vinhos em estoque - Sociedade da Mesa

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vinhos em estoque - Sociedade da Mesa
85
Sociedade da Mesa
Abril 2010
Postales Roble Malbec 2009
Valle de Uco
Flávia Garrafa
Vinhos a granel
Amor e ódio
02
03
EDITORIAL
sim!
Segundo um dicionário brasileiro revista é:
“Publicação periódica na forma de uma brochura mais ou menos
extensa, com escritos dedicados a uma só matéria”
Portanto nosso informativo é formalmente uma revista.
A propósito dos dicionários, anos atrás quando nossa revista
ainda era um informativo, eu comentei num editorial que o
verbete “ Xerez” estava equivocado nos principais dicionários
brasileiros. Naquela escrevi para tais dicionários alertando sobre
o erro. Anos após o verbetes seguem igual :
Direção Dario Taibo
Direção da revista Dario Taibo
[email protected]
Desenho e direção de arte
OC O
comunicação e design
[email protected]
Atendimento ao cliente Karla Sol
[email protected]
Contato de Publicidade Ochoa
[email protected]
Michaelis
xe.rez
sm (de Xerez, np) 1 Espécie de uva tinta. 2 Vinho, muito
apreciado na Andaluzia.
Houaiss
1 Rubrica: viticultura.
casta de uva tinta
2 Rubrica: enologia.
vinho andaluz branco e licoroso
Aurelio
Xerez
s.m. Casta de uva tinta. / Vinho fino branco que se fabrica na
cidade espanhola de Jerez de la Frontera.
índice
04
Seleção do Mês
08
Artigo Especial
10
Entrevista
14
Artigo Especial
18
Mesa
20
Receita
22
Programa Saca-Rolha
24
Acessórios
Impressão 6.200 exemplares
Sociedade da Mesa
Rua Branco de Moraes, 248/11
Chácara Santo Antônio
São Paulo - SP - Brasil
CEP 04718-010
(55-11) 5181-4140
www.sociedadedamesa.com.br
0800-7740303
Este informativo é uma edição
exclusiva para os associados da
Sociedade da Mesa. Pertencente
a um grupo internacional, a
Sociedade da Mesa é um clube
de vinhos, seleciona vinhos
para seus associados, publica
um informativo mensal além de
organizar cursos e eventos.
Sociedade
da Mesa
Xerez não é uma casta ou espécie de uva e menos tinta. A uva
que se usa para fazer o Xerez é a Palomino ou a Pedro Ximenes,
ambas brancas.
Enfim:
Já vamos sendo uma revista mais além do que digam os
dicionários.
já somos!
Dario Taibo
sócio-diretor
Postales Roble Malbec 2009
Valle de Uco
Flávia Garrafa
Vinhos a granel
Amor e ódio
Clericot
Che Barbaro
25
Vinhos em Estoque
27
Próximas Seleções
S EM
VINHO
UE
ESTOQ
Quinta do Seival Castas Portuguesas 2006
04
Seleção Vinho do Mês
TEXTO
JOÃO CALDERÓN
CATA
DARIO TAIBO
Postales Roble Malbec
Argentina
2009
05
06
07
A variedade de uva Malbec foi trazida para a
Argentina no século XIX por imigrantes do
sudoeste da França, onde também é conhecida
como Côt, e acabou por se adaptar muito
bem à nossa “hermana”. É uma uva versátil,
amadurece muito bem no sol da América
do Sul, entre outras coisas que todos nós já
estamos cansados de ouvir e não sei por que
estou aqui lhes repetindo.
Quer dizer, acho que sei sim, é porque a nossa
seleção do mês é um Argentino Malbec, o que
deve fazê-los pensar que já estamos mais do
que acostumados com este vinho. Na verdade
estamos mesmo, mas desta vez a novidade
não está no país ou na uva e sim na região,
o Postales Roble Malbec 2009 é um vinho
patagônico.
Juntamente com a Nova Zelândia, a Patagônia
é a região vinícola situada mais ao sul de todo
o mundo, onde estão situadas as duas áreas
vinícolas Rio Negro e Neuquén. Esta primeira
se localiza a cerca de 640 quilômetros ao sul de
Mendoza, banhada pelo rio de mesmo nome.
No início do século XX engenheiros britânicos
desviaram parte do Rio Negro para irrigar um
vale e transformaram-no em uma excelente área
produtora de maçã, pêra e marmelo, na qual as
uvas, em um primeiro momento, não tiveram
tanta importância. Uma região onde as geadas
tardias, por vezes representam um problema,
mas que no restante do ano predominam-se os
dias quentes e noites frias, garantindo um longo
período de amadurecimento.
Os cerca de 2500 hectares de vinhedos são
cultivados, principalmente, perto de General
Roca e Neuquén, justamente onde está
localizada a Bodega Del Fin Del Mundo, o
berço de nossa seleção do mês, que como
já disse é o Postales Roble 2009, um Malbec
diferente dos outros que já passaram por
nossas degustações, ao menos por este quê
de curiosidade.
Postales Roble Malbec 2009
Patagônia Argentina
Uva: Malbec
Alcool por vol.: 14,4%
Minha Cata: Rubi borda ciano. Nariz: frutas
pretas compotadas. Boca: Cheio, grande
volume de sabor, os 14,5 gras se deixam
notar. Notas de flores.
Guarda: Melhorará rapidamente no próximo
ano e seguirá melhorando pelos próximos três
ou quatro.
Harmonização: Carne com molhos fortes,
grelhados, churrasco.
Temperatura de serviço: de 18 a 24°
08
09
ARTIGO
especial
Revista SOBREMESA
Texto e Fotos: Jesús Bernad
o valor da altura
Valle de Uco
Várias razões justificam a revalorização do Valle de Uco: desde o dinamismo imposto pelos
investidores europeus aos seus esplêndidos vinhedos, passando pela bela arquitetura das adegas.
No Sul de Mendoza (Argentina) perto dos Andes, este vale começa a ser imprescindível.
Todas as adegas da nova criação do Valle de Uco possuem uma
forte orientação ao enoturismo de qualidade para pequenos grupos
de amantes do vinho, com degustações, lojas e restaurantes, e
boas acomodações. Trata-se de uma aposta clara pela cultura,
com exposições artísticas permanentes e itinerantes. Se somarmos
a isso a magnética força dos Andes e a sedutora personalidade
da uva Malbec, teremos um casamento de alto valor que estava
demorando para aparecer.
Na década de 90 chegaram os pioneiros, que ativaram a zona
e começaram a polir o diamante bruto da região: a tinta Malbec,
uma variedade menor em Bordeaux que atuava de comparsa da
Cabernet Sauvignon. Mas na Argentina, com o ritmo dos asados
de tira, dos bifes de chorizo e as sublimes parrilladas criollas, esta
variedade desenvolveu um caráter mais latino: cálida, aberta e
sedutora, de tato suave, mas encorpado.
