Taj Mahal

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Taj Mahal
Taj Mahal
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Nota: Para outros significados de Taj Mahal, ver Taj Mahal (desambiguação).
Coordenadas:
27º10'27" 78º02'32"E
Taj Mahal
Patrimônio Mundial — Unesco
O Taj Mahal em Agra, Índia
Informações
Inscrição:
1983
Localização:
27º10'27"N 78º02'32"E
Critérios:
(i)
Descrição UNESCO:
fr en
O Taj Mahal (em hindi ताज महल,
महल persa ‫ )ت''اج مح''ل‬é um mausoléu situado em Agra, uma cidade da Índia e o mais
[1]
conhecido dos monumentos do país. Encontra-se classificado pela UNESCO como Património da Humanidade.
Foi recentemente anunciado como uma das Novas Sete Maravilhas do Mundo Moderno em uma celebração em
Lisboa no dia 7 de Julho de 2007.
A obra foi feita entre 1630 e 1652 com a força de cerca de 20 mil homens,[2] trazidos de várias cidades do
Oriente, para trabalhar no sumptuoso monumento de mármore branco que o imperador Shah Jahan mandou
construir em memória de sua esposa favorita, Aryumand Banu Begam, a quem chamava de Mumtaz Mahal ("A
jóia do palácio"). Ela morreu após dar à luz o 14º filho, tendo o Taj Mahal sido construído sobre seu túmulo, junto
ao rio Yamuna.
Assim, o Taj Mahal é também conhecido como a maior prova de amor do mundo, contendo inscrições retiradas
do Corão. É incrustado com pedras semipreciosas, tais como o lápis-lazúli entre outras. A sua cúpula é costurada
com fios de ouro. O edifício é flanqueado por duas mesquitas e cercado por quatro minaretes.
Supõe-se que o imperador pretendesse fazer para ele próprio uma réplica do Taj Mahal original na outra margem
do rio, em mármore preto, mas acabou deposto antes do início das obras por um de seus filhos.
Índice
[esconder]
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1 Origem e inspiração
2 Síntese histórica
3 Desenho
o 3.1 Elementos formais
o 3.2 Influências
o 3.3 Simetria
4 Os jardins
5 Edifícios secundários
6 O mausoléu
7 Decoração
o 7.1 Exterior
7.1.1 Caligrafia
7.1.2 Decoração geométrica abstracta
7.1.3 Motivos vegetais
o 7.2 Interior
8 Processo construtivo
o 8.1 Infraestrutura hidráulica
o 8.2 Artesãos e construtores
o 8.3 Materiais
o 8.4 Custo
9 Lendas e hipóteses
o 9.1 Origem do nome
o 9.2 O Taj Negro
o 9.3 O túmulo assimétrico de Shah Jahan
o 9.4 Mutilação dos trabalhadores
o 9.5 Elementos desaparecidos
o 9.6 Plano britânico para demolir o Taj Mahal
o 9.7 O templo de Shiva
10 Visões do Taj Mahal
11 Presente e futuro
12 Notas e referências
13 Ligações externas
Origem e inspiração
Localização de Agra na Índia
O imperador Shah Jahan foi um prolífero mecenas, com recursos praticamente ilimitados. Sob a sua tutela
construíram-se os palácios e jardins de Shalimar em Lahore, também em honra da sua esposa.
Mumtaz Mahal deu ao seu esposo 14 filhos, mas faleceu no último parto e o imperador, desolado, iniciou quase
de seguida a construção do Taj como oferta póstuma. Todos os pormenores do edifício mostram a sua natureza
romântica e o conjunto promove uma estética esplêndida. Aproveitando uma visita realizada em 1663, o
explorador francês François Bernier realizou o seguinte retrato do Taj Mahal e dos motivos do imperador que
levaram à sua edificação:
[...] Completarei esta carta com uma descrição dos maravilhosos mausoléus que outorgam total
superioridade a Agra sobre Deli. Um destes foi erigido por Jehan-guyre em honra do seu pai Ekbar,
e Shah Jahan construiu outro de extraordinária e celebrada beleza, em memória da sua esposa Tage
Mehale, de quem de diz que o seu esposo estava tão apaixonado que lhe foi fiel toda a sua vida e,
após a sua morte, ficou tão afectado que não tardou em segui-la para a morte.[3]
—
Síntese histórica
Soldados estado-unidenses em 1942, em frente do Taj Mahal, cuja cúpula se encontra coberta pelo gigantesco
andaime que a protegeria de eventuais ataques das forças aéreas alemãs e japonesas.
A pouco tempo do término da obra em 1657, Shah Jahan adoeceu gravemente e o seu filho Shah Shuja declarouse imperador em Bengala, enquanto Murad, com o apoio do seu irmão Aurangzeb, fazia o mesmo em Gujarat.
Quando Shah Jahan, caído doente no seu leito, se rendeu aos ataques dos seus filhos, Aurangzeb permitiu-lhe
continuar a viver exilado no forte de Agra. A lenda conta que passou o resto dos seus dias observando pela janela
'
o Taj Mahal e, depois da sua morte em 1666, Aurangzeb sepultou-o no mausoléu lado a lado com a esposa,
gerando a única ruptura da perfeita simetria do conjunto.
Em finais do século XIX vários sectores do Taj Mahal estavam muito deteriorados por falta de manutenção e
durante a época da rebelião hindu, em 1857, foi arrestado por soldados britânicos e oficiais do governo, que lhes
arrancavam as pedras embutidas nas paredes e o lápis-lazúli dos seus muros. Em 1908 completou-se a restauração
ordenada pelo vice-rei britânico, Lord Curzon, que também incluiu o grande candelabro da câmara interior
segundo o modelo de um similar que se encontrava numa mesquita no Cairo. Curzon ordenou a remodelação dos
jardins ao estilo inglês que ainda hoje se conservam.
