Revista O Brasil Feito à Mão- no. 13

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Revista O Brasil Feito à Mão- no. 13
Ano 5 | nº13
Novembro 2011
Year 5 | #13
November 2011
Inspirado em pássaros da fauna
brasileira, artesanato familiar
atravessa gerações.
Artesãos mineiros combinam
técnica apurada e prazer na
criação de peças exclusivas
em madeira.
Metais, sementes, coco, ossos,
marfim e madeira. Em Fortaleza,
artesão transforma a busca por
materiais naturais em estilo.
Inspired by birds from Brazilian
fauna, family handcraft goes through
generations.
Artisans from Minas Gerais
combine accurate technique
and pleasure to create exclusive
pieces in wood.
Metals, seeds, coconut, bones, ivory
and wood. In Fortaleza, an artisan
transforms the search for natural
materials in style.
Editorial / Editorial 2
Artigo / Article 4
Oportunidades / Opportunities 6
O mapa da arte / Tha map of art 16
Feiras e Eventos / Fairs and Events 34
Eu faço / I make it 35
Onde encontrar / Where to find 36
Edição e projeto editorial / Editing and editorial project
Instituto Centro Cape e Central Mãos de Minas
Editor / Editor
Tatiana Macedo
Colaboradores / Colaborators
Daniel Barcelos
Luciana Sampaio
Tatiana Macedo
Fotografia / Photography
Evandro Fiuza
Henrique Queiroga
Revisão / Revision
Fernanda Carvalho
Tradução de textos / Translation
Fernanda Carvalho
Ivana Pignolati
Diagramação e arte / Layout and art direction
Escritório Branding+Packaging+Design
Gráfica / Printing company
Difusora Editora Gráfica
Tiragem / Circulation
5.000 exemplares / copies
Distribuição gratuita / Free Distribution
Foto da capa / Cover photo: Henrique Queiroga
CENTRO CAPE MINAS GERAIS
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CEP 30310-010 - Belo Horizonte - MG
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Editorial
O Brasil está na moda.
O mundo inteiro quer homenageá-lo
e a forma mais fácil de se fazer isto
é através da arte, da música e da
gastronomia.
Assim, o artesanato torna-se, a cada
dia, mais procurado. Através dele,
mostramos nossa cultura, a diversidade de materiais e do nosso povo. São
redes de lojas na Europa e nos Estados
Unidos que querem fazer a semana, o
mês ou a quinzena do Brasil.
O artesão tem, portanto, que aproveitar este momento antes da Copa, já que, durante os jogos, ninguém vai morrer de ganhar dinheiro, pois o turista
da Copa não carrega sacola. O máximo que ele fará
é comprar uma “lembrança”, desde que ela esteja na
frente dele, em aeroportos, hotéis ou pontos turísticos.
Mesmo assim, só se for pequena, não quebrar e couber na mala, afinal, este turista estará indo de um
lado para outro do país, acompanhando seu time.
Acho que sou uma das poucas pessoas que têm
falado isso. Outro dia, procurei me informar sobre
o que acontece com a comercialização do artesanato no Rio e em Salvador durante o Carnaval, tendo
em vista que as duas cidades recebem mais turistas
nesta época do ano do que qualquer outra cidade
receberá durante a Copa. E sabe qual foi a resposta?
Quase nada! Lógico que a venda aumenta um pouco, mas nada que tire ninguém do buraco.
Liguei para amigos que moram na África do Sul
e pedi que eles procurassem saber o que aconteceu
com os artesãos africanos durante e após a Copa de
2010. Sabem a resposta? Assim como aqui no Brasil,
eles foram incentivados a produzir, pois iriam vender para milhares de turistas e ficar ricos. Hoje,
frustrados e cheios de estoque, estão vendendo seus
trabalhos, a preço de banana, para atravessadores
do mundo inteiro, que têm a oportunidade de comprar produtos baratos, muito abaixo do preço.
Isso me lembra uma frase que li num jornal há
anos atrás, na época do Presidente Figueiredo:
“Plante que o João garante, mas plante pouco
que o João é louco”.
Brazil is in. The whole world
wants to honor it and the easiest way
to do that is through art, music and
gastronomy.
Thus, handcraft becomes, day
by day, more searched. Through
handcraft, we can show our culture,
the diversity of our material and our
people. Chains stores in Europe and
in the US want to have the week, the
month or a fortnight of Brazil.
So the artisan must do a good use of
this period before the World Cup, because during
the games, nobody is going to get rich, since this
kind of tourist simply doesn’t carry bags. The most
he will do is buy a souvenir, as long as it is at hand,
like in airports, hotels or touristic sights. Even so,
only if they are small enough to fit in a handbag
and are unbreakable, after all, they are here to
travel and follow their team across the country.
I think I’m one of the few people who has being
saying that. The other day, I tried to find out what
happens to handcraft sales in Rio de Janeiro and
Salvador during Carnival, considering both cities
receive more tourist this time of the year than any
other city will receive during the 2014 World Cup.
And do you know what the answer was? Almost
nothing! Of course they sell a bit more than usual,
but nothing expressive.
I called my friends who live in South Africa
and asked them to find out what happened to the
artisans there during and after the 2010 World Cup.
And do you know the answer? Just like they’re doing
here in Brazil, they were encouraged to produce,
because they were going to sell a lot to tourists
and get rich. Today, frustrated and still full of
products, they’re selling their pieces to middlemen
at a bargain price, who have the opportunity to buy
craftwork extremely cheap, bellow the real price.
That reminds me of a sentence I read in the
newspaper a few years ago, during João Figueiredo’s
government: “Plante que o João garante, mas
plante pouco que o João é louco”; meaning that
“Plant and it grows, but plant enough not to lose”.
Tânia Machado
Presidente do Instituto Centro CAPE / President of Instituto Centro CAPE (Centro CAPE Institute)
Um cenário de oportunidades para o
artesanato brasileiro
A scenario of opportunities for
Br azilian handcr aft
Juarez de Paula
Sociólogo e gerente da Unidade de Atendimento ao ComércioVarejista e Artesanato do Sebrae Nacional.
Sociologist and manager of the Atendimento ao ComércioVarejista e Artesanato do Sebrae Nacional
(Retail Trade and Handcraft Unit Service from Sebrae).
O Br asil estar á no centro
das atenções internacionais nos próximos cinco
anos, sediando um calendário intenso de grandes eventos: a Conferência Internacional sobre
Meio Ambiente – “Rio+20” em 2012, a Copa
das Confederações em 2013, a Copa da FIFA
em 2014, a Copa América em 2015 e os Jogos
Olímpicos em 2016.
Trata-se de uma oportunidade singular para
consolidar nosso país como um dos principais
destinos turísticos internacionais, tirando proveito
desta superexposição para revelar ao mundo nossa
diversidade cultural, nossas belezas naturais, nossa
riqueza econômica e nosso comportamento festivo
e acolhedor.
A diversidade cultural é, certamente, um dos
maiores diferenciais competitivos do país como destino turístico, revelando-se na variedade da nossa
música, das festas populares, da culinária típica e do
artesanato, elementos que traduzem nossas diferentes identidades regionais.
O artesanato brasileiro terá, neste cenário, inúmeras oportunidades de se reposicionar no mercado, conquistando maiores atenção, espaço e valor. O
objetivo estratégico deve ser uma mudança paradigmática de percepção, onde o artesanato deixe de ser
visto apenas como resultado de uma “estratégia de
sobrevivência” de trabalhadores de baixa qualificação e desprovidos de inserção no mercado formal
de trabalho, passando a ser reconhecido como expressão da identidade local e da diversidade cultural
Brazil will be at
the center of international
attention for the next
five years, hosting an
intense
schedule
of
major events: the United
Nations Conference on
Sustainable Development
– “Rio+20” in 2012, the
FIFA Confederations Cup
in 2013, the FIFA World
Cup in 2014, the America’s Cup in 2015 and the
Olympic Games in 2016.
It is a unique opportunity to consolidate
our country as a major international tourist
destination, taking advantage of this overexposure
to reveal to the world our cultural diversity, our
natural beauties, our economic wealth and our
festive behavior and atmosphere.
Cultural diversity is certainly one of the biggest
competitive advantages of the country as a tourist
destination, revealed in the variety of our music,
festivals, typical cuisine and crafts, all elements
that reflect our different regional identities.
The Brazilian craft will have, in this scenario,
numerous opportunities to reposition itself in the
market, gaining more attention, space and value.
The strategic objective should be a paradigmatic
shift in perception, where the craft is no longer
seen as a result of a “survival strategy” of lowskilled workers, who lacked participation in the
Artigo / Article
3
brasileira, como uma parte importante e significativa do nosso patrimônio simbólico e artístico.
Atento a esse cenário e a essas oportunidades, o
Sebrae planejou diversas iniciativas para ampliar a
visibilidade do artesanato brasileiro, buscando, fundamentalmente, o incremento das possibilidades de
acesso a novos mercados para os empreendedores
individuais e empresários de micro e pequenas empresas deste segmento.
O Prêmio Sebrae Top 100 de Artesanato – 3ª
Edição é uma das principais iniciativas. Trata-se de
um processo rigoroso de avaliação da qualidade e
da competitividade dos empreendimentos de produção artesanal, permitindo a seleção das cem melhores unidades produtivas do país. Os premiados
terão seus produtos divulgados por intermédio de
catálogo eletrônico e expostos nos principais eventos do segmento nos próximos três anos. As inscrições estão abertas e podem ser feitas no endereço
eletrônico www.top100.Sebrae.com.br.
A criação do Centro de Referência do Artesanato
Brasileiro – CRAB é outra iniciativa de grande relevância. Trata-se de um espaço para exposições,
eventos, capacitação e comercialização do artesanato brasileiro que o Sebrae instalou na cidade do Rio
de Janeiro, principal porta de entrada do turismo
internacional e nosso mais expressivo polo de economia criativa. Localizado na Praça Tiradentes, no
centro histórico da cidade, o CRAB deverá se tornar,
nesses próximos anos, um importante ponto de visitação e de negócios, facilitando a comercialização de
produtos de todo o país.
A realização de arrojadas mostras e exposições
de artesanato nas cidades que sediarão os grandes
eventos internacionais referidos anteriormente é
outra iniciativa que complementa essa estratégia.
Trata-se de reunir e expor, com ousadia e excelência
técnica, os melhores produtos de cada região, previamente selecionados, contribuindo para a pretendida mudança de percepção do valor dos produtos e
ampliando as possibilidades de conquista de novos
mercados e novos consumidores.
Além disso, ao longo desse período, o Sebrae
buscará intensificar o atendimento ao segmento do
artesanato, priorizando o acesso à inovação, principalmente através da aplicação do design na concepção e desenvolvimento de novos produtos e embalagens. Outro elemento de destaque é a temática da
4 Artigo / Article
formal labor market, but as a recognition of an
expression of local identity and Brazilian cultural
diversity, as a significant and important part of
our heritage and symbolic art.
Mindful of this scenario and these opportunities,
Sebrae has planned several initiatives to increase
the visibility of Brazilian handcraft, seeking
primarily the increment of accessing possibilities
to new markets for individual entrepreneurs and
micro and small businesses in this segment.
The “Prêmio Sebrae Top 100 de Artesanato”
(Top 100 Craft Sebrae Award) - 3rd Edition is one
of the major initiatives. It is a rigorous process for
evaluating the quality and competitiveness of artisan
production enterprises, allowing the selection of the
one hundred best production units in the country.
The winners will have their products disseminated
through electronic catalog and displayed in the
main events of the segment over the next three
years. Registration is open and can be made on the
website www.top100.Sebrae.com.br.
