Majestade e Realeza

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Majestade e Realeza
Majestade e Realeza
Muitos anos depois, a Rainha dos Países Baixos ainda se lembrava do encontro que teve
com o Munkaczer Rebe.
Eu ouvi a história a seguir do senhor Amos Wittenberg e contém elementos de Kidish
Hashem (santificação do Nome de D's). Hashgacha partit (Providência Divina),
hacarat haTov (gratidão) e emunat chachamim (credibilidade nos sábios).
Conseqüentemente, também é fascinante e inspiradora.
Em 1908, a Rainha Wilhelmina, da Holanda, saiu de férias para Marienbad, na Áustria,
próximo à fronteira com a Alemanha.
Uma vez que não era uma visita oficial, ela estava acompanhada por apenas uma
pequena comitiva. Também não houve nenhuma cerimônia de recepção em sua chegada
na estação de trem em Marienbad.
Quando a Rainha desembarcou do trem, percebeu uma grande multidão na plataforma.
Obviamente uma proeminente personalidade havia acabado de chegar em outro trem e
todos os presentes estavam tentando avistar a celebridade.
Depois de perguntar para algumas pessoas na estação, a Rainha Wilhelmina, ficou
sabendo que uma grande personalidade judaica, o Munkaczer Rebe - Rabino Tsvi
Hirsch Spira (1845 - 1914), autor dos livros "Darkê Teshuva" e "Beer Lechay Moed" tinha acabado de chegar. Assim, muitos de seus discípulos e admiradores foram à
estação em sua honra, para cumprimentá-lo e dar-lhe as boas vindas.
Depois de perguntar o que é um rebe, explicaram-lhe que é um homem muito piedoso,
de grande sabedoria, que dá bençãos e conselhos a muitos de seus seguidores.
Disseram-lhe que milhares de pessoas procuram os aconselhamentos de um rebe e
imploram-lhe que reze por elas. Freqüentemente, as preces de um rebe são atendidas e
aqueles que procuram sua bençãos vivem para ver seus pedidos se realizarem.
A rainha ficou fascinada. Ela nunca tinha ouvido sobre tais pessoas. Ela e seu marido, o
príncipe Hendrik, não tinham filhos e esse triste pensamento estava sempre em suas
mentes. Ambos, ela e o príncipe Hendrik, estavam preocupados com a continuação da
monarquia em sua família. A lembrança de que a rainha era a última na linhagem real
trazia-lhes muita angústia. Como filha única a rainha tinha três meios-irmãos, que já
tinham falecido. Assim, ela era a única herdeira viva do trono.
Ela olhava com muita curiosidade a enorme multidão pressionando-se para ver o
Munkaczer Rebe, mas não consguiu avistá-lo.
A rainha e sua comitiva saíram da estação de trem e, mais tarde naquele dia, ela pediu
que um de seus assistentes tentasse agendar uma audiência em algum lugar reservado
com o grande sábio. O assistente procurou o ajudante do rebe e recebeu a resposta que o
rebe poderia vê-la no dia seguinte em um lugar predeterminado.
No dia seguinte, sem que o público soubesse aonde ele fora, o Munkaczer Rebe chegou
em uma área restrita de um belo parque nos arredores da cidade. Aquele foi o local
combinado para o encontro.
A Rainha Wilhelmina foi acompanhada de dois assistentes, e o rebe também foi com
dois de seus jovens discípulos. Sentados em dois bancos no parque, o majestoso rebe e a
culta rainha começaram a conversar.
A rainha logo percebeu que o homem sentado à sua frente era uma personalidade de
grande estatura. Ela conversou com o rebe e explicou seu tormento e ansiedade por não
ter um filho que desse continuidade à monarquia nos Países Baixos. O rebe ouviu
atentamente a inquietude de sua nobre interlocutora. Finalmente, ele disse que ela não
precisaria se preocupar mais. Sua monarquia teria continuidade. Ao dizer isso, ele
utilizou a expressão hebraica "caet chayá", nesta época, no próximo ano; as mesmas
palavras utilizafas por Hashem para informar a Avraham Avinu que dentro de um ano
sua esposa Sará teria uma criança (Bereshit 18:10). A indicação clara era que entro de
um ano a rainha daria à luz uma criança.
Quando a rainha estava para partir o rebe ainda disse: "Malchutáh lô yinatec ad ki yavô
Shiló - Seu reinado não será interrompido até a vinda do Mashiach" (veja em Bereshit
49:10)
No ano seguinte, 1909, a rainha deu à luz uma menina e chamou-a de Juliana. Foi a
única criança que ela teve. Trinta e nove anos depois, em 1948, Juliana tornou-se rainha
dos Países Baixos. Sua filha Beatrix é a atual rainha.
A orquestração dos fatos que D"us faz em seu Universo são, muito frequentemente,
além da nossa compreensão. Escondidos em Seus caminhos misteriosos estão fatos que
costumamos não enxergar, mas eventualmente tornam-se insignificantes para nós. Veja
o que aconteceu a seguir.
O Rabino Yaacov Tzvi Katz era um proeminente talmid chacham, um estudioso da
Torá. Assim como seu pai, Shelomô, o Rabino Yaacov exerceu a função de rabino antes
do início da Segunda Guerra Mundial na cidade húngara de Hajduszoboszlo, ao sul de
Debrecen, perto da fronteira com a Romênia.