O entorno era propício a essa difícil vinífera. Em um clima árido
e desértico, cuja sede somente se saciava com as águas do
desgelo, a Malbec quis florescer nestas condições, com vinhedos
acima de mil metros, e que a cada sete anos suportam granizos
que destroem os brotos, ramos em formação e gemas da próxima
colheita, com pedras que alcançam dimensões de uma bola de
golfe, cujas marcas podem ser lidas na terra seca. Para diminuir
seus efeitos, os engenhosos “mendocinos” fizeram um traje sob
medida: malhas anti- granizo que protegem as folhas, mesmo
que diminuam algo de luminosidade, algo sem importância nestas
terras com luminosidade abundante.
O momento de esplendor desta região chegou da mão de
forasteiros que se apaixonaram por esta terra. Seguindo os passos
dos ancestrais, chegaram italianos, espanhóis e franceses, como
aconteceu há dois séculos, mesmo que com mais dinheiro na
carteira; sem esquecermos dos nativos, que levantaram seu império
como a pirâmide Maya nestas terras fogosas, como testemunha a
faraônica adega de Nicolás Catena.
Há mais de uma década só se ouvia falar deste vale promissor,
o de Uco, que nestes momentos remete ao começo do Napa
Valley californiano, pela sensação de aventura, como a febre do
ouro vinícola que atrai numerosos empreendedores. Mas porque
demorou tanto para alcançar o nível atual? A razão é mais prosaica:
com o câmbio peso-dólar de um para um, era impossível investir
pensando em exportar uma gama de vinhos de corte internacional.
Esta situação mudou em 2001 com a desvalorização da moeda
nacional que passou a sofrer câmbio de três para um. Assim, o Valle
de Uco começou a atrair os projetos vinícolas mais vanguardistas,
pela grande quantidade de vinhedos, conhecida pelos velhos do
lugar, que sempre afirmaram que, aos pés da colina Tupungato
(6.550m de altitude), as uvas eram especialmente doces.
FRANCESES, HOLANDESES E ESPANHÓIS
Neste vale chegaram primeiro os franceses, os irmãos Lurton, e
o enólogo Michel Rolland com sua comunal ideia de Clois de los
Siete. Por sua conta, um empresário holandês, convidado por um
amigo a estas terras, criou um espaço cultural único na sua adega
“Salentien”; e por último um financeiro espanhol convertido em
viticultor cuja adega “O. Fournier” é uma das mais originais do país.
Mérito duplo tem nosso paisano metido a taberneiro, o único deste
seleto grupo que não tinha adega antes da aventura “mendocina”.
Ainda que em menos de uma década este risco tenha sido resolvido,
formando parte do exclusivo clube de companhias com adegas em
três países, ao acrescentar as de Ribera del Duero e Chile.
Os irmãos Lurton chegaram da França com consultores de
Catena, e entre pessegueiros, cerejeiras e nogueiras começaram a
plantar seus vinhedos a 1.100m de altitude, algo que com certeza
surpreendeu seu pai, célebre taberneiro bordelês. Em 1998 já
possuíam 140 hectares com 40% da inovadora uva branca Pinot
Gris. Mas como puderam intuir a idoneidade desta variedade no
Uco? Pura sorte, como ocorrem com freqüência as melhores coisas
da vida. Adquiriram cepas de Chardonnay que ao vinificar resultou
ser, para surpresa dos seus autores, de Pinot Gris, com resultados
excelentes em um vinho fresco e aromático, muito fácil de beber.
Salentien é o nome original do castelo de seu proprietário na
Holanda, que depois de cultivar frutíferas no Rio Negro, e estourar
uma granja em Entre Ríos, dedicou-se a elaborar vinhos no Valle de
Uco. Em uma distância de um quilômetro está sua adega, o centro
cultural e gastronômico Killka e uma moderna capela, construída
em agradecimento à mãe Terra. Mais de 20.000 visitantes ao ano
vão para ver suas exposições permanentes de pintores holandeses
e suas originais esculturas, visita que termina em uma loja sortida e
um delicioso restaurante de cozinha criolla.
Em 1999, surgem os primeiros vinhos de sua original nave de
crianza circular, depois de descobrir o melhor de suas variedades
nos diferentes terroirs da finca. Seus vinhos são maduros e cálidos,
estilo Novo Mundo, pletóricos de fruta, como seu tropicalíssimo
Sauvignon Blanc. O célebre consultor bordelês Michel Rolland,
que assessora vinhos em meio mundo e que conta até com
um documentário que o acusa de ser o maior responsável pela
uniformidade dos vinhos no planeta Terra, criou uma comunidade
de sete famílias, Clois de los Siete. Há uma década, todos
adquiriram 430 hectares de terreno nos arredores da cordilheira (já
são 270 hectares em produção), e cada um se comprometeu a
construir sua adega, sem esquecer sua contribuição anual ao vinho
mancomunado, Clois de los Siete.
A primeira a aparecer foi “Monteviejo”, que deve ser a primeira adega
no mundo que tem plantado um vinhedo inclinado sobre a nave da
crianza. A Segunda, “Flecha de los Andes”, construída em adobe
com tons pastéis, se inspira nas primitivas construções dos índios
da região; mesmo que as flechas procedam do escudo da família
Rothschild, fabricante dos aviões Mirage. E a última, até o momento,
é a do próprio Rolland, “Mariflor”, que conta com vinhedos próprios,
mas que até o momento não comercializa seus vinhos.
O sorridente enólogo de “Monteviejo”, Marcelo Pelleriti, nos dá para
provar o ensamblado do Clois de los Siete ’07, onde se fundem
a Malbec, a Merlot, algo de Syraz e Cabernet Sauvignon, vinho
agradável de beber mas que não deixa recordações na memória;
seu Lindaflor, de Malbec, é cálido e maduro no entanto desfruto
mais do ‘Val de las Flores’, de vinhas de mais de 50 anos, de fruta
vivaz madura, mas com um extenso final sedoso, apesar da sua
intensa calidez.
E ao reino da Malbec chegou um burguês, José Manuel Ortega
descendente do criador do naipes ‘Fournier’, para reivindicar o
espanhol tempranillo. A adega futurista que lembra um disco
voador possui uma raivosa modernidade, elevando-se sobre duas
rampas, com suas quatro grande colunas de concreto armado
que terminam em uma gigantesca cobertura. É o lugar idôneo para
se elaborar vinhos do Novo Mundo, rodeado por seus vinhos de
Malbec e Tempranillo, com o imponente telão de fundo da hipnótica
cordilheira. Mas seu desenho não é por acaso senão fruto da visão
prática de seu enólogo, o “mendocino” José Spisso (um mestre em
compreender a perfeita maturação da uva) que desejava que tudo
fluísse por gravidade.
Pelas compridas rampas sobem os cachos e nas envidraçadas salas
superiores se localizam o laboratório, a sala de degustações e a cava
de microvinificações como a sala de comandos da nave. Toda uva
é selecionada por debaixo da cobertura, e o suco desce para os
tanques, onde fermentam a uma temperatura controlada, e em um
nível mais baixo encontram seu repouso nos barris de carvalho.
