Ideias que se encontram no ar - Caderno G - Gazeta

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Ideias que se encontram no ar - Caderno G - Gazeta
Ideias que se encontram no ar - Caderno G - Gazeta do Povo
11/03/12 10:22
CADERNO G
Domingo, 11/03/2012
Marcelo Andrade/Gazeta do Povo
Samuel Lago e Rodrigo Barros, produtores do programa semanal Radiocaos: opção por bom-humor e conteúdo popular
RÁDIO
Ideias que se encontram no ar
Programa Radiocaos está há 13 anos no ar e chegou ao Rio de Janeiro com sua “bagunça
ordenada” de música e literatura
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Publicado em 11/03/2012 | RAFAEL RODRIGUES COSTA
O formato do Radiocaos, programa que vai ao ar semanalmente pela rádio E-Paraná e pela web rádio 91
Rock, parece simples. Música de todos os gêneros, literatura e relíquias radiofônicas são justapostas em
edições de duas horas. Até o modo de fazer é muito direto, de acordo com um dos criadores do programa,
Samuel Lago. “Encaixamos as peças da programação ao acaso”, explica, usando como analogia uma espécie
de quebra-cabeça.
O resultado, por trás dessa aparente loteria, guarda uma ideia consciente. De acordo com Lago, as peças
acabam formando um terceiro sentido juntas, e isso tem a ver com a teoria do caos que deu nome ao
programa – no ar há 13 anos. “Dentro da bagunça do acaso, as coisas encontram uma ordem”, diz o
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produtor. “Um texto sobre um determinado fundo musical é uma coisa. Sobre outra música, ele provoca
pensamentos e sentimentos diferentes. Muitas vezes, música e texto tratam do mesmo assunto. Na maioria
das vezes, dá certo, mas não é pensado. Você vai achando conexões entre as coisas. Mas quem faz isso é o
ouvinte, não nós”, diz.
A experiência cerebral de recepção – que um dos participantes do programa, o cartunista Solda, definiu
como “entra por um ouvido e não sai pelo outro” – conquistou um público fiel. De acordo com Lago, o
programa já foi vice-campeão de audiência, perdendo somente para o horário de pico em uma das
emissoras. O perfil dos ouvintes, segundo o produtor, é de gente que “não quer consumir mídia de massa” –
como artistas e estudantes universitários. “É uma alternativa”, diz Lago, que prefere se referir ao Radiocaos
como um programa de ideias.
Pop e poesia
No entanto, para o outro idealizador e produtor do programa, Rodrigo Barros, não se trata de um programa
“cult”. Ali, além do tom bem-humorado que permeia tudo, se toca música “popular, muito popular”, diz. “A
gente não separa o Odair José do Mars Volta. Não existem guetos dentro do Radiocaos.”
O mesmo ocorre para a poesia, um dos principais conteúdos do programa. Nomes como Rettamozzo, Chacal,
Tavinho Paes e Waly Salomão foram alguns dos declamadores que já surgiram em meio à programação pop.
“O Radiocaos descobriu jeito de levar poesia para quem não lê. Misturando com música popular, as pessoas
perdem o preconceito. Ouvem como se fosse música de massa. Algumas não ouviriam o que colocamos lá se
não viesse com essa roupagem – se não fossem ludibriadas pelo formato”, diz Barros.
O formato favorece a poesia de outras formas, de acordo com os produtores. Para eles, sem a declamação
dos autores, a poesia se torna o equivalente à música escrita. “É como se ficasse na partitura”, compara
Lago. Barros complementa: “Os autores colocam tintas nas leituras. É algo muito autoral. Quando eles leem,
é mais visceral”, diz. Além disso, para ele, o modelo favorece a poesia brasileira, que tem uma forte tradição
popular. Com a colaboração de curadores espalhados pelo país, o programa abre espaço para ela.
Foi assim que o programa ultrapassou os limites curitibanos. A poesia oral é um dos elementos que fizeram o
programa ter sucesso no Rio de Janeiro, onde vai ao ar pela Rádio Roquette Pinto desde 2010. “Hoje em dia,
recebemos mais resposta de gente de lá do que daqui de Curitiba”, diz Lago, para quem os poetas cariocas,
que têm uma cena de poesia oral agitada, influenciaram essa tradição na capital paranaense nos últimos
anos.
Uma possível evolução do Radiocaos, que também produz audiolivros e preserva um verdadeiro acervo
cultural nos registros de mais de 30 artistas que passaram por lá e em mais de 200 vídeos disponíveis na
internet ( http://radiocaos.com.br ), pode estar na televisão. Um programa piloto do Videocaos já foi
produzido para a ÓTV, canal pago da GRPCom, mas o projeto está ainda em fase de viabilização comercial. A
estética do caos, de acordo com os produtores, permanecerá. “Só que, nesse caso, vamos ter que levar só os
poetas bonitos”, brinca Barros.
Serviço:
Radiocaos. Domingos, às 16 horas na E-Paraná (97,1 FM), e às 20 horas, na 91 Rock (91rock.com.br). Site:
http://radiocaos.com.br .
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