre o déficit
de rotação interna da glenoumeral e a classificação
clínica da discines escapular, foi utilizado o teste quiquadrado. Podemos verificar que não houve
associação significante entre os quartis dos valores da
amplitude de movimento (ADM) da rotação interna
do membro dominante e a classificação clínica da
discines escapular, aceitando assim a hipótese nula do
estudo, considerando que o GIRD e a discinese
escapular não estão associados em atletas
competitivos de esportes aquáticos. Os dados do teste
qui-quadrado estão expostos na Tabela 1.
P á g i n a | 39
Discussão: A análise estatística indicou que não há
uma associação entre a amplitude de movimento de
rotação interna do membro dominante e a
classificação clínica da discinese escapular para a
nossa amostra. Estudos realizado com atletas
competitivos de beisebol demonstram que pode haver
uma associação entre GIRD e discinese escapular,
entretanto, essa associação depende do tempo de
exposição à prática do esporte (6,7). Os estudos
também demonstram que quanto menor os valores de
GIRD maior é associação com alteração de
movimento da escápula (6). Como a nossa amostra é
composta por atletas juvenis esse pode ser uma
justificativa para a nossa amostra não apresentar uma
associação entre o GIRD e a classificação clínica da
discinese escapular. Ao analisarmos os dados
descritivos da amostra podemos perceber que metade
da nossa amostra apresenta discinese escapular. Para
os participantes que foram classificados como “SIM”
os valores de amplitude de movimento de rotação
interna do membro dominante variam entre 50° e 60°.
Já para os participantes que foram classificados como
“NÃO” a amplitude dos valores foi maior, entre 50°
e 70°. Na literatura somente um estudo definiu os
valores de ADM funcional para a glenoumeral,
entretanto, não foi definido os valores de ADM de
rotação interna (8). Assim, não podemos afirmar que
a amplitude dos valores de ADM de rotação interna
está reduzido nos participantes que foram
classificados como “SIM”. Esses são os dados
parciais do estudo, ainda não completamos as nossas
coletas então o nosso resultado ainda pode sofrer
alterações.
Conclusões: Os resultados parciais e a análise
descritiva dos dados deste estudo demonstram que
metade da amostra apresenta discinese escapular e
que não há uma associação entre o défict de rotação
interna da glenoumeral e a avaliação clínica da
discinese escapular em atletas competitivos de
esportes aquáticos.
Referências:
1.
Mountjoy M, et al. Br J Sports Med. 2010
Jun;44(7):522–7.
2.
Burkhart SS, et al. Arthrosc J Arthrosc Relat
Surg Off Publ Arthrosc Assoc N Am Int Arthrosc
Assoc. 2003 Apr;19(4):404–20.
3.
Madsen PH, et al. Clin J Sport Med Off J
Can Acad Sport Med. 2011 Mar;21(2):109–13.
4.
Cools AM, et al. J Shoulder Elbow Surg.
2014 Oct;23(10):1454–61.
5.
Uhl TL, et al. Arthrosc J Arthrosc Relat Surg
Off Publ Arthrosc Assoc N Am Int Arthrosc Assoc.
2009 Nov;25(11):1240–8.
6.
Thomas SJ, et al. Clin Orthop. 2010
Jun;468(6):1551–7.
7.
Thomas SJ, et al. J Athl Train.
2010;45(1):44–50.
8.
Namdari S, et al. J Shoulder Elbow Surg.
2012 Sep 1;21(9):1177–83.
Fontes financiadoras: CNPq: bolsa PIBIC de
iniciação científica e bola CAPES de mestrado.
Fonte dos dados: Esses dados são parte do conteúdo
do projeto de iniciação científica intitulado: Déficit
de rotação interna da glenoumeral e sua correlação
com a avaliação clínica da discinese escapular em
atletas de esportes aquáticos. O trabalho é
desenvolvido junto ao curso de Fisioterapia da
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP.
P á g i n a | 40
BCM.102. Função do músculo occipitofrontal: avaliação eletromiográfica
Ana Carolina Panhan1; Carlos Alberto Carranza Lopes2; Fausto Bérzin1
1 Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP) Unicamp;
2 Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP) Unicamp;
Introdução: O músculo occipitofrontal é uma
camada musculofibrosa composta por dois ventres
que são unidos pela gálea aponeurótica (aponeurose
epicraniana) (Gray, 1999; Cruz, 2004).
O ventre occipital (VO) surge a partir de fibras
tendíneas dos dois terços laterais da linha nucal
superior e processo mastóide, se estende para frente e
termina na aponeurose epicraniana (Gray, 1999). O
ventre frontal (VF) não apresenta inserções ósseas,
partindo de sua origem na gálea, termina na pele e nos
músculos adjacentes da região da órbita (Cruz, 2004).
Os trabalhos encontrados na literatura apresentam
discordâncias em relação às funções desempenhadas
por esse músculo. Para Bérzin (1989) os ventres
frontal e occipital tem ação independente um do
outro. Alguns autores afirmam que quando os dois
ventres do músculo occipitofrontal atuam
conjuntamente, elevam os supercílios e enrugam a
fronte como numa expressão de surpresa (Cruz,
2004).
Objetivos: Devido às divergências encontradas na
literatura sobre a funcionalidade do músculo
occipitofrontal, esse trabalho tem como objetivo
avaliar a função dos dois ventres (VF e VO), pela
eletromiografia de superfície durante o repouso
(REP) e os movimentos de elevação do supercílio de
forma rápida (ESR), elevação do supercílio de forma
lenta (ESL) e também nos períodos que antecedem a
contração.
Métodos: Participaram do estudo seis voluntários do
sexo masculino (idade: 27.33 anos +/- 4.13),
saudáveis. Todos os procedimentos de pesquisa
foram aprovados pelo comitê de Ética da Faculdade
de Odontologia de Piracicaba (parecer CEP/FOPUNICAMP nº 045/2015).
Foi utilizado o equipamento ADS1200 Lynx,
eletrodos de superfície bipolares com 20 mm de
distância inter eletrodos e a pasta condutora da marca
ELEFIX para a fixação do eletrodo em VF e VO.
As coletas foram janeladas durante o intervalo entre
o primeiro e o segundo movimento e durante a
contração da segunda repetição de elevação do
supercílio.
Para testar a normalidade dos dados foi utilizado o
teste Lilliefors. Para a comparação entre os VF e VO
em REP, antes e durante a contração em ELS e ERS
foram utilizados o teste T de Student o teste de MannWhitney. Para as análises estatísticas foi utilizado o
programa Matlab e adotado um nível de significância
≤ 0,05.
Resultados: A média dos valores de RMS
(microvolts) dos seis voluntários durante as coletas de
REP, ESL antes e durante a contração e ESR antes e
durante a contração estão representados na tabela 1,
bem como os desvios-padrão. Para a comparação dos
valores de RMS entre o VF e VO durante as ESL e
ESR foram encontradas diferenças significativas com
p-valores < 0.002 e < 0.0022 respectivamente. Nas
comparações entre os dois ventres antes da contração
em ESL e ESR os valores de p encontrados foram de
< 0.0149 e 0.0426. Não foram encontadas diferenças
significativas durante o repouso (p < 0.4684)
Tabela 1- Valores médios de RMS (microvolts)
apresentados pelos dois ventres (VF e VO) do
músculo occipitofrontal durante a coleta de REP,
ESL e ESR dos seis voluntários Desvio-padrão: DP
REP
ESL antes da contração
ESL durante a
contração
ESR antes da contração
ESR durante a
contração
Músculo
Média (DP)
VF
0.552 ± 0.218
VO
0.492 ± 0.058
VF
1.031 ± 0.279
VO
0.534 ± 0.084
VF
10.178 ± 4.369
VO
0.779 ± 0.302
VF
1.176 ± 1.533
VO
0.527 ± 0.126
VF
16.323 ± 6.244
VO
0.881 ± 0.276
Discussão: Os resultados mostram que os valores de
RMS apresentados pelo VF aumentaram durante a
realização dos movimentos de ESL e ESR se
comparados com o REP e também com o período que
antecede a contração. Foi observado um aumento de
RMS nas mesmas comparações de VO, mas com
valores muito inferiores.
A atividade muscular mostrou-se maior no VF do que
no VO em ESL e ESR, podendo sugerir que a
realização de elevação do supercílio ocorre através do
trabalho do VF. O VO mostrou ter pouca atividade
nesse movimento, sendo assim os achados
P á g i n a | 41
eletromiográficos corroboram as afirmações de
(Bérzin, 1989; Kushima, 2005), pois demonstram que
VF e VO não executam a função de elevação do
supercílio de forma conjugada.
Conclusão: Os dados brutos obtidos da avaliação
eletromiográfica do músculo occipitofrontal
mostraram que o VF apresentou valores de RMS
superiores aos apresentados por VO em ESL e ESR,
mas é importante considerar que os dados não foram
normalizados e que o número de voluntários é
pequeno. Para estudos futuros sugere-se que um
número maior de voluntários sejam avaliados.
Referências
1.
GRAY H Anatomia. 40. ed. Rio de Janeiro:
Elsevier, 2009.
2.
Cruz JRS, Cruz AAV. Arq Bras Oftalmol
2004; 67: 237-40.
3.
Bérzin, F. Electromyogr Clin Neurophysiol
1989; 29: 355-358.
4.
Kushima, H., Matsuo, K., Yuzuriha, S.,
Kitazawa, T., & Moriizumi, T. Brit J Plast Surg 2005
58(5):681-68.
Fontes financiadoras:
Não houve.
Fonte dos dados:
Esses dados são parte do conteúdo da Dissertação de
Mestrado intitulada: “Análise eletromiográfica dos
músculos da mímica facial”. O trabalho é
desenvolvido junto ao Programa de Pós-Graduação
em Biologia Buco Dental, da FOP-UNICAMP, sob o
protocolo 045/2015.
P á g i n a | 42
BCM.103. CORRELAÇÃO DA FORÇA DE ABDUTORES DO QUADRIL E DO
PICO DE VALGO: COMPARAÇÃO ENTRE DUAS TAREFAS FUNCIONAIS PARA
AVALIAÇÃO DO VALGO DINÂMICO DE JOELHO
Ana Cristina Corrêa Cervi1; Diego José Argenton Telarolli1; Abel Chinaglia1; Marina Zazini1; Paulo
Roberto Pereira Santiago2; Tenysson Will de Lemos3; Débora Bevilaqua Grossi1
1
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), Ribeirão Preto, SP,
Brasil
2
Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto da Universidade de são Paulo (EEFERP), Ribeirão
Preto, SP, Brasil
3
Especialista de Laboratório do Núcleo de Apoio a Pesquisa em Doenças Crônico Degenerativas da
FMRP-USP, Ribeirão Preto, SP, Brasil
Introdução: Algumas patologias dos membros
inferiores como a síndrome da dor femoropatelar,
está intimamente ligada à presença de desequilíbrios
musculares no quadril. A presença de estratégias
compensatórias de joelho, adotadas na realização de
diferentes tarefas funcionais tais como a single-leg
landing e a single-leg step down, também pode ser
um fator predisponente para lesões de membros
inferiores. A incapacidade em manter um bom
alinhamento entre os segmentos corporais é um dos
fatores que podem contribuir para lesões na
articulação do joelho e também servir de referência
na avaliação funcional desses pacientes.1 Testes de
mensuração de força bem como a análise cinética e
cinemática postural são importantes na avaliação
funcional do paciente. Esses testes proveem
informações para detecção de disfunções dos
sistemas, evolução no tratamento e retorno às
atividades, sendo úteis para detectar desequilíbrios
musculares e avaliar alinhamento corporal dinâmico.2
A diminuição da força muscular dos estabilizadores
de quadril leva a um aumento da carga na articulação
femoropatelar e um valgo dinâmico exacerbado o que
predispõe lesões articulares no joelho.3
Objetivos: Correlacionar a força da musculatura
abdutora de quadril com o pico do valgo dinâmico em
duas diferentes tarefas funcionais de avaliação do
valgo dinâmico de joelho em indivíduos saudáveis.
Métodos: O projeto foi aprovado pelo Comitê de
Ética em Pesquisa do Hospital das Clínicas da
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto,
Universidade de São Paulo (HC -FMRP/USP) de
acordo com o Certificado de Apresentação para
Apreciação
Ética
(CAAE)
número
37381914.0.0000.5440. A pesquisa foi realizada no
Laboratório da Análise da Postura e Movimento
Humano (LAPOMH) e Laboratório de Cinemática da
Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão
Preto (LABIOCOM). Todos os voluntários assinaram
o Termo de Consentimento Livre Esclarecido
(TCLE) conforme previsto na Resolução 466/12 do
CNS. Foram recrutados 11 voluntários (5 homens e 6
mulheres com idade média de 23 ±3,9 anos, altura de
1.74 ±0,9 cm e massa 71,4 ±12 Kg). Foram realizados
os testes para avaliação da força isométrica dos
abdutores de quadril utilizando o dinamômetro
isocinético (Biodex 3®, Biodex Medical Systems
Inc., Shirley, NY, USA) e, após um intervalo de 03 a
07 dias, foi realizada a análise cinemática
tridimensional do joelho pelo sistema de captura de
imagem da Vicon durante duas tarefas funcionais
para registrar o pico do valgo dinâmico do joelho.
Para a correlação dos valores do pico de torque de
abdutores de quadril e o pico de valgo dinâmico de
joelho no membro inferior dominante nas duas tarefas
funcionais de single-leg step down e single-leg
landing foi utilizado o coeficiente de correlação de
Pearson (r).
Resultados: Foi considerada uma alta correlação
valores r>0,7 moderada 0,6<r>0,4 e baixa r<0,3.5
Nossos resultados parciais não revelaram evidencia
de correlação linear entre as variáveis, porém
apresentam uma correlação negativa e moderada
entre a força dos abdutores de quadril com o pico de
valgo dinâmico na tarefa de single-leg landing (r = 0,41 ; p =0,20) e na a tarefa de single-leg step down
(r = -0,40; p =,21), como pode ser visto na tabela 1.
P á g i n a | 43
funcionais de single-leg step down e single-leg
landing na amostra analisada.
Discussão: A força muscular de estabilizadores de
quadril reduzida pode levar a um aumento do valgo
dinâmico de joelho e da carga na articulação
femoropatelar. Sujeitos com força diminuída de
abdutores de quadril tendem a demonstrar diminuição
no controle neuromuscular do membro inferior como
um todo, evidenciando que o valgo dinâmico de
joelho pode também ser uma importante
consequência dessa diminuição de força.4 A
correlação encontrada na amostra concorda com a
literatura, porém nossos dados não apresentam
evidencia de que essa correlação se repete na
população.
Conclusões: Nossos dados parciais revelaram que a
diminuição da força de abdutores de quadril está
relacionada ao valgo dinâmico de joelho nas tarefas
Referências:
1.Willson & Davis. Clinical Biomechanics. 2008;
23:203–211
2.Stark, T. et al. PM R., 3 (5): 472-479, 2011.
3. Hollman J.H. et al. Journal of Sport
Rehabiitation(18):104–117, 2009.
4.Magalhães E. Journal of Orthopaedic and Sports
Physical Therapy 40: 641–647, 2010.
5. Hinkle D. 2nd ed. Boston: Houghton Mifflin, 1988.
Fonte dos dados: Esses dados são parte do conteúdo
da Dissertação de Mestrado intitulada: Análise
cinemática do tronco, quadril e joelho durante a
realização de diferentes tarefas funcionais para
avaliação do valgo dinâmico. O trabalho é
desenvolvido junto ao Programa de Pós-Graduação
em Reabilitação e Desempenho Funcional, FMRPUSP.
P á g i n a | 44
BCM.104. COMPARAÇÃO DO ÂNGULO DE ROTAÇÃO DO JOELHO ENTRE AS
TAREFAS DE SINGLE-LEG LANDING E STEP DOWN TEST
Ana Cristina Corrêa Cervi1; Diego José Argenton Telarolli1; Abel Chinaglia1; Marina Zazini1; Paulo
Roberto Pereira Santiago2; Tenysson Will de Lemos3; Débora Bevilaqua Grossi1
1
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), Ribeirão Preto, SP, Brasil
2
Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto da Universidade de são Paulo (EEFERP), Ribeirão Preto, SP, Brasil
3
Especialista de Laboratório do Núcleo de Apoio a Pesquisa em Doenças Crônico Degenerativas da FMRP-USP, Ribeirão Preto,
SP, Brasil
Introdução: Compreender a mecânica dos membros
inferiores é muito importante para estabelecermos um
diagnóstico cinético funcional.1 A incapacidade em
manter um bom alinhamento entre os segmentos
corporais é um dos fatores que podem contribuir para
lesões na articulação do joelho.2 O movimento de
rotação interna da tíbia tende a ser mais exacerbado
em tarefas mais desafiadoras em virtude do pé fixo no
solo e da alteração de controle proximal durante a
realização de atividades em cadeia cinética fechada.
Duas tarefas comuns utilizadas para avaliação do
valgo dinâmico são a single-leg step down e a singleleg landing que apesar de serem tarefas comumente
utilizadas na avaliação do valgo dinâmico ainda não
está estabelecido o componente rotacional
demandado sobre o joelho. Nossa hipótese é que
indivíduos assintomáticos apresentam maior
angulação de rotação do joelho na tarefa funcional
single-leg landing.
Objetivos: Comparar a angulação de rotação do
joelho durante as tarefas funcionais single-leg
landing e single-leg step down.
Métodos: O projeto foi aprovado pelo Comitê de
Ética em Pesquisa do Hospital das Clínicas da
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto,
Universidade de São Paulo (HC -FMRP/USP) de
acordo com o Certificado de Apresentação para
Apreciação
Ética
(CAAE)
número
37381914.0.0000.5440. A pesquisa foi realizada pelo
Laboratório da Análise da Postura e Movimento
Humano (LAPOMH) e no Laboratório de Cinemática
da Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão
Preto (LABIOCOM). Todos os voluntários assinaram
o Termo de Consentimento Livre Esclarecido
(TCLE) conforme previsto na Resolução 466/12 do
CNS. Foram recrutados 11 voluntários (5 homens e 6
mulheres com idade média de 23 ±3,9 anos, altura de
1.74 ±0,9 cm e massa 71,4 ±12 Kg). A análise
cinemática tridimensional do joelho foi realizada
utilizando o sistema de captura de imagem da Vicon
durante as tarefas single-leg landing e single-leg step
down. Marcadores reflexivos foram posicionados em
11 pontos anatômicos da perna dominante do
voluntário e foram avaliados os valores angulares de
rotação do joelho no pico de flexão no membro
inferior dominante durante a realização das tarefas
funcionais. A normalidade dos dados foi confirmada
pelo teste de Kolmogorov-Smirnov com p=0.09 para
a variável de rotação do joelho no pico de flexão na
tarefa de single-leg landing e p=0.20 para a variável
de rotação de joelho no pico de flexão na tarefa de
single-leg step down. Para a comparação dos valores
de ângulo de rotação nas duas tarefas funcionais de
single-leg step down e single-leg landing foi
realizado um teste t pareado com nível de
significância em 95%. As análises foram realizadas
através do software estatístico Statistical Package for
Social Science for Windows – SPSS (SPSS Inc.
Chicago USA).
Resultados: Os resultados não apresentaram
nenhuma diferença significativa quando comparadas
as angulações de rotação no pico de flexão do joelho
nos dois testes funcionais single-leg landing (M =
3,0°; DP =6,0°) e single-leg step down (M =7,0°; DP
=7,9°), Tabela 1.
Discussão: Um aumento do valgo dinâmico de joelho
associado à rotação interna de tíbia podem estar
diretamente relacionados ao aumento da incidência
de lesões de joelho durante algumas tarefas
funcionais.3 Durante a tarefa de single-leg landing
esperava-se encontrar maiores valores angulares de
rotação interna da tíbia, porém nossos dados não
P á g i n a | 45
encontraram diferença estatística significante
comparando com a tarefa de single-leg step down que
é considerada menos desafiadora. Esses dados são
ainda preliminares, mas revelam que independente da
complexidade ou stress da tarefa o componente
rotacional do joelho não sofre alterações.
Conclusões: O ângulo de rotação de joelho no pico
de flexão não sofreu alterações significativas durante
a execução de diferentes tarefas funcionais para
avaliação do valgo dinâmico do joelho.
Referências
1. Pollard C.D. et al. Clinical Biomechanics,
25:142–146,2010.
2.Willson & Davis. Clinical Biomechanics, 23:203–
211, 2008
3 Lee S.P. and Powers C. J Orthop Sports Phys
Ther, 43(6):392-7,2013
Fonte dos dados: Esses dados são parte do conteúdo
da Dissertação de Mestrado intitulada: Análise
cinemática do tronco, quadril e joelho durante a
realização de diferentes tarefas funcionais para
avaliação do valgo dinâmico. O trabalho é
desenvolvido junto ao Programa de Pós-Graduação
em Reabilitação e Desempenho Funcional, FMRPUSP.
P á g i n a | 46
BCM.105. Correlação entre o pico de flexão do joelho e o pico de valgo durante a
realização de diferentes tarefas funcionais para avaliação do valgo dinâmico.
Diego José Argenton Telarolli1; Ana Cristina Correa Cervi1; Maria Luiza Funari1; José Luiz Vieira1;
Tenysson Will de Lemos2;Paulo Roberto Pereira Santiago3; Débora Bevilaqua Grossi1.
¹ Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), Ribeirão Preto, SP,
Brasil.
2
Especialista do Láboratorio do Núcleo de Apoio a Pesquisa em Doenças Crônicos Degenerativas da
FMRP-USP, Ribeirão Preto, SP, Brasil.
³ Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto da Universidade de são Paulo (EEFERP), Ribeirão
Preto, SP, Brasil.
Introdução: As estratégias motoras adotadas
durante a realização dos testes funcionais para a
avaliação do valgo dinâmico estão diretamente
relacionadas ao desempenho de membros
inferiores. Um mecanismo de acoplamento
deficitário entre o membro inferior e o chão
desenvolve uma cadeia compensatória em relação
à articulação do joelho. Essa cadeia compensatória
prejudica o alinhamento dos membros inferiores
durante atividades em cadeia cinética fechada.¹
Valores de valgo dinâmico do joelho estão
fortemente associados a um maior pico de rotação
interna de tíbia e uma maior adução de quadril
durante o movimento de flexão.² Maiores ângulos
de flexão e adução de quadril durante tarefas em
cadeia cinética fechada estão associadas a menores
ângulos máximos de flexão do joelho, como forma
de controlar e compensar o movimento.³ Apesar
dessa associaçao, não está estabelecido se o pico do
valgo dinâmico do joelho se correlaciona com o
pico de flexão, especialmente em diferentes tarefas
funcionais utilizadas para avaliação do valgo
dinâmico.
Objetivos: Investigar a correlação do pico de
flexão do joelho com o pico de valgo dinâmico
durante as tarefas funcionais “Single Leg Step
Down” e “Single Leg Landing”.
Métodos: O projeto foi aprovado pelo Comitê de
Ética em Pesquisa do Hospital das Clínicas da
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto,
Universidade de São Paulo (HC -FMRP/USP), sob
o numero de aprovação 1.313.666. A pesquisa foi
realizada pelo Laboratório da Análise da Postura e
Movimento Humano (LAPOMH) em parceria com
o laboratório de cinemática da Escola de Educação
Física e Esporte de Ribeirão Preto (EEFERP).
Todos os voluntários assinaram o Termo de
Consentimento Livre Esclarecido (TCLE)
conforme previsto na Resolução 466/12 do CNS.
Foram recrutados 11 voluntários assintomáticos e
sem histórico de lesão em membros inferiores,
sendo 5 homens e 6 mulheres com idade média de
23 (+/- 4) anos, altura média de 1.74 (+/- 9) metros,
71,400 (+/- 13) quilogramas e índice de massa
corporal de 23,32 (+/-2,61). Para a avaliação do
valgo dinâmico do joelho foram analisadas as
tarefas do “Single Leg Step Down”, realizado sobre
uma plataforma de 20 centímetros de altura, e o
“Single Leg Landing”, executado em uma
plataforma de 40 centímetros de altura. Marcadores
reflexivos foram posicionados em 11 pontos
anatômicos da perna dominante do voluntário.
Foram avaliados os valores de pico de flexão do
joelho e os picos de valgo de joelho utilizando
avaliação cinemática, pelo Sistema VICON
(Centennial, CO, EUA), composto de oito câmeras
MX-T-40S com quatro megapixels de resolução
espacial e 515 quadros por segundos de resolução
temporal, para a obtenção das coordenadas
tridimensionais dos marcadores anatômicos. Foi
realizado um teste de correlação de Pearson entre
os valores dos picos de flexão e do pico de valgo
dinâmico durante as duas tarefas, com nível de
significância em 95%. Sendo considerados valores
de correlação, forte r>0,7, moderada 0,6<r>0,4 e
fraca r<0,3.4
As análises foram realizadas através do software
Statistical Package for Social Science for Windows
–SPSS (SPSS Inc, Chicago,USA).
Resultados: O pico de flexão e o pico de valgo
dinâmico do joelho apresentaram uma fraca
correlação tanto na tarefa de “Single Leg Landing”
(r=0,01) e na tarefa “Single Leg Step Down”
(r=0,04), Tabela 1.
P á g i n a | 47
Discussão: A fraca correlação observada pode ser
devido às estratégias de compensação das
articulações de quadril e tornozelo, as quais
contribuem diretamente para absorção de impacto
em tarefas realizadas em cadeia cinética fechada.
Estudos mostraram que o alto risco de lesões na
articulação do joelho devido à presença de valgo
dinâmico exacerbado, pode também ser resultado
da diminuição do controle de movimento de
articulações adjacentes ao invés de somente uma
disfunção
articular
localizada.5
Menores
angulações de flexão de tronco e dorsi-flexão
durante a realização de uma tarefa de aterrissagem
diminui a absorção de carga em articulações distais
e proximais ao joelho. Consequentemente,
aumentando a sobrecarga no joelho, podendo
influenciar no movimento de valgo dinâmico.³,6
Conclusão: Os valores angulares dos picos do
valgo dinâmico e de flexão do joelho nas duas
tarefas realizadas não apresentaram evidência de
correlação linear.
Referências:
1. Tibério D. The Journal of Orthopaedicand Sports
Physical Therapy Vol 9, Num 4, 1987.
2. Barton C.J. Clinical Biomechanics 27, 702–705,
2012.
3. Lee S.P. Clinical Biomechanics 28, 524–529,
2013.
4. Hinkle D. 2nd ed. Boston: Houghton Mifflin,
1988.
5. Hewett T.E. Exercise and Sport Sciences
Revews; vol. 39, n. 4: pages 161-6; 2011.
6. Arai T. Clinical Biomechanics, 28, 642–648,
2013.
Fonte dos dados: Esses dados são parte do
conteúdo da Dissertação de Mestrado intitulada:
“Análise cinética, cinemática e baropodométrica de
tornozelo e pé durante diferentes tarefas funcionais
para avaliação do valgo dinâmico.”
O trabalho é desenvolvido junto ao Programa de
Pós-Graduação em Reabilitação e Desempenho
Funcional, FMRP-USP.
P á g i n a | 48
Análise do valgo dinâmico do joelho em diferentes ângulos de flexão nas tarefas
funcionais “Single Leg Step Donw” e “Single Leg Landing”
Diego José Argenton Telarolli1; Ana Cristina Correa Cervi1; Maria Luiza Funari1; José Luiz Vieira1;
Tenysson Will de Lemos2;Paulo Roberto Pereira Santiago3; Débora Bevilaqua Grossi1.
¹ Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), Ribeirão Preto, SP,
Brasil.
2
Especialista do Láboratorio do Núcleo de Apoio a Pesquisa em Doenças Crônicos Degenerativas da
FMRP-USP, Ribeirão Preto, SP, Brasil.
³ Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto da Universidade de são Paulo (EEFERP), Ribeirão
Preto, SP, Brasil.
Introdução: O aumento da incidência e do risco de
lesões em membros inferiores vem sendo associados
às alterações nas estratégias funcionais para
estabilidade postural, com uma maior variação e
maiores angulações de valgo dinâmico de joelho.¹,²
Durante a realização de algumas tarefas funcionais, o
valgo dinâmico do joelho é exacerbado nas tarefas de
saltos e agachamentos como o “Single Leg Landing”
e “Single Leg Step Down”.³ O aumento dos valores
de valgo dinâmico do joelho pode ser ocasionado pelo
momento rotacional da tíbia em virtude do pé fixo no
solo e por alterações na dinâmica do quadril, durante
o movimento de flexão.³,4 Apesar de bem conhecida a
sua dinâmica, os valores de valgo dinâmico ainda não
estão bem estabelecidos durante a excursão nos
diversos ângulos de flexão do joelho em diferentes
tarefas funcionais.
Objetivos: Analisar os valores do valgo dinâmico do
joelho em diferentes angulações de flexão nas tarefas
de Single Leg Landing e Single Leg Step Down em
individuos saudáveis.
Métodos: O projeto foi aprovado pelo Comitê de
Ética em Pesquisa do Hospital das Clínicas da
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto,
Universidade de São Paulo (HC -FMRP/USP), sob o
numero 1.313.666. A pesquisa foi realizada pelo
Laboratório da Análise da Postura e Movimento
Humano (LAPOMH) em parceria com o laboratório
de cinemática da Escola de Educação Física e Esporte
de Ribeirão Preto (EEFERP). Todos os voluntários
assinaram o Termo de Consentimento Livre
Esclarecido (TCLE) conforme previsto na Resolução
466/12 do CNS. Foram recrutados 11 voluntários
assintomáticos e sem historico de lesão em membros
inferiores, sendo 5 homens e 6 mulheres com idade
média de 23 (+/- 4) anos, altura média de 1.74 (+/- 9)
metros, 71,400 (+/- 13) quilogramas e indice de
massa corporal de 23,32 (+/-2,61). Foram realizados
dois testes funcionais para a avaliação do valgo
dinâmico do joelho, o “Single Leg Step Down”,
realizado sobre uma plataforma de 20 centímetros de
altura, e o “Single Leg Landing”, executado de uma
plataforma de 40 centímetros de altura. Marcadores
reflexivos foram posicionados em 11 pontos
anatômicos da perna dominante do voluntário. Foram
avaliados os valores de valgo dinâmico da perna
dominante do voluntário nas angulações de 15º, 30º e
45º de flexão do joelho, utilizando avaliação
cinemática pelo Sistema VICON (Centennial, CO,
EUA), composto de oito câmeras MX-T-40S com
quatro megapixels de resolução espacial e 515
quadros por segundos de resolução temporal, para a
obtenção das coordenadas tridimensionais dos
marcadores anatômicos. Foi considerado valgo
dinâmico o movimento de adução do joelho
observado no plano frontal. Para comparação entre os
valores de valgo dinâmico nas diferentes tarefas foi
realizado um teste t pareado nas angulações de 15, 30
e 45 graus, com nível de significância em 95%. As
análises foram realizadas usando o software
Statistical Package for Social Science for Windows –
SPSS (SPSS Inc, Chicago,USA).
Resultados: Os valores de valgo dinâmico de joelho
nas várias angulações de flexão e os valores de pico
do valgo dinâmico do joelho entre as tarefas “Single
Leg Step Down” e “Single Leg Landing” não
apresentaram diferença significativa (p=0.15), Figura
1.
P á g i n a | 49
Figura 2: Valores de valgo dinâmico nas angulações
de 15, 30 e 45 graus de flexão de joelho em duas
tarefas funcionais.
Discussão: Na tarefa de “Single Leg Landing” já
foram estabelecidos graus de normalidade para as
angulações de valgo de joelho com valores entre 313º. Sabe-se também que os valores de valgo
dinâmico do joelho durante a tarefa de “Single Leg
Step Down” são similares ao “Single Leg Landing”,
porém com maiores valores de flexão de joelho.5
Maiores valores de valgo dinâmico são associadas às
maiores angulações de joelho quando em tarefas de
aterrissagem, pois supõe-se que as angulações de
joelho sofram influências das articulações distais e
proximais, tais como limitações do ângulo de
dorsiflexão em cadeia fechada e excursões de tronco
ipsilaterais.³,4 Os dados mostraram que os voluntários
atingiram maiores valores de valgo dinâmico de
joelho e picos angulares de valgo em maiores ângulos
de flexão do joelho. Os valores do valgo dinâmico do
joelho não apresentaram diferenças entre as tarefas,
independente das diferentes exigências funcionais
das tarefas realizadas. Tal compração entre estas
tarefas ainda não foram localizadas na literatura e
portanto não podem ser contrastados.
Conclusões: Os valores do valgo dinâmico do joelho
de voluntários saudáveis não apresentaram diferença
significativa quando comparados entre duas tarefas
funcionais com demandas diferentes em diversas
angulações de flexão do joelho.
Referências:
1. Hugles G. Sports Biomechanics 10 September
2014, At: 09:44
2. Hole M. Research Papers, Paper 372, 2013.
3. Lee S.P. Clinical Biomechanics 28, 524–529,
2013.
4. Arai T. Clinical Biomechanics, 28, 642–648, 2013.
5. Herrington L. Phys Ther Sport. 2010
May;11(2):56-9.
Fonte dos dados: Esses dados são parte do conteúdo
da Dissertação de Mestrado intitulada: “Análise
cinética, cinemática e baropodométrica de tornozelo
e pé durante diferentes tarefas funcionais para
avaliação do valgo dinâmico.”
O trabalho é desenvolvido junto ao Programa de PósGraduação em Reabilitação e Desempenho
Funcional, FMRP-USP.
P á g i n a | 50
BCM.107. CORRELAÇÃO ENTRE FORÇA MUSCULAR E INCAPACIDADE DA
COLUNA CERVICAL
Ana Paula Carnevalli1; Lidiane Lima Florêncio1; Gabriella de Almeida Tolentino1; Fabíola Dach1; Débora
Bevilaqua-Grossi1
1
Laboratório de Análise da Postura e do Movimento Humano/ Faculdade de Medicina de Ribeirão PretoUSP
Introdução: A prevalência da dor cervical tem
aumentado na população em geral. Sabe-se que
uma das alternativas para o tratamento
fisioterapeutico das disfunções cervicais é o
fortalecimento dos músculos cervicais. No entanto,
não está claro a correlação entre a força dos
músculos cervicais e a incapacidade que a
cervicalgia gera.
Objetivos: Avaliar a correlação entre a força
muscular e a incapacidade cervical medida pelo
Neck Disability Index (NDI).
Métodos: O estudo foi iniciado após aprovação do
comitê de ética da Faculdade de Medicina de
Ribeirão Preto, processo HCRP n° 16159/2014. A
amostra foi composta por 40 mulheres, sendo a
média da idade de 27,5 anos (DP=
9,14),semhistória de trauma ou cirurgia nopescoço
e/ou face e hipertensão arterial sistêmica. Foi
utilizado um dinamômetro manual (Lafayette
Manual Muscle Testing System) customizado para
quantificação da força dos músculos cervicais em
flexão, extensão e inclinações laterais da coluna
cervical.O voluntário foi estabilizado na maca por
faixas de velcro®, para resistir e impedir
compensações (FIGURA 1).O posicionamento
adotado para cada movimento avaliado foi:
•
Músculos flexores: Decúbito dorsal com
joelhos estendidos, cabeça e pescoço em posição
neutra, braços ao lado do tronco e faixas de velcro®
estabilizando os MMSS, e parte superior do tronco
e MMII (Figura 1. A);
•
Músculos extensores: Decúbito ventral,
com os braços ao lado do tronco e com faixas de
velcro® estabilizando os MMII, a pelve e a parte
superior do tronco (Figura 1. B);
•
Inclinadores laterais: Decúbito lateral, com
um travesseiro sob a cabeça, braço ao lado do corpo
e faixas de velcro® estabilizando o tronco e os
MMSS e MMII (Figura 1. C);
Figura 1. Posicionamento adotado em cada
movimento avaliado
A incapacidade relacionada à dor cervical foi
verificada pelo Neck Disability Index (NDI)1,
questionário de dez questões sobre a
presença/intensidade da dor em atividades diárias,
que pontua entre 0 e 50 e quanto maior sua
pontuação final maior a incapacidade que o sujeito
apresenta.A correlação entre a incapacidade e a
força foi calculada pelo coeficiente de correlação
de Pearson adotando um nível de significância de
0,05, e classificada como fraca (< 0,3), moderada
(0,3 a 0,7) e forte ( > 0,7).
Resultados: Foram demonstrados valores de
correlação fracos entre a incapacidade e a flexão
(r= - 16; IC95% - 0,45 a 16), extensão (r= -19;
IC95% -0,47 a 0,13), inclinação à direita (r= -0,15;
IC95% -0,45 a 0,16) e inclinação à esquerda (r= 0,11; IC 95% -0,41 a 0,21), sem evidência de
correlação direta ou inversa entre as variáveis
(p>0,05).
Discussão: O estudo evidenciou que os
mecanismos que levam a perda de força não
semostraram diretamente relacionados com a
incapacidade cervical medida pelo NDI, embora
ambas ocorram nas disfunções cervicais não há
correlação direta, inversa, proporcional ou
temporal entre ambos. O que corrobora com os
estudos de Stimpakos (2011)2 que encontrou
resultados semelhantes.
P á g i n a | 51
Conclusões: Embora a incapacidade cervical e a
alteração da força dos músculos cervicais possam
ocorrem na disfunção cervical, não há evidência de
correlação entre estas variáveis, portanto, ambos
aspectos devem ser considerados na avaliação dos
pacientes.
Referências:
1. Vernon H, Mior S. The Neck Disability Index: a
study of reliability and validity. J Manipulative
Physiol Ther. 1991 Sep; v.14(7): 409-415.
2. Stimpakos N. The assessment of the cervical
spine. Part 2: Strength and endurance/fatigue.
Journal of Bodywork & Movement Therapies.2011
Oct; 15(4):417- 430.
Fontes financiadoras: FAPESP, n° processo
2015/15854-0.
Fonte dos dados: Esses dados são parte do
conteúdo do Projeto de Iniciação Científica
intitulada: “Confiabilidade da avaliação da força
voluntária máxima dos músculos cervicais pela
dinamometria manual”. O trabalho é desenvolvido
junto à graduação em fisioterapia da Faculdade de
Medicina de Ribeirão Preto – USP
P á g i n a | 52
BCM.108. ANÁLISE DA RAZÃO DA FORÇA MUSCULAR ISOMÉTRICA ENTRE
FLEXORES E EXTENSORES DO JOELHO EM PACIENTES DEAMBULADORES
COM DISTROFIA MUSCULAR DE DUCHENNE
Ananda Cezarani¹; Joyce Aline Paganelli Nascimento²; Lígia Maria Tezo Daloia¹; Mariana Angélica de
Souza³ Ana Cláudia Mattiello-Sverzut4
1
2
Graduandas em Fisioterapia; Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Reabilitação e Desempenho
Funcional; 3Mestre em Ciências; 4Docente do Departamento de Biomecânica, Medicina e Reabilitação do
Aparelho Locomotor - Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - Universidade de São Paulo, São Paulo,
Brasil
Introdução: A distrofia muscular de Duchenne
(DMD) é causada pela deleção ou deficiência do
gene que codifica a proteína distrofina. É
caracterizada por fraqueza muscular progressiva,
bilateral e simétrica1 com curso clínico não
homogêneo. As atividades funcionais podem ser
desempenhadas, mesmo que mais lentamente, até
os 6 ou 7 anos. A partir dessa idade há um declínio
rápido da força e função2,3. A redução de força
muscular progressiva dos músculos extensores de
quadril, extensores de joelho e dorsiflexores do
tornozelo está associada à quedas frequentes e
incapacidade de ficar em pé e pode indicar estágios
finais de deambulação4,5,6. A progressão da
fraqueza
muscular
está
associada
ao
desenvolvimento de encurtamentos musculares, e
ajustes biomecânicos compensatórios durante a
deambulação7 como aumento do ângulo de
extensão do joelho e de flexão do quadril e
diminuição do ângulo de extensão do quadril8. A
estabilidade articular e sua funcionalidade são
dependentes da amplitude articular livre e do
balanço entre forças musculares envolvidas no
movimento9. A mensuração desse balanço de
forças pode ser expressa pelo cálculo da razão entre
agonistas e antagonistas10 e pode fornecer dados
importantes que devem auxiliar o direcionamento
terapêutico9.
Objetivos: Verificar a razão de forças isométricas
entre flexores e extensores do joelho de pacientes
com DMD, de diversas faixas etárias, e comparar
com dados de crianças saudáveis.
Métodos: Dados de força muscular isométrica por
meio do dinamômetro HandHeld Lafayette® forma
obtidos de grupos voluntários: DMD: 39 pacientes,
sexo masculino, idade entre 5 e 10 anos,
acompanhados no Ambulatório de Miopatias
Infantis do CER do HCFMRP-USP; saudáveis (S):
30 voluntários saudáveis do mesmo sexo e mesma
faixa etária, obtidos em uma escola da rede de
ensino de Ribeirão Preto. Foram realizadas três
repetições de contrações de cada grupo muscular, a
cada 20 segundos e registrada média das 3 medidas.
Posteriormente, foi realizada uma análise
exploratória e descritiva dos dados utilizando o
cálculo da razão realizado por meio da divisão da
média de força dos flexores do joelho pela média
de força dos extensores de joelho para cada faixa
etária. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de
Ética do HCFMRP-USP sob processos nº
101876/2014 e 6017/2013. Todos os participantes
e seus responsáveis assinaram o termo de
assentimento e consentimento, respectivamente.
Resultados: A Tabela 1 apresenta as
características da amostra e os resultados da razão
entre a força isométrica dos músculos flexores e
extensores de joelho (F:E) para cada grupo em
cada faixa etária (5 a 10 anos). A idade média do
grupo DMD foi de 7,4 (DP=1,5) e do S foi de 7,5
(DP=1,7). Nesta, para voluntários saudáveis, pode
ser observada simetria entre os lados direito e
esquerdo, assim como, a razão da força agonista:
antagonista mostrou-se praticamente constante
para os voluntários saudáveis em todas as faixas
etárias. Para voluntários do DMD, a partir dos 6
anos de idade, pode ser observado aumento da
razão
agonista:antagonista
caracterizando
desequilíbrio entre flexores e extensores do joelho.
Aos 10 anos de idade, os voluntários do DMD
apresentaram razão 4 vezes acima da observada
para voluntários saudáveis (Tabela 1).
Discussão: O presente estudo mostrou que crianças
saudáveis apresentam simetria e razão constante
entre agonistas:antagonistas no período de 5 a 10
anos de idade. Por outro lado, pacientes com DMD
apresentam aumento crescente dessa razão,
indicando fraqueza predominate do grupo extensor
sobre o flexor. Esses achados corroboram com os
de Stuberg e Metcalf (1988)8, que demonstraram
que os pacientes com DMD possuem menores
P á g i n a | 53
valores de força muscular isométrica de extensores
de joelho, em relação à crianças saudáveis. Tabela
1: Descrição da razão de força isométrica obtida
entre flexores e extensores joelho, direito e
esquerdo dos voluntários DMD e saudáveis, em
diferentes faixas etárias.
Idade
(anos)
5
6
7
8
9
10
DMD (n=4)
0,7
F:E
Esq
0,6
Saudáveis (n=5)
DMD (n=8)
Saudáveis (n=5)
DMD (n=8)
Saudáveis (n=5)
DMD (n=9)
Saudáveis (n=5)
DMD (n=6)
Saudáveis (n=5)
DMD (n=4)
0,7
0,9
0,7
1
0,7
1,4
0,7
1,7
0,8
2,8
0,8
0,9
0,7
1,1
0,7
1,55
0,7
1,99
0,7
2,5
Grupo
F:EDir
Saudáveis (n=5)
0,7
0,7
F:E Dir, Razão entre flexores:extensores de joelho
direito; F:E Esq, Razão entre flexores:extensores
de joelho esquerdo; DMD, Distrofia Muscular de
Duchenne; n, Número de participantes.
Alguns ajustes posturais e funcionais são
observados nos pacientes com DMD, como a
hiperextensão do joelho, induzida pela perda da
força excêntrica de quadríceps, evitando a queda
diante da posição ortostática e retardando a idade
de perda da marcha4. Segundo Frezza et al (2005)11,
exercícios resistidos podem ser uma opção de
tratamento para preservar a força muscular, o
equilíbrio e a coordenação, em pacientes com
DMD. Por outro lado, outras estratégias
terapêuticas devem ser exploradas com objetivo de
proporcionar uma vantagem no tempo de
deambulação como a indicação de órtese diurna
e/ou noturna. Estas devem ser testadas para
verificar se a intensidade deste desequilíbrio
muscular é minimizada ao longo do tempo,
favorecendo o prolongamento da deambulação
nestes pacientes.
Conclusões: Dados do presente estudo indicaram
que, à partir dos 6 anos, crianças com DMD
apresentam desequilíbrio crescente entre as forças
isométricas agonistas e antagonistas do joelho,
alcançando quatro vezes o valor da razão controle
(obtida em crianças saudáveis). A médio prazo, o
cálculo da razão entre flexores e extensores deve
ser explorado sob diversos métodos de intervenção
terapêutica, tendo como foco o prolongamento do
tempo de deambulação nestes pacientes.
Referências:
1
Baptista, C.R.J.A., Costa, A.A., Pizzato, T.M.,
Souza, F.B., Mattiello-Sverzut, A.C. Braz J Phys
Ther, 2014; 18: 119-126.
2
Parsons, E.V.; Clarke, A. J.; Bradley,
D.M. European Journal of Paediatric Neurology.
2004; 8:145–153.
3
Santos, N.M. et al. Revista Neurociências, 2006;
14: 15-22.
4
. Bakker JPJ, De Groot IJM, Beelen A. Am J Phys
Med Rehabil. 2002; 81: 906-912.
5
. Hsu JD, Furumasu J. Clin Orthop Relat Res.
1993; 288: 122-125.
6
. Dubowitz V. Muscle disorders in childhood. 2nd.
London: Saunders; 1995: p. 34-73.
7
Doglio, L. et al. European journal of physical and
rehabilitation medicine,2001; 47: 587–94.
8
Stuberg, W. A; Metcalf, W. K. Physical therapy,
1988; 68: 977–982.
9
Américo, S.P.F; Souza, V.V; Guimarães, C.Q;
Rolla, A.F.L. Rev Bras Med Esporte, 2001; 17.
10
Goulart, L. F. et al. Rev Bras Med Esporte, 2008;
14: 17–21.
11
Frezza, R. M.; Silva, S. R. N. DA; Fagundes, S.
L. Revista Brasileira em Promoção da Saúde, 2005;
18: 41–49.
P á g i n a | 54
BCM.109. ANÁLISE DO SISTEMA ESTOMATOGNÁTICO DE INDIVÍDUOS
SUBMETIDOS AO IMPLANTE ZIGOMÁTICO
Bárbara de Lima Lucas1, Ligia Franco Oliveira1, Moara de Rossi1, Marcelo Palinkas1, Marisa Semprini1,
Carla Moreto Santos1, Isabela Hallak Regalo1, Edmilson Bersani Oliveira1, Selma Siéssere1, Reginaldo
Migliorança1, Simone Cecilio Hallak Regalo1
1
Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto – Universidade de São Paulo
Introdução: Reabilitações implanto-suportadas
são alternativas utilizadas como terapêutica na
Odontologia com a finalidade de resgatar a função
mastigatória (Migliorança et al., 2008; Mozzati et
al., 2015). Embora tal técnica apresente resultados
estéticos comprovados, não há muitos dados
científicos sobre a ação desse tipo de reabilitação
no sistema estomatognático, utilizando o implante
ancorado em osso zigomático.
Objetivo: Este estudo avaliou o sistema
estomatognático de indivíduos com próteses totais
fixas ancoradas sobre implante zigomático, por
meio da atividade eletromiográfica dos músculos
masseteres e temporais, nas condições posturais da
mandíbula.
Métodos: 54 indivíduos de 35 a 70 anos, de ambos
os gêneros foram distribuídos em dois grupos: GIZ:
com implante zigomático (n=27) e GC: controle
saudável (n=27). Os Grupos foram pareados sujeito
a sujeito por idade e índice de massa corporal.
Todos os participantes do GIZ utilizavam
overdenture inferior como padrão de reabilitação
oral. O estudo foi aprovado pelo CÉP da Faculdade
de Odontologia de Ribeirão preto da Universidade
de São Paulo (processo n.2010/10289-0). A análise
da atividade eletromiográfica dos músculos
masseteres [direito (MD) e esquerdo (ME)] e
temporais [direito (TD) e esquerdo (TE)], foi
realizada durante a protrusão (10s); apertamento
dental em contração voluntária máxima (4s);
apertamento dental em contração voluntária
máxima com Parafilm M® (Pechinery Plastic
Packaging, Batavia, IL, USA) (18x17x4mm, 245
mg) (4s); lateralidade direita (10s), lateralidade
esquerda (10s). Foi utilizado o eletromiógrafo
Myosystem BR1 (Data Hominis Ltda, Uberlândia,
MG, Brasil). Os valores EMG normalizados pelo
apertamento dental em contração voluntária
máxima com Parafilm M® foram tabulados e
submetidos à análise estatística (SPSS 21.0; teste t
independente; p ≤ 0,05).
Resultados: Na atividade EMG normalizada dos
músculos masseteres e temporais houve
significância estatística na condição de protrusão:
MD= [(GIZ = 0,44 ± 0,08), (GC=0,16 ± 0,02)],
ME= [(GIZ = 0,49 ± 0,07), (GC=0,17 ± 0,02)],
TD= [(GIZ = 0,21 ± 0,04), (GC=0,10 ± 0,01)], TE=
[(GIZ = 0,17± 0,03), (GC=0,11 ± 0,01)];
lateralidade direita: MD= [(GIZ = 0,32 ± 0,05),
(GC=0,09 ± 0,01)], ME= [(GIZ = 0,39 ± 0,05),
(GC=0,14 ± 0,02)], TE= [(GIZ = 0,17± 0,03),
(GC=0,09 ± 0,01)]; lateralidade esquerda: MD=
[(GIZ = 0,44 ± 0,08), (GC=0,14 ± 0,03)], ME=
[(GIZ = 0,28 ± 0,06), (GC=0,10 ± 0,01)], TD=
[(GIZ = 0,16± 0,03), (GC=0,10 ± 0,01)];
apertamento dental em contração voluntária
máxima: ME= [(GIZ = 0,86 ± 0,05), (GC=0,68 ±
0,05)]; TE= [(GIZ = 0,93± 0,17), (GC=0,77 ±
0,04)].
Discussão: Avanços nas pesquisas odontológicas
proporcionam
desenvolvimento
de
novas
tecnologias, possibilitando a confecção de
implantes
com
maior
capacidade
de
osseointegração
(Bränemark,
1987).
A
estabilização da oclusão gerada pelo uso de
próteses suportadas por implantes osseointegrados
pode evidenciar considerável modificação da
atividade muscular (Davó ; Pons, 2015). Esta
pesquisa mostrou por meio dos resultados EMG
normalizados obtidos que o GIZ apresentou
padrões posturais mastigatórios mais elevados
quando comparados ao GC. Este tipo de função
provavelmente se justificada, no nosso
entendimento, pelos estímulos causados pela
presença dos implantes e da própria base da
prótese, apesar da ausência de impulsos nervosos
periodontais. Sabe-se que os receptores
periodontais desempenham papel significativo no
sistema estomatognático, pois são responsáveis por
levar informações desse ao sistema nervoso central,
sendo uma forma de proteção do próprio sistema
(Trulsson et al., 2010). Não há registros na
literatura de estudos relacionados aos efeitos
funcionais da técnica de implante discutida nesta
pesquisa (implante zigomático), limitando, assim,
a comparação direta dos nossos resultados. Novas
pesquisas serão necessárias para observar o padrão
de comportamento muscular mastigatório de
P á g i n a | 55
indivíduos que foram submetidos ao tratamento
com ancoragem de implante zigomático
observando, por exemplo, o tempo de uso das
próteses, adaptação e estabilidade.
Conclusões: Com base nos resultados desta
pesquisa, pode-se concluir a reabilitação oral com
próteses implanto-suportadas (ancoragem no osso
zigomático) promove hiperatividade na função dos
músculos masseteres e temporais quando
comparadas a musculatura de indivíduos
saudáveis.
Referências
1.
Migliorança, RM. Ed Quintessence 2008.
2.
Mozzati M, Mortellaro C, Arata V, Gallesio
G, Previgliano V. J Craniofac Surg. 2015;
26(3):722-8.
3.
Bränemark PI, Zarbo G.; Albrektsson T.
Quintessence Publ. Co, 1987.
4.
Davó R, Pons O. Eur J Oral Implantol.
2015; 8(2):169-74.
5.
Trulsson M, Francis ST, Bowtell R,
McGlone F. Neurophysiol 2010; 104:2257–2265.
Agradecimento: FAPESP e CNPq
Fonte dos dados: Estes resultados apresentados
são decorrentes de uma pesquisa original do
Departamento de Morfologia, Fisiologia e
Patologia Básica da Faculdade de Odontologia de
Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.
P á g i n a | 56
BCM.110. ANÁLISE DA POTÊNCIA DE MEMBRO SUPERIOR EM ATLETAS DA
SELEÇÃO PARALÍMPICA BRASILEIRA DE HALTEROFILISMO
Bárbara Silva1; Silvio Santos1; Isabela Miziara1; Lísia Rodrigues1; João Nunes1; Heitor Cunha1;
1 Universidade Federal de Uberlândia
Introdução: O aperfeiçoamento das técnicas de
treinamento para melhoria do desempenho depende
da associação de métodos e técnicas de mensuração
dos fatores que influenciam no desempenho
esportivo. Apesar das diferenças existentes entre o
treinamento de força e de potência máxima, as
respostas a esses treinamentos mostram estar
correlacionas (MCBRIDE et al., 2002; WILSON,
NEWTON, MURPHY & HUMPHRIES, 1993).
A escassez de trabalhos nessa área motiva esforços no
sentido de compreender os mecanismos desta tarefa
motora que constitui elevada relevância, não somente
para o esporte paralímpico, mas também para o
desenvolvimento de esportes que envolvam força e
potência de membros superiores. Visto que o
treinamento dos atletas da modalidade de supino
paralímpico são caracterizados como de força (cargas
entre 80-100% de 1RM) espera-se com esse estudo
que seja verificado um aumento também na potencia
máxima desses atletas.
Objetivos: O presente trabalho teve como objetivo
comparar a potência pico de membro superior em
atletas da seleção paralímpica brasileira de
halterofilismo no início do calendário de competições
e três meses após o início.
Métodos: Foram avaliados 6 indivíduos com idade
entre 18 e 45 anos (±10,95) praticantes da modalidade
de supino paralímpico integrantes da seleção
brasileira de halterofilismo. O estudo foi realizado no
laboratório de biomecânica da Faculdade de
Educação Física da Universidade Federal de
Uberlândia e teve a aprovação do Comitê de Ética em
Pesquisa da citada instituição (CEP/UFU 735.019). O
teste realizado para obter a força máxima dos
voluntários foi o de 1 RM (repetição máxima) no
supino reto livre, utilizando banco, barra e anilhas
com medidas oficiais de competição (Eleiko®,
Suécia). Após um intervalo de 48 horas, o sujeito
realizou o movimento de supino reto na máquina de
Smith (Righetto, Brasil) com 55% da carga máxima.
Os voluntários foram instruídos a arremessar a barra
para cima e, para que não houvesse interferência do
desgaste muscular causado na fase excêntrica, dois
apoiadores posicionavam a barra no peito do
voluntário, caracterizando assim um movimento
puramente concêntrico. Foram realizadas três
tentativas para cada atleta sendo validada a que
apresentava maior valor dentre a potência pico. Foi
respeitado um intervalo de 5 minutos entre as mesmas
a fim de evitar quaisquer prejuízos devido a fadiga
muscular.
Para a análise estatística foi utilizado a estatística
descritiva. A normalidade dos dados foi verificada
através do teste de Shapiro-Wilk, e após a aplicação
do mesmo foi verificado que a distribuição seguia
padrão de normalidade. O teste t pareado foi utilizado
para analisar se existia diferenças estatisticamente
significativas entre os exercícios realizados no início
do período de competições e três meses após. A
significância das análises foi assumida quando P≤
0,05. Para os cálculos estatísticos foi utilizado o
programa Action Stat.
Resultados: A Tabela 1 e o Gráfico 1 a seguir
apresentam os resultados de cada voluntário no teste
de potência no início e após três meses do início das
competições.
Tabela 1: Representação dos valores de potência pico no início da
temporada de competições e três meses após o início por voluntário.
Significativo (P <0,05)
Atleta
Gênero
Potência Pico Potência Pico Máx 3
Máx Início (W) meses após (W)
Atleta 1
M
670,05
800,29*
Atleta 2
M
881,31
938,74*
Atleta 3
F
491,91
530,83*
Atleta 4
F
368,22
437,21*
Atleta 5
M
1428,80
1504,17*
Atleta 6
F
441,38
479,87*
Média
713,61
781,85
D.P
57,23
37,82
Gráfico 1: Representação gráfica da potência pico no início da
temporada de competições e três meses após o início por voluntário.
P á g i n a | 57
Após a realização do teste t pareado, a fim de verificar
possíveis diferenças entre as potências pré e pós
início de temporada, foi apresentado um valor de P=
0,004 para análise mostrando que existe diferença
estatisticamente significativa.
Discussão: Para a realização deste estudo foi
analisada a potência de membros superiores com a
carga de 55% do 1RM de cada voluntário. Os dados
foram coletados no início da temporada de
competições e novamente três meses após a primeira
coleta. Em trabalho apresentado por Baker et al.
(2001) conclui-se através de testes de cargas distintas
que o percentual de 55% de 1RM indica a melhor
potência média, explicado pelo fato de que em uma
intensidade menor da carga, o aumento da velocidade
não compensa à diminuição da força; e em uma
intensidade maior da carga, o aumento da força não
compensa à diminuição da velocidade.
O supino paralímpico é uma modalidade
caracterizada essencialmente como de força. Na
literatura existem evidências que sustentam a
hipótese de que existem ganhos semelhantes em força
máxima a partir do treinamento de potência
(HARRIS et al., 2000; KYROLAINEN et al., 2005).
O aumento verificado na potência pico corrobora com
os resultados encontrados, pois a partir do início da
temporada, os treinos de força máxima são
intensificados visando as competições, em que o
atleta deve levantar a carga máxima possível.
Conclusões: A partir dos resultados encontrados é
possível concluir que houve um aumento
significativo da potência pico dos membros
superiores dos atletas da seleção paralímpica de
halterofilismo quando comparado do início do
calendário de competições e três meses após o
mesmo. Apesar da especificidade dos treinamentos
de força máxima executados pelos atletas outros
parâmetros demonstraram melhoras. O estudo veio a
contribuir no aprofundamento da temática resultando
em novos conhecimentos sobre os parâmetros
avaliados no teste de força máxima no movimento de
Supino Paralímpico. Porém sugere-se que outros
estudos sejam realizados com a utilização de outros
protocolos, visto que há uma escassez significativa na
literatura de trabalhos que englobem essa população.
Referências:
BAKER, D.; NANCE, S.; MOORE, M. J. Strength
Cond Res. 2001;15(1):92-7. Doi: 10.1519/15334287.
HARRIS, G.R.; STONE, M.H.; O´BRYANT, H.S.;
PROULX, C.M.; JOHNSON, R.L. 2000;14(1):1420. doi: 10.1519/1533-4287(2000)014<0014.
KYROLAINEN, H.; AVELA, J.; McBRIDE, J.M.;
KOSKINEN, S.; ANDERSEN, J.L.; SIPILA, S.;
TAKALA, T.E.; KOMI, P.V. Med Sport Sci.
2005;15:58-64.
doi:
10.1111/j.16000838.2004.00390.
McBRIDE, J.M.; TRIPLETT-McBRIDE, T.;
DAVIE, A.; NEWTON, R.U.; J Strength Cond Res.
2002;16:75‐82.
doi:
10.1519/15334287(2002)016\0075.
WILSON, G.J.M.; NEWTON, R.U.; MURPHY,
A.J.; HUMPHRIES, B.J. Med Sport Sci.
1993;25(11):1279-86. doi: PMID: 8289617.
Fontes financiadoras: Os autores agradecem a todos
que cooperaram com essa pesquisa, em especial ao
Comitê Paralímpico Brasileiro pela disponibilização
dos atletas.
Agradecem também ao CNPq, à CAPES e a
FAPEMIG pelo apoio financeiro para esta pesquisa.
Fonte dos dados: Esses dados são de trabalho
original desenvolvido junto a Faculdade de
Educação Física da Universidade Federal de
Uberlândia.
P á g i n a | 58
BCM.111. ANÁLISE CINEMÁTICA DOS MOVIMENTOS DA CABEÇA E DOR EM
MULHERES COM DISFUNÇÃO TEMPOROMANDIBULAR, DISFUNÇÃO
CERVICAL E ASSINTOMÁTICAS
Bruno Leonardo da Silva Grüninger1; Letícia Bojikian Calixtre1; Lianna Ramalho de Sena Rosa1; Mônica
Ambiel¹; Marina Machado Cid¹; Ana Beatriz Oliveira1
1
Departamento de Fisioterapia, Universidade Federal de São Carlos.
Introdução: A associação entre disfunções cervicais
musculoesqueléticas (DCM) e disfunção
temporomandibular (DTM) tem sido relatada na
literatura(1). Estudos que investigam essa relação
costumam enfatizar a investigação de sintomas,
como dor auto-referida no pescoço ou na mandíbula
e dor a palpação das mesmas estruturas(1). Parece
haver uma estreita relação biomecânica entre a ATM
e coluna cervical, uma vez que movimentos
limitados da região cervical podem alteram a
mecânica normal da ATM(3). Apesar das evidências
apontarem a existência de associação entre os
segmentos abordados, os estudos que objetivam
investigar esta relação têm sido realizados a partir de
medidas estáticas, como raio-x ou fotografias.
Quando são realizadas ativamente, a avaliação da
amplitude de movimento (ADM) da cervical é feita,
normalmente, utilizando goniômetros ou
inclinômetros, o que pode limitar a atividade a ser
avaliada(3). Poucos estudos trazem informações
relevantes no que diz respeito à análise mais robusta
da ADM cervical.
Objetivos: Comparar e correlacionar ADM cervical
e dor de indivíduos com e sem DCM e DTM. A
hipótese é de que indivíduos com DCM ou com
DTM apresentam, além de maior índice de dor,
ADM da coluna cervical diminuída, pois a
capacidade funcional passa por um processamento
central que pode ser alterado pela dor.
Métodos: Para esse estudo transversal foram
selecionadas trinta e seis mulheres (25,8±1,3 anos),
divididas em três grupos que deveriam responder
aos seguintes critérios de inclusão: Grupo DTM
(GDTM - 25,2±3,93 anos), com diagnóstico de
DTM a partir do RDC-TMD e dor maior que 4 na
escala numérica de dor (1). Grupo DCM (GDCM 25,3±5 anos), diagnóstico de DCM(4), índice de
disfunção de acordo com o NDI(5), dor na região
cervical maior do que 4 na escala numérica de dor
(1).
Grupo assintomático (GA - 24,8±5 anos), que não
apresentassem queixa de DCM ou de DTM. O
GDTM não apresentava queixa relevante de dor
cervical bem como o GDCC não poderia apresentar
dor na ATM. Todas as voluntárias foram submetidas
a uma avaliação cinemática realizada com o sistema
Qualisys Motion Capture System. Marcadores
reflexivos foram posicionados no tronco e na cabeça
e, além do repouso, foram solicitadas as seguintes
atividades: flexão, extensão, inclinação para a direita
e esquerda, e rotação para a direita e para a
esquerda. Sempre foi solicitada a ADM máxima,
respeitando o limite de dor, se necessário. O estudo
foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa em
Seres Humanos da UFSCar (CAAE:
41939615.6.0000.5504).
Os movimentos 3D do tronco e cabeça foram
reconstruídos a partir do software Visual 3D e os
valores angulares da máxima amplitude referentes
aos movimentos da cabeça nos três planos foram
extraídos a partir de uma rotina em Matlab. Para
análise estatística, as variáveis foram testadas quanto
à normalidade (Shapiro-Wilk test), dados foram
comparados entre os 3 grupos a partir da ANOVA
one-way. Aplicou-se o teste de correlação de
Pearson entre as variáveis cinemáticas, o nível de
dor na ATM e na cervical dos sujeitos. Foi utilizado
o SPSS (v.17.0) e considerado alpha de 5%.
Resultados: Nenhuma variável cinemática (Tabela
1) apresentou diferença estatisticamente significativa
entre os grupos. A Tabela 2 apresenta os níveis de
dor para cada grupo resultados estatísticos (P<0,05).
A correlação entre as variáveis cinemáticas e o nível
de dor na cervical e na ATM não foi significativa
(P>0,05).
Discussão: Os resultados não sustentaram a hipótese
inicial, visto que não houve menor ADM cervical
nos grupos (GDTM e GDCM) e as variáveis
cinemáticas não foram correlacionadas com as
variáveis de dor. Esses achados corroboram com
estudos prévios que encontraram nenhuma ou fraca
correlação entre mobilidade e dor (6)(7). Sendo
assim, a capacidade funcional que poderia estar
alterada pela dor, que é interpretada e sofre um
processamento central, influenciando a ADM (9),
não foi alterada. Uma possível causa é que pode
existir um mecanismo adaptativo para realização dos
movimentos. Isso pode ocorrer pela existência do
excesso de ativação muscular e, consequentemente,
movimentos intersegmentais anormais no nível
P á g i n a | 59
(8)
cervical . Além disso, a avaliação cinemática
aborda o movimento total e não consegue identificar
segmentos cervicais que estejam comprometidos
exibindo, portanto, uma visão geral do movimento,
sem acesso a possíveis compensações de um
segmento ao outro(8).
A tentativa de visualizar se havia alteração na
combinação de movimentos de inclinação e rotação
também não foi efetiva, visto que os três grupos se
comportaram da mesma forma.
Por fim, o tamanho da amostra pode ter sido
insuficiente para que diferenças significativas fosse
observada entre os grupos.
Conclusões: Não há relação entre a dor na cervical
ou na ATM e a diminuição da ADM cervical em
indivíduos com DTM ou com DCM.
Tabela 1. Valores médios (desvio-padrão) de ADM
máxima para os movimentos do pescoço (em graus)
e dor na ATM e cervical pela escala numérica de dor
para grupos assintomáticos, DTM e DCM.
GA
GDTM
GDCM
61,97
58,40 (9,8)
Flexão do pescoço 63,36
(11,3)
(9,6)
62,00
59,81
55,57
Extensão do
(13,5)
(9,5)
(12,1)
pescoço
39,37
39,19
41,01 (6,6)
Inclinação E
(7,5)
(4,6)
39,38
39,09
40,31 (7,1)
Inclinação D
(7,3)
(5,3)
72,31
66,69
66,10 (7,8)
Rotação D
(9,4)
(11)
71,50
67,06
66,94 (6,9)
Rotação E
(8,5)
(10,4)
Variáveis descritas em média (desvio padrão).
Legenda: GA=grupo assintomático; GDTM= grupo
DTM; GDCM= grupo disfunção cervicais
musculoesqueléticas; E= esquerda; D= direita
Tabela 2. Valores médios (desvio-padrão) de dor na ATM e cervical
pela escala numérica de dor para grupos assintomáticos, DTM e DCM.
Média (DP) Anova (p-value)
Post-hoc
DOR Cervical
GA (1)
0,92 (1,24)
GDTM (2)
0,50 (1,00)
GDCM (3)
6,92 (1,31)
GA (1)
0,25 (0,45)
GDTM (2)
5,92 (1,24)
GDCM (3)
1,42 (1,38)
0,00
1 x2
0,67
2 x3
0,00
1 x3
0,00
1 x2
0,00
2 x3
0,00
DOR ATM
0,00
1 x 3 0,037
Variáveis descritas em média (desvio padrão). Legenda: GA=grupo
assintomático; GDTM= grupo DTM; GDCM= grupo disfunção
cervicais musculoesqueléticas; E= esquerda; D= direita
Referências:
1. Olivo, Susan Armijo, J. Fuentes, P. W. Major, Warren,
S. The association between neck disability and jaw
disability. J Oral Rehabil. 2010;37(11):670.
2. Häggman-Henrikson B, Nordh E, Zafar H, Eriksson PO. Head immobilization can impair jaw function. J Dent
Res. 2006;85(11):1001–5.
3. Cobian DG, Daehn NS, Anderson PA, Heiderscheit
BC. Active Cervical and Lumbar Range of Motion
Healthy Young Adults. 2013;38(20):1754–63.
4. Childs JD, Cleland J a, Elliott JM, Teyhen DS,
Wainner RS, Whitman JM, et al. Neck pain: Clinical
practice guidelines linked to the International
Classification of Functioning, Disability, and Health
from the Orthopedic Section of the American Physical
Therapy Association. J Orthop Sports Phys Ther.
2008;38(9):A1–34.
5. Vernon H. The Neck Disability Index: State-of-theArt, 1991-2008. J Manipulative Physiol Ther. 2008;491–
502.
6. Chiu T et al. Correlations among physical
impairments, pain, disability and patient satisfaction in
patients With Chronic Neck Pain. Arch phys Med
rehabil. 2005;86(March):534–40.
7. Johnston V, Hons B, Jull G, Souvlis T, Jimmieson NL.
Neck Movement and Muscle Activity Characteristics in
Female Office Workers With Neck Pain. Spine.
2008;33(5):555–63.
8. Sarig H, Tamar PL, Sprecher E, Krasovsky A. Do neck
kinematics correlate with pain intensity, neck disability
or with fear of motion ? Man Ther 2014;19(3):252–8.
Fontes financiadoras: Não consta Fonte dos
dados: Esses dados fazem parte da Dissertação de
Mestrado intitulada: “Cinemática e controle motor
da cabeça e mandíbula de indivíduos com e sem
disfunção temporomandibular em atividades
funcionais”. O trabalho é desenvolvido junto ao
Programa de Pós-Graduação em Fisioterapia da
UFSCar.
P á g i n a | 60
BCM.112. AVALIAÇÃO ELETROMIOGRÁFICA DA MUSCULATURA CERVICAL
ANTAGONISTA DURANTE CONTRAÇÃO ISOMÉTRICA VOLUNTÁRIA
MÁXIMA EM PACIENTES COM MIGRÂNEA
Carina Ferreira Pinheiro1, Lidiane Lima Florêncio1, Gabriela Ferreira Carvalho1, Tenysson Will de Lemos1,
Anamaria Siriani de Oliveira1, Fabiola Dach1, Débora Bevilaqua Grossi1
1
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – Universidade de São Paulo
Introdução: A disfunção cervical é um aspecto mais
comumente estudado na cefaleia tipo tensional e
cervicogênica e menos na migranea1. No entanto, a
cervicalgia atinge cerca de 76% dos migranosos 2 e
sua prevalência aumenta conforme o aumento na
frequência das crises de migrânea3. Há evidências de
alterações no controle motor em indivíduos com
cervicalgia aguda ou crônica4, no entanto, em
indivíduos com migrânea, essas características do
controle motor ainda não foram muito bem
investigadas. A hipótese deste estudo é que
indivíduos com migrânea apresentam diferença na
atividade mioelétrica agonista/antagonista, quando
comparados a indivíduos controle.
Objetivos: Comparar a atividade antagonista da
musculatura cervical durante a contração isométrica
voluntária máxima (CIVM) entre pacientes com
migrânea episódica, migrânea crônica e indivíduos
controle, sem cefaleia.
Métodos: Pacientes migranosos entre 18 e 55 anos de
idade, diagnosticados1 por um neurologista
experiente foram convidados a participar do estudo.
Para evitar sobreposição dos grupos, pacientes com
até 10 dias de dor de cabeça por mês foram incluídos
no grupo migrânea episódica, e com mais de 15 dias
de dor por mês foram incluídos no grupo migrânea
crônica. O grupo controle foi formado por indivíduos
sem relato de migrânea, pareados por idade conforme
os demais grupos. Foram excluídos participantes com
presença de outra cefaleia, abuso de analgésicos,
histórico de trauma na cabeça e/ou pescoço, hérnia
discal ou artrose cervical, bloqueio anestésico no
último mês e gravidez. As medidas de CIVM foram
coletadas por um examinador treinado, cego quanto
ao grupo ao qual o participante pertencia, utilizando
um dinamômetro manual customizado (Lafayette
Instrument Company, Lafayette, IN, USA). Foram
avaliadas as CIVM em flexão, extensão e inclinações
laterais direita e esquerda com o indivíduo em
decúbito dorsal, ventral, lateral esquerdo e lateral
direito, respectivamente. Foram realizadas três
repetições para cada movimento, e o valor máximo
dentre as repetições foi utilizado para as análises
propostas. A atividade elétrica da musculatura
cervical foi avaliada durante a realização da CIVM.
Eletrodos de superfície sem fio (Trigno Wireless
System, Delsys Inc, Boston, MA, USA) foram
fixados
bilateralmente
nos
músculos
5
esternocleidomastoideo (ECM) ; escaleno anterior5 e
esplênio da cabeça6. Os sinais foram amostrados a
4000Hz, com ganho de 300. O sinal bruto EMG foi
filtrado entre 20-500Hz (Butterworth 4ª ordem) e o
RMS foi calculado com janela de 2 segundos em cada
repetição da CIVM. A atividade antagonista foi
normalizada pelo RMS máximo obtido durante sua
CIVM como agonista e expressa como %CIVM. Para
a extensão foi utilizada a soma dos lados do ECM;
para a flexão, a soma dos lados do esplênio da cabeça,
e para as inclinações, a soma da atividade do escaleno
e ECM contralaterais ao movimento. Este estudo
obteve aprovação do Comitê de Ética e Pesquisa do
Hospital das Clínicas da FMRP-USP (Processo
16692/2012)
Resultados: Foram avaliados 83 pacientes, sendo 31
do grupo migrânea episódica, 21 do grupo migrânea
crônica e 31 do grupo controle. A análise de variância
(ANOVA, post hoc Bonferroni) revelou que os
grupos foram homogêneos quanto à idade (migrânea
episódica 33 anos, IC95% 29-37; migrânea crônica
34 anos, IC95% 30-39; e controle 31 anos, IC95% 2734) e IMC (migrânea episódica 25,2 kg/cm², IC95%
23,2-27,2; migrânea crônica 25,6 kg/cm², IC95%
23,9-27,3; e controle 24,8 kg/cm², IC95% 23,1-26,5).
Em relação à atividade EMG antagonista, a ANOVA
revelou uma maior e significativa %CIVM do
músculo esplênio da cabeça durante a flexão cervical
em ambos os grupos de migrânea em relação ao grupo
controle (Figura 1).
Discussão: A alta co-ativação do músculo esplênio
da cabeça durante a flexão cervical é um achado
similar ao descrito previamente em pacientes com
cefaleia do tipo tensional7. O aumento da atividade
antagonista reflete uma reorganização da estratégia
de controle motor, como mecanismo de proteção
contra a dor, em consequência da sensibilização
central observada na migrânea. É importante salientar
que co-ativação muscular nem sempre é uma resposta
negativa para coluna cervical. Esta mudança
P á g i n a | 61
adaptativa do sistema neuromuscular devido a dor
pode ser benéfica na presença de uma condição de dor
aguda ou para fins de proteção para manter a resposta
motora adequada8,9. No entanto, a longo prazo, a coativação muscular pode diminuir a função da coluna
cervical, levando a uma maior compressão das
articulações, alterando a distribuição de carga e,
consequentemente, afetar a biomecânica da cabeça e
do pescoço9,10.
Conclusões: Pacientes com migrânea apresentam
alteração no controle muscular cervical, com
significativa ativação dos extensores cervicais
durante a contração isométrica máxima em flexão.
Referências
1. Headache Classification Committee of the
International Headache Society. Cephalalgia.
2013;33
Suppl
9:629-808.
doi:
10.1177/0333102413485658
2. Ashina S et al. Cephalalgia 2015; 35(3):211-219
doi: 10.1177/0333102414535110
3. Calhoun AH et al. Headache 2010;50(8):1273-7
doi: 10.1111/j.1526-4610.2009.01608.x
4. Falla D et al. Spine. 2004; 29(19):2108–14.
5. Falla D et al. Clin Neurophysiol. 2002;113:57-63.
6. Sommerich et al., J Electromyogr Kinesiol.
2000;10: 377-398.
7. Fernández-de-las-Peñas C et al. Cephalalgia.
2008;28:744-751.
doi:
10.1111/j.14682982.2008.01584.x
8. O’Leary S et al. J Orthop Sports Phys Ther.
2009;39:324-333. doi: 10.2519/jospt.2009.2872
9. Tsang SMH et al. J Electromyogr Kinesiol.
2014;24:104-113.doi: 10.1016/j.jelekin.2013.10.011
10. Fernández-de-las-Peñas C et al. Cephalalgia.
2006;26:314-319.
Fontes financiadoras: Fundação de Amparo à
Pesquisa do Estado de São Paulo (Processo
2012/22245-2)
Fonte dos dados: Esses dados são parte do projeto de
Doutorado intitulado: Avaliação da força máxima e
do controle motor da coluna cervical pela
dinamometria e pela eletromiografia de superfície em
mulheres com migrânea e migrânea crônica: estudo
controlado. O trabalho é desenvolvido junto ao
Programa de Pós-Graduação em Reabilitação e
Desempenho Funcional, FMRP-USP.
Figura 1 – Atividade agonista em relação à contração isométrica voluntária máxima (CIVM) durante o pico de força produzido nos
movimentos cervicais de flexão, extensão, inclinação à direita e inclinação à esquerda dos indivíduos controle e pacientes com
migrânea episódica e migrânea crônica.*Diferença significativa entre ambos os grupos de migrânea e o grupo controle (ANOVA,
post hoc Bonferroni; F=3,679; p=0,03;)
P á g i n a | 62
BCM.113. ESTUDO DA FUNÇÃO DO MÚSCULO TEMPORAL POR MEIO DA
ELETROMIOGRAFIA DE SUPERFÍCIE EM DIFERENTES CLASSES
ESQUELÉTICAS
Carlos Alberto Carranza López1,2; Marcelo Correa Alves3; Wanderley Jordão Júnior1; Ana Carolina
Panhan1; Fausto Bérzin1
1 FOP-UNICAMP; 2 Faculdades FAMA; 3 ESALQ-USP
Introdução: Funções alteradas dos músculos da
região orofacial são um dos maiores fatores
etiológicos das maloclusões (Petrović et al. 2014).
Kubota e Masegui (1977) determinaram que o M.
Temporal apresenta um elevado número de fusos
neuromusculares, sendo maior do que o dobro da
totalidade dos fusos em uma hemiface. Sendo assim
a hipótese deste estudo é comprovar que existem
diferenças na atividade eletromiográfica do M.
Temporal nas diferentes classes esqueléticas.
Os resultados do presente estudo permitem entender
melhor o padrão de contração muscular nas diferentes
classes esqueléticas e também podem contribuir no
avanço de tratamentos já existentes, nas terapias
prévias as cirurgias ortognáticas ou aos tratamentos
de ortodontia.
amostragem de 2000 Hz, filtro passa banda de 20 a
1000 Hz e conversor A/D com 16-bits de resolução.
Com os valores da amplitude do RMS (Root Mean
Square) medida em μV, foi realizada a estatística
aplicando a Análise de Variância (ANOVA) baseada
em postos com o objetivo de comparar as médias dos
grupos. O Nível de significância adotado foi α igual a
0,05.
Resultados: Os resultados são apresentados nas
Tabelas 1e 2 e nas Figuras 1 e 2.
Tabela 1 - Valores do RMS (μV) das três porções do músculo temporal nos diferentes
grupos durante a CVM. Letras diferentes indicam diferença significativa.
I
Métodos: Este trabalho foi aprovado pelo comitê de
ética em pesquisa da FOP-UNICAMP com número
de protocolo 045/2015. Foram selecionados 15
voluntários de 18 a 36 anos, 11 homens e 4 mulheres
(5 de cada classe esquelética) todos com suporte
molar bilateral e sem DTM nem falhas dentárias.
Em cada voluntário foram colocados oito eletrodos de
superfície duplos de Ag/AgCl (da marca Hall com 20
mm de distância entre os polos) em cada porção do
músculo temporal e nos músculos supra-hióideos de
maneira bilateral.
Foi
utilizada
a
Pasta
condutora
para
eletroencefalograma NIHON KOHDEN, da marca
Elefix em todos os eletrodos, a qual favorece a
condutância e permite uma fixação estável dos
eletrodos no couro cabeludo e na pele. Foi avaliada a
CVM e AMAX.
Para diminuir a impedância, da pele e couro cabeludo,
foi passada lã de aço e álcool de 700 em todos os
lugares de colocação dos eletrodos.
O equipamento utilizado foi o eletromiógrafo
ADS1200 Lynx com oito canais, com frequência de
III
RMS (μv)
Desvio
RMS (μv)
Desvio
RMS (μv)
Desvio
(média)
Padrão
(média)
Padrão
(média)
Padrão
PTE
16.91
8.98
10.86
13.44
3.66
3.80
PTD
5.15
4.31
16.35
26.60
4.48
4.63
MTE
21.28
9.63
23.10
24.96
6.33
3.71
MTD
17.03 AB
10.96
34.72 A
26.93
4.56 B
1.19
ATE
18.93 AB
19.28
25.56 A
11.15
5.35 B
5.44
ATD
13.98 A
12.26
17.88 A
8.48
4.40 B
1.71
CVM
Objetivo: Avaliar a função do M. Temporal por meio
da eletromiografia (EMG) de superfície em
voluntários com classe esquelética I, II e III, durante
a contração voluntária máxima em máxima
intercuspidação (CVM) e abertura máxima (AMAX).
II
Figura 1 - Comparação por classes (I, II e III) da Amplitude do sinal Eletromiográfico (RMS
em μV) das três porções do músculo temporal na CVM.
Tabela 2 - Valores do RMS (μv) das três porções do músculo temporal nos diferentes grupos
durante a AMAX. Letras diferentes indicam diferença significativa.
I
II
III
RMS (μv)
Desvio
RMS (μv)
Desvio
RMS (μv)
Desvio
(média)
Padrão
(média)
Padrão
(média)
Padrão
PTE
1.25
0.66
1.63
1.50
1.11
0.94
PTD
0.54
0.13
3.99
5.38
0.88
0.85
MTE
0.56 B
0.17
2.37 A
2.77
0.86 B
0.89
MTD
0.54 B
0.24
2.91 A
2.33
0.72 B
0.63
ATE
1.2 AB
1.05
4.01 A
2.30
1.32 B
1.80
ATD
1.4 AB
1.42
3.94 A
4.25
0.84 B
0.37
AMAX
P á g i n a | 63
Figura 2 - Comparação por grupos (I, II e III) da Amplitude do sinal Eletromiográfico (RMS
em μv) das três porções do músculo temporal na AMAX.
Discussão: Este trabalho é o primeiro em avaliar as
três porções do M. Temporal nas diferentes classes
esqueléticas por meio da EMG. Na CVM, observouse a existência de uma atividade decrescente dos
músculos temporais médios de ambos os lados (grupo
II > grupo I > grupo III) apresentando diferença
significativa entre os grupos II e III no lado direito.
Essa mesma atividade decrescente foi observada nos
músculos temporais anteriores de ambos os lados,
apresentando diferença significativa entre os grupos
II e III. Avaliando-se essas amplitudes
eletromiográficas, pode-se dizer que na CVM os
músculos temporais médios e anteriores do grupo II
apresentam maior atividade do que os outros dois
grupos, podendo indicar maior necessidade de
atividade muscular como consequência do menor
braço de alavanca que vem desde a inserção do
músculo temporal (processo coronóide) até o fulcro
(ATM).
Na AMAX, ambas as porções médias dos músculos
temporais do grupo II foram mais ativas em
comparação com os grupos I e III (p<0.05). Também
ambas as porções anteriores dos músculos temporais
do grupo II foram mais ativas (p<0.05) quando
comparadas com o grupo III. Estes resultados
poderiam indicar uma co-ativação dos músculos
temporais médios e anteriores no grupo II junto com
os Mm. abaixadores da mandíbula para, assim, evitar
uma luxação mandibular durante a abertura máxima,
sendo que nos voluntários do grupo II observou-se
maior amplitude do sinal EMG provavelmente pelo
menor braço de alavanca.
Este resultado poderia explicar o baixo
desenvolvimento mandibular em voluntários classe II
devido à influência da tração póstero superior do
músculo temporal, inibindo o centro de crescimento
do côndilo mandibular.
Conclusões: Dentro das limitações metodológicas
como o número de voluntários e a falta de
normalização, podemos manifestar as seguintes
conclusões:
Voluntários classe II apresentam maior atividade
eletromiográfica em ambas as porções anteriores do
músculo temporal na contração voluntária máxima
quando comparados com voluntários classe III.
Voluntários classe II apresentam maior atividade
eletromiográfica em ambas as porções médias do
músculo temporal na abertura máxima quando
comparados com voluntários classe I.
Voluntários classe II apresentam maior atividade
eletromiográfica em ambas as porções médias e
anteriores durante a abertura máxima quando
comparados com voluntários classe III.
Referências
1. Petrović D et al. Vojnosanit Pregl. 2014 71(12):
1116-1122.
2. Kubota K, et al. J Dent Res. 1977, 56(8): 901-909.
Fontes
financiadoras:
Coordenação
de
Aperfeiçoamento
de
Pessoal
de
Nível
Superior (CAPES).
Fonte dos dados: Os dados deste trabalho são parte
da Tese de Doutorado intitulada: “Estudo da função
do Músculo Temporal e dos Músculos Suprahióideos por meio da eletromiografia de superfície
em Diferentes classes esqueléticas” desenvolvido no
Programa de Pós-Graduação em Biologia BucoDental (área de anatomia) da FOP-UNICAMP.
P á g i n a | 64
BCM.114. RECRUTAMENTO MUSCULAR DO ASSOALHO PÉLVICO NO PÓSPARTO VAGINAL E CESÁREA DE PRIMIPARAS
Aline Anézio¹, Angélica M P Barbosa², Cristiane Pedroni², Caroline B Prudêncio¹, Gabriela Marini¹, Marilza V C Rudge¹
1 Faculdade de Medicina de Botucatu - Unesp Botucatu ; 2 Faculdade de Filosofia e Ciências - Unesp Marília
Introdução: As disfunções da região assoalho
pélvico são problemas de saúde publica que
impactam negativamente na qualidade vida da
mulher. Um terço da população feminina poderá
apresentar alguma disfunção durante sua vida. (1,2,3)
A gestação é período da vida da mulher em que o
corpo experimenta sobrecargas que irão desafiar o
perfeito recrutamento dos músculos do AP (MAPs),
posteriormente com o parto ainda há questões como
a paridade e vias de parto que são apontados como
fatores de risco para ocorrência de importantes
disfunções do AP.(4-8) Porém ainda há informações
controversas, incidências variadas de disfunções dos
MAPs e das características clínicas e obstétricas que
se relacionam com tais alterações. A avaliação da
contração do AP é fundamental para traçar estratégias
preventivas e terapêuticas. (3,6,9)
Objetivos: Avaliar o recrutamento da contração
muscular do assoalho pélvico pós-parto vaginal e
cesárea de primíparas
Métodos: Estudo transversal aprovado pelo Comitê
de Ética em Pesquisa da Faculdade de Filosofia e
Ciências, UNESP campus Marília, sob parecer
n°565/2012, conduzido nas unidades básicas do
município de Marilia/SP. Após assinatura do TCLE,
o estudo se compôs por 88 mulheres, sendo 35
nuligestas, 18 primíparas pós-parto vaginal (G-PV),
35 pós- parto cesárea (G-PC). O protocolo de
avaliação foi aplicado entre 6 e 8 meses pós-parto.
Inicialmente a paciente responderam à avaliação
inicial, com questões sobre dados pessoais,
antropométricos, clínicos e obstétricos. Após, a
paciente foi orientada quanto à contração do assoalho
pélvico por meio da execução do AFA.
Ao entender sua execução o exame de
eletromiografia foi executado. O eletromiografo foi
devidamente calibrado e programado com filtro
passa-banda de 20 a 500 Hz e amplificação do sinal
com ganho de 1000 vezes. O preparo para a avaliação
eletromiográfica consistiu em higienização da região
subcostal com algodão umedecido em álcool 12 a 15
centímetros laterais a região umbilical para
posicionamento do eletrodo duplo (Double Ag/Agcl)
para captação de possível atividade simultânea da
atividade do músculo oblíquo externo direito (10)
com o objetivo de monitorar a utilização desta
musculatura acessória durante a contração dos MAP, e
eletrodo de referência (Ag/Agcl) no esterno. Em
seguida, foi introduzida no canal vaginal sonda vaginal
de 85 mm de comprimento por 27 mm de diâmetro.
Foram solicitadas 3 contrações voluntárias máximas
para posterior normalização e deu-se sequencia a
execução do protocolo de eletromiografia composto
por composto por 6 contrações dos MAP: 3 contrações
tônicas, com proporção de trabalho/repouso 1:2;
seguidas de intervalo de 2 minutos e 3 contrações
fásicas com proporção de trabalho/repouso de 1:1, por
até 6 segundos; dois minutos de intervalo entre os dois
momentos. Para análise do sinal, foram considerados
os valores da variável Root Mean Square (RMS),
média e frequência mediana normalizados pela CVM,
o filtro Notch foi aplicado apenas quando havia
interferência em 60Hz no gráfico da Transformada
rápida de Fourier (FFT). Cada contração foi janelada
visualmente, considerando o início e fim da contração
e pontos de maior estabilidade do sinal (11), e os
valores das variáveis analisadas foram obtidos pela
média das três contrações de cada momento.
Resultados:
P á g i n a | 65
Discussão: Ao comparar estudos de EMG pode- se
observar relação entre período avaliado e valor RMS
das contrações fásicas. Botelho et al (2010) (12),
avaliou primíparas de parto vaginal (PV) e de parto
cesárea (PC) 45 dias após o parto e encontrou que
valores RMS de 31.14 μV para PV e de 38.55 μV
para PC. Em estudo de Marques et al (2013) (13),
foram avaliadas primíparas em torno de 60 dias pósparto, que apresentaram valor RMS de 27.42 μV no
grupo parto vaginal e 34.03 μV no grupo parto
cesárea. Enquanto nos grupos de estudo G-PV e GPC, que foram avaliados em torno de 6 meses após o
parto, foi de 25.3μV e 32 μV, respectivamente.
Dessa forma, podemos inferir que existe diminuição
gradual da resposta eletromiográfica do AP em
relação ao tempo após o parto. Os resultados
significativos, mas divergentes da literatura,
encontrados neste estudo podem ter ocorrido pela
diferença na composição do grupo de primíparas
pós-parto vaginal, por ter se tratado de amostra
encontrada dentro de período determinado.
Conclusões: Não houveram diferenças significativas
no recrtuamento dos MAPs entre os grupos
Fontes
financiadoras:
Coordenação
de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
(CAPES)
Fonte dos dados: Esses dados são parte do conteúdo
da Dissertação de Mestrado intitulada: Desempenho
da contração muscular do assoalho pélvico pós-parto
vaginal e cesárea de primíparas. Desenvolvido junto
ao Programa de Pós-Graduação em Ginecologia,
obstetrícia e mastologia, FMB-UNESP.
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1003.
P á g i n a | 66
BCM.115. ÂNGULO QUADRICIPITAL NÃO INFLUENCIA A VELOCIDADE DA
MARCHA DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES SAUDÁVEIS DURANTE A
EXECUÇÃO DO TESTE DE CAMINHADA DOS 10 METROS
Mariana Angélica de Souzaˡ, Vanessa de Moraes Ramalho2, Cyntia Rogean de Jesus Alves de Baptista3, Taís
Regina da Siva2, Elisângela Aparecida da Silva Lizzi4,
Ana Claudia Mattiello- Sverzut5
1
2
Mestre em Ciências; Graduadas em Fisioterapia; 3 Doutoranda em Reabilitação e Desempenho Funcional;
4
Docente da Universidade Tecnológica Federal do Paraná; 5Docente do Departamento de Biomecânica,
Medicina e Reabilitação do Aparelho Locomotor - Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – Universidade
de São Paulo, Brasil
Introdução: O alinhamento do joelho influencia a
descarga de peso sobre pernas e pés e o
desempenho dinâmico da marcha1. A velocidade da
marcha, por sua vez, influencia a dinâmica da
descarga de peso sobre os joelhos, a estabilidade
dos tecidos moles e a ativação muscular1. O
comprimento dos membros inferiores (CMII) e
ângulo quadricipital (ângulo Q) modificam-se ao
longo do crescimento da criança e, o último
relaciona-se ao aumento do valgismo de joelho
durante o movimento e ao risco de luxação
patelar2,3. O teste dos 10 metros (T10) tem sido
usado na prática clínica e em pesquisas para
monitorar efeitos de algumas morbidades sobre a
marcha. No entanto, a relação entre velocidade da
marcha e dados estruturais como comprimento de
membros inferiores e ângulo Q ainda não foram
investigados em crianças e adolescentes.
Objetivos: Investigar se o comprimento de
membros inferiores e ângulo Q de crianças e
adolescentes saudáveis se correlacionam com o
desempenho da marcha, durante a execução do
T10, desenvolvido em velocidade rápida e
preferida.
Métodos: Quarenta crianças saudáveis (n=40),
idades entre 6 a 12 anos, foram avaliadas quanto ao
peso, altura, comprimento real de membros
inferiores (CMII), ângulo Q (Âng Q) e T10. Foram
realizadas duas avaliações do T10, com intervalo
de 7 dias entre elas. Em cada avaliação foi
cronometrado o tempo da criança caminhar 10 m
nas velocidades rápidas e preferida (sendo
denominadas T10-R e T10-P, respectivamente).
Análise estatística foi realizada por meio do
Modelo Linear de Efeitos Mistos e teste de
Correlação de Spearman (rs). Este estudo foi
aprovado pelo Comitê de ética e Pesquisa do
HCFMRP-USP (processo número 7275/2013).
Resultados:
Análise estatística inicial não indicou diferença
entre os lados direito e esquerdo quanto ao CMII e
Âng Q (p>0,05). Por essa razão, os dados aqui
apresentados fazem referência ao lado direito. As
características antropométricas dos voluntários e
resultados do T10-P e T10-R estão apresentadas na
Tabela 1 (anexo). Análise de correlação indicou
que as variáveis peso, altura e CMII tiveram fraca
correlação direta com a velocidade de T10-P
(rs=0,32; 0,33 e 0,27; respectivamente) e T10-R
(rs=0,43; 0,43 e 0,40; respectivamente). O ângulo
Q não apresentou correlação com a velocidade de
execução do teste (Tabela 2).
Tabela 2: Correlação (rs) entre teste 10 metros
(velocidade preferida e rápida) e peso, altura,
comprimento de membros inferiores e ângulo
quadricipital.
Peso
T10P
T10R
Altura
CMII
Âng Q
0.32
0.33
0.27
0.001
p=0.003
p=0.002
p=0.014
p=0.988
0.43
0.43
0.40
-0.05
p<0.0001
p<0.0001
p=0.0002
P=0.617
T10-P: teste 10 metros velocidade preferida; T10-R: teste 10
metros velocidade rápida; CMII: comprimento dos membros
inferiores; Âng Q: ângulo quadricipital.
Discussão: O teste dos 10 metros é comumente
usado na prática clínica devido à sua simplicidade
de resultados, que são baseados no tempo de
execução. Anomalias ósseas estruturais do tipo
torcionais como anteversão femoral, coxa valga
e/ou torções tibiais afetam a qualidade da marcha e
parâmetros espacotemporais. A anteversão
femoral, por exemplo, modifica a função do glúteo
médio de forma a alterar sua linha de força para
P á g i n a | 67
medial na fase de apoio da marcha, assim como,
gera deslocamento médio-lateral do joelho, tanto
em situações estáticas de descarga de peso, quanto
dinâmicas, na fase de propulsão4. Em 2011,
Örtqvist et al.5 estabeleceram valores de referência
para ângulo Q de crianças e adolescentes saudáveis
(9 a 16 anos) e relataram simetria bilateral no
ângulo Q, que apresentaram-se inferiores a 5º, entre
as pernas, entre os grupos etários e sexo. Porém,
tais resultados tornam-se limitados quando são
analisadas crianças com idade inferior a 9 anos, que
rotineiramente apresentam valgismo fisiológico.
Apesar de tais potencialidades, os dados do
presente estudo não indicaram relação entre o
comprimento de membros inferiores e ângulo Q de
crianças e adolescentes saudáveis com o
desempenho do T10, executado em velocidade
rápida ou preferida. Era esperada associação
positiva e forte entre tais parâmetros. Esta indicaria
necessidade de aferição do ângulo Q
conjuntamente à execução do T10.
não indicou associação com o comprimento dos
membros inferiores e com ângulo Q.
Referências:
(1)
Andriacchi TP. Orthop Clin North Am 1994;
25: 395-403.
(2)
Pantano KJ, White SC, Gilchrist LA, Leddy J.
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Biomech
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20:
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doi:
10.1016/j.clinbiomech.2005.05.008.
(3)
Woodland LH, Francis RS. Am J Sports Med
1992; 20: 208-211. doi: 10.1177/036354659202000220
(4)
Campbell S.K; Linden D.W.V; Palisano R.J.
Physical Therapy for Children. Elsevier. 2006.
(5)
Örtqvist, M et al. Knee Surg Sports Traumatol
Arthrosc 2011; 19: 2060-2066. doi: 10.1007/s00167011-1542-9
Fontes financiadoras: Conselho Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico
(CNPq)
Fonte dos dados: Esses dados são parte do
conteúdo da Iniciação Científica intitulada:
Confiabilidade e reprodutibilidade inter e intraavaliador do teste de caminhada dos 10 metros em
crianças saudáveis entre 6 e 12 anos.
Conclusões:
Na execução do teste dos 10 metros, em crianças e
adolescentes saudáveis, a velocidade da marcha
Tabela 1: Características antropométricas dos voluntários e resultados do T10 (média e desvio padrão).
6 anos
Peso (kg)
Altura (m)
CMII (m)
Âng Q (°)
T10-P (m/s)
T10-R (m/s)
8 anos
10 anos
12 anos
F (n=5)
M (n=5)
F (n=5)
M (n=5)
F (n=5)
M (n=5)
F (n=5)
M (n=5)
22.4
(5.7)
1.2
(0.07)
0.6
(0.03)
11.4
(0.9)
0.96
(0.28)
1.91
(0.13)
27.2
(8.8)
1.2
(0.07)
0.6
(0.03)
11.6
(2.6)
1.28
(0.18)
1.89
(0.23)
25.8
(5.7)
1.3
(0.07)
0.7
(0.04)
11.2
(2.3)
1.22
(0.11)
1.98
(0.20)
31.8
(7.4)
1.3
(0.05)
0.7
(0.03)
10.8
(2.3)
1.15
(0.14)
2.14
(0.21)
44.4
(9.3)
1.5
(0.04)*
0.8
(0.03)*
12.8
(3.6)
1.16
(0.07)
2.12
(0.24)
37.8
(3.8)
1.3
(0.03)
0.7
(0.01)
12.8
(2.3)
1.19
(0.12)
2.11
(0.19)
59.0
(6.9)
1.5
(0.09)
0.8
(0.02)
12.8
(2.3)
1.23
(0.09)
4.66
(0.35)
59.0
(17.6)
1.5
(0.12)
0.8
(0.07)
13.6
(4.3)
1.61
(0.27)
2.37
(0.27)
Média (desvio-padrão), F= feminino, M= masculino, n= número de participantes, CMII = comprimento membros inferiores, Âng
Q = ângulo do quadriceps. T10–P = média da velocidade no teste de caminhada dos 10 metros na velocidade preferida, T10-R =
média da velocidade no teste de caminhada dos 10 metros na velocidade rápida; *p<0.05 comparado aos meninos de mesma idade.
P á g i n a | 68
BCM.117. FRAQUEZA MUSCULAR DE QUADRÍCEPS ESTA ASSOCIADA A
DIMINUIÇÃO DA MOBILIDADE FUNCIONAL EM PACIENTES COM
OSTEOARTRITE DE JOELHO
Deborah Hebling Spinoso1,Natane Ceccatto Bellei²; Danielle Miyuki Nishimoto²; Nise Ribeiro Marques, Marcelo
Tavella Navega2;
1 Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Campus Rio Claro; 2 Universidade Estadual Paulista
“Júlio de Mesquita Filho, Campus Marilia
Introdução: A osteoartrite (OA) é a doença
reumática mais prevalente na população, sendo
caracterizada por uma progressiva degeneração da
cartilagem e tecido periarticular que resulta em
incapacidade funcional1. Entre as articulações
acometidas pela OA, a articulação do joelho (OAJ) é
mais comumente afetada2. Em diversas atividades
ocupacionais e de lazer, a articulação do joelho está
exposta a elevadas cargas mecânicas, ocasionando
altos índices de lesão e degeneração, o que contribui
para maior incidência de OA nessa articulação3. De
acordo com Hassan et al (2001), a OAJ está
relacionada com uma redução de cerca de 50-60% do
torque máximo do quadríceps, o que pode estar
relacionado com a alta prevalência de incapacidades
nessa população, uma vez que, esse grupo muscular
possui importante papel para manutenção da
mobilidade funcional4.
