A NECESSIDADE de reconectarcom a NATUREZA

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A NECESSIDADE de reconectarcom a NATUREZA
Meditatio Newsletter- Outubro 2012
Newsletter da Comunidade
Mundial para Meditação Cristã
(The World Community For
Christian Meditation - WCCM)
EDIÇÃO INTERNACIONAL, 36(3); OUTUBRO 2012 - www.wccm.org
A NECESSIDADE de reconectar com a NATUREZA
NESTE NÚMERO
O Seminário John Main 2012 ajudou-nos a refletir sobre a crise ambiental e mostrou que a
contemplação é uma verdadeira fonte de esperança
2
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Um encontro pessoal
com a natureza na Amazônia
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Mick Lowcock
Um meditante no deserto
australiano
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The Book of the Heart Stages of Contemplation
(O livro de coração -estágios da
contemplação)
e Jean Vanier- palestras –
JMS 1992, em CD
2
Meditatio Newsletter– October 2012
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De manhã cedo, quando a densa
noite amazônica começava a ser redimida
pela luz do dia, eu ia até o pequeno cais, para
meditar à beira do rio. Em São Paulo ou em
Los Angeles, em Sydney ou em Londres, o
dia de trabalho também começa nessa hora,
quando os seres humanos começam seu
deslocamento, leem os jornais, tomam um
cappuccino e preparam-se para a luta pela
sobrevivência. Aqui também, na selva, há
um aumento evidente nos níveis de atividade. O reino animal acorda para trabalhar.
Porém aqui, mais parecia a transição do
repouso natural e profundo. Era um ritual da
natureza, um novo começo de uma celebração antiga, uma expansão de ação em paz,
em vez de uma batalha. Os conflitos das
espécies, a sobrevivência dos mais aptos, o
matar para comer, motores de seu ciclo de
vida, não constituíam pecado. Havia predadores, mas não opressores, aqueles cujo tempo de vida acabou, mas não vítimas. O frescor e a pureza da manhã refletiam essa ordem natural como o rio refletia a crescente
intensidade do sol.
Do outro lado do rio veio um barulho
que distraiu minha atenção da constante
sinfonia da vida - o rio e a selva ao longo da
qual ele fluía, o zumbido dos insetos e pássaros, o mergulho dos peixes que pulavam e
ondulavam a água lisa, e os incontáveis sussurros não identificáveis que povoam o dia e
a noite. A selva amazônica é silenciosa. Mas,
como qualquer meditante sabe, o silêncio
não é a ausência de ruído, é a inocência essencial do ser, a existência em harmonia com
a própria natureza, a união entre o si-mesmo
e tudo o que é o outro.
Foi difícil localizar esse ruído novo, estranhamente agressivo, mas também triste e
perturbador. Ele vinha de algum lugar - ali,
ou atrás de mim, ou a jusante. Por um momento, pareceu quase humano e em um
lampejo de imaginação vi uma carga de
escravos que eram levados rio abaixo para
seu futuro sem esperança. Em contraponto,
vozes individuais ocasionalmente dominavam o coro desse discurso pré-linguístico os machos alfa, disseram-me depois, fazendo valer seus direitos sobre os macacos uivantes, seus companheiros. Senti-me seguro
por ter nomeado e localizado o ruído. Os que
seguem a versão literal perguntam-se como
Adão poderia ter nomeado todas as espécies
Uma carta de Laurence Freeman
animais em um único dia. Mas, como guardião da criação, ele precisava dar-lhes nomes, a fim de entendê-los e ver quão maravilhosamente eles formavam um todo unificado.
Aqueles que leram o relato bíblico da
criação à luz da meditação sabem que há
muitas maneiras de medir o tempo e que o
trabalho de entender a vida reforça o sentimento de admiração. Minha associação dos
uivos dos macacos à melancolia humana
tornou-se menos antropocêntrica. O barulho
assumiu seu lugar na orquestra da milagrosa
biodiversidade do mundo, à qual o homem
pertence para servir, e não para explorar.
Tantas espécies, tantos universos paralelos a
meu redor. Quanto mais vemos e entendemos, mais vasto se torna o mundo, e mais ele
reflete a glória refulgente e sem limites de
sua origem. Como diz Santo Agostinho,
“Em todas as coisas naturais existe algo de
“Em
sua verdadeira natureza,
todas as coisas são belas:
Deus contemplou toda a sua
obra, e viu que tudo era muito
bom.”
maravilhoso.”
O crescendo de energia silenciosa na
selva amazônica é intensificado na luz do
amanhecer, e acalma-se novamente ao pôr
do sol. Nos dois momentos, é intensamente
pacífico. Você sente que a paz é uma energia, um poder que vitaliza e renova tudo o que
toca. Ele envolve o mundo, mas sem possessividade. Nossa capacidade para essa paz é
ilimitada, mas tem que ser ampliada gradualmente. Se recebemos demais, ou muito depressa, podemos sentir-nos ameaçados e até
mesmo, paradoxalmente, assustados. Mas,
por ser energia, ela pode ser transmitida
(Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou).
Quando estamos perto de uma pessoa cujo
coração está cheio de paz, nosso próprio
coração é aberto para além de todas as restrições impostas pela ansiedade, por medo ou
raiva. Mas, mesmo na presença mais forte da
paz e do mistério do amor do qual ela emana
- tudo o que é real deriva do amor - somos
livres, e a paz também pode ser recusada.
Sentir esta paz natural à beira do rio liso
como vidro, enquanto os pássaros dançam
acima, e o céu vai clareando, como um irresistível sorriso humano, que você sabe que
não vai lhe deixar na mão, é encontrar-se de
novo. É ser restaurado para a harmonia da
natureza – num estado de shalom no qual
ficamos em ressonância com toda a criação,
com todos os seres, na bela ordem do cosmos. Nestas condições, compreender a paz
apenas como uma ausência de conflito ou
como fuga do perigo - como fazem os seres
humanos urbanos em seus presídios de segurança máxima, em que andam sob o olhar
frio de câmeras de segurança - é simplesmente não estar lá. É perder o dom da paz, e
estar muito longe, em um mundo ilusório.
