nunca antes na história desse país

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nunca antes na história desse país
Informativo
10
Setembro denº2011
outubro / 2011
Informativo
nº 10
NUNCA ANTES NA HISTÓRIA DESSE PAÍS...
o Africano foi responsável por uma única zoonose até outubro de 2011.
“Você pode enganar algumas pessoas o tempo todo ou todas as pessoas durante algum tempo, mas você não
pode enganar todas as pessoas o tempo todo.” (Abraham Lincoln)
Eu tive uma surpreendente revelação
enquanto fazia o fichamento dos artigos
para o meu mestrado: o Caracol Africano
nunca transmitiu uma única zoonose no
Brasil até hoje, Outubro de 2011, muito
embora, isso seja possível, em condições
muito especiais.
O Achatina (Lissachatina) fulica (Bowdich,
1822), por exemplo, ainda não foi responsabilizado no país, por um único caso de Angiostrongilíase
abdominal,
uma enfermidade
causada
pelo
verme A. costaricensis
e
que
tem
diversos
hospedeiros nativos.
Caldeira, Mendonça &
Goveia (2007) citam
que o verme
A.
cantonensis, responsável pela Meningite Eosinofílica
(ME), a pior enfermidade associada ao
Africano, foi provavelmente
introduzido no Brasil através de ratos
parasitados em navios, pois tanto Cariacica, Vila Velha (ES) e São Vicente (SP)
constituem importantes zonas portuárias
(p. 888). Para Júnior et al (2010) a distribuição silvestre do A. cantonensis no
Brasil é provavelmente o resultado de
múltiplas introduções do parasita por ratos contaminados durante o período do
Brasil Colônia devido ao intenso comércio
colonial com o continente Africano. A descoberta do nematódeo A. cantonensis
[...] longe do litoral, na região do Vale do
rio Paraíba e a observação da
variabilidade morfológica intra-específica dos
vermes adultos, corrobora para a
confirmação essa hipótese
(JUNIOR et al., 2010, p. 940).
Nenhum dos quatro casos de
ME provocados pelo verme A. cantonensis e descritos na literatura brasileira
desde 2007 foram provocados pelo Africano!
Em 2007, os dois
primeiros casos de ME
no Brasil, ocorridos
em Cariacica, ES, foram provocados por
uma lesma VERONICELLIDAE, Sarasinula marginata
(Semper, 1885)(Caldeira; Mendonça & Goveia 2007; Thiengo et al
2010).
Em 2008, o caso de Escada, PE, foi provocado provavelmente pelo caramujo límnico nativo Pomacea lineata Spix,
1827, a única espécie encontrada no peri
-domicílio do paciente infestada pelo ver-
Informativo AchatinaNews n° 10 / Outubro /2011 / p. 01
(>)
Informativo AchatinaNews n° 10 / Outubro /2011 / p. 02
MOLUSCOS VETORES DE DOENÇAS PARASÍTICAS NO BRASIL
(•) Relação sinóptica das doenças parasíticas estudadas, vermes envolvidos e respectivos moluscos
vetores ocorrentes no estado de Santa Catarina, SC
1
DOENÇA
VERME PARASÍTICO
MOLUSCO VETOR
Veiculação Hídrica
Gastropoda—Pulmonata
ESQUISTOSSOMOSE
Schistosoma mansoni
Biomphalaria Glabrata
(caramujo)
Incidente Transmissão ativa
Homem agente dispersor
(Platyhelminthes —Trematoda)
Verme chato/plano Digenético
B. straminea (caramujo)
B. tenagophila (caramujo)
(•) Relação sinóptica das doenças parasíticas estudadas, vermes envolvidos e respectivos
moluscos vetores ocorrentes no estado de Santa Catarina, SC
2
DOENÇA
VERME PARASÍTICO
MOLUSCO VETOR
(Gastropoda—Pulmonata)
Fasciola hepatica
(Platyhelminthes—Trematoda)
Verme chato/plano
Digenético
Lymnaea columella
(caramujo)
L. viatrix (caramujo)
Veiculação Hídrica
(•) Fonte: AGUDO-PADRÓN (2006 - Com modificações)
FASCIOLOSE
Incidente
Transmissão passiva
Homem agente dispersor
(•) Relação sinóptica das doenças parasíticas estudadas, vermes envolvidos e respectivos
moluscos vetores ocorrentes no estado de Santa Catarina, SC
3
DOENÇA
VERME PARASÍTICO
MOLUSCO VETOR
Veiculação Terrestre
ANGIOSTRONGILÍASE
Emergente
Transmissão passiva
Homem não agente dispersor
Angiostrongylus
costaricensis
(Aschelminthes—Nematoda)
Verme cilíndrico
Belocaulus angustipes (lesma)
Bradybaena similaris (caracol)
Helix aspersa (caracol/escargot)
Phyllocaulis soleiformis (lesma)
P. variegatus (lesma)
Sarasinula linguaeformis (lesma)
Sarasinula marginata*
S. plebéia (lesma)
Deroceras laeve (lesma)
Limacus flavus (lesma)
Limax maximus (lesma)
Pomacea canaliculata (caramujo)
* Espécie não reportada no Estado
Informativo AchatinaNews n° 10 / Outubro /2011 / p. 03
(•) Até agora, a Angiostrongilíase abdominal encontra-se sub-diagnosticada
em Santa Catarina, restringindo-se/concentrando-se os escassos registros conhecidos apenas a 2 Municípios Agropecuários Rurais: Nova Itaberaba, próximo à cidade de Chapecó, e São Lourenço d’Oeste, próximo
a cidade de Pato Branco, na divisa com o Estado do Paraná, PR, apresentando este último inclusive registros clínicos de óbitos humanos.
Áreas endêmicas rurais na região Oeste com transmissão focal da doença,
envolvendo confirmadamente pelo menos
2 das espécies de moluscos terrestres.