Durante o século XX melhorou o cuidado com o monumento. Em 1942 o governo construiu um andaime
gigantesco cobrindo a cúpula, prevendo um ataque aéreo da Luftwaffe e, posteriormente, da força aérea japonesa.
Esta protecção voltou a erguer-se durante as guerras indo-paquistanesas, de 1965 a 1971. As ameaças mais
recentes provêm da poluição ambiental nas ribeiras do rio Yamuna e da chuva ácida causada pela refinaria de
Mathura. Ambos os problemas são objecto de vários recursos ante a Corte Suprema da Justiça da Índia.
Em 1993, foi eleito como Património Mundial da Humanidade pela UNESCO, e é hoje um importante destino
turístico. Recentemente, alguns sectores sunitas reclamaram para si a propriedade do edifício, baseando-se de que
se trata do mausoléu de uma mulher desposada por um membro deste culto islâmico. O governo indiano rejeitou a
reclamação considerando-a mal-fundamentada, já que o Taj Mahal é propriedade de toda a nação indiana.
Desenho
Elementos formais
Elementos formais do Taj Mahal.
Os elementos formais e decorativos são empregues repetida e consistentemente por todo o complexo, unificando
o vocabulário estético. As principais características do mausoléu refletem-se no resto da construção:
1. Finial: remate ornamentado das cúpulas usado nos pagodes asiáticos igualmente.
2. Decorações de lótus: esquemas cujo motivo é a flor de lótus, esculpidos nas cúpulas.
3. Amrud: Cúpula em forma de cebola, típica na arquitectura islâmica e que, mais tarde, seria usada na
Rússia.
4. Tambor: base cilíndrica da cúpula, que serve de apoio e transição formal sobre o resto do edifício.
5. Guldasta: agulha decorativa fixa no rebordo das balaustradas.
6. Chattri: galeria de colunas e cúpula, utilizado principalmente em monumentos de carisma comemorativo.
7. Cenefas: painéis esculpidos sobre as arcadas.
8. Caligrafía: escritura estilizada de versos do Corão sobre as arcadas principais
9. Arcadas ou portais: também denominados pishtaq (palavra persa para os portais).
10. Dados: painéis decorativos sobrepostos às paredes da fachada frontal do edifício.
Influências
Planta do conjunto
O Taj Mahal incorpora e amplia as tradições idílicas do Islão, da Pérsia, da Índia e da arquitectura mogol antiga.
O desenho geral do projecto inspirou-se numa série de edifícios mogóis, entre os quais a tumba de Itmad-UdDaulah e a Jama Masjid, em Deli. Sob o mecenato de Shah Jahan, a arquitectura mogol alcançou novos níveis de
refinamento. Antes do Taj Mahal era habitual edificar com pedra vermelha, mas o imperador promoveu o uso de
mármore branco com incrustações de pedras semipreciosas.
Os artesãos indianos, especialmente escultores e decoradores, percorriam os países asiáticos durante esta época e
o seu trabalho era particularmente apreciado pelos construtores de mausoléus. A arquitectura palaciana mogol,
aplicada noutros edifícios indianos (como o palácio Man Sing, em Galore), foi a grande fonte inspiradora dos
chattris que se vêem no Taj Mahal.
Simetria
O conjunto do Taj Mahal, com a sua fachada principal perpendicular a uma ribeira do Yamuna, foi construído
com os seguintes elementos arquitectónicos:
1. Portal de acesso
2.
3.
4.
5.
6.
7.
8.
9.
Tumbas secundárias
Pátios
Pátio (esplanada) de acesso principal
Darwaza ou forte de acesso
Jabaz
Mesquita
Mausoléu
Minaretes
No centro, os amplos jardins divididos em quadrados, organizam-se mediante a cruz formada pelos canais. A
superfície da água reflete os edifícios, produzindo um efeito adicional de simetria.
Os jardins
O jardim com os caminhos junto ao tanque central
O complexo encontra-se rodeado de um grande chahar bagh[4] que mede 320 x 300 metros e inclui canteiros de
flores, caminhos elevados, avenidas de árvores, fontes, cursos de água, e pilares que reflectem a imagem dos
edifícios na água.
Cada secção do jardim é dividida por caminhos em 16 canteiros de flores, com um tanque central de mármore a
meio caminho entre a entrada e o mausoléu, que devolve a imagem reflectida do edifício.
O chahar bagh foi introduzido na Índia por Babur, o primeiro imperador mogol, segundo um desenho inspirado
na tradição persa a fim de representar os jardins do paraíso.[5] Nos textos místicos do Islão no período mogol, o
paraíso é descrito como um jardim ideal, pleno de abundância. A água tem um papel-chave nestas descrições, já
que se referem quatro rios que surgem de uma fonte central, constituída por montanhas, que dividem o Éden em
quatro partes segundo os pontos cardeais (norte, sul, este e oeste).
A maioria destes jardins mogóis são de forma rectangular, com um pavilhão central. O Taj Mahal é invulgar neste
sentido, já que situa o edifício principal, o mausoléu, num dos extremos. Mas a recente descoberta da existência
do "Mahtab bagh" (Jardim da Lua) na ribeira oposta do rio Yamuna permite uma interpretação distinta,
incorporando o vale no desenho global de tal forma que se converta em um dos rios do paraíso.
O traçado dos jardins e as características arquitectónicas principais, como as fontes, caminhos de mármore e
azulejo, e canteiros lineares do mesmo material — similares ao jardim de Shalimar — sugerem que podem ter
sido desenhados pelo mesmo engenheiro, Ali Mardan.
