Seja quem for o presidente, ele será

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Transcrição

Seja quem for o presidente, ele será
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O momento das
picapes
As estatísticas do
agronegócio
"Seja quem for o presidente,
ele será agrodependente"
Entrevista exclusiva: Carlos Cogo
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ÍNDICE
Foto: www.freeimages.com
Foto: George Brown
Edição 95 – Ano 10
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5
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20
22
Editorial
É hora da decisão
Entrevista Exclusiva
Com que cenários
trabalhamos?
24
29
Agricultura de Precisão
Utilitários
A hora e a vez das picapes
30
Lavouras
Tamanho é documento
32
34
36
Irrigação
Mais reservação, mais
produção
Implementos Rodoviários
Atividade continua em queda
Energia
Biomassas regionais para
produção de energia de
biogás
Inovação
Investindo no ácaro
predador
Biotecnologia
Minhocas aumentam
produtividade agrícola
38
40
41
42
Visão
Seja quem for o presidente,
ele será agrodependente
Estatísticas
Business World
Anunciantes
Clipping
Opinião
Contra a fome e a inflação
Eventos
37ª Expointer encerra com
balanço positivo
Setembro/2014 • Revista AgriMotor
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EDITORIAL
Coordenação Geral
Henrique Isliker Pátria
Diretora Executiva
Maria da Glória Bernardo Isliker
TI
Vicente Bernardo
Editor e Jornalista Responsável
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Edição de Arte
Ana Carolina Ermel de Araujo
Publicidade
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Administrativo
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Colaboradores
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,BUJB3FHJOB1JDIFMMJt3JDBSEP*OBNBTV
Impressão e Acabamento
Ipsis Gráfica e Editora
REVISTA AGRIMOTOR
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As matérias assinadas são de responsabilidade dos
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autorizadas desde que citada a fonte.
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O momento das
picapes
As estatísticas do
agronegócio
"Seja quem for o presidente,
ele será agrodependente"
Edição 95 - Ano 10
Setembro 2014
Capa: Imagem: Freeimages.com
Criação: Ana Carolina Ermel de Araujo
Circulação: Mensal
É HORA DA
DECISÃO
Q
uando esta revista estiver sendo distribuída, estaremos a poucas
IPSBTEFTBCFSNPTDPNPöDBSÈBTJUVBÎÍPQPMÓUJDBCSBTJMFJSBPV
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As pesquisas mais recentes mostram que as duas candidatas oriundas do
mesmo partido, mas que neste momento têm propostas diferentes, receCFNBQSFGFSÐODJBEPTFMFJUPSFT3FTUBTBCFSRVBMÏPHSBVEFDPOöBCJMJEBEF
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suficientes para mostrar nosso atual estágio.
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agronegócio estaríamos com a economia arruinada, com a sociedade em
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com o consultor de agroeconomia Carlos Cogo que tem sua base no Rio
(SBOEFEP4VMFÏSFTQFJUBEPFNUPEPP#SBTJMQFMBQSFDJTÍPEFTVBTBOÈlises. Entramos mais profundamente nos meandros da Agricultura de PreDJTÍPPV"HSJDVMUVSB*OUFMJHFOUFDPNPEJ[FNBMHVOTNPTUSBNPTBMHVNBT
das mais modernas picapes e veículos de trabalho, colheitadeiras de grande
porte, e viajamos pelo resultados das feiras e estatísticas.
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o mais moderno e atual noticiário do agronegócio
brasileiro.
Entrevista exclusiva: Carlos Cogo
Boa leitura!
Henrique Isliker Pátria
Editor Responsável
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ENTREVISTA EXCLUSIVA
COM QUE CENÁRIOS
TRABALHAMOS?
C
Foto: Divulgação
arlos Cogo, sócio-diretor
da Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica, consultor da Nestlé, Pão de
Açúcar, Massey Ferguson, John Deere, Basf, Syngenta, Bayer, Dupont,
Kepler Weber e Rabobank e conferencista conceituado principalmente em eventos no Sul do país traça
um panorama de como deve se
comportar o agronegócio no Brasil
e no mundo principalmente diante
do quadro de crescimento da agricultura estimulado quase exclusivamente pelos acréscimos de produtividade advindos do uso cada
vez mais intensivo da tecnologia.
Para ele, o Brasil é colocado como o
“grande celeiro” da América do Sul
para alcançar a meta da FAO para
alimentação do povo da Terra. O
órgão da ONU prevê a necessidade
de incremento de 60% da produção
agrícola ainda antes de 2050, para
atingir esse objetivo.
No seu entender, existem mudanças esperadas para o setor do agronegócio brasileiro para os próximos
cinco anos ou continuaremos num
crescimento lento, mas ordenado,
como tem ocorrido recentemente?
Qual a taxa de crescimento com que o
senhor trabalha em suas projeções?
Projetamos um crescimento sustentado da área cultivada no Brasil,
mantendo-se a média de 2,4% ao ano
vista nas últimas duas décadas. A produtividade média tem crescido acima
da área, requisitando menos superfície
para expansão da produção. Graças
aos ganhos de produtividade proporcionados pelo avanço tecnológico, a
produção agrícola brasileira aumentou 244% de 1990 para cá, enquanto a
área plantada expandiu-se em apenas
50%. Com um aumento de 130% da
produtividade agrícola neste período,
precisamos menos áreas para expandir nossa produção de grãos e colocar
o País na direção da liderança no abas-
tecimento mundial de alimentos. As
projeções apontam para a próxima década um incremento de 26% na área
total cultivada, incorporando mais 18
milhões de hectares de plantios, para
86,4 milhões de hectares e produção
de grãos estimada em 300 milhões de
toneladas, um aumento de 44% até a
safra 2023/2024. No mesmo período,
a área de cana deve atingir 14 milhões
de hectares, com expansão de 50%,
gerando uma produção de 1,3 bilhão
de toneladas, expansão de 91% até o
ciclo 2023/2024.
E em relação ao mundo? O que se
pode esperar de desenvolvimento
no campo do agronegócio das nações concorrentes do Brasil.
Os subsídios dos EUA afetam negativamente produtos de interesse do
Brasil, como soja, milho e algodão. O
painel do algodão na OMC comprovou
que, em períodos de menores preços,
os programas dos EUA destinados a
produtos específicos distorcem mercados internacionais, prejudicando exportadores brasileiros. O Brasil precisa
continuar monitorando a implementação dos programas da UE para açúcar
e lácteos para avaliar se as mudanças
podem criar distorções no mercado
internacional. A UE terá mais facilidade
do que os EUA para adequar sua política agrícola às regras da OMC.
O Brasil sempre é tido como celeiro
do mundo. O senhor acredita nisto?
Com o desenvolvimento de uma
tecnologia agrícola própria, adequada ao cultivo tropical, o Brasil deixou
para trás a posição de importador líquido de alimentos e os problemas
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ENTREVISTA EXCLUSIVA
A expansão e a
renovação da
frota se tornam
imprescindíveis
para manter o ritmo
de expansão das
áreas de cultivos,
tanto nas regiões de
fronteiras agrícolas,
como o “Matopiba”
(Maranhão, Tocantins,
Piauí e Bahia), como
nas regiões tradicionais
do Cerrado.
de desabastecimento que marcaram
os anos 1970, para tornar-se um dos
maiores exportadores mundiais de
produtos agropecuários. Hoje, somos
os maiores exportadores mundiais de
soja, açúcar, café, suco de laranja, carne bovina, frango e o segundo maior
exportador global de milho.
No seu entender as grandes economias mundiais já se voltaram para
o desenvolvimento da produtividade no campo? Há muito ainda a ser
feito? Como isto pode ser medido?
O crescimento da agricultura tem
sido estimulado quase exclusivamente pelos acréscimos de produtividade.
Esta tem sido a principal fonte de crescimento. Brasil, China e Estados Unidos
são os países com maior crescimento
da produtividade. A produção agrícola mundial precisa crescer 60% antes
de 2050 para cobrir as necessidades
6
de alimentação de uma população
mundial mais numerosa, mais urbana e mais rica, segundo projeções da
Organização para a Alimentação e a
Agricultura das Nações Unidas (FAO) e
da Organização para a Cooperação e o
Desenvolvimento Econômico (OCDE),
que conta com o “grande celeiro” da
América do Sul para alcançar este objetivo. Segundo as duas organizações,
o crescimento de produção virá principalmente dos países emergentes,
como Brasil, China, Indonésia, Tailândia, Rússia e Ucrânia, um aumento da
produção que, no entanto, será menos
importante que o dos últimos anos.
Tem havido uma derrama de defensivos agrícolas em nome do aumento da produtividade. O senhor
acha que isto é positivo, ou no futuro poderá trazer problemas para a
sustentabilidade do mundo?
A demanda de insumos tem crescido de forma acelerada no país, com
taxas anuais médias de expansão de
5,5% para os fertilizantes e de 11,5%
para os agroquímicos. As vendas de
máquinas agrícolas acompanham essa
tendência. A expansão e a renovação
da frota se tornam imprescindíveis
para manter o ritmo de expansão das
áreas de cultivos, tanto nas regiões de
fronteiras agrícolas, como o “Matopiba”
(Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia),
como nas regiões tradicionais do Cerrado. Os financiamentos para a compra de máquinas e equipamentos agrícolas possibilitaram os incrementos na
área plantada e na produção agrícola
nos últimos anos. O uso de defensivos
e de sementes transgênicas precisa ser
feito de modo seguro e de acordo com
a legislação, para que essas tecnologias não se tornem ineficazes.
O senhor possui alguma medição do aumento de produção em
função do uso de defensivos e fertilizantes? Fale-nos a respeito.
68% do crescimento da produção
agrícola brasileira nos últimos 40 anos
estão relacionados ao emprego de
tecnologia, enquanto 9% correspondem ao fator terra (aumento de área
ou terra mais produtiva) e 2% a mão
de obra. A terra não é mais fator significativo para o aumento de produção.
O fundamental é a tecnologia. De 1975
a 2013, a produtividade agrícola brasileira avançou 267%, enquanto a dos
Estados Unidos aumentou em 75%. O
agronegócio seguirá em franca expansão no médio e longo prazo no Brasil.
A Embrapa é um caso de sucesso
em alguns setores, deveríamos investir para que ela se tornasse este
sucesso em todos os segmentos do
agro brasileiro?
Sim. A curva de investimentos em
pesquisa no país é acentuada e crescente, desde 1973. Além disso, houve
grandes investimentos em máquinas
e implementos mais eficientes, variedades mais produtivas e fertilizantes e defensivos de maior qualidade.
Contribuíram também para a expansão do rendimento agrícola a adoção
de uma gestão mais profissional da
atividade rural, decorrente da abertura da economia e da estabilização
econômica e monetária. A pecuária
também evoluiu. A área de pastagens
foi reduzida de 174,6 milhões de hectares, em 1980, para 157,1 milhões de
hectares em 2013, enquanto o número de cabeças de gado aumentou, no
período, de 118 milhões para 215 milhões, devido basicamente ao melhoramento das pastagens.
A balança comercial do agronegócio é responsável pelo superávit
brasileiro nas suas contas externas
já de alguns anos. O senhor crê na
continuidade desta situação?
Sim. As vendas internacionais do
agronegócio brasileiro ultrapassaram,
pela primeira vez na história, a cifra
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ENTREVISTA EXCLUSIVA
dos US$ 100 bilhões de dólares anuais.
O Brasil exportou o montante de US$
100,6 bilhões em produtos agropecuários em 2013, o que representou crescimento de 4,2% em relação ao mesmo
período da safra anterior. O superávit
comercial do setor também atingiu
um novo recorde, somando US$ 83,9
bilhões. O resultado deve-se ao crescimento das vendas externas dos principais complexos agropecuários, como
soja, carnes e sucroalcooleiro.
Quais são os fatores que podem
influenciar negativamente para a
quebra desta hegemonia do agronegócio?
Nos últimos cinco anos, a produção brasileira de grãos aumentou
50 milhões de toneladas, enquanto
a infraestrutura para escoar a safra,
transportar insumos e armazenar não
avançou. O grande desafio do setor
permanecerá sendo a infraestrutura
logística. A produção está sendo expandida, mas ainda há muitos empecilhos para o escoamento. Para reverter a situação, uma das apostas é
a realização de leilões de concessões
na área de infraestrutura de transportes. O governo federal deu o passo
inicial para solucionar a questão: concedeu portos, rodovias, aeroportos e
ferrovias. Todavia, os resultados dos
primeiros leilões só deverão ser notados nos próximos anos. O Brasil terá a
necessidade de investir mais de US$
150 bilhões em infraestrutura, entre
construção e modernização de rodovias, ferrovias, hidrovias e portos.
