Dissertação - Cristiane Ferreira Esch

Transcrição

Dissertação - Cristiane Ferreira Esch
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Centro de Educação e Humanidades
Instituto de Psicologia
Cristiane Ferreira Esch
Descortinando o Passado para Vislumbrar o Porvir:
da Gestalt-Terapia à Abordagem Gestáltica no Brasil – 40 anos de
histórias
Rio de Janeiro
2012
Cristiane Ferreira Esch
Descortinando o Passado para Vislumbrar o Porvir: da Gestalt-Terapia à
Abordagem Gestáltica no Brasil – 40 anos de histórias
Dissertação apresentada, como requisito parcial
para obtenção do título de Mestre, ao Programa
de Pós-Graduação em Psicologia Social, da
Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Área
de concentração: História, Imaginário Social,
Cultura.
Orientadora: Prof. Dra. Ana Maria Jacó-Vilela
Rio de Janeiro
2012
CATALOGAÇÃO NA FONTE
UERJ/REDE SIRIUS/BIBLIOTECA CEH/A
E74
Esch, Cristiane Ferreira.
Descortinando o passado para vislumbrar o porvir: da gestaltterapia à abordagem gestáltica no Brasil – 40 anos de histórias /
Cristiane Ferreira Esch. – 2012.
206 f.
Orientadora: Ana Maria Jacó-Vilela.
Dissertação (Mestrado) – Universidade do Estado do Rio de
Janeiro. Instituto de Psicologia.
1. Gestalt-terapia – Brasil – História – Teses. I. Jacó-Vilela,
Ana Maria. II. Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Instituto
de Psicologia. III. Título.
nt
CDU 159.9.019.2
Autorizo, apenas para fins acadêmicos e científicos, a reprodução total ou parcial desta
dissertação.
________________________________
Assinatura
_____________________
Data
Cristiane Ferreira Esch
Descortinando o Passado para Vislumbrar o Porvir: da Gestalt-Terapia à
Abordagem Gestáltica no Brasil – 40 anos de histórias
Dissertação apresentada, como requisito parcial
para obtenção do título de Mestre, ao Programa de
Pós-Graduação
em
Psicologia
Social,
da
Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Área de
concentração: História, Imaginário Social, Cultura.
Aprovada em 27 de junho de 2012
Banca Examinadora:
________________________________________
Profª. Dra. Ana Maria Jacó-Vilela
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
________________________________________
Profª. Dra. Laura Cristina de Toledo Quadros
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
_________________________________________
Profª. Dra. Mônica Botelho Alvim
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Rio de Janeiro
2012
DEDICATÓRIA
A todos aqueles que acreditam que na vida
o que “se vê” não é tudo o que se poderia “chegar a ver”.
AGRADECIMENTOS
Sobre o significado de agradecer – gratidão!
E sobre a importância do significado da presença de pessoas queridas,
importantes, referências em nossas vidas...
São muitos os agradecimentos, e como não poderia deixar de dizer, graças a
Deus, por isso. Foram muitos os bons encontros ocorridos ao longo de minha trajetória
profissional, e que influenciaram em meu desenvolvimento pessoal, numa relação entre
o profissional e o pessoal, a meu ver, inevitável e indissoluvelmente entrelaçadas.
Portanto, desde logo esclareço que os agradecimentos explicitados aqui não se
restringem a esse momento, mas se inserem no decorrer de minha vida profissional e
condensam meu percurso trilhado na psicologia.
Muitas destas pessoas estiveram presentes, contudo, no processo de construção
desta dissertação. Algumas delas inevitavelmente estarão presentes no momento de
sua defesa. Então vou começar por elas: meu profundo e sincero agradecimento a
minha orientadora profª. Dra. Ana Maria Jacó-Vilela por ter sempre incentivado a
realização de um mestrado e, depois, por aceitar a reinaugurar uma parceria iniciada há
tempos quando eu ainda era uma bolsista de iniciação cientifica a participar de sua
pesquisa em História da Psicologia no Brasil. Ao me receber como sua orientanda,
posso dizer que, desta vez, aceitava também participar de um projeto que era meu,
derivado de meu caminho e percurso enquanto profissional da psicologia que se filiou e
abraçou a Gestalt-Terapia e a abordagem gestáltica como um dos norteadores deste
caminho. À Ana ainda, continuo admirada pelo seu olhar cuidadoso ao texto, pelas suas
correções a ele, pelo seu rigor e pelo seu estímulo freqüente à reflexão e crítica. Deixo
registrada aqui a sensação acompanhada da constatação de que a escolha pela
parceira foi acertada! E ainda a minha admiração, algumas vezes já declarada, e agora
devidamente registrada nestas linhas, que faz com que eu tenha na sua pessoa, um
exemplo de profissional e competência acadêmica. À
Laura
Quadros,
por
suas
palavras amigas e disponibilidade demonstradas em nossos encontros “apressados”
pelos corredores da UERJ. Meu agradecimento à Mônica Botelho Alvim, que se fez
presente nesta trajetória desde a qualificação do projeto, trazendo contribuições
importantes, que me auxiliaram a iluminar um caminho, eu diria, difícil de ser trilhado.
À Eleonôra Torres Prestrelo, Teresinha Mello da Silveira e Luciana Bicalho
Cavanellas profissionais que estiveram presentes desde o início de meu caminho na
Gestalt-Terapia, meus mais profundos agradecimentos, principalmente por ainda se
fazerem presentes, disponíveis e parceiras ao longo desta caminhada. A cada uma
delas, uma menção especial: Eleonôra, por me levar uma sacola pesada de revistas de
Gestalt-Terapia, que se tornaram valiosas para a realização desta dissertação;
Teresinha, por sua postura franca que parece falar de uma gratidão à vida; Luciana, por
me acompanhar em momentos difíceis de minha vida, permitindo a mim, “amparada” e
suportada por sua mente “aberta’ e “livre” da rigidez, de preconceitos, vislumbrar
possibilidades e respirar com mais frescor...
Ao Luiz Lilienthal com quem tive a oportunidade e a satisfação de me encontrar
neste caminho que tem na Gestalt-Terapia sua ligação. Obrigada pelo apoio, pela
presença, pelo tempo dispensado a mim através de suas contribuições valiosas quando
esta dissertação ainda era um pré-projeto de seleção para o mestrado. Quero aqui,
estender este agradecimento a todo o quadro de professores do Instituto Gestalt São
Paulo, em especial à coordenação do Instituto – Myriam Bove Fernandes e Claudia
Ranaldi Nogueira – por fazerem deste um lugar tão especial e aconchegante.
A estas pessoas, todas, mais algumas palavras, que sintetizam a sua
importância em minha vida: pelo afeto trocado, pela riqueza das trocas, por
compartilharem seus saberes e experiências, por contribuírem com minha formação,
enfim, por permitirem que para além do profissional, pudesse aparecer, se fazer
presente, desabrochar o jeito pessoal e único que cada um de nós possui e tem a
oferecer, fazendo desta, conforme acredito, nossa melhor e maior contribuição!
Ao profº Ademir Pacelli que, enquanto diretor do Instituto de Psicologia da
Universidade do Estado do Rio de Janeiro à época, recebeu-me integrou-me ao seu
corpo de profissionais. Obrigada pela oportunidade, incentivo e confiança creditados.
Aos meus queridos estagiários do Estágio Especializado em Gestalt-Terapia e
também aos residentes do curso de Especialização em Psicologia Clínico-Institucional
na Clínica Especializada em Cirurgia Cardíaca por vocês terem “acontecido” na minha
vida, abrindo-me uma porta talvez ainda não pensada, ou melhor, não ousada antes, de
transmissora de conhecimentos, ensinamentos, posturas, e com isso, tornaram-me
responsável por contribuir com um momento tão importante da trajetória profissional,
que é este da formação. A importância deste lugar e a crença de que as construções
possíveis derivadas dele podem valer para uma vida inteira no percurso profissional de
cada um, fizeram crescer em mim a necessidade, dessa vez, aumentada, de
aprimoramento, aperfeiçoamento, capacitação e compromisso com o outro, aqui
personificados pela presença de cada um de vocês que passaram e passarão pelo meu
caminho. Este é sem dúvida um lugar em que, mais do que nunca, estão entrelaçados
o pessoal e o profissional, e por isso, deixo registrada aqui que a presença de vocês
aguçaram em mim a necessidade constante de rever, revisitar, aprimorar, em mim, o
pessoal que habita o profissional.
Na outra ponta, agradeço às pessoas que me permitiram aplicar meus
conhecimentos profissionais, tanto no contexto da clínica, quanto no contexto
hospitalar: clientes, pacientes, familiares, por me tornarem parte importante de
momentos de suas vidas e por apostarem que teria como contribuir e construir
possibilidades com vocês..., meu muito obrigada!
Aos meus amigos nesta jornada da vida, pelos momentos de relaxamento e
prazer, apoio e força nos momentos difíceis, em especial Giselaine, Cátia, Dário e
Flávia.
Às minhas companheiras Marcelas, tão bem vindas, chegadas por ocasião do
início do curso de Mestrado em minha vida, com quem foi possível estabelecer uma
relação de ajuda mútua, suporte, superação, vividos no decorrer destes poucos mais de
dois anos... obrigada por suas presenças. Espero que este encontro tenha inaugurado
a permanência de vocês daqui por diante em minha vida, incluindo aqui Maria, Denise,
José Henrique, Filipe, Daiane, Alice, Stephanie, Mariana, Patrícia... e demais
integrantes deste grande centro promotor de trabalhos, encontros, parcerias e
amizades, que é o Núcleo Clio-Psyché.
Ao Lauro, com quem estabeleci um belo encontro e parceria, obrigada pelo seu
suporte, pelo seu coração generoso, presença, amor, compreensão, capacidade de
doação... e paciência por me esperar.
Aos meus amados pais, sem os quais nada disso teria sido possível. Pela sua
parcela tão importante de contribuição naquilo que sou e que me tornei como fruto de
seus ensinamentos, valores transmitidos, acertos e falhas neste processo de formação
pessoal, minha mais profunda e terna gratidão e meu amor maior. Por me
acompanharem desde sempre, pelo amor dedicados, pelas renúncias assistidas, pelas
preocupações constantes, mesmo que nem sempre necessárias, por tudo mesmo, e
sendo tudo, a dificuldade de colocar em palavras... à minha mãe ainda, pela comida
congelada, pelo microondas, pela ida à biblioteca da PUC/RJ em busca de artigos para
esta dissertação...
À minha também amada irmã, com quem, por minha posição de primogênita,
partilhei quase desde sempre deste lar, o que nos faz cúmplices e parceiras neste
processo de diferenciar-se, constituir-se enquanto pessoa, ser e rumar para a vida,
orientadas por escolhas próprias, singulares, ainda que sem dúvida, perpassadas por
essas experiências vividas conjuntamente. Obrigada por dividir comigo este lugar e por
ser quem é...
O progresso da civilização material pode levar algumas pessoas a pensar que nada
mais há a descobrir e que cada polegada do planeta é conhecida. Que erro! Tanto pelo
passado e talvez ainda mais que no passado, o mundo é um mundo de segredo e um
mundo de mistérios.
Raymond Bernard - Encontros Com o Insólito
RESUMO
ESCH, Cristiane Ferreira. Descortinando o Passado para Vislumbrar o Porvir: da
Gestalt-Terapia à Abordagem Gestáltica no Brasil – 40 anos de histórias. 2012. 206 f.
Dissertação (Mestrado em Psicologia Social) – Programa de Pós-Graduação em
Psicologia Social, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2012.
A presente dissertação tem por objeto a história e o desenvolvimento da GestaltTerapia no Brasil. Toma como ponto de partida o resgate e a influência de seus
fundadores para a edificação de sua teoria e prática, embalados pelas transformações
sofridas pela psicologia no decorrer do século XX. Enfatiza o contexto americano e o
período da contracultura como o momento em que a Gestalt-Terapia alcança
notoriedade, e passa a ocupar um espaço junto ao leque de psicoterapias
reconhecidas. Finalmente aborda sua recepção no Brasil, considerando os elementos
históricos que permitiram sua chegada, sobretudo o contexto sócio-político e a situação
da psicologia como ciência e profissão na década de 1970. Discorre sobre o
desenvolvimento inicial desta abordagem em nosso país, apresentando os diversos
momentos e fases porque passou a Gestalt-Terapia no Brasil, e ainda sobre o seu
crescimento e difusão enquanto teoria e prática psicoterápicas. Utiliza-se como método
a produção escrita na área, principalmente a partir da eleição de três categorias de
estudo: artigos publicados em periódicos especializados em Gestalt-Terapia, artigos
publicados em periódicos em geral e, finalmente, dissertações e teses produzidas sob o
referencial gestáltico. Por fim, observa que o caminho trilhado pela Gestalt-Terapia
levou à sua expansão para outras áreas da psicologia, em uma ampliação de seu
escopo de atuação para além das fronteiras da psicologia clínica e da prática
psicoterápica. Tal fato justificou a utilização corrente da expressão abordagem
gestáltica como representativa dessa expansão. Conclui-se que a Gestalt-Terapia e a
Abordagem Gestáltica apresentam uma proposta teórica e possibilidades de aplicação
prática que permitem atender e contribuir para a psicologia na atualidade,
principalmente pela possibilidade de abordar e intervir em questões sociais, na direção
da construção de um mundo melhor.
Palavras-chaves: Gestalt-Terapia no Brasil. Abordagem Gestáltica no Brasil. História.
Produção escrita em Gestal-Terapia no Brasil.
ABSTRACT
This paper is about the history and development of Gestalt therapy in Brazil. It
takes as its starting point the rescue and the influence of his founders for the edification
of his theory and practice, enhanced by the transformations in psychology during the
twentieth century. Emphasizes the American context and the period of the
counterculture as the moment when the Gestalt therapy achieves notoriety, and now
occupies a space next to the recognized range of psychotherapies. Finally discusses its
reception in Brazil, considering the historical elements that have allowed their arrival,
especially the socio-political situation and of psychology as a science and politics in the
1970s. Discusses the initial development of this approach in our country, presenting the
various moments and stages of Gestalt therapy in Brazil, and on its growth and diffusion
as a theory and practice psychotherapy. It is used as a method written in the production
area, mainly from the election of three study categories: Articles published in journals
specialized in Gestalt therapy, articles published in general journals and, finally,
dissertations and theses produced under the referential of gestalt. Finally, observe that
the path taken by Gestalt therapy led to its expansion to other areas of psychology, in an
expansion of its scope of action beyond the boundaries of clinical psychology and
psychotherapy practice. This fact justified the routine use of the term gestalt approach
as representative of this expansion. It is concluded that Gestalt therapy and Gestalt
approach presents a theoretical and practical possibilities that allow you to meet and
contribute to psychology today, especially the possibility to address and intervene in
social issues, toward building a better world .
Keywords: Gestalt Therapy in Brazil. Gestalt approach in Brazil. History. writing in
Gestal Therapy in Brazil.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
QUADRO 1 –
Coleção Novas Buscas em Psicoterapia – Summus Editorial........
84
QUADRO 2 –
Livros publicados por Zahar Editores, Rio de Janeiro....................
85
QUADRO 3 –
Artigos publicados em periódicos em geral, por período de
publicação.......................................................................................
112
GRÁFICO 1 –
Artigos publicados por periódico.....................................................
113
GRÁFICO 2 –
Periódicos que publicaram sobre Gestalt-Terapia por período....... 113
QUADRO 4 –
Vinculação dos periódicos que publicaram artigos sobre GestaltTerapia............................................................................................
114
GRÁFICO 3 –
Periódicos que publicaram Gestalt.................................................
118
QUADRO 5 –
Periódicos
que
publicaram
artigos
sobre
Gestalt-Terapia,
classificação por período................................................................
QUADRO 6 –
119
Dissertações e Teses em Gestalt-Terapia por programa de PósGraduação......................................................................................
122
GRÁFICO 4 –
Quantitativo de Dissertações e Teses por período.........................
126
GRÁFICO 5 –
Programas de Pós-Graduação com Dissertações e Teses no
referencial gestáltico.......................................................................
127
GRÁFICO 6 –
Distribuição de Dissertações e Teses por regiões do Brasil........... 128
GRÁFICO 7 –
Distribuição de Dissertações e Teses por estados brasileiros........ 129
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO
1
14
FORMANDO A GESTALT: AS PRINCIPAIS PERSONAGENS COMO
FIGURA E O CONTEXTO COMO FUNDO
29
1.1
Fritz Perls
29
1.2
Paul Goodman
36
1.3
Laura Perls
45
1.4
A emergência e o desenvolvimento inicial da Gestalt-Terapia
49
2
A
GESTALT-TERAPIA
NO
BRASIL:
RECEPÇÃO
E
DESENVOLVIMENTO INICIAIS
2.1
62
O cenário político e sócio-econômico-cultural no Brasil nas
décadas de 1950, 1960 e 1970
62
2.2
Por onde caminhou a psicologia durante este período?
70
2.3
A
2.3.1
Gestalt-Terapia
chega
ao
Brasil:
recepção,
difusão
e
desenvolvimento iniciais
75
O primeiro momento: entusiasmo, encantamento e difusão
75
2.3.1.1 A transmissão inicial da Gestalt-Terapia realizada por brasileiros
90
2.3.2
O segundo momento: reflexão, desilusão e a busca de referenciais
93
2.3.3
O terceiro momento: rumo à produção nacional em Gestalt-Terapia
96
A CONSOLIDAÇÃO DA GESTALT-TERAPIA NO BRASIL
99
A Gestalt-Terapia em números: décadas de 1980, 1990 e 2000
102
3.1.1
O “boom” dos periódicos especializados em Gestalt-Terapia
104
3.1.2
A publicação de Gestalt-Terapia em periódicos em geral
110
3.1.3
A produção de dissertações e teses com o referencial gestáltico
120
3
3.1
4
OS RUMOS DA GESTALT-TERAPIA NO BRASIL: DA GESTALTTERAPIA À ABORDAGEM GESTÁLTICA
130
4.1
A produção em Gestalt-Terapia na década de 1990
134
4.2
A produção em Gestalt-Terapia na década de 2000
144
CONSIDERAÇÕES FINAIS
154
REFERÊNCIAS
159
5
APÊNDICE 1 – Livros estrangeiros sobre Gestalt-Terapia publicados
no Brasil
176
APÊNDICE 2 – Produção nacional em Gestal-Terapia – Livros
179
APÊNDICE 3 – Centros de Estudos e Institutos de Gestalt-Terapia
no Brasil
183
APÊNDICE 4 – Congressos em Gestalt-Terapia
185
APÊNDICE 5 – Periódicos especializados em Gestalt-Terapia
188
APÊNDICE 6 – Artigos sobre Gestalt-Terapia publicados em
periódicos em geral, por período
190
APÊNDICE 7 – Dissertações e Teses distribuídas por Programas de
Pós-Graduação, por período
197
APÊNDICE 8 – Dissertações e Teses: títulos, autor, ano, programa
de pós-graduação e orientador
199
14
INTRODUÇÃO
A Gestalt-Terapia surge nos EUA como uma nova abordagem em psicoterapia
no ano de 1951, com a publicação do livro Gestalt-Therapy: excitement and growth in
the human personality, e autoria de Fritz Perls, Paul Goodman e Ralph Hefferline. Podese considerar, contudo, que o caminho trilhado por seu principal idealizador, Fritz Perls
e por sua esposa Laura Perls, anos antes, já anunciava a possibilidade de surgimento
de um novo entendimento e método para a psicoterapia. Neste sentido, é de
fundamental importância a publicação por Perls do livro Ego, Hunger and Agression: a
revision of Freud’s theory and method, em 1942, em que expõe suas discordâncias com
a psicanálise.
É na década de 1960, favorecida pelo movimento de contracultura, que a
Gestalt-Terapia alcança certa notoriedade e popularidade nos EUA. Já na década de
1970 a Gestalt-Terapia chega ao Brasil em meio a um momento político conturbado que
foi a ditadura militar.
A proposta desta dissertação é abordar a história da Gestalt-Terapia no Brasil,
desde sua recepção até os dias atuais, a partir da análise da produção escrita na área.
No entanto, antes de iniciar propriamente a história da Gestalt-Terapia no Brasil,
é necessário situar sua emergência no mundo, a partir da análise das condições
presentes no meio científico que propiciaram a constituição de uma nova abordagem
psicoterapêutica, bem como os primeiros passos percorridos por esta abordagem.
A Gestalt-Terapia se constitui enquanto uma linha psicoterápica sob a influência
de acontecimentos que marcaram o século XX, bem como de experiências que
marcaram a vida de seu principal proponente, Fritz Perls. No que diz respeito aos
personagens responsáveis pela história e construção da Gestalt-Terapia, é de
fundamental importância a inclusão dos nomes de Laura Perls e Paul Goodman que,
juntamente com Perls, edificaram o que veio a se denominar como Gestalt-Terapia.
A ciência moderna que se originou no final do século XVI, em sua busca de uma
realidade empírica objetiva, criou uma divisão entre o sujeito e o objeto, tornando o
pensamento ocidental marcado pelo dualismo resultante dessas idéias. Neste modelo,
15
a psicologia, sustentada no pilar da modernidade, localiza no indivíduo o seu objeto, em
uma clara separação homem/mundo.
O movimento fenomenológico na filosofia, iniciado por Edmund Husserl no início
do século XX, pode ser entendido como uma tentativa de restaurar a unidade entre
sujeito e objeto. A fenomenologia é, sobretudo, um método alternativo ao método
científico dominante: ela nem afirma nem rejeita a existência de um mundo físico
“externo”, mas insiste que a investigação filosófica acesse o mundo a partir da
consciência – entendida como a única forma de conhecimento. A psicologia da Gestalt,
seguida pela Teoria Organísmica e pela Teoria de Campo, surgem no bojo dessas
mudanças, contrapondo-se às concepções associacionista e mecanicista que
predominavam no campo científico até então. A causalidade simples (causa-efeito) dá
lugar à consideração do campo total.
A literatura da Gestalt-Terapia aponta tradicionalmente quatro teorias de base –
psicologia da Gestalt, teoria organísmica, teoria de campo, holismo – como
fundamentos teóricos na constituição da abordagem. Isso significa que suas bases
teóricas encontram-se assentadas entre as principais teorias totalizantes do começo do
século XX.
Ciornai (2009) chama a atenção para o fato destas teorias terem surgido num
espaço de tempo relativamente próximo e no mesmo caldo cultural no qual Einstein se
formou e gestou as sementes da física da relatividade: Alemanha, período entre
guerras. Estas teorias sobre campos e totalidades nas ciências humanas, e
particularmente na psicologia, foram, sem dúvida, influenciadas pelo advento da física
da relatividade e da física quântica, e dispararam uma nova forma de conceber e
significar o mundo, trazendo uma mudança de paradigma que até hoje se processa.
Para Loffredo (1994) as contribuições teóricas presentes na Gestalt-Terapia são,
em seu conjunto, uma proposta de campo, estrutural, não associacionista e holística do
fenômeno psicológico.
É de fundamental importância assinalar também a presença do modelo
psicanalítico freudiano enquanto influência na Gestalt-Terapia, mesmo que isto ocorra,
em muitos aspectos, através de sua negação, crítica e tentativa de ultrapassá-lo.
Encontramos na autobiografia de Perls um comentário que ilustra tal presença:
16
Freud, suas teorias, suas influências, são importantes demais para mim. A minha
admiração, perplexidade e vingatividade são muito fortes. Fico profundamente comovido
pelo sofrimento e pela coragem dele. Respeito profundamente o quanto ele,
praticamente sozinho, conseguiu dispondo das ferramentas inadequadas da psicologiade-associação e da filosofia mecanicista. Sou profundamente grato pelo tanto que evoluí
levantando-me contra ele (PERLS, 1979, p. 51).
Somadas às bases teóricas da Gestalt-Terapia, encontramos ainda pressupostos
filosóficos assentados no referencial fenomenológico existencial, o que implica no fato
de não podermos ver essa abordagem como pronta, e nem mesmo esperar que isso
aconteça algum dia. Rehfeld (2009, p. 25) nos fala a esse respeito: “Não é essência, e
sim, facticidade. É enquanto se faz que se está sendo. Seremos aquilo que viermos a
ser”.
Na abordagem moderna, solipsista, o eu, juntamente com a experiência interior e
pessoal, era reconhecido como a única realidade. Por sua vez, os autores da primeira
obra em Gestalt-Terapia fazem referência a uma outra realidade primeira: aquilo que
existe é o campo. Encontramos em Perls, Hefferline e Goodman (1997, p. 42) a
afirmação de que
em toda e qualquer investigação biológica, psicológica ou sociológica temos de partir da
interação entre o organismo e seu ambiente [...] Denominemos esse interagir entre
organismo e ambiente em qualquer função o ‘campo organismo/ambiente’, e lembremonos de que [...] estamos nos referindo a esse campo interacional e não a um animal
isolado.
Outra afirmação de Perls que confirma tal posicionamento encontra-se em Fagan
e Sheperd (1980, p. 49):
Somos parte do universo, não distintos dele. Nós e o nosso meio somos uma só coisa.
Não podemos olhar sem ter algo para onde olhar. Não podemos respirar sem ar. Não
podemos viver sem ser parte da sociedade. Portanto, não podemos, certamente,
observar um organismo como se ele fosse capaz de funcionar em isolamento.
Desse modo, a Gestalt-Terapia toma como ponto de partida a noção de “campo
organismo/ambiente” para descrever a experiência humana no mundo. A experiência é
anterior ao “Organismo” e ao “Ambiente”, que são abstrações da experiência
(GOODMAN, 1972 apud ROBINE 2006, p. 169). A experiência ocorre na fronteira entre
o organismo e seu ambiente (PERLS; HEFFERLINE; GOODMAN, 1997, p. 41).
17
Através dos conceitos básicos da Gestalt-Terapia de campo, contato e fronteira
de contato, é possível reconhecer a proposta fundamental dessa abordagem de criar
uma linguagem que superasse o pensamento dualista, corpo-mente, sujeito-objeto,
natureza-cultura e indivíduo-sociedade.
O contato, que é o conceito central, desde que provê a assimilação dos recursos
do meio às necessidades emergentes e, daí, crescimento, é a formação de uma figura
de interesse contra um fundo ou contexto do campo organismo-meio. Ao privilegiar o
contato, a perspectiva de campo rompe com a hegemonia do intrapsíquico, em que o
self é concebido como fundamentalmente separado, associado a uma ótica
individualista. A perspectiva de campo que embasa a Gestalt-Terapia, ao definir o self
como contato, retira-o do lugar de substância para enfatizar o processo. Segundo
Robine (2006, p. 33):
O self não pode, portanto, ser apreendido como substantivo, como entidade, como
substância, mas sim como verbo, ou melhor, como ad-vérbio, pois ele é o artesão do ato
de ‘contatar’, que é a operação básica do campo.
Ainda de acordo com Robine (2005), Perls, Hefferline e Goodman introduziram
“uma mudança de rumo fundamental, que os coloca no coração daquilo que mais tarde
será chamado pós-modernidade: eles deslocaram o self, o descentralizaram e o
temporalizaram” (2005, p 108).
Estando o acento posto agora na co-construção de significados na relação,
observa-se a importância de contemplarmos questões como o vínculo, a solidariedade,
a comunidade. Robine (2005, p. 113) diz que “se perdemos em independência,
ganhamos em interdependência”.
Encontramos em Perls, Hefferline e Goodman (1997, p. 41-43-44) a introdução
do conceito de fronteira de contato:
Falamos do organismo que se põe em contato com o ambiente, mas o contato é que é a
realidade mais simples e primeira. [...] Quando dizemos ‘fronteira’ pensamos em uma
‘fronteira entre’, mas a fronteira – de – contato , onde a experiência tem lugar, não
separa o organismo e seu ambiente; em vez disso limita o organismo, o contém e
protege, ao mesmo tempo que contata o ambiente. (....) a fronteira de contato [...] não é
tão parte do ‘organismo’ como é essencialmente o órgão de uma relação específica
entre o organismo e ambiente.
18
O conceito de campo, por sua vez, aparece na primeira obra de Perls (2002, p.
60):
A concepção de campo encontra-se em oposição direta àquela da ciência tradicional,
que sempre enxergou a realidade como um conglomerado de componentes isolados –
como um mundo caracterizado por inúmeras partes.
Neste livro, considerado o embrião da Gestalt-Terapia, Perls propunha apenas
uma revisão da psicanálise, a partir da passagem de um paradigma que preconizava o
intrapsíquico para outro que tinha como centro a noção de organismo (ALVIM, 2007, p.
211). Nesta obra, lançada em 1942, Perls (2002, p. 40) declara a intenção de utilizar-se
do holismo como um “instrumento intelectual” para o desenvolvimento de sua
perspectiva teórica, considerando o termo “concepção de campo” como sinônimo de
holismo.
Data deste período o seu contato com Jan Smuts (1870-1950), autor de Holism
and Evolution (1926), que Perls já conhecia desde que fora assistente de Kurt
Goldstein, em 1926, em Frankfurt, Alemanha. Ao se referir ao livro de Smuts, Perls
recomenda sua leitura por apresentar “um exame muito abrangente da importância das
totalidades, tanto em biologia quanto em outros ramos da ciência” (PERLS, 2002, p.
63)1. É a partir da noção de ecologia de Smuts – “organismo-como-um-todo-imbricadono-ambiente” – que Perls consolida sua compreensão do organismo inseparável do
mundo (ALVIM, 2007, p. 212).
De acordo com Lima (2007), Smuts, em sua obra, havia feito uma séria crítica ao
modelo científico que dominou o século XIX, e, para contrapor-se a esse modelo,
propôs a adoção da teoria de campo como a mais adequada. O autor acreditava que só
por meio do conceito de campo a visão da natureza poderia ser restituída a seu caráter
fluido e maleável. Para ele, a limitação dos conceitos mecanicistas teve a função de
simplificar os problemas das ciências e do pensamento da época, e, se não houvesse
uma reconsideração dessa visão, a ciência continuaria tratando dos processos da
natureza sob uma ótica reducionista e superficial. O holismo seria uma tendência
sintética do universo em evolução pela formação de todos (wholes). A realidade é
1
Aqui é importante assinalar o contexto dessa recomendação: deriva da comparação entre o estudo da psicologia da
Gestalt e a leitura do livro de Smuts. Segundo o autor, o primeiro requereria um trabalho científico extenso e
experimental detalhado, o mesmo não ocorrendo com a obra de Smuts, a qual estaria ao alcance de muitas pessoas.
19
ordenada e agregadora. Até mesmo as células são sistemas ajustáveis que funcionam
em um modelo de auto-organização semelhante aos sistemas sociais. Para Smuts
(1996, p. 97 apud LIMA, 2007, p. 137): “Matéria e vida consistem, atômica e
celularmente, de unidades estruturais ordenadamente agrupadas em conjuntos naturais
que denominamos corpos ou organismos”.
A partir do holismo, que considera o organismo como um todo unificado – eixo
básico de suporte na Gestalt-Terapia – a velha cisão corpo-mente é, pois, considerada
inadequada.
Perls critica todas as posições dualistas, considerando-as tentativas de encontrar
relações entre corpo e alma. Para ele, tais posições baseiam-se “numa cisão artificial
que não tem existência na realidade. Elas pretendem restabelecer uma unidade que
nunca deixou de existir” (PERLS, 2002, p. 68), na medida em que corpo e a alma
denotam dois aspectos da mesma coisa.
Loffredo (1994) relembra a sugestão de Perls, em sua última obra, de abordar a
vida e o comportamento humanos considerandos-os como se constituindo por níveis de
atividade (ao invés de recorrer ao insuficiente paralelismo psicofísico), o que permitiria o
acesso ao ser humano como uma totalidade. Segundo Perls (1988, p. 28), o
funcionamento organísmico ocorreria nas seguintes condições:
[...] a atividade corporal oculta se transforma na atividade latente particular, que
chamamos mental, devido a uma diminuição de intensidade. O organismo age e reage a
seu meio, com maior ou menor intensidade; a medida que diminui a intensidade, o
comportamento físico se transforma em comportamento mental. Quando a intensidade
aumenta, o comportamento mental torna-se comportamento físico.
Os
conceitos
“Teoria
Organísmica”,
“Organismo”
e
“Campo
Organismo/Ambiente” estão entrelaçados e foram introduzidos no primeiro livro de
Perls. O contato com a teoria organísmica de Kurt Goldstein, médico neuropsiquiara, foi
um divisor de águas em seu trabalho, dirigindo seu interesse para o paradigma
organísmico.
O que a Gestalt-Terapia trouxe de Goldstein foi a visão do ser humano como um
todo, como um organismo vivo no qual ocorrem processos de inter-relação entre suas
partes e que está em permanente relação com o meio, tomando deste o que necessita
e deixando o que não necessita, a serviço da auto-regulação. Pela auto-regulação, a
20
necessidade predominante é a que, de alguma forma, organiza nossa percepção e faz
algo se transformar em figura, abrindo assim um novo ciclo de experiência. A figura
emerge de um fundo, contrasta com ele e clama pela satisfação de uma necessidade.
Assim, a formação de Gestalten, a aparição de necessidades, tem sua origem em um
fenômeno biológico primário.
Em Ego, fome e agressão, Perls argumenta que o sistema sensório-motor é
dominado por uma tendência centrífuga, o que significa atribuir atividade ao organismo
na direção da satisfação da necessidade dominante, uma intencionalidade que o dirige
ao mundo (ALVIM, 2007, p. 212).
Perls formulou o resultado desejado do processo terapêutico em termos de autoregulação, qualidade de contato e capacidade de ajustamento criativo.
Foi por intermédio de Kurt Goldstein que Perls aprofundou-se na psicologia da
Gestalt. Naquele seu primeiro livro, Perls recorreu aos conceitos do gestaltismo na
tentativa de rever e buscar uma alternativa às suas insatisfações com o pensamento
psicanalítico da época. Assim, a psicologia da Gestalt forneceu a Perls um corpo
conceitual básico: todo, parte, figura, fundo, Gestalt, situação inacabada, insight, o que
lhe permitiu contrapor-se ao associacionismo e ao mecanicismo que ele compreendia
como a base da psicanálise freudiana da época. Ao referir-se à psicologia da Gestalt,
Perls recorre a Köhler e Wertheimer (2002, p. 61) que “afirmam haver, essencialmente,
uma formação abrangente – que chamam de ‘gestalt’ (formação de figura) – e que as
partes isoladas são formações secundárias”.
Ainda, em Ego, fome e agressão, Perls cita a definição de gestaltismo de
Wertheimer:
Existem totalidades cujo comportamento não é determinado por seus elementos
individuais, mas onde os processos parciais são determinados pela natureza intrínseca
dessas totalidades. A esperança da teoria da Gestalt é determinar a natureza de tais
totalidades (WERTHEIMER apud PERLS, 2002, p. 61).
Em
oposição
à
identificação
de
uma
cadeia
causal
proposta
pelo
associacionismo, o gestaltismo propõe o estudo do “como” se constitui um dado
fenômeno: como acontecem as inter-relações entre as partes; como e em função de
quê o todo se estrutura de uma determinada maneira.
21
O princípio é que o “todo” tem propriedades intrínsecas como conjunto, diferente
da soma das partes que o compõem. Portanto, é o modo de organização dos
fenômenos, fatos, percepções ou comportamentos que importa, uma vez que esse
“todo” sempre carregará sua própria singularidade, diferente da de seus elementos
individuais. Para Perls, ainda na mesma obra, interesses específicos são determinados
por necessidades específicas, e aqueles são decisivos na criação da realidade
subjetiva. Portanto, a realidade que importa é a realidade dos interesses. De um fundo
indiferenciado, a necessidade dominante do organismo se torna figura, uma realidade
subjetiva, contra um fundo indiferente. Para que o indivíduo consiga satisfazer sua
necessidade ou fechar a Gestalt, ele precisa ser capaz de interagir com o meio, na
criação de condições que permitam satisfazer sua necessidade, que desaparecerá tão
logo tenha sido atendida.
Nesse primeiro momento, Perls (2002, p. 63) faz uso dos termos contexto,
campo ou totalidade como sinônimos, colocando-os em oposição a uma perspectiva
isolacionista de ciência. Posteriormente, na obra de Perls, Hefferline e Goodman
(1951), os autores, ao abordarem o tema “Gestalt-terapia e psicologia da Gestalt”,
afirmam a especificidade da psicologia da Gestalt enquanto abordagem unitária que
encara a unidade irredutível do campo sociocultural, animal e físico em toda experiência
concreta:
Esta é naturalmente a tese principal da psicologia da Gestalt: que se tem de respeitar a
totalidade de fenômenos que surgem como todos unitários e que estes só podem ser
analiticamente divididos em pedaços ao preço da aniquilação daquilo que se pretendia
estudar (PERLS, HEFFERLINE e GOODMAN, 1997, p. 52).
De acordo com Cavanellas (2007), a palavra “totalidade”, no que diz respeito à
Gestalt-Terapia, vincula-se à herança recebida da psicologia da Gestalt. A autora
sugere-nos caminhar um pouco para trás, com a intenção de chegar à provável
nascente do sentido desta palavra. Encontraríamos então, as idéias de Franz Brentano,
que influenciaram Edmund Husserl2. Brentano, em sua investigação sobre a natureza
dos atos psíquicos, constatou a distinção entre fenômenos físicos e fenômenos
psíquicos, relacionando estes últimos à:
2
Edmund Husserl (1859-1938), filósofo alemão, fundador da fenomenologia, método voltado à descrição e análise da
consciência através do qual a filosofia tenta alcançar uma condição estritamente científica.
22
[...] experimentação de uma totalidade, que, espontaneamente, se estabelecia, antes
mesmo que um ato dela se ocupasse [...] e eis aqui uma primeira formulação da noção
fenomenológica de Gestalt. [...] e o rudimento programático daquilo que, na pena de
Husserl, transformar-se-á em fenomenologia: descrição dessas vivências que,
espontaneamente, configuram-se para nós como totalidades anteriores às partes
(GRANZOTTO; GRANZOTTO apud CAVANELLAS, 2007, p. 218).
Cavanellas (2007) leva-nos então à conclusão de que, tomando-se a história do
nascimento do método fenomenológico (Brentano e Husserl), bem como do percurso
trilhado pelos psicólogos da Gestalt, já influenciados pelos primeiros, não é difícil
entender porque a palavra totalidade pode encontrar equivalência no próprio termo
Gestalt: “[...] a psicologia eidética de Husserl havia legado, a saber, as essências ou
intuições (de totalidades), que eles melhor preferiram tratar como estruturas objetivas
chamadas Gestalten” (GRANZOTTO; GRANZOTTO apud CAVANELLAS, 2007, p.
219).
O gestaltismo possibilitou a Perls contribuir para a edificação da Gestalt-Terapia,
enfatizando o processo “[...] de formação figura/fundo no campo organismo/ambiente”
(PERLS, HEFFERLINE e GOODMAN, 1997, p. 63). No prefácio do livro inicial da
Gestalt-Terapia, os autores resumem essa proposta, já apresentada em Ego, fome e
agressão (PERLS, 2002):
[...] Na luta pela sobrevivência, a necessidade mais importante torna-se figura e
organiza o comportamento do indivíduo até que seja satisfeita, depois do que ela recua
para o fundo (equilíbrio temporário) e dá lugar à próxima necessidade mais importante
agora. No organismo saudável, essa mudança de dominância tem melhor possibilidade
de sobrevivência (PERLS, HEFFERLINE e GOODMAN, 1997, p. 35).
Também a teoria de campo de Kurt Lewin vem sendo apontada como uma
importante influência na Gestalt-Terapia, posição compartilhada por importantes autores
como os franceses Serge e Anne Ginger (1995), que incluem Lewin na árvore
genealógica da Gestalt-Terapia; pelo americano Yontef (1998) que afirma ser a teoria
de campo o tipo de pensamento científico que melhor funciona com o restante do
sistema teórico da Gestalt-Terapia; e pelos brasileiros Ponciano Ribeiro (1985) que
considera a presença da teoria de campo na origem da Gestalt-Terapia e Holanda
(2005), que considera a teoria de campo de Kurt Lewin como o fundamento central para
construção de uma teoria da personalidade gestáltica.
23
Jean-Marie Robine (2006, p. 170), importante teórico da Gestalt-Terapia na
contemporaneidade, situa a abordagem em uma perspectiva de campo. O autor afirma
que, desde 1951, com a publicação do livro que inaugura a Gestalt-Terapia, os gestaltterapeutas têm buscado pensar e inscrever sua prática nessa perspectiva, e com isso,
encaminham-se cada vez mais para a acentuação da dimensão interacional da
abordagem.
Gary Yontef, também um gestalt-terapeuta contemporâneo, tem se empenhado
em estabelecer uma distinção entre o campo e a teoria do campo (YONTEF,1984a,
apud ROBINE, 2006, p.182).
Robine (2006) constata um relativo abandono da teoria de campo na GestaltTerapia e aponta como uma possível explicação para isso a apropriação, por parte de
alguns gestalt-terapeutas, da Teoria Geral dos Sistemas, de Von Bertalanffy (1973),
uma vez que o domínio de aplicação das duas é muitas vezes idêntico. De acordo com
Robine (2006), a consequência imediata da aplicação da teoria de campo reside na
questão do método, uma vez que a mesma tem como base a idéia de que objeto e
pesquisador constituem um campo, e, dessa forma, estão submetidos à influência
recíproca. Na Gestalt-Terapia, tratamos de um campo específico denominado “campo
organismo/ambiente”, sendo os conceitos de contato e fronteira de contato elaborados
para abordar esse campo específico (ROBINE, 2006). De acordo com Robine (2006, p.
176), “o organismo é estabelecido como princípio organizador, elemento referente; e o
ambiente é a outra parte do campo, e o próprio organismo está incluído no campo”.
Voltamos a afirmar que, apresentada a emergência da Gestalt-Terapia e sua
situação atual, a proposta desta dissertação é abordar a história da Gestalt-Terapia no
Brasil, desde sua recepção até os dias atuais, a partir da análise da produção escrita na
área.
A análise histórica, conforme a concebemos, envolve a consideração de fatores
sociais, políticos, culturais, científicos. Assim, pretendemos a realização de uma
cartografia do momento da chegada da Gestalt-Terapia ao Brasil, com a tentativa de
identificar que elementos presentes neste contexto maior permitiram o surgimento,
entre nós de uma nova abordagem de psicoterapia. Tal proposta, em termos
gestálticos, seria equivalente a perguntar-se: qual o fundo que tornou possível o
24
surgimento desta nova figura? – no caso, a figura a que se refere é a chegada da
Gestalt-Terapia no Brasil – na tentativa de descortinar possíveis significados para esta
relação. Da mesma forma, no que diz respeito ao desenvolvimento da abordagem no
Brasil, cabe-nos perguntar que fatores presentes contribuíram para esta trajetória?
Como ocorreu o desenvolvimento e consolidação desta abordagem em nosso meio?
Quais os caminhos que a abordagem seguiu no Brasil?
A teoria e a prática da Gestalt-Terapia é a adotada pela autora em sua
orientação profissional, acompanhado-a desde o período da graduação, por identificar
nesta abordagem aquela que se apresenta com maior coerência e mais se aproxima
em idéias e concepção de homem e de mundo dos referenciais que fazem parte de sua
constituição enquanto pessoa. No percurso trilhado enquanto estudante e profissional,
sempre lhe chamou a atenção as críticas comumente dirigidas à Gestalt-Terapia,
considerada por muitos como uma abordagem inconsistente ou constituída somente por
um arsenal de técnicas sem uma base teórica que lhe desse respaldo. A pergunta que
se fazia, então era: o que teria gerado esta percepção? Somado a isso vinha o
desconforto de tais críticas atingirem a abordagem sem uma cuidadosa análise de seu
corpo teórico ou sem um esforço maior de compreender como se formou essa imagem
em nosso meio. Tais questionamentos apontavam para um pensamento gestáltico,
traduzido da seguinte maneira: ao retirar uma figura de seu contexto, ela perde ou seu
significado é distorcido.
Sendo assim, considera-se a análise histórica como ponto de partida para a
retomada destas questões, na tentativa de tornar inteligível o processo por que passou
a Gestalt-Terapia no Brasil. Neste particular, torna-se necessário considerar ainda o
legado que nos chegou, a partir da figura de Fritz Perls, principal divulgador da
abordagem.
A realização da revisão de literatura aponta o interesse de estudiosos brasileiros
em resgatar a história da edificação da Gestalt-Terapia, no mundo, e especificamente
no Brasil, o que ocorreu, a princípio, a partir da publicação de artigos e posteriormente
através de dissertações de mestrado e publicações de livros.
O primeiro registro de que se tem notícia ocorreu durante o III Encontro Nacional
de Gestalt-Terapia, realizado em Brasília, em 1991, quando Jean Clark Juliano abordou
25
o tema que deu origem ao artigo Gestalt-Terapia: revisitando as nossas estórias (1992).
Neste trabalho, além de relatar as origens históricas da Gestalt-Terapia e relacionar a
gênese das idéias que estiveram presentes no início da Gestalt-Terapia com o contexto
em que elas surgiram, a autora assinala o impacto que essa abordagem trouxe para o
panorama geral da psicoterapia no mundo e no Brasil e informa sobre o movimento
inicial da Gestalt-Terapia em nosso país. Merece destaque neste trabalho, o relevo
dado à contribuição de Laura Perls na co-criação da abordagem.
Walter Ferreira da Rosa Ribeiro (2007, p. 255), em palestra intitulada
Recontando a nossa história, realizada no IV Encontro Nacional de Gestalt-Terapia, no
ano de 1993, em Recife, enaltece a importância da história ao concebê-la como “o
fundo do qual emergem as noções que temos sobre a nossa identidade [daí] quanto
mais elucidada, mais clareza teremos do que somos e do que pretendemos”. No
referido estudo, o autor contribui para a reconstituição da história da Gestalt-Terapia
através do que denomina sua pré-história, entendendo por isso, a busca das origens
das idéias de Fritz e Laura Perls, e de Paul Goodman.
Outra autora que tradicionalmente tem se ocupado em refletir sobre a história da
Gestalt-Terapia no Brasil, ainda que mais na perspectiva de seu desenvolvimento, é
Selma Ciornai, que busca em suas publicações oferecer um panorama atualizado sobre
a situação da Gestalt-Terapia em nosso país. O fato de ter realizado sua formação no
Instituto Gestalt de São Francisco aponta um diferencial em seus artigos, qual seja, a
possibilidade de estabelecer comparações entre as diferentes formas de fazer GestaltTerapia e com isso discutir o “jeito” brasileiro de praticar a Gestalt-Terapia, contribuindo
assim para a caracterização de uma Gestalt-Terapia nacional. A periodicidade de seus
artigos permite ainda acompanhar as transformações porque passou a abordagem no
transcurso de sua trajetória em nosso país (CIORNAI, 1991; 1995; 1996; 1998; 2007).
Há ainda, no Brasil, estudiosos que procuraram analisar a história da GestaltTerapia tendo como base a sua emergência em dado momento histórico. Assim, Kiyan
(1998), em dissertação de mestrado intitulada “Dentro e fora da lata do lixo: uma
análise gestáltica das articulações entre a vida e a obra de Frederick Perls” 3, tendo
como pano de fundo o contexto histórico-sócio-cultural em que o principal idealizador
3
A dissertação citada deu origem ao livro “E a Gestalt emerge. Vida e obra de Frederick Perls”, de autoria de Ana
Maria Mezzarana Kiyan, publicado pela editora Altana, de São Paulo, em 2006.
26
da Gestalt-terapia viveu e o cenário científico em que se encontrava a psicologia à
época, busca estabelecer possíveis articulações entre a vida e a obra de Fritz Perls.
Sob outro viés e também fruto de uma dissertação de mestrado, Gomes (2001),
em trabalho intitulado “Gestalt-Terapia – herança em re-vista”, busca através da análise
histórica, resgatar as origens da Gestalt-Terapia com o objetivo de discutir o que teria
contribuído para esta abordagem ser considerada pouco consistente teoricamente. A
autora realiza sua investigação a partir de entrevistas com gestalt-terapeutas
brasileiros.
O mais recente estudo sobre a história da Gestalt-Terapia no Brasil é de autoria
de Danilo Suassuna, resultado de dissertação de mestrado intitulada “História da
Gestalt-Terapia no Brasil contada por seus ‘primeiros autores’: um estudo historiográfico
no eixo São Paulo-Brasília”4, do ano de 2008. A investigação é conduzida a partir de
depoimentos daqueles considerados como os primeiros representantes brasileiros da
Gestalt-Terapia, num recorte geográfico São Paulo-Brasília.
Como pôde ser verificado, estudiosos da Gestalt-Terapia têm se dedicado à
temática histórica. O presente trabalho espera contribuir para a história da GestaltTerapia no Brasil, a partir do levantamento e análise de produção escrita em Gestaltterapia no Brasil. Neste sentido, serão considerados artigos em periódicos em geral e
artigos publicados em periódicos específicos de Gestalt-Terapia, além de dissertações
e teses sobre Gestalt-Terapia e/ou Abordagem Gestáltica. Em relação ao surgimento
dos
periódicos
específicos
de
Gestalt-Terapia,
pode-se
verificar
que
foram
fundamentais para a divulgação e desenvolvimento da abordagem no Brasil e, portanto,
será realizado um mapeamento destes periódicos. O mesmo procedimento será
adotado quanto à criação dos primeiros institutos de formação em Gestalt-Terapia no
Brasil e às organizações dos congressos nacionais de Gestalt-Terapia. Dessa maneira,
pretende-se trilhar o caminho da recepção, desenvolvimento e amadurecimento desta
abordagem em nosso país.
Procurar-se-á estabelecer articulações entre os
desdobramentos sofridos pela abordagem e as demandas sociais surgidas, tendo em
vista as transformações culturais e sociais pelas quais passou nosso país. Durante a
4
A dissertação citada deu origem ao livro “Histórias da Gestalt-Terapia no Brasil. Um estudo historiográfico, de
autoria de Danilo Suassuna e Adriano Holanda, publicado pela editora Juruá, de Curitiba, em 2009.
27
análise será considerado ainda o desenvolvimento da psicologia como profissão em
nosso país, e como esta influenciou o caminhar da Gestalt-Terapia.
Percursos Metodológicos
O estudo tem como ponto de partida o ano de 1972, a partir da primeira
publicação em Gestalt-Terapia no Brasil, intitulada “Elementos de psicoterapia
gestáltica”, de autoria de Thérèse Tellegen. Isto significa que o presente trabalho
pretende percorrer exatamente quarenta anos de histórias.
A pesquisa realizada para a confecção da presente dissertação consistiu na
busca e análise da produção escrita em Gestalt-Terapia e/ou Abordagem Gestáltica no
Brasil, a partir de três fontes distintas, a saber: 1. periódicos em geral; 2. periódicos
específicos de Gestalt-Terapia; 3. dissertações e teses.
O acesso aos artigos sobre Gestalt-Terapia e/ou Abordagem Gestáltica em
periódicos em geral ocorreu a partir da base de dados BVS Psicologia, no endereço
http://www.bvs-psi.org.br/php/index.php. A partir da utilização dos termos “GestaltTerapia” e “Abordagem Gestáltica” como palavras-chaves obtiveram-se 59 títulos,
distribuídos em 20 revistas.
Em relação aos artigos publicados em periódicos específicos de Gestalt-Terapia,
contabilizou-se 500 artigos, distribuídos em 9 revistas.
