EFEITOS DO CRUZAMENTO DE PACU, Piaractus mesopotamicus

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EFEITOS DO CRUZAMENTO DE PACU, Piaractus mesopotamicus
EFEITOS DO CRUZAMENTO DE PACU, Piaractus mesopotamicus, COM
TAMBAQUI, Colossoma macropomum, SOBRE AS MEDIDAS MORFOMÉTRICAS
DE JUVENIS AOS 140 DIAS DE IDADE
Moacyr Antonio Serafini, Rilke Tadeu Fonseca de Freitas, Marcelo Gomes de Araujo,
Rafael Vilhena Reis Neto*, Ivan Bezerra Allaman, Thiago Archangelo Freato,
Ana Carolina Pinotti da Silva Rocha e Lizandra Vercezi Rossato
*Rua Dr Genésio Botelho Pereira, 158, Alphaville, Lavras-MG. E-mail [email protected]
Resumo
Com o objetivo de avaliar a influência das medidas morfométricas dos juvenis de
Tambaqui (Colossoma macropomum), Pacu (Piaractus mesopotamicus) e seus híbridos
Tambacu (♀ tambaqui x ♂ pacu) e Paqui (♀ pacu x ♂ tambaqui) foi montado um
experimento no Setor de Aqüicultura da Escola Agrotécnica Federal de Colatina, ES
(EAFCOL - ES), no qual foram utilizados 40 alevinos de cada grupo genético, com 140 dias
de idade. Foram isolados em quatro grupos genéticos ( G1- pacu, G2- tambaqui, G3- tambacu
e G4- paqui), alojados em viveiros de terra, especialmente preparados, em densidade inicial
de 200 alevinos /m2. Os animais foram alimentados com ração comercial conforme indicação.
Os dados obtidos foram submetidos a análise de variância seguindo um modelo estatístico que
considerou as seguintes fontes de variação: grupo genético, covariável peso de abate e erro
aleatório associado a cada observação, NID(0,σ2), e as médias dos grupos genéticos
comparadas pelo teste de agrupamento de Scott-Knott a P<0,05. Avaliaram-se as medidas
morfométricas concluindo-se que há efeito de heterose para as medidas de altura (AC, A1, A2
e A3) e comprimentos das regiões do tronco (D1) e caudal (D2).As medidas AC, A2, D1 e D2
são influenciadas pela espécie utilizada como fêmea nos cruzamentos.As larguras, nas
diferentes regiões do peixe, não apresentam efeito de heterose e parecem ser determinadas
pela a espécie utilizada como macho nos cruzamentos e que maneira geral, os juvenis de
tambacu apresentam melhor formato, pois agregam maior altura nas regiões 1 e 2 (A1 e A2) e
maior comprimento a região da cauda, sem alterar as maiores larguras apresentadas pela
espécie Pacu.
Introdução
O tambaqui é a principal espécie amazônica cultivada no Brasil e pode atingir, na
natureza, peso ao redor de 30 quilos, de fácil produção de alevinos e rápido crescimento. É
cultivado em todo o Brasil, com risco de mortalidade durante os meses de inverno (regiões
Sul e Sudeste), onde a água pode atingir temperaturas abaixo dos 17oC, seu cultivo tem sido
realizado nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, onde o clima é favorável e com boa
aceitação no mercado. A criação em sistema semi-intensivo apresenta ótimos resultados com
produção dividida em duas fases: recria e engorda, durando aproximadamente um ano. A uma
densidade de 1 peixe/m2 o tambaqui pode chegar ao peso médio final de 1800g e
sobrevivência de 100% ( Souza, 1998).
O pacu é originário das bacias do Rio Paraguai (Pantanal Mato-Grossense) e do Prata
(que drena o Rio Grande, o Rio Paraná e o Rio Tietê), atingindo 20 quilos na natureza. O
consumo de pacu é mais restrito aos estados da região centro-oeste, principalmente o Mato
Grosso e o Mato Grosso do Sul, onde a pesca é abundante. O pacu resiste a concentrações de
oxigênio de 3mg/L e tem boa tolerância ao clima do Sudeste e Sul do País (Ferraz de Lima,
1988). A criação em sistema semi-intensivo apresenta ótimos resultados com produção
dividida em duas fases: recria, engorda, chegando 1,5 kg em um ano.
