motivos do abandono escolar na educação de jovens e

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motivos do abandono escolar na educação de jovens e
MOTIVOS DO ABANDONO ESCOLAR NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E
ADULTOS: ESTUDO DE CASO ESCOLA DO PARANÁ
Clovis Ricardo Klein – Gestor da informação – SEED/EJA/PR- [email protected]
Maria do Carmo Duarte Freitas – Professora e Investigadora da Universidade Federal do Paraná – [email protected]
RESUMO: Este artigo apresenta as causas da evasão escolar na Educação de Jovens e
Adultos do Estado do Paraná. O objetivo é investigar os motivos do abandono escolar nesta
modalidade de ensino. Para tanto, resgata-se as pesquisa sobre a educação de jovens e adultos
e a evasão escolar. Por meio de pesquisa de campo foram entrevistados 306 educandos
evadidos de uma unidade escolar. A análise conduziu à constatação que predomina a evasão
pela necessidade de trabalhar com maior concentração no sexo masculino. Por sua vez, as
opções gravidez e/ou filhos pequenos e afazeres domésticos foram apontadas exclusivamente
por mulheres, que, por vezes, além de exercer uma atividade remunerada precisam cuidar da
casa e filhos.
Palavras-chave: Educação; Educação de Jovens e Adultos; Evasão; Evasão na Educação de
Jovens e Adultos.
ABSTRACT: This work presents the causes of dropout in youth and adults of the Paraná
State, Brazil. The goal is to investigate the reasons for the quit of the school in this mode of
teaching. For this, it rescues the research on adult and youth education and truancy. They
were interviewed 306 truants from a school unit. The analysis led to the finding that the
predominant avoidance of the need to work with greater focus on males. The options
pregnancy and/or small children and household chores were appointed exclusively by women,
sometimes in addition to exerting a paid work must take care of the house and children. It
emphasizes the possibility to create public policies that against the need of the truants.
Keywords: Education, Education of young people and adults, Avoidance in youth people and
adults.
1
INTRODUÇÃO
No Brasil, há um constante descumprimento com o direito a educação destinada para
criança e o adolescente. O período da vida1 em que estes deveriam estar dedicados a sua
formação não ocorre, causando assim, uma defasagem em sua formação. A procura deste
cidadão por educação, não adquirida no período de infância e adolescência, ocorre após um
período longe da escola, surge então, a preocupação do Governo com a Educação de jovens e
Adultos - EJA.
Pesquisa divulgada em 2008 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE –
mostra que, dos oito milhões de brasileiros que já freqüentaram os cursos de EJA, 43% não
concluíram. Este abandono será o foco da investigação do autor, delimitando a pesquisa ao
Estado do Paraná.
A análise do analfabetismo no Estado do Paraná é discutida no Instituto Nacional de Estudos
e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – INEP –. Com pesquisa sobre as taxas de
promoção, repetência e evasão no nível Fundamental e Médio. Estes dados conduzem a
constatação da necessidade de oferta da modalidade de ensino de EJA, a qual disponibiliza
educação a pessoas, que, por algum motivo, abandonaram ou não freqüentaram a escola na
infância e adolescência. Todavia, junto com a oferta desta modalidade de ensino vem o
abandono escolar dos alunos jovens e adultos e, em muitas vezes, as causas desta fuga são
desconhecidas. Segundo informações divulgadas no censo escolar de 2008, entre os anos de
2006 a 2008 a procura por esta modalidade de ensino foi de 114 mil alunos e destes 39 mil
evadiram-se.
O Estado do Paraná apresenta em seu Censo Escolar 2006-2008 números relativos à evasão
na EJA, mas não suas causas, isso motiva a definir o problema de pesquisa: Quais são as
causas da evasão da EJA no Estado do Paraná?
Esta pesquisa investigar as causas da evasão escolar na Educação de Jovens e Adultos no
Estado do Paraná. Para tanto, pesquisar na história do Brasil o marco da EJA; as políticas
públicas vigentes para EJA; coletar, analisar e sintetizar diferentes produções científicas
referentes à evasão escolar; realizar pesquisa de campo, através de questionários, para a
identificação das causas da evasão da EJA no Paraná; e analisar e discutir os resultados
obtidos.
1
Art. 32. Lei de Diretrizes e Bases da Educação de 1996 estabelece: O ensino fundamental obrigatório, com duração de 9
(nove) anos, gratuito na escola pública, iniciando-se aos 6 (seis) anos de idade, terá por objetivo a formação básica do
cidadão. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm.
