Bateria de Questões de Atualidades

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Bateria de Questões de Atualidades
movimento de sua fonte principal de inspiração e
coesão.
TERRORISMO
Após 11 de setembro, o nome de Bin Laden
ganhou fama mundial, inspirando militantes
jihadistas no Iraque e em diversos lugares do
mundo. Vários grupos começaram a se denominar
como Al Qaeda, ou agindo em nome de seus
objetivos, passaram a organizar atentados de
impacto na Europa (Madri em 2004 e Londres em
2005), no norte da África, no Oriente Médio e em
outras partes da Ásia.
Sua atividade consolidou a transformação da Al
Qaeda, idealizada por Bin Laden, numa organização
com estrutura descentralizada e difusa, que opera
em braços autônomos. Nessa organização em rede,
os grupos afiliados contavam principalmente com a
liderança ideológica de Bin Laden e da Al Qaeda
central, hoje, comandada pelo o egípcio Ayman alZawahiri, baseada no Afeganistão e no Paquistão.
Apesar de subordinados a um comando central. Os
grupos possuem autonomia para conduzir as
operações – arrecadar fundos, recrutar militantes e
realizar ataques. De acordo com a Intel Center, o
instituto que monitora grupos terroristas, a Al
Qaeda possui atualmente ao menos 14 grupos
afiliados, que mantêm operações em quase 30
países.
O QUE É TERRORISMO?
Afinal de contas o que é o terrorismo? A
resposta não é simples, nem consensual. Pode-se
dizer que é o uso sistemático da violência contra
uma população para criar um ambiente de medo e
assim alcançar um objetivo político.
Historicamente, atos que seriam tidos como
terroristas foram considerados legítimos quando
correspondiam à luta contra a opressão de um
Estado, à ocupação ou ao domínio colonial. É o caso
da Resistência francesa, que lutou contra a
ocupação nazista na II Guerra Mundial.
Por causa dessas considerações políticas, é
difícil que, em fóruns como a ONU, haja consenso
para designar um grupo como terrorista. O
terrorismo é um traço marcante da política
contemporânea, em geral associado às lutas de
grupos nacionalistas. A novidade da rede Al Qaeda
é que ela não reconhece fronteiras e possui um
objetivo internacional: atacar a influência ocidental
no mundo atual
A MODERNA CONCEPÇÃO POLÍTICA DE
TERRORISMO
O terrorismo, hoje, é considerado um
instrumento de violência com fins estratégicos e
políticos, patrocinado por ideologias, inclusive
religiosas.
No século XIX, surgiu essa acepção de ação
política, sendo creditada ao alemão Karl Heinzen
(1809-1880), que a descreve na sua obra Das
Mord. Nela, Heinzen pregava o uso da violência e
de métodos que tragam pânico e terror, como
bombas
e
envenenamento,
para
atingir
determinados objetivos considerados fundamentais
para uma causa. Além disso, sempre em nome da
causa, admitia alianças com a escória social e o
recrutamento de pessoas para morrerem por ela.
As idéias de Heinzen tiveram eco significativo no
século XIX, influenciando Mikhail Bakunin e Piotr
Kropotkin, que criaram o anarquismo.
O termo anarquismo, ao qual frequentemente
é associado o de “anarquia” tem uma origem
precisa do grego, que significa “sem Governo”.
Através deste vocábulo se indicou sempre uma
sociedade livre de todo o domínio político
autoritário, na qual o homem se afirmaria apenas
através da própria ação exercida livremente num
contexto sociopolítico em que todos deveriam ser
livres.
Anarquismo significou, portanto, a libertação
de todo o poder superior, fosse ele de ordem
ideológica (religião, doutrinas, políticas, etc.), fosse
de
ordem
política
(estrutura
administrativa
hierarquizada), de ordem econômica (propriedades
dos meios de produção), de ordem social
(integração
numa
classe
ou
num
grupo
determinado) ou até de ordem jurídica (a lei). A
A maioria dos especialistas acredita que a
morte de Bin Laden terá um impacto limitado no
potencial da Al Qaeda de prosseguir com ações
terroristas, uma vez que os grupos afiliados atuam
com independência. Além disso, Bin Laden estava
distante do dia a dia da Al Qaeda, exercendo pouca
influência direta sobre os efetivos. Esse papel
estava com o seu número 2, o médico egípcio
Ayman AL Zawahri, agora o novo líder do grupo.
Embora a Al Qaeda supostamente não
dependesse mais de seu mentor, a saída de cena
do maior símbolo do Jihad islâmico priva o
Professor Pedro Israel
2
Professor Nilton Matos
estes motivos se junta o impulso geral para a
liberdade.
(...) Precisados os termos, pode concluir então
que Anarquismo se entende o movimento que
atribui, ao homem como indivíduo e à coletividade,
o direito de usufruir toda a liberdade, sem limitação
de normas, de espaço e de tempo, fora dos limites
existenciais do próprio indivíduo. Liberdade de agir
sem ser oprimido por qualquer tipo de autoridade,
admitindo unicamente os obstáculos da natureza,
da “opinião”, do “senso comum” e da vontade da
comunidade geral – ao qual o indivíduo se adapta
sem constrangimento, por um ato livre de vontade.
Característico do Anarquismo é o fenômeno da
rebeldia, por seu lado exterior violento ou, pelo
menos,
não
pacífico
vizinho,
mas
não
necessariamente conexo com o fenômeno paralelo
do insurreicionismo. A rebeldia ou rebeldismo é a
exteriorização violenta e de improviso, a maior
parte das vezes manifestando-se irracionalmente,
de uma ação eversiva contra a ordem constituída.
Voltando ao Terrorismo, fica claro, portanto, a
dificuldade de se conseguir uma definição
suficientemente
ampla
e
consensual
para
terrorismo, pois ela envolve conceitos políticos,
ideológicos, militares, religiosos. No início do século
XX, por exemplo, o termo terrorismo era definido,
em dicionários, com uma conotação bem diferente
da que temos hoje em dia: “pessoa que espalha
boatos assustadores; que prediz catástrofes ou
acontecimentos funestos; pessimista”.
Vejamos algumas definições do que é
terrorismo:

sucedeu com a Aliança Anticomunista da
Argentina e, em certa medida, com os
Esquadrões da Morte do Brasil), o separatismo
(como sucede com a ETA) ou a afirmação de
convicções religiosas (como sucede com alguns
movimentos fundamentalistas)”
(BOBBIO, N)
AS FORMAS DE TERRORISMO
Ao longo do século XX e início do século XXI, o
sentido de terrorismo não ficou preso ao seu
sentido original, ligado às ações de execução e de
extermínio do Estado, sendo hoje muito mais
identificado com ações violentas e de objetivos
políticos de grupos ou de pessoas que se opõem a
governos.
No intrincado e complexo século XX, o
terrorismo esteve presente em diferentes formas:



CURIOSIDADES!
“Terrorismo é o uso de violência política como
forma de pressionar um governo e/ou sociedade
para que aceitem uma mudança política ou
social radical.”
Faria tudo de novo, e melhor...
Entre os anos de 1973 até 1994, o
venezuelano Ilitch Ramirez Sanchez foi tido
como o maior terrorista em atividade, pois
praticou
diversos
atentados
(seqüestros,
atentados
a
bomba,
assassinatos),
encomendados e remunerados por serviços
secretos de países como os da Europa do
Leste, da URSS e os do mundo árabe. Ele é
acusado de ter provocado a morte de 93
pessoas e de ferir centenas de outras.
Foi caçado por policiais de todo o mundo.
Passou a ser chamado Carlos, o Chacal, como
o personagem central da ficção de Frederick
Forsyth, O Dia do Chacal, um homem
misterioso que praticaria atentados pagos por
organizações clandestinas ou serviços secretos,
inclusive um frustrado atentado contra o expresidente francês, Charles de Gaulle.
Nascido na Venezuela, o Chacal sofreu
grande influência de seu pai, que era
comunista.
Na
sua
juventude,
recebeu
treinamento militar em Cuba e estudou na
URSS. Em 1973, com 24 anos, ingressou na
Frente Popular para a Libertação da Palestina
(FPLP).
(ROBERTSON, D. A Dictionary of Modern Politics. New
York: Oxford, 1993)

“Prática do terror como instrumento de ação
política, procurando alcançar, pelo uso da
violência, objetivos que poderiam ou deveriam
cometer-se ao exercício legal da vontade
política. O terrorismo caracteriza-se, antes de
qualquer coisa, pela indiscriminação das vítimas
a atingir, pela generalização da violência,
visando, em última análise, a liquidação,
desativação ou retração da vontade de combater
do inimigo predeterminado, ao mesmo tempo
em
que
procura
paralisar
também
a
disponibilidade de reação da população.”
(Enciclopédia Verbo do Direito e do Estado. Lisboa:
Pólis-Portucalense, 1997. v. V)

“O terrorismo assenta, pois, no recurso
sistemático à violência como forma de
intimidação da comunidade no seu todo. No
entanto, a prática do „terror‟ pode visar
finalidades políticas muito distintas: a subversão
do sistema político (como sucedeu com as
Brigadas Vermelhas na Itália ou com o
Baader-Meinhof na Alemanha), a destruição de
movimentos cívicos ou democráticos (como
Professor Pedro Israel
de Estado – em que governos utilizaram
genocídios, extermínios, prisões, torturas e
deportações, invocando razões de Estado (ou a
sua segurança), voltando-se contra minorias
étnicas, religiosas ou políticas.
de Pessoas ou Grupos – com o mesmo
objetivo se reúnem para praticar atos que levem
temor aos governos ou populações.
de um único indivíduo – agindo sozinho,
usando da prática do terror para conseguir seus
objetivos.
3
Em 1975, praticou um dos seus atentados
mais espetaculares, seqüestrando 11 ministros,
de países-membros da OPEP, reunidos em
Professor Nilton Matos
Viena, matando, nessa ocasião, três pessoas.
Nos anos seguintes, continuou com suas
ao World Trade Center pelos militantes da Al
Qaeda.
A morte de Bin Laden, porém, causou euforia
nos Estados Unidos. Em plena madrugada, uma
multidão se aglomerou em frente à Casa Branca e
ocupou a Times Square, em Nova York, para
comemorar. Obama deu ao acontecimento relevo
histórico ao afirmar, em cadeia nacional, que
representa “a conquista mais significativa até o
momento no esforço dos EUA em derrotar a Al
Qaeda”. O apoio popular ao presidente saltou 10
pontos nas pesquisas após o anuncio do fim da
caçada ao líder terrorista. Nos EUA, o feito é
considerado a maior vitória de seu governo no front
externo e esvaziou o discurso da oposição
republicana de que o presidente seria “fraco” na
questão da segurança nacional.
No entanto, a morte de Bin Laden tem um
efeito, sobretudo simbólico na guerra contra o
terrorismo, uma vez que o mentor do 11 de
setembro estava aparentemente afastado do
comando direto das operações da Al Qaeda. Além
disso, acredita-se que a principal ameaça à
segurança nacional parte não mais das bases da Al
Qaeda
central, sediada no Afeganistão e no
Paquistão, pois foram muito debilitadas pelos
ataques norte-americanos nos últimos anos.
Hoje, o maior perigo estaria no norte da África
e no Oriente Médio, onde grupos ligados à Al Qaeda
estão ativos e planejando novos atentados.
Por esse motivo, Obama salientou em seu
discurso que a morte de Bin Laden “não marca o
fim do nosso esforço”. “Devemos e iremos
continuar vigilantes no país e no exterior”.
A POLÍTICA NORTE-AMERICANA
Doutrina Bush
Desde o fatídico 11 de setembro de 2001, o
combate ao terrorismo global tornou-se a peçachave da política eterna dos Estados Unidos, a
única superpotência mundial após o fim da Guerra
Fria.
Nestes 10 anos, o país envolveu-se em duas
guerras e gastou enorme quantia com o orçamento
militar. As invasões do Afeganistão (2001) e do
Iraque (2003) consumiram quase 1,3 trilhão de
dólares, resultaram em ocupações militares ainda
em curso e deslocaram mais de 300 mil soldados
para os países da região, dos quais 6 mil perderam
a vida. O alto custo financeiro e humano desses
conflitos ofusca os ganhos na luta contra o
terrorismo, em especial depois da crise econômica,
mudando as prioridades internas dos EUA.
Osama Bin Laden, o terrorista mais procurado
do mundo, está morto. Na noite de 1º de maio de
2011, um grupo de elite da Marinha norteamericana invadiu o espaço aéreo do Paquistão,
sob as ordens do presidente dos Estados Unidos,
Barack Obama. Ao chegar à cidade de Abbottabad,
executou a tiros o líder máximo da rede terrorista
Al Qaeda, no complexo residencial em que vivia
escondido.
A bem-sucedida missão ocorreu quase dez
anos depois do atentado sofrido pelos americanos
Professor Pedro Israel
A resposta dos EUA aos atentados de 11 de
setembro não se limitou à guerra no Afeganistão. O
governo do ex-presidente George W. Bush (20012008), então no poder, considerou o terrorismo a
principal ameaça à segurança mundial e inaugurou
um novo cenário geopolítico.
Em 2002, Bush definiu a novo estratégia de
segurança nacional dos Estados Unidos chamada de
Doutrina Bush.
Nela, os EUA resumiram as relações
internacionais ao embate entre “forças do bem”
(sociedades livres) e “forças do mal” (sociedades
ou organizações que patrocinam o terrorismo).
Como na lista de inimigos divulgada e
redefinida periodicamente por Washington existiam
vários países e organizações muçulmanas, a
Doutrina Bush acabou criando uma polarização
entre os países ocidentais e o mundo islâmico.
A Doutrina Bush defendia, centralmente:

4
O Unilateralismo – a possibilidade de os EUA
agirem no mundo de modo unilateral (sem a
preocupação de consulta aos organismos
multilaterais, como a Organização das Nações
Unidas – ONU – e a Aliança Militar Ocidental –
OTAN.
Professor Nilton Matos

Os ataques preventivos – o uso da força de
forma preventiva (antes de um ataque inimigo)
contra qualquer país que os Estados Unidos
considerassem ameaçador à sua segurança.
reservas de petróleo do país e abrir caminho
para que as multinacionais norte-americanas
investissem na reconstrução, obtendo ganhos
significativos.
A intervenção no Iraque tomou um rumo
complexo.
Com base nela, os norte-americanos reforçaram
a presença de suas tropas em todos os continentes
e ampliaram seu orçamento militar, já muito maior
do que o de qualquer outro país.
Em seguida, Bush definiu o novo alvo da
guerra ao terror: o Iraque de Saddam Hussein.
Em 2003, os EUA invadiram o país, sem a
aprovação da ONU e com o auxílio do Reino Unido.
Diferentemente do ataque ao Afeganistão, a guerra
no Iraque provocou enorme polêmica e foi
reprovada
por
boa
parte
da
comunidade
internacional.
A Casa Branca afirmava que Saddam, o ditador
iraquiano, desenvolvia armas de destruição em
massa e tinha ligações com a Al Qaeda. Depois da
invasão, porém, ficou comprovado que as alegações
eram falsas.
Bush é acusado de ter ocupado o Iraque com
outros objetivos: garantir o acesso às enormes
Professor Pedro Israel
Após a derrubada de Saddam, o país mergulhou
numa guerra civil entre sunitas, xiitas e curdos,
e os EUA fazem uma longa ocupação militar. E pior:
se o Iraque de Saddam estava aparentemente livre
de grupos terroristas, o país ocupado viu-os se
multiplicar, principalmente após a criação da Al
Qaeda local em 2004. Nos anos seguintes, o grupo
promoveu uma brutal campanha de atentados
contra alvos ocidentais.
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Professor Nilton Matos
Com a participação do secretário de Defesa dos
Estados Unidos, Leon Panetta, o encerramento
aconteceu
duas
semanas
antes
do
prazo
programado no acordo de segurança assinado entre
os governos dos EUA e do Iraque em 2008.
O documento estipulava que as tropas
estrangeiras deveriam deixar o país do Oriente
Médio até o dia 31 de dezembro de 2011. Os
soldados chegaram no país no dia 19 de março de
2003. A data da cerimônia foi mantida em segredo
durante semanas para evitar que insurgentes ou
milícias pudessem planejar um ataque.
Em seu discurso na cerimônia no aeroporto
internacional de Bagdá, Panetta afirmou que os
veteranos que fizeram parte dos quase nove anos
de conflito poderiam estar certos de que o
"sacrifício que fizeram ajudou o povo iraquiano a
colocar a tirania de lado".
"Depois de muito sangue derramado por
iraquianos e americanos, a missão de um Iraque
que pudesse se governar e garantir a própria
segurança se concretizou", ressaltou. "Certamente,
o custo foi alto – em mortes e em dinheiro para os
Estados Unidos e para o povo iraquiano. Essas
vidas não se perderam em vão".
INVASÃO NO IRAQUE
No dia 16 de Dezembro de 2011, Os Estados
Unidos entregaram às forças armadas iraquianas a
última das 505 bases militares de que dispunham
no país, um dia após a cerimônia formal de retirada
dos americanos do Iraque realizada em Bagdá.
O
representante
do
primeiro-ministro,
Hussein al-Assadi, e um coronel americano
assinaram os documentos em uma sala da base
Camp Adder, conhecida pelos iraquianos como
base Imam Ali, situada a sudoeste de Nasiriya,
305 km ao sul de Bagdá.
Tudo o que resta das forças armadas
americanas no Iraque são cerca de 4.000 soldados
de um total que chegou a quase 170 mil soldados
durante o pico da guerra em 505 bases em todo o
país.
Após o final do ano, a embaixada dos EUA vai
manter apenas 157 soldados para o treinamento
das forças iraquianas, e um grupo de fuzileiros
navais para proteger a missão diplomática.
Presença Militar
Com o fechamento do quartel-general do
Exército americano em Bagdá, é colocado um fim
definitivo na presença militar americana no país. As
últimas tropas já estão sendo retiradas.
Retirada
Militares desceram a bandeira dos Estados
Unidos da haste e a enrolaram em um tecido,
fechando o quartel-general do Exército americano
em Bagdá. Assim foi encerrada oficialmente a
guerra no Iraque, após quase nove anos de
presença das tropas americanas no país.
Os EUA queriam inicialmente que 40 mil
americanos continuassem em território iraquiano
trabalhando no treinamento de forças nacionais e
ajudando na segurança local, plano que não se
concretizará pela ausência de acordo entre os
governos sobre o tema.
Dar fim à guerra foi uma das promessas que
ajudaram Barack Obama a chegar à Presidência em
2008, e permite que a Casa Branca foque no
Afeganistão e na crise econômica doméstica. No
entanto, críticos acusam Obama de usar o fim da
guerra para dar força à sua campanha para a
reeleição em 2012.
Secretário da Defesa dos EUA, Leon Panetta, discursa
em evento que encerra guerra no Iraque
Professor Pedro Israel
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Professor Nilton Matos
Iraque e os efeitos da guerra
EUA em Karachi, matando 14 paquistaneses. O
ataque ocorreu um mês depois de outro atentado
suicida na cidade, que deixou 11 engenheiros
franceses mortos.
O Iraque é um país arrasado e com muitas
dificuldades de se restabelecer como um Estado
normal. A sucessão de barreiras militares e
controles, necessários num ambiente de guerra
civil, impedem que haja o conceito básico de
cidadania: não se pode ir e vir.
A economia quase inexiste na prática,
enquanto o desemprego e a informalidade
campeiam.
O
parque
petrolífero
está
se
reorganizando, atraindo empresas de segurança
privada, que estão sendo instaladas na região de
Basra, no sul iraquiano.
A Guerra definitivamente acabou?
Apesar de a guerra do Iraque ter sido
oficialmente encerrada, uma análise do "Índice
Iraque" da Brookings Institution, que rastreia
desde 2003 variáveis de reconstrução e segurança
no Iraque pós-Saddam Hussein, apresenta um
retrato bem diferente.
Desde 2003, foram 4.802 soldados da coalizão
e cerca de 120 mil civis iraquianos mortos.
Aproximadamente US$ 1 trilhão foi gasto pelos
Estados Unidos na guerra.
E mesmo assim, depois de nove anos, o Iraque
está longe de ser um país seguro. Segundo o
levantamento de Michael O'Hanlon no índice
Iraque, ainda há mil integrantes da Al Qaeda ativos
no país. O número de civis mortos chegou a um
pico de 34.500 em 2006. Em 2011, foi de 1.215.
Uma redução marcante, mas 1215 não é
exatamente um número de civis mortos condizente
com um país onde supostamente a guerra acabou.
Em julho de 2007, houve 1800 ataques de
insurgentes, incluindo bombas de estrada, trocas de
tiro, homens bomba. O número caiu para menos de
200 em agosto de 2011. De novo, não se pode falar
em "normalidade" com 200 ataques por mês.
O índice acompanha uma série de indicadores
políticos: orçamento, nível de inclusão no governo,
lei de aposentadoria, legislação eleitoral de
províncias, saída de extremistas do governo. Aqui
também o resultado é preocupante: a pontuação
caiu de 6,5 de 12 em 2008 para 05 de 12 em 2011.
Quando os últimos soldados americanos deixarem o
Iraque, no dia 31 de dezembro, eles deixarão para
trás "um país soberano, estável e autosustentável", disse o presidente Barack Obama.
Não exatamente. É tudo uma questão de ponto de
vista e necessidade de achar um ângulo positivo em
plena campanha eleitoral.
Em setembro de 2003, uma bomba, escondida
em uma cesta de lixo, explodiu no décimo andar de
um prédio comercial na cidade de Karachi,
quebrando janelas e jogando destroços nas ruas
sem deixar vítimas. A explosão foi tão grande que
pode ser ouvida pela cidade de 14 milhões de
habitantes.
Em maio de 2011, uma base aérea
paquistanesa em Karachi foi alvo de um "ataque
terrorista”. Os talibãs paquistaneses aliados à AlQaeda, que realiza uma campanha de atentados
suicidas e ataques que já deixaram cerca de 4.400
mortos em quase quatro anos em todo o país,
juraram vingar a morte de Osama bin Laden, morto
no dia 2 de maio no norte do país por um comando
americano.

INDONÉSIA, BALI (2002)
No dia 12 de outubro de 2002, em Bali
(Indonésia), o terrorismo islâmico atacou jovens
turistas e surfistas estrangeiros, arrasando boates,
lojas, cafés e bares na ilha. Entre os mortos
estavam
cidadãos
de
vinte
nacionalidades
diferentes. Foi o maior atentado recente contra
turistas estrangeiros no exterior. Bin Laden, por
carta, se disse feliz.
PRINCIPAIS ATENTADOS TERRORISTAS APÓS
O 11 DE SETEMBRO

PAQUISTÃO, KARACHI (2002)
Diversos ataques terroristas ocorreram nos
últimos anos em Karachi, a maior cidade do
Paquistão. Em junho de 2002, um homem-bomba
explodiu um caminhão em frente ao consulado dos
Professor Pedro Israel
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Professor Nilton Matos
restaurar a autoridade de Moscou. A primeira
guerra da Chechênia terminou com uma humilhante
derrota para as forças russas em 1996.
Em 1º de outubro de 1999, o então primeiroministro russo (e depois presidente) Vladimir Putin
deu início a uma nova ofensiva, uma "operação
antiterrorista" parcialmente desencadeada por uma
onda de atentados contra apartamentos em Moscou
e em outras partes da Rússia. Putin atribuiu os
ataques a rebeldes chechenos.
Ainda no início de 1999, forças chechenas
tentaram estabelecer um Estado islâmico na
república autônoma russa do Daguestão, que faz
fronteira com a Chechênia.
O que querem os chechenos?
A população média busca paz e tranqüilidade.
Os combatentes rebeldes querem independência
ou, pelo menos, um governo autônomo, que eles
quase obtiveram após 1996.
Assim que as forças militares deixaram o país,
em 1997, os chechenos elegeram o seu próprio
presidente - Aslan Maskhadov, um ex-oficial da
artilharia soviética que havia sido o principal
comandante militar dos rebeldes chechenos.
A decisão sobre o status político da Chechênia
foi adiada por cinco anos, após um acordo de paz
ter sido negociado pelo governo checheno com
Moscou. Mas, durante o período de paz, Maskhadov
foi incapaz de controlar seus comandantes mais
radicais e a república rebelde mergulhou na
anarquia, tornando-se uma das "capitais mundiais"
no ato de tomar reféns.
Mais de 200 pessoas morreram e cerca de 330
ficaram feridas. Os radicais muçulmanos da facção
Jemaah Islamiah, ligados à rede Al Qaeda
assumiram a responsabilidade dos atentados.

RÚSSIA, MOSCOU (2002)
No dia 23 de outubro de 2002, em Moscou
(Rússia). No segundo ato da peça em cartaz no
Palácio da Cultura, os fuzis dos chechenos
renderam público e atores. O governo russo se viu
diante do eterno dilema apresentado pelo terror:
ceder e negociar ou apenas atacar? Vladimir Putin
ordenou a sangrenta invasão do teatro. Sua
população o apoiou.
O total de mortos foram: 118 inocentes e 54
terroristas. Além de 146 pessoas feridas. Os
muçulmanos separatistas da Chechênia foram os
responsáveis pelo atentado.
No que se transformou a política de Putin?
Em outubro de 2003, o líder checheno próMoscou Akhmad Kadyrov foi eleito presidente, após
a realização de um controvertido referendo em
março daquele ano. Os principais rivais de Kadyrov
se retiraram da disputa antes da eleição.
O referendo aprovou uma nova Constituição
que dava à Chechênia maior autonomia, mas
estipulava que a república continuaria integrando a
Rússia. A eleição presidencial e o referendo
puderam ser realizadas apesar da crescente
violência e da presença de milhares de soldados
russos na Chechênia.
Se o presidente Putin imaginou que um líder
pró-Moscou poderia resolver o problema, o líder
russo subestimou a determinação e a brutalidade
dos rebeldes chechenos.
Kadyrov já havia escapado de uma série de
tentativas de assassinato até ter sido morto na
capital chechena, Grozni, em um mega-atentado a
bomba num estádio de futebol, realizado em maio
deste ano. E os rebeldes seguiram atacando outros
alvos na Rússia.
Diversos atentados suicidas a bomba contra
alvos russos têm sido realizados desde o cerco de
um teatro de Moscou em 2002, quando militantes
chechenos tomaram centenas de reféns.
Entenda o conflito na Chechênia
A Chechênia declarou independência da Rússia
em 1991, mas o ex-presidente russo Boris Yeltsin
esperou até 1994 para enviar tropas à região, para
Professor Pedro Israel
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Professor Nilton Matos
Um
ataque
atribuído
aos
separatistas
chechenos em fevereiro e realizado no metrô
moscovita matou dezenas de pessoas. Continuam
acontecendo ataques diários contra tropas russas
na
Chechênia
e
civis
chechenos
seguem
desaparecendo em decorrência das operações de
segurança das forças russas.
Casablanca. O Ministério das Relações Exteriores da
Itália e da França confirmaram que havia um
italiano e dois franceses entre as vítimas dos
atentados. Cinco atentados simultâneos foram
realizados por terroristas suicidas na capital
econômica de Marrocos. Segundo fontes do
escritório da Generalitat (governo regional) da
Catalunha em Casablanca, um dos falecidos é o
empresário catalão Manuel Albiach, e um dos
feridos, foi o vice-presidente da Casa da Catalunha
na cidade marroquina, Joan Alie.
Hassan Aourid, porta-voz do rei de Marrocos
Mohammed,
disse
que
os
ataques
foram
responsabilidade de uma rede internacional de
terrorismo, acrescentando que os culpados seriam
punidos "sem misericórdia". Já o ministro
marroquino do Interior, Mustafá Sahelos, sustenta
que os atentados terroristas foram praticados por
uma
célula
composta
por
14
membros,
pertencentes a cinco grupos, segundo a agência
AFP.
Existem perspectivas para a paz?
Não. O plano da Rússia de normalização da
região está desordenado, após a morte de Kadyrov.
Novas eleições presidenciais serão realizadas na
Chechênia no dia 29 de agosto. O ministro do
Interior checheno, Alu Alkhanov, deve ser o
provável vencedor. Mas críticos e observadores
internacionais afirmam que eleições limpas são
impossíveis, já que a violência continua a atingir a
sofrida república.
Diferentemente de seu predecessor, Alkhanov
não conta com uma forte base de apoio. Os
rebeldes não deram qualquer sinal de que
pretendem interromper seus ataques esporádicos,
mas destrutivos - que agora vêm se intensificando
através de atentados suicidas.
Autoridades russas disseram que 250 rebeldes,
disfarçados de policiais, lançaram um ataque
coordenado em Grozni, no dia 21 de agosto, pouco
antes de uma visita do presidente Putin.
Moscou
não
está
disposta
a
realizar
negociações de paz com os rebeldes e desde os
atentados de 11 de setembro de 2001 tem havido
pouca pressão internacional por uma solução
negociada por um conflito.
Os rebeldes têm ligações com a Al-Qaeda?
Parece provável. Sabe-se que há anos
voluntários islâmicos viajaram para a Chechênia
para se aliar à luta pela independência. Segundo
relatos, eles aderiram aos rebeldes após terem feito
treinamentos em campos do Afeganistão e do
Paquistão.
Em outubro de 2002, um dos suspeitos de
realizar de realizar os atentados de 11 de setembro
disse a um tribunal alemão que o suposto líder dos
seqüestradores dos aviões, Mohammed Atta,
pretendia combater na Chechênia.
Um dos principais militantes que combateu no
conflito foi um árabe conhecido como Khattab - um
veterano da guerra do Afeganistão contra a então
União Soviética. Khattab teria supostamente
mantido ligações telefônicas com Osama Bin Laden.
Telefonemas interceptados também fizeram com
que autoridades americanas alegassem que
combatentes chechenos estabelecidos na Geórgia,
perto da fronteira com a Chechênia, estavam em
contato com a Al-Qaeda.

O último balanço divulgado pelas autoridades
do Marrocos informa que 41 pessoas morreram e
cem ficaram feridas na série de atentados suicidas
contra a Casa da Espanha, o hotel Safir, Círculo da
Aliança Israelense, um antigo cemitério judeu e em
frente ao consulado da Bélgica. A prefeitura de
Casablanca afirma que, entre os feridos, 55 já
abandonaram
o
hospital.
Hoje
a
polícia
marroquinha identificou mais um corpo, do
espanhol Domingos Mateus. Com isso, sobe para
três o número de espanhóis mortos na ação.

TURQUIA, ISTAMBUL (2003)
No dia 15 e 20 de novembro de 2003, em
Istambul (Turquia), terroristas suicidas se autoexplodiram diante de duas sinagogas, matando 25
pessoas.
MARROCOS, CASABLANCA (2003)
Três
espanhóis
morreram,
um
ficou
gravemente ferido e mais quatro ou cinco sofreram
ferimentos menos sérios no atentado terrorista em
Professor Pedro Israel
9
Professor Nilton Matos
transbordava
ocidental.
Cinco dias depois, carros-bombas explodiram
na agência central do banco inglês HSBC na capital
turca pela manhã, deixando 27 mortos. No total
foram 52 mortos, mais de 450 feridos. O grupo
terrorista Al Qaeda assumiu a autoria das duas
ações.

o
coração
da
civilização
Madri, 2004.
Porém de lá para cá, a Europa foi vítima de
atentados terríveis - o de Madri, em 2004, que
deixou mais de 190 mortos, e o de Londres, em
2005, que matou ao menos 50 pessoas - e passou
a ver o terrorismo islâmico com outros olhos.
Perceberam que ele também era parte da realidade
européia. E mais: descobriram que o inimigo, que
parecia morar em regiões longínquas do Oriente,
muitas vezes morava ao lado e era cidadão
europeu, alguém que nasceu e cresceu sob os
princípios ocidentais, que freqüentou as escolas
gerenciadas pelo estado laico.
Tanto os atentados de Madri quanto os de
Londres foram realizados por células de terroristas
locais. Os autores do massacre em Madri eram, na
maioria, marroquinos radicados na Espanha. Os
autores das explosões no metrô londrino eram
jovens cidadãos ingleses de classe média com boa
escolaridade - três deles nascidos na própria
Inglaterra,
em
famílias
de
imigrantes
paquistaneses. Essa nova geração do terror
comprovou o crescimento da mentalidade de jihad
entre os muçulmanos que vivem no Ocidente e
colocou uma nova questão para a Europa. Até a
Alemanha, que se sentia menos ameaçada pelo
terror por não ter enviado tropas ao Iraque, se viu
diante desse mal "que vem dentro". Em 2007, três
cidadãos convertidos ao islamismo foram presos
porque planejavam uma série de atentados no país.
Eles armazenavam 700 quilos de peróxido de
hidrogênio, a matéria-prima dos explosivos usados
em Madri e Londres. O fenômeno atingiu também a
Dinamarca. Um dia antes da prisão dos alemães, a
polícia de Copenhague evitou um ataque terrorista
prendendo oito jovens muçulmanos nos subúrbios
da cidade.
ARÁBIA SAUDITA, RIAD (2003)
Os atentados terroristas ocorridos na cidade
saudita na noite desta segunda têm a marca da
organização Al Qaeda, de Osama Bin Laden. Pelo
menos três bombas explodiram em complexos
residenciais habitados por estrangeiros, matando
dezenas de pessoas. John Burgess, funcionário da
embaixada dos Estados Unidos na capital saudita,
disse que 91 pessoas haviam morrido no atentado,
entre eles dez cidadãos americanos. Depois, porém,
os EUA corrigiram a informação e confirmaram o
cálculo das próprias autoridades sauditas, que
falavam em 29 mortos. Outras 160 pessoas teriam
ficado feridas durante o atentado terrorista contra
Riad.
Os líderes dos EUA e da Arábia Saudita
condenaram os atentados e prometeram punir os
culpados. O ex-presidente americano George W.
Bush disse que os autores da ação são "assassinos
cuja única fé é o ódio", e prometeu que os
responsáveis "aprenderão o significado da Justiça
dos EUA". Para Bush, os assassinatos em Riad
mostram que a guerra ao terror continua. Em Riad,
o príncipe saudita Abdullah afirmou, em discurso
transmitido em rede nacional de TV, que seu país
irá destruir os grupos terroristas responsáveis pelos
atentados. Em referência ao Corão, livro sagrado
dos muçulmanos, Abdullah afirmou que os
criminosos enfrentarão o "fogo do inferno". "Se eles
acreditam que seus crimes sangrentos irão
perturbar esta nação, eles estão enganados."

para
ESPANHA (MADRI/2004) E INGLATERRA
(LONDES/2005)
Os ataques do 11 de Setembro popularizaram
a imagem do terrorista à semelhança da figura
hirsuta e fora de moda de Osama Bin Laden, como
se a guerra santa promovida pelo Islã fosse um
fenômeno de grotões que, ocasionalmente,
Professor Pedro Israel
10
Professor Nilton Matos
Londres, 2005.
Fechando o cerco - O problema, no entanto,
parece ser anterior aos atentados, pelo menos em
Londres. No início de 2004, nove jovens
muçulmanos - do mesmo perfil daqueles que, no
ano seguinte, planejariam e executariam as
explosões assassinas - foram presos pela polícia
inglesa com meia tonelada de nitrato de amônia,
produto químico com o qual se podem fabricar
explosivos. Naquele tempo, a conversão dos jovens
ingleses à guerra santa islâmica e a forma metódica
como
se
preparavam
para
chacinar
seus
concidadãos já prenunciavam a tragédia de depois.
O governo, porém, ainda não tinha se dado conta
do perigo que esses grupos fundamentalistas
representavam.
Para
conter
o
avanço
do
extremismo,
alguns
países
europeus
estão
fechando o cerco aos clérigos acusados de incitar o
ódio ou de fomentar o terrorismo. Os governos da
Espanha e da Alemanha estudam meios de
monitorar os sermões nas mesquitas. A Itália e a
França deportaram clérigos raivosos. A vigilância
sobre grupos terroristas que agem ao estilo da
Máfia, controlando atividades ilegais, como a venda
de vistos falsificados, foi intensificada.
Dilema ocidental - O problema, contudo,
parece ser mais complexo e exigir mais do que
soluções exclusivas. A geração de filhos de
imigrantes nascida em solo europeu, os beurs,
como são popularmente conhecidos na França, têm
promovido um movimento de volta às origens que
rechaça e se indigna com o tratamento que seus
pais receberam na Europa. É também uma forma
de se afirmarem diante das dificuldades que
encontram para se adaptar à vida em terras alheias
tão hostis. Um sentimento digno como esse, pode,
no entanto, se aliado a uma visão mitificada do
Islã, levar o jovem muçulmano a ser seduzido por
movimentos islâmicos integristas que pregam o
ódio à civilização ocidental. Combater o terrorismo
sem violar os direitos civis dos muçulmanos ainda é
um dilema para as democracias ocidentais, ainda
mais para as européias, nas quais as populações
islâmicas já chegam a 15 milhões de pessoas.
Professor Pedro Israel
11
Professor Nilton Matos
Professor Pedro Israel
12
Professor Nilton Matos
“PRIMAVERA ÁRABE”
A onda de revoltas em países da África do
Norte e do Ocidente Médio, iniciada em janeiro de
2011 na Tunísia, prosseguiu durante todo primeiro
semestre do ano. No entanto, após a queda
relativamente rápida dos ditadores da Tunísia e no
Egito, a Primavera Árabe ingressou numa fase mais
difícil e muito violenta.
As revoluções populares espalharam-se pela
região e expressaram-se de diferentes formas em
países como a Líbia, Síria, Barein e Iêmen. No
entanto, em vez de deixarem o poder ou
promoverem reformas para melhorar a situação em
seus países, os governantes usaram a força, com
intensidades variadas, para dispersar a multidão
nas ruas e abafar os protestos. Como resultado,
alguns desses países estão imersos em conflitos,
enquanto outros se encontram em graves crises
políticas, que se prolongaram há meses. Tunísia e
Egito, por seu lado, vivem um processo tumultuado
e ainda incerto de transição de regimes autocráticos
para democracia.
O quadro de instabilidade inaugurado com a
Primavera Árabe provoca inquietação nas potências
ocidentais, que assistem à derrubada ou ao
enfraquecimento
de
regimes
que
foram
historicamente seus aliados. No contexto da guerra
ao terror, com o objetivo de barrar a influência de
grupos fundamentalistas islâmicos, os Estados
Unidos firmaram aliança com os governantes do
Egito, Arábia Saudita, Barein, Marrocos e Iêmen,
entre outros. Com as mudanças rápidas e
imprevistas que estão ocorrendo, temem-se o
alastramento de choques étnicos e o avanço de
movimentos extremistas islâmicos nessa área de
predomínio muçulmano.
TUNÍSIA E EGITO
A derrubada dos ditadores Zine Al-Abidine Bem
Ali, na Tunísia, e Hosni Mubarak, no Egito, ainda no
início de 2011, inaugurou um novo período na
história dos dois países. Sob pressão dos protestos,
vários ministros caíram na Tunísia, até que, em
março, o governo civil se firmou. Uma junta militar
está no comando do Egito. Ambos prometem
eleições para 2011, mas ativistas pró-democracia
estão
insatisfeitos.
Grupos
seculares
(não
religiosos) e liberais pedem mais tempo para
estruturar partidos políticos que possam competir
em pé de igualdade com as tradicionais
agremiações islâmicas. Embora banidas durante a
ditadura, a Irmandade Muçulmana (Egito) e o
Ennahda (Tunísia) possuem décadas de existência,
sedes espalhadas pelo território e enorme
quantidade de membros. Por isso, estariam em
Professor Pedro Israel
13
Professor Nilton Matos
posição vantajosa para disputar as eleições para
um Parlamento no Egito (em setembro) e uma
Assembléia Constituinte na Tunísia (em outubro).
Os representantes eleitos vão comandar o
processo de elaboração das novas constituições.
Uma questão importante é se o Egito e a Tunísia
serão Estados seculares, pluralistas e democráticos,
ou Estados religiosos, regidos pela sharia, a lei
islâmica. A Irmandade Muçulmana é hoje um grupo
heterogêneo, que reúne de fundamentalistas a
liberais. O Ennahda afirma que é adepto da
moderação e do pluralismo, embora a elite secular
tunisiana afirme que sua real intenção seja um
Estado islâmico. No Egito, choques sectários entre a
minoria cristã e um grupo radical islâmico, os
salafistas, aumentam os temores de que os
fundamentalistas possam ampliar seu espaço
político. Como não existem pesquisas de opinião, a
resposta virá com as eleições, desde que elas
sejam de fato democráticas.
Julgamento do ex-ditador Mubarak
O julgamento do ditador deposto do Egito,
Hosni Mubarak, acusado pelo assassinato de
manifestantes e por abuso de poder, foi
retomado após um atraso de quase dois meses,
em virtude da solicitação dos advogados de
Mubarak por um novo juiz.
Mubarak, seus dois filhos, o ex-ministro do
Interior e altos funcionários da polícia
enfrentam uma série de acusações, incluindo o
envolvimento na morte de centenas de
manifestantes e corrupção durante suas três
décadas no cargo. Mubarak, que está sendo
mantido sob prisão em um hospital onde
médicos dizem que ele enfrenta um problema
cardíaco, foi levado para o tribunal em uma
maca hospitalar, cobrindo seus olhos com um
braço e cercado pela polícia.
Sessões anteriores foram marcadas por
confrontos diante do edifício do tribunal do
Cairo entre partidários de Mubarak e egípcios
exigindo a pena de morte para o ex-líder.
Cerca de 850 pessoas morreram no levante
de 18 dias que derrubou Mubarak em fevereiro,
dentro do contexto das chamadas revoltas
árabes.
Os advogados que representam as famílias
dos mortos tinham arquivado um pedido para a
substituição do juíz que preside o caso, Ahmed
Refaat, e de outros dois juízes. O pedido foi
rejeitado.
Eles reclamaram que os juízes não
conseguiram lhes dar tempo suficiente para
questionar o marechal Mohamed Hussein
Tantawi, que dirige o conselho militar que
governa o Egito, durante sua aparição no
tribunal.
Professor
Israel
O Pedro
ex-ministro
do Interior, Habib al-Adli e
seis oficiais de polícia também aguardam
Ex-ditador da Tunísia, Bem Ali, é
condenado à revelia
O ex-ditador Zine El Abidine Ben Ali foi
condenado à revelia a cinco anos de prisão por
um tribunal militar da Tunísia, informou nesta
quarta-feira uma fonte judicial.
Em seu primeiro julgamento no Tribunal
Militar Permanente de primeira instância de Túnis,
Ben Ali foi condenado por tortura contra oficiais
do Exército acusados de tentativa de golpe de
14
Estado
contra
seu
regime
no
Professor
movimento
Nilton Matos
conhecido como "Baraket Essahel", em 1991.
Algumas semanas depois da revolução na
Tunísia, a vizinha Líbia viu surgir protestos contra o
mais antigo ditador do mundo árabe, o coronel
Muammar Kadafi, no poder desde 1969. A situação
evoluiu rapidamente para uma guerra civil, com a
disputa armada pelo controle de territórios. A costa
leste é área de influência do movimento rebelde. A
costa oeste é dominada pelo regime de Kadafi, com
sede em Trípoli, a capital de Benghazi.
O conflito é marcado por avanços e recuos das
duas forças sobre cidades estratégicas da faixa
litorânea. Num primeiro momento, a insurgência
rumou para o oeste e conquistou uma vasta fatia
do território. Porém, no início de março, as forças
de Kadafi, apoiadas por bombardeios aéreos,
realizaram uma contra-ofensiva, chegando às
portas de Benghazi. A situação levou a uma
intervenção militar externa contra Kadafi. Em 17 de
março, o Conselho de Segurança da ONU – com o
voto contrário do Brasil – autorizou o uso da força
contra o governo líbio, com o mandato de proteger
a população civil. Dias depois, uma coalizão
internacional liderada pelos Estados Unidos, França
e Reino Unido, entrou em ação.
O
ex-ditador
será
julgado
ainda
A campanha de ataques aéreos passou para o
comando da Otan (Organização do Tratado do
Atlântico Norte, aliança militar ocidental) e
enfraqueceu a capacidade militar de Kadafi. Com
isso, os rebeldes retomaram o controle do leste e
da maior parte da cidade de Misrata, no oeste.
No fim de abril, a Otan ampliou os
bombardeios para instalações não militares do
governo em Trípoli, atingindo a população civil. O
conflito, porém, mergulhou num impasse. Nenhum
dos lados teve recursos militares para realizar um
ataque decisivo contra o inimigo. O pêndulo
começou a oscilar em favor da insurgência no fim
de junho. Enquanto o regime de Kadafi dava sinais
de
esgotamento,
a
insurgência
avançava
por
homicídio doloso, complô contra a segurança do
Estado
e
tráfico
de
drogas,
entre
outras
acusações.
Ben Ali já foi condenado a 66 anos de prisão
e ao lado da mulher, Leila Trabelsi, é alvo de uma
ordem de captura internacional. O casal está
refugiado na Arábia Saudita.
Novembro/2011
INTERVENÇÃO MILITAR NA LÍBIA
Professor Pedro Israel
15
Professor Nilton Matos
lentamente. Segundo os rebeldes, a ofensiva contra
Trípoli dependia do fornecimento de mais armas – o
que tem sido feito pela França – e do maior
empenho da Otan.
AMEAÇA À DITADURA SÍRIA
A comunidade internacional reluta em intervir
no país, pois teme que o agravamento da crise
poderia ter conseqüências imprevisíveis para toda a
região, causando instabilidade.
A Síria é um dos protagonistas centrais das
tensões no Oriente Médio e tem um conflito com
Israel, país vizinho que ocupa parte de seu
território, as Colinas de Golã, desde 1967.
Juntamente com o Irã, seu grande aliado, o
regime de Al-Assad apóia grupos terroristas que
combatem o Estado judeu – o Hamas palestino e
o Hezbollah (pró-palestinos que atuam no sul do
Líbano). A Síria ocupou o Líbano durante décadas e
ainda exerce enorme influência no país.
Por causa dessas considerações, as potências
ocidentais parecem preferir uma saída negociada
com o regime. Nesse cenário, a Turquia exerceria
importante papel mediador, pois se aproximou da
Síria na última década e mantém um diálogo com
seu governo. Bashar vem fazendo promessas vagas
de reformas, enquanto envia tanques para reprimir
os protestos.
No início, os manifestantes pediam democracia
e liberdade, mas a multidão que agora se aglomera
em Hamah exige a queda do regime.
O levante popular na Síria começou em março,
no sul, e, em junho, havia se espalhado pelo
território: todas as sextas-feiras, após as orações,
mais de 100 mil pessoas protestavam em cerca de
150 cidades e vilarejos sírios. O movimento
avançou apesar da violenta resposta do regime do
ditador Bashar Al-Assad. No pior incidente até
agora, 10 mil pessoas cruzaram a fronteira com a
Turquia, fugindo dos bombardeios do governo Jisr
al-Shoghour. O regime sírio é considerado um dos
mais repressores do mundo árabe. Bashar é filho
do ex-ditador Hafiz al-Assad, que comandou o país
com mão de ferro por 30 anos (1970-2000). A
família Assad pertence à seita alauíta, do ramo
xiita, um grupo minoritário no país, junto com os
cristãos – ambos perfazem cerca de 10% da
população. Para se manter no poder, Hafiz selou
uma aliança com os ricos negociantes da maioria
sunita (75% da população). O ditador garantiu a
prosperidade dessa elite e recebeu apoio político.
Ergueu assim um Estado secular na Síria, amparado
por um círculo leal e temido de militares alauítas.
O símbolo da brutalidade do regime é a cidade
de Hamah, onde, em 1982, Hafiz esmagou um
levante sunita liderado pelo grupo Irmandade
Muçulmana: 20 mil pessoas foram mortas.
É ali que, três décadas depois, o movimento
por democracia ganhou uma dimensão inédita. Em
1° de julho de 2011, quase meio milhões de sírios
tomaram
o
centro
de
Hamah
na
maior
manifestação que já ocorreu contra o ditador.
A ONU já aprovou sanções contra a Síria,
embora Al-Assad esteja reprimido violentamente os
opositores.
Professor Pedro Israel
GUERRA CIVIL NO IÊMEN
Os jovens iemenistas que paralisaram Sanaa, a
capital do Iêmen, pedindo a renúncia do presidente
Ali Abdullah Saleh, acreditavam na viabilidade da
democracia nesta nação pobre e tumultuada do
mundo árabe. Os protestos, iniciados em janeiro,
desestabilizaram o governo, mas ele resistiu e, em
junho, o Iêmen caminhava para uma guerra civil.
Saleh liderou um golpe militar no Iêmen do
Norte em 1978. Com a unificação entre norte e sul,
em 1990, tornou-se presidente e se manteve no
cargo costurando alianças com líderes tribais, que
formam a base do poder nacional.
O regime de Saleh enfrenta um movimento
separatista no sul e levantes xiitas no norte. Nos
últimos anos, passou a combater a presença de
militantes islâmicos da Al-Qaeda na península
Arábica em operações conjunta com os EUA.
O frágil equilíbrio político interno rompeu-se
com a revolta popular de 2011: poderosos chefes
16
Professor Nilton Matos
tribais deixaram o governo em meio à crise e o
Conselho de Cooperação do Golfo, liderado pela
Arábia Saudita, passou a negociar com Saleh a
transferência de poder para um governo de unidade
nacional. Mas o presidente adiou várias vezes a
assinatura de um acordo.
No fim de maio, o impasse deu lugar a
intensas batalhas em Sanaa entre forças leais ao
clã de Saleh e milícias da influência tribo Ahmar,
que controla o principal partido de oposição, o
islâmico
Al Islah. Um atentado ao palácio presidencial
feriu Saleh e ele deixou o Iêmen para se tratar na
Arábia Saudita.
A disputa pelo poder entre dois clãs vem sendo
acompanhada pela Arábia Saudita, que pressiona
Saleh a não retornar ao Iêmen.
Enquanto isso, militantes fundamentalistas
islâmicos aproveitam-se do caos e expandem sua
influência.
No fim de maio, eles assumiram o controle de
Zinjibar e avançaram para as imediações de Áden,
porto estratégico na entrada do mar Vermelho.
Autoridades locais afirmam que a região poderá se
tornar um novo “Afeganistão da época do Taliban”
se não houver uma ofensiva militar do governo. Os
EUA afirmam que a Al Qaeda – que tem presença
no país – pode estar transformando essa região do
Iêmen em um novo centro de operações e
treinamento, e a desagregação do Estado iemenita
favorece o grupo.
REVOLTA XIITA NO BAREIN
Israel à população árabe da região, defendendo a
criação de um Estado palestino desmilitarizado ao
lado de Israel, com base nas fronteiras da região
antes de 1967. Isso porque, em 1967, Israel
ocupou territórios antes controlados por árabes:




