WGSN BRASIL 2014: INOVAÇÃO SOCIAL PARA O BEM MAIOR

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WGSN BRASIL 2014: INOVAÇÃO SOCIAL PARA O BEM MAIOR
WGSN BRASIL 2014: INOVAÇÃO SOCIAL PARA O BEM MAIOR Por Luana Kaderabek, WGSN­Homebuildlife, 27 de fevereiro de 2014 Em Junho de 2014 todos os olhos estarão no Brasil, país anfitrião da Copa do Mundo FIFA. Nesses meses que antecedem o torneio, WGSN e Homebuildlife apresentarão uma série de reportagens explorando a cultura desse vibrante país. Na linha da macrotendência Super­Heróis Sociais, mapeamos importantes áreas de inovação social no Brasil, que se mostra um mercado promissor para empreendedores em uma era digital. ● A inovação social via tecnologia e pensamento inovador é um conceito adotado em escala global, e está crescendo rapidamente no mercado brasileiro; ● De acordo com pesquisas recentes, milhões de brasileiros têm acesso a internet e telefones móveis; ● O mercado da inovação social é estimulado por start­ups, eventos, influenciadores e plataformas digitais e móveis. Mas existem muitas áreas a serem exploradas, como a questão da mobilidade, que precisa de uma penetração maior de investimento e capital privado. Organização que promove uso da tecnologia para mudança social Perspectivas culturais Falar sobre tecnologia e inovação no Brasil hoje, é falar sobre mudança social por meio da ação de empreendedores digitais. A tendência é parte do cenário global, com o uso da tecnologia, pensamento inovador e colaboração para desafiar os mercados, cidadãos e empresas locais a envolverem­se em processos de inovação de mais longo prazo, com objetivo de impactar positivamente a sociedade, a economia e o meio ambiente. Novas start­ups e empreendedores estão estimulando o mercado e contribuindo para ampliar a discussão, o que pode ser percebido pelo crescente número de importantes eventos sobre o tema. O recente Google Impact Challenge, lançado em fevereiro de 2014 premiou projetos de organizações da sociedade civil que estão usando a tecnologia para mudar ou melhorar o mundo. Outro programa relevante é o Social Good Brasil, um hub para debater o uso da tecnologia para causas sociais. Esses movimentos são impulsionados pela necessidade de avanços sociais no Brasil, e pelo grande crescimento do número de pessoas com acesso à internet móvel – 43 milhões de acordo com um levantamento feito por F/Nazca Saatchi &Saatchi – um crescimento de 22.5% nos últimos 8 meses. Esses fatores têm levado empreendedores a se envolverem mais ativamente em transformar a realidade da sociedade brasileira. Com a melhoria da situação econômica da nova classe média, projetos para (ou vindo das) favelas e periferias são uma das tendências para 2014. Ao invés de esperar pelo governo para lidar com as necessidades das comunidades empobrecidas, empreendedores estão desenvolvendo novas maneiras de compartilhar conhecimento e mesmo de repensar sistemas financeiros locais. PalmasLab Legenga: Banco Comunitário Palmas ­ PalmasLab usa internet móvel como parte de seu projeto de banco comunitário ­ Palmas, a moeda da comunidade, impressa pelo Banco Palmas ­ PalmasLab, Brasil. Combina TI e serviços bancários não tradicionais O PalmasLab é uma plataforma digital do Banco Palmas que funciona em parceria com bancos não tradicionais (que adotam sistemas de financiamento diversificados) para maximizar os créditos locais e gerenciar os recursos e tecnologias locais. O PalmasLab oferece soluções em TI que identificam e resolvem problemas relacionados com a exclusão financeira e sócio­produtiva, como mobile banking, mapeamento de informações e ofertas de serviços nas comunidades. Os bancos assistidos pelo PalmasLab criaram suas moedas locais (complementares ao Real), como forma de ajudar a manter os recursos circulando dentro das comunidades. O modelo está revolucionando a forma de suporte financeiro disponível a cidadãos de baixa renda no Brasil. Mas de 100 moedas locais surgiram no país desde o “Palmas” original, que foi criado pelo Banco Palmas em Fortaleza, Ceará. Universidade da Correria A Universidade da Correria é um novo tipo de educação colaborativa para pessoas vivendo na periferia. Usa engajamento por meio das mídias sociais e um hub online para organizar e envolver pessoas em seus workshops em diferentes cidades brasileiras. A ideia é ensinar temas que de fato refletem as realidades e interesses práticos das comunidades empobrecidas. Seus cursos são pagos, com objetivo de empoderar e são também bastante originais. Um deles, por exemplo, é “O Modelo de Negócio de Heisenberg: O que o Crime Organizado Pode nos Ensinar, uma referência a série de TV Americana Breaking Bad e a realidade da vida na periferia da cidade.O plano é lançar seus primeiros cursos de educação superior em Julho. Empresas de nicho estão desenhando produtos e serviços baseado em modelos open­source, que são aptos a serem compartilhados e facilmente reproduzidos por todo mundo. Essa abordagem colaborativa de conhecimento ajuda a disseminar globalmente expertises locais, levando­as a gerar impacto para além das fronteiras. A Loja Vazia O projeto A Loja Vazia foi um espaço vazio construído pela Loducca dentro do Shopping Villa Lobos em São Paulo, ao lado de grandes lojas de moda. A loja é o exato oposto de uma loja normal, onde os items estão disponíveis para que os consumidores possam comprar. Foi