11 a 13 Outubro 2006 Seminário de Vilar Casa Diocesana

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11 a 13 Outubro 2006 Seminário de Vilar Casa Diocesana
11 a 13 Outubro 2006 Seminário de Vilar Casa Diocesana Porto
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COMISSÃO ORGANIZADORA
> DRA. ANA BERNARDO Médica Residente do Hospital Residencial do Mar; Assistente de Clínica Geral; Mestre em Cuidados Paliativos. > DR. ANTÓNIO LOURENÇO MARQUES Chefe de Serviço de Anestesiologia; Professor Associado Convidado da Faculdade de
Ciências da Saúde da UBI; Director do Serviço de Medicina Paliativa, Centro Hospitalar Cova da Beira, EPE. > DRA. CRISTINA GALVÃO
Licenciada em Medicina; Especialista em Medicina Geral e Familiar; Mestre em Gerontologia e em Cuidados Paliativos; Assistente
Graduada de Clínica Geral no Centro de Saúde de Serpa, Sub-Região de Saúde de Beja; Assistente da disciplina de Clínica Geral da
Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa. > DRA. EDNA GONÇALVES Directora do Serviço de Cuidados Paliativos do IPO, Porto;
Especialista em Oncologia e Medicina Interna; Mestre em Oncologia; Pós-graduação em Medicina Paliativa e em Medicina da Dor;
Docente do Instituto Ciências Biomédicas Abel Salazar. > DRA. ISABEL COSTA Serviço de Cuidados Paliativos, IPO Francisco Gentil,
EPE, Porto; Pós-graduação em Medicina da Dor. > DRA. ISABEL GALRIÇA NETO Mestre em Cuidados Paliativos; Directora da Unidade
de Cuidados Paliativos e da U.C. Continuados do Hospital da Luz; Acessora da Direcção Clínica; Assistente da Faculdade de Medicina de
Lisboa. > DR. JOÃO MOTA DIAS > ENFº MIGUEL TAVARES Enfermeiro Graduado, no Serviço de Cuidados Paliativos do IPO, Porto,
Formador em serviço no mesmo serviço; Licenciado em Enfermagem pela Escola Superior de Enfermagem de D. Ana Guedes, Porto;
Licenciado em Ciências da Educação na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação pela Universidade de Lisboa.
COMISSÃO CIENTÍFICA
> DRA. CONCEIÇÃO PIRES Assistente Hospitalar de Medicina Interna; Directora da Unidade de Cuidados Paliativos do Hospital de São
João, Porto. > DRA. HELENA SALAZAR Psicóloga, Unidade Oncologia do Hospital Vila Franca de Xira; Mestre em Cuidados Paliativos. >
DR. JOSÉ EDUARDO OLIVEIRA Especialista em Medicina Geral e Familiar; Mestrando em Cuidados Paliativos. > DRA. MADALENA FEIO
Assistente Hospitalar de Medicina Interna, HES, Évora. > ENFº MANUEL LUÍS CAPELAS Licenciatura em Enfermagem; Pós-graduação em
Cuidados Paliativos; Mestrando em Cuidados Paliativos; Professor Assistente na Escola Superior de Enfermagem S. Francisco das Misericórdias. > ENFª NÉLIA TRINDADE Enfermeira Especialista em Enfermagem de Reabilitação; Colaboração na Gestão do Centro de Saúde de
Odivelas; Membro da ANCP; Membro do Grupo ministerial para o desenvolvimento dos cuidados de Saúde às pessoas idosas e aos cidadãos
em situação de dependência. > ENFª PAULA SAPETA Professora Coordenadora na Escola Superior de Saúde Dr. Lopes Dias de Castelo
Branco; Pós-graduada em Cuidados Paliativos; Mestre em Sociologia; Doutoranda em Enfermagem. > PROF. DOUTOR TELMO BAPTISTA
Professor na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Lisboa; Presidente da Associação Portuguesa de
Terapias Comportamental e Cognitiva (APTCC); Presidente da Associação Pró-Ordem dos Psicólogos (APOP).
ORADORES
DRA. ANA BERNARDO > PROF. DOUTORA ANA ESCOVAL Professora Auxiliar de Políticas e Administração de Saúde na Escola Nacional
de Saúde Pública; Membro fundador do Observatório Português dos Sistemas de Saúde. > DR. ANTÓNIO LOURENÇO MARQUES > DRA.
BETTINA HUSEBO Médica da Unidade de Cuidados Geriátricos e Paliativos do Hospital de Bergen. > ENFª CATARINA SIMÕES Enfermeira Graduada, Serviço de Cuidados Paliativos do IPO, Porto. > DRA. CONCEIÇÃO PIRES > DRA. CRISTINA GALVÃO > DRA. EDNA
GONÇALVES > DR. EMÍLIO HERRERA Director Geral de Atención SocioSanitária y Salud, Serviço Estremeño de Salud. > ENFª FÁTIMA
FERREIRA Licenciatura em Enfermagem; Pós-graduação em Enfermagem Oncológica; Mestranda no Instituto Ciências Biomédicas Abel
Salazar do Porto. > PROF. DOUTOR FAUSTO PINTO Professor Associado com Agregação da FML; Assistente Hospitalar Graduado do HSM,
Lisboa; Director Instituto Cardiovascular de Lisboa. > DR. FERRAZ GONÇALVES Especialista em Medicina Interna e em Oncologia Médica;
Chefe do Serviço de Cuidados Paliativos do IPO, Porto; Fundador e primeiro responsável pela primeira Unidade de Cuidados Paliativos do
País; Fundador e primeiro Presidente da Associação Nacional de Cuidados Paliativos; Membro do Research Steering Committee da Associação Europeia de Cuidados Paliativos. > DRA. HELENA SALAZAR > ENFº HENRIQUE DIAS > ENFª HIRONDINA GUARDA Enfermeira
Graduada; Coordenadora da Equipa de Cuidados Continuados do Centro de Saúde da Lapa; Mestre em Cuidados Paliativos. > DRA. ISABEL
GALRIÇA NETO > DR. JAVIER ROCAFORT Coordenador do Programa Regional de Cuidados Paliativos, Serviço Estremeño de Salud;
Membro da Direcção da SECPal. > DR. JOÃO SEQUEIRA CARLOS Médico de Família Centro de Saúde de Benfica; USF Rodrigues Miguéis;
Núcleo de Cuidados Paliativos da APMCG. > DR. JOSEP PORTA Especialista en Medicina Interna; Doctor en Medicina por la Universidad
de Lleida; Master en Cuidados Paliativos por la Universidad de Barcelona; Master en Bioética por la Universidad Autónoma de Barcelona;
Coordinador Médico del Servicio de Cuidados Paliativos del Institut Català d’Oncologia. > DRA. MADALENA FEIO Assistente Hospitalar de
Medicina Interna, HES, Évora. > DR. MANUEL CUTILEIRO FERREIRA Especialista em Medicina Geral e Familiar; Assistente Eventual do
Centro de Saúde de Odivelas. > ENFº MANUEL LUÍS CAPELAS > ENFª MARIA JOSÉ GONÇALVES Enfermeira Graduada Centro de Saúde
de Odivelas, Equipa de Cuidados Continuados. > DRA. MARIA NABAL Responsável da equipa de suporte em Cuidados Paliativos do Hospital Universitário de Lérida; Directora da revista Medicina Paliativa. > DRA. MARILÈNE FILBET Presidente de EAPC; Chef de Service Centre
de Soins Palliatifs, CHU, LYON. > DR. MIGUEL CUERVO PINNA Médico Internista; Formación avanzada en Cuidados Paliativos (Madrid,
Cataluña); Coordinador del Equipo de Soporte de Cuidados Paliativos de Badajoz. > ENFº MIGUEL TAVARES > ENFª NÉLIA TRINDADE >
ENFª PAULA SAPETA > SR. PEDRO BELLO Membro da Acreditar > DR. RICHARD HAIN LATCH Senior Lecturer and Honorary Consultant
in Paediatric Palliative Medicine, Department of Child Health, Cardiff School of Medicine, University Hospital of Wales. > DRA. RITA SILVEIRA MACHADO Psicóloga Clínica; Mestre em Sexologia. > DR. STEIN HUSEBO Professor Honorário da Universidade de Graz; Director
da Unidade de Cuidados Paliativos do Hospital de Bergen. > PROF. DOUTOR TELMO BAPTISTA > DRA. VIVELINDA GUERREIRO Núcleo
de Cuidados Paliativos, Centro de Bioética da Fac. de Medicina, Lisboa. > PROF. DOUTOR WILSON C. ABREU Doutorado em Ciências da
Educação, pela Universidade de Lisboa, com Mestrado na mesma disciplina pela mesma Universidade. Docente na Universidade do Porto,
na Escola Superior de Enfermagem de D. Ana Guedes.
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III CONGRESSO NACIONAL DE CUIDADOS PALIATIVOS
11
8.30h
9.30-12.30h
OUTUBRO 2006
4ª FEIRA WORKSHOPS
ABERTURA DO SECRETARIADO
W1 - CONTROLO DA DOR > Sala 101
COORDENAÇÃO: Dra. Ana Bernardo
Dr. António Lourenço Marques
COLABORAÇÃO: Enf.º Henrique Dias
W2 - MEDOS DOS PROFISSIONAIS > Sala 205
COORDENAÇÃO: Dra. Helena Salazar
W3 - REQUISITOS PARA A FORMAÇÃO > Sala 222
COORDENAÇÃO: Enf.º Miguel Tavares
FORMAÇÃO POR E-LEARNING: Dra. Vivelinda Guerreiro
FORMAÇÃO DE ADULTOS: Prof. Doutor Wilson C. Abreu
12.30-14.00h
Intervalo para Almoço
14.00-16.30h
W4 - CUIDADOS NA AGONIA > Sala 101
COORDENAÇÃO: Enf.ª Nélia Trindade
COLABORAÇÃO: Dra. Conceição Pires
Enf.ª Catarina Simões
W5 - COMUNICAÇÃO/CONFERÊNCIA FAMILIAR > Sala 205
COORDENAÇÃO: Dra. Isabel Galriça Neto
COLABORAÇÃO: Enf.ª Fátima Ferreira
W6 - ORGANIZAÇÃO DE CUIDADOS PALIATIVOS > Sala 222
COORDENAÇÃO: Dra. Edna Gonçalves
COLABORAÇÃO: Dr. Emílio Herrera
Dr. João Sequeira Carlos
17.00-18.00h
SESSÃO INAUGURAL / CONFERÊNCIA DE ABERTURA
AS PERDAS E O AMOR EM CUIDADOS PALIATIVOS (CP)
Dr. Stein Husebo
18.00h
Fim das sessões do 1º dia
11 a 13 Outubro 2006 Seminário de Vilar Casa Diocesana Porto
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12
8.00h
9.00-10.30h
OUTUBRO 2006
5ª FEIRA
PROGRAMA
ABERTURA DO SECRETARIADO
AVANÇOS NA INVESTIGAÇÃO EM CP Dra. Maria Nabal
AS NECESSIDADES DOS DOENTES EM CP Dra. Helena Salazar
DISCUSSÃO
10.30-10.45h
Intervalo/café
10.45-12.30h
PAINEL 1 CUIDADOS PALIATIVOS PEDIÁTRICOS COORDENAÇÃO: Dra. Ana Bernardo
TEMAS E PRELECTORES:
PERSPECTIVA GERAL Dr. Richard Hain
CP PEDIÁTRICOS NA COMUNIDADE Dra. Ana Bernardo e Enfª. Maria José Gonçalves
INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA NAS CRIANÇAS EM CP Dra. Rita Silveira Machado
TESTEMUNHO DE UM PAI Sr. Pedro Bello (Membro da Acreditar)
DISCUSSÃO
12.30-14.00h
Intervalo para Almoço
14.00-14.30h
VISITA AOS POSTERS COORDENAÇÃO: Prof. Doutor Telmo Baptista e Dra. Cristina Galvão
14.30-16.15h
PAINEL 2 CRITÉRIOS DE QUALIDADE /FINANCIAMENTO DE SERVIÇOS EM CP
COORDENAÇÃO: Enfº. Manuel Luís Capela
TEMAS E PRELECTORES:
INDICADORES DE QUALIDADE DE CUIDADOS EM CP Dr. Javier Rocafort
ANÁLISE DE CUSTOS NUMA UNIDADE DE CP EM PORTUGAL Dra. Edna Gonçalves
FINANCIAMENTO DE UNIDADES DE CP EM PORTUGAL Prof. Doutora Ana Escoval
DISCUSSÃO
14.30-16.00h
COMUNICAÇÕES LIVRES COORDENAÇÃO: Enfª. Paula Sapeta e Dra. Conceição Pires
> Sala 205 e 222
16.15-16.45h
Intervalo/café
16.45-17.30h
CONFERÊNCIA 2 PROCESSO E TOMADA DE DECISÃO EM CP Dra. Isabel Galriça Neto
17.30h
4
ASSEMBLEIA GERAL DA ANCP
III CONGRESSO NACIONAL DE CUIDADOS PALIATIVOS
13
8.00h
9.00-10.30h
OUTUBRO 2006
6ª FEIRA
PROGRAMA
ABERTURA DO SECRETARIADO
FORMAÇÃO EM CP Dra. Marilène Filbet e Enf.º Manuel Capelas
NOVOS FÁRMACOS EM CP - RAZÕES PARA UTLIZAR METADONA, OXICODONA (…)
Dr. Josep Porta
DISCUSSÃO
10.30-10.45h
Intervalo/café
10.45-12.30h
PAINEL 3 CUIDADOS PALIATIVOS NÃO ONCOLÓGICOS COORDENAÇÃO: Dra. Isabel Galriça Neto
TEMAS E PRELECTORES:
CP EM GERIATRIA Dra. Bettina Husebo
CP NA INSUFICIÊNCIA CARDÍACA Prof. Doutor Fausto Pinto
CP NAS DOENÇAS NEURO MUSCULARES Dr. Manuel Cutileiro Ferreira
DISCUSSÃO
12.30-14.00h
Intervalo para Almoço
14.00-14.30h
VISITA AOS POSTERS COORDENAÇÃO: Prof. Doutor Telmo Baptista e Dra. Cristina Galvão
14.30-16.15h
PAINEL 4 CONTROLO DE SINTOMAS COORDENAÇÃO: Dra. Madalena Feio
TEMAS E PRELECTORES:
DISPNEIA Dr. Miguel Cuervo Pinna
DELÍRIO Dr. Ferraz Gonçalves
AVALIAÇÃO E MONITORIZAÇÃO DE SINTOMAS Dra. Ana Bernardo e Enfª. Hirondina Guarda
DISCUSSÃO
14.30-16.00h
COMUNICAÇÕES LIVRES COORDENAÇÃO: Enf.ª Paula Sapeta e Dra. Conceição Pires
> Sala 205 e 222
16.15-16.45h
Intervalo/café
16.45-17.30h
CONFERÊNCIA 3 PROGNOSTICAR EM CP MITO OU REALIDADE? Dra María Nabal
17.30 h
SESSÃO DE ENCERRAMENTO
ENTREGA DE CERTIFICADOS
11 a 13 Outubro 2006 Seminário de Vilar Casa Diocesana Porto
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RESUMOS
COMUNICAÇÕES LIVRES
12 OUTUBRO 2006 | 5ª FEIRA
14.30-16.00h
> Sala 205
CL 1
CL 2
O Sofrimento do doente em fim de vida
e da família
Quando a Alma Dói – pensar o sofrimento em fim
de vida
Maria Manuela Amorim Cerqueira, Mestre em Cuidados Paliativos, Docente
na Escola Superior de Enfermagem de Viana do Castelo; Albertina Álvaro
Marques, Mestre em Ciências de Enfermagem.
Numa sociedade em que se cultiva a juventude e a beleza, quando surge
um processo de doença é normalmente encarada pelo homem como fonte
de sofrimento, pois vê-se confrontado com a fragilidade e finitude da vida,
gerando sentimentos de angústia, de desespero, de revolta, de culpa, enfim,
sentimentos que se encontram na esfera do sofrimento humano. O corpo
deteriora-se, colocando-se a questão da morte a qual representa o fim de
todo um sofrimento vivido, constatado por os resultados de alguns estudos
e pela prática de cuidar através de alguns discursos dos familiares em que
manifestam o desejo: “ Que Deus o leve”.
Assim, cuidar do doente em fim de vida e da família em sofrimento, toca em
particular, os profissionais de saúde educados para o curar, e, em que as
políticas de cuidados de saúde hospitalar são orientadas, sobretudo para o
tratamento da doença, reabilitação de indivíduos e integração social. Tornase assim, indispensável que olhemos para o outro, acompanhando-o no seu
processo de doença, ajudando-o a encontrar um novo sentido de vida. Parece
poder dizer-se: Se quem cuida recusa o sofrimento, está ele próprio a recusar
o seu próprio sentido de viver. Vasco Magalhães (2002:1159) afirma que o
sentido de vida reside na própria pessoa “ o ir de si para o outro”.
No contacto que se vai estabelecendo com os doentes em fim de vida e
suas famílias escutamos muitas vezes “ Sr.ª enfermeira acabe com este sofrimento” no entanto raras vezes se encontra pedidos para acabar com a vida.
Por outro lado, os profissionais pensam muitas vezes “ porque é que este
doente sofre?”, “ será que estamos a exercer uma má prática clínica?”. Estas
e outras questões conduzem-nos a um debruçar atento sobre as estratégias
utilizadas pelos enfermeiros no alívio do sofrimento do doente em fim de
vida e das famílias. Refere Dame Cicely Saunders que “O sofrimento só é
intolerável se ninguém cuida”1.
Torna-se assim, importante clarificar as estratégias de cuidados mobilizados
pelos enfermeiros no alívio do sofrimento do doente em fim de vida e da
família em contexto hospitalar.
Os cuidados paliativos inscrevem-se numa etapa de vida onde a reflexão do
cuidar em enfermagem, as relações humanas e o trabalho pluridisciplinar
têm um papel fundamental.
A eficiência dos cuidados paliativos depende de uma verdadeira interacção
entre doente/cuidador/profissional de saúde, todos eles com necessidades e
funções específicas que conduzem à necessidade de satisfação também únicas. Para alcançar um estado de bem-estar, o indivíduo deve ter a percepção
que as suas necessidades são satisfeitas. A definição de Cuidados Paliativos
da OMS, divulgada em 1990, destaca a necessidade de oferecer a máxima
qualidade de vida possível ao indivíduo com doença avançada, incurável e
progressiva.
Palavras-chave: cuidados paliativos; sofrimento; doente terminal; família;
enfermeiros.
1. Citado por Pessini, Léo, Barchifontaine, Christian de Paul in Problemas
actuais de Bioética, edições Loyola, pág. 285.
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III CONGRESSO NACIONAL DE CUIDADOS PALIATIVOS
Ana Maria Pacheco Viana Ribeiro, Enfermeira Graduada, Hospital de Santa
Maria, Unidade de Hepatologia; Joana Clara da Silva Madeira, Enfermeira
Graduada, Hospital de Santa Maria, Unidade de Nefrologia Pediátrica;
Susana Maria dos Santos Martins de Jesus, Enfermeira Graduada, Hospital
de Santa Maria, Medicina II-D
Como objectivo principal para a comunicação definimos:
Alertar os profissionais de saúde para a importância do sofrimento vivido
pelos doentes em fim de vida.
Dor e sofrimento são experiências íntimas e solitárias. Mas será que se pode
compartilhar a dor? Esta revela-se tão mais significativa e tão mais dor quanto mais solitária. A dor compartilhada alivia a dor sofrida. Perante a ameaça
iminente de morte que assola diariamente o indivíduo em estado terminal,
estes conceitos revestem-se de extrema importância. As máquinas não foram
formatadas para cuidar. Não percebem o significado de DOR, SOFRIMENTO,
FRAGILIDADE, RESPEITO, DIGNIDADE HUMANA...
Máquinas não se condoem com a vulnerabilidade humana perante a doença,
na percepção da dor, no confronto com a sua finitude… não ouvem, não
falam, não dão uma mão, não respondem com um olhar…não respeitam
silêncios muitas vezes tão desejados, não confortam…
Tendo por base as ideias supra citadas, pareceu-nos pertinente trazer este
tema a debate para que todos os profissionais se consciencializem que também a pessoa em sofrimento emocional precisa encontrar algum alívio, pois o
facto de ter uma doença terminal não lhe retira a condição de ser um cidadão
de plenos direitos, confere-lhe, isso sim, uma especial atenção porque se
encontra num grupo particularmente fragilizado e vulnerável.
CL 3
O Sofrimento dos Enfermeiros que Cuidam
de Crianças em Fase Terminal de Vida
Elizabete Maria das Neves Borges, Mestre em Bioética, Enfermeira
Especialista em Enfermagem na Comunidade, Enfermeira Responsável
do Serviço de Pneumologia do Hospital de Joaquim Urbano – Porto
O desenvolvimento técnico e científico, entre outros factores, conduziu a
alterações no curso de inúmeras patologias que afectavam o ser humano,
nomeadamente as crianças.
A enfermagem, pela natureza e complexidade da sua actividade, representa
uma profissão, sujeita a riscos profissionais, de que é exemplo o objecto
deste estudo, ou seja, o sofrimento dos enfermeiros resultante da percepção
que têm do sofrimento da criança e o stresse que a este se associa. Neste
contexto, o enfermeiro é ao mesmo tempo, alguém de quem se espera
suporte e apoio, mas também alguém que pode ficar vulnerável.
Este estudo teve por finalidade conhecer a percepção do sofrimento dos enfermeiros quando prestam cuidados de enfermagem a crianças, com doença
crónica ou em fase final de vida. O estudo situa-se no paradigma de investigação qualitativa. Seguimos, dentro do paradigma qualitativo, uma orientação
fenomenológica. Optámos, ainda, por uma combinação de métodos, tendo
sido utilizada uma abordagem quantitativa das respostas ao stresse e recursos de coping, como estratégia para aumentar a fiabilidade dos dados e das
conclusões. O contexto do estudo situa-se num Hospital Pediátrico.
Salientamos como conclusões do estudo, que fica evidente que o contacto
com o sofrimento das crianças, pais e seus familiares constitui para os enfermeiros uma fonte de sofrimento. Para superar os momentos emocionalmente mais duros, os enfermeiros adoptam estratégias de coping focadas
na emoção e no problema. A gestão das emoções dos enfermeiros pode ser
desenvolvida numa perspectiva individual ou organizacional. As repostas ao
stresse prevalentes nos enfermeiros são: Negação; Raiva e Frustração.
CL 4
Necessidades dos familiares cuidadores
do doente oncológico terminal
Maria Zita Castelo Branco, docente na Escola Superior de Enfermagem
de Vila Real
Actualmente, o doente terminal passa a maior parte do curso da sua doença
no domicílio, tendo internamentos cada vez mais curtos e sendo habitualmente um familiar que se responsabiliza pela prestação de cuidados. Estes
cuidadores são pessoas, mais mulheres do que homens, que se dedicam
a uma importante actividade diária no cuidado de outras pessoas com dependência ou incapacidade permanente, pouco visível e reconhecida socialmente.
