Café Colonial “Uma Ferramenta Para Geração de Renda e

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Café Colonial “Uma Ferramenta Para Geração de Renda e
CONTEXTUALIZAÇÃO:
Uma Lei estadual criou o Município de Iguassú no dia 10 de junho de 1914, e
somente no ano de 1818 a comarca passou a ser denominada de Município de Foz do
Iguaçu. O Parque Nacional do Iguaçu, um dos pontos turísticos mais visitados do Brasil só
foi criado no ano de 1939.
O Município de Foz do Iguaçu está localizado a 25º 32’45” de latitude Sul e 54º
53’07” de longitude Oeste ao Norte da Foz do rio Iguaçu. Sua área é de 433,3 km², sendo
106,6 km², ocupados pelo Parque Nacional do Iguaçu.
A Principal via de acesso terrestre é a BR 277, que vai do Porto de Paranaguá até a
Ponte Internacional da Amizade, ligação com o Paraguai.
A EMATER trabalha no município há 48 anos, esta unidade municipal que foi
uma das sete unidades (Foz do Iguaçu, Rebouças, São Mateus do Sul, União da Vitória,
Toledo, Prudentópolis e Campo Largo) que deu inicio a extensão rural no Estado do
Paraná, através do ETA Projeto 15, criado no ano de 1956.
No município o setor do turismo é bastante movimentado, sendo o turismo de
compra o mais procurado, apesar de termos hoje o turismo de eventos e o ecoturismo
bastante evoluído. O turismo rural ainda é um segmento que pouco se tem trabalhado no
município, porém temos potencial explorando o pesques-pagues, propriedades de
agricultores familiares com suas diversas atividades (leite, lavouras, plantas medicinais,
etc), olericultura orgânica e convencional, Agroindústrias e o Café Colonial, entre outros.
No município temos a comunidade do Lote Grande que é formada por 45
(quarenta e cinco) famílias onde as principais atividades desenvolvidas em suas
propriedades são a produção de grãos (milho e soja), piscicultura, produção de leite e em
algumas olericulturas, são o carro chefe.
A população residente na comunidade devido à proximidade com a cidade (cerca
de 10 km), se dividem entre o trabalho na propriedade e na cidade. Algumas famílias
inclusive só possuem na comunidade o lote com a sua residência, e moram ali por
gostarem da localidade.
O trabalho que a EMATER realizava nesta comunidade, era muito difícil devido
às características do publico não ser mais totalmente agrícola, além dos diversos
chacareiros que possuíam áreas de lazer na comunidade e tinham diversas famílias que
eram apenas empregados destas propriedades assistidas pela Empresa. Observávamos
que os resultados eram difíceis e víamos que não poderíamos continuar trabalhando
daquela forma, pois a composição da comunidade não nos permitia ter resultados
melhores. O individualismo era grande, não havia convívio comunitário, o vizinho chegava
a ponto de não conhecer o outro e não saber o que o outro fazia.
Diante disto resolvemos começar a promover alguns cursos na linha de culinária
para as mulheres da comunidade. Assim começaram a se conhecer e a conviver durante
aqueles momentos.
Com o passar do tempo observamos que elas começaram a querer participar
mais, e na nossa unidade não existia uma técnica da área social que pudesse dar
continuidade aquele trabalho, foi desta forma que as organizamos em forma de um clube
de mães e após algumas reuniões convidamos o PROVOPAR para que pudéssemos
oficializar a criação deste grupo. Daí nasceu o Clube de Mães Mãos Unidas do Interior
da comunidade do Lote Grande. Começamos a realizar diversas reuniões mensais com
a participação da assistente social do Provopar onde ela trabalhava aspectos
relacionados à saúde, sexualidade, cursos básicos de artesanato e a Emater trabalhava a
organização e a produção, com objetivo de promover uma melhoria no primeiro momento
da qualidade de alimentação das famílias que participavam e no segundo momento
alternativa de geração de renda através da produção de artesanatos e de produtos
transformados produzidos na própria comunidade e que muitas vezes se perdiam por não
se saber o que fazer com eles.
CONCEITUAÇÃO/DESENVOLVIMENTO:
Após a criação do clube de mães o trabalho tomou uma forma mais organizada,
porém os homens só participavam em eventos específicos para eles e a assistência
técnica continuava em nível de propriedades nas atividades que eles desenvolviam.