A marcha é a atividade diária mais comumente
realizada e a velocidade de execução dessa tarefa tem
sido utilizada como ferramenta para identificação de
déficits de mobilidade. Além disso, a fraqueza de
membros inferiores tem sido considerada uma das
principais causas da redução da velocidade de
caminhada, ocasionando maior gasto energetico e
consequentemente limitando a intensidade e duração
dessa tarefa.
A redução da capacidade de executar as tarefas
diárias tem sido considerada uma das principais
repercussões da OAJ1. Nesse sentido, a investigação
da associação entre força muscular do quadríceps e
mobilidade
funcional
pode
auxiliar
no
direcionamento do tratamento desses pacientes afim
de melhorar o prognóstico da doença, retardando ou
prevenindo incapacidades.
Objetivos: Comparar torque muscular dos extensores
de joelho, velocidade de marcha e mobilidade
funcional em indivíduos com OAJ e saudáveis; e
verificar se há correlação entre as variáveis
biomecânicas.
Métodos: Participaram do estudo 18 voluntárias, do
sexo feminino, divididos em dois grupos: grupo OAJ
(n=10, 63.01± 7.3 anos) e grupo saudável (n=08,
62.12± 7.2 anos). O estudo foi aprovado no comitê de
ética local (parecer 097707/2015). Os procedimentos
de coleta de dados foram realizados em dois dias. No
primeiro dia foi realizado avaliação da mobilidade
funcional por meio da escala Short Physical
Performance Battery (SPPB) e familiarização com o
teste de força muscular. No segundo dia foi realizado
o teste de força isométrica dos extensores de joelho e
avaliação da velocidade de marcha. O protocolo de
avaliação de força foi composto de 3 contrações
isométricas voluntárias máximas para o movimento
extensão da articulação do joelho, por um período de
5 segundos, com intervalo de 30 segundo entre cada
contração5. A voluntária foi posicionada sentada na
cadeira extensora com o joelho a 90º de flexão (0º
extensão completa). Para a análise dos dados de
torque muscular, foi utilizado um filtro Butterworth
de 4ª ordem com frequência de corte de 15 Hz. Os
dados de torque foram normalizados pela massa
corporal das voluntárias. O pico de torque foi
determinado pelo maior valor de torque obtido após
o início da contração muscular. Para avaliação da
velocidade de marcha as voluntárias foram instruídas
a caminhar sobre uma passarela de 10 metros na
mesma velocidade que realizam suas atividades
diárias. Cada voluntária realizou o percurso três vezes
e foi realizada a média média da velocidade de
marcha de todas as tentativas. Para análise estatística
foi utilizado o teste Anova One- Way e teste de
correlação de Pearson.
Resultados: Os resultados mostraram que houve
diferença significativa entre os grupos para as
variáveis torque muscular (p < 0.001, F= 46,826),
velocidade de marcha (p = 0.005, F = 10.773) e
mobilidade funcional (p = 0.015, F = 7.400) (Tabela
1). O torque muscular do quadríceps apresentou
correlação positiva com velocidade (p = 0.05, r =
0.370) e com a escala SPPB (p = 0.046, r = 0.409).
Discussão: A força muscular é considerada uma
variável determinante para a realização de atividades
funcionais de maneira independente6. Com o
envelhecimento biológico, ocorre uma diminuição
progressiva dos níveis de força chegando a um
declínio de 15% na sexta década de vida e
posteriormente atingindo uma perda de 30% por
P á g i n a | 69
7
década . Na população com OAJ, essa perda de força
se torna ainda mais significativa. Nesse estudo os
participantes com OAJ apresentaram valores de força
do quadríceps 53% inferior aos voluntários
saudáveis, o que corrobora com os achados de Hassan
et al. (2001) e Jorge et al. (2014) que identificaram a
fraqueza desse grupo muscular como principal
sintoma da doença, sendo responsável por 25% dos
individuos com OAJ não conseguirem executar as
principais tarefas habituais4,8.
Nossos resultados também mostraram que a fraqueza
do quadríceps esta associada a redução da mobilidade
funcional, o que pode justificar o pior desempenho do
grupo OAJ nos testes funcionais da SPPB. Além
disso, de acordo com Know et al. (2001), o
quadríceps também é um dos principais grupos
musculares responsáveis pelo aumento da velocidade
de marcha, o que corrobora com nossos achados no
qual individuos com maiores valores de velocidade
de marcha também apresentram melhor desempenho
no teste de força muscular.
Os voluntários do grupo OAJ apresentaram valores
de velocidade de marcha inferior a 1.0 m/s, o que de
acordo com Cesari et al. (2005), é considerado maior
risco de déficits de mobilidade, hospitalização e
propensão a quedas.
Nesse sentido, observamos que pacientes com OAJ
apresentam redução da mobilidade, seja por meio da
avaliação da força muscular, velocidade de marcha
ou aplicação de testes funcionais. Sendo assim, a
identificação precoce de dificuldades na realização de
tarefas básicas como sentar e levantar da cadeira ou
caminhar,
extensores de joelho deve ser prioridade na
reabilitação desses pacientes.
Conclusões: Nesta amostra, os indivíduos com OAJ
apresentam diminuição da força muscular do
quadríceps em relação a população saudável, o que
está relacionado com maior comprometimento
funcional durante a execução das tarefas diárias.
Referências
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2001; 56: 187-190.
10.
Cesari M et al. J Am Geriatr Soc, 2005; 56:
1675-80.
Fontes financiadoras: CAPES
Fonte dos dados: Esses dados são parte do conteúdo
da Tese de Doutorado intitulada: Perspectivas
biomecânicas de pacientes com OAJ e sua relação
com a funcionalidade: estudo de coorte prospectivo.
O trabalho é desenvolvido junto ao Programa de PósGraduação em Desenvolvimento Humano e
Tecnologias, UNESP.
pode beneficiar a população com OAJ afim de que
esta inicie o tratamento já nos sintomas iniciais da
doença, com objetivo de prevenir ou retardar
incapacidades. Além disso, o fortalecimento do
Tabela 1: Comparação das variáveis SPPB, velocidade de marcha e torque muscular do quadríceps entre
indivíduos com OAJ e saudáveis.
SPPB
Velocidade de Marcha (m/s)
Torque Quadríceps (N/Kg -1)
Grupo OAJ
Grupo Saudável
8.60 ± 1.50*
0.95 ± 0.10*
0.66 ± 0.19*
10.37 ± 1.18
1.10 ± 0.18
1.40 ± 0.27
Valores de média ± desvio padrão. *denota diferença significativa entre os grupos (p<0.05)
P á g i n a | 70
BCM.117. ANÁLISE DA CINÉTICA DA PÁLPEBRA SUPERIOR E DO
SUPERCÍLIO EM PACIENTES SUBMETIDOS À CORREÇÃO DE PTOSE
PALPEBRAL E SUJEITOS NORMAIS
Denny Marcos Garcia1,2; Adriano Antonio Baccega1; Andrea Mapelli2; Cláudia Maria de Felício1,2; Antonio
Agusto Velasco e Cruz1,2
1
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP; 2 Núcleo de Pesquisa em Morfofisiologia do Complexo
Craniofacial - FMRPUSP
Introdução: As blefaroptoses congênitas são
decorrentes de alteração distrófica isolada do
músculo elevador da pálpebra superior, na qual as
fibras musculares são substituídas por tecido fibroso.1
Esse tipo de ptose palpebral tem alta frequência
dentre as patologias palpebrais e em alguns casos
implica em risco de ambliopia, além de trazer
consequências psicossociais danosas durante a fase
escolar.1,2 A correção da blefaroptose congênita é
cirúrgica, e várias técnicas estão descritas na
literatura médica, sendo que existem duas divisões
básicas dessas técnicas: as que utilizam o próprio
músculo elevador palpebral e outras que utilizam a
ação do músculo frontal para fazer a abertura da
pálpebra superior. O resultado cirúrgico ideal deve
levar em consideração a estabilidade no decorrer do
tempo, assim o paciente no pós-operatório imediato,
em médio prazo e tardio deve apresentar poucas
variações. A posição da pálpebra superior no pósoperatório deve mostrar altura e simetria satisfatórias,
o contorno da pálpebra superior deve ser muito
próximo ao contorno normal, o grau de exposição
durante o piscar e quando ocluído não deve causar
repercussões para a superfície ocular e a satisfação do
paciente é um dado de fundamental importância para
ser analisado como resultado cirúrgico.
Objetivos: Analisar quantitativamente a cinética
palpebral de pacientes submetidos à cirurgia de
correção de ptose palpebral congênita pela técnica de
suspensão frontal utilizando materiais autólogos
(fáscia de músculo temporal ou fáscia lata).
Métodos: Foram convidados 19 pacientes (GP)
(68,4% sexo masculino), com idades variando entre 9
a 57 anos (média ± EP; 23,4 ± 2,5) que realizaram
cirurgia de correção de blefaroptose congênita no
Serviço de Oculoplástica do HCFMRP-USP, pela
técnica de suspensão frontal utilizando fáscia lata ou
fáscia temporal (Comitê de Ética, 627.814-HCRP).
Dezessete voluntários foram selecionados como
grupo controle (GC) (47,1% do sexo masculino),
idade variando entre 14 e 54 anos (27,6 ± 2,7).
Apenas uma pálpebra de cada indivíduo foi
considerada, escolhida aleatoriamente. O sistema de
análise optoeletrônica tridimensional do movimento
(SMART-DX system, BTS S.p.a., Garbagnate
Milanese, Italy), amostrado em 250 Hz, foi utilizado
para o registro simultâneo do movimento vertical da
pálpebra superior (PS) e a porção central do
supercílio (SC). Os voluntários foram orientados a
assistir ao filme (“O Auto da Compadecida”, Brasil,
2000) por 5 minutos. O sinal registrado foi suavizado
(filtro passa baixa Butterworth de segunda ordem
com frequência de corte de 30 Hz) e analisado usando
um software escrito em Matlab 7.0 (MathWorks,
Natick, MA, U.S.A.), descrito previamente.3 Foram
calculadas as amplitudes (mm) e velocidades
máximas (mm/s) da PS e SC nas fases descendentes
e ascendentes do piscar espontâneo. Aplicou-se o
teste t de Student para comparação entre os grupos.
Todas as análises estatísticas foram realizadas pelo
Software JMP (SAS Institute Inc., Cary, NC, U.S.A.).
Resultados: Não houve diferença entre os grupos
quanto ao sexo (qui-quadrado = 1,685; p = 0,1943) e
idade (teste t = 1,173; p = 0,2489). Foram registrados
1874 movimentos de piscar espontâneo (GC = 1073;
GP = 801). A Tabela 1 resume os dados de amplitude
e velocidade máxima das fases descendente e
ascendente dos dois grupos. Apenas a velocidade
máxima da PS na fase ascendente não apresentou
diferença estatística entre os grupos. A Figura 1
exemplifica o movimento simultâneo da pálpebra
superior e a porção central do supercílio de um
voluntário e de um paciente.
P á g i n a | 71
Tabela 1. Média ± EP da amplitude (mm) e
velocidade máxima (mm/s) da pálpebra superior e da
porção central do supercílio, nas fases descendente e
ascendente dos movimentos de piscar espontâneo.
Amplitude (mm)
PS
SC
Velocidade Máxima
(mm/s)
PS
SC
Fase descendente
GC
GP
5,9±0,6*
3,1±0,5
0,2±0,1*
0,9±0,2
124,2±15,6*
58,7±10,6
8,2± 1,1*
16,5±2,6
Fase ascendente
GC
GP
5,5±0,6*
2,9±0,5
0,2±0,1*
0,8±0,2
47,4±4,4NS
34,1±5,4
5,4±1,2*
11,7±2,1
Comparação entre os grupos GC vs GP. Teste t de
Student: *p < 0,05; NS p > 0,05. PS = pálpebra
superior; SC = porção central do supercílio. GC =
Grupo Controle; GP = Grupo de Pacientes.
Figura 1. Exemplo de traçado do movimento da
pálpebra superior e da porção central do supercílio de
um sujeito controle (A) e um paciente (B).
Discussão: A amplitude do piscar espontâneo do GC
apresentou valores semelhantes aos da literatura.3,4
Quanto ao GP, não há registros da cinemática
palpebral para comparação com este estudo. A
cirurgia de correção da ptose restringe o movimento
da PS, explicando a menor amplitude encontrada no
GP. Nos sujeitos do GC, o movimento associado
entre PS e SC é pequeno, sendo na maioria dos casos
imperceptível (Figura 1A). Nos pacientes esse
comportamento é variável, uma vez que a abertura da
PS depende da ação do músculo frontal, observado
pelo movimento do supercilio. Em casos extremos a
amplitude do SC é praticamente idêntica a da PS
(Figura 1B). A velocidade máxima é proporcional à
amplitude5 e, consequentemente, foi diferente entre
os grupos, exceto para a PS na fase ascendente. Nessa
fase do movimento do piscar espontâneo há a ação
apenas do músculo elevador, que não é afetado pela
correção cirúrgica.
Conclusões: A análise optoeletrônica tridimensional
do movimento permitiu avaliar o efeito da cirurgia de
correção de ptose congênita pela técnica de suspensão
frontal. Notou-se um acentuado movimento
conjugado da porção central do supercílio e a
pálpebra superior nos pacientes submetidos a essa
técnica de correção cirúrgica.
Fonte dos dados: Esses dados são parte da Tese de
Doutorado (Adriano A. Baccega): “Cinemática
palpebral e efeito suspensor após suspensão frontal
com fáscia lata e temporal” do Programa de PósGraduação em Morfofisiologia de Estruturas Faciais,
FMRP-USP.
Financiamento: Pró-Reitoria de Pesquisa da
Universidade de São Paulo.
Referências:
1.
Stewart WB, ed. Surgery of the Eyelid, Orbits
and Lacrimal System. AMO, 1994.
2.
Leibovitch I et al. Am J Ophthalmol.
2003;136:866-71.
3.
Wambier SPF et al. Ophthal Plast Reconstr
Surg.
2014;30(2):146-151.
doi:
10.1097/IOP.0000000000000031.
4.
Sforza C et al.. Ophthalmic and Physiological
Optics. 2008;28(4):345-353. doi: 10.1111/j.14751313.2008.00577.x.
5.
Garcia DM et al. Invest ophthalmol Vis Sci.
2013;54(2): 1434-1442. doi: 10.1167/ iovs.12-11452.
P á g i n a | 72
BCM.118. FORÇA DO GRUPO MUSCULAR EXTENSOR DE JOELHO EM
JOGADORES DE FUTEBOL CATEGORIA SUB-20
Pelai, EB1, Nogueira, WJ1, Oliveira, JJ1, Lopes, GCF1, Verlengia, R1, Pellegrinotti, IL1, Bigaton, DR1
1
Faculdade de Ciências da Saúde / Universidade Metodista de Piracicaba - FACIS/UNIMEP
E-mail do apresentador: [email protected]
INTRODUÇÃO
O futebol, considerado um dos esportes mais
conhecidos e praticados do mundo, é uma atividade
que requer ações motoras que dependem da
eficiência
do
sistema
neuromuscular,
particularmente das extremidades inferiores1.
O aumento da força muscular das extremidades
inferiores leva a otimização da aceleração e
velocidade e apresenta um papel fundamental na
prevenção e recuperação de determinadas lesões
musculares agudas2.
A força muscular, portanto, é uma importante
variável que influencia o desempenho no futebol3.
Os estudos que investigaram a força de jogadores
de futebol têm encontrado resultados controversos,
principalmente quando analisada a força em função
do posicionamento tático dos jogadores. O estudo
Souza, 1999 não observou diferença dos valores de
força nas diferentes posições de jogo, porém
Goulart, et al. 2007 notaram diferença significante.
A hipótese do presente estudo é que haja diferenças
nos valores de força máxima de extensores do
joelho de jogadores de futebol categoria sub-20
considerando diferentes posições de jogo.
O presente estudo objetivou verificar a força
máxima de extensores do joelho de jogadores de
futebol da categoria sub-20.
n=14; meio campistas (volantes e meio campistas)
(GM) n=9 e atacantes (GA) n=7.
Para mensuração da variável força do grupo
muscular extensor de joelho do membro inferior
dominante, foi utilizada uma célula de carga
modelo MM-100 (Kratos®, São Paulo, SP, Brasil).
Os voluntários permaneceram sentados com apoio,
de costas para a parede. A célula de carga teve uma
de suas extremidades fixadas na parede por meio
de um gancho e corrente metálica e a outra
extremidade presa ao tornozelo do voluntário na
altura dos maléolos por uma cinta de couro. Foi
solicitado que os voluntários realizassem uma
extensão voluntária máxima de joelho, a partir de
90°, nesse momento, a célula de carga foi
tracionada e o sinal da força gerado foi captado,
pelo software Aqdados (Lynx Tecnologia
eletrônica LTDA), versão 7.02 para Windows.
A análise das características gerais foi realizada por
meio de estatística descritiva, com os dados
expressos em média e desvio padrão. Para os
valores de força máxima, a normalidade dos dados
foi verificada por meio do teste Shapiro-Wilk. A
comparação dos valores pré e pós foi testada por
meio do teste ANOVA. O software utilizado foi o
SPSS® (versão 19) com um nível de significância
de 5%.
MÉTODOS
Trata-se de um estudo do tipo observacional
transversal realizado na Universidade Metodista de
Piracicaba (UNIMEP) – Piracicaba – SP. O estudo
foi pelo Comitê de Ética em Pesquisa em Seres
Humanos local, com o protocolo 116/2015.
Fizeram parte da amostra 30 voluntários, jogadores
de futebol da categoria sub-20 do interior paulista.
Todos os participantes, após lerem e concordarem
assinaram o Termo de Consentimento Livre e
Esclarecido (TCLE).
As coletas foram realizadas no segundo semestre
de 2015.
Para análise dos dados, os jogadores foram
agrupados de acordo com o posicionamento tático
em: defensores (goleiros, zagueiros e laterais) (GD)
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A tabela 1 descreve as características gerais dos
voluntários e a tabela 2 a comparação dos valores
médios de força máxima do grupo extensor de
joelho dos voluntários.
Tabela 1: Descrição das características gerais dos
voluntários (n=30).
Idade (anos)
MC (kg)
Estatura (m)
IMC (Kg/m2)
%Gordura
M
magra
(kg)
M gorda (kg)
Grupos
GD (n=14)
17.57±0.85
75.24±8.80
1.79±0.08
23.47±1.99
8.39±3.75
69.32±6.61
GM (n=9)
17.80±0.84
68.7±7.07
1.72±0.05
23.32±1.43
8.14±2.53
63.06±4.74
GA (n=7)
17.71±0.76
66.87±6.38
1.73±0.05
22.35±1.53
8.00±2.48
62.86±5.81
6.14±3.01
5.64±2.56
5.44±2.41
Legenda: MC = Massa Corporal; M = massa.
P á g i n a | 73
Tabela 2: Força máxima de extensores de joelho
dos voluntários. (n=30), valores expressos em Kgf.
Grupos
GD (n=14)
GM (n=9)
GA (n=7)
65,80±10,00a 65,66±13,62a 66,73±14,84b
Letras iguais indicam que não houve diferença
significativa; letras diferentes indicam diferença
significativa.
Os presentes resultados divergem dos encontrados
por Souza4, que investigou a força de jogadores de
futebol das categorias mirim, infantil, juvenil e
júnior. Os resultados encontrados neste estudo
demonstraram que não existem diferenças entre as
posições de jogo. Uma hipótese para a diferença é
que a força muscular foi avaliada por meio de uma
bateria de testes motores, tornando menos preciso
os resultados5.
Em contrapartida, outro estudo utilizando a
avaliação isocinética, encontrou diferença nos
valores entre as posições de jogo5. As posições de
defesa (zagueiro, lateral e goleiro) apresentaram
valores inferiores aos demais jogadores, porém não
houve um maior valor de força muscular dos
extensores de joelho nos atacantes como
encontrado no presente estudo.
CONCLUSÃO
Os resultados do presente estudo indicaram
diferenças na força máxima de extensores do
joelho, entre os grupos GD e GM em relação ao
GA. Essas informações sugerem que o
posicionamento tático dos jogadores tem papel
importante no desenvolvimento da força muscular
de jogadores de futebol.
Fonte dos dados: Dados da Dissertação de
Mestrado "Desempenho físico de atletas de futebol
submetidos a diferentes organizações de cargas de
treinamento com capacidades concorrentes".
Trabalho que está sendo desenvolvido junto ao
Programa de Pós-Graduação em Ciências do
Movimento Humano PPG-CMH FACIS/UNIMEP.
Referências
1.
ŚLIWOWSKI, R. et al. The Effects of
Individualized Resistance Strength Programs on
Knee Muscular Imbalances in Junior Elite Soccer
Players.PloS one, v. 10, n. 12, p. e0144021, 2015.
2.
SILVA, João R.; NASSIS, George P.;
REBELO, Antonio. Strength training in soccer
with a specific focus on highly trained
players. Sports Medicine-Open, v. 2, n. 1, p. 1-27,
2015.
3.
LEHNERT,
Michal;
XAVEROVÁ,
Zuzana; CROIX, Mark De Ste. Changes in Muscle
Strength in U19 Soccer Players During an Annual
raining Cycle.Journal of human kinetics, v. 42, n.
1, p. 175-185, 2014.
4.
Souza J. Variáveis antropométricas,
metabólicas e neuromotoras de jogadores de
futebol das categorias mirim, infantil, juvenil e
júnior e em relação à posição de jogo: um estudo
comparativo. Rev Treinamento Desportivo
1999;4(3):43-8.
5.
GOULART, Luiz Fernando; DIAS,
Raphael Mendes Ritti; ALTIMARI, Leandro
Ricardo. Força isocinética de jogadores de futebol
categoria sub-20: comparação entre diferentes
posições de jogo. Revista Brasileira de
Cineantropometria & Desempenho Humano, v.
9, n. 2, p. 165-169, 2007.
P á g i n a | 74
BCM. 119. EFEITO DE UM PROTOCOLO EXPERIMENTAL DE FADIGA
APLICADO AO MÚSCULO QUADRÍCEPS FEMORAL
Felipe Marrese Bersotti 1,3; Tamiris Barbosa de Melo 1,2; Luis Mochizuki 3; Ulysses Fernandes Ervilha 3;
Jerônimo Rafael Skau 1.
1 Universidade São Judas Tadeu, São Paulo, Brasil
2 Universidade de São Paulo, Instituto de Ortopedia e Traumatologia HCFMUSP, São Paulo, Brasil
3 Universidade de São Paulo, Escola de Artes Ciências e Humanidades, São Paulo, Brasil
Introdução: A fadiga muscular ocorre quando um
grupo muscular não pode manter ou sustentar os
níveis de contração durante um determinado período
de tempo 1. As condições que podem levar à fadiga
muscular, os métodos de recuperação e a forma de se
evitar a fadiga muscular, são temas frequentemente
abordados na literatura. Uma vez o músculo fadigado,
o que ocorre com a variável pico de torque após 1 min
de contrações isométricas intermitentes? Há
recuperação da fadiga?
erro padrão da média na condição pré-fadiga foi de
231,0±23.5 Nm e pós-fadiga 92,3±9,5 Nm (p<0,001).
Objetivos: O objetivo do presente estudo foi
demonstrar o efeito da aplicação de um protocolo de
fadiga muscular para músculo quadríceps femoral.
Métodos: Participaram do estudo 09 indivíduos (seis
homens e três mulheres), 22,56±1,24 anos;,89±14,12
kg, 175,56±10,48 cm), ativos ou irregularmente
ativos de acordo com o questionário internacional de
atividade física IPAQ, de ambos os gêneros. O
protocolo foi realizado no dinamômetro isocinético
marca BIODEX, modelo system 3 e consistiu em ação
concêntrica/concêntrica de flexão e extensão da
articulação do joelho, com velocidade angular de
60º/s. A fadiga foi determinada quando houvesse um
declíneo de 60% o pico de torque do m. quadríceps
femoral durante o movimento isocinético de extensão
do joelho. Após a determinação da fadiga muscular,
foram realizadas contrações isométricas dos
músculos flexores e extensores do joelho, de forma
alternada, durante um minuto pós-fadiga. O teste t
pareado foi utilizado para a comparação do pico de
torque pré- e pós-fadiga, com nível de significância
estabelecido em 5%. Este projeto foi submetido à
avaliação do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da
Universidade São Judas Tadeu e aprovado em 2014
(parecer n. 897.220).
Resultados: A média do pico de torque na contração
isotônica concêntrica do músculo quadríceps femoral
no movimento isocinético de extensão do joelho e
FIGURA 1 - Média do pico de torque concêntrico do
m. quadríceps femoral pré e pós fadiga. *A redução
do pico de torque pós-fadiga foi menor e
estatisticamente significante (p<0,001).
Discussão: O principal resultado do presente estudo
foi o protocolo aplicado ser eficaz para fadigar o
músculo quadríceps femoral. Além disso,
verificamos que, não permitir o repouso muscular
completo no primeiro minuto pós-fadiga, que foi feito
por meio de contrações isométricas intermitentes da
musculatura extensora e flexora do joelho foi
suficiente para manter a fadiga do músculo
quadríceps femoral. O pico de torque extensor do
joelho foi mensurado novamente depois do intervalo
de 01 minuto pós-fadiga, e verificamos que, em todos
os participantes, não houve recuperação quando
comparado à condição pré-fadiga, mantendo-se a
redução de 50% do pico de torque comparado aos
valores iniciais. Portanto, o protocolo manteve a
fadiga do músculo quadríceps femoral com os
parâmetros utilizados de velocidade angular de 60º/s,
declínio de 60% e com contrações isométricas
intermitentes de 10seg de contração para musculatura
extensora e 05seg de contração para a musculatura
flexora. Um estudo com homens adultos que foram
submetidos a três protocolos diferentes de fadiga. O
primeiro protocolo aplicado consistiu em induzir a
P á g i n a | 75
fadiga por meio de três séries de dez contrações no
modo
concêntrico-concêntrico
(contração
concêntrica dos músculos extensores e flexores da
articulação do joelho), com um intervalo de um
minuto entre as séries. O segundo protocolo foi
realizado com séries de dez extensões máximas, de
contração concêntrica, com intervalo de um minuto
entre cada séries, e o terceiro protocolo exigia 20
movimentos de flexão e extensão que foram
realizados de maneira alternada com o máximo de
forma concêntrica. Os pesquisadores verificaram que
nos três protocolos aplicados houve a indução da
fadiga usando os parâmetros de velocidade angular de
60º/s e 180º/s 2. Ao realizar testes de indução à fadiga
no dinamômetro isocinético concluí-se que não foi
possível observar o efeito de diferentes velocidades
angulares, mas sim no número de repetições do
movimento para maior redução do pico de torque da
musculatura extensora (?) da articulação do joelho 3.
O presente estudo considerou o declínio da força
muscular e não o número de repetições de flexão e
extensão da articulação do joelho que cada indivíduo
precisou realizar para alcançar o declínio de 60% do
pico de torque isotônico concêntrico voluntário
máximo, valor que estabelecemos como parâmetro
neste protocolo.
Conclusões: Concluímos que o protocolo de fadiga
muscular aplicado no presente estudo foi eficaz em
levar à fadiga do músculo quadríceps femoral. A
realização de contrações isométricas intermitentes
realizadas no primeiro minuto pós-fadiga mantém o
estado fadigado do músculo, não havendo, assim,
recuperação da força muscular.
Fontes financiadoras: Este trabalho tem como fonte
financiadora seus autores.
Fonte dos dados: Esses dados são parte do conteúdo
do Projeto de Iniciação Científica, intitulado como:
Efeito de um protocolo experimental de fadiga
aplicado ao músculo quadríceps femoral. O trabalho
é desenvolvido junto ao Centro de Pesquisa e o
Laboratório de Biomecânica da Universidade São
Judas Tadeu.
Referências:
1.
Enoka RM e Duchateau J J Physiol 2008
586.1 11–23
DOI:10.1113/jphysiol.2007.139477
2.
Carregaro RL et al. J Sports Sci. 2011 29 (3)
271-8. doi: 10.1080/02640414.2010.529455.
3.
Astorino TA et al. Med Sci Sports Exerc.
2010 42 (12) 2205-10.
doi:10.1249/MSS.0b013e3181e3a11d.
P á g i n a | 76
BCM. 120. ESTUDO ELETROMIOGRÁFICO DO CHUTE NO TAEKWONDO: UM
ESTUDO PILOTO
Fernanda G. da Silva Azevedo Nora1; Ivan Silveira de Avelar1; Célio Antônio de Paula Júnior1; Matias
Noll1; Geruza Fabrícia Pinto Naves 2
1
Labioeng, Faculdade de Educação Física e Dança, Universidade Federal de Goiás;
2
CEAFI, PUC
Introdução: No Taekwondo o trabalho de formação
humana, a formação técnica do praticante também é
encarada com muita seriedade, pois caso o praticante
não queira ser competidor, mas apenas seguir
treinando e disseminando o Taekwondo, ele pode se
tornar um atleta de demonstração com foco em chutes
com giros e saltos que requerem muito treino e
objetividade. Sendo assim o corpo humano é
analisado por várias perspectivas: antropológica,
fisiológica, filosófica, física, entre outras. Estes
estudos buscam entender o comportamento do corpo
no âmbito social, biológico ou físico1. Sendo que no
âmbito físico, podemos analisar o movimento
humano utilizando os princípios mecânicos, tendo
como base a dinâmica e estática2. Estas categorias são
medidas
por
métodos
que
mostram,
matematicamente, a análise do movimento,
utilizando-se
da
cinemetria,
dinamometria,
antropometria, eletromiografia, entre outros métodos
que, através dos números, evidenciam uma maior
compreensão da mecânica do corpo humano2.
Objetivos: Este estudo tem como objetivo utilizar a
medição eletromiografica para identificar a atividade
muscular do Tibial Anterior (TA), Gastrocnemio
Medial (GM) e Gastrocnemio Lateral (GL). Estes
músculos foram medidos eletromiograficamente
antes durante e depois da execução dos movimentos
técnicos da base de luta inicial, Tuit Kobi Sogui, e os
chutes: Ap Tchagui e Yop Tchagui, considerados
básicos para um praticante de Taekwondo.
Métodos: O estudo foi realizado no Laboratório de
Bioengenharia e Biomecânica (Labioeng) da
Faculdade de Educação Física e Dança da
Universidade Federal de Goiás. O presente estudo
passou pelo Comitê de Ética em Pesquisa da
Universidade Federal de Goiás e o mesmo foi
aprovado sob parecer n 239/15
A coleta de dados deste estudo foi feita com um
praticante de Taekwondo com idade de 24 anos do
sexo masculino, registrado como faixa preta 3º DAN
pela Liga Nacional de Taekwondo.
Para captação do sinal eletromiográfico foi utilizado
um eletetromiógrafo EMG 230 DL da marca
EMGSystem do Brasil. A coleta dos dados
eletromiográficos foi obtida através da fixação do
eletrodo na musculatura do membro inferior ser
estudada: tibial anterior, gastrocnemio lateral e
medial, tanto do membro que executa o chute quanto
do membro de apoio. Foi seguida a orientação do
SENIAM para posicionamento do eletrodo na região
de maior incidência dos disparos da musculatura
escolhida. Os músculos foram selecionados de acordo
com a participação durante o ciclo do movimento
estudado e pela facilidade de capitar o sinal EMG.
Através da Análise do sinal, foi analisado a
frequência média (FMed) e frequência máxima (FM)
ambas dadas em hertz (Hz), para assim inferir a
análise da contração muscular durante os três chutes
analisados que foram: Tuit Kubi Sogui, Ap Tchagui e
Yop Tchagui.
Resultados e Discussão: Observando a tabela 1, o
Tuilt Kubi I apresenta no membro que efetua o chute
maior valor no GL, posteriormente o TA, seguido do
GM. Comparando a fmed. do membro de apoio, o
GM apresenta maior atividade muscular durante toda
a atividade, seguido pelo TA e GL respectivamente.
Durante a execução do Ap Tchagui, o membro que
chuta com maior FMed. é o Tibial Anterior, seguido
de perto pelo Gastrocnemio Medial, e depois o
Gastrocnemio Lateral. Já no membro que apoia, o
GM tem maior atividade, enquanto o TA tem
atividade maior que o GL.
Durante a realização do Ap Tchagui é possível ver
que a perna que executa o chute apresnta valores de
frequencia media maior no músculo no Tibial
Anterior, estes valores também são visulizados
quando é estudado a movimentação técnica do chute
descrito anteriormente, tendo em vista que para esta
ação o pé do membro que efetua o chute fica em
flexão dorsal. Assim o TA funciona como um
músculo auxiliar para estabilizar a articulação do
tornozelo3.
P á g i n a | 77
No momento da realização do Ap Tchagui,
diferentemente das outras técnicas analisadas,
apresenta o membro de apoio com maior valor de
fmáx no Gastrocnemio Lateral. O mesmo ocorre no
membro que efetua o chute no Yop Tchagui. Tal fato
ocorre devido ao posicionamento técnico da
articulação do tornozelo em ambos os membros
durante a tarefa realizada. Pois acontece uma
transferência de peso característico do esporte4.
Durante a análise da frequência média podemos
perceber que, tanto no membro que chuta, quanto no
que dá apoio, as medições feitas no Tuilt Kubi II e na
execução do Yop Tchagui apresentam valores
numericamente idênticos. Confirmando que tanto o
membro que efetua o chute quando o que dá apoio
tem papel fundamental na estabilização entre os
músculos que efetuam a ação e os que controlam
ambas as técnicas.
Conclusão: Foi concluído que todos os músculos
analisados apresentam atividade muscular durante
toda a tarefa; foi constatada a grande sinergia entre os
músculos analisados; todos os músculos analisados
tem papel fundamental na estabilidade da articulação
do tornozelo do membro de apoio e o que realiza o
chute
Referências
1.NORA, F. Introdução ao estudo do movimento humano.
Goiânia: UFG, 2015.
2. HAMILL, J; KNUTZEN,K. M. Bases biomecânicas do
movimento humano. Tradução: Fernando Gomes do
Nascimento. 3 ed. Barueri,SP: Monele,2012.
3.SILVA, V. F. Análise biomecânica do chute AP bal AP
dolio do taekwondo f. Dissertação (Mestrado) – Curso de
Educação Física, Departamento de Educação Física,
USJT, São Paulo, 2009.
4. MACHADO, S. M. Estudo comparativo por meio da
eletromiografia entre o tempo de treinamento de atletas de
Taekwondo e de Kick Boxing f. Dissertação (Mestrado) Curso de Engenharia Biomédica, Departamento de PósGraduação em Engenharia Biomédica, Universidade Vale
do Paraíba - UniVap, São José dos Campos, 2008.
Fonte dos dados: os resultados apresentados no
presente estudo são de um estudo piloto realizado
durante a disciplina de graduação “Introdução ao
Estudo da Biomecânica do Movimento Humano” da
Faculdade de Educação Física da Universidade
Federal de Goiás no ano de 2015.
Tabela 1: Valores médios das variáveis analisadas durante chutes analisados (Hz)
P á g i n a | 78
BCM.121. ELETROMIOGRAFIA E DESEMPENHO DOS MÚSCULOS FLEXOR
SUPERFICIAL DOS DEDOS E DO EXTENSOR DOS DEDOS EM ARQUEIROS DE
ELITE
Fernando Carvalheiro Reiser1; Nadjila Tejo Machado1; Marcelo Saldanha Aoki1; Fernando Henrique
Magalhães1; Luis Mochizuki1
1 Laboratório de Ciências da Atividade Física, Escola de Artes, Ciências e Humanidades, Universidade de
São Paulo
Introdução: O tiro com arco requesita força e
resistência de membros superiores e tronco. O atleta
proeficiente atira um conjunto de flechas para o alvo
em um curto intervalo com máxima acurácia e
precisão1. Os músculos do antebraço tem sido
estudados extensivamente nesta modalidade.
Arqueiros habilidosos tem menor co-contração entre
flexores e extensores do antebraço e menor tempo de
reação1,2,3. Contudo, a relação entre o desempenho no
tiro e atividade muscular é pouco conhecida.
Objetivo: Verificar a atividade muscular dos flexores
e extensores dos dedos em comparação ao
desempenho obtido no tiro com arco.
Métodos: Cinco arqueiros de elite (27,8  4,7 anos,
tempo de experiência: 14,2  4,8 anos, pontuação
FITA: 1317  19,6, máximo 1440) participaram neste
estudo. Eletrodos bipolares (Ag/AfCl) foram
posicionados no ventre muscular paralelo as fibras
dos músculos; Flexor Superficial dos Dedos e
Extensor dos Dedos. Foram analisadas 225 flechas
dividas em 75 escores Oito, 75 escores Nove e 75
escores Dez. A atividade muscular foi gravado
durante o periodo de 500ms antes e 500ms depois da
queda do clicker. Os dados foram adquiridos por um
eletromiográfo 1610C (EMG Systems Brasil®). O
sinal de ativação muscular teve média removida,
retificado e normalizado por meio de rotinas no
MatLab 7.9.0 (R2009b) para o cálculo do valor
integral do EMG. A análise estatística foi realizada
no software SPSS 23.0, com analíse de variância
(ANOVA) de um fator e teste Post hoc Tukey. O
nível de significância foi p<0,05.
Resultados: A ativação do músculo Flexor
Superficial dos dedos não foi diferente entre os
escores (p>0,05).
A ativação do músculo Extensor dos dedos foi
diferente entre os escores (p=0,02 F=3,8).
Figura 1 - Intensidade de ativação do músculo flexor
superficial dos dedos (FSD) nos escores 8, 9 e 10.
Figura 2 - Intensidade de ativação do músculo
extensor dos dedos (ED) nos escores 8, 9 e 10..
Discussão: O músculo Extensor dos Dedos
apresentou diferença na atividade muscular entre os
escores, com o menor recrutamento no escore Oito, e
maior no escore Nove. A atividade muscular do
escore Dez ficou entre os dois extremos, o que mostra
que para obter melhores desempenhos é necessário
um tiro com atividade moderada. Dois padrões
diferentes de atividade dos músculos extensores dos
dedos após a queda do clicker; tem sido mostrados na
literatura1,2,3: relaxamento (silêncio) da musculatura e
contração ativa1,2. Este estudo mostra que existe a
atividade muscular moderada, entre o relaxamento e
P á g i n a | 79
máxima ativação, está contemplada ao maior escore
obtido. A variabilidade de atividade muscular entre
os escores podem estar diretamente relacionadas com
o desempenho em demais atividades esportivas,
outros músculos e variáveis devem ser investigados
para demonstrar este fenômeno efetivamente.
1 Ertan H. et al. Hum Mov; 2003: 22;1;37-45.
doi:10.1016/S0167-9457(02)00176-8
2 Martin P. et al. J Sport Sci. 1990: 8;3; 215–221
doi:10.1080/02640419008732147
3 Solyu et al. Hum Mov Sci; 2006: 25;6; 764-777 doi:
10.1016/j.humov.2006.05.002
Conclusões: O nível da atividade muscular é
diferenciado através dos diferentes desempenhos
obtidos no tiro com arco, contudo isso só foi mostrado
no músculo Extensor dos Dedos.
Fonte dos dados: Esses dados são parte do conteúdo
da Dissertação de Mestrado intitulada: Utilização da
eletromiografia na variabilidade entre blocos de
combate em arqueiros de elite. O trabalho é
desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em
Ciências da Atividade Física, EACH-USP.
Comitê de ética e pesquisa: 1.452.196
Referências
P á g i n a | 80
BCM. 122. OROFACIAL CHARACTERISTICS OF SLEEP-RELATED
BREATHING DISORDER
Franciele Voltarelli da Silva Dias1,2, Gislaine Aparecida Folha1,2, Luciana Vitaliano Voi Trawitzki1,2, Wilma
Therezinha Anselmo-Lima1,2, Denny Marcos Garcia1,2, Fabiana Cardoso Pereira Valera1,2, Claudia Maria de
Felício1,2
(1) Department of Ophthalmology, Otorhinolaryngology and Head and Neck Surgery, School of Medicine
of Ribeirão Preto, University of São Paulo – USP – Ribeirão Preto (SP), Brazil.
(2) Craniofacial Research Support Center, University of São Paulo – USP – Ribeirão Preto (SP), Brazil.
Introduction: Orofacial and pharyngeal muscles are
involved in important functions including breathing,
with the vital role of maintaining airflow. The most
common consequence of upper airway obstruction is
mouth breathing, a functional adaptation that may
affect craniofacial growth and development during
childhood1. Another possible consequence is
obstructive sleep apnea (OSA), a sleep-related
breathing disorder (SRBD) that affects 1-5% of the
children population. Adenotonsillectomy (AT) is the
first-line treatment for OSA during childhood,
although the proportion of patients with postoperative
residual OSA ranged from 13% to 29% in low-risk
populations and reached 73% when obese children
were included in the analysis2. Also, myofunctional
disorders persist at sixth month after AT3. Some
authors recommended that orofacial myofunctional
therapy (OMT) should be included in the treatment of
SRBD in children4,5. Although, it is lacking clarity
regarding the principles of neuromuscular
rehabilitation6 and the specificity of therapeutic
targets and procedures7. Thus, the first step in an
attempt to clarify these issues is to achieve a better
understanding of the orofacial muscular profile of
children with OSA.
Objectives: to identify possible differences between
children with OSA and PS and features associated
with OSA.
Methods: This study was approved by the local
institutional ethics committee (process number
13214/2013). Participants were 39 children (mean
age 8 ± 1.2 years) of which, 27 had a diagnosis of
OSA and 12 had PS. All participants were examined
by an otorhinolaryngologist and underwent overnight
polysomnography (PSG), using a Biol-Logic® digital
polygraph and the software SleepScan Vision®,
version 2.03.05. The OSA group comprised subjects
with
apnea
complaints,
adenotonsillectomy
indication (i.e. pharyngeal tonsil > 70% and palatine
tonsils grade III or IV)1, obstructive apnea-hypopnea
index (OAHI) > 1.0 event/hour during sleep, and a
diagnosis of OSA in PSG according to the
International Classification of Sleep Disorders –
(ICSD-III, AASM, 2012)8. The PS group consisted of
subjects with snoring complaints reported by parents
and intermittent noise verified in PSG without
indication for tonsillectomy (pharyngeal or palatine),
without obstructive apnea or increased respiratory
resistance during sleep recordings, and with an OAHI
lower than 1.0 event/hour during sleep. Children with
severe facial changes/malocclusion, neuromuscular
diseases, body mass index (BMI) 2 SD above the
reference values for age and sex of the World Health
Organization (WHO), or history of any treatment for
head and neck region were not included in the study.
Orofacial characteristics were determined through a
validated protocol of orofacial myofunctional
evaluation with scores (OMES)9; surface
electromyography of masticatory muscles was
recorded using a wireless electromyographic system
(FreeEMG, BTS S.p.A., Garbagnate Milanese, Italy)
and for calculations, the SMART Analyzer software
(BTS S.p.A.) was used, following procedures
described elsewere 10,11 with standardized data; and
measurements of maximal lip and tongue strength
with the Iowa Oral Performance Instrument (IOPI),
model 2.2. (IOPI MedicalLLC – Redmond, WA USA). Reference values in the OMES were included
to quantify the standardized difference (effect size =
ES) relative to the groups studied.
Results: The OSA group had lower scores in
breathing and deglutition, more unbalanced
masticatory muscle activities than PS group (p <
0.05), but both groups had similar reductions in
orofacial strength. OSA had a large ES (Cohen’s d >
0.8) in all analysed OMES scores, while PS group
showed small and medium differences in breathing
and mastication scores, respectively.
Discussion: Most of the alterations observed are
consistent with data from studies with children with
mouth breathing1,3 and OSA4,5. The persistence of the
problem results in a chain of events, including
P á g i n a | 81
changes in sensory inputs from the face and mouth
and in neuromuscular function that precede the
adaptation of craniofacial morphology12.
Conclusion: Children with tonsillar hypertrophy and
OSA had increased impairments in orofacial
functions and lesser muscular coordination than
children without upper airway obstruction and PS.
Referências
1.Valera FC. et al. Int J Pediatr Otorhinolaryngol.
2003;67:761-70.
2.Marcus CL. et al. Pediatrics. 2012;130:576-84.
doi: 10.1542/peds.2012-1671.
3.Bueno DA. et al. Int J Pediatr Otorhinolaryngol.
2015;79:537-40. doi:10.1016/j.ijporl.2015.01.024.
4.Villa MP. Sleep Breath. 2015;19:281-9. doi:
10.1007/s11325-014-1011-z.
5.Lee SY. et al. Sleep Breath. 2015;19:1257-64. doi:
10.1007/s11325-015-1154-6.
6.Steele CM. Am J Respir Crit Care Med.
2009;179:858-9. doi:10.1164/rccm.200901-0016ED.
7.Folha GA. et al. Eur J Oral Sci. 2015;123:165-72.
doi: 10.1111/eos.12180.
8.American Academy of Sleep Medicine.
International classification of sleep disorders,
Darien, IL, 2012.
9.Felício CM. et al. Int J Pediatr Otorhinolaryngol.
2008;72:367-75. doi: 10.1016/j.ijporl.2007.11.012.
10.Ferrario VF. et al. J Oral Rehabil. 2000;27:33-40.
11.Naeije M. et al. J Oral Rehabil. 1989;16(1):6370.
12.Miller AJ. et al. Am J Orthod. 1984;85(5):38592.
Fontes financiadoras: Pró-Reitoria de Pesquisa da
Universidade de São Paulo.
Fonte dos dados: Esses dados são parte do
conteúdo da Dissertação de Mestrado intitulada:
Características funcionais da musculatura orofacial
em crianças com e sem apneia obstrutiva do sono.
O trabalho é desenvolvido junto ao Programa de
Pós-Graduação em Oftalmologia,
Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e
Pescoço, FMRP-USP.
P á g i n a | 82
BCM.123. ANÁLISE ELETROMIOGRÁFICA DE MEMBROS INFERIORES EM
INDIVÍDUOS INFECTADOS COM O VÍRUS DA IMUNODEFICIÊNCIA HUMANA
Gabriel Pádua da Silva2, Bruno Ferreira2, Veridiana Wanshi Arnoni1, Edson Donizetti Verri1, Camila Roza
Gonçalves3, Paulo Batista Vasconcelos1, Maria Aparecida Carneiro Vasconcelos2, Selma Siéssere1, Isabela
Hallak Regalo1, Marisa Semprini1, Alcyone Artioli Machado2, Simone Cecilio Hallak Regalo1.
Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto – Universidade de São Paulo
2
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto- Universidade de São Paulo
3
Departamento de Engenharia Biomédica- Universidade Federal de Uberlândia
1
Introdução: A Síndrome da Imunodeficiência
Adquirida (AIDS) é uma doença crônica,
incurável, transmitida pelo sangue, sêmen, leite
materno e secreções vaginais de pacientes
infectados (Wang; Lin; Liu, 2010). Atualmente
busca-se investigar os fatores físicos, biológicos e
psicossociais relevantes para o desenvolvimento de
doenças músculo esqueléticas em pacientes com o
vírus da imunodeficiência humana (HIV), além de
analisar a relação entre esses fatores e os sintomas
da AIDS (Tedaldi; Minniti; Fischer, 2015).
Objetivo: Analisar a atividade EMG dos músculos
semitendinoso, reto femoral, glúteo médio e tensor
da fáscia lata (bilaterais), durante as condições
posturais estáticas e dinâmicas em indivíduos com
HIV tipo 1.
Métodos: Esta pesquisa foi aprovada pelo Comitê
de
Ética
em
Pesquisa
(CAAE
n.
01222712.0.0000.5419).
Participaram
60
indivíduos de ambos os gêneros, com idade entre
22 a 57 anos (média de 36,77 ± 9,33 anos) e foram
distribuídos em dois grupos distintos: com HIV
subtipo 1 (n=30; GHIV) e saudáveis (n=30; GC).
Todos os indivíduos foram avaliados com base na
atividade EMG dos músculos semitendinoso
direito (STD) e esquerdo (STE), reto femoral
direito (RFD) e esquerdo (RFE), glúteo médio
direito (GMD) e esquerdo (GME) e tensor da fáscia
lata direito (TFLD) e esquerdo (TFLE), durante os
padrões posturais e funcionais de membros
inferiores. Os padrões posturais (RMS) foram:
repouso (RP-10s), agachamento em isometria
(fator de normalização-10s) e apoio unipodal
direito e esquerdo (AUD, AUE-10s). Os padrões
funcionais (fenv) foram: subir degrau com a perna
direito e esquerdo (SDPD, SDPE-10s), descer
degrau com a perna direita e esquerda (DDPD,
DDPE-10s), levantar da cadeira (LC-10s) e sentar
na cadeira (SC-10s). O sinal EMG foi coletado
utilizando o aparelho Myosystem® - Br1 e
normalizados pelo valor pelo agachamento em
isometria. Os dados foram tabulados e submetidos
à análise estatística por meio do teste t (SPSS
versão 21.0).
Resultados: As atividades EMG normalizadas dos
padrões posturais dos membros inferiores entre GC
e GHIV estão demonstradas na Tabela 1. As
atividades EMG normalizadas dos padrões
funcionais dos membros inferiores entre GC e
GHIV estão demonstradas na Tabela 2.
Tabela 1. Atividades EMG normalizadas dos padrões
funcionais dos membros inferiores entre controles (GC) e
com HIV subtipo 1 (GHIV).
Condição
Clínica
AUD
Músculo
STE
STD
STE
AUE
RFD
GMD
Grupo
Média
Desvio
Padrão
GHIV
2,10
± 0,27
GC
3,55
± 0,26
GHIV
3,75
± 0,59
GC
2,21
± 0,20
GHIV
6,25
± 0,43
GC
1,92
± 0,15
GHIV
0,88
± 0,16
GC
0,49
± 0,03
GHIV
3,16
± 0,67
GC
0,99
apoio unipodal direito e esquerdo (AUD, AUE).
Valor
de p
0,00
0,01
0,00
0,02
0,00
± 0,05
Discussão: Na análise da atividade muscular de
membros inferiores, foi visto que os indivíduos
com HIV apresentaram alterações funcionais em
membros inferiores. Segundo Heitmann, Ferns,
Breakspear (2012), o controle biomecânico de
membros inferiores é dependente do suporte
neuromotor e da estabilidade articular. Na análise
das atividades funcionais de membros inferiores, os
indivíduos com HIV apresentaram um predomínio
de ativação muscular para os músculos reto femoral
esquerdo e glúteo médio esquerdo. Segundo
Uccioli et al. (1997) o equilíbrio do corpo é um
fator determinante da função de membros
inferiores e depende da ativação sinérgica de
músculos dos dois hemicorpos, sendo já existente
evidências de que essa coordenação é controlada
por circuitos medulares, que estão sob controle
supra-segmentar.
P á g i n a | 83
Tabela 2. Atividades EMG normalizadas dos padrões
funcionais dos membros inferiores entre controles (GC) e
com HIV subtipo 1 (GHIV).
Condição
Clínica
Músculo
RFD
SDPE
TFLD
STD
DDPD
STE
RFD
RFD
LC
GME
STD
RFD
SC
GMD
Grupo
Média
Desvio
Padrão
GHIV
0,54
± 0,09
GC
0,24
± 0,01
GHIV
1,76
± 0,32
GC
0,56
± 0,06
GHIV
1,48
± 0,32
GC
0,69
± 0,11
GHIV
1,49
± 0,25
GC
0,96
± 0,06
GHIV
1,15
± 0,27
GC
0,29
± 0,01
GHIV
0,34
± 0,09
GC
0,52
± 0,05
GHIV
2,37
± 0,24
GC
0,51
± 0,14
GHIV
2,35
± 0,24
GC
0,50
± 0,05
GHIV
0,62
± 0,06
GC
0,39
± 0,02
GHIV
0,80
± 0,17
GC
0,32
± 0,02
Valor
de p
0,00
0,00
0,02
0,05
0,00
0,01
0,00
0,00
0,00
0,00
1,75
± 0,30
0,04
GC
0,74
± 0,18
subir degrau com a perna direito e esquerdo (SDPD, SDPE), descer degrau
com a perna direita e esquerda (DDPD, DDPE-10s), levantar da cadeira (LC)
e sentar na cadeira (SC)
GME
GHIV
Conclusão: Os autores concluíram que indivíduos
com HIV apresentaram alterações nos padrões
posturais e funcionais baseados nos dados
eletromiográficos dos músculos dos membros
inferiores.
Referências
1.
Wang J, Lin HS, Liu MY, Li Y. Immune
reconstitution of acquired immune deficiency
syndrome. Chin J Integr Med. 2010 Dec;16(6):55764.
2.
Tedaldi EM, Minniti NL, Fischer T. HIVassociated
neurocognitive
disorders:
the
relationship of HIV infection with physical and
social comorbidities. Biomed Res Int. 2015;641913.
3.
Heitmann S, Ferns N, Breakspear M.
Muscle co-contraction modulates damping and
joint stability in a three-link biomechanical limb.
Front Neurorobot. 2012;11;5:5.
4.
Uccioli L,et al. Contribution of central
neuropathy to postural instability in IDDM
patients with peripheral neuropathy. Diabetes
Care. 1997;20: 6, 929-34.
Fontes Financiadoras: Bolsa regular de mestrado
(processo nº 2012/04630-6) da Fundação de
Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo
(FAPESP).
5.
Fonte dos dados: Esses dados são parte do
conteúdo da dissertação de Mestrado intitulado:
Análise do padrão funcional do sistema
estomatognático em indivíduos portadores do vírus
da imunodeficiência humana. O trabalho foi
desenvolvido junto ao Programa de PósGraduação em Reabilitação e Desempenho
Funcional, FMRP- USP.
P á g i n a | 84
BCM.214. PADRÃO DE ATIVAÇÃO ELETROMIOGRÁFICA DOS MÚSCULOS
ESTABILIZADORES DE ESCÁPULA EM INDIVÍDUOS COM E SEM DISCINESE
ESCAPULAR ASSINTOMÁTICOS
Gabriel Paglioni Garcia1; Ricardo José Tecchio Serrão1; Caio Leite Giorgetto2; Camilla Zamfolini Hallal1;
Nise Ribeiro Marques2
1 Universidade Federal de Uberlândia; 2 Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho -Campus
Marília
Introdução: Discinese escapular é uma alteração do
movimento da escápula, e pode ser causada por
diversos fatores, entre eles, o padrão inadequado de
ativação dos músculos estabilizadores dessa região1.
Esse padrão de recrutamento muscular inadequado
caracteriza-se pela menor ativação de serrátil anterior
(SA) e das fibras inferiores do trapézio (TI). Além
disso, ocorre, concomitantemente, um aumento da
ativação das fibras superiores do trapézio (TS)2.
Contudo, apesar de na literatura haver um consenso
de que exista um padrão de ativação inadequado,
caracterizado por uma razão desproporcional de
ativação entre os mesmos, não há estudos de acordo
com nosso conhecimento que avaliaram o
comportamento
do
padrão
de
ativação
eletromiográfica de indivíduos com e sem discinese
escapular.
Objetivos: Analisar o padrão de ativação
eletromiográfica dos músculos estabilizadores da
escápula em indivíduos assintomáticos com e sem
discinese escapular. O presente estudo se justifica
pois a discinese pode estar relacionada ao padrão de
ativação e não somente ao desequilíbrio da razão
entre os músculos estabilizadores, nos fornecendo
dados que possibilitem uma intervenção mais eficaz.
Métodos: Este estudo foi aprovado em Comitê de
Ética local (processo número: 097704/2015).
Participaram
da
pesquisa
26
indivíduos
universitários, de ambos os sexos, com idade entre 18
e 25 anos, divididos em dois grupos: grupo discinese
com 16 indivíduos (GD) e sem discinese com 10
indivíduos (GC). Todos os participantes assinaram o
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Após
anamnese dos participantes, foram realizados testes
específicos para exclusão de possíveis patologias
(Neer, Jobe e Speed) no ombro. Para a classificação
dos participantes com e sem discinese foi realizada
uma avaliação visual na qual o participante realizava
o movimento de scaption por dez vezes, com
angulação de 30º, 5% do peso corporal3 e com
velocidade sincronizada por um metrônomo de
freqüência de 23 bpm. A seguir foram realizadas três
contrações isométricas voluntárias máximas (CIVM)
de cinco segundos para cada um dos músculos
avaliados, nas posições de testes muscular propostas
por Kendall et al. (1995)4 para a normalização dos
dados eletromiográficos.
Os sinais de eletromiografia de superfície (EMG)
foram coletados por um módulo de aquisição de
sinais biológicos (Noraxon, Arizona, EUA) ajustado
em uma frequencia de amostragem de 1000 Hz, razão
de rejeição comum de 90dB, ganho total de 2000
vezes (100 no amplificador e 20 no pré-amplficador).
Foram utilizados eletrodos bipolares circulares
(10mm) de Al/AgCl, com distância inter-eletrodos de
20mm com limpeza da pele por álcool e
posicionamento de TS e TI seguindo as normas do
SENIAM e para SA de literatura pregressa3. Os sinais
de EMG dos músculos TS, TI e SA foram coletados
durante 10 movimentos de scaption, cinco destes
movimentos foram utilizados para análise. Os dados
foram processados em rotinas especificas através do
software MATLAB. O sinal eletromiográfico foi
filtrado por um filtro passa-banda de 20-500 Hz,
retificado pelo método de onda inteira, suavizado por
um filtro passa baixa Butterworth de 4ª ordem com
freqüência de corte de 6 Hz e normalizado pela média
de ativação nas contrações máximas, uma amostra
dos sinais EMG foi adquirida a cada 5% do tempo do
movimento para criação da curva representativa da
ativação muscular durante o movimento (Figuras 1, 2
e 3).
Para a análise estatística foi utilizado o teste de
análise de variância multivariada (MANOVA) e teste
post hoc de Bonferroni. Foi ajustado o nível de
significância em p < 0,05.
Resultados: Não houve diferença significativa para
as características antropométricas entre os grupos
com e sem discinese p > 0,05 (Tabela 1).
Tabela 1: Dados Antropométricos
P á g i n a | 85
Não houve diferença significativa para o padrão de
ativação de TS, TI e SA quando comparados
indivíduos com e sem discinese escapular (p>0,05,
para todas as comparações).
Figura 1. Comparação entre os grupos de Trapézio Superior. TS-GD
(Trapézio Superior– Grupo Discinese), TS-GC (Trapézio SuperiorGrupo Controle), Eixo X (% tempo de exercicio) e Eixo Y (ativação
normalizada - %max).
Figura 2. Comparação entre os grupos de Trapézio Inferior. TI-GD
(Trapézio Inferior– Grupo Discinese), TI-GC (Trapézio Inferior- Grupo
Controle), Eixo X (% tempo de exercicio) e Eixo Y (ativação
normalizada - %max)
Discussão: Em estudo pregresso5 foram encontrados
resultados que apontaram uma maior média de
ativação para TS, acompanhado de uma menor média
para ativação de TI e SA em indivíduos com
discinese. Contudo, no presente estudo observamos
que tanto indivíduos com discinese quanto aqueles
sem discinese apresentaram o mesmo padrão de
ativação, o que nos permite dizer que a possibilidade
de desenvolver a discinese está mais relacionada com
a razão de ativação entre os músculos estabilizadores
de escapula do que em relação ao padrão de ativação
dos mesmos músculos. Como limitação de estudo,
podemos citar o número baixo de participantes.
Conclusões: Os achados deste estudo nos permitem
concluir que o padrão de ativação dos músculos
estabilizadores
da
escápula
não
difere
significativamente entre indivíduos com e sem
discinese escapular assintomáticos.
Referências: 1-Kibler WB, et al. J Orthop Sports
Phys
Ther.
2009;39
(11):
A1-A13.doi:
10.2519/jospt.2009.0303
2-Kibler WB, et al. Br J Sports Med 2013;00:1–12.
doi:10.1136/bjsports-2013-092425
3-PIRAUÁ ALT, et al. J Electromyogr Kinesiol.
2014;24(5):675-681.
doi:10.1016/j.jelekin.2014.05.009
4-Kendall FP, McCreay EK, ProvancePG. Músculos:
provas e funções. 4ª edição. Manole. 1995.
5-Cools A, et al. J Athl Train. 2005;40:104-110.doi:
10.1111/j.1600-0838.2006.00570.x
Fontes financiadoras: Não se aplica.
Figura 3. Comparação entre os grupos de Serrátil Anterior.
SA-GD (Serrátil Anterior – Grupo Discinese), SA-GC
(Serrátil Anterior- Grupo Controle), Eixo X (% tempo de
exercicio) e Eixo Y (ativação normalizada - %max)
Fonte dos dados: Esses dados são parte do conteúdo
da Dissertação de Mestrado intitulada: Efeito do
tratamento com haste oscilatória na ativação dos
músculos estabilizadores de escápula e na cinemática
da movimentação escapular em indivíduos
assintomáticos com e sem discinese escapular. O
trabalho é desenvolvido junto ao Programa de PósGraduação em Ciências da Saúde da Universidade
Federal de Uberlândia.
P á g i n a | 86
BCM.125. ANÁLISE ELETROMIOGRÁFICA DO ARREMESSO DE JOGADORES
DE BASQUETE
Giovana Duarte Eltz1; Marina Mello Villalba2; Lucas Caetano Carlos2; Ana Carolina Panhan²; Enaile Farias
Moraes3; Mauro Gonçalves2
1,2 Universidade Estadual Paulista, UNESP, Rio Claro- SP
3 Centro Universitário Metodista do IPA, Porto Alegre - RS
Introdução: O arremesso tem sido considerado o
fundamento mais importante do basquetebol1.
Em se tratando de basquete em cadeira de rodas
(BCR), sabe-se que os atletas têm diferentes graus de
limitação física, portanto, no intuito de garantir uma
competição justa para os atletas, foi criada em 1982 a
classificação funcional. Esse sistema baseia-se na
observação dos movimentos dos atletas e suas
habilidades durante apresentações na prática do
esporte adaptado2.
A classificação é feita por uma equipe habilitada,
avaliando um conjunto de ações desempenhadas pelo
atleta na sua cadeira de rodas. Quanto à cadeira de
rodas apropriada a prática do basquete, existem
algumas normas que são estabelecidas pela
International Wheelchair Basketball Federation
(IWBF). As medidas da quadra e as regras do
basquete em cadeira de rodas seguem literalmente as
regras do basquete convencional3.
Objetivos: O objetivo deste estudo foi avaliar a
ativação eletromiográfica dos músculos peitoral
maior porção clavicular (PM), deltóide anterior (DA)
e tríceps braquial porção longa (TB) durante o
arremesso, comparando a atividade dos músculos
entre os atletas de basquete convencional (BC) e
basquete em cadeira de rodas (BCR).
Métodos: Foram incluídos neste estudo 10
indivíduos do sexo masculino, praticantes de
basquete há no mínimo um ano, sendo cinco BC e
cinco BCR. Os jogadores do grupo BCR eram
amputados unilaterais, com classe funcional entre 3,5
e 4,5. O trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética
em Pesquisa do Centro Universitário Metodista, do
IPA sob o protocolo n° 264/09.
O sinal eletromiográfico dos mm. PM, DA e TB
foram coletados durante o movimento de arremesso
de lance livre utilizando-se um eletromiógrafo
(Miotool 400, Miotec®/Brasil) de quatro canais
(resolução 14 bit, modo de rejeição comum 110db),
com frequência de amostragem de 2000Hz por canal
e pares de eletrodos (Ag/AgCl com diâmetro de
2,2cm (Meditrace, Canadá), em configuração bipolar,
através do Software Miograph 2.0. Seguindo as
orientações
da
International
Society
of
Electrophysiology and Kinesiology (ISEK). Todos os
eletrodos foram posicionados conforme as normas do
projeto SENIAM. O eletrodo de referência foi fixado
na tuberosidade anterior da tíbia homolateralmente ao
membro avaliado.
Inicialmente foi realizado aquecimento livre com
bola, a seguir, os atletas realizaram os arremessos,
sendo considerado para o estudo o segundo arremesso
convertido e validado de cada atleta.
Foi calculado o valor RMS (root mean square) para
todos os músculos avaliados, sendo estes
normalizados pela contração isométrica voluntária
máxima de cada. Na análise estatística o teste de
Shapiro-Wilk foi utilizado para verificar a
normalidade da distribuição dos dados. A ANOVA
one-way foi utilizada para as comparações dos
grupos. Foi utilizado o programa GraphPad Prism
(versão 5.0) adotando-se nível de significância de
p<0,05.
Resultados: Na comparação entre a ativação elétrica
dos músculos dentro do grupo BC, obteve-se
diferença estatisticamente significativa entre eles,
onde foi observada maior ativação do músculo DA
em relação ao músculo PM (p<0,001) e em relação ao
músculo TB (p<0,001) (figura 1). Já no grupo BCR,
não houve diferença estatisticamente significativa
entre os músculos avaliados.
Discussão: A estatura do jogador influência no
arremesso de basquete, estudo de Okazaki et al.
(2008) relatam que durante o lance livre a flexão de
joelho é indiferente devido à estatura dos jogadores
de basquete, quanto mais alto, menor é a
movimentação das pernas, ficando os membros
superiores como motor principal para realização do
movimento4.
P á g i n a | 87
Conclusões: A partir dos resultados do presente
estudo pode-se concluir que os atletas dos grupos BC
e BCR apresentaram diferenças na ativação elétrica
durante o movimento do arremesso.
Figura1. BC - Basquete Convencional; BCR - Basquete em
Cadeira de Rodas; PBC - Músculo Peitoral Maior do Basquete
Convencional; DBC - Músculo Deltóide Basquete
Convencional; TBC - Músculo Tríceps do Basquete
Convencional; PBCR - Músculo Peitoral Maior do Basquete
Cadeira de Rodas; DBCR - Músculo Deltóide do Basquete em
Cadeira de Rodas; TBCR - Músculo Tríceps do Basquete em
Cadeira de Rodas; * p<0,05.
Em contrapartida estudo Okazaki et al. (2006) afirma
que a impulsão através do movimento do membro
inferior também é de grande importância para a
melhora do arremesso, pois aumenta as alavancas do
corpo e permite que a bola saia de uma altura maior
em relação à cesta5.
Estudos afirmam que a estatura e realizar impulso
com os membros inferiores podem influenciar na
execução do arremesso4,6, isso faz com que o grupo
BCR, que possuem estatura reduzida, por estar em
sedestação, e não pode realizar movimentos de
impulsão, pelas regras da modalidade, possuam
maior desvantagem em realizar o arremesso de lance
livre em relação ao grupo BC. Nesta pesquisa
observamos uma ativação muscular dos músculos
DA, PM e TB no grupo BCR semelhante entre os
músculos avaliados, provavelmente pela angulação
do gesto desportivo ser mais elevada. Outro fato que
contribui para esta ativação tão semelhante é o fato
destes três músculos serem os motores primários da
propulsão da cadeira de rodas 7
Referências
1- Oudejans RRD, Langenberg RWV, Hutter RI.
Aiming at a far target under different viewing
conditions: visual control in basketball jump
shooting. Human Movement Science. 2002;(21):457480.
2- International Wheelchair Basketball Federation.
Disponível em <http://www.iwbf.org> Acesso em 10
Jan. 2015.
3- Camargo NF, Gonzalez JS. Desporto adaptado a
portadores de deficiência: basquete. Porto Alegre:
Ed. da UFRGS, 1996.
4- Okazaki VA, Teixeira LA, Rodacki AL.
Arremesso tipo jump no basquetebol: comparação
entre homens e mulheres Rev. Bras. Cienc. Esporte.
2008; 29(3):189-202.
5-Okazaki VHA, Rodacki ALF, Dezan VH, Sarraf
TA. Coordenação do arremesso jump no basquetebol
de crianças e adultos. Revista Brasileira de
Biomecânica. 2006; 7(12):15-22.
6- Okazaki VA, Lamas L, Okazaki FA, Rodacki AL.
Efeito da distância sobre o arremesso no basquetebol
desempenhado por crianças. Motricidade. 2013; 9(2):
61-72.
7- Cooper RA. Wheelchair racing sports science: a
review. J Rehabil Res Dev 1990; 27(3):295-312.
Fonte dos dados: Esses dados são parte do conteúdo
da trabalho de conclusão intitulada: Diferenças no
arremesso de jogadores de basquete em cadeira de
rodas e convencional. O trabalho é desenvolvido
junto ao Programa de graduação em fisioterapia do
Centro Universitário Metodista do IPA.
P á g i n a | 88
BCM.126. TEMPO DE ENDURANCE DOS MÚSCULOS DO “CORE” EM
ATLETAS ARREMESSADORES COM E SEM DISCINESIA ESCAPULAR
1
Giovanna Prado Conteçote1, Lívia Silveira Pogetti1, Paula Rezende Camargo1
Laboratório de Avaliação e Intervenção do Complexo do Ombro, Departamento de Fisioterapia,
Universidade Federal de São Carlos – São Carlos, Brasil.
Introdução: A discinesia escapular é uma alteração
na biomecânica da escápula que pode impactar
negativamente o desempenho esportivo e predispor
o atleta à lesão de ombro.1 Essa alteração pode ser
uma adaptação muscular na tentativa de restaurar a
força para o arremesso, devido à deficiência na força
e endurance dos músculos do “core”.1,2 No entanto,
este assunto ainda é conflitante na literatura8, com
poucos estudos avaliando a discinesia escapular e o
desempenho dos músculos do “core” em atletas
assintomáticos. A hipótese desse estudo é que atletas
arremessadores com discinesia escapular apresentem
menor tempo de endurance dos músculos do “core”.
Objetivos: Avaliar o tempo de endurance dos
músculos do “core” em atletas arremessadores
assintomáticos, com e sem discinesia escapular.
Métodos: Vinte e quatro atletas arremessadores
assintomáticos foram avaliados e divididos em dois
grupos: com (10 homens e 2 mulheres; 19,83 ± 2,76
anos; e tempo de prática 5,58 ± 3,82 anos) e sem
discinesia escapular (10 homens e 2 mulheres; 21,42
± 3,06 anos; e tempo de prática 6,58 ± 4,10 anos).
Com discinesia, 10 atletas praticavam handebol, 1
beisebol e 1 softebol. Sem discinesia, 11 atletas
praticavam handebol e 1 beisebol. A discinesia
escapular foi determinada pela realização de 5
movimentos de flexão do braço no plano sagital e 5
de abdução no plano frontal, com e sem carga.3 Os
atletas com discinesia deveriam apresentar no
mínimo 3 movimentos com discinesia, em um dos
planos de movimento. A avaliação do tempo de
endurance foi randomizada e o tempo cronometrado
em segundos nas posições de flexão, extensão, e
flexão lateral sobre os lados ipsilateral e
contralateral ao braço de arremesso. Nas posições de
extensão e flexão lateral, os atletas foram
posicionados com a pelve na borda da maca e os
membros inferiores estabilizados por 2 faixas. Na
flexão foi utilizada uma cunha com 60° de
angulação para posicionar o tronco e os pés foram
estabilizados por 2 faixas.4,5 Os atletas foram
instruídos a permanecerem o máximo tempo nessas
posições, sem qualquer apoio. O projeto foi
aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisas em
Seres Humanos da Universidade Federal de São
Carlos, com o parecer n° 735.589. Para análise
estatística foi utilizado o software SPSS (versão
17.0). A normalidade dos dados foi testada pelo
teste de Shapiro-Wilk. Para comparar o tempo de
endurance dos músculos extensores e flexores
laterais entre os grupos foi utilizado o teste t Student
para medidas independentes. Para os músculos
flexores foi utilizado o teste de Mann-Whitney. O
nível de significância considerado foi de 5%.
Resultados: Não foram encontradas diferenças
significativas nos tempos de endurance dos
músculos flexores (grupo com discinesia: 24,25 ±
23,93s; grupo sem discinesia: 24,42 ± 26,64s;
p=0,99), extensores (grupo com discinesia: 64 ±
31,16s; grupo sem discinesia: 52,33 ± 26,47s;
p=0,33), e flexores ipsilaterais (grupo com
discinesia: 48,5 ± 19,70s; grupo sem discinesia:
43,42 ± 19,62s; p=0,53), e contralaterais de tronco
(grupo com discinesia: 43,83 ± 17,13s; grupo sem
discinesia: 35,75 ± 17,67s; p=0,27).
Discussão: Os resultados mostraram que o tempo de
endurance dos músculos flexores, extensores e
flexores laterais de tronco foi semelhante entre os
grupos. Este é o primeiro estudo a comparar o
endurance do “core” em atletas assintomáticos com
e sem discinesia escapular. A maioria comparou o
endurance do “core” e a discinesia em atletas com e
sem dor no ombro, não encontrando diferenças entre
os grupos.9,11,12 Isto sugere que o endurance do
“core” pode não ser um fator preditor para a
discinesia escapular. O “core” tem a complexa
função de obter o controle estático e dinâmico do
corpo durante a atividade esportiva. Isto inclui a
habilidade do sistema neuromuscular manter ou
retornar o tronco na posição ereta e controlar seu
movimento dinâmico.6 Um bom desempenho do
sistema neuromuscular promove ótima informação
sensorial sobre a posição, velocidade, força,
endurance e potência para que ocorra o movimento
desejado.6 Qualquer alteração neste sistema pode
prejudicar o desempenho do atleta, sobrecarregando
P á g i n a | 89
a musculatura do ombro e levar a lesão. Estudos têm
demonstrado que o equilíbrio dinâmico está
reduzido em atletas arremessadores com dor no
ombro.7,8 Assim, a capacidade do atleta em resistir a
perturbações externas e internas durante o arremesso
parece exercer um papel importante na estabilidade
do “core”, estando ligado a alterações no complexo
do ombro. No entanto, mais estudos são necessários
para comprovar esses achados. Este estudo teve
como limitação o tamanho da amostra.
Conclusões: O tempo de endurance dos músculos
do “core” não é diferente entre atletas
arremessadores sem dor no ombro com e sem
discinesia escapular.
the lifespan of competitive swimmers. J Athl Train,
2012. 47(2):149-58.
10. KIBLER, W.B.; Sciascia, A; Wilkes, Trevor.
Scapular Dyskinesis and Its Relation to Shoulder
Injury. J Am Acad Orthop Surg, 2012. 20: 364-372.
11.ENDO, Y.; Sakamoto, M. Correlation of
Shoulder and Elbow Injuries with Muscle Tightness,
Core Stability, and Balance by Longitudinal
Measurements in Junior High School Baseball
Players. J. Phys. Ther. Sci., 2014. 26: 689–693.
12.HARRINGTON, S.; Meisel C.; Tate A. A crosssectional study examining shoulder pain and
disability in Division I female swimmers. J Sport
Rehabil, 2014. 23(1):65-75.
Referências
1. KIBLER, W.B. The Role of the Scapula in
Athletic Shoulder Function. Am J Sports Med, 1998.
26(2): 325-337.
2. SCIASCIA, A.; Crowell, R. Kinetic Chain
Rehabilitation: A theoretical framework. Rehabil
Res Pract, 2012. 1-9.
3. MAGEE, D.J. Orthopedic physical assessment,
ed. r. Edition1997, Philadelphia, PA: WB Saunders
Co.
4. LEETUN, T.D.; Ireland, L.M.; Willson, D.J.;
Ballantyne, T.B.; Davis, M.I. Core Stability
Measures as Risk Factors for Lower Extremity
Injury in Athletes. Med Scien Sports Exerc, 2004.
36(6): 926-34.
5. KIBLER, W.B.; Ludewig, P.M.; McClure, P.W.;
Michener, L.A.; Klaus Bak, K.; Sciascia, A.D.
Clinical implications of scapular dyskinesis in
shoulder injury: the 2013 consensus statement from
the ‘scapular summit’. Br J Sports Med, 2013. 47:
877–885.
6. SILFIES, S.P; Ebaugh, D.; Pontillo, M.;
Butowicz, C.M. Critical review of the impact of core
stability on upper extremity athletic injury and
performance. Braz J Phys Ther, 2015. Sept-Oct;
19(5):360-368.
7. RADWAN, A; Francis J.G.A.; Kahl E.;
Maciurzynski D.; Quartulli A. Is there a relation
between shoulder dysfunction and core instability?
Int J Sports Phys Ther, 2014. 9(1):8-13.
8. GARRISON, J.C.; Arnold A.; Macko M.J.;
Conway, J.E. Baseball players diagnosed with ulnar
collateral ligament tears demonstrate decreased
balance compared to healthy controls. J Orthop
Sports Phys Ther, 2013. 43(10):752-8.
9. TATE A.; Turner G.N.; Knab S.E.; Jorgensen C.;
Strittmatter A.; Michener L.A. Risk factors
associated with shoulder pain and disability across
Fontes financiadoras: Agência FAPESP, processo
número 2015/11070-5.
Fonte dos dados: Esses dados são parte do
conteúdo do Projeto de Iniciação Científica:
“Análise da resistência do ‘core’ em atletas
arremessadores com e sem discinesia escapular” do
Programa de Graduação da Universidade Federal de
São Carlos.
P á g i n a | 90
BCM.127. ATIVIDADE ELETROMIOGRÁFICA DOS MÚSCULOS MASSETERES
E TEMPORAIS EM PACIENTES COM APNEIA OBSTRUTIVA DO SONO
Gislaine Aparecida Folha1,2; Andrea Mapelli1,2; Fabiana Cardoso Pereira Valera1,2; Claudia Maria de
Felício1,2
1 Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo; 2 Núcleo de Estudos Craniofaciais
– Universidade de São Paulo
Introdução: a terapia miofuncional orofacial tem
sido indicada para melhorar a função das vias aéreas
superiores na apneia obstrutiva do sono (AOS) e a
abordagem inclui estratégias dirigidas aos músculos
elevadores da mandíbula e à mastigação
(Guimarães et al., 2009). Porém faltam informações
sobre a real condição dessa musculatura em
pacientes com AOS, que possam contribuir para o
adequado planejamento terapêutico. Assim, a
hipótese deste trabalho que é a musculatura
elevadora da mandíbula estaria com atividade
reduzida em pacientes com AOS.
Objetivos: analisar os músculos temporais e
masseteres em pacientes com AOS por meio de
eletromiografia de superfície (sEMG).
Métodos: trabalho aprovado pelo Comitê de Ética
em Pesquisa com Seres Humanos do HCFMRPUSP (processo n°12634/2010). Participaram 47
sujeitos: 32 pacientes diagnosticados com AOS por
polissonografia (AASM, 2005) que aguardavam
início de tratamento (grupo AOS), subdivididos em
AOS leve/moderada (n= 16) e grave (n= 16); e 15
sujeitos saudáveis sem sinais sugestivos de AOS
(grupo C). Os grupos foram pareados por idade.
Foram obtidos dados antropométricos e calculado o
índice de massa corporal (IMC).
Todos os sujeitos apresentavam condições oclusais
mínimas para a realização do exame, assim, foram
excluídos, ausência de dentes significantes
(presença de no mínimo 26 dentes); dor de dente ou
problemas periodontais; uso próteses dentárias;
tratamento ortodôntico atual ou anterior.
Eletrodos de superfície bipolares Ag/AgCl,
descartáveis com gel foram posicionados
paralelamente às fibras musculares dos músculos
masseteres e temporais bilaterais (Hermens et al.,
2000). Foi utilizado eletromiógrafo de oito canais
com sistema wireless (FreeEMG, BTS S.p.A.,
Garbagnate Milanese, Itália). O sinal sEMG
analógico foi amplificado e digitalizado (ganho 150,
16-bits de resolução, sensibilidade de 1 V,
resolução temporal de 1ms) usando um
amplificador diferencial com alta razão do modo
comum de rejeição (CMRR>110 dB no intervalo de
0-50 Hz, impedância de entrada >10 GΩ). Foram
solicitadas provas de máxima contração voluntária
com roletes de algodão entre os dentes posteriores
(MCVa: registro de normalização) e de MCV com
os dentes em intercuspidação (MCVd). Os índices
EMG normalizados, que avaliam simetria e
equilíbrio de ativação, foram calculados de acordo
com metodologia previamente descrita (Ferrario et
al., 2012). Foi computada a Estatística descritiva e
o teste não paramétrico de Kruskal-Wallis foi
empregado, devido à distribuição não normal dos
dados ou à distribuição heterogênea da variância. O
nível de significância foi estabelecido em P<0,05.
Resultados: não houve diferença entre as idades
dos grupos avaliados (P>0,05), mas sim em relação
ao IMC (P=0,003), contudo os dados de cada sujeito
foram normalizados. Os grupos não mostraram
diferença na atividade total normalizada, tampouco
nos índices EMG (P>0,05) (Tabela 1).
Discussão: o colapso das vias aéreas superiores
(VAS) leva à obstrução da passagem do ar durante
o sono (AASM, 2007) e tem sido apontado que
atividade reduzida dos músculos elevadores pode
contribuir para isto (Hollowell e Suratt, 1991;
Yoshida, 1998; Ma et al., 2013). Contudo, a
presença predominante de sujeitos com sobrepeso e
obesos entre esses pacientes, não permite a
comparação de dados não normalizados obtidos por
eletromiografia de superfície. Por isso, foram
empregados índices normalizados que evitam o
efeito de outras variáveis sobre o sinal sEMG
(Ferrario et al., 2000). Com base nos resultados do
presente estudo, a AOS não foi associada com
redução no equilíbrio e coordenação dos músculos
temporais e masseteres. Portanto, não necessitam de
estratégias terapêuticas específicas. No entanto, os
índices, especialmente assimetria entre músculos
dos lados direito e esquerdo (AS) e a relação entre
masseteres e temporais (AT) sugerem alguma
tendência de piora com o aumento da gravidade da
AOS. Portanto, futuros estudos com amostras
maiores são necessários.
P á g i n a | 91
Tabela 1. Comparação entre os grupos C, AOS
leve/moderada e AOS grave para os índices
eletromiográficos normalizados
C
LM
G
(n=15) (n=16) (n=16)
POCt(%)
Mediana
86,95
87,10
Percentil 25 84,10
68,8
78,45
Percentil 75 89,30
88,15
88,50
POCm(%) Mediana
88,2
87,4
87,01
86,50
Percentil 25 86,22
83,7
82,2
Percentil 75 89,03
89,13
87,94
91,00
Percentil 25 88,12
Percentil 75 92,40
90,33
89,30
90,54
88,06
92,05
91,55
Mediana
85,85
83,03
Percentil 25 81,4
63,86
64,35
Percentil 75 91,40
90,82
89,85
Mediana
2,20
2,94
2,05
Percentil 25 1,61
0,95
0,62
Percentil 75 7,27
6,50
12,30
Mediana
16,57
13,1
1,46
7,76
TORS(%) Mediana
BAR(%)
Asabs(%)
Atabs(%)
88,84
9,78
Percentil 25 4,35
P
0,475
0,461
0,666
0,214
0,905
0,475
Percentil 75 17,72 36,15 35,55
C: grupo controle; LM: pacientes com apneia osbstrutiva do
sono de grau leve a moderado; G: pacientes com apneia
osbstrutiva do sono de grau grave; P: probabilidade segundo o
teste de Kruskal-Wallis; n: número de sujeitos por grupo;
POCt: coeficiente de porcentagem de sobreposição dos
músculos temporais; POCm: coeficiente de porcentagem de
sobreposição dos músculos masseteres; TORS: índice de
torção; BAR: baricentro oclusal; Asabs: índice de assimetria
absoluto; Atabs: índice de atividade absoluto.
Conclusões: Os pacientes com AOS não
apresentaram atividade eletromiográfica rebaixada,
tampouco redução no equilíbrio e coordenação dos
músculos temporais e masseteres avaliados por
sEMG.
Referências
AASM. The AASM manual for the scoring of sleep
and associated events: rules, terminology and
technical specifications. American Academy of
Sleep Medicine. 2007.
Guimarães KC, et al. Am J Respir Crit Care Med
2009;15:962-6.
Hermens HJ, et al. J Electromyogr Kinesiol
2000;10:361-74.
Hollowell DE, et al. J Appl Physiol. 1991;71:22672273.
Ma SYL, et al. J Orthod Dentofacial Orthop
2013;144:357-67.
Yoshida K. J Oral Rehab 1998;25:603-609.
Fontes financiadoras: Pró-Reitoria de Pesquisa da
Universidade de São Paulo - Protocolo nº
11.1.21626.01.7, o primeiro autor recebeu bolsa de
doutorado CAPES e o segundo autor recebeu bolsa
de pós doutorado do CNPq.
Fonte dos dados: Esses dados são parte do
conteúdo da Tese de Doutorado: “Avaliação
Miofuncional Orofacial e Eletromiográfica de
Pacientes com Apneia Obstrutiva do Sono.” do
Programa de Pós-Graduação em Oftalmologia,
Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e
Pescoço, FMRP-USP.
P á g i n a | 92
BCM.128. AVALIAÇÃO EMG, FORÇA DE MORDIDA E MOBILIDADE
MANDIBULAR EM INDIVÍDUOS COM FRATURAS DE TERÇO MÉDIO E
SUPERIOR DA FACE
Guilherme Spagnol1, Marcelo Palinkas1, Simone Cecilio Hallak Regalo1, Paulo Batista de Vasconcelos1,
Selma Siéssere1, Cassio Edvard Sverzut1, Alexandre Elias Trivellato1
1
Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Brasil.
Introdução: O trauma de face pode ser
considerado um problema de saúde pública,
principalmente pelo elevado número de indivíduos
envolvidos em acidentes, que acabam fraturando os
ossos da face (Gentile et al., 2013). O trauma e seu
processo de reparo podem modificar a atividade
dos músculos da face, a avaliação do impacto no
sistema estomatognático é de grande importância
para entender as mudanças causadas pelo trauma e
seu tratamento (Koolstra et al., 1997; Ribeiro et al.,
2011)
Objetivo: Este estudo tem como objetivo avaliar a
atividade eletromiográfica (EMG), força de
mordida e mobilidade mandibular em pacientes
submetidos à cirurgia para tratamento de fraturas
de face que necessitaram de acesso cirúrgico tipo
coronal.
Métodos: O presente estudo foi submetido e
aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com
Seres Humanos (FORP-USP) sob o número
2007.1.13.71.58.2. A amostra foi constituída por
10 indivíduos distribuídos em dois grupos
distintos: GI – fraturas complexas de face tratadas
cirurgicamente com acesso coronal com extensão
pré-auricular (n=6); e GII – fraturas complexas de
face tratadas cirurgicamente com acesso coronal
(n=4) e GIII controle saudável, utilizado apenas
como comparativo pareado pela idade e medidas
antropométricas com os dois grupos do estudo. Foi
avaliada a atividade EMG do músculo masseter
direito (MD), masseter esquerdo (ME), temporal
direito (TD) e temporal esquerdo (TE) utilizando o
eletromiógrafo MyoSystem-Br1 nas condições de
repouso, lateralidade direita e esquerda e protusão
por 5 segundos e contração voluntaria máxima
(CVM) por 4 segundos. A força de mordida molar
máxima foi mensurada pelo dinamômetro digital e
a mobilidade mandibular foi captada pelo
paquímetro digital. Os períodos avaliados após
tratamento cirúrgico do trauma de face foram de 1,
2, 3 e 6 meses. Os dados EMG, força de mordida e
mobilidade mandibular foram tabulados e
submetidos à análise estatística (SPSS 21.0, teste
de medidas repetidas, p≤0,05), foi realizada
avaliação ao longo do tempo dos grupos GI e GII
separadamente.
Resultados: Foi encontrada diferença estatística
significante para atividade EMG ao longo do tempo
de 1, 2, 3 e 6 meses, na condição repouso (GII-ME,
P=0.00), e lateralidade esquerda (GI: TD, P=0.02;
GII: TD, P=0.04), houve variação para menor
atividade eletromiográfica ao longo do tempo. Na
condição CVM houve variação para maior
atividade eletromiográfica ao longo do tempo (GI:
MD, P=0.04 e TD, P=0.04; GII-: MD, P=0.05; ME,
P=0.00 e TE, P=0.04). Força de mordida molar
maxima lado direito (GI, P=0.00 e GII, P=0.01) e
força molar máxima esquerda (GII, P=0.01) houve
melhora nos valores ao longo do tempo. (Tabela 1
e 2).
Discussão: A atividade funcional do músculo
masseter e temporal (bilateral), força de mordida
molar máxima e a mobilidade mandibular, ao longo
do tempo, apresentaram tendências de equiparação
com o GIII no sexto mês de avaliação. Na literatura
não encontramos estudos com o mesmo perfil
deste, porém, podemos relacionar os achados com
outras pesquisas que analisaram os músculos da
mastigação em outras situações clínicas, como
estudos relacionados à cirurgia ortognática,
retornando a parâmetros pré-operatórios após um
ano de acompanhamento. Outros estudos
observaram alterações significativas em indivíduos
com fraturas condilares até o sexto mês de
avaliação (Koolstra et al., 1997; Ribeiro et al.,
2011). A hipótese levantada para esse
comportamento seria uma possível lesão direta ao
músculo
ou
aos
seus
anexos,
sendo
inquestionavelmente um fator primário, associado
aos efeitos da inflamação após o trauma cirúrgico,
presentes no local, assim como das incisões
realizadas próximo ou por meio dos músculos
durante os procedimentos cirúrgicos. Esses fatores
têm potencial para promover alterações da
atividade EMG, as ações nocivas de certos
mediadores inflamatórios também podem
influenciar os resultados obtidos, assim como a dor
P á g i n a | 93
presente no local Koolstra et al., 1997; Ribeiro et
al., 2011; Pepato et al., 2014; Raustia et al., 1997).
Conclusão: Os autores concluíram que os
pacientes com fraturas de face que necessitaram de
acesso cirúrgico tipo coronal para seu tratamento
recuperaram a atividade EMG mastigatória, força
de mordida molar máxima e a mobilidade
mandibular ao longo do tempo avaliado, e a valores
próximos de indivíduos saudáveis no sexto mês
após a cirurgia.
4. Pepato AO, et al. J Craniofac Surg.
2014;25(5):1714–20
5.Raustia AM, et al. Int J Oral Maxillofac
Surg.,1997; 26(4): 253–257.
Fonte de financiadora: CNPq
Fonte de Dados: Esses dados são parte do
conteúdo da Dissertação de Mestrado intitulada:
“Avaliação eletromiográfica, força de mordida e
mobilidade mandibular em indivíduos com fraturas
de terço médio e superior da face”. O trabalho foi
desenvolvido junto ao Programa de Pós-Graduação
em Odontologia (Periodontia), área de
concentração:
Cirurgia
Buco-Maxilo-Facial,
FORP-USP.
Referências
1. Gentile MA et al. Atlas Oral Maxillofac Surg
Clin. Elsevier Inc; 2013;21(1):69–95.
2. Koolstra JH, et al. J Biomech. 1997;30(9):883–
9.
3. Ribeiro MC, et al. Oral Surgery, Oral Med Oral
Pathol Oral Radiol Endodontology. Elsevier Inc.;
2011;111(4):e1–7.
Tabela 1 Força de mordida máxima (Kgf) na região molar dos lados direito e esquerdo, ao longo do tempo de 1 mês
(I), 2 meses (II), 3 meses (III) e 6 meses (IV) para GI.
Tempos
p-valor
Controle
Força de mordida
I
II
III
IV
Molar direita
25,71 ± 4,53
30,61 ± 6,09
25,22 ± 4,27
32,44 ± 4,05
0,28
37,62
Molar esquerda
24,65 ± 6,20
27,12 ± 5,71
29,22 ± 3,36
39,60 ± 4,60
0,01
37,19
Tabela 2 Força de mordida máxima (Kgf) na região molar dos lados direito e esquerdo, ao longo do tempo de 1 mês
(I), 2 meses (II), 3 meses (III) e 6 meses (IV) para G2.
Tempos
Força de mordida
Molar direita
Molar esquerda
I
15,61 ± 6,65
16,95 ± 5,34
II
23,75 ± 7,66
24,27 ± 7,32
III
17,75 ± 5,35
20,90 ± 5,42
IV
45,53 ± 10,12
38,46 ± 8,50
p-valor
Controle
0,00
0,01
37,62
37,19
P á g i n a | 94
BCM.129. ANÁLISE DO RECRUTAMENTO MUSCULAR DURANTE A FLEXÃO E A
EXTENSÃO DO TRONCO FRENTE AO AUMENTO GRADUAL DE PESO: RESULTADOS
PRELIMINARES
Guilherme Thomaz de Aquino Nava1; Beatriz Mendes Tozim1; Marcelo Tavella Navega2
1
Instituto de Biociências / Universidade Estadual Paulista (UNESP / Rio Claro);
2
Faculdade de Filosofia e Ciências / Universidade Estadual Paulista (UNESP / Marília)
INTRODUÇÃO: A dor lombar está entre as
disfunções musculoesqueléticas mais prevalentes
da atualidade e repercute diretamente nas
atividades de vida diária (AVDs) (1). Relatos de dor
durante AVDs são comuns(1). O movimento de
flexão e extensão do tronco a partir da posição em
pé é frequentemente utilizado e está relacionado
com a independência dos indivíduos e é citado
como movimento que reproduz dor lombar (DL)(1).
A DL pode ser classificada em três diferentes
estágios que depende do tempo exposição à dor (2),
onde a dor lombar crônica (DLC) ocorre quando a
presença da dor for superior a três meses(2). A DLC
gera alteração no comportamento motor (3–5),
podendo apresentar modificação nos mecanismos
de recrutamento muscular e na amplitude dos
músculos locais, multífido lombar (MU) e obliquo
interno (OI), os músculos globais, reto abdominal
(RA) e iliocostal lombar (IC) durante atividades
voluntárias (6–8). Devido a estas alterações, surgiu a
hipótese de que haverá aumento no recrutamento
muscular da musculatura global em indivíduos com
DLC principalmente com a adição de peso.
OBJETIVO: Avaliar o recrutamento muscular
durante a flexão e extensão do tronco com e sem a
utilização de peso.
MÉTODOS: Participaram do estudo 24 mulheres
com idade entre 30 e 58 anos, sedentárias, sendo
que o grupo com dor lombar (GDL) apresentou 17
voluntárias e o grupo sem dor lombar apresentou 7
voluntárias. O projeto foi aprovado pelo Comitê de
ética e pesquisa (parecer nº 1.054.270) e todas as
participantes assinaram o Termo de Consentimento
Livre e Esclarecido.
- Teste de flexão e extensão do tronco: As
participantes foram instruídas a se posicionarem
em pé, descalças, com os pés afastados na largura
dos quadris, mantendo o olhar à frente.
Posteriormente deveriam flexionar o máximo do
tronco com os braços relaxados e mãos
entrelaçadas, sem que ocorresse o contato da mão
ou do peso no solo. O ciclo de movimento de flexão
e extensão foi realizado por três vezes, com o
tempo de 6 segundos entre cada movimento e
realizado após o estímulo de “abaixar” e
“levantar”. No teste foi utilizada porcentagem de
peso de acordo com o máximo de peso que cada
participante foi capaz de levantar no teste com o
dinamômetro lombar, sendo que no primeiro
momento não foi utilizado carga e posteriormente
adicionado 5% e 10% da carga máxima do
dinamômetro(9,10).
- Eletromiografia (EMG): Os eletrodos de
superfície de Ag/AgCl (Data Hominis®) foram
colocados em configuração bipolar, com área de
captação de 1cm de diâmetro e distância entre os
eletrodos de 2cm. Para a captação dos sinais
eletromiográficos, foi utilizado módulo de
aquisição
de
sinais
biológicos
Modelo
®
MyosystemBr1_P84 (Data Hominis ) de 8 canais,
software para coleta, visualização em tempo real,
processamento e armazenamento de dados, com
biofeedback visual, calibrado com frequência de
amostragem de 2000 Hz, ganho total de 2000
vezes, filtro passa alta de 20 Hz e filtro passa baixa
de 500 Hz.
- Análise Estatística: Foi utilizado teste de
Shapiro-Wilk para verificação da normalidade e
para análise dos dados ANOVA medidas repetidas
two-way (grupo e carga) com post-hoc Gabriel.
RESULTADOS: Na tabela 1 temos os resultados
EMG na interação grupo/carga. Houve diferença
significativa apenas para o músculo RA (p=0,012 e
F=4,945).
Tabela 1:
P á g i n a | 95
GDL
0%
5%
significativa com a carga de 5% (p<0,05);
*apresentou diferença significativa entre os grupos
(p<0,05).
GSDL
10%
0%
5%
10%
0, 0, 0, 0, 0, 0, 0, 0, 0,
0,
0,
0,
O 3 1 3 1 3 1 3 1 3
3
11
1
I 6 1 9 3 9 4 8 2 6
2
0, 0, 0, 0, 0,
0, 0, 0,
0,
0,
0,
0,
M 2 0 3 0 3
1 0 2
2
1
08
09
U 3 8 2 9 4
8 7 2
6
0, 0, 0, 0, 0, 0, 0, 0, 0, 0,
0,
0,
R 2 1 2 1 2 1 2 1 1 08
11
2 c
c
A 7 7 8 6 6 8 6 2 8
0, 0, 0, 0, 0, 0,
0, 0,
0,
0,
0,
0,
I 1 0 2 0 2 0
0 1
1
1
07
07
C 7 8 1 7 5 8
3 5
8
Legenda: c apresentou diferença significativa no
GSDL na carga de 0% (p<0,05); *apresentou
diferença significativa entre os grupos (p<0,05).
Na tabela 2 temos os resultados EMG para grupos
e carga. Houve diferença significativa na interação
carga para os músculos: MU (p<0,001 e F=19,513),
RA (p=0,014 e F=4,705), IC (p<0,001 e F=38,216).
Para a interação grupo foi significativo para os
músculos MU (p=0,39 e F=4,807), IC (p=0,031 e
F=5,347).
Tabela 2:
GRUPOS
GDL
GSDL
CARGA
0%
5%
DISCUSSÃO: O músculo RA apresentou maior
ativação na interação grupo/carga no GSDL, em
decorrência de melhor resposta muscular deste
grupo(8), auxiliando na manutenção da pressão
intra-abdominal, corroborando com achados onde
este músculo aumenta sua ativação para manter a
estabilidade da coluna(11). Na relação entre grupos
houve aumento da ativação para MU e IC, que
ocorre por alteração no recrutamento muscular no
GDL, devido à dor e pelas modificações no
controle motor, enquanto o mesmo estiver alterado
(8,12)
. Já na interação carga houve diferença
significativa nos músculos MU, RA e IC, situação
esperada, pela elevação da dificuldade das tarefas
(8)
.
CONCLUSÃO: Os resultados demonstraram que
o recrutamento muscular do GDL é maior nos
músculos globais, demonstrando repertório motor
ruim durante as tarefas.
REFERÊNCIAS
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Ivanova JI et al. Spine J. 2011;11(7):622–32. doi: 10.1016/j.spinee.2011.03.017
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Sánchez-Zuriaga D et al. J Manipulative Physiol Ther. 2015;38(2):130–7. doi:
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Kiesel KB et al. Man Ther. 2012;17(3):236–40. doi: 10.1016/j.math.2012.01.008
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Gruther W et al. J Rehabil Med. 2009;41(8):613–9. doi: 10.2340/16501977-0391
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Biomech.
2012;26(8):797–803.
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10.1016/j.clinbiomech.2011.04.006.ABDOMINAL
12.
Butler HL et al. Eur Spine J. 2010;19(9):1508–16. doi: 10.1007/s00586-010-1403-0
10%
OI 0,38 0,13 0,35 0,11 0,37 0,11 0,38 0,12 0,37FONTE
0,13 DOS DADOS: Os dados apresentados são
parte do conteúdo da dissertação de mestrado intitulada
MU 0,3 0,10* 0,22 0,08 0,22 0,08 0,29 0,10a 0,31“Atividades
0,10a,b Funcionais, Flexibilidade e Recrutamento
Muscular em Adultos com Dor Lombar Crônica”, do
RA 0,27 0,17 0,21 0,1 0,27 0,15 0,25 0,15a 0,25Programa
0,16a de Pós-graduação em Desenvolvimento
IC 0,21 0,08* 0,14 0,06 0,15 0,08 0,19 0,08a 0,23Humano
0,08a,be Tecnologias do Instituto de Biociências –
UNESP Rio Claro.
a
Legenda: apresentou diferença significativa com a
carga de 0% (p<0,05); b apresentou diferença
P á g i n a | 96
BCM.130. ELETROMIOGRAFIA DE SUPERFÍCIE EM MÚSCULOS
INSPIRATÓRIOS: REVISÃO SISTEMÁTICA
Ivanize Mariana Masselli dos Reis1; Daniela Gonçalves Ohara1; Letícia Bergamin Januário1; Ana Beatriz
Oliveira1; Mauricio Jamami1
1 Universidade Federal de São Carlos
Introdução: A eletromiografia (EMG) contribui
para a avaliação de distúrbios e alterações
pulmonares, uma vez que modificações no
desempenho da musculatura respiratória podem estar
presentes em diferentes doenças. Há ampla variedade
de métodos e protocolos empregados na coleta e
análise do sinal EMG de músculos respiratórios,
demonstrando a inexistência de padronização.