(•) Relação sinóptica de doenças parasíticas com potencial ocorrência,
vermes envolvi dos e respectivos moluscos vetores no
estado de Santa Catarina, SC
DOENÇA
VERME PARASÍTICO
(Gastropoda—
Prosobranchia)
Caramujos
(•) Fonte: AGUDO-PADRÓN (2006 - Com modificações)
Veiculação Hídrica
PARAGONIMÍASE HUMANA OU Paragonimus westermani
SOLHA DO PULMÃO
(Platyhelminthes—
Transmissão passiva
Trematoda)
Homem agente dispersor
Verme chato/plano
Digenético
CLONORQUÍASE
Transmissão passiva
Homem agente dispersor
Clonorchis sinensis
(Platyhelminthes —
Trematoda)
Verme chato/plano
Digenético
Veiculação Terrestre
ANGIOSTRONGILÍASE
MENINGOENCEFÁLICA OU
MENINGITE
Transmissão passiva
Homem não agente dispersor
MOLUSCO VETOR
Heleobia piscium
(=australis ) (caramujo)
Melanoides tuberculatus
(caramujo)
Melanoides tuberculatus
(caramujo)
(Gastropoda—Pulmonata)
Caracóis
Angiostrongylus
cantonensis
(Aschelminthes—Nematoda)
Verme cilíndrico
Achatina fulica (caracol)
Sarasinula marginata (lesma)*
Pomacea canaliculata
(caramujo)*
Pomacea lineata (caramujo)*
*Ocorrência confirmada no Brasil
Informativo AchatinaNews n° 10 / Outubro /2011 / p. 04
me
A. cantonensis.
O
Achatina transmissão dessas doenças parasí(Lissachatina) fulica apesar de ter sido ticas temos hoje, apenas "caramujos
encontrado no local, não esnativos envolvidos", confirmadamentava parasitado pelo A.
te, embora eles sejam "aquáticos
cantonensis (Thiengo et
límnicos"... pelo que valendo em
al 2010).
tempo aquela sua importante
Neste mesmo ano, três
dica de "consumo só ameses depois, ocorreu
pós passar por panela
mais um caso em Perde pressão"...
nambuco, na cidade de
"consumo cru nem
Olinda e que, de acordo
pensar", ao estilo
com a anaminese médica,
do que tradicionalfoi também provocado pemente se faz com
lo caramujo límnico nativo
as deliciosas
Pomacea lineata (Lima
"ostras mariet al 2009; Thiengo et al
nhas", por exem2010).
plo... mas não por
Há ainda uma citação feiisso têm que ir à
ta
por
Caldeira(2007,
loucura coletiva do
p.887) de um óbito 10 diextermínio! :-(
as após a ingestão do Africano, mas, infelizmente,
Referências:
nunca foi publicado, porCALDEIRA, R. L.; MENtanto, não pôde ser conDONÇA, C.L.G.F. & GOsiderado.
VEIA, C.O. 2007. First record of molluscs naturally
Então, a pergunta que
infected with Angiostrongnão quer se calar é:
ylus cantonensis (Chen,
qual a intenção de
1935) (Nematoda: Metastrongylidae) in Brasil. Mem
alguns poucos pesInst Oswaldo Cruz, Rio de
quisadores
e
dos
Janeiro, 102(7): 887-889.
meios de comunicaDisponível em: <http://
ção, desde 1988, que
www.scielo.br/pdf/mioc/
v102n7/5872.pdf>.
Acesso
difundem o Africano
em: 01 out. 2011.
como a pior praga do
Brasil, como se ele já
MALDONADO JÚNIOR, A. et
al.
2010. First report of Angitivesse causado muitas
ostrongylus cantonensis
mortes ou grandes pre(Nematoda: Metastrongylidae)
juízos econômicos?
in Achatina fulica (Mollusca:
Gastropoda) from Southeast
Uma célebre frase de
and South Brazil. Mem Inst OsAbraham Lincoln diz que
"você pode enganar
algumas pessoas o
tempo todo ou todas
as pessoas durante
algum tempo, mas você não pode enganar
todas as pessoas o
tempo todo."
OBS:. Infelizmente,
importante se frisar que na
waldo Cruz, Rio de Janeiro, 105
(7): 938-941. Disponível em: .
Acesso em: 23 set. 2011.
THIENGO, S.C. et al. 2010. The giant
African snail Achatina fulica as natural intermediate host of Angiostrongylus cantonensis in Pernambuco, northeast Brazil. Acta Tropica, Rio de Janeiro, 115(3): 194-199. Abstract disponível
em: <http://www.ncbi.nlm.nih.gov/
pubmed/20083081>. Acesso em: 01
out. 2011. ☼
Informativo AchatinaNews n° 10 / Outubro /2011 / p. 05
A PRESENÇA DO AFRICANO, O PRECONCEITO
E A DESTRUIÇÃO DA MALACOFAUNA EM
TODOS OS ESTADOS BRASILEIROS
Mauricio Aquino, M. Veterinário.
simplesmente, Africano, como será chamado neste artigo, veio para ficar, pois posso afirmar agora, complementando as informações repassadas
durante a palestra da Dra Thiengo em Fortaleza
que, hoje, o africano está presente em todo o país, sem exceções, apesar dos intensos esforços
das autoridades para eliminá-lo.
Em 2010 já havíamos declarado, Aquino e Agudo-Padrón (2010) sua presença em 25 dos 26 estados brasileiros, baseados em respectivas publicações jornalísticas, com exceção de Roraima
mas, os dois estados onde até agora, acreditavase livre desta espécie, de acordo com a palestrante, o Rio Grande do Sul e o Acre, na verdade, já
estão infestados.
Dra. Maria de Fátima Martins, Dr. José Willibaldo Thomé e senhora e eu.
O XXII EBRAM foi o primeiro que participei e
desejo transmitir aos organizadores os meus sinceros parabéns; primeiro pela organização impecável, segundo pelo alto nível das participações,
em terceiro pela belíssima cidade escolhida para
sediar o evento e, finalmente, por aceitar em seu
quadro de participantes, profissionais de distintas
áreas, como eu!
No Rio Grande do Sul, o geógrafo e malacologista
Ignacio Agudo cita a existência de populações
bem estabelecidas do Africano no município de
Torres, na divisa com Santa Catarina (SC), informações estas repassadas para a Dra Mansur pouco antes do seu
mini curso sobre Invasores
Continentais ofertado no EBRAM 2011; já no estado do Acre, Oliveira (2008) relata a sua ocorrência em Acrelândia, a primeira cidade planejada do
Acre, que faz limite ao norte com Amazonas e
Rondônia, ao sul e a sudoeste com o município de
Plácido de Castro, a leste com a Bolívia e a oeste
com o município de Senador Guiomard, desde 20
de março de 2008.