Foi daí que no ano de 1997 realizamos diversos cursos com recursos do Programa
Paraná 12 meses do Governo do Estado e pelo convênio EMATER com a SERT (Secretaria
do Emprego e Relação do Trabalho) nas seguintes áreas: Pães e cucas, tortas salgadas,
biscoitos, strudel doces e salgados, defumados e embutidos, plantas medicinais, conservas
caseiras, aproveitamento da cana de açúcar, aproveitamento da mandioca, velas artesanais,
biscuit, sabonetes e sais, sucos e licores, empreendedorismo, entre outros. Alguns cursos
foram realizados por uma professora do Colégio Agrícola Estadual Manoel Moreira Pena,
Silmara Wandscheer que lecionava disciplinas referentes à transformação artesanal, outros
a comunidade tinha participado com representantes em outras comunidades e estes se
responsabilizaram de repassar o conteúdo aprendido. E a maioria foi realizado pela Emater
através da Técnica Jussara Valkovicz que ao longo dos anos foi o nosso principal apoio,
sem o qual este trabalho não teria sido realizado.
O curso de Strudel doces e salgados foi determinante para que déssemos inicio
ao Café Colonial, pois após todo o treinamento referente à parte de transformação
artesanal avaliamos que o grupo já tinha tido todos os
possíveis cursos para que
pudéssemos dar inicio a uma atividade de geração de renda na comunidade. E como
prova do aprendizado foi feito um desafio à comunidade para a realização do 1º Café
Colonial para a população de Foz do Iguaçu, o que serviria para avaliar o que elas tinham
aprendido nos cursos.
Para esta realização recorremos a colega Lucia Socoloski da região de Ivaiporã,
que já havia realizado Café Colonial no município de Manoel Ribas e através de um
questionário que elaboramos, com suas respostas fizemos as adaptações necessárias e
realizamos o nosso primeiro Café Colonial. O evento surpreendeu a todos que estiveram
presentes e principalmente aos organizadores que não sabiam que eram capazes de
realizar tal feito.
Para a realização do nosso Café Colonial estruturamos o trabalho conforme
descrito abaixo para que este fosse mais organizado, além de evitarmos qualquer tipo de
problemas com as pessoas que trabalhavam e para o público participante. Esta forma foi
a que melhor serviu para a nossa organização.
1- Definição da coordenação geral do evento.
2- Definição das comissões de trabalhos e os líderes destas comissões:
comissão de Divulgação, limpeza, decoração, doces, queijo, melado, panificação,
salgados, arrecadação de produtos, tesouraria, defumados, mesas e cadeiras,
iluminação, recepção, som, café, uniforme, cartazes e ingressos, sinalização, bebidas,
vendas dos produtos, segurança.
3- Os produtos a serem feitos devem ser bem diversificados, procurando
valorizar os pratos típicos da cozinha da região, tais como: Derivados e embutidos de
suínos, leite, doces variados, pães e rosca de polvilho, bolachas, bolos, tortas doces e
salgadas e etc...
4- Os produtos produzidos por produtores que já tenham sua agroindústria
artesanal (dividir o fornecimento de produtos entre as agroindústrias existentes) ou por
grupos afins de produtores, trabalhando comunitariamente.
5- Investimento no Marketing, principalmente trabalhando o nome da EMATER
como
responsável
pela
assessoria, organização
e
mobilização,
mostrando
as
agroindústrias e produtos orientados pelas nossas técnicas sociais. Usar emissoras de
rádio da região e Televisão, se conseguir, (principalmente durante a confecção dos
produtos) – servindo como motivação para o grupo. Usar também cartazes, faixas e o
corpo-a-corpo, etc...
6- Os preços dos ingressos definidos pela comissão organizadora tendo como
referência os custos de produção e outras despesas, como decoração, etc. Os preços
praticados são divididos em dois grupos, sendo: um para adultos e crianças acima de 10
anos, outro para crianças de 5 a 10 anos, e menores de 5 anos não pagam entrada.
7- Pontualidade na abertura do Café Colonial,
com o término acontecendo
naturalmente, através da observação do movimento. Se tiver baile no local é mais
tranqüila a transição, pois a música distrai enquanto se retira o buffet. Durante o Café
Colonial uma música ambiente (conjunto) torna o ambiente mais aconchegante e ao final,
sorteios de alguns brindes (Ex: Cesta com produtos coloniais, aventais do evento e outros
recebidos de empresas colaboradoras).
8- A abertura do evento, feita pela própria comunidade, que se encarrega de dar
as boas vindas a todos os visitantes e a seguir procede-se uma oração de agradecimento
ao alimento servido. Mesmo com a presença de autoridades, as mesmas não fazem uso
da palavra, para evitar problemas, principalmente em épocas eleitorais.