Tal ressonância com todas as formas da
natureza faz dos seres humanos que a experimentam mais presentes para si mesmos e
para os outros, mais vivos, mais em casa no
universo - e mais naturais. Ela nos perdoa e
nos abençoa. A selva, a natureza real, sempre
nos dá uma segunda chance. É um canal da
graça. Sua miríade de sistemas vitais, e todas
as rotinas sincronizadas de vida levam inexoravelmente à sua realização. A firme determinação de que tudo na natureza tem de ser
cumprido pode parecer impessoal. A presença humana mal parece ser reconhecida. Mas,
no ser humano que sente dentro de si essa
ressonância, é uma presença que embora não
tenha consciência de si, não pode ser experimentada sem despertar um tipo de consciência mais profunda. Ela não está tentando ter
sucesso a custa dos outros, mas simplesmente ser, porque a vida existe para florescer.
O que pretendemos significar pela expressão “natureza” – seria a selva que as
pessoas, em ótica moderna, ao mesmo tempo temem e romantizam, e muitas vezes
preferem encontrar no cinema, em vez de
encontrá-la na realidade? Seria nosso verdadeiro si-mesmo essencial que, se nos sentimos em harmonia com ele, faz-nos sentir
bem? O natural é bom, o antinatural não,
porque é falso. A natureza de Buda? A união
das naturezas divina e humana na pessoa de
Cristo? Muitas vezes usamos a palavra
“natureza” vagamente, outras tantas, contraditoriamente – e no entanto, ela aponta para
algo que experimentamos continuamente.
A “verdadeira natureza” de qualquer
coisa é sua essência irredutível, sua identidade real. Quando somos “naturais” estamos
Meditatio Newsletter- Outubro 2012
sem adornos, nossas máscaras foram deixadas de lado e penetramos através dos filtros e
camadas da identidade do ego que tão facilmente nos induzem à ilusão. Ser natural, ser
nós mesmos, é perceber o sentimento de
autorrecuperação. Descobrir o nosso verdadeiro si-mesmo - de novo - é o coração de
uma autoconsciência isolante e culpada. De
todas as numerosas perguntas de Deus à
humanidade “Quem te revelou que estavas
nu?” é uma das mais desconcertantes, porque revela como Deus nos conhece e ama
melhor do que conhecemos ou amamos a
nós mesmos.
toda a recuperação, de toda cura. É a grande
volta para casa da vida e, talvez, de todas as
coisas na natureza, a conclusão da grande
oscilação de volta para a fonte. Quando este
avanço acontece em nós - após árduo trabalho interior e abundante graça - somos abençoados com um novo grau de confiança e de
paz. Nossos “falsos eus”, que têm dificuldade de lidar com as decepções e as perdas da
vida, são relativizados. Quando os tomamos
como verdade, somos levados à amargura
ou ao desespero. Ao passo que, ao estarmos
em harmonia com o nosso si-mesmo, podemos ficar admirados com nossa capacidade
de, mais do que sobreviver às provações da
vida e suportá-las com esperança, até mesmo
florescer nas épocas de aflição.
Os místicos chamam frequentemente de
nudez da alma o estado no qual nós somos
um com o nosso verdadeiro eu. A Nuvem do
Não Saber diz que quando meditamos chegamos, depois de algum tempo, a uma
“consciência nua de nós mesmos”. Em um
dos poemas de Rumi ele canta: “Então, isto é
amor ... de repente, estar nu no farol da verdade.” Estar nu espiritualmente, como estar
nu fisicamente, é um sinal de confiança, uma
aceitação daquela força autêntica que só é
encontrada na vulnerabilidade e honestidade
absolutas. A vergonha de Adão e Eva, quando ficaram nus diante de Deus, mostra como
a humanidade começou sua dolorosa jornada para a maturidade. Eles já tinham caído de
sua inocente harmonia com a natureza para
A busca humana fundamental é sempre
a de nossa verdadeira natureza. Ela se realiza
tanto por diminuição e renúncia quanto por
aquisição e sucesso. Não somente as grandes
experiências e realizações, mas também as
perdas e desapego – e talvez ainda mais estes
– guiam-nos em uma alegre e pacífica volta
para casa, para o surpreendente reconhecimento do óbvio: que somos quem somos e
nada mais. Contudo, o milagre da natureza
não para por aí. À medida em que nos tornamos mais naturais a nós mesmos (menos
inibidos, mais atentos aos outros, mais capazes de maravilhar-nos) também despertamos
para a nossa harmonia com toda a natureza com outros seres humanos e com o próprio
“mundo natural”.
Este aprofundamento da ressonância da
natureza foi o tema do Seminário John Main
no Brasil, em agosto, quando refletimos
sobre a lgação entre espiritualidade e meio
ambiente. A verdade que fomos levados a
compreender melhor é que nossa crise ecológica aconteceu porque a humanidade simplesmente age de modo antinatural e insensato com sua casa terrestre. Não conseguimos ver e ressoar com a rica relação entre
nossa natureza humana e toda a ordem natural. É nesta relação que a beleza do mundo
nos é revelada e, nesta beleza, a misteriosa
radiância de Deus, cujo ser está em todas as
coisas - que, como diz São Paulo, é “tudo em
todos”. Em sua verdadeira natureza, todas as
coisas são belas: Deus contemplou toda a sua
obra, e viu que tudo era muito bom. Quando
vemos isso, vemos com a mente de Deus.
“Seremos salvos pela beleza”. Em O
Idiota, de Dostoiévski, esta idéia é colocada
como uma pergunta galhofeira ao Príncipe
Myshkin, retratado como parecido com
Cristo, que ele não responde. Não é uma
esperança fácil de descartar. Não é
um lugar-comum, que pode ser usado para recobrir o trabalho ascético
necessário para purificar nossos modos de percepção, para que possamos experimentar a beleza dessa
forma redentora. Myshkin diz apenas
que “a beleza é um enigma”. Mas,
em outras passagens, Dostoiévski
expressou sua crença de que “o mundo se tornará a beleza de Cristo”.
Aqui ele antecipou Simone Weil,
que tão sensivelmente sentiu a beleza do mundo, mesmo (ou especialmente) através das tragédias de sua
vida e de seu tempo: “A beleza do
mundo é o terno sorriso de Cristo
para nós, que nos vem através da
matéria.”