A ampla nave, banhada por clarabóias, cria uma cruz no piso e
paredes (que hospeda uma original exposição de pinturas do
indonésio Rajinder Singh). Uma homenagem à Cruz del Sur, a
constelação que somente se desfruta no hemisfério austral. Mais
um símbolo representa a adega, o do choique, uma pequena
avestruz do sul da Argentina.
Seus vinhos “Urban” são cheios de frutosidade, em somente três
meses de barril como os de Sauvignon Blanc. O “Urban Uco
Tempranillo” é uma delícia de fruta carnosa, com toque de violetas;
seu “Urban Malbec” é muito sedoso e sedutor; mas a soma de
ambas variações, que se complementam de forma excepcional é
de uma vivacidade luminosa.
Deliciosa ensambladura do “Beta Crux”, de grande finura, mesmo que
meus favoritos sejam “Alfa Crux”: uma mistura de Tempranillo, Malbec
e Merlot, possui uma personalidade sedutora, enquanto o Malbec puro
é um desses achados sensoriais que um guarda em sua memória
por sua elegância extrema. Somente esses acréscimos excepcionais,
quando a natureza permite umas uvas em sua perfeita maturidade,
elaboram o “O. Fournier Syrah-Malbec”, de imponente estrutura, mas
com um toque aveludado. Uns vinhos tão originais somente podiam
contar com a atrevida cozinha de Nadia Harón, que no restaurante
Urban, perto da adega, dá asas à imaginação a uma deliciosa fusão de
reminiscências criollas salpicadas de notas espanholas.
Culmina o périplo pelo Valle de Uco, uma terra linda, cheia de
sonhadores, que buscam um estilo de vida perto da terra, onde o
suco da Malbec nos presenteia com seu delicioso néctar.
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ENTREVISTA
Fotos: Heloísa Bortz
Flavia Garrafa
Flávia Garrafa formada em psicologia, diretora do curso de teatro no Colégio Porto
Seguro e atriz atualmente em cartaz com 3 peças de grande sucesso na capital
paulista, nos presenteia com uma divertida conversa entre um figurino e outro.
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Flavia GARRAFA, não posso deixar de perguntar... de onde
veio este sobrenome?
Hahahah Bem veio da Itália, provavelmente ficou meio
abrasileirado depois de algumas gerações. É o sobrenome
da minha mãe, mas resolvi usá-lo como artístico pois
ninguém esquece. Na verdade as pessoas podem até
esquecer o meu primeiro nome, me chamam de Paula
Garrafa, Silvia Garrafa, tudo bem... Não se pode acertar
tudo, o importante é ter sua marca e como a minha não
veio no RG achei genuíno usar.
Qual é a sua formação? E por que você escolheu este
curso de graduação?
Sou formada em psicologia pela USP. Eu não escolhi, quer
dizer eu escolhi dentro do que eu podia escolher. Meu pai
achava que fazer faculdade de artes cênicas era perda de
tempo, que eu era muito boa aluna e, então, deveria fazer
algo mais seguro. Enfim... Não tive muito a oportunidade de
escolher. Na hora pensei, quero ser atriz, o ator reproduz
o comportamento humano e o psicólogo o estuda. Tudo
a ver. Na verdade, com 17 anos fiquei com raiva do meu
pai, mas hoje vejo que fazer essa faculdade me ampliou
conhecimento e me possibilitou inúmeras coisas na vida.
Além do que é um curso super interessante. Depois de
formada com a minha carta de alforria, quer dizer, com
o meu diploma na mão fui estudar em NY no ‘The Lee
Strasberg Theatre Institute’. Aí sim, só teatro, só teatro...
Como foi a descoberta da sua veia artística, como você
ingressou no meio?
Eu sempre soube que queria estar no palco. Fiz balé e todo
mundo falava, nossa como ela leva jeito. Mas na verdade
eu era gordinha e toda torta, o jeito era a expressão facial
que eu fazia... quando tinha 13 anos pedi para a minha
mãe me colocar num curso de teatro que abriu na escola
de ballet. E desde os 14 ingressei para o grupo de teatro da
escola e não parei mais...
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E de Transtornos Obsessivos Compulsivos (“TOC TOC”),
você apresenta algum que seja publicável? rsrs
bom... no momento eu estou com medo de ficar doente por
causa das 3 peças e das 1050 coisas que eu faço. Então
estou com um pouco de medinho de ficar perto de quem
está gripado, ou com conjuntivite... Acho que é um TOC
temporário, pois eu nunca fui encanada com isso...
Você está em cartaz com as 3 peças (“TOC TOC”, “TPM
Katrina” e “Adorei o que você fez”). Fale a verdade, como é
possível? Como é o seu dia-a-dia?
Possível é porque cada uma é num horário e porque sou
uma pessoa muito disciplinada. Mas é preciso dedicação
e disposição, MUITA! O meu cotidiano é igualmente inverso
ao das pessoas comuns. Quando todo mundo está se
divertindo, eu estou trabalhando... e quando todo mundo
está trabalhando, eu estou TRABALHANDO hahahahah...
É que eu dou aulas, faço comerciais de TV, pago contas,
vou à academia, ao supermercado, tenho amigos, família
etc. Ou seja, uma maratona. Fico exausta, mas sabe o quê?
Quando se faz o que se gosta tudo é muito leve. Ah! Mas
eu tomo vitamina!!!
Nas 3 peças seu talento cômico está muito bem representado,
vc se considera uma atriz de comédias?
Sou, hoje em dia, uma atriz mais voltada para comédia.
Tenho feito muitas coisas nessa área. E Se funciona, por
que mexer? Porque o ser humano é inquieto. Morro de
vontade de fazer um drama. Mas vai ter que esperar... O que
eu acho é que ser ator é estar pronto para fazer qualquer
tipo de papel, mas é claro que existem gêneros que casam
melhor com você, e eu estou casada com a comédia nesse
momento.
Falando sobre TPM e mulheres... vc acredita na lenda de
que mulheres preferem espumantes a vinhos tintos?
Ah existe essa lenda é? Bom... Então eu não sou uma lenda...
e prefiro muito mais vinho tinto...e aliás uma boa taça de
vinho tinto alivia bem os sintomas da TPM... ahaahhahah
Sobre “Adorei o que você fez”, que grande papel você
interpretou até hoje que realmente marcou sua história?
Eu tenho apego por quase todas as personagens que eu
fiz, mas sem dúvida nenhuma, a LILI do “TOC TOC” foi a
personagem que mais me aproximou do público como
comediante. E no “Adorei o que você fez” eu faço o papel
que era da Márcia Cabrita, que é uma grande comediante
e uma grande amiga minha, então a responsabilidade é
dupla... Mas acho que estou fazendo direitinho... Não tão
bem quanto ela, mas direitinho.
Que personagem gostaria de representar? Ou que texto
gostaria de encenar? (se ainda não o fez...)