Para o acesso aos títulos de dissertações e teses, consultou-se o endereço
eletrônico do Portal Capes, utilizando-se os termos “Gestalt-Terapia” e “Abordagem
Gestáltica” como palavras-chaves. Também se utilizou de informações encontradas em
estudo já realizado sobre esta temática por Holanda e Karwowski (2004), Karwowski
(2005) e Holanda (2009). Por fim, recorremos ainda seção da Revista da Abordagem
Gestáltica intitulada “Dissertações e Teses”, que traz a divulgação de trabalhos de pósgraduação na área de Gestalt-Terapia e áreas afins. O critério utilizado para a inclusão
dos trabalhos de pós-graduação neste estudo foi a presença em seus resumos de
palavras como Gestalt-Terapia e/ou abordagem gestáltica, ou ainda a inclusão dessas
28
palavras no título ou palavras-chaves. A pesquisa resultou em 57 dissertações e 13
teses, totalizando 70 trabalhos de pós-graduação na área da Gestalt-Terapia.
As relações de artigos bem como de dissertações e teses consultadas
encontram-se no apêndice desta dissertação.
A presente dissertação está dividida em quatro capítulos. O primeiro capítulo
será dedicado à emergência e desenvolvimento da Gestalt-Terapia, tendo como
referência o contexto histórico em que esta abordagem surgiu e os principais
responsáveis por sua construção.
O segundo capítulo tratará da chegada da Gestalt-terapia ao Brasil, e sua
difusão, sendo considerados o contexto sócio-cultural brasileiro, bem como o cenário
científico que permitiu a penetração de uma nova abordagem em psicoterapia.
O terceiro capítulo enfocará o grande desenvolvimento da abordagem nas
décadas de 1990 e 2000, enfatizando o surgimento dos primeiros periódicos
especializados na área, a realização sistemática de congressos científicos e a
intensificação na produção de trabalhos. Serão apresentados dados referentes à
produção em Gestalt-Terapia, a partir das três categorias eleitas para estudo nesta
dissertação: artigos publicados em periódicos especializados de Gestalt-Terapia; artigos
publicados em periódicos em geral; e finalmente dissertações e teses produzidos tendo
a Gestalt-Terapia e/ou abordagem gestáltica como referência.
O quarto capítulo realizará uma análise da produção através dos temas mais
freqüentemente encontrados.
Por fim, a conclusão buscará tecer considerações sobre o processo porque
passou a abordagem no Brasil, tendo em vista sua história e desenvolvimento em
nosso país.
29
1 FORMANDO A GESTALT: AS PRINCIPAIS PERSONAGENS COMO FIGURA E O
CONTEXTO COMO FUNDO
O tripé que deu sustentação para a decolagem da Gestalt-terapia é constituído pelo
gênio inovador, irreverente e irrequieto de Fritz; pela paciência, capacidade de construir
e cultivar amizades duradouras, de solidificar idéias, da ‘construturas de ninhos’ Laura; e
pela grande capacidade teórica de Paul Goodman, homem de vasta cultura geral,
verdadeiro ‘homem da Renascença’ (RIBEIRO, W., 2007).
Um fato bastante conhecido no que diz respeito à história da Gestalt-Terapia é o
grande impacto gerado por Fritz Perls na divulgação da abordagem, o qual obscureceu
por muito tempo personalidades que ofereceram contribuições de relevo para a
emergência e desenvolvimento inicial da Gestalt-Terapia. Deste modo, neste capítulo
pretende-se abordar a trajetória de Perls, mas também destacar as contribuições
valiosas de Laura Perls e Paul Goodman, mais recentemente considerados, ao lado de
Fritz, como os principais fundadores da Gestalt-Terapia.
1.1 Fritz Perls
Friedrich Salomon Perls (1983-1970), mentor da Gestalt-Terapia, nasceu em 08
de julho de 1893 na Alemanha em uma família judaica que consistia nos pais e duas
irmãs mais velhas. O pai era comerciante, a mãe uma apreciadora do teatro. No
período de seu nascimento, a Alemanha encontra-se fortemente organizada, a despeito
da crise que assolava a Europa5, situação que se modifica tragicamente após a I
Guerra Mundial, com a crise econômica pela qual passa o continente e a perda de sua
hegemonia sobre o mundo.
Na puberdade, Perls foi considerado um menino difícil, sendo expulso do ginásio,
até ser admitido em uma escola mais liberal, onde encontrou não só aceitação, como
também estímulo para seu interesse pelo teatro (TELLEGEN, 1984). Aos 16 anos
chegou a fazer papéis de figurante no Teatro Real de Berlim, além de ter encontrado o
diretor Max Reinhardt que, na época, imprimia maior expressividade ao estilo teatral.
5
Aqui, faz-se referência à Grande Depressão (1873-1896) que representa a primeira grande crise do capitalismo na
Europa.
30
A I Grande Guerra Mundial veio encontrá-lo na faculdade, cursando medicina,
ainda que seu principal interesse fosse o teatro (KIYAN, 2006).
Perls
obteve
seu
doutorado em medicina em 1920, aos 27 anos, passando a atuar desde então como
neuropsiquiatra. Sempre fora um jovem rebelde, interessado e engajado nos círculos
intelectuais que questionavam o establishment. Durante o tempo em que viveu em
Berlim, era assíduo freqüentador dos cafés esquerdistas da boemia berlinense, onde se
encontravam filósofos, poetas e artistas anarquistas da chamada contracultura (grupo
Bauhaus), dissidentes da ordem estabelecida e interessados em novas formas de
expressão. Foi nesse meio que veio a conhecer o filósofo expressionista Salomon
Friedlander, autor do livro Creative Indifference, ensaio visando superar o dualismo
kantiano, que marcaria o pensamento e a obra de Perls (CAVANELLAS, 1998).
Em 1924, fez psicanálise com Karen Horney, descobrindo seu interesse pela
área. Por sugestão da analista, vai para Frankfurt, onde retoma seu processo
psicanalítico, dessa vez com Clara Happel que, após um ano, autorizou-o a exercer a
psicanálise, encaminhando-o para Viena, a fim de iniciar sua análise didática. Durante o
período em que esteve em Frankfurt, dois acontecimentos foram fundamentais para sua
vida e obra. No ano de 1926, trabalhou como assistente de Kurt Godstein, no Instituto
para Soldados com Lesões Cerebrais, trabalho que o influenciou profundamente, e
conheceu Lore Posner, mais tarde Laura Perls, que vem a desempenhar um papel
importante na construção do que mais tarde viria a ser a Gestalt-Terapia.
Em Viena, inicia seu trabalho como psicanalista, realizando supervisão com
Helene Deutsch, A. Hirshman, entre outros. Assistiu seminários de Otto Fenichel e Paul
Federn e trabalhou num hospital psiquiátrico dirigido por Paul Schilder.
De volta a Berlim, em 1928, foi novamente Karen Horney quem o orientou, desta
vez para continuar sua análise com Wilhelm Reich, por quem passou a ter uma
profunda admiração. Casa-se com Lore, em 1930.
Sobre Reich, encontramos na autobiografia de Perls (1979, p. 54):
Reich era vital, vivo, rebelde. Ávido por discutir qualquer situação, especialmente
política e sexual [...] com ele, a importância dos fatos começa a definhar. O interesse
nas atitudes passou mais para o primeiro plano. Seu livro, A análise do caráter, foi uma
contribuição fundamental.
31
No momento em que começa a se firmar como psicanalista, a tomada de poder
pelos nazistas obriga-o a fugir para Amsterdam, na Holanda. Consegue dar
prosseguimento à sua capacitação em psicanálise com Karl Landauer, um analista
refugiado que havia dirigido, com Frieda Fromm-Reichmann, o Instituto de Psicanálise
de Frankfurt. Até que é surpreendido pela proposta e indicação de Ernest Jones6 –
biógrafo de Freud – para trabalhar na África do Sul7. É assim que em 1934, Perls segue
com a família, dessa vez para a África do Sul.
A estadia de Perls no novo país durou 12 anos, sendo este período de sua vida
de fundamental importância para o que viria a ser a Gestalt-Terapia. Fixou residência
em Johanesburgo e iniciou imediatamente sua atuação como psicanalista e, junto com
Lore, os preparativos para a instalação do Instituto Sul-africano de Psicanálise, o que
ocorreu em 1935. Ali, travou conhecimento com o trabalho do filósofo Jan Christiaan
Smuts, primeiro-ministro da África do Sul e autor da teoria holística que posteriormente
viria a influenciar o seu pensamento.
Em 1936, Perls participou do Congresso Internacional de Psicanálise, na
Checoslováquia. Ao referir-se a este evento e à figura de Freud, escreve em sua
autobiografia: “Em 1936, eu julgava já tê-lo conquistado. Não era eu a mola-mestra na
criação de um dos seus institutos, e não tinha viajado 6000 quilômetros para participar
de um dos seus congressos?” (PERLS, 1979, p. 60). No entanto foi justamente a
participação neste Congresso que impulsionou o desligamento gradativo de Perls da
psicanálise. Seu trabalho, acerca das resistências orais, encontrou uma péssima
receptividade entre os psicanalistas. Outras decepções somaram-se a esta. Perls
aguardava com forte expectativa o encontro com Freud (1979, p. 60-61), que resultou
rápido e frio, conforme é relatado em sua autobiografia:
Marquei uma hora [...] e esperei. Então uma porta abriu-se cerca de 70 centímetros, e
ali estava ele, diante de meus olhos. Pareceu-me estranho que não passasse do
batente da porta, mas na época eu não sabia nada sobre as fobias dele. Vim da África
do Sul para dar uma palestra e para vê-lo. [ao que Freud responde]. Bem, e quando
você volta? Não me recordo do resto da conversa (talvez quarenta e cinco minutos de
duração). Fiquei chocado e desapontado.
6
Na ocasião, Ernest Jones era o presidente da Associação Internacional de Psicanálise, e a idéia de enviar alguém
para a África do Sul era justamente a de expandir a psicanálise para este país.
7
Um esclarecimento adicional explica que Perls conseguiu a vaga porque outros terapeutas, mais renomados, não
tinham interesse em deslocar-se para a África do Sul, visto que o país que mais se desenvolvia nessa época era os
Estados Unidos (Suassuna e Holanda, 2009).
32
Reich, por sua vez, também presente no congresso, teve dificuldades em
reconhecê-lo.
Assim, em 1942, tendo como base o trabalho sobre “Resistências Orais”, publica
seu primeiro livro, intitulado Ego, Hunger and Agression8, cujo subtítulo a revision of
Freud’s theory and method, permite antecipar seu principal propósito.
O livro contém uma série de críticas à psicanálise mas, de acordo com o próprio
Perls (2002, p. 9), sua intenção era “transformar suas discordâncias em contribuições
para a psicanálise da época”. Embora assinado por Perls, esse livro fora resultado da
colaboração e reflexão com Laura, que inclusive escreveu dois capítulos (JULIANO,
1992). Cavanellas (1998) ressalta o agradecimento de Perls à Laura, no prólogo da
primeira edição, o qual foi suprimido nas edições posteriores, que passaram a incluir
uma dedicatória à memória de Max Wertheimer.
Recuperado por Castenedo (1994, p. 11), o reconhecimento explícito de Fritz à
contribuição de Laura é o seguinte:
[...] ao escrever esta obra recebi apoio, estímulo e encorajamento de livros, amigos e
professores; e sobretudo de minha esposa, Dra. Lore Perls. As conversas que tive com
ela a respeito dos problemas levantados neste livro, esclareceram muitas situações; ela
deu grandes contribuições a este trabalho; como por exemplo a atitude fingida
[introdução de Caledonio Castenedo à edição espanhola de Viviendo en los limites].
Ego, fome e agressão se divide em três partes: na primeira, intitulada “Holismo e
Psicanálise”, discute os pontos de ligação e de diferenciação entre a psicanálise e a
futura Gestalt-terapia. Perls adota um enfoque holístico-semântico, aplicando conceitos
da psicologia da Gestalt e de teóricos do holismo, especialmente Jan Christian Smuts e
Saloman Friedlaender. Na segunda parte, denominada “Metabolismo Mental”, Perls
expõe sua principal colaboração à teoria psicanalítica, sua formulação da biologia da
fome e a alimentação como modelo da vida psíquica, enfatizando os mecanismos de
agressão e assimilação. A terceira e última parte, “Terapia de Concentração”, destinase à exposição das propostas técnicas de Perls, baseadas na substituição do método
8
Esse livro é o último de Perls a ser publicado no Brasil, em 2002, com o título Ego, fome e agressão: uma revisão
da teoria e do método de Freud. Passaremos a utilizar a sigla EFA para referirmo-nos a esta obra.
33
psicanalítico de associações livres por aquele que considera o antídoto para a evitação:
a concentração. Segundo Stoher (1999), os exercícios da terapia de concentração
seguem o estilo reichiano desenvolvido para aumentar a percepção do momento
presente na fronteira do organismo/ambiente.
Em 1947, o livro foi editado em Londres. No prefácio à edição brasileira desse
livro, Araújo (2002) comenta ser esta cidade, no pós-guerra, o fórum privilegiado para o
pensamento psicanalítico, contando com psicanalistas renomados que vieram a
constituir o sólido movimento da Escola Britânica de Psicanálise. E, o mais importante,
era um ambiente everfescente no qual as idéias de Freud não constituíam uma
hegemonia. No caso de Perls, o que o diferencia é que estes psicanalistas, mesmo
desviando-se dos ensinamentos do mestre, mantiveram-se dentro das fronteiras da
Psicanálise, enquanto Perls as ultrapassou. Em 1969 foi publicada a edição americana
de seu livro, porém com um novo subtítulo: The beginning of Gestalt-therapy.
Na apresentação à edição brasileira de EFA (2002, p. 9-10) encontra-se:
Este livro desafia a teoria freudiana e a psicanálise a favor de um método terapêutico
mais amplo que enfatiza uma abordagem prática e de contato humano na psiquiatria.
Em termos leigos, através de exemplos concretos e casos clínicos, Perls explicita as
bases da famosa Gestalt-terapia que ele desenvolveu. Insatisfeito com a ênfase
ortodoxa colocada no inconsciente, nos instintos e na função da repressão, o autor
sugere que outros elementos da personalidade humana – o instinto de fome, a agressão
biológica e a necessidade de gratificação – foram subestimados.
Perls parecia não ter consciência do alcance do rompimento com a teoria
psicanalítica que o livro propunha, conforme fica claro em uma das passagens de sua
autobiografia:
O rompimento veio quando conheci Maria Bonaparte [...] Ela era amiga e discípula de
Freud. Eu havia completado e mimeografado o manuscrito de Ego, Hunger and
Agression e dei a ela para que lesse. Quando me devolveu o manuscrito, ela me deu o
tratamento de choque que eu precisava. Disse: se você não acredita mais na teoria da
libido, é melhor apresentar sua renúncia (PERLS, 1979, p. 84).
É importante assinalar que, apesar da posição antagônica de Perls em relação à
teoria psicanalítica, em nenhum momento o autor invalidou a contribuição da
psicanálise na formação de seu pensamento. Logo no início do primeiro capítulo de
EFA, Perls (2002. p. 43-44) diz:
34
Dificilmente há uma esfera da atividade humana em que a pesquisa de Freud não tenha
sido criativa, ou pelo menos estimulante. Para colocar ordem nas relações entre os
muitos fatos observados, ele desenvolveu uma série de teorias, que, juntas, formaram o
primeiro sistema de uma psicologia genuinamente estrutural.
Em 1946, com o fim da II Guerra, Perls foi para os Estados Unidos, país que o
acolheu e deu sustentação à sua teoria (SUASSUNA; HOLANDA, 2009). Instalou-se em
Nova York, onde, com o auxílio de Erich Fromm e Clara Thompson, reiniciou sua
prática profissional como psicanalista.
Tentou ingressar no Instituto Psicanalítico
William White, mas não foi aceito devido à sua irreverência (KYIAN, 2006).
Paralelamente à pratica de analista, Perls entrou em contato com um grupo de
artistas e intelectuais de esquerda, caracterizado pela não conformidade e pela
contestação da repressão, preconceito e injustiça que acreditavam estar presentes na
sociedade (KYIAN, 2006). Vale lembrar as semelhanças que tal grupo guardava com o
Bauhaus, freqüentado por Perls nos anos de 1920, em Berlim. Contudo, conforme
assinala Tellegen (1984, p. 31) “[Em Nova York] Perls e Laura pertenciam a uma
geração mais velha e, como analistas europeus, davam um certo peso ao grupo”.
É neste momento da história que surge a figura do anarquista Paul Goodman –
foi por intermédio dele que os Perls foram introduzidos no grupo citado – que veio a ser
considerado, ao lado de Laura Perls, mentor intelectual da Gestalt-Terapia.
Stoher (1999) relata que o primeiro encontro de Perls com Goodman ocorreu em
1946, quando o primeiro viera aos Estados Unidos, a principio sem a família – Laura e
as crianças haviam permanecido em Joanesburgo – estudar as possibilidades de
instalar-se no novo país. Encontrar Goodman fazia parte deste processo, pois Perls
interessou-se muito por seu artigo sobre Reich e os neofreudianos, intitulado The
political meaning of some recent revisions of Freud (1945), publicado na revista Politcs,
a que teve acesso ainda na África do Sul. Escreve Stoher (1999, p. 32-33):
Goodman encabeçou a lista de possíveis amigos e aliados em sua nova pátria de
adoção. [No entanto, prossegue]: jamais existiram duas personalidades mais
convencidas, nem sequer durante as guerras de sucessão psicanalítica, e nenhum
confiou ou simpatizou jamais com o outro. Ainda assim, devem ter-se apercebido
rapidamente do muito que podiam aprender com seu intercâmbio de idéias e
impressões.
35
Ao que tudo indica, o elo inicial entre Perls e Goodman fora Reich. Para Perls, a
principal contribuição de Reich fora ter dado um grande passo em direção a uma
abordagem holística. Perls escreve sobre a couraça muscular, primeira descoberta de
Reich: “[...] foi um passo importante além de Freud. Trouxe para a terra a noção
abstrata da resistência. As resistências tornaram-se agora funções organismicas totais,
e a resistência anal” perdeu sua preponderância e monopólio (1979, p. 55). Outra
contribuição fundamental foi “o fato de agora o terapeuta entrar realmente em contato
com o paciente. O ‘corpo’ ganhou seus próprios direitos” (PERLS, 1979, p. 55).
O período em que Perls submeteu-se à análise com Reich foi o mesmo em que
este planejava o sistema de exercícios orientados à introdução do que veio a
denominar “couraça muscular”, padrões de tensão neuróticos e repressão presos em
um mesmo músculo. Neste momento de transição, ainda não inventara o termo
vegetoterapia, nem os exercícios eram parte de um enfoque sistemático. “Terapia de
concentração” foi um dos nomes que Reich pensou, e Perls utilizou-o para a sua
própria técnica durante a década de 1940, tanto que intitulou assim a terceira parte de
seu livro, publicado em 1942.
Posteriormente, Reich desenvolveu um meio mais direto e exclusivamente
biológico para liberar a energia biológica. Em relação ao orgone, Perls (1979, p. 56) o
vê como “uma invenção da fantasia de Reich, que naquela altura já tinha perdido o
rumo” Também para Goodman, o orgone não possuía interesse algum (STOHER,
1997). Para ambos os criadores da Gestalt-Terapia, a obra crucial de Reich foi sua
crítica a Freud, desenvolvida durante os anos 1930,
que mudou a base terapêutica dos desejos reprimidos e traumas de infância para os
hábitos e costumes atuais, para a persistente rigidez do paciente e seu corpo, e também
para a sociedade, com ênfase nas neuroses reais mais que nas psiconeuroses
(STOHER, 1999, p. 34).
Talvez o mais importante para ambos, era o axioma de Reich da "auto-regulação
organísmica", a idéia, conforme explicaram em seu livro e salientada por Stoher "de que
não é necessário programar, estimular ou inibir deliberadamente os impulsos do apetite,
a sexualidade, etc por razões de saúde ou de moral. Se estas coisas são deixadas em
paz, equilibram-se sozinhas" (STOHER, 1999, 34).
36
1.2 Paul Goodman
Paul Goodman (1911-1972) foi crítico social, filósofo político, poeta, romancista e
dramaturgo, urbanista utópico, educador, teórico da psicologia e psicoterapeuta, tendo
publicado livros em todas essas áreas. Seu livro Growing up absurd (1956) critica
duramente o sistema educacional norte-americano e tornou-se muito popular nos anos
cinquenta.
Era um menino judeu pobre que cresceu em Manhattan. Seu pai era um
negociante de antiguidades e os três primeiros filhos foram criados confortavelmente, já
que a pobreza da família, no momento do nascimento de Paul, decorreu da fuga de seu
pai para Buenos Aires com uma amante, deixando à sua esposa somente alguns
móveis de valor para penhorar.
É mais conhecido como crítico social, tendo sua crítica ao establishment sido
adotada por políticos da Nova Esquerda9, durante os anos 1960, quando foi
considerado um grande ideólogo dos movimentos de contracultura nos EUA. Para a
Nova Esquerda, a política é feita, antes de tudo, de envolvimentos pessoais e não de
idéias abstratas (PEREIRA, 1983). Já no final da década de 1960, no entanto, sua
influência diminuiu; neste momento, os estudantes radicais encontravam-se frustrados e
divididos entre si, e a contracultura cada vez mais envolta em uma nuvem de drogas
(MILLER, [19--?]).
Em 1936, inicia-se a carreira docente de Goodman, quando Richard McKeon,
que havia deixado Columbia para ser reitor na Universidade de Chicago, o convidou
para trabalhar com ele. No novo lugar, conheceu sua futura esposa e, três anos depois,
nasceu sua filha, Susan. A despeito destes acontecimentos, manteve paralelamente
uma vida homossexual, devido a qual foi “convidado” a deixar a universidade, em 1939,
ocasião em que retornou a Manhattan. Sobre este momento, Stoher (1999, p. 21)
9
A Nova Esquerda é um termo utilizado para se referir aos movimentos políticos de esquerda surgidos em vários
países a partir da década de 1960. Tais movimentos diferenciam-se dos movimentos esquerdistas anteriores que
haviam sido mais orientados para um ativismo trabalhista e partidário, e adotam uma definição de ativismo político
mais ampla, comumente chamada de ativismo social. Nos Estados Unidos, a Nova Esquerda está associada a
movimentos populares e do cotidiano, como o Hippie, os de protesto à Guerra do Vietnã e pelos direitos civis, que
visavam acabar com a opressão de classe, gênero sexual, raça e sexualidade.
37
comenta: “[Goodman] aceitou isto como uma oportunidade e novamente começou a
considerar-se mais artista que acadêmico”.
Ainda que sua carreira literária fosse promissora – tendo escrito uma nova
novela, The empire city, espécie de celebração do regresso à casa e um livro de
dramas Noh, no início de 1942 – acontecimentos como o bombardeio de Pearl Harbor e
o ingresso dos Estados Unidos na II Guerra levaram a sociedade a dedicar-se a outras
prioridades. Goodman enfrentou momentos difíceis, ficando durante um tempo
literalmente “sem teto”. É neste período que se separa de sua esposa. Conseguiu um
emprego em um internato progressista na periferia de Nova York, tendo sido despedido
pouco tempo depois por seduzir alunos.
Em 1942, no entanto, Goodman formou um novo lar com uma jovem que havia
cortejado em meio a seus agitados casos homossexuais vividos com alunos do curso
em que era professor. Sally Ducksten tinha pouco mais de 20 anos. Em 1947 nasceu
seu segundo filho, dessa vez um menino a quem chamou Mathew.
Goodman iniciou uma dolorosa exploração de sua psique em 1946, a partir de
uma auto-análise, na intenção de compreender o quanto seus comportamentos, fruto
de extravagâncias voluntárias e autodestrutivas, afetaram o rumo de sua vida e o quê o
levara a praticá-los. Procurava soluções para seus dilemas, embora talvez tivesse se
dito que estava olhando para sua herança (STOHER, 1999). Atuou na intuição obscura,
mas persistente, de que, a menos que fizesse um grande esforço para mudar seu
caráter, nunca seria feliz nem descobriria sua verdadeira vocação. Stoher (1999, p. 24),
no trecho a seguir, oferece uma síntese do que fora a vida de Goodman até o
momento:
Goodman estava com 35 anos, no auge de suas faculdades criativas, apoiado por uma
obra já desenvolvida. Seu centro doméstico se restaurara, talvez com menos confiança
do que em sua juventude, ou que em seu primeiro casamento, mas acabou por ter uma
base sólida - que duraria para o resto de sua vida. O nascimento de seu filho, Mathew,
foi um evento crucial. [...] levou a um confronto repentino e surpreendente consigo
mesmo, sua infância e, especialmente, a falta de um pai. Aqui estavam as mais remotas
causas de seus pontos fortes e fracos, agora submetidos a questionamento.
Quando da publicação do livro Gestalt-Therapy, Goodman não era terapeuta,
atividade que passou a exercer depois de conhecer Perls. De acordo com Stoher
(1999), o envolvimento com o que viria a ser conhecido como Gestalt-Terapia foi crucial
38
na vida de Goodman, que havia chegado a uma encruzilhada em sua vida. Nas
palavras do autor:
Uma década antes teve grandes expectativas como poeta, dramaturgo e novelista, e
uma brilhante carreira acadêmica universitária se havia desenhado. Uma década depois
seria famoso pelos livros que havia escrito e mudanças sociais. Mas em 1950 estava
perdido entre estas duas carreiras. Se sentia fracassado como escritor porque ninguém
queria ler a dúzia de esplendidos livros que escreveu. [...] Estava a ponto de render-se.
(STOHER, 1999, p. 1).
Ao que tudo indica, o cenário presente à época não era favorável às idéias de
Goodman. A construção do estado moderno americano, iniciada após a I Guerra
Mundial – momento em que os EUA crescem como potência hegemônica – culmina na
tendência centralizadora e homogeneizadora que solapou a cultura tradicional.
Principalmente após a II Guerra, observa-se a formação de uma sociedade conformista,
dominada pelos meios de comunicação e incitada por novos valores consumistas.
Michael Vincent Miller, eminente gestalt-terapeuta, escreve que Goodman
passou a maior parte de seus dias, pelo menos até a idade de 48 anos (sendo que
morreu aos 61), vivendo como um artista acadêmico pobre. Foi continuamente
subestimado e incompreendido ao longo de sua carreira de trinta anos como escritor.
Ao perguntar-se o que teria provocado esta trajetória, Miller ([19--?]) formula uma série
de questionamentos interessantes, que permitem visualizar um retrato de Goodman e
de como conduziu sua vida:
Por que passou por momentos difíceis? [...] Foi muito declamatório, muito agressivo em
público sobre seu anarquismo e homossexualidade, sobre sua decidida falta de
reverência pela autoridade e celebridades, inclusive sobre a sua ternura e seu
assombroso sentido do fracasso? (p. 1-2).
Miller transpõe uma passagem de um ensaio de Goodman na revista Life,
chamado The politics of being queer para traçar a imagem deste homem como alguém
que se considerava uma espécie de exilado de todos os grupos, dando mostras de
como Goodman sentiu seu isolamento:
francamente, minha experiência de comunidade radical é que esta não tolera minha
liberdade. Não obstante, sou todo para a comunidade, porque é algo humano, somente
pareço condenado a ser excluído (GOODMAN apud MILLER, [19--?], p. 2).
39
Neste sentido, foram as mudanças ocorridas na sociedade americana – cujo
ponto auge foi o movimento de contracultura – que permitiram a aceitação do
pensamento de Goodman como uma importante contribuição que atendia aos anseios
da época, conforme expõe Stoher (1999, p. 2):
A história de como Goodman se converteu em uma figura pofética na história política de
seu país [...] é também a história de como os Estados Unidos chegou a necessitar cada
vez mais de suas críticas à cultura trivial, essa que valoriza mais o padrão de vida que
sua qualidade, a riqueza vulgar do que a pobreza decente, e altas taxas de emprego e
um alto produto interno bruto às custas do trabalho decente e do bem comum.
Desse modo, a Gestalt-Terapia é apontada por seu biógrafo como o caminho da
passagem da carreira de poeta ou novelista para o de uma figura proeminente na
história sócio-politica americana. Neste particular, conforme salienta Stoher (1999), é
interessante observar como sua prática como terapeuta conduziu-o a uma nova
vocação, que poderia ser denominada como socioterapeuta do Estado.
De acordo com Ciornai (1991b), Theodore Roszak – um dos mais conhecidos
historiadores dos movimentos dos anos 1960 – em seu livro “A formação da
contracultura”10, dedica o sexto capítulo a Goodman. Intitulado “A sociologia utópica de
Paul Goodman”, o situa como um dos autores mais importantes e que mais
influenciaram o pensamento da época. Roszak cita a contribuição de Goodman ao livro
Gestalt-Therapy como sua obra mais importante.
Neste trabalho, contudo, nos limitaremos a enfatizar o papel de Paul Goodman
na formulação das principais idéias da Gestalt-Terapia.
O interesse de Goodman pela psicoterapia começou em sua adolescência,
estimulado pelo desejo de aprender. Leu Freud e seus seguidores e aos 30 anos seu
pensamento estava repleto de conceitos psicanalíticos. Ao descobrir Wilhelm Reich, em
1945, entusiasmou-se com sua posição.
Logo acertou sessões semanais com um aluno de Reich, Alexander Lowen, que
poderia ensinar-lhe as técnicas vegetoterapêuticas básicas de Reich. No entanto,
Goodman preferiu não considerar-se em tratamento com Lowen, e se recusou a
colaborar com ele na realização de um trabalho seqüenciado sobre a couraça muscular.
10
Título original do livro The making of a counter culture: reflections on the technocratic society and its youthful
opposition.
40
Visualizava a abordagem reichiana como um conjunto de exercícios que poderiam ser
aprendidos e aplicados separadamente a problemas específicos do caráter.
Considerava-os semelhantes aos exercícios de ioga, e praticou-os de modo
independente, juntamente com os tradicionais métodos psicanalíticos da associação
livre, a análise dos sonhos e a interpretação de recordações da infância. Tal como
Freud, seu objetivo era se submeter a uma auto-análise.
Faz-se necessário, neste momento, considerar em que medida o pensamento de
Reich se diferenciava do que se praticava no meio psicanalítico de então,
particularmente nos Estados Unidos. Por sua vez, as transformações no movimento
psicanalítico estiveram relacionadas com as próprias transformações sociais no
decorrer das duas grandes guerras. Assim, as idéias de Freud, atreladas e
desenvolvidas em meio à cultura vienense, não resistiram às mudanças vividas pela
sociedade, surgindo a necessidade de propor novos caminhos.
Conforme salienta Stoher (1999), houve um grande interesse na psicanálise
depois da II Guerra Mundial, especialmente entre os intelectuais norte-americanos.
Uma possível explicação teria sido a imigração de muitos analistas para Nova York, no
momento em que os intelectuais se encontravam desiludidos do socialismo, sua grande
fé laica no pré-guerra. Além disso, era necessário enfrentar o trauma da guerra de
algum modo.
Neste momento, fazia-se necessário que todas as instituições realizassem uma
escolha: formar parte do establishment ou rejeitá-lo, oferecendo um estilo de vida
alternativo. Neofreudianos, como Erich Fromm e Karen Horney, os mais publicados e
influentes da jovem geração de psicanalistas, conduziram a maioria dos analistas a
desenvolver critérios de “saúde social” e promover a “adaptação” à nova cultura de
massas com base na sociedade industrial.
Stoher denomina este intento de “higiene social” e enfatiza a posição de Paul
Goodman ao expor as repercussões políticas desta proposta no artigo já citado The
political meaning of some recent revisions of Freud (1945).
Goodman rejeitou as discussões sobre a democracia e o individualismo na nova
ortodoxia psicanalítica e extraiu de “Medo à Liberdade”, livro popular de Erich Fromm,
algumas frases que traíam as verdadeiras cores da psicologia da adaptação: "A
41
natureza irracional e desorganizada da sociedade deve ser substituída por uma
economia planificada que representa os esforços combinados da sociedade. Esta deve
dominar o problema social como a natureza racional tem dominado”. E por que era
necessário tal sociedade racionalizada? "Somente em uma economia planificada em
que a nação dominou as forças econômicas e sociais, o indivíduo pode partilhar as
responsabilidades e usar a inteligência criativa no trabalho”. Primeiro, o domínio através
do sistema e em seguida liberdade dentro dele. Ao que Goodman responde: "Isso é
falso", acusando Fromm de stakhanovismo, a forma soviética de "trabalho simplificado"
sob controle estatal. Em 1945, não houve questionamento quanto ao conceito da
missão da psicanálise, cuja única finalidade, como definiu Goodman, era "o trabalho
contínuo e eficiente, sem colapsos nervosos, do sistema industrial moderno, em tempos
de guerra e paz" (GOODMAN, 1945 apud STOHER, 1999, p. 9).
Mas voltemos a Reich. Foi exatamente contra o peso da ortodoxia neofreudiana
que Goodman, em seu artigo, defendeu a obra de Reich; não propriamente sua teoria
da energia orgônica, mas a psicoterapia ativista, cujo radicalismo (contraceptivos e
educação sexual para a juventude trabalhadora, por exemplo) provocou sua expulsão
da Associação Psicanalítica Internacional e do Partido Comunista.
De acordo com Goodman, a postura de Reich se contrapunha à de Fromm: na
ordem social vigente, o objetivo da psicoterapia era a recuperação da “saúde sexual” e
do espírito animal” e se os alcançavam, as pessoas não seguiriam “tolerando os ofícios
mecânicos e rotineiros que vinham fazendo, mas voltariam (por grandes que fossem os
inconvenientes) a realizar um trabalho espontâneo e diretamente significativo”. O
resultado seria “outro tipo de sociedade” (GOODMAN, 1945 apud STOHER, 1999, p.
10).
Mas, por mais que se empenhasse em contrapor essas idéias às dos psicólogos
da adaptação, a campanha de Goodman falhava, pois o próprio Reich queria afastar-se
das controvérsias políticas na intenção de prosseguir com suas novas investigações.
Além disso, as teorias de Reich sobre o fascismo e o “homem pequeno” não abordaram
a crise mais profunda de meados do século XX; nenhum de seus livros ofereceu muita
atenção à degradação da cultura tradicional que acompanhou, como causa e efeito, a
42
propagação da nova ordem social. Reich paralisou em sua própria confrontação com o
Estado.
Goodman encontrou-se pessoalmente com Reich no laboratório deste em
Queens, ocasião em que Reich solicitou-lhe que deixasse de associar seu nome com o
de anarquistas, como Goodman fizera em seu artigo à revista Politics (STOHER, 1999).
Como observa Stoher (1999, p. 25): “como de costume, Goodman constatou que ia
contra a corrente”.
Quanto à psicoterapia ortodoxa, ao reconhecer o dilema da adaptação,
considerou-a um problema do paciente neurótico individual, não uma crise do Estado.
A Gestalt-Terapia, por sua vez, caminhou contrariamente às propostas que
visavam uma adaptação ou ajustamento, considerando o conflito entre indivíduo e
sociedade genuíno. Ao partir da interação e influência recíprocas do campo organismoambiente, deixa de localizar apenas no indivíduo a necessidade de mudança, lançando
um olhar e considerando as exigências e imposições sociais, no jogo contínuo de forças
atuantes na interação indivíduo/sociedade.
A Gestalt-terapia tem como ponto central uma visão relacional da natureza
humana. A experiência humana ocorre na fronteira entre o organismo e o ambiente e
este campo de ação e função, além de físico, é também social, com uma história e uma
cultura. Estes aspectos formam uma unidade, e não podem ser considerados
isoladamente dos outros ou do todo.
Nesta perspectiva, se eliminamos ou relaxamos as pressões das instituições
coercitivas e as substituímos por uma comunidade cara-a-cara e solidária, o organismo
individual pode curar-se, ou ao menos descobrir que sua raiva e dor são mais
suportáveis.
O capitulo seis do livro de Perls, Hefferline e Goodman, intitulado “A natureza
humana e a antropologia da neurose” se propõe a tratar do que os autores
denominaram “antropologia anormal”. Nele encontramos afirmação, que caminha na
mesma direção do que vimos expondo:
O problema da antropologia anormal é mostrar como o modo comum de vida de uma
cultura, ou mesmo do estado humano, é neurótico e assim se tornou. É mostrar o que
se ‘perdeu’ da natureza humana, e, praticamente, planejar experimentos para recuperar
43
isso (a parte terapêutica da antropologia e da sociologia é a política [...] (PERLS;
HEFFERLINE; GOODMAN, 1997, p. 119).
Em outro trecho, podemos ler:
[...] se tivéssemos instituições sensatas, não haveria também nenhum neurótico. Do
jeito que as coisas são, nossas instituições não são nem mesmo saudáveis de maneira
“meramente” biológica, e as formas dos sintomas individuais são reações a erros sociais
rígidos. Desse modo, longe de ser capaz de tomar a adequação às instituições sociais
como norma grosseira, um médico tem mais probabilidade de promover a integração
auto-aperfeiçoadora de um paciente se este aprender a ajustar seu ambiente a si
próprio, do que se tentar aprender a se mal-ajustar à sociedade (PERLS; HEFFERLINE;
GOODMAN, 1997, p. 117).
As idéias expostas são consoantes com o princípio de auto-regulação
organísmica, trazendo conseqüência para a prática psicoterapêutica.
Goodman considerava fundamental a noção de comunidade para a vida humana;
para o terapeuta que se encontrava frente à força do establishment, isto significava
procurar reviver a comunidade cara-a-cara e recuperar valores tradicionais – tarefas
tanto político-morais como médicas ou pastorais. O conceito de terapia de Goodman
começou com a tomada de consciência de que a sanidade não poderia produzir-se
separadamente da cultura e que, mais ainda, em nossos tempos, a própria cultura
necessitava “curar-se”. Em relação ao paciente, a atitude gestáltica buscaria enfatizar
sua situação de aprendiz na “arte da convivência humana”, não para a vocação
terapêutica, mas para formar comunidades onde quer que se encontrasse, trabalhando
com materiais comuns da experiência mais que com esquemas e protocolos.
O essencial para o bem-estar humano não seria um determinado padrão de vida
ou nível de educação, base industrial ou infraestrutura burocrática, mas simplesmente
uma cidadania que possa confiar em sua própria iniciativa e inteligência, que não esteja
subordinada a um sistema alheio à sua experiência real, mas que conheça a si mesma
e seu mundo e possa atuar em seu próprio bem. Tais idéias são consoantes com o
ideário anarquista e, traduzidas em termos pertinentes à psicoterapia, são a base e
metas da Gestalt-Terapia.
A proposta psicoterápica desenvolvida nestes termos traz implicações para sua
aplicação. Assim, para Goodman, a terapia não deveria ser considerada uma
intervenção de último minuto motivada pelo desespero dos indivíduos, mas um passo
normal e esperado em muitas etapas do desenvolvimento social. Por isso, à diferença
44
da psicanálise tradicional, a Gestalt-terapia não associava o fim da terapia com a cura.
Conforme encontramos em Stoher (1999, p. 14):
Tal como o anarquista comunitário não acredita na rebelião política que se limita a
derrotar um governo para substitui-lo por outro, assim o terapeuta gestáltico não espera
por uma espécie de golpe de estado psíquico ou vitória revolucionária que ponha o
conjunto adequado de sentimentos e comportamento ao longo da vida de uma pessoa,
liquidando assim qualquer tendência neurótica recalcitrante.
Em 1947, Lore Perls chega aos EUA com os filhos para reunir-se a Fritz e pouco
tempo depois Goodman torna-se seu cliente de psicoterapia. Aqui, estão finalmente
reunidos as três principais personalidades para o que viria a se constituir como a
Gestalt-Terapia.
O contato de Goodman com Lore foi muito mais importante do ponto de vista
afetivo do que intelectual, ao contrário daquele estabelecido com Fritz. Conforme
assinala Stoher: “Lore Perls o ensinaria outras coisas, mais no âmbito do dar e receber”
(p.41). Stoher prossegue:
Goodman era mais um paciente, disposto a confiar nela e esperando por algum alívio
para a sua sensação de fracasso como homem e artista. Como não foi possível
encontrar uma comunidade ou um público que o apoiasse, ele queria saber o que
estava fazendo de errado. Se sentia “incompreendido” [Laura Perls em entrevista
concedida a Stoher em 1974] (STOHER, 1999, p. 41).
De acordo com o relato de Stoher, diferentemente do encontro com Alexander
Lowen, em que passava grande parte de sua hora sozinho, respirando profundamente,
desta vez Goodman reconheceu que ia à terapia em busca de algo mais que
conhecimentos técnicos.
A ligação entre os dois foi profunda e marcante, tendo Goodman chegado a
expressar que era "a melhor psicoterapeuta na cidade de Nova York”. Dedicou-lhe seu
livro Growing up absurd, de 1960, reconhecendo a sua contribuição para que pudesse
escrevê-lo (STOHER, 1999, p. 42).
45
1.3 Laura Perls
Laura Perls (1905-1990) nasceu em 05 de agosto, em Pforzheim, na Alemanha,
uma pequena cidade perto de Frankfurt e da Floresta Negra. Fora a primeira filha de
uma família judia de classe média alta que cultivava sua tradição. Sua mãe era uma
boa pianista e aos cinco anos Lore tocava piano; aos quatorze já havia superado sua
mãe nesta arte. Além de pianista, estudou dança moderna desde criança, estando
durante toda a sua vida envolvida com música e dança.
Profundamente comprometida com a tradição intelectual e cultural de sua época,
realizou seus estudos de psicologia na Universidade de Frankfurt, no início dos anos
20, quando se envolveu com a Teoria da Gestalt e com os existencialistas,
particularmente com as filosofias de Buber e Tillich. Antes, contudo, estudara Direito e
Economia. Seus maiores interesses eram a Filosofia, Línguas e Psicologia. Sua tese de
doutoramento foi em Psicologia da Gestalt, versando sobre a percepção visual.
Sobre o período inicial de sua formação em psicologia, Laura comentou em
entrevista concedida a Daniel Rosenblatt em 1984 (p. 31):
Entrei diretamente através da Psicologia da Gestalt. Foi o que me fez deixar Direito e
Economia. Ouvi várias conferências de Gelb enquanto estudava Direito. Era um excelente
conferencista [...] Depois fiquei mais impressionada com Wertheimer e Goldstein. Gelb foi
excelente como conferencista e como introdutor da Gestalt, mas foi muito difícil como
orientador de minha tese.
Conheceu Perls em 1926, tendo compartilhado com ele um forte compromisso
com os movimentos anti-fascista, anarquista e socialista da época. Como conseqüência
deste interesse, o seu nome e o de Perls entraram na “lista negra” dos nazistas
(KOGAN, 1992).
Já o envolvimento com a psicanálise, a vanguarda do estudo da mente daquele
tempo, fora despertado por seu contato com Perls. Esteve durante um curto período em
análise com Clara Happel, que também era analista de Perls. Prosseguiu sua análise
com Karl Landauer, com quem permaneceu por dois anos e meio, sobre quem assim se
referiu anos depois: “[...] era inteligentíssimo e muito liberal na área da psicanálise. Era
46
amigo próximo de Ferenzi e Groddeck, que já estavam na vanguarda. Mais
independentes, na verdade mais ativos” (PERLS, L., 1984, p. 31).
Ainda em Berlim iniciou sua prática como psicanalista, com alguns pacientes,
sob supervisão de Otto Fenichel. Sua filha Renate nasceu em Berlim, em 1931, um ano
após o casamento com Fritz, e o segundo filho do casal, Steve, nasceu em 1935,
quando a família já estava na África do Sul.
Laura compartilhou com Perls, desde o primeiro momento, a elaboração da
Gestalt-Terapia; a princípio quando ainda viviam na Alemanha e estudavam
psicanálise, passando pela África do Sul, onde fundaram um instituto de psicanálise e
depararam-se com as insatisfações do método freudiano, o que deu lugar ao primeiro
livro de Perls, EFA. Já nos Estados Unidos, esteve à frente do Instituto de GestaltTerapia de New York fundado em 1952, trabalhando incansavelmente no período de
desenvolvimento inicial da Gestal-Terapia, quando era responsável por coordenar
grupos de formação de novos terapeutas na abordagem. Toda esta caminhada permite
que se considere Laura como co-fundadora da Gestalt-Terapia, dando a ela o merecido
lugar nesta construção, juntamente com Fritz Perls e Paul Goodman.
No período em que viviam na África do Sul, quando ainda se consideravam
psicanalistas, as insatisfações com a psicanálise aliadas ao isolamento profissional
podem ser considerados elementos importantes para o que resultaria na construção de
um novo método de psicoterapia:
Nós trabalhamos na África do Sul durante treze anos sem uma afiliação direta a nenhum
grupo psicanalítico nem supervisão, assim podíamos fazer o que realmente
gostávamos. Descobrimos que a abordagem estritamente psicanalítica era, em muitos
casos, insuficiente e muitas vezes não acabava nunca. Tínhamos pessoas em
tratamento durante 10 ou 12 anos e melhoravam algo, mas realmente não mudavam
essencialmente. Eu pensava também que aquilo era muito chato. O que a técnica
psicanalítica ortodoxa faz é evitar a confusão e a ansiedade, tanto para o terapeuta
como para o cliente. O cliente fala para a parede e o terapeuta se senta atrás do cliente,
nunca vêem o rosto um do outro, afinal é um contato pessoal. (PERLS, L., 1984, p. 234).
O fato de ser considerada por certo tempo como “apenas” a esposa de Fritz pode
ter contribuído para que Laura fosse somente posteriormente considerada como cofundadora da abordagem gestáltica. Um trecho da citada entrevista de Laura permitir
avaliar esta questão quando, incitada pelo comentário do entrevistador “de alguma
47
forma você era a esposa de Fritz Perls fundamentalmente?”, responde aludindo às
experiências vividas na África do Sul:
Eu tive que enfrentar isso durante muitos anos. Recordo um incidente na África do Sul
onde eu havia encontrado com o editor de um periódico dominical e me disse que
gostaria de realizar uma entrevista comigo. Enviou um repórter e um fotógrafo e sua
primeira pergunta foi: “Que sente ao ser a esposa de um psicanalista?”. Eu não poderia
dizer realmente porque eu sou psicanalista também, eles rapidamente pegaram suas
coisas e se foram. Era bastante duro estar casada com Fritz. Não no princípio. Não
durante muitos anos. Foi realmente difícil quando chegamos aqui. [Refere-se ao período
em que viveram nos Estados Unidos]. Na África do Sul ele me necessitava porque não
havia ninguém com um nível suficiente para o seu trabalho e pensamento. Mais tarde
houve muitas pessoas que influenciaram-no e nos nossos últimos anos vivemos
separados a maioria do tempo. Na África do Sul tínhamos um nível semelhante e
abordávamos nossas idéias juntos. Ele não tinha ninguém relevante com quem discutir
nosso trabalho. Havia muito poucas pessoas. Havia algumas pessoas que haviam se
formado com a gente, que haviam lido muito, mas não tinham experiência (PERLS, L.,
1984, p. 30).
Ao abordar a técnica da “Terapia de Concentração”, desenvolvida em EFA, diz
que o nome fora utilizado em oposição à “Terapia de Associação”, e aproveita para
desfazer a confusão muitas vezes cometida em relação ao termo continuum de
consciência:
[...] a gente diz que pratica o continuum de consciência, quando o que estamos fazendo
exatamente é uma espécie de associação livre ou uma dissociação livre, saltando de
uma coisa a outra. Agora me dou conta disto. Agora me dou conta daquilo. Realmente,
o contínuo de consciência se desenvolve quando você mobiliza ou dissolve as barreiras,
as tensões musculares, os bloqueios, as gestalten fixas. Você se concentra sobre as
gestalten fixas e em como você as fixa (PERLS, L., 1984, p. 28).
Laura acrescenta que o próprio Fritz trabalhou o continuum de consciência em
seus trabalhos de demonstração e workshops na década de 1960 da maneira distorcida
mencionada acima, comentando a respeito:
[...] penso que é um erro e que Fritz estava muito mais analiticamente orientado do que
ele podia perceber. Eu penso que a “cadeira quente”, ou “cadeira vazia”, e a direção do
paciente até sua própria interpretação é uma aula de associação livre dramatizada
(PERLS, L., 1984, p. 28-9).
A relação entre Laura Perls e Paul Goodman foi fundamentalmente uma relação
que nutriu aos dois. Laura relata em entrevista concedida a Daniel Rosenblatt em 1984
que Goodman (1994, p. 29):
48
Era um homem do renascimento, um dos poucos que havia surgido na América. As
pessoas aqui não tem a bagagem que lhes permita conhecer idiomas, filosofias,
diferentes formas de pensamento, arte, antropologia e música. Paul tinha tudo isso junto
com um funcionamento integrado.
Laura Perls (1984, p. 30) menciona a contribuição de Goodman em sua vida,
principalmente quando trabalhavam juntos no Instituto de Nova York, dizendo ter obtido
muito dele: “mais confiança em mim mesma e mais independência em meu próprio
pensamento”. E ainda, “para mim Paul Goodman foi o mais importante, porque foi o
único que me estimulou em direções nas quais não havia nunca ido antes” (PERLS, L.,
1984, p. 29).
Por ocasião de seu 75° aniversário, Laura recebeu o mais alto reconhecimento
profissional ao ser publicado um número especial do The Gestalt Journal (1980)
totalmente dedicado a ela.
Em 1981, na Universidade de Frankfurt, Laura foi homenageada com o
Jubiläum”, celebrando os 50 anos decorridos de seu doutoramento naquela
universidade. Segundo relata Kogan (1992, p. 26), “a intenção era que fosse um evento
modesto [...] Esperávamos 40 pessoas. Apareceram 500 e toda a homenagem foi
transferida para uma grande sala de aula”. Até aqui podemos formar uma idéia da
difusão alcançada pela Gestalt-terapia. Ao prosseguir com o depoimento, Kogan (1992,
p. 26) oferece-nos a oportunidade de compreender o que deu à abordagem tal
popularidade:
Ao recomeçarmos, Laura, agora muito nervosa, me pediu para que segurasse sua mão
[...]. Ela falou e daí fez uma pequena demonstração. Sem ‘hotseat’. Sem catarse. Sem
drama. Muitas pessoas na audiência se enfureceram e protestaram. Algumas bateram
suas carteiras. Alguns se levantaram e saíram. Isto não era Gestalt-Terapia! Com
poucas exceções naquele tempo, a Gestalt-Terapia na Alemanha era orientada por
alguma caricatura da técnica do ‘hotseat’ de Fritz Perls. Laura foi atingida pela
hostilidade, mas permaneceu digna e persistente [...]
Morreu em julho de 1990, antes do seu 85° aniversário, no local onde nasceu e
passou sua infância, em Pforzheim. Um ano depois da morte de Laura, The Gestalt
Journal dedicou um número completo de sua revista Contact (1991) em sua memória.
49
1.4 A emergência e o desenvolvimento inicial da Gestalt-Terapia
[...] É impossível deixar de se impressionar com a dimensão estética [presente no livro
Gestalt-Terapia, de Perls, Hefferline e Goodman] [...] e que impregna toda sua obra, no
sentido dos constantes paralelos traçados entre processos artísticos e criativos e o
funcionamento saudável, entre arte e terapia [...] Se a arte tradicionalmente esteve na
vanguarda dos movimentos de ruptura e transformações sociais, a Gestalt-Terapia
floresceu com uma ideologia libertária no bojo dos movimentos contestatórios e
visionários dos anos 60, onde [...] tanto os Perls como Goodman se encontraram
fortemente engajados (CIORNAI, 1991b, p. 1-2).
No período em que Perls se instala nos Estados Unidos, o capitalismo
prosperava. O pós-guerra representou uma época de extremo progresso e poderio do
estado americano e o país começava a se constituir no primeiro grande exemplo de
uma sociedade tecnocrática, que se materializava, por exemplo, na afirmação do
american way of life. Como conseqüência, os valores imperativos levavam à busca de
um máximo de modernização, racionalização e planejamento, com privilegiamento dos
aspectos técnico-racionais sobre os sociais e humanos, reforçando uma tendência
crescente de burocratização da vida social (PEREIRA, 1983).