Já que é este a tendência o senhor não acha que deveríamos
aumentar os incentivos para obtermos resultados ainda mais promissores no comércio internacional do
agronegócio?
Sim, o setor vem gerando substanciais superávits comerciais, que
permitiram a solvência do País durante as turbulências de sucessivas
crises internacionais e têm permitido
inéditas reduções da dívida externa
brasileira. Apesar desse excelente
desempenho do ponto de vista da
sociedade em geral, o agronegócio
vem sendo vítima de crises cíclicas
que demandam injeções de novos
Uma prioridade
é fortalecer os
investimentos em
ciência e tecnologia
agropecuária,
educação e saúde
rural, pré-condições
para o setor retomar o
padrão de crescimento
de produtividade que
ocorria até o início dos
anos 2000.
recursos e renegociação das dívidas
em vencimento. Essas compensações
devem ter o condão de – longe de
representar simples perdão de dívidas – proporcionar condições que ao
mesmo tempo aproximem o setor da
sustentabilidade privada e amplie os
benefícios que a sociedade pode auferir do setor. Tais compensações podem se dar de variadas formas. Uma
prioridade é fortalecer os investimentos em ciência e tecnologia agropecuária, educação e saúde rural, pré-condições para o setor retomar o padrão
de crescimento de produtividade que
ocorria até o início dos anos 2000.
A maioria já está aqui, mas o
senhor acredita que é inevitável
a chegada de todos os grandes
players mundiais de implementos agrícolas em função da efetiva
competência do agro brasileiro?
A convicção internacional de que
o Brasil está se consolidando como
um dos maiores celeiros na oferta
presente e futura de alimentos para
alimentar diversas regiões do planeta seguirá atraindo investimentos em
todos os segmentos de insumos. Mas
os novos players precisam entender os
principais problemas que o agricultor
enfrenta com as máquinas e atendimento dos fornecedores de máquinas.
O principal problema é manter as máquinas rodando nos momentos críticos, como plantio e colheita. Para isso,
contribuem a baixa confiabilidade de
alguns produtos e marcas, bem como
as deficiências na oferta de peças de
reposição e serviços de assistência
técnica. Outro problema que vem se
agravando é a disponibilidade de operadores qualificados. O problema mais
grave dos fabricantes de máquinas
agrícolas no Brasil é a deficiência da
assistência técnica prestada aos clientes finais, o que por sua vez depende
de uma rede de concessionárias bem
desenvolvida e preparada.
Quais são os cenários que o senhor
estudou para o período pós-eleitoral
que já está batendo às portas.
O próximo governo terá que fazer
um ajuste fiscal profundo, reduzindo
gastos da máquina pública e melhorando a competitividade das indústrias e das exportações. Para o agronegócio, a maior ameaça é a redução
de recursos para custeio, comercialização e investimentos. O governo
precisa elevar os investimentos em
infraestrutura e logística, para que o
agronegócio consiga seguir se expandindo e elevando o resultado da balança comercial do setor.
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AGRICULTURA DE PRECISÃO
UMA FERRAMENTA
PARA TODOS
O elemento essencial para adotar a Agricultura de Precisão ou Agricultura Inteligente
é a constatação de que há variabilidade espacial e a sua intensidade é muito elevada.
Alberto Bernardi e Ricardo Inamasu*
U
talhão como uniforme, apesar da
variabilidade.
Com o avanço de novas tecnologias de informática, de sistemas
de posicionamento global (GPS) e
muitas outras, foi possível detectar
e registrar estas variações existentes dentro de uma lavoura ou de um
talhão. Estas variações são chamadas de variabilidade espacial. Isso
aconteceu nos EUA e na Europa no
início dos anos 1990. A partir daí
várias tecnologias foram desenvol-
vidas e tornaram-se comerciais e
disponíveis aos produtores. Esses
equipamentos com a sua eletrônica trazem fascínio do novo e isso
pode ter sido a causa de se ter estabelecido uma ideia falsa de que
para utilizar a Agricultura de Precisão (AP) são necessários máquinas e
equipamentos caros e sofisticados.
Felizmente isso não é verdade! Estas
máquinas e equipamentos podem,
de fato, auxiliar muito o produtor e
o técnico, porém o elemento essen-
Foto: Divulgação Teejet
ma propriedade rural não
é homogênea, existem
variações de tipos de solo,
relevo, vegetação e também do histórico de uso, por exemplo. Isso já era conhecido pelos produtores e pela pesquisa há muito
tempo. Estas diferenças fazem com
que os produtores e técnicos tratem cada região de modo diferente
de acordo com suas potencialidades e necessidades. A agricultura
convencional trata a lavoura ou o
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AGRICULTURA DE PRECISÃO
MONITORES DE COLHEITA
Entre as tecnologias de AP mais
utilizadas hoje no Brasil, e também no
mundo, estão os monitores de colheita de grãos para gerar os mapas de
produtividade, as ferramentas de direcionamento (barras de luz e piloto
automático), e a semeadora/adubadora e adubadora/calcareadora para
aplicação de insumos a taxas variadas
(“Variable Rate Technology”). Todas
estas ferramentas são úteis para detectar, medir e controlar a variabilidade espacial.
A variabilidade espacial pode
ocorrer devido a vários fatores,
como manchas de solo, áreas com
diferente disponibilidade de água
ou nutrientes, camadas compactadas, reboleiras de plantas daninhas
ou pragas, ou ainda baixa qualidade
das operações agrícolas. Isso tudo
reflete na produção e o mapa de
produtividade é o registro destas
variações. É por meio do mapa que
o agricultor pode estudar e planejar a estratégia de investimento
para cada região da sua proprieda-
de. Esta é uma das principais ferramentas da agricultura de precisão.
Outra ferramenta poderosa e que
pode fornecer mais informações
são os mapas de características ou
do solo (textura, teor de nutrientes
e matéria orgânica, pH)
e relevo. Os mapas
de produção, de
solo, de fertilidade,
de ocorrência de
plantas daninhas,
o histórico da área
podem ser valiosos para ajudar no
entendimento das
causas destas variações. Entendidas
as causas, é hora
de atacá-las, fazendo as recomendações de correção
do solo, adubação
e plantio aplicando a dose adequada no local correto
utilizando os equipamentos a taxas
variadas. As ferramentas de direcionamento podem ser
utilizadas em todas as operações
(preparo de solo, plantio e colheita)
auxiliando na redução da compactação do solo, favorecendo uma
perfeita sobreposição das passadas,
e com isso otimizando o aproveitamento da área e dos insumos. Estes
mapas também servirão de registro
ano após ano das atividades, possibilitando ao produtor um maior
entendimento das potencialidades
e limitações de sua lavoura. Estes
registros podem ainda servir para a
rastreabilidade do produto.
Atualmente no Brasil a maior parte das operações de AP, como amostragem de solo em grades, aplicação
de insumos a taxa variável e colheita
monitorada têm sido realizadas por
prestadoras de serviço.
USO MODESTO
Já avançamos muito, mas poderíamos avançar muito mais, pois o uso
de tecnologia de informação pelos
agricultores brasileiros em tecnologia
de informação pode ser considerado
modesto. Existem propriedades com dificuldades em adotar
qualquer tipo de
controle de informações (custos e
receitas). De modo
geral, os grandes
empreendimentos
agropecuários (produtores de grãos e
cana-de-açúcar) saíram na frente. Mas,
o trabalho realizado
pela Embrapa tem
mostrado que a AP
é viável e possível
de ser utilizada em
pequenas propriedades também. É
muito importante
lembrar que para
utilizar a AP não basta
comprar máquinas e equipamentos
informatizados. Os investimentos devem ser realizados de acordo com a
expectativa de retorno econômico.
Ou seja, se não houver variabilidade
suficiente no campo não é necessário
investir em máquinas para aplicação
de insumo à taxa variada. Dependendo da propriedade, como no caso de
fruticultura e horticultura, uma prancheta pode ser a ferramenta mais
adequada para iniciar a organização
de dados e registrar informações no
campo, desenhando mapas orientados por meio de linhas e plantas.
Hoje a tecnologia de mapeamento da produtividade está muito difundida para a cultura de grãos (em
especial milho e soja), isso porque as
colhedoras já vêm equipadas com
monitores de colheita que possibiFoto: Divulgação Trimble
cial para adotar a AP é a constatação de que há variabilidade espacial
e a sua intensidade é muito elevada
para tratá-la como uniforme. Avaliar
o prejuízo do produtor ao tratar a
área de forma uniforme é o primeiro
passo para estimar o valor que poderá investir em equipamentos para
obter retorno econômico. Por isso, a
Embrapa tem trabalhado com o conceito de que a AP é, antes de tudo,
uma ferramenta gerencial, ou seja,
auxilia na coleta de informações, interpretação dos resultados que irão
auxiliar na tomada de decisão sobre
o manejo das culturas. Esta forma
de gerenciar a lavoura leva em consideração a variabilidade espacial e
tem o objetivo de aumentar o retorno econômico e reduzir efeito que
prejudica o meio ambiente.
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10
ação
estão sendo realizadas e avaliadas a
variabilidade espacial do solo e das
culturas, a produtividade, e também
promovendo o manejo diferenciado.
Os resultados obtidos estão sendo
utilizados na divulgação da AP e das
tecnologias associadas, dos seus benefícios, entraves e alternativas relacionadas à sua adoção.
Minha expectativa em relação ao
futuro é de que a agricultura de precisão coloque a produção de alimentos no Brasil em um outro patamar.
Primeiro, em um novo patamar de
sustentabilidade, que seria alcançado pela racionalização do que era intuitivo, potencializando o uso de defensivos, fertilizantes e vários outros
insumos de forma ambientalmente
melhor. Segundo, em um novo patamar de produtividade, porque a partir do momento em que você passa a
trabalhar com as diferenças que a natureza fornece e a respeitá-las, você
sintoniza o potencial da lavoura,
aumenta a produtividade e o torna
mais sustentável. Assim, fortalecendo o Brasil como uma das lideranças
mundiais para a humanidade alcançar a segurança alimentar.
Divulg
litam realizar estes mapas. Também
já existem equipamentos comerciais
para mapeamento da produção do algodão. No caso das culturas perenes,
como as fruteiras, por exemplo, estes
mapas podem ser obtidos se for feito um monitoramento por planta ou
grupo de plantas. Porém, o conhecimento da variabilidade da produção
e da sua qualidade é útil para qualquer cultura, sejam aquelas cultivadas em pequenas áreas como aqueles
que ocupam grandes extensões de
terra. Para isso, basta que o produtor
ou o técnico inicie este trabalho de
observação, medida e registro destas
variações.
O tema da AP tem sido trabalhado
na Embrapa em uma rede envolvendo vinte unidades de pesquisa e parceiros, como empresas, instituições
de pesquisa, universidades e produtores rurais – em unidades pilotos de
pesquisa distribuídas pelo território
nacional, abrangendo as culturas
anuais de milho, soja, algodão, arroz
e trigo, e perenes como silvicultura
(eucalipto), fruticultura (pessegueiro, macieira, laranja e videira), canade-açúcar e pastagem. Nestes locais,
*Alberto Bernardi é pesquisador da
Embrapa Pecuária Sudeste, formado
em Agronomia (1992); Mestrado: Solos e Nutrição de Plantas (Esalq/USP,
1996); Doutorado: Solos e Nutrição
de Plantas (Esalq/USP, 1999). Atua
na área de fertilidade do solo e adubação, integração lavoura-pecuária,
agricultura de precisão.
Foto:
Foto: Divulgação Ag Leader
Foto:
Divulg
ação
AGRICULTURA DE PRECISÃO
Ricardo Inamasu é pesquisador da
Embrapa Instrumentação, fez graduação (1984), mestrado (1987) e
doutorado (1995) em engenharia
mecânica na Escola de Engenharia
de São Carlos USP e pós-doutorado
em Biological Systems Engineering
na University of Nebraska – Lincoln.
