obras-primas de gênios do segundo e terceiro escalões

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obras-primas de gênios do segundo e terceiro escalões
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Artes Plásticas
OBRAS-PRIMAS DE GÊNIOS DO
SEGUNDO E TERCEIRO ESCALÕES
W. J. Solha
Não sei até onde o roubo da Mona Lisa em 1911
pesou na
fama extraordinária que o quadro passou a ter. Até onde pesou, na celebridade
que van Gogh não teve em vida, o fato de sua cunhada,
herdeira de
todas as suas telas, biografá-lo e expô-las, divulgando-lhe a vida trágica, que
incluía o decepamento de uma orelha
depois de uma briga com
Gauguin e o suicídio, não muito tempo depois, com um tiro no peito. Até onde
pesaram as tragédias de Frida Kahlo com a poliomielite na infância e o desastre
em que uma barra de ferro lhe entrou pelas costas e saiu na vagina,
na adolescência. E a intervenção de Gertrude Stein
, junto ao irmão,
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grande marchand americano, pra que investisse pesado no até então
desconhecido Picasso. Pois bem. De um modo ou de outro, passamos a vida
ouvindo os mesmos nomes: os desses, mais os de Miguelângelo, Cézanne,
Caravaggio, Vermeer, Rembrandt, Turner, Matisse, Ticiano, Manet, Monet,
Renoir, Tintoretto, El Greco, Velázquez, Goya, Rafael, Bosch, Brueghel, mas é
fascinante a surpresa que se tem, frequentemente, com magníficas obras
produzidas por artistas fora dessa linha de frente. Gosto muito, por exemplo, deste
quadro A Visitação, de Jacopo da Pontormo ( Florença, 1494 – 1566 ):
O encontro entre Maria,
virgem, e Isabel, idosa - ambas milagrosamente grávidas -, é de grande beleza, não
só pela visível emoção das duas, como pelo notável uso da luz, cor, movimento e
pelo contraponto obtido com a presença das duas outras mulheres que, em
segundo plano, olham pra nós, colocando-nos dentro do quadro.
Já Samuel van Hoogstraten ( 1627 – 1678 ), entre outras coisas, costumava pintar
fantásticas naturezas-mortas como estas, de uma minúcia e realismo extremos,
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com trompe l´œil – ilusão de realidade – trabalhando com miscelâneas de objetos.
Foi um gênero de sucesso, e ele teve excelentes imitadores, como Cornelis
Norbertus Gysbrechts.
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Essas obras têm muito a ver com esta colagem de Rauschenberg, dos anos 60...
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... e assemblages ainda mais recentes, de Lynne Parks...
... e Daniel Spoerri.
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Já o Gerard van Honthorst (1590 – 1656 ) pintava como se flagrasse seus
personagens na fugacidade de um gesto ou expressão.
Este seu
Violinista Risonho é maravilhoso e – pela forma e conteúdo - me lembra muito o
Luiz Fernando Guimarães:
A representação do ser humano sempre fascina. Veja alguns retratos de Fayum,
sobre madeira, pintados em esquifes de múmias do Egito romano, em torno do
século II de nossa era.
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Ainda do Egito: impressionantes, os olhos deste rei de Auibre Hor, século XVII
a.C.
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Conhece Rousseau?
É obra de Houdon, que jamais se ombreou a Bernini ou Rodin, mas que também
foi genial. Bem mais famoso que Giuliano Finelli, que nos deixou este delicadíssimo
trabalho.
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Às vezes a graça de um quadro não é só no sentido de gracioso, mas também de
engraçado, como me parece o caso de O Poeta Pobre, abaixo, de Carl Spitzweg.
Veja o detalhe da pena presa pelos lábios, a fim de que a mão direita do vate fique
livre pro gesto declamatório, cujo tom piegas se percebe pelos olhos lânguidos. O
guarda-chuva por causa da goteira, completa a imagem do miserê que já nos
passam o leito no chão do sótão e as pilhas de pesados volumes bastante
manuseados.
Já o Georges de La Tour é fantástico por suas cenas iluminadas apenas por uma
vela. O importante detalhe, no caso, é o da mão translúcida do menino Jesus ante
a chama.
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Aqui, uma variação do quadro acima, com o garoto agora como o anjo do sonho
premonitório de São José,
cena que minha
filha Andréia – excelente fotógrafa – reeditou, fundindo as duas telas, com meu
neto Israel como o mensageiro divino e eu como o velho carpinteiro:
.
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Há obras de arte que têm a ver com o mistério, como o Zeus (ou Poseidon) de
bronze, de 460 a.C, tirado ao mar de Anticitera,
de onde se tirou também esta inesperada engrenagem de 80 a.C. ,
... o que mostra como o grande escultor foi parte de
uma evolução... perdida.