Da mesma forma que uma paisagem pode adquirir aspectos surpreendentemente diferentes se
Interessante que muita gente culpa, exclusivaapreciada de ângulos distintos, esta analogia pode mente, os criadores do Africano pela grande infesadequar-se a ciência, por exemplo: diferentes
profissionais podem sugerir diferentes soluções
para um mesmo problema.
No meio científico costuma-se definir o especialista como o profissional que sabe muito sobre
quase nada! Claro que é uma piada de pesquisador, mas que no fundo, não deixa de ser o reconhecimento de uma verdade, por isso, o conceito
de interdisciplinaridade é tão contemporâneo.
Em Fortaleza, por exemplo, o painel sobre
a nova metodologia de criação intensiva de caracóis trará benefícios para muitos pesquisadores da
área que, a partir de agora, associarão praticidade
para a manutenção dos caracóis em ambiente de
laboratório observando a questão do bem estar
animal. Este novo método foi desenvolvido por
mim, um médico veterinário e serve exemplificar
um das vantagens da interdisciplinaridade.
Não resta dúvida de que o caracol africano, ou
Dra. Thiengo (uma das maiores especialistas em patologia helicícola do país).
Informativo AchatinaNews n° 10 / Outubro /2011 / p. 06
que hoje, afirmo, tomou todo o país, simplesmente, acusando esse segmento de ter abandonado seus plantéis na natureza devido à falta de
mercado. Mas o que ninguém comenta é que em
São Paulo, estavam para ser inauguradas antes
da proibição da criação do Africano, cooperativas
que, de acordo com Aquino (1989) iriam resolver
o maior de todos os problemas dos criadores de
caracóis no Brasil, a falta do mercado.É visível o
esforço para caracterizar a espécie como non
grata no Brasil e foi exatamente por isso que os
criadores ameaçados criminalmente e portanto,
revoltados, simplesmente desfizeram-se dos seus
plantéis da forma mais rápida conhecida, jogando
-os fora. Logo, a culpa não pode e nem deve ser
atribuída apenas aos criadores, ou ao governo
que proibiu a criação do Africano que até então
estava confinado em caixas mas, principalmente,
aos técnicos que atacaram a atividade desde o
início, os que usaram a imprensa para difundir
suas “impressões”, aos que correram atrás dos
seus 15 minutos de fama, paramentados em peles de “heróis sanitários”. Em nenhum momento
houve uma preocupação que esta proibição criaria, como a “malacofobia”, por todo o país.
Há um consenso no meio malacológico de que
a "Campanha Pública Terrorista" conduzida desde
o ano de 2003 " ‘Pro Erradicação do Achatina
(Lissachatina) fulica no Meio Ambiente do Brasil’
têm como reflexo, a imediata e indesejável aceleração do processo de extinção das nossas espécies nativas de caracóis terrestres, a tempo ameaçadas pelas diversas ações antrôpicas que agridem o nosso meio ambiente natural, especialmente os representantes específicas das Famílias
BULIMULIDAE, STROPHOCHEILIDAE e MEGALOBULIMIDAE, muitas delas formas raras, endêmicas e no geral muito pouco conhecidas cientificamente até hoje.” (AGUDO-PADRÓN, 2011)
fico que se perpetuam na mídia através de discursos apocalípticos.
No momento estou desenvolvendo pesquisas
em zooterapia com o muco do Achatina fulica,
seguindo os passos da Dra Maria de Fátima Martins, da USP, pois tenho convicção de que sua
fisiologia pujante, aperfeiçoada ao longo de 150
milhões de anos pela seleção natural, possa, sinceramente, trazer benefícios práticos para auxiliar o homem em suas necessidades".
Reflitamos sobre o assunto, afinal, somos animais racionais, verdade? ☼
Escargot X Picanha: qual é sonho e qual é realidade.
Foto do saudoso artista brasileiro, Mazzaropi.
Pois bem, de lá para cá, outras sandices foram
divulgadas, entre elas, a difusão em larga escala
de inverdades que definiram o Africano como espécie não comestível ou vetor de grande especificidade e responsável pela transmissão
de um significativo número de casos de Meningite Eosinofílica e Angiostrongilíase Abdominal, como se ele fosse o único capaz de
transmití-las em todo território nacional.
Os Africanos são comestíveis como a maioria
das espécie exótica introduzida no país como os
bovinos, suínos, caprinos, ovinos, avestruzes, javalis, tilápias, pombos, abelhas... enfim, a lista é
grande... e podem, como todas elas, transmitir,
em condições especiais, zoonoses, inclusive fatais.
No entanto, divulgar a forma de abate ideal ou
o seu correto preparo para o consumo, colaboPainel apresentado no XXII EBRAM, 2011, em
rando para a preservação das espécies nativas e Fortaleza, Ceará: Novo Manejo Zootécnico Malacocultor
para a Criação de Caracóis (Mollusca, Gastropoda,
para o controle do Africano, parece mais fácil do
Pulmonata) em caixas.
conter o ego de poucos narcisistas do meio cientíInformativo AchatinaNews n° 10 / Outubro /2011 / p. 07
A IMPRENSA: O PIOR INIMIGO
DA MALACOFAUNA MUNDIAL
Nas fotos das imagens exibidas podemos visualizar diversos caracóis nativos sacrificados no meio dos caracóis africanos, um
preconceito que se alastra rapidamente, em todo o mundo e contribui para o empobrecimento do planeta
O Portal G1 Globo publicou ontem, dia 06,
uma matéria sobre a invasão de caracóis
em Sergipe: veja a reportagem em:
http://glo.bo/r2p1sT
“A praga tomou conta dos laranjais nos municípios de Boquim, Lagarto e Salgado, na região sul
de Sergipe. Os caramujos se alimentam dos frutos e das folhas das árvores e destroem as mudas.
A cada dois meses um caramujo põe cerca de 200
ovos. Cinco meses depois, os filhotes se tornam
adultos e começam a se reproduzir.
O caramujo africano foi introduzido ilegalmente
no Brasil na década de 80 por criadores que desejavam utilizá-lo como alternativa para a criação
de escargot. Com o abandono das criações e fugas acidentais, os moluscos se dispersaram e hoje são encontrados em quase todos os estados.
Sem informação sobre como combater os caramujos, os citricultores de Sergipe se desesperam.
Poucos têm condições de pagar por uma assistência técnica particular para resolver o problema.