O presente estudo teve como finalidade aprofundar o conhecimento sobre os
familiares cuidadores dos doentes oncológicos terminais, bem como identificar metas de orientação para as intervenções de enfermagem ao familiar
cuidador do doente oncológico terminal.
Foi efectuado um estudo descritivo simples incluindo 48 familiares cuidadores de doentes oncológicos em fase terminal, inscritos e atendidos nas
consultas de acompanhamento na Consulta de Oncologia e Hospital de Dia,
de um Centro Hospitalar. Como instrumento de colheita de informação foi
utilizado um formulário, a escala de Karnofsky,e o questionário de avaliação
subjectiva da situação dos prestadores de cuidados a familiares (CADI) (Carers’ Assessment of Difficulties Index).
Das características da população dos familiares cuidadores ressalta : uma
idade média de 48,7anos que varia entre os 20 e os 86 anos; são na sua
maioria mulheres (72,9%), casadas (85,4%); com baixo nível de escolaridade; “não activos” em relação ao trabalho (64,6%), por isso aparentemente
não remunerados; vivem no mesmo domicilio que o doente (81,0%) e são
habitualmente os conjugues (43,8%) que têm a função de prestar cuidados,
seguida das filhas, ou filhos (35,4%) e outros familiares (20,8%). Os resultados mostram que a rede de apoio ao cuidador são maioritariamente outros familiares (66,7%). As necessidades identificadas podem ser contextualizadas
nas grandes dimensões do ser humano: dimensão física, afectiva, relacional
e intelectual. Com base no modelo conceptual de Virgínia Henderson foram
identificadas as seguintes necessidades percepcionadas pelos familiares
cuidadores: necessidade de dormir e descansar; necessidade de mais informação; necessidade de comunicar com o familiar e com o profissional de
saúde, necessidade de se divertir e de estar mais tempo com a família e com
os amigos; necessidades emocionais
Face ao tipo de estudo realizado, os resultados obtidos são limitados ao seu
contexto, não podendo ser generalizados fora dele. No entanto estes podem
constituir um ponto de partida para intervir junto dos enfermeiros que cuidam
do doente oncológico em fase terminal para que procurem também assistir
o familiar cuidador.
CL 5
Cuidar dos que cuidam
Glória Cristina de Almeida Gonçalves, Serviço de Otorrinolaringologia (BO
e Internamento), CHVNGaia; Isabel Cristina Rodrigues Valente, Serviço
de Medicina III , CHVNGaia
Quando os profissionais de saúde se confrontam com o insucesso terapêutico
surge a frustração chegando ao ponto de considerarem que não há mais
nada a fazer. Perante a doença avançada surge a necessidade de cuidados
paliativos, para os quais na nossa opinião os profissionais de saúde dos hos-
pitais centrais não se encontram preparados.
Foi este processo de reflexão que nos levou a realizar esta comunicação.
Pretendemos com este trabalho:
- reflectir sobre alguns recursos necessários a quem cuida dos doentes em
fase terminal
- Alertar para a necessidade de cuidar dos profissionais que trabalham em
cuidados paliativos
Para cuidar de doente em fim de vida são necessários recursos pessoais e
profissionais. Nos recursos individuais destaca-se a motivação. No que respeita aos recursos profissionais, salienta-se a formação, um equipa multidisciplinar, grupos de discussão e apoio psicológico. Na nossa prática de
cuidados verifica-se que deve ser a instituição a fornecer os recursos profissionais, embora estes sejam indissociáveis das características individuais.
Prestar cuidados a doentes em fim de vida é uma tarefa árdua.
Bibliografia:
TWYCROSS, Robert – Cuidados Paliativos. Lisboa: Climepsi Editores, 2003.
207 p. ISBN 972-796-093-6.
AHYA, Patra [et all] – Desafios da Enfermagem em Cuidados Paliativos: Cuidar ética e práticas. Lisboa: Lusociência, 2000.237 p. ISBN 972-8383-17-7
CARREIRAS, Elsa Maria Ganhão; ARRAIOLOS, Narcisa Isabel Picante – O enfermeiro perante o doente que morre. “Nursing”. Lisboa. ISSN 0871-6196.
Ano 14, nº168 ( Julho/Agosto 2002) p. 21-24.
RODRIGUES, Ana X. – Dificuldades sentidas pelos enfermeiros que lidam com
doentes portadores de cancro. “Nursing”. Lisboa. ISSN 0871-6196. Ano 16,
nº 198 (Abril 2005) p. 30-37.
PEREIRA, Maria Amélia; PINTO, Maria Augusta Sá – Aspectos do cuidar da
pessoa em fim de vida. “Nursing”. Lisboa. ISSN 0871-6196. Ano 15, nº 193
( Novembro 2004) p. 35-36
CL 6
O desafio do cuidar na agonia
Ana Ribeiro, Psicóloga, pós-graduada em Cuidados Paliativos, Centro de
atendimento a toxicodependentes de Castelo Branco; Neuza Martins,.
Enfermeira, pós-graduada em Cuidados Paliativos - Hosp. Amato Lusitano
Na sociedade actual a morte é mal aceite e considerada um tabu. Esta perspectiva é também, muitas vezes, compartilhada por profissionais de saúde
que, se encontrando mais treinados para a cura, não aceitam a morte encarando-a como um fracasso. Esta visão pode, no seu limite, conduzir a intervenções desadequadas no cuidado ao doente em fim de vida.
Os Cuidados Paliativos consideram a morte como um processo natural, não
a antecipando nem atrasando intencionalmente, propondo por isso como
objectivos para esta fase da vida o proporcionar o máximo de conforto, qualidade de vida e uma morte digna, sempre na perspectiva do doente.
Os últimos dias de vida têm um elevado impacto emocional sobre o doente
e família em consequência da rápida deterioração física e sentida proximidade da morte. Assim, para além de um bom controlo de sintomas é requerida a disponibilidade de uma equipa multidisciplinar capaz de acolher e
dar resposta a todo o sofrimento do doente e família. Não existe consenso
sobre a duração da fase de agonia. Esta caracteriza-se por alterações clínicas dinâmicas e pelo aparecimento de novos sintomas ou agravamento de
alguns já existentes, com um acentuar da progressiva deterioração do estado
físico do doente.
Reconhecer os sinais e sintomas de agonia é um passo importante para toda
a equipa assumir a irreversibilidade da situação, concordando que é indispensável redefinir objectivos (realistas) de actuação em conjunto com o doente e
família e definir um plano de actuação adequado e individualizado.
O objectivo das autoras é, através da “comunicação livre”, captar a atenção
dos profissionais de saúde para o facto de que, sendo uma fase dinâmica, a
atitude a adoptar não pode ser passiva ou evitativa. As constantes avaliações
devem ser intensificadas no sentido de, em cada momento, ir de encontro às
necessidades do doente e família, providenciando cuidados físicos, psicológicos, sociais e espirituais, evitando manobras invasivas desadequadas que
apenas perturbam o bem- estar e conforto do doente.
11 a 13 Outubro 2006 Seminário de Vilar Casa Diocesana Porto
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CL 7
Con(viver) com a Morte - cuidar na Agonia
Ana Maria Pacheco Viana Ribeiro, Enfermeira Graduada, Hospital de Santa
Maria, Unidade de Hepatologia; Joana Clara da Silva Madeira, Enfermeira
Graduada, Hospital de Santa Maria, Unidade de Nefrologia Pediátrica;
Susana Maria dos Santos Martins de Jesus, Enfermeira Graduada, Hospital
de Santa Maria, Medicina II-D
Hoje em dia, com a mesma facilidade que se prolonga a vida, e se alivia a dor
e o sofrimento dos doentes terminais criam-se dilemas éticos, com respostas
cada vez mais difíceis. O Homem passou a morrer sozinho, ou seja, longe do
seu ambiente familiar, do que é seu! As famílias estão cada vez mais dispersas e já não desempenham papeis de outrora. Coisas tão simples como velar
um moribundo na paz da sua casa, desapareceram! Em vez disso morre-se
no hospital!. Aqui, cabe ao enfermeiro proteger e defender a Vida em todas
as circunstâncias, respeitando a sua integridade biológica, psíquica, social,
cultural e espiritual.
Encarar a morte é ainda uma tarefa difícil e complicada. Mais, ainda, é manter
uma relação com o doente que vai morrer. Deviam, pois, os profissionais discutir com os seus doentes os cuidados que estes esperam vir a receber nos
últimos dias de vida, amenizando, desta forma, o desconforto provocado pela
própria morte, e, ficando assim mais aliviados com o pensamento de que se
fez aquilo que o doente queria que fosse feito!
E é neste âmbito, com grande agrado, que vimos as Ciências da Saúde
aparecerem com outra face. Uma face mais humana, voltada para o Homem
enquanto Ser capaz de sentir e vivênciar a sua própria existência.
A morte de uma pessoa é um momento muito intenso quer para o próprio
quer para aqueles que lhe são próximos.
O enfermeiro, como prestador directo de cuidados, torna-se num advogado
do doente pois assegura, defende e zela para que os seus direitos, desejos e
vontades sejam respeitados, mostrando-se disponível, escutando e ajudando
o doente/família a dar sentido aos momentos que faltam viver.
Estar disponível para ajudar a Morrer, é saber apoiar a dignidade, o amorpróprio, a vontade do doente até ao último momento da sua Vida. A intenção
é a prática de cuidados de enfermagem adequados e compassivos, para
maximizar o conforto e minimizar o sofrimento. O objectivo destes é uma
prestação calma, sensível, individualizada, a cada pessoa, para que a agonia,
(experiência humana final), seja tão livre de dor e ansiedade quanto possível.
CL 8
Cuidar em Fim de Vida: Impacto nos Profissionais
Susana Lourenço, Hosp. Curry Cabral; Tiago Cunha, IPO Lisboa
“Assistir à morte em paz de um ser humano faz-nos recordar uma estrela
cadente, uma de milhões de luzes num vasto céu que brilha durante um
curto instante para se extinguir para sempre na noite sem fim”. (Kübler-Ross,
2005).
De uma forma geral a morte é um acontecimento que a todos assusta e que
nos lembra a nossa vulnerabilidade humana. A morte lembra-nos a nossa
impotência e traz-nos frustração.
Apesar de todos os avanços científicos e técnicos e do aumento da esperança
de vida, a morte continua e continuará a ser uma ameaça do sentimento
de omnipotência do homem. Cada um de nós reconhece que a sua vida é
limitada no tempo, mas apesar disso, a morte continua a ser rejeitada e a
ser recusada obstinadamente e ainda hoje é considerada um tabu na nossa
sociedade.
Apesar de sabermos que um dia vamos e temos que morrer, há sempre um
misto de incerteza e desespero quando nos encontramos perante a morte.
Poucos são os doentes que se encontram preparados para a morte e, muito
menos são os profissionais de saúde preparados para a morte dos seus
doentes. Face à aproximação da morte, o doente vive um processo psicológico dramático e “…enquanto o doente faz este percurso, o técnico de saúde
percorre um outro itinerário semelhante, sempre a convergir para a tentação
de fuga e é essa tentação de fuga que urge vencer.” (Pinto, 1994).
Desta forma pretende-se compreender o impacto nos profissionais de saúde
8
III CONGRESSO NACIONAL DE CUIDADOS PALIATIVOS
do cuidar em fim de vida, identificando factores de stress e sinais e sintomas
de burnout, dando a conhecer estratégias de resolução e oportunidades de
crescimento pessoal e profissional perante o cuidar em fim de vida.
“A sociedade dessocializou a morte e encurralou-a nos hospitais ou noutras
instituições onde o doente morre sozinho num quarto isolado, numa enfermaria ou junto de sofisticadas máquina numa unidade de cuidados intensivos,
mas sempre sozinho… sem ninguém que compartilhe o medo, a angustia, o
sofrimento ou quem sabe, a paz e a alegria de quem parte. Morrer tornou-se
hoje um momento solitário e demasiado triste para ser lembrado.” (Sapeta,
1998).
Bibliografia:
CERQUEIRA, Maria Manuela – O Cuidador e o Doente Paliativo. Formasau
– formação e saúde, Lda. Coimbra.2005. p227.
FEYTOR PINTO, V. – Entre a vida e a morte, a razão da esperança. In Servir.
Vol.39, nº1. Jan/Fev.1991. p.14-15.
HENNEZEL, Marie de – Diálogo com a Morte. 3ª Edição. Noticias Editorial.
Maio de 1993. ISBN 972-46-0793-3.
KÜBLER-ROSS, Elizabeth – Sobre a Morte e o Morrer. Livraria Martins Fontes
Editora, Lda. São Paulo.2005. p296.
LOFF, Ana – Que risco para o enfermeiro que presta cuidados ao doente terminal?. In Cuidados Paliativos. Formasau – formação e saúde, Lda. Coimbra.
2000. p.145.
NETO, Isabel Galriça; AITKEN, Helene-Hermine; PALDRON, Tsering. – A Dignidade e o Sentido da Vida: Uma Reflexão sobre a Nossa Existência. Cascais:
Editora Pergaminho, Lda, 2004. 110 p. ISBN 972-711-645-0.
SAPETA, Paula – A família face o doente terminal hospitalizado. In Enfermagem Oncológica, nº12. Porto, 1999, p.20-24
14.30-16.00h
> Sala 222
CL 9
Eutanásia à luz dos cuidados paliativos
Sofia Silva, Serv. Cuidados Paliativos , IPO Porto
A Eutanásia é um assunto a explorar e a reflectir por ser a mais problemática
das respostas éticas relativas ao doente terminal.
Como discernir com segurança, as causas de reaparecimento deste pedido,
com as contradições que encerra e com os movimentos emocionais que
provoca? Qual o fundamento real deste pedido?
Fazendo todos nós parte da mesma sociedade, nem todos partilhamos dos
mesmos princípios éticos. A vida é um valor básico, pessoal e próprio do
doente em que a acção de lhe tirar a vida não é eticamente aceitável. Que argumentações válidas ouvimos? O ideal seria apresentar uma argumentação
que abarcasse toda a condição de vida possível.
Mesmo que legítimo, o desejo eutanásico implica uma decisão tomada pelos
outros seguida da sua actuação. O direito à vida é um bem inalienável, um direito fundamental e não absoluto. O direito a morrer com dignidade está para
além do ter ou não direito a pôr termo à vida. A legitimação deste direito e a
resolução de problemas afectos à doença terminal, passa pela necessidade
de descobrir o sentido do viver e do morrer. Nasce assim a necessidade de
reflectirmos um pouco sobre a eutanásia à luz dos cuidados paliativos.
Provavelmente o verdadeiro problema ético da doença terminal é o acompanhamento à morte. Nos dias de hoje, urge repensar sobre a forma como a
sociedade actual encara o doente terminal. Faz falta elaborar um novo “ars
moriendi” no seio de uma cultura muito avançada, mas incapaz de ajudar o
homem a enfrentar o fim. O mais difícil não é morrer, nem eutanizar activamente, mas acompanhar o processo natural de morte.
CL 10
A Sexualidade nos Cuidados Paliativos:
Representações e Atitudes dos Profissionais
José Miguel Valente Tavares, et. Al , Serviço de Cuidados Paliativos, IPO
Francisco Gentil, Porto
Esta proposta versa sobre um estudo do tipo exploratório descritivo, realizado
no Serviço de Cuidados Paliativos do Instituto Português de Oncologia do
Porto - Francisco Gentil, E.P.E..
Este trabalho, para além da problemática que assentou em três vectores
fundamentais, como são a sexualidade, os cuidados paliativos e os conceitos de representação social, baseou-se, na sua vertente empírica, em seis
entrevistas semi-estruturadas realizadas a profissionais do referido serviço,
nomeadamente três enfermeiros, dois médicos e uma psicóloga.
Os fundamentos epistemológicos e metodológicos do trabalho enquadram-se
claramente numa abordagem qualitativa, solidamente alicerçados na opção
por um estudo do tipo estudo de caso, onde o caso era o serviço em questão,
nomeadamente os seus profissionais.
Essencialmente propõe-se apresentar os resultados do referidos estudo,
duma forma necessariamente resumida e da discussão gerada pelo cruzamento da informação analisada com o referencial teórico.
CL 11
Estudo de Caso de um doente de Cuidados
Paliativos não oncológico
Ana Margarida Faustino, Raquel Calado, Sandra Costa, Hospital Residencial
do Mar
Objectivos: Apresentar intervenções da equipa multidisciplinar num estudo de
caso de um doente de Cuidados Paliativos não oncológico
Resumo: O Sr. M. de 90 anos, internado no Hospital Residencial do Mar com
o diagnóstico de Demência de Alzheimer em fase avançada, numa situação
de exaustão familiar. O doente faleceu na nossa Instituição um mês após a
data de entrada.
Durante o internamento, foi implementado o plano individual de cuidados com
base nas necessidades detectadas, validado previamente e em parceria com
a família e a equipa multidisciplinar, com o objectivo de promover ao doente
e família uma melhor qualidade de vida bem como dignidade, serenidade, o
apoio no momento da morte e no luto. A abordagem deste doente incluiu controlo de sintomas adequado, uma comunicação eficaz com a família, proporcionando um apoio personalizado às necessidades que foram manifestadas
de acordo com os elementos desta família.
A equipa manteve a sua intervenção no apoio do luto.
CL 12
Estudo de Caso de um doente de Cuidados
Paliativos oncológico
Ana Margarida Faustino, Raquel Calado, Sandra Costa, Hospital Residencial
do Mar
Objectivos: Apresentar intervenções da equipa multidisciplinar num estudo de
caso de um doente de Cuidados Paliativos oncológico
Resumo: O Sr. José de 73 anos, internado no Hospital Residencial do Mar com
o diagnóstico de Glioblastoma multiforme em fase terminal, numa situação
de exaustão familiar. Apresenta ainda como antecedentes uma depressão
major, hemiparésia à esquerda (sequela) e dificuldade na comunicação por
afasia de expressão.
A intervenção da equipa multidisciplinar foi definida, com base nas necessidades identificadas e validadas junto do doente e família. Necessidades estas
que foram reavaliadas e reajustadas aos diversos momentos vividos pelos
mesmos na situação de doença.
Foi objectivo primordial da equipa oferecer os melhores cuidados de saúde,
conduzindo assim a uma melhor qualidade de vida do Sr. José. A validação
do plano de cuidados permitiu-se aferir que, para o Sr. José qualidade se
traduzia num controlo de sintomas adequado, evitar o prolongamento inadequado da vida, manter o controlo da situação, evitar ser um “fardo” para
a família e prestadores de cuidados, e o fortalecimento das suas relações
com os familiares. A busca constante da qualidade só foi possível através, do
constante reajuste do plano individual de trabalho, conseguido com o trabalho
multidisciplinar desenvolvido pela equipa desta instituição.
O apoio à família foi uma área com especial incidência de cuidados, sobre
a qual a equipa multidisciplinar se debruçou, realçando as competências
comunicacionais desenvolvidas.
O doente viria a falecer na nossa instituição na presença da sua família.
A equipa manteve a sua intervenção do apoio ao luto.
CL 13
“Permissão para Partir” - Uma história de vida
Cátia Ferreira, IPO - Porto
O Serviço de Cuidados Paliativos (SCP) do IPO do Porto, tem como uma das
suas valências o Serviço de Assistência domiciliária.
Os cuidados aos doentes em fase terminal no seu domicílio desafiam as nossas habilidades obrigando a constantes exigências pessoais e profissionais.
O trabalho em equipa interdisciplinar, assim como a articulação das diferentes valências do SCP são fundamentais para o sucesso das intervenções
cuidativas, tendo como objectivo primordial prevenir / aliviar o sofrimento dos
doentes e seus cuidadores. Na despistagem das várias necessidades, em
consonância com a equipa de saúde, são delineadas “estratégias de actuação multidisciplinares”.
Permissão para Partir é o olhar sobre uma história de vida onde o trabalho de
equipa e a articulação das diferentes valências do SCP permitiram caminhar
lado a lado com uma doente respondendo em cada fase do processo de
doença aos desafios e obstáculos da jornada para que a partida acontecesse
de forma digna e em paz.
A análise deste estudo de caso permite ainda reflectir sobre o papel da valência da assistência domiciliária numa unidade de cuidados paliativos de nível I
assim como o enquadramento do SCP na sua instituição (IPO-Porto).
CL 14
Feridas Tumorais: Uma revisão da evidência
Carlos António Sampaio de Jesus Laranjeira, Hosp. Distrital da Figueira da Foz
Objectivos: O cuidado com doentes portadores de feridas malignas, exige o
domínio de determinados conhecimentos sobre este assunto, desta forma
o presente estudo tem como objectivos: 1- concorrer para um cuidado de
enfermagem qualificado no tratamento de feridas tumorais; 2 - identificar evidências efectivas para o controlo dos sintomas responsáveis pelo desconforto
e constrangimento do doente.
Metodologia: Trata-se de uma pesquisa retrospectiva, descritiva e documental, na modalidade de revisão de literatura, que tomou como recorte temporal
o período de 1990-2006.
A recolha dos dados integrou periódicos indexados nas bases de dados
LILACS (Literatura latino-americana em Ciências de Saúde) e MEDLINE
(Medical Literature and Retrieval System on Line). Estes periódicos divulgam
a ciência, são de carácter multidisciplinar, contribuindo para a construção
da complexidade do saber. A inclusão dos artigos obedeceu a critérios de
presença de pelo menos um dos descritores – feridas malignas, cuidados de
enfermagem, cicatrização, fungating wound – previamente seleccionados no
texto e contexto do trabalho. A colheita de dados foi realizada no período de
Março de 2006 a Agosto de 2006, tendo-se extraído dos periódicos seleccionados 25 referências sobre a temática, os quais representam a amostra
deste estudo.
Resultados: Os resultados demonstraram os sintomas que tipificam a
presença de uma úlcera tumoral são eles: a dor, o odor, o exsudado, a hemorragia e a difícil cicatrização. Identificaram-se ainda as formas de tratamento
e os produtos recomendados no controlo dos sintomas através da realização
dos pensos.
Conclusões: Embora as feridas tumorais sejam um fenómeno antigo associado ao cancro, poucas são as pesquisas com números satisfatórios sobre este
tema, o que compromete de forma ignóbil a qualidade de vida dos seus portadores. Pesquisas experimentais são ainda incipientes. São necessários assim
estudos mais exaustivos, que permitam a avaliação dos regimes terapêuticos,
tendo em conta as prioridades dos doentes assim como a dos profissionais.
É indubitável que não se pode generalizar a abordagem ao doente com ferida
maligna. No entanto, é necessária a criação de directrizes de tratamento de
11 a 13 Outubro 2006 Seminário de Vilar Casa Diocesana Porto
9
acordo com os sintomas e características da ferida maligna, e ainda indicações sobre os critérios de aplicação dos vários produtos disponíveis.