Em seu discurso, Obama ressalvou que
qualquer alteração territorial deveria ser acertada
de comum acordo, e poderia haver uma “troca” de
territórios entre as duas partes, tendo-se as
fronteiras de 1967 como parâmetro. A posição de
Obama sobre a questão é diferente da de seu
antecessor, George W. Bush, pois busca entabular
um diálogo com os palestinos e põe pressão sobre
Israel para negociar algum acordo que coloque fim
a décadas de conflitos.
A reação israelense ao discurso, porém, não
tardou, e o premiê Benyamin Netanyahu disse
considerar as fronteiras pré 1967 “indefensáveis,
deixando uma grande população de israelenses
residentes em Judeia e Samaria fora das fronteiras
de Israel”. Judeia e Samaria são os nomes bíblicos
da Cisjordânia – onde existem hoje quase 500 mil
judeus morando, em mais de 120 assentamentos
espalhados pelo território. Desde 1967, mesmo
com a condenação da comunidade internacional,
Israel constrói colônias no território, onde vivem
2,5 milhões de palestinos. Como resultado, a
Cisjordânia é picotada e governada em fatias: 17%
da região é controlada pelos palestinos; 24% do
território tem administração compartilhada entre
judeus e palestinos; e 59% possuem controle
exclusivo de Israel.
A proposta de Obama tampouco é de apoio à
posição dos árabes palestinos, pois não resolve
várias questões. em primeiro lugar, há o problema
dos 4,7 milhões de refugiados, que vivem em
campos espalhados pela região e reivindicam voltar
para suas terras e casas, hoje dentro do Estado de
Israel. Os líderes do Estado judeu rejeitam negociar
esse ponto, pois consideram que a volta desse
contingente questiona as próprias bases de
existência do país. Com relação à constituição de
um Estado palestino, qual seria sua capital? Para os
palestinos, Jerusalém Oriental, mas os israelenses
consideram a cidade toda sua capital. Além disso,
não seria viável a existência de um Estado de fato
soberano se ele for desmilitarizado (quer dizer, sem
Exército), ao lado de outro país com modernas e
equipadas Forças Armadas. Como se vê, a solução
do conflito é complicada, pois as dificuldades
acumularam-se em décadas de disputa.
O marco do conflito foi a fundação do Estado
de Israel, 1948, que provocou a expulsão de
O Barein abriga uma maioria xiita descontente
com a dinastia sunita que governa o território
desde o século XVIII, com mão de ferro. Na esteira
das revoltas na região, os xiitas fizeram grandes
protestos pedindo democracia e o fim da
discriminação.
O levante xiita no Barein, iniciado em
fevereiro, provocou preocupação no governo dos
Estados Unidos: ali está baseada a 5ª Frota Naval
dos EUA. O reinado sunita da Arábia Saudita
também está em alerta, pois possui uma minoria
xiita no leste que pode seguir o exemplo Barein.
Além disso, a Arábia Saudita disputa a hegemonia
regional com a teocracia xiita do Irã.
O rei reprimiu os protestos com ajuda militar
da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos.
Dezenas de pessoas morreram, centenas foram
presas e milhares de xiitas perderam o emprego.
O monumento da praça da Pérola, o palco central
das manifestações, na capital Manama, foi
destruído. Em junho, a maior parte das tropas
estrangeiras deixou o país. A ordem foi restaurada,
mas a raiz do problema persiste. O diálogo iniciado
em julho é visto com ceticismo pelos xiitas, que não
acreditam em mudanças no regime.
O CONFLITO ÁRABE-ISRAELENSE
Em maio de 2011, o presidente dos Estados
Unidos, Barack Obama, fez um pronunciamento
histórico sobre o conflito que opõe o Estado de
Professor Pedro Israel
A Cisjordânia, território palestino então sob o
controle da Jordânia, incluindo Jerusalém
Oriental;
A Faixa de Gaza, território palestino, então sob
o controle do Egito;
A península do Sinai, território egípcio
devolvido em 1982;
As colinas de Golã, território da Síria e
anexado até hoje.
17
Professor Nilton Matos
milhares de palestinos das terras nas quais viviam.
No ano anterior, a Organização das Nações Unidas
havia aprovado a divisão da região da Palestina em
um Estado judeu e outro árabe, e esse último
nunca se constituiu. A nova situação desestabilizou
o Oriente Médio, e, durante décadas, houve várias
guerras entre Israel e nações árabes vizinhas, com
sucessivas mudanças na situação de Israel e dos
território palestinos.
Em 1993, o líder palestino Yasser Arafat e o
primeiro
ministro
israelense
Yitzhak
Rabin
assinaram o Acordo de Oslo, dando início a
negociações inéditas de paz. Nos anos seguintes, os
palestinos instalaram um governo com autonomia
limitada na maioria da Faixa de Gaza e em partes
da Cisjordânia, sob comando da incipiente
Autoridade Nacional Palestina (ANP). Mas o
processo de paz estancou na virada da década de
2000, quando os dois lados debatiam o status final
do futuro Estado palestino. A etapa era considerada
a prova de fogo, por tratar de questões difíceis,
como a devolução aos palestinos da Cisjordânia e a
situação de Jerusalém. O impasse no diálogo
provocou um levante palestino contra a ocupação,
em 2000, chamado de “segunda intifada”. Desde
então, a situação não parou de se complicar. Em
Israel, o primeiro ministro Ariel Sharon (20012006) praticamente congelou as negociações de
paz e consolidou o domínio sobre a Cisjordânia.
Após lançar uma arrasadora ofensiva militar
contra cidades palestinas em 2002, Sharon ordenou
o início da construção de um muro de concreto na
Cisjordânia para separar as populações judaicas das
árabes. A justificativa era impedir a entrada de
terroristas em Israel, que venham promovendo
atentados suicidas. Na prática, o muro segregou os
territórios palestinos e limita a circulação de
pessoas e mercadores pela região, e permitiu a
Israel consolidar o controle sobre as áreas que
deveriam ser entregues aos palestinos pelo acordo
de Oslo.
Ao mesmo tempo, em 2005, Israel abandonou
a Faixa de Gaza. Além de ser bem menor e menos
próspera do que a Cisjordânia, ali os colonos judeus
vivam em tensão constante com a esmagadora
maioria de palestinos. Após a retirada, ANP alertou
para o risco de que a Faixa de Gaza ficasse
asfixiada pelo isolamento, pois Israel ainda
controlava as fronteiras terrestres (exceto o limite
com o Egito) e marítimas e o espaço aéreo.
As aspirações por um Estado palestino
independente sofreram outro revés com a divisão
dos palestinos em organizações hostis. Desde 2007,
a Faixa de Gaza é governada pelo grupo
fundamentalista islâmico Hamas, ao passo que o
grupo laico Fatah, que dirige a ANP, direige a
Cisjordânia. A ruptura ocorreu depois que o Hamas
venceu as eleições parlamentares palestinas, em
2006, adquirindo o direito de nomear o primeiro
ministro da ANP. A chegada iminente do Hamas ao
poder teve conseqüências, pois o grupo prega a
destruição de Israel para criar um Estado teocrático
islâmico em toda a Palestina. Israel, Estados Unidos
e União Européia reagiram com um boicote aos
Professor Pedro Israel
territórios palestinos, cortando a ajuda financeira e
o repasse de taxas e impostos, até que o Hamas
reconhecesse o Estado de Israel e renunciasse à
luta armada.
Sob pressão externa, o Hamas e o Fatah
entraram em conflito enquanto tentavam formar
um governo. Uma guerra aberta, em 2007, levou à
expulsão do Fatah da Faixa de Gaza. Na
Cisjordânia, o presidente da ANP, Mahmoud Abbas,
nomeou um novo governo, logo reconhecido por
Israel e pelas potências ocidentais. Assim que o
Hamas assumiu o poder na Faixa de Gaza, Israel
decretou o bloqueio do território. Passou a proibir a
circulação de bens e de pessoas para dentro e fora
de lá, por terra e por mar, e teve o apoio do aliado
Egito, que também fechou a fronteira. Assim, 1,3
milhões de palestinos ficaram presos numa
minúscula faixa de terra.
No fim de 2008, Israel atacou a Faixa de Gaza,
afirmando que foguetes haviam sido lançados do
território contra vilas israelenses próximas,
causando prejuízos e deixando feridos. Os
bombardeios, seguidos ataques por terra, mataram
1,3 mil palestinos, em sua enorme maioria civis,
homens, mulheres e crianças, arrasando a infraestrutura local. A Faixa de Gaza voltou as
manchetes, em 2010, quando a Marinha de Israel
matou nove pessoas ao atacar uma pequena frota
de navios que tentavam furar o bloqueio para levar
ao território 10 mil toneladas de suprimentos em
ajuda humanitária. Atualmente, após quatro anos
de bloqueio, o Hamas continua no poder. Embora
Israel permita o ingresso de 15 mil toneladas de
ajuda
humanitária
por
semana
(alimentos,
medicamentos e outros bens de primeira
necessidade). A ONU afirma que essa quantidade
não é suficiente.
A situação na Faixa de Gaza chegou a um
ponto crítico. Agências da ONU afirmam que 70%
das famílias vivem com menos de 1 dólar per capita
ao dia e que 80% das moradias dependem de
auxílio alimentar.
As revoltas árabes, a partir do início de 2001,
trouxeram importantes modificações no cenário da
região. A queda do ditador Hosni Mubarak abalou o
regime egípcio, mesmo que o país tenha continuado
sob o controle dos militares.
No início de maio de 2011, em uma reunião no
Cairo intermediada pelo governo do Egito, o Hamas
assinou um acordo de reconciliação com o Fatah. A
perspectiva de união entre os dois grupos
palestinos desagradou ao governo israelense, que
considera o Hamas terrorista, e aumentou o poder
de negociação dos palestinos. No mesmo mês, o
governo do Egito decidiu abrir a fronteira com
Gaza, permitindo a circulação de pessoas e
mercadorias. Na prática, a decisão alivia a pressão
do bloqueio.
18
Professor Nilton Matos
UNESCO RECONHECE ESTADO PALESTINO
COMO MEMBRO PLENO
Palestina precisa do apoio do Conselho de
Segurança da ONU, que dará seu parecer em
novembro.
Entenda o processo:
O que está em votação na ONU?
A criação de um estado palestino nas
fronteiras anteriores a 1967: anexado aos
territórios de Cisjordânia e Gaza, tendo Jerusalém
Oriental como capital. A proposta busca o
reconhecimento como membro da organização
internacional - hoje com o status de “entidade
observadora” e sem direito a voto nas Nações
Unidas.
Quais as chances de aprovação da proposta
palestina?
É primeira votação sobre o assunto de uma
agência da ONU; EUA foram contra Unesco: 173
países participam da votação.
A Conferência Geral da Organização das
Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a
Cultura (Unesco) aprovou no dia 31 de outubro de
2011 a admissão da Autoridade Nacional Palestina
(ANP) como membro de pleno direito em votação
na sua sede, em Paris. Esta é a primeira votação
sobre o assunto de uma agência da ONU, aprovada
por 107 votos a favor (20 a mais que o mínimo
necessário), 52 abtenções e 14 votos contra.
Estados Unidos, Alemanha e Canadá votaram
contra, enquanto Itália e Grã-Bretanha se
abstiveram. Quase todos os países árabes,
africanos e latino-americanos votaram pela adesão.
O representante americano manifestou posição
contrária à do governo de seu país. "Não podemos
tomar atalhos. Esforços como os de hoje são
contraprodutivos", disse, garantindo que, apesar do
resultado, os EUA continuarão a apoiar os trabalhos
da Unesco. Israel, por sua vez, avaliou a decisão
como um "freio para a paz". "A Conferência Geral
decidiu pela admissão da Palestina como membro
da Unesco", afirmou a Unesco em um comunicado
emitido imediatamente após a votação. "A entrada
da Palestina leva o número de estados-membros da
Unesco a 195", completa a resolução. O resultado
foi recebido com uma salva de palmas na sede da
Unesco e comemorado pelos palestinos. "Esta
votação vai apagar uma pequena parte da injustiça
cometida contra o povo palestino", afirmou o
ministro das Relações Exteriores palestino, Riyad
al-Malki.
Próximos passos - O presidente palestino,
Mahmoud Abbas, fez o pedido oficial de
reconhecimento à ONU no dia 23 de setembro.
"Basta! É hora de os palestinos finalmente terem
sua liberdade. A hora da independência chegou",
declarou, em seu discurso na 66ª Assembleia Geral.
Doze dias depois, a mesma solicitação em prol
do estado palestino foi encaminhada à
Unesco, que decidiu favoravelmente nesta
segunda. Contudo, para se tornar membro pleno
das Nações Unidas - seu grande objetivo - a
Professor Pedro Israel
São quase nulas. A decisão precisa passar
pelos 15 membros do Conselho de Segurança das
Nações Unidas, no qual EUA, China, Rússia, França
e Grã-Bretanha têm o poder de veto. E o presidente
americano, Barack Obama, já adiantou que seu
país usará o recurso que tem para impedir a
decisão, embora admita que o melhor seria evitar
essa medida drástica - que pode causar um
descontentamento ainda maior no Oriente Médio,
região de constantes conflitos.
Se a proposta passar pelo Conselho
Segurança, qual será o passo seguinte?
de
Ela deverá ser votada na Assembleia Geral da
ONU pelos 193 integrantes da organização e ter
apoio de pelo menos dois terços deles.
Historicamente, o bloco de países islâmicos e seus
aliados têm votos suficientes para impor seguidas
derrotas diplomáticas a Israel na Assembleia Geral.
Os líderes palestinos dizem já ter confirmados cerca
de 140 votos para a eleição. O embaixador
israelense na ONU, Ron Prosor, já alertou a
chancelaria de seu país sobre a falta de opções
para frear o reconhecimento do estado
palestino nesse caso. O máximo que Israel pode
esperar é que um grupo de países se abstenha ou
esteja ausente na hora de votar.
O que argumentam os opositores à criação do
novo estado?
Os Estados Unidos argumentam que os
palestinos
apenas
conquistarão
um
estado
significativo por meio de negociações. Para o
presidente Barack Obama, a votação sobre a
criação do novo estado na ONU seria uma
"distração" no caminho para a paz com Israel.
Já o estado judeu considera tal possibilidade
"perigosa e desestabilizadora". "Os palestinos
ficarão satisfeitos com a votação a seu favor, mas
depois vão se dar conta de que nada vai mudar na
prática. Com a frustração, e inspirados na
Primavera Árabe, podem partir para a violência",
alertou o porta-voz do Ministério das Relações
Exteriores israelense, Yigal Palmor.
19
Professor Nilton Matos
Israel é contra
palestino?
a
criação
de
um
estado
Israel se diz a favor, mas não sem antes ter
garantias de segurança em seu território, já que a
Faixa de Gaza é controlada desde 2007 pelo
Hamas, grupo palestino fundamentalista que
assumiu o controle da região por meio de um golpe
e que prega abertamente a destruição do
estado judeu. Se de fato ocorrer, a criação do
estado palestino faria com que suas lideranças
tivessem acesso a agências e convenções da ONU,
o que poderia lhes dar o poder, por exemplo, de
denunciar Israel ao Tribunal Penal Internacional.
É a primeira vez que uma mulher dá início aos
debates da organização internacional - na verdade,
porque se trata da primeira mulher a assumir o
cargo no Brasil que, por tradição, é responsável
pelo discurso inicial do evento há 64 anos. "Vivo
este momento histórico com orgulho de mulher.
Tenho certeza que este será o século da mulher",
disse Dilma, no início de sua fala, após ser
apresentada pelo presidente da 66ª Assembleia
Geral da ONU, o diplomata do Qatar Nassir
Abdulaziz Nasser, que falou sobre a manutenção da
paz, a crise alimentar mundial, a reforma da ONU e
uma maior velocidade na resposta a desastres
naturais. "É a voz da democracia e da igualdade se
ampliando nessa tribuna, que tem compromisso de
ser a mais representativa do mundo", enfatizou.
Em um dos temas principais de seu discurso,
Dilma defendeu abertamente o reconhecimento do
estado palestino como membro pleno das
Nações Unidas, sob aplausos da maioria da
plateia formada por líderes internacionais. "Apenas
uma Palestina livre e soberana poderá trazer a paz
duradoura
no
Oriente
Médio",
defendeu,
completando: "Venho de um país onde árabes e
judeus são compatriotas". A posição de Dilma já era
esperada, uma vez que ela apenas deu
continuidade a uma posição histórica do governo
brasileiro, que defende a autodeterminação dos
palestinos. Afinal, desde 1975 o Brasil reconhece a
Autoridade Palestina (na época, Organização para
Libertação da Palestina) e, em 1993, deu status
diplomático à Delegação Especial Palestina. Mas foi
a partir do governo antecessor, de Luiz Inácio Lula
da Silva, que o Brasil se aproximou mais dos
palestinos, com a criação do Escritório de
Representação do Brasil em Ramallah, capital
política da Cisjordânia, em 2004. Além disso, Lula
reconheceu o estado palestino em 2010, e se
mostrou um forte apoiador do ditador iraniano
Mahmoud Ahmadinejad, que apoia a destruição de
Israel e não reconhece o Holocausto.
O que está em discussão, na verdade, não é a
importância da criação de um estado palestino - há
um consenso internacional em relação a isso,
inclusive com o aval de Israel. Entretanto, essa
decisão não pode ser impositiva, como querem os
árabes, e só começará a ganhar forma a partir da
Qual a posição do Brasil nessa questão?
O Brasil já afirmou que votará a favor da
resolução. Em um de seus últimos atos no governo,
o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva
anunciou o reconhecimento do estado palestino nas
fronteiras pré-1967 - posição mantida pela gestão
Dilma Rousseff.
Qual seria o impacto da aprovação do estado
palestino na Assembleia?
Israel alega que a iniciativa palestina
representa uma atitude unilateral diante das
negociações iniciadas no ano passado, e sua
aprovação significaria o fim do diálogo. Os
israelenses ressaltam que os palestinos já
conquistaram uma autonomia governamental em
parte das áreas que almejam. Segundo o estado
judeu, foram os palestinos que abandonaram as
negociações em 2010 e a proposta levada à ONU
torna o estado palestino uma realidade ainda mais
distante.
DILMA DEFENDE A CRIAÇÃO DE UM ESTADO
PALESTINO NA ONU
Primeira mulher a abrir a Assembleia Geral,
a presidente brasileira repudiou a violência nos
conflitos da Primavera Árabe e falou da crise
econômica mundial. A presidente Dilma Rousseff,
abriu os debates da 66ª Assembleia Geral da ONU,
em Nova York, perpetuando a tradição que vigora
desde 1947 de o Brasil inaugurar os debates anuais
da assembleia.
Professor Pedro Israel
20
Professor Nilton Matos
retomada das negociações de paz, como defendem
os judeus com apoio dos Estados Unidos.
A postura invariavelmente assumida pelo Brasil
de ficar sempre em cima do muro em polêmicas
internacionais poderia ser mais acertada neste caso
do que o apoio imediato à proposta palestina, já
que é preciso considerar com mais cautela as
consequências catastróficas que a criação de um
novo estado pode levar àquela região - já
fervilhante de conflitos. "Se o Brasil se negou a
condenar o regime sírio de Bashar Assad, em um
primeiro momento, porque deveria haver mais
'negociação', como agora pode apoiar a criação de
um estado palestino sem uma negociação prévia
com Israel?", destaca a socióloga Maria Lúcia Victor
Barbosa.
Primavera árabe - Dilma ainda falou da
primavera árabe, ressaltando que o Brasil é pátria
de refugiados e imigrantes da região. "Repudiamos
com veemência as repressões brutais que vitimam
populações civis", disse. "O recurso da força deve
ser sempre a última alternativa." A presidente
criticou a intervenção militar internacional em
países em crise, afirmando que "o mundo sofre hoje
as dolorosas consequências de intervenções, que
permitiram o avanço do terrorismo onde ele não
existia antes".
O sociólogo Demétrio Magnoli observa que a
posição passiva do Brasil em relação às revoltas do
mundo islâmico foi desastrosa, a exemplo da
"diplomacia companheira" de seu antecessor, Lula,
que chamava o ex-ditador líbio Muamar Kadafi
de "amigo e irmão". Em março, o governo brasileiro
se recusou a apoiar a intervenção da Otan na Líbia
e foi um dos últimos países a reconhecer o
Conselho Nacional de Transição (CNT) como
representante legítimo dos líbios. "E o Brasil errou
mais vergonhosamente ainda ao atuar quase como
um porta-voz informal do ditador Bashar Assad na
Síria", acrescentou Magnoli. "A diplomacia brasileira
se move desastrosamente pelo impulso do
antiamericanismo."
Emergentes - Também como era esperado,
Dilma insistiu na necessidade de uma ampla
reforma
no
Conselho
de
Segurança,
com
participação do Brasil. "O Brasil está pronto para
assumir suas responsabilidades como membro
permanente do Conselho de Segurança." E
reivindicou mudanças também nas instituições
financeiras multilaterais, para que permitam uma
atuação maior dos países emergentes, "principais
responsáveis pelo crescimento na economia global".
Sobre a crise ecônomica, a presidente brasileira
observou que o mundo vive um momento delicado,
mas de grande oportunidade histórica, e que
depende de união para não se tornar uma ruptura
sem precedentes. "Ou nos unimos todos e saímos
vencedores, ou sairemos todos derrotados",
salientou, lembrando que mais importante do que
procurar os culpados é encontrar soluções coletivas,
rápidas e verdadeiras. "Essa crise é séria demais
para que seja administrada por uns poucos países.
Seus governos e bancos centrais continuam na
responsabilidade da condução do processo, mas
Professor Pedro Israel
sofrem as consequências da crise, todos os países.
Portanto, têm direito de participar das soluções."
Secretário-geral - O evento começou na
manhã desta sexta-feira com o discurso do
secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que
aproveitou para apresentar o relatório anual da
organização.
Dilma Rousseff e Ban Ki-moon se cumprimentam na
chegada à Assembleia
"O desenvolvimento sustentável é o imperativo
do século 21", declarou, falando ainda sobre as
metas do milênio, destacando a importância do
desenvolvimento sustentável, o combate à pobreza,
às mudanças climáticas e à crise alimentar global.
Da mesma forma que Dilma, e como já havia
demonstrado anteriormente, Ban também se
posicionou a favor da criação de um estado
palestino. "No Oriente Médio é preciso sair do ponto
morto. Os palestinos merecem um estado. Israel
precisa de segurança", afirmou, enfatizando que
ambas as partes querem a paz.
Sudão reconhece a República do
Sudão do Sul
O país nasce a partir de um acordo de paz
firmado em 2005, após 12 anos de uma guerra civil
que deixou 1,5 milhão de mortos. Em janeiro, 99%
dos eleitores do Sudão do Sul votaram a favor da
separação da região, predominantemente cristã e
animista, em relação ao norte, governado a partir
de Cartum, onde a população é em sua maioria
muçulmana e de origem árabe.
21
Professor Nilton Matos
Dadaab, no Quênia, é o "maior campo de
refugiados do planeta". Acolhe cerca de 500.000
pessoas - o que supera em cinco vezes sua
capacidade original. Essa situação emergencial faz
parte de um contexto maior que atinge todo o
chifre da África e ameaça mais de 13 milhões de
pessoas.
O governo do presidente sudanês, Omar
Bashir, reconheceu formalmente a independência
da parte sul de seu país. O presidente participou
em Juba da festa, assim como o secretário-geral da
ONU, Ban Ki-moon, que foi recepcionado pelo
presidente interino do Sudão do Sul, Salva Kiir
Mayardit.
Apesar de possuir grandes reservas de
petróleo, o Sudão do Sul nasce como um dos países
mais pobres do mundo, com a maior taxa de
mortalidade materna, a maioria das crianças fora
da escola e um índice de analfabetismo que chega
em 84% entre as mulheres. Embora não haja
estatísticas oficiais, a ONU estima que a população
do país varie entre 7,5 e 9,5 milhões. O Sudão do
Sul também nasce sendo um dos maiores do
continente, superando as áreas de Quênia, Uganda
e Ruanda juntas.
CRISE HUMANITÁRIA
Segundo o Alto Comissariado das Nações
Unidas para os Refugiados (Acnur), 2011 foi um
ano de crise humanitária "sem precedentes na
história recente". O panorama para as vítimas de
desastres naturais, crise de fome, guerras e
epidemias é sombrio. O agravamento do quadro
está ligado ao surgimento de diversos novos
conflitos que não foram solucionados ao longo do
ano. Confira os locais que enfrentam cenário mais
preocupante:
COSTA DO MARFIM
SOMÁLIA
A recusa do ditador Laurente Gbagbo em
aceitar a derrota eleitoral em novembro de 2010
provocou uma onda de violência no país que
estendeu por seis meses - período no qual 3.000
pessoas morreram e mais de 150 mulheres foram
estupradas. Além disso, entre 2002 e 2007, uma
guerra civil colocou em confronto o norte
muçulmano e o sul cristão, onde se encontram os
principais seguidores de Dbagbo. Agora, cerca de
O conflito civil que se arrasta desde 2009,
somado à pior seca em mais de 50 anos, provocou
uma crise alimentar gravíssima no país. A guerra e
a fome fizeram com que mais de 920.000 pessoas
se refugiassem em países vizinhos.
Professor Pedro Israel
22
Professor Nilton Matos
5.000 refugiados que vivem no Togo poderão
retornar à Costa do Marfim de forma voluntária.
desafios políticos, econômicos e sociais. As décadas
de conflitos na região arrasaram toda a infraestrutura local, exigindo uma reconstrução urgente
do país, que ainda tem taxa de mortalidade e índice
de HIV altíssimos.
REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO
Há 12 anos, a ONU enviou os primeiros
capacetes azuis à Kinshasa. Eram 500 militares.
Hoje, o número de soldados chega a 20.000 - uma
das maiores e mais caras missões militares da
ONU, que custa 1,4 bilhões de dólares ao ano.
LÍBIA
A revolta popular teve início em fevereiro,
quando 2.000 pessoas organizaram um protesto em
Bengasi, cidade que se tornou reduto da oposição.
Mesmo com todo o investimento, a guerra no
leste do país não dá trégua e o essencial apoio da
população é barrado pelo medo constante e a falta
de confiança: soldados das Nações Unidas já
exigiram sexo em troca de alimentos e se
abstiveram quando a população foi estuprada em
massa pelas milícias.
No dia 27 de março, a OTAN passa a controlar
as operações no país, servindo de apoio às tropas
insurgentes no confronto contra as formas de
Muamar Kadafi, no poder havia 42 anos. Em março,
a situação nas fronteiras fugia do controle: 140.000
pessoas deixaram o país para fugir da repressão e o
número poderia chegar a 77.000 refugiados no
Egito, e 90.000, na Tunísia.
SUDÃO DO SUL
SÍRIA
Em 08 de julho de 2011, o ditador sudanês
Omar Bashir reconheceu a República do Sudão do
Sul como estado independente - definição simbólica
na prática, visto o histórico de conflitos entre o
Norte e o Sul, que já se enfrentaram em duas
guerras civis. A nova nação já nasceu com grandes
Professor Pedro Israel
Os sírios saíram às ruas em 15 de março para
protestar contra o regime de Bashar Assad, no
poder há 11 anos. Desde então, os rebeldes sofrem
23
Professor Nilton Matos
violenta repressão pelas forças de segurança do
ditador, que já mataram mais de 5.000 pessoas,
segundo a ONU, que investiga denúncias de crimes
contra a humanidade. Tentando escapar dos
confrontos, milhares de sírios cruzaram a fronteira
com a Turquia. Além disso, dos cerca de 4,7
milhões de iraquianos que buscaram refúgio fora de
seu país, 215.000 vivem de forma precária na Síria.
O grupo de extremistas islâmicos que pegam
em armas e se explodem para defender a doutrina
de Alá é uma criação do serviço secreto do
Paquistão (ISI) dos anos 80. Conhecido pela forte
inclinação fundamentalista dee alguns de seus altos
membros, o ISI reuniu a milícia de estudantes
fanáticos do Corão que depois fugiria de seu
controle. Desde 2009, há uma rápida escalada da
violência em todo o país. Mais de 2 milhões de
pessoas foram deslocadas e calcula-se que mais de
1.200 insurgentes tenham sido mortos.
IÊMEN
A revolta do país começou em 27 de janeiro,
mas ganhou força em 21 de fevereiro, quando os
jovens da Revolução montaram um acampamento
na capital Sanaa, exigindo a queda do regime de Ali
Abdullah Saleh, no poder há 33 anos.
AFEGANISTÃO
As necessidades humanitárias cresceram desde
2010, quando a guerra se espalhou para quase
todas as províncias, que ainda enfretam a falta de
equipes médicas e remédios básicos.
Em agosto de 2011, o grupo armado Al Houthi
e as forças de segurança do ditador entraram em
violento confronto em Saada, província do norte,
determinando o deslocamento de pelo menos
150.000 pessoas - que se somam às 100.000
outras que já haviam sido deslocadas em guerras
anteriores.
Para buscar atendimento, é preciso arrriscar a
vida em longas viagens por estradas perigosas.
Assim, doenças relativamente simples acabam se
tornando fatais.
O presidente Hamid Karzai pediu em vão que
os talibãs nociassem a paz nos últimos anos e o
tempoor geral é que, com a saída total das tropas
da OTAN - marcada para 2014 -, o grupo volte ao
poder.
PAQUISTÃO
HAITI
Professor Pedro Israel
24
Professor Nilton Matos
GLOBALIZAÇÃO
Desde o século XIX, o mundo conheceu uma
intensificação das trocas comerciais, da produção e
mesmo do trânsito de pessoas. Para se ter uma
idéia, o comércio mundial entre 1800 e meados da
década de 1910, cresceu aproximadamente vinte e
cinco vezes.
Depois da Segunda Guerra Mundial, essas
trocas e a produção global aumentaram ainda mais,
em um ritmo jamais registrado, os números
apontando para um incremento em volume e valor
50 vezes maior do que o registrado na primeira
metade do século XX.
Nessa nova perspectiva, a economia deixou de
ser local, espalhando-se pelo mundo, sendo movida
pelo intenso comércio internacional. Em 1970, 14%
da produção econômica mundial assentava-se nas
trocas; em 2000, o fluxo internacional de comércio
representava 28% do total de bens e serviços
produzidos no globo. Houve uma sensível
modificação
na
qualidade
dessas
trocas,
registrando-se
o
predomínio
de
produtos
manufaturados nas exportações em detrimento dos
produtos primários.
Após o violento terremoto registrado em 12 de
janeiro de 2010 e suas réplicas que deixaram mais
de 200.000 mortos e 2 milhões de desabrigados, o
Haiti sofreu danos em cerca de 200.000 residências
e perda financeira no valor de 7,8 bilhões de
dólares (120% do PIB).
Para piorar, uma epidemia de cólera criou
novas necessidades. A doença já matou 6.600
pessoas e infectou 475.000 no país. Segundo
relatório divulgado pela Organização Mundial da
Saúde (OMS), até o final de 2011, o país terá
500.000 casos de cólera.
Professor Pedro Israel
25
Professor Nilton Matos
mesmo momento vêem a mesma imagem. Esta
integração da informação nos faz pensar que
estamos diante de uma verdadeira Aldeia, no qual
o mundo todo está inserido.
A exclusão na Globalização
Em toda a história da humanidade nunca se
produziu tanta riqueza como nos tempos de hoje. O
grande problema é que o crescimento que a
globalização
trouxe,
apenas
aprofundou
as
desigualdades.
Nos últimos 25 anos, o valor das exportações
de manufaturados saltou de 45,2% para 62,4% do
valor total. Em termos da produção global,
observamos que as exportações passaram de 17%
para
32%
do
PIB
mundial,
no
período
compreendido entre 1970 e 2008.
O aumento das transações foi acompanhado
por mudanças significativas na distribuição espacial
da produção, com a internacionalização desta.
A economia mundial passou por grandes
transformações
nos
últimos
anos.
Nessa
configuração
contemporânea,
os
paradigmas
sofreram grande transmutação. A revolução
tecnológica adquiriu um papel preponderante não
só nas relações humanas, como também nas de
produção, sendo responsável pela aceleração na
divulgação e propagação das informações, o que
alterou as noções “tempo” e “espaço”.
A economia globalizada tem nas empresas
multinacionais um de seus principais agentes. Essas
empresas atuam de modo global, deixando de
individualizar mercados, sendo o faturamento de
algumas delas superiores ao PIB de muitos países.
Podemos definir
globalização
como a
intensificação das trocas e da circulação de pessoas
e do conhecimento, a integração cada vez mais
intensa dos mercados, dos meios de transporte e
das
telecomunicações,
o
que
gera
a
interdependência de todos os povos e países da
superfície terrestre.
Na globalização, a produção foi fragmentada
espacialmente, buscando-se sempre a maior
eficiência e o aumento da produtividade em um
mercado mundial cada vez mais competitivo.
A globalização, antes de qualquer coisa, é um
fenômeno fundamentalmente geográfico que tem
como base e inegável valor o território.
A globalização pode ser compreendida a partir
de um tripé, caracterizado da seguinte forma:

Fábrica Global: Hoje as etapas do processo
produtivo estão mundializadas. Um único produto
pode ter suas partes fabricadas em diversos
países.

Economia Mundo: O novo sistema produtivo
mundial se caracteriza por mais concorrência e ao
mesmo tempo por mais cooperação. As empresas
estabelecem alianças para viabilizar investimentos
gigantescos e enfrentar a concorrência. É a
interdependência econômica.

Aldeia Global: O avanço no sistema de
comunicações possibilitou a simultaneidade das
informações. Todos em qualquer parte e no
Professor Pedro Israel
Estudos da ONU, neste começo de século,
mostram que 1% dos mais ricos possuem o mesmo
que 57% da população mundial mais pobre. Para
piorar, cerca de 1,8 bilhão de pessoas no mundo
vivem com menos de dois dólares por dia.
O mundo como fábula, como perversidade e
como possibilidade
Vivemos num mundo confuso e confusamente
percebido. Haveria nisto um paradoxo pedindo uma
explicação?
De
um
lado,
é
abusivamente
mencionado o extraordinário progresso das ciências
e das técnicas, das quais um dos frutos são os
novos materiais artificiais que autorizam a precisão
e a intencionalidade. De outro lado, há, também,
referência obrigatória à aceleração contemporânea
e todas as vertigens que cria, a começar pela
própria velocidade. Todos esses, porém, são dados
de um mundo físico fabricado pelo homem, cuja
utilização, aliás, permite que o mundo se torne esse
mundo confuso e confusamente percebido.
De fato, se desejamos escapar à crença de
que esse mundo assim apresentado é verdadeiro, e
não queremos admitir a permanência de sua
percepção enganosa, devemos considerar a
existência de pelo menos três mundos num só. O
primeiro seria o mundo tal como nos fazem vê-lo: a
globalização como fábula; o segundo seria o mundo
tal como ele é: a globalização como perversidade; e
o terceiro, o mundo como ele pode ser: Uma
Outra Globalização.
26
Professor Nilton Matos
caíram, tornando acessíveis produtos anteriormente
difíceis de serem adquiridos por uma parcela da
população.
(SANTOS, Milton. Por uma outra globalização. Do
pensamento único à consciência universal).
Indústria Cultural
A Política Neoliberal
Em 1940, o filósofo alemão Theodor Adorno,
exilado nos Estados Unidos, realizou a primeira
crítica sistemática dos produtos veiculados pelos
novos meios de comunicação de massas. Adorno
criou o conceito da Indústria Cultural para se
contrapor as noções usuais de “cultura de massas”
e “cultura popular”, que transmitiam a idéia de que
as massas e o povo eram os criadores das
mercadorias culturais que consumiam.
Segundo Adorno, a produção, a distribuição e a
recepção dos produtos veiculados pelo rádio, pela
televisão e mesmo pelas grandes editoras de
revistas e de Best-sellers eram organizadas de
maneira industrial. As mercadorias vendidas pela
indústria cultural seguiam os mesmos processos
(padronização,
escolha
de
público-alvo,
simplificação e obsolência) que aquelas produzidas
pelos demais
segmentos
da
indústria.
As
conseqüências dessa submissão do consumidor ao
poder das grandes indústrias do entretenimento
afetavam tanto a política das sociedades quanto a
psicologia das pessoas.
Desde 1980, tanto os EUA como o Reino Unido
vinham adotando um estilo de política econômica
que fiou conhecido como neoliberalismo. Os
impostos sobre as empresas e sobre os mais ricos
foram reduzidos alegando-se que isso seria um
fator de incentivo ao investimento e ao progresso
econômico.
As regulamentações sobre as atividades
econômicas e financeiras foram reduzidas ao
mínimo. Empresas públicas foram privatizadas e os
gastos públicos reduzidos.
O neoliberalismo tornou-se um modelo de
política econômica para ser seguido, inclusive pelos
ex-países socialistas e países menos desenvolvidos
que buscavam integra-se à economia mundial.
Propunha-se que os Estados realizassem reformas
estruturais e estabelecessem a mais ampla
liberalização possível de seus mercados tanto de
bens como financeiros.
Muitas dessas regras básicas, formuladas em
1989 por economistas de instituições financeiras,
ficaram
conhecidas
como
Consenso
de
Washington. Essas normas passaram a ser
recomendadas para o estabelecimento de uma
agenda neoliberal de reformas nos países em
desenvolvimento.
Algumas das mudanças do papel do Estado
nessa fase foram:
A Terceira Revolução Industrial e a
Globalização Contemporânea
Nas últimas três décadas do século XX, a
produção em série do modelo fordista já se
mostrava rígida e ineficiente para atender as
demandas dos novos tempos. Por causa da
inflexibilidade desse processo, que adota a divisão
da produção em tarefas especializadas, o resultado
era uma produção padronizada e em massa. Esse
modelo não acompanhava as constantes e
aceleradas mudanças tecnológicas. Para oferecer
novos produtos, eram necessárias novas máquinas
e a reestruturação da linha de montagem.
Nos anos de 1970, iniciou-se o que viria a ser
conhecido como a Terceira Revolução Industrial ou
Informacional. Embora, essa revolução tenha ficado
visível para todos nos anos 90, com o surgimento
do computador e da internet, as mudanças nos
processos produtivos começaram muito antes. A
robótica, as máquinas programáveis com controles
digitais e as novas invenções, como os aparelhos de
fax, permitiram uma revolução nos processos
produtivos e gerenciais e tornaram o processo
produtivo mais flexível. Esses avanços tecnológicos
trouxeram ainda maior rapidez não informações,
acelerando o ritmo dos transportes e diminuindo
tempo e distâncias em uma escala jamais
alcançada.
Na última década do século XX, o mundo
estava sob o predomínio do ciclo da informática, As
novas tecnologias de informação permitiram a
formação de redes digitais e a programação por
computador
da
produção
e
dos
serviços,
provocando transformações no sistema capitalista e
na organização do trabalho. Os custos e os preços
Professor Pedro Israel

Restringir sua ação sobre a economia, só
intervindo em grau mínimo e em setores
essenciais. Esse modelo é conhecido como
Estado Mínimo.

Promover a desregulamentação da economia,
ou seja, eliminar regulamentos que pudessem
impedir a liberdade de ação das empresas e dos
bancos.

Fazer reformas econômicas, como o ajuste
fiscal (gastar menos do que o que se arrecada),
o controle da inflação, a redução dos gastos
públicos e a liberação das importações.

Privatizar empresas estatais (venda para
grupos privados) com a finalidade de garantir
ingresso de capital a curto prazo.
Desregulamentação e expansão dos
mercados financeiros
Desde a década de 1970, o setor financeiro
vem
se
expandindo.
A
desregulamentação
promovida pela política neoliberal e as novas
tecnologias que facilitaram as comunicações foram
os fatores que permitiram essa expansão. Novos
produtos financeiros foram criados, aumentando a
27
Professor Nilton Matos
segurança e a lucratividade das operações. Tudo
isso permitiu grande expansão da produção e do
comércio na economia mundial.
Grande parte do capital produtivo destinado
a ampliação, melhoria ou instalação de unidades
produtoras, à compra de equipamentos e ao
aumento da capacidade de produção passou a ser
destinada à especulação financeira. O capital
especulativo, capitais voláteis ou de curto
prazo são aplicados em bolsas de valores buscando
lucros rápidos. O capital apenas se acumula e,
portanto, não gera empregos como o capital
produtivo.
Os avanços na informática facilitaram muito as
transações financeiras, permitindo investimentos
globalmente. Por outro lado, também permitem que
enormes somas, ao menos sinal de instabilidade ou
falta de confiança, sejam transferidas (fuga de
dólares), provocando pânico nos mercados e
desequilíbrios mundiais. Em poucas horas, moedas,
papéis e ações perdem valor e a economia é
abalada.
Foi o que aconteceu, por exemplo, em 1992
com a Inglaterra e outros países europeus,; em
1995 com o México; em 1997, numa crise iniciada
nos países asiáticos; em 1998, com a Federação
Russa; em 1999, com o Brasil; em 2001, com a
Argentina; e, em 2007, com os Estados Unidos.
No primeiro momento, a desvalorização dos
imóveis arrasou os bancos americanos. Em seguida,
com a decisão de reduzir os juros, o dólar começou
a derreter nos mercados mundiais – e como a
moeda americana é referência para o petróleo, o
barril disparou e estava cotado a US$ 110 na
semana passada.
Crise Imobiliária dos EUA
Em 2007-2008 estourou a principal crise
econômica e financeira internacional desde 1929.
crise financeira nos Estados Unidos que começou no
setor imobiliário e espalhou-se rapidamente para os
setores financeiro e automobilístico, e daí para toda
a economia. Em 2008, essa crise tomou proporções
globais, e o fantasma da Grande Depressão de
1929 voltou a assombrar a economia mundial.
Se não fosse a intervenção massiva e
concertada dos poderes públicos, que se tornaram
o seguro dos bancos ladrões, a atual crise teria já
proporções muito mais amplas. Também aqui, a
interligação é impressionante. Entre 31 de
Dezembro de 2007 e fins de setembro de 2008,
todas as bolsas do mundo sofreram uma baixa
muito significativa, entre 25 a 35% - por vezes
mais - para as bolsas dos países mais
industrializados, até 60% para a China, passando
por 50% para a Rússia e a Turquia. A montagem
colossal de dívidas privadas, criação pura de capital
fictício, acabou por explodir de país em país
industrializado, começando pelos EUA, a economia
mais endividada do mundo. Com efeito, a soma das
suas dívidas pública e privada elevou-se, em 2008,
a 50 trilhões de dólares, ou seja, 350% do PIB.
Esta crise econômica e financeira que já afetou
todo o planeta afetará ainda mais os países em
desenvolvimento que se crêem ainda protegidos. A
mundialização capitalista não soltou ou não
desligou as economias. Pelo contrário, países como
China, Brasil, Índia ou Rússia não estão ao abrigo
da crise e isto é só o início.
Professor Pedro Israel
Com uma moeda fraca, uma política monetária
frouxa e uma conta de energia cada vez mais
pesada, o grande risco que paira sobre os Estados
Unidos é a volta da inflação.
Desemprego Estrutural e Conjuntural
O desemprego é um dos principais problemas
que assola o mundo atual. Na Europa, o problema é
28
Professor Nilton Matos
muito grave. O desemprego na zona do euro
atingiu 10,3% da população ativa em outubro de
2011, com a Espanha apresentando a maior taxa
(22,8%), segundo os números divulgados no 30 de
novembro pela agência de estatísticas Eurostat.
Em setembro, a taxa ficara em 10,2% e, em
outubro de 2010, em 10,1%. Na União Europeia,
em outubro deste ano, o desemprego ficou em
9,8%. O resultado supera as previsões dos
analistas, que projetavam um índice de 10,2%.
Eurostat estima que 16,294 milhões de
desempregados estavam na zona do euro em
outubro deste ano. Em relação a setembro, o
número de pessoas desempregadas aumentou
130.000 na União Europeia e 126.000 na zona do
euro.
Os Estados Unidos criaram 120 mil postos de
trabalho em novembro, segundo dados divulgados
nesta
sexta-feira
2
de
dezembro
pelo
Departamento do Trabalho do país. Com isso, a
taxa de desemprego recuou 0,4 ponto percentual
em relação ao mês anterior, para 8,6%.
desemprego, isto porque, enquanto o IBGE fala em
taxa de 12%, a Fundação Seade/Dieese fala em
18% na região metropolitana da Grande São Paulo.
A verdade é que temos, hoje, em qualquer
família alguém desempregado. Essa é uma
realidade que está muito próxima de cada um de
nós.
O desemprego causa vários problemas: para o
desempregado, para a família e para o Estado. Para
o cidadão desempregado e sua família, o
desemprego provoca insegurança, a indignidade,
aquela sensação de inutilidade para o mundo social.
Com a globalização, a informatização, as novas
tecnologias, nós temos efetivamente um problema
de desemprego estrutural. Vejam o exemplo do
banco já citado, onde diminuem em menos da
metade os postos de trabalho.
Tudo é informatizado, as pessoas não precisam
do caixa humano, elas vão direto ao caixa
eletrônico.
Esses funcionários perdem o emprego e não
têm outra oportunidade, porque todos os ramos de
atividade estão se modernizando, não só os bancos,
mas as indústrias estão sendo robotizadas. É o
chamado Desemprego Estrutural.
A taxa de novembro é a menor desde março
de 2009, quando também ficara em 8,6%.
De abril a outubro deste ano, a taxa de
desemprego se manteve entre 9% e 9,2%.
A criação de vagas foi puxada por contrações
no
varejo,
com
50
mil
novos
postos,
entretenimento e serviços de hospitalidade (mais
22 mil vagas). Já o emprego no setor público voltou
a mostrar queda, com o corte de 5 mil postos de
trabalho nos Correios do país. Entre os grupos, a
taxa de desemprego para homens adultos recuou
para 8,3%, enquanto para as mulheres adultas se
manteve praticamente estável, em 7,8%.
No Japão, atualmente observa-se a diminuição
do número de vagas no mercado de trabalho; a
Coréia do Sul enfrenta a mesma situação. Nos
países subdesenvolvidos, a situação não é
diferente.
No Brasil, é grande a preocupação dos
trabalhadores, dos sindicatos, das autoridades e
dos estudiosos de problemas sociais, a despeito de
não
possuirmos
dados
precisos
sobre
o
Professor Pedro Israel
A recente crise econômica dos Estados Unidos
atingiu os mais diversos segmentos e setores da
sociedade, gerando um dos mais elevados índices
de Desemprego.
Diferentemente do Desemprego Estrutural,
esse tipo é classificado como Desemprego
conjuntural.
Reflexo
de
uma
instabilidade
temporária, como a crise econômica mencionada,
que,
mesmo
momentaneamente,
interfere
diretamente no funcionamento de toda a sociedade.
Crise do Liberalismo
A doutrina econômica do século XVIII foi o
liberalismo, segundo a qual o Estado não deveria
intervir, de maneira alguma, na economia, ficando
à mercê da livre concorrência que por sua própria
dinâmica regularia o mercado. O liberalismo
econômico foi preconizado por economistas ingleses
29
Professor Nilton Matos
como Adam Smith e David Ricardo. Essa
mudança atendia aos interesses da burguesia
industrial, que se mostrava forte o suficiente para
renegar a interferência do Estado, inversamente ao
que aconteceu com os burgueses durante o
capitalismo comercial.
As condições de trabalho eram desumanas,
precárias, com homens, mulheres e crianças
trabalhando incessantemente, em instalações
insalubres, chegando à exaustão física causada
pelas horas a fio junto às máquinas. A terrível
situação de milhões de operários fabris não passou
despercebida,
provocando
o
surgimento
de
movimentos, no decorrer do século XIX, em defesa
do operariado e uma doutrina que propunha a
socialização
dos
meios
de
produção,
a
preponderância do Estado na condução da
economia e da sociedade, conhecida como
socialismo.
As primeiras décadas do século XX marcaram a
expansão do capitalismo, com aumento da
demanda e da produção industrial em larga escala.
Porém, a oferta crescente de mercadorias não
conseguia ser absorvida pelo mercado interno em
expansão dos países já industrializados, em
especial os Estados Unidos, ou mesmo pela
exportação para países que ainda não tinham
passado pelo processo de industrialização. Nos
Estados Unidos, o excesso de oferta, aliado às
especulações
financeiras,
resultou
em
uma
gravíssima crise econômica.
Grandes companhias e bancos tiveram suas
ações desvalorizadas e, em outubro de 1929, a
Bolsa de valores de Nova York “quebrou”, levando
milhares de empresas à falência e provocando
desemprego e recessão que afetaram a nação
norte-americana e o mundo.
Com o Crash da bolsa de Nova York,
percebeu-se que a livre-concorrência não suportava
mais a dinâmica imposta até então pelo capitalismo
“liberal”, que pregava a não intervenção do Estado
como regulador da sociedade, das ações do capital
privado e das relações de produção. Nesse
contexto, um plano contra a crise, o New Deal, foi
posto em prática pelo presidente Roosevelt.
O Estado passou a intervir na economia, nas
relações estruturais, direcionando e elaborando
planos econômicos, investindo pesado em serviços
de infra-estrutura e obras públicas, além de assistir
a população com programas educacionais, de saúde
e de previdência e seguridade social. O mentor
dessa intervenção estatal que ajudou efetivamente
a reerguer a economia norte-americana foi John
Maynard Keynes, postulando seu princípio em sua
obra Teoria Geral.
O intervencionismo estatal funcionou bem para
a economia capitalista até o início da década de
1970, quando uma nova crise econômica colocou
em xeque a legitimidade do papel econômico do
Estado, questionado pelos pensadores e ativistas
“neoliberais”.
O capitalismo vem sofrendo modificações
desde a Revolução Industrial até hoje. No início do
século XX, quando já era o sistema predominante
na Europa Ocidental e nos Estados Unidos,
apresentou uma tendência à concentração de
empresas e capitais. Nesse período iniciou-se a
prática monopolista, quando uma empresa domina
sozinha o mercado. E também as práticas de
oligopólios, quando poucas empresas se unem,
praticando uma política de preços e de controle de
matérias-primas
que
impede
que
outras
companhias pratiquem preços competitivos dentro
de um mercado concorrência, assegurando o
mercado para si.
Também foi uma época de grandes fusões e
incorporações de empresas e de integração do
capital bancário com o industrial, dando origem ao
capital financeiro. Esses grandes conglomerados
evoluíram
e
deram
origem
às
empresas
multinacionais,
atualmente
conhecidas
como
transnacionais, pois operam em diferentes partes
do globo, como as gigantes do petróleo (Exxon,
Texaco), as de informática (IBM, Microsoft) e
mesmo a potentíssima Nike, fabricante de artigos
esportivos, entre milhares de outras.
Existem formas monopolistas que persistem,
embora não de forma explícita. Entre elas, temos:


Cartel – um grupo de empresas independentes,
normalmente
de
um
mesmo
setor
já
oligopolizado, age de comum acordo, seguindo
uma mesma orientação quanto a práticas
comerciais, controle de matérias-primas, divisão
de mercado e cotas de produção.

Holding – dentro de um agrupamento de
empresas, uma delas controla as outras, suas
subsidiárias, por meio do controle acionário.
Normalmente a holding não tem nenhuma
atividade
produtiva,
mas
centraliza
a
administração e dita a política do grupo,
controlando o capital das empresas integrantes.
As holdings são consideradas o estágio mais
avançado de concentração do capital.
BLOCOS ECONÔMICOS
A intensificação do comércio mundial acentuou
a junção dos mercados mundiais e provocou
enorme
integração
regional.
Com
a
internacionalização, apesar de persistirem as
fronteiras e as diferenças nacionais, muitos países
Capitalismo Monopolista
Professor Pedro Israel
Truste – um conjunto de empresas se une ou
se funde e faz acordos e combinações
financeiras, controlando o capital conjunto e
centralizando as decisões, embora muitas vezes
as
identidades
das
empresas
sejam
preservadas. A prática mais comum é o
estabelecimento de uma política de preços
elevados que assegure altas margens de lucro e
vise sempre ao controle do mercado.
30
Professor Nilton Matos
uniram-se a outros para formar grandes grupos
econômicos, comerciais e políticos.
A disputa pelo mercado global regionalizou-se
a partir da formação dos grandes blocos
econômicos.
Em 1950, diante das restrições impostas pelo
consumo
reduzido
de
países
europeus
individualmente, foi traçado o Plano Shuman, que
propunha a criação de mercado comum, unificando
e centralizando a produção de aço e carvão da
Alemanha e da França, com perspectiva de abrir
esse acordo para outras nações européias. Em
1951, pelo Tratado de Paris, foi criada a CECA
(Comunidade Européia do Carvão e do Aço),
formada por Alemanha, França, Itália, Bélgica,
Holanda e Luxemburgo (Benelux).
O sucesso conseguido pelo Benelux e pela
CECA fez com que esses embriões de zonas de
livre-comércio
se
expandissem
e
se
transformassem no Mercado Comum Europeu, ou
Comunidade Econômica Européia, por meio do
Tratado de Roma de 1957.
Em 1992, foi assinado o Tratado de
Maastricht, que entrou em vigor em 1993,
mudando o nome da CEE para União Européia.
CELAC
No dia 2 de dezembro de 2011, presidentes e
representantes dos 33 países da América Latina se
reuniram, em Caracas, para formalizar a criação da
Comunidade de Estados Latino-americanos e
Caribenhos (CELAC).
Pela primeira vez, os países do continente se
articularam em uma mesma plataforma política com a tarefa de tentar aprofundar a integração
regional - sem a presença dos Estados Unidos e do
Canadá.
Segundo analistas, a CELAC nasce com o
desafio de criar uma organização capaz de gerar
consenso entre os países e cuja institucionalidade
seja capaz de implementar políticas de integração
autônomas em relação aos Estados Unidos.
Entre as contradições a serem enfrentadas
pelo bloco está a de construir políticas comuns em
uma região ainda marcada por diferentes níveis de
desenvolvimento
econômico,
pobreza,
crime
organizado e, em especial, antagonismos no campo
político-ideológico.
O presidente venezuelano Hugo Chávez,
conhecido pelas críticas ao governo de Washington,
e pelo discurso anti-imperialista em encontros
regionais, adotou um tom moderado ao falar sobre
a nova organização regional e reconheceu que ela
deverá respeitar a heterogeneidade dos países e de
seus projetos, estejam eles à esquerda ou à direita
do campo político.
O primeiro debate do grupo, realizado na noite
da última quinta-feira, já mostrou como deve ser
difícil conseguir o consenso entre os países do novo
bloco. Os países não chegaram a um acordo sobre
como será o mecanismo para a tomada de decisões
- por unanimidade ou por maioria qualificada.
Uma das propostas do documento constitutivo
da Celac é um protocolo de defesa da democracia e
direitos humanos, aos moldes da cláusula antigolpe de Estado estabelecido pela Unasul (União de
Nações Sul-Americanas).
Entre as divergências iniciais está a posição do
novo bloco a respeito do futuro da Organização de
Estados Americanos (OEA), cujo papel passou a ser
questionado durante a crise boliviana, em 2008 e
depois do golpe de Estado em Honduras, em 2009.
Venezuela, Equador e Bolívia defendem que a OEA
já teria cumprido seu papel histórico no hemisfério
e deve ser substituída.
"Não é possível que os conflitos latinoamericanos
tenham
que
ser
tratados
em
Washington", defendeu o presidente equatoriano
Rafael Correa, dias antes da Cúpula.
Especialistas concordam que o Brasil tende a
assumir um papel de "liderança natural" na CELAC.
Os objetivos da União Européia são:
Livre circulação entre os países integrantes. O
estabelecimento de uma cidadania comum a
todos.

Integração econômica. Criação de uma
moeda única, desenvolvimento de um mercado
interno e de outras políticas econômicas que
facilitem o processo.

Colaboração em determinadas questões de
segurança e política.

Manutenção do papel europeu no cenário
mundial mediante uma política comum de
segurança e de assuntos internacionais.

Integração de assuntos sociais.
Em 2004, houve a maior ampliação da história
do bloco, com o ingresso de mais dez nações. Em
2007, Romênia e Bulgária completaram o conjunto,
hoje, formado por 27 países, das 53 nações
européias. Do ponto de vista econômico, as
expansões de 2004 e 2007 não trouxeram grandes
mudanças
à
EU.
Politicamente,
porém
a
transformação foi bastante significativa, pois dez
dos 12 novos membros são ex-repúblicas
comunistas do Leste Europeu, ex-integrantes da
Antiga “Cortina de Ferro” da época da Guerra Fria.
Na prática, a União Européia está avançando em
uma região que há séculos é área de influência
direta do Estado russo. Mas, como nesses países há
desemprego e salários baixos, as nações ocidentais
vêem crescer a migração vinda do leste. Em 2009,
foi aprovado o Tratado de Lisboa. A primeira vez
em que se falou em aprofundar as instituições
européias foi em 2001, quando se criou um grupo
para discutir as medidas. Em outubro de 2004,
chegou-se à formulação da Constituição Européia
que precisaria de aprovação de todos os países-
UNIÃO EUROPEIA
Professor Pedro Israel