O secretário de Agricultura de Sergipe, José Macedo Sobral, informou que a secretaria está organizando palestras para orientar os agricultores
dos municípios infestados pela praga. O secretário
também afirmou que agentes de saúde ajudarão
no combate ao caramujo.” (G1, 2011)
(>)
Informativo AchatinaNews n° 10 / Outubro /2011 / p. 08
(>)
Informativo AchatinaNews n° 10 / Outubro /2011 / p. 09
Os caracóis, como qualquer outro ser vivo do
planeta, possuem um papel no ecossistema
que apenas começamos a querer compreender.
Infelizmente, o radicalismo adotado pelos serviços de saúde no Brasil, recomendo a erradicação do Africano há anos, vem causando perdas irreparáveis à malacofauna brasileira.
Recentemente, o médico veterinário uruguaio
Miguel de Bethencourt, exibiu uma foto de um
Africano que causou muita confusão entre os
maiores especialistas brasileiros. O malacologista Ignacio Agudo (RS) difundiu a foto da
concha do Achatina fulica uruguaio entre os
seus colegas brasileiros, para todos participassem de sua identificação e o resultado não poderia ter sido mais curioso: ninguém identificou
o Africano corretamente, confundindo a sua
concha com o caracol nativo do gênero Megalobulimus sp.
De acordo com MS Bethencourt, “cuando se
realizó la experiencia con los Achatinas en Uruguay, nunca pensamos que se iba a producir
tanto revuelo.
Una foto publicada en el blog http://
caracolesuruguay.blogspot.com/ bajo el título
Achatina, llevó a que varios técnicos en moluscos me escribieran, comentando que no parecía
un Achatina.
Realmente no parece un Achatina, pero era el
único caparazón de los Achatinidae que tenía
en mi poder. Como en general tiendo a que las
fotografías que acompañan mis publicaciones
sean de ejemplares colectados o criados por
nosotros y dado que lo criamos desde huevo
podemos asegurar que realmente es un juvenil
de esa familia. La coloración no es la típica y
presenta un diseño muy especial. Tal vez pueda deberse a las condiciones en que fue criado,
sin luz natural, o por el estrés sufrido por las
bajas temperaturas, etc.
Las especulaciones pueden ser muchas, pero el
hecho es que el animal existió y su caparazón
es el que Ud. ven.
Dado que una imagen vale por mil palabras,
acompañan este texto fotos de la concha del
ejemplar solo y fotos de la misma comparándola con la de un Megalobulimus.
La similitud es extraordinaria.”
Não tenho como precisar onde surgiu no Brasil
a primeira crítica ao Achatina fulica que gerou até hoje, ao longo de mais de 20 anos,
tantos prejuizos a nossa malacofauna, mas
posso garantir que a imprensa vem contribuindo fundamentalmente para difundir esse preconceito equivocado não só para o Brasil, mas
para para todo o mundo. Fiquei ainda mais
preocupado quando soube que agora, o jornalista não precisa mais ter nível superior para
exercer a sua profissão!
Moral da estória: se nem os especialistas
souberam identificar um Achatina fulica,
como podemos esperar que a população
leiga entenda a diferença?
Achatina
Foto de Miguel de Bethencourt
Achatina fulica (esq.) e o Megalobulimus sp. (direita)
Achatina
Foto de Miguel de Bethencourt
Achatina fulica (esq.) e o Megalobulimus sp. (direita)
Achatina
Foto de Miguel de Bethencourt
Achatina fulica. (acima)
Informativo AchatinaNews n° 10 / Outubro /2011 / p. 10
COMUNICAÇÃO PESSOAL AUTORIZADA: ATENÇÃO
From: Ignacio Agudo
To: [email protected] ; [email protected] ;
[email protected] ; [email protected] ; [email protected]
Cc: [email protected] ; [email protected]
Sent: Thursday, October 06, 2011 12:17 AM
Subject: ALERTA VERMELHO EM PAUTA --- Confusão evidente de "Achatina" com espécies nativas & "Barreira natural" no Bioma PAMPA ...!
ATENÇÃO
--
ATENÇÃO
... ... ...
Em tempo, um "Arrazoado URGENTE" a seguir, mesmo que acho deverá (...
deveria !) ser levado em consideração - e "muito a sério daqui pra
frente" - pelos técnicos pesquisadores e "especialistas" do Brasil e
da América do Sul em geral:
+++ Pelo menos na "Região Central Norte do Cone Sul" da nossa América
ficou claramente evidenciado, através da valiosa experiência, fotografias e declarações sopesadas do destacado Médico Veterinário e Técnico
Malacocultor/ Helicicultor Uruguaio Miguel de Bethencourt, que a espécie de caracol exótico invasor africano Achatina (Lissachatina) fulica (Bowdich,
1822), por razões biotécnicas ainda não esclarecidas/ estabelecidas, pode: ...
... 1.- Apresentar "radicais" variações fenotípicas adaptativas/ mutações à nível
conquiliológico que virão a "confundir" ainda mais dita espécie exótica invasora com
as nossas espécies de caracóis nativos endêmicos.
Embora esta possa representar uma "situação isolada", nunca antes reportada até onde
sabemos, e conveniente e URGENTE levar este fato em consideração para os efeitos da
correta diferenciação entre as espécies (... de fato, Achatina fulica já é
"facilmente" confundido em campo com diversas espécies nativas endêmicas, à diversos
níveis: ... público leigo, naturalista, técnico, especialista !), o que exige imediatos e redobrados cuidados quanto à destruição de animais visando fins de controle/
erradicação.
... 2.- Existir (... o que ao parecer já é um fato !) uma "barreira/ barragem natural", de ordem ambiental ainda não determinada (... basicamente climática ??? ... ou
também co-relacionada aos tipos de solos e formações vegetais regionais ???), entre o
Bioma PAMPA (... que domina os espaços geográficos do Uruguai na sua totalidade, a
maior porção da Argentina e o Extremo Sul do Brasil !) e o território limítrofe do
Bioma MATA ATLÂNTICA (... este último já invadido pela espécie em questão no Cone Sul
- territórios do Brasil, Paraguai e Argentina !).
"... a situação ventilada, caso confirmada, poderá vir AGRAVAR AINDA MAIS o inconsciente e "precipitado" processo antrópico/ campanha terrorista pública em andamento,
ocasionando acelerada EXTINÇÃO dos nossos já sofridos e muito pouco conhecidos/ estudados caracóis terrícolas nativos endêmicos, em significativa contravenção ao que os
"especialistas" vêm - a muitos anos já - denunciando e advertindo.
