complexo têxtil brasileiro

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complexo têxtil brasileiro
Comércio exterior
COMPLEXO TÊXTIL BRASILEIRO
Ana Paula Fontenelle Gorini
Sandra Helena Gomes de Siqueira*
Resumo
A balança comercial do setor têxtil brasileiro sofreu duro impacto com a abertura
comercial e, se antes apresentava saldo positivo, embora decrescente, passou a ter
déficit. Hoje, entretanto, o setor encontra-se em recuperação, depois de adotar medidas
que deram início a um processo de reestruturação, com a modernização de seu parque
de máquinas, aumento de produtividade e novas técnicas de gestão.
A participação do Brasil no comércio mundial é, ainda, de pouco menos de 1%. Os países
asiáticos, nossos maiores concorrentes, modernizaram-se rapidamente e, atualmente,
aparecem, junto com os Estados Unidos, entre os maiores produtores e exportadores de
têxteis.
Algumas ações realizadas pelo governo, além daquelas adotadas pelas próprias
indústrias, já contribuíram com a melhoria da balança comercial do setor. O BNDES criou,
em 1996, um programa exclusivo para financiamento às indústrias têxteis, respeitando
suas características.
Este artigo procura identificar os principais problemas que o setor enfrenta no comércio
mundial para alcançar a competitividade desejada.
_____________
*Respectivamente, gerente e técnica da Gerência Setorial de Bens de Consumo Não-Duráveis do
BNDES.
As autoras agradecem os comentários de Maria Carmen W. Montera (BNDESPAR) e também a
colaboração dos estagiários de economia Adriana Araújo Beringuy e Mauro Arnaud de Queirós
Mattoso.
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Comércio exterior
Introdução
Este artigo aborda de forma sintética a evolução do comércio relativo ao Complexo Têxtil
Nacional. Tem como objetivo identificar os principais problemas que o setor enfrenta para
alcançar competitividade diante da acirrada concorrência internacional.
De modo geral, os impactos da abertura da economia foram diferenciados segundo o
porte e o estágio de atualização tecnológica das empresas do setor, ressaltando-se que,
em contraste com as grandes empresas exportadoras, que já vinham reduzindo seus
custos industriais e aumentando a sua produtividade no período anterior à abertura
(principalmente através da aquisição de novos equipamentos e implantação de novas
técnicas organizacionais), a grande maioria das médias/pequenas empresas não passou
por qualquer processo mais acentuado de modernização na última década, tendo sido o
ajuste nessas circunstâncias muito mais penoso.
A queda do número de empresas, ocorrida principalmente nos segmentos de fiação e
tecelagem – com queda acumulada variando de 50% a 40%, respectivamente, entre 1989
e 1995 –, não implicou declínio significativo do volume de produção, sendo que a
produção física de tecidos declinou 7% no mesmo período e a produção de fios caiu em
torno de 17%. Em contraste, a produção física de confeccionados cresceu à taxa média
acumulada de 50% entre 1989 e 1995, com incremento acumulado de 10% nas empresas
formais do segmento no mesmo período. Entre 1995 e 1996, não obstante, a produção
física de artigos de vestuário declinou 7,7%, acumulando queda de preços de 0,79% no
ano, sendo que o valor da produção de confeccionados caiu de US$ 24 bilhões em 1995
para US$ 22 bilhões em 1996.
Para alcançar a competitividade desejada, é necessária a continuidade da reestruturação
do setor, que vem envolvendo o deslocamento regional, com destaque para os novos
investimentos no Nordeste e Sul de Minas – especialmente nos segmentos de jeans,
malhas e confecção – relacionados a incentivos fiscais e ao menor custo da mão-de-obra.
Além dos incentivos dados aos projetos implantados na área sob a influência da Sudene,
como, por exemplo, a isenção do Imposto de Renda por 10 anos, alguns estados –
especialmente o Ceará – oferecem outros incentivos, como a postergação do pagamento
do ICMS. Além disso, esses estados têm atuado, em parceria com as empresas, no
treinamento da mão-de-obra e na introdução de cooperativas de trabalhadores
subcontratados na confecção, isentos de encargos sociais e remunerados de acordo com
a sua produção. Tais iniciativas têm contribuído para reduzir o custo de produção nesses
segmentos.
Em nível mundial, o Complexo Têxtil – englobando a produção de fibras (naturais,
artificiais ou sintéticas), fiação, tecelagem, malharia, acabamento e confecção – vem
passando por transformações estruturais, acompanhando a própria evolução da
microeletrônica, que permitiu a automação e o conseqüente aumento de produtividade em
várias etapas do processo de produção. Assim, o setor é atualmente intensivo em capital
nos segmentos de fiação e tecelagem, todavia, apresenta-se intensivo em mão-de-obra
no segmento de confecção, difícil de ser automatizado. Além disso, em nichos de maior
valor agregado, que envolvem fatores como desenvolvimento de design e moda, há uma
tendência à flexibilização dos processos de produção, de forma a atender mais
rapidamente
às
mudanças
da
moda,
implicando,
portanto,
maior
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Comércio exterior
cooperação/especialização entre fornecedores e clientes ao longo da cadeia têxtil, o que
não é muito comum no Brasil, com exceção de algumas experiências isoladas.
Outra característica do Complexo Têxtil é a heterogeneidade em relação ao porte das
empresas que o compõem, incluindo desde grandes empresas integradas (da fiação ao
acabamento) até pequenas empresas confeccionistas. Das 17 mil confecções formais
existentes no país em 1995, apenas 540 empresas tinham mais de 300 funcionários,
respondendo por 40% do volume de produção e 24% do total de empregos do segmento,
que varia na faixa dos 930 mil empregos diretos. As pequenas confecções respondem
apenas por 9% do total da produção de confeccionados, mas geram 16% dos empregos
diretos no segmento.
No Brasil, a informalidade dessas pequenas/médias empresas – intensivas em mão-deobra – atingiu níveis muito elevados, o que vem inclusive provocando a saída de
empresas legalizadas de certos segmentos, com efeitos negativos sobre a
competitividade do setor (ineficiências de escala, declínio da qualidade dos produtos,
entre outros). Esse é um problema comum a alguns outros setores da economia
brasileira, que pode ser em parte explicado por deficiências na fiscalização, assim como
distorções da estrutura tributária, incluídas no chamado “custo-Brasil”. Procurar-se-á,
quando possível, abstrair o “custo-Brasil” neste artigo e abordar exclusivamente os fatores
estruturais pertinentes ao Complexo Têxtil no país.
Balança Comercial e os Efeitos da Abertura da Economia
O comércio mundial de toda a cadeia têxtil – incluindo as matérias-primas, fios, fibras,
filamentos, tecidos e vestuário – movimenta anualmente cerca de US$ 200 bilhões, sendo
a participação do Brasil (com exportações na faixa de US$ 1,4 bilhão) inferior a 1%.
Somente o segmento de vestuário representa em torno de 55% do comércio mundial, com
um ritmo de crescimento médio superior aos outros segmentos do Complexo Têxtil,
segundo dados da Secex/MICT.
O saldo da balança comercial do setor vem caindo desde 1992 (Gráfico 1) e, em 1996,
chegou a um déficit de US$ 1.016.866, não tanto por uma queda nas exportações, mas
por um aumento significativo nas importações, especialmente de produtos a partir de
fibras artificiais ou sintéticas (incluindo os não-tecidos) e o algodão.