Conforme o relato de Kiyan (2006), milhões de soldados retornaram ao país
depois da guerra, e, através do acordo denominado Fair Deal e do Plano Marshall,
houve implemento de indústrias e surgimento de milhares de empregos, o que
fortaleceu na nação o estilo norte-americano de bem viver, o patriotismo e o sentimento
hostil em relação ao comunismo.
A idéia de superioridade dos norte-americanos se mantinha associada a um forte
sentimento de nacionalismo e o consumismo desenfreado ajudava a criar a imagem de
um paraíso. Nesse clima, e em nome da manutenção do status quo, proliferou uma
postura antiesquerdista, sob o comando do general McCarthy11.
Na direção contrária ao ideário americano e ao conformismo subjacente, Paul
Goodman é citado por Pereira (1983), como alguém interessado em desvendar a nova
realidade das sociedades tecnocratas.
11
O período que vai de 1950 a 1956 é conhecido como Macartismo. Durante esse período, todos aqueles que
fossem suspeitos de simpatia com o comunismo, tornaram-se objeto de investigações, prisão, perda de emprego e,
mesmo, morte.
50
Perls chegou ao país com rascunhos e anotações para a elaboração de um novo
livro e o contato com Goodman lhe apontou que este poderia ser o homem a colaborar
com ele nesta empreitada; afinal, ele compreendia o contexto psicanalítico e estudava
com Lore, estando, portanto indicado para organizar suas idéias e preparar um
manuscrito sob sua supervisão.
Assim, a princípio, Goodman fora solicitado como editor – responsável por
colocar em palavras a teoria da Gestalt-Terapia –, e a quantia elevada contratada, de
500 dólares, permitia estimar o trabalho de redação necessário (STOHER, 1999).
Em relação à participação de Goodman no livro que lançou a abordagem, Laura
Perls (1984, p. 23) afirma: “penso que a influência de Goodman foi muito importante e
creio que sem ele ali não teria havido uma teoria coerente da Gestalt-Terapia”.
O livro Gestalt Therapy: excitment and growth in the human personality foi
publicado no ano de 1951, com tripla autoria: Fritz Perls, Ralph Hefferline e Paul
Goodman, sendo esta data considerada o marco de início da Gestalt-Terapia.
Ralph Hefferline, por sua vez, agrega-se aos dois autores, pois a esta altura, os
exercícios de concentração propostos por Perls em EFA, haviam atraído seguidores,
que passaram a adotá-los mais como experimentos pedagógicos do que como
ferramentas terapêuticas. Assim, Elliot Shapiro, em aulas de Psicologia Anormal na
Universidade de Brooklyn, e Ralph Hefferline, na Universidade de Columbia, pediam
aos alunos que realizassem os exercícios de Perls e anotassem suas experiências.
Este fato incentivou Perls, e Hefferline, que era seu paciente, tornou-se um
colaborador. Perls desenvolveu uma nova e mais extensa série de exercícios, que
Hefferline aplicou em seus alunos e, em seguida, transformou em um manuscrito. Esta
seria a demonstração prática no novo livro de Perls. Vale ainda mencionar que a
presença de Ralph Hefferline fora justificada por Laura Perls pela intenção de que a
Gestalt tivesse alguma penetração no meio acadêmico (SUASSUNA; HOLANDA,
2009). O fato a ser salientado aqui é que Hefferline não se associou ao Instituto de
Gestalt-Terapia de New York, criado pouco tempo após o lançamento do livro, não
tendo participado do desenvolvimento posterior da abordagem (PERLS, L., 1977).
Já havia sido assinado um contrato para o livro com um conhecido de Perls,
Arthur Ceppos, da Julian Press. Como editor, Ceppos teria autoridade sobre o produto
51
final. Originalmente, os escritos de Goodman constituiriam o livro, enquanto o material
de Hefferline consistiria em uma espécie de apêndice. Depois de avaliar os
manuscritos, Ceppos insistiu em inverter a ordem: primeiro os exercícios práticos de
Hefferline, para familiarizar o leitor com os conceitos básicos – e, assim, aproveitar a
popularidade de que gozavam naqueles dias os livros do tipo "faça você mesmo" e de
"auto-ajuda" (STOHER, 1999).
Assim o livro foi composto por duas partes, claramente distintas, nomeadas livro
um e livro dois. Aqui é interessante notar a presença do apelo comercial já no início da
história da Gestalt-Terapia, a partir da inversão das partes que compunham a obra que
vem lançar a nova abordagem.
Houve uma reunião do grupo com o fim de estabelecer o nome da nova
abordagem. Hefferline insistia em que deveriam dar o nome de “Terapia Integradora”,
uma vez que se tratava basicamente de um processo de conscientização e integração
de polaridades e partes alienadas de si mesmo (KYIAN, 2006). Outro nome sugerido foi
“Psicanálise Existencial”, mas nesta época o Existencialismo estava bastante associado
às idéias de Sartre, com uma abordagem nihilista, com a qual não se identificavam
(JULIANO, 1992). Laura Perls, prevendo problemas com os gestaltistas acadêmicos,
expressou sua discordância em relação ao nome Gestalt-Terapia. Ademais,
acrescentou que, ao conservar alguma coisa do conceito de ‘Gestalt’ no nome, seria
melhor optar por ‘Gestaltung-terapia’, porque não são as formas fixas que interessam,
mas sim a Gestaltung, ou seja, a forma em movimento, a formação das formas
(ROBINE, 2006). No entanto, prevaleceu o desejo de Perls de chamar a abordagem de
Gestalt-Terapia, sendo interessante notar, conforme salienta Loffredo, que Perls (1994,
p. 63)
batizou sua cria com um nome da língua materna, intraduzível para o inglês, marca
registrada de made in Germany, deixando um lembrete explícito para as gerações
futuras: a Gestalt-Terapia é uma terapia européia [...]
Fritz Perls (1979, p. 225) se expressa a respeito da escolha do nome da nova
abordagem da seguinte forma:
52
Lore, como muitos de nossos amigos, se opôs a que eu chamasse a minha abordagem
de Gestalt-Terapia. Pensei em Terapia de Concentração ou algo parecido, mas rejeitei.
Isso teria significado que a minha filosofia-terapia seria eventualmente categorizada
como uma entre centenas de outras, o que realmente aconteceu até certo ponto. Eu
optei pela posição tudo-ou-nada. Não queria saber de meio-termo. Ou a psiquiatria
americana viria a aceitar a Gestalt-Terapia como a única forma de compreensão realista
e afetiva, ou ela pereceria entre os escombros da guerra civil e das bombas atômicas.
Não era em vão que Lore me chamava de mistura de profeta e vagabundo.
O trecho acima traz ainda a idéia de Perls sobre a importância e significado do
termo Gestalt. Em outro trecho de sua autobiografia, Perls (1979, p. 64) expõe de forma
bastante entusiasmada seu entendimento sobre o termo Gestalt:
Será que então não existe a possibilidade de uma orientação ôntica em que Dasein – o
fato e meio da nossa existência – se manifeste, compreensível sem explicações? Uma
forma de ver o mundo não por intermédio da tendenciosidade de algum conceito, mas
na qual possamos entender a tendenciosidade de se conceitualizar? [...] E na verdade
existe! Gestalt! Como posso fazer entender que gestalt não é só mais um conceito
inventado pelo homem? Como posso dizer que gestalt é – e não só para a psicologia –
algo inerente à natureza?
O Instituto Gestalt de New York foi fundado em 1952, por iniciativa de Perls, e lá
se promoveriam cursos acerca do novo método. No entanto, pouco a pouco foi se
delineando uma distância afetiva e teórica, cada vez mais acentuada, entre Perls e
Laura e entre Perls e o Instituto de New York.
No discurso comemorativo do 25º aniversário do Instituto, Laura Perls relembrou
o momento de sua criação e seus primeiros colaboradores: Paul Goodman, Paul Weisz,
Elliot Shapiro e Isadore From. Afirmou não ser fácil falar sobre o papel de Fritz Perls no
desenvolvimento do Instituto, “foi a pessoa mais interessada em fundá-lo e deu as
conferências introdutórias e parte das oficinas durantes vários anos” (PERLS, L., 1977,
p. 40-1).
E prossegue comentando:
Fritz era genial por sua percepção intuitiva e seus palpites sempre misteriosamente
precisos, então era necessário justificar, elaborando-os com rigor. Fritz muitas vezes
não teve paciência para esse tipo de trabalho detalhado. Ele criava. Não desenvolvia
nem organizava. Sem o apoio constante de amigos e meu, sem a nossa colaboração e
o incentivo que lhe dávamos constantemente, Fritz não teria escrito uma única linha, e
nunca teria fundado nada. No entanto, ele tinha uma personalidade carismática que
fazia com que as pessoas se entusiasmassem por suas idéias e seus planos e
conseguia que se ocupassem dos detalhes que a ele desagradava (PERLS, L., 1977, p.
41).
53
Foi assim também em relação à criação do Instituto. Laura declarou ter desejado
manter-se afastada, sem assumir qualquer compromisso, além daqueles que já
acumulava em suas diversas funções como dona de casa, mãe, avó, terapeuta. Além
disso, sua experiência se restringia à terapia individual e a nova atividade exigiria o
desenvolvimento de novas habilidades e competências, como o manejo de grupos. No
entanto, conforme relata, apareceram quarenta pessoas para a primeira conferência
que Fritz ofereceu, daí quando chegou o momento das sessões práticas, ele tomou
vinte para si, tendo Laura ficado com as outras vinte.
Enquanto Laura se manteve em Nova York, tendo entre suas atividades a
coordenação do Instituto, Perls iniciou sua peregrinação por cidades da América do
Norte para levar o mais longe possível sua nova abordagem. Transitou por Cleveland,
Detroit, Miami e Toronto (Canadá), o que o levou a manter-se afastado de Nova York
por um bom tempo. Essas viagens, no entanto, parecem ter tido mais importância na
captação de novas informações do que propriamente na divulgação da Gestalt-Terapia.
Neste período, Perls teve contato direto com Moreno, criador do psicodrama, com
Charlotte Selver, representante do trabalho de consciência corporal, e estudou dialética
com Arthur Ceppos (KYIAN, 2006).
Por outro lado, as sementes plantadas pelo trabalho do Instituto de New York
começaram a frutificar. Em um curso intensivo de dez dias de duração, três pessoas de
Cleveland formaram parte da turma, e em 1953 é fundado o Instituto de Cleveland, de
onde se originam profissionais que vieram a ser reconhecidos como a primeira geração
de gestalt-terapeutas, dentre os quais, Erving e Miriam Polster e Joseph Zinker. Anos
mais tarde, os Polster se mudaram para San Diego, na Califórnia, e surgiram mais dois
grupos importantes para a Gestalt-Terapia: o de São Francisco (1967) e o de Los
Angeles (1969), que irão influenciar diretamente a Gestalt-Terapia no Brasil (JULIANO,
1992).
Perls, por sua vez, fixou residência em Los Angeles, no final dos anos 50, a
convite de Jim Simkin, que o acolheu em sua casa. Em 1962, quando já estava com
quase setenta anos, iniciou um período de viagens que se estenderia por dezoito
meses, vivendo alguns meses em Israel numa aldeia de beatniks e depois no Japão,
num mosteiro zen, a fim de entender melhor a doutrina (KYIAN, 2006).
54
Em 1959, Laura se afiliou à Academia Americana de Psicoterapeutas (APA),
sendo convidada a participar da mesa da presidência de seu Congresso Anual,
juntamente com Carl Rogers, Carl Whittaker, Drichos e Julie Nieds. Desde então,
realizou por mais de dez anos oficinas de Gestalt em todos os congressos da APA.
Pouco a pouco, a economia americana começou a dar sinais de retração,
chegando a uma recessão, em 1958, com o objetivo de reorganizar seu parque fabril. A
crise do fordismo, levando a um aumento do desemprego, e o incremento nos conflitos
entre brancos e negros acabam por configurar uma nova realidade social.
Nesta, nova discussão surge, sobre a posição da mulher frente a sua própria
sexualidade, que ganha destaque cada vez mais acentuado. O surgimento da pílula
anticoncepcional, por sua vez, contribuiu para a chamada revolução sexual.
Seguiram-se a estes acontecimentos, a Guerra do Vietnã (1961-1975) que trouxe
o descontentamento do povo norte-americano com o tratamento dado aos cidadãos,
especialmente após o recrutamento obrigatório, que levou milhares de jovens à morte.
Todos estes acontecimentos reunidos em um espaço relativamente curto de
tempo provocaram profundas mudanças na sociedade americana. Na prática, o que se
observa é o ascendente fenômeno da juventude como nova força, inclusive política, o
que passou a ser conhecido pelo nome de contracultura. Uma das características
básicas do fenômeno é se opor, de diferentes maneiras, à racionalidade ocidental e à
cultura vigente e oficializada pelas principais instituições da sociedade do Ocidente12.
Pereira (1983. p.7-8), descreve a situação vivida durante os anos sessenta de
seguinte forma:
Corriam os anos 60 e um novo estilo de mobilização e contestação social, bastante
diferente da prática política da esquerda tradicional, firmava-se cada vez com maior
força, pegando a crítica e o próprio Sistema de surpresa e transformando a juventude,
enquanto grupo, num novo foco de contestação radical [...] Falava-se no surgimento de
uma nova consciência, de uma nova era, enfim, de novos tempos.
Para além da superficialidade dos sinais mais evidentes do movimento – cabelos
compridos, roupas coloridas, misticismo, orientalismo, um tipo de música (rock), drogas
12
Aqui, é importante esclarecer que o termo ‘contracultura’ foi inventado pela imprensa norte-americana, nos anos
60, para designar um conjunto de manifestações culturais novas. No entanto, de forma alguma tais manifestações
se limitaram a acontecer nos Estados Unidos; floresceram em vários outros países, especialmente na Europa e,
embora com menor intensidade e repercussão, na América Latina (Luis Carlos Maciel conforme citado por Pereira,
1983, p. 13).
55
e assim por diante – vai ficando claro que havia algo a mais presente, e que se fazia
mostrar por novas maneiras de pensar, modos diferentes de encarar e de se relacionar
com o mundo e com as pessoas. Tratava-se de um forte espírito de contestação, de
insatisfação, de experiência, de busca de uma outra realidade, de um outro modo de
vida, envoltos por um forte ideal libertário.
Palavras de ordem e expressões como “Paz e Amor”, “Paradise Now”,
“Desbunde”, “Desrepressão”, “Revolução Individual”, “Aqui e Agora”, “É proibido proibir”
etc eram significativas e pronunciadas pelos partidários do movimento.
Criticava-se e rejeitava-se o predomínio da racionalidade científica, tentando-se
redefinir a realidade através do desenvolvimento de formas sensoriais de percepção.
Os jovens parecem viver o que William James (apud PEREIRA, 1983, p. 23) falara
décadas antes:
A consciência racional, como a chamamos, constitui apenas um tipo especial de
consciência, enquanto a seu redor [...] jazem formas potenciais inteiramente diferentes
[...] Nenhuma concepção do universo em sua totalidade que ignore essas outras formas
de consciência pode ser definitiva [...] Elas impedem um fechamento prematuro de
nossas contas com a realidade.
Por outro lado, já desde os anos 1950 era bastante visível na sociedade
americana o apelo crescente que o antiintelectualismo vinha ganhando. Um exemplo é
o surgimento de toda uma tradição boêmia – aquela dos beatniks – de verdadeiros
representantes de um anarquismo romântico, cujo estilo de contestação e agitação,
novo e radical quando comparado à luta da esquerda tradicional, estava apoiado sobre
noções e crenças tais como a da necessidade do “desengajamento em massa” ou da
“inércia grupal” (PEREIRA, 1983, p. 33).
Laura Perls (1977, p. 42) comenta sobre este momento e as repercussões na
sociedade:
No final dos anos cinqüenta e início dos sessenta, o clima cultural começou a mudar.
Acho que a abordagem gestáltica, especialmente o trabalho de Fritz, e o livro de Paul
Goodman (Growing Up Absurd), entre outras coisas, contribuíram para este avanço
humanístico. Não só em termos de terapia e educação, mas no estilo de vida da nova
geração. Mas, enquanto Fritz e Paul Goodman eram magos, os seus discípulos eram
muitas vezes apenas aprendizes e acabaram por não compreender os fundamentos
realistas e organísmicos da Gestalt-terapia (Viviendo en los limites).
56
Dentro da história do desenvolvimento da Gestalt-terapia vai se criando uma
onda de anti-intectualismo que resulta na desqualificação de qualquer discurso teórico,
de modo que o que passa a ser propagado pelos novos discípulos vai exatamente na
direção da simplificação e empobrecimento da Gestalt-Terapia.
Ao retornar de sua viagem, Perls instalou-se, em 1964, em uma propriedade na
Califórnia, conhecida como Esalen, que viria a tornar-se um centro de desenvolvimento
e treinamento em Gestalt-Terapia. Inicialmente, foram propostos laboratórios de
demonstração e, logo após, um programa de formação profissional em Gestalt-Terapia.
Durante esse período, Perls não deixou de realizar viagens periódicas a São Francisco
e Los Angeles para divulgar a Gestalt-Terapia.
Em 1968, com 75 anos, Perls viu finalmente sua abordagem assumir um lugar de
destaque, conforme Kyian (2006, p. 84) assinala:
[...] Suas oficinas de trabalho [...] passaram a ser muito concorridas, e não raramente o
número de participantes ultrapassava trezentas pessoas, muito diferente dos quatro ou
cinco por oficina, como era comum até então.
O estilo desenvolvido por Fritz Perls em oficinas de demonstração para
profissionais durante os últimos anos de sua vida tem sido conhecido através de filmes
e vídeos que foram gravados e através da transcrição dos vídeos para o livro Gestalt
Therapia Verbatim13 (1969). Em 1967, Perls iniciou o livro autobiográfico In and Out the
Garbage Pail14, publicado em 1969. Ainda em 1969, Gestalt-Therapy é reeditado nos
Estados Unidos.
Nos encontros, Perls explanava sobre os pressupostos de sua abordagem e
fazia demonstrações técnicas, como por exemplo, a “cadeira vazia”. Tal fato explica a
conotação que adquiriu a abordagem que passou a ser vista como uma reunião de
técnicas de conscientização e de resolução de conflitos psíquicos. Perls, por sua vez,
chegou a ser eleito como o “rei dos hippies” (KYIAN, 2006).
Portanto, foi somente na década de 60, com a eclosão do movimento de
contracultura, que a Gestalt-Terapia encontrou espaço nos Estados Unidos, como uma
abordagem psicoterápica que respondia aos anseios da geração jovem americana.
13
Livro publicado no Brasil em 1977, pela Summus, sob o título “Gestalt-Terapia Explicada”.
No Brasil este livro foi publicado pela Summus em 1979 sob o título Escarafunchando Fritz dentro e fora da lata de
lixo.
14
57
Ciornai (1998) cita Vinacour (1995), gestalt-terapeuta argentino, na intenção de
apontar a relação entre a Gestalt-Terapia e o movimento de contracultura. Vinacour,
concluindo que os movimentos de contracultura apontavam para uma crise da
modernidade, uma crise da razão, considera que a Gestalt-Terapia lhe deu sustento
psicológico: “Nunca antes uma escola psicoterapêutica se havia identificado tanto como
uma proposta de transformação social, e nunca antes uma psicoterapia foi tão
identificada pelo grande público com um movimento” (VINACOUR, 1995 apud
CIORNAI, 1998, p. 9).
Kyian (2006, p. 80) descreve esta inter-relação no âmbito da Gestalt-Terapia da
seguinte forma:
A história teceu, portanto, as condições propícias para que a Gestalt-Terapia se
configurasse como uma abordagem que por um lado amparava as premências da época
e por outro usava-as para fazer ecoar seus pressupostos fundamentais. Assim como os
jovens, [...] a Gestalt-Terapia pensava em vias de liberdade, responsabilidade,
conscientização e potencialização de forças e integração.
Conforme nos afirma Kyian (2006), Perls acreditava cada vez mais que a
Gestalt-Terapia, antes de ser um processo psicoterapêutico, era um modo de vida, e
começou então a pensar em “Gestalt na vida”, o que o levou finalmente a tentar
materializar seu sonho de gerir uma sociedade na forma do Gestalt-kibutz. Com esse
propósito, em 1969, comprou um velho hotel à beira do lago Cowichan, na ilha de
Vancouver, e fundou o Instituto de Gestalt do Canadá, onde ele e alguns discípulos se
organizaram em um modo de vida comunitário (o Gestalt-kibutz). No entanto, somente
permaneceu ali por aproximadamente seis meses, partindo para novas viagens pela
Europa. Ao retornar aos Estados Unidos, iria proferir uma palestra na Universidade de
Illinois, Chicago, no dia 6 de março de 1970. Ao ser recebido por Bob Shapiro e Jane
Levenberg, pediu para ver um médico. Foi diagnosticado com câncer no pâncreas e
pedras na vesícula, vindo a óbito em 14 de março.
Goodman, por sua vez, atuou como psicoterapeuta por vários anos, mas
finalmente, após uma alteração nas condições legais para a prática de psicoterapia,
voltou a lecionar e continuou sua carreira como escritor e crítico social. Morreu de um
ataque cardíaco em 02 de agosto de 1972, quando acabara de completar 61 anos.
58
Alguns autores, entre eles, Shepard (1997) apontam o funcionamento do kibutz
como um paradoxo, pois Perls, que durante toda a sua vida havia pregado a
responsabilidade por si mesmo e a autonomia, concebera uma sociedade alternativa na
qual a relação de dependência era por si só condição primeira de sobrevivência do
projeto, o que seria, portanto, incompatível com os pressupostos de sua proposta
psicoterapêutica (KYIAN, 2006). Poderíamos nos perguntar, por que e até que ponto se
trata de um paradoxo?
É fato que Perls, em sua teoria e prática, enfatizou a importância do auto-suporte
em substituição ao suporte ambiental e utilizava-se da frustração como recurso
psicoterapêutico, a fim de incentivar o auto-suporte. Na introdução de seu livro GestaltTherapy Verbatim, Perls (1977, p. 17) apresenta a “Oração da Gestalt”, entendida por
muitos como uma proposta de um individualismo marcante. Diz o seguinte:
Eu faço minhas coisas, você faz as suas.
Não estou nesse mundo para viver de acordo com suas expectativas.
E você não está neste mundo para viver de acordo com as minhas
Você é você, e eu sou eu.
E se por acaso nos encontrarmos, é lindo. Se não, nada há a fazer.
Entretanto, Perls, no ano de 1969, escreve no prefácio à edição de Ego, fome e
agressão publicada pela Random House o seguinte:
A probabilidade de que a terapia individual e de longa duração possam, ambas, ser
obsoletas ainda não se revelou para a vasta maioria de terapeutas. Na verdade, grupos
e workshops encontram crescente aceitação, mais por sua exeqüibilidade econômica do
que por sua eficácia. Contudo, a sessão individual deveria ser a exceção mais do que a
regra. Talvez isto soe tão herético quanto a proposição que fiz algum tempo atrás: lidar
com o comportamento fora do aqui-e-agora é uma perda de tempo (PERLS, 2002, p.
36).
Duas questões presentes no início da Gestalt-Terapia são de fundamental
importância para a compreensão do desenvolvimento posterior dessa abordagem. A
primeira refere-se à dicotomia entre teoria e prática e tem sua raiz nas formas
divergentes de realizar a divulgação da nova abordagem (JULIANO, 1992;
PRESTRELO, 2001). A segunda responde por uma distinção entre duas formas de
entender e praticar a Gestalt-Terapia. No entanto, ambas possuem em comum o
aprisionamento em posições dicotômicas.
59
Como vimos na história de Perls, este foi um grande divulgador da GestaltTerapia. Conforme ressalta Juliano (1992, p. 12), Perls
está interessado em criar técnicas cada vez mais espetaculares [de modo que] aqueles
que presenciavam as suas demonstrações recebiam idéias, ‘slogans’, técnicas
miraculosas e a sensação de que seria possível, desta maneira, evitar o longo tempo
necessário para se solidificar uma mudança.
Em contrapartida, o grupo de Nova York aprofundava teórica e clinicamente o
texto de Perls e Goodman, com ênfase no conceito de contato e fazia fortes críticas a
Perls, entre as quais a de “haver transformado psicoterapia em teatro, de haver
confundido ‘workshops’ com terapia a longo prazo [...]” (JULIANO, 1992, p. 12).
Em 1977, em trabalho intitulado “Visões verdadeiras e falsas da Gestalt-Terapia”,
Laura Perls inicia seu argumento comentando como erroneamente a idéia da GestaltTerapia fora resumida à prática da técnica da cadeira quente e da cadeira vazia. Ao
partir deste ponto inicial, propõe-se a resgatar os conceitos básicos que, mais que
técnicos, são filosóficos e estéticos.
Sobre as técnicas da cadeira quente ou cadeira vazia, e sobre os trabalhos de
demonstração de Fritz, Laura Perls diz:
Você pode trabalhar dessa maneira com pessoas relativamente saudáveis, mas você
não pode usar o método da cadeira vazia, com pessoas realmente doentes. Ele [Fritz]
parou de tratar as pessoas na realidade. Nas oficinas esteve trabalhando com pessoas
que eram todas profissionais, a maioria profissionais avançados que já estavam
trabalhando na prática clínica por vários anos, ou tinham seus próprios analistas ou
terapeutas. Ele simplesmente evitava as pessoas que sentia não estarem saudáveis
[...]. Fritz tinha idéias maravilhosas, mas não paciência. (PERLS, 1984, p. 29).
O resultado dos trabalhos de demonstração levou muitos terapeutas a considerar
a utilização da técnica como o elemento mais importante da Gestalt-Terapia e com isso,
se arvoraram a aplicá-la a todos os pacientes, sem distinção. Assim, a Gestalt-terapia
se reduziu ao nível da técnica. Uma outra conseqüência, tão bem exposta por Laura
Perls (1997), é que, devido às óbvias limitações desta técnica, terminou-se por fazer a
combinação dela com outra técnica do arsenal psicoterapêutico que estivesse à mão. O
resultado é o treinamento em sensibilidade e Gestalt, consciência corporal e Gestalt,
bioenergética e Gestalt, terapias baseadas em arte e dança e Gestalt, meditação
transcendental e Gestalt, Análise Transacional e Gestalt e assim por diante...
60
Essas combinações são uma indicação de que não se interpretava corretamente
ou que havia uma falta de conhecimento dos conceitos básicos da Gestalt-terapia.
Certamente, o esforço realizado, naquele momento, fora justamente o de desvincular a
identificação da Gestalt-Terapia com uma técnica ou uma coleção de técnicas,
reportando-se ao embasamento teórico e filosófico que lhe era subjacente.
Em decorrência desses acontecimentos, conforme assinala Juliano (1992),
estabeleceu-se a distinção entre duas formas de entender e praticar a Gestalt-Terapia:
a “Gestalt da cabeça” e a “Gestalt visceral”, a última com foco na awareness do
paciente. Prestrelo (2001) resgata os termos “peles-vermelhas” e “caras-pálidas”,
denominação atribuída por Michael Vincent Miller, autor contemporâneo da GestaltTerapia, para retratar esta dicotomia.
Curioso é que todo o esforço da Gestalt-Terapia era justamente o de romper
dicotomias!
Ao percorrer a história do movimento inicial que culminou com a emergência da
Gestalt-Terapia, bem como seu desenvolvimento inicial, é muito evidente o enorme
desejo de Perls de divulgar e fazer conhecida sua abordagem. Partindo desta
constatação poderíamos nos perguntar até que ponto Perls não se aproveitou do
contexto sócio-cultural para dar visibilidade a sua abordagem, ainda que não a
representasse fidedignamente nestas demonstrações, isto é, ainda que não se
apoiasse de forma mais consistente em seu referencial filosófico e teórico, com suas
conseqüentes visões de homem e mundo?
A despeito das inúmeras críticas e mal-entendidos que se seguiram aos
trabalhos de demonstração de Perls, não teria ele se valido do mesmo apelo presente
na edição do Gestalt-Therapy, quando o editor resolveu inverter a ordem das partes do
livro, com o fim de facilitar a vendagem? Teria a Gestalt-Terapia alcançado tamanha
repercussão e notoriedade, em finais da década de 1960, se não fosse o esforço de
divulgação de Perls, mesmo que de forma bastante caricata e distorcida? São
perguntas que, tentando construir uma história, nos sentimos compelidos a fazer.
Enquanto profissional referenciada na Gestalt-Terapia, acredito ser necessário
trabalhar pela integração, e não pela permanência nas extremidades... Para isso,
61
entender o momento inicial de construção desta abordagem é fundamental, tal como
buscou-se realizar aqui.
A seguir, abordaremos a chegada da Gestalt-Terapia no Brasil, procurando
contextualizar seu surgimento a partir da consideração dos fatores presentes na
realidade sócio-política brasileira, bem como as práticas e saberes psicológicos então
vigentes, os quais tornaram possível que a Gestalt-terapia tivesse aceitação enquanto
uma nova abordagem psicoterápica.
62
2 A GESTALT-TERAPIA NO BRASIL: RECEPÇÃO E DESENVOLVIMENTO INICIAIS
A Gestalt-terapia chega ao Brasil na década de 1970, juntamente com outras
terapias, denominadas “alternativas”, como as psicodramáticas e as neo-reichianas,
combatendo o monopólio exercido pela prática psicanalítica no âmbito da área clínica.
Tais práticas ainda possuiam em comum o fato de trazerem em seu bojo uma série de
críticas à sociedade de consumo (COIMBRA, 1995).
Para se compreender o que tornou possível a difusão de tais práticas,
especificamente a da Gestalt-Terapia, é necessário situar o contexto sócio-políticoeconômico-cultural brasileiro, bem como a situação da psicologia face a este cenário, o
que passaremos a fazer neste momento.
2.1 O cenário político e sócio-econômico-cultural no Brasil nas décadas de 1950,
1960 e 1970.
No decorrer da década de 1950, até 1964, ocasião do Golpe Militar, consolida-se
no Brasil o populismo, caracterizado pelo desempenho político, mesmo que secundário,
das massas populares15, sob o controle do governo. O populismo estava associado
tanto com o aparecimento da cultura de massa como com o consumo em massa.
Em uma relação dinâmica com o movimento populista, o Brasil passa por um
período de transformações econômico-sociais. Assim, nos anos 1950, mais
precisamente a partir do governo de Juscelino Kubitschek, houve grandes avanços na
modernização, os anos 1960 dando continuidade ao “progresso”, com a expansão do
capital monopolista16, através do crescimento da industrialização dominada pelo capital
15
Durante este período, o Brasil fora governado por Getúlio Vargas (1951-1954), que em 1951, voltava à presidência
da República, desta vez, legitimado pelo voto popular; Juscelino Kubitschek (1956-1961); Jânio Quadros (1961) e
João Goulart (1961-1964).
16
Pela expressão capital monopolista entende-se a terceira fase do capitalismo no Brasil. A evolução interna do
capitalismo no Brasil, segundo Fernandes (1987), divide-se em três fases que têm significações diferentes. Na
terceira fase denominada por esse autor de “irrupção do capitalismo monopolista”, observa-se o surgimento das
grandes corporações estrangeiras, estatais ou mistas significando reorganização do mercado e do sistema de
produção, evidenciando-se no fim da década de 1950 e adquirindo caráter estrutural a partir de Revolução de 1964
(conforme citado em Tolentino, 2008, p. 224).
63
estrangeiro. Verifica-se então, a acelerada urbanização e o crescente aumento das
chamadas classes médias urbanas.
O discurso proferido por João Goulart, em 1962, permite-nos uma aproximação
com o movimento populista vivido neste período.
Vamos mobilizar o povo para o desenvolvimento, de modo que ele tenha plena
consciência de sua missão e sinta que os frutos do progresso lhe pertencem. Vamos
construir um Brasil que, mantendo as características da sua personalidade como
cultura, seja novo, justo e próspero. Vamos utilizar os valores do sufrágio universal [...]
como um instrumento de compromisso para com as verdadeiras causas populares, de
modo a permitir ao próprio povo não apenas a sensação mas a profunda convicção de
que, com representantes autênticos dos seus anseios, ele é que, realmente governa
(apud COSTA; MELLO, 1996).
O governo populista/desenvolvimentista de João Goulaurt caracteriza-se pelo
projeto de reformas de base e de desenvolvimento nacional.
A presença no poder
de forças nacionalistas, filiadas à tradição de Vargas, tornava o governo sensível às
demandas populares, o que acabou favorecendo a emergência das esquerdas,
notadamente do Partido Comunista. Este, na semilegalidade, desempenhava um papel
de crescente importância na articulação dos setores progressistas (HOLANDA;
GONÇALVES, 1984).
De acordo com Coimbra (1995), os primeiros quatro anos dos anos 1960 são
vividos de forma intensa por uma juventude universitária de classe média, através de
vários movimentos sociais. Estudantes e intelectuais assumiam posições favoráveis às
reformas estruturais, desenvolvendo uma intensa atividade de militância política e
cultural. A União Nacional dos Estudantes (UNE) discutia as questões nacionais e as
perspectivas de transformação que mobilizavam o país.
Há uma intensa difusão de uma postura participante e conscientizadora,
promovida, por exemplo, através do surgimento, em universidades de vários estados,
dos CPC’s – Centro Popular de Cultura – vinculados à UNE17. A finalidade é “educar o
povão através da arte”, com vistas à construção de uma cultura nacional, popular e
democrática.
17
O CPC da UNE foi criado em abril de 1961 e tinha como finalidades promover atividades nos setores teatrais,
cinematográficos, musicais, das artes plásticas e “... elevar o nível de conscientização das massas populares”
(Coimbra, 1995, p. 4)
64
Contudo, Coimbra (1995) assinala que, em uma análise mais cuidadosa,
observa-se na grande maioria dos movimentos sociais um engajamento populista, com
o predomínio de uma postura paternalista e vanguardista, havendo uma clara
consciência da distância entre o intelectual e o povo.
Paralelamente, surgem posturas e comportamentos que recusam as normas préestabelecidas e instituídas.
Podemos encontrar em Coimbra (1995, p. 5) análise que permite compreender o
jogo de forças em questão e que culminam com o Golpe Militar de 1964, iniciando o
período de 21 anos da República Militar:
[...] o pacto populista começa a se tornar perigoso para a expansão monopolista do
capital estrangeiro. Este sente no modelo político vigente no Brasil uma barreira à sua
expansão. Neste quadro dá-se o golpe militar de 64, quando as forças armadas ocupam
o Estado para servir a tais interesses. Para isso, e como preparação do terreno, uma
intensa campanha se desenvolve desde os anos 50, por meio da qual constrói a figura
do comunista como traidor da pátria. [...] Como efeito disto, semanas antes e depois do
golpe de 31 de março de 1964, em muitas capitais do país, são organizadas as Marchas
da Família com Deus e pela Propriedade. Multidões de senhoras e suas famílias de
classe média e média alta desfilam pelas ruas do centro do Rio de Janeiro e São Paulo
e, juntamente com a cúpula da Igreja Católica, denunciam a “comunização” da
sociedade brasileira e exigem um governo forte.
A defasagem entre a expectativa da transformação social e a realidade do
desmoronamento do governo Goulart apontam, de acordo com o argumento de
Holanda e Gonçalves (1984), a necessidade de reconhecer que alguma coisa andara
mal nos cálculos da revolução. Assim, a preocupação em localizar e “corrigir” os
possíveis enganos de 64 marcaria fortemente os rumos da militância política e cultural
até o final da década de 1960.
Uma análise em retrospectiva mostra que as forças de esquerda, representada
primordialmente pelo PCB, acreditavam que a principal contradição a ser superada em
nossa sociedade dava-se entre a nação e o imperialismo americano. Como resultado,
houve uma desconsideração do jogo de forças interno: a valorização do papel
‘progressista’ da burguesia nacional e das inclinações reformistas e nacionalistas do
Estado janguista levou a um predomínio dos acordos “por cima”, em detrimento da
mobilização e da organização das forças populares (HOLANDA; GONÇALVES, 1984, p.
18).
65
As décadas de 1960 e 1970, por sua vez, assistem à crise política da aliança
populista-desenvolvimentista no Governo Goulart – cujas propostas de reformas
sociais, especialmente agrárias, motivaram a sua deposição através do Golpe Militar de
1964 (TOLENTINO, 2008). Este é o fim do período populista, com a ocupação do
Estado pelas Forças Armadas.
Durante o período de comando militar houve a modernização da economia
brasileira, ocorrida às custas do sacrifício de setores populares e da ampliação da
dependência em relação ao capital internacional.
A ditadura militar silenciou os trabalhadores assalariados, que perderam o direito
de reivindicar coletivamente aumento de salários, tiveram suas prerrogativas políticas
retiradas e seus sindicatos, sob intervenção, foram colocados sob o controle ainda mais
rígido do Ministério do Trabalho.
Por sua vez, contrariamente ao que se poderia esperar, num primeiro momento
(período de 1964 a 1969), a ditadura caminhou ao lado da hegemonia cultural da
esquerda. Assim, não obstante as centenas de cassações, prisões e torturas, não
ocorreu o impedimento da circulação das produções teóricas e culturais da esquerda.
Uma diferença, contudo, se fez notar: a circulação de tais idéias foi totalmente
bloqueada às classes populares, passando a realizar-se num
circuito nitidamente integrado ao sistema – teatro, cinema, disco e a ser consumido por
um público já convertido de intelectuais e estudantes de classe média. Os espetáculos
são verdadeiros meetings onde a “intelligentzia” renova entre seus pares suas
inclinações populares, anti-imperialistas, socialistas e revolucionárias (HOLANDA, 1978
apud COIMBRA, 1995, p. 8).
A mobilização desse novo público, formado basicamente por estudantes e
intelectuais, revelava os limites do novo quadro conjuntural e deixava entrever a
formação de uma massa política que conheceria seu momento de radicalização nas
passeatas de 1967/1968.
Na esteira da crise de 1964 se delineou uma geração que procuraria dar um
passo à frente em relação aos pressupostos da produção cultural nacionalista e
engajada. O movimento tropicalista de 196818 tornou-se o veículo das primeiras
18
Os eventos fundadores do Tropicalismo são geralmente localizados em 1967, embora este movimento, assim
nomeado, tenha surgido no começo de 1968. Na música - sua maior vitrine - através das inovadoras propostas de
66
manifestações contraculturais no Brasil, marcando uma ruptura com o discurso do
engajamento, através de sua crítica cultural radical dentro das estruturas do consumo
de massa19. Caracterizou-se assim, pela radicalização das questões colocadas pelas
artes nos anos 1960, na sua interface com a vanguarda mundial e com a indústria
cultural brasileira. Questões essas que confluem num ponto: a crise terminal do
"nacional-popular" como eixo da cultura e da política.
O que estava em jogo nas produções que se aglutinaram em torno do movimento
tropicalista era “o desejo de romper com o repertório político da época, com todo um
caminho da cultura brasileira diretamente comprometida com o Estado novo e com os
desenvolvimentismos posteriores” (HOLANDA; GONÇALVES, 1984, p. 64).
O discurso de Caetano Veloso, em 1966 (apud HOLANDA; GONÇALVES, 1984,
p. 52), permite exemplificar as transformações ocorridas no processo cultural nesse
período, ao dizer: “Sei que a arte que eu faço agora não pode pertencer
verdadeiramente ao povo. Sei também que a Arte não salva nada nem ninguém, mas
que é uma de nossas faces”.
Esta é uma concepção bastante diversa daquelas que na fase Goulart povoavam
manifestos e discussões, quando se pretendia a elaboração de um projeto cultural
capaz de decidir um processo de transformação da estrutura social. É assim que a
distância experimentada pelos tropicalistas em relação ao projeto revolucionário pré-64
estava implicada com uma “revisão do nacionalismo e da idealização populista da
‘pureza’ popular, em favor da idéia de uma cultura brasileira ‘moderna’ [...]” (HOLANDA;
GONÇALVES, 1984, p. 52).
Concomitantemente à intervenção cultural tropicalista, o movimento estudantil
encontrou seu auge em 1967/1968. Aqui, é importante guardar as peculiaridades de
Caetano e Gil, no III Festival de Música Popular da TV Record de 1967; no teatro, com as experiências seminais do
Grupo Oficina, que rompiam com a linguagem do teatro tradicional, através da montagem de O Rei da Vela, de
Oswald de Andrade e de Roda Viva. No cinema, acompanhando a radicalização das teses do Cinema Novo, em
torno do lançamento de Terra em Transe, de Glauber Rocha. Finalmente, as experiências das artes plásticas,
sobretudo as elaboradas por Hélio Oiticica, área menos reconhecida pelo grande público, apesar de ter sido o campo
onde a palavra Tropicália ganhou significado inicial, adquirindo as feições gerais que mais tarde a consagrariam
.
(Napolitano e Villaça, 1998)
19
Embora não fosse somente o Tropicalismo. Paralelamente, deve-se ressaltar: Chico Buarque, o Teatro de Arena e
Millor Fernandes, com a peça Liberdade, Liberdade (Holanda e Gonçalves, 1984).
67
cada movimento que, embora tivessem pontos de contato, não possuíam uma
identificação absoluta, havendo pontos de atrito e divergência20.
Contudo, o que importa enfatizar é que o governo militar de Costa e Silva (19671969) ocorreu sob a efervescência do período mais rico e conturbado do movimento
estudantil. Conforme expõe Holanda e Gonçalves (1984, p. 71):
[...] se a repressão política logrou os efeitos desejados ao nível da desarticulação dos
movimentos populares, em relação à classe média, especialmente ao setor estudantil e
intelectual, restou uma relativa margem de manobra que permitiria, com o acirramento
das feições autoritárias no período de 67/68 de um expressivo movimento de massas.
No debate das esquerdas, a trajetória de ascensão do movimento estudantil
levou a um intenso processo de revisão, com a formação de novos grupos e
organizações clandestinas, em sua maior parte originadas de dissidências do Partido
Comunista. A “Esquerda Revolucionária”, como se designavam as novas organizações,
lançou mão de métodos militaristas, adotando a guerrilha e as ações armadas como
táticas para a eclosão de um levante de massas contra o regime de 1964.
No dia 26 de junho de 1968, no Rio de Janeiro, chegava ao auge a mobilização
política contra o regime militar. Realizou-se no centro da cidade, sob a liderança do
movimento estudantil, uma gigantesca manifestação que ficaria conhecida como a
“Passeata dos Cem Mil”. Numa análise comparativa, Holanda e Gonçalves (1984, p. 76)
apontam que “se em 64 a Família saíra às ruas para apoiar o Golpe, agora, quatro anos
depois, os filhos da classe média expressavam de forma radical seu descontentamento
com a ditadura que assumiu a tutela do país”.
O Ato Institucional número 5 foi a resposta dada, no final de 1968, entrando em
vigor a fase mais pesada da Ditadura Militar brasileira. O AI-5 definia a cessação das
atividades do Congresso, outorgava direitos ilimitados ao Executivo e impunha duras
regras de censura. Nas palavras de Holanda e Gonçalves (1984, p. 93-94) isto
significou que
20
Assim, segundo Holanda e Gonçalves (1984), a disposição rebelde do grupo baiano (que representava o
movimento tropicalista) não estava orientada apenas no sentido de uma crítica aos padrões do sistema, atingindo
também a militância de esquerda, presente no meio estudantil, que segundo a percepção dos primeiros, se conduzia
no campo do comportamento e das relações pessoais de forma rígida e conservadora. O evento registrado no
Festival Internacional da Canção realizado em São Paulo, quando a platéia respondeu com uma sonora vaia à
apresentação de É proibido proibir, por Caetano Veloso e pelos Mutantes, é bom exemplo do exposto (p. 67-68).
68
o regime implantado em 64 consegue consolidar-se, suplantando as resistências e
reorganizando as formas do Estado [...] em nome do ‘desenvolvimento’ e dos ‘ideais do
Ocidente’ promove-se a criminalização da atividade política, colocando-se sob
suspeição[...] a própria classe média intelectualizada, notadamente o setor estudantil e
as áreas a ele vinculadas através da instituição universitária – professores,
pesquisadores, etc. – ou do circuito de divulgação cultural – os intelectuais e artistas
comprometidos com a produção engajada de anos anteriores.
No início dos anos 1970, a resistência se manifesta por meio de dois fenômenos:
a luta armada contra a ditadura e os movimentos de contracultura. Duas categorias de
acusação são produzidas e disseminadas nesses anos no Brasil, ligadas à juventude
da época, como forma de enfraquecer e desqualificar qualquer movimento de
resistência: a do subversivo e a do drogado (VELHO apud COIMBRA, 1999). O que se
segue é o arrefecimento dos movimentos de resistência: os militantes ligados à luta
armada são aniquilados, massacrados e o movimento contracultural, gradativamente,
vai sendo integrado, anulado.
Todavia, na sociedade brasileira em geral há um desinteresse pelas diferentes
formas de participação e questionamento social.
Conforme assinala Coimbra (1999), paralelamente à criação das categorias do
subversivo e do drogado, está a construção da idéia de “crise da família”, de sua
“desestruturação”. A autora segue a argumentação de Velho afirmando que:
Se seus filhos, fundamentalmente os de classe média e média alta, estão se tornando
‘subversivos’ ou ‘drogados’, algo está errado. Esses filhos ‘desviantes’ e ‘diferentes’ são
produzidos pelos problemas que essas famílias passam. Se algum militante é
seqüestrado, torturado e assassinado; se algum hippie, após experiências com drogas,
não retorna da ‘viagem’, ele e suas famílias são os responsáveis, e não o estado de
terror que grassa no país. As famílias aceitam tal discurso, culpando seus filhos e
culpando-se, acreditando nas suas deficiências psicológicas e morais (COIMBRA, 1990,
p. 78).
Economicamente, o cenário montado pelo regime merece destaque. Em 1969,
sob o comando do governo Médici (1969-1973), consolida-se uma fase na economia
pós-64 conhecida como o “milagre brasileiro”, tendo como principal pilar de sustentação
a “[...] entrada maciça de capitais estrangeiros na forma de investimentos e de
empréstimos” (RODRIGUES, 1990, apud RAMOS, 2009), que levaram a dívida externa
às alturas. Neste contexto pode-se afirmar que a repressão política foi uma grande
aliada do regime político aqui instalado. Os militares colocaram sobre a mesa duas
69
opções: amar o Brasil ou deixá-lo, não havendo possibilidade para contestações
explícitas (RAMOS, 2009).
Dessa forma, ao mesmo tempo em que tomou vulto o terrorismo de Estado,
quando perseguições, seqüestros, prisões, torturas, assassinatos e desaparecimentos
tornaram-se acontecimentos triviais, ocorre também o ‘milagre brasileiro’, quando se
vende a imagem da ‘ilha de tranquilidade’, de ‘progresso’, de ‘bem-estar’, de ‘euforia’,
local extremamente atraente para o capital monopolista internacional (COIMBRA, 1995,
1999).
Por outro lado, a política de arrocho salarial do governo militar veio a afetar os
trabalhadores urbanos, ocorrendo substancial aumento do custo de vida. Como
contrapartida, a freqüente entrada de capital estrangeiro e o estímulo governamental às
multinacionais fizeram com que não faltasse emprego à população de baixa renda
neste momento da história recente do Brasil. Este fato a levou a simpatizar com a
política econômica do governo, apesar dos baixos salários.
Porém, logo o “milagre” transformou-se em uma crise econômica gritante. “A
partir de 1974, “[...] o Estado passa a gerir, sob o governo Geisel, a crise que se
anuncia na vida brasileira [...]” (HOLANDA; GONÇALVES, 1999 apud RAMOS, 2009).
Apesar disso, enquanto a euforia do “milagre” durou, os melhores resultados que
dele se podia esperar ficaram com as classes médias urbanas brasileiras, que tiveram,
neste período, seus sonhos de consumo realizados, como a aquisição da casa própria,
automóvel, televisão, geladeira, telefone, escola particular para seus filhos. Com a
concessão facilitada de financiamentos e de empréstimos à pessoa física, a aquisição
de bens de consumo conseguiu agradar grande parcela daquelas classes que viviam
neste momento uma prosperidade sem precedentes. Por sua vez, tal situação
evidenciava os contrastes sociais do país.
De meados da década de 1970 em diante, a crise resultante do “milagre” 21
tornou-se clara o bastante para fomentar a volta dos movimentos estudantil e operário.
A sociedade civil voltava a ocupar a cena social de maneira mais nítida.
21
A dívida externa brasileira pulou de 3,8 bilhões de dólares em fins de 1968 para 12,6 bilhões de dólares em fins de
1973. Além disso, a inflação, outra vilã que havia ficado à espreita durante os anos do “milagre”, voltava à tona
(Ramos, 2009).
70
Tal era a conjuntura brasileira do início do governo Geisel (1974-1978): a de uma
crise econômica que caminhava paralelamente ao início da chamada fase da
“transição” da Ditadura Militar para a Democracia. Em 1979, João Figueiredo, que seria
o último presidente militar, assumiu o governo e, diante da nova realidade econômica,
social e política que o país vivia, pressionado pelos movimentos sociais, concedeu a
anistia e revogou o AI-5.
2.2 Por onde caminhou a psicologia durante este período?
O período histórico enfatizado neste capítulo assistiu à regulamentação da
profissão de psicólogo no Brasil, fato que ocorreu com a Lei n° 4119 de 27 de agosto de
1962. Conforme assinala Coimbra (1999, p. 81) a regulamentação marca esse
profissional como aquele que “...abranda e resolve os problemas de desajustamento”.
Entretanto, é necessário frisar que o espaço psi se estruturou no Brasil a partir
de uma atuação psicológica bem antes do marco da regulamentação22, assim como os
primeiros cursos de psicologia surgiram em período anterior a 1962.
Podemos pensar que a regulamentação da profissão de psicólogo e dos cursos
de psicologia legitimou a atuação deste profissional, considerando-o necessário e, até
mesmo, indispensável à sociedade. Qual seria então a função deste profissional e em
que seu saber poderia contribuir para a sociedade brasileira?
Mancebo (1999, p. 93) oferece algumas pistas do que permitiu a consolidação do
campo de atuação do psicólogo e a proliferação dos cursos de psicologia que se seguiu
à Reforma Universitária de 1968:
22
O momento em que o Brasil assiste ao início das atividades psicológicas aplicadas é justamente um período
bastante significativo em termos de mudanças ao nível econômico, social, político, que seguiram e foram
desencadeadas pela revolução de 1930. A atividade psicológica se insere neste contexto, voltada para a seleção e
recrutamento racional, dos trabalhadores para diferentes cargos no serviço público, nas indústrias e no comércio
(Mancebo, 1999). Um outro campo de atuação psi neste momento, ocorre a partir de um saber e preocupação
voltados à infância, principalmente no que diz respeito ao seu desempenho escolar. O que está subjacente a esta
área de atuação é fundamentalmente a visão de que a criança é o homem de amanhã, considerando ser o Brasil um
país em momento de modernização e desenvolvimento. Propõe-se um diagnóstico e tratamento da população
escolar, a partir da utilização de testes psicológicos de avaliação das faculdades mentais (Pinto, 2001).
71
(o) campo de formação do psicólogo, enquanto porta-de-entrada para a construção do
especialista, constitui-se num território que compartilha da ‘cultura psicológica’. [...]
apontando para a intensa difusão das práticas ‘psi’ nas camadas médias urbanas de
nossa sociedade, após os anos 60, a partir da consolidação de um ‘ethos’ individualista
e intimista, no qual os especialistas ‘psi’ são um efeito e mais um dispositivo difusor,
com um grande potencial de intervenção no espaço social.
