IV ENCIC IV ENCIC V ENCIC

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IV ENCIC IV ENCIC V ENCIC
IV ENCIC
Encontro Nacional Claretiano
de Iniciação Científica
Edley Reis de Oliveira
Centro Universitário Claretiano
Licenciatura em História
POLO BELO HORIZONTE – COLÉGIO DOM CABRAL
22 DE AGOSTO DE 2011
GUERNICA - O Fascínio de Interpretar uma Obra de Arte Quando Ela Mesma Já Possui Vários Significados
Sumário
Introdução ..............................................................................................................03
Banner Guernica................................................................................................... 03
Vídeo1 – Vaca Profana – Caetano Veloso ........................................................... 04
Vídeo 2 – Goodbye Blue Sky - Pink Floyd.......................................................... 05
Desenvolvimento....................................................................................................05
Bombardeio em Guernica: Chuva de Fogo .......................................................... 06
Símbolo de Autonomia......................................................................................... 07
Roteiro Macabro................................................................................................... 07
Asas da Morte....................................................................................................... 09
DORNIER DO-17 E................................................................................... 09
FIAT CR-32 BIS ........................................................................................ 10
HEINKEL HE-51 B1 ................................................................................. 10
HEINKEL HE-111 B ................................................................................. 11
JUNKERS JU-52/3M ................................................................................. 11
MESSERSCHMITT BF-109 B .................................................................. 12
SAVOIA-MARCHETTI CM 79-I ............................................................. 13
Legionários Nazistas ............................................................................................ 14
Bascos sem Guernica............................................................................................ 14
Comunicado da Prefeitura de Guernica................................................................ 15
Como foi realmente a história em Guernica? ....................................................... 16
Panorama Histórico da Obra Guernica................................................................. 18
Uma Obra Sobre A Violência - GUERNICA de Pablo Picasso........................... 20
Análise Semântica – Julio Plazza ............................................................... 22
Personagens – Atitudes – Sentimentos
Análise Pragmática – Julio Plazza.............................................................. 22
Os símbolos no quadro Guernica
Curiosidades e Folclore ........................................................................................ 24
Conclusão...............................................................................................................25
Referências Bibliográficas .....................................................................................26
Anexos
Guernica e uma Tragédia Nova – João Paulo Cuenca
Proposta de Leitura e Produção de Textos – Ronaldo Martins
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GUERNICA - O Fascínio de Interpretar uma Obra de Arte Quando Ela Mesma Já Possui Vários Significados
Introdução
Neste IV ENCIC 2011 - Encontro Nacional Claretiano de Iniciação Científica, o banner abaixo será
nosso ponto de partida para sabermos e até entendermos melhor como foi desenvolvido o famoso quadro de
Pablo Picasso, além de termos uma noção sobre o bombardeio de Guernica e a própria Revolução Civil
Espanhola.
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GUERNICA - O Fascínio de Interpretar uma Obra de Arte Quando Ela Mesma Já Possui Vários Significados
Além do banner, teremos à disposição dos participantes do evento um Notebook mostrando o quadro
Guernica em 3D de Lena Gieseke, que pode ser assistido no YouTube através do link
http://www.youtube.com/watch?v=eKVCov-XFXw.
Também pode ser apresentada no evento a música Vaca Profana de Caetano Veloso, que parece ter
sido construída através de técnicas cubistas (colando os pedaços de coisas e formando arte ao final), além de
citar em sua letra um de seus criadores Pablo Picasso, cidades e outros artistas. Abaixo a letra da música e
Também,
pode
ser
assistido
no
YouTube
através
do
link
http://www.youtube.com/watch?v=MOXTfMQHutQ.
Vaca Profana
Caetano Veloso
Respeito muito minhas lágrimas
Mas ainda mais minha risada
Inscrevo, assim, minhas palavras
Na voz de uma mulher sagrada
Vaca profana, põe teus cornos
Pra fora e acima da manada
Vaca profana, põe teus cornos
Pra fora e acima da man...
Ê, ê, ê, ê, ê,
Dona das divinas tetas
Derrama o leite bom na minha cara
E o leite mau na cara dos caretas
Segue a "movida Madrileña"
Também te mata Barcelona
Napoli, Pino, Pi, Paus, Punks
Picassos movem-se por Londres
Bahia, onipresentemente
Rio e belíssimo horizonte
Bahia, onipresentemente
Rio e belíssimo horiz...
Ê, ê, ê, ê, ê,
Vaca de divinas tetas
La leche buena toda en mi garganta
La mala leche para los "puretas"
Quero que pinte um amor Bethânia
Stevie Wonder, andaluz
Como o que tive em Tel Aviv
Perto do mar, longe da cruz
Mas em composição cubista
Meu mundo Thelonius Monk`s blues
Licenciatura em História
Mas em composição cubista
Meu mundo Thelonius Monk`s...
Ê, ê, ê, ê, ê,
Vaca das divinas tetas
Teu bom só para o oco, minha falta
E o resto inunde as almas dos caretas
Sou tímido e espalhafatoso
Torre traçada por Gaudi
São Paulo é como o mundo todo
No mundo, um grande amor perdi
Caretas de Paris e New York
Sem mágoas, estamos aí
Caretas de Paris e New York
Sem mágoas estamos a...
Ê, ê, ê, ê, ê,
Dona das divinas tetas
Quero teu leite todo em minha alma
Nada de leite mau para os caretas
Mas eu também sei ser careta
De perto, ninguém é normal
Às vezes, segue em linha reta
A vida, que é "meu bem, meu mal"
No mais, as "ramblas" do planeta
"Orchta de chufa, si us plau"
No mais, as "ramblas" do planeta
"Orchta de chufa, si us...
Ê, ê, ê, ê, ê,
Deusa de assombrosas tetas
Gotas de leite bom na minha cara
Chuva do mesmo bom sobre os caretas...
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Não deixando “passar batido”, para talvez nos conscientizarmos com o malefício das guerras e todos
os problemas que ela nos traz, indicamos a música Goodbye Blue Sky do Pink Floyd.
Banda de rock britânica formada em Cambridge, Inglaterra, em 1965 onde em uma animação feita para o
Filme The Wall reflete os horrores da guerra. Também, pode ser assistido no YouTube através do link
http://www.youtube.com/watch?v=oEer5JnBd4s&feature=related.
Abaixo a música e sua tradução.
Goodbye Blue Sky
Pink Floyd
Goodbye Blue Sky
Did you see the frightened ones
Did you hear the falling bombs
Did you ever wonder
Why we had to run for shelter
When the promise of a brave new world
Unfurled beneath a clear blue sky
Oooooooo ooo ooooo oooh
Did you see the frightened ones
Did you hear the falling bombs
The flames are all long gone
But the pain lingers on
Goodbye blue sky
Goodbye blue sky
Goodbye
Goodbye
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Adeus Céu Azul
Você já viu os apavorados?
Você já ouviu as bombas caindo?
Você já se perguntou
Por que tivemos que correr em busca de abrigo
Quando a promessa de um admirável mundo novo
Desfralda sob um limpo céu azul?
Oooooooo ooo ooooo oooh
Você já viu os apavorados?
Você já ouviu as bombas caindo?
As chamas já estão todas muito distantes
Mas a dor persiste
Adeus céu azul
Adeus céu azul
Adeus
Adeus
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Desenvolvimento
Nosso trabalho consiste principalmente em mostrar como aconteceu o bombardeio na cidade
espanhola de Guernica e por fim a criação da maior e mais famosa obra de arte de Pablo Picasso.
Revelamos ainda, através de documentos publicados em jornais, as controvérsias sobre o bombardeio
e também sobre a própria obra de Picasso. Então vamos ao que interessa:
Bombardeio em Guernica: Chuva de fogo
Há 74 anos, a cidade basca de Guernica foi vítima do primeiro grande
bombardeio moderno. A destruição, orquestrada pelos Fascistas de Mussolini e
Nazistas de Hitler, serviu de ensaio para os horrores da Segunda Guerra Mundial
Tradicionalmente, a semana em Guernica começava com uma feira livre. Naquela segunda-feira, 26
de abril de 1937, agricultores dos arredores da pequena cidade basca vendiam os frutos de seu trabalho na
praça principal. Às 16h30, um único badalar do sino da igreja anunciou a incursão aérea. Dez minutos
depois, vieram as bombas. Guernica ficou arrasada – e o mundo foi apresentado ao poder dos ataques aéreos
sistemáticos, que se tornariam comuns poucos anos mais tarde, durante a Segunda Guerra Mundial.
Na época do bombardeio, a Espanha vivia a Guerra Civil. Após um fracassado golpe militar contra o
governo do socialista Francisco Largo Caballero, em 1936, as tropas do general Francisco Franco não
desistiram de tomar o poder.
Divididos, os espanhóis passaram a se enfrentar em diversos pontos do país.
Os combatentes leais ao governo de esquerda, chamados de republicanos, contavam com o apoio da
União Soviética. Já as forças de Franco, os nacionalistas, tiveram a ajuda da Itália fascista de Benito
Mussolini e da Alemanha nazista de Adolf Hitler.
Desde o início, Franco havia tentado conquistar Madri. Em abril de 1937, a capital ainda não havia
caído e o general decidiu optar por um alvo mais fácil: o norte espanhol. As regiões de Astúrias e Santander
e as províncias do País Basco estavam em péssima situação militar. Lá, a força aérea dos republicanos era
inexistente. Os céus estavam abertos para as bombas nacionalistas.
Guernica, no País Basco, era habitada por apenas 6 mil pessoas. Não possuía defesa, nem qualquer
alvo militar, salvo a ponte sobre o rio Mundaca, cuja destruição poderia dificultar uma retirada do exército
basco.
Apesar da insignificância estratégica da cidade, seu centro foi alvo do até então mais violento ataque
aéreo da história. Mas por quê? Nada de mais. Para os nazistas, foi apenas um teste.
Os protagonistas do ataque a Guernica foram aviadores alemães, com a ajuda – muitas vezes
desajeitada – de pilotos italianos. Hermann Goering, comandante da Luftwaffe (a força aérea alemã),
revelou em 1946, durante julgamento no Tribunal de Nuremberg, que Guernica foi um estupendo laboratório
para ensaiar sistemas de bombardeios com projéteis explosivos e incendiários em uma cidade aberta. O
resultado da mórbida experiência se tornou o episódio mais lembrado da Guerra Civil.
