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Caminhar pela cidade: reflexões de um pedestre
Oscar Del Pozzo
Introdução
Os primitivos habitantes das cavernas viviam sem as mínimas condições.
Assim que o sol nascia eles tinham que abandonar o abrigo precário para caçar
ou encontrar alimentos. A vida era difícil e perigosa. A luta pela sobrevivência
mostrava que poderia não haver um amanhã, mas não havia outra escolha.
Eles caçavam e também eram caçados pelos animais ferozes e pelos seus
inimigos. Aí foi se consolidando uma ideia de unir-se a outros na tentativa de
poder viver mais e um pouco melhor.
Os pequenos agrupamentos foram uma tentativa para sair dessa terrível
situação. A intenção era dar segurança, abrigo e conforto servindo também
como defesa contra as feras e seus inimigos. Os primeiros núcleos foram
crescendo, formando os povoados, as vilas, até as pequenas cidades que
reuniam melhores condições para defesa e segurança.
Atualmente, andar pelas ruas das grandes cidades é praticamente impossível.
Feitas para facilitar a vida das pessoas viraram cidades hostis aos seus
habitantes. Esse verdadeiro caos preocupou a Organização Mundial de Saúde
que elaborou alguns quesitos para se instalar as “Cidades Amigas do Idoso”.
Apenas 35 foram selecionadas, nenhuma no Brasil. Porém, agora várias
cidades brasileiras estão se preparando para atender os quesitos da OMS.
Considerações iniciais
Tenho 83 anos e sempre
morei em São Paulo, onde
estudei, me formei, trabalhei e
me aposentei em 1989. Como
médico, faço palestras em
grupos de idosos sobre saúde
e direitos. O ponto central dos
temas é acabar com o
sedentarismo que atinge 70%
da população Os médicos
recomendam, com teimosa insistência, a prática habitual de atividades físicas,
das caminhadas, como fator importante na prevenção de um grande número de
doenças.
Como pedestre eu vejo São Paulo com desafios que a “civilização”, o
“progresso” trouxeram consigo. De um lado o fascínio de uma arquitetura
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avançada, cinemas, teatros, casas de shows, estádios, monumentos que
perpetuam pessoas e acontecimentos, que o tempo poderia apagar. Lugares
aprazíveis, parques bem conservados e o transporte por bondes puxados por
burros e bebedouros para esses animais em vários lugares. A saudade nos
leva a mentalizar a cidade onde passamos os melhores anos de nossa vida.
Porém, toda moeda tem duas faces. O filme da cidade de outrora foi
substituído por uma nova película. Não é um filme de terror, mas o contraste é
brutal. Os paulistanos eram felizes e não sabiam. O tempo inexorável provocou
distorções graves e uma ironia: - isso aconteceu por obra e omissão dos seus
habitantes iludidos e agora lamentando o passado.
A realidade é outra, temos que admitir. E porque será que isso ocorreu?
Podemos citar diversos fatores, porém águas passadas não movem moinhos.
O crescimento desenfreado não era esperado. Um Prefeito da cidade,
Figueiredo Ferraz defendeu uma ideia ousada, que logo foi repudiada: “São
Paulo precisa parar de crescer”. A afirmativa foi posta de lado, veementemente
combatida pela maioria, morreu no berço. Tal anomalia ocorreu também em
outras mega cidades do Brasil e do mundo.
Finalmente, surgiu uma luz no fim do túnel: - a Organização Mundial de Saúde
(OMS) preparou um guia, com as modificações estruturais sugeridas para
minorar essa situação. Trata-se do guia “Cidades Amigas do Idoso. Em todo
mundo, algumas cidades (35) foram escolhidas como modelo. No Brasil, várias
cidades estão implantando as adaptações sugeridas pela OMS. As pioneiras
provocaram uma corrida, em busca do tempo perdido, uma saudável onda
impulsionando esses melhoramentos.
Desenvolvimento
O homem das cavernas entendeu que, para sua segurança e sobrevivência era
conveniente agrupar-se em pequenos ajuntamentos, tribos ou povoados. As
cidades antigas eram cercadas por altas muralhas e tinham pesadas portas
que quando abertas, permitiam a entrada e saída dos seus habitantes.