Com vimos em Coimbra (1995) produz-se uma oposição, uma incompatibilidade
entre os domínios público e privado; as categorias políticas são transformadas em
categorias psicológicas.
A disseminação dessas idéias torna, por exemplo, a militância política na década
de 1970 algo extremamente negativo e combatido. O que é difundido e valorizado está
relacionado à “crença de que os interesses pessoais, familiares estão acima de
quaisquer outros e que não se pode e não se deve abrir mão deles” (COIMBRA, 1995,
p. 35). Em outras palavras, investe-se permanentemente no domínio do privado, do
familiar e o psicologismo cai como uma luva, pois “fornece uma legitimação científica à
tecnologia do ajustamento” (COIMBRA, 1995, p. 35).
Tudo ocorre de forma que à idéia da “família em crise” atrela-se a necessidade
de especialistas competentes para cuidar dela e de seus filhos transgressores –
fazendo alusão às duas categorias já citadas, a do subversivo e a do drogado,
difundidas como forma de repúdio às resistências. É assim que as práticas psi durante
os anos 1970 estão bastante marcadas pela ênfase no familiarismo, no privado, e no
poder dos especialistas com seus discursos ‘competentes’, ‘científicos’ e ‘neutros’
(COIMBRA, 1995). Nas palavras de Coimbra (1995, p. 57-58):
Os especialistas ‘psi’ tornaram-se peças fundamentais no sentido de atender a essas
demandas então produzidas e que foram, por suas práticas, em muito fortalecidas. O
cotidiano passou a ser psicologizado: os acontecimentos interpretados segundo o
prisma psicológico-existencial, os conflitos remetidos para as esferas individual e
interna.
Neste contexto, verifica-se no Brasil da década de 1970 um grande avanço e
expansão da psicologia23, e particularmente, da psicanálise enquanto prática clinica e
de intervenção na vida sexual e familiar.
23
Em 1965, no eixo Rio-São Paulo, funcionavam seis cursos de Psicologia: três em universidades privadas e três em
universidades públicas, panorama que mudará a partir do final de 1960.
72
No bojo dos movimentos contestatórios de 1968, o governo militar de Costa e
Silva, como resposta ao movimento estudantil, apela, através da Reforma
Universitária24, para o setor privado, como forma de resolver a chamada crise
universitária. Através da ajuda técnico-financeira do governo ocorre o fortalecimento do
ensino particular com a subseqüente expansão das faculdades particulares. O que se
verifica a seguir é o crescimento do “mercado psicológico” a partir do florescimento
assustador dos cursos de psicologia25, concomitantemente à diminuição e mesmo
esvaziamento de cursos das disciplinas sociais, como História, Filosofia e Sociologia.
Coimbra (1999, p. 81) expõe um retrato do que era então a psicologia produzida
e praticada neste período de crescimento da disciplina no Brasil:
Na graduação de Psicologia, produz-se uma ‘certa’ prática ‘psi’. Desde seu início está
impressa a marca da tradição positivista; exemplos são a hegemonia do behaviorismo e
de uma psicologia social que reproduz mecanicamente conceitos e técnicas de estudo
de inspiração norte-americana. É o domínio da psicologia experimental positivista, com
suas características de cientificidade, neutralidade, objetividade e tecnicismo. A própria
psicanálise ensinada – e, em certos cursos, hegemônica – também está marcada por
esse positivismo e pela ‘psicologização’ da vida social e política. Uma ‘certa’ clínica
torna-se a grande demanda dos estudantes de psicologia, que sonham com seus
consultórios privados; os psicanalistas são os seus modelos de referência. O
atendimento privado predomina, em detrimento do trabalho em outros setores, o que
atende às subjetividades dominantes forjadas ao longo dos anos anteriores e as
fortalece.
No que diz respeito à clínica, a prática psicanalítica era a hegemônica e se
desenvolvia via “Sociedades Oficiais de Formação Analítica”, filiadas à IPA –
Associação Internacional de Psicanálise26. Sobre a formação em psicanálise, Coimbra
(1995b, p. 58) arremata: “somente era ‘verdadeira’, a psicanálise veiculada por essas
‘sociedades oficiais’, cuja formação dogmática e rígida era dirigida a alguns poucos
com possibilidades financeiras para arcar com tão onerosa formação”.
24
De acordo com Coimbra (1995), o principal objetivo da Reforma Universitária foi diminuir e mesmo impedir a
pressão exercida pela classe média para ascender socialmente via Universidade.
25
A título de ilustração, utilizamo-nos dos dados oferecidos por Coimbra (1995): em 1973, a rede privada participava
com 66% das matrículas em cursos de psicologia, ao passo que as verbas governamentais diminuíam cada vez mais
para as universidades públicas federais, que tiveram suas vagas limitadas.
26
A IPA – International Psychoanalitical Association – foi fundada por Freud e seus discípulos, em Londres, 1910,
para organizar a formação analítica. Em São Paulo, havia uma sociedade ligada à IPA, a Sociedade Brasileira de
Psicanálise de São Paulo (SBPSP), tendo sido a primeira no Brasil a ser reconhecida, em 1951, no XVII Congresso
Psicanalítico Internacional, em Amsterdã. No Rio de Janeiro, duas: a Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro
(SPRJ), reconhecida em 1955, no XIX Congresso Psicanalítico Internacional, em Genebra e a Sociedade Brasileira
de Psicanálise do Rio de Janeiro (SBPRJ), reconhecida em 1959, no XXI Congresso Psicanalítico Internacional, em
Copenhague (Coimbra, 1995, p. 63).
73
Além disso, das três sociedades existentes, uma em São Paulo e duas no Rio de
Janeiro, somente a de São Paulo abre a possibilidade de, além de médicos, também
psicólogos e profissionais de outros cursos superiores se inscreverem para a formação
analítica. Este fato levará a uma aglutinação, uma união maior entre os psicólogos do
Rio de Janeiro, nos anos 1970, que desejavam adquirir o status de psicanalistas,
marcando uma organização mais corporativa da classe no Rio de Janeiro.
O monopólio exercido pelas sociedades que transmitem o ensino da psicanálise
leva à consolidação da idéia da existência de um território onde a ‘verdade’ está
presente, sendo que aqueles que não fazem parte de uma formação específica não
podem a ela ter acesso, nem dizer que a exercem. Tal idéia produz e dissemina uma
subjetividade, mesmo entre os psicólogos, de que, para exercerem a prática clínica, têm
que se submeter à formação analítica nas Sociedades filiadas à IPA; a mesma idéia se
apresenta como crença nas classes média e média alta que são os clientes e
consumidores dessa psicanálise (COIMBRA, 1995).
Coimbra (1995, p. 66), ao relacionar o que ocorre no campo interno da
psicanálise com o contexto social e político porque passa o Brasil, onde grassa a
censura e o terror nos mais variados espaços, onde os processos de ascensão social
tornam-se prioritários, denuncia essa forma hegemônica de se pensar a clínica, tal qual
a praticada pela psicanálise: “uma clínica que nada tem a ver com o mundo, mas com
uma assepsia fastigiosa, com uma total desvinculação de qualquer tipo de implicação,
de transversalidade”.
A consideração da análise didática como o aspecto mais importante na formação
de um analista é muito enfatizado nos anos 1970, o que faz eco e corrobora com a
psicologização da vida cotidiana, a produção de subjetividades voltada para o privado,
para o interior do sujeito, para o seu autoconhecimento.
O elitismo associado ao status de psicanalista atrai a classe média dos anos
1970 no Brasil com seus projetos de ascensão social e, diga-se de passagem, a única a
poder pagar os altos preços exigidos pelas Sociedades “oficiais” para a formação
analítica. Os jovens profissionais “psi” passam a ambicionar este “lugar”. Assim, o que
se observa da parte dos psicólogos é o desejo de virem a fazer parte deste círculo, e
para isso, de início aceitam e até pedem a tutela dos que já obtiveram o passe – os
74
“verdadeiros” psicanalistas – e os podem iniciar. No Rio de Janeiro, apesar de serem
pacientes dos psicanalistas das Sociedades ”oficiais” e de terem com eles supervisões
e grupos de estudo, os psicólogos não são autorizados a se autonomearem analistas;
são “psicoterapeutas de base analítica” (COIMBRA, 1995).
Os psicólogos, ao organizarem seus próprios estabelecimentos27, apesar de
todas as críticas que fazem às sociedades “oficiais” e à sua formação, terminarão por
reproduzir em muito as instituições “verdadeira” psicanálise e formação analítica
(nascida da IPA). (COIMBRA, 1999). A visão produzida e bastante enfatizada, na
época, é a de que a prática psicanalítica é superior à da psicologia clínica.
Enquanto a grande parcela dos psicólogos cariocas é tutelada pelos
psicanalistas “oficiais”, existe uma outra, formada quase que por psicólogos também
interessados na clínica, que irá se dedicar a trabalhos grupais. Há, portanto, uma busca
pelas dinâmicas de grupo, sensitivity-training, “desenvolvimento interpessoal” e em
algumas empresas ocorre a aplicação dos T. Group.
Em São Paulo, por sua vez, no final dos anos 1960 e início dos anos 1970, o
psicodrama se configura como prática clínica, em oposição à hegemonia psicanalítica.
O Instituto Sedes Sapientiae, fundado em 1975, em São Paulo, caracteriza-se
por reunir muitos profissionais “psi” interessados em “outras” linhas de atuação
psicoterápicas28. Sob a coordenação de Madre Cristina (1916-1997), que desde a
criação do primeiro curso de psicologia clínica, ainda em 1953, já adotava a postura de
abertura a diferentes perspectivas da psicologia, o Instituto Sedes Sapientiae, na figura
de seus professores, esforçava-se para “adaptar suas teorias e técnicas aos clientes
vítimas do período político, assim como sua preocupação em democratizar o
27
É o caso, por exemplo, da Sociedade de Psicologia Clínica, a SPC, e do Centro de Estudos de Antropologia
Clínica, CESAC. A primeira, fundada em 1971, no Rio de Janeiro, se estrutura à imagem e semelhança das
Sociedades “oficiais”, sendo um estabelecimento de formação exclusiva para psicólogos. Oficialmente, não faz
formação analítica, mas de “base analítica”. O segundo, fundado em 1972, também no Rio de Janeiro, se vale dos
mesmos moldes: o trabalho psicanalítco para os psicólogos está fora de questão. (Coimbra, 1995).
28
A fim de ilustrar a variedade dos cursos oferecidos pelo Sedes, transcrevemos a primeira divulgação dos cursos de
especialização, feita em um folder, datado de 1976: psicoterapia infantil, psicoterapia de adolescente, psicoterapia de
adulto (orientação psicanalítica, orientação Gestalt-Reich, orientação dinâmica), psicoterapia comportamental,
psicomotricidade, psicodrama, psicoterapia familiar, psicologia do trabalho. No ano de 1978, há um aumento do
número de cursos, distribuídos por vários centros. No centro de psicoterapia são mencionados cinco cursos de
especialização para psicólogos e médicos: psicoterapia comportamental, psicoterapia de orientação psicanalítica,
psicoterapia de orientação psicodinâmica (infantil, adolescente, adulto), psicodrama, terapia psicomotora. Como
curso de aperfeiçoamento é mencionado o de psicoterapia de orientação Gestalt-Reich (Baptista, 2011).
75
atendimento psicológico para a população de baixa renda” (BAPTISTA, 2001, p. 214215).
Assim, “durante os primeiros anos de funcionamento, o novo Instituto abrigou
vários movimentos de defesa dos direitos humanos, desde os de resistência aos
desmandos militares, até os de apoio a perseguidos e exilados” (BAPTISTA, 2011, p.
345). A atuação profissional de madre Cristina vincula a Psicologia à política, de modo
que incentiva os alunos a dedicarem maior atenção aos problemas sociais e políticos.
Neste sentido, ao mesmo tempo em que apoiou e deu assistência a militantes, presos
políticos, torturados, parentes de perseguidos, estimulou os que trabalhavam no Sedes
para que fizessem o mesmo (BAPTISTA, 2001).
2.3 A Gestalt-Terapia chega ao Brasil: recepção, difusão e desenvolvimento
iniciais
2.3.1 O primeiro momento: entusiasmo, encantamento e difusão
A Gestalt-Terapia chega ao Brasil em 1972 através da publicação do artigo de
Thérèse Amelie Tellegen29 intitulado “Elementos de Psicoterapia Guestáltica”, no
Boletim de Psicologia de São Paulo.
Thérèse, por sua vez, travou contato com a Gestalt-Terapia por ocasião de uma
viagem que fizera a Inglaterra, em 1972, quando participou de workshops, – sendo um
deles coordenado por Silvia Peters, – promovidos pelo Instituto Tavistock30. De volta de
Londres, traz a novidade na bagagem, e no mesmo ano, publica o artigo mencionado.
29
Thérèse Amelie Tellegen (1927-1988) nasceu na Holanda, onde passou toda sua infância e juventude. Formou-se
em história, em 1952, na Universidade Católica de Nijmegen (Suassuna e Holanda, 2009). Ainda na Universidade,
conheceu o movimento do Graal: um movimento religioso leigo de mulheres que enfatizava a partir de um
intercâmbio internacional, o papel da mulher na sociedade. Preparava-se para ir à África trabalhar com mulheres de
língua inglesa quando, atendendo a um apelo do grupo brasileiro, veio coordenar o Centro de Estudos do Graal em
São Paulo, em 1956. No Brasil, interessou-se por psicologia, tenho se formado pela PUC em 1964 (Frazão, 2004).
Aos dois dias de julho de 1988, Thérèse, que sofria de câncer, vem a falecer.
30
No artigo citado a autora fornece dados sobre o funcionamento dos grupos dos quais foi participante. Esteve
presente em dois grupos, com duração de 20 horas cada, em fins de semana, e um de 8 horas em seguida num dia
só. Assinala o fato de que os três monitores responsáveis pela condução dos grupos eram norte-americanos, com
ampla experiência e formação nos “Encounter Centre” e “Gestalt Institutes” de Califórnia (Tellegen, 1971, p. 28).
76
Thérèse é autora ainda, além do primeiro artigo, da primeira dissertação de
mestrado a abordar a Gestalt-Terapia, intitulada “Reflexões sobre o Trabalho com
Grupos na Abordagem Gestáltica em Psicoterapia e Educação”, defendida na USP em
1982; e do primeiro livro escrito e editado no Brasil, “Gestalt e Grupos: Uma Perspectiva
Sistêmica”, publicado pela Summus, em 1984, o qual estava diretamente relacionado à
sua dissertação de mestrado. É assim, considerada uma grande pioneira da produção
escrita em Gestalt-Terapia. No ano de 1982, escreveu ainda um capítulo no livro “As
psicoterapias hoje”, de Ieda Porchat, intitulado “Atualidades em Gestalt-Terapia”.
Lílian Frazão (2004), em artigo escrito por ocasião do falecimento de Thérèse,
assim a descreve: seu espírito irrequieto levou-a sempre a procurar o novo, o que fez
do pioneirismo sua marca. Apresenta resumidamente sua atuação profissional: fez
estágio em Paris para aperfeiçoar-se no trabalho com grupos; participou do 1º grupo
brasileiro a fazer formação em Psicodrama; trabalhou em orientação vocacional; em
hospitais (Santa Casa e Hospital do Servidor Público de São Paulo); foi diretora da
clínica psicológica da PUC de Campinas; fundou e trabalhou intensamente no GEPSA 31
(Grupo de Estudos de Psicologia Social e Aplicada); foi professora da PUC de
Campinas, da Santa Casa, da USP e do Sedes Sapientiae. Especificamente sobre a
introdução da Gestalt-terapia no Brasil, Frazão (2004, p. 2) afirma que “sem dúvida
foram seus esforços, seu espírito inovador e batalhador que abriram portas e caminhos
para a Gestalt-Terapia no Brasil”.
Tessy Hantzschel32, também nesta direção, comenta em depoimento a Suassuna
e Holanda (2009, p. 63) a respeito de Thérèse: “sempre muito ativa e interessada, logo
31
De acordo com Coimbra (1995), o Grupo de Estudos de Psicologia Social Aplicada (GEPSA) fora criado no início
dos anos 70 por psicólogos com grande influência do National Training Laboratories, centro de treinamento norteamericano de técnicas grupais, fundado pelos discípulos de K. Lewin no final dos anos 40. Tal centro torna-se o
difusor, nas duas décadas seguintes, de atividades baseadas na técnica do T. Group, originada da dinâmica de
grupos lewiniana, que enfatizava a Sociologia dos Grupos e não a sua psicologia; os papéis e funções do líder e dos
membros e não suas personalidades individuais e desenvolvimentos pessoais. Nesses training-groups, verifica-se
um treinamento das capacidades nas relações humanas, a partir da ênfase no ensino da observação da natureza de
suas interações recíprocas e do processo grupal. Em São Paulo, o GEPSA adquire pouca representatividade,
prestando serviços de assessoria a algumas empresas privadas. Dele sairão muitos profissionais envolvidos com as
chamadas terapias “alternativas”.
32
Tessy Hantzschel, segundo Suassuna e Holanda (2009), aparece na Gestalt-Terapia desde seu inicio, em parceria
com Thérèse Tellegen, com quem compartilha das mesmas raízes holandesas. Nascida em solo brasileiro, em Rio
Claro, sua primeira formação é em pedagogia, na USP, e posteriormente em psicologia, pela mesma instituição. Foi
professora por anos na PUCSP, onde conheceu Thérèse. Algum tempo depois de entrar em contato com a GestaltTerapia, se volta à Psicanálise (p. 51).
77
teve acesso à literatura disponível acerca da Gestalt, a respeito de Fritz Perls e do
movimento californiano”.
Atentando para o momento histórico em que a Gestalt-terapia chega ao Brasil,
podemos considerar que esta nova abordagem encontra seu espaço, em nosso país,
não somente por configurar-se como uma proposta psicoterapêutica alternativa à
psicanalítica, assim como ocorreu com o psicodrama, a abordagem rogeriana, as
terapias neo-reichianas. Especificamente no que diz respeito à Gestalt-Terapia, podese considerar que, tal como ocorreu nos EUA, esta abordagem respondeu, também no
Brasil, aos anseios da contracultura.
A Gestalt-Terapia chega, pois, ao Brasil logo após seu momento de maior
repercussão nos Estados Unidos, que ocorreu entre os anos de 1966 a 1968. Conforme
assinala Ciornai (1996), neste período, a Gestalt-terapia está fortemente impregnada de
um cunho libertador, comum ao movimento de contracultura da época. Assim, um dos
pontos de atração da Gestalt-Terapia no Brasil, nos idos de 1970 foi a compatibilidade
ideológica com a resistência ao regime militar.
Neste momento, é interessante lembrar a concepção de Laura Perls a respeito
da Gestalt-Terapia como “um processo anarquista no sentido de que não se conforma
com regras e regulamentos pré-estabelecidos. Não tenta ajustar a pessoa a um
determinado sistema, mas ajustá-la ao seu próprio potencial criativo” (PERLS, L., 1984,
p. 32).
Enquanto proposta psicoterapêutica, a Gestalt-Terapia enfatizava alguns
aspectos, que vinham ao encontro dos anseios de uma geração que combatia a intensa
repressão presente na sociedade de então. Exemplificando, temos:
[...] sua ênfase na possibilidade do indivíduo experimentar e fazer escolhas de formas
de ser e de estar contrárias às normas e padrões sociais, [...] sua ênfase na
possibilidade do indivíduo poder se libertar de suas amarras internas e de padrões de
relacionamento limitadores como forma de expandir suas possibilidades de existência
no mundo e [...] sua ênfase na importância da experiência direta, como caminho de
crescimento e transformação (CIORNAI, 1996, p. 11).
De acordo com Jean Clark Juliano (1992), o contato com a nova abordagem
ocorreu a partir da necessidade de buscar referenciais para abordar os problemas de
comunicação na interação entre as pessoas, preocupação central à época. Referimo-
78
nos ao início dos anos 1970, quando Juliano e Thérèse trabalhavam no Departamento
de Psiquiatria da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, com a
predominância de trabalhos grupais. Assim, de acordo com Juliano (1992), a viagem de
Thérèse a Londres teve como principal objetivo a busca de maior capacitação para o
trabalho com grupos.
Tratava-se de uma época em que chegavam ao Brasil idéias libertárias, tanto de
alguns movimentos europeus – como Summerhill, uma escola revolucionária na
Inglaterra que apostava na liberdade como melhor forma de aprendizagem – quanto
dos Grupos de Encontro organizados por Rogers nos Estados Unidos e sua perspectiva
de crescimento pessoal com uma concepção de mudança na estrutura das relações
pessoais.
No artigo responsável por introduzir a Gestalt-Terapia no Brasil, Tellegen (1972,
p. 28) oferece-nos informações sobre a proeminência dos trabalhos em grupos e sobre
o que a levou buscar maior capacitação para este trabalho em Londres:
Londres é, no momento, um ponto de encontro e de experimentação, com as mais
variadas formas de trabalho em grupo, desde o T-grupo clássico até grupos de
massagem, meditação oriental, exercícios bio-energéticos e respiratórios. Lá se
encontram pessoas de várias partes do EEUU que mal se encontram no próprio país; lá
há a confrontação com as escolas existenciais e analíticas da Europa. Experimenta-se
tudo, com muita originalidade e coragem e às vezes não sem uma boa dose de
temeridade, com certo desprezo de teorização, fundamentação científica e até de
idoneidade profissional. Ao dizer isto não quero desmerecer um núcleo extremamente
sério de pessoas, com excelente formação, no centro deste movimento todo.
A autora vê tanto no crescimento dos diferentes tipos de trabalho em grupo
quanto na enorme procura por esta modalidade de trabalho o “anseio existente de
achar novas formas de vida e de relacionamento dentro e apesar do clima sufocante da
sociedade industrial e tecnológica, desenvolvida a ponto de se tornar absurda”
(TELLEGEN, 1972, p. 28-9).
Ainda naquele primeiro artigo, Thérèse compartilha sua experiência como
participante de grupos intensivos de sensibilização, dirigidos com base nos princípios
da Gestalt-Terapia – fruto da experiência vivida – o que a levou, conforme suas próprias
palavras, a tornar-se aprendiz da Gestalt-Terapia.
Neste
contexto,
deparamo-nos
com o esclarecimento da autora ao afirmar que está experimentando com elementos e
79
instrumentos da terapia gestáltica em seu trabalho, tanto em psicoterapia individual
como nos grupos de sensibilização onde atua como monitora.
Tellegen situa o leitor sobre suas experiências prévias com outros tipos de grupo:
sócio-análise, T-grupo, grupo triádico, “encounter group”, psicodrama, para então inserir
os grupos gestálticos, como uma abordagem específica. Para a autora
todos estes tipos de grupo buscam o mesmo objetivo: a evolução pessoal dos seus
participantes em termos de maior percepção, melhor contato e comunicação, maior
flexibilidade e espontaneidade no relacionamento interpessoal (TELLEGEN, 1972, p.
28).
A autora passa então a descrever o desenvolvimento de um grupo gestáltico,
assinalando sua opinião de que no caso dos grupos de linha gestáltica “a prática é mais
original do que a teoria” (TELLEGEN, 1972, p. 28) e de que “a originalidade da GT está
em sua maneira de trabalhar” (TELLEGEN, 1972, p. 34).
É digno de nota que apesar de seu comentário sobre sua posição de auto-didata,
seguidas do comentário sobre a pouca literatura existente, a autora apresente um
panorama e uma visão da Gestalt-Terapia muito apropriada, mencionando seus
principais conceitos e fontes de influência e fazendo uso de uma bibliografia
significativa33. Isto nos leva a considerar que a Gestalt-Terapia obteve uma atenta
recepção por parte de Thérèse, que se incubiu então, de propagá-la e difundi-la por
intermédio desta primeira publicação.
Em 1973, por iniciativa de Thérèse, o Brasil recebe a visita de uma primeira
profissional em Gestalt-Terapia, Silvia Peters, para um workshop, de 12 horas, que
aconteceu em São Paulo, no Grupo de Estudos de Psicologia Social Aplicada
(GEPSA). Naquela ocasião, no Brasil, ninguém sabia o que era e do que se tratava a
Gestalt-Terapia. Era algo totalmente novo, diferente (Frazão, 2004).
Lílian Frazão (1995, p. 14), que participou deste primeiro workshop, nos relata o
trabalho:
33
Sendo este o texto introdutor da Gestalt-Terapia no Brasil, não contávamos com qualquer outra referência na área.
Ainda assim, Thérèse reuniu os principais livros lançados em Gestalt-Terapia, os quais, apesar de citados em
português aqui, serão acompanhados do ano de sua publicação original: Ego, fome e agressão (1942), GestaltTerapia (1951), Gestalt-Terapia explicada (1969), Escarafunchando Fritz: dentro e fora da lata de lixo (1969) e
Gestalt-Terapia, teoria, técnicas e aplicações (1970).
80
Nunca vou me esquecer daquela experiência. Éramos um grupo de aproximadamente
quinze pessoas [...] Quando entramos na sala já nos espantamos com o que estava
escrito na lousa: não faça perguntas, faça afirmações; use apenas o pronome ‘eu’; fique
no aqui-e-agora; fale sempre no presente; seja responsável, etc.
A autora salienta ainda o espanto dos participantes, frente tanto “a maneira
pessoal e despojada com que a terapeuta se colocava, quanto com a rapidez e eficácia
do novo método” (FRAZÃO, 1995, p. 14). Mais especificamente sobre a técnica
utilizada, podemos perceber seu impacto no seguinte trecho:
O workshop estava próximo do final, um bom número de pessoas havia feito trabalho
individual de hot-seat com a terapeuta [...] Sentei-me na cadeira vazia, o hot-seat e,
enquanto displicentemente balançava minha perna, comecei a dizer que não sabia o
que queria trabalhar. Ela então me perguntou o que a minha perna estava fazendo.
Respondi, um tanto atônita com a pergunta, que balançava. Ela então me pediu para
intensificar aquele movimento. O que se passou a partir daí não posso contar, por duas
razões: primeiro porque não conseguiria restituir aquilo que me pareceu tão intenso e
profundo; e segundo, porque foi um mergulho na minha intimidade como jamais havia
vivenciado em outros processos terapêuticos (FRAZÃO, 1995, p. 14-5).
Em 1976, com o apoio de Madre Cristina Sodré e o patrocínio do Instituto Sedes
Sapientiae, Thérèse e Tessy foram para San Diego participar do treinamento vivencial
de um mês coordenado por Erving e Miriam Polster. Tessy comenta a respeito deste
momento:
era na Califórnia que estava brotando todo esse movimento novo do Perls via Gestalt.
Então fomos pros EUA, e lá nós encontramos a turma que era a turma dos discípulos do
Perls, nos anos 1970 então estava tudo bem recente (SUASSUNA; HOLANDA, p. 63).
Nesta ocasião conhecem Robert Martin, do Instituto de Gestalt de Los Angeles
que, a convite delas, veio ao Brasil, em dezembro de 1976, oferecer um treinamento.
Juliano (1992, p. 15), uma das participantes deste trabalho, comenta:
o que eu vi no trabalho do Robert Martin foi a imagem da liberdade, da permissão para
ser criativo, onde o terapeuta entrava por inteiro, utilizando voz, expressão corporal,
materiais variados como tinta, argila, papel, música, enfim tudo o que lhe fornecesse
uma porta de entrada para o mundo interno da pessoa.
De acordo com Walter Ferreira da Rosa Ribeiro, em entrevista a Suassuna e
Holanda (2009, p. 64), “Bob marcou para o ano seguinte o seu retorno ao Brasil. Assim,
em fevereiro de 1977 nós fomos para a Fazenda em Holambra [...] ficamos lá quinze
dias com Bob Martin”.
81
Por volta desta mesma época, acontecia aquele que fora o primeiro workshop de
grande grupo realizado no Brasil, em 1977, em Arcozelo (Rio de Janeiro), com Carl
Rogers, John Keith Wood, Maureen Miller-O’Hara, entre outros (Suassuna e Holanda,
2009). A partir de então, destaca-se a figura de Maureen Miller, da Universidade de La
Jolla, em San Diego, Califórnia, na realização de treinamentos para grupos de
profissionais interessados em Gestalt-Terapia no Brasil. É importante assinalar que,
favorecida pelo clima da época, Maureen havia formado grupos em diversos estados
brasileiros, os quais se mantiveram de 1978 a 1981 (SILVEIRA, 1996).
Segundo o depoimento de Teresinha Mello da Silveira – pioneira da GestaltTerapia no Rio de Janeiro e integrante do grupo supracitado34, – os encontros com
Maureen aconteciam de seis em seis meses e duravam às vezes quatro a quinze dias.
Silveira nos permite conhecer como estes profissionais – pioneiros na Gestalt-Terapia
no Brasil – se articularam na intenção de conhecerem e capacitarem-se na prática
desta abordagem:
Nos outros meses nos reuníamos em grupos menores para trabalharmos um ao outro e
para estudarmos, o pouco material que tínhamos à mão [...] O grupo era mobilizado por
alguma questão ou através dos famosos exercícios gestálticos, e daí surgiam os
trabalhos individuais em que éramos ora clientes ora terapeutas, discutindo-se
posteriormente o que acontecia (SILVEIRA, 1996, p. 10).
No Rio de Janeiro, foi, portanto, a partir da segunda metade da década de 1970
que a Gestalt-Terapia se fez presente. Silveira (2009) indica o psiquiatra Décio Casarin
como pioneiro da abordagem no estado, tendo sido ele o responsável por trazer
Maureen Miller para a realização dos treinamentos. A formação de Décio, por sua vez,
fora realizada no Chile, com Adriana Schnacke (Nana) e Francisco Huneuus (Pancho),
no período de 1975 a 1978. Assim, em seu momento inicial, a Gestalt-Terapia no Rio
de Janeiro encontrou duas influências: a chilena e a de Maureen Miller (Silveira, 2009).
Ao recordar a introdução da Gestalt-Terapia no Rio de Janeiro, Silveira (1996, p.
8) comenta que
34
Silveira (1996) relaciona os profissionais que frequentaram mais continuamente os treinamentos oferecidos por
Maureen: Décio Casarin, Jane Rodrigues, Maria Alice Queirós (Lika), Maria Cristina Tsallis, Salete Cabral, Silvio
Lopes e Suzana Hertlander.
82
seu início foi marcado por muita emoção, muita expressão, apresentando-se como
prática psicoterápica válida, rápida e eficiente, apoiando-se no poder um tanto ilusório
das ricas técnicas que se sobrepunham às pessoas do terapeuta e do cliente, mas que
permitiram tivesse ela um espaço ao lado de outras abordagens já comodamente
instaladas.
Neste momento inicial da recepção da Gestalt-Terapia no Brasil, é importante
considerar a aproximação com a abordagem rogeriana, já aparente pelo fato de
Maureen Miller, profissional integrante do staff de Carl Rogers, ministrar treinamentos
em Gestalt-Terapia. Como assinala Jean (apud SUASSUNA; HOLANDA, 2009, p. 61),
“ela (Maureen) fazia uma coisa que denominava de Gestalt-Terapia centrada no
cliente”.
Assim, a história nos conta a ligação entre a teoria rogeriana e a GestaltTerapia35. Abel Guedes, em entrevista a Suassuna e Holanda (2009, p. 53) pontua que:
Foi fortíssima essa ligação. [...] O que tinha de estruturado eram os rogerianos, então
todo o pessoal que queria ir para a terceira força, o pessoal que pretendia uma coisa
que não fosse behaviorismo e não fosse psicanálise, ia pro [movimento] rogeriano.
Então nosso início é aí, tanto que num segundo momento [...] se configura o grupo dos
rogerianos e o grupo dos gestaltistas [...].
A aproximação inicial entre estes dois modelos de pensamento – de um lado, a
Gestalt-Terapia, de Fritz Perls, e do outro, a abordagem centrada na pessoa, de Carl
Rogers, esta última introduzida no Brasil com mais de uma década de antecedência –
contribuiu para que algumas gerações posteriores viessem a confundir as duas
abordagens ou a sugerir, como Maureen fazia, sua junção (SUASSUNA; HOLANDA,
2009).
Ainda em 1976 surgiu, no Instituto Sedes Sapientiae, o primeiro curso oficial de
Gestalt-Terapia no país, intitulado Gestalt e Reich36. Thérèse e Tessy ficaram
35
É importante esclarecer que esta aproximação não acontece somente no Brasil. É comum que se associe a
Gestalt-Terapia ao movimento da psicologia humanista, embora Fritz Perls nunca tenha militado nesse movimento
(Ginger e Ginger, 1995, p. 93). Pode-se considerar que a proximidade temporal com que essas práticas tornaram-se
populares, contribuíram para que se aglutinassem sob a designação “movimento do potencial humano”, sendo o
Instituto de Esalen seu maior referencial (Coimbra, 1995). A psicologia humanista, conhecida também como “terceira
força em psicologia” representou uma alternativa a dois outros movimentos muito fortes nos Estados Unidos da
época, o behaviorismo de John Watson e a psicanálise, de Sigmund Freud. Foi gestada durante a década de 1930
nos EUA e teve seus primeiros trabalhos publicados a partir dos anos 1940. Entretanto, foi na década de 1950 que
esse movimento obteve seu reconhecimento. Os autores apontados como iniciadores do movimento humanista em
psicologia são Abraham Maslow, Gardner Murphy, Gordon W. Allport e Carl Rogers (Buys, 2008).
36
Aqui, mais uma vez observa-se a junção inicial entre Gestalt-Terapia e outra abordagem, tal como já ocorrera com
a abordagem rogeriana. Uma possível explicação é o fato de tais abordagens possuírem em comum o fato de
constituírem-se como uma “alternativa” à psicanálise, além do próprio desconhecimento a respeito do que as
83
responsáveis pelo conteúdo referente à Gestalt-Terapia, enquanto Godói (psiquiatra e
psicodramatista) e Ana Verônica Mautner (terapeuta reichiana à época) dedicavam-se à
parte de Reich (SUASSUNA; HOLANDA, 2009, p. 55, 57).
Paralelamente à organização de grupos para a realização de estudos em
Gestalt-Terapia, e à organização de workshops, que em seu momento inicial contavam
com a presença de profissionais estrangeiros, um outro veículo de divulgação da nova
abordagem que teve importância fundamental, neste primeiro momento, foram as
traduções da literatura especializada e suas publicações no Brasil. O acesso a essa
bibliografia teve grande influência para a construção da Gestalt-Terapia brasileira.
Entra em cena mais um personagem, neste movimento inicial de recepção e
difusão da Gestalt-Terapia no Brasil. Trata-se de Paulo Eliezer Ferri de Barros37, que
colaborou com a tradução e publicação dos primeiros livros a respeito da nova
abordagem. De acordo com Rehfeld (2007, p. 166)
Paulo foi um dos introdutores da Gestalt-Terapia no Brasil. No início dos anos 1970 foi
aos Estados Unidos e voltou cheio de energia, e com muito material. Distribuiu-o e,
como um bom professor, entusiasmou a todos com as novas idéias. Nos Estados
Unidos fez um treinamento intensivo, em Gestalt-Terapia, com John O. Stevens, no
Esalen Institute, e também lá fez Bioenergética com Alan Swarts e professores do Radix
Institute.
Jean Clark Juliano, em entrevista a Suassuna e Holanda (2009, p. 58) afirma que
Paulo “[...] foi o primeiro, antes da Thérèse [...] falou da Gestalt-Terapia primeiro e foi
para Salt Lake City onde tinha a Barry Stevens e o John Stevens. A vertente do Paulo
foi a do ‘Isto é Gestalt’ e ‘Não apresse o rio’. [...] quando voltou, trouxe esse material
para trabalhar”.
diferenciava. A propósito do curso Gestalt e Reich, Juliano afirma que “era evidente que a mistura dos dois cursos
não ia dar certo” (conforme citado por Suassuna e Holanda, 2009, p. 68).
37
Paulo Barros (1946-2006) foi psicólogo, professor e escritor. Formou-se em Psicologia pela Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo, na qual lecionou por dez anos. Sua formação inicial era de orientação
junguiana, e posteriormente, complementou seus estudos em Gestalt-Terapia, estudando com John Stevens e Barry
Stevens (Suassuna e Holanda, 2009). Em 1985, organizou e publicou, pela editora Summus, com Ieda Porchat, “Ser
Terapeuta”. Em 1994 publicou pela mesma editora, “Narciso, a Bruxa, o Terapeuta Elefante e outras Estórias Psi” e,
em 2006, “Amor e Ética”. Paulo foi professor da Faculdade de Psicologia da PUC-SP, da OMEC e do Centro
Universitário Salesiano de São Paulo, sendo responsável nestas instituições, por muitos anos, pela cadeira de
“Teorias e Técnicas Psicoterápicas”. Foi professor convidado no curso de Gestalt-Terapia do Instituto Sedes
Sapientiae, no curso de Pós-Graduação em Psicologia da PUC-SP e no Instituto de Gestalt de São Paulo. Proferiu
um grande número de palestras e conferências, e conduziu Workshops nos mais diversos locais, além de ter
participado também do II e III Encontros Nacionais de Gestalt-Terapia. Foi consultor e supervisor de trabalhos em
consultoria empresarial (Rehfeld, 2007).
84
Paulo foi diretor da coleção “Novas Buscas em Psicoterapia”, da editora
Summus, por mais de dez anos. O objetivo da coleção era trazer ao público
publicações pioneiras em diferentes abordagens psicoterapêuticas. Assim, além de
Gestalt-Terapia, trazia assuntos relacionados à Bioenergética e outras abordagens
corporais, Psicodrama, Arteterapia, Psiconcologia e Programação Neurolingüística,
entre outras.
No que diz respeito às traduções e publicações especificamente em GestaltTerapia presentes nesta coleção, apresentamos no quadro 1 abaixo, os títulos, o ano
de sua publicação no Brasil, seguidos do seu autor, titulo e ano de sua publicação
original. Aqui, relacionamos apenas as publicações ocorridas no decorrer da década de
1970. No apêndice 1 desta dissertação encontram-se não só os demais títulos desta
coleção, mas também outros livros referentes à abordagem gestáltica traduzidos e
publicados no Brasil aos quais se teve acesso.
Vol
Título em português
Ano
Autor
Título original
Ano
1
“Tornar-se Presente:
experimentos de
crescimento em GestaltTerapia”
“Gestalt-Terapia explicada”
1976
John O.
Stevens
“Awareness: exploring,
experimenting, experiencing”
1971
Frederick
“Gestalt Therapy Verbatim”
S. Perls
“Isto é Gestalt”
1977 Frederick
“Gestalt is”
S. Perls e
outros
“Não apresse o rio” (ele
1978 Barry
“Don’t push the river” (it flows
corre sozinho)
Stevens
by itself)
“Escarafunchando Fritz:
1979 Frederick
“In and out the garbage pail”
dentro e fora da lata de
Salomon
lixo”
Perls
Quadro 1 – Coleção Novas Buscas em Psicoterapia – Summus Editoral
Fonte: ESCH, 2012
1969
2
3
6
7
1977
1975
1970
1969
Além das obras acima citadas, ainda na década de 1970, a Editora Zahar, do Rio
de Janeiro, foi responsável pela publicação de dois livros em Gestalt-Terapia, os quais
apresentamos no quadro 2 abaixo, perfazendo um total de 7 livros traduzidos e
publicados no Brasil.
85
Título em português
Ano
Autor
Título original
Ano
“Gestalt Terapia, teorias,
técnicas e aplicações”
1973
Joan
Fagan e
Irmã Lee
Sheperd
Frederick
S. Perls
“Gestalt Therapy now: theory,
techiniques, applications”
1970
“A abordagem gestáltica e
1977
“The Gestalt approach & Eye
testemunha ocular da
Witness to Therapy”
terapia”
Quadro 2 – Livros Publicados por Zahar Editores, Rio de Janeiro
Fonte: ESCH, 2012
1973
Assim, na década de 1970, contamos com uma única publicação nacional, já
referida, de autoria de Thérèse Tellegen. As demais publicações deste período
correspondem à tradução de obras estrangeiras.
Neste momento, interessa-nos particularmente a análise destas primeiras
publicações, na medida em que conduziram à formação do primeiro corpo de
conhecimento e nos permitirão formar uma idéia sobre o que se pensava e o que se
fazia em Gestalt-Terapia em sua fase inicial no Brasil.
A primeira pergunta que nos fazemos é: que imagem da Gestalt-Terapia fora
possível criar a partir do acesso a tais obras? Que elementos da abordagem gestáltica
tais obras enfatizavam? Tais perguntas levam ao questionamento sobre qual fora a
literatura de Gestalt-Terapia privilegiada para a apresentação da nova abordagem no
Brasil, o que por sua vez, remete a um segundo questionamento, que diz respeito a
qual literatura obtinha maior aceitação e adesão à época.
A primeira obra traduzida, ”Gestalt Terapia, teorias, técnicas e aplicações”, é
uma coletânea com 25 trabalhos de autores diversos. Contém 3 artigos de Fritz Perls e
1 de autoria de Laura Perls. O prefácio à edição americana caracteriza o livro como
uma ampla amostragem de técnicas e aplicações, de autoria de vários terapeutas e
professores e segue afirmando que o livro não proporcionará respostas completas ou
finais, nem substituirá o treinamento em Gestalt-Terapia e a experiência real das
técnicas Gestalt.
A seguir, temos a publicação de “Tornar-se presente”, livro composto por uma
série de exercícios utilizados em Gestalt-Terapia. O prefácio da edição brasileira à obra,
86
escrito por Paulo Barros, apresenta uma justificativa que aproxima a proposta técnica
da Gestalt-Terapia ao clima da época, dando-nos pistas sobre o interesse em atrair
estudantes e profissionais. Assim, lê-se que:
Existe de fato uma busca urgente e inquieta por parte dos estudantes de Psicologia, de
qualquer coisa que os aproxime um pouco mais de suas experiências. Em sua
insatisfação com as orientações mais acadêmicas e conceituadas por um lado, e com
as orientações mais rigorosamente científicas e técnicas por outro, existe a convicção
de alguma coisa mais próxima de suas realidades existenciais que os coloque em
contato com suas ilusões, anseios, preocupações e fantasias. E, existe também a
certeza não explícita de que estas ilusões e fantasias são o que de humano eles
carregam [...] (BARROS, 1976, p. 13).
Um pouco mais à frente, encontramos a advertência quanto ao uso
indiscriminado e/ou descontextualizado dos exercícios propostos:
Não obstante a forma espontânea e lúdica como são apresentados e embora em toda
sua variedade representem uma riqueza potencial como fonte de crescimento, estes
exercícios em si são tão neutros quanto o papel [...] que constituem este livro. Podem
ser divertidos e usados de forma lúdica. Podem ser perigosos, se aplicados de forma
descuidada. Podem ser impessoais, se utilizados apenas como técnicas. Podem ser
produtivos, se orientados com propriedade [...] (BARROS, 1976, p. 15).
Na prática, o que se observou, conforme apontam Holanda e Karwowski (2004)
foi que esta publicação – com ênfase primordialmente na técnica – ao anteceder uma
série de reflexões teóricas, filosóficas e epistemológicas relacionadas à Gestalt-Terapia,
concorreu para a construção de uma imagem de abordagem “ateórica”, ou frágil, no
meio acadêmico da psicologia brasileira.
Na seqüência, no ano de 1977, ocorre a publicação, pela Zahar Editores, do que
foi o último livro de Fritz Perls, “A Abordagem Gestáltica e Testemunha Ocular da
Terapia” – escrito no período em que morou em Esalen e Cowichan, concluído
postumamente para publicação. Nele, estão reunidas uma apresentação teórica da
abordagem, com o título “A abordagem Gestáltica”, seguida de uma parte prática sob a
denominação “Testemunha Ocular da Terapia”. Em texto de fácil leitura, traz uma
primeira aproximação com os fundamentos e conceitos principais da abordagem,
apontando as influências da Psicologia da Gestalt, os conceitos de homeostase,
contato e fronteira de contato, bem como a presença da doutrina holística.
A seguir, teve-se a publicação de “Gestalt-Terapia explicada”, também da autoria
de Fritz Perls. Esta obra contém palestras em que Perls fornece, em termos simples e
87
diretos, as idéias que fundamentam seu trabalho terapêutico. A segunda parte do livro
fora selecionada a partir das gravações feitas nos seminários de trabalho com sonhos,
dirigidos por ele e realizados em fins de semana no Esalen Institute, entre 1966 e 1968.
Sobre esta segunda parte, Tellegen (1972, p. 32) comenta consistir em “leitura
fascinante”, trazendo logo em seguida o significado atribuído ao livro, que passou a ser
considerado “a bíblia dos aprendizes da Gestalt-Terapia”.
Ciornai (1991, p.10) contextualiza o momento de explosão da Gestalt-Terapia,
em uma época de rupturas e contestações ao instituído, e resgata o comentário de
Perls, na introdução deste livro, onde escreve: “há uma luta entre o fascismo e uma
revolução em curso, e [...] nos cabe ajudar às pessoas a se libertarem de suas tiranias
internas, a se tornarem mais reais, preparando assim o caminho para profundas
mudanças sociais”.
Portanto, até aqui, vemos que os livros de Gestalt-Terapia que vieram ao público
brasileiro enfatizaram o aspecto técnico da abordagem, introduzindo, quando o faziam,
pequenas incursões teóricas. No entanto, uma questão que emerge é se não seria
exatamente este o tipo de publicação que teria aceitação e acolhida, dado o clima e as
necessidades sentidas naquela época?
No que diz respeito ao conhecimento que se poderia obter da Gestalt-Terapia a
partir dos dois primeiros livros publicados pela Summus, Frazão (1995, p. 16) afirma
que os mesmos transmitiram “uma idéia parcial da abordagem: a idéia de que consiste
numa sucessão de exercícios a serem desenvolvidos com o cliente ou um conjunto de
técnicas que provocam rapidamente resultados”. Este fato, juntamente com a realização
de workshops por profissionais estrangeiros, no momento de recepção inicial da
Gestalt-Terapia no Brasil, colaboraram para que a Gestalt-Terapia fosse conhecida
predominantemente por seu manancial técnico.
A respeito do impacto que estes dois livros provocou no público, Juliano (1992, p.
16-17) comenta que “muitos profissionais ficaram entusiasmados com essa leitura e se
puseram a aplicar as técnicas de Gestalt em seus consultórios, com resultados
desastrosos”.
A seguir, teve lugar, na coleção “Novas Buscas em Psicoterapia” o livro “Isto é
Gestalt” – uma compilação de John Stevens, que contava com textos de sua autoria, de
88
Fritz Perls, os quais correspondem a aproximadamente um terço do livro, e de outros
autores, como Wilson Van Dusen, Stephen A. Tobin e Barry Stevens. De acordo com
Frazão (1995), este livro traduz mais fielmente as idéias da Gestalt-Terapia; contudo,
ele não pareceu atrair tanta atenção do público, corroborando nossa hipótese de que a
época não estava “pronta” para discussões teóricas.
Paulo Barros (1977, p. 9), no prefácio da edição brasileira, informa sobre a
difusão da Gestalt-Terapia em território americano, contextualizando assim o
surgimento desse livro, precisamente oito anos após a explosão da Gestalt-Terapia,
ocorrida na Califórnia, entre 1966 e 1968:
[...] outros quinze livros sobre Gestalt encontravam-se em processo de edição
simultaneamente a este nos Estados Unidos. Vários troncos e ramificações expandem o
movimento Gestalt em diversas direções. Há inúmeros institutos de Gestalt-Terapia
espalhados por todo o país [...] Em meio ao consumo e ao modismo, está se realizando
o processo de depuração e filtragem cultural do que a Gestalt tem a oferecer e qual o
seu significado para a comunicação norte-americana.
A respeito do movimento Gestalt que teve início no Brasil, no início da década de
1970, o autor observa:
em nosso meio estamos engatinhando [...] Grupos de estudos estão em formação e
começam a trocar experiências [...] Está claro que neste processo de engatinhar
existirão muitos tropeços e caminhos sem saída. É impossível evitar os erros, os
desvios e o modismo, sem que se caia em ortodoxias, hermetismo e outros ‘ismos’ que
tolham o processo de absorção, assimilação e criação do que possa vir a ser a GestaltTerapia entre nós (BARROS, 1977, p. 9-10).
Aqui, Paulo parecia antever, ou mesmo já podia estar presente em nosso meio,
os mal-entendidos e distorções a respeito da Gestalt-terapia. O fato é que o caminho
trilhado pela Gestalt-Terapia entre nós resultou na construção e disseminação da idéia
de uma abordagem frágil, constituída por uma excessiva ênfase nas vivências e com
pouca fundamentação teórica a alicerçar suas técnicas.
O próximo livro a ser traduzido, “Não apresse o rio (ele corre sozinho)”,
apresenta o relato de Barry Stevens sobre suas experiências no Instituto Gestalt do
Canadá, o gestalt-kibuts em Cowikan, onde permaneceu durante um período de três
meses em contato com Fritz Perls, em 1969. A autora descreve o convívio em
comunidade, a focalização de continuum de awareness em momentos do aqui e agora,
89
e revisita, através das memórias, experiências vividas em aldeias de índios americanos
(SÁ JUNIOR, 2009).
O último livro a ser publicado na década de 1970 é a autobiografia de Fritz Perls,
“Escarafunchando Fritz: dentro e fora da lata de lixo”, considerado, em seu aspecto
geral, bastante confuso (GINGER; GINGER, 1995, p. 45).
Portanto, das sete obras apresentadas ao público brasileiro, somente uma, “Isto
é Gestalt”, apresenta mais fielmente as idéias da Gestalt-Terapia. Contudo, tal obra
parece não ter encontrado a devida atenção, conforme foi assinalado por Frazão
(1995). Merecem menção também as obras ”A abordagem gestáltica e testemunha
ocular da terapia” e “Teoria, Técnicas e Aplicações”, que trazem seções e capítulos que
enfatizam os aspectos teóricos da abordagem.
Por sua vez, os livros mais importantes foram tardiamente publicados no Brasil.
Gestalt-Therapy: excitement and growth in the human personality, livro que inaugura a
abordagem, em 1951, somente foi traduzido em 1997; do mesmo modo, Ego, hunger
and agression: a revision of Freud’s theory and method, primeiro livro de Perls,
conhecido por lançar as sementes da futura abordagem, somente veio ao público
brasileiro em 2002, exatamente 60 anos após sua publicação original. Ironicamente, o
primeiro livro de Perls foi exatamente o último a ser lançado no Brasil.
Aqui, não podemos deixar de comentar o esclarecimento realizado por ocasião
da apresentação do livro Gestalt-Therapy à edição brasileira, quando fomos então
informados que as tentativas de viabilizar a edição brasileira desta obra encontraram
obstáculos. Por se tratar de obra de três autores falecidos, havia a necessidade de
autorização dos herdeiros, o que retardou o processo (FRAZÃO, 1997, p.7).
Voltando então para a imagem e o conhecimento a respeito da Gestalt-Terapia
no Brasil, em seu período inicial, Juliano (1992) informa que o desconhecimento e a
distorção sobre a abordagem eram grandes, de modo que, em qualquer apresentação
que se fizesse, impunha-se a tarefa de trazer a público o que a Gestalt não é.
Transcrevo um trecho da autora que, embora possa provocar certa estranheza, permite
elucidar a idéia que se propagava neste período inicial da abordagem no Brasil,
oferecendo-nos assim um claro panorama sobre este primeiro momento da história da
Gestalt-Terapia no Brasil:
90
Dizíamos a quem quisesse nos ouvir:
- Não, Gestalt não é uma terapia que se faz nu na piscina;
- Não, não usamos drogas para aumentar nossa ‘awareness’ cósmica;
- Não, terapia de grupo não é equivalente a sexo em grupo;
- Não, pegar o livro do Steven e ao acaso propor ‘exercícios’ de Gestalt, não é o que nós
entendemos como Gestalt-Terapia;
- Não, atuações sádicas por parte do terapeuta em relação ao seu cliente não é Gestalt,
e assim por diante (JULIANO, 1992, p. 17).