As descrições mais antigas do jardim mencionam sua profunda vegetação, com abundância de rosas, narcisos e
árvores frutíferas. Com a declinação do império mogol também decresceu o mantimento, e quando os britânicos
assumem o controle do Taj Mahal, introduzem modificações paisagísticas para refletir melhor o estilo dos jardins
de Londres.
No entanto, os visitantes poderão admirar-se ao ver os jardineiros cortar a relva com uma máquina puxada por
bois.
Panorama de 360º dos jardins Char bagh
Edifícios secundários
Darwaza de acesso ao Taj Mahal
O complexo está limitado por três lados por um muro em pedra vermelha. Após os muros, existem vários
mausoléus secundários, incluindo os das demais viúvas de Shah Jahan e do servente favorito de Mumtaz. Estes
edifícios, construídos principalmente com pedra vermelha, são típicos dos edifícios funerários mogóis da época.
Do lado interior os muros completam-se com uma colunata coroada por vários arcos, característica comum nos
templos hindus, incorporada nas mesquitas mogóis. A distâncias fixas incluem-se os chattris e outras pequenas
construções que podem ter sido utilizadas como miradouros, incluindo a que actualmente se chama «Casa da
Música», utilizada como museu.
Interior do jawab usado possivelmente como hospedaria
A entrada principal, a "darwaza", é um edifício monumental construído também em pedra vermelha. O estilo
recorda a arquitectura mogol e os primeiros imperadores. As suas arcadas repetem as formas do mausoléu, e
incorporam a mesma caligrafia decorativa. Se utilizam decorações florais em baixo-relevo e incrustações. As
paredes e os tectos abobadado apresentam elaborados desenhos geométricos, similares aos que existem em outros
edifícios do complexo. Originalmente a entrada fechava-se com duas grandes portas de prata, que foram
desmontadas e fundidas pelos jats em 1764.
O masjid, a mesquita
No extremo do complexo erguem-se dois grandes edifícios laterais ao mausoléu, paralelos aos muros este e oeste.
Ambos são fiéis ao reflexo um do outro. O edifício ocidental é uma mesquita e o seu oposto é o,[6] cujo sentido
original era balancear a composição arquitectónica e crê-se que foi usado como hospedaria. As diferenças
consistem em que o jawab não tem minarete e os seus pisos apresentam desenhos geométricos, enquanto os da
mesquita estão decorados com um desenho em mármore negro que marca a posição das tapeçarias para a oração
de 569 fiéis.
O projecto básico da mesquita é similar a outras construções mandadas edificar por Shah Jahan, especialmente o
seu Jama Masjid, em Deli, que consiste numa grande sala rematada por três cúpulas. As mesquitas mogóis desta
época dividem o santuário em três áreas distintas: um sector principal com duas alas.
O mausoléu
O Iwan principal do mausoléu
O foco visual do Taj Mahal, ainda que não se localize no centro do conjunto, é o mausoléu de mármore branco.
Como a maioria dos edifícios funerários mogóis, os elementos básicos são de origem persa. Um edifício simétrico
com um iwan[7] e coroado por uma grande cúpula.
A tumba descansa sobre um pedestal quadrado. O edifício consiste numa grande superfície dividida em múltiplas
salas, das quais a central alberga o cenotáfio de Shah Jahan e Muntaz. Na realidade, as tumbas reais encontram-se
num nível inferior.
A base é essencialmente um cubo com vértices cortados, de 55 metros de lado. Sobre cada lado, uma grande
pishtaq ou arcada rodeia o iwan, com um nível superior similar de balcões. Estes arcos principais elevam-se até
ao tecto da base, gerando uma fachada integrada.
O Taj Mahal visto do rio Yamuna.
A cada lado da arcada principal, há arcadas menores em cima e em baixo. Este motivo repete-se nas esquinas. O
projecto é completamente uniforme e consistente nos quatro lados da base. Em cada esquina do pedestal base, um
minarete complementa o conjunto.
A cúpula de mármore branco sobre o mausoléu é visivelmente o mais espectacular elemento do conjunto. A sua
altura é quase igual à da base, em torno de 35 metros, dimensão que se acentua por estar apoiada num tambor
circular de sete metros de altura.
A cúpula tem uma forma de cebola. Os árabes chamam a esta tipologia da cúpula amrud, ou seja, com forma de
maçã. O terço superior da cúpula está decorado com um anel de flores de lótus em relevo, e no remate uma agulha
ou finial dourada combina tradições islâmicas e hindus. Esta agulha termina numa lua crescente, motivo típico
islâmico, com os seus extremos apontando para o céu. Pela sua colocação sobre a agulha, o topo desta e os
extremos da lua combinados formam uma figura semelhante a um tridente, exacerbo do símbolo tradicional hindu
para a divindade de Shiva. O corpo final contém, aliás, uma série de formas bolbosas.
Base, cúpula e minarete
A figura central mostra um forte parecido com o kalash ou kumbh, o barco sagrado da tradição hindu. A forma da
cúpula enfatiza-se também pelos quatro chattris em cada esquina. As cúpulas destes replicam a forma da central.
As suas bases decoradas com colunas abrem através do tecto do mausoléu um espaço para a entrada de luz natural
no interior do espaço fechado. Os chattris também estão rematados por finiais.
Nas paredes laterais, as estilizadas espirais decoradas em relevo ajudam a aumentar a sensação de altura do
edifício, e repetem-se os motivos de lótus ao longo desta e das restantes, assim como em todos os chattris.