Fechadas, eram obstáculos contra as invasões de inimigos. Dessa maneira,
garantiam a segurança dos seus moradores.
A Grécia se imortalizou por incentivar a atividade física e por contar com os
maiores pensadores e filósofos. “Men sana in corpore sano”. Os Jogos
Olímpicos, a maratona e outras práticas estimulavam os gregos a serem
pioneiros nesses campos da atividade humana. Também a Palestina, na época
de Cristo, tinha duas atividades principais, ambas exigindo boa forma física. Os
hebreus eram pastores ou agricultores (sem máquinas agrícolas, só na base
braçal), e Cristo e seus apóstolos percorriam grandes distâncias à pé para
chegar às cidades ou povoados da região.
Passados muitos anos surgiram as grandes aglomerações urbanas, as grandes
cidades, as metrópoles, como São Paulo e outras. A antiga intenção do homem
primitivo era conviver com outros seres humanos, ganhando proteção e maior
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conforto. Essas condições desapareceram, pois as cidades “modernas”
privilegiaram os veículos, em detrimento dos seres humanos.
Os fatores de risco são situações que colocam em perigo a saúde das
pessoas. Pois bem, dos doze fatores de risco conhecidos, pelo menos seis
deles (a metade) mostram que essas causas podem ser eliminadas ou
minimizadas São eles: sedentarismo (o 1º, e um dos piores), obesidade,
diabete, hipertensão, doenças cardiovasculares e aumento do colesterol
sanguíneo.
A atividade física é um grande fator protetor, previne a enfermidade cardíaca e
apoia o tratamento do diabete, hipertensão arterial, artrose e osteoporose,
diminui o risco de quedas e melhora as relações interpessoais. A saúde mental
pode promover-se facilitando a adaptação às mudanças de papeis e a uma
vida social ativa.
“Não existe nenhum segmento da população que obtenha mais benefícios com
a atividade física do que o idoso”. A frase, presente no Posicionamento Oficial
da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte e da Sociedade Brasileira de
Geriatria e Gerontologia: “Atividade física e Saúde do Idoso”, ilustra bem
porque vale a pena começar a praticar exercícios regularmente mesmo para
quem já passou dos 60 anos (1).
A providência mais importante que uma pessoa, de qualquer idade, deve tomar
para permanecer saudável é manter um bom condicionamento físico. A
atividade física regular é o fator-chave para o envelhecimento saudável. O
hábito de praticar exercícios físicos, não só acrescenta mais anos à nossa vida,
mas também mais vida aos nossos anos. Além de vivermos mais, nossa
qualidade de vida melhora muito com a prática regular dos exercícios. Assim, a
atividade física deve ser mantida por toda a vida.
Alguns benefícios comprovados da prática regular de exercícios físicos: redução do risco de enfarte e derrame cerebral; diminuição do risco de câncer,
especialmente câncer de colo, mama, próstata e pulmão; diminuição do risco
de diabetes do adulto e da doença de Alzheimer; diminuição do colesterol LDL
e aumento dos índices HDL; diminuição da pressão arterial; emagrecimento e
manutenção do peso; prevenção da osteoporose; prevenção e melhora da
artrite; diminuição das insônia e melhora da qualidade do sono; contribuição
para uma vida mais tranquila; prolongamento da vida e melhora da qualidade
de vida (2).
Observa-se expressiva redução de eventos cardiovasculares, ao longo de 7 a
10 anos em pessoas que deixaram de ser sedentárias e passaram a ter
atividade física regular, se comparadas àquelas absolutamente sedentárias,
principalmente as com obesidade ou sobrepeso; inclusive nos que mantém o
hábito do tabagismo (3)
A cidade de Porto Alegre (Rio Grande do Sul) tem um bairro, Moinhos de
Vento, onde as condições ambientais são favoráveis e no qual residem muitos
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idosos, uma das maiores concentrações no Brasil (34,2%), o que
provavelmente torna a região privilegiada para os idosos, daí a preferência(4).
Na cidade de São Paulo também existe um condomínio residencial particular,
quase um bairro, com 78% de idosos entre a sua população (5).