2
EVASÃO ESCOLAR
Iniciou-se investigando os trabalhos que abordaram a evasão nos ensinos
fundamental e média, para posteriormente apresentar pesquisas especificamente na EJA. O
objetivo de apresentar estudos realizados nestas modalidades de ensino que não a EJA
salientam a importância da pesquisa na temática da evasão, não somente em um modelo de
ensino. De acordo com dicionário Aurélio (1986) evasão é ato de evadir-se; fuga, escapismo.
Fuga esta que, no âmbito escolar, ocorre por fatores intra e extraescolares.
2.1
EVASÃO NA ESCOLA BÁSICA E NA EJA
Em Caxias do Sul, região serrana do Rio Grande do Sul, Chiaradia (2002)
desenvolveu pesquisa com intuito de caracterizar o fracasso escolar na Escola Municipal
Machado de Assis. O estudo foi direcionado a crianças da 4ª série do Ensino Fundamental e
as causas detectadas foram o trabalho infantil, a lacuna existente escola/comunidade e falta de
incentivo da família culminando na desmotivação do aluno.
Na Escola Estadual Monteiro Lobato, em Cuiabá - MT, Queiroz (2008) realizou estudo com
alunos da 5ª série, e constatou que 23,3% (96), dos 411 alunos matriculados, evadiram-se.
Dentre os fatores externos a escola, a autora aponta as necessidades de o aluno trabalhar, as
condições básicas para a aprendizagem (incluindo-se a desnutrição), as condições financeiras
da família, destacando-se o nível de escolaridade dos pais e o não acompanhamento dos filhos
em suas atividades escolares. E dentre os fatores internos, ressalta-se a não valorização pela
escola do universo cultural da criança, as precárias condições de trabalho e os elementos
afetivos na relação professor-aluno.
Marun (2008) aponta a evasão como um fracasso escolar, e que pode ser entendido pela
perspectiva de que as práticas avaliativas existentes criam uma lacuna entre as classes sociais.
Em sua pesquisa, que foi realizada no ensino médio da Escola Estadual Professor Vicente
Peixoto, em São Paulo - SP constatou que dos 760 alunos matriculados, 118 estavam com
defasagem idade/série, fator esse atribuído a evasão escolar.
Campos (2003) estabelece a evasão escolar na EJA como um abandono por tempo
determinado ou não. Diversas razões de ordem social e, principalmente, econômica
concorrem para a evasão escolar dentro da EJA, transpondo a sala de aula e indo além dos
muros da escola.
Motta (2007) apresenta em sua pesquisa os fatores da evasão da EJA do município de
Ribeirão Preto – SP e o retorno a escola. O estudo foi realizado na Escola Estadual Lacerda
Braga e, a partir de entrevistas com educandos, identificou como motivos da evasão questões
relacionadas ao contexto extra-escola como, falta de incentivo da família, trabalho e gravidez
precoce.
Em Carangola – MG, a Escola Municipal Antonio Marques atendeu 117 alunos da EJA em
2004 e destes, 50,4% evadiram-se (59 alunos). Utilizando-se destes dados Andrade (2005),
após investigação, alega que as causas da evasão foram: dificuldade de aprendizagem,
distância entre a escola e a moradia do aluno, falta de comprometimento dos gestores
escolares com os alunos, e a existência de uma lacuna entre o educador e os alunos.
Discorrendo sobre a problemática: os sentidos da desistência entre alfabetizandos da EJA,
Cardoso (2007) realizou pesquisa a fim de investigar os fatores da desistência dos alunos de
EJA. Executou entrevista com 21 jovens e adultos, dos quais onze eram alunos desistentes e
dez, repetentes das classes de alfabetização da EJA de escolas públicas estaduais do
município de Natal - RN. Após a realização do estudo constatou-se quatro motivos da evasão:
dificuldades na aprendizagem; exposição do não saber: vergonha, humilhação e
constrangimentos; e trabalho/cansaço; e doenças.
Almeida (2008) desenvolveu estudo a fim de identificar as causas da evasão, realizado no
Município de Bonfim - BA, mais especificamente nas Escolas Municipal Abigail Feitosa e
Municipal Austricliano de Carvalho, com respectivamente, 90 e 71 alunos matriculados,
ambos no Ensino Fundamental Segunda Fase, no ano de 2007. O autor concluiu que após a
realização de entrevistas e aplicação de questionários aos alunos e professores, que o
fenômeno da evasão está diretamente ligado à questão da não-aprendizagem, remetendo-se
assim, a outras questões tais como: formação do professor, inexistência de uma política
educacional delimitando com clareza o fazer pedagógico nas classes de jovens e adultos.