Em cada esquina do pedestal eleva-se um minarete: quatro grandes torres de mais de 40 m de altura que
novamente mostram a atracção do Taj pelo desenho simétrico e repetitivo, criando em parte vários padrões. As
torres estão desenhadas como minaretes funcionais, elemento tradicional das mesquitas onde o almuadem chama
os fiéis islâmicos à oração. Cada minarete está dividido em três partes iguais por dois balcões que o rodeiam com
anéis. No topo da torre, um terraço coberto por um chattri repete o desenho do mausoléu.
Estes chattris têm todos os mesmos detalhes de acabamento: o desenho de flor de lótus e o finial dourado sobre a
cúpula. Cada minarete foi construído levemente inclinado para fora do conjunto. Desta maneira, em caso de
queda, algo não tão improvável nesse tempo para construções de semelhante altura, o material iria cair longe do
templo.
Decoração
Exterior
Detalhe da cúpula do mausoléu.
Praticamente toda a superfície do complexo foi ornamentada e encontra-se entre as mais belas decorações
exteriores mogóis de qualquer época. Também neste aspecto, os motivos repetem-se em todos os edifícios e
elementos. Da proporção ao tamanho da superfície a decorar, a decoração exterior vislumbra-se mais ou menos
refinada e detalhada. Os elementos decorativos pertencem basicamente a três categorias, recordando que a
religião islâmica proíbe a representação da figura humana:
•
•
•
Caligrafia
Elementos geométricos abstractos
Motivos vegetais
Estas decorações efectuaram-se com três técnicas diferentes:
•
•
•
Pintura ou estuque aplicado sobre as paredes
Incrustação de pedras
Esculturas
Caligrafia
Caligrafia sobre o grande portal de acesso ao mausoléu.
As passagens do Corão são utilizadas em todo o complexo como elementos decorativos. Os textos criados pelo
calígrafo persa da corte mogol Amanat Khan são tão detalhados e fantasiosos, que se tornam quase ilegíveis. A
assinatura do calígrafo surge em vários painéis.
A letras estão incrustadas com quartzo opaco sobre os painéis de mármore branco. Alguns dos trabalhos são
extremamente detalhados e delicados, especialmente os que se encontram no mármore dos cenotáfios da tumba.
Os painéis superiores estão escritos com caligrafia proporcionada para compensar a distorção visual ao observálos desde baixo.
Estudos recentes sugerem que foi também Amanat Khan quem seleccionou as passagens do Corão. Os textos
referem em geral temas de justiças, de inferno para os incrédulos e de promessa de paraíso para os fiéis. Entre as
principais passagens, incluem-se as seguintes suras: 91 (o sol) , 112 (pureza da fé) , 89 (descanso diário) , 93 (luz
da manhã), 95 (as figueiras), 94 (a abertura), 36 (Ya Sin) , 81 (a escuridão), 84 (a ferida), 98 (a evidência), 67 (o
domínio) , 48 (a vitória), 77 (os enviados) e 39 (os grupos).
Decoração geométrica: «espinha de peixe».
Decoração geométrica abstracta
As formas de arte abstractas são utilizadas especialmente no pedestal do mausoléu, nos minaretes, na mesquita,
no jawab, e também em superfícies menores do templo. As cúpulas e abóbadas dos edifícios de pedra estão
trabalhadas com traceria.[8] As cúpulas e abóbadas dos edifícios de pedra estão trabalhadas com traceria para criar
elaboradas formas geométricas.
Nas zonas de transição o espaço entre elementos vizinhos preenche-se com traceria, formando padrões em V. Nos
edifícios de pedra vermelha usa-se uma traceria branca e sobre o mármore branco utiliza-se como elemento
contrastante uma traceria escura ou mesmo negra.
O chão está coberto por mosaicos de cores e formas distintas combinados em padrões geométricos diferentes.
A técnica da incrustação sobre as placas de mármore apresenta tal perfeição que as juntas entre as pedras e gemas
incrustadas apenas se distinguem com uma lente de aumento, uma lupa. Uma flor, de apenas sete centímetros
quadrados, tem 60 incrustações ou marchetarias diferentes, que oferecem ao tecto uma superfície irregular.
Motivos vegetais
Motivos vegetais: detalhe do painel junto a um arco.
As paredes baixas do templo funerário mostram frisos de mármore com baixos-relevos de flores e vegetais que
foram polidos para ressaltar o extremo requinte do trabalho. Os frisos e as arcadas foram decorados com
incrustações de pedras semipreciosas formando desenhos muito estilizados de flores, frutos e outros vegetais. As
pedras incrustadas são mármore amarelo, jade, quartzo polido e outras gemas menores.
Interior
A sala central do Taj Mahal apresenta uma decoração que vai para além das técnicas tradicionais, e aparenta com
formas mais elevadas da arte manual, como a ourivesaria e a joalharia. Aqui o material usado para as incrustações
já não é mármore ou jade, mas sim gemas preciosas e semipreciosas. Cada elemento decorativo do exterior foi
redefinido mediante jóias. A sala principal contém ainda os cenotáfios de Mumtaz e Shah Jahan, obras-primas de
artesanato, sem precedentes na época.
A forma da sala é octogonal e ainda que o desenho permita ingressar por qualquer dos lados, só a porta sul, em
direcção aos jardins é usada habitualmente. As paredes interiores têm aproximadamente 25 metros de altura,
sobre as quais se construiu uma falsa cúpula interior decorada com motivos solares. Oito arcos definem o espaço
a nível do solo. Similar ao que se sucede no exterior, a cada meio arco sobrepõe-se um segundo a meia altura na
parede. Os quatro arcos centrais superiores formam balcões com miradouros para o exterior. Cada janela deste
balcões leva um intrincado trabalho de mármore, o o jali. Além da luz proveniente dos balcões, a iluminação
complementa-se com a que ingressa através dos chattris em cada esquina da cúpula exterior.