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Essa peça tem muito dos bronzes – também de 460 a.C – também encontrados no
fundo do mar, desta vez na Calábria. -
--
-
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Claro que, nos dias de hoje, a escultura hiper-realista de Ron Mueck, impressiona,
tanto as minúsculas
, quanto as de
grande porte
, mas há outros artistas na mesma linha,
igualmente brilhantes, embora... apagados, como Evan Penny ,
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,
e Sam Jinks.
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A pintura hiper-realista ou fotorrealista – embora muitos, como Giulio Carlo
Argan a critiquem – também tem obras soberbas, como as de Richard Estes.
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Na verdade, muito se buscou a beleza no realismo. Como no detalhe deste
Nascimento da Virgem, de 1463, do anônimo Mestre da Vida de Maria. Repare no
piso, nas roupas, na água.
M
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Mas buscou-se a beleza também fora dele. Como nesta Natividade, de Mestre
Francke, de 1424. Veja o seu céu... vermelho, de estrelas com distribuição
rigorosamente equitativa, como na bandeira americana, ...a
C. e o
magnífico equilíbrio, com igual vermelho, nas asas do anjo, embaixo, que se
envergam em sentido contrário.
Mas
Da
Da mesma época é esta Pietà de Avinhão, atribuída a Enguerrand de Charonton,
com o céu, agora, todo em ouro, como se fora art nouveau de Gustav Klimt. Veja o
equilíbrio ogival composto pelas figuras de Maria, João e Madalena,
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Da
... que se repete nesta maravilhosa Coroação da Virgem.
S Sou
igualmente fascinado por este baixo relevo assírio, pela execução irrepreensível e
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pelo leão que sobe as patas dianteiras na biga de Assurbanípal e tem o movimento
repetido pelos cavalos que se empinam, enquanto, sob eles, o vão formado é
maravilhosamente preenchido pela leoa morta.
Delicadíssimo, este é o retrato do Sheik Abd el-Qurna Ramósis e esposa, do XIV
século a.C.
Toda a graça e
altivez feminina egípcia, porém, está nesta cabeça inacabada – em quartzito – da
rainha Nefertiti, encontrada no ateliê do escultor Djhutmose, em el-Amarna.
G
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Graça que também está nas iluminuras do Evangeliário de Kells, do século VII, e
nos entalhes da porta da igreja de Urnes, do século XI, aparentemente
contemporâneos da ilustração de um anúncio feito por Mucha, no século XIX.
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Quando o impressionismo eclodiu, apagou o naturalismo, que produziu,
influenciado por Zola, uma série de grandes telas... socialistas, como as de George
Clausen,
Jules Bastien-Lepage,
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Dagnan-Bouveret,
Emile Friant, curioso, nesta Discussão Política,
Jean-
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Eugene Buland, nesta sua Campanha,
Henry Herbert La Tangue,
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Hubert von Herkomer ( Em greve ),
Melchers ( O Sermão ),
Gari
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Wilhelm Leibl ( Políticos Locais ):
Constantin Meunier ( Mina de
Borinage, onde van Gogh foi expulso da função de pastor protestante, por ter dado
tudo que tinha aos mineiros ) ,
Louis Pion
( Casal puxando arado, carvão, que me lembra o curta A Canga )
Wilhelm
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O que acha destas imagens veladas, em mármore, de Rafaello Monti? (século XIX)
E desta, de Giovanni Strazza, em que o véu é, também, de pedra?
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O que dizer deste gigantesco velocista, de Costas Varotsos, de Atenas, com doze
metros de ferro e vidro, criado em 1994?
Quando estive oito
vezes - nos quinze dias que passei em Madri, em 1994 - no Museu Prado, vi que os
turistas eram
levados apenas pro núcleo duro da enorme coleção
e sequer sonhavam com o resto, muito menos com o
Casón del Buen Retiro, que fica a uns cem metros dali, dedicado apenas à arte
espanhola até o século XIX, e com o Reína Sofia, próximo à estação de Atocha,
com a arte espanhola contemporânea, onde vi o Guernica. No Casón dei com a
extraordinária luminosidade do magnífico Meninos na Praia, de Joaquín Sorolla.
Quando
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Já
E, se o assunto é luz, a noite londrina teve um grande pintor em John Atkinson
Grimshaw .
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Já estamos com 29 páginas e o tema é infinito. Como fechar com chave de ouro?
Com os cavalos deste Vaso François, de 560 a.C, tão belos que valem a inscrição
“Ergotimos me fez, Clítias me pintou”?
Não, não. Se valem
os “quadrinhos” dessa cerâmica por que não os de Will Eisner?
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Ou de Moebius?
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OK, terminemos com Mike Deodato, que é paraibano.

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