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Símbolo de Autonomia
Guernica não foi a primeira vítima da temida Legião Condor, a unidade militar enviada por Hitler à
Espanha. Embora com menos intensidade, as cidades de Durango e Éibar já haviam sido bombardeadas.
Mas, além de ter sido acertada com mais violência, Guernica tem uma enorme importância
simbólica para o povo basco, que vive no norte da Espanha e no sul da França. A destruição mexeu com os
brios desse milenar grupo étnico.
Na Idade Média, Guernica foi a vila onde se reuniam as Juntas
Gerais (espécie de conselho político) de Biscaia, região habitada pelos
bascos. Sob uma árvore do século 14, o Carvalho de Guernica
(Guernikako arbola), os monarcas espanhóis juravam lealdade aos
Foros Bascos e assim, aceitavam seu conjunto de leis que
regulamentavam os costumes e os direitos desse povo.
Isso mantinha vivo o respeito da Espanha pelos bascos.
A árvore durou 400 anos, a foto ao lado, mostra os restos desta árvore
que ainda hoje é referência para o povo de Guernica. Mas, tempos
depois, o governo espanhol resolveu deixar de respeitar os Foros
Bascos.
Na virada do século 20, o povo basco intensificou seu nacionalismo,
pregando até a separação da Espanha.
Em outubro de 1936, no início da Guerra Civil, o governo republicano fechou um acordo que dava
autonomia ao País Basco (que inclui, além de Biscaia, as províncias de Álava e Guipúzcoa).
Durante todo esse tempo, Guernica se manteve como uma referência para a região.
“Os alemães deviam estar cientes dessa importância, mas não acho que isso tenha sido determinante na
escolha de Guernica como alvo. Provavelmente a teriam atacado de qualquer jeito”, afirma Félix Luengo,
diretor do Departamento de História Contemporânea da Universidade do País Basco.
O General Franco, no entanto, certamente enxergou em Guernica uma boa oportunidade de humilhar o
povo basco, visto como traidor da causa nacionalista. E, no dia do bombardeio, a cidade abrigava pelo
menos mil refugiados, vindos de localidades espanholas que já tinham sido atacadas pelo exército de Franco.
Roteiro Macabro
O planejamento do bombardeio é atribuído a Wolfram von Richthofen, então chefe
do Estado-Maior das Forças Armadas alemãs (e primo do Barão Vermelho, lendário
piloto da Primeira Guerra).
Tudo começou com um único Dornier Do-17, de fabricação alemã. Ele veio do sul e
soltou cerca de uma dúzia de bombas de 50 quilos no centro da cidade.
As pessoas que estavam na feira correram para abrigos, fazendas e bosques. Após
completar a missão, o Dornier voltou para a base. No percurso, cruzou com três
Savoia-79 italianos que chegaram a Guernica instantes depois.
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GUERNICA - O Fascínio de Interpretar uma Obra de Arte Quando Ela Mesma Já Possui Vários Significados
A patrulha sobrevoou a cidade por um minuto. Tempo suficiente para soltar 36 bombas de 50 quilos.
Quando se retiraram, os danos causados ainda eram relativamente pequenos. Apenas alguns prédios haviam
sido atingidos, como o quartel-general dos republicanos e a igreja de San Juan.
Às 16h45 começou a terceira onda de bombardeios, executada por um Heinkel-111 alemão escoltado por
cinco caças Fiat CR-32 italianos. Às 17h e às 18h, outros dois Heinkel despejaram sua carga explosiva
sobre Guernica. Caso os ataques tivessem parado por aí, já seria um castigo excessivo para uma cidade que,
até então, havia sido poupada da guerra. Mas o pior ainda estava por vir.
Três esquadrões de Junkers Ju-52 alemães, carregados com projéteis explosivos de até 250 quilos e bombas
incendiárias, chegaram a Guernica escoltados por caças Fiat e Messerschmitt Bf-109, o orgulho da aviação
nazista. Às 18h30, o primeiro esquadrão de Ju-52 iniciou sua ação. Enquanto a carga dos bombardeiros
destruía e incendiava os prédios de Guernica, os caças metralhavam civis indefesos que fugiam. Por cerca de
três horas, 40 aviões participaram do massacre.
Logo após a destruição de Guernica, George Steer, correspondente do jornal inglês The Times, notou que o
único alvo estratégico da cidade, a ponte sobre o rio Mundaca, ainda estava intacto. Steer percebeu que a
prioridade dos nazistas não tinha sido causar danos militares. “O objetivo do bombardeio parece ter sido
desmoralizar a população civil e destruir o berço da raça basca”, escreveu.
Na época, o número de mortos divulgado passava de 1600. Hoje em dia, é consenso que o número foi bem
menor. Um estudo do historiador espanhol Jesús Salas Larrazábal identificou nome e sobrenome de
apenas 120 mortos. “O número de vítimas fatais deve ter sido em torno de 200, mas desde o primeiro
momento foram difundidos dados exagerados do total de mortos. Isso multiplicou o impacto da notícia”, diz
o basco Félix Luengo.
O general Franco certamente não esperava que o ataque despertasse tamanha comoção na opinião pública
internacional. Correspondentes estrangeiros que cobriam a guerra na Espanha visitaram o local do
bombardeio na mesma noite e no começo da manhã seguinte. Em poucos dias, o mundo começou a ler nos
jornais a história do horror em Guernica. A indignação foi tamanha que franquistas e nazistas trataram de
negar a operação. Em 29 de abril, a imprensa favorável a Franco chegou ao cúmulo de dizer que a maior
parte dos danos a Guernica havia sido causada por incendiários bascos, para indignar a população e
aumentar o espírito de resistência.
A Guerra Civil acabou em 1939, com a vitória de Franco. Ele assumiu o poder e, como era de esperar,
suprimiu a autonomia dos bascos. Aliás, durante sua ditadura, dizer que Guernica tinha sido bombardeada
podia até dar cadeia. Em 1967, um jovem sacerdote da cidade de Navarra foi julgado em Madri pela
“calúnia” de ter escrito que Guernica havia sido destruída pela força aérea nacionalista.
Alguns estudiosos espanhóis, como Onésimo Diaz, professor de História da Universidade de Navarra, não
discutem a violência do ataque, mas acreditam que não foi isso que colocou Guernica na história. “Se não
fosse pelo quadro homônimo de Picasso, Guernica não teria tido mais repercussão que outras cidades
bombardeadas”, afirma. Poucos anos depois, o que acontecera naquele 26 de abril se tornaria tragicamente
comum. Em setembro de 1939, o mesmo Von Richthofen comandou o bombardeio nazista de Varsóvia, na
Polônia, no primeiro mês da Segunda Guerra. Durante o conflito, os dois lados usariam aviões para arrasar
cidades inteiras, matando dezenas de milhares de pessoas por vez. O fim da Segunda Guerra, aliás, só
chegaria em 1945, quando as japonesas Hiroshima e Nagasaki viraram pó sob bombas atômicas despejadas
por aviões americanos.
Após o bombardeio de Guernica, restou ao povo basco o consolo de ver que o carvalho plantado no século
19 não tinha sido atingido – foi salvo por estar longe do centro da cidade. Em 1979, quatro anos após a
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morte de Franco, a árvore ainda estava viva para acompanhar o tratado que devolveu a autonomia para o
País Basco.
O velho carvalho morreu após uma estiagem em 2003. Mas cedeu seu lugar à terceira árvore do mesmo tipo
– que, impávida, segue a celebrar a autonomia basca.
Asas da Morte
Conheça os aviões alemães e italianos que participaram do ataque a Guernica
DORNIER DO-17 E
Com sua fuselagem estreita, o bombardeiro era conhecido como “lápis voador”. Foi um deles que soltou as
primeiras bombas em Guernica. Serviu os nazistas nos três primeiros anos da Segunda Guerra.
Comprimento: 16,25 m
Envergadura: 18 m
Peso máximo: 7040 kg
Velocidade máxima: 355 km/h
Armamento: 4 metralhadoras de 7,9 mm
Carga de bombas: 750 kg
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FIAT CR-32 BIS
Caça responsável pela escolta dos Junkers em Guernica, foi tão bem-sucedido na Espanha que a Itália achou
desnecessário modernizar sua frota. Na Segunda Guerra, o CR-32 foi presa fácil para os caças ingleses.
Comprimento: 7,45 m
Envergadura: 9,5 m
Peso máximo: 1865 kg
Velocidade máxima: 341 km/h
Armamento: 4 metralhadoras (2 de 12,7 mm e 2 de 7,7 mm)
Carga de bombas: 100 kg
HEINKEL HE-51 B1
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Durante a Guerra Civil, esse caça alemão, usado para metralhar a população de Guernica, foi inferior aos
aviões russos dos republicanos. Por isso, não foi usado na Segunda Guerra.
Comprimento: 8,4 m
Envergadura: 11 m
Peso máximo: 1895 kg
Velocidade máxima: 330 km/h
Armamento: 2 metralhadoras de 7,9 mm
HEINKEL HE-111 B
O bombardeiro médio que atuou na terceira onda de ataques à vila basca foi uma das principais máquinas da
Luftwaffe no começo da Segunda Guerra. Destacou-se durante os ataques contra a Inglaterra, em 1940.
Comprimento: 16,4 m
Envergadura: 22,6 m
Peso máximo: 10000 kg
Velocidade máxima: 370 km/h
Armamento: 3 metralhadoras de 7,9 mm
Carga de bombas: 1500 kg
JUNKERS JU-52/3M
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A maior parte das bombas que destruíram Guernica saiu de Junkers Ju-52. Mas, durante a Segunda Guerra,
ele foi empregado principalmente como avião de transporte e lançamento de pára-quedistas.
Comprimento: 18,9 m
Envergadura: 29,24 m
Peso máximo: 10500 kg
Velocidade máxima: 277 km/h
Armamento: 3 metralhadoras de 7,9 mm
Carga de bombas: 1500 kg
MESSERSCHMITT BF-109 B
Considerado por muitos como o maior caça de todos os tempos, combateu em todas as frentes da Segunda
Guerra, do início ao fim.
Em Guernica, seus pilotos metralharam os civis que fugiam das explosões.
Comprimento: 8,7 m
Envergadura: 9,9 m
Peso máximo: 2197 kg
Velocidade máxima: 465 km/h
Armamento: 2 ou 3 metralhadoras de 7,9 mm
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SAVOIA-MARCHETTI CM 79-I
A patrulha encarregada de destruir a ponte sobre o rio Mundaca era composta por esses bombardeiros
médios italianos, mas os pilotos erraram feio o alvo.