Cada uma das paredes da sala foi detalhadamente decorada com frisos em baixo-relevo, intrincadas incrustações
de pedraria e refinados painéis de caligrafia, refletindo inclusivamente o nível minimalista do complexo. Com
estes elementos, cria-se uma espécie de ligação ou fusão simétrica do espaço interior e exterior, numa linha
decorativa que permite que contactem directamente os dois espaços do complexo funerário.
A tradição muçulmana proíbe a decoração elaborada das campas, pelo que os corpos de Mumtaz e Shah Jahan
descansam numa câmara relativamente simples debaixo da sala principal do Taj Mahal. Estão sepultados segundo
um eixo norte-sul, com os rostos inclinados para a direita, em direcção a Meca.
Os cenotáfios, as campas vazias.
Todo o Taj Mahal se centra em redor dos cenotáfios que duplicam em forma exacta a posição das duas campas e
são cópia idêntica das pedras do sepulcro inferior.
O cenotáfio de Mumtaz ergue-se no centro exacto da sala principal, sobre uma base rectangular de mármore de
aproximadamente 1,50 × 2,50 metros. Há uma pequena urna também de mármore. Tanto a base como a urna
estão incrustadas com um requintado trabalho de gemas. As inscrições têm a função de identificar Mumtaz e
protegê-la, em jeito de oração. Na tampa da urna sobressai um placa, que se assemelha a um quadro de escola.
O cenotáfio de Shah Jahan está junto ao de Mumtaz, formando a única disposição assimétrica de todo o
complexo. É maior que o da sua esposa, mas contém os mesmos elementos: uma grande urna com base alta,
também decorada com maravilhosa precisão mediante incrustações e caligrafia identificadora. Sobre a tampa da
urna existe uma escultura de uma pequena caixa de penas de escrever.[9]
Placas do cenotáfio, em mármore talhado e com incrustações de pedras preciosas.
Processo construtivo
A construção do Taj Mahal iniciou-se com a fundação do mausoléu. Escavou-se e formou-se com os escombros
uma superfície de aproximadamente 12.000 m² para reduzir o risco de infiltrações do rio. Toda a área foi
levantada a uma altura de quase 15 metros sobre o nível da ribeira. O Taj Mahal tem uma altura aproximada de 60
metros e a cúpula principal mede 20 metros de diâmetro e 25 de altura.
Na zona do mausoléu cavaram-se poços até encontrar água e preencheram-se com pedra formando as bases da
fundação. Deixou-se um poço aberto em torno do edifício para monitorizar as mudanças do nível da água
subterrânea.
Ao invés da utilização de andaimes de bambu, comuns na época, os trabalhadores construíram colossais andaimes
de ladrilho por fora e por dentro das paredes do mausoléu. Estes andaimes eram tão grandes, que muitos estimam
anos como o tempo que se demorou a desmantelá-los. De acordo com a lenda, Shah Jahan decretou que qualquer
um poderia levar os ladrilhos e, em consequência, muitos foram levados, pela noite, pelos camponeses locais.
Para transportar o mármore e outros materiais desde Agra até ao local da edificação, construiu-se uma rampa de
terra de 15 km de comprimento. De acordo com os registos da época, para o transporte dos grandes blocos
utilizaram-se carreiras especialmente construídas, tiradas por carros de vinte ou trinta bois.
Para colocar os blocos em posição foi necessário um elaborado sistema de roldanas montadas sobre postes e vigas
de madeira, e a força de juntas de bois e mulas.
A sequência construtiva foi:
1.
2.
3.
4.
5.
A base ou pedestal;
O mausoléu com a sua cúpula;
Os quatro minaretes;
A mesquita e o jawab;
O forte de acesso;
O pedestal e o mausoléu consumiram doze anos de construção. As restantes partes do complexo tomaram mais
dez anos. Como o conjunto foi construído por etapas, os historiadores da época informam diferentes datas de
«término», a causa possivelmente de opiniões divergentes sobre a definição da palavra «término». Por exemplo, o
mausoléu em si foi completado em 1643, mas o trabalho continuou no resto do complexo.
Infraestrutura hidráulica
A água para o Taj Mahal provinha de uma complexa infraestrutura que incluia séries de purs, movidos por
animais, que levavam a água a grandes cisternas, onde, mediante mecanismos similares, se elevava a um grande
tanque de distribuição erguido sobre a planta baixa do mausoléu.
Do tanque principal de distribuição, a água passava por três tanques subsidiários, desde os quais se conduzia a
todo o complexo. A uma profundidade de 1,50 metros, corre a conduta de barro que completa o sistema de rega
dos jardins. Outros canos em cobre alimentam as fontes no canal norte-sul, e escavaram canas secundários para
regar o resto do jardim. As fontes não se conectaram de forma directa com os tubos de alimentação, mas sim a um
tanque intermediário de cobre debaixo de cada saída, com o fim de igualar a pressão em todas.
Os purs não se conservaram, mas sim o resto das instalações.
Artesãos e construtores
Interior da cúpula, mostrando o trabalho geométrico em pedra.
O Taj Mahal não foi projectado por uma só pessoa, mas exigiu talento de várias origens. Os nomes dos
construtores das diversas especialidades que participaram na obra chegaram aos nossos dias através de diversas
fontes.
Dos discípulos do grande arquiteto otomano Koca Mimar Sinan Agha, Ustad Isa e Isa Muhammad Effendi,
tiveram um papel-chave no desenho do complexo.[10] Alguns textos em idioma persa mencionam Puru de
Benarus como arquitecto supervisor.[11]
A cúpula principal foi desenhada por Ismail Khan do Império Otomano,[12] considerado o primeiro arquiteto e
construtor de cúpulas daquela época. Qazim Khan, um nativo de Lahore, moldou o finial de ouro maciço que
coroa a cúpula principal. Chiranjilal, um artesão de Deli, foi o escultor chefe e responsável pelos mosaicos.