Quando escapamos de uma cidade populosa e poluída ou nos arrancamos de rotinas viciantes e estressantes do estilo de vida moderno,
quando vamos para a natureza – às
vezes simplesmente um parque ou
jardim na cidade – a palavra “lindo”
nos vem à mente. Que palavra melhor, mais simples, podemos encontrar? Olhamos a vista, aspiramos o ar
puro, carregado de novos sabores
orgânicos, sentimos a textura das
plantas com nossos dedos e vemos o
mundo animal, reconhecendo-nos
nele. A experiência coletiva de todos
esses canais da consciência constitui
o que chamamos de “beleza”. Imerso
no mundo natural, sentimos dissolverem-se os hábitos não naturais de
nossa mente. Recobramos a perspectiva. Recuperamos nossa verdadeira
natureza. Enquanto estamos neste
modo de ser, não somos capazes de
explorar ou prejudicar o meio ambiente, porque seria verdadeiramente, e
sentiríamos que era, uma autoflagelação. Enquanto estamos assim em
harmonia com a natureza, vêmo-la
simplesmente como um dom, misterioso e natural, a ser apreciado, compartilhado e protegido igualmente
por todos.
Nesse estado mental sensível, a
beleza desperta a dimensão espiritual. Um sentido do transcendente fun-
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de-se com a sensação de estarmos
profundamente enraizados na realidade física que nos revela o belo. No
pensamento clássico, a beleza é a
manifestação do todo através de uma
parte. A influência curativa e a redentora da beleza pode ser entendida
dessa forma. Não vamos para a natureza simplesmente para deixar, por
um fim de semana, um estilo de vida
desequilibrado, para ficar longe de
tudo isso. Não gostamos de coisas
belas apenas em nível estético elitista, como vestir roupas elegantes
quando vamos a um concerto ou ópera. Quando estamos verdadeiramente abertos ao impacto da beleza
em nossas mentes, almas e corpos,
somos mudados. As doenças de nossa alma começam a ser curadas. E
quando o todo se dá a nós na parte,
todo o nosso ser é acariciado.
Santo Agostinho disse que só
podemos amar o que é belo. Isso
significa que o amor revela a beleza,
mesmo em coisas ou pessoas que
não nos parecem inicialmente tão
bonitas. Quantas vezes vemos que, à
medida em que nossa primeira impressão de alguém esfumaça, pois
era baseada em aparências superficiais ou preconceitos, vem à tona uma
visão mais profunda e nossa resposta
a esta pessoa muda totalmente. Sentimo-nos incomodados por nosso
erro de julgamento, e deixamos que
ele desapareça. Sua verdadeira natureza é agora mais visível e ressoamos com ela a partir de uma parte
mais simples, mais verdadeira, do
nosso ser. Talvez seja isso o que nos
espera no final da vida, independente
de quão equivocadamente escolhemos viver. Todos os nossos modos
de ver e saber serão fundidos na
grande simplicidade curativa quando
virmos Deus. Naquele instante de
pura percepção - da beleza sempre
antiga, sempre nova - não seremos
capazes de resistir ou evitar apaixonarmo-nos pelo amor que sempre
nos envolveu. E assim seremos salvos.
Uma vida sem beleza é uma meia
-vida, trágica e tristemente deformada em sua capacidade de autotranscendência e ternura. Muito do malestar e dos padrões perigosos de nossa crise global surgem dessas deficiências radicais interiores. A comerci-
Meditatio Newsletter– October 2012
alização da educação, os fracassos da
religião em conectar-se com as pessoas em crise, a despersonalização
das nossas instituições e a paranóia
da
nossa
preocupação
com
“segurança”, a nossa perda de moderação nas coisas materiais e nossa
fuga para a distração, em vez de encontrar nossa verdadeira natureza na
contemplação - esses são sintomas
que constituem e agravam as causas
básicas de nossa crise. A instabilida-
país ou canadenses à sua vasta área
natural ao norte. As poucas áreas de
natureza intocadas do planeta que
ainda sobrevivem re-encantariam o
nosso mundo se as visitássemos com
coragem, simplesmente do jeito certo. Elas poriam em cheque nossos
hábitos auto-destrutivos, não por
fazer-nos sentir culpados – as pessoas modernas são geralmente imunes
à culpa –, mas pela experiência de
admiração e reverência pela beleza
de financeira preocupa-nos mais obsessivamente neste momento; todavia, por trás disso, e piorando cada
vez mais, está o ambiente em deterioração, como um ramo em que toda
a humanidade está sentada. Como
viciados fixados em manter seu suprimento, negamos o principal problema e suas consequências. Como
podemos extrair-nos desta crise em
espiral, se não lembrarmos o que
significa amar a nós mesmos e como
podemos amar a nós mesmos se recusamos amar a terra que nos alimenta e revela tal beleza para nós?
Assistir os maravilhosos documentários de TV que passam nos
canais dedicados à natureza não resolve. A verdadeira maravilha da
natureza está no tempo real e no encontro pessoal. Quando eu disse às
pessoas que ia passar um tempo na
Amazônia antes do Seminário, quase
todos me falaram dos perigos - as
cobras, as aranhas e os insetos venenosos. Muito poucos brasileiros já
foram até lá, assim como poucos
australianos foram ao centro do seu
que encontramos lá.
O medo do deserto, das áreas selvagens, seria então suplantado por
um amor pela natureza, que inclui a
natureza humana em todas as formas. Foi essa barreira do medo que
os grandes pioneiros do espírito enfrentaram e superaram quando foram
para as áreas isoladas, Elias e Jesus
para o deserto, os primeiros monges
cristãos para Scetis e Nitrea, Bento
em sua caverna remota, os rishis da
Índia para a floresta.
O medo do deserto reflete o nosso medo de entrar no silêncio e imobilidade no centro de nosso próprio
ser. A meditação é atraente – como o
são a selva, o deserto ou as altas
montanhas. Mas é sempre mais fácil
ler sobre meditação, ou pesquisar
sobre ela, do que abraçar a disciplina
de uma prática diária. Esse, no entanto, é o consenso de todas as tradições espirituais: não há transformação – nem conversão, nem iluminação – sem a prática. Rituais exteriores, ortodoxia de crença, conformidade a convenções ritualísticas não
Meditatio Newsletter- Outubro 2012
podem substituir uma prática contemplativa que vai ao coração da
pessoa e, dali para o coração do
mundo. Como disse Evágrio, um
mestre da sabedoria do deserto,
guardar os mandamentos não basta
para curar completamente as potências da alma, porque também precisamos da contemplação para penetrar no centro profundo do coração.
