Uma rave no passado e no presente

Transcrição

Uma rave no passado e no presente
COLÉGIO OFELIA FONSECA
FESTAS RAVES: A FESTA NO PASSADO E NO PRESENTE
Rafaela Barbosa Ramos Moreno
São Paulo
2013
Rafaela Barbosa
FESTAS RAVES: A FESTA NO PASSADO E NO
PREESENTE
Trabalho realizado e apresentado sob a orientação do Professor Luis Fernando
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Resumo
Na década de 60, em Londres começa a ocorrer várias festas que eram conhecidas por
terem no mínimo 12 horas de duração, eram consideradas as “festas loucas e animadas”
que acontecia normalmente em armazéns, e depois com o tempo mudou-se para sítios,
ou grandes terrenos que eram ao ar livre e longe dos centros urbanos. Normalmente os
frequentadores utilizam alguma droga para se manterem acordado durante a festa
inteira, como maconha, ecstasy e o LSD. E desde o inicio as Raves sofreram um
preconceito. Esse trabalho contara brevemente a historia das Raves, o que são as Festas
Raves, como chegaram no Brasil, comparará 3 festas em diferentes épocas e também
sobre a Tomorrowland, uma das festas Raves mais conhecidas na atualidade.
3
Sumário
Introdução..................................................................................................................... 05
Desenvolvimento......................................................................................................... 11
Conclusão.................................................................................................................... 20
Referências
Bibliográficas................................................................................................. 25
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1. Introdução
Eu escolhi esse tema “Raves” para o meu trabalho de conclusão de curso, com o intuito
de mostrar para as pessoas, o que são as “Raves”, como surgiram no mundo e no Brasil,
também tentar esclarecer o porquê dos jovens começarem a se interessar mais pelas
“Raves” depois da década de 80, mostrando o contexto histórico da época e também as
principais “Raves” daquela época e da atualidade. E para explicar mostrarei alguns
exemplos de Raves da década de 60 e 80, bem como algumas da atualidade, dando
enfoque tanto as Raves do Brasil quanto as de outros países.
1.1 O que são as Raves:
Raves são festas, eventos, que possuem uma duração de no mínimo 12 horas e ocorrem
normalmente em locais afastados dos centros urbanos, podendo ocorrer em sítios,
galpões e terrenos com uma grande área livre.
Em alguns dicionários Raves significa “festa louca e animada.” Porém quando
perguntamos para as pessoas o que seria uma Rave, normalmente ouvimos a resposta
“lugar onde rola muita droga.”. O termo Rave foi criado provavelmente na década de
60, pelos caribenhos que moravam em Londres, para denominar as festas locais. Já em
meados da década de 80, esse termo era utilizado para descrever uma cultura do
movimento Acid House, iniciado em Chicago, que chegou a Londres. Esse movimento
Acid House surgiu quando o Dj Pierre buscava novos sons para remixar o house, outro
estilo musical, e nessa busca encontrou uma solução inusitada, hipnótica e,
principalmente, barata, chama TB-303. Porém hoje em dia, o termo Rave é utilizado
também quando se falam PVT, ou seja, Private House Party.
Na época em que surgiram as Raves, em 1960, eram consideradas festas ilegais,
realizadas em squats, que são prédios abandonados ocupados por estudantes ou
desempregados, ou em alguns sítios nos arredores das grandes cidades. A divulgação
não era tão diferente como é feita hoje em dia: “boca a boca”, flyers e alguns anúncios
em rádios piratas. Porém, em todos os modos de divulgação, eles davam somente
metade do caminho, para despistar os policiais e o governo, assim quando chegavam no
local dado na divulgação, eles eram encaminhados para o local verdadeiro. Havia essa
repressão contra as Raves e as autoridades, pois, eles sabiam que certo número de
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participantes utilizariam "drogas recreativas“, drogas como: MDMA, cocaína,
anfetaminas e cetamina. E com isso, os políticos britânicos resolveram multar os
proprietários, os coordenadores das Raves por realizarem um evento ilegal.
Uma Rave para ser uma Rave tem que ter três condições: ser realizada ao ar livre,
embalada a música eletrônica e ectasy. E também tocar os ritmos como: House, Electro,
Techno, Minimal, Psy Trance, entre outros.