Objetivos: Identificar os procedimentos mais
comumente empregados na avaliação EMG de
superfície de músculos inspiratórios em indivíduos
adultos.
Métodos: Estudos publicados no período de Janeiro
de 1995 até Março de 2014 foram localizados a
partir das palavras-chave (breathing OR respiratory
OR inspiratory) AND (electromyography OR EMG)
AND (muscle activity OR muscular activity OR
muscle activation OR muscular activation OR
evaluation OR assessment OR effect) nas seguintes
bases eletrônicas: Web of Science, PubMed,
LILACS, EBSCO e Embase. O estudo foi conduzido
seguindo os guidelines da Cochrane Collaboration e
Prisma Statement.
Foi realizado um levantamento sobre as formas de
normalização e processamento dos dados, bem como
da qualidade do relato dos itens considerados
essenciais para serem citados quando do uso da
EMG de superfície, por meio de um check-list
adaptado segundo as recomendações da ISEK
(International Society of Electrophysiology and
Kinesiology)1.
Tabela 1. Normalização dos dados.
Normalização – Manobras Máximas
Pressão
Pressão
Ventilação
Inspiratória
Inspiratória
Voluntária
Máxima
Nasal Máxima
Máxima (VVM)
(PImáx)
(Sniff)
(n=1)
(n=5)
(n=1)
Não citou qual
PImáx + VVM + Sniff +
manobra
Capacidade Inspiratória (CI) (n=4)
máxima (n=2)
Normalização – Demais Manobras
Valores de
Própria
repouso ou
atividade
Sem especificar
basais
avaliada
a manobra (n=6)
(n=8)
(n=8)
Descrição ausente do procedimento de normalização
(n=29)
Resultados: Foram identificados 5410 títulos dos
quais 64 estudos foram incluídos. Os dados
referentes à normalização do sinal EMG estão
apresentados na Tabela 1. As Tabelas 2 e 3 contêm
dados referentes ao processamento do sinal.
Os itens do check-list foram divididos em duas
partes: descrição dos eletrodos e detecção do sinal.
Tabela 2. Análises no domínio do tempo.
Análise no domínio do tempo
N relatos
Retificação
Média móvel ao longo do tempo (MMT)
n=2
Filtro passa-baixa
Com relato do tamanho da janela utilizado
Retificação (onda completa ou meia onda)
MMT
n=21
Com relato do tamanho da janela utilizado
Retificação (onda completa ou meia onda)
MMT
n=2
Sem relato do tamanho da janela utilizado
RMS: Sinal estacionário → 1 valor
n=1
calculado
RMS: Com relato do tamanho da janela
n=6
RMS: Relato limitado
n=9
Envelope Linear
n=6
Seis estudos (9,4%) apresentaram relato de todos os
itens sobre descrição dos eletrodos; apenas quinze
estudos (23,4%) fizeram descrição completa em
relação à amplificação e tamanho do ganho. Foi
possível perceber que as informações sobre a
detecção da EMG de superfície é frequentemente
falha, exceto no que se refere ao relato do ganho e
frequência de corte dos filtros, itens comumente
presentes.
Tabela 3. Outras análises.
Análise no
domínio da
frequência
Relato
completo
(n=10)
Ausência
método
Informações
incompletas
Outras
análises
(n=3)
(n=8)
(n=05)
A frequência de corte dos filtros e a frequência de
amostragem não foram citadas em 11 estudos
(17,2%) e 27 estudos (42,2%), respectivamente. Um
único estudo contemplou a maior parte de itens e
abrangeu apenas 76,5% dos itens (13 de um total de
16)2.
P á g i n a | 97
Discussão: O sinal eletromiográfico é influenciado
por muitos fatores técnicos, anatômicos e
fisiológicos que podem interferir na magnitude do
sinal. A normalização do sinal minimiza estas
influências, reduzindo equívocos na interpretação de
dados e possibilitando a comparação entre sujeitos.
A escolha de métodos e posturas adequadas para
obtenção do sinal de referência para a normalização
é fundamental para garantir a qualidade do sinal e
das comparações2,3,4,5. Normalizar o sinal a partir de
uma manobra máxima já foi demonstrado ser um
método reprodutível para os músculos diafragma e
paraesternais6,7,8 e um método validado a partir da
contração voluntária máxima9. Sabe-se que obter
manobras máximas em pacientes em períodos de
exacerbação e garantir contração verdadeiramente
máxima são obstáculos a se enfrentar, dificultando a
reprodutibilidade6.
É possível observar que muitos estudos não relatam
ou não realizam a normalização dos dados. Além
disso, não há consenso sobre qual a melhor forma a
ser utilizada e se um método seria útil para todas as
musculaturas inspiratórias abordadas no mesmo
estudo.
Além da falta de padronização na normalização, há
grande variedade de métodos aplicados no
processamento do sinal. Considerando que o
processamento é dependente dos objetivos de cada
estudo, esta variedade torna-se parcialmente
justificada. Sabe-se, por exemplo, que o tamanho da
janela utilizada para integração do sinal, a
sobreposição das janelas, as características do filtro
digital e a própria frequência de amostragem são
variáveis que interferem diretamente nos resultados
obtidos. Assim, o cuidado na determinação e relato
desses é de fundamental importância para
comparação entre estudos. O estado da arte atual, de
acordo com os resultados apresentados nesta
revisão, compromete estas comparações.
Conclusões: Os procedimentos mais comumente
aplicados foram identificados e estudos
metodológicos com comparações objetivas são
fundamentais para o avanço na padronização, dada
a impossibilidade de recomendações a partir dessa
revisão. Há grande variabilidade nos métodos
empregados, tanto no registro quanto no
processamento e análise dos sinais, o que
comprometeu a síntese de evidência prática que
viabilize fornecer recomendações imediatas quanto à
padronização do uso da EMG de superfície em
músculos inspiratórios, além disso foram
identificadas falhas na descrição dos procedimentos.
Ainda, o relato adequado da metodologia utilizada
nos estudos deve ser incentivado. Este último
aspecto pode ser frequentemente comprometido
frente à restrição de espaço imposta pelos periódicos
no momento da publicação. Entretanto, o relato
inadequado compromete a comparação dos
resultados entre estudos e restringe a síntese de
evidência.
Referências
1. Merletti R. International Society of
Electrophysiology and Kinesiology. 1999
2. De Andrade AD et al. J Electromyogr Kines.
2005 15(6):631-39
3. Chien MY et al. Muscle Nerve. 2013 48(2):212-8
4. Reilly CC et al. Exp Physiol. 2013 98(7):1190-98
5. Burden A. J Electromyogr Kines. 2010
20(6):1023-35
6. Reilly CC et al. Thorax. 2011 66(3):240-46
7. Murphy PB et al. Thorax. 2011 66(7): 602-8
8. Jolley CJ et al. Eur Respir J. 2009 33(2):289-97
9. Orozco-Levi M et al. Eur Respir J. 1995 8(3):
441-45
Fontes financiadoras: CAPES/DS.
Fonte dos dados: Esses dados são parte do
conteúdo da Dissertação de Mestrado intitulada:
“Eletromiografia de superfície em músculos
inspiratórios de indivíduos adultos e idosos: Revisão
Sistemática”. Programa de Pós-Graduação em
Fisioterapia da UFSCar.
P á g i n a | 98
BCM.131. ELETROMIOGRAFIA DE MUSCULATURA SUPRAHIOIDEA EM
INDIVÍDUOS COM DEFORMIDADES DENTOFACIAIS CLASSE II E CLASSE III
DURANTE PROVAS DE DEGLUTIÇÃO
Kizzy Silva Germano do Nascimento 1; Lúcia Dantas Giglio 1; Andrea Mapelli 1; Francisco Veríssimo de
Mello-Filho 1; Cláudia Maria de Felício1; Luciana Vitaliano Voi Trawitzki1
1: Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP) / Núcleo de Apoio
à Pesquisa (NAP Craniofacial USP).
Introdução: As deformidades dentofaciais são
caracterizadas por más oclusões acentuadas tanto
esqueletais quanto dentoalveolares, acompanhadas de
alterações nas funções orofaciais, como na função de
deglutição 1,2, porém estudos eletromiográficos nessa
população são escassos e poderão explicar o
desempenho muscular durante essa função, em
deformidades dentofaciais opostas no sentido
anterioposterior, como a classe II e a classe III.
Objetivos: analisar diferenças em variáveis
eletromiográficas da musculatura suprahioidea,
durante a deglutição, entre as deformidades
dentofaciais classe II e classe III, comparativamente
a sujeitos controles.
Métodos: O estudo foi aprovado pelo comitê de ética
em pesquisa da Instituição envolvida, processo
número 12316/2013. Participaram do estudo 65
indivíduos, entre 18 e 44 anos de idade, sendo 19
Classe II (14 mulheres e 5 homens), 26 Classe III (16
mulheres e 10 homens) e 20 indivíduos controle (16
mulheres e 4 homens). A atividade eletromiográfica
simultânea bilateral da musculatura suprahioidea
(registrada via sistema wireless usando o Free EMG,
BTS, Garbagnate Milanese, Italy) foi avaliada
durante a deglutição espontânea de saliva e a
deglutição voluntária de 10ml de água. Foram
analisados os parâmetros: amplitude inicial e final do
sinal eletromiográfico, amplitude do máximo pico,
número de picos, máxima velocidade, tempo da
deglutição e integral do sinal (área do sinal). Para
avaliações de amplitude, a normalização de todos os
sinais foi aplicada, considerando o máximo pico da
amplitude da deglutição da saliva como valor de
100% (desse valor foi extraída a amplitude inicial,
final e amplitude do máximo pico dos eventos para
cada sinal normalizado). Na analise estatística foi
aplicada Anova fatorial para verificar influência do
gênero e ANOVA one-way para comparação entre os
grupos, exceto para análise do número de picos, que
foi usado o teste de Kruskal-Wallis, por meio do
software STATISTICA 12 (StatSoft Inc., Tulsa, OK,
USA).
Resultados: Em ambas as provas (deglutição
espontânea e de 10ml), o grupo controle apresentou
um tempo menor de deglutição em relação aos grupos
classe II e classe III (p<0,01). Em prova de deglutição
de 10ml, na variável inicial, maiores valores foram
vistos para o grupo controle comparados ao grupo
classe III (p<0,01). Já em prova de deglutição
espontânea, na variável integral, foram observados
maiores valores para o grupo classe III, comparado ao
grupo controle (p<0,01). Nas demais variáveis, não
foram encontradas diferenças significantes entre os
grupos (p>0,05), tanto em prova de deglutição
espontânea quanto na deglutição de 10ml.
Discussão: Sujeitos com deformidades dentofaciais
apresentam alterações miofuncionais orofaciais
inclusive na fase oral da deglutição1- 3, o que pode ter
resultado em um aumento do tempo de transito oral,
devido às compensações realizadas por estes
indivíduos durante essa tarefa (tanto em sujeitos
classe II, quanto classe III), visto pela maior
contração da musculatura perioral para conter o
volume na cavidade oral, exigindo menor esforço da
língua3, e consequentemente obtendo menor sinal
eletromiográfico no parâmetro amplitude inicial do
sinal (que corresponde ao momento em que a língua
é movida de modo a apertar o volume contra o palato
duro4) em 10ml, neste caso, em resutados obtidos por
sujeitos classe III. Entretanto, uma amostra maior
poderia envidenciar também possíveis diferenças
quanto ao grupo classe II. Tais alterações podem não
ter repercutido na amplitude final do sinal
eletromiográfico, que corresponde a quando os
músculos relaxam e a sua tensão diminui, indicando
o início da fase esofágica da deglutição4.
Levando-se em consideração que os sujeitos classe III
apresentaram sinal inicial maior do que os sujeitos
controle, assim como maior tempo de duração de
P á g i n a | 99
prova, pode se justificar que o sinal da integral (área
do sinal) também seja maior para esses sujeitos.
A máxima amplitude corresponde à fase faríngea da
deglutição4. Mais uma vez os achados mostram que
os sujeitos com deformidades dentofaciais
apresentam alterações na fase oral da deglutição, sem
refletir na fase faríngea, vista por esse parâmetro,
assim como no parâmetro numero de picos e máxima
velocidade do pico. No final da fase oral, a língua
eleva rapidamente sua base, juntamente com a
elevação do osso hioide, o que é realizado
principalmente pelo músculo estiloglosso, que
apresenta uma proporção significativamente mais
baixa global de fibras musculares de contração lenta
(48%) comparativamente aos outros músculos
extrínsecos da língua5.
Conclusões: Sujeitos com deformidades dentofaciais
apresentam maior tempo do sinal eletromiográfico
durante a deglutição (espontânea e 10 ml).
Especificamente os sujeitos classe III obtiveram
valores maiores da integral do sinal eletromiográfico
em deglutição espontânea e menores valores de
amplitude inicial em deglutição de volume maior (10
ml), sem evidências nesses aspectos no classe II.
Referências
1. Pereira JB, Bianchini EMG. Caracterização das
funções
estomatognáticas
e
disfunções
temporomandibulares pré e pós cirurgia ortognática e
reabilitação fonoaudiológica da deformidade
dentofacial
classe
II
esquelética.
Rev.
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2. Mezzomo CL et al. As implicações da classe II de
angle e da desproporção esquelética tipo classe II no
aspecto miofuncional. Rev. CEFAC [Internet].
2011 Aug [cited 2016 Feb 08] ; 13( 4 ): 728-734.
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língua na deformidade dentofacial. Ribeirão Preto.
Dissertassão [Mestrado em ciencias ] - Faculdade
demedicina de Ribeirão Preto USP; 2015.
4. Vaiman M et al. Surface electromyographic studies
of swallowing in normal subjects: a review of 440
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Otolaryngology–Head and Neck Surgery. 2004,
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5. Sanders I et al. The human tongue slows down to
speak: muscle fibers of the human tongue. The
Anatomical Record: Advances in Integrative
Anatomy and Evolutionary Biology. 2013; 296 (10):
1615–1627.
Fontes financiadoras: Pró-Reitoria de Pesquisa
processo nº 11.1.21626.01.7; CAPES (bolsa de
Mestrado).
Fonte dos dados: Resultados parciais da Dissertação
de Mestrado intitulada "Desempenho funcional da
língua na deformidade dentofacial". O trabalho foi
desenvolvido junto ao Programa de Pós-Graduação
em Ciências Médicas, área de concentração
"Morfofisiologia de estruturas faciais" da FMRPUSP.
P á g i n a | 100
BCM.132. INFLUÊNCIA DO TORO MANDIBULAR NOS MÚSCULOS
MASTIGATÓRIOS
Laíse Angélica Mendes Rodrigues1, José Mendes da Silva², Cássia Pérola dos Anjos Braga Pires², Marcelo
Palinkas1, Graziela de Luca Canto³, Paulo B Vasconcelos¹, Simone Cecilio Hallak Regalo1
1
Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto – Universidade de São Paulo; 2Universidade Estadual de
Montes Claros; ³Universidade Federal de Santa Catarina
Introdução: Toro mandibular é uma protuberância
óssea congênita, benigna e assintomática, sem
conotação patológica (Morrison; Tamimi, 2012). É
encontrado na superfície lingual da mandíbula,
geralmente são bilaterais (Rodríguez-Vázquez et
al., 2013). Apresentam etiologia multifatorial,
atribuída a fatores genéticos, ambientais,
hiperfunção mastigatória e possuem crescimento
lento durante toda a vida (Platzek et al., 2014).
Objetivo: Este estudo teve por objetivo avaliar a
influência do toro mandibular no padrão funcional
dos músculos masseter e temporal (bilateral), por
meio da atividade eletromiográfica de superfície.
Métodos: Participaram 40 indivíduos de ambos os
gêneros, divididos em dois Grupos, sendo GT: com
toro mandibular (n=20) e GC: sem toro mandibular
(n=20). Os Grupos foram pareados sujeito a sujeito
por idade e índice de massa corporal. O estudo foi
aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da
Universidade Estadual de Montes Claros (parecer
nº 226.704). Foi utilizado o eletromiógrafo
Myosystem BR1, para analisar a atividade
eletromiográfica dos músculos masseter direito
(MD), esquerdo (ME), temporal direito (TD) e
esquerdo (TE); durante o repouso (4s), protrusão
(4s), lateralidade direita (10s), lateralidade
esquerda (10s), apertamento dental em contração
voluntária máxima (4s), apertamento dental com
parafilme, mastigação com uva-passa (10s),
mastigação com parafilme (10s) e mastigação de
amendoins (10s). Os dados foram tabulados e
submetidos à análise estatística (SPSS 19.0),
utilizando teste t independente (p<0,05).
Resultados: As análises mostraram uma atividade
eletromiográfica
mínima
dos
músculos
mastigatórios durante o repouso em ambos os
grupos, sem diferença entre eles. Verificou-se
ainda que a atividade eletromiográfica nos
músculos masseteres de indivíduos portadores de
toro mandibular foi maior que a dos indivíduos sem
toro na protrusão, contração voluntária máxima
habitual e apertamento dental com parafilme
(p<0,05). Na lateralidade direita e esquerda
também houve atividade eletromiográfica maior
por parte dos indivíduos com presença de Toro,
sendo que essa diferença foi significativa (p<0,05)
no masseter esquerdo durante a lateralidade direita
e no masseter direito durante a lateralidade
esquerda. Para a mastigação, constatou-se essa
maior atividade eletromiográfica nos indivíduos
com toro mandibular tanto nos masseteres, quanto
nos temporais (p=0,00).
Discussão: Assim como o presente estudo, outras
pesquisas encontraram atividade elétrica mínima
no repouso mandibular (Cecilio et al., 2010; de
Oliveira et al.,2014). Uma alteração no equilíbrio
do sistema estomatognático pode causar mudanças
na tensão muscular (Landulpho et al., 2004) fato
verificado nos resultados da presente investigação,
em que a presença do Toro esteve associada a
hiperatividade muscular do masseter nas condições
posturais de protrusão, contração voluntária
máxima, apertamento dental com parafilme e
lateralidade direita e esquerda. A etiologia do toro
mandibular é bastante complexa e pouco definida.
Alguns estudos relacionam o desenvolvimento do
toro com o aumento do estresse mandíbula
(Çagirankaya et. al., 2005), durante a mastigação,
constatou-se uma hiperatividade dos músculos
masseteres e temporais por parte dos indivíduos
com toro mandibular.
O conhecimento destas avaliações específicas são
importantes para o entendimento do complexo
funcionamento do sistema estomatognático
(Raadsheer et al., 1996), inclusive para o
entendimento do aparecimento do toro mandibular.
Conclusões: A partir dos resultados encontrados os
autores concluíram que o toro mandibular está
associado a alterações funcionais no sistema
estomatognático.
Referências
1.
Morrison MD, et al. Oral Maxillofac Surg.
2013;71
(1):14-22.
doi:
10.1016/j.joms.2012.08.005.
2.
Rodríguez-Vázquez JF, et al. Clin Anat.
2013; 26 (8):944-52.
3.
Platzek I, et al. Acta Radiol Short Rep.
2014;
25;3
(2):2047981614522790.
doi:
10.1177/2047981614522790.
P á g i n a | 101
4.
Cecílio FA, et al. J Oral Rehabil 2010;
37(4):
248-55.
doi:
10.1111/j.13652842.2010.02051.
5.
de Oliveira RH, et al. J Oral Rehabil. 2014;
41(6): 399-408. doi: 10.1111/joor.12164.
6.
Landulpho AB, et al. J. Oral Rehabil.2004;
31 (2):95-98.
7.
Çagirankaya LB, et al. Hace Dishekimligi
Fakultesi Dergisi Cilt. 2005; 29:15-7.
8.
Raadsheer, MC. Arch Oral Biol, 1996; 41
(4): 323-332.
Fonte dos Dados: Estes resultados apresentados
são decorrentes de uma pesquisa original do
Departamento de Morfologia, Fisiologia e
Patologia Básica da Faculdade de Odontologia de
Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.
P á g i n a | 102
BCM.133. ANÁLISE DA DISTRIBUIÇÃO DE PRESSÃO PLANTAR EM
ATIVIDADES FUNCIONAIS DURANTE FASES DO CICLO MENSTRUAL EM
MULHERES USUÁRIAS E NÃO USUÁRIAS DE CONTRACEPTIVO ORAL
Larissa Sinhorim1; Nathália Tiepo Niza2; Carolina Buzzi Da Silveira2; Patrícia Parizotto2; Thiele De Cássia
Libardoni2; Deyse Borges Koch2; Gilmar Moraes Santos1
1. Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC); 2. Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC)
Introdução: O ciclo menstrual (CM) é parte
integrante da fisiologia feminina. Investigações
relacionadas às consequências físicas e emocionais
das oscilações hormonais e do uso de contraceptivos
orais (CO) vêm sendo realizadas1,2,4,10. O interesse
em estudar fatores hormonais como predisponentes
de alterações biomecânicas surgiu a partir da
identificação de receptores de estrogênio e
progesterona no ligamento cruzado anterior (LCA)
em humanos3. Estudos sugerem que os níveis
séricos dos esteroides sexuais no plasma sanguíneo
ao longo das fases menstruais, assim como a
utilização de CO, são capazes de influenciar
respostas corporais 4,1, podendo levar a alterações
nos tecidos moles5,6,7 e no controle neuromuscular8.
No entanto, até a presente data não foram
encontrados estudos que avaliaram a ação do CM e
do uso de CO na distribuição de pressão plantar em
diferentes atividades funcionais.
Objetivos: Analisar a área de contato (AC) e o pico
de pressão (PP), durante a realização das atividades
funcionais caminhar, subir e descer degraus, em
mulheres assintomáticas, usuárias e não usurárias de
CO durante duas fases do CM.
Métodos: O estudo foi aprovado pelo Comitê de
Ética da UDESC - número: 560.116. Foram
avaliadas 30 voluntárias, com idades entre 18 e 30
anos, divididas em dois grupos: GNCO (não
usuárias de contraceptivo oral) e GCO (usuárias de
contraceptivo oral). Foram realizadas duas
avaliações, uma na fase folicular (FF) no 1º ou 2º dia
e outra na fase lútea (FL) no 14º ou 15° dia. As
avaliações cinéticas foram realizadas por meio do
sistema Emed-AT® (Novel GmbH), máscara prc
(divisão em 10 regiões plantares), durante a
realização das atividades selecionadas (FIGURA I).
Foi utilizado anova fatorial de medidas repetidas
com correção de Bonferroni para análise dos dados.
FIGURA I: Atividades funcionais de caminhar, subir e descer
degraus.
Resultados: Os resultados confirmaram
parcialmente nossa hipótese. Foi encontrado efeito
principal na variálvel PP, entre a FF e FL no GNCO
durante a descida de degraus, nas regiões de M1
(retro pé medial), M2 (retro pé lateral) na FF e M7
(ante pé lateral) na FF e FL do membro inferior
dominante (TABELA I, II) (FIGURA II), com o
GCO apresentando sempre menores valores nessa
variável quando comparado ao GNCO . Não foram
observadas diferenças nas outras atividades
realizadas, tanto entre as fases quanto entre os
grupos.
TABELA I: Média e desvio padrão do pico de pressão
(%), entre os grupos GCO e GNCO na fase folicular na
atividade funcional de descer escadas.
GCO (n=15)
GNCO (n=15)
REGIÃO
Média±Dp
Média±Dp
P
0,030*
M1
207,13±46,81
272,27±99,43
M2
196,93±47,50
249,00±83,82
0,042*
M7
246,20±64,14
318,27±108,03
0,035*
M1: retro pé medial; M2: retro pé lateral; M7: ante pé
lateral (terceiro a quinto metatarso) Dp: desvio padrão; p
*Diferença estatisticamente significativa; p≤0,05.
TABELA II: Média e desvio padrão do pico de pressão
(%), entre os grupos GCO e GNCO na fase lútea na
atividade funcional de descer escadas.
GCO (n=15)
GNCO (n=15)
REGIÃO
Média±Dp
Média±Dp
P
M7
250,33±64,37
327,93±133,00
0,05*
M7: ante pé lateral (terceiro a quinto metatarso) Dp:
desvio padrão; p *Diferença estatisticamente significativa;
p≤0,05.
FIGURA II: Máscara plantar Emed-AT® com regiões onde houve
aumento da variável pico de pressão na descida de degrau.
Discussão: Os resultados mostraram que mulheres
que não utilizam CO apresentam maior PP ao descer
degraus. Na realização desta atividade o peso é
P á g i n a | 103
transferido do ante pé para o retro pé ao longo da
borda lateral, pois é um movimento com descarga de
peso e frenagem, requer desaceleração corporal para
conter o deslocamento anterior do centro de
gravidade7,9. Acredita-se que o recrutamento
muscular e a desaceleração do membro inferior,
necessários durante a realização dessa atividade,
possam ser responsáveis pela diferença encontrada.
É possível que esses achados estejam relacionados à
maior oscilação hormonal e maiores níveis de
estrogênio circulante nas voluntárias que não
utilizavam CO10,11, validando a hipótese de que os
hormônios (oscilações fisiológicas ou CO)
alterariam padrões biomecânicos nas mulheres .
Além disso, Fouladi e colaboradores12 concluíram
que em decorrência de maiores níveis de estrógenos
circulantes no grupo que não utiliza CO, ocorre um
efeito direto sobre a função muscular, metabolismo e
comportamento do colágeno, modificando o padrão
motor pela presença dos receptores para essas
substâncias nos tecidos moles3. No entanto, nas
outras duas atividades funcionais avaliadas,
caminhar e subir degraus, não foram encontrados
diferença nas variáveis cinéticas avaliadas,
independente da fase do CM e da utilização de CO.
Considerando nossos resultados e a escassez de
estudos sobre analise de pressão plantar e níveis
hormonais até a presente data, é possível que
características de distribuição de pressão plantar
sejam pequenas para quantificar por meio do
protocolo utilizado.
Conclusões: Nas condições experimentais
utilizadas, os achados deste estudo evidenciaram
maior PP em três regiões plantares na descida de
degraus no GNCO. Entretanto, não há diferença nas
variáveis AC e PP durante a realização das
atividades funcionais caminhar e subir degraus,
tanto entre as fases do CM quanto entre os grupos.
Deste modo, a associação de fases do CM, CO e
atividades funcionais requerem maior investigação.
Referências
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10.1016/j.
2. Lima, R.C.O. et al. Análise da Força muscular de
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4. Dedrick, G. S., et al. J Electromyogr Kinesiol.,
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10.1016/j.jelekin.2006.09.004
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10.1177/0363546506297537
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7. Cesar, G. M., et al. The Knee. 2011; 18(4), 224230. doi: 10.1016/j.knee.2010.05.004.
8. Fridén, C., et al. Neuroendocrinology. 2005;
81(3), 150-157. doi:10.1159/000086592
9. Loy, D. J., et al. Biomechanics of stair walking
and jumping. Journal of sports sciences. 1991; 9(2),
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10. Bell, D. R., et al. Clinical Journal of Sport
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11. Hansen, M., et al. Journal of Applied
Physiology. 2013; 114(8), 998-1008. doi:
10.1152/japplphysiol.01255.2012.
12. Fouladi, R. Sex Hormones and Neuromuscular
Control System. 2012. Intech Open Access
Publisher.
Fontes financiadoras: Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
(CAPES), Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico (CNPq).
Fonte dos dados: Esses dados são parte do
conteúdo da Dissertação de Mestrado intitulada:
Análise da distribuição de pressão plantar em
atividades funcionais durante o ciclo menstrual em
mulheres usuárias e não usuárias de contraceptivo
oral. O trabalho foi desenvolvido junto ao Programa
de Pós-Graduação Mestrado em Fisioterapia,
UDESC-CEFID.
P á g i n a | 104
BCM.134. TESTE DE FLEXÃO CRANIOCERVICAL: COMPARAÇÃO ENTRE
MULHERES COM DISFUNÇÃO CERVICAL MUSCULOESQUELÉTICA,
TEMPOROMADIBULAR E ASSINTOMÁTICAS
Lianna Ramalho de Sena Rosa1; Letícia Bojikian Calixtre1, Bruno Leonardo da Silva Gruninger1, Roberta de
Fátima Carreira Moreira1, Ana Beatriz Oliveira1
1
Departamento de Fisioterapia, Universidade Federal de São Carlos.
Introdução: O teste de flexão craniocervical
(TFCC) é um teste clínico para avaliar a ação da
musculatura cervical profunda (mm. longo da
cabeça e longo do pescoço), responsável por manter
a lordose cervical e mobilidade do pescoço1. Estudos
relacionados à dor no pescoço que utilizaram o
TFCC e verificaram déficit muscular sugerem
trabalho de reabilitação para o controle muscular
cervical, realizado isoladamente ou associado a
outros exercícios8,9. Estudos que avaliaram os
músculos flexores cervicais profundos em sujeitos
com diferentes tipos de disfunção
temporomandibular (DTM) identificaram diferenças
significativas em relação a sujeitos saudáveis, porém
não identificaram associação entre disfunção
cervical e DTM10,11. Também não há estudos
comparando o desempenho de sujeitos com estas
disfunções isoladamente, entre si e em relação a
sujeitos assintomáticos no TFCC. A hipótese
levantada é que as mulheres com DCM, DTM e
DTM/DCM apresentem desempenho inferior no
TFCC em comparação às assintomáticas, e aquelas
com DTM/DCM apresentem desempenho inferior às
que apresentam apenas DCM por apresentarem
sinais e sintomas cervicais associados à DTM.
Objetivos: Comparar o desempenho obtido no
TFCC entre mulheres com DCM, DTM, DTM/DCM
e mulheres assintomáticas.
Métodos: Foram recrutadas cinquenta e duas
mulheres de 18 a 55 anos de acordo com os
seguintes critérios de inclusão: 1. Grupo DTM:
presença de diagnóstico de DTM a partir do
Research Diagnostic Criteria for
Temporomandibular Disorders (RDC/TMD) e dor
maior que 4 na Escala Visual Analógica (EVA); 2.
Grupo DCM: presença de queixa de dor cervical
maior que 4 na EVA, diagnóstico a partir do
Clinical Pratice Guideline for Neck Pain – JOSPT6 e
disfunção cervical por meio do Neck Disability
Index (NDI)4,5,6; 3. Grupo DTM/DCM: presença de
diagnóstico de DTM e DCM; 4. Grupo
assintomático: ausência de sintomas cervicais e
temporomandibulares.
O estudo foi aprovado pelo comitê de ética em
pesquisa da UFSCar (CAAE:
41939615.6.0000.5504).
Os grupos foram compostos respectivamente por 12
(25,25±3,93 anos), 13 (29,46±9,46 anos), 13
(25,38±5,05 anos) e 14 (27,28±7,56 anos) mulheres,
respectivamente.
O TFCC foi conduzido por um avaliador cego a
partir de um biofeedback de pressão (Stabilizer
pressure biofeedback - Chattanooga Group Inc.)
com 5 níveis de pressão que aumentam de 2 em
2mmHg. O teste foi iniciado com pressão de
20mmHg podendo chegar a 30mmHg. O
procedimento foi avaliado a partir do nível de
ativação da musculatura durante o teste e da
resistência muscular dos músculos flexores
profundos.
Antes da avaliação os sujeitos foram familiarizados
e orientados. Em seguida, o teste foi iniciado no
primeiro nível e, assim que o sujeito completasse 10
contrações de 10 segundos, seguia-se para o nível
seguinte. Para pontuação, foi calculado o índice de
performance7, que pode variar de 0 a 300.
As variáveis foram testadas quanto à normalidade
em cada grupo (Shapiro-Wilk test) e os dados foram
comparados entre os 4 grupos a partir da ANOVA
one-way com post-hoc de Tukey (SPSS v20.0;
alpha=5%).
Resultados: Houve diferença significante entre os 4
grupos (P=0,027). O post-hoc indicou diferença na
comparação entre mulheres com DTM/DCM e
assintomáticas (Tabela 1).
Discussão: Mulheres que apresentam DTM e DCM
de forma combinada têm desempenho inferior à
assintomáticas no TFCC. Embora sem diferença
significante, mulheres com DCM também
apresentam baixo desempenho no teste. Embora a
DTM pareça não afetar o desempenho dos músculos
flexores profundos, quando combinada à DCM,
potencializa o comprometimento da estabilização
cervical.
As relações anatômica, neurológica e biomecânica
entre as regiões cervical e orofacial12 fazem com que
fosse esperada diferença entre os grupos no
desempenho no TFCC, o que não foi comprovado
por nossos resultados. É preciso destacar a escassez
de estudos que quantifiquem o desempenho
muscular no TFCC em sujeitos com as disfunções
avaliadas neste estudo. Assim, não há disponível
P á g i n a | 105
qualquer parâmetro clínico tanto para avaliação
diagnóstica quanto para a evolução do desempenho
para tratamentos que visem melhorar a força e o
controle motor destes músculos. Estudos com
amostras maiores podem contribuir na consolidação
de dados de referência, bem como esclarecer alguns
resultados limitados devido à amostra reduzida do
presente estudo.
Conclusões: Houve diferença no desempenho do
TFCC apenas entre as mulheres com DTM/DCM em
relação às assintomáticas. Este resultado sugere que
os fisioterapeutas devem avaliar a musculatura
cervical profunda em sujeitos com as disfunções
associadas para realizar uma abordagem que vise
melhorar a sua força e controle motor.
Referências
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Physiological Therapeutics. 2008, 3(7): 525–533.
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Chiropractic Association, 2011, 55(3): 211–221.
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13. Chiu et al. The Journal of orthopaedic and sports
physical therapy. 2005, 35 (9): 567-571.
Fontes financiadoras: Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior CAPES.
Fonte dos dados: Esses dados são parte do
conteúdo da Tese de Doutorado intitulada: Análise
cinemática em indivíduos com disfunção cervical
musculoesquelética: relação entre cabeça e
mandíbula e influência do gênero. O trabalho é
desenvolvido junto ao Programa de Pós-Graduação
em Fisioterapia da UFSCar.
Tabela 2. Média e desvio padrão (DP) do índice de performance no TFCC para cada grupo avaliado, e
valores de P dos testes estatísticos.
Média (DP) ANOVA (P-valor) Post-hoc
P-valor
DTM
52,16 (31,3)
DTM x DCM
0,891
DCM
41,23 (37,3)
DTM x DTM/DCM 0,736
DTM x ASS
0,299
DTM/DCM
36,46 (23,1) 0,027
DCM x DTM/DCM 0,989
DCM x ASS
0,065
Assintomático 78,85 (52,8)
DTM/DCM x ASS
0,030
P á g i n a | 106
BCM.135. VARIABILIDADE DE PARÂMETROS CINEMÁTICOS DE IDOSOS DE
DIFERENTES DÉCADAS ETÁRIAS
Lucas Resende Sousa1; Nise Ribeiro Marques2; Lucyana Teodoro de Oliveira1; Bárbara Crystian Rodrigues
Martins1; Edgar Ramos Vieira3; Camilla Zamfolini Hallal1
1 Universidade Federal de Uberlândia; 2 Universidade Estadual Paulista; 3 Florida International University
Introdução: A realização da marcha de forma segura
é uma tarefa complexa e requer coordenação de
músculos do tronco e membros, além de interações
entre as funções sensoriais e motoras1-2. Na
população idosa, que sofre o processo de deterioração
da marcha, a variabilidade de parâmetros espaciais da
marcha é uma importante variável preditiva de riscos,
sendo que quanto menor a variabilidade, mais seguro
e confortável é a realização desta tarefa 3-4.Objetivos:
Comparar a variabilidade de parâmetros cinemáticos
de idosos em diferentes décadas etárias durante a
realização da marcha em velocidade de preferência.
Métodos: O estudo foi realizado no Laboratório de
Performance
Humana
de
Fisioterapia
da
Universidade Internacional da Flórida, com a
participação de 24 voluntários idosos, de ambos os
gêneros, divididos pela década etária em dois grupos
– Grupo 1: 65 a 74 anos (n=12) e Grupo 2: 75 a 84
anos (n=12). Após aprovação pelo comitê de ética (nº
9032/2013), foi realizada a familiarização e
posteriormente, iniciada a avaliação da marcha no
sistema GAITRite® com 7 metros de comprimento,
sendo usados 10 ciclos de marcha. Na familiarização
da marcha com velocidade de preferência, os
participantes foram instruídos a caminhar na
GAITRite® na velocidade em que exercem suas
atividades diárias, que foi repetida 3 vezes. Os
parâmetros de variabilidade utilizados foram:
Variabilidade do tempo de passo, variabilidade do
tempo de passada, variabilidade do tempo de balanço,
variabilidade do tempo de apoio, variabilidade do
tempo de apoio simples, variabilidade do tempo de
duplo apoio5-6. Os dados foram normalizados
utilizando as medidas de comprimento da perna e os
dados cinemáticos foram processados usando o
software GAITRite®. A análise estatística foi
realizada utilizando o software PASW® Statistics
18.0 (SPSS) com o Teste MANOVA para
comparação das variáveis entre os dois grupos.
Resultados: Na situação de marcha em velocidade de
preferência, houve diferença significativa em
variáveis cinemáticas entre os grupos 1 e 2. No grupo
2, com idade de 75 a 84 anos, a variabilidade do
tempo de balanço foi maior quando comparados ao
grupo 1 (p=0,0003), com idade de 65 a 74 anos. Da
mesma forma, a variabilidade do tempo de apoio
simples no grupo 2 foi maior quando comparado ao
grupo 1 (p=0002). As variáveis: Variabilidade do
tempo de passo, variabilidade do tempo de passada,
variabilidade do tempo de apoio, e variabilidade do
tempo de duplo apoio não apresentaram diferenças
estatísticas significativas na comparação entre os dois
grupos (Tabela 1).
Tabela 1: Comparação de variáveis cinemáticas por
pares entre grupos de diferentes décadas etárias
utilizando MANOVA.
Variável
dependente
Var Tempo de
Passo
Var Tempo de
Passada
Var Tempo de
Balanço
Var Tempo de
Apoio
Var Tempo de
Apoio simples
Var Tempo de
Duplo apoio
G1
Média
0,021
DP
0,008
p valor.b
0,313
G2
0,025
0,007
0,313
G1
0,035
0,017
0,610
G2
0,032
0,014
0,610
G1
0,013
0,003
0,0003
G2
0,020
0,003
0,0003
G1
0,029
0,015
0,574
G2
0,026
0,009
0,574
G1
0,013
0,003
0,0002
G2
0,020
0,003
0,0002
G1
0,023
0,012
0,365
G2
0,047
0,087
0,365
b. Ajustes para comparações múltiplas: Bonferroni
*. Diferença estatística significativa
Discussão: Nossos resultados demonstraram
diferenças nas variáveis cinemáticas quando
comparadas duas décadas etárias. O grupo com maior
década etária apresenta maiores valores de
variabilidade durante a realização da marcha. Essas
diferenças referem-se à flutuação nos valores dos
parâmetros de marcha de uma passada para outra, e
isso pode ser um indicativo de instabilidade,
refletindo distúrbios no controle motor. Tal situação
tem relação com déficits no sistema nervoso central e
periférico ou pode ser apenas resultado de um ajuste
P á g i n a | 107
7,8-9
inicial à uma condição de marcha . O presente
estudo apresenta a limitação de não terem sidos
avaliadas alterações cinemáticas nos membros
superiores as quais podem constituir estratégias
compensatórias e serem uteis para a adaptação da
marcha10.
Conclusões: Pode-se concluir que a década etária
influencia nas variáveis cinemáticas durante a
realização da marcha, sendo que quanto maior a
idade, menos seguro e confortável é a realização desta
tarefa.
Referências:
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2010;107(17):306-16.
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Age and Ageing. 2010;39:191-7.
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fluctuations of human walking. Human Movement
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Beauchet O, Allali G, Annweiler C,
Bridenbaugh S, Assal F, Kressig RW, Herrmann FR.
Gait variability among healthy adults: low and high
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Carmo AA. Kinematic analysis of upper
and lower limbs trunk and head motions during
hemiparetic gait after stroke [Master’s thesis].
Campinas (SP): UNICAMP, 2009.
Fontes financiadoras: FAPESP, FAPEMIG e CNPq
Fonte dos dados: Esses dados são parte do conteúdo
da Dissertação de doutorado sanduiche intitulada:
Biomechanical risks during simulated street crossing
in older adults. O trabalho foi desenvolvido em
parceria a Universidade Estadual Paulista Júlio de
Mesquita Filho, UNESP, Brasil e Florida
International University.
P á g i n a | 108
BCM.136. ANÁLISE BIOMECÂNICA DA PARTICIPAÇÃO DO MÚSCULO
TRÍCEPS NA POSIÇÃO INTERMEDIÁRIA ENTRE ADUÇÃO E EXTENSÃO DE
OMBRO NO EXERCÍCIO LAT PULL DOWN ATRAVES DA
ELETROMIOGRAFIA
Gomes MPM1, Pupim MMO2, Fabrin S3, Fioco EM4, Zanella, CAB5,Verri ED6
1
2
Centro Universitáro Claretiano de Batatais
Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - FORP - USP
Introdução: O exercício Lat Pull Down é um
exercício multiarticular, envolve na sua execução
os seguintes músculos: Trapézio Fibras Superiores
(MTS), Deltóide Posterior (MDP), Tríceps Cabeça
Lateral (MTCL), Triceps Cabeça Longa (MTCLO)
e Latíssimo do Dorso (MLD), onde o principal
movimento realizado na fase concêntrica é de
adução do ombro.
Foi observado que ocorre uma ativação do MTCLO
no movimento de adução do ombro durante a fase
inicial, intermediária e final de contração.
Objetivo: Este estudo tem como objetivo analisar
biomecanicamente a participação do MTCLO na
posição intermediária entre adução e extensão de
ombro no exercício Lat Pull Down com execução
pela frente através da eletromiografia.
Métodos: A amostra foi composta por dez
participantes do gênero feminino, com idades entre
20 a 25 anos, com um ano na prática de
musculação, todas assinaram o TCLE antes da
realização das coletas referentes ao nº de aprovação
do comitê de Ética do Claretiano 072417/2013, as
coletas foram realizadas em uma academia do
município de Batatais. Foi utilizado para avaliar a
atividade
muscular
o
Eletromiógrafo
MyoSystemBR-I. Os eletrodos foram posicionados
sobre os músculos MTS, MDP, MTCL, MTCM e
MLD.
Resultados: Para a análise estatística foi utilizado
o teste t, onde foi possivel observar que houve
diferença significativa do MTCLO no movimento
de adução do ombro na posição intermediária.
Discussão: Segundo Lima e Pinto (2006), na
execução do exercício Lat Pull Down pela frente,
ocorre um movimento intermediário entre a adução
e a extensão do ombro, onde os autores observaram
através da análise EMG, a ativação da MTCLO
devido a sua participação como músculo acessório
na extensão do ombro. Em nosso estudo
verificamos que o MTCLO teve uma maior
ativação no ângulo final de adução do ombro.
Segundo Lima & Pinto 2006, na execução do
exercício Lat Pull Down, ocorre um movimento
intermediário entre a adução e a extensão do
ombro, no qual a MTCLO é ativada por sua
participação como extensor do ombro. Dessa
forma, a MTCLO participa na execução do
movimento.
Entretanto, o estudo de Signorile, Zink & Szwed
(2002) mostraram que a MTCLO apresentara
maior ação muscular durante o exercício de puxada
pela frente, apesar dessa afirmação ser verdadeira,
o MTCLO não pode ser considerado um bom
adutor de ombro, mesmo apresentando valores de
RMS significativos a sua ação no exercício Lat Pull
Down pela frente.
Kapandji (2000), afirma que a contração do MLD
(adutor muito potente) tende a luxar a cabeça
umeral para baixo na adução, assim a porção longa
do tríceps, que é ligeiramente adutora, quando se
contrai simultaneamente, eleva a cabeça do úmero
se opondo a essa luxação, e que devido a sua
origem superior no tubérculo infraglenoidal da
escápula, ele também atua como extensor de
ombro.
Desta forma, parece que os estudos são
inconclusivos quanto à participação efetiva da
participação do tríceps principalmente a cabeça
medial, pois não foi encontrado nenhum estudo que
referencia a participação do mesmo na execução do
exercício Lat Pull Down pela frente.
Conclusões: Os resultados mostram que há um
incremento da participação do MTCL assim que a
adução é realizada e atingindo seu pico (maior
valor de RMS) no final do movimento, , podemos
concluir que o tríceps na sua porção lateral é
responsável pela estabilização do ombro dentro da
cavidade glenóide para que aconteça o movimento
de adução no exercicio Lat Pull Down. Os diversos
P á g i n a | 109
métodos utilizados na avaliação deste exercício em
relação a análise da participação do tríceps se torna
difícil a comparação, sugerindo novos estudos para
ampliar e confirmar os resultados obtidos.
Referências
Campos, M.A. Biomecânica da musculação, 2006.
Carpenter, C. S.; Novaes, J.; Batista,
L.A. Comparação cinemática entre os exercícios de
puxada por trás e pela frente, 2006.
Delavier, F. Guia dos Movimentos de Musculação
Abordagem Anatômica, 2002.
Kapandji, A.I. Fisiologia articular, volume I:
esquemas comentados de mecânica humana, 2000.
Lima, C.S; Pinto, R.S. Cinesiologia e musculação,
2007.
Marchetti, P.H. et al. Revista Brasileira de Ciências
da Saúde. 2010.
Signorille JF, Zink AJ, Szewed SP. Et. Al. Journal
of Strenght and Conditioning Research, 2002.
Fonte dos dados: Estes resultados apresentados
são decorrentes de uma pesquisa original do
laboratório de Biomecânica do Movimento do
Claretiano de Batatais-SP, Brasil.
P á g i n a | 110
BCM.137. ESTIMATIVA DO FLUXO DE ENERGIA NO RETROPÉ NO PLANO
FRONTAL GERADO PELOS MOMENTOS INTERNOS DO TORNOZELO E DO
COMPLEXO ARTICULAR DO MEDIOPÉ DURANTE A MARCHA
Raffi Antunes1; Thales Souza1; Vanessa Araújo1; Fabrício Magalhães1; Lilian Oliveira1; Carolina Andrade1;
Sérgio Fonseca1
1 Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
Introdução: Movimentos alterados do retropé no
plano frontal durante a marcha têm sido associados a
disfunções do sistema musculoesquelético1. A
inversão do retropé no final da fase de apoio da
marcha tem sido foco de estudo, uma vez que esse
movimento é parte da supinação do pé, a qual é
necessária para uma impulsão adequada.
Durante o final da fase de apoio marcha, são
estimados no tornozelo momentos internos eversores
para remover energia cinética do retropé no plano
frontal e desacelerar o movimento de inversão.
Assim, faz-se necessário investigar as fontes internas
de energia distais ao retropé que possam auxiliar a
entender a sua inversão na fase de apoio terminal da
marcha.
O momento interno do complexo articular do
mediopé pode gerar um fluxo positivo de energia para
o retropé e contribuir para sua inversão no final da
fase de apoio. Evidências recentes mostraram que a
mobilidade articular passiva promovida pelos tecidos
moles do mediopé está associada com a cinemática
do retropé no plano frontal2, sugerindo que os
momentos internos do mediopé também podem
influenciar nos movimentos de inversão-eversão do
retropé. A hipótese deste estudo é que o momento
interno do mediopé pode contribuir para a inversão
do retropé no final da fase de apoio da marcha.
Objetivos: O presente estudo propõe fazer uma
estimativa do fluxo de energia no retropé gerado
pelos momentos internos do tornozelo e do complexo
articular do mediopé no plano frontal. Assim, este
estudo contribui para ampliar o entendimento sobre a
cinética e a cinemática do complexo tornozelo-pé.
Métodos: Seis homens e seis mulheres saudáveis
(idade 29,7±6,5 anos, altura 1,7±0,07 m e massa
corporal 70,3±13,4 kg; valores em média ± desvio
padrão) participaram do estudo. Esse estudo foi
aprovado pelo Comitê de Ética da UFMG (CAAE
0427.0.203.000-11).
A coleta dos dados e o processamento ocorreram de
acordo com o protocolo proposto por Bruening et al.
(2012)3 para estimar a cinemática dos segmentos
antepé, retropé e perna; e também para estimar os
momentos internos dos complexos articulares do
tornozelo e do mediopé, durante a fase de apoio da
marcha.
Por meio de marcadores passivos fixados na perna,
no retropé e no antepé esquerdo dos participantes3, o
movimento do complexo tornozelo-pé durante a
caminhada em velocidade auto-selecionada sobre
uma passarela de madeira de 10m foi capturado por
um sistema opto-eletrônico (8 câmeras Qualisys
ProReflex, Suécia, 120Hz) e por duas plataformas de
força posicionadas em linha (AMTI, EUA, 1200Hz)
para registrar a força de reação ao solo. Os dados
cinemáticos e cinéticos foram filtrados com um filtro
Butterworth passa-baixa a 6 Hz e 10 Hz,
respectivamente. Todo o processamento foi realizado
no software Visual3D (C-motion, EUA). Foram
consideradas de quatro a seis fases de apoio para cada
participante. As potências no retropé geradas pelos
momentos do tornozelo e do complexo articular do
mediopé no plano frontal foram calculadas como o
produto de cada momento multiplicado pela
velocidade angular do retropé4 e normalizadas pela
massa do voluntário.
Resultados: Ao analisar os ângulos do segmento
retropé (FIGURA 1A) e as potências geradas no
retropé pelos complexos articulares do mediopé
(FIGURA 1B) e do tornozelo (FIGURA 1C), durante
a fase de apoio da marcha, verifica-se que o momento
do mediopé adiciona energia ao retropé no final da
fase de apoio, contribuindo para sua inversão. Já o
momento do tornozelo remove energia do retropé,
desacelerando sua inversão no final da fase de apoio.
P á g i n a | 111
entre tornozelo e complexo articular do mediopé
poderão ser alcançados por meio da inclusão de
indivíduos com lesão e que não realizem a supinação
ao final da fase de apoio. Além disso, os autores
sugerem futuras pesquisas para identificar quais
tecidos biológicos são fontes modificáveis dos
momentos do mediopé no plano frontal, no intuito de
estabelecer programas eficazes de intervenção.
Conclusões: Conclui-se, portanto, que o momento
interno do complexo articular do mediopé no plano
frontal contribui para a inversão do retropé na fase de
apoio terminal durante a marcha, auxiliando desta
forma a supinação do pé. Assim, programas de
avaliações e de intervenções para disfunções em
membros inferiores durante a marcha devem
contemplar o complexo articular do mediopé.
Figura 1: Valores médios no plano frontal de: (A)
Ângulo do retropé (graus). (B) Potência do complexo
articular do mediopé para o retropé (Watts/Kg). (C)
Potência do tornozelo para o retropé (Watts/Kg).
Abs.: absorção de potência. Gen.: geração de
potência,
Discussão: Este estudo preliminar é pioneiro na
tentativa de identificar o fluxo energético no retropé
devido a momentos exercidos por articulações
adjacentes, proximal e distal. No presente caso,
consideramos a influência dos momentos internos de
dois complexos articulares. Como hipotetizado, o
complexo articular do mediopé contribui para
inversão do retropé, possuindo um importante papel
na supinação do pé.
Este estudo foi realizado com participantes saudáveis.
Maiores esclarecimentos sobre as relações cinéticas
Referências
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doi: 10.1186/s13047-014-0055-4.
2. Souza TR et al. Man Ther. 2014;19(5):379-85.
doi: 10.1016/j.math.2013.10.003.
3. Bruening DA et al. Gait Posture.
2012;35(4):53540. doi:
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4. Robertson DG et al. J Biomech. 1980;13(10):84554.
Fontes financiadoras: CNPq, FAPEMIG e CAPES.
Fonte dos dados: Esses dados são parte do Projeto
de Doutorado de Vanessa Lara de Araújo intitulado:
Influência do alinhamento e rigidez do pé na
cinemática e cinética dos membros inferiores durante
a marcha.
P á g i n a | 112
BCM.138. MILD LEG LENGTH DISCREPANCY AFFECTS THE SAGITTAL
PLANE BIOMECHANICS OF THE LOWER LIMBS OF KNEE OSTEOARTHRITIS
INDIVIDUALS DURING WALKING
Renan Alves Resende1; Renata Noce Kirkwood2 Jocasta Poliana Ribeiro Moreira3 Kevin Deluzio4 Sérgio
Teixeira Fonseca1
1 Universidade Federal de Minas; 2 Wilfrid Laurier University; 3 Universidade Federal dos Vales do
Jequitinhonha e Mucuri; 4 Queen’s University
Introduction: Leg length discrepancy occurs in up to
70% of the population (1). Discrepancy greater than
1 cm increases the chances of having knee
osteoarthritis in the shorter limb. In addition,
discrepancy greater than 1 cm increases odds of
progressive osteoarthritis in the shorter limb (2).
Understanding the effects of leg length discrepancy
on the biomechanics of the lower limbs of individuals
with knee osteoarthritis during gait may help to
understand the mechanisms by which discrepancy
contributes to knee osteoarthritis development and
progression
Purposes: To investigate the effects of mild leg
length discrepancy on the biomechanics of the lower
limbs during the stance phase of gait of individuals
with knee osteoarthritis.
Methods: Fifteen individuals diagnosed with
unilateral or bilateral knee osteoarthritis and without
leg length discrepancy greater than 0.5 cm
participated in this study. The participants answered
the WOMAC and the Lower Extremity Activity Scale
(LEAS). Gait data were collected using a 12-camera
motion capture system (Oqus 4, Qualisys)
synchronized with six force plates (AMTI). Angular
displacement and internal moments of ankle, knee,
hip and pelvis were collected while the participants
walked in two different conditions, wearing a
combination of flat sandals: 1) control condition:
thick sandals bilaterally; 2) short limb condition: thin
sandal on osteoarthritis limb and thick sandal on the
other limb. The short limb condition simulated a
mean leg length discrepancy of 1.45 cm. Only the
knee osteoarthritis limb data were analyzed for both
conditions. Waveform principal component analysis
was implemented for the dependent variables of this
study following a criterion of 90% of the original
variance explained in order to define the number of
principal components to retain for hypothesis testing
analysis. The scores of the principal components
extracted and retained for analysis were then
compared between conditions using Student’s t-test
repeated measures for the scores with normal
distribution and repeated measures Wilcoxon signed-
rank test for the scores without normal distribution
using α=0.05. The university’s Ethics Research
Committee approved this study under the number
6007495.
Results: The participants had a total WOMAC and
LEAS score of 35 and 10.8, respectively. The score
11 in the LEAS means: “I am up and about at my will
in my house and outside. I also work outside the
house in a moderately active job.” The short limb
condition had smaller rearfoot plantarflexion during
the loading response phase and increased rearfoot
plantarflexion during late stance (p <0.001; effect
size=0.91); increased ankle plantarflexion moment
between 20 and 80% of the stance phase (p = 0.003;
effect size=0.54); increased knee flexion during the
loading response phase and delayed knee flexion
during late stance (p = 0.001; effect size=0.71);
increased knee extension moment during the loading
response phase and increased knee flexion moment
during mid and terminal stance phases (p = 0.023;
effect size=0.56); reduced hip extension moment
during early stance and reduced hip flexion moment
during late stance (p <0.001; effect size=0.77).
Discussion: The increased rearfoot plantarflexion
angle during late stance, the increased ankle
plantarflexion moment between 20 and 80% of stance
and the delayed knee flexion and reduced hip flexion
moment during late stance on the short limb suggest
that, similar to healthy individuals, knee osteoarthritis
individuals try to functionally lengthen the short
limb, probably to reduce the vertical displacement of
the body center of mass. However, contrary to healthy
young individuals (3), knee osteoarthritis individuals
had increased knee flexion during the loading
response phase and increased knee flexion moment
during mid and terminal stance phases, which do not
functionally lengthen the short limb. It is possible that
due to the pain, knee osteoarthritis individuals were
not able to increase knee extension during the loading
response phase, since this would probably contribute
to less eccentric contraction of quadriceps and
consequently to more loading on the degenerate knee
joint tissues (4), possible increasing pain. The
P á g i n a | 113
increased knee extension moment during the loading
response phase on the short limb may help to explain
why leg length discrepancy contributes to knee
osteoarthritis development and progression, since
increased knee extension moment is associated with
knee cartilage thinning (5).
Conclusions: Individuals with knee osteoarthritis
implement some strategies to functionally lengthen
the short limb during the stance phase of gait, such as
increased rearfoot plantarflexion and delayed knee
flexion angle. In addition, mild leg length
discrepancy increases knee flexion and extension
moment, which may explain why leg length
discrepancy contributes to the development and
progression of knee osteoarthritis.
References
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Funding: CAPES, FAPEMIG e CNPQ.
Data source: These data are from an original study.
P á g i n a | 114
BCM.139. ATIVAÇÃO DOS MÚSCULOS ESTABILIZADORES DA ESCÁPULA EM
INDIVÍDUOS COM E SEM DISCINESE ESCAPULAR ASSINTOMÁTICOS
Ricardo José Tecchio Serrãol1; Gabriel Paglioni Garcia1; Caio Leite Giorgetto2; Camilla Zamfolini Hallal1;
Nise Ribeiro Marques2
1 Universidade Federal de Uberlândia; 2 Universidade Estadual Paulista
Introdução: O padrão inadequado de ativação dos
músculos estabilizadores da escápula, caracterizado
por baixa ativação de trapézio inferior (TI) e serrátil
anterior (SA) e maior ativação de trapézio superior
(TS)1 é considerado um dos principais fatores que
levam a ocorrência da discinese escapular. Esta
disfunção está associada a cerca de 68 a 100% das
difunções nos ombros2.
Estudos pregressos avaliaram a ativação dos
musculos supracitados em individos com ou sem
síndrome do impacto4. Porém, desconhecemos
investigações que tenham comparado a ativação dos
músculos estabilizadores da escápula em indivíduos
com e sem discinese assintomáticos.
Objetivos: Analisar a ativação eletromiográfica dos
músculos estabilizadores da escápula em indivíduos
com e sem discinese escapular assintomáticos.
O presente estudo se justifica tendo em vista que a
discinese pode não ser apenas uma consequência da
síndrome do impacto e sim um dos fatores
responsáveis por ela1. Assim, a comparação da
ativação de tais músculos em indivíduos
assintomáticos
pode
proporcionar
melhor
entendimento a respeito da etiologia dessa disfunção
e, com isso, nortear um atendimento fisioterapêutico
preventivo.
Métodos: Este estudo foi provado em Comitê de
Ética (processo número: 097704/2015).
Participaram do estudo 26 jovens universitários (7
homens e 19 mulheres). Foram considerados como
critérios de elegibilidade: ter entre 18 e 25 anos, não
estar engajado em tratamento para disfunções do
ombro, não ter realizado cirurgia e não apresentar
lesões no complexo articular do ombro nos últimos 3
meses.
Inicialmente, foi realizada a avaliação dos voluntários
para obtenção dos dados antropométricos (Tabela 1)
e exclusão de possíveis lesões através de testes
ortopédicos específicos (Speed, Neer e Jobe).
Tabela 1: Dados antropométricos
Idade
Estatura
Peso
IMC
GD
GSD
19.88 ±1,59
1.68 ±0,05
20.4 ± 1.17
62,38 ± 10,01
22.15 ±2,59
65,92 ± 12,61
23.44 ±2,46
1.67 ±0,12
P
0,377
0,885
0,436
0,218
Os voluntários foram divididos em dois grupos:
Grupo Discinese (GD, n=16) e Grupo sem Discinese
(GSD, n=10).
Foram realizadas três contrações isométricas
voluntárias máximas (CIVM) de cinco segundos para
cada um dos músculos avaliados, nas posições de
testes muscular propostas pela literatura3 para a
normalização dos dados eletromiográficos.
Os sinais de eletromiografia de superfície (EMG)
foram coletados por um módulo de aquisição de
sinais biológicos (Noraxon, Arizona, EUA),
calibrado com 1000Hz de frequência de amostragem,
razão de rejeição de modo comum de 90dB e ganho
total de 2000 vezes (100 no amplificador e 20 nopréamplficador). Os sinais de EMG dos músculos TS, TI
e SA foram coletados durante 10 movimentos de
scaption com carga de 5% do peso corporal4. As
repetições de scaption foram padronizadas por um
metrônomo com frequência de 23 bpm. Foram
utilizados eletrodos bipolares circulares (10mm) de
Al/AgCl, com distância intereletrodos de 20 mm,
posicionados segundo orientações da SENIAM para
TS e TI e para o SA foi utilizado o posicionamento
proposto em estudo pregresso5, com limpeza da área
por álcool.
Foi realizada a filmagem do voluntário para que,
posteriormente, a classificação de presença ou não de
discinese fosse confirmada por outro fisioterapeuta.
Os dados foram processados em rotinas especificas
através do software MATLAB. O sinal
eletromiográfico foi filtrado por um filtro passabanda de 20-500 Hz, retificado pelo método de onda
inteira, suavizado por um filtro passa baixa
Butterworth de 4ª ordem com frequência de corte de
6 Hz e normalizado pela média de ativação nas
contrações máximas.
Para a análise estatística foi utilizado o pacote
estatístico PASW 18.0 (SPSS inc), sendo utilizados
os testes Shapiro-Wilk para verificação da
P á g i n a | 115
normalidade e, em seguida o teste t-Student pareado.
Foi ajustado o nível de significância em p < 0,05.
Resultados: A ativação do músculo TS foi 119%
maior no GD comparado ao GSD (p=0,017, Tabela
2). Para os demais músculos não houve diferença
entre os grupos.
Tabela 2: Ativação Eletromiográfica dos músculos
estabilizadores da escápula.
GSD
64.04 ±38.90
P
TS
GD
140.24 ± 88.12
TI
27.45 ± 12.64
30.63 ±11.34
0.522
SA
67.73 ± 31.93
66.95 ±40.99
0.957
0.017*
*p<0,05
Discussão: O principal achado do presente estudo foi
que indivíduos com discinese assintomático
apresentam maior ativação de TS no movimento de
scaption quando comparados a indivíduos
assintomáticos sem discinese. Este achado indica que
mesmo antes do aparecimento de lesões já existe uma
alteração de controle neuromuscular. Dessa forma,
nosso achado sugere que a discinese pode não ser
apenas consequência de patologias do complexo
articular do ombro, mas sim um dos fatores de causa.
Outro ponto interessante a ser destacado é que
indivíduos com síndrome do impacto além de
apresentarem maior ativação de TS, apresentaram
menor ativação de SA quando comparados ao grupo
controle4. Tal característica não foi encontrada nos
voluntários do presente estudo, o que pode sugerir
que a menor ativação de SA se apresente com a
progressão da disfunção, acarretando em disfunções
músculo-esqueléticas e que o responsável inicial pela
discinese pode ser o TS.
Conclusões: Por meio dos resultados obtidos, é
possível concluir que indivíduos assintomáticos com
discinese escapular apresentam maior ativação de TS
quando comparado a indivíduos assintomáticos sem
discinese.
Referências:
1-Kibler W.B. British Journal of Sports Medicine
2013;47:877-885 p. bjsports-2013-092425, 2013.
doi:10.1136/bjsports-2013-092425
2-Warner JJ, Micheli LJ, Arslanian LE, Kennedy J,
Kennedy R.. Scapulothoracic Motion in Normal
Shoulders and Shoulders With Glenohumeral
Instability and Impingement Syndrome A Study
Using Moire Topographic Analysis. Clinical
Orthopaedics
and
Related
Research
1992;285:1919.
3- Kendall FP, McCreay EK, Provance PG. Músculos:
provas e funções, 4ª edição. São Paulo: Manole; 1995.
4- Ludewig PM, Cook TM. Alterations in shoulder
kinematics and associated muscle activity in people
with symptoms of shoulder impingement. Physical
Therapy 2000;80(3):276-91.
5-Pirauá ALT. Journal of Electromyography and
Kinesiology
2014;24(5):675-81.
doi:10.1016/j.jelekin.2014.05.009
Fontes financiadoras: Não se aplica
Fonte dos dados: Esses dados são parte do conteúdo
da Dissertação de Mestrado intitulada: Efeito do
tratamento com haste oscilatória na ativação dos
músculos estabilizadores de escápula e na cinemática
da movimentação escapular em indivíduos
assintomáticos com e sem discinese escapular. O
trabalho é desenvolvido junto ao Programa de PósGraduação em Ciências da Saúde da Universidade
Federal de Uberlândia.
P á g i n a | 116
BCM.140. ANÁLISE ELETROMIOGRÁFICA DOS MÚSCULOS TIBIAL
ANTERIOR E SÓLEO EM PACIENTES HEMIPARÉTICOS NOS AMBIENTES
AQUÁTICO E TERRESTRE
Valmir M. Baccaro, Mariana Armando Lourenço, Luize Bueno, Bruna Paulenas Batista, Mirna S.
Kanashiro, Cristiane D. A. Souza, Douglas M. Braga
Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD)
Introdução: As lesões encefálicas adquiridas estão
entre as principais causas de incapacidade, com
diferentes manifestações - motoras, sensoriais,
perceptuais e cognitivas. A hemiparesia é sequela
mais comum, com alterações de tônus e força
muscular em um hemicorpo, e comprometimento no
controle dos movimentos e limitações nas atividades
funcionais.
Objetivo: Verificar a ativação dos músculos tibial
anterior (TA) e sóleo (So) em hemiparéticos e
indivíduos hígidos no ambiente aquático em
comparação ao solo; e correlacionar esses dados com
medidas funcionais.
Método: Estudo transversal desenvolvido no Setor de
Fisioterapia Aquática da AACD Central. O grupo de
estudo (GE) seguiu os seguintes critérios de inclusão:
hemiparesia pós Lesão Encefálica Adquiria; idade
entre 18 e 60 anos; máximo 5 anos de lesão;
clinicamente estáveis; capazes de permanecer em
ortostatismo independente; sem procedimento
cirúrgico no último ano e/ou bloqueios periféricos
nos últimos 6 meses, sem deformidades nos membros
inferiores. O grupo controle (GC) foi formado por
voluntários hígidos, sem déficits motores. Para
ambos os grupos foram adotados os seguintes
critérios de exclusão: indivíduos não colaborativos;
incapazes de compreender atividades propostas. O
grupo de estudo foi avaliado pelo Mini-Exame do
Estado Mental (MEEM), Escala de Equilíbrio de
Berg (EEB) e Medida da Independência Funcional
(MIF). Os dois grupos realizaram eletromiografia de
superfície (EMG) de tibial anterior e sóleo, nos
ambientes terrestre e aquático (neste, em dois níveis
de imersão: processo xifóide e espinha ilíaca ântero
superior), nas posturas: ortostatismo com menor base
possível, pé frente ao outro (lado hemiparético atrás
ou lado direito para indivíduos hígidos) e
agachamento. Análise estatística foi realizada com
teste de Wilcoxon, Fisher e correlação de Spearman
(nível de significância p<0,05). Protocolo de
aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa:
1.148.311.
Resultados: Amostra homogênea, composta de 6
indivíduos do grupo controle (média de idade de
40±12,4 anos, 50% do sexo masculino) e 6 no grupo
de estudo (média de idade de 40,3±12,9, 50% do sexo
masculino). O grupo de estudo obteve pontuação
média de 24±6,7 no Mini-Exame do Estado Mental,
80,8±2,7 na Medida de independência Funcional,
48,5±7,1 na Escala de Equilíbrio de Berg. Na
eletromiografia de superfície verifica-se maior
ativação muscular dos músculos tibial anterior e sóleo
para o grupo de estudo em todas as posturas
realizadas no solo, assim como em todas as posturas
na água, nos dois níveis de imersão estudados. Houve
menor ativação muscular na água comparado ao solo
para o grupo de estudo em todas as posturas, bem
como na maioria das posturas para o grupo controle.
Observou-se correlação inversamente proporcional
entre a eletromiografia de superfície e a EEB no
grupo de estudo.
Conclusão: O comportamento dos músculos tibial
anterior e sóleo de hemiparéticos difere no ambiente
aquático comparado ao solo. Estes resultados
possibilitam melhor entendimento do músculo
hemiparético e contribuem para intervenção mais
adequada no ambiente aquático.
Referências:
DUNCAN, P.W.; ZOROWITZ, R.; BATES, B.;
CHOI, J.Y.; GLASBERG, J.J. Management of Adult
Stroke Rehabilitation Care: A Clinical Practice
Guideline. Stroke. v.36, p.100-43, 2005.
ALLEN, K.; HAZELETT, S.; JARJOURA, D.;
HUA, K.; WRIGHT, K.; WEINHARDT, J.; KROPP,
D. A Randomized Trial Testing the Superiority of a
Postdischarge Care Management Model for Stroke
Survivors. Journal of Stroke and Cerebrovascular
Diseases. v.18, n.6, p.443-452, 2009.
DOBKIN, B.H. Strategies for stroke rehabilitation.
Lancet Neurol. v.3, p.528-36, 2004.
MEHRHOLZ, J.; KUGLER, J.; POHL, M. Waterbased exercises for improving activities of daily
P á g i n a | 117
living after stroke. Cochrane Database of Systematic
Reviews. In: The Cochrane Library. Issue 2, Art.
No. C D008186. 2011.
MIYAMOTO, S.T.; LOMBARDI, J.; BERG, K.O.;
RAMOS, L.R.; NATOUR, J. Brazilian version of the
Berg balance scale. Braz J Med Biol Res. v.37, n.9,
p.1411-21, 2004.
CHENG, P.T.; CHEN, C.L.; WANG, C.M.; HONG,
W.H. Leg muscle activation patterns of sit-to-stand
movement in stroke patients. Am J Phys Med
Rehabil. v.83, p.10-16, 2004.
CHOW, J.W.; YABLON, S.A.; STOKIC, D.S.
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gait in patients with lower limb hypertonia after
acquired brain injury. Clinical Neurophysiology.
v.123, p.1599–1605, 2012.CARREGARO, R.L.;
TOLEDO, A.M. Efeitos fisiológicos e evidências
científicas da eficácia da fisioterapia aquática.
Revista Movimenta. v.1, n.1, p.23-27, 2008.
CANDELORO, J.M; CAROMANO, F.A. Discussão
crítica sobre o uso da água como facilitação,
resistência ou suporte na hidrocinesioterapia. Acta
Fisiatr. v.13, n.1, p.7-11, 2006.
Fontes financiadoras: A própria Instituição.
Fonte dos dados: Dados do trabalho original.
P á g i n a | 118
CMH.101. ADULTOS UTILIZAM RECURSOS SOMATOSSENSORIAIS NO EQUILÍBRIO
UNIPODAL
1,3
Adriano Percival Calderaro Calvo, 2Ágata Yoko Yassue Hamanaka & 1Mauro Hugo Mathias
1. Laboratório de Biomecânica, Universidade Estadual Paulista, Guaratinguetá, SP, Brasil
2. Faculdade Integradas de Botucatu, Botucati, SP, Brasil
3. Núcleo de Atividade Física, Informática, Metabolismo, Esporte e Saúde (NAFIMES), Faculdade de
Educação Física, Universidade Federal de Mato Grosso, Cuiabá, MT, Brasil
E-mail: [email protected]
Introdução: O uso de informação somatossensorial
adicional (i.e. tátil) favorece o controle postural
estático e dinâmico. Uma palmilha com 40 semiesferas de 5mm de diâmetro sobre sua superfície foi
desenvolvida para potencializar informações
sensoriais táteis das solas dos pés e,
consequentemente, proporcionar melhora no controle
postural ortostático de indivíduos idosos e idosos
vivendo com a Doença de Parkinson1. Entretanto,
estes efeitos não são norteadores para a compreensão
da abundância da informação somatossensorial sobre
o controle postural humano em virtude da amostra
estudada apresentar os efeitos deletérios do
envelhecimento conjugado (ou não) à doença
degenerativa do SNC e em função da tarefa motora
ser estática.
Objetivos: Portanto, o objetivo é verificar os efeitos
da palmilha proprioceptiva [X] nas características do
Centro de Pressão (CoP) de adultos sadios na tarefa
de sentar-se na cadeira.
Métodos: O protocolo experimental foi aprovado
pelo
Comitê
de
Ética
em
Pesquisa
(16809913.4.0000.0077). Doze homens adultos
jovens, declaradamente saudáveis, participaram do
estudo de maneira voluntariada e formalizada por
meio de consentimento documentado.
Uma cadeira (ajustada à altura dos participantes) foi
posicionada sobre uma passarela, a sua frente foi
posicionada uma plataforma de equilíbrio (100Hz –
Butterworth; 5Hz; 4ª ordem; passa-baixa). As
superfícies da passarela e da plataforma de equilíbrio
foram nivelados. Sobre a plataforma de equilíbrio
foram colocadas as palmilhas. Foi pedido para os
participantes posicionarem-se na postura ortostática,
com os pés descalços, sobre as palmilhas. Ao sinal do
experimentador, os participantes sentaram na cadeira,
permanecendo sentados ao finalizar a tentativa.
Foram realizadas três tentativas válidas por condição
palmilha: convencional [S] e proprioceptiva [P].
Teste t-Student, ou Wilcoxon, (p<0,05) e Tamanho
do Efeito foram realizadas entre condições. Foram
analisadas seis variáveis espaciais e seis espaços-
temporais nas direções ântero-posterior (AP) e
médio-lateral (ML); e três variáveis cinéticas (Força
de Reação do Solo – FRS). Em todas as análises
foram realizadas testes de Tamanho do Efeito (ES).
Resultados: Houve diferenças estatisticamente
significativas entre uso de palmilhas [S] e [X] em (i)
Oscilação Relativa Máxima ML ([S] 2.4 ± 0.8mm/m;
[X] 2.8 ± 1.3mm/m; Z= -3,170; sig. = 0,002; ES=
0,92); RMS da Oscilação Relativa AP ([S] 3.9 ±
1.0mm/m; [X] 3.0 ± 1.6mm/m; t= 2.171; sig. = 0,05;
ES= 0,7); Trajetória Percorrida ([S] 17.3 ± 3.4mm;
[X] 16.5 ± 5.7mm; Z= -3,296; sig. = 0,001; ES=
0,95); Velocidade Máxima ML ([S] 34.57 ±
6.76mm/s; [X] 41.72 ± 10.22mm/s, t= -1.938, p =
0,08; ES= 0,8); Velocidade Média ML ([S] 0.48 ±
1.68mm/s; [X] 2.30 ± 2.46mm/s, t= -2.267, p = 0,04;
ES= 0,9); Aceleração Média ML ([S] -0.45 ±
1.25mm/s²; [X] 2.22 ± 2.20mm/s², t= -4.024, p =
0,002; ES= 1.5); Taxa de Desenvolvimento Máximo
da FRS ([S] 1.19 ± 0.70PC/s; [X] 1.10 ± 0.43PC/s,
Z= -2.417, sig = 0,016; ES= 0,7); RMS da Taxa de
Desenvvolvimento da FRS ([S] 1.10 ± 0.27PC/s; [X]
1.21 ± 0.27PC/s, t= -2.356, p= 0,04; ES= 0,4); RMS
da Controle da Taxa de Desenvolvimento da FRS ([S]
10.74 ± 3.29PC/s²; [X] 12.65 ± 4.13PC/s², t= -2.153,
p= 0,05; ES= 0,5).
Discussão: Percebeu-se que o uso da palmilha
proprioceptiva proporcionou maior ampliação de
movimento no sentido ML, enquanto proporcionou
reduções na oscilação média no sentido AP e
trajetória percorrida. A redução dos parâmetros de
deslocamento do CoP sugerem aumento de
estabilidade2,3,4,5.
Aumento nos parâmetros de velocidade durante o sentar
indica maior condicionamento para realização da tarefa, e
consequentemente, maior estabilidade6,7,8. Desta forma, o
uso da palmilha [X] foi capaz de promover melhora na
estabilidade do sentar.
Menores variações da FRS entre tentativas de sentar
indicam maiores estabilidades durante a realização da
tarefa; tempos reduzidos para atingir os níveis mais baixos
de FRS até o ato de sentar-se propriamente dito (i.e.
P á g i n a | 119
contato com a cadeira); e movimentos bruscos (i.e.
estratégia de sentar menos cautelosa) são parâmetros que
indicam maiores estabilidades do indivíduo durante o ato
de sentar7,9,10
Conclusões: Em geral, a palmilha [X] reduziu as
oscilações do CoP ao tempo que as tornou mais ágeis do
CoP enquanto o FRS adquiriu maior controle, favorecendo
a estabilidade de adultos sadios na tarefa de sentar na
cadeira.
Referências
1. Hamanaka, Á. Y. Y. Efeitos de informação
sensorial
adicional
no
controle
postural:
envelhecimento e doença de Parkinson. Universidade
Estadual Paulista - Rio Claro, 2008.
2. Bonfim, T. R.; Polastri, P. F.; Barela, J. Â. Efeito
do toque suave e da informação visual no controle
da posição em pé de adultos. Revista Brasileira de
Educação Física, v. 20, n. 1, p. 15–25, 2006.
3. Ferraz, M. A.; Barela, J. Â.; Pellegrini, A. M.
Acoplamento Sensório-motor no controle postural
de indivíduos idosos fisicamente ativos e
sedentários. Motriz, v. 7, p. 99–105, 2001.
4. Jeka, J. J.; Lackner, J. R. Fingertip contact
influences human postural control. Experimental
Brain Research, v. 100, n. 3, p. 495–502, 1994.
5. Jeka, J. J.; Lackner, J. R. The Role Of Haptic
Cues from rough and slippery surfaces in human
postural control. Experimental Brain Research, v.
103, n. 2, p. 267–76, 1995.
6. Moraes, R.; Mauerberg-De Castro, E. Relação
Entre Percepção E Ação Durante Os Movimentos
De Sentar E Levantar Em Indivíduos Idosos.
Psicologia: Teoria e Pesquisa, v. 26, n. 2, p. 253–
264, 2010.
7. Moraes, R.; Reis, J. P. Dos; Castelli, R. S. A
Contribuição Da Informação Visual
Exproprioceptiva e da altura do assento no controle
da ação de sentar em indivíduos jovens e idosos.
Motricidade, v. 7, n. 1, p. 31–42, 2011.
8. Tarantola, J. et al. Human stance stability i
mproves w ith the repetition of the task: effect of foot
po sition and visual condition. Neuroscience Letters,
v. 228, n. 2, p. 75–78, 1997.
9. Deffeyes, J. E. Et Al. Nonlinear analysis of sitting
postural sway indicates developmental delay in
infants. Clinical biomechanics, v. 24, n. 7, p. 564–
70, ago. 2009.
10. Dubost, V. Et Al. Decreased Trunk Angular
Displacement During Sitting Down: An early
feature of aging. Physical Therapy, v. 85, p. 404–
412, 2005.
Fontes financiadoras:
1. Foamtech ® (Valinhos/SP) por fornecer
GRATUITAMENTE as palmilhas utilizadas no
estudo.
2. CAPES.
Fonte dos dados: Esses dados são parte do conteúdo
da Tese de Doutorado intitulada: “Efeito Agudo Em
Parâmetros Cinéticos Em Tarefas Estáticas E
Dinâmicas Devido Ao Uso De Palmilha
Proprioceptiva”. O trabalho foi desenvolvido junto ao
Programa de Pós-Graduação em Engenharia
Mecânica, FEG - UNESP
P á g i n a | 120
CMH.102. PADRÕES DE DISTRIBUIÇÃO DA PRESSÃO PLANTAR EM CRIANÇAS E
ADOLESCENTES SAUDÁVEIS DE 6 A 16 ANOS EM FUNÇÃO DA FAIXA ETÁRIA E GÊNERO
Adriana H.do Nascimento-Elias¹; Beatriz Garcia1; Cyntia Rogean de Batista; Cristina D. Sartor²,
Isabel C. N. Sacco²; Ana Claudia Mattiello-Sverzut1
1
Departamento de Biomecânica, Medicina e Reabilitação do Aparelho Locomotor - Faculdade de Medicina
de Ribeirão Preto; ²Departamento de Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional– Faculdade de
Medicina, Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil
Introdução: A avaliação da distribuição da pressão
plantar pode fornecer informações sobre a estrutura e
função do pé, que possibilitam o estudo de diversas
disfunções e deformidades e, consequentemente, a
criação e desenvolvimento de novas formas de
prevenção e tratamento1. Diversos parâmetros plantares
têm sido utilizados com regularidade na pedobarografia
dinâmica, os mais comuns são: pico de pressão, área de
contato e tempo de contato. Contudo, a seleção e
interpretação dos resultados obtidos depende dos
objetivos de cada estudo1. O pico de pressão permite
conclusões importantes para a prevenção, diagnóstico e
tratamento de diversas disfunções e deformidades
plantares. Os padrões de distribuição da pressão plantar
no pé adulto durante o andar já estão bem estabelecidos,
entretanto, estudos relacionados ao desenvolvimento do
pé da criança saudável são relativamente limitados e
podem ser ainda mais explorados2.
Objetivos: Verificar o padrão de distribuição da pressão
plantar durante a marcha em crianças e adolescentes
saudáveis, de ambos os gêneros em diferentes faixas
etárias.
Métodos: O estudo foi aprovado pelo comitê de ética e
pesquisa do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto da
FMRP-USP (nº 1176/2015). Vinte e nove crianças e
adolescentes saudáveis com idade entre 6 e 16 anos
foram avaliados. A pressão plantar foi obtida utilizando
o sistema Pedar-X (Novel1, Munich, Alemanha) por
meio de palmilhas e meias anti-derrapantes
(acompanhandoo tamanho dos pés). Os voluntários
foram orientados a caminhar com velocidade constante
em uma superfície plana, ao longo de 15m, “o mais
natural possível”. Para as análises dos dados,a superfície
plantart foi divida em 4 regiões: calcanhar, medio-pé,
antepé medial e antepé lateral(Figura 1). Os valores de
pico de pressão foram obtidos em cada uma dessas áreas
incluindo área total do pé. Os 58 pés analisados foram
subdivididos em 6 grupos. Cada grupo relacionava-se a
seguintes faixas etárias: G1: 6-7 anos (n=8); G2: 8-9
anos (n=6); G3:10-11 anos (n=20); G4: 12-13 anos
(n=10); G5: 14-15 anos (n=8); G6: 16 anos (n=4). Para
comparação entre as faixas etárias foi utilizado
testesANOVA one way para cada área plantar, seguido
do post hoc de Bonferroni e para comparação entre
gêneros, o teste t independente. Considerou-se um nível
de significância de 5%.
Figura 1. Representação esquemática do
pé com as 4 divisões utilizadas. RP:
retropé ou calcanhar; MP: médio-pé; AM:
antepé medial; AL: antepé lateral. Modelo
baseado em Filippin NT, et al., 2007.
Resultados: Participaram deste estudo 17 meninas e 11
meninos. A média de idade das crianças foi de 11,1 anos
(±2,7). A média de massa corporal e estatura foi de 45,4
kg (±12,1) e 1,5m (±0,1), respectivamente. Ao
analisarmos o comportamento do pico de pressão em
função da faixa etária da criança, pode-se observar que,
apesar de oscilações, o pico de pressão tende a aumentar
linearmente com a idade (Figura 2). Diferenças
significativas foram encontradas principalmente nas
regiões de antepé medial e lateral (Tabela 1). Analisando
exclusivamente estas duas variáveis, observou-se que até
os 13 anos, o pico de pressão no antepé medial e lateral,
na mesma faixa etária não foram diferentes. A partir dos
14 anos, o medial tornou-se significativamente maior
que o lateral Comparados antepé medial e lateral,
independente da idade, não observamos diferenças entre
os
grupos.
A
comparação
entre
gêneros,
independentemente da idade mostrou valores de pico de
pressão maiores nos meninos, sendo esta diferença
significativa na região de mediopé (Tabela 1 e Figura 3).
Título do Gráfico
400
300
200
100
0
*
Feminino
Masculino
Figura 2. Representação do comportamento do pico de
pressão em relação à idade.
P á g i n a | 121
3
500
450
400
350
300
250
200
150
100
50
0
6
8
10
12
14
total
calcanhar
mediopé
antepé medial
16
antepé lateral
Figura 3. Representação dos valores de pico de pressão em cada
uma das regiões estudados. Comparação entre genero feminino
e masculino (*p ≤ 0,05).
estabelecer dados de normalidade . Em adultos,
estudos descrevem bem a diferença da distribuição
da pressão de acordo com a classificação dos pés
dos indivíduos, porém, nas crianças, esses padrões
são menos evidentes, principalmente pelo franco
desenvolvimento do arco longitudinal plantar 1. Os
valores no antepé medial tendem a ser maiores que
os do lateral, no adulto o que é consistente com um
padrão maduro do rolamento do pé na marcha. Os
valores de pico de pressão encontrados neste estudo
acompanham bem essas transformações. Na
comparação entre gêneros, nosso estudo não
observou diferenças, exceto no mediopé, com
pressão menor nas meninas que nos meninos.
Considera-se que, no adulto, a zona de mediopé
tipicamente apresenta picos de pressão menores que
as do calcanhar e zona de metatarsos5. Na criança,
no antepé, a distribuição das pressões plantares
parece apresentar transição entre 10 e 14 anos,
passando de uma fase em que há homogeneidade de
pressões entre o antepé lateral e medial para uma
fase onde há aumento nos picos na região medial, o
que indica uma maturação do padrão de rolamento,
onde se espera que o pé finalize com maiores picos
na região do antempé medial e hálux. Ainda assim,
futuramente, outros fatores deverão ser abordados
como a anatomia estrutural e estática dos pé e a
dinâmica de formação do arco plantar.
Conclusão: Os picos de pressão alteraram-se de
acordo com as diferentes faixas etárias nas regiões
de antepé medial e lateral e parecem tornar-se mais
semelhantes à forma adulta a partir dos 14 anos de
idade.
Legenda: (RP)retropé, (MP)medio-pé, (AM)antepé medial e
(AL)antepé lateral. (G1) 6-7anos, (G2) 8-9anos, (G3) 1011anos, (G4) 12-13anos, (G5) 14-15anos, (G6)
16anos.Comparação entre grupos, p≤0,05 em: @1<5 e 1<6;
&5>2 e 5>3; α1<3, 1<4, 1<5 e 1<6; β6>2 e 6>3;#
1<6.Comparação entre gêneros: *p≤0,05;
Discussão: O estudo verificou que, de modo geral,
os picos de pressão são menores nas crianças entre
6 e 11 anos quando comparados às de 14 a 16 anos.
É fato que haverá uma ampla variação de dimensões
e formas dos pés infantis, o que torna difícil
Referências:
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doi: 10.1046/j.1460-9584.1997.00043.x.
2.Sacco, ICN et al., 2014. Gait and Posture.vol 40 (4)
doi:10.1016/j.gaitpost.2014.06.018.
3.Gilmour JC et al., 2001. Foot Ankle Int.
vol 22 (6)
doi: 10.1177/107110070102200607.
4. Fillipin NT et al., 2007. Rev. bras. Fisioter. vol12 (6)
doi.org/10.1590/S1413-35552007000600012.
5. Urry et al., 2001. J Am Podiatr Med Assoc. vol91 (4)
doi: http://dx.doi.org/10.7547/87507315-91-4-203.
Fonte dos dados: Este resumo inclui dados parciais
do Projeto de Pós Doutorado: Estudo das alterações
Neuromusculoesqueléticas e seus impactos
funcionais nos membros inferiores de crianças com
CMT.
P á g i n a | 122
CMH.103. DOR LOMBAR INESPECIFICA INFLUENCIA NA FORÇA MUSCULAR
E NA ATIVIDADE ELETROMIOGRÁFICA DOS ERETORES DA ESPINHA DE
SOLDADORES DE UMA INDÚSTRIA METALÚRGICA NAVAL?
André Augusto M. T. Mendes1, César F. Amorin1, Sandra Maria Sbeghen Ferreira de Freitas1, Rosimeire
Simprini Padula1
1 Programa de Mestrado e Doutorado em Fisioterapia - Universidade Cidade de São Paulo – UNICID
[email protected]
Introdução: A necessidade de permanecer em
determinadas posturas por tempo prolongado tem
sido apontada como fator de risco biomecânico para
ocorrência dor lombar. Entretanto o efeito do
trabalho na força e atividade muscular de
trabalhadores com e sem dor lombar ainda são
escassos.
Objetivos: Comparar as condições musculares de
indivíduos com e sem dor lombar no inicio e ao
término de um dia de trabalho.
Métodos: Participaram do estudo 22 soldadores
divididos em grupos com (n=11) e sem dor lombar
(n=11). O grupo sem dor lombar foi pareado pela
idade, sexo, e indice de massa corporal do grupo com
dor lombar. As avaliações compreenderam a força
muscular de tronco durante a contração voluntária
máxima (CVM), e a atividade eletromiográfica dos
músculos eretores da espinha esquerdo e direito em
dois momentos do dia, manhã e tarde. O
dinamômetro lombar EMG System® foi utilizado
para mensurar a força de contração máxima integrado
a um eletromiógrafo de superfície EMG System®
para avaliar a atividade eletromiográfica dos
músculos eretores da espinha bilateralmente. Para a
análise estatística foi utilizado o programa SPSS
17.0e significância de5%. A análise de variância
ANOVA para medidas repetidas foi utilizada para a
avaliar a diferença entre tempos, e grupos para força
e da atividade eletromiográfica. aprovado pelo
Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Cidade
de São Paulo – UNICID, com Protocolo de Pesquisa
nº 13607513.2.0000.0064.
Resultados: A análise estatística não indicou
diferenças significativas entre os grupos para força
muscular (figura 1) e atividade eletromiografia de
eretores da espinha durante a CVM (figura 2) nos
períodos da manhã e a tarde (P>0,05).
Figura 1 – Força muscular média (Kgf) avaliada pela contração
voluntária máxima (CVM)
Figura 2 - Atividade eletromiográfica (µV) dos músculos
eretores da espinha durante a contração voluntária máxima
(CVM)
Discussão: A força muscular sofreu alteração entre
o teste realizado pela manhã e no final do dia para
ambos os grupos, mas sem diferenças significantes.
A dor parece ter influenciado a força mas não a
atividade eletromiográfica dos músculos eretores da
espinha para o GDL, porém não houve diferença
significativa para nenhuma delas. Isso pode indicar
que mesmo com dor a capacidade física e funcional
desses trabalhadores não sofreu alterações
significantes, o que não justificaria um período
prolongado de ausência do trabalho por dor lombar.
Conclusões: A dor não influenciou
significativamente a força muscular e a atividade
eletromiográfica dos eretores da espinha indicando
P á g i n a | 123
que a dor não interferiu na função muscular desses
trabalhadores.
Referências
Fethke NB et al. Comparison of biomechanical
loading during use of conventional stud welding
equipment and an alternate system. 2011. Appl Ergon
42.725-734.
Heydari A et al. EMG analysis of lumbar paraspinal
muscles as a predictor of the risk of low-back pain.
2010. Eur Spine J. 19. 1145–1152.
Kwon Bet al. 2012. Systematic review: occupational
physical activity and low back pain. Occup Med.
Oliveira AB et al . 2012. How is the box handled
when all surfaces can be freely held. Ergonomics. 55,
78 - 86.
Padula, RS et al. 2012. Low Back pain disability and
stay at Work: Contradiction or Necessity? Work. 41.
2417 - 2419.
Fonte dos dados: Os resultados apresentados são
partes de uma dissertação de mestrado intitulada
ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA E
BIOMECÂNICA DE SOLDADORES DE UMA
INDÚSTRIA METALÚRGICA NAVAL
O trabalho foi desenvolvido junto ao Programa de
Mestrado e Doutorado em Fisioterapia da
Universidade Cidade de São Paulo - UNICID.
P á g i n a | 124
CMH.104. EFEITO DA PREFERÊNCIA PEDAL E DO TIPO DE CHUTE NAS FASES
INICIAIS DO CHUTE NO FUTSAL
1
André Macari Baptista, 2Paulo Roberto Pereira Santiago, 3Sérgio Augusto Cunha, 4Paulo Cezar Rocha do
Santos, 1Lucas Simieli, 1Tiago Penedo, 1Fabio Augusto Barbieri
1-Faculdade de Ciências, UNESP - Univ. Estadual Paulista, Bauru, MOVI-LAB
2-Escola de Educação Física e Esporte, USP - Univ. São Paulo, Ribeirão Preto, LaBioCom
3-Faculdade de Educação Física, UNICAMP - Univ. Estadual de Campinas, LIB
4-Instituto de Biociência, UNESP - Univ. Estadual Paulista, Rio Claro, LEPLO
Introdução: Para fazerem o gol, atletas de futsal
utilizam, principalmente, a habilidade de chute
(BARBIERI et al, 2008b), sendo que ela pode ser
executada com o membro preferido e com o não
preferido. A preferência pedal está relacionado com a
precisão e com a velocidade que a bola vai ao gol
(BARBIERI et al, 2015). Para desempenhar bem essa
ação, é necessário habilidade perceptiva, eficiência e
acurácia do padrão de movimento (WILLIAMS et al.
1999, SAVELSBERGH et al. 2002). As informações
relevantes são colhidas durante a corrida de
aproximação do atleta para a bola, e ela é
caracterizada pela corrida do jogador em direçaõ a
bola e se finaliza uma passada antes do aplainamento
do pé de suporte (BARFIELD, 1998; XIMENES,
2002), e o posicionamento do membro de suporte
também pode interferir no desempenho do chute
(BARBIERI et al, 2008b). Ou seja, o mau início no
movimento pode acarretar em comprometimentos no
desempenho do chute (BARBIERI et al., 2008b).
Objetivos: Verificar o efeito da preferência pedal nos
parâmetros da corrida de aproximação e no pé de
suporte durante o chute com a bola parada e em
deslocamento.
Método: Participaram deste estudo 10 jogadores
(idade: 22,4±3,4 anos; massa corporal: 73,3±4,1 kg;
estatura: 1,75±0,04 cm) de futsal de nível estadual.
Os
participantes
foram
informados
dos
procedimentos e assinaram um termo de
consentimento livre e esclarecido aprovado pelo
Comitê de Ética do Instituto de Biociências da
UNESP – Campus Rio Claro (protocolo 4842). Os
participantes responderam o inventário de Coren
(1993) adaptado para determinar a preferência pedal.
Os atletas foram instruídos a executar 5 chutes (a 10
m do gol) em cada situação: bola parada com o
membro preferido (PP), bola parada com o membro
não preferido (PNP), bola em deslocamento com o
membro preferido (MP) e bola em deslocamento com
o membro não preferido (MNP). Os participantes
tinham o objetivo de atingir um alvo (1m²) no centro
do gol e empregar força máxima nos chutes. As
condições de chutes foram randomizadas. A corrida
de aproximação foi executada de acordo com a
preferência do indivíduo. A coleta de dados foi
realizada em uma quadra oficial e foram posicionadas
seis câmeras a 120 Hz para capturar os marcadores
passivos fixados nas proeminências ósseas de
interesse. Uma câmera (60 Hz) adicional foi
posicionada para analisar a precisão dos chutes. As
variáveis dependentes foram: ângulo (AJB) e
distância (DJB) do jogador para a bola, distância do
pé de suporte para a bola (DPB), velocidade da
corrida de aproximação (VCA), comprimento (CP) e
largura (LP) do passo, velocidade da bola (VB) e do
pé de chute (VP) e precisão do chute (PC). Foi
utilizado o software Dvideow para tratamento das
imagens (BARROS et al, 1999). As variáveis foram
comparadas através de ANOVA com fator para
preferência e tipo de chute, com medidas repetidas
para o último fator. O nível de significância foi
mantido em p<0,05.
Resultados: a ANOVA apontou interação entre
condições para a variável dependente AJB (p=0,049)
e a análise post hoc indicou aumento na condição
MNP comparado a PP, PNP e MP. Para o fator tipo
de chute, DJB (p=0,018) e DPB (p<0,001) tiveram
maiores valores, e VCA (p<0,001) e VP (p=0,001)
menores valores na condição bola parada comparada
a bola em deslocamento. Para o fator preferência,
VCA (p<0,001), VP (p=0,001), VB (p=0,001) e PC
(p=0,003) tiveram maiores valores na condição
membro preferido comparado com o não preferido.
P á g i n a | 125
Tabela 1. Médias e desvios padrão das variáveis
dependentes.
PP
PNP
AJB (˚)¹
36,86 ± 11,53 36,66 ±7,99
DJB (m)²
4,07 ± 0,89
4,16 ± 0,93
DPB (m)²
0,44 ± 0,10
0,46 ± 0,08
VCA (m/s)²,³
2,81 ± 0,48
1,28 ± 0,38
CP (m)
0,79 ± 0,17
0,76 ± 0,21
LP (m)
0,43 ± 0,08
0,48 ± 0,24
,
VP (m/s)² ³
17,61 ± 1,87 15,58 ± 2,69
VB (m/s)³
24,27 ± 2,21 21,62 ± 2,26
PC (m)³
1,17 ± 0,84
1,56 ± 1,30
MP
MNP
AJB (˚)¹
36,41 ± 10,22 38,70 ± 8,20
DJB (m)²
4,30 ± 0,72
4,28 ± 0,77
DPB (m)²
0,47 ± 0,11
0,50 ± 0,07
,
VCA (m/s)² ³
2,53 ± 0,66
1,97 ± 0,28
CP (m)
0,78 ± 0,38
0,77 ± 0,18
LP (m)
0,53 ± 0,63
0,47 ± 0,10
,
VP (m/s)² ³
17,25±2,26
14,77 ± 2,35
VB (m/s)³
23,88 ± 2,71 21,42 ± 2,25
PC (m)³
1,31 ± 0,91
1,97 ± 1,44
¹ interação entre as condições, ² diferença para tipo de chute, ³
diferença para preferência.
Discussão: Os resultados revelam que o aumento da
complexidade da tarefa (chute com a bola em
deslocamento e com o membro não preferido) gerou
adaptações nos parâmetros da corrida de
aproximação, no posicionamento do pé de suporte e
declínio no desempenho. Essas alterações é uma
adaptação do sistema para compensar a menor
experiência do membro não preferido em executar a
tarefa. Especificamente, o membro não preferido tem
menor sinergia de ativação muscular. A diminuição
da velocidade da bola e precisão quando o chute é
realizado com o membro não preferido corrobora
com outros estudos (BARBIERI et al, 2008a; 2008b),
onde os participantes também tiveram diminuição na
precisão e na velocidade da bola. Os resultados
revelam a importância do treinamento de ambidestria
nos atletas de futsal, pois pode ser uma vantagem
coletiva e individual durante as partidas,
principalmente em momentos de execução do chute
com o membro não preferido. (CAREY et al, 2001).
Conclusões: a preferência pedal tem efeito sobre os
parâmetros da corrida de aproximação e no
posicionamento do pé de suporte durante o chute,
sendo que
membro preferido tem melhor
desempenho quando comparado com o não preferido.
Referências
Barbieri FA et al. Rev. Bras. Cienc. Esporte. 2008a;
29(2):129-146.
Barbieri FA et al. Rev Port Cien Desp. 2008b; 8(1)
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Barbieri FA et al. J. Sports Sci. 2015; 33(13):14419. doi: 10.1080/02640414.2014.990490.
Barfield WR. Clin. Sports Med. 1998; 17(4):711-28.
Barros RML et al. Rev. Bras. Eng. Biomédica. 1999;
15(1):79-86.
Carey DP et al. J Sports Sci. 2001; 19: 855-864. doi:
10.1080/026404101753113804.
COREN, S. Bulletin of the Psychonomic Society.
1993; 31(1)1-3.
Savelsbergh GJ et al. J Sports Sci. 2002
Mar;20(3):279-87.
Ximenes JM. Dissertação. 2002; Univ. Est. Paulista.
Williams AM et al. E & FN Spon. 1999; 3881-441.
Fontes financiadoras: CAPES.
Fonte dos dados: Esses dados são parte do
conteúdo da Dissertação de Mestrado intitulada: O
chute com o membro dominante e não dominante
realizado com a bola parada e em deslocamento no
futsal. O trabalho é desenvolvido junto ao Programa
de Pós-Graduação Ciência da Motricidade, UNESPRC.