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Comércio exterior
Gráfico 1
Evolução do Comércio Exterior do Setor Têxtil
2.500.000
US$ mil
2.000.000
1.500.000
1.000.000
954.953
500.000
206.949
80.552
-580
0
1992
1993
1994
1995
1996
1997*
-500.000
-843.604
-1.000.000
-1.015.864
EXPORTAÇÕES
IMPORTAÇÕES
SALDO
-1.500.000
Fonte: Carta Têxtil
( *) Dados até Jun/1997: (Secex)
Exportações
O total das exportações brasileiras – que se concentram em produtos finais (geralmente
exportados por empresas de grande porte) – manteve-se relativamente estável no período
1990/95, com tendência declinante, encerrando o ano de 1996 com montante exportado
de cerca de US$ 1,3 bilhão, 12% menor do que no ano anterior (Tabela 1).
Somente os subitens confecções e tecidos representaram mais da metade da pauta de
exportações: respectivamente, 37% e 22% do total, em 1996. Podemos destacar no
segmento de confecção os artigos de roupas de cama, mesa e banho e, no de tecidos, os
de algodão, especialmente denim, conforme Carta Têxtil (junho de 1997). A evolução das
exportações desses produtos será apresentada mais adiante.
Até março de 1997, os maiores volumes de exportações referem-se, mais uma vez, aos
tecidos e confeccionados, repetindo a predominância desses produtos em 1996, segundo
dados da Secex.
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Comércio Exterior
Tabela 1
BRASIL : COMÉRCIO EXTERIOR DE PRODUTOS TÊXTEIS EM VALOR E QUANTIDADE-1992/97*
Exportações
Fibras Têxteis
Fios
Filamentos
Tecidos
Confecções
Outros (**)
Total
Importações
Fibras Têxteis
Fios
Filamentos
Tecidos
Confecções
Outros
Total
Saldo
Fibras Têxteis
Fios
Filamentos
Tecidos
Confecções
Outros
Total
1997*
US$ mil
18.997
42.952
16.575
58.720
102.852
60.162
300.257
1997*
US$ mil
189.907
33.507
95.206
65.364
66.130
70.376
520.491
1997*
US$ mil
(170.910)
9.445
(78.632)
(6.645)
36.721
(10.214)
(220.234)
ton
13.765
5.658
3.892
10.593
8.646
31.849
74.403
ton
115.949
9.193
25.900
16.994
9.671
12.852
190.559
ton
(102.184)
(3.536)
(22.007)
(6.401)
(1.025)
18.997
(116.156)
1996
US$ mil
ton
78.929
61835,8
179.752
27326,2
72.796
15485,3
284.473
51354
474.907
39118
201.151
88018
1.292.008
283.137
1996
US$ mil
ton
990.288
542.073
79.640
20.819
328.837
75.486
296.975
66.380
349.392
59.675
262.740
37.839
2.307.873
802.270
1996
US$ mil
ton
(911.359)
(480.238)
100.113
6.508
(256.041)
(60.000)
(12.502)
(15.026)
125.515
(20.557)
(61.589)
50.179
(1.015.865)
(519.133)
1994
1993
1995
US$ mil
ton
US$ mil
ton
US$ mil
ton
190.395
110.817
81.087
74.139
81.402
80.492
190.056
33.771
215.021
47.165
162.019
35.941
59.048
12.473
50.012
13.450
55.636
15.048
271.116
52.936
254.676
56.879
269.488
63.389
526.958
43.108
608.061
54.291
669.572
71.712
203.917
111.052
194.666
107.437
144.460
88.880
1.441.490
364.158 1.403.523
353.360 1.382.578
355.461
1995
1994
1993
US$ mil
ton
US$ mil
ton
US$ mil
ton
719.041
384.785
659.570
432.027
736.656
568.815
131.460
35.384
55.535
13.289
55.349
12.697
308.695
66.367
135.991
35.391
139.076
21.794
576.733
105.125
252.443
47.968
109.571
17.026
351.485
53.112
104.386
18.479
46.799
7.679
197.680
29.547
115.046
16.681
88.178
9.681
2.285.093
674.320
1.322.971
563.835
1.175.628
637.694
1995
1994
1993
US$ mil
ton
US$ mil
ton
US$ mil
ton
(528.645)
(273.968)
(578.483)
(357.888)
(655.254)
(488.323)
58.596
(1.613)
159.486
33.876
106.670
23.243
(249.647)
(53.894)
(85.979)
(21.942)
(83.440)
(6.747)
(305.617)
(52.189)
2.233
8.911
159.918
46.362
175.473
(10.004)
503.675
35.812
622.773
64.032
6.237
81.505
79.620
90.757
56.282
79.199
(843.603)
(310.162)
80.552
(210.475)
206.949
(282.233)
1992
US$ mil
ton
138.758
107.727
294.776
74.390
62.304
14.154
280.107
72.245
584.128
88.083
130.712
85.750
1.490.784
442.349
1992
US$ mil
ton
272.290
203.451
25.310
3.824
85.423
12.531
42.962
5.399
39.498
6.274
70.349
5.937
535.831
237.416
1992
US$ mil
ton
(133.532)
(95.724)
269.466
70.566
(23.118)
1.623
237.145
66.846
544.630
81.809
60.363
79.813
954.953
204.933
Fonte:
(*) Dados até Março/97.
(**) Outros inclui pastas, feltros, tapetes, carpetes, tecidos impregnados, etc.
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Comércio Exterior
As 25 principais empresas exportadoras, listadas na Tabela 2, representaram 50% do
valor total exportado em 1996. Essa proporção vem crescendo desde 1992, tendo se
estabilizado em 1995.
Tabela 2
Evolução das Exportações das 25 Principais Empresas Exportadoras Brasileiras
do Setor Têxtil – 1992/97
Em milhões US$ FOB
EMPRESAS
ALPARGATAS-SANTISTA TEXTIL S.A.
FIACAO DE SEDA BRATAC S A
COMPANHIA TEXTIL KARSTEN
ARTEX S A FABRICA DE ARTEFATOS TEXTEIS
TEKA TECELAGEM KUEHNRICH SA
VICUNHA NORDESTE S A INDUSTRIA TEXTIL
DOHLER SA COM E INDUSTRIA
HERING TEXTIL SA
FIACAO NORDESTE DO BRASIL SA FINOBRASA
INDUSPUMA S/A INDUSTRIA E COMERCIO
KANEBO SILK DO BRASIL S A INDUSTRIA DE
SEDA
FIBRA SA
SEAGRAM DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO
LTDA
PARAMOUNT LANSUL SA
KARIBE INDUSTRIA E COMERCIO LTDA
SUL FABRIL S A
HERING DO NORDESTE SA MALHAS
FILO SA
BUETTNER S A INDUSTRIA E COMERCIO
CIA SISAL DO BRASIL COSIBRA
UCI DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA
CREMER SA PRODUTOS TEXTEIS E
CIRURGICOS
FIACAO E TECELAGEM KANEBO DO BRASIL S A
TOALIA SA INDUSTRIA TEXTIL
COOPERATIVA AGROPECUARIA MOURAOENSE
LTDA
TOTAL DAS 25 MAIORES
PARCELA DAS EXPORTAÇÕES TOTAIS (%)
TOTAL DAS EXPORTAÇÕES DE TÊXTEIS
1992
1993
1994
1995
1996
% 92-96
a.a.