O Savoia 79 foi usado como bombardeiro e torpedeiro na Segunda Guerra.
Comprimento: 15,8 m
Envergadura: 21,2 m
Peso máximo: 10480 kg
Velocidade máxima: 430 km/h
Armamento: 4 metralhadoras (3 de 12,7 mm e 1 de 7,7 mm)
Carga de bombas: 1250 kg (ou 1 torpedo)
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Legionários Nazistas
Hitler enviou 16 mil homens à Espanha
A Guerra Civil Espanhola não poderia ter vindo em melhor momento para os alemães. Eles puderam
aperfeiçoar táticas e equipamentos que, pouco depois, seriam usados na Segunda Guerra Mundial. Entre os
16 mil homens enviados por Hitler durante todo o conflito, havia unidades do Exército e da Marinha, mas os
aviadores eram maioria. A força de intervenção, batizada de Legião Condor, foi decisiva para a vitória dos
nacionalistas do general Franco.
A Legião Condor foi oficialmente criada em novembro de 1936, mas os primeiros aviões alemães entraram
em ação antes disso. Em agosto, uma operação levou até Sevilha 14 mil soldados de Franco que haviam
ficado isolados no Marrocos – o feito ficou conhecido como a primeira “ponte aérea” da história militar.
Apesar de ter feito diversas missões de apoio a tropas terrestres, a Legião se destacou mesmo por seus
bombardeios. Enquanto teóricos militares da época debatiam a eficácia de ataques aéreos, os alemães
testavam isso na prática.
Bascos sem Guernica
Obra-prima de Picasso não foi liberada para o aniversário do bombardeio
O governo basco solicitou ao Ministério da Cultura da Espanha o empréstimo do quadro Guernica, de Pablo
Picasso. O objetivo era expô-lo no museu Guggenheim de Bilbao durante a cerimônia dos 70 anos do
bombardeio, completados em abril de 2007.
Assim que soube do pedido, a ministra espanhola da Cultura, Carmen Calvo, avisou que o quadro não sairia
do museu Reina Sofía, em Madri. “Eu não faço política com peças do patrimônio público espanhol”,
defendeu a ministra.
Revoltada, a porta-voz do governo basco, Miren Azkarate, afirmou não entender por que uma obra que já
viajara meio mundo não poderia fazer um curto traslado de ida e volta. No fim das contas, os bascos verão
apenas uma reprodução do quadro, exposta na praça dos Foros, em Guernica (a 30 quilômetros de Bilbao).
Guernica foi pintado ainda durante a Guerra Civil.
Em janeiro de 1937, o governo republicano pediu a Picasso que fizesse um quadro para decorar o pavilhão
espanhol da Exposição Internacional de Paris.
O objetivo era fazer propaganda contra a insurreição liderada por Franco. Comunista, o pintor espanhol
aceitou a tarefa. Só não sabia o que colocar na tela. Isso mudou no fim de abril, quando jornais franceses
publicaram fotos do que restara da vila basca.
Picasso, que morava em Paris, finalmente encontrou o tema para sua obra. Em 1º de maio, apenas cinco dias
após o ataque, ele fez os primeiros esboços.
Trabalhando de forma fervorosa, ele concluiu Guernica em 4 de junho. No dia 12 de julho, o painel de 3,49
m por 7,76 m foi exposto ao público. Hoje muitos o consideram a obra-prima de Picasso.
Por exigência do pintor, o quadro só pôde ser levado à Espanha após a morte de Franco.
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Comunicado da Prefeitura de Guernica
Em 4 de maio de 1939 a Prefeitura de Guernica, dirigindo-se ao povo espanhol, divulgou o
seguinte comunicado:
"Em pé, diante desde microfone, quero contar o que os meus olhos viram no lugar do que já
foi Guernica, e tomo Deus como testemunha: Envergonhados pelo monstruoso crime que
cometeram, os rebeldes apelam para a falsidade para camuflar, para negar a mais vil das
proezas da História, a total e absoluta destruição da cidade de Guernica.
Aquele dia fatal, 26 de abril, era dia de mercado e a cidade estava cheia de gente. Em
Guernica havia milhares de camponeses de toda a vizinhança, numa atmosfera de
camaradagem basca e ninguém suspeitava de que uma tragédia se aproximava.
Pouco depois das quatro da tarde, aviões jogaram nove bombas no centro da cidade.
Procurávamos os feridos, quando mais aviões surgiram, jogando todo tipo de bombas,
incendiárias e explosivas.
As feras que pilotavam tais aviões, logo que avistavam nas ruas ou fora da cidade uma figura
humana, focalizavam nela suas metralhadoras, semeando terror e morte, entre mulheres,
crianças e velhos.
Tal foi a tragédia de Guernica, cuja verdade, eu, prefeito da cidade, afirmo diante do mundo
inteiro.
A Milícia estacionada em Guernica, naquele dia, era exatamente a mesma que havia
confraternizado todos esses meses com o povo de Guernica, ganhando sua afeição. Foi a
primeira a prestar auxílio naqueles momentos terríveis.
Não foi nossa milícia que ateou fogo a Guernica, e se o juramento de um alcaide cristão e
basco tem algum valor, juro diante de Deus e da História que aviões alemães bombardearam
cruelmente nossa cidade até riscá-la do mapa.
Guernica foi ferida, mas não morrerá.
Da árvore brotarão novas folhas verdes em toda primavera; seus filhos a ela retornarão; suas
casas serão reconstruídas, suas igrejas escutarão novamente seus hinos e preces... Guernica,
o símbolo de nossas liberdades nacionais, e o símbolo da ferocidade do fascismo
internacional, não pode morrer."
Fonte: História do Século 20, volume 4 - Abril Cultural
Licenciatura em História
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Como foi realmente a história em Guernica?
A velha história da destruição da histórica cidade basca pela aviação nazi-fascista, como simples “treino” de
bombardeio, vem sendo repetida monotonamente há mais de 60 anos.
Mesmo com todas as evidências contrárias trazidas à tona através das inúmeras pesquisas e da abertura de
diversos arquivos que vinham sendo mantidos secretos em diversos países, a mídia internacional repete a
mesma versão, no evidente intuito de transformar uma mentira em verdade absoluta e imutável.
Senão, vejamos: a farsa de Guernica começa já com a “obra-prima” de mesmo nome, de autoria de Pablo
Picasso. Conforme o historiador inglês David Irving, em sua obra Hermann Goering, a Biography,
(MacMillan, NY, 1989, p. 178), o famosíssimo quadro “Guernica” já estava pintado muito tempo antes da
explosão da dita cidade: tendo como tema uma tourada, onde o toureiro foi vencido pelo touro…
Foi rebatizado após 26 de abril de 1937, para adaptar-se às exigências político-ideológicas de seus amigos
marxistas da imprensa internacional.
A partir daí iniciou sua carreira desenfreada para chegar até nossos dias como “a maior obra de arte do
Século XX”
A farsa continua com a história do “bombardeio” da cidade.
O historiador judeu-americano Raymond Proctor, em sua obra Hitler’s Luftwaffe in the Spanish Civil
War, (Greenwood Publishers, NY, 1991) chega à seguinte conclusão, referindo-se às investigações
posteriores sobre aqueles acontecimentos:
“Afirma-se sempre que os aviões nacionalistas (Legião Condor, da força aérea alemã, juntamente com
formações de caças Fiat CR-37 enviados por Mussolini) teriam bombardeado a cidade. Mas o que realmente
aconteceu é que esta foi vítima das explosões e do fogo provocados pelos vermelhos (‘Reds’, em inglês –
comunistas das Brigadas Internacionais, os chamados Republicanos) sendo reduzida como que a uma
montanha de escombros”.
As investigações do Proctor, a partir das próprias fontes republicanas, e suas entrevistas com sobreviventes
da destruição, revelam que Guenica estava sendo utilizada pelos comunistas como depósito de armamento e
munições.
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Com a rápida aproximação das forças terrestres nacionalistas do General Franco, os comunistas, sem
condições de manter suas posições na cidade, incendiaram-na e fizeram ir pelos ares os depósitos de
munições, sem a mínima consideração com a população civil daquela cidade basca.
Centenas – no mínimo – de civis, homens, mulheres e crianças, fugiram apavorados em todas as direções e
muitos foram violentamente atingidos pelas detonações.
Através dos serviços telegráficos, o comissário marxista de Guernica enviou para a United Press
International fotografias de numerosos cadáveres como prova documental de “horrendas atrocidades
fascistas” exercidas contra inocentes populações indefesas.
Os jornalistas estrangeiros a serviço da imprensa sionista/esquerdista internacional aceitaram agradecidos e
sem pestanejar a versão comunista, iniciando a longa jornada de falsidades e mentiras sobre Guernica e que
perdura – apesar de todas as provas em contrário – até os dias de hoje, ilustrada e reforçada pela impostura
“artística” de Picasso.
Paradoxalmente, hoje, as “provas” das aludidas atrocidades fascistas em Guernica resumem-se quase que
exclusivamente ao horrendo quadro do conhecidíssimo “pintor” espanhol…
Na citada obra, Proctor acrescenta mais alguns dados que reforçam essas revelações: “O único motivo do
envolvimento de Hitler (na Guerra Civil Espanhola) foi o receio de que os soviéticos viessem a
estabelecer uma base segura na Europa Ocidental. (…) Hitler pessoal e diretamente manteve a mais
severa pressão sobre a sua Força Aérea na Espanha, proibindo terminantemente qualquer ação que
violasse a Lei internacional”.
Entretanto, as forças marxistas prosseguiam com os bombardeios de hospitais, torturavam e massacravam
prisioneiros em nome de sua ideologia política. Atacavam conventos, como em San Sebastian onde mais de
oitenta freiras foram brutalmente seviciadas e assassinadas a tiros, ou agrediam com grande eficiência os
refugiados, sem que a imprensa internacional emitisse o menor protesto.
Mas nos dias que se seguiram a 26 de abril – e até os dias de hoje! – essa mesma imprensa tocou as
trombetas ao redor do mundo acusando a Força Aérea Alemã de um monstruoso ataque terrorista contra a
indefesa cidade de Guernica.
Era um preparativo da opinião pública mundial feito pelo sionismo internacional através da sua guerra – que
já vinha sendo preparada há muito tempo – contra o “totalitarismo sanguinário nazi-fascista”.