Amanat Khan de Shiraz, Pérsia), foi o responsável da caligrafia[13] Muhammad Hanif foi o capataz de maçonaria
(arte de trabalhar a pedra). Mir Abdul Karim e Mukkarimat Khan de Shiraz, Pérsia, supervisionaram as finanças e
a gestão da produção diária.
O grupo de artistas incluindo escultores de Bucara, calígrafos da Síria e Pérsia, mestres em incrustação do sul da
Índia, cortadores de pedra de Baluchistão, um especialista em construir torres, outro que gravava flores sobre os
mármores, completando um total de 37 artesãos principais. Esta equipe directriz esteve acompanhada por uma
força laboral superior a 20.000 trabalhadores recrutados em todo o norte da Índia.
Os cronistas europeus, especialmente durante o primeiro período do Raj britânico, sugeriram que alguns dos
trabalhos do Taj Mahal tinham sido obra de artesãos europeus. A maioria destas suposições eram puramente
especulativas, mas uma referência de 1640, segundo a carta de um frade espanhol que visitou Agra, menciona que
Geronimo Veroneo, um aventureiro italiano na corte de Shah Jahan, foi o responsável principal do desenho. Não
há prova científica demonstrável para provar esta afirmação, nem se citou nenhum Veroneo nos documentos
relativos à obra que ainda se conservam. E.B. Havell, o principal investigador britânico de arte indiana no último
Raj descartou esta teoria por não se encontrar evidência alguma e por resultar inconsistente com os métodos
empregados pelos desenhistas.
Materiais
O principal material empregado para a construção é o mármore branco trazido em carros puxados por bois,
búfalos, elefantes e camelos desde as pedreiras de Makrana, no Rajastão, situadas a mais de 300 km de distância.
O segundo material mais utilizado é a pedra arenisca rochosa, empregada na construção da maioria dos palácios e
fortes muçulmanos anteriores à era de Shah Jahan. Este material foi utilizado em combinação com o mármore
negro, nas muralhas, no acesso principal, na mesquita e no jawab.
O Taj Mahal inclui, aliás, outros materiais trazidos de toda a Ásia. Mais 1.000 elefantes transportaram materiais
de construção dos confins do continente. O jaspe foi importado do Punjab, e o cristal e o jade, da China.
Do Tibete trouxeram-se turquesas e do Afeganistão o lápis-lazúli, enquanto as safiras provinham de Ceilão e os
quartzos da Península arábica. No total utilizaram-se 28 tipos de gemas e pedras semipreciosas para fazer as
incrustações no mármore.
Custo
O então presidente da Rússia Vladimir Putin com sua esposa em visita ao Taj Mahal em 2000.
O custo total da construção do Taj Mahal estima-se em 50 milhões de rupias. Naquele tempo, um grama de ouro
valia aproximadamente 1,40 rupias, de modo que segundo a valorização actual, a soma poderia significar mais de
quinhentos milhões de dólares estadounidenses. Deve ter-se em conta, não obstante, que qualquer comparação
baseada no valor do ouro entre distintas épocas resulta à partida muito inexata.
Lendas e hipóteses
Origem do nome
Taj Mahal significa "Coroa de Mahal".
A palavra "Taj" provem do persa, linguagem da corte mogol, e significa "Coroa", enquanto que "Mahal" é uma
variante curta de Mumtaz Mahal, o nome formal na corte de Arjumand Banu Begum, cujo significado é "Primeira
dama do palácio". Taj Mahal, então, refere-se à "coroa de Mahal", a amada esposa de Shah Jahan. Já em 1663 o
viajante francês François Bernier mencionou o edifício como "Tage Mehale".
O Taj egro
Uma velha tradição popular afirma que se previu construir um mausoléu idêntico na margem oposta do rio
Yamuna, substituindo o mármore branco por negro. A lenda sugere que Shah Jahan foi destronado por seu filho
Aurangzeb antes de a versão negra ser edificada, e que os restos de mármore negro que podem encontrar ao
cruzar o rio são as bases inacabadas do segundo mausoléu.
Estudos recentes desmentem parcialmente esta hipótese e projetam novas luzes sobre o desenho do Taj Mahal.
Todos os restantes grandes túmulos mogóis situavam-se em jardins formando uma cruz, com o mausoléu no
centro. O Taj Mahal, pelo contrário, está disposto em forma de um grande "T" com o mausoléu num extremo. O
rasto das ruínas na margem oposta do rio estende o desenho até formar um esquema de cruz, em que o próprio rio
se converteria em canal central de um grande chahar bagh. A cor negra parece ser produto da ação do tempo
sobre os mármores brancos originalmente abandonados no local. Os arqueólogos chamaram a este segundo e
nunca construído Taj como "Mahtab Bagh", ou seja, "Jardim de Luz da Lua".
O programa do History Channel sobre o Taj Mahal especula que o Taj Negro seria a imagem do Taj Mahal
refletido em um espelho d'água.[14]
O túmulo assimétrico de Shah Jahan
De notar que o cenotáfio de Shah Jahan está deslocado do centro, como foi colocado na sua morte.
Aurangzeb situou o túmulo e o cenotáfio de Shah Jahan no Taj Mahal em vez de lhe construir um mausoléu
próprio como era característico para os imperadores. Esta ruptura da simetria é atribuída por uma lenda
complementar do Taj Negro à malícia ou à indiferença de Aurangzeb. Os avós deste último tinham sido já
sepultados num mausoléu com configuração assimétrica semelhante.