31
Professor Nilton Matos
membros para entrar em vigor, Mas, em referendo
na França e na Holanda, a população derrubou a
proposição, em 2005. Em 2007, a chanceler da
Alemanha, Ângela Merkel, lançou a Declaração de
Berlim, com diretrizes semelhantes às da
Constituição européia, e manifestava a intenção dos
líderes de criar uma nova base comum para o bloco
até 2009.
Atualmente, são candidatos a países-membros
da União Européia: Turquia, Croácia, Macedônia e
Islândia. Porém, para a admissão de novos
integrantes do bloco, as condições são cada vez
mais rígidas. A Turquia enfrenta muitos obstáculos
para ser admitida na UE. Entre eles, está o fato de
70% dos 70 milhões de habitantes do país serem
muçulmanos, o que abriria a Europa para um
contato mais estreito com o mundo islâmico. Além
do fato de dominar militarmente o norte do Chipre,
país já integrante da UE, e por não reconhecer o
genocídio dos armênios em 1915, ponto em que se
mostram inflexíveis.
Suécia é 'ilha de prosperidade' em meio à
crise na União Europeia
País foi o que mais cresceu na UE em 2010
e tem uma das dívidas mais baixas; juros dos
títulos suecos são os mais baixos do bloco.
Assim como a Grã-Bretanha, a Suécia
decidiu não adotar o euro como moeda, apesar
de fazer parte da União Europeia. As
semelhanças entre os dois países, porém, param
por aí.
Enquanto a economia britânica patina, a
Suécia aparece como uma verdadeira "ilha de
prosperidade"
em
meio
às
perspectivas
negativas na região.
Os juros pagos pelos títulos da dívida sueca
(com classificação de segurança máxima pelas
agências de risco) são atualmente os mais
baixos em toda a União Europeia, até mesmo
que os da Alemanha, normalmente tidos como
referência por serem os mais baixos.
A economia sueca foi a que mais cresceu no
ano passado na União Europeia (5,6%) e tem
previsão de crescimento de 4% neste ano. A
relação entre a dívida pública e o PIB está em
queda acentuada, de 50,3% em 2004 para
estimados 36,3% neste ano (maior apenas que
as de Estônia, Bulgária e Luxemburgo na UE).
A taxa de desemprego, que chegou a 9%
após a crise global de 2008, caiu a 7,2% em
setembro deste ano, segundo o último dado
disponível.
Apesar do quadro favorável, um relatório da
Comissão Europeia (o braço executivo da UE)
divulgado no início do mês adverte que o país
não passará totalmente incólume à crise na zona
do euro.
Professor Pedro Israel
Novo tratado do euro tem participação de
32
Professor Nilton Matos
coquetéis molotov contra as forças de segurança.
Os confrontos se prolongaram durante mais de
duas horas no centro da capital. Um imóvel de um
andar, sede de uma loja de cristais de luxo, foi
incendiado no centro de Atenas. Outros 10 edifícios
vazios estavam em chamas por conta do
lançamento de coquetéis molotov, segundo os
bombeiros.
Os manifestantes se dirigiram à Praça
Sintagma pela tarde, convocados pelas duas
grandes centrais sindicais do país, a GSEE para o
setor privado, e Adedy, do público, assim como
pela esquerda radical, para protestar contra o plano
de ajuste.
"Não é fácil viver nestas condições. De agora
até 2020 seremos escravos dos alemães", disse à
AFP Andréas Maragoudakis, engenheiro de 49 anos.
Mais cedo, o ministro de Finanças grego, Evangelos
Venizelos, disse que a Grécia espera lançar "antes
de 17 de fevereiro" a oferta pública a seus credores
privados para a reestruturação de sua dívida, caso
contrário ficaria exposta à quebra.
"Antes do domingo à noite, o parlamento deve
ter adotado o novo programa de austeridade"
ditado pela União Europeia (UE) e pelo Fundo
Monetário Internacional (FMI) para que o país
possa receber o visto positivo do Eurogrupo na
quarta-feira para o desbloqueio do segundo plano
de resgate, afirmou o ministro no início do debate
parlamentar sobre este plano de medidas.
"Caso isso não aconteça antes de 17 de
fevereiro, não poderemos lançar oficialmente a
operação de troca de títulos" para que haja o
perdão de 100 bilhões da dívida grega. "E não
poderemos solucionar o problema do reembolso das
obrigações que serão finalizadas entre 14 e 20 de
março", em um montante total de 14,5 bilhões de
euros, completou. O descumprimento dos prazos e
a consequente quebra do país geraria uma Grécia
sem sistema bancário, afirmou Venizelos com a voz
tensa antes de ser interrompido pelas vaias da
oposição comunista, a qual o ministro acusou de
levar o país à "catástrofe".
O líder francês rejeitou, porém, que esteja
havendo uma divisão na UE. "Estamos tentando
salvar nossa moeda e nos acusam de fazer uma
Europa de duas velocidades'.
Governo da zona do euro
A chanceler alemã, Angela Merkel, celebrou
o "bom resultado" do encontro, que segundo ela
permitirá ao euro restaurar sua "credibilidade",
bem como o presidente do Banco Central
Europeu (BCE), Mario Draghi, considerou que o
acordo "se aproxima bastante de um bom pacto
fiscal e certamente ajudará na situação atual".
Entre outros detalhes, o tratado expressará
de forma "clara e definitiva" o fim da participação
privada nas eventuais reestruturações da dívida
soberana.
Além disso, haverá um governo da zona do
euro, integrado por chefes de Estado e de
governo, que se reunirá todos os meses durante
a crise.
Parlamento grego aprova plano de
austeridade e resgate financeiro
O Parlamento grego aprovou no dia 12 de
fevereiro de 2012 o plano econômico de
austeridade solicitado pelos credores do país com o
qual se ativará o resgate financeiro e sua
manutenção na Zona Euro.
Pouco antes da votação crucial para o país e a
Zona Euro, o primeiro-ministro grego, Lucas
Papademos, disse que os deputados gregos
"assumirão sua responsabilidade" e "definirão a
escolha mais importante" para a Grécia, que é
"avançar com a Europa e a moeda única". "A
violência e a destruição não têm lugar em uma
democracia", completou o premiê.
Cerca de 100.000 pessoas, segundo a polícia,
protestaram neste domingo em Atenas (80.000) e
Tessalônica (20.000) contra o novo plano de ajuste
ditado por UE e FMI.
O plano aprovado pelos deputados prevê um
pacote de medidas de austeridade em troca de um
novo resgate financeiro do país por parte de seus
credores institucionais e uma operação de
eliminação da dívida por parte dos credores
privados.
Na capital seis pessoas ficaram feridas e foram
hospitalizadas durante confrontos entre forças de
segurança e grupos de jovens nas ruas adjacentes
à praça Sintagma, em frente ao Parlamento,
segundo fontes do Ministério da Saúde. Os
incidentes ocorreram quando um grupo de
manifestantes pressionou para romper um cordão
policial colocado em torno da Assembleia Nacional,
e a polícia respondeu imediatamente lançando
bombas de gás.
Os manifestantes se dirigiram então para as
ruas adjacentes, rapidamente convertidas em
campos de batalha, e lançaram pedras e bombas de
Professor Pedro Israel
União Europeia: Croácia entra em 2013, mas
Suécia corre risco de sair
33
A Croácia será o 28º membro da União
Europeia. O país assinou, nesta sexta-feira, o
tratado de adesão ao bloco econômico em
cerimônia realizada em Bruxelas, Bélgica.
Antigo estado da ex-Iugoslávia, a Croácia
tem sofrido reformas econômicas e democráticas
que vão possibilitar sua aceitação no grupo em
2013. A esperança é que a adesão estimule
outros países dos Bálcãs a acelerarem o processo
de democratização nas regiões marcadas por
conflitos étnicos desde a década de 90. Segundo
o presidente da União Europeia, Herman Von
Rompuy, a Croácia é "pioneira" e o "futuro dos
Professor Nilton Matos
Bálcãs ocidentais está na União Europeia”.
Alfredo Peréz Rubalcaba, ministro do Interior,
declarou
que
o
governo
só
esperava
o
pronunciamento da junta eleitoral para decidir se
ordena à polícia dispersar os manifestantes.
Enquanto isso, milhares de cidadãos indignados na
Porta do Sol, em Madri, na Praça da Catalunha, em
Barcelona, na Praça do Pilar, em Zaragoza, e no
Parasol da Encarnação, em Sevilla, entre outras,
voltaram a romper o cerco policial e, uma vez mais,
repudiaram a política, banqueiros e empresários.
No quinto dia de mobilizações a afluência
aumentou sensivelmente, sobretudo em Madri e
Barcelona, onde dezenas de milhares entoaram
palavras de ordem durante horas. Uma delas
advertia: se vocês não nos deixam sonhar, nós não
os deixaremos dormir.
Os manifestantes desenvolveram métodos de
organização através de comissões por setores –
saúde, alimentação, meios de comunicação, etc. -,
que decidem cada atividade. Nas assembleias
gerais decidia-se a estratégia e buscava-se uma
mensagem política unificada que mostrassem as
principais razões de descontentamento e protesto.
Apesar das proibições feiras pela Justiça, as
mobilizações foram mantidas até o dia das eleições.
Após observar que as manifestações não cessariam,
a Junta Eleitoral Central declarou ilegais as
concentrações, ao considerar que elas não se
ajustam à lei eleitoral e excedem o direito de
manifestação garantido constitucionalmente. De
fato, desde o início da semana, todas as
mobilizações,
concentrações
e
marchas
da
“revolução espanhola” foram declaradas ilegais pela
Junta Eleitoral de Madri. Em resposta, o número de
indignados se multiplicou.
Depois de conhecer a decisão da Junta Eleitoral
Central, o movimento cidadão decidiu simplesmente
manter o acampamento, ao mesmo tempo em que
ecoou um grito unânime: não nos tirarão daqui,
vamos ganhar esta revolução. Em seguida, foi lido
o manifesto original do movimento em uma dezena
de idiomas. O texto aponta a classe política e os
meios de comunicação eletrônicos como os grandes
aliados dos agentes financeiros, os causadores e
grandes beneficiários da crise. Advertem que é
preciso um discurso político capaz de reconstruir o
tecido social, sistematicamente enfraquecido por
anos de mentiras e corrupção. “Nós, cidadãos,
perdemos o respeito pelos partidos políticos
majoritários, mas isso não equivale a perder nosso
sentido crítico. Não tememos a política. Tomar a
palavra
é
política.
Buscar
alternativas
de
participação cidadã é política”.
A adesão foi assinada no mesmo dia em que
o presidente da França, Nicolas Sarkozy,
anunciou novo tratado para participação de, no
mínimo, 23 países da UE com o objetivo de
reforçar o euro. Fora do tratado, estão Reino
Unido e Hungria, que não se interessam pelo
acordo, além da República Tcheca e Suécia, que
ficaram de consultar os Parlamentos.
O premiê sueco, Fredrik Reinfeldt, porém,
não descartou a possibilidade do país abandonar
o bloco.
CRESCE NA ESPANHA A REVOLUÇÃO DOS
INDIGNADOS
O movimento que iniciou no dia 15 de maio,
chamado 15-M ou a “revolução espanhola”, cresceu
às vésperas do dia 20 de maio, com enorme
participação popular com panelas e colheres nas
mãos. Multidões se reuniram em dezenas de
cidades de todo o país para exigir a mudança de
um sistema que consideram injusto. A revolta
crescia a cada hora. Começou com uma
convocatória nas redes sociais e internet para
repudiar a corrupção endêmica do sistema e a falta
de oportunidades para os mais jovens.
A Revolução dos Indignados acusa, pela
situação atual, o FMI, a OTAN, a União Europeia, as
agências de classificação de risco, o Banco Mundial
e, no caso da Espanha, os dois grandes partidos: PP
e PSOE.
A Junta Eleitoral Central da Espanha proibiu em
todo o país qualquer manifestação desde a zero
hora do dia 20 de maio até às 24 horas do dia 21
do mesmo mês, dia das eleições municipais, em
uma clara alusão às mobilizações do movimento
cidadão Democracia Real Já que, desde o dia 15
de maio promovem os repúdios ao modelo político e
econômico vigente, que já se espalharam em escala
nacional.
Professor Pedro Israel
A reação da direita
O líder do governo, José Luis Rodríguez
Zapatero, disse que é preciso escutar e ter
sensibilidade porque há razões para a expressão
desse descontentamento e dessa crítica. O líder da
Esquerda Unida, Cayo Lara, defendeu o fim da
submissão e do bipartidarismo, propiciado pela
atual lei eleitoral.
34
Professor Nilton Matos
Mas o setor duro da direita política e midiática
reclamou com insistência a atuação policial para
acabar com todas as mobilizações, sobretudo na
Porta do Sul, e pediu inclusive ao Ministério do
Interior para que adotasse meios violentos para
assegurar esse fim. Uma das imagens do dia foi a
do ex-ministro da Defesa durante o governo de
José María Aznar, Federico Trillo, insultando com o
dedo um grupo de cidadãos da revolução dos
indignados.
As desqualificações mais fortes vieram, porém,
dos meios de comunicação conservadores e da
televisão pública de Madri, que acusaram o
movimento
de
ser
comunista,
socialista,
antissistema e de ter relação com o ETA. Um dos
ideólogos da direita, César Vidal, foi mais além e
depois
de
chamar,
depreciativamente
os
manifestantes de “perroflautas” (tribo urbana
também conhecida como „pés pretos‟, formada por
punks, anarquistas, hippies e „gente desocupada‟),
assegurou que estes jovens mantém contato
regular com o Batasuna-ETA e que receberam
cursos de guerrilha urbana, da Segi (organização de
juventude da esquerda basca).
Os EUA pretendia implementar a ALCA (Área
de Livre comércio das Américas), que englobaria
todos os países americanos, exceção feita a CUBA,
por viver sob uma ditadura. A ALCA alargaria o
comércio dos EUA para toda a América,
concorrendo
diretamente
com
os
produtos
nacionais. Brasil e Argentina não concordaram com
a proposta norte-americana, e a ALCA não vingou.
O resultado foi a intensificação de acordos bilaterais
com diversos países centro e sul-americanos, como
Chile, Nicarágua, Guatemala, Costa Rica, etc.
NAFTA
Em 1993, foi ratificado um acordo de livrecomércio que une os três países da América do
Norte – Estados Unidos, Canadá e México.
Os desníveis das economias desses integrantes
do Nafta são significativos. A economia norteamericana é a mais poderosa do mundo; o Canadá,
embora apresente uma economia diversificada e
desenvolvida, depende muito dos investimentos e
do capital dos EUA.
Por mais estranho que pareça, a explicação
para a presença mexicana nesse bloco econômico é
simples: além de mercado ativo, o México é grande
produtor de petróleo, fonte de energia vital para as
duas economias, e fornece mão de obra barata e
abundante para a qualificada economia americana.
Acordos
comerciais
têm
incentivado
investimentos americanos em território mexicano.
Essa ação visa a geração de empregos para tentar
barrar o intenso fluxo migratório ilegal mexicano e
facilitar a instalação de unidades fabris americanas
do outro da fronteira, com a finalidade de obter
produções a custos menos, que serão totalmente
absorvidas pelo mercado dos Estados Unidos.
Professor Pedro Israel
ALTENATIVAS LATINO-AMERICANA
Em meio às dificuldades da ALCA, projeto
estratégico de Washington, avançam o Mercosul
expandido e a ALBA (Alternativa Bolivariana para a
América) - possíveis embriões de um comércio
internacional de novo tipo. Configurou-se um
enfrentamento entre a integração latino-americano
e a ALCA, na verdade ferramenta para consolidação
da hegemonia norte-americana.
Entre as regiões do mundo vítimas das
políticas neoliberais, a América Latina ocupa um
lugar de destaque. Nenhum dos projetos de
integração regional escapou de seus efeitos
destrutivos. As medidas de liberalização comercial e
financeira aceleraram o controle do mercado
interno de cada país pelas multinacionais norteamericanas e européias. Estas medidas também
acentuaram a dependência das economias regionais
em relação aos mercados externos.
No entanto, ao mesmo tempo em que os
países da Europa e da América do Norte
perseguiam seu processo de integração, projetos
similares se desenvolviam, particularmente na
América do Sul. Eles procuravam proteger, ainda
que de maneira mínima, as economias da região
das conseqüências negativas da globalização. Nas
décadas de 1980 e 90, sugiram dois projetos
antagônicos: o Mercosul, integrado inicialmente
pelo Brasil, a Argentina, o Uruguai e o Paraguai; e o
Tratado de Livre Comércio da América do Norte
(Nafta), que reuniu EUA, Canadá e México.
35
Professor Nilton Matos
Washington tinha a ambição de estender o
Nafta ao resto do continente. Quase no momento
em que o bloco foi formalizado, e em que o Chile foi
apresentado como o primeiro candidato a se
integrar a ele, a crise mexicana de 1994 levou o
Congresso dos EUA a não oferecer à Casa Branca o
chamado "fast track" ("via rápida). Ela dá ao
Executivo o direito de negociar acordos comerciais
com outras nações, limitando os poderes do
Legistivo a aceitar ou rejeitar, em bloco, eventuais
tratados.
Com o ingresso da Venezuela e Bolívia no
Mercosul, começa a se dissipar a dualidade entre
este bloco e a Comunidade Sul-americana de
Nações.
opções destes difiram sensivelmente de sua
perspectiva radical.
A
ALBA
baseia-se
na
montagem
de
mecanismos para criar vantagens cooperativas - ao
invés das supostas "vantagens competitivas",
paradigma
das teorias neoliberais
Mercosul
ampliado
e
Comunidade
Sul-americana
Ao final de 2005, a Venezuela ingressou como
membro pleno do Mercosul. Após a vitória eleitoral
de Evo Morales em La Paz, o coordenador geral do
bloco, o argentino Chacho Alvarez, anunciou que
proporia o ingresso da Bolívia, na mesma condição.
Começava assim a se dissipar a dualidade entre o
Mercosul e a Comunidade Sul-americana de
Nações. Nascida por iniciativa do Brasil, em 8 de
dezembro de 2004, em Cuzco (Peru), esta era vista
com reservas pelo governo de Kirchner, que se
inclina pela expansão do Mercosul como prioridade.
Foi em Cuzco, durante o encontro, que Chávez, em
seu linguajar cheio de imagens, sugeriu uma
consigna: "A política como locomotiva, o social
como bandeira, o econômico como trilho e a cultura
como combustível".
Ao mesmo tempo, o governo venezuelano
multiplicou iniciativas setoriais - como a Petrosul, a
TVSul, a PetroCaribe, entre outros - e desenvolveu
uma iniciativa estratégica de alianças com Cuba - a
chamada Aliança Bolivariana para as Américas. Em
documento assinado em abril de 2005, em Havana,
os governos de Cuba e da Venezuela lançam uma
modalidade
superior
de
integração,
entre
economias que podem partir de um nível superior
de identificação, sobretudo a partir do momento em janeiro de 2005, no Fórum Social Mundial de
Porto Alegre, em que Hugo Chavez anunciou a
adesão de seu governo ao que chama de
"socialismo do século XXI".
A ALBA é uma proposta de integração que se
fundamenta na montagem de mecanismos para
criar vantagens cooperativas - no lugar das
supostas "vantagens competitivas", paradigma das
teorias neoliberais de comércio internacional. Já as
vantagens cooperativas procuram reduzir as
assimetrias existentes entre os países do
continente. Elas apóiam-se em mecanismos de
compensação, a fim de corrigir as disparidades de
níveis de desenvolvimento entre os países da
região. Têm na Venezuela e em Cuba seus grandes
motores: a primeira com os recursos do petróleo, a
segunda principalmente com os recursos de
educação, saúde e esportes.
Cada país oferece o que pode produzir em
boas condições, e recebe, em contrapartida, aquilo
que precisa, independentemente dos preços no
mercado mundial.
Nascimento e declínio da ALCA
O governo norte-americano teve, então que
apelar para um projeto que havia ficado na gaveta:
a Área de Livre Comércio das Américas (ALCA).
Configurou-se assim um campo de enfrentamento
entre um projeto de integração latino-americano e
outro do conjunto do continente, em que a
diferença - substancial - era a participação dos EUA
nesta última. Representando 70% do PIB do total
dos países, eles transformavam a ALCA em
ferramenta de consolidação de sua hegemonia,
jamais em processo de integração.
Eram tempos de extensão quase que ilimitada
dos modelos neoliberais, dos quais a ALCA seria o
complemento
funcional.
Essa
tendência
foi
fortalecida com a crise brasileira de 1999, em que a
brusca e grande desvalorização da moeda brasileira
afetou diretamente a balança comercial com a
Argentina, golpeando diretamente os graus de
integração logrados no Mercosul.
No entanto, paralelamente foi se intensificando
uma tendência nova: a vitória e evolução ideológica
de Hugo Chavez na Venezuela, a chegada ao poder
de Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília, de Nestor
Kirchner, em Buenos Aires, e, mais tarde, de
Tabaré Vázquez, em Montevidéu.
A Venezuela, especialmente depois da vitória
de Chávez sobre a oposição, no referendo
revogatório de 15 de agosto de 2004, conquistou
um espaço importante e se aproveitou para
oxigenar o processo de integração. Este se deu, por
um lado, através da constituição de uma espécie de
coordenação da integração, entre os presidentes do
Brasil, da Argentina e da Venezuela - as três
principais economias da América do Sul. Esta
coordenação promoveu reuniões setoriais entre
ministros do setor energético, do de políticas sociais
e da área econômica. Diversos acordos form
firmados, sobre temas de comécio, energia e
defesa. Para ficar apenas num exemplo, Chávez
anunciou, em 2004, que a Venezuela, que importa,
para sua indústria petroleira, 5 bilhões de dólares
de bens e serviços nos Estados Unidos, realizaria, a
partir de então, 25% destas compras no Brasil e
Argentina. Ao fazê-lo, conquistou aliados de
circunstância nestes dois países, ainda que as
Professor Pedro Israel
ALBA, contraponto ao "livre" comércio
A ALBA pretende ser o contraponto da ALCA.
Pretende integrar economias dissímiles desde
baixo, envolvendo a todos os atores econômicos e
sociais - como cooperativas, pequenas empresas,
empresas públicas, empresas privadas grandes,
médias e pequenas -, priorizando o atendimento de
36
Professor Nilton Matos
problemas essenciais para a massa da população,
como alimentação, moradia, indústria e meio
ambiente. Enquanto que a ALCA não diferencia
entre países grandes e pequenos, entre países com
grandes recursos naturais, financeiros, energéticos
e os outros, acentuando mecanismos em que
ganham os mais fortes - neste caso, os EUA. Além
disso, a ALCA pretende impor aos paises critérios
de segurança jurídica que favorecem as grandes
corporações multinacionais, não se dispondo a
atender aos paises mais fracos.
A ALBA não subsidia, mas fomenta créditos,
máquinas
e
tecnologias
para
empresas
recuperadas, fábricas abandonadas em mãos dos
seus trabalhadores, cooperativas, comunidades de
pequenos produtores - industriais, de comércio ou
de servicios -, empresas públicas. A ALBA recebe o
apoio dos Estados em créditos, assistência técnica e
jurídica, marketing e comércio internacional,
enquanto a ALCA deixa tudo entregue às forças que
dominam o mercado e as possibilidades financeiras
dos grandes agentes econômicos.
Em abril de 2005, dezenas de acordos foram
firmados entre Caracas e Havana. Neste momento,
decidiu-se criar, na Venezuela, 600 centros de
diagnóstico integral de saúde, 600 creches e 35
centros de alta tecnologia, para assegurar ao
conjunto da população o acesso gratuito à medicina
e saúde. Também se decidiu a formação, por Cuba,
de 40 mil médicos e 5 mil especialistas em
tecnologias da saúde latino-americanos - além de
10 mil médicos e enfermeiros venezuelanos.
Prosseguiu a operação "Milagre", que já permitiu a
milhares de venezuelanos recuperar plenamente a
visão, graças a uma intervenção cirúrgica (operação
de catarata) realizada em Cuba. Ampliada para
toda América latina, esta operação poderia ter até
100 mil beneficiários - 800 uruguaios foram os
primeiros.
Pela primeira vez, um chefe de Estado chileno
foi convidado à posse de um presidente boliviano e aceitou comparecer ·.
precisa, independentemente dos preços no mercado
mundial.
Trata-se de uma visão radicalmente diferente
da que prevalece nos acordos bilaterais firmados
por Washington com os países do continente América Central, Chile, Uruguai, Peru e, em breve,
Colômbia -, cujo resultado é acentuar as
desigualdades, e graças aos quais os EUA, por seu
peso determinante, consolidam posições que já lhes
são estruturalmente favoráveis.
Antes mesmo de sua posse em La Paz, no
último 22 de janeiro, o novo presidente da Bolívia,
Evo Morales, começou por Havana e Caracas uma
viagem ao exterior que poderia abrir caminha a
uma integração da Bolívia à ALBA. Algum tempo
antes, havia sido criada a Petrocaribe, empresa
destinada a oferecer a onze países da região
petróleo a preços reduzidos e com facilidades de
pagamento. Esta iniciativa do governo de Chávez
procurava permitir aos países da região precaver-se
contra a volatilidade e a escalada de preços do
petróleo no mercado internacional, livrando-os
parcialmente da pressão exercida por Washington
para impor acordos bilaterais.
Ainda em estado embrionário, e sem prejulgar
seu sucesso, a ALBA é uma tentativa ambiciosa de
integração regional que escapa às lógicas de
mercado. Não faltarão dificuldades, porque o
objetivo é envolver países como Argentina, Brasil e
Uruguai; provavelmente o México e talvez o Peru.
As economias destes países são dominadas por
empresas multinacionais, muito mais interessadas
em manter sua fatia no mercado norte-americano e
europeu que em um tipo de integração que pode
privá-las deste privilégio.
Os presidentes destas nações já enfrentam
grandes dificuldades para avançar nos marcos bem
menos ambiciosos do Mercosul. São prova os
conflitos entre setores patronais do Brasil e
Argentina, que sabotam o processo de integração.
Na verdade, a ALBA só pode se realizar entre
governos decididos a desenvolver um projeto
estratégico de grandes transformações estruturais
internas, de maneira que as decisões que tomam
envolvam efetivamente a economia de seus países.
Uma seqüência de acordos latino-americanos
De sua parte, a Venezuela decidiu abrir em
Havana uma agência da empresa petroleira
nacional (PDVSA) e uma sucursal do Banco
Industrial da Venezuela. Os dois governos
concederam preferências aduaneiras recíprocas
para suas trocas comerciais. Cuba decidiu adquirir
412 milhões de dólares em produtos venezuelanos,
o que poderia suscitar a criação de dezenas de
milhares
de
empregos
no
país
parceiro.
Se o "eixo estratégico" Caracas-Havana é alvo de
críticas entre setores conservadores, inconformados
por ver Cuba sair de seu isolamento, o
desenvolvimento destas políticas de saúde é
acompanhado com grande interesse pelo conjunto
dos movimentos sociais do continente. Estas trocas
constituem bons exemplos de comércio "justo":
cada país oferece o que está pode produzir em boas
condições, e recebe, em contrapartida, aquilo que
Professor Pedro Israel
Reconciliar "irmãos inimigos"?
Ainda assim, algumas iniciativas emergem,
preliminares de uma aliança entre países do
continente. Como exemplos (não exaustivos),
Chávez confirmou o investimento de 600 milhões
de dólares da PDVSA no Uruguai, onde a empresa
petroleira
venezuelana
trabalhará
com
sua
homóloga, ANCAP, especializada em refino de óleo.
Um acordo entre Caracas e Brasília permitirá a
construção de uma importante refinaria no
Nordeste brasileiro. Reunidos em 18 de janeiro, os
presidentes Kirchner e Lula examinaram o projeto
de construção de um oleoduto que, partindo da
Venezuela, chegaria até a Argentina, passando pelo
território brasileiro. A criação de uma grande
companhia petroleira sul-americana, Petrosul,
talvez não seja apenas um sonho.
37
Professor Nilton Matos
A Telesur já funciona. Tendo como acionistas
Argentina, Cuba, Uruguai e Venezuela, esta cadeia
de televisão procura fornecer informação lationoamericana fora dos padrões das TVs privadas e da
influência midiática vinda do Norte.
Quem sabe se esta esquerda, em sua
multiplicidade e diferenças, não é capaz de conciliar
"irmãos inimigos"? Brasília tem excelentes relações
com Santiago, mas também com Caracas - cujo
presidente, Chávez, mantém laços estreitos com
Evo Morales. Nos últimos dias de seu mandato, o
presidente do Chile, Ricardo Lagos, aceitou
participar da posse de Morales, em 22 de janeiro.
Os dois países são protagonistas de uma das mais
antigas disputas territoriais da América do Sul. Foi
a primeira vez em que um chefe de Estado chileno
foi convidado à posse de um presidente boliviano.
Cingapura, Hong Kong e Taiwan se descolaram dos
japoneses, que enfrentam anos a fio de
estagnação, para se atrelar à segunda maior
economia do mundo.
Esse grupo de nações ainda promissoras
apresenta expansão média de 4%, menos da
metade das taxas de China e da Índia. A volta aos
espetaculares índices de expansão registrados no
fim do século passado continua limitada a uma
histórica dependência das vendas externas,
prejudicadas após a crise global.
Além de se beneficiar das trocas comerciais
com a China, os tigres começaram a repetir seu
comportamento controverso na arena mundial. “A
novidade é que os Tigres Asiáticos passaram a
adotar, nos últimos anos, as práticas de comércio
desleais largamente usadas pela China”, comenta
Josefina
Guedes,
consultora
de
comércio
internacional.
Ela explica que os quatro têm peculiaridades, a
exemplo da agressividade das marcas próprias de
Coreia e Taiwan no mercado externo. Apesar disso,
“todos reagiram juntos à onda protecionista póscrise de 2008 e estão sintonizados com o dragão
chinês”.
Os tigres ampliaram as trocas comerciais e a
articulação produtiva com a China. O objetivo é
manter a atividade das fábricas em nível elevado e
aproveitar a ascensão dos novos consumidores.
“Tal qual os norte-americanos e diferentemente dos
japoneses, os chineses não têm compromissos com
a economia mundial.
Para atingir seus alvos, lançam mão de fraudes
e dumping”, afirma Josefina. Ela lembra que, como
gigantescos entrepostos, Cingapura e outros países
asiáticos ajudam Pequim a driblar barreiras erigidas
pelos competidores.
Crise asiática
Emir Sader,
Le Monde Diplomatique, Edição brasileira, ano 7 número 73
APEC
Em 1993, surgiu a Cooperação da Ásia e do
Pacífico, um bloco econômico regional, com o
intuito de criar uma zona de livre=comércio entre
os 21 países que a compõem até o ano de 2020.
Reúne cerca de 60% do PIB mundial. Conta
com cerca de 2,7 bilhões de pessoas e um PIB de
31,7 trilhões de dólares. O volume das exportações
move uma receita de aproximadamente 5,3 trilhões
de dólares e nas importações o volume atinge cifras
de cerca de 3,1 trilhões de dólares. APEC é um
bloco econômico regional que pretende implantar a
livre-circulação de mercadorias, capitais e serviços
entre os estados-membros e poder concorrer com a
União Européia.
ASEAN
Somadas,
as
economias
dos
quatro
correspondem ao tamanho da brasileira, com um
Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas
geradas) de US$ 2,2 trilhões. Mas as semelhanças
com o líder da América do Sul acabam aí. Os
tempos mudaram. Até os anos 1990, os tigres
representavam o melhor exemplo de economias
emergentes. Os frutos de seu espetacular
desempenho comercial, influenciado pelo sucesso
japonês, acabaram sucumbindo à crise asiática, de
julho de 1997, que derrubou bolsas de valores
mundo afora. Em menos de um ano, investidores
sacaram US$ 200 bilhões aplicados na Ásia,
levando à quebradeira generalizada de empresas e
à recessão.
A China foi a única a passar ilesa ao primeiro
grande abalo da globalização, quando se acelerava
a maior abertura econômica da história. Apesar do
colapso, a renda per capita na Ásia pulou de US$
424 para mais de US$ 1 mil entre 1990 e 2004.
Guiados hoje pelo farol chinês, esses territórios e
países tentam ampliar presença no comércio global
com venda crescente de artigos industrializados
baratos e de alta tecnologia. Dois deles têm laços
históricos com a China: depois de um período de
A Associação das Nações do Sudeste
Asiático foi criada em 1967 para fortalecer o
desenvolvimento e a estabilidade dos países da
região, área onde se desenvolvia a Guerra do
Vietnã; A ASEAN é formada por 10 países, sendo a
maior parte pertencente aos Tigres Asiáticos.
Segundo o banco mundial, em 2004 esses países
cresceram 5,7%, e junto com a China, que cresceu
9,0%, formam o motor econômico do planeta. Os
líderes respeitaram o principio da ASEAN de não
interferir em assuntos internos e evitaram falar dos
conflitos
do
Sudeste
Asiático,
apesar
de
reconhecerem que sem estabilidade política não há
desenvolvimento.
TIGRES ASIÁTICOS
Mais de uma década depois de seu modelo de
crescimento inspirado pelo Japão naufragar, os
Tigres Asiáticos se engatam à locomotiva chinesa
para trilhar um novo caminho de crescimento,
sustentado, desta vez, pelo comércio com outros
grandes mercados emergentes. Coreia do Sul,
Professor Pedro Israel
38
Professor Nilton Matos
domínio inglês, Hong Kong é hoje parte do gigante
asiático, mas mantém instituições políticas e
econômicas capitalistas. Taiwan é tida pelo governo
chinês como uma província rebelde.
A expressão “tigre” já foi sinônimo de
economia regional com crescimento acelerado e
voltada à exportação. Com mão de obra qualificada
e barata, excelente infraestrutura logística de
portos e capacidade de produzir quase todo tipo de
artigo industrializado para exportar, sua força é
proporcional à demanda externa. Os integrantes da
grife oferecem incentivos fiscais a multinacionais,
mas ainda deixam de apostar no consumo
doméstico. Outro ponto em comum está na
prioridade à educação como meio de aumentar a
produtividade, fato sempre destacado em estudos e
fóruns internacionais.
MERCOSUL
O MERCOSUL (Mercado Comum do Sul) foi
criado em 1991 por meio do Tratado de Assunção,
formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
A Venezuela que aderiu, em 2006, ao Protocolo de
Adesão da República Bolivariana da Venezuela ao
MERCOSUL.
Esse bloco econômico tem por objetivo
principal o estabelecimento de um mercado
comum, o que significa, na prática, a construção de
um espaço econômico comum entre os países que o
compõem.
O MERCOSUL é hoje uma realidade econômica
de dimensões continentais. As origens do
MERCOSUL remontam à crise das economias
argentina e brasileira de meados da década de
1980, quando elas encontravam-se altamente
endividadas, estagnadas e com dificuldades de
atrair capitais produtivos internacionais, correndo o
risco de ver o sucateamento de seus parques
industriais, principalmente na questão da renovação
tecnológica e, assim, perder competitividade nas
exportações. Nesse quadro, os países iniciaram
políticas de abertura e aproximação econômica e
comercial, com o objetivo de juntar forças em um
mercado internacional altamente concorrencial. A
incorporação do Uruguai e do Paraguai ampliou
possibilidade de cooperação econômica, embora a
sustentação dessa relação estivesse com Brasil e
Argentina, as economias, mais fortes do bloco.
A união entre os países prevê a instauração de
uma política de alíquotas para importação comum
de não membros, ou seja, a união alfandegária que
se baseia na TEC – tarifa externa comum – e a
isenção de tarifas alfandegárias entre os países
membros.
Outros países sul-americanos manifestaram
interesse em integrar o bloco. Chile e Bolívia
assinaram tratados e tornaram-se membros
associados ao MERCOSUL, mas ainda não foi
estendida a eles a política aduaneira re as relações
comerciais entre os países membros.
Professor Pedro Israel
No
Uruguai, Chávez volta a pleitear entrada
da Venezuela no Mercosul
Defesa comercial
39
Durante a reunião
foram discutidos
mecanismos de defesa comercial a serem
adotados dentro do bloco para enfrentar a crise
financeira internacional - como adiantou o
ministro da Fazenda, Guido Mantega.
O bloco deve negociar a ampliação da lista
de produtos importados que podem ser
sobretaxados, além de discutir divergências
sobre práticas consideradas protecionistas por
alguns membros.
Os países menores - Uruguai e Paraguai –
frequentemente reclamam de supostas barreiras
comerciais a seus produtos nos mercados
maiores, Brasil e Argentina.
Os Estados-parte também assinarão um
acordo de livre comércio com a Palestina. O
instrumento segue os mesmos moldes de
acordos semelhantes assinados entre o Mercosul
e Israel, e entre o bloco sul-americano e o Egito,
em 2011.
O acordo, para abertura de mercados para
bens, também inclui capítulos sobre medidas
sanitárias e fitossanitárias Professor
(destinadas
Nilton Matos ao
controle de pragas agrícolas), cooperação
técnica
e
tecnológica,
e
solução
de
de Assunção é a integração dos quatro Estados
Partes por meio da livre circulação de bens,
serviços e fatores produtivos, do estabelecimento
de uma Tarifa Externa Comum (TEC), da adoção de
uma política comercial comum, da coordenação de
políticas macroeconômicas e setoriais, e da
harmonização de legislações nas áreas pertinentes.
Em dezembro de 1994, foi aprovado o Protocolo de
Ouro Preto, que estabelece a estrutura institucional
do MERCOSUL e o dota de personalidade jurídica
internacional.
ALADI
A ALADI é o maior mecanismo latinoamericano de integração, composto por 12 paísesmembros:
Argentina,
Bolívia,
Brasil,
Chile,
Colômbia, Cuba, Equador, México, Paraguai, Peru,
Uruguai e Venezuela. Esse conjunto de países
totaliza 20 milhões de quilômetros quadrados e
mais de 500 milhões de habitantes. Atualmente, a
ALADI passa por um processo de expansão para a
América Central, com a Adesão de Nicarágua e
Panamá.
AMÉRICA DO SUL E INTEGRAÇÃO REGIONAL
UNASUL
A União de Nações Sul-Americanas (UNASUL) é
formada pelos doze países da América do Sul. O
tratado constitutivo da organização foi aprovado
durante Reunião Extraordinária de Chefes de Estado
e de Governo, realizada em Brasília, em 23 de maio
de 2008. Dez países já depositaram seus
instrumentos de ratificação (Argentina, Brasil,
Bolívia, Chile, Equador, Guiana, Peru, Suriname,
Uruguai e Venezuela), completando o número
mínimo de ratificações necessárias para a entrada
em vigor do Tratado no dia 11 de março de 2011
BRICS
(Brasil-Rússia-Índia-China-África do Sul)
CALC
Desde meados do século XX, a integração
regional consolida-se como importante fenômeno
internacional. O estreitamento dos laços políticos e
econômicos entre povos que compartilham herança
histórica e vizinhança geográfica permite enfrentar
melhor os desafios do mundo globalizado.
A idéia dos BRICS foi formulada pelo
economista-chefe da Goldman Sachs, Jim O´Neil,
em estudo de 2001, intitulado “Building Better
Global Economic BRICs”. Fixou-se como categoria
da análise nos meios econômico-financeiros,
empresariais, acadêmicos e de comunicação. Em
2006, o conceito deu origem a um agrupamento,
propriamente dito, incorporado à política externa de
Brasil, Rússia, Índia e China. Em 2011, por ocasião
da III Cúpula, a África do Sul passou a fazer parte
do agrupamento, que adotou a sigla BRICS.
O peso econômico dos BRICS é certamente
considerável. Entre 2003 e 2007, o crescimento dos
quatro países representou 65% da expansão do PIB
mundial. Em paridade de poder de compra, o PIB
dos BRICS já supera hoje o dos EUA ou o da União
Européia. Para dar uma idéia do ritmo de
crescimento desses países, em 2003 os BRICs
respondiam por 9% do PIB mundial, e, em 2009,
esse valor aumentou para 14%. Em 2010, o PIB
conjunto dos cinco países (incluindo a África do
CELAC
A Comunidade dos Estados Latinoamericanos e
Caribenhos – CELAC foi criada na “Cúpula da
Unidade da América Latina e do Caribe”, realizada
na Riviera Maya (México), em fevereiro de 2010,
em histórica decisão dos Chefes de Estado e de
Governo da região. A Cúpula da Unidade
compreendeu a II Cúpula da América Latina e o
Caribe sobre Integração e Desenvolvimento – CALC
e a XXI Cúpula do Grupo do Rio.
MERCOSUL
A Argentina, o Brasil, o Paraguai e o Uruguai
assinaram, em 26 de março de 1991, o Tratado de
Assunção, com vistas a criar o Mercado Comum do
Sul (MERCOSUL). O objetivo primordial do Tratado
Professor Pedro Israel
40
Professor Nilton Matos
Sul), totalizou US$ 11 trilhões, ou 18% da
economia mundial. Considerando o PIB pela
paridade de poder de compra, esse índice é ainda
maior: US$ 19 trilhões, ou 25%.
Até 2006, os BRICs não estavam reunidos em
mecanismo que permitisse a articulação entre eles.
O conceito expressava a existência de quatro países
que individualmente tinham características que lhes
permitiam ser considerados em conjunto, mas não
como um mecanismo. Isso mudou a partir da
Reunião de Chanceleres dos quatro países
organizada à margem da 61ª. Assembléia Geral das
Nações Unidas, em 23 de setembro de 2006. Este
constituiu o primeiro passo para que Brasil, Rússia,
Índia
e
China
começassem
a
trabalhar
coletivamente. Pode-se dizer que, então, em
paralelo ao conceito “BRICs” passou a existir um
grupo que passava a atuar no cenário internacional,
o BRIC. Em 2011, após o ingresso da África do Sul,
o mecanismo tornou-se o BRICS (com "s"
maiúsculo ao final).
Como agrupamento, o BRICS tem um caráter
informal. Não tem um documento constitutivo, não
funciona com um secretariado fixo nem tem fundos
destinados a financiar qualquer de suas atividades.
Em última análise, o que sustenta o mecanismo é a
vontade política de seus membros. Ainda assim, o
BRICS tem um grau de institucionalização que se
vai definindo, à medida que os cinco países
intensificam sua interação.
Etapa
importante
para
aprofundar
a
institucionalização vertical do BRICS foi a elevação
do nível de interação política que, desde junho
2009, com a Cúpula de Ecaterimburgo, alcançou o
nível de Chefes de Estado/Governo. A II Cúpula,
realizada em Brasília, em 15 de abril de 2010, levou
adiante esse processo. A III Cúpula ocorreu em
Sanya, na China, em 14 de abril de 2011, e
demonstrou que a vontade política de dar
seguimento à interlocução dos países continua
presente até o nível decisório mais alto. A III
Cúpula reforçou a posição do BRICS como espaço
de diálogo e concertação no cenário internacional.
Ademais, ampliou a voz dos cinco países sobre
temas da agenda global, em particular os
econômico-financeiros, e deu impulso político para
a identificação e o desenvolvimento de projetos
conjuntos específicos, em setores estratégicos
como o agrícola, o de energia e o científicotecnológico. A IV Cúpula será realizada em 29 de
março próximo, em Nova Delhi.
Além da institucionalização vertical, o BRICS
também se abriu para uma institucionalização
horizontal, ao incluir em seu escopo diversas
frentes de atuação. A mais desenvolvida, fazendo
jus à origem do grupo, é a econômico-financeira.
Ministros encarregados da área de Finanças e
Presidentes dos Bancos Centrais têm-se reunido
com freqüência. Os Altos Funcionários Responsáveis
por Temas de Segurança do BRICS já se reuniram
duas vezes. Os temas segurança alimentar,
agricultura e energia também já foram tratados no
âmbito do agrupamento, em nível ministerial. As
Cortes
Supremas
assinaram
documento
de
Professor Pedro Israel
cooperação e, com base nele, foi realizado, no
Brasil, curso para magistrados dos BRICS. Já
realizaram-se, ademais, eventos buscando a
aproximação
entre
acadêmicos,
empresários,
representantes de
cooperativas. Foi, ainda,
assinado acordo entre bancos de desenvolvimento.
Os institutos estatísticos também se encontraram
em preparação para a II e a III Cúpulas e
publicaram uma coletânea de dados, disponível
nesse site. Versão atualizada da coletânea foi
lançada por ocasião da Cúpula de Sanya.
Em síntese, o BRICS abre para seus cinco
membros espaço para (a) diálogo, identificação de
convergências e concertação em relação a diversos
temas; e (b) ampliação de contatos e cooperação
em setores específicos.
POLÍTICA INTERNACIONAL
VENEZUELA
O Hugo Chávez começou sua trajetória política
em 1992, quando era coronel, e comandou uma
tentativa de golpe de Estado contra o então
presidente Carlos Andrés Pérez. O movimento foi
derrotado, e seus líderes, presos. Contudo, o
prestígio de Chávez passou a crescer, identificado
como defensor da independência nacional e dos
interesses dos pobres.
Solto em 1994, conseguiu se eleger presidente
em 1998, com 56% dos votos. Ao tomar posse,
encaminhou a adoção de uma nova Constituição,
que reforçou os poderes do presidente, cujo
mandato passou de cinco para seis anos, com
direito a reeleição. Com as mudanças, Chávez
submeteu-se novamente as eleições, em 2000, e
recebeu 60% dos votos. O presidente adotou então
uma política de esquerda, entrando em choque com
41
Professor Nilton Matos
setores conservadores. Iniciou-se uma disputa com
a oposição, que, entre 2001 e 2002, promoveu três
paralisações nacionais. Em 2002, uma tentativa
frustrada de golpe chegou a afastar Chávez, mas a
mobilização de setores das Forças Armadas e das
camadas mais pobres da população o reconduziu ao
poder. A oposição então buscou milhões de
assinaturas para forçar a convocação de um
referendo, em 2004, para decidir se o presidente
deveria ou não continuar. Depois de uma campanha
acirrada, sua permanência foi aprovada por quase
60% dos eleitores.
Em razão de queda do preço do petróleo no
mercado internacional desde 2009, a Venezuela
enfrenta sérios problemas econômicos. A redução
de receitas afeta diretamente os programas sociais
de Chávez. A queda atinge também as relações
externas, que se apóiam na oferta de petróleo
barato a países aliados. Em abril de 2010, a
Venezuela obteve um empréstimo de 20 bilhões de
dólares da China, em troca de fornecimento de
petróleo. O contrato é estratégico, porque o
mercado chinês pode absorver parte do petróleo
atualmente vendido aos EUA.
Socialismo do Século XXI
Nacionalismo
Respaldado pelo apoio popular, o presidente
viu seus poderes aumentar nas eleições legislativas
de dezembro de 2005. Os principais líderes da
oposição, com base em acusações de falta de
democracia no processo eleitoral, decidiram
boicotar o pleito. Com resultado, os partidos de
apoio a Chávez ocuparam todas as cadeiras do
Parlamento. Ao ser reeleito com 63% doso votos,
em dezembro de 2006, conquistou o direito de
governar o país até 2011.
Para Chávez, a Venezuela vive a Revolução
Bolivariana – em referência a Simón Bolívar (veja a
História, ao lado) – e vai implantar o “socialismo do
século XXI”. Durante o seu governo, realizou a
reforma agrária, restringiu a participação de
multinacionais na exploração de petróleo e
autorizou o regime de co-gestão entre o Estado e
funcionários para reerguer empresas falidas, além
de estatizar os setores considerados estratégicos
pelo governo, como de telecomunicações, energia
elétrica e indústrias básicas de minerais.
No caso do petróleo, a estatal Petróleo de
Venezuela S.A. (PDVSA) tem pelo menos 60% das
ações e o controle das operações feitas em
colaboração com as multinacionais do setor. Chávez
anunciou também a ampliação dos Conselhos
Comunais, organizações similares a associações de
bairro, que poderão substituir as prefeituras no
futuro.
Com freqüência, a imprensa refere-se a Hugo
Chávez como um “populista”, palavra que pode ter
vários sentidos. Em sua origem, populista
costumava ser o governante carismático, que
exercia o poder numa relação direta com a
população, quase sem intermediação de partidos
políticos.
Chávez também pode ser considerado um
“nacionalista”. O termo identifica uma posição
política de defesa de soberania nacional, contra a
influência de potências estrangeiras ou de
empresas multinacionais. No caso venezuelano,
desde o inicio de seu mandato, em 1998, Chávez é
um crítico contundente da política norte-americana
e da interferência de organismos multilaterais,
como o Fundo Monetário Internacional (FMI), nos
países latino-americanos. Em seus discursos
inflamados, o presidente aponta os Estados Unidos
como um inimigo a ser combatido.
No fim da década de 1990, num momento de
auge do neoliberalismo e de privatizações na
América Latina, Chávez colocou-se do lado oposto e
passou a liderar um bloco político com outros
países, depois de ajudar nas eleições e nos
governos de Evo Morales, na Bolívia; Daniel Ortega,
na Nicarágua; e Rafael Correa, no Equador. É o
bloco dos governantes mais à esquerda na região.
Além disso, a Venezuela é hoje o país que mais
ajuda economicamente Cuba.
Petrodólares
Poderes Concentrados
Nas últimas décadas, a economia venezuelana
se baseia na exploração das reservas de petróleo.
Dona da segunda maior reserva mundial de
petróleo e integrante da Organização dos Países
Exportadores de Petróleo (Opep), a Venezuela tem
no “ouro negro” cerca de um terço de seu PIB e
90% de suas receitas com exportações.
Apesar da retórica anti-Estados Unidos de
Chávez, a Venezuela depende das volumosas
compras de petróleo feitas pelos norte-americanos.
Ano a ano, porém, a quantia importada pelos
Estados Unidos da Venezuela vem caindo: 16,1%
do total importado pelos norte-americanos em
1998, inicio da era Chávez, para 9,1%, em 2009.
Chávez vem tentando diminuir essa dependência e
busca achar novos países para exportar sua
produção.
Professor Pedro Israel
Após perder, em dezembro de 2007, um
referendo de proposta constitucional, que abrangia
a possibilidade de reeleições presidenciais por
tempo indefinido, a Assembléia Nacional aprovou,
pouco mais de um ano depois, a convocação de um
novo
pleito
sobre
essa
mesma
questão.
Manifestações oposicionistas, que denunciavam que
a proposta já havia sido derrotada antes, foram
reprimidas pelo governo. Em fevereiro de 2009, a
reeleição por tempo indeterminado foi aprovada por
54,8% dos votantes. As pressões contra líderes da
oposição se aprofundam e, desde então, várias
emissoras de TV e de rádio foram tiradas do ar. A
relação com a Colômbia também piorou, por causa
do acordo de cooperação militar do país com os
EUA, que mantém bases militares na nação vizinha.
42
Professor Nilton Matos
Nas eleições de 2010, a oposição elegeu 64 dos 165
parlamentares, o que foi considerado uma derrota
para Chávez, já que, embora ainda majoritário, seu
partido não mais terá os dois terços de votos
necessários para bloquear iniciativas da oposição.
Um novo fato tem aplicada instabilidade política no
país: em junho de 2011, o presidente anunciou que
está com câncer. Em tratamento em Cuba, Chávez
se recusou a passar o poder ao vice. Entre os
chavistas, uma possível sucessão poderia causar
conflitos, uma vez que não há consenso sobre
quem poderia substituir o coronel.
Até a revolução, Cuba era um país
inteiramente
subordinador
a
política
norteamericana, fornecedor de produtos como o tabaco e
derivados da cana-de-açúcar.
BOLÍVIA
O presidente boliviano Evo Morales foi reeleito
em dezembro de 2009, com 65% dos votos –
crescimento significativo em comparação com os
cerca de 54% que obtivera na eleição de 2005.
Além disso, o partido de Morales, o Movimento ao
Socialismo manteve a maioria na Câmara dos
Deputados e conquistou-a também no Senado.
Esses resultados prolongaram a vitória obtida no
início de 2009 por Morales, quando a nova
Constituição boliviana foi aprovada em referendo
popular por 61% dos eleitores.
A consolidação do poder de Morales pode levar
a uma diminuição dos conflitos ocorridos nos
últimos anos, que colocaram a unidade do país sob
ameaça. As lutas opõem o governo central aos
prefeitos (como são chamados os governadores)
dos quatro departamentos (estados) mais ricos do
país – Santa Cruz, Tarija, Pando e Beni -, que
formam a região da Meia Lua.
O governo de Morales é marcado pela
estatização da exploração do gás e do petróleo no
país, decidida em 2006. Por trás dessa decisão,
está a pressão de um forte movimento popular, que
reúne
sindicatos,
associações
de
bairros,
estudantes e associações de cocaleiros (plantadores
de coca, cultura tradicional no país). Esses setores
iniciaram uma mobilização, em 2003, que já exigia
a estatização das reservas de gás e petróleo. Sua
ação foi a responsável pela queda de dois
presidentes e pela própria eleição de Morales, que
concorreu com esse compromisso.
A partir de então, as relações com os Estados
Unidos são conflituosas. A Bolívia expulsou o
embaixador norte-americano, em 2008, acusando-o
de conspirar contra o governo. Pelo mesmo motivo,
Morales suspendeu as atividades no país da agência
antidrogas norte-americana, a DEA.
Em retaliação, o governo norte-americano
iniciou o processo para excluir a Bolívia de um
programa que isenta de tarifas as exportações
provenientes de países andinos. Em julho de 2009,
Obama confirmou a eliminação da |Bolívia desse
programa. A decisão levou Morales a criticar
duramente Obama, comparando-o ao ex-presidente
Bush.
Após alguns meses de revolução, marcados por
forte mobilização popular, Castro adotou medidas
como a reforma agrária e a expropriação de
empresas multinacionais norte-americanas. O
governo dos EUA reagiu com força crescente contra
o regime “castrista”.
A radicalização das posições levou o governo
cubano a expropriar empresas e fazendas, tomar a
propriedade coletiva e erguer um Estado comunista
inspirado no modelo da então União Soviética
(URSS).
O regime passou a ser uma ditadura de partido
único, que controla a vida política, censura,
reprimem e prende os opositores. Porém, o apoio
soviético permitiu que avanços em áreas sociais,
como a saúde e a educação, garantissem algum
respaldo popular ao regime.
Atualmente, Cuba enfrenta graves dificuldades,
sobretudo por causa da queda no preço de seus
produtos de exportação e da diminuição das
remessas financeiras dos cubanos que vivem nos
Estados Unidos, como decorrência da crise
econômica global deflagrada em 2008.
Em reação, o presidente Raul Castro, que
assumiu o cargo no lugar de seu irmão, Fidel, há
três anos, chegou a anunciar planos para demitir
até meio milhão de funcionários, medida drástica
permanece apenas como uma possibilidade grave.
Uma das mudanças do regime cubano foi incentivar
o trabalho autônomo, reconhecer a existência de
empresas privadas e incentivar o trabalho em
cooperativas e empresas familiares.
Outra medida liberalizante adotada pelo
Congresso do Partido Comunista Cubana foi
autorizar a compra e venda de casas e carros por
particulares (antes proíbidas), dar maior autonomia
administrativa às estatais e acabar gradualmente
CUBA
Professor Pedro Israel
43
Professor Nilton Matos
com
as
“cadernetas
de
racionamento”,
chamadas libretas, uma lista de alimentos e
produtos de higiene subsidiada pelo governo. Por
ano, o país investe cerca de 1 bilhão de dólares na
compra de alimentos para essas cadernetas, que
existem desde 1962 e eram consideradas uma das
grandes conquistas da revolução, juntamente com
os serviços de saúde e educação. Cuba tem a
população mais alfabetizada do mundo, segundo
ranking das Nações Unidas, e a segunda menor
taxa de mortalidade infantil do continente, atrás
apenas do Canadá.
se de um novo patamar que em parte foi provado
pela crise financeira iniciada em 2008 que resultou
em baixa atividade econômica do Japão e também
dos Estados Unidos e da União Européia. Porém, é
inegável que o crescimento da economia chinesa
impressiona, e se mantém em ritmo acelerado há
mais de três décadas.
O país é um dos geradores globais de
crescimento, ao lado de Bangladesh, Egito,
Indonésia, Índia, Iraque, Mongólia, Nigéria,
Filipinas, Sri Lanka e Vietnã. São países que atraem
investimentos
estrangeiros
em
razão,
principalmente, do grande número de habitantes
em idade produtiva.
A China tem a maior população do mundo,
mais de 1,3 bilhão de pessoas, 73% em idade
economicamente ativa, entre 15 e 64 anos.
Há pelo menos 30 anos, a indústria é a grande
responsável pelo forte ritmo de crescimento
econômico chinês. Neste período, a partir de 1978,
o país criou zonas econômicas especiais para
multinacionais que produzem principalmente para
exportar. Elas são atraídas por impostos baixos,
subsídios diretos do governo e abundância de mão
de obra a ser paga em iuan, moeda de baixo valor.
Hoje, a China é o maior exportador mundial,
sobretudo
de
bens
industrializados
–
os
manufaturados –, e seu principal comprador é o
mercado dos Estados Unidos.
As reservas internacionais da China também
não param de crescer: bateram a marca dos 3
trilhões de dólares em março de 2011, o maior
estoque de moeda estrangeira do mundo. Isso
acontece graças aos investimentos estrangeiros na
economia local e aos seguidos superávits na
balança comercial (quando o valor total das
exportações é maior que o das importações), dois
fatores que enchem o mercado chinês de dólares.
Além de manter o cofre cheio de dólares norteamericanos, o governo chinês mantém o controle
do câmbio de sua moeda, o iuan, em relação ao
dólar. Nesse controle, o iuan tem sempre um valor
bem baixo em relação ao dólar, o que garante
ótimos preços, em dólares, para os produtos que os
chineses exportam. Essa é a principal queixa dos
parceiros comerciais da China, pois o iuan
desvalorizado em relação ao dólar dificulta as
vendas de outros países. Outro aspecto importante
dessa política econômica é que o governo chinês
consegue manter um bom valor e poder de compra
para o iuan em sua economia interna, o que é
importante quando o país tem milhões de
trabalhadores com salários baixos. Mas, como o
valor baixo do iuan em relação ao dólar torna mais
caras as importações de alimentos e matériasprimas, o governo administra a economia de forma
a evitar uma escalada inflacionária.
Tanto vigor faz com que a China pareça um
país rico. De fato, desde a abertura parcial da
economia ao capitalismo em 1978, a China retirou
500 milhões de pessoas da pobreza absoluta,
segundo o Banco Mundial. Mesmo assim, ainda há
57 milhões vivendo com menos de 125 dólares por
ano (ou 34 centavos de dólar por dia). A situação
Na última década, Cuba vem estreitando laços
com a China. Não apenas por necessidade
econômica, pois os dirigentes cubanos buscam
inspiração no modelo chinês: um país comunista
que acelerou sua economia permitindo a presença
de multinacionais em zonas especiais.
Há uma década, a ilha também conta com a
Venezuela como aliada. O governo de Hugo Chávez
ajuda a ilha com programas de intercâmbio em
saúde e fornece 100 mil barris de petróleo ao dia
por preços inferiores aos de mercado. Como Cuba
produz dois terços dos 120 mil barris que consome
diariamente, pode exportar o excedente.
A relação com a Organização dos Estados
Americanos (OEA) permanece rompida e não há um
prazo para o reingresso do país. Em junho de 2009,
os 34 países membros da instituição decidiram
anular o ato que suspendia Cuba da entidade. O
reingresso à OEA traria vantagens ao país, como o
acesso aos recursos do Banco Interamericano de
Desenvolvimento (BID). Mas essa votação teve,
sobretudo, caráter simbólico, pois a reintegração de
Cuba depende da adequação do país aos princípios
da organização, ou seja, do fim do regime
comunista ou de amplas negociações com a
organização.
CHINA
Em 2010, economia da China totalizou o
segundo maior volume de riqueza (Produto Interno
Bruto) mundial, e superou a do Japão que se
mantinha nessa posição há quatro décadas, Trata-
Professor Pedro Israel
44
Professor Nilton Matos
mais grave é nas áreas rurais, onde está
concentrada a população mais carente.
Um dos resultados ruins dessa política
econômica é o crescimento lento, mas constante da
desigualdade de renda. A renda média dos 10%
mais ricos do país é 12 vezes maior que a dos 10%
mais pobres. Na década de 1990, essa proporção
era de apenas quatro vezes.
O Partido Comunista Chinês (PCCh) governa o
país há seis décadas, e a cada cinco anos elabora
diretrizes e metas de desenvolvimento econômico e
social para o qüinqüênio seguinte, o que são
aprovadas
em
congresso.
O
último
Plano
Quinquenal, referendado em março de 2011, no
congresso anual do Partido Comunista, revela uma
mudança de rumos na política econômica chinesa.
A idéia é basear o crescimento do país no consumo
interno e na melhoria de vida dos chineses.
camada do pré-sal no mar, em troca da garantia no
fornecimento de petróleo.
A China também está comprando terras para
produzir alimentos, no Brasil, na América Latina e
na África. Em abril, a presidente Dilma Rousseff
viajou para Pequim. Além de conseguir o apoio
forma chinês à campanha brasileira por uma vaga
no Conselho de Segurança das Nações Unidas (a
China é um dos cinco membros permanentes do
órgão), o Brasil fez 22 acordos, que representam
120 milhões de dólares em trocas comerciais e 13
bilhões de dólares em investimentos.
Ditadura
A China é um país comunista desde 1949, mas
desde o inicio das reformas econômicas, em 1978,
o país vive uma situação paradoxal, pois os donos
de empresas e fazendas foram expropriados, e a
propriedade passou a ser coletiva na revolução,
mas nas zonas econômicas especiais criadas nessas
reformas empresas multinacionais têm livre acesso
para produzir em moldes de uma economia de
mercado, com relações capitalistas. Esse tem sido o
motor da economia chinesa. Nessa política, o PCCh
deu início, em 1997, a um processo de
privatizações.
Politicamente a China vive uma ditadura de partido
único – o Partido Comunista Chinês, que reprime as
oposições e viola direitos humanos.
Na China não liberdade de imprensa, e endereços
de internet são bloqueados como medida de
controle de informações. Em 2010, o site Google
fechou as portas na China, acusando o governo de
espionar as contas de e-mail de ativistas de
oposição.
Em 2011, o governo chinês ampliou a repressão
política depois que começaram a circular pela
internet convocações para protestos inspirados nos
levantes em países árabes. Pelo menos 26 pessoas
ligadas a movimentos políticos foram presas ou
desapareceram, segundo entidades de defesa dos
direitos humanos. O regime é duro também contra
os criminosos comuns. A anistia internacional
afirma que o número de execuções na China a cada
ano é superior ao total registrado no resto do
mundo.
Um dos mais expressivos será a construção de
um grande complexo da empresa Foxconn, que
prevê criar 100 mil empregos. A empresa de
eletrônicos de origem taiwanesa e com fábricas na
China já possui cinco fábricas no Brasil, e a nova
unidade será responsável pela produção de telas
para tablets e telefones celulares da multinacional
norte-americana Apple.
BRASIL
O Brasil fecha a primeira década do século XXI
com um resultado positivo no combate à pobreza e
na melhoria da distribuição de renda. O país,
porém, ainda continua com boa parte de sua renda
muito concentra nas mãos de uma pequena
minoria.
Uma distribuição mais equitativa da renda pela
população é um fator básico para promover justiça
social e o desenvolvimento do país. Isso porque,
com a elevação progressiva da renda, os mais
pobres conseguem melhorar suas condições de
vida. Pelo estudo mais recente do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a
situação é a seguinte:
Aproximação com o Brasil
A China passou a ver o Brasil como um
parceiro estratégico, sobretudo por que suas
indústrias precisam de matérias-primas que nosso
país exporta. Companhias chinesas investem aqui
em setores como produção de aço, petróleo,
minérios e eletricidade.
Ela também está concedendo empréstimos
bilionários à Petrobrás, para explorar o óleo da
Professor Pedro Israel
45
Professor Nilton Matos

Os 10% de brasileiros mais ricos detém 43%
de toda a renda nacional.
ensino para parcelas maiores da população é
uma das causas da melhoria de renda.
Os 10% mais pobres vivem com apenas 1%
da renda nacional.
É um quadro muito grave de concentração,
com raízes históricas. Felizmente, essa situação
começou a mudar nas últimas décadas. De acordo
com o Centro de Pesquisas Sociais da Fundação
Getúlio Vargas (FGV), o número de pobres no Brasil
diminuiu 67% de 1994 até 2010. Em nove anos, de
2001 a 2009, a renda dos 10% mais pobres cresceu
69%, enquanto a dos 10% mais ricos cresceu bem
menos, 12,5%.
O aumento maior na renda dos mais pobres
indica que está havendo redistribuição de renda e
redução na concentração. Essa redistribuição é
uniforme quando se avança dos segmentos mais
pobres para os mais ricos.
Outro indicador usado para mostrar a situação
do rendimento dos brasileiros é o da evolução da
renda per capita familiar (a renda das famílias
dividida por seu número de membros). Se
dividirmos a sociedade em cinco grupos conforme a
renda – as chamadas classes econômicas, desde a
A (a mais rica) até a E (a mais pobre) –, a renda
em reais cresceu mais nas famílias dos grupos C, D
e E, em relação as dos grupos A e B, de acordo com
a FGV.
Mesmo com essas mudanças, os indicadores
referentes à concentração de renda ainda são
insatisfatórios. Segundo dados preliminares do
Censo de 2010, divulgados pelo IBG, 56% das
famílias brasileiras vivem com uma renda per capita
de até um salário mínimo.
A concentração de renda brasileira também
pode ser observada pelo índice de Gini. Esse
indicador é adotado internacionalmente para medir
a concentração de renda. Ele varia de 0 a 1: quanto
mais próximo de zero, menor é a desigualdade. No
Brasil, o índice de Gini evoluiu de 0,567, 1999, para
0,518, em 2010.
A má distribuição de renda no Brasil tem
causas históricas, tais como:


Concentração Fundiária – quase metade das
terras
cultivadas
no
país
são
grandes
propriedades (cima de mil hectares).

Industrialização – aconteceu tardiamente no
Brasil e ficou quase todo o século XX no Sudeste
e no Sul, concentrando a riqueza.

Urbanização acelerada – a rápida urbanização
decorrente do êxodo rural e da industrialização
atraiu muito gente para as cidades, que estavam
despreparadas: o resultado são favelas e as
carências urbanas, como falta de escolas,
hospitais, moradias e transporte.

Analfabetismo – A falta de instrução mantém o
trabalhador mal remunerado, com dificuldade
para ascender profissionalmente. O acesso ao
Professor Pedro Israel

Discriminação racial – Ao final da escravidão,
o Estado brasileiro lavou as mãos sem políticas
de apoio à população negra para que pudesse
ter acesso à terra, à educação e à ascensão
social. As gerações seguintes enfrentaram um
ciclo vicioso de pobreza. Hoje, sete em cada dez
brasileiros entre os 10% mais pobres são
negros.