Os doentes com feridas malignas representam um desafio e um apelo à
multidisciplinaridade entre os profissionais de saúde, importa não esquecer
que independentemente dos recursos disponíveis, os cuidados aos doentes
devem basear-se numa filosofia holística, devido às dificuldades sociais geradas pela presença de feridas tumorais.
Bibliografia:
1. Doyle D, Hanks G, Mac Donald N. Textbook of palliative care. 2nd ed. Canada:
Oxford; 1999.
2. Haisfield-Wolfe ME, Baxendale-Cox LM. Staging of malignant cutaneous
wounds: a pilot study. Oncol Nur Forum. 1999 Jul;26(6):1055-64.
3. Ellis LM, Liu WF, Fan F, Reinmuth N, Shaheen RM, Jung YD, et al. Role of
angiogenesis inhibitors in cancer treatment. Oncology. 2001 Jul;15 (7 Suppl
8): 39-46.
4. Carruth AK. Antifungal agent used topically to control odor. Oncol Nur Forum.
1993;20(8):1262.
5. Upright C, Salton C, Fred R, Murphy J. Evaluation of mesalt dressings and
continuous wet saline dressings in ulcerating metastatic skin lesions. Cancer
Nurs. 1994;17(2):149-55.
6.Manning MP. Metastases to skin. Semin Oncol Nur.1998 Aug;14(30):240-3.
7.Haisfield-Wolfe ME, Rund C. Malignant cutaneous wounds: a management
protocol. Ostomy Wound Manage. 1997 Jan-Feb;43(1):56-60.
8.Haisfield-Wolfe ME, Rund C. Malignant cutaneous wounds: developing
education for hospice, oncology and wound care nurses. Int J Palliat Nurs.
2002;8(2):57-66.
9.Bates-Jensen B, Early L, Seaman S. Skin disorders. In: Ferrell BR, Coyle N. Textbook of palliative nursing. New York: Oxford University Press; 2001. p. 226-34.
10.Naylor W. Palliative management of fungating wounds: clinical management. Eur J Palliat Care. 2003;10(3):93-7.
11.Piggin C. Malodorous fungating wounds: uncertain concepts underlying the
management of social isolation. Int J Palliat Nurs. 2003;9(5):216-21.
12.Miller C. Nursing aspects. In: Doyle D, Geoffrey WCH, Mc Donald N. Oxford textbook of palliative medicine. 2nd ed. New York: Oxford University Press;
1998. p. 646-7.
13. Schulz V, Triska OH, Tonkin K. Malignant wounds: caregiver-determined
clinical problems. J Pain Sympton Manage. 2002 Dec;24(6):572-7.
14. Bauer C, Geriach MA, Doughty D. Care of metastatic skin lesions. J Wound
Ostomy Continence Nurs. 2000;27:247-51.
15.Jorge AS, Dantas PE. Abordagem multiprofissional do tratamento de feridas. São Paulo: Atheneu; 2003.
CL 15
Utilização de heparinas de baixo peso molecular
na prevenção de tromboembolismo venoso
em doentes acamados
Luís Pedro Martins Macedo Loureiro, 6ºano medicina, ICBAS/HGSA
O tromboembolismo venoso, conjunto de situações clínicas que compreende
a trombose venosa profunda e a embolia pulmonar, tem uma incidência de
104/100.000 habitantes na população em geral. No entanto, a incidência da
trombose venosa profunda é de cerca de 180/100.000 habitantes na faixa
etária dos 65 aos 69 anos, atingindo o seu valor máximo, 310/100.000 nos
habitantes com idade compreendida entre os 85 e os 89 anos.
Dado que mobilidade reduzida é, segundo a literatura, o mais importante
factor de risco para a ocorrência de tromboembolismo venoso e existe um
aumento da incidência da trombose venosa profunda com a idade, poder-seá extrapolar que este aumento está relacionado com a mobilidade reduzida
de que gozam a maioria dos habitantes mais idosos.
A doença maligna é um outro factor que aumenta o risco de tromboembolismo venoso, quer pela actividade directa das células tumorais sobre as
plaquetas e as proteínas da coagulação, quer pelas terapias anti-tumorais
agressivas. Os habitantes mais idosos além de necessitarem de cuidados
paliativos, devido à degenerescência associada ao envelhecimento, também
10
III CONGRESSO NACIONAL DE CUIDADOS PALIATIVOS
têm uma maior incidência de cancro.
Temos assim o dever de tentar reduzir a incidência de tromboembolismo
venoso nos doentes com mobilidade reduzida, em especial nos acometidos
por doença maligna. De diversos estudos que foram consultados, conclui-se
que as heparinas de baixo peso molecular são os fármacos mais indicados
para realizar tromboprofilaxia neste grupo etário. Quer por questões de índole
puramente médica (sangramentos menos abundantes), como de conforto
para o doente (não necessita de doseamento laboratorial), sendo até mais
eficazes do ponto de vista económico.
De salientar, que já há quase uma década que os médicos britânicos que
trabalham na área de cuidados paliativos, começaram a abandonar a utilização da warfarina a favor de heparinas de baixo peso molecular na prevenção
secundária de tromboembolismo venoso.
Um estudo realizado em doentes com cancro internados numa unidade de
cuidados paliativos, concluiu que estes doentes preferem realizar tromboprofilaxia com heparinas de baixo peso molecular a longo prazo, em vez de
utilizar meias elásticas na prevenção de trombose venosa profunda.
A revisão bibliográfica efectuada leva-nos à conclusão de que a utilização
de heparinas de baixo peso molecular na prevenção de tromboembolismo
venoso deve ser uma prática cada vez mais usual devido a todos os ganhos
que acarreta para o doente acamado.
CL 16
Papel das nefrostomias percutâneas no contexto
de cuidados paliativos oncológicos
Isabel Vinhas Carneiro, Interna Complementar Medicina Interna - Hospital de
Santo Tirso; Rui Carneiro, Interno Complementar de Medicina Interna - Hospital Geral de Santo António; Ferraz Gonçalves, Chefe de Serviço do Serviço
de Cuidados Paliativos Instituto Português de Oncologia do Porto
Introdução: A insuficiência renal obstrutiva é frequente nos doentes com cancro avançado, sobretudo nos ginecológicos. A nefrostomia percutânea (NP) é
o método mais frequentemente usado para resolver este problema. Há ainda
outras razões para a realização de NP como, por exemplo, fístulas vesicovaginais. Contudo, em cuidados paliativos o objectivo não é apenas a melhoria da função renal, mas a melhoria da qualidade de vida dos doentes.
Material e Métodos: Foram pesquisados através do registo informático da
instituição todos os doentes que foram submetidos a NP, admitidos no Serviço
de Cuidados Paliativos entre Janeiro de 1995 e Dezembro de 2005 e já falecidos. Dos 151 registos obtidos, foram revistos 132 doentes cujos processos
foram localizados. Colheram-se dados demográficos e sobre as indicações,
complicações imediatas e tardias das nefrostomias e o seu impacto sobre a
capacidade funcional, avaliada pela escala ECOG (Easterm Cooperative Oncology Group), bem como a sobrevivência destes doentes.
Resultados: A maioria dos doentes eram mulheres (63.2%). A mediana de
idades foi de 61 anos (amplitude: 25 a 89). Cerca de 44% apresentavam
tumores ginecológicos, seguidos dos urológicos e do tracto gastrintestinal
baixo. A razão mais frequente para a colocação de NP foi a insuficiência
renal aguda obstrutiva (85%). Houve uma descida acentuada dos valores de
creatinina, no caso de insuficiência renal obstrutiva, embora a normalização
da função renal não tenha sido frequente.
Não houve alteração significativa na capacidade funcional dos doentes.
Verificou-se ainda que alguns doentes tiveram uma sobrevivência curta após
a realização da nefrostomia.
Discussão/Conclusão: Este estudo tem as limitações próprias dos estudos
retrospectivos, tais como a falta de muitos dados e a dificuldade de interpretar
os registos, que não são apropriados para serem posteriormente estudados.
Seria importante determinar a satisfação dos doentes com o procedimento,
e o seu impacto no controlo de sintomas e na qualidade de vida. Alguns dos
doentes tiveram uma sobrevivência curta após a NP o que pode ter várias
razões, como a selecção inapropriada dos doentes para o procedimento ou a
dificuldade conhecida de estabelecer com rigor o prognóstico destes doentes.
De qualquer modo este facto deve levar a uma reflexão sobre a indicação da
NP em cada caso concreto.
CL 17
A via sub cutânea: um recurso a optimizar
na prática de cuidados
Ana Margarida Faustino , Raquel Calado, Sandra Costa, Hospital Residencial
do Mar
Objectivos: Determinar da taxa de utilização da via SC em Cuidados Continuados no HRM; Caracterizar a população abrangida (por idade, género e
motivo de internamento); Indicação de utilização da via SC, tipo de terapêutica
e complicações inerentes.
Resumo: O Hospital Residencial do Mar é uma instituição cuja filosofia assenta nos cuidados individualizados e contínuos ao cliente e sua família, nas
valências de neuro-reabilitação, em particular a doente com doença de Alzheimer, reabilitação e convalescença, conforto e apoio à família.
È intuito da equipa multidisciplinar a prestação de cuidados que tenham em
conta a individualidade do cliente e da sua doença, implementando o plano
individual de cuidados com base nas necessidades detectadas. Plano este
validado previamente e em parceria com a família e a equipa, com o objectivo
de promover ao doente e família uma melhor qualidade de vida bem como
dignidade, serenidade, apoio no momento da morte e no luto. Neste tipo de
prestação de cuidados os instrumentos utilizados incluem as competências
comunicacionais, o apoio à família, o trabalho em equipa multidisciplinar e o
controlo de sintomas sendo este último, o elo essencial da cadeia de intervenção. O controlo de sintomas deverá constituir o principal foco de atenção.
Neste grupo de doentes, a via oral é a eleita para administração de fármacos e/ou hidratação, no entanto quando esta não está disponível a via sub
cutânea (SC) torna-se uma das principais alternativas a considerar.
Com esta comunicação pretende-se mostrar a realidade da prática desta
técnica neste Hospital.
No final deste trabalho constatou-se que, em cerca de ¼ dos doentes do
HRM se recorreu à via SC como uma mais valia na optimização do conforto e
qualidade de vida da pessoa/família.
13 OUTUBRO 2006 | 6ª FEIRA
14.30-16.00h
> Sala 205
CL 18
Não quero ouvir, não quero ver,
e o que sabem não me chega…
Ana Bernardo, Sofia Madureira, Hospital Residencial do Mar
Objectivo: apresentar e discutir a(s) melhor(es) formas de intervenção com
uma família difícil numa unidade de cuidados continuados.
Resumo: apresentamos o caso de um doente do sexo masculino, 59 anos,
que é enviado de uma Unidade de Intervenção Intensiva após internamento
de 2 meses, com quadro de coma vigil por Acidente Vascular Cerebral hemorrágico, com hipoxia cerebral após paragem cardio-respiratória e reanimação
durante 90 min. Dois meses após a admissão no nosso Hospital (Cuidados
Continuados), o doente mantém-se em coma vigil, com traqueostomia definitiva, com períodos de falência orgânica manifesta que se foram controlando,
mantendo-se neste momento, hemodinamicamente estável. Desde o internamento neste hospital, tem-se procurado fazer uma abordagem à família, que
é constituída pela mulher, enteada e filha, no sentido de ajudar a lidar com
esta situação através de: informar de forma clara e objectiva; trabalhar as expectativas de forma realista, de acordo com o prognóstico e situação actual;
validar os sentimentos e emoções associadas a esta situação; disponibilizar
apoio e orientação técnica. Deparámo-nos com uma família em negação,
de grau variável dependendo dos elementos da família, com sentimentos
verbalizados de raiva e desconfiança em relação aos técnicos de saúde, considerando-os como parte responsável pela situação. Das várias intervenções
realizadas (com entrevistas individuais e conferências familiares), e apesar
dos objectivo claros e realistas da equipa, a família mantém uma posição de
negação, procurando informação fora dos circuitos técnicos (Internet, documentários da televisão, etc.) e centralizada numa atitude de encarniçamento
terapêutico, referindo-se aos movimentos involuntários como respostas aos
seus estímulos, apesar da limitada probabilidade de regressão do quadro
clínico.
Conclusão: a equipa apresenta este caso para que se possa discutir a melhor
forma de abordagem e intervenção com esta família, uma vez que nos coloca
perante um caso diferente do da intervenção feita em doentes paliativos ou
cuidados continuados, para os quais está maioritariamente dirigida.
CL 19
Toque - uma linguagem muda
Ana Maria Pacheco Viana Ribeiro, Enfermeira Graduada, Hospital de Santa
Maria, Unidade de Hepatologia; Joana Clara da Silva Madeira, Enfermeira
Graduada, Hospital de Santa Maria, Unidade de Nefrologia Pediátrica;
Susana Maria dos Santos Martins de Jesus, Enfermeira Graduada, Hospital
de Santa Maria, Medicina II-D
Como objectivo principal para esta comunicação definimos:
Alertar os enfermeiros para os benefícios do toque na relação terapêutica
com o doente terminal.
Perante as constantes mudanças a que a nossa sociedade está sujeita, tornase imperativo que a enfermagem evolua no sentido de estar aberta a desafios
que contribuam para o aumento da qualidade dos cuidados.
Estes assentam não só no saber fazer, mas também no saber ser e estar,
que ganham cada vez mais ênfase. Entre enfermeiro e utente estabelece-se
uma relação que se pretende empática, onde o processo de comunicação se
desenrola de forma fluente, com períodos de grande silêncios que por vezes
revelam mais do que as palavras. Existe assim uma complementaridade entre
a comunicação verbal e não verbal, complementaridade esta que proporciona
uma ambiência calorosa e calma convidativa á partilha de dúvidas ou angustias que assolam quem já não espera grande coisa de medicina mas que
aprecia e confia nos seus cuidadores.
A comunicação verbal é feita de forma consciente, enquanto o processo de
comunicação não verbal é mais transparente, contradizendo por vezes o que
se diz por palavras, uma vez que é espontânea, fazendo parte da natureza
íntima de cada um de nós. Esta forma de comunicação não permite tirar
conclusões absolutas, contudo a acumulação de atitudes perante a mesma
circunstância pode ser por vezes reveladora, pois as palavras podem ser ambíguas mas a linguagem corporal não o é.
O simples tocar de mãos quebra a barreira que muitas vezes se cria entre
o doente/enfermeiro, minimizando a sensação de isolamento que por vezes
o doente terminal impõe a si próprio. Ao ter a noção de que a sua imagem
corporal está alterada, que as conversas que se desenrolam à sua volta são
supérfluas na tentativa frustrada de o fazer esquecer a condição que vive,
o doente terminal vai guardando para si todos os sentimentos, ficando a
aguardar ansiosamente a visita de alguém que esteja realmente disponível
para lhe pegar na mão e ouvi-lo.
“O toque é considerado como uma das maneiras mais importantes de comunicação não verbal (…)” (Blondis, Jackon, 1982), por tudo isto consideramos
que tocar faz a diferença! O toque é não invasivo e proporciona um clima
de confiança, favorável à revelação de anseios por parte do doente. Tudo
isto passa por aprender a tocar nos outros, tocar em si e aceitar ser tocado.
Apreendido este processo o toque passa a ser uma atitude comum, uma
intervenção de enfermagem, que estimula o auto-conhecimento, dando uma
nova dimensão do cuidar e ao cuidar.
CL 20
Gritos Mudos
Ana Maria Pacheco Viana Ribeiro, Enfermeira Graduada, Hospital de Santa
Maria, Unidade de Hepatologia; Joana Clara da Silva Madeira, Enfermeira
Graduada, Hospital de Santa Maria, Unidade de Nefrologia Pediátrica;
Susana Maria dos Santos Martins de Jesus, Enfermeira Graduada, Hospital
de Santa Maria, Medicina II-D
11 a 13 Outubro 2006 Seminário de Vilar Casa Diocesana Porto
11
Num tempo histórico em que o fascínio pela ciência e tecnologia trouxe à
humanidade um fantástico potencial no prolongamento e qualidade da vida,
onde as instituições de saúde dispõem de uma parafernália de recursos,
faz-se necessária uma reflexão baseada no desfasamento entre conquistas
técnicas e científicas e a realidade do quotidiano dos cuidados. Apesar dos
hospitais beneficiarem de equipamentos altamente sofisticados, parece o
factor humano não ter seguido tal evolução. O hospital parece ter-se desumanizado.
Gask (2000) identifica competências básicas à comunicação entre técnicos
de saúde e a pessoa doente que incluem: ouvir, observar, tomas consciência
dos nossos próprios sentidos.
Reconhecendo a sua importância nas relações interpessoais, arriscámos
juntar todas elas numa capacidade básica fundamental (na nossa opinião)
à relação de ajuda: ESCUTAR. Escutar é reconhecer importância ao outro,
observá-lo, dar atenção “ao seu todo”, estar aberto e disponível para nos
envolvermos noutras ideias, experiências, outras formas de olhar o que nos
rodeia, sem interpretar, sem julgar!
A tendência enquanto enfermeiros, com vontade de ajudar, traduz-se muitas
vezes pela necessidade de agir, dizer ou fazer algo, dar respostas. No entanto, a verdadeira escuta é um processo activo e voluntário no sentido de
compreender verdadeiramente os sons mas também o silêncio. É nele que
muitas vezes se esconde a incerteza, a tristeza, o medo e o sofrimento; é um
momento rico da relação e nunca um sinal de vazio. Estar disponível para
ajudar a pessoa a Morrer bem, é saber apoiar a dignidade, o amor-próprio, a
vontade do doente até ao último momento da sua Vida. Estar “atento ao silêncio é estar à escuta do que o outro vive de mais profundo” LAZURE (1994). E
é desta disponibilidade que falamos quando se torna urgente humanizar.
CL 21
Encontro com o outro na doença terminal
Alzira David, Serviço de Cuidados Paliativos – IPOFG CROP – EPE
“Ninguém sai indiferente quando mergulha no sofrimento de um corpo que
está a morrer”. Foi uma afirmação deste tipo que nos levou a questionar o
encontro com o doente terminal. Queríamos saber se encontrar uma pessoa
que padece de uma doença que a levará irremediavelmente à morte tem
contornos diferentes de um qualquer outro encontro. Para nosso espanto (ou
talvez não) concluímos que, mais do que contornos diferentes, o encontro
com o doente terminal pode, e deve, assumir contornos terapêuticos.
Partindo da noção de neutralidade no encontro com o outro, chegamos ao
porto da importância do corpo no encontro, corpo que nunca se poderá
definir como um corpo estranho, mas como um corpo desconhecido. Essa
importância fez-nos olhar o corpo que o doente é, como um corpo cansado
por dentro, cuja única saída passa sempre pela experiência da relação com
o outro. Neste sentido, será que podemos apelidar o encontro com o doente
terminal como um encontro terapêutico? Acreditamos que sim, que podemos
olhar o encontro através da janela do tratamento terapêutico, pois o encontro
é o único caminho para trazer o outro que sofre ao mundo das relações,
para fazê-lo compreender que o facto de estar doente não é impedimento
para que possa continuar a conduzir a sua vida, para lhe mostrar que existe
uma saída para o seu sofrimento, para dizer-lhe que estamos ali até à sua
morte, quer ela se aproxime assustadora, quer apaziguadora. Mas também
é aprender com o outro, com o seu olhar, com o seu sofrimento; aprender a
questionarmo-nos sobre a nossa vida e o seu sentido, sobre a nossa morte
que também se aproxima, apaziguadora ou assustadora.
Em suma, cremos que podemos definir o encontro com o doente terminal do
seguinte modo: quando já foram tentados vários tipos de tratamentos para o
controle de uma doença causadora de sofrimento, que não foram eficazes,
resta a nossa presença, a nossa compreensão, o nosso fazermo-nos sentidos, o nosso toque, o nosso olhar, o nosso sorriso, o tom da nossa voz, o
encontrar do outro e o ser encontrado por outro.
CL 22
Cuidar com Humor o Doente Terminal
Ana Maria Pacheco Viana Ribeiro, Enfermeira Graduada, Hospital de Santa
12
III CONGRESSO NACIONAL DE CUIDADOS PALIATIVOS
Maria, Unidade de Hepatologia; Joana Clara da Silva Madeira, Enfermeira
Graduada, Hospital de Santa Maria, Unidade de Nefrologia Pediátrica;
Susana Maria dos Santos Martins de Jesus, Enfermeira Graduada, Hospital
de Santa Maria, Medicina II-D
Como objectivo principal para esta comunicação definimos:
Alertar os profissionais de enfermagem para as vantagens da utilização do
humor como estratégia major para o estabelecimento de uma relação terapêutica eficaz.
A enfermagem assenta no principio do cuidar, valorizando-se cada vez mais
o cuidar com qualidade. Mas o que esta expressão tão comum traduz realmente? É certo que para que a equipe de enfermagem consiga funcionar
uniformemente, é imperativo que tenham condições físicas que o proporcionem, mas o ponto fulcral de todo este procedimento passa pela tomada
de consciência de quão importante é o aspecto afectivo da relação entre
enfermeiro/doente. Esta afectividade permite a partilha de vivências e sentimentos e através dela o enfermeiro consegue aperceber-se das fragilidades
do doente, trabalhando com ele os pontos mais negativos incentivando-o a
participar no seu processo de doença.
Quando a cura já não é o objectivo primordial como acontece com o doente
terminal, a nossa atitude pretende somente aliviar o sofrimento quer físico,
quer psicológico, quer espiritual mantendo o melhor bem-estar possível.
“Rir é o melhor remédio” diz a sabedoria popular e segundo vários estudos
conclui-se que o humor e o riso são muito eficazes no alívio do stress. Uma
abordagem bem-humorada ao doente/família proporciona um ambiente relaxante mais apetecível à ajuda, contornando situações supostamente delicadas. O humor aplicado ao cuidar assume toda a pertinência, constituindo
uma válida base para a relação terapêutica. Desta forma aumenta-se a auto
estima, aliviam-se ansiedades e tensões e promove-se a confiança entre enfermeiro/doente/família.
Tudo isto ganha novas proporções quando estamos na presença de um individuo doente com doença terminal, particularmente fragilizado e vulnerável,
cujas alegrias e esperanças se resumem a cada minuto da sua existência,
vivendo-os intensamente.
CL 23
Musicoterapia como Intervenção Não Farmacológica no Alívio da Dor do Doente Terminal
Ana Maria Pacheco Viana Ribeiro, Enfermeira Graduada, Hospital de Santa
Maria, Unidade de Hepatologia; Joana Clara da Silva Madeira, Enfermeira
Graduada, Hospital de Santa Maria, Unidade de Nefrologia Pediátrica;
Susana Maria dos Santos Martins de Jesus, Enfermeira Graduada, Hospital
de Santa Maria, Medicina II-D
Como objectivo principal para a comunicação definimos:
Alertar os profissionais de saúde para a importância da música como intervenção não farmacológica para o alívio da dor.