1.2 Como surgiram as Raves:
Existem duas hipóteses sobre a origem das Raves. Uma, que é a mais coerente, diz que
as Raves se iniciaram em meados dos anos 60 em Londres, Inglaterra, muito
influenciada pelos grandes festivais de música ao ar livre da época e também pela
tradição punk do “Do it yourself”. E na outra hipótese, mostra a famosa festa
Woodstock, que foi um festival que durou três dias (15, 16, 17 de agosto de 1969) na
fazenda de 600 acres do proprietário Max Yasgur, na cidade rural de Bethel, estado de
Nova York, Estados Unidos. Na verdade, o festival deveria ocorrer na cidade de
Woodstock, porém os moradores não aceitaram e assim mudou para a cidade Bethel,
uma hora e meia de Woodstock. O festival foi anunciado com o slogan “Uma Exposição
Aquariana: 3 Dias de Paz & Música".
Woodstock se originou devido os esforços de Michael Lang, John P. Roberts, Joel
Rosenman e Artie Kornfeld. Na verdade Roberts e Rosenman colocaram um anuncio no
Challenge International dizendo "Jovens com capital ilimitado buscam oportunidades de
investimento legítimas e interessantes e propostas de negócios", assim Land e Kornfeld
responderam o anuncio. E os quatro amigos se uniram com o intuito de montar uma
gravadora em Woodstock, porém a conversa fluiu tanto que surgiu a ideia de criar o
festival de música e artes ao ar livre.
Mesmo os quatro amigos achando que seria um pouco arriscado fazer o festival,
começaram a vender os ingressos nas lojas de discos, na metrópole New York ou se,
fossem para o interior, por meio de correio, a venda do ingresso, para tentarem obter um
retorno financeiro. Os ingressos custavam em torno de 18 dólares, que hoje em dia
valeria mais ou menos 75 dólares, e se fosse comprado na hora seriam 24 dólares.
Foram vendidos aproximadamente 186.000 ingressos antecipados, porém os
coordenadores esperavam um publico de mais ou menos 200.000 pessoas. No entanto, o
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festival teve um publico de 500.000 pessoas, que derrubaram as cercas, tornando o
festival um evento gratuito. Devido o grande numero de pessoas, que não era esperado,
ocorreram alguns problemas como a falta de alimentos, de higiene e também das
matérias de primeiros socorros. Também ocorreram algumas fatalidades como: uma
morte em decorrência de overdose de heroína e um atropelamento por trator, além de
dois partos, um no congestionamento e um no helicóptero, e quatro abortos. Esse
grande fluxo de pessoas provocou um enorme congestionamento nas Via Expressa de
New York, transformando Bethel em uma “área de calamidade publica”. Porém, mesmo
ocorrendo todos esses problemas o festival foi mesmo o retrato comportamental exibido
pela harmonia social e a atitude de seu imenso público.
O festival teve o seguinte cronograma:

Sexta-feira,
15
de
agosto:
Richie
Havens,
Richie
Havens,Swami
Satchidananda, Sweetwater, The Incredible String Band, Bert Sommer, Tim
Hardin, Ravi Shankar, Melanie, Arlo Guthrie e Joan Baez.
(Imagem 1: Richie Havens Swami Satchidananda, que deu a invocação para o festival).

Sábado, 16 de agosto: (Placa comemorativa existente no local original do
festival, na área do antigo palco) Quill (quarenta minutos para quatro músicas),
7
Keef Hartley Band, Country Joe McDonald, John Sebastian, Santana, Canned
Heat, Mountain, Grateful Dead, Creedence Clearwater Revival, Janis Joplin com
a The Kozmic Blues Band8, Sly & the Family Stone, The Who (que cantos 25
músicas incluindo Tommy e Jefferson Airplane.)
(Imagem 2: banda The Who, que começou as 4 da manhã)

Domingo, 17 de agosto para Segunda, 18 de agosto: The Grease Band, Joe
Cocker, Country Joe and the Fish, Ten Years After, The Band, Blood, Sweat &
Tears, Johnny Winter e seu irmão, Edgar Winter, Crosby, Stills, Nash & Young,
Paul Butterfield Blues Band, Sha-Na-Na e The Jimi Hendrix Experience.
(Imagem 3:The Grease Band)
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Contudo, apesar da grande aceitacao do festival, algumas bandas recusaram o convite
como: The Beatles, The Doors, Led Zeppelin, Jethro Tull, The Byrds, Bob Dylan, Joni
Mitchell e The Moody Blues.
(Imagem 4: Flyer da Woodstoock)
1.3 Como Surgiram no Brasil
As primeiras Raves no Brasil aconteceram em meados dos anos 1990, reunindo
estrangeiros e brasileiros que acabavam de voltar de férias no exterior. Foram realizadas
em lugares criteriosamente escolhidos e preparados, se estendiam por mais de quatorze
horas consecutivas, sempre movidas por musica eletrônica e psicoativos, como o ectasy.