Estrutura Fundiária – A distribuição dos
impostos no Brasil é injusta. Segundo o IPEA,
pessoas que ganham até dois salários mínimos
gastam 54% da renda com impostos, diretos e
indiretos. Já as famílias com renda superior a 30
salários mínimos desembolsam.
O acesso dos brasileiros à educação melhorou
muito, segundo dados até 2010. Quase todas as
crianças a partir dos 7 anos estão matriculadas, e a
taxa de alfabetização continuou a subir, chegando a
quase 92% das pessoas com mais de 15 anos, pelo
último censo. Esses resultados acompanharam as
diretrizes da Constituição de 1988 e o esforço para
alcançar as metas do Plano Nacional da Educação
(PNE) de combate ao analfabetismo e de
universalização do Ensino Fundamental e Médio.
Houve, porém, uma queda na qualidade do ensino
no país. O acesso à Educação Superior cresceu,
mas ainda é pequeno.
A Organização das Nações Unidas para a
Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), no
relatório de 2010, elogia as ações do Brasil para
universalizar a educação básica, bem como os
programas de inclusão e acompanhamento escolar
das crianças beneficiadas pelo Bolsa Família, mas
ressalva que os indicadores do país continuam
muito ruins. Em 2011, Além do valor usado
tradicionalmente para indicar o desenvolvimento
humano de cada país, o relatório deste ano
apresenta
novos
índices:
IDH
Ajustado
à
Desigualdade, Índice de Desigualdade de Gênero e
Índice de Pobreza Multidimensional.
Em 2000, éramos 169,6 milhões de habitantes.
Até 2007, o número de brasileiros foi sendo
calculado por projeção com base nas taxas de
crescimento populacional apuradas em 2000, tendo
como base principal a estimativa média de filhos
por mulher. Descobriu-se, então, que o número de
filhos por mulher vem caindo bem mais rápido do
que se calculava. Assim, as projeções estavam
superestimando o crescimento populacional, e, em
sete anos, o erro acumulado era de cerca de 6
milhões de pessoas a mais. Agora, segundo os
dados do novo Censo, divulgados em novembro de
2010, sabemos que somos aproximadamente 193
milhões de brasileiros. O aumento de 12% da
população nos últimos dez anos ficou bem abaixo
dos 15,6% registrados na década anterior (19912000), o que comprova que o ritmo de crescimento
populacional vem caindo. A principal razão para
essa redução é a queda na taxa de fecundidade das
brasileiras.
46
Professor Nilton Matos
Os resultados preliminares do Censo de 2010
ainda não atualizaram esse dado. Mas as projeções
e estimativas feitas pelo IBGE nos últimos anos
mostram que a taxa que era de 6,3 filhos por
mulher em 1960, atingira apenas dois filhos em
2006 e 1,8 filhos por mulher em 2010. Isso
também se reflete na redução do tamanho das
famílias: a média nacional de moradores em cada
domicílio caiu de 3,75 em 2000 para 3,3 agora.
A queda da taxa de fecundidade altera também
a pirâmide etária. Com menos nascimentos, a
proporção de crianças em relação à população
adulta fica menor. De outro lado, o brasileiro vive
cada vez mais.
Professor Pedro Israel
47
Professor Nilton Matos
O Brasil é o maior produtor mundial de café e o
segundo maior consumidor da bebida. Os principais
grãos são das variedades Arábica e Conilon. A
cafeicultura se fixou, inicialmente, no Sudeste e
depois se expandiu para o Paraná e Bahia.
Atualmente, é produzido em 14 estados, com área
plantada de 2,3 milhões de hectares, o equivalente
a cerca de seis bilhões de pés. O setor emprega
direta
e
indiretamente
oito
milhões
de
trabalhadores.
O País é um dos principais exportadores de
café solúvel e torrado. O crescimento do consumo
de cafés especiais vem estimulando produtores
nacionais a aprimorar a qualidade para atender às
demandas do mercados mundial, com valorização
de características como aroma, sabor, corpo, acidez
e sabor residual.
Responsável pela geração e transferência de
conhecimentos e tecnologias para o setor, a
Embrapa coordena o Consórcio Brasileiro de
Pesquisa e Desenvolvimento do Café. As pesquisas
promovem o desenvolvimento de variedades de
alta qualidade bem como novas tecnologias de
mecanização, irrigação, armazenamento, correção
de solo, rotação de culturas, adubação, produção e
distribuição de sementes.
Um dos trabalhos de maior relevância para a
cultura cafeeira é o Projeto Genoma Café, que
busca a identificação dos genes do cafeeiro, para
obter rapidez e eficiência no desenvolvimento de
variedades mais produtivas, tolerantes à seca e
resistentes a pragas. Com o projeto, já é possível
gerar novas cultivares com qualidade superior em
aroma e sabor e com melhores características
nutritivas e farmacêuticas.
O Fundo de Defesa da Economia Cafeeira
(Funcafé) torna disponíveis recursos para custeio,
colheita, estocagem e aquisição de café, bem como
para a recuperação de cafezais. Somente em 2009,
o fundo repassou R$ 1,66 bilhão para o
financiamento de linhas de crédito.
Segundo o IBGE, a expectativa de vida de uma
criança nascida em 2009 era de 73,1 anos. Para os
idosos, era melhor ainda: uma pessoa que
completasse 60 anos em 2009, tinha expectativa de
viver outros 21,2 anos.
Outra constatação extraída do Censo de 2010
é que a população brasileira hoje é mais feminina.
Nascem mais homens, mas sobrevivem mais
mulheres, Elas representam 51% da população,
superando os homens em 3,9 milhões de pessoas.
ECONOMIA BRASILEIRA
Política Agrícola
Um conjunto de ações voltadas para o
planejamento, o financiamento e o seguro da
produção constitui a base da Política Agrícola do
Ministério da Agricultura. Por meio de estudos na
área de gestão de risco, linhas de créditos,
subvenções econômicas e levantamentos de dados,
o apoio do estado acompanha todas as fases do
ciclo produtivo. Essas ações se dividem em três
grandes linhas de atuação: gestão do risco rural,
crédito e comercialização.
A gestão do risco rural realiza-se em duas
frentes. Antes de iniciar o cultivo, o agricultor conta
com o Zoneamento Agrícola de Risco Climático.
Essa ferramenta tecnológica indica o melhor
período para se plantar em cada município do País,
conforme a análise histórica do comportamento do
clima. E, para se proteger dos prejuízos causados
por eventos climáticos adversos, o produtor pode
contratar o Seguro Rural com parte do prêmio
subsidiado pelo ministério.
As políticas de mobilização de recursos
viabilizam os ciclos do plantio. O homem do campo
tem acesso a linhas de crédito para custeio,
investimento e comercialização. Vários programas
financiam diversas necessidades dos produtores,
desde a compra de insumos até a construção de
armazéns.
Cana-de-açúcar
Introduzida no período colonial, a cana-deaçúcar
se
transformou
em
uma
das
principais culturas da economia brasileira. O Brasil
não é apenas o maior produtor de cana. É também
o primeiro do mundo na produção de açúcar e
etanol e conquista, cada vez mais, o mercado
externo com o uso do biocombustível como
alternativa energética.
Responsável por mais da metade do açúcar
comercializado no mundo, o País deve alcançar taxa
média de aumento da produção de 3,25%, até
2018/19, e colher 47,34 milhões de toneladas do
produto, o que corresponde a um acréscimo de
14,6
milhões
de
toneladas
em
relação ao período 2007/2008.
Para
as
exportações, o volume previsto para 2019 é de
32,6 milhões de toneladas.
O etanol, produzido no Brasil, a partir da canade-açúcar, também conta com projeções positivas
para os próximos anos, devidas principalmente, ao
Café
Professor Pedro Israel
48
Professor Nilton Matos
crescimento do consumo interno. A produção
projetada para 2019 é de 58,8 bilhões de litros,
mais que o dobro da registrada em 2008. O
consumo interno está projetado em 50 bilhões de
litros e as exportações em 8,8 bilhões.
A política nacional para a produção da canade-açúcar se orienta na expansão sustentável da
cultura, com base em critérios econômicos,
ambientais e sociais. O programa Zoneamento
Agroecológico da Cana-de-Açúcar (ZAEcana) regula
o plantio da cana, levando em consideração o meio
ambiente e a aptidão econômica da região. A partir
de um estudo minucioso, são estipuladas as áreas
propícias ao plantio com base nos tipos de clima,
solo, biomas e necessidades de irrigação.
Está previsto, ainda, um calendário para
redução gradual, até 2017, da queimada da canade-açúcar em áreas onde a colheita é mecanizada,
proibindo o plantio na Amazônia, no Pantanal, na
Bacia do Alto Paraguai (BAP) e em áreas com
cobertura vegetal nativa.
O Ministério da Agricultura tem como desafio
estimular a produção do trigo minimizando os
efeitos climáticos. Estudos de zoneamento de risco
climático para os principais estados produtores,
reajuste dos preços mínimos em níveis que
sustentem a formação da renda da atividade e
ampliação do limite de financiamento para custeio
das lavouras são algumas das ações desenvolvidas
para aumentar a produção de trigo e diminuir a
dependência externa do País em relação ao cereal.
Estimativas do ministério prevêem uma taxa
de aumento de consumo do trigo de 1,31% ao ano.
Ainda assim, acredita-se na possibilidade de
redução das importações, uma vez que o Brasil
vem investindo na autossuficiência da produção
interna do cereal. Em 2009, a política de incentivos
lançada pelo ministério propiciou aumento de 50%
em relação à safra do ano anterior.
Uva
A viticultura brasileira ocupa, atualmente, área
de 81 mil hectares, com vinhedos desde o extremo
Sul até regiões próximas à Linha do Equador. Duas
regiões se destacam: o Rio Grande do Sul por
contribuir, em média, com 777 milhões de quilos de
uva por ano, e os polos de frutas de Petrolina/ PE e
de Juazeiro/BA, no Submédio do Vale do São
Francisco, responsável por 95% das exportações
nacionais de uvas finas de mesa.
Embora a produção de vinhos, suco de uva e
derivados da uva e do vinho também ocorra em
outras regiões, a maior concentração está no Rio
Grande do Sul, onde são elaborados, em média
anual, 330 milhões de litros de vinhos e mostos
(sumo de uvas frescas que ainda não tenham
passado pelo processo de fermentação).
Além dos fatores naturais da Serra Gaúcha,
que permitem a obtenção de uvas com elevado teor
de acidez, a estrutura agroindustrial existente
também é favorável para a produção de destilados
de vinho, como o conhaque. Apenas uma pequena
parte das uvas cultivadas no sul do País é destinada
ao consumo in natura. A fruta é utilizada, em sua
maioria, na elaboração de vinhos concentrando
mais de 90% da produção nacional.
Já no semiárido brasileiro, o cultivo de vinhas
teve início, na segunda metade da década de 1980,
com o plantio de variedades adaptadas à região. A
intenção, no entanto, é buscar outras cultivares
para assegurar novas opções de vinho. Para isso, a
Embrapa faz testes com variedades de uvas para a
produção da bebida com origens portuguesa,
espanhola, italiana, francesa e alemã, em um total
de 28 tipos.
Soja
A soja é a cultura agrícola brasileira que mais
cresceu nas últimas três décadas e corresponde a
49% da área plantada em grãos do país. O
aumento da produtividade está associado aos
avanços tecnológicos, ao manejo e eficiência dos
produtores. O grão é componente essencial na
fabricação
de
rações
animais
e com
uso
crescente na alimentação humana encontra-se em
franco crescimento.
Cultivada especialmente nas regiões Centro
Oeste e Sul do país, a soja se firmou como um dos
produtos mais destacados da agricultura nacional e
na balança comercial.
No cerrado, o cultivo da soja tornou-se
possível graças aos resultados obtidos pelas
pesquisas da Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária
(Embrapa),
em
parceria
com
produtores, industriais e centros privados de
pesquisa. Os avanços nessa área possibilitaram
também o incremento da produtividade média por
hectare, atingindo os maiores índices mundiais.
O cultivo de soja no Brasil se orienta por um
padrão ambientalmente responsável, ou seja, com
o uso de práticas de agricultura sustentável, como
o sistema integração-lavoura-pecuária e a utilização
da técnica do plantio direto. São técnicas que
permitem o uso intensivo da terra e com menor
impacto ambiental, o que reduz a pressão pela
abertura de novas áreas e contribui para a
preservação do meio ambiente.
Trigo
Milho
O trigo é o segundo cereal mais produzido no
mundo, com significativo peso na economia agrícola
global. No Brasil, o trigo é cultivado nas regiões
Sul, Sudeste e Centro-Oeste. A produção recebe
reforço sistemático dos órgãos de governo, uma
vez que as condições climáticas são desfavoráveis à
cultura.
Professor Pedro Israel
O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de
milho, totalizando 53,2 milhões de toneladas na
safra 2009/2010. A primeira ideia é o cultivo do
grão para atender ao consumo na mesa dos
brasileiros, mas essa é a parte menor da produção.
49
Professor Nilton Matos
O principal destino da safra são as indústrias de
rações para animais.
Cultivado em diferentes sistemas produtivos, o
milho é plantado principalmente nas regiões
Centro-Oeste,
Sudeste
e
Sul.
O
grão é
transformado em óleo, farinha, amido, margarina,
xarope de glicose e flocos para cereais matinais.
O estudo das projeções de produção do cereal,
realizado pela Assessoria de Gestão Estratégica do
Mapa, indica aumento de 19,11 milhões de
toneladas entre a safra de 2008/2009 e 2019/2020.
Em 2019/2020, a produção deverá ficar em 70,12
milhões de toneladas e o consumo em 56,20
milhões de toneladas. Esses resultados indicam que
o Brasil deverá fazer ajustes no seu quadro de
suprimentos para garantir o abastecimento do
mercado
interno
e
obter
excedente
para
exportação, estimado em 12,6 milhões de
toneladas em 2019/2020. Número que poderá
chegar a 19,2 milhões de toneladas.
O Brasil está entre os países que terão
aumento significativo das exportações de milho, ao
lado da Argentina. O crescimento será obtido por
meio de ganhos de produtividade. Enquanto a
produção de milho está projetada para crescer
2,67% ao ano nos próximos anos, a área plantada
deverá aumentar 0,73%.
Gestão Estratégica do Ministério da Agricultura. Os
dados também mostram crescimento no consumo,
cerca de 1,22% ao ano, no período 2009/2010 a
2019/2020, passando de 3,7 milhões de toneladas
para 4,31 milhões de toneladas. As projeções
indicam também a possibilidade de importação de
feijão nos próximos anos. Porém, a taxa equivaleria
a 161,3 mil toneladas em 2019/2020, quantidade
pouco expressiva.
Arroz
O arroz está entre os cereais mais consumidos
do mundo. O Brasil é o nono maior produtor
mundial e colheu 11,26 milhões de toneladas na
safra 2009/2010. A produção está distribuída nos
estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e
Mato Grosso.
O cultivo de arroz irrigado, praticado na região
Sul do Brasil contribui, em média, com 54% da
produção nacional, sendo o Rio Grande do Sul o
maior produtor brasileiro. Em Santa Catarina, o
plantio por meio do sistema pré-germinado
responde pelo segundo lugar na produção do grão
irrigado, com 800 mil toneladas anuais.
As projeções de produção e consumo de arroz,
avaliadas pela Assessoria de Gestão Estratégica do
Mapa, mostram que o Brasil vai colher 14,12
milhões de toneladas de arroz na safra 2019/2020.
Equivale ao aumento anual da produção de 1,15%
nos próximos dez anos. O consumo deverá crescer
a uma taxa média anual de 0,86%, alcançando
14,37 milhões de toneladas em 2019/2020. Assim,
a importação projetada para o final do período é de
652,85 mil toneladas. A taxa anual projetada para o
consumo de arroz nos próximos anos, de 0,86%,
está pouco abaixo da expectativa de crescimento da
população brasileira.
Citrus
Setor altamente organizado e competitivo, a
citricultura
é
uma
das
mais destacadas
agroindústrias do país. Responsável por 60% da
produção mundial de suco de laranja, o Brasil é
também o campeão de exportações do produto.
O cultivo de laranja no Brasil se dividide em
dois períodos distintos. O primeiro, de 1990 a 1999,
se caracteriza pelo aumento da produção e
conquista da posição de líder do setor. O segundo,
a partir de 1999, é o período de consolidação da
capacidade e desempenho produtivo. São colhidas,
anualmente no País, mais de 18 milhões de
toneladas de laranja ou cerca de 30% da safra
mundial da fruta.
Para manter a liderança do setor, o Ministério
da Agricultura investe no apoio a adoção de
sistemas
mais
eficientes,
como a
produção
integrada, com medidas para reduzir os custos,
aperfeiçoar e ampliar a comercialização do produto.
O ministério tem, ainda, ação efetiva na fiscalização
e prevenção ao aparecimento de pragas e doenças.
Algodão
O avanço da tecnologia e o aumento da
produtividade permitiram ao Brasil passar de maior
importador mundial de algodão para o terceiro
maior exportador do produto em 12 anos. A
produção nacional de algodão é, prioritariamente,
destinada à indústria têxtil.
A principal preocupação da cotonicultura é com
a qualidade da fibra, para atender às exigências das
indústrias nacionais e clientes externos. Técnicas
avançadas de plantio, aliadas à utilização de
cultivares melhor adaptadas ao tipo de solo e clima
das regiões produtoras contribuíram para o avanço
da produção.
Com índice de produtividade 60% superior aos
Estados Unidos, a cotonicultura brasileira mudou
radicalmente,
passando, em
uma
década,
de lavoura manual para totalmente mecanizada no
plantio, nos tratos culturais e na colheita.
Mato Grosso e Bahia são responsáveis por 82% da
produção nacional e se destacam pelo investimento
em biotecnologia, gerenciamento do setor e novas
técnicas de manejo.
Feijão
O Brasil é o maior produtor mundial de feijão
com produção média anual de 3,5 milhões de
toneladas. Típico produto da alimentação brasileira
é cultivado por pequenos e grandes produtores em
todas as regiões. Os maiores são Paraná, que
colheu 298 mil toneladas na safra 2009/2010, e
Minas Gerais, com a produção de 214 mil toneladas
no mesmo período.
A safra tem taxa anual de aumento projetada
de 1,77%, de acordo com estudo da Assessoria de
Professor Pedro Israel
50
Professor Nilton Matos
A produção e o consumo de leite de búfalo vêm
crescendo em função da demanda por alimentos
como queijos e manteiga. Os elevados teores de
gordura e sólidos totais no leite de búfala
aumentam o rendimento na fabricação dos
derivados em relação ao leite de vaca. A carne
desses animais também é apreciada, contém
menores índices de gordura, colesterol, calorias e
contém mais proteína e minerais que a dos bovinos.
O rebanho brasileiro está estimado em torno de
1,15 milhão de bubalinos, sendo a região Norte,
com 720 mil animais, a maior produtora do País,
com destaque para o Pará, que responde por 39%
do rebanho nacional. Em seguida aparecem o
Nordeste e o Sudeste, com 135 e 104 mil cabeças,
respectivamente.
Bovinos
A bovinocultura é um dos principais destaques
do agronegócio brasileiro no cenário mundial. O
Brasil é dono do segundo maior rebanho efetivo do
mundo, com cerca de 200 milhões de cabeças.
Além disso, desde 2004, assumiu a liderança nas
exportações,
com
um
quinto
da
carne
comercializada internacionalmente e vendas em
mais de 180 países.
O rebanho bovino brasileiro proporciona o
desenvolvimento de dois segmentos lucrativos. As
cadeias produtivas da carne e leite. O valor bruto
da produção desses dois segmentos, estimado em
R$ 67 bilhões, aliado a presença da atividade em
todos os estados brasileiros, evidenciam a
importância econômica e social da bovinocultura em
nosso país.
O clima tropical a extensão territorial do Brasil
contribuem para esse resultado, uma vez que
permitem a criação da maioria do gado em
pastagens. Além disso, o investimento em
tecnologia
e
capacitação
profissional;
o
desenvolvimento
de
políticas
públicas,
que
permitem que o animal seja rastreado do seu
nascimento até o abate; o controle da sanidade
animal e segurança alimentar, contribuíram para
que o País atendesse às exigências dos mercados
rigorosos e
conquistasse espaço
no
cenário
mundial.
Aves
Nas últimas três décadas, a avicultura
brasileira tem apresentado altos índices de
crescimento. Seu bem principal, o frango,
conquistou os mais exigentes mercados. O País se
tornou o terceiro produtor mundial e líder em
exportação. Atualmente, a carne nacional chega a
142 países. Outras aves, como peru e avestruz,
também têm se destacado nos últimos anos,
contribuindo para diversificar a pauta de exportação
do agronegócio brasileiro. Presente em todo
território nacional, a carne de frango tem destaque
na região Sul, sendo os estados do Paraná e Rio
Grande do Sul os principais fornecedores. A região
Centro-Oeste, por ser grande produtora de grãos,
vem crescendo no setor e recebendo novos
investimentos. Fatores como qualidade, sanidade e
preço contribuíram para aperfeiçoar a produtividade
no setor. O Brasil buscou modernização e empregou
instrumentos como o manejo adequado do aviário,
sanidade, alimentação balanceada, melhoramento
genético e produção integrada. A parceria entre
indústria e avicultores também contribuiu para a
excelência técnica em todas as etapas da cadeia
produtiva, resultando em reduzidos custos de
transação e na qualidade, que atende às
demandas de todo o mundo.
A taxa de crescimento de produção da carne
de frango, por exemplo, deve alcançar 4,22%,
anualmente, nas exportações, com expansão
prevista em 5,62% ao ano, o Brasil deverá
continuar na liderança mundial.
Bubalinos
Embora ainda mais tímida, a bubalinocultura
está se desenvolvendo no país como uma
alternativa rentável e saudável. Isso porque o
búfalo se adapta facilmente em qualquer ambiente.
Professor Pedro Israel
51
Professor Nilton Matos
Suinos
animais, distribuído em 436 mil estabelecimentos
agropecuários, colocou o Brasil em 18º lugar do
ranking mundial de exportações. Grande parte do
rebanho caprino encontra-se no Nordeste, com
ênfase para Bahia, Pernambuco, Piauí e Ceará. A
ovinocultura
tem representatividade
na
região Nordeste e no estado do Rio Grande do Sul.
Carne, pele e lã estão entre os principais
produtos. A produção de leite de cabra é de cerca
de 21 milhões de litros e envolve, em grande parte,
empresas de pequeno porte.
Ovinocultura
Estudos e investimentos na suinocultura
posicionaram o Brasil em quarto lugar no ranking
de produção e exportação mundial de carne suína.
Alguns elementos como sanidade, nutrição, bom
manejo
da granja, produção integrada e,
principalmente,
aprimoramento
gerencial
dos
produtores, contribuíram para aumentar a oferta
interna e colocar o País em destaque no cenário
mundial.
Especialistas brasileiros também investiram na
evolução genética da espécie por 20 anos, o que
reduziu em 31% a gordura da carne, 10% do
colesterol e 14% de calorias, tornando a carne
suína brasileira mais magra e nutritiva, além de
saborosa.
Consequência de investimento, a produção
vem crescendo em torno de 4% ao ano, sendo os
estados de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do
Sul os principais produtores de suínos do País.
Atualmente, o Brasil representa 10% do volume
exportado de carne suína no mundo, chegando a
lucrar mais de US$ 1 bilhão por ano.
Esses fatores apontam para um crescimento
ainda mais satisfatório: estima-se que a produção
de carne suína atinja média anual de 2,84%, no
período de 2008/2009 a 2018/2019, e o seu
consumo, 1,79%. Em relação às exportações, a
representatividade do mercado brasileiro de carne
suína saltará de 10,1%, em 2008, para 21% em
2018/2019
A ovinocultura tem maior representatividade
nos estados da Bahia, Ceará, Piauí e Pernambuco,
Rio grande do Norte, Rio Grande do Sul, Paraná e
Mato Grosso do Sul.
A produção anual alcança 11 milhões de
toneladas de lã, principalmente no Rio Grande do
Sul, com cadeia produtiva formada por 35 mil
estabelecimentos agropecuários. A ovinocultura
leiteira no País apresenta
potencial para a
produção de queijos finos, muito valorizados no
mercado.
O Setor de Serviços Brasileiro
A relevância do setor terciário (que envolve as
atividades de comércio e de serviços) vem
ganhando a atenção de investidores e governos no
Brasil e no mundo. A título de ilustração, em 2009
o setor de serviços correspondeu a 68,5% do PIB
brasileiro (quando medido pelo valor adicionado).
Apenas entre as empresas cuja atividade
principal
estava
no
âmbito
dos
serviços
empresariais não financeiros, o IBGE estimou em
2008 a existência de 879.691 empresas, que
tiveram uma receita operacional líquida de mais de
680 bilhões de reais e empregaram 9,2 milhões de
pessoas (Pesquisa Anual de Serviços - PAS 2008,
do IBGE). O setor foi também o principal destino
dos investimentos estrangeiros diretos no Brasil:
14,1 bilhões de dólares, ou 44,9% do total de IED
no País, foram investidos no setor em 2009.
Além disso, em 2008 o setor terciário
respondeu por 77,3% dos empregos formais do
País, com as atividades de serviços, comércio e
construção civil representando 54,6% da População
Economicamente Ativa. Destes empregos, 52%
foram gerados por microempresas e empresas de
Caprinos e Ovinos
A caprinocultura e a ovinocultura têm se
destacado no agronegócio brasileiro. A criação de
caprinos, com rebanho estimado em 14 milhões de
Professor Pedro Israel
52
Professor Nilton Matos
pequeno porte – que representam 98% dos
estabelecimentos comerciais do setor terciário
brasileiro (Pesquisa Nacional por Amostra de
Domicílios (PNAD) 2009 do IBGE e Relação Anual
de Informações Sociais (RAIS) 2009 do Ministério
do Trabalho e Emprego).
Ciente da importância do setor de serviços
para a economia brasileira, o Governo Federal, por
meio do Decreto nº 5.532, de 6 de setembro de
2005, criou a Secretaria de Comércio e Serviços
(SCS) no âmbito do Ministério do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Como órgão
específico e singular do Ministério, compete à SCS,
por
exemplo,
a
formulação,
coordenação,
implementação e avaliação das políticas públicas e
dos programas e ações para o desenvolvimento dos
setores de comércio e de serviços; a análise e
acompanhamento das tendências dos setores de
comércio e serviços no País e no exterior; a
formulação, implementação e divulgação de
sistemáticas de coleta de informações sobre os
setores; e a supervisão dos registros de comércio e
atividades afins, em todo o território nacional.
trimestre de 2010 (18,2%) --ambas comparações
são ante igual período do ano anterior. No último
trimestre de 2011, o total da indústria mostrou o
primeiro resultado negativo desde o terceiro
trimestre de 2009 (8,2%).
Em nível regional, ainda no confronto com
igual período do ano anterior, sete locais
assinalaram taxas negativas no quarto trimestre de
2011, com Santa Catarina (-8,8%) e Ceará (-6,8%)
apontando as perdas mais intensas.
Agroindústria
Já a agroindústria brasileira recuou 2,3% em
2011, ante alta de 4,7% em 2010. Os setores
vinculados à agricultura (-1,6%), de maior peso na
agroindústria, apresentaram desempenho abaixo
dos setores associados à pecuária (-0,6%).
O grupo inseticidas, herbicidas e outros defensivos
para uso agropecuário decresceu 16,9% em 2011,
impactado negativamente pelo aumento das
importações, enquanto o segmento de madeira
avançou 4,9%.
No resultados trimestrais, a agroindústria
apresentou resultados negativos nos quatro
trimestres do ano: -3,9% no primeiro, -2,8% no
segundo, -0,7% no terceiro e -2,5% no quarto
trimestre. As comparações trimestrais são relativas
a igual período do ano anterior.
Produção industrial cresce em 9 de 14 locais
em 2011, aponta IBGE
A produção industrial regional cresceu em nove
dos 14 locais pesquisados pelo IBGE (Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística), durante todo
o ano de 2011.
As altas mais acentuadas, com taxas acima da
média nacional de 0,3%, foram verificadas em seis
locais: Paraná (7%), Espírito Santo (6,8%), Goiás
(6,2%), Amazonas (4%), Pará (2,7%) e Rio Grande
do Sul (2%). Minas Gerais (0,3%), Rio de Janeiro
(0,3%) e São Paulo (0,2%) também tiveram taxas
positivas
em
2011.
Pernambuco
registrou
estabilidade e repetiu o patamar do ano de 2010.
Tiveram recuo na produção a Bahia (-4,4%),
região Nordeste (-4,7%), Santa Catarina (-5,1%) e
Ceará (-11,7%).
Na comparação de dezembro de 2011 com o
mesmo mês de 2010, o setor industrial nacional
mostrou queda de 1,2%, com recuo na produção
em sete de 14 locais. A taxa negativa mais intensa
foi registrada em Santa Catarina (-10,9%),
pressionada pela queda na maior parte dos setores
investigados no local, seguida por Ceará (-7,4%),
Bahia (-4,9%), região Nordeste (-3,7%), São Paulo
(-3,2%), Minas Gerais (-2,8%) e Rio de Janeiro (2,1%).
Entre os locais que apontaram avanço na
produção, Paraná (23,5%) assinalou a expansão
mais elevada, impulsionado em grande parte pelos
setores de veículos automotores e de edição e
impressão. Os demais resultados positivos foram
verificados no Espírito Santo (7,4%), Goiás (6,6%),
Pará (5,2%), Pernambuco (3,8%), Amazonas
(3,6%) e Rio Grande do Sul (3,2%).
Na análise trimestral (outubro, novembro,
dezembro), o setor industrial recuou 2% e deu
sequência a trajetória de queda iniciada no primeiro
Professor Pedro Israel
China deve investir cerca de R$ 7 bi em alta
tecnologia no Brasil neste ano
A China investiu no ano de 2011 quase 9
bilhões de dólares (R$ 15 bilhões) no Brasil,
metade desta quantia na indústria de alta
tecnologia.
O Brasil vende sobretudo matérias-primas para
a China, principal sócio comercial do país e maior
investidor estrangeiro em 2010, e quer diversificar
suas exportações para produtos com alto valor
agregado.
No fim de 2009, 95% dos investimentos
chineses acumulados no Brasil, que chegavam a
12,67 bilhões de dólares, foram feitos nas áreas de
energia (45%), agricultura (20%), minas (20%) e
siderurgia (10%), segundo o banco Bradesco, em
dados citados pelo jornal chinês. Em 2010, os
investimentos aumentaram a US$ 17 bilhões, de
acordo com o China Daily, que não apresenta
detalhes dos gastos.
O Brasil pediu às empresas chinesas que
iniciem investimentos em setores diferentes para
reequilibrar a balança. Teixeira afirmou ao jornal de
Pequim que para investir em agricultura a partir de
agora as empresas estrangeiras terão que
encontrar sócios locais.
Durante uma visita ao Brasil em maio, o
ministro do Comércio chinês, Chen Deming, afirmou
estar
interessado
em
investimentos
na
modernização das infraestruturas do país.
A China se tornou em 2010 o principal parceiro
comercial do Brasil, superando os Estados Unidos.
53
Professor Nilton Matos
"As matérias-primas constituem 70% do comércio
bilateral".
As empresas chinesas de telecomunicação
Huawei e ZTE fizeram investimentos importantes no
Brasil nos últimos anos, afirma o China Daily, que
lembra que a ZTE criou um parque industrial em
Hortolândia, interior de São Paulo.
da Presidência com choro e nos braços da multidão,
tendo sido o centro das atenções na cerimônia de
entrega da faixa à sucessora Dilma Rousseff, no
Palácio do Planalto, em 1 de janeiro de 2011.
Dilma Rousseff
Filha do engenheiro e poeta búlgaro Pétar
Russév (naturalizado
brasileiro como Pedro
Rousseff) e da professora brasileira Dilma Jane
Silva, Dilma Vana Rousseff, em 1969, já vivendo na
clandestinidade, usa vários codinomes para não ser
encontrada pelas forças de repressão aos
opositores do regime militar.
No mesmo ano, o Colina e a VPR (Vanguarda
Popular Revolucionária) se unem, formando a
Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VARPalmares). Em julho, a VAR-Palmares rouba o
"cofre do Adhemar", que teria pertencido ao exgovernador de São Paulo Adhemar de Barros.
A ação ocorreu no Rio de Janeiro e teria
rendido à guerrilha US$ 2,4 milhões. Dilma nega ter
participado dessa operação, mas há quem afirme
que ela teria, pelo menos, ajudado a planejar o
assalto.
Presa em 16 de janeiro de 1970, em São
Paulo, o promotor militar responsável pela acusação
a qualificou de "papisa da subversão". Fica detida
na Oban (Operação Bandeirantes), onde é
torturada. Depois, é enviada ao Dops. Condenada
em 3 Estados, em 1973 já está livre, depois de ter
conseguido redução de pena no STM (Superior
Tribunal Militar). Muda-se, então, para Porto Alegre,
onde cursa a Faculdade de Ciências Econômicas, na
Universidade Federal do RS.
Luiz Inácio Lula da Silva (Lula)
Aos sete anos de idade, Luiz Inácio Lula da
Silva mudou-se com a família para Santos (SP),
deixando o interior de Pernambuco em busca de
melhores oportunidades de vida. Quatro anos mais
tarde, em 1956, foi para a capital do Estado de São
Paulo. Lá, ainda criança, trabalhou como vendedor
ambulante, engraxate e office-boy. Aos 15 anos,
tornou-se aprendiz de torneiro mecânico.
Em 1970, depois de perder a esposa grávida
do primeiro filho, Lula passou a se dedicar
intensamente à atividade sindical. Em 1973, casouse com Marisa, sua atual mulher. Em 1975, chegou
à presidência do Sindicato dos Metalúrgicos de São
Bernardo do Campo e Diadema. Liderou a primeira
greve de operários do ABC paulista em 1978,
durante o regime militar.
Em 1980, aliou-se a intelectuais e a outros
líderes sindicais, para fundar o PT (Partido dos
Trabalhadores), do qual se tornou presidente. No
ano seguinte, liderou nova greve de metalúrgicos,
foi preso e teve seu mandato sindical cassado.
Participou da fundação da CUT (Central Única
dos Trabalhadores) e, em junho de 1983, integrou
a frente suprapartidária pró-eleições diretas para a
presidência da República com os governadores de
São Paulo, Franco Montoro (PMDB), e do Rio de
Janeiro, Leonel Brizola (PDT).
Lula foi eleito, em 1986, deputado federal
constituinte com a maior votação do país.
Concorreu à presidência da República em 1989,
quando foi derrotado no segundo turno por
Fernando Collor de Mello, e em 1994 e 1998,
quando perdeu para Fernando Henrique Cardoso.
Em 1995, deixou a presidência do PT e tornouse presidente de honra do partido. Em 2002, foi
eleito presidente do Brasil com votação recorde de
50 milhões de votos. Reelegeu-se em 2006,
vencendo, em segundo turno, o candidato do
Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB),
Geraldo Alckmin.
Na presidência, a gestão de Lula seguiu a
política econômica de seu antecessor, conseguindo
com
isso
colocar
o
país
no
rumo
do
desenvolvimento econômico.
Lula também surpreendeu os observadores da
cena política por conseguir manter altos índices de
aprovação e popularidade, descolando-se das
denúncias de corrupção que atingiram seus
auxiliares mais próximos.
É inédito na história do Brasil o fato de um
presidente concluir seu segundo mandato com um
índice de popularidade de 87% (pesquisa
CNT/Sensus). Trata-se de um recorde mundial. Fiel
ao estilo que marcou seu governo, Lula se despediu
Professor Pedro Israel
Do PDT ao PT
Filia-se, então, ao Partido Democrático
Trabalhista (PDT), fundado por Leonel Brizola em
1979, depois que o governo militar concedeu
anistia política a todos os envolvidos nos anos
duros da ditadura.
Dilma Rousseff ocupou os cargos de secretária
da Fazenda da Prefeitura de Porto Alegre (198689), presidente da Fundação de Economia e
Estatística do Estado do Rio Grande do Sul (199193) e secretária de estado de Energia, Minas e
Comunicações em dois governos: Alceu Collares
(PDT) e Olívio Dutra (PT). Filiada ao Partido dos
Trabalhadores (PT) desde 2001, coordenou a
equipe de Infra-Estrutura do Governo de Transição
entre o último mandato de Fernando Henrique
Cardoso e o primeiro de Luiz Inácio Lula da Silva,
tornando-se membro do grupo responsável pelo
programa de Energia do governo petista.
Ministérios
Dilma Rousseff foi ministra da pasta das Minas
e Energia entre 2003 e junho de 2005, passando a
ocupar o cargo de Ministra-Chefe da Casa Civil
desde a demissão de José Dirceu de Oliveira e
54
Professor Nilton Matos
Silva, em 16 de junho de 2005, acusado de
corrupção.
Em 2008, a Casa Civil foi envolvida em duas
denúncias. Primeiro, a da montagem de um
provável dossiê contendo gastos pessoais do expresidente Fernando Henrique Cardoso. O dossiê
seria uma suposta tentativa de silenciar a oposição,
que, diante do escândalo dos gastos com cartões de
créditos corporativos realizados por membros do
governo federal, exigia a divulgação dos gastos
pessoais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e
de sua esposa. Depois, em junho, a ex-diretora da
Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Denise
Abreu, acusou a Casa Civil de ter pressionado a
agência durante o processo de venda da empresa
Varig ao fundo de investimentos norte-americano
Matlin Patterson e seus três sócios brasileiros.
Dilma Rousseff negou enfaticamente todas as
acusações.
Em 9 de agosto de 2009, a ex-secretária da
Receita Federal, Lina Vieira, disse ao jornal Folha de
S. Paulo que, num encontro com Dilma, a ministra
teria pedido que uma investigação realizada em
empresas da família Sarney fosse concluída
rapidamente. Dilma negou a declaração de Lina,
que, por sua vez, reafirmou a acusação em
depoimento no Senado
Federal, mas não
apresentou provas.
De guerrilheira na década de 1970 a
participante da administração pública em diferentes
governos, Dilma Vana Rousseff tornou-se uma
figura pragmática, de importância central no
governo Lula. No dia 20 de fevereiro de 2010,
durante o 4º Congresso Nacional do Partido dos
Trabalhadores, Dilma foi aclamada pré-candidata
do PT à presidência da República. Em 31 de março,
obedecendo à lei eleitoral, afastou-se do cargo de
ministra-chefe da Casa Civil. Durante a cerimônia
de transferência do cargo, assumido por Erenice
Guerra, Dilma afirmou, referindo-se ao governo
Lula: "Com o senhor nós vencemos. Vencemos a
miséria, a pobreza ou parte dela, vencemos a
submissão, a estagnação, o pessimismo, o
conformismo e a indignidade".
Dilma
Rousseff
venceu
as
eleições
presidenciais de 2010, no segundo turno, com
56,05% dos votos válidos (derrotou o candidato
José Serra, que obteve 43,95% dos votos válidos),
tornando-se a primeira mulher na presidência da
República Federativa do Brasil. Ao tomar posse, no
dia 1º de janeiro de 2011, discursando no
Congresso
Nacional,
Dilma
afirmou:
“Meu
compromisso supremo [...] é honrar as mulheres,
proteger os mais frágeis e governar para todos!
[...] A luta mais obstinada do meu governo será
pela erradicação da pobreza extrema e a criação de
oportunidades para todos”.
Professor Pedro Israel
Crise nos Ministérios
Ao todo, sete ministérios já foram alvos de
denúncias de irregularidades nos últimos meses. No
Turismo, pasta comandada pelo peemedebista
Pedro Novais, a Polícia Federal investiga desvios
relacionados
a
convênios
de
capacitação
profissional no Amapá. Na ação, com cerca de 200
policiais federais, divididos em São Paulo, Brasília e
Macapá, a PF cumpriu 19 mandados de prisão
preventiva e 19 mandados de prisão temporáriatambém foram expedidos sete mandados de busca
e apreensão.
A operação investiga o desvio de recursos
públicos destinados ao Ministério do Turismo por
meio de emendas parlamentares. Além dos presos,
estão envolvidos funcionários do Ibrasi (Instituto
Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura
Sustentável), foco da fraude, e empresários, de
acordo com a PF.
A devassa no Ministério do Turismo acontece
pouco após Dilma comandar uma espécie de
"faxina" no Ministério dos Transportes, alvo de
suspeitas de corrupção e de superfaturamento de
obras envolvendo também o Dnit (Departamento
Nacional de Infraestrutura de Transportes) e a
Valec (estatal de ferrovias). Reportagem da revista
"Veja" revelou um suposto esquema de cobrança de
propinas em obras federais da pasta e mencionou o
envolvimento de assessores diretos do ex-ministro
55
Professor Nilton Matos
dos Transportes, Alfredo Nascimento (PR-AM), que
pediu demissão do cargo no mês passado.
Após as denúncias, mais de 20 pessoas
deixaram os cargos, entre servidores do ministério,
do Dnit e da Valec. A "faxina" no ministério,
comandado pelo PR, estremeceu a relação do
governo com o partido da base aliada. O governo
também enfrenta suspeita de irregularidades no
Ministério da Agriculutra desde que ex-diretor
financeiro da Conab (Companhia Nacional de
Abastecimento), Oscar Jucá Neto, irmão do líder no
governo no Senado, Romero Jucá (PMDB), afirmar
que "há bandidos" no órgão e sugerir que o
ministro Wagner Rossi participava de esquemas de
corrupção.
Reportagem da revista "Isto É" mostrou que o
Ministério das Cidades libera recursos para obras
classificadas como irregulares pelo TCU (Tribunal de
Contas da União) e que age a favor de empresas
que, juntas, doaram cerca de R$ 15 milhões em
2010 para campanhas eleitorais do PP, partido que
comanda o ministério.
A revista "Época" revelou a existência de um
esquema de cobrança de propinas dentro da ANP
(Agência Nacional do Petróleo), ligada ao Ministério
de Minas e Energia. Segundo a revista, a advogada
Vanusa Sampaio, que representa companhias do
ramo, foi procurada por dois assessores do órgão
em 2008. Os dois, Antonio José Moreira e Daniel
Carvalho de Lima, disseram falar em nome do
então superintendente Edson Silva, ex-deputado
federal pelo PC do B, e explicaram que cobravam
propina em troca de facilidades na agência. O
encontro foi gravado. Em nota, a ANP rejeitou as
acusações, que classificou como "falsidades", e
afirmou que os dois assessores nunca foram do
quadro de servidores permanentes da agência.
No último domingo, 4 de dezembro de 2011, O
ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi,
renunciou neste domingo, tornando-se o sexto
ministro do governo de Dilma Rousseff a deixar o
cargo após denúncias de corrupção. Lupi foi alvo de
diversas denúncias nas últimas semanas, como a
de se beneficiar de convênios irrelugares do seu
ministério com ONGs, a de ter trabalhado como
"funcionário fantasma" na Câmara de Deputados e
a de ter viajado em um jatinho de propriedade de
Adair Meira, dirigente da ONG Pró-Cerrado, que
possui convênios com o ministério.
Perto de completar 12 meses de governo, a
presidente Dilma Rousseff (PT) mantém um nível
de avaliação estável, segundo nova pesquisa
Datafolha. O levantamento mostra que as medidas
recentes para conter a atividade econômica e o
crédito ao consumidor, além de denúncias de
corrupção em seu ministério, não afetaram a
percepção dos brasileiros sobre o desempenho da
presidente. Segundo a pesquisa, realizada entre os
dias 2 e 5 de agosto, o governo da petista é
considerado ótimo ou bom por 48% dos brasileiros
com 16 anos ou mais. É um índice similar ao
verificado em levantamentos feitos em junho (49%)
e março (47%) passados.
Professor Pedro Israel
Nem mesmo a demissão de diversos
colaboradores suspeitos de atos de corrupção e
tráfico de influência em seu governo afetaram,
positivamente ou negativamente, a avaliação da
presidente. A fatia dos que consideram a gestão de
Dilma regular é de 39%, variação positiva de um
ponto sobre a marca de julho (38%). Em março, foi
de 34%. Consideram o governo Dilma Rousseff
ruim ou péssimo 11% dos brasileiros, ante 10% em
junho e 7% em março. Na pesquisa atual, 3% não
souberam avaliar a presidência da petista. O
Datafolha ouviu 5.254 pessoas com 16 anos ou
mais em todo o Brasil. A margem de erro do
levantamento é de dois pontos percentuais para
mais ou para menos.
Estabilidade
Entre os mais jovens, de 16 a 24 anos, Dilma
tem um nível de ótimo e bom menor (43%) do que
a média (48%) e do que entre as demais faixas de
idade.
No
grupo
formado
pelos
menos
escolarizados, que estudaram até o ensino
fundamental (52%), o índice dos que avaliam o
governo da petista como ótimo ou bom é,
proporcionalmente, maior do que entre aqueles que
possuem ensino médio (45%) e superior (44%).
Na análise por renda, ela também é melhor
avaliada por aqueles que têm renda mensal de até
cinco salários mínimos (49%) do que entre os
brasileiros que têm renda familiar de mais de 10
salários mínimos por mês (44%).
No interior, 51% avaliam a gestão Dilma como
ótima ou boa, fatia proporcionalmente maior do que
nas regiões metropolitanas (44%).
A nota atribuída ao governo de Dilma também
se mantém estável: era de 6,9 em março, foi a 6,8
em julho e agora fica em 6,7.
ENERGIA E MEIO AMBIENTE
AQUÍFERO ALTER DO CHÃO
Debaixo da terra existem lagos gigantes, de
água potável, chamados aquíferos. Aquífero é uma
formação ou grupo de formações geológicas que
pode armazenar água subterrânea. Até agora, o
maior do planeta era o Guarani, que se espalha
pelo Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai. Porém,
recentemente, pesquisadores do Pará e do Ceará
descobriram que a Amazônia tem o maior
reservatório subterrâneo de água do planeta.
A reserva subterrânea está localizada sob os
estados do Amazonas, Pará e Amapá e tem volume
de 86 mil km³ de água doce, o que seria suficiente
para abastecer a população mundial em cerca de
300 a 400 anos. Em termos comparativos, a
reserva Alter do Chão tem quase o dobro do
volume de água potável que o Aquífero Guarani com 45 mil km³ de volume. Para Marco Antonio
Oliveira, superintendente do Serviço Geológico do
Brasil, em Manaus, a revelação de que o Aquífero
56
Professor Nilton Matos
Alter do Chão é o maior do mundo comprova que
esse tipo de reserva segue a proporção de tamanho
da Bacia Hidrográfica que fica acima dela. "Cerca de
40% do abastecimento de água de Manaus é
originário do Aquífero Alter do Chão.
As demais cidades do Amazonas têm 100% do
abastecimento tirado da reserva subterrânea. São
Paulo, por exemplo, tem seu abastecimento em
torno de 30% vindo do Aquífero Guarani."
da água é salgada. A cada ano, a energia do Sol faz
com que um volume de aproximadamente 500.000
Km3 de água se evapore especialmente dos
oceanos, embora também de lagos e rios. Essa
água retorna para os continentes e ilhas, ou para os
oceanos, sob a forma de precipitações: chuva ou
neve. Os continentes e ilhas têm um saldo positivo
nesse processo. Estima-se que eles “retirem” dos
oceanos perto de 40.000 Km3 por ano. É esse saldo
que alimenta as nascentes dos rios, recarrega os
depósitos subterrâneos, e depois retorna aos
oceanos pelo deságüe dos rios.
Toda vez que é discutida a falta de água em
muitas regiões do mundo, o bom senso pergunta:
com tantos oceanos, por que não transformar a
água do mar em água potável em grande escala
por meio da dessalinização? É uma solução
interessante, mas não tão simples nem tão viável
quanto parece. Será a dessalinização da água do
mar a resposta aos problemas de escassez de água
no mundo? Muitos acham que sim, sendo esta uma
opinião bastante difundida na opinião pública.
Muitos consideram a dessalinização como uma
solução de alta tecnologia de custos proibitivos, não
é adequada para resolver um problema global de
abastecimento em água causado, principalmente,
pelo desperdício. Para eles, no melhor dos casos ela
pode representar apenas uma das soluções
possíveis para resolver problemas pontuais de
abastecimento,
relativos
a
uma
demanda
específica.
O Superintendente disse, ainda, que a reserva,
na área que corresponde a Manaus, já está muito
contaminada. "É onde o aquífero aflora e também
onde a coleta de esgoto é insuficiente. Ainda é alto
o volume de emissão de esgoto 'in natura' nos
igarapés da região." Marcos Antônio Oliveira faz um
alerta para a exploração comercial da água no
Aquífero Alter do Chão. "A água dessa reserva é
potável, o que demanda menos tratamento
químico. Por outro lado, a médio e longo prazo, a
exploração mais interessante é da água dos rios,
pois a recuperação da reserva é mais rápida. A
vazão do Rio Amazonas é de 200 mil m³/segundo.
Já nas reservas subterrâneas, a recarga é muito
mais lenta.
Segundo o superintendente a qualidade da
água que pode ser explorada no Alter do Chão é
incomparável ao do aquífero Guarani. "A região
amazônica é menos habitada e por isso menos
poluente.
No Guarani, há um problema sério de flúor,
metais pesados e inseticidas usados na agricultura.
A formação rochosa é diferente e filtra menos a
água da superfície. No Alter do Chão as rochas são
mais arenosas, o que permite uma filtragem da
recarga de água na reserva subterrânea".
ÁGUA, UMA ESCASSEZ ANUNCIADA!
O volume de água na Terra está estimado em 1
trilhão e 386 bilhões de quilômetros cúbicos (Km3).
Apesar de aparentemente abundante, a maior parte
Professor Pedro Israel
57
Professor Nilton Matos
A situação é mais grave na Somália, onde 29
mil crianças morreram de julho a setembro – uma
média de 300 por dia – e 640 mil estão
subnutridas, podendo morrer nos próximos meses.
Cerca de 3,2 milhões de somalianos (quase metade
da população) dependem de doações de alimentos
para sobreviver. A ONU (Organização das Nações
Unidas) decretou crise de fome no país em 20 de
julho. O estado de emergência é declarado quando
a fome atinge 20% das famílias e o índice de
subnutrição ultrapassa 30% da população infantil.
Na região de Bay, uma das seis em estado crítico
na Somália, a taxa de desnutrição entre crianças é
de 58%, a mais alta no país.
Desde os anos 1980, foi a primeira vez que a
ONU declarou crise de fome no continente africano.
Todos os dias, centenas de pessoas partem de suas
cidades em direção a acampamentos improvisados
na capital, Mogadíscio, e nos arredores. As barracas
já abrigam mais de 400 mil somalianos.
Campos de refugiados mantidos pela ONU como o
de Dadaab, na fronteira com o Quênia, tornaram-se
refúgio para os exilados. O campo foi criado em
1991 para receber refugiados da guerra civil da
Somália e hoje é o maior do mundo, com 440 mil
pessoas. Desde o começo do ano, recebeu mais
170 mil refugiados por conta da fome, e o número
aumenta a cada dia. Faz-se necessário questionar
se
as
terras
do
planeta
se
destinarão
preferencialmente a atender aos cerca de 800
milhões de proprietários de automóveis, ou à
garantia da segurança alimentar mundial. E mais,
se o Sul continuará a desempenhar o papel de
fornecedor da matéria prima necessária para
possibilitar ao Norte manter seu padrão de
consumo. O caso mais conhecido de impactos da
demanda por etanol sobre a segurança alimentar
vem ocorrendo no México, atualmente grande
fornecedor
de
milho
para
fabricação
de
biocombustível para os EUA. Nos últimos anos, a
exportação do grão levou a um aumento
exponencial (em algumas regiões chegou a 100%)
do preço da tortilla de milho, base da alimentação
de mais de 50% da população mexicana. Em
proporção parecida, também houve aumento da
ração animal (gado, aves, suínos e outros) e das
sementes para plantio.
BIOCOMBUSTÍVEIS: HERÓIS OU VILÕES?
Diante da fome e da escassez de água potável,
o que significa plantar energia? A utilização de
parcela crescente das terras agriculturáveis do
mundo para o plantio de matéria prima de
biocombustívies
levanta
questão
sobre
os
problemas da fome e da falta d‟água que atingem
cerca de um bilhão de pessoas.
O etanol, combustível muito em voga depois da
recente divulgação das perspectivas sombrias do
aquecimento global, há tempos tem jogado um
papel importante no cenário agrícola mundial, uma
vez
que
se
trata de
energia
produzida,
basicamente, a partir da cana de açúcar, do milho e
de madeira.
Para o mercado internacional, é fato que o
etanol é muito mais uma alternativa aos altos
preços do petróleo do que uma preocupação
ambiental, o que alimenta todo tipo de
especulações sobre o seu potencial de crescimento.
Segundo o consultor ambiental e editor da
revista inglesa New Scientist, Fred Pearce, “a cana
é uma das culturas mais sedentas do planeta. Na
maior parte do mundo, utilizam-se caros sistemas
de irrigação que têm atingido grandes rios e lençóis
freáticos. A medida de consumo da cana é de 600
toneladas de água para uma tonelada de produto”.
Atualmente, adenda, 1 bilhão de pessoas não tem
acesso à água potável.
Segundo o pesquisador da Embrapa, José Maria
Ferraz, os gastos de água embutidos tanto na
produção de cana quanto na do próprio etanol – na
produção de um litro de álcool gasta-se 13 litros de
água, e ainda sobram 12 litros de vinhoto, subproduto extremamente poluente normalmente
utilizado na adubação dos canaviais – não é
considerada no preço de venda, o que, do ponto de
vista econômico, é uma grande desvantagem para
o produtor, uma vez que a água está se tornando
um bem altamente valorizado.
Em um mundo onde, de acordo com as Nações
Unidas, 1 bilhão de pessoas sofre de fome crônica e
má nutrição, e 24 mil morrem diariamente de
causas relacionadas a esses problemas, entre
estes, 18 mil são crianças.
Professor Pedro Israel
58
Professor Nilton Matos
Durante seu segundo mandato, o expresidente Lula transcreveu o slogan “O Petróleo é
Nosso” da era Vargas para “O Biodiesel é Nosso”.
Começam a aparecer propostas que representam
um consenso mundial em tornar as políticas
públicas ambientalmente mais sustentáveis. Mas
até onde vai a vontade política?
Em que medida os governos e o mercado têm
direito de transformar a agricultura produtora de
alimentos em produtora de combustível? É um
debate ético urgente. Ou, mais que ética, quando
esta em jogo a sobrevivência mais básica da
população mundial e seu direito fundamental à
comida e à água.
HIDRELÉTRICA DE BELO MONTE
CRISE MUNDIAL DE ALIMENTOS
O Projeto de construção da usina de Belo Monte
tem cerca de 30 anos. Ela nasceu de estudos feitos
pela estatal Central Elétricas do Norte do Brasil
(Eletronorte), empresa que fornece energia elétrica
aos nove estados da Amazônia Legal. A previsão é
que, em janeiro de 2015, a concessionária que
venceu o leilão ligará a primeira máquina da usina
e começará a gerar energia.
Apesar de o projeto prever a capacidade
instalada de 11.233 MW, a oferta média de energia
não passará de 4.500 MW médios.
A relação entre potência instalada e geração
firme que poderá ser extraída da usina será de 40%
do poder das turbinas que receberão as águas do
Rio
Xingu.
É
uma
das
piores
relações
potência/energia
firme
do
sistema
elétrico
brasileiro.
Além disso, existem inúmeros impactos
ambientais, socioeconômicos e histórico-culturais
que serão gerados com a construção da usina. Mais
de 600 km2 serão inundados, forçando a retirada
de populações ribeirinhas e de várias reservas
indígenas. Nas áreas inundadas, muitas plantas
sofrerão processos de apodrecimento, decorrentes
da não adaptação as inundações, gerando a
emissão de gases do efeito estufa.
Os alimentos estão mais caros e, no mundo
todo, o tema deixa autoridades em alerta e
esquenta debates em torno das possíveis causas
para a escassez de comida.
Para explicar a crise atual, no entanto, não é
possível eleger um “vilão” específico. Segundo
especialistas, são muitos os fatores que culminaram
no cenário de inflação agravado desde 2008.
De acordo com a Organização das Nações
Unidas (ONU) para Agricultura e Alimentação (FAO)
os principais fatores que influenciam a alta dos
preços dos alimentos relacionam-se ao(s):
1ª
2ª
3ª
4ª
-
O aumento da demanda.
Biocombustíveis.
Condições climáticas desfavoráveis.
A alta do petróleo.
Professor Pedro Israel
59
Professor Nilton Matos
A ANP também negou o pedido de abertura de
um novo poço no Campo do Frade, que teria como
objetivo atingir a camada pré-sal. A empresa
americana explora 12 poços na Bacia de Campos e
produz 79 mil barris diários.
VAZAMENTO NA BACIA DE CAMPOS (RJ)
O vazamento de milhares de litros de petróleo
na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro, evidenciou
o quanto o governo brasileiro está despreparado
para lidar com acidentes dessa natureza.
O acidente aconteceu no Campo do Frade,
localizado a 120 km do litoral fluminense, no dia 8
de novembro. Ainda não se sabe ao certo a
extensão do desastre e nem o impacto à
biodiversidade marinha e à pesca na região.
A multinacional Chevron do Brasil, que explora
o campo, assumiu a responsabilidade pelo
derramamento de óleo. No dia 23 de novembro, a
ANP (Agência Nacional do Petróleo) determinou a
suspensão das atividades da empresa no país até
que sejam explicadas as causas e identificados os
responsáveis pelo acidente.
Professor Pedro Israel
A Chevron já recebeu multas de R$ 50 milhões
e de R$ 100 milhões, aplicadas, respectivamente,
pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e
dos Recursos Naturais Renováveis) e pela ANP. O
Estado do Rio de Janeiro também entrou com uma
ação civil pública para pedir indenizações de R$ 100
milhões.
A mancha de óleo se estendeu por uma área de
163 quilômetros quadrados, o equivalente a 16,3
mil campos de futebol. No último dia 22, a ANP
informou que a mancha havia sido reduzida a dois
quilômetros quadrados.
O volume vazado seria o correspondente a 2,4
mil barris (381,6 mil litros), de acordo com a
Chevron. Dezenas de espécies de baleias, golfinhos
e pequenos cetáceos que usam a Bacia de Campos
como rota de migração podem ser afetados pelo
óleo.
60
Professor Nilton Matos
segurança envolvem custos mais altos e complexa
logística na sua adoção.
No ano passado, após o desastre ocorrido no
Golfo do México, um dos maiores vazamentos do
mundo, o governo brasileiro se comprometeu em
criar um Plano Nacional de Contingência para
Derramamento de Óleo.
O objetivo do plano seria preparar uma
estratégia de contenção de vazamentos de grandes
proporções, evitando a degradação ambiental,
contaminação da fauna e da flora marinhas e
prejuízos à pesca e turismo. De acordo com o
Ministério do Meio Ambiente, o projeto está em fase
de conclusão e será enviado ao Congresso para ser
votado.
PRODUÇÃO NUCLEAR BRASILEIRA
Em setembro de 2011, o Ministro de Minas e
Energia, Edison Lobão, anunciou que o Brasil deve
manter os planos para concluir a terceira usina
nuclear do país e construir outras quatro após ter
revisado de maneira satisfatória a segurança das
duas usinas que estão atualmente em operação.
Após o acidente nuclear em Fukushima, no dia
11 de março deste ano, vários países decidiram
revisar seus programas nucleares em diferentes
setores.
O Brasil opera duas usinas nucleares com
tecnologia alemã em Angra dos Reis, no litoral sul
do estado do Rio de Janeiro. Angra I, com
capacidade de 657 megawatts, entrou em operação
plena em 1982 e Angra II, com uma potência de
1.350 megawatts, em 2001.
A terceira usina, Angra III, já está em
construção e deve começar a funcionar, com uma
capacidade de geração de 1.300 megawatts, em
2015.
O Governo definirá somente em 2012 os locais
nos quais serão construídas as outras quatro
usinas, embora o ministro tenha admitido que duas
delas vão estar localizadas no sudeste do país e as
outras duas no nordeste.
A reserva conhecida de Urânio no Brasil é de
309.000 toneladas, sendo a 6ª reserva mundial.
Essa reserva corresponde a apenas 30% do
território prospectado, apenas até 100 m de
profundidade e seria suficiente para operar Angra I,
II e III por mais 520 anos.
Fukushima não foi o primeiro acidente nuclear
da história, nem tão pouco o pior.
Em 1986, O desastre em Chernobyl, na
Ucrânia, foi o mais grave da história. Uma falha no
resfriamento causou a explosão do reator, mas as
autoridades levaram 30 horas para orientar a
população a sair, tarde demais: o então governo
soviético admitiu 15 mil mortes, mas, pelas contas
de organizações não governamentais foram pelo
menos 80 mil vítimas.
Um exército de operários, sem equipamento
apropriado, passou seis meses construindo uma
estrutura de isolamento sobre o reator. Nenhum
trabalhador sobreviveu.
Em janeiro de 2000, 1,3 milhão de litros de
óleo vazaram na Refinaria Duque de Caxias, da
Petrobras, na Baía de Guanabara. Em julho do
mesmo ano, outros 4 milhões de litros de óleo cru
foram derramados da Refinaria Presidente Getúlio
Vargas, em Araucária (PR).
A Bacia de Campos possui as maiores reservas
de petróleo do Brasil e responde por 80% de toda a
produção nacional do minério. Há quatro anos foi
anunciada as descoberta de uma imensa reserva na
camada pré-sal, o que tornaria o Brasil um dos
principais produtores e exportadores mundiais de
petróleo e derivados.
Há hoje 140 plataformas marítimas em
atividades nas bacias de Campos, Santos e Espírito
Santo, a maioria pertencente à Petrobras.
O vazamento no Campo do Frade serviu de
alerta para a falta de fiscalização e de preparo do
Estado em prevenir e conter desastres ambientais
provocados por derramamento de óleo, na
exploração de petróleo na camada pré-sal. Como o
pré-sal fica distante da costa, medidas de
Professor Pedro Israel
61
Professor Nilton Matos
Após 25 anos, os níveis de radiação baixaram e
o governo da Ucrânia abriu a área para a visitação.
Na cidade abandonada, a cena é fantasmagórica:
as construções ainda guardam os símbolos do
regime soviético, que controlava a vida e a morte
das pessoas.
acompanhamento no Centro de Assistência aos
Radioacidentados
Leide
das
Neves
Ferreira
(fundado no ano seguinte para atender a população
afetada). Apesar dos acidentes citados, ressalta-se
que a produção nuclear é considerada uma das
mais seguras do mundo, porém passível de
desastres, como os que foram mencionados.
Aspectos Positivos
- Não há emissões de gases de efeito estufa
- Poucas limitações de recursos
- Alta densidade energética
Aspectos Negativos
- Sem solução para eliminação dos resíduos
- Operação arriscada e perigosa
- Muito intensivo em capital
IRÃ E A QUESTÃO NUCLEAR
O
Conselho
de
Diretores
da
Agência
Internacional de Energia Atômica (AIEA) adotou, no
dia 18 de novembro de 2011, uma nova resolução
contra
o
Irã,
expressando
sua
profunda
preocupação quanto à suspeita dimensão militar de
seu programa nuclear. Como resposta a essa
resolução, dezenas de manifestantes invadiram, no
último dia 29 de novembro, o prédio da embaixada
do Reino Unido em Teerã, capital do Irã.
Os manifestantes, que protestavam contra as
sanções de Londres a Teerã por causa de seu
programa nuclear, também quebraram as janelas
com pedras e queimaram bandeiras britânicas e
israelenses. O Parlamento iraniano aprovou uma lei
que reduz as relações diplomáticas ao nível de
encarregado de negócios e prevê a expulsão do
embaixador britânico em um prazo de duas
semanas. A decisão foi adotada em represália às
novas sanções econômicas contra o Irã anunciadas
pelo Reino Unido, em conjunto com Estados Unidos
e Canadá, depois da publicação de um relatório da
Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA)
que evidencia as suspeitas dos ocidentais de que o
Irã tenta produzir armamento nuclear.
No Brasil, em 1987, o acidente com o césio-137
atingiu Goiânia, quando uma cápsula com 19
gramas do elemento radioativo foi aberta em um
ferro-velho.
Quatro pessoas morreram no mês seguinte
devido à exposição aguda à radiação. Este é o
número oficial de mortes considerado pela
Secretaria da Saúde do Estado de Goiás, que tem
hoje 943 vítimas cadastradas para receber
Professor Pedro Israel
62
Professor Nilton Matos
O embaixador do Irã na AIEA, Ali Asghar
Soltanieh, disse, após a resolução, que a decisão
apenas fortalece a determinação iraniana de
prosseguir com suas atividades nucleares. O
presidente Barack Obama "ressaltou em diversas
ocasiões que estamos decididos a evitar que o Irã
adquira
bombas
nucleares"
porque
isso
"representaria um grave atentado à paz regional e
à segurança mundial".
O Reino Unido e a Alemanha afirmaram, no dia
1º de dezembro, em Bruxelas, que pretendem
isolar financeiramente o governo iraniano, em um
momento em que se intensifica a crise diplomática
entre Teerã e Londres após os ataques e saques da
sede da representação britânica na capital iraniana.
No mesmo dia, os senadores norte-americanos