P á g i n a | 126
CMH105. ATIVAÇÃO ANTAGONISTA DURANTE O TESTE DE BIERINGSORENSEN EM INDIVÍDUOS COM DOR LOMBAR RECORRENTE E PESSOAS
SAUDÁVEIS
Ângela Kazue Morita1, Nise Ribeiro Marques1, Marcelo Tavella Navega1
1 Faculdade de Filosofia e Ciências – Unesp – Campus de Marília
Introdução: É descrito na literatura que sujeitos com
dor lombar recorrente apresentam diminuição da
rigidez intervertebral e, como mecanismo
compensatório, aumentam a co-contração muscular
do tronco para restaurar a estabilidade1. Ainda, esses
indivíduos, quando submetidos a testes de resistência
muscular localizada dos eretores da espinha
apresentam desempenho inferior em comparação aos
sujeitos saudáveis2. Nesse sentido, a provocação da
fadiga muscular do agrupamento extensor do tronco
poderia corromper o mecanismo adaptativo do
aumento da co-contração e contribuir para a recidiva
dos sintomas.
Objetivos: Comparar o padrão de ativação dos
músculos agonistas e antagonistas do tronco, entre
sujeitos com e sem dor lombar recorrente
inespecífica, durante a provocação da fadiga dos
eretores da espinha.
Métodos: Participaram do grupo experimental 19
sujeitos com dor lombar recorrente, de causa
inespecífica (7 homens, 12 mulheres, 38.53 ± 8.12
anos, 68.35 ± 12.18 kg, 1.66 ± 0.09 m), e 19 sujeitos
saudáveis no grupo controle (7 homens, 12 mulheres,
40.42 ± 8.63 anos, 69.57 ± 12.76 kg, 1.64 ± 0.07 m).
O presente estudo foi aprovado em Comitê de Ética
em Pesquisa local (processo número: 0948/2014).
Todos os participantes executaram a contração
isométrica voluntária máxima (CIVM) em flexão,
rotação e extensão do tronco, e após intervalo de 15
minutos, foram submetidos ao teste de resistência à
fadiga dos eretores da espinha (teste de BieringSorensen).
O sinal eletromiográfico de superfície dos músculos
oblíquo interno (OI), multífido lombar (MU), reto
abdominal (RA) e iliocostal lombar (IL), foram
captados bilateralmente. A análise eletromiográfica
foi realizada no domínio do tempo, por meio do
cálculo do Root Mean Square (RMS), utilizando-se
janelas móveis de 1 s com overlap de 0,5 s. Os valores
de RMS foram normalizados pelo valor CIVM. O
índice de co-contração (%) dos pares de músculos
OI/MU e RA/IL foi obtido por meio da fórmula de
Winter 3.
Aplicou-se o teste t-Student para amostras
independentes para comparar o valor de RMS entre
os grupos e o teste Mann-Whitney para comparar o
índice de co-contração. O nível de significância foi
ajustado em p < 0.05.
Resultados: Foi encontrada diferença significativa
entre os grupos para as variáveis índice de cocontração do OI/MU (Tabela 1) e RMS do OI (Figura
1), ambos do lado direito, em que o grupo controle
obteve maiores valores quando comparado ao grupo
experimental.
Tabela 1. Comparação dos índices de co-contração
(%) obtidos durante o teste de Biering-Sorensen
(média ± desvio padrão).
OI= oblíquo interno; MU= multífido lombar; RA=
reto abdominal; IL= iliocostal lombar; D= direito; E=
esquerdo; * p < 0.05.
Discussão: Em tarefas que não envolvem a
ocorrência da fadiga muscular do tronco, sujeitos
com dor lombar são caracterizados por adotarem o
mecanismo compensatório de aumento da ativação e
da co-contração dos músculos do tronco em níveis
mais elevados do que pessoas saudáveis4. Já a tarefa
executada no presente estudo, que envolve a indução
da fadiga dos músculos localizados na região da dor,
não provocou a mesma compensação, visto que o
aumento da co-contração e da ativação do antagonista
foi inferior no grupo experimental, em comparação
aos saudáveis.
RMS (%)
*
Músculo
s
Figura 1. Comparação dos valores do RMS
normalizado (%) obtidos durante o teste de BieringSorensen (média ± desvio padrão). OI= oblíquo
interno; RA= reto abdominal; MU= multífido
lombar; IL= iliocostal lombar; D= direito; E=
esquerdo; * p < 0.05 na comparação entre grupos.
Estes achados corroboram com estudos prévios
realizados em populações saudáveis, que
identificaram uma constante modulação da cocontração muscular em tarefas isométricas, a fim de
equilibrar as forças opostas geradas pelos músculos
agonistas e antagonistas da função e otimizar a
manutenção da contração agonista5.
A porção inferior do OI é considerada um importante
estabilizador da coluna lombar, uma vez que se insere
na fáscia toracolombar, e por meio de seu
tensionamento, aumenta a pressão intra-abdominal e
torna a coluna mais rígida6. Pacientes com dor lombar
apresentam alterações no padrão de ativação dos
músculos abdominais profundos, tais como atraso no
tempo de ativação7 ou menor ativação automática em
variações posturais8.
A estratégia de aumentar a ativação do antagonista
parece ser determinada pelo risco de lesão envolvido
na tarefa9. Neste sentido, o teste de Biering-Sorensen
poderia impor aos sujeitos com dor lombar uma
sobrecarga suficiente, em que aumentar a ativação do
antagonista não seria vantajoso.
Conclusões: Sujeitos com dor lombar apresentam
menor recrutamento dos músculos abdominais
profundos diante da provocação da fadiga dos
eretores da espinha, quando comparados aos
saudáveis.
Referências
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muscles as a predictor of the risk of low-back pain. Eur
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gastrocnêmio e tibial anterior na marcha de mulheres
utilizando diferentes alturas de saltos. Rev Bras Cienc
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trunk muscles in sitting balance control in people with low
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8.
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low back pain do not modulate the level of transversus
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Granata KP, Marras WS. Cost-benefit of muscle
cocontraction in protecting against spinal instability.
Spine. 2000; 25(11): 1398-404.
Fonte dos dados: Esses dados são parte do conteúdo
da Dissertação de Mestrado intitulada: Padrão de
ativação dos músculos do tronco em indivíduos com
e sem dor lombar recorrente inespecífica. O trabalho
foi desenvolvido junto ao Programa de PósGraduação em Desenvolvimento Humano e
Tecnologias, Instituto de Biociências - UNESP.
P á g i n a | 128
CMH. 106. CO-CONTRAÇÃO DOS MÚSCULOS DO TRONCO DURANTE A
MARCHA EM JOVENS COM DOR LOMBAR.
Beatriz Mendes Tozim1; Ana Elisa Zuliani Stroppa Marques2; Nise Ribeiro Marques2; Mary Hellen
Morcelli2; Marcelo Tavella Navega2.
1 Instituto de Biociências/Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita” (UNESP/ Rio Claro); 2
Faculdade de Filosofia e Ciências/Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita” (UNESP/ Marília).
Introdução: A dor lombar (DL) é a principal
queixa física relatada por mulheres jovens1 e
quando crônica apresenta alto custo ao sistema
único de saúde e afastamento do trabalho2. A
principal causa da dor lombar é disfunção da
estabilização ativa do tronco3. Durante os
movimentos dinâmicos a estabilidade articular é
mantida pela contração simultânea de dois ou mais
músculos, por meio da co-contração antagonista
dos músculos4. Entre as atividades dinâmicas mais
utilizadas nas atividades de vida diária está a a
marcha5. A literatura pregressa identificou que em
indivíduos com dor lombar ocorre um aumento da
ativação dos músculos do tronco (eretor da espinha
e reto abdominal) durante a marcha como tentativa
de manter a estabilidade6,7, No entanto, em relação
ao padrão de co-contração desses indivíduos
durante a marcha ainda não foram encontradas
investigações, principalmente no que tange os
músculos estabilizadores da coluna vertebral. A
hipótese do presente estudo é que a co-contração
dos músculos estabilizadores do tronco é maior em
jovens sedentários com DL crônica quando
comparado a indivíduos sem DL.
Objetivos Comparar a co-contração dos músculos
Oblíquo Interno (OI) e Multífido (MU), Oblíquo
externo (OE) e Iliocostal Lombar (IL), e Reto
Abdominal (RA) durante diferentes velocidades de
marcha em mulheres jovens com e sem DL crônica.
Métodos: É estudo transversal, quantitativo,
aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da
Faculdade de Filosofia e Ciências (Protocolo de nº
0863/2013). Participaram da pesquisa 34 mulheres,
sedentárias, com idade entre 18 e 27 anos, que
foram divididas em dois grupos, 18 apresentavam
DL crônica (GDL) e 16 não tinham DL (GSDL). A
ativação muscular durante a marcha foi medida
pela Eletromiografia de superfície em 2 diferentes
condições de marcha em uma esteira ergométrica
durante os 10 primeiros ciclos de marcha: condição
1 (velocidade de preferência) e condição 2
(velocidade máxima de caminhada). Os dados
Eleromiográficos (EMG) foram registrados através
do eletromiografo MyosystemBr1_P84 (Data
Hominis®) com frequência de amostragem de 2000
Hz, ganho total de 2000 vezes. Os eletrodos ativos
de Ag/AgCl, foram posicionados sobre o lado
dominante dos músculos: OI; MU; RA; OE; IL. A
análise dos sinais EMG foram realizados utilizando
rotinas específicas no software Matlab®, filtro
passa alta de 20Hz, filtro passa baixa de 500 Hz,
seguido da retificação do sinal por onda inteira, e
posteriormente a utilização do filtro passa baixa de
6 Hz para criação o envelope linear. O percentual
de co-contração foi calculado de acordo com a
fórmula de Winter para os músculos OI/MU,
OE/IL e RA/IL. Na análise estatística foi utilizado
o teste Shapiro-Wilk para verificação da
distribuição de normalidade dos dados, e Análise
de variância com medidas repetidas two-way com
pos-hoc Bonferroni. Foi considerando significativo
p<0,05.
Resultados: Os grupos são homogêneos quanto a
idade, massa corpórea e Indice de massa corpórea.
A Tabela 1 mostra os valores referentes a cocontração dos músculos estabilizadores de tronco
com efeito principal para a condição p<0,001 e
F=12,505, para o grupo p=0,273 e F=1,349 e para
a interação Grupo X Condição p=0,018 e F=3,290.
Em relação a análise entre as condições de marcha
foi observado um aumento significativo para
OI/MU (p<0,001 e F=16,046), OE/ IL (p<0,001 e
F=15,993), RA/IL(p<0,001 e F=15,658) na
condição 2 em relação a 1. Para a análise dos grupo
não observou-se diferença significativa para
nenhuma das variáveis. Quanto a interação entre
Grupo X Condição apresentou diferença para os
músculos OI/MU (p=0,021 e F=5,909) ao ao
comparar GSDL e o GDL na condição 1, também
foi significativo ao comparar as condições no grupo
GSDL;para os músculos OE/IL (p=0,011 e
F=7,334) foi significativo ao comparar as
condições no GSDL.
P á g i n a | 129
Tabela 1. Resultados da Co-contração.
Condição 1 (%)
Condição 2 (%)
Condição (%)
Grupo (%)
GDL
GSDL
GDL
GSDL
1
2
GDL
GSDL
OI/M 61,5 ±15,14 49,3 ±15,6 64,1 ±14,4 60,1 ±16,40 55,8 ±16,3 62,2 ±15,28 62,8 ±14,6 54,7 ±16,7
a
b
*
U
4
7
9
7
1
1
1
7
6
6
3
4
1
61,5
54,4 ±12,6 64,5 ±18,7 69,7 ±17,88 58,2 ±15,4 66,9 ±18,28 63,0 ±17,8 62,0 ±17,1
OE/IL
±17,23
b
*
9
7
8
2
8
2
4
6
7
6
3
9
0
48,9
56,1 ±10,6 58,6 ±15,6 63,7
52,3 ±11,8 61,0 ±16,30 53,8 ±14,6 59,9 ±14,5
RA/IL
±12,20
±17,14
*
3
5
4
8
2
4
3
9
6
1
7
4
5
*
Apresentou diferença significativa (p<0,05). a Apresentou diferença significativa ao comparar os grupos
levando em conta a condição (p<0,05). b Apresentou diferença significativa ao comparar as condições levando
em conta o grupo (p<0,05).
Discussão: Estes resultados sugerem que mulheres
com DL necessitam de maior co-contração OI/MU
devido ao aumento exagerado do enrijecimento do
tronco 6, que é causado pela maior co-ativação
antagonista, na tentativa de melhorar o controle
motor
e
estabilidade8,
tais
adaptações
sobrecarregam a coluna vertebral9 e desencadeiam
a dor. O GSDL precisou aumentar a ativação
apenas em condições de maior dificuldade durante
a marcha de OI/MU e OE/IL, acredita-se que isto
ocorra a fim de ter um comportamento estável e
ideal dos músculos do tronco, que necessitam de 3
fatores que agem de maneira integrada9. Os fatores
são o suporte de cargas, a permissão de mobilidade
e a prevenção de lesões e dores9.
Conclusões: Podemos concluir que a co-contração
muscular foi maior no grupo GDL comparado ao
grupo GSDL durante a velocidade de preferência
para os músculos OI/MU. Além disso, o grupo
GSDL apresentou aumento da co-contração dos
músculos OI/MU e OE/IL ao apresentar o aumento
da velocidade.
Referências
1.
Watanabe
M
et
al.
Physiotherapy. 2013;99(1):78-83.
doi:
10.1016/j.physio.2011.09.005.
2. Salvetti MG et al. Incapacidade relacionada à dor
lombar crônica: prevalência e fatores associados.
Revi Esc Enf USP. 2012; 46: 17-23.
3. Panjabi M. J Spinal Disord. 1992;5(4):383-9;
DOI: 10.1097/00002517-199212000-00001
4. Candotti C T et al. Rev Bras Ciênc Esporte.
2012;
34(1):27-39.
http://dx.doi.org/10.1590/S010132892012000100003.
5. Gombatoa SP et al. Gait & Posture. 2015; 42:
539-549.
Doi:
http://dx.doi.org/10.1016/j.gaitpost.2015.08.010.
6. Van Dieën JH et al. J Electromyogr
Kinesiol. 2003;13(4):333-51.
DOI: 10.1016/S1050-6411(03)00041-5
7. Hulst MVD et al. Journal of Electromyography
and Kinesiology. 2010; 20:31-38, 2010. doi:
10.1016/j.jelekin.2009.03.009
8. Cholewicki J et al. Spine (Phila Pa 1976). 1997;
22(19):2207-12.
doi: 10.1097/00007632199710010-00003
9. Marras WS et al. Spine. 2004; 4(1): 64–75.
doi:10.1016/S1529-9430(03)00424-8
Fonte dos dados: Esses dados são parte do
conteúdo da Dissertação de Mestrado intitulada:
“Avaliação de parâmetros de desempenho
muscular em jovens sedentárias com dor lombar”
do
Programa
de
Pós-Graduação
em
Desenvolvimento Humano e Tecnologias, Instituo
de Biociências/ UNESP.
P á g i n a | 130
CMH. 107. ASSOCIAÇÃO ENTRE VARIÁVEIS TEMPORAIS E ESPACIAIS DA
MARCHA COM A OSCILAÇÃO DO CENTRO DE MASSA EM IDOSOS
VIVENTES EM INSTITUIÇÕES DE LONGA PERMANÊNCIA
Bruna Carvalho Cardoso1; Bruna Oliveira Plassa²; Ana Paula de Martini Lopes dos Santos³; Giovanna Ferreira
Camilo³; Nise Ribeiro Marques³; Daniela Cristina Carvalho Leite de Abreu4
1,2 Faculdade de Medicina de Marília (FAMEMA); 3 Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”
(UNESP - Marília); 4 Universidade de São Paulo (USP – Ribeirão Preto)
Introdução: O envelhecimento pode ser definido pelos
efeitos que a idade causa no organismo de uma pessoa,
caracterizando um processo que é construído ao longo de toda
a vida¹. As alterações fisiológicas inerentes ao
envelhecimento podem levar ao declínio na função em
diversos sistemas e predispor o indivíduo a disfunções e
doenças, tais como a perda de força muscular, a diminuição
da capacidade visual e auditiva, a perda de equilíbrio, as
alterações na marcha, que são fatores que elevam o risco de
quedas na população idos2.
A marcha é um movimento rítmico que mantém o corpo em
locomoção progressiva à frente3. O controle do equilíbrio
durante a marcha é visto na literatura como um processo que
requer atenção e altos níveis de recursos cognitivos para
estimar, planejar e executar sua regulação4.
Além disso, a institucionalização do idoso pode representar
um fator de risco adicional para quedas em idosos com
declínio cognitivo5.
A hipótese do presente estudo é que idosos com maior
deslocamento do centro de massa (CM) podem apresentar
pior desempenho na execução da marcha, resultando em
menor comprimento de passada, maior tempo de apoio, maior
tempo de duplo apoio e maior variabilidade dos parâmetros
cinemáticos.
Objetivos: Correlacionar as variáveis temporais e espaciais
da marcha com a oscilação do CM em idosos viventes em
instituições de longa permanência.
Métodos: Participaram do estudo 11 idosos (76,64 ± 8,29
anos) viventes em instituições de longa permanência. Os
participantes foram selecionados de acordo com os seguintes
critérios de elegibilidade: idade entre 60-80 anos, ausência de
doenças neurológicas adquiridas progressivas ou não,
ausência de comorbidades cardiovasculares, metabólicas ou
respiratórias, que impossibilitem a realização do teste e visão
normal ou corrigida.
O estudo foi aprovado em Comitê de Ética local (parecer
número: 011580/2015).
Tabela 1: Caracterização da amostra.
Variáveis
Média ± DP
Idade (anos)
76,64 ± 8,29
Equilíbrio (pontos)
2 ± 0,89
Velocidade de Marcha
(pontos)
Sentar e Levantar (pontos)
2,91 ± 0,94
2,09 ± 1,22
SPPB Total (pontos)
7 ± 2,23
MEEM (pontos)
16,45 ± 4,23
Velocidade de Marcha
(m.s-1)
0,67 ± 0,12
MEEM = Mini Exame do Estado Mental; SPPB = Short
Physical Performance Battery.
Os procedimentos de coleta de dados foram realizados em
uma única visita ao ambiente de coleta. A avaliação foi
composta por: anamnese, avaliação cognitiva por meio do
Mini-Exame do Estado Mental, avaliação da mobilidade e
velocidade da marcha pela Short Physical Performance
Battery; e avaliação de parâmetros cinemáticos da marcha.
A avaliação da marcha foi realizada em um corredor de 14
metros e as variáveis foram coletadas nos 10 metros centrais
da passarela por meio dos sinais dos sensores de pressão
(FootSwitch, Noraxon, Arizona, EUA; Figura 1a) colocados
sobre: base do hálux e calcâneo (Figura 1b) dos dois pés.
Foram realizadas aproximadamente cinco tentativas em solo
em velocidades de preferência.
P á g i n a | 131
Discussão: Os resultados do estudo mostraram que houve
correlação negativa entre a oscilação do CM e a variabilidade
do tempo de balanço em idosos asilados. Tal resultado refuta
nossa hipótese inicial de que, quanto maior a variabilidade
dos parâmetros da marcha em idosos, maior seria o
deslocamento do CM.
Possivelmente esses achados estão relacionados a inabilidade
desses indivíduos em responder às perturbações externas que
ocorrem durante a marcha. Nesse sentido, idosos que
apresentam maior rigidez, possivelmente, apresentam um
pior controle de movimento, o que resulta nas alterações de
ritmo e variabilidade da marcha.
FIGURA 1: (a) Equipamento portátil para coleta de dados
cinemáticos; (b) posicionamento dos sensores de
footswitches.
Os parâmetros cinemáticos da marcha analisados foram:
velocidade, tempo de passada, variabilidade do tempo de
passada, tempo de apoio simples e tempo de duplo apoio; e
comprimento da passada. O deslocamento do CM foi medido
por um acelerômetro triaxial posicionado sobre o processo
espinhoso de T10, com frequência de amostragem de 1000
Hz e seus dados foram obtidos utilizando a aceleração médiolateral (ML; eixo y).
A variabilidade dos dados cinemáticos foi analisada por meio
do desvio padrão.
Cinquenta ciclos de marcha consecutivos foram obtidos e
utilizados para a análise dos dados durante a marcha6. A
determinação do início e do fim da fase de apoio, da fase de
balanço e da passada foram determinados por meio do sinal
dos sensores de pressão.
O deslocamento do CM foi calculado utilizando o coeficiente
de inclinação de reta de regressão linear formada a partir do
mínimo valor até o valor máximo de aceleração ML ao longo
do ciclo.
Para análise estatística foi utilizado o teste de correlação de
Pearson. O nível de significância foi ajustado em p < 0,05.
Resultados: Houve correlação entre o CM e a variabilidade
do tempo de balanço (r = -0,625 e p = 0,04).
Limitações do estudo: n amostral pequeno.
Sugerimos que novas investigações sejam realizadas para
identificar o efeito do declínio cognitivo, característica
comum em idosos viventes em instituições de longa
permanência no equilíbrio e no padrão de marcha dessa
população e a sua relação com quedas.
Conclusões: Houve uma correlação negativa entre a
variabilidade do tempo de balanço e a oscilação do CM. Isso
provavelmente está relacionado ao pior controle de
movimento dessa população.
Referências
1. Ávila AH et al. Pensamiento Psicológico, 2007; 3(8): 7-18
2. Menezes RL et al. Ciênc Saúde Colet, 2008; 13 (4): 120918.
3. Kirkwood RN et al. R bras Ci e Mov, 2006; 14 (4): 103-10.
4. Abbud GAC et al. Gait Posture, 2009; 30 (2): 227-32.
5. Kröpelin TF et al. Int Psychogeriatr, 2013; 25 (4): 549-63.
6. Konig N et al. Gait Posture, 2014; (1): 615-7.
Fontes financiadoras: Auxílio Regular
(2014/07223-7); Edital Universal CNPq/2014.
FAPESP
Fonte dos dados: Esses dados são parte de um projeto
concedido com auxílio regular FAPESP e um projeto
financiado pelo Edital Universal CNPq intitulado:
“Identificação da capacidade de predição de quedas em
idosos por meio de um limiar baseado na variabilidade do
tempo de apoio da marcha.
P á g i n a | 132
CMH. 108. COMPARAÇÃO DAS VARIÁVEIS CINEMÁTICAS DA MARCHA DE IDOSOS
VIVENTES NA COMUNIDADE E EM INSTITUIÇÕES DE LONGA PERMANÊNCIA
Bruna Oliveira Plassa1; Bruna Carvalho Cardoso2; Deborah Hebling Spinoso3; Andressa da Costa Candido3;
Daniela Cristina Carvalho Leite de Abreu4; Nise Ribeiro Marques3
1,2
Faculdade de Medicina de Marília FAMEMA; 3 Universidade Estadual Paulista UNESP – Marília; 4
Universidade de São Paulo USP – Ribeirão Preto
Introdução: O envelhecimento é um processo
fisiológico que promove alterações e eessas resultam
em falta de equilíbrio, anormalidades na marcha,
diminuição da força muscular, baixa acuidade visual,
alteração da propriocepção e na cognição1.
Considerando que a incidência do declínio cognitivo
em idosos viventes em instituições de longa
permanência é três vezes maior que em idosos
viventes na comunidade 2 e que o declínio cognitivo
esta associado com o número de quedas3, é
importante a investigação da existência de
anormalidades na marcha. Nossa hipótese é de que
existe diferença nas variáveis cinemáticas da marcha
entre os grupos de idosos uma vez que os idosos
viventes em instituições de longa permanência
apresentam maior declínio funcional e cognitivo.
Objetivo: Analisar as variáveis cinemáticas da
marcha de idosos viventes na comunidade e idosos
viventes em instituições de longa permanência.
Métodos: Participaram deste estudo 33 idosos, sendo
11 idosos (76,64 ± 8,29 anos; Tabela 1) viventes em
instituições de longa permanência e 22 idosos (63,64
± 7,61 anos; Tabela 1) viventes na comunidade. O
presente estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética e
Pesquisa local (número do processo 011580/15).
O procedimento de coleta de dados foi realizado em
uma única visita ao ambiente de coleta e de forma
individual. Inicialmente foi realizado o Short
Physical Performance Battery (SPPB) e o Mini
Exame do Estado Mental (MEEM) e subsequente foi
coletado as variáveis cinemáticas da marcha.
A análise da marcha foi realizada em uma passarela
de 14 metros, sendo descartados os dois metros
iniciais e finais da passarela por conta das fases de
aceleração e desaceleração da marcha. Foram
realizadas, aproximadamente, cinco tentativas de
caminhada na passarela em velocidade de preferência
para a coleta dos parâmetros. Foi utilizado um
módulo de aquisição de sinais biológicos (Noraxon,
Arizona, EUA) ajustado em uma frequência de
amostragem de 1000 Hz com o qual foram capitados
os sinais de dois sensores de footswitches localizados
na região do calcâneo e base do hálux em ambos os
pés (Figura 1).
Figura 1. Colocação dos sensores footswitches;
voluntárias no momento da coleta.
Foram utilizadas rotinas específicas desenvolvidas
em ambiente Matlab (Mathworks, Natick, EUA) para
a análise e foi considerada 40 passadas. As variáveis
extraídas foram as seguintes variáveis espaciais e
temporais da marcha: comprimento da passada,
tempo de apoio, tempo de balanço, tempo da passada
e tempo de duplo apoio, além da variabilidade dos
parâmetros temporais da marcha.
Tabela 1. Caracterização da amostra.
Variáveis
GILP
GC
Idade
76,64 ± 8,29
63,64 ± 7,61
(anos)
Equilíbrio
2 ± 0,89
4±0
(pontos)
Marcha
2,91 ± 0,94
2,86±0,77
(pontos)
Sentar e
2,09 ± 1,22
2,5±1,1
Levantar
(pontos)
SPPB total
7±2,23
9,36±1,56
(pontos)
MEEM
16,45 ± 4,23
> 24
(pontos)
Velocidade
0,67±0,12
1.01±0.14
Marcha
(m.s-1)
p
< 0,001*
< 0,001*
0,88
0,33
0,001*
< 0,001*
GILP = grupo de idosos de instituição de longa permanência, GC = grupo de
idosos da comunidade. * p < 0,05.
Foi utilizado o teste análise de covariância
multivariada (MANCOVA) e o teste post hoc de
Bonferroni para comparação das variáveis
cinemáticas da marcha entre os grupos de idosos
viventes em instituição de longa permanência e
idosos viventes na comunidade, considerando como
covariável a idade dos participantes. O nível de
significância foi ajustado em p < 0,05.
P á g i n a | 133
Resultados: A MANCOVA demonstrou diferenças
significativas entre os grupos (F = 26,4 e p < 0,01). O
grupo de idosos viventes em instituição de longa
permanência apresentou a velocidade de marcha e o
comprimento do passo, respectivamente, 33,88 e
26,82% menor que os idosos viventes na comunidade
(p < 0,01 para ambos). Os tempos de apoio, balanço,
passada e tempo de duplo apoio foram,
respectivamente, 18,71, 24,6, 21,55, 21,79% maior
no grupo de idosos viventes em instituições de longa
permanência (p < 0,01 para tempos de apoio, balanço
e passada; e p = 0,012 para tempo de duplo apoio).
Em relação à variabilidade, idosos viventes em
instituições de longa permanência apresentaram a
variabilidade dos tempos de apoio, balanço e passada,
respectivamente, 50,32, 70,23 e 71,47% maior do que
idosos viventes na comunidade (para variabilidade
dos tempos de balanço e passada, p < 0,001; para
variabilidade do tempo de apoio, p = 0,013).
Discussão: O principal achado deste estudo foi que
idosos viventes em instituições de longa permanência
apresentaram diferenças significativas nas variáveis
cinemáticas da marcha. Neste sentido, os achados do
presente estudo sustentam a nossa hipótese inicial.
Os idosos viventes em instituições de longa
permanência apresentaram anormalidades da marcha
que denotam pior desempenho nessa tarefa. Tais
achados podem estar relacionados às alterações
cognitivas de idoso viventes em instituições de longa
permanência.
Assim, para todos os idosos viventes na comunidade
o escore no MEEM foi maior que 24, sugerindo então
a ausencia de declínio cognitivo. Já nos idosos
viventes em instituições de longa permanência a
pontuação do MEEM foi entre 20-11 determinando,
o que indica a presença de um declínio moderado4.
Levando em consideração que problemas cognitivos
tambem estao relacionados as vias corticais que
regulam o controle motor, idosos viventes em
instituições de longa permanência possívelmente
apresentam, além de uma maior diminuição de força
e equilíbrio, também alterações de controle
neuromuscular, que resultam em anormalidades na
marcha e os predispoem em maior risco de quedas5.
Conclusões: Neste contexto, concluímos que os
idosos viventes em instituições de longa permanência
apresentaram anormalidades na marcha, tais como:
menor velocidade de marcha e comprimento do
passo, maior tempo de apoio, duplo apoio e balanço e
uma maior variabilidade dos tempos de apoio,
balanço e passada, o que pode relacionar-se ao
declínio cognitivo e funcional apresentado nessa
população.
Referências
1 Menezes R. L. et al. Ciênc. saúde coletiva. 2008; 13
(4):1209-1218
2 Gauthier S. et al. The Lancet. 2006; 367
(9518):1262-1270
3 Bassey EJ. Rev in Clin Gerontol. 1997; 7 (289)297
4 Brucki SMD et al. Arq Neuropsiquiatr. 2003; 61
(3B):777-81
5 Amboni M. Mov Disord 2013; 28 (11):1520-1533
Fontes financiadoras: FAPESP (número do
processo:
2014/07227-3).
Edital
universal
CNPq/2014 (processo número: 441419/2014-3).
Fonte dos dados: Os resultados apresentados são
parte integrante de um auxílio regular da FAPESP e
um projeto financiado pelo edital universal CNPq
intitulado: “Identificação da capacidade de predição
de quedas em idosos por meio de um limiar baseado
na variabilidade do tempo de apoio da marcha”.
P á g i n a | 134
CHM.109. INFLUÊNCIA DA ATAXIA NA EFICIÊNCIA MASTIGATÓRIA
Bruno Ferreira1, Veridiana Wanshi Arnoni2, Gabriel Pádua da Silva1, Camila Roza Gonçalves2, Oswaldo
Luiz Stamato Taube2, Lígia Maria Napolitano Gonçalves2, Marisa Semprini2, Selma Siéssere2, Simone
Cecilio Hallak Regalo2
1
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – Universidade de São Paulo;
2
Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto – Universidade de São Paulo.
Introdução: A ataxia é uma desordem neurológica
da região cerebelar que se manifesta em vias
motoras gerando ao indivíduo perda da
coordenação dos movimentos nos músculos
voluntários, distúrbios no controle da postura
corporal, nistagmas, alterações no controle de voz
e perda da articulação das palavras1. Os indivíduos
com ataxia também podem desenvolver quadros de
disfagia, associados as lesões cerebelares, fato este
que interfere no prognóstico dos indivíduos por
desenvolverem complicações relacionadas com a
desidratação, nutrição inadequada ou aspirações
alimentares2.
Objetivo: Este estudo teve por finalidade analisar
a eficiência dos ciclos mastigatórios por meio da
integral da envoltória do sinal eletromiográfico
durante a mastigação de parafilme M® (não–
habitual) e amendoins e uvas passas (habitual) em
pacientes com ataxia comparando-os com
indivíduos saudáveis.
Métodos: Foram selecionados 16 indivíduos com
idade entre 20 a 60 anos de ambos os gêneros,
divididos em dois grupos pareados sujeito a sujeito.
GI – Pacientes com ataxia: foram selecionados 8
pacientes por uma amostra de conveniência. GII –
Controle: foram selecionados 8 indivíduos
saudáveis. Os indivíduos foram submetidos a
avaliação eletromiográfica dos músculos
temporais e masseteres durante as condições
clínicas de mastigação de parafilme, uvas passas e
amendoins. Foi realizado a análise estatística pelo
SPSS 22.0 utilizando o teste t (p<0,05). Esta
pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em
Pesquisa (CAE: 13073313.9.0000.5419).
Resultados: Na avaliação da eficiência dos ciclos
mastigatórios para mastigação habitual e nãohabitual não foram observadas alterações
estatisticamente significantes entre os dois grupos
analisados (tabela 1).
Discussão: A ataxia varia entre 43 tipos diferentes
de manifestações clínicas que são classificados
pelos seus sinais, sintomas e exames laboratoriais.
As ataxias 2, 3, 6, 7 e 10 são as que mais
desenvolvem queixas principais relacionadas as
funções mastigatórias e desenvolvem sinais
clínicos como desidratação, desnutrição e
aspiração traqueal1.
Desta forma, a avaliação das alterações funcionais
do sistema estomatognático nestes indivíduos é
fundamental e a literatura tem demonstrado que
para avaliar estas alterações a eletromiografia tem
sido um recurso valioso.
Neste estudo, os indivíduos com ataxia não
apresentaram diferença na eficiência mastigatória
durante as condições clínicas de mastigação com
parafilme M®, uvas passas e amendoins, fato este
que é justificado por Woda et al. 3 a mastigação é
um processo fisiológico controlado pelo sistema
nervoso central, mas necessita das informações
geradas pelo próprio sistema estomatognático,
informando sobre as condições do alimento há ser
mastigado.
Nossos resultados são discordes aos de
Abdulmassih, et al.1, que demonstram em seus
estudo haver uma redução dos movimentos
mandíbulas na fase mastigatória que compromete
a função mastigatória.
Conclusão: Com base nos resultados conclui-se
que não há diferença significativa da eficiência
mastigatória entre os indivíduos com ataxia e o
grupo controle.
Referências:
1.
Abdulmassih EMS; et al. The evaluation of swallowing in patients
with spinocerebellar ataxia an oropharygeal dysphagia: A comparison study
of videofluoroscopic and sonar doppler. International Archives of
Otorhinolaryngology, 2014; 17(1): 66-73, 2013. 42.
2.
SCHMAHMANN, J. Disorders of the cerebellum: ataxia,
dysmetria of thought, and the cerebelar cognitive affective syndrome. J
Neuropsych and Clin Neurosc. 2004; 16(3): 367 – 378.
3.
Woda A; et al.. Adaptation of healthy mastication to factors
pertaining to the individual or to the food. Phys & Beh. 2006; 89(1): 28 – 35.
28.
Fonte dos dados: Estes resultados apresentados são decorrentes de uma
pesquisa original do Departamento de Morfologia, Fisiologia e Patologia
Básica da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da Universidade de
São Paulo.
P á g i n a | 135
Mastigação de
Amendoins
Mastigação de Uvas
Passas
Mastigação de
Parafilme M®
Tabela 1 – Médias eletromiográficas normalizadas na condição clínica de mastigação não habitual de parafilme M ®, mastigação
habitual de uvas passas e mastigação habitual de amendoins, para os indivíduos com ataxia e controle, analisados para os
seguintes músculos: temporal direito e esquerdo, masseter direito e esquerdo.
Músculos
Grupo
p
Média
Erro Padrão
G1 – Ataxia
0,91
±0,12
Temporal Direito
0,55ns
G2 - Controle
1,05
±0,18
G1 – Ataxia
1,19
±0,31
Temporal Esquerdo
0,42ns
G2 - Controle
2,36
±1,37
G1 – Ataxia
1,18
±0,34
Masseter Direito
0,78ns
G2 - Controle
1,06
±0,22
G1 – Ataxia
2,15
±1,30
Masseter Esquerdo
0,74ns
G2 - Controle
1,67
±0,62
G1 – Ataxia
1,48
±0,49
Temporal Direito
0,60ns
G2 - Controle
1,19
±0,22
G1 – Ataxia
2,36
±1,38
ns
Temporal Esquerdo
0,84
G2 - Controle
2,82
±1,86
G1 – Ataxia
1,78
±1,02
Masseter Direito
0,58ns
G2 - Controle
1,18
±0,27
G1 – Ataxia
1,08
±0,36
Masseter Esquerdo
0,47ns
G2 - Controle
1,46
±0,35
G1 – Ataxia
0,95
±0,20
Temporal Direito
0,51ns
G2 - Controle
0,79
±0,14
G1 – Ataxia
1,40
±0,63
Temporal Esquerdo
0,92ns
G2 - Controle
1,50
±0,85
G1 – Ataxia
1,29
±0,77
Masseter Direito
0,86ns
G2 - Controle
1,14
±0,34
G1 – Ataxia
0,77
±0,22
Masseter Esquerdo
0,99ns
G2 - Controle
0,77
±0,21
P á g i n a | 136
CHM.110. EFEITOS DO DISPOSITIVO DE COMPRESSÃO TECIDUAL
SUPERFICIAL NO CONTROLE DO TÔNUS MUSCULAR ESPÁSTICO
Camila Roza Gonçalves1,Gabriel Pádua da Silva2, Bruno Ferreira2, Veridiana Wanshi Arnoni3, Edson
Donizetti Verri3, Saulo Fabrin3; Crislaine de Lima4; Vanessa de Fátima Dias4; Simone Cecilio Hallak
Regalo3.
1
Departamento de Engenharia Biomédica- Universidade Federal de Uberlândia;
2
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto- Universidade de São Paulo;
3
Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto – Universidade de São Paulo;
4
Centro Universitário UNIFAFIBE- Curso de Fisioterapia.
Introdução: As doenças e as seqüelas
neurológicas interferem na capacidade do
indivíduo
em
desempenhar
determinadas
habilidades motoras (Rolland, Dickerson, Brooks,
2013). A hipertonia espástica é uma manifestação
clínica comum em indivíduos com alterações
cerebrovasculares, que resulta na inabilidade
motora, durante as atividades de vida diária
(Bhimani; Anderson, 2014). De acordo com
Masakado (2013) as principais características
clinicas da hipertonia espástica são as alterações
neuromusculares (paralisia espástica), presentes na
maioria dos músculos do hemicorpo hemiparético.
Objetivo: Analisar os efeitos de um dispositivo de
compressão tecidual superficial (DCTS) na
atividade muscular do membro superior de
indivíduos hemiparéticos.
Métodos: Esta pesquisa foi previamente aprovada
pelo Comitê de Ética em pesquisa do Centro
Universitário UNIFAFIBE (CEP/UNIFAFIBE)
(CAAE nº 23316314.2.0000.5387). Foram
selecionados quatorze indivíduos do gênero
masculino, com idade entre 60 a 80 anos (média de
72,33± 2,36 anos) e diagnóstico clínico de acidente
vascular encefálico do tipo isquêmico (AVEi),
sendo: dez indivíduos com hemiparesia espástica à
direita e quatro indivíduos com hemiparesia
espástica à esquerda (Ashworth 2 e 3). Todos os
indivíduos foram submetidos a avaliação da
atividade muscular, por meio da eletromiografia de
superfície antes e após a aplicação imediata do
dispositivo de compressão tecidual superficial
(Pré-DCTS, Pós-DCTS). Para a aplicação do
dispositivo os indivíduos permaneceram com uma
"bóia" que promove uma compressão na superfície
tecidual do membro, em um período de 15 minutos,
na posição de sedestação e com os membros
superiores mantidos em posição neutra (de acordo
com o padrão espástico). Foi realizado um controle
de pressão, mantido em uma escala nominal de
1,0psi, controlada por um manômetro. Durante a
avaliação eletromiográfica, foram avaliados os
músculos bíceps braquial (BB), tríceps braquial
(TB), deltóide médio (DM) e braquiorradial (BR),
durante a condição clínica de repouso-10s (RMS).
A eletromiografia de superfície foi realizada
utilizando o aparelho Myosystem® Br1 e os
resultados foram normalizados pelo valor do sinal
eletromiográfico da contração isométrica de cada
músculo avaliado, coletados por dez segundos. Os
dados eletromiográficos foram tabulados e
submetidos à análise estatística por meio do teste t
(SPSS versão 21.0).
Resultados: Os resultados da atividade
eletromiográfica normalizada foram: BB= [(PréDCTS= 0,38± 0,10), (Pós-DCTS= 0,34± 0,09)],
TB= [(Pré-DCTS= 0,99± 0,41), (Pós-DCTS=
0,58± 0,17)], DM= [(Pré-DCTS= 0,29± 0,12),
(Pós-DCTS= 0,33± 0,12)], BR= [(Pré-DCTS=
0,43± 0,12), (Pós-DCTS= 0,42± 0,08)]. Os
resultados
não
foram
estatisticamente
significantes, quanto a comparação dos dois
períodos (teste t p> 0,05).
Discussão: A perda da elasticidade muscular e dos
tecidos conectivos gera deformidades que causam
um desequilíbrio entre as forças de tensão ao redor
de determinada articulação (Masi et al, 2010). Isto
pode ser observado nesta pesquisa, tendo em vista
que a técnica de DCTS não apresentou mudanças
significativas em relação à atividade muscular. De
acordo com Proske, Gandevia (2012), os
mecanorreceptores contribuem na propriocepção e
sinalizam o corpo sobre as informações posturais
que são adotadas, fato justificado nesta pesquisa,
tendo em vista que a técnica de DCTS, promoveu
alterações mecânicas e fisiológicas sobre a pele,
estimulando assim os mecanorreceptores que
P á g i n a | 137
induziam a redução da espasticidade observada
clinicamente.
Conclusões: Pode-se concluir que a técnica DCTS
não apresentou valores significantes para a
atividade dos músculos avaliados do membro
superior hemiparético. No entanto clínicamente a
técnica demonstrou alterações mecânicas e
fisiológicas relacionadas ao controle da
espasticidade muscular.
Referências
1.
Rolland B, Dickerson AE, Brooks J.
Meeting the occupational needs of a neurologically
impaired client for driving: a case review. Occup
Ther Health Care. 2013 Oct;27(4):308-22.
2.
Masakado Y. Spasticity must be treated by
botulinum toxin with rehabilitaiton. Rinsho
Shinkeigaku. 2013;23(11): 1261-3.
3.
Bhimani R, Anderson L. Clinical
understanding of spasticity: implications for
practice. Rehabil Res Pract. 2014; 279-175.
4.
Masi AT, Nair K, Evans T, Ghandour Y.
Clinical, biomechanical, and physiological
translational interpretations of human resting
myofascial tone or tension. Int J Ther Massage
Bodywork. 2010; 16:3(4):16-28.
5.
Proske U, Gandevia SC. The proprioceptive
senses: their roles in signaling body shape, body
position and movement, and muscle force. Physiol
Rev. 2012 Oct;92(4):1651-97.
Fonte dos dados: Estes resultados apresentados
são decorrentes de uma pesquisa original do Centro
de estudos e pesquisa do desenvolvimento regional
(CEPeD) do Centro Universitário UNIFAFIBE.
P á g i n a | 138
CHM.111. DIFERENÇAS NA RAZÃO FLEXÃO-RELAXAMENTO ENTER OS
MÚSCULOS EXTENSORES CERVICAIS EM TRABALHADORES USUÁRIOS DE
COMPUTADOR COM E SEM DOR CERVICAL CRÔNICA
Carina Ferreira Pinheiro1, Marina Foresti dos Santos1, Thais Cristina Chaves1
1
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – Universidade de São Paulo
Introdução: A dor cervical é uma queixa
frequentemente relatada por trabalhadores usuários
de computador1. A razão de flexão-relaxamento
(RFR) é uma forma de quantificar alterações no
padrão de recrutamento muscular dos extensores
cervicais2.
A
investigação
da
atividade
eletromiográfica (EMG) da musculatura extensora
cervical dos usuários de computador com dor cervical
tem revelado tais alterações, como aumento da
ativação durante as atividades de trabalho e no
movimento de flexo-extensão cervical2,3. No entanto,
em geral esses estudos não verificaram possíveis
diferenças na RFR entre os diferentes músculos
extensores cervicais. Dessa forma, a literatura carece
de estudos voltados para identificação de quais
músculos extensores apresentam alterações na RFR.
para as demais etapas. O ritmo do movimento foi
controlado através de sinal sonoro, e o sinal EMG foi
coletado em todas as fases. Eletrodos de superfície
sem fio (Trigno Wireless System, Delsys Inc, Boston,
MA, USA) foram fixados bilateralmente nos
músculos: semiespinhal da cabeça6, esplênio da
cabeça6, e trapézio superior7. Os sinais foram
amostrados a 2000Hz, com ganho de 300. O sinal
bruto EMG foi filtrado entre 20-500Hz (Butterworth
4ª ordem) e o RMS foi calculado com janela de 0,125
segundos em cada fase do movimento. A RFR foi
calculada pela razão entre a máxima atividade EMG
da fase de re-extensão e a atividade EMG da fase de
flexão total2. Este estudo obteve aprovação do
Comitê de Ética e Pesquisa do Hospital das Clínicas
da FMRP-USP (Processo 4492/2013)
Objetivos: Comparar a razão de flexão-relaxamento
entre os músculos extensores cervicais em
trabalhadores usuários de computador com e sem dor
cervical crônica e indivíduos controle.
Resultados: Foram avaliados 60 indivíduos, 30
homens e 30 mulheres divididos igualmente entre os
grupos. Desta forma, 20 voluntários compuseram o
grupo de trabalhadores com dor cervical crônica
(31,8 anos, IC95% 30,2-33,4; IMC 25,3 kg/cm²,
IC95% 23,5-27,1), 20 trabalhadores formaram o
grupo sem dor cervical (29,5 anos, IC95% 27,1-31,6;
IMC 24,8 kg/cm², IC95% 23,2-26,3), e 20
participantes formaram o grupo controle (28,3 anos,
IC95% 26,1-30,5; IMC 22,3 kg/cm², IC95% 20,023,7). A análise da RFR (ANOVA, p<0,05) revelou
diferenças entre os músculos em todos os grupos
(Tabela 1), em especial o semiespinhal da cabeça, que
apresentou maior RFR significativa em relação aos
demais músculos no grupo com dor cervical, e
somente em relação ao trapézio superior no grupo
sem dor cervical e grupo controle. Ainda no grupo
controle, o esplênio da cabeça também apresentou
valores de RFR significativamente maiores em
comparação ao trapézio superior.
Métodos: Foram recrutados trabalhadores de
escritório entre 18 e 45 anos, usuários de computador
por mais de 4 horas diárias4, e em execução da função
há mais de 12 meses. Trabalhadores que relataram
dor cervical há mais de três meses com intensidade
maior do que três na escala numérica de dor, e com
grau de incapacidade pelo menos leve segundo o
Neck Disability Index (NDI)5 foram selecionados
para o grupo com dor cervical crônica. Os usuários de
computador sem histórico de dor cervical no último
ano, e sem relato de incapacidade de acordo com NDI
foram selecionados para o grupo sem dor cervical. O
grupo controle foi composto por indivíduos sem
histórico de dor cervical crônica, e com relato de uso
de computador por até 4 horas diárias. Foram
excluídos indivíduos com outras disfunções agudas
ou crônicas, musculoesqueléticas ou não, síndrome
de whiplash, trauma e/ou cirurgia na coluna e
deformidades em membros superiores ou coluna. Os
participantes realizaram flexo-extensão cervical com
repouso inicial em posição neutra da cervical, flexão
cervical, manutenção da flexão total e re-extensão,
sendo 5 segundos de repouso inicial e 3 segundos
P á g i n a | 139
Tabela 1. Valores obtidos com o cálculo da RFR (média
e IC95%)
Semiespinhal Esplênio da
Trapézio
da cabeça
cabeça
superior
3,10*
1,61
1,39
DCC
(2,50-3,70)
(1,32-1,89)
(1,08-1,70)
2,33**
1,77
1,23
SDC
(1,93-2,74)
(1,32-2,22)
(1,10-1,36)
1,99**
2,03**
1,17
C
(1,81-2,17)
(1,62-2,44)
(1,06-1,29)
DCC: grupo dor cervical crônica; SDC: grupo sem dor cervical;
C: grupo controle; *Diferença em relação aos demais músculos;
**Diferença em relação ao trapézio superior (ANOVA, p<0,05)
Discussão: Nossos resultados reforçam a aplicação
da RFR como um potencial marcador de
comprometimento neuromuscular2. Os dados do
grupo controle se justificam pelo músculo trapézio
não ser um extensor cervical primário, portanto era
esperado que sua participação na flexo-extensão
cervical fosse consideravelmente menor do que nos
demais músculos analisados. No entanto, nos grupos
de trabalhadores, a diminuição da atividade do
esplênio da cabeça durante a re-extensão cervical é
significativa, sugerindo que mesmo em indivíduos
assintomáticos, o uso do computador altera o
comportamento motor do grupo extensor. Ainda entre
os usuários de computador, a presença de dor cervical
modifica o controle sinérgico entre os músculos
extensores. Tal alteração foi verificada previamente8
em indivíduos com dor cervical mecânica e sugere
que atividades realizadas com a região craniocervical
em neutro aumentam a exposição de déficits motores
existentes.
Conclusão: O uso de computador por longos
períodos altera a estratégia de controle motor do
grupo extensor cervical, e tal alteração se exacerba na
presença de dor cervical crônica.
Referências
1. Wahlström J. Occup Med 2005;55(3):168–76.
2. Murphy BA, et al. Spine (Phila Pa 1976)
2010;35(24):2103–8.
doi:
10.1097/BRS.0b013e3181cbc7d8
3. Maroufi N et al. Eur Spine J 2013;22(1):162–8.
doi: 10.1007/s00586-012-2517-3
4. Sonne M et al. Appl Ergon 2012;43(1):98–108.
doi: 10.1016/j.apergo.2011.03.008.
5. Vernon H et al. J Manip Physiol Ther
1991;14(7):409–15.
6. Sommerich CM et al. J Electromyogr Kinesiol
2000;10(6):377–98.
7. Burnett A et al. J Electromyogr Kinesiol
2007;17(5):635–41.
8. O’Leary S et al. Arch Phys Med Rehabil
2011;92:929-34.
Fontes financiadoras: Fundação de Amparo à
Pesquisa do Estado de São Paulo (Processos
2012/24138-9 e 2013/02312-0)
Fonte dos dados: Esses dados são parte da
dissertação de mestrado intitulada: Relação de
flexão-relaxamento e dor cervical crônica em
trabalhadores de escritório usuários de computador.
O trabalho foi desenvolvido junto ao Programa de
Pós-Graduação em Reabilitação e Desempenho
Funcional, FMRP-USP.
P á g i n a | 140
CHM. 112. Teste de caminhada e caminhada Tandem em pacientes com migrânea com
aura e sem aura e migrânea crônica
Carolina de Almeida Silva1; Gabriela Ferreira Carvalho1; Lidiane Lima Florêncio¹; Ana Izabela Sobral de
Oliveira¹; Fabiola Dach 1; Debora Bevilaqua Grossi1
1 Universidade de São Paulo/Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto;
Introdução:
A estabilidade dinâmica é um componente
fundamental da caminhada e pode ser definida como
a capacidade de manter uma locomoção funcional¹. A
Migrânea, é uma cefaleia primária comum e
incapacitante, que pode ser acompanhada ou não da
aura² e quando ocorre em uma frequência mensal
maior que 15 dias é definida como migrânea crônica³.
Pacientes com migrânea apresentam alta prevalência
de vertigem, tontura, sensibilidade ao movimento,
desequilíbrio e maior oscilação postural4,5,6. Estas
alterações podem estar relacionadas com regiões de
micro isquemias no território das artérias vertebro
basilares, encontradas em migranosos, especialmente
com aura7. Diante disso, a hipótese deste estudo é que
indivíduos com migrânea apresentam distúrbios de
locomoção, podendo ser mais exacerbados na
presença de aura e/ou na forma crônica da doença.
Objetivos: Avaliar os aspectos funcionais em
atividades dinâmicas como a marcha normal e
tandem em pacientes com migrânea com e sem aura
e migrânea crônica.
Métodos: Foram recrutadas 140 mulheres entre 18 e
55 anos, distribuídas igualmente em 4 grupos:
migrânea sem aura (M), migrânea com aura (MA),
migrânea crônica (MC) e grupo controle (GC), neste
último as voluntárias não poderiam ter relato de
cefaleia recorrente há pelo menos 20 anos. Em ambos
os grupos foram excluídas as voluntárias com
cefaleias concomitantes, doenças sistêmicas,
comprometimentos músculos esqueléticos, IMC >30
kg/m² e vestibulopatias.
As voluntárias foram questionadas em relação a
idade, tempo de cefaleia, frequência e duração de
crises, intensidade da dor e medicamentos em uso,
além do questionário IPAQ que avaliou o nível de
atividade física. O procedimento de coleta foi
realizado em dois testes:
Teste da Marcha (TM): Durante o teste a paciente foi
orientada a caminhar em sua velocidade mais ágil
(sem correr ou trotar). Foram avaliadas as medidas de
comprimento do passo (cm), largura do passo (cm) e
velocidade da marcha (cm/seg).
Teste Marcha Tandem (MT):
Este teste quantifica as características do movimento
de caminhar ao longo de uma linha no chão. As
variáveis analisadas foram largura de passo média
(cm) e velocidade média (cm/seg).
Ambos os testes foram repetidos três vezes e
realizados no Balance Master System® que é
composto por duas plataformas de 1,40 m de
comprimento8.
A comparação entre as características da amostra foi
analisada com o teste ANOVA com pos hoc
Bonferroni para variáveis quantitativas e teste exato
de Fisher para análise de dados de frequência.
Para contrastar os grupos nos testes TM e MT foi
realizada uma ANCOVA ponderada pela idade, IMC,
nível de atividade física, presença de tontura e
número de medicamentos em uso. Os testes foram
realizados no software SAS 9.2 com nível de
significância de 5% e com intervalo de confiança de
95%.
Este projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em
Pesquisa do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto
com processo n°4126/2010.
Resultados: As características demográficas se
encontram na tabela 1, e ambos os grupos não
apresentaram diferenças significativas.
No teste de Marcha, as pacientes do grupo controle
apresentaram comprimento e velocidade de passo
superiores às pacientes com migrânea (p<0.05),
conforme apresentado na tabela 2.
Durante o teste da Marcha Tandem o grupo controle
também apresentou menor largura de passo e maior
velocidade em relação aos demais grupos (p<0.05)
(tabela 3).
P á g i n a | 141
Tabela 1 – Valores médios e desvio padrão das variáveis
demográficas da amostra.
GC (n=35)
M (n=35)
MA (n=35)
MC (n=35)
Idade (anos)
35,9 (9,5)
34,8 (8,7)
37,2 (9,5)
36,8 (9,2)
IMC (Kg/m2)
23,8 (3,6)*
24.1 (4,2)**
26,7 (3,9)
25,9 (4,4)
-
14,9 (8,5)Ψ
19,7 (11,7)
19,1 (9,3)
-
5,4 (2,7)
5 (3,2)
19,6 (9,7)ŧ
-
13,7 (22,8)Ψ
29.6 (33,2)
26,1 (38,8)
-
7,5 (1,5)
7,8 (1,9)
8,5 (1,4)
0.00
0.71
1.06
0.86
Tempo de Cefaleia
(anos)
Frequência de crises
(dias/mês)
Duração das crises
(horas)
Intensidade de dor
(EVA)
Medicamento
profilatico
Medicamento abortivo
0.09
1.09
1.34
1.46
Outros medicamentos
0.29
0.37
0.77
0.66
Total medicamentos
0.37
2.17
3.17
2.97
p<0.05: *GC versus MA e MC; ** M versus MA; ŧMC versus M e
MA; ΨM versus MA e MC.
Tabela 2- Avaliação das medidas de largura,comprimento e
velocidade do passo durante o Teste de Marcha
Largura do passo (cm)
Média (IC)
Comprimento do passo (cm)
Média (IC)
GC
12.80 (11.94-13.65)**
75.64 (72.81-78.48)*
Velocidade (cm/seg)
Média (IC)
109.34 (105.67113)*
M
14.01 (13.26-14.76)
66.71 (64.37-69.05)
92.87 (89.46-96.27)
MA
14.93 (14.28-15.58)
65.38 (62.34-68.42)
90.73 (87.40-94.06)
MC
14.38 (13.64-15.12)
65.29 (62.83-67.76)
90.20 (87.28-93.12)
*p<0.0001 GC versus M, MA, MC, **P<0.03 GC versus MA e MC.
Tabela 3- Avaliação de largura e velocidade do passo durante a
Marcha Tandem
Largura do passo (cm)
Média (IC)
Velocidade (cm/seg)
Média (IC)
GC
5.91 (5.71-5.11)*
26.12 (25.05-27.2)*
M
6.51 (6.29-6.72)
17.97 (16.86-19.08)
MA
6.67 (6.37-6.98)
19.64 (18.56-20.71)
MC
6.39 (6.16-6.61)
17.12 (15.96-18.29)
*p<0.0001 GC versus M, MA, MC.
Discussão: Constatamos que a migrânea piora o
equilíbrio dinâmico das pacientes e que a cronicidade
ou presença de aura podem também estar
relacionadas a essas alterações. Além disso, a
presença da aura afeta também o equilíbrio estático e
a mobilidade em indivíduos migranosos9. Em um
outro estudo, foi realizado uma avaliação da marcha,
onde da mesma forma que nosso estudo, foi
constatadov que o grupo controle apresentou
melhores resultados em comparação ao grupo
migrânea associada a vertigem e ao grupo migrânea
sem vertigem10. Estudos futuros são necessários para
se entender a origem desta alteracao do controle
postural e dos prejuízos a longo prazo com a
cronicidade da doença.
Conclusões: A presença de migrânea, independente
da cronicidade e da aura, piora o equilibrio dinâmico
dos pacientes em comparação à mulheres sem
cefaleia.
Referências:
1- England, SA.; Granata, KP. The influence of gait
speed on local dynamic stability of walking. Gait &
Posture, Oxford, v. 25, no. 2, p. 172-178, 2006
2- Headache classification subcommittee of the
international headache society. The International
Classification of Headache Disorders, 2nd Edition.
Cephalalgia 2004; 42.
3- Natoli JL, Manack A, Dean B, et al. Global
prevalence of chronic migraine: a systematic review.
Cephalalgia 2010;30:599-6094- Cha YH, Baloh RW.
Migraine associated vertigo. J Clin Neurol.
2007;3(3):121-6.
5- Baloh RW. Neurotology of migraine. Headache.
1997;37(10):615-21.
6- Akdal G, Donmez B, Ozturk V, Angin S. Is
balance normal in migraineurs without history of
vertigo? Headache. 2009;49(3):419-25
7- Milhaud D, Bogousslavsky J, van Melle G, Liot P.
Ischemic stroke and active migraine. Neurology.
2001;57(10):1805-11.
8- NeuroCom International; Pro Balance Master
Operator’s Manual, 2011.
9- Carvalho GF, Chaves TC, Dach F, Pinheiro CF,
Gonçalves MC, Florencio LL, Ferreira KS, Bigal
ME, Bevilaqua GD. Influence of migraine and of
migraine aura on balance and mobility--a controlled
study. Headache 2013;53(7):1116-22.
10-Baker, B. J., et al. "Vestibular functioning and
migraine: comparing those with and without vertigo
to a normal population." The Journal of Laryngology
& Otology 127.12 (2013): 1169-1176.
Fontes
financiadoras:
Coordenação
de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
(CAPES).
Fonte dos dados: Os dados apresentados fazem parte
do conteúdo da Tese de doutorado, intitulada:
Alterações no equilíbrio funcional em pacientes com
migrânea crônica e episódica. O trabalho é
desenvolvido junto ao Programa de Pós-Graduação
em Reabilitação e Desempenho Funcional, FMRPUSP.
P á g i n a | 142
CHM. 113. AMPLITUDE E FREQUÊNCIA MEDIANA DO ESPECTRO DA
POTÊNCIA DE SUJEITOS COM DESORDEM TEMPOROMANDIBULAR
Carina Giovana Pissinatti Borges1; Cláudia Lúcia Pimenta Ferreira1; Denny Marcos Garcia1; Andrea
Mapelli2; Cláudia Maria de Felício1
1 Departamento de Oftalmologia Otorrinolaringologia, Cirurgia de Cabeça e Pescoço e Fonoaudiologia,
FMRP-USP, Brasil; 2 Department of Biomedical Sciences for Health, Università degli Studi di Milano, Italy
Introdução: Os índices eletromiográficos (EMG)
no domínio da amplitude apresentam correlação
significante com a severidade da desordem
temporomandibular (DTM) (De Felício et al.,
2012). Embora menos comum, os dados obtidos
pelo domínio da frequência podem monitorar as
variações na amplitude EMG decorrentes da fadiga
muscular (Öberg, 1995) frequente nesta população.
Objetivos: Determinar índices EMG de
coordenação muscular no domínio da amplitude e
a concomitante frequência mediana do espectro da
potência de sujeitos com DTM articular.
Métodos: Este estudo foi aprovado pelo CEP da
FMRP/USP (Processo n.º 15338/2012). Foram
selecionados 43 sujeitos para o grupo C (35
mulheres; 8 homens; 29±10,2 anos) e 56 sujeitos
com DTM articular, segundo o Research
Diagnostic Criteria for TMD, eixo I (Dworkin et
al., 1992) e o questionário ProTMDmulti-parte II
(Felício et al., 2009a), (46 mulheres; 10 homens;
30±8,9 anos), pareados por idade e sexo.
Os sujeitos foram submetidos à EMG de superfície
dos músculos masseteres e temporais, usando o
Eletromiógrafo Freely®, de 8 canais (De Götzen
srl; Legnano, Milão, Itália). Os registros foram
realizados durante a máxima intercuspidação
habitual dos dentes (MCV), por 5 segundos, e os
registros de padronização do sinal foram realizados
na máxima contração voluntária com roletes de
algodão bilateralmente interpostos aos dentes
posteriores (MCVa). Foram calculados os índices
EMG normalizados de assimetria para os músculos
masseteres e temporais anteriores (coeficiente
percentual de sobreposição: POCM e POCT, %) e o
coeficiente de torção (TORS, %), seguindo
metodologia previamente descrita (Tartaglia et al.,
2011); e a frequência mediana do espectro da
potência (FMEP, Hz) com base nos registros EMG
nos testes em MCV e MCVa do primeiro (T1s) e
último segundos (T5s), por meio da transformada
rápida de Fourrier. O teste t-Student para amostras
não pareadas foi utilizado para comparar os grupos
quanto aos índices EMG. ANOVA com medidas
repetidas foi aplicada para análise da FMEP e de
sua variação percentual no tempo.
Resultados: O grupo DTM, apresentou menor
coordenação entre os pares de músculos
homólogos (POCM e POCT) e ipsilaterais (TORS),
em relação ao grupo C (P< 0,01) (Tabela 1).
Tabela 1. Comparação entre grupos C e DTM para índices
eletromiográficos normalizados.
C
DTM
(N = 43)
(N = 56)
P
POCT(%)
Média
87.60
80.83
0.000
DP
1.84
11.36
POCM(%)
Média
85.66
79.63
0.007
DP
2.65
14.23
TORS (%)
Média
90.72
84.60
0.002
DP
1.30
12.52
Médias e desvios padrão (DP). P: probabilidade segundo teste tStudent.
Naõ houve diferença entre as médias de FMEP dos
grupos C e DTM, dos sexos feminino e masculino,
tampouco interaçaõ grupo x sexo, ou destes fatores
com as outras variáveis. Diferenças significantes na
FMEP foram observadas na comparaçaõ das
provas (MCV > MCVa), dos tempos (T1s > T5s) e
dos músculos (temporal > masseter) (P< 0,05).
Também houve efeitos de interaçaõ significantes
entre prova x tempo (F = 6,493; P = 0,01) e tempo
x músculos (F = 5,953; P = 0,02).
Discussão: Os piores índices EMG dos sujeitos
com DTM sugerem menor precisão na
coordenação dos músculos masseteres e temporais
durante a MCV (De Felício et al., 2012), como
também durante a mastigação (Ferreira et al.,
2014). A confiabilidade dos resultados no domínio
da amplitude depende de sua reprodutibilidade e da
garantia de que a fadiga muscular não tenha
influenciado os resultados. Portanto, foi
P á g i n a | 143
considerado relevante para os resultados do
domínio da amplitude, que os grupos não
diferissem quanto à FMEP e quanto à sua variação
percentual no tempo. Isso também mostra que a
MCV por um tempo limitado em cada prova (5s),
não é suficiente para produzir diferenças espectrais
entre pacientes com DTM e sujeitos saudáveis. A
diferença da FMEP entre provas sugere que na
MCVa houve redução dos efeitos da variável
oclusal sobre os músculos, afetando menos o
espectro da potência, o que reforça seu uso na
normalização dos dados. A diferença entre
músculos pode ser justificada pela composição
heterogênea de suas fibras e a diferença entre
tempos pela diminuição do número de potenciais
de ação ao longo do tempo.
Conclusões: Os pacientes com DTM apresentaram
menor coordenação entre entre músculos
mastigatórios que os sujeitos saudáveis, e não foi
influenciada por fatores sugestivos de fadiga.
Referências:
1.
De Felício CM et al. J Oral Rehabil. 2012
39(10):744-53.
DOI:
10.1111/j.13652842.2012.02336.x.
2.
Öberg HJ. Electromyogr Kinesiol. 1995
5(4):239-43. DOI: 10.1016/1050-6411(96)855829
3.
Dworkin SF. et al J Craniomandib Disord.
1992 6(4):301-55.
4.
Felício CM et al. Cranio. 2009 27:62–7.
DOI:10.1179/crn.2009.010
5.
Ferreira CLP et al. J Electromyogr Knesiol.
2014
24(4):565-71.
DOI:
10.1016/j.jelekin.2014.04.005
6.
Tartaglia GM et al. J Electromyogr
Kinesiol.
2011
21:659–64.
DOI:
10.1016/j.jelekin.2011.03.003
Fontes
financiadoras:
Coordenação
de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
(Capes).
Fonte dos dados: Esses dados são parte da
Dissertação de Mestrado “Perfil eletromiográfico
dos músculos masseter e temporal anterior de
sujeitos saudáveis e com DTM: amplitude e
frequência mediana do espectro da potência”,
desenvolvida junto ao Programa de Pós-Graduação
em Ciências Médicas, FMRP-USP.
P á g i n a | 144
CHM. 114. TESTE DE CAMINHADA DOS 10 METROS EM CRIANÇAS
SAUDÁVEIS: INFLUÊNCIA DA ACELERAÇÃO E DA DESACELERAÇÃO
Mariana Angélica de Souzaˡ, Vanessa de Moraes Ramalho2, Cyntia Rogean de Jesus Alves de Baptista3, Taís
Regina da Siva2, Elisângela Aparecida da Silva Lizzi4,
Ana Claudia Mattiello-Sverzut5
1
2
Mestre em Ciências; Graduadas em Fisioterapia; 3 Doutoranda em Reabilitação e Desempenho Funcional;
4
Docente da Universidade Tecnológica Federal do Paraná; 5Docente do Departamento de Biomecânica,
Medicina e Reabilitação do Aparelho Locomotor - Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – Universidade
de São Paulo, Brasil
Introdução: Desde a década de 70, os testes de
caminhada têm sido usados para quantificar a
performance funcional da marcha1. O teste dos 10
metros (T10) é frequentemente utilizado para avaliar
a velocidade da marcha, devido sua fácil aplicação.
Entretanto, a comparação de resultados e o uso do
instrumento na prática clínica são dificultados devido
à variedade metodológica em relação aos
componentes
de
aceleração/desaceleração
e
velocidade de execução sugerida pelo avaliador
(rápida ou preferida). Alguns autores propuseram
uma excursão de 14 metros e avaliaram a velocidade
do desempenho nos 10 metros intermediários2,3,4.
Outros autores desenvolveram seus estudos em
idosos em velocidade normal e rápida e verificaram
que a velocidade não foi afetada pelo comprimento
do percurso (5, 8 e 10 metros)5. Considerando que a
marcha é o foco de tratamento de várias doenças na
infância, é importante avaliar a influência da
aceleração e desaceleração no desempenho do teste
dos 10 metros e em diferentes velocidades de
execução.
efeitos mistos, considerando as três medidas de
tempo desenvolvidos em R10, R6, P10, P6,
admitindo nível de significância de 5%. Este estudo
foi aprovado pelo Comitê de ética e Pesquisa do
HCFMRP-USP sob processo número 7275/2013.
Objetivos: Verificar se o desempenho do T10 em
crianças saudáveis é influenciado pelas etapas de
aceleração e desaceleração ao longo do percurso do
teste nas velocidades rápida e preferida.
Discussão:
O presente estudo indicou que a aceleração e
desaceleração não influenciaram a velocidade média
de execução do teste quando desenvolvido na
velocidade preferida. Similarmente a estes achados,
no estudo de Peter et al (2013)6, a velocidade média
obtida em um teste de 4 metros também foi
semelhante à do T10. Entretanto, estes autores
realizam os testes em percursos totais de 8m e 20m
para retirar a influência da aceleração e
desaceleração6.
Em idosos, o comprimento do percurso não foi
influenciado pela velocidade, máxima ou confortável,
na realização dos testes5. Diferentemente, os
resultados do presente estudo indicaram que o T10
executado na velocidade rápida mostrou diferentes
respostas nos percursos de 6 e 10 m para as idades de
8, 10 e 12 anos, ou seja, os componentes de
Métodos: Quarenta crianças saudáveis (n=40) de 6 a
12 anos foram avaliadas em relação ao peso, altura e
desempenho no T10. Em cada avaliação foi
cronometrado o tempo da criança caminhar 10 m e 6
m (excluindo 2 m iniciais e finais do percurso, sem a
ciência da criança), nas velocidades rápida e preferida
(sendo denominadas R10, R6, P10, P6,
respectivamente). Para cada velocidade, o T10 foi
repetido três vezes, com intervalo de 1 minuto entre
as repetições, sempre sob comando do mesmo
avaliador (previamente treinado). Foi cronometrado o
tempo da criança caminhar, sem calçados. A análise
estatística utilizou o modelo de regressão linear de
Resultados: As características antropométricas dos
voluntários estão apresentadas na Tabela 1 (em
anexo). Para verificar a influência da aceleração e da
desaceleração na velocidade média de execução do
teste (VM) foram comparadas as VM entre 10 metros
e 6 metros (R10 x R6; P10 x P6). Considerando toda
a amostra, não houve diferença entre P10 e P6 nem
entre R10 e R6. Com a amostra agrupada conforme
idade, houve diferença estatística (p<0.05) entre R10
e R6 para as idades de 8, 10 e 12 anos; entretanto, na
velocidade preferida essa diferença estatística não foi
observada (p>0.05). Agrupando a amostra conforme
sexo e idade, houve diferença estatística (p<0,05)
entre VM no R10 e VM no R6 para o sexo masculino
na idade de 8 anos, e para os sexos feminino e
masculino na idade de 12 anos (Tabela 2).
P á g i n a | 145
aceleração e desaceleração devem ser considerados
ao longo do desenvolvimento do teste.
Tabela 2: Velocidade média (m/s) nos testes de
caminhada dos 10 metros na velocidade preferida e
rápida, nas distâncias de 10 e 6 metros (P10, P6, R10,
R6, respectivamente).
Idade
(anos)
Sexo
P10
P6
R10
R6
6
F
M
FeM
F
M
FeM
F
M
FeM
F
M
FeM
0,9(0,3)
1,3(0,2)
1,2(0,2)
1,2(0,1)
1,1(0,1)
1,2(0,1)
1,2(0,1)
1,2(0,1)
1,2(0,1)
1,2(0,1)
1,6(0,3)
1,3(0,2)
1,0(0,3)
1,2(0,1)
1,2(0,2)
1,3(0,1)
1,2(0,2)
1,2(0,1)
1,2(0,1)
1,2(0,1)
1,2(0,1)
1,3(0,2)
1,6(0,3)
2,2(0,2)
1,9(0,1)
1,9(0,2)
1,9(0,2)
2,0(0,2)
2,1(0,2)#
2,1(0,2)*
2,1(0,2)
2,1(0,2)
2,2(0,2)*
2,1(0,2)+
2,4(0,3)#
1,4(0,2)*
1,9(0,1)
1,9(0,2)
2,0(0,2)
2,1(0,2)
2,4(0,2)
2,3(0,2)
2,3(0,3)
2,3(0,3)
2,3(0,2)
2,3(0,2)
2,7(0,4)
2,4(0,3)
8
10
12
Média (desvio-padrão), F= Feminino; M= Masculino; +P<0.05
quando comparado com R6, sexo feminino; #P<0.05 quando
comparado com R6, sexo masculino e mesma idade; *P<0.05
quando comparado R6, agrupando sexo feminino e masculino.
Referências:
1. McGavin CR, Gupta SP, McHardy GJR: Twelve-minute walk
test for assessing disability in chronic bronchitis. Br Med J 1976,
1:822–823.
2. Thompson P, Beath T, Bell J, Jacobson G, Phair T, Salbach
NM, Wright FV. Test- retest reliability of the 10-meter fast walk
test and 6-minute walk test in ambulatory school-aged children
with cerebral palsy. Developmental Medicine & Child
Neurology. 2008, 50: 370-376.
3. Willoughby KL, Dodd KJ, Shields N, Foley S. Efficacy of
Partial Body Weight–Supported Treadmill Training Compared
With Overground Walking Practice for Children With Cerebral
Palsy: A Randomized Controlled Trial. Arch Phys Med Rehabil
2010; 91: 333-339.
4. Nascimento LR, Lívia CG, Caetano LCG, Freitas DCMA,
Morais TM, Polese JC, Teixeira-Salmela LF. Diferentes
instruções durante teste de velocidade de marcha determinam
aumento significativo na velocidade máxima de indivíduos com
hemiparesia crônica. Rev Bras Fisioter. 2011.
1.
5. Shamay SM, Phoebe CM, Connie YW, Elva
SW, Mimi HW, Shirley SM, et al. Assessing the walking speed
of older adults: the influence of walkway length. Am. J. Phys.
Med. Rehabil. 2013; 92: 776-780.
6. Peters et al. Assessing the Reliability and Validity of
a Shorter Walk Test Compared With the 10-Meter Walk Test for
Measurements of Gait Speed in Healthy, Older Adults. J Geriatr
Phys Ther. 2013 Jan-Mar;36(1):24-30.
2.
Fontes financiadoras: Conselho Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Fonte dos dados: Esses dados são parte do conteúdo
da Iniciação Científica intitulada: Confiabilidade e
reprodutibilidade inter e intra-avaliador do teste de
caminhada dos 10 metros em crianças saudáveis entre
6 e 12 anos.
Conclusões:
Em crianças saudáveis, a aceleração e desaceleração
não influenciam o desempenho do T10 quando
realizado na velocidade preferida. Porém, para o teste
executado na velocidade rápida, a partir dos 8 anos,
uma distância adicional deve ser considerada, no
percurso devido a influência da aceleração e da
desaceleração.
Tabela 1: Características antropométricas dos voluntários.
6 anos
F (n=5)
Peso (kg)
M (n=5)
8 years
F (n=5)
M (n=5)
10 years
F (n=5)
22.4
27.2
25.8
31.8
44.4
(5.7)
(8.8)
(5.7)
(7.4)
(9.3)
Altura (m)
1.2
1.2
1.3
1.3
1.5
(0.07)
(0.07)
(0.07)
(0.05)
(0.04)*
Média (desvio-padrão), F= feminino, M= masculino, n= número de participantes.
12 years
M (n=5)
F (n=5)
M (n=5)
37.8
(3.8)
1.3
(0.03)
59.0
(6.9)
1.5
(0.09)
59.0
(17.6)
1.5
(0.12)
P á g i n a | 146
CHM.115. A INFLUÊNCIA DA VISÃO NO CONTROLE POSTURAL DE
CRIANÇAS COM PARALISIA CEREBRAL NA POSIÇÃO ORTOSTÁTICA
Daiane Lazzeri de Medeiros1,2; Bruna Cardoso Manna1; Sheila Cristina da Silva Pacheco1; Maylli Daiani
Graciosa1; Bárbara Camila Flissak Graefling1,3; Lilian Gerdi Kittel Ries1.
1
Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC; 2Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto FMRP/USP; 3Faculdades Integradas do Vale do Iguaçu – UNIGUAÇU.
Introdução: Crianças com Paralisia Cerebral (PC)
apresentam déficits no controle postural, responsável
pela capacidade de controlar a posição do corpo no
espaço, a fim de promover estabilidade (1). A
quantidade de oscilação do Centro de Pressão (COP)
durante a posição em pé é diretamente proporcional à
indicação de um sistema de controle postural
deficitário (2). O melhor identificador da função
motora grossa é a estabilidade postural na condição
de olhos fechados (3). Há evidências de que ocorre
um aumento da oscilação postural na posição em pé
quando a informação visual não está disponível (4).
O conhecimento do controle postural estático de
crianças com PC é fundamental para o processo de
reabilitação. Baseado na importância da manutenção
da posição ortostática para a aquisição de outras
atividades de vida diária (5) e a evidência de alteração
da oscilação postural na condição de ausência de
informação visual, percebe-se a necessidade de
avaliar o controle postural nessa condição.
Objetivo: Comparar o controle postural entre
crianças com PC e típicas na posição ortostática e
verificar se a ausência de informação visual infuencia
no controle postural.
Métodos: Trata-se de um estudo transversal,
comparativo e de caráter descritivo. Participaram
deste estudo 10 crianças com diagnóstico de PC do
tipo diparesia ou quadriparesia (GPC) e 10 crianças
típicas (GT), sendo estas pareadas por sexo e idade.
As crianças com PC foram classificadas de acordo
com o Sistema de Classificação da Função Motora
Grossa (GMFCS) no nível I ou II.
Os critérios de inclusão deste estudo foram:
apresentar diagnóstico de PC, do tipo diparesia ou
quadriparesia, com compreensão de ordens simples e
capazes de permanecer em pé sem apoio por quinze
segundos. E os critérios de exclusão foram apresentar
deficiência visual incapacitante, aplicação de toxina
botulínica ou correção cirúrgica com tempo inferior a
seis meses.
Esta pesquisa foi aprovada pelo Comitê de ética em
Pesquisa com Seres Humanos da Universidade do
Estado
de
Santa
Catarina
(UDESC),
Florianópolis/parecer 136.90.
Após a coleta dos dados antropométricos, a criança
foi orientada a se posicionar sobre a plataforma de
força (AMTI- OR 6-7, Watertown, EUA®) de
maneira confortável com os pés voltados para frente
e os braços ao longo do corpo e fixar o olhar em um
ponto fixo na altura dos olhos a 100 cm de distância
da plataforma de força. Foram avaliadas a posição em
pé durante 15 segundos em duas condições: olhos
abertos (OA) e olhos fechados (OF), houve
randomização destas. Em ambas as avaliações a
criança apresentou-se descalça e foram realizadas três
tentativas em cada condição.
Os dados cinéticos foram analisados por meio de uma
rotina no software Matlab, foram avaliadas as
seguintes variáveis: Área total de oscilação do COP
(Área COP), deslocamento do COP nas direções
Ântero-Posterior (COPAP) e Médio-Lateral (COPML).
As variáveis foram caracterizadas com estatística
descritiva com distribuição de média, desvio padrão
e intervalo de confiança de 95%. A normalidade dos
dados foi verificada por meio do teste de ShapiroWilk.
Para verificar diferenças entre os GPC e GC nas
variáveis antropométricas e cinéticas (COP Área,
COPAP e COPML), nas condições olhos abertos e
fechados, foi utilizado Teste t para dados
independentes ou o Teste de Mann-Whitney.
Resultados: Dez crianças com PC (9±2,98 anos,
1,27±18,68 m, 30,09±12.97 kg) e dez crianças típicas
(9±2,98 anos, 1,37±17,75 m, 34,92±10,08 kg) foram
avaliados.
Em relação às variáveis cinéticas os resultados estão
apresentados na tabela 2.
Tabela 2. Valores médios, desvio padrão (DP),
Intervalos de confiança (IC 95%) e resultados das
comparações entre o Grupo PC e Grupo controle para
os parâmetros cinéticos COP Área, COPAP e COPML.
P á g i n a | 147
de oscilação do COP. Sendo que na condição com os
olhos fechados foi possível observar maior
instabilidade da posição ortostática em ambos os
grupos o que sugere que a visão influencia o controle
postural estático nessa posição.
Discussão: O GPC apresentou maior área de
oscilação do COP, COPAP e COPML quando
comparado ao GC, mostrando maior instabilidade das
crianças com PC na posição em pé, corroborando o
estudo de Rose et al., (2002)(6). Alterações no
equilíbrio diminuem a estabilidade, o que causa
maior oscilação corporal e modificação das
estratégias motoras geralmente utilizadas. Foi
verificado diferença significativa na variável COPML
nas crianças com PC em ambas as condições, o qual
está relacionado com o uso de estratégias de quadril
para manter o equilíbrio e evitar quedas (7). As
crianças de ambos os grupos apresentaram maior
oscilação do COPAP e COPML na condição com os
olhos fechados, mostrando a importância da
informação visual para a manutenção da posição em
pé, confirmando o estudo de Rose et al, (2002)(6) e
Bastos et al., (2005)(4).
Conclusão
Pode-se concluir que as crianças com PC
apresentaram menor controle postural estático
quando comparadas às crianças típicas, observado
pela maior oscilação do COPAP, COPML e a área total
Referências
1.
Duarte M, et al. Braz J Phys Ther. 2010
Jun;14(3):183–92.
2.
Danion F, Latash ML. Oxford University
Press; 2011. 221 p.
3.
Liao H-F, et al. Percept Mot Skills. 2003
Jun;96(3 Pt 2):1173–84.
4.
Bastos AGD, et al.Rev Bras
Otorrinolaringol. 2005 Jun;71(3):305–10.
5.
Winter DA, et al. J Neurophysiol. 1998 Sep
1;80(3):1211–21.
6.
Rose J, et al. Dev Med Child Neurol. 2002
Jan;null(01):58–63.
7.
Ferdjallah M, et al. Clin Biomech Bristol
Avon. 2002 Mar;17(3):203–10.
Fontes
financiadoras:
Coordenação
de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
(CAPES), Programa de Bolsas de Monitoria de PósGraduação (PROMOP).
Fonte dos dados: Esses dados são parte do conteúdo
da Dissertação de Mestrado intitulada: O efeito de
diferentes alturas de bancos e posicionamento dos pés
na transferência de sentado para em pé em crianças
com paralisia cerebral e crianças típicas. O trabalho
foi desenvolvido junto ao Programa de PósGraduação em Fisioterapia, UDESC.
P á g i n a | 148
CHM.116. ALTERAÇÕES DO COMPORTAMENTO MOTOR DA MUSCULATURA
MASTIGATÓRIA EM INDIVÍDUOS COM FISSURA LABIOPALATAL
TRANSFORAME INCISIVO UNILATERAL
Maylli Daiani Graciosa1; Letícia Miranda Resende da Costa1,2; Daiane Lazzeri de Medeiros1,3; Bárbara
Camila Flissak Graefling1,4; Licerry Palma Soares1; Lilian Gerdi Kittel Ries1.
1
Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC; 2 Universidade Federal do Rio Grande do sul
(UFRGS); 3Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - FMRP/USP; 4Faculdades Integradas do Vale do
Iguaçu – UNIGUAÇU.
Introdução: A efetividade da mastigação pode ser
influenciada por fatores como a oclusão, força de
mordida, ativação e coordenação muscular1. A
presença de anomalias craniofaciais, como as
Fissuras Labiopalatais (FLP), pode afetar o
desempenho desta atividade, visto que, desde o
nascimento dos pacientes são necessárias adaptações
para executar funções vitais como a alimentação2-4. É
importante conhecer e avaliar o comportamento da
musculatura mastigatória nestes indivíduos, como a
ativação destes músculos e os aspectos relacionados
ao tempo deste ciclo, com o objetivo de diagnosticar
possíveis desarmonias que resultem em ineficiência
funcional.Tem-se como hipótese que indivíduos com
FLP apresentam diferenças em relação aos indivíduos
sem FLP relacionadas à intensidade e tempo de
ativação, apresentando assim maior ativação
muscular durante o período de relaxamento (repouso
e período inativo da mastigação) e menor ativação no
período de exigência muscular (período ativo da
mastigação e isometria).
Objetivo: Investigar se as crianças com FLP
possuem alterações no controle da musculatura
mastigatória durante repouso, isometria e mastigação.
Métodos: Este estudo caracteriza-se como
observacional e transversal e foi aprovado pelo
Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da
Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC),
número de referência 164/2011. As avaliações
aconteceram Centro de Ciências da Saúde e do
Esporte (CEFID/UDESC) e em três centros de
atendimento ao paciente com FLP em Santa Catarina.
A amostra foi composta por 66 crianças entre seis e
12 anos com dentição mista. As crianças foram
divididas em dois grupos pareados por sexo e idade:
grupo controle (GC) composto por crianças sem FLP
(n= 33) e grupo fissura (GF) com crianças com FLP
(n= 33) do tipo transforame incisivo unilateral
reparada cirurgicamente. Foi realizada avaliação
eletromiográfica de superfície dos músculos masseter
e temporal anterior durante três repetições de
mastigação (10s), repouso (10s) e isometria (5s). Para
isto, foi utilizado um Eletromiógrafo Miotool USB,
da empresa Miotec, com placa conversora
analógico/digital de 14 bits de resolução para uma
taxa de aquisição de 2000 Hz e mínima Relação de
Rejeição de Modo Comum de 110 dB. A atividade
elétrica dos músculos foi apresentada por meio dos
valores da Raiz Quadrada da Média (RMS) e
expressos em microvolts (μV). Os sinais
eletromiográficos brutos foram filtrados com filtro
passa-banda de 20-500Hz e posteriormente foram
calculados os valores RMS e realizada a
normalização. O software MATLAB (Versão 5.3 The
MathWorks Inc.) foi utilizado para este
processamento. Os dados foram caracterizados por
meio da estatística descritiva. Utilizou-se o teste
Mann-Whitney para comparar a média das variáveis.
Resultados: Os resultados referentes às variáveis
eletromiográficas durante o repouso e isometria
encontram-se na tabela 1. Na tabela 2 estão
apresentados os resultados das variáveis analisadas
durante a mastigação.
Tabela 1 - Valores das médias e Desvio Padrão da
Amplitude de Ativação Muscular (AAM) durante o
Repouso (R) e Isometria (I) para os músculos
Masseter Direito (MD), Masseter Esquerdo (ME),
Temporal Direito (TD) e Temporal Esquerdo (TE)
das crianças com Fissura labiopalatal Transforame
Incisivo Unilateral (FLPU) (n=33) e sem FLP (n=33).
P á g i n a | 149
diminuição do período inativo durante a mastigação
em comparação ao GC. Sabe-se que indivíduos com
FLP comumente apresentam diminuição dos
movimentos mandibulares, o que pode influenciar na
função dos músculos mastigatórios5. Os dados
encontrados neste estudo permitem afirmar que
crianças com FLP não possuem a mesma capacidade
de relaxar os músculos mastigatórios do que crianças
sem FLP. Acredita-se que estes desequilíbrios
possam favorecer a fadiga muscular e resultar em
ineficiência funcional da atividade mastigatória.
Tabela 2 – Valores da Média e Desvio Padrão do
Tempo do Período Inativo Geral (TPIG), do Tempo
do Período Ativo Geral (TPAG) do ciclo
mastigatório, Duração do ciclo mastigatório,
Variação do Tempo de Inativação (VTI) e Variação
do Tempo de Ativação (VTA) para os músculos
Masseter Direito (MD), Masseter Esquerdo (ME),
Temporal Direito (TD) e Temporal Esquerdo (TE)
das Crianças com FLPU (n=33) e sem FLP (n=33).
Discussão: As crianças com FLP apresentaram maior
ativação da musculatura mastigatória durante o
repouso e menor ativação na isometria, quando
comparado aos indivíduos sem FLP. No GF foi
observada maior duração do período ativo e uma
Conclusão: A maior ativação da musculatura
mastigatória no repouso e a menor ativação na
isometria, assim como as alterações nos parâmetros
relacionados ao tempo apresentadas no GF, mostram
que esses indivíduos apresentam alterações no
controle da musculatura mastigatória.
Referências
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2005;54(6):379-87.
2Li W, et al. Cleft Palate Craniofac J
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Craniofac J 2007; 3(44):329-34.
5Silva RN, et al. Rev Bras Promoção Saúde
2004;17(1):27-30.
Fontes
financiadoras:
Coordenação
de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
(CAPES)
Fonte dos dados: Esses dados são parte do conteúdo
da Dissertação de Mestrado intitulada:
Função muscular mastigatória em crianças com
fissura labiopalatal. O trabalho foi desenvolvido junto
ao Programa de Pós-Graduação em Fisioterapia,
UDESC.
P á g i n a | 150
CHM. 117. CONTRIBUIÇÃO DA ARTICULAÇÃO ESCAPULOTORÁCICA EM UMA CRIANÇA
COM PARALISIA OBSTÉTRICA DO PLEXO BRAQUIAL DURANTE O MOVIMENTO DE
ELEVAÇÃO DO MEMBRO SUPERIOR - ESTUDO DE CASO
Daiane Lazzeri de Medeiros1; Gisele Harumi Hotta1; Tenysson Will de Lemos1; Anamaria Siriani de
Oliveira1;
1
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - FMRP/USP;
Introdução: A criança com paralisia obstétrica do
plexo braquial (POPB) apresenta restrição da
amplitude de movimento do membro superior. Essa
alteração ocorre devido a lesão das raízes nervosas e
do desenvolvimento muscular anormal resultando em
padrões de movimento alterados (1). Devido a ação
conjunta das articulações no complexo articular do
ombro (2) e a evidenciada limitação de movimento do
membro superior em criancas com POPB (1), a
definição do padrão de movimento da articulação
escapulotorácica nessa população se torna necessária.
Objetivo: Avaliar o padrão de movimento da
articulação escapulotorácica durante a elevação do
membro superior em uma criança com POPB.
Métodos: Este estudo foi aprovado pelo Comitê de
Ética em Pesquisa da Faculdade de Medicina de
Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo
(processo n° 16172/2015). Foi avaliada uma criança
com POPB do tipo paralisia alta ou de Erb, sexo
feminino, oito anos, massa corporal 28,5 kg e altura
1,28 m, essa apresentou lesão do plexo braquial
durante o parto normal devido a distócia do ombro. A
criança apresenta deformidade em flexão de cotovelo
e limitação para realizar o movimento de rotação
externa, nenhum procedimento cirúrgico foi
realizado. Foi avaliada também uma criança típica do
sexo feminino, nove anos, massa corporal 32kg e
altura 1,29. Para a aquisição dos dados cinemáticos
tridimensionais foi utilizado o sistema Liberty®
(Polhemus, Colchester, VT). O posicionamento dos
sensores, a construção do modelo biomecânico e a
digitalização das estruturas anatômicas foram
realizadas conforme as recomendações da Sociedade
Internacional de Biomecânica (3). Após a colocação
dos sensores no membro comprometido da criança
com POPB e no membro dominante da criança típica,
ambas do lado direito, foi realizada a avaliação da
cinemática tridimensional da escápula durante o
movimentos de elevação do membro superior no
plano sagital e repouso. Foram coletadas três
tentativas. Os dados tridimensionais foram
processados
utilizando
o
programa
The
MotionMonitor. Os movimentos da escápula em
relação ao tórax foram analisados por meio da
sequência de ângulos Euler YX’Z’’ e a elevação do
úmero em relação ao tórax pela sequência XZ’Y’.
Para
a
análise
angular
da
inclinação
anterior/posterior, rotação superior/inferior e rotação
interna/externa em relação a angulação da articulação
glenoumeral (30°, 60°, 90° e 120°) foi utilizada a
estatística descritiva com distribuição de média e
desvio padrão.
Resultados: A inclinação posterior da escápula da
crianca típica aumenta ao longo da elevação
glenoumeral. No entanto, a criança com POPB
apresenta um padrão contrário na qual a inclinação
posterior da escápula diminui durante a elevação
umeral. Também podemos observar um déficit na
rotação superior da escápula da criança com POPB
tanto na posição inicial do movimento (30°) quanto
na posição final do movimento (120°) comparado à
crianca típica. A rotação interna/externa da escápula
da criança com POPB também apresentou
movimento limitado comparado a crianca típica que
apresentou um padrão esperado de diminuição da
rotação interna ao longo da elevação umeral. Em
relação ao posicionamento da escápula em repouso,
foi possível observar que a criança com POPB
apresentou um posicionamento com maior inclinação
posterior da escápula, maior rotação superior e maior
rotação interna quando comparado à criança típica.
P á g i n a | 151
Tabela 1. Valores médios e desvios padrão (DP) da
análise cinemática tridimensional da articulação
escapulotorácica durante a elevação da articulação
glenoumeral de uma criança com POPB e uma
criança tipica.
estatísticas a fim de verificar o padrão de movimento
da articulação escapulotorácica de crianças com
POPB durante a elevação do membro superior no
plano sagital.
Conclusão: A criança com POPB apresentou um
padrão de movimento contrário à criança típica em
relação a inclinação posterior da escápula, além disso,
apresentou limitado movimento em rotação superior
e rotação interna/externa.
Referências
1.
Gharbaoui IS, et al. J Hand Ther. 2015
Apr;28(2):176–84.
2.
McClure PW, et al. J Shoulder Elb Surg Am
Shoulder Elb Surg Al. 2001 Jun;10(3):269–77.
3.
Wu G, et al. J Biomech. 2005
May;38(5):981–92.
4. Dayanidhi, et al. Clin Biomech. 2005 Mar; 20(6):
600–606
Discussão: A criança com POPB apresentou padrão
de movimento alterado para realizar a elevação do
membro superior no plano sagital quando comparado
à criança típica. Durante a elevação do braço esperase que ocorra um aumento da inclinação posterior da
escápula em crianças típicas4, o padrão contrário
ocorreu com a criança com POPB. Além disso, o
posicionamento da escápula em repouso difere da
criança típica. No entanto, esses resultados não
podem ser generalizados para a população com
POPB, pois trata-se de um estudo de caso. Com uma
amostra maior será possível realizar comparações
Fontes financiadoras: Fundação de Amparo à
Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP)
processo: 2015/16254-7.
Fonte dos dados: Esses dados são parte do conteúdo
da Tese de Doutorado intitulada de Contribuições
articulares do complexo do ombro e coluna cervical
de crianças com paralisia obstétrica do plexo braquial
durante tarefas de alcance. O trabalho está sendo
desenvolvido junto ao Programa de Pós-Graduação
em Reabilitação e Desempenho Funcional
FMRP/USP.
P á g i n a | 152
CHM.118. ÍNDICES ELETROMIOGRÁFICOS DURANTE A MASTIGAÇÃO
HABITUAL E PADRONIZADA DE MATERIAIS DE DIFERENTES
CONSISTÊNCIAS EM MULHERES COM E SEM DISFUNÇÃO
TEMPOROMANDIBULAR
Licerry Palma Soares1; Carlos Eduardo Fassicollo1; Maylli Daiani Graciosa1; Bárbara Camila Flissak
Graefling1,3; Daiane Lazzeri de Medeiros1,2; Lilian Gerdi Kittel Ries1
1
Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC; 2Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto FMRP/USP; 3Faculdades Integradas do Vale do Iguaçu - UNIGUAÇU
Introdução: A Disfunção Temporomandibular
(DTM) é uma alteração funcional ou patológica que
afeta a articulação temporomandibular (ATM), os
músculos mastigatórios e outras estruturas do sistema
estomatognático1. A consistência do alimento
influencia no desempenho mastigatório2 e interfere
no sinal eletromiográfico do período ativo e inativo
da mastigação, visto que a atividade muscular se
eleva conforme o volume do alimento triturado3.
Portanto, para que os resultados do sinal
eletromiográfico obtenham maior precisão é de
extrema importância que haja uma padronização do
material a ser utilizado.
Objetivos: O objetivo deste estudo foi determinar se
diferentes materiais e o tipo de mastigação podem
influenciar a atividade dos músculos masseter e
temporal de indivíduos com e sem DTM.
Métodos: Estudo transversal de caráter quantitativo,
aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da
Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC,
sobre o número 758.038/2014. Foram avaliados 54
indivíduos com idade entre 18 e 44 anos do sexo
feminino. Os critérios de exclusão para o grupo
sintomático e assintomático foram: má oclusão
clinicamente visível, dentição incompleta, falhas
dentárias entre caninos e molares decíduos ou
permanentes, uso prévio de placa oclusal nos últimos
6 meses que antecederam o estudo, uso de aparelho
ortodôntico e/ou ortopédico, estar sobre tratamento
psicoterápico e não assinar o termo de consentimento
livre e esclarecido. Realizou-se um exame clínico a
fim de verificar a presença ou a ausência de dor
miofascial, além de identificar indivíduos com DTM
(Research
Diagnostic
Criteria
for
Temporomandibular Disorders (RDC/TMD)). A
avaliação da atividade elétrica dos músculos masseter
e temporal ocorreu durante da mastigação habitual
com parafilme (A), mastigação padronizada com
parafilme (B) e mastigação padronizada com algodão
(C). Na mastigação habitual era solicitado ao
indivíduo fazer uma mastigação fisiológica por 10s.
Durante a coleta da mastigação padronizada, os
indivíduos foram instruídos a mastigar conforme a
batida de um metrônomo ajustado a 60 batimentos
por minuto por 10s. Cada coleta de mastigação
ocorreu por 3 vezes com intervalos de 1 minuto. Foi
utilizado o Eletromiógrafo Miotool, com placa
conversora analógico/digital de 14 bits de resolução
para uma taxa de aquisição de 2000 Hz, mínima
Relação de Rejeição de Modo Comum de 110 dB e
com eletrodos de superfície Medi-trace. Os dados
foram filtrados com passa alta de 20Hz e passa baixa
de 500Hz. A atividade muscular, durante o período
ativo (PA) da mastigação, foi analisada por meio da
amplitude do root means square (RMS%), do Índice
de simetria e pelo coeficiente antero-posterior. Os
dados foram normalizados por meio de uma
percentagem da contração voluntária máxima. A
normalidade e a homogeneidade das variâncias dos
dados foram verificadas por meio do teste de
Kolmogorov Smirnov e o Teste de Levene,
respectivamente. Nas variáveis que não apresentaram
distribuição normal (p<0,05), foi realizada
transformação logarítmica. A análise de variância
univariada com ajustamento de Bonferroni foi
utilizada para verificar o efeito dos grupos (DTM e
Controle) e das formas de mastigação (A, B e C).
Resultados: Os resultados referentes ao PA da
mastigação encontram-se na tabela 1.
Discussão: Nos três tipos de mastigação analisada,
observou-se menor amplitude de atividade
eletromiográfica com diferença significativa para o
masseter direito no grupo com DTM ao comparar
com o grupo controle. No período ativo da
mastigação padronizada com parafilme houve
aumento da amplitude eletromiográfica nos quatro
músculos analisados, comparada com as demais
formas de atividade mastigatória do estudo. A
simetria do temporal e o coeficiente anteroposterior
foram menores durante a mastigação habitual com o
parafilme.
Conclusões: Os diferentes materiais e os tipos de
mastigação analisados influenciaram a atividade dos
músculos avaliados. A mastigação padronizada com
P á g i n a | 153
parafilme proporciona aos indivíduos maior
desempenho na atividade de executar a função
muscular de forma uniforme diminuindo a
interferência do movimento mandibular no sinal
eletromiográfico.
Tabela 1: Valores médios, desvios padrão (DP), Intervalos de Confiança (IC 95%) e análises de variância
obtidas durante o período ativo da mastigação habitual com parafilme (A), mastigação padronizada com
parafilme (B) e mastigação padronizada com algodão (C), divididos em grupo Controle (n=27) e grupo DTM
(n=27).
EG: efeito grupo; EM: efeito mastigação; EP: erro padrão; RMS: root means square; TD: músculo temporal
direito; TE: músculo temporal esquerdo; MD: músculo masseter direito; ME: músculo masseter esquerdo; ST:
índice de simetria do temporal; SM: índice de simetria do masseter; CAP: coeficienteântero-posterior.
Referências
1. Gomes NC, et al. Rev Bras Fisioter. 2012 Jan;
16(1):10-5.
2.Filipic S, et al. J Oral Rehabil. 2002; 29(5): 492-6.
3. Shiau YY. J Oral Rehabil, 2003 Out; 30(10):978–
984.
Fontes
financiadoras:
Coordenação
de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
(CAPES).
Fonte dos dados: Esses dados são parte do conteúdo
da Dissertação de Mestrado intitulada:
Correlação entre atividade elétrica mastigatória,
qualidade de vida e severidade da disfunção em
indivíduos com DTM. O trabalho foi desenvolvido
junto ao Programa de Pós-Graduação em
Fisioterapia, UDESC.