E assim se fixou as Raves no território brasileiro pois, desde o inicio do século XXI, o
Brasil se tornou um dos países com maior numero de Raves e festivais ao redor do
mundo.
A primeira festa Rave no Brasil aconteceu em 1992 e foi batizada com o nome de
Jeneration. A festa foi amplamente encampada pela mídia e pelo patrocinador (uma
marca de jeans) e aconteceu no estádio do Pacaembu em São Paulo. E o primeiro
projeto originalmente brasileiro só aconteceu em 1995 em São Paulo, proporcionado
pelo DJ Dmitri. Com ele o ambiente psicodélico, a música repetitiva e a influência das
festas que aconteciam não só na Europa, mas também nos EUA e assim começaram a
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ganhar um pouco mais de notoriedade à medida que atraíam novos adeptos e
seguidores.
1.4 Questão Problema
Como percebemos, as Raves, por mais que tenham sido criadas na década de 60,
começaram a ser um evento onde os jovens frequentassem somente na década de 80. O
que será que ocorreu, o que fez com que os jovens começassem a se interessar mais
pelas Raves depois de 20 anos de sua criação? Será que o contexto histórico da época os
incentivou a começar a frequentar mais? Ou porque começou a ser mais fácil, mais
liberado para todos os públicos, sem muita restrição, porém continuando a ser um
evento ilegal para o governo e para os policiais? Então nesse trabalho pretendo
esclarecer a minha questão pergunta: O que ocorreu na década de 80 que levou os
jovens a se interessarem mais pelas Raves? E também será que há semelhança entre as
Raves e as Zonas Autonômas Temporárias?
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2.0. Desenvolvimento
2.1. O verão do amor
Ronda pelo mundo boatos de que a historia das Raves começou nas férias de 1987, em
Ibiza (Espanha), no famoso “o verão do amor”, há esse nome o verão de Ibiza para
localizar o período e também o uso do ecstasy, que também é chamado de “pílula do
amor” devido sua capacidade de criar forte empatia entre seus consumidores. Foi nessas
férias que houve a inauguração da combinação entre música eletrônica, ecstasy e pistas
de dança no ar livre. Porém são os londrinos os principais personagens que fazem a
historia.
Nicolas Saunders, autor do livro Ecstasy and the Culture Dance, conta a historia de um
jovem empreendedor inglês, Tony Colston – Hayter, que após o “verão do amor” ele
mudou o formato das festas, deixou de utilizar armazéns escuros e sinistros nas
redondezas de Londres e começou a organizar festas para milhares de pessoas em
lugares abertos e ao ar livre. E devido a quantidade de pessoas, para driblar os policias
se tornou cada vez mais acirrado, então começaram a ocorrer o sistema de informação
de endereço por telefone, poucas horas antes das festas os participantes eram
comunicados através do telefone um ponto de encontro e quando reunia vários carros
era dado outro telefone que divulgava o restante do caminho.
E com isso se forma as influencias mais marcantes das Raves. Saunders constrói o livro,
resumindo a forma de festejar Raves “o padrão inglês de uso do ecstasy” e se espalhou
pela Europa e pelo mundo “transes dançantes envolvendo um grande número de
pessoas e um alto nível de estímulo.”.
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( Imagem 5: Flyer da festa Monterey,
que ocorria em Ibiza)
2.2. A vibe das Raves de São Paulo
O inicio das Raves no Brasil não é tão consensual como nos outros lugares. Mesmo
assim, em 1995, é aceito como o ano de partida das Raves no país, sua origem remonta
o cenário paulistano sob influencias de experiências nas praias do Sul da Bahia, Arraial
D’Ajuda e Trancoso. E é certo afirmar que a pratica das Raves no Brasil é fruto da
influencia de estrangeiros, principalmente os europeus.
As primeiras Raves ocorreram quando uns grupos de amigos se reuniam de modo
cooperativo, e não remunerado. O recurso financeiro era pequeno, porém sempre
capricho e criativo na decoração e no uso das luzes, criando ambientes surreais. A
divulgação era restrita, era feita com flyers e também boca-a-boca. E o preço do
ingresso era barato, em troco de R$5,00 e R$15,00, e era cobrado para todos, não havia
a lista VIP. Era bem dividido o “trabalho” entre os organizadores, um era responsável
para elaborar o flyer, outro emprestava o sítio, se revezavam para garantir o
funcionamento do bar, da entrada, dos caixas, e da segurança do lugares, e normalmente
como sabiam que o recurso financeiro era pequeno, alguns Djs não cobravam para tocar
ou recebiam um pequeno cachê.