Um exemplo clássico desse preparativo foi que durante o “Julgamento” de Nuremberg, uma das acusações
lançadas contra o comandante da Força Aérea alemã, Hermann Goering, foi exatamente a sua alegada ordem
para o bombardeio de Guernica.
Apesar de todos os esforços da acusação, segundo o mesmo Proctor, não conseguiram seu intento pois o
“tribunal” estava de posse do diário do Ministério da Aeronáutica alemão – considerado por eles mesmos
como extremamente minucioso e completo – e não havia nenhuma menção à cidade.
Mas, infelizmente, ao longo dos tempos, para determinados tipos de “juizes”, assim como para determinada
“História”, não são os fatos que importam, mas tão somente a versão.
Boletim-EP/Esclarecimento ao País nº 20– ABR / 99
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GUERNICA - O Fascínio de Interpretar uma Obra de Arte Quando Ela Mesma Já Possui Vários Significados
Panorama Histórico da Obra Guernica
A obra Guernica de Pablo Picasso tem como tema o bombardeio à cidade basca de Guernica, no dia 26 de
abril de 1937, que culminou com a morte de 1.654 pessoas e 889 feridos.
Pode-se dizer que a tragédia de Guernica começou em julho de 1936, quando o exército, liderado pelo
General Franco, se revoltou contra o governo da II República Espanhola, dando origem à guerra civil
espanhola, que terminou em 1º de abril de 1939 com a vitória dos revoltosos.
Ainda em julho, mais precisamente na noite do dia 25, Hitler decidiu apoiar o General Franco.
O apoio de Hitler a Franco ocorreu por dois motivos básicos:
Primeiro
Porque os nazistas não precisariam investir muito neste apoio.
O que Franco queria era apenas alguns aviões e armas;
Segundo
O mais significativo para Hitler, é que, se Franco conseguisse conter o comunismo na Espanha,
desestimularia também as tentativas de se implantar o bolchevismo ou sovietismo na França.
Cerca de um mês depois, chegou à Espanha a Legião Condor, composta por oito esquadrões, sendo quatro
de bombardeiros e quatro de combate.
O acordo firmado com Hitler dava grandes poderes aos nazistas, que eram subordinados apenas a Franco.
Desde o início, o conflito baseou-se na ocupação de Madri, que, de imediato, foi ocupada pelas tropas de
Franco. Os revoltosos dominaram ainda a região da Andaluzia, ocupando Mérida e Badajoz. Os
republicanos, por sua vez, ocuparam a fronteira com a França.
Em março de 1937, ao término da batalha de Guadalajara, os Republicanos ocuparam a região de Madri.
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Em contrapartida os revoltosos, com apoio da aviação Alemã, Legião Condor, tomaram Bilbao, Santander e
Gijón. Em julho de 1938, os Revoltosos venceram a batalha do Ebro, o que possibilitou a sua chegada à
Catalunha. Entre fevereiro e março de 39 os Revoltosos lançaram sua ofensiva final e, a 28 de março, as
tropas de Franco entraram em Madri, encerrando-se assim a guerra civil espanhola.
Os primeiros ataques dos nazistas foram alvos importantes situados em Bilbao.
Com a perda de Madri, os revoltosos necessitavam abalar, de alguma forma, os Republicanos. Para isso,
adotaram a estratégia de bombardear, ininterruptamente, um alvo qualquer com bombas de fragmentação e
incendiárias.
O alvo escolhido, muito provavelmente por Franco, foi à cidade de Guernica. Essa escolha deve-se aos
seguintes motivos:
Guernica não tinha população numerosa e nem proteção antiaérea, ou seja, a cidade era um alvo fácil;
A cidade abrigava um velho carvalho (Guernikako arbola). Sob o qual, desde os tempos medievais os
monarcas espanhóis juravam respeitar as leis e costumes dos bascos.
Destruir a cidade seria uma espécie de castigo a todos os que imaginavam uma Espanha federalista ou
descentralizada.
Destruir Guernica significava também abalar, moralmente, os adversários.
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Uma Obra Sobre A Violência
GUERNICA de Pablo Picasso
Observação:
Enquanto isso acontece, em um notebook ou projetor, vai-se passando o quadro em 3D, um vídeo
desenvolvido pela artista americana Lena Gieseke, que pode ser assistido pelo youtube.
Nesse enorme quadro Picasso utilizou apenas o preto e o branco e alguns tons de cinza, criando detalhes que
impressionam o observador, vamos analisar o quadro em pedaços:
Além das pessoas mortas no chão,
Uma mulher segura uma criança e olha para cima como que procurando identificar de onde vem as bombas;
Uma pessoa parece gritar em desespero;
Um cavalo com o corpo contorcido parece relinchar.
Não vemos as bombas;
Apenas um clarão ao fundo.
Mas
reconhece-se
a
violência
da
cena:
um
bombardeio
sobre
uma
cidade
desprotegida.
"É um quadro profundamente expressivo e um sentimento de luto percorre esta obra dorida pintada a preto,
branco e cinzento.
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GUERNICA - O Fascínio de Interpretar uma Obra de Arte Quando Ela Mesma Já Possui Vários Significados
A sua composição apresenta três planos significativos
À esquerda, o touro e a mulher com a criança morta nos braços;
Ao centro, o cavalo e a mulher que transporta a lâmpada;
À direita, o incêndio e a mulher que grita.
O guerreiro morto no solo ocupa a parte inferior da metade direita.
A sensação de tragédia, de dilaceramento e de destruição é chocante.
Para exprimir o horror de uma destruição insuportável, Picasso parece reduzir seres humanos e animais a
gritos.
A postura das mãos, os braços estirados, as bocas abertas e os olhos esbugalhados expressam o horror da
morte.
Vemos lâmpadas, mas elas não proporcionam qualquer claridade.
A decomposição e a fragmentação dos corpos sugere dilaceração e sofrimento.
A cor, como já dissemos, é triste.
A atmosfera é de pessimismo e interrogamo-nos sobre o sentido simbólico dos elementos luminosos que
aparecem.
Uma réstia de esperança na vitória das forças republicanas...
Note-se ainda a quase total ausência de volume, que sugere a idéia de que a vida e a liberdade foram
esmagadas.
Guernica é um libelo contra a guerra - contra a crueldade desnecessária - e traduz dramaticamente o
compromisso político do artista.
O painel foi produzido em 1937 (em Paris), uma tela pintada a óleo, normalmente tratada como
representativa do bombardeio sofrido pela cidade espanhola de Guernica em 26 de abril de 1937 por aviões
alemães, apoiando o ditador Francisco Franco.
Uma interpretação possível (talvez a mais corrente) deste painel é que ele representa a atrocidade das vidas
estilhaças, corpos revirados do avesso e produz um grande assombro também pelas suas dimensões: é um
painel imenso, pintado a óleo, que mede 350 por 782 cm.
A obra de Picasso é um grito contra a violência.
A pintura foi feita com o uso das cores preto e branco - algo que demonstrava o sentimento de repúdio do
artista ao bombardeio da cidadezinha espanhola. Claramente em estilo cubista, Picasso retrata pessoas,
animais e edifícios nascidos pelo intenso bombardeio da força aérea alemã (Luftwaffe), já sob o controle de
Hitler, aliado de Francisco Franco.
Morando em Paris, o artista soube dos fatos desumanos e brutais através de jornais - e daí supõe-se tenha
saído a inspiração para a retratação monocromática do fato.
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Sua composição retrata as figuras ao estilo dos frisos dos templos gregos, através de um enquadramento
triangular das mesmas. O posicionamento diagonal da cabeça feminina, olhando para a esquerda, remete o
observador a dirigir também seu olhar da direita para a esquerda, até o lampião trazido ainda aceso sobre um
braço decepado e, finalmente, à representação de uma bomba explodindo.
Diz - se que na parte central (inferior direito) do quadro, a pelagem do cavalo mutilado é retratada com
pequenos traços verticais. Picasso teria começado a fazê-las, mas quem as terminou teria sido sua esposa,
pois o artista teria dito que davam muito trabalho.
ANÁLISE SEMÂNTICA:
(Julio Plaza)
PERSONAGENS
Touro
Mãe
Menino
Guerreiro
Ave
Cavalo
Portadora de Luz
Fugitiva
Mulher que cai
ATITUDES
Erguida à esquerda para frente
Erguida para cima
Para baixo
Horizontal, para o alto
Para cima
Erguida, para a esquerda
Para a esquerda
Diagonal para a esquerda e acima
Para cima e abaixo em diagonal
SENTIMENTOS
Valor, Orgulho
Estabilidade
Lamento, Súplica
Morte
Destruição
Lamentação, Ascensão
Agonia
Ingenuidade, Busca
Ansiedade, Busca, Pânico, Súplica
São estas as nove personagens com suas correspondentes atitudes, sentimentos e qualidades representadas
que correspondem ao interpretante imediato que é o produtor de sentido.
ANÁLISE PRAGMÁTICA
(Julio Plaza)
O símbolo em Guernica:
Guernica:
Símbolo do conflito antagônico Vida/Morte caracterizado pelo cromatismo contrastado que estabelece
sistemas binários de oposição: branco e preto, vida e morte, bem e mal, deus e demônio, vitória e derrota,
racional e irracional e caos e ordem.
Touro:
Fortaleza, verticalidade, orgulho, símbolo mítico do homem touro = minotauro. Aliás, símbolo do próprio
artista. O touro é símbolo totem do telúrio, da península ibérica. Metáfora do instinto animal, da energia e da
vida. Em termos “junguianos” representa o inconsciente, irracional a libido.
Diversos autores vêm neste touro uma imagem simbólica e metafórica do povo espanhol.
Ave:
Metáfora da paz.
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Cavalo:
Metáfora do instinto animal, do telúrico, da vida, do tempo. Em termos junguianos aparece como um
componente animal do homem, o inconsciente, a libido, do fogo/luz.
Autores identificam este cavalo como simbolizando as forças nacionalistas fascistas.
Luz 1:
Há na pintura dois tipos de luz. Uma lâmpada que parece observar a cena de forma omniscente, como
consciência sem consciência que observa a cena. Aparece aqui como símbolo do Olho de Deus, como luz
irradiante que observa a cena como testemunha muda. Pode-se dizer que simboliza a verdade da história.
Metáfora do sol, do divino, da verdade.
Luz 2:
Luz do candil que parece simbolizar a "iluminação" enquanto inteligência, vida, liberdade, procura de
instauração da ordem no caos, metáfora da energia física e espiritual.
Fogo Luz:
Par semântico antagônico: iluminação destruição.