Eu gostaria de fazer a Beatriz da peça “Muito barulho por
nada” de William Shakespeare, e muitos outros affffffff
Qual sua relação com vinhos? Além do nome? rsrsrs
Eu amo vinho! Flavia garrafa de vinho (tinto). É praticamente a
única bebida alcoólica que eu tomo. E tomo bem. Tenho até
uma adega climatizada na minha casa. Não entendo muito.
Mas fomos orientados pelo cardiologista do meu pai (que
morreu de infarte aos 47 anos) que deveríamos tomar uma
taça por dia. Então foi o médico que mandou. Adoro o sabor
do vinho tinto... hummmmmm
Falam sempre que a comédia tem o tempo certo (o que
chamam de “time”). Qual o tempo certo para um bom
vinho?
Nossa... O tempo certo é aquele vinho que enche a sua
boca com sabor e suas narinas com aromas. Encorpado,
frutado ou amadeirado... Ui sei lá!
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15
ARTIGO
especial
Revista SOBREMESA
Texto: Jose Luis Murcia
Fotos: Antonio de Benito
O mundo do vinho tem mudado tanto que até os “graneleiros” tem
deixado de ser o que eram. A má fama dos outros tempos agora
se equilibra com o que podíamos denominar granéis de design,
vinhos em abundância, mas elaborados pela carta.
VINHOS A
GRANEL
estética da
abundância
O vinho a granel tem sido, e continua
sendo em determinados círculos tão
elitistas quanto pouco informados,
sinônimo de baixa qualidade justamente
em um momento em que os Estados
Unidos, considerado o maior consumidor
mundial do ano, aumentou suas
aquisições em 120,3% nos dez primeiros
meses de 2009. Por sua vez, GrãBretanha, o mercado desejado por todos,
teve 17,5%. Hoje os vinhos a granel se
acomodam ao desejo do consumidor.
Ao comprador lhe compete dotá-lo de
uma atraente apresentação para fechar o
círculo e incrementar fortemente seu valor
acrescentado. Peter Schoonbrood é um
holandês que participa como sócio em
Arva Vitis, com sede social em Manzanares
(Ciudad Real). Entre seus negócios, conta
com um segmento dedicado ao mercado
internacional de vinho a granel de design
que é envasado em garrafas ou em
bag-in-box, o recipiente se destaca nos
países escandinavos que demandam um
vinho de qualidade para serem levados
em seus iates.
Schoonbrood, que assegura vender em
torno de 500.000 litros por ano deste tipo
de vinho, quase sempre em partidas que
oscilam entre 30.000 e 50.000 garrafas,
ressalta como os mercados do Norte da
Europa, além da Alemanha e Reino Unido,
se interessam por essas compras, “que
são geralmente de vinhos tinto crianza,
mas que se abrem de forma espetacular
nos últimos anos a vinhos brancos, em
ocasiões com mistura de uvas diferentes
como Verdejo, Sauvignon Blanc e Airén”.
Para os vinhos a granel, há um antes
e um depois como conseqüência da
comemoração da “World BulkWine
Exhibition”, o primeiro encontro mundial
dos compradores e vendedores deste
tipo de vinho realizado em Amsterdã no
final do ano passado. O evento, que terá
16
continuidade pelo volume de transações realizadas pelos
assistentes, contou com a presença de 1.700 profissionais
que em duas sessões foram capazes de dar vida a um
comércio internacional que até agora mostrava pouca
transparência. Tanto sua coordenadora geral, Otilia Romero
de Condés, da empresa espanhola Pomona Keepers,
organizadora do evento, como Cesáreo Cabrera, presidente
da cooperativa “El Progreso”, de Villarrubia de los Ojos (Ciudad
Real), ou Laurent-Emmanuel Migeon, gerente diretor do grupo
francês EVOC, estão muito satisfeitos com o resultado. O
diretor geral do Observatório Espanhol do Mercado do Vinho
(OEMV), Rafael del Rey, acredita que a tendência atual da
alta da compra do vinho a granel tem a ver com a crise, “mas
também com a nova filosofia empresarial dos dois grandes
mercados mundiais do vinho”, que procuram consumir vinhos
bons a preços acessíveis.
Del Rey recorda que o vinho a granel na Espanha é vendido
por cooperativas ou adegas de grandes produções a outras
adegas que engarrafam e comercializam como é o caso do
“Marqués de Cáceres”, “García Carrión” ou “Félix Solís”, por
colocar alguns exemplos de produtores de qualidade.
Se existe, pelo contrário, um importante capítulo de venda
de vinho a granel para países produtores, como é o caso
da França, Itália, Portugal, ou Alemanha, que o utilizam como
vinhos de base para a elaboração de espumantes, vermutes
ou destilados, ou o que preferirem engarrafar e dotar de um
maior valor acrescentado. Porém, existe um mercado de
granéis de muito boa qualidade que sai da Espanha com
destino a países não produtores como Bélgica, Holanda, ou
com escassa produção em tintos como Suíça, Alemanha
ou Canadá, além de Estados Unidos e Grã-Bretanha, antes
mencionados, que pagam bem e exigem um nível alto em
suas compras, “já que o valor acrescentado que se quer
conseguir é importante e a competição internacional está
cada vez mais feroz”, segundo o secretário geral da Federação
Espanhola do Vinho (FEV), Pau Roca, que destaca a pressão
que países produtores do Novo Mundo, como Austrália ou
Chile, exercem sobre o mercado neste momento.
Para Roca, o sucesso dos vinhos engarrafados por
pequenos empresários de países não produtores se deve a
que não misturam, na confiança que mantêm há anos com
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seus fornecedores, no elevado nível de qualidade
que oferecem e na “competição, tanto em preço
como em qualidade, com as marcas brancas das
grandes superfícies”. O secretário geral da Associação
Empresarial de Adegas de Vinho da Espanha (AVIMES),
Rafael Puyó, a outra patronal que opera na Espanha,
considera que o problema real da venda a granel é que
o preço médio é de 33 centavos de euro por litro “e
com isso se torna difícil sair na frente para a maioria
das empresas”. Neste sentido, Puyó opta por prestigiar
a marca de vinhos da Espanha e lutar para conseguir
melhores preços “para que o dinheiro não fique todo
em destino”.
Rosa Villar, enóloga riojana pertencente à consultora Santos,
assegura que a qualidade do vinho, seja qual for seu destino,
vem determinada pelas uvas e pelos critérios enológicos,
“que são sempre os mesmos, independentemente do
destino do vinho em cada adega”.
São as necessidades comerciais da adega que
determinam qual porcentagem de vinho será
engarrafado e qual porcentagem será destinada para a
venda a granel, mas a produção acontece nas mesmas
instalações e nos mesmos depósitos, mesmo que
as crianzas sejam umas ou outras de acordo com os
objetivos da empresa. Quando perguntam se não fazem
vinhos a granel sob encomenda, Villar é ainda mais
direta. “As exigências são mais contundentes ainda”,
diz, “porque o cliente quer um tipo de vinho concreto
e com especificações tão claras e concisas como as
que eu posso ter na hora de elaborar meus vinhos
engarrafados, e em algumas ocasiões ainda mais.”.