No começo, no ano de 1996, as festas Raves Paulistanas eram raras, acontecia a cada 4
meses e tinha um publico pequeno, em troco de 500 pessoas. Já em 1998, o evento já
era “comum”, reunindo em troco de 5 mil pessoas e acontecendo a cada 2 meses. E as
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Raves Paulistanas eram marcadas devido a organização cooperativa de núcleo, a crença
de que a festa era realizada para simples diversão, a existência de uma única pista de
dança, a circulação dos mesmo grupos de frequentadores e um forte engajamento entre
os participantes.
Nessas Raves a maioria dos presentes se conhecia, ou se reconhecia. Os frequentadores
das primeiras Raves eram geralmente das classes média alta e alta. Mas não importava
qual classe social você era, se estava curtindo a festa com os seus amigos, sem criar
confusão, era o que importava. Como vemos no trecho que Jef, fala quando se lembra
das Raves que participou.
“Vários amigos, todos na mesma sintonia, todos sem querer nada em troca. Pura e
simplesmente querendo compartilhar o momento de felicidade, todos juntos, é isso. È
um traço muito fino que liga todo mundo um ao outro, num sentimento comum, e todos
eles. È a mesma finalidade de estar alí, de dividir o momento único de felicidade e
loucura. Estar ali compartilhar isso. Aquele negócio do sorriso bobo no rosto...”.
No decorrer da festa, seguindo o movimento do amanhecer do dia, a música eletrônica
deixava de ser um gênero mais pesado, e passa para os gêneros mais harmoniosos.
Quando apareciam os primeiros raios de luz, todos estavam dançando, acompanhando a
música. O amanhecer revelava um espetáculo de descobertas, como a paisagem, a
decoração, os amigos. Nesse final das Raves, os olhares das pessoas se cruzavam por
toda parte, com olhares penetrantes de reconhecimento e aceitação, articulando uma
comunicação intensa entre os presentes. Por volta já das nove horas da manhã, muitas
pessoas já estavam descalças, passeando pelo local, ou sentados no gramado,
conversando, e muitas vezes se abraçavam. Já não tinha mais o comprometimento de
dançar freneticamente para se definir a festa como “boa”, o importante era “estar à
vontade.”. Já que era uma festa com um sistema de cooperação, a generosidade e o
compartilhamento de objetos e utensílios era uma regra nesses momentos. Alguns
organizadores da festa abaixavam o preço de água, realizavam doações para aqueles que
se manifestavam sem dinheiro e ofereceriam frutas como café da manhã. Então
podemos notar que o mais encontrava nas Raves era harmonia, generosidade entre os
organizadores, os participantes, entre todos.
2.3. Drogas
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Na mesma época que as Raves começaram a surgir, as drogas começaram aparecer
também. As drogas são “bem-vindas” nas raves, ou seja, sempre podemos ver pessoas
utilizando nas Raves. As drogas que podemos mais encontrar la são: Maconha, LSD,
Ecstasy, entre outras.
*Maconha: cujo nome cientifico é Cannabis Sativa, contem a substancia muito poderosa
chamada tetrahidrocanabinol (THC). Os efeitos que podem ocorrer são: euforia,
sonolência, sentimento de felicidade; risos espontâneos;perda de noção do tempo,
espaço; perda de coordenação motora, aceleramento do coração, perda temporária de
inteligência e fome, olhos vermelhos. Esses efeitos podem durar aproximadamente 5
horas.
*LSD: uma abreviação para o ácido lisérgico. Com seu uso produz alterações mentais,
provocando serias distorções no funcionamento cerebral, causando alucinações. Essa
droga causa efeitos físicos, causando tremor, aumento da temperatura corporal, pupilas
dilatadas, suores, náuseas, tontura, boca seca entre outros. E causa psíquicos causando
alucinações, principalmente. As sensações produzidas pelo LSD, no usuário parece tão
real que provoca medo, prazer, ansiedade e até pode causar perda da memoria.
*Ecstasy: contem a substancia chama metilenodioximentanfetamina, abreviando
MDMA, um tipo de anfetamina, que possui efeitos parecidos com os alucinógenos. Os
efeitos que podem ocorrer ao utilizar essa droga é: dopamina (que interfere nas dores),
serotonina ( que é ligado às sensações de amor), também pode causar ansiedade,
paranoias, náuseas. Insônia, alucinações, “fazer coisas que não faria se estivesse em
estado normal”, entre outros.
