Caderno de Artigos 2012

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Caderno de Artigos 2012
UNIBAHIA – UNIDADE BAIANA DE ENSINO, PESQUISA E
EXTENSÃO
FACULDADES INTEGRADAS IPITANGA
CURSO DE COMUNICAÇÃO
ALEX SANDRO RODRIGUES DE SOUSA
CAMILA EFRAIM
CAILE MELLONI
JULIANA RIBEIRO
MÁRCIO WESLEY CERQUEIRA NERY
CADERNO DE ARTIGOS
LAURO DE FREITAS
2012
ALEX SANDRO RODRIGUES DE SOUSA
CAMILA EFRAIM
CAILE MELLONI
JULIANA RIBEIRO
MÁRCIO WESLEY CERQUEIRA NERY
CADERNO DE ARTIGOS
Trabalho solicitado pela Prof.ª Diana Coelho, com
valor avaliativo parcial da disciplina Metodologia
Científica do Curso de Comunicação Social do 5º
semestre de 2012.2.
LAURO DE FREITAS
2012
SUMÁRIO
ANÁLISE DA REDUÇÃO DOS ADEPTOS DO CANDOMBLÉ EM SALVADORA-BA
E LAURO DE FREITAS: CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS ......................................... 3
Alex Sandro Rodrigues de Sousa
COMUNICAÇÃO COMUNITÁRIA UMA REALIDADE PRESENTE EM SALVADOR13
Camila Efraim
DOCUMENTÁRIO: O QUE É LIXO PARA ALGUNS É FONTE DE SUBSISTÊNCIA
PARA OUTROS ........................................................................................................ 26
Caile Melloni
Juliana Ribeiro
FOTOJORNALISMO:
COTIDIANO,
HISTÓRIAS,
CENÁRIOS,
IMAGENS
E
SENSAÇÕES ............................................................................................................ 39
Márcio Wesley Cerqueira Nery
3
ANÁLISE DA REDUÇÃO DOS ADEPTOS DO CANDOMBLÉ EM
SALVADORA-BA E LAURO DE FREITAS: CAUSAS E
CONSEQUÊNCIAS
Alex Sandro Rodrigues de Sousa
[email protected]
Curso de Jornalismo da Unibahia
Resumo:
Diante do crescimento de diversas religiões no Brasil, nasce a necessidades de criar um
documentário sobre o aumento ou diminuição dos adeptos do candomblé Em Salvador-Ba e Lauro de
Freitas-Ba. O estudo, por sua vez, tem como finalidade entender o que está acontecendo com esses
seguidores perante uma sociedade preconceituosa onde se percebe a oposição das pessoas em
aceitar uma religião de origem africana, que se instalou no Brasil através da chegada dos negros.
Palavra chave: Candomblé, religião, adeptos, aumento, diminuição.
Abstract:
Given the growth of various religions in Brazil, born needs to create a documentary about the increase
or decrease of the adherents of Candomblé in Salvador-and Ba-Ba Lauro de Freitas. The study, in
turn, aims to understand what is happening to these followers before a prejudiced society where
people realize the opposition to accept a religion of African origin, who settled in Brazil through the
arrival of blacks.
Keywords: Candomblé religion, followers, increase, decrease.
1 INTRODUÇÃO
Sabe-se que as religiões afro brasileiras vem sofrendo mudanças com o surgimento
de novas religiões. Com pesquisa será possível observar como estão se
comportando os adeptos da religião afro, especificamente, o candomblé, se este
número está aumentando ou diminuindo, através de depoimentos de babalorixá e
iyalorixá, respectivamente, “pais e mães de santo”, na região de Salvador-BA e
Lauro de Freitas-BA. Com a pesquisa, será possível observar se a diminuição do
número de adeptos ao candomblé acarreta na redução da influência da religião e
consequentemente na perda da identidade cultural em Salvador e Lauro de Freitas.
4
Se há uma redução no número de seguidores do candomblé, então é gerada uma
perda da identidade da cultural.
A religião é feita tanto de crenças e rituais quanto de práticas. A teologia acadêmica
(especificamente no ocidente e em relação ao cristianismo) tende a se concentrar na
crença “que é uma ideologia, adesão a certas concepções sobre a origem do
mundo, sobre forças superior que o conduz a vida após a morte, os castigos
infernais ou as recompensas paradisíacas que se pode esperar”. (GARAUDY, 1995,
p.76).
O trabalho terá um levantamento de materiais em sites de busca na internet, na
bibliotecas da cidade, pesquisa de campo, trabalho de conclusão de curso, e outros
materiais que trate desse assunto.
É absurdo pensar que se pode responder à pergunta “o que é jornalismo?” numa
frase ou até mesmo num livro (Traquina, 2005).
Para que o jornalismo exista, é preciso ter fatos acontecendo, é preciso viver e olhar
para o mundo de uma forma ampla ou até mesmo infinita, sem fronteira nem limites,
dentro da realidade deixando a ficção em segundo plano. (TRAQUINA, 2005) (...)
jornalistas é ver as notícias como uma “construção” social, o resultado de inúmeras
interações entre diversos agentes sociais.
As novas tecnologias chegaram impactando e revolucionando o jornalismo, de forma
única, centralizando toda a notícia através da internet, com a ligação instantânea
das informações.
Um dos fatos que marcou história do jornalismo na última década foi o ataque as
torres gemes em 2001, pois a integração dos satélites permitiu a transmissão
simultânea para todo o mundo, em tempo real. A população ficou aterrorizada com
os ataques, pois assistiu na integra a tragédia. A cobertura jornalística foi uma das
maiores vistas mundialmente nos últimos tempos.
5
Com relação a documentários, este narra fatos e histórias sobre diversos assuntos.
A palavra documentário surge em meados da década de 20, e foi usada pela
primeira vez em um artigo sobre o filme “Moana, de Robert Flaherty, escrito por John
Grierson para o jornal New York em fevereiro de 1926”. Geralmente a palavra
documentário está sempre associada à área cinematográfica, o documentário é
considerado uma sub categoria do cinema de fixação na visão dos críticos.
Segundo Márcia Carvalho, o documentário participativo onde se conta a história de
pessoas, sem querer criar personagens tem um destaque muito considerável, pois
tem características únicas e uma dessas características é a redação, contada de
uma forma impactante dentro de um contexto que mexe com a emoção e a razão.
O documentário jornalístico são produções padronizadas que seguem a formatação
consagrada da reportagem em que se expõe um assunto ou fato, alternando
sonoras e imagens ilustrativas bem amarradas por uma voz narradora. Para produzir
um documentário jornalístico não é preciso ser sisudo e nem abolir um tratamento
criativo para que se possa, construir um diálogo com o público, fazendo com que as
pessoas façam uma reflexão.
O principal objetivo de todo documentário jornalístico é buscar o máximo de
informações possíveis sobre um determinado tema através de entrevistas, pesquisa
de campo, estudar a história que vai ser retratada no documentário.
Um dos temas de grande repercussão, que vale ser trabalhado em um documentário
é a religião que está constantemente na mídia, trazendo fatos esclarecedores e
também polêmicos como, por exemplo, a diminuição de adeptos de católicos e
aumento dos adeptos à religião evangélica.
Apesar da predominância do catolicismo no Brasil, a proporção de pessoas que se
declararam católicas caiu de 83,8%, em 1991, para 73,8%, em 2000. Em
contrapartida, os evangélicos, que correspondem ao segundo maior percentual,
representavam, em 1991, 9 %, e em 2000 chegaram a 15,4%. “Fonte IBEGE”
6
Assim, como o estudo do IBEGE, a pesquisa tem a responsabilidade de mostrar o
que esta acontecendo com o candomblé, se essa perda de adeptos está,
relacionada com outra religião ou outro fator, e quais os motivos. O IBGE, no senso
de 2000 traz também que, (...) na terceira posição encontram-se as pessoas que
declararam não ter religião, 7,3 %, em 2000, contra 4,8%, em 1991. Ou será que as
pessoas estão desacreditadas com tantas falcatruas.
2 DOCUMENTÁRIO: FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
O documentário é um gênero que representa o regimento em vídeo, seja na ficção,
seja na não ficção. Para Da-Rin (2006,p.15), se o documentário estivesse inserido
em fronteiras fáceis de estabelecer, provavelmente não seria tão rico em suas
diversas manifestações.
...ao levantar as origens do cinema, nada mais difícil que estabelecer datas
e nomes inaugurais: o primeiro filme o primeiro projetor, o verdadeiro
inventor ou a primeira sessão. Estes marcos, aliás , seriam de pouca
serventia, já que encaramos o cinema com parte de um processo longo,
amplo e ramificado de experiências e conquistas no campo da projeção da
imagem ( DA-RIN,2006, p. 23)
Sabe-se que o documento surgiu a partir do cinema. Ainda de, acordo com DA-RIN
(2006, p.23), os nomes de Thomas Edison e dos irmãos Louis e Auguste Lumière se
destacam neste processo, por terem estabelecido importantes bases tecnológicas
para a futura indústria cinematográfica.
Segundo um artigo publicado no Fórum Nacional de Professores de Jornalismo
(2006), “o termo documentário foi utilizado pela primeira vez nos anos 20 pelo
sociólogo John Grierson no jornal The New York Sun, ao comentar os filmes de
Robert Flaherty”. Já no Brasil, a primeira filmagem, de acordo com Labaki (2006,
p.17 ), aconteceu segundo as convenções historiográficas, em 19 de junho de 1898,
na entrada da Baía da Guanabara, por Afonso Segreto (1875). Teria sido um
Travelling pela orla do Rio a partir do tombadilho de um navio emblematicamente
chamado “Brésil” O registro não resistiu ao tempo e sequer foi fixado na crônica da
época.
7
Ainda segundo o autor, o documentário silencioso do País começa em 1898 e se
estende até 1907. Mas, a transição dos efetivos sonoros se deu entre o final dos
anos 20 e começo dos anos 30. A partir daí, começaram a aparecer os ditos
“pioneiros autorais” na história do documentário brasileiro.
Retomando o início do documentário internacional, o norte americano Robert Flahert
(1884-1951) começou a sua vida profissional explorando a região da baía de
Hudson, no Norte do Canadá. Dez anos mais tarde, em junho de 1922, surge
Nanook of the north. Considerada uma revolução da época, este vídeo se
diferenciava dos outros filmes por ser criativo, com closes e sequências que até
então não existiam, segundo Ramos (2001).
Na Inglaterra, o escocês John Grierson idealizou o movimento inglês do
Documentário. Grierson, com sua formação filosófica, era realista e acreditava em
uma nova maneira de fazer cinema.
Com o avanço da tecnologia na época, a chegada do som levou o grupo a ampliar
suas fronteiras técnicas e assimilar novos colaboradores, alguns experientes e
reconhecidos, como o brasileiro Alberto Cavalcanti. O próprio amadurecimento da
equipe de documentaristas tornou inevitável a diversificação de tendências e a
abertura de novos horizontes estéticos, representados principalmente pelas
pesquisas no campo sonoro e pela introdução de métodos ficcionais (DA-RIN, 2006,
p.87)
Um nome que se destaca na história do documentário é Dziga Vertov. Com toda a
sua experiência, Vetov queria proporcionar a criação de uma visão da realidade a
partir do cinema. Ainda de acordo com Da-rin (2006), o pioneirismo de Vetov em
apresentar um cinema documental sonoro realizando em exteriores enfrentavam
dificuldades, tanto tecnicamente, mas também a descrença nas possíveis gravação
fora dos estúdios. Findando a parte histórica, o documentário é um meio que busca
expor os acontecimentos da vida como são, apesar de existir a ficção.
(RAMOS,2001).
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A construção de um documentário com todos esses pontos até então mencionados,
passa por fases de realização que são a pré-produção, a produção e a pós
produção.
Penafria (2001) também discorre que a sucessão das imagens e sons tem como
orientação o ponto de vista adotado, que é encontrado na criatividade e expressão
do documentarista. Como este projeto visa servir de suporte de pesquisa para
auxiliar no entendimento dos adeptos do candomblé.
3 CANDOMBLÉ E SUAS CARACTERÍSTICAS
Salvador é a terceira cidade mais populosa do Brasil com maior contingente negro
entre a população. Mais de 70% dos seus habitantes são afros descendentes e a
negritude se expressa através de sua forma de organização geográfica cultural e
social. Tal herança deu origem às religiões de matriz africana e se diferenciam por
nações, nos rituais e no vocabulários. (CEAO, ANO)
O candomblé é uma religião que tem seus cultos voltados para adoração a
divindades denominadas Orixás. Segundo Esteves (2006, p.104), o candomblé
trabalha principalmente com a força da natureza. Os deuses afros reagem ventos,
tempestades animais, plantas. Seus praticantes precisam de espaços para seus
cultos rituais, obrigações festividades e oferendas. Essas práticas no candomblé
requer o uso de materiais : alimentos, folhas, velas, sacrifício de animais, danças
que reverenciam as divindades. Por desconhecer esses significados ou por ser mal
compreendida, muitas pessoas rejeitam a religião.
Trazidos de diversas regiões da África, cada uma com suas crenças hábitos e
costumes, os negros foram separados de suas famílias e amigos e tiveram que se
aliar até mesmo a seus inimigos. Por ter uma presença significativa da quantidade
de escravos que chegaram aqui na Bahia, das nações de origem yorubá, estes são
os contribuintes para a formação do candomblé. (VERGER, 1981)
9
Sabe-se que a cultura africana desde que desembarcou no Brasil sofreu intensa
repressão, assim os negros, por sua vez, escravizados foram recriminados e
excluídos.
A cultura diferente foi uma dos motivos que motivou está exclusão. Assim, a religião
é uma das grandes causas dessa discriminação.
Hoje as religiões estão passando por muitas mudanças, uma dessas mudanças são
as perdas ou aumento de adeptos, no candomblé são visíveis algumas mudanças.