Ao fazermos uso diário dos nossos conhecimentos, várias são as situações
que nos levam a pensar que algo mais poderia ser feito. Mas o quê? Perante
um doente em fim de vida que para além da dor física que sente é assolado
constantemente por uma dor mental que o impede de ver mais além, que lhe
impõe barreiras, que o faz sentir-se impotente para as transpor pois vê na
morte a única saída para o alivio tão desejado… Poderá a musica ser uma
mais valia levando a uma ampliação da consciência individual no processo
saúde doença?
Entende-se por musicoterapia a utilização da música de forma terapêutica,
podendo esta ser aplicada a diferentes áreas do saber. Na enfermagem pode
utilizar-se a música como recurso não farmacológico no cuidado ao Ser Humano nomeadamente no que se refere á dor, uma das razões porque se tem
recentemente revelado uma ajuda valiosa na área do tratamento paliativo. A
música abrange variadas dimensões (física, mental, social, espiritual) e permite a expressão de todo o tipo de emoções ajudando a criar um ambiente
propicio á aceitação da doença. Neste contexto várias são as experiências
que relatam que doentes aos quais é permitido o uso da música como terapia
complementar, atingem níveis de relaxamento tais, que levam à diminuição
da percepção da dor devolvendo uma sensação de bem-estar. Conclui-se
assim que a musica constitui uma abordagem não farmacológica fortemente
eficaz tendo ainda a grande vantagem de ser bem aceite pela maioria dos
doentes.
A musicoterapia pode ser aplicada na enfermagem com diversos objectivos
terapêuticos como por exemplo no controle da dor crónica, na redução da
ansiedade e depressão; no conforto espiritual e na promoção da dignidade
humana, entre muitos outros. Mereceu-nos, por isso, um aprofundar de conhecimentos (no sentido de optimizar os efeitos terapêuticos supracitados) de
forma a estabelecer critérios uniformes de actuação que permitam proporcionar melhor qualidade de vida ao doente terminal.
CL 24
A esperança em cuidados paliativos - na perspectiva das pessoas doentes
Ana Querido, Enfermeira, Escola Superior de Saúde de Leiria
Na perspectiva de que a vida, sem esperança não é possível (Ersek, 2001),
ela é fundamental na experiência de doença (Nowotny, 1991), sobretudo no
contexto de doença avançada, incurável e progressiva.
A esperança tem sido considerada como um dos elementos essenciais na
vivência das pessoas com doença oncológica. Em contexto de doença terminal, quando a cura não é possível, o “focus” da esperança assume uma
importância fundamental na forma como as pessoas doentes vivem o período
de fim da vida.
Perante a fase final da doença oncológica, frequentemente os doentes perguntam: “será que a doença me leva à morte?”, “será que vou sofrer muito
até morrer?”. Também com frequência ouvimos reafirmações de esperança
pelo recurso às expressões da sabedoria popular que garante “não há bem
que sempre dure, nem mal que nunca acabe”, “a esperança é a última a
morrer”, e “enquanto há vida, há esperança” e até reforçamos esta afirmação
na nossa prática clínica, sem no entanto a questionarmos na sua essência
e problemática.
A relação entre a esperança e a fase final da vida, naquilo que aparentemente
sugere um contra-senso, exprime a nossa inquietação pessoal e interesse no
estudo do fenómeno da Esperança em cuidados paliativos, na perspectiva
das pessoas doentes. Sendo a esperança associada à expectativa de algo
positivo e bom no futuro, como pode um futuro definido em horas, dias, semanas e meses, trazer esperança? (Herth, 1990; Rousseau, 2000). Como é
percepcionada a esperança neste contexto?; De que forma ela é expressa?;
Que factores influenciam a esperança?
Estas questões levantaram uma outra: Como é que os doentes oncológicos
submetidos a quimioterapia paliativa mantém a esperança? que serviu de
orientação ao estudo que realizámos numa unidade do Centro Hospitalar do
Médio Tejo, com o objectivo de Compreender o processo de manutenção da
esperança para o doente oncológico.
O estudo baseou-se numa metodologia qualitativa, segundo a abordagem da
“Grounded Theory”.
Para a obtenção dos dados utilizámos entrevistas semi-estruturadas, realizadas a onze participantes do estudo, adultos, seleccionados de acordo com
critérios de intencionalidade previamente definidos. As entrevistas foram posteriormente transcritas e analisadas.
A estrutura do fenómeno é composta por quatro temas: A percepção da esperança enquanto força interior, fé, resistindo no sentido de atingir os objectos
de esperança; A percepção da dimensão temporal, perspectivando o futuro, o
tempo e o ciclo de vida; Vivências da esperança, caracterizadas por comportamentos, emoções, pensamentos e relações vivenciadas durante o processo
de manutenção da esperança; e Mantendo a esperança representando o
viver um dia de cada vez, tendo a morte como limite presente, em que foram
identificados factores que influenciam a esperança, promotores e inibidores.
CL 25
A Finidade da Vida: Um contexto de trabalho,
Uma reflexão
Margarida Isabel Freitas Alvarenga, Enfermeira Graduada, Serviço de Cuidados Paliativos, IPO-Porto
Os Cuidados Paliativos são uma necessidade no Plano Nacional de Saúde.
Uma razão para esta afirmação é o envelhecimento da população, em que
são comuns as doenças crónicas que requerem cuidados específicos com
vista à diminuição do sofrimento físico, psicológico, espiritual e emocional do
doente e sua família. Não sendo ou não devendo ser apenas associados a
cuidados terminais, os Cuidados Paliativos requerem conhecimentos científicos e técnicos que permitam resolver os problemas resultantes da doença,
com uma intervenção humanista de uma equipa multidisciplinar que tem
como centro dos cuidados e das decisões de trabalho o doente e sua família,
não descurando o apoio no luto.
A minha opção consciente para trabalhar com doentes em fase avançada,
foi sobretudo devida às lacunas que encontrei no decorrer no meu curso de
Enfermagem que foi e ainda é, direccionado essencialmente para a cura e
prevenção da doença, o que faz com que se encare as doenças incuráveis,
como um fracasso da medicina. Por sentir que o doente era muitas vezes
abandonado, morrendo com sofrimento e por achar que muito se podia fazer
por estes, decidi enfrentar todas as dificuldades que este tipo de cuidado
acarreta e dar corpo a uma nova filosofia do cuidar que respondia em pleno
às minhas angústias enquanto estudante.
Os Cuidados Paliativos são assim um desafio diário para mim, porque se por
um lado me levantam questões de ordem pessoal, tais como aceitar a morte,
por outro, traduz-se num crescimento pessoal e profissional resultante de um
trabalho diário exposto ao sofrimento dos outros que pretendo seja minorado
o que nem sempre é possível.
As dificuldades diárias encontradas na comunicação com os doentes, no
trabalho multi e interdisciplinar, os atrasos na referenciação dos doentes,
causam por vezes frustrações pessoais. No entanto, reconheço que o meu
trabalho como enfermeira de Cuidados Paliativos, ao ser reconhecido pelos
doentes e seus familiares (essencialmente), é a minha principal motivação
para continuar, para ser cada vez melhor e um dos profissionais responsáveis
pelo incremento desta filosofia de cuidar.
Foi sobre estes aspectos que reflecti, e que gostaria de transmitir a outros
profissionais, com a consciência que ás vezes as frustrações, os medos e
as sensações de impotência são inevitáveis mas fazem parte da vida e do
nosso crescimento pessoal e profissional, o que torna gratificante trabalhar
em Cuidados Paliativos.
14.30-16.00h
> Sala 222
CL 26
Pertinência das Unidades de Cuidados Paliativos
Enfª Lina Maria Pinto Ferreira de Oliveira Andrade, Mestre em Bioética pela
UCP, Lisboa
Sendo enfermeira, discípula, seguidora e admiradora da filosofia dos Cuidados Paliativos, e, tendo vivenciado o sofrimento da perda após situações
de doença incurável, com as quais trabalho também, propus-me conhecer
o que pensam os cidadãos da região onde trabalho, sobre os cuidados que
se prestam no contexto em que vivem, ao doente /família que vivenciam a
doença incurável em fase avançada e terminal, assim como, se, perante o
que consideram existir, os cidadãos sentem como uma necessidade a implementação dos Cuidados Paliativos na Região. O estudo teve como objectivo
geral, analisar a pertinência de estruturas especializadas na prestação de
cuidados específicos á Pessoa com doença incurável, progressiva em fase
avançada ou terminal e sua família, com base nas opiniões e vivências dos
cidadãos.
É um estudo de natureza quantitativa, com base numa pesquisa descritiva
de raciocínio dedutivo, cuja finalidade foi observar, descrever e classificar, as
respostas ao instrumento de colheita de dados, o inquérito por questionário.
Este foi constituído por perguntas de resposta fechada e perguntas de resposta aberta, as quais, foram categorizadas a posteriori. O conteúdo foi sujeito a uma análise categorial temática. E, os dados foram trabalhados em
Access e Folha de Excel.
A população alvo foi constituída por todos os cidadãos. Uma vez que, de
acordo com os objectivos do estudo, todos os cidadãos podem opinar ou ter
tido qualquer tipo de vivência, no que respeita ao tipo de cuidados a que o
11 a 13 Outubro 2006 Seminário de Vilar Casa Diocesana Porto
13
estudo se reporta. E, apesar de terem sido distribuídos 600 questionários a
amostra (não probabilística acidental) foi de 194 participantes.
Os resultados do estudo, demonstram que para além da necessidade de
continuar a investir na divulgação da filosofia dos Cuidados Paliativos, os participantes de uma forma geral, consideram que o binómio “doente terminal
/família”, não auferem de cuidados adequados à fase da vida que vivenciam,
assim como, evidenciam a necessidade de preparação dos cuidadores profissionais ou não, para cuidar no processo de morrer por doença incurável e
progressiva, apontando de forma relevante a necessidade e pertinência do
investimento na implementação dos cuidados paliativos.
CL 27
Projecto para a criação de uma Equipa de
Suporte Hospitalar em Cuidados Paliativos no
Hospital Garcia de Orta, EPE
Fernanda Monteiro, Helena Mira, Paula Gomes, Hosp. Garcia de Orta
Apesar de legalmente reconhecidos, os Cuidados Paliativos são ainda uma
utopia em muitas das nossas instituições. No Hospital Garcia de Orta, EPE
não existe Equipa de Suporte em Cuidados Paliativos e desconhece-se a
existência de projectos em desenvolvimento neste âmbito.
Por se considerar premente a instituição de medidas paliativas eficazes e
fundamentadas e dado o défice de profissionais qualificados para a prática
de cuidados paliativos e tendo presente que a complexidade dos doentes
em fim de vida e suas famílias exigem uma abordagem multidisciplinar e
organizada dos profissionais de saúde, bem como a articulação com outro
tipo de recursos da comunidade, entende-se que a criação de uma Equipa
de Suporte Hospitalar pode centralizar os recursos apoiando as equipas de
referência dos diferentes serviços hospitalares.
De acordo com as directivas fornecidas pelo Plano Nacional de Cuidados
Paliativos, diagnosticou-se quais os serviços considerados como prioridade
para a criação de formas e modelos estruturados de prestação de cuidados
paliativos.
De acordo com a estimativa e em função do número de óbitos do Hospital
Garcia de Orta, EPE, pressupõe-se que 601 doentes necessitaram de cuidados paliativos no ano de 2005. Apesar do diagnóstico não determinar a
necessidade de cuidados paliativos mas sim a complexidade das situações,
recorreu-se à codificação ICD.9.CM dos doentes internados, para estimar
quais os códigos que poderiam identificar/traduzir doentes com necessidades
de cuidados paliativos.
No Serviço de Hematoncologia registou-se um total de 514 admissões, sendo
que 269 foram codificadas como neoplasias metastizadas. O número efectivo de doentes com neoplasia metastizada, foi de 154, verificando-se 115
reinternamentos. De forma muito superficial, já que outros códigos poderiam
traduzir necessidades de cuidados paliativos, identifica-se um total de 163
doentes com esta necessidade. Já no Serviço de Pneumologia, registou-se
um total de 621 admissões sendo que 77 foram codificadas como neoplasias
metastizadas. O número efectivo de doentes com neoplasia metastizada foi
de 61, verificando-se 16 reinternamentos. Obteve-se um número de 162
doentes codificados como potenciais alvos de cuidados paliativos.
Em ambos os serviços as estimativas estão aquém da realidade. Inicialmente,
estes sugeriam que o Serviço de Hematoncologia teria mais doentes com
necessidades de cuidados paliativos, no entanto e perante alguma codificação comum, os valores aproximaram-se no que se refere ao número de
doentes., justificando-se na fase experimental de implementação do projecto
a resposta efectiva aos dois serviços.
Como Missão da Equipa de Suporte Hospitalar em Cuidados Paliativos do
Hospital Garcia de Orta, EPE, temos: garantir a prestação de cuidados paliativos de qualidade às pessoas com doença grave, avançada e incurável, bem
como aos seus familiares, de modo a acederem a cuidados de saúde dignos
e humanizados promovendo a melhor qualidade de vida possível.
De acordo com os objectivos da Instituição, do Plano Nacional de Cuidados
Paliativos (2004) e atendendo às Recomendações da Associação Nacional de
Cuidados Paliativos (2006) delinearam-se, como objectivos desta Equipa:
14
III CONGRESSO NACIONAL DE CUIDADOS PALIATIVOS
- Prestar aconselhamento diferenciado, de qualidade, em tempo útil e com
eficiência num ambiente humanizado aos doentes do Hospital Garcia de Orta,
EPE;
- Orientar no plano individual de intervenção os doentes complexos em fase
avançada/terminal e suas famílias, nomeadamente no âmbito:
- Controlo de sintomas,
- Apoio psicológico, espiritual e emocional;
- Apoio no luto.
- Desenvolver estratégias de formação em Cuidados Paliativos;
- Desenvolver capacidades de comunicação entre doente/família/
profissionais;
- Promover a articulação interdisciplinar.
Após definida a missão e objectivos da equipa a desenvolver, abordou-se a
estrutura organizacional desejável, e simultaneamente possível, de acordo
com os recursos humanos, materiais e económicos. Em seguida foram planeadas estratégias de implementação do projecto de modo a que se tornasse
possível a operacionalização do mesmo.
Palavras-Chave: Cuidados Paliativos, Equipa de Suporte Hospitalar em Cuidados Paliativos.
CL 28
Estudo comparativo da prestação de cuidados
em doentes nos últimos dias de vida num
hospital terciário e numa unidade de cuidados
paliativos
Rui Carneiro, Isabel Barbedo, Isabel Costa*, Ernestina Reis, Nelson Rocha,
Edna Gonçalves*
Medicina Interna, Hospital Geral de Santo António, EPE, *Instituto Português
de Oncologia do Porto, EPE
Introdução: A alteração do paradigma da morte aliada ao aumento da esperança de vida e da incidência de doenças crónicas, oncológicas ou não, dita
que dois terços dos óbitos ocorram em hospitais.
Embora não se possa fazer uma directa extrapolação do modelo oncológico
para outras doenças crónicas avançadas, existe um conjunto de problemas principais na fase terminal que poderão, uma vez detectadas, ter uma
abordagem similar. Estratégias inapropriadas podem levar a sofrimento
desnecessário (e eventualmente, à distanásia).
Objectivos: Avaliação da complexidade sintomática de doentes terminais e
comparação da estruturação de cuidados numa enfermaria geral de Medicina
Interna de um hospital geral que não dispõe de metodologia de prestação
de cuidados sintomáticos e de uma Unidade de Cuidados Paliativos de um
hospital oncológico.
Material e Métodos: Estudo retrospectivo, reportando-se ao ano de 2005, de
revisão de 48 doentes falecidos por patologia crónica avançada numa enfermaria de Medicina Interna com o mesmo número de óbitos de uma Unidade
de Cuidados Paliativos Oncológicos. Foram avaliados os dados demográficos
e da morbilidade presente, feita a caracterização sintomática dos doentes e
da estratégia dirigida, nos últimos 5 dias de vida, ao controlo sintomático,
bem como à atenção dada às necessidades psico-espirituais e familiares.
Resultados e Discussão: Em populações de doentes com características
demográficas pouco díspares foi possível documentar o uso sistemático do
padrão de actuação dirigido ao doente agudo na enfermaria de Medicina
mesmo quando a situação era manifestamente crónica avançada, com registos dependentes da sensibilidade de observador e não sistematizados nem
periodicamente reavaliados; tardiamente e geralmente de forma apenas implícita nos dados médicos e de enfermagem se identificou agonia, e é ainda
numa minoria destes casos que houve tentativa de simplificação terapêutica,
sendo ainda seguido o modelo de garantir acessos endovenoso, nasogástricos, manutenção ou inicio de antibioticoterapia. Modalidades de identificação
dos problemas eram padronizados na Unidade de Cuidados Paliativos, sendo
igualmente a dor, a fadiga e os problemas gastrointestinais a dominar as
queixas principais com especial realce para a ponderação de inicio de terapêutica que possa ser encarada como fútil e o maior cuidado em registar
necessidades psico-espiriturais de doentes e familiares.
Conclusão: Doentes terminais apresentam, independentemente da natureza
do processo mórbido, um leque comum de problemas principais, passíveis de
serem sistematicamente elencados e abordados com conjunto de princípios
farmacológicos pouco invasivos e eficazes, com especial ênfase no alívio do
sofrimento psíquico e familiar. Sistemas de Saúde devem investir em apresentar cuidados de excelência no que concerne a orientação de situações
crónicas avançadas, por forma a adequar a estratégia de cuidados, tornando
a morte mais digna e a facilitar os processos de luto.
CL 29
O Serviço Social na Equipa de Cuidados
Paliativos
Sónia Maria Cordeiro Ricardo Lopes, Assistente Social, Responsável Técnica
pelo Centro Dia e Serviço de Apoio Domiciliário; Jorge Maria Soares Lopes
de Carvalho, Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Azeitão
O Assistente Social tem como instrumento de trabalho privilegiado a EMPATIA
– estar nos pés do outro sem calçar os seus sapatos, conhecer o Outro sem
estabelecer juízos de valor, procurando uma perspectiva Global do indivíduo.
Neste contexto, o Assistente Social poderá ser uma mais valia na Equipa
de Cuidados Paliativos. Com a sua formação específica poderá contribuir,
desempenhando as seguintes funções:
- Mediador proactivo – Elabora um Plano de Acção com o Doente, tendo
em conta a realidade do Doente, Familiares, Cuidadores e os Recursos Existentes.
- Integrador de Cuidados – Enquadramento em Equipa Multidisciplinar
- Procurar Qualidade de Vida e Cidadania – Informar sobre os Direitos e Deveres do Doente, Familiares, Cuidadores
- Gestor de Cuidados Sociais – Informar as diferentes opções disponíveis e
apoiar as escolhas do Doente e Família
O acolhimento do doente e família determina a qualidade das funções
desempenhadas.
No terreno, o Assistente Social encontra limitações ao desempenho efectivo
das suas funções. Os recursos existentes na comunidade manifestam-se inadequados e insuficientes para as necessidades de um doente em situação
de doença crónica progressiva e incurável.
Paradigma desta situação: Idosa, viúva, com 68 anos de idade, diagnóstico
de neoplasia do pulmão com prescrição de tratamentos de quimioterapia. A
única filha, divorciada, com 40 anos, e diagnóstico de neoplasia da mama,
tem um filho portador de Trissomia 21, com 4 anos. A filha encontra-se também a fazer tratamentos. A idosa aufere a pensão do Regime Geral e a filha
encontra-se desempregada. A idosa já teve alta hospitalar tendo sido pedido
à filha a responsabilidade de cuidar da mãe. Foi atribuído a isenção das Taxas
Moderadoras e Complemento por Dependência. A filha desabafou – O Assistente Social está lá para libertar a cama.»
O Programa Nacional de Cuidados Paliativos está orientado para o bem-estar
do doente e seus familiares, salientando o inventariar das necessidades do
doente e a procura das respostas adequadas.
No terreno o Serviço Social, encontra as seguintes limitações para o seu
desempenho:
- Recursos Materiais e Financeiros Insuficientes
- Recursos Humanos escassos e/ou sem formação na área dos Cuidados
Paliativos
- Respostas Institucionais desadequadas e em número reduzido
A Santa Casa da Misericórdia de Azeitão integra na sua actividade uma Equipa de Cuidados Paliativos, multidisciplinar.
Áreas Profissionais Presentes na Equipa de Cuidados Paliativos:
- Medicina
- Enfermagem
- Fisioterapia,
- Psicologia,
- Serviço Social
- Ajudantes Familiares e de Centro Dia
A equipa recebe Formação na área dos Cuidados Paliativos, quinzenalmente.
A actividade da equipa é enriquecida pelo apoio dos Familiares, Voluntários
e Guia Espiritual.
A Equipa de Cuidados Paliativos tem parcerias com as Entidades Oficiais e
Privadas.
Funções do Serviço Social na Equipa de Cuidados Paliativos:
- Estabelecer Plano de Acção com os utentes e seus familiares
- Acompanha a evolução social dos casos, nomeadamente em situação de
luto
- Coordenar as tarefas das Ajudantes Familiares e de Centro Dia
- Articula com os Parceiros da Comunidade, para aferir recursos
- Coordena o Banco de Ajudas Técnicas
Caso Prático: Idosa, viúva, com 80 anos, foi-lhe diagnosticado neoplasia no
intestino, na altura do diagnóstico apresentava estado avançado de demência, deslocava-se de cadeira de rodas e necessitava do apoio de terceiros
para todas as actividades de vida diária. Perante este quadro a filha decide
integrar a mãe em lar lucrativo. Passado 6 meses, a idosa foi transferida
para o Centro de Dia da Misericórdia, tendo sido estabelecido o Plano de
Acção seguinte: Transporte, Alimentação, Higiene Pessoal, Apoio Médico e
de Enfermagem, Fisioterapia, ao final da tarde e durante a noite os cuidados
eram assegurados pelos familiares e voluntários. Decorreram 3 anos com
esta tipologia de apoio. Com a evolução do estado clínico, a idosa entrou em
estado agónico e durante duas semanas esteve recolhida no seu domicílio,
com o apoio da Equipa de Cuidados Paliativos. Faleceu no domicílio com
controlo sintomático, apoio familiar, dos profissionais e voluntários. Foram
feitas visitas domiciliárias aos familiares após o óbito, numa dessas visitas a
filha disponibilizou-se para ser voluntária da Misericórdia.»
O Assistente Social da Misericórdia faz um percurso com o doente e seus
familiares. Deve contribuir para o Aumento do Controlo da Vida do doente.