Tem experiência na área de engenharia mecânica e mecatrônica, com
ênfase em Instrumentação e automação agropecuária.
Artigo publicado com autorização.
Exibição original Blog de Agricultura
de Precisão. Assessoria de Imprensa do
Senar e Comunicação Digital. E-mail:
[email protected]
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UTILITÁRIOS
A HORA E A VEZ
DAS PICAPES
Pequenas e versáteis, cada vez mais concorrem com automóveis quando a escolha é
pelo veículo único para trabalho, lazer e passeio.
A
L200 TRITON: FORÇA E
RESISTÊNCIA
Uma linha de picapes que une a
força e resistência para o trabalho e o
conforto e sofisticação para a viagem
com a família. A L200 Triton é completa para todos os tipos de clientes. As picapes possuem elementos
exclusivos em todos os modelos e
estão disponíveis em nove versões:
L200 Triton HPE (diesel MT/AT e flex),
L200 Triton Savana, L200 Triton GLS,
L200 Triton GLX, L200 Triton GL, L200
Triton HLS e L200 Triton 2.4 GL.
A picape L200 tem uma longa
história de inovação e pioneirismo
no Brasil. Chegou ao país em 1992,
se tornando a primeira picape 4x4
cabine dupla a fazer parte da vida
dos brasileiros. Com o passar dos
anos, passou a ser produzida em
Catalão (GO) e novos modelos foram incorporados, sempre com a
evolução como ponto principal.
Das clássicas L200 e L200 GLS,
que fizeram muito sucesso na década de 90, até a chegada da L200 Savana e L200 Sport, em 2004, muito
Foto: Fábio Bustamante
lém do trabalho, onde são
imbatíveis em suas aplicações consagradas, as picapes, graças às inovações
tecnológicas que melhoraram muito o desempenho e o conforto, se
tornaram corriqueiras no trânsito
das grandes cidades. Elas levaram
o mercado a considerar a aquisição
de um veículo com mais usos do
que o deslocamento pessoal puro e
simples e deixaram para trás muitos
modelos de automóveis, figurando
entre as opções mais vendidas.
12
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Foto: Divulgação GM
trabalho de desenvolvimento para
tornar essa uma das melhores picapes do Brasil. Ao longo dos anos,
novos modelos foram surgindo,
como a L200 Outdoor, grande referência no mercado brasileiro.
Em 2012, a linha L200 Triton ganhou cinco novos modelos, consolidando o amplo desenvolvimento e
preocupação da Mitsubishi Motors
em oferecer produtos de qualidade
e prontos para qualquer desafio.
São 30 anos de história e mais de
250.000 cabines duplas vendidas
no Brasil.
MONTANA: DIREÇÃO
HIDRÁULICA DE SÉRIE
A Chevrolet já comercializa a
linha 2015 da Montana, que traz
como principal novidade a direção hidráulica como item de série
também na versão de entrada (LS).
A Montana também se destaca por
sua capacidade de carga. São até
768 kg, cerca de 10% superior à das
principais concorrentes. A caçamba
comprida e alta transporta com segurança até objetos grandes, como
uma motocicleta.
Para preservar o assoalho e assegurar o valor de revenda, o modelo
vem com protetor de caçamba, dez
ganchos para amarração de cordas
e o degrau side step, que facilita o
acesso ao compartimento pela late-
utilitarios.indd 13
ral. Já a tampa traseira possui trava
antifurto com chave.
Outra novidade da linha 2015 é
a opção de carroceria na cor preto
Carbon Flash. Por ser metálica, a
pintura deixa o veículo ainda mais
atraente. A picape Chevrolet também é comercializada nas cores
Branco Summit e Vermelho Pepper
(sólidas), além da Cinza Astec e Prata Switchblade (metálicas).
A Montana possui ainda a versão Sport, voltada principalmente
para o consumidor que procura um
automóvel versátil de dois lugares
para o dia a dia e para o lazer.
A Montana é equipada com o
motor 1.4 litro mais potente da categoria. O EconoFlex da Chevrolet
desenvolve até 102 cavalos e 13,5
kgfm de torque, garantindo elevado
nível de desempenho mesmo com
o carro carregado. A transmissão é
a manual de cinco velocidades F1X
de segunda geração, com engates
curtos, precisos e ré sincronizada.
SAVEIRO CABINE DUPLA: MAIS
TECNOLOGIA
A picape compacta da Volkswagen ganha uma configuração inédita e versátil. A Saveiro Cabine Dupla
chegou em setembro as mais de 630
concessionárias da marca no Brasil
como o veículo com mais tecnologia
em seu segmento. Com design mo-
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UTILITÁRIOS
Foto: Divulgação Volkswagen
a linha 2015 do utilitário
será oferecida nas versões
Startline (cabine simples),
Trendline (cabines simples, estendida ou dupla),
Highline (cabine dupla) e
Cross (cabines estendida
ou dupla). A versão aventureira está equipada com
o novo motor 1.6l MSI, da
família EA211, de até 120
cv. O restante da linha traz
o consagrado motor 1.6
MSI, de até 104 cv. Combinado a ambos os motores,
está o câmbio manual de
cinco marchas MQ200-5F,
reconhecido por sua precisão de funcionamento.
14
simples, cabine estendida e cabine
dupla, com motorização 1.6l MSI com
potência de 104 cv e 120 cv (etanol).
A Saveiro Cabine Dupla marca também a estreia da versão Highline, com
visual e conteúdo diferenciados.
Dessa forma, seguindo a nomenclatura global da Volkswagen,
STRADA CHEGA À MARCA DE
1 MILHÃO
A picape Fiat Strada está registrando mais um recorde em sua
premiada carreira: acaba de somar
um milhão de unidades vendidas no
Brasil. A milionésima unidade que
deixou a linha de montagem em
Foto: Divulgação Fiat
derno, o modelo mantém o compromisso de oferecer, ao mesmo tempo,
excelente espaço na cabine com capacidade para acomodar cinco adultos confortavelmente e ampla área
útil da caçamba.
“A Saveiro Cabina Dupla é o veículo
com mais inovação em seu segmento.
Com esse modelo, a Volkswagen estabelece um novo patamar de segurança,
desempenho, conforto e tecnologia em
sua categoria”, afirma o presidente da
Volkswagen do Brasil, Thomas Schmall.
Disponível em três versões de
acabamento e com duas opções de
motores, o modelo amplia a sua área
de atuação da Volkswagen no mercado de picapes compactas. “A Saveiro Cabine Dupla vem para incluir a
Volkswagen em um novo segmento,
formado por clientes de perfil diferenciado, que além de uma picape robusta procuram por um veículo para a
família, com ótima dirigibilidade”, afirma o gerente-executivo de marketing
de comerciais leves da Volkswagen do
Brasil, Marcelo Olival.
Fabricada em São Bernardo do
Campo (SP), a linha passa a contar
com sete configurações, entre cabine
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direção ao mercado interno é uma
Strada Adventure, vermelha alpine.
O patamar de um milhão de unidades vendidas em quinze anos
desde seu lançamento atesta o
sucesso de mercado deste veículo
extremamente versátil. “O Fiat Strada é um utilitário, mas é também
um automóvel, que pode ser usado
no dia a dia para o trabalho, para
a família, para o lazer, para aventura, ou para o transporte de cargas”,
afirma Lélio Ramos, diretor Comercial da Fiat.
A picape Strada foi lançada em
1998, em complementação à família Palio, em três versões: Working
1.5, Trekking 1.6 8V e LX 1.6 16V.
Rapidamente a picape Strada conquistou o público com qualidades
como estilo, robustez, confiabilidade e versatilidade, demonstrando
ser econômica para o trabalho e
jovem e descontraída para o lazer.
Em 1999, foi lançada a versão com
cabine estendida, uma solução inédita no segmento e um verdadeiro
marco em termos de diferenciação.
Em 2000, a picape Strada se tornou líder de mercado pela primeira
vez. Em 2009, a Fiat lançou a primeira e única picape compacta com
cabine dupla do Brasil. Em 2013, o
modelo recebeu um novo visual e
inovou outra vez, com a introdução
da terceira porta, uma solução inédita neste segmento.
Entre as picapes compactas, o desempenho de vendas da Strada é notável. Suas vendas superam a soma de
todos os demais modelos comercializados, chegando a uma participação
de mercado de mais de 50% em seu
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Foto: Divulgação Toyota
UTILITÁRIOS
segmento. É o veículo comercial leve
mais vendido no Brasil há 14 anos.
NOVA VERSÃO FLEX DA HILUX
A Toyota participou da Expointer,
no município de Esteio (RS), anunciando a introdução no mercado da
Hilux Flex Fuel, na versão SRV, com
tração 4x2 e câmbio automático
de quatro velocidades. O modelo é
equipado com o motor de 2.7L, que
rende 163cv de potência com álcool
e 158cv com gasolina.
A nova versão da Hilux será vendida a partir de novembro, e os consumidores fizeram reservas durante
a Expointer. Trata-se da primeira picape do mercado nacional equipada
com transmissão automática, motor
flexível de quatro cilindros, acabamento top de linha e tração traseira.
Com relação ao preço, a Toyota pretende comercializar a nova versão
abaixo dos R$ 100.000,00.
“Ao lançar uma versão top de linha
com tração 4x2, estamos posicionando a nova versão da Hilux onde
hoje se concentra o maior volume de
vendas de picapes flex dos nossos
principais concorrentes. Além disso,
a nossa picape é a única a combinar
o conforto da transmissão automática com um pacote de equipamentos completo, que traz, entre outros
itens, ar-condicionado digital e central multimídia com navegação, TV e
DVD, além de entradas Auxiliar e USB
e câmera de ré. Tudo isso por um preço bastante competitivo”, afirma Felipe Doho, gerente de produtos para
o segmento de comerciais leves da
Toyota do Brasil.
24/09/2014 15:10:55
LAVOURAS
TAMANHO É
DOCUMENTO
Enquanto não recebemos a classe 10, ampliando ainda mais o portfólio, as maiores
colheitadeiras do mercado vão dando conta do recado.
C
MAIOR AXIAL PRODUZIDA NO
BRASIL
A Case IH revoluciona o mercado
de grãos da América Latina, com a
série 230 das já tradicionais colheitadeiras Axial-Flow. Projetada para
colher mais de 80 tipos de grãos,
sob as mais diferentes condições, a
linha de colheitadeiras é a evolução
das axiais série 20.
As máquinas são a Axial-Flow
9230, a maior colheitadeira em capacidade produtiva de fabricação
nacional e única classe 9 do mercado, e os modelos Axial-Flow 8230 e
7230, que são atualizações dos modelos Axial-Flow 8120 e 7120.
t 4JTUFNB EF GMVYP BYJBM B NBTTB
colhida é introduzida ao sistema
de debulha em movimento espiral,
com um cone de transição, garantindo um processamento suave, uma
maior produtividade e um menor
dano mecânico e latente aos grãos.
t .PUPSFT $BTF '15 'JBU 1PXFSUSBJO5FDOPMPHJFT
EF MJUSPT DPN
potência nominal de 510 cv e potência máxima de 570 cv, com desempenho e força projetados para utilização com a nova plataforma Draper
Fotos: Divulgação
om janelas cada vez mais
estreitas de plantio e colheita, por condições climáticas,
pressão do calendário ou do
mercado, na busca por melhor remuneração e ganhos de produtividade,
qualquer mínima possibilidade de
manejo de prazos pode fazer a diferença na hora da entrega do produto. Além da pressão do tempo, a fuga
da mão de obra do campo também
contribui para que se produza mais
com menor número de equipamentos, desde o preparo do solo até o
porão do navio.
16
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LAVOURAS
3162 de 45 pés. A Axial-Flow 8230
ganhou também um motor novo,
também de 13 litros, com potência
nominal de 455 cv e potência máxima de 516 cv. Já a Axial-Flow 7230
vem com motor de nove litros e com
potências nominal e máxima de 388
cv e 448 cv, respectivamente.
t5VCPEFEFTDBSHBEFN
t 4JTUFNBT EF BDJPOBNFOUP 1PXFS 1MVT $75 5PEB MJOIB EB TÏSJF
230 vem com o sistema de acionaNFOUP 1PXFS 1MVT $75 5SBOTNJTTÍP $POUJOVBNFOUF 7BSJÈWFM
RVF
consiste em um componente que
VUJMJ[BVNBDJPOBNFOUPWJB$75FTpecífico para o rotor e outro específico para o alimentador e para a
plataforma de corte.
t"OUFOBQJMPUPBVUPNÈUJDP
além da maior cobertura de satéliUFTBBOUFOBQPTTVJPTTJOBJT35,F
lavouras.indd 17
359TFOEPPÞMUJNPVNBDPSSFÎÍP
de sinal que não necessita de comunicação via rádio. Peneiras de
milho de alto desempenho. Ideal
para milhos com produção acima
de 220 sacas por hectare.