1997*
-
-
60,5
96,5
95,6
43,5
46,3
36,7
42,3
47,2
56,3
27,5
nc
5,0
48,2
58,4
50,0
55,3
53,9
26,4
2,9
43,3
48,3
48,2
47,1
51,6
26,4
4,5
60,1
9,1
49,4
25,9
57,5
28,8
49,5
39,0
48,5
45,1
20,0
19,7
(5,2)
49,3
19,6
25,9
30,6
35,6
38,0
18,7
18,0
67,4
70,7
52,4
34,9
31,2
14,3
(17,5)
20,4
14,9
17,1
19,0
21,8
9,9
1,6
1,0
9,5
27,8
28,1
20,5
-
111,5
17,7
15,6
16,5
15,2
17,6
7,4
(0,1)
19,9
7,5
10,8
23,1
17,4
7,8
(3,2)
11,1
10,8
13,0
14,1
17,2
6,4
11,6
12,0
3,0
11,4
16,9
12,8
14,9
14,0
14,1
17,1
14,9
9,8
6,9
9,2
49,6
30,1
26,0
23,8
26,9
14,5
1,1
(16,6)
18,9
21,0
20,9
20,8
13,6
14,3
(7,9)
14,2
18,2
15,8
17,3
13,3
-
(1,5)
17,2
21,7
19,2
13,1
13,3
7,1
(6,3)
7,7
3,4
9,3
11,1
15,2
15,1
13,1
12,2
6,8
14,8
19,7
53,7
13,3
12,5
11,3
15,5
12,2
1,0
(2,1)
26,7
14,6
20,9
19,5
10,1
6,2
(21,7)
8,9
11,8
15,2
2,0
2,0
(39,6)
n.d.
n.d.
n.d.
5,5
0,9
2,3
43,6
0,3
504,8
536,5
629,6
735,1
651,4
298
-
33,9
38,8
44,9
51,0
50,4
47,7
1.491
1.383
1.404
1.441
1.292
(50,9)
6,6
625
(*) Dados até Jun/97
Fonte: SECEX
Elaboração: BNDES
n.c. não calculável: como a fusão das empresas ocorreu em meados de 1994, não há dados para todo o período.
Obs.: (i) A empresa Toalia S.A. - incorporada à Artex - originou-se a partir da compra da divisão
de cama, mesa e banho da Santista, tendo suas exportações crescido desde
então, em adição às exportações da própria Artex.
(ii) As empresas Vicunha Ne, Fibra S.A. e Finobrasa fazem parte do Grupo Vicunha, porém exportam produtos
diferentes.
(iii) As empresas Hering Têxtil e Hering do Ne ambas pertenciam ao Grupo Hering até mar/1996,
quando houve a alienação total para o Grupo Vicunha da Hering do Ne, que passou a se chamar Fibrasil.
Até aquele ano, o Grupo Hering representava o maior exportador de confeccionados de malha do Brasil.
(iv) A Karibê Indústria e Comércio - maior produtora nacional de tecidos de casimira
e uma das cinco maiores do mundo - foi comprada pelo Grupo Paramount em 1995.
quando houve a alienação total para o Grupo Vicunha da Hering do Ne. Até aquele ano,
o Grupo Hering representava o maior exportador de confeccionados de malha do Brasil.
(iv) A Karibê Indústria e Comércio - maior produtora nacional de tecidos de casimira
e uma das cinco maiores do mundo - foi comprada pelo Grupo Paramount em 1995.
(V) A tabela acima foi classificada por ordem decescente de valor,
tendo como referência o ano de 1996 - dado que o ano de 1997 apenas abrange os valores de janeiro a junho.
C:\Areatrab\conhecimento_bnset\BSESPTEX.DOC
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Comércio exterior
Entre as 10 maiores empresas exportadoras, sete têm sua produção voltada para roupas
de cama, mesa e banho, tecidos de algodão e peças de vestuário.1 São empresas de
grande porte e integradas com a fiação e tecelagem, tais como Alpargatas-Santista,
Karsten, Teka, Artex, Vicunha Nordeste, Dohler e Hering, esta última em processo de
desverticalização, com 40% da sua produção final terceirizada.
Outras empresas pertencentes ao grupo dos 10 maiores exportadores são a Bratac, que
produz fios de seda e os exporta unicamente para o Japão, e a Induspuma – que produz
falsos tecidos e tecidos de plástico (exceto telas para pneumáticos), exportados somente
para os Estados Unidos.
Entre as 10 maiores empresas exportadoras, apenas duas apresentaram um crescimento
médio anual superior a 20% e, entre as 25, apenas quatro obtiveram tal desempenho, no
período 1992/96. A maior parte das empresas do setor apresentou, contudo, crescimento
inferior a 10% a.a. ou mesmo exportações declinantes no período 1990/96. A perda
generalizada de mercado externo atingiu grande parte das empresas do setor,
independente da categoria: tanto as empresas integradas como as não-integradas, que
atuam na área de confecção, tecelagem, fiação ou fibras, foram atingidas.
Entre essas empresas, cabe destacar os exportadores já tradicionais, como a Karsten, a
Teka, a Artex e a Bratac, sendo que todas incrementaram sua participação na pauta de
exportações no período considerado, com exceção da Teka.
A Alpargatas-Santista – resultante da fusão, em meados de 1994, das unidades
produtoras de índigo e brim da São Paulo Alpargatas e da Tatuapé (Moinho Santista, do
Grupo Bunge) – destina 25% da sua produção às exportações, constituindo a terceira
maior produtora de índigo do mundo. A partir da fusão, a nova empresa atingiu
competitividade internacional, além de fortalecer-se diante do crescimento da Vicunha –
seu principal concorrente nacional.
Em geral, a maior parte das empresas acima manteve participação estável na pauta de
exportações têxteis, contudo, alguns grupos aumentaram sua parcela de exportações no
período, como o Paramount Lansul, em função da incorporação da Karibê; a Artex, com a
compra da Toália; e o Grupo Vicunha, tanto em função da incorporação da Hering do
Nordeste como do aumento da capacidade instalada da Vicunha Nordeste e da Fibra S.A.
Destaca-se ainda a Induspuma, que apresentou expressivo incremento no período, a
partir de uma participação na pauta de exportações praticamente nula em 1992.
Em 1997, até junho algumas empresas estão apresentando uma nova posição no ranking,
que foi feito com base em 1996 (Tabela 2).
No que se refere ao destino das exportações têxteis brasileiras, cabe destacar o aumento
da participação do Mercosul – especialmente da Argentina –, sendo que o Mercosul, os
Estados Unidos e a União Européia concentraram 65% do total exportado em 1996, com
participações de 31%, 18% e 16%, respectivamente (Gráfico 2).
1
As exportações nacionais de tecidos de algodão incluem, além do índigo, que detém parcela expressiva
da pauta, os tecidos crus para lençol, sem acabamento.
22/01/2002
7
AO1/GESET2
Comércio exterior
Gráfico 2
Destino das Exportações Brasileiras de Produtos Têxteis em 1996
Total das Exportações do Setor Têxtil em 1996: US$ 1.292.007
MERCOSUL
31%
Outros
29%
Japão
6%
Fonte: SECEX
EUA
18%
U.E.