Dando prosseguimento aos acontecimentos que marcaram o início da GestaltTerapia no Brasil, observou-se, a partir da literatura consultada que o movimento de
recepção da nova abordagem foi pouco a pouco agrupando cada vez mais profissionais
interessados, que a princípio se encontravam nos workshops ministrados por
profissionais estrangeiros, passando a seguir, a partir da consolidação de grupos, a se
reunir para estudos autônomos e em grande parte, autodidatas. Posteriormente, foram
estes pioneiros os responsáveis por ministrarem treinamento a novos interessados.
Tem início então, um novo momento da Gestalt-Terapia no Brasil, caracterizado pela
transmissão da abordagem, e a conseqüente formação de um outro tipo de grupo: o
grupo de formação.
A apresentação do que consistiu esse momento de recepção da abordagem no
Brasil traz, portanto, a presença de um fato incontestável: a Gestalt-Terapia chegou em
nosso país pela prática, com ênfase no aspecto vivencial e técnico.
2.3.1.1 A transmissão inicial da Gestalt-Terapia realizada por brasileiros
Ainda no final da década de 1970, organizaram-se os primeiros grupos visando a
transmissão da Gestalt-Terapia, movimento que se avolumou e adquiriu maior
consistência na década seguinte.
Assim, em 1977, Walter Ribeiro, que participava do grupo inicial em São Paulo,
criou um pequeno grupo de três pessoas para disseminar a Gestalt-Terapia em Brasília
(JULIANO, 1992). Esse grupo se ampliou e no ano seguinte foi criado o primeiro grupo
de formação, o G1, com mais ou menos vinte pessoas, no qual Walter era auxiliado por
Maureen Miller.
91
Em 1984 foi criado o Centro de Estudos de Gestalt-Terapia de Brasília –
CEGEST, tendo como fundadores Walter Ribeiro, Enila Chagas, Jorge Ponciano
Ribeiro, Marta Carrijo, Braulina Romancini, Thales Garcia Thereza Gayoso, Zélia
Rocha, Elizabeth Pinheiro, todos com formação em Gestalt-Terapia, participantes do
G1.
Em São Paulo, após a tentativa do curso Gestalt e Reich, o Instituto Sedes
Sapientiae promoveu o primeiro curso de “Especialização na Abordagem Gestáltica”,
com início em 1979 e duração de três anos. Estavam à frente deste curso Thérèse
Tellegen, Jean Clark Juliano, Lílian Meyer Frazão e Abel Guedes (REVISTA DE
GESTALT, n.1, 1991).
Interessante registrar a respeito deste momento inicial de transmissão da
abordagem o depoimento de Ari Rehfeld – que a princípio aluno da primeira turma de
formação do Instituto Sedes Sapientiae passou no decorrer do curso a ocupar o lugar
de professor de seus colegas de turma. Rehfeld (apud SUASSUNA; HOLANDA, 2009,
p. 69) nos informa:
Ainda em final de 1979 Thérèse [...] abre um livro do Perls e fala: ‘olha, tá vendo aqui?
Aqui Perls está dizendo que abordagem gestáltica que é uma abordagem
fenomenológico-existencial. Você vê que, veja que aqui ele fala que é uma abordagem
fenomenológico-existencial ponto, e ele muda de assunto, e ele não diz por que, não
fundamenta nada disso. Eu concordo com isso! Eu quero de você, que você faça isso
que Perls não fez, que você fundamente, porque a abordagem gestáltica é uma
abordagem fenomenológica existencial.
Na mesma direção, Karwowski (2005) informa que Ari Rehfeld foi o primeiro a
destacar a Fenomenologia enquanto figura de um fundo – a Gestalt-Terapia. O
desenvolvimento subseqüente deste processo de fundamentação da Gestalt-Terapia no
referencial fenomenológico ocorreu, nesse primeiro momento, atrelado ao Curso de
Especialização em Gestalt-Terapia do Instituto Sedes Sapientiae, quando em 1981,
houve um curso completo de Fenomenologia ministrado por Rehfeld. De novo,
Karwowski (2005 p. 55, grifos do autor) esclarece que
embora esse curso tenha aparecido no Catálogo de Cursos do Instituto Sedes com o
título Introdução à Fenomenologia, seu tema era Concepção de homem, compreensão e
atitude fenomenológico-existencial na Gestalt-Terapia, e seu objetivo era fundamentar
fenomenologicamente, tanto em termos práticos como teóricos, os futuros profissionais
de Gestalt-Terapia.
92
É ainda com Karwoswki (2005) que obtivemos informações sobre os primeiros
pronunciamentos teóricos que procuraram assinalar as relações entre a fenomenologia
e a Gestalt-Terapia, ocorridos de meados a final da década de 1980. A este respeito, o
autor assegura que foi no I Simpósio de Psicologia Fenomenológico Experimental,
ocorrido na USP em 1987, através da conferência proferida por Ari Rehfeld sob o título
“Fundamentos
da
Gestalt-Terapia”
que
foi
estabelecida
a
fundamentação
fenomenológica da Gestalt-Terapia. No entanto, antes disso, Rehfeld aborda o tema no
I Encontro Nacional de Gestalt-Terapeutas no Rio de Janeiro, também no ano de 1987
em conferência intitulada “Uma perspectiva fenomenológico-existencial na formação de
um gestalt-terapeuta”.
Também no Rio de Janeiro, no início dos anos 1980, profissionais começaram a
ministrar treinamentos. Foi o caso de Teresinha Mello da Silveira, Maria Cristina Tsallis,
Salete Cabral, Jane Rodrigues, Sílvio Lopes e Décio Casarin – todos profissionais que
haviam participado do treinamento com Maureen Miller entre 1978 e 1981 (SILVEIRA,
1996, p. 10).
Podemos considerar, com base na literatura disponível, que esta é a primeira
fase da Gestalt-Terapia no Brasil. Nela, vemos configurada a recepção e difusão da
Gestalt-Terapia, tal como mencionada por Suassuna e Holanda (2009) a partir do eixo
geográfico que abrange os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, e o Distrito Federal
(mais especificamente, Brasília).
Um fato localizado em meados de 1980 e ainda não mencionado é a abertura
das universidades para estágios e aulas de Gestalt-Terapia. Nesse período, alguns
gestaltistas que trabalhavam em universidades começaram a falar da Gestalt-Terapia
em suas aulas. É o caso de Teresinha Mello, profissional da Universidade do Estado do
Rio de Janeiro, que recebia alunos do curso de graduação em Psicologia para a
disciplina obrigatória Estágio Básico. Sobre a recepção dos alunos ao entrarem em
contato com a Gestalt-Terapia, a autora comenta: “[...] muitos alunos [...] ficavam
encantados quando ela era apresentada como uma das práticas clínicas possíveis”
(MELLO, 2009, p. 193). No entanto, neste momento, na UERJ, a psicanálise era a
única alternativa oferecida aos alunos para a prática clínica, e estes, ao terem acesso a
93
outras possibilidades, passaram a reivindicar o conhecimento de outras linhas de
trabalho clínico. Foi então que, atendendo aos apelos dos alunos, em 1984 a UERJ
abre espaço para atendimento supervisionado em Gestalt-Terapia, tornando esta
universidade pioneira entre todas as universidades brasileiras.
O início dos anos 1990, por sua vez, marcou a oferta da disciplina “GestaltTerapia” como disciplina eletiva do curso de graduação em Psicologia da UERJ.
Posteriormente, em 1991, esta disciplina passou a ser obrigatória, fazendo parte do
currículo do curso. Neste particular, novamente a UERJ desponta como pioneira, pois
foi a primeira universidade no Brasil a ter a disciplina de Gestalt-Terapia como
obrigatória, além da primeira universidade a abrir concurso docente para esta área,
conforme ressalta Eleonora Torres Prestrelo, na posição de professora da referida
disciplina (PRESTRELO, 2009). Mais recentemente, por iniciativa de Prestrelo, e como
resultado da demanda de alunos do curso de psicologia da UERJ criou-se em 2007, o
“Laboratório Gestáltico: perspectiva fenomenológico-existencial em clínica, pesquisa e
atenção psicossocial”. As atividades desenvolvidas pelo Laboratório constituem-se,
portanto, como um veículo de divulgação e fortalecimento da abordagem gestáltica.
Assim, podemos ver que a Gestalt-Terapia vai se instaurando no meio
acadêmico a partir de duas frentes: com a realização de trabalhos acadêmicos, através
de dissertações de mestrado, a princípio, e posteriormente, teses de doutorado
defendidas sob este referencial; e com a transmissão da abordagem aos alunos,
primeiramente, através da oferta de estágios supervisionados sob este referencial e
posteriormente através da oferta da disciplina “Gestalt-Terapia”.
2.3.2. O segundo momento: reflexão, desilusão e a busca de referenciais
Em meados dos anos 80 ‘o sonho parece ter acabado’ e inicia-se um requestionar dos
valores dos anos 60 [...] (CIORNAI, 1998, p. 9).
Do início aos meados da década de 1980, o encantamento inicial cedeu lugar a
inúmeros questionamentos advindos tanto da prática clínica (FRAZÃO, 1995) como do
94
novo
lugar
ocupado
pelos
profissionais
pioneiros
na
Gestalt-terapia,
como
transmissores da abordagem (SILVEIRA, 1996).
Frazão (1995, p. 18) diz sobre este novo momento da Gestalt-Terapia no Brasil:
“A primeira metade dos anos 80 foi um período de resgate do pensar, em oposição ao
mero sentir que caracterizou os anos 70”. É bem verdade que a Gestalt surgiu como
reação ao excesso de intelectualismo da época. No entanto, passada essa fase inicial,
instalou-se uma maior preocupação com a fundamentação teórica, quando também se
atentou para os riscos do trabalho essencialmente técnico e sua grande chance de
transformar-se em modismo.
Curiosamente, muitos dos grupos praticantes da Gestalt-Terapia à época
viveram esta fase de questionamento: “pensávamos ser um questionamento individual,
mas anos depois, descobrimos que realmente foi uma crise que afetou um bom número
de Gestalt-Terapeutas no início da década de 80” (FRAZÃO, 1995, p. 18).
Um primeiro recurso empregado pelos profissionais para fazer face às dúvidas,
indagações e inseguranças do momento foi buscar respostas em fontes já conhecidas:
Psicanálise Freudiana, Teoria da Relação Objetal, Análise Junguiana, Bionergética,
Análise Existencial etc. Conforme assinala Juliano (1992, p. 18):
Nessa época, recorríamos a abordagens colaterais, importando textos de outras
abordagens, acreditando que o problema da Gestalt era que não tinha teoria suficiente.
Era a época em que demos espaço para o surgimento entre nós e nossos alunos, da
fase Gestalt e..., com as mais variadas, improváveis e bizarras combinações [...].
Do Rio de Janeiro, Silveira (1996, p. 11) arremata: “gestalt e bioenergética,
gestalt e trabalho corporal, gestalt centrada-na-pessoa. Mas o que seria a gestalt
afinal?”.
Entretanto, os gestalt-terapeutas buscavam refletir sobre o momento. Assim,
Walter Ferreira da Rosa, já no I Encontro de Gestalt-terapeutas ocorrido no Rio de
Janeiro, no ano de 1987, alertava para o fato de ser necessária cautela neste processo
de realizar incursões por referenciais externos à Gestalt-Terapia, pois
corremos o perigo de ingerir alimentos estranhos que possam provocar sérias
‘indigestões’, arriscando mesmo descaracterizar nossa abordagem por pertencerem a
outros referenciais epistemológicos e filosóficos (apud CIORNAI, 1991, p. 9).
95
Da mesma forma, Ciornai (1996, p. 14) assinala ser “importante cuidar para não
integrar à Gestalt-Terapia aspectos que lhe são incompatíveis e que perigam por
descaracterizá-la”.
Em 1981, foi fundado o Centro de Estudos de Gestalt de São Paulo, por Thérèse
Tellegen, Lílian Frazão, Abel Guedes e Jean Clark Juliano, com os objetivos de ensinar
e difundir a Gestalt-Terapia. A principal motivação para a criação do Centro, de acordo
com Juliano (1992, p. 17), foi “servir como ponto de referência para a comunidade,
peneirando o que era saudável e honesto na prática da Gestalt daquilo que era
somente caricatura [...]”. Portanto, vemos presente a preocupação dos profissionais que
abraçaram a Gestalt-Terapia não só com a sua difusão simplesmente, mas com a
transmissão de sua base conceitual. Todavia, o grupo começou a se deparar com a
necessidade de buscar fundamentação teórica, de modo a melhor conduzir os futuros
passos da abordagem no Brasil.
Neste mesmo ano, como tentativa de fortalecimento da abordagem, houve uma
primeira reunião de Gestalt-Terapeutas no Brasil, em Boiçucanga. Estiveram presentes
profissionais de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte, dentre os quais
citamos: Bruno, Suzana Hertlander, Jane Rodrigues, Silvio Lopes, Gercilene Campos
(Gercy), Decio Casarin, Walter Ribeiro, Maureen Miller, Jean Clark Juliano, Thérèse
Tellegen e Lílian Frazão (SUASSUNA; HOLANDA, 2009; FRAZÃO, 1995, JULIANO,
1992).
Para Walter Ribeiro, esse encontro foi uma tentativa de criação de um grupo
nacional de Gestalt. Contudo, fracassou neste propósito. Este intento somente foi
possível em 1987, quando o I Encontro de Gestalt-terapeutas no Rio de Janeiro: um
convite à reflexão, adquiriu o status de Encontro Nacional.
Com a intenção de buscar novos subsídios para fundamentar o trabalho, alguns
profissionais foram para o exterior, para participar de workshops específicos. Conforme
nos conta Juliano (1992, p. 18), estas viagens trouxeram, além do acesso ao material
bibliográfico mais recente, “[...] a surpresa, gratificante e desalentadora ao mesmo
tempo [de que] os grupos americanos e europeus estavam se debatendo com as
mesmas questões”.
96
Fez parte também deste momento, o acesso aos livros Gestalt-Therapy (1951),
de Perls, Hefferline e Goodman e Ego, hunger and agression (1942), de Perls, ainda
não traduzidos à época. Sobre o primeiro, considerado o livro clássico da abordagem,
destacamos os seguintes comentários: “começamos a estudar com avidez; texto difícil
de ser metabolizado” (JULIANO, 1992, p. 17) e “[...] Walter Ribeiro veio ao Rio algumas
vezes formar grupos para aprofundarmos na leitura de vários capítulos do livro”
(SILVEIRA, 1996, p. 11).
Considerando que o livro “Gestalt-Terapia” começara a ser conhecido justamente
nesta ocasião, não surpreende que os primeiros profissionais de Gestalt-Terapia no
Brasil – verdadeiros desbravadores
– estivessem se ressentindo de maior
fundamentação, ou mesmo, considerassem que faltava à Gestalt-Terapia esta
fundamentação.
Ciornai, no ano de 1991 refletia sobre esse movimento de necessidade de
explicitação mais clara dos pilares teóricos que sustentavam a abordagem, de modo a
se obter um respaldo mais sólido para o trabalho terapêutico. Levantava então a dúvida
sobre se, de fato, as lacunas apontadas se deviam a falhas reais no arcabouço teórico
gestáltico, a uma falta de atenção e leitura da literatura existente, ou ainda a ambos,
considerando ser esta uma questão pendente à época.
2.3.3. O terceiro momento: rumo à produção nacional em Gestalt-Terapia
A escassez de material não impediu que alguns profissionais realizassem
estudos específicos com o referencial da Gestalt-Terapia, inaugurando uma fase de
produções e publicações nacionais. Assim, em 1982 é defendida, na Universidade de
São Paulo, a primeira dissertação de mestrado, intitulada “Reflexões sobre o trabalho
com grupos na abordagem gestáltica em psicoterapia e educação”, de autoria de
Thérèse Tellegen e já em 1983, Lílian Frazão também defendeu dissertação de
mestrado, pela mesma universidade, intitulada “O modelo de aprendizagem experencial
aplicado ao ensino de terapia de grupo”.
97
Em 1984, vem a público o primeiro livro nacional em Gestalt-Terapia, de autoria
de Thérèse Tellegen. Intitulado “Gestalt e Grupos: uma perspectiva sistêmica”, esta
obra fez parte da série Novas Buscas em Psicoterapia, em seu volume 22, porém com
um adendo do diretor da coleção, Paulo Barros, que renomeou a coleção sob o título
“Série B: Nossas Buscas”, dando assim o indicativo de um novo momento da GestaltTerapia no Brasil, marcado pelo incentivo às publicações nacionais. Nela lemos que
“Nossas buscas deseja se constituir num espaço aberto a ser preenchido por
publicações de autores nacionais [...] quer deter-se sobre a maneira específica como
está acontecendo entre nós a psicoterapia”.
Logo no ano seguinte, em 1985, a coleção publica a segunda obra brasileira, o
livro
de
Jorge
Ponciano
Ribeiro,
“Gestalt-Terapia:
refazendo
um
caminho”,
correspondendo ao volume 24 da coleção. Trata-se de um livro importante para a
comunidade gestáltica brasileira, pois apresenta e discute as bases filosóficas e
teóricas da Gestalt-Terapia. Na apresentação do livro, Ribeiro (1985) mapeia a GestaltTerapia que se desenvolveu no Brasil, ao apontar os mal entedidos e equívocos a
respeito de sua proposta psicoterápica. Em suas palavras: “faltava uma unidade de
pensamento
que
pudesse
representar
a
Gestalt-Terapia,
mal
entendida
e
compreendida nos seus primórdios, sobretudo por seu caráter centrado no aqui-eagora, como uma teoria séria e epistemologicamente embasada”. O livro oferece,
portanto, um referencial fundamental, consolidando uma estrutura teórico-filosófica,
uma configuração das suas bases epistemológicas que se tornou referência na
organização das formações em Gestalt-Terapia no Brasil. O referido autor, por sua vez,
reúne o maior número de publicações na categoria “livros nacionais”, no referencial
gestáltico. Uma relação dos livros nacionais sob a perspectiva da abordagem gestáltica
pode ser consultada no apêndice 2 desta dissertação38.
Consideramos estes dois acontecimentos – as primeiras dissertações e os livros
nacionais – como um divisor de águas na história da Gestalt-Terapia no Brasil.
Consideramos que, após o período de recepção e formação de grupos em diversos
38
Embora a produção relacionada sob a categoria “livros nacionais” na abordagem gestáltica não seja parte do eixo
principal de análise desta dissertação, no decorrer deste trabalho foram realizadas algumas referências a estas
obras, e por isso, decidiu-se por inclui-las no apêndice. Este, todavia, deve ser considerado como incompleto, visto
não ter sido objeto de nossa investigação.
98
estados, seguiu-se um momento de maior aprofundamento, resultando nas primeiras
produções em Gestalt-Terapia.
99
3 A CONSOLIDAÇÃO DA GESTALT-TERAPIA NO BRASIL
Pode-se dizer que em meados dos anos 1980, e particularmente no final desta
década, o movimento da Gestalt-Terapia no Brasil encontrava-se mais articulado.
Observa-se uma maior organização da Gestalt-Terapia, seja através de encontros mais
sistemáticos de profissionais para seminários e apresentação de trabalhos, seja pelo
movimento de expansão da Gestalt-Terapia, com a formação de grupos de estudos em
outros estados brasileiros, como Santa Catarina, Goiás e Paraná, os quais
posteriormente deram origem aos Institutos de Gestalt-Terapia, responsáveis pela
capacitação e formação na área.
Por se constituírem nos primeiros institutos, fruto da expansão ocorrida a partir
do eixo Rio-São Paulo-Brasília, deteremos maior atenção à sua história. Apresentamos
no apêndice 3 tabela em que se pode acompanhar o surgimento de outros centros de
estudos e institutos de Gestalt-Terapia no Brasil.
Em 1987, durante o I Encontro Nacional de Gestalt-Terapia, foi fundado o Núcleo
de Estudos em Gestalt de Santa Catarina, o qual iniciou a estruturação do seu primeiro
grupo de formação em 1989. Em função da ampliação dos seus objetivos e atividades,
o Núcleo transformou-se em CONFIGURAÇÃO – Centro de Estudos e Atividades
Gestálticas, com sede em Florianópolis/SC, no ano de 1995. Fizeram parte do grupo
fundador Angela Schillings, Angelo Minieri, Aymoré Palhares Filho, Eliane de Mello
Meira e Rosane Granzotto Bernardini. A história desta instituição teve início em 1982,
quando um grupo de psicólogos, interessados na Gestalt-Terapia, contatou o Centro de
Estudos de Gestalt de São Paulo para iniciar um curso de formação nesta abordagem.
Constituíram-se como o primeiro grupo de formação em Gestalt-Terapia no estado de
Santa Catarina (1982/1985), tendo como coordenadores Abel Guedes, Lílian M. Frazão,
Jean Clark Juliano e Therese Tellegen. A partir de 1985, parte desse grupo continuou
desenvolvendo estudos sobre Gestalt-Terapia e algumas atividades com alunos de
Psicologia em Florianópolis/SC (BOLETIM, out. 1997, p. 22-23).
No mesmo ano de 1987, na cidade de Goiânia, foi organizado, sob a
coordenação de Marisete Malaguth Mendonça e Virgínia Elizabeth Suassuna Martins
100
Costa, o primeiro grupo de estudos em Gestalt-Terapia, composto por psicólogos e
estudantes de psicologia. Este foi o primeiro grupo de especialização, quando da
oficialização do Instituto de Treinamento e Pesquisa em Gestalt-Terapia de Goiânia ITGT, em 1989. Também foi fundador do ITGT Ari Rehfeld. Desde 1995 o ITGT realiza
encontros anuais, os quais deram origem à Revista do Encontro Goiano de GestaltTerapia, um importante veículo de divulgação e de estudos em Gestalt-Terapia,
incentivando assim a produção na área (BOLETIM, ago. 1996, p. 34-36).
No que diz respeito ao estado do Paraná, o seu Centro de Estudos de GestaltTerapia – CEG-Pr – nasceu em 1989, através de um grupo de Gestalt-Terapeutas,
estimulado por Claudete Carboni de Freitas, profissional que realizou sua formação em
Los Angeles (Gestalt-Institute of Los Angeles) e gradativamente foi formando novos
profissionais – quase toda a equipe de professores do CEG, em sua formação original.
Em 1991, por iniciativa de Alcides Inácio Junior, o Centro lançou a primeira revista de
Gestalt-Terapia no Brasil, a Gestalt Terapia Jornal, veículo de divulgação de artigos
científicos e assuntos da área (BOLETIM, mar. 1996, p. 25-26).
Além disso, novos grupos nacionais se formaram nos estados de Pernambuco,
Ceará, Rio Grande do Sul e Espírito Santo (JULIANO, 1992).
Observa-se ainda um esforço de maior intercâmbio nacional, com a organização
do que fora, a princípio, denominado I Encontro de Gestalt-Terapeutas no Rio de
Janeiro. O evento, ocorrido em junho de 1987, adquiriu status de I Encontro Nacional
de Gestalt-Terapia, devido à repercussão alcançada.
O ano de 1987 foi bastante significativo para o movimento da Gestalt-Terapia no
Brasil, pela série destes acontecimentos que congregou: a criação do Núcleo de
Estudos em Gestalt de Santa Catarina, a formação do primeiro grupo de estudos na
cidade de Goiânia – ambos iniciaram sua primeira turma de formação em GestaltTerapia no ano de 1989 – e o I Encontro de Gestalt-Terapeutas no Rio de Janeiro.
Também o “I Encontro de Gestalt-Terapeutas no Rio de Janeiro: um convite à
reflexão”, merece uma atenção mais detida, por inaugurar a seqüência de encontros bianuais na abordagem. A principal motivação para a realização do encontro foi a criação
de um espaço de compartilhamento, na tentativa de encontrar caminhos viáveis à
consolidação da corrente em nosso país, conforme relata Teresinha Mello da Silveira,
101
uma das idealizadoras do evento (1996). Além disso, o evento permitiria uma leitura,
um esboço do corpo da Gestal-terapia no país.
Neste sentido, não parece coincidência a grande adesão ao evento, bem como
os acontecimentos que datam deste ano. A propósito, ocorreu justamente durante o
Encontro a fundação do Núcleo de Estudos em Gestalt de Santa Catarina, de modo que
a reunião de profissionais de vários estados parece ter concorrido para uma
mobilização e catalização do movimento gestáltico no Brasil.
Ao abordar os preparativos para a realização do projeto, Teresinha Mello da
Silveira (1996, p. 12) recorda:
O convite feito aos companheiros que viveram o movimento inicial para participar da
organização não foi muito bem aceito pelos mais variados motivos. Uns temiam uma
institucionalização da gestalt, alegando que o fato descaracterizaria as propostas
revolucionárias da referida corrente; alguns já tinham optado por outras linhas; outros
ainda preferiram contribuir de maneira diferente [...]. Para minha surpresa e
enternecimento, aqueles que se mostraram mais disponíveis para colaborar foram os
membros de minha primeira turma de formação e o grupo de ex-estagiários em gestaltterapia, recém-formados pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), que
compuseram então a equipe de organização do encontro.
A lembrança deste encontro é narrada da seguinte maneira por Jean Clark
Juliano, registrando a magnitude deste evento para a Gestalt-Terapia no Brasil:
Ainda tenho guardada a cena de abertura, quando se abriram as portas do salão.
Imaginávamos a reunião de um pequeno grupo e, ao nos depararmos com a quantidade
de pessoas presentes, fomos tomados por susto e alegria. Alguns ainda com sua
bagagem ao lado, chegando sem aviso prévio; pessoas das mais diversas regiões do
país; foi entusiasmante [...] foi então que assistimos à transição de um grupo de
gestalt-terapeutas para o movimento de gestalt-terapia no Brasil” (JULIANO, 1992,
p. 20, grifo meu).
Ainda sobre a importância deste encontro para o reconhecimento, interação e
crescimento da comunidade gestaltista brasileira, Frazão (1998, p. 50) assinala:
Na época, pensava-se em reunir os gestalt-terapeutas brasileiros, que se supunha não
passarem de 50 ou 60. Mas, para surpresa e alegria de todos, estiveram presentes mais
de 150 pessoas! O primeiro encontro representou um marco fundamental para o
desenvolvimento da Gestalt-Terapia no Brasil pois, se antes éramos pequenos grupos
aqui e acolá, que batalhavam arduamente por realizar sua formação e aprofundar seu
conhecimento prático e teórico, a realização do I Encontro demonstrou que éramos
muitos e instaurou, ao nível nacional, um rico espaço de trocas e intercâmbio: do
conhecimento, da experiência e das habilidades de cada um. Muitos de nós passaram a
colaborar, em diferentes níveis, para a formação de Gestalt-terapeutas de outras
cidades e estados.
102
Pode-se dizer que, neste momento, havia sido consolidada uma comunidade
gestáltica e que o movimento de Gestalt-Terapia no Brasil estava difundido e
organizado o suficiente para inaugurar uma nova etapa de sua história: os Encontros
Nacionais de Gestalt-Terapia, que passaram, a partir de então, a ocorrer a cada dois
anos. Ainda durante o evento, ficou acordado que São Paulo ficaria responsável por
organizar o próximo encontro, que ocorreu sob a coordenação de Ari Rehfeld, Lílian
Frazão e Jean Clark Juliano (JULIANO, 1992). Em consonância com o eixo geográfico
em que se desenvolveu a Gestalt-Terapia em seu momento inicial, o III Encontro
Nacional de Gestalt-Terapia foi organizado pelo grupo de Brasília no ano de 1991. Em
1993, por ocasião do IV Encontro Nacional de Gestalt-Terapia, organizado pelo grupo
de Recife, o evento foi rebatizado, ganhando um subtítulo: Congresso Nacional da
Abordagem Gestáltica. Este é um marco importante, pois aponta a entrada e o
desenvolvimento da abordagem gestáltica, para além do espaço restrito da atuação
psicoterapêutica, a partir da extensão dos conceitos gestálticos a outras áreas de
atuação da psicologia. O apêndice 4 apresenta as edições dos Encontros até os dias
atuais.
Podemos dizer, portanto, que foram muitos os frutos colhidos pela GestaltTerapia, em decorrência daquele primeiro evento.
Ainda considerando os acontecimentos que remontam a meados da década de
1980, oberva-se um gradativo aumento do número de trabalhos de pós-graduação
(dissertações de mestrado); além de uma retomada de publicações em periódicos de
psicologia, o que abordaremos na próxima seção desta dissertação.
3.1 A Gestalt-Terapia em números: décadas de 1980, 1990 e 2000
Se no período de 1981 a 1985 tivemos o registro de duas dissertações de
mestrado na abordagem, ambas na Universidade de São Paulo, conforme já citado, o
período que vai de 1986 a 1990 contou com 4 trabalhos nesta categoria, desta vez
distribuídos por 4 estados distintos. Em ordem cronológica, foram eles: “Análise e
103
avaliação do processo de mudança em um grupo fechado de Gestalt-Terapia: estudo
de caso”, por Márcia Maria Coutinho Lima, defendido no ano de 1988 na Universidade
de Brasília; “Bases filosóficas e implicações técnicas na Gestalt-Terapia”, defendido por
Rosane Carneiro Porto em 1989, na Fundação Getúlio Vargas, Rio de Janeiro; e
finalmente a presença de dois trabalhos em 1990, o primeiro deles intitulado “GestaltTerapia e transferência: aquisição de conceitos na formação de psicologia”, por Sergio
Zlotnic, defendido na Universidade de São Paulo; o segundo sob o título “Psicoterapia e
consciência social”, defendido por Ana Maria Monte Coelho Frota na área de Educação,
na Universidade Federal do Ceará. A área de Educação é, portanto, a primeira área
“alheia” à psicologia a contar com trabalhos relacionados à abordagem gestáltica.
Já em relação à categoria “publicação de artigos em periódicos”, somente no ano
de 1986 ocorre nova publicação, tendo assim decorridos 14 anos desde a publicação
do trabalho pioneiro de Thérèse. Trata-se do trabalho de autoria de Maria Rita Franco
de Souza, intitulado “Uma pitadinha de Gestalt”, publicado na revista Psicologia
Argumento, vinculada à Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Seguem-se a esta
mais duas publicações, totalizando três produções no período que vai de 1986 a 1990.
A primeira, uma publicação na revista Arquivos Brasileiros de Psicologia, do Instituto de
Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, no ano de 1989, de autoria de
Simone Garcia Simões sob o título “Gestaltterapia: a terapêutica da comunicação
humana”; a segunda, na Revista de Psicologia Plural, da Faculdade de Ciências
Humanas da FUMEC, Belo Horizonte, em 1990, de autoria de Salim Zaidam e intitulada
“O conceito de doença em Gestalt-Terapia”.
A década de 1990 assistiu a um crescimento na produção, tanto em relação aos
artigos publicados em periódicos em geral, como em relação às dissertações e teses
produzidas sob o referencial gestáltico. A propósito, data do ano de 1992 a primeira
tese de doutorado sob o referencial gestáltico, de autoria de Ana Maria Loffredo, com o
título “De cotovelos apoiados no pára-peito da palavra: no cenário clinico, qual é o
horizonte?”. O crescimento observado se manteve no decorrer da década de 2000.
Além disso, a década de 1990 assistiu ao surgimento de um novo canal de produção de
conhecimentos e divulgação da Gestalt-Terapia, a saber, os periódicos especializados
em Gestalt-Terapia.
104
Detalharemos neste capítulo os números relativos à produção escrita em GestaltTerapia, considerando as três fontes pesquisadas: artigos em periódicos em geral,
periódicos específicos de Gestalt-Terapia, e dissertações e teses realizadas sob o
referencial gestáltico.
3.1.1 O “boom” dos periódicos especializados em Gestalt-Terapia
O panorama geral da Gestalt-Terapia, em finais da década de 80, é assim
descrito por Silveira (1996, p. 14): “[...] começam a se multiplicar seminários e
simpósios paralelos aos encontros nacionais [...], o movimento se expande e se
consolida”. Uma das formas de verificar esta expansão é analisar o novo momento da
Gestalt-Terapia no Brasil, representado pelo surgimento de periódicos especializados
na área.
A década de 1990 assistiu a uma nova fase no desenvolvimento da comunidade
gestáltica. Mais que o surgimento deste canal específico de produção no seio da
referida abordagem, a década de 1990 significou um verdadeiro “boom”, no que se
refere a este tópico. Assim, de um total de 9 periódicos específicos em Gestalt-Terapia,
aos quais tivemos acesso, 6 deles surgiram neste período.
Uma observação que merece destaque é a vinculação dessas revistas: estão
associadas aos centros ou institutos de Gestalt-Terapia, em sua maioria, ou, mesmo,
decorrem de iniciativas individuais.
Tais publicações são de fundamental importância para retratar o avanço e
desenvolvimento da Gestalt-Terapia no Brasil, além de representar um marco
importante no que diz respeito à produção escrita na área, que passou a ocorrer de
modo mais sistemático, engrossando e incrementando sobremaneira os temas e
assuntos tratados sob a perspectiva gestáltica. Abordar o surgimento de tais periódicos
é referir-se, portanto, a um aspecto importante da história e desenvolvimento da história
da abordagem no Brasil. O apêndice 5 apresenta os periódicos especializados em
Gestalt-Terapia.
105
O ano de 1991 é o marco de surgimento destes periódicos específicos. Duas
revistas têm sua origem neste ano, nos estados do Paraná e de São Paulo.
O primeiro foi editado pelo Centro de Estudos de Gestalt-Terapia do Paraná –
CEG-Pr com o título Gestalt Terapia Jornal e, embora tenha passado por diversas
mudanças, permanece sendo editado até os dias atuais, ainda que sem uma freqüência
regular. A partir da edição nº 7, de 2000, sua publicação é realizada em parceria com a
Faculdade de Psicologia da Associação Catarinense de Ensino (ACE), de Joinville-SC,
o que deve ter decorrido da criação de um Núcleo de Gestalt-Terapia nesta cidade, em
1998, denominado CEG-Pr – Núcleo Joinville. No ano de 2004, o periódico desvinculouse do CEG-Pr, passando sua vinculação ao Centro de Estudos de Gestalt-Terapia de
Santa Catarina – CEG-SC, recém-criado, o qual incorporou o CEG-Pr - Núcleo Jonville
(REVISTA GESTALT-TERAPIA JORNAL, n. 7, 8, 9). Manteve, contudo, o título original.
No que diz respeito a informações pertinentes à história da Gestalt-Terapia no
Brasil, encontramos na seção “Entrevista” do “Gestalt Terapia Jornal”, nº I, uma
exposição de Claudete Carboni de Freitas sobre o nascimento, a criação, a importância
e a posição do CEG-Pr. Na mesma seção, desta vez, no número IV, foi Jean Clark
Juliano quem foi entrevistada, ocasião em que aborda a identidade do Gestaltterapeuta.
Por sua vez, o Departamento de Gestalt-Terapia do Instituto Sedes Sapientie
respondeu pela Revista de Gestalt, que manteve publicação anual de modo regular, até
2005, ano de sua última publicação39. O número de abertura da Revista apresentou
uma homenagem à Madre Cristina Sodré Dória, por “manter no Instituto Sedes
Sapientae a chama viva do compromisso com a transformação social e a terra fértil
onde as sementes de diversas tendências em Psicologia e Educação puderam brotar e
frutificar”.
Nesta revista foram encontrados alguns trabalhos que abordavam a história da
Gestalt-Terapia, e outros, especificamente, de sua história no Brasil, dentre os quais:
Gestalt-Terapia hoje: resgate e expansão (CIORNAI, 1991); Gestalt-Terapia: revisitando
as nossas histórias (JULIANO, 1992); Laura Perls: 1905-1990 (KOGAN, 1992); Da
cultura da indiferença à uma Gestalt da esperança (CIORNAI, 1998); Gestalt-Terapia:
39
Ao que parece, houve uma exceção, visto que não se encontrou registro de publicação no ano de 1993.
106
passado, presente, futuro (FRAZÃO, 1998); A reciprocidade amorosa: leitura
interpretativa da história da Gestalt-Terapia (LIMA FILHO, 2001), À memória de Miriam
Polster (MILLER, 2002).
O ano de 1995 contou com o surgimento de duas novas revistas na abordagem,
desta vez nos estados de Goiás e Rio de Janeiro. Trata-se, respectivamente, da
Revista do Encontro Goiano de Gestalt-Terapia, uma publicação vinculada ao Instituto
de Treinamento e Pesquisa em Gestalt-Terapia de Goiânia – ITGT – e da Revista
Presença, vinculada à clínica Vita, de propriedade de Teresinha Mello da Silveira.
A Revista do Encontro Goiano de Gestalt-Terapia visa publicar as produções
científicas apresentadas nos Encontros Goianos de Gestalt-Terapia que ocorrem
anualmente desde 1995. Participam dos encontros profissionais vinculados a outras
abordagens psicoterapêuticas que possuem em comum com a Gestalt-Terapia o
referencial fenomenológico-existencial, e por isso a revista traz publicações que
contemplam esta perspectiva, não sendo específica de Gestalt-Terapia. A partir da
terceira edição, o termo “Gestalt-Terapia” foi substituído e a revista passou a ser
denominada “Revista do Encontro Goiano da Abordagem Gestáltica”. Nesta revista, são
escassos os trabalhos que enfatizam o aspecto histórico da abordagem, e quando
presentes, estão relacionados à história do próprio instituto responsável pela
organização do evento, ou ainda, abordam o percurso pessoal de alguns personagens,
como pode ser constatado pelos títulos encontrados: Histórico do ITGT (FRANÇA,
1995); Minha, nossa história na Gestalt-Terapia (COSTA; MENDONÇA, 1995); Revivendo a história do ITGT (ANDRADE, 2004). Uma exceção é a presença, no número
inaugural da Revista, do artigo intitulado Histórico da Gestalt-Terapia (BARBALHO,
1995).
A Revista do Encontro Goiano da Abordagem Gestáltica foi editada até 2006,
ocasião do XII Encontro, quando então é renomeada como Revista da Abordagem
Gestáltica, e passa a ser publicada semestralmente, modificando também sua estrutura.
Em 2008, passa a ser exclusivamente eletrônica.
A Revista Presença teve origem a partir de reuniões informais que eram
promovidas na Clínica Vita, onde profissionais e estudantes discutiam temas
relacionados à Gestalt-Terapia. A Revista surge da necessidade de intensificar as
107
trocas profissionais e de conhecer melhor o pensamento e o trabalho de cada um, no
sentido da reflexão e aprofundamento a respeito da Gestalt-Terapia praticada no Brasil,
assim como de divulgação do que vinha se desenvolvendo na área. Apresentava uma
seção chamada “Diálogos”, onde profissionais de diferentes áreas ou abordagens
contribuíam para o intercâmbio, a reflexão e o crescimento profissional. A revista teve
breve existência, totalizando quatro edições entre os anos de 1995 e 1997.
Consideramos representativos os seus artigos que tratam da história da abordagem no
Brasil, com a presença de dois títulos bastante ilustrativos: A moderna Gestalt-Terapia
do Rio de Janeiro (SILVEIRA, 1996); Em defesa da Gestalt-Terapia: revendo antigas
questões (BARROSO, 1996).
Por fim, o ano de 1996 assistiu ao surgimento dos dois últimos periódicos da
década de 1990, ambos tendo permanecido por um curto espaço de tempo em
circulação. Trata-se do Gestalt Journal do Rio de Janeiro, editado até 1998, perfazendo
3 edições e do Boletim de Gestalt-Terapia do Triângulo Mineiro, editado até 1997, com
um total de 4 números.
O Gestalt Journal do Rio de Janeiro estava vinculado ao Centro de
Desenvolvimento de Gestalt-terapia do Estado do Rio de Janeiro (GT-Rio), associação
que surgiu, de acordo com D’Acri (2010), de uma cisão entre os protagonistas que se
reuniam originalmente na Clinica Vita. Assim, parte do grupo, sob a proposta de
organizar eventos científicos e promover a abordagem, e ao mesmo tempo, oferecer
representatividade ao movimento de desenvolvimento da Gestalt-Terapia no Rio de
Janeiro, funda o GT-Rio, em 1995, sob a coordenação de Sheila Orgler e Sérgio
Garbati (D’ACLI, 2010).
O Gestalt Journal do Rio de Janeiro possuía um forte caráter divulgativo, com
uma seção intitulada “agenda”, em que havia a divulgação de diversos eventos em
Gestalt-terapia. Além disso, chama a atenção a quantidade de anúncios e serviços
oferecidos em suas páginas. A revista apresentou entrevistas com gestalt-terapeutas
internacionais, como Cláudio Naranjo (maio 1997), o casal Polster (maio, 1997) e
Richard Hycner (outubro 1998). Nenhum artigo enfocou o caráter histórico da
abordagem.
108
Silvério Lúcio Karwowski, no editorial do primeiro número do Boletim de GestaltTerapia do Triângulo Mineiro, afirma que a revista pretende atuar como um instrumento
de incentivo ao desenvolvimento da teoria e prática da Gestalt-Terapia. A revista
apresenta um caráter divulgativo e informativo, a partir do relato de eventos acontecidos
em Gestalt-Terapia, como por exemplo, congressos e seminários, e da divulgação de
eventos futuros na área. A cada edição apresentava informações sobre um
estabelecimento responsável por veicular a Gestalt-Terapia e por oferecer cursos de
formação na área, mais conhecidos como Institutos de Gestalt-Terapia. Trouxe ainda
entrevistas com Gestalt-terapeutas nacionais, entre os quais Lílian Meyer Frazão e
Selma Ciornai, e gestalt-terapeutas internacionais, como Stanley Krippner (agosto,
1996) e Roger R. Wolger (maio, 1997).
O artigo de Selma Ciornai intitulado “Considerando saudades: Gestalt-Terapia de
antes, de hoje e de amanhã” publicado neste periódico em sua edição de 1996,
representa um importante documento sobre a história da Gestalt-Terapia no Brasil,
inclusive pela apresentação das diferenças entre a Gestalt-Terapia praticada entre os
anos de 1978 a 1983, na Califórnia, período em que a autora viveu nesta cidade, e a
Gestalt-Terapia praticada no Brasil. As reflexões da autora apontam claramente para o
desenvolvimento e a prática de uma Gestalt-Terapia nacional, com suas características
específicas e peculiaridades, o que a faz considerar as perdas e ganhos neste
percurso.
A década de 2000 trouxe três novos periódicos em Gestalt-Terapia. No ano de
2004 surgiram dois: a revista Sampa, vinculada ao Instituto Gestalt São Paulo e a
revista IGT na Rede, do Instituto de Gestalt-Terapia e Atendimento Familiar – IGT. Além
disso, acompanhando o avanço tecnológico, esta década inaugurou a fase das revistas
eletrônicas em Gestalt-Terapia, representadas pela “IGT na Rede”, que já nasceu tendo
no meio eletrônico sua veiculação exclusiva e a “Revista da Abordagem Gestáltica” que,
como dissemos anteriormente, é publicada desde o ano de 2008 exclusivamente sob o
meio eletrônico.
A Revista Sampa caracteriza-se por apresentar a pluralidade e a abrangência de
possibilidades de atuação da abordagem gestáltica em diferentes áreas, conforme o
editorial de sua primeira publicação. É dividida em várias seções, a saber: Espaço
109
Aberto, Ensaio, Qualidade de Vida, Temas da Clínica Psicológica, Educação, Social e
Comunitário, Para Refletir e Notícias. Especificamente sobre artigos que abordam a
História da Gestalt-Terapia no Brasil, consideraram-se os seguintes títulos: A Gestaltterapia e a realidade acadêmica (LIMA, 2004); Homenagem a Paulo Barros – Carta a
Paulo (JULIANO, 2006) e O que é Gestalt-Terapia hoje? (CIORNAI, 2007).
No editorial do primeiro número da IGT na Rede, Marcelo Pinheiro, editor da
revista, apresenta a proposta de sua criação: visa ampliar a possibilidade de troca de
informações no âmbito da comunidade de Gestalt-Terapeutas e divulgar as
contribuições dessa forma de olhar o mundo para o público em geral, promovendo a
Gestalt-Terapia. Afirma ainda que a revista não se restringirá a produções de Gestaltterapeutas, o que se justifica pela crença na importância e riqueza do contato com
profissionais das mais diferentes áreas do conhecimento.
Além de se constituir na primeira revista virtual de Gestalt-Terapia, inova ao
utilizar este veículo para apresentar uma série de entrevistas gravadas em vídeos com
gestalt-terapeutas a respeito da história da Gestalt-Terapia no Brasil, dentre os quais
citamos: Jean Clark Juliano, Lílian Meyer Frazão, Walter da Rosa Ribeiro, Ari Rehfeld,
Antônio Elmo Martins, Décio Casarin, Elysette Lima da Silva, Jane Rodrigues, Margaret
Souza de Joode, Maria Cristina Frascaroli, Silvio Lopes, Teresinha Mello da Silveira.
A revista encontra-se assim afinada com a necessidade de preservar e
apresentar a história da Gestalt-Terapia no Brasil, sendo parte integrante de um projeto
maior de constituir um centro de desenvolvimento e transmissão de conhecimentos em
Gestalt-Terapia, proposta acalentada pelo IGT.
No que diz respeito à produção escrita, a Revista apresenta poucos artigos que
falam mais de perto da história da abordagem, entre os quais se encontram “Pela
semente, pelo fruto, pela planta, nossa gratidão...” (FRAZÃO, 2004); “Gestalt, literatura
e “literatura gestáltica”: expressionismo, contracultura e narrativas autobiográficas” (SÁ
JUNIOR, 2009) e “Paul Goodman e os outros caminhos da Gestalt” (SÁ JUNIOR,
2009).
Finalmente, a Revista da Abordagem Gestáltica apresenta como característica a
publicação de muitos trabalhos que apresentam uma orientação fenomenológica e
existencial, fundamentação da Gestalt-Terapia e ponto de interlocução com algumas
110
outras abordagens que compartilham desta mesma fundamentação. Dois anos após o
lançamento da revista, encontramos no editorial do v. 14, n. 1, de junho de 2008, a
justificativa para o fato. Nele lê-se que a Revista tem como proposta projetar o primeiro
periódico científico que pudesse acolher tanto a produção em Gestalt-Terapia e
Abordagem Gestáltica, bem como ser um veículo de divulgação para a Fenomenologia
e as Abordagens Humanistas. Neste sentido, a revista traz a contribuição de
representantes do pensamento fenomenológico, seja a partir de elaborações teóricas
dentro deste referencial filosófico, seja em suas mais diversas aplicações enquanto
metodologia.
A revista apresenta diversas seções, tais como: Artigos; Ensaios; Textos
Clássicos; Diálogos (Im) Pertinentes; a seção Resenhas, com apresentação de livros na
abordagem gestáltica; Perfil, de personagens importantes na história da Gestalt-Terapia
brasileira, como Thérèse Amelie Tellegen (2006), Paulo Eliezer Ferri de Barros (2007) e
Décio Casarin (2008); e finalmente a seção Dissertações e Teses, que divulga trabalhos
de pós-graduação que tem foco na Gestalt-Terapia e ainda trabalhos de orientação
fenomenológica em geral.
Em relação a artigos que falem mais de perto sobre a história da Gestalt-Terapia
registrou-se o texto de Walter Ribeiro, fruto de um trabalho originalmente apresentado
no IV Encontro Nacional de Gestalt-Terapia, ocorrido em Recife, em 1993 e intitulado
“Gestalt-terapia no Brasil: recontando a nossa história” (RIBEIRO, 2007).
O somatório total dos artigos publicados em periódicos específicos e que trazem
a temática da Gestalt-Terapia resultou em 500 títulos, distribuídos pelos 9 periódicos
enfatizados. Considerando-se o período de tempo destes periódicos – 20 anos –
pareceu-nos revelar uma forte tendência à elaboração escrita em Gestalt-Terapia.
3.1.2. A publicação de Gestalt-Terapia em periódicos em geral
A pesquisa sobre os artigos em Gestalt-Terapia e/ou na abordagem gestáltica
publicadas em periódicos em geral foi realizada a partir de pesquisa ao site
111
http://www.bvs-psi.org.br/php/index.php, da BVS Psicologia ULAPSI Brasil. A busca foi
conduzida a partir de duas palavras-chave: Gestalt-Terapia e Abordagem Gestáltica.
A base do Portal Nacional BVS Brasil em Saúde apresenta o seguinte descritor
para a palavra-chave Gestalt-Terapia: Forma de psicoterapia que enfatiza o interjogo do
organismo com o ambiente. A conscientização e o amadurecimento, assim como o
desenvolvimento da auto-confiança, são básicos para esta terapia.
É importante salientar que o site consultado apresenta as produções em GestaltTerapia em suas mais diversas modalidades, pois aborda livros, dissertações e teses,
além de artigos. Contudo, o que se pôde constatar é que existem muito mais títulos, de
modo que não se pode dizer que o site apresenta um retrato fiel da produção na área40.
A análise dos títulos dos artigos resultou na identificação de 59 artigos de
Gestalt-Terapia e/ou abordagem gestátlica, distribuídos por diversos periódicos41.
Alguns artigos que constavam da relação oferecida pela base de dados não
foram considerados, por se avaliar que não enfocavam de fato a Gestalt-Terapia ou a
Abordagem Gestáltica, como por exemplo, o título “interpretação e intersubjetividade:
algumas considerações”, publicado na Revista Brasileira de Psicanálise v. 38 n. 2, ano
2004. Foram excluídos deste levantamento ainda os artigos de Gestalt-Terapia
publicados em periódicos específicos, por fazerem parte do levantamento anterior já
citado. Portanto, os 59 títulos foram selecionados dentre muitos outros, inclusive
produção em língua estrangeira, que constavam da relação. Outros artigos, mesmo que
apresentassem o termo gestalt, referiam-se a estudos teóricos relacionados a aspectos
exclusivos da Psicologia da Gestalt, como é o caso do artigo “A relação figura fundo e
as estruturas infra-lógicas na construção da identidade psicossocial de pessoas com
40
Este comentário se torna evidente quando se considera, por exemplo, os livros e dissertações e teses no
referencial gestáltico. No que diz respeito aos artigos, sabe-se que o site é restrito aos periódicos que dele procuram
fazer parte e aceitam suas regras, o que diminui seu alcance.
41
Alguns artigos que constavam da relação oferecida pela base de dados não foram considerados, por se avaliar
que não enfocavam de fato a Gestalt-Terapia ou a Abordagem Gestáltica, como por exemplo, o título “interpretação e
intersubjetividade: algumas considerações”, publicado na Revista Brasileira de Psicanálise 38 (2), ano 2004. Foram
excluídos deste levantamento ainda os artigos de Gestalt-Terapia publicados em periódicos específicos, por fazerem
parte do levantamento anterior já citado. Portanto, os 60 títulos foram selecionados dentre tantos outros, inclusive
produção em língua estrangeira, que constavam da relação. Outros artigos, mesmo que apresentassem o termo
gestalt, referiam-se a estudos teóricos relacionados a aspectos exclusivos da Psicologia da Gestalt, como é o caso
do artigo “A relação figura fundo e as estruturas infra-lógicas na construção da identidade psicossocial de pessoas
com transtornos severos do comportamento, de autoria de Elizabete Villibor Flory e Zélia Ramozzi-Chiarottino,
publicado no Boletim de Psicologia, 2006, v. LVI, n. 125:171-187.