A Case IH, pioneira no desenvolvimento do sistema axial de colheita, é
líder nessa tecnologia desde 1977.
MF 9895: MAIOR TAXA DE
DESCARGA
-BOÎBNFOUPEB.BTTFZ'FSHVTPO
OB&YQPJOUFSEFTUFBOPB.'
a colheitadeira com a maior taxa
de descarga de grãos do mercado
MT
ÏDBQB[EFPGFSFDFSFGJDJÐOcia e produtividade numa máquina
de alto desempenho para produtores de médio e grande porte.
Equipada com motor AGCO Power, capaz de entregar até 510 cv
de potência, e com o novo rotor
EFOPNJOBEP 5SJEFOU B .' permite um maior processamento sem sacrificar a qualidade dos
grãos. A colheitadeira possui um
inovador sistema de limpeza estratificado que aumenta consideravelmente a eficiência do conjunto
sem a necessidade de aumento de
área das peneiras. Outra característica exclusiva é o moderno sistema de arrefecimento denominado
V-Cool que praticamente elimina
manutenções diárias aumentando
as jornadas de trabalho. A nova
geração de colheitadeiras axiais,
voltada a produtores de médio e
grande porte foi projetada para
trabalhar com menos paradas, manutenção e esforço.
“Com design surpreendente, ela
já nasce com toda a tecnologia
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LAVOURAS
mais avançada disponível para maximizar os resultados e aumentar o
retorno financeiro no campo”, explica gerente de marketing do proEVUPEB.BTTFZ'FSHVTPO3PCFSUP
Ruppenthal.
"DPMIFJUBEFJSB.'DPORVJTtou o título Novidade Agrishow Agricultura de Escala, concedido pelo
1SÐNJP(FSEBV.FMIPSFTEB5FSSB
VALTRA BC8800: REVOLUÇÃO
NA CLASSE VIII
A Valtra levou à 37ª Expointer a
colheitadeira com a melhor relação
litros por tonelada colhida entre as
colheitadeiras axiais da Classe VIII,
a BC8800.
Uma das principais novidades
desta colheitadeira é o inovador
sistema de limpeza de grãos de
multiestágios. Isto porque o equipamento conta com um fluxo de
ar direcionado, suportado por um
ventilador de grande capacidade,
que amplia a velocidade do ar e o
direciona para uma saída acima da
peneira de pré-limpeza, eliminando assim tudo o que não for grão.
18
Com isso, a máquina oferece maior
capacidade de limpeza e diminui a
sensibilidade de colheita em terrenos inclinados.
Outro fator importante da nova
colheitadeira é que o diâmetro do
caracol de grãos limpos foi ampliado, incrementando em 60% o
GMVYPEFHSÍPT5VEPQBSBTVQPSUBS
a maior capacidade de processamento do novo rotor. Vale destacar
ainda que a exclusiva pré-limpeza
por fluxo de ar superior acompanha toda a extensão do procesTBEPS 5SJ;POF QSFWFOJOEP QFSEBT
provenientes por excesso de material ou separação tardia dos grãos.
“A posição do rotor, diretamente
sobre o sistema de limpeza, elimina a necessidade
de caracóis transportadores, proporcionando menor
dano aos grãos”, explica
Douglas Vincensi, gerente
de marketing do produto colheitadeira da AGCO
"NÏSJDBEP4VM
Além de possuir a maior
taxa de descarga do mercaEPMJUSPTQPSTFHVOEP
a BC8800, da Valtra, apresenta ainda um sistema
que dispensa o uso da tela
rotativa, o V-Flow, desenvolvido para se livrar de palhas e resíduos. O sistema
previne obstruções, gasta
menos energia e reduz manutenções diárias.
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23/09/2014 21:28:25
ENT RE PARA
A HISTÓRIA DAS CRIANÇAS
DA
AACD.
PART ICIPE DO T ELETON,
7 E 8 DE NOVEMBRO.
LIGUE:
OU
ACESSE:
0800771 78 78
twitter.com/aacd
TELETON.ORG.BR
facebook.com/ajudeaacd
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IRRIGAÇÃO
MAIS RESERVAÇÃO,
MAIS PRODUÇÃO
Em Goiás, propriedades rurais retêm água com uso de barragens e proporcionam
desenvolvimento de empreendimentos agrícolas.
E
irrigação. “Para viabilizar técnica e
economicamente a produção de hortaliças de qualidade, em quantidade
suficiente para atender à grande demanda de alimentos da sociedade, é
preciso fazê-lo de forma irrigada, na
época certa do ano. Isso requer acúmulo da quantidade apropriada de
água, porque água representa mais
de 80% de itens como batata, cenoura e cebola”, diz.
Em 2013, a produção de hortaliças
na propriedade foi de 100 mil toneladas. “Sem irrigação e, portanto, sem
represamento, a produção de hortaliças aqui seria inexistente”, ressalta.
A agrícola tem quatro mil hectares
produtivos, emprega cerca de duas
mil pessoas e produz, além de hortaliças, itens como soja, milho e trigo.
“Esta região tem um bom nível de
precipitação. Chove muito, mas a chuva é concentrada numa determinada
época do ano. E a produção de hortaliças só é boa no período de ausência
de chuvas. Então a ideia consiste em
acumular a água excedente do período de chuvas com as represas e usá-la
para a produção irrigada no período
seco”, explica Wehrmann.
Na avaliação do presidente da
Associação Brasileira de Irrigação e
Fotos: Fredederico Celente/Codevasf
ntre as atividades de campo
realizadas no âmbito no XXIV
Congresso Nacional de Irrigação e Drenagem (Conird)
esteve a visita a propriedades rurais
em que a retenção de água com o
uso de barragens tem proporcionado
o desenvolvimento de grandes empreendimentos agrícolas. Um dos locais visitados pelos participantes do
evento foi a Agrícola Wehrmann, no
município de Cristalina (GO).
De acordo com Verni Wehrmann,
sócio da agrícola, a produção de
hortaliças seria inviável na propriedade sem o uso de tecnologias de
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Drenagem (Abid), Helvécio Saturnino, os barramentos
de água costumam ser vetores de desenvolvimento. “O
sistema de reservação de água está por trás da existência de muitas áreas irrigadas. O empreendedor reserva
a água disponível nos momentos de abundância para
poder regularizar o fluxo hídrico e usar esse recurso o
ano todo”, diz.
Durante visita a uma das duas barragens existentes na
propriedade Wehrmann, o engenheiro agrícola Wellington Almeida, responsável pelo represamento, apresentou aos visitantes as dimensões do barramento. “Esta
barragem pode acumular 9,2 milhões de litros de água
e abastece 22 pivôs centrais. Em breve, outros 19 pivôs
receberão água proveniente daqui”, disse Almeida diante
da barragem Santa Bárbara, localizada no curso do córrego Capim Pubo.
De acordo com o engenheiro, represamentos realizados corretamente – com segurança e planejamento ambiental – aumentam a reserva de água no lençol freático
e funcionam como “verdadeiros produtores de água”. “A
barragem eleva o lençol freático e armazena água no solo.
No período chuvoso, o lençol é recarregado; no período
de seca, ele leva água para dentro da represa e alimenta
nascentes a jusante. Além disso, não há qualquer prejuízo
à vazão normal do córrego”, afirmou.
O XXIV Conird, promovido pela Abid, ocorreu de 8 a
12 de setembro, em Brasília. O evento reuniu especialistas brasileiros e estrangeiros, com o apoio de instituições
como a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do
São Francisco e do Parnaíba (Codevasf ) e o Ministério da
Integração Nacional (MI).
Fonte: Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São
Francisco e do Parnaíba.
irrigação.indd 21
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IMPLEMENTOS RODOVIÁRIOS
ATIVIDADE CONTINUA
EM QUEDA
Expectativa da Anfir é que desempenho da indústria fique aproximadamente 10% menor
que o resultado apurado em 2013.
A
Nacional dos fabricantes de Implementos Rodoviários).
Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o segundo trimestre
apresentou resultado 0,6% negativo. Isso significa que o Brasil entrou
na chamada recessão técnica, quando há queda no produto interno por
dois trimestres seguidos.
Porém, o mesmo IBGE registrou,
após cinco meses de queda, crescimento na produção industrial de
0,7% em julho sobre junho. Pelos dados do instituto, a alta está presente
em 20 dos 24 setores pesquisados.
Isso significa que a maior parte deles produziu mais do que em junho.
Na taxa anualizada do desempenho
da indústria, o levantamento ainda
indica queda de 1,2%.
No ambiente atual de recessão
técnica somado a retomada lenta
na produção industrial, há medidas
tomadas pelo governo em favor do
setor que poderão reduzir as perdas
da indústria produtora de implementos rodoviários. Uma delas é a
entrada dos implementos rodoviários no Mais Alimentos, o programa
de financiamento para pequenos
produtores rurais que integra o
Foto: Divulgação Guerra
indústria produtora de implementos rodoviários registrou, de janeiro a agosto
de 2014, queda de 10,68%
em suas vendas sobre igual período
de 2013. Em oito meses as empresas
produziram e distribuíram 103.925
unidades, ante 116.354 produtos
de janeiro a agosto do ano passado.
O setor segue atento aos diversos
sinais macroeconômicos que indicam tanto recessão quanto recuperação lenta no segundo semestre.
“A indústria sente diretamente os
reflexos da queda na atividade econômica no primeiro semestre e da
recessão técnica”, diz Alcides Braga, presidente da Anfir (Associação
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Foto: Divulgação Noma
IMPLEMENTOS RODOVIÁRIOS
Programa Nacional de FortalecimenFortalecimen
to da Agricultura Familiar (Pronaf )
do Ministério do Desenvolvimento
Agrário (MDA).
A outra foi a ampliação da parcela
financiável de implementos rodoviários no programa PSI/Finame. O
percentual anterior era de 80% para
implementos.indd 23
empresas com Receita Operacional
Bruta (ROB) acima de R$ 90 milhões
ao ano e 90% para companhias com
ROB igual ou inferior a esse valor. A
mudança ampliou a parcela passível
de financiamento oficial para 100%,
ainda com juros anuais de 6%. As
duas medidas atenderam pedidos
da Anfir em favor do mercado nacional de implementos rodoviários.
O terceiro benefício, a inclusão no
programa de renovação de frota do
Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC),
não deverá trazer resultados positivos
em breve. Isso porque o programa
ainda está em fase de discussão, porém já conta com a presença da Anfir
na mesa de discussões.
Segmentos. O segmento de reboques e semirreboques (pesado)
registrou de janeiro a agosto de 2014
vendas 16,44% abaixo das apuradas
no mesmo período de 2013: 37.741
produtos contra 45.169 unidades.
No segmento de carroceria sobre chassis (leve) a queda registrada
foi de 7,03%. As vendas de janeiro a
agosto foram de 66.184 produtos,
ante 71.185 unidades apuradas no
mesmo período de 2013.
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ENERGIA
BIOMASSAS REGIONAIS
PARA PRODUÇÃO DE ENERGIA
DE BIOGÁS
Estudo da modelagem e simulação dos processos de bioconversão de biomassas
regionais para produção de energia de biogás, biofertilizantes e adubo orgânico no setor
agroindustrial brasileiro.
Johnson Pontes de Moura*
e o melhoramento da “imagem” são
pressupostos fundamentais para incrementar o alto conteúdo de serviço
que já oferecem e facilitam a colocação de novos produtos no mercado,
bem como a criação de novas oportunidades de consumo. A cajucultura
brasileira concentra-se no Nordeste
que aparece com 99% da produção
total, onde sua importância socioeconômica e reforçada pela geração de
emprego do campo, gerando sustentabilidade e viabilidades econômicas.
Palavras-chave: biotecnologia,
agroindústria, biogás.