Apatheia, a saúde da alma, exige a
prática contemplativa. Este ensinamento foi o centro de nossa contribuição para o Seminário Meditatio
sobre saúde mental, que reuniu profissionais da área em diálogo com
professores de diferentes tradições
espirituais. Também é fundamental
para o Seminário sobre Dependência, que acontecerá no final do mês
de outubro. O mistério da totalidade
e os poderes de cura estão em nossa
verdadeira natureza, nas áreas intocadas do coração.
As grandes verdades precisam ser
redescobertas e reformuladas por
cada geração. Transmitimos pistas e
símbolos para os nossos sucessores,
mas temos que reviver a busca e,
assim, renovar e ampliar a tradição
na qual fluimos. A história da humanidade é, portanto, revivida no desenvolvimento pessoal de cada indivíduo, ainda que o indivíduo não
saiba disso até que o trabalho esteja
bem avançado, e que progressos irreversíveis tenham ocorrido. Em nossas vidas pessoais, vemos como os
tempos de quebra estão muitas vezes
relacionados a momentos de avanço.
Nem sempre acontece, e parece haver mais quebras do que avanços; e é
por isso que temos de responder às
crises pessoais com tanta ternura e
preocupação com o indivíduo. Nem
todo mundo parece ter sucesso, ao
menos da primeira vez. Mas talvez a
quebra seja a condição necessária
para toda evolução e crescimento. Se
tudo corresse bem, não precisaríamos procurar novos modelos da realidade que nos ajudassem a melhorar
a adaptação à mudança das circunstâncias. Em uma utopia maçante de
segurança máxima e complacência,
jamais poderíamos despertar para as
verdades universais, jamais veríamos
além da nossa zona de conforto.
Historicamente, talvez o maior
avanço da consciência, cuja influência a humanidade ainda está assimi-
lando, tenha sido o que os historiadores chamam de idade axial, a descoberta do mundo humano interior.
Este foi o resultado de muitos avanços que divulgaram esta sabedoria
do coração humano através das grandes tradições religiosas e de seus
mestres emblemáticos, os profetas
hebreus, os autores dos Upanishads,
Lao Tsé, Confúcio, o Buda. No entanto, esses avanços ocorreram em
momentos de grande agitação social
e instabilidade e seus mestres - inclusive Jesus, que pode ser visto como seu herdeiro e ápice cultural –
conheceram mais o fracasso do que
o sucesso.
Essa perspectiva da história humana como parte da grande história
“Precisamos sentir que estamos em casa, no deserto, na
selva ao lado do grande rio.”
da evolução da natureza promove
humildade e esperança. Ela não nos
impede de cometer novamente os
mesmos erros, mas ajuda a entender
melhor quando erramos. Ela nos
guarda dos piores excessos do egoísmo coletivo, a ilusão antropocêntrica
que nos permite explorar os recursos
naturais e os membros mais vulneráveis da humanidade. Estes são os
verdadeiros problemas morais de
nosso tempo. Mais profunda do que
a moral, entretanto, está a dimensão
espiritual. Nossa saída da crise exige, em primeiro lugar, uma consciência gerada espiritualmente. Isto é,
uma consciência nascida da atenção
pura, antes que ela se revista do pensamento, que é boa antes de tentar
fazer o bem.
A evolução da consciência desde
os estágios primordiais parece ser
impulsionada por nossa capacidade
de atenção. À medida em que nossa
atenção se torna mais ampla e mais
profunda, nossas formas de organização social e a cultura evoluem.
Quando a atenção encolhe e se torna
autofixada, o ser humano é diminuído e a sociedade se dissolve. Nossa
distração crônica, nossa incapacidade de prestar atenção em qualquer
coisa por mais de alguns minutos, ou
até mesmo para lembrar e absorver o
que ouvimos, são sintomas de um
mal-estar generalizado que afeta a
dimensão espiritual e que também
mina os valores essenciais de qualquer vida civilizada.
Nossa capacidade de contemplação – vista tão claramente na criança
e naqueles que humildemente abraçaram seu próprio processo de cura –
está ligada a esse instinto natural
para desenvolver nosso dom da atenção. Em animais e talvez até mesmo
em plantas, sentimos esse poder da
atenção. Na selva, você nunca se
sente sozinho. Mas, quando o dom
humano da atenção é desenvolvido,
ele desabrocha em algo puro e centrado no outro. Ele é includente. Ele
abre o olho do coração, que nos capacita a ver Deus em todas as coisas,
reconhecer a atenção divina em todos os níveis de consciência e em
todas as formas da natureza.
Simplesmente, são estes os frutos da meditação. Para reuni-los e
replantá-los para os que vierem depois de nós, precisamos, acima de
tudo, da amizade humana – a comunidade criada pela meditação, que
também apóia a prática. Mas também precisamos de amizade com o
mundo natural. Precisamos sentir
que estamos em casa no deserto, na
selva ao lado do grande rio. Precisamos rir da exuberância brincalhona
dos pássaros decorados surrealmente, que usam cocares e cores carnavalescas. Precisamos nos ver nessas
formas mais simples de vida e recordar nossa capacidade de brincar, pelo
prazer e pela simplicidade. Quando
for preciso, então, voltarmos nossa
atenção para os complexos problemas que confrontam nosso mundo,
vamos nos sentir menos sós, menos
isolados na ilha da consciência humana. De fato, veremos mais contemplativamente, e agiremos com
mais sabedoria.
Laurence Freeman, OSB
Com muito amor,
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Meditatio Newsletter– October 2012
A necessidade reconexão com a natureza
O Se minário John Main 2012 mostrou que a contemplação é uma importante
fonte de esperança para a questão ambiental
Espiritualidade e natureza. Estes
assuntos tão interrelacionados estiveram muito fortemente presentes no
Seminário John Main de 2012, realizado em agosto, em Indaiatuba, perto de São Paulo, Brasil. Representan-
tes de 12 países da Comunidade Mundial de Meditação Cristã foram ouvir o
Professor Leonardo Boff e Frei Betto
OP. Antes do seminário, D. Laurence
Freeman pregou o retiro “Seja quem
você é”, também em sintonia com o
tema principal. Após o seminário, um
grupo de peregrinos foi às Cataratas
do Iguaçu, na “tríplice fronteira” (Brasil, Argentina e Paraguai),
para viver uma experiência de meditação e poder da natureza.