Vozes autorizadas
Fabien Gross, responsável pelas compras da empresa francesa Les
Grads Chais de France (uma sociedade familiar que conta com 1.500
empregados, fatura anualmente mais de 730 milhões de euros, possui
800 hectares de vinhedo e é o primeiro exportador de vinhos da
França), assegura que um vinho a granel, mesmo que pareça óbvio,
“é todo vinho justo antes de ser engarrafado”.
A empresa, localizada em Petersbach, no Departamento de Bajo Rhin,
em Alsácia, adquire por volta de 3 milhões de hectolitros de vinho,
dos quais 70% se dedicam à criação de marcas próprias e uns 20%
são colocados como vinhos especiais tais como “Grandes crus”,
“Champagnes” e “Domaines”. Segundo Gross, os vinhos a granel
alimentam os vinhos de marca para responder a uma demanda que
une qualidade e preços acessíveis, permite criar marcas e consolidálas no mercado, gerar volume de negócio, inovar, melhorar o transporte
e diminuir as emissões de CO2 ao engarrafar no destino.
Jornalista, escritor, enólogo, comerciante de vinho, Master of Wine e
filho de um dos fundadores desta organização, que ainda foi presidente
da Associação de Comerciantes de Vinhos e Espirituosos da GrãBretanha, e, sobre tudo, andarilho, John Salvi é, aos 72 anos, uma
das pessoas que melhor conhece o mundo do vinho e que maiores
mudanças tem vivido em sua evolução desde que há quase meio
século decidiu se instalar na mística localidade francesa de Margaux
depois de sua Inglaterra natal.
Salvi recorda que “o granel é e tem sido sempre a essência do vinho”
e ressalta que as grandes compras britânicas dos melhores vinhos de
Bourdeaux foram feitas durante muitos anos a granel. Os importadores
britânicos compravam partidas de “Grandes Crus” para engarrafar no
destino ou levavam os barris que tinham escolhido depois de uma
primeira cata para seu mercado.
Não crê que o mundo do vinho se encontre dividido entre aqueles
que crêem que todo engarrafado é bom e tudo que se vende a granel
é ruim ou de inferior qualidade “porque isso é simples, ainda que
existissem pessoas que pensavam assim. Prova disto, é que a atual
conjuntura nos faz voltar a outros tempos e a dar ao granel o valor que
ele realmente tem”.
Pelo contrário, a holandesa Janna Rijpma-Mepellink, consultora,
jornalista e escritora do vinho há anos, crê que o problema dos vinhos
a granel em um país como Holanda, onde sobrevivem vinhos baratos
e de escassa qualidade com outros bem posicionados nos mercados,
é que “a gente os identifica com má qualidade, já que isso é o que
se tem oferecido, em linhas gerais, com os vinhos baratos que foram
engarrafados e oferecidos aqui”.
SOBREMESA é a revista de vinhos e gastronomia de Vinoselección.
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MESA
texto
Eder Peres
“Proferi algumas palavras mágicas, tirei a tampa e o aroma de um delicioso ossobuco perfumou o ambiente, enfeitiçando a todos.”
amor e ódio
Domingo, 7:30 horas da
madrugada, toca o telefone.
Eu atendo.
— Filho querido. Bom dia.
Tudo bem? Eu te acordei?
Sabe o que é, no mês que
vem tem o dia das mães,
você lembrou? O almoço será
na sua casa, como sempre?
Acho que te acordei né? Então
tá, volta a dormir e depois me
liga. Não esqueça. Beijos.
Desliguei sem falar nada.
Sentia como se minha
cabeça estivesse dentro
de um liquidificador. Perdi o
sono e a partir daí não parei
mais de pensar no almoço do
dia das mães, embora ainda
faltassem mais de 20 dias
para o evento.
Receber e cozinhar para
a família é, para mim, uma
paixão. Adoro a minha
mãe e a minha sogra, sem
brincadeira, mas o cardápio
desse almoço é mais difícil
que o de uma recepção
que reunisse carnívoros e
vegetarianos: o que minha
mãe adora, minha sogra odeia
e vice-versa. Depois de anos,
acertei a mão e não mudei
mais o cardápio.
Joguei a bola para minha
mulher e sugestões foram se
sucedendo por vários dias,
uma pior que a outra.
— Querido, o prato predileto
de minha mãe é camarão na
moranga. Que tal?
— Ótimo, desde que não
coloquemos nem o camarão
e nem o coentro dentro da
moranga, pois a minha mãe
odeia essa tal de barata do mar
e diz que essa erva tem cheiro
de bode velho molhado. Eu
estava pensando numa bela
travessa de bifes de fígado
acebolados, à veneziana, ou
miolos a doré, que minha mãe
fazia como ninguém!
— É, ao que parece você
comeu tanto miolo quando
criança que o seu foi engolido
junto! Quem gosta de miolo?
Ou de fígado? É dia das mães
e não o Festival das Vísceras
do Boi. Só falta você querer
servir tais pratos com óleo de
fígado de bacalhau! Embrulhame o estômago só de pensar!
— Preconceito seu! Consta
que as vísceras já foram
consideradas partes nobres do
animal, além do que o fígado é
rico em ferro.
— Rico em ferro e também
em penicilina, oxitetraciclina,
clotetraciclina, estreptomicina
e outras “cinas” mais, injetadas
no animal, filtradas no fígado
e nele depositadas, que você
ingere por tabela!
— Crendice! Isso é história
inventada pelo açougueiro que
prefere vender filé mignon, pois
é melhor para o bolso dele!
— Crendice ou não, não
pretendo comer fígado no dia
das mães. Podemos fazer isto
sim, uma saborosa rabada,
acompanhada de polenta.
— Odeio rabada. Vou comer
pão e tomar vinho e nada mais
ou irei almoçar fora.
— Você vai é repetir novamente
o mesmo cardápio dos anos
anteriores! È uma ofensa à
criatividade de qualquer um!
Se você tivesse prestado mais
atenção nas aulas do curso
de culinária, que custou uma
fortuna, provavelmente não
incidiria nessa mesmice...
— Você repete o arroz, o feijão
e a salada todos os dias e eu
não reclamo.
— Não estamos falando da
comida do dia a dia, mas de um
almoço especial. Eu esperava que
você as surpreendesse com um
prato diferente, como por exemplo,
uma ciumacata: caramujos
temperados com alho, pimenta,
hortelã e azeite virgem, servido
com tomates e anchovas.
— Você teria a coragem de
servir essas pragas nocivas
para a minha mãe e para a
minha sogra? Quer matá-las?
O caramujo pode hospedar
um verme que fura o intestino
humano e mata por hemorragia.