Segundo Botelho (2006), o candomblé é uma religião monoteísta, sendo Olodumaré
o Deus supremo, criador do universo, tendo os orixás como as divindades que lhe
auxiliam no grande projeto da perpetuação da humanidade. Logo dentro do sistema
religioso desta crença, cada divindade tem seu atributo ou missão para que possam
auxiliar na caminhada da humanidade. São eles: Exu, senhor da comunicação;
Ogum, senhor dos caminhos e do progresso (abre caminhos para evolução da
humanidade); Oxossi, o grande caçador (beneficiam aqueles que lhe cultuam com
prosperidade); Ossaim, senhor das folhas (permite aos seus filhos de santo
manejarem a sabedoria das plantas para fortalecer seus corpos e espíritos); Omolu,
dono da terra (exerce influência sobre a saúde das pessoas, controla as pestes e
epidemias); Xangô divindade dos raios e trovões (com sua opulência justiceira,
legisla em favor dos mais ou menos afortunados); Iansã (divindade guerreira dos
ventos e das tempestades, cumpre também a missão de encaminhar os espíritos
desencarnados ao orum (céu); Yemanjá (alimenta seus filhos com os seios fartos
reinando na vastidão das águas do mar); Nanã mãe ancestral (indica a energia
daqueles que acumulam experiência pelos anos vividos); Oxum, senhora da
fertilidade (distribui riquezas e prosperidade) e Oxalá senhor da paz (orixá da paz e
do equilíbrio).
Uma das principais manifestações culturais do negro africano, o candomblé foi
durante muito tempo perseguido pelo poder dominante, que chegou a proibir suas
práticas, sendo vistas como feitiçaria. A falta de liberdade de culto vigorou até 1976,
mas ainda hoje os locais de culto sofrem invasões e outras manifestações
discriminatórias, o que demonstra a intolerância das pessoas no que diz respeito à
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religião que não é aceita pela maioria, além de ser oriunda de uma classe
desfavorecida (ESTEVES, 2006.P, 105)
O preconceito que se disseminou ao longo do tempo com relação ao Candomblé fez
com que os próprios adeptos da religião se envergonhassem de assumir sua crença
em público, por receio de serem alvo de críticas. Dessa forma, muitas pessoas não
se assumem do Candomblé, declarando ser católicas e mascarando a religião.
Essa concepção pode ser percebida nos resultados do censo demográfico de 2000,
que contabilizou 11.959 adeptos da religião de origem africana, representando
0,48% da população da capital. Este número é incompatível com o mapeamento dos
terreiros de Salvador, concluído em 2007, que encontrou 1.165 casas voltadas para
o culto na cidade, número maior do que de igrejas católicas. Há um consenso entre
especialistas que o resultado da pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE) retratam uma população que não se sente confortável em se
declarar simpatizante do candomblé. (MORAES, 2007)
Trazido como imigrantes forçados e, mais do que isto, como escravos, o negro
africano veio para o Brasil, segundo Renato Ortiz: “... transbordavam as fronteiras
dos povos expandindo-se para além dos seus locais de origem". (Ortiz, 1994, p.35 )
E a medida que os africanos se integraram à sociedade brasileira, trouxeram
consigo contribuições para formação da sociedade brasileira, com suas culturas,
transformando o país em um território negro e mestiço.
Essas misturas estão mais presentes do que se pode perceber a um primeiro olhar,
mesmo que este já mostre uma quantidade importante de construções africanas em
formação (Souza, 2005 p.132)
A influência africana no meio é bem evidente. Uma das contribuições africanas bem
marcantes está na religiosidade. O novo significado atribuído às origens africanas dá
lugar a uma verdadeira transformação no estilo de vida dos fiéis, as roupas coloridas
os adereços começam a fazer parte do estilo de vida dentro dos terreiros de
candomblés.
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No Brasil, as religiões africanas foram transformadas, ritos e crenças de alguns
povos se misturam com os de outros e, com os dos portugueses, mas nesses
processos muitas características africanas foram mantidas. (MARIA, 2005, p.132).
Através da religiosidade, têm-se a influencia da música, principalmente pelos
instrumentos.
A música de influência africana, na qual o tambor geralmente é o instrumento mais
importante, também é fundamental em muitas outras ocasiões de festas e dança. Ao
lado do tambor, outros instrumentos como o berimbau, o agogô e o reco-reco, se
juntaram aos de origem lusitanas como o pandeiro, a viola e a rabeca, e são
utilizados em grandes variedades de danças e festas. Nas congadas, maracatus,
capoeira e reisados os ritmos africanos estão na base da música tocada. (SOUZA,
2005, p.134)
Se passar dos ritos religiosos, das músicas e danças, é possível ver também a
influência africana na culinária brasileira.
Algumas raízes e frutas existentes no país também vieram com os africanos, a
exemplo do inhame e banana. (SOUSA, 2005, p.135)
Na arte africana, assim como as existentes hoje aqui no Brasil, as pessoas são
retratadas nas formas de esculturas, volumes, desenhos, cores. Sobre isso, Maria
Mello afirma : “os artesões e especialistas trouxeram não só a técnica, mas também
seus padrões estéticos presente nas formas, na decoração”. (SOUSA, 2005, p.136)
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com base nas informações que o projeto vai colher, pode-se perceber que o
candomblé é uma religião rica em cultura, não sendo muito divulgada para o
conhecimento das pessoas, já que a mesma teve um marco forte no Brasil. As
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informações acolhidas sobre o tema serão feitas em Salvador - Ba e Lauro de
Freitas - BA.
Através das informações colhidas e da coleta de dados e entrevistas, será possível
entender as causas de diminuição ou aumento dos adeptos do candomblé na cidade
de Salvador e Lauro de Freitas.
REFERÊNCIAS
ALVES, Aristides. A casa dos olhos do tempo que fala da nação Angolão
Paquetan. Disponível em: <http://biblioteca.palmares.gov.br/index.html>. Acesso
em: 7 novembro 2012.
CASTILHO, SANTOS, TAVARES. O imaginário do candomblé em salvador.
Lauro de Freitas/BA.
IBGE. Discriminação. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/ibgeteen/datas/discrimi
nacao/ontemhoje.html>. Acesso em: 4 novembro 2012.
SANTOS, Jéssica. Projeto experimental em vídeo PT CAMAÇARI. Lauro de
Freitas/BA.
TRAQUINA, Teoria do jornalismo. Florianópolis-SC: Isular, 2005.
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COMUNICAÇÃO COMUNITÁRIA UMA REALIDADE PRESENTE
EM SALVADOR
Camila Efraim
[email protected]
Curso de Jornalismo da Unibahia
Resumo:
O trabalho tem por objetivo apresentar à academia e sociedade civil o trabalho de jovens de periferias
de Salvador, que estão produzindo comunicação alternativa em suas comunidades. Iniciar a
discursão sobre essas experiências, ainda que de modo discreto, tendo em vista que há muito a se
descobrir, aprender e compartilhar com essas iniciativas. Traz um pouco do que é comunicação
comunitária, a que se propõe e conceito de comunidade.
Palavras-chave: Mídia alternativa; Comunicação comunitária; Periferia e Comunidade.
Abstract:
The work aims to present the academia and civil society in the work of young outskirts of Salvador,
who are producing alternative communication in their communities. Start discursão about these
experiences, albeit discreet, considering that there is much to discover, learn and share with these
initiatives. Bring a little of what is community communication, it proposes and concept of community.
Keywords: Alternative Media, Communication Community; Periphery and Community.
1 INTRODUÇÃO
Oscilando entre momentos de glórias e crises, o jornalismo tem função importante
para sociedade, não sendo diferente no Brasil, construindo e ou desconstruindo e
registrando os cenários nacionais político-sociais. Influenciando na dinâmica social,
conforme estabelece a ‘Teoria do Agendamento’ ou ‘Agenda Seeting’, o jornalismo
ocupa função social importante, porém é pouco reconhecida pela maior parcela da
sociedade.
O campo de atuação do profissional de jornalismo é amplo, atuando nos veículos de
comunicação TV, rádio, impresso além da plataforma digital internet que converge
todos a outros veículos de comunicação, além das assessorias de imprensa
especializadas E mídia training. O comunicólogo habilitado em jornalismo no uso e
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domínio de técnicas e da linguagem tem por função social informar a sociedade, ser
a ponte entre o governo, empresa, ong’s, e a sociedade civil.
Para iniciar a contextualização sobre comunicação comunitária, assunto a ser
analisado posteriormente, é importante dispor o que a constituição diz sobre
comunicação social e suas atribuições no Art. 5º. Em seu segundo parágrafo, a
constituição, diz que: “os meios de comunicação social não podem, direta ou
indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio”. (BRASIL, 1988). No entanto,
entre o que rege a Lei e o que é praticado há uma larga discrepância, em virtude de
a mídia ser pensada, centralizada, controlada e disseminada por poucos e, para
muitos, esse denominados ‘poucos’, composto por famílias influentes, é um número
ínfimo relacionado a densidade e diversificação populacional no Brasil, assim sendo
o que é veiculado é uma representação de um mínimo estrato da sociedade,
constituindo o que pode ser denominado como ditadura da informação.
O Brasil está em franco crescimento, pois segundo dados do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI), o país é a
7° economia mundial, todavia ainda permanece ocupando 88ª posição em educação
em um ranking de 128 países produzido pela Organização das Nações Unidas à
Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
Os dados acima refletem no Índice de Desenvolvimento Humano, que por sua vez
no índice de violência, principalmente nas periferias do Brasil, grande parte foco de
tráfico de drogas.
Recentemente, ecoa no Brasil a necessidade em relação à democratização
midiática, por uma comunicação de melhor acesso para os cidadãos e
representação de todos brasileiros negros, nordestinos, sertanejos, índios, mulheres
etc., sem qualquer referência a nenhum estereótipo ou preconceito. Os jovens são
as principais vítimas das mídias tradicionais que, especialmente nos programas
policialescos, têm seus direitos violados e sua identidade exposta como em uma
vitrine de horror, assim as comunidades de subúrbio é vulnerabilizada perante a
sociedade já que a mídia tem o poder de construir ou desconstruir.
Segundo OTRE (2006, pág. 2),
15
A comunicação popular-participativa surge no
meio do povo, comprometida com uma causa e
rompendo com a grande mídia, não em oposição
ou antagonismo, mas revelando um segundo olhar
sobre a mesma ótica (cultural, social, política e
econômica) em que o receptor está inserido.
(OTRE, 2006, pág. 2).
Segundo Cecília Peruzo (2009), a comunicação comunitária era vista apenas como
meio de expressão popular até os anos noventa, “aos poucos vem agregada a
noção de acesso aos mesmos como um direito a cidadania”. Pouco a pouco, surgem
veículos alternativos de comunicação em todo país. Em Salvador, recentes, mas
com trabalho sólido e de importância para suas comunidades, o ‘Nordeste, Eu Sou’
e o ‘Mídia Periférica’, localizados respectivamente, nos bairros Nordeste de
Amaralina e Sussuarana.
Nesse contexto, a comunicação comunitária exerce função elementar no processo
democrático.
O site ‘Nordeste, eu Sou’ está inserido na comunidade denominada por Complexo
do Nordeste de Amaralina, composta pelos bairros Santa Cruz, Chapada do Rio
Vermelho, Nordeste e Vale das Pedrinhas. Esses bairros somam aproximadamente
200 mil habitantes.
O site foi produzido e é alimentado por jovens da própria comunidade sobre esporte,
educação, entretenimento, cobertura de atividades e notícias factuais da vida no
Complexo do Nordeste de Amaralina. Com pouco mais de um ano de existência, o
trabalho desenvolvido pelos 17 jovens residentes do bairro, repercute de forma
positiva no complexo, que enxerga no site, sua identidade local, sem exageros ou
mesmo sensacionalismo midiático.
Com anseio de mostrar sua comunidade para além da violência noticiada nas
mídias, três jovens do bairro de Sussuarana começaram a produzir vídeos, fotos da
vida cotidiana local.
16
Assim, surgiu o ‘Mídia Periférica’, o grupo que há dois anos, na contra-mão da mídia,
desenvolve trabalhos como os ‘Postais das Periferias’, recentemente lançado nas
mídias socias, ressaltando a beleza das comunidades. Assim, ganhou destaque até
mesmo na mídias tradicionais. A área denominada por Grande Sussuarana é
composta pelos bairros Nova Sussuarana, Novo Horizonte e Sussuarana. Os bairros
somam em torno de 110 mil habitantes.
A comunicação é inerente ao homem e ao processo civilizatório, assim sendo
necessária para todos, sem qualquer distinção de nivelamento sócio econômico.
Cabe à academia de comunicação erguer a bandeira para discussão, incentivar e
evidenciar tais iniciativas, como do ‘Mídia Periférica’ e ‘Nordeste, eu Sou’.
O trabalho justifica-se pela necessidade de compreender e discutir um pouco mais
sobre comunicação comunitária ou jornalismo comunitário, ferramenta interessante
para emaciação social de uma comunidade, trazendo ao conhecimento os estudos
de caso.
A problemática do trabalho baseia-se no seguinte questionamento: Como se
desenvolve comunicação comunitária nas zonas periféricas de Salvador, bem como
quais são as dificuldades encontradas durante o processo?
Hipoteticamente, pode-se considerar que os grupos de comunicação comunitária
são elementos de identificação dentro da comunidade; propulsores de consciência
coletiva afirmativa e valorativa do bairro; fomentador de educação, esporte, cultura e
socialização.
O artigo tem por objetivo central trazer a discussão para dentro da academia e
sociedade civil sobre o trabalho de jovens da periferia de Salvador, onde produzem
comunicação alternativa em suas comunidades. Especificamente os objetivos são:
Pesquisar qual a recepção por parte da comunidade; quais benefícios esses projetos
agregam aos jovens envolvidos; que relevância traz à comunidade em que atua e
que contribuições são geradas para a democratização midiática local.