112
transtornos severos do comportamento”, de autoria de Elizabete Villibor Flory e Zélia
Ramozzi-Chiarottino, publicado no Boletim de Psicologia, 2006, v.56, n.125, p.171-187.
Realizou-se uma catalogação dos artigos encontrados, considerando o período
de publicação e foi possível observar o crescimento gradativo de publicações. Além
disso, considerou-se o periódico que recebeu artigos no referencial gestáltico, tendo
sido possível observar que a abordagem gestáltica foi cada vez mais se disseminando
a partir de publicações em periódicos variados. Os dados podem ser verificados no
quadro 3 e gráficos 1 e 2 apresentados a seguir.
Período
De 1971 a
1975
De 1976 a
1980
De 1981 a
1985
De 1986 a
1990
Nº de
Artigos
1
Distribuídos
por quantas
Revistas?
1
Em quais Revistas
houve publicações?
__
__
__
__
__
__
3
3
Boletim de Psicologia (1)
Psicologia Argumento (1)
Arquivos Brasileiros de Psicologia (1)
Revista de Psicologia Plural (1)
De 1991 a
10
4 Revista de Psicologia Plural (5)
1995
Revista de Psicologia (Fortaleza) (2)
Arquivos Brasileiros de Psicologia (2)
Boletim de Psicologia (1)
De 1996 a
9
6 Revista de Psicologia (Fortaleza) (1)
2000
Arquivos Brasileiros de Psicologia (2)
Estudos de Psicologia (Campinas) (2)
Psicologia: Ciência e Profissão (1)
Psique (Belo Horizonte)(1)
Revista Brasileira de enfermagem (2)
De 2001 a
12
7 Estudos e Pesquisas em Psicologia (1)
2005
Psicologia Ciência e Profissão (4)
NUFEN (3)
Estudos de Psicologia (Campinas) (1)
Arquivos Brasileiros de Psicologia (1)
Viver Psicologia (1)
Revista Psicologia: Organização e Trabalho (1)
De 2006 a
24
9 Estudos e Pesquisas em Psicologia (16)
2010
Estudos de Psicologia (Campinas) (1)
Paidéia (1)
Psicologia: teoria e pesquisa (1)
Revista da Rede de Enfermagem do Nordeste (1)
Comunicação em Ciências da Saúde (1)
Psicologia em Estudo (1)
Fractal (1)
Contextos Clínicos (1)
Quadro 3 – Artigos publicados em periódicos em geral por período de publicação
Fonte: ESCH, 2012
113
Quantidade de Artigos
30
25
20
15
10
5
0
De
De
De
De
De
De
De
De
1971 a 1976 a 1981 a 1986 a 1991 a 1996 a 2001 a 2006 a
1975
1980
1985
1990
1995
2000
2005
2010
Gráfico 1 - Artigos publicados por período
Fonte: ESCH, 2012
Quantidade de Revistas
12
10
8
6
4
2
0
De
De
De
De
De
De
De
De
1971 a 1976 a 1981 a 1986 a 1991 a 1996 a 2001 a 2006 a
1975
1980
1985
1990
1995
2000
2005
2010
Gráfico 2: Periódicos que publicaram sobre Gestalt-Terapia por período
Fonte: ESCH, 2012
O próximo eixo de análise diz respeito aos periódicos que publicaram artigos em
Gestalt-Terapia. Neste aspecto, verificou-se um total de 20 períódicos distintos, dos
quais 17 são específicos de Psicologia. O levantamento encontrou ainda artigos
vinculados a periódicos na área de Enfermagem (Revista Brasileira de Enfermagem que
responde por dois artigos e Revista da Rede de Enfermagem do Nordeste, que contém
um artigo) e um periódico vinculado à Secretaria de Estado de Saúde do Distrito
Federal, por meio da Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde, intitulado
Comunicação em Ciências da Saúde. O quadro 4 apresentado a seguir identifica a
114
vinculação destes periódicos, assim como o número total de artigos de Gestalt-Terapia
recebidos pelos mesmos, seguidos do ano de publicação.
Revista
Boletim de Psicologia
Psicologia Argumento
Arquivos Brasileiros de
Psicologia
Revista de Psicologia
Plural
Revista de Psicologia
(Fortaleza)
Psicologia: Ciência e
Profissão
Estudos de Psicologia
(Campinas)
Psique (Belo Horizonte)
Revista Brasileira de
Enfermagem
Revista do NUFEN –
Núcleo de Pesquisas
Fenomenológicas
Viver Psicologia
Revista Psicologia:
Organização e Trabalho
(RPOT)
Estudos e Pesquisas
em Psicologia
Paidéia (Ribeirão Preto)
Vinculação/Origem/local
Associação de Psicologia
de São Paulo
Pontifícia Universidade
Católica do Paraná, Curso
de Psicologia
Universidade Federal do
Rio de Janeiro
Faculdade de Ciências
Humanas da Universidade
FUMEC (Belo Horizonte)
Universidade Federal do
Ceará
Conselho Federal de
Psicologia
Programa de PósGraduação em Psicologia
da Pontifícia Universidade
Católica de Campinas.
Belo Horizonte
Associação Brasileira de
Enfermagem
Universidade Federal do
Pará – Núcleo de
Pesquisas
Fenomenológicas
Universidade Federal de
Santa Catarina, Programa
de Pós-Graduação em
Psicologia
Revista do Instituto de
Psicologia da Universidade
do Estado do Rio de
Janeiro
Universidade de São
Paulo, Faculdade de
Filosofia, Ciências e Letras
Quantos
artigos
2
Ano de
publicação
1972;1991
1
1986
6
1989;1994;1995;
1999;2000;2004
1990;1991
(4 publicações)
6
3
1993;1994;1997
5
1996;2002;
2004
(2 publicações);
2005
1998;1999;2005;
2007
4
1
2
1999
1999;2000
3
2003;2005 (2
publicações)
1
1
2004
2005
17
2005;2006;
2007 (2
publicações);
2009 (13
publicações)
2006
1
115
Psicologia: Teoria e
Pesquisa
Fractal: Revista de
Psicologia
Comunicação em
Ciências da Saúde
REVRENE – Revista da
Rede de Enfermagem
do Nordeste
Psicologia em Estudo
Contextos Clínicos
TOTAL
de Ribeirão Preto
Universidade de Brasileira,
Instituto de Psicologia
Universidade Federal
Fluminense, Departamento
de Psicologia.
Título antigo: Revista do
Departamento de
Psicologia. UFF
Secretaria de Estado de
Saúde do Distrito Federal,
Fundação de Ensino e
Pesquisa em Ciências da
Saúde.
O nome antigo da revista é
Revista de Saúde do
Distrito Federal
Revista da Rede de
Enfermagem do Nordeste
Universidade Estadual de
Maringa, Departamento de
Psicologia
Programa de PósGraduação em Psicologia
Clínica da Universidade do
Vale do Rio dos Sinos
(Unisinus)
20 revistas
1
2007
1
2008
1
2008
1
2008
1
2009
1
2010
59 artigos
Quadro 4 – Vinculação dos periódicos que publicaram artigos sobre Gestalt-Terapia
Fonte: ESCH, 2012
O Boletim de Psicologia foi o primeiro periódico a publicar artigo de GestaltTerapia, o de autoria de Tellegen, intitulado “Elementos de Psicoterapia Guestáltica” e
considerado o texto responsável pela introdução da Gestalt-Terapia no Brasil. Após um
longo período sem produção em periódicos, o jejum é rompido pelo artigo “Uma
pitadinha de Gestalt”, publicado na Psicologia Argumento, em 1986, por Maria Rita
Franco de Souza. Ainda nesta década, no ano de 1989, houve a publicação de um
artigo nos Arquivos Brasileiros de Psicologia, por Simone Garcia Simões, intitulado
“Gestalt-Terapia: a terapêutica da comunicação humana”. Cabe assinalar que,
considerando os dados aos quais se teve acesso, os autores citados só tiveram esta
produção em Gestalt-Terapia.
116
O mesmo acontece na década seguinte, com os autores que publicaram seus
artigos na Psicologia Plural, nos anos de 1990 e 1991. No ano de 1990, Salim Zaidam é
autor de ”O conceito de doença em Gestalt-Terapia” e publica no ano seguinte “O corpo
presente em Gestalt-Terapia”. O ano de 1991 trouxe uma contribuição significativa da
Psicologia Plural, com a presença de 5 artigos em Gestalt-Terapia, tendo sido a revista
que mais publicou nesta década. Ao acessar a revista, verificou-se que neste ano ela
foi integralmente dedicada à Gestalt-Terapia, sendo seus artigos derivados de um
seminário denominado “20 anos sem Frederick Perls”. Na apresentação desta edição
lê-se “o seminário foi a confirmação de uma abordagem terapêutica, que até poucos
anos era considerada uma ‘psicologia alternativa’ e hoje já ocupa um espaço de
relevância dentro das ciências ‘psi’” (p.1). Considerou-se curioso o fato de que, sendo
esta revista uma das primeiras a publicar artigos de Gestalt, e apresentando uma
produção significativa, tenha sua contribuição restrita a estes dois anos. Da mesma
forma chama a atenção que seus autores não tenham sido mais encontrados em outras
produções em Gestalt-Terapia.
Ainda no ano de 1991, o Boletim de Psicologia publica artigo de Maria Regina de
Souza Godeli, intitulado “Deflexão, deslocamento e conflito: uma comparação de
conceitos”, contudo não se encontrou registro de outras produções da autora.
No período de 2001 a 2005, a revista que responde por mais publicações em
Gestalt-Terapia é a Psicologia: Ciência e Profissão, com 4 títulos de um total de 12
levantados neste período, seguida da Nufen, com 3 títulos, de modo que ambas
concentram a maior parte da produção deste período. Por sua vez, Estudos e
Pesquisas em Psicologia, Viver Psicologia e Psicologia: Organização e Trabalho
inauguram a produção em Gestalt, cada uma respondendo por um artigo no período.
Porém, destas, apenas a primeira se manterá publicando neste referencial no período
seguinte, no qual, adiantamos, alcançará lugar de destaque na produção da abordagem
gestáltica.
Por fim, o período de 2006 a 2010 apresenta supremacia de Estudos e
Pesquisas em Psicologia, que concentra 16 títulos dos 25 catalogados no período. Isto
se deveu à dedicação de um número desta revista a um dossiê sobre a abordagem
gestáltica, em seu volume 9, no ano de 2009. No editorial encontramos comentário que
117
sinaliza a expansão da Gestalt-Terapia para outros contextos que não o clínico,
demonstrando uma análise acurada do processo porque passou a Gestalt-Terapia em
seu desenvolvimento no Brasil:
A denominação deste dossiê fala de uma perspectiva de entendimento do mundo que
vai além da delimitação clínica, à qual o termo está constantemente ligado, a GestaltTerapia, contendo, também, artigos que tratam da utilização dessa concepção teórica
como base para a observação e o estudo de outras áreas de saber (p. 5).
A exemplo do período anterior, a produção se amplia para um número
expressivo de periódicos, que recebem pela primeira vez títulos no referencial
gestáltico, ainda que com apenas única produção cada.
O grafíco 3 apresentado abaixo identifica os periódicos que mais se destacaram
em publicações em Gestalt-Terapia e/ou na abordagem gestáltica. Por sua vez, é
bastante significativo o número de periódicos que contém uma única publicação,
conforme pode ser observado na mesma ilustração.
118
Gráfico 3 – Periódicos que publicaram Gestalt
Fonte: ESCH, 2012
O apêndice 6 traz a lista dos 59 títulos encontrados, distribuídos por período e
por periódico.
Apresentamos no quadro 5 abaixo o quantitativo de artigos de Gestalt-Terapia
publicados em periódicos em geral, classificados por período e distribuídos por
periódicos.
119
Revistas
Boletim de Psicologia
Psicologia Argumento
Arquivos Brasileiros de
Psicologia
Revista de Psicologia
Plural
Revista de Psicologia
(Fortaleza)
Estudos de Psicologia
(Campinas)
Psicologia: Ciência e
Profissão
Psique (Belo
Horizonte)
Revista Brasileira de
Enfermagem
Revista do NUFEN –
Núcleo de Pesquisas
Fenomenológicas
Viver Psicologia
Revista Psicologia:
Organização e
Trabalho (RPOT)
Estudos e Pesquisas
em Psicologia
Paidéia (Ribeirão
Preto)
Psicologia: Teoria e
Pesquisa
REVRENE - Revista
da Rede de
Enfermagem do
Nordeste
Comunicação em
Ciências da Saúde
Psicologia em Estudo
Fractal: Revista de
Psicologia
Contextos Clínicos
Total
19711975
1
19861990
19911995
1
19962000
1
1
2
2
1
5
2
20012005
3
10
Total
2
1
6
1
6
1
3
2
1
1
4
1
4
5
1
1
2
2
3
3
1
1
1
1
1
1
20062010
9
12
16
17
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
24
1
59
Quadro 5 – Periódicos que publicaram artigos sobre Gestalt-Terapia – classificação por período
Fonte: ESCH, 2012
120
3.1.3 A produção de dissertações e teses com o referencial gestáltico
Considerando a produção escrita em Gestalt-Terapia, a categoria “Dissertações
e Teses” já recebeu atenção em estudo de Holanda e Karwowski (2004) e Holanda
(2009). Ao analisar os trabalhos mencionados, é interessante observar que ao termo
“Gestalt-Terapia” que consta do título do primeiro trabalho, foi acrescentado o termo
“Abordagem Gestáltica”, em sua segunda versão, observando-se mais uma vez a
tendência de se estender os princípios da Gestalt-Terapia para além do âmbito clínico,
o que, por sua vez, evidencia claramente o processo porque passou a Gestalt-Terapia
no Brasil. Além disso, Karwowski (2005), no capítulo “Breve reconstituição histórica da
Gestalt-Terapia”, apresentou a relação de dissertações e teses que abordaram a
Gestalt-Terapia ou a utilizaram como referência e que foram defendidas no Brasil até o
primeiro semestre de 2005.
O trabalho de Holanda (2009) compreendeu os anos de 1982 – data da primeira
dissertação de mestrado em Gestalt-Terapia – a 2008, e considerou as dissertações de
mestrado e teses de doutorado produzidas por programas de pós-graduação no Brasil,
e que tiveram como base de referência a Gestalt-Terapia e/ou a Abordagem Gestáltica.
A pesquisa conduzida pelo autor resultou na catalogação de 51 títulos, sendo 41
trabalhos de mestrado e 10 de doutorado.
Já o levantamento conduzido para a presente dissertação encontrou 70 títulos,
entre os quais 57 são dissertações e 13 são teses. Os títulos foram obtidos, em sua
maioria, na base Portal Capes, a partir do banco de teses que faz parte do Portal de
Periódicos da Capes/MEC. Foram utilizados como palavras-chaves os termos “GestaltTerapia” e “Abordagem Gestáltica”. A busca resultou de 41 dissertações de mestrado e
10 teses de doutorado para o termo “Gestalt-Terapia”, e 13 dissertações de mestrado e
3 teses de doutorado para o termo “Abordagem Gestáltica”42. O levantamento a partir
da palavra-chave “abordagem gestáltica” trouxe títulos que já constavam do primeiro
42
Do levantamento efetuado com o termo “abordagem gestáltica”, dois títulos não foram considerados, pois tinham
suas referências na abordagem da Psicologia da Gestalt, de modo exclusivo, e não continham qualquer relação com
a Gestalt-Terapia e/ou abordagem gestáltica. Foram eles: “Repensando a percepção musical: uma proposta através
da música popular brasileira” e “A relação figura-fundo e as estruturas infra-lógicas na construção da identidade
psicossocial de pessoas com transtornos severos do comportamento”.
121
levantamento, tendo o somatório das duas buscas resultado em 58 títulos, entre os
quais 47 dissertações de mestrado e 11 teses de doutorado.
Compararando-se o levantamento obtido com os estudos anteriores citados
(Holanda e Karwowski, 2004; Karwowski, 2005; Holanda, 2009), outros 11 títulos foram
adicionados, sendo 9 dissertações e 2 teses43. Por outro lado, alguns títulos
considerados por estes autores, foram excluídos deste levantamento 44. A seção
“Dissertações e Teses” da Revista da Abordagem Gestáltica completou nosso
levantamento, acrescentando-nos um título45. Assim, nossa busca finalizou com um
total de 70 produções, sendo 57 dissertações de mestrado e 13 teses de doutorado.
Com estes dados, procurou-se analisar algumas informações consideradas
relevantes para um mapeamento da história da Gestalt-Terapia no Brasil, tendo como
eixo norteador, aqui, a sua difusão por programas de Pós-Graduação, e o crescimento
que a abordagem gestáltica foi gradativamente obtendo no meio acadêmico, a partir da
produção progressiva e constante na área. Considerou-se ainda, os orientadores de
tais trabalhos. O apêndice 7 apresenta a distribuição da produção por Programas de
Pós-Graduação e ano. O Apêndice 8 apresenta, por sua vez, os títulos dos trabalhos,
seus autores, ano de defesa, orientadores, divididos por períodos e por programas de
Pós-Graduação.
O quadro 6 abaixo, por sua vez, apresenta uma síntese das informações obtidas.
43
Foram incluídos em nosso levantamento, por apresentarem produções no referencial gestáltico, mas que não
constavam do banco de teses da Capes: Tellegen (1982); Frazão (1983); Porto (1989); Quadros (1991); Kiyan
(1998); Cardella (1998); Lilienthal (2004); Bonmann (2001) e Costa (2002); Fittipaldi (2007); Alvim (2007).
44
Aqui é importante esclarecer que não se considerou alguns títulos citados por estes autores, pois apesar de
consistirem em trabalhos realizados por profissionais de Gestalt-Terapia, não cumpriam as exigências do presente
estudo, que eram: conter em suas palavras-chaves, resumo ou título o termo Gestalt-Terapia e/ou abordagem
gestáltica. Foram os casos dos trabalhos de mestrado de Moraes (1995), Silveira (1998), Pinto (2002) que tinham
respectivamente os seguintes títulos: O êxtase – uma abordagem do ponto de vista da psicologia clínica e das
religiões; A construção criativa na vida do casal: limites e possibilidades; Orientação sexual na escola e religião: um
encontro não confessado. A tese de doutorado de Moraes (2002), “Trabalhando com os fenômenos religiosos e
espirituais: uma proposta metodológica para avaliação da experiência de ampliação de consciência no processo
grupal”, e a de Holanda (2002) “O resgate da fenomenologia de Husserl e a pesquisa em psicologia” também não
foram computadas pelo mesmo motivo.
45
Trata-se do trabalho de Simões (2008).
122
Período
Quantas
dissertações?
Quantas
teses?
Distribuídas
por quantos
programas?
Quais programas?
De 1982 a
1985
De 1986 a
1990
2
__
1
Psicologia, Universidade de São Paulo (2)
4
__
4
Psicologia, Universidade de São Paulo (1)
Psicologia, Universidade de Brasília (1)
Psicologia, Fundação Getúlio Vargas (1)
Educação, Universidade Federal do Ceará (1)
De 1991 a
1995
7
2
7
Psicologia, Universidade de São Paulo (2)
Psicologia, Universidade de Brasília (1)
Educação, Universidade Federal do Ceará (1)
Psicologia, Universidade Federal do Rio de
Janeiro (2)
Psicologia
(da
Saúde).
Metodista de São Paulo (1)
Universidade
Psicologia Clínica, Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo (1)
Psicologia, Universidade do Estado do Rio de
Janeiro (1)
De 1996 a
2000
12
__
9
Psicologia, Universidade de São Paulo (3)
Psicologia, Universidade de Brasília (1)
Psicologia, Universidade Federal do Rio de
Janeiro (2)
Psicologia
(da
Saúde),
Metodista de São Paulo (1)
Universidade
Psicologia, Universidade Federal do Rio
Grande do Sul (1)
De 2001 a
2005
19
7
16
Psicologia, Universidade São Marcos, São
Paulo (1)
Filosofia. Universidade do Estado do Rio de
Janeiro (1)
Educação. Universidade Paulista, São Paulo
(1)
Ciências da Religião, Universidade Metodista
de São Paulo (1)
Psicologia, Universidade de São Paulo (1)
Psicologia, Universidade de Brasília (6)
Educação. Universidade Federal do Ceará (1)
Psicologia, Universidade Federal do Rio de
Janeiro (2)
Psicologia Clínica. Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo (2)
Psicologia. Universidade do Estado do Rio de
Janeiro (1)
123
Comunicação Social. Pontifícia Univ. Cat. do
Rio Grande do Sul (1)
Psicologia (Clínica). Universidade Católica de
Pernambuco (4)
Ergonomia. Universidade Federal de Santa
Catarina (1)
Educação. Universidade Católica de Goiás (1)
Psicologia (Clínica). Pontifícia Universidade
Católica de Campinas (1)
Educação. Pontifícia Universidade Católica de
Campinas (1)
Enfermagem. Universidade Federal do Ceará
(1)
Psicologia. Universidade Católica de Goiás
(1)
Filosofia. Univ. Fed. de Santa Catarina (1)
Educação. Univ. Fed. de Sta Catarina (1)
De 2006 a
2010
13
4
9
Psicologia, Universidade de Brasília (3)
Educação. Universidade Federal do Ceará (1)
Psicologia Clínica. Pontifícia Universidade
Católica de SP (1)
Comunicação Social. Pontifícia Univ. Cat. do
Rio Grande do Sul (1)
Ciências da Religião. Pontifícia Univ. Católica
de São Paulo (1)
Psicologia. Universidade Católica de Goiás
(3)
Psicologia Clínica e Social. Universidade
Federal do Pará (5)
Teatro. Universidade Federal do Estado do
Rio de Janeiro (1)
Educação. Universidade Federal do Espírito
Santo (1)
Quadro 6 – Dissertações e Teses em Gestalt-Terapia por Programa de Pós-Graduação
Fonte: ESCH, 2012
Analisando cada período de tempo, observamos um crescimento progressivo e,
à medida em que a produção aumenta, verifica-se também uma diversificação dos
programas de pós-graduação.
Assim, o primeiro período enfocado, que vai de 1982 a 1985, presencia um
surgimento tímido da Gestalt-Terapia, representado por dois trabalhos produzidos na
Universidade de São Paulo. O período seguinte (1986 a 1990) anuncia já uma
significativa difusão, se considerarmos o registro de quatro trabalhos, distribuídos por
quatro instituições distintas, e, o que é bastante elucidativo, quatro diferentes estados
124
brasileiros: Brasília, Rio de Janeiro, Ceará e São Paulo. Este período marca ainda o
primeiro trabalho defendido em outra área de conhecimento que não a psicologia.
Estamos nos referindo ao trabalho de Ana Maria Monte Coelho Frota, “Psicoterapia e
consciência social”, defendido na área da Educação, pela Universidade Federal do
Ceará. Esta área, nesta instituição, manterá presença constante na produção da
abordagem gestáltica, conforme pode ser observado no apêndice 7, que traz um mapa
síntese da produção por períodos e por programas de Pós-Graduação.
Aqui mais uma vez, observamos a presença da Gestalt-Terapia no eixo São
Paulo – Rio de Janeiro – Brasília, eixo a partir do qual esta abordagem conheceu sua
difusão e expansão para todo o território nacional.
A seguir, enfocando o período que vai de 1991 a 1995, vemos surgir as primeiras
teses de doutorado no referencial gestático, nos anos de 1992 e 1993. Trata-se dos
trabalhos de Ana Maria Loffredo, intitulado “De cotovelos apoiados no pára-peito da
palavra: no cenário clínico, qual é o horizonte?”46, pela Universidade de São Paulo e de
Wilma Lucia Castro Diniz Cardoso, sob o título “O homem e sua experiência com o
abortamento provocado da parceira”, pela Pontifícia Universidade Católica de São
Paulo.
Observa-se uma concentração de trabalhos nos estados de São Paulo e Rio de
Janeiro, embora Brasília se mantenha presente computando um trabalho no período
que vai de 1991 a 1995. É importante assinalar que esta é uma tendência que se
manterá no período seguinte.
No decorrer da década de 1990, ainda temos registrada a presença da GestaltTerapia também nos estados do Ceará e Rio Grande do Sul. Isto nos permite dizer que,
a esta altura, a abordagem gestáltica se difundira pelo meio acadêmico, se fazendo
presente nas regiões sudeste, centro-oeste, nordeste e sul.
O final da década de 1990 assiste a interlocução da Gestalt-Terapia com outras
áreas do conhecimento, como pode ser verificado por trabalhos defendidos nas áreas
da filosofia, com Cavanellas, (1998) e das Ciências da Religião, representada por
Santos (1999), e ainda, expandindo a presença na área da educação, desta vez na
Universidade Paulista.
46
Este trabalho dá origem ao livro “A cara e o rosto: ensaio sobre Gestalt-Terapia”, publicado pela Editora Escuta,
em 1994.
125
Na década de 2000, a distribuição de trabalhos de pós-graduação apresentou
novas tendências, a partir da proeminência alcançada pela Universidade de Brasília no
que diz respeito à produção em Gestalt-Terapia, superando a região sudeste, que
passa a participar com menos trabalhos. Um retrato do período indica a manutenção da
produção nas regiões sul e nordeste do Brasil, além do despontar da região Norte,
contribuindo com seus primeiros trabalhos.
No que diz respeito ainda à concentração de trabalhos, outros centros surgem na
história da abordagem, como uma quantidade significativa de trabalhos, como foi o
caso do Programa de Psicologia da Universidade Católica de Pernambuco, com 4
trabalhos no período de 2001 a 2005, embora não tenha ocorrido produção no período
seguinte.
No período que vai de 2006 a 2010, observou-se a presença de novas
instituições que, acreditamos, poderão vir a revelar-se como locais promissores para o
desenvolvimento de novos trabalhos no referencial gestáltico. É o caso do Programa de
Pós-Graduação de Psicologia da Universidade Católica de Goiás, que contribuiu com
três trabalhos e do Programa de Pós-Graduação de Psicologia da Universidade Federal
do Pará, com 5 trabalhos. O final da década de 2000 assiste ainda ao primeiro trabalho
realizado no Programa de Pós-Graduação de Educação da Universidade Federal do
Espírito Santo.
É ainda na década de 2000 que outras áreas do saber registram trabalhos no
referencial gestáltico, como se pode observar pelos Programas de Comunicação Social,
da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, nos anos de 2001 e 2007;
Ergonomia, da Universidade Federal de Santa Catarina, no ano de 2001; Enfermagem,
da Universidade Federal do Ceará, no ano de 2004; e finalmente, a área de Teatro da
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, no ano de 2007. As áreas de
Educação, Filosofia e Ciências da Religião continuam produzindo trabalhos sob o
referencial gestáltico.
Com o objetivo de ilustrar o crescimento da produção em cada qüinqüênio citado
apresentamos o gráfico 4 abaixo:
126
30
25
20
15
10
5
0
De 1981 a
1985
De 1986 a
1990
De 1991 a
1995
De 1996 a
2000
De 2001 a
2005
De 2006 a
2010
Gráfico 4 – Quantitativo de Dissertações e Teses por período
Fonte: ESCH, 2012
Os dados apontam para um crescimento gradativo nos primeiros cinco períodos
de tempo definidos, sendo que a produção do período de 2001 a 2005 representa o
dobro da produção do período anterior, indicando este período como o mais
significativo numericamente no que diz respeito aos trabalhos de pós-graduação. É
neste intervalo de tempo que se concentra a maior parte das teses em Gestalt-Terapia,
7 trabalhos, de um total de 13. O período seguinte, apesar de apresentar uma
diminuição, é superior ao período de 1996 a 2000, o que nos leva a considerar os anos
de 2001 a 2005 como sinalizando um pico de produção de caráter atípico.
No que diz respeito à distribuição dos trabalhos de pós-graduação, considerando
os diversos programas de universidades nacionais, constatou-se que 27 programas
acolheram trabalhos com o referencial da Gestalt-Terapia e/ou da abordagem
gestáltica. O gráfico 5 abaixo oferece-nos um indicativo da quantidade de trabalhos
defendidos por programas e pode ser considerado um retrato da situação atual da
abordagem no meio acadêmico.
127
14
12
10
8
6
4
2
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0
Gráfico 5 – Programas de Pós-Graduação com Dissertações e Teses no referencial gestáltico
Fonte: ESCH, 2012
Observa-se que a Universidade de Brasília concentra a maior parte dos trabalhos
em Gestalt-Terapia, seguida da Universidade de São Paulo e da Universidade Federal
do Rio de Janeiro. A esta constatação segue a necessidade de conhecer quem são os
orientadores desses trabalhos, informação que é de fundamental importância para
explicar o ranking de Programas de Pós-Gradução que possuem destaque na produção
no referencial gestáltico.
Vemos que a Universidade de Brasília reúne a maior parte de sua produção em
torno de Jorge Ponciano Ribeiro, responsável por orientar nove (9) dos doze (12)
trabalhos na área. Na Universidade de São Paulo, verifica-se a que a maior parte da
produção encontra-se vinculada à professora Henriette Tognetti Penha Morato, embora
de modo bem mais diluído, já que a mesma é responsável por três (3), dos nove (9)
trabalhos oriundos desta instituição. Encontramos o nome da profª. Henriette também
vinculado à Universidade Católica de Pernambuco, com dois trabalhos. Neste caso,
pode-se entender que o eixo de ligação entre esta profissional e os profissionais da
abordagem gestáltica é o referencial fenomenológico adotado. Além disso, aqui
podemos verificar a proximidade teórica entre a Gestalt-Terapia e a abordagem
centrada na pessoa, presente desde a chegada da Gestalt-Terapia ao Brasil, como já
pudemos enfatizar. Por fim, na Universidade Federal do Rio de Janeiro, os trabalhos se
128
concentram em torno da professora Élida Sigelmann de forma quase absoluta já que a
mesma foi a orientadora de cinco (5), dos seis (6) trabalhos produzidos.
Destes três orientadores citados, apenas Jorge Ponciano Ribeiro é filiado ao
referencial teórico da abordagem gestáltica, o que talvez explique o crescimento e a
posição de destaque que a Universidade de Brasília foi adquirindo, principalmente na
década de 2000.
Na década de 2000 outros profissionais, intitulados gestaltistas, assumem a
posição de orientadores, como Adriano Furtado Holanda e Adelma Pimentel, o que
pode ser um indicativo de continuidade e crescimento de trabalhos no referencial
gestáltico nos Programas nos quais estes professores encontram-se vinculados.
Analisando neste momento a concentração de trabalhos por regiões e estados
do Brasil, utilizamo-nos do gráfico 6 para apresentar a distribuição de dissertações e
teses por regiões do Brasil e do gráfico 7 para apresentar a distribuição destes
trabalhos por estados brasileiros.
Quantidade
Sudeste
Centro-Oeste
Nordeste
Sul
Norte
Gráfico 6 – Distribuição de Dissertações e Teses por regiões do Brasil
Fonte: ESCH, 2012
A Região Sudeste concentra 47,14 % da produção nacional, significando que
praticamente a metade da totalidade dos trabalhos encontram-se nesta parte do país.
Do restante da produção, observamos que recebe destaque a região Centro-Oeste,
com 24,28 % da produção. A região Nordeste, por sua vez, responde por 12, 86 da
produção nacional, enquanto as regiões Norte e Sul contribuem com pequena
quantidade, porém equilibradas entre si, 7,14 cada.
129
No que diz respeito à concentração de trabalhos por unidades federativas,
observamos a seguinte configuração:
Gráfico 7 – Distribuição de Disertações e Teses por Estados brasileiros
Fonte: ESCH, 2012
Os trabalhos de pós-graduação que fizeram parte deste levantamento
encontram-se no apêndice 8 desta dissertação.
O presente capítulo concentrou-se em apresentar a produção escrita no
referencial gestáltico, a partir do surgimento de periódicos específicos em GestaltTerapia e/ou na abordagem gestáltica, dos artigos publicados em periódicos em geral e,
por fim, a partir das dissertações de mestrado e teses de doutorado defendidas sob
este enfoque.
No capítulo seguinte ocuparemo-nos da análise da produção escrita em GestaltTerapia e/ou na Abordagem Gestáltica, considerando as três categorias já enfatizadas
aqui. Buscaremos uma análise e compreensão dessa produção no contexto da história
e desenvolvimento da Gestalt-Terapia no Brasil. Além disso, consideraremos os autores
desses trabalhos, buscando relacionar a sua produção por eixos temáticos, procurando
considerar e relacionar esta produção a partir das categorias em questão: “periódicos
específicos”, “periódicos em geral” e “dissertações e teses”. Com isso, esperamos
poder identificar os rumos adotados e caminhos percorridos pela Gestalt-Terapia e
Abordagem Gestáltica no Brasil.
130
4 OS RUMOS DA GESTALT-TERAPIA NO BRASIL: DA GESTALT-TERAPIA À
ABORDAGEM GESTÁLTICA
Anos 60 passados, a verdade é que tanto a física moderna, as filosofias orientais como
a abordagem dialógica de Martin Buber [...] falam da unidade de todas as coisas, da
importância de nos redescobrirmos como manifestação da energia universal, e desta
forma redescobrirmos nossas ligações com os ventos, as estrelas, as marés, a
natureza, estendendo nossa awareness para além de nossos limites pessoais,
ampliando nosso sentido de fronteiras para onde ‘eu sou eu mas também sou tu, e tu és
tu mas também sois eu’ (CIORNAI, 1991b, p. 6).
Neste capítulo pretendemos analisar a produção brasileira em Gestalt-Terapia
e/ou na abordagem gestáltica, considerando as três fontes eleitas para este estudo:
artigos publicados em periódicos em geral, artigos publicados em periódicos específicos
de Gestalt-Terapia e dissertações e teses que trazem o referencial gestáltico como foco
central de seus trabalhos. Daremos ênfase às tendências temáticas verificadas e
buscaremos relacionar os dados encontrados com o momento da Gestalt-Terapia no
Brasil, seu desenvolvimento, bem como com as transformações e demandas no âmbito
da psicologia como ciência e prática.
O tão citado artigo inaugural pelo qual a Gestal-Terapia foi apresentada no
Brasil, “Elementos de Psicoterapia Guestaltica” (TELLEGEN, 1972, p. 31), traz um
panorama bastante claro da abordagem, conforme comentamos anteriormente.
Apresenta as fontes da Gestalt-Terapia, considerando estas terem sido três, a partir das
influências sofridas por Frederick Perls, considerado no artigo “o pai da técnica”: a
psicanálise, Kurt Goldstein e sua visão organísmica e, por fim, a filosofia existencial,
através do contato de Perls com Martin Buber e J. Tillich. Aqui, vemos, portanto, a
predominância absoluta da figura de Perls como fundador da Gestalt-Terapia, além da
associação com o aspecto técnico de modo exclusivo.
O artigo percorre ainda alguns dos princípios básicos da Gestalt-Terapia, como a
noção de funcionamento sadio do organismo, e a idéia de fluidez no processo de
formação, destruição e substituição de figuras como condição necessária ao bom
funcionamento organísmico. Neste contexto, aponta a awareness como elemento chave
para que haja a fluidez no processo de formação e substituição de figuras e menciona a
131
definição de Perls da terapia como a “integração de atenção e awaraness” (TELLEGEN,
1972, p. 34).
Para Perls, boa parte da awareness seria o resultado de uma aprendizagem, um
treino de percepção, de contato com a realidade total, tanto ambiental como pessoal,
razão pela qual a ênfase é colocada no COMO o paciente bloqueia essa percepção e
não no POR QUE. Estando a ênfase no como, torna-se facilmente compreensível
porque o trabalho da Gestalt-Terapia fosse pautado fundamentalmente no aqui e agora,
focalizando os aspectos observáveis no comportamento do paciente.
Na perspectiva gestáltica, amadurecer requer a transição de apoio em recursos
alheios para o auto-suporte, autonomia. O termo neurose seria então o indicativo de um
distúrbio evolutivo, e expressaria a maneira pela qual nos impedimos de crescer,
amadurecer. Tal visão da neurose desloca-a de seu terreno habitual, médico, para o
terreno educacional.
Desse modo, a autora assinala e expõe os elementos básicos em GestaltTerapia (TELLEGEN, 1972, p. 36):
- o pleno contato com o aqui e agora, a cada momento: awareness.
- ênfase no “como” de preferência ao “por que”. Explicar pouco, interpretar nada, fazer
sentir, experenciar.
- fazer a pessoa assumir responsabilidade por seus gestos, sentimentos e atos, descobrir
os seus próprios recursos e usá-los.
Contudo, a Gestalt-Terapia, vista pelas lentes de Tellegen, enfatiza a
originalidade desta abordagem mais na sua maneira de trabalhar do que nas suas
bases teóricas (1972, p. 28). A autora passa a descrever como se desenvolve um grupo
gestáltico. Destacamos a seguir os pontos que explicitamente chamaram sua atenção
no encontro com esta abordagem, os quais ela propagou para o público a partir da
publicação de seu artigo.
Primeiramente, no que diz respeito à pessoa responsável pela condução do
grupo, lemos:
o que chama atenção é a atitude descontraída do monitor, sem a mínima tentativa de
manter a distância. Ele é iniciador do trabalho grupal e esta atitude se repete várias
vezes no decorrer do processo. Ele tem um papel muito ativo, mais acentuadamente no
início do que depois, e se coloca dentro do grupo com seus próprios sentimentos e
reações. Para quem já participou de sócio-análise ou T-grupo clássico, isto representa
uma longa distância da figura do monitor ‘neutro’, e do seu silêncio irritante e
132
desesperador, principalmente na fase inicial do grupo. Aproxima-se mais da atitude do
terapeuta existencial que entra na situação não com o papel e sim com sua pessoa
inteira (TELLEGEN, 1972, p. 29).
Seguida de sua apresentação pessoal, o monitor resume os objetivos e
estabelece claramente as regras do jogo: “estamos aqui para ampliar a nossa
percepção, para aprender a expressar aquilo que percebemos e sentimos e para
compreender aquilo que os outros expressam” (1972, p. 29).
A respeito do desenrolar do trabalho, temos que
É um trabalho pessoal dentro de um grupo. Um dos participantes se propõe a ‘trabalhar’
e trabalhar significa ter um ‘encontro’ com o monitor, ou no jargão gestáltico, sentar no
‘hot seat’, no lugar quente, uma almofada na frente do terapeuta. Num certo sentido,
esta pessoa se destaca do contexto grupal e se torna foco de atenção. Mais uma vez
em linguagem gestáltica, o grupo se torna fundo e o que se destaca como figura é o
encontro terapeuta-paciente. Durante todo esse diálogo ou encontro o grupo se mantém
na posição de fundo. Há pouca participação manifesta; intervenções de participantes,
quando muito prementes, não são proibidas mas certamente desencorajadas. O grupo,
nesta fase, funciona como uma espécie de caixa de ressonância; cada qual lida dentro
de si com as reações que a situação lhe provoca. Muitas vezes trata-se de respostas
emocionais muito intensas. Quando termina o trabalho ou quando há uma ligação direta
entre as comunicações da pessoa que ocupa o ‘hot seat’ e um ou mais participantes do
grupo, estes passam a relatar suas reações, seus sentimentos e envolvimentos, como
uma espécie de coro grego que canta as suas reações ao ‘drama’ que acabou de
desenrolar. E de fato, há muitos momentos dramáticos nestes encontros do ‘hot seat’.
Não que o terapeuta busque efeitos dramáticos, mas ele leva a pessoa a ir até o fim
sem recusar diante de sensações de medo e angústia, sem fugir de sentimentos
negativos (TELLEGEN, 1972, p. 29).
Outro elemento destacado pela autora é o fato de não haver interpretação,
estando o terapeuta responsável por facilitar a integração na percepção da pessoa de
um comportamento dissociado, negligenciado.
Os instrumentos da Gestalt-Terapia, quando bem utilizados, são concebidos
como poderosos, no sentido de facilitar o contato do paciente com a situação tratada e
consigo mesmo e com isso, facilitar o processo de integração. No entanto, é feito um
alerta que indica a necessidade do terapeuta avaliar a recusa de um paciente para
explorar certas áreas. Aqui, é feita menção à sabedoria das defesas do paciente,
pautada pelo princípio da auto-regulação e, portanto, à necessidade do terapeuta
respeitá-las.
Por fim, a autora observa que, sob a nomenclatura de trabalho em grupo, o que
se realiza de fato, é terapia individual em grupo.
133
Ciornai (1991) endossa essa posição ao afirmar que o trabalho terapêutico em
grupo, tal como conheceu nos Estados Unidos, era, em sua grande maioria, do tipo hot
seat, isto é, centrado no trabalho com uma pessoa dentro do grupo, sem trabalhar a
dinâmica do grupo. Em outras palavras, o que se observava nos trabalhos em grupo de
Gestalt era que o foco reacaía exclusivamente nos processos intrapessoais. Por sua
vez, a autora pontua que, ao chegar no Brasil, em 1983, chamou sua atenção a
diferença de enfoque, pois os profissionais se encontravam bastante atentos aos
processos grupais, aos emergentes grupais, e a existência ou não de suporte grupal. A
autora conclui que, no Brasil, processos interpessoais e grupais sempre foram uma
importante parte da Gestalt-Terapia.
É interessante que aqui, verificamos a tendência da Gestalt-Terapia realizada no
Brasil em oferecer um olhar diferente ao que era dado nos Estados Unidos ao trabalho
em grupo, sendo talvez esta primeira manifestação de uma Gestalt-Terapia com
qualidades nacionais.
Verificamos ainda que a aplicação da Gestalt-Terapia ao trabalho em grupos foi
o ponto de atenção inicial presente nas primeiras produções em Gestalt-Terapia no
Brasil. Referimo-nos às três primeiras dissertações de mestrado defendidas no Brasil,
que abordavam justamente o enfoque grupal na Gestalt-Terapia (TELLEGEN, 1982;
FRAZÃO, 1983; LIMA, 1988). Os próximos trabalhos a abordar esta temática foram os
de Boris (1992, 1993, 1995), sendo deste autor a única dissertação de mestrado da
década de 1990 a adotar o enfoque grupal como eixo principal de seu estudo.
Registramos ainda a publicação de Cardoso (1999) nesta direção.
A crescente produção em Gestalt-Terapia que se seguiu deu lugar a uma
diversificação dos temas tratados, embora tenha sido possível delinear algumas
tendências.
A análise das produções nas décadas de 1990 e 2000 ocorreu a partir dos
seguintes critérios: priorizaram-se as dissertações e teses como fonte primordial de
análise, buscando-se verificar, dentre os autores destes trabalhos, aqueles que
divulgaram seus estudos em periódicos em geral ou periódicos específicos. Procurouse ainda abordar, dentro da produção em geral levantada, as temáticas que se
134
destacavam. A produção em geral, por sua vez, foi agrupada através da organização
em eixos temáticos.
4.1 A produção em Gestalt-Terapia na década de 1990
Ainda no final da década de 1980, o trabalho de Porto (1989), inaugura novo
momento na Gestalt-Terapia no Brasil, ao abordar suas bases filosóficas, em trabalho
intititulado “Bases filosóficas e implicações técnicas na Gestalt-Terapia”. Observa-se no
decorrer da década de 1990 uma concentração de trabalhos que abordam o
embasamento filosófico da Gestalt-Terapia, sendo que estes encontram-se distribuídos,
em sua maioria, por duas das três fontes de estudo eleitas para esta dissertação:
artigos publicados em periódicos em geral e artigos publicados em periódicos
específicos.
Assim, de 18 títulos registrados na década de 1990, na categoria “artigos
publicados em periódicos em geral”, 5 deles versaram sobre as bases filosóficas que
sustentam o referencial gestáltico e sobre as quais se ergue a Gestalt-Terapia
(SAMPAIO, 1991; MOREIRA, 2004; HOLANDA, 1994; MELO, 1997; CARDOSO, 1999).
Ao considerarmos os artigos publicados em periódicos específicos, encontraram-se
trabalhos de (REHFELD, 1991; 1995; BARROSO, 1993; MARTINS, 1995; 1996).
Ao mesmo tempo, ocorre uma outra área de concentração que explora os
principais conceitos e teorias presentes no corpo da Gestalt-Terapia, sendo que aqui,
encontrou-se trabalhos nas três fontes eleitas para a elaboração desta disertação,
artigos publicados em periódicos em geral47 (ZAIDAM, 1990; GODELI, 1991;
FERREIRA; LIMA, 1995; HOLANDA, 1998), artigos publicados em periódicos
específicos de Gestalt-Terapia (BARROSO, 1996; CHAGAS, 1996; BARBALHO, 1998),
e dissertações e teses (GORENSTIN, 1992; VASCONCELOS, 1994; LIMA, 1997).
Vemos aqui, portanto, a mobilização da comunidade gestáltica em fundamentar sua
prática a partir do embasamento filosófico e um esforço de teorização na área. Pode-se
47
Dos 18 artigos publicados em periódicos em geral, na década de 1990, 4 deles abordaram conceitos próprios da
perspectiva gestáltica.
135
então pensar que a necessidade de construir um corpo de conhecimentos é uma
possível explicação para o rumo das produções em Gestalt-Terapia no decorrer da
década de 1990.
Ainda tratando do direcionamento da produção da década de 1990, merece
destaque o eixo que pretende relacionar a Gestalt-Terapia, enquanto prática
psicoterápica, a uma proposta sócio-política. Neste sentido, a dissertação de mestrado
de Frota (1990) inaugura este tipo de produção. Seu trabalho “Psicoterapia e
consciência social”, tem o objetivo de esclarecer de que forma a psicoterapia de base
humanista – onde a autora insere a Gestalt-Terapia, juntamente com a abordagem
centrada na pessoa – pode ser instrumento de conscientização social e política. O
trabalho pretendeu, a partir da realização de entrevistas com psicoterapeutas, captar
sua visão do ato terapêutico enquanto “ato político”, ou meramente técnico-psicológico.
Na mesma linha, a dissertação de mestrado de Távora (1994), sob o título “Análise
teórico-prática dos limites e possibilidades de um projeto para a clínica no discurso da
Gestalt-Terapia”, questiona a possibilidade de um projeto para a psicoterapia que
transcenda o nível individual.
Cabe mencionar que Távora apresentou diversas publicações em torno da
temática de vincular a Gestalt-Terapia como prática psicoterápica a um projeto político,
como se pode observar em Távora (1995, 1996, 1997).
Verificou-se ainda na categoria “artigos publicados em periódicos específicos de
Gestalt-Terapia” que outros autores exploraram esta temática (LILIENTHAL, 1998;
MARTINS, 1998a; 1998b), evidenciando uma preocupação de estender a prática da
Gestalt-Terapia ao social.
Ainda neste eixo temático, alguns trabalhos, além de trazerem uma preocupação
sócio-politica, se direcionam para uma aplicação prática da abordagem gestáltica à
realidade social. São os casos dos trabalhos de dissertação de mestrado de Zurba
(1997), intitulado “A abordagem gestáltica e construtivista na compreensão do
desenvolvimento da autonomia e da subjetividade de jovens em situação de risco
durante o uso do sistema hipernet” e Lilienthal (1997), “A Gestaltpedagogia sai às ruas
para trabalhar com crianças e educadores de rua”. Nesta última, o autor discute sobre
trabalhos em grupo, em duas perspectivas: na formação e desenvolvimento de
136
educadores de rua e na supervisão de apoio psicológico na abordagem gestáltica, além
de discutir a impossibilidade de um trabalho terapêutico/pedagógico ser apolítico.
O trabalho de Lilienthal (1997) merece destaque ainda por inaugurar no Brasil
estudos no âmbito da Gestaltpedagogia48, definida em linhas gerais como uma
abordagem pedagógica com princípios fundamentados na Gestalt-Terapia, o que
equivale dizer, fundamentada na psicologia humanista e na filosofia existencial, tendo
na fenomenologia sua metodologia de trabalho (LILIENTHAL, 2007).
A primeira produção escrita em gestalpedagogia chegou-nos, via tradução
publicada em 1984 e realizada também por Luiz Lilienthal, do livro de autoria de
Olaf.Axel Burow e Karkheinz Scherpp. Considerando que a primeira edição desta obra
data de 1981, vemos quão rapidamente a comunidade gestáltica brasileira teve acesso
a esta literatura, o que permitiu inaugurar estudos nacionais nesta área.
Pode-se dizer que a Gestaltpedagogia é a extensão e expansão mais óbvia –
como se pode ver pelo próprio nome – dos princípios gestálticos a outras áreas do
saber, particularmente, nesse caso, no âmbito da saúde e educação 49.
Ainda se tratando de expansão, a década de 1990, além do caso já mencionado
da gestalpedagogia, assistiu-se a outras produções que procuravam ampliar o escopo
de aplicação da abordagem gestáltica. Assim, Ciornai (1994, 1995a, 1995b) explora a
relação entre arte, criatividade, saúde e psicoterapia, o que acaba por resultar no que
se convencionou chamar “arte terapia gestáltica”. Encontramos ainda os trabalhos de
Ferreira (1997) e Ferreira e Sigelmann (1999), que abordaram a orientação vocacional
clínica sob a perspectiva da Gestalt-Terapia. O tema da clínica também abordou o
próprio processo de formação do gestalt-terapeuta, buscando assim a identidade deste
profissional, em trabalho de mestrado de Cardella (1998), intitulado “A incorporação do
conhecimento como criação de si mesmo na formação do gestalt-terapeuta”.
Um outro eixo relaciona aspectos técnicos no trabalho em Gestalt-Terapia. Neste
caso, tivemos a dissertação de mestrado que abordou o tema “sonhos”, de Lima Filho
48
A Gestaltpedagogia foi proposta inicialmente pelo russo radicado na Alemanha, Hilarion Petzold, em 1977
(Lilienthal, 2007)
49
Lilienthal (2007) informa que a Gestal-pedagogia pode ser também aplicada à prática de outras áreas como
psicologia, fisioterapia, terapia ocupacional, serviço social, fonoaudiologia, odontologia, enfermagem e medicina,
como abordagem propiciadora de aprendizagem, saúde e desenvolvimento, uma vez que tem uma função
(psico)profilática.
137
(1991); e artigos que abordaram a presença do “corpo” na terapia gestáltica (ZAIDAM,
1991; NASCIMENTO, 1999).
Como já observamos, o movimento de criação de periódicos específicos em
Gestalt-Terapia, na década de 1990, foi de suma importância para a produção escrita
na área, tendo incentivado e ampliado sobremaneira a produção em Gestalt. Neste
momento, enfocaremos os estudos de Ciornai (1991, 1991b, 1996, 1998) exatamente
porque os mesmos apresentam como característica geral abordar aspectos da GestaltTerapia no Brasil. Pode-se dizer que a autora, em seus estudos, procurou realizar um
acompanhamento das principais tendências e caminhos tomados pela Gestalt-terapia
no Brasil.
Assim, seu artigo intitulado Gestalt-Terapia hoje: resgate e expansão50, Ciornai
(1991) tem como proposta fazer um mapeamento das principais tendências e questões
que caracterizavam aquele momento da história da Gestalt-Terapia no Brasil. É digno
de registro seu comentário que aponta o desejo de “compartilhar o aonde cheguei,
esperando com isto poder contribuir para um movimento nosso, de busca, encontro, e
quem sabe, criação de algumas respostas” (CIORNAI, 1991, p. 9, grifos da autora).
Aqui, está claramente presente a identificação da autora com uma comunidade
gestaltista brasileira, que se encontrava, naquele momento, às voltas com uma série de
questionamentos surgidos tanto na prática como na reflexão sobre esta prática, somada
à necessidade de construir uma Gestalt-Terapia nacional. Tratava-se de um momento
de resgate e explicitação das bases fundamentais da Gestalt-Terapia, ao mesmo tempo
em que se tratava de um momento de expansão.