2.4. Glossário de Música Eletrônica
* House:
Originou-se em Chicago, nos Estados Unidos, em 1986. Onde os Djs começaram a
mixar batidas com bateria eletrônica a bases melódicas da música soul e da disco, como
por Exemplo o Dj Frankie Knucles. O uso de vocais nas musicas, samples de cordas e
de pianos fazem da houve um dos gêneros mais melódicos da musica eletrônica.
* Acid House
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Reza uma lenda que os três produtores do Phuture, Dj Pierre, Spanky e Herb Jackson,
mexendo num velho sintetizador de baixo analógico da Roland, TB-303, que estava fora
de linha fazia tempo. Eles ficaram fascinados pelo som vibratório e pelas possibilidades
de timbres devido a frequência. Lançaram o single Acid Tracks pela produtora Trax
Records, seus treze minutos consistiam de pouco mais de que uma base rítmica tímica e
a TB-303. E com isso nasceu um novo gênero, e o novo foi dado devido seu caráter
aluscinosônico.
* Trance
Foi criado por alemães frequentadores de GOA (um reduto hippie na Índia) com a
intenção de utilizar a tecnologia para produzir algo que deixasse as pessoas em um
estado hipnótico no ouvido. As melodias repetitivas sobre linhas de baixo sintetizado,
que fica aproximadamente nos 140 BPMs, sempre subindo até um ápice eufórico e uma
de suas vertentes mais populares é o psy-trance (trance psicodélico).
* Techno
Originou-se em Detroit, nos Estados Unidos, em 1980, onde os produtores Derrick
May, Kevin Saunderson e Juan Atkins com a mistura do pop eletrônico da banda alemã
Kraftwerk ao funk do músico George Clinton. A ideia foi desenvolvida pelos músicos
alemães, não utilizando vocais e os sons digitais eram gravados em canais
diferenciados, criando sensações especializadas. Os “Climas” melódicos se repetem
num efeito de onda, que aumenta a intensidade, já a melodia é intercalada, criando uma
avalanche.
* Drum’n’bass
Originou-se nos guetos étnicos de Londres, em 1992. Surgiu com heranças como o
reggae, o jazz e o hip hop e também as mixou com a velocidade tecno. As batidas são
sincopadas e entram em dissonância com outras fontes percussivas. Já os vocais são
lentos, pode até se dizer que o drum’n’bass é misturar linhas de baixo pesadas ao jazz.
* Ambient
Surgiu por volta dos anos 90, tendo como referencia as peças minimalistas criadas por
Brian Eno, também como referencia tem o som das bandas de rock progressivo, por
exemplo a banda dos alemães Tangerine Dream e Don e primeira fase do Pink Floyd.
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As notas são alongadas, as melodias etéreas e percussão quase inauditivel. Também
utiliza samples de sons étnicos e da natureza.
2.5. A diferença de três tipos de Raves
Comparando três tipos de Raves no período de 1988 a 1995, por Erika Palomino.
CIDADES
Londres
Rio de Janeiro
São Paulo
PERÍODO
1998 – 1992
1993 – 1996
1995 em diante
SOM
Acid House
House e Garage
Techno e Trance
LOCAIS
Galpões e espaços
Casarões e a
Sítios fora do
abandonados com
fundição progresso.
perímetro urbano.
hangares, piscinas
vazias e campos em
fazendas.
CARÁTER
Ilegal
Alternativo/Hippie
Alternativo
DROGAS
Ecstasy
Special K
Maconha, Ecstasy e
LSD.
Hétero
Predominante Gay
Predominante Hétero
FAIXA ETÁRIA
15 a 19 anos
20 a 30 anos
17 a 30 anos
RELAÇÃO COM
Persecutória
Mainstream
Alternativa/simpática
MODO DE
Boca-a-boca a
Flyers e
Flyers, coluna Noite
DIVULGAÇÃO
linhas telefônicas
reportagens de
Ilustrada e internet
secretas
jornais
Clubbers e Ravers
Clubbers e Barbies
ORIENTAÇÃO
SEXUAL
A MÍDIA
PÚBLICO
Clubbers, Ravers e
Universitários.
O QUE
As pessoas
Celebração
Sob tendas e panos
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ACONTECIA
dançavam feliz e
pansexual que
fluo, jovens tomam
freneticamente ao
reunia artistas e
contato com a
som daquele novo
anônimos
cultura da música
tipo de música e se
misturados aos gays underground e
deslumbravam com
mais musculosos e
deliram nas pistas
a droga, também
bonitos da cidade.
cobertas de lama, até
novas no momento.
a tarde do dia
seguinte
O LOOK
T´shirt Smiley ou
Calça jeans e t-shirt
Roupa colorida, tye-
de logos famosos
branca amarrada na
die ou fluo, tênis,
adaptados, tênis e
cintura (Coturno)
dread locks, piercing
calça longa, cabelo
e tatuagem.
molhado e
despenteado.