The creation of the Centro de Referência
do Artesanato Brasileiro – CRAB (Center for
Brazilian Crafts Reference) is another initiative
of great relevance. It is a space for exhibitions,
events, training and Brazilian handcraft trading
that Sebrae has installed in the city of Rio de
Janeiro, the main gateway to international
tourism and our most significant pole of creative
economy. Located in Tiradentes Square, the
historical city center, the CRAB should become,
in these coming years, an important point of
visitation and business, facilitating the marketing
of products across the country.
The realization of daring shows and craft
exhibitions in the cities that will host major
international events, as already mentioned, is
another initiative that complements this strategy.
It is about gathering and displaying, with boldness
and technical excellence, the best products of
each region, previously selected, contributing to
the desirable change in perception of the value
of products and expanding the possibilities of
acquiring new markets and new consumers.
In addition, during this period, Sebrae will
seek to intensify the service to the craft segment,
giving priority access to innovation, particularly
through the application of design concepts in
sustentabilidade, cujos pontos críticos são o manejo
sustentável das matérias-primas naturais e das fontes de energia (como no caso da madeira usada nos
fornos de produção de peças cerâmicas), o controle
de efluentes e o uso da água.
Pretendemos continuar dedicando grande atenção aos aspectos da gestão empresarial. O artesão,
na maioria dos casos, domina com excelência sua
técnica artística, ou seja, sua habilidade de criação
e execução de peças artesanais. Todavia, nem sempre domina os fundamentos da gestão de negócios.
Assim, sente dificuldades com questões elementares, como sua contabilidade básica, planejamento
de produção, controle de estoques, atendimento aos
clientes, logística de entregas, adequação de embalagens, promoção comercial, dentre outros.
Outro ponto de destaque é a questão da formalização. Percebemos que, no segmento do artesanato,
a informalidade ainda é elevada. Todavia, com o reconhecimento legal da modalidade de registro como
“Empreendedor Individual”, acreditamos que não
existem mais razões que justifiquem a reprodução
desta situação. O Sebrae atuará fortemente na divulgação de informações e na facilitação de acesso aos
procedimentos de formalização, incluindo também as
modalidades coletivas, tais como as associações, cooperativas e empreendimentos de economia solidária.
Finalmente, uma estratégia de reposicionamento
do artesanato no mercado exige, também, o dimensionamento da importância social e econômica desta atividade. Não dispomos, hoje, de informações
confiáveis e atualizadas a respeito. Não sabemos
quantas pessoas se ocupam desta atividade, qual
o valor total das transações, qual o percentual de
participação no mercado. Assim, fica difícil avaliar
e demonstrar a relevância do setor e, consequentemente, faltam políticas públicas orientadas para o
seu fortalecimento. O Sebrae pretende aproveitar a
motivação e a mobilização proporcionada pelo calendário de grandes eventos para promover estudos
e pesquisas que resultem na elaboração de um censo
social e econômico do artesanato brasileiro.
Temos convicção de que, com essa estratégia, teremos, num horizonte de cinco anos, uma efetiva
mudança de paradigmas no artesanato brasileiro. O
Sebrae está pronto para dar sua contribuição, mas
nada acontecerá sem o desejo e a participação dos
próprios artesãos.
the creation and development of new products
and packaging. Another major element is the
sustainability theme whose critical points are the
sustainable management of natural raw materials
and of energy sources (such as wood stoves used
in the production of ceramic), the control of
effluents and water usage.
It is also our intention to continue paying great
attention to all aspects of business management. The
artisan, in most cases, dominates with excellence
his artistic technique, which means his ability to
create and execute handcraft pieces. However,
he does not always master the fundamentals
of business management. So he has difficulties
with basic issues such as his simple accounting,
production planning, inventory control, customer
services, delivery logistics, adequate packaging,
trade promotion, among others.
Another important matter is the formalization
issue. We realized that in the craft sector, informality
is still high. However, with the legal recognition of
a formal register as an “Empreendedor Individual”
(Individual Entrepreneur), we believe that there is no
more reason for this informality. Sebrae acts strongly
in disseminating information and facilitating access
to formal procedures, not only individually but also
collectively, such as associations, cooperatives and
social economy enterprises.
Finally, a repositioning strategy of the craft
in the market also requires the measurement
of social and economic importance of this
activity. We do not have any reliable or updated
information about it today. We do not know how
many people are engaged in this activity, what
the total value of transactions is, what percentage
of market share they have. Thus, it is difficult to
assess and demonstrate the relevance of the sector
and, consequently, there is a lack of public policies
for their empowerment. Sebrae aims to harness
the motivation and mobilization created by the
calendar of major events to promote studies and
research that can result in the development of a
social and economic census of Brazilian handcraft.
We are convinced that, with this strategy, we will
have, in about five years, an effective paradigm shift
in Brazilian handcraft. Sebrae is ready to make a
contribution, but nothing can happen without the
will and participation of the artisans themselves.
Artigo / Article
5
Empreendedorismo
que faz crescer
Entrepreneurship that develops
Tatiana Macedo
FOTOS / PHOTOS Evandro Fiuza
POR /BY
Da sintonia perfeita entre o fruto
oferecido pela natureza e a criatividade do homem
nascem as peças produzidas pelos artesãos Stela
Lodi, 61 anos, e seu marido, Américo Lodi, 64 anos.
Os contornos sinuosos e diferenciados das cabaças
propõem São Francisco, Santo Antônio, galinhas,
bonecas, pinguins, patos e tudo o mais que ocorrer
à artista plástica formada pela FUMA – Fundação
Mineira de Arte Aleijadinho, hoje, incorporada à
UEMG – Universidade do Estado de Minas Gerais.
“Geralmente, as cabaças não são exatamente
iguais. Cada tamanho e formato sugere a criação
de peças, algumas vezes parecidas, outras diferenciadas. Isso nos permite proceder a variedades em
nosso trabalho”, explica Stela.
As duas etapas de produção, que consistem, respectivamente, no preparo da cabaça e na criação, são
divididas. Américo, analista de sistemas aposentado,
é quem limpa externa e internamente o fruto já seco,
retira sua pele e as sementes, além de lixar, expurgar e
imunizar a peça para evitar cupins e carunchos. Um
preparo fundamental para a qualidade e a longevidade das peças. “Nosso cuidado na confecção permite
uma boa proteção das peças, tanto no acabamento
quanto na imunização. Na conservação, é importante
não deixar a peça em local com muita umidade e não
deixar diretamente ao relento. Quedas poderão causar a quebra ou trinca da peça”, explica Américo.
A segunda etapa é, propriamente, a criação,
quando Stela modela e pinta todos os detalhes da
peça, levando, em média, dois dias até o acabamento
final. “Peças maiores, como o São Francisco, podem
demorar mais, pois eu modelo os pezinhos, os braços, espero secar e só depois passo a pintura.” São
6
Oportunidades / Opportunities
From the perfect harmony
between the fruit offered by nature and human creativity arises the handcraft work made by the artisans
Stela Lodi, 61, and her husband, Américo Lodi, 64.
The sinuous and differentiated shapes of calabash are
transformed into the image of saints, like Francis of
Assisi and Anthony of Padua, chickens, dolls, penguins, ducks and anything else that occurs to Stela,
this plastic artist graduated at FUMA – Fundação
Mineira de Arte Aleijadinho (Aleijadinho Art
Foundation of Minas Gerais), now incorporated into
UEMG – Universidade Estadual de Minas Gerais
(University of the State of Minas Gerais).
“Usually, calabashes aren’t exactly alike. Their
sizes and shapes suggest the creation of pieces that
are sometimes similar to each other, sometimes
totally different, allowing us to put variety in our
work”, explains Stela.
The two stages of production, which are, respectively, the preparation of the calabashes and the creation itself, are divided. Américo, a retired system
analyst, is responsible for cleaning the inside and
outside of the dry fruit, removing its skin and seeds,
sanding, purging and immunizing the piece to prevent termites and weevils. A necessary procedure to
guarantee the quality and longevity of the material.
“Our caution in production process provides good
protection to the pieces, in both ways: finishing and
immunization. In order to preserve the calabashes,
it’s important to keep the object away from humidity
and dew. Also, accidental falls may break or crack
the object”, says Américo.
The second stage is the creation itself, when Stela
models and paints the details of each piece, spending
minúcias e cores que tornam as peças únicas, e um
processo de ganho de escala que, nas duas etapas de
produção, permite aos artesãos trabalharem com
várias peças e aumentarem o rendimento total.
Uma outra linha de produtos, ainda secundária,
produz lamparinas, latas e latões de leite a partir de
materiais descartados. Esses materiais passam por
uma reciclagem e recebem acabamento artístico.
“Antes de trabalhar diretamente com o artesanato, lecionei em colégios, dando aulas de educação
artística e história da arte. Nessas aulas, já incluía
sucatas para desenvolver a criatividade dos alunos”,
relata Stela, que acredita que o artesão, pela própria
característica de seu trabalho, deve manter a cultura
de respeito ao meio ambiente no patamar mais alto.
Certificados em outubro de 2011 pelo selo IQS
– Instituto Qualidade Sustentável, do Programa da
Produção Artesanal – PCPA, projeto coordenado
pelo Instituto Centro Cape – ICCAPE, os artesãos
passaram por um aprendizado que durou oito meses
e que desencadeou grandes mudanças na produção e
na comercialização. “Como resultado do IQS, vimos
que estávamos colocando os preços dos itens para
exportação de forma incorreta”, relata Stela, que também acredita que, com o selo, o artesão ganha destaque nos negócios ao participar de feiras e salões. “O
selo IQS é uma conquista valiosa para o artesão.”
Da participação no 3º Salão Especial, evento realizado pelo ICCAPE, pela Associação Brasileira
de Exportação de Artesanato – Abexa, pela
Agência Brasileira de Promoção de Exportações
e Investimento - Apex-Brasil, pela Federação das
Indústrias do Estado de
Minas Gerais – Fiemg
e pelo Governo de
Minas Gerais, Stela
colheu bons frutos,
fechando negócios
com lojistas nacionais,
que exigiram seu desdobramento na produção, e negociando com
um representante norte-americano que, ao
adquirir uma de suas
peças, demonstrou interesse em uma negociação futura.
about two days on finishing. “Large pieces like St.
Francis Assisi can take a little longer because I model
its feet and arms, wait until it’s completely dry and
only then I paint.” These details and colors transform
each object into something unique. A process of scale
gains that offers, in both stages of production, the opportunity for the artisans to work with different materials and increase their total income.
Another line of products, but yet secondary, produces lamps, cans and milk churns from disposed
materials. These materials are submitted to a recycling process, receiving an artistic finishing. “Before
working directly with craftwork, I was a teacher of
art education and art history in some schools. In my
classes, I used to work with scraps in order to develop students creativity”, says Stela. She also believes
that artisans, mostly because of the characteristics
of their work, should have a respect for the environment at the higher level possible.
Certified in October of 2011 with the IQS Label –
Instituto Qualidade Sustentável (Sustainable Quality
Institute), from Programa da Produção Artesanal –
PCPA (Handcraft Production Program), a project coordinated by Instituto Centro Cape – ICCAPE (Centro
Cape Institute), the artisans took part in an eightmonth learning process, which provided great changes
in production and commercialization. “As a result of
the IQS certification, we realized that we were pricing
our product for export wrongly”, says Stela, who also
believes that, with this label, the artisan has more advantages by participating on fairs and exhibitions. “The
IQS Label is a valuable achievement for the artisan.”
From the participation in the 3rd “Salão Especial”,
an event organized by ICCAPE, Associação Brasileira
de Exportação e Artesanato – ABEXA (Brazilian
Association of Export and Handcraft), Agência
Brasileira de Promoção de Exportações e Investimento
– Apex Brasil (Brazilian Agency for the Promotion of
Export and Investments), Federação das Indústrias
do Estado de Minas Gerais – FIEMG (Federation
of the Industries of the State of Minas Gerais)
and the Government of the State of Minas
Gerais, Stela reaped great results, closing
deals with national retailers, which made
her expand the production, and negotiating with an American seller who, after buying one of her pieces, showed interest in future
negotiations.