9- Durante o serviço do Café Colonial, o trabalho foi desenvolvido por cerca de
30 pessoas, e foi aumentado nos eventos futuros, pois tivemos momentos de apuros e
nos preparativos eram grupos de 10 a l5 pessoas que trabalhavam por dia (entre homens
e mulheres) nas diversas atividades (Ex: decoração, limpeza, iluminação, pintura e
confecção dos produtos).
10- A produção iniciou com 15 dias de antecedência, com a confecção de
coxinhas e risoles de mandioca, biscoitos e pãezinhos de queijo, estes congelados. É
interessante que toda a matéria prima esteja à disposição antes ou na véspera do início
da confecção dos produtos para evitar corre-corre.
A organização do Café Colonial iniciou com cerca de quatro meses de
antecedência, onde foi discutido semanalmente o que seria servido, brindes, decoração,
preço a ser cobrado e a divulgação. O horário estabelecido desde a primeira edição do
evento tem inicio às 19:30 horas, com duração média de três horas e meia. Após as 22:30
horas inicia o “baile” para os participantes.
O Primeiro Café Colonial aconteceu no dia 18 de outubro de 1997, o segundo Café
Colonial aconteceu no dia 05 de setembro de 1998, e do terceiro em diante ficou definido o
mês de agosto no sábado que antecede o dia dos pais. O evento é anual e observamos que
houve uma adesão cada vez maior, não só da comunidade como também da população da
cidade. São oferecidos a cada edição variedades em doces, pratos salgados e bebidas,
confeccionados por voluntários que ajudam nos preparativos do evento.
O primeiro Café Colonial do Lote Grande, assim como todos os subseqüentes,
foram realizados na comunidade no Salão Paroquial da Igreja Santa Catarina. Houve
tentativas por parte de autoridades que o evento fosse realizado em algum lugar na cidade
para facilitar a participação da população local, porém a comunidade decidiu que se deveria
realizar na comunidade para que pudessem mostrar a cultura do local e o público vivenciar
um pouco da parte rural do município.
Paralelo ao Café Colonial, dentro do próprio salão, fica a disposição dos
participantes um pequeno ponto de venda onde são comercializados os produtos
oferecidos durante o Café Colonial como pães, cucas, tortas recheadas doces e salgadas,
bolachas e biscoitos caseiros, geléias, melados, queijos, salames e artesanatos. Entre os
artesanatos destacam-se guardanapos pintados a mão, bordados em geral, trabalhos em
biscuit, potes para condimentos, velas artesanais, artesanato em papel jornal, sais para
banho e sabonetes, entre outros.
Toda a receita liquida obtida dos Cafés Coloniais realizados até o sexto evento
foi revertido exclusivamente para compra de equipamentos para a cozinha e melhorias do
salão onde é realizado o evento. A Receita obtida no sétimo Café Colonial além de ser
destinada para os itens citados acima, também foi destinado uma parte para remuneração
das pessoas que trabalharam para o evento.
O auge do Café colonial aconteceu no ano de 2001, na sua quinta edição, onde
atendeu um público de 450 pessoas, público este bem superior à capacidade do local,
porém a comunidade improvisou espaço para que ninguém voltasse decepcionado por
não ter participado do evento.
A matéria prima para confecção dos produtos é obtida pela comunidade através de
doações da Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu, Provopar, Sindicato Rural, além de
outras empresas e pessoas. Esta arrecadação é feita pela equipe organizadora. A grande
maioria dos produtos é confeccionada pelas mulheres do Clube de Mães, e o restante pelas
agroindústrias artesanais do município. Abaixo segue a relação de produtos com as devidas
quantidades consumidas para o preparo dos produtos:
RELAÇÃO DO MATERIAL NECESSÁRIO PARA O CAFÉ COLONIAL
-
2 Suínos de 100 kg cada.
- 26 pacotes de 5 kg. de farinha de trigo Sol especial
- 18 pacotes de 5 kg. de açúcar cristal
- 2 caixas com 20 latas de óleo
- 3 caixas com 10 pacotes de 500 gramas de polvilho azedo
- 4 caixas com 20 pacotes de 500 gramas de polvilho doce
- 5 kg. de maizena
- 1 caixa com 10 pacotes de 500 gramas de café
- 30 kg. de peito de frango
- 20 kg. de apresuntado fatiado
- 60 kg. de queijo mussarela fatiado
- 4 pacotes de 500 gramas de fermento fleischamann seco
- 8 latas de 250 gramas de fermento Royal
- 30 pacotes de 100 gramas de coco ralado
- 3 pacotes de 40 gramas de confeite de açúcar e baunilha
- 130 litros de leite
- 15 kg. de margarina
- 12 botijões de gás
- 10 pacotes de papel toalha c/1000
- 4 pacotes de garfos de plástico c/100 uni.