CL 30
O processo de tomada de decisão em cuidados
paliativos: a propósito de um caso
Carla Sousa, Elisabete Francisco , Maria João Lopes, Manuel Ferreira, Paula
Carneiro, Casa de Saúde das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de
Jesus
Objectivos: Com a apresentação desta comunicação pretendemos:
- Reflectir sobre o processo de tomada de decisão
- Aprofundar os pressupostos no processo de tomada de decisão em cuidados paliativos
- Realçar algumas questões éticas inerentes aos cuidados paliativos
- Promover o diálogo e a partilha de experiências dos presentes
Resumo: A salvaguarda e o respeito inalienável pela pessoa, sobretudo quando esta se encontra em circunstâncias de grande vulnerabilidade, exigem
um processo de tomada de decisão configurado por critérios e valores que
promovam e protejam sempre a dignidade da vida.
Os cuidados paliativos ao serem entendidos, como cuidados totais e activos
aos doentes com doença crónica e suas famílias, progressiva e incurável
(OMS), tocam áreas de intervenção muito frágeis, onde como profissionais
de saúde nos questionamos sobre algumas o melhor bem a promover, o que
salvaguardar, qual o tratamento ou tratamentos a continuar, quais suspender,
quando e em que circunstâncias no cuidado à pessoa.
O afirmar o valor da vida e o lidar com o processo de morte como um processo natural implica reflectir e agir à luz da Bioética principalista baseada
em quatro grandes princípios: autonomia, beneficência, não-maleficência e
justiça. Os valores principais em causa são o respeito pela vida humana na
sua totalidade e integridade, onde a pessoa é reconhecida como fim em si
mesma (autonomia) e a promoção do melhor bem (beneficência), uma responsabilidade individual e de todos. O processo de tomada de decisão em
cuidados paliativos deverá ser sempre um processo reflectido, dinâmico, participativo e envolvente (doente, família, equipa). Para além deste pressupostos inerentes a qualquer processo de tomada de decisão, o controlo da dor
e outros sintomas, a diminuição do sofrimento por problemas psicológicos,
sociais e espirituais, a comunicação (doente e família) e o trabalho em equipa
interdisciplinar são também critérios que deverão ser tidos em conta.
11 a 13 Outubro 2006 Seminário de Vilar Casa Diocesana Porto
15
O processo de tomada de decisão à luz de princípios bioéticos é apenas, entre
outros, um tipo de metodologia de resolução de problemas. A resolução de
problemas exige uma apreciação cuidadosa de todos os aspectos relevantes, implica uma reflexão sobre os meios alternativos de acção e sobre os
resultados prováveis e ainda sobre o tipo de razões que podem ser dadas
para justificar um determinado plano de acção. Este processo assenta num
constante questionamento de princípios, valores, deveres, crenças, saberes e
obrigações, o que o torna dinâmico e adaptado às diferentes circunstâncias
da vida humana.
Gandara ( 2004) desenvolve o processo de tomada de decisão em quatro
etapas: avaliação inicial, planificação, execução e avaliação da decisão. O primeiro passo é de suma importância no âmbito dos cuidados paliativos. Exige
rigor na apreciação e avaliação do doente e da sua história, conhecimento
das características da doença e do impacte desta no processo de tomada
de decisão. Weissman (2004) salienta alguns aspectos a ter em conta na
avaliação inicial como seja o diagnóstico, o prognóstico, a cormobilidade, a
resposta prévia ao tratamento, o papel na família, a capacidade funcional do
doente, a idade, a fase do ciclo da vida, os custos do tratamento, etc. Salientando que os cuidados paliativos visam sobretudo a prevenção e o alivio
do sofrimento causado pelos sintomas, existem algumas intervenções que
numa determinada fase da doença são proporcionais e noutra deixam de o
ser. Daí que, alguns dilemas éticos se colocam, nomeadamente, o problema
de continuar ou suspender algumas intervenções, quando e em que circunstâncias.
A propósito de um doente que tivemos o privilégio de acompanhar nos últimos dias da sua vida na Unidade de Cuidados Paliativos da Idanha o qual
suscitou em nós o aprofundamento de conhecimentos e reflexão em equipa
acerca do processo de decisão e algumas questões éticas subjacentes. Neste
momento gostaríamos de partilhar o que foi oportunidade de consulta e aprofundamento através do diálogo e discussão com os presentes.
Conclusão: O processo de tomada de decisão em cuidados paliativos é um
imperativo ético da acção e compromisso de todo o profissional de saúde na
salvaguarda e promoção da vida humana em qualquer circunstância. Deverá
ser sempre dinâmico, participativo, envolvendo o doente, família e equipa,
tendo sempre como pressupostos as bases de intervenção subjacentes aos
cuidados paliativos. Na busca do melhor para o doente e família não há certezas, mas há um caminho de reflexão e acção que todos, os que estamos
envolvidos nesta área de intervenção, como outras, estamos chamados a
percorrer com competência, humanismo e criatividade.
Bibliografia:
GONÇALVES, Ferraz, Controlo de sintomas no cancro avançado, Fundação
Calouste Gulbenkian, 2002.
CONSEJO PONTIFÍCIO PARA LA PASTORAL DE LA SALUD, Cuidados Paliativos, Palabra, 2006.
AZPITARTE, Eduardo, Ética e Vida – desafios actuales, Ediciones Paulinas,
1990.
PEREIRA, Maria da Graça, et al, O Doente Oncológico e sua família, Climepsi
Editores, 2005.
SERRÃO, Daniel, et al, Ética em cuidados de Saúde, Porto Editora, 2000.
CL 31
A Importância da despistagem precoce
de factores de risco sociais em Cuidados
Paliativos – Estudo piloto
Carla Reigada, Aluna do 5º ano de Trabalho Social da UTAD ; Edna
Gonçalves, Médica do Serviço Cuidados Paliativos do IPO – Porto ;
Esperança Silva, Assistente Social do IPO – Porto, Serviço de Cuidados
Paliativos do IPO – Porto, E.P.E.
Objectivos: Avaliar a importância da detecção precoce (“rastreio”) das necessidades sociais de doentes seguidos num serviço de Cuidados Paliativos e
seus familiares / cuidadores.
Material e Métodos: Entrevista estruturada e questionário assente em indicadores sociais, a 102 doentes e/ou familiares de doentes consecutivos
16
III CONGRESSO NACIONAL DE CUIDADOS PALIATIVOS
observados no Serviço de Cuidados Paliativos do IPO – Porto (SCP) de 1/1
a 21/4/2006 e nunca avaliados pelo Serviço Social (41 doentes internados
no Serviço, 45 da consulta externa e 16 seguidos pela equipa de assistência
domiciliária).
Resultados: Com idades compreendidas entre os 61 e os 80 anos, 52 doentes
eram do sexo feminino e 50 do masculino, residindo a maioria no distrito DO
Porto. 38% apresentavam elevado grau de dependência. O agregado familiar
tinha em média 2 pessoas e na maioria dos casos o rendimento provinha
exclusivamente de uma pensão social ou reforma baixa. Dos 16 doentes seguidos pela equipa de assistência domiciliária, 2 não tinham cuidador primário
e em 5 casos o cuidador era uma pessoa idosa.
85 dos 102 casos estudados apresentaram indicadores sociais considerados
de risco: 28,2% dos casos “sem suporte social”; 16,5% “sem suporte social
e económico” e 10,6% “vive só com um familiar idoso”.
Conclusões: Embora o número de casos avaliados seja pequeno e os doentes
residam todas na mesma área geográfica, este estudo sugere que o despiste
precoce (“rastreio”) de factores de risco social possa ser um importante instrumento na melhoria da qualidade de vida dos doentes seguidos em Cuidados paliativos ao contribuir para o planeamento e intervenção precoce no
suporte social e sócio-económico dos doentes e família.
CL 32
O que aprendi em St. Cristopher’s Hospice
Ângela Sofia Lopes Simões, Hosp. Amato Lusitano
CL 33
Oclusão Intestinal no Doente Paliativo
Ricardo Rodrigues (**); Ana Rodrigues (*); Aida Santos (**), Raquel Marques
(**); (*) Enfermeira(o) Graduada(o) – Unidade de Doentes Neutropénicos
- H.S. João, E.P.E. –Porto, (**) Enfermeira Graduada – Unidade Polivalente
do Hospital de Dia – H.S. João, E.P.E. – Porto
Introdução: A oclusão Intestinal (OI) é uma complicação frequente no doente
paliativo em progressão, sobretudo nos doentes com neoplasias abdominais
e pélvicas, sabendo-se que a sua incidência pode ir de 3 a 15% em doentes
tratados em Unidades de Cuidados Paliativos. A OI é causada por uma obstrução do lúmen intestinal ou pela perda da sua propulsão normal que impede ou atrasa o trânsito GASTROINTESTINAL.
Metodologia/Objectivos: Com este trabalho expositivo, temos como O OBJECTIVO mostrar que na OI, mesmo quando seguidos em cuidados paliativos, os
doentes podem beneficiar de várias atitudes terapêuticas: desde o conforto
ao alívio completo de alguns sintomas.
Desenvolvimento: A OI subentende a não progressão do conteúdo gastrointestinal ao longo do tubo digestivo, quer por obstrução do lúmen, quer por
ausência da sua propulsão, podendo qualquer nível estar envolvido, desde
a porção gastroduodenal até ao ânus. Nos doentes paliativos a sua instalação pode ser lenta e progressiva; pode surgir sob a forma de distensão e
dores abdominais, quadro de obstipação alternado com diarreia, náuseas e
vómitos.
Conclusão: Perante a suspeita de OI, o RX abdominal simples (de pé ou tangencial) é o exame de eleição, de simples realização e não invasivo.
Em qualquer doente com cancro avançado e oclusão intestinal è importante
considerar se a cirurgia è tecnicamente possível e de que forma o doente vai
beneficiar da mesma. O beneficio da cirurgia é definido como uma sobrevida
de pelo menos 60 dias após a cirurgia; no entanto, esta definiação deve
contemplar o bem estar do doente, o alívio da obstrução e a possibilidade de
o doente regressar a casa.
Bibliografia:
- Baines M. Medical management of intestinal obstruction. Bailliére´s Clinical
Oncology
- steiner n. Controle des symptômes en soins palliatifs: l´iléus terminal. med
et hyg 1182-92
RESUMOS
POSTERS
12 OUTUBRO 2006 | 5ª FEIRA
14.00-14.30h
P1
Resumo do poster da equipa intra hospitalar
do Hospital de Santa Maria
Purificação Gandra, Amélia Matos, Emília Fradique - Hospital de Santa Maria
De acordo com a O.M.S, os cuidados paliativos visam melhorar a qualidade de
vida dos doentes com doenças graves e/ou incuráveis, e suas famílias, através
da prevenção e alívio do sofrimento, com recurso à identificação precoce, avaliação adequada e tratamento rigoroso dos problemas físicos, psicossociais e
espirituais presentes. São cuidados totais e activos prestados por uma equipa
interdisciplinar, com formação específica e com treino adequado.
Assim, o Conselho de Administração do H.S.M. deliberou a constituição de uma
equipa intra hospitalar de suporte em cuidados paliativos visando a obtenção
da melhor qualidade de vida possível para os doentes e suas famílias.
A equipa é constituída por médico, enfermeiro, assistente social, psicólogo e
outros colaboradores com formação específica e diferenciada em Cuidados
Paliativos, com espaço próprio para a coordenação das suas actividades.
O nosso objectivo é prestar apoio global, técnico, humanizado e interdisciplinar
ao doente paliativo e sua família, nos domínios físico, psicológico, espiritual e
social no processo de doença avançada e no luto. Através da realização de:
. Apoio assistencial, sob a forma de Consulta Interna, Consulta Externa e
acompanhamento telefónico ao doente/família.
. Assessoria a outros profissionais.
. Formação interna e externa a vários grupos profissionais.
. Actividades na área da investigação.
O projecto encontra-se em fase final de implementação, estando previsto o
início de funções da equipa de suporte intra – hospitalar de cuidados paliativos
para o último trimestre de 2006.
P2
Há um limite para a cura… não para os cuidados
Ana Luísa Andrade Graça, IPO – Lisboa; Estela Laurinda Roldão Cancela,
Hosp. Sto Antº dos Capuchos
Subtítulo: Abordagem ao controlo de sintomas
Nas pessoas com doença avançada, incurável, progressiva e sem resposta à
terapêutica curativa, torna-se fundamental e imperioso proporcionar a máxima
qualidade de vida possível.
Os cuidados paliativos vêm dar resposta a esta necessidade, assentando
obrigatoriamente nos pilares da comunicação entre a equipa multidisciplinar e
o doente e família. Estes cuidados englobam o controlo de sintomas, o apoio
à família e quebra da conspiração do silêncio, e ainda a preparação para a
morte/apoio no luto. É primordial que os profissionais de saúde em cuidados
paliativos apostem no conhecimento, identificação e controlo precoce da sintomatologia que mais incomoda os doentes paliativos.
Proporcionar ao doente um adequado controlo de sintomas é imprescindível
por parte da equipa, de forma a minimizar o sofrimento deste e da sua família.
Alguns dos principais sintomas presentes nos doentes paliativos são a dor,
fadiga, dispneia, obstipação, confusão mental, anorexia, ansiedade e agitação,
bem como náuseas e vómitos.
Focalizando-nos no controlo de sintomas, pretendemos, através de um poster,
fazer uma abordagem ao controlo de sintomas presentes no doente em cuidados paliativos.
Os principais objectivos do nosso poster são:
- Expor alguns dos principais sintomas presentes nos doentes em cuidados
paliativos;
- Abordar cada sintoma, de forma sintética, estabelecendo uma ligação entre
estes e os cuidados de enfermagem inerentes;
- Evidenciar a importância do controlo precoce dos sintomas, permitindo pro-
porcionar ao doente maior conforto e melhor qualidade de vida.
A metodologia adoptada para a elaboração deste poster baseia-se na evidência científica recente, no que concerne ao controlo de sintomas, e na nossa
prática diária hospitalar.
Esperamos que este poster exponha, de forma clara e apelativa, a temática em
questão, e contribua para a melhoria da prestação de cuidados aos doentes
paliativos, bem como para uma melhor qualidade de vida.
P3
Experiência de coordenação entre um serviço de
oncologia e uma unidade de cuidados paliativos
J. Planas, G. Colomar, C. Farriols, J. Albanell, UFIS de Cuidados Paliativos,
Serviço de Oncologia Médica. Hospital del Mar. IMAS. Barcelona
Introdução: Os doentes com cancro avançado internados num serviço de oncologia requerem uma equipa de suporte específico em cuidados paliativos
(UFIS) para conseguir uma adequada orientação consoante os cuidados de
saúde que necessitem. Apresentamos a experiência de coordenação entre
uma equipa de suporte hospitalar (UFIS) e a Unidade de Cuidados Paliativos
(UCP) do mesmo hospital, para conseguir uma correcta adequação dos cuidados e destino dos doentes.
Objectivos: Mostrar um modelo de coordenação de uma UFIS hospitalar num
Serviço de Oncología. Descrever a actividade da UFIS baseada no modelo de
actuação, entre Janeiro de 2003 e Junho de 2006.
Material e métodos: Desde 2003 a UFIS de Cuidados Paliativos efectuou 457
consultas do Serviço de Oncologia. Os doentes têm sido avaliados por um
médico e um enfermeiro de Cuidados Paliativos e, se necessário, por um assistente social. Realizou-se uma avaliação global de cada caso, analisando
os sintomas físicos e emocionais e definiram-se os recursos hospitalares em
função da avaliação. No quadro seguinte expomos os parâmetros avaliados e
os resultados mais relevantes.
Conclusões: A UFIS de Cuidados Paliativos constitui um bom recurso para a
detecção e gestão de casos de Cuidados Paliativos num Serviço de Oncologia
hospitalar.
RESULTADOS
Pedidos
Idade Doentes
Mulheres
Homens
Neo pulmão
Neo colon/recto
Neo mama
Outras neoplasias
Nº días admissão/
/consulta
Intervalo pedido/
/avaliação
Días avaliação/
/alta
Alta p/ UCP
Alta p/ domicilio
Falecidos hospital
Outros destinos
2003
2004
2005
2006
TOTAL
1ºsemestre
(%)
123
66,75
41
82
41
20
13
49
128
67,8
46
82
42
15
15
56
141
67,05
58
83
44
15
18
72
65
69,26
19
46
24
6
7
35
457
67,71
164 (35,9)
293 (64,1)
151 (33,1)
56 (12,2)
53 (11,6)
197 (43,1)
14,36
14,64
14,31
9,88
13,3
1,5
1,37
1,47
1,53
1,47
5,97
6,67
6
4,64
5,82
80
16
19
8
74
21
27
6
83
28
28
2
41
12
12
0
278 (60,9)
77 (16,8)
86 (18,8)
16 (3,5)
11 a 13 Outubro 2006 Seminário de Vilar Casa Diocesana Porto
17
P4
P6
O Papel da Equipa de Cuidados Paliativos
no Apoio ao Luto
Hipodermoclise - Na perda da via oral, a resposta
mais confortável
Ana Ribeiro, Psicóloga, pós-graduada em Cuidados Paliativos, Centro de atendimento a toxicodependentes de Castelo Br ; Neuza Martins, Enfermeira,
pós-graduada em Cuidados Paliativos, Hosp. Amato Lusitano
A morte, sendo uma das certezas absolutas que um ser humano possui, é
para além de um acontecimento biológico, um acontecimento psíquico.
Perder alguém querido é uma situação causadora de grande sofrimento,
havendo todo um processo de luto que deve ser vivido e que é parte inevitável da vida de uma pessoa. Trata-se de um processo pessoal, normal e
dinâmico, que ocorre em resposta a qualquer tipo de perda (física ou simbólica) e durante o qual é possível assistir a diversas reacções emocionais,
físicas, cognitivas, espirituais e sociais. Neste percurso, a pessoa procura
adaptar-se à morte e perda do ente querido. Estando associado a um período
de sofrimento intenso para a maioria das pessoas, para outras torna-se um
risco para problemas físicos e mentais.
Para além do controlo de sintomas, é igualmente importante a disponibilidade
de uma equipa multidisciplinar de Cuidados Paliativos capaz de acolher e dar
resposta a todo o sofrimento do doente e familiares, sendo que a estes o
cuidado deve estender-se para além da morte, ou seja, no processo de luto.
É apresentado em formato de “poster” as fases normalmente vivenciadas
pela pessoa que atravessa o processo de luto, e o papel da equipa de Cuidados Paliativos, que não termina aquando da morte do doente, estendendo-se
ao processo de luto.
O objectivo das autoras é captar a atenção dos profissionais de saúde para o
facto de os cuidados prestados nunca serão integrais se não estiver presente
todo um suporte aos múltiplos lutos que doente e família vão vivenciando
durante toda a experiência de doença crónica, avançada e progressiva. E este
apoio marca a diferença na qualidade dos cuidados prestados.
Helena Silva, José Paulo Almeida, Lina Andrade, Maria de Deus Ferro,
Nadine Pironet, Enfermeiros do Centro de Saúde de Ponta Delgada
A manutenção do estado de hidratação, apresenta-se como um factor fundamental, na permanência do conforto físico e prevenção de situações geradoras de sofrimento.
O objectivo do trabalho ao qual nos propomos é:
- Enfatizar as vantagens da utilização da via subcutânea, para hidratação, em
situação de indisponibilidade ou dificuldade de utilização da via oral.
Como profissionais de saúde deparamo-nos muitas vezes com situações de
dificuldade ou impossibilidade de hidratação por via oral. Na nossa prática
comum recorre-se à hidratação por via entérica ou endovenosa, sendo estas,
técnicas invasivas, dolorosas pouco práticas e que muitas vezes implicam
hospitalização. Pelo que sentimos necessidade de realçar a utilização da via
subcutânea para hidratação, como promotora de maior conforto e menores
riscos.
Ficamos mais sensibilizados para esta forma de hidratação após a frequência
do curso de Pós Graduação em Cuidados Paliativos realizado em Ponta Delgada, entre Abril e Julho do corrente ano. Assim, consideramos pertinente a
exploração deste tema uma vez que a hipodermoclise é uma prática pouco
divulgada no nosso contexto de trabalho
Propomo-nos então apresentar no III Congresso Nacional de Cuidados Paliativos, um trabalho em forma de poster, elaborado com base em pesquisa
bibliográfica e na experiência prática, tendo em atenção os aspectos éticos,
salvaguardados através do consentimento informado.
P5
A vida depois da Morte
Cláudia Pinhão, Cristina Costa, Maria Manuel Pinto, Naír Gonçalves, Sónia
Andrade, IPOLFG, E.P.E, alunas do Mestrado em Cuidados Paliativos, 3ª
edição
Objectivo: 1. Integrar a intervenção de enfermagem no processo de luto
Resumo: A vida depois da morte … vivida na pessoa que fica, é um caminho
que atravessa várias fases e durante o qual terão de ser cumpridas várias
tarefas para levar a cabo aquilo que é definido como processo de luto.
Evidenciam-se teóricos como Twycross na definição de fases do luto (1.
Entorpecimento; 2. Separação; 3. Desespero; 4. Reorganização) e Worden na
enunciação de tarefas do processo de luto ( 1. Aceitar a realidade da perda;
2. Aceitar o luto como doloroso; 3. Adaptar-se à vida sem a pessoa falecida;
4. Reconduzir a energia emocional investida na relação com o falecido para
outras relações.). A SECPAL, patenteia como intervenções de enfermagem
(1. Aumentar a realidade da perda; 2. Ajudar a expressar sentimentos; 3.
Ajudar na readaptação após a perda; 4. Promover o “dizer adeus” e sentir-se
confortável na nova situação). As tarefas do luto, decorrem directamente das
fases deste e as intervenções de enfermagem têm como objectivo promover
um percurso em que as emoções são vivenciadas de forma saudável, para a
concretização deste mesmo processo.
Bibliografia:
ALBOM, M. – As Terças com Morrie. Cascais, Sinais de Fogo, 1999, 222 p.
DOYLE, D., HANKS, G.W.C., MACDONALD, N., Oxford Textbook of Paliative
Medicine, 2.ª Edição, Oxford Medical Publications, Nova Iorque, 1998.
SOCIEDADE ESPANHOLA DE CUIDADOS PALIATIVOS - Guia de Cuidados Paliativos. Em www.secpal.com
TWYCROSS, R. – Cuidados Paliativos. 2ª edição, Lisboa, Climepsi Editores,
2003, 207 p.
WORDEN, J.William – Grief Conseling and Grief Therapy. Springer Publishing,
2002, 232 p. Em http://books.google.com
18
III CONGRESSO NACIONAL DE CUIDADOS PALIATIVOS
P7
Mitos dos Profissionais de Enfermagem sobre
o uso da Morfina
Raquel Flores, Hosp. Fernando da Fonseca; Patrícia Almeida - Hosp. S.
Bernardo
O alívio da dor constitui um direito e um dever dos profissionais de saúde.
A morfina é o opiáceo de eleição no seu controlo e tratamento, no entanto
a existência de ideias erróneas pré-concebidas, constitui uma das maiores
limitações ao seu recurso.