P á g i n a | 154
CMH.119. FENDA LABIOPALATAL E DISFUNÇÃO CERVICAL: INFLUENCIA
NA ATIVIDADE ELÉTRICA DOS MÚSCULOS MASTIGATÓRIOS E CERVICAIS
Bárbara Camila Flissak Graefling1,4; Carlos Eduardo Fassicolo 1; Maylli Daiani Graciosa1; Sheila Cristina
Pacheco1;Daiane Lazzeri Medeiros1,2; Roberto Rocha 1,3; Lilian Gerdi Kittel Ries1.
1
Universidade do Estado de Santa Catarina-UDESC; 2Universidade de São Paulo-USP;
3
Universidade Federal de Santa Catarina-UFSC; 4Faculdades Integradas do Vale do Iguaçu - UNIGUAÇU
Introdução: A fenda labiopalatal é uma
malformação facial congênita, que afeta o sistema
estomatognático1. Para reestabelecer funções vitais,
inúmeras intervenções cirúrgicas são necessárias2.
Apesar da importância desses procedimentos, efeitos
deletérios podem ocorrer3, os quais prejudicam as
funções dos músculos mastigatórios e estruturas
subjacentes como a cervical, devido a relação
anatômica entre ambas.
Objetivos: Identificar a associação entre fenda
labiopalatal (FLP) e disfunção cervical (DC) e se
ambas exercem efeito na amplitude de ativação dos
músculos mastigatórios e cervicais.
Métodos: Pesquisa transversal, com aprovação do
Comitê de Ética em Pesquisa da UDESC, sob o nº
666510/2014. Cálculo amostral foi realizado, com
base em um estudo piloto. A amplitude de ativação
muscular (AAM) bilateral, dos músculos masseter,
esternocleidomastóideo e trapézio foi analisada,
durante três repetições de repouso (10s), isometria
(5s) e isotonia (10s), por meio de eletromiografia de
superfície. A presença (PDC) ou ausência de DC
(ADC) foi identificada por meio do Índice de
Disfunção Cervical (IDC) baseado no Protocolo de
Helkimo. Compuseram o estudo 62 crianças, com
FLP (PFLP) (n=31) e ausência de FLP (AFLP)
(n=31), com idade entre 6 e 14 anos pareadas por sexo
e idade. A atividade elétrica dos músculos foi
apresentada por meio dos valores da Raiz Quadrada
da Média (RMS) e expressos em microvolts (μV). Os
sinais eletromiográficos brutos foram filtrados com
filtro passa-banda de 20-500Hz e posteriormente
foram calculados os valores RMS e realizada a
normalização. O software MATLAB (Versão 5.3 The
MathWorks Inc.) foi utilizado para este
processamento.
Para a caracterização dos parâmetros analisados foi utilizada a
estatística descritiva (média e desvio padrão). A normalidade
dos dados foi verificada por meio do teste de Shapiro-Wilk. Os
parâmetros que não apresentaram distribuição normal (p<0,05)
sofreram transformação logarítmica. Conforme o Teste de
Levene verificou-se que os parâmetros apresentaram
homogeineidade das variâncias (p>0,05). Para verificar a
existência de associação entre os grupos PFLP e AFLP e o fator
DC, utilizou-se a análise de regressão logística bivariada. Para
quantificar o risco da presença de DC em crianças com PFLP foi
calculado o Odds Ratio (OR) e seu intervalo de confiança de
95% (IC). A análise de variância univariada (Anova com dois
fatores) foi utilizada para verificar o efeito da FLP e da DC sobre
as variaveis de AAM. A análise estatística foi realizada no
programa Statistical Package for the Social Sciences (SPSS),
versão 20.0.
Resultados: O modelo de regressão logística
bivariada mostrou associação entre a FLP e a PDC
(p<0,05). O odds ratio detectou que uma criança com
PFLP possui 6 vezes maior chance de apresentar DC
do que a criança com AFLP. O teste de Anova com
dois fatores identificou que a PDC exerceu efeito
sobre a AAM, com menores valores para o trapézio
direito (TD) durante a isometria, e maiores valores
para masseter direito (MD) e masseter esquerdo (ME)
durante o período inativo (PI) da isotonia. A simetria
da amplitude de ativação muscular da musculatura
mastigatória e cervical foi semelhante em ambos os
grupos.
Discussão: A associação encontrada no presente
estudo entre DC e FLP corrobora a literatura.
Alterações faciais são acompanhadas por algumas
disfunções como a DC devido às ligações
neuroanatômicas4. A menor AAM de TD durante a
isometria observada no grupo PDC pode ser
justificada. Sabe-se que a dor é um dos fatores que
compõe o quadro de DC e, que a presença da mesma
pode levar ao declinio da atividade elétrica5. Houve
efeito da DC sobre a AAM de ME durante o PI da
isotonia. A maior AAM neste período evidencia a
dificuldade de inibição e coordenação da atividade
elétrica dos músculos mastigatórios no grupo PDC.
Resultado semelhante já foi encontrado6. No PI da
mastigação,
a
mandíbula
esta
suspensa
involuntariamente, isso ocorre devido à coordenação
mútua dos músculos envolvidos no rebaixamento
mandibular e dos músculos mastigatórios7.
Alterações musculares no PI podem levar ao processo
P á g i n a | 155
de mastigação ineficaz ou alterado, sucção
prejudicada, deglutição atípica8 e comprometer ainda
a região crânio cervical9. Padrão de assimetria na
atividade dos músculos mastigatórios foi observada
em indivíduos com FLP10, todavia no presente
trabalho ambos os grupos apresentaram valores
simétricos tanto dos músculos mastigatórios quanto
dos cervicais. A simetria observada na presente
amostra pode ser compreendida, pois as crianças são
submetidas ao procedimento cirúrgico ainda bebês
quando a dentição está incompleta. E é a partir da
erupção dentária que a tarefa torna-se condicionada.
Conclusões: A presença de FLP em crianças está
associada à DC, situação que interfere na amplitude
de ativação muscular tanto da musculatura cervical,
nesse caso o trapézio direito, quanto na musculatura
facial representada no presente estudo pelo masseter
direito e masseter esquerdo.
Referências:
1. Rulang J, et al. Dev Dynam 2006; 235:1152–1166.
2.Capelozza Filho, et al. Abordagem interdisciplinar
no tratamento das fissuras labiopalatinas. Medsi.
2002.
3. Bardach J. Cleft Palate Journal 1990; 27(1):76-78.
4. Zafar H, et al. Archives of Oral Biology 2000;
45:675-682.
5. Lund JP, et al. Can J Physiol Pharm 1991; 69
(5):683-94.
6.Sakamoto T, et al. Bull Tokyo Dent Coll 1999;
40(4): 195-202.
7. Galo R, et al. Gerodontology 2006; 23(3):177-82.
8.Amaral D B. Revi Cefac 2000; 2(2): 23-30.
9. Da Silva RN, et al. RBPS 2004; 17(1): 27-30
10. Saifuddin M, et al. J Oral Rehabil 2003;
Fontes financiadoras: Fundo de Apoio à Pesquisa
do Governo do estado de Santa Catarina-FUMDES.
Fonte dos dados: Os resultados apresentados nesse
resumo são de uma dissertação de mestrado
intitulada: Influência da fenda labiopalatal e da
disfunção cervical na atividade elétrica dos músculos
mastigatórios, cervicais e no posicionamento
craniocervical. Desenvolvida no Laboratório de
Desenvolvimento e Controle Postural LADESCOP,
da UDESC, no Programa de Mestrado em
Fisioterapia.
P á g i n a | 156
CMH. 120.IMPORTÂNCIA DA EXPERIÊNCIA PARA A PERCEPÇÃO AUDITIVA
DO EFEITO DA BOLA NO TÊNIS DE MESA
Daniel Peterossi Rodrigues Santos1; Roberto Negri Barbosa1; Luiz Henrique Palucci Vieira2; Matheus
Machado Gomes1
1
Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto (EEFERP- USP)
2
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP)
Introdução: Identificar com velocidade e precisão
a trajetória e o efeito da bola é fundamental para o
bom desempenho no tênis de mesa. Um estudo
prévio que avaliou o tempo de reação simples em
situações com estímulos visuais e auditivos,
constatou que a resposta para o estímulo auditivo
foi 47 ms mais rápida(1). Isto sugere que a
percepção auditiva poderia ser utilizada para
produzir respostas mais rápidas no tênis de mesa.
Entretanto, ainda não está claro se é possível
identificar o efeito da bola a partir da informação
auditiva e se esta percepção auditiva do efeito está
relacionada com a experiência no esporte?
Objetivos: Avaliar a capacidade de mesatenistas,
com diferentes níveis de experiência, em identificar
o efeito da bola a partir do som produzido no
momento de contato entre bola e raquete.
Métodos: Participaram do estudo 34 mesatenistas
de ambos os sexos com idade média de 21,5 ± 9,1.
O Trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética
(n°42486315.4.0000.5659). Os voluntários eram
federados e apresentavam dois anos ininterruptos
de prática. A avaliação consistiu em identificar a
magnitude do efeito da bola a partir do som do
contato da bola com a raquete. Estes sons foram
registrados em ambiente de laboratório utilizando
gravadores de áudio profissionais (Roland R-26) e
capturados por duas cameras CASIO (ex-FH25)
em uma frêquencia de 420 Hz. A partir disso, foi
realizada a análise cinemática por meio do
programa DVIDEOW(2) para identificar a
velocidade e o efeito da bola (Metade da bola foi
pintada para visualização da rotação). Foram
utilizados quatro sons do golpe Forehand (com
efeito para frente). Os sons utilizados no teste
foram definidos como: Muito Efeito (bola girando
para frente a 140,05 Hz); Médio efeito (105,04 Hz);
Pouco efeito (84 Hz) e Batida Chapada (60 Hz). Em
seguida, cinco sons de cada tipo de efeito foram
introduzidos randomicamente em uma sequência
de 20 sons e após ouvir cada som, o participante
assinalou em uma ficha a magnitude de efeito
percebida. A transmissão do som foi gerada por um
notebook e ouvidos por fones de ouvido externos
(Beats Dr.Dre) com volume de 55 dB. O número de
acertos para cada tipo de efeito foi utilizado nas
análises. Para verificar a influência da experiência,
os valores foram comparados de acordo os
seguintes fatores: anos de prática (maior ou menor
que 10 anos); horas de treinamento (maior ou
menor que 15 h/sem); idade (acima ou abaixo de 21
anos). Foram realizadas três analises de variância
(ANOVAs) one way, uma para cada fator de
experiência e todas utilizando como variável
dependente o número de acertos.
Resultados: De forma geral, os mesatenistas
identificaram o efeito da bola em 50,9% das
tentativas. A ANOVA não indicou diferença para
anos de prática [F(1,33)= 0,006, p>0,05].
Jogadores com mais anos de prática (>que 10 anos)
apresentaram percepção similar aos jogadores com
menos anos de prática (<9 anos), assim como para
a variável horas de treinamento, [F(1,33)= 0,034,
p>0,05]. Mesatenistas que treinavam mais que 16
h/sem apresentaram percepção auditiva similar aos
que treinavam menos que 15 h/sem. Nas
comparações entre idades, ANOVA também não
apontou diferença [F(1,33)= 0,087, p>0,05].
Atletas mais velhos (acima de 22 anos)
apresentaram percepção auditiva similar aos mais
jovens (abaixo de 21 anos) (Tabela 1).
P á g i n a | 157
Tabela 1. Média ± desvio padrão do número de
acertos total e para cada tipo de efeito estratitifado
pelos anos de prática, horas de treino semanais e
idade.
Experiência
Muito efeito
< 9 anos
prática
Pouco efeito
chapado
total
2,1 ± 1,6
Médio
efeito
2,1 ± 1,2
1,6 ± 0,8
3,8 ± 1,5
10,0 ± 3,8
> 10 anos
prática
1,9 ± 1,6
2,2 ± 1,2
1,8 ± 1,4
4,0 ± 1,2
10,0 ± 3,6
Até 15
h/sem
2,1 ± 1,7
2,7 ± 1,4
1,5 ± 1,1
3,7 ± 1,8
10,2 ± 3,1
mais que 16
h/sem
2,1 ± 1,7
1,9 ± 1,1
2,0 ± 1,1
3,8 ± 1,2
10,0 ± 4,2
Até 21 anos
2,2 ± 1,6
2,5 ± 1,1
1,7 ± 1,0
4,0 ± 1,2
10,7 ± 3,2
Mais que 22
anos
2,0 ± 1,5
2,0 ± 1,4
1,8 ± 1,5
3,6 ± 1,5
9,5 ± 4,0
Discussão: Os resultados indicaram que a
experiência (anos de prática, horas de treinamento
e idade) não influenciou na percepção auditiva do
efeito da bola. O estudo de Park et al.,(3) revelou
que mesatenistas experientes (>de 10 anos prática),
obtiveram respostas 15% melhores em identificar o
efeito da bola quando adicionada a informação
auditiva Porém, o estudo prévio limitou-se em
avaliar apenas atletas experientes, com mais de 10
anos de prática. Em contrapartida, o presente
estudo verificou que a experiência, baseada nos
anos de prática, horas de treinamento semanal e
idade, não foi um fator determinante na percepção
auditiva do efeito da bola. Vale ressaltar que no
trabalho de Park et al.,(3) a informação auditiva em
nenhum momento foi utilizado de forma isolada
sendo sempre acompanhada da informação visual,
diferente do nosso procedimento. De qualquer
forma, apesar de a experiência no esporte ser um
diferencial positivo para atletas(4), a percepção
auditiva do efeito da bola no tênis de mesa, isolada
de outras variáveis contextuais, aparenta não ter
relação com a experiência no esporte.
Conclusões: Os resultados apontaram que é
possível identificar o efeito da bola a partir da
informação auditiva, entretanto, indicaram que a
experiência não é um fator decisivo para a
percepção do efeito da bola no tênis de mesa.
Referências:
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auditory and visual simple reaction times.
Neuroscience and Medicine. 2010;1(1):30-32.
2.
Figueroa PJ, Leite NJ, Barros RM. A
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human motion analysis. Computer methods and
programs in biomedicine. 2003;72(2):155-65.
3.
Park SH, Kim S, Kwon M, Christou EA.
Differential contribution of visual and auditory
information to accurately predict the direction and
rotational motion of a visual stimulus. Applied
physiology, nutrition, and metabolism. 2015; (9):
1-5.
4.
Faber IR, Elferink-Gemser MT, Faber NR,
Oosterveld FG, Nijhuis-Van der Sanden MW. Can
perceptuo-motor skills assessment outcomes in
young table tennis players (7–11 years) predict
future competition participation and performance?
an observational prospective study. Plos One.
2016;11(2):1-13.
Fonte de dados: Esses dados são de um trabalho
original que foi desenvolvido junto ao Programa de
Pós-Graduação em Educação Física da EEFERPUSP
P á g i n a | 158
CMH.121. ANÁLISE FUNCIONAL DOS MÚSCULOS MASTIGATÓRIOS E
CERVICAIS EM MULHERES SUBMETIDAS À MASTECTOMIA – ESTUDO
PILOTO
Danilo Stefani Esposto1, Marcelo Palinkas2, Saulo César Vallin Fabrin2,
Bárbara de Lima Lucas3; Edson Donizetti Verri2, Paulo Batista de Vasconcelos2, Eduardo Chedid2; Vânia
Tie Koga Ferreira1, Elaine Caldeira de Oliveira Guirro1,
Simone Cecilio Hallak Regalo2
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – Universidade de São Paulo;
Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto – Universidade de São Paulo;
3
Universidade Federal de Jataí
1
2
Introdução: O câncer de mama é a neoplasia que
mais atinge as mulheres no mundo, sendo
considerado o tipo mais comum na população
feminina brasileira (Porto et al., 2013). A
mastectomia é o procedimento mais comumente
realizado como método de tratamento e pode
acarretar várias alterações físicas e funcionais,
como linfedema, limitação da amplitude de
movimento e da força muscular e distúrbios
posturais (Rostkowska et al., 2006; Montezuma et
al., 2014).
Objetivo: O objetivo desta pesquisa foi avaliar os
músculos
masseter,
temporal
e
esternocleidomastoideo (bilateral) de mulheres
submetidas à mastectomia por meio da atividade
EMG.
Métodos: Participaram 10 mulheres com dentição
natural, distribuídas em dois grupos: GM, grupo
mastectomia, (n=5; idade média 48,00 ± 4,54 anos)
e GC, grupo controle, (n=5, idade média 50,00 ±
5,42 anos). O estudo foi aprovado pelo Comitê de
Ética em Pesquisa com Seres Humanos (CAAE
38290714.8.0000.5381). O registro da atividade
EMG dos músculos temporal masseter e
esternocleidomastoideo foi realizado por meio do
eletromiógrafo TrignoTM Wireless EMG System
Delsys, durante as seguintes condições: repouso
mandibular (4s), protrusão (10s), lateralidade
direita (10s), lateralidade esquerda (10s),
apertamento dental em contração voluntária
máxima com e sem parafilme (4s), mastigação
habitual com amendoins (10s), mastigação habitual
de uvas-passas (10s) e mastigação não habitual de
parafilme (10s). Os grupos foram pareados sujeito
a sujeito por idade e índice de massa corporal. Os
dados EMG foram normalizados, tabulados e
submetidos ao exme estatístico (test t
independente) utilizando o software SPSS 21.0.
Resultados: Não houve diferença significativa (p
≤ 0,05) entre os grupos avaliados, embora tenha
sido observado aumento na atividade EMG dos
músculos mastigatórios e cervicais do GM em
todas as condições quando comparado ao GC.
Discussão: É de fundamental importância avançar
o conhecimento científico acerca das alterações
físicas e funcionais que podem sobrecarregar o
sistema estomatognático, para melhor abordagem
clínica diária das pacientes mastectomizadas.
Funcionalmente, o sistema estomatognático em
indivíduos com diferentes patologias apresenta um
aumento da atividade EMG durante as condições
posturais da mandíbula quando comparado aos
indivíduos saudáveis (Silva et al., 2015). O
resultado desta sugere um aumento na atividade
EMG dos músculos mastigatórios durante o
repouso mandibular, lateralidade direita e
esquerda, protrusão, contração voluntária máxima
e mastigação. Dados similares foram encontrados
na pesquisa de Dante et al., 2014, que avaliaram
indivíduos submetidos à radioterapia para
tratamento do câncer de cabeça e pescoço. Porém
não foram encontrados estudos semelhantes
direcionados ao câncer de mama.
A musculatura do pescoço é fundamental na
manutenção do equilíbrio cervical e dos músculos
mastigatórios, onde uma intervenção cirúrgica em
qualquer nível pode resultar em mudanças
funcionais neste complexo sistema. Assim sendo,
modificações na postura da cabeça são
responsáveis por ocasionar alterações na atividade
dos músculos mastigatórios (Strini et al., 2009).
Nos últimos anos a abordagem cirúrgica do câncer
de mama vêm sendo alterada (Tiezi, 2007) e
estudos concluíram que procedimentos cirúrgicos
conservadores causam menos impacto na
qualidade de vida das pacientes, especialmente na
funcionalidade e dor muscular (Veiga, 2010).
P á g i n a | 159
Desta forma, realizar uma pesquisa que tem a
finalidade de obter informações sobre as alterações
funcionais dos músculos da cabeça e pescoço é
extremamente importante para auxiliar no
diagnóstico, prognóstico e tratamento de
complicações que estão direta ou indiretamente
relacionadas aos procedimentos cirúrgicos no
corpo humano.
Conclusões: Baseado nos resultados obtidos,
pode-se inferir que as mulheres submetidas à
mastectomia apresentaram alterações funcionais na
musculatura mastigatória e cervical, o que pode
comprometer a função do sistema estomatognático.
Referências
1.
Porto MAT, et al. Rev. Brasil de Cancerol.
2013, 9(9):331-39.
2.
Rostkowska E, et al. Advances in Medical
Sciences. 2006; 51:287-297.
3.
Montezuma T, et al. Journal of Cancer
Therapy. 2014; 5:493-499.
4.
Silva
GP,
et
al.
Journal
of
Electromyography and Kinesiology. 2015; 25(3):
515-521.
5.
Dante AMM, et al. Dentisty, Oral Disorders
& Therapy. 2014; 2(3):1-5.
6.
Strini et al. Appl Oral Sci. 2009, 17(5):539543.
7.
Tiezi, DG, et al. Rev Bras Ginecol Obstet.
2007, 29(8): 428-434.
8.
Veiga DF et al. Rev Bras Saúde Matern
Infant. 2010,10(1):51-57.
Agradecimento: FAPESP
Fonte dos dados: Estes resultados apresentados
são decorrentes de uma pesquisa original do
Departamento de Morfologia, Fisiologia e
Patologia Básica da FORP/USP e fazem parte do
conteúdo do Projeto de Mestrado intitulado:
“Avaliação do sistema estomatognático em
mulheres submetidas à mastectomia” do Programa
de Pós-Graduação em Reabilitação e Desempenho
Funcional da FMRP/USP.
P á g i n a | 160
CMH.122. ELECTROMECHANICAL DELAY IN HEALTHY SUBJECTS VERSUS
SUBJECTS WITH LUMBAR MUSCLE-SKELETAL SYMPTONS
Diego Robles C1; Felipe Domke V, Ignacio Lucchini A, Eduardo Vega G, Tomás Santibáñez A, Alejandro Troncoso T &
Joel Álvarez-Ruf
Laboratory of Biomechanics, Faculty of Medicine CAS-UDD. Universidad del Desarrollo, Chile
E-mail: [email protected]
Introduction: There isn´t any study that describes
latency of muscle as the cause of spine stability in
both situations: voluntary and reflex activities.
Current literature has focused its studies on
activation levels, the timing and the trunk muscles
activation patterns, which play an important role in
lumbar stability and motion control. Nonetheless, the
electromechanical behavior of the muscles involved
in the lumbar stability control has not been described
in situations of voluntary and reflex activities within
the same sample of subjects with MES compared to
healthy subjects.
Objective: The aim of this study was to determinate
the differences in muscle latency in both, voluntary
and reflex activities in healthy patients and patients
with symptoms of low back pain.
Methods: Is an experimental cross-sectional study.
Participants: 38 subjects, 20 control and 18 MES.
Age between 18-40 years, body mass index: normal
range. The control group subjects should have not
presented pain during the three days previous to the
measurement and the MES group subjects should
have had symptoms for more than seven days and
less than seven weeks previous to the measurement.
This was an original First Degree study, approved
by the Faculty of Medicine CAS-UDD, Universidad
del Desarrollo Ethics Committee (Number: 2014145)
The onset of the iliocostalis, multifidus and
longissimus muscles was measured with surface
electromiography for the control and MES group in
both activities. A 16 channels Delsys
Electromiographer and the SENIAM protocol for the
electrodes location were used. [1]
The standing subject was asked to reach an object
located at a distance equal to the total length of his
upper limb at the height of his head, then return to
the starting position. The onset of the perturbation
was recorded by an accelerometer located on the
wrist of the subject. The subject stood upright on an
adjustable metal frame, fixed to the pelvis with an
adjustable harness on the chest, which was attached
to a pulley at the level of the xiphoid process of the
sternum. This harness was connected to a pulley
through which a cord attached to a steel mass passed,
corresponding to 65 Newton (N), in the case of male
subjects and 40 (N) for female subjects[2]. The
accelerometer was placed on the sternal notch to
register the perturbation. Patients were isolated both
visually and aurally.
To determine onset muscle the data was processed
with Matlab R2012a software, based on the
algorithm proposed by Paul Hodge [3]. Data
distribution was determined with Shapiro-Wilk Test,
accounting a normal distribution. For independent
samples a T-Test was performed.
Results: The differences in each activity in the
subject with MES compared to the control group
were not significant (P value >0,05). This results
contradict our hypothesis. (See Annex 1)
Graphic 1: Electromechanical Delay in a voluntary
activity (p value>0,05)
Graphic 2: Electromechanical Delay in a reflex
activity (p value>0,05)
Discussion: Subjects with MES in the lumbar zone
for the last seven days were recruited for this study.
P á g i n a | 161
Nevertheless, the time of existence of the symptoms
does not imply a neuromuscular disorder that
significantly affects muscle response compared to
similar studies were the relationship of chronic low
back pain and muscle recruitment has been studied.
In similar studies [5,6] where measurements of
electromechanical delay on the paravertebral
muscles in subjects with low back pain syndrome
were performed, the importance of chronological
effect of pain on the expression of muscle response
based on symptoms of more than three months were
highlighted. Probably, the symptoms of the subject
have not produced neuromuscular adaptations that
modify muscle response compared to healthy
subjects. A point to improve, following the line of
research, would be to study subjects which have a
diagnosed low back pain syndrome and present a
longer history of symptoms. Nonetheless, it is
important to continue the research analyzing the
relationship between chronic low back pain and
muscle recruitment.
Conclusion: On both voluntary and reflex activities
there were not significant differences when
comparing de electromechanical delay response in
the group with low back pain symptoms with the
control
group.
References:
1.
Seniam.org [Internet]. Entschede, Holanda,
H.J. Hermens,[In: 4 de junio, 2014]. Disponible en:
http://www.seniam.org/main.htm
2.
Reeves NP et Al. Journal of
Electromyography and Kinesiology: (2005, Feb);
15(1): 53-60.
3.
Hodges, PW. Electroencephalography and
clinical neurophysiology. 1996; (6), 511–9
4.
Silfies SP et al. Archives of Physical
Medicine and Rehabilitation. (2009, July); 90(7):
1159-1169. DOI: 10.1016/j.apmr.2008.10.033
5.
Hodges PW. Archives of Physical Medicine and
Rehabilitation (1999, Sep); 80(9): 1005-1012.
Table 1. Latency in miliseconds (ms) for each muscle in both conditions, control and MES group
.
Muscles
Right Multifidus (RM)
Left Multifidus (LM)
Right Longissimus (RL)
Left Longissimus (LL)
Right Iliocostalis (RI)
Left Iliocostalis (LI)
Voluntary Activity
Latency (MS)
Control Group
MES Group
548,42
467,76
694,03
410,42
404,78
464,43
552,98
361,28
426,49
366,91
434,93
425,43
Reflex Activity
Latency (MS)
Control Group
MES Group
366,49
211,23
324,20
153,03
159,18
331,29
205,43
149,94
281,78
104,10
188,13
127,79
P á g i n a | 162
CMH.123. ANÁLISE COMPARATIVA DA FORÇA MUSCULAR ISOCINÉTICA DE
CRIANÇAS E ADOLESCENTES SAUDÁVEIS E COM MIELOMENINGOCELE
Emanuela Juvenal Martins1, Marisa Maia Leonardi-Figueiredo1 , Felipe Souza Serenza1, Letícia Sanches
Ravanelli1, Paula Serrão2, Stela Marcia Mattiello2, Ana Claudia Mattiello-Sverzut1
1 Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil;
2 Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, São Paulo, Brasil
Introdução: A mielomeningocele (MMC) é causada
pelo defeito do fechamento do tubo neural, resultando
em displasia da medula espinhal, com consequente
paralisia sensitivo-motora dos membros inferiores (1,
2, 3). O baixo nível de atividade física das crianças e
adolescentes com MMC pode resultar em
complicações
secundárias,
como
alterações
respiratórias,
ortopédicas,
cardiovasculares,
obesidade e fadiga (4). São importantes estudos que
agregam informações acerca da relação que existe
entre a hipocinesia e o desenvolvimento da
performance de membros superiores em crianças e
adolescentes não-deambuladores.
Objetivos: Identificar e comparar valores de força
muscular por meio de avaliação isocinética em
crianças e adolescentes saudáveis e nãodeambuladores com MMC, pareados pela idade e
gênero.
Métodos: Participaram deste estudo transversal
crianças e adolescentes de ambos os gêneros,
separados em: Grupo não-deambuladores (GND) –
11 voluntários com MMC, usuários de cadeira de
rodas, com idade média 12,45 (2,10) anos, massa
corporal 45,89 (20,82) Kg, estatura 147 (21) cm; e
Grupo Controle (GCT) - 22 voluntários saudáveis
pareados pelo gênero e idade, com idade média 12,45
(2,10) anos, massa corporal 54,89 (17,44) Kg,
estatura 154 (13) cm, após seus responsáveis
assinarem o termo de consentimento livre e
esclarecido. Este projeto foi aprovado pelo Comitê de
Ética em Pesquisa da Universidade de São PauloRibeirão
Preto
(parecer
nº
24947214.8.0000.5440/2015). Todos os indivíduos
foram submetidos a uma avaliação física para
obtenção de dados antropométricos e composição
corporal (bioimpedância elétrica); avaliação do nível
de atividade física (IPAQ); nível de maturação sexual
(estágios de Tanner – 5); e, somente para GND,
avaliação do nível de lesão medular (6). Em seguida,
os voluntários de GND e GCT foram submetidos à
avaliação dos torques isométricos e isocinéticos (na
velocidade de 60°s-¹), do membro superior
dominante, por meio do aparelho isocinético Biodex
System 4®. Os voluntários realizaram aquecimento
em cicloergômetro sem carga durante 3 minutos, em
seguida, foram posicionados sentados no aparelho
com ângulo de encosto fixado em 90° e estabilizados
com cintos sobre o tórax, pelve e braço testado. Para
abdução (ABO) e adução (ADO) de ombro, o eixo
mecânico foi alinhado próximo à articulação
acrômioclavicular e para flexão (FLO) e extensão
(EXO) ao tubérculo maior do úmero, punho em
posição neutra, cotovelo em extensão completa e a
amplitude de movimento foi de 0°- 90° (7, 8). Já para
flexão (FLC) e extensão (EXC) de cotovelo, o eixo
foi alinhado com o epicôndilo lateral do úmero,
ombro posicionado em 30° no plano da escápula, 30°
de abdução no plano frontal, 0° de flexão e o
antebraço em supinação e a amplitude de movimento
foi de 0°- 90° (9). Foram verificadas as variáveis:
torque isométrico (PTI), torque isocinético (PT),
torque relativo (TR), trabalho (W) e tempo para
atingir o pico de torque (tPT). Para análise estatística
foram utilizados os testes t-Student e WilcoxonMann-Whitney, considerando o nível de significância
de 5%.
Resultados: A análise estatística dos dados mostrou
diferença para as variáveis TR60 para os FLO
(p=0,03) e tPT60 para os EXO (p=0,04) quando
comparados os grupos.
Discussão: Todos os voluntários mostraram
homogeneidade
quanto
aos
parâmetros
antropométricos e níveis de maturação sexual e de
atividade física. Nos voluntários do GND ocorreu
predominância do nível lombar alto (45,4%), assim
como relatado na literatura (10). As variáveis que
mostraram diferença foram TR e tPT. O TR diminui
as diferenças entre os indivíduos em relação à
orientação e posicionamento das fibras musculares,
às alavancas mecânicas formadas pela anatomia
articular, à elasticidade dos músculos e tendões e ao
recrutamento das unidades motoras (9, 11). A análise
estatística mostrou diferença entre os grupos para as
variáveis TR60 de FLO e tPT60 de EXO. No primeiro
P á g i n a | 163
caso, a relação concêntrico/isométrica de FLO dos
pacientes com MMC apresentou-se mais responsiva.
Este fato é decorrente dos valores médios de PTI que
mostraram-se diminuídos nos voluntários com MMC
quando comparados com valores dos controle. Por
outro lado, os valores de PT concêntrico dos FLO dos
voluntários com MMC foram superiores aos valores
de seus controles. Estes dados podem indicar que a
habituação em cadeira de rodas favoreça movimentos
curtos e repetitivos associados à elevação do braço
com algum grau de fixação articular, diferentemente
do que acontece em voluntários saudáveis. Os EXO
dos pacientes com MMC mostraram menores valores
para tPT do que seus controles. Esses dados sugerem
diferenças quanto à ativação neuromuscular e
recrutamento de fibras desse grupo muscular durante
movimentos concêntricos, uma vez que o tPT
correlaciona-se com a velocidade isocinética e o tipo
de fibra muscular (especialmente do tipo 2) (9, 12).
Mcdonald CM. American Journal of Physical
Medicine and Rehabilitation. 2002; 81: 108–120.
Taylor S et al. Pediatr Perinat Epidemiol. 2001;
15(1):88-94.
Hoffer MM et al. J Boné Joint Surg Am. 1973; 55 (1):
137-148.
Danneskiold-samsoe B et al. Acta Physiologica.
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Widman LM et al. Journal of Spinal Cord Medicine.
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Moura EWD.; Silva PDAC. Fisioterapia: aspectos
clínicos e práticos da reabilitação. Artes Médicas.
2005.
Gür H et al. European Journal of Applied Physiology.
2003; 88 (6): 487-496.
Aagaard P et al. Medicine and Science in Sports and
Exercise. 1998; 30 (8):1217-1222.
Conclusões:
A avaliação isocinética mostrou alterações somente
para o TR e o tPT dos grupos musculares envolvidos
na FLO e EXO dos voluntários com MMC.
Fontes financiadoras: não se aplica.
Referências:
Pianetti GF et al. Compêndio de Neurologia Infantil.
MEDSI. 2011; p.859- 863.
Adzick NS. Seminars in Fetal & Neonatal Medicine.
2010; 15: 9-14.
Brustrom J et al. Journal of Pediatric Health Care.
Atlanta. 2010; 26 (1): 16 – 26.
Fonte dos dados: Esses dados são parte do conteúdo
da Dissertação de Mestrado intitulada: Análise
comparativa da força, potência e fadiga muscular de
crianças e adolescentes saudáveis e com
mielomeningocele. O trabalho é desenvolvido junto
ao Programa de Pós-Graduação em Reabilitação e
Desempenho Funcional, FMRP-USP.
P á g i n a | 164
CMH.124. Comparação entre o desvio do obstáculo durante o andar para o lado mais
acometido e menos acometido pela doença de Parkinson
Felipe B. Santinelli; Vinicius A. I. Pereira; Lucas Simieli; Luis F. Imaizuni; Tiago Penedo; Fabio A.
Barbieri.
Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – Campus Bauru
Introdução: A doença de Parkinson (DP) atinge no
Brasil cerca de 3% da população com idade superior
a 64 anos (BARBOSA et al., 2006). Uma forma de
diagnosticar a DP é a predominância dos sinais e
sintomas da doença em um lado do corpo
(DJALDETTI et al., 2006; MELAMED e POEWE,
2012), o que indica assimetria no desenvolvimento da
DP. O comprometimento motor unilateral é
apresentado por mais da metade dos pacientes com
DP (UITTI et al., 2006; YUST-KATZ et al., 2008),
fazendo com que o individuo realize ajustes motores
diferentes entre os lados do corpo. Entretanto, os
fatores que causam a assimetria nos membros durante
o andar são pouco conhecidos, especialmente quando
os indivíduos necessitam desviar de um obstáculo
durante o andar.
Objetivos: Comparar o comportamento dos
parâmetros espaço-temporais (passo de desvio do
obstáculo) quando pessoas com DP desviam do
obstáculo para o lado mais acometido e menos
acometido pela doença.
Métodos: Cinco participantes (Tabela 1) com DP
realizaram a tarefa de desviar de um obstáculo
durante o andar. Os participantes permitiram a
participação do estudo através do termo de
consentimento aprovado pelo Comitê de ética local
(CAAE: 45435615.7.1001.5398). Cada individuo
realizou a tarefa 5 vezes para o lado mais acometido
pela doença e 5 vezes para o lado menos acometido.
O lado mais acometido pela DP foi determinado
através dos itens 20, 21, 22, 23, 25 e 26 da UPDRSUnified Parkinson's disease rating scale (FAHN e
ELTON, 1987). O participante foi instruído a desviar
do obstáculo, evitando o contato, e retornar na mesma
linha reta que estava antes do desvio. Os participantes
foram filmados por um sistema tridimensional (3D)
de análise do movimento Vicon Motion System
(Oxford Metrics, Oxford, UK) composto por oito
câmeras Vicon Bonita (Oxford Metrics, Oxford, UK).
A frequência de coleta foi a 100Hz. Para o cálculo dos
parâmetros espaço-temporais do andar foram
posicionados marcadores em ambos os pés dos
participantes (no dorso do pé entre o segundo e
terceiro metatarso e na região posterior do calcâneo).
Foram calculadas as seguintes variáveis do passo de
desvio do obstáculo: comprimento do passo, largura
do passo, duração do passo, velocidade do passo,
duração da fase duplo suporte (porcentagem da
duração do passo) e velocidade do andar (marcado
posicionado na primeira vertebra cervical dos
participantes). Para comparar o lado de desvio dos
participantes foi realizado teste t-Student para
amostras dependentes (p<0,05).
Tabela 1. Idade e caracteristicas clínicas dos
participantes do estudo.
Participante 1
Participante 2
Participante 3
Participante 4
Participante 5
Idade
(anos)
52
63
61
74
69
H&Y
UPDRS
2
1
2
2
1,5
21
16
26
26
26
Resultados: A análise estatística indicou que os
indivíduos com DP aumentaram a largura do passo
quando desviam para o lado mais acometido pela
doença. Entretanto, não foi encontrada diferença
significativa para as outras variáveis (Tabela 2).
Discussão: Pessoas com DP parecem apresentar
assimetria entre os lados de desvio do obstáculo
durante o andar. Indivíduos com DP apresentam uma
diferença progressiva na captação estriatal entre os
hemisférios cerebrais, tanto no caudado e putâmen
núcleos e no circuito gânglios-tálamo córtico-basal
(JOHNSON-FREY, 2004). Esta diferença no
funcionamento cerebral resulta em pior controle
motor do lado mais acometido pela DP quando
comparado ao lado menos acometido (DJALDETTI,
2006). Desviar para o lado mais acometido pela
doença é uma tarefa mais exigente, pois necessita que
o membro mais acometido seja utilizado como
membro de suporte durante o passo de desvio do
obstáculo.
Tabela 2. Médias e desvios padrão dos parâmetros
espaço-temporais do passo de desvio do obstáculo
para o lado menos acometido e mais acometido pela
P á g i n a | 165
doença. Na última coluna estão os valores de p para
cada variável.
Parâmetros
Velocidade
andar (cm/s)
Comprimento
do passo (cm)
Largura do
passo (cm)
Duração do
passo (s)
Velocidade
passo (cm/s)
Duração do
duplo suporte
(%)
Lado mais acometido
Lado menos acometido
Lado mais acometido
Lado menos acometido
Lado mais acometido
Lado menos acometido
Lado mais acometido
Lado menos acometido
Lado mais acometido
Lado menos acometido
Lado mais acometido
Lado menos acometido
Média
(DP)
0,83
(±0,15)
0,82
(±0,15)
46,49
(±10,91)
44,39
(±12,3)
20,25
(±5,9)
12,03
(±6,58)
0,55
(±0,11)
0,56
(±0,12)
86,14
(±17,47)
83,34
(±27,29)
38,81
(±13,35)
36,53
(±13,24)
p
0,84
0,39
0,01
0,58
0,40
0,48
Com isso, o indivíduo com DP quando desvia para o
lado mais acometido necessita ajustar o passo de
desvio do obstáculo para evitar o contato com o
obstáculo, indicando assimetria entre os lados.
Estudos anteriores indicam esta assimetria no desviar
do obstáculo em idosos neurologicamente sadios
(LAJOIE et al., 2006).
Pessoas com DP aumentaram a largura do passo
quando desviam do obstáculo para o lado mais
acometido pela doença em busca de estabilidade e
segurança. O aumento da largura do passo é
interpretado como um facilitador do controle postural
no sentido médio-lateral (Barbieri et al., 2014),
melhorando a segurança e estabilidade do andar. O
aumento da largura do passo parece ser uma
estratégia para evitar o contato com o obstáculo,
aumentando o espaço pessoal. Essa mesma estratégia
do aumento do espaço pessoal, é utilizada por idosos
saudáveis na tarefa de desviar de um obstáculo
(LAJOIE et al., 2006). Entretanto, nossos resultados
devem ser analisados com cuidado devido ao baixo
número de participantes e poucas informações na
literatura relacionado a tarefa de desviar do
obstáculo.
Conclusões: Pessoas com DP apresentaram ajustes
espaço-temporais diferentes (assimétricos) entre
desviar para o lado mais acometido e menos
acometido pela DP. Desviar do obstáculo para o lado
mais acometido exigiu maior estabilidade das pessoas
com DP que aumentaram a largura do passo durante
o desvio do obstáculo.
Referências
BARBIERI FA et al. Ergonomics. 2014; 57 (6): 934942.
BARBOSA MT et al. Movement Disorders.
2006;21(6):800-808.
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LAJOIE GM et al. Gait & Posture. 2006; 24:364-369.
JOHNSON-FREY, S. H. Trends Cogn Sci. 2008;
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LAJOIE GM et al. Gait & Posture. 2008; 27:239-247.
MELAMED E et al. Movement Disorders.
2012;27(2): 171-173. DOI: 10.1002/mds.24048.
YUST-KATZ S. Parkinsonism and Related Disorders.
2008;14:633-635.
Fontes
financiadoras:
FAPESP
(processo
2014/20549-0) e PROPE (processo 76/2015).
Fonte dos dados: Esses dados são parte do conteúdo
do projeto regular aprovado pela FAPESP - Impacto
de ajustes motores e da informação visual no desviar
do obstáculo durante o andar em idosos com doença
de Parkinson – desenvolvido junto ao departamento
de Educação Física da UNESP – Campus Bauru.
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CMH.125. EFEITO DA FADIGA DO MÚSCULO QUADRÍCEPS FEMORAL NO
SENSO DE POSIÇÃO ARTICULAR DO JOELHO
Felipe Marrese Bersotti 1,3; Tamiris Barbosa de Melo 1,2; Luis Mochizuki 3; Ulysses Fernandes Ervilha 3;
Jerônimo Rafael Skau 1
1 Universidade São Judas Tadeu, São Paulo, Brasil
2 Universidade de São Paulo, Instituto de Ortopedia e Traumatologia HCFMUSP, São Paulo, Brasil
3 Universidade de São Paulo, Escola de Artes Ciências e Humanidades, São Paulo, Brasil
Introdução: A propriocepção pode ser avaliada pelo
senso de posição articular (SPA), senso de força e o
senso de velocidade 1. O SPA é importante para
tarefas tanto de baixa complexidade (como atividades
de vida diária) quanto alta complexidade (por ex, em
práticas esportivas). Quanto mais acurado e preciso
for o SPA, melhor será o movimento gerado numa
determinada tarefa 2. O grande número de lesões
sofridas no período final da atividade física recreativa
ou competitiva mostra a contribuição da fadiga na
alteração do controle neuromuscular, inclusive a
propriocepção 3.
Resultados: A fadiga do músculo quadríceps femoral
não altera o senso de posição articular do joelho. Não
houve diferença estatisticamente significativa nos
valores obtidos do EA quando comparadas as
condições pré (4,5±3,7) e pós-fadiga (3,9±2,0),
r=0.27, média do erro padrão pré-fadiga (1,0), pósfadiga (0,54), p=0,34. O método de avaliação do
senso de posição do joelho segue o estabelecido pela
literatura.
Objetivos: Avaliar o senso de posição articular no
joelho, nas condições pré e pós-fadiga do m.
quadríceps femoral.
Métodos: 14 participantes (11 mulheres e 03
homens) saudáveis, sedentários, 21,6±1,8anos,
61,7±12,7kg, 1,64±0,07m, sem história de lesões
prévias nos membros inferiores. O senso de posição
articular do joelho foi mensurado no dinamômetro
isocinético Biodex System-3, sem feedback visual,
com ângulo-alvo de 60˚ flexão do joelho 4. Os
participantes realizaram contrações isotônicas
concêntricas dos músculos quadríceps femoral e
isquiotibiais, no movimento isocinético com
velocidade angular de 60˚/s. A fadiga muscular foi
determinada quando houvesse redução de 50% do
valor do pico de torque verificado nas contração
isotônica concêntrica voluntária máxima (CICVM)
do m. quadríceps femoral. Imediatamente após a
fadiga, foram coletados, novamente, três valores do
senso de posição do joelho. O senso de posição
articular foi analisado pela variável erro absoluto
(EA), definido como a diferença, em graus, entre o
ângulo-alvo e o ângulo definido pelo participante. O
teste t pareado foi utilizado para comparar as médias
dos erros absolutos de cada sujeito nas condições pré
e pós-fadiga muscular. O nível de significância foi
5%. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética
em Pesquisa (CEP) da Universidade São Judas Tadeu
em dezembro de 2014 (parecer 897.220).
FIGURA 1 – Erro absoluto (em graus) no teste de
propriocepção da articulação do joelho nas condições
pré e pós-fadiga do músculo quadríceps femoral.
Valores da média e desvio padrão. Não há diferenças
significativas no senso de posição articular do joelho
causadas pela fadiga do m. quadríceps femoral.
Discussão: Um estudo realizou um protocolo de
fadiga muscular com 50 contrações isotônicas
durante a flexão e extensão do joelho e não
verificaram alteração no senso de posição articular do
joelho 5. Já outro estudo com amostra de 18
participantes, avaliou o efeito da fadiga muscular dos
músculos isquiotibiais em relação ao senso de
posição articular no joelho: 15°, 30° e 45° de flexão
de joelho. A fadiga muscular foi induzida com
redução do torque de 10%, 30% e 50%, em
protocolos distintos, todos em 180°/seg, e não
encontraram alteração no SPA do joelho em nenhuma
destas condições 6. Foi verificado que a fadiga dos
músculos flexores e extensores de joelho causa
redução e atraso em a ativação eletromiográfica dos
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músculos quadríceps femoral e dos músculos
isquiotibiais, reduzindo potencialmente a estabilidade
articular do joelho 7. A cinemática no joelho pós
fadiga do músculo quadríceps femoral foi avaliada e
verificaram que não houve alteração SPA pós-fadiga
muscular dos músculos flexores e extensores do
joelho 8. Os resultados do presente estudo corroboram
com os encontrados na literatura, de modo que o SPA,
verificado de forma ativa, não foi afetado pela fadiga
muscular do músculo quadríceps femoral. É possível
que as estruturas passivas da articulação do joelho,
tais como ligamentos e cápsula articular, exerçam
papel tão importante quanto os dos receptores
localizados nos músculos para o controle da posição
articular do joelho.
Conclusões: A propriocepção da articulação do
joelho, verificada pelo senso de posição articular, não
é afetada pela fadiga do músculo quadríceps femoral.
Outros estudos podem ajudar a compreender melhor
como ocorre o controle neuromuscular na articulação
do joelho em condições de fadiga desta musculatura.
Fontes financiadoras: Este trabalho tem como fonte
financiadora seus autores.
Fonte dos dados: Esses dados são parte do conteúdo
da Dissertação do Projeto de Iniciação Científica,
intitulado como: Efeito da Fadiga do Músculo
Quadríceps Femoral na Propriocepção Articular do
Joelho. O trabalho é desenvolvido junto ao Centro de
Pesquisa e o Laboratório de Biomecânica da
Universidade São Judas Tadeu.
Referências
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Riemann BL e Lephart SM. J Athl Train.
2002 37(1) 71-9.
2.
Ribeiro F e Oliveira J. Eur Rev Aging Phys
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Olsson, L et al Adv Physiother 2004 6 (1)
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Longpré HS et al Clin Biomech (Bristol,
Avon). 2013 28 (4) 441-7.
doi:10.1016/j.clinbiomech.2013.02.010
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725-30. eCollection 2011.
7.
Hassanlouei H et al J Electromyogr Kinesiol.
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doi:10.1016/j.jelekin.2012.01.014.
8.
Gehring D et al Clin Biomech (Bristol,
Avon). 2009 24 (1) 82-7.
doi:10.1016/j.clinbiomech.2008.07.005.
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CMH. 126. EXPERIMENTAL INDUCED PAIN INTENSITY DO NOT CORRELATE
TO NEITHER FACIAL NOR NECK MUSCLE ACTIVITY
Fernando M. Lima1,2; Steffen Walter2; Harald C. Traue2; Adriano O. Andrade1
1 Federal University of Uberlândia (Brazil); 2 Ulm University (Germany)
Introduction: Quantitative pain assessment is not a
trivial task, since health professionals must rely on
the patients' subjective self-reports of their pain
sensation, and it is necessary to provide adequate
relief treatment and to assess its outcomes during the
follow up phase. To do so, uni and multidimensional
scales and questionnaires are often used. For patients
with impaired communication abilities, observation
and annotation of physiological and behavioural
responses are required. In order to develop
automated and objective pain measurement systems,
we must better understand physiological and
behavioural phenomena related to pain sensation. In
this sense, the electromyographic activity (EMG) of
facial muscles related to painful expressions such as
the zygomaticus and corrugator supercilli muscles
can provide valuable information. Further, back and
neck muscles such as the upper trapezius may be
involved in anxiety and limb protection responses
and, thus, can also be an important information
source to measure pain.
Goals: To investigate correlations between
zygomaticus, Currugator Supercilii and Upper
Trapezius activities and the intensity of the thermal
stimulus used to induce pain.
Methods: In this study we used EMG signals and
machine's temperature data from the Biovid Heat
Pain Database (Ethics committee approval: 196/10UBB/bal.). More details on the experiment design
used during data acquisition can be found elsewhere
(1). First, raw EMG data from 90 (aged 18 to 65
years-old, spilt half males and half females)
participants were preprocessed with band-pass filter
(30-256 Hz) and notch filter (50Hz) after visual
inspection. Second, instant amplitude and instant
frequency signals were derivated from the filtered
signal. Third, smoothed Hilbert transformation was
applied to get the signals' envelopes. Forth, both
signals' envelopes and machine temperature were
scaled between zero and four to resemble pain
intensities (no pain = 0; pain threshold = 1, and; pain
tolerance = 4). Values two and three were used to
identify two equally distributed intensities between
pain threshold and pain tolerance levels. Fifth, for
each signal normal distribution was assessed by
means of the Komolgorof-Smirnoff test. Sixth, for
each subject ,160 peak amplitude and median values
were computed from the interest regions (Fig. 1) and
then correlated to the pain intensities, using Pearson
Correlation Coefficient.
Figure 1 – Summary of the experimental design and windowing for attributes extraction.
The first three measurements of time are related to the characterization of the stimulation design. A ramp
protocol were used with a total duration of 8s for each stimulus. Stimuli were separated by randomised
intervals between 8 and 12 s. For the attribute extraction we analysed 8s length windows for the stimuli,
starting 3s after the stimuli onset, and a window with variable length with respect to random interval to get
baseline attributes.
Results: See table 1.
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Table 1 – Descriptive statistics about the correlations between electromyographic attributes from
Zygomaticus, Corrugator Supercilii and Upper Trapezius and pain intensity.
Discussion: Moderate significant correlations were
found between experimental induced pain intensity
and facial muscles electromyographic attributes in
just a few number of subjects. In addition, no strong
significant correlation was found for any of the
signals. Many studies reported decreased muscle
activation related to increased pain after
interventions that either induce or reduce pain
sensation (2,3)⁠. However, we didn't find studies
that correlates different pain intensities with EMG
activity for the same participant. One study (4)⁠
also reported no correlation between pain intensity
and different EMG indexes among subjects with
temporomandibular disorders. O the other hand, one
study (5)⁠ reported greater corrugator activity
during painful heat stimuli compared to non-painful
heat stimuli, and moderate positive correlation
(0.53) between zygomaticus activity and pain
ratings.
Conclusions: Neither instant frequency median nor
instant amplitude peak attributes from normalized
EMG signals were correlated to experimental
thermal induced pain intensity.
References
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31.doi: 10.1109/CYBConf.2013.6617456.
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40. doi: 10.1016/j.jelekin.2013.08.014.43. Mazzetto
MO. Rev Dor. 2014,15(2):91–5. doi: 10.5935/18060013.20140026.
5. Reicherts P et al. Pain. 2013,154(6):793–800. doi:
10.1016/j.pain.2013.02.012.
Financial support: Brazilian research foundations
(CAPES, FAPEMIG, and CNPq) and the German
foundation DFG.
Data source: These data are part of an ongoing
Doctoral Thesis on automated pain classification by
means of biopotentials from the Graduate Program
in Electrical Engineering, FEELT-UFU (Brazil) in
cooperation with the Emotion Lab, Ulm University
(Germany).
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CHM.127. ATIVIDADE ELETROMIOGRÁFICA DE TRAPÉZIO SUPERIOR E
SERRÁTIL ANTERIOR DURANTE A EXECUÇÃO DE ALCANCE EM
DIFERENTES ALTURAS EM INDIVÍDUOS ASSINTOMÁTICOS
Flávia Pessoni F. M. Ricci1; Ana Carolina Zampar1; André D. Gomes1; Paulo R. Santiago2; Marisa C. R.
Fonseca1
1
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP; 2 Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto USP
Introdução: Os músculos trapézio superior (TS) e
serrátil anterior (SA) são os principais estabilizadores
da articulação escápulo-torácica e sua ação sinérgica
apropriada é fundamental para a biomecânica normal
do ombro durante movimentos de elevação do
úmero1. Disfunções do ombro como síndrome do
impacto e dor foram associadas a uma atividade
eletromiográfica diminuída de SA e excessiva
atividade de TS2,3 e diversos estudos abordam
exercícios específicos para serem realizados no
processo de reabilitação de pacientes que apresentem
alguma dessas disfunções4,5,6. No entanto, avaliar o
movimento humano em indivíduos assintomáticos
também pode colaborar para avaliação de possíveis
compensações em condição de disfunção, bem como
para a elaboração de protocolos de tratamento ou
atividades preventivas7.
Objetivos: Avaliar se as alterações na atividade
eletromiográfica dos músculos TS e SA acontecem de
forma equilibrada em indivíduos assintomáticos ao
realizarem uma tarefa de alcance em diferentes
alturas.
Métodos: Este estudo foi aprovado pelo Comitê de
Ética em Pesquisa do HCFMRP-USP (parecer
2014/777.193). Participaram deste estudo 25 sujeitos
saudáveis, com dominância à direita, sem história
prévia de trauma ou disfunções musculoesqueléticas.
Foram 20 mulheres e 5 homens, com idade média de
19,8±1,7 anos. A avaliação foi feita por meio de
eletromiografia (EMG) e foi utilizado o equipamento
da marca Delsys® e uma frequência de amostragem
de 2000 Hz. A preparação da pele foi realizada de
acordo com o Projeto SENIAM8, bem como o
posicionamento dos sensores no músculo trapézio
superior (TS). O sensor localizado no músculo
serrátil anterior (SA) foi posicionado segundo
Perotto, 20119. A variável utilizada para análise foi a
integral do sinal eletromiográfico (iEMG) e os dados
foram normalizados pelo pico de ativação. Como
tarefa funcional foi realizada a simulação de uma
tarefa de alcance em duas alturas diferentes, sendo a
primeira realizada com um objeto a ser alcançado
posicionado na mesa a frente do voluntário (AM), e a
segunda realizada com o objeto posicionado sobre
uma caixa com 50cm de altura, posicionada sobre a
mesa (AC). Cada tarefa foi realizada 3 vezes por cada
voluntário, porém apenas a terceira tentativa foi
considerada, devido à influência do efeito
aprendizagem. Foi comparada a média da atividade
eletromiográfica de cada músculo entre cada tarefa, e
para análise estatística foi realizado um teste t, com
nível de significância p<0,05.
Resultados: Os valores médios da atividade
muscular (iEMG) durante o alcance na altura da mesa
foram 63,9 ± 21,2 µVs para TS e 91,2 ± 22,7 µVs para
SA, enquanto durante o alcance acima da cabeça os
valores foram 88,9 ± 24,2 µVs para TS e 85,6 ± 22,9
µVs para SA. A análise estatística identificou um
aumento significativo (p<0,05) da amplitude
eletromiográfica de TS, o que não aconteceu com o
músculo SA, que apresentou uma diminuição da
atividade eletromiográfica, porém sem significância
estatística (Figura 1).
Figura1. Diferenças na média da atividade
muscular (iEMG em µVs) dos músculos TS e SA
em cada tarefa. *=p<0,05. AM=alcance na altura
da mesa; AC=alcance acima da cabeça.
Discussão: O objetivo deste estudo foi avaliar como
acontecem as alterações da atividade muscular dos
músculos TS e SA em indivíduos assintomáticos
quando realizando uma tarefa de alcance em
diferentes alturas, tendo em vista o fato de que o
desequilíbrio desta musculatura é frequentemente
associado a disfunções do ombro, principalmente no
que diz respeito a movimentos de elevação do
P á g i n a | 171
1,2,3
úmero . Nossos achados sugerem a possibilidade
de que este desequilíbrio seja uma condição comum,
e não necessariamente exclusiva de indivíduos com
alguma disfunção, o que poderia, no entanto, atuar
como fator predisponente. A escolha adequada dos
exercícios para restaurar o equilíbrio desta
musculatura no processo de reabilitação tem sido
amplamente discutida na literatura4,5,6. Porém, o fato
de que este desequilíbrio está presente em indivíduos
assintomáticos sugere que a aplicação destes mesmos
exercícios seja realizada também de forma
preventiva.
Conclusões: Indivíduos assintomáticos também
podem apresentar atividade muscular desbalanceada
dos músculos estabilizadores da escápula ao realizar
movimento de flexão acima da cabeça.
Referências
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57–65, 1996.
DOI: 10.2519/jospt.1996.24.2.57
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2004.
doi: 10.1177/0363546503258911
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p.361-74, 2000.
doi:10.1016/S1050-6411(00)00027-4
9. Perotto AO. Anatomical guide for the
electromyographer: the limbs and trunk. Charles C
Thomas - Publisher, LTD. 2011.
Fonte financiadora: CAPES
Fonte dos dados: Esses dados são parte do conteúdo
do Projeto de Mestrado intitulado: Análise
cinemática e atividade muscular do membro superior
durante a execução de tarefas funcionais. O trabalho
foi desenvolvido junto ao Programa de PósGraduação em Reabilitação e Desempenho
Funcional, FMRP-USP.
P á g i n a | 172
CHM.128. ANÁLISE DO PADRÃO FUNCIONAL DO SISTEMA
ESTOMATOGNÁTICO EM INDIVÍDUOS COM ESCLEROSE MÚLTIPLA
Gabriel Pádua da Silva2, Bruno Ferreira2, Veridiana Wanshi Arnoni1, Edson Donizetti Verri1, Camila Roza
Gonçalves3, Selma Siéssere1, Isabela Hallak Regalo1, Marisa Semprini1, Simone Cecilio Hallak Regalo1.
1
Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto – Universidade de São Paulo;
2
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto- Universidade de São Paulo;
3
Departamento de Engenharia Biomédica- Universidade Federal de Uberlândia.
Introdução: A esclerose múltipla (EM) é uma
doença que afeta o sistema nervoso central,
causando destruição da bainha mielina
(desmielinização), proteína fundamental na
transmissão do impulso nervoso (Lassmann;
Bruck; Lucchinetti, 2010). De acordo com
Galeazzi et al. (2005), os principais sintomas estão
relacionados com perturbações na fala, deglutição
(engasgos, dificuldades em deglutir, dificuldades
em mastigar os alimentos, tosse após as refeições),
da linguagem (expressão verbal e oral), da
motricidade e sensibilidade orofacial.
Objetivo: Analisar a atividade eletromiográfica
dos músculos temporal e masseter bilateralmente
nas condições posturais da mandíbula de
indivíduos com esclerose múltipla.
Métodos: Esta pesquisa foi previamente aprovada
pelo Comitê de Ética em pesquisa (CAAE nº
30756314.6.0000.5381). Vinte e dois indivíduos de
ambos os gêneros, com idade entre 18 a 45 anos,
foram divididos em dois grupos: Grupo GEM
(indivíduos com esclerose múltipla) e Grupo GC
(indivíduos saudáveis). Todos foram avaliados
com base na atividade eletromiográfica dos
músculos temporal direito e esquerdo (TD, TE) e
masseter direito e esquerdo (MD, ME), durante as
condições posturais da mandíbula (repouso (4s),
protrusão (10s), lateralidade direita e esquerda
(10s). A eletromiografia de superfície foi realizada
utilizando o aparelho Myosystem® Br1. Os
resultados foram normalizados pelo valor do sinal
eletromiográfico de apertamento dental máximo,
coletados por quatro segundos. Os dados
eletromiográficos foram tabulados e submetidos à
análise estatística por meio do teste t (SPSS versão
21.0).
Resultados: A atividade eletromiográfica
normalizada foi significativa (p <0,05) para
lateralidade direita: MD = [(GEM = 0,36 ± 0,02),
(GC = 0,13 ± 0,03)]; ME = [(GEM = 0,29 ± 0,11),
(GC = 0,14 ± 0,02)] e lateralidade esquerda TD =
[(GEM = 0,36 ± 0,01), (GC = 0,07 ± 0,01)]; MD =
[(GEM = 0,27 ± 0,06), (GC = 0,11 ± 0,02)]; ME =
[(GEM = 0,38 ± 0,07), (GC = 0,12 ± 0,04)].
Discussão: Nas condições posturais da mandíbula
os indivíduos com esclerose múltipla apresentaram
maiores médias eletromiográficas quando
comparado com o grupo controle para as condições
de lateralidade direita e esquerda. De acordo com
Bonis; Costa (2007) problemas relacionados com
as condições de sustentação mandibular e
mastigação são influenciadas por várias condições
patológicas internas e externas, dentre elas pode-se
destacar os distúrbios neurológicos. De acordo com
Ferreira et al (2004), 4% dos indivíduos com
esclerose múltipla desmielinizante apresentam
neuralgia trigeminal, fazendo com que estes
pacientes apresentem distúrbios durante a
mastigação e na movimentação da articulação
temporomandibular.
Conclusões: Com base nos resultados desta
pesquisa, pode-se concluir que os indivíduos com
esclerose múltipla apresentaram alterações
musculares
relacionadas
ao
sistema
estomatognático.
Referências
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Lassmann H, Bruck W, Lucchinetti CF.
The immunopathology of multiple sclerosis: an
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videofluoroscópico. Radiol Bras. 2007; 40:5; 320.
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Ferreira R, Neuparth MJ, Ascensão A,
Magalhães J, Duarte J, Amado F. Atrofia muscular
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P á g i n a | 173
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2004; 4:3;94–111.
Fontes financiadoras: Bolsa cota institucional
(Demanda
social)
–
Coordenação
de
aperfeiçoamento de pessoal de nível superior
(CAPES).
Fonte dos dados: Esses dados são parte do
conteúdo da tese de Doutorado intitulado: Análise
do padrão funcional do sistema estomatognático
em indivíduos com esclerose múltipla. O trabalho
é desenvolvido junto ao Programa de PósGraduação em Reabilitação e Desempenho
Funcional, FMRP- USP.
P á g i n a | 174
CMH.129. ALTERAÇÃO DO EQUILÍBRIO ESTÁTICO EM SUPERFÍCIE
ESTÁVEL E INSTÁVEL EM PACIENTES COM MIGRÂNEA
Gabriela Carvalho1; Lidiane Florêncio1, Carina Pinheiro1, Bevilaqua Grossi DB1, Dach F2
1
Departamento de Biomecânica, Medicina e Reabilitação do Aparelho Locomotor – FMRP/USP
2
Departamento de Neurociências e Ciências do Comportamento – FMRP/USP
Introdução: A migrânea pode estar associada a
microisquemias cerebrais devido à depressão da
atividade elétrica afetando especialmente o cerebelo,
o tronco encefálico e o ouvido interno.1 Alterações do
equilíbrio estático já foram descritas na literatura
sendo estas mais acentuadas na migrânea com aura.2
No entanto a influência da cronicidade da doença
tampouco a estabilidade da superfície de apoio foram
ainda investigadas.
Objetivos: Verificar se há diferença da oscilação do
centro de pressão (COP) em mulheres com migrânea
com aura, sem aura e migrânea crônica em superfície
estável e instável com os olhos abertos e fechados.
Métodos: Foram avaliadas 140 mulheres triadas do
Ambulatório de Cefaleia e Algias Crânio Faciais da
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP com
diagnóstico de migrânea realizado por neurologistas
especialistas de acordo com a Classificação
Internacional de Cefaleias (ICHD-III, 2012). Os
sujeitos foram alocados nos seguintes grupos de
acordo com o diagnóstico: migrânea com aura (MA),
n=35; migrânea sem aura (M), n=35; migrânea
crônica (MC), n=35; grupo controle (GC), n=35.
Foram excluídas mulheres com doenças sistêmicas,
com história de vestibulopatias, história de outros
tipos de cefaleia, IMC maior que 30 ou qualquer
acometimento músculo-esquelético que possa
influenciar na execução do teste.
Um avaliador cego quanto ao diagnóstico, avaliou a
oscilação do COP através da estabilometria com uma
plataforma de força (AMTI - OR6-7-1000) em apoio
bipodal com olhos abertos (OA) e fechados (OF), em
superfície estável (Firm) e instável (Foam). Para a
avaliação em superfície instável, foi utilizada uma
espuma (20x50x50 cm; densidade: 0,5kg/cm³) sobre
a plataforma. A coleta foi aleatorizada por sorteio e
para cada tarefa foram realizadas três repetições de 30
segundos cada. O parâmetro avaliado foi a área de
deslocamento do COP.
Os grupos foram comparados pelo Teste ANCOVA
com pós-hoc Bonferroni e as covariáveis incluídas no
modelo foram: IMC, nível de atividade física
mensurado pelo questionário IPAQ, número de
medicações em uso e presença de tontura. A análise
estatística foi realizada no software SAS 9.2, com
nível de significância adotado de 5% e intervalo de
confiança de 95%.
Resultados: Não houve diferença entre os grupos na
situação FirmOA. Na situação FirmOF o CG
apresentou menor área de deslocamento do COP em
relação aos grupos MA e MC (p<0.02). Em ambas as
situações FoamOA e FoamOF, o GC apresentou
menor área de oscilação em comparação aos grupos
MA e MC (p<0.005) e ambos os grupos apresentaram
maior área de oscilação em relação ao grupo M
(p<0.01) (Tabela 1).
Discussão: Os resultados deste estudo demonstraram
que pacientes com migrânea com aura e migrânea
crônica - independente do IMC, nível de atividade
física, número de medicações em uso e presença de
tontura – apresentam maior área de oscilação que
indivíduos controles e em comparação a pacientes
com migrânea em superfície instável.
Além disso, podemos observar que a diferença entre
as médias dos grupos aumenta conforme a adição de
distúrbios sensoriais.
A alteração do equilíbrio estático desses pacientes e a
maior diferença na tarefa de olhos fechados em
superfície instável sugere que o equilíbrio do paciente
com migrânea recebe maior contribuição do sistema
proprioceptivo.
Já foi verificado que pacientes com migrânea
apresentam alterações do controle postural estático
além de alterações na marcha.2,3 No entanto a
avaliação do equilíbrio funcional em diferentes
subtipos de migrânea permanecia desconhecido.
Os achados deste estudo podem colaborar com o
tratamento de pacientes com migrânea, no aspecto de
prevenção do deterioramento precoce do controle
postural, aumentando a funcionalidade e qualidade de
vida desses pacientes.
Conclusões: Estes resultados destacam a presença de
alterações significativas no equilíbrio estático de
pacientes com migrânea com aura e migrânea
crônica, com destaque para superfícies onde a
estabilidade postural é desafiada.
Tabela 1. Média e IC95% da área de oscilação (cm2)
em controles (C) e pacientes com migrânea (M),
migrânea com aura (MA) e migrânea crônica (MC).
P á g i n a | 175
C
M
MA
MC
Firm
OA
1.20 (1.051.34)
1.52 (1.261.77)
2.47 (1.972.97)
3.23 (2.214.24)
Firm
OF
1.53 (1.311.74)*
2.10 (1.612.59)
4.49 (1.972.97)
4.53 (2.214.24)
Foam
OA
5.09 (4.635.56)*
5.58 (5.036.14)**
8.75 (7.3110.18)
8.82 (7.669.97)
Foam
OF
14.82
(13.7215.92)*
17.27
(15.3919.14)**
21.87
(19.0924.66)
22.44
(19.9224.95)
Firm: superfície firme; Foam: superfície instável;
OA: olhos abertos; OF: olhos fechados. *p<0.02 GC
versus MA e MC; **p<0.01 M versus MA e MC.
Referências:
1.
Zheng Z
et al. J Neurol 2014. DOI
10.1007/s00415-014-7267-1
2.
Carvalho GF et al. Headache 2013; 53, 11161122. Doi: 10.1111/head.12135
3.
Akdal G et al, Headache. 2009;49(3):419-25.
Doi:10.1111/j.1526-4610.2008.01256.x
Aprovação do Comitê de Ética: Este projeto foi
aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do
Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (Processo no
16693/2012) e antes da avaliação todos os pacientes
assinaram o Termo de Consentimento Livre e
Esclarecido.
Fonte financiadora: Fapesp (processo n.
2012/20046-2).
Fonte dos dados: Esses dados são parte do conteúdo
da Tese de Doutorado: Alterações no equilíbrio
funcional em pacientes com migrânea crônica e
episódica. O trabalho é desenvolvido junto ao
Programa de Pós-Graduação em Reabilitação e
Desempenho Funcional, FMRP-USP.
P á g i n a | 176
AVALIAÇÃO DOS LIMITES DE ESTABILIDADE EM DIFERENTES SUBTIPOS
DE PACIENTES COM MIGRÂNEA
Gabriela Carvalho1; Lidiane Florêncio1, Carina Pinheiro1, Bevilaqua Grossi DB1, Dach F2
1
Departamento de Biomecânica, Medicina e Reabilitação do Aparelho Locomotor – FMRP/USP
2
Departamento de Neurociências e Ciências do Comportamento – FMRP/USP
Introdução: A migrânea é uma cefaleia primária que
apresenta alta prevalência e impacto na qualidade de
vida do paciente.1 Sua fisiopatologia pode estar
associada a complicações isquêmicas nas regiões de
cerebelo, tronco encefálico e ouvido interno,
especialmente na presença de aura.2 Suas
repercussões clínicas são desconhecidas, entretanto,
estas alterações favorecem o aparecimento de
vertigem,3 instabilidade postural, incoordenação dos
movimentos e prejuízos na força e ritmo da contração
muscular.4 A avaliação dos Limites de Estabilidade
está associada a capacidade do individuo controlar o
deslocamento do Centro de Massa (CM) no espaço
sem perder a estabilidade.5 Assim se faz importante a
avaliação desse parâmetro em migranosos a fim de se
investigar o comprometimento funcional decorrente
da doença.
Objetivos: Investigar os Limites de Estabilidade em
pacientes com migrânea.
Métodos: Foram avaliadas 140 mulheres triadas do
Ambulatório de Cefaleia e Algias Crânio Faciais da
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP com
diagnóstico de migrânea realizado por neurologistas
especialistas de acordo com a Classificação
Internacional de Cefaleias (ICHD-III, 2012). Os
sujeitos foram alocados nos seguintes grupos de
acordo com o diagnóstico: migrânea com aura (MA),
n=35; migrânea sem aura (M), n=35; migrânea
crônica (MC), n=35; grupo controle (GC), n=35.
Foram excluídas mulheres com doenças sistêmicas,
com história de vestibulopatias, história de outros
tipos de cefaleia, IMC maior que 30 ou qualquer
acometimento músculo-esquelético que possa
influenciar na execução do teste.
O teste foi realizado por um avaliador cego quanto ao
diagnóstico das pacientes, no equipamento Balance
Master System (Neurocom®). Os pacientes foram
orientados a deslocar intencionalmente o seu Centro
de Pressão (COP) sem mudar a base de suporte até a
distância máxima em 8 direções: Frente (F), Frente
Direita (FD), Direita (D), Atrás Direita (AD), Atrás
(A), Atrás Esquerda (AE), Esquerda (E) e Frente
Esquerda (FE). Foram analisadas em cada direção as
variáveis: tempo de reação após o comando do
equipamento (seg.), velocidade média (graus/seg),
excursão máxima do COP (%), e ponto final da
excursão do COP (%).
Os grupos foram comparados pelo Teste ANCOVA
com pos-hoc Bonferroni e as covariáveis incluídas no
modelo foram: IMC, nível de atividade física
mensurado pelo questionário IPAQ, número de
medicações em uso e presença de tontura. A análise
estatística foi realizada no software SAS 9.2, com
nível de significância adotado de 5%.
Resultados: Pacientes com migrânea apresentaram
maior tempo de reação em todas as direções, com
diferença de todos os três subgrupos da doença em
relação ao grupo controle em 5 das 8 direções, p<0,03
(Tabela 1).
A velocidade de movimento foi maior no GC em
todas as direções, com diferença em comparação a
todos os subtipos de migrânea em 6 de 8 direções
(p<0,04). Além disso, na direção E, pacientes do
grupo M realizaram a tarefa com maior velocidade
em comparação ao grupo MA, p=0,04 (Tabela 2).
A excursão máxima foi maior no GC em relação a
todos os subtipos de pacientes com migrânea, em
todas as direções, p<0.01 (Tabela 3).
O ponto final de excursão foi maior no grupo
controle, com diferença em relação a todos os
subgrupos de migrânea em 5 de 8 direções, p<0,02
(Tabela 4). Não foi detectada influência das
covariáveis inseridas no modelo nos resultados
encontrados.
Discussão: Os resultados deste estudo demonstraram
que pacientes com migrânea - independente do IMC,
nível de atividade física, número de medicações em
uso e presença de tontura – apresentam redução dos
Limites de Estabilidade em todos os parâmetros
avaliados. Além disso, a magnitude das diferenças
encontradas foram maiores na presença da aura.
As limitações na habilidade de deslocar o Centro de
Gravidade dentro dos limites de estabilidade pode
resultar em redução do nível de atividade assim como
aumentar o risco de quedas.6
Já foi verificado que pacientes com migrânea
apresentam alterações do controle postural estático
além de alterações na marcha.4,7 No entanto a
avaliação do equilíbrio funcional em diferentes
subtipos de migrânea permanecia desconhecido.
P á g i n a | 177
Os achados deste estudo podem colaborar com o
tratamento de pacientes com migrânea, no aspecto de
prevenção do deterioramento precoce do controle
postural, aumentando a funcionalidade e qualidade de
vida desses pacientes.
Conclusões: Estes resultados destacam a presença de
alterações significativas nos limites de estabilidade
de pacientes com migrânea em todos os parâmetros
avaliados, evidenciando a instabilidade postural
dinâmica neste grupo de pacientes.
*
*
*
*
*
*
*
*
Figura 2. Ponto Final da Excursão e Excursão Máxima no teste
**
*
*
*
ŧ
*
*
**ŧ
LOS nos grupos Controle (GC), Migrânea (M), Migrânea com
Aura (MA) e Migrânea Crônica (MC), média e IC95%.
Direções: Frente (F), Frente Direita (FD), Direita (D), Atrás
Direita (AD), Atrás (A), Atrás Esquerda (AE), Esquerda (E) e
Frente Esquerda (FE). *p<0.03 GC versus M, MA e MC;
**p=0.02 C versus MA; ŧp<0.02 C versus M; ¥ p=0.01 C versus
MC.
Referências:
**ŧ
*
*
*
*
**¥
*þ
*
Figura 1. Tempo de reação e velocidade no teste LOS nos
grupos Controle (GC), Migrânea (M), Migrânea com Aura
(MA) e Migrânea Crônica (MC), média e IC95%. Direções:
Frente (F), Frente Direita (FD), Direita (D), Atrás Direita (AD),
Atrás (A), Atrás Esquerda (AE), Esquerda (E) e Frente Esquerda
(FE). *p<0.03 GC versus M, MA e MC; **p=0.02 C versus MA;
ŧ
p<0.02 C versus M; ¥ p=0.01 C versus MC; þM versus MA.
**ŧ
*
*
*
*
**¥
*
**¥
1. Lipton RB et al. Neurology. 2007;68:343-349. Doi:
10.1212/01.wnl.0000252808.97649.21.
2. Zheng Z et al. J Neurol 2014. DOI 10.1007/s00415-0147267-1
3. Calhoun AH et al. Headache 2011;51:1388-1392. Doi:
10.1111/j.1526-4610.2011.01970.x
4. Akdal G et al, Headache. 2009;49(3):419-25. Doi:
10.1111/j.1526-4610.2008.01256.x
5. Hof AL et al. Journal Of Biomechanics. 2005;38:1-8.
6. Ben Achour et al. Ann Readapt Med Phys. 2006;49(5):210-7.
Doi: 10.1016/j.annrmp.2006.03.005
7. Carvalho GF et al. Headache 2013; 53, 1116-1122. Doi:
10.1111/head.12135
Aprovação do Comitê de Ética: Este projeto foi
aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital
das Clínicas de Ribeirão Preto (Processo no 16693/2012).
Fonte financiadora: Fapesp (processo n. 2012/20046-2).
Fonte dos dados: Esses dados são parte do conteúdo da
Tese de Doutorado: Alterações no equilíbrio funcional em
pacientes com migrânea crônica e episódica. O trabalho é
desenvolvido junto ao Programa de Pós-Graduação em
Reabilitação e Desempenho Funcional, FMRP-USP.
P á g i n a | 178
CMH.131. REDUÇÃO DO PICO DE FORÇA DOS MÚSCULOS EXTENSORES
CERVICAIS EM MULHERES COM MIGRÂNEA
Gabriella de Almeida Tolentino1; Lidiane Lima Florêncio1; Carolina de Almeida Silva1; Fabiola Dach1;
Débora Bevilaqua-Grossi1;
1
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - Universidade de São Paulo
Introdução: A dor cervical tem sido classificada
como o principal sintoma de disfunção da coluna
cervical1 e está associada com a diminuição da força
dos músculos extensores da cabeça e do pescoço3.
Apesar dos indivíduos com migrânea apresentarem
maior frequência de relato de dor cervical que os
indivíduos sem cefaleia2 são poucos os estudos que
investigaram a função da musculatura cervical em
migranosos. Nossa hipótese é que os indivíduos com
migrânea exibem força reduzida em relação aos
indivíduos saudáveis, com maior acometimento
daqueles com a subforma crônica.
Objetivo: Comparar a força dos músculos cervicais
durante a contração isométrica voluntária máxima de
indivíduos com migrânea episódica, migrânea
crônica e indivíduos controle sem dor de cabeça.
Métodos: Foram incluídas 83 mulheres divididas em
três grupos: 31 com migrânea episódica, média de
idade de 33 anos (DP:11,0), média de 5,9 dias de
cefaleia por mês (DP: 3,7); 21 com migrânea crônica,
com média de idade de 34 anos (DP:9,8) e 20.4 dias
de cefaleia por mês (DP:6,7) e 31 mulheres sem
cefaleia com média de idade de 31 (DP: 9,0). A força
dos músculos foi obtida a partir da contração
isométrica voluntaria máxima utilizando um
dinamômetro de mão (Lafayette Intrument Company,
Lafayette, Indiana, EUA) por um examinador cego ao
diagnóstico. O indivíduo era deitado em uma maca,
com o dinamômetro estabilizado por um cinto não
elástico para evitar registros de força externa do
examinador. Duas faixas de Velcro® foram utilizadas
para evitar compensações, uma sobre a pélvis e outra
sobre o esterno. Foram realizadas três repetições em
flexão, extensão e inclinação lateral bilateral. Cada
repetição teve duração de 3 segundos e descanso de
15 segundos entre elas, e 2 minutos de descanso entre
as diferentes direções do movimento. Para cada
repetição, a força de pico e o tempo para produzir a
força de pico foram registrados sendo a força de pico
registado em kgf e normalizado pela massa corporal
do voluntário. O Comitê de Ética local, do Hospital
Universitário da Faculdade de Medicina de Ribeirão
Preto (Brasil) aprovou o projeto de estudo (processo
16692/2012). Para a análise estatística, foi
considerado o pico de força registrado para cada
movimento. A análise de variância (ANOVA) para
determinar a diferença entre os grupos nos resultados
clínicos adotou um nível de significância de 0,05.
Resultados: Foi demonstrada uma redução da força
dos músculos extensores da coluna cervical nos
indivíduos com migrânea crônica (12,7N/kg) em
comparação ao grupo com migrânea episódica
(16,4N/kg) e ao grupo controle (17,1 N/kg), p<0.05.
Não foram encontradas diferenças significativas entre
migrânea episódica e o grupo controle, assim como
nenhuma diferença significativa em flexão cervical e
inclinação lateral entre os três grupos (Figura 1).
Além disso, os pacientes com migrânea crônica
apresentaram maior tempo para gerar o pico de força
máxima durante a flexão cervical, comparado ao
grupo controle, e durante a inclinação lateral
esquerda, comparado ao grupo episódico e controle
(Figura 2).
Discussão: A presença de fraqueza muscular dos
extensores cervicais em mulheres com migrânea
crônica foi significante, diferindo dos achados de Jull
et al4, em que somente os indivíduos com cefaleia
cervicogênica apresentaram fraqueza muscular,
comparado a indivíduos com cefaleia do tipo
tensional e migrânea. Enquanto mulheres com dor
cervical crônica, como apresentado em estudo feito
por Cagnie et al3, apresentam uma redução de força
muscular cervical durante a extensão.
Conclusão: Pacientes com migrânea crônica
apresentam diminuição do pico de força dos
músculos extensores da coluna cervical, além de mais
tempo para atingir o pico de força em flexão e
inclinação lateral esquerda.
Referências:
1.
Armijo-Olivo SL et al. Arch Phys Med
Rehabil 2010; 91(8):1236-42. doi: 10.1016/
j.apmr.2010.05.003.
2.
Plesh O et al. Headache 2012; 52(6):94656. doi: 10.1111/j. 1526-4610.2012.02155.
3.
Cagnie B et al. Arch Phys Med Rehabi
2007;88(11):1441-5.
4.
Jull G et al. Cephalalgia 2007; 27:793-802.
Fontes financiadoras: Esse trabalho foi financiado
pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de
São Paulo. Processo: 2012/22245-2.
P á g i n a | 179
Fonte dos dados: Esses dados são parte do conteúdo
de uma monografia de gradução intitulada: Cervical
Muscle Streght and Muscle Coactivation During
Isometric Contractions in Patients With Migraine: A
Cross-Sectional Study. O trabalho é desenvolvido
junto ao Programa de Pós-Graduação em
Reabilitação e Desempenho Funcional, FMRP-USP.
P á g i n a | 180
CMH.132. AVALIAÇÃO DO RECRUTAMENTO MUSCULAR DURANTE O
SENTAR E O LEVANTAR EM INDIVÍDUOS COM E SEM DOR LOMBAR
CRÔNICA IDIOPÁTICA: RESULTADOS PRELIMINARES
Guilherme Thomaz de Aquino Nava1; Beatriz Mendes Tozim1; Marcelo Tavella Navega2
1
Instituto de Biociências / Universidade Estadual Paulista (UNESP / Rio Claro);
2
Faculdade de Filosofia e Ciências / Universidade Estadual Paulista (UNESP / Marília)
INTRODUÇÃO: A dor lombar aparece como uma
das principais disfunções musculoesqueléticas(1),
repercutindo diretamente nas atividades de vida
diária (AVDs) (2–4) e gera modificações no
comportamento motor e juntamente com excessiva
estimulação de nociceptores torna os indivíduos
suscetíveis a lesões(2–4). A DL pode ser interpretada
como dor lombar crônica (DLC) quando a dor for
superior a três meses(3). A DLC pode ser definida
como alterações no complexo musculoesquelético
da região lombar e sacroilíaca(5). O movimento de
levantar e sentar antecede o ortostatismo, sendo
imprescindível para a independência dos
indivíduos e é considerado desafiador, entre outros
fatores, pelo dinamismo e recorrência e chega a ser
realizada até 60 vezes durante o dia(6,7). Devido às
alterações sabidas relacionadas à DLC, criou-se a
hipótese de que a presença dessa disfunção
modificaria os mecanismos de recrutamento
muscular, com excessiva ativação dos músculos
globais e pouca ativação dos músculos locais.
OBJETIVO: Avaliar o recrutamento muscular
durante o sentar e o levantar em indivíduos com e
sem dor lombar crônica idiopática.
MÉTODOS: Participaram do estudo 24 mulheres
com idade entre 30 e 58 anos, sedentárias, sendo
que o grupo com dor lombar (GDL) apresentou 17
voluntárias e o grupo sem dor lombar (GSDL)
apresentou 7 voluntárias. O projeto foi aprovado
pelo Comitê de ética e pesquisa (parecer nº
1.054.270) e todas as participantes assinaram o
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.
- Teste de sentar e levantar: As participantes
foram posicionadas numa cadeira sem apoio para
braços e costas, mantendo o ponto médio da coxa
posicionado com a extremidade anterior da cadeira,
assim como com o acrômio(8). Os pés foram
posicionados afastados mantendo a largura do
quadril e em dorsiflexão próximo à posição neutra.
Os braços foram posicionados cruzados em frente
ao tórax(9). Foram instruídas a manter olhar fixo à
frente sem alterar o posicionamento dos braços ou
pernas. O teste tinha início após estímulo auditivo
de “levantar” e “sentar”, com diferença de seis
segundos entre cada tarefa. Foram instruídas a
realizar as atividades com velocidade de
preferência, o término ocorrerá após 10 ciclos
completos do movimento.
- Eletromiografia: Os eletrodos de superfície de
Ag/AgCl (Data Hominis®) foram colocados em
configuração bipolar, com área de captação de 1cm
de diâmetro e distância entre os eletrodos de 2cm.
Para a captação dos sinais eletromiográficos, foi
utilizado um módulo de aquisição de sinais
biológicos Modelo MyosystemBr1_P84 (Data
Hominis®) de 8 canais, software para coleta,
visualização em tempo real, processamento e
armazenamento de dados, com biofeedback visual,
calibrado com frequência de amostragem de 2000
Hz, ganho total de 2000 vezes, filtro passa alta de
20 Hz e filtro passa baixa de 500 Hz.
- Análise Estatística: Foi utilizado teste de
Shapiro-Wilk para verificação da normalidade e
para análise dos dados foi utilizado análise
multivariada com post-hoc Gabriel.
RESULTADOS: Os grupos são homogêneos
quanto à idade, massa corpórea e Índice de massa
corpórea. Os resultados da Análise Multivariada
para os músculos locais OI e MUL e músculos
globais OE, RA, IC, GM não mostrou diferença
significativa com p=0,182 e F=1,676 como mostra
na tabela 1.
Tabela1: Resultados Eletromiográficos.
Músculo
s
OI
OE
RA
MUL
IC
GM
GDL
0,350
0,893
0,205
0,159
0,166
0,146
0,110
1,662
0,159
0,068
0,270
0,087
GSDL
0,450
0,221
0,148
0,116
0,092
0,035
0,121
0,031
0,072
0,028
0,184
0,076
P á g i n a | 181
Legenda: OI= Músculo Oblíquo interno; OE=
Músculo Oblíquo Externo; RA= Músculo Reto
Abdominal; MUL= Músculo Multífido Lombar;
IC= Músculo Iliocostal Lombar; GM= Músculo
Glúteo Máximo.
DISCUSSÃO: A presença de dor não foi capaz de
gerar resultados estatisticamente significantes,
situação que corrobora com estudos(8,10). Acreditase que não foi significativo devido à DLC
apresentar alteração no padrão de ativação
muscular, na amplitude e no tempo de
recrutamento, situação que contribui para a DL,
gerando lesão nos tecidos e auxiliando na
perpetuação da dor(8,10). O estudo apresenta como
limitação poucas voluntárias no grupo controle
(GSDL), aumento no número de participantes pode
levar a alteração nos resultados.
CONCLUSÃO: Os resultados demonstraram não
haver diferença estatisticamente significante na
tarefa de levantar e sentar nos grupos com e sem
DLC.
REFERÊNCIAS
1.
Ivanova JI et al. Spine J. 2011;11(7):622–
32. doi: 10.1016/j.spinee.2011.03.017.
2.
Mehravar M et al. J Mech Med Biol.
2012;12(02):1240001.
doi:
10.1142/S0219519412400015.
3.
Powers CM et al. J Orthop Sports Phys
Ther.
2012;42(6):A1–54.
doi:
10.2519/jospt.2012.0301.
4.
Santos FG et al. J Phys Ther Sci.
2013;25(12):1569–73. doi: 10.1589/jpts.25.1569.
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NEUMANN D. Cinesiologia do aparelho
musculoesquelético. Elsevier. 2010.
6.
Dall PM et al. Appl Ergon. 2010;41(1):58–
61. doi: 10.1016/j.apergo.2009.04.005
7.
Parkinson S et al. Man Ther.
2013;18(5):390–4.
doi:
10.1016/j.math.2013.02.001
8.
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2011;215(2):123–34. doi: 10.1007/s00221-0112880-z.
9.
Spyropoulos G et al. Gait Posture.
2013;38(1):62–7.
doi:
10.1016/j.gaitpost.2012.10.013.
10.
Svendsen JH et al. J Electromyogr Kinesiol.
2013;23(1):159–65.
doi:
10.1016/j.jelekin.2012.08.006.
FONTE DOS DADOS
Os dados apresentados são parte do conteúdo da
dissertação de mestrado intitulada “Atividades
Funcionais, Flexibilidade e Recrutamento
Muscular em Adultos com Dor Lombar Crônica”,
do
Programa
de
pós-graduação
em
Desenvolvimento Humano e Tecnologias do
Instituto de Biociências –UNESP Rio Claro.
P á g i n a | 182
CMH. 133. MULHERES COM MIGRÂNEA APRESENTAM ATIVIDADE
ELÉTRICA AUMENTADA DOS MÚSCULOS EXTENSORES DO PESCOÇO
DURANTE TESTE DE ESTABILIZADORES CERVICAIS
Lidiane Lima Florencio1; Gabriela Ferreira Carvalho1, Tenysson Will Lemos1;Marcelo Eduardo Bigal2,
César Fernández de las Peñas3, Anamaria Siriani de Oliveira1, Débora Bevilaqua Grossi1
1 Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo; 2 Teva Pharm;
3 Universidad Rey Juan Carlos
Introdução: A associação entre migrânea e
cervicalgia é muito prevalente e promove impacto
negativo tanto na incapacidade quanto no prognóstico
da migrânea.1,2 No entanto, o controle neuromuscular
da região craniocervical em migranosos é pouco
explorado.
Objetivos: verificar se há alteração da atividade
eletromiográfica dos músculos do pescoço de
mulheres com migrânea episódica e crônica durante
o desempenho no teste de flexão craniocervical em
comparação com mulheres sem dor de cabeça.
Métodos: Foram avaliadas trinta e uma mulheres
com migrânea episódica (média de idade: 33 anos),
21 mulheres com migrânea crônica (média de idade:
34 anos) e 31 mulheres sem dor de cabeça (média de
idade: 31 anos). As voluntárias com migrânea foram
diagnosticados por neurologistas experientes de
acordo com a terceira edição da Classificação
Internacional de Cefaleias.3 Os critérios de exclusão
adotados foram: idade menor que 18 ou maior que 55
anos, presença concomitante de outro diagnóstico de
cefaleia, história de trauma na cabeça ou pescoço,
hérnia discal na região cervical, hipertensão arterial
não controlada e/ou outras doenças sistêmicas que
impossibilitassem os testes. As voluntárias
realizaram o teste de flexão cranio-cervical (TFCC)
(Figura 1). Trata-se de um teste de cinco estágios
progressivos baseados na pressão alvo gerada na
unidade pressórica de biofeedback (Stabilizer,
Chattanooga South Pacific; USA). O TFCC avalia a
função estabilizadora desempenhada pelos músculos
flexores cervicais profundos, e no caso de ineficácia
dos mesmos, espera-se encontrar um aumento da
atividade dos músculos flexores cervicais
superficiais.4
A
atividade
dos
músculos
esternocleidomastoideo, escaleno anterior e do
esplênio da cabeça foram verificadas pela
eletromiografia de superfície utilizando o Trigno TM
Wireless System (Delsys Inc. Boston, MA) com um
ganho de 300 e uma taxa de amostragem de 4000Hz
durante o TFCC por um avaliador cego. Para a
colocação dos eletrodos a pele foi devidamente
preparada conforme orientações do SENIAM. O
posicionamento de eletrodos no músculo
esternocleidomastoideo, escaleno anterior e esplênio
da cabeça seguiram posicionamento descritos por
Falla et al (2002)5 e Sommerich et al (2000)6
respectivamente. O protocolo do estudo foi aprovado
pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital das
Cínicas de Ribeirão Preto e da Faculdade de Medicina
de Ribeirão Preto (processo nº 16692/2012). O sinal
eletromiográfico bruto foi processado filtrado por um
filtro passa banda 20-500 Hz (Butterworth de 4ª
ordem) e calculado o Root Mean Square (RMS) de
um intervalo de 5s no programa MATLAB. Para a
normalização dos dados, foi utilizada a média do
RMS adquiridas durante três repetições de esforço
máximo em contração isométrica de duração de 3s em
flexão de pescoço e extensão de cabeça com
resistência de uma faixa inelástica. A média do RMS
normalizado dos dois lados de cada músculo foi
utilizada para as análises. A análise estatística foi
realizada pelo programa SPSS versão 20.0 adotando
um nível de significância de 0,05. A comparação dos
RMS normalizados foi feita por uma análise de
variância (ANOVA) 5x3, considerando os estágios
do TCCF e os grupos como variáveis.
Resultados: A atividade dos músculos flexores
superficiais aumentou de acordo com a progressão do
TFCC conforme esperado (p<0,001, para ambos os
músculos), mas não houve diferença entre os grupos
tanto na atividade do esternocleidomastoideo
(p=0,32) quanto na do escaleno anterior (p=0,87). Já
a atividade do esplênio da cabeça aumentou
progressivamente de acordo com os estágios
(p<0,001) e foi maior para o grupo migrânea crônica
que para o grupo controle (p<0.01) nos dois últimos
estágios do TFCC (Figura 1).
Discussão: a falta de evidência de maior atividade
dos flexores superficiais em migranosos em
comparação à mulheres saudáveis sugere que a
atividade dos flexores profundos nessa população
pode não ser afetada mesmo com a presença de dor
cervical. No entanto, a atividade aumentada do
esplênio da cabeça sugere que há um comportamento
motor distinto em mulheres com migrânea crônica,
P á g i n a | 183
embora não há relato sobre a atividade desse músculo
durante o TFCC disponível na literatura.
Conclusões: mulheres com migrânea não
apresentaram déficit da musculatura profunda. No
entanto, a migrânea na subforma crônica, não na
episódica, demonstra maior atividade do esplênio da
cabeça que mulheres sem dor de cabeça durante o
TFCC.
Referências
1.
Ashina S et al.Cephalalgia. 2015;35(3):211-9.
doi: 10.1177/0333102414535110
2.
Florencio LL et al. Headache. 2014;54(7):120310. doi:10.1111/head.12393
3.
Headache Classification Committee of the
International Headache Society. Cephalalgia. 2013;
33:629-808. doi:10.1177/0333102413485658.
6.
Sommerich CM et al. J Electromyogr Kinesiol
2000;
10:
377-398.
doi:
10.1016/S10506411(00)00033-X.
Fontes financiadoras: Fundação de Amparo à
Pesquisa do Estado de São Paulo (processo
2012/22245-2).
Fonte dos dados: Os resultados apresentados são
parte de uma tese de doutorado desenvolvimento
intitulada “Avaliação da força máxima e do controle
motor da coluna cervical pela dinamometria e pela
eletromiografia de superfície em mulheres com
migrânea e migrânea crônica: estudo controlado”. O
trabalho é desenvolvido junto ao Programa de PósGraduação em Reabilitação e Desempenho
Funcional, FMRP-USP.
4.
Falla D et al. Phys Ther 2003; 83: 899-906.
5.
Falla D, et al. Clin Neurophysiol 2002; 113:
57-63. doi:10.1016/S1388-2457(01)00708-8.
Figura 1. Root Mean Square normalizado pela atividade em contração isométrica voluntária máxima (%CIVM) dos
músculos esternocleiodomastoideo (ECOM), escaleno anterior e esplênio da cabeça durante os cincos estágios do teste
de flexão craniocervical (22,24,26,28 e 30 mmHg).
P á g i n a | 184
CHM.134. PRESENÇA DE PONTO GATILHO MIOFASCIAL ATIVO NO
ESTERNOCLEIDOMASTOIDEO DE MULHERES COM MIGRÂNEA ALTERA A
ATIVIDADE ELÉTRICA DO MESMO DURANTE TESTE DE FLEXÃO
CRANIOCERVICAL
Lidiane Lima Florencio1; Gabriela Natália Ferracini1, Maria Palacios Ceña2, César Fernández de las Peñas2,
Thaís Cristina Chaves1, Débora Bevilaqua Grossi1
1 Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo;
2 Universidad Rey Juan Carlos
Introdução: a associação entre migrânea, cervicalgia
e pontos gatilho tem sido descrita na última
década.1,2,3 No entanto, a repercussão dessas
associações no controle motor dos músculos do
pescoço de migranosos ainda não foi investigada.
Objetivos: verificar se a presença de ponto gatilho
ativo no músculo esternocleidomastoideo de
mulheres com migrânea influencia a atividade
muscular durante o desempenho do teste de flexão
craniocervical (TFCC).
Métodos: Foram avaliadas 70 mulheres com
migrânea com média de idade de 42,6(DP= 12) média
de frequência de 10,2 (DP=8,1) dias de dor de cabeça
por mês. O diagnóstico de migrânea foi dado por
neurologistas experientes de acordo com a terceira
edição da Classificação Internacional de Cefaleias.4
Os critérios de exclusão adotados foram: idade menor
que 18 ou maior que 60 anos, presença concomitante
de outro diagnóstico de cefaleia, história de trauma na
cabeça ou pescoço, hérnia discal na região cervical,
hipertensão arterial não controlada e/ou outras
doenças sistêmicas que impossibilitassem os testes.
As voluntárias realizaram o teste de flexão
craniocervical (TFCC), composto por cinco estágios
progressivos de flexão craniocervical sustentados por
10s cada com o auxílio de unidade pressórica de
biofeedback (Stabilizer, Chattanooga South Pacific;
USA).Quando há déficit da função dos flexores
profundos, um aumento da atividade eletromiográfica
dos músculos flexores cervicais superficiais é
esperado.5
O
sinal
eletromiográfico
do
esternocleidomastoideo
foi
adquirido
pela
eletromiografia de superfície utilizando o EMG16,
com 16 canais (LISiN-OT Bioelettronica, Turim,
Itália), em uma taxa de amostragem de 2048 Hz e
convertido a um sinal digital de 12-bit. Para a
colocação dos eletrodos, a pele foi devidamente
preparada conforme orientações do SENIAM. Um par
de eletrodos duplo-diferenciais foi posicionado no
terço distal da porção esternal do músculo
esternocleidomastoideo com a voluntária em supino.6
O eletrodo de referência foi posicionado no punho
direito. Após a realização do TFCC, a palpação
muscular a fim de identificar os pontos-gatilhos foi
realizada bilateralmente por um examinador cego e a
presença foi confirmada de acordo com os critérios
diagnósticos definidos por Simons et al.7 O protocolo
do estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética do
Hospital Rey Juan Carlos (HRJ 07/14).
O sinal eletromiográfico bruto foi processado filtrado
por um filtro passa banda 20-400 Hz (Butterworth de
4ª ordem) e calculado o Root Mean Square (RMS) de
um intervalo de 10s no programa MATLAB. Para a
normalização dos dados, foi utilizada a média do
RMS adquiridas durante duas repetições de
sustentação da cabeça por 10 s. A média do RMS
normalizado
dos
dois
lados
do
esternocleidomastoideo foi utilizada para as análises.
A análise estatística foi realizada pelo programa
SPSS verão 20.0 adotando um nível de significância
de 0,05. A comparação dos RMS normalizados foi
feita por uma análise de variância (ANOVA) 2x5,
considerando os estágios do TCCF e os grupos com e
sem pontos gatilho como variáveis.
Resultados: a atividade do esternocleidomastoideo
foi significantemente menor para as mulheres
migranosas com ponto-gatilho quando comparadas às
sem pontos-gatilho durante do desempenho do TFCC
nos estágios de 24, 26, 28 e 30 mmHg (p<0,002)
(Figura 1).
Discussão: embora a repercussão eletromiográfica
devido à presença de dor aguda ou crônica seja
controversa; sabe-se que a estimulação nociceptiva
de um músculo, por exemplo, por dor induzida
devido à injeção salina, induz a redução temporária
da amplitude do sinal eletromiográfico.8 Dessa
forma, podemos especular que no caso de mulheres
com migrânea um estímulo doloroso de longa
duração, como um ponto-gatilho ativo, a resposta
muscular seria semelhante. No entanto, nossos
achados diferem dos resultados demonstrados para
pontos gatilho latente que apresentam atividade
aumentada tanto em repouso quanto em função
muscular como sinergista.9
Conclusões: A presença de pontos-gatilho ativo no
esternocleidomastoideo determina uma menor
atividade elétrica desse músculo durante a execução
do TFCC.
P á g i n a | 185
7.
Simons DG et al. Myofascial Pain and
Dysfunction: The Trigger Point Manual.Williams &
Wilkins; 1999.
8.
Falla D et al. Pain 2008;138:217-22. doi:
10.1016/j.pain.2008.04.004.