Triangulo:
Serve de base para a composição. Pode ser identificado como símbolo de morte pelo seu caráter estático,
acentuado ainda pela estátua destruída do guerreiro.
Guerreiro:
Roto, fragmentado, metáfora da derrota militar e da história.
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Curiosidades e Folclore
Conta-se que, em 1940, com Paris ocupada pelos nazistas, um oficial alemão, diante de uma fotografia
reproduzindo o painel, perguntou a Picasso se havia sido ele quem tinha feito aquilo. O pintor, então, teria
respondido: "Não, foram vocês! Eu só pintei".
Na parte central (inferior direito) do quadro, a pelagem do cavalo mutilado é retratada com pequenos traços
verticais. Picasso teria começado a fazê-las, mas quem as terminou teria sido sua esposa, pois o artista teria
dito que davam muito trabalho.
Esteve exposto no Casón Del Buen Retiro antes de ir para o Centro de Arte Moderna Reina Sofia.
O quadro, transferido para Nova Iorque durante a Segunda Guerra Mundial, recebeu do pintor a ordem de
que apenas quando a Espanha natal fosse um país democrático poderia para lá ser transladada. Ficou sob a
guarda do Museu de Arte Moderna de Nova York - MOMA. Isso ocorreu apenas a 9 de setembro de 1981,
sendo Guernica retirada do MOMA rumo a Madrid. Tinha chegado ao final a peregrinação da obra a que
chamavam os espanhóis de "el último exiliado".
Em janeiro de 1973 e com o título The Great Guernica Fraud, o professor Jeffrey Hart do Dartmouth
College, publicou no National Review um estudo onde sustenta a tese de que bombardeio de Guernica não
ocorreu. O artigo foi reimpresso nos jornais Die Welt e Il Tempo. No último teve o título: "Revelações
sensacionais destroem um Mito".
Esteve exposto no Casón del Buen Retiro antes de ir para o Museu Reina Sofia em 1992.
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Conclusão
Através deste trabalho apresentado na IV ENCIC - Encontro Nacional Claretiano de Iniciação
Científica, destacamos que uma passagem histórica pode ser “maquiada” de acordo com o que a política
local, ou até mesmo o calor do momento convém.
Pode-se ter existido realmente o bombardeio, mas existem estudos que indicam o contrário...
O grandioso quadro de Pablo Picasso, pode realmente ter sido criado antes do bombardeio de
Guernica, mas isso não importa, ele traduz exatamente o que pensamos quando lemos sobre Guerras, quando
assistimos as desumanidades que os ditadores realizam, como é o caso de Muammar Abu Minyar alGaddafi, Saddam Hussein Abd al-Majid al-Tikriti e tantos outros.
Assim este impressionante quadro fica em nossa memória e esperamos que esse tipo de desrespeito
ao ser humano nunca mais seja ordenado...
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GUERNICA - O Fascínio de Interpretar uma Obra de Arte Quando Ela Mesma Já Possui Vários Significados
Referências Bibliográficas
The Spanish Civil War, Hugh Thomas, Simon & Schuster, 1994
La Destrucción de Guernica – Un Balance Sesenta Años Después, César Vidal, Espasa Calpe, 1997
http://guiadoestudante.abril.com.br/estudar/historia/bombardeio-guernica-chuva-fogo-435298.shtml
http://verdadehistorica.wordpress.com/ em 4 de agosto de 2011
Site do professor Ronaldo Martins
Wikipedia
Uol Escola
Discovery Channel Brasil
National Geographic Brasil
YouTube
Caetano Veloso Site Oficial
Pink Floyd Site oficial
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Anexos
Guernica e uma tragédia nova
João Paulo Cuenca - 10/3/2009
Blog de Anotações - O Globo Blogs
(na íntegra, com os comentários)
- Por favor, señor...
A guarda do museu se aproxima rapidamente e ordena que eu me levante do chão.
Na grande sala branca que guarda o gigantesco painel não há cadeiras ou bancos – não é permitido sentar-se
em frente à Guernica. Exige-se do espectador que se poste de pé. Em silêncio, respeitoso ao quadro pintado
para o pavilhão espanhol da exposição internacional de Paris do ano 37 do século passado.
Pablo Picasso estava sob o impacto da notícia do massacre de civis na pequena cidade basca de Guernica
pelos aviões da Legião Condor, força aérea alemã na Espanha sob o comando direto do General Franco.
Uma tonelada e trezentos quilos de bombas incendiaram a cidade, deixando mais de mil e seiscentos mortos.
Tanto já se escreveu sobre o quadro que é difícil não deixar que suas inúmeras leituras eclipsem a obra em
si. Tenho uma ponta de inveja do grupo de crianças de seis anos de idade que escuta da professora a seguinte
apresentação: “Esse é o quadro mais importante do museu. O senhor que o pintou se chamava Picasso e o
quadro se chama Guernica. Vamos ficar aqui um pouquinho vendo o quadro e já vamos embora.” Depois do
introdutório, ficam sentados, cochichando entre si, e eu pagaria tudo o que tenho no bolso para ter o olhar
deles sobre o que vêem.
Os setenta e cinco anos que nos separam da obra e da Guerra Civil Espanhola guardam uma guerra mundial
e dúzias de genocídios. No entanto, algo nesse quadro me faz pensar que a arte contemporânea possa ter
perdido a capacidade de traduzir a tragédia e o horror da guerra.
Guernica é um quadro que grita, monumento onde as lágrimas são flechas que os arregalados olhos cospem
– e com essas setas Picasso traça a geometria irregular e monstruosa da tragédia humana em escala industrial
como nenhum outro fez, antes ou depois. Guernica é uma obra atemporal, vestígio de um mundo onde a
violência ainda não havia se convertido em banalidade ou simplesmente abstração.
Para ver-se Guernica é preciso passar bolsas e casacos por uma máquina de raio-x, sintoma da doença do
nosso século. O quadro está no museu Reina Sofia, em Madrid, a duas centenas de metros da estação de
trem de Atocha, onde em 2004 um atentado da Al Qaeda matou 191 pessoas. Guernica, o quadro que grita,
fala também dessa tragédia, e sobrevive porque fala melhor do que qualquer obra que veio depois dele.
E o faz também porque o Picasso que pinta Guernica é um homem chocado. Com cinismo costurado aos
olhos, os artistas que hoje vivem parecem incapazes de atingir a mesma contundência em traduzir a desgraça
do nosso tempo.
E isso é outra tragédia - e isso é uma tragédia nova.
Comentários
Sandra Lúcia Ceccon Perazzo disse...
...Aqui estou emocionada não só pela sua escolha, das obras de Picasso, mas também por estar aqui o link da
escola, que fica em frente a minha casa, Rainha da Paz, onde estuda o meu filho-neto Matheus.
Obrigada sempre querida amiga!
Beijos carinhosos – Sanzinha – 19 de maio de 2009 23:12
Pedro Afonso ([email protected]) disse...
...Apesar do emocionante testemunho, esta obra é polêmica. A obra teve como título provisório " La Muerte
del Torero Joselito". Joselito era amigo de Picasso e morreu numa lídia, portanto, o quadro foi feito em
homenagem ao amigo Joselito. Foi pintado em Paris, portanto longe de qualquer fato da Espanha da época.
O próprio bombardeio de Guernica foi uma fraude. Em janeiro de 1973, e com o título "The Great Guernica
Fraud", o professor Jeffrey Hart do Dartmouth College, publicou no National Review um estudo onde
sustenta a tese de que bombardeio de Guernica não ocorreu.
O artigo foi reimpresso nos jornais "Die Welt" e "Il Tempo". No último teve o título: "Revelações
sensacionais destroem um Mito".
O longo crepúsculo da Espanha começou após a morte de Felipe II. Dois séculos depois, a invasão
napoleônica instilou no povo espanhol o vírus do liberalismo e deste nasceram o comunismo e o
anarquismo.
Os diques da resistência romperam-se em 1931. Nas eleições desse ano, os republicanos obtiveram maioria
nos conselhos das grandes cidades embora, no total, tivessem obtido apenas 5875 conselheiros municipais
contra 22150 monarquistas. Apesar dessa vitória, o rei Afonso XIII deserdou, renunciando ao trono.
Proclamou-se a república e o novo ministério era composto de maçons, socialistas, ateus e dois católicos
complacentes para dar ao governo um ar cristão e democrático. Para aquilatar o que era esse governo, basta
citar o ministro Alejandro Lerroux, do Partido Radical: "Jovens bárbaros de hoje! Invade e saqueai a
decadente civilização desta nação infeliz! Destrui seus templos, liquidai-lhe os deuses, rasgai os véus
de suas noviças e elevai-as à condição de mães! Lutai, matai, morrei! "
O ódio comunista foi crescendo. Nos quatro meses que precederam a guerra civil houve 160 igrejas
incendiadas, 270 assassinatos, 345 greves, 10 jornais empastelados.
A guerra civil começou com o caráter de cruzada. Na zona ocupada pelos comunistas e anarquistas correu
abundante o sangue dos mártires. Sangue que fez mais para a salvação da Espanha do que as armas.
"Em tempo algum no curso da história da Europa, Talvez mesmo de todo o mundo, viu-se um ódio tão
apaixonado à religião e suas obras", são palavras de Hugh Thomas, insuspeito autor da obra A guerra civil
espanhola (Ed. Civilização Brasileira, 2vol. 1964).
Cinqüenta anos se passaram e com eles muita coisa se esqueceu. Novos crimes, novos ultrajes, novos
martírios e sacrilégios praticaram os comunistas em muitas outras terras.
Faltava ainda um crime: o da dissimulação.
É o seu crime de hoje. E muitos enganados pelas táticas marxistas, afirmam que é preciso dialogar com os
que negam toda verdade, todo direito e toda justiça.
Hoje os assassinos se apresentam como interlocutores pacíficos, honestos, bem intencionados. Propõe
diálogos e acordos.
É a hora de Iscariotes e de Caim.
É hora do Príncipe deste mundo.
Era noite na Espanha.