Há que se entender que o movimento é a essência da vida. Somos o Universo
e o Universo está em movimento. Mas a certa altura do caminho pelo planeta,
o homem tomou um atalho. Fugiu da essência do seu ser - buscando mais
conforto e comodidade – e acabou chegando à essa desconfortável sociedade
aloprada da virada do século. Assim, esse ser que caminhou por milhões de
anos, tornou-se, de repente, absolutamente sedentário, enfurnado na casa,
locomovendo-se sobre rodas, subindo escadas rolantes, usando elevadores. E
toda essa tecnologia que teve por finalidade a busca de mais conforto e
comodidade acabou colocando o homem numa extrema competitividade, que
ultrapassa suas possibilidades e causa desconforto. Ele não dá mais conta do
que é exigido, embora se sinta constantemente incomodado por tantas
exigências. Resultado: - o organismo atrofiou, vive cercado de doenças,
mentalmente frágil e fisiologicamente, desequilibrado (6).
O exercício diário e a atividade física têm uma função preventiva para muitas
enfermidades crônicas. É melhor prevenir que remediar. Além do mais, a
prática continuada de exercícios físicos libera as tenções cotidianas, favorece o
relaxamento, proporciona o desenvolvimento da autoconfiança e da
independência, propiciando o surgimento de uma atitude otimista em relação à
vida. Melhora, ainda, a qualidade do sono (7).
Atualmente surgem evidências que o praticante de exercícios físicos pode ter
uma vida melhor e mais longa. Na realidade, esta expectativa se justifica pelo
fato do índice de doenças cardiovasculares, câncer, osteoporose, hipertensão
e outras serem muito inferiores no individuo ativo. Em consequência, a
tendência é o individuo viver mais e melhor (8).
Vamos nos concentrar na cidade de São Paulo, aglomerado de mais de dez
milhões de pessoas, cercado por prédios, casas, favelas, pontes, viadutos, vias
expressas e túneis. Tudo para melhorar as condições e o conforto e segurança
dos seus habitantes? Ledo engano. É uma selva de pedra, uma gigantesca
armadilha para os pobres pedestres desavisados, e uma pista para os infelizes
motoristas, que perdem horas no trânsito caótico que não leva a lugar algum,
só poluindo o ar e provocando uma série de doenças. A ironia dessa situação
é que atingiu a todos os caminhantes, principalmente os idosos, as grávidas, as
crianças, os portadores de necessidades especiais e os usuários das cadeiras
de rodas.
Um dos maiores problemas são as quedas. São realizados seminários,
semanas de prevenção tentando diminuir esse grave problema. As quedas e
acidentes com idosos acontecem nas próprias casas, por falta de adaptações
para tornar o ambiente domestico um lugar mais seguro. Não são apenas
residências, mas também o entorno, no quarteirão próximo, em todos os
lugares existem calçadas que impedem e criem barreiras aos idosos, aos
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portadores de necessidades especiais, as grávidas e as crianças de colo,
como: pisos escorregadios; animais soltos; carros estacionados irregularmente;
barracas de ambulantes; galhos de arvores; restos de materiais de construção;
lixos amontoados; declives e aclives acentuados(9).
A sinalização pouco visível, os semáforos com tempo de abertura de 10 a 20
segundos impedem a passagem mais demorada dos pedestres, além das
faixas de segurança desrespeitadas pelos veículos. A verdade que as calçadas
da cidade constituem um permanente um problema de saúde pública. É preciso
que nossos governantes lembrem-se de olhar para essa questão. Atualmente a
única preocupação deles é aumentar a arrecadação de impostos, mais nada.
(10).
As autoridades da CET, que controlam o fluxo de veículos na cidade de São
Paulo, está reduzindo em até 25% o tempo de 412 semáforos de locais
movimentados e a espera nas calçadas, para aumentar o respeito aos
pedestres
com reforço de marronzinhos e orientadores de tráfego. A
campanha vai ser expandida para os bairros Pinheiros, Jardins, Santana e
Lapa. Até o inicio de Agosto a CET vai começar a multar motoristas que
desrespeitarem a prioridade dos pedestres na faixa. A multa é R$191,54 e mais
sete pontos na Carteira de Habilitação (11).