Oportunidades / Opportunities
7
“Até a realização do 3º Salão Especial, ocorrido
na Serraria Souza Pinto, Belo Horizonte, em outubro de 2011, estávamos com a produção variada.
Mas o impulso que o resultado do Salão nos deu
mostrou que, a partir de agora, teremos que regularizar nossa produção”, relata Stela.
Com peças expostas em feiras na Europa, os
artesãos destacam que, além das vendas, os eventos também são fundamentais para fornecer um
feedback sobre seus produtos. “Nossa experiência
para exportação é ainda visando à recepção do
mercado exterior. Tivemos um pedido pequeno,
mas o que foi mais significativo foi o retorno que
nos deu a responsável pelas feiras em Portugal e
Espanha. Retorno este que nos possibilitou um
aprimoramento na produção, gerando melhor
apresentação das peças, e com mais qualidade.”
Dedicando-se exclusivamente ao artesanato há
cinco anos, Stela e Américo, que moram e trabalham
em Lagoa Santa (cidade a, aproximadamente, 40 Km
de Belo Horizonte), transformaram o artesanato em
importante fonte de renda familiar e de realização do
casal, demonstrando clareza ao entender as mudanças pelas quais passa o artesanato nacional.
“O artesão tem que ser um empreendedor. Se
não, ele ficará no amadorismo, se iludindo quanto
ao resultado financeiro alcançado, que poderá ser
visto como positivo ou negativo e, muitas vezes,
não condiz com a realidade. É difícil vencer essa
fase amadora, mas é imprescindível”, esclarecem.
“Until the 3rd ‘Salão Especial’, that took place
in October 2011 at Serraria Souza Pinto, in Belo
Horizonte, our production rate used to vary a lot.
After the great results of the event and its impulse for
our business, we realized that, from now on, we have
to have a regular production process”, says Stela.
With the exhibition of their work in fairs around
Europe, the couple of artisans point out that, beside
sales, the events are essential to provide a feedback
of their products. “Our experience for exporting
still aims at the acceptance of our art in the international market. In that sense, the purchase order was
small, but the feedback we had from the responsible
for the fairs in Portugal and Spain was very significant. It made the improvement of our production
process possible, leading to a better presentation
and a higher quality of our pieces.”
Dedicating exclusively to handcraft for five years,
Stela and Américo, who live and work in Lagoa
Santa (a city located approximately 40 Km from the
state capital, Belo Horizonte), have made handcraft
work an important source of fulfillment and income
for their family, understanding the changes that national handcraft undergoes nowadays.
“Artisans have to be entrepreneurs. Otherwise,
they will continue being amateurs, deluding themselves about financial results achieved, which can be
perceived as a positive or a negative thing but, most of
the times, away from reality. It’s hard to overcome this
amateur stage, but it’s indispensable to”, they explain.
Cabacinha: pequena cabaça, porongo;
“Cabacinha”: a small calabash, gourd; a
A cabaça que aparece em João
Guimarães Rosa, também no diminutivo, cabacinha, é um recipiente utilizado para armazenar água durante as
viagens pelos Sertões, nos romances do
escritor mineiro.
No sul do Brasil, do fruto já ressequido
da família das cucurbitáceas, faz-se a cuia
onde se coloca o chimarrão, bebida feita de
mate, muito apreciada principalmente entre
os gaúchos.
Mais sobre a cabaça na 10ª Edição desta revista.
8
Oportunidades / Opportunities
bowl made of the fruit of the calabash (which is
a climbing tree).
(MARTINS, Nilce; O léxico de Guimarães Rosa)
Foto / photo: Anestor Mezzomo
cuia feita do fruto do porongo (planta
trepadeira).
(MARTINS, Nilce; O léxico de Guimarães Rosa)
The calabash that appears in the books
of João Guimarães Rosa – also named “cabacinha” (a small calabash) is a container
used to store water during trips through
“sertões” (remote dry areas in Brazil), in
the novels of this “mineiro” writer.
In the south of Brazil, the dry fruit of the family of Cucurbitaceous is used to make the bowl
where local people pour “chimarrão”, a beverage
made of mate, thoroughly appreciated among
“gaúchos” (native people from that area).
More information about calabashes in the 10th Issue of this magazine.
Santo Antônio do Leite
Arte e história forjadas em prata
Art and history forged in silver
Tatiana Macedo
FOTOS / PHOTOS Evandro Fiuza
POR /BY
Artesão, instrutor de Capoeira e presidente da Associação de Artesãos de Santo Antônio do
Leite, distrito de Ouro Preto, Dilson Ribeiro da
Silva, 48 anos, trabalha a prata e o ouro (sob encomenda) com pedras brasileiras e sonha com o desenvolvimento de sua comunidade através da arte.
O artesanato de joias e semijoias de Santo Antônio
do Leite é tradicional, tendo se desenvolvido através
do intercâmbio entre a população local e estrangeiros de diversos países (México, Itália, Espanha e outros) que, ao se instalarem no distrito, passaram a
criar peças a partir da alpaca (metal inferior à prata)
e de pedras brasileiras. Em forma de arame, a alpaca
era trançada, dando origem às bijuterias.
Atualmente, a confecção das peças é realizada,
predominantemente, a partir da prata comprada
na capital mineira e de pedras como o Topázio
Imperial, abundante na região de Ouro Preto e
muito apreciado, principalmente, por turistas estrangeiros que visitam a região.
Artisan, Capoeira instructor and president
of the Associação de Artesãos de Santo Antônio do
Leite (Association of Artisans of Santo Antônio do
Leite), a district of Ouro Preto, Dilson Ribeiro da
Silva, 48, handles silver and gold (custom-made)
with Brazilian gems, hoping for the development
of his community through art.
The handcraft work of jewelry and semi-jewelry
from Santo Antônio do Leite is traditional and has
developed based on knowledge exchange among
local people and foreigners from different countries (Mexico, Italy, Spain and others), who, after
moving to the district, began to create pieces from
nickel silver (an inferior metal similar to silver)
and Brazilian gems. In a wire shape, nickel silver
was weaved, originating the trinkets.
Nowadays, these pieces are made mostly from
silver bought at Belo Horizonte (the capital of the
state of Minas Gerais) and stones like Imperial
Topaz, a gem vastly found in Ouro Preto and
Oportunidades / Opportunities
9
“No passado, vendíamos nossa mão de obra
para os estrangeiros, que compravam, eles mesmos, a prata e as pedras. Hoje, somos donos do
nosso próprio negócio”, conta orgulhoso.
A Feira da Chapada, como é conhecida, é um
importante local de venda e exposição para os
artesãos, que exibem e comercializam suas peças
aos sábados, domingos e feriados, de 09 às 17 horas. Contemplado pelo Orçamento Participativo
de Ouro Preto, o local da feira agora é, oficialmente, um espaço do artesanato. “Agora temos
um documento”, ressalta o artesão sobre mais
esta conquista.
Dilson aprendeu o ofício com os cunhados
Pedro e Afonso, e se dedica às joias desde 1989,
tendo abandonado a profissão de taxista que
exerceu por dois anos. Depois de quinze anos de
prática, fez um curso de qualificação no Instituto
Federal de Minas Gerais – IFMG, Campus Ouro
Preto. No curso, estudou Gemologia, o que lhe
permitiu identificar as pedras e suas características (qualidade, rigidez, etc.), e Ourivesaria
Artesanal, onde conheceu o professor Benedito
Matozinhos Devêza, mestre de grande influência em seu trabalho.
“
Hoje, somos donos do nosso próprio negócio
”
“Me inspiro no trabalho clássico de joalheria,
que é liso, de bom acabamento e faz com que a pedra seja o destaque da joia. A prata envelhecida –
ou prata portuguesa, como era conhecida – já foi
uma tendência, mas não é mais. O artesão precisa
ficar atento também a essas tendências para não ficar perdido no tempo”, explica.
As gargantilhas são as peças preferidas de
Dilson. Feitas em pedras calibradas, de mesmo tamanho, chamam a atenção para si mesmas e para
as joias menores, como os brincos e anéis que as
acompanham. Para o artesão, clientes brasileiros e
estrangeiros são igualmente exigentes, mas procuram por peças diferentes: pingentes e anéis maiores
são preferidos entre os estrangeiros, enquanto os
nacionais optam por anéis, brincos e gargantilhas
menores. “O cliente ficou mais exigente, tivemos
que nos adequar ao mercado, equipando as oficinas e fazendo cursos de qualificação.”
10 Oportunidades / Opportunities
thoroughly appreciated especially by foreign tourists that visit the region.
“In the past, we used to work for the foreigners,
who used to buy themselves the silver and the gems.
Today we have our own business”, Dilson says proudly.
Chapada Fair, as it is known, is an important
place for artisans to sell and show their work, exhibiting and commercializing their pieces on
Saturdays, Sundays and holidays, from 9 am to 5 pm.
Contemplated by Orçamento Participativo de Ouro
Preto (a local governmental development program),
the venue where the fair takes place is now an official space for handcraft. “Now we have a document”,
says the artisan about this other achievement.
Dilson has learned this occupation from his brothers-in-law Pedro and Afonso, and has been dedicating to jewelry making since 1989, when he also quit
being a taxi driver, a job that he held for two years.
After fifteen years of practice, he took a qualification
course at the Instituto Federal de Minas Gerais –
IFMG (Federal Institute of Minas Gerais), in the Ouro
Preto Campus, where he studied Gemology, which
allowed him to identify the gems and their characteristics (quality, stiffness, etc.), and Handmade Jewelry,
where he met the teacher Benedito Matozinhos
Devêza, master of great influence in his work.
“
”
Today we have our own business
“I am inspired by the classic work of jewelry,
which is smooth, with a nice finishing and that
makes the stone the highlight of the jewel. The
aged silver – or Portuguese silver, as it was once
known – used to be a trend, but not anymore. The
artisan must also be aware of these tendencies in
order not to get stuck in time”, he explains.
The necklaces are Dilson’s favorite pieces. They´re
made in polished gems of the same size, drawing attention to themselves and to smaller jewelry, like the
earrings and rings that accompany them. For the artisan, Brazilian and foreign clients are both demanding, but they look for different pieces: bigger pendants
and rings are preferred among the foreigners, while
national clients opt for smaller rings, earrings and
necklaces. “The client has become more demanding, so we had to adjust to the market, equipping the
workshops and doing training courses.”
Em busca dessas
melhorias, o artesão
passou pelo processo
de certificação IQS
em 2008. “Meu processo de certificação
durou seis meses e minha linha de trabalho
sofreu várias mudanças. Depois do curso,
tive que me adaptar às
novas formas de trabalho, que, depois, se
mostraram melhores
de realizar.” Dilson
ressalta, ainda, que o
selo trouxe mais credibilidade para seus
produtos entre lojistas
e clientes.
Parceira da população, a Associação
de Artesãos trabalha
na conscientização
quanto ao turismo,
no desenvolvimento
do artesanato e no amparo à população idosa.
“Nosso compromisso com a melhor idade está registrado no estatuto da associação. Trabalhamos
também em prol do crochê e outros artesanatos
desenvolvidos em Santo Antônio do Leite.”
Através de entidades como o ICCAPE, a
Abexa e a Apex-Brasil, o artesão passou a ser
mais reconhecido, houve um crescimento nas
vendas, além de um incremento do setor através
de cursos profissionalizantes, acredita Dilson,
que aposta em um futuro promissor.
Da parceria entre a Associação, o Serviço
Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas
Empresas - Sebrae e o Banco do Brasil, deverá
ser construída, em 2012, uma oficina com maquinário comunitário em Santo Antônio do
Leite, retirando a produção do “fundo de quintal” e adequando-a ao turismo.