16%
A participação dos Estados Unidos – tradicionalmente nosso principal parceiro comercial
neste setor – no total exportado pelo Brasil sempre girou em torno de 25%, porém em
1995 caiu para 22% e em 1996 para 18%, cabendo destacar o redirecionamento das
exportações brasileiras para o Mercosul, especialmente para a Argentina, que passou a
ser nosso maior parceiro comercial individual no setor têxtil, com participação de 22% das
exportações nacionais.
As exportações de produtos têxteis brasileiros para os Estados Unidos têm como item de
maior relevância vestuário e acessórios (exceto de malha), que representou 27% do total
exportado para este país – parcela em torno de US$ 64 milhões, em 1996. Os falsos
tecidos ocupam o segundo lugar, seguidos pelos produtos de algodão (fibras, fios e
tecidos de algodão predominantemente), com uma participação de US$ 43 milhões e US$
38 milhões, respectivamente, em 1996. O item outros artigos confeccionados, como
roupas de cama, mesa e banho, representou parcela de US$ 36 milhões no mesmo ano,
ocupando a quarta posição (Gráfico 3).
22/01/2002
8
AO1/GESET2
Comércio exterior
Gráfico 3
Exportação de Produtos Têxteis Brasileiros para os EUA - 1996
Outros Produtos
Têxteis
Vestuário e
acessórios, exceto
de malha
21%
27%
Outros artefatos
têxteis
confeccionados
16%
19%
17%
Fonte: Secex
Pastas, feltros,
falsos tecidos,
cordoaria
Algodão
Em relação ao Mercosul, os principais produtos exportados são os de algodão (tecidos
denim principalmente), seguidos pelos outros confeccionados, como roupas de cama,
mesa e banho: juntos, esses dois itens representam 42% do total exportado para a
região, em 1996. Apesar do grande aumento da participação do Mercosul no total
exportado brasileiro, passando de 21% para 31% entre 1994 e 1996 (representando
crescimento acumulado de 37% no período), as importações brasileiras provenientes da
região cresceram à taxa acumulada de 76% no mesmo período, com destaque para a
Argentina, cujas exportações para o Brasil aumentaram à taxa acumulada de 113%.
No que se refere à Argentina e ao Paraguai, os itens de maior relevância exportados pelo
Brasil são os produtos de algodão (principalmente tecidos denim) e outros artigos
confeccionados (principalmente roupas de cama, mesa e banho), representando,
respectivamente, 41% e 57% do total exportado para aqueles países.
Já para o Uruguai, nossas exportações concentram-se na lã, com quase 28% do total, e
em outros artigos confeccionados (principalmente artigos de cama, mesa e banho) com
18%. Grande parte da lã exportada possui qualidade inferior, sendo utilizada para
produção de tapetes e não para fabricação de peças para vestuário (Gráfico 4).
22/01/2002
9
AO1/GESET2
Comércio exterior
Gráfico 4
Exportações Brasileiras de Produtos Têxteis para o
Mercosul
Total das Exportações de Têxteis para o Mercosul: US$ 409.775.482
Argentina
68%
Uruguai
14%
Fonte: Secex
Paraguai
18%
Importante registrar que as exportações brasileiras também estão sujeitas ao Acordo da
Rodada do Uruguai de Têxteis e Vestuários, que, em 1995, substituiu o Acordo
Multifibras. Por aquele Acordo, o comércio do setor têxtil será, no prazo de 10 anos,
integrado ao regime do Acordo Geral de Tarifas e Comércio (Gatt), em três etapas:
1995/98, 1998/2002, 2002/05.
Assim, os principais mercados consumidores dos produtos têxteis brasileiros ainda têm
direito a contingenciar as exportações brasileiras até o ano 2005, entre os quais se
destacam os Estados Unidos, que impõem quotas para 26 categorias têxteis, e a União
Européia, impondo quotas para 11 categorias têxteis, segundo a Secex/MICT. Mas não
poderão estabelecer novas quotas para os produtos já integrados ao regime do Gatt.
Esta limitação, no entanto, não chega a restringir as exportações do setor têxtil, as quais
apresentam baixos índices de aproveitamento das quotas, exceto em algumas categorias
como os tecidos denim, calças jeans e roupões felpudos, em que os índices de
aproveitamento situam-se em torno dos 60% a 90%.
Importações
O Gráfico 1 sobre o comércio exterior brasileiro mostra que o ano de 1995 foi o primeiro
em que a balança comercial brasileira apresentou déficit na categoria têxtil – em torno de
US$ 800 milhões: as importações quase dobraram em relação ao ano anterior, atingindo
US$ 2,3 bilhões contra exportações estáveis no período. O déficit em 1996 atingiu pouco
mais de US$ 1 bilhão, em função do aumento das importações e da manutenção do
mesmo patamar de exportações, apesar da alteração da composição da pauta de
importações nesse ano: houve a queda da participação relativa dos tecidos artificiais e
sintéticos, que voltaram aos patamares anteriores a 1995, e o incremento da parcela de
algodão em pluma, como se pode observar na Tabela 3B.
22/01/2002
10
AO1/GESET2
Comércio exterior
Depois das fibras têxteis, que representaram em 1995 parcela de 31% e em 1996 43% da
pauta de importações (incluindo o algodão em pluma), dois itens chamam atenção pelo
expressivo aumento que apresentaram nos últimos anos e pela elevada participação entre
as importações: tecidos e confeccionados, que representaram, em 1995,
respectivamente, 25% e 15% do valor total da pauta de importações do setor. Em 1996,
esses percentuais foram de 13% e 15%, respectivamente (Gráfico 5).
Entre as importações de tecidos, cabe destacar os artificiais e sintéticos, provenientes dos
países asiáticos, em especial Coréia do Sul, China, Taiwan e Hong Kong, que
representaram 67% das importações totais de tecidos em 1995. Em 1996, dadas as
restrições comerciais impostas, as importações desses tipos de tecidos declinaram
substancialmente em relação ao ano anterior.
Não obstante, o maior peso da pauta de importações têxteis é o algodão em pluma, tendo
representado, em 1996, parcela de 37% do total das importações, em torno de US$ 858
milhões.2 Nossos maiores fornecedores têm sido Argentina, Paraguai, Uzbequistão,
Estados Unidos e Paquistão. A quantidade importada atingiu 470 mil t em 1996, contra
consumo doméstico de 820 mil t e produção interna de 410 mil t. A estimativa de
produção para 1997 (safra 1996/97) é de 309 mil t, contra consumo relativamente estável
da ordem de 840 mil t, o que implicará importações de cerca de 500 mil t nesse ano
(representando gastos em torno de US$ 900 milhões a US$ 1 bilhão). Com base nessas
estimativas, o Brasil será o maior importador mundial de algodão em 1997, à frente da
Indonésia (468 mil t), da Itália (345 mil t) e da China (300 mil t).