- 8 pacotes de facas descartáveis com 50 uni.
- 10 rolos rollfilm (30 mts x 28 cm)
- 10 x 100 uni. Sacola 30 x 40
- 10 x 100 uni. Sacola 38 x 48
Estas quantidades são para um público em torno de 350 participantes. Não estão
descritos produtos que são adquiridos das agroindústrias do município e que são usados
durante o serviço do Café Colonial.
A divulgação é realizada em toda a mídia local, e que nos últimos anos tem
ajudado bastante no fortalecimento do evento.
O evento é promovido pelo Clube de Mães da comunidade do Lote Grande, com
assessoria da EMATER e Apoio da Prefeitura municipal de Foz do Iguaçu, Provopar e
Sindicato Rural.
RESULTADOS
a) A receptividade da população local para um tipo de “produto gastronômico” que
não ocorria no município, pois a cozinha regional de origem indígena que recebeu
influência desde o inicio da colonização e que vem sendo aperfeiçoada por cheffs trazidos
pelos grandes hotéis, e sem considerar a influência marcante dos colonizadores
portugueses, espanhóis e dos imigrantes italianos, alemães, Chineses e japoneses na
culinária em geral.
b) O primeiro Café Colonial foi servido para um público de 200 pessoas. De lá
para cá, só tem crescido a participação da população local sendo: 2º Café 275 pessoas;
3º Café 300 pessoas; 4º Café 350 pessoas; 5º Café 450 pessoas; 6º Café 350 pessoas e
o 7º Café 356 pessoas. Temos que destacar que o evento e realizado para um público
limitado de acordo com espaço que dispomos na comunidade.
c) Para que se possa ter uma noção do que foi produzido para realizar um Café
Colonial, abaixo descreveremos todos os produtos produzidos em duas edições do evento
com seus respectivos resultados quanto à sobra ou não dos produtos.
1º Café Colonial-200 pessoas 2º Café Colonial – 275 pessoas
PRODUTOS
QUANTIDADE
RESULTADO
QUANTIDAD
RESULTADO
Pão Caseiro
28 uni
Sobrou 5 uni.
27 uni
Sobrou 22 uni.
Pão de fubá
13 uni
-
16 uni
Sobrou 11 uni.
Cuca Recheada
40 uni
Sobrou 5 uni.
24 uni
Sobrou 18 uni.
Rosca de Natal
24 uni
Sobrou 3 uni.
18 uni
Sobrou 13 uni.
Rosca de polvilho azedo
40 uni
Sobrou 10 uni.
-
-
Bolo de Cenoura
10 uni
Sobrou 5 uni.
2 uni
-
Bolo de Mandioca
4 uni
-
-
-
Sopa Paraguaia
5 uni
Faltou
5 uni
Faltou
Torta salgada de frango
1 uni
Faltou
4 uni
Faltou
Strudel de frango (mini)
500 uni
Sobrou pouco
-
-
Coxinha de mandioca
700 uni
Faltou
950 uni
Sobrou 150 uni.
Sobrou 15 kg
40,7 kg
Sobrou 37,7 kg.
Bolachas 3 tipos(3 farinha 40 kg
nata e polvilho, confeitada
Melado*
70 kg
Sobrou bastant 30 kg
Sobrou 29,8 kg
Queijo (Minas)
26 kg
Sobrou 3 peças20,5 kg.(MUSSA -
Linguiça de porco
80 kg.
Sobrou 16 kg
49 kg.
Sobrou 9 kg.
Morcilha branca
30 kg
-
13 kg
Sobrou 2,5 kg.
Café
5 kg
Sobrou 4 kg
3 kg
-
Leite
48 lts
Sobrou 5 litros
55 lts
Faltou.
Chocolate
6 kg
Sobrou 4,5 kg
1 kg
Faltou
Doce de banana*
25 kg
Sobrou 3 kg
10 kg
Sobrou 9 kg
Doce de mamão verde*
23 kg
Sobrou
14 kg
Sobrou 13 kg.