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A metodologia a ser utilizada, será por meio de levantamento bibliográfico sobre o
tema abordado, pesquisas qualitativas e depoimentos nos bairros mencionados.
2 BREVE HISTÓRIA DO JORNALISMO NO BRASIL:
CONTRIBUIÇÕES PARA DEMOCRACIA
Um invento que pode ser considerado a gênese do jornalismo é surgimento da
tipografia. Ainda na Era Cristã, século XV, o ourives alemão Johan Gutenberg,
(antes de Gutenberg, coreanos e chineses já haviam feito o experimento em tipos
móveis, mas ainda sem a prensa) que viria a revolucionar a forma de comunicação
entre as pessoas e por consequência às relações sócio cultural, econômicas e
políticas da Europa que posteriormente influenciariam na formação de outras
sociedades, segundo Prof° Dr. Luís Henrique Marques (2009).
Segundo o teórico Nilson Lage, “os exemplares mais antigos de jornais que se
conhecem foram publicados na Alemanha em 1609 e, embora não contenham
indicações sobre a cidade, provavelmente saíram de uma oficina de Bremen”. Os
jornais datados dessa época traziam em seu bojo ideais burguesas, muito deles
desapareceram, e poucos eram assinados demonstrando que a publicação dos
mesmo era um terreno arriscado.
O jornalismo, antes de tudo, deve ser compreendido como uma prática de relevância
social. É dentro da sociedade, onde exerce sua função social, que o jornalista
encontra sua matéria prima, os fatos que dão origem as notícias e reportagens.
A imprensa brasileira, considerada tardia já que foi um dos últimos países a ter o
funcionamento da imprensa, há fatores internos e externos que explicam a ausência
da imprensa no período colonial, como o analfabetismo massivo, povoamentos não
concentrados e principalmente a falta de interesse da Coroa de Portugal na
circulação de informações no formato imprenso. Esse retardamento implicou no
processo emancipação política do Brasil, escreveu José Marques de Melo.
18
No Brasil, o jornalismo esteve presente em momentos decisivos da história, desde o
inicio da colonização portuguesa em terras brasileiras. No artigo ‘O nascimento do
jornalismo no Brasil’, Romero Antonio traz os seguintes dados históricos sobre a
imprensa no Brasil. Considero como marco inicial da comunicação social no Brasil, o
dia primeiro de junho de 1801, data que começou a circular o primeiro jornal nãooficial O ‘Correio Brasiliense’, construído e editado em Londres por Hipólito José da
Costa Pereira Furtado de Mendonça, periódico registrava severas críticas ao
governo vigente na época. Após a chegada da Família Real, surgiram jornais nas
províncias da Bahia, Maranhão, São Pulo e Pernambuco. De lá até os dias atuais,
são inúmeros os veículos de comunicação e várias plataformas, impresso, TV, rádio
e internet que compõe o jornalismo no país.
Na Bahia, o jornalismo já comemora o bicentenário. O primeiro jornal impresso a
circular foi Idade d’Ouro do Brazil, embrião da imprensa baiana, o periódico foi
fundado em 14 de maio de 1811 e dirigido por Manuel Antonio da Silva Serva,
também conhecido como Gazzeta da Bahia, o jornal circulou a até junho de 1823. A
comunicação, especificamente o jornalismo tem grande influência nos processos
cívicos, pautando-se a política principalmente.
Em sociedades modernas, não existe democracia
sem um jornalismo capaz de agir livremente para
informar e investigar os erros, abusos e excessos
do poder público e do poder econômico. Sem
dúvida, um jornalismo totalmente livre e aberto à
diversidade de opiniões é um ideal que nunca se
concretiza totalmente. Mas é um ideal que deve
guiar os esforços de regulação. (SORJ, 2011, p.
8).
Bernardo Sorj é preciso no que tange a relevância da função jornalística para
sociedade. Esses esforços referem-se à democratização midiática e é urgente no
país, uma vez que oligopolizada, serve de mola motriz de manipulação, servindo os
interesses exclusivos de seus mantenedores.
Ainda no contexto político, destaca-se o período sombrio da nação, a ditadura
militar, década de 60. Nesse período, muitos jornalistas foram represados,
torturados e até mesmo mortos. A ordem era para curvar-se a orientações dos
militares, caso contrário a represália era certa, redações foram destruídas nesse
19
período. Segundo escreveu Virgínia Lencastre, os jornais alternativos foram
surgindo diante da urgência de noticiar o que ocorria, denunciando os abusos e
violação dos direitos humanos.
“O “Pif-Paf” foi o pioneiro, em 1964. Logo em seguida vieram o “Folha da Semana”,
“Bondinho”, O Sol”, “Em Tempo”, “Coojornal”, “Opinião”, “Movimento”, “Versus”, “Ex”,
“De Fato”, “Repórter”, e o famoso “Pasquim”, todos os jornais que não obedeciam as
‘regras da casa’ eram perseguidos pelos governantes da época.
O caso de maior destaque foi do jornalista, então chefe da TV Cultura, Vladimir
Hezorg, que 25 de outubro 1975 foi torturado e assassinado pelos militares, nas
dependências 2º Exército – SP (DOI-Codi), durante um interrogatório, comum na
época. Recentemente, a ‘Comissão da Verdade’, reconheceu o legitimo motivo que
decorreu a morte de Herzog, sua certidão de óbito será alterada, pois até então, a
causa de morte que conta na certidão é o suicídio.
Faz-se necessário contemplar esse assunto de modo sucinto para permitir
brevemente observar-se quão imprescindível é a atuação social de um jornalista
pelo direito ao exercício a comunicação social plena.
Segundo o relatório anual parcial do Instituto Internacional de Imprensa (IPI), até o
momento (novembro de 2012) já são 110 jornalistas mortos em todo mundo. Ainda
hoje, tanto em países ditos democráticos como em regimes totalitários jornalistas
desaparecem são ameaçados, torturados e mortos durante o exercício de sua
profissão, ou mesmo apenas por serem jornalistas.
3 COMUNICAÇÃO COMUNITÁRIA
Para iniciar à abordagem do assunto, faz-se necessário trazer a luz, duas
importantes questões para melhor compreensão do assunto e apresentação para
aqueles que desconhecem a temática, são eles: conceito de comunidade e o que a
legislação brasileira diz sobre comunicação comunitária.
20
A primeira questão, conceito de comunidade, é bastante ampla. Existem inúmeros
conceitos que perpassam pelas Ciências da Biologia, Geografia e Sociologia. O
termo comunidade, utilmente vem sendo utilizado para se referir tanto ao pequeno
lugarejo, bairro, quarteirão, ou ainda comunidade brasileira, médica, científica, latinoamericana ou até mesmo mundial. Esta amplitude no emprego do termo
comunidade causa um pouco dubiedade na construção de ideia coletiva do que é
comunicação comunitária. Em todas as definições, Hillary (1950), notou que havia
três pontos em comum nas quase 90 definições estudas por ele, são elas: relações
e laços comuns, partilha do espaço físico e interação social. De acordo com
dicionário Aurélio, comunidade é 01. Qualidade ou estado do que é comum;
comunhão. Há entre eles comunidade de interesses.
02. Concordância,
conformidade, identidade; comunidade de sentimentos. 03. Posse, obrigação ou
direito em comum.
O segundo aspecto a ser observado é o que diz a Constituição Federal. A Lei 9.612,
de 19 de fevereiro de 1998: Lei que institui o serviço de radiodifusão comunitária:
“Denomina-se Serviço de Radiodifusão Comunitária a radiodifusão sonora, em
frequência modulada, operada em baixa potência e cobertura restrita, outorgada a
fundações e associações comunitárias, sem fins lucrativos, com sede na localidade
de prestação do serviço”.
Há discussões em torno da funcionalidade da lei em vigor, já que existe bastante
burocracia na legitimação e reconhecimento das rádios comunitárias. Não há leis
específicas que falem a despeito de sites, blogs ou tevês comunitárias. A existência
de tevês é algo raro devido ao custo elevado de manutenção desse veículo, os
impressos ainda circulam, mas muitos deles já caíram na publicidade e perderam a
característica da comunicação comunitária. Já os sites e blogs estão em alta,
surgindo e se modernizando a todo o momento, por ser de baixo custo e está
acessível à maioria das comunidades urbanas. É válido ressaltar que os blogs e
sites estão presentes nas comunidades urbanas e atingem com maior alcance a um
público específico, os jovens, o analfabetismo e falta conhecimento das novas
ferramentas, informática e internet é presente entre os mais velhos dentro das
comunidades, resultado um distanciamento por parte dos mais velhos as novas
21
tecnologias. E no caso de comunidades de vulnerabilidade social, a questão
econômica também é um empecilho para massificação das ferramentas.
Segundo o TRE, no Brasil e na América latina, a comunicação comunitária e popular
teve maior repercussão nas décadas de 70 e 80, no entanto suas raízes foram
registradas em 1930. Tal comunicação está ligada aos grupos populares ligados aos
grupos marginalizados e a transformação social, contexto político, econômico e
social, característico ao continente.
FESTA faz uma análise bastante contundente sobre a comunicação popular no
Brasil. “No nosso entender, a comunicação popular no Brasil nasce efetivamente a
partir dos movimentos sociais, mas, sobretudo da emergência do movimento
operário e sindical, tanto na cidade como no campo”.
Comunicação popular, comunicação comunitária, jornalismo comunitário são várias
denominações para caracterizar a comunicação em comunidade. No entanto, devese observar as diferenças, apesar desses conceitos serem sinônimo. Mário Kaplún
(1985) entende por comunicação comunitária “uma comunicação libertadora,
transformadora, que tem o povo como gerador e protagonista”. Para ser classificada
como tal, deve atender alguns requisitos, muitos baseados no que diz a Lei 9.612.
Além de ser elaborada dentro da comunidade, exige que tenha a identidade da
comunidade a que pertence, incentivar a cultura local, ser elemento politizador,
fomentar ações sociais e não pode ter vínculo de publicidade ou qualquer outra ação
com fins lucrativos ou de interesse particular de cidadão ou grupo especifico da
comunidade. Como essas características, afunila-se e diminuem o número de
veículos de comunicação comunitária no Brasil.
Sobre a comunicação comunitária no país, Marques de Melo traz a discussão, os
embargos e dificuldades encontrados para desenvolvimento da comunicação
alternativa. Esses entraves resvalam-se no escopo sociocultural, o analfabetismo
crônico, aqui já citado, o autoritarismo político ainda presente e que constantemente
tem sido o principal um dos principais empecilhos para a mobilização política dos
cidadãos concentração de renda e de meios de comunicação de massa e também
22
cita o consumo excessivo de produtos industrializados, inclusive de mercadorias
culturais.
Os fatores acima citados geram a falta de vida comunitária, dificultando o exercício
da comunicação comunitária. Essa ausência Marques de Melo denominou como
incomunicação, que resulta numa sociedade propensa as influências da elite. O
governo deveria ser um incentivador da comunicação comunitária, faz justamente ao
contrario adota medidas que só beneficia a grande imprensa, deixado à margem os
veículos ligados a movimentos sociais de transformação local.
Precisamos de meios capazes de romper a
atmosfera compacta da incomunicação, produzida
por jornais, rádios, e têves. Esses folhetos,
pequenos jornais ou comunicados, só chegam a
verdadeira comunicação, caso se tornem
convivais. Caso provoquem o convívio. (...), se
chegaram a tocar pontos de interesse vital e
comunitário. Se colocaram o homem no centro de
suas comunicações (...). (ARNS apud Melo, 2006,
p.133).
Tradicionalmente, a mídia elitista não abre espaço para assuntos de relevância
social, sendo ela de maior alcance em a todas as esferas sociais, os trabalhos
comunitários de comunicação não são noticiados e assim pouco conhecido ou
lembrado pela sociedade.
Há pouca discussão e interesse no Brasil sobre comunicação comunitária
especificamente a popular, por parte dos profissionais de mercado por não encontrar
um retorno financeiro atrativo, também nota-se não ser muito diferente dentro das
academias, são poucos os debates e linhas de pesquisa no campo. No entanto, é
importante salientar que existe comunicação comunitária no país, e a comunicação
social enquanto ciência deve atentar-se a atuação, progresso e perspectivas do
setor.
Alavancando e trazendo oxigênio às discussões em trono do tema, recentemente
em fevereiro de 2012, foi lançado durante o I Encontro Nacional do Direito à
Comunicação o Observatório da Comunicação Comunitária. Essa iniciativa da
criação da plataforma vai dar visibilidade aos assuntos, burocracia, resultados e tudo
23
que envolva a comunicação comunitária e informar e esclarecer a sociedade sobre
as funções e necessidades desses trabalhos, além de valorizá-los.
4 COMUNICAÇÃO COMUNITÁRIA EM BAIRROS PERIFÉRICOS DE
SALVADOR: NORDESTE, EU SOU E MÍDIA PERIFÉRICA
Nesse capitulo pretende-se apresentar de modo sucinto, a comunidade acadêmica de
duas experiências de comunicação comunitária na cidade de Salvador-Bahia: Mídia
Periférica no bairro de Sussuarana e Nordeste, eu Sou no Complexo de Amaralina.
A primeira capital do Brasil, fundada em 1549, conhecida por todo mundo por sua
cultura, gastronomia, arquitetura, beleza das praias e alegria de seus habitantes.
Salvador. Segundo dados do censo 20110/IBGE¹ a cidade é a mais populosa do
Nordeste e a terceira do Brasil. Compondo Salvador estão os bairros onde residem as
experiências de comunicação comunitária, objetos da observação.