“... Opino que tá na hora dos "setores" unir / combinar esforços e, conjuntamente,
decidir de vez quais os CAMINHOS a ser trilhados daqui para frente - no futuro imediato, em benefício tanto da nossa AMEAÇADA BIODIVERSIDADE NATIVA quanto da SAÚDE FÍSICA E PSÍQUICA DOS NOSSOS POVOS (... historicamente sofridos e despreparados !) que
precisam URGENTEMENTE, mais do que apavorantes e "amarelístas" conflitos públicos, de
sólidas e imediatas SOLUÇÕES COLETIVAS ... de cunho prático, sopesado, realista e integrador ...".
Considerar emergencialmente os pontos de vista deste "arrazoado" e dar-lhes a devida
"divulgação técnica e popular" é tarefa que amerita urgente participação por parte de
todos nós !!!!
(>)
Informativo AchatinaNews n° 10 / Outubro /2011 / p. 11
NOTÍCIAS-MALACOLÓGICAS. Caramujos africanos causam prejuízo a produtores de laranja de
Sergipe—SE. Disponível em: <http://noticiasmalacologicas-am.webnode.pt/news/caracoisterricolas-nativos-abatidos-indiscriminadamenteem-conjunto-com-exoticos-africanos-nonordeste-do-brasil-/ > Acesso em: 08/10/2011
Informativo AchatinaNews n° 10 / Outubro /2011 / p. 12
Un maestro de Uruguay
MSc Miguel de
Bethencourt
Facultad de Veterinaria
Montevideo - Uruguay
[email protected]
"La vida de cualquier animal es mucho mas
valiosa que la de aquel humano que es capaz
de torturarlo"
De los caracoles exóticos, son pocos los que se han
adaptado en el Uruguay:entre ellos los más notables son (Scarabino 2003) : Cryptomphalus aspersa (Helix aspersa) es la especie que más fácilmente se aclimató a la región. Está distribuido en todo
el país, siendo un animal cosmopolita, habitando
más que nada en jardines, cementerios y parques.
No se ven en el campo, ni en las plantaciones de
eucaliptus ni de pinos.
El Otala lactea se encuentra en toda la costa atlántica en las zonas de playa, y se pueden ver prendidos a los escasos y duros pastos de las dunas. En
Montevideo ha ido desapareciendo y salvo algún
parque o cementerio cerca de la playa, no se ven
con frecuencia, mientras que en el departamento
de Rocha, es bastante abundante.
El Rumina decollata ha sido detectado en jardines
en la ciudad de Montevideo. Se supone que debe
de haber llegado con algunas plantas importadas
de Europa.
Por comentarios personales, se sabe que ingresaron a Uruguay, en diversas oportunidades, ejemplares de Helix pomatia. En todos los casos tuvieron dificultades para adaptarse y desaparecieron
en poco tiempo.
En el año 1996 ingresaron a Uruguay 200 huevos
de Achatina, supuestamente Achatina fulica.
Estos huevitos, de color fuertemente amarillo, se
incubaron en cajas plásticas con algodón humedecido en agua. A las dos semanas eclosionaron 182
alevines en la Facultad de Veterinaria de Montevideo.
Los animales se criaron en recipientes de vidrio,
humidificando y limpiando diariamente y manteniéndose a temperaturas no inferiores a 15ºC.
Se suministró alimento a base de concentrados, la
misma fórmula utilizada para los C. aspersa, con
un 17% de proteína, suplementando con zanahoria
y a veces con col y lechuga frescas. El crecimiento
fue muy lento y la mortalidad de alevines en el primer mes fue de 122 ejemplares, representando el
67%de la población, quedando solo 60 animales.
En los dos meses siguientes continuó la mortandad, sobreviviendo solo 7 ejemplares. Se extremaron los cuidados con los escasos sobrevivientes,
pero ya en invierno fue muy difícil mantener las
temperaturas por encima de los 15ºC y continuaron muriendo. Al completar los 9 meses de la eclosión, murió el último de los animales, con un peso
de 38g sin llegar al estado adulto.
Se necropsiaron 4 de los más grandes y no encontramos lesiones (al menos visibles) en los órganos
más importantes, solo pérdida de masa corporal
(no llegaban a llenar su caparazón). Dado que la
temperatura a la que se criaron los animales, variaba diariamente entre 15ºC y 25ºC, se adjudicó al
estrés provocado por dichas variaciones de temperatura, la mortalidad de los animales.
La experiencia sirvió para demostrar la gran dificultad que existen en nuestro país para criar dicha
especie, habituada a condiciones de mayor temperatura.
A pesar de que en el trabajo de Borrero y cols.
(2009) se cita el sur del Uruguay como una región
en la que podría existir una escasa posibilidad de
ser colonizada por el Achatina fulica creemos que
las altas variaciones que se registran diariamente,
sumado a los períodos de heladas en que a nivel
del suelo la temperatura es de 0ºC o inferior, hacen muy difícil que esta especie se pueda aclimatar
en el país. Analizando los resultados, tomando los
datos de la publicación de I. Agudo (2011) en la
que divide la región en diferentes biomas, todo daría a indicar que sería totalmente improbable que
la especie lograse distribuirse en todo el bioma
Pampa.
Referencias Bibliográficas:
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Achatinidae) and its potential distribution in South America”. IUCN/ SSC Mollusc Specialist Group Newsletter TENTACLE, (17): 6-8.
- AGUDO-PADRÓN, A.I . 2011. “Ocorrência de moluscos límnicos na localidade de “Rincão Gaia”, Município Pântano
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- SCARABINO, I. 2003. “Lista sistemática de los gastrópodos terrestres del Uruguay”Comunicaciones de la Sociedad
Malacológica del Uruguay Vol. 8 nº 78/79 pp203-214.
Informativo AchatinaNews n° 10 / Outubro /2011 / p. 13
O AFRICANO ES UMA EXCELENTE
OPCIÓN ALIMENTARIA ADEMÁS
DE SER UM AFRODISÍACO
Opinión del Dr. Alfonso Ordosgoitti Franceschi (especialista e investigador de
caracoles comestibles del INIA). Diario El Aragueño el lunes 22 de octubre de 2007,
para calmar el pánico infundado a los habitantes de Maracay, por las opiniones
negativas dadas en relación al gigante de la tierra.