votaram a favor de incluir a medida, que visa a
isolar o Banco Central do Irã do sistema financeiro
mundial, no projeto de lei de financiamento do
Pentágono para 2012.
O governo americano indicou que a AIEA
aprovou a resolução "porque trabalhamos com
outros (países) para construir uma extensa coalizão
internacional para pressionar e isolar o regime
iraniano, incluindo sanções sem precedentes contra
o regime".
A medida, incluída através de emenda,
autoriza o presidente Barack Obama a congelar os
ativos de qualquer instituição financeira estrangeira
que negocie com o Banco Central iraniano no setor
petroleiro, e também impede o trabalho destas
entidades nos Estados Unidos.
O presidente tem autoridade para suspender
as sanções em caso de força maior ou por razões
humanitárias, e sua adoção também depende do
fornecimento de petróleo suficiente por parte de
outros países para não perturbar o mercado
mundial do produto.
PERSPECTIVAS NUCLEARES APÓS DESASTRE
EM FUKUSHIMA
O desastre na Usina Nuclear de Fukushima
Daiichi no nordeste do Japão chamou mais uma vez
a atenção sobre a segurança da energia nuclear. O
desastre irá criar reações em diferentes graus, de
critérios mais severos de segurança (que subirão os
preços de construção e diminuirão a aprovação de
usinas) até mais resistência política e pública para o
uso da energia nuclear. Mesmo assim, a energia
nuclear aparenta continuar como uma parte
significante do total global de produção energética,
uma vez que as alternativas com maior viabilidade
fazem com que a dependência em relação a
combustíveis fósseis poluentes cresça. A China, em
particular, está preparada para expandir sua
Professor Pedro Israel
63
Professor Nilton Matos
indústria nuclear de forma massiva na próxima
década. Ainda que a escala desses planos não
pareça realista, em termos do conjunto global, o
crescimento do poder nuclear na China irá, parcial
ou integralmente, equivaler aos fechamentos e
suspensões de usinas nos outros lugares.
Antes de acontecer o desastre japonês, a
energia nuclear parecia prestes a um renascimento
cauteloso. O setor é responsável por perto de 14%
da geração global de energia. Suas principais
vantagens são que esse tipo de usina possibilita
uma energia mais barata quando estão construídas
e funcionando (tirando os altos custos iniciais) e
não produz emissões de carbono. A energia nuclear
é atraente também para países altamente
dependentes da importação de hidrocarbonetos, e
para aqueles com demanda de potência com
crescimento acelerado e que não são inteiramente
abastecidas com a energia fóssil, apenas. Japão e
Coreia do Sul, ambas consumidores entusiastas da
energia nuclear, caíram na primeira categoria.
Antes do desastre de 11 de março invalidar os
reatores de Fukushima Daiichi e forçar o
desligamento de tantos outros, o Japão tinha 54
usinas operáveis de acordo com a Agência
Internacional de Energia Atômica (AIEA), atrás
somente dos Estados Unidos (com 104) e da
França, com 58.
Esse tipo de energia foi responsável por 27%
do total da energia gerada pelo Japão em 2010. A
Coreia do Sul tem menos usinas em operação – 21
no total – mas isso gerou 33% da eletricidade do
país ano passado.
A segunda categoria de países para os quais a
energia nuclear manteve sua atratividade é
daqueles de crescimento e desenvolvimento
acelerado como China e Índia. Em ambos, a
combinação de fatores, como uma população
massiva, crescimento econômico acelerado e uma
grande dependência em carvão, fez com que as
autoridades encarassem a energia nuclear como
uma maneira de elevar a segurança energética e
combater a poluição do ar. O carvão continua sendo
o principal combustível em ambos os países, mas
reduzir sua parcela na geração de potência surgiu
como
um
elemento-chave
para
políticas
energéticas. Ambos os países tem planos
ambiciosos para construção de usinas nas próximas
décadas.
O que exatamente os recentes eventos no Japão
significarão para a indústria global permanece sem
clareza. O esperado era que aumentasse a
visibilidade e foco na questão da segurança, mas no
mundo em desenvolvimento em particular a
necessidade causada pela crescente demanda de
energia
ultimamente
parece
superar
tais
preocupações. A China, por exemplo, foi rápida em
fazer simbólicas manifestações sobre a sua
necessidade
de
se
aproximar
devagar
e
cuidadosamente da aprovação e construção de suas
estações nucleares.
Em outras partes do mundo, o impacto do
incidente de Fukushima Daiichi nas perspectivas da
indústria nuclear parecem estar misturados. O
Professor Pedro Israel
Japão está, seguramente, na posição mais difícil.
Isso não só porque o desastre desligou usinas
térmicas e nucleares que significavam uma
porcentagem grande ta capacidade de geração
total. Também foi porque as opções de energia não
nuclear são muito limitadas. Maior importação de
carvão e óleo, em particular, será necessária para
acertar a questão energética até que a situação
nuclear se torne mais clara.
A maioria dos grandes usuários da energia
nuclear – Estados Unidos, França, Rússia e Reino
Unido – estão se agarrando, de diferentes
maneiras, com o mesmo problema essencial de
possuir reatores velhos que precisam ser
substituídos. A extensão de quais precauções com
segurança representarão um obstáculo para o
processo de melhoramento parece variar.
A França anunciou uma revisão da segurança,
mas o país seguramente está muito comprometido
com a energia nuclear, que representa 77% da
geração, para mudar de curso dramaticamente.
Também há um consenso antigo de todos partidos
políticos em apoiar a energia nuclear.
COP-17: DURBAN, ÁFRICA DO SUL.
A COP-17 (17ª Conferência das Partes da
Convenção do Clima das Nações Unidas), na cidade
sul-africana de Durban, enfrenta grandes desafios
para manter viva a luta contra a mudança
climática.
O acordo de cooperação entre países foi
firmado em 1992 durante a Cúpula da Terra,
realizada no Rio de Janeiro.
A 17ª Conferência das Partes da Convenção do
Clima das Nações Unidas teve início dia 28 de
novembro e irá até o dia 9 de dezembro. É um
fórum multilateral mais amplo (com 195 países)
64
Professor Nilton Matos
para discutir e adotar medidas contra o
aquecimento global.
O texto aprovado reconhece que há uma
lacuna entre a redução de emissões proposta pelos
países e os cortes necessários para conter o
aquecimento médio do planeta em 2 graus acima
da era pré-industrial, objetivo acordado na última
cúpula climática, em Cancún, no final do ano
passado.
Cita-se a formação de um grupo de trabalho
para conduzir a criação desse instrumento, que
deve ser concluída em 2015. A implementação deve
acontecer a partir de 2020. O processo é
denominado "Plataforma de Durban para Ação
Aumentada".
Segundo o texto, ele deve levar em conta
recomendações do novo relatório do Painel
Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas
(IPCC, na sigla em inglês), ainda por ser lançado.
Estima-se que as avaliações científicas sobre as
medidas para conter o aquecimento global devam
ser mais severas.
Protocolo de Kyoto
Além do texto que prevê a criação de um novo
instrumento internacional para que os países
reduzam suas emissões de carbono, foi aprovado
também um segundo período do Protocolo de
Kyoto, único acordo legalmente vinculante de
redução de gases causadores de efeito estufa
atualmente em vigor e que expira em 2012. O novo
período vai, pelo menos, até 2017.
O texto pretende "garantir" que até 2020 as
reduções de emissões dos países envolvidos
(basicamente os da União Europeia e a Austrália)
sejam de, pelo menos, 25 a 40% em relação aos
níveis de 1990. Como anexo, o acordo tem uma
tabela com metas de redução para os países.
Fundo verde
Professor Pedro Israel
65
Professor Nilton Matos
Aprovou-se ainda, neste sábado, um texto que
aprofunda o funcionamento do "fundo verde"
climático. A Coreia do Sul, de acordo com o texto,
ofereceu recursos para dar início a seu
funcionamento.
Mas um outro artigo "convida" as partes a
contribuírem para o fundo. Um dos temores na COP
17 era que se estabelecesse o funcionamento desse
mecanismo, mas que ele virasse uma "casca vazia",
sem dinheiro suficiente para ser efetivo. Esse risco,
diante da pouca disponibilidade de contribuição
mostrada pelas partes em Durban, é iminente.
segundo período de compromisso do Protocolo de
Kyoto –, a reunião mexicana conseguiu despertar a
vontade dos países emergentes de se comprometer
com a redução das emissões, uma das principais
exigências das economias ocidentais.
Além disso, foi criado o Fundo Verde para o
Clima,
que
disponibilizará
aos
países
em
desenvolvimento US$ 100 bilhões anuais a partir de
2020 voltados para energias mais "limpas" e ao
combate das alterações climáticas.
Cancún designou um Comitê Transitório para
traçar os mecanismos do fundo, que canalizará as
contribuições
dos
países
ricos
aos
em
desenvolvimento, cujo objetivo é criar um novo
marco econômico em que todos concorram em
igualdade de condições.
O Protocolo de Kyoto, assinado em 1997 e que
entrou
em
vigor
em
2005,
estabeleceu
compromissos legalmente vinculativos de redução
de emissões de gases do efeito estufa para 37
países desenvolvidos e a União Europeia. O acordo
não foi ratificado pelos Estados Unidos e não obriga
que China, Índia e Brasil o cumpram por serem
economias emergentes.
O protocolo expira em 2012 e os negociadores
estudam um segundo período de compromisso que
sirva de transição para um novo acordo
internacional juridicamente vinculativo.
Centro Tecnológico
Outros itens acordados na última conferência
do clima, em Cancún, como a criação de um Centro
de Tecnologia do Clima, foram aprovados. Definiuse que ele deve ser estabelecido no próximo ano
Negociação
O acordo foi discutido durante duas semanas.
A conferência terminaria nesta sexta-feira, mas
impasses nas negociações fizeram com que
demorasse um dia a mais. A aprovação veio na
madrugada do sábado, ministros e delegados já
exaustos, vários deles cochilando no plenário.
Boa parte das negociações aconteceram em
"indabas", reuniões que a presidência sul-africana
da
conferência
convocou
nos
moldes
das
tradicionais reuniões de anciãos zulus.
A
metodologia
sul-africana
preza
pela
transparência para evitar que o processo se
corroesse por haver conversas paralelas, deixando
algumas partes de fora - o que prejudicou, por
exemplo, a conferência do Clima de Copenhague,
em 2009.
Os países em desenvolvimento consideram
imprescindível que as economias ocidentais
ratifiquem esse segundo período de compromisso
do Protocolo, enquanto Rússia, Japão e Canadá
anunciaram que não renovarão o tratado enquanto
seus concorrentes comerciais, China, Índia e
Estados Unidos não assumirem compromissos
similares. Os países voltarão a se reunir no Catar
(COP-18) ao final de 2012. No entanto, caso não se
acerte em Durban um segundo período de
compromisso do Protocolo de Kyoto, ele expirará
em 2012, invalidando o único acordo de vínculo
legal para a redução de emissões de gases de efeito
estufa.Em 2012, será comemorado 40 anos da
Em 2010, a cúpula de Cancún (COP-16), no
México, devolveu a esperança de se obter um
acordo internacional para a luta contra a mudança
climática depois do fracasso da edição de
Copenhague (COP-15).
Apesar de não ter apresentado solução à
questão mais complexa – a renovação de um
Professor Pedro Israel
66
Professor Nilton Matos
primeira conferência realizadas pelas Nações
Unidas, em Estocolmo (ECO-72), na Suécia.
AÇÃO DA CHINA E DA ÍNDIA CONTRA A
MUDANÇA CLIMÁTICA
É MAIOR DO QUE SE IMAGINA
No ano passado, David Wheeler, um
pesquisador do Centro para o Desenvolvimento
Global em Washington, D.C., calculou que, se
nada mudasse, em 2075 as emissões de gases
de efeito estufa da Índia e da China combinadas
equivaleriam a todas as emissões atuais e do
passado dos países mais ricos do mundo. Em
outras palavras, mesmo que pudéssemos fazer
desaparecer num passe de mágica os impactos
climáticos de todas as revoluções industriais que
aconteceram antes dos anos 90, isso faria pouca
diferença. Sem uma mudança dramática na
forma como a Índia e a China fazem negócios,
apenas postergaríamos o acerto de contas em
algumas décadas; em 2060, estaríamos
novamente no mesmo ponto em que estamos
agora, correndo contra o relógio para evitar a
catástrofe.
Quando o Protocolo de Kyoto estava sendo
negociado no começo dos anos 90, a Índia e a
China mal haviam começado seu estonteante
desenvolvimento das duas últimas décadas. O
momento que foi um marco, há 18 meses,
quando a China ultrapassou os EUA como o
maior emissora de dióxido de carbono do
mundo, mal podia ser imaginado na época.
Ambas as nações haviam sido agrupadas
juntamente
com
outros
países
em
desenvolvimento.
Até três anos atrás, a mudança climática
não era um tema presente no debate público da
China, embora na época a nação mais populosa
do mundo tivesse apresentado a maior e mais
rápida revolução industrial da história.
Isso só mudou quando os líderes chineses
começaram a perceber que sua situação de
maior emissor do mundo não poderia mais ser
ignorada.
Os líderes também tiveram de lidar com o
fato de que o modelo econômico sobre o qual se
baseavam - de produtos baratos voltados para a
exportação, com pouco valor agregado - estava
perdendo força.
Especialistas das universidades do país
foram convocados para informar aos líderes
sobre os efeitos que a mudança climática
poderia ter para o futuro da China.
Sua mensagem foi severa: a prosperidade
que o Partido Comunista havia prometido, e da
qual depende sua contínua reivindicação do
monopólio do poder político, estaria ameaçada.
As reservas de água do país estavam
vulneráveis; sua segurança alimentar não
poderia ser garantida; as cidades recémconstruídas no litoral seriam inundadas pelo
aumento do nível dos oceanos. Partes do sul e
do leste do país estavam vulneráveis a
tempestades tropicais.
O tema
da mudança climática, que antes
Professor
Pedro Israel
era tabu, logo se transformou numa aula
obrigatória de cidadania.
O carvão continua o principal motor da
economia, mas a China agora também tem as
maiores instalações de energia solar e eólica.
A Índia poderia ser vista como um
problema maior. O desenvolvimento da Índia
foi mais lento, o que significa que suas
necessidades futuras serão maiores. E
enquanto Pequim compreende que só a
política não salvará o país de um clima em
mudança, para o governo da Índia e para a
maior parte de sua sociedade civil altamente
ativa, falar de atenuação continua sendo uma
conspiração contra o interesse nacional.
Como a China, a Índia empreendeu uma
corrida tardia em direção a um futuro de
baixas
emissões,
anunciando
planos
ambíguos para energia solar e outros projetos
de desenvolvimento, incluindo uma estratégia
nacional para a água, planos para agricultura
sustentável e a substituição das estações de
energia ineficientes a base de carvão. Quase
todas as noites em Nova Déli, há reuniões
públicas lotadas para discutir a mudança
climática, e as empresas indianas são bem
mais eficientes do que as empresas públicas
da China em se responsabilizar pelas
emissões e reduzí-las.
Nas semanas antes de Copenhague, a
Índia começou a sinalizar uma nova
flexibilidade - ansiosa, talvez, para se livrar
de sua imagem obstrutiva. A China anunciou
que irá obrigar as empresas locais a
responderem por suas emissões e a reduzílas. Essas são ofertas sérias que demandam
uma resposta séria. Mas nenhum país
acredita que é possível um acordo forte em
Copenhague.
Isabel Hilton
(22 de novembro de 2009)
BURACO NA CAMADA DE OZÔNIO
O buraco na camada de ozônio é causado por
reações químicas na estratosfera, a camada
superior da atmosfera, provocadas por substâncias
como os clorofluorcarbonos (CFC), cujo uso em
produtos industrializados foi restringido pelo
Protocolo de Montreal, que entrou em vigor em
1989.
Apesar do tratado, o efeito dessas substâncias
ainda deve se fazer sentir na atmosfera por
décadas. Acredita-se que a o buraco sobre a
Antártida esteja recuperado até 2060. O ozônio
bloqueia raios ultravioletas do Sol, que podem
causar câncer de pele e outras doenças.
Um estudo da Organização Mundial de
Meteorologia (OMM) revelou, em 2010, que a
67
Professor Nilton Matos
camada de ozônio ficou estável na última década,
com o buraco em sua superfície mantendo o
mesmo diâmetro, sem diminuir, nem aumentar.
Esses estudos foram divulgados no Dia
Internacional pela Preservação da Camada de
Ozônio, o trabalho foi feito e revisado por 300
cientistas ligados ao órgão da ONU.
Observações de satélites feitas entre o inverno
de 2010 e a primavera de 2011 mostraram que a
camada de ozônio foi afetada entre 15 e 23 km de
altura. As perdas mais importantes - mais de 80% foram registradas entre os 18 e 20 km.
Além das emissões liberadas na queima de
combustíveis fósseis, o problema do derretimento
do gelo nos solos ártico e antártico pode ser um
sério problema futuro. A quantidade de gasesestufa liberados até 2100 pelo derretimento do
permafrost (o solo congelado do Ártico e da
Antártida) poderá ser até cinco vezes maior do que
se imaginava. Para piorar, esses gases serão ricos
em metano, que tem um alto poder de "multiplicar"
o aquecimento global.
A afirmação é de mais de 40 cientistas da Rede
de Carbono do Permafrost, liderados por Edward
Schuur e Benjamin Abbott, em artigo na revista
científica "Nature".
De acordo com a equipe de cientistas, a falta de
estudos fez com que, até agora, a quantidade certa
de
carbono
contido
no
permafrost
fosse
subestimada, assim como seus potenciais efeitos
sobre o clima global.
NOVO CÓDIGO FLORESTAL
Criado
em
1965,
o
Código
Florestal
regulamenta a exploração da terra no Brasil,
baseado no fato de que ela é bem de interesse
comum a toda a população.
Ele estabelece parâmetros e limites para
preservar a vegetação nativa e determina o tipo de
compensação que deve ser feito por setores que
usem matérias-primas, como reflorestamento,
assim como as penas para responsáveis por
desmate e outros crimes ambientais relacionado.
Sua elaboração durou mais de dois anos e foi feita
por uma equipe de técnicos. A lei que está em vigor
tem 46 anos. Agora, o Congresso Nacional prepara
um novo texto. O projeto foi aprovado na Câmara
dos Deputados em maio e desde então tramita no
Senado. No dia 23 de novembro, o relatório foi
aprovado pela Comissão de Meio Ambiente do
Senado.
A área destinada à Reserva Legal continua a
mesma do texto aprovado pela Câmara de
Deputados.
Na Amazônia
Legal, ela deve
corresponder a 80% da propriedade; no cerrado, a
35%; e nas outras regiões país, a 20%.
O Protocolo de Montreal é apontado como um
dos responsáveis pela preservação da camada pelos
especialistas.
O
montante
de
substâncias
degradadoras de ozônio, lançadas na atmosfera em
2010, foi cinco vezes menor do que o previsto pelo
acordo de Kyoto para o período entre 2008 e 2012.
O índice que leva em conta a diminuição das
emissões expressas em CO2.
A expectativa é que a camada de ozônio volte
a ser restaurada nas próximas décadas. Com a
interrupção nos aumentos dos buracos na Antártida
e no Ártico, o nível da película protetora da Terra
deve retornar durante o meio do século 21 ao
padrão anterior a 1980, época da criação do
Protocolo de Montreal.
Cientistas anunciaram em outubro de 2011
que foi aberto um buraco na camada de ozônio
sobre o Ártico de dimensão equivalente a cinco
vezes o tamanho da Alemanha, igualando-se ao
que existe sobre a região da Antártida.
Provocado por um frio excepcional no Pólo
Norte, este buraco se moveu durante 15 dias sobre
o leste europeu, Rússia e Mongólia, expondo as
populações em alguns casos a níveis elevados de
radiação ultravioleta. Os cientistas afirmaram ainda
que, a cerca de 20 quilômetros acima da superfície
terrestre, 80% do ozônio tinha desaparecido.
O frio intenso continua a ser o fator principal
da destruição do ozônio. Pelo efeito do frio, o vapor
da água e as moléculas de ácido nítrico se
condensam e formam nuvens nas camadas
inferiores da atmosfera. Nessas nuvens o cloro é
formado e finalmente provoca a destruição do
ozônio.
Professor Pedro Israel
68
Professor Nilton Matos
e APP, Área de Preservação Permanente. Elas não
seriam cobradas pelas infrações cometidas antes de
22 de julho de 2008. A partir dessa data, o
pagamento em dinheiro seria convertido em
serviços de preservação e recuperação do meio
ambiente.
O biólogo Ricardo Rodrigues integrou o grupo
técnico da SBPC, Sociedade Brasileira para o
Progresso da Ciência, e da ABC, Academia
Brasileira de Ciências, na discussão sobre o novo
Código Florestal.
“A negociação política foi mais forte do que a
sustentação técnica. Os pontos positivos são a
exigência da restauração de algumas áreas, a
política diferenciada ambiental e agrícola para a
propriedade familiar e reforçar a possibilidade de
pagamento por serviços ambientais. Já os principais
pontos negativos são considerar que a áreas que já
foram degradadas são áreas consolidadas até 2008
e as matas ciliares só serão recuperadas
parcialmente”.
ETANOL E O PROBLEMA DA ENTRESSAFRA
Uma mudança foi abrir exceção para as
pequenas propriedades. Aquelas com até quatro
módulos fiscais ficariam isentas de recompor a
Reserva Legal. O módulo fiscal varia de estado para
estado. Quatro módulos podem ir de 20 a 440
hectares. Outra mudança é que mesmo nas
propriedades com menos de quatro módulos, as
matas ciliares, nas margens de rios, devem ser
recuperadas. Os rios com até dez metros de largura
devem ter uma faixa de mata com no mínimo 15
metros em cada margem. Nos rios com mais de dez
metros, a faixa pode variar de um mínimo de 30 a
um máximo de cem metros.
As
chamadas
Áreas
de
Preservação
Permamente (APPs) são os terrenos mais
vulneráveis em propriedades particulares rurais ou
urbanas. Como têm uma maior probabilidade de
serem palco de deslizamento, erosão ou enchente,
devem ser protegidas. É o caso das margens de
rios e reservatórios, topos de morros, encostas em
declive ou matas localizadas em leitos de rios e
nascentes. A polêmica se dá porque o projeto de
Rebelo flexibiliza a extensão e o uso dessas áreas,
especialmente nas margens de rios já ocupadas.
As regras agradaram ao Ministério do Meio
Ambiente. “Está no equilíbrio entre o que é possível
permitir de ocupação e o que é o mínimo necessário
de recuperação para manter as funções ecológicas
das florestas”, justifica Bráulio Dias, secretário da
Biodiversidade do ministério. Uma das mudanças
no texto foi o artigo 11, que proibia o uso do solo
para atividades agrícolas em encostas com
inclinação entre 25 e 45 graus. Por pressão da
bancada ruralista, uma nova emenda modificou
esse item. O novo código passaria a permitir o uso
dessas áreas. Só seria proibida a utilização das
encostas e morros com inclinação acima de 45
graus.
Um dos pontos de maior discussão foi o das
multas por retirada de vegetação em Reserva Legal
Professor Pedro Israel
Preço do álcool dispara e chega a custar R$
2,40 em algumas cidades.
O preço do álcool está mais de 20% mais caro
do que em 2010 e a situação deve piorar, pois a
entressafra da cana está só começando. Os
motoristas que têm carro flex estão preferindo
abastecer com gasolina. Para os representantes do
setor, o problema está no campo, já que a colheita
da cana diminuiu por causa do clima mais seco e
frio e também por falta de renovação dos canaviais.
No Acre, o litro do etanol já passou de R$ 2,40
e custa em média R$ 2,52, o preço mais alto do
país. Em quase todos os estados, o preço do álcool
passa de R$ 2,00. As únicas exceções são Goiás
(preço médio: R$ 1,98) e São Paulo (preço médio
R$ 1,91), que é o maior produtor do país. Mesmo
assim, no litoral do estado os motoristas têm
reclamado do aumento.
A produção de álcool caiu 20%, enquanto a
frota de carros flex aumentou. Diante da disparada
no preço, o motorista só tem uma opção: abastecer
com gasolina. O rendimento do álcool é bem menor
e para compensar, o litro tem que custar 30% a
menos que a gasolina.
69
Professor Nilton Matos
O governo de Ernesto Geisel foi o responsável
por criar o Programa Nacional do Álcool, o
Proálcool, em 1975, com o intuito de substituir
combustíveis derivados do petróleo, como a
gasolina, por uma fonte alternativa e renovável.
O fato é que desde a crise de 2008 houve
poucos investimentos em aumento de capacidade e
a oferta de álcool não acompanha o ritmo de
crescimento da demanda.
Na última safra, a oferta aumentou 2,7 bilhões
de litros. "Mas isso ficou muito aquém, não
conseguimos responder à velocidade da demanda
com a mesma agilidade", completa o secretário de
Agroenergia do Ministério da Agricultura, Manoel
Bertone.
GÁS NATURAL
Hoje, o gás natural é um combustível
largamente utilizado no mundo todo, respondendo
por cerca de 20% do total da produção de energia.
Algumas projeções apontam que em 2020 haverá
um aumento no consumo da ordem de 86%. Pode
ser usado na forma liquida ou gasosa e há grandes
reservas de gás no planeta. Outra vantagem do seu
uso está na menor quantidade de poluição que
provoca na atmosfera, comparativamente ao
petróleo e ao carvão.
Nos EUA, o gás natural vem sendo cada vez
mais utilizado como fonte energética, embora sua
exploração seja mais difícil e requeira altos
investimentos, mesmo para o transporte por meio
de gasodutos. Por outro lado, nem sempre a
construção de gasodutos que tenham, por exemplo,
de atravessar mais de um país ou caminhos
extremamente longos, pode viabilizar os projetos.
As maiores reservas do mundo estão na região do
Mar Cáspio, norte da África e Rússia, bastante
distantes das principais economias mundiais, o que
dificulta e encarece o uso dessa fonte de energia.
No Brasil cresce também o uso de gás natural,
representando atualmente 8% do consumo total de
energia. A maior parte do gás natural brasileiro é
retirada da Bacia de Campos, onde se encontra a
nossa maior reserva dessa fonte de energia.
Foi desenvolvido para evitar o aumento da
dependência externa de divisas quando dos
choques de preço de petróleo.
O alto preço do barril estimulou o governo
brasileiro a criar regras para que, num primeiro
momento, o álcool anidro fosse adicionado à
gasolina como forma de diminuir a importação dos
barris em meio às crises no Oriente Médio.
O consumidor responde à disparada dos preços
do álcool. Na semana passada, as vendas pelas
distribuidoras caíram 40% no país, em relação à
média semanal de Novembro e Dezembro de 2010,
de cerca de 160 milhões de litros.
Os dados, referentes a 60% do mercado, são
do Sindicom (sindicato dos distribuidores de
combustíveis). Do início da entressafra, em
novembro, até as últimas semanas, os preços do
etanol subiram 22% no país.
O funcionamento do gasoduto Bolívia-Brasil foi
muito importante para o setor energético brasileiro,
Professor Pedro Israel
70
Professor Nilton Matos
gerando um considerável aumento na oferta de gás
natural no país.
Esse gasoduto tem 2.593 km de extensão em
território nacional e 557 km na Bolívia, e custou
aproximadamente 2 bilhões de dólares. A rede de
dutos atravessa os Estados de Mato grosso do Sul,
São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do
Sul e beneficia indiretamente Rio de Janeiro e Minas
Gerais.
O município de Corumbá é a porta de entrada
do Gasoduto Bolívia-Brasil no país.
O Estado de São Paulo recebe 75% do gás
natural boliviano. Os principais setores beneficiados
diretamente pelo gás são os de química e
petroquímica, papel e celulose, metalurgia e de
alimentos e bebidas, além de ser o combustível
também utilizado em veículos, em diversas regiões
do estado. O presidente da Bolívia, Evo Morales,
quando foi eleito em 2005, afirmou, em La Paz, que
pretende estreitar as relações do governo boliviano
com empresas estatais que exploram e produzem
petróleo e gás natural. “Vamos fortalecer as
relações com petrolíferas de Estado”, disse Morales.
“É importante que as empresas de Estado façam
um grande consórcio.” Apesar de não ser
exatamente uma estatal, a Petrobras foi citada pelo
presidente eleito como uma das empresas que
poderiam ajudar a estatal boliviana YPFB a se
fortalecer. A Petrobras é, segundo a definição do
próprio governo, uma sociedade de economia mista
orientada pelo governo brasileiro, que ainda detém
a maioria das ações ordinárias da empresa com
direito a voto. Há alguns meses, uma mudança na
legislação boliviana determinou que a estatal YPFB
volte a atuar no mercado de exploração de gás e
petróleo. De acordo com Morales, o novo governo
boliviano vê com bons olhos iniciativas como a
Petrosul, a associação entre Brasil, Argentina e
Venezuela para cooperação no setor de petróleo e
gás.
Evo Morales também reafirmou que pretende
renegociar os contratos com empresas estrangeiras
que exploram recursos naturais no país, mas
procurou tranqüilizar as companhias que investiram
nas reservas bolivianas.
“Tem que haver o diálogo entre os governos e
as empresas correspondentes”, afirmou Morales.
“Aos sócios, vamos garantir que eles tenham todo o
direito de recuperar seus investimentos. Não
somente recuperar seus investimentos, mas
tenham também o direito de lucro quando
investem. Mas lucro com base no princípio de
equilíbrio.”
Uma das empresas que mais investiram na
Bolívia nos últimos dez anos foi a Petrobras – mais
de US$ 1 bilhão.
Além disso, os recursos arrecadados pelo
governo boliviano com impostos e investimentos da
companhia brasileira representam cerca de 20% do
PIB do país.
O uso dos combustíveis fósseis ocorre da
seguinte forma:
Professor Pedro Israel
CARVÃO MINERAL
Embora o petróleo tenha superado o carvão
mineral como principal fonte de energia ainda no
século XIX, ele ainda é a segunda fonte de energia
mais usada no planeta, representando 26% do total
da produção mundial.
O carvão apesar dos problemas ambientais que
acarreta, é um combustível muito eficiente, pois
tem alto poder calorífico e, ao queimar, libera
grande quantidade de energia. Assim, é usado até
hoje em siderúrgicas e em usinas termelétricas
(para produzir vapor usado em geradores de
energia elétrica), para aquecimento de caldeiras e
de ambientes em países com invernos rigorosos,
como também na indústria de fertilizantes.
Assim como o Petróleo e o Gás Natural, o
Carvão Mineral é extraído de bacias sedimentares.
O carvão é o resultado de um processo de milhões
de anos que teve início no Paleozoico, quando
formações florestais foram soterradas. O carvão
mineral terá maior qualidade quanto mais carbono
tiver.
No Brasil, além de poucas, o carvão energético
brasileiro não é de boa qualidade.
As bacias carboníferas ou cinturão carbonífero
estão concentrados em Santa Catarina, no Rio
Grande do Sul e no Paraná.
As jazidas de Santa Catarina são as que
apresentam melhor qualidade e, portanto, maior
aproveitamento industrial. Apesar disso, esse
carvão precisa passar por um processo de
purificação e ser misturado ao carvão importado,
antes que as usinas siderúrgicas o possam utilizar.
ENERGIAS RENOVÁVEIS
71
Professor Nilton Matos
Energia Eólica
de Ciência e Tecnologia – MCT, o Centro Brasileiro
de Energia Eólica – CBEE, da Universidade Federal
de Pernambuco – UFPE, publicou em 1998 a
primeira versão do Atlas Eólico da Região Nordeste.
A continuidade desse trabalho resultou no
Panorama do Potencial Eólico no Brasil.
No Brasil, a participação da energia eólica na
geração de energia elétrica ainda é pequena. Em
setembro de 2003 havia apenas 6 centrais eólicas
em operação no País, perfazendo uma capacidade
instalada de 22.075 kW. Entre essas centrais,
destacam-se Taíba e Prainha, no Estado do Ceará,
que representam 68% do parque eólico nacional.
A energia eólica tem aumentado sua
participação entre as alternativas não-poluentes de
geração energética. Uma das zonas preferenciais
para o aproveitamento da energia eólica são as
áreas costeiras (litorâneas).
Energia Solar
A Petrobras vai instalar no Rio Grande do Norte
o maior parque de placas fotovoltaicas (energia
solar) do Brasil. A instalação será feita em
Guamaré; e o parque terá ao todo 956 placas. A
instalação dos painéis deve estar concluída até o
final do ano. O investimento nessa estrutura é de
R$ 710.400,00. Quando estiver funcionando, o
maior parque solar do Brasil gerará 80MWh. Toda
essa energia será usada na Unidade Experimental
de Biodiesel I.
Quem informou foi o coordenador do Núcleo de
Energias Renováveis da Petrobras, Henrique Landa.
A energia fotovoltaica tem sido utilizada cada vez
mais pela Petrobras em diversas unidades pelo
Brasil. Em algumas plataformas desabitadas, a
energia solar substituiu o diesel na alimentação dos
dispositivos de medição e monitoramento. No RN,
um exemplo está em Mossoró, onde uma unidade
de bombeamento é alimentada pela eletricidade
obtida através de painéis solares.
O coordenador do Núcleo de Energias
Renováveis da Petrobras, Henrique Landa, declara
que o projeto de Guamaré se destaca porque serão
utilizados 900 painéis que estarão sendo verificados
operacionalmente. “Em uma fase seguinte, vamos
utilizar também a energia térmica para aquecer o
fluido utilizado na produção da UTPF, economizando
o gás que hoje é queimado”.
Por
serem
coletores
solares
de
alto
rendimento, Landa explica que a temperatura
chega a até 200 graus, utilizando toda a
potencialidade. A expectativa é que até o final do
ano o projeto esteja totalmente implantado em
Guamaré. Os painéis já estão disponíveis no Pólo de
Guamaré e aguardam apenas a montagem.
Com o andamento deste projeto, a expectativa
é que a tecnologia possa servir para as indústrias
potiguares interessadas na produção de energia
elétrica a partir do calor do sol. “Visamos, em uma
fase seguinte, o uso dessa tecnologia para a
indústria. É a possibilidade de produzir energia
elétrica sem queimar um combustível fóssil”.
O elevado potencial de energia eólica na
interface “oceano-continente” se deve aos ventos
regulares e constantes resultantes das diferenças
térmicas e barométricas entre terra e mar.
Atualmente, existem mais de 30 mil turbinas
eólicas em operação no mundo. Em 1991, a
Associação Européia de Energia Eólica estabeleceu
como metas a instalação de 4.000 MW de energia
eólica na Europa até o ano 2000 e 11.500 MW até o
ano 2005. Essas e outras metas estão sendo
cumpridas muito antes do esperado (4.000 MW em
1996, 11.500 MW em 2001). As metas atuais são
de 40.000 MW na Europa até 2010. Nos Estados
Unidos, o parque eólico existente é da ordem de
4.600 MW instalados e com um crescimento anual
em torno de 10%. Estima-se que em 2020 o mundo
terá 12% da energia gerada pelo vento.
No
Brasil,
os
primeiros
anemógrafos
computadorizados e sensores especiais para
energia eólica foram instalados no Ceará e em
Fernando de Noronha (PE), no início dos anos 1990.
Os resultados dessas medições possibilitaram a
determinação do potencial eólico local e a
instalação das primeiras turbinas eólicas do Brasil.
Embora
ainda
haja
divergências
entre
especialistas e instituições na estimativa do
potencial eólico brasileiro, vários estudos indicam
valores extremamente consideráveis. Até poucos
anos, as estimativas eram da ordem de 20.000
MW. Hoje a maioria dos estudos indica valores
maiores que 60.000 MW.
De qualquer forma, os diversos levantamentos
e estudos realizados e em andamento (locais,
regionais e nacionais) têm dado suporte e motivado
a exploração comercial da energia eólica no País.
Os primeiros estudos foram feitos na região
Nordeste,
principalmente
no
Ceará
e
em
Pernambuco. Com o apoio da ANEEL e do Ministério
Professor Pedro Israel
72
Professor Nilton Matos
Em qualquer local a superfície do oceano oscila
entre pontos altos e baixo, chamados marés, a
cada 12h e 25m. Em certas baías e estuários, como
junto ao Monte Saint-Michel , no estuário do rio
Rance, na França, ou em São Luís, no Brasil, essas
marés são bastante amplificadas, podendo atingir
alturas da ordem de 15 metros. As gigantescas
massas de água que cobrem dois terços do planeta
constituem o maior coletor de energia solar
imaginável.
As marés, originadas pela atração lunar,
também
representam
uma
tentadora
fonte
energética.
Em conjunto, a temperatura dos oceanos, as
ondas e as marés poderiam proporcionar muito
mais energia do que a humanidade seria capaz de
gastar , hoje ou no futuro, mesmo considerando
que o consumo global simplesmente dobra de dez
em dez anos. A energia das marés é obtida de
modo semelhante ao da energia hidrelétrica.
O gerente executivo de Desenvolvimento
Energético, Mozart Schmitt, enfatiza o interesse da
Petrobras em investir nestes estudos de energia
renovável. “Nós temos olhado com atenção os
potenciais da energia solar, a gente sabe que temos
altos índices de insolação. A gente tem estudado
alguns projetos para termossolares, isso é viável
hoje economicamente, porém a competitividade de
projetos de geração de energia elétrica a partir do
aquecimento solar, hoje ainda não existe por aqui”.
Não é á toa que a Petrobras vai instalar este
projeto piloto de energia solar no Rio Grande do
Norte. O Estado tem cerca de 300 dias (ou mais) de
sol, cada um deles com aproximadamente 10 horas
de sol visível. Apesar da abundância, este tipo de
energia não é explorada em larga escala no Estado
(nem no Brasil). Em Natal, o uso mais comum da
energia que vem do sol é feito por hotéis e
pousadas como forma de reduzir os custos relativos
a energia elétrica.
Em geral, as placas são usadas para
aquecimento da água usada pelos hospedes. A
economia gira em torno de 30%. O sistema de
captação de energia solar é composto por painéis
que captam a luz e transferem seu calor para a
água armazenada num reservatório chamado
“boiler”. E época de chuva, esse tipo de
aquecimento tem de ser auxiliado com energia
elétrica. Para aquecer água usada numa residência
com quatro moradores, são necessários cerca de 4
metros quadrados de painéis.
Constrói-se uma barragem, formando-se um
reservatório junto ao mar. Quando a maré é alta, a
água enche o reservatório, passando através da
turbina hidráulica, tipo bulbo, e produzindo energia
elétrica. Na maré baixa, o reservatório é esvaziado
e a água que sai do reservatório passa novamente
através da turbina, em sentido contrário,
produzindo energia elétrica.
Este tipo de fonte é também usado no Japão,
na França e na Inglaterra. A primeira usina
maremotriz construída no mundo para geração de
eletrecidade foi a de La Rance, em 1963 capaz de
gerar 240 MW. A usina possui 24 turbinas de 5,3
metros de diâmetro, 470 toneladas e uma potência
unitária de 10 MW.
Energia das Marés
Energia Geotérmica
É o modo de geração de eletricidade através
da utilização da energia contida no movimento de
massas de água devido às marés. Dois tipos de
energia maremotriz podem ser obtidas: energia
cinética das correntes devido às marés e energia
potencial pela diferença de altura entre as marés
alta e baixa.
Professor Pedro Israel
Energia geotérmica é a energia adquirida a
partir do calor que provêm do interior da Terra. O
potencial da energia geotérmica como uma fonte
limpa de energia levantou grandes esperanças. É
importante ressaltar que o calor utilizado para gerar
energia, vem repleto de inúmeros gases dentre eles
o enxofre. Portanto, considerá-la plenamente limpa
73
Professor Nilton Matos
é arriscado. Seus defensores acreditam que ela
pode afetar significativamente a dependência
americana
de
combustíveis
fósseis
–
potencialmente suprindo aproximadamente 15% da
eletricidade do país até 2030.
O calor da Terra está sempre ali, esperando
para ser extraído, ao contrário das energias eólica e
solar, que são intermitentes e, portanto, mais
inconstantes. Segundo um relatório geotérmico de
2007, financiado pelo Departamento de Energia, a
energia geotérmica avançada poderia, em teoria,
produzir 60 mil vezes mais a que é usada
anualmente pelo país.
Frente aos resultados estimulantes obtidos por
experiências como a Central Geotérmica de Soultzsous-Forêt, a revista britânica The Economist não
hesitou em apontar a energia geotérmica, em um
relatório publicado em junho, como uma das cinco
fontes de energia do futuro. Embora o custo de
exploração seja um problema, o maior entrave à
viabilidade comercial é outro: geólogos e
engenheiros ainda não sabem como dominar os
terremotos, um de seus potenciais "efeitos
colaterais".
RESERVA RAPOSA SERRA DO SOL
Uma disputa está em curso no norte de Roraima,
em torno da criação da Terra Indígena Raposa Serra
do Sol, caracterizada por um complexo conflito de
interesses entre arrozeiros, indígenas, políticos
locais, federais e ONGs. Tal contenda envolve
aspectos
econômicos,
políticos,
geográficos,
antropológicos e ambientais.
No local, fronteira com a Guiana e a
Venezuela, o STF (Supremo Tribunal Federal)
suspendeu uma operação da Polícia Federal que
retirava os rizicultores (plantadores de arroz) da
área. A decisão tomada pelo STF atende a uma
reivindicação do governo estadual, que defende
uma solução consensual para pôr fim ao conflito.
Nas experiências realizadas na Alsácia, o risco
de micro-sismos revelou-se o maior empecilho
técnico. O desafio é encontrar um meio de impedir
que as injeções de água em baixa temperatura não
causem rachaduras na camada de rochas
aquecidas. O choque térmico, apontaram os testes
no subsolo, podem provocar reacomodação e
abalos sísmicos. A prova disso ocorreu em 2003,
quando um terremoto de 2,9 graus na escala
Richter foi sentido na região de Soultz-sous-Forêt.
"Há risco de que zonas geológicas estáveis
enfrentem mudanças de sismicidade. Ainda não
conseguimos responder a essa questão”, reconhece
Philippe Duma, delegado do Conselho Europeu de
Energia Geotérmica. Esse obstáculo é o desafio dos
próximos anos. Em Soultz, a solução foi a
"estimulação química": injeção de ácido clorídrico,
que reage nas rochas dissolvendo os carbonetos.
Resta saber qual será o impacto a longo termo da
solução. As informações são do jornal O Estado de
S. Paulo.
POLÍTICAS SÓCIOECONÔMICAS
E TERRITORIAS
Professor Pedro Israel
Em sua defesa, os rizicultores alegam que
chegaram à área antes de a reserva ser criada e
que a atividade representa 40% da produção
agrícola do Estado. Considerada a última grande
terra indígena da Amazônia, a reserva foi
estabelecida pelo governo federal em uma área
onde havia assentamentos de não-índios. Para
evitar o conflito, o governo de Roraima sugeriu que
a reserva fosse delimitada por "ilhas" e não em
terras contínuas, para permitir a manutenção da
atividade agrícola. Esta proposta, porém, não foi
aceita pelo governo federal, o que remeteu a
questão ao STF. Outra grande reserva em conflito
permanente é a Ianomâmi, que fica entre o norte
do Amazonas e Roraima. Com 9,7 milhões de
hectares (o equivalente a todo o Estado de Santa
Catarina), a reserva foi invadida por garimpeiros e
fazendeiros.
74
Professor Nilton Matos
A divisão do Pará, que acontecerá caso a
decisão seja aprovada em plebiscito estadual
marcado para o dia 11 de dezembro, daria origem a
três estados muito desiguais tanto em tamanho
quanto em extensão territorial: Pará, Carajás e
Tapajós.
Atualmente, as principais forças da economia
do Pará são a extração de minério e de madeira,
com destaque para o ferro, bauxita, manganês,
calcário, ouro e estanho; além da agricultura,
pecuária, indústria e turismo.
Os eleitores paraenses rejeitaram no dia 11 de
dezembro a divisão do Estado. O resultado mostrou
que 69,68% disseram não à criação do Tapajós, no
sudeste do Pará, e 70,2%% disseram não à criação
do Carajás, no oeste.
A decisão foi considerada um revés para os
partidários do sim à separação. A população do que
seria o novo Pará, majoritariamente antidivisão, é
muito superior à soma dos moradores das áreas
separatistas: 4,6 milhões, ante 2,9 milhões.
Mesmo que a divisão fosse aprovada, ainda
precisaria ser submetida ao crivo do Congresso, por
meio de uma lei complementar, conforme rege a
Constituição.
Agora, uma nova proposta de consulta pela
divisão do Estado só poderá ser apresentada na
próxima legislatura, a partir de 2015.
Um
levantamento
realizado
pela
Funai
(Fundação Nacional do Índio) mostra que a
regularização da terra não significa tranqüilidade
para os indígenas. Em todo o país, existem
aproximadamente 107 milhões de hectares
destinados aos índios, sendo que desse total, 97
milhões
(o
equivalente
a
90,6%)
estão
homologados.
Em 1910 foi criado no Brasil o Serviço de
Proteção ao Índio (SPI), órgão que inaugurou a
política indigenista no país. O serviço foi pioneiro na
demarcação de terras, o que garantiu a
sobrevivência das tribos. O SPI foi substituído, em
1967, pela Fundação Nacional do Índio (Funai).
DIVISÃO DO PARÁ
Professor Pedro Israel
75
Professor Nilton Matos
ELEIÇÕES NOS EUA
O presidente americano é até o momento o
único nome entre os democratas e a expectativa é
de que seja confirmado como o candidato do seu
partido na disputa.
Em um sistema político dominado por duas
siglas – Democrata e Republicano -, a eleição
presidencial nos Estados Unidos é um processo
longo e complexo.
Veja as principais etapas do caminho rumo à
Casa Branca:
Como são escolhidos os candidatos que vão
concorrer à Presidência?
Estudo
realizado
pelo
Instituto
de
Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do
Pará (Idesp) aponta que, caso a divisão se tornasse
realidade, Tapajós teria mais de três vezes o
tamanho do Pará já dividido, e apenas um quinto
do seu Produto Interno Bruto (PIB).
Para o economista Célio Costa, descentralizar a
administração é fundamental em estados que ele
classifica como “superdimensionado”, como o Pará.
Segundo ele, o Pará tem quatro vezes o tamanho
da média dos territórios dos estados brasileiros e
“não arrecada o suficiente para cuidar dos seus
milhões de habitantes”. Números levantados por
Costa apontam que, em 2010, o estado gastou R$
110 milhões a mais do que arrecadou em 2010.
"Do ponto de vista das finanças e da dimensão
territorial, que é enorme, o Pará é inadministrável”,
afirma Costa. "Os estados de São Paulo, Rio de
Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Santa
Catarina, que têm os cinco orçamentos mais ricos
do país, cabem dentro da área do Pará, que tem
um orçamento para toda a região.
Uma candidatura à Presidência dos Estados
Unidos começa mais de um ano antes da data da
eleição, quando os políticos que pretendem
concorrer formam comitês para analisar suas
chances na disputa e arrecadar fundos para a
campanha.
Campanha nos Estados começa com um ano de antecedência
O segundo passo é declarar oficialmente sua
candidatura à indicação do partido para concorrer à
Professor Pedro Israel
76
Professor Nilton Matos
Presidência. A partir de então, os pré-candidatos
democratas e republicanos (os dois partidos que
dominam a política americana) começam a fazer
campanha nos diferentes Estados, em uma disputa
quase tão competitiva quanto a própria corrida
presidencial.
De janeiro a junho do ano eleitoral ocorre a
temporada de primárias e caucus dos dois partidos,
nos quais os eleitores de cada um dos 50 Estados
americanos e alguns territórios escolhem delegados
partidários, que prometem apoiar determinado précandidato.
São esses delegados eleitos durante a
temporada de prévias que irão participar da
convenção nacional de cada partido, realizada por
volta de agosto ou setembro, na qual o candidato
de cada partido é oficialmente escolhido.
assim, receber maior atenção dos candidatos, o que
também ajuda a colocar em evidência questões
importantes para seus eleitores e aumenta as
chances de que os problemas locais ganhem mais
atenção pelo futuro presidente.
Além disso, a economia dos Estados que
abrem o calendário eleitoral lucra com os recursos
extras decorrentes das propagandas eleitorais, das
visitas frequentes dos candidatos e do assédio da
imprensa. Para os candidatos, vencer um grande
número de prévias já no início do calendário
eleitoral representa um estímulo à campanha, e
depois de muitas vitórias, as disputas nos últimos
Estados podem se tornar irrelevantes. Diante dessa
briga por influência, a cada ano eleitoral, novos
Estados desafiam as regras de seus partidos e
antecipam suas prévias, fazendo com que outros
Estados também realizem a votação mais cedo, e
alterando o calendário eleitoral. Neste ano, o
caucus de Iowa será realizado nesta terça-feira, e a
primária de New Hampshire no dia 10, cerca de um
mês antes do previsto inicialmente.
Qual a diferença entre caucus e primária?
Os procedimentos nos caucus e primárias
variam de acordo com o partido e também com a
lei de cada Estado.
Nos caucus a escolha dos delegados é feita em
reuniões políticas realizadas em residências, escolas
e outros prédios públicos, nas quais os eleitores
debatem sobre seus candidatos e temas eleitorais.
No caso do caucus republicano de Iowa, após
as discussões é realizada uma votação para
escolher o candidato e eleger os delegados, que
prometem apoiar aquele candidato nas convenções.
Os delegados eleitos no caucus participam de
convenções nos condados, nas quais são eleitos os
delegados que irão às convenções estaduais que,
por fim, definem os delegados a serem enviados à
convenção nacional. Nas primárias, a votação segue
o formato tradicional, no qual os eleitores votam
em seu candidato por meio de cédulas. O précandidato que vencer a primária ganha os
delegados daquele Estado, que irão apoiá-lo na
convenção nacional. As primárias podem ser de três
tipos. Nas fechadas, os eleitores só podem escolher
o candidato do partido em que forem registrados.
Nas abertas, geralmente os eleitores podem votar
em
apenas
uma
das
primárias,
mas
independentemente do partido - ou seja, um
democrata pode votar na primária republicana. Há
ainda casos de primárias em que os eleitores
podem votar nos candidatos dos dois partidos.
Qual a importância da Super Terça-Feira
A Super Terça-Feira é dia em que diversos
Estados realizam prévias simultâneas. O termo
começou a ser usado na década de 80, quando três
Estados realizaram prévias simultâneas na segunda
terça-feira de março. Neste ano, está marcada para
6 de março e ocorre em mais de 10 Estados.
A data é considerada crucial, já que um
candidato com bom desempenho nessas votações
simultâneas pode assumir a liderança da corrida e,
em alguns casos, dependendo do número de
delegados conquistados, já garantir a indicação do
partido antes mesmo da convenção nacional.
O que são os Estados decisivos?
Como é definido o calendário de prévias?
Historicamente, Iowa realiza o primeiro caucus
e New Hampshire a primeira primária. Críticos
reclamam do fato de esses Estados serem
pequenos (3 milhões e 1,3 milhão de habitantes,
respectivamente),
rurais
e
com
população
majoritariamente branca, pouco representativos da
população geral do país. Ambos, porém, defendem
o lugar privilegiado no calendário eleitoral e têm
leis estaduais que determinam que suas votações
devem ocorrer antes das de outros Estados.
Geralmente, há uma briga entre os Estados
para realizar suas votações antes dos outros e,
Professor Pedro Israel
Militante de Mitt Romney hasteia bandeira de Iowa antes do
caucus no país
Os Estados chamados de "swing states" são
aqueles em que nenhum dos dois partidos possui
uma maioria clara na preferência dos eleitores.
Portanto, esses Estados podem pender para um
lado ou para o outro e serem decisivos na eleição.
Flórida, Ohio, Virgínia, Colorado e Nevada são
exemplos desses Estados.
Quem são os principais pré-candidatos?
77
Professor Nilton Matos
Até então, do lado democrata, o presidente
Barack Obama parece não ter adversários com
chance de desafiar sua candidatura.
Entre os republicanos, os principais précandidatos são Mitt Romney, ex-governador de
Massachusetts que já tentou a candidatura em
2008, Newt Gingrich, ex-presidente da Câmara dos
Representantes (deputados federais) que galgou
posições nas pesquisas de intenção de voto mais
recentes, os congressitas Ron Paul e Michelle
Bachmann, o governador do Texas, Rick Perry, o
ex-senador Rick Santorum e o ex-governador de
Utah Jon Huntsman.
Presidente Barack Obama deve concorrer a um segundo mandato
Geralmente, quando a convenção nacional é
realizada já se sabe quem será o indicado do
partido, e o evento funciona mais como uma
oportunidade de promover o nomeado e a agenda
política do partido. No entanto, também é possível
que dois ou mais pré-candidatos cheguem à
convenção praticamente empatados, fazendo com
que a votação seja competitiva, e não apenas uma
coroação do candidato mais bem-sucedido.
Além dos delegados escolhidos nas prévias,
também participam das convenções nacionais os
chamados
"superdelegados".
Esses
"superdelegados" não são definidos nas prévias e
não tem alinhamento definido com os précandidatos, e podem escolher seu indicado na
própria convenção. A convenção nacional também
costuma ser a ocasião em que o indicado oficial do
partido escolhe o vice de sua chapa, muitas vezes
entre os pré-candidatos derrotados.
Há candidatos de outros partidos além do
Democrata e do Republicano?
Sim. Mais de 300 americanos já se
inscreveram para concorrer à presidência na eleição
de 2012, tanto pelos dois principais partidos quanto
por agremiações menores ou mesmo como
independentes. A Constituição determina que
qualquer cidadão americano nascido nos Estados
Unidos que tenha no mínimo 35 anos de idade e
tenha vivido no país por pelo menos 14 anos pode
concorrer à Presidência. No entanto, esses
candidatos não têm chances reais de chegar à
etapa final da disputa e terem seus nomes inscritos
na cédula de votação. As regras para que um
candidato que não seja o indicado democrata ou
republicano tenha seu nome na cédula variam em
cada Estado. Geralmente é exigida a apresentação
de uma petição com um número determinado de
assinaturas de eleitores registrados, que pode
chegar a dezenas de milhares, dependendo do
Estado.
Quando
os
candidatos
formalmente anunciados?
oficiais
Como é a votação final?
A reta final da eleição presidencial americana
começa após as convenções nacionais dos partidos,
quando o candidato democrata e o republicano
reforçam o investimento em prograganda e
campanhas nos Estados e se enfrentam em
debates.
A votação final é realizada sempre na terçafeira após a primeira segunda-feira de novembro,
que neste ano cai no dia 6. Tecnicamente, os
americanos não participam de uma eleição direta.
Eles escolhem "eleitores" que se comprometem
com determinado candidato e formam um Colégio
Eleitoral que vai eleger o presidente. O número
desses "eleitores" varia em cada Estado, de acordo
com o tamanho da população.
Geralmente o candidato vencedor do voto
popular leva todos os votos do colégio eleitoral
daquele Estado, mesmo que a vitória seja por uma
margem pequena. Esse sistema permite que um
candidato
chegue
à
Casa
Branca
sem
necessariamente ter o maior número de votos
populares no âmbito nacional. Isso ocorreu em
2000, quando George W. Bush venceu Al Grore.
Além de escolher o presidente, a eleição de 6
de novembro também vai renovar a Câmara dos
Representantes (deputados federais) e um terço do
Senado, além de eleger governadores em 11
Estados e dois territórios. O novo presidente
são
O anúncio oficial do candidato que vai
concorrer à Presidência por determinado partido é
realizado na convenção nacional, quando os
delegados selecionados nas prévias votam no nome
escolhido pelos eleitores de seus Estados.
Nesse sistema, o pré-candidato que vencer o
maior número de prévias ganha a promessa de
apoio do maior número de delegados. O précandidato com o apoio do maior número de
delegados na convenção nacional ganha a
nomeação do partido.
Na disputa republicana deste ano, os précandidatos precisarão do apoio de 1.144 delegados
(ou seja, metade mais um do total de 2.286
delegados) para ganhar a indicação do partido.
Professor Pedro Israel
78
Professor Nilton Matos
americano, conforme a Constituição, deve tomar
posse no dia 20 de janeiro do ano seguinte à
eleição.
Tais perspectivas, anunciando um conflito
durável e de grandes proporções no Oriente Médio
e na Ásia Central, levam a reativação das
negociações diplomáticas. Um novo encontro terá
lugar em breve entre o governo de Teerã e o
chamado Grupo dos Seis que reúne os cinco
membros permanentes do Conselho de Segurança
da ONU (China, Estados Unidos, França, Reino
Unido e Rússia), mais a Alemanha.
De todo modo, as tensões entre Israel e Irã já
aumentaram o preço do petróleo e provocaram
uma mudança no debate presidencial americano.
Na verdade, nas primárias para disputar a eleição
contra
Barack
Obama,
os
pré-candidatos
republicanos haviam abandonado as críticas à
política econômica da Casa Branca depois do
anúncio surpreendentemente favorável do mês de
janeiro, quando a taxa de desemprego americana
caiu para 8,3%, no seu nível mais baixo dos últimos
três anos.
Reiniciou-se
então
a
chamada
“guerra
cultural”, na qual os republicanos atacavam o
presidente Obama a respeito de questões ligadas
ao aborto, à religião e à escola pública. Porém, a
radicalização desses debates deu lugar a excessos –
de novo voltaram as acusações de que Obama seria
um muçulmano disfarçado – prejudicais aos précandidatos republicanos e em particular a Mitt
Romney, o oponente mais ameaçador do atual
presidente, segundo a maioria das sondagens.
Agora, com a alta do barril do petróleo e o
aumento nos postos de gasolina americanos, os
republicanos podem retomar os ataques à Casa
Branca num terreno mais banal e menos
controverso: a alta do custo de vida durante a
presidência de Barack Obama.
A INFLUÊNCIA DO ORIENTE MÉDIO NA
CAMPANHA PRESIDENCIAL DOS EUA.
Nos últimos dias, uma série de reportagens da
mídia
americana
e
europeia
analisou
as
possibilidades e os efeitos de uma ofensiva aérea
israelense contra as instalações nucleares iranianas.
O New York Times avaliou que um ataque maciço,
utilizando cerca 100 aviões de combate mais
aeronaves de reabastecimento no ar – visto que os
caças israelenses teriam de cruzar 3.200 km de ida
e volta, e enfrentar a defesa antiaérea do inimigo
para completar a operação – não garantia a
destruição da ameaça nuclear do Irã.
O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, disse que o
país não vai ceder a pressões
Na circunstância, Israel precisaria bombardear
simultaneamente quatro instalações nucleares bem
defendidas no sul de Teerã, sendo que duas delas,
a de Natanz e a de Fordo, são subterrâneas.
Segundo o jornal americano, a ofensiva poderia
seguir a rota mais curta, que atravessa o espaço
aéreo da Jordânia e em seguida o do Iraque, que
não possui defesa antiaérea.
Respondendo ao New York Times num artigo
publicado no Jerusalem Post, Yaakov Katz,
comentarista militar do jornal israelense, acusou o
jornal nova-iorquino e o governo americano de
“tentar minar a confiança de Israel em suas
próprias capacidades militares” ao sublinhar os
limites estratégicos da eventual ofensiva contra o
Irã. Katz argumenta que um entendimento prévio
entre Israel e os Estados Unidos será necessário
para garantir que, após um ataque israelense, o Irã
não possa reconstruir suas instalações militares. Na
mesma ordem de ideias, citando o jornal israelense
Haaretz, o francês Le Monde reproduz declarações
de oficiais da força aérea de Israel, segundo os
quais os projetos nucleares de Teerã só sofrerão
uma interrupção “de dois ou três anos no máximo”,
depois de um primeiro ataque. Consequentemente,
uma segunda ofensiva deverá ser realizada em
seguida, segundo o diário.
Professor Pedro Israel
SEMELHANÇAS ENTRE AS CAMPANHAS
PRESIDENCIAIS NA FRANÇA E NOS EUA.
Quem viaja da França para os Estados Unidos,
onde as campanhas presidenciais estão em pleno
vapor, não pode deixar de comparar o debate
eleitoral nos dois países. Embora a eleição
presidencial francesa, com os dois turnos fixados
em abril e maio, esteja mais próxima que a
presidencial americana, as primárias do partido
republicano mergulham os Estados Unidos num
longo período pré-eleitoral. Às vezes a cultura
política dos dois países parece bastante próxima.
Outras vezes, as diferenças são marcantes.
79
Professor Nilton Matos
"tempestade" econômica e financeira "mais grave e
perigosa que o mundo conheceu desde os anos 30".
"Os que dizem que não enfrentaram nada
grave estão mentindo", acrescentou o candidato da
UMP diante dos olhares de sua esposa, Carla Bruni;
do primeiro-ministro francês, François Fillon, e do
ministro de Relações Exteriores, Alain Juppé, entre
outros que estavam nas primeiras filas.
Além de usar em várias ocasiões seu slogan de
campanha, "França forte", Sarkozy chegou a
desafiar os presentes para mostrar os avanços de
seu Governo.
"Se um francês duvidar do que acabo digo, que
pergunte aos operários gregos, aos aposentados
italianos, aos funcionários portugueses e aos
desempregados espanhóis, onde o índice de
desemprego aparece três vezes mais alto que na
França", prosseguiu.
Segundo uma pesquisa publicada pela "LH2Yahoo!" antes do comício, Sarkozy reduziu
ligeiramente sua desvantagem ao aspirante
socialista, François Hollande, e teria 26% dos votos
no primeiro turno das eleições do próximo dia 22 de
abril. No entanto, a mesma pesquisa aponta para
uma derrota de Sarkozy no segundo turno, previsto
para o dia 6 de maio.
Quatro dias depois de confirmar sua intenção
de reeleição, o candidato conservador também
abordou assuntos relacionados com a imigração
ilegal, presente em suas propostas sobre a
"identidade nacional".
"Uma imigração não controlada acarreta muito
sofrimento e pode provocar uma tensão social, já
que a taxa de desemprego na França já alcança
10%", alertou Sarkozy, que exaltou os "valores
republicanos" contra aqueles que querem "separar
os homens das mulheres nas piscinas municipais".
"Não queremos que nossa identidade seja
sacrificada diante da moda do momento", ressaltou
o presidente francês, que não citou expressamente
o casamento homossexual.
Entre bandeiras da França e gritos de
incentivo, o candidato se mostrou contra Hollande
no campo econômico, já que o opositor foi acusado
de manter um discurso duplo e parecer "Margareth
Thatcher em Londres e Mitterrand em Paris", em
referência
a
uma
entrevista
concedida
recentemente por seu rival à imprensa britânica.
No âmbito energético, Sarkozy criticou o
acordo alcançado entre socialistas e ecologistas
para reduzir o peso da eletricidade de origem
atômica na França, de 75% para 50% até o ano de
2025.
Mitt Romney admite que fala francês e conhece a França, mas
nem por isso deixou de atacar o "europeismo" de Obama
Residindo há muito tempo em Paris e
colaborador regular da revista Time, o jornalista
americano Donald Morrison publicou no Le Monde
um artigo sobre as presidenciais nos dois países.
Intitulado “Uma boa escolha para o Palácio
[presidencial] do Eliseu: Barack Obama”, o texto
alinha num tom irônico as qualidades de Obama –
sua calma, sua formação nas grandes universidades
e sua expressão verbal bem articulada – que o
aproximariam do perfil tradicional dos presidentes
franceses anteriores a Sarkozy e o tornariam um
perfeito candidato à presidência da França.
ELEIÇÕES NA FRANÇA
Em seu primeiro grande comício dentro da
campanha de reeleição - realizado na cidade de
Marselha -, o presidente da França, Nicolas
Sarkozy, afirmou que os franceses escaparam de
uma grande "catástrofe" econômica e que suas