Foto: Agência Petrobras
RESUMO
O setor agropecuário desempenha
um papel preponderante na balança
agro-alimentar brasileira, a utilização
de matérias-primas com características organolépticas adequadas, a redução dos tempos de estocagem, a fim
de obtenção de produtos mais frescos;
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ENERGIA
ABSTRACT
The farming sector plays a preponderant role in the scale agro to
feed Brazilian, the raw material use
with adjusted organoleptics characteristics, the reduction of the stockage times, in order attainment of
cooler products; e the improvement
of the “image” is estimated basic to
develop the high content of service
that already they offer and they facilitate the rank of new products in the
market, as well as the creation of new
chances of consumption. The Brazilian cashew cultivation is concentrated in the Northeast that appears with
99% of the total production, where
its importance socioeconomic and
strengthened by the generation of
job of the field, generating economic
sustentability and viability.
Keywords: Biotecnology,
Agroindustry, Biogas.
1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS
O reconhecimento da importância da atividade agroindustrial no
processo de desenvolvimento econômico e social tem levado os formuladores de políticas públicas, no
Brasil e no exterior, a eleger o setor
agropecuário como prioritário para
a promoção de investimentos em
novos empreendimentos. De fato,
sabe-se que a agroindústria é uma
das principais geradoras de empregos diretos e indiretos por unidade
de capital investido. Dados recentes
do Departamento Econômico do BNDES e do IBGE mostram claramente
esta característica no caso brasileiro, onde, para cada milhão de dólares investido, os empreendimentos
agropecuários e agroindustriais chegam a gerar 118 a 182 empregos,
cerca de 15% a 80% a mais do que
os investimentos em um segmento
tradicionalmente intenso em ocupação de mão de obra, como o setor
comercial. Por outro lado, a típica
orientação locacional para a fonte de matéria-prima faz com que a
agroindústria contribua para mitigar
o sério problema do êxodo rural, por
gerar empregos diretos e indiretos
no campo.
2. OBJETIVOS
O interesse principal deste trabalho é promover a articulação e organização do agronegócio, visando
a aumentar sua eficiência e eficácia
em beneficio da sociedade, aproveitando o excedente da produção do
setor de fruticultura, que se concentra em determinada época do ano,
estudando inicialmente a obtenção
de geleia e doce, a partir da parte
nobre da fruta, ou seja, a polpa, visando assim, definir a formulação
mais adequada para a obtenção
e uma geleia de qualidade, como
também a fabricação de ração a
partir de resíduos da própria fruta,
utilizando tecnologia apropriada
para nossa região, principalmente
na região rural. Nosso objetivo envolve, também, o desenvolvimento
de equipamentos de baixo custo de
construção e operação que permita
alto rendimento energético (sem
perdas térmicas), podendo assim
ser comercializado com maior vantagem sobre os demais produtos
existentes no mercado com viabilidade para atender o mercado dos
pequenos produtores, cooperativas
e agroindústrias.
3. METODOLOGIA
3.1 Pesquisa Bibliográfica
Foram realizados levantamentos
bibliográficos via Internet, livros
didáticos, teses e trabalhos publicados, CD-rom e revistas. Nessa
pesquisa foram feitos levantamentos de custos de matéria-prima,
equipamentos e mão-de-obra.
Figura 1 – Gráfico da análise do ponto de equilíbrio
Setembro/2014 • Revista AgriMotor
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25
23/09/2014 21:36:23
ENERGIA
aproveitamento da biomassa. Serão
definidos os projetos preliminares
de engenharia para aproveitamento de resíduos sólidos orgânicos
para geração de energia com melhoria na viabilidade econômica e
projeto desenhado.
Figura 2 – Ponto de equilíbrio
3.2 Visita Técnica e Diagnósticos Problemáticos de Pesquisa
A realização de visitas técnicas a
pequenas comunidades com a finalidade de complementar o estudo
de pesquisa bibliográfica e desenvolver propostas de trabalho a atender, de forma mais viável, este setor.
3.3 Desenvolvimento de Fluxograma e Cenários de Estudos
Com base nos dados pesquisados
e nas necessidades da pesquisa foram desenvolvidos fluxogramas do
processo no qual está baseado o projeto. Foram elaborados diversos fluxogramas de projeto preliminar para
fabricação de ração e industrialização
de geleias. O sistema proposto visa à
produção de energia de biogás em
sistema integrado, com energia solar,
com o objetivo de utilizar na industrialização de geleias e ração animal.
A partir de dados de entrada e saída
foram feitos os balanços de massa.
Foram desenvolvidos três cenários de
estudo baseados nos sistemas comumente praticados no país.
3.4 Seleção e Estudo do Processo de Bioconversão dos Resíduos
26
Sólidos para Produção de Adubo
Orgânico, Energia (Biogás) e Ração Animal
Através de estudos e análises
comparativas dos bioprocessos de
utilização de resíduos sólidos, serão
selecionados os processos biológicos de pré-tratamento e biodigestores anaeróbicos de multiestágio
com separação sólido, líquido e
gás, visando os enfoques estratégicos. Baseando-se na tecnologia de
3.5 Modelagem e Simulação do
Sistema Proposto para Geração
de Energia
Utilizou-se software simulador de
processo industrial de última geração para simulação de processo de
bioconversão e planejamento experimental, com metodologia desenvolvida com a seguinte sistemática
sequencial técnica. O sistema basearse-á em simulação de processos utilizando a bioconversão acelerada de
biomassa residual de origens agrícolas para ração animal e biofertilizantes orgânico visando baixar custo.
3.6 Estudo de Simulação e Otimização dos Processos de Bioconversão de Resíduos
O enfoque sequencial-modular
implementa os módulos que representam operações ou etapas de processamento como rotinas computa-
Figura 3 – Fluxograma de bloco para obtenção de produto e processo
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energia_full.indd 26
23/09/2014 21:36:24
ENERGIA
unidade produzida. A
esse nível de equilíbrio,
o projeto possui grande margem de atuação,
podendo
considerar
uma previsão de erro de
10%. Ainda assim, estará assegurado o êxito do
empreendimento, considerando que, quanto
mais se afastar o ponto
de equilíbrio, maiores
serão os lucros.
Figura 4 – Fluxograma do processo para produção 1t/dia de ração animal
cionais que calculam valores de saída
(outputs) a partir de valores de entrada (inputs).
Na realização de simulação, almeja-se definir o sistema de simulação
baseado em planta piloto, estimando
e modelando os dados obtidos, estudando o efeito dos componentes de
sistemas para separação por diferentes processos de operação, visando à
otimização dos projetos. A otimização
do número de estágios processos serão feitos através de estudos, usando
os seguintes bioprocessos: fermentação (bioconversão) aeróbica usando
fungo e processo anaeróbico em vez
do processo químico.
Biomassa + H2O biodigestor
metano + CO2 + biofertilizante
4. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA E
ESTADO DA ARTE
4.1 FABRICAÇÃO DE GELEIA
A geleia de frutas é definida como
o produto obtido pela cocção de frutas inteiras ou em pedaços, polpa ou
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suco de frutas, com açúcar e, concentrado até consistência gelatinosa, assumindo o segundo produto em importância industrial para a indústria
de conservas de fruta.
Uso de Elementos Básicos para a
Elaboração de Geleia
São considerados elementos
básicos para a elaboração de uma
geleia, os componentes: frutas, pectina, ácido, açúcar e água. Uma combinação adequada deles, tanto na
qualidade como na ordem de colocação durante o processamento, irá
definir a qualidade de uma geleia.
O fluxograma da figura 1, mostra
de maneira resumida, a influência de
cada componente na formação da
geleia.
O ponto de equilíbrio do projeto
é de 23,9%. Esse índice indica a condição competitividade. Quanto mais
for utilizada a capacidade instalada,
de forma racional e econômica, maiores serão os ganhos marginais por
ESTUDO DE CASO 2:
UNIDADE PLANTA PILOTO PARA MICROUSINAS DE GELEIA COM O USO DE ENERGIA GERADA DO BIOGÁS
Utilizou-se o programa Super
Pro Designer vs 4.9 para se encontrar os resultados da simulação do
processo de geração de energia a
partir da biodigestão do efluente
de uma indústria de geleia. Após
a realização da revisão bibliográfica para melhor entendimento do
processo, foi feito o fluxograma ver
Figura 3 de blocos e de operação
para o processo em estudo.
Simulação e otimização do processo de produção de ração animal
Todas as etapas do processo de
produção de ração animal foram estudadas em detalhe através de simulação e otimizado do processo com
o auxilio de moderna ferramenta de
software Super Pro Designer vs 4.9.
Com base nos dados experimentais e levantamentos bibliográficos
pode-se simular através de softwa-
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ENERGIA
CEMIG. Estudo de
otimização energética:
setorial laticínios: CEMIG, 1989.
Cortez, L. e Boily,
R. La rentabilité des
récupérateurs de chaleur du lait. Apresentado no 11e Colloque
de Génie Rural, Université Laval, Quebéc,
Canadá. 1984. 45 p.
Fluxograma de processo de biodigestão
re Super Pro Designer vs 4.9 a sistemática de processo otimizando
do projeto de produção de ração
animal.
As etapas da simulação do processo produtivo podem ser vistas na
figura 4.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
t " FTDPMIB EB NBUÏSJBQSJNB SFgional visando a produção de geleia
foi possível usando frutas desperdiçadas. Os resultados preliminares
mostraram vantagem de uso da casca de maracujá e melão como fonte
em relação a pectina obtida da casca de laranja. Em trabalhos futuros
será utilizada a fruta pêlo (uma cactácea) como matéria-prima de baixo
custo e fácil aquisição;
t %PT QSPDFTTPT SFBMJ[BEPT QBSB
extração de pectina, observou-se melhor resultado no processo térmico, já
que esse método contribui juntamente com o acido cítrico para quebra
das moléculas de pectina, adquirindo
melhor consistência.
t1ÙEFTFDPODMVJSBUSBWÏTEBTBOÈlises de investimentos que o sistema
de produção de geleia é uma boa
alternativa, pois a matéria-prima é
28
abundante, o custo é baixo e a produção é rápida e lucrativa;
t $PN PT SFTVMUBEPT FN NÍPT
pode-se concluir que a utilização do
biogás para a indústria de geleia, bem
como para qualquer outro setor industrial é viável, desde que se tenha
uma quantidade considerável de material. As simulações feitas mostraram
que a operação com o biogás é lucrativa. Do ponto de vista ambiental,
este processo também é de grande
valor, pois reduz o teor de carbono
no efluente, isso é, o impacto para o
meio ambiente no momento do descarte final será menor.
REFERÊNCIAS
NAGARAJI J..; Garud, S.S; Ashok Kumar, K.; Ramakrishna Rao, M. 1 MWth
industrial solar hot water system and
its performance; Solar Energy; Vol. 39;
Num. 5/6, pp 415-420. Elsevier Science Ltd.; Londres; 1999.
JORDAN R. A. et al. Bomba de Calor
Água-Água Acionada a Biogás para
Aquecimento e Resfriamento em Fazendas Leiteiras Visando a Racionalização no uso da Energia Elétrica. 5°
AGRENER, Unicamp, São Paulo, 2004.
Fagundes, M. H.
Leite: Situação atual e
perspectivas para o setor. Conjunturas Agropecuárias, Estudos Especiais. Brasília: CONAB, 2003. 32p.
Junior, R. B. et al. Consumo de
Energia Elétrica de um Laticínio
Tipo “A” e Estudo de Racionalização
do uso de Energia Elétrica nos Processos de Resfriamento de Leite e
Aquecimento de Água: Um Estudo
de Caso. 5° AGRENER, Unicamp, São
Paulo, 2004.
Stout, B. A. Energy – Use and
Management in Agriculture. Breton
Publishers, North Scituate. Massachussets, 1984, 318p.
FIGUEIRAS, C. V. Gestion de resíduos y tratamiento de águas residuales. Informacion tecnológica, 1
(1), 56-66, 1990.
VAN HORN, H. H., WILKEI, A C.,
POWERS, W.J., NORDSTEDT, R. A.
Components of dairy manure management systems. Journal Dairy
Science,v.77(7) p.2008-30, 1994.
*Johnson Pontes de Moura: engenheiro químico pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte
(UFRN). Mestre em engenharia química pela Universidade Federal do
Rio Grande do Norte (UFRN).