“A tendência do artesanato é crescer mais e
mais, respeitando e cuidando do meio ambiente
para que possamos utilizar a matéria-prima com
consciência.”
In pursuit of these
improvements, the artisan passed through
the IQS certification
process in 2008. “My
certification process
lasted six months
and my line of work
has undergone several changes. After the
course I had to adapt
myself to new ways of
working, which later
turned out to perform
best.” Dilson still emphasized that the label has brought more
credibility to his products among retailers
and customers.
As a partner of
the local community,
the Associação dos
Artesãos
(Artisans
Association) works to
foster the awareness in
relation to tourism, to the development of handcrafts
and to support the elderly population. “Our
commitment to the aged is recorded in the bylaws of
the association. We also work in favor of crochet and
other crafts developed in Santo Antônio do Leite.”
Throughout organizations such as ICCAPE,
Abexa and Apex-Brasil, artisans have become more
recognized, there was a growth in sales and an increase
in the industry through training courses, according
to Dilson, who believes in a promising future.
From the partnership among the Association,
the Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas
Empresas – Sebrae (Brazilian Services and Support
for Micro and Small Companies) and Banco do
Brasil (Bank of Brazil), a workshop with community
machinery is going to be built in Santo Antônio do
Leite in 2012, transforming the amateur production
into a business suitable for tourism.
“The tendency of handcraft is to keep growing
and growing, respecting and caring for the
environment, so we can continue using its raw
materials consciously.”
Oportunidades / Opportunities 11
Artesanato de família
Family Handcr aft
Tatiana Macedo
FOTOS / PHOTOS Henrique Queiroga
POR /BY
Pintadas à perfeição própria
da natureza, as penas da galinha-d’angola são combinadas às penas do nobre faisão e às do ganso
(estas últimas, tingidas com anilina em tons fortes
de vermelho ou amarelo), dando vida ao pica-pau,
que chama a atenção pela mistura inusitada e riqueza de detalhes.
Criação de Francisco Cecílio, 72 anos (não aparentes), as peças feitas com penas surgiram logo
após a confecção das primeiras, desenvolvidas
com lã pluma, em 1975, quando ele e sua esposa,
Efigênia, mudaram-se de Ibirité para a capital mineira e começaram a traçar um futuro promissor
para a família através do artesanato.
Hoje, filhos, netos e noras trabalham na Arte
Pássaros, criando pássaros a partir da madeira, de
fibras e de penas. Entalhado a machado, o tucano
12 Oportunidades / Opportunities
Painted with the perfection
of nature itself, the feathers of the guinea fowl are
combined with the noble feathers of pheasants and
geese (the latter being dyed with aniline in strong
shades of red and yellow), giving birth to a woodpecker, which draws the attention for its unusual
mixture and fine details.
Created by Francisco Cecílio, 72 years old (but
not showing his age at all), the pieces made from
feathers have arisen just after the first ones, made
from “lã pluma” (a kind of wool produced with
93.8% of acrylic and 6.2% of polyamide), in 1975,
when he and his wife, Efigênia, moved from Ibirité
to the capital of Minas Gerais and started to map a
promising future for their family through handcraft.
Today, their children, grandchildren and daughters-in-law work at Arte Pássaros, making birds in
de 1,80 m, feito de um tipo de madeira denominada Canela, ainda é recordação viva para Francisco.
Recentemente, um galo de 2 metros desafiou o
artesão, que ainda ostenta um pequeno corte na
mão. “Eu levei uns vinte dias só para desenvolver
a matriz. Fiz os moldes do pé, da canela, da coxa,
do corpo e da crista. Depois, juntei as partes com
a própria fibra”, explica ele a respeito do processo
de montagem da peça. Encomenda de uma rede de
hotéis-fazenda, o
galo foi feito a partir de uma mistura
de fibra de vidro
e resina, material
que é, hoje, carro chefe da Arte
Pássaros e muito
apropriado para
ambientes externos. “As peças de
fibra são muito
resistentes, podem
ficar até dentro
da água”, conta
Francisco.
Confeccionadas
em madeira – a
maioria do tipo
Caixeta, as peças
entalhadas,
como
tucanos,
araras e outros
são
exportadas,
por intermédio do
Instituto Centro Cape, para a Europa. Este ano, a
Arte Pássaros vendeu, para a rede Él Corte Inglés
(Portugal e Espanha), 4.500 peças.
No 3º Salão Especial, realizado em outubro, a
Arte Pássaros fechou negócios com três novos lojistas do Rio de Janeiro e outros três de Porto Alegre.
Representantes franceses, alemães e espanhóis também levaram amostras das peças para seus países de
origem. “Nós negociamos com um representante
da Espanha e essa negociação, eu acredito que ainda irá dar frutos”, conta Genival, um dos filhos de
Francisco que trabalha com o pai no atelier.
Exigente, o comprador internacional pede todas as informações sobre o produto e quer saber
wood, fiber and feathers. Carved with an ax, the
toucan of 5,9 feet, made of a type of wood named
Cinnamon, is still a vivid memory for Francisco.
Recently, a 6,5 feet tall rooster has challenged
the artisan, who still has a small cut on his hand.
“It took me about twenty days just to develop the
base. I made the molds of the feet, the shins, the
thighs, the body and the crest. After that, all the
parts were joined together with the fiber itself ”,
he explains the process of
assembling the piece. An
order from a chain of inns,
the rooster was made from
a mixture of fiberglass and
resin, materials that today
are the flagship of Arte
Pássaros and very suitable for outdoor environments. “The fiber pieces
are very resistant, they can
even get into water”, says
Francisco.
Made in wood – mostly
“Caixeta” (a native tree
from Brazil), the carved
pieces like toucans, macaws and others are exported through “Instituto
Centro Cape” (Centro
Cape Institute) to Europe.
This year, Arte Pássaros
have sold to Él Corte
Inglés (Portugal and
Spain) 4,500 pieces.
During the 3rd Salão Especial, held in October,
Arte Pássaros closed deals with three new retailers
from Rio de Janeiro and three others from Porto
Alegre. Representatives from France, Germany
and Spain also took samples to their countries.
“We dealt with a representative from Spain and
this negotiation, I believe will still pay off,” says
Genival, one of Francisco’s son, who works with
his father in the studio.
Demanding, the international buyer requests
all kinds of information about the product and
wants to know step by step the production process, says Genival, pointing out the difference between Brazilian and foreign buyers.
Oportunidades / Opportunities 13
o passo a passo da produção, ressalta Genival, ao
pontuar a diferença entre o comprador estrangeiro
e o brasileiro.
Feirante há mais de vinte anos, Francisco expõe seu trabalho na Feira de Artes e Artesanato
da Avenida Afonso Pena, em Belo Horizonte. A
feira, que acontecia anteriormente na Praça da
Liberdade, sempre foi importante ponto de comercialização e divulgação para seu artesanato.
“Quando eu pego um pedaço de madeira, eu já
sei no que vou transformá-lo”, explica Francisco,
que tem o hábito de acordar e seguir direto para o
atelier, que funciona junto à sua residência. “Não é
que a gente sonhe, mas vai juntando ideias durante a noite e, de manhã, eu já quero colocá-las em
prática.”
Apaixonado por pássaros, ele lamenta o espaço
diminuto do quintal, que só permite a existência
de plantas pequenas, além da Mangueira e da árvore de Romã, pouso certo para passarinhos, que são
14 Oportunidades / Opportunities
Being a fair participant for over twenty years,
Francisco exhibits his work at the Arts and Crafts
Fair of Afonso Pena Avenue, in Belo Horizonte.
This fair, which previously took place at “Praça
da Liberdade” (Liberty Square), has always been
an important place for selling and promoting his
craftwork.
“When I pick up a piece of wood I already know
what I’ll make of it,” says Francisco, who has the
habit of waking up and going straight to the studio,
which operates in his home. “What happens is not
a dream, but ideas that I gather during the night
and by morning I immediately want to put them
into practice.”
The bird lover, he regrets the tiny space of the
yard, which only allows the existance of small
plants with the mango and the pomegranate tree,
a certain shelter for the birds, always welcome.
The birds I make only need to sing now. Although
once I made a buff-throated saltator (a small bird
sempre bem-vindos. “Aos meus pássaros só falta
cantar. Se bem que, uma vez fiz, para um lojista,
um trinca-ferro e dentro dele coloquei um gravador. Assim, ele até cantava”, conta Francisco.
Simpático e alegre, ele é o maestro do negócio,
criando a maior parte das peças. São quinze pessoas envolvidas no processo. Destas, dez são parentes, que, entusiasmados com o artesanato, prometem continuar a tradição dos pássaros.
Pedro Lucas, neto de Francisco de apenas dez
anos de idade, já demonstra interesse pelo artesanato de pássaros, corujas, garças, namoradeiras,
cupinzeiros e outros. Efigênia, a esposa, também
participa, enrolando as perninhas das araras e pintando as bananas e outras peças.
“O artesanato me faz muito feliz. É um prazer
trabalhar. Conheci várias cidades através do artesanato, viajando para feiras e exposições, hoje eu
viajo menos”, conta Francisco, que se diz realizado.
Além das vendas avulsas, realizadas no atelier,
no site da Arte Pássaros e na feira de artesanato da
Avenida Afonso Pena, os pássaros artesanais de
Francisco podem ser encontrados em lojas espalhadas pelo país e na rede Casa do Fazendeiro, em
Belo Horizonte.
called “trinca-ferro” in Portuguese) for a shopkeeper and put a recorder inside it, so it actually
sang”, says Francisco.
Friendly and cheerful, he is the conductor of
the business, creating most of the pieces. There
are fifteen people working with him. From these,
ten are relatives that, excited about craftwork,
promise to continue with the tradition of making
handcraft birds.
Pedro Lucas, Francisco’s 10-year-old grandson, has already shown interest in the handcraft of
birds, owls, herons, loveseats, termites and other
objetcs. Efigênia, his wife, also participates in the
process, wraping the macaws’ legs and painting the
bananas and other pieces.
“The handcraft makes me very happy. It is a
pleasure to do this work. I’ve visited several cities
because of it, traveling to fairs and exhibitions,
but today I travel less”, says Francis, who claims
to be fulfilled.
In addition to the sales at the studio, through the
website of Arte Pássaros and in the fair at Afonso
Pena Avenue, Francisco’s handcrafted birds can
be found in stores around the country and also at
Casa do Fazendeiro, in Belo Horizonte.
Oportunidades / Opportunities 15
Releitura das paisagens
e crenças brasileiras
Reinterpretation of Br azilian
landscapes and beliefs
Madeira de demolição ganha vida nova em painéis decorativos repletos de cores e significados
Demolition wood gets new life in decorative panels full of colors and meanings
Luciana Sampaio
FOTOS / PHOTOS Evandro Fiuza
POR /BY
Novembro é um mês especial
para os artesãos Vinícius Rosa Rios, 30 anos, e
Joelma Daudt, 25 anos. Em 2009, durante a Feira
Nacional de Artesanato, ele teve que voltar às pressas para Tiradentes, a 214 Km de Belo Horizonte,
para acompanhar o nascimento do filho Pietro.
Neste ano, mais uma vez, o aniversário do bebê
vai cair nos dias de feira, quando a família estará
em Belo Horizonte para apresentar, a lojistas e visitantes, a arte que faz no atelier Produção Nacional,
um espaço de ideias e aprendizado contínuo.
“Fazemos uma releitura do barroco mineiro de
acordo com o gosto do brasileiro pela decoração”,
define Vinícius Rios. Este é o “norte” que dá origem a pinturas de santos, anjos e ex-votos em portas e janelas antigas. Sem falar nos painéis com as
cores de frutas e flores, além daqueles que são uma
releitura de muito bom gosto dos antigos ladrilhos
portugueses.