O grande salto das importações nacionais de algodão ocorreu a partir de 1993, quando
praticamente triplicaram de valor, passando de US$ 212 milhões, em 1992, para US$ 648
milhões em 1993, atingindo quase 500 mil t naquele ano. Isso ocorreu principalmente em
função de:
• queda das alíquotas de importação: em 1986 eram da ordem de 55%, passaram a 0%
em 1990 e atualmente estão em 3%, sendo que até o ano 2000 ocorrerá a
convergência para a Tarifa Externa Comum (TEC) de 6%;
• prazo de pagamento: 180 a 360 dias das importações de algodão, contra prazo médio
nas compras internas em torno de 10 dias; isto teve grande impacto sobre a estrutura
tradicional de beneficiamento do algodão nacional, cujos intermediários – as
“algodoeiras” – viram-se impossibilitados de competir com as grandes tradings
internacionais nas mesmas condições (prazo e taxa de juros);
• queda dos preços mundiais em 1991/92: em virtude de um aumento da oferta mundial
a partir de 1990 ocasionado pela recessão econômica da ex-União Soviética (suas exrepúblicas passaram a exportar grande volume de suas produções); e
• existência de subsídios na origem, como, por exemplo, nos Estados Unidos.
2
Em 1995, o algodão representou 24% da pauta de importações têxteis.
22/01/2002
11
AO1/GESET2
Comércio exterior
Gráfico 5
Importações Brasileiras do Setor Têxtil
1.000.000
900.000
1992
800.000
1993
1994
1995
1996
1997*
US$ mil
700.000
600.000
500.000
400.000
300.000
200.000
100.000
-
Fibras Têxteis
Fios
Filamentos
Tecidos
Confecções
Outros
Produto
( *) Dados até Mar/97
Fonte: CARTA TEXTIL
Na análise da origem das importações têxteis brasileiras, podemos observar a expressiva
participação do Mercosul, com US$687 milhões, dos Estados Unidos e da União
Européia. No que diz respeito aos países asiáticos, esses somaram cerca de US$ 450
milhões. Dentre esses países, destacam-se a China (US$ 147 milhões) e a Coréia do Sul
(US$ 123 milhões), sendo que as importações oriundas da China são baseadas nos
vestuários e acessórios, exceto de malha, e as da Coréia, nos produtos de filamentos
sintéticos ou artificiais (nos dois casos, tais produtos representaram mais de 50% das
exportações individuais de ambos os países para o Brasil). Outros países, como o Japão,
a Indonésia e Hong Kong, representaram juntos em 1996 parcela de aproximadamente
5% no total importado pelo Brasil (Gráfico 6).
22/01/2002
12
AO1/GESET2
Comércio exterior
Gráfico 6
Origem das Importações Nacionais Têxteis (inclusive Confeccionados) – 1996
(Em US$ FOB)
MERCOSUL
30%
Outros
28%
EUA
13%
Indonesia
1%
Fonte:SECEX
Japão
1%
Taiwan
3%
Coréia
5%
China
6%
U.E.
13%
Em relação ao Mercosul, o Brasil deixou de ter superávits com este bloco de países,
passando a apresentar déficit comercial já a partir de 1994. Em 1996, apesar do
significativo incremento de nossas exportações para a região, o déficit com o Mercosul
aumentou de US$ 252 milhões em 1995 para US$ 280 milhões na categoria têxtil –
somente com a Argentina o déficit comercial atingiu US$ 134 milhões em 1996.
Todos os países do Mercosul têm aumentado suas exportações para o Brasil,
principalmente a Argentina, nosso principal parceiro comercial no grupo e também
primeiro no total mundial. Entre 1992 e 1996, as exportações provenientes da Argentina
aumentaram em 569%, atingindo cerca de US$ 400 milhões. Isto ocorreu principalmente
em função do desempenho de sua lavoura algodoeira, já que o algodão em pluma
representa um quarto das importações brasileiras provenientes deste país. O mesmo
ocorre com o Paraguai, com parcela de 88% de suas exportações para o Brasil
concentrada no algodão.
Quando se faz uma comparação entre os principais produtos da pauta comercial brasileira
do setor têxtil (Tabelas 3A e 3B), constata-se que o país apresenta importações muito
concentradas no algodão em pluma (não cardado nem penteado), seguido por vários
produtos sintéticos, em menor escala. Em 1997, essa concentração permanece.
Por outro lado, dentre as exportações (também concentradas) destacam-se os artigos de
cama, mesa e banho e tecidos denim, cujas matérias-primas são o algodão e os fios de
seda, que vêm apresentando um contínuo crescimento no total exportado: juntos
representavam 24% do total em 1990; em 1996 responderam por 34% das exportações
têxteis nacionais. O mesmo vem ocorrendo em 1997.
22/01/2002
13
AO1/GESET2
Comércio exterior
O algodão em pluma, produto pelo qual o Brasil já foi responsável por aproximadamente
10% das exportações mundiais nos anos 80, tem hoje uma pequena participação em
nossa pauta: em 1996 representou menos de 1%, quando esta já foi de pouco mais de
10% em 1990. Desde 1985, nossa produção de algodão em pluma vem caindo ano a ano,
fazendo com que de grande exportador o Brasil passasse a grande importador mundial
desse produto. Até junho de 1997, nenhuma exportação de algodão foi registrada, entre
outros fatores, devido à diminuição da oferta no mercado externo e aos bons preços no
mercado interno, direcionando o produto para este mercado.
Tabela 3A
Principais Produtos Têxteis Exportados pelo Brasil – 1990/jun. 1997
(Em US$ Milhões FOB)
milhões US$ fob
Produto
Algodão não cardado nem penteado
Roupas de cama, mesa e banho
Tecidos denim
Cordéis, cordas e cabos de borracha ou
plástico
Fios de Seda (exceto desperdícios) não
acondicionados para venda a retalho
Tecidos de algodão com pelo menos
85% em peso de algodão, com peso não
superior a 200g/m2
Fios de algodão (exceto para linha de
costura) com pelo menos 85% de
algodão
Camisetas e camisetas interiores de
malha
Ternos, conjuntos, paletós, calças,
jardineiras, bermudas e shorts (exceto
de banho) de uso masculino
Tecidos de plástico, exceto as telas
para peneumáticos
Sub-total
Total
Part. (%)
(* ) Até jun/1997
1990
127,94
163,89
71,61
1991
147,72
185,45
91,48
1992
28,98
204,55
149,79
1993
3,77
232,18
143,79
1994
4,50
205,46
142,32
1995
91,54
202,86
160,09
1996
2,42
196,31
151,31
1997*
95,30
68,51
% 90-97 a.a
-48,38
3,05
13,28
56,47
68,65
60,51
47,39
63,96
71,33
52,98
44,68
-1,06
65,93
68,76
76,91
60,07
75,28
78,06
84,91
38,68
4,31
40,44
52,90
54,30
46,30
41,05
44,10
48,84
21,02
3,19
156,79
133,56
115,87
48,62
79,34
68,73
44,87
20,39
-18,82
62,07
76,93
85,16
97,99
71,20
64,05
43,40
15,65
-5,79
19,12
20,87
21,60
27,04
39,46
35,63
39,17
15,19
12,70
2,73
766,98
1.248
61,45
5,92
852,23
1.359
62,71
16,30
813,98
1.463
55,64
27,15
734,30
1.377
53,32
24,39
746,97
1.398
53,42
39,68
856,07
1.441
59,41
29,98
694,19
1.292
53,73
5,74
325,18
624,55
52,07
49,12
-1,65
0,58
Fonte: SECEX
Elaboração: BNDES
Tabela 3-B
Os Principais Produtos Têxteis Importados pelo Brasil
Produto
Algodão não cardado nem penteado
Fios de filamentos sint. com menos de 67
decitex
Falsos tecidos
Fibras sint. descontínuas, não cardadas nem
penteadas
Tecidos de fios de filam. sint.