preenchida com doações das pessoas, dando visibilidade para uma campanha anual de reutilização/doação de roupas. Um resultado interessante do projeto foi o fato de ter se tornado um modelo e uma franquia disponível como plataforma open­source, com todas as informações acessíveis em um website para que pessoas de diferentes partes do mundo possam implementar essa ideia localmente. Recentemente, novas lojas da rede foram abertas em Manchester, Barcelona e em muitas outras cidades do Brasil. A ideia foi vencedora do Tomorrow Awards 2013, por seu jeito criativo de reembalar doações. Metamáquina A Metamáquina é a primeira fábrica brasileira de impressoras 3D de baixo custo. Todas as suas máquinas são operadas usando softwares livres e baseadas em hardwares open­source, dando prioridade para a disseminação de conhecimento. Os arquivos do projeto estão disponíveis para serem modificados e reproduzidos em comunidades locais por todo o mundo. Essa iniciativa resolve uma lacuna no mercado em desenvolvimento, uma vez que impressoras 3D eram, até recentemente, inacessíveis para o brasileiro médio. Os cidadãos brasileiros estão agora usando a tecnologia para monitorar e transformar a sociedade. Ao invés de esperar que as mudanças sejam providenciadas pelas autoridades, as pessoas estão começando processos de empoderamento usando a tecnologia para medir a eficiência social. Corruptecta A Corrupteca é uma biblioteca digital internacional especializada na catalogação de casos de corrupção. Criada pelo Departamento de Pesquisa da USP (NUPPs), a biblioteca é de acesso livre e disponibiliza pesquisas e notícias sobre o tópico. Atuando na sensibilização sobre a situação em cada país e expondo casos recentes de corrupção, a ideia é ajudar as pessoas a monitorar os políticos em quem elas votaram e empoderar a população com conhecimento sobre pequenos e grandes escândalos. Moda Livre Moda Livre é um aplicativo gratuito que permite as pessoas saberem quais as marcas de moda brasileiras que estão usando mão­de­obra escrava para produção de suas roupas. O propósito é não somente educar consumidores, mas lidar com as desigualdades ao colocar pressão nas grandes marcas para que elas sejam mais socialmente responsáveis. Plataformas que promovem a cultura de forma positiva são essenciais. Elas exploram a disseminação da cultura ajudando a colocar projetos em prática, desafiando estereótipos e o senso comum ao apresentar novas perspectivas e lidar com velhos problemas por meio do uso de tecnologia. Imagina na Copa O coletivo Imagina na Copa apresenta pequenos documentários que têm por objetivo combater a inércia, compartilhando histórias de cidadãos que estão construindo um mundo melhor a partir de ideias pequenas e locais. A teoria é que, se todos fazem um pouquinho, juntos teremos grande impacto. O nome é uma escolha inteligente, partindo de uma expressão auto­depreciativa que muitos brasileiros usam quando falam sobre os problemas do país (“Se você acha que está ruim, imagina na copa do mundo), para mostrar coisas positivas que acontecem no Brasil. Fab Lab Brasil Fab Lab é uma rede global de programas educacionais do MIT (Massachusetts Institute of Technology), com uma afiliada no Brasil. Cada um dos laboratórios estabelecidos por todo mundo é uma plataforma de prototipagem e desenvolvimento de ideias inovadoras e invenções. O Fab Lab oferece estímulo a inventores locais, permitindo que explorem sua cultura e se conectem com uma comunidade global de empreendedores de mais de 150 laboratórios em 30 países. A ideia é de que as pessoas entrem com uma ideia e saiam com seus próprios protótipos. Empreendedores sociais de sucesso estão usando plataformas digitais e pensamento inovador para criar novas formas colaborativas de envolver as pessoas, trazendo benefícios para todo o país e em alguns casos para todo o mundo. Bruno Torturra O Jornalista Bruno Torturra é co­fundador da Midia Ninja, uma mídia nova, jornalismo cidadão alternativo à imprensa mainstream brasileira. A Mídia Ninja documentou extensivamente os protestos que aconteceram no país durante o inverno de 2013. O grupo utilizou de forma colaborativa câmeras, telefones e ferramentas digitais para relatar ao vivo os protestos em diferentes cidades. O poder da reportagem e da distribuição rápida da informação não está mais nas mãos das instituições midiáticas tradicionais, que em muitos casos são acusadas de distorcer os fatos. A nova mídia permite também que a audiência participe ativamente no jornalismo de verdade. A próxima grande cobertura da Mídia Ninja será na Copa do Mundo, onde estarão presentes transmitindo ao vivo em Inglês e Espanhol. Edgard Gouveia Júnior Edgargd Gouveia Júnior, que foi reconhecido pela Revista Trip através do prêmio “Transformadores” como um dos 10 maiores influenciadores em 2013, é um dos inovadores sociais brasileiros mais criativo e de maior sucesso. Ele foi co­fundador de diversas iniciativas de intervenção urbana e arquitetura, incluindo o jogo OASIS e o Play the Call. No Play the Call, um jogo social que combina o apelo popular das gincanas e o poder do compartilhamento online, os jogadores são estimulados por meio de missões a promover mudanças locais e melhorar suas comunidades através por exemplo do plantio de 1.000 árvores. O jogo tem potencial local e global, com objetivo de atrair 2 bilhões de pessoas nos próximos anos.