Embora Tiradentes tenha fartura de madeira
de demolição, o material também vem da Bahia,
do Mato Grosso e de Santa Catarina. “Fazemos
o aproveitamento máximo do material para não
agredir o meio ambiente”, afirma. Sementes e madeira virgem não são utilizadas.
Em outubro, Rios participou do 3º Salão Especial,
na Serraria Souza Pinto, em Belo Horizonte. Como
tinha peças que restaram de uma feira anterior,
16 O mapa da arte / The map of art
November is a special month
for the artisans Vinicius Rosa Rios, 30, and Joelma
Daudt, 25 years old. In 2009, during the Feira
Nacional de Artesanato (National Handcraft Fair),
he had to hastily return to Tiradentes, a city located
214 Km from Belo Horizonte, to be present at the
birth of his son Pietro.
This year, once again, the baby’s birthday falls on
one of the days of the fair, when the family will be
in Belo Horizonte to show to retailers and visitors
the art they do in their studio Produção Nacional,
a space for ideas and continuous learning.
“We make a reinterpretation of the baroque of
Minas Gerais in accordance to Brazilian taste for
decoration”, says Vinícius Rios. This is the source
of the saints, angels and ex-votos’ paintings in
antique doors and windows. Not to mention the
panels with the colors of fruits and flowers or the
fine reinterpretation of the old Portuguese tiles.
Although the city of Tiradentes has plenty of
demolition wood, they also use remains of wood
that come from Bahia, Mato Grosso and Santa
Catarina. “We make the maximum use of the
material not to harm the environment”, he says.
Seeds and virgin wood are not used.
Last October, Rios took part in the 3rd “Salão
Especial” that occurred at Serraria Souza Pinto,
in Belo Horizonte. As he still had pieces from a
conseguiu um ótimo resultado em vendas, arrecadando R$ 6 mil durante os três dias do evento. Da
produção, 90% já é direcionada para lojistas. Mas
as peças inovadoras ele coloca na sua loja.
“Dá para viver de artesanato, com certeza. Trabalho e gosto do que faço. Nunca fico
sem trabalhar”, destaca. Por isso, Rios só sai de
Tiradentes para participar de feiras. E nessas
ocasiões, leva consigo um trabalho que traduz
todo o charme da
cidade.
O artesão comenta que começou a trabalhar
com arte aos 11
anos, na oficina
de um tio. Ao que
tudo indica, trata-se de uma herança de família. O
avô foi um dos primeiros marceneiros de Tiradentes.
Entre os trabalhos
que fez, está a escadaria da Prefeitura local. Os tios trabalhavam
com pintura de móveis e foi aí que ele se interessou
pela atividade.
Com 15 anos, já tinha construído nome na cidade e pegava encomendas de painéis. Aos 18, abriu
seu atelier, com loja anexa. A chegada de Joelma foi
interessante por dois ângulos. Primeiro, porque ela
conseguiu organizar “a casa” do ponto de vista administrativo. Paralelamente, ela também começou
a aprender pintura e desenvolveu uma habilidade
que estava adormecida. Hoje, divide com o marido
a confecção de muitas peças.
Mas ele não se dá por satisfeito. Acredita que
o aprendizado do artesanato é contínuo. No atelier, faz desenhos novos e testa peças inovadoras
que vão para a loja. Nessas horas, ele é apenas um
artista que sonha em ser eclético e dominar todas
as técnicas da atividade que, além de profissão,
é a forma que encontrou para mostrar a sua visão do tropicalismo brasileiro e do barroco mineiro. “Tenho seriedade e cumpro os prazos. Há
compradores com quem negocio pelo telefone há
anos”, comenta.
previous fair, he achieved great sales results, making
R$ 6,000 during the three days of the event. From
his production, 90% goes to retailers. But the most
innovative pieces, he shows and sells in his store.
“It’s totally possible to live out of handcraft. I have
my occupation and I like what I do. I’m never out
of work”, he says. For that reason, Rios only leaves
Tiradentes to participate in fairs. In those occasions, he
takes with him an art that reflects all his city’s charm.
The artisan
says he began
working
with
art at the age of
11, at his uncle’s
shop. Apparently,
this gift is a
family heritage.
His grandfather
was one of the
first carpenters
of
Tiradentes.
Among
his
accomplishments
are the stairs of
the local City
Hall. His uncles used to work with furniture painting
and that was when he became interested in this activity.
At the age of 15, he had already made his name
in the city, creating custom-made panels. When
he turned 18, he opened his own studio with an
attached store. Joelma’s arrival was interesting for
two reasons. First, because she was able to organize
the business at the management point of view. At
the same time, she also took some painting lessons,
developing a skill that was asleep. Today, she shares
with her husband the creation of many pieces.
But he is not exactly satisfied. He believes
handcraft is a continuous learning process. At the
studio, he designs new things and tries innovative
pieces that go to his store. At these times, he is only
an artisan who craves to be eclectic and to have
total control of the techniques of his activity, which
is, besides an occupation, the way he found to show
his point of view about Brazilian Tropicalismo and
the baroque of Minas Gerais. “I work very seriously
and meet the deadlines. There are some buyers
that I have been negotiating with by telephone for
years”, he comments.
O mapa da arte / The map of art 17
Artesanato
POR /BY
Daniel Barcelos
FOTOS / PHOTOS
Evandro Fiuza
A fusão de caminhos e de matérias-primas na construção da carreira de uma grande artesã
Laís Pinheiro é uma artesã belo-horizontina, radicada na cidade de Lagoa Santa. Sua
primeira profissão foi como promotora de vendas
em uma empresa de cartões de crédito. Depois,
tornou-se bancária e vendedora de serviços de internet (quando esta ainda era uma novidade em
Minas Gerais), dedicando-se, também, ao curso
de Economia.
Quando abriu um negócio no ramo da alimentação, Laís chegou a comandar uma equipe
de dez funcionários. Com dois quiosques nos
maiores “shopping centers” da capital mineira, a
empresária atuava na venda de crepes. Aliás, foi
um pouco através desta experiência que a artesã
finalmente voltou sua vida para a criação e para
o trabalho manual.
Laís sempre teve aptidões artísticas e, desde os
oito anos de idade, já se interessava por atividades
manuais. Incentivada apenas por sua própria imaginação, já que não havia, em sua família, registros
de alguém com essas inclinações, brincava com cordões e contas, misturando cores e formatos. “Hoje,
tenho uma sobrinha que estuda Moda. É a única na
família que tem afinidade com essas coisas”, revela.
Ainda nos shoppings, a carreira ia bem.
Pensava em expandir os negócios através da venda de franquias da marca de crepes. Diversificou
sua atuação, abrindo também uma loja de produtos de decoração – outra contribuição dos tempos
de empresária para a artesã na qual se transformou. Paralelamente, como já acontecia desde a
infância, Laís procurava satisfazer o gosto pelo
artesanato com pequenas produções de sabonetes
e cestas de Natal. E os caminhos da arte e dos negócios foram se aproximando cada vez mais.
18 O mapa da arte / The map of art
em fusão
A fusing handcr aft
The fusion of paths and raw materials to build the career of a great artisan
Laís Pinheiro is an artisan born in
Belo Horizonte that now lives in the city of Lagoa
Santa. Her first job was as a sales representative
in a credit card company. After that, she became
a bank clerk and an internet services seller
(when internet was still something new in Minas
Gerais), also dedicating to Economics.
When she started a business in the food trade,
Laís had to manage a team of ten employees.
With two kiosks in the biggest malls of the city,
the businesswoman used to sell crêpe. That was
actually the experience that led the artisan to a
journey to creation and handcraft.
Laís has always had artistic skills and, since
she was eight years old, she has shown interest
in handcraft activities. Encouraged only by her
own imagination, as there was no one else in
her family with this kind of aptitude, she used
to play with strings and beads, mixing colors
and shapes. “Today I have a niece that studies
Fashion. She is the only one in our family who
has a knack for these things”, she reveals.
Back to the malls, her career was going well.
She was thinking about expanding her businesses
by turning the crêpe brand into a franchising.
She also diversified her field by opening a
decoration store – another contribution from
that time as a businesswoman to the artisan she
became. At the same time, just like things used
to happen in her childhood, Laís tried to satisfy
her love for handcraft with small productions
of soaps and Christmas baskets. And art and
business paths were becoming closer and closer.
But her business trajectory was interrupted
by a traumatic experience, changing the course
O mapa da arte / The map of art 19
Entretanto, sua trajetória foi interrompida por
uma experiência traumática, mudando de vez os rumos de sua carreira. A concorrência desleal de uma
grande rede de alimentação, com maior poder de
barganha junto à administração do centro comercial,
literalmente tirou da praça os quiosques de crepes.
Desapontada, Laís desistiu também da loja de produtos de decoração e partiu para outros caminhos.
Foi no ano de 2006 que ela trocou, definitivamente, a calculadora pelos pincéis. Estudou com a
artista plástica Mariza Sales, com quem aprendeu
a técnica do fusing – método de fusão a quente de
vidros que Laís utiliza para criar as peças decorativas que passou a produzir. A partir de então,
desenvolveu uma técnica própria de modelagem e
pintura do vidro.
A artesã elabora o desenho das fôrmas, encaminhando-os para um oleiro, que as reproduz em
cerâmica. Nas fôrmas são dispostas as placas de vidro que ganharão os contornos que Laís projetou.
“Gosto de trabalhar com formas geométricas e uso
o calor do forno para quebrar a dureza dessa geometria”, explica. Depois de modelada, a peça vai
para o torno, onde ganha cores. “Uso uma paleta
de tons determinada pelo próprio mercado, já que
meu foco são as lojas de decoração e, normalmente, esses clientes procuram o que as tendências de
cada época ditam.”
Casada e mãe de dois filhos, Laís trabalha sozinha. Ou, quase. “Tenho um auxiliar que me ajuda a
carregar as peças mais pesadas e a manter o atelier
organizado. Mas, da criação à venda, faço tudo sozinha”, diz, revelando mais uma face do encontro
entre a criança criativa e a empresária bem-sucedida. Suas peças estão nas principais lojas do ramo
em Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro.
“São Paulo, eu tentei. Mas, sempre que vou à cidade, perco muito tempo tentando encontrar determinados endereços e o trabalho não rende... desisti
de lá”, diz, pragmática.
Desde 2009, frequenta o maior evento nacional do setor de artesanato, a Feira Nacional de
Artesanato, onde ocupa, a convite dos organizadores, um espaço no pavilhão especial – dedicado a
artesãos que se diferenciam pelo design e pela qualidade de seus produtos. “É a única ocasião em que
faço vendas diretas ao público final. Fora isso, só
trabalho com lojistas.”
20 O mapa da arte / The map of art
of her career forever. The unfair competition of
a large restaurant chain, with greater bargaining
power with the shopping mall, literally took
her kiosks out of scene. Disappointed, Laís
also gave up the decoration store and went on
another way.
In the year of 2006, she definitely changed
from calculator to painting brushes. She took
classes with the artist Mariza Sales, with whom
she learned the fusing technique – a method of
fusing glasses by the heat, which Laís uses to
create the decorative pieces she makes. Since
then, she has developed her own modeling and
glass painting techniques.
The artisan designs the shape of the molds,
sending the drawings to a potter who will
reproduce the ceramics. These molds will be
filled with pieces of glass, the latter getting the
shape that Laís projected. “I like to work with
geometric forms, using the heat of the oven
to break the hardness of this geometry”, she
explains. Once shaped, the piece is put on a
lathe, where it is painted. “I use a color palette
pre-determined by the market, since my focus is
decoration stores and these clients usually look
for the trends of each season.”