Doce de leite*
23 kg
Sobrou
4 kg
Sobrou 2,5 kg
Doce de abacaxi*
8 kg
Faltou
-
-
Nata*
10 kg
Sobrou pouco
7,5 kg
Sobrou 7 kg
Manteiga*
5,5 kg
Faltou
5 kg
Sobrou 4,9 kg.
Requeijão*
8 kg
Faltou
5 kg
Sobrou 4,5 kg.
Doce de mamão maduro 25 kg
Sobrou
-
-
Pãozinho de queijo
-
-
837 uni
Faltou
Esfirra
-
-
450 uni
Sobrou l50 uni.
Risoles
-
-
320 uni
Sobrou 70 uni.
Cueca virada
8 kg
Sobrou 6,5 kg
Doce de abóbora*
12,3 kg
Sobrou 11 kg
Torta de presunto
3 uni
Faltou
Torta de legumes
2 uni
Faltou
Patê de frango
2 kg
-
Bolo de fubá
2 uni
-
Bolo de laranja
2 uni
-
Bolo Nega Maluca
1 uni
-
Chá de cidreira
30 lts
Sobrou
Chá de Hortelã
20 lts
Sobrou
Chá de cravo, gengibre e
20 lts
Sobrou
Geléia de porco
10 kg
Sobrou
Torresmo
5 kg
Sobrou 2 kg
Canela
*No 1º Café Colonial estes produtos foram colocados em potes plásticos e servidos em cada mesa, daí o pessoal acabou
levando embora.
Já no segundo Café colocamos em vidros no buffet, o que contribuiu para diminuir o consumo e o desperdício.
Vários destes produtos foram colocados a venda durante o evento, há
necessidade do controle para depois não faltar no buffet. Os produtos são acondicionados
em suas respectivas embalagens com etiqueta do fabricante e fone para contato, além de
ter etiqueta de preço para evitar tumulto na hora.
EQUIPAMENTOS USADOS NESTAS DUAS EDIÇÕES: 02 fornos a gás de panificadora, 0l fogão
industrial de 6 bocas, 0l fritadeira elétrica**, 02 Freezers**.
** Precisaria dobrar o número destes equipamentos para melhorar o trabalho.
O maior gasto nos eventos sempre foi com a decoração, pois não conseguimos patrocínio para este setor.
d) Abaixo
os resultados econômicos obtidos em algumas edições do Café
Colonial:
EDIÇÃO DO EVENTO
DESPESAS (R$)
RECEITA BRUTA (R$)
RECEITA LÍQUIDA
(R$)
1º Café Colonial –1987
1.372,84
1.759,61
576,38
2º Café Colonial –1988
793,33
1.991,33
1.198,00
4º Café Colonial–2000
2130,00
5.630,00
3.500,00
5º Café Colonial –2001
2.588,31
6.481,41
3.893,10
7º Café Colonial –2003
3.913,29
7.042,10
3.128,81
e) Criação de uma maturidade profissional para podermos avaliar cada evento
realizado com toda a equipe que trabalhou. É uma oportunidade para avaliar o
comportamento de cada pessoa o que foi positivo e negativo, corrigindo os desvios nas
próximas edições. Este tipo de trabalho favoreceu
maior aproximação entre os
participantes.
f) Oportunidade de negócio criada, pois foi formada uma equipe que acabou sendo
contratada para servir e comercializar os produtos para Café Colonial, desta forma ao longo
dos anos participou e serviu o Café Colonial da Vovó no ano de 1988 que foi promovido
pelo Provopar, realizou Café Colonial em pesque-pague do município no ano de 2001,
serviu Café Colonial na UNIOESTE após apresentação da monografia de alunos da
Universidade referente ao evento como uma oportunidade turística para o município no ano
de 2002, serviu Café Colonial durante a primeira feira de Sabores de Foz do Iguaçu
realizada em outubro de 2003.
g) Foi aberta a participação para produtores da comunidade na feira do produtor
rural, porém após um período de participação se afastaram da feira, pois com a demanda
criada durante os eventos do Café Colonial recebia encomendas freqüentes para
comercializar seus produtos.
h) Reforma da cozinha do Pavilhão comunitário e equipado com máquinas e
equipamentos em condição de funcionar uma agroindústria no local com mais algumas
adaptações.
i) Reforma do pavilhão como pintura, e pequenos reparos.
j) A Prefeitura doou para comunidade uma estrutura em pré-moldado no tamanho
de 21x15m , sendo necessário de agora em diante efetuar o levantamento das paredes e
fazer a nova divisão do salão com uma nova área para instalar a futura cozinha.
l) Inclusão do Café Colonial no calendário oficial de eventos de Foz do Iguaçu.