LOTAÇÃO
25 mil pessoas
2300 pessoas
8 mil pessoas
Paz e Amor
Hedonismo Sexual
Paz e Amor
MAXIMA JÁ
REGISTRADA
IDEOLOGIA
Com essa tabela podemos perceber que ocorreram varias mudanças em alguns anos.
Mudou a música; os locais que eram feitos as festas, deixando de ser em galpões, em
lugares fechados e sendo feitos em lugares ao ar livre; Também deixou de ser tão ilegal
como era no passado e começou a ter outros modos de divulgação, sem precisarem
enganar a polícia, e também começou a ter um publico novo, como os universitários.
Também há uma grande aproximação das raves paulistanas com as raves londrinas,
porém as primeiras experiências de Raves no Rio de Janeiro não eram propriamente
rave, pois, mesmo sendo festas que embaladas a música eletrônica acontecia na cidade e
não havia nenhum consumo de ecstasy.
2.6. Tomorrowland
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É um evento idealizado pelos irmãos belgas, Manu Michiel e Berrs Michiel, porém
atualmente é organizado pela ID&T Entretenimento. Essa grande festa ocorre uma vez
ao ano, em Boom, na Bélgica. No seu primeiro ano, 14 de agosto de 2005, contou com a
participação de artistas como Armin Van Buuren, Sven Väth, entre outros. Na terceira
edição, em 2007,durou dois dias primeira vez. Em 2008, participaram mais de 100 Djs e
o publico ultrapassou 50 mil pessoas. Em 2011, estendeu por 3 dias o evento, com mais
de 180 mil pessoas. E contou com a presença de Djs famosos como Avicii, Tiësto, entre
outros. Em 2012, contou com a presença de mais de 400 Djs e mais de 200 mil pessoas
de 75 paises diferentes. Teve atrações como Nicky Romero, Fatboy Slim, Avicii,
Swedish House Mafia, David Guetta entre outros. Já esse ano, foram vendidos mais de
80 mil ingressos, e a ID&T anunciou o novo evento, TOMORROWORLD, que
ocorrera em 27, 28 e 29 de setembro desse ano na Geórgia, nos Estados Unidos. E
contara com a presença de David Guetta, Afrojack, Steve Aoki, Alesia, entre outros.
“É um mundo totalmente diferente com o que vivemos. Foi a melhor sensação da minha
vida. Parece que você está em outro planeta. Eu acampei nos 3 dias, e no segundo dia,
acabou minha água, pessoas desconhecidas viram que estava sem agua, e me
ofereceram, me ajudaram a não morrer desidratado. Recomendo demais, serio!” –
Felipe Campos, 19 anos.
“Fui com um grupo grande pra tomorrowland, um pessoal ficou acampando e outros
no hotel. Acho que foi a melhor escolha que fiz foi ficar acampando, porque eu me senti
hippie, todo mundo cumprimentava todo mundo, ninguém era estranho. Você não era
mais um na festa, você era mais um na festa.” – Gabriela Brito, 18 anos.
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(Imagem 6: Tomorrowland, 2012)
“Pessoas do mundo inteiro, loiras, morenas, negras, ruivas, os biótipos mais diversos,
mas lá, cada um era o que desejava ser, todo mundo era livre para ser fada ou superherói, ou qualquer fantasia que quisesse, ou fantasia nenhuma, literalmente, “ninguém
ta pra ninguém”, cada um é livre para ser e pronto!
A paz estava no ar, não existe confusão ou briga, as pessoas conversam em diversas
línguas, se comunicam pela música, pelas bandeiras de seus Países, inclusive, mais de
270 Países, mais de 250 mil ingressos!!!” “É difícil descrever e passar todo sentimento
e emoções vividas nestes 3 (três) fortes dias, pois tudo e muito intenso, muita luz, muita
cor, muita música, os melhores DJ’s do mundo, espalhados por uma gigantesca cidade
Tomorrowland, com direito a parque de diversão, borboletas gigantes, balões coloridos,
cogumelhos gigantes, bolhas de sabão, sol, chuva, natureza e muuuuuuuuuita musica
eletrônica, verdadeiro mundo surreal, tipo conto de fadas! “ – Leticia Vogt, descreve sua
experiência na Tomorrowland nesse ano
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3. Conclusão
Em 2010, a Revista IstoÉ fez uma reportagem “Raves sem limites” e ao ler a
reportagem percebi que tentaram mostrar os dois lados da historia, mostrando os
problemas, como o uso de drogas e o excesso de bebidas, como também mostraram
algumas ideias do escritor Tomás Chiaverini, autor do livro Festa Infinita, que passou
um ano pesquisando sobre as Raves. Nessa entrevista reforçou o uso das drogas e do
álcool, porém mostrou também que o público que frequenta todas as Raves são
pacíficos, ou seja, são pessoas que vão com o intuito de curtir a festa, o máximo que
conseguir, e não ficarem brigando por qualquer coisa como ocorre em alguns shows de
outros tipos.