Conhecido como Complexo do Nordeste de Amaralina, o conjunto habitacional
composta pelos bairros Santa Cruz, Chapada do Rio Vermelho, Nordeste e Vale das
Pedrinhas, juntos somam aproximadamente 200 mil habitantes. A ocupação do bairro
iniciou-se há mais de cem anos desenvolvendo-se, sem planejamento, e torna-se um
bairro muito populoso. A maior parte da população é composta por negros, essa
característica é fator preponderante, infelizmente quando o assunto é discriminação e
marginalização social.
Da carência de algo que representa a identidade local, que falasse sobre os problemas
e necessidades locais, jovens da comunidade, cada um com suas habilidades mas o
desejo em comum de estabelecer um elo de comunicação interativa com comunidade,
fundaram em seis de agosto de 2011 o portal de notícias Nordeste, eu Sou. No portal
encontra-se conteúdo de educação, esporte, lazer, entretenimento, cobertura de
atividades e notícias factuais da vida no Complexo do Nordeste de Amaralina.
Atualmente o trabalho é desenvolvido por 17 jovens, Maria Gabriella Araújo do
Sacramento, uma dos jovens que colaboram com o portal, e fala sobre a repercussão:
“toda comunidade tem recebido nosso trabalho de forma positiva, bem mais do que
24
esperávamos. Conquistamos o respeito de todos, porque priorizamos sempre o
respeito à nossa comunidade, e suas características”, disse Sacramento. Atuante não
só na rede, o portal de notícias promove ações de interesse social; trazendo postos do
SAC, informações sobre saúde da mulher, aferição de pressão entre outros serviços.
Em outro endereço de Salvador, no bairro de Sussuarana, jovens com a interpretação
do próprio povo local. Começam a registrar o cotidiano das pessoas que ali vivem, e de
modo discreto, mas com muita identidade iniciam as atividades de comunicação
comunitária, é nascimento do Mídia Periférica.
Sussuarana, característica da maioria dos bairros populares, (se não todos no caso de
salvador), a grande representatividade da população negra, desvalorizada e
discriminada pelo estado, pela mídia, e por vezes pelos próprios negros, aqueles que
absorveram exatamente o que a mídia põe na prateleira. O trabalho desenvolvido pelo
Mídia Periférica, tem um diferencial de outros trabalhos de comunicação comunitária,
há uma interlocução com outros bairros periféricos da grande Salvador, o exemplo dos
Postais da Periferia, com a ideia de mostra a beleza das comunidades de Salvador,
logo virou febre, muitas foram a imagens enviadas de comunidades distintas, essa
atividade foi destaque na imprensa baiana. Uma outra atividade o dialogo “Jovens de
Periferia nos Meios de Comunicação”, o Mídia Periférica, Nordeste eu Sou, e o Voz da
Comunidade, Rio de Janeiro e outros jovens para compartilhar dessa experiências.
Exercitar o direito a comunicação, diga-se de passagem, incomum aos não elitizados
mesmo sendo um direito de todos, para além da mídia sensacionalista que utilizam as
periferias para cenários de terror, multiplicando a ideia deturpada do que é, e de quem
vive nas comunidades.
REFERENCIAS
Blog, Mídia Periférica. Disponível em: http://midiaperiferica.blogspot.com.br/>. Acesso
em 20 outubro 2012.
Constituição Federal. Capítulo V - Da comunicação social (art. 220 a 224).
Disponível
em:
<http://alerjln1.alerj.rj.gov.br/constfed.nsf/16adba33b2e5149e
25
032568f60071600f/867c0b7d461bdcb50325656200704c11?OpenDocument.>
em: 5 novembro 2012.
Acesso
Fórum de Desenvolvimento Comunitário. Conceito de comunidade. Disponível em:
<http://apedc.livreforum.com/t12-conceito-de-comunidade>. Acesso em: 11 novembro
2012.
Melo, José Marques de. Teoria do Jornalismo: identidades brasileiras/José
Marques de Melo. São Paulo: Paulus, 2006.
PERUZZO, Cecilia; KROLHING, Maria. Direito a comunicação, participação popular
e cidadania. Disponível em: <http://www.portalgens.com.br/comcom/direito_a_comcom
.pdf>. Acesso em: 1 novembro 2012.
__________________. Aproximações entre a comunicação popular e comunitária
e a imprensa alternativa no 131 Brasil na era do ciberespaço. Revista Galáxia, São
Paulo, n. 17, p. 131-146, jun. 2009. Disponível em: <http://revistas.pucsp.br/
index.php/galaxia/article/view/2108/1247>. Acesso em 18 novembro 2012.
__________________. Revisitando os conceitos de comunicação popular,
alternativa e comunitária/Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos
Interdisciplinares da Comunicação XXIX Congresso Brasileiro de Ciências da
Comunicação – UnB – 6 a 9 de setembro de 2006. Disponível em:
<http://www.unifra.br /professores/rosana/Cicilia+Peruzzo+.pdf>. Acesso em: 28
outubro 2012.
PIB Mundial. Infográficos. Disponível em: <http://www.terra.com.br/economia/infogra
ficos/pib-mundial/>. Acesso em: 5 novembro 2012.
Portal de notícias, Nordeste eu Sou. Disponível em: <http://www.nordesteusou.com.br/
>. Acesso em: 20 outubro 2012.
SORJ, Bernardo. Meios de comunicação e democracia: para além do confronto
entre governos e empresas. Documento n° 20, julho de 2011. Disponível em:
<http://www.bernardosorj.com.br/Novidades/SORJ_Meios_de_comunicacao_e_democr
acia.pdf_10_11_2011_16_10_56.pdf.> Acesso em 09 de novembro de 2012.
26
DOCUMENTÁRIO:
O QUE É LIXO PARA ALGUNS É FONTE DE SUBSISTÊNCIA PARA
OUTROS
Caile Melloni
[email protected]
Curso de Jornalismo da Unibahia
Juliana Souza Ribeiro
[email protected]
Curso de Jornalismo da Unibahia
Resumo:
O lixo é, para muitos uma fonte de renda. Abordar este tema através de um documentário é o objetivo
deste trabalho que busca conscientizar a sociedade para a realidade vivida por muitos brasileiros.
Para isso, é trabalhada a questão do jornalismo e sua história. Em seguida, aborda-se o
documentário como instrumento para narrar fatos. Depois, trabalha-se o lixo como meio de
sobrevivência de diversos cidadãos brasileiros.
Palavras-chaves: Jornalismo; Documentário, Lixo e Sobrevivência.
Abstract:
The garbage is for many a source of income. Address this issue through a documentary is the
objective of this work that seeks to educate the society to the reality experienced by many Brazilians.
For this, the question is crafted of journalism and its history. Then we discuss the documentary as a
tool to narrate facts. Then work up the garbage as a means of survival for many citizens.
Keywords: Journalism, Documentary, Trash and Survival.
1 INTRODUÇÃO
Este trabalho tem como finalidade mostrar através de um documentário como é o dia
a dia das pessoas que sobrevivem do lixo na cidade de Salvador. Ao longo dos
anos, o lixo passou a ser uma questão de interesse global e os problemas são os
mesmos de um lado a outro do planeta.
27
O destino do lixo e seu acondicionamento inadequado têm trazido graves problemas
a todas as nações. Lixo é todo e qualquer resíduo resultante das atividades diárias
do homem em sociedade. O lixão representa o que há de mais primitivo em termos
de disposição final de resíduos, todo o lixo coletado é transportado para um local
afastado e descarregado diretamente no solo, sem tratamento algum. E é nesse
ambiente que existem muitas pessoas que buscam algo para sua sobrevivência.
(FOLHA DE SÃO PAULO, 2001).
A cada ano aumenta mais ainda o número de pessoas que utilizam do lixo seu
trabalho e seu sustento, é muito grande o número de pessoas que sem qualquer tipo
de trabalho acabam tendo que tirar todo o seu alimento dos lixões e aterros
sanitários. O interesse pelo tema “O que é lixo para alguns é fonte de subsistência
para outros”, surgiu a partir de pensamentos de como poderia uma pessoa
sobreviver através do nosso lixo. Quando jogamos as sobras de comida fora nem
imaginamos que há várias pessoas esperando ansiosamente por elas.
Entretanto, além de todos os problemas que o lixo pode provocar para ser o vivo,
pode trazer grandes rendimentos de invenções criadas com a ajuda dos materiais
recicláveis, como garrafas pet, papelões, etc., usando a criatividade juntando talvez
com a necessidade dê para tirar grandes benefícios do lixo.
O objetivo geral deste trabalho é mostrar um pouco da realidade das pessoas que
vivem dos resíduos orgânicos na cidade de salvador. Seu conteúdo é extremamente
social e tenta através de um documentário, expor a vida dessas pessoas. Onde se
deve analisar o papel da cidade de Salvador, o destino dado a todo lixo produzido no
município e enfocar a situação das pessoas que sobrevivem no lixão de Salvador.
Esta pesquisa está fundamentada em textos pesquisados na internet, livros, artigos,
pesquisa de campo e documentários. O aspecto do lixo será tratado de forma mais
profunda, uma vez que não se reduzirá a práticas de somente separá-lo, sem
questionar o porquê daquilo nem o seu destino.
O lixo urbano é um grave problema que afeta a qualidade de vida de bilhões de
pessoas no mundo, desde a produção até o destino final.
28
O jornalismo tem um papel fundamental neste quesito, pois pode mostrar para a
sociedade que o mundo está cheio de pessoas vivendo nessas condições. O
jornalismo no Brasil foi criado em 1808, após a vinda da família real portuguesa para
o nosso país. Ele tem a finalidade de transmitir tudo o que acontece ao nosso redor,
ou seja, mostrar para a sociedade o que se passa no mundo. (ROMANCINI; LAGO,
2012)
O jornalismo é o desenvolvimento das publicações periódicas (jornais, diários e
revistas) no Brasil, do final do século XIX aos nossos dias. O primeiro jornal foi o
Correio Brasiliense de Hipólito José da Costa, editado em Londres e de linha
ideológica a favor da independência. A ele se seguiram A Gazeta do Rio de Janeiro,
O Patriota e outros também de circulação nacional.
O dia a dia da maioria dos catadores é pelas ruas da cidade vasculhando latas,
rasgando sacos e buscando um local onde possa haver desperdício de alimentos ou
material. Sua jornada de trabalho às vezes ultrapassa as oito horas diária. Veem
muitos catadores que saciam sua fome através dos restos de comida encontrados
no lixo.
Para muitos trata-se apenas de “desempregados”, que, em situação de pobreza,
recolhem lixo para sobreviver. Na verdade, essas pessoas estão inseridas, como
qualquer trabalhador, no setor produtivo da economia.
Essas pessoas que vivem de recolher os resíduos de grandes e pequenas
aglomerações prestam serviços dos mais relevantes para a sociedade. Ajudam da
reciclagem dos materiais, o que tem um valor ambiental reconhecido. Mas a mesma
sociedade que é beneficiada por esse tipo de trabalho ainda não dá a esses
trabalhadores o devido reconhecimento.
Será mostrado através de um documentário o cotidiano dessas pessoas, como é
sua rotina no lixão, o porquê deles estarem nessas condições, o que as levaram a
viver essa vida.
29
A pesquisa será realizada através de visitas a lixões na cidade de Salvador. A
introdução será realizada com entrevistas com os catadores de lixo, com pessoas
que moram perto desse ambiente. Será necessário a utilização de equipamentos
para gravar um documentário como uma câmara de filmagem e uma fotográfica
profissional.
O orçamento sairá em torno de R$ 200, por transporte, os materiais para a
entrevista com os personagens principais custará cerca de R$100. As máquinas
sairão por conta do jornal Camaçari Notícias.
Jornalismo é a procura e a divulgação de informações por meio de veículos de
comunicação, como jornais, revistas, rádio, TV e Internet. O jornalista é o
profissional da notícia. Ele investiga e divulga fatos e informações de interesse
público, redige e edita reportagens, entrevistas artigos, adaptando o tamanho, a
abordagem e a linguagem dos textos ao veículo e ao público a que se destinam.
Senso crítico, capacidade de expressão, domínio do português e de técnicas de
redação são fundamentais no exercício da profissão. Ele precisa dominar, também,
os softwares de edição de textos e de imagens. (ROMANCINI; LAGO, 2012)
O surgimento da imprensa e do jornalismo no Brasil ocorreu, tardiamente, apenas 14
anos antes da separação do Brasil de Portugal. Alguns dos fatores que levaram a
esse atraso são: o processo de colonização voltado para a produção de bens para
serem exportados, que impediu o desenvolvimento interno; a predominância da ação
ao analfabetismo e o atraso indígena em relação ao aprendizado do português; a
falta de urbanização; a falta de iniciativa estatal em relação ao processo colonização
do território; a posição periférica do Brasil diante do capitalismo mundial, já que sua
economia girava em torno da produção de bens agrícolas e a rigorosa censura por
parte de Portugal em relação à imprensa.
Com a chegada do príncipe regente, em 1808, o país sofreu significantes
transformações, entre elas, a abertura de portos, investimentos em economia e
urbanização, criação de museus, bibliotecas e escolas. Houve também a criação
Imprensa Régia (que durou 14 anos), caracterizada pela censura prévia do governo,
que zelava para que não fosse impresso nada contra a religião, o governo e os
30
bons costumes. Os primeiros jornais do país foram A Gazeta do Rio de Janeiro (de
chapa branca) e o Correio Braziliense, de caráter combativo. (ROMANCINI; LAGO,
2012)
Durante o período de pré-independência, os jornais, apesar de possuírem duração
efêmera, começaram a se multiplicar. Em um país, cuja sociedade era composta por
uma maioria de analfabetos, os jornais, que eram vendidos a preços baixos, eram de
grande circulação e popularidade, o que aumentava seu poder diante da esfera
pública. Após a revolução Constitucionalista de Portugal, em 1820, os jornais,
caracterizados por seu caráter opinativo, passaram a estabelecer um debate a
acerca das novas propostas de colonização do Brasil, despertando um sentimento
autonomista e nacionalista no povo. Sua influência sobre a opinião pública foi capaz
de interferir na ordem dos acontecimentos, que acabaram levando ao afastamento
de D. Pedro I.