O cruzamento entre tambaqui e pacu tem sido normalmente utilizado nas pisciculturas,
revelando a superioridade dos híbridos para desempenho produtivo. Entretanto, faltam
estudos que avaliem os efeitos do cruzamento entre estas espécies e da heterose sobre as
medidas morfométricas de seus produtos. A forma externa do corpo do peixe pode inflênciar
os redimentos e tem grande importância na escolha do processamento realizado pela indústria,
influenciando nas operações de decapitação, evisceração e limpeza geral, por métodos
manuais e mecanizados; no dimensionamento das caixas, câmaras e outros implementos para
a armazenagem; na adequação e no rendimento da carne quando pré-processada na forma de
corpo limpo, postas ou filés; e na velocidade de resfriamento e de congelamento na indústria
(Contreras-Guzmán, 1994).
Este trabalho foi realizado com o objetivo de avaliar o efeito do cruzamento de
tambaqui (Colossoma macropomum) com pacu (Piaractus mesopotamicus) e da heterose
sobre as medidas morfométricas de juvenis aos 140 dias de idade.
Material e Métodos
Foram utilizados nesta pesquisa juvenis de quatro grupos genéticos gerados a partir
do cruzamento dialélico completo entre tambaquis e pacus, ou seja, produtos do encontro de
gametas de fêmeas pacu e machos pacu (G1); fêmeas tambaqui e machos tambaqui (G2),
fêmeas tambaqui e machos pacu (Tambacu, G3) e fêmeas pacu e machos tambaqui (Paqui,
G4). Os alevinos de cada grupo genético, cinco após dias a eclosão, foram criados
separadamente, sob a mesma densidade populacional (200 alevinos/m2) e alimentados com
ração comercial (extrusada e moída) com 55% de PB em base de 18% da biomassa, em
diferentes viveiros escavados no Setor de Aqüicultura da Escola Agrotécnica Federal de
Colatina (EAFCOL - ES).
Ao completarem 140 dias e após jejum por 24 horas, retirou-se aleatoriamente uma
amostra de 40 juvenis de cada grupo genético, perfazendo um total de 160 indivíduos, que
depois de insensibilizados por cheque térmico, mortos por anóxia e pesados, foram
submetidos à avaliação morfométrica obtendo-se as seguintes medidas métricas em
centímetros: comprimento padrão (CP) compreendido entre a extremidade anterior da cabeça
e o menor perímetro do pedúnculo caudal (região da inserção da nadadeira caudal);
comprimento da cabeça (CC) compreendido entre a extremidade anterior da cabeça e a borda
caudal do opérculo; altura da cabeça (AC) compreendida entre a extremidade ventral e a
dorsal da cabeça; larguras (Li) e Alturas (Ai) do corpo tomadas nas seguintes regiões (i) do
corpo do peixe: á frente do 1º raio das nadadeiras dorsal (L1 e A1) e anal (L2 e A2) e na
menor circunferência do pedúnculo caudal (L3 e A3); e as distâncias entre a borda caudal do
opérculo e a regiões 2 (1º raio das nadadeiras dorsal) e entre as regiões 2 e 3 (menor
circunferência do pedúnculo caudal) denominadas como D1 e D2, respectivamente
(Figura 1).
Os dados obtidos foram submetidos a análise de variância seguindo um modelo
estatístico que considerou as seguintes fontes de variação: grupo genético, covariável peso de
abate e erro aleatório associado a cada observação, NID(0,σ2), e as médias dos grupos
genéticos comparadas pelo teste de agrupamento de Scott-Knott a P<0,05. Foi calculada a
heterose total (h) para cada uma das medidas morfométricas avalidas, por meio da seguinte
formula:
h(%) = {[(G3+G4)/2]-[(G1+G2)/2]}/ [(G1+G2)/2]x100
Figura 1. Avaliação morfométrica dos peixes redondos (Pacu).
Resultados e Discussão
De acordo com resultados (Tabela 1), verificou-se que o Pacu difere (P<0,01) do
tambaqui para quase todas as medidas morfométricas avaliadas, apresentando medidas
similares com relação A1, A2 e D1 e maiores valores para as medidas de AC, L1, L2 e A3.