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24/09/2014 15:07:30
INOVAÇÃO
INVESTINDO NO
ÁCARO PREDADOR
Empresa de biotecnologia agrícola localizada em Engenheiro Coelho, no interior de
São Paulo, recebe aporte de R$ 4 milhões do Fundo de Inovação Paulista.
F
Foto: Divulgação
undada em 2006 por dois
engenheiros agrônomos, a
Promip desenvolve inovações
que aumentam a produtividade agrícola, trazendo soluções complementares ao uso de agroquímicos e transgênicos. Com o aporte do
fundo, a empresa pretende colocar
em prática um plano estratégico que
tem como objetivos principais a ampliação da capacidade de produção
e a aceleração de novos projetos em
pesquisa e desenvolvimento.
Os produtos biológicos já são
alicerces indispensáveis de outros
mercados agrícolas globais, como o
europeu e americano. Mas nenhuma
agricultura tropical de escala mundial, como a brasileira, possui cadeia
estruturada de biotecnologia aplicada ao Manejo Integrado de Pragas. O
manejo integrado de pragas (MIP) é
um conceito que preconiza o uso de
diferentes ferramentas para o manejo
de pragas, tais como o controle químico, priorizando moléculas seletivas
aos inimigos naturais, o controle biológico aplicado, através da liberação
de agentes de controle biológico, o
controle cultural, o uso de variedades
resistentes à pragas e doenças, o uso
de feromônios, etc.
Em 2006, a Promip iniciou o desenvolvimento
de produção em larga
escada de três produtos biológicos contendo
ácaros predadores, com
apoio e financiamento
da Fundação de Amparo
à Pesquisa do Estado de
São Paulo (Fapesp), Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento
(CNPq) e Desenvolve São
Paulo (Programa Funcet).
Em janeiro, a Promip,
em colaboração com a
Embrapa e com o apoio
da Fapesp iniciou um projeto que visa a produção e
comercialização de agentes polinizadores (abelhas
sem ferrão) para o uso
através da polinização
assistida, método que ga-
rantirá ao agricultor aumento da produtividade em 20 a 30% devido à presença desses agentes em seu cultivo.
O lançamento desta nova tecnologia
está previsto para o início de 2016.
AVANÇO CONSISTENTE
“O investimento feito pelo Fundo
de Inovação Paulista será fundamental para nos permitir dar um novo salto na operação”, afirma Marcelo Poletti, co-fundador da Promip ao lado
de Roberto Konno. “A empresa atua
em um segmento que exige inovação permanentemente. Com o apoio
do fundo, teremos condições de
avançar de modo mais consistente,
seja em pesquisa e desenvolvimento,
seja em negócios”, diz Konno.
O Fundo de Inovação Paulista faz
parte do Programa São Paulo Inova.
Seu objetivo é investir em pequenas
e médias empresas e startups de base
tecnológica, ampliando as ações do governo de São Paulo no fomento à inovação. O estado é responsável por mais da
metade da produção científica do país,
além de contar com grande número de
parques tecnológicos e incubadoras. O
Fundo tem como investidores a Desenvolve SP, o Sebrae-SP, Fapesp, Finep e a
Caixa Andina de Fomento (CAF).
Ao todo, entre 18 a 22 pequenas
empresas, com atuação em áreas
como tecnologia da informação (TI),
nanotecnologia, fotônica e ciências
da vida, e com faturamento anual
de até R$ 3,6 milhões, devem ser selecionadas pelo fundo para receber
investimento.
Setembro/2014 • Revista AgriMotor
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29
23/09/2014 21:36:27
BIOTECNOLOGIA
Fotos: George Brown
MINHOCAS AUMENTAM
PRODUTIVIDADE AGRÍCOLA
Estudo comprova que presença de minhocas, que ajudam a tornar o nitrogênio mais
disponível para as plantas, aumenta a produtividade de grãos em 25%.
Katia Regina Pichelli
E
studo que contou com a participação de um pesquisador
brasileiro e acaba de ser publicado na Scientific Reports, única
publicação de acesso livre do Nature
Publishing Group, revela que a presença das minhocas no solo aumenta
a produtividade agrícola. O resultado
mostra que “em média, a presença das
minhocas aumentou a produtividade
de grãos em 25% e a biomassa aérea
de plantas, em especial as utilizadas
em pastagens, em 23%”, afirma George Brown, pesquisador em ecologia
do solo da Embrapa Florestas (PR), e
um dos coautores do trabalho. “A biomassa das raízes também aumentou
em 20%”, revela. Outra conclusão é que
as minhocas não afetaram o teor de nitrogênio das plantas, indicando que a
30
qualidade não foi afetada. “Portanto,
as minhocas afetam principalmente a
produtividade”.
“O resultado era esperado”, afirma
Brown. “Há centenas de anos as minhocas são consideradas aliadas do
agricultor, ajudando no crescimento
das plantas. Contudo, o que não sabíamos ainda era a dimensão do efeito
positivo nem como ele funcionava.
Foi isso que avaliamos nesse trabalho”, completa.
Para chegar a esse resultado, os
pesquisadores reuniram artigos sobre o assunto publicados em revistas
indexadas: no total foram 58 – o mais
antigo é de 1910. Todos os ensaios
mediram o efeito das minhocas na
produtividade agrícola e a biomassa vegetal. Em seguida, foi realizada
uma meta-análise dos dados, técnica
estatística usada para avaliar e buscar padrões em grandes volumes de
dados. A equipe de pesquisa incluiu,
além de Brown, professores e alunos
de pós-graduação da Universidade
de Wageningen (Indonésia) e um pesquisador da Northern Arizona University (Estados Unidos).
Os autores procuraram, ainda,
elucidar os mecanismos por trás dos
efeitos positivos proporcionados pelas minhocas. “Com a construção de
galerias, a ingestão de solo e a produção de coprólitos (excrementos), as
minhocas liberam o nitrogênio presente nos resíduos vegetais e na matéria orgânica do solo, transformando
o que seria adubo orgânico em mineral”, explica Jan Willem van Groeni-
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24/09/2014 15:12:56
BIOTECNOLOGIA
gen, líder da equipe e primeiro autor
do trabalho. “E o nitrogênio é um dos
nutrientes mais importantes para o
crescimento das plantas”, completa. O
efeito positivo desapareceu quando
doses maiores de adubo nitrogenado
eram aplicadas pelos produtores ou
quando leguminosas (que fixam nitrogênio do ar) estavam presentes.
No entanto, Brown explica que as
minhocas não produzem nitrogênio.
Elas apenas ajudam a torná-lo mais
disponível para as plantas. O efeito positivo das minhocas foi maior
quando estavam presentes no solo
maiores quantidades de resíduos das
culturas, que por sua vez alimentam
as minhocas, como no plantio direto,
por exemplo.
Os autores concluem, então, que as
minhocas são especialmente importantes para dois tipos de agricultores:
aqueles que podem usar somente baixas doses de (ou nenhum) adubo nitrogenado porque não têm condições
financeiras ou acesso a ele; e aqueles
que não querem usá-lo, pois
dependem do processo de decomposição
natural da matéria
orgânica para liberar
nutrientes para as
plantas, como no
caso da agricultura orgânica. Portanto,
em sistemas intensivos
de produção, com necessidade de alto uso de insumos e adubos químicos, o efeito
benéfico das minhocas sobre a
produtividade das culturas provavelmente será menor.
Há muitas perguntas a serem respondidas, enfatiza Brown. “Encontramos um paradoxo: as minhocas têm
maiores benefícios na produção em
solos pobres, de baixa fertilidade, onde
suas populações também podem estar limitadas por falta de alimento.
Portanto, trabalho futuros devem buscar
formas de aumentar
as populações de minhocas nesses solos,
especialmente com
uso racional de insumos orgânicos. Dessa
forma, o agricultor se
tornará aliado da minhoca, assim como
ela é aliada do agricultor”, explica Brown. “Além disso”, pondera, “ainda não está
claro como as minhocas afetam a disponibilidade de outros
nutrientes essenciais
para as plantas, especialmente o fósforo.
Eventualmente, teremos que saber isso
para poder entender
como as minhocas
podem nos ajudar a construir
uma agricultura mais sustentável”.
Os resultados não significam que
o produtor poderá adicionar deliberadamente minhocas ao seu terreno
para aumentar a produtividade, pois
é uma prática inviável do ponto de
vista econômico e ecológico para a
maior parte das culturas. “Isso só deve
ser realizado excepcionalmente, pois
o bom manejo das culturas e da propriedade agrícola já ajuda na manutenção e no aumento das populações
de minhocas no solo. Para ser um
aliado das minhocas e desfrutar dos
benefícios que elas proporcionam ao
solo, o agricultor deve evitar o uso excessivo de agrotóxicos, a movimentação excessiva do solo (por exemplo,
a inversão do solo com arado), a erosão, a compactação e a contaminação
do solo e manejar a adição de restos
das culturas no solo, visando aumentar a matéria orgânica que serve de
alimento para as populações de minhocas”, sentencia Brown.
Título completo do artigo na Scientific Reports: Van Groenigen JW, Lubbers
IM, Vos HMJ, Brown GG, De Deyn GB,
Van Groenigen KJ. 2014. Earthworms
increase plant production: a metaanalysis. Scientific Reports v.4, 6365.
DOI: 10.1038/srep06365.
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31
23/09/2014 21:39:23
CLIPPING
EXPORTAÇÃO/CEPEA
A receita das exportações do
agronegócio brasileiro alcançou
U$$ 9,7 bilhões em junho, superando em 4,6% o valor de junho
de 2013. No semestre, no entanto, o montante em dólares ficou
um pouco abaixo dos U$$ 50 bilhões: queda de 1% em relação
ao resultado obtido no mesmo
período do ano anterior. A participação do setor nas exportações totais do país continua em
crescimento e atingiu 44,4% no
primeiro semestre de 2014.
REGULARIZAÇÃO
DE PROPRIEDADES RURAIS
O Cadastro Ambiental Rural (CAR) auxilia no processo
de regularização ambiental de
propriedades e posses rurais.
Por meio da ferramenta, é possível, por exemplo, delimitar as
Áreas de Proteção Permanente
(APP), de Reserva Legal (RL), as
remanescentes de vegetação
nativa e as áreas de interesse
social e de utilidade pública.
Para fazer o CAR, é preciso
apresentar o RG, CPF, título de
propriedade, além de declarar
as áreas de produção. O prazo
vai até março de 2015. Informações: www.car.gov.br.
FUNCAFÉ: R$ 232 MI
O ministério da Agricultura assinou dois contratos com
agente financeiro para repasse
de recursos do Fundo de Defesa
da Economia Cafeeira (Funcafé) no valor de R$ 232 milhões,
aprovados pela Resolução do
Conselho Monetário Nacional (CMN) nºs. 4.325/2014 e
4.340/2014. Os extratos desses
contratos firmados com o Banco ABC Brasil e com o Banco Original S/A foram publicados no
Diário Oficial da União.
REFORMA AGRÁRIA
Decretos publicados no Diário Oficial da União do dia 26
de agosto destinam oito novas áreas rurais em sete estados brasileiros para a reforma
agrária. No total, são 7.710
hectares com capacidade para
receber 285 famílias de trabalhadores rurais.
Os decretos têm como base
o artigo 184 da Constituição
Federal que diz que compete
à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural
que não estiver cumprindo a
função social, mediante prévia
e justa indenização.
w w.freeimag
www.
free
reeimag
ima es.c
es.com
om
ETANOL 2G
O etanol de segunda geração (2G), produzido a partir do processamento do bagaço e da palha de cana-de-açúcar, poderá se tornar
um dos combustíveis mais competitivos do mercado nos próximos
anos. A tecnologia será um dos temas abordados durante 14ª Conferência Internacional sobre Açúcar e Etanol, que acontece nos dias
20 e 21 de outubro, em São Paulo. Mais informações sobre o evento
acesse: www.conferenciadatagro.com.br
32
NOVO RECORDE
DE PRODUÇÃO
A produção brasileira de grãos
da safra 2013/2014 chegará a
195,46 milhões de toneladas, um
aumento de 6,80 milhões de toneladas ou o equivalente a 3,6%
sobre a safra anterior, de 188,65
milhões de toneladas. Os dados
são do 12º e último levantamento de grãos da safra atual, divulgado pela Companhia Nacional
de Abastecimento (Conab) no
dia 09 de setembro.