Fios da algodão com pelo menos 85% de
algodão em peso
Camisas de uso masculino
Tecidos denim
Tecidos de fios de filam. artif.
Tecidos de fibras artif. descontínuas
Sub-Total
Total
Part.
(* ) Dados até jun/1997
Fonte: SECEX
Elaboração: BNDES
22/01/2002
1990
156,37
1991
177,07
1992
211,92
1993
647,62
1994
561,61
1995
546,88
1996
857,77
1997*
349,23
% 1990-96
a.a.
32,80
41,11
11,47
60,36
12,29
66,55
16,62
109,16
22,44
106,14
30,84
259,70
55,61
277,01
76,26
174,73
40,47
37,43
37,12
16,06
16,33
15,65
25,10
14,34
13,71
32,08
38,80
38,95
95,14
84,20
188,38
59,05
71,78
37,20
28,99
24,24
27,99
13,82
3,04
14,73
3,80
1,63
278,36
468,86
59,37
7,57
2,70
10,72
3,95
2,26
317,67
570,31
55,70
2,17
1,78
2,93
2,71
1,62
334,35
535,82
62,40
14
19,24
2,45
5,20
9,37
5,22
891,59
1.170,39
76,18
28,03
11,59
20,99
29,70
28,64
951,63
1.327,29
71,70
68,41
43,39
47,75
60,72
63,14
1.418,18
2.278,59
62,24
40,34
30,94
36,83
20,28
14,72
1.484,99
2.307,31
64,36
25,40
16,77
16,23
7,03
3,01
699,05
1.207,44
57,90
19,55
47,23
16,50
32,20
44,27
32,19
AO1/GESET2
Comércio exterior
Em relação aos artigos de cama, mesa e banho – item em que as exportações brasileiras
têm potencial para crescer, uma vez que hoje as quotas comerciais nessa categoria estão
subaproveitadas –, a queda de 2% entre 1995 e 1996 incluiu também redirecionamento
de comércio: enquanto houve uma queda de 8% (menos de US$ 2 milhões) das
exportações para os Estados Unidos, no Mercosul houve um acréscimo de 33% (US$ 18
milhões) no mesmo período. Outros países também reduziram suas importações desses
produtos, principalmente os países da União Européia: redução de mais de US$ 12
milhões.
É importante observar a diferença entre as taxas médias de crescimento das importações
e exportações: se, por um lado, as importações cresceram à taxa média de 30% a.a.
entre 1990 e 1996, por outro, as exportações totais cresceram apenas 0,6% a.a. no
mesmo período, sendo que o crescimento médio dos 10 principais produtos exportados
foi negativo. Em contraste, os 10 produtos mais importados cresceram a uma taxa média
anual superior ao total das importações no mesmo período considerado.
Cabe destacar que o quadro de defasagem tecnológica no setor têxtil vem se alterando,
como atestam as crescentes importações de máquinas e equipamentos – incluindo
filatórios, teares, máquinas de costura, máquinas para acabamento, entre outras –, que
alcançaram em 1995 montante de US$ 700 milhões, incremento de 20% em relação ao
ano anterior. Porém, essa situação não foi verificada em 1996, quando essas importações
ficaram em US$ 518 milhões, representando uma redução do total importado de
máquinas têxteis de 26%, em relação a 1995. As importações de máquinas ocorrem
principalmente da Alemanha, Itália, Suíça e Japão e têm sido facilitadas por reduções
tarifárias ou concessão de financiamentos (Gráfico 7).
Gráfico 7
Origem das importações brasileiras de máquinas para o Setor Têxtil
Total das importações de máquinas têxteis em 1996: US$ 517.694 mil
Outros
22%
Alemanha
33%
EUA
6%
Suíça
12%
Japão
12%
Itália
15%
Fonte: SECEX
Principais Deficiências da Cadeia Têxtil Brasileira
22/01/2002
15
AO1/GESET2
Comércio exterior
Algodão3
• Área plantada que, em 1981, ultrapassou 4,1 milhões ha, declinou drasticamente para
aproximadamente 950 mil ha em 1996 (safra 1995/96) e 680 mil ha em 1997 (safra
1996/97), conforme dados da Conab.
• Produtividade baixa quando comparada à média mundial (376 kg/ha contra 583 kg/ha –
algodão em pluma).
• Predominância de pequenos produtores, sendo comum a colheita manual. A etapa de
beneficiamento também prescinde de equipamentos modernos.
• Declínio da produção brasileira de quase 1 milhão de t em 1985 para 420 mil t em
1993, atingindo 410 mil t em 1996. Projeta-se queda de 25% este ano, com produção
de 307 mil t, segundo a Conab.
Fibras e Filamentos Artificiais e Sintéticos
Os filamentos artificiais e sintéticos, cuja produção vem se mantendo relativamente
estável (Gráfico 8), representaram, em 1996 e 1997, o segundo maior volume de
importações, devido ao crescente aumento do consumo interno e à maior disponibilidade
no mercado externo. Os preços da viscose e do acrílico no mercado interno foram os que
tiveram os maiores percentuais de queda no período 1989/95.
Gráfico 8
Evolução da Produção das Principais Fibras Químicas no Brasil
Em mil toneladas
160,0
140,0
Viscose
120,0
Náilon
100,0
Poliéster
80,0
Acrílico
60,0
40,0
20,0
0,0
85
86
87
88
89
90
91
92
93
94
95
96
Fonte: Carta Têxtil
• A produção de náilon e poliéster no Brasil vem acompanhando de forma defasada a
evolução do consumo doméstico (Gráficos 9 e 10), cabendo destacar que a diferença
coberta por importações aprofundou-se a partir de 1995, chegando a 40% e 30%,
respectivamente, do consumo desses materiais em 1996.
Gráfico 9
3
Atualmente, o algodão responde por aproximadamente 80% das fibras utilizadas nas fiações brasileiras.
Na tecelagem, 65% dos tecidos são produzidos a partir de fios de algodão, enquanto na Europa este
percentual gira em torno de 50%. Ressalte-se, todavia, que estes percentuais têm apresentado um ligeiro
decréscimo nos últimos anos ante o aumento da participação das fibras artificiais e sintéticas na produção
de tecidos.
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AO1/GESET2
Comércio exterior
Brasil: evolução da produção e do consumo de poliéster
Em mil toneladas
200,0
180,0
160,0
140,0
120,0
100,0
80,0
60,0
40,0
20,0
0,0
Produção
Consumo
1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996
Fonte: Carta Têxtil
Gráfico 10
Brasil: evolução da produção e do consumo de náilon
Em mil toneladas
120,0
Produção
100,0
Consumo
80,0
60,0
40,0
20,0
0,0
1985
1986
1987
1988
1989
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
Fonte: Carta Têxtil
• Procurando corrigir o déficit de produção, os investimentos em 1995 totalizaram US$
108 milhões e estão previstos valores da ordem de US$ 300 milhões no período
1996/99, entre os quais se destacam os investimentos da Fibra DuPont4 (produção de
náilon), da Fibra (poliéster), da Rhodia-Ster (poliéster e acrílico), da Fairway5 (poliéster
e náilon) e da Polienka (poliéster). Estima-se que a partir desses investimentos a
capacidade instalada da indústria alcance cerca de 100 mil t/ano de náilon e 200 mil
t/ano de poliéster.