9.
Ge et al. The Journal of Pain. 2014; 15(2):181187.
Referências
1.
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10.1177/0333102414535110
2.
Florencio LL et al. Headache. 2014;54(7):120310. doi:10.1111/head.12393
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Fernández-de-las-Peñas C et al. Cephalalgia
2006;
26:1061-1070.
doi:
10.1111/j.14682982.2006.01162.x.
4.
Headache Classification Committee of the
International Headache Society. Cephalalgia. 2013;
33:629-808. doi:10.1177/0333102413485658.
5.
Falla D et al. Phys Ther 2003; 83: 899-906.
6.
Falla D, et al. Clin Neurophysiol 2002; 113: 5763. doi:10.1016/S1388-2457(01)00708-8.
Fontes financiadoras: Fundação de Amparo à
Pesquisa do Estado de São Paulo (processo:
2014/13103-5).
Fonte dos dados: Os resultados apresentados são
parte de um projeto de doutorado sanduíche
desenvolvida em colaboração entre Programa de
Pós-Graduação em Reabilitação e Desempenho
Funcional, FMRP-USP e a Universidad Rey Juan
Carlos, Madri, Espanha.
Figura 1. Amplitude da atividade eletromiográfica do músculo esternocleidomastoideo de mulheres com migrânea
com e sem pontos-gatilho no esternocleidomastoideo durante a execução do teste de flexão craniocervical. *p<0,05.
P á g i n a | 186
CMH.135. AVALIAÇÃO DO EQUILÍBRIO OCLUSAL EM CASO DE DOR
OROFACIAL ATRAVÉS DOS NÍVEIS DE CORTISOL E DHEA: RELATO DE
CASO
Liege Maria Di Bisceglie Ferreira1; Vinícius Cobos Stefanelli1; Cristhyano Pimenta Marques1; Ana Carolina
Panhan1; Carlos Roberto Douglas2; Fausto Bérzin1
1 Faculdade de Odontologia de Piracicaba – FOP/UNICAMP; 2 Universidade do Chile, Santiago.
[email protected]
Introdução: Contatos oclusais, quando em
desequilíbrio, produzem uma posição mandibular
alterada e uma resposta muscular à qual o organismo
poderá não se adaptar e reagir com dor, e dependendo
da intensidade ou frequência, pode se tornar crônica,
favorecendo o aparecimento do estado de stress
(Douglas, 2010).
O cortisol (C) e o di-hidro-epiandrosterona (DHEA) são
hormônios secretados pelo córtex adrenal em estados de
stress e seguem ritmos circadianos (Pruessner, 1997).
O Ajuste Oclusal Funcional (AOF) é um procedimento
que promove a estabilidade mandibular através do
equilíbrio de atividade bilateral dos músculos
mastigatórios, e é realizado associando-se um tipo
específico de palpação muscular à avaliação criteriosa
de marcas de carbono sobre as superfícies dentárias
(Santos, 2003).
Objetivo:
Avaliar
sistemicamente
e
eletromiograficamente a influência da estabilidade
mandibular obtida através do AOF, como fator
periférico dentro do quadro da dor orofacial crônica.
Material e métodos: Foi avaliada uma voluntária de 32
anos, portadora de dores orofaciais e disfunção
temporomandibular (DTM), diagnosticada através do
Research Diagnostic Criteria (RDC), tendo assinado
termo de compromisso sob protocolo CEP 060-2011. A
mesma apresentou dores na região temporal bilateral e
dores cervicais. Os músculos avaliados foram os
temporais, parte anterior (T), masseteres, porção
superficial (M) e suprahióideos (SH), em 2 fases: pré, e
imediatamente após ao AOF, sendo que a mesma
recebeu tratamento placebo uma semana antes do
tratamento efetivo com AOF. A avaliação placebo foi
feita com a intenção de se avaliar a situação muscular e
as secreções hormonais sem a alteração anatômica e
funcional provocada pela interferência do AOF sobre a
temporais direito e esquerdo, diminuiu. (Tabela 1).
Estes resultados indicam que no início da
intercuspidação, os músculos elevadores foram ativados
com intervalo de tempo entre eles menor do que antes
do AOF, permitindo uma maior estabilidade mandibular
e maior recrutamento das unidades motoras.
superfície oclusal. Foram realizados exames
eletromiográficos (EMG) através do equipamento
BIOEMG1000 (Lynx®), com uma freqüência de
amostragem de 2000Hz e filtro passa banda 20-1000
Hz. Foram utilizados eletrodos descartáveis passivos
bipolares feitos de Ag/AgCl. O AOF foi realizado
associando-se a sequência de captação da contração dos
referidos músculos, através de palpação específica, às
marcas do papel articular Bausch, feitas na superfície
oclusal dos dentes em oclusão após a elevação da
mandíbula. Os dados EMG foram analisados por uma
rotina
desenvolvida
no
programa
Matlab
(MathWorks®), através das variáveis: simetria de
atividade (SIM AT, expressa pela raiz quadrada da
média – RMS), simetria de tempo de início de atividade
(SIM TIAT, entre os músculos homólogos bilaterais,
expressa em milisegundos) e co-contração (CO-CO)
(reflexa antagonista, expressa em RMS). A coleta de
saliva para avaliação dos hormônios ocorreu às 7h, e
imediatamente após o procedimento realizado no
consultório, às 9h, nas 2 sessões de atendimento,
placebo e AOF, conforme orientação do laboratório de
análises clínicas responsável pelo processamento das
amostras.
Resultados e Discussão: Houve aumento nos
valores do RMS dos músculos elevadores após a
intervenção
do
AOF,
sugerindo
maior
recrutamento de unidades motoras durante a
atividade, assim como diminuição da atividade dos
SH como antagonistas, o que contribuiu para
reduzir a co-contração dos mesmos com relação
aos músculos elevadores. A simetria de atividade
entre os homólogos bilaterais aumentou, e a
diferença entre os tempos de início de atividade
entre os músculos masseteres direito e esquerdo, e
Tabela 1: Valores em uV de RMS nas 2 fases de coleta
eletromiográfica dos músculos masseteres temporais e
bilaterais e suprahióideos, nas variáveis co-contração simetria
de atividade, e de tempo de inicio de atividade entre M-M e
T-T.
PLACEBO
AOF
PRÉ
PÓS
PRÉ
PÓS
RMS
TE
87,68
70,49
78,85
94,05
TD
85,89
75,42
76,69
99,11
ME
63,87
43,90
46,46
64,09
MD
49,23
49,14
42,54
66,21
SH
5,79
5,86
6,00
4,58
CO-CO
5,87
4,80
5,43
3,91
SIM AT
T
75,52
79,83
86,86
95,57
M
87,05
73,87
89,72
98,37
SIM
TIAT
T
0,30
0,39
0,18
0,06
M
0,13
0,18
0,09
0,01
A avaliação sistêmica mostrou redução nos níveis de
secreção do C e aumento da secreção do DHEA
imediatamente após a intervenção do AOF, ao contrário
do placebo, talvez resultantes das alterações imediatas
das taxas hormonais produzidas pelo córtex suprarrenal
frente à suspensão do fator agressivo. (Tabela 2).
Tabela 2: Valores do C e DHEA nas fases placebo e efetiva
(AOF) nos horários de coleta pré (ate 7h) e pós
CORTISOL nmol/L
DHEA pg/ml
ate 7h
9h
ate 7h
9h
PLA
4,2
4,8
109
127
AO
10,9
3,1
38,5
191
Este estudo sugere a relação positiva entre a frequência
da ocorrência do fator agressivo provocado pelo
transtorno oclusal e um estado de stress determinante de
uma hipersecreção de Cortisol e baixa de DHEA.
(Iinuma, 2008). Além disso, é esperado que o C tenha
sua secreção aumentada em 50-75% após 30 minutos do
despertar, e no máximo em 120 minutos retorne aos
valores iniciais da descarga matinal e o DHEA
apresente valores mais altos inicialmente e diminua
após 30-45 minutos. Ambos decrescem ao longo do dia
(Ghiciuc, 2011). Neste trabalho, o procedimento do
AOF foi a única intervenção efetuada no período entre
o acordar e 10 h, e os valores do C apontam para uma
redução abaixo do valor da liberação matinal,
diferentemente dos trabalhos avaliados.
Conclusões:
A estabilidade mandibular alcançada através do AOF
intervém favoravelmente sobre a biomecânica de
trabalho muscular da oclusão dentária e sugere interferir
na secreção imediata de C e DHEA.
P á g i n a | 187
Estudos
neurofisiológicos
e
eletromiográficos
associados são necessários para esclarecer melhor a
relação entre eventos de origem periférica e sua
influência central sobre a dor crônica.
O AOF demonstrou ser um tratamento alternativo e
eficaz para a solução de desequilíbrios e desconfortos
de ordem muscular relacionados à funções
estomatognáticas, porém são necessários estudos
randomizados com maiores populações.
Referências:
Ghiciuc CM et al. Neuroendocrinology Letters.
2011;32(4):475–480
Douglas CR, et al. Med Hypotheses. 2010; 74: 710-718.
Iinuma M1, et al. Okajimas Folia Anat Jpn. 2008
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Pruessner JC et al. Life Sci. 1997;61(26):2539-49.
Santos, JLB. In Simões WA. Ortopedia Funcional dos
Maxilares vista através da Reabilitação Neuro-Oclusal.
Artes Médicas, 2003.
Fonte financiadora: Fundação CAPES
Fonte dos dados: Esses dados são parte do conteúdo da
Dissertação de Mestrado intitulada: “Influência do
ajuste oclusal funcional sobre a estabilidade
mandibular”. O trabalho foi desenvolvido junto ao
Programa de Pós-Graduação em Biologia Buco Dental,
da FOP-UNICAMP, sob protocolo CEP 060-2011.
P á g i n a | 188
ANÁLISE DO LIMIAR DE FADIGA ELETROMIOGRÁFICA DOS MÚSCULOS
MASSETERES E TEMPORAIS EM DIFERENTES FAIXAS ETÁRIAS
Ligia Franco Oliveira1, Marcelo Palinkas1, Bárbara de Lima Lucas1, Marisa Semprini1, Selma Siéssere1,
Flávia Argentato Cecilio1, Paulo Batista de Vasconcelos1, Luiz Gustavo de Sousa1, Simone Cecilio Hallak
Regalo1
1
Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto – Universidade de São Paulo
Introdução: Os músculos crescem, desenvolvem e
funcionam de maneira planejada e organizada, mas
existem muitos questionamentos de que maneira
que isso ocorre durante o envelhecer do ser humano
(Palinkas et al., 2010). Dentre as avaliações das
atividades musculares, a avaliação da fadiga
fisiológica, ou seja, aquela induzida por contrações
musculares sustentadas torna-se fundamental, uma
vez que determina o desempenho muscular (Pitta et
al., 2015). Os músculos são incapazes de sustentar
elevados níveis de força ou mantê-la por um tempo
constate, desencadeando a fadiga neuromuscular
(Enoka, 1992; Callisaya et al., 2009).
Objetivo: O objetivo desta pesquisa foi determinar
o limiar de fadiga EMG de crianças, jovens, adultos
e idosos, com intuito de iniciar um estudo para
traçar critérios e parâmetros que possam ser
considerados normais em função da idade.
Métodos: 74 participantes (7-80 anos de idade),
dentados completos (exceto o grupo I – dentição
mista) foram divididos em cinco grupos: I (7-12
anos), II (13-20 anos), III (21-40 anos), IV (41-60
anos) e V (61-80 anos). Todos os grupos foram
distribuídos respectivamente por gênero (08H /
08M), exceto o Grupo V (05H / 05M). Esta
pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em
Pesquisa da Faculdade de Odontologia de Ribeirão
Preto da Universidade de São Paulo (processo n.
2006.1971.58.5). Foi utilizado o aparelho
eletromiógrafo Myosystem-Br1 para análise
eletromiográfica. Os dados da frequência mediana
do sinal EMG foram obtidos pelos valores do
janelamento de 5 segundos durante o tempo inicial
(FMI), tempo médio (FMM) e tempo final (FMF)
do sinal EMG da fadiga. A fadiga foi obtida
durante a força de contração isométrica constante.
O total de tempo de fadiga EMG (segundos) para
os grupos foi: I (29,12 ± 4,88), II (32,16 ± 3,28), III
(39,57 ±3,50), IV (41,68 ±4,74) e V (60,97 ± 9,82).
A frequência mediana, normalizada pelo
apertamento dental em contração voluntária
máxima, foi tabulada e submetida para análise
estatística (ANOVA; SPSS 21.0).
Resultados: Não houve diferença estatística
significante (p < 0,05) para os parâmetros normais
estabelecidos para a frequência mediana (Hz) do
sinal EMG dos músculos masseteres e temporais
entre os Grupos etários.
Discussão: O corpo humano passa por
transformações contínuas na sua forma e função
desde o nascimento. Ao longo do tempo, há uma
redução na capacidade do sistema fisiológico para
desempenhar as suas funções, o que acentua os
efeitos do envelhecimento sobre as estruturas do
corpo (Gallo et al., 2007). Entender o
funcionamento da fadiga muscular é de
fundamental importância para a área da saúde,
porque ajuda no entendimento de várias doenças e
distúrbios, como por exemplo, da respiração bucal,
doenças degenerativas, DTM e apneia do sono. Os
músculos da mastigação são importantes
componentes do sistema estomatognático e eles
também podem entrar em processo de fadiga (Pitta
et al., 2015). A análise da fadiga EMG por meio da
frequência mediana é um importante método que
avalia e mensura a capacidade de resistência de um
indivíduo (Hary et al., 1982; Molinari et al., 2006;
Jamaluddin et al., 2015).
Pesquisas comprovaram que indivíduos com DTM
apresentaram limiar de fadiga muscular elevado
(Wozniak et al., 2015). Nossos resultados
demonstraram a normalidade do limiar de fadiga do
sinal EMG em indivíduos de 12 a 80 anos de idade
e servem como parâmetros para pesquisas futuras
que queiram comparar o padrão de normalidade
com alterações sistêmicas em relação à fadiga
EMG dos músculos estriados esqueléticos.
Na literatura, não existem trabalhos que abordam
os parâmetros de fadiga dos músculos
mastigatórios, principalmente com uma avaliação
ao longo do tempo, e ainda em indivíduos
saudáveis.
Conclusões: Os resultados desta pesquisa
mostraram que nessa amostra a idade não está
associada com a fadiga EMG dos músculos
masseter e temporal.
P á g i n a | 189
Referências:
1.
Palinkas et al. Arch Oral Biology. 2010,
55(10):797-802.
2.
Pitta NC et al. J Electromyogr Kinesiol.
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4.
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Sci. 2010,65(4):386-92.
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Gallo
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Hary D et al. J Appl Physio. 1982; 53(1):
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7.
Jamaluddin FN, et al. Conf Proc IEEE Eng
Med Biol Soc. 2015:6219-22.
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Galo R, et al.Gerodontology 2007;24:244248.
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Molinari et al. Conf Proc IEEE Eng Med
Biol Soc.2006,1:953-6
10.
Wozniak et al. Biomed Res Int.
2015;2015:269734.
Agradecimento: FAPESP
Fonte dos dados: Estes resultados apresentados
são decorrentes de uma pesquisa original do
Departamento de Morfologia, Fisiologia e
Patologia Básica da FORP-USP e fazem parte do
conteúdo do Projeto de Mestrado intitulado: “A
influência da idade na análise do limiar de fadiga
eletromiográfica dos músculos mastigatórios” do
Programa de Pós-Graduação da Biologia Oral.
P á g i n a | 190
CMH.137. ESCLEROSE LATERAL AMIOTRÓFICA (ELA) E POSSÍVEIS
ALTERAÇÕES NO SISTEMA ESTOMATOGNÁTICO
Lígia Maria Napolitano Gonçalves1, Marcelo Palinkas1, Bárbara de Lima Lucas1, Jaime Eduardo Cecilio
Hallak1, Wilson Marques Júnior1, Sandra Valéria Rancan1, Paulo Batista de Vasconcelos1, Marisa
Semprini1, Selma Siéssere1, Simone Cecilio Hallak Regalo1
1
Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto – Universidade de São Paulo
Introdução: A esclerose lateral amiotrófica (ELA)
é uma doença neurodegenerativa e progressiva que
acomete o sistema neuromotor impedindo a correta
funcionalidade muscular (Morris, 2015). Esta
doença apresenta em 10% dos casos características
genéticas, e os outros 90% são esporádicos (Vande
Velde, et al., 2011). Para que o ser humano tenha
qualidade de vida faz-se necessário um
desenvolvimento harmônico do sistema muscular
esquelético e qualquer alteração acarretará
desequilíbrio no sistema estomatognático (Ferreira
et al., 2015).
Objetivo: Este estudo avaliou o sistema
estomatognático de indivíduos com esclerose
lateral amiotrófica, por meio da atividade
eletromiográfica dos músculos masseteres e
temporais e força de mordida molar máxima.
Métodos: 30 indivíduos de ambos os gêneros, com
idade média de 30,3 ± 5 anos, pareados indivíduo
com indivíduo foram distribuídos em dois grupos:
GELA: com esclerose lateral amiotrófica, (n=15) e
GC: controle saudável (n=15). Este estudo foi
aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da
Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da
Universidade
de
São
Paulo
(CAAE:
n.13071913.3.0000.5419). A avaliação da
atividade EMG foi realizada pelos sinais EMG do
músculo masseter direito (MD), masseter esquerdo
(ME), temporal direito (TD) e temporal esquerdo
(TE) durante condição postural de repouso (4s);
apertamento dental em contração voluntária
máxima (4s); lateralidade direita (10s), lateralidade
esquerda (10s) e protrusão (10s). A EMG foi
realizada utilizando o eletromiógrafo MyoSystemBr1. Os indivíduos com ELA foram diagnosticados
por médicos especialistas do Departamento de
Neurociências e Ciências do Comportamento, na
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto/USP. Os
valores das médias foram normalizados pelo valor
do sinal EMG do apertamento dental em contração
voluntária máxima (4s). As médias EMG
normalizadas foram tabuladas e submetidas à
análise estatística por meio do teste t independente
(SPSS 21.0).
Resultados: Na atividade EMG houve
significância (p < 0,05) para a condição de repouso:
MD=[(ELA=0,16 ± 0,06), (C=0,05 ± 0,01)] e
ME=[(ELA=0,18
±
0,06),
(C=0,05
±
0,01)];protrusão ME=[(ELA=0,45 ± 0,07),(C=0,12
± 0,02)];TD=[(ELA = 0,19 ± 0,03), (II=0,09 ±
0,01)] e TE=[(I = 0,23 ± 0,06), (C=0,10 ± 0,02)];
lateralidade esquerda: MD=[(ELA = 0,31 ± 0,06),
(II=0,09 ± 0,02)], ME=[(ELA = 0,41 ± 0,08),
(C=0,09 ± 0,02)] e TE=[(ELA=0,32 ± 0,07),
(C=0,17 ± 0,03)].
DISCUSSÃO: Os indivíduos portadores de ELA
apresentam degeneração progressiva dos neurônios
motores, que impedem os músculos de exercerem
suas atividades normais levando a atrofia por
desnervação, dificuldades progressivas para a
execução de movimentos e perda de força muscular
(Schmidt et al., 2016). Na ELA, espasmos
musculares são contínuos e não se alteram com os
movimentos voluntários (Kosuge et al., 2015).
Estas contrações rápidas, espontâneas e
intermitentes das fibras musculares (fasciculação)
(Sleutjes et al., 2015), demonstram que os
potenciais de unidades motoras estão com
atividades anormais (Buainain et al., 2000),
provocando hiperatividade do músculo estriado
esquelético e cardíaco (Tanaka et al., 2013). Dados
estes observados nos resultados deste estudo onde
ocorreu aumento de atividade EMG dos músculos
masseteres e temporais nas condições posturais da
mandíbula.
Conclusões: De acordo com os resultados obtidos
pode-se concluir que houve alterações no padrão de
ativação dos músculos mastigatórios em indivíduos
com ELA, pois estes possuíram maior atividade
muscular quando comparados aos indivíduos
saudáveis.
Referências
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Morris J. Neurodiagn J. 2015;55(3):180-94.
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Agradecimentos: FAPESP e CNPq
Fonte dos dados: Estes resultados apresentados
são decorrentes de uma pesquisa original do
Departamento de Morfologia, Fisiologia e
Patologia Básica da Faculdade de Odontologia de
Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.
P á g i n a | 192
CMH.138. ANÁLISE DO SISTEMA ESTOMATOGNÁTICO DE MULHERES COM
ARTRITE REUMATOIDE
Marcelo Palinkas1, Marisa Semprini1, Bárbara de Lima Lucas 1, Oswaldo Luiz Stamato Taube2, Laíse
Angélica Mendes Rodrigues1, Roger Rodrigo Fernandes1, Selma Siéssere1, Simone Cecilio Hallak Regalo1
1
Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto – Universidade de São Paulo; 2UNIFAFIBE – Centro
Universitário
Introdução: Artrite reumatoide é uma
enfermidade inflamatória crônica, bilateral,
simétrica, erosiva, recidivante, não supurativa do
tecido conjuntivo, que acomete a membrana
sinovial, tendões e estruturas articulares. As
articulações mais comprometidas são as
falangeanas, tornozelo, punho, coluna cervical,
joelho, cotovelo, ombro e temporomandibular (Gul
et al., 2014). Atinge 0,15 a 1,7% da população
mundial, sendo as mulheres mais acometidas que
os homens (da Mota et al.,2012).
Objetivo: Este estudo avaliou o sistema
estomatognático de mulheres com artrite
reumatoide, por meio da atividade EMG dos
músculos masseteres e temporais e força de
mordida molar máxima.
Métodos: 16 mulheres com dentição natural (faixa
etária entre 40 e 60 anos) foram distribuídas em
dois grupos: GAR: com artrite reumatoide (n=8;
idade média 51,50±3,12 anos) e GC: controle
saudável (n=8, idade média 50,75±3,18 anos). Os
Grupos foram pareados sujeito a sujeito por idade
e índice de massa corporal. As participantes com
artrite reumatoide foram diagnosticadas por
médicos reumatologistas, com embasamento na
associação de sinais e sintomas clínicos, achados
laboratoriais e radiográficos (da Mota et al.,
2011).O GAR apresentou dor á palpação na região
pré-auricular e nos músculos da mastigação,
mobilidade mandibular alterada, ausência de
estalos
e
crepitação
na
articulação
temporomandibular. O estudo foi aprovado pelo
Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de
Odontologia de Ribeirão preto da Universidade de
São Paulo (CAAE n. 43010515.8.0000.5419). A
análise da atividade EMG dos músculos masseteres
[direito (MD) e esquerdo (ME)] e temporais
[direito (TD) e esquerdo (TE)], foi realizada
durante o repouso mandibular (4s); apertamento
dental em contração voluntária máxima (4s);
lateralidade direita (10s) lateralidade esquerda
(10s), protrusão (10s), mastigação habitual de
amendoins (20s), mastigação habitual de uvas
passas (20s) e mastigação não habitual de Parafilm
M® (20s). Foi utilizado o eletromiógrafo do sistema
TrignoTM Wireless EMG da Delsys. A força de
mordida molar máxima (direita e esquerda) foi
obtida com o dinamômetro digital Kratos. Os
valores EMG normalizados e força de mordida
foram tabulados e submetidos à análise estatística
(SPSS 21.0; teste t independente; p ≤ 0,05).
Resultados: Foi encontrada diferença estatística
significante para atividade EMG no repouso:
MD=[(AR = 0,24 ± 0,04), (C=0,09 ± 0,02)];
TD=[(AR = 0,34 ± 0,04), (C=0,20 ± 0,03)];
protrusão: TD=[(AR = 0,34 ± 0,03), (C=0,18 ±
0,03)]; mastigação de Parafilm M®: MD=[(AR =
0,66 ± 0,09), (C=1,09 ± 0,13)] e mastigação de
amendoins: MD=[(AR= 0,95 ± 0,05), (C=1,35 ±
0,13)]. Na força de mordida molar houve diferença
estatística significante para região direita = [(AR =
15,08 ± 2,44), (C = 22,52 ± 2,58)] e região esquerda
= [(AR = 12,77 ± 2,68), (C = 21,93 ± 2,92)].
Discussão: Conhecer os fatores e doenças que
alteram substancialmente o bem estar do ser
humano é prioridade mundial (Sherine et al., 2009).
A análise do sistema estomatognático, tem sido
motivo de estudos em diversos grupos de
indivíduos com alterações patológicas sistêmicas.
Por isso a importância de estudar o sistema
estomatognático de indivíduos portadores de artrite
reumatoide. Os resultados inéditos desta pesquisa
evidenciaram
a
hiperatividade
muscular
mastigatória, durante as condições posturais da
mandíbula. A inter-relação harmônica entre
tubérculo articular do osso temporal, fossa
mandibular, cabeça da mandíbula, cápsula e disco
articular, musculatura e ligamentos acessórios pode
ser comprometida pela proliferação de células
inflamatórias, formação de tecido de granulação
fibroso e de novos vasos na cápsula articular
(Goronzy; 2001), promovendo pressão interna das
estruturas envolvidas pela cápsula (Ehrlich, 1975),
sintomatologia dolorosa, alteração funcional das
fibras do músculo pterigoideo lateral que estão
entremeadas com as fibras colágenas do disco
articular (Sakaguchi-Kuma et al., 2015) e
instabilidade funcional mastigatória, resultando na
hiperatividade muscular (Cao et al., 2012). A
diminuição da atividade EMG na mastigação e
P á g i n a | 193
força de mordida pode estar associado com a
deficiência do controle local de citocinas próinflamatórias na cápsula articular que provoca
instabilidade hemodinâmica e fisiopatológica nas
síndromes dolorosas (de Oliveira et al., 2011),
reduzindo a capacidade funcional do individuo
(Ahmed et al., 2015). Segundo Bell (1990) a dor
orofacial pode aumentar na mastigação de
alimentos, pois a ATM está com processo
inflamatório e os movimentos de fricção e
pressionamento irritam a superfície.
Conclusões: As mulheres com artrite reumatoide
mostraram alterações no sistema estomatognático,
em especial na atividade EMG e força de mordida.
Referências
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Gul N. J Ayub Med Coll Abbottabad. 2014;
26(2):118-22.
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da Mota LM, et al. Concensus of the
Brazilian Society of Rheumatology for diagnosis
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Bras Reumatol. 2011; 51:199–219.
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Sherine EG, et al. Arthritis Research &
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Goronzy JJ, et al. Curr Dir Autoimmun.
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e Doenças Reumáticas.Brasil, Atualização Médica
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Sakaguchi-Kuma T, et al. Surg Radiol
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7.
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Ahmed N, et al. Eur J Oral Sci.
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10.
Bell, WS.Dores Orofaciais: Classificação,
Dioagnóstico e Tratamento.Quintessence Book,
1990.
Agradecimento: FAPESP e CNPq
Fonte dos dados: Estes resultados apresentados
são decorrentes de uma pesquisa original do
Departamento de Morfologia, Fisiologia e
Patologia Básica da FORP-USP.
P á g i n a | 194
CMH.139. A DOR INFLUENCIA O PADRÃO DE ATIVAÇÃO DOS MÚSCULOS MASTIGATÓRIOS
EM INDIVÍDUOS COM DISFUNÇÃO TEMPOROMANDIBULAR?
Eloiza Barbeiro Mella1; Mariana Barcellos Machado 1;Gabriel Nistch1; Anamaria Siriani de Oliveira 1
1
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP
Introdução: A disfunção temporomandibular
(DTM) é um subgrupo de dores orofaciais que
abrangem os músculos mastigatórios, articulação
temporomandibular e estruturas associadas. A dor,
como principal sintoma, altera a fisiologia da
ativação muscular mastigatória, alterando o padrão de
ativação dos músculos da mastigação, inibindo os
músculos agonistas e excitando antagonistas. Devido
a importância dos sintomas musculares desta
disfunção, se faz relevante o estudo eletromiográfico
em condições em que a dor está presente durante a
função, para acrescentar mais informações a literatura
em relação ao efeito da dor na fisiologia muscular, e
consequentemente, no padrão de ativação agonistaantagonista.
Objetivos: Analisar a influência da dor no padrão de
ativação muscular agonista-antagonista em 20
portadoras de DTM.
Métodos: Avaliamos a eletromiografia dos músculos
masseter, temporal e suprahioideos durante a
mastigação habitual e apertamento dentário, na
presença de dor de intensidade moderada (≥4 na
Escala Visual Numérica) e na ausência ou diminuição
desta dor, após aplicação de 45 minutos da
Estimulação Elétrica Nervosa Transcutânea de alta
frequência. O processamento de dados será baseado
nos valores médios de Root Mean Square dos
músculos mastigatórios analisados e Envoltório
Linear, sendo este último somente utilizado durante a
mastigação habitual.
O trabalho foi submetido à aprovação do Comitê de
Ética do Hospital das Clínicas da Faculdade de
Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São
Paulo (FMRP-USP), de acordo com a resolução 196
do CNS/96.
Resultados: Nas tabelas 1 e 2, estão representadas as
médias de RMS acompanhadas dos valores de desvio
padrão. Os valores percentuais mostram um aumento
da atividade muscular levantadora da mandíbula, para
músculos masseteres durante o apertamento
(p>0,05), e diminuição dessa atividade para os
músculos abaixadores da mandíbula (p>0,05) na
atividade de apertamento dentário (tabela 1).
Tabela 1. Média (Desvio Padrão = DP) dos valores de RMS
encontrados nas coletas eletromiográficas de apertamento dental
nos momentos pré TENS e pós TENS, porcentagem de diferença
após a analgesia e valor de p.
Média (DP)
Músculos
Porcentagem
p
2,143
(1,426)
-6%
0,30
2,438
(2,816)
2,966
(3,493)
+22%
0,14
2,069
(3,053)
1,325
(1,368)
-36%
0,14
PRÉ
TENS
PÓS
TENS
Temporal
2,291
(1,875)
Masseter
Supra
hioideos
Tabela 2. Média (Desvio Padrão = DP) dos valores de RMS
encontrados nas coletas eletromiográficas de mastigação
habitual nos momentos pré TENS e pós TENS, porcentagem de
diferença após a analgesia e valor de p.
Média (DP)
Músculos
Porcentagem
p
1,4
(1,697)
+1%
0,42
1,443
(2,04)
1,457
(1,804)
+1%
0,44
1,304
(1,411)
1,386
(2,396)
+6%
0,40
PRÉ
TENS
PÓS
TENS
Temporal
1,381
(1,919)
Masseter
Supra
hioideos
Os resultados mostraram que os valores
eletromiográficos dos músculos levantadores e
abaixadores, agonistas e antagonistas nos
movimentos funcionais da mandíbula, são variáveis
após a analgesia. Considerando o modelo de
adaptação à dor, que diz que a dor inverte o padrão de
ativação agonista antagonista dos músculos da
mastigação, os resultados encontrados após a
analgesia dos músculos mastigatórios não são
suportados pela teoria.
Discussão: O presente estudo analisou a influência da
dor no padrão de ativação agonista-antagonista dos
P á g i n a | 195
músculos mastigatórios e observou o aumento
percentual da atividade muscular de masseteres e
diminuição percentual da atividade dos abaixadores
da mandíbula durante o apertamento dentário.
No apertamento máximo foi observada assimetria na
ativação muscular temporal na comparação desses
músculos bilateralmente, maior atividade dos
músculos temporais comparados aos músculos
masseteres tanto em indivíduos com DTM como em
indivíduos saudáveis e redução da atividade muscular
em portadores de DTM comparados com indivíduos
assintomáticos (Tartaglia et al, 2011; Felício et al,
2012). No apertamento sustentado, Pitta et al. (2015)
concluiu que estratégias de controle motor durante
esta atividade diferenciam os indivíduos saudáveis de
portadores de DTM.
Na mastigação, foi encontrado que indivíduos com
DTM têm tendência ao tipo mastigatório unilateral
em comparação com indivíduos saudáveis que é do
tipo bilateral. Há diferenças no padrão de ativação de
portadores de DTM em relação ao padrão fisiológico
normal (Felício et al, 2007), mas estes não também
não foram vistos através da EMG em outros trabalhos
(Felício et al, 2013; Manfredini et al, 2013).
Em trabalho semelhante a este, Mafredini et al.
(2013), analisou a diferença no sinal eletromiográfico
entre músculos com dor e sem dor durante repouso e
apertamento máximo e se essa diferença pode ser
captada pelos dispositivos de avaliação disponíveis
comercialmente. Os resultados foram muito
variáveis, não demonstrando a existência de
diferenças significativas. Ele sugere que é necessário
rever o uso da eletromiografia para o estudo das dores
musculares e que essa variação de dados pode ser
explicada por mecanismos centrais de adaptação á
dor.
O presente estudo apresentou como limitação o
tamanho amostral relativamente pequeno, com
grande variabilidade de dados obtidos.
Conclusões: Os dados apresentados neste trabalho
não são suportados pelo Modelo de Adaptação à Dor.
Faz-se necessário rever os métodos utilizados na
avaliação da influência da dor no padrão de ativação
muscular em portadores de DTM.
Referências:
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orofacial
myofunctional
status
and
temporomandibular disorders severity: A correlation
study. Journal of Electromyography and Kinesiology.
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Felício CM et al.Mandibular kinematics and
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Journal of Electromyography and Kinesiology. 2013;
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Felício CM et al. Desempenho mastigatório em
adultos
relacionado
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a
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temporomandibular e com a oclusão. Pró-Fono
Revista de Atualização Científica. 2007; 19(2).
Manfredini D et al. Surface Electromyography
Findings in Unilateral Myofascial Pain Patients:
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electromyographic fatigue in patients with
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Journal of Electromyography and Kinesiology. 2015;
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Tartaglia GM et al. Surface electromyographic
assessment of patients with long lasting
temporomandibular joint disorder pain. Journal of
Electromyography and Kinesiology. 2011; 21: 659–
664.
Fontes financiadoras: Bolsa de Iniciação Científica
PIBIC-USP 2014-2015 para Eloiza B. Mella.
Fonte dos dados:Esses dados são de uma
monografia de graduação desenvolvido junto ao
Curso de Fisioterapia da FMRP-USP.
P á g i n a | 196
CMH.140. ANÁLISE ELETROMIOGRÁFICA E AVALIAÇÃO DA FORÇA
MUSCULAR RESPIRATÓRIA DE PACIENTES COM ESCLEROSE MÚLTIPLA
Marília Martins de Oliveira Pupim1, Milan MB1, Fabrin S2, Fioco EM1,2, Regueiro E¹, Vianna JRF¹, Pádua
GS², Regalo SCH 2, Verri ED1,2
1
2
Centro Universitáro Claretiano de Batatais
Faculdade de odontologia de Ribeirão Preto - USP
Introdução: A Esclerose Múltipla (EM) é uma
doença crônica, degenerativa e auto imune que
acomete a substância branca do sistema nervoso
central, caracterizada pela desmielinização, de
etilologia desconhecida, com prevalência em
mulheres, sendo que seus sinais e sintomas variam
conforme o local da lesão¹ ². Por acometer as vias
motoras a EM está associada à redução da força
muscular incluindo os músculos respiratórios, e
isso ocorre devido as informações do centro
respiratório serem levadas pelo neurônio motor
superior através da medula espinhal, e qualquer
falha nesse percurso altera a elasticidade dos
pulmões e da parede torácica ³.
Objetivo: Analisar o potencial de ação dos
musculos respiratórios eletromiograficamente e a
força muscular respiratória por meio da
manovacuometria de pacientes com diagnóstico de
EM.
Métodos: A amostra foi composta por seis
participantes do gênero feminino, com idades entre
24 e 42 anos, divididas em dois grupos com três
participantes cada, denominados Grupo Esclerose
Múltipla (GEM) e Grupo Controle (GC). Para
avaliação da força muscular respiratória o
participantes da pesquisa foi posicionado em uma
cadeira, na postura de Fowler desejada; o bocal do
aparelho foi adaptado à boca do participante, com
o nariz ocluído através de um clipe nasal; os
comandos verbais foram realizados por o único
avaliador que instruiu o participante da pesquisa a
expirar completamente, procurando esvaziar ao
máximo seus pulmões, o participante deve inspirar
profundamente e rápido pela boca, então a partir do
volume residual, mensurou-se a PImax. Em
seguida o bocal do aparelho foi novamente
acoplado a boca do participante com o nariz
ocluído por um clipe nasal; instruindo o
participante a inspirar completamente, procurando
encher ao máximo seus pulmões, o participante na
sequência expirou profundamente e rápido pela
boca, então a partir da capacidade pulmonar total,
mensurou-se a PEmax. Os dois exames foram
repetidos três vezes, com intervalo de medida de
uma pressão a outra, também de um minuto, sendo
também considerado o valor mais alto. Foi
realizada eletromiográfia dos músculos serratil
direito (MSD), intercostal direito (MID),
esternocleidomastóideo direito (ECOMD) e
diafragma (MD) durante o repouso, inspiração
máxima,
expiração
máxima,
inspiração
diafragmatica e expiração diafragmatica com o
eletromiógrafo de superficie. Todas as pacientes
assinaram o termo de consentimento livre
esclarecido referente ao parecer n°0012/2010 de
acordo com a resolução 466/12 do CNS.
Resultados: Por meio dos resultados da
manovacuometria das pacientes com EM (Gráfico
1) verificou-se a ocorrência de fraqueza dos
músculos respiratório (FMR), com maior
diminuição na PEmáx. E através da análise
eletromiográfica (EMG) foi possível confirmar o
desequilíbrio na ativação das fibras musculares
com a ocorrência da fraqueza muscular nos
pacientes com GEM (Tabela 1) podendo ser
observado quando comparado com os pacientes do
GC (Tabela 2).
Gráfico 1 – Comparação dos valores obtidos nas
pressões respiratórias máximas através da
manovacuometria (cm H2O) dos paciente com
GEM.
Pct 3
Pct 2
Pct 1
0
20
40
PEmáx
PImáx
60
P á g i n a | 197
Tabela 1 – Comparaçção em mV da atividade
EMG durante a expiração diafragmatica em
pacientes com GEM.
Pct
1
2
3
MSD
3,11
1,95
2,33
MID
2,10
2,63
3,45
ECOMD
16,42
6,90
6,42
MD
19,09
6,86
13,57
Tabela 2 – Comparaçção em mV da atividade
EMG durante a expiração diafragmatica em
pacientes do GC
Pct
1
2
3
MSD
12,62
17,41
14,76
MID
8,35
8,57
4,48
ECOMD
22,83
14,05
17,78
MD
63,33
69,68
43,65
Discussão: Devido a ocorrência da fraqueza
neuromuscular, a fadiga e a FMR podem
desenvolver-se insidiosamente onde pacientes do
GEM raramente se queixam de dispnéia, mesmo
quando a incapacidade grave e a força muscular
respiratória prejudicada são aparentes; estando
relacionado por se
ascender lentamente das
extremidades inferiores para as extremidades
superiores podendo ter o comprometimento da
função pulmonar nos estágios avançados da doença
com possível ocorrência de insuficiência
respiratória agravando o quadro 4,5.
Conclusões: Conclui-se que através das avaliações
de pressões máximas e análises eletromiográficas
que os pacientes com EM apresentam fraqueza
muscular respiratória podendo evoluir para fadiga
e falência desses musculos sendo assim a
fisioterapia respiratória é essencial para melhora e
manutenção da função muscular, possivelmente
levando ao melhor desempenho nas atividades de
vida diária e funcionalidade dos mesmos.
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Fonte dos dados: Estes resultados apresentados
são decorrentes de uma pesquisa original do
laboratório de Biomecânica do Movimento do
Claretiano de Batatais-SP, Brasil.
P á g i n a | 198
CMH.141. Hiperlacrimejamento gustolacrimal (Síndrome das Lágrimas de Crocodilo):
Relato de Caso
Mirian Nagae1; Karina Virgilio1; Jonathan Vinicius1; Daniela Almeida Prado2; Fausto Bérzin2
1-Departamento de Desenvolvimento Humano e Reabilitação, Faculdade de Ciências Médicas, UNICAMP
2–Departamento de Morfologia, Faculdade de Odontologia de Piracicaba, UNICAMP
Introdução: a Paralisia Facial além de danos
estéticos, como a atrofia muscular pode, também,
gerar desconfortos como o lacrimejamento1. Após
a Paralisia Facial Periférica fibras pré-ganglionares
parassimpáticas que se projetavam para o gânglio
submandibular podem regredir e conectar-se ao
nervo petroso superficial maior2. Com a
reinervação, caso ocorra um estímulo salivar,
lágrimas podem verter dos olhos durante a
mastigação. Esse fenômeno é conhecido como
Síndrome das Lágrimas de Crocodilo3 (figura 1). A
eletromiografia de superfície, por se tratar de um
exame não invasivo pode comprovar a atividade do
músculo orbicular do olho e auxiliar na
compreensão do comportamento tanto a nível
diagnóstico como nas intervenções terapêuticas4,
como biofeedback5.
Objetivo: descrever o comportamento do músculo
orbicular do olho em sujeitos com Paralisia Facial
Periférica que lacrimejam durante a mastigação.
Figura 1- Lágrimas de crocodilo, metáfora realizada quando
o sujeito não tem intenção de chorar mas chora.
Metodologia: Estudo aprovado pelo comitê de
ética da Faculdade de Ciências Médicas da
Universidade Estadual de Campinas sob no
02378212.5.0000.5404. Relato de caso sobre um
paciente, sexo masculino, 54 anos, vendedor,
saudável que apresentou quadro de Paralisia Facial
Periférica direita de etiologia desconhecida, grau
moderado. O quadro foi precedido por cefaléia e
diminuição de sensibilidade na hemi face direita. O
registro eletromiográfico ocorreu após 3 meses do
início do quadro da paralisia. A eletromiografia foi
realizada com paciente sentado, olhar fixo no
horizonte, cabeça posicionada segundo plano de
Frankfurt,com equipamento da Bioresearch,
frequência de amostragem de 2000Hz, 12-bites de
resolução, 112 dB modo de rejeição comum 60 Hz
e conversor Analógico Digital5. Eletrodos
descartáveis da Med Trace foram posicionados no
ventre do músculo masseter e músculo orbicular do
olho (parte inferior) bilateralmente6. Os sinais
foram captados durante mastigação de barra de
cereal, com registros somente quando o paciente
começou a lacrimejar.
Resultado: na análise qualitativa foi observada
discreta movimentação em hemiface direita,
fechamento ocular incompleto com esforço, boca
com fraqueza em esforço máximo e sincinesia entre
boca-olho. O lado preferencial de mastigação do
paciente era à esquerda, mas o lacrimejamento
ocorreu somente quando foi induzido mastigar do
lado direito. O lacrimejamento ocorreu, cerca de 30
segundos após o início da mastigação habitual. A
intensidade com que mastigava o alimento não
influenciou
no
disparo
do
início
do
lacrimejamento, nem na quantidade de lágrimas
vertidas. Na figura 3, podemos visualizar o sinal
eletromiográfico bruto durante a mastigação do
paciente, no momento em que ocorreu o
lacrimejamento.
Discussão: o lacrimejamento ocorreu somente
durante a mastigação do lado da paralisia, no caso
o direito. Estudos relatam que os músculos da face,
participam da função mastigatória apenas de forma
adjacente, sem exercerem atividade significativa. O
lacrimejamento à direita ocorreu, provavelmente
porque as fibras pré-ganglionares parassimpáticas
projetadas para o gânglio submandibular
regrediram e se conectaram ao nervo petroso
superficial maior2, somente no lado da paralisia. O
fato do músculo orbicular do olho esquerdo,
também presentar atividade fásica, mas não
desencadearem o lacrimejamento, reafirmam a
P á g i n a | 199
anastomose com o nervo petroso somente do lado
da paralisia.
Figura 3 – Sinal eletromiográfico bruto durante a mastigação
direita. Captação dos músculos masseter direito (MA-D) e
esquerdo (MA-E), orbicular do olho parte inferior direito
(ORB.OLHO-D) e esquerdo (ORB.OLHO-E), durante
mastigação com lacrimejamento. Note a atividade sistemática
do músculo ORB.OLHO-D e os picos de atividade no
músculo ORB.OLHO-E.
Conclusão: o músculo orbicular do olho ipsilateral
ao lado da paralisia facial apresentou
hiperatividade constante e o lado contralateral
apresentou ciclos de atividade em concomitância
ao músculo masseter. Foi, entretanto, constatado
lacrimejamento somente durante a mastigação do
lado em que a paciente apresentou a paralisia facial.
Referência Bibliográfica
1-Hida RY et al. Arq. Bras. Oftalmol.
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Científica. 2005;17(2):20-23.
3-Kizkin S et al. Crocodile tears syndrome:
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4-Sassi FC et al. Correlação entre eletromiografia e
índice de inabilidade facial em pacientes com
paralisia facial de longa duração: implicações para
o resultado de tratamentos. Rev. Bras. Cir. Plast.
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5-Bernardes DFF et al. Eletromiografia de
superfície em pacientes portadores de paralisia
facial periférica. Rev. CEFAC. 2010; 12(1):91-96.
6- De Luca CJ. The use of surface
electromyography in biomechanics. J Appl
Biomech. 1997; 13: 135-63.
7-Cram JR et al. Introduction to Surface
Electromyography. Gaithersburg Maryland: Aspen
Publicationâ; 1998. p.257-8.
P á g i n a | 200
CMH.142. ATIVIDADE EXACERBADA DO MÚSCULO BUCINADOR EM
SUJEITOS PROGNATAS
Mirian Nagae1; Marcelo Alves2; Fausto Bérzin3
1-Faculdade de Ciências Médicas-UNICAMP; 2-ESALQ-USP; 3-Faculdade de Odondologia de PiracicabaUNICAMP
Introdução: a compreensão do comportamento
muscular de sujeitos prognatas pode auxiliar os
tratamentos de correção dentária e esquelética.
Uma vez que, a musculatura participa de forma
ativa no crescimento e desenvolvimento das
estruturas da face, devido à relação entre a resposta
óssea e a dinâmica de contração muscular1. Na
face, o músculo bucinador, localizado na região das
bochechas é considerado um dos maiores músculos
e participa de forma efetiva da função
mastigatória2. Objetivo: investigar se há diferença
no comportamento do músculo bucinador entre
sujeitos Classe I e Classe III de Angle. Método:
Aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa sob no
188/2003. Amostra constituída por Grupo Controle
(GC), com 16 voluntários , Classe I e Grupo Estudo
(GE) com 16 voluntários, Classe III, faixa etária
entre 18 e 40 anos, de ambos os sexos. A atividade
elétrica dos músculos bucinador e masseter foi
avaliada por meio da eletromiografia de superfície.
A mastigação habitual com pão francês foi
investigada para que o músculo bucinador pudesse
exercer com efetividade suas funções, não permitir
resíduos de alimento na cavidade oral e posicionálos nos dentes molares2. Para garantir a
fidedignidade da captação do sinal, foram
utilizados eletrodos diferenciais, além de testes de
função, correlação e normalização dos dados.
Resultado: Para escolha das variáveis que melhor
definissem o sinal EMG foi realizada análise do
sinal bruto (figuras 1,2).
músculo masseter os sinais apresentaram maior amplitude do que no músculo
bucinador.
Figura 2- Sinal EMG bruto da função mastigatória. O músculo masseter
apresentou ciclos mastigatórios definidos, porém com amplitudes distintas,
já no músculo bucinador os ciclos não foram tão definidos, além de
apresentarem menor amplitude e ausência de sincronia.
Na comparação dos dados normalizados da
variável Root Means Square (RMS) (μV), do
período ativo, não foram encontradas diferenças
significativas (Classe I: 0,469 ± 0,355; Classe III:
0,531 ± 0,355 – p: 0,4812). Entretanto, em relação
às variáveis RMS (μV) do período inativo (Classe
I: 0,359 ± 0,355; Classe III: 0,641 ± 0,355 – p:
0,0016), duração do período ativo (ON) (Classe I:
0,313 ± 0,180; Classe III: 0,687 ± 0,180 – p:
0,0368) e razão entre o RMS do período inativo e
RMS do período ativo (RIA) (Classe I: 0,391 ±
0,355; Classe III: 0,609 ± 0.355 – p: 0,0137), foram
observadas diferenças significativas (figura 3).
Figura 3- Cálculo no músculo bucinador da RIA: razão entre
o Root Means Square (RMS) da duração do período inativo e
RMS do período ativo. Microvoltz (µV), porcentagem (%).
Figura 1- Sinal EMG bruto da função mastigatória. Os músculos
apresentaram ciclos mastigatórios equilibrados e sincrônicos, sendo que no
Discussão: o músculo bucinador manteve sua
atividade elétrica mesmo na inatividade do ciclo
mastigatório. Essa manutenção da atividade
elétrica no período inativo é explicada pelo padrão
de mastigação reverso3. Isto é, nesses casos, nos
sujeitos Classe III, o bolo alimentar é deslocado
P á g i n a | 201
para a região anterior da cavidade bucal e a
musculatura da língua9 fica alojada no assoalho
bucal com sua ponta em repouso sobre os dentes
incisivos, acompanha a trajetória do bolo
alimentar. Com isso, o músculo bucinador, que
atua de forma antagônica à musculatura da
língua4,5, é recrutado de forma intensa, para que o
alimento não se aloje no vestíbulo bucal. Assim
sendo, além do antagonismo entre a musculatura da
língua e o músculo bucinador3, a ligação anatômica
com os músculos milo-hioideo e temporal também
contribui para a atividade mais intensa do músculo
bucinador. Isso ocorre porque o músculo milohióideo, que é responsável pela elevação da língua
e o músculo temporal, pela estabilização da
mandíbula.
Conclusão: os dados qualitativos revelaram perfil
de comportamento muscular em relação ao
músculo bucinador entre as Classes I e Classe III
de Angle4,5,6. Tais resultados puderam ser
comprovados na análise quantitativa que
comprovou diferença significativa no período de
inatividade do músculo bucinador e, também no
cálculo da razão entre os períodos inativo e ativo
indicaram uma atividade proporcional entre os
período ativo e inativo nos sujeitos Classe I e uma
atividade de 90% nos sujeitos Classe III.
Referência bibliográfica
1-Rubin RM et al. Mode of respiration and facial
growth. Am J OrthoD. 1980; P. 504-10.1993.
2-Blanton PL et al. Electromyographic analysis of
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movement and rhythm before and after surgical
orthodontics in skeletal Class III patients with
unilateral posterior cross-bite. J Maxillofac Oral
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4-Raustia AM, et al. Changes in electrical activity
of masseter and temporal muscles after mandibular
sagital split osteotomy. Int J Maxillofac Oral Surg.
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5-Subtelny JD. Malocclusion, orthodontic
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activity and jaw movement during experimental
chewing efforts in man. J Dent Res. 1996; 75:
1598-606.
Projeto de mestrado com financiamento Capes.
P á g i n a | 202
CHM. 144EFEITOS DA BAIXA VISÃO E DA CEGUEIRA NO COMPLEXO
POSTURAL
Nayara Soares1, Edson Donizette Verri1, Saulo Fabrin1, Marisa Semprini2, Selma Siéssere2, Bárbara de Lima
Lucas2, Paulo Batista de Vasconcelos2, Marcelo Palinkas2, Simone Cecilio Hallak Regalo2
1
2
Claretiano Centro Universitário;
Universidade de São Paulo/Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto
Introdução: Entre as principais fontes de
informação sensorial para o processo do controle
postural está o sistema visual (Nashner, 1981). A
baixa visão ou a sua ausência restringe a
experiência de vida e influencia o desenvolvimento
do equilíbrio, da coordenação motora e da postura,
sendo esta última correta quando necessita de
pouca atividade muscular para mantê-la (Fjellvang
et al., 1986; Magee, 2002). Uma alteração postural
pode contribuir para o aparecimento de vários
distúrbios cinesio-funcionais. Entre os recursos
avaliativos destaca-se a EMG, uma técnica para o
monitoramento da atividade elétrica das
membranas excitáveis, representando a medida dos
potenciais de ação do sarcolema (Enoka, 2000).
Objetivos: O estudo avaliou a atividade EMG dos
músculos mastigatórios, cervicais e da cintura
escapular de indivíduos com baixa visão e com
cegueira, comparando ao grupo saudável.
Métodos: Participaram da pesquisa indivíduos
entre 18 a 40 anos, de ambos os gêneros. Foram
analisados 30 indivíduos, pareados sujeito a sujeito
e divididos em dois grupos: com baixa visão e
cegueira (GVC, n=15) e controle saudável (GC,
n=15). O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética
da Universidade de São Paulo/Faculdade de
Odontologia de Ribeirão Preto de acordo com a
resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde
(CAAE: 0060.0.138.000-10). Os critérios de
exclusão foram: presença de distúrbios de origem
sistêmica ou local, utilização de medicamentos ou
realização de tratamentos que possam interferir na
atividade muscular, menores de 18 anos e
portadores de problemas cognitivos. Foram
realizados exame de EMG (MyoSystem-Br1) para
os músculos masseter direito (MD), masseter
esquerdo (ME), temporal direito (TD), temporal
esquerdo (TE), esternocleidomastoideo direito
(ECOMD), esternocleidomastoideo esquerdo
(ECOME), trapézio superior direito (TSD),
trapézio superior esquerdo (TSE), trapézio médio
direito (TMD), trapézio médio esquerdo (TME),
longo do tórax direito (LTD) e longo do tórax
esquerdo (LTE), nas seguintes condições para os
músculos mastigatórios: apertamento dental em
contração voluntária máxima (4s) e com parafilme
colocado em ambos os lados da arcada dental (4s),
lateralidade direita (10s), lateralidade esquerda
(10s), mastigação de amendoins (10s) e mastigação
de uvas passas(10s). Para os músculos cervicais
foram realizadas: flexão de cervical (10s), flexão de
ombro (10s), abdução de ombro (10s) e extensão de
tronco (10s). Os dados EMG foram tabulados e
submetidos à análise estatística (SPSS versão
21.0).
Resultados: A atividade eletromiográfica foi
significativa (p<0,05) no repouso mandibular:
ME=[(VC=5,47 ± 1,25),(C=9,28 ± 1,01)],
TE=[(VC=1,57 ± 0,16),(C=5,41 ± 0,81)], na
lateralidade
direita:
TE=[(VC=2,77
±
0,16),(C=5,71 ± 0,81)]; na flexão de ombro:
TSD=[(VC=91,80 ± 13,58),(C=139,72 ± 12,95)],
TSE=[(VC=162,01 ± 47,56),(C=390,67 ± 63,04)];
na abdução de ombro: TME=[(VC=11,14 ±
0,97),(C=18,33 ± 2,61)]; na extensão da coluna
vertebral em repouso: LTE=[(VC=7,78 ±
1,65),(C=17,51 ± 3,94].
Discussão: Os indivíduos avaliados apresentaram
alterações posturais significativas, em evidência
cabeça, ombro e coluna torácica, semelhantes aos
estudos de (Amaya et al., 1991; Prechtl et al. 2001),
sugerindo o menor potencial de ação para os
músculos posturais, visto que os músculos trapézio
superior, trapézio médio e longo do tórax do GVC
apresentaram menor ativação em relação ao GC.
Os resultados sugerem que as alterações no
movimento da cabeça influenciam diretamente nas
condições clínicas posturais da mandíbula e de
mastigação, significante do lado esquerdo, ou seja,
a rotação de cabeça à direita dos indivíduos
analisados , não provoca somente a postura
anormal, mas influencia na execução dos
movimentos, relacionados aos músculos masseter,
temporal e esternocleidomastoideo, apresentando
também redução do tônus muscular podendo
indicar uma sobrecarga dos músculos posturais
P á g i n a | 203
(Nakata et al., 2001) em consequência das
compensações.
Conclusões: Devido à rotação da cabeça e da
abordagem postural, ocorreu redução das respostas
de regulação automática da postura, inferindo o
maior potencial de ação dos músculos da
mastigação no GVC quando comparado ao GC.
Referências:
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Amaya, JMM et al. Acta Pediatr. 1991
112(3):136-147.
2.
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Cinesiologia. Manole, 2000.
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Magee,
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Musculoesquelética. Manole, 2002.
5.
Nakata, H et al. Gait and Posture. 2001
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6.
Nashner, L.M. Handbook of Behavioral
Neurology. Plenum, 1981.
7.
Prechtl, HFR. Et al. Dev Med Child Neurol.
2001 43(3):198-201.
Fontes financiadoras: Projeto financiado por
PIBIC/USP/CNPq, processo: 144218/2014-3.
Fonte dos dados: Esses dados são parte do
conteúdo do Projeto de Iniciação Científica
intitulada: “Efeitos da baixa visão e da cegueira no
complexo postural.” do Programa de Iniciação
Científica, FORP-USP.
P á g i n a | 204
CMH.145. IDENTIFICAÇÃO DE PARÂMETROS DISCRIMINATIVOS DE
QUEDAS EM IDOSOS UTILIZANDO A CINEMÁTICA DA MARCHA
Nise Ribeiro Marques1; Deborah Hebling Spinoso1, Bruna Oliveira Plassa2, Bruna Carvalho Cardoso2, Marcelo
Tavella Navega1
1 Universidade Estadual Paulista, UNESP, Marília; 2 Faculdade de Medicina de Marília, FAMEMA
Introdução: A marcha é a tarefa motora mais
executada entre as atividades de vida diária e,
aproximadamente, 50% das quedas em idosos
ocorrem durante a execução desse gesto1. Nesse
sentido, investigações pregressas apontaram
diferenças em parâmetros como velocidade de
marcha, tempo e comprimento de passada e a
variabilidade dos parâmetros temporais entre idosos
caidores e não caidores2. Considerando esses achados
hipotetiza-se que esses parâmetros possam ser
variáveis discriminativas de quedas na população
idosa.
Objetivos: Identificar a habilidade discriminativa de
quedas de parâmetros cinemáticos da marcha em
idosos viventes na comunidade.
Métodos: Participaram do estudo 23 idosos viventes
na comunidade que foram separados em dois grupos
de acordo com o relato de queda nos 12 meses
pregressos ao estudo: grupo caidor (n = 8) e grupo
não caidor (n = 15). O projeto foi aceito em Comitê
de Ética local (processo número: 011580/2015)
A coleta de dados foi realizada em uma única visita
ao ambiente de coleta. Foram realizados, na
sequencia, os procedimentos: caracterização dos
sujeitos (idade, mensuração das variáveis
antropométricas e histórico de quedas), avaliação da
mobilidade pela Short Physical Performance Battery
(SPPB) e avaliação cinemática da marcha.
A avaliação da marcha foi realizada em,
aproximadamente, cinco tentativas de caminhada em
velocidade de preferencia em uma passarela de 14
metros. Os dados cinemáticos foram coletados nos 10
metros centrais da passarela, com o uso de sensores
footswitches posicionado no calcâneo e no primeiro
metatarso, cujo os sinais foram captados por um
módulo de aquisição de sinais biológicos, ajustado
em uma frequência de amostragem de 1000 Hz).
Para análise dos dados foram consideradas 40
passadas para o cálculo das variáveis: tempo e
variabilidade dos tempos de apoio, balanço, passada
e duplo apoio; comprimento de passada e velocidade
da marcha.
Para a análise foi utilizado o pacote estatístico PASW
18.0 (SPSS inc.) no qual a habilidade discriminativa
dos dados foi testada pelo método de análise
discriminativa por stepwise. Por meio deste teste
também foi feita a comparação entre os grupos por
meio da análise de variância (ANOVA), a
determinação da função discriminante pelo
coeficiente canônico e a determinação da
sensibilidade e especificidade das variáveis
discriminativas.
Resultados: As variáveis discriminativas de quedas
em idosos foram: a velocidade de marcha e o
comprimento da passada (p = 0,022 e p = 0,03,
respectivamente; Tabela 1).
A velocidade de marcha e o comprimento da passada
apresentaram sensibilidade de 50 e especificidade de
86,6% para discriminar caidores e não caidores.
Discussão: De acordo com nossos achados a
velocidade de marcha e o comprimento de passada
são as duas variáveis cinemáticas da marcha capazes
de discriminar idosos caidores e não caidores.
A velocidade de marcha é um parâmetro amplamente
descrito como importante variável relacionada a
capacidade funcional e índice para risco de
morbidades e mortalidade em idosos3. A marcha é um
gesto motor complexo que envolve a execução de
diversos movimentos de membros superiores,
inferiores e tronco, bem como, para um bom
desempenho nessa tarefa o indivíduo deve ter
preservadas capacidades físicas como força,
equilíbrio e condicionamento aeróbio.
Nesse sentido, sabe-se que quanto mais lentamente
um idosos caminha maior a instabilidade no centro de
massa e, consequentemente, maior o risco de quedas4.
P á g i n a | 205
Além disso, diversos estudos demonstraram que
idosos com caidores apresentam menor comprimento
de passada em relação aos não caidores, o que pode
estar relacionado a inabilidade de gerar força
suficiente para acelerar o centro de massa para frente,
na execução do próximo passo, ou um ajuste
compensatório em decorrência de déficit de
equilíbrio. Nesse sentido, nos achados vão de acordo
com a literatura pregressa ao demonstrar que o
comprimento de passada pode ser uma variável
discriminativa de idosos caidores e não caidores.
Considerando o n amostral do presente estudo vale
ressaltar que a investigação de parâmetros
discriminativos devem abordar maiores populações.
Além disso, sugerimos que futuros estudos
investiguem a habilidade preditiva desses parâmetros
afim de auxiliar no norteamento de estratégias mais
efetivas para prevenção de quedas na população
idosa.
Tabela 1: Comparação dos parâmetros cinemáticos da marcha entre idosos caidores e não caidores.
Variável
Velocidade de marcha (m.s-1)
Tempo de apoio (s)
Tempo de balanço (s)
Tempo de passada (s)
Tempo de duplo apoio (s)
Comprimento de passada (m)
Variabilidade do tempo de apoio (s)
Variabilidade do tempo de balanço (s)
Variabilidade do tempo de passada (s)
Variabilidade do tempo de duplo apoio (s)
Caidores
0,92 ± 0,09
0,63 ± 0,07
0,5 ± 0,04
1,14 ± 0,09
0,11 ± 0,01
1,02 ± 0,09
0,08 ± 0,01
0,2 ± 0,04
0,21 ± 0,04
0,02 ± 0,01
Não Caidores
1,06 ± 0,14
0,59 ± 0,09
0,51 ± 0,07
1,1 ± 0,09
0,11 ± 0,03
1,13 ± 0,11
0,09 ± 0,01
0,19 ± 0,06
0,19 ± 0,06
0,02 ± 0,01
p
0,022*
0,327
0,893
0,429
0,914
0,03*
0,408
0,617
0,471
0,455
* p < 0,05
Conclusões: De acordo com os nossos achados o
parâmetros cinemáticos da marcha: velocidade da
marcha e o comprimento da passada podem
discriminar idosos caidores e não caidores.
Referências
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5. Amboni M. Mov Disord 2013; 28 (11):1520-33.
Fontes financiadoras: FAPESP (processo número:
2014/07227-3) Edital Universal CNPq/2014
(processo número: 441419/2014-3).
Fonte dos dados: Os resultados apresentados são
parte integrante de um auxílio regular da FAPESP e
um projeto financiado pelo edital universal CNPq
intitulado: “Identificação da capacidade de predição
de quedas em idosos por meio de um limiar baseado
na variabilidade do tempo de apoio da marcha”.
P á g i n a | 206
CMH.145. COMPARAÇÃO DA ATIVAÇÃO MUSCULAR DE TRONCO ENTRE
INDIVÍDUOS COM E SEM LESÃO MEDULAR
Paola Errera Magnani1; Alberto Cliquet Jr.2; Daniela Cristina Carvalho de Abreu1
1
Departamento de Biomecânica, Medicina e Reabilitação do Aparelho Locomotor – Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto –
USP; 2 Departamento de Biomecânica e Reabilitação do Aparelho Locomotor, Faculdade de Ciências Médicas, UNICAMP ,
Campinas-SP
Introdução: Após uma lesão medular o indivíduo
precisa se adaptar a diversas mudanças no seu
cotidiano e as novas condições de vida, sendo um
ponto importante à sua adequação corporal e
funcional1. Controle postural é fundamental para a
realização de atividades diárias, e assim promover a
independência funcional 2. Indivíduos com lesão
medular apresentam diminuição do controle de
tronco e um equilíbrio prejudicado na posição
sentada, o que afeta muito a realização das tarefas do
dia a dia3
Objetivos: O objetivo do estudo foi comparar a
ativação muscular de tronco durante a atividade de
alcance anterior entre indivíduos com e sem lesão
medular.
Métodos: O grupo controle (C), sem lesão medular,
foi constituído por 10 indivíduos, já o grupo com
lesão medular (LM), foi constituído por 20
indivíduos com lesão torácica completa. Foram
obtidas medidas antropométricas para ambos os
grupos, além disso, para o grupo LM foi realizado o
exame neurológico para identificação do nível e tipo
de lesão, utilizando o protocolo da ASIA (American
Spinal Injury Association). Para a tarefa de alcance e
preensão, o participante foi instruído a trazer o
objeto que estava localizado anteriormente até o
colo, utilizando as duas mãos. Esse objeto foi
colocado a uma distância de 75% da distância do
alcance máximo para frente. Foi avaliada a ativação
muscular concomitante essa tarefa por meio da
eletromiografia de superfície dos músculos
longuíssimo do dorso e iliocostal, bilateralmente.
O estudo foi aprovado pelo Comitê de ética em
Pesquisa do Hospital de Clínicas da FMRP-USP
(12515/2013)
Resultados: Análise estatística foi realizada pelos
testes t de student para as comparações das medidas
antropométricas. Para comparação das médias de
ativação eletromiográfica foram utilizados ANOVA
oneway e testes post hoc com ajustes de Bonferroni.
Foram consideradas as séries temporais formadas
pelos valores representativos do sinal EMG obtidos
a cada 5% do tempo. O nível de significância para
rejeição da hipótese de nulidade foi de 5% (p<0.05),
com resultados expressos em média e desvio padrão.
Os grupos foram homogêneos com relação aos
dados antropométricos (Tabela 1)
Tabela 3. Valores em média ± DP referentes a caracterização dos
voluntários.
LMS
C
p-valor
Idade (anos)
36 (±8,55)
33,4 (±9,1)
0,24
Peso (kg)
74,9 (±13,6)
77,5 (±8,8)
0,45
Altura (cm)
175,7 (±7,8)
174,6 (±5,0)
0,55
IMC (kg/m2)
24,3 (±3,7)
25,4 (±2,9)
0,15
Tempo de lesão (anos)
11,2 (±8,4)
-
0,40
T3A – T10A
-
-
Nível de lesão
* p < 0,05; IMC (Índice de Massa Corporal): dado pelo peso/altura²;
LM: Grupo Lesado Medular; C: Grupo Controle
De acordo com a comparação das médias de
ativação muscular de tronco durante a tarefa de
alcance anterior à 75% do alcance máximo, pode-se
observar uma maior ativação muscular dos músculos
longuíssimo do dorso bilateralmente no grupo
controle e dos músculos iliocostais bilateralmente no
grupo com lesão medular (figura 2)
Tabela 4. Médias da Ativação Eletromiográfica dos músculos longuíssimo
do dorso, iliocostal, bilateralmente, durante a atividade de alcance
anterior a 75 % do alcance máximo
LMS
C
Músculos
µV (±dp)
µV (±dp)
LDD (µV)
6,786 (± 4,43)
14,120 (± 7,221)*
LDE (µV)
6,361 (± 3,74)
15,556 (±6,841)*
ICD (µV)
9,559(± 9,21)*
4,409 (±2,060)
ICE (µV)
11,164 (± 10,58)*
5,314 (±2,923)
* = p < 0,005 ;
LM: Grupo Lesado Medular; C: Grupo Controle
LDD e LDE; longuíssimo do dorso direito e esquerdo, ICD e ICE iliocostal
direito e esquerdo.
Discussão:
O teste de alcance funcional anterior sentado4, é uma
avaliação clínica de controle postural que realiza a
medida da distância do alcance máximo. Esse teste é
uma avaliação confiável e também pode ser usado
para avaliar indivíduos com lesão medular5.
Em nosso estudo todos os indivíduos com lesão
medular apresentavam lesão completa em nível
P á g i n a | 207
torácico. Nos pacientes com lesão medular, como
existe a perda de ativação muscular abaixo do nível
de lesão, ocorre o uso de novos padrões de ativação
muscular, utilizando músculos intactos, para se
adaptar, além de manter o controle e a estabilidade
postural necessários para a realização de atividades
necessárias do dia a dia 6.
Um estudo de caso com um indivíduo que
apresentava lesão completa no nível de T3
demonstrou a ativação de músculos do tronco abaixo
da lesão, durante tarefas como flexão, extensão e
inclinação na cadeira de rodas com perturbações
externas. Esse sujeito foi capaz de ativar todos os
músculos analisados e só diferenciou do indivíduo
sem lesão no tempo e no padrão de ativação
muscular7.
Semelhante a esse, foram os resultados encontrados
no presente estudo, pois os músculos abaixo da lesão
foram ativados, mas o padrão de ativação foi
diferente do grupo controle.
Conclusões: A ativação muscular de tronco durante
a atividade de alcance anterior foi diferente entre
indivíduos com e sem lesão medular, já que ocorreu
uma maior média de ativação eletromiográfica dos
músculos longuíssimo do dorso bilateral para o
grupo controle e dos músculos iliocostais bilaterais
para o grupo com lesão.
Estudos futuros com um número amostral maior de
indivíduos que sofreram lesão medular e com maior
número de músculos avaliados são necessários para
identificar as estratégias motoras para realizar
atividades funcionais e assim auxiliar na elaboração
de treinamento específico para esses músculos afim
de melhorar o controle postural, a qualidade de
movimento e funcionalidade dessas pessoas.
Referências
1. Dean C, Shepherd R, Adams R. Sitting balance I:
trunk-arm coordination and the contribution of the
lower limbs during self-paced reaching in sitting.
Gait Posture 1999; 10(2): 135-46.
2. Minkel JL. Seating and mobility considerations
for people with spinal cord injury. Phys Ther 2000;
80(7): 701-9.
3. Janssen-Potten YJ, Seelen HA, Drukker J, Huson
T, Drost MR. The effect of seat tilting on pelvic
position, balance control, and compensatory postural
muscle use in paraplegic subjects. Arch Phys Med
Rehabil 2001; 82(10): 1393-402.
4. Duncan PW, Weiner DK, Chandler J, Studenski
S. Functional reach: a new clinical measure of
balance. Journal of gerontology 1990; 45(6): M1927.
5. Medola FO, Castello GLM, Freitas LNF, Busto
RM. Avaliação do Alcance Funcional de Indivíduos
com Lesão Medular Espinhal Usuários de Cadeiras
de Rodas. Revista Movimenta 2009; vol. 2(n.1).
6. Seelen HA, Potten YJ, Huson A, Spaans F,
Reulen JP. Impaired balance control in paraplegic
subjects. J Electromyogr Kinesiol 1997; 7(2): 14960.
7. Bjerkefors A, Carpenter MG, Cresswell AG,
Thorstensson A. Trunk muscle activation in a person
with clinically complete thoracic spinal cord injury.
J Rehabil Med 2009; 41(5): 390-2.
Fontes financiadoras: Fundação de Amparo à
Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP–
2013/15547-5).
Fonte dos dados: Esses dados são parte do da
Dissertação de Mestrado intitulada: Comparação do
desempenho funcional e padrão de ativação
muscular de tronco entre indivíduos paraplégicos
fisicamente ativos e sedentários. O trabalho foi
desenvolvido junto ao Programa de Pós-Graduação
em Reabilitação e Desempenho Funcional, FMRPUS.
P á g i n a | 208
CMH.146. IMPORTÂNCIA DA INFORMAÇÃO AUDITIVA PARA A
IDENTIFICAÇÃO DO EFEITO DA BOLA NO TÊNIS DE MESA: COMPARAÇÃO
ENTRE HOMENS E MULHERES
Roberto Negri Barbosa1; Daniel Peterossi Rodrigues Santos1; Luiz Henrique Palucci2; Matheus Machado
Gomes1
1
Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto (EEFERP-USP)
2
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP)
foram registrados em ambiente de laboratório
utilizando gravadores de áudio profissionais (Roland
R-26). As imagens analisadas das rotações da bola
foram capturadas em 420hz por duas câmeras CASIO
(exFH25). A partir disso foi realizada a análise
cinemática por meio do programa DVIDEOW para
identificar velocidade e efeito da bola (metade da bola
foi pintada para visualização das rotações). Foram
utilizados quatro sons do golpe “Forehand”. Os sons
utilizados no teste foram definidos como: Muito
Efeito (bola girando para frente a 140,05 Hz); Médio
efeito (105,04 Hz); Pouco efeito (84 Hz); Batida
Chapada (menos que 60 Hz). Primeiramente os
voluntários ouviram 20 sons contendo os diferentes
tipos de efeito para familiarização. Em seguida, cinco
sons de cada tipo de efeito foram introduzidos
randomicamente em uma sequência de 20 sons e após
ouvir cada som, o participante assinalou a magnitude
de efeito percebida. A transmissão do som foi gerada
por um notebook (Acer-Aspire) e ouvidos por fones
de ouvido externos (Beats Dr.Dre) com volume de 55
dB. O número de acertos para cada tipo de efeito foi
utilizado para análise. Foi realizada analise de
variância (ANOVA) tendo como variável
independente o sexo dos participantes, e dependente
o número de acertos.
Resultados: De forma geral, os mesatenistas
identificaram o efeito em 50% das tentativas.
ANOVA não indicou diferença para sexo [F(1,33)=
0,032, p>0,05]. Homens e mulheres apresentaram
percepção auditiva do efeito da bola similar (Figura
1).
16
14
12
10
8
6
4
2
0
Homens
Mulheres
n° Acertos
Introdução: O tênis de mesa é uma modalidade
esportiva que exige velocidade na produção de
respostas motoras. Durante uma partida, a bola pode
atingir velocidades de 160 Km/h com efeitos em que
a bola gira com frequência superior a 150 Hz(1). Além
de ser extremamente rápido, este esporte é
considerado complexo devido às diversas
possibilidades de jogadas, combinando velocidade,
direção e rotação. Por estas razões, identificar com
velocidade e precisão a trajetória e efeitos da bola é
fundamental para o bom desempenho neste esporte.
O tempo entre perceber e responder um estímulo
auditivo parece ser menor comparado aos estímulos
visuais. Um estudo avaliou o tempo de reação simples
em situações com estímulos visuais e auditivos,
constatando que respostas para o estímulo auditivo
foram 47 ms mais rápidas(2). Isto sugere que a
percepção auditiva poderia ser utilizada pelos
mesatenistas para produzir respostas mais rápidas.
Esta modalidade tornou-se popular entre ambos os
sexos, que mostram diferentes performances em
atividades que exigem habilidades distintas. Homens
apresentam melhor desempenho em tarefas que
exigem habilidades espaciais e força, já as mulheres
se saem melhor em tarefas que necessitam velocidade
perceptual, precisão e coordenação motora fina(3).
Baseando-se nestas informações, surgem as seguintes
questões: a) seria possível identificar o efeito da bola
a partir do som produzido pelo contato entre bola e
raquete? b) mulheres seriam mais hábeis para
identificar o efeito da bola a partir da informação
auditiva?
Objetivos: Avaliar a capacidade de homens e
mulheres em identificar a magnitude de efeito da bola
a partir da informação auditiva no tênis de mesa.
Métodos: Participaram do estudo 26 mesatenistas
sendo 13 homens média de 19,9 (±2,7) anos e 13
mulheres média de 20,2 (±3,1) anos. O Trabalho foi
aprovado
pelo
Comitê
de
Ética
(n°42486315.4.0000.5659). Os voluntários deveriam
praticar tênis de mesa há pelo menos dois anos
ininterruptamente. A avaliação consistiu em
identificar a magnitude do efeito da bola a partir do
som do contato da bola com a raquete. Estes sons
Muito
Médio
Pouco Chapada
Efeito
Total
P á g i n a | 209
Figura 1. Médias e desvios padrão do número de
acertos total e nas quatro intensidades de efeito para
homens e mulheres.
Discussão: Em metade das tentativas os mesatenistas
acertaram a magnitude do efeito, sugerindo que é
possível identificar o efeito da bola pelo som. Os
resultados não apontaram diferença entre homens e
mulheres para percepção auditiva do efeito da bola,
indicando que o sexo não é um fator que influencia
na identificação destes sons. Antunes e Gouveia
Junior(3), encontraram resultados semelhantes
avaliando o desempenho de ambos os sexos na tarefa
de identificar sons harmônicos. Como nós, os autores
não constataram diferenças no desempenho da
percepção auditiva entre os sexos. Estudos
relacionados ao sistema auditivo de homens e
mulheres são considerados escassos(4), e achar
explicações para a similaridade do desempenho entre
os sexos não é simples, pois diferenças entre homens
e mulheres em testes de processamento auditivo
dependem da natureza da tarefa(5), e a tarefa solicitada
neste estudo ainda foi pouco explorada em outras
pesquisas.
Conclusões: Os resultados apontaram que é possível
identificar o efeito da bola a partir da informação
auditiva, entretanto, não foi encontrada diferença
entre os grupos na percepção destes sons, sugerindo
que o sexo não é fator de diferenciação no
desempenho desta tarefa.
Referências: 1.Qun WH, Zhifeng Q, Shaofa X,
Enting X. Experimental research in table tennis spin.
International Journal of table tennis Sciences.
1992;1:73-8.
2.Shelton J, Kumar GP. Comparison between
auditory and visual simple reaction times.
Neuroscience and Medicine. 2010;1(1): 30-2.
3.Antunes DC, Gouveia Júnior A. Questões acerca da
percepção sonora de harmônicos: a função das
variáveis sexo e aprendizagem. Estudos de Psicologia
2009;26(1) 57-64
4.Silva JA, Bezerra PC, Gadelha MJN, Andrade
MJO, Andrade LMMS, Alves NT, et al. Mulheres e
homens: Diferentes também na percepção das notas
musicais?
Psicologia:
Teoria
e
Pesquisa.
2014;30(1):83-7.
5.Queiroz DS, Momensohn-Santos TM. Diferenças
funcionais entre o córtex auditivo primário de
homens e mulheres. Distúrbios da Comunicação.
2009;21(1).
Fonte de dados: Esses dados são de um trabalho
original. O trabalho foi desenvolvido junto ao
Programa de Pós-Graduação em Educação Física,
EEFERP-USP.
P á g i n a | 210
CMH.147. INFLUÊNCIA DA ESCOLIOSE IDIOPÁTICA SEVERA NO SISTEMA
ESTOMATOGNÁTICO, COLUNA VERTEBRAL E FORÇA RESPIRATÓRIA
Saulo Fabrin1, Edson Donizetti Verri1,2, Eloisa Maria Gatti Regueiro2,3, Evandro Marianetti Fioco1,2, Danilo
Stefani Esposto1, Marcelo Palinkas1, Nayara Soares1, Bárbara de Lima Lucas1, Oswaldo Stamato Taube1,3,
Simone Cecilio Hallak Regalo1
1
Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto – Universidade de São Paulo; 2CLARETIANO – Centro
Universitário; 3UNIFAFIBE – Centro Universitário
Introdução: A escoliose pode ser definida como
uma deformidade tridimensional da coluna, com
desvio das curvaturas fisiológicas no plano sagital
e frontal, normalmente associada à rotação
vertebral no plano transversal (Kapandji, 2001).
Essa afecção conduz ao desequilíbrio de força e
comprimento musculares no tronco, apresentando
a musculatura do lado côncavo retraída e músculos
mais alongados no lado convexo da curvatura,
caracterizando um problema de assimetria
muscular (Kisner et al., 1998).
Objetivo: Avaliar a influência da escoliose
idiopática severa no sistema estomatognático,
coluna vertebral e força respiratória.
Métodos: A amostra foi constituída por 20
participantes do gênero feminino, com idade entre
18 a 30 anos (média 23,80 ± 2,94 anos), dividida
em dois grupos: Grupo Escoliose (GE), 10
participantes que apresentaram quadro de escoliose
idiopática severa e Grupo Controle (GC), 10
participantes saudáveis. O estudo foi aprovado pelo
CEP do Claretiano Centro Universitário (CAAE
22230313.1.0000.5381). Os participantes foram
submetidos
as
avaliações
da
atividade
eletromiográfica dos músculos masseteres e
temporais, realizadas durante o repouso
mandibular (4s); apertamento dental em contração
voluntária máxima (4s); protrusão (10s),
mastigação habitual de amendoins (20s),
mastigação habitual de uvas-passas (20s). Na
coluna
vertebral
os
músculos
esternocleidomastóideo, longo do tórax, íleo costal
e
multífidos
foram
analisados
eletromiograficamente com provas de função
muscular nas condições clínicas de flexão cervical
em neutro, flexão cervical com rotação à direita,
flexão cervical com rotação à esquerda, repouso e
extensão da coluna vertebral, todos por (10s). Com
intuido de aferir a força muscular respiratória
foram avaliadas a Pressão Inspiratória Máxima
(PImax) e Pressão Expiratória Máxima (PEmax)
por meio da manovacuometria. Os dados
eletromiográficos e de força muscular respiratória
foram tabulados e submetidos à análise estatística
(SPSS 21.0) utilizando o teste t de student para
amostras independentes.
Resultados: Foi encontrada diferença estatística
significante (p ≤ 0,05) entre o Grupo Escoliose e
Grupo Controle na condição de repouso
mandibular e apertamento em contração voluntária
máxima para o músculo temporal direito (GE),
mastigação habitual de uvas-passas e mastigação
habitual de amendoins para o músculo masseter
direito (GE), condição de flexão cervical em neutro
para o músculo esternocleidomastóideo direito
(GE), coluna lombar na condição de extensão dos
músculos multífidos esquerdo (GC), pressão
inspiratória e expiratória máxima (GC).
Discussão: Uma postura ativa na qual os músculos
responsáveis mantêm um equilíbrio estático
instável, influência em todo equilíbrio funcional ao
gerar movimentos em diferentes partes do corpo
(Arrelano, 2002).
Desta forma os maiores
potenciais de ação produzidos pelos músculos
masseter, temporal e esternocleidomastóideo
direito do GE em relação ao GC, são encontrados
no lado da convexidade da curva escoliótica,
gerando instabilidade no sistema estomatognático,
devido ao aumento da atividade mioelétrica
(Cheung et al., 2005). Analisando a coluna
vertebral foi possível observar que os indivíduos
com escoliose idiopática severa apresentam um
menor potencial de ação para os músculos
multífidos no lado da convexidade da curva
escoliótica, quando comparados o GE em relação
ao GC. A disfunção destes músculos pode produzir
alterações na posição da cabeça sobre o eixo axial
vertebral e, por fim, alterações no sistema
estomatognático, uma vez que estes músculos
possuem grande relevância devido a sua ação
estabilizadora no segmento vertebral, no entanto,
em estado de atrofia não realiza os ajustes
necessários para estabilizar as vértebras adjacentes
da coluna vertebral (Hides et al., 1996). As
P á g i n a | 211
alterações evidenciadas na atividade dos músculos
posturais e do sistema estomatognático, interferem
na dinâmica da caixa torácica, aonde qualquer
desvio na forma da coluna pode gerar alterações
funcionais prejudiciais, como a redução da
expansibilidade pulmonar, da capacidade vital e
força dos músculos respiratórios (Chu et al., 2006).
Conclusões: Conclui-se, portanto, que o lado da
convexidade da curva na escoliose idiopática
severa
produz
alterações
no
sistema
estomatognático proporcionando o aumento do
potencial de ação nos músculos masseter, temporal
e esternocleidomastóideo. A força dos músculos
inspiratórios e expiratórios está reduzida por
influência dos músculos multífidos, que
apresentam potencial de ação reduzido no lado da
convexidade da curva, permitindo desta forma que
a rotação dos corpos vertebrais produza
deformidades, influenciando na mecânica
respiratória.
Referências
1.
KAPANDJI AI. Fisiologia articular tronco
e coluna vertebral. Guanabara Koogan; 2001.
2.
KISNER C et al. Exercícios Terapêuticos.
Fundamentos e Técnicas. São Paulo: Manole,
1998.
3.
Arellano JCV. Jornal Brasileiro de Oclusão,
ATM e Dor Orofacial. 2002;2(6):155-164.
4.
Cheung J, et al. Eur Spine J.
2005;14(2):130-137.
5.
Hides JA, et al. Spine. 1994; 19(2): 165172.
6.
Chu WCW, et al. Spine. 2006;
31(19):2243-2249.
Agradecimento: FAPESP (processo n.
2013/22199-3)
Fonte dos dados: Estes resultados apresentados
são decorrentes de uma pesquisa original do
Departamento de Morfologia, Fisiologia e
Patologia Básica da FORP-USP e fazem parte do
conteúdo do Projeto de Iniciação Científica
intitulado: “Interferências da Escoliose Idiopática
Severa
nos
Sistemas
Respiratório
e
Estomatognático.
P á g i n a | 212
CMH.148. COMPARAÇÃO DE ESCORE DE EQUILÍBRIO ENTRE OS SEXOS DE
CRIANÇAS COM 8 A 12 ANOS
Thiele de Cássia Libardoni1; Carolina Buzzi2, Larissa Sinhorim2, Gilmar Moraes Santos2
1
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo – USP
2
Universidade do estado de Santa Catarina – UDESC
Introdução: O desenvolvimento do equilíbrio em
crianças típicas ocorre em uma progressão, com
base no desenvolvimento dos sistemas
responsáveis pelo controle do equilíbrio, sendo o
sistema visual, vestibular e somatossensoria1. O
sistema somatossensorial amadurece primeiro e o
vestibular depois. A fase da infância da criança
compreende a fase entre os 8 e 12 anos de idade, a
qual se caracteriza por uma aceleração no
crescimento e desenvolvimento dos indivíduos2.
No entanto, essas mudanças não ocorrem no
mesmo ritmo para ambos os sexos, o que pode
trazer diferenças no equilíbrio postural. Devido as
possíveis diferenças do equilíbrio entre os sexos
durante a infância sugere-se que as crianças do sexo
feminino e masculino apresentem controle do
equilíbrio distintos. Verificar a influencia da idade
e a diferença entre os sexos é importante pois esta
diferença pode ser primordial para a escolha da
reabilitação do equilíbrio.
Objetivos: O presente estudo tem como objetivo
comparar o escore de equilíbrio postural entre
crianças dos sexos masculino e feminino.
Métodos: Foram avaliados 165 crianças de 8 a 12
anos de idade de ambos os sexos. Os pais das
crianças assinaram o Termo de Consentimento e
Assentimento Livre e Esclarecido aprovado no
Comitê de Ética em Pesquisa (parecer UDESC
nº361.552). O escore de equilíbrio foi mensurado
através do Sensory Organization Test (SOT) por
meio do instrumento Smart Equitest (NeuroCom).
Este teste consiste em avaliar a estabilidade dos
sujeitos durante 6 diferentes condições, onde
ocorre a oscilação da plataforma de força e do
entorno visual, de acordo com a oscilação de cada
sujeito durante o teste (FIGURA 1). Para verificar
a diferença na média do escore de equilíbrio entre
os sexos masculino e feminino em cada idade, foi
aplicado teste t independente. O nível de
significância adotada foi de p≤0,05 e o software
utilizado foi SPSS 20.0.
Fig 1: Sensory organization test
NOTA: figura retirada do manual Sistemas Balance Manager® Instruções de Us
Resultados: A comparação do escore de equilíbrio
entre os sexos masculino e feminino, está
apresentada na tabela 2, demonstrando em quais
condições houve diferença significativa entre os
sexos, para as idades de 8 a 12 anos.
Discussão: Neste estudo não foi possível
Tabela 1: Comparação do escore de equilíbrio
(%) entre os gêneros
Idade
8
Cond
Feminino
Masculino
p
SOT4
75,2±1,8
76,8±1,7*
0,04
SOT3
85,8±2,9*
81,0±3,1
0,01
9
SOT4
48,9±2.2*
47,4±1,1
0,01
SOT1
91,6±0,6*
91,1±0,8
0,04
SOT4
88,9±2,1*
82,7±2,3
0,01
10
SOT5
60,0±2,4
62,7±1,8*
0,01
SOT6
51,9±1,6
55,9±3,3*
0,01
11
SOT5
73,3±1,9
77,3±2,5*
0,01
SOT2
89,7±0,5
89,4±0,6*
0,01
12
SOT5
76,1±2,4
77,6±1,7*
0,04
NOTA: SOT, teste de organização sensorial. SOT 1
plataforma e entorno visual fixos, SOT 2 fixo, com os olhos
fechados, SOT 3 olhos abertos, plataforma fixa e entorno
visual móvel, SOT 4 olhos abertos, plataforma móvel e
entorno visual fixo, SOT 5 olhos fechados, plataforma móvel
e entorno visual fixo, SOT 6 olhos abertos, plataforma e
entorno visual moveis *Diferença estatisticamente
significativa entre os gêneros (p≤0,05).
determinar claramente as diferenças entre os sexos
em cada idade e condição do SOT, com exceção da
P á g i n a | 213
idade de 10 anos. Na idade de 10 anos foi
observado diferença entre os sexos em 4 condições
do SOT. No entanto, esta também é inconclusiva,
uma vez que nas condições 1 e 4 do SOT, as
meninas apresentaram maior controle do equilíbrio
em comparação com os meninos, enquanto nas
condições do 5 e 6 do SOT, os meninos mostraram
melhor controle do equilíbrio. Os sujeitos do sexo
feminino apresentaram um maior escore de
equilíbrio sendo uma maior estabilidade até a idade
de 10 anos. Porem com o aumento da idade os
sujeitos do sexo masculino apresentaram melhor
resposta as oscilações da plataforma e do entorno
visual, demonstrando que com o aumento da idade
e nas condições de maior dificuldade eles
permaneceram mais estabilizados. Smith et al
(2012)3 e Riach Hayes (1987)4 também observaram
que meninos menores de 10 anos oscilaram mais do
que as meninas da mesma idade relatando que
possivelmente a maturação dos sistemas visual e
vestibular ocorre mais cedo nas meninas. Durante
o desenvolvimento, meninas e meninos com
mesma
idade
cronológica
apresentam
características muito diferentes por estarem em
estágios distintos de maturação5,6. Assim, a
maturação precoce, mas não completa das meninas
em relação aos meninos, poderia explicar a
inconsistência nos achados de diferença entre os
sexos. Porem esta variável não foi mensurada no
presente estudo, sendo essa uma limitação deste
estudo, Por este fato demonstra-se a importância
em mensuração o nível de maturação das crianças
do sexo masculino e feminino e correlacionar com
os valores de escore de equilíbrio, podendo assim
verificar se o nível de progesterona e testosterona
são fatores que são primordiais para quantificar a
diferença entre os sexos.
Conclusões: Concluiu-se que houve diferença
entre os sexos em algumas condições do SOT,
sugerem que as crianças do sexo feminino
apresentam melhor controle do equilíbrio até os 10
anos e a partir desta idade as crianças do sexo
masculino permanecem mais estáveis.
Referências:
1- Cumberworth VL et al. The Journal of
Laryngology & Otology. 2007; 121:449–54.
2Charpiot A et al. Audiol Neurootol. 2010;
15: 203-10.
3- Andrew W et al. Journal of Human Kinetics.
2012; 33: 25-32
4- Riach CL et al. Dev Med Child Neurol. 1987;
29: 650- 658
5- Rivas RC et al. Mov Percep. 2007;7:126-48.
6- Dorneles et al. Fisioter Pesq. 2013;20:210214
Fontes financiadoras: Conselho nacional de
pesquisa (CnPq). Processo: 479704/2013-9
Fonte dos dados: Esses dados são parte do
conteúdo da Dissertação de Mestrado intitulada:
Valores de referência de equilíbrio e força
muscular para crianças de 8 a 12 anos. O trabalho
foi desenvolvido junto ao Programa de PósGraduação em Fisioterapia, UDESC.
P á g i n a | 214
CMH.149. COMPARAÇÃO DO ALINHAMENTO DA CABEÇA ENTRE
DIFERENTES SEXOS E FAIXAS ETÁRIAS
Jaciara Borges da Silva1, Thiele de Cassia Libardoni2; Luciana Tormen3; Jonathan Luiz Paes3; Tuany
Pasquali1; Lisiane Piazza1,3; Gilmar Moraes Santos1
1 Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC; 2 Faculdade de medicina de Ribeirão Preto Universidade de São Paulo - USP; 3 Instituto de Ensino Superior da Grande Florianópolis - IES.
Introdução: A análise postural se baseia em
identificar desvios posturais sendo em muitos
casos, o primeiro estágio para o tratamento
fisioterapêutico1. Dentre os métodos de avaliação
quantitativos da postura destaca-se o Software para
Avaliação Postural (SAPO) e embora existam
estudos utilizando o SAPO para avaliação postural
da coluna cervical, a comparação do alinhamento
da cabeça nos planos anterior e lateral entre
diferentes faixas etárias e sexos ainda são escassos
na literatura2,3,4.
Objetivos: comparar o alinhamento da cabeça
entre o sexo feminino e masculino e entre
diferentes faixas etárias.
Métodos: Este estudo foi aprovado pelo Comitê de
Ética e Pesquisa em Seres Humanos da
Universidade Paulista sob parecer n° 1.063.870 de
2015. Participaram 116 sujeitos de ambos os sexos,
com 27,2 ±7,3 anos, 65,7 ± 11,3kg de massa
corporal e 167,7 ±8,0 cm de estatura. Foi avaliado
o alinhamento da cabeça através do SAPO, sendo
posicionados marcadores anatômicos nos tragos
direito e esquerdo, acrômio direito e sétima
vértebra cervical. As imagens foram adquiridas nas
vistas anterior e lateral, calibradas e digitalizadas
seguindo as recomendações do protocolo do
SAPO. Foram avaliados o alinhamento horizontal
da cabeça nas vistas anterior (AHC_A - ângulo
formado entre os dois tragos e a horizontal) e lateral
direita (AHC_D - ângulo formado entre o trago, a
C7 a e horizontal) e o alinhamento vertical da
cabeça na vista lateral direita (AVC_D - ângulo
formado entre o trago, o acrômio e a vertical). Os
dados foram analisados por meio da estatística
descritiva (média, desvio padrão e intervalo de
confiança de 95%) e inferencial (testes de
Kolmogorov-Smirnov, T indepedente e Anova One
Way).
Resultados: Na comparação entre os sexos foi
observada diferença significativa (p=0,02) no
alinhamento vertical da cabeça na vista lateral, com
o sexo masculino apresentando maiores valores
angulares (13,8±8,0°) em comparação ao feminino
(10,4±7,7°), indicando maior anteriorização da
cabeça no sexo masculino. (Tabela 1). Não foram
observadas diferenças significativas nos valores
angulares entre diferentes faixas etárias (18-29
anos; 30-39 anos; 40-50 anos) (Tabela 2).
Discussão: Os valores angulares encontrados
concordaram com estudos prévios5,6. Discordando
dos achados do presente estudo, Sally et al.7 ao
comparar o alinhamento da cabeça entre gêneros e
faixas etárias, observaram maior anteriorização da
cabeça nos sujeitos com maior faixa etária e não
observaram diferenças entre os sexos masculino e
feminino. Foi considerada uma limitação do
presente estudo a disparidade no número de
participantes em cada grupo.
Conclusões: Os resultados do presente estudo, nas
condições utilizadas, sugerem que os sujeitos do
sexo masculino apresentam maior anteriorização
da cabeça em relação ao sexo feminino. Porém, não
existem diferenças no alinhamento da cabeça nas
vistas anterior e lateral entre diferentes faixas
etárias.
Referências:
1 Iunes DH et al. Rev. Bras. Fisioter.
2009;13(4):308-15.
2 Corrêa ECR et al. Journal of Pediatric
Otorhinolaryngology. 2007;71(10):1527-35.
3 Sanchez HM et al. Fisioterapia em Movimento.
2008;21(2):11-20.
4 Lima LCO. J Appl Oral Sci. 2004;12(3):232-7.
5 Ferreira EAG. Postura e controle postural:
desenvolvimento e aplicação de método
quantitativo de avaliação postural [Tese]. São
Paulo: Faculdade de Medicina da Universidade de
São Paulo; 2005.
P á g i n a | 215
6 Krawczky B et al. Journal Of Manipulative
And
Physiological
Therapeutics.
2014;37(4):269-75.
7 Sally R et al. Arch Phys Med Rehabil.
1997;78:1215-23.
Fonte dos dados: Esses dados são parte do
conteúdo do Trabalho de Conclusão de Curso
intitulado: “Comparação do alinhamento da cabeça
entre diferentes sexos e faixas etárias” do Curso de
Fisioterapia da Universidade do Estado de Santa
Catarina.
Fontes financiadoras: nenhuma
Tabela 1 – Média, desvio padrão e intervalo de confiança
MASC
(n=37)
FEM
(n=79)
AHC_A
AHC_L
AVC_L
MD ± DP
1,9±1,9°
49,6±4,9°
13,8±8,0°
IC 95%
1,2 – 2,5°
47,9 – 51,2°
11,2 – 16,5°
MD ± DP
2,1±1,6°
49,2±5,1°
10,4±7,7°
IC 95%
p
1,7 – 2,8°
0,51
47,2 – 50,5°
0,67
7,9 – 12,4°
0,02*
*Diferença estatisticamente significativa; AHC_A – alinhamento horizontal da cabeça vista anterior; AHC_L– alinhamento
horizontal da cabeça vista lateral; AVC_L – alinhamento vertical da cabeça vista lateral.
Tabela 2 – Média, desvio padrão e intervalo de confiança de 95% do alinhamento da cabeça nas vistas anterior
e lateral em diferentes faixas etárias.
AHC_A
AHC_L
AVC_L
MD ± DP
1,9±1,6°
49,3±5,4°
12,5±7,7°
IC 95%
1,6 – 2,3°
48,1 – 50,5°
10,7 – 14,2°
MD ± DP
2,6±2,2°
49,3±4,3°
10,3±8,1°
(n=25)
IC 95%
1,7 – 3,6°
47,5 – 50,2°
6,9 – 13,3°
40-50 anos
MD ± DP
1,7±0,9°
50,8±2,7°
11,5±9,2°
(n=10)
IC 95%
1,0 – 2,4°
48,8 – 52,8°
4,9 – 18,1°
p
0,18
0,64
0,48
18-29 anos
(n=75)
30-39 anos
AHC_A – alinhamento horizontal da cabeça vista anterior; AHC_L– alinhamento horizontal da cabeça vista lateral; AVC_L –
alinhamento vertical da cabeça vista lateral.
P á g i n a | 216
CMH.150. VALORES DE REFERÊNCIA PARA O ALINHAMENTO DA CABEÇA
EM ADULTOS SAUDÁVEIS: DADOS PRELIMINARES
Jaciara Borges da Silva1, Thiele de Cassia Libardoni2; Luciana Tormen3; Jonathan Luiz Paes3; Tuany
Pasquali1; Lisiane Piazza1,3; Gilmar Moraes Santos1
1 Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC; 2 Faculdade de medicina de Ribeirão Preto Universidade de São Paulo - USP; 3 Instituto de Ensino Superior da Grande Florianópolis - IES.
Introdução: A avaliação da postura é o primeiro
passo para qualquer tratamento fisioterapêutico1 e
obter medidas quantitativas, objetivas e confiáveis é
necessário para uma boa avaliação2. Sendo assim, a
padronização e validação de métodos de avaliação e
a determinação de valores de referências são
necessários para avaliações mais precisas e
sistemáticas3. Dentre os métodos de avaliação
quantittaiva da postura destaca-se o Software para
Avaliação Postural (SAPO), sendo que ainda não há
consenso sobre os valores de referência para o
posicionamento da cabeça nas avaliações realizadas
pelo SAPO, principalmente no plano sagital, sendo
que a definição destes valores poderia ajudar a
verificar o impacto de alguns tipos de terapias4,5,
assim como servir de referência para interpretação
dos resultados obtidos em outros estudos científicos
bem como na avaliação da postura cervical realizada
em ambiente clínico.
Objetivo: Propor valores de referência para o
posicionamento da cabeça nas vistas anterior e lateral
em adultos saudáveis.
Métodos: Este estudo foi aprovado pelo Comitê de
Ética e Pesquisa em Seres Humanos da Universidade
Paulista sob parecer n° 1.063.870 de 2015.
Participaram 85 sujeitos de ambos os sexos, com
23,5±3,3 anos, 64,1±11,1kg de massa corporal e
166,8±7,8cm de estatura. Para avaliação do
alinhamento da cabeça foram posicionados
marcadores anatômicos nos tragos direito e esquerdo,
acrômios direito e esquerdo e sétima vértebra
cervical. Foram adquiridas imagens nos planos
forntal e sagital, seguindo as recomedações do
protocolo do SAPO. As imagens foram calibradas e
digitalizadas de acordo com o protocolo do software.