Caracol gigante africano
No representa peligro para la comunidad: No debe exterminarse, más bien
debe aprovecharse para obtener proteínas en sustitución de los productos como
carne y pollo.
Hago un llamado a la colectividad, en especial a las de El Limón y el Castaño, para advertirles que la proliferación del caracol gigante africano, Achatina fulica, no
representa ningún peligro para la comunidad.
Se ha difundido entre la opinión pública
que el caracol gigante africano, originario
de África Oriental y Ecuatorial, representa
un peligro para la comunidad, por el contrario este caracol ha servido de alimento
para muchos africanos, europeos y asiáticos desde hace mucho tiempo e incluso
se consumió en grandes cantidades durante la Segunda Guerra Mundial, como
sustituto de la carne de res. A. fulica no
es un enemigo de la humanidad, es un
gran aliado si aprendemos a convivir con
él. En el período lluvioso su proliferación
es notoria y eleva su reproducción.
nar su exterminio, los Organismos Competentes, deben elaborar un proyecto de
investigación y de transferencia tecnológica para criarlos y así aprovechar las
virtudes de A. fulica, sería diferente!
Receta criolla a la Achatina
Ingredientes:
•
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•
•
•
•
•
•
1 Kg de carne de caracol sin
hepatopáncreas
2 cebollas
Ají dulce
3 cabezas de ajo criollo
2 cubitos
3 papas grandes
1 copa de vino
Sal al gusto
Hacer un guiso y cocinar durante 20 minutos, servir con aguacate y arepa.
Bióloga Liboria Matinella
27/09/2011, con adaptaciones
Regenerador de la piel: Este caracol no
se debe exterminar sino más bien controlar su reproducción, para procesarlo y
extraer de la secreción mucosa,
alantoína, colágeno y elastina.
Importancia económica: Es una especie voraz, se alimenta de muchas especies vegetales, pero en vez de promocioInformativo AchatinaNews n° 10 / Outubro /2011 / p. 14
La fauna molusca dulceacuícola autóctona
de Venezuela e implicaciones de las
especies introducidas
molusco en cuestión, como un transportador
mecánico de diferentes helmintos de interés
en salud pública, y aunque es una plaga
agrícola, puede ser utilizado como un indicador de infecciones parasitarias en una comunidad. No debe considerarse una especie
que enferma a la población, por cuanto se
requiere un perfecto acoplamiento y esencialmente la introducción del nematodo para
el desarrollo del ciclo de Angyostrongilus
spp.
Otros caracoles dulceacuícola del género
Thiara, originarios del Medio Oriente y Africa del Este, introducidos al país para el
Dra. Liboria Martinela
control biológico de Biomphalaria glabraEl Filo Mollusca incluye más de cien mil es- ta, son excelentes hospedadores de la Parapecies de caracoles, que están agrupados gonimosis, patología ahora presente en Veen ocho clases: Caudofoveata, Cephaló- nezuela y reportada en humanos.
poda, Bivalvia, Galeroconcha, Gastrópoda, Placóphora, Scaphópoda y Soleno- Para implementar las estrategias de prevengastres, estas clases están ampliamente ción vigilancia y control en los caracoles, es
distribuidas; habitan en el fondo de los oc- indispensable conocer nociones de su moréanos, áridos desiertos, aguas dulces, trópi- fología, modo de vivir y relaciones con el
cos húmedos y cimas de las montañas.
parásito. Estas medidas servirán para disminuir la densidad poblacional de los mismos,
La mayoría de los moluscos son formas li- pero difícilmente para exterminarlos.
bres que se arrastran o bien que viven enterrados. Todos tienen cuerpos blandos, y la Liboria Matinella, Bióloga
mayoría de las especies están protegidas
por conchas duras o exoesqueletos.
En Venezuela la fauna molusca autóctona
dulceacuícola es conocida, así mismo los beneficios, y la relación parásito- hospedador
intermediario que afecta la salud humana y
animal. En lo que respecta a las especies
introducidas en el país, se han realizado diferentes estudios los cuales han demostrado
la dificultad para su erradicación. Tal es el
caso del caracol terrestre Achatina fulica,
originario de África Ecuatorial Oriental que
ha invadido diferentes estados del país por
el traslado humano a través de mercancía.
Matinella, y cols. 2010, han reportado al
Informativo AchatinaNews n° 10 / Outubro /2011 / p. 15
Conducta de Achatina fulica
Dra. Liboria Martinela
La notoriedad del caracol gigante de la
tierra Achatina fulica en las proximidades
del domicilio humano fue desapercibida
por muchos años. En Venezuela, se conocen casos de tenencia de Achatina spp.
como mascota y ornamento natural de
jardines o para curar lesiones en la piel.
Sin embargo, a mediados del año 2007
hasta la actualidad algunas informaciones
mostraron solamente la parte negativa de
A. fulica, lo que creó una resonante alarma en la población de Aragua-Venezuela,
quienes comenzaron a realizar constantes
denuncias por la presencia de caracoles
(de cualquier especie) en sus jardines viviendas y cultivos. Esta situación comprometió a muchas Instituciones y a las Comunidades Organizadas, a realizar reuniones con el objetivo de promover la
participación de cada Organización de
acuerdo a su competencia. En tal sentido,
se priorizó sensibilizar a la población,
identificar los sectores infestados, atender la proliferación en cultivos, conocer la
relación con el domicilio humano, implementar ensayos a nivel de campo y laboratorio y establecer normas y procedimientos técnicos para la prevención, vigilancia y control del caracol A. fulica.
En base a estas experiencias se mencio-
nan algunos logros alcanzados:
a) Se elaboró un manual de Normas y
Procedimientos Técnicos para la Prevención Vigilancia y Control de A. fulica, b)
Se implementaron las estrategias para la
prevención, vigilancia y control de A. fulica, las cuales se dividieron en cuatro etapas: Informativa, Organizativa, Operativa
y Evaluativa. c) Se elaboraron formatos
para: la recolección de caracoles, levantamiento
de
índice
de
infestación
(búsqueda activa) y recepción de denuncias (búsqueda pasiva). d) En el Laboratorio Malacológico, se realizó el diagnóstico parasitológico de la materia fecal y se
creó la técnica de “Verificación Directa” (Foto a) para analizar la secreción
mucosa de A. fulica, (con la importante
observación que no se evidenció la larva
infectante L3 y no todas las muestras recibidas pertenecían a la especie A. fulica.
e) Se colectaron muestras biológicas en
campo y los caracoles fueron mantenidos
en “hábitat simulado” (Foto b) en un
área aledaña al Laboratorio Malacológico.