Alguns pontos assinalados por Ciornai (1991) como significativos do movimento
gestáltico produzido no Brasil, quando já caminhávamos para o final de década de 1980
são: a necessidade de uma explicitação mais clara dos pilares teóricos que sustentam a
abordagem gestáltica; a necessidade crescente de elaboração de um pensamento
diagnóstico; a ênfase no relacionamento terapeuta-cliente, surgida da crescente
importância dada ao processo psicoterapêutico, diferenciando-se assim esses
50
É importante mencionar que o artigo citado foi originalmente apresentado no IV Seminário de Gestalt-Terapia de
São Paulo em dezembro de 1987 e na ocasião de sua publicação pela Revista Gestalt, n. 1, 1991, a autora esclarece
que conservou-o em seu formato original, sob a justificativa de considerar as questões ali levantadas ainda atuais e
relevantes.
138
processos dos ‘episódios terapêuticos’ que caracterizaram a maior parte dos trabalhos
gestálticos dos anos 1960.
Em relação ao primeiro ponto, que caracteriza uma ênfase na importância da
teoria para a prática psicoterapêutica, observamos que grande parte da produção que
levantamos sobre Gestalt-Terapia no decorrer da década de 1990 esteve centrada
neste aspecto, revelando que a preocupação assinalada por Ciornai estava presente na
comunidade gestáltica.
Sobre este movimento, Ciornai, neste texto do início da década de 1990, alerta
para que não percamos de vista aquilo que chama de “epistemologia da direta
experiência sensorial” (CIORNAI, 1991, p. 10) – o entendimento de que conhecimento,
informação e sabedoria não são sinônimos, e que o verdadeiro saber tem que ser
apreendido organismicamente. Em outras palavras, o que se está falando é da
necessidade e possibilidade de se contemplar igualmente os aspectos teóricos e
vivenciais, e não se resvalar para um destes pólos isoladamente, reproduzindo famosas
dicotomias, tão combatidas pela Gestalt-Terapia. Certamente, a autora fala de uma
preocupação de que ao se enfatizar os aspectos teóricos e o embasamento filosófico
da Gestalt-Terapia, ocorra o negligenciamento de um aspecto tão rico da abordagem,
seu caráter vivencial, experencial e de experimentação.
Neste ponto, a autora fala ainda da necessidade de reformular o conceito de
“vivência”, “comumente ‘mal’ entendido como algo que necessariamente implica em
atuações de cunhos cênicos, confrontos dramáticos ou episódios de catarses emotivas”
(CIORNAI, 1991, p. 11). Sugere então, em termos bem mais apropriados à visão mais
apurada e menos caricatural da Gestalt-Terapia,
Vivência, [como] compreendida como o envolvimento da totalidade do ser de uma
pessoa, [isto é, do sensorial, cognitivo etc., e que] pode ser algo tão extremamente
suave e sutil como a delicadeza do movimento de uma pluma a um levíssimo sopro de
brisa, movimento este pouco ou nada ‘visível’ para eventuais ‘espectadores’, mas
possivelmente muito significante para quem o experencia (CIORNAI, 1991, p. 11).
No que se refere à tendência à expansão da Gestalt-Terapia, acreditamos que a
análise da produção realizada acima demonstrou o que se queria dizer com o termo
“expansão”.
139
Para o tratamento do segundo tópico, que aborda a necessidade da elaboração
de um pensamento diagnóstico, utilizamo-nos de outro estudo da mesma autora,
Ciornai (1991b), em que a situação em questão é exposta a partir do que a autora
denomina “abrangência do modelo gestáltico”. Neste particular, a autora afirma vir
sentindo necessidade de uma compreensão mais elaborada dos entraves e dificuldades
apresentadas pelos clientes. É justamente aqui que se situa as incursões da
abordagem gestáltica, na teoria das relações objetais, o que acabou por gerar
discussões acaloradas no seio da comunidade gestáltica, justamente por levantar a
questão da propriedade de integrar perspectivas psicanalíticas e diagnósticas em
Gestalt-Terapia51.
Frazão (1992), também realizou incursões na teoria das relações objetais.
Partindo da reflexão sobre sua prática clínica, relata o quanto esta determinou uma
busca de embasamento teórico que permitisse ao gestalt-terapeuta compreender o
significado do sintoma. Propõe então os modelos mais recentes das teorias das
Relações Objetais como eventuais auxiliares para a instrumentalização do pensamento
diagnóstico em Gestalt-Terapia, discorrendo sobre os pontos de concordância que esta
teoria relacional teria com os pressupostos básicos da Gestalt-Terapia.
O assunto diagnóstico e o debate em termos de sua apropriação por
profissionais da Gestalt-Terapia foi objeto de vários estudos, resultando em formulações
que se tornaram referência para os Gestalt-Terapeutas. Destacam-se neste sentido, os
estudos de Frazão (1991, 1992, 1995, 1996, 1997, 1999), particularmente sua proposta
de “pensamento diagnóstico processual” como a formulação que melhor atende aos
princípios gestálticos (FRAZÃO, 1996). Barroso (1992), por sua vez, também se
dedicou a este tema, retomando a questão do diagnóstico enfocando-o sob um prisma
fenomenológico existencial. No que tange a temática “diagnóstico” registrou-se também
a dissertação de mestrado de Quadros (1991) sob o título “Diagnóstico em GestaltTerapia: possibilidades e limites”.
51
No que diz respeito à adoção de categorias diagnosticas, Ciornai (1991b) diz que o que dá coerência a uma postura
fenomenológica é a atitude adotada pelo terapeuta, mais do que o fato dele se utilizar de “mapas” para “ler” o cliente,
o que muitas vezes é necessário e crucial. Sobre a apropriação de perspectivas psicanalíticas, por sua vez, a autora
busca uma aproximação de conceitos da teoria das relações objetais à Gestalt-Terapia, como o conceito de ‘outro
internalizado’, de ‘partes de outro’ ou do ‘ideal do outro’, afirmando não serem estes conceitos estranhos à abordagem
gestáltica. Exemplifica dizendo que quando se sugere ao cliente que atue um diálogo com a figura imaginada do pai,
evidentemente não é o pai real que está em questão.
140
Vale dizer que o tema “diagnóstico” norteou a edição do V Encontro Goiano da
Abordagem Gestáltica, ocorrido no ano de 1999, intitulado “Humanizando o
diagnóstico”.
Neste ponto, consideramos apropriado incluir aqui a interlocução entre a GestaltTerapia e a psiquiatria, realizada no decorrer da década de 1990 especialmente com
Silva (1994, 1996) e Canedo (1996).
Como vimos no capítulo 2, uma das fases do movimento inicial da Gestalt-Terapia
no Brasil foi marcada pela incursão por referenciais externos. A este respeito, pudemos
dar um maior desenvolvimento, neste capítulo, no que se refere à aproximação da
Gestalt-Terapia com a teoria das relações objetais, filiada ao referencial neopsicanalítico.
Ao analisar a produção escrita na área, contudo, observou-se que este
movimento de incursão de profissionais dedicados à Gestalt-Terapia a outros
referenciais teóricos, representava um outro eixo de análise. Incluem-se neste eixo as
dissertações de mestrado de Zlotnic (1990) e Penteado (1998), a primeira tese de
doutorado catalogada, de autoria de Loffredo (1992), além de artigos em periódicos em
geral (SIMÕES, 1989; TAVARES, 1991; MORAES, 1991).
Deste movimento significativo de um momento na história da Gestalt-Terapia
brasileira, o que pôde ser observado é que alguns profissionais que buscaram associála a outros referenciais acabaram vinculando-se, de fato, a outros referenciais teóricos,
enquanto outros, apesar de realizarem a dita incursão, mantiveram-se filiados à GestaltTerapia e buscaram a coerência destes outros referenciais com a perspectiva
gestáltica. É o caso de Frazão e Ciornai, já mencionados.
É o caso também do grupo coordenado por Myrian Bove Fernandes (2000), que
tinha como objetivo a criação de um modelo gestáltico para a compreensão dos
processos de desenvolvimento das crianças, utilizando-se para isso de aproximações
com a teoria do apego, elaborada por Bowlby52.
A propósito, daremos destaque a alguns profissionais que foram responsáveis no
Brasil, por inaugurar este campo de estudos que trata especificamente do
desenvolvimento de uma clínica infantil na perspectiva gestáltica.
52
A este respeito, ver artigo intitulado “Figuras de apego: matriz dos vínculos afetivos” (Fernandes et al, 2000),
publicado pela Revista de Gestalt.
141
Como aconteceu com a própria recepção da Gestalt-Terapia, e também com a
gestaltpedagogia, o acesso da comunidade gestáltica brasileira à literatura referente à
clinica infantil, ocorreu inicialmente via tradução de publicação estrangeira, com o livro
de Violet Oaklander, “Descobrindo crianças”, publicado no Brasil no ano de 1980, como
pode ser consultado no apêndice 1 desta dissertação.
O que se supõe ser o primeiro livro de psicoterapia infantil nacional na abordagem
gestáltica é de autoria de Cleufe Maria Perazzolo de Zorzi, intitulado “Nós, as crianças:
uma abordagem gestáltica em psicologia infantil”, publicado em 1991, conforme consta
do apêndice 2 desta dissertação. Não obstante o caráter pioneiro da obra, esta foi a
única publicação que encontramos desta autora.
Já no ano seguinte, Rosana Zanella defende a primeira dissertação de mestrado
com o tema da clínica infantil na perspectiva gestática sob o título “Contatuando com
figura e fundo: uma contribuição à psicoterapia de grupo infantil na abordagem gestáltica
em psicoterapia”.
No que diz respeito a publicações em periódicos, a comunidade gestáltica
recebeu as primeiras produções, de autoria de Fernandes (1996), Fernandes e
colaboradores (1998) e Costa (1995). Myrian Bove Fernandes53 apresentou artigos sob
os seguintes títulos “Reflexões sobre atendimento infantil em Gestalt-Terapia”, pelo
Gestalt-Terapia Jornal e “Gestalt e crianças: crescimento”, pela Revista de Gestalt; além
de um trabalho em parceria com outros autores, intitulado ”Reflexões sobre o
desenvolvimento da criança segundo a perspectiva da Gestalt-Terapia”, também pela
Revista de Gestalt. Já Heloisa Rodrigues da Costa, em publicação da Revista Vita,
escreve “Gestalt-Terapia com crianças – ampliando fronteiras”.
Voltando à Ciornai, abordaremos o terceiro aspecto observado pela autora como
tendência na construção de uma Gestalt-Terapia brasileira. Aqui, o foco recai sobre a
ênfase dada à relação terapeuta-cliente, que passou a adotar como referência o modelo
dialógico buberiano como aquele que deve caracterizar a relação terapeuta-cliente em
53
A autora apresenta ainda nesta década outras publicações, quer individuais quer em parceria com seu grupo de
estudos, a saber: uma publicação na Revista do II Encontro Goiano de Gestalt-Terapia, sob o título “Trabalhos com
crianças, adolescentes e famílias em Gestalt-Terapia” (1996) e “A gênese da construção da identidade e da
expansão de fronteiras na criança” (Revista de Gestalt, 1998), escrito em colaboração com Claudia Ranaldi
Nogueira; Eviene Abduch Lazaros; Sandra Regina Cardoso; Tereza Cristina Pedroso Ajzenberg; Claudia Magri
Maffei. Publicações mais recentes respondem pelo título “A função fraterna” (2004), pela Revista Gestalt Terapia
Jornal IX e “Crianças da Era de Aquárius: perspectivas de novos percursos” (2006), pela Revista Sampa GT.
142
Gestalt-Terapia.
Este
tema
é
parte,
contudo,
dos
desdobramentos
e
do
desenvolvimento posterior da abordagem gestaltica. Foi a partir de meados dos anos
1980 que Buber passou a ser considerado como literatura básica, e o termo “relação
dialógica” passou a ser explicitado, elaborado e articulado como tal, dentro do
referencial teórico gestáltico. Vemos então como a comunidade gestáltica brasileira
encontrava-se afinada e “em dia” com as inovações e desenvolvimentos que sofreu a
abordagem no decorrer de sua história. Neste particular, merece destaque o artigo de
Holanda (1994) intitulado “Filosofia dialógica e Gestalt-Terapia”, como o primeiro
trabalho brasileiro a abordar as relações entre a Gestalt-Terapia e a filosofia dialógica.
É digno de nota que esta publicação tenha antecedido a tradução de obras de autores
estrangeiros que se dedicavam ao tema em questão, em especial os livros de Hycner
(1995) e Hycner e Jacobs (1997), conforme pode ser verificado no apêndice 1 desta
dissertação.
Aproveitando a tendência de reservar um olhar próprio para a relação
terapêutica, Ciornai (1966, p. 12-13, grifos da autora) resgata o fato de que, ainda que a
Gestalt-Terapia tenha sempre privilegiado o indivíduo “em relação” (e não o indivíduo
isolado), através dos conceitos de contato, fronteiras e distúrbios de contato, e inclusive
através da própria definição de self como sendo a ‘fronteira de contato em ação’,
quando se olha em retrospecto o que se recolhe é que muitos trabalhos
“caracterizavam-se por um trabalho muito mais do cliente dirigido pelo terapeuta, do
que os trabalhos onde a relação com o terapeuta tornava-se figura, o que traz
elementos importantes e valiosos para o trabalho terapêutico”. Contudo, como já
observamos, no Brasil, esta tendência não pareceu triunfar, visto que a atenção aos
processos grupais e as relações interpessoais constituíram-se como marcas dos
trabalhos em Gestalt-Terapia.
Por fim, a idéia de processo psicoterapêutico com sua ênfase no relacionamento
terapeuta-cliente levou, de acordo com Ciornai (1991), a uma melhor compreensão e
correção da visão caricatural e distorcida dos conceitos de awareness e aqui-e-agora, os
quais muitas vezes, acabavam por centrar o fazer terapêutico exclusivamente no
instante presente. Neste ponto, Ciornai (1991, p. 11-12) recorre a Gary Yontef (1979;
143
1986), autor que tem enfatizado em seus escritos que, embora awareness seja sempre
aqui e agora,
o objeto da awareness pode ser algo específico de outro tempo ou de outro espaço,
esclarecendo que quando a awareness tem a excitação de estar em contato com o que
é importante no momento para a pessoa, mesmo que seja algo de sua história, isto
significa que a pessoa está centrada no presente.
Vemos aqui, pois, como alguns conceitos da Gestalt-Terapia que geraram mal
entendidos e distorções, inclusive comprometendo e/ou denegrindo sua imagem, foram
objeto de novas formulações, num processo de desenvolvimento da própria GestaltTerapia, enquanto teoria e prática.
Ainda pensando nas peculiaridades e na formação de uma Gestalt-Terapia
nacional, Ciornai (1996) compara o que denomina ‘Gestalt de antes’ com a ‘Gestalt de
agora’. Em suas palavras:
Percebo a ‘Gestalt de antes’, que para mim foi a Gestalt que conheci na Califórnia até
83, como mais criativa, mais solta, mais espontânea, mais à vontade no uso de
experimentos e recursos expressivos [...] Em contrapartida sinto a ‘Gestalt de agora’,
como característica geral, mais cuidadosa e mais preocupada com o suporte para a
relação terapêutica (CIORNAI, 1996, p. 10).
A autora vê na Gestalt-Terapia praticada na década de 1990, no Brasil, uma
preocupação com o que se denominou “relação terapêutica”, com as características
que se pensavam dever acompanhá-la e norteá-la. Coloca “que este extremo cuidado
[fruto da preocupação com a relação terapêutica] [...] talvez tenha trazido em seu bojo
uma timidez na criatividade, soltura e espontaneidade do terapeuta” (CIORNAI, 1996, p.
10).
Ainda nesta direção de realizar comparações entre a ‘Gestalt de antes’ e a
‘Gestalt de hoje’, Ciornai (1996, p. 11-12) afirma que
a Gestalt de hoje caracteriza-se por conter uma atenção delicada, valiosa, e essencial
aos aspectos machucados da ‘criança interna’ oculta de cada um, ou do ‘adolecente
interno’ de cada um, o que não era muito presente na ‘Gestalt de antes’, e que tem
possibilitado ao terapeuta acesso a espaço do universo interno dos mais recônditos [...]
No Brasil, contudo, observa-se que o estilo abrasivo de alguns gestalt-terapeutas
dos anos 1960 e 1970 nunca teve muito sucesso, conforme assinala Ciornai (1998). A
144
autora prossegue dizendo que, em nosso país, a preocupação em realmente estar lá
com o outro, praticando inclusão, empatia, dando suporte às pessoas, de um modo
gentil e afetivo, mesmo se provocativo, sempre esteve presente. Conseqüentemente, a
transmissão da Gestalt-Terapia, através dos cursos de formação e grupos de estudo
sempre procurou valorizar o tema da relação terapeuta-cliente.
Procurando sintetizar a produção na área da Gestalt-Terapia, verificamos que, ao
fim da década de 1990, além de um mergulho nas bases filosóficas e na exploração de
conceitos, houve ainda a diversificação para outras sub-áreas, como a gestalpedagogia.
A prática clinica, por sua vez, além da abordagem individual e em grupo, se estendeu
para a psicoterapia infantil, para a arteterapia e para a orientação vocacional clínica em
uma perspectiva gestáltica. Outros estudos voltaram-se para a própria formação do
“gestalt-terapeuta”.
4.2 A produção em Gestalt-Terapia na década de 2000
Destaca-se, na produção da década de 2000, tanto no que diz respeito à
categoria “artigos publicados em periódicos em geral” quanto à categoria “dissertações
e teses”, o aumento de pelo menos 50% em cada categoria em relação à década
anterior54.
A análise da produção deste período seguiu o modelo já utilizado no período
anterior, de organização a partir de eixos temáticos. No entanto, considerou-se aqui
apenas um eixo para os trabalhos que abordavam o embasamento filosófico e as
teorias e conceitos presentes na edificação da Gestalt-Terapia. No que diz respeito às
dissertações e teses, tivemos trabalhos que abordaram o conceito de ajustamento
criativo e sua relação com a experiência religiosa, além de trabalhos que abordaram a
presença da teoria de campo na Gestalt, a psicologia da Gestat e fenomenologia, e por
fim, o trabalho que enfocou o diálogo e as relações da Gestalt-Terapia com a filosofia
54
Se na década de 1990 contamos com 18 artigos publicados em periódicos em geral, na década de 2000 esse
número subiu para 36 artigos. O mesmo aconteceu com a categoria dissertações e teses, que na década de 1990
havia contado com 21 produções, ao passo que na década de 2000 esse número se elevou para 45 trabalhos de
pós-graduação.
145
oriental do zen-budismo55. Também a tese de Lima (2005), insere-se neste eixo, ao
discutir o conceito de mudança em psicoterapia, tendo como base de questionamento
sua adequação ao referencial fenomenológico-existencial da Gestalt-Terapia. Todos os
trabalhos mencionados datam do ano de 2005, indicando ter sido este um ano em que
a reflexão teórica dominou os estudos desta fonte de análise. Verificou-se que parte
dos autores destes trabalhos foi responsável pela publicação de artigos dentro deste
mesmo eixo de análise, tanto na categoria “periódicos em geral” (MÜLLERGRANZOTTO; MÜLLER-GRANZOTTO, 2007) quanto “periódicos específicos em
Gestalt” (MÜLLER-GRANZOTTO; MÜLLER-GRANZOTTO, 2004a; 2004b; LIMA, 2005;
2007; 2008), indicando com isso que vieram a divulgar seus estudos.
Buscando atentar para tendências gerais da produção deste período, observouse que este foi o de consolidação da Gestalt-Terapia e/ou abordagem gestáltica no
referencial fenomenológico-existencial, embora esteja presente também uma parcela de
profissionais que busca a vinculação da abordagem às teorias sistêmicas.
No que se refere à vinculação da Gestalt-Terapia ao referencial fenomenológicoexistencial, encontra-se no centro desta filiação o debate em torno do pensamento
substancialista, que supõe uma essência, atrelada à idéia de uma subjetividade
encapsulada e aprisionada em uma instância psíquica. Em outras palavras, este
pensamento supõe um “lugar” no “interior” do indivíduo, que permitiria o acesso à sua
“individualidade”, sua “subjetividade”. Por sua vez, o desenvolvimento conceitual da
Gestalt-Terapia, a partir das noções de self processual e self construído inseriram a
abordagem gestáltica no que se passou a denominar como “novos paradigmas em
psicologia e psicoterapia”, tendo no referencial fenomenológico seu ponto de
convergência (TÁVORA, 1999, 2005; LIMA, 2007).
Ainda no que se refere à filiação da abordagem gestáltica ao referencial
fenomenológico-existencial, observa-se nesta década o desenvolvimento de estudos a
partir da eleição de teóricos fenomenológos, numa grande diversificação de
possibilidades de articulação da Gestalt-Terapia a este referencial. Isto se justifica na
55
Respectivamente, as dissertações de mestrado intituladas “Análise de um caso a luz da teoria do ajustamento
criativo da Gestalt-Terapia: a fenomenologia da experiência religiosa”, por Marco Aurélio Bilibio Carvalho; “Teoria de
Campo de Kurt Lewin e a Gestalt-Terapia”, por Hugo Elídio Rodrigues; “Gênese e construção de uma ‘filosofia da
Gestalt’ na Gestalt-Terapia”, por Rosane Lorena Bernardini Granzotto; e finalmente, “Ilumina-ação: diálogos entre a
Gestalt-Terapia e o Zen-budismo”, por Roberto Peres Veras.
146
medida em que tanto o existencialismo como a fenomenologia não se constituem por
um pensamento e metodologia homogêneos.
Barroso (1996), em meados dos anos 1990, chama a atenção para o fato de que,
a despeito de não haver mais dúvidas sobre a questão da Gestalt-Terapia se basear no
existencialismo e que esse, por sua vez, se alimenta da fenomenologia, é necessário
agora atentar para que tipo de existencialismo e fenomenologia os gestalt-terapeutas
estão se referindo. Esta será, pois, uma tendência dos estudos na década de 2000.
Utilizamo-nos de Barroso (1996, p. 40) para oferecer uma idéia da diversidade de
leituras possíveis dentro de um panorama fenomenológico-existencial:
[...] Quanto à fenomenologia, há, no mínimo, duas alternativas densas e difíceis a serem
reconhecidas: a perspectiva do próprio Husserl, que não é continua e variou ao longo de
sua obra e a da fenomenologia existencial, via ontologia de Heidegger ou MerleauPonty, por exemplo. Quanto ao existencialismo, apesar de certos aspectos, ou de uma
atitude em comum, como a ênfase na existência, no vivido, não há “um” existencialismo,
e sim “n” existencialismos diferentes, conforme a disposição do autor. Há, por exemplo,
o de Kierkegaard, o de Jaspers, o de Sartre, o de Buber e de outros tantos que, como
alguns desses, se exasperavam ao serem classificados como existencialistas....
Karwowski (2005, p. 66), por sua vez, faz o mesmo alerta ao afirmar que é
“importante ressaltar que muitos outros filósofos após Husserl fizeram fenomenologia e
cada um deles possui sua especificidade na maneira de fazer fenomenologia”. O autor
menciona uma variedade de autores na extensa lista de pensadores fenomenológicoexistenciais, tais como: Kierkegaard, Rollo May, Vitor Frankl, van den Berg, Laing,
Straus, Giorgi, Van Kaam, Romanyshyn, Nietzsche, Jaspers, Berdyaev, Heidegger,
Buber, Scheler, Rilke, Ortega y Gassett, Gabriel Marcel, Paul Tillich, Sartre, Albert
Camus, Kafka, Hesse, Merleau-Ponty, Levinas, Paul Ricouer, Gadamer, Simone de
Beauvoir, Eliade, Binswanger e Medard Boss.
Dentro deste amplo espectro, Alvim (2007), em tese de doutorado intitulada “Ato
artístico e ato psicoterápico como experiment-ação: diálogos entre a fenomenologia de
Merleau-Ponty, a arte de Lygia Clark e a Gestalt-Terapia”, utilizou-se da fenomenologia
de Merleau-Ponty para referendar a teoria e a prática da Gestalt-Terapia, em estudo que
buscou traçar relações entre a arte, a Gestalt-Terapia e a fenomenologia. Esta proposta
está presente também em seus artigos (ALVIM, 2007; 2009), em periódicos em geral e,
em periódicos específicos de Gestalt-Terapia (ALVIM, 2004; 2007). Aqui, é importante
147
mencionar o resgate da dimensão estética presente na Gestalt-Terapia realizado por
esta autora, e que remonta às origens da abordagem: no livro Gestalt-Terapia, de Perls,
Hefferline e Goodman há constantes paralelos entre processos artísticos e criativos e o
funcionamento humano saudável, entre arte e terapia.
Como dito anteriormente, alguns trabalhos buscaram relacionar a Gestalt-Terapia
ao pensamento sistêmico, como foi o caso de Lima (2007) e Phillippi (2004). Esta última,
em dissertação de mestrado intitulada “Co-construindo pontes entre a Gestalt-Terapia e
as terapias sistêmicas construcionistas sociais: subjetividade e intersubjetividade em
questão”, aponta para o fator comum entre as duas abordagens: na medida em que
ambas trabalham com o ser em relação, saindo de uma perspectiva individual para uma
perspectiva de ser-no-mundo. Aqui, deve-se apontar para o fato desta tendência estar
presente já no texto inicial de Thérèse Tellegen, que mencionava a possibilidade e
adequação da abordagem gestáltica utilizar-se da teoria sistêmica.
Tellegen (1984) fizera críticas à teoria da Gestalt-Terapia considerando que o
modelo organísmico da relação homem-mundo subjacente à Gestalt-Terapia não era
satisfatório, do ponto de vista conceitual, para abranger as inter-relações das múltiplas
dimensões sistêmicas que estão em jogo. Introduzia então a Teoria dos Sistemas – cujo
início se situa na década de 1920, mas que não foi explicitada antes dos anos 1940 –
como uma teoria que permite a abertura para novas possibilidades de se pensar
sistematicamente56.
O trabalho de Phillippi (2004), por sua vez, ao realizar um aprofundamento das
questões epistemológicas, se distingue do trabalho pioneiro de Tellegen (1984). Detémse ainda sobre os temas da intersubjetividade e dos diálogos possíveis entre a
fenomenologia e os construcionismos.
Teresinha Melo da Silveira também buscou estabelecer a relação entre a
Gestalt-Terapia e as teorias sistêmicas, em estudos que se voltaram prioritariamente
para o desenvolvimento da abordagem gestáltica na área da psicoterapia de casal e
família (SILVEIRA, 1995; 2001; 2005; 2007). Mais recentemente, a autora voltou sua
atenção para o tema do envelhecimento humano, o que veio a gerar artigos inseridos
na categoria “periódicos especifícos de Gestalt-Terapia” (SILVEIRA, 2000; 2004; 2008a;
56
Para mais detalhes sobre o tema, ver o capítulo 4 do livro “Gestalt e grupos. Uma perspectiva sistêmica”, de
Tellegen (1984).
148
2008b). Por outro lado, em sua tese de doutorado dedicou-se à investigação sobre o
papel dos cuidadores de familiares com síndrome demencial, focando-se na
importância do desenvolvimento de grupos de suporte para os familiares cuidadores57.
Também no decorrer da década de 2000 houve uma série de estudos que
buscaram estabelecer pontes entre a Gestalt-Terapia e o pensamento contemporâneo.
Neste sentido, a tese de doutorado de Ferreira (2002), intitulada “A fluidez do ser em
Gestalt-Terapia” enfoca o aspecto processual do indivíduo. Para tanto, buscou
embasamento nos novos paradigmas e nas novas teorias das ciências do século XXI,
apresentando a teoria das estranhezas, de Ued Maluf (1997), como a mais apropriada.
Lima (2005), por sua vez, buscou relacionar a Gestalt-Terapia com autores como Ilya
Prigogine, Fritjot Capra, Edgar Morin e Zygmunt Bauman. A autora aponta para as
possibilidades inerentes ao diálogo entre a Gestalt-Terapia e a teoria das estranhezas
de Ued Maluf. Cabe aqui a seguinte pergunta: trata-se de novas incursões da GestaltTerapia a referenciais externos?
Mais uma vez faremos uso dos estudos de Ciornai (2007) quando a autora
levanta três questões a respeito do desenvolvimento e da atualidade da GestaltTerapia. Trazemos esta produção por considerá-la importante para este estudo, na
medida em que reflete e aponta para os caminhos trilhados (ou não) pela GestaltTerapia no Brasil. A primeira questão refere-se à posição de destaque ocupada pela
Gestalt-Terapia nos anos 1960 e 1970 – considerando aqui o momento de sua
explosão “no mundo”. Questiona-se então se a Gestalt-Terapia ainda hoje ocupa uma
posição de vanguarda enquanto abordagem psicoterápica. A segunda questão visa
explorar
se
a
perspectiva
contemporaneidade,
psicoterápica
considerando
os
da
Gestalt-Terapia
graves
problemas
seria
que
valiosa
à
enfrentamos
individualmente e enquanto comunidade humana no mundo contemporâneo. Em outras
palavras, teria a Gestalt-Terapia contribuições importantes a oferecer frente às
dificuldades que enfrentamos hoje? Por fim, apontando o caráter histórico das teorias
psicológicas, a terceira questão vem interrogar se a visão de ser-humano que deu
origem à Gestalt-Terapia nos anos 1950 e 1960 ainda é válida hoje em dia.
57
Silveira (2004): “Fomos escolhidos: um estudo sobre os cuidadores familiares principais”.
149
Trazemos tais questões por acreditar que as mesmas podem contribuir tanto
para nortear como para complementar alguns aspectos de nossa análise da produção
na década de 2000, além de incitar a reflexão sobre possíveis desdobramentos da
teoria e prática da abordagem gestáltica. No entanto, daremos ênfase somente ao
primeiro questionamento, que nos servirá para orientar a argumentação aqui proposta.
Ciornai (2007) sugere que o lugar de vanguarda e de “terapia da nova era”, na
atualidade, tem sido ocupado por vertentes que procuram explorar e integrar a
dimensão da espiritualidade à prática clinica, no caso não como uma corrente religiosa
específica, mas como algo que vai além do pessoal, e que se refere àquela dimensão
humana que transcende nossa pessoalidade, nossa individualidade. No que diz
respeito especificamente à Gestalt-Terapia desenvolvida no Brasil, embora não se
possa dizer que esta é uma tendência, alguns estudos vêm sendo realizados nesta
direção. A autora cita Jorge Ponciano Ribeiro – personagem de suma importância na
construção da Gestalt-Terapia brasileira e autor com o maior número de obras
publicadas, conforme pode ser verificado no apêndice 2 desta dissertação – como
alguém que tem explorado esta dimensão, procurando integrá-la à abordagem
gestáltica. Em outras palavras, pode-se falar que se trata de uma tentativa de adequar
a Gestalt-Terapia ao novo momento histórico.
Em nosso levantamento da produção em Gestalt-Terapia, realizado a partir das
três fontes eleitas, foi possível encontrar artigos de Ribeiro (2005; 2007) sob este
enfoque.
Ainda nesta perspectiva de verificar o que se destaca e ocupa posição de
vanguarda, justamente por atender e responder aos anseios e necessidades mais
prementes de nossos dias, pensando prioritariamente então, em uma atenção voltada
ao social, Ciornai (2007, p. 5) aponta para uma abordagem que possa “tirar a terapia
dos consultórios, abrir as portas do setting terapêutico”. No caso, a autora está se
referindo à proposta terapêutica tal qual é realizada pela terapia comunitária. No
entanto, a meu ver, esta é uma possibilidade que está ao nosso alcance, mesmo que
não no contexto ou nos moldes previstos pela terapia comunitária, mas quando
consideramos que onde quer que estejamos e seja qual for o contexto em que nos
encontremos, o que é importante enfatizar e priorizar são as trocas, as relações, como
150
elemento de ligação entre os homens, como elemento de suporte, na direção da
valorização dos vínculos, do pertencimento, do exercício da solidariedade.
Ainda que seja notório pela análise da autora e também pelo que pudemos
extrair da análise da produção em Gestalt-Terapia, que a questão do social e as
possibilidades de intervenção no âmbito mais amplo, não tenham obtido talvez, o
espaço necessário, não tendo se constituído, portanto, em um caminho privilegiado
pelos representantes desta abordagem, podemos dizer que houve um incremento maior
do que o obtido na década de 1990 em relação à ampliação do setting terapêutico.
Assim, verificou-se um incremento de estudos relacionados a gestalpedagogia,
área que já havia realizado os seus primeiros passos na década de 1990, conforme
mencionamos. Mencionamos também as dissertações de mestrado de Carvalho (2000);
Bonmann (2001); Costa (2002); Oliveira (2004); além da tese de doutorado de Lilienthal
(2004). Embora a tese de doutorado de Zurba (2003) não faça referência explícita ao
termo Gestalt-pedagogia, incluímo-na neste eixo temático por abordar a formação de
educadores e, portanto, apresentar afinidade com os demais estudos presentes neste
eixo.
Aqui, é importante mencionar que muitos destes estudos, ao enfocarem a
realização de trabalhos em grupos que têm como objetivo a formação de educadores,
possuem uma relação estrita com o social e a sua possibilidade de transformação em
potencial por intermédio da educação.
Pensando ainda na atenção dedicada pela abordagem gestáltica ao social,
merece destaque o trabalho realizado por Cláudia Lins Cardoso 58, que aborda a
atuação clinica do psicólogo, para além da psicoterapia individual realizada em
consultórios, privilegiando estudos que enfatizam a expansão desta prática para o
contexto comunitário, como por exemplo, através do Programa de Saúde da Família. A
autora publicou artigos tanto na categoria “periódicos em geral” (CARDOSO, 2002;
2009), quanto “periódicos específicos de Gestalt-Terapia” (2001; 2004).
58
A autora em questão defendeu seu doutorado buscando abordar as possíveis contribuições da atuação do
psicólogo em comunidades, em trabalho intitulado “Um estudo fenomenológico sobre a vivência de família: com a
palavra, a comunidade” (2007). A referida tese não constou de nosso levantamento, por não se enquadrar nos
critérios já mencionados. Contudo, a filiação da autora à abordagem gestáltica se faz notar pelos artigos que
abordam a atuação do psicólogo em comunidades, adotando para tal a perspectiva gestáltica.
151
Verificamos que a expansão na década de 2000 ocorreu também no ambiente
organizacional. Alvim (2000) e Xavier (2003) realizaram estudos de mestrado buscando
investigar a propriedade e aplicação dos conceitos da abordagem gestáltica, levando-a
ao contexto das organizações. A presente temática também se fez notar a partir de
publicações, quer em “periódicos em geral”, com Alvim (2005, 2006) quer em “periódicos
específicos de Gestalt-Terapia”, com Alvim (1997, 2000) e Figueiroa (2001).
Sob o eixo temático denominado psicopatologia e tratamento/intervenção
psicoterápica, encontramos uma diversidade de estudos, tanto no que diz respeito à
teorização no âmbito da perspectiva gestáltica (TENÓRIO, 2003; CARVALHO, 2008),
quanto à aplicação de recursos para o tratamento de diversos quadros patológicos e/ou
psicopatológicos (PIMENTEL, 2002; IVANCKO, 2006; OLIVEIRA, 2007; MARINHO,
2007; SIMÕES, 2008; PAGANOTTO, 2010). Já em relação a questões inerentes à
psicopatologia infantil foi dado destaque ao estudo da hiperatividade (ANTONY, 2002;
ANTONY; RIBEIRO, 2008), tema bastante abordado na contemporaneidade. No caso de
Antony (2002), trata-se de um trabalho clínico que se utiliza dos bloqueios de contato,
clássicos na literatura da Gestalt-Terapia, para abordar os modos de contato presentes
em crianças com diagnóstico de hiperatividade. Estão presentes ainda, o combate à
medicalização, a afirmação do relacional e o manejo de educadores e pais nos
contextos familiar e escolar. A abordagem do tema não pareceu, contudo, problematizar
a predominância deste diagnóstico frente ao atual contexto sócio-cultural.
A propósito, o tema da psicoterapia infantil foi abordado por poucos autores,
tendo as produções de Antony se destacado quantitativamente, sendo que a maior parte
da mesma versou sobre a questão da hiperatividade (ANTONY, 2004; 2005; 2006;
ANTONY; RIBEIRO, 2005; ANTONY; DUSTI; NECES, 2006). Sheila Antony é ainda
organizadora de obra que reúne uma coletânea de artigos que trata da psicoterapia
infantil, conforme pode ser observado no apêndice 2 desta dissertação.
O sentido atribuído à prática da psicoterapia infantil por psicoterapeutas de
diferentes abordagens teóricas foi investigado na dissertação de mestrado de Costa
(2003), sendo divulgado em Costa (2005). Algumas das conclusões da investigação
apontaram para o pequeno número de profissionais que atua nesta especialidade e a
escassez de pequisas e literatura a respeito. O desenvolvimento infantil sob a ótica da
152
Gestalt-Terapia, por sua vez, foi objeto de estudo de Brandão (2005), em artigo
intitulado “Noções teóricas gerais sobre o desenvolvimento humano”, publicado pela
revista Nufen.
Se a década de 1990 contou com uma diversificação e uma ampliação dos
princípios da Gestalt-Terapia a outras áreas, levando a abordagem a expandir-se para
além das fronteiras da clinica, a década de 2000 assistiu à consolidação deste
movimento. Assim, uma extensão dos princípios gestálticos a diversas áreas da
psicologia, bem como a outras áreas do saber, levou à adoção do termo “Abordagem
Gestáltica”, em preferência ao termo “Gestalt-Terapia” pelos estudiosos e praticantes
dos princípios gestálticos seja qual for sua área de atuação.
É digno de nota que Perls tenha se utilizado da expressão “abordagem
gestáltica” para intitular seu último livro, ainda em 1969. Teria Perls, com sua
perspicácia e genialidade, atributos já mencionados neste trabalho, antevisto o
potencial da Gestalt-Terapia para abordar o homem e suas relações? Se nos
reportarmos a seus escritos diríamos que sim. Aqui, lembro-me particularmente de um
trecho em sua autobiografia quando expõe, de maneira um tanto entusiasmática, eu
diria, que “Gestalt! Como posso fazer entender que gestalt não é só mais um conceito
inventado pelo homem? Como posso dizer que gestalt é – e não só para a psicologia –
algo inerente à natureza?” (PERLS, 1979, p.64).
É certo que no seio da comunidade gestáltica brasileira, observamos alguns
fatos indicativos dos possíveis e prováveis rumos da Gestalt-Terapia, em direção à
abordagem gestáltica. Estamos nos referindo aos encontros ocorridos a cada dois
anos, que receberam a denominação geral de Encontro Nacional de Gestalt-Terapia,
até a sua quarta edição, no ano de 1993, quando foi rebatizado sob o título de
Congresso Nacional da Abordagem Gestáltica, passando a contar a partir de então com
as duas designações. O mesmo ocorreu com os Encontros Goianos de Gestalt-Terapia
que, após a sua segunda edição, ocorrida em 1996, passou a intitular-se “Encontro
Goiano da Abordagem Gestáltica”.
No entanto, acredita-se que esta mudança de nomenclatura foi derivada do
próprio processo porque passou a Gestalt-Terapia no Brasil que, ao ser “abraçada” por
153
profissionais, os quais se tornaram protagonistas de sua história, levaram-na a inserirse em outros contextos e áreas de atuação.
154
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O meio científico apresenta ainda dificuldades em chegar a um acordo sobre o que é
científico e o que não é. As polêmicas em torno de determinadas questões perduram
como se tivessem acabado de começar e os argumentos raramente se renovam. [...]
Podemos pensar, portanto, que fazer ciência não é simplesmente seguir um caminho
previamente estabelecido, nos moldes da história de João e Maria que deixaram um
caminho de migalhas de pão para não se perderem no meio da floresta, sem prever que
59
os passarinhos os comeriam. É ir além da ‘ciência normal’ , é refletir sobre o mundo a
partir de parâmetros inesperados, desestabilizar este modo normal de fazer ciência e,
ainda assim, estar produzindo narrativas e conhecimentos extremamente relevantes
para a compreensão das coisas do mundo vivido. Ser um pouco anárquico no pensar e
no produzir conhecimento [...] A questão da cientificidade: novos paradigmas, Editorial
da Revista Estudos e Pesquisas em Psicologia, 2004, n. 2.
Considerando a produção escrita na área de Gestalt-Terapia, observamos um
intervalo de tempo bastante expressivo entre a primeira publicação brasileira, que data
do ano de 1972, de autoria de Thérèse Tellegen e uma publicação seguinte, o que
ocorre em 1984, com o livro de Tellegen. Isto significa que a comunidade brasileira
esteve por 12 anos sem qualquer publicação na área. É certo que conforme expusemos
ao longo deste trabalho, este foi um período em que estiveram presentes diversos
movimentos, articulações, encontros, reuniões de profissionais que se interessaram
pela proposta da Gestalt-Terapia, talvez em uma preparação do “terreno” para o
desenvolvimento subseqüente da abordagem no Brasil. Além disso, outra constatação
enfatizada neste trabalho foi a de que a Gestalt-Terapia nos chegou prioritariamente
pela prática, a partir de workshops vivenciais, ministrados, em um primeiro momento,
por profissionais estrangeiros que vieram ao nosso país realizar as primeiras
transmissões de Gestalt-Terapia. Outro meio de acesso à Gestalt-Terapia, nesse
momento inicial, foi o contato com a tradução e publicação de diversas obras, ocorridas
na década de 1970, conforme tivemos oportunidade do colocar. Tais obras, por sua
vez, também enfatizavam o aspecto prático e vivencial da Gestalt-Terapia.
Com isso, temos que foi o contato com e a partir da prática, prioritariamente, da
experimentação, da experiência, viva, pulsante, sentida que tornou possível caminhar
um passo adiante, e partir, então para a teorização. Em outras palavras, a Gestalt59
Para Kuhn (1978), a ‘ciência normal’ acontece nos meios acadêmicos, que partem de um paradigma estabelecido
responsável por encaminhar o conhecimento cientifico para uma concepção de ‘moldura pré-estabelecida’. Assim, a
‘ciência normal’, que é a atividade na qual a maioria dos cientistas emprega a maior parte do seu tempo, “é baseada
no pressuposto de que a comunidade cientifica sabe como é o mundo” e busca, vigorosa e devotamente, “forçar a
natureza a esquemas conceituais fornecidos pela educação profissional (Kuhn, 1978 conforme citado por Ewald,
Mancebo, Uziel e Prestrelo, editorial da Revista Estudos e Pesquisas em Psicologia, 2004, n. 2)
155
Terapia seguiu uma trilha que, tendo início na experiência vivida, sentida, culminou na
possibilidade de entendimento, de atribuição de sentido e significado daquilo que se
apresentava como novidade, traduzido na edificação de seu corpo teórico.
É possível perceber a semelhança entre o processo porque passou a GestaltTerapia no Brasil, que foi do vivido à possibilidade de teorização, com o que sugere o
método fenomenológico. Assim podemos dizer que a Gestalt-Terapia, se apresentou,
de modo bastante coerente com o método que lhe subjaz. Talvez, de forma intuitiva,
tenhamos percorrido esse caminho original – poderíamos dizer, não distorcido do
humano? –, em que a experiência é que permite a atribuição do sentido.
Ao longo desta dissertação, pudemos observar que no período em que a GestaltTerapia chega ao Brasil – início da década de 1970 – está presente no âmbito da
psicologia clínica, e porque não dizer da psicologia em geral, o predomínio do
atendimento clínico privado, individual, com ênfase no referencial psicanalítico. A
demanda pelo profissional psi, no decorrer das décadas de 1960 e 1970, por sua vez,
encontra-se bastante atrelada às subjetividades produzidas – no dizer de Coimbra
(1995), forjadas – no período da ditadura militar brasileira. Tratava-se, portanto, de um
momento em que se cultuava a individualidade, num processo de privilegiar o “mundo
interior”.
Considerando o eixo Rio – São Paulo, enquanto a maioria dos psicólogos se
interessa pela prática clínica, subsidiados pela psicanálise, uma outra parcela de
profissionais direciona seu interesse para trabalhos grupais, ainda que no âmbito da
clínica e para a prática psicodramática.
Observou-se que os primeiros profissionais a se interessar pela Gestalt-Terapia
encontravam-se situados neste segundo grupo, que não se constituía como
hegemônico, o que, até certo ponto, justificou a utilização da nomenclatura comum de
“terapias alternativas” para a caracterização de sua prática.
Tratando especificamente da Gestalt-Terapia, sua proposta apresenta um caráter
libertário, associado a outros componentes que vieram a ser destacados neste trabalho
e que atraíram a atenção dos brasileiros pela abordagem, como o contato mais próximo
e afetivo do profissional, a potência de sua técnica, a surpresa e o impacto provocados
pelo processo de experimentação, além da própria novidade de sua teoria e método.
156
Todos estes elementos concorreram para a atenção dirigida à Gestalt-Terapia, em seu
momento inicial no Brasil, em um período em que possivelmente, a sociedade e os
profissionais psi estivessem em busca de possibilidades outras, que não aquelas já
estabelecidas e praticadas.
Uma característica marcante observada no momento inicial da Gestalt-Terapia
no Brasil foi a ênfase dada aos trabalhos grupais, de modo que as primeiras produções
escritas na área, dizem respeito a tais práticas (TELLEGEN, 1982; FRAZÃO, 1983;
LIMA, 1988). No entanto, esta é uma tendência que não se mantém. Elencamos
possíveis motivos para compreender o fato em questão, buscando compreender assim
os futuros caminhos trilhados pela Gestalt-Terapia no Brasil.
Em primeiro lugar, como foi observado, um momento importante da GestaltTerapia no Brasil, foi o confronto com a necessidade de oferecer maior fundamentação
e explicitar as bases teóricas e filosóficas da Gestalt-Terapia, ao mesmo tempo em que
se ocupou da exploração de conceitos próprios da abordagem, em uma preocupação
de oferecer coerência ao arcabouço teórico que lhe oferecia sustentação.
Desse modo, a necessidade de erguer um corpo de conhecimentos é uma
possível explicação para o rumo seguinte das produções em Gestalt-Terapia e por isso,
a comunidade gestáltica concentrou seus esforços nesta direção.
Por outro lado, ao analisar a produção na área, observou-se que muitos dos
trabalhos que se seguiram, priorizaram a prática clínica individual. Apesar de adotar
como ponto de partida que os princípios da Gestalt-Terapia são mais condizentes com
uma abordagem interpessoal e relacional – pois seus conceitos mais básicos falam do
indivíduo como um ser-em-relação, um ser-no-mundp – a constatação acima nos levou
ao seguinte questionamento: acaso a tendência observada na psicologia de então não
teria acabado por “varrer” também a Gestalt-Terapia, localizando-a como uma prática
clínica, e neste particular, notadamente individual e, com foco no intrapsíquico? Assim,
a Gestalt-Terapia acabou por se restringir ao trabalho com as relações mais próximas
ao indivíduo e seu mundo interno, posição corroborada também por Ciornai (1998).
Ciornai (2007, p. 4) expõe a este respeito que
De certa forma abandonamos o projeto ‘sócio-lógico’ da Gestalt e nos voltamos quase
que exclusivamente para o ‘psico-lógico’, isto é, para processos individuais de auto-
157
conhecimento, para os meandros da interioridade e da intimidade psíquica de cada um,
para a preocupação com o diagnóstico e patologias.
A partir do exposto, julgamos necessário reforçar que, embora a Gestalt-Terapia
traga em seu bojo uma preocupação política e social, presente de forma acentuada nos
escritos dos fundadores desta abordagem psicoterápica, a mesma preocupação não
esteve presente, ao menos de forma marcante, nos escritos das décadas de 1980 e
1990 em nosso país.
Neste sentido, ao abordar a relação da Gestalt-Terapia com o social na abertura
do VI Encontro Nacional de Gestalt-Terapia e III Congresso Nacional da Abordagem
Gestáltica, realizado em Florianópolis, em 1997, Luiz Lilienthal parte da constatação de
que este é um assunto pouco explorado pelos profissionais da Gestalt até o momento.
Buscando uma possível explicação para a predominância do modelo individual da
prática psicoterapêutica, ao mesmo tempo em que vislumbra e anseia por mudanças no
fazer profissional que abarquem a questão social, diz:
As questões do homem contemporâneo mudaram, conseqüentemente as práticas
psicoterapêuticas também estão tendo que mudar sua ótica individualizada – e o
Zeitgeist individualista dos últimos tempos é talvez o grande responsável pela não
leitura dos conteúdos sociais da Gestalt – para uma ótica mais social que contemple
essas novas questões do homem com respostas igualmente novas [...]. Vejo a Gestalt
como um excelente e fascinante instrumento para pensar o indivíduo e a questão social
(LILIENTHAL, 1998, p. 40).
Como se apontou acima, este caminho talvez tenha sido o necessário, face à
mobilização da comunidade gestáltica em erguer um corpo de conhecimentos próprios,
com o objetivo de oferecer fundamento à prática psicoterápica. Podemos ainda pensar
este caminho como aquele que foi possível, considerando o momento histórico da
psicologia em nosso país e as forças presentes no campo. No entanto, não nos
eximimos de questionar: seria o movimento mais óbvio da abordagem gestáltica sua
aplicação a grupos, sua aplicação a comunidades, tal como anunciado pelos primeiros
trabalhos? Teria os praticantes da Gestalt-Terapia se esquivado dessa direção ou
contrariado seus princípios?
Aqui, o interesse não é passar a impressão de defesa de uma única modalidade
de aplicação da Gestalt-Terapia e/ou abordagem gestáltica – a abordagem exclusiva a
grupos humanos. Isto tampouco seria possível pois, ainda que estejamos trabalhando
158
“apenas” com o indivíduo, o mesmo é sempre considerado em seu meio e em
interação. Assim, o exposto aqui possui mais familiaridade com um tipo de apelo: uma
tentativa de propagar em nossas ações, atuações e aplicações profissionais os
princípios gestálticos, tão ricos e profícuos na abordagem do humano.
Além disso, é claro que também a psicologia, hoje, se encontra em um outro
momento de sua história. Observamos uma expansão da psicologia, com uma
diversidade de áreas de atuação, especializações. Podemos pensar então que a
expansão da Gestalt-Terapia em direção à abordagem gestáltica seguiu a tendência da
própria psicologia de ampliar seu espaço de atuação e estender-se a outros contextos?
Se caminhamos seguindo esta hipótese, considera-se importante que, para além de
remar junto à “maré”, se concretize uma verdadeira atenção ao social, expectativa
acalentada pelo desejo de viver, construir, habitar um mundo melhor. Se a teorização
em Gestalt-Terapia avançou pela ênfase na fundamentação desta teoria, um novo rumo
poderia bem ser o de priorizar a intervenção em trabalhos sociais, com a ênfase em sua
aplicação a grupos humanos...
A expansão ocorrida na Gestalt-Terapia se encarregaria assim, de levar a estes
contextos este modo de olhar, entender e praticar o que se preconiza pela abordagem
gestáltica, a saber: a necessidade de atender e responder aos anseios mais prementes
de nossos dias – a possibilidade de abarcar a realidade social e dedicar-lhe um olhar
prioritário, oferecer-lhe um serviço e uma assistência que priorize o contato humano,
com as conseqüentes trocas advindas dele, a convivência, os laços, a co-construção de
sentidos, que reconheça e enalteça a criatividade, incentive a espontaneidade, valorize
a experiência vivida...
Finalizo com um trecho, que a meu ver, fala bem próximo daquilo que buscamos
enfatizar nesses últimos comentários.