propostas seguem centradas na unidade do país.
Diante de aproximadamente 11 mil pessoas,
Sarkozy apresentou um discurso moderado. "Não
pretendo dizer que tivemos êxito em tudo, mas
escapamos de uma grande catástrofe", disse o
presidente em seu discurso de quase uma hora.
Neste, o atual Chefe de Estado francês afirmou que
não quer ser "um candidato da elite contra o povo".
O candidato conservador, que aspira seu
segundo mandato, exaltou valores como o trabalho,
responsabilidade e autoridade, os mesmos que
transformaram Sarkozy em presidente no ano de
2007 e que seguirão fazendo parte de sua atual
campanha.
Vestido com terno e gravata preto e tendo a
bandeira francesa como pano de fundo, Sarkozy
defendeu as conquistas de sua gestão diante da
Professor Pedro Israel
CRISE NO ESTREITO DE ORMUZ
O Estreito de Ormuz, no Irã, é uma importante
rota de trânsito de petróleo e gás mundial. A tensão
internacional entre o Irã e os Estados Unidos, agora
focalizada no estreito de Ormuz, que fecha o golfo
Pérsico, mostra a importância desta região e, de
maneira mais geral, do golfo de Omã e do Mar
80
Professor Nilton Matos
Arábico (parte norte do Oceano Índico). Situada na
convergência das vias marítimas e terrestres que
ligam o Mediterrâneo ao Índico, e conectam a
Europa à África Oriental e à Ásia, esta parte do
mundo sempre teve grande peso geopolítico. A
entrada dos europeus foi inaugurada pelas
incursões do almirante português Afonso de
Albuquerque, que conquistou a ilha de Ormuz em
1515, depois de ter conquistado Malaca em 1511,
controlando assim os dois principais estreitos do
Oriente Médio e da Ásia.
na região se reforçou, aumentando a pressão sobre
o regime dos aitolás que dirige o Irã com mão de
ferro. Dotado de um programa nuclear que intimida
Israel e os países ocidentais, majoritariamente de
religião muçulmana xiita, o Irã aparece também
como uma ameaça às monarquias árabes do golfo
Pérsico, sunitas em sua maioria. Já existe uma
disputa de fronteiras no Golfo: três ilhas ocupadas
pelos iranianos em 1971 são reinvidicadas pelos
Emirados Árabes Unidos.
Reagindo às últimas sanções financeiras
impostas pelos Estados Unidos, o regime de Teerã
iniciou manobras militares no golfo Pérsico e, mais
uma vez, ameaçou bloquear o estreito de Ormuz,
por onde passam 40% do petróleo comercializado
no mundo. Tanto a Rússia como a China veem a
possibilidade de uma intervenção americana na
região como um ato hostil aos seus interesses
econômicos e geopolíticos. Assim, Pequim e Moscou
bloquearão, no Conselho de Segurança da ONU,
qualquer iniciativa militar dos Estados Unidos e da
Europa contra o Irã.
Neste enfrentamento entre velhas rivalidades
(ocidentais versus orientais, persas versus árabes,
xiitas versus sunitas) pouco tem se falado de um
novo ator: a Índia.
Em novembro de 2010, a presidente da Índia,
Pratibha Patil, visitou Abu Dhabi, o principal
emirado do golfo Pérsico, onde trabalham centenas
de milhares de imigrantes indianos. Na mesma
semana, concluiam-se os principais trabalhos do
oleduto de 400 km de Abu Dhabi que contorna o
estreito de Ormuz e transportará, por dia, 1,5
milhão de barris de petróleo até o golfo de Omã.
Ora, o golfo de Omã é uma área onde a presença
naval e econômica indiana se faz sentir
pesadamente. Nos comunicados oficiais, não houve
alusão à coincidência das datas da visita da
presidente indiana e da conclusão do oleoduto de
Abu Dhabi. Mas é evidente que a Índia age
discretamente para evitar qualquer conflagração no
golfo Pérsico.
No volume 2 de suas "Décadas da Ásia"
(1553), o historiador João de Barros, que foi
também
donatário
(falido)
das
capitanias
hereditárias do Pará e do Ceará, escreveu sobre
Ormuz: “A cidade em si é muito magnífica em
edifícios, grossa em trato por ser uma escala onde
concorrem todas as mercadorias orientais e
ocidentais... de maneira que não tendo a ilha em si
coisa própria, por carreto tem todas as estimadas
do mundo”.
Os portugueses ficaram em Ormuz até 1622,
quando sua fortaleza foi tomada por uma frota de
guerra
anglo-persa,
armada
numa
dessas
inesperadas alianças militares que sacodem
periodicamente o golfo Pérsico. A partir de então o
golfo Pérsico ficou sob a dupla influência da Pérsia
(atual Irã) e da Inglaterra.
Com a descolonização inglesa, a independência
dos países da região e suas imensas reservas de
petróleo, o golfo Pérsico ganhou de novo destaque
estratégico nas relações internacionais. As três
guerras
das
últimas
décadas
ilustram
a
redistribuição das cartas no Golfo.
A primeira, a guerra entre o Irã e o Iraque
(1980-1988),
mostrou,
mais
uma
vez,
o
antagonismo entre persas e árabes. Enfraquecido
pela guerra, o Iraque foi descontar a fatura nas
costas do Kuwait, invadindo o rico país vizinho e
desencadeando a segunda guerra do Golfo (19901991). A terceira guerra do Golfo (2003-2011)
termina com a destruição do Iraque e a instalação
de um governo pró-ocidental em Bagdad. No meio
tempo, a presença militar e econômica americana
Professor Pedro Israel
SUCESSÃO NA CORÉIA DO NORTE
O líder norte-coreano Kim Jong-Il morreu no
dia 17 de dezembro de 2011 vítima de um ataque
cardíaco, aos 69 anos. A informação foi confirmada
pela televisão estatal do país, um dos mais
fechados do mundo.
Ele havia sofrido em agosto de 2008 um
derrame cerebral, mas, segundo a agência estatal
de notícias do país, faleceu em consequência de um
"infarto do miocárdio severo e de uma crise
cardíaca" quando viajava de trem em um de seus
deslocamentos habituais para fora da capital.
Desde 2008, as aparições públicas de Kim
foram contadas e nelas mostrou uma figura cada
vez mais frágil e cansada, embora sempre com
seus inseparáveis óculos de sol e o uniforme militar
que
se
transformaram
em
sua
marca
81
Professor Nilton Matos
registrada. Um
analista
japonês,
Toshimitsu
Shigemura, chegou a defender que Jong-il teria
morrido de diabete em 2003 e seria interpretado
por sósias em eventos públicos – um deles,
inclusive, teria se submetido a cirurgias plásticas
para ficar mais parecido com o líder.
O filho mais novo do ditador Kim Jong-Un, de
apenas 30 anos e general de quatro estrelas do
Exército, foi designado como sucessor, disse entre
lágrimas uma apresentadora do canal de televisão
estatal.
dos Trabalhadores, onde foi escalando postos
conforme recebia formação política. Em 1980, foi
designado oficialmente o sucessor de seu pai e
membro do Comitê Central e do Comitê Militar da
formação. Mas o primeiro posto de poder real lhe
chegaria em 1991, quando assumiu as Forças
Armadas como Comandante Supremo.
Considerado impaciente e excêntrico, amante
da boa mesa e do álcool, Kim Jong-il também
ganhou fama de mulherengo, embora sua vida
particular
tenha
transcorrido
envolvida
em
mistério. Com 1,57 metros de altura, sempre
aparecia em público com sapatos de plataforma e
cabelos arrepiados, para parecer mais alto. Fã de
cinema, especula-se que esteve por trás do
sequestro do cineasta sul-coreano Shin Sang-ok e
sua mulher, em 1978, para que fizesse filmes para
“melhorar a imagem da Coreia”. O cineasta
produziu sete filmes na Coreia do Norte antes de
fugir, em 1986, durante uma visita a Vienna.
Também especula-se que Kim possua mais de
20 mil filmes de Hollywood em sua estante e seja fã
de James Bond. Outro boato sobre Kim Jong-il diz
respeito a sua apreciação alcoólica, em especial por
conhaque Hennessey, vendido por US$630 na
Coreia.
Dinastia comunista
Kim Jong-Il herdou o poder após a morte, em
1994, do pai, Kim Il-Sung, fundador da República
Democrática da Coreia do Norte, instaurando assim
a primeira dinastia comunista da história. Durante
seu regime ditatorial, baseado na glorificação de
sua pessoa e na de seu pai, o "amado líder" se
consolidou como um estrategista desafiante e
anacrônico que, apesar de uma economia
destroçada, erigiu seu país em uma potência
atômica.
O MISTERIOSO DITADOR
Sucessão
O filho mais novo agora é chamado a encarnar
a terceira geração a liderar um país que continua
fiel a um sistema totalitário comunista desde o fim
da Segunda Guerra Mundial.
O primogênito, de cerca de 40 anos, caiu em
desgraça após ser descoberto ao tentar entrar ao
Japão com passaporte falso para visitar a
Disneylândia em Tóquio. O segundo na linha
sucessória, Kim Jong-chul, que se acredita tenha
uma idade similar a Kim Jong-un, foi considerado
por seu pai, segundo alguns testemunhos,
afeminado demais para liderar o país.
Os meios de imprensa sul-coreanos
descreveram Kim Jong-un como um jovem muito
parecido com seu pai tanto fisicamente, com seus
1,68 metros e 87 quilos, como em sua
personalidade, o que lhe teria transformado na
pessoa ideal para sucedê-lo nos olhos do ditador. O
jovem começou a ganhar mais protagonismo na
política nacional depois que seu pai sofreu a
apoplexia, em 2008, fato que acelerou o processo
de escolha de um sucessor que pudesse dar
continuidade ao sistema comunista norte-coreano.
Fruto do casamento de Kim Jong-Il com sua
terceira mulher, Ko-Young-hee, uma ex-dançarina
que morreu de câncer em 2004, Kim Jong-un viveu
em sua adolescência em colégios de Berna (Suíça),
oculto atrás de um pseudônimo. Acredita-se que
após sua etapa na Suíça retornou em 2000 para a
Coreia do Norte, onde se graduou, em 2007, na
Universidade Militar Kim Il-sung.
Segundo as fontes, Kim Jong-un estaria casado
desde 2010 com uma jovem estudante nortecoreana de 20 anos e teria tido uma filha com ela
Kim Jong-Il é considerado um dos chefes de
Estado mais misteriosos do mundo. Ao redor dele,
há muita especulação e poucas certezas. A começar
da data de seu nascimento: a história oficial
afirma que ele nasceu em 1942, em uma cabana na
sagrada montanha norte-coreana de Paektu,
acompanhado de um duplo arco-íris e uma nova
estrela no céu, enquanto seu pai dedicava-se à luta
de guerrilha contra a ocupação japonesa. Mas
documentos da ex-União Soviética deslocam seu
nascimento para a Sibéria, no ano de 1941,
enquanto seu pai estava no exílio. Nesses registros,
aparece com o nome de Yuri Ilsungyevichi Kim.
Com ele, a Coreia do Norte também viveu
alguns breves períodos de distensão com Coreia do
Sul e Estados Unidos, mas sempre truncados por
repentinos testes nucleares ou lançamentos de
mísseis.
Após
sua
graduação
assumiu
os
departamentos de cultura e propaganda do Partido
Professor Pedro Israel
82
Professor Nilton Matos
nesse mesmo ano. Embora apenas se tenha
detalhes de sua vida, a maioria de sua etapa na
Suíça, acredita-se que fale inglês, alemão e francês,
e é amante do basquete e dos filmes de ação. Sua
designação em setembro de 2010 como vicepresidente da Comissão Militar Central do Partido
dos Trabalhadores, e as aparições públicas ao lado
de seu pai em atos oficiais nos últimos meses o
consolidaram na frente da linha de sucessão com
relação ao primogênito do líder, Kim Jong-nam.
que assusta meio mundo. E a China pode ter papel
fundamental na pacificação da região.
Segundo os especialistas, na crise alimentar
que devastou a Coreia do Norte entre 1995 e 1998,
morreram perto de 600 mil, ou seja, 4 % dos
habitantes. Com sua indústria estagnada e uma
agricultura deficiente, o país depende até hoje da
ajuda alimentar internacional para diminuir a
penúria em que vive sua população.
Ainda assim, a Coreia do Norte constitui uma
verdadeira ameaça para todo o Extremo Oriente,
possuindo plutônio suficiente para construir seis ou
sete bombas atômicas e contando ainda com cerca
de 1.000 mísseis, incluindo alguns com alcance de
2900 km.
Conforme escreve o jornal britânico "The
Telegraph", o governo norte coreano tem ainda
entre 2.500 e 5.000 toneladas de armas químicas.
A revista “Economist” classificou a Coreia do Norte
como a “única monarquia comunista do mundo”. Na
realidade, o poder é exercido pelo Exército nortecoreano que conta com 1,2 milhão de militares,
representando um soldado em cada 25 habitantes.
Tais circunstâncias explicam a inquietação com que
o resto do mundo acompanha a subida ao poder do
balofo Kim Jong-un após a morte de seu pai. À
exceção das suas relações com a China, a Coreia do
Norte sente-se ameaçada pelo mundo inteiro.
Colônia japonesa entre 1905 e 1945, a Coreia do
Norte (que na época estava ligada à Coreia do Sul)
é particularmente hostil ao Japão e à Coreia do Sul,
considerada como lacaia dos japoneses e dos
ocidentais.
Depois de vários períodos de tensão, um
acordo de desnuclerização do país foi assinado em
2007, no âmbito do Grupo dos Seis, formado pelas
duas Coreias, China, Estados Unidos, Japão e
Rússia. A doença de Kim Jong-il perturbou o
andamento do acordo, mas uma nova reunião do
grupo deverá ser realizada no final do mês de
dezembro.
Grande parte da solução do problema nortecoreano e da pacificação da região repousa nas
mãos da China. Segundo a imprensa britânica,
Pequim impôs nos últimos anos mais moderação a
Kim Jong-ill, restringindo sua ajuda alimentar,
energética e militar aos norte-coreanos.
Embora se sirva do regime norte-coreano
como um escudo contra a Coreia do Sul, o Japão e
as forças militares americanas estacionadas na
região, a China teme o colapso da “monarquia
comunista”. De fato, dividindo 1.400 km de
fronteira com a Coreia do Norte, a China sabe que o
desabamento do regime dos Kim poderá provocar
um êxodo de milhões de norte-coreanos para as
terras chinesas.
Como escreve a “Economist”, “a China pode
estar tão preocupada com a Coreia do Norte quanto
os Estados Unidos”.
Depois do anúncio, a Agência Central de
Imprensa Coreana (KCNA), canal privilegiado do
regime, pediu à população que reconheça o filho
mais novo de Kim Jong-Il como sucessor na chefia
do Estado norte-coreano. "Todos os membros do
Partido (dos Trabalhadores), os militares e o povo
devem seguir fielmente a autoridade do camarada
Kim Jong-Un e proteger e reforçar a frente unida do
partido, do Exército e da cidadania", afirma uma
nota da KCNA.
CHINA TEME COLAPSO DA “MONARQUIA
COMUNISTA” DA CORÉIA DO NORTE
A morte de Kim Jong-il traz de novo ao
noticiário os absurdos e a rudeza da sinistra
ditadura norte-coreana, regime comunista que
segue um processo sucessório semelhante ao
regime monárquico. Kim Jong-un, - filho de Kim
Jong-il e neto do fundador do regime Kim Sung-il –
será o próximo ditador de um país meio flagelado
que assusta meio mundo. E a China pode ter papel
fundamental na pacificação da região.
A morte de Kim Jong-il traz de novo ao
noticiário os absurdos e a rudeza da sinistra
ditadura norte-coreana, regime comunista que
segue um processo sucessório semelhante ao
regime monárquico. Kim Jong-un, - filho de Kim
Jong-il e neto do fundador do regime Kim Sung-il –
será o próximo ditador de um país meio flagelado
Professor Pedro Israel
OPERAÇÃO NA CRACOLÂNDIA
83
Professor Nilton Matos
Desde o dia 3 de janeiro a Polícia Militar realiza
uma operação para combater o tráfico de drogas e
dispersar viciados da região conhecida como
cracolândia, no centro da cidade de São Paulo.
O objetivo do Estado é dificultar o acesso às
drogas pelos dependentes, forçando-os a procurar
ajuda especializada para deixarem o vício. A
estratégia, chamada “dor e sofrimento”, consiste
em impedir a venda e o uso de drogas, por meio da
ocupação policial, e, com isso, obrigar os usuários a
buscarem apoio junto à rede municipal de saúde e
assistência social. A eficácia do cerco, entretanto,
vem sendo questionada por especialistas em
segurança pública e saúde. Um dos pontos
criticados é que a “limpeza” não resolveria o
problema. Os frequentadores do local estariam
apenas sendo deslocados para outros bairros da
região. O Ministério Público também investiga
possíveis abusos por parte da PM. Em dez dias de
operação, 69 pessoas foram presas (a maioria,
pequenos
traficantes),
152
usuários
foram
encaminhados para unidades de tratamento e
3.607 pessoas revistadas, de acordo com o balanço
da PM. A maior apreensão ocorreu no dia 12,
quando uma mulher foi detida com 16 mil pedras
de crack.
Nesse mesmo período, 50 crianças foram
recolhidas das ruas, segundo a Secretaria Municipal
de Assistência Social. Elas foram encaminhadas ao
serviço de saúde pública, para tratamento, ou a
abrigos, conselhos tutelares e suas famílias. A
ocupação é por tempo indeterminado.
Boca do lixo
A cracolândia existe há 20 anos no bairro da
Luz e imediações, no centro da capital. O local é
frequentado diariamente por cerca de 400 pessoas,
mas a população flutuante chega a mais de 2 mil.
A “boca do lixo” ficou conhecida nos anos 1960
por concentrar produções de cinema brasileiro. Era
um lugar de boemia, casas de jogos, prostituição e
tráfico, que proliferou com a conivência do Estado.
Nos anos 1990 houve um pico de violência
urbana em São Paulo, com chacinas em bairros de
periferia. Entre as vítimas dessas matanças
estavam os “noias”, como são chamados os
viciados em crack. Eles eram mortos por furtarem
objetos nas comunidades em que viviam (para
sustentar o vício), por delatarem traficantes ou
acumularem dívida junto ao tráfico.
Os “noias” então buscaram refúgio no centro,
que acabou se tornando um território livre para o
consumo e a venda ilegal de drogas. Diferente das
periferias, onde a venda de drogas é controlada por
facções criminosas, na cracolândia o comércio
ocorre de forma indiscriminada. Essa facilidade de
acesso, combinada com o uso “liberado” em
imóveis abandonados ou nas ruas, fez surgir a
cracolândia.
Soluções
Nos últimos anos, houve uma tentativa mais
sistemática de resolver o problema. A Prefeitura de
São Paulo lançou o programa Nova Luz, para
revigorar a região central e atrair investimentos
imobiliários. Entre as medidas adotadas estão a
isenção de IPTU, para estimular a reforma de
fachadas, e a desapropriação de imóveis.
Outras providências do governo incluem o
fechamento de bares e hotéis ligados ao tráfico, o
encaminhamento de moradores de rua para
programas assistenciais e o reforço do policiamento
nos bairros.
Em dezembro, a presidente Dilma Rousseff
(PT) lançou um programa “Crack, é possível
vencer”, com investimentos de R$ 4 bilhões,
aplicados até 2014, em ações de prevenção,
tratamento médico e ações de repressão ao tráfico.
Estão previstas a ampliação da oferta de
tratamento aos usuários e a criação de enfermarias
especializadas em hospitais do SUS (Sistema Único
de Saúde), com leitos exclusivos para usuários.
Além disso, serão oferecidos cursos de qualificação
profissional e feitas campanhas preventivas nas
escolas.
Euforia
O crack é uma droga de alto poder viciante,
composta de pasta de cocaína e bicarbonato de
sódio. Vendida em forma de pedra e fumado em
cachimbo, a substância produz um efeito de euforia
que dura alguns minutos, ao fim dos quais o
usuário sofre depressão e é levado a consumir
mais. A droga surgiu nos Estados Unidos nos anos
1980. Em 1990 o prefeito de Washington, Marion
Barry, foi preso por uso e porte de crack. Desde
então, o país conseguiu reverter os índices de
criminalidade associados ao entorpecente, com
medidas policiais, de saúde e campanhas
educativas.
No Brasil, o crack se popularizou nos anos
1990 (a primeira apreensão ocorreu em 1991). Ele
se espalhou rapidamente por ser mais barato que a
cocaína, ter uma produção doméstica e por ser
consumido mais facilmente, dispensando o uso de
seringas. O país tem hoje estimados 1,2 milhão de
usuários.
Uma pesquisa recente da Fundação Oswaldo
Cruz, em parceria com o Governo Federal, apontou
a existência de 29 cracolândias em 17 capitais
brasileiras, que se movem de acordo com as
investidas da polícia e o confronto entre traficantes.
Nenhuma delas, contudo, possui as dimensões da
existente em São Paulo.
Professor Pedro Israel
RAINHA ELIZABETH COMPLETA
60 ANOS NO TRONO
Reis e rainhas fazem parte do imaginário
popular como símbolos de poder absoluto no
continente europeu. Na maior parte das monarquias
84
Professor Nilton Matos
remanescentes, entretanto, a nobreza exerce mais
uma função cerimonial do que política. É este o
caso da rainha Elizabeth 2a, que no dia 6 de janeiro
de 2012 completou seis décadas no trono do Reino
Unido.
Monarquia é uma forma de governo em que o
poder é concentrado em uma pessoa, o rei ou a
rainha, que se mantém no cargo até morrer ou
abdicar ao trono. A sucessão, na maioria dos casos,
é hereditária, ou seja, a coroa passa de pais para
filhos. Na Europa, essa tradição predominou desde
a queda do Império Romano até por volta do século
18. Após esse período, as monarquias foram
substituídas por repúblicas ou por uma versão mais
moderna, chamada monarquia constitucional, em
que o monarca é limitado pela Constituição ou
restrito a um papel simbólico.
Atualmente, 44 países preservam o regime
monárquico. Na Europa, todas as monarquias são
constitucionais (com exceção da cidade do
Vaticano) e plenas democracias, como Dinamarca,
Bélgica, Espanha, Suíça e Reino Unido. Países
asiáticos, como Japão e Tailândia, também
conservam esse antigo modelo de governo.
Já no Oriente Médio, reis ainda detêm poderes
absolutos, como em Brunei, Omar e Arábia Saudita.
Desde o final de 2010, os reinados árabes são
confrontados por protestos inéditos na região, mas
nenhum rei até agora foi deposto, apenas
presidentes. O maior reino do mundo é o
Commonwealth Realm (Comunidade do Reino
Unido). Ele é formado por 16 nações independentes
que reconhecem a rainha Elizabeth 2a como chefe
de Estado: Antígua e Barbuda, Austrália, Bahamas,
Barbados, Belize, Canadá, Granada, Ilhas Salomão,
Jamaica, Nova Zelândia, Papua-Nova Guiné, São
Cristóvão e Névis, Santa Lucia, São Vicente e
Granadinas, Tuvalu e Reino Unido (Inglaterra
Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte). No total,
135 milhões de pessoas vivem no Commonwealth
Realm.
dos Lordes e pela Câmara dos Comuns, e pelo
Primeiro-Ministro e seu gabinete.
A rainha é casada desde 1947 com o príncipe
Philip, com quem teve quatro filhos: Charles, Anne,
Andrew e Edward. O Príncipe Charles é o primeiro
na linha de sucessão, seguido pelo neto da rainha,
o Príncipe William.
No Jubileu de Diamante, Elizabeth 2a
reafirmou seus compromissos com a realeza
britânica, afastando a hipótese que poderia abdicar
em favor do Príncipe Charles. Os ingleses, no
entanto, preferem que o trono britânico seja
ocupado pelo príncipe William, que em 29 de abril
do ano passado se casou com Catherine Middleton,
numa cerimônia acompanhada por dois bilhões de
pessoas em todo o mundo.
A razão da impopularidade do Príncipe Charles
foram os escândalos que cercaram o casamento
com a princesa Diana, em um dos períodos mais
difíceis do reinado de Elizabeth 2a. A crise atingiu o
auge quando a princesa Diana, muito querida entre
os ingleses, morreu em um acidente de carro em
31 de agosto de 1997.
Na ocasião, a rainha estava de férias na
Escócia, com o filho e os netos. A ausência da
família real em Londres e o silêncio da rainha – que
relutou em emitir um comunicado oficial sobre a
morte da ex-nora – motivaram críticas da opinião
pública (situação retratada no filme “A Rainha”).
Hoje, ela recuperou a boa reputação entre os
ingleses, amparada pela complacência da imprensa
britânica e a repercussão positiva do casamento do
neto.
LEI DA FICHA LIMPA
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no
último dia 16 de fevereiro de 2012, que a Lei da
Ficha Limpa é constitucional e que valerá para as
eleições municipais deste ano. O resultado do
julgamento pôs fim a quase dois anos de batalhas
jurídicas para que a lei pudesse vigorar no país.
A Ficha Limpa tornou mais rigorosos os
critérios que impedem políticos condenados pela
Justiça de se candidatarem. Por sete votos a
quatro, o Supremo aprovou a aplicação integral da
nova legislação, que terá, inclusive, alcance para
condenações anteriores a 4 de julho de 2010, data
em que foi sancionada pelo ex-presidente Luís
Inácio Lula da Silva.
Diferente da maioria das leis – que são
elaboradas pelos próprios congressistas – a Ficha
Limpa surgiu por iniciativa popular. O projeto
contou com a assinatura de mais de 1,6 milhão de
brasileiros, e foi a pressão do povo que fez com que
fosse votado e aprovado na Câmara dos Deputados
e no Senado Federal.
Na ocasião, a proposta de mudança na
legislação eleitoral foi comemorada como uma
vitória da democracia. A Ficha Limpa era vista como
um mecanismo de combate à corrupção política no
Brasil.
Jubileu de Diamante
A rainha Elizabeth 2a, 85 anos, é a mais
longeva da história da Inglaterra e a segunda em
tempo de reinado, superada apenas pela rainha
Vitória, que ficou 63 anos no trono (1837-1901).
Ela é também a monarca há mais tempo no poder
na Europa e a segunda no mundo, atrás apenas do
rei Bhumibol Adulyadej, da Tailândia, que ocupa o
cargo desde 1946.
Elizabeth Alexandra Mary foi coroada em 6 de
fevereiro de 1952, há 60 anos, após a morte do pai,
o rei Jorge 6o. Desde então, superou escândalos
familiares,
crises
políticas
e
tendências
antimonarquistas na Grã-Bretanha.
Na prática, a função da rainha é restrita a
cerimoniais e outras formalidades, como nomeação
do premiê e concessão de títulos a cidadãos
ingleses. Para isso, recebe salários que somam R$
20 milhões ao ano. O poder político, de fato, é
exercido pelo Parlamento, composto pela Câmara
Professor Pedro Israel
85
Professor Nilton Matos
Na prática, porém, nem tudo estava resolvido.
Alguns pontos da nova lei se chocavam com a
Constituição Federal, como o princípio de anuidade
e o princípio da inocência presumida. Em casos
assim, cabe ao STF julgar a legitimidade.
Mas enquanto o STF não se pronunciava,
permaneciam incertezas. Em 2010 foram eleitos
presidente, governadores, deputados e senadores.
Ao todo, 149 candidatos foram impedidos de tomar
posse devido a condenações judiciais, segundo o
Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Em 23 de março do ano passado, o STF se
pronunciou quanto ao princípio da anuidade. De
acordo com a Constituição, qualquer mudança na
legislação eleitoral só é válida se for promulgada
um ano antes das eleições. Como a Ficha Limpa
havia sido sancionada naquele mesmo ano, os
ministros do Supremo decidiram que a lei só valeria
para 2012.
Como resultado, os candidatos barrados
tiveram o direito de assumir as vagas. Isso alterou
as bancadas no Congresso Nacional e em
Assembleias Legislativas dos Estados. No Senado,
por exemplo, Jader Barbalho (PMDB-PA), que havia
renunciado em 2001 para evitar a cassação, pode
tomar posse no lugar de Marinor Brito (Psol-PA).
Faltava ainda a palavra final do Supremo a
respeito de recursos que questionavam outros
aspectos da constitucionalidade da lei.
no caso do senador Jader Barbalho). Os ministros
do Supremo entenderam que a inocência presumida
se restringe ao direito penal, ou seja, ela não se
aplica às leis eleitorais.
Em geral, os ministros do STF basearam a
decisão no princípio constitucional da moralidade
administrativa. Eles consideraram que o histórico
ético de um candidato é fundamental para evitar
casos de corrupção na política brasileira. O
consenso sobre isso é que, independente da lei, a
melhor forma de excluir maus políticos, num
regime democrático, ainda é a consciência do
cidadão.
ACIDENTE NA ANTÁRTIDA
Os dois militares mortos em um incêndio na
Estação Comandante Ferraz, na Antártica, foram
homenageados no dia 28 de fevereiro de 2012 no
Rio de Janeiro.
O suboficial Carlos Alberto Vieira Figueiredo e o
primeiro-sargento Roberto Lopes dos Santos foram
promovidos
ao
posto
de
segundo-tenente,
admitidos na Ordem do Mérito da Defesa, no grau
Cavaleiro, honraria concedida pela presidente Dilma
Rousseff, e agraciados com a Medalha Naval de
Serviços Distintos, da Marinha.
Os dois morreram na madrugada do dia 25 de
fevereiro de 2012 enquanto combatiam um
incêndio que começou na área dos geradores de
energia da estação.
Uma pessoa ficou ferida. A base que abrigava
45 pesquisadores de diversas áreas ficou destruída
e o governo anunciou que ela deve ser reconstruída
em dois anos.
Moral
Os ministros do STF primeiro discutiram se a
Ficha Limpa não contrariava o princípio da
inocência, previsto do artigo 5o da Constituição e
aplicado ao direito penal. Este artigo afirma que
“ninguém será considerado culpado até o trânsito
em julgado de sentença penal condenatória”.
Trânsito em julgado é uma expressão judicial
que se aplica a uma sentença definitiva, da qual
não se pode mais recorrer. Em geral, ocorre quando
já se esgotaram todos os recursos de apelação.
Um processo cível ou criminal começa a ser
julgado no Fórum da cidade, onde acontece a
decisão de primeira instância, que é a sentença
proferida por um juiz. Se houver recurso, o pedido
é analisado por juízes do Tribunal de Justiça dos
Estados. Há ainda a possibilidade de apelar a uma
terceira instância, que pode ser tanto o Superior
Tribunal de Justiça (STJ) quanto, em se tratando de
artigos da Constituição, o STF.
Antes de a Ficha Limpa entrar em vigor, de
acordo com a Lei Complementar no 64, de 1990,
somente quando esgotados todos esses recursos o
político que responde a processo poderia ser
impedido de se candidatar. A lentidão do
andamento de processos, que levam até uma
década
para
serem
concluídos,
acabava
beneficiando políticos corruptos.
Já a Ficha Limpa impede a candidatura por oito
anos de políticos condenados por um órgão
colegiado (com mais de um juiz, como o Tribunal
de Justiça), que tiverem mandato cassado ou que
tiverem renunciado para evitar a cassação (como
Professor Pedro Israel
Heroísmo
Durante a cerimônia, o vice-presidente da
República, Michel Temer, lamentou as mortes.
“Esses homens que se foram agora não têm medo,
se temessem, não teriam tido o gesto de heroísmo
que tiveram na Antártida. Que o exemplo deles
sirva para seus filhos, para a Marinha e para todos
os brasileiros. Em nome do povo brasileiro, que
está acompanhando tudo isso, quero prestar
solidariedade à família e à Marinha do Brasil”, disse
o vice-presidente.
De acordo com o ministro da Defesa, Celso
Amorim, os militares são exemplo de heroísmo e
profissionalismo e serão lembrados sempre pela
Marinha e pelas Forças Armadas do Brasil.
“Reconstruiremos a estação da Antártica também
em homenagem a esses homens que tombaram no
cumprimento do dever”, ressaltou o ministro.
Também
participaram da
cerimônia
os
comandantes das três Forças Armadas: almirantede-esquadra Julio Soares Moura Neto, da Marinha;
tenente-brigadeiro
do
ar
Juniti
Saito,
da
Aeronáutica, e general Enzo Martins Peri, do
Exército. "Por mais que tentemos externar nossos
sentimentos, nunca será o suficiente. Nossos dois
86
Professor Nilton Matos
heróis
realizaram
esse
último
sacrifício
e
ofereceram suas vidas no cumprimento do dever",
afirmou o almirante Julio Neto.
Peritos investigam incêndio
Os peritos que vão investigar as causas do
incêndio que destruiu a base de pesquisas
científicas da Marinha brasileira já estão na
Antártica. O avião da FAB (Força Aérea Brasileira)
que foi para a base chilena Eduardo Frei resgatar o
corpos dos dois militares que morreram na estação
levou o embaixador brasileiro no Chile, integrantes
da diplomacia e militares. Eles dividem espaço com
suprimentos, caixas, roupas, equipamentos de
comunicação e comida para os 12 militares que
estavam na estação na hora do incêndio e que
foram levados para a base chilena.
O capitão Fernando Coimbra, chefe da estação
brasileira na Antártica, diz que não houve explosão
antes do incêndio. Ele contou que o suboficial
Carlos Figueiredo e o primeiro sargento Roberto dos
Santos, que morreram no incêndio, tentavam
fechar a válvula do reservatório de etanol para
evitar que o fogo se espalhasse pela mangueira e
chegasse ao tanque, que ficava atrás do gerador.
Segundo o capitão, a equipe tentou usar água
do mar para controlar o incêndio, mas a água
congelou na mangueira.
Os corpos dos dois foram encontrados a dez
metros do compartimento dos geradores a óleo,
onde o fogo teria começado. “Mais do que perda
material, mais do que da nossa casa durante um
ano é a perda dos nossos amigos”, afirmou o chefe
da estação antártica brasileira, Fernando Coimbra.
Quarenta e cinco militares e pesquisadores,
que estavam na base brasileira na Antártica,
chegaram ao Brasil na madrugada do dia 27 de
fevereiro.
A maior parte do grupo desembarcou na Base
Aérea do Galeão. Cansados e abalados com o
acidente, traziam apenas as roupas do corpo.
Contaram que o fogo se espalhou rapidamente e
não puderam salvar objetos pessoais.
Entre os que chegaram estava o primeiro
sargento Luciano Gomes Medeiros, que sofreu
queimaduras nas mãos. Ao sair do avião, ele foi
colocado numa cadeira de rodas e levado para o
hospital da Marinha, onde permanece em
observação.
EXERCÍCIOS
01ª. Após os ataques de 11 de setembro, os
Estados Unidos adotaram em sua política
externa uma estratégia unilateral para
consolidarem sua supremacia político-militar.
Essa política ficou conhecida como “Doutrina
Bush”.
Sobre os atentados aos EUA e a política
desenvolvida para combater o terrorismo,
julgue os itens abaixo
I - Sob o pretexto de liderar uma luta sem tréguas
ao terrorismo, em âmbito internacional, a “Doutrina
Bush”
impulsionou
e
justificou
a
postura
intervencionista da política externa dos Estados
Unidos.
II - Inicialmente as ações mais incisivas dirigiramse contra o governo do Talibã, do Afeganistão e
contra o regime autoritário de Saddam Hussein, no
Iraque, logo, essas se estenderam a outros países
que
não
necessariamente
opunham-se
a
Washington, como a Coréia do Norte e o Irã.
Professor Pedro Israel
87
Professor Nilton Matos
III - A partir da defesa do mundo contra o
terrorismo os Estados Unidos afirmaram seus
interesses econômicos, expandiram sua dominação
cultural e redesenharam um novo cenário de
dominação político-militar em áreas hostis.
b) Rússia, que tem graves conflitos separatistas
internos e é detentora do segundo maior arsenal
bélico mundial.
c)
Espanha,
por
não
respeitar
acordos
internacionais como os da OMC e violar as normas
da ONU para os direitos humanos.
d) Paquistão, por seu apoio financeiro a
organizações terroristas internacionais, como o
Hamas e o Al Qaeda.
e) Irã, país de regime fechado que possui
capacidade de produzir e exportar armas nucleares.
É correto inferir que
a) I, apenas está correto.
b) II, apenas está correto.
c) III, apenas está correto.
d) I e II estão corretos.
e) todos estão corretos.
04ª. Leia atentamente o texto abaixo:
02ª. Com os atentados de 2001 e o impacto
psicológico provocado sobre a população
norte-americana e mundial, o governo Bush
desenvolveu um discurso no qual a nação
norte-americana seria a defensora dos valores
do Ocidente diante do terrorismo. Tendo o
texto acima como ponto de partida e
utilizando seus conhecimentos, julgue os itens
seguintes
“As grandes organizações criminosas não podem
assegurar a lavagem e a reciclagem dos fabulosos
lucros extraídos de suas atividades a não ser com a
cumplicidade dos meios de negócios e (...) do poder
político. Esse concluio de interesses constitui um
componente essencial da economia mundial, o
lubrificante indispensável ao “bom” funcionamento
do capitalismo. (...) Um fantástica pilhagem da qual
nunca uma contabilidade global será feita. (...)
Bancos e grandes empresas são ávidos em captar,
depois de feita a lavagem, os lucros dos negócios
do crime organizado. (..) Cada país acoberta seus
meios criminosos. Centenas de grupos rivais
dividem os mercados nacionais e internacionais do
crime.”
“Máfia Global”, Le Monde Diplomatique, ed.
Brasileira, in: Caros Amigos, abr. 2000, p. 10
I - a ação dos Estados Unidos no mundo islâmico –
Afeganistão e Iraque – modificada pela luta contra
o terrorismo, constituiu numa ação de violência
extrema, que violou direitos internacionais,
provocou a morte de civis, além de desencadear
uma série reações e resistências a essa
intervenção, tornando essas regiões ainda mais
instáveis.
II - Antes dos atentados em setembro de 2001, os
Estados Unidos já haviam se constituído como
maior poder econômico, cultural e militar.
III - O mundo, na verdade, não mudou, pois
continua-se a assistir a supremacia dos Estados
Unidos nos âmbitos econômicos, culturais e
militares.
A partir do texto pode-se afirmar que:
a) o crime organizado age atualmente em escala
mundial, tendo os bancos instalados nos paraísos
fiscais como forte concorrente nos lucros obtidos.
b) os bancos que operam em paraísos fiscais não
aceitam os recursos obtidos através das atividades
criminosas, devido à ameaça de represálias por
parte da ONU.
c) os paraísos fiscais vivem, sobretudo dos recursos
gerados pelas atividades criminosas e pela
corrupção, pois lhes garante total sigilo bancário
fiscal, impedindo a identificação da lavagem de
dinheiro e favorecendo o crime organizado em
escala mundial.
d) todos os países estão empenhados em combater
o narcotráfico, impedindo através da criação de leis
específicas e rigorosas, sua disseminação.
e) o narcotráfico não constitui um problema global,
apenas
alguns
países,
geralmente
subdesenvolvidos, enfrentam esse problema.
Sobre o objetivo geopolítico estadunidense, está
correto o que se afirma em
a) I, apenas.
b) II, apenas.
c) III, apenas.
d) I e II.
e) I, II e III
03ª. Após os acontecimentos no World Trade
Center, que fizeram do 11 de setembro de
2001 o pior atentado terrorista já realizado
em solo americano, os Estados Unidos
passaram a dar sinais cada vez mais fortes de
que o Iraque, após o Afeganistão, seria a
próxima vítima do que Washington chama de
"guerra contra o terrorismo". Num famoso
discurso, George W. Bush incluiu, além do
Iraque, outros países integrantes do "eixo do
mal".
05ª. A foto abaixo retrata a derrubada de uma
estátua representando Saddam Hussein em
Bagdá, quando da invasão do Iraque pelas
tropas dos EUA. Em relação ao recente conflito
naquele país, é CORRETO afirmar que:
Sobre os países integrantes o “Eixo do Mal”, é
correto inferir que
a) Venezuela, que possui grande parte de seu
território controlado por narcotraficantes associados
à guerrilha, conhecidos como as FARC.
Professor Pedro Israel
88
Professor Nilton Matos
Estados Unidos e outros países da Europa
Ocidental, conseguiram implantar um governo
pacífico
de
coalizão,
envolvendo
líbios
e
estrangeiros.
e) Os primeiros protestos que aconteceram na
Tunísia foram inspirados pela “Revolução de
Jasmim” no Egito, primeiro país a iniciar o processo
de deposição do então presidente Bem Ali.
07ª. Pela primeira vez na história, um líder
árabe foi deposto por força de movimentos
populares. Isso aconteceu na Tunísia, país
mulçumano localizado ao norte da África. O
presidente Zine Al-Abdine Bem Ali renunciou
em 14 de janeiro após um mês de violentos
protestos contra o governo. Ele estava há 23
anos no poder. A África é, entre todos os
continentes, aquele onde se encontram as
mais
típicas
manifestações
do
subdesenvolvimento,
cuja
compreensão
requer o reconhecimento não só da pesada
herança colonial européia como também das
especificidades e características diversas de
sua população.
a) Representa uma das iniciativas do atual governo
estadunidense na chamada “Guerra contra o
Terror”, ofensiva militar e política que abalou a
importância da ONU e do direito internacional.
b) O Iraque era governado por um regime
fundamentalista,
cujas
lideranças
políticas
confundiam-se com as religiosas e tinham em
Hussein seu guia espiritual.
c) A invasão do Iraque ocorreu após deliberação da
ONU, que assim procedeu em represália ao uso de
armas de destruição em massa pelo regime
iraquiano contra o Ocidente.
d) Os EUA invadiram o Iraque ao seu tradicional
aliado no Oriente Médio, o Irã, país que mantém
uma disputa territorial com seu vizinho (Guerra IrãIraque) desde o início da década de 80 do século
XX.
e) Teve pouco impacto interno nos EUA, uma vez
que não foi e não tem sido debatido pelas
lideranças políticas daquele país.
Com relação às características políticas e
econômicas da África e os constantes conflitos
iniciados na Tunísia e já presentes na maioria dos
países árabes no norte da África. Não podemos
afirmar corretamente que
a) O novo ativismo no mundo árabe é explicado
pela instabilidade econômica e pelo surgimento de
uma juventude bem educada e insatisfeita com as
restrições à liberdade.
b) Na Tunísia, os protestos começaram depois da
morte de um desempregado em dezembro de 2010.
Mohamed Bouazizi, 26 anos, se autoimolou depois
que a polícia o impediu de vender frutas e vegetais
em uma barraca de rua.
c) Os primeiros protestos que aconteceram na
Marrocos, inspirando todos os países árabes a
democratizarem seus governos.
d) A Líbia e o Egito foram os únicos países onde os
protestos não atingiram seus reais objetivos.
e) Sociedades árabes conhecem apenas duas
formas de governo: monarquias absolutistas ou
ditaduras sejam elas militares ou religiosas. Assim,
nessas nações não existem partidos que possam
disputar eleições após a queda de um tirano.
06ª. Transformações políticas marcaram o
“Mundo
Árabe”
nos
últimos
meses.
Estimulados por desigualdades sociais e
autoritarismos
políticos,
os
movimentos
redefiniram os rumos dos governos em países
como Tunísia, Egito e Líbia e evidenciaram o
desejo da população por políticas mais justas
e pacíficas. Com relação às consequências
dessas alterações é correto afirmar-se que
a)
o
conjunto
de
mudanças
influenciou
praticamente a todos os países árabes a
democratizarem os seus governos.
b) a escalada da violência contra manifestantes
pró-democracia foi uma reação dos movimentos
políticos, com destaque para a repressão popular
na Síria e a Líbia.
c) o Egito foi o único país árabe onde as
transformações
políticas
não
foram
tão
significativas, especialmente em função do carisma
e da liderança do presidente Hosni Mubarak.
d) houve uma ação rápida e objetiva de tomada de
poder na Líbia, onde as forças rebeldes ao governo
do Ditador Muammar Kaddafi, apoiadas pelos
Professor Pedro Israel
08ª. Há vários anos, a região, acima
representada, vem sendo atingida por sérios
conflitos políticos, sociais e étnicos, com
fortes enfrentamentos bélicos.
89
Professor Nilton Matos
XXI,
fenômeno
que
teria
começado,
simbolicamente, com os atentados de 11 de
setembro de 2001, nos Estados Unidos. O
mapa a seguir apresenta uma série de atos
terroristas que evidenciam a insegurança
provocada por essas ações em grande parte
do mundo.
Tendo o texto acima como referência inicial, julgue
os próximos ítens.
I.
O terrorismo hoje é um fenômeno do mundo
islâmico, com grupos atuantes na Europa,
como o ETA (na Espanha), o IRA (na Irlanda) e
os movimentos dos guerrilheiros esquerdistas
na América, FARC e ELN (na Colômbia).
II. Movimentos extremados não são recentes,
haja vista que já a 1ª Guerra Mundial teve
início com um ato terrorista: o assassinato do
arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do
Império Austro-Húngaro, por um estudante
sérvio, em Serajevo, atual capital da BósniaHerzegovina.
III. A Al-Qaeda é uma organização que reúne de
20 a 30 grupos terroristas islâmicos que
operam por conta própria, no mundo todo. Dos
atentados identificados no mapa, grande parte
atribuídos a essa organização ou nela
inspirados, apenas o continente americano não
foi alvo desses atos.
IV. O sentimento de ódio contra os EUA e seus
aliados tem colocado em alerta países como
Inglaterra e Itália. Sobretudo entre os
italianos, por causa de sua participação na
Guerra do Iraque, tem crescido o temor de um
atentado, motivo que fez o governo aumentar
a segurança naquele país peninsular.
Acerca das dinâmicas socioespaciais em curso
nessa região e considerando os aspectos
significativos da Atualidade, julgue os itens
abaixo
I.
II.
III.
IV.
V.
VI.
VII.
A Tunísia deu o pontapé inicial, depois da
morte de um desempregado em dezembro de
2010.
Os conflitos no mundo árabe são explicados
pela instabilidade econômica e pelo surgimento
de uma juventude bem educada e insatisfeita
com as restrições à liberdade.
A "revolução do jasmim", que derrubou o
presidente Ben Áli, na Tunísia, em janeiro de
2011, representou pela primeira vez na
história a queda de um líder árabe, deposto
por um movimento popular.
Houve uma ação rápida e objetiva de tomada
de poder na Síria, onde as forças rebeldes ao
governo do Ditador Bashar Al Assad,
conseguiram implantar um governo pacífico de
coalizão, envolvendo líbios e estrangeiros.
O Iêmen foi o único país árabe onde as
transformações políticas não foram tão
significativas.
O significado do termo "Primavera Árabe" está
relacionado ao florescimento de movimentos
sociais em alguns países norte-africanos e do
Oriente Médio, visando principalmente, à
destituição do poder de ditaduras instaladas há
décadas, como, por exemplo, Tunísia, Egito e
Líbia.
Em 2011, na área assinalada com o circulo,
ocorreu a criação de um novo país, o Sudão do
Sul. Tal fato deveu-se, principalmente, ao
predomínio na região do cristianismo e do
animismo, o que diferencia a referida região do
restante do país.
É correto o que se afirma em
a) I apenas.
b) II e IV.
c) III apenas.
d) III e IV.
10ª. A Agência Internacional de Energia
Atômica censurou o Irã por ter iniciado
clandestinamente a construção de uma usina
de enriquecimento de urânio. Teerã reagiu
anunciando mais dez usinas e a busca de
tecnologia própria para enriquecer urânio até
o teor de 20%, usado na produção de isótopos
para medicina e pesquisa – para reatores,
bastam 3% a 5%; para bombas atômicas,
necessita-se de 80% ou mais.
Revista Carta Capital, ano XV, nº 575, 09/12/2009, p. 22.
É correto o que se afirma em
a) I, III e V.
b) II, IV, V e VI
c) I, II, III, VI e VII
d) IV, V, VI e VII
e) I, II, IV e VII
09ª. O Terrorismo tem sido apontado como o
grande fenômeno global deste início de século
Professor Pedro Israel
90
Professor Nilton Matos
expectativa de vida, as taxas de natalidade, as
taxas de mortalidade e a taxa de fecundidade,
entre outros indicadores. Um fenômeno
demográfico apontado pela Organização das
Nações Unidas (ONU) faz estimativas de
aumento dos grupos etários mais avançados
(80, 90 e 100 anos), que tem apresentado
crescimento de 60% entre 1970 e 1998.
Países como o Japão, Itália e Suíça já
apresentam um elevado número de idosos.
Este fenômeno resultou na criação de um
„Plano
Internacional
de
Ação
para
o
Envelhecimento‟ pela ONU.”
A análise da notícia acima conduz à conclusão sobre
o Irã de que: (BNDES / 2010)
a).O enriquecimento do urânio é incompatível com
essa região do planeta.
b).O país é considerado por essa Agência a mais
forte potência nuclear regional.
c).O governo atual se empenha para recuperar o
status de potência nuclear.
d).O programa nuclear iraniano está paralisado
devido aos Estados Unidos.
e).A sua capacidade nuclear é insuficiente para
produzir bombas atômicas.
12ª. Este “envelhecimento” da população
poderá trazer como conseqüência geral,
sobretudo
para
os
países
em
desenvolvimento: (Geógrafo – IFET-RS / 2010)
a) Aumento do IDH da população em geral e das
taxas de fecundidade devido ao gradativo aumento
da longevidade.
b) A sobrecarga do sistema de previdência social
pela diminuição da PEA, que notadamente contribui
para este sistema.
c) Maior longevidade da população masculina
devido aos programas governamentais que se
preocupam com a saúde do homem.
d) Ociosidade total da população velha e a criação
de centros gerontológicos estatais que onerarão,
ainda mais, o Estado.
e) Que os velhos representarão em torno de 1% da
população total, provocando um alargamento da
base da pirâmide etária da maioria dos países.
11ª. A recente intermediação brasileira junto
ao Irã, buscando uma solução para a polêmica
questão nuclear que envolve esse último e boa
parte das grandes potências ocidentais, em
especial os EUA, é um dos fenômenos mais
emblemáticos da Política Internacional atual.
Sobre o passado, presente e principais
aspectos desse confronto entre o Irã e seus
adversários é correto afirmar, exceto:
13ª. A Geopolítica mundial do início do século
XXI foi significativamente influenciada pela
crise dos EUA. Neste contexto, a economia
norte-americana abalada pela catástrofe de 11
de setembro, passa a ser orientada por uma
política “megalomaníaca” de força militar que
destrói quase que por completo as bases
políticas e ideológicas do país. Dessa forma, a
geopolítica mundial durante a primeira década
do século XXI pode ser caracterizada da
seguinte forma:
a).Os iranianos alegam que seu programa nuclear é
pacífico e seu país é vítima da agressividade e
interferência do Ocidente na região. Alegam
também que Israel, seu principal inimigo na região,
foi armado e é apoiado pelo Ocidente, em particular
pelos EUA.
b).O Irã é visto com desconfiança pelos países
ocidentais desde a Revolução Iraniana de 1979, que
colocou no poder um regime de marcada orientação
religiosa, visto pelo ocidente como hostil, fanático e
conflituoso.
c).O Brasil solucionou a crise através da assinatura
de um protocolo que prevê a transferência de
tecnologia nuclear brasileira, que o Brasil adquiriu
da Alemanha Ocidental nos anos 70 do século XX.
Esta tecnologia impede a fabricação de armas
nucleares e resolve a crise entre o país do Oriente
Médio e o Ocidente.
d).Após a negociação entre o presidente brasileiro e
o governo iraniano, várias potências ocidentais
elogiaram a iniciativa brasileira, mas questionaram
a eficácia da solução negociada, alegando que os
iranianos não cumprirão o acordo ou que o mesmo
é insuficiente para impedir a criação de armas
nucleares por esse país.
I..É possível afirmar que no contexto da última
década assistimos a um progressivo crescimento da
economia mundial em função dos dinâmicos
asiáticos,
fundamentalmente
através
do
crescimento Chinês. Contudo, o peso das
economias dos países do velho atlântico norte
(união européia e EUA) ainda representam a maior
parte do produto mundial.
II..É possível afirmar que no contexto da última
década assistimos a um expressivo crescimento da
economia mundial em função dos dinâmicos
asiáticos,
fundamentalmente
através
do
crescimento Chinês. Nesse sentido, houve uma
transformação no cenário da economia mundial,
transferindo o centro econômico do velho atlântico
norte para o continente asiático.
III..Embora a fragilidade da economia norte
americana no início do século XXI, o governo norte-
“A estrutura etária da população mundial
mudou nos últimos anos. Entre as causas
desta
mudança,
podemos
apontar
a
Professor Pedro Israel
91
Professor Nilton Matos
americano conseguiu recuperar sua economia e
retomar a posição hegemônica no contexto
mundial.
modernizaram sua economia, ampliaram o
poder de compra do seu mercado consumidor
e ainda começaram a exportar produtos
industrializados, passando a ser denominados
países emergentes.”
Assinale a alternativa que melhor descreve a
geopolítica mundial no contexto da primeira
década do século XXI. (Geógrafo – IFET-RS / 2010)
a) Apenas o item I está correto.
b) Apenas o item II está correto.
c) Apenas o item III está correto.
d) Apenas os itens I e III estão corretos.
e) Apenas os itens II e III estão corretos.
16ª. Assinale a alternativa que apresenta
somente países emergentes: (PMQ-CE / 2010)
a).Argélia, Etiópia, Quênia e Somália.
b).Alemanha, Canadá, Inglaterra e Japão.
c).África do Sul, Brasil, Coréia do Sul e México.
d).Cuba, Haiti, Guatemala e Honduras.
14ª. Os tigres asiáticos são países que
desenvolveram a sua indústria, a partir da
década de 1970. E, enquanto muitos países
viviam nos anos de 1980 a década perdida,
estes apresentam os maiores índices de
crescimento econômico. Hoje constituem as
economias que mais rapidamente incorporam
novas tecnologias ao processo produtivo.
Assinale a alternativa que contempla os três
países denominados tigres asiáticos: (PMQ-CE /
17ª. No mundo atual, a procura por fonte de
energia limpa, ou seja, não-poluidora, é
prioridade, tendo em vista as seguintes
características:
I..Produz energia limpa.
II..A sua instalação não causa impacto ambiental.
III..Não apresenta riscos de grandes acidentes.
IV..Utiliza um recurso natural renovável.
V..As condições mais favoráveis de instalação dessa
usina, no Brasil, apresentam-se no litoral
nordestino.
2010)
a).Cingapura, Coreia do Sul e Taiwan.
b).Canadá, Japão e Austrália.
c).Hungria, Polônia e Ucrânia.
d).Filipinas, Iraque e Sri Lanka.
Assinale a alternativa que identifica a fonte de
energia que apresenta essas características.
(PMQ-CE / 2010)
a) Usina Termelétrica, com a queima de carvão
mineral ou de petróleo.
b) Usina Termonuclear, com a fissão do urânio
enriquecido (minério atômico).
c) Usina Hidroelétrica, que aproveita a força da
água da chuva e do mar.
d) Usina Eólica, que usa a força dos ventos.
“Por meio do Tratado de Assunção, em 1991,
Brasil,
Argentina,
Paraguai
e
Uruguai
constituíram o Mercosul. Em 1995, instalou-se
uma zona de livre-comércio,
onde as
mercadorias produzidas nos quatro países
poderiam ser comercializadas internamente,
sem a cobrança de tarifas de importação. Em
1996, a Bolívia e o Chile aderiram como
associados do Mercosul. Após a aprovação da
Argentina e do Uruguai, foi a vez do Senado
brasileiro, em sessão polêmica do dia 16 de
dezembro de 2009, ratificar o ingresso de um
novo país, como componente no bloco
Mercosul. Assim, fica faltando apenas a
confirmação do Congresso paraguaio, para
que esse país seja legitimado como membro
pleno do Mercosul.”
18ª. Seguindo uma tendência mundial de
formação de blocos, em 1991, o Brasil, a
Argentina,
o
Paraguai
e
o
Uruguai
estruturaram o MERCOSUL enquanto que os
Estados Unidos, o México e o Canadá
estabeleceram o NAFTA em 1994. Em relação
aos blocos econômicos, assinale a alternativa
correta: (Analista Administrativo – FESF-BA / 2010)
a).Tanto o MERCOSUL quanto o NAFTA, são
contrários ao neoliberalismo porque propõem
economias nacionais e proteção aos pequenos
agricultores e micro e pequenas empresas.
b).A formação desses grupos, apesar das
contradições, significou um grande avanço porque
deram inicio à defesa de um comércio mais intenso
entre os países.
c).Os presidentes dos países da América Latina e do
Caribe aprovaram, em 23 de maio de 2008, a
criação de um novo bloco econômico que incluirá
todos os países latino-americanos – a UNASUL.
d).A formação do MERCOSUL foi prejudicial para as
relações diplomáticas entre Brasil e Paraguai,
impedindo
que
mantivessem,
por
questões
políticas, a parceria da Usina Hidrelétrica de Itaipu.
e).O MERCOSUL está consolidado no atual formato,
de forma que não aceita mais a entrada de outros
15ª. De acordo com o texto, assinale a
alternativa que contempla o país em questão e
seu presidente: (PMQ-CE / 2010)
a).Honduras, de Manuel Zelaya.
b).Venezuela, de Hugo Chávez.
c).África do Sul, de Jacob Zuma.
d).Colômbia, de Álvaro Uribe.
“Após a 2ª Guerra Mundial, vários países
subdesenvolvidos
conseguiram
chegar
à
industrialização, graças à forte participação
do capital estrangeiro, aos baixos salários dos
trabalhadores, à isenção de certos impostos,
além de outros estímulos fiscais, e à
importante
participação
do
Estado
na
indústria de base. Atualmente, esses países
Professor Pedro Israel
92
Professor Nilton Matos
países, sendo que sua formação atual é: Brasil,
Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela.
estabeleceram
domínios
sobre
regiões
economicamente estratégicas. Nesse sentido, o
acesso aos benefícios ficou restrito a classes
favorecidas da estrutura social, que na maioria das
vezes representam a maioria da população.
e) O aumento do desemprego estrutural em muitos
países, em função do monopólio tecnológico
exercido pelos grandes centros. Dessa maneira,
economias
periféricas
passam
a
atrair
investimentos, devido a grande oferta de mão de
obra especializada, pois os governos destes países
enfatizam por principio o incentivo a políticas
públicas, de cunho social.
19ª. Quais são as práticas de comércio
consideradas como desleais? (Gestão e Comércio
Exterior – IFET-RS / 2010)
a) Dumping e subsídio.
b) Cartel e dumping.
c) Subsídio e abonos comerciais.
d) Subsídio e acordos compensatórios.
e) Cartel e subsídio.
20ª. O termo globalização, muito propalado
atualmente, possui suas origens a partir de
contextos históricos que nos remontam a
séculos passados, como por exemplo: o
processo
das
grandes
navegações
que
estabeleceram
conexões
socioeconômicas
entre diferentes continentes. No entanto, nas
últimas décadas a crescente integração
econômica entre as regiões sob diversos
aspectos: comercial, produtivo e financeiro,
tem acelerado tal processo. Atualmente a
globalização
pode
ser
percebida
fundamentalmente através da produção e
distribuição de bens e serviços dentro de
redes em escala mundial, que podem levar a
redução de barreiras no comércio mundial e a
conseqüente formação de blocos econômicos.
Desde 1980, quando esse processo se
acelerou, a economia mundial passou a
crescer 4% ao ano, o que teoricamente
deveria contribuir para a melhoria do padrão
de vida das sociedades em escala mundial.
Entretanto, historicamente, a globalização tem
contribuído para o desequilíbrio econômico
entre as sociedades, esse processo pode ser
percebido através de aspectos como: (Geógrafo
21ª.
A
intensificação
da
globalização
econômica
acirrou
a
concorrência
na
economia
mundial
durante
as
últimas
décadas, trazendo para o debate das relações
de mercado a chamada economia policêntrica.
A partir deste novo contexto temos por
característica fundamental a formação de
blocos econômicos, os quais a União Européia
foi o pioneiro, ainda na conjuntura da Guerra
Fria. Para Demétrio Magnoli, existem tipos
característicos de blocos econômicos. Dentre
estes:
I..Zona Livre de Comércio, União Aduaneira,
Mercado Comum.
II..Zona Livre de Comércio, União Econômica,
Legislação Única.
III..União Econômica, Mercado Comum, Áreas de
integração por Investimentos.
Qual das alternativas descreve de forma
incorreta, os tipos característicos de blocos
econômicos. (Geógrafo – IFET-RS / 2010)
a) Apenas o item I.
b) Apenas o item II.
c) Apenas o item III.
d) Apenas os itens I e II.
e) Apenas os itens II e III.
– IFET-RS / 2010)
a) A quebra das barreiras fiscais, onde as
economias nacionais se aglutinam formando os
chamados trustes. Neste contexto, a livre
concorrência é incentivada, a fim de que as leis do
mercado possam encaminhar as economias ao
desenvolvimento.
b) O declínio dos Estados nacionais modernos que
hoje não mais controlam de forma hegemônica a
economia mundial. Dessa forma, a formação de
grandes blocos econômicos supranacionais suprime
o imperialismo e possibilita o acesso de toda a
população mundial aos mais diversos benefícios
tecnológicos.
c) O aumento do desemprego estrutural em muitos
países, pois o novo paradigma tecnológico requer
mão de obra mais qualificada, marginalizando
parcela significativa de trabalhadores. Observa-se
também a concentração da produção em grandes
empresas multinacionais, o que tem levado a
desnacionalização de grande parte do setor
produtivo, principalmente nos países menos
desenvolvidos ou emergentes.
d) O expansionismo territorial dos países mais
desenvolvidos que, através da coerção militar,
Professor Pedro Israel
22ª. “Uma das características da história do
capitalismo tem sido a intensa mobilidade
espacial da população. Dentro dos próprios
países e mesmo para fora destes, a migração
é uma característica atual da demografia
mundial. Um tipo de migração seletiva vem
ocorrendo nos últimos tempos: profissionais
bem
preparados
intelectualmente
e
de
excelente qualificação profissional dirigem-se
para os mais importantes centros de pesquisa
do mundo, ao que se convencionou chamar de
„fuga de cérebros‟.”
São, respectivamente, grupos de países de
emigração e de imigração de “cérebros”:
(Geógrafo – IFET-RS / 2010)
I..Índia, Brasil e México.
II..Estados Unidos, Japão e Alemanha.
III..África do Sul, Nova Zelândia e Grécia.
93
Professor Nilton Matos
IV..Canadá, Argentina e França.
em Rondônia, Amazonas, Amapá, Pará e Acre.
Ao afirmar que esse modelo de gestão de
florestas públicas viabiliza a conservação das
áreas
licitadas
e
torna
a
exploração
ambientalmente adequada, socialmente justa
e economicamente viável, o poder público
brasileiro pretende aproximar-se de um
modelo
de
desenvolvimento
entendido
atualmente como: (PRF / 2008)
a).I e II.
b).I e III.
c).II e III.
d).II e IV.
e).III e IV.
23ª. Cumprindo um caráter social, a produção
do biodiesel pretende, também, gerar trabalho
e agregar valores à produção de pequenos
agricultores
de
determinadas
matériasprimas. Quanto ao biodiesel, assinale a
alternativa incorreta: (Assistente Administrativo –
a).Integrado à economia de mercado globalizada,
que enfatiza os resultados econômicos.
b).Monitorado por ONGs e submetido às leis do
mercado.
c).Pragmático, segundo o qual a necessidade e a
viabilidade do progresso devem ser defendidas a
qualquer custo.
d).Sustentável, em que a geração de riquezas está
associada à preservação da vida no presente e no
futuro.
e).Refratário à ingerência externa e às teses
ambientalistas mais difundidas no mundo.
FESF-BA / 2010)
a) A produção do biodiesel tem a finalidade única
de utilização no mercado automotivo.
b) O biodiesel é um combustível biodegradável
derivado de fontes renováveis.
c) O uso do biodiesel deverá colaborar para
diminuir a agressão à camada de ozônio.
d) A mamona é a melhor opção para o semi-árido
nordestino produzir o biodiesel.
e) Canola, soja, pinhão manso, entre outros, são
apropriados para produção do biodiesel.
“O cultivo de grãos na Amazônia – entre eles a
soja, apontada como uma das vilãs do
desmatamento – pode ser uma alternativa
para a recuperação de áreas já degradadas da
floresta. Uma tecnologia desenvolvida pela
Embrapa, que consiste na integração de
culturas como o cultivo de grãos, a pecuária e
o reflorestamento, começa a ser implantada
em fazendas experimentais na região Norte do
país. É o chamado sistema integrado de
produção.”
24ª. Assinale a alternativa correta. A história
da humanidade é repleta de narrativas sobre
epidemias e pandemias que, muitas vezes,
limitaram o crescimento demográfico ou
ainda,
dizimaram
populações.
(Assistente
Administrativo – FESF-BA / 2010)
a) O vírus da “gripe suína” é o “H1N1”, doença da
atualidade, para a qual ainda não existe vacina.
b) A “Peste negra” é uma epidemia que no século
VI dizimou um terço da população européia.
c) Os índios sucumbiram ao vírus da gripe dos
brancos porque não possuíam anticorpos para ela.
d) A “malária” está totalmente erradicada no Brasil
graças à campanhas de vacinação nacional.
e) A tuberculose foi o grande mal da Idade Média,
matando milhares de pessoas na Europa.
Folha de S. Paulo, 03/02/2008, p. A18 (com adaptações).
27ª. Tendo o texto acima como referência
inicial e considerando as diversas implicações
do tema por ele focalizado, assinale a opção
incorreta. (PRF / 2008)
a).O Brasil tem no agronegócio, que faz da soja
uma de suas estrelas, um de seus mais fortes
instrumentos para inserção no mercado mundial.
b).A empresa estatal mencionada no texto torna o
Brasil uma referência internacional no campo da
pesquisa científica vinculada ao campo.
c).O comércio de grãos, no atual estágio da
economia mundial globalizada, adquire importância
capital devido ao montante de recursos que
movimenta.
d).Áreas já degradadas da floresta, conforme se
afirma no texto, podem ser utilizadas pela pecuária