Já durante no período de regências e do Segundo Reinado de D. Pedro, apesar de
não contar com a mesma estrutura de países desenvolvidos economicamente, os
jornais começam a se desenvolver gradualmente. Graças ao alastramento dos
prelos na primeira metade do século XIX, surgiram novas e diferentes publicações,
além de estimularem um maior profissionalismo. Além disso, desenvolve-se o
sistema de telégrafos e de correios. A imprensa passou a consolidar-se e no cenário
político dividia-se em três campos: os conservadores de direita; os liberais de direita
e os liberais de esquerda. Os “pasquins”, um tipo de publicação panfletária, crítica e
satírica existente desde o período de pré-indepência, ganham força e, aliados a
outros jornais, transmitiam novas ideologias à população, responsáveis por insuflar
as revoltas do período regencial, como a Cabanagem, a Sabinada, a Balaiada e a
Guerra dos Farrapos. (ROMANCINI; LAGO, 2012)
É durante as primeiras décadas do século XIX que ocorre o auge da imprensa
operária, a imprensa voltada para a classe proletária emergente. Ainda na década
de 30 surge o rádio, que junto aos jornais impressos passam a noticiar fatos como a
Segunda Guerra Mundial. Em 1950, surge a primeira emissora de TV. A partir da
revolução de 1930 e a ocupação da presidência pelo gaúcho Getúlio Vargas e suas
políticas de caráter populista inicia-se uma nova fase da história brasileira. Nesse
31
período, há um controle mais severo da imprensa, ao mesmo tempo em que ela
adquire mais força graças à industrialização e a melhoria das condições sociais, que
aumentaram o mercado consumidor.
A primeira influencia exercida pelo rádio no processo político brasileiro foi em 1932,
durante a revolução Constitucionalista, na qual apoiava a elite paulista em defesa da
reconstitucionalização do país. Predominavam no país duas ideologias políticas: os
Integralistas (que criaram a Ação Integralista Brasileira – ABI) e os Comunistas (que
criaram a Aliança Nacional Libertadora – ANL). Em 1935, uma tentativa malsucedida de golpe contra o governo federal por parte do Partido Comunista
Brasileiro (PCB) estimulou o autoritarismo. A imprensa passa a ser fortemente
censurada e são criados órgãos de repressão política. O país viveu em estado de
sítio até 1937.
Para noticiar a Segunda Guerra Mundial, surge em 1941 o programa de rádio
Repórter Esso, que durante seus 27 anos de duração obteve grande audiência. Com
o apoio do Brasil aos EUA durante a guerra, a autoridade do Estado Novo foi
ameaçada. Com isso, setores da sociedade e a imprensa uniram-se em prol da
redemocratização do país. Surge nesse período o repórter comunista Carlos
Lacerda, um dos piores inimigos políticos de Getúlio Vargas. Em 1945 são
anunciadas as eleições para a presidência. A partir daí, inicia-se um período de 18
anos de democracia, em que surgiram, inclusive, jornais de cunho comunista como o
“Hoje”, publicado em São Paulo. (ROMANCINI; LAGO, 2012)
Mesmo após a chegada do presidente Dutra ao poder, Getúlio ainda articulava seu
retorno à presidência. Esse fato é comprovado pela entrevista dada pelo político ao
jornalista Samuel Wainer, em 1949. A entrevista saiu em “O Jornal”, de Assis
Chateubriand e obteve grande repercussão. Em 1951 Vargas assume novamente o
poder, porém sem o apoio da imprensa.
O único jornal que apoiava o presidente era “A Última Hora” fundado por Wainer. O
restante da imprensa, influenciada pelas duras críticas expressas por Carlos
Lacerda, era claramente contra o governo. A própria TV Tupi foi usada como
instrumento de ataque ao presidente. Apesar do desenvolvimento, a censura à
32
imprensa era evidente. Surge então a imprensa alternativa de linguagem
renovadora, que buscava dar notícias que os jornais tradicionais se recusavam a
publicar.
Como se não bastasse, a imprensa sofreu outras formas de repressão, como
atentados de bomba, invasões de redações e bancas, prisões, inquéritos, pressões
contra os donos dos veículos e violência física.
Os chefes de governo se negavam a dar satisfações de seu governo e a
comunicação pública da época resumia-se à exploração dos fatos positivos e ao
apagamento dos negativos por meio das práticas repressivas. As propagandas de
governo divulgavam slogans otimistas e autoritários, como “Ninguém segura este
país” e “Brasil: ame-o ou deixe-o”.
A partir da década de 1990 a internet passa a ganhar popularidade no Brasil, em
especial com a introdução de provedores gratuitos como o IG. Nessa época surge a
primeira versão de jornal on-line, a do Jornal do Brasil. A TV acabo também é
iniciada pelos grupos Abril (TVA) e Globo (NET).
Em 2002, Lula assume a presidência do Brasil. A crise econômica vivida pelos
meios de comunicação faz com esses pressionem o governo Lula para uma política
de continuidade do governo FHC. O realinhamento do partido afastou seus membros
mais esquerdistas do centro do poder, aproximando o governo de uma política mais
direitista.
Entretanto, o PT sempre teve uma plataforma em prol da democratização dos meios
de comunicação. Nesse sentido, o governo atuou na criação de órgãos de
regulamentação da área, como a Agência Nacional para o Cinema e o Audiovisual
(Ancinav) e o Conselho Federal de Jornalismo (CFJ). O CFJ durou pouco tempo
graças as duras críticas feitas pelos grandes conglomerados de comunicação, que
acusavam o governo Lula de ser contra a liberdade de imprensa.
33
A falta de empenho do governo de levar à discussão a diante, inclusive entre os
setores da sociedade, fez com que as medidas adotadas se tornem insuficientes.
(VIRISSIMO, 2009)
O escândalo do “Mensalão” foi o de maior visibilidade no governo de Lula. O
escândalo foi potencializado por Roberto Jefferson, então deputado e presidente do
PTB, que graças a denúncias de corrupção que sofreu, decidiu denunciar
publicamente todos os envolvidos. Em relação a esse escândalo, os autores
chamam a atenção para a falha dos mecanismos de fiscalização do poder público,
incluindo o Jornalismo, que foram incapazes de descobrir por meio de investigações
praticas como essa, que acabam por prejudicar a população e consequentemente, o
exercício da cidadania.
2 APURAÇÃO E PESQUISA JORNALÍSTICA
Numa definição simplista, a apuração consiste em se colher todos os dados
possíveis do acontecimento, a fim de se dar uma visão mais completa do fato. Na
impossibilidade de conseguir muitos dados, tem-se a obrigação de, pelo menos,
levantar aqueles que formarão o “lead”, que é a parte mais importante da noticia.
Há dois meios de apuração: Direta e Indireta. A primeira é aquela pela qual
chegamos à notícia, através das fontes imediatamente responsáveis por ela, isto é,
sabe-se onde está a fonte.
Vias indiretas são aquelas que nos obrigam a utilizar recursos especiais para se
chegar à notícia. Aí entra a criatividade de cada um, há que se valer de estratégias
para confirmar ou ampliar uma informação. Colocado entre a necessidade de apurar
um dado e o impedimento criado pela fonte natural, tem que encontrar uma saída
que lhe seja favorável. Muitas vezes a urgência em “fechar a edição” faz com que
tenhamos de apurar determinados dados pelo fone ou e-mail. (VIRISSIMO, 2009)
Tem-se a obrigação de verificar o que estamos dizendo. O erro é uma falha de
apuração, de checagem ou ainda de expressão do jornalista. Se algum fato não
34
pode ou não convém ser divulgado, a omissão em alguns casos é aceitável, mas a
mentira não. Na profissão ela é inconcebível, pois pressupõe a falta de ética e
implica em graves sanções, inclusive jurídicas. Pode ocorrer que certas instituições,
em algumas circunstâncias, venham a falsear dados, assim como determinados
entrevistados, via de regra, políticos, delinquentes inventem histórias.
3 O QUE É UM DOCUMENTÁRIO
O documentário é o gênero do cinema que mais se aproxima do jornalismo
eletrônico. Embora tenha como característica transformar o banal em espetáculo
cinematográfico, não deixa de ser poético e subjetivo, carregando a marca de seu
autor. Em outras palavras, apesar de ser uma produção em equipe, o documentário
é de autoria do diretor do filme.
Como Produzir um documentário:
1ª etapa: Definir como dos alunos funções.
Diretor: é o responsável pela equipe; precisa ter liderança.
Redator: redige o texto para o apresentador e para o repórter.
Repórter / narrador: faz entrevistas e narra o texto.
Diretor de arte: é o responsável pela criação musical e visual (logotipo, cenário,
figurino do apresentador, trilha sonora).
Diretor de imagem e operador de câmera: é o responsável pela gravação.
2ª etapa: Criar uma sinopse do documentário. (Sinopse é a história contada em
poucas frases. Serve como ponto de partida para o autor e como cartão de visita do
filme, no processo inicial de Captação de Recursos).
3ª etapa: Escrever o roteiro do documentário. (Roteiro é o texto técnico detalhado e
descritivo. Serve para Levantamento das Necessidades de cada cena e como guia
de filmagem. Por convenção os diálogos são escritos com travessão).
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4ª etapa: fazer o storyboard do documentário. (Storyboard é o roteiro de filme
cinematográfico ou de uma produção de vídeo ilustrado por imagens. Descrevê e
mostrar como será feito o Plano a ser filmado, a fala do narrador, o diálogo da cena,
enfim, mostra uma sequencia de planos que formam o filme.)
5ª Etapa: Proceder à gravação.
6a etapa: Preparar uma edição. (A edição videocassete PODERÁ ser feita de forma
caseira, utilizando-se de dois aparelhos e uma televisão. Se o grupo preferir e tiver
recursos para isso, PODERÁ fazê-la em empresa especializada no assunto).
4 A RENDA DO LIXO
As pessoas que vivem de recolher lixo de grandes e pequenas multidões urbanas
prestam serviços dos mais relevantes para a sociedade. Ajudam da reciclagem dos
materiais, o que tem um valor ambiental reconhecido. Mas a mesma sociedade que
é beneficiada por esse tipo de trabalho ainda não dá a esses trabalhadores o devido
reconhecimento. (FOLHA DE SÃO PAULO, 2001).
A primeira barreira a vencer, sem dúvida, é o preconceito. E ele começa no
momento em que se nega a essas pessoas a qualificação de trabalhadoras. Para
muito trata-se apenas de “desempregados”, que, em situação de pobreza, recolhem
lixo para sobreviver. Na verdade, essas pessoas estão inseridas, como qualquer
trabalhador, no setor produtivo da economia.
O que existe é a superexploração do trabalho dessas pessoas. Ou seja, há um forte
descompasso entre a relevância do serviço que prestam e a renda que retiram
dessa função. Um grande obstáculo a esse respeito, os atravessadores que
intermedeiam a compra do lixo dos catadores e a venda a indústria, tem sido
vencido com a formação de cooperativas por parte dos catadores de lixo.
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Esse tipo de organização ajuda nas ações que visam a reivindicar direitos do poder
público. Em Brasília, por exemplo, exigiram do governo federal que regularmente a
profissão e que disponibilize linhas de crédito para a sua atividade. (FOLHA DE SÃO
PAULO, 2001).
O que é certo é que esses trabalhadores exerce um serviço de utilidade pública e
que seus pleitos por melhores condições de trabalho precisam ser ouvidos.
2.1 Sobre o Lixo
Com o crescimento da população, da fabricação da utilização de artigos
industrializados (inclusive embalagens), a quantidade de lixo produzida é cada vez
maior, tornando-se um sério problema para o meio ambiente. A questão do lixo é de
vital importância para a sobrevivência do planeta e a qualidade de vida da
população.
As pessoas estão consumindo uma infinidade de produtos difíceis ou impossíveis de
serem degradados. Com isso, a produção de lixo aumenta, contaminando e
destruindo o solo, o subsolo, a água e o ar. A grande maioria não se preocupa para
onde ele vai ou o que vão fazer com ele, o que fatalmente provoca um acúmulo de
lixo no meio ambiente, alterando a qualidade de vida de todos os seres vivos.
(FOLHA DE SÃO PAULO, 2001).
O impacto causado na natureza, devido à produção e destinação desordenada de
lixo, tem levado a sociedade a buscar alternativas para minimizar a degradação do
nosso ambiente e promover o bem estar da população.
É preciso informar, sensibilizar e mobilizar o ser humano para a importância da
mudança de atitude e de comportamento.
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Este artigo tem o objetivo de informar as pessoas da importância de reduzir,
reutilizar e reciclar o lixo Assim, cada um de nós estará contribuindo para a melhoria
da qualidade de vida e para a preservação do nosso planeta.
2.2 Lixo Residencial
É o lixo que se produz todos os dias nas casas é bem heterogêneo, sendo formado
por papel, metais, plásticos, vidros e restos de alimentos (matéria orgânica). Esse
lixo na grande maioria das cidades brasileiras tem como destino um aterro sanitário,
onde ele é enterrado. O problema é que a cada dia os aterros recebem toneladas de
lixo e em sua maioria já estão com sua capacidade quase esgotada. O lixo no aterro
sofre uma decomposição lenta e anaeróbica (na ausência de oxigênio), liberando
gases como o metano (chamado de gás do lixo) que na maioria das vezes não é
aproveitado, mas que pode ser recolhido é usado como combustível. O metano
representa um grande risco nos aterros, porque se ele se acumular no subsolo pode
provocar explosões que colocam em risco a vida de quem trabalha nos aterros.