MAIS SOJA
A produção brasileira de soja
em 2014/15 deverá totalizar
95,904 milhões de toneladas,
com aumento de 11% sobre a
safra da temporada anterior,
que ficou em 86,623 milhões de
toneladas. No relatório anterior,
divulgado em julho, também
por Safras & Mercado, a estimativa era de 94,451 milhões de
toneladas. Levantamento dia 12
de setembro, aponta um crescimento sobre 2013/14 de 11%.
MENOS EMISSÕES
A Volkswagen do Brasil acaba
de investir R$ 50 milhões em 12
novos equipamentos e ampliação dos laboratórios emissões e
de motores na fábrica Anchieta,
em São Bernardo do Campo. Iniciado em 2011, o investimento
inclui novos dinamômetros de
bancada (estático, para motores) e de chassis (dinâmico, com
o carro em movimento), entre
eles o primeiro dinamômetro
da indústria brasileira para testes em veículos 4X4.
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An
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Candidatos,
pensem
nos candidatos
que o brasil
precisa ter nas
eleiçÕES de 2054.
Você que já pode votar, escolha um candidato
que pensa em quem ainda não pode.
Vote em quem está comprometido com
os direitos da criança e do adolescente.
está nas suas mãos eleger
um Presidente Amigo da Criança.
aécio neves
marina silva
acesse presidenteamigo.org.br
e abrace esTa causa.
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OPINIÃO
CONTRA A FOME E A
INFLAÇÃO
Ouvir as vozes da agricultura, pecuária e de toda a cadeia produtiva do agronegócio
é indispensável ao governante a ser eleito.
João Guilherme Sabino Ometto*
N
a pauta da campanha eleitoral de 2014 — marcada
pela triste despedida do governador Eduardo Campos
—, o agronegócio deve ser, necessariamente, um dos temas prioritários,
considerando o seu significado para
a segurança alimentar, exportações
e a economia, com a participação de
23% no PIB brasileiro. Nesse sentido, é
importante que todos os candidatos
à presidência da República deem máxima atenção às propostas que receberam das entidades representativas
do setor. É preciso analisar em profundidade as suas demandas.
34
O documento da Confederação
Nacional da Agricultura (CNA) recomenda a ampliação e diversificação
dos investimentos em infraestrutura de transportes, ainda concentrados no modal rodoviário, aumento
da capacidade de armazenamento,
multiplicação das tecnologias para
melhorar a produtividade e melhores estratégias relativas ao mercado
internacional. Observa-se aqui, por
exemplo, uma congruência com as
reivindicações consensuais de toda
a sociedade quanto à melhoria da
infraestrutura de movimentação e
logística das cargas.
A Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), em interessante
estudo elaborado por técnicos da
Fundação Getúlio Vargas (FGV) e
coordenado por Roberto Rodrigues,
ex-ministro da Agricultura, propõe
ações baseadas em cinco princípios: sustentabilidade da produção,
competitividade, produção orientada para os mercados e governança
institucional. Os dois relatórios enfatizam um ponto em comum: segurança jurídica. Esta também é uma
reivindicação que tem sido insistentemente colocada, há tempo, por
todos os setores produtivos.
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OPINIÃO
Ouvir as vozes da agricultura, pecuária e de toda a cadeia produtiva do agronegócio é indispensável ao governante
a ser eleito.. A atividade é essencial para
a retomada do crescimento econômico
do Brasil em níveis mais elevados e também para que o país responda com eficácia a dois desafios atuais prementes:
a segurança alimentar, considerando
que a fome ainda flagela 900 milhões
de pessoas no mundo, e o controle da
inflação, que pode ser traduzido, no
caso, como comida mais barata na mesa
dos brasileiros.
Os números do IBGE relativos à inflação, por exemplo, atestam a relevância
do agronegócio: o Índice de Preços ao
Consumidor Amplo (IPCA) desacelerou
de junho para julho, passando de 0,4%
para 0,01%. O grupo de alimentação foi
um dos que mais contribuiu para o resultado. Neste segmento, os produtos
consumidos nas refeições em casa foram os que apresentaram maior queda.
A taxa de crescimento dos preços
dos alimentos na América Latina e
Caribe também caiu pelo terceiro
mês consecutivo, indica relatório da
Organização das Nações Unidas para
Alimentação e Agricultura (FAO),
tendo junho como base. A inflação
do segmento na região subiu so-
Divulg
ação
cada voto nas urnas de outubro seja
uma semente de prosperidade socioeconômica!
Foto:
mente 0,5% nesse mês, ante 1% em
relação a maio e 1,2%, em abril.
Importante observar um dos
destaques do documento:
“Esse resultado responde em grande parte
aos movimentos dos
preços dos alimentos
no Brasil e no México”.
Considerando, porém,
o volume da produção
brasileira, com impacto
efetivo no mercado global, os dados da FAO referentes ao nosso país têm
uma dimensão ampliada.
Além de atender à prioridade
do preço e da oferta do bem mais
essencial, o pão nosso de cada dia,
a agricultura, pecuária e sua cadeia
produtiva continuam sendo a grande base de sustentação da balança comercial
brasileira: dentre os dez principais produtos
da pauta exportadora nacional,
no período de
janeiro a julho
de 2014, sete
são do agronegócio, segundo
análise da CNA,
baseada
em
dados do Ministério do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior
(MDIC).
É muito clara, portanto, a
necessidade de
enfatizar o tema
na agenda das
eleições,
momento maior da
democracia. Que
*João Guilherme Sabino Ometto,
engenheiro (Escola de Engenharia de
São Carlos - EESC/USP), é presidente do conselho de administração do
Grupo São Martinho, vice-presidente
da Fiesp e coordenador do Comitê de
Mudanças Climáticas da entidade.
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35
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Foto: David Alves
EVENTOS
37ª EXPOINTER ENCERRA
COM BALANÇO POSITIVO
A maior feira do agronegócio da América Latina teve sucesso de público: 502.074
pessoas visitaram o evento em Esteio-RS.
O
total de negócios fechados nesta edição da feira
foi de R$ 2,729 bilhões. O
rendimento é considerado positivo, tanto pelo governo do
estado, quanto pelos setores produtivos representados pela Farsul,
Simers, Febrac e Fetag. “O número é
espetacular. O agronegócio não vive
crise, ao contrário, continua crescendo. Um número da celebração da
estabilidade”, avaliou o secretário da
Agricultura, Pecuária e Agronegócio,
Claudio Fioreze. O vice-presidente da
Farsul, Gedeão Pereira, complemen-
36
tou: “os resultados deste ano nos impressionam ainda mais. O produtor
já tomou muito crédito e a conjuntura internacional é desfavorável. Portanto, são números fantásticos. São
um recado de confiança do mercado.
“O secretário do Desenvolvimento
Rural, Elton Scapini, destacou a participação do agricultor familiar no
Produto Interno Bruto (PIB) gaúcho,
que representa em torno de 30% da
nossa economia. “Temos um crescimento sistemático de expositores e
visitantes. Maior diversidade e qualidade dos produtos a cada edição”.
O presidente da Fetag, Carlos Joel da
Silva, completou: “A agricultura familiar está consolidada na Expointer.
Tivemos um número recorde e uma
excelente feira, o que era o esperado pelo contexto que vivemos aqui”.
502.074 pessoas visitaram a feira
entre os dias 30 de agosto e sete de
setembro. O sucesso de público, que
supera as últimas três edições, também foi motivado pelo novo acesso,
via BR 448, que garantiu mais fluidez
ao trânsito, consolidando a rodovia
do parque como o principal caminho para a feira.
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Foto: Claudio Fachel/Palácio Piratini
EVENTOS
MÁQUINAS
A feira chega ao fim com R$ 2,713
bilhões em vendas de máquinas. O
número é 17% menor do que em
2013, mas é considerado ótimo pelo
setor. E se comparado à edição retrasada, o balanço atual ainda é positivo, considerou o presidente do
Simers, Claudio Bier: “O ano passado
foi atípico, teve uma série de fatores
que facilitaram a antecipação de negócios. E mesmo assim, nesta edição
superamos em 34% o ano de 2012”.
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As vendas de animais atingiram
R$ 12.419.410,00, com destaque para a
qualidade dos exemplares trazidos a
Esteio. “Neste ano os expositores fizeram uma seleção muito criteriosa.
Os jurados tiveram muito trabalho.
O reflexo está no preço médio pago
por animal, que está mais alto em
2014. E os negócios não param aqui,
porque a Expointer é vitrine para as
próximas feiras”, disse o presidente
da Febrac, Eduardo Finco. O pavilhão do artesanato também teve
balanço positivo. Neste
ano foram movimentados R$ 1.400.000,00 em
negócios na feira.
A irrigação foi outro
tema que mereceu destaque, encerrando com 560
propostas, o que equivale
a mais 31.710 hectares irrigados e um investimento
de 208 milhões. Com os resultados, o Rio Grande do
Sul já soma 308.210 hectares irrigados em culturas
de sequeiro como soja,
milho, hortícolas e pastagens. Antes do Mais Água,
Mais Renda, que foi instituído pela Lei 14.244/2013
e serve de modelo para o restante do
país, existiam 105 mil hectares irrigados em todo estado. Com o programa, o agricultor pode contar com instrumento de subvenção de irrigação,
em que o governo estadual reembolsa parte do investimento privado
aos produtores, com índices de 12%
a 30%. “Nosso plano decenal projeta 1 milhão de hectares irrigados. Já
superamos nossa meta anual e nesse
ritmo vamos chegar lá antes do previsto”, ressaltou Fioreze.
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VISÃO
SEJA QUEM FOR O
PRESIDENTE, ELE SERÁ
AGRODEPENDENTE
Apoiar e apostar num empreendedorismo rural sustentável, isso sim gera riqueza e
saúde em todos os sentidos.
José Luiz Tejon*
A
cidades também. E 83,7% disseram que
votariam num candidato que desse
mais atenção aos agricultores.
Também a consciência do eleitor urbano evoluiu nos últimos anos: 89,9%
consideraram que o Brasil precisa usar
mais a energia renovável. E 86,3% disseram que o uso dos combustíveis alternativos contribui para diminuir a poluição; 86,4% concordam que as estradas
malconservadas aumentam o custo
dos alimentos; 86,3% afirmam que os
portos brasileiros, antigos e mal gerenciados, prejudicam o agronegócio.
Portanto, imaginem em 2015! A safra
plantada, agora, será colhida pelo novo
governo. Imaginem, dessa forma, que
o novo presidente, seja quem for, será
inexoravelmente um agrodependente.
Isso é bom ou mau? Muito bom, desde
que utilizado para gerar uma consciência executiva de foco, determinação e
decisão, em velocidade, para finalizar
obras de infraestrutura, para extirpar
parte considerável da burocracia dos
portos, e para resolver definitivamente
o enrosco dos preços administrados da
gasolina que detonaram o segmento
dos biocombustiveis no país.
Dessa forma, o que vejo como esperança é o aspecto de termos hoje uma
consciência dessa agrodependência,
de que os presidenciáveis e seus assessores não negam, nem desconhecem
isso, e de que mesmo com preços internacionais em grãos, menores do que
nos últimos quatro anos, a demanda
internacional e as relações geopolíticas
de grandes países consumidores, tende
a ser cada vez mais assertiva na busca
de sólidas relações com o Brasil.
Não creio que nenhum presidente
consiga destruir isso, ou tenha algum
interesse em não utilizar esse aspecto
www.freeimages.com
o final de agosto de 2014,
o Brasil obteve um “saldinho positivo” na balança
de pagamentos, de apenas US$ 249 milhões. Mas o saldão
do agronegócio chegou a US$ 56,36
bilhões. Em síntese conclusiva, se
não fosse o agronegócio estariamos
com a economia arruinada, com a sociedade em pânico, e com o processo
democrático brasileiro em risco.
Todos os candidatos arrumaram os
seus planos de governo para conquistar o agronegócio. Também, por outro
lado, a população urbana e o eleitor
brasileiro mudaram. Em pesquisa que
realizamos ESPM/Abag, em julho de
2014, o eleitor brasileiro considerou em
mais de 90% ser o agronegócio muito
importante para o Brasil. Ainda 91,9%
consideraram ser o agronegócio responsável pela criação de empregos nas
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VISÃO
ação
Quanto aos presidenciáveis Marina
e Dilma, fica mais do que uma interpretação do que seriam os seus governos
do ponto de vista do agronegócio, um
voto de esperança ascencional. Que Dilma, se reeleita, aprenda com seus erros
e faça definitivamente acontecer todos
os projetos em andamento para a logística e infraestrutura do país.