E mais, quando elas vissem os
caramujos, sairiam correndo,
se não enfartassem antes. Aí
sim seria um almoço realmente
especial!
— Não seja trágico.
— Justamente para evitar
tragédias vamos pensar em
algo mais simples, meu bem!
Frango com quiabo e batata
doce, acompanhado de arroz
branco.
— De jeito nenhum! Tirar a
baba gosmenta do quiabo é
tarefa impossível e sua mãe,
mais uma vez, daria aquela
lição: “Como Tirar A Baba Do
Quiabo”, que conhecemos
de cor e salteado, mas nunca
apreendemos. Mico!
— Então algo mais vegetariano:
alcachofras recheadas com
pão, azeitonas e alcaparras.
Gostou?
— Gostei, mas minha mãe não
suporta alcachofra. Diz que
não come essa inflorescência
com gosto de papel molhado,
além de não ter paciência
para raspar folha por folha
para delas extrair uma polpa
minguada e amarga. Prefere
tomar um chá de boldo, com
ação mais direta e eficiente
sobre o fígado. Mas me ocorre
que fazer uma moussaka seria
uma alternativa interessante!
Fico com água na boca ao
pensar na berinjela empanada
e frita, com mozarela derretida,
misturada com carne moída e
molho de tomate.
— Não, não dá. Minha mãe
odeia berinjela. Nunca gostou,
desde criança, virou trauma.
Meus avós maternos eram
muito rigorosos e exigiam
que os filhos comessem de
tudo à mesa. Como minha
mãe se recusava a comer
berinjela, certa feita, eles
fizeram um almoço baseado
exclusivamente nesse vegetal:
caponata, pasta de berinjela,
berinjela à milanesa, lasanha
de berinjela, arroz com
OSSOBUCO
INGREDIENTES
• 1,5 Kg de ossobuco de vitela
• 50 ml de óleo de girassol
• 100 g de farinha de trigo
• 2 cenouras médias bem picadas
• 1 cebola média bem picada
• 2 talos de salsão bem picados
• 250 ml de vinho branco seco
• 1 bouquet garni com tomilho,
alecrim, sálvia e louro
• 1 kg de tomates sem pele e sem
sementes picado
• 1 litro de caldo de carne
• sal e pimenta-do-reino
berinjela, torta de berinjela
e, de sobremesa, berinjela à
calda doce! E ela foi obrigada
a comer berinjela para não
passar fome e não levar uma
surra! Desse dia em diante,
não passa nem perto de uma
berinjela sem sentir náuseas.
Esta conversa estéril prosseguiu
por vários dias e, por mais
que nos esforçássemos, não
conseguíamos eleger um
prato de consenso diferente
daquele que servimos nos
anos anteriores. Eu estava
ficando desanimado.
No entanto, isto me fez pensar
que, se por um lado, a tarefa
de conciliar paladares é, em
determinadas circunstâncias,
muito difícil e desgastante,
por outro, a diversidade
de opções alimentares é
extremamente cativante por
caracterizar a individualidade,
desafiar o intelecto, quebrar
a monotonia e estimular a
criatividade.
Comecei a
questionar se a culinária teria
alcançado os progressos
atuais caso todos gostassem
sempre dos mesmos pratos
e dos mesmos temperos e,
ao lado de fatores naturais
e sócio-econômicos, qual o
percentual da contribuição
das diferenças de paladares
para o enriquecimento da
nossa mesa? Com certeza
fundamental.
Na atualidade, a harmonização
de um cardápio, por si só, é uma
tarefa difícil e mais árdua ainda
quando deve ser adequado aos
paladares dos parentes e amigos
que se sentarão à mesma
mesa, principalmente quando
há antagonismos discrepantes
e relações íntimas que nos
permitem conhecer as restrições
alimentares de cada convidado.
Não errar se afigura uma
obrigação, porém nem sempre é
possível alcançar tal intento.
RECEITA
PREPARO:
Tempere as peças de ossobuco com sal e pimenta,
coloque-as num prato com a farinha de trigo e as envolva
completamente. Retire o excesso de farinha e reserve. Numa
panela grande o suficiente para que todas as peças de carne
caibam em uma só camada, aqueça o óleo de girassol
e as doure as peças em fogo alto. Se preferir amarre o
ossobuco com barbante para ele não desmanchar. Quando
estiverem douradas por inteiro, retire-as da panela e coloque
a cenoura, a cebola e o salsão. Refogue em fogo baixo por
cerca de 10 minutos, até que murchem. Torne a colocar o
ossobuco na panela, junte o vinho branco, o bouquet garni
e deixe reduzir à metade, em fogo brando. Após, aumente
o fogo, acrescente os tomates e refogue até serem bem
incorporados ao molho. Junte o caldo de carne fervente e
cozinhe com a panela semitampada por cerca de 2 horas ou
até estarem bem macios.
Boa feitiçaria!
Percebi também que a
composição harmônica que
eu persegui durante aqueles
dias estava me desviando
da principal finalidade do
almoço do Dia das Mães: o de
homenagear as minhas com
o mesmo amor que sempre
dispensaram aos filhos, ora
com beijos e afagos, ora com
castigos ou reprimendas.
E foi imbuído desse sentimento
que despertei no dia tão
aguardado, disposto a fazer
feitiçaria na cozinha, mesmo
sendo um simples aprendiz.
Pouco importava o prato
escolhido, pois o fundamental
era cozinhar para elas. Eu
as enfeitiçaria com uma
alquimia alimentar baseada
na simplicidade, no amor e na
gratidão.
Assim, ingredientes misteriosos
foram misturados de forma a
não serem identificados, para
produzir um resultado que
agradaria a qualquer paladar.
Coloquei-os numa bonita panela
de ferro, dessas francesas, que
foi tampada e levada à mesa,
onde todos se encontravam,
ansiosos, aguardando o
misterioso prato. Proferi algumas
palavras mágicas, tirei a tampa
e o aroma de um delicioso
ossobuco perfumou o ambiente,
enfeitiçando a todos.
É claro que o almoço foi regado
a um bom vinho, essencial
para garantir o sucesso da
feitiçaria.
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RECEITA
por
Martin Seoane
O principal ingrediente é o
vinho branco, seco. Uma
garrafa de 750 ml é o
suficiente. Também é possível
fazer com vinho Rosé ou
Espumante, ambos ficam
bem agradáveis.
CLERICOT
Por Martin Seoane,
sócio-proprietário do
restaurante argentino
Che Bárbaro
Em países como França, Espanha, Uruguai e principalmente
Argentina, o clericot, bebida refrescante feita com frutas frescas,
gelo e vinho branco já é apreciada há anos.
No Brasil, especialmente em São Paulo já está quase deixando
de ser uma novidade para muitos, em função do aumento
do turismo de brasileiros para Buenos Aires e do aumento do
número de casas Argentinas na cidade.