Em Brazlândia, região metropolitana de Brasília, Santos (2007) efetuou pesquisa sobre a
permanência de jovens e adultos no ambiente escolar. Após trabalho desenvolvido na Escola
Estadual Classe I, a autora afirma que os fatores que causam evasão no Distrito Federal são: a
distância da escola; o cansaço do alfabetizando que trabalha o dia inteiro; a inadequação da
sala de aula para jovens e adultos/ idoso que muitas vezes não tem iluminação adequada; a
ausência de um lanche a ser distribuído ao aluno que vem direto do trabalho para a escola; e o
despreparo do corpo docente para trabalhar com a especificidade da EJA, pois, muitas vezes o
professor não valoriza a experiência de vida que este aluno já traz consigo, como trabalhador,
como adulto inserido num processo de produção.
No Estado do Paraná são apresentados os dados do Censo Escolar 2008, no qual apresenta
uma evasão de 27% na EJA, ou seja, dos 114 mil alunos matriculados nesta modalidade de
ensino cerca de 40 mil abandonaram a escola.
2.2
A EJA NO ESTADO DO PARANÁ
A EJA, enquanto modalidade educacional no Estado do Paraná atente a educandos -
trabalhadores, e tem por objetivos o compromisso com a formação humana e com o acesso à
cultura geral, visando a participação efetiva nas relações sociais e o compromisso político
com o todo, sendo o comportamento ético alcançado através da autonomia intelectual e moral.
(PARANÁ, 2006).
Tem como finalidade, a oferta de escolarização de jovens, adultos e idosos, que buscam dar
continuidade a seus estudos no Ensino Fundamental e Médio, assegurando-lhes oportunidades
apropriadas, considerando suas características, interesses, condições de vida e trabalho,
mediante ações didático-pedagógicas Coletivas e Individuais. Ficando a critério do educando
escolher a maneira que melhor se adapte as suas necessidades, ou mesmo mesclar estas
formas, ou seja, cursar algumas disciplinas organizadas coletivamente e outras
individualmente.
Na organização Coletiva o estabelecimento oferece ao educando um cronograma que estipula
o período, dias e horário das aulas, apresentando à data de início e término de cada disciplina,
garantido a integralidade do currículo. A organização Individual destina-se àqueles
trabalhadores que não têm possibilidade de freqüentar com regularidade as aulas, é oferecida
aos alunos por meio de um cronograma que estipula o período, dias e horários das aulas,
contemplando o ritmo próprio do educando, respeitando os saberes já apropriados.
Nas Diretrizes para a EJA no Estado do Paraná, na temática principal: “a cultura, o trabalho e
o tempo” é possível visualizar todo o processo de criação de um documento que oferece
respaldo legal a EJA, visando à construção de um currículo, que englobe conteúdos
vivenciados pelo educando dessa modalidade específica.
Paralelo a construção do currículo de EJA, conceitua-se, questões como: cultura; teorias
curriculares; prática pedagógica escolar, construção de uma sociedade solidária e
democrática, processo ensino-aprendizagem, entre outros.
A proposta pedagógico-curricular de EJA, vigente a partir de 2006, contempla 100% da carga
horária total na forma presencial (1200h ou 1440h/a), com avaliação no processo. Pressupõe,
também, Ações Pedagógicas Descentralizadas – APEDs –, que são turmas de EJA em regiões
com baixa demanda educacional, que não justificam a existência da estrutura de uma escola.
Tais ações são voltadas a populações indígenas, ribeirinhas, remanescentes de quilombos,
acampados e assentados rurais, dentre outros, nos turnos e horários necessários para cada
comunidade.
3
PROCEDIMENTO METODOLÓGICO
A investigação ocorreu no Centro Estadual de Educação Básica de Jovens e Adultos
– CEEBJA –, da Região Metropolitana de Curitiba. Dados do censo escolar 2008 relativos aos
anos 2006/2007/2008 apontaram uma média de 3.000 alunos matriculados neste CEEBJA, e,
destes 1.169 evadiram-se, representando assim uma evasão média de 41%.
A população da pesquisa foram os 1.169 alunos evadidos da EJA no CEEBJA Ulysses
Guimarães entre os anos de 2006 a 2008. O tamanho da amostra ficou definido em 298
questionários e com margem de erro amostral não superior a 5%, ou seja, com 95% de
relevância. O instrumento de pesquisa tinha questões de ordem pessoais, os dados
socioeconômicos e o questionamento: qual a causa do abandono escolar do entrevistado?