E quanto à presidenciável Marina,
que se proteja com conselheiros e ministros, do mais alto gabarito e integridade, personalidades competentes de
fato e que sejam grandes brasileiros,
pois ela irá precisar muito face, se eleita,
a uma gigantesca e mega expectativa,
que se não cumprida, irá gerar frustrações tenebrosas perante tanta promessa de mudança, cuja mudança para ser
feita, não o será, sem muito suor, lágrimas, e que a sorte e Deus nos ajude.
Divulg
cabides do rol da sala receptiva. Nele
visualizo representantes da agroindústria alimentar, de bebidas, dos supermercados, das tradings, transportes,
logística, portos, insumos e máquinas,
bancos, cientistas, educadores, produtores rurais, e profissionais de marketing, jornalismo, analistas etc. Um
legítimo conselho horizontal e vertical.
E tudo isso sob uma bem conduzida
governança de redes sociais.
Recomendaria um papel estratégico
fortemente protagonista da sociedade
cooperativista. Os assuntos envolvendo inclusão sócioeconômica a partir
dos movimentos contemporâneos de
reforma agrária revelam insucessos. E
da mesma forma a sociedade urbana, o
eleitor pesquisado, não considera esse
modelo mais como uma forma viável
para resolver questões tanto de produção de alimentos quanto de um processo humano eficaz.
Por outro lado, onde temos cooperativas bem sucedidas, temos como regra
uma real agrossociedade construída,
criada e desenvolvida. Apoiar e apostar
num empreendedorismo rural sustentável, isso sim gera riqueza e saúde em
todos os sentidos.
Ainda como ações de segurança anti-insensatez governamental, cabe aqui
adicionar a necessidade de, através da
percepção do eleitor, do povo urbano,
buscar eco para os pontos priorizados
e sagrados do que precisa ser feito pelo
agronegócio brasileiro, enquanto segmento econômico, humano, sustentável e social. Bem, agora, em se tratando
do governo em si, gosto da proposta
do presidenciável Aécio, de criar um
superministério do agronegócio. Sem
dúvida alguma, do ponto de vista de
gestão, é a proposta mais sadia e lúcida, pois não resolvemos mais as coisas
agro, com um ministério apenas, e ainda com uma série de fragmentações
dentro do que seria a atividade específica do clássico ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Foto:
gerador de caixa para o país, e também de uma agrossociedade com
melhores índices de desenvolvimento humano. Fora isso, não falta comida no Brasil, e se houver uma lacuna
de confiança no país, os efeitos disso
transformado em possível queda da
produção, seriam simplesmente catastróficos, onde o próprio governo
seria o primeiro a tomar e sofrer as
consequências políticas gravíssimas.
Não creio em “brujas, pero que las
hay, las hay”. Portanto, vale sempre
termos planos e rotas de fugas para
o imprevisível. E a marcha da humanidade não pode ser considerada um
exemplo de sensatez.
Dessa forma, independentemente
de especular sobre o governo Dilma, ou
Marina, ou Aécio, o que o setor como
um todo precisa fazer é acertar a sua
própria governança. Independente de
governo. O que as lideranças que decidem o jogo e que representam os produtores e os elos das cadeias produtivas
do agronegócio, podem fazer para ampliar o seguro contra a insensatez, que
por razões inesperadas e imprevisíveis
possa vir a ocorrer?
Isso representa combinar um discurso único, interlocutores escolhidos
e orientados por um bom senso estratégico, com a habilidade da palavra e
de suas manifestações. Recomendo urgentemente criarmos um Conselho Superior do Agronegócio Brasileiro, uma
iniciativa da sociedade civil organizada,
onde tenham assento os líderes mais
ilustres, com reputação ilibada, e que
obtenham documentos e planos priorizáveis para o macrossetor, que falem
legitimamente pelo agronegócio brasileiro, envolvendo um rol das suas maiores cadeias produtivas, pelo lado econômico, e as cadeias produtivas mais
significativas pela angulação social.
Esse conselho superior, sem politização de qualquer espécie, pode e deve
existir, com uma liderança onde os
egos sejam todos dependurados nos
*José Luiz Tejon é jornalista, publicitário, comentarista da Rádio Estadão,
mestre em Educação, Arte e Cultura
(Universidade Mackenzie), doutorando
em Ciências da Educação (Universidad
de La Empresa). Professor de pós-graduação da FGV Incompany, dirigente
do Núcleo de Agronegócio da ESPM,
diretor vice-presidente de Comunicação do CCAS (Conselho Científico para
a Agricultura Sustentável). Ex-diretor da
Agroceres, da Jacto S/A e do Grupo Estadão, conselheiro do Grupo Serios, autor e coautor de trinta livros, palestrante
Top Five Prêmio Estadão RH 2012/2013,
Top 100 do Agronegócio 2013 - Revista
ISTO É - Dinheiro Rural.
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ESTATÍSTICAS
DADOS DO AGRONEGÓCIO
*Estimativa
PIB (Produto Interno Bruto) 2013: US$ 4,838 trilhões*
Crescimento do PIB em 2014: 0,52%*
Valor Bruto da Produção
agropecuária:
R$ 441,8 bilhões*
Produção de grãos safra
2013/2014:
195,47 milhões de toneladas (safra anterior: 188,7 milhões de toneladas)
Área cultivada:
56,94 milhões de hectares
Cana-de-açúcar (*Conab)
Safra 14/15:
Produção:
659,10 milhões de toneladas
Etanol:
27,622 bilhões de litros
Açúcar:
38,252 milhões de toneladas
Soja
Safra 2013/2014:
86,13 milhões de toneladas, produtividade média de 2.854 kg/hectare.
Milho
Safra 2013/2014:
79,90 milhões de toneladas, produtividade média de 5.057 kg/hectare.
Café
Safra 2014:
45,14 milhões de sacas (*Conab)
Veículos e Máquinas Agrícolas (Anfavea)
Produção de autoveículos:
3,34 milhões de unidades*
Janeiro aagosto de 2014:
2,08 milhões unidades (-18% sobre as 2,54 milhões de igual período de 2013).
Produção de máquinas agrícolas: 87.000 unidades* (-13,3% sobre 2013)
Janeiro a agosto de 2014:
45.800 máquinas (-18,9% ante igual período de 2013: 56.850 máquinas).
Implementos Rodoviários (Anfir)
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2013:
177.876 unidades (reboques e semirreboques e carrocerias sobre chassis), 10,89%
sobre as 160.414 unidades de 2012.
Janeiro a agosto de 2014:
103.925 unidades (-10,68 sobre as 116.354 unidades produzidas de janeiro a
agosto de 2013).
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BUSINESS WORLD
TVH-DINAMICA AMPLIA PORTFÓLIO AGRÍCOLA
Foto: Divulgação
LINHA DE BOMBAS
VARIÁVEIS
A Danfoss, que é líder global no
fornecimento de novas tecnologias,
conta com a linha de bombas variáveis de circuito aberto S45.
A linha de bombas de pistões axiais
de circuito aberto - load sensing - da família S45 pode ser utilizada em sistemas
hidráulicos de guindastes telescópicos,
empilhadeiras, máquinas florestais e
agrícolas e outros usos específicos.
Ela ainda oferece uma gama de deslocamentos de 25-147 cm³/RPM, e possui rotação máxima de até 3.600 rpm e
operação contínua à pressões de até 310
bar. Seu design modular com múltiplos
recursos e combinações de configuração assegura uma fácil instalação.
Confira as características da linha S45
no site www.danfoss.com .
FÓRUM DO AGRONEGÓCIO
O evento, realizado
em Campinas-SP no dia
20 de setembro, serviu
para apresentar palestras das principais lideranças empresariais e
políticas principalmente com relação ao futuro do agronegócio, e
encerrou-se com a emissão da Declaração de Campinas, um
documento que resumiu as principais expectativas do setor.
O governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin,
abriu os trabalhos quando relacionou as ações e iniciativas programadas pelo seu governo para estimular o
agronegócio no estado. Participaram cerca de trezentos
convidados, entre líderes empresariais e do agronegócio, além de pesquisadores, investidores e autoridades
públicas, o Lide – Grupo de Líderes Empresariais, presidido pelo empresário João Dória Jr., o Lide Agronegócios, liderado pelo embaixador da FAO para o cooperativismo, Roberto Rodrigues; e o Lide Campinas,
comandado pelo empresário Juan Quirós.
Também estiveram presentes ao fórum os candidatos a
vice-presidente Beto Albuquerque e Aloysio Nunes Ferreira,
respectivamente nas chapas de Marina Silva e Aécio Neves,
além do secretário de desenvolvimento agropecuário e cooperativismo do ministério da Agricultura, Caio Tibério da
Rocha, a secretária de Agricultura de São Paulo, Mônika Bergamaschi e o prefeito de Campinas, Jonas Donizete.
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Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
A TVH-Dinamica, distribuidora especializada no fornecimento de peças e acessórios para as linhas de movimentação, industrial e agrícola, está ampliando seu
portfólio de produtos para equipamentos agrícolas com a linha de filtros, que
inclui itens da marca Donaldson, líder mundial no fornecimento de sistemas de
filtragem e peças de reposição. “Os filtros Donaldson são conhecidos pela qualidade e sua alta eficiência em trabalhos extremamente severos”, afirmou Paulo
Acosta, gerente comercial da TVH-Dinamica.
O portfólio conta com componentes para sistema de filtragem de ar, óleo lubrificante, óleo hidráulico, combustível e para cabine, destinados a diversas aplicações agrícolas de equipamentos das principais montadoras do país, entre elas,
John Deere, New Holland, Massey Ferguson, Valtra e Case.
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BUSINESS WORLD
EMBALAGENS DE DEFENSIVOS: 31 MIL TONELADAS RECICLADAS
Foto: Divulgação inpEV
De janeiro a agosto de 2014, 31.149 toneladas de embalagens
vazias de defensivos agrícolas foram destinadas de forma ambientalmente correta pelo Sistema Campo Limpo (logística reversa de
embalagens vazias de agrotóxicos). A quantidade é 9% maior, se
comparada ao mesmo período de 2013. De acordo com o levantamento do inpEV (Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias), no período, dezesseis estados apresentaram crescimento na quantidade destinada. As maiores cargas saíram do Mato
Grosso, Paraná, São Paulo, Goiás, Rio Grande do Sul e Bahia (juntos
eles representam 76% do total destinado). Sergipe, Piauí e Rondônia
foram os estados que obtiveram maior crescimento percentual na
quantidade destinada.
O instituto foi fundado em 14 de dezembro de 2001 e entrou em funcionamento em março de 2002.
Atualmente, possui mais de 90 empresas e nove entidades em seu quadro associativo.
ANUNCIANTES
AACD - Associação de Assistência à Criança Deficiente ............................................................................. 19
Assiste Assessoria em Sistemas Administrativos ....................................................................................... 37
Dimotor Comercial de Peças para Motores Ltda. - Ditrator ....................................................................... 27
Fimmepe 2014 .............................................................................................................................................. 11
Fundação Abrinq .......................................................................................................................................... 33
Grupo WDM ................................................................................................................................................... 35
Hydraforce ..................................................................................................................................................... 21
K Parts Indústria e Comércio de Peças Ltda. ............................................................................................... 23
Kashima Com., Imp. e Exp. de Auto Peças Ltda. ......................................................................................... 15
Marchesan Implementos e Máq. Agrícolas Tatu S.A. ................................................................................. 17
Nekarth Ind. e Com. de Peças e Máquinas Ltda. ......................................................................................... 13
Revista Agrimotor ................................................................................................................................. 3a capa
SSAB Swedish Steel Comércio de Aço Ltda. ........................................................................................ 4a capa
Valmont Indústria e Comércio Ltda. .................................................................................................... 2a capa
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Revista AgriMotor • Setembro/2014
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Queremos contribuir e
participar de seu sucesso!
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Paraná vence o desafio
da produtividade da soja
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Balança comercial do
agronegócio é positiva
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