(FOLHA DE SÃO PAULO, 2001).
2.3 Reutilização do Lixo
A reutilização também é uma forma de redução, pois os produtos permanecem mais
tempo em uso antes de serem descartados. Consiste no aproveitamento de
produtos sem que estes sofram quaisquer tipos de alterações ou processamento
complexos (só passam, por exemplo, por limpeza).
Existem inúmeras formas de reutilização, dependendo da criatividade do gerador.
Os principais resíduos que podem ser reutilizados são embalagens e roupas,
modificando sua aparência e finalidade. Faça de uma garrafa um vaso de plantas,
ou de uma camisa velha um pano de chão. (FOLHA DE SÃO PAULO, 2001).
Ainda que não se encontre uma forma imediata para a reutilização, muitos produtos
devem ser considerados como reutilizáveis e então serem guardados para um
momento posterior. Ao invés de jogar fora algum objeto “velho” e “sem valor” procure
uma instituição de caridade que com certeza fará bom uso de qualquer doação.
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REFERÊNCIAS
FOLHA DE SÃO PAULO. A renda do lixo. Disponível em: < http://mundodolixo
.tripod.com/index_arquivos/page0009.htm>. 11 de julho de 2001. Acesso em: 17
novembro 2012.
PORTELLA, Juvenal. Curso de Comunicação. 1ª.ed. Editora Lidador: RJ. 1976.
VIRISSIMO, Vivian de A. Jornalismo investigativo na Internet. UFSC. 2009.
ROMANCINI, Richard; LAGO, Cláudia. História do jornalismo. Disponível em:
<http://comunicacaopublicaufes.wordpress.com/2012/02/10/historia-do-jornalis mono-brasil/>. Acesso em: 11 novembro 2012.
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FOTOJORNALISMO: COTIDIANO, HISTÓRIAS, CENÁRIOS,
IMAGENS E SENSAÇÕES
Márcio Wesley Cerqueira Nery
[email protected]
Curso de Jornalismo da Unibahia
Resumo:
O projeto consiste num resultado de trabalhos ligados ao fotojornalismo através de imagens que
conceberão o cotidiano dos bairros e a história de Lauro de Freitas, muitas vezes imperceptível,
embora fazendo parte do cenário sociocultural dentro da complexidade rotina das pessoas, onde
quase tudo que está ao nosso redor não é percebido, ou muitas vezes, fingimos não perceber, mas
que através das fotografias e textos vamos enxergar um pouco mais a história laurofreitense.
Palavras chave: Fotojornalismo; Fotodocumentário; História.
Abstract:
The project is a result of work related to photojournalism through images that devise the daily life of
neighborhoods and history of Lauro de Freitas, often imperceptible, although part of the scenario
within the sociocultural complexity of routine people, where almost everything is within our around is
not perceived, or often pretend not to notice, but through photographs and texts we see a little more
history laurofreitense
Keywords: Photojournalism; Fotodocumentário e Story.
1 INTRODUÇÃO
O trabalho apresenta uma proposta para a publicação de um livro de fotojornalismo
dentro de um livro documentário com resultado de pesquisas e coberturas
fotografias ao longo de mais de 10 anos, do fotografo Márcio Wesley, que começou
sua carreira em 1999, com uma antiga máquina de filme, numa pequena redação do
extinto Jornal Expressão, em Lauro de Freitas, Bahia. Mas com o passar dos anos,
ganhou asas e alçou voos. Durante a sua carreira profissional realizou inúmeros
trabalhos publicitários e de fotojornalismo para revistas, jornais, prefeituras e
campanhas eleitorais.
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Mais maduro profissionalmente, suscitou a vontade de externar suas principais
fotografias que imprimem movimentos apurados, aliados com a realidade de ângulos
simbólicos e diretos ao assunto. Uma foto vale mais que mil palavras, e com a força
desta frase, é que foram selecionadas mais de 200 fotografias que farão parte do
acervo do futuro livro, que contará com textos alusivos a histórias dos bairros de
Lauro de Freitas, um trabalho revelador, pioneiro e com um olhar extremamente
simples, entretanto, apaixonante e encantador.
A maioria das imagens selecionadas faz parte de um roteiro fotográfico dentro do
mundo do fotojornalismo e do cotidiano do município, contudo, as imagens foram
‘clicadas’ com um olhar diferenciado e perceptivo, apresentando cores, emoções,
natureza e a vida rotineira. Pela primeira vez, um fotógrafo nato de Lauro de Freitas,
publicará um livro de fotojornalismo com um apanhado histórico do seu município,
cidade que nasceu, foi criado, fez amigos e agora convive com sua esposa e filha.
Lauro de Freitas é uma cidade que comemorou em 2012, 50 anos de emancipada,
com mais de 150 mil habitantes e um pouco mais de 50 quilômetros quadrados de
extensão territorial, um dos menores municípios baianos, mas que já foi um dos
maiores, abrangendo quase toda a Costa dos Coqueiros até Pirajá, no século XVIII.
Uma cidade com mais de 400 anos. Terra dos rios vermelhos, que logo foi apelidada
pelos primeiros habitantes, os índios Tupinambás, de Ipitanga. Que na colonização
portuguesa sob o domínio do catolicismo, recebeu o nome de Santo Amaro de
Ipitanga, hoje, Lauro de Fretas, uma das cidades que mais cresce na Bahia e que
comemora o segundo PIB do País.
Com a ascensão das classes C e D o município se transformou num grande polo
empresarial, com crescimento bem acima da média nacional nos segmentos de
serviço/comércio. Atraindo um grande número de empresas que estão gerando
renda e possibilidade real de trabalho. Em 2009, Lauro de Freitas foi o quarto
município que mais gerou emprego no País. Não podemos deixar de lado o avanço
imobiliário com milhares de novas moradias por toda a cidade, e com isto, fazendo
crescer ainda, os congestionamentos. Segundo dados do DETRAN, são mais de 50
mil veículos automotivos circulando diariamente, mas para amenizar um pouco mais
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este problema que afeta grandes cidades brasileiras, Lauro de Freitas estará prestes
a receber até 2014, um linha de metrô de superfície, que ligará a Estrada do Coco
até Salvador. Uma obra que facilitará a mobilidade urbana e diminuirá
consideravelmente os congestionamentos. Além disso, já está em plena viabilização,
através do Governo do Estado da Bahia, a construção da Via Expressa, uma
moderna avenida que cortará o município pelas regiões do Caji, Caixa D’ Água,
Itinga e Areia Branca, ligando a Estrada do Coco até Avenida Paralela.
Lauro de Freitas, antiga Santo Amaro de Ipitanga, no livro do pesquisador Carlos
Ott, Povoamento do Recôncavo pelos Engenhos -1536 – 1888, tem-se o registro da
existência do Sítio Itinga, já na primeira metade do século XVIII, quando era de
propriedade de Joana de Nascimento, provando dessa forma, que a região já tinha
esse nome por pelo menos mais de dois séculos. O mesmo nome dado
anteriormente pelos índios Tupinambás, que habitavam antes da chegada dos
portugueses, que batizaram o nome do rio que corta a localidade de Itinga. Um
século depois, no dia 14 de novembro de 1858, registro de terras da Irmandade do
Santíssimo Sacramento e Santo Amaro de Ipitanga, descreve que elas se limitavam
ao Oeste com as terras denominadas Itinga, da viúva e filhas de Malaquias de
Fiqueiredo. No século que se seguiu, os donos da Itinga passaram a ser dos irmãos
Pedro, Gabino e Da Hora.
Já a comunidade do Caji era também o engenho mais famoso no inicio do século
XIX, de propriedade do Coronel João Ladislau de Fiqueiredo e Melo. O General
Labatut que era amigo de João Ladislau costumava descansar com sua tropa da
Brigada Esquerdista na localidade, durante as lutas da Independência da Bahia, que
culminaram no dia 2 de julho de 1823.
Quanto à comunidade do Picuaia, têm-se noticias, também, da primeira metade do
século XVIII, quando até o longínquo ano de 1747 essa fazenda pertencia a João
Bezerra Formiga, sendo passada para José Carvalho de Souza em 1751. Com a
Fazenda São João, de Dona Elza Paranhos, surgiu o loteamento Praia de Ipitanga e
da Fazenda Buraquinho, com parte das Fazendas Sapato, Sucuiu, Pitangueiras e
São João, surgiram os loteamentos Vilas do Atlântico, Miragem e os de Buraquinho.
Em 1940, por ocasião da Segunda Guerra Mundial, com o início da construção da
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Base Aérea e do aeroporto, foi que a cidade começou a se alterar, quando então o
subdistrito (centro) passou a receber gente vinda de várias partes para trabalhar nas
obras, acabando por serem absorvidas como funcionários da Base Aérea, aeroporto
e da “Malaria” (SUCAM). Esse aumento de serviços e populacional refletiu no
desencadeando, ainda nos anos 50, pela emancipação municipal, que só foi
consolidada no inicio da década seguinte.
O tema proposto: ‘Fotojornalismo: cotidiano, emoção, cenários, imagens, sensações
e história’, será uma oportunidade de difundir experiências dentro da academia e
fora dela, com o intuito legitimar a fotografia como uma linguagem importante no
mundo do jornalismo e histórico, que não está cativo apenas aos impressos, rádios
ou televisão. Mas também, em fotografias e textos que vão revelar fatos importantes
sobre a história do município. Um bom fotojornalista não é o que possui a máquina
fotográfica mais cara ou os melhores equipamentos. Um verdadeiro fotojornalista
deve viver antenado e pronto para se antecipar aos fatos antes que eles aconteçam,
não é prever o futuro, mas ter sintonia com o momento e o ambiente que poderá
proporcionar belas imagens e informações.
Portanto, fotografar é um ato dinâmico, sobretudo no mundo do jornalismo, onde
nem sempre as fotografias pousadas são as melhores, mas as inusitadas, estas sim,
são as mais autênticas. A fotografia é um elemento fundamental dentro da
comunicação, especialmente com a evolução tecnológica aliada ao advento da
globalização e a internet, que dissolveu fronteiras, permitindo aos fotógrafos do
mundo inteiro a interação das suas imagens e técnicas. Provocando a
profissionalização do fotojornalista como um importante membro da cadeia
comunicacional, informativa, educativa e cultural.
Mas o fotojornalismo moderno antes de chegar ao ‘mundo digital’, percorreu um
longo caminho, começando na Alemanha, após a Primeira Guerra Mundial (19181933). Neste período marcado pela liberalidade política e econômica as revistas
ilustrativas, como a Beliner Illustrierte e a Munchner Illustrierte Presse, publicavam
juntas quase 5 milhões de exemplares. Inovações técnicas também foram
determinantes nessas novas formas de utilização da fotografia na imprensa. Em
1922, surge o flash de lâmpada; em 1930, as câmeras Ermanox e a Leica, com
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objetivas intercambiáveis e usando filmes de 35 mm de 36 exposições, facilitando a
tomada em locais onde a presença de fotógrafo pudesse passar despercebida. Além
dos avanços técnicos, porém, há um novo discurso: “Já não é apenas uma imagem
isolada que interessa o texto e todo o ‘mosaico’ fotográfico com que se tenta contar
a ‘história’. Dessa maneira, o uso da imagem fotográfica teve seu início na
interpretação e esclarecimento dos fatos”. (Souza, 1998).
2 FOTOJORNALISMO
Em 1842, apenas três anos após o surgimento da fotografia, Carl Fiedrich Stelzner
tornou-se o autor da que talvez tenha sido a primeira foto documental da história;
uma reprodução desta foto feita em forma de gravura foi publicada nesse mesmo
ano no The Illustrated London. Trata-se da imagem de um incêndio no bairro de
Hamburgo, na Alemanha. Feita com um daguerreótico, seu valor não se deve à
antiguidade nem por representar um objeto histórico, mas ao fato de Stelzner ter
registrado um evento. Mais do que a imagem em si, é essa intenção testemunhal
que prenuncia o uso da fotografia como suporte de informação: pela primeira vez,
seu valor não se encontrava em si mesma, mas no que continha. Com efeito, a
fotografia é o primeiro objeto pós-industrial: o valor se transferiu do objeto par a
informação (Souza, 1998).
Com o surgimento da Alemanha nazista ou a Itália fascista, obrigou os fotógrafos
escolherem um lado. Foi assim que Robert Capa e Cartier-Bresson escolherem
fotografar a guerra civil espanhola (1936-1939) do ponto de vista dos republicanos, o
mesmo de comunistas e anarquistas. Dessa forma, surge a fotografia engajada
como forma de atuação perante o mundo (Souza, 1998).
Nos Estados Unidos, na década de 1930, surgiu o Farm Secutrity Administration, um
projeto fotodocumentário que pretendia mostrar as consequências, na agricultura, do
colapso na Bolsa em 1929, em que se destacam Dorothea Lange e Walker Evans.
Em 1947, é fundada a Magnum, agência de fotografia que possibilitou a seus
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fundadores (Bresson, Capa, David Seymor e George Rodger) afirmarem-se como
defensores de um fotojornalismo livre da estrutura e da qualidade, adotando como
pratica a proibição do uso de suas fotos fora do contexto em foram concebidas.
Os conflitos e as guerras sempre foram os principais focos do fotojornalismo, com
advento da guerra do Vietnã foi a última aberta ao público, tamanha liberdade que
tiveram os jornalistas que para lá se deslocaram. O preço pago, porém, é o absoluto
controle atual sobre repórteres e fotógrafos, o que não restringe apenas ao tema
‘guerra’, mas à quase totalidade de relações entre a mídia e o governo. Os
fotojornalistas não pararam a guerra do Vietnã, mas, certamente, contribuíram na
criação de um clima de oposição, por propiciar uma reflexão sobre a estupidez dos
combates. Muitos estudos sobre as fotos do Vietnã apontaram para o fato de que a
produção fotográfica acompanhavam os ventos soprados pela opinião publica norteamericana, primeiramente a favor e, depois, contra a guerra. A guerra despertou
uma enorme necessidade de imagens que simbolizassem, mostrassem e
interpretassem o confronto, permitindo aos fotógrafos mostrar o que queriam. Entre
eles, podem-se destacar Don McCullin, Ed Adans e Gille Caron (Oliveira, 2009).