Married and a mother of two, Laís works
alone. Or almost. “I have an assistant who helps
me with the heavier pieces and the organization
of the studio. But from creation to selling, I
do everything by myself ”, she says, revealing
another convergence of the creative child and
the successful businesswoman. Her pieces can
be found in the major retail stores in Minas
Gerais, Espírito Santo and Rio de Janeiro. “São
Paulo I have tried. But every time I go there, I
waste a lot of time trying to find some addresses
and the work doesn’t pay off… So I gave it up”,
she says pragmatically.
Since 2009, she participates in the biggest
national handcraft event, the “Feira Nacional
de Artesanato” (National Handcraft Fair),
occupying, at the invitation of the organizers,
a spot in the special pavilion – dedicated to
artisans who differentiated themselves by the
design and quality of their products. “It’s the
only situation where I work with direct sales to
end users. Otherwise, I only work with retailers.”
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Madeira que dá
vida a pássaros
Wood that gives life to birds
Artesãos mineiros mesclam técnica apurada
e o prazer pelo artesanato para criar peças variadas
Artisans from Minas Gerais mix an accurate technique
with pleasure for handcraft work to create various pieces
Luciana Sampaio
FOTOS / PHOTOS Evandro Fiuza
POR /BY
Em pleno 2 de novembro, feriado
nacional, os primos e artesãos Edivaldo Teixeira,
35 anos, e Rosevaldo Alves, 27 anos, passaram boa
parte do dia no atelier localizado em Formiga, no
Centro-Oeste mineiro, para dar acabamento a algumas das peças que eles, pela primeira vez, expõem na 22ª Feira Nacional de Artesanato.
A rotina de trabalho tem sido superior a 10 horas por dia e pode aumentar ainda mais, de acordo
com o volume de encomendas. “A nossa expectativa é a melhor possível”, adianta Teixeira.
22 O mapa da arte / The map of art
On November 2, a national holiday,
the cousins and artisans Edivaldo Teixeira, 35, and
Rosevaldo Alves, 27, spent much of the day at the
studio located in the city of Formiga, in the Midwest
of Minas Gerais, to give finishing details to some of the
pieces they will exhibit for the first time at the 22nd Feira
Nacional de Artesanato (National Handcraft Fair).
The work routine has been superior to 10
hours a day and may rise further, according to the
volume of orders. “Our expectation is the best one
possible” added Teixeira.
O gosto pelo trabalho com madeira começou
ainda na infância, por causa do tio Geraldo, que
ingressou na atividade e acabou atraindo boa parte
da família. Edivaldo deu os primeiros passos nesta
que é, além de sua atividade profissional, uma paixão confessa, aos 14 anos. “Faço cada peça como se
fosse para mim, com todo capricho e amor”, define.
Já Rosevaldo Alves começou a frequentar a oficina do mesmo tio aos 12 anos. “Achei interessante,
aí comecei a olhar. Depois, pegava um pedaço de
tora de madeira para fazer alguma coisa. Quando
perguntava se estava ficando bom, recebia incentivo”, lembra. Ele começou com xícaras e evoluiu, até
chegar às tão sonhadas esculturas.
Com o tempo, apuraram a técnica e ganharam
gosto pelo trabalho com madeira. No atelier, eles
trabalham com cedro e maçaranduba, insumos que
garantem às esculturas maior durabilidade e beleza.
Dos animais – com destaque para as aves – passando por placas, pilões, gamelas (utilitários) e
peças decorativas, o trabalho dos primos traduz
o gosto pela arte e a vontade de se superar a cada
peça concluída. O resultado é a admiração crescente de um mercado que já está acostumado com
artesanato, sendo capaz de diagnosticar o que tem
– ou não – boa qualidade e procedência.
The love for woodworking began in his
childhood, because of his uncle Geraldo, who
joined the activity and, eventually, drew much of
the family to it. At the age of 14, Edivaldo took the
first steps in what is, besides his career, a confessed
passion. “I make each piece as if they were for me,
with all care and love”, he says.
Rosevaldo Alves began attending the workshop of
the same uncle at the age of 12. “I found it interesting,
then I started looking around. After, I started taking
a piece of wood to do something. When I asked if it
was going well, I received encouragement,” he recalls.
He started with cups and evolved until reaching the
so-dreamed sculptures.
Over time, they improved the technique and
enjoyed working with wood. In the studio, they
work with cedar and maçaranduba (manilkara),
ensuring sculptures’ durability and beauty
From animals - especially birds - to signs,
pestles, bowls (utilities) and decorative pieces,
the work of the cousins expresses a taste for
art and a desire to surpass themselves on
every finished piece. The result is the growing
admiration of a market that is already used to
handcraft, being able to know what is - or isn’t –
of good quality and origin.
O mapa da arte / The map of art 23
Em outubro, eles participaram, também pela
primeira vez, do 3º Salão Especial, na Serraria
Souza Pinto. Na oportunidade, venderam, em três
dias de evento, R$ 3 mil e fizeram contatos com outros compradores em potencial, o que deve movimentar o atelier nos próximos meses. Atualmente,
da produção total, entre 40% e 50% já são enviados
diretamente para lojistas.
A madeira utilizada nas peças, segundo Teixeira,
é morta ou caída. Eles negociam o produto e aproveitam ao máximo o potencial de cada tora. “Se
está oca, aproveitamos o que dá”, explica.
Enquanto se consolidam como artesãos de referência na sua arte e tentam organizar melhor o atelier,
os primos comemoram uma parceria bem-sucedida.
Para Rosevaldo, o trabalho com Edivaldo é prova de
que a união faz a força. “Como somos pequenos, temos que trabalhar em conjunto com alguém para dividir os custos e, também, os frutos da venda. Nossa
cooperativa de dois está dando certo”, ressalta.
Os primos também comungam da ideia de
que o artesanato que fazem não
existe apenas em função
do dinheiro, mas pelo
prazer de trabalhar a
madeira com técnica
apurada, conquistando a atenção e
a aprovação dos
observadores
logo no primeiro
contato.
24 O mapa da arte / The map of art
In October, they participated for the first time in
the 3rd “Salão Especial” at Serraria Souza Pinto. On
that occasion, they sold during the three-day event
R$ 3,000 and made contacts with other potential
buyers, which should propel the studio in the coming
months. Currently, of the total production, between
40% and 50% are shipped directly to retailers.
The wood used in the pieces, according to
Teixeira, is dead or had already fallen. They
negotiate the product and make the most of the
potential of each log. “If it’s hollow, we use what is
possible”, he explains.
While they consolidate themselves as reference
artisans in their art and try to better organize
the workshop, the cousins celebrate a successful
partnership. To Rosevaldo, working with Edivaldo
is proof that unity is strength. “As we are small, we
must work together with someone to share costs
and also the results of the sales. Our cooperative is
working well”, he says.
The cousins also share the idea that the
craftwork they do does not exist simply
because of money, but
for the pleasure of
working with wood
in an accurate
way, gaining the
attention
and
approval of the
observers at first
contact.
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Cor de terra
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Santeiro de Raposos desenvolve tintas rústicas com elementos da natureza
Saint carver from Raposos develops rustic paints with elements from nature
Tatiana Macedo
FOTOS / PHOTOS Evandro Fiuza
POR /BY
Com argila da região de Raposos, onde mora,
o santeiro Jorge Antônio da Cruz, 47 anos, esculpe santos seguindo a tradição mineira colonial de
inventividade nas soluções plásticas, originalidade
e autodidatismo. Em forno à lenha, ele “queima” as
esculturas, aproveitando restos de madeira encontrados em caçambas e construções. A incineração
da lenha permite que o forno chegue a 800º C –
900º C, transformando a argila, ainda instável, em
peças definitivas.
Usada há milhares de anos – como indicam
achados de sítios arqueológicos, a argila é material que exige extrema habilidade do artesão para
moldá-la no grau de detalhamento do santeiro.
Ao contrário das peças em gesso, que formam
um bloco único, as esculturas em argila reproduzem detalhes, tais como as patas do cavalo de São
Jorge, que, destacadas do dragão que ele combate heroicamente, formam uma peça, mas não um
único bloco.
“Para quem está aprendendo, o grande desafio
é dominar o material. Você leva um tempo para
entender a argila. É, na prática, colocando ‘a mão
na massa’ que você consegue aprender a técnica”,
explica Jorge.
Depois de esculpidas, as peças passam por um
processo de secagem, que varia de acordo com as
condições climáticas. “Se a peça não estiver bem
seca e modelada, ela pode criar bolhas por dentro
e estourar.”
As esculturas, já finalizadas no imaginário de
Jorge, começam a se materializar sobre uma base,
26 O mapa da arte / The map of art
With clay from the region of Raposos, where
he lives, the saint carver Jorge Antonio da Cruz,
47, carves saints following the colonial tradition
of Minas Gerais of inventiveness in plastic solutions, originality and a self-taught way. In a wooden stove, he “burns” the sculptures, using scraps
of wood found in dumpsters and buildings. The
wood incineration allows the oven to reach 800,
900 degrees celcius, turning the clay still unstable
into definite pieces.
Used for thousands of years – as indicated by
findings of archaeological sites, clay is a material that requires the utmost skill of the artisan to
shape it in the level of detail of the saint carver.
uma espécie de cone feito pela esposa do artesão,
Marlene Vaz Botelho da Cruz, 47 anos. Esse apoio
permite que Jorge desenvolva as esculturas e imprima seu estilo. “Alguns Santos permitem uma variação maior, outros são muitos tradicionais, como
a Nossa Senhora da Conceição”, conta.
Peça mais requisitada por lojistas e clientes, São
Francisco de Assis pode vir acompanhado de uma
arara, de uma jaguatirica ou de outro animal da
fauna brasileira. “Eu vario muito, ele pode estar assentado, deitado, segurando um cacho de bananas
ou acompanhado por vários animais diferentes.”
Para São João Batista, são imprescindíveis a
ovelha e o cajado. Para criar São Jorge, houve uma
pesquisa apurada dos detalhes característicos. A
pintura dos olhos, sobrancelhas e expressões remetem ao estilo do artesão e criam plasticidade
única em cada peça. As vestimentas são pintadas
também por Marlene, esposa e assistente.
“As pessoas dizem que meus santos se parecem comigo”, conta Jorge, sobre a semelhança entre ele e suas obras. Uma similitude entre traços
e feições do artista e de seus santos que chama a
atenção dos clientes.
Depois de trabalhar com desenho nas áreas de
geologia e topografia, e com artesanato em porcelana, Jorge se destaca como santeiro, criando tintas
naturais a partir das variações de cor da própria
terra de Raposos. “A maioria vem da natureza,
como os tons de amarelo, mas algumas eu ainda
compro prontas. Eu queria tintas mais rústicas, por
isso, passei a produzi-las.”
Unlike plaster parts, which form a single block,
clay sculptures reproduce details such as the legs
of St. George’s horse, which detached from the
dragon that he heroically fights, form a piece, but
not a single block.
“For those who are learning, the biggest challenge is to master the material, it takes time to
understand clay. It is in the practice, being ‘hands
on’ that you learn the technique”, explains Jorge.
Once carved, the pieces go through a drying
process, which varies according to climatic conditions. “If the piece is not completely dry and
modeled, it can create bubbles inside and burst”
The sculptures, already done in Jorge’s imagination, begin to materialize on a base, a sort of
cone, made by the artisan’s wife, Marlene Vaz
Botelho da Cruz, 47. This support allows Jorge to
develop the sculptures, and set his style. “Some
Saints allow a wider range of variation, others
are more traditional, as Our Lady of Aparecida,”
he says.
St. Francis of Assisi, the most requested piece
by retailers and customers, may be accompanied
by a macaw, an ocelot, or any other animal of the
Brazilian fauna. “I vary a lot, he may be sitting,
lying down, holding a banana, and accompanied
by several different animals.”