Saudações – 19 de julho de 2009 07:23
PROPOSTA DE LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS
Ronaldo Martins (http://www.ronaldomartins.pro.br)
DESCRIÇÃO
Você já deve ter ouvido falar em Guernica, o célebre painel de Pablo Picasso. O quadro é considerado um
monumento da arte contemporânea, e um manifesto contra a guerra e a violência. O seu efeito deriva, em grande parte, do
momento histórico que o pintor procura retratar: o bombardeio da cidade de Guernica, em 1937, pela força aérea alemã. A
cidade tinha 7.000 habitantes, dos quais morreram 1.654 (quase 24% da população) e saíram seriamente feridos outros
889. Quase todos eram civis. A dor dos que sobreviveram e os escombros do ataque estão magnificamente representados
no painel de Picasso, que não impensadamente escolheu, para representar o horror, tons de preto, de cinza e de branco.
Observe atentamente o quadro. Você tem uma reprodução bastante grosseira do original: uma versão fotocopiada,
reduzida, embaçada. Mas as personagens do drama estão todas aí: a lâmpada, o cavalo, a mãe com o filho morto ao colo.
É uma imagem. É uma experiência que toca antes os olhos. Não há palavra no painel de Picasso, e no entanto observe o
quanto o quadro "diz". Mas perceba também que esse "dizer" faz uso de estratégias bastante específicas, que dizem
respeito apenas ao mundo das imagens, e que são inevitavelmente perdidas quando passamos do visual para o verbal,
para a linguagem.
Imagine agora que você tem um grande amigo, e que esse amigo é cego. Vocês estão passeando por Madrid, e
param em frente ao Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia. É um antigo hospital, transformado em museu. O seu
amigo confessa que gostaria de conhecer o museu. Você fica um pouco constrangido  é um museu de artes "visuais", o
que um cego poderia "ver" ali? O seu amigo insiste, e vocês decidem entrar. Depois de percorrer algumas salas, você se
depara com o painel de Pablo Picasso. O seu amigo também o conhece, de nome. Ele pede que você conte como o
quadro é, que você o descreva. Ele exige detalhes, impressões. Quer sentir exatamente o que você sente diante do painel.
Você tem os olhos; ele tem apenas os ouvidos. É uma tarefa complicada, mas você não tem alternativa. Você gagueja, não
sabe por onde começar. O quadro é confuso. Você pede um tempo para digerir a obra, ler um pouco a respeito, dominar
essa explosão de impressões visuais. E promete escrever um texto sobre o quadro, um texto que você lerá para o amigo
cego, um texto que cumpra exatamente a função de reproduzir, em palavras, o que no quadro acontece por imagens. Este
exercício de produção é esse texto.
Algumas dicas:
1) Dê ao texto um título;
2) Faça efetivamente um texto, um todo, uma unidade. O quadro é assim: intrincado, mas único. Não faça do seu texto uma
colagem ou uma justaposição de elementos do quadro. Procure desenvolver, no texto, a idéia de conjunto.
3) Procure educar os seus olhos. Veja não apenas o painel, mas a história, a sociedade, o pintor por trás do painel. Mas
cuidado: não veja apenas a história, a sociedade e o pintor por trás do painel; veja, principalmente, o painel.
4) Segue, em anexo, uma coletânea de textos sobre Picasso e sobre Guernica. São textos de jornais, de enciclopédias e
de crítica de arte. Adquira esse hábito: antes de escrever, leia tudo o que você conseguir encontrar sobre o assunto. Mas
NÃO COPIE. Plágio é crime. Retome os textos lidos com suas próprias palavras (ou, se for mesmo indispensável, faça uso
das aspas).
PROPOSTA DE LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS
Ronaldo Martins (http://www.ronaldomartins.pro.br)
Guernica
Thomas, Hugh, A Guerra Civil Espanhola.
In: Século XX, p. 1758
O início da participação nazista na Guerra Civil Espanhola se deu em Guernica, capital da província basca. Essa
pequena cidade sempre fora considerada o berço da liberdade, onde reis espanhóis ou seus representantes juravam
respeitar os direitos do povo basco.
"No dia 26 de abril de 1937, uma segunda- feira (dia de feira, como era costume em Guernica), as 4h40 da tarde
começaram a surgir os Heinkel III, bombardeando a cidade e metralhando as ruas. Depois dos Heinkels vieram os Junkers
52, os velhos espectros da Guerra Espanhola. A população começou a abandonar a cidade, sendo metralhada na fuga.
Bombas incendiárias (pesando até quatrocentos e cinquenta quilos) e outros explosivos foram lançados por vagas de
aviões a cada vinte minutos até as 7h45. A destruição foi total."
Nações ultrapassam convenções territoriais
CINILIA T. GISONDI OMAKI
MARIA ODETTE BRANCATELLI
Folha de S. Paulo, 13/11/97
O sentimento nacionalista de minorias continua acima das convenções político-territoriais dos Estados.
Os bascos sempre defenderam sua independência, resistindo à incorporação pela Espanha e França. Durante a
Guerra Civil Espanhola (1936-39), o bombardeio alemão à Guernica, "berço da liberdade" basca, deu força ao franquismo,
minando a resistência nacionalista.
A ditadura de Franco (39-75) reprimiu as manifestações autônomas regionais e a cultura basca. Nasceu, então, a
ETA (Euskadi Ta Askatasuna - País Basco e Liberdade), inicialmente para manter os valores e costumes dessa minoria.
Nos anos 60, passou à ação armada.
Com a redemocratização, foi concedida autonomia política e cultural às províncias bascas, aquém do esperado. A
facção extremista da ETA intensificou o terrorismo, mas hoje o povo basco vem rejeitando a violência, querendo uma
solução pacífica para a autodeterminação.
Picasso, Pablo
http://cf3.uol.com.br:8000/enciclop/
(Pablo Ruiz y Picasso, 1881-1973), pintor espanhol naturalizado francês. Considerado por muitos o maior artista
do século 20, era também escultor, artista gráfico e ceramista. Pintor precoce, após a sua melancólica 'fase azul' e a lírica
'fase rosa' (1901-6), Picasso foi influenciado pelas artes africana e primitiva, como ilustra Les Demoiselles d'Avignon
(1907). Junto com Georges Braque, criou o cubismo (1907-14), cujos princípios já estavam presentes em Demoiselles.
Entre seus amigos dessa época estavam o crítico e poeta Apollinaire, o empresário de balé Diaghilev (para quem executou
cenários) e a escritora expatriada Gertrude Stein, que exercia grande influência sobre os artistas modernos. Em 1921,
pintou o quadro cubista Três Músicos e o clássico Três Mulheres junto à Fonte. Nos anos 30, adotou o surrealismo,
usando-o para despertar o horror à guerra na tela Guernica (1937). Seus últimos trabalhos empregavam tanto formas
cubistas quanto surrealistas, e podiam ter um caráter de beleza, ternura ou grotesco. Sua produção é enorme e quase no
fim da vida produziu uma brilhante série de gravuras. (c) Webster
surrealismo
http://cf3.uol.com.br:8000/enciclop/
Movimento artístico e literário iniciado na França, na década de 20, que causou rica e variada influência na cultura
ocidental. Tinha como característica o fascínio por temas e sentimentos bizarros, incongruentes e irracionais. Apresentou
muitas facetas, mas seu principal objetivo era o de tentar liberar as forças criativas do inconsciente, vencendo o domínio da
razão. André Breton, principal fundador e teórico do surrealismo, disse que sua meta era "solucionar as contradições
existentes entre sonho e realidade, transformando-as em realidade absoluta, uma super-realidade".
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Ronaldo Martins (http://www.ronaldomartins.pro.br)
Pablo Picasso
Pablo Picasso, o artista mais famoso e também o mais versátil do século 20, nasceu em Málaga, no sul da
Espanha, em 25 de outubro de 1881. O pai era professor de desenho, portanto o óbvio talento de Picasso foi reconhecido
desde cedo e, aos quinze anos, tinha já o seu próprio ateliê.
Após um falso início como estudante de arte em Madri e um período de Boemia em Barcelona, Picasso fez a sua
primeira viagem a Paris em outobro de 1900. A cidade continuava a ser a capital artística da Europa e foi lar permanente
do artista desde abril de 1904, quando ele se mudou para o prédio apelidado de Bateau-Lavoir (Barco-Lavanderia), em
Montmartre, a partir daí o novo centro da arte e da literatura vanguardista.
Durante este período, o trabalho de Picasso foi relativamente convencional, passando de uma Fase Azul
melancólica (1901-05) para a Fase Rosa, mais alegre e delicada (1905).
A mudança de estado de espírito pode ter se originado em parte pela sua ligação com Fernande Olivier, seu
primeiro grande amor. Na vida de Picasso, as mulheres e a arte estão inextricavelmente misturadas, o surgimento de uma
nova mulher freqüentemente sinalizava uma mudança de direção artística.
Embora os trabalhos de Picasso estivessem começando a ter sucesso comercialmente, ele decidiu abandonar
seu estilo "Rosa". Em 1907, inspirado pelas esculturas ibérica e africana, pintou Les Demoiselles d'Avignon, um dos
grandes trabalhos liberadores da arte moderna. Divertindo-se com uma nova liberdade pictórica, Picasso, junto com o
pintor francês Georges Braque, criou o Cubismo, em que o mundo visível era desconstruído em seus componentes
geométricos. Este foi comprovadamente o momento decisivo em que se estabeleceu um dogma fundamental da arte
moderna - o de que o trabalho do artista não é cópia nem ilustração do mundo real, mas um acréscimo novo e autônomo.
Graças ao Cubismo, a liberdade do artista estendeu-se também aos materiais, de foram que os meios tradicionais como a
pintura e a escultura puderam ser suplementados ou substituídos por objetos colados nas telas, ou "montagens" de itens
contruídos ou "achados".
Ao contrário de alguns contemporâneos seus, Picasso nunca chegou a criar uma arte puramente abstrata. De
fato, sua versatilidade o mantinha um salto adiante de seus dmiradores, muitos dos quais se surpreenderam quando ele
voltou a pintar figuras mais convencionais e depois, no início da década de 1920, desenvolveu um estilo neoclássico
monumental. Coincidentemente ou não, em 1918 se casara com a bailarina Olga Koklova, e adotara um estilo de vida
exageradamente próspero e respeitável - mas que ele achava cada vez mais aborrecido.
Em 1925, Picasso começou a pintar formas deformadas, violentamente expressivas, que eram em parte uma
resposta às suas dificuldades pessoais. A partir desta época, seus trabalhos se tornaram cada vez mais multiformes,
empregando - e inventando - uma variedade de estilos como nenhum outro artista havia tentado antes. Foi também um
escultor criativo (algumas autoridades o consideram o maior expoente da arte no século 20), e mais tarde dedicou-se à
cerâmica com grande entusiasmo. Em qualquer veículo que se expressasse, sempre foi imensamente prolífero, criando em
toda a sua vida milhares de obras.