Durante a guerra, o Rav Yaacov Tsvi Katz foi levado para o campo de concentração de
Bergen-Belsen, onde sofreu terrívelmente. Doze volumes de seus escritos em halachá
foram queimados e seu amado filho de dezoito anos de idade, Shemuel, foi deportado
do gueto - nunca mais se ouviu falar dele. O Rabino Katz, entretanto, estavam entre os
que sobreviveram aos horrores do Holocausto. Depois da guerra, ele procurou
reconstruir sua vida.
Logo que pôde, o Rabino Katz voltou para a Hungria. Mas em pouco tempo percebeu
que haveria um futuro escasso para os judeus naquele lugar. Tentou emigrar para
Holanda, mas seu visto, como os de outras milhares de pessoas, foi negado. O Governo
dos Países Baixos tinha estabelecido uma quota restrita para a imigração.
O rabino tentou emigrar uma segunda vez, mas disseram-lhe que a Holanda estava
aceitando apenas aqueles cuja presença beneficiaria o país. As pessoas com profissões
que já eram abundantes nos Países Baixos não seriam aceitas. Segundo as autoridades
governamentais, já havia muitos Rabinos na Holanda e não eram necessários mais
indíviduos com essa profissão. Assim, o pedido do Rabino Katz foi novamente
rejeitado.
Certo dia, o rabino decidiu escrever diretamente à Rainha Wilhelminha. Ele explicou
detalhadamente suas dificuldades durante a guerra e seu anseio de morar na Holanda.
Depois ele ainda escreveu: "Com certeza, Vossa Majestade se recorda daquele encontro
que preservou a continuidade da monarquia na Holanda".
Na carta, ele detalhou a entrevista em Marienbad com o Munkaczer Rebe. O Rabino
Katz escreveu que o rebe insistiria em levar os dois rapazes consigo. A rainha falaria em
alemão e ele necessitaria de intérpretes. Finalmente, o Rabino Katz escreveu:
"Eu era aquele rapaz de dezoito anos que acompanhou o Munkaczer Rebe. Fui eu que
transmiti as maravilhosas novidades do grande sábio, que Vossa Majestade teria uma
criança dentro de um ano. Agora, imploro-lhe: em reconhecimento ao meu humilde
serviço no passado, que Vossa Majestade me conceda permissão para emigrar para o
seu maravilhoso país. Sentir-me-ei eternamente em débito com Vossa Majestade".
A carta logo chegou ao palácio da rainha. Como estava escrita em yídish primeiramente
foi enviada a um ministro, para que providenciasse a sua tradução. Um idoso chazan
russo, chamado Rabinowitzm, foi chamado para traduzi-la. O chazan leu a carta e,
percebendo seu significado, traduziu-a com o máximo de fervor e emoção que
conseguia transmitir. O texto traduzido foi então levado para a rainha.
O filho do Rabino Katz, Moshê, que morava na Inglaterra, explicou depois por que
motivo seu pai não escreveu a carta em alemão. O Rabino Katz temia que algum
secretário da rainha ou outra pessoa qualquer entendesse alemão jogasse a carta fora.
Escrita numa língua que nenhum deles poderia entender, a carta despertaria sua
curiosidade e então seria traduzida. Uma vez traduzida, ela seria obrigatóriamente
entregue à rainha.
Depois de ler e reler a carta, a Rainha Wilhelmina cuidou pessoalmente para que s
vistos para o rabino fossem emitidos rapidamente. Pouco depos, o Rabino Katz chegou
em Amsterdã.
O rabino da cidade naquela época era o Rabino Aharon Neuwirth - pai do Rabino
Yehoshua Neuwirth, autor do livro Shemirat Shabat Keilchatáh". Pouco tempo depois,
ele decidiou deixar seu cargo e mudar-se para Israel. O Rabino Katz foi imediatamente
indicado como seu sucessor e serviu como rabino em Amsterdã até o fim de sua vida.
O Rabino Katz nunca se esqueceu da bondade da família real e, na introdução de seu
livro "Lekêt Kemach Hachadash, vol. III" - o primeiro de seus livros impressos depois
da guerra - ele escreveu: "Hashem guiou meus passos até Amsterdã através da
intervenção pessoal da magnânima Rainha Wilhelmina - que Hashem exalte sua glória antes de abdicar do trono para sua filha a Rainha Juliana. Que sua monarquia possa
continuar "ad ki yavô Shilô".
Maravilhado pela incrível providência Divina de estar no local certo na hora certa, o
Rabino Katz empregou as mesmas palavras utilizadas pelo Munkaczer Rebe ao
abençoar a rainha: "Ad ki yavô Shilô" - até a vinda do Mashiach. Palavras que
descrevem as esperanças e aspirações de todo Kelal Israel.
Que todos nós possamos viver "ad ki yavô Shilô", rapidamente em nossos dias, e que
possamos apreciar em nossas vidas diárias a extraordinária providência Divina.
Do livro "Echoes of the Maggid: do Rabino Pessach J. Krohn. Publicado com
permissão da Mesorah Publications.