O estudo que aqui apresentamos, foi realizado no âmbito do 4º ano do Curso
de Licenciatura em Enfermagem (estudo de investigação), pela Escola Superior de Enfermagem S. Francisco das Misericórdias, sob a orientação do
Mestre Manuel Luis Capelas, no ano de 2005. Trata-se de um estudo do tipo
descritivo-exploratório, transversal e prospectivo com abordagem quantitativa. Tem como objectivo identificar, descrever e comparar os mitos sobre a
morfina, dos enfermeiros de oito hospitais de Lisboa, mediante a influência
das variáveis independentes. Considerando-se as variáveis dependentes, os
mitos sobre o uso de morfina; as independentes o grau académico, experiência profissional e serviço; as atributo o género e idade.
A amostra é constituída por 465 enfermeiros implicados directamente na
prestação de cuidados em serviços de cirurgia geral e medicina interna (excluindo-se as especialidades médicas e cirúrgicas).
A colheita de dados foi efectuada através de questionário, por nós elaborado,
testado através de pré-teste, sendo constituído por 28 afirmações de resposta dicotómica.
Dos sujeitos inquiridos, conclui-se que:
-25% apresentam mitos para 14 das afirmações apresentadas;
-a prevalência de mitos diminui com o aumento do grau académico e da
experiência profissional;
-o serviço, não é factor determinante na prevalência de mitos.
A necessidade de minimizar/ erradicar mitos secundários ao déficit de informação/ conhecimento, singem-se à emergência do controlo sintomático e
promoção da qualidade de vida dos doentes e família.
P8
Dor total
Cláudia Gonçalves, Serviço de Gastrenterologia do CHCB, EPE e Pós
Graduada em Cuidados Paliativos; Ricardo Serra, Enfermeiro no Serviço de
Medicina Mulheres do Hospital Dr. José Maria Grande e Pós Graduado em
Cuidados Paliativos; Sara Repas, Enfermeira no Serviço de Medicina 2 do
CHCB, EPE e Pós Graduada em Cuidados Paliativos
O poster por nós elaborado é subordinado ao tema “Dor Total” e insere-se
no âmbito da III Congresso Nacional de Cuidados Paliativos. Escolhemos este
tema por ter sido fulcral na fundação e desenvolvimento dos Cuidados Paliativos. O termo “dor total” foi proposto por Cicely Saunders na década de 60
e enfatiza a dor como a soma de múltiplos factores que afectam a integridade
e globalidade da pessoa em todos os domínios da sua vida: físico, psicológico,
social e espiritual. Neste sentido, a denominação “dor total” é a expressão
de que no ser humano é impossível interpretar apenas o aspecto nociceptivo da dor e que todos os aspectos psicológicos, sociais e espirituais estão
envolvidos de modo indissociável. O conceito de dor total alerta-nos, assim,
para a compreensão da subjectividade da dor e para o facto desta ser uma
experiência profundamente pessoal não podendo ser entendida como um
fenómeno meramente biológico.
A dimensão física da dor está relacionada com uma lesão tecidular existente
ou não, que pode ser descrita de acordo com as manifestações próprias
de tal lesão, com os sintomas concomitantes à doença ou com os efeitos
indesejados dos tratamentos realizados pelo doente.
A dimensão psicológica engloba os sentimentos para com a doença, a morte
e o morrer que se traduzem muitas das vezes em ansiedade, medo, raiva,
incerteza, sentimentos de culpa e desamparo, isolamento, depressão, entre
outros.
A dimensão social compreende para o doente a perda de posição social, a
perda do papel na família, a perda do emprego, a perda das relações sociais
existentes que podem levar a sentimentos de inutilidade, abandono e isolamento. Os aspectos financeiros são também motivo de preocupação para o
doente assim como o desejo de morrer ou não no domicílio.
A dimensão espiritual envolve questões relacionadas com a morte iminente,
a procura de um ser superior ou revolta relativamente a este, o significado
do sofrimento, as percepções acerca do passado, presente e futuro que se
podem traduzir na perda do sentido, propósito e valor da própria vida.
A avaliação da dor é complexa e é a base para a adequação do tratamento a
realizar. Este requer o conhecimento e uso adequado de uma variada gama
de conceitos e intervenções de natureza múltipla. Quando a dor não é aliviada
pode tornar-se no centro da vida do ser humano, bloquear a sua relação com
os outros e ser uma ameaça séria à sua existência.
Bibliografia:
FERREL, B.; COYLE, N. – Textbook of Palliative Nursing. Oxford University
Press: New York, 2006. ISBN 978-0-19-517549-3; PAYNE, S.; SEYMOUR, J.;
INGLETON, C.: Palliative Care Nursing – Principles and evidence for practice.
New York: McGraw-Hill Education, 2004; ASTUDILLO, W., et al.: Principios
básicos para el control del dolor total, em Revista da Sociedade Espanhola
da Dor, Janeiro – Fevereiro de 1999, vol. 6, nº 1, pp. 59 – 70; CONIAM, S.;
DIAMOND, A.: Controlo da dor. Lisboa: Climepsi Editores, 2001. ISBN 97297250-6-3; Twycross, R.: Cuidados Paliativos. Lisboa: Climepsi Editores,
2003. ISBN 972-796-093-6; REGATEIRO, F; et al – Enfermagem Oncológica.
Coimbra: Edições Formasau, Formação e saúde, Lda, 2004, ISBN 972-848541-7; PIMENTA, C.; MOTA, D.; MONTEIRO DA CRUZ, D. – Dor e Cuidados
Paliativos – Enfermagem, Medicina e Psicologia. Manole: Brasil, 2006. ISBN
85-204-2403-1; ASTUDILLO, W.; MENDINUTA, C. – Cuidados del enfermo en
fase terminal y atención a su familia. EUNSA: Navarra, cap. 2, pp. 261-272.
ISBN 84-313-1966-6
P9
Cuidar na agonia – caso clinico
Fátima Oliveira, Eva Figueiredo, Maria João Lopes, Paula Carneiro, Casa de
Saúde das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus
Objectivos: Descrever a psicofisiologia da agonia e os objectivos de inter-
venção da equipa interdisciplinar, nesta fase, numa unidade de cuidados paliativos.
Expor um caso clínico com a evolução da performance do doente através
da Palliative Performance Scale (traduzido e adaptado de Wilner e Arnold,
2004), durante o internamento na nossa unidade, com o levantamento das
necessidades do doente da família e as intervenções da equipa, enfatizando
as intervenções interdisciplinares na fase da agonia.
Resumo: A última fase da doença, a que chamamos de agonia, é reconhecida
por diversos autores como a mais profunda e difícil experiência com que
qualquer ser humano pode confrontar, provocando um conjunto de situações
emocionais e psicológicas de grande intensidade e complexidade.
Segundo AKISKAL, Hapop S., et al (S/D) a agonia caracteriza-se, habitualmente, por uma deterioração geral e prolongada, marcada por episódios de
complicações e de defeitos secundários, como acontece em alguns casos de
cancro. Geralmente, durante o mês anterior à morte diminuem, de forma substancial, a energia, a actividade e o bem-estar. Observa-se um enfraquecimento visível do doente e é para todos evidente que a morte se aproxima.
A agonia também segue outro curso: às vezes, um doente tratado no hospital
com uma terapia agressiva em virtude de uma doença grave pode piorar
de repente e só se sabe que está a morrer algumas horas ou dias antes de
falecer. No entanto é cada vez mais comum agonizar com uma lenta diminuição das capacidade e durante um longo período de tempo, às vezes com
episódios de sintomas graves.
É fundamental que tanto o doente como a sua família saibam qual será a
evolução da doença para que tomem as decisões oportunas.
Neste estado – a agonia – o doente está com astenia profunda, acamado
a maior parte do tempo, com longos períodos de sonolência, desorientação
no tempo, com desinteresse em comer e em beber e com dificuldade em
engolir.
É chegado o tempo do medo, da falência orgânica, da permanência na cama,
da imobilidade, da vulnerabilidade total. O tempo torna-se curto, a morte
aproxima-se, os sintomas preexistentes exacerbam, os episódios de confusão, de agitação, alterações de consciência.
Inicia-se as alterações respiratórias características desta fase.
Segundo Gonçalves (2002), os problemas mais relevantes da agonia são: dor,
delírio, estretor, dispneia, mioclonias, convulsões, náuseas, vómitos, retenção
ou incontinência urinária, sudação e febre.
É um tempo de desafio para a equipa terapêutica, cujos esforços se orientam
para o cuidar, para acompanhar o doente e família, de forma a dar qualidade
e dignidade á vida que lhe resta, proporcionando um ambiente positivo, um
clima de segurança e conforto onde a comunicação assume uma importância
capital.
Iremos expor um caso clínico referente a uma doente de 69 anos, internado
na nossa unidade de 6 de Março a 28 de Março com um melanoma maligno
da planta do pé esquerdo, diagnosticado em 1984, com metastização hepática grave. Enfatizando a intervenção da equipa na fase da agonia.
Bibliografia:
GONÇALVES Ferraz. Controlo de Sintomas No Cancro Avançado. Serviço de
educação e bolsas – Fundação Calouste Gulbenkian, 2002. ISBN 972-310960-3.
http://quimioterapia.com.sapo.pt/atitudes e comportamentos.htm
FRANCISCO, Elisabete. O controlo de sintomas na agonia. Curso de pós graduação em Cuidados paliativos – Escola Superior de Enfermagem de Calouste
Gulbenkian – Lisboa, Junho 2006.
P 10
Comunicação em Cuidados Paliativos
Ana Margarida Gomes no Serviço de Medicina 1, Élia Afonso no Serviço de
Especialidades 1 - Cardiologia/Dermatologia, Hospital Amato Lusitano em
Castelo Branco
Resumo: A arte de comunicar no ocaso da vida, não se coaduna com princípios rígidos, nem tão pouco com desígnios impenetráveis mas sim, com
habilidades, atitudes e comportamentos susceptíveis de colorirem a prática
quotidiana, dos profissionais de saúde, perante o doente/família em fase
11 a 13 Outubro 2006 Seminário de Vilar Casa Diocesana Porto
19
terminal. A jurisdição do acto de comunicar é ampla, convertendo-se num
efectivo processo multidireccional e multidimensional, interactivo e contínuo.
É sobre conceitos como partilha, relação, informação e transmissão que se
erguem questões e se constroem respostas. E, usando como ferramentas
com o tempo e o espaço desenhamos a tecnologia da escuta, das palavras e
até mesmo dos silêncios. Como arquitectos temo-nos a nós próprios, profissionais de saúde, competentes para, numa mesma paisagem, combinar as
palavras com o olhar, com os gestos, com a postura e numa última pincelada
adicionar-lhe um toque.
Comunicar, significa ajudar na reestruturação de todo o espólio daquele
que, fragilizado e debilitado pela doença estremece perante a perda da sua
dignidade. O medo de ser abandonado, quebra o mosaico de esperança,
subtrai-nos a capacidade de fitar aquela sábia e desconhecida personagem
– a morte – que nos surge quiçá, de um mundo sem palavras, onde nada
tem para esclarecer, sendo simplesmente a parte incompreensível da vida,
aquele parágrafo que nos deixa dúvidas, interrogações e ambivalências.
Cabe-nos ajudar o outro a reinventar-se, com toda a plenitude da honestidade pois, a mentira desconhece a dignidade intrínseca de cada um, assim
como a sua liberdade e unicidade.
Com as parcelas da empatia consolidamos a arte de saber ler o mundo do
outro, mesmo quando envolto num turbilhão de sentimentos e emoções,
basta-nos parar...ouvir os sons dos silêncios e, reflectindo decerto entenderemos que, algumas vezes, são mais eloquentes que as próprias palavras.
Se fugirmos deixamos alguém entregue ao mutismo, ao silencio que impõe o
seu lado trágico, porque vindo de uma muda solidariedade não é nada mais
que um vazio de palavras.
A incomunicação prenuncia a clara eutanásia social e afectiva de quem
empreende a ultima viagem, especialmente, quando esse trajecto é percorrido por detrás dos muros das instituições hospitalares. Profissionalmente,
temos como imperativo acompanhar aqueles que estão prestes a partir, não
os deixando sós mas, só se caminha lado a lado se: construirmos pontes
robustas que, nos levam ao diálogo autentico e, grandes vasos de esperança
para dedicar a quem o sofrimento extravasa dos limites mas, que todavia
ainda o carrega como uma caixa debaixo do braço e, quando lhe tira a tampa
descobre que além de chorar ainda sabe sorrir.
P 11
Cuidados Paliativos – Como hidratar?
Luísa Pires, Mónica Martins, Centro de Saúde de São Mamede/Sta Isabel
Introdução: Cuidar das pessoas em fim de vida exige da parte dos profissionais de saúde conhecimentos e intervenção na área preventiva, curativa
e paliativa. A hidratação, embora controversa nos últimos dias de vida, deve
ser cuidadosamente ponderada e revista com regularidade, tendo em conta
a situação do doente, os seus desejos e o seu prognóstico.
Objectivo: Pretendemos com este trabalho abordar as indicações das diferentes vias de hidratação e o papel da hidratação no controlo dos sintomas.
Metodologia: Revisão bibliográfica baseada na consulta de manuais actualizados e na pesquisa de artigos publicados na base de dados Medline nos
últimos 4 anos.
Conclusão: A hidratação contribui para o conforto do doente e para o eficiente controlo dos sintomas. Nos doentes com problemas de deglutição,
náuseas, vómitos ou perturbações cognitivas a hidratação oral é muitas
vezes difícil ou impossível. É muitas vezes difícil manter uma via endovenosa
por poucos acessos venosos viáveis e/ou dificuldade de supervisão em ambulatório. A sonda nasogástrica é muito incómoda para os doentes. A via
subcutânea constitui a melhor alternativa à utilização da via endovenosa e
intramuscular, para hidratação facilitando ainda a administração de medicamentos tantas vezes necessária nesta fase da vida. A gastrostomia constitui
uma boa alternativa à administração de líquidos, medicamentos e alimentos
mas esta técnica ainda não está suficientemente implantada. A correcta es-
20
III CONGRESSO NACIONAL DE CUIDADOS PALIATIVOS
colha da via a utilizar dependerá da situação clínica de cada doente devendo
o médico de família estar apto a efectuar esta decisão.
P 12
Transmissão de Más Notícias
Ana Sofia Santos, Serv. Cirurgia Geral - CUF Descobertas; Rui Mariano,
Serv. Medicina A - Hosp. Amato Lusitano; Isabel Lopes, Serv. Oncologia
Médica - IPO Lisboa
A comunicação é um dos quatro pilares fundamentais dos cuidados paliativos (1), é portanto fundamental e abarca o doente, a família e a equipa
numa interrelação dinâmica e constante, estando presente em todas as
actividades.(2) A comunicação é uma arma terapêutica vital que permite
desenvolver o princípio de autonomia no doente, o consentimento informado, a confiança mútua e a informação que necessita quer para ser ajudado
quer para se ajudar a si próprio.(3) Apesar de ser uma tarefa inevitável para
o profissional de saúde, dar más notícias ao doente, continua a ser uma
função complicada e complexa pois o conhecimento da existência de uma
doença grave que envolve risco de morte, incapacidade e outras perdas,
provoca sentimentos intensos e dolorosos no doente. Daí ser necessário,
enquanto profissionais de saúde desenvolveremos técnicas e habilidades
para comunicarmos da melhor forma possível com o objectivo de reduzir ou
mesmo eliminar estas mesmas dificuldades ou obstáculos.
Existe um protocolo de grande utilidade usado na transmissão de más notícias – o protocolo de Buckman - que consiste de seis etapas consecutivas,
não se devendo passar para a etapa seguinte sem acabar a anterior, a um
ritmo que é ditado pelo doente e acabando na etapa que o doente deseje. (4)
Dar as más notícias inclui então: preparação e escolha do local adequado;
perceber o que o doente já sabe; saber o que o doente quer saber; dar a
notícia; responder às emoções e às perguntas do doente; propor plano de
acompanhamento e encerrar a entrevista.
Apesar deste protocolo ser bastante útil para a transmissão de más noticias,
o que é certo é que não existe uma fórmula, e por este motivo se diz que a
este aspecto da comunicação se trata de uma arte. (5)
A nossa experiência e formação profissional são ferramentas preciosas ao
nosso dispor para enfrentar este delicado processo, mas temos também que
ter em conta que não são as únicas na comunicação em cuidados paliativos
(5, 6) A aquisição de conhecimentos e treino destas técnicas são bastante
eficazes para melhorar este aspecto da comunicação e introduzi--lo progressivamente na nossa prática diária, com resultados bastante positivos
tanto para os doentes como para os profissionais. (6)
Bibliografia:
(1) NETO I. – Para além dos sintomas: a dignidade e o sentido da vida na
prática dos cuidados paliativos. In: NETO I AITKEN H, PALDRON T. A dignidade e o sentido da vida. Cascais: Pergaminho, 2004
(2) ALMEIDA AM, SILVA IM – Reflectindo sobre a comunicação com o doente
oncológico. Nursing. Lisboa: Novembro 2004. Nº 193, ano 15.
(3) NETO I – Manual de Medicina Paliativa. Lisboa: Asta Médica,1996.
(4) AYARRA M, LIZARRAGA S – Malas noticias y apoio emocional. Acedido
de http://www.cfnavarra.es/salud/anales/textos/suple24_2.html a 12 de
Janeiro de 2006
(5) SANCHO MG – Como dar las malas noticias en medicina. 2ª ed. Madrid:
Arán Ediciones, S.A., 2000
(6) LEAL F – Transmissão de más noticias. Revista Portuguesa de Clínica
Geral. Janeiro/Fevereiro 2003. Vol.19, nº 1
P 13
Cuidados Paliativos em Évora?
Dora Coelho, Hospital Distrital Faro; Elsa Vilela, Filomena Simões, Guilhermina Laranjo, Madalena Feio, Mª Rosário Neto, Sandra Gomes , Hospital
Espírito Santo de Évora - HESE
Objectivos: Determinar as necessidades sentidas pelos médicos e enfermeiros do HESE na assistência a doentes com doença avançada, progressiva e
potencialmente fatal
Método: Questionário escrito distribuído aos médicos e enfermeiros do HESE
em Abril e Maio de 2006
Resultados: Foram distribuídos 572 questionários dos quais foram respondidos 256 (44,75%): 51,32% do total de enfermeiros e 20% do total de
médicos.
Dos profissionais inquiridos apenas 4% têm algum tipo de formação em
Cuidados Paliativos.
As situações em que os profissionais sentem maior necessidade de apoio
diferenciado são a dor (78.3%) e depressão/ansiedade (73.3%), bem como
a intervenção psicológica (82.6%) e a intervenção social (80.3%).
A existência de uma Equipa de Cuidados Paliativos é considerada particularmente importante na planificação de cuidados individualizados ao doente
e família (72.3%), em internamento, e na melhoria da qualidade de vida e
conforto (80.3%) bem como na diminuição da ansiedade do doente e familiares (75.1%), em ambulatório.
O momento de intervenção da Equipa de Cuidados Paliativos foi considerado
como mais apropriado logo que seja diagnosticada uma doença grave e
potencialmente fatal, principalmente em doentes oncológicos, mas também
em doentes com SIDA e com doenças neurológicas crónicas e degenerativas.
87.4% dos inquiridos concordam em que existem poucas opções para os
doentes terminais na nossa comunidade, estando mais de 40% dos profissionais disponíveis para adquirir formação e trabalhar nesta área.
Conclusões: Verifica-se que é sentida, pelos profissionais do HESE, uma
grande necessidade de existência de uma Equipa que dê apoio em Cuidados
Paliativos, havendo um número significativo de profissionais que mostraram disponibilidade em integrar uma equipa deste género, após formação
adequada.
ao longo do percurso e assegurando uma verdadeira continuidade de cuidados, “centrados na importância da dignidade da pessoa ainda que doente,
vulnerável e limitada, aceitando a morte como uma etapa natural da vida que,
até isso, deve ser vivida intensamente até ao fim” (ANCP).
Bibliografia:
ASSOCIAÇÂO NACIONAL DE CUIDADOS PALIATIVOS: Organização de Serviços
em Cuidados Paliativos. Recomendações da ANCP. 2006.
ASTUDILLO W et al: “Principios Básicos para el Control del Dolor Total”.Rev.
Soc. Esp. del Dolor. 1999;6(1).
DECRETO-LEI nº 101/2006. Rede de Cuidados Continuados Integrados, Diario da República I Série-A de 6 de Junho. DIRECÇÃO GERAL DA SAÚDE. A
Dor como 5º Sinal Vital. Registo Sistemático da Intensidade da Dor. Circular
Normativa nº 09/DGCG 2003.
GOMEZ-BATISTE X et al: Cuidados Paliativos en Oncologia. Barcelona, Editorial JIMSSA, 1996. HENNEZEL M: Diálogo com a Morte. 2ª ed. Lisboa, Noticias
Editorial, 1997.
LÓPEZ-IMEDIO E: Enfermería en Cuidados Paliativos. Madrid, Editorial Panamericana, 1998.
MINISTÉRIO DA SAÙDE. DIRECÇÃO GERAL DA SAÚDE. Programa Nacional de
Cuidados Paliativos. Despacho Ministerial de 15/06/2004. Circular Normativa
nº 14-DGCG de 13/07/2004.
ORTIZ J S: La Comunicación en el Enfermo Terminal. In: Baron, M G et al, eds.
Tratado de Medicina Paliativa y Tratamiento de Soporte en el Enfermo com
Cáncer. Madrid, Editorial Médica Panamericana, 1995.
SFAP: L’infirmier(e) et les Soins Palliatifs. “Prende Soin”: Éthique et Pratiques.
2ª ed. Paris, Masson, 2002.
STEDEFORD A: Encarando a Morte, Uma Abordagem ao Relacionamento com
o Paciente Terminal. Porto Alegre, Artes Médicas, 1986.
TWYCROSS R: Cuidados Paliativos. 2ª ed. Lisboa, Climepsi editores, 2003.
P 14
Alberto Berenger, Hosp. Central do Funchal , Isabel Gonçalves, Hosp. de Beja
Hosp. da Luz , Lucinda Marques, Maria Aparício, Manuel Ferreira, Centro de
Saúde de Odivelas
Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, 90 % das mortes são por
doença crónica, avançada e incurável, sendo as principais causas de morte
as doenças cardíacas, as cérebrovasculares, as neoplásicas e as doenças
respiratórias. Estudos apontam para que 60% do total dos doentes falecidos
apresentam necessidades especificas de cuidados paliativos. Os últimos dias
ou horas que antecedem a morte destes doentes, são descritos por Sancho
(2005) como “um período mais ou menos longo em que a doença progride e
estaciona, de forma intermitente, irregular e com o aparecimento de diversos
problemas de todo o tipo”. Este período corresponde a uma fase fisiológica
que implica um aumento dos problemas não só para o doente, como também
para a família e para a própria equipa de saúde, sendo necessária uma intensificação dos cuidados a prestar e da atenção a disponibilizar. O conforto e a
qualidade de vida serão os principais objectivos a atingir, sendo preciso não
só reconhecer e aceitar a incurabilidade de certas patologias, como desenvolver competências especificas para identificar os sinais da proximidade da
morte, o controlo de sintomas, assim como estabelecer medidas adequadas,
que ultrapassem o afastamento ou desinvestimento por parte dos profissionais, e que preservem a dignidade do doente e da sua família.