Paulistanos reclamam que os veículos têm prioridade no trânsito da cidade, e
os idosos são os mais prejudicados. Uma emissora de televisão fez uma
reportagem com algumas avenidas cujos semáforos tem tempos de abertura
para pedestres, de 10 a 12 segundos, obrigando idosos e portadores de
deficiências a se arriscar e estarem sujeitos a acidentes (12).
Brasília, cidade relativamente jovem demonstra essa tendência. Com um
planejamento e uma arquitetura mundialmente elogiados. Realmente sob o
ponto de vista plástico estético, inovador é pioneira.
Elogiar, reconhecer tudo isso à distância é fácil. Residir em Brasília é um pouco
diferente. Lá, como aqui, os pedestres vivem de teimosos, largados, no meio
das máquinas rodantes. Não têm escolha, pois precisam trabalhar para se
manter. Grandes avenidas, distâncias enormes, clima árido e seco, e poucas
arvores, com ar condicionado em todos os prédios. Isso tudo é uma realidade
restrita ao povo simples, sem opção para uma outra realidade, bem próxima,
bem diferente. São as cidades satélites, onde moram os “candangos” que
construíram a capital do Brasil.
A Organização Mundial de Saúde apresentou um conjunto de ações, para
transformar as cidades em “cidades amigas do idoso”. São as seguintes:
1 Planejamento com a participação dos idosos, para ter uma arquitetura
favorável não só aos idosos, mas também a todos os seus habitantes.
2- Sinalização visível à distância. Escadas e rampas sinalizadas e corrimões
adequados. Semáforos com tempo adequado de abertura. Respeito rigoroso
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às faixas de pedestres. Calçadas seguras, sem obstáculos e com rampas de
acesso para portadores de necessidades especiais. Foram selecionadas 35
cidades em todo o mundo. Apenas uma é da América Latina, trata-se de La
Plata, na vizinha Argentina (13).
Felizmente aqui no Brasil já temos informações de algumas ações nesse
sentido. São elas:
1 São José do Rio Preto, no Estado de São Paulo, que detém o primeiro lugar
no país em longevidade e escolaridade, e os idosos são 13% da população da
região O plano conta a orientação do Dr. Alexandre Kalache, ex consultor da
OMS, e tem cerca de dez participantes, além da Prefeitura, com destaque para
a Secretaria de Saúde Municipal (www.riopreto.sp.gov.br/saude) (14).
2 Ilha Bela, no litoral paulista promoveu alterações urbanas diminuindo pela
metade o sedentarismo na cidade.
3 “Porto Alegre: A maior proporção de Idosos” (15).
4 “Mooca quer tornar-se bairro amigo do idoso. Projeto de subprefeitura prevê
intervenções de calçadas a mobiliário urbano: Primeira Conferência Regional
listou as principais dificuldades” (16).
5 Em São Paulo, recentemente, o bairro Vila Clementino implantou o “Bairro
Amigo do Idoso”, sob a orientação do Professor José Roberto Ramos, da
Universidade Federal de São Paulo, (Unifesp), localizada na mesma região.
6 O bairro de Ipanema, no Rio, adotou uma série de procedimentos para
beneficiar seus idosos.
7 Santos é uma cidade com grande numero de idosos (16,5%) que migraram
de várias cidades próximas, em busca de melhores condições de vida. As
praias de Santos têm extensas avenidas, com calçadas que só os pedestres
podem usar. São quilômetros e quilômetros, dotados de arborização, sanitários
limpos e bem cuidados bebedouros além de bancos para descanso. Não há
poluição do ar, pois o oceano traz uma brisa com 100% de oxigênio (17).
8 Rio de Janeiro é outra cidade da orla marítima que, à semelhança com
outras cidades litorâneas, oferecem boas condições para a prática de
caminhadas.
O exemplo de Copacabana
Para se explicar como se concretiza na prática a implantação das “Cidades
Amigas do Idoso, Kalache cita o exemplo do seu bairro natal no Rio de Janeiro,
e o primeiro lugar que implementou esse tipo de iniciativa no mundo, desde
2005. Durante este ano, um grupo de idosos identificou seus principais
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problemas em relação ao ambiente. Falaram da insegurança e das dificuldades
para serem atendidos nos hospitais, entre outros fatores”.