Pedimos o depoimento de alguns
participantes sobre a experiência do
JMS 2012. No próximo ano, este, que
é o mais importante evento da
WCCM, será realizado em Hong
Kong.
riquezas naturais do Brasil. As Cataratas do Iguaçu foram a escolha
óbvia. As visitas ao Parque Nacional das Cataratas do Iguaçu, ao
exótico Parque das Aves e à enorme Usina de Itaipu foram muito
apreciadas. Queremos estender nossos sinceros agradecimentos a todos
os que contribuíram para o sucesso do
JMS 2012, e desejar boa sorte à comunidade de Hong Kong, na realização do JMS 2013.
Jane Serrurier, UK
Roldano Giuntoli, Brasil
Em fins de 2010, decidimos
aceitar o desafio de realizar o Seminário John Main 2012. A escolha natural para o local foi a Vila
Kostka, a 110 km de distância da
cidade de São Paulo.
A preocupação com a sustentabilidade do meio ambiente resultou
na escolha do tema do Seminário
“Espiritualidade e Meio Ambiente”, pois 2012 era o ano da Conferência Mundial Eco Rio 92+20,
também no Brasil. Poucos brasileiros teriam tanto renome, no âmbito
internacional, sobre esse tema
quanto os do professor Leonardo
Boff e o de Frei Betto OP.
Eles apresentaram palestras igualmente profundas, e complementares. A abordagem acadêmica
do Prof. Boff foi equilibrada pela
maneira mais coloquial de Frei
Betto. “Seja quem você é” foi o
tema das muito apreciadas palestras de D. Laurence, no Retiro PréSeminário.
Decidimos realizar também,
como extensão do Seminário, a
contemplação de uma das muitas
Senti que nossa Comunidade era
uma “Comunidade Mundial” de um
jeito que eu ainda não tinha entendido. O calor e a energia gerados por
nosso encontro no Brasil encheramme de um sentimento de respeito e
admiração ao nível do espetacular
encontro com as Cataratas do Iguaçu! As realidades quânticas de nossa
interconexão, com nós mesmos e
com o mundo em que vivemos, e
nosso lugar neste vasto universo
em expansão, exigem que sondemos nossos corações e mentes
(...) a harmonia que você experimenta, por exemplo, com a natureza quando vê um lindo dia, uma bela vista, um céu
maravilhoso. Nesses momentos de revelação, temos um lampejo de que é disso que se trata: uma sensação de unidade
com a natureza, com nós mesmos, com os outros.
Meditatio Newsletter- Outubro 2012
com uma nova urgência. O “grito da
terra” por uma nova ecologia, reciprocidade e respeito só pode acontecer se abraçarmos o desafio real de
uma espiritualidade contemplativa,
abrindo-nos ao Infinito.
∙∙∙
Vila Kotska e seu belo parque, a
boa comida, a organização cuidadosa de todo o evento. Foi uma
experiência de paz e de graça, para
divulgar e compartilhar em nossas
comunidades nacionais e regionais,
em nossos grupos de meditação,
bem como para ser atentos e aprofundarmos o engajamento, seja
pessoal ou comunitário, com o professor interior da meditação diária.
Agradecemos profundamente à
WCCM, especialmente em seu ramo
brasileiro, aos organizadores, aos palestrantes e aos participantes pela oportunidade de compartilhar este evento importante para alimentar o nosso
caminho na meditação cristã.
...
Rev. Stuart Fenner, Austrália
Vindo da Austrália, o continente
mais seco do mundo, para o Brasil,
conhecido pelos seus recursos hídricos e pela floresta, senti-me estranhamente em casa, no meio da vibrante comunidade de meditantes
brasileiros e dos cerca de 40 estrangeiros vindos de vários países. O
silêncio faz isso – chama a atenção
das pessoas para a sua unidade essencial, ao invés de suas diferenças.
O alarme e a ansiedade que sentimos, ouvindo a exposição Leonardo
Boff sobre a terrível situação do planeta, transformou-se em esperança
quando ele nos assegurou que a idéia
de nos juntarmos aos outros em meditação é essencial para salvar o planeta. O doloroso silêncio do isolamento causado pelo individualismo e
pelo consumismo deve ser substituído pelo silêncio curativo da espiritualidade contemplativa .
...
Marina Müller, Argentina
Foi uma experiência intensa e
maravilhosa, em que prevaleceu a
harmonia, compartilhando a amigável convivência de todos os participantes em sua diversidade e
unidade, a transmissão de conteúdo profundo, a beleza natural e
artística, as questões tratadas, a
agradável e confortável casa da
Fred Jass, Canadá
Durante a Conferência, ocorreu -me que, quando as ciências descobrirem a impor tância da oração, pr incipal mente da oração silenciosa,
para limpar os meios de comunicação do cri me e do pecado que os poluem, e se eles
publicarem os resultados como publicam infor mações do
mercado de ações, ent ão estaremos no caminho certo para
limpar a Mãe Terra poluída .
...
Magda Jass, Canadá
Sol quente, povo acolhedor, belo
ambiente, e um monte de pessoas
voltados uns aos outros e para o meio ambiente. D. Laurence falou sobre
a necessidade de ser quem somos,
sobre a beleza, e destacou que somos
parte da natureza. Leonardo Boff
disse-nos que estamos utilizando os
recursos da terra mais rápido do que
eles podem recuperar-se. Frei Betto
compartilhou um pouco de sua história pessoal. A peregrinação às Cataratas do Iguaçu foi uma imersão e
participação na beleza e na natureza.
Todos abriam um grande sorriso. Tal como a oração contemplativa, foi uma experiência
indescritível.
Lina Lee, Agnes Wong, Pamela Yeung, de Hong Kong
Nossos corações resplandecem pela participação no Seminário John Main. Como meditantes, sentimo-nos encorajadas
quando Boff disse que, embora
os recursos humanos sejam finitos, quanto mais meditamos,
mais
aumentamos
nosso
“capital espiritual”, a fim de
amar e cuidar de tudo. Betto
ressaltou que os direitos humanos e a dignidade são partes
inseparáveis que integram essas
duas arenas.