O primeiro daguerreótipo (processo fotográfico feito sem uma imagem negativa)
chegou ao Brasil em 1840, apenas meses depois de Daguerre ter anunciado sua
invenção. O imperador D. Pedro II foi seu grande incentivador. O uso documental da
fotografia, no entanto, teria como pioneiros Militão Augusto de Azevedo e Marc
Ferrez. Militão dedicou muito do seu trabalho ao registro das cenas urbanas de São
Paulo, sendo célebre seu trabalho que compara as mesmas ruas e casas em um
período de 25 anos na virada do século XIX para o século XX. Ferrez, por sua vez,
fez importante trabalho sobre o início da ferrovia no Brasil.
Os primeiros jornais brasileiros a usarem fotografias ainda na primeira década do
século XX foram a Revista da Semana, a Fon-Fon (nome que vem das buzinas dos
automóveis), a Ilustração Brasileira, O Malho, o Jornal do Brasil, entre outros. Em
1928, Assis Chateau-briand cria O Cruzeiro, a revista dos arranha-céus, uma alusão
á modernidade pregada pela revista. Embora com propósitos modernos para a
época, ela só assumirá o papel de pioneira do fotojornalismo no Brasil com a vinda
do francês Jean Manzon, na década de 1940. Ele será responsável por uma
45
revolução na visualidade e no próprio conceito de fotojornalismo existente até então
entre nós, trazendo imagens e fatos nunca antes apresentados, como o encontro
com os índios xavantes em 1944, os problemas sociais, os tipos regionais, os
trabalhadores, retratos de políticos e artistas (Persichetti, 2000).
Embora Manzon tenha sido decisivo para a modernização do fotojornalismo no
Brasil, é inegável que ele também trouxe certas práticas condenáveis. É conhecida a
reportagem em que ao lado de Nasser enganou o deputado Edmundo Barreto Pinto,
publicando fotos do deputado só de fraque e cueca. Barreto afirmou que Manzon o
enganara ao garantir-lhe que só o fotografaria de cintura para cima. As fotos
escandalizaram o congresso e Barreto perdeu o mandato em 1949 sob alegação de
quebra do decorro parlamentar.
Em 1952 começa a circular a Revista Manchete, com a proposta de privilegiar a
fotografia como forma narrativa independente do texto. Em 1965, o Jornal da Tarde
retoma a tendência de abrir espaço para a fotografia. Os jornalistas Mino Carta e
Murilo Felisberto são os responsáveis por essa renovação visual, que tem como
principais fotógrafos Jorge Bodansky, Oswaldo Maricato e Geraldo Guimarães. Na
década de 1960 marca o auge do fotojornalismo no Brasil, com o surgimento das
revistas Realidade, em 1966, e Veja, em 1968. Destacam-se, nesse período,
Maurren Bilislliat, David Drew Zing, Cláudia Andujar, Walter Firmo, Luís Humberto e
Evandro Teixeira, entre outros.
Durante a década de 1980, surgem as agências de fotografia, com o objetivo de
criar uma nova cultura e valorizar sua presença nas redações. No Rio Grande do
Sul, nasce a Central de Fotojornalismo; em Brasília, a Agil; em
São Paulo, a F4, a
Fotograma e a Angular. É uma época de transformações. O movimento deflaga
greves por todo o país; surge o Partido dos Trabalhadores (PT); a campanha pelas
Diretas mostra que a ditadura está com os dias contados e o país todo desejando
voltar à normalidade democrática. Os fotógrafos chegam juntos, fotografam de perto,
ficam na linha de frente. Participam, se envolvem, apanham, mas levam a fotografia
para as redações. Eles estão nas ruas, não em uma oposição heroica, mas fazendo
seu trabalho.
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Sebastião Salgado, em 1981, foi o único fotografo a registrar a tentativa de
assassinato do então presidente norte-americano Ronald Reagan. No final da
década, Hélio Campos Mello transforma a linguagem fotográfica do jornal O Estado
de São Paulo, permitindo a ousadia e atribuindo aos fotógrafos maior participação
na produção e na elaboração de pautas. Finalmente inicia-se o processo de
digitalização da fotografia, a transmissão de fotos via telefone se torna comum. O
trabalho de fotógrafo brasileiro começa a ser reconhecido no exterior; fotografias
produzidas por Cristiano Mascaro, Miguel Rio Branco, Cláudio Edinger, Mário Cravo
Neto e Marcos Santilli são publicadas em jornais e revistas de várias partes do
mundo.
Nos anos de 1990, surgem os primeiros sinais de crise no fotojornalismo; fica cada
vez mais difícil defini-lo, por causa da multiplicação de imagens que povoam as
páginas dos jornais. A infografia (gráficos dom informações), os desenhos, os
gráficos contribuem para relegar a fotografia a elemento meramente ilustrativo,
estético. Chegando a apregoa-se a ‘morte do fotojornalismo‘, imagens óbvias,
repetitivas, clichês que não temos vontade de ver duas vezes. Os grandes temas
perderam importância e as pequenas histórias começaram a triunfar, a violência
localizada, o glamour, os rostos e corpos bonitos ganharam espaço (OLIVEIRA,
2009). O desafio acabou de começar e a criatividade dos fotojornalistas precisou ser
um diferencial até os dias atuais.
Apesar da profissão de fotojornalista ainda não ser tão bem remunerada e
prestigiada na sociedade, o seu papel é fundamental na vida de todos,
principalmente entre os veículos de mídia. Este trabalho que culminará na
elaboração, edição e posteriormente no lançamento de um livro, será um passo
importante no cenário jornalístico laurofreitense e baiano, representando ainda, a
conclusão do curso de jornalismo. O desenvolvimento do ensino universitário em
jornalismo é um processo importante na profissionalização e na formação. A primeira
escola de Jornalismo do mundo foi a Washington College, fundada na Virgínia pelo
general estadunidense Robert E. Lee em 1869. Na Inglaterra, a primeira a ter uma
escola de jornalismo foi a Universidade de Londres, a partir de 1920. A primeira
escola de Jornalismo criada no Brasil foi a Faculdade de Comunicação Social
Cásper Líbero, fundada em 1947, em São Paulo. Na década de 60 foram criados os
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cursos de jornalismo da Universidade Católica de Pernambuco em 1961 (o curso
mais antigo em funcionamento no Norte e Nordeste).
No Brasil, desde o dia 17 de junho de 2009, o curso superior em Jornalismo não é
obrigatório para o exercício da profissão. Só há ensino de Jornalismo no nível da
graduação (ou seja, não há cursos de nível técnico) e especialização. Existem
atualmente, 2009, cerca de 470 escolas de Jornalismo distribuídas pelo país. Por
elas são graduados quase 12. mil jornalistas anualmente (TRAQUINA, 2005).
Portanto, notamos segundo a história, que o Brasil começou com o curso superiro
em jornalismo há 67 anos, se compararmos com os Estados Unidos, somos ainda
uma criança. Mas dentro da realidade brasiliera que passou anos sob o dominiou da
ditadura militar e a imprensa ‘amordaçada’, o Brasil é um dos paises da America
Latina que mais avançou na democratização da imprensa. Este trabalho não é
apenas uma forma de promover a a exposição de fotografias, mas de incentivar a
profissionalização do fotojornalista, através do curso superior com o objetivo de
atrair novos alunos para a formação de jornalistas, que também poderam
desenvolver habilidades de fotojornalistas.
3 HISTÓRIA DE LAURO DE FREITAS
Lauro de Freitas era bem diferente do que é hoje. Eu adorava brincar às margens do
rio Ipitanga correndo pelos quintais interligados das antigas famílias da nossa
cidade, mas com o crescimento acelerado da região, tudo acabou, menos a visão
bucólica que guardo na memória com imensa saudade, principalmente da “beira do
rio”, como chamavam os antigos moradores as margens do Ipitanga. Lembro-me
com exatidão das árvores, dos peixes e dos camarões. Pés de fruta-pão, manga,
goiaba, jaca, jambo, carambola, jenipapo, caju e cajá. Sem falar dos paca-capins,
pássaros pretos, corujas, micos, jiboias e os patos selvagens, que viviam nos lagos
(onde hoje é o Condomínio Ipitanga). Do rio Ipitanga davam moquecas saborosa de
camarões, muita gente sustentavam suas famílias com os pescados do rio. As
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mulheres também lavavam roupas de ganho no saudoso Ipitanga e assim levavam a
vida com simplicidade, alegria e contato com a natureza.
Nas férias de verão o rio ficava muito baixo e dava para atravessá-lo com a água na
altura dos joelhos. Do outro lado, existiam dois campos de futebol, um para os
adultos e outro para os mais jovens. Eram campos de várzea, lá jogávamos bola,
empinávamos arraia, brincávamos de fura pé e nadávamos escondidos de nossos
pais no rio. Época boa que não volta mais... O campo da beira do rio, como era
chamado, também não existe mais, nele foi construído um condomínio de prédios.
Todo mundo se conhecia e os vizinhos se davam muito bem, as ruas eram todas de
paralelepípedos e aproveitávamos bastante as noites nas portas de nossas casas
para jogarmos bola “golzinho”, garrafão, polícia e ladrão, pega pega e esconde
esconde. Mas quando chegava o São João, os moradores faziam fogueiras e
enchiam as mesas com comidas típicas, era uma zoeira danada.
Até hoje sinto saudades dos carnavais dos anos 80. As praças Martiniano Maia e
Matriz eram repletas de barracas, todas enfeitadas comercializando bebidas e
comidas, além de reunir amigos e famílias. O carnaval era de rua literalmente, com
trios elétricos, caretas e os destemidos laçadores, homens mascarados com cipós
nas mãos correndo atrás da gente, confesso que eu morria de medo. Os trios
percorriam as principais ruas do centro da cidade com bandas locais e de Salvador,
que animavam a população ao som do frevo e dos primeiros sucessos da ‘axé
music’, com sucessos de Gerônimo, Sarajane, Luiz Caldas, Daniela, Cid Guerreiro,
bandas Mel e Reflexo, além do Asa e do Chiclete com Banana. Porém, quem se
destacava nesse contexto musical era a banda Transacor, formada por músicos da
cidade, que era o maior sucesso e todo mundo gostava, principalmente os mais
jovens.
As famosas gincanas movimentavam o centro, era um corre–corre danado para
cumprir as tarefas no tempo determinado. Inúmeras equipes disputavam o primeiro
lugar, as mais famosas eram equipe Xiloló, com o maior número de vitórias,
Omegamu, Equibombão e outras, que não me recordo, tudo era organizado por
Adilson Borges. Tinham também, as gincanas mirins realizadas por Sinaldo Pereira,
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até hoje tem vários troféus na estante da casa de meus pais, resultado das vitórias
da equipe mirim Nova Esperança, que representava a nossa rua (Romualdo de
Brito).
Mas foi na igreja católica que construir minha juventude, sempre envolvido em
projetos culturais, grupos de jovens, música, arte e devoção. Neste contexto
comecei a desenvolver e participar de projetos como o Festival da Criatividade, que
envolvia mais de 10 paróquias; Festival de Música Mariana; Shows com bandas
católicas e outros tantos eventos. O reflexo desses movimentos foi importante para
minha formação ética, cultural e religiosa, que me dando suporte intelectual para que
eu pudesse desenvolver muitos outros projetos como: Talentos da Terra de Lauro de
Freitas; Festival de Música Estudantil; Música na Praça; Festival de Rock e o Rock
In Lauro. Como músico e produtor musical, organizei diversos shows e toquei com
dezenas de artistas da cidade e de fora, como Padre Fábio de Melo (evento voltado
para músicos católicos) e o Padre Antônio Maria (show no Pelourinho).
Paralelo a isso tudo aprendi a gostar do jornalismo, meu primeiro encontro foi no
extinto Jornal Expressão, que trabalhei durante 10. Fui free lance da Revista Vilas
Magazine; Jornal Primeira Página, Jornal do Servidor Público e outros tantos.
Trabalhei também na Secretaria de Cultura Municipal de Lauro de Freitas no
NUPAC – Núcleo do Patrimônio Cultural de Lauro de Freitas, com os amigos e
historiadores Gildásio Freitas e Emanuel Paranhos, com eles aprendi que a história
precisa ser preservada por todos através de pesquisas e ouvindo os mais antigos,
para que possamos imortalizar as nossas raízes, e esse é o intuito desse projeto
literário.
Assumir alguns cargos importantes em outras cidades, mas é aqui na minha terra
natal que me sinto orgulhosamente forte e com vontade de servi ao meu povo e
fazer com que as nossas raízes, costumes e tradições sejam perpetuadas pelas
gerações futuras, assim como conhecedor da nossa história vamos explanar um
pouco mais sobre os surgimentos dos bairros de Lauro de Freitas, que tem suas
peculiaridades culturais e distintas. Quase todos os bairros do município surgiram de
grandes fazendas, como a Itinga, que era uma fazenda conhecida como “Jaqueira”
de uma herança que pertenceu a família do senhor Da Hora, nasceu o bairro de
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Itinga. Os moradores mais antigos viram de perto as mudanças da região e
relataram que no passado existia uma densa mata com pequenas trilhas, onde as
pessoas faziam o caminho de Itinga até São Cristóvão. Uma ponte improvisada com
poste de ferro era utilizada para atravessar o rio, que era utilizado para lavar roupas
e abastecimento de água para beber e cozinhar.