Foram avaliados o alinhamento horizontal da cabeça
nas vistas anterior (AHC_A - ângulo formado entre
os dois tragos e a horizontal) e lateral direita e
esquerda (AHC_D e AHC_E - ângulo formado entre
o trago, a C7 a e horizontal) e o alinhamento vertical
da cabeça nas vistas lateral direita e esquerda
(AVC_D e AVC_E - ângulo formado entre o trago, o
acrômio e a vertical). Os dados foram analisados por
meio da estatística descritiva (média, desvio padrão e
intervalo de confiança de 95%).
Resultados: A tabela 1 apresenta a média, desvio
padrão e intervalo de confiança de 95% dos valores
referentes ao alinhamento da cabeça nas vistas
anterior e lateral na avaliação postural utilizando o
SAPO.
Discussão: No plano frontal, os dados observados
sugerem que a simetria não é padrão predominante.
Em relação ao alinhamento horizontal da cabeça na
vista anterior, os valores encontrados indicaram uma
leve inclinação lateral da cabeça, corroborando com
outros estudos que analisaram esse ângulo 6,4. Em
relação ao alinhamento vertical da cabeça os valores
encontrados sugeriram uma leve anteriorização da
cabeça. Já para o alinhamento horizontal da cabeça
na vista lateral, ao comparar o presente estudo com
outros, verifica-se que os dados encontrados são
semelhantes com os valores angulares médios7,8.
Uma limitação deste estudo foi o número de
indivíduos avaliados. Conclusão – Os resultados
obtidos no presente estudo adicionados ao exposto na
literatura possibilitam apenas sugerir valores de
referência iniciais para o alinhamento horizontal e
vertical da cabeça nas vistas anterior e lateral
utilizando o SAPO. Contudo, a amostra ainda é
pequena e os dados encontrados até o momento não
podem ser generalizados para a população.
Recomenda-se que este estudo seja continuado para
que se consiga a quantidade necessária de indivíduos
que representem estatisticamente a população
estudada.
Referências
1 Yaikwawongs N et al. J Med Assoc Thai.
2009;92(4):517-22.
2 Ferrario VF et al. J Orthop Surg Res.
2002;20(1):122-9.
3 Fedorak C et al. Spine. 2003;28(16):1857-9.
4 Ferreira LP et al. 2011;23(1):43-9.
P á g i n a | 217
5 Moraes G et al. Fisioter Mov. 2010;23(4):565-74.
6 Ferreira EAG. Postura e controle postural:
desenvolvimento e aplicação de método quantitativo
de avaliação postural [Tese]. São Paulo: Faculdade de
Medicina da Universidade de São Paulo; 2005.
7 Moraes G et al. Fisioter Mov. 2010;23(4):565-74.
8 Ferreira EAG et al. Clinics. 2010;65(7):675-81.
Fontes financiadoras: nenhuma.
Fonte dos dados: Esses dados são parte do conteúdo
do Trabalho de Conclusão de Curso intitulado:
“Comparação do alinhamento da cabeça entre
diferentes sexos e faixas etárias” do Curso de
Fisioterapia da Universidade do Estado de Santa
Catarina.
Tabela 1 – Média, desvio padrão e intervalo de confiança de 95% do alinhamento da cabeça nas vistas
anterior e lateral direita e esquerda.
AHC_A (n=85) AHC_D (n=85) AVC_D (n=85) AHC_E (n=85) AVC_E (n=85)
MD ± DP
1,7 ± 1,4º
49,2 ± 4,9º
11,2 ± 6,4º
51,2 ± 4,7º
15,7 ± 6,1º
IC 95%
1,4 – 2,1º
48,1 – 50,3º
9,8 – 12,6º
50,2 – 52,2º
14,4 – 17,1º
AHC_A – alinhamento horizontal da cabeça vista anterior; AHC_D – alinhamento horizontal da cabeça vista lateral direita; AVC_D
– alinhamento vertical da cabeça vista lateral direita; AHC_E – alinhamento horizontal da cabeça vista lateral esquerda; AVC_E –
alinhamento vertical da cabeça vista lateral esquerda.
P á g i n a | 218
CMH.151. AJUSTES ESPAÇO-TEMPORAIS DURANTE A FASE DE
APROXIMAÇÃO PARA DESVIO DE UM OBSTÁCULO EM IDOSOS COM
DOENÇA DE PARKINSON
Tiago Penedo1; André Macari Baptista¹; Vinícius Alota Ignácio Pereira¹; Rodrigo Martin Oda¹; Carolina
Menezes Fiorelli²; Fábio Augusto Barbieri¹
¹UNESP – Universidade Estadual Paulista – Câmpus Bauru;² USC – Universidade do Sagrado Coração
Introdução: A doença de Parkinson (DP)
caracteriza-se pela morte ou disfunção dos neurônios
dopaminérgicos, que ocorre na substância negra dos
núcleos da base (TAKAKUSAKI et al., 2004).
Indivíduos acometidos pela DP têm o planejamento e
execução das ações motoras prejudicados, assim
como movimentos sequenciais, simultâneos e
repetitivos (SHUMWAY-COOK e WOOLLACOTT,
2003), principalmente em tarefas do andar com
desvio do obstáculo, considerada uma perturbação no
ambiente motivadora de quedas em idosos com DP
(GRIMBERGEM et al., 2004). Idosos iniciam ajustes
antecipatórios para desviar de um obstáculo durante
o andar por volta de 3 a 4 passos antes do obstáculo
(LAJOIE et al., 2005). Entretanto, pouco é conhecido
sobre os ajustes espaço-temporais realizados por
idososcom DP durante a fase de aproximação para o
desvio de um obstáculo.
Objetivo: Analisar as estratégias espaço-temporais
da fase de aproximaçãodo andar com desvio de
obstáculo em idososcom DP.
Métodos: Participaram do estudo 5 idosos com DP
(63,8±8,34anos; H&Y- estágio de 1-3; UPDRS22,2±6,97pts) que assinaram um termo de
consentimento aprovado pelo Comitê de ética local
(CAAE: 45435615.7.1001.5398). Cada participante
realizou 5 tentativas (randomizadas) em cada
situação experimental: andar sem obstáculo e andar
com desvio do obstáculo. Nas tentativas com
obstáculo, os participantes foram instruídos a desviar
do obstáculo para o lado preferido, evitando o
contato, e retornar na mesma linha reta que estava
antes do desvio. Em ambas as condições, os
participantes foram filmados por um sistema
tridimensional da Vicon Motion System® com 8
câmeras (Bonita System Cameras) e frequência de
coleta de 100Hz. Para o cálculo dos parâmetros
espaço-temporais do andar foram posicionados
marcadores em ambos os pés dos participantes (no
dorso do pé entre o segundo e terceiro metatarso e na
região posterior do calcâneo). Foram calculadas as
seguintes variáveis dos três últimos passos antes do
desvio do obstáculo: comprimento, largura, duração
e velocidade do passo, e duração da fase duplo
suporte (porcentagem da duração do passo). Para
responder ao questionamento do estudo foi realizada
ANOVAtwo-way com fator para tipo de andar e
passo, com medidas repetidas para ambos os fatores
(p<0,05).
Resultados: A análise estatística indicou efeito
principal para o tipo de andar, sendo que os idosos
com
DP
diminuíram
o
comprimento
(F1,24=16,34,p<0,001)
e
a
velocidade
(F1,24=6,16,p<0,02) do passo e aumentaram a largura
do passo (F1,24=13,66,p<0,001) durante a fase de
aproximação do obstáculo comparado ao andar sem
obstáculo. Ainda, houve efeito principal para passo,
sendo que no penúltimo passo antes de desviar do
obstáculo os indivíduos com DP diminuíram a largura
(F2,48=10,27,p<0,001) e aumentaram a duração do
passo (F2,48=5,92,p<0,01) em comparação aos outros
dois passos. Finalmente, a ANOVA indicou interação
entre tipo de andar e passo, indicando que a largura
do antepenúltimo (p<0,01) e do último passo
(p<0,001) é maior nas tentativas com desvio do
obstáculo do que durante o andar sem obstáculo.
Ainda, para o andar com desvio do obstáculo, o
penúltimo passo tem largura menor do que o
antepenúltimo (p<0,01) e último passo (p<0,004).
Discussão: Desviar do obstáculo exige ajustes
conservadores durante o andar em idosos com DP.
Andar com desvio de obstáculo exige maior demanda
atencional e perceptiva (LOWREY et al., 2007).
Como idosos com DP apresentam várias limitações
motoras advindas da doença (MORRIS et al., 2001) e
que afetam a locomoção (VITÓRIO et al., 2010),
ajustes locomotores são esperados quando a tarefa de
andar torna-se mais complexa. Apesar desta
estratégia diminuir a estabilidade postural durante o
andar, os idosos com DP aumentaram a largura do
passo, buscando equilíbrio no sentido médio-lateral
(HOF et al., 2005) para obter mais estabilidade e
segurança durante a tarefa.
Os ajustes motores no último passo antes do desvio
parecem ser importantes para a eficiência na tarefa
locomotora. Ajuste no último passo pode ser
P á g i n a | 219
arriscado devido ao pouco tempo que o idoso tem
para corrigir o andar caso o ajuste seja inadequado
(TRESILIAN, 2004). Entretanto, ajustar o último
passo antes de desviar do obstáculo indica um
aumento do espaço pessoal para evitar o contato com
o obstáculo (LAJOIE et al., 2005), que parece ser uma
estratégia segura durante a tarefa.
Apesar de resultados interessantes, nosso estudo
apresenta limitações como o tamanho da amostra e à
falta de um grupo controle para determinar se os
efeitos ocorreram devido a DP ou ao envelhecimento.
Conclusões: A partir dos resultados podemos
concluir que o andar com desvio de obstáculo causa
ajustes espaço-temporais conservadores de idosos
com DP. Ainda, o último passo antes do desvio do
obstáculo parece ser o passo mais importante para
garantir um desvio do obstáculo com segurança.
Referências
Grimberger YA et al. Curr Opin Neurol. 2004;
17(4):405-15.
doi:
10.1097/01.wco.0000137530.68867.93.
Hof AL et al. J Biomech. 2005; 38(1): 1-8. doi:
10.1016/j.jbiomech.2004.03.025.
Lajoie GM et al. Motor Control. 2005; 9(3): 242-69.
Lowrey CR et al. Gait & Posture. 2007; 25(4): 502-8.
doi: 10.1016/j.gaitpost.2006.05.012.
Morris ME et al. AdvNeurol.2001; 87: 347-361.
Shumway-Cook A et al.Controle motor: Teoria e
aplicações práticas. Manole. 2003.
Takakusaki K et al. Neurosci Res. 2004; 50(2): 13751. doi: 10.1016/j.neures.2004.06.015.
Tresilian JR. Exercise and sport sciences reviews.
2004; 32(4): 167-73. doi: 0091-6331/3204/167–173.
Vitório R et al. Gait & Posture. 2010; 31(1):143146. doi:10.1016/j.gaitpost.2009.09.011.
Fontes
financiadoras:
FAPESP
(processo
2014/20549-0) e PROPE (processo 76/2015).
Fonte dos dados: Esses dados são parte do conteúdo
do projeto regular aprovado pela FAPESP - Impacto
de ajustes motores e da informação visual no desviar
do obstáculo durante o andar em idosos com doença
de Parkinson – desenvolvido junto ao departamento
de Educação Física da UNESP – Câmpus Bauru.
P á g i n a | 220
CMH.152. ANÁLISE DO LIMIAR DE FADIGA ELETROMIOGRÁFICA DOS
MÚSCULOS MASTIGATÓRIOS EM INDIVÍDUOS COM OSTEOPOROSE
Veridiana Wanshi Arnoni1, Luiz Gustavo de Sousa1, Paulo Batista de Vasconcelos1, Bruno Ferreira2 , Marisa
Semprini1, Priscilla Hakime Scalize1, Oswaldo Luiz Stamato Taube1 , Barbara de Lima Lucas1, Simone
Cecilio Hallak Regalo1 , Selma Siéssere1
1
Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto – Universidade de São Paulo
2
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – Universidade de São Paulo
Introdução: A osteoporose é uma doença
esquelética crônica e progressiva, em que ocorre
uma perda de massa óssea, reduzindo a sua
resistência e predispondo o indivíduo a quadros de
fraturas, principalmente nas regiões do punho,
quadril, coluna vertebral, além de desenvolver
deformidades e incapacidade física. A osteoporose
também atinge os ossos da face, tais como a maxila
e a mandíbula sendo considerada um grave
problema de saúde pública1. É associada com o
envelhecimento e afeta milhões de pessoas pelo
mundo, principalmente mulheres de raça branca,
com idade superior aos 65 anos de idade2.
Objetivo: Este estudo avaliou o limiar de fadiga
eletromiográfica dos músculos mastigatórios em
indivíduos com osteoporose comparando-os em 3
tempos distintos com janelamento de 5 segundos da
coleta do sinal até a fadiga: inicial, médio e final.
Métodos: Foram selecionados 24 indivíduos com
idade entre 45 e 70 anos, de ambos os gêneros e
portadores de osteoporose. Estes foram submetidos
a avaliação eletromiográfica nos músculos
masseteres e temporais nas condições clínicas de
contração voluntária máxima por 4 segundos e
fadiga muscular (sem tempo determinado). Foi
utilizado o eletromiógrafo Myosystem Br1. A
análise dos dados eletromiográficos foi
padronizada obtendo os valores de frequência
mediana de 5 segundos inicias, médios e finais do
tempo total de cada uma das análises. Foi
realizada a análise estatística pelo SPSS 22.0
utilizando a análise de variância ANOVA
(p<0,05). Esta pesquisa foi aprovada pelo Comitê
de Ética em Pesquisa (2006.1.242.58.3).
Resultados: Durante a condição clínica de fadiga nos
tempos médio e final, verificou-se uma diminuição
progressiva da frequência mediana
quando
comparados com os 5 segundos iniciais para todos os
músculos avaliados. Os valores da frequência mediana
foram significativamente menores para os músculos
temporais (p<0,05) (Tabela 1).
Discussão: A osteoporose é uma doença
metabólica crônica que afeta a região facial,
causando reabsorção óssea da mandíbula e maxila
promovendo desarmonia funcional no sistema
estomatognático3. Desta forma, para avaliar as
alterações musculares do sistema estomatognático,
é imprescindível a avaliação pela técnica de
eletromiografia de superfície, que de acordo com
Regalo et al.4, trata-se de uma técnica não invasiva
e um importante instrumento para complementar e
auxiliar o diagnóstico clínico odontológico. Na
eletromiografia também pode-se avaliar o quadro
de fadiga muscular pela frequência mediana do
sinal eletromiográfico e de acordo com Hary et al.5
este é o indicador mais utilizado para a análise da
fadiga por ser mais sensível e apresentar alterações
relacionadas aos processos bioquímicos6. Neste
estudo observou-se que há alteração na fadiga
muscular em indivíduos com osteoporose, pois
segundo Brotto e Johnson7 nesta doença a principal
manifestação clínica é a perda de massa óssea e
muscular generalizada podendo levar a quadros de
fraturas e redução da força muscular. Desta forma,
a fadiga é gerada pelas manifestações musculares
como a perda da produção de força desejada,
tremor ou dor na região6 .
Conclusão: Com base nos resultados desta
pesquisa, pode-se concluir que os indivíduos com
osteoporose apresentam alterações nos níveis de
fadiga dos músculos avaliados.
Referências
1.
Oliveira LG. Osteoporose: guia para
diagnóstico, prevenção e tratamento. Revinter.
2002.
2.
Consensus Development Conference: NIH
Consens Statement. 2000 17(1):1-36.
3.
Lane NE. Am J Obstet Gynecol. 2006
194(2) (Suppl): S3-S11.
P á g i n a | 221
4.
Regalo SC et al. Arch Or Biol. 2008
53(3):282-6.
5.
Hary D et al. J Appl Physio. 1982
53(1):779-83.
6.
Azevedo FM. Avaliação do sinal
eletromiográfico
como
parâmetro
para
determinação do limiar de fadiga muscular. 2007.
Tese de Doutorado (Escola de Educação Física e
esporte da Universidade de São Paulo).
7.
Brotto M; Johnson ML. Curr Osteop Rep.
2014 1(1):1-7.
Fonte dos dados: Os resultados são decorrentes de
uma pesquisa original do Departamento de
Morfologia, Fisiologia e Patologia Básica da
Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da
Universidade de São Paulo.
Tabela 1 – Médias eletromiográficas normalizadas na condição clínica de fadiga, para os indivíduos com
osteoporose, analisados para os seguintes grupos musculares: masseter direito e esquerdo, temporal direito e
esquerdo (p<0,05).
Músculo
Grupo
Valor p
Média
Erro Padrão
Tempo inicial
1,12
0,07
Masseter Direito
Tempo médio
0,26
0,98
0,08
Tempo final
0,93
0,08
Tempo inicial
1,27
0,14
Masseter Esquerdo
Tempo médio
0,73
1,18
0,16
Tempo final
1,10
0,14
Tempo inicial
1,02
0,04
Temporal Direito
Tempo médio
0,00
0,89
0,03
Tempo final
0,79
0,05
Tempo inicial
1,03
0,02
Temporal Esquerdo
Tempo médio
0,00
0,89
0,01
Tempo final
0,85
0,03
P á g i n a | 222
CMH.153. IMPACTO DA SÍNDROME DA FIBROMIALGIA NA MUSCULATURA
MASTIGATÓRIA E CERVICAL
Victor Rodrigues Nepomuceno1; Bruno Ferreia1, Gabriel Pádua Silva1, Marcelo Palinkas2, Bárbara de Lima
Lucas2, Marisa Semprini2, Selma Siéssere2, Simone Cecilio Hallak Regalo2
1
Faculdade de Fisioterapia e Terapia Ocupacional de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo
2
Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo
Introdução: A síndrome da fibromialgia é
caracterizada pela presença de dor difusa e crônica,
com sintomas de rigidez matinal, fadiga, distúrbios
do sono e presença de pelo menos 11 dos 18 pontos
anatomicamente específicos chamados de tender
points (Spaeth et al., 2009). Acredita-se que a
síndrome da fibromialgia apresente alta
prevalência, afetando de 2 a 7% da população
mundial, com maior prevalência no gênero
feminino que no masculino, em proporção de 9:1
(Fraga et al., 2011)
Objetivos: O objetivo desta pesquisa foi analisar o
efeito da síndrome de fibromialgia na musculatura
mastigatória e cervical, por meio da atividade
eletromiográfica.
Métodos: Participaram 68 mulheres com faixa
etária entre 40 e 60 anos, com oclusão normal, sem
alterações posturais e que não utilizavam qualquer
tipo de prótese fixa, removível ou aparelho
ortodôntico. As mulheres foram distribuídas em
dois grupos: GF: com síndrome da fibromialgia e
sinais e sintomas de desordem miogênica
(RDC/TMD) (n=34; média de idade 51,17 ± 1,22 e
IMC médio 28,36 ± 0,71) e GC: saudáveis com
dentição completa (n=34; idade média 46,32 ± 1,23
e IMC médio 25,02 ± 0,53). Os grupos foram
pareados sujeito a sujeito por idade e IMC. Todas
as participantes assinaram o termo de
consentimento livre e esclarecido aprovado pelo
Comitê de Ética e Pesquisa da FORP/USP de
acordo com a resolução 466/12 do Conselho
Nacional
de
Saúde
(CAAE
nº:
15268413.7.0000.5419).
Foi
utilizado
o
eletromiógrafo
Myosystem-Br1.
Avaliações
eletromiográficas foram realizadas nos músculos
mastigatórios (temporal e masseter) e na região
cervical (esternocleidomastoideo e trapézio) em
ambos os grupos. Durante a análise
eletromiográfica os valores foram obtidos (RMS)
nas seguintes condições: repouso (4s), apertamento
dental em contração voluntária máxima (4s) (fator
de normalização), protrusão (10s), lateralidade
direita (10s) e lateralidade esquerda (10s). A
função mastigatória foi avaliada pela integral da
envoltória dos ciclos mastigatórios do sinal
eletromiográfico na mastigação não habitual de
Parafilme M (10s), mastigação habitual de uvas
passas(10s) e mastigação de amendoins (10s). Os
valores EMG normalizados foram tabulados e
submetidos a análise estatística (SPSS 21.0; teste t
independente; p ≤ 0,05).
Resultados: Os resultados observados no GF
demonstraram maior atividade eletromiográfica
nas condições clínicas de repouso, lateralidade
direita e esquerda e protrusão da mandíbula para
todos os músculos analisados com diferença
estatística significante (p≤ 0,05). Durante a
mastigação não habitual de Parafilme M,
alimentos macios (uvas passas) e alimentos duros
(amendoins) verificaram-se maiores valores da
atividade eletromiográfica no GF em relação ao GC
com diferença estatística significante (p≤ 0,005).
Discussão: As explicações plausíveis para os
resultados encontrados nos músculos mastigatórios
e cervicais do GF estão baseadas nos conceitos de
coativação muscular difusa e contração tetânica
(Donaldson et al., 2002). A eletromiografia de
superfície demonstrou aumento na atividade EMG
no GF em relação ao GC. Esta atividade durante a
coativacão muscular foi associada aos pontos
dolorosos presentes no GF. Na contração tetânica,
as unidades motoras são estimuladas por múltiplos
impulsos do neurônio motor, disparando
frequências muito altas, a fim de ativar a contração
necessária, que a torna ainda mais cansativa,
levando a fadiga muscular e sintomatologia
dolorosa (Gui et al., 2015). Na mastigação habitual
e não habitual em indivíduos com alterações
morfológicas e funcionais, ocorre recrutamento
maior no número de fibras musculares, para
realizar a mesma função mastigatória, quando
comparados aos indivíduos saudáveis. Este fato
pode gerar estresse, fadiga e aumento da atividade
eletromiográfica (De Rossi et al., 2009). Dados
P á g i n a | 223
encontrados nesta pesquisa onde foram observadas
maiores atividades eletromiográficas no GF,
resultando menor função dos ciclos mastigatórios
no GF.
Conclusões: Com base nos resultados obtidos, os
autores concluíram que as mulheres com síndrome
da fibromialgia apresentaram alterações na
atividade
eletromiográfica
dos
músculos
mastigatórios e cervicais.
Referências
1.
Spaeth
M.
Arthritis
research
&
therapy.2009; 11(1):117.
2.
Fraga BP, et al. Revista Sul-Brasileira de
Odontologia. 2011; 8(1):89-96.
3.
Donaldson CC. et al. Neuro Rehabilitation.
2002; 17 (1):41-8.
4.
Gui MS. et al. Rev Bras Reumatol. 2015;
55(2): 189-94.
5.
De Rossi M. Am J Orthod Dentofacial
Orthop. 2009; 136(3):355-60.
Fonte dos dados: Os resultados dessa pesquisa são
produtos de uma tese de doutorado intitulada: “O
impacto da síndrome da fibromialgia na
musculatura mastigatória e cervical: análise
eletromiográfica, de eficiência mastigatória, força
de mordida e ultrassonográfica”. O trabalho foi
desenvolvido junto ao Programa de Pós-Graduação
em Reabilitação e Desempenho Funcional, FMRPUSP.
P á g i n a | 224
CMH.154. FADIGA E DOR EM MULHERES COM E SEM DISFUNÇÃO
TEMPOROMANDIBULAR DURANTE A FORÇA DE MORDIDA MÁXIMA
Wanderley Jordão Junior1; Fausto Bérzin1; Marcelo Corrêa Alves2; Carlos Alberto Carranza Lópes1
1 Faculdade de Odontologia de Piracicaba – FOP – UNICAMP
2 Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz – ESALQ - USP
Introdução: Disfunção temporomandibular (DTM)
abrange um grupo de condições que afeta a
articulação temporomandibular, os músculos da
mastigação e tecidos associados (de Leeuw and
Klasser, 2013). Além da dor e fadiga, são comuns
movimentos mandibulares assimétricos, ruídos
articulares e restrição na abertura da boca com
consequente dificuldades funcionais (Light et al,
2010; Okeson e De Leeuw, 2011; de Leeuw e
Klasser, 2013). Contrações musculares fatigantes
refletem no sinal eletromiográfico um aumento de sua
amplitude e um decréscimo de características
espectrais de frequência (Merletti et al, 2010). Além
da eletromiografia de superfície (EMS) outros
métodos como gnatodinamometria e escala de
classificação de dor são utilizados.
Objetivos: Verificar a presença da fadiga (pela EMS)
e da dor (com dolorímetro) durante a força de
mordida máxima (FMM) em um grupo de mulheres
portadoras de DTM comparando-as com grupo
controle.
Métodos: Participaram do estudo 32 voluntárias, com
idade de 26,88 ± 4,64 anos, índice de massa corpórea
(IMC) de 23,19 ± 2,81, sendo 13 portadoras de DTM
muscular (RDC/TMD) e 19 sem DTM (controle).
Todas assinaram o Termo de Consentimento Livre e
Esclarecido. O trabalho foi aprovado pelo Comitê de
Ética em Pesquisa Faculdade de Odontologia de
Piracicaba – FOP/UNICAMP, protocolo 040/2015.
Não foram admitidas na amostra mulheres com
patologias sistêmicas; migrânea: DTM articular;
fibromialgia; doença periodontal; ausência dentária
(exceto o terceiro molar), portadoras de próteses; em
tratamento ortodôntico ou ortopédico; fazendo uso de
medicamentos que podiam influenciar no diagnóstico
da DTM. Foram utilizados um eletromiógrafo
(Datahominis Tecnologia), um dolorímetro e um
gnatodinamômetro (ambos da EMG System do
Brasil). Para determinar a FMM a voluntária
permaneceu sentada em uma cadeira, com as
forquilhas do gnatodinamômetro posicionadas entre
as arcadas, quando foi dado o comando e incentivo
verbal por 5 s. Concomitantemente, ela segurava
sobre sua coxa direita o dolorímetro, sendo instruída
a vagarosamente girar o botão caso sentisse dor. Esse
valor representou a escala numérica de dor (END).
Foram realizados três registros com intervalo de três
minutos e o valor da FMM foi considerado o maior
deles. Em uma segunda sessão, o eletrodo de
referência foi posicionado no pulso, untado com gel
e, os ativos diferenciais, aderidos aos masseteres e
região anterior dos músculos temporais, bilaterais.
Foram realizadas duas coletas de 5 s, com intervalo
de 3 minutos entres elas. A voluntária deveria manter
o valor da FMM previamente determinada, guiado
por um feedback sonoro. Para a obtenção dos valores
da frequência mediana (FM), o sinal foi janelado em
três janelas de 0,492 s.
Resultados: Quanto à FMM e a END obteve-se um
valor de p significativo para diferenciar os dois
grupos (com e sem DTM). Com relação à análise das
inclinações das frequências medianas (slope) nas
duas coletas obteve-se um valor de p significativo
entre os dois grupos para todos os músculos, exceto o
masseter direito na primeira coleta, embora para este
aquele valor tenha sido quase significativo. Já na
análise das frequências medianas, nas duas coletas, os
valores de p não se mostraram significativos em
nenhum dos casos.
Discussão: A maior média da força de mordida do
grupo DTM está em concordância com alguns autores
(Hansdottir, 2004; Kogawa, 2006), embora discorde
de outros (Pereira-Cenci et al, 2007). Uma possível
hipótese deste último achado seria o menor grau de
severidade da DTM na amostra avaliada, que a
tornaria capaz de alcançar uma maior FMM, além de
diferenças metodológicas. Para Wang et al (2010)
esta diminuição da força de mordida em pacientes
com DTM é reflexo de um mecanismo inibitório de
controle dos motoneurônios, frente presença de maior
intensidade de dor durante a atividade, comprovada
por uma significativa diferença entre os grupos,
registrado na END. A análise das médias das FM
constatou que ambos os grupos estavam em processo
de fadiga durante a FMM, pois os valores de p não se
mostraram significativos em nenhum dos casos.
Contudo, a análise de variância das médias das
inclinações das frequências medianas (slope) mais
P á g i n a | 225
negativa demostrou que o grupo DTM tinha uma
tendência a fadigar mais rápido do que o grupo
controle. Esses resultados estão de acordo com Gay
et al (1994), que analisaram os músculos masseteres
e região anterior dos músculos temporais em
pacientes com síndrome da dor miofascial e
concluíram que aqueles músculos não estão em
constante estado de fadiga, mas sim a manifestam
mais rapidamente quando comparados com
indivíduos normais.
Conclusões: Mulheres sem DTM apresentam maior
valor da força de mordida e menor intensidade de dor
durante a FMM do que sujeitos com DTM. O grupo
paciente apresentou uma fatigabilidade mais
acentuada que o grupo controle.
Referências
de Leeuw R et al. editors. Orofacial pain: guidelines
for assessment, diagnosis, and management. 5th ed.
Chicago, IL: Quintessence; 2013. p. 1 – 23 e 127–86.
Okeson JP et al. Differential diagnosis of
temporomandibular disorders and other orofacial
pain disorders. Dent Clin North Am. 2011; 55(1):
105-20.
Light AR et al. Myalgia and Fatigue: Translation
from Mouse Sensory Neurons to Fibromyalgia and
Chronic Fatigue Syndromes. In: Kruger L, Light AR,
editors. Translational Pain Research: From Mouse to
Man. B. R., FL: CRC Press; 2010. Chapter 11.
Disponível
em:
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK57253.
Acesso em 02/01/2016.
Merletti R et al. Advances in surface EMG: recent
progress in clinical research applications. Crit Rev
Biomed Eng. 2010; 38(4): 347-79.
Hansdottir R et al. Joint tenderness, jaw opening,
chewing velocity, and bite force in patients with
temporomandibular joint pain and matched healthy
control subjects. J Orofac Pain. 2004; 18(2): 108-113.
Kogawa EM et al. Evaluation of maximal bite force
in temporomandibular disorders patients. J Oral
Rehabil. 2006; 33(8): 559-565.
Pereira-Cenci T et al. Maximal bite force and its
association with temporomandibular disorders. Braz
Dent J. 2007; 18 (1): 65-68.
Wang K, Svensson P, Sessle BJ, Cairns BE, ArendtNielsen L. Interactions of glutamate and capsaicinevoked muscle pain on jaw motor functions of men.
Clin Neurophysiol. 2010; 121(6): 950-6.
Gay T, Maton B, Rendell J, Majourau A.
Characteristics of muscle fatigue in patients with
myofascial pain-dysfunction syndrome. Arch Oral
Biol. 1994; 39(10): 847-52.
Fontes financiadoras: À FAPESP (Fundação de
Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) por
financiar a compra dos equipamentos deste trabalho.
Fonte dos dados: Os resultados apresentados neste
trabalho são partes de uma tese de doutorado
intitulada “Comparação de mulheres com e sem DTM
por diferentes métodos”. O trabalho foi desenvolvido
junto ao Programa de Pós-Graduação em Biologia
Buco-Dental na área de Anatomia, FOP –
UNICAMP.
P á g i n a | 226
INS.101. A METHOD TO QUANTIFY WRIST TREMOR AND ASSIST DEEP
BRAIN STIMULATION CONFIGURATION
Alessandro Machado1; Fábio Henrique Oliveira1; Nader Pouratian²; Jerry Zhuo²; Laurice Yang²; Adriano
Andrade¹
1 Federal University of Uberlandia; 2 University of California, Los Angeles
Introduction: Tremor is an involuntary, rhythmic
and oscillatory movement of a body part, it is the
most common movement disorder (1, 2). Parkinson`s
disease, as a common cause of tremor can have
significant negative impacts on the patients, such as
affecting patients ability to drink, eat and write (3).
Among the available treatment for PD, Deep Brain
Stimulation (DBS) has been widely used (4). Due to
the subjective methods that are used today and the
need of improving the neurostimulator settings,
studies must be performed providing feedback to the
neurologists during clinic evaluation of the patients
regarding the efficacy of the stimulator settings,
reducing the time and effort required to achieve
optimal outcomes and improving the treatment. This
study used a glove with embedded inertial and
electromyography sensors to quantify the tremor
during the neurostimulator parameters adjustment.
Objectives: Our objective is to validate the glove and
the protocol used in the study as methods for the study
of tremor during the neurostimulator setting up.
Methods: This study was conducted and approved
(IRB 14001491) at the University of California, Los
Angeles (UCLA). In total, 12 subjects with
Parkinson`s disease and treated with DBS
participated in this study. A customized glove was
designed (National Industrial Property Institute,
Brazil – INPI. Patent number: BR 10 2014 023282 6)
so that two sets of inertial sensors (Figure 1) and two
pairs of disposable electromyographic (EMG)
sensors (Ag/AgCl) (Figure 2) could be placed on the
limb of the individual.
Figure 2 - EMG electrode positioned at the flexor muscles of the
hand and at the extensor muscles of the hand. Note that the
reference electrodes are placed in the hand.
In order to capture the signals from the sensors a
specific software and hardware was developed.
Each participant performed five sets with four tasks:
finger taps, finger to nose, pronation and supination
and extended arm with no voluntary movement. The
subjects had the DBS turned off during the first set.
From the second to the fifth sets the amplitude of the
DBS was linearly increased by 25%, thus, the
assessed stimulation intensities were 0%, 25%, 50%,
75% and 100% of the maximum amplitude optimized
for the individual in accordance to neurological
evaluation. In order to annotate the sequence of tasks,
an external pulse was generated by pressing a
pushbutton every time the subject changed the
movement and/or the DBS amplitude intensity was
modified.
Data were collected and stored in txt files and
afterwards analyzed at MatLab software.
Results: Figure 3 illustrates the raw signals from the
inertial sensors and the envelop of electromyography
signals.
Figure 1 – Inertial sensors embedded in the custom-made glove
for tremor measurement. The unit 1 is positioned on the hand,
whereas the unit 2 is positioned on the forearm.
Figure 3 – Raw signals of the inertial and electromyographic
sensors during the four tasks (10 seconds each one) and five
DBS intensities, which are detonated by cyan (0%), black
(25%), green (50%), blue (75%)and red (100%) horizontal
markers. Vertical black markers represent the trigger. Blue
signal represents sensor 1 and red signal represents sensor 2.
Discussion: According to the Figure 3 it is possible
to observe the variation of the captured signal and
differentiate the tasks. It is also possible to observe
differentiation between the same task when
performed with a different DBS intensity. Further
studies are necessary to verify this differentiation.
Conclusion: We can conclude that the protocol and
the device are able to measure the tremor during the
different DBS intensities. A deep analysis should be
performed in order to verify if there are significant
differences in the same task when a different DBS
intensity is applied.
References
1.
Crawford P, Zimmerman EE. Differentiation and
diagnosis of tremor. American family physician. 2011 Mar
P á g i n a | 227
15;83(6):697-702. PubMed PMID: 21404980. Epub
2011/03/17. eng.
2.
Elble RJ. Origins of tremor. The Lancet.
2000;355(9210):1113-4.
3.
Teskey WJE, Elhabiby M, El-Sheimy N. Inertial
Sensing to Determine Movement Disorder Motion
Present before and after Treatment. Sensors.
2012;12(3):3512.
PubMed
PMID:
doi:10.3390/s120303512.
4.
Awan NR, Lozano A, Hamani C. Deep brain
stimulation: current and future perspectives.
Neurosurgical focus. 2009 Jul;27(1):E2. PubMed PMID:
19569890. Epub 2009/07/03. eng.
Founding agencies
The Brazilian coordination for the Improvement of
Higher Education Personnel (CAPES), Brazilian
National Counsel of Technological and Scientific
Development (CNPq) and Minas Gerais Research
Founding (FAPEMIG).
P á g i n a | 228
INS.102. ANÁLISE DA COMPOSIÇÃO MUSCULAR POR MEIO DA
ELETROMIOGRAFIA DE SUPERFÍCIE
Amanda Medeiros de Freitas1; Luciane Fernanda Rodrigues Martinho Fernandes2; Alcimar Barbosa Soares1
1 Universidade Federal de Uberlândia; 2 Universidade Federal do Triângulo Mineiro
Introdução: Explorando os relatos da literatura
sobre eletromiografia de superfície (EMGs), é
possível notar que esta técnica está sendo cada vez
mais utilizada e reconhecida em diversas áreas de
pesquisa. Isto se deve ao fato, principalmente, da
EMGs ser de fácil utilização, não ser um
procedimento invasivo e permitir uma compreensão
abrangente sobre os padrões de recrutamento do
músculo de interesse. Uma das abordagens que
utiliza a EMGs é a análise da composição do
músculo esquelético para identificar diferentes
proporções de tipos de fibras musculares (fibras do
tipo I e do tipo II). Entretanto, é necessário extrair
características dos sinais eletromiográficos e atribuílas a cada tipo de fibra muscular. Alguns estudos
investigaram a composição muscular por meio da
frequência média e mediana do sinal (Kupa E, et al.,
1995), do valor quadrático médio (RMS) (Gerdle B,
et al. 2000) e até pela amplitude do sinal (Herda TJ,
et al., 2010). Entretanto, quais destas características,
e de outras utilizadas na literatura, discriminariam
com maior precisão diferentes proporções de tipos
de fibras musculares?
A identificação destas características pode contribuir
para a redução de biópsias do tecido muscular e
também proporcionar ferramentas dinâmicas e de
fácil utilização que permitam analisar a composição
muscular e monitorar sua modificação ao longo de
treinamentos físicos e funcionais.
Objetivos: Diante do exposto, a proposta do
presente estudo foi identificar as características dos
sinais de EMGs que fossem capazes de distinguir,
com maior precisão, diferentes proporções de tipos
de fibras.
Métodos: Sinais EMG emulados foram gerados
utilizando o simulador proposto por Andrade AO et
al. (2007) para possibilitar uma variação controlada
do recrutamento de diferentes unidades motoras.
Foram gerados 400 sinais de EMG que foram
atribuídos a 4 grupos distintos de acordo com a
proporção e o tipo de fibra muscular recrutada.
Posteriormente, foi adicionado ruído de 20 dB aos
sinais originais, totalizando 800 sinais simulados.
Destes sinais foram extraídas as características mais
utilizadas na literatura (Oskoei MA, 2008;
Phinyomark AP, 2012; Huang HP, 1999; De Luca,
2010), sendo: média dos valores absolutos (MVA);
média das diferenças absolutas (MDA); média das
segundas diferenças absolutas (MSDA); valor
quadrático médio (RMS); frequência mediana
(FMD); frequência média (FM); cruzamento por
zero (CZ); variância amostral (VAR); desvio padrão
(DP); intervalo do sinal (IS); intervalo interquartil
do sinal (IIS); entropia de Shannon (ES); e entropia
espectral (EE).
Subsequente ao processo de extração de
características, o método K-means foi utilizado para
agrupar os sinais emulados, visando separá-los em
diferentes grupos de acordo com a similaridade entre
os dados.
Para finalizar a metodologia e validar
quantitativamente o agrupamento resultante do
método K-means e determinar a concordância do
classificador, foi utilizada a matriz confusão.
Resultados: Para exemplificar o resultado do
método K-means, a Figura 1 mostra o agrupamento
realizado para as características de MAV (gráfico da
esquerda) e de FMD (gráfico da direita).
Posteriormente, a Figura 2 mostra a matriz confusão
de todas as características. Ambas as figuras
apresentam os resultados obtidos em relação aos
sinais emulados com ruído.
É possível observar na Figura 2 que apenas a FM e a
FMD apresentaram valores de acurácia próximos de
100% para os 4 grupos de sinais.
P á g i n a | 229
associadas com a amplitude do sinal (Gerdle B, et
al., 2000; Herda TJ, et al., 2010). Entretanto, a
amplitude do sinal EMG é influenciada por outros fatores
além do limiar de ativação das fibras musculares, como:
a distância entre o tecido muscular e o eletrodo, a
concentração de gordura subcutânea, o ângulo de
penação das fibras e o posicionamento do eletrodo (Sale
DG, 2008; Merletti R, et al., 2004 ), podendo gerar
resultados imprecisos e conclusões errôneas.
Figura
3 - Agrupamento resultante do método K-means para a MVA
(esquerda) e para a FMD (direita)
Figura
2 - Matriz confusão das características extraídas dos sinais
emulados com ruído
Discussão: Os resultados da pesquisa mostraram
que a frequência mediana e a frequência média
foram capazes de distinguir, com maior precisão, as
diferentes proporções de tipos de fibra nos sinais de
EMGs.
Estas frequências apresentaram relação direta com o
aumento das proporções de fibras do tipo II, ou seja,
para maiores proporções de unidades motoras do
tipo II recrutadas, maiores os valores das
frequências.
Estudos que também utilizaram sinais emulados
apresentaram resultados similares aos encontrados
nesta pesquisa. De Luca C, et al. (2010) e Siddiqi A,
et al. (2014) mostraram que o recrutamento de fibras
do tipo II provocou aumento nas características no
espectro de frequência. Wakeling J (2009) observou
que o aumento do recrutamento de unidades motoras
do tipo II contribuiu para elevados valores de
frequência média.
Mesmo com estes relatos na literatura, alguns
estudos que utilizam sinais reais, relacionam a
composição muscular com características extraídas
no domínio do tempo, principalmente as que são
Conclusões: Os resultados obtidos com os sinais
emulados indicaram que, dentre as treze
características analisadas neste estudo, a frequência
mediana e a frequência média foram capazes de
identificar diferentes proporções de tipos de fibras
musculares com maior precisão, o que corrobora
com os relatos da literatura.
Referências: Andrade AO et al. J of the Franklin
Institute, 2007, 344(3):154-179.
De Luca CJ et al. J of neurophysiology, 2010,
104(2):1034-1046.
Gerdle B et al. J of applied physiology, 2000, 81(12):2-10.
Herda TJ et al. J of EMG and Kinesiology, 2010,
20(5):787-794
Huang HP et al. IEEE Robotics and Automation,
1999.
Kupa E et al. J of applied physiology, 1995,
79(1):23-32.
Merletti R et al. John Wiley & Sons, 2004, 11.
Oskoei MA et al. Biomedical Engineering, 2008,
55(8):1956-1965.
Phinyomark AC et al. Expert Systems with
Applications, 2012, 39(8):7420-7431.
Sale DG, Strength and Power in Sport, 2008,
(2):281-314
Siddiqi AD et al. EMBC, 2014.
Wakeling JM. J of EMG and Kinesiology, 2009,
19(2):199-207.
Fontes financiadoras: Esta pesquisa foi financiada
pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de
Minas Gerais (FAPEMIG).
Fonte dos dados: Os resultados apresentados neste
estudo fazem parte da dissertação de Mestrado
intitulada: Seleção de características para
identificação de diferentes tipos de fibras musculares
por meio da eletromiografia de superfície. O
trabalho foi desenvolvido junto ao Programa de PósGraduação em Engenharia Biomédica da UFU.
P á g i n a | 230
INS.103. APLICAÇÃO DA ANÁLISE DE COMPONENTES PRINCIPAIS EM
SINAIS DE ELETROMIOGRAFIA DE SUPERFÍCIE
Amanda Medeiros de Freitas1; Luciane Fernanda Rodrigues Martinho Fernandes2; Alcimar Barbosa Soares1
1Universidade Federal de Uberlândia; 2 Universidade Federal do Triângulo Mineiro
Introdução: Para analisar os sinais de
eletromiografia (EMG), muitas vezes, extraímos
demasiadas características no ímpeto de evitar que
algum detalhe passe despercebido. Entretanto,
analisar um extenso conjunto de variáveis pode ser
uma tarefa árdua e muitas vezes inconclusiva, por
isto, técnicas que objetivam a redução de
dimensionalidade são utilizadas para auxiliar nesta
análise multivariada de dados.
Uma das técnicas utilizadas é a Análise de
Componentes Principais (ACP), que visa identificar
padrões em um conjunto multidimensional,
mantendo o máximo de informação e variabilidade
das variáveis originais, expressando-as por meio das
componentes principais (CPs) (Smith LI, 2002).
Para verificar a efetividade da ACP aplicada à EMG,
iremos comparar o comportamento das CPs e das
características usuais extraídas no domínio do tempo
e da frequência. Para isto, iremos utilizar sinais
simulados e sinais reais de EMG de superfície
(EMGs) com o intuito de distinguir dois grupos
amostrais, sendo um grupo de pessoas sedentárias
(PS) e outro de pessoas fisicamente ativas (PFA)
praticantes de treinamento de força (musculação).
Objetivos: Verificar e comparar a efetividade da
ACP com características usuais da EMG para
distinguir dois grupos amostrais distintos.
Métodos: Baseado em propriedades histoquímicas e
fisiológicas da composição muscular de diferentes
atletas, sinais eletromiográficos foram emulados para
representar diferentes proporções de fibras
musculares do tipo I e do tipo II, sendo que os sinais
com maiores proporções de fibras do tipo II
assemelham-se à composição do grupo de PFA, e
maiores proporções de fibras do tipo I, com o grupo
de PS.
Destes sinais foram extraídas as características mais
utilizadas na literatura (Oskoei MA, 2008;
Phinyomark AP, 2012; De Luca, 2010), sendo: média
dos valores absolutos (MVA); média das diferenças
absolutas (MDA); valor quadrático médio (RMS);
frequência mediana (FMD); frequência média (FM);
cruzamento por zero (CZ); variância amostral
(VAR); desvio padrão (DP); e entropia espectral
(EE).
Subsequente à extração destas características dos
sinais emulados foi aplicada a técnica de ACP, que é
constituída pelos seguintes passos: cálculo da matriz
de correlação entre as variáveis; cálculo dos
autovetores e autovalores de cada variável; escolha
dos autovalores que somados representam 90% da
variação original dos dados (redução de
dimensionalidade); e transcrição dos valores das
variáveis originais em relação às componentes
principais (autovetor e autovalor).
Para analisar o comportamento das características e
das CPs em sinais reais, realizamos a EMGs em 10
voluntários sedentários (PS) e 10 voluntários que
praticavam musculação (PFA), sendo todos homens,
entre 18 e 30 anos. Os voluntários concordaram e
assinaram o termo livre e esclarecido segundo o
protocolo aprovado pelo comitê de ética da
Universidade Federal do Triângulo Mineiro
(protocolo de número 2713).
Em cada coleta os voluntários realizaram 3
contrações isométricas voluntárias de extensão de
punho tracionando uma célula de carga durante um
período de 5 segundos, sendo intervaladas por
períodos de 10 segundos de repouso. A coleta era
repetida 4 vezes modificando o nível de força, sendo
100, 75, 50 e 25% de força em relação à força máxima
de cada voluntário.
Resultados: Por meio dos sinais emulados foram
encontradas duas CPs que somadas representaram
mais de 90% da variação dos sinais emulados, sendo
a primeira componente principal a mais significante.
As figuras 1 e 2 mostram, respectivamente, os
resultados encontrados na extração das características
de FMD e de MVA dos sinais reais. A figura 3 mostra
o resultado encontrado para a primeira CP aplicada
aos mesmos sinais.
P á g i n a | 231
Figura 4 - Frequência mediana para dois grupos amostrais (PS
em rosa e PFA em preto) em 4 níveis de força
Figura 5 - Média dos valores absolutos para os dois grupos
amostrais
Figura 6 - Primeira Componente Principal para os mesmos
grupos amostrais nos diferentes níveis de força
Discussão: Os resultados apresentados mostram que
a característica de FMD conseguiu distinguir os dois
grupos amostrais, entretanto, a MVA, assim como
outras características no domínio do tempo, não
apresentou sensibilidade suficiente para separar os
grupos amostrais. Além disso, os padrões
identificados pela primeira CP também foram
capazes de discriminar os grupos amostrais.
É possível notar que a ACP maximizou o
comportamento das características mais sensíveis à
diferença dos grupos amostrais e reduziu a influência
das variáveis que não inferiu diferença entre os
grupos.
Supondo que este estudo analisasse apenas as
características relacionadas com a amplitude do sinal
(como na Figura 2), concluíramos erroneamente que
os dois grupos amostrais não podem ser diferenciados
por meio dos sinais de EMGs. Portanto, a escolha das
características a serem analisadas é de extrema
importância, sendo a ACP uma ferramenta que pode
auxiliar na designação daquelas mais importantes
para alcançar o objetivo proposto no estudo.
Conclusão: ACP mostrou ser eficiente para
distinguir dois grupos amostrais distintos, ressaltando
o comportamento das características mais
importantes e reduzindo a contribuição daquelas
variáveis que poderiam prejudicar os resultados e
conclusões do estudo.
Referências: De Luca CJ et al. J of neurophysiology,
2010, 104(2):1034-1046.
Oskoei MA et al. Biomedical Engineering, 2008,
55(8):1956-1965.
Phinyomark AC et al. Expert Systems with
Applications, 2012, 39(8):7420-7431.
Smith LI, Corneel University, 2002, 51:52
Fontes financiadoras: Esta pesquisa foi financiada
pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de
Minas Gerais (FAPEMIG).
Fonte dos dados: Os resultados apresentados neste
estudo fazem parte da dissertação de Mestrado
intitulada: Seleção de características para
identificação de diferentes tipos de fibras musculares
por meio da eletromiografia de superfície. O trabalho
foi desenvolvido junto ao Programa de PósGraduação em Engenharia Biomédica da UFU.
P á g i n a | 232
INS.104. ANÁLISE DA FREQUÊNCIA MÉDIA EM CONTRAÇÕES ISOMÉTRICAS
UTILIZANDO ELETROMIOGRAFIA DE SUPERFÍCIE
Amanda Medeiros de Freitas1; Luciane Fernanda R. Martinho Fernandes2; Alcimar Barbosa Soares1
1 Universidade Federal de Uberlândia; 2 Universidade Federal do Triângulo Mineiro
Introdução: A eletromiografia de superfície
(EMGs) analisa de forma ampla a resposta causada
por processos musculares voluntários. Para capturar
os sinais de EMGs, são estabelecidos protocolos de
coleta bem definidos que variam de acordo com o
objetivo almejado em cada pesquisa. Em geral, os
sinais são coletados em decorrência de contrações
voluntárias em isometria ou em rampa, sendo o nível
de força da contração estabelecido em relação à
força máxima do indivíduo. Em virtude disto,
algumas características dos sinais de EMGs podem
apresentar comportamentos distintos devido ao
protocolo de coleta utilizado, como é o caso da
frequência média.
Alguns estudos mostram que em contrações em
rampa a frequência média aumenta de acordo com o
aumento da força. Entretanto, em contrações
isométricas, a frequência diminui com o aumento da
força (Bilodeau M 1991). Contudo, a maioria destes
estudos não aborda o motivo para a relação inversa
entre frequência e nível de força em contrações
isométricas. Como a possibilidade de fadiga
muscular é descartada devido ao curto período de
sustentação da contração, hipotetizamos que a
diminuição da frequência é decorrente do aumento
de sobreposições de potenciais de ação de unidades
motoras (PAUMs).
Objetivos: Investigar a relação entre frequência
média (FM), força de contração e sobreposição de
PAUMs em decorrência de contrações isométrica.
Métodos: Participaram do estudo 20 voluntários do
gênero masculino, com idade entre 18 e 30 anos,
sendo 10 voluntários praticantes de treinamento de
força (musculação) que foram atribuídos ao grupo
de pessoas fisicamente ativas (PFA), e 10 pessoas
sedentárias (PS). Foi coletado o sinal de EMGs do
músculo extensor radial do carpo do membro
superior direito, por meio do eletromiógrafo
Myosystem Br1-P84®.
A coleta consistia em 3 contrações isométricas
voluntárias de extensão de punho tracionando uma
célula de carga durante um período de 5 segundos,
sendo as contrações intervaladas por períodos de 10
segundos de repouso. A coleta foi repetida 4 vezes
modificando o nível de força exercido pelo
voluntário, sendo 100, 75, 50 e 25% de força em
relação à sua força máxima. Os sinais coletados
foram processados e a frequência média foi extraída
do sinal.
Esta pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética da
UFTM (protocolo número 2713).
Resultados: A Figura 1 expõe a média dos
resultados obtidos da FM para os dois grupos
amostrais nos diferentes níveis de força.
Figura 1 - Média dos valores da FM para o grupo de PFA (em
preto) e para o grupo de PS (em rosa)
Discussão: Os resultados mostraram valores mais
elevados de frequência média para o grupo de PFA,
o que corrobora com relatos da literatura indicando
que as pessoas que praticam treinamentos de força
possuem maiores proporções de fibras do tipo II,
elevando o limiar de ativação e a taxa de disparo das
fibras musculares (Ricoy J et al. 1998).
É possível observar que houve diminuição dos
valores de frequência com o aumento do nível de
força. Entretanto, a modulação da força ocorre por
meio do aumento na taxa de disparo dos
motoneurônios e também pelo aumento no
recrutamento de unidades motoras (UMs) do tipo II,
segundo o princípio do tamanho exposto por
Henneman (Henneman E et al., 1965). Portanto, era
de se esperar que o aumento do nível de força
causasse aumento nos valores de frequência dos
sinais de EMGs, o que não foi observado em nosso
estudo.
P á g i n a | 233
A diminuição dos valores de frequência em
contrações isométricas geralmente é relacionada
com a presença de fadiga muscular, o que não
condiz com esta pesquisa porque o tempo de
contração (5s) não é suficiente para causar fadiga
muscular (Larivière A et al. 2001), além disso, a
primeira coleta foi realizada em 100% do nível de
força, então o voluntário não estava fadigado em
decorrência do experimento.
Assim como neste estudo, Bilodeau M. et al. (1991)
mostrou que em contrações em isometria, os valores
de frequência diminuíram com o aumento do nível
de força. Os autores atribuíram esta diminuição da
frequência à hipótese de que em contrações
isométricas existem diferentes estratégias no
controle motor se comparadas às contrações em
rampa. Entretanto, o estudo não abordou quais
seriam estas estratégicas nem como elas
influenciaram nos valores de frequência.
Diante do exposto, concebemos nossa hipótese com
base na sobreposição de PAUM. Alguns estudos
sobre decomposição de sinais de EMGs relatam que
o aumento do nível de força da contração muscular
provoca maior sobreposição dos potenciais de ação
individuais (Siqueira Júnior ALD et al., 2015). O
aumento voluntário da força faz com que novas
UMs sejam recrutadas, causando sobreposição de
PAUMs. Para confirmar esta hipótese, analisamos o
sinal de EMGs de um voluntário nos níveis de 25 e
100% da força de contração, como pode ser
observado na Figura 2. A janela de tempo da
contração foi reduzida para permitir uma
visualização mais detalhada dos PAUMs.
É possível observar que, embora a amplitude do
sinal em 100% seja superior, existe maior
sobreposição destrutiva de PAUMs, sendo difícil
identificar potenciais de ação individuais. Em 25%
de força, nota-se que também ocorreu sobreposição
de PAUMs, entretanto, esta interferência ocorreu
com menor intensidade, sendo possível identificar
alguns potenciais de ação.
A sobreposição em 100% ocorreu de tal forma que
resultou na diminuição da frequência do sinal,
podendo ser notada pela quantidade de vezes que o
sinal cruzou a amplitude zero (cruzamento por zero).
Se compararmos os dois sinais, é notável que em 25%
o sinal cruzou mais vezes a amplitude zero, o que
reflete em maiores valores de frequência. O contrário
é observado no sinal de 100% de força.
Figura 2 - Visualização dos PAUMs para dois níveis de força
Conclusões: Com os resultados encontrados neste
trabalho, concluímos que a diminuição da frequência
em decorrência do aumento do nível de força em
contrações isométricas ocorre devido ao aumento da
sobreposição dos PAUMs.
Referências: Bilodeau M et al. Euro J of appl
physio and occup physio, 1991, 63(1):24-28
De Luca CJ et al. 2010, 104(2):1034-1046.
Henneman E et al. 1965, 28(3):560-580.
Larivière A et al. 2001, 85(6):552-559.
Ricoy J et al. 1998, 54(1):41-47.
Siqueira Júnior ALD et al. 2015, 31(1):44-55.
Fontes financiadoras: Esta pesquisa foi financiada
pela FAPEMIG.
Fonte dos dados: Os resultados apresentados neste
estudo fazem parte da dissertação de Mestrado
intitulada: Seleção de características para
identificação de diferentes tipos de fibras musculares
por meio da eletromiografia de superfície. O
trabalho foi desenvolvido junto ao Programa de PósGraduação em Engenharia Biomédica da UFU.
P á g i n a | 234
INS.105. CONFIABILIDADE DO FLEXION ROTATION TEST EM PACIENTES COM
MIGRÂNEA E SAUDÁVEIS
Ana Izabela S de Oliveira1; Lidiane Lima Florêncio1;Camila Maranzatto1; Gabriela Ferreira Carvalho1;
Fabíola Dach1; Debora Bevilaqua-Grossi1
1 Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo
Introdução: O segmento vertebral C1/C2 influencia
aproximadamente 40%-60% a mobilidade cervical,
especialmente no movimento de rotação cervical1. O
flexion rotation test (FRT) é um teste específico para
avaliar a mobilidade do segmento C1/C2 e é
comumente utilizado em sujeitos com desordens
musculoesqueléticas da coluna cervical2,3. A
avaliação da mobilidade da coluna cervical é
rotineiramente utilizada por fisioterapeutas na prática
clínica e é frequetemente parte do protocolo de
avaliação em indivíduos com cefaleia. A amplitude
de movimento cervical pode servir como guia para o
diagnóstico funcional da coluna cervical e na decisão
do protocolo de tratamento4. Entretanto, para que o
diagnóstico seja realizado corretamente é necessário
que o teste tenha uma boa confiabilidade. Neste
contexto, além da confiabilidade é importante
considerar os valores de erro padrão da medida
(EPM) e da mínima mudança detectável (MMD). Até
o momento estas propriedades de medida não foram
estabelecidas para o FRT, especialmente em sujeitos
com migrânea.
Objetivo: Determinar a confiabilidade, EPM e MMD
do FRT com o instrumento Cervical Range of Motion
(CROM®) em indivíduos com migrânea e saudáveis.
correlação intraclasse (CCI (2,1)), EPM and MMD.
O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética Local
(processo número 12521/2014). O CCI foi
classificado de acordo com os seguintes valores:
confiabilidade fraca (<0.40), moderada (0.41-0.60),
substancial (0.61-0.81) e excelente (>0.81) 5. O EPM
foi calculado usando a fórmula: EPM = DP x √ (1 –
teste-reteste do CCI), onde o DP é a média dos
valores de desvio padrão do teste e reteste juntos. O
MMD foi calculado usando a fórmula: MMD = EPM
x 1,96 × √2.
Resultados: Os valores obtidos no FRT de ambos os
grupos estão detalhados na tabela 1. A confiabilidade
intra avaliador foi excelente (CCI>0.83), e
confiabilidade inter avaliador variou de substancial a
excelente (CCI>0.76). O EPM variou de 1.65° a 4.08°
e o MMD variou de 4.56° a 11.31°.
Tabela 1. Média dos valores (graus) no Flexion Rotation Test
com o instrumento CROM®.
Grupo
Migrânea
Métodos: Vinte e cinco mulheres com migrânea
(idade= 35 (DP=10) anos) e 25 mulheres saudáveis
(idade= 32 (DP= 11) years) foram incluídas. A
mobilidade C1/C2 foi mensurada com o FRT. O FRT
foi realizado com a participante na posição supina
com o instrumento CROM® acoplado a cabeça. A
coluna cervical foi passivamente flexionada e em
seguida a cabeça foi passivamente rotacionada para
ambos os lados2,3. Para testar a confialibidade inter
avaliador, os testes foram aplicados no mesmo dia
com 20 minutos de intervalos, por dois avaliadores
independentes. Para testar a confiabilidade intra
avaliador os testes foram repetidos com intervalo de
uma semana por um mesmo avaliador. A média das 3
repetições foi usada para calcular o coeficiente de
Controle
Teste
FRT direita
FRT
esquerda
FRT direito
FRT
esquerdo
Avaliador
01 teste
Avaliador
01 reteste
Avaliador
02 teste
29.5 (6.5)
29.5 (6.5)
27.9 (7.9)
27.8 (7.4)
30.3 (10.3)
28.1 (9.9)
43.1 (10.1)
40.8 (8.0)
41.0 (7.7)
38.3 (5.8)
42.9 (9.1)
41.7 (10.2)
Tabela 2. Confiabilidade intra avaliador no grupos migrânea e
controle.
Grupo
Teste
FRT direita
Migrânea
FRT
esquerda
FRT direito
Controle
FRT
esquerdo
CCI/intra
N=25
EPM
MMD
0.87
(0.69;0.94)
0.83
(0.62;0.93)
0.91
(0.78;0.96)
0.88
(0.65;0.95
2.6
7.2
2.85
7.9
2.68
7.43
2.44
6.78
P á g i n a | 235
Tabela 3. Confiabilidade inter avaliadores nos grupos migrânea
Conclusões: Os resultados desmonstraram que a
avaliação do FRT com o instrumento CROM® é
fortemente confiável em mulheres com migrânea e
saudáveis. Além do EPM e do MMD terem valores
relativamente baixos.
Referências:
e controle.
Grupo
Teste
FRT direito
Migrânea
FRT
esquerdo
FRT direito
Controle
FRT
esquerdo
CCI/inter
N=25
0.77
(0.48;0.90)
0.76
(0.46;0.82)
0.97
(0.93;0.99)
0.88
(0.73;0.95)
EPM
MMD
4.08
11.31
4.05
11.22
1.65
4.56
3.16
8.76
Discussão: A avaliação da amplitude de movimento
cervical com precisão é um desafio devido a
complexidade da anatomia cervical e da possibilidade
de movimentos compensatórios6. A confiabilidade
intra e inter avaliador do FRT neste estudo foi
excelente em pacientes com migrânea, e foi similar as
reportadas anteriormente em pacientes com cefaleia
cervicogência3,7. Para comparação entre migranosos
e sujeitos saudáveis, uma diferença maior do que 10°
no FRT pode ser considerada clinicamente relevante,
desde que o resultado obtido ultrapasse o EPM e o
MMD verificado neste estudo. Além de afirmar a
excelente confiabilidade do FRT, outro ponto forte do
presente estudo foi o de estabelecer a mínina
diferença em graus no FRT para diferenciar os
migranosos de sujeitos saudáveis. As limitações do
presente estudo são que os pacientes foram recrutados
de um hospital universitário, sendo possível que eles
representem um grupo específico da população em
geral, além de serem incluídas somente mulheres com
idade variando de 18 a 55 anos.
1. Anderst WJ et al. The Spine Journal 2015;
15(12):2538-43.
2. Smith K et al. Manual Therapy 2008;13:552559.
3. Hall T et al. J Headache Pain 2010;11:391–
397.
4. Snodgrass SJ et al. Physiotherapy
2014:100(4); 290-304.
5. Eliasziw et al. Phys Ther 1994; 74:777-788.
6. Williams MA et al. Journal of Manipulative
and Physiological Therapeutics 2013; 33:
138-155.
7. Ogince M et al. Manual Therapy
2007;12:256-262.
Fontes financiadoras: Fundação Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior –
Capes.
Fonte dos dados: Esses dados são parte do conteúdo
da Dissertação de Mestrado intitulada: avaliação da
mobilidade do segmento vertebral C1∕C2 com o
flexion rotation test em pacientes com migrânea
episódica e crônica. O trabalho é desenvolvido junto
ao Programa de Pós-Graduação em Reabilitação e
Desempenho Funcional, FMRP-USP.
P á g i n a | 236
INS.106. CONFIABILIDADE DA AVALIAÇÃO DA FORÇA MUSCULAR
VOLUNTÁRIA MÁXIMA DOS MUSCULOS CERVICAIS PELA DINAMOMETRIA
MANUAL EM MULHERES SAUDÁVEIS
Ana Paula Carnevalli1; Lidiane Lima Florêncio1; Ana Izabela Sobral de Oliveira1; Débora Bevilaqua-Grossi1
1
Laboratório de Análise da Postura e do Movimento Humano/ Faculdade de Medicina de Ribeirão PretoUSP
Introdução: Medidas de força muscular cervical
confiáveis são imprescindíveis para o diagnóstico
cinético funcional adequado e para a melhor
prescrição de programas de tratamento para pacientes
com acometimentos nessa região1. Diante do desafio
clínico de avaliar a força desse segmento, o uso de um
dinamômetro manual é uma alternativa viável por ser
de fácil aplicação e financeiramente acessível aos
profissionais.
Objetivos: Verificar a confiabilidade do teste de
força voluntária máxima dos músculos cervicais
utilizando um dinamometro manual em uma
população de mulheres saudáveis.
Métodos: O estudo foi iniciado após aprovação do
comitê de ética da Faculdade de Medicina de Ribeirão
Preto, processo HCRP n° 16159/2014. A amostra foi
composta por 25 indivíduos do sexo feminino com
idade entre 18 e 55 anos, sem nenhum tipo de
cefaléia, dentre as mulheres da comunidade de
Ribeirão Preto. Os critérios de exclusão foram:
história de trauma ou cirurgia em pescoço e/ou face,
hipertensão arterial sistêmica, ou não concordância
com o TCLE. Foi mensurada a força muscular
cervical nos movimento de flexão, extensão e
inclinações laterais da coluna cervical. Dois
avaliadores realizaram o teste de força no mesmo dia
com intervalo de 10 minutos entre eles para a
avaliação da confiabilidade interexaminador, para a
confiabilidade intraexaminador, o mesmo avaliador
realizou duas avaliações no mesmo indivíduo com
um intervalo de uma semana. Para a avaliacao da
força foi utilizado o dinamômetro manual Lafayette
Manual Muscle Testing System (Lafayette Instrument
Company, Laffayete, Indiana). O dinamômetro
manual foi acoplado ao paciente por uma faixa para
resistir os movimentos e estabilizar a cabeça, e o
examinador segurou com as mãos o dinamômetro. O
voluntário foi estabilizado na maca por faixas de
velcro®, para resistir e impedir compensações
(FIGURA 1).O posicionamento adotado para cada
movimento avaliado foi:
•
•
•
Músculos flexores: Decúbito dorsal com joelhos
estendidos, cabeça e pescoço em posição neutra,
braços ao lado do tronco e faixas de velcro®
estabilizando os MMSS, e parte superior do
tronco e MMII (Figura 1. A);
Músculos extensores: Decúbito ventral, com os
braços ao lado do tronco e com faixas de velcro®
estabilizando os MMII, a pelve e a parte superior
do tronco (Figura 2. B);
Inclinadores laterais: Decúbito lateral, com
um travesseiro sob a cabeça, braço ao lado do
corpo e faixas de velcro® estabilizando o
tronco e os MMSS e MMII (Figura 3. C);
Figura 1. Posicionamento adotado em
movimento avaliado
cada
Para a análise dos resultados foi aplicado o
coeficiente de correlação intraclasse, (ICC), que varia
de 0 a 1, e classifica a confiabilidade como sendo
pobre (<0,4), moderada (0,4-0,75) ou excelente
(>0.75). Também foi calculado o erro padrão de
medida (SEM) e a mínima diferença detectável
(MDC).
Resultados: Foram consideradas as médias das três
repetições para cada movimento. Foi encontrada
confiabilidade excelente na avaliação intraavaliador,
e na avaliação interavaliador. O SEM variou de 8%
a 15% do valor médio da força encontrado no
determinado movimento. A MDC variou de1,62 kg a
2,59kg. Todos os dados da confiabilidade, SEM e
MDC estão descritos na tabela 1.
Tabela 1. Resultados confiabilidade pelo ICC, SEM
e MDC.
P á g i n a | 237
e intraavaliador variando entre moderada a excelente,
em uma população de mulheres, sendo, portanto uma
alternativa confiável e de fácil aplicação na prática
clínica.
Referências:
1. Stimpakos N. The assessment of the cervical
spine. Part 2: Strength and endurance/fatigue. Journal
of Bodywork & Movement Therapies.2011 Oct;
15(4): 417- 430.
Discussão: O presente estudo apresentou
confiabilidade variando entre moderada a excelente
para a mensuração da força cervical com o uso do
dinamômetro manual Lafayette Manual Muscle
Testing Syste. Estes resultados foram semelhantes a
outros estudos já realizados2 com a utilização de
outros dinamômetros manuais, sendo que o MDC
encontrado nesse estudo se encontra em valores
inferiores aos encontrados em outros estudos
semelhantes. Já o SEM encontrado nesse estudo foi
considerável levando em conta que a acurácia do
equipamento é de 1%.
Conclusões: A quantificação da força cervical por
meio do dinamômetro manual Lafayette Manual
Muscle Testing System, apresenta confiabilidade inter
2. Shahidi B, Johnson L, Curran-Everett D, Maluf S.
Reliability and group differences in quantitative
cervico thoracic measures among individuals with
and
without
chronic
neck
pain.BMCMusculoskeletDisord. Oct. 2012; 13.
(215): 1-11.
Fontes financiadoras: FAPESP, n° processo
2015/15854-0.
Fonte dos dados: Esses dados são parte do conteúdo
do Projeto de Iniciação Científica intitulada:
“Confiabilidade da avaliação da força voluntária
máxima dos músculos cervicais pela dinamometria
manual”. O trabalho é desenvolvido junto à
graduação em fisioterapia da Faculdade de Medicina
de Ribeirão Preto – USP
P á g i n a | 238
INS.107. CARACTERÍSTICAS DA FREQUÊNCIA, AMPLITUDE, ENTROPIA E
VARIABILIDADE ESTIMADOS POR SENSORES INERCIAIS E ELETROMIOGRÁFICOS EM
INDIVÍDUOS COM TREMOR DE PUNHO NA DOENÇA DE PARKINSON
Ana Paula Paixão1; Maria José Zaruz2; Guilherme Cavalheiro2; Kheline Alves 2, Luiza Maire2; Gustavo
Moreira2, Adriano Andrade2;
1 Universidade Federal de Uberlândia/Uberlândia; 2 Universidade Federal de Uberlândia/Uberlândia
Introdução: É comum ao ser humano apresentar algumas
doenças e disfunções ao envelhecer, devido às alterações
neuromusculoesquelética, das quais, destaca-se o tremor
humano. Esse é manifestado por movimento involuntário
de caráter oscilatório e rítmico, de qualquer parte do corpo,
decorrente de contrações de músculos antagonistas. Essa
doença pode causar incapacidade funcional considerável
(1). O tremor humano pode ser fisiológico e patológico
(2),3). As implicações negativas provocadas pelo tremor,
ao indivíduo, têm motivado os pesquisadores na busca por
métodos de caracterização dessa manifestação e assim,
apoiar na compreensão dos tipos de tremores existentes.
Os métodos para caracterizar o tremor são: qualitativo e
quantitativo. O qualitativo utilizam escalas e questionários
de severidade (4). O quantitativo faz o uso de sensores
inerciais, e eletromiografia de superfície (5,6). Para
compreender tal disfunção estudos sugerem métodos
quantitativos, por meio de ferramentas eficientes, que
utilizam alguns desses sensores inerciais: acelerômetro,
giroscópio ou magnetômetro e eletromiografia. Tal
ferramenta usada no estudo em questão (TREMESEN) é
equipado com todos os sensores inerciais, eletromiografia
de superfície e uma placa microcontroladora, para
reconhecer e caracterizar os movimentos. A hipótese
deverá ser respondida: o dispositivo é capaz de
caracterizar o tremor de punho.
Objetivos: Caracterizar o tremor de punho e correlacionar
as características estimadas a partir dos sinais coletados
por meio do TREMESEN em pessoas com Parkinson.
Métodos: Ensaio clínico, controlado, amparado, por dois
pareceres: Comitê de Ética em Pesquisa em Seres
Humanos (CEP – nº 270.782) da Universidade Federal de
Uberlândia, e o Comissão Nacional de Ética em Pesquisa
(CONEP – nº 361.526) do Conselho Nacional de Saúde.
Participaram do estudo, 15 indivíduos com Parkinson (GI)
e 12 hígidos (GII). Os grupos passaram pelas mesmas
atividades. O GI, foi avaliado o membro mais acometido
com o tremor. O GII, o membro avaliado foi o dominante.
Protocolo de atividade: (i) mensuração da amplitude de
movimento (ADM) do punho, (ii) mensuração da Força
dos músculos flexores e extensores do carpo, (iii) coleta
do sinal da atividade com o punho em repouso, sem e com
carga e antebraço apoiado, por 15 segundos, para analisar
as características da frequência, amplitude, entropia e
variabilidade por meio de sensores inerciais (Giroscópio
(G1 e 2), Acelerômetro (A1e 2) e Magnetômetro (M1 e 2))
e eletromiográfico (EMG 1 e 2). Para a análise foi
estimado o Coeficiente de Correlação e o teste de
Wilcoxon-Mann-Whitney (7), para comparar Inter grupos
e o teste de Wilcoxon (7), para comparar Intra grupo, com
o auxílio do software R (8).
Resultados: A figura 1 representa o TREMESEN e seus
componentes.
Figura 1: TREMESEN: 1 – Cabo USB; 2 – Bateria EMG; 3 –
Sensores inerciais; 4 – Eletrodos EMG.
A Figura 2 representa o posicionamento dos sensores
do TREMESEN no indivíduo.
Figura 2: Posicionamento dos sensores: 1 – EMG no extensor; 2 –Sensor
inercial 2; 3 –Sensor inercial 1; 4 – Eletrodo de referência; 5 – EMG no
grupo flexor; 6 – carga na mão.
Figura 3 representa o sinal EMG 1, coletado no
repouso sem e com carga de 92g.
a
b
c
Figura 3: EMG dos flexores e extensores de punho, em
repouso. a – sem uso de carga em Parkinson; b - com o uso
de Carga em Parkinson; c - sem carga em hígido.
Na figura 3, o sinal no G1 modifica com carga, e
no GII quase não se vê ativação. O grafico 1 mostra
o coeficiênte de correlação para as carasterística da
amplitude nos 8 sensores.
P á g i n a | 239
Grafico1: Correlação das características da amplitude
(MAV, MAVFD, MVSD, RMS e PEAK) dos sensores
inerciais e EMGs estimados a partir da atividade com mão
em repouso sem e com carga.
Grafico 1 mostra a relevância da correlação dos
tipos de carcterístcas na amplitude nos 8 sensores.
Gráfico 2 evidência o coeficiênte de correlação
para as carasterística na amplitude no G1.
Grafico2: Características da amplitude, frequência, entropia e
variabilidade do G 1 estimadas a partir da atividade punho em
repouso sem e com carga.
O gráfico 2 mostra as relevâncias das característcas
entre-si no G1 quanto a correlação. A tabela 1
expressa os testes de Wilcoxon- Mann-Whitney
para força e ADM dos flexores e extensores do
punho.
O GI apresentou força inferior dos extensores, em
relação ao GII.
Discussão: Sinais de EMG 1 dos grupos foram
distintos, quando com carga, evidenciando a mesma.
A diferença na ADM e força foi significativa quando
comparado os GI e GII, pelas alterações
musculoesqueléticas adquiridas com a doença. As
correlações entre os as carcterístcas dentro da
amplitude mostraram relevâncias em G1, G2 e A2,
por serem semelhantes, e assim, podem ser
substituidas apenas por uma caracterísitca. De
maneira semelhante, os tipos de característcas no G1
mostram relações com as outras. Futuramente o
estudo terá um resultado mais preciso por analisar
todos os sensores com suas características, e distintas
atividades.
Conclusões: Os sensores inerciais e EMG são cada
vez mais útil na caracterização do tremor. A EMG 1
foi mais evidente no GI com uso de carga, por mostrar
a musculatura sendo mais ativada. Os sensores G1,
G2 e A2 possuem mais semelhanças quanto aos tipos
de características estimadas, e podem ser substituídos
por apenas uma. A ADM e força mostraram
diferenças devido as alterações musculoesqueléticas
patológicas no GI. Atualmente, dados já adquiridos
estão sendo analisados com o intuito de criar novas
formas de caracterizações do tremor humano.
Referências
1.
2.
3.
4.
5.
Tabela 1 - Teste de Wilcoxon- Mann- Whitney para a análise
da ADM dos flexores e extensores do punho no GI vs GII.
O GI apresentou média significativa de ADM
inferior ao GII tanto nos Flexores nos extensores de
punho.
A tabela 2 mostra os testes de Wilcoxon- MannWhitney para a força muscular dos extensores e
flexores do punho.
6.
7.
8.
BORGES V, FERRAZ HB. Tremores. Rev Neurociência.
2006;14:43–7.
Mattos JP De. Differential diagnosis of tremors. Arq Neuropsiquiatr.
1998;56:320–3.
Smaga S. Tremor. Am Fam Physician. 2003;68:1545–53.
Nokleby K et al. Screening for cognitive deficits after stroke: a
comparison of three screening tools. Clin Rehabil. 2008;22:1095–
104.
Almeida MFS. Análise temporal da Relação entre o Tremor
Fisiológico Cinético e o Envelhecimento com Base em Desenhos
Digitalizados da Espiral de Arquimedes. Universidade Federal de
Uberlândia.; 2011.
Lima ERD et al. Empirical mode decomposition: a novel technique
for the study of tremor time series. Med Biol Eng Comput.
2006;44:569–82.
Triola MF. introdução á estatística. 10 a. LTC, editor. Rio de Janeiro;
2008.
Team RC. R: A language and environment for statistical computing
[Internet]. 2014. Available from: URL http://www.R-project.org/.
Fontes financiadoras: CAPES, FAPEMIG e CNPq.
Fonte dos dados: Esses dados são parte do conteúdo da tese
doutorado intitulada: Caracterização da severidade do tremor de
punho em indivíduos com a doença de Parkinson por meio de
sensores inerciais e eletromiográficos. O trabalho é
desenvolvido junto ao Programa de Pós-Graduação em
engenharia elétrica da Universidade Federal de Uberlândia.
PPGEE-UFU.
Tabela 2- Teste de Wilcoxon -Mann- Whitney para a análise da
força dos flexores e extensores do punho no GI vs GII.
P á g i n a | 240
INS.108. CONFIABILIDADE INTRA E INTERAVALIADOR DA BIOIMPEDÂNCIA
DE MULHERES COM LINFEDEMA SECUNDÁRIO AO TRATAMENTO DO
CÂNCER DE MAMA: ESTUDO PILOTO
Ana Paula Ferro1; Vânia Tie Koga Ferreira; Thamires Rodrigues de Souza1; Monique Silva Rezende1,
Elaine Caldeira de Oliveira Guirro1
1
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, SP
Introdução: O linfedema é a morbidade mais
frequente após o tratamento cirúrgico do câncer de
mama, está relacionado com o tipo de cirurgia, a
quantidade de nódulos excisados na linfadenectomia
axilar, terapia adjuvante instituída, predisposição
circulatória sanguínea (Jung et al., 2014; Hayes,
2008). A bioimpedância vem sendo utilizada para
estimar a composição do membro superior, através da
impedância elétrica (Cornish, 2006) e avaliar o
linfedema em mulheres com câncer de mama,
(Warren et al., 2007; Kilbreath et al., 2013). Ressaltase a importância de se investigar as propriedades da
bioimpedância em mulheres com linfedema
secundário ao tratamento do câncer de mama,
sobretudo a sua confiabilidade em diferentes
momentos e diferentes examinadores, para que possa,
assim, respaldar a sua aplicabilidade no ambiente
clínico e em pesquisas. No presente estudo, assumese a hipótese de que se trata de um método confiável
na avaliação do linfedema de membro superior.
Objetivo: O presente estudo tem por objetivo avaliar
a confiabilidade intraexaminador da bioimpedância
na determinação da composição de líquidos intra e
extracelular do linfedema secundário ao tratamento
do câncer de mama.
Métodos: Trata-se de um estudo transversal
aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto
(n°1.337.1950). O recrutamento das voluntárias foi
realizado no Núcleo de Ensino Pesquisa e
Reabilitação de Mastectomizadas, da Escola de
Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP/USP). Foram
recrutadas 15 mulheres, com idade entre 35 e 59 anos,
com linfedema secundário ao tratamento do câncer de
mama homolateral a cirurgia. Para identificação da
diferença entre os membros superiores foi realizada a
perimetria e calculado através da fórmula de (Sander
et al., 2002) o volume dos membros. Para
caracterização da amostra foi utilizado o questionario
DASH (Disabilities of the arm, shoulder and hand
(Hudak, et al., 1996). A bioimpedância foi utilizada
para avaliar a impedância elétrica dos membros
superiores nas frequências: 1, 5, 50, 250, 500 e 1000
KHz. Na análise estatística Foi empregado o
coeficiente de correlação intraclasse (CCI2,1) para se
determinar a confiabilidade intra-examinador da
bioimpedância, com seu respectivo intervalo de
confiança a 95%, erro padrão da medida e alteração
mínima detectável (Tucci et al., 2014). A
interpretação do valor do CCI foi baseada no estudo
de Fleiss (1986): para valores abaixo de 0,40, a
confiabilidade foi considerada baixa; entre 0,40 e
0,75, moderada; entre 0,75 e 0,90, substancial, e,
finalmente, valores maiores que 0,90, a
confiabilidade foi considerada excelente.
Resultados: Assim sendo, oito voluntárias foram
incluídas no estudo, idade média de 59,80 anos
(desvio padrão [DP] = 8,50), IMC médio de
31,63kg/cm² (DP = 4,69). A descrição dos valores
médios e desvio padrão das variáveis do estudo estão
inseridos na Tabela 1. No que se refere a
confiabilidade intra-avaliadores a partir da medição
do líquido do membro superior com linfedema
observou-se de boa a excelente confiabilidade com
valores de CCI variando entre 0,868 e 0,974. Em
relação a confiabilidade interavaliador, para o volume
líquido do membro superior com linfedema foi
observada excelente confiabilidade com CCI de
1,000 e 0,984.
Tabela 1 – Descrição dos valores médios, desvio-padrão, da
quantidade de líquido do membro superior com linfedema
obtida por ambos os examinadores.
1º avaliador
Variável
Teste
Reteste
2º avaliador
Teste
Reteste
AIC
1,14 (0,16)
1,17 (0,20)
1,15 (0,18)
1,17 (0,20)
AEC
0,38 (0,05)
0,74 (0,13)
0,72 (0,10)
0,74 (0,13)
AIC: água intracelular; AEC: água extracelular; Valores apresentados em média
(desvio padrão).
Discussão: Observou-se no presente estudo
confiabilidade excelente nas medições intraavaliadores. A literatura específica não apresenta
estudos de confiabilidade da impedância elétrica em
mulheres com linfedema secundário ao tratamento do
câncer de mama. No entanto a confiabilidade deste
método em outras regiões e populações já foram
realizadas. Kabiri et al. (2015) avaliaram a
P á g i n a | 241
confiabilidade da impedância elétrica na composição
corporal de crianças obesas e encontraram valores de
CCI de 0,999 tanto para a composição corporal e para
a gordura corporal, os autores ainda apontam que
trata-se de um método eficiente e confiável na
avaliação da composição corporal.
Conclusão: Observou-se no presente estudo
confiabilidade
excelente
nas
medições
intravaliadores. Cabe ressaltar que os resultados do
presente estudos são parciais por se tratar de um
estudo piloto.
Referências:
Cornish B. Bioimpedanceanalysis: scientific
background.Lymphat Res Biol. 2006;4(1):47-50.
Hayes et al. Lymphedema after breast cancer:
incidence, risk factors, and effect on upper body
function. J ClinOncol. 2008;26(21):3536-42.
Hudak et al. Development of an upper extremity
outcome measure: the DASH (disabilities of thearm,
shoulder and hand). The Upper Extremity
Collaborative Group (UECG). Am J Ind Med.
1996;29(6):602-8.
Jung et al. Treatment factor saffecting breast cancerrelated lymphedema aftersy stemic chemotherapy
and
radiotherapy
in
stage
II/III
breastcancerpatients.BreastCancer
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Treat.
2014;148(1):91-8.
Kilbreath SL, Lee MJ, Refshauge KM, Beith JM,
Ward LC, Simpson JM, Black D.Transientswelling
versus lymphoedema in thefirstyearfollowingsurgery
for
breastcancer.SupportCareCancer.
2013;21(8):2207-15.
Sander et al..Upper-extremity volume measurements
in women with lymphedema: a comparison of
measurements obtained via water displacement with
geometrically determined volume. PhysTher.
2002;82(12):1201-12.
Warren AG, Janz BA, Slavin SA, Borud LJ. The use
of bioimpedance analysis to evaluate lymphedema.
Ann PlastSurg. 2007;58(5):541-3.
Fontes financiadoras: Fundação de Amparo à
Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP,
processos nº 2015/10273-0.
Fonte dos dados: Esses dados são parte do conteúdo
da iniciação científica intitulada: “Análise da
confiabilidade da bioimpedância na avaliação do
linfedema secundário ao tratamento do câncer de
mama” do curso de graduação em Fisioterapia da
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da
Universidade de São Paulo.
P á g i n a | 242
INS.109. FILTRAGEM DE SINAIS ELETROMIOGRÁFICOS UTILIZANDO
EMPIRICAL MODE DECOMPOSITION
Andrei Nakagawa Silva¹; Maristella Borges Silva¹; Alcimar Barbosa Soares¹
¹ Laboratório de Engenharia Biomédica, Universidade Federal de Uberlândia
Introdução: O sinal eletromiográfico (EMG) está
sujeito a contaminações por vários tipos de ruídos ou
artefatos que podem ou não serem conhecidos como:
movimento dos cabos, interface pele e eletrodo, ruído
eletromagnético, interferência da rede elétrica (De
Luca et al., 2010). Nesse sentido, diversas técnicas de
filtragem são utilizadas com o objetivo de melhorar a
relação sinal-ruído (SNR) para uma correta análise e
interpretação dos dados coletados. Outros propósitos
como controle de próteses mioelétricas (Soares et al.,
2002) ou decomposição de sinais EMG (Siqueira Jr
et al., 2015) também fazem uso de etapas de
filtragem. Este trabalho apresenta o uso da técnica
conhecida por Decomposição de Modo Empírico
(Empirical Mode Decomposition - EMD). Esta é uma
técnica capaz de decompor qualquer série temporal,
como o sinal EMG, em um conjunto de componentes
chamadas de Funções de Modo Intrínseco (Intrinsic
Mode Functions - IMFs). As IMFs são componentes
do sinal original divididas em diferentes oscilações
que capturam o ruído presente no sinal de forma
distinta. Estas componentes podem passar por um
processo diferenciado de atenuação de ruídos, de
acordo com um limiar específico, e depois são
recombinadas a fim de obter o sinal original filtrado.
Essa estratégia permite filtrar as componentes do
sinal individualmente, de acordo com a necessidade,
ao invés do sinal como um todo e, dessa forma, o
ruído pode ser melhor identificado e atenuado,
especialmente em situações em que o tipo de ruído
não é conhecido (Andrade et al., 2006).
Objetivos: Comparar a aplicação da técnica de
decomposição de modo empírico com técnicas
convencionais para a filtragem de sinais
eletromiográficos com baixa relação sinal ruído.
Métodos: Foram utilizados cinco sinais EMG
artificiais gerados a partir de sinais EMG de
superfície coletados do músculo primeiro interósseo
dorsal de um voluntário. Este realizou 5 coletas com
contrações isométricas, a 50% de sua contração
voluntária máxima, com duração de 25 segundos
cada. Foi dado um intervalo de 3 minutos entre cada
coleta.
O equipamento MyosystemBr1-P84 foi utilizado para
coleta dos sinais EMG (filtro passa-faixa sintonizado
entre 20 e 500 Hz, ganho total de 500x, taxa de
amostragem igual a 2000 Hz).
A cada sinal EMG coletado foram adicionados ruídos
brancos. Estes sinais foram então tratados com filtros
digitais por métodos convencionais e por EMD. Os
métodos convencionais envolveram a aplicação de
um filtro passa-banda de três pólos do tipo
Butterworth sintonizado entre 20 e 500 Hz e a
aplicação de um filtro notch de 60 Hz de um pólo. Já
a filtragem por EMD passou pelo mesmo filtro passabanda e, posteriormente, fez uso de soft-thresholding
em cada IMF (Andrade et al., 2006). Este método
consiste em subtrair cada amostra da IMF de um
limiar baseado no desvio padrão de um trecho do
sinal que contém apenas ruídos. Caso esta subtração
seja menor que zero, então a amostra é zerada. Caso
contrário, a amostra recebe o valor desta subtração.
A análise dos resultados foi feita através da
comparação do espectro de potência de cada um dos
sinais EMG e dos sinais resultantes dos diferentes
processos de filtragem. O espectro de potência foi
calculado baseado no método de Welch com tamanho
de segmento igual a 64 amostras, overlap de 50%, e
a área, que indica a potência total, foi calculada por
integração trapezoidal.
Em uma primeira análise avaliou-se o grau de
diminuição dos ruídos nas regiões de repouso do sinal
EMG. Para tanto, a potência total foi normalizada
com base no sinal original. Assim, se a potência total
dos sinais filtrados for igual a zero, os ruídos foram
totalmente eliminados e se ela for igual a um significa
que não houve atenuação dos ruídos. Na segunda
análise, a relação sinal-ruído de cada um dos sinais
foi estimada, utilizando um trecho contendo apenas
atividade EMG e outro que contém somente ruídos
para efeitos de comparação.
P á g i n a | 243
Figura 1 - Sinal EMG original com ruídos e os sinais filtrados pelos métodos convencionais e por EMD.
Resultados: A figura 1 apresenta um dos sinais EMG
utilizados e os sinais resultantes dos diferentes
processos de filtragem. A figura 2 apresenta o grau de
redução da potência total dos ruídos por ambos os
métodos de filtragem. Já a figura 3 apresenta a razão
entre a potência total do trecho contendo apenas sinal
EMG e o trecho contendo somente ruídos.
Figura 2 - Redução da potência total dos ruídos presentes nos
sinais EMG durante repouso.
Figura 3 – SNR dos sinais originais antes e depois da aplicação
dos métodos de filtragem.
Discussão: O gráfico da figura 2 demonstra que os
métodos de filtragem convencionais diminuíram a
potência total do ruído para 35% do total do sinal
EMG original, enquanto a aplicação da filtragem por
EMD foi capaz de reduzi-la para cerca de 5% do total
do sinal original.
O gráfico da figura 3 demonstra que a relação sinal
ruído melhorou consideravelmente ao utilizar a
filtragem por EMD, quando comparado ao sinal
original e o sinal resultante da filtragem
convencional.
Conclusão: O método de filtragem por EMD
apresenta-se como uma alternativa mais eficiente
quando comparada aos procedimentos usuais de
filtragem de sinais EMG, principalmente no cenário
em que a aquisição do sinal não foi ótima, isto é, foi
corrompida por ruídos desconhecidos ou presentes no
ambiente.
Referências
ANDRADE AO et al. EMG signal filtering based on
empirical mode decomposition. Biomedical Signal
Processing and Control. 2006;1(1):44-55.
DE LUCA CJ et al. Filtering the surface EMG signal:
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SOARES AB et al. The Development of a Virtual
Myoelectric Prosthesis Controlled by an EMG
Pattern Recognition System Based on Neural
Networks. Journal of Intelligent Information
Systems. 2003 21(2):127-141.
SIQUEIRA JUNIOR ALD et al. A novel method for
EMG decomposition based on matched filters.
Research on Biomedical Engineering. 2015 31:44-55.
Fontes financiadoras: CAPES, CNPq e FAPEMIG.
Fonte dos dados: O trabalho foi desenvolvido no
Laboratório de Engenharia Biomédica, junto ao
Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica,
FEELT-UFU.
P á g i n a | 244
INS.110. DETECÇÃO DO ONSET NO SINAL EMG: INFLUÊNCIA DO GRAU DE
SUAVIZAÇÃO DA ENVOLTÓRIA DO SINAL EMG NA DETECÇÃO POR USO DE
LIMIAR SIMPLES
Andrei Nakagawa Silva¹; Alcimar Barbosa Soares¹
¹ Laboratório de Engenharia Biomédica, Universidade Federal de Uberlândia
Introdução: O sinal eletromiográfico (EMG) é
formado pela soma dos potenciais de ação das várias
unidades motoras localizadas sob o eletrodo de
gravação. Por este motivo, a eletromiografia tem sido
amplamente utilizada para o estudo do sistema motor
por trazer informações eletrofisiológicas referentes
ao processo de contração muscular e do controle
central sobre a atividade das unidades motoras.
Qualquer análise sobre os sinais EMG coletados
requer a sua separação de pelo menos dois grupos,
sendo um formado por atividades musculares e o
outro por trechos de repouso. Vários métodos já
foram propostos na literatura para encontrar o início
e o fim (também chamados de onset e offset) da
atividade muscular pelo sinal EMG com o objetivo de
automatizar este processo (Staude et al., 2001).
Um dos métodos mais empregados devido à sua
simplicidade de implementação e utilização consiste
no emprego de um limiar simples para efetuar a
separação destes grupos. Para tanto, este método
extrai a envoltória do sinal EMG retificado antes de
calcular o limiar a ser empregado.
No entanto, esta opção pode ser sensível ao grau de
suavização da envoltória e ele pode influenciar
diretamente na qualidade do detector de onset. Neste
sentido, este trabalho visa demonstrar como a escolha
desta suavização pode influenciar o desempenho do
método de detecção que utiliza um limiar simples
para a deteção do início da atividade muscular no
sinal EMG.
Objetivo: Demonstrar, por meio do uso de sinais
EMG sintéticos, como o método de detecção do onset
baseado em limiar simples pode ser afetado pelo grau
de suavização da envoltória do sinal EMG.
Métodos: Para demonstrar a detecção do onset no
sinal EMG, é necessária a utilização de sinais EMG
cujas variáveis são conhecidas e controladas. Desta
forma, um sinal EMG sintético foi gerado utilizandose um simulador que baseia-se nas formas de onda de
potenciais de ação de unidades motoras (PAUMs)
reais coletadas de acordo com um protocolo
experimental bem padronizado.
Os dados obtidos geraram cerca de 1000 PAUMs,
classificadas como representantes de 15 UMs
distintas. O sinal EMG gerado é governado por
diferentes parâmetros, tais como: Número de
unidades motoras ativas, frequência de disparo e
relação sinal-ruído (SNR). Todas elas são
configuráveis e podem ser livremente ajustadas. O
simulador retorna o sinal de cada unidade motora
individual e o sinal EMG correspondente à somatória
de todos os PAUMs. Além disso ele também traz o
tempo em que ocorreu cada disparo de cada UM
ativa.
Foram gerados 50 sinais EMG sintéticos, sendo que
cada um consiste de uma única contração precedida e
sucedida de trechos de repouso. Os sinais simulados
possuem duração total de quatro segundos, com a
atividade EMG iniciando-se aleatoriamente entre um
e dois segundos, com duração de um segundo. Cada
sinal gerado também teve a sua relação sinal-ruído
(SNR) ajustada para três valores 20, 10 e 5 dB.
O método de detecção do onset foi baseado no
trabalho de Hodges e Bui e consiste em quatro etapas
(Hodges e Bui, 1996).
a) Retificar o sinal EMG
b) Suavizar o sinal EMG retificado aplicando um
filtro passa-baixa, extraindo a sua envoltória. O filtro
utilizado foi do tipo Butterworth, com quatro pólos e
as frequências de corte utilizadas foram iguais a 20 e
5 Hz.
c) Escolher um trecho do sinal que contém apenas
ruídos (linha de base) e calcular o limiar segundo a
Equação 1:
(1)
𝑙𝑖𝑚𝑖𝑎𝑟 = µ𝑙𝑖𝑛ℎ𝑎𝑏𝑎𝑠𝑒 + 3 ∗ 𝜎𝑙𝑖𝑛ℎ𝑎𝑏𝑎𝑠𝑒
d) O primeiro ponto acima do limiar corresponde ao
início da contração muscular.
Resultados: Para avaliar o desempenho dos
detectores de onset, foi calculado o erro absoluto
médio e o seu desvio padrão de acordo com os
resultados obtidos para cada um dos 50 sinais EMG
sintéticos analisados. Estes erros foram calculados
subtraindo os onsets encontrados daqueles reais
informados pelo simulador.
As Tabelas de 1 a 3 apresentam os resultados para
ambas as configurações de suavização (20 e 5 Hz),
para os sinais com SNR iguais a: 20, 10 e 5 dB,
respectivamente.
P á g i n a | 245
Tabela 5 – Erro médio absoluto e o seu desvio padrão para os
sinais EMG sintéticos com SNR igual a 20 dB.
Erro Médio (ms)
20 Hz
62,53
5 Hz
61,34
Desvio Padrão (ms)
151,77
49,84
Tabela 2 – Erro médio absoluto e o seu desvio padrão para os
sinais EMG sintéticos com SNR igual a 10 dB.
20 Hz
5 Hz
Erro Médio (ms)
54,79
25,22
Desvio Padrão (ms)
147,30
13,80
Tabela 3 – Erro médio absoluto e o seu desvio padrão para os
sinais EMG sintéticos com SNR igual a 5 dB.
Erro Médio (ms)
20 Hz
67,21
5 Hz
21,56
Desvio Padrão (ms)
172,19
14,91
Discussão: A simples alteração da frequência de
corte do filtro passa-baixa, que altera o grau de
suavização da envoltória do sinal EMG, demonstra
que este fator pode influenciar na acurácia da
detecção do onset. Pelos resultados, é possível
perceber que os métodos possuem desempenhos
opostos à medida que a qualidade do sinal piora, isto
é, que a SNR diminui. Enquanto a suavização de 20
Hz piora a sua eficiência, a suavização de 5 Hz
apresenta uma melhora.
O filtro de 20 Hz impõe uma menor suavização à
envoltória do sinal EMG. Desta forma, o onset
encontra-se mais próximo à transição do repouso para
a contração. No entanto, à medida que a SNR do sinal
diminui, os ruídos da linha de base passam a ter uma
menor atenuação, levando ao aumento do valor do
limiar, o que pode atrasar a detecção do onset. Além
disso, a chance desses ruídos oscilarem em torno do
limiar também aumenta, levando a detecções
errôneas, adiantadas em relação ao sinal verdadeiro.
Estes são dois fatores difíceis de serem corrigidos e
são as principais causas do aumento dos valores do
erro médio absoluto para a suavização de 20 Hz.
Já a suavização de 5 Hz é mais robusta em relação aos
ruídos da linha de base. No entanto, como o grau de
suavização é alto, o onset pode se deslocar ao longo
da curva do sinal, sendo necessário o cálculo de
limiares mais altos para melhorar o seu desempenho.
Além disso, em situações em que a SNR do sinal é
boa ou ótima (maior ou igual a 20 dB), a suavização
impõe variações no sinal inerentes ao filtro utilizado
que podem alterar a forma de onda do sinal nos
trechos próximos às contrações, influenciando na
detecção do onset. Os resultados da Tabela 2
demonstram, no entanto, que na presença de ruídos
esta influência do filtro diminui e, ao mesmo tempo,
proporciona uma melhor associação entre o sinal
EMG e o limiar calculado segundo a Equação 1.
Conclusão: Dentro do que foi exposto, percebe-se
que o método de detecção do onset com limiar
simples pode ter desempenhos diferentes de acordo
com o grau de suavização da envoltória do sinal
EMG. Isso ocorre porque este método é sensível à
SNR do sinal, podendo levar a muitos casos de falsospositivos, se os parâmetros não estiverem bem
ajustados. Portanto, é essencial que os pesquisadores
façam uma pré-análise de cada sinal EMG coletado a
fim de verificar qual opção de suavização pode gerar
melhores resultados.
Referências:
HODGES e BUI. A comparison of computer-based
methods for the determination of onset of muscle
contraction
using
electromyography.
Electroencephalo Clin Neurophysiol. 1996. 101:511519.
STAUDE et al. Onset Detection in Surface
Electromyographic Signals: a systematic comparison
of methods. Journal on Applied Signal Processing.
2001. 2:67-81.
Fontes financiadoras: CAPES, CNPq e FAPEMIG.
Fonte dos dados: O trabalho foi desenvolvido no
Laboratório de Engenharia Biomédica, junto ao
Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica
da Universidade Federal de Uberlândia.
P á g i n a | 246
INS.111. CORRELAÇÃO ENTRE A TEMPERATURA CUTÂNEA SOBRE PONTO
GATILHO MIOFASCIAL NO MÚSCULO TRAPÉZIO SUPERIOR E ATIVIDADE
ELETROMIOGRÁFICA EM INDIVÍDUOS COM CERVICALGIA CRÔNICA
Carlos Eduardo Girasol1, Almir Vieira Dibai-Filho1; Alessandra Kelly de Oliveira1;
Rinaldo Roberto de Jesus Guirro1
1
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, SP, Brasil
Introdução: Cervicalgia é uma disfunção
musculoesquelética
prevalente,
estando
intimamente relacionada em grande parte aos
novos hábitos de vida e atividades laborais
(Alexander, 2011; Bron e Dommerholt, 2012). Um
sinal clínico comum no músculo trapézio de
sujeitos com cervicalgia é a presença dos pontos
gatilhos miofasciais (Muñoz-Muñoz et al., 2012;
Turo et al., 2013). Assim, a termografia
infravermelha é um instrumento com possibilidade
de ser empregada na avaliação dos sujeitos com dor
miofascial. No entanto, a possível relação entre a
temperatura cutânea e outras variáveis clínicas
ainda não foi totalmente esclarecida pela literatura
científica.