Agradecemos aos nossos amigos da comunidade brasileira
por sua hospitalidade calorosa,
por realizar este seminário tão
cintilante, tão mágico e de uma
atmosfera tão familiar. Obrigado, Senhor, por soar um acorde
de harmonia através deste seminário, para que possamos ser
fortalecidos pelo nobre espírito
de John Main - principalmente
agora, que é a nossa vez de organizar o Seminário de 2013 .
Vemos vocês em Hong Kong!
Deo Gratias!
Meditação e
Medicina
O médico gerontologista brasileiro Dr. Fernando Bignardi, pesquisador do Centro de Ecologia Médica
Florescer na Mata, em São Paulo,
fez uma palestra durante o Seminário sobre a necessidade de uma abordagem multidimensional e transdisciplinar na saúde física e mental.
Está sendo planejado um Seminário Meditatio sobre Meditação e
Saúde no Brasil.
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Meditatio Newsletter– October 2012
vis
Entre
ta
Leonardo Boff: “A
contemplação pode
curar o planeta”
leva a um compromisso social,
um compromisso com um mundo melhor.
Você destacou a gravidade
da situação ambiental. Com o
apoio da espiritualidade, é possível ter mais esperança de reverter a situação?
Frei Betto OP (a esquerda) e Leonardo Boff
Por Leonardo Correa
Frei Betto: “A meditação nos leva a ultrapassar o estilo de vida consumista”
Você observou que a meditação é contra o consumismo. Então, isso ajuda a levar o novo
paradigma para um bom caminho?
Betto: É verdade. A meditação é o mergulho dentro de si
mesmo, uma introspecção, e
leva as pessoas a descobrirem
que a felicidade não está fora,
mas dentro delas. Assim, numa
sociedade em que toda a publicidade tenta induzir uma idéia
de felicidade baseada em bens
materiais e em prazeres devidos
ao que é consumido, a densidade espiritual alcançada por um
meditante certamente cria um
comportamento anticonsumista.
Então, neste caso, ajuda a
construir um paradigma de solidariedade?
Betto: Exatamente. Porque a
meditação não deve ser considerada como narcisismo espiri-
tual, ou distanciamento da realidade, ou como um fim em si.
Ela precisa dar frutos, frutos de
amor, de serviço, de solidariedade, de participação, para a
construção de um mundo melhor. Este é o desafio da meditação.
Você
falou
sobre
os
“perigos” da meditação. Como
evitá-los? Basta estar consciente deles? Ou será que a comunidade pode ajudar aqui?
Betto: Precisamos fazer parte de uma comunidade. E a comunidade não deve ver a meditação como um fim porque,
neste
caso,
caímos
em
“solipsismo” espiritual. É como
o uso egocêntrico de uma prática de meditação, que pode ser
chamada de qualquer coisa, menos cristã. Porque, no Evangelho, Jesus frequentemente enfatiza que “pelos seus frutos conhecereis a árvore”. Então, a
oração não é válida se não nos
Boff: É preciso pensar em termos
da física quântica. Na física quântica, a
matéria não existe, tudo é energia: até
a matéria é energia, altamente condensada. E a energia organiza-se em redes.
A lei básica da energia é que tudo
tem que estar em tudo em todos os
pontos, em todos os movimentos e em
todas as circunstâncias. As energias se
entrelaçam. Assim, a energia espiritual
é, provavelmente, a energia mais poderosa. E podemos cultivar esta energia. Ela não fica presa em nós. Ela
entra na rede de energia, fortalecendo
os mais fracos e os mais ameaçados.
Então, entendo que os místicos e os
contemplativos são aqueles que fazem
as revoluções moleculares, as revoluções silenciosas. No silêncio, eles geram energia que será importante para o
casal ser fiel, para garantir que o militante social seja transparente, para evitar que o político seja corrompido e
para garantir que ele continue a servir
o povo.
Todas as formas geram energias que circulam. Assim, o misticismo e a contemplação são
fontes importantes de geração de
energias positivas que podem
curar nosso planeta doente e reforçar suas energias, e sempre
ajudarão e fortalecerão tudo que
é bom, luminoso, decente e santo.
Meditatio Newsletter- Outubro 2012
ditatio
otícias Me
N
Neste verão, muitos hóspedes
bem-vindos, e muitos bons amigos
vieram ficar na nova Casa Meditatio, em Londres e, apesar do imprevisível clima inglês, tivemos
momentos felizes no jardim. Dissemos adeus a Francisco Wullf,
que passou o último ano como oblato na casa, como parte da equipe Meditatio, e que agora volta
para o Canadá; e demos as boas
vindas a Mike Rathbone, um professor de música da Inglaterra, e a
Lucy Beck, dos EUA. A Casa Meditatio continua sua rotina diária
de meditação, três vezes ao dia, e
tem um novo programa de eventos.
Meditatio realizou um Seminário em York, no início deste ano,
sobre saúde mental, com mais de
160 participantes, que reuniu profissionais de diferentes tradições
de fé. Organizou também, em Londres, um animado diálogo entre D.
Laurence Freeman e Alan Wallace,
um
budista
tibetano,
sobre
“Salvação ou Iluminação?”. O programa de meditação com crianças
Por Briji Waterfield
continua a florescer, e realizamos
Foruns Meditatio nas Filipinas, na
Indonésia, em Cingapura e na Irlanda - onde professores e diretores reuniram-se para ouvir como
podemos apresentar a meditação
para crianças. No próximo ano, a
Polônia, os EUA e, esperamos, o
Canadá, também sediarão estes
eventos, tendo Cathy Day e Ernie
Christie, da Austrália, como palestrantes. Meditatio agora pretende
desenvolver o tema da meditação e
da dependência (adicção), no seminário de 30 de outubro, em Londres. Todos os seminários são gravados, e as publicações de Meditatio
são disponibilizadas em nosso site.
Meditatio programa também uma
nova aventura no próximo ano - o
lançamento do Centro Internacional
Meditatio em St Marks, Londres. Pretendemos desenvolvê-lo como espaço público de reunião e centro de
treinamento. Esperamos que essa
localização urbana seja um espaço
contemplativo, onde os meditantes
possam reunir-se com outros em
comunidade, amizade, e extensão.