4 BAIRROS FONTE DE PESQUISA
Em 1970, o bairro foi fundado oficialmente e o progresso começou a chegar, nessa
mesma década, uma ponte de madeira foi construída para facilitar o acesso dos
carros. Seu Caranguejo (falecido 2007), figura folclórica e antigo vendedor de
caranguejos que comercializava os crustáceos no largo, que por sua causa foi
batizado de Largo do Caranguejo. Mas foi nos anos 80 que o bairro começou a
crescer: ruas asfaltadas, água encanada, energia, telefone e linhas de ônibus direto
para Salvador foram implantadas na localidade. Hoje em dia, a Itinga é considerada
o bairro mais popular de Lauro de Freitas, com centenas de comércios, centros
comerciais e uma população em torno de 80 mil habitantes.
O bairro de Portão era uma fazenda que pertencia à família de Pedro Sá, que na
época criava gado para corte e leite, além de galinhas, plantio de aipim, mandioca e
frutas. Dentro da propriedade existia um pequeno arraial onde moravam os
trabalhadores da fazenda com seus familiares. O nome “Portão” surgiu por causa de
uma cancela que ficava na entrada da fazenda, hoje, o principal acesso do bairro. A
cancela era fechada às 18 horas e depois deste horário, ninguém podia mais entrar
ou sair. O portão da fazenda era uma referência entre os antigos moradores.
A comunidade local em sua grande maioria eram formada por agricultores familiares
que viviam do que plantavam. Para ir até o centro de Salvador, só de animal pela
praia, era um viajem longa e cansativa até a Calçada. Com o passar dos anos, o
proprietário da fazenda comprou um caminhão para levar leite, mercadorias e
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eventualmente pessoas para Salvador. O motorista do caminhão era João Expresso,
famoso pela criação da primeira empresa de ônibus de Lauro de Freitas. Quando
João saiu da fazenda, comprou um caminhão e começou a transportar pessoas e
suas mercadorias de Portão até o centro de Salvador, o motorista chegou a ter 10
ônibus na sua frota.
Osvaldo Leite era o dono da Olaria da fazenda Caji, dividindo terras com os coronéis
militares e também com homens do exército que faziam daquela região um campo
de treinamento. Anos depois, a fazenda foi dividida em pequenos sítios habitados
por funcionários e parentes. A maioria das pessoas ganhavam a vida vendendo o
que produziam nas suas terras, saindo a pé com cestos na cabeça até o centro de
Lauro de Freitas vendendo banana, tomate, quiabo, feijão-de-corda, tempero verde,
jaca, pimenta, jenipapo, manga, etc.
O bairro começou a crescer de fato em 1971 com a construção do primeiro
condomínio chamado Águas Finas, depois, surgiram outros empreendimentos. Em
1997 o bairro passou a ser chamado oficialmente de Vida Nova, acolhendo a
construção de mais de 500 casas que atenderam as famílias vítimas de
deslizamentos de terras do bairro do Retiro, em Salvador. Vida Nova ainda está em
fase de crescimento, mas já conta com escolas públicas e privadas, módulo da
Polícia Militar, posto de saúde, fábricas, posto de gasolina, condomínios, pequenos
hotéis, inúmeros comércios e transporte coletivo.
Ipitanga originou-se de duas fazendas de cocos, a região era considerada como
zona rural de Lauro de Freitas, mas em 1967 com a construção de uma estrada de
barro do centro até a praia, na gestão do Prefeito Amarílio Tiago dos Santos, foi que
o acesso melhorou. Antes da estrada só era possível se chegar a Ipitanga a pé, de
animais ou jipes traçados (4X4). A caatinga, as dunas e os coqueirais eram as
principais paisagens da região. Atualmente Ipitanga se transformou num bairro com
inúmeras residências, condomínios, pequenos comércios e as famosas barracas de
praia (que hoje não existem mais). A poluição é outro problema vivido na região, que
é contaminada diariamente pelo poluído Rio Joanes, que deságua seus dejetos nas
praias de Buraquinho, Vilas e Ipitanga. Entretanto a atual gestão já conta com um
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projeto de despoluição dos rios através das obras de saneamento básico, que
atingirá 95% da cidade.
Areia Branca tem este nome pela enorme quantidade de “areia alva” que havia em
toda sua redondeza, que com passar dos anos foi degradada por causa da
exploração exaustiva de areia. De fartura, a areia branca passou a ser algo extinto.
O distrito que pertence a Lauro de Freitas tem cerca de 10 mil habitantes, a principal
festa da comunidade era no dia oito de dezembro, dia de Nossa Senhora da
Conceição que era festejada com missa e procissão pelas ruas do bairro. Logo
depois a festividade popular tomava conta da praça da Mangueira, com muita
diversão, comidas e bebidas típicas ao som do samba de roda. Os moradores de
Areia Branca se achavam excluso do progresso de Lauro de Freitas, mas hoje em
dia já contam com posto de saúde e uma escola de segundo grau.
De quatro fazendas nasceu o luxuoso condomínio à beira mar, Vilas do Atlântico, um
empreendimento idealizado pela Odrebrecht nos anos 80. A construtora apostou
‘todas as suas fichas’ numa região onde só havia coqueiros e mangabas. A
Odebrecht loteou toda a área, asfaltou, instalou energia, água encanada e telefone.
O grande condomínio atraiu muita gente, que a principio, procuravam um lugar
aprazível para veranear ou passar finais de semana.
Porém, a proximidade de Vilas a cidade de Salvador, ao aeroporto e o Pólo
Petroquímico, tornou o empreendimento ainda mais irresistível, além da qualidade
de vida. Com o passar dos anos o crescimento foi inevitável e Vilas deixou de ser
apenas um grande condomínio, e muita gente optou em vir morar definitivamente e
até trazer suas empresas para o local. Quem não queria morar e trabalhar no
mesmo lugar? Principalmente tratando-se do paraíso chamado Vilas do Atlântico?
O condomínio se transformou num bairro ‘classe A’, vivendo com toda
independência e organização, atraindo muitos mais moradores e empresas,
contando com mais de cinco mil residências, condomínios pequenos e de médio
porte. Sem deixar de lado toda a infraestrutura contando com posto de gasolina,
shoppings, pousadas, hotel, barracas de praia, restaurantes, consultórios médicos,
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clínicas veterinárias, clube, academias, universidade, escolas, supermercados,
padarias, bancos, ônibus coletivos, igrejas e farmácias.
Outro aspecto importante sobre a história é sobre o aeroporto, para quem não sabe
a aviação baiana começou aqui em Lauro de Freitas de campo de pouso ao maior
fluxo de aeronaves do Norte/Nordeste. O Aeroporto Internacional Luís Eduardo
Magalhães nem sempre teve este nome. Ao ser fundado, em 1927, chamava-se
Campo de aviação da Latecóere Aeropostale e Air France em Santo Amaro de
Ipitanga (Lauro de Freitas), passando depois a se chamar simplesmente de Campo
de Aviação de Santo Amaro de Ipitanga. A construção do campo de aviação foi fruto
da iniciativa do empresário ferroviário francês, Pierre Geoges Latecoére, que, após a
primeira Guerra Mundial (1914-1918), teve a ideia de criar o serviço postal aéreo e
as primeiras linhas de transporte de passageiros, primeiro na Europa, depois África,
e o grande desafio do Atlântico Sul e as Américas. Nesta empreitada pioneira tudo
estava por se fazer, um empreendimento econômico que levaria os franceses a uma
verdadeira saga de sacrifícios, aventura e desbravamento para a construção da
lendária linha dos 12 mil quilômetros, que começava na Europa, passava pela África
e terminava na América do Sul.
No segundo semestre de 1927, a vila Santo Amaro de Ipitanga foi sobrevoada
alguns dias pelos aviões franceses, como se procurassem algo por aqui.
Encontraram a antiga vargem grande, FAZENDA PORTÉLA, cujos proprietários
eram moradores da vila de pescadores de Itapuã e que foi adquirida por três contos
de réis pelos franceses. Depois de serviços de drenagem e outras intervenções, foi
aberta no local a primeira pista definitiva de grama para operações de aviões em
nosso estado. A partir de então, o avião e todo universo que o cerca passou a
integrar a vida cotidiana de nossa cidade até os dias atuais.
Os voos eram diurnos e as malas postais e eventuais passageiros transportados em
caminhões pela estrada de Campinas, uma trilha sinuosa, aberta no governo Miguel
Calmon, hoje conhecida como Estrada velha do aeroporto. Em 1934, a Aeropostale,
depois de enfrentar dificuldades financeiras, foi a falência, tendo o governo Francês
assumido e fundado a AIR – FRANCE, hoje uma das gigantes da aviação mundial.
Em 1936, Air France resolveu modernizar a infraestrutura nos seus campos de
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aviação, ampliando e pavimentando as pistas com cimento armado. Construiu
chalés e novos hangares, bomba de combustível, casa de gerador, acessos,
iluminação, portões e cercas e balizamento noturno, para atender as novas
demandas geradas pelo crescimento de aviação como meio de transporte.
Depois da saída da Air France, o campo de Ipitanga ficou sendo usado pelas
nascentes companhias de aviação comercial brasileira, PANAIR DO BRASIL,
SINDICATO CONDOR, CORREIO AÉREO NACIONAL e outras empresas. Com a
entrada do Brasil na Segunda guerra mundial e a criação do ministério da
aeronáutica, em 05 de novembro de 1942 foi criada por Getúlio Vargas a base aérea
de Salvador. Em 20 de dezembro de 1955, através da lei n° 2.689, o aeroporto de
Ipitanga ganha o nome de 02 DE JULHO, em homenagem a data magna da
independência da Bahia, em 1998, o aeroporto muda de nome outra vez, em
homenagem ao Deputado Luis Eduardo Magalhães. (Fonte NUPAC – Núcleo do
Patrimônio Histórico de Lauro de Freitas).
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
É inegável a contribuição que a fotografia tem prestado ao jornalismo, dando-lhe
mais veracidade e facilitando a compreensão dos fatos. Nunca a fotografia ocupou
tanto o espaço no noticiário impresso e nos meios de comunicação. A fotografia de
imprensa, como obra de arte, tem vida além das páginas dos jornais, bastando ver
sua enorme utilização em outras áreas, como na publicidade, na pesquisa, nas artes
etc. A fotografia sobrevive à noticia, ultrapassa até mesmo seu autor, tornado-se
patrimônio cultural. O repórter fotográfico tem uma função social, como jornalista e
como artista, transmitindo conhecimento e provocando nossos sentimentos.
Jornalistas ou artistas? Não importa. O resultado de seu trabalho, informação ou
arte, geralmente ambos, é a projeção de seu ser, integra sua personalidade,
merecendo reconhecimento e proteção.
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Os repórteres fotográficos são autores e têm diretos sobre as fotos que produzem. A
evolução das leis de proteção autoral traduz-se, hoje, na Convenção de Berna
(Suiça), que regulamenta praticamente todas as leis de autor adotadas pelos países
membros, entre eles o Brasil. Por tratar de direitos sobre propriedades imaterial,
como é o caso das obras de arte, e criar nova categoria, os direitos morais,
imprescritíveis e inalienáveis que não encontram similar na sistemática do direito, a
legislação autoral acabou por se tornar um direito sui generis. Caso único também é
a forma como se dá a propriedade sobre obras de arte, que nasce, tão somente com
a expressão concreta do pensamento criativo.
A Lei n. 9.610/98 regula, em nosso pais, os diretos de autor, como consta do art. 1.o.
Essa lei regula os direitos autorais, entendendo-se sob essa denominação, os
diretos de autor e os que lhe são conexos. Ela substituiu a Lei n. 5.988/73, que foi a
primeira a tratar, especificamente, de direitos autorais no Brasil. A promulgação da
nova lei, melhorada e aperfeiçoada, demonstra a importância que o direito autoral
tem em nossos dias, principalmente em uma sociedade que produz e consome uma
quantidade e uma variedade de obras de arte nunca vista em outros tempos
(OLIVEIRA, 2009). O projeto tem a finalidade de informar os aspetos históricos do
município de Lauro de Freitas com fotografias e textos que permitiram o
entendimento da vida cotidiana dos entre os bairros do município, que de forma
peculiar vivendo independentes e como se fossem pequenas cidades.
A interação, isto é, a troca de experiências, saberes, estórias farão parte de uma
obra que servirá de consulta cultural e informativa fazendo parte de um processo
que mostrará a maneira própria de viver das comunidades e dos elementos culturais
que fazem parte do processo de produção existente nos quatro cantos da cidade.
Assim fica evidenciado que o jornalistas e o fotojornalismo são aliados e podem
influenciar não só sobre o que pensar, mas também como pensar e notar os fatos ao
seu redor com entusiasmo, emoção, verdade e positividade, rejeitando a teoria de
que os jornalistas não são simples observadores passivos mas participantes ativos
na construção da realidade. As noticias e as imagens devem ser encaradas como
resultado de um processo de interação social, moldando a realidade com integração
e na construção de uma sociedade um pouco mais igualitária, principalmente no
compartilhar das informações.
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REFERÊNCIAS
Carlos Ott, Povoamento do Recôncavo pelos Engenhos -1536 – 1888.
NELSON Traquina, Teoria do Jornalismo, porque as noticias são como são.
Florianópolis, insular, 2. Ed.,2005.
NUPAC – Núcleo do Patrimônio Histórico de Lauro de Freitas, historiadores
Gildasio Freitas e Emanuel Paranhos.
OLIVEIRA, Erivan Morais, Fotojornalismo uma viagem entre o analógico e o
digital. São Paulo, Cengage Learning, 2009.
PERSICHETTI, Simonetta, Imagens da fotografia brasileira. São Paulo; Estação
Liberdade, 1997.
WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre (internet).

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