O filho de Shah Jahan era um homem piedoso, e o Islão evita todo o tipo de ostentação, especialmente no aspecto
funerário. Assim, em lugar de utilizar um ataúde, era normal usar simplesmente um sudário para sepultar os
mortos.
Os livros islâmicos descrevem a sepultura em ataúdes como "um gasto inútil, que poderia ser melhor utilizado
para alimentar o faminto ou ajudar o necessitado". Segundo a visão de Aurangzeb, construir um mausoléu novo
para Shah Jahan teria sido um desperdício. Por isso sepultou o seu pai junto a Mumtaz Mahal sem mais
complicações.
Mutilação dos trabalhadores
Um sem-fim de histórias descrevem, muitas vezes com detalhes horripilantes, a morte, desmembramento e
mutilação que Shah Jahan teria infligido a vários artesãos relacionados com a construção do mausoléu. Talvez a
história mais repetida é a de que como o imperador teve à sua disposição os melhores arquitetos e decoradores,
depois de completar o seu trabalho fazia-os cegar e cortar as mãos para que não pudessem voltar a construir um
monumento que igualasse a superioridade do Taj Mahal. Nenhuma referência respeitável permite assegurar estas
hipóteses, na qual alguns crêem, por outro lado, que fosse uma prática bastante comum em relação a alguns
grandes monumentos da Antiguidade.
Elementos desaparecidos
Abundam as lendas em relação a muitos elementos roubados pertencentes ao Taj Mahal. Alguns foram
deteriorados pelo tempo, mas muitos dos supostos elementos em falta são apenas lendas.
Entre as falsas perdas mais difundidas, destacam-se:
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As folhas de ouro, que supostamente cobriam toda a parte da cúpula principal.
A Varanda dourada, que teria rodeado os cenotáfios, possivelmente por confusão com os limites
provisórios colocados e logo substituídos ao terminar as cantarias de mármore.
Os diamantes, supostamente incrustados nos cenotáfios.
O tecido de pérolas, que segundo alguns cobria o cenotáfio de Mumtaz.
Outros elementos perderam-se ao longo do tempo, entre eles:
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Os portões de prata do forte de acesso.
As folhas douradas que cobriam as juntas metálicas das cantarias de mármore em torno dos cenotáfios.
Numerosas tapeçarias que cobriam os interiores do mausoléu.
As lâmpadas esmaltadas do interior.
Plano britânico para demolir o Taj Mahal
Uma historia freqüentemente repetida narra que Lord William Bentinck (governador da Índia na década de 1830)
pensou em demolir o Taj Mahal e vender o mármore. Em algumas versões do mito, a demolição esteve iminente,
mas não começou porque Bentinck foi incapaz de criar uma projeto viável do ponto de vista financeiro. Não há
provas da época sobre tal plano, que pode ter sido difundido no final do século XIX quando Bentinck era
criticado por seu insistente utilitarismo e Lord Curzon enfatizava a negligência em que haviam incurrido os
anteriores responsáveis do monumento, apresentando-se a si mesmo como um salvador do património indiano.
De acordo com John Rosselli, biógrafo de Bentinck, a história foi criada a partir de outros acontecimentos, de tipo
diferente: a venda de mármore proveniente do forte de Agra e a de um famoso embora obsoleto canhão, em
ambos casos com fins de beneficência.[15]
O templo de Shiva
Taj Mahal ao amanhecer.
O presidente do instituto revisionista indiano, P.N. Oak, tem afirmado repetidamente que o Taj Mahal foi na
realidade um templo hindu dedicado ao deus Shiva, usurpado e remodelado por Shah Jahan. Segundo ele, o nome
original do templo era "Tejo Mahalaya", que logo passou a "Taj Mahal" mediante corrupção fonética.
Oak assegura também que os túmulos de Humayun, Akbar e Itimiad-u-Dallah, tal como a cidade do Vaticano em
Roma,[16] a Kaaba em Meca, Stonehenge, e "todos os edifícios históricos" na Índia, foram templos ou palácios
hindus.
O Taj é apenas uma mostra típica de como todos os edifícios históricos de origem hindu desde Caxemira ao
Cabo Comorim, têm sido atribuídos a este ou aquele governo muçulmano.[17]
Em seguida assegurou que o Taj "não era" um templo de Shiva, mas que poderia ter sido o palácio de um rei do
Rajput. De qualquer modo mantinha a sua acusação de que o monumento era de origem indiana, roubado por
Shah Jahan e adaptado como túmulo. Oak assegurava que Mumtaz não estava sepultada ali. Disse também que os
numerosos testemunhos da época relativos à construção do Taj Mahal, incluindo os volumosos registos
financeiros de Shah Jahan e das suas directivas sobre a obra eram fraudes elaboradas para ocultar a origem hindu.
Estas provocantes acusações fizeram que Oak fosse conhecido pelo público através dos media. Chegaram a
iniciar-se demandas judiciais para conseguir a abertura dos cenotáfios e a demolição por parte da alvenaria do
primeiro piso, já que nesses "falsos túmulos" e em "salas seladas" se ocultariam vários elementos
correspondentes ao Shivalingam ou outro monumento.
As acusações de Oak não são aceites pelos especialistas, mas estes mitos têm sido igualmente utilizados por
vários activistas do nacionalismo hindu.
Em 2000 a Supremo Tribunal de Justiça indeferiu as petições de Oak relativas à declaração de origem hindu do
Taj Mahal, e condenou-o a pagar os custos judiciais.[18] De acordo com Oak, a rejeição pelo governo indiano da
sua petição é parte de uma conspiração contra o hinduísmo.