Publicações
THE BUSINESS OF SPIRIT
(Presença do Espírito no
Mundo dos Negócios )
Resultante do Forum Meditatio
realizado na Univesidade de Georgetown, EUA, no qual os líderes de
organizações que operam em nível
de responsabilidade global falam de
sua experiência pessoal da prática
da meditação e de seu lugar em sua
vida profissional. Eles dão testemunho da necessidade de uma abordagem verdadeiramente iluminada
para os negócios, em que a espiritualidade informa a liderança e onde
a contemplação é inseparável da
ação.
MEDITATION & ADDIC
TION [Meditação & Adicção]
Este livreto é um guia para
aqueles que estão interessados
no papel que a meditação pode
ter em ajudar as pessoas a recuperar-se de todos os tipos de
vícios. Ele dá informações e
incentivo a essas pessoas - e
aos que as apoiam.
ISBN 978-0-9571040-7-5 Preço £ 2,00
APOIE O NOSSO TRABALHO:
Torne-se um Amigo
Este ano, nossa comunidade completa 21 anos. A simplicidade do
ensino essencial continua sendo o
coração da comunidade e isso, acredito, moldou e guiou nosso crescimento até hoje. As raízes penetram
mais fundo e os ramos espalham-se como a semente de mostarda do Evangelho.
No Seminário John Main no Brasil, sobre espiritualidade e meio ambiente, vimos o quanto é necessário
desenvolver uma nova consciência
contemplativa para nossos desafios
globais. Ele esclareceu, para mim, o
significado de nossa extensão para as
crianças, para as pessoas em recuperação, para os presos, para os doentes mentais, os pobres e esquecidos,
bem como para o mundo em desenvolvimento, além do nosso trabalho
com milhares de grupos regulares de
meditação semanal.
Nossa missão é grande, e nossas
necessidades financeiras são relativamente modestas. Temos compromissos que exigem uma renda anual
estável. Por favor, ajude-nos tornando-se um “Amigo”. Sua colaboração
anual nos inspira e constitui apoio
prático a nossa missão diária.
Tanto o Reino Unido quanto os
EUA agora gerenciam seus próprios
programas “Amigo” em nome da
WCCM. Para doações ao programa
“Amigo” no Reino Unido, por favor
acesse
www.christianmeditation.org.uk, nos EUA, por
gentileza acesse www.wccm-us.org.
Para todas as outras doações, acesse
www.wccm. org. Se você tiver dúvidas sobre o programa “Amigos”,
entre em contato com Carla Cooper,
em [email protected]
Obrigado por compartilhar esta
visão e ajudar a transmitir o dom,
tornando-se um Amigo da Comunidade Mundial.
Para doar online, visite a página
“Amigos” em www.wccm.org/
content/donate.
Laurence Freeman, OSB
10
Meditatio Newsletter– October
s
Evento
Retiro Nacional da
Austrália
O Retiro Nacional da Austrália foi
realizado em julho, em Melbourne, com
o tema Etapas da Contemplação: O caminho de subida é o caminho de descida,
com cerca de 200 participantes.
ONLINE: As palestras de D. Laurence Freeman estão disponíveis para
download no www.wccm.org
Meditação com crianças -turnê asiática
Seminário Meditatio sobre Meditação com Crianças na Irlanda
A Irlanda realizou um Fórum Meditatio sobre Meditação com Crianças – “Um presente para a Vida” –
em Dublin, no dia 2 de outubro, com
220 participantes. Charles e Patricia
Posnett (coordenadores do Reino
Unido para Meditação com Crianças), Laurence Freeman, OSB, Maria
Savage (professora em Belfast) e
Kim Nataraja (Diretora da Escola de
Meditação da WCCM) foram os oradores.
Retiro na Califórnia
A dra. Cathy Day, Ernie Christie (da Austrália) e D. Laurence Freeman fizeram uma série de palestras sobre Meditação com crianças na Indonésia,
Filipinas e Cingapura, para incentivar a prática entre professores, alunos e pais.
ONLINE: confira um vídeo
sobre a turnê em nosso Canal
do
YouTube
(em
www.wccm.org)
Em setembro, mais de 80 meditantes acolheram D. Laurence no
Centro de Retiros San Damiano, em
Danville, Califórnia, para um fim de
semana de silêncio e meditação. O
tema do retiro foi “Primeira Vista - a
Experiência da Fé.”
Retiro na Holanda
Pela primeira vez na Holanda, D.
Laurence conduziu um retiro de meditação silenciosa em setembro, para
cerca de 70 participantes.
Novo programa em
Georgetown
Um programa de meditação
para a Business School da Universidade de Georgetown, foi
lançado em 25 de setembro, numa sessão dirigida por Laurence
Freeman e Sean Hagan, Diretor
Jurídico do FMI (acima), à qual
compareceram numerosos estudantes e professores. O Deão David Thomas, que também estava
presente e participou de toda a
reunião, dirigiu a palavra ao grupo para expressar seu forte apoio
à idéia de incluir a meditação na
formação de futuros líderes empresariais.
A alta visibilidade do lançamento foi seguida na semana seguinte, por uma sessão de trabalho regular mais discreta, isto é,
por uma meditação silenciosa de
vinte minutos, em uma das salas
de aula da Business School, que
foi precedida por uma palestra
introdutória do diretor do Centro
John Main, Gregory Robison.
O plano é continuar as sessões
de final de tarde às terças-feiras
até o fim do período letivo e, no
próximo período, começar a incluir módulos de meditação em
cursos de Comportamento Organizacional.
ONLINE: veja vídeos desse
evento em nosso canal no YouTube (em www.wccm.org)
Meditatio Newsletter- Outubro 2012
o
Em Foc
Mick Lowcock, Austrália
Meu primeiro retiro com a
WCCM foi no Monte Oliveto,
que é bem longe de Mount Isa,
Queensland, na Austrália. Ao
chegar, encontrei D. Laurence
Freeman, que me disse “Vou ao
Mount Isa no ano que vem” e
Desley Deike na recepção que
me disse: “Você veio mesmo de
Mount Isa? Foi de lá que vim, e
estudei, antes de ir para a Inglaterra.” Sem dúvida, senti-me em
casa, entre amigos, que eu nunca
tinha encontrado. D. Laurence
veio para Mount Isa e a idéia de
enviar um noviço oblato da comunidade de meditação para uma
espécie de estágio nasceu quando
Pierre Corcoran veio passar três
meses em Mount Isa.