Esta fase exige cuidados diferenciados e específicos, sendo o objetivo deste
poster enquadrar e uniformizar os procedimentos dos profissionais de saúde
nos objectivos e nos cuidados a prestar nesta fase final da vida dos doentes,
baseados em várias referências internacionais e na experiência, e assente
nas quatro áreas chave dos Cuidados Paliativos: controlo de sintomas, comunicação adequada, trabalho em equipa e apoio á família, com a finalidade de
humanizar o fim de vida, ocorra ele onde ocorrer.
Viver os Últimos dias em Casa
Ana Paula Bernardo, Sandra Cristina Tapadas, Enfermeiras do Centro de
Saúde de Idanha-a-Nova, Pós-Graduadas em Cuidados Paliativos
Os Cuidados Paliativos são identificados como: Área prioritária de intervenção; elemento essencial dos cuidados de saúde; necessidade em termos
de saúde pública; imperativo ético promotor dos direitos fundamentais e uma
obrigação social. Para a Associação Nacional de Cuidados Paliativos, “a resposta às necessidades dos diferentes grupos de doentes com doença grave
e terminal passa pela criação de uma rede alargada e integrada de serviços,
que abranja desde o domicílio aos cuidados em unidades de internamento
específicas e em hospitais de agudos, passando pelas instituições de cuidados de longa duração”.
Os Cuidados Domiciliários de alta qualidade são possíveis, Twycross (2003),
refere que “se lhes fosse dada essa oportunidade, a maioria das pessoas escolheria morrer em sua casa e não num ambiente estranho ou num hospital”.
Com o poster “VIVER OS ÚLTIMOS DIAS EM CASA”, pretendemos evidenciar
que “Os Cuidados Paliativos promovem a autonomia do doente/família, o seu
respeito e a sua dignidade”, através das áreas chave dos Cuidados Paliativos:
Controlo dos sintomas; comunicação adequada; apoio à família e do trabalho em equipa. Pretendemos ainda apresentar as vantagens dos Cuidados
Comunitários de Suporte em Cuidados Paliativos para o doente, para a família
e para o sistema de saúde.
A qualidade de vida do doente paliativo será tanto maior, se os cuidados
forem prestados no seu domicílio, uma vez que é aí que o doente se encontra
no seu meio natural. Urge que se volte a descobrir a família como espaço
de abertura ao outro, mas com o acompanhamento de equipas de saúde
multidisciplinares formadas em cuidados paliativos, ajudando os familiares
P 15
Normas de actuação nos últimos dias de vida
11 a 13 Outubro 2006 Seminário de Vilar Casa Diocesana Porto
21
13 OUTUBRO 2006 | 6ª FEIRA
14.00-14.30h
P 16
Satisfação dos doentes e seus familiares face
à prestação de cuidados de enfermagem numa
unidade de cuidados paliativos
Ana Lúcia Barreto , Neurologia do HEM, Susana Pedrosa, Hematologia do
HSAC
Introdução: A avaliação do grau de satisfação permite analisar a qualidade
dos cuidados prestados. Com o caminhar para o fim da vida as pessoas e
as suas necessidades alteram-se, devendo assim todos os profissionais de
saúde estarem atentos às mesmas, para que se consiga atingir um nível
elevado de satisfação, contribuindo para isso o estabelecimento de uma
relação de proximidade entre profissionais de saúde, doentes e famílias.
Nunca devemos esquecer que para além dos doentes, as famílias também
têm necessidades particulares que importa satisfazer.
Objectivos: Identificar e comparar o grau de satisfação dos doentes e familiares face à prestação de cuidados de enfermagem numa Unidade de
Cuidados Paliativos.
Metodologia: Estudo quantitativo do tipo analítico, transversal e observacional,
tendo como população os doentes terminais e seus familiares em Unidades
de Cuidados Paliativos.
A amostra é do tipo não probabilístico, sendo constituída por 31 doentes
e 29 familiares. O instrumento de medida foi o questionário adaptado do
“FAMCARE scale”.
Conclusões: Em relação aos doentes:
ØMais de 40% dos doentes encontram-se satisfeitos perante o rigor dos
enfermeiros ao avaliar os sintomas; a disponibilidade dos enfermeiros para
os doentes e para a família; a forma como são feitos os exames e tratamentos; a informação sobre como lidar com os sintomas e face às questões e
necessidades dos doentes; coordenação dos cuidados e com a inclusão nas
decisões dos cuidados; a atenção do enfermeiro às descrições dos sintomas
do doente; a velocidade com que os sintomas são tratados; as respostas às
necessidades da família; o prognóstico e evolução da situação e o acompanhamento do médico;
Entre 40 % e 30% os doentes estão satisfeitos com a informação dada sobre
os exames; o alivio das dores e informação dada sobre os efeitos secundários
da medicação e as reuniões de família;
Menos de 30% dos doentes estão satisfeitos com o encaminhamento a especialistas.
Em relação aos familiares:
Mais de 90% dos familiares estão satisfeitos com a atenção dos enfermeiros
sobre sintomas e disponibilidade dos enfermeiros para a família; o alivio das
dores; velocidade no controlo de sintomas; informação sobre como lidar com
os sintomas; informação sobre os efeitos secundários da medicação; coordenação dos cuidados; disponibilidade dos enfermeiros para com os doentes e
acompanhamento do médico.
Entre 70 e 90% dos familiares mostram-se satisfeitos com o rigor com que
os sintomas são avaliados; respostas às questões dos doentes e respostas
às necessidades da família; informação sobre prognóstico; forma como são
feitos os exames e tratamentos; inclusão nas decisões sobre os cuidados e
informação sobre exames.
Menos de 70% os familiares estão satisfeitos com o encaminhamento a especialistas e reuniões com à família.
Em relação ao grau de insatisfação:
Os familiares com menos de 15% apresentam-se insatisfeitos com as reuniões de família para discussão da doença; velocidade com que os sintomas
são controlados; coordenação dos cuidados; respostas às necessidades das
famílias e informação sobre o prognóstico.
22
III CONGRESSO NACIONAL DE CUIDADOS PALIATIVOS
P 17
A Vivência do Doente Paliativo com a …
Ortotanásia!
Raquel Marques (*), Aida Mª Santos (*), Ana Luísa Rodrigues (**), Ricardo
Rodrigues (*), (*) Unidade de Doentes Neutropénicos, H.S. João, E.P.E.,
Porto; (**) Unidade Polivalente do Hospital de Dia, H.S. João, E.P.E., Porto
Objectivos:
1 – Reflectir numa perspectiva ética e deontológica sobre a morte;
2 – Repensar o proporcionamento de uma morte digna a cada ser humano;
3 – Reflectir sobre o desempenho do enfermeiro quanto à sua relação com
o doente moribundo;
4 – Conhecer alguns factores que possam condicionar a forma como se
morre no hospital;
5 – Reflectir sobre a importância dos cuidados espirituais ao doente em fase
terminal;
6 – Proporcionar a reflexão temática com a exibição de um póster.
Metodologia: Pesquisa bibliográfica e expositiva, com o auxilio de imagens
enquadradas na temática.
Desenvolvimento: Em termos simples diríamos que existe vida nas células e
que os gâmetas, feminino e masculino, que se fundem constituem o embrião
e iniciam uma vida, uma história humana personalizada. E é neste âmbito
que cada ser humano deve ser encarado desde o inicio da sua vida até ao
seu final.
Não podemos esquecer-nos de que a morte, mais do que um acto instantâneo, é um processo de desagregação mais ou menos longo. Cabe aos técnicos de saúde e especialmente aos enfermeiros fornecer as condições que
permitam ao doente terminal manter os seus valoras culturais e a sua filosofia
de vida.
Não se pode negar que se torna urgente criar lugares e solidariedades para
ajudar cada um de nós a enfrentar a sua própria morte, ou a do outro. É cada
vez mais aos hospitais que são confiados os doentes terminais, aqueles nos
quais a tecnologia falhou e na qual se demonstra que a vida tem ainda um
curso normal, o qual o homem não conseguiu ainda alterar.
Segundo dados científicos, sete em cada dez pessoas morrem actualmente
em instituições que não estão preparadas para acolher e acompanhar aqueles que já não se podem curar.
Ao reflectir e analisar a nossa vivência profissional, constatamos um esquecimento quase imediato de uma exigência ética e deontológica da carreira de
enfermagem: proporcionar uma morte com dignidade.
Esta foi a motivação que nos levou a executar o póster “Morrer com Dignidade” que pretende proporcionar a todos os restantes profissionais uma
reflexão sobre esta temática.
Conclusão: Na vivência do “processo de morte” do doente pela equipa de
saúde é frequente os profissionais sentirem-se impotentes perante o doente
que está a morrer, protegendo-se e restringindo-se aos cuidados físicos, sobrevalorizando tarefas essencialmente técnicas.
Esperamos com o presente trabalho permitir a todos os enfermeiros e em
especial aos participantes no Congresso da ANCP uma reflexão sobre a necessidade de uma prática de enfermagem cada vez mais centrada no ser
humano, não esquecendo a sua visão holística.
Bibliografia:
ARCHER, Luís; BISCAIA, Jorge; OSSWALD, Walter – Bioética. Verbo, Lisboa,
1996.
HENNEZEL, Marie – Diálogo com a Morte. Editorial Notícias, Lisboa, 1997.
SERRÃO, Daniel; NUNES, Rui – Ética em Cuidados de Saúde. Porto Editora,
Porto, 1998.
DIVULGAÇÃO, Revista de Enfermagem Oncológica – Ano VI – n.º21 – Janeiro
1992.
P 18
A Relação do Enfermeiro com o Doente Paliativo
Ana Luísa Rodrigues (**),Raquel Marques (*) Aida Mª Santos (*), Ricardo Rodrigues (*), (*) Unidade de Doentes Neutropénicos, H.S. João, E.P.E., Porto;
(**) Unidade Polivalente do Hospital de Dia, H.S. João, E.P.E., Porto
Introdução: Cuidar do doente em fase paliativa constitui uma das actividades
mais exigente e desgastante a nível físico e psíquico a que estão sujeitos
os profissionais de enfermagem requerendo maturidade profissional e estabilidade emocional face à morte e à doença. É frequente encontrar enfermeiros que, incapazes de se libertarem do seu próprio medo do cancro,
do sofrimento e da morte, adoptam estratégias de fuga argumentando muitas vezes falta de tempo e de disponibilidade para ouvir e estar junto dos
doentes. Surgem então atitudes que se traduzem numa relação distante, fria,
desumanizada, que podem influenciar a motivação e a satisfação face ao
trabalho com doentes oncológicos, assim como a capacidade de planear e de
prestar cuidados a estes doentes.
Objectivos/Metodologia: Reflectir sobre as atitudes e os comportamentos dos
enfermeiros perante o doente oncológico e Identificar alguns factores condicionantes da atitude e do comportamento dos enfermeiros perante o doente
oncológico. O método utilizado é o expositivo, em forma de poster.
Desenvolvimento: Apesar da motivação que o enfermeiro deve ter para
cuidar de doentes paliativos, estes profissionais poderão defrontar-se com
situações geradoras de stress, podendo experimentar reacções emocionais
de impotência, culpa, frustração, medo, ansiedade, angústia, insegurança,
revolta ou embaraço, assim como perturbações somáticas, à medida que são
confrontados com a realidade do sofrimento, da morte e da doença terminal.
Para além das reacções anteriormente descritas podem igualmente surgir
alguns comportamentos e atitudes, como: dificuldade de concentração, fadiga, agressividade, sinais de desmotivação, absentismo, desejo de mudança
de serviço, comportamentos de fuga, alcoolismo e conflitos familiares. Esta
sintomatologia não se instala de um dia para o outro, mas surge segundo um
processo constituído por várias fases como defendem Edelwich e Brodsky,
citados por DUBREUCQ (1989)
A primeira fase - Caracterizada pelo entusiasmo idealista exagerado; mais
frequente nos jovens recém formados; a pessoa despende energia em diversas tarefas, levando-as a bom termo, os que o rodeiam inquietam-se porque
o consideram exagerado. A segunda fase - A eficácia começa a marcar passo
e surgem os sinais de fadiga, marcada pela estagnação; a pessoa parece
ficar vazia; o rendimento diminui; a profissão não oferece tanta satisfação.
Começam as primeiras queixas psicossomáticas. A terceira fase - Surge o
sentimento de frustração, surgem as interrogações sobre a eficiência e utilidade da profissão, toma-se irritável com perturbações somáticas e emocionais. A quarta fase -A apatia; deslocar-se ao trabalho torna-se uma obrigação;
procura fazer o menos possível; o que possa vir ameaçar uma rotina segura
é cuidadosamente mantido à distância.
Conclusão: Ao concluirmos este trabalho, fica a noção que as atitudes e os
comportamentos que adoptamos como pessoas e como enfermeiros são de
importância fulcral para uma prática diária adequada com qualquer doente e
em especial com o doente terminal e sua família que não podemos alhear do
cuidar. Apesar de ser uma temática um pouco difícil de abordar, esperamos
que este trabalho suscite, a quem o leia, preocupação e sensibilidade para
a realização de outros estudos ou mesmo trabalhos de investigação acerca
das atitudes e dos comportamentos dos enfermeiros perante o doente oncológico.
Bibliografia:
Dubreucq, J.L. – O Desgaste dos Enfermeiros. Servir. Lisboa. Vol. 36,
nº2.1999
Gomes, Licínio – Stress em Enfermagem. Divulgação. Porto. Nº23, p.36-40
P 19
Na Cultura de Hoje: A Vivência da Morte
no Doente Paliativo!
Aida Mª Santos (*), Ana Luísa Rodrigues (**),Raquel Marques (*), Aida Mª
Santos (*), Ricardo Rodrigues (*), (*) Unidade de Doentes Neutropénicos, H.S.
João, E.P.E., Porto; (**) Unidade Polivalente do Hospital de Dia, H.S. João,
E.P.E., Porto
Introdução: A morte ocupou como nenhum outro tema o pensamento humano
em todos os tempos. Toda a luz que se possa fazer sobre o enigma da morte
é insuficiente para pensar e organizar um mundo com sentido. Este pequeno
trabalho pretende ser um contributo para iluminar a presença da morte na
vida do Homem, pois o horizonte tem grandes virtudes de guiar a razão hu-
mana no que toca a este ponto tão especial.
Objectivos: Pretendemos com este trabalho expositivo em forma de poster
descrever a vivência da morte na cultura de hoje.
Desenvolvimento: Tanto a reflexão da morte como as práticas que acompanham o morrer sofreram grandes transformações com o “advento” da
era industrial e da cultura a que esta deu origem. Nisto, as sociedades do
ocidente europeu passaram por um processo de uniformização das suas formas de considerar a morte. A sociedade portuguesa viveu, como todas as
outras restantes, um processo rápido de secularização, sobretudo no último
meio século. A morte, rodeada de um ambiente de mistério, com referência
religiosa imediata, sofreu um diluimento social de significado, delimitado sobretudo pelo contexto urbano da vida moderna. Se a morte continua presente,
familiar, ela deixou de ser “caseira”, passa-se fora da casa de família e já não
povoa um tempo intenso de despedida e de luto. A atenção social para com a
morte desviou-se do registo do “tremendum” e deslocou-se para um espaço
de “invisibilidade social”.
Conclusão: Se outrora o camponês, telúrico e religioso “vivia continuamente
à beira da morte”, seguro de uma vida além-túmulo que implicava certo
modo de viver no presente, este é, em boa parte, um universo perdido. Resta nos ambientes rurais ou linguagem comum, a qual persiste em usar a
morte para exprimir a radicalidade de certos sentimentos. A solidariedade
ocasionada noutros tempos por ocasião da morte, tem hoje a brevidade de
um cumprimento formal; a memória do defunto avivada por um calendário
ritual, recolheu-se ao íntimo dos familiares e amigos. Os pequenos e “toscos”
monumentos, as “alminhas”, que nas encruzilhadas do Norte de Portugal
assinalavam o local de morte de alguém, violenta ou imprevista, e pediam aos
transeuntes a caridade de um pensamento são hoje apenas relíquias de um
passado que poucos entendem.
Bibliografia:
Cunha, Jorge Teixeira da; – “Bioética Breve”. Colecção Fé e Mundo Pós Moderno – Paulus Editora, Apelação, 2002.
P 20
Organização de uma Rede de Cuidados Paliativos
em Oncologia Pediátrica
Ana Forjaz de Lacerda1 , Maria José Ribeiro1, Elsa Pedroso2, Sandra Andrade2, Carla Costa2, Susana Figueiras2, Joana Silvestre2, Manuela Paiva3,
Maria de Jesus Moura4, Mário Chagas1; 1 – Quadro Médico, Serviço de
Pediatria; 2 – Quadro de Enfermagem, Serviço de Pediatria; 3 – Serviço
Social; 4 – Departamento de Psicologia - Instituto Português de Oncologia
de Lisboa Francisco Gentil, EPE
No Serviço de Pediatria (SP) do Instituto Português de Oncologia de Lisboa
(IPOL), um dos 3 Centros de Oncologia Pediátrica do país, são admitidos cerca de 150 novos casos por ano. Trata-se de crianças residentes na Zona Sul
do Continente e nas Regiões Autónomas da Madeira e Açores, assim como
crianças transferidas dos PALOP (cerca de 20/ano) ao abrigo dos acordos de
cooperação. Até agora, os 25% de crianças com doença não curável e as
suas famílias não dispunham de nenhum programa estruturado de passagem
de cuidados curativos para cuidados paliativos (CP).
Em 2005 iniciámos um trabalho financiado por uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian, com vista a implementar um programa de CP para estas
crianças, com necessidades tão específicas e uma distribuição geográfica
tão dispersa. Este trabalho tem uma duração de dois anos, divididos em 2
fases, findos os quais esperamos corrigir erros/omissões e aplicá-lo de uma
forma sistemática.
Na 1ª fase (Oct05/Mar06), enviámos um questionário multidisciplinar a todos
os Hospitais (H) e Centros de Saúde (CS) da nossa área, de forma a conhecer
as suas estruturas, capacidades e necessidades. Responderam 92% dos 25
H e 70% dos 128 CS. Os médicos e enfermeiros dos H atribuíram mais
importância à instituição deste programa de CP do que os seus colegas dos
CS; a motivação para trabalhar nesta área e a experiência com luto foram
semelhantes, enquanto a experiência com procedimentos técnicos e controlo
da dor são maiores nos H. Todos os H dispõem de assistente social, comparado com 66% dos CS; a sua motivação é alta mas a experiência em CP
é pouca. 86% dos H dispõem de apoio psicológico (muitos com experiência
11 a 13 Outubro 2006 Seminário de Vilar Casa Diocesana Porto
23
em Psico-Oncologia), versus 48% dos CS. Ao mesmo tempo, preparámos
um Manual para os profissionais de saúde (“Manual de CP em Oncologia
Pediátrica”) e outro para as famílias (“Cuidar do seu filho doente – um guia
do SP do IPOL”). No final, proporcionámos um dia de formação, com especial
ênfase nos aspectos psico-sociais, para os técnicos interessados dos H e CS
envolvidos, a quem entregámos cópias dos Manuais.
Durante a 2ª fase (Abr06/Set07) as crianças em CP e as suas famílias serão
apoiadas com base neste programa, numa estreita colaboração e interacção
com as Unidades de Saúde do local de residência (H e/ou CS).
No final realizaremos um segundo questionário, para avaliar o impacto desta
acção junto das famílias e das Unidades de Saúde.
Ao longo deste primeiro ano de trabalho pudemos já verificar que os técnicos
de saúde das Unidades de Saúde locais (H e CS) reconhecem a importância
dos CP e estão motivados para apoiar localmente as famílias, através de um
diálogo interactivo multidisciplinar com os profissionais do IPOL.
Trabalho financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian.
P 21
Linfedema: Prevenir para Melhor Paliar!
Cristina Vieira, Hospital Curry Cabral, Medicina. TLM; Dora Coelho, Hospital
Distrital de Faro, Serviço de Ortopedia Nascente; Luís Diniz, Instituto
Português de Oncologia de Lisboa de Francisco Gentil, Cirurgia de Cabeça e
Pescoço; Paulo Simões,Hospital Espírito Santo, Évora, Serviço de Oncologia;
Virgínia Trincão, Centro de Saúde de Silves
Objectivos: Elucidar o profissional de saúde sobre a prevenção do linfedema;
- Melhorar a qualidade de vida dos doentes.
Palavras-chave: linfedema, prevenção, paliação.
Resumo: Linfedema é um aumento de volume eminentemente crónico e progressivo de uma ou várias partes do corpo devido à acumulação de linfa na
espaço intercelular que não pode circular por falhas no sistema linfático. O
linfedema é causado por alterações no fluxo ou transporte da linfa que impedem a sua normal circulação (ex. extirpação ganglionar em situações de cancro da mama, infecção pós-operatória, radioterapia, metástases nodulares
linfáticas, entre outros), o que leva à acumulação desta na região afectada por
acção da gravidade. Os sintomas caracterizam-se pelo aumento de volume na
parte afectada, sensação de peso, pele tensa e edema. Consequentemente
instalam-se alterações na mobilidade, na pele, na circulação, assimetrias físicas e problemas de auto-estima e medo, que por sua vez originam ausências
temporárias no trabalho, hospitalizações, infecções, problemas com a roupa
e com o calçado, bem como stress e depressão.
A equipa interdisciplinar (médico, enfermeiro, fisioterapeuta, psicólogo, assistente social) deve: identificar doentes em risco de desenvolverem linfedema; informar sobre considerações teóricas acerca do linfedema; disponibilizar
tempo e esclarecer dúvidas relacionadas; estimular a realização de exercícios
físicos adequados; promover o auto cuidado na higiene, vestir, comer e beber,
e outros cuidados relacionados com o membro em risco; educar no sentido
da auto-monitorização diária; vigiar periodicamente a evolução do membro
em risco e facultar suporte emocional. Pretende-se recuperar a elasticidade
da pele do doente, manter ou recuperar a mobilidade do membro, melhorar a
postura corporal; melhor o estado geral, físico e psicológico e evitar possíveis
complicações. A equipa tem de apostar na sua formação técnica e pedagógica
e dotar-se de recursos materiais, tais como, meios audiovisuais, bibliografia,
organizando sessões de ensino individuais/ grupo, participativas e dinâmicas
que estimulem o doente a aderir a estas medidas de prevenção.