Com exceção das larguras, constatou-se efeito de heterose para todas as medidas
morfométricas, sendo que a média dos híbridos foi maior do que a média dos puros para as
características CC, A1, A2, A3 e D2. Os maiores graus de heterose positiva e negativa foram
observados para as características A1 (8,88%) e AC (8,86%) respectivamente.
Os híbridos não diferiram entre si quanto às características CP, CC, A1 e A3, sendo
similares ao pacu para as medidas CP e A3 e ao tambaqui para CC e A1. No entanto,
mostraram-se divergentes para AC, A2, D1 e D2, demonstrado haver diferenças em função
da espécie utilizada como fêmea nos cruzamentos, sendo o cruzamento que envolveu fêmeas
tambaqui (tambacu) apresentou maiores médias para A2 e D2 e menores para AC e D1
quando comparado aquele que envolveu fêmeas pacu. Com relação as larguras, observou-se
similaridade entre os híbridos somente para a variável L2, a qual foi estatisticamente igual a
do pacu. Para L1 e L3 os híbridos que apresentaram os maiores valores foram aqueles
oriundos dos cruzamentos cuja espécie utilizada como macho foi aquela que também
apresentou maior valor, demonstrando haver um efeito paterno para estas medidas.
Tomando o Pacu como referencia verifica-se que, de maneira geral, o híbrido de
melhor formato foi o tambacu, pois agregou maior altura nas regiões 1 e 2 (A1 e A2) e maior
comprimento a região da cauda, sem alterar as maiores larguras caracterizada na espécie
Pacu.
Tabela 2. Valores médios (cm), corrigidos para o peso médio de 22,74g, por grupo genético
e de heterose total das medidas morfométricas de juvenis com 140 dias de idade.
Grupos Genéticos
Medidas
Pacu
Tambaqui
Tambacu
Paqui
Heterose(%)
CP
8,55 b
8,87 a
8,54 b
8,63 b
-1,40
CC
2,49 b
2,65 a
2,70 a
2,65 a
4,10 **
AC
3,05 a
2,86 b
2,43 c
2,96 a
-8,86 **
A1
4,07 b
4,10 b
4,47 a
4,42 a
8,88 **
A2
3,00 c
3,06 c
3,28 a
3,16 b
6,29 **
A3
0,79 a
0,76 b
0,81 a
0,81 a
4,36 **
L1
1,24 a
1,06 c
1,22 a
1,14 b
2,23
L2
0,98 a
0,84 b
0,94 a
0,93 a
2,37
L3
0,38 b
0,40 a
0,38 b
0,41 a
0,53
D1(tronco)
3,55 a
3,52 a
3,21 b
3,55 a
-2,89 **
D2(cauda)
1,60 c
1,72 b
1,95 a
1,59 c
6,95 **
Letras diferentes na mesma linha determinam médias diferentes pelo teste de Scott-Knott. (P<0,05).
** (P<0,01); * (P<0,05)
Conclusão
Há efeito de heterose para as medidas de altura (AC, A1, A2 e A3) e comprimentos
das regiões do tronco (D1) e caudal (D2).
As medidas AC, A2, D1 e D2 são influenciadas pela espécie utilizada como fêmea
nos cruzamentos.
As larguras, nas diferentes regiões do peixe, não apresentam efeito de heterose e
parecem ser determinadas pela a espécie utilizada como macho nos cruzamentos.
De maneira geral, os juvenis de tambacú apresentam melhor formato, pois agregam
maior altura nas regiões 1 e 2 (A1 e A2) e maior comprimento a região da cauda, sem alterar
as maiores larguras apresentadas pela espécie Pacu.
Agradecimentos
Nossos agradecimentos a Escola Agrotécnica Federal de Colatina (EAFCOL - ES) que
proporcionou as condições necessárias para a realização deste trabalho.
Referências
CONTRERAS-GUZMÁN, E. S. Bioquímica de pescados e derivados. Jaboticabal: FUNEP,
1994. 409 p.
FERRAZ de LIMA,J.A; FERRARI,V.A; COLARES de MELO,J.S. et. al. Comportamento
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2004. p. 27- 39.
KUBTIZA, F. Coletânea de Informações Aplicadas ao Cultivo do Tambaqui, do Pacu e de
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p. 27, mai./jun. 2004. p. 13- 23.
SOUZA, V.L; Efeitos da restrição alimentar e da realimentação no crescimento e
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