Entre as várias lembranças de
diversas situações, recordo o dia
em que Pierre chegou, eu dirigindo o carro, com Pierre sentado
no banco de trás, ao lado do caixão, para dar espaço de modo a
caber o caixão. Era uma viagem
para um funeral em uma comunidade aborígene. A atuação de
Pierre fez uma grande diferença
para alguns dos nossos aborígenes enquanto esteve aqui. Ele ia
toda segunda-feira ao Grupo de
Homens Aborígines, e apresentou-lhes a meditação para encerrar os encontros. Essa prática
continuou, principalmente porque eu garanti a ele que não a
deixaria morrer. Nós terminamos
nosso “Grupo de Homens Yurru
Ngartathati” com um tempo para
refletir sobre a reunião de duas
horas e com um tempo para meditação. Eu nunca pensei que isso seria tão importante para al-
“Estou realmente convencido de que a meditação me
ajudou a relaxar e a permitir
que os efeitos físicos do acidente se dissipassem”
guns deles, que precisavam da
paz e da cura interior que ela oferece.
No voo de volta para casa,
depois de seis meses fora, com
vários retiros e experiências em
minha mente e coração, lembro
de ler no avião, na revista
“Time” que tinha um cérebro na
primeira página, com um artigo
descrevendo como a meditação
pode mudar a estrutura do cérebro. Minha experiência mostroume que isso é certamente verdade.
Sofri um grave acidente de
carro, há alguns anos, logo depois de passar a direção para um
companheiro, no dia conhecido
como Melbourne Cup Day, na
Austrália. Quando fui levado a
um hospital local na cidade do
Meditatio Newsletter (4 números por
ano), editada pela Comunidade Mundial
para Meditação Cristã (The World Community For Christian Meditation St Mark’s, Myddelton Square, Londres
EC1R 1XX, UK
(tel +44 20 7278 2070 / fax +44 20 7713
6346)
Email: [email protected]
(Copyright The World Community for
Christian Meditation)
interior, para observação, tive
algum tempo de repouso, e eu
apenas foquei a janela e, com o
mantra em meu coração, passei
algum tempo em meditação, enquanto a equipe do hospital acompanhava a grande corrida de
cavalos. No dia seguinte, eu não
sentia qualquer dor, e quase nenhum efeito do acidente, a não
ser pelo trauma que experimentei
por algum tempo.
Estou realmente convencido
de que a meditação me ajudou a
relaxar e a permitir que os efeitos físicos do acidente se dissipassem. Sei que ela pode nos curar de muitas maneiras, mesmo
que não tenhamos consciência
disso.
Meu simples tempo de meditação quase diária permite-me
estar focado durante o dia, ser
curado sem ter consciência do
fato, e carregar uma carga que eu
talvez não conseguisse sozinho.
Ela realmente me põe em contato
com os princípios básicos da vida espiritual, e encerra louvando
o Pai, o Filho e o Espírito Santo
pelo que foi, que é e que será. Que
grande maneira de começar o dia e
de ver Deus dentro e fora.
Breve reflexão do Frei Mick Lowcock, Paróquia Bom Pastor, Mount
Isa, Diocese de Townsville. Queensland, Austrália.
Editor: Leonardo Corrêa ([email protected]m.org)
Projeto Gráfico: Gerson Laureano
Tradução:Evangelina Oiveira
Arte Final:Ângela Reis
Revisão:Jader Britto
Coordenadora Internacional: Pauline Peters
([email protected])
Coordenadora, Centro Internacional, Londes: Susan
Spence
([email protected])
Página Web da Comunidade: www.wccm.org
Página Web Medio Media: www.mediomedia.org
12
Resenh
Meditatio Newsletter– October
a
The Book of de Heart - Stages of Contemplation [O
Livro do Coração -Etapas da
Contemplação]
Retiro de Silêncio no Monte Oliveto
2012 Por Laurence Freeman OSB
Embora não possamos medir a
jornada espiritual, certamente podemos identificar etapas que nos ajudam a perseverar e a compreender o
que está acontecendo conosco. Nessas palestras esclarecedoras, Laurence Freeman utiliza uma série de esculturas medievais da Catedral de
Chartres para ilustrar este jornada de
uma forma surpreendentemente pessoal e contemporânea. O símbolo do
livro pode ser visto como o próprio
coração, abrindo-se em etapas de um
processo de conhecimento espiritual
que leva à progressiva transformação
no amor. Ao ligar essas etapas à prática da meditação, D. Laurence faz
reviver essa antiga sabedoria em
nossa experiência diária.
Catálogo # 6244 ISBN 978-981-073822-8
Conjunto 6-CD Preço no varejo US$
34,90 e £ 22,50.
From Brokenness to Wholeness [Do estilhaçamento à
integridade]
Por Jean Vanier
Seminário John Main 1992
Geralmente
nos fechamos
em nossa produtividade e na
atividade estéril para evitar olhar a dor interior. E negamos
nossas feridas porque tememos
a crítica. A mais profunda busca do coração humano, diz Vanier, é a do amor incondicional,
como aquele experimentado pela mulher no poço, quando Jesus pediu-lhe de beber. Nós
também precisamos experimentar essa aceitação incondicional. Segundo Vanier, a meditação abre o espaço onde podemos encontrar o coração de
Cristo, ser quem somos em toda
extensão de nossa ferida e permitir-nos ser curados. Tal encontro, então nos libertará para
sair de uma visão de rivalidade
e competição para a de ajudar
outros a encontrar seu lugar e
exercitar seus dons.
Jean Vanier é um filósofo
canadense, humanitário e fundador da L'Arche, uma federação internacional de casas coletivas para pessoas com deficiências de desenvolvimento e
para aqueles que os ajudam.
Esta é uma reedição digitalmente aperfeiçoada do Seminário John Main conduzido por
Jean Vanier, em Londres, em
1992. Desde então, a amizade
entre L'Arche e a comunidade
mundial foi aprofundada. Ele e
Laurence Freeman vão conduzir
um retiro juntos no centro internacional L'Arche em Trosly,
França, de 22 a 26 de maio de
2013.
Catálogo # 6246 ISBN (a ser
confirmado)
Conjunto 6-CD preço no varejo US$ 34,90 £ 22,50
Para comprar: Página da Meditação Cristã na Amazon: http://astore.tamazon.com/w0575-20
Outras opções:

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