Cinco anos depois, o tribunal de Allahabad rejeitou uma petição similar, neste caso interposta por Amar Nath
Misrah, um pregador que assegura que o Taj Mahal foi construído pelo rei hindu Parmar Dev em 1196.[19]
Visões do Taj Mahal
Vista do Taj Mahal a partir do forte de Agra.
Ao longo dos séculos o Taj Mahal inspirou a prosa de viajantes, escritores, e outras personalidades de todo o
mundo, colocando em relevo a grande carga emocional que representa o monumento:
Apesar dos seus adornos severos, puramente geométricos, o Taj Mahal flutua. :a cúpula, a
imensa cúpula, há algo levemente excessivo, algo que todo o mundo sente, algo doloroso.
Documenta a mesma irrealidade. Porque a cor branca não é real, não pesa, não é sólida.
Falso abaixo do Sol, falso na claridade da Lua, espécie de pez prateado construído pelo
homem com uma ternura nervosa.
O Taj Mahal parece a encarnação de todas as coisas puras, de todas as coisas sagradas e
de todas as coisas infelizes. Este é o mistério de edifício.
— Henri
Michaux
— Rudyard
Kipling
Uma lágrima no limiar dos tempos.
— Rabindranath Tagore
Presente e futuro
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Desde 1985 têm-se vindo a notar instabilidades na estrutura do mausoléu, incluíndo a inclinação
progressiva dos altos minaretes. As principais causas parecem ser a progressiva seca do leito do rio
Yamuna, modificando o teor de humidade do solo, e sua capacidade portadora.[20]
O edifício denuncia uma grande fragilidade às emanações industriais muito poluentes para a atmosfera.[21]
Ordens judiciais determinaram o fim da circulação de veículos motorizados em redor do complexo.
As autoridades de Agra permitem novamente a visita em noites de luar, passeio tradicional pelo
monumento, que foram proibidas desde 1984 por receio de atentados da rebelião Sikh daquela época.[22] O
mármore branco apresenta características de fluorescência sob a luz da Lua.
O Taj Mahal foi nomeado em 7 de julho de 2007 como parte das Novas sete maravilhas do mundo.
Incontáveis turistas têm visitado o lugar - mais de três milhões em 2004.[23]
Tendo em conta que o complexo inclui uma mesquita, o acesso à sexta-feira permite-se somente a fiéis
muçulmanos.
otas e referências
1. ↑ Como se pode atestar, de início, com a própria indicação do monumento como candidato - vitorioso - a uma das
Novas Maravilhas do Mundo. Milhares de sítios confirmam este caráter, desde testemunhos pessoais, a página
oficial da UNESCO para monumentos World Heritage, que diz "and one of the universally admired masterpieces of
the world's heritage".
2. ↑ Dr. A. Zahoor e Dr. Z. Haq. Taj Mahal, Agra, India. Página visitada em 27 de setembro de 2009.
3. ↑ François Bernier "Carta a Mr. de la Mothe le Vayer, escrita em Deli em 1 de Julho de 1663" - Viagens no Império
Mogol, 1657-1668 (Westminster: Archibald Constable & Co.), 1891, p. 293
4. ↑ Char bagh: jardim formal mogol, dividido em quatro secções
5. ↑ Paraíso é uma palavra de etimologia persa; paridaeza que significa jardim murado
6. ↑ jawab significa «resposta»
7. ↑ Iwan significa um portal saliente dos edifícios persas e mogóis.
8. ↑ A técnica de traceria consiste na gravação de um canal na pedra e logo colocar uma delgada capa de estuque e
cores na superfície. Finalmente limpa-se a pedra e fica somente o material dentro da incisão.
9. ↑ As penas e tábuas de escritura eram figuras tradicionais dos funerais mogóis, para decorar as urnas de varões e
mulheres.
10. ↑ William J.Hennsey, Director do Museu de Arte da Universidade de Michigan, Livro Mundial IBM 1999, e Marvin
Trachtenberg e Isabelle Hyman. Architecture: from Prehistory to Post-Modernism. pg.223
11. ↑ ISBN 964-7483-39-2
12. ↑ Quem desenhou o Taj Mahal (em inglês).
13. ↑ A assinatura de Amanat Khan está na entrada do complexo ao pé das inscrições
14. ↑ Mundos Perdidos: Taj Mahal, programa exibido na TV brasileira em 24-10-2009.
15. ↑ Rosselli, J: Lord William Benting, fazedor do liberalismo imperial, 1774-1839, London Chatto & Windus para a
editoria da Universidade de Sussex, 1974, pg. 283
16. ↑ De cidades e regiões.
17. ↑ O Taj Mahal é Tejomahalay — um templo hindu.
18. ↑ Supremo Tribunal rejeita pedido de Oak.
19. ↑ Rejeição do tribunal de Allahabad.
20. ↑ Os minaretes do Taj em perigo.
21. ↑ Em defesa do Taj Mahal.
22. ↑ .O Taj Mahal volta a brilhar à noite
23. ↑ Segundo informações da BBC
Ligações externas
O Wikimedia Commons possui multimedia sobre Taj Mahal
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O Taj Mahal na lista da UNESCO (em francês)
Cronologia de eventos relacionados com o Taj Mahal segundo fontes do séc. XVII (em inglês)
História do Taj Mahal (em inglês)
O mito do Taj Negro (em inglês)
Fondation Berger Sitio em francês com fotos do conjunto
Um arquitecto em busca das lendas do Taj (em inglês)
Fotos do Taj Mahal
Taj Mahal em 3D no Google Earth
Fotos do Taj Mahal
Predefinição:Info/Património Mundial na Índia