Tanto no Bárbaro como no Che Bárbaro nós já oferecemos
esta delícia desde a inauguração de cada um, respectivamente,
2003 e 2008 e sempre foi um sucesso. Acredito que em
função do que comentei acima, a procura aumentou muito e
hoje é um sucesso em nossas casas. A maioria dos nossos
clientes pergunta qual o segredo do nosso Clericot e é isso
que quero passar para vocês, associados da Sociedade da
Mesa, ensinando a receita especial que utilizamos.
Você vai precisar de uma jarra de vidro. Pode ser outro material,
mas de preferência com transparência para que seja possível
ver as frutas no interior. Conte ainda com uma colher longa e
fina que chamamos de “bailarina”, ideal para mexer e auxiliar a
servir o drinque.
Tenha em mãos também frutas. Na receita uso uma maçã
inteira, bem vermelha, duas fatias médias de abacaxi, 12
morangos, dois kiwis, 15 uvas e meia laranja. Separe ainda
uma dose de contreau (50 ml), que deixa a bebida mais doce
e cítrica, outra de conhaque (50 ml), além de cerca de 100
ml de soda limonada. Ponha também gelo a gosto, mas não
ponha pouco, pois as pedras derretem e a bebida deve estar
sempre bem gelada.
O preparo é fácil. Pique em
pedaços pequenos as frutas,
menos a laranja, que deve ser
cortada como se fossemos
fazer rodelas medianas.
Ponha os pedaços na jarra.
Insira em seguida o conhaque,
o contreau, a soda, o vinho.
Mexa bem para que as frutas
soltem seu sabor e acresça,
em volta, na parte superior
da jarra, de modo que fiquem
atrás dos gelos, as rodelas
de laranja. Isso cria um efeito
decorativo muito bonito.
Depois é só servir. Rende
entre cinco e seis taças. A
“bailarina” vai nos auxiliar no
processo.
É uma bebida que faz às
vezes de drinque e sobremesa
refrescante, já que se pode (e
deve) comer as frutas ao final.
Vale lembrar que tanto o
clericot quanto a sangria são
para os argentinos como a
caipirinha para os brasileiros:
sempre estão no cardápio.
Indico a bebida para dias
quentes, para se tomar entre
amigos. Portanto, reúna seus
melhores e bom drinque!
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Sociedade da Mesa é muito
bem-vinda e não paga rolha
PROGRAMA SACA ROLHA
Aqui nesta coluna publicaremos bares e restaurantes onde você, associado da
Sociedade da Mesa, poderá desfrutar de bons ambientes e boa gastronomia
com a liberdade de levar seu próprio vinho sem pagar a rolha!
Rua Bandeira Paulista, 520
Itaim bibi - São Paulo
(11) 3167-2147
Rua Alexandre Dumas, 1152
Chácara Santo Antônio - SP
(11) 5181.4422
Rua Dr. Mario Ferraz, 213
Itaim bibi - São Paulo
(11) 3816-4333
Rua Bandeira Paulista, 387
Itaim-bibi - SP
(11) 3078-6704
Av. Pedro Paula de Morais, 749
Saco da Capela - Ilhabela - SP
(12) 3896-5241
Rua Oriente, 609
Serra - Belo Horizonte
(31) 3227-6760
Rua Lisboa, 191
Pinheiros - São Paulo
(11) 3082-7904
Rua Normandia, 12
Moema - São Paulo
(11) 5536-0490
Rua Joaquim Floriano, 466
Itaim-bibi - SP Brascan Open Mall
(11) 3079.3500
Rua Joaquim Antunes, 224
Pinheiros - SP
(11) 3068-9888
Rua Dr. Sodré, 241A
Vila Olímpia - São Paulo
(11) 3845-7743
Calá del Grau
Rua Pedroso Alvarenga, 1170
Itaim bibi - São Paulo
(11) 3167-0977
Rua Joaquim Távora, 1266
Vila Mariana - SP
(11) 5549.3210
Rua Francisco Leitão, 713
Pinheiros - São Paulo
(11) 3032-7403
Genova
Rua Melo Alves, 294
Jardins - SP
www.chakras.com.br
Rua Julio de Castilhos, 1074
Belém – São Paulo/SP
(11) 2309.1248
Av. Brigadeiro Faria Lima, 2705
Jardim Paulistano - São Paulo
(11) 3031-0005
Rua Lisboa, 346
tel. (11) 3064-3438
Pinheiros - SP
Rua Harmonia, 117
Vila Madalena - SP
(11) 3816-7848
Rua Orobó, 125
Alto de Pinheiros - São Paulo
(11) 3022-2424
Rua Mourato Coelho, 1267
Vila Madalena - São Paulo
(11) 3032-8605
Rua Girassol, 67
Vila Madalena - São Paulo
(11) 3031-6568
Av Eng. Paulo Brandão Nogueira, 85
Jatiuca - Maceió - Alagoas
(82) 3235-1016
Rua Tabapuã, 838
Itaim bibi - São Paulo
(11) 3168-6467
Rua Haddock Lobo, 1159
Jardins - SP
(11) 3068-9797
Rua Manuel Guedes, 545
Jardim Europa
www.limonn.com.br
(11) 2533-7710
Rua Fradique Coutinho, 1664
tel. (11) 3037-7223
Vila Madalena - SP
restaurante e delivery
Av. Carinás, 592
Moema - São Paulo
(11) 2308-1091
Rua Conselheiro Brotero, 903
Santa Cecília - São Paulo
(11) 3664-8313
Com ares de Vila Olímpia, restaurante atrai público jovem
à Vila Madalena com especialidades argentinas
Dos mesmos sócios do “Bárbaro”, a casa
portenha inaugurada em novembro de 2008
apresenta ambientação aconchegante e é maior
do que a sua “hermana” localizada no Itaim Bibi,
em São Paulo.
São quatro espaços independentes. No salão
principal há uma ampla varanda amadeirada,
com vista para a rua, muito disputada em dias
quentes. Em sua extensão, paredes alaranjadas
recebem arandelas e quadros de ícones
argentinos, como Maradona e Gardel.
Um mezanino mais reservado e com iluminação
indireta é concorrido por grupos de amigos e
aniversariantes, já que neste espaço a casa
pratica comanda individual, quando reservado
antecedência. Nele, um teto retrátil é aberto em
noites de temperatura elevada.
O projeto arquitetônico inclui ainda uma área
externa, que homenageia pontos históricos da
cidade de Buenos Aires, como o bairro La Boca
e a rua Caminito. Nas paredes, grafites em cores
alegres remetem àquela região. As mesas de
madeira deste local se diferem das demais, pois
fazem conjunto com cadeiras coloridas, cujos
assentos são de palha, o que confere aspecto
rústico-chique.
O atendimento cordial, garantido pela presença
constante dos donos, Juan German e seu filho,
Martin Seoane, confere mais proximidade à
clientela.
Para beber, principalmente em dias mais
quentes, boa opção é o Clericot, refrescante
ponche de vinho branco, frutas da estação e
gelo. É preparado na mesa, em jarras.