For St. John the Baptist the sheep and the staff
are essential. To create St. George, an accurate research to find the characteristic details. The painting of the eyes, eyebrows and expressions refer to
the artisan’s style and create a unique plasticity
for each piece. The garments are also painted by
Marlene, his wife and assistant.
“People say that my saints are like me,” says
Jorge about the similarity between him and his
works, a similarity between facial traits and features of the artist and his saints, which draws customers’ attention.
After working with design in the areas of geology and topography, and crafts with porcelain,
Jorge stands out as saint carver creating natural
paints from the variations in color of Raposos
own land. “Most come from nature, as the shades
of yellow, but I still buy some ready. I wanted
more rustic paints, so I started to produce them. “
Enthralled by American porcelain dolls, seen
on a television show, Jorge went the Mogi das
O mapa da arte / The map of art 27
Encantado com bonecas de porcelana americanas vistas em um programa de televisão, Jorge foi
a Moji das Cruzes, São Paulo, e fez um curso para
produzi-las. Comprou um forno elétrico e passou a
fabricá-las, conseguindo resultado bastante similar
ao que almejava. “Eu consegui fazer uma porcelana
bem fina, quase como a americana.” O trabalho
com a porcelana é bem diferente, pois não é modelado a mão, é feito através de moldes, não permitindo muita diferenciação entre uma peça e outra.
Foi inspirado pelo barroco das cidades históricas de
Minas Gerais e pelo grande mestre Antônio Francisco
Lisboa, Aleijadinho, que Jorge passou a esculpir anjos e Sant’Anas a partir de imagens de livros de Arte
Sacra. “A internet também ajuda, pois, antigamente, as
pessoas encomendavam santos e era difícil encontrar
fotos para saber como eram. Uma decoradora me pediu para fazer uma Nossa Senhora La Dolorosa e eu
fiz a partir do que ela me explicou.” La Dolorosa, para
os católicos equatorianos, representa a dor e a preocupação da Virgem Maria com as crianças do país. É
virgem de devoção na capital, Quito.
“
É, na prática, colocando ‘a mão na massa’
que você consegue aprender a técnica
”
A santa grávida, que pisa em um dragão, foi feita
através de pesquisas em páginas da web. A versão,
saída do último texto bíblico, o Apocalipse, mostra
Nossa Senhora esperando Jesus e lutando por seu
filho diante da ameaça do dragão.
“Fiz duas Nossas Senhoras do Ó, de Sabará”,
conta Jorge, sobre as imagens que mostram a santa
de grande devoção na cidade da região metropolitana de Belo Horizonte. Atribui-se a ela a crença na
proteção das parturientes.
Seus trabalhos podem ser vistos em várias cidades
brasileiras, como Brasília, Maceió e Rio de Janeiro, e
em coleções particulares. “Um colecionador do Rio,
que viaja o Brasil inteiro atrás de peças, tem umas
cinquenta esculturas minhas. Para ele, é fundamental que elas sejam queimadas em forno à lenha.”
No 3º Salão Especial, realizado em outubro, Jorge
conquistou novos pontos de venda em Botucatu, no
interior de São Paulo, e na Serra do Cipó, em Minas
Gerais. “O futuro é bom, desde que o artesão procure fazer peças exclusivas e de qualidade”, acredita o
devoto de Nossa Senhora da Conceição.
28 O mapa da arte / The map of art
Cruzes, São Paulo and took a course to produce
them. He bought an electric oven and started to
manufacture them, getting a result very similar
to the one he sought. “I was able to make a very
fine porcelain, almost like the American one.”
Working with porcelain is very different, because
it isn’t modeled by hand, but done through mold,
not allowing much difference between one piece
and another.
Inspired by the Baroque of the historic towns
of Minas Gerais and the great master Antonio
Francisco Lisboa, Aleijadinho, George started to
carve angels and St. Anns from images of books of
Sacred Art. “The Internet also helps, because people used to order saints and it was difficult to find
photos to see what the looked like. A decorator
asked me to do a Madonna La Dolorosa, and I did
it from what she explained to me. “La Dolorosa,
for Catholics from Ecuador, represents the pain
and concern of the Virgin Mary with the children
in the country and is the worshiping virgin in the
capital, Quito.
“
It is in the practice, being ‘hands on’
that you learn the technique
”
The pregnant saint stepping on a dragon was
done through web pages research. The version
from the last biblical text, Revelation, shows Our
Lady expecting Jesus and fighting for her son
when faced with the threat of the dragon.
“I did two Madonnas of Ó, from Sabará”, tells
George about the images that show a greatly worshiped saint in this city of the metropolitan region of Belo Horizonte. She is believed to protect
pregnant women.
His works can be seen in several Brazilian cities, like Brasilia, Maceio, Rio de Janeiro and in
private collections. “A collector from Rio, who
travels the entire country looking for pieces, has
about fifty sculptures of mine. To him it is essential that they are burned in a wooden oven.”
In the 3rd Salão Especial held last October, Jorge
got some new selling contacts in Botucatu, a city
in the state of Sao Paulo, and in Serra do Cipó, a
village in the state Minas Gerais. “The future is
good when the artisan tries to make unique pieces of quality,” says the devotee of Our Lady.
Patrocinadores investem
no artesanato brasileiro
Sponsors invest in Br azilian handcr aft
Realização da Feira Nacional de Artesanato seria inviável sem parceiros estratégicos.
The Handcraft National Fair* would not be possible without strategic partners.
A Feira Nacional de Artesanato é um evento
que beneficia mais de 8 mil artesãos brasileiros e
sua realização não seria possível sem o apoio dos
diversos patrocinadores que investem nesta causa
anualmente. Para que a feira esteja em pleno funcionamento em novembro, são investidos R$ 4,5
milhões. Com a comercialização dos espaços é arrecadado cerca de R$ 1,8 milhão, restando investimentos da ordem de R$ 2,7 milhões.
É neste momento que entram os patrocínios,
para dar a oportunidade a diversos artesãos do
país de participarem da maior vitrine do artesanato da América Latina. De acordo com a realizadora da feira e presidente do Instituto Centro Cape
(ICCAPE), Tânia Machado, a colaboração dos patrocinadores é de extrema importância para viabilizar a realização do evento. “Sem eles não seria
possível realizar uma feira deste porte e ajudar artesãos que não teriam como participar de um evento como este sem custos. Como é o caso da doação
do espaço Meu Primeiro Evento, que é subsidiado
pelas instituições e empresas parceiras”, salientou.
A Feira Nacional de Artesanato faz parte do
Calendário Brasileiro de Exportações e Feiras,
do Ministério do Desenvolvimento, Indústria
e Comércio Exterior. Também está classificada
como evento cultural, através da Lei de Incentivo
à Cultura, do Ministério da Cultura.
O evento é apoiado por:
The National Handcraft Fair* is an event that benefits more than 8,000 artisans in Brazil and would not
be possible without the support of several sponsors
who invest in this cause annually. In order to have
the fair in full operation in November, R$ 4.5 million
are invested. With the commercialization of stands,
about R$ 1.8 million are collected, but the investment
of another R$ 2.7 million is still necessary.
That’s when sponsorship investments step in, giving
many artisans around the country the opportunity to
participate in the biggest craft event in Latin America.
According to the director of the fair and president
of Instituto Centro Cape – ICCAPE (Centro Cape
Institute), Tânia Machado, the collaboration of these
sponsors is extremely important to enable the event.
“Without them, it would not be possible to make a
large-size fair like this one, assisting artisans that could
not afford taking part in this type of event. For example,
the donation of the space ‘My First Event’, subsidized
by institutions and partner companies”, she points.
The National Handcraft Fair is part of the
Calendário Brasileiro de Exportações e Feiras
(Brazilian Calendar of Exhibitions and Fairs) prepared by Ministério do Desenvolvimento, Indústria
e Comércio Exterior (Department for Trade and
Services Policies). It is also classified as a cultural event
by the Lei de Incentivo à Cultura (Rouanet Law) of
Ministério da Cultura (Ministry of Culture of Brazil).
The event is supported by:
ABEXA
Associação Brasileira de
Exportação de Artesanato
A 22ª FNA é realizada por
The 22nd FNA (NHF) is produced by:
* The original name is
“Feira Nacional de Artesanato”.
Artesanato
através dos tempos
Handcraft through times
Daniel Barcelos
FOTOS / PHOTOS Arquivo pessoal
POR /BY
Sumé: essas quatro letras substituem, desde
o início da década de 1970, o nome de Benedito
Monteiro. Paulista da pequena cidade de Monte
Aprazível, foi rebatizado nas estradas do Brasil,
em algum ponto entre 1970 e 1972, período em
que começou a conhecer o país, os brasileiros
e a idade adulta. “Por dois anos e meio, rodei o
Brasil três vezes”, conta. Ele tinha 18 anos quando
deixou uma promissora carreira na indústria de
alumínios para ir atrás das ideologias pessoais e
políticas de uma geração que ajudou a modificar
o século XX.
Durante sua jornada de descoberta do Brasil,
conheceu a cearense Neusa. Casou-se com ela
antes mesmo de regressar à cidade de São Paulo,
onde morava com sua família. De volta ao sudeste, o jovem casal reencontrou algumas amizades
feitas nos anos de estrada. Amigos que, agora,
residiam no município de Embu das Artes – cidade próxima à capital paulista, muito conhecida
por sua especial vocação para acolher as artes e
os ofícios.
Foi lá que Sumé trocou, definitivamente, o alumínio pelos “três metais”, como gosta de se referir ao trio “cobre, latão e alpaca”. “No dia três de
outubro de 73, participei da minha primeira feira
de artesanato. Naquele dia, passei a fazer do artesanato a minha profissão”, conta ele.
30 O mapa da arte / The map of art
Sumé: these four letters substitute, since
de beginning of the 70s, the name of Benedito
Monteiro. “Paulista” (a person that was born in the
state of São Paulo) from the small city of Monte
Aprazível, he was renamed in the roads of Brazil,
at some point between the years of 1970 and 1972,
the period when he started to know the country,
the Brazilian people and adult age. “For two years
and a half, I have travelled Brazil three times”, he
says. He was 18 when he left a promising career in
the aluminum industry to chase after his personal
and political ideologies from a generation that
helped changing the twentieth century.
During his journey of the discovery of Brazil, he
met the “cearense” (a person that was born in the
state of Ceará) Neusa. They got married even before
he returned to the city of São Paulo, where he used to
live with his family. Back to the Southeast, the young
couple met some of the friends they made during
the years in the road. Friends that were now living
in Embu das Artes – a city next to the capital of São
Paulo, well known for welcoming arts and craftworks.
In Embu das Artes the artisan has definitely
switched from the aluminum to the “three metals”,
as he refers to the triplet “copper, brass and nickel
silver”. “In November 3, 1973, I attended my first
handcraft fair. That day I turned handcraft into my
profession”, he says.
O mapa da arte / The map of art 31
Pelas mãos de Sumé, os três metais se transformavam em objetos decorativos, como castiçais
e candelabros, e em adornos, como pulseiras e
cintos. Segundo o artesão, ele chegou a fazer um
cinto de castidade, vendido para a
França em sua primeira experiência com o comércio
exterior.
A
partir
do ano seguinte, Sumé
passou a trabalhar com um material considerado um
pouco mais nobre. “Passei a
usar a prata em 74, quando comecei a fazer mais joias e fui deixando
os objetos decorativos de lado. Só
de vez em quando ainda fazia uma
peça.” Ainda nos anos 70, mudou-se,
com a esposa e os filhos, para Luziânia,
cidade goiana próxima a Brasília. “Ali, morávamos no mato, completamente isolados. Vendia
meu trabalho na Torre de TV, e era esse meu contato com o sistema”, conta, referindo-se ao mundo
32 O mapa da arte / The map of art
By the hands of Sumé, the three metals were
transformed into decorative objects, such as
candlesticks and candelabra, and ornaments, like
bracelets and belts. According to the artisan, he
once made a chastity belt that was
sold to France on his first
experience with foreign
trade.