• O diferencial de preço em relação ao patamar internacional – que já atingiu cerca de
30% em relação ao filamento de poliéster – vem caindo nos últimos anos.
• O aumento da produção do poliéster dependerá, cada vez mais, da importação de
matéria-prima, ainda que esta seja abundante no mundo.
Fiação
4
5
Joint venture entre a Fibra e a DuPont da Argentina.
Joint venture entre a Hoechst e a Rhodia.
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AO1/GESET2
Comércio exterior
• Parque de máquinas antigo, com idade média muito elevada: exceto alguns
equipamentos mais modernos, como os alimentadores automáticos e os filatórios a
rotor – que têm idade média abaixo de 10 anos –, os demais possuem idade média
entre 14 e 20 anos.
• Pequena participação de equipamentos novos: 32% das máquinas instaladas têm
menos de 10 anos, enquanto na Itália esse número é 70% e em Taiwan 52%. Em
função dos altos custos para implantação de novas máquinas neste segmento, o
processo de modernização é lento, contrastando com os países asiáticos, que têm
investido a uma velocidade muito maior que a indústria brasileira.
• Pequena participação da produção dos equipamentos de última geração adquiridos no
período 1992/95 – no total produzido de fios em 1995, da ordem de 10%. Em outras
palavras, tomando por base os coeficientes técnicos dos novos equipamentos
adquiridos no período mencionado – que representaram cerca de 400 mil novos fusos
e 35 mil novos rotores – e o total das horas trabalhadas nas fiações nacionais, da
ordem de 7.800 horas/ano, estima-se a produção total média desses novos
equipamentos em cerca de 100 mil t no ano de 1995.6
Tecelagem
• A média de idade dos teares nacionais é muito alta (na casa dos 23 anos), e a
participação de teares mais modernos ainda é muito pequena (em 1995, 81,5% dos
teares eram com lançadeira). As empresas que trabalham com tecidos de algodão –
que representam parcela de 70% do valor da produção nacional de tecidos – têm maior
competitividade no mercado externo. Os países asiáticos (especialmente China,
Taiwan e Coréia do Sul) são mais competitivos nos tecidos sintéticos, por vários
fatores, entre os quais se destacam o diferencial favorável do preço da matéria-prima,
equipamentos mais modernos e produção em larga escala.
• Não obstante, o processo de renovação e modernização já ocorreu em 20% das
fábricas entre 1990 e o final de 1995, parcela que corresponde a 60% de toda a
produção brasileira de tecidos planos, especialmente nos produtores integrados
(fiação/tecelagem), que respondem por 2/3 da produção total, segundo o Instituto de
Estudos e Marketing Industrial (Iemi).
• Desse modo, há empresas atualizadas tecnologicamente, mas a maioria ainda possui
equipamento obsoleto, existindo ainda muitos pequenos empresários atuando na
clandestinidade. A importação de máquinas tem se restringido às grandes empresas,
dadas as elevadas exigências de garantias e o elevado custo do capital, entre outros
fatores. As pequenas/médias empresas têm optado por reformar teares com
lançadeiras, readaptando-os para operarem com pinças. Essa categoria representou
cerca de 44% dos 9 mil teares adquiridos entre 1991 e 1995, incluindo equipamentos
nacionais e importados. Os teares assim reformados perdem em produtividade em
relação aos importados, todavia, o custo de US$ 7 mil por tear adaptado é muito
inferior aos teares de pinça novos – na maioria importados, que variam na faixa de US$
35 mil a US$ 90 mil.
Confecção
6
Principais fontes: ITMF (vários números); Werner International Corporation, Senai/Cetiqt. Principais
hipóteses: 100% dos novos filatórios adquiridos em 1992/95 – período de elevado incremento das
importações de máquinas têxteis – estão atualmente em plena operação; título médio do fio da ordem de 30
Ne.
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AO1/GESET2
Comércio exterior
• Elevado grau de informalidade. As grandes empresas vêm se concentrando em
produtos padronizados com larga escala de produção, por exemplo, camisetas de
malha, ou em certos nichos de maior valor agregado, procurando atuar com marca
própria e mais próximas ao consumidor final, eliminando intermediários na distribuição.
• Reduzidos investimentos em canais de comercialização (tanto internos quanto
externos), assim como no desenvolvimento de produtos, em técnicas modernas de
gestão, controle dos custos e parcerias com clientes e/ou fornecedores.
Vantagens Competitivas da Cadeia Têxtil Brasileira
Fiação, Tecelagem de Tecidos Planos (Integrados) e Malhas de Algodão
• Nesses segmentos, o Brasil tem custos comparáveis aos mundiais, conforme indica
estudo do ITMF em 1995, utilizando o algodão como matéria-prima básica para
comparações. Entre os países selecionados – Índia, Itália, Japão, Coréia do Sul,
Tailândia e Estados Unidos –, o Brasil perde apenas para a Coréia do Sul, a Tailândia
e a Índia nos três segmentos supracitados. Desse grupo, o Japão é o país com maiores
custos de produção, destacando-se o peso elevado da mão-de-obra nos custos totais.
As principais vantagens do Brasil estão nos custos de mão-de-obra e energia, e as
desvantagens nos custos de capital – item onde o país perde, inclusive, para a Índia, e
que representa a maior parcela dos custos totais de produção. Na Tabela 4 tem-se um
exemplo dessa comparação de custos entre os países, no segmento de fiação.
Tabela 4
Custos de Produção na fiação à anel
Brasil
Perdas
Salários
Energia
Material Auxiliar
Depreciação
Taxa de Juros
Total (US$/Kg fio)
13
8
8
5
29
37
2,75
Índia
Itália
17
2
15
5
30
31
2,25
15
30
8
4
25
18
3,00
Japão
14
29
17
5
26
9
3,40
Coréia
em percentagem
EUA
Tailândia
21
8
9
6
33
23
2,25
21
5
10
8
28
28
2,20
15
19
6
5
38
17
2,81
Custos de Produção na fiação open-end
Brasil
Perdas
Salários
Energia
Material Auxiliar
Depreciação
Taxa de Juros
Total (US$/Kg fio)
13
5
9
7
29
37
1,98
Índia
Itália
15
1
16
7
30
31
1,78
16
19
10
7
28
20
1,98
Japão
14
19
21
7
29
10
2,38
Coréia
18
5
10
8
35
24
1,73
em percentagem
EUA
Tailândia
19
2
11
10
29
29
1,74
15
12
7
7
41
18
1,98
Fonte: ITMF - 1995
Fiação
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AO1/GESET2
Comércio exterior
• Grandes empresas integradas para frente (tecelagem e acabamento) garantem
qualidade e escala no abastecimento, além de estarem atualizadas tecnologicamente.
• Aumento da concentração da produção nacional de fios, com incremento da
produtividade média do segmento. Apesar da grande redução no número de empresas
e pessoal no segmento de fiação no Brasil, da ordem de 50% a 60% entre 1989 e
1995, a produção apresentou uma redução de 16% no mesmo período, o que indica
um incremento de produtividade nas empresas.