Entre los ensayos realizados es interesante citar el que se muestra en la Foto c),
donde se observa que los caracoles rodean el tallo de la planta pero no suben, por
tanto podría ser de utilidad para proteger
los cultivos u otras plantaciones de la
apetencia de los caracoles. Otro ensayo
realizado conjuntamente por la Dirección
Control de Vectores Reservorios y Fauna
Nociva (Laboratorio Malacológico) y el
Instituto Nacional de Salud Agrícola Integral (INSAI), resultó no efectivo, para tal
propósito, por cuanto los caracoles son
capaces de consumir la cal hidratada sin
sufrir daños aparentes y como se observa
en la Foto d para superar la barrera con
cal, un primer caracol segrega la baba
que le permite a sus compañeros avanzar
en busca de alimento y expandirse por
toda el área.
Maracay, 04/09/2011
Informativo AchatinaNews n° 10 / Outubro /2011 / p. 16
(>)
PARADIGMAS RUINS
Por WALTER CRUZ
“Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula, em cujo centro puseram uma escada e,
sobre ela, um cacho de bananas. Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jato de água fria nos que estavam no chão. Depois de certo tempo, quando um
macaco ia subir a escada, os outros enchiam-no de
pancadas. Passado mais algum tempo, nenhum
macaco subia mais a escada, apesar da tentação
das bananas. Então, os cientistas substituíram um
dos cinco macacos. A primeira coisa que ele fez foi
subir a escada, dela sendo rapidamente retirado
pelos outros, que o surraram. Depois de algumas
surras, o novo integrante do grupo não mais subia
a escada. Um segundo foi substituído, e o mesmo
ocorreu, tendo o primeiro substituto participado,
com entusiasmo, da surra ao novato. Um terceiro
foi trocado, e repetiu-se o fato. Um quarto e, finalmente, o último dos veteranos foi substituído. Os
cientistas ficaram, então, com um grupo de cinco
macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam batendo naquele que tentasse chegar às bananas. Se fosse possível perguntar
a algum deles porque batiam em quem tentasse
subir a escada, com certeza a resposta seria: "Não
sei, as coisas sempre foram assim por aqui..." Você
não deve perder a oportunidade de passar esta história para seus amigos, para que, vez por outra,
questionem-se porque estão batendo...
‘É MAIS
FÁCIL DESINTEGRAR UM ÁTOMO DO QUE QUEBRAR UM PARADIGMA’. (Albert Einstein)” ☼
Informativo AchatinaNews n° 10 / Outubro /2011 / p. 17
Fome X Ignorância
Mauricio Aquino / www.CaramujoAfricano.com / [email protected]
A fome pode ser classificada em aguda,
que é momentânea e a crônica, que é
permanente e ocorre quando não consumimos, diariamente, o suficiente para a
manutenção de nosso organismo.
Um bilhão de pessoas, quase um sexto da
população mundial, sofria de desnutrição
em 2009, de acordo com Martins (2009,
p.1) e embora o Brasil seja o quarto maior produtor mundial de alimentos, produzindo 25.7% a mais do que necessitamos
para alimentar nossa sua população, ele
também ocupa, entre todos os países no
mundo, o 6° lugar em subnutrição.
“A Organização das Nações Unidas para
Agricultura e Alimentação (FAO) estima
que anualmente desperdiçamos 26 milhões de toneladas de alimentos no país.
O montante seria suficiente para alimentar 35 milhões dos cerca de 72 milhões
de brasileiros, segundo o IBGE, em situação
de
insegurança
alimentar.” (ECODEBATES, 2009) De acordo
com a FUNDAMIG (2009, P.1) o desperdício diário equivale a 39 mil toneladas de
alimentos, quantidade suficiente para saciar a fome de 19 milhões de brasileiros,
com as três refeições básicas: café da
manhã, almoço e jantar.
“A Bahia é o estado brasileiro com a maior concentração de pessoas em situação
de extrema pobreza (2,4 milhões), de acordo
com
dados
Ministério
do Desenvolvimento Social e Combate à
Fome. [...] Os três estados com maior
número de pessoas em extrema pobreza
estão no Nordeste - o segundo é o Maranhão (1,7 milhão) e o terceiro é o Ceará
(1,5 millhão). O Pará, na região Norte, é
o quarto (1,43 milhão). O quinto é Pernambuco (1,37 milhão) e, em sexto, está
São Paulo (1,08 milhão). [...] O ministério informou que o Brasil tem 16,27 milhões
de
pessoas
nessa
condi-
ção.” (WSCOM, 2011) O estado de Alagoas aparece em 10º lugar e segundo o Ministério do Desenvolvimento Social e
Combate à Fome, temos 633.650 pessoas
em extrema pobreza, o que representa
20.3% da população total do estado.
(CALHEIROS, 2011)
Para que o governo possa assegurar segurança alimentar para toda a sua população, de acordo com o Bancodealimentos
(2011, p.1), é importante discutir-se várias causas: cidadania; distribuição igualitária de alimentos e combate ao desperdício; superação da pobreza; escolaridade
e saneamento básico; inserção social; geração de renda; quantidade e qualidade
da alimentação.
Uma educação de qualidade, pelo menos
em minha opinião, é prioridade entre todas as outras, pois dar o peixe ajuda a
matar a fome, mas não ensina ninguém a
pescar, contribuindo apenas, para a perpetuação do assistencialismo em favorecimento da miséria, o que só beneficia a
curto prazo, a classe política dominante
que, tradicionalmente, manipula esses eleitores na base do toma-lá-dá-cá.
Mas até que possamos colher os frutos da
conscientização social em prol da segurança alimentar, o caracol africano, que a
imprensa vem alardeando como uma praga nociva, na verdade, engendra algumas
das qualidades essenciais para minimizar
a desnutrição do país: abundância e alto
valor
nutricional.
O
Achatina
(Lissachatina) fulica (Bowdich, 1822)
encontra-se hoje ocupando todos os Estados da União, confirmadamente desde o
Roraima, RR até o Rio Grande do Sul, RS.
Dos sete (7) Biomas biogeográficos de
terra firme ocorrentes no Brasil, apenas o
"Bioma Pampa" é o único ambiente natural que "ainda" não foi invadido pelo caracol
exótico
africano
Achatina
Informativo AchatinaNews n° 10 / Outubro /2011 / p. 18
Localização geoespacial do Bioma PAMPA na América do Sul
(Lissachatina) fulica (Bowdich, 1822).