(Imagem 7; Revista IstoÉ)
“Meus pais nunca me impediram de ir a Raves. Até porque eu adoro música eletrônica,
sempre gostei muito, mas não frequento muito por falta de oportunidade. O problema
das Raves, é que as pessoas que nunca foram, tem uma imagem muito ruim, acham que
é liberadaço o uso das drogas mas não é assim, quem frequenta ve que não é. Assm de
fato que há o uso de drogas, assim como existe em todos os lugares sejam em raves ou
em boates.” – Deborah Aguiar, 26 anos.
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Já em 2011, houve a criação de um projeto, proposto pelo Gilmaci Santos, líder do
Partido Republicano Brasileiro (PRB) na Assembleia Legislativa, com o intuito de
proibir a realização de festivais que durem mais que 10 horas. Ao propor esse projeto
afirmou dizendo que sempre ocorre tragédias, uso de drogas, entre outros problemas. Se
a proposta fosse aceita, o evento que descumprisse a proibição iria pagar uma multa em
torno de R$174,5 mil.
“Cada vez que temos umas festas dessas, muitas coisas ruins acontecem. Mais pessoas
ficam viciadas em drogas, rola sexo, jovens ficam gravidas. É uma questão de saúde
pública.”
(Imagem 8)
Então o que podemos notar muito é que desde o inicio das Festas Raves até hoje em dia
há um grande preconceito, porém normalmente são pessoas que nunca frequentaram
alguma Rave, alguns reclamam dos locais onde ocorre, porém o intuito da Rave é te
levar nessas horas da festa para algum lugar onde você possa esquecer-se dos problemas
que está tendo; outros reclamam do uso de drogas e do excesso do álcool, com isso até
concordo mas o uso das drogas e do excesso de álcool não ocorre somente nas Raves
como muitas pessoas pensam, ocorre tanto em uma Rave quanto na balada mais cara de
São Paulo, por exemplo. Não depende do lugar que os usuários estão, vão utilizar as
drogas. Por experiência própria, em julho de 2013 fui ao Festival Mare em Porto,
Portugal, onde participei do evento que ocorre por 3 dias, e pude perceber que há
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pessoas de todos os tipos, há pessoas utilizando drogas, há pessoas bebendo, há pais
com crianças, adolescentes, há de tudo. Todas com o mesmo intuído de querer curtir, e
uma coisa que me chamou muito a atenção é a atenção que você recebe das pessoas,
você não é considerado mais um no meio de monte de gente querendo curtir, você é
mais um integrante no meio de gente querendo curtir o festival. Também pude perceber
com todas as pessoas com quem conversei que não há muita informação sobre as Raves,
e quando há sempre é falando mal e nunca mostrando o lado dos frequentadores, e
também quando conversei com algumas pessoas que já participaram de algumas Raves,
sempre tocavam no assunto de não haver individualismo.
“Mesmo tendo ido com a Leticia, se não tivesse conhecido eles, acho que não seria a
mesma coisa. Conheci eles e depois de 8 horas, já se tornaram muito importante. É
como você ter uma família nova durante o festival...” Antonia, 37 anos, conta essa
experiência quando conheceu 5 brasileiros na ida a Tomorrowland esse ano com sua
amiga Letícia, de 39 anos.
“Muita gente que está lá porque gosta desse tipo de música, há o uso de muitas drogas
por ser difícil fiscalizar tantas pessoas e é um modo de reunir vários artistas do gênero
em apenas um lugar” – Leandro, 22 anos, já frequentou algumas Raves como
Shivaneris, Exxxperience, entre outras.
Para concluir podemos dizer que as Raves, que são festivais que duram mais de 10
horas independendo do estilo de música, porém é mais comum com músicas eletrônicas.