No final da década de 1930, quando o impulso criativo de Picasso parecia finalmente estar enfraquecendo, os
acontecimentos o levaram a criar o seu quadro mais famoso: Guenica. Esta obra foi uma resposta aos horrores da Guerra
Civil Espanhola. o conflito começou em julho de 1936 com um golpe militar liderado pelo General Francisco Franco,
representando os elementos fascistas, tradicionalistas e clericais do país, contra a República Espanhola e seu governo
eleito da Frente Popular (centro-esquerda).
Ao estourar a guerra, Picasso imediatamente declarou seu apoio à República, levantando enormes quantias em
prol da causa e aceitando pintar um grande mural para o pavilhão espanhol na Exposição Internacional de 1937, em Paris.
Ainda não havia começado quando soube que, em 26 de abril de 1937, aviões nazistas, enviados por Hitler para ajudar
Franco, tinham bombardeado e arrasado a ciadade basca de Guernica. Picasso pôs-se imediatamente a trabalhar nos
esboços preliminares para Guernica e depois pintou a enorme tela em cerca de um mês (maio/junho de 1937). Ela foi a
expressão máxima não só do sofrimento espanhol como do impacto devastador dos armamentos modernos de guerra
sobre suas vítimas em todas as partes do mundo.
Apesar de tudo, os republicanos perderam a guerra civil, e Picasso ficou exilado da sua terra natal para oresto da
sua longa vida. Durante a segunda Guerra Mundial, ele ficou na Paris ocupada pelos alemães, proibido de expor mas sem
que ninguém o molestasse seriamente.
Depois da libertação de Paris, Picasso ingressou no Partido Comunista, e durante alguns anos certas obras suas
foram declaradamente políticas; mas ele era também uma celebridade internacional, residindo na região onde os ricos iam
se divertir no sul da França. Em seguida a uma série de ligações amorosas, ele finalmente casou-se pela segunda vez,
agora com Jacqueline Roque, em 1961 e levou uma vida cada vez mais retirada. Artisticamente prolífero até o fim da vida,
morreu aos 91 anos em 8 de abril de 1973.
Guernica
ou o manifesto político de P. Picasso
por Ângela Veríssimo
PROPOSTA DE LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS
Ronaldo Martins (http://www.ronaldomartins.pro.br)
Um dos quadros que melhor transmite todo o desespero advindo da guerra é o intemporal Guernica de Pablo
Picasso, fazendo plena justiça à expressão "uma imagem vale por mil palavras". No início de mais um ano, quase no fim do
milénio, aqui neste cantinho do Mundo Ocidental, é tempo de pensar no outro Mundo, cujos povos vivem em palco de
guerra, e para os quais nada resta senão esperar por dias de paz.
Picasso não tinha sido muito afectado pela I Guerra Mundial e só com a Guerra Civil Espanhola se interessou por
política, tornando-se vivamente solidário com os republicanos. As fotografias que aparecem na imprensa no ínicio de Maio
de 1937 relativas ao bombardeamento de Guernica (antiga capital do País Basco) em 36 de Abril tocam-no profundamente.
Passado pouco mais de um mês e após 45 estudos preliminares, sai do seu atelier de Paris o painél Guernica (3.50x7.82
m) para ser colocado na frontaria do pavilhão espanhol da Exposição de Paris de 1937 dedicada ao progresso e à paz.
Rapidamente o painél se transforma num objecto de protesto e denúncia contra a violência, a guerra e a barbárie:
"O quadro converte-se numa manifestação da cultura na luta política, ou melhor dizendo, no símbolo da cultura que se
opõe à violência: Picasso opõe a criação do artista à destruição da guerra"(1).
Donde vem a genial monumentalidade que faz de Guernica uma obra tão singular? Na minha opinião, o seu
poder advém da carga emotiva que possui. Efectivamente, o painél não representa o próprio acontecimento, o
bombardeamento de Guernica, mas "evoca, por uma série de poderosas imagens, a agonia da guerra total"(2), chegando a
constituir uma visão profética da desgraça da guerra que nos ameaça hoje e que nos ameaçará no próximo século que
segundo S. Huntington "se caracterizará por muitos conflitos de pequenas dimensões"(3), devido em grande parte à
existência, na actualidade, de mais de meia centena de estados fragéis e desintegrados. De facto, a destruição de
Guernica foi a primeira demonstração da técnica de bombardeamentos de saturação, mais tarde empregue na II Guerra.
Picasso já em fase pós-cubista, consegue aqui tornar o acto pictórico na narração objectiva da ideia que formou perante o
acontecimento e da emoção que sentiu. Com ele,"a pintura carrega consigo o seu património de experiências emocionais"
deixando de ser "um ideal abstracto de beleza formal ou de representação lírica da aparência vísivel"2. Citando o artista:
"Quando alguém deseja exprimir a guerra, pode achar que é mais elegante e literário representá-la por um arco e uma
flecha, que de facto, são estéticamente mais belos, mas quanto a mim (...) utilizaria uma metralhadora"(4).
Tecnicamente tudo em Guernica contribui para a transmissão de emoções avassaladoras a começar pelo uso da
técnica de "collage" de que Picasso e Braque tinham sido pioneiros em 1911-12 e que o primeiro aqui retoma, já não
"colando" objectos na superfície do quadro mas pintando como se fizesse colagens; com este Cubismo de Colagens cria-se
um conceito de espaço pictórico radicalmente novo não criado por nenhum artifício ilusionista mas pela sobreposição dos
"recortes" planos, neste caso especifíco em tons de preto e cinzento atravessados por claridades brancas e amareladas,
numa total ausência da cor, inexoravelmente evocativa da morte.
A par disso, Picasso recorre a formas dramáticas, violentas, a fragmentações e metamorfoses anatómicas que se
por um lado criam figuras que não aderem a nenhum modelo "real", por outro exprimem toda a realidade e agonia da dor
insuportável. A comprovar isso atente-se nas várias figuras que o pintor representa neste quadro que aparentemente livre,
obedece contudo a um rigoroso esquema em termos de construção (imagine-se a tela dividida em 4 rectângulos, com um
triângulo cujo vértice corresponde ao eixo vertical que a divide em duas partes iguais): a mãe chorando a morte do filho
(descendentes da Pietà...) e o ameaçador touro de cabeça humana, no 1º rectângulo, o "olho" luminoso do candeeiro que
derrama uma luz inóspita (no 2º), a mulher com a lâmpada na mão recordando-nos a Estátua da Liberdade (no 3º) e o
homem que em desespero levanta os braços ao céu (no 4º). Repare-se ainda no cadáver empunhando a espada partida
(um emblema da resistência heróica) e o cavalo ferido que aparecem no referido triângulo. O cavalo é à semelhança do
touro uma figura saída da mitologia espanhola; representa o povo que agoniza sob o jugo opressor do touro, símbolo da
brutalidade, das forças do mal.
Hoje, olhar para Guernica é partilhar o horror que Picasso sentiu há 59 anos perante as imagens da destruição da
povoação. Por isso, aqui vai um desejo para o novo ano: que em 1996 tratados como os de Dayton não fiquem pelo papel
e que haja sempre um pensamento na mente dos homens: GUERNICA NUNCA MAIS!
(1) in "Entender a Pintura", suplemento nº 2 da revista "Artes & Leilões", tradução de Margarida Viegas. (2) H. W. JANSON:
"História de Arte", 4ª Edição, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa 1989. (3) CARDOSO,José: "O Terror Supremo",
REVISTA do Expresso, 23 de Dezembro de 1995. (4) SECKLER, J.:"New Masses", 3 de Julho de 1945, citado em
"Entender a Pintura", suplemento nº 2 da revista "Artes & Leilões", tradução de Margarida Viegas.
''Guernica'' não vai à abertura
CELSO FIORAVANTE
Folha de S. Paulo, 18/09/97
O Guggenheim Bilbao surge com uma polêmica. O motivo é uma das mais emblemáticas pinturas deste século:
''Guernica'', de Picasso, que retratou os horrores da guerra ao representar o bombardeio da cidade espanhola homônima
em 1937 (1.654 mortos e 889 feridos entre seus 7.000 habitantes).
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O Guggenheim Bilbao pediu a obra para sua inauguração, mas o Museu Reína Sofia se negou a emprestá-la,
alegando suas precárias condições de conservação.
''Fizemos um dossiê assegurando as condições do quadro em seu transporte e exposição, mas ainda não
tivemos resposta. A presença de 'Guernica' na inauguração do museu está descartada, mas continuamos com a esperança
de que a obra seja exposta no museu em um futuro próprio'', disse o diretor Juan Ignacio Vidarte.
Quadro foi feito em 6 semanas
MARTA AVANCINI
Folha de S. Paulo, 02/08/97
Picasso levou seis semanas para pintar ''Guernica''. Em 1937, recebeu encomenda do governo espanhol para
realizar uma ''obra forte e de dimensões monumentais'' a ser exposta no pavilhão do país durante a Exposição
Internacional daquele ano.
Como não havia um tema determinado, Picasso enfrentava, na época, dificuldade para encontrar uma fonte de
inspiração.
Essa situação persistiu até o bombardeio da cidade de Guernica pela aviação alemã em abril de 37, na Guerra
Civil Espanhola.
O fato causou reações indignadas da comunidade internacional — já que os alvos teriam sido civis — e
polêmica, pois o então líder Francisco Franco chegou a negar existência do bombardeio.
Os nazistas alemães apoiavam Franco em sua luta pelo controle da Espanha. As notícias e fotografias do
bombardeio foram a matéria-prima do quadro, a mais conhecida obra de Picasso e uma das mais importantes do século 20.
Em branco, preto e cinza, ''Guernica'' retrata o horror e a destruição — e se tornou um símbolo da luta pela
liberdade.
Aos 60 anos, ''Guernica'' agoniza em Madri
MARTA AVANCINI
Folha de S. Paulo, 02/08/97
''Guernica'', o famoso quadro do pintor Pablo Picasso que retrata o bombardeio de uma cidade homônima na
Espanha, está ameaçado devido às suas precárias condições de conservação.
Essa é a conclusão de um relatório elaborado pelo Departamento de Conservação-Restauração do Museu
Nacional Rainha Sofia, em Madri (Espanha), onde o quadro está exposto desde 1992.