m) Melhoria da qualidade e apresentação dos produtos servidos durante os
Cafés Coloniais.
n) O Café Colonial serviu como pesquisa para alunos da UNIOESTE escreverem
sua monografia de conclusão no curso de Turismo.
o) O Café Colonial de Foz do Iguaçu serviu como referência para que se pudesse
realizar o 1º Café Colonial no município de Mallet.
p) O Café Colonial de Foz do Iguaçu serviu como referência para que se pudesse
realizar o 1º Café Colonial no município de Três Barras do Paraná.
q) DESAFIOS:
- Que o Café Colonial seja incluído dentro de uma proposta de turismo rural para
o município.
- Que o Café Colonial seja uma opção para as agências de turismo local e seja
vendido como mais um produto turístico de Foz do Iguaçu para que possa contribuir para
que o turista permaneça mais um dia no município, pois hoje a permanência do turista é de
2 dias.
- Realização do Café Colonial mais vezes durante o ano.
- Aumentar a remuneração para as famílias que trabalham na realização do Café
Colonial.
- Construção do novo pavilhão comunitário, pois devido a comprometimento da
estrutura do telhado o 8º Café Colonial não foi realizado este ano.
- Ampliar o número de agroindústrias no município, e que as mesmas tenham uma
participação maior na realização do evento.
- Elaboração de um livro contendo as receitas dos produtos que são servidos
durante o café colonial, para que sejam comercializados ao público participante.
- Instalação de um ponto de venda de produtos coloniais no município.
- Comercializar os produtos coloniais para a rede hoteleira existente no
município, para que possam servi-los aos seus hóspedes.
- Transformar em Café Colonial Orgânico, visando oferecer um “produto”
diferenciado para turistas, além de favorecer o fornecimento de produtos para os 14
hotéis que estão buscando o selo verde no município. O selo verde garante entre os
diversos parâmetros para enquadramento, que o hotel está de acordo com a legislação
ambiental, recicla o lixo, e tem em seu cardápio uma alimentação de qualidade com
“produtos limpos”.
CONCLUSÃO
Este é um tipo de evento que valoriza e divulga os produtos coloniais produzidos
em qualquer município, podendo ser servido permanentemente e/ou em eventos. Torna-se
uma oportunidade de negócio para a agricultura familiar, contribuindo para agregação de
valores dos produtos coloniais.
Para o município de Foz do Iguaçu o evento é uma grande oportunidade para
contribuir para o turismo rural local e conseguir divulgação dos produtos coloniais da
agricultura familiar uma vez que a agricultura não consegue mostrar todo o potencial que
possui, por contribuir pouco na composição do ICMS.
Torna-se necessário a EMATER-PR reestruturar o trabalho na área de
abastecimento familiar com contratação de técnicas para que possam contribuir com a
melhoria da qualidade da alimentação e geração de renda dos agricultores familiares.
Com a reestruturação teremos possibilidade de promover este tipo de evento em muitos
outros municípios do estado.
Para que se possa ter uma visão do evento estamos descrevendo abaixo
depoimentos de pessoas que conheceram e participaram de pelo menos um Café Colonial:
Maria Ivone Dalzotto Muller – Secretária do Sindicato Rural Patronal.
FONE: (45) 523-3456
“Na minha visão o café colonial do Lote Grande é um atrativo a mais dentro do
calendário turístico do município, além de mostrar o trabalho da mulher produtora rural,
arrecada fundos para a associação da comunidade. Este evento pode contribuir para o
desenvolvimento do turismo rural no município com a definição de uma data fixa, que
poderia ser próximo ao dia do aniversario do município ou padroeiro, pois seria um evento
a mais para a comunidade em geral participar. Participei de diversas edições do café
colonial e tudo que vimos e provamos sempre esteve muito bom, desde as guloseimas
até os artesanatos feitos pelas mulheres da área rural. O Trabalho da EMATER junto à
comunidade foi bastante importante, desde a organização até os cursos ministrados na
comunidade para ensinar culinária e artesanato”.
Família Davies (Dario e Maria Eneli) - Coordenadores do Café Colonial
Chácara Davies, Lote Grande FONE: (45) 9975 4407 e (45) 9915 8220
“O Café colonial é um evento importante para divulgação da comunidade do Lote
Grande, e serviu para chamar atenção das autoridades para que contribuíssem para o
desenvolvimento comunitário.