A coleta de dados ocorreu em duas frentes de trabalho, uma realizada via telefone com alunos
evadidos que não retornaram ao CEEBJA, e outra realizada pessoalmente com os
entrevistados evadidos e que retornaram ao Centro de Educação de Jovens e Adultos. Foram
aplicados 345 questionários e destes 306 foram respondidos. A aplicação do questionário
realizou-se no CEEBJA e via telefone, com alunos que, em algum momento, evadiram-se. É
valido ressaltar que a evasão da EJA caracteriza-se por ser momentânea ou definitiva.
(CAMPOS, 2003).
O tratamento desenvolveu-se a partir dos questionários devolvidos e devidamente
respondidos, que foram inseridos em uma planilha do Microsoft Office Excel, tanto para
tabulação dos dados quanto para geração de tabelas, através da utilização de filtros.
4
ESTUDO DE CASO
Após investigação constatou-se que as diretrizes curriculares da EJA no Paraná estão
em consonância, na teoria, com a realidade do aluno trabalhador, pois esta tem como foco
considerar as características, interesses, condições de vida e trabalho, mediante ações
didático-pedagógicas. Fica a critério do educando escolher a maneira que melhor se adapte as
suas necessidades, ou mesmo mesclar estas formas, cursar disciplinas organizadas
coletivamente e outras individualmente.
Os resultados da pesquisa apontaram para um aluno em sua maioria do sexo feminino,
estudante do ensino fundamental II, com idade de 28 a 37 anos e que exerce alguma atividade
remunerada.
Os dados da pesquisa permitiram analisar as circunstâncias em que o entrevistado encontravase, e que possivelmente o levou a evasão, entretanto em um primeiro momento apresentam-se
todas as causas da evasão para depois debruçar-se uma a uma e constatar as características
que a compõe.
As causas da evasão escolar da EJA são apontadas no gráfico 1, e evidenciou-se que das
alternativas levantas duas não foram apontadas pelos entrevistados, são elas: “dificuldades de
acesso a escola” e “ falta de sintonia com o professor”.
GRÁFICO 1: CAUSAS DA EVASÃO
A causa da evasão com maior número de apontamentos foi o “trabalho” com 105 (35%)
respondentes. Dos evadidos que apontaram esta causa, 77 são do sexo masculino e 28 são do
sexo feminino. A jornada de trabalho deste grupo está concentrada de 6 a 8 horas/dia, pois
77% deste grupo apontaram-na, restando 26 evadidos distribuídos em “escala de trabalho” e
“mais de 8 horas/dia”, sendo 9 e 15 entrevistados, respectivamente.
O quadro 1 faz uma classificação das causas da evasão quanto ao número de registros
encontrados em cada uma das alternativas.
Ordem
1º
2º
3º
4º
5º
6º
7º
8º
Causa
Trabalho
Gravidez e/ou filhos pequenos
Dificuldade financeira
Afazeres domésticos
Dificuldade de aprendizagem
Falta de motivação
Problemas de saúde
Outros
Número de registros
105
34%
64
21%
44
15%
42
14%
18
06%
16
05%
10
03%
04
02%
QUADRO 1: ORDEM DAS CAUSAS DA EVASÃO
Dentre as causas da evasão, o trabalho teve maior apontamento, e sua maior incidência
ocorreu nos evadidos do sexo masculino, trabalham de 6 a 8 horas/dia, denotando que algum
aspecto além do trabalho ocasiona a evasão deste grupo de respondentes, mesmo porque a
EJA oferece duas formas de ensino para favorecer os alunos trabalhadores.
Motta (2007) ao discorrer sobre a evasão também apresenta em seus estudos o “trabalho”
como uma das causas, evidenciando que não é somente no estado do Paraná que este motivo é
pertinente, pois a pesquisa realizada pela autora ocorreu no município de Ribeirão Preto,
estado de São Paulo.
A segunda causa foi “gravidez e/ou filhos pequenos”, exclusivamente dito por mulheres e
teve por características um alto índice de evadidas que com idade entre 18 e 27 anos e estas
residirem com os pais, diferente das entrevistadas que tem entre 28 e 37 anos que afirmaram
morar, e sua maioria, com cônjuge e filhos, denotando já ter construído uma família fora do
vínculo familiar de origem.