From the
following year
on, Sumé started
working with a
material considered a
bit more noble. “I began to
work with silver in 1974, when
I started making more jewelry,
leaving decorative objects aside.
Only once in a while I used to make
a piece.” Still in the 70’s, he moved
with his wife and children to Luziânia,
a city in the state of Goiania, next to
Brasilia. “There, we lived in a forest, completely
isolated. I used to sell my work in the TV Tower and
that was my contact with the system”, he explains,
referring to the capitalist and urban world – which
capitalista e urbano – do qual fugira anos antes – e
a um tradicional local de concentração de artesãos
na capital federal.
A família ficou “no mato” até 1992. “Quando
meus dois filhos mais velhos terminaram o segundo
grau, tínhamos de ir para uma cidade onde eles pudessem concluir seus estudos”, justifica. “Minha esposa preferia São Paulo, mas, por vontade dos nossos
filhos, acabamos indo para o Nordeste. Escolhemos
Fortaleza porque já conhecíamos a
cidade e é a terra de Neusa”.
Atualmente, o trabalho de
Sumé é voltado para a criação de
joias em prata, ouro e outros materiais naturais. “Faço peças que
combinam os metais com madeiras, sementes, coco, ossos, marfim... Nada sintético. A não ser a
cola, que determinados trabalhos
exigem, mas que também prefiro
evitar”, esclarece.
Essas peças, que são únicas
e assinadas (Sumé produz,
no máximo, dez unidades ao
ano), dividem a atenção do
artesão com as encomendas
da clientela (principalmente
de anéis, alianças e restauros)
e com o trabalho institucional que desenvolve desde o
ano de 2000. “Estive presidente do Sindicato dos Artesãos
Autônomos do Estado do Ceará
entre 2000 e 2009 e, atualmente, estou presidente do Instituto Cearense
do Artesanato”, conta, ressaltando o verbo “estar”
para separar, digamos, o público do privado.
À frente das instituições, Sumé tem o objetivo
de exportar o artesanato nordestino principalmente para países europeus. “Participamos dos principais eventos da Itália, França, Espanha e Alemanha.
No Brasil, sempre vamos à Feira Nacional de
Artesanato (MG) e à Fenearte (PE), justamente
porque elas têm esse caráter internacional. “Nosso
objetivo é conquistar mercados com a arte típica
do Nordeste, que se difere de outras porque carrega conceitos como sustentabilidade e, principalmente, o regionalismo”, finaliza.
he ran away from before – and to a traditional place
where artisans met in the federal capital.
The family lived in the forest until 1992. “When
my two older sons finished high school, we had to
move to a city where they could continue studying,
he justifies. “My wife preferred São Paulo, but, by the
will of our children, we end up going to the Northeast.
We chose Fortaleza because we already knew the city,
besides being the place where Neusa was born”.
Nowadays, Sumé’s work is
focused in the creation of jewelry
made of silver, gold and other
natural materials. “I make pieces
that match metals with wood, seed,
coconut, bones, ivory… But nothing
synthetic. Only glue, which some of
the pieces demand, but I prefer to
avoid the use of it”, he explains.
The unique and signed pieces
(Sumé produces, at most, ten units
per years), divide the artisan’s
attention between customers’
orders (mostly rings, wedding
rings and restoration) and
institutional work that he has
been developing since 2000.
“I stood as the president of
the “Sindicato dos Artesãos
Autônomos do Estado do
Ceará”(Union of Autonomous
Artisans of the State of Ceará)
from 2000 to 2009 and, nowadays,
I am standing as the president of the
“Instituto Cearense do Artesanato”
(Cearense Handcraft Institute)”, he says,
emphasizing the use of “stand” to separate public and
private life.
Ahead of these institutions, Sumé aims to export
the craftwork from Northeast mostly to European
countries. “We participate in events in Italy, France,
Spain and German. In Brazil, we always go the “Feira
Nacional do Artesanato” (National Handcraft Fair)
in Minas Gerais and to “Fenearte”, in Pernambuco,
especially because they have this international
characteristic. “Our goal is to conquer new markets
with the typical Northeast art, which differentiates
from the others because has sustainable concepts
and, mostly, regionalism”, he concludes.
O mapa da arte / The map of art 33
Feiras e Eventos
Fairs and Events
Gift Fair
FEIR A DOS ESTADOS E NAÇÕES
27 de fevereiro a 1º de março de 2012
6 a 29 de janeiro de 2012
February 27th to March 1st, 2012
January 6th to January 29th, 2012
Setor: utilidades domésticas, mesa posta, artigos
de copa e cozinha
Setor: arte, cultura, artesanato, decoração,
confecção, turismo e entretenimento
Business sector: household appliances, table set,
pantry and kitchen items
Business sector: art, culture, handcraft, decoration,
clothes making, tourism and entertainment
Local / Venue: Expo Center Norte - São Paulo - SP
Local / Venue: Orla de Cabo Branco
João Pessoa - PB
www.giftfair.com.br
www.lucenaeventos.com.br
New York
International Gift Fair
Ambiente
28 de janeiro a 02 de fevereiro de 2012
10 a 14 de fevereiro de 2012
January 28th to February 02nd, 2012
February 10th to February 14th, 2012
Setor: joias e beleza
Setor: artigos domésticos, cultura habitacional,
molduras, artes decorativas, relógios e iluminação
Business sector: jewelry and beauty
Local /Venue: Jacob K. Javits Convention Center
New York (EUA / USA)
www.nyigf.com
Maison & Objet
20 a 24 de janeiro de 2012
January 20th to January 24th, 2012
Setor: móveis e artigos para casa
Business sector: antique and household itens
Local / Venue: Paris Nord - Villepinte, Roissy
(França / France)
www.maison-objet.com
Business sector: household items, housing culture,
frames, decorative arts, clocks and illumination
Local / Venue: Frankfurt (Alemanha / Germany)
Intergift / Bisutex
02 a 06 fevereiro de 2012
February 2nd to February 06th, 2012
Setor: têxtil
Business sector: textile
Local / Venue: Parque de las Naciones, S/N
Apartado de correos Madrid (Espanha / Spain)
Vera
Naves
Íntima das agulhas desde a infância, Vera Carvalho Naves, 53 anos, mineira de Santo
Antônio do Amparo, tece um mundo melhor com
barbantes e restos de carpetes. Doados pela Central
Mãos de Minas, pelo Sebrae/MG e por outras empresas montadoras de eventos, os retalhos e tapetes usados se transformam em novos carpetes, como aquele
que pode ser visto nas edições da Feira Nacional de
Artesanato, realizadas em Belo Horizonte.
O enorme carpete que adorna a feira foi o primeiro realizado pela artesã através da técnica de
reciclagem, uma encomenda que já retratava a preocupação do organizador, o Instituto Centro Cape
– ICCAPE, em interromper o ciclo de desperdício.
Bolsas, sacolas, jogos americanos, flores e uma infinidade de outros produtos também são desenvolvidos, predominantemente, com tapetes e outros materiais reaproveitados, como jornais e banners.
Sua trajetória e artesanato, preocupados com o
meio ambiente, sempre andaram em parceria com a
Central Mãos de Minas, que lhe ensinou a valorizar seu
trabalho e a capacitou enquanto artesã empreendedora. Hoje, seu trabalho pode ser visto em lojas de Minas
Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Maceió e Belém; no
Palácio das Artes e em eventos como a Unilar.
Engajada, Vera vem trabalhando em ONGs e instituições, ministrando cursos que dão às pessoas a possibilidade de realização profissional e geração de renda.
No manuseio do barbante, da fita, da linha e do carpete
reutilizado em teares de pregos ou de pedal e em máquinas de costura, os alunos aprendem a criar, dividem
experiências, melhoram sua autoestima, descobrem
seu potencial e encontram seu espaço na sociedade.
Na coordenação da ONG “100% Cidadania”, a
artesã, que transformou aquilo que gosta de fazer
em profissão, divide seus conhecimentos e caminha
junto com o grupo, superando limites, respeitando
as diferenças e vencendo através do artesanato.
Intimate to needles since childhood,
Vera Carvalho Naves, a 53 year-old “mineira*” from
Santo Antônio do Amparo, waves a better world from
twine and remaining pieces of carpets. Donated by
“Central Mãos de Minas”, “Sebrae/MG” and other
event producer companies, the remains are transformed into new carpets like the one you can see at
the editions of Feira Nacional de Artesanato (National
Handcraft Fair) that takes place in Belo Horizonte.
The huge carpet that adorns the fair was the first
one made by the artisan using the recycling technique, showing the early concern of Instituto Centro
Cape – ICCAPE (Centro Cape Institute) – the fair
organizer – with wastage. Purses, bags, placemats,
flowers and a lot of other products are also developed mostly with carpets and other reused materials, like newspaper and banners.
Her career and handcraft work toward the environment have always walked hand in hand with
“Central Mãos de Minas”, teaching her the value of
her work and training her as an artisan and an entrepreneur. Nowadays, her work can be found in stores
in Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Maceió
and Belém. In Belo Horizonte, they are available at
Palácio das Artes and in events like Unilar.
Socially engaged, Vera works in NGOs and institutions, offering courses that give people the possibility of professional accomplishment and income
generation. Handling twine, ribbon, thread and carpet remains in looms or sewing machines, students
learn how to create, share experiences, improve
their self-esteem, develop their potential and find
their space in society.
In the coordination of the NGO “100% Cidadania”,
the artisan, who transformed her hobby into a profession, shares her knowledge and grows together with
the group, overcoming limits, respecting differences
and building success through handcraft art.
* A person who was born in the state of Minas Gerais.
Eu faço / I make it 35
Onde Encontrar
WHERE TO FIND
Stela Lodi e Américo Lodi
Telefones / Phone: +55 31 3689-4705 / 8317-0826 / 8461-5028
[email protected] / [email protected]
Lagoa Santa- MG
Dilson Ribeiro da Silva
Dilson Arte Joias
Telefones / Phones: +55 31 3553-4245 / 3553- 4227 / 8692-3050
[email protected]
Santo Antônio do Leite, Ouro Preto - MG
Laís Pinheiro
Telefones / Phones: +55 31 3689-4026 / 9284-8615
Lagoa Santa- MG
Francisco Cecílio da Silva e Efigênia Maria da Silva
Arte Pássaros
Telefones / Phones: +55 31 3088-8729 / 3418-1659
www.artepassaros.com.br / [email protected]
Belo Horizonte - MG
Edivaldo Teixeira e Rosevaldo Alves
Ateliê Pica Pau
Telefone / Phone: +55 37 9831-4981
Formiga - MG
Vinícius Rosa Rios e Joelma Daudt
Produção Nacional
Telefones / Phones: +55 32 3355-1338 / 8805-8471
[email protected]
Tiradentes - MG
Jorge Antônio da Cruz
Telefones / Phones: +55 31 3543-0177 / 8746-7235
[email protected]
Raposos - MG
Brasil Feito a Mão – ERRATA da 12ª Edição:
Os telefones do artesão Thiago Rethalho foram publicados
incorretamente na última edição. Os números de contato corretos são:
+ 55 31 3689-7440 / +55 31 9155-4969 / +55 31 8624-5134.
Brazil Made by Hand 12th Edition’s ERRATUM:
The telephone numbers of the artisan Thiago Rethalho were incorrectly
published in the last edition. The correct contact numbers are:
+ 55 31 3689-7440 / +55 31 9155-4969 / +55 31 8624-5134.
Sumé
ArtBrasil
Telefone / Phone: +55 85 3254-3667
[email protected]
Fortaleza - CE
ABEXA
Associação Brasileira de
Exportação de Artesanato

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