A
sua
Distribuição
mais
"Meridional" (ao Sul) no Continente
da América do Sul encontra-se justo
no Brasil, na cidade e Município de Torres, RS, domínio da Mata Atlântica limítrofe com o Bioma Pampa. Os registros
conhecidos da espécie para os vizinhos
países do Paraguai e da Argentina também correspondem ao domínio da Mata
Atlântica. (AGUDO-PADRÓN, 2011)
Em setembro deste ano participei do encontro brasileiro de malacologia, que reuniu os maiores nomes do país no XXII EBRAM – 2011, em Fortaleza e durante um
dos debates, sugeri que o caracol africano, presente hoje, em todos os estados
brasileiros, poderia constituir-se numa alternativa alimentar de excelente qualidade, capaz de minimizar a desnutrição das
comunidades mais carentes e para isso
seria necessário apenas, eliminar-se o
preconceito alimentar. Esta prática contribuiria ainda para o eficiente controle do
Caracol Africano, como vem ocorrendo,
contemporaneamente, na China. Não é
preciso dizer que a sugestão gerou um
debate exaltado entre eu e alguns pesquisadores que fingem desconhecer a realidade da fome no Brasil.
Atualmente, o Brasil lidera o processo de
extinção de "caracóis nativos endêmicos"
no continente sul-americano, muitos deles ameaçados de extinção devido a
ação antrópica. Mas essa situação começa a mudar, pois há um consenso quase
generalizado de que a "Campanhas Públicas Terroristas - Doentias e Mal
Conduzidas" desde o ano de 2003 "Pro
Erradicação do Carol Africano (Achatina
fulica) no Meio Ambiente do Brasil” têm
como reflexo, a aceleração do processo
de extinção das nossas espécies nativas
de caracóis terrestres, especialmente os
representantes específicas das Famílias
BULIMULIDAE, STROPHOCHEILIDAE e
MEGALOBULIMIDAE, muitas delas formas
raras, endêmicas e no geral muito pouco
conhecidas cientificamente até hoje. E o
pior é que o Brasil, com suas dimensões
continentais e aparente desenvolvimento,
Informativo AchatinaNews n° 10 / Outubro /2011 / p. 19
vem influenciando seus "vizinhos territoriais" a seguir a mesma trilha desastrosa (AGUDO-PADRÓN, 2011)
Mesmo assim outras sandices vêm sendo
praticadas, entre elas, a difusão em larga
escala de inverdades que definem o Africano como espécie não comestível, como hospedeiro intermediário responsável
pela transmissão de um significativo
número de casos de Meningite Eosinofílica, como se ele fosse o único capaz
de transmiti-las no país ou até identificála como transmissora da esquistossomose, uma gravíssima doença transmitida por outro gênero de molusco nativo.
Resumidamente, podemos citar, que até
hoje, outubro de 2011, o Africano
(Achatina fulica) ainda não foi responsável
pela transmissão de
nenhuma zoonose no
Brasil, 23 anos depois
da sua introdução no
Brasil. Todos os quatro
casos de Meningite Eosinofílica, por exemplo,
estão associados à ingestão de outros moluscos crus.
Além do Caracol Africano, outros moluscos
têm sido apontados como hospedeiros intermediários do A. cantonensis: Sarasinula marginata, Subulina octona, Bradybaena similaris. Mas
devem existir muitos outros, pois, de acordo com Thiengo et al., (2010, p.198) o
A. cantonensis e outras espécies congêneres como o A. costaricensis tem baixa especificidade em relação aos seus
hospedeiros intermediários e vários moluscos terrestres e aquáticos tem sido encontrados naturalmente infectados.
Outra revelação é a citação de Maldonado
Júnior et al. (2010) que sugere que a distribuição silvestre do A. cantonensis no
Brasil seja fruto, provavelmente, de múltiplas introduções do parasita desde o período colonial, devido ao intenso comércio
existente na época que favoreceu a intro-
dução de ratos infestados pelo parasita.
O mesmo ocorreu com outro parasito exótico, o Schistosoma mansoni Sambon,
1907, que também chegou ao Brasil com
os escravos africanos trazidos pela Colônia Portuguesa (Pompeu 1986: 102; Pivetta 2003; Amaral 2005 apud AgudoPadron, 2006) que é responsável, todos
os anos por centenas de óbitos apenas
no Brasil.
Logo, tudo leva a crer que a ME é uma
enfermidade muito rara, pois já deveríamos tê-la diagnosticado anteriormente no
Brasil já que o parasito e os seus hospedeiros intermediários estão aqui há séculos.
Este é mais um argumento que me leva a
sugerir o uso do Caracol Africano como alimento para a população e como forma de
controle populacional.
Fagbuaro
(2006,
p.688) assegura que o
Caracol Africano é uma boa fonte de proteínas (18 ~ 21%) onde na Nigéria, um único caracol pequeno,
com 25 gramas, fornece 45% da necessidade diária de PTN de
uma criança. Hoje em
dia, caracol é uma
parte significativa e essencial da dieta diária de várias tribos no litoral nigeriano.
O caracol é rico em minerais como zinco,
magnésio, cálcio, fósforo, potássio, sódio
e ferro.
De acordo com Bender (1992) o ferro
presente na carne de caracóis é 35% absorvido pelo nosso organismo, contra 1 ~
10% do ferro presente em alimentos de
origem vegetal.
No Brasil, em 2009, registrou-se 139
mortes por anemia apenas por carência
de Ferro, portanto, o consumo do Caracol
Africano não só é recomendável, mas pode minimizar a desnutrição milhões de
jovens e adultos em nosso país e, quem
Informativo AchatinaNews n° 10 / Outubro /2011 / p. 20
alimentar-e-desafio-em-alagoas/> Acesso em:
sabe salvar milhares de vidas.
26/09/2011.
Mas para isso, o preconceito generalizado
contra o caracol africano deve ser comba- ECODEBATE. Volume de alimentos desperditido com todas as armas disponíveis. çados no país alimentaria 35 milhões de
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gundo ministério, Bahia tem 2,4 milhões de
(Nematoda: Metastrongylidae) in Braextremamente pobres. Nordeste é a região
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Informativo AchatinaNews n° 10 / Outubro /2011 / p. 22
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