No início do programa se capacitou a policia, que se especializou na atenção
às pessoas idosas e, atualmente, oferecem um serviço exclusivo para os
moradores da terceira idade que atende as 24 horas e os 7 dias da semana,
informa Kalache. Cada policial encarregado desse trabalho foi especialmente
preparado fazendo-o viver as limitações de uma pessoa idosa, para poder
compreendê-las melhor. Assim, foram colocados tampões de cera nos ouvidos
vedaram-lhes os olhos e se colocaram pesos adicionais nos pés, durante o
curso de capacitação.
As mudanças são entendidas como um imperativo para o mundo onde o
envelhecimento da população se faz a passos gigantescos e onde se busca
evitar que os idosos se isolem em suas casas porque não podem conviver em
ambiente hostil e perigoso (18).
Sorocaba, cidade com 600.000 habitantes, foi palco de uma iniciativa pioneira,
com modificações no meio ambiente, criando conduções favoráveis ao hábito
de caminhar. Os participantes foram idosos de um posto de saúde, com
diversas moléstias crônicas, e após 4 anos a avaliação indicou melhoria do
estado geral, assim comprovada cientificamente. Esse exemplo deveria ser
seguido em outras cidades (19).
Os bons resultados com os idosos desses municípios motivaram outras
cidades a imitar essas iniciativas. A tendência parece que virou moda. Algumas
informações nesse sentido chegaram ao nosso conhecimento: São Caetano,
São José dos Campos e Cornélio Procópio estão se preparando para serem
consideradas cidades amigas do idoso.
Na cidade de Rio Claro (SP) foi promulgada a Lei Municipal No. 3498, de 16 de
dezembro de 2004, criando a Política Municipal do Idoso que especifica e
determina a participação de todas as secretarias, e os demais órgãos
municipais, detalhando a participação e o papel a ser desempenhado por cada
uma delas (20).
Um estudo inédito, realizado em sete estados do país, mostra que 60% dos
postos de saúde têm barreiras arquitetônicas para idosos e pessoas com
deficiência, como escadas e ausência de rampas e corrimãos, o que dificulta o
acesso a esses serviços. Realizado pelas universidades Federal e Católica de
Pelotas (RS), foram visitadas 240 Unidades Básicas de Saúde (UBS),
sorteadas em 41 municípios com mais de 100 mil habitantes de estados do Sul
e Nordeste do país (RS, SC,AL, PB, PE, PI e RN.(21).
Considerações finais
Andar pelas ruas de uma cidade grande como São Paulo demonstra, de
maneira prática, a grave distorção entre uma necessidade de convívio e
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proteção dos primeiros habitantes da terra, e atual e triste realidade. Feitas
para facilitar a vida de seus moradores, o gigantismo as transformou em locais
impróprios especialmente para os idosos, as grávidas, os portadores de
necessidades especiais e todos os outros moradores É preciso restaurar a
liberdade de locomoção, o mais breve possível, pois atualmente os paulistanos
vivem segregados em suas casas, que são verdadeiras prisões, com graves
resultados para a sua qualidade de vida. As soluções estão começando a
surgir em várias cidades, modificando o ambiente para permitir melhores
condições de sobrevivência de todos.
Quando será que São Paulo voltará a ser acolhedora e saudável para os mais
de dez milhões de seres humanos prejudicados pelo chamado “progresso”?
Quem sabe, um dia viveremos em uma cidade mais humanizada. A antiga
cidade de São Paulo de Piratininga fundada pelo Padre José de Anchieta foi
afundada pelo seu gigantismo, onde suas ruas, praças e avenidas são
alargadas, exibindo túneis e viadutos modernos para beneficiar os milhões de
automóveis, ônibus e caminhões relegando os pobres e infelizes pedestres a
serem meros expectadores passivos, que não tomam parte nas decisões que
estão afetando suas vidas. Isto se chama inversão de valores. Que tal priorizar
os dez milhões de seres humanos ao invés das máquinas?