ou ainda para a produção de cultivos de
exportação.
e).Infere-se do texto que os lucros da ampliação de
áreas de plantio na Amazônia compensam os
efeitos ambientais do desmatamento na região.
25ª.
A
celeuma
em
torno
de
duas
hidroelétricas
a
serem
construídas
em
Rondônia
envolveu
desde
preocupações
ambientais até o modelo das linhas de
transmissão de energia a ser utilizado,
passando por disputa empresarial entre
grupos interessados nas obras. Essas usinas,
de Jirau e Santo Antônio, irão integrar o
complexo hidroelétrico do rio: (PRF / 2008)
a).Madeira.
b).Negro.
c).Solimões.
d).Tocantins.
e).Branco.
26ª..O governo brasileiro anunciou sua
intenção de, em 2009, licitar e conceder a
exploração de 4 milhões de hectares de
florestas públicas situadas, principalmente,
Professor Pedro Israel
28ª. Em geral, a região Norte do Brasil tem
sua economia baseada no extrativismo
vegetal, a exemplo do látex, do açaí e da
94
Professor Nilton Matos
castanha. Não obstante, a região é muito rica
em minérios. Exemplos disso são a Serra do
Navio, no Amapá, rica em manganês, e a Serra
dos Carajás, no Pará, de onde se extrai: (PRF /
presentes na sua origem. Isso se deve, entre
outras razões, à contestação feita por outros
estados às vantagens fiscais concedidas ao
Amazonas. Com relação a esse assunto,
assinale a opção correta. (PRF / 2008)
2008)
a).A maior concentração de diamantes do país.
b).Grande parte do minério de ferro que o Brasil
exporta.
c).A maior parte da produção aurífera brasileira.
d).A totalidade da bauxita existente na América do
Sul.
e).O combustível que impulsiona as usinas de
Angra dos Reis.
a).O pólo industrial de Manaus tradicionalmente
concentra-se na produção de bens primários, como
os alimentícios.
b).A contestação citada no texto pode ser
entendida como parte da chamada guerra fiscal
entre estados brasileiros.
c).A maior vantagem obtida pela Zona Franca de
Manaus sempre foi a isenção de impostos para a
exportação de seus produtos.
d).A proliferação de hidroelétricas na bacia
amazônica estimula a industrialização não só em
Manaus, mas também em outras cidades do
Amazonas.
e).Em geral, tal como ocorre no Amazonas, a
população da região Norte é desconcentrada,
disseminada pelo interior.
“Portaria publicada no Diário Oficial da União
– que obriga todas as entidades autorizadas a
trabalhar em áreas indígenas e de proteção ao
meio ambiente a se recadastrarem em um
prazo de 120 dias permitirá a expulsão do país
das ONGs em situação irregular. Oficialmente,
o governo não revela, mas já tem uma lista
com cerca de 20 ONGs estrangeiras sob
ameaça de expulsão. Principalmente aquelas
ligadas a grupos externos que pregam a
internacionalização da Amazônia.”
“Os três religiosos paraenses ameaçados de
morte, segundo denúncia da Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) à Anistia
Internacional, estão na linha de frente da luta
pelos direitos humanos. Um deles, o bispo de
Xingu, se destaca na luta pelos direitos
indígenas e contra os grileiros que agem no
sudeste do Pará, principalmente em Altamira.
As ameaças ao bispo de Abaetetuba vieram
após o religioso ter denunciado o caso da
menina de 16 anos mantida em um cárcere
masculino. Outro religioso ameaçado é um
frei, advogado da Comissão Pastoral da Terra
em Xinguara, no sul do Pará, há décadas
engajado na luta dos trabalhadores rurais sem
terra por reforma agrária.”
Jornal do Brasil, 05/07/2008, capa (com adaptações).
29..Tendo o texto acima como referência
inicial e considerando os múltiplos aspectos
do tema que ele aborda, assinale a opção
correta. (PRF / 2008)
a).As
ONGs
expandiram-se
no
mundo
contemporâneo, especialmente na primeira metade
do século XX, tendo por foco principal a luta pelo
desarmamento e pelo fim dos conflitos regionais.
b).Infere-se do texto que a exigência de
recadastramento das ONGs é mera formalidade, já
que não se tem notícia, até o momento, de indícios
de
irregularidade
no
funcionamento
dessas
organizações.
c).A tese de internacionalização da Amazônia,
mencionada no texto, é inédita, tendo surgido no
início do século XXI em alguns dos principais
centros dirigentes da economia mundial.
d).No Congresso Nacional, parlamentares de
diferentes correntes partidárias, sobretudo da
região Norte, têm-se manifestado criticamente
quanto à ação de ONGs que atuam junto a
comunidades indígenas.
e).Temeroso diante de eventual reação da
comunidade internacional, o Estado brasileiro
silencia-se diante da presença de organismos e
instituições estrangeiras com atuação no território
nacional.
O Globo, 12/04/2008, p. 12 (com adaptações).
31ª..Tendo o texto acima como referência
inicial e considerando a abrangência do tema
por ele tratado, julgue os itens a seguir.
I..A questão da terra sempre foi tema explosivo no
Brasil e ganhou maior intensidade a partir de
meados do século passado, quando o tema da
reforma agrária entrou na agenda política do país.
II..Deduz-se do texto que os três religiosos ora
ameaçados defendem uma solução conciliatória, de
modo que posseiros e grileiros possam ser
atendidos e respeitados em seus direitos.
III..O incidente de Abaetetuba ganhou visibilidade
ao ser amplamente noticiado, e o fato de uma
adolescente ter sido encarcerada junto a homens,
que a violentaram no cárcere, gerou repulsa em
amplos setores da sociedade.
IV..A inexistência de assentamentos rurais na
região amazônica funciona como estopim que
incendeia o cenário de tensão existente em várias
localidades, entre as quais estão o sul e o sudeste
do Pará.
30..Surgida em 1969, a Superintendência da
Zona
Franca
de
Manaus
(SUFRAMA)
impulsionou
a
economia
amazonense,
sobretudo a de Manaus, que hoje responde
por mais de 50% do PIB do estado do
Amazonas.
A
Zona
Franca
está
em
transformação; desde os anos 80 do século
XX, vêm sendo reduzidos os incentivos
Professor Pedro Israel
95
Professor Nilton Matos
V..Há consenso entre os especialistas de que o
enfrentamento adequado do problema fundiário na
região Norte e no país exige a criação de órgão
específico da administração federal para tratar da
reforma agrária.
e).União Democrática Ruralista / Movimento dos
Trabalhadores Rurais Sem Terra.
35ª..Fidel Castro, como figura política latinoamericana, chamou a atenção da opinião
pública internacional, no início de 2008, por
ter tomado a decisão de: (CEF / 2008)
a).Comandar a resistência dos guerrilheiros
colombianos.
b).Deixar o posto de chefe de Estado da República
de Cuba.
c).Pressionar o governo equatoriano a ceder espaço
às FARC.
d).Anistiar os dissidentes da Revolução Cubana
residentes no exterior.
e).Negociar com os governos da Venezuela e da
Colômbia contra as FARC.
Estão corretas: (PRF / 2008 – adapt.)
a).II e V.
b).I e III.
c).III e V.
d).I e IV.
e).III e IV.
32ª..O exercício da cidadania, no Brasil, vem
sendo favorecido pela criação de leis que
regulamentam
diretrizes da
Constituição
Federal de 1988. Uma lei criada em 2001,
visando a amparar o ordenamento territorial
do país, por meio de Planos Diretores e outros
instrumentos, é denominada de Estatuto
da(o): (CEF / 2008)
36ª..As
energias
eólica
e
solar
são
consideradas fontes alternativas por serem
renováveis, contrapondo-se aos tipos de
energia produzidos a partir da queima de
combustíveis fósseis. No Brasil atual, o uso
dessas energias alternativas indicadas pode
ser, adequadamente, classificado como: (CEF /
a).Terra.
b).Idoso.
c).Cidade.
d).Desarmamento.
e).Criança e do Adolescente.
2008)
a).Restritivo, em função das condições naturais
gerais do país.
b).Predominante, quanto às unidades produtivas
atendidas.
c).Inexistente, tendo em vista os obstáculos
jurídicos.
d).Inviável, haja vista os históricos impasses
tecnológicos.
e).Incipiente, quanto a sua efetiva produtividade.
33ª..Observe a tabela:
Os gastos sociais do governo brasileiro
cresceram, nos setores acima indicados. Uma
explicação para esse crescimento vincula-se,
explicitamente,
ao
seguinte
fator
demográfico: (CEF / 2008)
A PESSOA COMO EXISTÊNCIA POTENCIAL
Qual o estatuto humano do embrião? Que tipo
de ser é o embrião humano? É pessoa? É
coisa? É material biológico? O embrião é
pessoa potencial, um ser pertencente à nossa
espécie. Mas este fato biológico significa que
ele já é pessoa humana com iguais direitos de
uma criança, de um adulto ou de um ancião?
(...) Centralizando a questão: quando começa
a pessoa humana?
a).Aumento da expectativa de vida.
b).Estabilização da taxa de natalidade.
c).Redução da taxa de mortalidade infantil.
d).Incremento do índice de fecundidade.
e).Diminuição da população adulta.
34ª..A política brasileira nas áreas rurais é
caracterizada por enfrentamentos que se
expressam, dentre outros, por organizações
da sociedade civil, em associações, sindicatos,
movimentos sociais etc. O par de entidades da
sociedade civil que representam distintas
classes sociais e interesses conflitantes
quanto à questão da terra é: (CEF / 2008)
Pegoraro, O. In: Araújo, L. e Barbosa, R. (orgs). Filosofia
prática e modernidade. Rio de Janeiro: EDUERJ, 2003:83.
37ª..Em
2008,
as
questões
acima
freqüentaram o debate público brasileiro,
devido ao julgamento da constitucionalidade
das
pesquisas
com
células-tronco
embrionárias, no país, realizado pelo Supremo
Tribunal Federal (STF). Quanto ao problema
julgado, a posição final do STF foi: (CEF / 2008)
a).Liga Camponesa / Via Campesina.
b).Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
/ Via Campesina.
c).Movimento dos Atingidos por Barragens / Liga
Camponesa.
d).União Democrática Ruralista / Sindicato dos
Proprietários Rurais.
Professor Pedro Israel
a).Suspender esse tipo de pesquisa laboratorial,
temporariamente.
b).Restringir as pesquisas à manipulação de
embriões não humanos.
96
Professor Nilton Matos
c).Aprovar a continuidade dessa categoria de
pesquisa laboratorial.
d).Impedir definitivamente o uso de embriões
humanos congelados.
e).Definir a equivalência entre embrião, criança,
adulto e ancião.
descritas nas situações numeradas de I a V,
com exceção da ameaça: (CEF / 2008)
a).I.
b).II.
c).III.
d).IV.
e).V.
38ª..No Brasil, é recorrente a problemática da
demarcação de terras indígenas, tal é o caso
atual da Reserva Raposa/Serra do Sol, na
Amazônia. Com relação a esse tipo de área
protegida, são feitas as afirmativas a seguir:
“O conceito de hotspots foi criado em 1988
pelo ecólogo inglês Norman Myers, ao
observar que a biodiversidade não está
distribuída no planeta de forma homogênea,
com isso procurou identificar quais as regiões
que concentram os mais altos níveis de
biodiversidade e que eram ameaçadas.
Hotspots são áreas prioritárias para a
conservação, com pelo menos 1500 espécies
endêmicas de plantas e que tenham perdido
mais de 3/4 de sua vegetação original.”
I..A área indígena demarcada continua sendo
propriedade da União.
II..Os índios têm direito ao usufruto da superfície,
mas não à exploração do subsolo de uma reserva
demarcada.
III..As Forças Armadas não podem atuar nessas
áreas demarcadas.
CEDERJ, 2009 (com adaptações).
Estão corretas: (CEF / 2008)
a).I, apenas.
b).I e II, apenas.
c).I e III, apenas.
d).II e III, apenas.
e).I, II e III.
40ª..A partir das características enunciadas,
pode-se
afirmar
que,
no
Brasil,
são
considerados(as) como hotspots: (IBGE / 2009)
a).A floresta amazônica e a caatinga.
b).O cerrado e a floresta amazônica.
c).A mata atlântica e o cerrado.
d).O cerrado e a caatinga.
e).A mata atlântica e a floresta amazônica.
39ª..Analise a definição de sustentabilidade
ambiental e as situações de ameaça à
Amazônia Brasileira:
“Há um paradoxo de difícil equacionamento
para a superação da crise global. A maioria
está de acordo que um passo indispensável é
a recuperação americana (...).”
Definição
Sustentabilidade ambiental está relacionada à
capacidade da natureza para absorver e
recuperar-se das agressões do homem.
José Carlos de Assis. In: Jornal do Brasil, 13/02/2009.
41ª..A atual crise da economia mundial se
tornou evidente a partir do segundo semestre
de 2008, nos Estados Unidos. O episódio mais
marcante dessa evidência foi o momento em
que o governo federal dos Estados Unidos
ofereceu: (IBGE-SP / 2009)
Becker, B. e Miranda, M. (orgs). A geografia política do
desenvolvimento sustentável. EDUFRJ, 1995:33.
Situações
I..Índios: a alta concentração de terras indígenas e
as unidades de conservação em certos estados da
região restringem espaço para se alavancar a
economia.
II..Madeireiras: o crescimento da indústria ilegal
madeireira está destruindo rapidamente a fauna e a
flora.
III..Arrozeiros: o agrotóxico da agricultura vai
para os rios e parte da floresta é derrubada para a
agricultura.
IV..ONGs: estima-se que existam 100 mil ONGs
operando na região e que muitas se envolvem com
biopirataria e lavagem de dinheiro.
V..Pasto: pecuaristas compram terrenos na região
e utilizam-nos para pastagem até que se tornem
inférteis.
a).Apoio aos soldados americanos no Iraque.
b).Ajuda financeira aos bancos norte-americanos.
c).Doação internacional aos refugiados da fome.
d).Solidariedade aos presos políticos em Cuba.
e).Oportunidade aos que buscam o primeiro
emprego.
42ª..No período de outubro a fevereiro, como
de costume, o governo brasileiro adota em
quase todo o território nacional o horário de
verão. Esse horário alternativo é adotado no
Brasil porque: (IBGE-SP / 2009)
a).O
governo
atende
a
uma
orientação
internacional.
b).O país é tropical, condição para adotar esse
horário.
c).O governo se promove frente a outros países
latino-americanos.
Revista Isto é, 28 maio de 2008.
O tipo de sustentabilidade definido está
diretamente comprometido com as ameaças
Professor Pedro Israel
97
Professor Nilton Matos
d).O país economiza energia e dinheiro no período.
e).As regiões do país gastam a mesma cota de
energia no período.
“A rua 25 de março, no centro de São Paulo, é
um dos principais pontos de redistribuição de
mercadorias do país.”
43ª..A agricultura brasileira vem crescendo e
se modernizando com base em alguns cultivos
voltados para o mercado externo. Atualmente,
em direção à Amazônia, sobretudo no estado
do Mato Grosso, se expande um desses
cultivos agrícolas voltados para a exportação.
O cultivo agrícola em expansão na área em
foco é o de: (IBGE-SP / 2009)
a).Café.
b).Soja.
c).Trigo.
d).Cana.
e).Erva-Mate.
Le Monde Diplomatique Brasil, mar./2009, p. 8.
46ª..A fotografia acima registra o movimento
cotidiano da economia de uma metrópole
como São Paulo. O movimento registrado tem
como foco uma parte da economia nacional
vinculada diretamente ao setor: (IBGE-SP / 2009)
a).Financeiro global.
b).Industrial moderno.
c).Bancário nacional.
d).Informal popular.
e).Institucional local.
47ª..Integrado ao mercado global e recebendo
as influências do capitalismo neoliberal, um
dos principais problemas do Brasil é o
desemprego. São consideradas causas de
desemprego no país:
44ª..De acordo com o IBGE, a expectativa de
vida dos brasileiros aumentou nos últimos
anos. Isso implica uma atenção maior com o
funcionamento da previdência social e com a
expansão de uma faixa etária específica da
população,
exigindo-se
uma
legislação
adequada. Na área da legislação brasileira, a
faixa etária em questão foi especificamente
contemplada com o Estatuto do(da): (IBGE-SP /
I..A abertura comercial e a concorrência com
produtos estrangeiros, o que diminuiu o poder de
venda de vários ramos industriais brasileiros.
II..Eliminação de postos de trabalho nas indústrias
devido à modernização.
III..Competição internacional, a qual é responsável
pelo desemprego de trabalhadores altamente
qualificados no país.
2009)
a).Desarmamento.
b).Idoso.
c).Igualdade Racial.
d).Cidade.
e).Criança e do Adolescente.
Estão corretas: (IBGE / 2008)
a).Todas.
b).I e II.
c).I e III.
d).II e III.
e).Nenhuma.
45ª..No campo das relações internacionais, o
governo brasileiro incrementou negociações
diplomáticas com o governo boliviano, em
função do fornecimento de um recurso natural
estratégico importado, daquele país, pelo
Brasil. O recurso natural estratégico em pauta,
importado da Bolívia pelo Brasil, é o(a): (IBGE-
“Mas nesta nova época dita de globalização
não há propriamente um mercado global,
embora o vejamos assim nomeado nos
jornais. A inteligência dita global fica com as
instituições internacionais – Nações Unidas,
FMI, Banco Mundial –, mas que tampouco são
completamente
globais. O exercício do
trabalho global é feito por firmas que
chamamos globais, mas que não o são
realmente. Elas escolhem as frações em que
desejam atuar e as fragmentam ainda mais.
Isso pouco lhes importa. O que significa que
os atores que movem o chamado mundo
globalizado, de um lado, não são globais, e, de
outro lado, são cegos. Cegos para o que está
em torno deles, porque a ação das firmas
multinacionais e internacionais é indiferente
aos contextos em que se inserem, pouco se
incomodando com o resultado da sua presença
para o que está ao redor. Só pensam em si
próprias.”
SP / 2009)
a).Petróleo.
b).Carvão Mineral.
c).Biomassa.
d).Gás Natural.
e).Xisto Betuminoso.
Santos, M. Território & Sociedade. Entrevista com Milton
Santos. Ed. Fundação Perseu Abramo, 2000, p. 29.
Professor Pedro Israel
98
Professor Nilton Matos
48ª..Com relação ao texto e ao atual processo
de globalização em curso, pode-se afirmar
que, exceto: (IBGE / 2008)
a).Os atores que movem o mundo global são,
notadamente, beneficiados pelo neoliberalismo, o
qual reduz as barreiras e permite uma maior
interferência nos países subdesenvolvidos.
b).De acordo com o texto, o conceito de
globalização empregado por muitos é inadequado,
pois
exprime
a
idéia
de
crescimento
e
desenvolvimento dentro de uma ótica de totalidade
e igualdade.
c).O mercado global a que se refere o texto não
existe porque não são todos os países do mundo
que
possuem
acesso
ao
desenvolvimento
tecnológico e informacional.
d).Como as firmas internacionais são cegas às
realidades do países subdesenvolvidos, passa a
existir uma tendência à ampliação da capacidade
das
nações
subdesenvolvidas
de
realizar
investimentos públicos e solucionar problemas
sociais.
e).O texto faz cair por terra o conceito de
globalização
enquanto
fenômeno
econômico,
cultural e social que atinge a todos em escala
mundial.
e).A necessidade de união de todos os países
pobres do planeta no combate à miséria.
“O Ministério do Meio Ambiente lançou, no
segundo semestre de 2008, um programa que
possui como principal novidade a estipulação
de um prazo de até 13 meses para que
processos de licenciamento sejam concluídos,
já que não havia prazo legal e as licenças
demoravam até 37 meses.”
51ª..O programa lançado pelo Governo
tratado pelo texto é o: (IBGE / 2008)
a).Destrava Ibama.
b).Licenciamento Já.
c).Desburocratização no Meio Ambiente.
d).PAC Ambiental.
e).Brasil Licenciado.
“A partir do desastre em Chernobyl, na
Ucrânia, na década de 80 do século XX,
diversos países como Inglaterra e Alemanha
reduziram investimentos, cancelando projetos
que envolviam a mesma fonte de energia
gerada pela Usina de Chernobyl antes do
referido acidente. Atualmente, passados mais
de 20 anos, esta energia é considerada, por
vários especialistas, como limpa e barata.”
52ª..Na foto acima observa-se a atividade de
um garimpeiro de ouro, no rio Tapajós,
Amazônia. Um problema ambiental provocado
diretamente pela atividade do garimpo, na
região em foco, é a(o): (IBGE / 2007)
a).Ocorrência de chuvas ácidas em áreas rurais
isoladas.
b).Agravamento das conseqüências do efeito estufa
regional.
c).Contaminação do meio natural e das pessoas
pelo mercúrio.
d).Desmatamento em larga escala na área da bacia
hidrográfica.
e).Avanço das áreas atingidas pelo fenômeno da
pororoca.
49ª..O texto se refere à energia: (IBGE / 2008)
a).Fóssil.
b).Eólica.
c).Hidráulica.
d).Nuclear.
e).Solar.
“Um país como o Brasil não se interessa em
ser apenas um país grande, economicamente
forte, com um monte de gente pobre do seu
lado. É preciso que todos cresçam, que
tenham condições de se desenvolver.”
53ª..Na década de 90, a economia brasileira
foi
caracterizada
por
um
fenômeno
denominado “guerra fiscal”. Esse fenômeno
corresponde à competição entre estados e
municípios para atrair empresas, o que
provocou uma desconcentração industrial no
país. Essa desconcentração é claramente
exemplificada pelo(a): (IBGE / 2007)
50ª..Com esta afirmação, o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva falava, após reunião em
julho de 2008, com o presidente da Colômbia
Álvaro Uribe, sobre: (IBGE / 2008)
a).A participação do Brasil no Conselho de
Segurança permanente da ONU.
b).A importância do Mercosul para os paísesmembros.
c).O apoio que o Brasil vem prestando aos países
pobres da África.
d).A responsabilidade do Brasil na integração da
América do Sul.
Professor Pedro Israel
e
a).Desmantelamento da indústria de base no país.
b).Aumento do emprego de mão-de-obra familiar.
c).Redução do consumo de eletrodomésticos.
d).Descentralização da produção de automóveis.
e).Descapitalização
dos
principais
setores
exportadores.
99
Professor Nilton Matos
54ª. A produção de biocombustíveis vem
despertando interesses e aplicações em
diversos países. No Brasil, tem sido muito
discutida atualmente a produção de um
biocombustível que tem como fonte um
produto agrícola. Trata-se da(o): (IBGE / 2007)
a).Gasolina.
b).Acetona.
c).Paracetamol.
d).Etanol.
e).Propanol.
55ª. Analise a foto e o trecho da matéria
jornalística:
(...) Falo na operação militar no Rio de
Janeiro, que talvez venha a ser conhecida,
pelos historiadores futuros, como a batalha
inicial de uma guerra que já vinha em curso,
mas somente agora ganha pinta de guerra
mesmo, com blindados, canhões e tudo mais.
Já não temos que passar muita vergonha,
diante do Iraque ou do Afeganistão. Ou do
próprio Haiti.(...)
Sene & Moreira, 1999, p. 296.
56..O produto agrícola cuja evolução está
representada nos mapas acima e a destinação
principal de sua produção, respectivamente,
são: (IBGE / 2006)
a).Soja/Mercado Interno.
b).Café/Exportação.
c).Milho/Mercado Interno.
d).Café/Mercado Interno.
e).Soja/Exportação.
João Ubaldo Ribeiro, “O sonho do Urutu próprio”.
In: O Globo, 12/03/06.
Canhão aponta para a casa de um morador, na Mangueira
In: O Globo, 12/03/06
O conteúdo da foto e a reflexão crítica
expressa no trecho acima referem-se ao
seguinte aspecto do cotidiano brasileiro, no
exemplo do Rio de Janeiro: (IBGE / 2006)
a).Crise das Forças Armadas.
b).Crise da segurança pública.
c).Avanço das ações terroristas.
d).Consolidação de nova ditadura militar.
e).Reconhecimento oficial de uma guerra civil.
Professor Pedro Israel
100
Professor Nilton Matos
exportações de produtos brasileiros para os
EUA, devido à pirataria de DVDs e softwares.
Em fevereiro deste ano, a ameaça foi
suspensa. Essa suspensão teve como principal
motivo a(o): (IBGE / 2006)
a).Intensificação das importações brasileiras de
produtos de origem norte-americana.
b).Eliminação de produção e comercialização de
mercadorias falsas no país.
c).Apreensão pela Polícia Federal de produtos
ilegais de procedência dos EUA.
d).Proibição do comércio de eletroeletrônicos na
fronteira Brasil-Paraguai.
e).Reforço de ações do governo brasileiro no
combate a produtos falsificados.
Revista JB Ecológico, ago./2006.
As perspectivas para a evolução do clima no
planeta não são animadoras. Segundo os
meteorologistas, as massas de ar frio que
deveriam amenizar o verão no Hemisfério
Norte e esfriar o inverno no Brasil foram
bloqueadas.
Revista Veja, 02 ago./2006.
57ª..De acordo com estudos atuais, há grande
probabilidade de esse tipo de bloqueio ser
causado pela(o): (IBGE / 2006)
a).Concentração de terras emersas no hemisfério
norte.
b).Multiplicação das ilhas de calor nas metrópoles.
c).Expansão das áreas cobertas por desertos.
d).Agravamento do efeito estufa planetário.
e).Avanço da industrialização no hemisfério sul.
60ª..Crises periódicas podem afetar os setores
produtivos, como nos exemplos da doença da
vaca louca, da gripe aviária e do vírus da febre
aftosa. No caso do último exemplo, a pecuária
brasileira foi recentemente afetada, tendo
como conseqüência direta o(a): (IBGE / 2006)
a).Sacrifício de milhares de cabeças de gado em
todas as regiões do país.
b).Interrupção das importações de carne de origem
argentina.
c).Colapso dos órgãos de segurança sanitária em
todo o Brasil.
d).Suspensão da compra de carne bovina brasileira
no exterior.
e).Reequilíbrio dos rebanhos bovinos entre as
regiões brasileiras.
58ª..Com relação à atual crise energética
atravessada pela sociedade brasileira, são
feitas as afirmativas abaixo.
I..Avançam as pesquisas e a exploração de fontes
alternativas, tais como o biodiesel e a energia
eólica.
II..Expande-se a produção de energia hidroelétrica,
através da construção de novas usinas e ampliação
da capacidade geradora de antigas unidades.
III..Discutem-se projetos de lei para exigir da
indústria de eletrodomésticos a fabricação de
produtos de menor consumo energético.
61ª..Analise o gráfico da matriz de transportes
de carga brasileira, no ano de 2006.
Estão corretas: (IBGE / 2006)
a).I, apenas.
b).I e II.
c).I e III.
d).II e III.
e).I, II e III.
Assinale
a
alternativa
que
associa
corretamente as modalidades listadas a seguir
com os percentuais apresentados no gráfico
acima: (ANTT / 2008)
I..Rodoviária.
II..Ferroviária.
III..Dutoviária.
IV..Aquaviária.
a).I-a, II-c, III-d e
b).I-b, II-a, III-c e
c).I-d, II-a, III-b e
d).I-d, II-b, III-c e
e).I-a, II-d, III-c e
Revista Veja, 20 set./2006.
59ª..Há seis anos, o governo norte-americano
ameaçou o Brasil com a exclusão das
Professor Pedro Israel
101
IV-b.
IV-d.
IV-c.
IV-a.
IV-b.
Professor Nilton Matos
62ª..Avalie as afirmativas a seguir:
64ª..Sobre os países admitidos
avalie as afirmativas a seguir:
I..A privatização das malhas ferroviárias criou
condições para o aumento de investimentos,
aumentando a competitividade deste subsetor.
II..Os investimentos do Governo Federal no
subsetor hidroviário melhoraram as condições de
navegabilidade dos rios.
III..Os
arrendamentos
de
áreas
portuárias
reduziram os custos portuários, viabilizando a
navegação de cabotagem.
2004,
I..Os países do leste europeu que, após vários
decênios
sob
regime
socialista,
realizaram,
rapidamente, a conversão para uma economia de
mercado.
II..Os países escandinavos que, após um longo
período de estagnação econômica, viam na
integração a possibilidade de retomada do
crescimento.
III..Os países ibéricos que, após um longo período
autoritário, efetuaram em apenas 20 anos a
transição para o estado democrático.
Assinale a alternativa que faz a análise correta
dessas afirmativas: (ANTT / 2008)
a).Apesar dos investimentos nas modalidades
aquaviária e ferroviária, a matriz de transporte
brasileira deverá permanecer inalterada.
b).Os
investimentos
do
setor
privado
na
modalidade ferroviária e do setor público no
subsetor hidroviário não devem aumentar a
participação destas modalidades na matriz de
transporte.
c).Apesar dos investimentos nas modalidades
aquaviária e ferroviária, a participação destas
modalidades na matriz de transporte brasileira
deverá diminuir devido à melhoria da qualidade das
rodovias após as privatizações.
d).A participação das modalidades aquaviária e
ferroviária na matriz de transportes brasileira
deverá aumentar.
e).A participação das modalidades aquaviária e
ferroviária na matriz de transportes brasileira
deverá diminuir devido à alta competitividade da
modalidade rodoviária.
Assinale o item correspondente: (ANAC / 2008)
a).Apenas a afirmativa I está correta.
b).Apenas a afirmativa III está correta.
c).Apenas as afirmativas I e II estão corretas.
d).Apenas as afirmativas II e III estão corretas.
e).As afirmativas I, II e III estão corretas.
65ª..A soma dos valores de todos os bens e
serviços produzidos dentro do território
econômico de um país, independentemente da
nacionalidade dos proprietários das unidades
produtoras, é denominada: (ANAC / 2008)
a).Renda Per Capita (RPC).
b).Produto Interno Bruto (PIB).
c).Fundo Mercantil Interno (FMI).
d).Divisão Internacional do Trabalho (DIT).
e).Processo de Substituição das Importações (PSI).
“Ser negro no Brasil não é fácil. Talvez não
seja tão difícil quanto foi antes, mas não é
fácil. E não o é porque o negro teve aqui uma
história iníqua, que o marcou e nos marca a
todos, fez da cor da sua pele um sinal de
desigualdade.”
“Diga-me o que compras e te direi quem és”.
63ª..Esta afirmativa usa um ditado popular
para fazer uma ironia ao consumismo que
caracteriza a nossa sociedade. Assinale a
alternativa que representa o melhor sentido
da expressão: (ANAC / 2008)
a).O consumo joga um papel decisivo na definição
das identidades.
b).O conhecimento define a posição ocupada na
sociedade.
c).O valor do indivíduo é determinado por sua
origem social.
d).Os produtos são fabricados a partir do gosto das
pessoas.
e).Os gastos excessivos trazem desorganização
econômica individual.
Ferreira Gullar. In: Folha de São Paulo, 2007.
66ª..Numerosos
pronunciamentos
sobre
racismo vêm mobilizando a opinião pública
brasileira. Sobre esse tema, avalie as
afirmativas a seguir:
I..O conceito de raça é ultrapassado e as diferenças
étnicas não implicam em diferenças essenciais.
II..Os
homens
resultaram
de
imprevisíveis
combinações de uns mesmos elementos genéticos e
que, guardando sua inconfundível individualidade,
pertencem todos a uma única espécie.
III..O racismo mantém-se na contramão da
evolução cultural do homem em direção à
fraternidade e à solidariedade.
“A construção da União Européia não é o
resultado da força ou da dominação. Ela
resultou da livre vontade dos governos e dos
povos, decididos a colocar sua união a serviço
da paz e do direito. Em 1º de maio de 2004, a
União Européia realizou o alargamento mais
importante da sua história: entraram dez
novos países. Em 1º de janeiro de 2007,
dando continuidade ao processo, Romênia e
Bulgária foram admitidos como membros.”
Professor Pedro Israel
em
Estão corretas as afirmativas: (ANAC / 2008)
a).I, apenas.
b).II, apenas.
c).I e II.
d).II e III.
e).I, II e III.
102
Professor Nilton Matos
“O capitalismo tende a conquistar o planeta
inteiro como um mercado e, por outro lado,
tende a anular o espaço por meio do tempo,
isto é, a reduzir a um mínimo o tempo tomado
pelo movimento de um lugar a outro.”
Karl Marx.
.A previsão de Karl Marx parece se
concretizar nas últimas décadas do século XX
graças à: (ANAC / 2008)
a).Intensificação dos meios de comunicação
informatizados.
b).Valorização do papel do Estado na economia
neoliberal.
c).Formação de corporações nacionais nos países
em desenvolvimento.
d).Introdução das máquinas automatizadas no
mundo do trabalho.
e).Retração dos mecanismos de competição e de
consumo.
67ª.
A partir dos dados apresentados no gráfico,
analise as seguintes afirmativas:
I..Nos últimos 50 anos, as populações branca e
negra vão reduzindo seu peso relativo e abrindo
espaço para os pardos.
II..No período 1940/1980, as altas taxas de
fecundidade e a elevada mestiçagem respondem
pelo crescimento sistemático dos pardos.
III..A partir de 1960, a redução do peso relativo da
população branca pode ser explicada, entre outros
fatores, pelo acesso mais precoce a métodos mais
modernos de contracepção.
68ª. Desde a década de 1980 a economia
chinesa cresce a taxas anuais médias
superiores a 9%. A China é um verdadeiro
“país-fábrica”. Em relação à China é incorreto
afirmar: (ANAC / 2008)
a).As fábricas instaladas na China, nacionais ou
transnacionais,
fornecem
equipamentos
de
telecomunicações, produtos pessoais e domésticos
para os Estados Unidos, a Europa e o Japão.
b).A China realiza importações cada vez maiores de
matérias-primas minerais e de combustíveis, o que
provoca um aquecimento dos preços desses
produtos no mercado internacional.
c).A China investe maciçamente na produção de
bens de consumo duráveis e não-duráveis e
negligencia os setores de alta tecnologia e militar
que lhe permitiriam disputar o papel de futura
potência hegemônica.
d).Os preços dos produtos exportados pela China
são competitivos no mercado internacional graças,
em grande parte, aos baixíssimos salários pagos a
uma mão-de-obra sem poder de reivindicação.
e).A economia chinesa importa manufaturados,
sobretudo
máquinas,
insumos
industriais
e
componentes principalmente do Japão e dos Tigres
Asiáticos, e exporta produtos finais para os
mercados ocidentais.
Estão corretas as afirmativas: (ANAC / 2008)
a).I, apenas.
b).II, apenas.
c).I e III.
d).II e III.
e).I, II e III.
70ª..Embora não haja, nos dias atuais, os
conflitos do contexto bipolar da Guerra Fria,
vários conflitos e estados de tensão cobrem o
espaço geográfico mundial. Sobre esses
conflitos e situações de tensão não está
correto afirmar que: (ANAC / 2008)
a).A Rússia enfrenta, desde os anos 90,
movimentos separatistas, como o da Chechênia,
localizada no Cáucaso, uma das regiões mais
conflituosas do mundo por causa da enorme
diversidade étnico-religiosa.
b).O Iraque, em conseqüência da invasão liderada
por tropas norte-americanas, em 2003, vive um
clima de guerra civil que levou à dissolução do
exército iraquiano e ao atual colapso da capacidade
administrativa do Estado.
c).Os palestinos lutam pela formação de um Estado
nacional enfrentando o Estado de Israel em
disputas por territórios, como o da faixa de Gaza.
d).O Irã desenvolve um programa nuclear para
conquistar uma posição de potência regional,
apesar das ameaças do Ocidente e das sansões
econômicas que lhe foram impostas pela ONU.
e).O Afeganistão enfrenta uma guerra civil tentando
se libertar do grupo radical Talibã, que se mantém
no poder desde o fim do longo período de domínio
do país pela ex-União Soviética.
69ª. Observe o gráfico do IBGE a seguir:
Professor Pedro Israel
103
Professor Nilton Matos
71ª..Tem
crescido
significativamente
a
participação da população maior de 60 anos
no total da população brasileira – o chamado
envelhecimento populacional. O crescimento
relativo do contingente de idosos não está
diretamente relacionado com: (ANAC / 2008)
a).A queda da mortalidade.
b).A queda da natalidade.
c).A queda da fecundidade.
d).O crescimento da longevidade.
e).O crescimento demográfico.
89,6%, o que contribui para o resultado
alcançado.”
Assinale, entre as opções abaixo, a que
apresenta um mecanismo já adotado pelo
governo brasileiro para reduzir o número de
analfabetos no país. (BNDES / 2008 – adapt.)
a).SAEB.
b).ENEM.
c).ENADE.
d).PROUNI.
e).MOBRAL.
72ª..Sobre a questão do potencial brasileiro
de liderar o setor da agroenergia, encontramse as seguintes posições:
74ª. Os conflitos mundiais da atualidade
ocorrem, também, em função do domínio dos
fluxos do comércio internacional, onde o
intercâmbio entre países do capitalismo
central
e
periférico
são
extremamente
desiguais.
Posição I
“Em
seu
planejamento
estratégico,
a
Petrobrás não deixou de lado a inclusão
social. Cerca de 70 mil famílias de agricultores
poderão ter emprego e renda para o
fornecimento de insumos para as três
primeiras usinas de produção de biodiesel da
companhia (...) Utilizando óleo vegetal e
gordura animal como matérias-primas, as três
usinas deverão entrar em operação no
segundo trimestre de 2008.”
Tomando por base o texto é INCORRETO afirmar
que:
a) A formação dos blocos econômicos mundiais não
proporcionou um crescimento eqüitativo para todos
os países membros.
b) A divisão internacional do trabalho influencia no
intercâmbio do comércio mundial.
c) Os países do capitalismo central estabelecem
trocas desiguais com o mundo periférico,
principalmente, pelo domínio científico-tecnológico.
d) Os centros de poder, que compõem a nova
ordem mundial, possuem um ator hegemônico, qual
seja: os Estados Unidos, que controlam e
comandam todos os demais países, evidenciando a
monopolaridade da nova ordem mundial.
Informe Petrobrás, Revista Carta Capital, 05/12/2007.
Posição II
“[A questão], no Brasil, passa por nossa
capacidade política de realizar uma reforma
agrária
ecológica
que
atinja
o
poder
oligárquico
dos
agronegociantes,
democratizando o acesso à terra e garantindo
a
descentralização
do
abastecimento
energético
e
alimentar,
respeitando
a
diversidade de biomas do país e a criatividade
das culturas de nosso povo. O que passa longe
das grandes monoculturas empresariais de
cana, dendê ou eucalipto...”
75ª. As principais Bolsas do mundo tiveram, a
partir de julho, sucessivas quedas atribuídas à
Crise Imobiliária nos Estados Unidos. Sobre
essa crise, é correto afirmar que:
a) O setor imobiliário e a construção civil nos
Estados Unidos, que teve um grande boom nos
últimos anos, não foram afetados pela crise. As
ações desse segmento continuam a ser as mais
indicadas pelos bancos e gestores de investimento.
b) A crise imobiliária foi encerrada com a quebra do
Banco francês BNP Paribas que tinha vários fundos
de investimento com recursos aplicados em créditos
gerados a partir de operações hipotecárias nos
Estados Unidos, arrastando outros bancos.
c) A crise encerrou-se em julho quando o Banco
Central Europeu, o Federal Reserve (Estados
Unidos) e o Banco do Japão anunciaram o
investimento de 94,8 bilhões de dólares no
mercado imobiliário americano, salvando várias
empresas do setor e aumentando a oferta de
crédito.
d) O principal temor diz respeito à oferta de crédito
disponível, já que foi detectada uma alta
inadimplência do segmento imobiliário americano,
com um número grande de americanos que estão
atrasando ou deixando de pagar a hipoteca da casa
própria.
Porto-Gonçalves, C. W., Revista Caros Amigos, set./2007.
A análise das duas posições permite concluir,
corretamente, que a(s): (BNDES / 2008)
a).Posição I responde à Posição II, referindo-se a
outras matérias-primas.
b).Posição I despolitiza a Posição II, secundarizando
a dimensão social.
c).Posição II nega a possibilidade de realização
apresentada na Posição I.
d).Posição II expande o ponto de vista da Posição I,
criticamente.
e).Recentes descobertas de petróleo no país
descartam ambas as posições em foco.
73ª..“O Brasil alcançou, segundo a ONU, o
grupo dos países com elevado índice de
desenvolvimento
humano.
A
taxa
de
alfabetização brasileira, por exemplo, é de
Professor Pedro Israel
104
Professor Nilton Matos
e) O Brasil foi atingido parcialmente pela crise na
medida em que grandes corporações americanas e
japonesas
também
investiram
no
mercado
imobiliário brasileiro que vivia uma grande
expansão nos últimos anos, com o grande
crescimento da construção civil.
pelas políticas protecionistas de alguns países
desenvolvidos.
e) grandes importadores como os países da Europa
Ocidental que, mesmo exercendo pressões sobre os
produtores, são obrigados a pagar preços elevados
pelos produtos e gerar crises de abastecimento.
76ª. Uma das características do mundo atual
é a criação de blocos econômicos, mercados
comuns entre grupos de nações, com a
finalidade de ampliar as relações entre os
países membros e também com outros povos
do mundo.
78ª. Os investimentos diretos da China no
Brasil aumentaram vertiginosamente nos
últimos anos, conforme pode ser observado no
gráfico acima.
Com relação a esse assunto, aponte as afirmações
verdadeiras (V) e as falsas (F):
( ) São parceiros do acordo do livre comércio da
América do Norte, conhecido como NAFTA, Estados
Unidos, Canadá, México e Venezuela.
(
) México e Venezuela integram o acordo
conhecido como NAFTA, porque dispõem de
petróleo em
abundância para negociar favoravelmente os
produtos industrializados de que necessitam.
( ) A ALCA (Área de Livre Comércio das Américas)
é uma proposta de integração nacional, com o
intuito de abranger todos os países das Américas,
exceto Cuba.
( ) Entre os bons resultados alcançados pela União
Européia (bloco constituído pela maioria das nações
da Europa) estão a integração econômicomonetária ou a criação da moeda única e o livre
trânsito das pessoas residentes nos países
membros.
( ) Na América do Sul, a criação do Pacto Andino,
constituído pelo Chile, Peru e Bolívia, e o Mercosul,
pelo Brasil e Argentina, propiciou áreas de livre
comércio entre esses países, oportunizando a
negociação com blocos econômicos.
Sobre esses investimentos, é correto afirmar:
a) Destinam-se, principalmente, à produção de
matéria-prima no Brasil, destacando-se minério de
ferro e soja.
b) Originam-se, principalmente, da falta de
qualificação da mão de obra no setor agrícola, na
China, nos últimos anos.
c) Devem-se à necessidade de a China diversificar e
expandir sua indústria pesqueira para além do
Sudeste asiático.
d) Concentram-se na produção pecuária, visando
atender à crescente demanda de sua carteira de
negócios no mercado norte-americano.
e) Relacionam-se à flexibilização da legislação
trabalhista
brasileira,
que
tem
atraído
investimentos chineses, sobretudo para o setor de
biotecnologia.
Assinale a alternativa correta:
a) F-F-V-V-F
d) V-F-V-F-V
b) V-V-F-F-V
e) F-V-F-F-V
c) F-V-F-V-F
79ª. A partir de 1989, a América Latina
incorpora o neoliberalismo. Este modelo,
contestado
por
diferentes
grupos
e
movimentos sociais, caracterizou-se, neste
continente, por
a) atenuar as diferenças sociais e a dependência
em relação ao capital internacional, ofertando o
pleno emprego.
b) estimular o desenvolvimento do campo social e
político e implementar uma sociedade mais justa e
igualitária.
c) diminuir o poder da iniciativa privada
transnacional, mediante a intervenção do Estado a
favor da burguesia nacional.
d) ter uma base econômica formada por empresas
públicas que regularam a oferta e a demanda,
assim como o mercado de trabalho.
77ª. Os mercados mundiais de produtos
agrícolas são muito instáveis pois as variações
de preços representam um risco para países
a) como a China que, dependendo de importações
de cereais, acabam criando grandes déficits na
balança comercial pelo que desembolsam na
compra dos produtos.
b) tradicionalmente produtores como o Canadá e a
Austrália que, exercendo grande domínio sobre os
mercados, sentem-se ameaçados de perder a
posição frente aos baixos preços.
c) tradicionalmente exportadores como a Argentina
ou o México que, recebendo menor quantidade de
divisas pelas exportações, têm dificuldades de
investir em outros setores econômicos.
d) considerados subdesenvolvidos que, dependendo
da exportação de alguns poucos produtos agrícolas,
são prejudicados pelos baixos preços do mercado e
Professor Pedro Israel
105
Professor Nilton Matos
e) instaurar um conjunto de idéias políticas e
econômicas capitalistas que defendeu a diminuição
da ingerência do Estado na economia.
c) A necessidade de encontrar novas saídas de
ampliação para os lucros fez com que investidores
cada vez mais recorressem a especulações
financeiras, como aquelas que caracterizam os
mercados de ações e negócios fraudulentos e as
hipotecas subprime.
d) Após a crise econômica, um forte sistema de
regulação por parte dos Estados passou a exigir
mais responsabilidade de bancos e instituições
financeiras e as atividades mais lucrativas
começaram a respeitar rigorosamente um conjunto
de regras que protege o “mundo financeiro” de
novas fraudes.
e) Uma característica da crise atual são as bolhas
produtivas que estouram, levando a crises
repentinas. No ano passado a bolha do setor
imobiliário nos EUA estourou, afetando o sistema
financeiro em todo o mundo. Isso afetou a vida de
milhões de pessoas que perderam ou corre risco de
perder suas casas.
80a. Leia a matéria:
Crise já faz governo temer freada no
crescimento
Análises de economistas do governo indicam
que, se houver recessão nos Estados Unidos, a
meta de crescimento de 5% do PIB para o ano
que vem ficará comprometida.
(O Estado de São Paulo, 19/08/07)
O impacto da crise financeira internacional,
deste segundo semestre de 2007 na economia
brasileira, se explica pelo fato de:
a) Não ser o Brasil um global trader e depender
exclusivamente do mercado norte-americano para
alocar suas exportações.
b) Ser o mercado americano o maior destino das
commodities brasileiras e o recuo das exportações
pode diminuir os superávits alcançados nos últimos
anos.
c) A descapitalização afetar os investimentos
estrangeiros no país, gerando um conseqüente
superávit nas contas correntes.
d) O Brasil não conseguir manter as médias de
crescimento em torno de 5% que obteve nos
últimos quatro anos, uma vez que as exportações
para o mercado norte-americano contribuem
decisivamente para o aumento do PIB nacional.
e) Que o Brasil vem se retirando da globalização,
devido ao modelo econômico implementado no
atual governo.
82ª. Os economistas chamam de recessão um
período em que a economia de uma
determinada região ou país deixa de crescer.
Ocorre uma redução das atividades comerciais
e industriais. Assim, diminui o ritmo da
produção e do trabalho. É uma época em que o
desemprego aumenta e os salários caem, pois
os empresários precisam produzir menos e
reduzir os custos que têm com a manutenção
de suas empresas.
Analise as seguintes afirmações sobre recessão:
I.
A economia do mundo atual baseia-se em
relações de interdependência. Grande parte das
exportações mundiais, por exemplo, vai justamente
para os Estados Unidos que, com a recessão, pode
reduzir suas importações.
II. Uma recessão nos Estados Unidos não interfere
na economia mundial. Na verdade, uma crise
econômica localizada em um país não teria
influências na economia de outros
países.
III. Com a globalização, a crise econômica mundial
contaminou o sistema financeiro internacional,
gerando graves consequências e muitos países
entraram em recessão, reduzindo o lucro das
empresas e provocando desemprego.
81ª. Os acontecimentos manifestados com a
aguda
crise
financeira
no
setor
dos
empréstimos hipotecários nos Estados Unidos
fizeram
crescer
uma
ansiedade
dos
responsáveis econômicos pelo setor privado
face à sua incapacidade de prever o conteúdo,
a
abrangência
e
a
amplitude
das
instabilidades econômicas neste começo de
século XXI.
Sobre esse tema, assinale a opção que contém
uma afirmativa FALSA.
a) A potencialidade da crise em propagar seus
efeitos sobre o sistema financeiro mundial
surpreendeu a comunidade de investidores e
operadores, e o resultado foi uma grande
divulgação
dos
acontecimentos
na
mídia
internacional, perplexa diante das falências de
importantes bancos de investimentos e das maiores
seguradoras do mundo.
b) As concordatas fraudulentas, a manipulação dos
balanços das empresas e as revelações sobre as
remunerações de dirigentes cujas competências se
mostraram duvidosas aumentaram a desconfiança
dos grandes operadores e investidores do mercado
financeiro.
Professor Pedro Israel
Sobre o tema, é correto o que se afirma em
a) I e II, apenas.
b) II e III, apenas.
c) II, apenas.
d) I e III, apenas.
e) I, II e III.
83ª. Um dos grandes desafios do século XXI
para tornar o mundo melhor é o de aprender a
conviver com os outros, aceitar e respeitar os
que são diferentes na cultura, na religião, nos
costumes, na sexualidade etc. A intolerância,
os preconceitos, as discriminações e o
racismo, no entanto, vêm crescendo. Sobre
esse assunto, é CORRETO afirmar:
106
Professor Nilton Matos
a) o princípio de que todos os seres humanos são
iguais, independentemente de sexo, cor da pele,
orientação sexual, local de nascimento, valores
culturais, existe de direito e de fato nas sociedades
democráticas.
b) o racismo consiste numa tendência a
desvalorizar certos grupos étnicos, sociais ou
culturais, atribuindo-lhes características inferiores e
manifesta-se na segregação e rejeição de valores
culturais.
c) os neonazistas, os carecas, os arianos, entre
outros, são grupos organizados que visam
combater os preconceitos, sobretudo contra
migrantes pobres.
d) a xenofobia e a homofobia atingem em maior
grau os indígenas, os negros e a mulher,
considerados
inferiores
em
determinadas
sociedades.
criação de novos direitos. Somente quando a
maioria da população tiver educação de
qualidade,
condições
de
se
alimentar
adequadamente e condições de vida social
decente poderemos ter democracia no Brasil.
Enquanto
isso,
temos
uma
democracia
„capenga‟”.
(TOMAZI, Nelson. Sociologia para o ensino médio. São
Paulo: Atual, 2007, p. 124).
Sobre a análise exposta, assinale o que for correto.
I - Podemos deduzir do texto que, para o autor, a
qualidade de um regime democrático pode variar no
tempo e no espaço. Ele nos sugere que a presença
e a estabilidade do sistema eleitoral são apenas
indicadores mínimos para definir o grau de
democracia que existe em uma determinada
sociedade.
II - Podemos concluir do texto que, em uma
democracia, os partidos políticos não são tão
importantes. Assim, a democracia brasileira seria
melhor se as regras eleitorais reconhecessem os
movimentos
sociais
como
instituições
de
representação, e não os partidos políticos.
III - Podemos concluir do texto que as deficiências
da democracia brasileira têm relação com o fato de
que tivemos, ao longo da história republicana, a
vigência de longos períodos de regimes autoritários.
IV - De acordo com o texto, a consolidação da
democracia brasileira não depende de mudanças na
estrutura jurídica do Estado.
V - Para o autor, a qualidade de uma democracia
pode ser medida observando-se os seguintes
indicadores: as regras institucionais vigentes, as
condições dadas para a construção de ações
coletivas e a maneira como os recursos materiais
estão distribuídos.
84ª. Observe o mapa abaixo:
Os dados expostos sobre a era atômica revelam
que:
a) I, apenas é verdadeiro.
b) III, apenas é verdadeiro.
c) II e IV são verdadeiras.
d) I, III e V são verdadeiros.
e) IV, apenas é verdadeiro.
a) Apesar de muitos países ficarem à margem da
corrida nuclear, os arsenais atômicos são, ainda,
uma fonte de poder no mundo atual.
b) Países como Índia, Paquistão, França, Rússia e
China ainda realizam testes nucleares porque estão
diretamente envolvidos em guerras.
c) Os testes e as experiências nucleares são
realizados hoje para fins pacíficos, restringindo-se à
pesquisa científica e à produção energética.
d) Mesmo com as restrições atuais, países
emergentes vêm investindo em programas de
armas nucleares, casos de Brasil, Irã e África do
Sul.
86ª.
"Em
alguns
países,
produzem-se
alimentos suficientes para toda a população
nacional e para a exportação. Então a questão
não é o tamanho da população, mas a
tecnologia que está sendo usada e o
investimento que está sendo feito”.
(Jacques Diouf, diretor geral da FAO, em entrevista
concedida à Revista Veja, edição 2057 -23 de abril de
2008)
Segundo o diretor-geral da FAO (Organização das
Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), a
alta do preço dos alimentos assusta, mas não
condena o mundo à fome, como afirmam aqueles
que ressuscitam o fantasma de Malthus, título da
matéria da revista. Em relação à escalada dos
preços dos alimentos, considere as afirmações
abaixo.
85ª. Considere a seguinte afirmação:
“A democracia no Brasil é algo muito recente
e ainda está se consolidando. Ela continuará
crescendo se as regras institucionais para as
eleições e o exercício do poder forem
ampliadas, para possibilitar a participação da
população, e se os movimentos sociais
tiverem mais liberdade para lutar pela
manutenção dos direitos fundamentais e a
Professor Pedro Israel
107
Professor Nilton Matos
I. Aumento de preço, devido à redução da oferta de
alimentos em decorrência das alterações climáticas
e doenças nos rebanhos do planeta, que tem
provocado graves quebras de safras.
II. O incentivo dos governos dos países emergentes
e do Japão aos produtores de etanol, derivado do
milho ou do arroz, fez aumentar a cotação desses
grãos, estimulando agricultores de alimentos a
migrarem para a produção de biocombustíveis.
III. O preço do barril de petróleo tem aumentado
sucessivamente desde o início de 2007, o que
elevou o preço dos transportes e insumos agrícolas.
IV. O dinamismo da economia mundial que vem
crescendo nos últimos anos tem aumentado o
consumo de alimentos em países emergentes, onde
vivem mais de 1/3 da população mundial.
Estão corretas,
a) apenas, I e II.
b) apenas, III e IV.
c) apenas, I, III e IV.
ingressarem na universidade sem mecanismos
facilitadores.
d) a tese de que a diferenciação ocorre por critérios
sociais e não de cor, na medida em que não
existem manifestações de racismo na sociedade
brasileira.
88ª. Ao longo do século XIX, uma das
discussões mais importantes foi sobre a
composição
racial
do
povo
brasileiro.
Visitantes estrangeiros e boa parte da elite
nacional viam na elevada dose de “sangue”
não-branco em nosso povo o grande problema
do Brasil. Ainda nas primeiras décadas do
século XX, para muitos, a salvação viria pelo
“embranquecimento” através de práticas
eugênicas e da imigração européia. Isso nos
redimiria do pecado da mistura. (CASTRO,
2006, p. 98).
d) apenas, I e III.
e) I, II, III e IV.
A análise do texto e os conhecimentos relativos à
discussão atual sobre as relações étnicas na
sociedade brasileira permitem afirmar:
I - A “elevada dose de „sangue‟ não-branco”,
mencionada no texto, influía pouco nas hierarquias
sociais e nos critérios de participação política do
Brasil no Período Monárquico.
II - A cordialidade que marcou a convivência
cotidiana entre senhores e escravos domésticos ao
longo da história da escravidão no Brasil, explica a
ausência de preconceito, racismo e outros conflitos
entre esses segmentos da sociedade, no Período
Colonial.
III - A mestiçagem entre negros, brancos e índios
registrada na História do Brasil gerou uma
sociedade integrada, harmônica, na qual as
diferenças de cor estão diluídas, a ponto de não
interferirem nas relações sociais.
IV - A crença sobre a existência de uma
“democracia racial”, na qual índios, brancos, negros
e mestiços alcançam iguais oportunidades de
realização social, tem contribuído para desviar a
atenção da sociedade das práticas de preconceito e
de discriminação existentes no Brasil.
V - A busca do “embranquecimento” pelos
segmentos negros ou mestiços relaciona-se
diretamente com a pobreza, com a exclusão e com
o preconceito enfrentados por eles no mercado de
trabalho, na educação e na ocupação dos espaços
sociais.
VI - As desigualdades sociais resultantes de fatores
econômicos, habitacionais e educacionais, dentre
outros, aprofundam as diferenças étnicas e
dificultam a tomada de consciência e de cidadania
por parte de grandes contingentes da população
afro-descendente no Brasil.
87ª. O perfil racial da Fundação Unipalmares é
único na América do Sul e há poucas como ela
no mundo. O projeto excita e atrai muita
gente, como Jairo Abud, professor titular da
Fundação Getúlio Vargas, que se apresentou à
Unipalmares no início de 2005. A diretora,
acanhada, disse que não teria como pagá-lo.
Ele respondeu: “Não estou perguntando
quanto ou como a senhora vai me pagar, estou
dizendo que vou dar aula aqui”. Inevitável
provocar a diretora sobre o tema da
democracia racial: “Minhas opiniões sobre isso
se aprofundaram. Hoje eu posso falar a partir
de um conhecimento empírico. Eu discordava
da democracia racial de Gilberto Freyre,
sacava
as
dificuldades
do
negro.
A
importância disto aqui é que nossos alunos
têm uma melhoria macro: observo mudanças
no modo de eles falarem, de se comportar, a
postura, as roupas, o padrão de consumo. Eles
começam a ler e selecionar o que lêem. Não
importa o que aconteça daqui pra frente, nós
já conseguimos fazer nosso aluno entender
que aqui ele pode, e alguém da família dele
pode
também.
Olha,
estou
vivendo
a
democracia
racial
pela
primeira
vez”.
(ZIBORDI, 2007, p. 8).
A questão racial no Brasil tem suas origens
históricas na escravidão e na situação do negro
após a Abolição. Ações políticas, como a da
Unipalmares,
representam,
no
contexto
da
sociedade brasileira,
a) uma comprovação da existência da democracia
racial no país, fruto da miscigenação étnica que deu
origem ao povo brasileiro.
b) uma política de ação afirmativa, que, através de
mecanismos compensatórios, busca corrigir uma
injustiça social no país
c) o reforço do preconceito racial, pois prova a
incapacidade
intelectual
dos
negros
para
Professor Pedro Israel
Está correto o que se afirma em
a) I e II
c) II, III e IV
b) I, II, IV e V
d) IV, V e VI.
89ª. A idéia de “fome” vem há algum tempo
sendo re-significada, politicamente, sob a luz
do conceito de “segurança alimentar”. No
108
Professor Nilton Matos
Fórum Mundial Social de Mumbai (Índia), em
2004, as discussões foram focadas na
necessidade de emancipação dos povos
dependentes das políticas internacionais que
regulam a produção, estocagem, distribuição e
comercialização alimentar no mundo. Sobre o
conceito de “segurança alimentar”, pode-se
afirmar que:
Thompson, Edward. Extremismo e Guerra Fria. São
Paulo: Brasiliense, 1986, p. 189-192)
Tendo como referência o texto acima, assinale a
alternativa
que
corretamente
interpreta
a
transcrição.
a) Os discursos ideológicos da Guerra Fria
elaboraram um acervo literário, de natureza
mitológica, só superado pelo acervo mitológico da
antiguidade clássica greco-romana.
b) A eclosão de um conflito nuclear entre EUA e
URSS durante a Guerra Fria só não ocorreu graças
à eficiência técnica de ambos ao evitarem qualquer
falha acidental.
c) O conteúdo ideológico da Guerra Fria forneceu
aos países do Terceiro Mundo a condição de
perceberem os interesses velados no discurso de
todos aqueles que buscavam deles se aproximar.
d) A proposição do uso da força e da violência foi
amplamente usado pelos países do Terceiro Mundo
para evitar a interferência dos interesses das
superpotências nos seus limites territoriais.
e) A Guerra Fria foi utilizada pelas duas
superpotências para manter a dominação sobre o
Terceiro Mundo, para evitar que algum país de sua
área de influência escapasse ao seu controle.
I – ele representa uma mudança de concepção que
poderá transformar a qualidade de vida de
inúmeras sociedades historicamente dependentes
dos padrões de consumo alimentar de países e
regiões possuidores de índices de desenvolvimento
humano (IDH) bastante elevados.
II – ele é o caminho para a construção de outro
conceito, ainda mais expressivo, voltado para a
erradicação da miséria no mundo: o da
“sustentabilidade alimentar”. Este conceito, que
incorpora programas ligados à preservação do meio
ambiente e à não utilização de agrotóxicos nas
monoculturas extensivas, concebe o enfrentamento
da pobreza a partir de programas locais voltados
para o mercado de trabalho.
III – se as populações em estado de “pobreza
absoluta” forem os principais atores de sua própria
emancipação social – isto é, se o controle da “fome”
apoiar-se sobre suas atividades econômicas e não
fundamentalmente na ajuda alimentar dos outros –
então há chances de que espaços diversos onde há
“insegurança alimentar” sejam menos afetados por
processos de marginalização socioespacial.
IV – a sustentabilidade das atividades agrícolas nos
países mais pobres deve ser delegada às suas
tecnologias e tradições produtivas, para que seja
possível a erradicação da fome. O conceito
relaciona a autonomia alimentar dos países com a
geração de novos empregos e a menor dependência
das importações e flutuações dos preços no
mercado internacional.
91ª. O Brasil ainda não conseguiu extinguir o
trabalho em condições de escravidão, pois ainda
existem muitos trabalhadores nessa situação. Com
relação a tal modalidade de exploração do ser
humano, analise as afirmações abaixo.
I - As relações entre os trabalhadores e seus
empregadores marcam-se pela informalidade e
pelas crescentes dívidas feitas pelos trabalhadores
nos armazéns dos empregadores, aumentando a
dependência financeira para com eles.
II - Geralmente, os trabalhadores são atraídos de
regiões distantes do local de trabalho, com a
promessa de bons salários, mas as situações de
trabalho
envolvem
condições
insalubres
e
extenuantes.
III - A persistência do trabalho escravo ou semiescravo no Brasil, não obstante a legislação que o
proíbe, explica-se pela intensa competitividade do
mercado globalizado.
Está correto o que se afirma em
a) todas as afirmações.
c) I, II e III.
b) I, II e IV.
d) II e III.
90ª.
"(...)
precisamos
compreender
a
realidade que se encontra por trás da
elaborada mitologia da Guerra Fria. Não é
muito difícil, se atentarmos aos fatos. O fato
básico e crucial, que nunca é demais repetir, é
que o sistema da Guerra Fria é altamente
funcional para as superpotências, e é por isso
que ele persiste, apesar da probabilidade de
mútua aniquilação no caso de uma falha
acidental, que ocorrerá mais cedo ou mais
tarde. A Guerra Fria fornece um arcabouço
onde cada uma das superpotências pode usar
a força e a violência para controlar seus
próprios domínios contra os que buscam um
grau de independência no interior dos blocos
– apelando à ameaça da superpotência
inimiga, para mobilizar sua própria população
e a de seus aliados." (Chomski, Noam. Armas
Estratégicas, Guerra Fria e Terceiro Mundo. In:
Professor Pedro Israel
Está correto o que se afirma em
a) I
b) II
c) I e II
d) I, II e III.
92ª.
109
Professor Nilton Matos
As figuras confirmam cada vez mais a
presença do trabalho infantil no mercado de
trabalho. Seus conhecimentos sobre o tema
levam à reflexão de que:
I - O trabalho infantil é uma das maiores agressões
à sociedade brasileira. De acordo com o IBGE, dos
2,7 milhões de crianças na idade de 06 a 14 anos,
cerca de 50% trabalham até 40 horas semanais.
Essa forma de trabalho está atrelada à pobreza da
família, pois crianças que deveriam estar na escola
estão na luta para completar a renda familiar.
II - O trabalho infantil, marca já registrada na
cultura econômica brasileira, gera lucro para quem
explora e pobreza para quem é explorado. Na zona
rural de muitas regiões brasileiras são muitas
crianças trabalhando no sisal, nas carvoarias, nas
pedreiras, nos canaviais e na agricultura. A miséria
amedronta, ao ponto de uma criança perguntar
numa carvoaria em Goiás: “Pra existir um rico
quantos pobres têm que existir?”
III - Na maioria das cidades brasileiras as ruas são
tomadas de crianças que ficam nos semáforos,
muitas vendendo balas para sobreviver, pedindo
esmola, expostas ao tráfico de drogas, à
prostituição infantil, aos pedófilos e a agenciadores
da prostituição.
IV - A falta de oportunidades de trabalho, a renda
baixíssima, a não alfabetização, também são
fatores que contribuem para a pobreza e para a
degradação dos fatores em pauta.
De acordo com o mapa, é correto afirmar sobre os
luxos desses trabalhadores que:
a) as principais áreas receptoras encontram-se na
fronteira agrícola amazônica, em especial nos
cultivos e criação de gado no Pará e Mato Grosso.
b) os estados do Sudeste são o seu destino
principal,
especialmente
para
trabalhar
em
indústrias clandestinas em grandes cidades como
São Paulo.
c) entre as áreas emissoras mais
importantes
estão os estados com a maior produção industrial
do Nordeste, como Ceará, Pernambuco e Bahia.
d) estados com baixo Índice de Desenvolvimento
Humano como Maranhão e Piauí estão entre os
principais
emissores
e
receptores
desses
trabalhadores.
94ª. No gráfico abaixo, estão representadas
mudanças no perfil socioeconômico da população
brasileira entre 2002 e 2009.
Estão corretas as proposições
a) I e IV
c) I e II
b) I e III
d) Todas as proposições
93ª. O trabalho escravo contemporâneo ainda
é um grande drama social em vários países.
