Florestas de Kelp em Portugal - CCMAR

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Florestas de Kelp em Portugal - CCMAR
estudo
Biólogo do projecto à
procura de florestas
de kelp, na Berlenga.
cor, textura e dimensão destas estruturas que permitem diferenciar as diferentes espécies.
A
B
C
Projecto
Findkelp
Florestas de Kelp em Portugal
Durante o ano de 2008 decorreu o Projecto Findkelp, uma iniciativa do Centro de Ciências do Mar do
Algarve (CCMAR) e Universidade do Algarve, ligada ao projecto Ecokelp (Station Biologique de Roscoff,
CNRS), executada por Gobius – Comunicação e Ciência e financiada por ANR e Fundação Projecto
AWARE. O Objectivo era avaliar o estado das florestas de laminárias em Portugal e o desafio lançado
era muito simples, informar o projecto sempre que se observasse uma floresta de laminárias.
N
o final de 2008 foi publicado um livreto com os resultados do projecto
Findkelp 2008, que dava a conhecer
a distribuição das laminárias em Portugal. Baseado nesses resultados, apresentamos aqui um breve resumo.
O que é o kelp?
Kelp é o termo utilizado para designar
as algas castanhas gigantes, que crescem em águas frias e ricas em nutrientes. Estas algas podem formar verdadeiras florestas no fundo do mar, chegando
a atingir 65 m de altura. Laminaria é o
principal género, que contém 31 espécies de algas castanhas.
As florestas de Kelp formam ecossistemas essenciais para o equilíbrio da
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biodiversidade marinha a nível global.
Estas algas são importantes produtores
primários, transformando energia solar
em matéria orgânica, usada nas cadeias
alimentares dos oceanos. Captam enormes quantidades de dióxido de carbono e libertam oxigénio, contribuindo
para a regulação do efeito de estufa da
atmosfera.
As florestas de Kelp
Inúmeras espécies dependem destas
florestas para alimentação e refúgio,
especialmente os pequenos peixes, invertebrados e os seus predadores. Estas
florestas são também importantes a
nível económico, pois atraem espécies
de elevado valor comercial para a pesca,
Por Redacção
Fotos e ilustrações gentilmente
cedidas por Mundo Gobius Comunicação e Ciência, Lda.
como os robalos e as corvinas. Do kelp
são ainda extraídos produtos utilizados
na alimentação, cosmética e indústria.
Nos últimos séculos, a utilização de Kelp
como fertilizante de solos (moliço), foi
uma actividade muito comum em Portugal. Actualmente a apanha destas
algas é feita apenas por alguns agricultores da costa Norte.
Kelp da costa
portuguesa
Em Portugal, as florestas de kelp são
constituídas por 7 das 13 espécies conhecidas dos mares da Europa.
O Kelp é constituído por uma estrutura
de fixação (base), uma de suporte (pé
ou estipe) e uma importante para a fotossíntese (lâmina). São as diferenças na
Tal como as florestas encantadas, as florestas de Kelp
são lugares de luz e cores difusas. Algas que se agitam
e movem com flexibilidade, onde animais de mil formas
diferentes giram sem parar.
Estrutura geral das espécies de kelp
A - Lâminas: permitem realizar a fotossíntese,
possibilitando o crescimento da alga.
B - Pé ou estipe: estrutura flexível que suporta
as lâminas e que permite aguentar fortes
correntes marítimas.
C - Base: permite a fixação da alga ao substrato.
comunicação social (jornais, revistas e
portais de Internet). Ao que se seguiu algumas palestras e workshops de forma
a sensibilizar, criar e educar uma equipa
de voluntários. Foram entregues materiais didácticos a mergulhadores, apneístas, pescadores e outros utilizadores
da zona costeira.
Foram estes voluntários que recolheram
dados sobre a distribuição e sobre o estado das florestas de kelp, fornecendo
essa informação através da página web
do projecto. Os investigadores efectuaram entrevistas para saber onde existia
kelp no passado. Os dados fornecidos
pelos voluntários foram validados pelos
investigadores e tratados em sistemas
de informação geográfica, criando-se
mapas de distribuição das diferentes
espécies de kelp.
Após 6 meses de trabalho conjunto
entre voluntários e investigadores, foi
possível descobrir qual a distribuição
das florestas de kelp em Portugal no
presente e no passado.
Projecto Findkelp
Voluntários
Actualmente, tudo indica que as florestas de kelp, em Portugal, têm vindo a
desaparecer. Com o desaparecimento
destas florestas surgem sérios problemas que afectam quem delas depende,
incluindo o ser humano. É urgente conhecer melhor as florestas de kelp para
as podermos conservar e no futuro não
lamentarmos a sua extinção.
O Projecto Findkelp surgiu para conhecer melhor as florestas de Kelp da costa
portuguesa e promover a sua conservação. É um projecto científico e inovador
que fomentou a participação dos cidadãos em acções de conservação da Natureza.
A ajuda de voluntários motivados foi
essencial para obter dados científicos
de uma zona geográfica tão vasta, num
tão curto espaço de tempo. O projecto
Findkelp contou com o registo de 194
voluntários (70,4% mergulhadores e
28,5% pescadores submarinos), que
identificaram e reportaram dados sobre
6 das 7 espécies de kelp da costa portu-
Objectivos
Os objectivos do projecto consistiram
em estudar o estado de conservação das
florestas de kelp em Portugal continental através da participação comunitária,
de observações de campo e de análises
estatísticas e sistemas de informação
geográfica. Um objectivo importante
foi o de informar e divulgar a importância da preservação das florestas de Kelp
para o equilíbrio dos ecossistemas dos
nossos Oceanos.
Obtenção
de informação
O projecto Findkelp teve uma primeira
fase de comunicação e divulgação. Foi
divulgado em cerca de 20 meios de
Laminaria ochroleuca ao pôr do sol
em Viana do Castelo.
Locais de kelp
2008
Através de
análises
estatísticas foi
possível aferir a
distribuição das
florestas de kelp e
construir mapas.
guesa (387 locais). Grande parte desses
dados (87%) estavam de acordo com os
recolhidos pelos investigadores.
Os dados recolhidos por entrevistas
permitiram construir mapas com a distribuição histórica do kelp, que como
principal conclusão parecem indicar
que existem cada vez menos florestas
de kelp no nosso país, principalmente a
sul de Espinho.
Estudar a evolução
Os investigadores pretendem dar continuidade ao projecto, de modo a compreender as variações das florestas de
kelp ao longo do tempo e do espaço,
e a verdadeira importância da sua conservação para a saúde dos nossos Oceanos. Além de que estão convictos que
existem ainda muitas florestas de Kelp
por encontrar e muitas pessoas por sensibilizar. v
Saiba mais informações em:
www.findkelp.org
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