• Entre os 10 maiores produtores mundiais de fios, o Brasil foi o quinto maior em 1995,
incluindo fios sintéticos e fios de algodão – estes últimos responderam por mais de
70% da produção física nacional de fios, assim como cerca de 40% do valor das
exportações do segmento. A produção brasileira de fios (da ordem de 1,2 milhão de t)
ficou abaixo somente do volume produzido na China – maior produtor mundial, com 5
milhões de t –, nos Estados Unidos (3,6 milhões de t), na Índia (2,3 milhões de t) e no
Paquistão (1,4 milhão de t).
Malharia
• Algumas empresas têm partido para produtos de maior valor agregado, utilizando
equipamentos mais avançados tecnologicamente e acabamentos mais complexos –
como é o caso da Hering e Sulfabril7 –, fugindo assim da concorrência dos asiáticos.
• Outras empresas, como é o caso da Wentex (Grupo Wembley/Coteminas), investiram
no aumento da escala da produção – com equipamentos de última geração – e na
padronização dos produtos. Entre os principais, destacam-se as camisetas de malha,
cuja produção deverá atingir 144 milhões de unidades/ano.8
Cama, Mesa e Banho
• O setor tem investido em inovações organizacionais (just-in-time, kanban, entre outras)
e no processo produtivo. Um terço de sua produção é voltada para exportações, sendo
que esses produtos possuem alta qualidade, não sendo ameaçados pela concorrência
externa.
• Principais empresas: Teka, Artex e Karsten – exportaram em conjunto cerca de US$
154 milhões em 1996 (US$ 152 milhões em 1995), representando em torno de 80% do
total das exportações de artigos de cama, mesa e banho.
Tecidos Índigo/Denim
• O Brasil é o terceiro maior produtor mundial desse produto, atrás dos Estados Unidos e
da China, e o segundo mercado consumidor, possuindo competitividade tanto em preço
quanto em qualidade. Como a produção de jeans classe A exige estreita relação entre
o fabricante de tecido e o confeccionista (tecido pronto para tingir), a sua importação
nesse nicho é dificultada, favorecendo a produção nacional.
7
As empresas Hering, Sulfabril, Malwee e Marisol detêm, em conjunto, 20% do mercado nacional de
camisetas de malha.
8
Fonte: Salomon Brothers/Patrimônio: Coteminas – Investing in the production of consumption goods (jun.
1997).
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AO1/GESET2
Comércio exterior
Ações já Realizadas de Apoio ao Setor9
Salvaguarda transitória – para inibir a importação exagerada foram adotadas pelo MICT
salvaguardas contra os fornecedores envolvidos (China, Coréia do Sul, Taiwan, Hong
Kong e Panamá) em 22 de maio de 1996, através do estabelecimento de cotas para
alguns tecidos constituídos em sua maioria por fibras ou filamentos artificiais e sintéticos
(categorias 611, 618, 619, 620 e 627), com vigência de três anos, até 1999.
Sistema de categorização têxtil – a Secex elaborou (Portaria Secex 10, de 20.07.95) e
encaminhou para homologação no Mercosul o Sistema de Categorização Têxtil, que
permitirá a simplificação tanto dos procedimentos de defesa comercial quanto de
integração de produtos contingenciados no âmbito da Organização Mundial do Comércio
(OMC).
Alíquotas de importação – a alíquota para importação (TEC) dos 18 itens têxteis
considerados sensíveis ao movimento importador – incluindo especialmente tecidos
sintéticos –, que havia sido elevada para 70% no final de 1995, voltou novamente ao
patamar de 18% em meados de 1996.10
Direito compensatório contra o algodão dos Estados Unidos – reabertura do processo
de investigação da concessão de subsídios pelo governo norte-americano à produção e
exportação de algodão em pluma. O processo foi solicitado pelo produtor de algodão
doméstico, mas não conta com o apoio do principal importador desta matéria-prima: a
indústria têxtil.
Financiamento à exportação – inclusão do vestuário (não-malha – Capítulo 62) no
Programa de Financiamento às Exportações (Portaria MICT 368, de 05.12.95) e incentivo
à exportação de produtos acabados.
Outras – Redução tarifária na importação de uma seleção de bens de capital destinados
à reestruturação do parque têxtil11 e restrição ao financiamento das importações abaixo
de 360 dias (Medida Provisória 1.569, de 01.04.97).
Apoio do BNDES
9
Fonte: MICT – SPI e Secex.
Em relação às demais categorias, as alíquotas variam na faixa de 4% (somente para casulos de seda) até
20% (alíquota máxima que inclui vestuário em geral e acessórios de malha, roupas de cama, mesa e
banho, entre os principais). Alguns produtos ainda constituem exceções temporárias à TEC até 2001, tais
como a fibra de náilon e o filamento de elastano (hoje em 12%, passarão a 16% naquele ano); tops de lã
(hoje em 6%, passarão a 10%); o algodão em pluma (hoje em 3%, passará a 6%), entre outros.
11
A relação de máquinas e equipamentos que obtiveram alíquota zero (ex-tarifários) é atualizada
periodicamente. Em julho deste ano, uma nova relação foi publicada excluindo alguns equipamentos e
máquinas da isenção (Portaria Interministerial 174, de 25.07.97), tendo alguns itens sido reincluídos
posteriormente (Portaria 187 do Ministério da Fazenda, 04.08.97) na relação dos “EX”.
10
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Comércio exterior
Desde a introdução do Programa de Apoio ao Setor Têxtil, em 20.05.1996, o montante
total de financiamentos requeridos atingiu US$ 191 milhões, sendo que as liberações
totalizaram US$ 9 milhões até dezembro de 1996.
Das 45 operações vigentes, apenas sete representam montantes acima de US$ 10
milhões e 29 envolvem valores abaixo de US$ 2 milhões.
Esses financiamentos têm possibilitado a reestruturação das empresas nacionais, de
modo a competirem com os produtos importados, em qualidade, a preços competitivos, e,
a médio prazo, também exportarem, em alguns nichos de mercado.
Tabela 5
Financiamentos através do Programa Reestruturação do Setor Têxtil
Liberações do BNDES - até JUNHO de 1997
em US$
Produto
FINEM DIRETO
FINEM INDIRETO
FINEM IND. IMPORT. B/S
BNDES AUTOMÁTICO
TOTAL
Valor Operação
nº Oper. Valor Liberado
196.547.000
23
14.589.000
3.682.000
1
117.000
1
117.000
36.795.000
73
23.941.000
237.141.000
98
38.647.000
Gênero/Atividade
Fab. Prod. Têxtil
Confec. Art. Vest. Aces.
Total
Valor Operação
nº Oper. Valor Liberado
227.356.389
69
31.969.610
9.785.027
29
6.677.076
237.141.416
98
38.646.686
Faixa de Operação
0 a 1.000.000
1.000.001 a 10.000.000
acima de 10.000.001
Total
Valor Operação
nº Oper. Valor Liberado
14.866
66
7.616.997
84.219
25
31.029.689
138.057
7
237.142
98
38.646.686
Fonte: BNDES (AP/DEPLAN)
Dado o volume de investimentos previstos para o setor nos próximos anos, na faixa de
US$ 3,5 bilhões até o ano 2000, segundo SPI/MICT, citado na Gazeta Mercantil
(dezembro de 1996), a tendência é de que exista demanda significativa de
financiamentos, sendo este um dos fatores considerados, em conjunto com as demais
ações de reestruturação da cadeia têxtil a médio e longo prazos, para a prorrogação do
Programa de Apoio ao Setor Têxtil do BNDES até junho de 1998.
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