No cardápio há receitas que fizeram a fama
da grife gastronômica, desde sua criação em
2003, ao lado de outras novas, servidas apenas
na irmã caçula. São exemplos a empanada
gourmet, que é aberta e feita com massa de
pizza, mussarela e três tipos de funghis, e das
crepizzas, crepes enroladas com massa fina de
pizza, que recebem recheios como matambre
(capa da costela desfiada) e mussarela.
Para encerrar a refeição, a clássica panqueca
argentina recheada com doce de leite. Há também
as inusitadas e criativas 3 pelotas dulces (massa
fina de pizza em forma de disco nos sabores nutela e banana, - chocolate e morango, - doce
de leite e requeijão) e o almendrado, um sorvete
de amêndoa em forma de barra com cobertura
de chocolate
São as carnes, no entanto, o carro chefe.
Importadas da Argentina e do Uruguai, países
com tradição e rebanho bovino de peças
mais macias, são preparadas na parrilla (grelha
tipicamente argentina).
Os cortes são altos, a exemplo do Biscuit, que
vem em três medalhões de filé, do Ojo del Bife
(miolo do contra-filé), e do assado de tira (costela
de boi). Com uma entrada e acompanhamentos,
servem bem a duas pessoas.
Dentre as guarnições, a papa quimérica (massa
de batata gratinada no forno recheada com
requeijão) é uma das especialidades da casa.
Programação musical
Às terças-feiras há apresentação individual de
boleros (violão e voz) e nas noites de sexta,
tango instrumental com bandoneone e violoncelo
de clássicos de Carlos Gardel a canções
modernas.
CHE BÁRBARO
Endereço: R. Harmonia, 277, Vila Madalena,
São Paulo - SP
tel. (11) 2691-7628
www.chebarbaro.com.br
Funcionamento: ter. a sáb., das 12h à 0h;
dom., das 12h às 18h
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25
Sociedade
da Mesa
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ACESS
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Faça suas compras por telefone
(0800-7740303) ou site e receba
juntamente com sua próxima caixa
de vinhos.
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Abaixo nossos vinhos em estoque.
Faça seu pedido por telefone (0800-7740303)
ou site e receba juntamente com sua próxima
caixa de vinhos.
Villa Borghetti 2008
SACA ROLHAS
BOLSA
Modelo Somelier
De lona vermelha modelo
engradado.
Prática e ideal para
carregar até 6 garrafas
Preço para associado:
R$ 28,00
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R$ 84,00
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BORGONHA
Par de taças de Cristal
Preço para associado:
R$ 50,00 (o par)
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Bomba de vácuo com
rolhas para melhor
garantir as
características do vinho.
Preço para associado:
R$ 57,00
Terra D’Alter 2008
Portugal
DO: Valpolicella
Uvas: Corvina Veronese 70%, Rondinella 20%, Cornivone 10%
Grad.: 12%
Preço para associados: R$ 36,90
DO: Terras de Alter C.V. - Portugal
Uvas: 50% Touringa Nacional, 50% Cabernet Sauvignon
Grad.: 14%
Preço para associados: R$ 37,50
SERVIÇOS
Vinho em consigna
Informativos
Se você vai fazer um evento, festa, jantar, e precisa de vinhos, consultenos. Consignamos o vinho para você e assim nem sobrará nem faltará,
já sem contar que será um prazer ajudá-lo a escolher o vinho mais
adequado para a ocasião.
Atendendo a vários pedidos, muito justos temos que dizer
os informativos estão disponíveis para consulta, pesquisa
e curiosidade. Acesse nosso site e faça download de nosso
acervo. Boa leitura !
Lembrete: Recordamos aos associados que comuniquem quaisquer alterações no envio do mês, tais como de alteração
Gran Feudo
Edición 2008
Espanha
DO: Navarra - Espanha
Uvas: Tempranillo, Garnacha e Merlot
Grad.: 13.5%
Preço para associados: R$ 36,60
de quantidades, pedidos de seleção especial, acréscimo de vinhos do estoque ou suspensão até o dia 10 de cada mês.
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vida é feita de opções.
Maio
valor referência por
garrafa de R$ 37,00
SELEÇÃO
Mês
SELEÇÃO
grandes
vinhos
opção de caixa de 4
ou 6 garrafas
seleção trimestral
valor referência por
garrafa de R$ 90,00
opção de caixa de 4
ou 6 garrafas
Mas aqui você pode ficar
com todas!
A Seleção do Mês procura vinhos excelentes
tendo como critério a variedade e a relação
qualidade preço, permite descobrir o melhor
das diferentes zonas de produção bem como
uma clara comparação entre as diferentes
elaborações, estilos e uvas, uma seleção
mais divertida. “O aspecto mais largo da
produção mundial”.
Seleção do Mês
seleção mensal
Quinta do Seival Castas Portuguesas 2006
Brasil
Sempre que seleciono um vinho brasileiro um considerável número de associados suspende
o envio e possivelmente parte dessas suspenções se deve ao mero fato de que o vinho
é brasileiro. Isso em si não tem muita importância mas às vezes me pergunto se esse
associado não está perdendo uma linda oportunidade de se surpreender com o vinho nacional.
Obviamente não é preciso dizer que se eu o selecionei é por que tal vinho responde ao padrão
de qualidade das nossas seleções.
O castas Portuguesas faz parte da gama alta dos vinhos da Miolo que nos deu o privilégio de
lançar no mercado a safra 2006.
Preço para asociados: R$ 38,00
Estimado no mercado: R$ 50,00
A Seleção Grandes Vinhos nos permitirá visitar
todo o mundo de vinhos que estavam fora do
alcance do valor da Seleção do Mês. Vinhos
das melhores regiões, vinhos emblemáticos de
produtores consagrados. Vinhos para guardas
mais longas e para situações especiais, uma
seleção mais formal. “O aspecto mais alto da
produção mundial”.
Inscreva-se já na Seleção do Mês, na Seleção Grandes Vinhos e por que não nas duas?
www.sociedadedamesa.com.br 0800-774 0303
Sociedade
da Mesa
Aqui a gente só não decide por você.
Aí já seria demais!
Neste mês não haverá “Seleção Especial do Mês”.
A “Seleção Especial do Mês”, ao contrário da “Seleção do Mês”, não é de envio automático, mas somente
sob pedido. Peça antes do dia 10 para recebê-la juntamente com seu vinho.
˜
´
PROXIMAS SELEÇOES
A
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Você indica.
A gente explica.
Ele se associa.
Você ganha.
Simples assim!
Traga um novo associado para a
Sociedade da Mesa e receba duas taças Borgonha
com a próxima entrega.
São taças de cristal perfeitas para os melhores
momentos com os grandes amigos.
Os dados de seu amigo
podem ser enviados ao mail
[email protected],
site ou podem ser fornecidos
pelo telefone 0800-7740303.
Nos envie seu nome completo com
telefone particular e comercial.
Promoção válida apenas em caso da associação de seu amigo.
Sociedade
da Mesa
Amigo é pra essas coisas!