Ao relacionar esta causa da evasão detectada na pesquisa, com os estudos realizados nesta
temática, resgata-se Motta (2007) que apontou que “gravidez precoce” é uma das causas da
evasão em Ribeirão Preto. A observação demonstra ainda não existir, mas que a EJA deve ter
em seu foco apontamentos que favoreçam esta mulher incapacitada de frequentar as aulas por
estar grávida ou não ter com quem deixar seus filhos.
O estudo constatou nos evadidos que apontaram a alternativa “dificuldade financeira”, em sua
maioria, estão desempregados e concentrados na faixa dos 18 aos 27 anos, residindo com os
pais, e em uma residência com 4 pessoas ou mais.
A procura pela EJA então, está vinculada a um resgate por parte do aluno que não teve a
oportunidade de estudar em sua infância e adolescência, com intuito de adquirir novas
inserções no mundo do trabalho e na vida social. Queiroz (2008) aponta em seu estudo
realizado em Cuiabá – MT, que este abandono escolar por dificuldades financeiras ocorre não
somente na EJA, pois sua pesquisa foi realizada com alunos de 5 ª série, e estes declararam ter
evadido-se da escola pelas dificuldades financeiras dos pais, denotando que este problema
encontra-se em todos os níveis escolares.
Outra causa destacada pela pesquisa, “afazeres domésticos” foi um apontamento exclusivo do
sexo feminino com sua maior concentração nas evadidas de 28 a 37 anos. Relacionado a esta
afirmação está o fator trabalho, pois além de exercerem uma atividade remunerada fora de
casa, a entrevistada ainda tem a residência para cuidar. Esta assertiva foi observada por
Cardoso (2007), que no município de Natal – RN realizou pesquisa sobre as causas da evasão
da EJA e detectou a relação trabalho – cansaço sendo uma das causas predominante, podendo
ser comparada a informações fornecidas pelas evadidas deste estudo, pois 90% exercem
alguma atividade remunerada e ainda precisam cuidar da casa.
A quinta causa apontada pelos respondentes da pesquisa foi “dificuldade de aprendizagem”,
esta concentrada no sexo masculino com mais de 38 anos.
A causa foi apontada por
pesquisas efetuadas na EJA de Andrade (2005) no município de Carangola – MG, Cardoso
(2007) no município de Natal – RN e Almeida (2008) em Bonfim – BA denotando que esta
causa está presente em diversos estados brasileiros.
A proposta pedagógico-curricular da EJA no Paraná prevê a criação de conteúdos vivenciados
pelos educandos, com intuito de permitir aos alunos percorrerem trajetórias de aprendizagem
não padronizadas, respeitando o ritmo próprio de cada um no processo de apropriação dos
saberes.
A alternativa “falta de motivação” apontada pelos evadidos teve características comuns ao
estudo realizado por Chiaradia (2002). A pesquisa desenvolvida em Caxias do Sul – RS
aponta como fator da evasão escolar a falta de incentivo da família culminando na
desmotivação do aluno, relacionando-se com este estudo, pois 63% dos evadidos que
caracterizaram a “falta de motivação” como principal causa, afirmaram morar com os pais.
Cardoso (2007) no município de Natal – RN constatou que umas das causas da evasão dos
alunos do EJA lá matriculados foram “problemas de saúde”, mesma causa apontada por 10
entrevistados desta pesquisa. Os problemas de saúde tiveram indicação de respondentes com
mais de 58 anos, e concentrados no ensino fundamental.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Em todo Brasil as características são peculiares, percebe-se que em todas as regiões
onde foram pesquisados trabalhos realizados na perspectiva da evasão escolar as causas se
repetem, em maior ou menor escala, mas todas identificadas e apontadas pelos evadidos. A
observação pontual para questão é que mesmo com a temática principal: “a cultura, o trabalho
e o tempo” que visa à construção de um currículo, que englobe conteúdos vivenciados pelos
educandos dessa modalidade específica, a evasão da EJA está presente no Estado do Paraná.
As causas da evasão foram apontadas, cada uma com sua peculiaridade, mas que de maneira
geral apontaram as principais causas da evasão escolar da EJA no Estado do Paraná. A causa
trabalho teve sua maior concentração no sexo masculino, por sua vez, as opções gravidez e/ou
filhos pequenos e afazeres domésticos foram apontadas exclusivamente por mulheres, que,
por vezes, além de exercer uma atividade remunerada precisam cuidar da casa e filhos.
Os resultados do estudo acerca das causas evasão da EJA permitiram uma análise global,
todavia cada entrevistado contem uma história de vida e suas particularidades.
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