O ser humano é uma parte do todo a que chamamos universo, uma parte limitada no
tempo e no espaço. Ele concebe a si mesmo, as suas idéias e sentimentos como algo
separado de todo o resto - numa espécie de ilusão de ótica de sua consciência. E essa
ilusão é um tipo de prisão que nos restringe aos nossos desejos pessoais e reserva a
nossa afeição a algumas poucas pessoas mais próximas de nós. Nossa principal tarefa
é a de nos livrarmos dessa prisão, ampliando o nosso círculo de compaixão, para que
ele abranja todos os seres vivos e toda a natureza em sua beleza. Ninguém conseguirá
atingir completamente este objetivo, mas lutar pela sua realização já é por si só parte
de nossa liberação e o alicerce de nossa segurança interior (Albert Einstein).
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176
APÊNDICE 1 – Livros Estrangeiros sobre Gestalt-Terapia publicados no Brasil
Autor
Título original
Ano
“Gestalt Therapy
now: theory,
techiniques,
applications”
“Awareness:
exploring,
experimenting,
experiencing”
1970
“Gestalt Terapia,
teorias, técnicas e
aplicações”
1973
1971
1976
CNBP, v.
1
“Gestalt Therapy
Verbatim”
“Gestalt is”
1969
“Tornar-se
Presente:
experimentos de
crescimento em
Gestalt-Terapia”
“Gestalt-Terapia
explicada”
“Isto é Gestalt”
1977
CNBP, v.
2
CNBP, v.
3
“The Gestalt
approach & Eye
Witness to
Therapy”
Barry Stevens “Don’t push the
river” (it flows by
itself)
Frederick
“In and out the
Salomon
garbage pail”
Perls
Erving Polster Gestalt therapy
e Miriam
integrated
Poster
Violet
“Windows to our
Oaklander
children”
1973
“A abordagem
gestáltica e
testemunha ocular
da terapia”
“Não apresse o rio”
(ele corre sozinho)
1977
1978
CNBP, v.
6
“Escarafunchando
Fritz: dentro e fora
da lata de lixo”
Gestalt-Terapia
integrada
1979
CNBP, v.
7
1980
CNBP, v.
12
Olaf-Axel
Burow
1981
“Descobrindo
crianças: a
abordagem
gestáltica com
crianças e
adolescente”
“GestaltPedagogia:
um caminho para a
escola e a
educação”
1985
CNBE
Joan Fagan e
Irmã Lee
Sheperd
John O.
Stevens
Frederick S.
Perls
Frederick S.
Perls e outros
Frederick S.
Perls
Lernziel:
Menschlichkeit
Gestaltpädagogik –
eine chance für
schule und
erziehung
1975
1970
1969
1973
1978
Título em
português
Ano
1977
Obs.
1979
177
(Cont.) APÊNDICE 1
Autor
Richard
Hycner
Serge Ginger
e Anne
Ginger
Richard
Hycner e
Lynne Jacobs
Gary M.
Yontef
Janie Rhyne
Joseph C.
Zinker
Título original
Ano
Título em
português
Ano
Between person
and person –
toward a dialogical
psychotherapy
La Gestalt – une
thérapie du contact
1991
De pessoa a
pessoa.
Psicoterapia
dialógica
Gestalt: uma terapia
do contato
1995
Relação e cura em
Gestalt-Terapia
1997
Processo, diálogo e
awareness. Ensaios
em Gestalt-Terapia
1998
Arte e Gestalt:
padrões que
convergem
A busca da
elegância em
psicoterapia: uma
abordagem
gestáltica com
casais, famílias e
sistemas íntimos
Terapia Gestáltica e
a inversão da
queda
Gestalt, mitos e
transcendência
O self desdobrado.
Perspectiva de
campo em GestaltTerapia
Processo criativo
em Gestalt-Terapia
Gestalt: a arte do
contato. Nova
abordagem otimista
das relações
humanas
2000
1987
The healing
1995
relationship in
gestalt therapy
Awareness,
1993
dialogue & process.
Essays on Gestalt
Therapy
The Gestalt art
1996
experience
In search of good
form: GestaltTherapy with
couples and
families
1998
Alejandro
Spangenberg
Alejandro
Spangenberg
Jean-Marie
Robine
Gestalt-thérapie
Joseph Zinker Creative process in
Gestalt Therapy
Serge Ginger La Gestalt: l’art du
contact
1977
1995
Obs.
1995
2001
2004
2005
2006
2007
2007
CNBP, V.
61
178
(Cont.) APÊNDICE 1
Autor
Título original
Alejandro
Spangenberg
Ano
Título em
português
Gestalt-Terapia, um 2007
caminho de volta
para casa
CNBP – Coleção Novas Buscas em Psicoterapia
CNBE – Coleção Novas Buscas em Educação
Fonte: Seleção feita pela autora
Ano
Obs.
179
APÊNDICE 2 – Produção Nacional em Gestalt-Terapia – Livros
Livro
Gestalt e Grupos: uma perspectiva
sistêmica
Gestalt-Terapia: refazendo um
caminho
Nós, as crianças: uma abordagem
gestáltica em psicologia infantil
Gestalt-Terapia – o processo grupal:
uma abordagem fenomenológica da
teoria do campo e holística
Terra e ouro são iguais: percepção
em psicoterapia gestaltista
Narciso, a bruxa, o terapeuta
elefante e outras histórias psi
A cara e o rosto: ensaio sobre
Gestalt-Terapia
Gestalt-terapia, Psicodrama e
terapias Neo-reichianas no Brasil –
25 anos depois
O ciclo do contato: temas básicos na
abordagem gestáltica
Existência→Essência. Desafios
teóricos e práticos das psicoterapias
relacionais
A arte de restaurar histórias: o
diálogo criativo no caminho pessoal
Gestalt-Terapia de curta duração
Introdução à Gestalt-Terapia:
conversando sobre os fundamentos
da abordagem gestáltica
E a Gestalt Emerge: Vida e Obra de
Frederick Perls
Gestalt e Sonhos
A construção do psicoterapeuta –
uma abordagem gestáltica
Psicodiagnóstico em Gestalt-terapia
Percursos em arteterapia gestáltica,
arte em psicoterapia, supervisão em
arteterapia
Autor
Therese Amelie
Tellegen
Jorge Ponciano
Ribeiro
Ceufe Maria
Perazzolo De
Zorzi
Jorge Ponciano
Ribeiro
Ano
1984
Editora
Summus
1985
Summus
1991
Manole
1993
Summus
Vera Felicidade
de Almeida
Campos
Paulo Barros
1993
Jorge
Zahar
1994
Summus
Ana Maria
Loffredo
Selma Ciornai
(Org.)
1994
Escuta
1995
Ágora
Jorge Ponciano
1997
Ribeiro
Walter Ferreira da 1998
Rosa Ribeiro
Summus
Jean Clark
Juliano
Jorge Ponciano
Ribeiro
Hugo Elídio
Rodrigues
1999
Summus
1999
Summus
2000
Vozes
Ana Maria
Mezzarana Kiyan
Alberto Pereira
Lima Filho
Beatriz Helena
Paranhos
Cardella
Adelma Pimentel
Selma Ciornai
(Org.)
2001
Altana
2002
Summus
2002
Summus
2003
2004
Summus
Summus
Obs.
CNBP,
vol 22
CNBP,
vol 24
CNBP,
vol 50
Summus
2ª
edição
CNBP,
vol 62
180
(Cont.) APÊNDICE 2
Livro
Percursos em arteterapia: ateliê
terapêutico, arteterapia no trabalho
comunitário, trabalho plástico e
linguagem expressiva, arteterapia e
história da arte
Uma visão fenomenológica do luto:
um estudo sobre as perdas no
desenvolvimento humano
Percursos em arteterapia:
arteterapia e educação, arteterapia
e saúde
Gestalt-terapia e
contemporaneidade: contribuições
para uma construção epistemológica
da teoria e da prática gestáltica
Do self e da ipseidade: uma
proposta conceitual em GestaltTerapia
Ensaios em Gestalt-Terapia
Gestalt-terapia fenomenológicoexistencial
Gestalt e Gênero: configurações do
masculino e feminino na
contemporaneidade
Suicídio e psicoterapia: uma visão
gestáltica
Gestalt-Terapia e Fenomenologia:
Considerações sobre o método
fenomenológico em Gestalt-Terapia
Cinema e ajustamentos criativos:
iluminando gestalticamente o
escurinho do cinema
Vade-Mécum de Gestalt-Terapia:
conceitos básicos
Amor e ética
Gestalt Terapia com Crianças:
Teoria e Prática
Autor
Selma Ciornai
(Org.)
Ano
2004
Editora
Summus
Karina Okajima
Fukumitsu
2004
Livro
Pleno
Selma Ciornai
(Org.)
2005
Summus
Adriano F.
Holanda e Nilton
Julio de Faria
(Orgs.)
Jorge Ponciano
Ribeiro
2005
Livro
Pleno
2005
Summus
Afonso H. L. da
Fonseca
Afonso H. L. da
Fonseca
Lílian M. Frazão e
Sergio Lizias C.
de O. Rocha
Karina O.
Fukumitsu
Silvério
Karwowski
2005
Pedang*
2005
Pedang*
2005
Livro
Pleno
2005
Livro
Pleno
Livro
Pleno
Hugo Ramón B.
Oddone; Cristiane
Calvo; Maria
Rosália do
Nascimento
Jorge Ponciano
Ribeiro
Paulo Barros
Luciana Aguiar
2005
Livro
Pleno
2006
Summus
2006
2007
Summus
Livro
Pleno
2005
Obs.
CNBP,
vol 63
CNBP,
vol 64
181
(Cont.) APÊNDICE 2
Livro
Expandindo Fronteiras: Gestalt
Terapia Aplicada em Vários
Contextos
Transtornos alimentares: uma visão
gestáltica
Ruídos: contato, luz, liberdade: um
jeito gestáltico de falar do espaço e
do tempo vividos
Dicionário de Gestalt Terapia Gestaltês
Fenomenologia e Gestalt-Terapia
Contato
Morte, suicídio e luto – Estudos
Gestálticos
Manual Prático de Psicoterapia
Gestalt
Holismo, ecologia e espiritualidade:
caminhos de uma Gestalt plena
Psicoterapia de curta duração na
abordagem gestáltica: elementos
para a prática clínica.
Gestalt Terapia: Encontros
Experiência de adoecimento e
morte: diálogos entre a pesquisa e a
Gestalt-Terapia
Histórias da Gestalt-Terapia no
Brasil – um estudo historiográfico
A vida, o tempo, a psicoterapia
A clínica gestáltica com crianças:
caminhos de crescimento
Autor
Karina O.
Fukumitsu; Hugo
Ramón B.
Oddone (Orgs.)
Karina O.
Fukumitsu; Hugo
Ramón B.
Oddone (Orgs.)
Jorge Ponciano
Ribeiro
Ano
2007
Editora
Livro
Pleno
2007
Livro
Pleno
2006
Summus
Gladys D’acri;
Patrícia Lima;
Sheila Orgler
Marcos José
Müller-Granzotto
e Rosane Lorena
Müller-Granzotto
Décio Casarin
Karina O.
Fukumitsu; Hugo
Ramón B.
Oddone (Orgs.)
Angeles Martin
2007
Summus
2007
Summus
2007
2008
Revinter
Livro
Pleno
2008
Vozes
Jorge Ponciano
Ribeiro
Ênio Brito Pinto
2009
Summus
2009
Summus
Ênio Brito Pinto
(Org.)
2009
Joanneliese de
Lucas Freitas
2009
Instituto
Gestalt
de São
Paulo
Juruá
Danilo Suassuna
e Adriano
Holanda
Jean C. Juliano
Sheila Antony
(Org.)
2009
Juruá
2010
2010
Summus
Summus
Obs.
Série
GestaltTerapia
2ª
edição
182
(Cont.) APÊNDICE 2
Livro
Transtornos alimentares na
adolescência: depoimentos das
adolescentes, Gestalt-Terapia e
pesquisa
Autor
Arlene Leite
Nunes
Ano
2010
Editora
Juruá
Obs.
* Programa de Publicação do Laboratório Experimental de Psicologia e Psicoterapia
Fenomenológico-Existencial, Maceió.
CNBP – Coleção Novas Buscas em Psicoterapia
183
APÊNDICE 3 – Centros de Estudos e Institutos de Gestalt-Terapia no Brasil
inaugurados até 1999
Nome
Instituto Sedes
Sapientiae
Centro de Estudos
de Gestalt de São
Paulo
Centro de Estudos
de Gestalt-Terapia
de Brasília –
CEGEST – Brasília
Núcleo de Estudos
de Gestalt de Santa
Catarina
↓
Ano
1977
1981
1984
http://www.cegest.org.br
1987
Originou-se com a criação do Núcleo de Estudos de
Gestalt de Santa Catarina, em 1987, cuja primeira
turma de formação em Gestalt-Terapia foi em 1989.
Em 1995, o Núcleo foi transformado na
CONFIGURAÇÃO – Centro de Estudos e Atividades
Gestálticas.
http://www.gestalt.com.br
Configuração –
1995
Centro de Estudos e
Atividades
Gestálticas –
Florianópolis
Instituto de
1989
Treinamento e
Pesquisa em GestaltTerapia de Goiânia –
ITGT
Centro de Estudos
de Gestalt-Terapia
do Paraná – CEGPR
↓
Instituto Paranaense
de Gestalt Claudete
Carboni
Observações
Fundado em 1977, iniciou a primeira turma de GestaltTerapia em 1979
1989
2003
Em 1987, sob a coordenação de Marisete e Virgínia,
organizou-se o primeiro grupo de estudos em Gestaltterapia, composto por psicólogos e estudantes de
psicologia. No momento da oficialização do ITGT, em
1989, este constituiu-se como o primeiro grupo de
especialização do Instituto.
Realização de Encontros anuais, o primeiro
acontecendo em 1995.
Nasceu em 1989 através de um grupo de GestaltTerapeutas cuja precursora foi Claudete Carboni de
Freitas.
Em 2003, o CEG/PR passa por uma reestruturação e
transforma-se no Instituto Paranaense de Gestalt
Claudete Carboni, como uma homenagem a sua
fundadora e uma das precursoras da GT no Paraná.
Desta forma, o GEG/PR deixa de existir e o IPG passa
a ser sua entidade sucessora.
184
(Cont.) APÊNDICE 3
Nome
Instituto Gestalt do
Ceará
Centro de
Desenvolvimento de
Gestalt-Terapia do
Rio de Janeiro – GTRio
Centro de GestaltTerapia Sandra
Salomão
Ano
1995
Dialógico – Núcleo
de Gestalt-Terapia
1995
Observações
www.gestaltce.com.br
1995
Entre 1999 e 2000, sem condições de manutenção, a
associação deixa de existir.
1988
Duas vezes por ano, o Centro realiza jornadas e já
recebeu convidados internacionais de referência, como
Lynne Jacobs, PhD – EUA, Paolo Quattrini, PhD –
Itália, Richard Hycner, PhD – EUA, Joseph Zinker, PhD
–EUA, Claudio Naranjo, PhD – Espanha, Joel Latner,
Phd – EUA, Anna Ravena, PhD – Itália, Alejandro
Spangerberg - Uruguai e Erving Polster, Phd – EUA.
http://www.centrodegestaltterapia.com.br
Tem como missão a expansão, desenvolvimento e
sedimentação da Gestalt-Terapia enquanto abordagem
psicoterápica,
através
da
transmissão
de
conhecimento teórico e prático para estudantes e
profissionais de Psicologia e da prestação de serviços
para a comunidade e público leigo em geral.
http://www.dialogico.com.br
Visa o desenvolvimento prático/conceitual da GestaltTerapia, através do desenvolvimento e incentivo a
pesquisadores, do intercâmbio com gestalt-terapeutas
e institutos nacionais e internacionais de Gestaltterapia e do treinamento e aperfeiçoamento de gestaltterapeutas
Núcleo de Reflexão e 1996
Pesquisa em GestaltTerapia do Triângulo
Mineiro
185
APÊNDICE 4 – Congressos em Gestalt-Terapia
Ano
Local
Congresso/Tema
I Encontro Nacional
de Gestalt-terapia Um convite à reflexão
II Encontro Nacional
de Gestalt-terapia
Org./
Resp.
Teresinha Melo,
Sandra Salomão
e outros
Ari Rehfeld, Jean
C. Juliano e Lílian
Frazão
1987
Rio de
Janeiro
1989
Caxambu,
Minas
Gerais
1991
Brasília
III Encontro Nacional
de Gestalt-terapia
Walter Ribeiro
Grupo CEGEST
1993
Recife
IV Encontro Nacional
de Gestalt-terapia e I
Congresso Nacional
da Abordagem
Gestáltica
Sérgio Buarque
1995
Vitória
Antonio Elmo
Martins e outros
1997
Florianópolis
1999
Goiânia
V Encontro Nacional
de Gestalt-terapia e II
Congresso Nacional
da Abordagem
Gestáltica - A Gestalt
que fazemos no Brasil
de hoje
VI Encontro Nacional
de Gestalt-terapia e III
Congresso Nacional
da Abordagem
Gestáltica Expandindo fronteiras
VII Encontro Nacional
de Gestalt-terapia e IV
Congresso Nacional
da Abordagem
Gestáltica - A
abordagem gestáltica,
ecologia humana e o
terceiro milênio
Configuração
ITGT
Observações
Presença de 190
participantes.
Organizado pelo
grupo de São Paulo,
tendo ocorrido em
Caxambu. 476
participantes.
Presença de Richard
Hycner.
586 inscrições
Os encontros
nacionais em
Gestalt-Terapia
receberam um
subtítulo: Congresso
Nacional da
Abordagem
Gestáltica, em uma
espécie de
rebatizado.
186
(Cont.) APÊNDICE 4
Ano
Local
2000
Rio de
Janeiro
2001
Fortaleza
2003
Gramado
2005
Uberlândia
- MG
2007
Rio de
Janeiro
2009
Vitória
Congresso/Tema
VII Congresso
Internacional de
Gestalt-terapia - A
Gestalt de todo o
mundo
V Congresso e VIII
Encontro Nacional de
Gestalt-terapia Formação, construção
e desenvolvimento da
Gestalt-Terapia no
Brasil
VI Congresso e IX
Encontro Nacional de
Gestalt-terapia - A
estética das relações
humanas no século
XXI: que história
estamos desenhando
para os
relacionamentos
futuros?
VII Congresso e X
Encontro Nacional de
Gestalt-terapia –
“Subjetivação na
Contemporaneidade:
Malogro e
Transcendência."
VIII Congresso e XI
Encontro Nacional de
Gestalt-terapia - “A
Evolução da GestaltTerapia Brasileira. 20
anos de Encontros. E
agora?”
IX Congresso e XII
Encontro Nacional de
Gestalt-terapia - “A
gestalt-terapia, a
contemporaneidade e
suas implicações
sociais”
Org./
Resp.
Representantes
de todos os
congressos
nacionais já
realizados
Instituto Gestalt
do Ceará
Instituto de
Gestalt do Rio
Grande do Sul
Alethéia – Centro
de
Desenvolvimento
em Psicologia
Observações
É criada a
Associação Brasileira
de Gestalt-Terapia
(ABG)
187
Ano
Local
Congresso/Tema
2011
São Paulo
X Congresso e XIII
Encontro Nacional de
Gestalt-terapia
Org./
Resp.
Observações
188
APÊNDICE 5 – Periódicos especializados em Gestalt-Terapia
Título
Revista Gestalt
Terapia Jornal
Local
Paraná
↓
Santa
Catarina
Revista de
Gestalt
São Paulo
Revista do
Encontro
Goiano da
Abordagem
Gestáltica
Goiânia
Presença –
Revista Vita de
Gestalt Terapia
Rio de
Janeiro
Vinculação
Centro de Estudos
de Gestalt-Terapia
do Paraná – CEG-Pr
↓
Centro de Estudos
de Gestalt-Terapia
de Santa Catarina
Editores
Alcides Ignácio Júnior
Qtd art./ediç.
33 artigos, em
10 edições
Observações
A Revista GestaltTerapia X é
totalmente dedicada
ao tema Casal e
Família no enfoque
gestáltico. Editada
atualmente.
Myrian Bove
Fernandes; Maria
Regina de Souza
Godeli; Miriam Cristina
Basaglia;
Maria do Carmo
Rodrigues Zanetta;
Rosana Zanella
Instituto de
Marisete Malaguth
Treinamento e
Mendonça e Virginia E.
Pesquisa em Gestalt- Suassuna M. Costa
Terapia de Goiânia ITGT
97 artigos, em
14 edições
Última edição em
2005.
Vita Clínica de
Psicologia
27 artigos, em
4 edições
Departamento de
Gestalt-Terapia do
Instituto Sedes
Sapientiae
Heloísa Rodrigues da
Costa; Luciana B.
Cavanellas; Marcia
Siveira; Teresinha
Mello da Silveira
169 artigos,
Última edição em
em 12 edições 2006.
Teve breve
existência.
189
(Cont.) APÊNDICE 5
Título
Gestalt Journal
do Rio de
Janeiro
Local
Rio de
Janeiro
Boletim de
Gestalt-Terapia
do Triângulo
Mineiro
Revista Sampa
GT
Uberlândia
- Minas
Gerais
Karwowski &
Associados Ltda.
São Paulo
Instituto Gestalt de
São Paulo
IGT na Rede
Rio de
Janeiro
Revista da
Abordagem
Gestáltica
Goiânia
Vinculação
Centro de
Desenvolvimento de
Gestalt-Terapia do
Rio de Janeiro – GTRio
Editores
Beatriz Torres
Gorenstin; Carla
Alegria; Rosa
Cavalcante; Sergio
Garbati Gorenstin,
Adauto Henrique
Gomes; Eliana Bosco;
Lúcio Correia de Melo,
Pierre Ferraz
Silvério Lucio
Karwowski
Qtd art./ediç.
16 artigos, em
3 edições
Observações
Teve breve
existência.
7 artigos, em
4 edições
Teve breve
existência.
Ênio Brito Pinto, Jean
Clark Juliano, Myrian
Bove Fernandes e
Paulo Barros
Marcelo Pinheiro da
Silva
43 artigos, em
4 edições
Editada atualmente.
71 artigos, em
14 edições
Publicada
semestralmente por
meio eletrônico.
37 artigos, em
10 edições
Publicada
semestralmente. A
partir de 2008 a
revista é
exclusivamente
eletrônica.
Instituto de GestaltTerapia e
Atendimento Familiar
– IGT
Instituto de
Adriano Furtado
Treinamento e
Holanda
Pesquisa em GestaltTerapia de Goiânia –
ITGT
190
APÊNDICE 6 – Artigos sobre Gestalt-Terapia publicados em periódicos em geral, por período
Período Nº de
Periódico
Título/Autores/Ano
Art.
1972
1
Boletim de Psicologia (1)
Elementos de psicoterapia guestáltica – TELLEGEN, Thèrese A. (1972)
1986 a
3
Psicologia Argumento (1)
Uma pitadinha de Gestalt – SOUZA, Maria Rita Franco de (1986)
Arquivos Brasileiros de
Gestalterapia: a terapêutica da comunicação humana – SIMÕES,
Psicologia (1)
Simone Garcia (1989)
Revista de Psicologia Plural (1)
O conceito de doença em Gestalt-Terapia – ZAIDAM, Salim (1990)
Revista de Psicologia Plural (5)
Fundamentos Filosóficos – SAMPAIO, Tadeu Otávio Sales (1991)
1990
1991 a
10
O insight nosso de cada dia – SOUZA, Geraldo Eustáquio de (1991)
1995
O corpo presente em Gestalt-Terapia – ZAIDAM, Salim (1991)
Gestalt-Terapia numa perspectiva sistêmica – TAVARES, Gláucia
Resende (1991)
Jung e Perls: reflexos dos tipos psicológicos na psicologia analítica
e na Gestalt – MORAES, Suzana Paiva (1991)
Crises e conseqüências das práticas grupais em Gestalt-Terapia: a
Revista de Psicologia (Fortaleza)
mediação indivíduo-sociedade nos grupos gestálticos como
(2)
processo sócio-pedagógico de cooperação – BORIS, Georges Daniel
Janja Bloc (1993)
191
Fundamentos filosóficos das psicoterapias de base humanista –
MOREIRA, Virgínia (1994)
Arquivos Brasileiros de
Filosofia dialógica e Gestalt-Terapia – HOLANDA, Adriano Furtado
Psicologia (2)
(1994)
Polaridades em Gestalt-Terapia como mosaico de isomorfos nãotriviais da teoria das estranhezas – FERREIRA, Ieda Botelho e LIMA,
Patricia Valle de Albuquerque (1995)
Boletim de Psicologia (1)
Deflexão, deslocamento e conflito: uma comparação de conceitos
– GODELI, Maria Regina C. de Souza (1991)
1996 a
2000
9
Revista de Psicologia (Fortaleza)
Revisitando o método fenomenológico: o intervalo entre as
(1)
reduções – MELO, Leoni F. de (1997)
Arquivos Brasileiros de
A orientação clínica em Gestalt-Terapia para um mundo em
Psicologia (2)
transformação – FERREIRA, Ieda Botelho e SIGELMANN, Élida (1999)
A comunicação clínica em Gestalt-terapia – FERREIRA, Ieda Botelho
(2000)
Estudos de Psicologia
Saúde e doença em Gestalt-Terapia: aspectos filosóficos –
(Campinas) (2)
HOLANDA, Adriano Furtado (1998)
Psicoterapia de grupo com pacientes diabéticos e hipertensos em
centros de saúde pública – CARDOSO, Cláudia Lins (1999)
Psicologia Ciência e Profissão
Atendimento a pacientes psicóticos – uma experiência em
(1)
processo – CANEDO, Ingrid Robinson (1996)
192
Psique (Belo Horizonte) (1)
Aspectos filosóficos, teóricos e metodológicos da Gestalt-Terapia –
CARDOSO, Claudia Lins (1999)
Revista Brasileira de
A provocação poética dos elementos materiais: novas categorias
Enfermagem (2)
de análise na abordagem sócio-poética – TAVARES, Claudia e
SOBRAL, Vera (1999)
Repensando a formação do enfermeiro e investindo na pessoa:
algumas contribuições da abordagem gestáltica – ESPERIDIÃO,
Elizabeth; MUNARI, Denize D. (2000)
2001 a
2005
12
Estudos e Pesquisas em
A Gestalt-Terapia terá a ousadia de desenvolver seu paradigma
Psicologia (1)
pós-moderno? – ROBINE, Jean-Marie (2005)
Psicologia Ciência e Profissão
A inserção do psicólogo no Programa de Saúde da Família –
(4)
CARDOSO, Cláudia Lins (2002)
Fenomenologia do onírico: a Gestalt-Teraia e a daseinsanálise –
SANTOS, Ívena Pérola do Amaral (2004)
Produção acadêmica em Gestalt-Terapia no Brasil: análise de
mestrados e doutorados – HOLANDA, Adriano Furtado e KARWOWSKI,
Silvério Lucio (2004)
Hiperatividade: doença ou essência, um enfoque da GestaltTerapia – ANTONY, Sheila e RIBEIRO, Jorge Ponciano (2005)
Revista do NUFEN (3)
A história da Gestalt-Terapia em Belém do Pará – PIMENTEL,
Adelma (2003)
Noções teóricas gerais sobre o desenvolvimento humano –
193
BRANDÃO, Fabiola (2005)
Reflexões sobre o processo terapêutico de Ângela – GARCIA,
Mariana Gaspar (2005)
Estudos de Psicologia
A prática da psicoterapia infantil na visão de terapeutas nas
(Campinas) (1)
seguintes abordagens: psicodrama, Gestalt-Terapia e centrada na
pessoa – COSTA, Maria Ivone Marchi e DIAS, Cristina Maria Souza Brito
(2005)
Arquivos Brasileiros de
Neutralidade na relação terapêutica – reflexões a partir da
Psicologia (1)
abordagem gestáltica – SAMPAIO, Mariana Miranda Autran (2004)
Viver Psicologia (1)
Presença tímida no contexto acadêmico: um levantamento
realizado por gestalt-terapeutas revela o grande interesse e o
conhecimento limitado sobre esta teoria – CAVALCANTE, Gisa;
MATTOS, Joana, MATTOS, Juliana, AGUIAR, Luciana, BORGES, Luciana
(2004)
2006 a
2010
24
Revista Psicologia: Organização
Contato, self e cultura organizacional: uma abordagem gestáltica –
e Trabalho (rPOT) (1)
ALVIM, Monica Botelho e RIBEIRO, Jorge Ponciano (2005)
Estudos e Pesquisas em
A relação do homem com o trabalho na contemporaneidade: uma
Psicologia (16)
visão crítica fundamentada na Gestalt-Terapia – ALVIM, Monica
Botelho (2006)
194
Perls leitor de Freud, Goldstein e Fridlaender e os primeiros
ensaios em direção a uma psicoterapia gestaltica – MÜLLERGRANZOTTO, Marcos José e MÜLLER-GRANZOTTO, Rosane Lorena (2007)
Experiência estética e corporeidade: fragmentos de um diálogo
entre Gestalt-terapia, arte e fenomenologia – ALVIM, Mônica Botelho
(2007)
Le champ organisme-environnement: em arrière-plan du concept –
ROBINE, Jean-Marie (2009)
Gestal’terapia: metodológica da atualização performática
improvisativa da performação figura e fundo, performática da
forma, performática da ação, do contato, performática da
atualização – FONSECA, Afonso Henrique Lisboa da (2009)
O lugar da experiment-ação no trabalho clínico em Gestalt-Terapia
– ALVIM, Monica Botelho e RIBEIRO, Jorge Ponciano (2009)
Um olhar fenomenológico sobre a questão da saúde e da doença:
a cura do ponto de vista da Gestalt-Terapia – GALLI, Loeci Maria
Pagano (2009)
A experiência emocional atualizadora em Gestalt-Terapia de curta
duração – PINTO, Enio Brito (2009)
Criatividade na Gestalt-Terapia – LIMA, Patrícia Valle de Albuquerque
(2009)
195
Gestalt-Terapia e abordagem gestáltica no Brasil: análise de
mestrados e doutorados (1982-2008) – HOLANDA, Adriano Furtado
Holanda (2009)
Grupos terapêuticos na abordagem gestáltica: uma proposta de
atuação clínica em comunidades – CARDOSO, Claudia Lins (2009)
Palhaços: uma possível reflexão para a Gestalt-Terapia – TSALLIS,
Alexandra C. (2009)
A Gestalt-Terapia na universidade: da f(ô)rma à boa forma –
SOARES, Luciana Loyola Madeira (2009)
Intimidade: o incomum lugar comum num universo de alheios –
CAVANELLAS, Luciana Bicalho (2009)
O cuidado na saúde e na doença: uma perspectiva gestáltica –
FUKUMITSU, Karina Okajima; CAVALCANTE, Flaviana e BORGES, Marcelo
(2009)
Os ajustamentos criativos da criança em sofrimento: uma
compreensão da Gestalt-Terapia sobre as principais
psicopatologias da infância – ANTONY, Sheila Maria da Rocha (2009)
Estudos de Psicologia
Um estudo comparativo da freqüência de verbalização empática
(Campinas) (1)
entre psicoterapeutas de diferentes abordagens teóricas –
FALCONE, Eliane Mary de Oliveira; GIL, Débora Barbosa; FERREIRA, Maria
Cristina (2007)
196
Paidéia (1)
Abordagem gestáltica e psicopedagogia: um olhar compreensivo
para a totalidade criança-escola – DUSTI, Miriam Lucia Herrera Masotti;
NECES, Marisa Maria Brito da Justa; ANTONY, Sheila (2006)
Psicologia: Teoria e Pesquisa (1)
A resistência olha a resistência – RIBEIRO, Jorge Ponciano (2007)
REVRENE (1)
Grupo terapêutico com mulheres com transtornos de ansiedade:
avaliação pela Escala de Ansiedade de Hamilton – SOUZA, Ângela
Maria Alves; FRAGA, Maria de Nazaré de Oliveira; MORAES, Leila Memória
Paiva; GARCIA, Maria Lucia Pinheiro; MOURA, Karl Dmitri Ramos; ALMEIDA,
Paulo Cesar de (2008)
Comunicação em Ciências da
Compreendendo a hiperatividade: uma visão da Gestalt-Terapia –
Saúde (1)
ANTONY, Sheila Maria da Rocha e RIBEIRO, Jorge Ponciano (2008)
Psicologia em Estudo (1)
Hermenêutica gestáltica de uma violência sexual intrafamiliar –
PIMENTEL, Adelma do Socorro Gonçalves e ARAÚJO, Lucivaldo da Silva
(2009)
Fractal (1)
Gestalt-Terapia e terapia sistêmica: o corpo em psicoterapia –
GURGEL, Marilia Toscano de Araujo (2008)
Contextos Clínicos (1)
Três perspectivas em psicoterapia infantil: existencial, não diretiva
e Gestalt-terapia – MATTAR, Cristine Monteiro (2010)
197
APÊNDICE 7 – Dissertações e Teses distribuídas por Programas de Pós-Graduação, por período
Programa
Psicologia, Universidade de São Paulo
Psicologia, Universidade de Brasília
Psicologia, Fundação Getúlio Vargas, RJ
Educação. Universidade Federal do Ceará
Psicologia. Universidade Federal do Rio de Janeiro
Psicologia (da Saúde). Universidade Metodista de
São Paulo
Psicologia Clínica. Pontifícia Universidade Católica
de São Paulo
Psicologia Social. Universidade do Estado do Rio
de Janeiro
Psicologia. Universidade Federal do Rio Grande do
Sul
Psicologia. Universidade São Marcos, SP
Filosofia. Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Educação. Universidade Paulista, SP
Ciências da Religião. Universidade Metodista de
São Paulo
Comunicação Social. Pontifícia Universidade
Católica do Rio Grande do Sul
Psicologia (Clínica). Universidade Católica de
Pernambuco
Ergonomia. Universidade Federal de Santa
Catarina
Educação. Universidade Católica de Goiás
Psicologia
(Clínica).
Pontifícia
Universidade
Católica de Campinas
Educação. Pontifícia Universidade Católica de
Campinas
1981 a
1985
2
1986 a
1990
1
1
1
1
1991a
1995
2
1
1
2
1
1996 a
2000
3
1
2001a
2005
2006 a
2010
1
6
3
1
2
1
1
2
1
1
1
2
1
Total
9
12
1
4
6
2
4
2
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
2
4
4
1
1
1
1
1
1
1
1
198
Enfermagem. Universidade Federal do Ceará
Psicologia. Universidade Católica de Goiás
Filosofia. Universidade Federal de Santa Catarina
Educação. Universidade Federal de Santa Catarina
Ciências da Religião. Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo
Psicologia Clínica e Social. Universidade Federal
do Pará
Teatro. Universidade Federal do Estado do Rio de
Janeiro
Educação. Universidade Federal do Espírito Santo
Total
27 Programas de Pós-Graduação
1
1
1
1
2
4
9 (7M, 2D)
12 26 (19M, 7D)
1
1
4
1
1
1
5
5
1
1
1
1
17 (13M, 4D)
17 (13M, 4D)
3
199
APÊNDICE 8 – Dissertações e Teses: Título, Autor, Ano, Programa de Pós-Graduação e Orientador
Período
De 1981 a
1985
Títulos, Autor, Instituição, Orientador
Reflexões Sobre Trabalho com Grupos na Abordagem Gestáltica em Psicoterapia e Educação TELLEGEN, Thérèse A. (1982), Psicologia, Universidade de São Paulo → Therezinha Moreira Leite
O modelo de aprendizagem experiencial aplicado ao ensino de terapia de grupo – FRAZÃO, Lilian Meyer
(1983), Psicologia, Universidade de São Paulo → Nilce Pinheiro Mejias
De 1986 a
1990
Análise e Avaliação do Processo de Mudança em um
Grupo Fechado de Gestalt-Terapia: Estudo de Caso – LIMA, Márcia Maria Coutinho (1988), Psicologia,
Universidade de Brasília → Jorge Ponciano Ribeiro
Bases Filosóficas e Implicações Técnicas na Gestalt-Terapia – PORTO, Rosane Carneiro (1989),
Psicologia, Fundação Getúlio Vargas → Franco Lo Presti Seminério
Gestalt-terapia e transferência: aquisição de conceitos na formação de psicologia – ZLOTNIC, Sergio
(1990), Psicologia, Universidade de São Paulo → Norberto de Abreu e Silva Neto
Psicoterapia e consciência social – FROTA, Ana Maria Monte Coelho (1990), Educação, Universidade
Federal do Ceará → Maria Susana Vasconcelos Jimenez
De 1991 a
1995
Estudo sobre o método de experimentos com sonhos na concepção de Frederick Perls – LIMA FILHO,
Alberto Pereira (1991), Psicologia, Universidade de São Paulo → Therezinha Moreira Leite
Diagnóstico em Gestalt-Terapia: Possibilidades e Limites – QUADROS, Laura Cristina de Toledo (1991),
Psicologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro → Elida Sigelmann
De cotovelos apoiados no para-peito da palavra: no cenário clínico, qual é o horizonte?* – LOFFREDO,
Ana Maria (1992), Psicologia, Universidade de São Paulo → Norberto Abreu e Silva Neto
O processo de cooperação na psicoterapia de grupo em Gestalt-terapia – BORIS, Georges Daniel Janja
200
Bloc (1992), Educação, Universidade Federal do Ceará → Maria Suzana Vasconcelos Jimenez
Uma Contribuição ao Conceito de Auto-Regulação Psicológica na Gestalt-Terapia – Para Além da
Homeostase - GORENSTIN, Sergio Garbati (1992), Psicologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro →
Elida Sigelmann
Contatuando com figura e fundo: uma contribuição a psicoterapia de grupo infantil na abordagem gestáltica
em psicoterapia – ZANELLA, Rosana (1992), Psicologia da Saúde, Universidade Metodista → Eda Marconi
Custódio
O homem e sua experiência com o abortamento provocado da parceira* – CARDOSO, Wilma Lucia Castro
Diniz (1993), Psicologia Clínica, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo → Mathilde Neder
Os Distúrbios da Fronteira de Contato – um Estudo Teórico e Empírico em Gestalt-terapia –
VASCONCELOS, Carlene Maria Dias de (1994), Psicologia, Universidade de Brasília → Jorge Ponciano
Ribeiro
Psicoterapia e Individualismo: Análise Teórico-Prática dos Limites e Possibilidades de um Projeto Para a
Clínica no Discurso da Gestalt-Terapia – TÁVORA, Claudia Baptista (1994), Psicologia Social,
Universidade do Estado do Rio de Janeiro → Luiz Felipe Baeta Neves Flores
De 1996 a
2000
A Gestaltpedagogia sai às ruas para trabalhar com crianças e educadores de rua – LILIENTHAL, Luiz
Alfredo (1997), Psicologia, Universidade de São Paulo → Henriette Tognetti Penha Morato
A Orientação Vocacional Clínica Por um Mundo em Transformação – um enfoque gestáltico – FERREIRA,
Ieda Boteho (1997), Psicologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro → Elida Sigelmann
Repensando o Campo Teórico da Gestalt-Terapia – LIMA, Patrícia Valle de Albuquerque (1997),
Psicologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro → Elida Sigelmann
Interrupção do processo psicoterapêutico: uma abordagem gestáltica – BAFFILE, Stelamaris Nani (1997),
201
Psicologia da Saúde, Universidade Metodista → Marilia Martins Vizzotto
A Abordagem Gestáltica e Construtivista na Compreensão do Desenvolvimento da Autonomia e da
Subjetividade de Jovens em Situação de Risco durante o Uso do Sistema Hipernet – ZURBA, Magda do
Canto (1997), Psicologia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul → Léa da Cruz Fagundes
O conceito de inconsciente na Gestalt-Terapia – PENTEADO, Carlos Alberto da Silva (1998), Psicologia,
Universidade de São Paulo → Ana Maria Loffredo
Dentro e fora da lata de lixo: uma análise gestáltica das articulações entre a vida e obra de Frederick Perls
– KIYAN, Ana Maria Mezzarana (1998), Psicologia, Universidade São Marcos → Mitsuko Aparecida Makino
Antunes
A Gestalt-terapia no envio da modernidade: teoria e técnica na confrontação da dor – CAVANELLAS,
Luciana Bicalho (1998), Filosofia, Universidade do Estado do Rio de Janeiro → Telma Apparecida Donzelli
A incorporação do conhecimento como criação de si mesmo na formação do gestalt-terapeuta –
CARDELLA, Beatriz Helena Paranhos (1998), Educação, Universidade Paulista → Christina Menna Barreto
Cupertino
Psicologia e Religião: Corpo e Crescimento Espiritual na Concepção dos Bispos Metodistas - SANTOS,
Luis Carlos Nunes (1999), Ciências da Religião, Universidade Metodista → Jaci Correia Marschin
Consciência e educação: oficinas criativas na formação de educadores - CARVALHO, Clara Paulina
Coelho (2000), Psicologia, Universidade de São Paulo → Henriette Tognetti Penha Morato
Contato e cultura organizacional: ensaio para um modelo psicológico de análise organizacional na
perspectiva da abordagem gestáltica – ALVIM, Mônica Botelho (2000), Psicologia, Universidade de Brasília
→ Jorge Ponciano Ribeiro
202
De 2001 a
2005
Intimidade e experiência amorosa: do campo psicoterapêutico ao campo da cultura - um ensaio de
apreensão teórica – CARVALHO, Márcia Teresa Portela de (2001), Psicologia, Universidade de Brasília →
Terezinha de Camargo Viana
Psicogênese da Masculinidade: uma Leitura Gestáltica Sobre a Construção da Identidade do Gênero
Masculino em Diversas Teorias e sua Importância Para a Escola – ROCHA, Sergio Lizias Costa de Oliveira
(2001), Educação, Universidade Federal do Ceará → Sílvia Helena Vieira Cruz
Autoconhecimento Como Habilidade Profissional Para as Relações Públicas: um Enfoque da GestaltTerapia – GALLI, Loeci Maria Pagano (2001), Comunicação Social, Pontifícia Universidade Católica do Rio
Grande do Sul → Roberto José Porto Simões
Gestalt-terapia: herança em re-vista - Gomes, Patrícia Wallerstein (2001), Psicologia Clínica, Universidade
Católica de Pernambuco → Henriette Tognetti Penha Morato e Marígia Ana de Moura Viana
O uso da Gestaltpedagogia no desenvolvimento das inteligências múltiplas aplicada no processo de
ensino-aprendizagem – BONMANN, R. D. (2001), Ergonomia, Universidade Federal de Santa Catarina →
Vânia Ribas Ulbricht
A Criança Hiperativa Como uma Totalidade em Ação: uma Visão Gestáltica Segundo a Teoria do Contato –
LIMA, Sheila Antony de Souza (2002), Psicologia, Universidade de Brasília → Jorge Ponciano Ribeiro
A Fluidez do Ser em Gestalt-Terapia* – FERREIRA, Ieda Botelho (2002), Psicologia, Universidade Federal
do Rio de Janeiro → Ued Martins Manjud Maluf
O Psicodiagnóstico em Gestalt-Terapia* – PIMENTEL, Adelma (2002), Psicologia Clínica, Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo → Marilia Ancona Lopez Grisi
A Relação Professor-Aluno a Partir da Gestaltpedagogia: a Vivência da Intersubjetividade como um
Elemento Significativo Para a Aprendizagem – COSTA, Virginia Elizabeth Suassuna Martins (2002),
203
Educação, Universidade Católica de Goiás → Marilia Gouveia de Miranda
O Método Fenomenológico na Gestalt-Terapia Segundo Formadores de Gestalt-terapeutas KARWOWSKI, Silvério Lucio (2002), Psicologia Clínica, Pontifícia Universidade Católica de Campinas →
Elisa Médici Pizao Yoshida
Estilo de contato da organização com o funcionário e prazer e sofrimento no trabalho: estudo de caso em
uma empresa de material de construção no Distrito Federal – XAVIER, Carla Sabrina Antloga (2003),
Psicologia, Universidade de Brasília → Ana Magnólia Bezerra Mendes
Os Transtornos da Personalidade Histriônica e Obsessiva-Compulsiva na Perspectiva da Gestalt Terapia e
da Teoria de Fairbairn* – TENÓRIO, Carlene Maria Dias (2003), Psicologia, Universidade de Brasília →
Jorge Ponciano Ribeiro
A experiência de mulheres abusadas sexualmente na infância por familiares ou parentes próximos –
TINÔCO, Adriana Martins (2003), Psicologia Clínica, Universidade Católica de Pernambuco → Albenise de
Oliveira Lima
A prática da psicoterapia infantil a partir do referencial teórico do psicodrama, Gestalt-Terapia e abordagem
centrada na pessoa, sob as óticas de Oaklander, Bermudez, Ferrari e Axline – COSTA, Maria Ivone Marchi
(2003), Psicologia Clínica, Universidade Católica de Pernambuco → Cristina Maria de Souza Brito Dias
Modos de subjetivação e produção de conhecimento na vida cotidiana: um estudo na Vila Cachoeira* –
ZURBA, Magda do Canto (2003), Educação, Universidade Federal de Santa Catarina → Maristela Fantin
Educa-São: uma possibilidade de atenção em ação* – LILIENTHAL, Luiz Alfredo (2004), Psicologia,
Universidade de São Paulo → Henriette Tognetti Penha Morato
Co-construindo Pontes entre a Gestalt-Terapia e as Terapias Sistêmicas Construtivistas Construcionistas
Sociais: Subjetividade e Intersubjetividade em Questão – PHILLIPPI, Miriam May (2004), Psicologia,
204
Universidade de Brasília → Jorge Ponciano Ribeiro
Entre a ação clínica, a técnica e a ética da precariedade: da Gestalt-Terapia à fenomenologia existencial –
CANEDO, Maria de Fátima Mendonça (2004), Psicologia Clínica, Universidade Católica de Pernambuco →
Henriette Tognetti Penha Morato
A construção da relação professor-aluno em uma universidade da terceira idade – OLIVEIRA, Valter
Roberto de (2004), Educação, Pontifícia Universidade Católica de Campinas → Maria Eugenia de Lima e Montes
Castanho
Coordenação de Grupo: Espaço de Florescimento* – SOUZA, Ângela Maria Alves e (2004), Enfermagem,
Universidade Federal do Ceará → Maria de Nazaré de Oliveira Fraga
Análise de um caso a luz da teoria do ajustamento criativo da Gestalt-terapia: fenomenologia da
experiência religiosa – CARVALHO, Marco Aurélio Bilibio (2005), Psicologia, Universidade de Brasília →
Jorge Ponciano Ribeiro
Psicoterapia e mudança - uma reflexão* – LIMA, Patrícia Valle de Albuquerque (2005), Psicologia,
Universidade Federal do Rio de Janeiro → Elida Sigelmann
Ilumina-ação: diálogos entre a Gestalt-terapia e o Zen-Budismo – VERAS, Roberto Peres (2005),
Psicologia Clínica, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo → Marilia Ancona Lopez Grisi
Teoria de Campo de Kurt Lewin e a Gestalt-Terapia - Rodrigues, Hugo Elídio (2005), Psicologia,
Universidade do Estado do Rio de Janeiro → Helmuth Ricardo Krüger
Subjetividade e Linguagem: A fenomenologia da experiência dialógica poética subjetivante de Adoniran
Barbosa – LUPPI, Marcio (2005), Psicologia, Universidade Católica de Goiás → Saturnino Pesquero Ramon
Gênese e construção de uma "Filosofia da Gestalt" na Gestalt-Terapia – GRANZOTTO, Rosane Lorena
Bernardini (2005), Filosofia, Universidade Federal de Santa Catarina → Marco Antonio Franciotti
205
De 2006 a
Uma compreensão psicossomática do órgão de choque através do trabalho com polaridades - IVANCKO,
2010
Silvia Martins (2006), Psicologia Clínica, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo → Esdras Guerreiro
Vasconcelos
Construindo uma cultura de paz: a abordagem gestáltica como um instrumento - FITTIPALDI, Adriana
Quintas (2007), Psicologia, Universidade de Brasília → Jorge Ponciano Ribeiro
Ato artístico e ato psicoterápico como experiment-ação: diálogos entre a fenomenologia de Merleau-Ponty,
a arte de Lygia Clark e a Gestalt-Terapia* – ALVIM, Mônica Botelho (2007), Psicologia, Universidade de
Brasília → Jorge Ponciano Ribeiro
Comunicação Contemporânea: uma visão da Fenomenologia, Gestaltterapia e da Hermenêutica* – GALLI,
Loeci Maria Pagano (2007), Comunicação Social, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul →
Maria Beatriz Furtado Rahde
Gestalt-terapia de curta duração para clérigos católicos: elementos para a prática clínica* – PINTO, Ênio
Brito (2007), Ciências da Religião, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo → João Edenio Reis Valle
A vivência do cliente no processo psicoterapêutico: um estudo fenomenológico na Gestalt-Terapia –
ANDRADE, Celana Cardoso (2007), Psicologia, Universidade Católica de Goiás → Adriano Furtado Holanda
Um estudo crítico das psicoterapias fenomenológico-existenciais: terapia centrada na pessoa e Gestaltterapia – BEZERRA, Márcia Elena Soares (2007), Psicologia Clínica e Social, Universidade Federal do
Pará → Adelma do Socorro Gonçalves Pimentel
Hermenêutica gestáltica do abuso sexual para uma adolescente – ARAÚJO, Lucivaldo da Silva (2007),
Psicologia Clínica e Social, Universidade Federal do Pará → Adelma do Socorro Gonçalves Pimentel
Tecendo saberes: fenomenologia do tratamento da dependência química – OLIVEIRA, Ingrid Bergma da
Silva (2007), Psicologia Clínica e Social, Universidade Federal do Pará → Adelma do Socorro Gonçalves Pimentel
206
Um estudo sobre o papel do jogo teatral como elemento auxiliar para o tratamento de toxicômanos –
MARINHO, Fabiana Drumond (2007), Teatro, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro → José
Luiz Ligiéro Coelho
A intervenção precoce nos ajustamentos do tipo psicótico e a clínica gestáltica: ensaios preliminares –
CARVALHO, Lílian Cherulli de (2008), Psicologia, Universidade de Brasília → Ileno Izidio da Costa
História da Gestalt-terapia no Brasil contada por seus “primeiros atores”: um estudo historiográfico no eixo
São Paulo-Brasília - COSTA, Danilo Suassuna Martins (2008), Psicologia, Universidade Católica de Goiás
→ Adriano Furtado Holanda
A fenomenologia das vivências arquetípicas estimuladas pelas pranchas de Rorschach – REIS, Marisete
Malagute Mendonça dos (2008), Psicologia, Universidade Católica de Goiás → Saturnino Pesquero Ramon
Contribuições da arteterapia no cuidado com mulheres em tratamento do câncer de mama – SIMÕES,
Érica de Nazaré Marçal Elmescany (2008), Psicologia Clínica e Social, Universidade Federal do Pará →
Adelma do Socorro Gonçalves Pimentel
O jogo da compreensão de gênero na educação infantil: um diálogo hermenêutico do pesquisador com
diversos horizontes de sentidos* – ROCHA, Sergio Lizias Costa de Oliveira (2009), Educação,
Universidade Federal do Ceará → Sylvie Ghislaine Delacours Soares Lins
(In) visíveis seqüelas: violência psicológica contra a mulher sob o enfoque Gestáltico – FERREIRA,
Wanderléa Nazaré Bandeira (2010), Psicologia Clínica e Social, Universidade Federal do Pará → Adelma do
Socorro Gonçalves Pimentel
A arteterapia (re)significando a vida, da mente vazia às idéias coloridas: uma experiência de educação emocional e
de reabilitação psicossocial com pacientes mentais por meio das linguagens visuais – PAGANOTTO, Glícia
Conceição Manso (2010), Educação, Universidade Federal do Espírito Santo → César Pereira Costa