Iniciou-se em Londres, e sofreu grandes preconceitos, chegou ao Brasil nos anos 90, e
aqui também apareceram os mesmos preconceitos que havia em Londres, e assim
ocorreu em todos os lugares por onde passou. “Os frequentadores tem o objetivo de
curtir o festival, alguns utilizam drogas como LSD e Ectasy ou exageram na dose da
bebida alcoólica, outros dizem que quem frequenta as Raves são ‘maloqueiros”,
drogados e pobres mas há a presença de todas as classes sócias, como cita a
psicóloga Eliane Silva “Apesar de ainda não existir nenhum estudo, a faixa etária dos
jovens que frequentam essas é de 20 a 30 anos, e geralmente pertencem às famílias de
renda alta ou seja as famílias ricas”Porém são nessas festas onde ocorre o maior
número de abraços, uns dizem que é devido uns dos efeitos do Ectasy, outros já dizem
que a “vibe” do lugar te deixa assim, você se sentindo em um lugar, onde você não é
considerado mais um na multidão, como já foi dito no texto “você não é considerado
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mais um no meio de monte de gente querendo curtir, você é mais um integrante no meio
de gente querendo curtir o festival.”. Hoje em dia continua o preconceito ao tocar o
assunto de Raves, como pude perceber ao parar algumas pessoas que parei na rua e fiz
as seguintes perguntas:
“O senhor/senhora já foi em alguma Festa Rave?” , de 10 pessoas, 6 nunca foram, 3 já
foram quando eram mais jovens e um senhor (Antônio) de 58 anos disse que ia
frequentemente quando era mais novo, e hoje em dia leva o sobrinho quando ele vai. E
para as pessoas que nunca foram perguntei “O que você pensa quando alguém comenta
sobre ir em alguma Rave?” O que me chamou atenção foi uma senhora de 71 anos,
mostrando muito preconceito ao dizer: “ Quando tinha sua idade me chamaram para ir
em uma Rave, mas nunca tive vontade e não terei. É um local onde só rola droga, sexo
e mais nada. Não vejo nada cultural !” . E para as pessoas que foram para as Raves
pedi para descrever em uma palavra a sensação de estar na festa e todos falavam
“Sensacional!” e o senhor Antônio se emocionou ao dizer “Não tenho palavras para
descrever como era a sensação de estar lá, sinto tanta falta dos abraços dos
desconhecidos que se tornavam conhecidos nesses momentos!” foi tão tocante quando
ele me descreveu algumas experiências dele nas Raves, e ele tava tão entusiasmado
quando falava sobre o assunto.
Então podemos notar que continua existindo o preconceito quando fala sobre o assunto
das Festas Raves, também a mídia piora a fama das Festas Raves, como pude notar nas
reportagens que li para me auxiliar no trabalho, sempre tocando somente no uso de
drogas e no excesso das drogas, nunca falando dos motivos das festas, a proposta dos
organizadores, que normalmente é para unir as pessoas, voltando um pouco no tempo
com aquele lema que os hippies usavam “Peace & Love”, o famoso paz e amor. E uma
coisa que percebi quando estava finalizando o trabalho, que há um preconceito um
pouco social também, algumas pessoas dizem que os frequentadores das Festas Raves
são pessoas de classes mais baixas e pessoas que não tem cultura. Algumas pessoas até
compararam as Festa Raves com Baile Funk, sem nenhum preconceito por mim, mas
havia preconceito na fala das pessoas. Então respondendo a questão pergunta Se há
preconceito ainda com as Festas Raves, e sim ainda existe esse preconceito, porém não
é o preconceito como antigamente. Antigamente era um preconceito sobre as pessoas
que frequentavam as Festas Raves, hoje em dia, devido a mídia o preconceito passou a
ser das Festas Raves, culpando-as por jovens utilizarem drogas, pela gravides de
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adolescentes, sendo que não importa o local, se o usuário quiser usar drogas ele pode
usar tanto na Rave quanto na balada mais cara de São Paulo.
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Referência Bibliografia:
Filmes:

Woodstock – de Ang Lee com Emile Hirsch

Paraísos Artificias – Marcos Prado

Trechos do Tomorrowland 2012, 2013 e 2014.
Livro:

Leary Timothy, Flashbacks – Surfando no Caos
Sites:
http://www.istoe.com.br/reportagens/110483_RAVES+SEM+LIMITES
http://pt.wikipedia.org/wiki/Rave
http://www.psynation.com/historia-das-raves/
http://www.raves.com.br/
http://www.youtube.com/watch?v=pcmjHtf7NLU
http://lullydeverdade.com.br/videos-terca/raves-e-drogas-o-segredo-que-ninguemesconde/
http://www.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1628803-15605,00.html
http://www.craffinitas.com.br/artigos-interessantes/artigos/os-perigos-da-festa-rave
http://www.entreverbos.com.br/?p=2145
http://www.tomorrowland.com/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Tomorrowland_(festival)
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