Na realização do primeiro café colonial, éramos em poucas famílias e estávamos
todos empolgados, devido aos cursos que tínhamos participado, porém com o passar dos
anos o número de famílias foi aumentando. É importante ressaltar que antes deste evento
(café colonial) não se tinha integração entre as famílias na comunidade, porém hoje existe
até encontros sociais das famílias. O café colonial foi importante para a integração das
famílias que residem no local e para incentivar a comercialização dos produtos das
agroindústrias.
O trabalho da Emater na comunidade e a assessoria no Café Colonial, foram
muito importantes para divulgação, organização e comercialização dos produtos
produzidos, inclusive houve
uma significante mudança até de comportamento e na
qualidade de vida de algumas famílias.
Os Cafés coloniais promovidos pelo Clube de mães propiciou varias oportunidades
de geração de emprego e renda para as famílias que trabalhavam no evento, mas não foram
aproveitadas. Hoje somente duas famílias conseguiram com os produtos coloniais e
artesanato aumentar suas rendas em aproximadamente R$500,00 (quinhentos reais) por
mês.
Ao longo destes anos realizando o Café colonial os principais pontos positivos foi
à melhoria na qualidade dos produtos agro-transformados, aquisição de uma
infraestrutura adequada e a qualificação da equipe que trabalha no café. E o principal
ponto negativo é o baixo retorno financeiro para as famílias que trabalham, pois a renda é
toda revertida para o Clube de Mães e para a Igreja. Somente no 7º Café colonial é que
conseguimos negociar que as famílias fossem remuneradas pelo trabalho, porém o valor
recebido ainda foi muito pequeno.
O Café colonial só não foi realizado este ano (2004), por motivo do salão onde
ocorre o evento ter sido embargado por problemas em sua estrutura”.
Lucia Wisniewski – EMATER-PR (Extensionista Regional de Irati)
“Recebi o convite do colega João para prestigiar o evento do 1º CAFÉ
COLONIAL, o qual considerei ousado, porém parabenizando-o pela tão brilhante
iniciativa. E realmente, o que vi foi um evento muito bem organizado, os produtos de
excelente qualidade, um ambiente extremamente acolhedor, ou seja, todos os detalhes
foram pensados e para quem foi lá para passar uma noite agradável e comer bem foi ao
local certo. Fiquei muito feliz porque um colega das Ciências Agrárias havia tomado uma
iniciativa que normalmente seria o papel de colegas, como eu, da Área Social da
EMATER – PARANÁ. Parabéns João.
Retornei à região de Irati, pensando em reproduzir esta idéia já que a região
possui um trabalho bastante significativo na produção de produtos artesanais, pois coisas
boas devem servir de exemplos e quando possível podem e devem ser copiadas. Trouxe
algumas fotos do evento, reuni as colegas da área social, na época éramos seis na
região, contei o que vi e juntas pensamos organizar um evento semelhante.
Em maio de 1997, foram realizado a 3ª Festa do Kiwi no município de Mallet, e
também o 1º CAFÉ COLONIAL de Mallet e da região. O interessante é a forma com que
vendemos a idéia às agricultoras que já produziam e vendiam os produtos artesanais
orientados pela Técnica Social do município Maria Margarete G. Szinvelski. Foi apenas o
meu relato, a experiência do João, através de material escrito, e algumas fotos do Café
Colonial de Foz de Iguaçu que convenceu as agricultoras na organização do 1º CAFÉ
COLONIAL de Mallet, que sem dúvida nenhuma foi um sucesso e este acontece todos os
anos durante a Festa do Kiwi, além de outros momentos, sem dizer a ampliação dos
negócios das agricultoras.
Concluo dizendo, que precisamos prestigiar e valorizar as iniciativas dos colegas e
reproduzi-las quando possível, afinal ser Extensionista é enxergar o potencial dos
agricultores e suas organizações, encorajando-as para que estes ocupem um espaço digno
na sociedade”.
Para concluir gostaria de agradecer a equipe da unidade municipal de Foz do
Iguaçu (auxiliar Tereza Ríboli Guerra e ao técnico agrícola Hamilton José da Silva Lisboa)
que muito colaboraram nos Cafés Coloniais Realizados ao longo destes sete anos. E
aproveito para deixar o meu depoimento referente ao Café Colonial, pois sem a existência
de um animador por parte da EMATER-PR este evento poderá perder toda a expressão
que conquistou ao longo desses anos. Este foi um trabalho que desenvolvi com um
carinho muito especial ao grupo de produtores e a comunidade, pois este evento marcou
também a minha vida familiar, devido no primeiro Café a minha filha Bruna tinha recém
nascido (estava com 2 meses e meio) e no último Café Colonial que colaborei com a
organização aconteceu no dia do nascimento da minha 2ª filha (Brenda), o que impediu
que estivesse de corpo presente na hora do evento.