Em suma, a importância da prevenção do linfedema sustenta-se no principio
dos cuidados paliativos, enquanto cuidados activos e globais prestados a
doentes cuja expectativa já não é de cura da doença, nem de prolongamento
da vida, mas sim de proporcionar a melhor qualidade de vida possível, satisfazendo as suas necessidades físicas, psicológicas, sociais e espirituais.
Deste modo, torna-se imperativo, mais do que tratar, prevenir o linfedema.
Considerando todos os problemas que advém da sua instalação, espera-se
com a prevenção minorar o impacto na qualidade de vida do doente e sua
família.
Bibliografia:
(s/a), Linfedema: prevención y tratamiento, Asociación Espanola Contra El
Cancér, Madrid, Agosto, 2005;
24
III CONGRESSO NACIONAL DE CUIDADOS PALIATIVOS
Asociación Madrileña Afectados de Linfedema, on-line em http://www.amal.
org.es (20-08-2006);
TWYCROSS, ROBERT, Cuidados Paliativos, Climepsi editores, Lisboa, Novembro, 2003, ISBN 972-792-093-6
P 22
Hipodermoclise – uma técnica com futuro
Filipa Amaro, Patrícia Lima, Sílvia Simões, Serv. Med. Interna - Hosp. Amato
Lusitano
A Hipodermoclise é uma técnica que remonta a 1913, tendo caído em
desuso nas décadas de 40 e 50, devido à massificação da via endovenosa
e à inadequada utilização da via subcutânea, nomeadamente em casos de
choque hipovolémico e administração concomitante de solutos hipertónicos,
originando casos de colapso circulatório e consequente morte. Actualmente,
apesar de ser uma técnica subutilizada, encontra-se em crescente utilização,
principalmente devido ao desenvolvimento dos Cuidados Paliativos.
A subutilização da Hipodermoclise faz com que seja uma técnica desvalorizada e por vezes desconhecida da maioria dos profissionais de saúde, pelo
que se torna pertinente abordar e esclarecer este tema, incentivando a sua
utilização.
A utilização da via subcutânea para hidratação ou administração de fármacos – Hipodermoclise – justifica-se quando o doente apresenta algum dos
seguintes problemas: controlo sintomático em cuidados paliativos e continuados; comprometimento da via oral; má absorção gastrointestinal; prevenção
e correcção de desidratação ligeira a moderada; debilidade extrema; doentes
com sinais de toxicidade a fármacos; diminuição do estado de consciência,
agitação ou delírio, convulsões; doentes em fase de agonia e em todas as
situações em que a reposição de líquidos não seja emergente.
A Hipodermoclise, pelas suas características, é uma técnica que apresenta
inúmeras vantagens, das quais se realçam: técnica simples, eficaz, de fácil
utilização, pouco dolorosa e de baixo custo económico; menor interferência na mobilidade e promoção da autonomia do doente; permite a auto-administração e a facilidade de ensino e administração por parte da família;
manutenção de concentrações plasmáticas de fármacos estáveis e risco
diminuído de sobrecarga de volume e complicações inerentes.
São diversos os fármacos e fluidos que podem ser administrados por via
subcutânea. A maioria dos fármacos não utilizados por via subcutânea, não
o são por estarem contra-indicados, mas antes por não terem sido testados
para esta via de administração antes da sua comercialização.
Os fármacos mais utilizados são: morfina, haloperidol, furosemida, hidromorfina, levomepromazina, dexametasona, metoclopramida, clonazepam,
buprenorfina, ceftriaxone, butilescopolamina, codeína, fentanil, midazolam,
lorazepam, fenobarbital, prometazina, hidroxizina, atropina, dimemidrinato,
ranitidina, famotidina, diclofenac e ceterolac.
Os fluidos mais utilizados são o Cloreto de Sódio a 0.9%, o Cloreto de Sódio
a 0.45% e a Dextrose a 5%.
A técnica de introdução do cateter subcutâneo consiste em fazer-se prega
cutânea e introduzi-lo num ângulo de 30 a 45º, nos seguintes locais: regiões
infra-escapular e infra-clavicular, face anterior e posterior do tórax, região abdominal superior, região antro-lateral da coxa e face externa do terço superior
do braço. O cateter pode permanecer no mesmo local entre 1 a 7 dias, sendo
a média de duração entre 4 a 5 dias.
A desidratação é um dos problemas mais frequentes nos doentes portadores de doença crónica de evolução prolongada. Na prevenção e tratamento
da desidratação nestes doentes a Hipodermoclise assume uma posição de
excelência pelas características a ela inerentes, promovendo a dignidade, o
conforto e a qualidade de vida do doente.
No que respeita à Hipodermoclise, pelo seu impacto na melhoria da qualidade
vida do doente e família, urge praticá-la e divulgá-la. Neste sentido, com a
realização do presente poster, aqui fica o nosso contributo.
P 23
Cuidar em Fim de Vida: Impacto nos Profissionais
Susana Lourenço , Serv. Cirurgia A - Hosp. Curry Cabral ; Tiago Cunha, ,
Unid. De Enfermagem 5 -IPO Lisboa
“Assistir à morte em paz de um ser humano faz-nos recordar uma estrela
cadente, uma de milhões de luzes num vasto céu que brilha durante um
curto instante para se extinguir para sempre na noite sem fim”. (Kübler-Ross,
2005).
De uma forma geral a morte é um acontecimento que a todos assusta e que
nos lembra a nossa vulnerabilidade humana. A morte lembra-nos a nossa
impotência e traz-nos frustração.
Apesar de todos os avanços científicos e técnicos e do aumento da esperança
de vida, a morte continua e continuará a ser uma ameaça do sentimento
de omnipotência do homem. Cada um de nós reconhece que a sua vida é
limitada no tempo, mas apesar disso, a morte continua a ser rejeitada e a
ser recusada obstinadamente e ainda hoje é considerada um tabu na nossa
sociedade.
Apesar de sabermos que um dia vamos e temos que morrer, há sempre um
misto de incerteza e desespero quando nos encontramos perante a morte.
Poucos são os doentes que se encontram preparados para a morte e, muito
menos são os profissionais de saúde preparados para a morte dos seus
doentes. Face à aproximação da morte, o doente vive um processo psicológico dramático e “…enquanto o doente faz este percurso, o técnico de saúde
percorre um outro itinerário semelhante, sempre a convergir para a tentação
de fuga e é essa tentação de fuga que urge vencer.” (Pinto, 1994).
Lidar com doentes em fim de vida faz-nos vivenciar e relembrar o carácter
finito da nossa vida, é gerador de stress e poderá levar-nos ao burnout. Pensamos que isto nos assusta um pouco, mas na realidade a pessoa em fim de
vida ensina-nos a conhecer o valor da vida e como ela é breve, bem como nos
ensinam a dar sentido a cada momento que passa, porque cada momento é
único e precioso. Assim cuidar em fim de vida tem as suas recompensas na
nossa vida como pessoas e como profissionais. “Os que vão morrer ensinamnos a viver.” (Hennezel, 1993).
Desta forma pretende-se compreender e realçar os aspectos recompensadores do cuidar em fim de vida, incutindo mensagens de esperança e
valorizando o trabalho contínuo e humano inerente à filosofia dos cuidados
paliativos.
Bibliografia:
CERQUEIRA, Maria Manuela – O Cuidador e o Doente Paliativo. Formasau
– formação e saúde, Lda. Coimbra.2005. p227.
FEYTOR PINTO, V. – Entre a vida e a morte, a razão da esperança. In Servir.
Vol.39, nº1. Jan/Fev.1991. p.14-15.
HENNEZEL, Marie de – Diálogo com a Morte. 3ª Edição. Noticias Editorial.
Maio de 1993. ISBN 972-46-0793-3.
KÜBLER-ROSS, Elizabeth – Sobre a Morte e o Morrer. Livraria Martins Fontes
Editora, Lda. São Paulo.2005. p296.
LOFF, Ana – Que risco para o enfermeiro que presta cuidados ao doente terminal?. In Cuidados Paliativos. Formasau – formação e saúde, Lda. Coimbra.
2000. p.145.
NETO, Isabel Galriça; AITKEN, Helene-Hermine; PALDRON, Tsering. – A Dignidade e o Sentido da Vida: Uma Reflexão sobre a Nossa Existência. Cascais:
Editora Pergaminho, Lda, 2004. 110 p. ISBN 972-711-645-0.
SAPETA, Paula – A família face o doente terminal hospitalizado. In Enfermagem Oncológica, nº12. Porto, 1999,
P 24
O doente em fase terminal, problemas éticos do
final da vida
Abranches, João; Andrade, Isabel; Costa, Pedro, Serviço de Medicina e
Hospital Dia do Hospital da Força Aérea
Resumo:A saúde humana obteve evidentes benefícios com o avanço tecnológico, permitindo alguns factos notáveis, como o aumento do tempo
médio de vida, a prevenção e erradicação de uma série de males, e a reversibilidade de expectativas na evolução de um grande número de doenças.
O aumento da eficácia e segurança das novas modalidades terapêuticas
motivam, também, questionamentos quanto a aspectos económicos, éticos,
legais resultantes do emprego exagerado de tais medidas e das possíveis
indicações inadequadas de sua aplicação.
Questões como a morte e o prolongamento da vida, levantadas por Hans
Jonas no seu livro “Ética, Medicina e Técnica” apresentam grande pertinência
no dia a dia de um enfermeiro e de qualquer profissional de saúde.
Sendo a morte um problema delicado de compreender, devido à nossa cultura
e por ser uma experiência desconhecida, torna-se complicado lidar com ela,
no entanto é difícil de imaginar o mundo sem a sua existência.
Objectivos: Os enfermeiros e os profissionais de saúde, assim como a sociedade em geral têm dificuldade em lidar com o doente em fase terminal e com
a morte, uma vez que na sua formação estes temas são pouco abordados,
dando-se mais ênfase ao “curar” e não ao “cuidar”, tornando assim o doente
terminal e a morte uma frustração na sua vida.
Métodos: Pesquisa Bibliográfica: ANDRADE, Isabel – O Doente em Fase Terminal, Cuidados Paliativos. V Curso de Mestrado em Bioética – Universidade
de Lisboa. 2004, Lisboa
Conclusões: Resta-nos mudar a nossa atitude e comportamento e consciencializarmo-nos que a morte faz parte da vida, pelo que devemos de respeitar
a fase final da vida como respeitamos o seu inicio e o e considerá-la como
mais uma etapa que necessitamos de percorrer e se possível da melhor maneira, sem sofrimento.
P 25
Comunicação de más notícias
José Eduardo Oliveira; Maria do Céu Rocha; Maria da Conceição Pereira;
Margarida Isabel Alvarenga. Alunos do III Mestrado de Cuidados Paliativos
– FMUL
Introdução: Uma má notícia é qualquer informação que possa alterar drasticamente a perspectiva sobre o futuro da pessoa. A maioria dos profissionais
de saúde não tem formação nesta área.
A transmissão de más notícias é um desempenho e não um dom.
Objectivos: Pretende-se com este poster apresentar a estratégia proposta por
Peter Kaye para ajudar a desenvolver as competências na transmissão da
más notícias, de modo a:
- Facilitar a aceitação e a compreensão dos doentes e familiares
- Reduzir o risco de respostas destrutivas
- Evitar a perda de confiança dos doentes e família
Metodologia: Pesquisa manual em livros de texto e consulta das suas referências bibliográficas.
Descrição: Os 10 passos propostos por Peter Kaye consistem em:
- Preparar a consulta
- Avaliação do conhecimento prévio pelo doente da sua situação
- Dar o “tiro de aviso”
- Permitir a negação
- Explicar se solicitado e verificar a compreensão
- Questionar a necessidade de informação adicional
- Ouvir as preocupações
- Encorajar a expressão de sentimentos
- Resumir e planear
- Mostrar e oferecer disponibilidade
Conclusão: A comunicação fortalece a relação profissional de saúde/ doente,
reforça a colaboração do doente no seu plano de cuidados e permite-lhes
viver melhor com a doença planeando o seu futuro.
A comunicação de más noticias requer treino e tempo.
Sem treino esta tarefa pode ser desconfortável para os profissionais de saúde
resultando num afastamento da situação e consequentemente do doente.
Bibliografia:
Peter Kaye. Citado por: Watson M, Lucas C, Hoy A, Back I. (2005) Oxford
handbook of palliative care. Oxford University Press.
P 26
A vertente social em cuidados paliativos
Alexandra Ramos – Serviço de Medicina I-A ; Paula Costa – Serviço de
Oncologia - Hospital de Santa Maria, Lisboa
A intervenção em cuidados paliativos exige uma equipa multisciplinar, com
uma abordagem baseada num modelo de tratamento global, em que se
procura a captação da totalidade orgânica, de modo a responder aos danos
físicos, como também às consequências emocionais, sociais e espirituais.
Para colmatar os factores resultantes do desequilíbrio social, emocional e espiritual, a assistente social disponibiliza um conjunto de serviços psicossociais numa fase em que a doença já não responde aos tratamentos curativos.
11 a 13 Outubro 2006 Seminário de Vilar Casa Diocesana Porto
25
Serviços psicossociais prestados pela assistente social:
-suporte emocional e apoio no período do luto;
-facilita a comunicação e a expressão de emoções;
-presta aconselhamento individual, familiar ou outro elemento de referência;
-reforça capacidades individuais;
-ajuda a manter, preservar e promover os laços familiares;
-gere projectos de vida, que englobam os critérios clínicos, o contexto social
e o envolvimento subjectivo;
-promove a advocacia social;
-favorece o trabalho em rede e promove a mobilização dos recursos formais
e informais, em função das múltiplas necessidades do doente e família;
-avalia com a equipa interdisciplicar, partilhando informações relevantes para
a prossecução dos cuidados de saúde.
Reflexão: O Serviço Social participa activamente na gestão do processo de
doença incurável e irreversível, respondendo às diversas necessidades, e
procura garantir o conforto, a qualidade de vida e a dignidade humana.
P 27
Os Silêncios em Cuidados Paliativos – A primazia
da presença Humana
Ângela Simões, Hosp. Amato Lusitano
“O silêncio que nos permita sentir a presença de alguém, juntinho de nós,
e que, mesmo entre o burburinho dos gestos, nos escute sem falarmos.”
(1) p.94
O silêncio evoca em nós o diálogo com a vida, e faz-nos ouvir muitos outros
sons, profundamente benéficos, que estão abafados pela sonorização neurótica e doentia, do quotidiano. No silêncio podemos ouvir a voz da nossa
própria interioridade. Os nossos clamores estão revelados no som da culpa
angustiante, do espírito inquieto, da tristeza profunda, da agonia “silenciosa”
de uma noite mal dormida, ou não dormida. É no silêncio que aprendemos a
ouvir a voz do coração, e a desenvolver silenciosamente um diálogo, às vezes
difícil mas saudável, connosco mesmos.
Diante da palavra “silêncio” tudo se cala. Tudo, menos a curiosidade de encontrá-lo em meio de palavras e sons. As respostas sucedem-se na cronologia do tempo dedicado a cada uma das nossas conversas, mas cabe a cada
um de nós desvendar na palavra do outro o que em nós não cala. Compartilhando no dito o não dito, somos convidados a adentrar no inusitado universo do doente, entre palavras, onde o tempo transcorrido entre uma visita
e outra nos conduz com suavidade àquela que a sucede. A singularidade,
expressa as múltiplas possibilidades que o silêncio evoca. O que escutamos
aqui, acorda também em nós a possibilidade de vivê-lo – na medida das
possibilidades de cada um – não enquanto meta, mas especialmente como
caminho. Porta para o indizível, o Silêncio, convida-nos a encontrar no dissonante das vozes, o silêncio em nós. Escutar activamente o doente é fazer
calar a voz interior que tem absoluta necessidade de responder a tudo com
palavras. estar atento ao silêncio é estar à escuta do que o outro vive de mais
profundo. (2) Mas, segundo Bergold, o silêncio não é mutismo nem ausência
de som audível, porque o silêncio terapêutico envolve necessariamente uma
consciência activa. (3) Sempre que nos relacionamos com doentes terminais,
o silêncio é uma possibilidade à nossa espera. Esse silêncio aguarda-nos, no
nosso trabalho diário, porque “a matéria do silêncio existe, por vezes insiste,
e sempre espera o momento de se dizer, com pertinência, na plenitude do
sentido em que pode ser escutada.” (4) p.5
Quando entramos no quarto de alguém que se aproxima da morte sente-se
de imediato o silêncio, que se distingue nitidamente da azáfama do exterior.
Este silêncio convida-nos a entrar no recolhimento interior do próprio doente.
“O silêncio compartilhado com alguém que tem asas no coração e está a
partir é contemplativo. Não é preciso impor palavras, pois quem se despede
diz tudo, sem dizer nada.” (5) p.87
Após a perda de um doente, cada profissional deveria reservar para si um
período de recolhimento, de escuta interior, de silêncio. “O silêncio permite
fazer um intervalo no teatro da vida. Leva-nos aos bastidores onde os papéis
são novamente recordados e actualizados. Depois desse instante de descanso e de encontro com a nossa intimidade, preparamo-nos para entrar de
novo em cena.” (6) p.2
Respeitar o silêncio do doente pressupõe um profundo respeito pela sua personalidade, um acto profissional sublime em que se manifesta a capacidade
26
III CONGRESSO NACIONAL DE CUIDADOS PALIATIVOS
ética do profissional de saúde. É, provavelmente, no momento de aceitação
serena da morte que proliferam os períodos de silêncio. O doente já não
quer explicações; a sua mente intui a grande verdade. Nesses momentos os
profissionais de saúde não devem abandonar o doente. Devem manter esse
silêncio, um olhar compreensivo, um suave toque de mãos. Devem estabelecer um melhor diálogo, nunca um conjunto de palavras vãs. Cuidar é também
escutar atentamente, estar presente, partilhar o silêncio, cumplicidade, parar,
deixar-se interpelar e emocionar. É acolher… Porque “ Ao sentir-se acompanhado, quem parte, vai-se libertando da dor e quem acompanha percebe
«que tudo o mais é silêncio»” (5)
Bibliografia:
1- Sá, E. Chega-te a mim e deixa-te estar. Dafundo. Oficina do Livro. 2005
2 -Mendes, L.N.M. Sssh…Silêncio. 2002. In: http//www.terrasdabeira.com,
consultado a 15/01/2006
3-Bergold, L. Music for care humanization. Online Brazilian Journal Of Nursing. 2003. In: www.uff.br/nepae/objn203bergoldsobral.htm, consultado em
22/01/2006
4 -Jacob, a. Introdução à filosofia da linguagem. Porto. Rés-Editora. 1984
5 -Teixeira, M.M. O doloroso silencio de quem cuida. Coimbra. Cadernos de
Bioética. 2002;98:83-87
6 -Bifulco, V.A. Falando de morte. In: http//www.oncoguia.com.br, consultado
a 21/01/2006
P 28
Apoio à família em cuidados paliativos
Ana Manso; Floripes Marques; Isabel Antunes – Escola Superior de Saúde
Dr. Lopes Dias, Castelo Branco
A família é a pedra basilar no apoio ao doente terminal, sem a sua participação activa dificilmente se alcançam os objectivos que se estabelecem
para acompanhamento do doente terminal. Assim sendo, a família do doente
em cuidados paliativos também tem de ser objecto da nossa intervenção e
apoio, uma vez que durante o percurso da doença vão-se desenrolar nos
seus membros uma série de alterações e “sintomas”. Sintomas que ao contrario dos do doente terminal não são visíveis e só serão perceptíveis pela
equipa caso esta esteja atenta e através de frequentes interrogações acerca
das suas necessidades, para assim estabelecer um plano de intervenção de
modo a ajudar a família a cuidar do seu doente.
O facto do familiar poder ajudar, a fazer alguma coisa pelo seu doente, ajudao a passar de um espectador impotente a um cuidador, que contribuirá para
que seja menos difícil ver morrer.
P 29
O uso da via subcutânea em Cuidados Paliativos
Edison, Graça Coito, José Braga, Paula Banha, Otília Vieira - Alunos do III
Mestrado em Cuidados Paliativos, FML
Em Cuidados Paliativos a via Subcutânea (S. C.) é utilizada para:
- administração de fármacos;
- administração de líquidos (hipodermoclise).
Técnica para a utilização da via S.C.:
- local de eleição de punção;
- tipo de agulhas utilizadas;
- técnica;
- cuidados a ter.
Hipodermoclise:
- definição
- indicações
- tipo de soro
- ritmo de perfusão e volume.
Administração de fármacos:
- bólus
- infusão continua (tipo de infusores)
Tipo de fármacos a administrar:
- fármacos habitualmente utilizados por vis S.C.;
- mistura de três fármacos compatíveis.
Bibliografia:
Porta.J. Gómez-Batiste.X,Tuca.A. Control de Sintomas en pacientes com
Câncer Avanzado y terminal,2004,Arán Ediciones
NOTAS:
11 a 13 Outubro 2006 Seminário de Vilar Casa Diocesana Porto
27
ORGANIZAÇÃO
www.ancp.pt
COMISSÃO DE HONRA
> MINISTRO DA SAÚDE>
> BASTONÁRIO DA ORDEM DOS MÉDICOS>
> BASTONÁRIO DA ORDEM DOS FARMACÊUTICOS <
> BASTONÁRIO DA ORDEM DOS ENFERMEIROS <
> PRESIDENTE DA ADMINISTRAÇÃO REGIONAL DE SAÚDE DA ZONA NORTE <
> PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DOS MÉDICOS DE CLÍNICA GERAL>
> DIRECTOR GERAL DE SAÚDE <
> PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DO PORTO <
> COORDENADORA NACIONAL PARA A SAÚDE DAS PESSOAS IDOSAS E CIDADÃOS EM SITUAÇÃO DE DEPENDÊNCIA <
COMISSÃO ORGANIZADORA
COMISSÃO CIENTÍFICA
PRESIDENTE: Isabel Galriça Neto
PRESIDENTE: Paula Sapeta
> Edna Gonçalves
> Lourenço Marques
> Miguel Tavares
> Ana Bernardo
> Cristina Galvão
> Isabel Costa
> João Mota Dias
> Nélia Trindade
> José Eduardo Oliveira
> Helena Salazar
> Manuel Luís Capelas
PATROCÍNIOS CIENTÍFICOS
> Madalena Feio
> Conceição Pires
> Telmo Baptista
PATROCÍNIO PRINCIPAL
PATROCÍNIOS
SECRETARIADO
Calçada de Arroios, 16 C,
Sala 3. 1000-027 Lisboa
T: +351 21 842 97 10
F: +351 21 842 97 19
E: [email protected]
W: www.admedic.pt
28
III CONGRESSO NACIONAL DE CUIDADOS PALIATIVOS
AGÊNCIA DE VIAGENS OFICIAL DO CONGRESSO
Calçada de Arroios, 16 C,
Sala 3. 1000-027 Lisboa
T: +351 21 841 89 50
F: +351 21 841 89 59
E: [email protected]
W: www.admedictours.pt
Alvará Nº 1270/2005

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