Em 70 páginas, o relatório, ao qual a Folha teve acesso, descreve os tipos de danos sofridos pela obra em seus
60 anos de existência — o quadro foi pintado em 1937 a pedido do governo espanhol para ser exposto no pavilhão do país
na Exposição Internacional em Paris.
São diversos os problemas apontados no relatório. Um furo de 5 milímetros no olho do guerreiro, zona inferior
esquerda.
Rupturas na capa pictórica que atravessam a obra no sentido vertical, principalmente no centro.
Deformações de suporte. Rasgos em alguns pontos da tela, em especial nas bordas (dano considerado
irreversível). Acúmulo de resina em diversos pontos da superfície.
Por tudo isso, Pilar Sedano Spin, chefe do Departamento de Conservação-Restauração, conclui que ''Guernica''
não deve sair dos domínios do museu.
Os inúmeros transportes a que foi submetido e as restaurações realizadas nos anos 50 e 60 pelo Museu de Arte
Moderna de Nova York (MoMA), nos EUA, são as principais causas do precário estado de conservação de ''Guernica''.
Entre 1937 e 1992, a obra foi transportada 16 vezes para participar de mostras pelo mundo, de Estocolmo
(Suécia), em 1938, a São Paulo, em 1953, para integrar a 2ª Bienal Internacional de Arte.
Cada transporte implica retirar a tela do chassis, o que, ao longo dos anos, provocou as rachaduras na pintura e
rasgos na tela.
Devido às grandes dimensões — ''Guernica'' tem cerca de 3,5 metros de altura por 7,80 metros de largura — ,
ele tem de ser desmontado, enrolado e remontado cada vez que é transportado.
''A popularidade do quadro fez com que ele se tornasse muito solicitado. Os estragos acabaram sendo
inevitáveis'', disse o historiador da arte Jean-Louis Ferrier, que dedicou um dos quase 20 livros que escreveu a ''Guernica''.
As restaurações, prática que normalmente tem o objetivo de preservar uma obra de arte, foram, paradoxalmente,
outra causa de dano ao quadro.
A mais importante foi realizada pela equipe do MoMA. Na época, ele já apresentava problemas de perda de cor,
rugas e rasgos.
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Para solucionar o problema, foram usadas técnicas de restauração comuns na época, como o tratamento do
avesso da tela com uma mistura de cera de resina a fim de fixar a cor.
O resultado foi a impregnação, de maneira irreversível, da tela e da pintura, o que pode acelerar o processo de
deterioração delas.
O quadro ficou sob a guarda do MoMA entre 1939, onde estava exposto quando começou a Segunda Guerra
Mundial, e 1981, quando foi transportado para Madri, conforme desejo de Picasso.
Por causa do conflito, o pintor julgou que a obra estaria mais segura nos EUA, apesar de sempre ter reiterado que
ela pertencia à Espanha.
A transferência, no entanto, apenas ocorreu depois da morte de Picasso, em 1973, e com a estabilidade política
na Espanha.
Materiais dificultam restauro
MARTA AVANCINI
Folha de S. Paulo, 02/08/97
Os materiais usados pelos artistas no século 20 podem tornar a restauração e a conservação das obras mais
difícil e complicada.
''Como são materiais novos, desconhecidos, às vezes não sabemos exatamente que tipo de técnica usar para
preservar a obra'', disse France Dijou, conservadora da RMN (Reunião Nacional de Museus) da França.
A dificuldade se deve principalmente ao uso de materiais industrializados que não eram utilizados nos séculos
anteriores. Esse problema pode ter ocorrido com ''Guernica'', segundo o historiador de arte Jean-Louis Ferrier.
''Picasso usou um tipo de tinta muito utilizado na publicidade. Era um material alternativo para os padrões da
época. Nem ele sabia como aplicar esse tipo de material sobre a tela, nem os restauradores sabiam o que fazer para
preservar a obra'', disse.
Na opinião de Ferrier, Picasso optou por esse tipo de tinta por dois motivos: tamanho do quadro e concepção que
tinha da obra.
''Como 'Guernica' é muito grande, e o tempo para terminar era muito curto, não dava para ele trabalhar com a
técnica exigida pelo óleo, com pinceladas curtas. Ele tinha de preencher grandes áreas e rapidamente.''
Já a concepção interferiu na escolha do material, na opinião de Ferrier. ''Picasso fez um quadro sobre o século
20, com material do século 20. Ele queria se situar fora da arte dos museus.''
Ferrier conta ainda que o próprio Picasso não sabia direito como usar a tinta, o que causou uma ''instabilidade''
entre a pintura e o suporte (a tela).
''Nos anos 40 o quadro já apresentava problemas de perda de cor e ele chegou a ser molhado durante uma
tempestade enquanto Picasso estava pintando.''
Se o uso de materiais não-convencionais se consolidou como tendência na arte moderna e contemporânea, resta
aos conservadores e restauradores encontrar formas para preservar as obras produzidas nessa concepção.
''É uma de nossas maiores preocupações, mas sempre corremos o risco de usar uma técnica considerada correta
hoje e que se mostrará inadequada no futuro'', disse a conservadora France.
Para o historiador, o problema traz à tona a problemática natural da museologia — a preservação das obras para
o futuro. ''Talvez as obras não tenham que durar para sempre'', disse.
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Filho de Pablo Picasso se opõe a viagem de 'Guernica'
do "El País"
Folha de S. Paulo, 29/06/97
Claude Picasso, filho do pintor Pablo Picasso, chamou de "irresponsáveis" o Museu Guggenheim e políticos
espanhóis que lutam para que a obra "Guernica" seja exposta em Bilbao (norte da Espanha).
Atualmente, o quadro, um dos mais famosos do cubista Pablo Picasso, está exposto no Museu Reina Sofía, em
Madri.
Segundo Claude, a obra está em mau estado de conservação, fato que não permite seu transporte.
Há uma semana, o Parlamento espanhol aprovou uma moção que apóia a viagem do quadro para a mostra
inaugural do Museu Guggenheim em Bilbao, que deve ocorrer de 3 a 18 de outubro.
O principal patrocinador da causa é o Partido Nacionalista Basco, que representa a região do norte da Espanha.
"Guernica" retrata o bombardeio realizado durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939) por aviões alemães
sobre a cidade que leva o seu nome e que fica na região basca.
No bombardeio, o primeiro da história cujos alvos eram civis, cerca de mil pessoas morreram.
"A votação no Parlamento não reflete nada que seja importante para a arte ou para a história da arte, nem nada
que seja benéfico para o quadro ou para sua conservação", afirmou Claude.
"'Guernica' tem um valor político inegável, mas não o valor que quer lhe ditar a moda. A obra não pode ser
utilizada como um objeto de promoção."
Questionado sobre por que o quadro, que já excursionou por mais de 60 vezes ao redor do mundo, não pode
viajar mais uma vez, Claude respondeu: "O quadro serviu para obter fundos e chamar a atenção para o fato de que muitos
espanhóis sofriam. Nas últimas décadas, porém, viajou apenas até os EUA. Não se pode pôr o quadro em risco".
A BOMBA
Carlos Drummond de Andrade
A bomba
é uma flor de pânico apavorando os floricultores
A bomba
é o produto quintessente de um laboratório falido
A bomba
é estúpida é ferotriste é cheia de rocamboles
A bomba
é grotesca de tão metuenda e coça a perna
A bomba
dorme no domingo até que os morcegos esvoacem
A bomba
não tem preço não tem lugar não tem domicílio
A bomba
amanhã promete ser melhorzinha mas esquece
A bomba
não está no fundo do cofre, está principalmente onde não está
A bomba
mente e sorri sem dente
A bomba
vai a todas as conferências e senta-se de todos os lados
A bomba
é redonda que nem mesa redonda, e quadrada
A bomba
tem horas que sente falta de outra para cruzar
A bomba
multiplica-se em ações ao portador e portadores sem ação
A bomba
chora nas noites de chuva, enrodilha-se nas chaminés
A bomba
faz week-end na Semana Santa
A bomba
tem 50 megatons de algidez por 85 de ignomínia
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A bomba
industrializou as térmites convertendo-as em balísticos
interplanetários
A bomba
sofre de hérnia estranguladora, de amnésia, de mononucleose,
de verborréia
A bomba
não é séria, é conspicuamente tediosa
A bomba
envenena as crianças antes que comece a nascer
A bomba
continnua a envenená-las no curso da vida
A bomba
respeita os poderes espirituais, os temporais e os tais
A bomba
pula de um lado para outro gritando: eu sou a bomba
A bomba
é um cisco no olho da vida, e não sai
A bomba
é uma inflamação no ventre da primavera
A bomba
tem a seu serviço música estereofônica e mil valetes de ouro,
cobalto e ferro além da comparsaria
A bomba
tem supermercado circo biblioteca esquadrilha de mísseis, etc.
A bomba
não admite que ninguém acorde sem motivo grave
A bomba
quer é manter acordados nervosos e sãos, atletas e paralíticos
A bomba
mata só de pensarem que vem aí para matar
A bomba
dobra todas as línguas à sua turva sintaxe
A bomba
saboriea a morte com marshmallow
A bomba
arrota impostura e prosopéia política
A bomba
cria leopardos no quintal, eventualmente no living
A bomba
é podre
A bomba
gostaria de ter remorso para justificar-se mas isso lhe é vedado
A bomba
pediu ao Diabo que a batizasse e a Deus que lhe validasse o batismo
A bomba
declare-se balança de justiça arca de amor arcanjo de fraternidade
A bomba
tem um clube fechadíssimo
A bomba
pondera com olho neocrítico o Prêmio Nobel
A bomba
é russamenricanenglish mas agradam-lhe eflúvios de Paris
A bomba
oferece de bandeja de urânio puro, a título de bonificação, átomos
de paz
A bomba
não terá trabalho com as artes visuais, concretas ou tachistas
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A bomba
desenha sinais de trânsito ultreletrônicos para proteger
velhos e criancinhas
A bomba
não admite que ninguém se dê ao luxo de morrer de câncer
A bomba
é câncer
A bomba
vai à Lua, assovia e volta
A bomba
reduz neutros e neutrinos, e abana-se com o leque da reação
em cadeia
A bomba
está abusando da glória de ser bomba
A bomba
não sabe quando, onde e porque vai explodir, mas preliba
o instante inefável
A bomba
fede
A bomba
é vigiada por sentinelas pávidas em torreões de cartolina
A bomba
com ser uma besta confusa dá tempo ao homem para que se salve
A bomba
não destruirá a vida
O homem
(tenho esperança) liquidará a bomba

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