Examine o mapa a seguir, com os principais
luxos migratórios de trabalhadores que se
tornam escravos no Brasil atual.
Adaptado de Folha de S. Paulo, 18/04/2010
Um dos principais fatores que possibilitaram as
mudanças representadas no gráfico é:
a) elevação do poder aquisitivo
b) ampliação da expectativa de vida
c) estabilização da oferta de emprego
d) diminuição da taxa de analfabetismo
95ª. As últimas décadas do século XX assistiram a
uma revolução nos sistemas de produção e de
trabalho. As opções abaixo apresentam algumas
das conseqüências dessas mudanças, À EXCEÇÃO:
a) da substituição do trabalho humano por robôs
flexíveis
e
programados.
b) da substituição, na ocupação da mão-de-obra,
do setor de serviços pelo setor industrial.
c) do comando de sistemas de produção por
computadores
e
programas
sofisticados.
d) da produção altamente concentrada combinada
com uma flexível integração de empresas
subcontratadas.
E) do redimensionamento da escala de produção
Professor Pedro Israel
110
Professor Nilton Matos
em função
mundiais.
de
mega-mercados
ou
mercados
B) a classe média passou a ser maioria no Brasil;
entretanto, o número de pobres vem aumentando
significativamente.
C) a pirâmide atual usou, como critérios, além da
renda familiar, a taxa de analfabetismo e a
expectativa de vida.
D) o crescimento do miolo da pirâmide gera
impactos no consumo, pois reflete o aumento do
poder aquisitivo da classe média.
96ª. “A divisão sexual do trabalho assume
formas conjunturais e históricas, constrói-se
como
prática
social,
ora
conservando
tradições que ordenam tarefas masculinas e
tarefas femininas na indústria, ora criando
modalidades da divisão sexual das tarefas. A
subordinação de gênero, a assimetria nas
relações de trabalho masculinas e femininas
se manifesta não apenas na divisão de tarefas,
mas nos critérios que definem a qualificação
das tarefas, nos salários, na disciplina do
trabalho.”
98ª. Atualmente, o surgimento de novas
atividades profissionais com diversos graus de
qualificação favorecem o desaparecimento de
outras
profissões,
provocando
inúmeros
desempregos.
I. O desemprego em larga escala, na atualidade um
processo novo e recente, sendo o resultado
exclusivo das inovações do mundo globalizado.
II. Ao longo da história, as crises econômicas
motivadas por fatores internos e externos e
mudanças na atividade produtiva ainda provocam o
desemprego conjuntural.
III. Na fase atual, as inovações tecnológicas e a
concorrência mundial, motivada por corte nos
custos de produção,
principalmente o emprego conjuntural.
IV. O desemprego estrutural é tanto quantitativo
como qualitativo, pois, respectivamente, reduz o
número de postos de trabalho e exclui mão obra
desqualificada.
(CARLOTTO, C. M. O Conceito de gênero e sua
importância para a análise das relações sociais. Serv. Soc.
Rev., Londrina, v. 3, n. 2, p. 205, jan./jun. 2001).
Sobre o trabalho feminino, é correto afirmar:
A) Mesmo no mundo globalizado, o trabalho
feminino é muito utilizado em formas de emprego
precárias, como contratos de curta duração e
empregos em tempo parcial.
B) Os rendimentos das mulheres trabalhadoras
mais escolarizadas tendem a ser superiores aos dos
homens em igual posição.
C) Observa-se uma diminuição da presença das
mulheres em atividades de maior prestígio e
rendimentos devido à melhoria da qualificação da
mão-de-obra masculina.
D)
O
trabalho
doméstico
é
exercido
predominantemente pelas mulheres em razão da
baixa qualificação da mão-de-obra feminina.
Com base na análise do texto e das proposições,
pode-se afirmar que estão corretas apenas:
A) I e III
C) II e III
E) II e IV
B) I e II
D) III e IV
97ª.
A NOVA CLASSE MÉDIA DO BRASIL
Analise os dados apresentados no quadro, a seguir:
99ª. Em meados da década de 1990, em um
artigo
intitulado
"Globalização:
as
oportunidades e os riscos", publicado no
jornal Gazeta Mercantil, o economista Gilberto
Dupas apontava a automação e o desemprego
estrutural
como
"uma
mancha
escura
pairando no coração do capitalismo vitorioso".
Sobre essa questão, analise as alternativas a
seguir, assinalando a que estiver INCORRETA:
A) A globalização diz respeito a uma mudança
estrutural que atinge, indistintamente, as diferentes
regiões do planeta e que pode ser exemplificada
pela formação de blocos econômicos e associações
regionais de livre mercado.
B) Na origem da globalização está o que alguns
chamam de "Terceira Revolução Industrial", cujas
bases são a microeletrônica, a biotecnologia e a
química fina.
C) As condições favoráveis ao Neoliberalismo,
feição política da globalização, deram-se a partir
dos governos de Margareth Thatcher, na Inglaterra,
Ronald Reagan, nos Estados Unidos e Helmut Kohl
na Alemanha.
D) O desemprego estrutural, ao qual Dupas se
refere, diz respeito à ausência de recursos
tecnológicos na agricultura, o que favorece, no
mundo globalizado, um preocupante êxodo rural
Revista Galileu /Vestibular 2009.p. 48
A) nos últimos anos, uma parcela significativa da
população brasileira deslocou-se do miolo para a
base da pirâmide.
Professor Pedro Israel
111
Professor Nilton Matos
que resulta na segregação de uma camada social
de miseráveis nas grandes cidades em todo o
mundo.
E) No âmbito das gestões públicas, a globalização é
marcada pela busca de um "Estado Mínimo",
redimensionando o tamanho e o papel dos Estados
especialmente através das privatizações.
metas de redução da emissão dos gases de efeito
estufa;
c) O representante dos EUA Johnnatam Pershing
sustenta que seria necessário reduzir os níveis de
emissões de dióxido de carbono (CO 2) entre 25%
e 40% até 2020, tendo 1990 como referência;
d) Os EUA, um dos países que mais emite gases na
atmosfera, não assinaram o protocolo de Kyoto de
1997 (ratificado por 184 países em 2005) que
acordava a redução de 5% de CO 2 em relação aos
índices de emissão registrados em 1990;
e) Segundo o Painel Intergovernamental de
Mudanças Climáticas da ONU (IPCC), é preciso
reduzir em 16% a emissão de dióxido de carbono
na atmosfera, caso contrário até o fim do século a
temperatura média global pode sofrer elevação de
até 8ºC provocando uma catástrofe ambiental.
100ª. A usina hidrelétrica de Belo Monte será
construída no rio Xingu, no Pará. A usina será
a terceira maior do mundo e a maior
totalmente brasileira, com capacidade de 11,2
mil megawatts. Os índios do Xingu tomam a
paisagem com seus cocares, arcos e flechas.
Em Altamira, no Pará, agricultores fecharam
estradas de uma região que será inundada
pelas águas da usina.
BACOCCINA, D.; QUEIROZ, G.; BORGES, R. Fim Do
Leilão, Começo Da Confusão. Isto é Dinheiro. Ano
13, no 655, 28 abr. 2010 (adaptado)
102ª. Lula defende
críticas crescentes
Os impasses, resistências e desafios associados à
construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte
estão associados
a) Ao potencial hidrelétrico dos rios do norte e
nordeste
quando
comparados
às
bacias
hidrográficas das regiões Sul, Sudeste e CentroOeste do país.
b) À necessidade de equilibrar e compatibilizar o
investimento no crescimento do país com os
esforços para a conservação ambiental.
c) À grande quantidade de recursos disponíveis
para as obras e à escassez dos recursos
direcionados para o pagamento pela desapropriação
das terras.
d) Ao direito histórico dos indígenas à posse dessas
terras e à ausência de reconhecimento desse direito
por parte das empreiteiras.
e)
Ao
aproveitamento
da
mão-de-obra
especializada disponível na região Norte e o
interesse das construtoras na vinda de profissionais
do Sudeste do país.
das
BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva
defendeu a produção de biocombustíveis pelo
Brasil, rejeitando as críticas de que ela acelera o
aumento dos preços dos alimentos em todo o
mundo e prejudica o meio ambiente. As crescentes
críticas são um desafio à diplomacia brasileira e ao
auge das exportações agrícolas, que transformaram
o Brasil no maior exportador mundial de etanol
derivado da cana de açúcar. Competidores e críticos
tentaram relacionar várias das exportações
agrícolas do país, da carne à soja, com a destruição
do meio ambiente e com más condições de
trabalho.
(RAYMOND COLITT, em 16/04/2008. Adaptado de
www.estadao.com.br)
O debate a respeito do uso de biocombustíveis não
envolve apenas questões ambientais, mas também
diferentes interesses econômicos. Neste último
caso, encontram-se países e empresas que lucram
com a utilização em larga escala dos combustíveis
fósseis e produtores de biocombustíveis. Nesse
campo de lutas, o Brasil emerge como um potencial
ator de primeira grandeza, posicionando-se no
centro dessa polêmica. Um alegado risco ambiental
decorrente da maior produção de biocombustíveis
no Brasil e uma vantagem territorial que
fundamenta a defesa desta política de Estado,
respectivamente, são:
101ª. Em Copenhague na Dinamarca, a COP15 foi
realizada entre os dias 7 e 18 de dezembro de 2009
um dos encontros mais importantes da história – a
15 a Conferência das Partes (COP15) da Convenção
das Nações Unidas sobre Mudança de Clima. São
esperados representantes de cerca de 200 países.
Sua realização é aguardada com expectativa e
esperança por todos os que se preocupam com as
mudanças climáticas e seus impactos no planeta.
(Correio Brasiliense, 30/08/2009)
a) desertificação - abundância de recursos hídricos.
b) degradação dos solos - predomínio de solos
férteis.
c) desmatamento - disponibilidade de terras não
cultivadas.
d) disseminação de pragas - ocorrência de climas
temperados.
e) destruição da biodiversidade – inexistência de
espaços disponíveis.
Quanto ao assunto tratado no texto, é correto
afirmar:
a)
Países
industrializados
e
países
em
desenvolvimento
alcançaram
em
reuniões
preparatórias, como Bali e Bonn, acordo definitivo
sobre as metas globais a serem alcançadas em
matéria de redução das emissões de dióxido de
carbono na atmosfera;
b) EUA e União Europeia concordaram que Brasil,
Índia e China continuem dispensados de cumprir
Professor Pedro Israel
biocombustíveis
103ª. ENTENDA O QUE É A CAMADA PRÉ–SAL!
112
Professor Nilton Matos
c) Possibilitou a abertura de novas fronteiras
agrícolas, evitando investimentos em plantações e
usinas já existentes.
d) Representou uma fonte de desenvolvimento de
tecnologias "limpas" por aproveitar a cana-deaçúcar como fonte de energia renovável.
e) Ocasionou uma série de problemas ambientais
pela
dificuldade
de
aproveitamento
e
armazenamento dos resíduos da produção de
álcool.
105ª. O petróleo não é uma matéria-prima
renovável e precisou de milhões de anos para
sua criação. A maioria dos poços encontra-se
no Oriente Médio, na antiga União Soviética e
nos EUA. Sua importância aumentou desde
meados do século XIX, quando era usado na
indústria e hoje é um dos grandes fatores de
conflitos no Oriente Médio. Aponte as três
grandes crises do petróleo nos últimos anos.
A chamada camada pré-sal é uma faixa que se
estende por cerca de 800 quilômetros abaixo
do leito do mar, entre os Estados do Espírito
Santo e Santa Catarina, e engloba três bacias
(Espírito Santo, Campos e Santos). O petróleo
localizado
nesta
área
encontra-se
em
profundidades que superam os 7 mil metros,
abaixo de uma extensa camada de sal que,
segundo os geólogos, conservam a qualidade
do produto.
Trecho Adaptado- Folha Online – 10/08/2008
a) A primeira foi em 1973, quando os EUA tentaram
invadir Israel para dominar os poços petrolíferos
desse país; a segunda foi em 1979, quando foi
criado o Estado da Palestina e eclodiu o conflito
com a Arábia Saudita; a terceira foi em 1991,
quando começou a guerra do Iraque.
b) A primeira foi em 1973, quando houve uma crise
de produção no Oriente Médio, levando ao aumento
do preço dos barris de petróleo no mundo todo; a
segunda foi em 1979, quando o Kuwait se recusou
a vender petróleo para os EUA; a terceira foi em
1991, quando começou a guerra dos EUA contra o
Afeganistão.
c) A primeira foi em 1973, devido ao conflito árabeisraelense; a segunda em 1979, quando os
árabes
diminuíram
a
produção de barris; a
terceira em 1991, que acabou gerando a Guerra do
Golfo, quando o Iraque invadiu o Kuwait.
d) A primeira foi em 1973, quando o Iraque
invadiu a Palestina; a segunda foi em 1979, período
de baixa produção de petróleo no Oriente Médio; a
terceira foi em 1991, devido à Guerra do Golfo.
e) A primeira foi em 1973, quando vários países do
mundo exigiram a fundação da OPEP para controlar
os preços dos barris de petróleo; a segunda foi em
1979, quando se deu o conflito árabe-israelense; a
terceira foi em 1991, quando teve início a guerra da
Palestina.
Sabe-se que a formação do petróleo ocorre
através da alteração de matéria orgânica
vegetal ou animal, de origem oceânica, retida
no subsolo. Baseando-se nessas informações,
é CORRETO afirmar que a área propícia à
produção do petróleo localiza-se
a) nos terrenos cristalinos, em locais que estiveram
cobertos por mares.
b) nos subsolos oceânicos, em áreas de terrenos
cristalinos da era Mesozóica.
c) nos subsolos oceânicos, em áreas de bacias
sedimentares.
d) nos terrenos sedimentares, em subsolos
oceânicos da era Pré-Cambriana.
e) nos terrenos oceânicos cristalinos datados da Era
atual.
104ª. O Programa Nacional do Álcool
(Proálcool) foi criado em 1975, como uma
forma encontrada pelo governo brasileiro para
enfrentar as crises do petróleo, iniciadas em
1973. Sobre o Proálcool, assinale a alternativa
INCORRETA:
106ª. Observe atentamente o texto abaixo:
MERCOSUL descobre mar potável sob a terra
a) Baseou-se em uma forte política de subsídios e
financiamento a juros baixos aos grandes usineiros,
agravando ainda mais o problema fundiário no país.
b) Contribuiu para atenuar a crise do setor
açucareiro brasileiro na década de 70, devido aos
baixos preços internacionais do açúcar.
Professor Pedro Israel
113
Professor Nilton Matos
e) O termo aqüífero – que designa uma pequena
quantidade de água salgada confinada entre as
camadas impermeáveis – é referido no texto como
“um lençol gigante” por sua extensão e por ficar
escondido sob a terra.
107ª. A apropriação antrópica dos recursos
naturais renováveis e não renováveis como
fontes
energéticas
tem
aumentado
consideravelmente
nas
últimas
décadas,
trazendo
consequências
socioambientais
desastrosas para grande parte das populações
da Terra. Neste contexto, é correto afirmar
que (o) (a)(s):
a) biocombustíveis obtidos do aproveitamento de
matérias primas diversas têm sido a esperança de
uma obtenção mais limpa de energia oriunda de
recursos naturais renováveis. O Brasil é um dos
países que tem investido na tecnologia de sua
fabricação com aproveitamento de vegetais como a
cana-de-açúcar para fabricação do etanol e da
mamona e outros para o biodiesel.
b) hidroeletricidade constitui a matriz energética da
maioria dos países desenvolvidos industrializados,
sendo considerada uma forma de energia não
poluente, de baixo custo de aquisição e renovável,
por estes motivos é largamente utilizada.
c) carvão mineral é um dos combustíveis fósseis de
recente utilização pelo setor fabril com um
aproveitamento energético expressivo, em razão
das insignificantes consequências ambientais que
sua exploração acarreta, quase sempre pouco
danosas no que diz respeito ao meio ambiente.
d) petróleo é a principal fonte energética do
planeta, sendo matéria prima fundamental para
vários tipos de indústrias, é um combustível
bastante nocivo para a saúde humana. Nos últimos
anos, sua utilização tem diminuído de forma
significativa em função do aumento do uso dos
biocombustíveis.
e) gás natural é pouco utilizado como fonte
energética devido aos elevados custos de
exploração e comercialização, pois seu transporte é
extremamente difícil e dispendioso, além de
apresentar uma forma de aproveitamento bastante
poluente se comparada à de outros recursos
energéticos como o petróleo e o carvão.
Empresários
e
políticos
descobriram
recentemente o que os geólogos já sabiam há
muito tempo: o maior reservatório de água
doce do mundo estende-se por 1,6 milhão de
km2, território maior que o da Inglaterra,
França e Espanha juntas. É o manancial
subterrâneo conhecido como Botucatu e
apelidado de “aqüífero gigante do Mercosul”
pois dois terços estão espalhados por muitos
estados brasileiros, e o restante está debaixo
da Argentina, do Paraguai e do Uruguai.
Também conhecido como “Guarany”, o
aqüífero possui volume total estimado em
aproximadamente 50 bilhões de m3. Se toda a
água fosse extraída abasteceria 150 milhões
de pessoas por 2.500 anos. A preocupação
agora é com o controle dos vários poços
espalhados pela região. Além do desperdício,
poços desativados são abandonados sem
serem fechados, aumentando o risco de
contaminação por acidente ou sabotagem.
Adaptado de BIANCARELLI, Aureliano para o jornal Folha
de S. Paulo, 19 de maio 1996.
Levando em consideração o texto acima e seus
conhecimentos, assinale a alternativa correta:
a) O termo “aqüífero gigante do Mercosul” se deve
ao fato de dois terços dele estarem localizados em
três países vizinhos do Brasil e o restante em
apenas cinco estados brasileiros.
b) O termo “aqüífero gigante do Mercosul” indica
que é preciso controlar os poços abandonados
nessa região porque, como recebem apenas água
da chuva, estão sujeitos a contaminações.
c) O termo aqüífero – que designa uma grande
quantidade de água doce confinada entre camadas
permeáveis – é referido no texto como “um lençol
gigante” por sua extensão e por ficar escondido sob
a terra.
d) O “aqüífero gigante do Mercosul” chama atenção
de outros blocos internacionais, por representar
uma fonte de água potável importante só para o
Rio Grande do Sul.
Professor Pedro Israel
108ª. “Todas as atividades humanas, desde o
surgimento da humanidade na Terra, implicam
no chamado „consumo‟ de energia. Isto
porque para produzir bens necessários à vida,
produzir alimentos, prazer e bem-estar, não
há como não consumir energia, ou melhor,
não converter energia. Vida humana e
conversão de energia são sinônimos e não
existe qualquer possibilidade de separar um
do outro.”
Apesar de toda importância do consumo de energia
para a vida moderna, podemos afirmar que sua
forma de utilização no mundo contemporâneo
continua a ser insustentável porque
114
Professor Nilton Matos
a) o consumo de energia é desigual entre ricos e
pobres, sendo que os pobres continuam a utilizar
fontes arcaicas que são muito mais danosas ao
meio.
b) as chamadas fontes alternativas que são nãopoluentes são de custos elevadíssimos e só podem
ser produzidas em pequena escala para consumo
muito reduzido.
c) a energia hidroelétrica que assumiu a liderança
no consumo mundial necessita da construção de
grandes represas que causam grandes impactos
ambientais.
d) as principais matrizes energéticas do mundo
continuam a ser o petróleo e o carvão, que são
fontes não-renováveis e muito poluentes.
e) a energia nuclear, que é a solução mais viável
para a questão energética do mundo, depende do
enriquecimento do urânio, cuja tecnologia é
controlada por poucos países e inacessível para a
grande maioria.
habitantes. Com mais gente comprando, vale a lei
da oferta e da procura.
b) Alta do petróleo. O aumento nos preços do
petróleo fez também com que o preço final dos
alimentos ficasse mais caro. O preço do barril influi
diretamente nas commodities agrícolas em duas
pontas: na produção e na distribuição.
c) Especulação. Muitos fundos usaram as bolsas de
mercadorias para especular com a antecipação
da compra de safras futuras em busca de
melhor rentabilidade, o que também contribui
para valorizar o preço de comodities como o trigo e
o arroz.
d) Condições climáticas. O clima desfavorável
devastou culturas na Austrália e reduziu as
colheitas em muitos outros países, em particular
na Europa, segundo a FAO.
e) Biocombustíveis. São os grandes responsáveis
pela escassez mundial e aumento nos preços
dos alimentos. Porque as áreas cultivadas
influenciam diretamente na produção agrícola.
109ª. Nos últimos anos, no Brasil, tem
chamado a atenção a expansão do plantio de
cana-de-açúcar para produção do etanol,
utilizado
como
combustível.
No
dia
17/09/2009, o governo lançou um programa
denominado Zoneamento Agroecológico da
Cana-de-açúcar, que visa ordenar o avanço
dessa cultura sobre o território, proibindo sua
expansão sobre alguns biomas, haja vista que
isso poderá trazer impactos negativos no meio
ambiente.
111ª. O Índice de Desenvolvimento Humano
(IDH)
é
um
indicador
do
nível
de
desenvolvimento socioeconômico de um dado
país que leva em conta, simultaneamente,
diversos aspectos, tais como expectativa de
vida, índice de mortalidade infantil, grau de
escolaridade
e
poder
de
compra
da
população. A relação entre o consumo anual
de energia per capita (TEP) e o IDH, em vários
países, está indicada no gráfico abaixo, no
qual cada ponto representa um país.
Sobre esse assunto, assinale a alternativa correta.
a) O bioma Amazônia, por sua grande extensão
geográfica e vastas áreas ainda não usadas para
agricultura, é considerado um espaço adequado
para a expansão da cana-de-açúcar.
b) O bioma Pantanal, devido à abundância de
recursos hídricos necessários ao desenvolvimento
da cana-de-açúcar, é tido como área ideal para seu
plantio.
c) Existem, em território brasileiro, milhões de
hectares de terra subutilizados que podem ser
revertidos ao plantio de cana-de-açúcar, sendo
desnecessário o avanço sobre biomas ainda
conservados.
d) Remanescentes florestais não utilizados na
região Sudeste podem ser incorporados como áreas
de plantio, evitando assim sua expansão sobre
biomas ambientalmente mais suscetíveis.
e) No Centro-Sul brasileiro não haverá expansão da
cana-de-açúcar, porque as áreas agrícolas já estão
incorporadas à dinâmica produtiva.
Com base nesse conjunto de dados, pode-se
afirmar que
a) o IDH cresce linearmente com o consumo anual
de energia per capita.
b) o IDH aumenta, quando se reduz o consumo
anual de energia per capita.
c) a variação do IDH entre dois países é inferior a
0,2, dentre aqueles, cujo consumo anual de energia
per capita é maior que 4 TEP.
d) a obtenção de IDH superior a 0,8 requer
consumo anual de energia per capita superior a 4
TEP.
e) o IDH é inferior a 0,5 para todos os países com
consumo anual de energia per capita menor que 4
TEP.
110ª. Sobre a crise mundial de alimentos
analise as proposições sobre os principais
fatores que influenciaram a alta dos preços dos
alimentos e MARQUE A OPÇÃO ERRADA.
a) Mais demanda menos oferta. A população
mundial está comendo mais. Especialmente nas
economias que tem registrado maior expansão,
como a da China, que tem 1,3 bilhões de
Professor Pedro Israel
115
Professor Nilton Matos
IV - As estatísticas da distribuição da água pelo
planeta por si não revelam toda a realidade de
acesso, ou não, das populações a esse líquido, tal
como ocorre com a Ásia, que, embora detenha um
dos maiores percentuais da água doce do planeta,
também detém a maior população, parte vivendo
em pobreza absoluta e alguns povos em áreas de
escassez, onde o acesso à água é causa de
conflitos.
111ª. Além do mau uso, a demanda por esse
recurso tem sido cada vez maior, devido ao
crescimento populacional e à ampliação de
atividades econômicas. Quanto à renovação
desse
importante
recurso,
não
há
comprovações sobre o seu aumento, pelo
contrário, sua escassez em algumas regiões
do mundo já é uma realidade. Portanto,
apesar de renovável, muitos povos sofrem
com a sua diminuição e futuramente terão sua
sobrevivência ameaçada.
Estão corretas apenas as proposições
a) I, II e III
d) I, II e IV
b) II, III e IV
e) I, III e IV
c) II e III
A afirmação revela a preocupação com a escassez
a) do petróleo.
b) da vegetação.
c) da água.
d) do carvão mineral.
e) de alimentos.
113ª.
A
água
constitui
um
elemento
fundamental para o desenvolvimento da vida
no nosso planeta. Com relação a esse
elemento, assinale a alternativa correta.
112ª. Observe o gráfico da distribuição da
água doce na superfície do planeta.
a) A água do planeta está sendo comprometida pela
poluição doméstica, industrial e agrícola, e pelos
desequilíbrios
ambientais
resultantes
dos
desmatamentos e do uso indevido do solo.
b) Desvios de água para projetos de irrigação,
construção de hidrelétricas, consumo excessivo,
desmatamento e poluição, têm contribuído para a
redução de conflitos entre usuários.
c) A água tem sido utilizada para a geração de
energia elétrica assegurando a sustentabilidade do
meio ambiente local.
d) O Brasil possui pouca quantidade de água
superficial
e
subterrânea
devido
às
suas
características geológicas dominantes.
e) A diminuição da chuva no Brasil tem sido o maior
problema ligado à falta de água para abastecer as
cidades.
114ª. A cidade de São Paulo comemorou 456
anos.
Cortada
pelos
rios
Tamanduateí,
Pinheiros,
Tietê
e
afluentes,
vem
apresentando problemas estruturais que
agravam as enchentes que ocorrem em seus
leitos. Há relatos desses períodos de cheias,
em 1820, escritos por José Bonifácio:
“miserável estado em que se acham os rios
Tietê e Tamanduateí, sem margens nem leitos
fixos, sangrados em toda parte por sarjetas,
que formam lagos que inundam esta bela
planície”, indicando preocupação com o
transbordamento de suas margens.
(O Estado de S.Paulo, 24.01.2010. Adaptado.)
A partir da leitura do texto, identifique os
problemas estruturais, que poderiam acentuar as
enchentes.
Com base nos conhecimentos sobre o tema e o
auxílio do gráfico, podemos afirmar:
I - A distribuição desigual dos recursos hídricos é
apenas uma face da problemática escassez de água
potável no mundo; o desequilíbrio entre sua oferta
e demanda passa também pela poluição dos
grandes mananciais e pelas possibilidades das
populações pobres terem acesso à água tratada.
II - A América do Sul, que sozinha detém quase 1/3
da água doce do planeta, se configura como área
estratégica. Mas também enfrenta problema, com a
ambiguidade entre o desperdício e a escassez de
abastecimento de água potável entre as camadas
de suas populações.
III - Os recursos hídricos estão equitativamente
bem distribuídos por todos os continentes e dentro
deles a carência de acesso a esse bem renovável se
dá não por escassez, mas simplesmente por
questões políticas, tais como no Nordeste brasileiro
e no Saara, onde o subsolo guarda grandes
reservas de água doce que poderiam abastecer as
populações e desenvolver a agricultura irrigada sem
problema.
Professor Pedro Israel
I. Despejo desordenado do lixo urbano.
II. Impermeabilização do solo urbano.
III. Ampliação de áreas verdes.
IV. Crescimento de loteamentos junto aos cursos
fluviais.
V. Expansão da rede de circulação viária em
avenidas de fundo de vale.
116
Professor Nilton Matos
três pessoas viverão situações de carência de
água, caso não haja mudanças no padrão
atual
de
consumo
do
produto".
Uma
alternativa adequada e viável para prevenir a
escassez, considerando-se a disponibilidade
global, seria:
Assinale a alternativa que indica todos os reais
problemas estruturais apresentados que acentuam
as enchentes da cidade de São Paulo no século XXI.
a) I, IV e V.
b) I, II, IV e V.
c) I, III e V.
d) II, III, IV e V.
e) II, III e IV.
a) desenvolver processos de reutilização da água.
b) explorar leitos de água subterrânea.
c) ampliar a oferta de água, captando-a em outros
rios.
d) captar águas pluviais.
e) importar água doce de outros estados.
115ª. A possível escassez de água é uma das
maiores
preocupações
da
atualidade,
considerada por alguns especialistas como o
desafio maior do novo século. No entanto, tão
importante quanto aumentar a oferta é
investir na preservação da qualidade e no
reaproveitamento da água de que dispomos
hoje.
118ª. À medida que crescem a população e as
cidades, ocorre também uma crescente
demanda pela água, que é utilizada de
diversas formas como, por exemplo, no uso
doméstico, nas indústrias, na agricultura e
pecuária. Com relação à demanda de água,
assinale a alternativa que mostra onde a água
é requerida em maior quantidade.
A ação humana tem provocado algumas alterações
quantitativas e qualitativas da água:
I. Contaminação de lençóis freáticos.
II. Diminuição da umidade do solo.
III. Enchentes e inundações.
a) No uso doméstico, pelas atividades cotidianas
como as de limpeza e lazer.
b) Na agricultura, principalmente na irrigação de
lavouras.
c) Na pecuária, na dessedentação de animais.
d) Na indústria, principalmente nos parques
industriais para, por exemplo, mover máquinas,
resfriar peças e gerar energia.
Pode-se afirmar que as principais ações humanas
associadas às alterações I, II e III são,
respectivamente,
a) uso de fertilizantes e aterros sanitários /
lançamento de gases poluentes / canalização de
córregos e rios.
b) lançamento de gases poluentes / lançamento de
lixo nas ruas / construção de aterros sanitários.
c) uso de fertilizantes e aterros sanitários /
desmatamento/impermeabilização do solo urbano.
d) lançamento de lixo nas ruas / uso de fertilizantes
/ construção de aterros sanitários.
e) construção de barragens / uso de fertilizantes /
construção de aterros sanitários.
119ª. BRIC é um termo utilizado para
referenciar um grupo de países que, embora
distintos, possuem características comuns e
têm a cada ano uma importância estratégica
cada vez maior, como se pode comprovar no
excerto a seguir:
“O ministro Guido Mantega (Fazenda) defendeu
nesta terça-feira uma maior participação dos países
do chamado Bric no FMI (Fundo Monetário
Internacional). Segundo o ministro, a meta é
passar 7% da cota de países avançados para os
emergentes, para aumentar o poder de decisão.
Hoje a proporção é 40% de ações dos emergentes
e 60% de avançados.”
(Folha Online, em Brasília - 08/09/2009 - Mantega
defende maior participação de emergentes no FMI.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u
621009.shtml)
116ª. Algumas medidas podem ser propostas
com relação aos problemas da água:
I. Represamento de rios e córregos próximo às
cidades de maior porte.
II. Controle da ocupação urbana, especialmente em
torno dos mananciais.
III. Proibição do despejo de esgoto industrial e
doméstico sem tratamento nos rios e represas.
IV. Transferência de volume de água entre bacias
hidrográficas para atender as cidades que já
apresentam alto grau de poluição em seus
mananciais.
Assinale a opção que traz informações corretas
sobre países componentes do BRIC:
a) Brasil, Rússia, Iugoslávia e Canadá são os países
que compõem o bloco econômico chamado BRIC,
onde segundo estimativas ultrapassarão o G7 em
menos de 20 anos.
b) O bloco econômico formado por Brasil, Rússia,
Índia e China, constitui-se de países que possuem
idêntica situação econômica e política, mas índices
de desenvolvimento diferentes.
c) Esses países têm economias estabilizadas
recentemente;
situação
política
estável;
As duas ações que devem ser tratadas como
prioridades para a preservação da qualidade dos
recursos hídricos são
a) I e II.
d) I e IV
b) II e III.
e) II e IV
c) III e IV
117ª. Segundo uma organização mundial de
estudos ambientais, em 2025, "duas de cada
Professor Pedro Israel
117
Professor Nilton Matos
diminuição, embora lenta, das desigualdades
sociais e níveis de produção e exportação em
crescimento.
d) Segundo previsão do banco de investimentos
Goldman Sachs, até o ano de 2050, as economias
dos países membros do BRIC, juntas, superarão as
economias dos sete países mais ricos do mundo
atualmente, (Estados
Unidos, Canadá, Japão,
Alemanha, Reino Unido, França e Itália).
e) BRIC é um acrônimo criado em novembro de
2001 pelo economista Jim O´Neill, para designar os
4 (quatro) principais países emergentes do mundo,
a saber: Brasil, Rússia, Indonésia e China.
atrasado e agrícola para se converter numa
potência industrial, ingressando, já no início
do século XXI, na Organização Mundial do
Comércio (OMC). Ao combinar uma economia
de mercado com a ditadura de um partido
único, a China ainda possui desafios para se
sustentar e se integrar ao cenário da
economia mundial.
Com base nos conhecimentos das mudanças
geoeconômicas atuais, afirma-se que a(o)
a) China se tornou um centro produtor e exportador
mundial de produtos têxteis e manufaturados de
baixo valor, a partir do crescente uso de mão de
obra barata, do amplo mercado consumidor e de
altos investimentos, vindos dos países asiáticos.
b) manutenção das Zonas Econômicas Especiais é
uma
das
metas
do
novo
modelo
de
desenvolvimento econômico, cujo principal objetivo
é a aproximação da China com países africanos,
como Angola e Nigéria, fornecedores de petróleo,
produto essencial ao crescimento industrial.
c) início do processo de abertura da China ao
comércio exterior se deu com a implantação do
socialismo, logo após o término da Guerra do Ópio,
mas retroagiu com a eclosão do movimento
xenófobo conhecido como Guerra dos Boxers.
d) novo modelo de desenvolvimento chinês para o
século XXI aponta para a diminuição da
desigualdade social com o aumento do consumo
interno e investimentos em setores estratégicos de
produção, como os de alta tecnologia e serviços,
apesar da recente expansão de sua economia e
dependência em relação ao comércio exterior.
e) rompimento das relações sino-soviéticas na
década de 70, a partir da desestalinização
promovida na União Soviética, favoreceu a
autonomia chinesa e ampliou os investimentos na
produção, até então, controlados exclusivamente
pelos russos.
120ª. Sobre a formação sócio-econômica dos
países denominados “emergentes” e suas
diferenças regionais, assinale o correto.
a) Os países emergentes localizam-se na periferia
da economia capitalista, sendo excluídos totalmente
do processo desenvolvimentista e, por não
possuírem
nenhuma
vantagem
comercial,
classificam-se, também, como subdesenvolvidos.
b) Entre os países emergentes é comum a
inexistência de diferenças, principalmente no que
se refere ao processo de industrialização, à
economia, ao desenvolvimento tecnológico e às
condições sociais.
c) A Índia e a África do Sul, países emergentes,
diferentemente
do
Brasil
e
da
Argentina,
vivenciaram processo de industrialização anterior
à Primeira Guerra Mundial.
d)
Os
países
considerados
emergentes
caracterizam-se, por exemplo, por seus atrativos,
como parques industriais e vantagens competitivas
(redução de impostos, baixos salários etc.), que
produzem
transformações
significativas
nas
paisagens urbanas e condições de vida, com a
intensificação do processo de industrialização,
ampliando os mercados consumidores e o processo
de urbanização desordenada,
que
origina
numerosas favelas.
e) As economias emergentes na era da globalização
apresentam
desenvolvimento
industrial
intimamente ligado às exportações de produtos
manufaturados para o mercado global, o que
representa sua total independência dos países ricos.
122ª. A sigla BRIC é um acrônimo que se
refere ao Brasil, à Rússia, à índia e à China,
países que se destacaram no cenário mundial
pelo rápido crescimento de suas economias. A
respeito desses países, é correto afirmar que:
a) o PIB da China, atualmente, é o segundo do
mundo, tendo superado o Japão recentemente.
b) os quatro países, em conjunto, possuem
atualmente 25% da população mundial.
c) Brasil e China são membros permanentes do
Conselho de Segurança das Nações Unidas.
d) a índia terá a menor média de crescimento
econômico entre os países que compõem o BRIC,
devido à sua grande população.
e) o Brasil será uma das grandes potências
militares, dado seu engajamento na corrida
armamentista.
121ª. “A China é agora a segunda economia
do mundo, superando o Japão. Nesse
inacreditável laboratório da modernidade, há
muitos perigos à espreita, quer eles venham
da ecologia, do sistema político ou do próprio
crescimento vertiginoso da economia. Mas a
China é hoje um lugar onde acontecem coisas
surpreendentes....”
HORTA, Luiz Paulo. “O Império do Meio manda chamar
Confúcio”. O Globo. Caderno Opinião, 1º caderno,
22/08/2010, p.06.
123ª. A estrutura etária da população tem
reflexos importantes na economia de um país.
Logo, a tendência dos grupos etários
Com as reformas econômicas iniciadas por
Deng Xiaoping, a partir de 1979 e do início da
década de 80, a China deixou de ser um país
Professor Pedro Israel
118
Professor Nilton Matos
representados no gráfico nos leva à reflexão
de que:
124ª. A competição econômica dos países
capitalistas, por áreas de influência, cria uma
nova ordem mundial com a formação de
blocos econômicos.Com relação aos blocos
econômicos e às organizações regionais da
nova ordem mundial ,é correto afirmar que
a) o MERCOSUL (Mercado Comum do Sul) é
integrado, exclusivamente, por Brasil e Argentina,
países que, por sua importância, controlam o
comércio nas Américas.
b) o bloco econômico asiático surge a partir do
sucesso do Japão na Segunda Guerra Mundial e
exclui, completamente, os Estados Unidos que não
integram a APEC (Cooperação Econômica da Ásia e
do Pacífico).
c) a ALCA (Área de Livre Comércio das Américas) é
o acordo econômico mais importante da América do
Norte e congrega, além de Estados Unidos e
Canadá, também o México.
d) se estabeleceu uma ordem tripolar, com o
primeiro bloco liderado pelos Estados Unidos, o
segundo, a partir da União Europeia e o terceiro, a
partir do fortalecimento de um bloco oriental
liderado pelo Japão.
e) a CEI (Comunidade dos Estados Independentes)
reúne ex-repúblicas socialistas que se uniram a fim
de se contraporem ao poderio militar russo.
I - Em 1980, 38% da população tinham entre 0 a
14 anos de idade, em 2000 esse percentual cai
para 29%, e, de acordo com as projeções do IBGE,
em 2020 as crianças e jovens menores de 14 anos
serão apenas 23% da população do país.
II - A participação relativa de idosos na população
total vem aumentando significativamente. Em
1980, as pessoas com mais de 60 anos de idade
representavam apenas 6%; em 2000 já perfaziam
7% e em 2020 totalizarão 13%.
III - As estatísticas oficiais afirmam que em 2006,
97% das população entre 7 a 14 anos
frequentavam a escola. Como a população, nessa
faixa etária, tende a diminuir em termos relativos e
a permanecer estável em termos absolutos, não
será necessário ampliar o número de vagas já
existentes nas escolas fundamentais e sim melhorar
a universalização do ensino médio e a qualidade
das escolas, em todos os níveis.
IV - A projeção nos mostra que nas próximas
décadas haverá um acelerado crescimento da
população de idosos, resultante do aumento da
expectativa de vida. Essas alterações no padrão
demográfico brasileiro agravam a crise estrutural
do sistema de previdência social no Brasil, mas, por
outro lado, aumentam de maneira significativa a
importância dos idosos no mercado de consumo
(casas de repouso, atividades recreativas, educação
continuada na área de informática, ensino de
línguas estrangeiras e uma boa pedida para a
indústria do turismo.
Estão corretas:
a) Apenas as proposições
b) Apenas as proposições
c) Todas as proposições
d) Apenas as proposições
e) Apenas as proposições
Professor Pedro Israel
125ª. O espantoso crescimento econômico da
China no último decênio revela-se com nitidez
no aumento da participação do país no
comércio mundial. A esse respeito, assinale a
alternativa correta.
a) Os preços das commodities no mercado mundial
vêm
sendo
profundamente
afetados
pelas
oscilações da demanda chinesa.
b) A China não pertence à Organização Mundial do
Comércio (OMC), fato que limita seu intercâmbio
comercial com os Estados Unidos.
c) Os investimentos chineses nos países africanos
concentram-se no setor de serviços, especialmente
transporte e comunicações.
d) O aumento da penetração de produtos chineses
na América Latina não afeta de maneira
significativa as exportações brasileiras para a
região.
e) O incremento do fluxo de comércio bilateral
Brasil-China não vem sendo acompanhado por
investimentos produtivos chineses.
126ª.
“A
mundialização
da
economia
capitalista gerou a segmentação do espaço
econômico
mundial.
Esta
característica
geográfica se expressa no final do século XX
na formação de blocos econômicos em todo o
mundo”.
II e III
I e II
II e IV
I e IV
OLIVEIRA, A. A mundialização do capitalismo e a geopolítica
mundial no fim do século XX. In: ROSS, J. L. Sanches (org.).
Geografia do Brasil, v. 3. São Paulo: EDUSP, 1996. p. 255.
119
Professor Nilton Matos
Sobre a formação dos blocos econômicos, assinale
a afirmativa INCORRETA.
a) A Comunidade Comum Européia (CEE) constituise no exemplo mais avançado desse processo de
formação e unificação econômica.
b) A CEE, também conhecida como União Européia,
está gerando um dos maiores mercados mundiais.
c) Os blocos econômicos têm como objetivo
estabelecer
regulamentos
alfandegários
e
protecionistas, limitando o livre trânsito de
mercadorias entre os países membros.
d) O MERCOSUL surgiu de um acordo entre
Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai e pretendeu
implantar a livre circulação de bens, serviços e
fatores produtivos entre seus membros.
III - No Mercado Comum, além do livre comércio de
mercadorias entre os países membros do bloco e da
existência de uma TEC para o comércio com países
de fora, ocorre a existência, no bloco, da livre
circulação de pessoas, de serviços e de capitais.
IV - Na fase da União Monetária, o bloco tem
características da fase de Mercado Comum,
somando-se a essas uma unificação institucional do
controle do fluxo monetário, e é estabelecida uma
moeda única.
Assinale:
a) Se as afirmativas I e II estiverem certas.
b) Se as afirmativas II e III estiverem certas.
c) Se as afirmativas I e IV estiverem certas.
d) Se as afirmativas III e IV estiverem certas.
e) Se as afirmativas I, II e IV estiverem certas.
127ª. Entre os temas mais polêmicos das
reuniões da Organização Mundial do Comércio
(OMC), estão as reivindicações dos países
subdesenvolvidos, que pedem a redução de
subsídios para a produção agrícola e o fim da
proteção dos mercados internos nos países
desenvolvidos. Tais países aplicam elevadas
tarifas de importação de produtos agrícolas
prejudicando as exportações do mundo
subdesenvolvido. Sobre esse assunto, é
CORRETO afirmar:
129ª. Ao longo da História, a situação
econômica
dos
países
subdesenvolvidos
sempre foi altamente desvantajosa em
comparação com os países desenvolvidos e o
resultado direto disso é o endividamento
crescente dos países mais pobres, sendo
causas determinantes para o agravamento
desse problema:
I - Uma balança comercial de um modo geral mais
favorável aos países ricos, em função da
diversidade de produtos que têm a oferecer.
II - A tendência de queda nos preços internacionais
dos produtos primários, oferecidos ao mercado
pelos países subdesenvolvidos.
III
A
não
participação
dos
países
subdesenvolvidos em órgãos internacionais como a
ONU, que, em tese, poderiam defender melhor a
aplicação de políticas de preço mais justas.
a) as barreiras zoossanitárias e fitossanitárias
eliminam a necessidade das elevadas tarifas sobre
produtos importados, diminuindo assim o custo dos
gêneros alimentícios.
b) as barreiras zoossanitárias e fitossanitárias
consideradas não tarifárias são necessárias aos
países subdesenvolvidos e pobres, já que são
obrigados a importar grande volume de produtos
agrícolas.
c) o dumping, comercialização de uma mercadoria
com
preço
muito
baixo
para
eliminar
a
concorrência, é uma forma de defesa dos países
subdesenvolvidos contra a importação.
d) os países ricos, para reduzirem ainda mais a
importação de produtos agrícolas, utilizam também
as barreiras zoo e fitossanitárias, já que protegem a
saúde humana de risco de contaminação.
Assinale:
a) Se apenas a afirmativa I for correta.
b) Se apenas a afirmativa II for correta.
c) Se apenas a afirmativa III for correta.
d) Se as afirmativas I e II forem corretas.
e) Se todas as afirmativas forem corretas.
130ª. A nova divisão internacional do
trabalho, em conjunto com a nova economia
política, trouxe importantes mudanças para o
sistema interestatal, que se configura como a
forma política do sistema mundial moderno.
Sobre esse assunto, é correto afirmar que:
128ª. As afirmativas a seguir se referem aos
aspectos do processo de integração nas
diferentes fases de formação de um bloco
econômico. Analise-as.
I - A Zona de Livre Comércio corresponde à fase
em que as tarifas alfandegárias são reduzidas ou
mesmo eliminadas, e as mercadorias produzidas no
âmbito dos países que compõem essa Zona
circulam livremente de um país para outro e para o
exterior.
II - Na fase da União Aduaneira, além das
mercadorias produzidas no âmbito do bloco
circularem livremente de um país para outro, é
estabelecida uma tarifa externa comum (TEC), para
o comércio com os países que não formam o bloco.
Essa fase é caracterizada, também, pela livre
circulação de pessoas.
Professor Pedro Israel
a) se acentuou consideravelmente a tendência para
os acordos políticos interestatais, como, por
exemplo, a União Européia e o Mercosul.
b) os Estados periféricos e semiperiféricos
passaram a exercer um controle absoluto sobre a
soberania efetiva dos Estados hegemônicos.
c) se reduziu, aceleradamente, a privatização das
indústrias e dos serviços.
d) os novos sistemas de produção flexível foram
substituídos pelo sistema de produção fordista.
120
Professor Nilton Matos
e) aumentou o modelo de estatização dos serviços
de bem-estar social e diminuiu a expansão do
terceiro setor.
134ª..A questão dos direitos humanos no
mundo está na ordem do dia. A tendência é
colocar a garantia dos direitos humanos acima
da soberania dos Estados. Assinale a
alternativa que apresenta o Brasil e a mulher
no contexto atual: (PMSM-RS / 2008)
a).A mulher entrou num processo contínuo e
acentuado de retorno à condição de mãe e donade-casa em detrimento de uma profissão
remunerada.
b).A maioria dos postos-chaves, como cargos
executivos, são ocupadas por mulheres.
c).A Constituição de 1988 estabeleceu – pela
primeira vez – que, na sociedade conjugal, direitos
e deveres são exercidos igualmente pelo homem e
pela mulher.
d).A Constituição proíbe a eleição de mulheres à
presidência da República e a todas as instâncias do
Judiciário.
e).Durante o regime militar, as mulheres gozaram
de determinados privilégios em relação aos
homens.
“Falar de globalização é evocar o processo de
dominação do sistema capitalista sobre o
espaço mundial, fenômeno que se inscreve em
uma tendência de submissão progressiva de
todos os espaços físicos e sociais à lei do
capital, à lei da acumulação contínua, que é a
finalidade suprema do sistema capitalista.”
131ª..A respeito desse processo, assinale a
opção correta. (SEDUC-MT / 2007)
a).A globalização diz respeito ao desenvolvimento
de relações econômicas em nível mundial, que,
portanto, excluem processos sociais e culturais.
b).Pressupõe a retração no desenvolvimento de
mercados financeiros mundiais, uma vez que eles
são estimulados pela internacionalização do capital
e das empresas.
c).O desenvolvimento tecnológico faz parte desse
processo e, em grande parte, o capitaneia.
d).O pleno emprego, o desenvolvimento social e a
melhoria das condições de vida das populações são
o resultado concreto do processo de globalização
em curso.
135ª..Todos os elementos abaixo caracterizam
a ocupação do espaço brasileiro, exceto:
(PMSM-RS / 2008)
a).Superpovoamento territorial.
b).Faixa litorânea povoada.
c).País populoso.
d).Existência de vazios demográficos.
e).Baixa densidade demográfica.
“O deslocamento da população do campo para
as cidades não ocorreu de forma igualmente
acelerada nas diversas regiões do mundo. A
partir de meados do século XX, também o
contingente populacional dos países do então
chamado Terceiro Mundo cresceu mais
depressa que a dos países industrializados.”
136ª.As ilhas de calor correspondem ao
aumento
da
temperatura
urbana,
principalmente nas áreas mais centrais. Tal
aumento de temperatura é ocasionado pelos
seguintes fatores, exceto: (PMSM-RS / 2008)
a).Presença de muitos prédios de concreto e vidro,
os quais retêm o calor e dificultam a circulação
atmosférica.
b).Presença de calor emitido por diversos motores e
equipamentos, tanto de fábricas como de
automóveis.
c).Presença de asfalto, o qual retém muito calor.
d).Presença de indústrias que emitem fuligens e
gases tóxicos à atmosfera.
e).Presença de uma grande quantidade de veículos
movidos à combustão, os quais ajudam a dissipar o
calor atmosférico para a ionosfera, por meio da
emissão dos gases poluentes.
132ª..No que concerne às tendências de
crescimento das cidades e da população
mundial, assinale a opção correta: (SEDUC-MT /
2007)
a).Os países pobres, por apresentarem menor taxa
de mortalidade que os países ricos, crescem a um
ritmo maior.
b).Enquanto países ricos evidenciam uma crescente
urbanização, os países pobres permanecem com a
maioria da sua população residindo no campo.
c).O contingente populacional mundial continua
crescendo.
d).A metropolização é um processo exclusivo dos
países ricos com elevado grau de industrialização.
133ª..A economia chinesa é considerada a de
maior
crescimento
no
mundo.
As
características que destacam a China no
cenário político mundial incluem: (SEDUC-MT /
137ª..Analise as afirmativas a seguir sobre a
população brasileira:
I..Dois fatores, dentre outros, contribuíram para a
redução da taxa de natalidade brasileira: o
crescimento da participação da mulher no mercado
de trabalho e o processo de urbanização.
II..A redução das taxas de mortalidade do Brasil se
deveram a revolução médico-sanitária, ou seja,
resultam da popularização da medicina, da difusão
das práticas de higiene social e das campanhas de
saúde pública.
2007)
a).A introdução progressiva do capitalismo aliada a
uma política de abertura democrática.
b).O fato de esse país ser considerado, além de
uma potência econômica, uma potência militar.
c).O rompimento de suas relações comerciais com
os chamados Tigres Asiáticos.
d).A formação de um bloco econômico regional
desse país com a Rússia.
Professor Pedro Israel
121
Professor Nilton Matos
III..A difusão do planejamento familiar no Brasil
possibilitou, à maior parte da população, o acesso
às práticas contraceptivas, aos dispositivos intrauterinos, à laqueadura e à vasectomia, os quais
contribuíram para a diminuição nas taxas de
mortalidade.
140ª..Com esta afirmação, o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva falava, após reunião em
julho de 2008, com o presidente da Colômbia
Álvaro Uribe, sobre: (IBGE / 2008)
a).A participação do Brasil no Conselho de
Segurança permanente da ONU.
b).A importância do Mercosul para os paísesmembros.
c).O apoio que o Brasil vem prestando aos países
pobres da África.
d).A responsabilidade do Brasil na integração da
América do Sul.
e).A necessidade de união de todos os países
pobres do planeta no combate à miséria.
Estão corretas: (PMSM-RS / 2008)
a).Todas.
b).I e II.
c).I e III.
d).II e III.
e).Nenhuma.
138ª..Os índices de mortalidade infantil, no
Brasil, têm caído expressivamente nas últimas
décadas. Em 1940 era de 163,4‰, enquanto
em 1980 era de 87,9‰. Atualmente,
seguindo a tendência, a taxa é 25,1‰. Essa
queda nos índices de mortalidade deve-se
principalmente à: (SEAD-MT / 2006 – adapt.)
a).Possibilidade de acesso, por todas as classes
sociais, de melhorias das condições de vida.
b).Diminuição dos índices de poluição nas grandes
cidades.
c).Melhora das condições sanitárias e higiênicas.
d).Disseminação do uso de fertilizantes, nas áreas
rurais.
e).Descoberta da vacina contra malária.
141ª..As relações e estruturas familiares no
Brasil e em várias partes do mundo vêm se
transformando a passos rápidos. A respeito
desse tema, assinale a opção incorreta:
(Analista Judiciário – TRE-PA / 2007)
a).No Brasil, a taxa de separação e divórcio
aumenta gradualmente, embora isso não signifique
que os casamentos perderam seu sentido social.
b).O ingresso da mulher no mercado de trabalho
alterou, de forma geral, práticas familiares
tradicionais no Brasil, como a imagem da mulher
associada à de dona-de-casa.
c).Mesmo nos países hegemonicamente islâmicos,
as estruturas familiares estão mudando com a
mesma rapidez e na mesma direção de sociedades
culturalmente ocidentais e laicas.
d).Na comparação com o passado remoto, a família
brasileira de hoje tende a ser constituída por um
número menor de filhos.
e).O decréscimo da quantidade de casamentos no
Brasil está fortemente associado a novos fatores
culturais e econômicos.
“Com o surgimento do Mercosul, a América do
Sul partilhou de maior integração econômica,
visualizada nesse bloco regional em que o
Brasil busca ocupar o papel de líder. Porém,
ainda há muitas diferenças entre os países
que integram esse bloco, o que gera
dificuldades de operacionalização entre eles.”
142ª..O mundo contemporâneo vem sendo
marcado por fatos significativos no que se
refere ao tema energético no Brasil e no
mundo. A respeito desse assunto, assinale a
opção correta: (Analista Judiciário – TRE-PA / 2007)
a).A nacionalização do gás e do petróleo na Bolívia
gerou um debate nacional restrito aos aspectos
puramente econômicos acerca do tema energia.
b).O petróleo e seu preço internacional têm
impedido que países como a Venezuela possam agir
de forma mais autônoma no cenário internacional.
c).A dimensão energética e o crescimento
econômico robusto não têm relação entre si.
d).A Rússia, potência energética da Eurásia, amplia
sua presença no cenário internacional depois da
Guerra Fria, por meio, entre outros fatores, da sua
força no campo energético.
e).O gasoduto que integra a Venezuela à Argentina
tem como grande beneficiário o Brasil, mais
especificamente as regiões Norte, Nordeste e
Centro-Oeste.
139ª..Pode-se afirmar que uma das causas
para essas dificuldades operacionais é: (SEADMT / 2006)
a).Diferença da língua falada e escrita entre os
países integrantes do Mercosul.
b).Os diferentes tipos de moeda adotados pelos
países integrantes do Mercosul, que dificultam a
troca de mercadorias e serviços.
c).Existência de 7 tipos de bitolas diferentes nos
trilhos ferroviários dos países que integram o
Mercosul.
d).O clima severo imposto pelas latitudes elevadas
que países como o Chile e Argentina enfrentam, o
que impede o cumprimento de compromissos de
exportação agrícola.
e).A intolerância de modelos econômicos e políticos
de alguns países ao Mercosul, com constantes
manifestações contrárias aos seus governos.
“Um país como o Brasil não se interessa em
ser apenas um país grande, economicamente
forte, com um monte de gente pobre do seu
lado. É preciso que todos cresçam, que
tenham condições de se desenvolver.”
Professor Pedro Israel
143ª..A Amazônia é amplamente marcada por
enorme diversidade cultural, geográfica e
econômica. Atualmente, cresce a atenção
122
Professor Nilton Matos
governamental e da sociedade civil no Brasil
para que: (Analista Judiciário – TRE-PA / 2007)
a).Seu aproveitamento se faça em favor da
preservação intacta do meio ambiente e por meio
do privilégio da floresta em detrimento do homem.
b).As conexões com os vizinhos sejam as mais
profícuas, não interessando os produtos do
intercâmbio.
c).O caminho a ser trilhado pela Amazônia seja o
mesmo, do ponto de vista agrícola, que predomina
no Centro-Oeste brasileiro.
d).O aproveitamento de suas potencialidades seja
feito respeitando o meio ambiente e seus
habitantes, bem como os interesses estratégicos
nacionais.
e).As notícias de infiltração do tráfico global que
passam pela região não sejam divulgadas.
e).A força do real, moeda forte, é fator que auxilia
a competitividade do comércio externo do Brasil.
144ª..Processos
eleitorais
recentes
consagraram uma certa onda de governos com
caráter mais à esquerda no espectro político
na América Latina. A respeito desse tema,
assinale a opção incorreta: (Analista Judiciário –
Folha de São Paulo, 06/08/2005, p. A14.
O G4 (Grupo dos 4), formado por Brasil,
Alemanha, Índia e Japão, vai tentar mudar a
posição dos países africanos de não apoiar sua
proposta
de
reforma
do
Conselho
de
Segurança da Organização das Nações Unidas
(ONU). A África detém 53 dos 191 votos da
Assembléia Geral da ONU e, sem o aval do
continente, o projeto do G4 fica praticamente
inviabilizado, já que são necessários dois
terços dos votos para sua aprovação. A
proposta já enfrenta oposição dos Estados
Unidos, da China e dos 11 países reunidos no
grupo “Unidos pelo Consenso”, que têm sua
própria sugestão de reforma do Conselho.
146ª..Referido no texto, o Conselho de
Segurança da ONU é um órgão decisivo na
estrutura da ONU, justamente por tratar de
questões que afetam a segurança e a paz
internacionais. Desde 1965, o Conselho é
formado por 5 permanentes e por 10 membros
temporários, que não têm direito a veto.
Assinale a opção que identifica corretamente
os
membros
permanentes
do
referido
conselho. (Analista Judiciário – TRE-PA / 2005)
a).EUA, Reino Unido, Alemanha, Itália e Japão.
b).Rússia, EUA, França, Japão e Reino Unido.
c).Argentina, EUA, Rússia, Alemanha e Dinamarca.
d).Canadá, México, EUA, Rússia e Noruega.
e).EUA, Rússia, China, Reino Unido e França.
TRE-PA / 2007)
a).A eleição de Rafael Correa, no Equador,
evidencia a tendência do eleitorado na direção de
apoio a políticos com projetos sociais reformistas e
visões voltadas mais para a integração na região
sul-americana.
b).A reeleição de Hugo Chávez, na Venezuela,
sugere a continuação e mesmo o aprofundamento
de seus programas de inclusão das camadas mais
baixas como as “missões sociais”.
c).Embalado pela reeleição, o presidente Chávez
quer retirar do papel projetos de integração sulamericana, como o projeto do gasoduto que uniria
a Amazônia à Patagônia.
d).Os referidos governos têm a mesma matriz
ideológica e a mesma gestão político-econômica,
caindo todos eles em tentação populista e de
explícita irresponsabilidade fiscal e comercial.
e).Uma das bases de sustentação social dos
mencionados
governos
advém
de
maiorias
populacionais de baixa renda, embora estejam,
vários deles, legitimados por parcelas importantes
de várias faixas de renda.
147ª..Com base nas informações contidas no
texto anterior e relativamente à proposta de
reforma do Conselho de Segurança da ONU
apresentada pelo G4, no qual se inclui o Brasil,
assinale a opção correta: (Analista Judiciário – TREPA / 2005)
a).Os EUA apóiam a proposta por acreditarem que,
com ela, a ONU se fragiliza, o que amplia o poder
mundial norte-americano.
b).O interesse da China em ver o Conselho de
Segurança modificado atende à sua estratégia de
conquistar novos mercados para sua crescente
produção industrial.
c).A crônica pobreza da África, que submete o
continente à necessidade de ajuda constante dos
países ricos, retira de seus Estados qualquer força
eleitoral nas votações ocorridas na ONU.
d).Para o Brasil, ser membro permanente do
Conselho de Segurança da ONU significa, entre
outros
aspectos,
maior
visibilidade
e
reconhecimento internacional para o país.
e).O pleito brasileiro de ocupar uma cadeira
permanente no Conselho de Segurança é apoiado
coletivamente pela América Latina, a começar pelos
seus parceiros do Mercosul.
145ª..No momento em que o Brasil discute os
meios para acelerar o crescimento econômico,
são divulgados relatórios internacionais que
baixam a posição do país, no campo da
competitividade, em relação aos países
emergentes. A respeito desse tema, assinale a
opção correta: (Técnico Judiciário – TRE-PA / 2007)
a).Os juros altos têm pouca incidência na baixa
competitividade brasileira em relação aos seus
concorrentes internacionais.
b).O peso dos gastos públicos é insignificante no
Brasil.
c).As falhas na infra-estrutura nacional diminuem a
competitividade internacional do Brasil em relação a
seus pares emergentes.
d).O estabelecimento de uma empresa no Brasil é
fácil e ocorre em tempo recorde.
Professor Pedro Israel
148ª..Personagem central do texto, a África é
um continente marcado por graves problemas
123
Professor Nilton Matos
estruturais agravados por crises periódicas.
Com referência a esse cenário dramático
vivido pela África contemporânea, assinale a
opção incorreta: (Analista Judiciário – TRE-PA / 2005)
a).Fenômenos naturais, como secas devastadoras e
ataques
de
pragas,
destroem
plantações,
inflacionam os preços dos alimentos e fazem da
fome presença constante na região.
b).Elevados níveis de corrupção entre elites
governantes
africanas
contribuem
para
a
manutenção do dramático quadro social e, muitas
vezes, subtraem dos realmente necessitados a
ajuda internacional que chega ao continente.
c).A inexistência de riquezas minerais em solo
africano potencializa a fragilidade econômica do
continente, tornando-o pouco atrativo aos capitais
internacionais.
d).Estudiosos da questão africana afirmam que a
ajuda financeira externa será infrutífera para
resolver o problema estrutural da África se não for
acompanhada
de
projetos
emergenciais
de
desenvolvimento sustentável.
e).Entre as dificuldades encontradas pelos países
africanos para a superação do atraso e da miséria
estão os interesses locais e nacionais exacerbados,
que dificultam, inclusive, o desenvolvimento do
comércio regional.
também se nutre da dificuldade do Estado em
prevenir
e
combater
a
criminalidade.
Relativamente a esse aspecto, assinale a
opção incorreta: (Analista Judiciário – TRE-PA / 2005)
a).Além do número insuficiente de seus efetivos, a
polícia brasileira, em geral, é mal treinada,
recebendo formação precária.
b).O poder de fogo do armamento usado pelos
policiais é, não raro, inferior ao que é utilizado
pelos criminosos.
c).Apesar das deficiências, a polícia brasileira
consegue fazer investigação científica na maioria
dos casos, elucidando-os com rigor e celeridade.
d).Entre os problemas existentes no sistema
penitenciário brasileiro, destaca-se a falta de
programas de ressocialização.
e).A aprovação do Estatuto do Desarmamento se
constitui como uma tentativa para a redução da
violência e da criminalidade no país.
149ª..A morte do rei Fahd, da Arábia Saudita,
teve efeito relâmpago no mercado de
petróleo. Em uma primeira reação – porque
Fahd era aliado dos EUA, para desgosto de
muitos países árabes –, os contratos futuros
da commodity atingiram recordes durante os
pregões em Nova Iorque e Londres.
[email protected]
Carta Capital, 10/08/2005, p. 20 (com adaptações).
A partir das informações contidas no texto
acima e considerando os mecanismos de
funcionamento da economia de mercado,
assinale a opção correta: (Analista Judiciário – TRE-
[email protected]
PA / 2005)
a).A morte do rei Fahd põe em risco a
sobrevivência da democracia nos moldes ocidentais
que a Arábia Saudita pratica há décadas.
b).Os EUA estão isolados no tenso Oriente Médio,
solitariamente atrelados a uma histórica aliança
com Israel.
c).Na defesa de seus interesses, os Estados árabes
agem coletiva e solidariamente, o que lhes confere
maior poder no cenário político internacional.
d).A cotação internacional de um produto
estratégico como o petróleo não está imune à ação
dos especuladores, que puxam os preços para
auferirem mais lucros.
e).Cada vez mais o petróleo perde sua importância
na economia contemporânea, substituído por fontes
de energia menos danosas ao meio ambiente.
150ª..Sabe-se que, além dos múltiplos fatores
que alimentam a violência no Brasil, ela
Professor Pedro Israel
124
Professor Nilton Matos

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