Referências
1 GERONTOLOGIA, Sociedade Brasileira de Geriatria e Atividade Física e
Saúde do Idoso.
2 MANCILLA, Jairo e Luiz Alberto PY. O caminho da longevidade. Rio de
Janeiro: Editora Rocco, 2001. pp. 47-48.
3 INCOR - Instituto do Coração Coleção “Cozinha Clássica Baixo Colesterol”.
São Paulo, 2009. Vol. 4, p. 36.
4 JORNAL O Estado de São Paulo. “Porto Alegre – A maior proporção de
Idosos”. Edição de 2 de Julho de 2011, C 4.
5 Jornal O Estado de São Paulo. “O conjunto dos sexagenários” Edição de
julho de 2011, C-3.
6 RIBEIRO Nuno Cobra. A semente da vitória. São Paulo: Editora Senac, 2006,
pg. 127.
7 PEREIRA, Iêda Lucia Lima; Vieira Cora Martins. A Terceira Idade – Guia
para viver com saúde e sabedoria. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira,
1996, pg 180.
8 BARROS, Turíbio Leite. A prática da atividade física segura. São Paulo:
Editora Senac, 2001, pp. 10, 47 e 74.
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9 IAMSPE Instituto de Assistência Medica dos servidores do Estado de São
Paulo. www.iamspe.sp.gov.sp.br
10 JORNAL O Estado de São Paulo. “O desafio dos pedestres paulistanos”.
Edição de 1 de Dezembro de 2007 11 JORNAL O Estado de São Paulo. “Pedestre terá de esperar menos para
atravessar”. Edição de 2 de julho 2011, C-5.
12 Revista Saúde em dia. Espaço Saúde em Dia. Laboratório Fleury São
Paulo. 2009. www.fleury.com.br
13 KALACHE, Alexandre. Cidades Amigas do Idoso Organização Mundial de
Saúde (OMS). Em 1 de Outubro de 2007. www.who.int/es/
14 RIO PRETO – Cidade Amiga do Idoso www.riopreto.sp.gov.br Link Desafios
do Desenvolvimento.
15 JORNAL O Estado de São Paulo. “Porto Alegre. A maior proporção de
idosos. Edição de 2 de Julho de 2011, pg C 4..
16 JORNAL O Estado de São Paulo. “Mooca quer tornar-se bairro amigo do
idoso. Projeto de subprefeitura prevê intervenções de calçadas a mobiliário
urbano: Primeira Conferência Regional listou as principais dificuldades”. Edição
de 24 de Fevereiro 2009.
17 SODERBERG Tomas, et al. Secretaria Municipal da Saúde – Santos.
Setembro de 2004. www.santos.sp.gov./br/frame.php,
18 JORNAL El Dia (Arg). Editado por Rede LatinoAmericana de Gerontologia –
LRG. Canal Documentos Recortes de Prensa. Publicado em 17 de outubro de
2007. www.gerontologia.org
19 MATSUDO, Victor K. et al. ”Planejamento de Intervenções Urbanas para
aumentar o Nível de atividade física e melhorias na saúde”. Revista
Diagnóstico e Tratamento Associação Paulista de Medicina APM. São Paulo,
2007. Vol. 12. ed. 3. Jul/Agos/Set/ .
20 RIO CLARO Lei Municipal No 3498, de 16 de dezembro de 2004. Institui a
Política Municipal para o idoso.
21 JORNAL O Estado de São Paulo. “Barreiras nos postos de Saúde”. Edição
de 24 de dezembro 2009.
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Oscar Del Pozzo - Médico. Trabalha há mais de 10 anos com grupos de
idosos, com palestras e debates que versam sobre qualidade de vida e direitos.
Há cerca de seis anos criou, com idosos de todas as regiões da capital, o
Movimento Idosos Solidários (MIS), do qual é coordenador. Luta principalmente
pelo pleno reconhecimento dos direitos dos idosos que o Estatuto dos Idosos
determina e que grande parte da sociedade finge ignorar e também contra os
preconceitos e discriminações de que são vítimas. Os idosos não precisam de
tutelas, ou esmolas. Eles só querem que os seus direitos sejam reconhecidos.
E-mail [email protected] Site: www.idosossolidarios.com.br
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