JOÃO DE RIBEIRO REIS JUNIOR
Engº. Agrônomo
ANEXOS:
-
Anexo 1: Diversas reportagens de jornal referente aos cursos e aos eventos dos
Cafés Coloniais.
-
Anexo 2: Diversas fotos referentes aos cursos, excursões, café Colonial de
Mallet e aos eventos dos Cafés Coloniais.
-
Relatório referente à avaliação e resultados do 1º Café Colonial de Mallet,
realizado durante a 3ª KIWI FEST.
-
Trabalho de conclusão do Curso de Turismo da UNIOESTE no ano 2003, das
acadêmicas Ana Carolina Pereira e Letícia Bastos de Queiroz, cujo tema é:
“Turismo Rural – Uma Alternativa para o desenvolvimento do Lote
Grande”.
-
Fita de Vídeo com reportagens que foram ao ar pela TV Cataratas e RPC
afiliadas da Rede Globo e Foz TV. São as seguintes matérias:
a)
Tv Cataratas- jornal local, 5ª edição do Café Colonial foi ao ar as 12:15hs.
b)
Tv Cataratas- jornal local, 5ª edição do Café Colonial foi ao ar as
19:00hs.
c)
Programa Foz Mulher- Foz TV (Tv a cabo), 5ª edição Café Colonial.
d)
Imagens da Foz TV – Durante a realização da 5ª edição do Café Colonial.
e)
Tv Cataratas- jornal local, preparativos para a 6ª edição do Café Colonial.
f)
RPC- jornal Estadual, 6ª edição do Café Colonial foi ao ar as 12:00hs.
g)
Tv Cataratas- jornal local, 6ª adição do Café Colonial foi ao ar as 12:15hs.
h)
Tv Cataratas- jornal local, 6ª adição do Café Colonial foi ao ar as 19:00hs.
ANEXO 1: REPORTAGENS DE JORNAL
a) Reportagem do inicio do Evento
b) Reportagem Jornal local – CURSO PANIFICAÇÃO
c) Curso de defumados e Embutidos – Colégio Agrícola
d) Posse da diretoria do Clube de Mães Mãos Unidas do Interior
e) Reportagem 2º Café Colonial – 1998
f) 1º Café Colonial da vovó – setembro de 1998
g) Reportagem de Agroindústria
g.1) Inauguração do Abatedouro de Aves
g.2) Reportagem Agroindustrialização no meio rural
h) Reportagem 4 Café Colonial
i) Reportagem do 5º café Colonial
j) Reportagem do 5º Café Colonial
l) Reportagem do 7º Café Colonial
ANEXO 2: FOTOS DIVERSAS
a) 1º Café Colonial
Bingo no término do Café, antes do baile
Prêmio: Cestas de produtos coloniais
Fabricação de Melado
b) 2º Café Colonial
Equipe que serviu o evento
b.1) Imagens durante o evento
b.2) Visita de Lúcia Wisniewiski (Emater regional Irati) – 2º Café
c)Curso de Defumados no Colégio Agrícola Manoel Moreira Pena
– 28 e 29/08/1997
Professora Silmara
d)Curso de Plantas Medicinais –05/05/97
Extensionista. Liana -Lindoeste
e) Curso de panificação – Julho/97
Extensionista Jussara - Cascavel
f) Curso de Tortas Salgadas – 04/08/199
Extensionista Consuelo - Medianeira
g) Excursão a Bom Jesus do Sul com recursos do Paraná 12
meses – 24/10/2000.
Agroindústria - Produtos derivados de suínos
h) Excursão a Missal – 06/12/2002.
h.1) Agroindústria de Cana de Açúcar.
Carlos De Ré - U.M. de Missal (esquerda)
h.2) Agroindustria de Panificação
i) 4º Café Colonial
i.1) Detalhes da decoração
i.2) Fabricação dos Produtos
i.3) Exposição dos produtos e venda durante o evento
Propaganda do Evento em Foz do Iguaçu
i.4) Durante a realização do Café
Cantinho do Chimarrão
1ª dama (na época) na cozinha
João com Prefeito e 1ª dama na época
i.5) Visita Celso da Cas (Emater) e Agricultoras de Três Barras do Paraná –
4º Café Colonial
j) 1º Café Colonial de Mallet – 08/05/1999.