Objetivo: Correlacionar a temperatura cutânea
sobre o ponto gatilho miofascial no músculo
trapézio superior e a atividade eletromiográfica em
indivíduos com cervicalgia crônica.
Métodos: Trata-se de um estudo transversal cego
aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da
instituição (nº 030643/2013). Quarenta voluntários
de ambos os gêneros foram incluídos no estudo,
com faixa etária entre 18 e 45 anos, dor cervical
crônica e presença de pontos gatilhos miofasciais
no músculo trapézio superior. Os voluntários foram
avaliados por meio da termografia infravermelha e
atividade eletromiográfica. Com relação à análise
estatística, foi analisada a distribuição dos dados
por meio do teste Kolmogorov-Smirnov. Assim,
foi aplicado o coeficiente de correlação de Pearson
(r) ou Spearman (rs) para verificar a associação
entre as variáveis.
Resultados: Foi observado positiva associação da
temperatura cutânea à direita com a frequência
mediana da isometria à direita (r = 0.341, p = 0.032)
e com a frequência mediana do repouso à esquerda
(rs = 0.427, p = 0.006); negativa associação entre
temperatura cutânea à direita e root mean square
(RMS) do repouso à direita (rs = -0.447, p = 0.004);
positiva associação da temperatura cutânea à
esquerda com a frequência mediana da isometria à
direita (r = 0.365, p = 0.020) e com a frequência
mediana do repouso à esquerda (rs = 0.573, p <
0.001).
Discussão: Foi observado no presente estudo
significativas correlações entre a temperatura
cutânea e a atividade eletromiográfica analisada no
domínio do tempo e da frequência: RMS em
repouso e frequência mediana do repouso e da
isometria. A literatura específica não apresenta
estudos avaliando indivíduos com dor miofascial
por meio da termografia infravermelha e
eletromiografia. No entanto, associações entre a
temperatura cutânea e outras variáveis clínicas já
foram realizadas, por exemplo, temperatura
cutânea e dor (Dibai-Filho et al., 2013; Haddad et
al., 2012) e temperatura cutânea e severidade da
disfunção (Dibai-Filho et al., 2015).
Além disso, observou-se que quanto maior o RMS
em repouso, i.e., a atividade elétrica muscular
basal, menor a temperatura cutânea (associação
negativa). Alguns autores ressaltaram em seus
estudos a explicação fisiopatológica para este
resultado (Barão et al., 2011; Rodrigues-Bigaton et
al., 2014).
A frequência mediana foi outro parâmetro
eletromiográfico avaliado no presente estudo,
sendo observada correlação positiva entre as
variáveis: quanto menor a temperatura cutânea,
menor a frequência mediana em repouso e em
isometria, o que pode ser explicado, segundo
Merletti et al. (2001) e Edmondston et al. (2011) já
que o músculo em fadiga apresenta menores
valores da frequência mediana.
Conclusão: Temperatura cutânea sobre ponto
gatilho miofascial está associada à atividade
eletromiográfica do músculo trapézio superior em
indivíduos com dor cervical crônica.
Fontes Financiadoras: Fundação de Amparo à
Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP,
processo nº 2015/04076-7).
Fonte dos dados: Esses dados são parte do
conteúdo da Tese de Doutorado intitulada:
P á g i n a | 247
“Eficácia de recursos fisioterapêuticos no
tratamento dos pontos gatilhos miofasciais em
indivíduos com cervicalgia: ensaio clínico
randomizado cego” do Programa de PósGraduação em Reabilitação e Desempenho
Funcional da Faculdade de Medicina de Ribeirão
Preto da Universidade de São Paulo.
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Neck Pain. Ultrason Imaging. 2013;35(2):173-87.
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pain intensity in women with myogenous
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disorder.
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masticatory muscles. Dentomaxillofac Radiol.
2012;41(8):621-9.
Dibai-Filho AV, et al. Women with more severe
degrees of temporomandibular disorder exhibit an
increase
in
temperature
over
the
temporomandibular joint. Saudi Dent J.
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Barão VA, et al. Effect of occlusal splint treatment
on the temperature of different muscles in patients
with TMD. J Prosthodont Res. 2011;55(1):19-23.
Rodrigues-Bigaton D, et al. Accuracy of two forms
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muscles in the diagnosis of myogenous
temporomandibular disorder. J Bodyw Mov Ther.
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Merletti R, et al. Surface electromyography for
noninvasive characterization of muscle. Exerc
Sport Sci Rev. 2001;29(1):20-5.
Edmondston S, et al. Endurance and fatigue
characteristics of the neck flexor and extensor
muscles during isometric tests in patients with
postural neck pain. Man Ther. 2011;16(4):332-8.
P á g i n a | 248
INS.112. EFEITO DA FAMILIARIZAÇÃO DO TESTE DE CAMINHADA DOS 10
METROS EM CRIANÇAS SAUDÁVEIS
Mariana Angélica de Souza1, Vanessa de Moraes Ramalho2, Cyntia Rogean de Jesus Alves de Baptista3,
Taís Regina da Siva2, Elisângela Aparecida da Silva Lizzi4,
Ana Claudia Mattiello- Sverzut5
1
2
Mestre em Ciências; Graduadas em Fisioterapia; 3 Doutoranda em Reabilitação e Desempenho Funcional;
4
Docente da Universidade Tecnológica Federal do Paraná; 5Docente do Departamento de Biomecânica,
Medicina e Reabilitação do Aparelho Locomotor - Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – Universidade
de São Paulo, Brasil
Introdução: O teste de caminhada dos 10 metros
(T10) é frequentemente utilizado para mensurar a
velocidade da marcha em pacientes acometidos por
diversas morbidades1-5. Entretanto, o efeito da
habituação ou familiarização do paciente frente ao
teste tem sido discutida e indicada como falha
metodológica ou viés de resposta quando não
considerada nas pesquisas clínicas. Há estudos que
realizaram treinamento prévio para garantir a
compreensão do teste1, outros realizaram uma2, duas3
ou três repetições sem treinamento prévio4,5. Quando
os pacientes são crianças, esse quesito toma
proporções mais extensas pois o desenvolvimento da
cognição progride com o avançar da idade. Sendo a
velocidade da marcha um importante parâmetro
clínico para avaliar performance motora, progressão
de doenças e/ou resultados de intervenções
terapêuticas em crianças e adolescentes, é necessário
analisar a influência da familiarização da resposta do
T10 em exposições consecutivas e minimizar vieses
metodológicos.
Objetivos: Avaliar o efeito da familiarização na
performance do teste de caminhada dos 10 metros
(T10) em crianças saudáveis.
Métodos: 40 crianças saudáveis, de 6 a 12 anos,
foram avaliadas em relação à peso, altura e T10.
Foram realizadas duas avaliações do T10, com
intervalo de 7 dias entre elas. Tanto no teste quanto
no reteste, o T10 foi repetido três vezes, com
intervalo de 1 minuto entre as repetições, sempre sob
comando do mesmo avaliador (previamente
treinado). Foi cronometrado o tempo da criança
caminhar, sem calçados, 10 metros nas velocidades
rápidas e depois, na velocidade preferida
(denominadas R10 e P10, respectivamente). Os dados
foram apresentados como média e desvio-padrão. Na
análise estatística utilizou-se o modelo de regressão
linear de efeitos mistos, considerando as três medidas
de tempo do R10 e do P10, admitindo nível de
significância de 5%. Este estudo foi aprovado pelo
Comitê de ética e Pesquisa do HCFMRP-USP,
processo número 7275/2013.
Resultados: As características antropométricas dos
voluntários estão apresentadas na Tabela 1 (em
anexo). Considerando toda a amostra não houve
diferença estatística (p>0.05) entre a VM de execução
do teste e a VM do reteste. Agrupando a amostra
conforme idade, houve diferença estatística (p<0.05)
entre a VM do teste e a VM do reteste apenas para a
idade de 10 anos, tanto na VM preferida quanto na
rápida. Já com a amostra agrupada conforme sexo e
idade (Tabela 2), houve diferença estatística (p<0.05)
entre VM do teste e a VM do reteste apenas para o
sexo masculino na idade de 10 anos, na VM preferida
(P10 e P6).
Tabela 2: Velocidade média no teste e reteste nas
velocidades preferida e rápida (P10 e R10,
respectivamente, em m/s).
Vm- P10
Idade
(anos)
6
8
10
12
TESTE
RETESTE
Vm- R10
TESTE
RETESTE
F
M
FeM
0,9(0,3)
1,3(0,2)
1,2 (0,2)
1,2(0,1)
1,2(0,2)
1,2(0,2)
1,9(0,1)
1,9(0,2)
1,9(0,2)
2,0(0,2)
1,9(0,3)
1,9(0,3)
F
M
FeM
F
M
FeM
F
M
FeM
1,2(0,1)
1,1(0,1)
1,2(0,1)
1,2(0,1)
1,2(0,1)*
1,2(0,1)
1,2(0,1)
1,6(0,3)
1,3(0,2)
1,2(0,2)
1,1(0,1)
1,2(0,2)
1,3(0,2)
1,4(0,2)
1,4(0,2)
1,4(0,1)
1,5(0,2)
1,4(0,2)
2,0(0,2)
2,1(0,2)
2,1(0,2)
2,1(0,2)
2,1(0,2)
2,2(0,2)*
4,6(0,3)
2,4(0,3)
1,4(0,2)
2,1(0,2)
2,0(0,4)
2,1(0,3)
2,2(0,2)
2,2(0,1)
2,3(0,2)
2,2(0,1)
2,3(0,2)
2,2(0,2)
Média (desvio-padrão), F= Feminino; M= Masculino; *P<0.05
quando comparado com a VM no reteste.
Discussão:
A ausência da diferença entre a VM de execução do
teste e VM do reteste indica que as crianças
respondem de maneira homogênea às condições de
teste/reteste, ou seja, a familiarização não exerce
modificações na performance das crianças e que esta,
independente da idade. Em pacientes com AVE, uma
P á g i n a | 249
única medida do teste, após familiarização, é
suficiente para obter a real velocidade da marcha6.
Contrariamente, crianças que realizaram uma
atividade motora grossa e que obtiveram feedback,
puderam repetir a tarefa em uma segunda vez
realizando a mesma com melhor precisão7. Para
Reisman et al, 20108, alguns minutos ou horas de
prática tornam os movimentos mais precisos, como
quando um indivíduo está acostumado com um
comando, por exemplo, num ambiente de teste. Essa
estratégia favorece ajustes do sistema nervoso
central. Talvez seja por isso que alguns autores
utilizam como velocidade média, a média da
velocidade obtida em 3 voltas no T10.
Diferentemente desses achados da literatura, os
resultados da comparação teste/reteste do presente
estudo, indicam que a exposição ou treinamento
prévio não influenciam a velocidade média da
marcha.
3.
Conclusões: Para crianças saudáveis, uma única
medida do T10 parece suficiente para obtenção
confiável da resposta de performance motora, sem a
necessidade de exposição prévia ao teste, uma vez
que não há efeito de familiarização.
Referências:
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test and 6-minute walk test in ambulatory school-aged children
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Neurology. 2008, 50: 370-376.
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adults: the influence of walkway length. Am. J. Phys. Med.
Rehabil. 2013; 92: 776-780.
3. van Hedel H et al. Assessing walking ability in subjects with
spinal cord injury: validity and reliability of 3 walking tests.
Arch Phys Med Rehabil. 2005 Feb;86(2):190-6.
4. Peters et al. Assessing the Reliability and Validity of
a Shorter Walk Test Compared With the 10-Meter Walk Test for
M easurements of Gait Speed in Healthy, Older Adults. J Geriatr
Phys Ther. 2013 Jan-Mar;36(1):24-30.
5. Nascimento LR, Lívia CG, Caetano LCG, Freitas DCMA,
Morais TM, Polese JC, Teixeira-Salmela LF. Diferentes
instruções durante teste de velocidade de marcha determinam
aumento significativo na velocidade máxima de indivíduos com
hemiparesia crônica. Rev Bras Fisioter. 2011.
6. Faria CD, Teixeira-Salmela LF, Neto MG, Rodrigues-dePaula F. Performance-based tests in subjects with stroke:
outcome scores, reliability and measurement errors. Clin
Rehabil. 2011.
7. Sullivan KJ, Kantak SS, Burtner PA. Motor Learning in
Children: Feedback Effects on Skill Acquisition. PHYS THER.
2008; 88:720-732.
8. Reisman DS, Bastian AJ, Morton SM. Neurophysiologic and
rehabilitation insights from the split-belt and other locomotor
adaptation paradigms. PHYS THER. 2010; 90:187-195.
Fontes financiadoras: Conselho Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)
Fonte dos dados: Esses dados são parte do conteúdo
da Iniciação Científica intitulada: Confiabilidade e
reprodutibilidade inter e intra-avaliador do teste de
caminhada dos 10 metros em crianças saudáveis entre
6 e 12 anos.
Tabela 1: Caracterização da amostra.
6 anos
F (n=5)
M (n=5)
8 years
F (n=5)
M (n=5)
10 years
F (n=5)
22.4
27.2
25.8
31.8
44.4
(5.7)
(8.8)
(5.7)
(7.4)
(9.3)
1.2
1.2
1.3
1.3
1.5
Altura (m)
(0.07)
(0.07)
(0.07)
(0.05)
(0.04)*
Média (desvio-padrão), F= feminino, M= masculino, n= número de participantes.
Peso (kg)
12 years
M (n=5)
F (n=5)
M (n=5)
37.8
(3.8)
1.3
(0.03)
59.0
(6.9)
1.5
(0.09)
59.0
(17.6)
1.5
(0.12)
P á g i n a | 250
INS.113. APLICAÇÃO DOS SISTEMAS DINÂMICOS NA ANÁLISE CINEMÁTICA
DA ARTICULAÇÃO ESCAPULOTORÁCICA EM INDIVÍDUOS COM DOR NO
OMBRO COM E SEM DISCINESE ESCAPULAR
Denise Matineli Rossi1; Daiane Lazzeri de Medeiros1; Thiele de Cássia Libardoni1; Tenysson Will Lemos1;
Anamaria Siriani de Oliveira1;
1 Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto; Universidade de São Paulo – USP
Introdução: A alteração na coordenação da cintura
escapular está relacionada com a dor no ombro1.
Dentre estas alterações está a discinese escapular
(DE) definida como apresentação clínica de projeção
posterior da borda escapular ou alteração rítmica
como elevação escapular antecipada ou rápida
rotação inferior durante elevação e abaixamento do
braço1. As evidências de alteração na cinemática
tridimensional escapulotorácica em pacientes com
dor no ombro2 abordam a magnitude das rotações
angulares da escápula em determinados pontos do
ciclo de movimento. No entanto, a determinação de
parâmetros discretos da curva podem ocultar
características importantes como o padrão de
coordenação ao longo da tarefa analisada. Por sua
vez, abordagens baseadas nos sistemas dinâmicos,
como por exemplo a análise do ângulo de
acoplamento,
provêm
informações
sobre
coordenação entre movimentos de quaisquer
segmentos ao longo de todo o ciclo de movimento3.
Objetivo: Avaliar o padrão de movimento de dois
eixos da escápula em indivíduos com dor no ombro
com e sem discinese.
Métodos: Este estudo foi aprovado pelo Comitê de
Ética em Pesquisa da Faculdade de Medicina de
Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo
(processo n° 4799/2014). Foram avaliados 13
indivíduos com dor no ombro classificados
clinicamente com presença (n=7) ou ausência (n=6)
de discinese escapular. Os participantes apresentaram
dor localizada na região anterolateral medial do
ombro há mais de uma semana, dor durante o
movimento ativo de elevação do braço, positividade
para testes ortopédicos específicos: teste de Neer e
Hawkins-Kennedy e amplitude mínima de 120° de
elevação. Participantes sintomáticos com sinais de
ruptura do manguito rotador (Drop Arm Test
positivo), sintomas relacionados a coluna cervical ou
instabilidade glenoumeral foram excluídos da
amostra. A DE foi avaliada por meio do método de
classificação proposto por Uhl et al. (2009)4 na qual
“sim” corresponde
a presença de desvio ou assimetria e “não”
corresponde ao movimento escapular normal. Para a
aquisição dos dados cinemáticos tridimensionais foi
utilizado o sistema Libert® (Polhemus, Colchester,
VT). O posicionamento dos sensores, a construção do
modelo biomecânico e a digitalização das estruturas
anatômicas foram realizadas conforme as
recomendações da Sociedade Internacional de
Biomecânica5. Após a colocação dos sensores foi
realizada a avaliação da cinemática tridimensional da
escápula durante os movimentos de elevação e
abaixamento do braço no plano sagital. A partir da
posição ortostática foi solicitado ao participarte
realizar dez ciclos de elevação e abaixamento do
braço, na qual foram consideradas para análise dos
dados as três últimas tentativas. Os dados
tridimensionais foram processados utilizando o
programa The Motion Monitor. Os movimentos da
escápula em relação ao tórax foram analisados por
meio da sequência de ângulos Euler YX’Z’’,
elevação do úmero em relação ao tórax pela
sequência XZ’Y’. A análise do ângulo de
acoplamento foi realizada em ambiente Matlab entre
o movimento de rotação superior (eixo X) e
inclinação anterior (eixo Z) da escápula durante a
elevação e o abaixamento do braço. Para isso, o sinal
foi normalizado entre 30° e 120° para a elevação e
120° e 30° para o abaixamento. Também foi analisada
a banda da mínima mudanca detectável (MMD) a fim
de capturar a variabilidade nos padrões de movimento
entre participantes com e sem DE.
Resultados: Sete indivíduos classificados com
discinese escapular (51.6±7.2 anos, 1.6±0.0 m,
77,9±12.0 kg) e seis indivíduos sem discinese
escapular (49.5±6.0 anos, 1.5±0.0 m, 65,3±15.0 kg)
foram avaliados. Ambos movimentos de elevação e
abaixamento do braço foram analisados, no entanto,
foram apresentamos somente os dados referente ao
abaixamento na qual obtivemos resultados
relevantes. A figura 1 ilustra o ângulo de acoplamento
durante o abaixamento do braço para indivíduos sem
discinese representados em vermelho e indivíduos
com discinese representados em azul. A linha sólida
representa a média de cada grupo e a linha tracejada
representa a banda da MMD de seis indivíduos
classificados clinicamente como presença de padrão
normal de movimentação escapulotorácica. Os
valores no eixo x representam a amplitude de
P á g i n a | 251
movimento entre 30° e 120° durante o abaixamento
do braço. No período entre 54º e 87º pode-se observar
uma alteração do padrão de coordenação do
movimento típico entre rotação superior e inclinação
anterior da escápula em indivíduos com discinese
escapular. Ou seja, a média do grupo de indivíduos
com discinese escapular representada pela linha azul
encontra-se fora da banda da MMD representada por
indivíduos
classificados
com
padrão
de
movimentação normal.
Discussão
A análise do ângulo de acoplamento entre a rotação
superior da escápula e a inclinação anterior da
escápula durante o abaixamento do braço revelou
uma alteração do padrão de coordenação entre esses
dois movimentos escapulares em indivíduos
clinicamente classificados com discinese escapular
com dor no ombro. No entanto, o resultado
apresentado não pode ser generalizado devido ao
pequeno número amostral.
Conclusão:
O padrão de movimento da escápula é alterado entre
a inclinação anterior e rotação superior nos sujeitos
com DE.
Referências
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Apr;44(5):300–5.
2 Borstad JD et al. Clin Biomech Bristol Avon. 2002
Dec;17(9-10):650–9.
3 Spinelli BA et al.. Man Ther. 2015 Feb;20(1):2216.
4 Uhl TL et al. Arthrosc J Arthrosc Relat Surg Off
Publ Arthrosc Assoc N Am Int Arthrosc Assoc. 2009
Nov;25(11):1240–8.
5 Wu G et al. J Biomech. 2005 May;38(5):981–92.
Fontes financiadoras: Fundação de Amparo à
Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP)
processo: 2015/02116-1 BEPE - Doutorado e
2014/09485-0 Doutorado
Fonte dos dados: Esses dados são parte do conteúdo
da Tese de Doutorado intitulada de Discinese
escapular e análise de componentes principais na
cinemática tridimensional escapulotorácica. O
trabalho está sendo desenvolvido junto ao Programa
de Pós-Graduação em Reabilitação e Desempenho
Funcional FMRP/USP.
Figura 1: Gráfico do ângulo de acoplamento entre a rotação superior da escápula e inclinação anterior da escápula durante o
abaixamento do braço. A linha sólida azul representa a média dos indivíduos sintomáticos com DE e a linha sólida vermelha
representa a média dos indivíduos sintomáticos sem DE. A linha tracejada vermelha representa a banda de 95% da mínima mudança
detectável a partir dos dados de indivíduos com padrão típica de movimento da escápula.
P á g i n a | 252
INS.114. REPRODUTIBILIDADE INTRA AVALIADOR E NÍVEL DE ACORDO DAS
VARIÁVEIS OBTIDAS EM DOIS PROTOCOLOS DE DINAMOMETRÍA EM HOMENS JÓVENS
E SADIOS
Diana Reina-Torres, Alejandra Camacho, Esperanza Herrera V., Diana Delgado-Díaz
Escuela de Fisioterapia, Universidad Industrial de Santander
Introdução: A força muscular é usada para avaliar
déficits no desempenho muscular, efeitos dos
programas de treinamento físico e protocolos de
reabilitação1. A avaliação com do desempenho
muscular com o dinamômetro isocinético é
considerada prova de ouro1,3. A literatura apresenta
dados de reprodutibilidade entre excelentes e muito
boas1,3, pouco se sabe sobre as propriedade
clinimétrica do tempo ao pico, representativa do
desempenho muscular do dinamômetro isocinético
do HUMAC NORM, utilizado nesse estudo.
Objetivo: Determinar a reprodutibilidade
intraexaminador e os limites de concordância das
variáveis de desempenho muscular obtidas em teste
isocinético concêntrico e isométrico dos extensores
do joelho de homens jovens e fisicamente ativos.
Métodos:
Doze
universitários
saudáveis,
estudantes
(21,6±1,4
anos,
1,7±0,08m,
66,2±10,23kg, IMC 22,9±1,60kg/m2) com nível de
atividade física moderado (IPAQ 1185±293,8
METS-minutos/semana)
participaram
desse
estudo. O protocolo foi aprovado pelo Comitê de
ética em pesquisa científica da Universidade
Industrial de Santander. As medições foram
realizadas pelo mesmo examinador treinado e
experiente. Os participantes foram avaliados em 2
sessões, com intervalo mínimo de 7 dias para
garantir a independência das medições. Em cada
sessão, o sujeito realizou dois protocolos de 5
repetições de extensão de joelho no membro
inferior dominante, com 1 min de intervalo entre
contrações.
Foram
registradas
contrações
isométricas a 60° de flexão de joelho e contração
isocinética concêntrica na velocidade angular de
60°/s. As variáveis analisadas foram o pico de
torque isométrico e isocinético, tempo ao pico e
trabalho. Medidas de tendência central e de
dispersão foram calculadas. A reprodutibilidade foi
determinada com o ICC2,2 e a classificação sugerida
por Bland & Altman.
Resultados: A reprodutibilidade para as variáveis
isométricas foi alta para o pico de torque (ICC 0,76)
e moderada para tempo ao pico (ICC 0,67) (Tabela
1). A reprodutibilidade para as contrações
isocinéticas foi moderada para o pico de torque
(0,66) e trabalho (0,59) e alta para o tempo ao pico
(0,80) (tabela 2). Os limites de concordância foram
estreitos e as diferenças das médias próximas de
zero para todas as variáveis (Tabela 1 e 2).
Discussão:
Nossos
resultados
provaram
reprodutibilidade intraexaminador entre moderada
e alta para as variáveis obtidas nos dois protocolos.
Esses resultados são semelhantes aos apresentados
por Pincivero et al.4, que avaliaram os quadríceps e
isquiotibiais em duas velocidades. Além disso,
houve bom acordo entre as medições. O método de
Bland e Altman permitiu estabelecer diferenças
entre as medições que serão úteis para confirmar
quanto as mudanças entre medidas repetidas
correspondem ao erro próprio da medição e quanto
dos protocolos de treinamento ou intervenção que
puderem testar se com o dinamômetro isocinético.
Conclusões: Houve boa reprodutibilidade e bom
acordo nas medições obtidas em duas sessões pelo
mesmo examinador, tanto no teste isométrico
quanto no isocinético concêntrico de extensores de
joelho.
Fontes de financiamento: Universidade Industrial
de Santander
Fonte dos dados: Os resultados apresentados são
um trabalho original, feito no desenvolvimento de
Mestrado projeto "Efeito de duas doses de
crioterapia na dor e desempenho muscular de início
tardio em homens jovens submetidos a Sessão do
excêntrico do exercício" programa de Mestrado em
Fisioterapia da Universidade Industrial de
Santander.
Referências:
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Silveira R, Vaz M, et al. Inter-machine reliability
of the Biodex and Cybex isokinetic dynamometers
for knee flexor/extensor isometric, concentric and
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Tabela 1. Resultados de reprodutibilidade (ICC2,2) e limites de concordância intraexaminador das variáveis
obtidas no teste isométrico.
Variável
Média ±DP
Sessão 1
Média ±DP
Sessão 2
Médias das
diferenças ± DP
Limites de
Concordância
Intervalos de
confiança 95%
Pico de Torque
(N.m)
169,9±29,9
163,15±24,6
6,8 ± 22,88
-38,046 - 51,646
0,762 (0,2 – 0,9)
Tempo ao pico (s)
3,0±0,8
2,84±0,7
0,15± 0,802
-1,414 - 1,730
0,673 (-0,2 – 0,9)
Tabela 2. Resultados de reprodutibilidade (ICC2,2) e limites de concordância intraexaminador das variáveis
obtidas no teste isocinético concêntrico.
Média ±DP
Média ±DP
Médias das
Limites de
Intervalos de
Sessão 1
Sessão 2
diferenças ±DP
acordo
confiança 95%
184.83±50.6
173.08±26.6
11.75± 40.69
-67,996 - 91,496
0.597 (-0.470 – 0.885)
Tempo ao pico (s)
1.10±0.2
1.11±0.9
-0.01± 0.259
-0,517 - 0,497
0.738 (0.161 – 0.923)
Trabalho (w)
217.67±58.2
211.08±26.7
6,583± 53
-96,971 - 110,138
0.306 (-1.843 – 0.809)
Variável
Pico de Torque
(N.m)
P á g i n a | 254
INS.115. ANÁLISE DE MUDANÇAS NA CLASSIFICAÇÃO DO START BACK
SCREENING TOOL PARA PREDIZER DESFECHOS CLÍNICOS EM PACIENTES
COM DOR LOMBAR CRÔNICA QUE RECEBEM TRATAMENTO
FISIOTERÁPICO
Flávia Medeiros1; Leonardo Costa1; Marco Added1; Evelyn Salomão1; Lucíola Costa1
1 Universidade Cidade de São Paulo - UNICID
Introdução: O STarT Back Screening Tool (SBST)
foi desenvolvido para triar e classificar os pacientes
com dor lombar em três classificações de risco de ter
um mau prognóstico1. Um dos principais objetivos do
SBST é predizer incapacidade funcional a longo
prazo. No entanto, apenas uma classificação na
avaliação inicial não considera as variáveis que
podem influenciar o prognóstico destes pacientes
durante o tratamento ao longo do tempo. Na
literatura, apenas dois estudos aplicaram o SBST em
avaliações
distintas2,3,
como
medida
de
monitoramento, no entanto a duração dos sintomas
dos pacientes incluídos nos estudos não foi
controlada assim como o número de sessões
fisioterápicas recebidas.
Objetivos: Replicar o modelo metodológico e
estatístico proposto por Beneciuk e colaboradores na
população brasileira para investigar se há mudanças
na classificação de risco através do SBST ao longo de
6 meses e testar a capacidade de predição do SBST a
longo prazo quando aplicado em diferentes pontos do
tempo, para os desfechos dor, incapacidade e
percepção do efeito global em pacientes com dor
lombar crônica inespecífica que recebem tratamento
fisioterápico padronizado.
Métodos: Este é um estudo de coorte prospectivo
com segmento de 6 meses que foi conduzido paralelo
a um estudo conrolado aleatoriazado4. O estudo foi
conduzido no Departamento de Fisioterapia da
Irmandade Santa Casa de Misericórdia de São Paulo
e obteve a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa
da Universidade Cidade de São Paulo (CAAE:
14386513.4.0000.0064). Foram incluídos 148
pacientes com dor lombar crônica inespecífica. Todos
os participantes receberam dez sessões de tratamento
fisioterápico após a avaliação inicial. Desfechos
clínicos de dor, incapacidade e percepção do efeito
global, assim como o SBST foram coletados na
avaliação inicial, após 5 semanas, 3 e 6 meses. Todos
os instrumentos utilizados já foram traduzidos a
adaptados para o português brasileiro5-7. A mudança
na classificação de risco foi calculada através de
análises descritivas. Modelos de regressão linear
foram construídos para analisar a capacidade
preditiva do SBST quando aplicado em diferentes
pontos do tempo.
Resultados: Após receber tratamento fisioterápico,
60,8% dos pacientes mudaram de classificação de
risco, sendo que 54,7% melhoraram e 6,1% pioraram.
O subgrupo que apresentou a maior porcentagem de
mudança (75%) foi o médio risco. Após 3 e 6 meses
74,5% dos pacientes permaneceram estáveis nas
classificações de risco. O SBST foi capaz de predizer
dor, incapacidade e percepção do efeito global em 6
meses quando aplicado na avaliação de 5 semanas,
em 3 meses e entre a avaliação inicial e 5 semanas, no
entanto o SBST não foi capaz de predizer os mesmos
desfechos a partir de uma avaliação inicial.
Discussão: Foi possível detectar mudanças na
classificação do SBST, principalmente os pacientes
de médio risco após um tratamento fisioterápico. Essa
mudança é uma informação importante a ser
observada por clínicos, sendo que mudar de subgrupo
pode alterar o prognóstico do paciente e o tratamento
a ser recebido8. Em relação a capacidade preditiva do
SBST, a maioria dos estudos2, 9-11 foram capazes de
predizer o desfecho incapacidade a longo prazo
através do SBST aplicado na avaliação inicial
contraponto os nossos resultados. No entanto,
construímos os modelos preditivos ajustando a
análise para a linha de base nas características de
idade, duração dos sintomas e também para o escore
total do instrumento, referente ao desfecho clínico
estudado diferindo dos outros estudos realizados.
Parece que o SBST também pode ser usado como
medida de monitoramento no setor da fisioterapia e
um novo instrumento do SBST foi proposto para este
proposto. A validação desse intrumento em
populações dististas é o próximo passo para auxiliar
P á g i n a | 255
no monitoramento dos pacientes com dor lombar que
estão em tratamento fisioterápico.
Conclusões: Este estudo valida o modelo proposto
por Beneciuk et al 20152 mostrando que a maioria dos
pacientes mudam de classificação após um
tratamento fisioterápico e que a capacidade preditiva
do SBST aumenta quando o instrumento é aplicado
em diferentes pontos do tempo em pacientes com dor
lombar crônica inespecífica.
Referências
1.
Hill JC et al. Arthritis rheuma.
2008;59(5):632-41. doi: 10.1002/art.23563.
2.
Beneciuk JM et al. J Orthop Sports Phys Ther.
2014;44(9):656-64. doi: 10.2519/jospt.2014.5178.
3.
Wideman TH et al. Pain. 2012;153(11):218291. doi:10.1016/j.pain.2012.06.010
4.
Added MA et al. BMC musculoskeletal
disord. 2013;14:301 doi: 10.1186/1471-2474-14-301.
5.
Costa LO et al. Spine. 2008;33(22):2459-63.
doi: 10.1097/BRS.0b013e3181849dbe.
6.
Nusbaum L et al. Braz J Med Biol Res.
2001;34(2):203-10.
doi:
10.1590/S0100879X2001000200007
7.
Pilz B et al. Braz J Phys Ther. 2014;0:0.
8.
Hill JC et al. Lancet. 2011;378(9802):156071. doi: 10.1016/S0140-6736(11)60937-9.
9.
Beneciuk JM et al. Phys Ther.
2013;93(3):321-33. doi: 10.2522/ptj.20120207.
10.
Morso L et al. Eur Spine J. 2013;22(8):185967. doi: 10.1007/s00586-013-2690-z.
11.
Morso L et al. Eur Spine J. 2014;23(1):120-8.
doi: 10.1007/s00586-013-2861-y.
Fontes
financiadoras:
Coordenação
de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
(CAPES), Fapesp (processo 2013/02075-8) e CNPq
(474012/2013-1).
Fonte dos dados: Esses dados são parte do conteúdo
da Dissertação de Mestrado intitulada: Análise de
mudanças na classificação do STarT Back Screening
Tool para predizer desfechos clínicos em pacientes
com dor lombar que recebem tratamento
fisioterápico. O trabalho é desenvolvido junto ao
Programa de Mestrado e Doutorado da Universidade
Cidade de São Paulo-Unicid.
P á g i n a | 256
INS.116. AVALIAÇÃO EM TEMPO REAL DO PROTÓTIPO
ELETROGONIÔMETRO FLEX NA PRECISÃO DOS ÂNGULOS DA
ARTICULAÇÃO DO COTOVELO
Guilherme Gallo Costa Gomes1, Felippe Gallo Costa Gomes4, Saulo Fabrin2,3, Evandro Marianetti
Fioco2,3,Edson Donizetti Verri1,2,3
UNAERP– Universidade de Ribeirão Preto; 2CLARETIANO – Centro Universitário; 3 Faculdade de
Odontologia de Ribeirão Preto – Universidade de São Paulo; 4UFABC – Universidade Federal do ABC.
1
Introdução: A medida da amplitude de
movimento articular (ADM) é um componente
importante na avaliação física, pois identifica as
limitações articulares, bem como permite aos
profissionais acompanharem de modo quantitativo
a eficácia das intervenções terapêuticas durante o
processo de reabilitação. O instrumento mais
utilizado pelos terapeutas para medir a ADM é o
goniômetro (Batista et al. 2006) e sua precisão de
medida é influenciada pela qualidade do
instrumento e manipulação correta do avaliador
(Marques, 2002). No entanto, existem outros
instrumentos capazes de mensurar a ADM, como o
dinamômetro isocinético, e nas últimas décadas
houve o aumento no desenvolvimento de novas
tecnologias (Batista et al. 2006), entre elas destacase a plataforma Arduino, utilizada em várias
aplicações, por ser uma plataforma livre e de baixo
custo (Sarik et al., 2010).
Objetivo: Avaliar a precisão em tempo real dos
ângulos articulares do cotovelo por meio de
eletrogoniômetro.
Métodos:
Para
desenvolvimento
do
eletrogoniômetro foi utilizada uma placa arduino
modelo Uno equipada com um microcontrolador
AVR Atmel 328 de 8 bits. Além do Arduino Uno
também foram utilizados fios jampers, protoboard,
sensor flex, computador e cotoveleira. O arduino é
uma plataforma eletrônica composta por um
microcontrolador que permite escrever um
software de controle para dispositivos externos,
desta forma é possível realizar a leitura de um
sensor flex acoplado ao membro de um indivíduo e
receber estes dados na interface do computador.
Figura 1 – Conexões para montagem do
eletrogoniometro.
Fonte: Acervo Pessoal
Para o desenvolvimento do teste o sensor flex foi
acoplado ao cotovelo do indivíduo, na face
posterior sobre o olecrano por meio de uma
cotoveleira. Foi então solicitado ao indivíduo
realizar uma flexão de cotovelo a partir da posição
ortostática e na sequência uma extensão completa,
de forma que os graus derivados do movimento
articular foram coletados pelo sensor, transferidos
à placa arduino e por fim exibidos na tela do
computador por meio da interface de um software.
O sensor flex é um dispositivo que muda sua
resistência ao ser dobrado e as variações das
resistências são exibidas no computador pelo
software. Conforme o sensor flex é flexionado o
software realiza a captação dos valores obtidos,
traduzindo-as em angulações de 180 a 30 graus. A
calibração do dispositivo foi realizada por meio de
um transferidor e um goniômetro tradicional. A
princípio a sensibilidade do dispositivo foi ajustada
de 30 em 30 graus, porém será necessário calibrar
a marcação do dispositivo para 10 em 10 graus,
iniciando em 180 graus e finalizando 30 graus.
Resultados: Após os procedimentos realizados os
dados de angulação da articulação do cotovelo
foram obtidos em tempo real, possibilitando definir
os ângulos de acordo com a amplitude de
P á g i n a | 257
movimento realizada conforme demonstra a Figura
2.
Fonte dos dados: Estes resultados apresentados
são decorrentes de uma pesquisa original do
Laboratório de Biomecânica do Movimento do
Claretiano Centro Universitário de Batatais.
Figura 2 – Tela do software de aquisição dos
ângulos de eletrogoniômetro.
Fonte: Acervo Pessoal
Discussão: Para maior confiabilidade de aquisição
dos dados no sistema será necessário ajustar a
sensibilidade da variável de obtenção dos ângulos,
de forma a minimizar possíveis erros de
interpretação dos resultados, pois o ser humano
apresenta características biomecânicas únicas e
essas características destacam-se ainda mais
quando são comparados indivíduos da mesma
espécie (Molinari, 2000). Portanto é importante
determinar as amostras e testes em indivíduos
saudáveis e com patologias musculoesqueléticas.
Conclusões: O projeto do protótipo atendeu as
expectativas estabelecidas de sua especificação
inicial, na questão de estabelecer um dispositivo de
medição de ângulos, porém é notório que alguns
elementos do projeto devem ser melhorados e
avaliados, principalmente o método de calibração
da sensibilidade, e ajustes para medição de
medição ângulos em menor escala. De uma forma
geral, observa-se que este dispositivo pode ter
grande utilidade, boa eficiência, no intuito de aferir
os ângulos de amplitude de movimento.
Referências
1.
Batista LH, et al. Rev. bras. fisioter.,
2006;10(2):193-198.
2.
Sarik J, et al. Frontiers in Education
Conference (FIE). 2010:1-5
3.
MARQUES AP. Manual de
Goniômetria, Editora Manole, 2002.
4.
MOLINARI B. Avaliação Médica e
Física para Atletas e Praticantes de
Atividades Físicas, Editora Roca, 2000.
P á g i n a | 258
INS.117. METODOLOGIA DE ANÁLISE DA INTERFERÊNCIA CAUSADA
PELA CONTRAÇÃO DO MÚSCULO FRONTAL NO ESCALPO
Gustavo Moreira da Silva1; Luciano Brinck Peres1; Carlos Magno Queiroz1; Adriano de Oliveira Andrade1
1 Universidade Federal de Uberlândia
Introdução: O registro eletroencefalográfico (EEG)
se trata de um sinal oriundo de sobreposições de
potenciais pré e pós-sinápticos os quais são
atenuados pelas estruturas existentes entre o cérebro
e o couro cabeludo, local onde geralmente são
posicionados os sensores que detectam o registro
dessa atividade. O EEG se trata de um sinal de
amplitude na ordem de 1 a 100 microvolts, valor
bem baixo se comparado aos valores médios obtidos
pelo registro eletromiográfico (EMG) de superfície.
Devido à essa baixa amplitude, este sinal, captado
no couro cabeludo, se torna muito sensível à
artefatos provenientes de contrações musculares
provenientes principalmente dos músculos faciais.
Como consequência, o artefato de EMG é, então, um
fator limitador principalmente em aplicações que
dependem de medidas e detecção de características
do EEG em tempo real, além de inviabilizar a leitura
do traçado, nos casos do EEG clínico (GHARIEB,
2003)
Embora existam inúmeras técnicas para a filtragem
de sinais na literatura, há uma carência de estudos
que caracterizem espacialmente a influência do
eletromiograma sobre o eletroencefalograma. Sendo
assim, este trabalho propõe uma metodologia para
caracterização espacial do EEG contaminado pelo
EMG.
Objetivos: Propor uma metodologia de avaliação da
interferência do eletroencefalograma contaminado
pelo eletromiograma durante contrações do músculo
frontal.
Métodos: Este trabalho propõe uma metodologia de
avaliação da interferência do eletroencefalograma
contaminado por ruído de EMG. O estudo obedece à
Resolução 466/2012 do Conselho Nacional de
Saúde e as aquisições do sinal foram realizadas no
Laboratório de Engenharia Biomédica da
Universidade Federal de Uberlândia (UFU)
autorizado pelo Comitê de Ética em Pesquisas com
Seres Humanos (CEP-UFU), sob Número CAAE:
43670815.4.0000.5152.
Para a avaliação da influência da contração do
músculo frontal são propostos três passos: (i)
Treinamento e preparação do voluntário acerca do
procedimento experimental a ser realizado pelo
mesmo. (ii) Aquisição simultânea do registro de
EMG do músculo frontal e EEG com eletrodos
posicionados segundo o padrão 10-20 com
referência bipolar.
(iii) Pré-processamento, classificação e análise da
alteração do valor médio absoluto (MAV).
A Figura 1 ilustra de maneira geral o protocolo de
coleta de dados o qual se inicial com a preparação
do voluntário e posicionamento dos eletrodos de
EEG e EMG. Em seguida é orientado ao voluntário
que o mesmo ouvirá sinais sonoros de diferentes
durações e nesse tempo em que o mesmo ouvir o
estímulo sonoro deverá manter o músculo em
questão contraído.
Figura 1: Elementos do protocolo experimental envolvendo a contração voluntária de músculos faciais simultaneamente à aquisição da
eletroencefalografia.
P á g i n a | 259
Finalizado o registro dos biopotenciais, por meio
do sistema de condicionamento 256, obtém-se os
dados amostrados à 5000 Hz nos quais os
registros de EMG são utilizados para marcar os
momentos de ativação muscular que
provavelmente serão coincidentes com a duração
dos estímulos sonoros. Além disso, os sinais EEG
e EEG são filtrados através do método de
Decomposição de Modo Intrínseco (EMD) a fim
de se remover principalmente ruídos de 60 Hz.
Finalizando o processo os 16 canais bipolares de
EEG são janelados conforme as marcações
temporais de ativação e relaxamento do músculo
frontal para que seja extraída a MAV das séries
temporais dos canais de EEG durante as épocas
com contração muscular e durante as épocas com
relaxamento muscular. Desses dados são gerados
topográficos da cabeça indicando as alterações
provocadas pelo EMG nos valores absolutos
médios do EEG.
Resultados: A Figura 2 indica um mapa
topográfico da cabeça com os valores
normalizados da MAV para cada eletrodo nas
épocas que houveram ativação do músculo frontal,
em que as regiões em vermelho se aproximam aos
valores máximos da matriz de dados da MAV para
cada eletrodo de EEG, ao passo que os valores em
azul escuro são valores que se distanciam dessa
amplitude máxima, ou seja, baixa amplitude
captada pelo eletrodo. Já a Figura 3 ilustra o mapa
topográfico de épocas sem a ativação do EEG. A
predominância da cor azul no mapa indica que,
exceto nas regiões temporais, a energia em todo o
mapa é baixa.
Figura 2: Topografia da cabeça indicando a MAV do EEG nas
épocas com atividade EMG.
Figura 3: Topografia da cabeça indicando a MAV do EEG nas
épocas sem atividade EMG.
Discussões: Analisando os mapas topográficos
observa-se um aumento das amplitudes médias
registradas nos eletrodos de EEG durante a
contração muscular o que indica uma propagação
do sinal EMG por maior parte do couro cabeludo.
As imagens topográficas permitem avaliar como
essa propagação é distribuída espacialmente em
termos de amplitude média do sinal.
Conclusões: Este trabalho apresentou uma
metodologia para avaliação da influência da
contração muscular do músculo frontal no registro
EEG. Apesar de necessitar de mais análises o
método possibilita de fato a comparação da
distribuição dos valores médios de amplitude. Por
fim, deve-se destacar que os autores já iniciaram o
aprimoramento dessa proposta nos demais
músculos faciais.
Agradecimentos: Os autores agradecem ao
governo brasileiro (CAPES, CNPq e FAPEMIG)
pelo apoio financeiro deste estudo.
Referências
GHARIEB RR et al. Neurological EEG Monitors:
A Review. Encyclopedia of Medical Devices and
Instrumentation. 2006.
GONCHAROVA LI et al. EMG contamination of
EEG. Clinical Neurophysiology. 114. pag 15801593. 2003.
P á g i n a | 260
INS.118. AVALIAÇÃO FUNCIONAL LOMBOPÉLVICA: CONFIABILIDADE E
MEDIDAS DE ERRO DE TESTES CLÍNICOS
Isadora Orlando de Oliveira1; Rodrigo Antunes de Vasconcelos1,2; Roberto Guanaes Lima Santos Júnior¹;
Bruna Pilz Moraes1,2; Débora Bevilaqua Grossi1
1
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), Ribeirão Preto, SP,
Brasil; 2 Núcleo de Estudos do Instituto Wilson Mello, Campinas, SP, Brasil
Introdução: Força e resistência muscular são uma
área importante de pesquisa e avaliação contribuindo
para um melhor entendimento de aspectos
musculoesqueléticos de mecanismos de dor e lesão1,2.
No entanto, a utilização de testes que avaliem a região
lombopélvica na prática clínica ainda é controversa,
pois apesar de muitos testes clínicos estarem
disponíveis na literatura, ainda não estão
estabelecidos quais os mais confiáveis para avaliar
determinada região na prática clínica3.
Objetivos: Determinar a confiabilidade intra e
interexaminador e as medidas de erro de um conjunto
de testes clínicos que avaliam a região lombopélvica.
Métodos: 33 indivíduos foram avaliados por dois
examinadores em um intervalo de 3 a 7 dias, onde
realizaram aleatoriamente um conjunto de testes
composto por testes de força isométrica máxima de
abdutores, extensores, flexores e rotadores laterais de
quadril, resistência nas posições de ponte lateral,
ponte frontal, flexores e extensores lombares e
atividade muscular (através de uma unidade de
biofeedback de pressão) da região lombopélvica. As
medidas de confiabilidade foram avaliadas pelo
Coeficiente de Correlação Interclasse (ICC2,1) e as
medidas de erro definidas pelo Erro Padrão da
Medida (EPM) e pela Mínima Mudança Detectável
(MMD).
Resultados: Todos os testes apresentaram
confiabilidade intra e interexaminador excelente com
ICC (IC 95%) maior que 0,8. O EPM variou de 0,75
a 2,06KgF nos testes de força, de 4,79 a 9,38s nos
testes de resistência e foi de 1,50mmHg no teste de
atividade muscular. A MMD variou de 2,09 a
5,70KgF nos testes de força, de 13,28 a 26,00s nos
testes de resistência e 4,14mmHg no teste de
atividade muscular (Tabela 1)
Tabela 1 – Confiabilidade e medidas de erro dos testes clínicos
Discussão: Os resultados do presente estudo
demonstraram que todos os testes selecionados
apresentaram valores de confiabilidade excelente,
tanto inter como intraexaminador; quanto ás medidas
de erro, tanto o EPM como a MMD apresentaram
valores aceitáveis para uso na prática clínica. Embora
a literatura já apresente resultados isolados para os
testes clínicos4, que corroboram com os encontrados
no presente estudo para valores de força5 e
resistência6, nosso grupo de pesquisa é o primeiro a
compilar determinados testes e apresentar índices de
confiabilidade e medidas de erro em conjunto para
testes clínicos da região lombopélvica. No que se
refere á utilização da unidade de biofeedback de
pressão7, a literatura recente considera este
dispositivo a melhor ferramenta para ser utilizada na
prática clínica para avaliação de atividade muscular8,
além de também apresentar índices de confiabilidade
semelhantes ao do presente estudo em pacientes com
dor lombar crônica inespecífica9. Determinar a
confiabilidade intra e interexaminador e as medidas
de erro de um conjunto de testes é crucial para que se
possa apresentar dados que permitam ao
fisioterapeuta
clínico
estabelecer
medidas
quantitativas acerca do desempenho que um
indivíduo apresenta no momento da avaliação inicial,
P á g i n a | 261
bem como a evolução apresentada pelo mesmo na
reavaliação, para comparações e análises de efeitos
de pós-tratamento. Dentre as perspectivas futuras
deste estudo está a aplicação deste conjunto de testes
em grupos divididos por sexo, faixa etária e nível de
atividade física para a obtenção de valores de
referência, a fim de estabelecer correlações entre
grupos, facilitar comparações entre indivíduos e
também identificar fatores preditivos de lesão, tais
como dor lombar, em indivíduos assintomáticos.
Conclusões: O conjunto de testes que compõem a
avaliação funcional lombopélvica apresentou
medidas confiáveis de força, resistência e atividade
muscular, sendo possíveis de serem recomendados
para uso na prática clínica além de EPM e MMD que
devem ser considerados para avaliação de efeitos de
tratamento.
Referências
1
Huxel
Bliven
KC
et
al.
Sports
Health.2013;5(6):514-522.
doi:10.1177/1941738113481200.
2
- Okada T et al. J Strength Cond Res. 2011
Jan;25(1):252-61. doi:
10.1519/JSC.0b013e3181b22b3e.
3
- Corin G et al. British Journal of Sports Medicine.
2005;39(10):731-735.
doi:10.1136/bjsm.2004.015537.
4
- McGill SM et al. Arch Phys Med Rehabil. 1999
Aug;80(8):941-4.
5
- Kelln BM et al. J
Sport Rehabil. 2008 May;17(2):160-70.
6
- Latimer J et al. Spine(Phila Pa 1976). 1999 Oct
15;24(20):2085-9.
7
- Lima PO et al. Rev Bras Fisioter. 2012 SepOct;16(5):389-95.doi:10.1590/S141335552012005000038.
8
- Cairns MC et al. Physiotherapy.2000.86 (3)127138.doi:10.1016/S0031-9406(05)61155-9- Azevedo
DC et al. J Manipulative Physiol Ther. 2013
Jan;36(1):33-43. doi: 10.1016/j.jmpt.2012.12.008.
Fontes financiadoras: Financiamento próprio
Fonte dos dados: Esses dados são parte do conteúdo
da Dissertação de Mestrado intitulada: Avaliação
Funcional Lombopélvica: Valores de Referência,
Confiabilidade e Medidas de Erro de Testes Clínicos.
O trabalho é desenvolvido junto ao Programa de PósGraduação em Reabilitação e Desempenho
Funcional, FMRP-USP.
NºProtocolo de Aprovação do Comitê de Ética em
Pesquisa (Animais ou Humanos): 035.055/2015
(CEP-HCFMRP-USP).
P á g i n a | 262
INS.119. CONFIABILIDADE E VALIDADE DO DINAMÔMETRO MANUAL
LAFAYETTE® EM TESTES DE QUADRIL PARA USO CLINICO NA
FISIOTERAPIA
Isadora Orlando de Oliveira, Janaina Rodrigues da Silva, Marcelo Rodrigues Barbosa da Silva, Jaqueline
Martins, Ana Cristina Corrêa Cervi , Diego José Argenton Telarolli, Débora Bevilaqua Grossi
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), Ribeirão Preto, SP,
Brasil
Introdução: Testes de mensuração de força muscular
são um fator clínico importante, visto que proveem
informações valiosas quanto à eficácia e evolução de
um tratamento, restabelecimento da função, retorno
às atividades rotineiras e ao esporte. Alguns métodos
são disponibilizados para se avaliar a força muscular,
como os dinamômetros manuais que apesar de
portáteis e facilmente utilizados em ambientes
clínicos, não tiveram suas propriedades de
confiabilidade
adequadamente
testadas,
principalmente em testes que envolvem a articulação
do quadril 1,2.
Objetivos: O objetivo deste estudo foi avaliar a
confiabilidade e validade do dinamômetro manual
Lafayette® em testes do quadril para uso na pratica
clínica correlacionado ao dinamômetro isocinético,
considerado o padrão ouro para avaliação da
performance muscular.
Métodos: 26 voluntários saudáveis (13 homens, 13
mulheres; idade 23,5 ± 2,8 anos; altura 1,69 ± 0,1 cm;
massa de 68,6 ± 12,4kg) realizaram duas sessões
(teste e reteste) para mensurar a força máxima dos
músculos do quadril utilizando o dinamômetro
manual Lafayette® e o dinamômetro isocinético
Biodex®. O Coeficiente de Correlação Intraclasse
(ICC2,3) foi utilizado para verificar a confiabilidade
intra-examinador do dinamômetro manual.
Resultados: Os resultados revelaram que a
confiabilidade intra-examinador do dinamômetro
manual foi excelente na maioria dos movimentos e
moderado no movimento de rotação interna de
quadril esquerdo. O Coeficiente de Correlação de
Pearson (r) apresentou valores de moderada a alta
correlação com o isocinético (Tabela 1).
Tabela 1 - Confiabilidade teste-reteste do dinamômetro manual (ICC2,3)
e Coeficiente de Correlação de Pearson (r) entre o dinamômetro manual
e o dinamômetro isocinético
IC: Intervalo de Confiança
Discussão: Os resultados deste estudo demonstraram
que a mensuração realizada pelo dinamômetro
manual estabilizado com uma faixa, apresentou
confiabilidade intra-examinador excelente nas
avaliações bilaterais da, rotação externa, extensão,
flexão, adução e abdução de quadril e rotação interna
de quadril direito, sendo moderada apenas para os
movimentos de rotação interna de quadril esquerdo.
Há poucos trabalhos dentro da área da Fisioterapia
verificando a confiabilidade do dinamômetro manual
em uma população de adultos jovens, na avaliação da
força dos grupos musculares da articulação do
quadril. Nos estudos encontrados não foi verificada a
confiabilidade para os grupos musculares dos
rotadores internos, flexores e adutores de quadril 3,4.
Os resultados deste estudo revelaram valores de
moderada a alta correlação do dinamômetro manual
com o isocinético na força dos rotadores internos,
rotadores externos, extensores, flexores e adutores de
quadril concordando com a literatura já existente5
para os mesmos grupos musculares. No entanto, na
avaliação da força dos abdutores de quadril os
resultados apresentados por estes autores mostraram
baixa correlação entre os dois dinamômetros,
discordando dos achados deste trabalho que
apresentaram de moderada a alta correlação. A
divergência
entre
os
resultados
ocorreu,
possivelmente, porque estes autores utilizaram um
posicionamento do teste diferente do utilizado neste
trabalho e não foi controlado alguns fatores que
podem influenciar nas medidas de força gerada pelos
abdutores, como fixações na pelve e no tronco. Desta
forma, o método apresentado neste trabalho pode ser
P á g i n a | 263
considerado útil para aumentar a validade do teste de
força dos abdutores de quadril. A interpretação dos
resultados desse trabalho apresenta algumas
limitações que devem ser consideradas. Por exemplo,
os testes realizados não podem ser aplicáveis em
indivíduos de todas as idades e com disfunções de
quadril, uma vez que estas populações podem
reproduzir medidas de força diferentes entre testereteste devido a fatores intrínsecos do próprio
indivíduo como estados de saúde física e mental e não
a fatores envolvidos com o instrumento de medida.
Assim, deve ser estudado nestas populações se é
cabível a utilização da mesma metodologia sugerida
neste estudo.
Conclusões: A análise de confiabilidade e validade
intra-examinador revelou que o dinamômetro manual
é um método confiável e válido para ser utilizado na
avaliação da força nos grupos musculares de quadril
em uma população de adultos jovens e saudáveis,
podendo ser indicado para uso na prática clínica.
Referências:
1
– Toonstra J et al. J Sport Rehabil. 2013 Feb 18;
– Stark T et al. PM R. 2011 May;3(5):472-9.
doi:10.1016/j.pmrj.2010.10.025.
3
– Hansen EM et al. Int J Sports Phys Ther. 2015
Feb;10(1):62-8.
4
- Krause DA et al. J Sport Rehabil. 2014
Feb;23(1):56-64. doi: 10.1123/jsr.2012-0070.
5
- Katoh M et al. J Phys Ther Sci, 2011, 23: 553–
557. doi: 10.1589/jpts.23.553
Fontes financiadoras: FAPESP (BP. MS); Processo
nº 13/25755-4.
Fonte dos dados: Esses dados são parte do conteúdo
da
Dissertação
de
Mestrado
intitulada:
Confiabilidade e validade do dinamômetro manual
Lafayette® para uso clinico na Fisioterapia. O
trabalho foi desenvolvido junto ao Programa de PósGraduação em Reabilitação e Desempenho
Funcional, FMRP-USP.
2
NºProtocolo de Aprovação do Comitê de Ética em
Pesquisa (Animais ou Humanos): 15685/2013
(CEP-HCFMRP-USP).
P á g i n a | 264
INS.120. CORRELAÇÃO ENTRE A ATIVIDADE ELÉTRICA DO MÚSCULO
ESTERNOCLEIDOMASTOIDEO DURANTE TESTE DE FLEXÃO
CRANIOCERVICAL E A POSTURA DA CABEÇA DE MULHERES COM
MIGRÂNEA
Lidiane Lima Florencio1; Gabriela Natália Ferracini1, Maria Palacios Ceña2, César Fernández de las Peñas2,
Thaís Cristina Chaves1, Débora Bevilaqua Grossi1
1 Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo;
2 Universidad Rey Juan Carlos
Introdução: Apesar de ser biomecanicamente
razoável a relação entre a postura da cabeça e a
função muscular,1 indivíduos saudáveis não
apresentam correlação entre a postura da cabeça e a
atividade
eletromiográfica
do
2
esternocleidomastoideo. No entanto, não se sabe
como se comporta essa correlação entre as mesmas
variáveis em mulheres com migrânea.
Objetivos: verificar a correlação entre a postura da
cabeça e a atividade eletromiográfica do músculo
esternocleidomastoideo durante o teste de flexão
craniocervical.
Métodos: Foram avaliadas 68 mulheres com
migrânea com média de idade de 42,7(DP= 12) média
de frequência de 14,1 (DP=10) dias de dor de cabeça
por mês. O diagnóstico de migrânea foi dado por
neurologistas experientes de acordo com a terceira
edição da Classificação Internacional de Cefaleias.3
Os critérios de exclusão adotados foram: idade menor
que 18 ou maior que 60 anos, presença concomitante
de outro diagnóstico de cefaleia, história de trauma na
cabeça ou pescoço, hérnia discal na região cervical,
hipertensão arterial não controlada e/ou outras
doenças sistêmicas que impossibilitassem os testes. A
postura da cabeça foi avaliada por fotografia com a
voluntária em pé e sentada e determinada pelo ângulo
craniovertebral
Marcadores
adesivos
foram
utilizados para a identificação do processo espinhoso
de C7. O ângulo craniovertebral foi determinado pelo
ângulo formado pela linha horizontal e a linha traçada
entre o tragus e o processo espinho de C7 através do
programa CorelDraw-X7®.4 Todas as fotos foram
tiradas pelo mesmo observador, cego à condição, com
mesma câmera de lente de 23mm (Samsung Lens
WB350F®) posicionada a 4m de distância do
voluntário. A altura da máquina era ajustada para a
metade da altura do sujeito para as fotos em pé e na
mesma distância entre o solo e a articulação
acromioclavicular, para as fotos sentadas. Após as
fotos, era realizado o teste de flexão craniocervical
(TFCC), composto por cinco estágios progressivos de
flexão craniocervical sustentados por 10s cada com o
auxílio de unidade pressórica de biofeedback
(Stabilizer, Chattanooga South Pacific; USA).5 O
sinal
eletromiográfico
do
músculo
esternocleidomastoideo
foi
adquirido
pela
eletromiografia de superfície utilizando o EMG16,
com 16 canais (LISiN-OT Bioelettronica, Turim,
Itália), em uma taxa de amostragem de 2048 Hz e
convertido a um sinal digital de 12-bit. Para a
colocação dos eletrodos a pele foi devidamente
preparada conforme orientações do SENIAM. Um par
de eletrodos duplo-diferenciais foi posicionado no
terço distal da porção esternal do músculo
esternocleidomastoideo com a voluntária em supino.6
O eletrodo de referência foi posicionado no punho
direito. O protocolo do estudo foi aprovado pelo
Comitê de Ética do Hospital Rey Juan Carlos (HRJ
07/14).
O sinal eletromiográfico bruto foi processado filtrado
por um filtro passa banda 20-400 Hz (Butterworth de
4ª ordem) e calculado o Root Mean Square (RMS) de
um intervalo de 10s no programa MATLAB. Para a
normalização dos dados, foi utilizada a média do
RMS adquiridas durante duas repetições de
sustentação da cabeça por 10 s. A média do RMS
normalizado
dos
dois
lados
do
esternocleidomastoideo foi utilizada para as análises.
A análise estatística foi realizada pelo programa
SPSS verão 20.0 adotando um nível de significância
de 0,05. A correlação entre as duas variáveis foi
determinada pelo coeficiente de correlação de
Pearson (r).
Resultados: Não houve evidência de correlação
significativa (P>0,05) entre o RMS do
esternocleidomastoideo durante o TFCC e o ângulo
craniovertebral
independente
da
posição
corporal(Tabela 1).
Tabela 1. Coeficiente de correlação de Pearson (ρ)
entre o ângulo da cabeça e a atividade
eletromiográfica do esternocleidomastoideo durante
o teste de flexão craniocervical (TFCC).
P á g i n a | 265
Ângulo craniocervical
RMS
ECOM
TFCC
Sentado
Em pé
(ρ)
(ρ)
22 mmHg
0.07
0.18
24 mmHg
26 mmHg
-0.03
0.01
0.07
0.07
28 mmHg
-0.07
0.06
30 mmHg
-0.03
0.07
RMS: Root Mean Square; ECOM: esternocleidomastoideo.
Discussão: a ausência de correlações significativas
entre a postura da cabeça e a atividade
eletromiográfica do esternocleidomastoideo durante
o TFCC também já havia sido demonstrada em
sujeitos saudáveis.2 Portanto, podemos sugerir que as
alterações mecânica em relação a posição do músculo
não apresenta padrão de correlação linear direta ou
indireta com a atividade do músculo na atividade
investigada.
Conclusões: Não há evidência de correlação linear
entre
a
atividade
eletromiográfica
do
esternocleidomastoideo e o ângulo craniocervical.
Referências
10. Rezasoltani A et al. Manual Therapy. 2010;15(4):400403.
doi: 10.1016/j.math.2010.02.010.
11. Cagnie B et al. Manual Therapy 2008;13(3):232-8.
12. Headache Classification Committee of the
International Headache Society. Cephalalgia. 2013;
33:629-808. doi:10.1177/0333102413485658.
13. Raine S et al. Archives of Physical Medicine and
Rehabilitation. 1997;78(11):1215-23.
14. Falla D et al. Phys Ther 2003; 83: 899-906.
15. Falla D, et al. Clin Neurophysiol 2002; 113: 57-63.
doi:10.1016/S1388-2457(01)00708-8.
Fontes financiadoras: Fundação de Amparo à
Pesquisa do Estado de São Paulo(processo:
2014/13103-5).
Fonte dos dados: Os resultados apresentados são
parte de um projeto de doutorado sanduíche
desenvolvida em colaboração entre Programa de
Pós-Graduação em Reabilitação e Desempenho
Funcional, FMRP-USP e a Universidad Rey Juan
Carlos, Madri, Espanha.
P á g i n a | 266
INS.121. CONFIABILIDADE INTEREXAMINADORES DA AVALIAÇÃO PELO
DINAMÔMETRO HANDHELD EM ESCOLARES DE 6 A 14 ANOS
Lígia Maria TezoDaloia¹;Marisa Maia Leonardi- Figueiredo²; Ananda Cezarani1;
Ana Claudia Mattiello-Sverzut3
1
Graduandas em Fisioterapia;2Mestre em Reabilitação e Desempenho Funcional; 3Docente do Departamento
de Biomecânica, Medicina e Reabilitação do Aparelho Locomotor - Faculdade de Medicina de Ribeirão
Preto - Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil
Introdução: Dinamômetros manuais, como o
handheld,têm sido utilizados na prática clínica para
mensurar, de forma rápida e objetiva, a força
muscular isométrica gerada por um grupo muscular.
O handheld, especialmente, é de fácil manuseio e
ampla aplicabilidade em pesquisas clínicas e na
prática terapêutica. Porém, em crianças e
adolescentes, a confiabilidade interexaminadores
necessita ser investigada para que o uso deste
instrumento de medida possa ser estendido e
continuado em ambulatórios e em pesquisas.
Objetivos:
Verificar
a
confiabilidade
interexaminadores da avaliação de força muscular
isométrica de diversos grupos musculares utilizando
o dinamômetro handheld em escolares de 6 a 14 anos,
de ambos os sexos.
Métodos:Noventa (n=90) voluntários participaram
da pesquisa. Foram obtidas características
antropométricas, seguida da mensuração da força
muscular isométrica, pelo dinamômetro Handheld
Lafayette®, dos grupos musculares abdutores de
ombro, flexores e extensores de cotovelo, flexores e
extensores de joelho, dorsiflexores e flexores
plantares. A mensuração foi realizada no mesmo dia,
por 2 examinadores (A e B), com intervalo de 20
minutos entre os mesmos. Os dados do estudo
compreendem uma amostra constituída por 5
voluntários de cada sexo entre as idades de 6 a 14
anos. A análise estatística foi realizada calculando
coeficientes de correlação intraclasse (ICC) seguindo
metodologia proposta por Shrout e Fleiss (1979)1.A
graduação da confiabilidade seguiu a proposta de
Landis e Koch (1977)2 que qualificaram o ICC de 0 a
1 como segue: <0: pobre confiabilidade; 00,20:pouca
confiabilidade;
0,21-0,40:
boa
confiabilidade; 0,41-0,60: moderada confiabilidade;
0,61-0,80:grande confiabilidade e 0,81-1: excelente
confiabilidade. Este estudo foi aprovado pelo Comitê
de
Ética
em
Pesquisa
da
instituição:
38398414.2.0000.5440. Todos os voluntários e seus
cuidadores assinaram termo de assentimento e
consentimento, respectivamente.
Resultados: Participaram deste estudo 45 meninas e
45 meninos, cuja idade média foi de 10 anose
apresentaram altura e peso médio de 1,44 metros e
40,6 Kg, respectivamente.A Tabela 1 apresenta a
confiabilidade interexaminadorpara todos os grupos
musculares testados e para ambos os lados,
dominante e não dominante da amostra total.
Tabela 1 Confiabilidade interexaminador para o
dinamômetro Handheld para diferentes grupos
musculares (lado dominante e não dominante)
Grupos musculares
Abdutores de
ombro
Flexores de
cotovelo
Extensores de
cotovelo
Flexores de joelho
Extensores de
joelho
Dorsiflexores
Flexores plantares
Dominância
Dominante
Não
dominante
Dominante
Não
dominante
Dominante
Não
dominante
Dominante
Não
dominante
Dominante
Não
dominante
Dominante
Não
dominante
Dominante
Não
dominante
ICC
(2,1)a
0.97
ICC
(3,1)b
0.97
0.95
0.96
0.97
0.97
0.97
0.97
0.94
0.95
0.94
0.96
0.95
0.95
0.93
0.95
0.95
0.96
0.95
0.96
0.92
0.94
0.91
0.94
0.86
0.95
0.90
0.93
Legenda: ICC, coeficiente de correlação intraclasse.
a
Coeficientede correlação intraclasse de examinadores
selecionados ao acaso. bCoeficiente de correlação
intraclasse entre os examinadores A e B.
Discussão:O atual estudo indicou excelente
confiabilidade interexaminador (ICC>0,88) para
análise da força muscular com dinamômetro
Handheld, corroborando, em parte, com o estudo de
P á g i n a | 267
Hérbert et al. (2011), queobtiveram excelente ou
grande confiabilidade para todos os grupos
musculares testados em crianças saudáveis, exceto
para dorsiflexores, no qual obtiveram moderada
confiabilidade3.No presente estudo, a musculatura
distal do pé,principalmente os flexores plantares,
apresentou menor confiabilidade. Este fato pode ser
atribuído a difícil estabilização da articulação do
tornozelo no momento da coletado dado e/ou pelo
posicionamento do avaliador, fato também
confirmado por Eeket al. (2006)4. Estudosimilar
conduzido com dinamômetro CT 3001®em pacientes
com atrofia muscular espinhal também identificou
excelente
confiabilidade
interexaminadores5.
Contudo, os dados destes estudos não são
reprodutíveis para os escolares brasileiros, devido as
diferentes características antropométricas, raciais,
sexo e a idade da amostra, que podem interferir nos
valores de força muscular.
Conclusões: O presente estudo demonstrou que
diferentes examinadores podem utilizar o
dinamômetro HandheldLafayette® na prática clínica
e de pesquisa pediátrica com excelente confiabilidade
entre as respostas.
Referências:
Shrout, PE et al. Physicological Bulletin.1979;
86(2):420–428. doi: 0033-2909/79/8602-0420500.75
Landis, JR et al. Biometrics bulletin. 1977; 3 (1):
159–174.
Hébert, LJ et al. Pediatric physical therapy.2011;
23(3): 289–99.doi: 10.1097/PEP.0b013e318227ccff
Eek, MN et al.Archives of physical medicine and
rehabilitation; 2006
87 (8): 1091–9. doi:
doi:10.1016/j.apmr.2006.05.012
Merlini, L et al.Muscle and nerve2002; 26(1):64-70.
doi: 10.1002/mus.10166
Fontes financiadoras: Fundação de Amparo à
Pesquisa do Estado de São Paulo (2014/23232-7).
Fonte dos dados:Este resumo inclui dados parciais
do Projeto de Iniciação Científicafinanciado pela
Fapesp: Confiabilidade intra e interexaminadores da
avaliação pelo dinamômetro Handheld em escolares
de 5 a 15 anos.
P á g i n a | 268
INS.122. CORRELAÇÃO DA FORÇA NOS MOVIMENTOS CERVICAIS E
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS EM INDIVÍDUOS COM CERVICALGIA
Marcela M. Bragatto1; Lidiane L. Florencio1; Gabriela Ferreira Carvalho1; Fabiola Dach1; Débora B. Grossi
1
1 Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP
Introdução: As condições dolorosas do sistema
musculoesquelético são frequentes na população em
geral1. A disfunção da coluna cervical é um termo
coletivo que inclui muitos distúrbios clínicos das
estruturas musculoesqueléticas da coluna cervical,
sendo a dor o principal sintoma2. A contração
muscular sustentada necessária para manter a cabeça
em várias posições e a fadiga causada por fraqueza
muscular são suspeitas de serem fatores que
contribuem para dor cervical crônica3. Portanto as
avaliações da força cervical são úteis na quantificação
de deficiências musculoesqueléticas e pode também
ser utilizado para proporcionar uma base para a
avaliação da eficácia das intervenções terapêuticas
em pacientes com dor no pescoço3.
Objetivos: Observar a correlação da força nos
movimentos cervicais com as características clínicas
em indivíduos com cervicalgia.
Métodos: Nesse estudo participaram 48 pacientes
com queixa de dor cervical (média:7,01 anos ,IC 95%
5,22- 8,79) entre 18 e 55 anos (média: 32,68 anos, IC
95% 29,66-35,69) ,com uma frequência de dor em
média de 9,57 dias por mês (IC 95% 7,03-12,10) e
intensidade de aproximadamente 6 ( média: 6,07- IC
95% 5,42-6,71) baseado em uma escala numérica de
dor onde: 0 refere nenhuma dor e 10 a pior dor
possível. Os pacientes foram recrutados do Hospital
das Clínicas da cidade de Ribeirão Preto entre janeiro
e outubro de 2014. As medições da força em
contração voluntária isométrica máxima dos
movimentos cervicais foram realizadas por um
examinador treinado e cego quanto à condição,
utilizando um dinamômetro de mão personalizado
modelo 01163; Lafayette Instrument Company,
Lafayette, IN, EUA) com uma faixa de medição de 0136.1 kg e uma precisão de 1% em relação a escala
completa. Uma contração sub-máxima foi realizada
para a familiarização da tarefa. Os dados foram
obtidos a partir de 3 repetições de contração
voluntária isométrica máxima em flexão cervical,
extensão e flexão lateral bilateral, com duração de 3
segundos cada repetição, com um período de
descanso de 15 segundos entre as repetições e 2
minutos entre as direções de contrações. A cada
ensaio a intensidade de dor no pescoço foi registrada.
Para cada movimento e contração realizada os
indivíduos eram devidamente posicionados, para
evitar compensações. O valor máximo das três
repetições para cada movimento foi utilizado nas
análises. Todos os participantes do estudo assinaram
o termo de consentimento informado antes de sua
inclusão. O trabalho foi aprovado pelo comitê de ética
em pesquisa do Hospital Universitário da Faculdade
de Medicina de Ribeirão Preto (processo
16692/2012). Os dados foram analisados com o
software SAS 9.2 (SAS Institute, Cary, NC, EUA),
utilizando PROC GLM. O teste de Rho de Spearman
foi utilizado para determinar correlação entre
variáveis clínicas de dor cervical e o pico de força.
Valores <0,3 representam correlações lineares fracos;
de 0,3 a 0,7 correlações moderadas; e> 0,7 forte
correlação. A análise estatística foi realizada com um
intervalo de confiança de 95%, e um valor de P <0,05
foi considerado estatisticamente significativo.
Resultados: Uma correlação linear significativa,
porém, fraca foi evidenciada entre o pico de força em
extensão e a frequência da dor (rs: 0.26; IC95%: -0.45
– -0.04, p. 0.020) e também com intensidade da dor
no pescoço (rs:0.27; IC95%: -0.47 – -0.06, p. 0.012).
Indicando que quanto maior for a intensidade ou a
frequência da dor no pescoço, menor o pico de força
na extensão cervical. Nenhuma correlação
significativa entre as características clínicas da
cervicalgia e o pico de força em flexão cervical ou
ambas as flexão laterais cervicais foram encontradas
(tabela 1).
P á g i n a | 269
Discussão: Os resultados demonstram que apenas o
pico de força da musculatura extensora cervical
apresenta correlação linear significativa com a
frequência e intensidade de dor no pescoço. No
estudo realizado por Lindstrom et al (2011) , os
autores verificaram a associação entre coativação
muscular no pescoço, dor e força em mulheres com a
dor cervical, notando que o aumento da coativação
do músculo esplênio da cabeça foi associado com
diminuição da força no pescoço e aumento de dor e
incapacidade associadas4.
Conclusões: Concluímos que há uma correlação
linear significativa entre o pico de força, freqüência e
intensidade da dor no pescoço apenas no movimento
de extensão cervical.
Referências:
1. Andersen LL, et al. Rapid muscle activation and
force capacity in conditions of chronic
musculoskeletal pain. Clin Biomech. 2008;23:12371242.
2. Florencio LL, et al. Cervical Muscle Strength and
Muscle Coactivation During Isometric Contractions
in Patients With Migraine: A Cross-Sectional Study.
2015, 1-11.
3. Cagnie B, et al. Differences in isometric neck
muscle strength between healthy controls and women
with chronic neck pain: The use of a reliable
measurement.
Arch
Phys
Med
Rehabil.
2007;88:1441-1445.
4. Lindstron R, et al. Association between neck
muscle coactivation, pain, and strength in women
with neck pain. Manual Therapy. 2011; 16: 80-86
Fontes financiadoras: Este trabalho conta com
apoio financeiro da Fundação de amparo à pesquisa
do estado de São Paulo (FAPESP) (processo:
2012/22245-2) .
Fonte dos dados: Os resultados deste resumo são
dados parciais de um trabalho original: Florencio LL,
et al. Cervical Muscle Strength and Muscle
Coactivation During Isometric Contractions in
Patients With Migraine: A Cross-Sectional Study.
Headach, 2015, 1-11.
O trabalho é desenvolvido junto ao Programa de PósGraduação em Reabilitação e Desempenho
Funcional, FMRP-USP.
P á g i n a | 270
INS.123. A INFLUÊNCIA DO USO DE FAIXAS ESTABILIZADORAS NA
CONFIABILIDADE DO DINAMÔMETRO MANUAL LAFAYETTE®
Marcelo Rodrigues Barbosa da Silva1; Janaina Rodrigues da Silva1; Jaqueline Martins1; Débora BevilaquaGrossi1
1
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto/Universidade de São Paulo
Introdução: Mensurar a força muscular é importante
para propor uma conduta na fase inicial de
tratamento, para verificar a eficácia da terapia
aplicada ou como critério para a alta do paciente. O
dinamômetro manual é uma ferramenta portátil, fácil
de utilizar e com preço acessível, utilizada para
mensurar a força muscular. Contudo, seus resultados
de confiabilidade ainda são inconsistentes para as
articulações do joelho e quadril [1].
Objetivo: Verificar a influência do uso de faixas
estabilizadoras na confiabilidade da medida do
dinamômetro manual Lafayette® nas avaliações
bilaterais de força dos músculos do joelho e quadril.
Métodos: Vinte e quatro indivíduos saudáveis, de
ambos os sexos e com idades entre 18 e 30 anos
realizaram testes de força bilateral dos músculos de
flexores e extensores do joelho e dos músculos de
flexores, extensores, rotadores, adutores e abdutores
do quadril.
No primeiro teste o dinamômetro manual foi
estabilizado por meio de uma faixa e após um
intervalo de 3 a 7 dias, a estabilização foi realizada
pelas mãos do examinador sem o uso de faixas. Todos
os voluntários assinaram o Termo de Consentimento
Livre e Esclarecido (Processo: 15917/2014).
A análise estatística foi realizada pelo Coeficiente de
Correlação Intraclasse (ICC2,3) e a confiabilidade foi
classificada como pobre (<0,40), moderada (0,400,75) ou excelente (>0,75) [2]. O erro da medida foi
avaliado pelo Erro Padrão da Medida (EPM = DP√1ICC), sendo DP o desvio padrão das medidas obtidas,
e pela Mínima Mudança Detectável (MMD = EPM ×
1,96 × √2).
Resultados: Os resultados dos testes de força
utilizando o método com e sem faixa estão
apresentados, respectivamente, nas Tabelas 1 e 2. O
ICC foi considerado excelente para todos os
movimentos, com o IC variando de moderado à
excelente apenas no grupo muscular dos abdutores do
quadril da perna direita no método manual. O EPM
variou de 1.0 kgf a 3.8 kgf no método com faixa e de
0.7 kgf a 4.1 kgf no método sem faixas. Já a MMD
teve a sua variação de 2.9 kgf a 10.5 kgf no método
com faixa e de 1.9 kgf a 11.3 kgf no método sem
faixas.
Discussão: Na literatura atual, confiabilidade
excelente tem sido relatada no método sem faixas
para os grupos musculares dos extensores, flexores,
abdutores e rotadores externos de quadril, além dos
extensores e flexores do joelho [3;4]. Também foi
encontrada confiabilidade excelente para o grupo
muscular dos extensores de joelho no método com
faixa [5], concordando com os achados deste estudo.
Na literatura atual não existem dados da
confiabilidade dos métodos com faixa e manual para
os rotadores internos e adutores de quadril para a
população saudável. Apesar dos dados mostrarem
que o dinamômetro manual apresenta confiabilidade
excelente em ambos os métodos para todos os grupos
musculares, menores valores de EPM e MMD foram
geralmente observados na avaliação sem faixa. Além
disso, dificuldades foram encontradas para estabilizar
grupos musculares com grande braço de alavanca e
altos valores de torque, como extensores de joelho e
abdutores de quadril. Assim, na prática clínica,
recomenda-se ponderar a utilização do método com
faixa para estes movimentos.
Conclusões: O dinamômetro manual Lafayette®
pode ser considerado confiável para a prática clínica,
pois apresentou confiabilidade excelente em ambos
os métodos de avaliação da força muscular dos
grupos musculares do quadril e joelho.
Referências:
[1] STARK T. et al. PM R. 2011; 3:472-9.
[2] FLEISS JL. et al. 2013.
[3] KRAUSE DA. et al. Journal of Sport
Rehabilitation 2014; 23:56-64.
[4] KIM SG. et al. Journal of Physical Therapy
Science. 2015; 27:1799–1801.
[5] KIM WK. et al. Annals of Rehabilitation
Medicine. 2014; 38:84-93.
Fontes financiadoras: Fundação de Amparo à
Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP)
Fonte dos dados: Esses dados são parte de uma
monografia de graduação intitulada: “A influência do
sexo do avaliador e do uso de faixas estabilizadoras
na confiabilidade do dinamômetro manual
P á g i n a | 271
®”.
Lafayette
Esta monografia é desenvolvida no
Laboratório da Análise da Postura e do Movimento
Humano (LAPOMH) da Faculdade de Medicina de
Ribeirão Preto (FMRP-USP).
Tabela 1 - Confiabilidade do dinamômetro manual no método de estabilização com faixa (n= 24).
Direita
Esquerda
Grupo Muscular
ICC2,3 (IC 95%)
EPM (Kgf)
MMD (Kgf)
ICC2,3 (IC 95%)
EPM (Kgf)
MMD (Kgf)
Extensores de Joelho
0.93 (0.86-0.97)
3.8
10.5
0.95 (0.90-0.98)
3.5
9.6
Flexores de Joelho
0.93 (0.88-0.97)
1.2
3.4
0.90 (0.82-0.95)
1.3
3.7
Rotadores Internos do Quadril
0.91 (0.84-0.96)
1.1
2.9
0.90 (0.81-0.95)
1.0
2.9
Rotadores Externos do Quadril
0.93 (0.87-0.97)
1.0
2.8
0.90 (0.82-0.95)
1.3
3.6
Extensores do Quadril
0.94 (0.89-0.97)
2.5
7.1
0.93 (0.86-0.96)
2.6
7.3
Flexores do Quadril
0.93 (0.88-0.97)
2.4
6.7
0.92 (0.86-0.96)
2.4
6.7
Adutores do Quadril
0.86 (0.75-0.93)
2.7
7.5
0.78 (0.62-0.89)
2.9
8.1
Abdutores do Quadril
0.95 (0.90-0.97)
2.1
6.0
0.87 (0.76-0.93)
3.6
9.9
Abreviações: ICC, coeficiente de correlação intraclasse; IC, intervalo de confiança; EPM, erro padrão da medida; MMD, mínima mudança detectável.
Tabela 2 - Confiabilidade do dinamômetro manual no método de estabilização sem faixa (n= 24).
Direita
Esquerda
Grupo Muscular
ICC2,3 (IC 95%)
EPM (Kgf)
MMD (Kgf)
ICC2,3 (IC 95%)
EPM (Kgf)
MMD (Kgf)
Extensores de Joelho
0.88 (0.78-0.94)
3.7
10.3
0.92 (0.85-0.96)
4.1
11.3
Flexores de Joelho
0.95 (0.90-0.97)
1.1
2.9
0.95 (0.90-0.98)
1.0
2.7
Rotadores Internos do Quadril
0.92 (0.86-0.96)
0.9
2.6
0.90 (0.83-0.96)
0.8
2.1
Rotadores Externos do Quadril
0.95 (0.89-0.97)
0.8
2.1
0.96 (0.90-0.98)
0.7
1.9
Extensores do Quadril
0.88 (0.78-0.94)
2.3
6.4
0.90 (0.82-0.95)
2.1
5.9
Flexores do Quadril
0.96 (0.91-0.98)
1.9
5.3
0.96 (0.93-0.98)
1.9
5.4
Adutores do Quadril
0.92 (0.85-0.96)
1.7
4.8
0.92 (0.84-0.96)
2.0
5.6
Abdutores do Quadril
0.83 (0.69-0.91)
2.9
8.1
0.88 (0.78-0.94)
2.1
5.8
Abreviações: ICC, coeficiente de correlação intraclasse; IC, intervalo de confiança; EPM, erro padrão da medida; MMD, mínima mudança detectável.
P á g i n a | 272
INS.124. AVALIAÇÃO CLÍNICA DO BRUXISMO DO SONO EM JOVENS
ADULTOS COM AUXÍLIO DE DISPOSITIVO DESCARTÁVEL DE EMG
Marila Rezende Azevedo1; Ronaldo Sena2; Stéfani Aparecida Santana Silva3; Isabela Alves
Marques 4 Alcimar Barbosa Soares5.
Laboratório de Engenharia Biomédica - FEELT - Universidade Federal de Uberlândia.
Introdução: O Bruxismo do Sono (BS) é uma
atividade involuntária motora do trigêmeo
caracterizada por atividades episódicas e repetitivas
dos músculos da mastigação com ranger dos dentes
ou excursão lateral da mandíbula ocasional ou
apertamento durante o sono (MAYER P. et al.,
2016). Durante o sono uma parcela da população
manifesta eventos, de contato automático dos dentes
com atividade rítmica dos músculos da mastigação
que excedem a contração voluntária máxima do
indivíduo (CARRA, MC. et al 2012). Essa
hiperatividade muscular quando não fisiológica pode
levar à desorganização do sistema mastigatório,
estruturas musculares e ósseas adjacentes. Apesar de
não ser ameaça à vida pode influenciar sua
qualidade. Por não conhecer os fatores etiológicos
que o compõe, com pouco recurso clínico e
tecnológico disponível para avaliar e guiar o
tratamento, o cirurgião dentista (CD) se depara com
a dificuldade de realizar diagnóstico. A abordagem
predominante é odontológica e farmacológica para
amenizar a dor e proteger dentes e articulação. O
bruxismo do sono (BS) é considerado desde uma
reação fisiológica de defesa para equilíbrio do
sistema, como pode ser um evento não funcional
patológico. Tem etiologia indefinida, multifatorial
relacionada a fatores emocionais, ao sistema nervoso
central e autonômico. Tem forte implicação
etiológica no fator psicoemocional e sistema nervoso
central (SNC) e autonômico (SNA) (LAVIGNE GJ,
et al; 2008) Estudos concluem que questionários
aplicados pelo CDs no diagnóstico do BS são
incompletos e insuficientes quando confrontados
com a complexidade da disfunção (KOYANO K, et
al. 2008).
Objetivos: O objetivo deste estudo de caso foi
avaliar se os questionários desta pesquisa aplicados
pelo CD, juntamente com os exames extra e intraorais e o dispositivo descartável de eletromiografia
(EMG) BiteStrip®, são capazes de identificar e
diagnosticar a severidade do BS, nos voluntários que
possuem esta parafunção ou não, sem submetê-los à
polissonografia (exame padrão ouro de alto custo).
Métodos: Esse estudo de caso integra um
experimento de pesquisa sobre o BS, com 36
sujeitos de ambos os gêneros com idade entre 18 e
50 anos. Para este artigo, foram selecionados quatro
voluntários com e sem BS. Todos os sujeitos foram
submetidos aos mesmos testes e exames. Para
complementar o diagnóstico clinico do CD, um
dispositivo portátil BiteStrip®, de fácil utilização e
acessível ao profissional da saúde e ao paciente,
validado como um eletromiógrafo, foi adotado na
pesquisa por ser considerado de alta precisão, baixo
custo e por pode ser usado em domicílio.
Foram realizados exames extra e intra-orais,
anamnese, questionários de RDC, Índice de
Qualidade de Vida de Néri; IDATE (Inventário de
Estresse), EVF-S (Escala Visual de Faces para o
estresse) e OHIP-14 Br (Oral Health Impact Profile14 Brasil). O Bitestrip® utilizado possui dois
eletrodos EMG pré geleificados e um amplificador
EMG que capta sinais EMG gerados por músculos
mastigatórios O exame foi realizado em casa, em
única sessão. Após orientações, os voluntários
aderiam o equipamento sobre músculo masseter
(lado esquerdo), calibrando-o com contração
voluntária máxima. O mesmo contém um software
de captação e análise de sinais em tempo real que
detecta e conta os episódios de bruxismo. Dessa
forma, é capaz de avaliar a presença ou não de
eventos de BS. Os resultados do aparelho são: L, 1,
2 e 3, sendo L sem BS e os valores restantes
graduam a severidade da parafunção. A maior
graduação 3 corresponde a maior gravidade. Um
display químico permanente exibe os resultados.
Resultados: Os resultados referentes aos
questionários e exames clínicos podem ser
visualizados nas Tabelas 1 e 2.
Tabela 1 - Bruxômanos e não bruxômanos e a relação destes
com dados clínicos e do BiteStrip®. *IDATE: Tende
Depressão: x < 38; Nível Normal: 38 ≤ x ≤ 42; Tende
ansiedade: x > 42; ** SB: sem Bruxismo do Sono; *** BS:
com Bruxismo do Sono.
Voluntários
SB1**
SB2** BS1*** BS2***
Grau de BiteStrip
L=0
L=0
3
3
Escala Visual Face
6,00
3,00
0,00
5,00
P á g i n a | 273
Questionários
ESV
3,75
3,50
3,92
4,00
OHIP
3,93
0,98
0,88
1,00
42
39
42
46
49
50
48
45
IDATE*
I
IDATE*I
I
Tabela 2: Resultados dos exames clínicos. * SB: Sem
Bruxismo do Sono; ** BS: com Bruxismo do Sono.
Voluntários
SB1*
SB2*
BS1**
BS2**
Exames Clínicos:
RDC Eixo
1Dor
e2
0
0
muscular
ao acordar
Cefaléia
ao acordar
Sono
agitado
Classe Classe
Oclusão
1
1
Mordida
Profunda
Ansiedade
0
0
X
X
X
X
X
X
Classe
2
Classe
2
X
X
X
Discussão: Os resultados do BiteStrip® para as duas
graduações (L= 0 e 3) foram compatíveis com a
avaliação descrita na anamnese e exame clínico,
entretanto o tamanho da amostra deste estudo de
caso não permitiu uma correlação expressiva dos
questionários de ansiedade e estresse. Observa-se
neste estudo, que a utilização do dispositivo
BiteStrip® é uma alternativa para diagnosticar a
severidade do bruxismo do sono, entretanto, deve-se
ressaltar a importância dos exames clínicos e
questionários para que o diagnóstico do distúrbio
seja o mais assertivo. Palinkas em 2015, concluiu
que o uso de Bitestrip® é indicado na avaliação do
grau de severidade da parafunção, o que corrobora
com o achado neste estudo. Porém, não foi
demonstrado sua especificidade no diagnóstico do
sujeito sem bruxismo. Observa-se que o RDC como
exame clínico essencial no diagnóstico de DTM, não
demonstrou ser imprescindível para avaliação do
BS.
Conclusões: Concluiu-se que o conjunto de dados
clínicos (dos questionários, anamnese e exames)
refinados, mais completos e direcionados às
etiologias relacionadas ao comportamento,
ansiedade, stress e desequilíbrios do SNC,
complementado pelo uso do Bitestrip®, subsidiam o
CD, com dados suficientes para diagnóstico e
terapêutica em sua prática diária, de forma a
solucionar com menor custo e maior eficácia essa
disfunção. A possibilidade de utilizar esse
instrumento na rotina do CD, permite apresentar os
dados de atividade muscular do masseter de forma
quantitativa, e não somente por avaliação clínica
qualitativa. A validação deste dispositivo justifica
sua aplicação por dar segurança ao CD na
elaboração de um plano terapêutico cientificamente
embasado. É preciso prosseguir com o restante da
amostra (n=36), para maior consistência dos
resultados.
Referências:
MAYER P. et al. Sleep Bruxism in Respiratory
Medicine Practice. Contemporary Reviews in Sleep
Medicine. Chest - 2 0 1 6 - 332-337.
CARRA, MC. et al. Sleep Bruxism: A
Comprehensive Overview for the Dental Clinician
Interested in Sleep Medicine. Dent Clin N Am 56
(2012) 387–413. 2012 Elsevier.
LAVIGNE GJ, et al. Bruxism physiology and
pathology: an overview for clinicians. J Oral Rehabil
35:476–494; 2008.
KOYANO K, et al. Assessment of bruxism in the
clinic. J Oral Rehabil. Jul; 35(7):495-508. 2008.
PALINKAS, M. Impacto do Bruxismo do sono na
musculatura do sistema estomatognático: avaliação
eletromiográfica, força de mordida mastigatória e
qualidade de vida. USP -Tese Doutorado 2015 –
Ribeirão Preto.
Fontes financiadoras: CAPES, FAPEMIG, CNPq e
BioLab (UFU).
Fonte dos dados: São parte da Tese de Doutorado:
Padrão Neuro-Comportamental do Bruxismo do
Sono. Programa de Pós-Graduação em Engenharia
Elétrica - BioLab –UFU. Os voluntários da pesquisa
receberam o Termo de Consentimento Livre e
Esclarecido, nº 650.649 aprovado em 25/04/2014,
pelo Comitê de Ética em Pesquisa UFU.
P á g i n a | 274
INS.125. CORRELAÇÃO ENTRE A IMPEDÂNCIA ELÉTRICA DO TRONCO E O
LIMIAR DE DOR À PRESSÃO SOBRE PONTO GATILHO MIOFASCIAL EM
PACIENTES COM DOR CERVICAL CRÔNICA
Marília Artese Barros1; Almir Vieira Dibai-Filho1; Alessandra Kelly de Oliveira1;
Rinaldo Roberto de Jesus Guirro1
1
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, SP, Brasil
Introdução: A impedância elétrica dos tecidos é um
sinal biológico que pode ser utilizado na mensuração
da dor (Fujita et al., 2008), sendo definida como a
resistência elétrica cutânea condicionada pela
associação da resistência, presente no fluido extra e
intracelular, e da reatância capacitiva, característica
das membranas celulares (Kyle et al., 2004; Bolfe et
al., 2007). No entanto, associações entre a
impedância elétrica dos tecidos e outras variáveis
clínicas de mensuração da dor ainda não foram
investigadas.
Objetivos: Correlacionar a impedância elétrica dos
membros superiores e tronco com o limiar de dor à
pressão sobre pontos gatilhos miofasciais no músculo
trapézio superior de pacientes com dor cervical.
Métodos: Trata-se de um estudo transversal cego
aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da
instituição (nº 030643/2013). Trinta voluntários de
ambos os gêneros foram incluídos no estudo, idade
entre 18 e 45 anos (idade média = 24,00 anos, desvio
padrão = 4,19 anos), com dor cervical crônica,
apresentando pontuação no Neck Disability Index ≥
5 pontos e pontuação na Numeric Rating Scale ≥ 3
em repouso ou durante a movimentação ativa da
cervical (Walker et al., 2008), além de presença de
pontos gatilhos miofasciais ativos e centrais no
músculo trapézio superior (Gerwin et al., 1997;
Simons et al., 1999). Os voluntários foram avaliados
por meio da algometria sobre os pontos gatilhos
miofasicias
e
bioimpedância
elétrica.
A
bioimpedância foi utilizada para avaliar a impedância
elétrica dos tecidos do tronco e dos membros
superiores às seguintes frequências: 1, 5, 50, 250, 500
e 1000 KHz. Na análise estatística, foi aplicado o
teste Shapiro-Wilk seguido do coeficiente de
correlação de Spearman, sendo considerado um nível
de significância de 5%.
Resultados: Foi observada associação negativa e
significativa entre o limiar de dor à pressão à direita
e a impedância elétrica do tronco à frequência de 5
KHz (rs = -0,392; p = 0,032), à frequência de 50 KHz
(rs = -0,406; p = 0,026), à frequência de 250 KHz (rs
= -0,388; p = 0,034) e à frequência de 500 KHz (rs =
-0,444; p = 0,014). Assim sendo, a correlação
negativa indica que quanto menor o limiar de dor à
pressão, maior a impedância elétrica do tronco e viceversa.
Discussão: No presente estudo, foi observada
associação significativa e negativa entre a
impedância elétrica do tronco e o limiar de dor à
pressão sobre os pontos gatilhos miofasciais nos
indivíduos com cervicalgia. Estudos enfocando a
mensuração da dor por meio da impedância elétrica
são escassos na literatura científica e os poucos
estudos publicados não são concordantes com
relação ao comportamento da impedância elétrica
mediante a presença de dor (Hampf, 1990; Fujita et
al., 2001; Yamamoto et al., 2006; Mikolajewska et
al., 2011; Ching et al., 2013). O presente estudo foi
pioneiro ao correlacionar a impedância elétrica dos
tecidos com um instrumento comumente empregado
na mensuração da dor. No entanto, alguns outros
aspectos devem ser considerados em futuras
investigações. Assim sendo, sugere-se a realização de
estudos com outras populações com dor crônica, tais
como migrânea, dores neuropáticas, disfunção
temporomandibular e osteoartrite. Além disso,
considerando que no presente estudo houve
correlação do limiar de dor à pressão sobre os pontos
gatilhos à direita e a impedância elétrica do tronco, e
que a amostra do presente estudo foi composta por
83,33% de destros, seria oportuno que futuros estudos
controlassem esta variável para verificar à possível
relação entre a dominância dos membros e a
impedância elétrica.
Conclusões: A impedância elétrica do tronco está
associada com o limiar de dor à pressão sobre os
pontos gatilhos miofasciais no músculo trapézio
superior de indivíduos com dor cervical, de forma que
indivíduos com menores limiares de dor à pressão
apresentam maiores valores de impedância elétrica
do tronco e vice-versa.
Referências
P á g i n a | 275
Bolfe VJ, et al. Electrical impedance behavior of
biological tissues during transcutaneous electrical
stimulation. Rev Bras Fisioter. 2007;11:135-40.
Ching CT, et al. Characterization of the muscle
electrical properties in low back pain patients by
electrical impedance myography. PLoS One.
2013;8:e61639.
Fujita T, et al. Fall of skin impedance and bone and
joint pain. J Bone Miner Metab. 2001;19:175-9.
Fujita T, et al. Analgesic and chondroprotective
effects of risedronate in osteoarthritis assessed by
electroalgometry and measurement of collagen type
II fragments in urine. J Int Med Res. 2008;36:932-41.
Gerwin RD, et al. Inter-rater reliability in myofascial
trigger point examination. Pain. 1997;69:65-73.
Hampf G. Influence of cold pain in the hand on skin
impedance, heart rate and skin temperature. Physiol
Behav. 1990;47:217-8.
Kyle UG, et al. Bioelectrical impedance analysis part I: review of principles and methods. Clin Nutr.
2004;23:1226-43.
Mikolajewska P, et al. Bioimpedance for pain
monitoring during cutaneous photodynamic therapy:
Preliminary study. Photodiagnosis Photodyn Ther.
2011;8:307-13.
Simons DG, et al. Myofascial Pain and Dysfunction:
The Trigger Point Manual: Volume 1. 2nd ed.
Baltimore: Lippincott Williams & Wilkins; 1999.
Walker MJ, et al. The effectiveness of manual
physical therapy and exercise for mechanical neck
pain: a randomized clinical trial. Spine.
2008;33:2371-8.
Yamamoto N, et al. Objective evaluation of shoulder
pain by measuring skin impedance. Orthopedics.
2006;29:1121-3.
Fontes financiadoras: Fundação de Amparo à
Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP,
processos nº 2013/19368-8 e 2013/09753-1),
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de
Nível Superior (CAPES) e Conselho Nacional de
Desenvolvimento
Científico
e
Tecnológico
(PIBIC/CNPq).
Fonte dos dados: Esses dados são parte do conteúdo
da Tese de Doutorado intitulada: “Eficácia de
recursos fisioterapêuticos no tratamento dos pontos
gatilhos miofasciais em indivíduos com cervicalgia:
ensaio clínico randomizado cego” do Programa de
Pós-Graduação em Reabilitação e Desempenho
Funcional da Faculdade de Medicina de Ribeirão
Preto da Universidade de São Paulo.
P á g i n a | 276
INS.126. CORRELAÇÃO ENTRE RAZÃO DE FLEXÃO RELAXAMENTO E
INCAPACIDADE RELACIONADA À DOR CERVICAL CRÕNICA
Marina F Santos1, Carina F Pinheiro1, Thais C Chaves1
1 Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Brasil.
Introdução: A dor cervical é um problema
musculoesquelético comum, cuja ocorrência é
estimada em torno de 30-50% da população adulta.
A alteração na atividade elétrica dos músculos
extensores é uma das características da dor
cervical. A Razão Flexão-Relaxamento (RFR), que
pode ser definida como a razão entre a máxima
atividade
muscular
durante
a
reextensão/relaxamento1, pode ser utilizada para
avaliação
de
alterações
na
atividade
eletromiográfica de superfície (sEMG) dos
músculos extensores cervicais. A incapacidade está
presente nos pacientes com dor cervical crônica e
pode estar relacionada com alterações na atividade
elétrica dos músculos cervicais. Dessa forma, a
hipótese deste estudo é de que há correlação
positiva entre a RFR e a incapacidade relacionada
à dor cervical.
Objetivos: Verificar correlações entre a RFR dos
músculos extensores cervicais e a medida de
incapacidade relacionada à dor cervical e