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LA ATENCIÓN DE SALUD PARA LOS ADOLESCENTES CON DEPRESIÓN EN UNA
PEQUEÑA CIUDAD EN EL NORESTE DE BRASIL
A ASSISTÊNCIA À SAÚDE DO ADOLESCENTE COM DEPRESSÃO EM MUNICÍPIO DE
PEQUENO PORTE NO NORDESTE DO BRASIL
Maria Priscilla Cibelle Ferreira Silva*, José Giovani Nobre Gomes*, Ellany Gurgel Cosme do
Nascimento*
* Enfermeiro(a), especialistas, docentes no curso de enfermagem do “Campus avançado Profª Maria
Elisa de Albuquerque Maia” – Universidade do estado do Rio Grande do Norte - Brasil.
[email protected]
Adolescente, Assistência integral à saúde, Serviços de saúde para adolescente, Depressão.
RESUMEN:
(INTRODUCCIÓN) El adolescente desarrolla de transformaciones complejas y dinámicas, la
crisis de identidad es uno de los factores desencadenantes de los trastornos emocionales como la
depresión.
(OBJETIVO) Queremos saber/comprenderel ser adolescente, las manifestaciones clínicas de la
depresión cuando esto es un portador, la organización de servicios de salud en la Psiquiatría de Pau
Ferros- RN.
(MÉTODOS) Fue hecho un estudio bibliográfico sobre las políticas de salud-enfermedad,
políticas públicas relacionadas a los adolescentes, manifestaciones biopsicosociales, especialmente la
depresión, tanto en lo carácter teórico como empírico. Se realizaron visitas y entrevistas
semiestructuradas como cuestionarios a los profesionales de los servicios de salud mental, red
pública y privada del municipio de Pau dos Ferros - RN.
(RESULTADOS) Se observa que la asistencia ofrecida a los adolescentes se limita acciones
verticalista y informaciones relativas a las personas c on depresión, los datos son desconocidos, no
hay asistencia profesional, con excepción de lo CAPS, que ha luchado por mantener una política
apoyo a los adolescentes con enfoco en la inserción familiar y social. Para el sector privado se ha
una atención individualizada, en el que la familia se presenta sólo como un espacio modular de la
atención, intervenciones son dirigidas solamente manera superficial, con pautas de tratamiento.
(CONCLUSIÓN) Hay la necesidad de romper con limitaciones y dependencias del modelo
hegemónico en la asistencia a la salud de los sectores público y privado, así subsidiar el adolescente
para minimizar su sensación de fragilidad e indefensión y garantizar, así, la calidad de vida para
adolescentes con depresión.
RESUMO:
(INTRODUÇÃO) O adolescente se desenvolve a partir de transformações dinâmicas e
complexas, sendo a crise de identidade fator desencadeante para distúrbios emocionais, como a
depressão.
(OBJETIVO) Conhecer o ser adolescente, as manifestações clínicas quando portador da
depressão e a organização dos serviços de saúde em Psiquiatria de Pau dos Ferros – RN.
(MÉTODOS) Estudo bibliográfico, sendo realizado visitas aos serviços de saúde e aplicação de
entrevistas semi-estruturadas aos enfermeiros das Unidades de Saúde da Família e questionários
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aos profissionais Psicóloga no CRI, Técnico de Enfermagem da APAE e Enfermeira do CAPS II, e o
Médico Psiquiatra de uma clínica particular, todos serviços assistenciais do município de Pau dos
Ferros – Brasil/RN.
(RESULTADOS) Percebe-se que a assistência oferecida aos adolescentes está restrita a ações
verticalizadas, inexistência de dados específicos sobre os portadores de depressão, a assistência
disponível somente no CAPS, que tem se esforçado em manter uma política de apoio e inserção
familiar e social desse adolescente. Para o setor privado, tem-se uma assistência individualizada, em
que a família se apresenta apenas como espaço modular da assistência, orientada a participar das
intervenções de forma superficial, com orientações terapêuticas.
(CONCLUSÃO) Urgi a necessidade de romper com as limitações e dependências do modelo
hegemônico em saúde nos espaços do público e privado, subsidiar o adolescente para minimizar
suas fragilidade e sensação de desproteção, e assim garantir qualidade de vida aos adolescentes
portadores da depressão.
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INTRODUÇÃO
Adolescentes e jovens, por serem consideradas pessoas saudáveis, não têm a necessária
atenção à saúde, sendo visualizado apenas nas questões de saúde reprodutiva. As condições de
saúde desse grupo populacional tornaram-se um diferencial que evidencia a sua vulnerabilidade
frente às diferentes formas de viver, evidenciadas pela não compreensão da sua forma de inserção
social, bem como o seu modo de produzir e reproduzir-se socialmente.
Com isso, o adolescer perpassa por todo um processo biológico, psicológico e sociocultural,
caracterizado por transformações intensas, que irão desenvolver no jovem sua personalidade, seus
valores, receios e comportamentos. Tais transformações são tidas como cruciais, confusas e
desencadeantes de rebeldia e/ou depressão, o que leva a acreditar que a adolescência é um período
com vários conflitos, momentos de definições da identidade sexual, profissional e construção de
valores, sujeitos a crises, o que muitas vezes pode ser visto como patologias ou até mesmo um
quadro típico da adolescência¹.
A crise de identidade sempre vista como um período de perdas, angústia, dificuldades de
relacionamento intra e interpessoais e de autocontrole, preconiza a necessidade de conhecer, para
não correr o risco de se apropriar de uma identidade negativa, pautada em conflitos, medo e solidão
constante. Essa crise faz com que o adolescente expresse a noção e necessidade de grupo social,
que muitas vezes, funciona positivamente, por reconhecê-lo como parte integrante da sociedade.
No entanto, por procurarem novos padrões de comportamentos e grupos que se assemelham
ao seu novo jeito de se ver, o jovem, na pior das hipóteses, por não ter um norte a seguir, acaba
perdendo sua identidade, em nome de uma ideologia incorporada, para ser aceito em determinado
grupo, pela necessidade de se pertencer a um grupo, já que vivencia inúmeros conflitos em casa,
por não se ver enquanto criança nem adulto. Assim, o grupo ajuda o adolescente a se encontrar,
contribuindo para a formação de sua identidade no contexto social, devido no grupo haver uma
uniformidade de comportamento, pensamentos e hábitos, o que proporciona modelos de um para o
outro, sofrendo angústias semelhantes, experimentando as descobertas².
Em relação aos principais problemas de saúde que afetam o (a) adolescente, tem-se o
ambiente familiar, isso porque, teoricamente, é o lugar onde mais se tem cobranças, repressão de
atos e conflitos, proporcionando uma diversidade de manifestações físicas e emocionais, como é o
caso da agressividade, tristeza e doenças psicossomáticas, os quais se transformarão em problemas
e frustrações absorvidos com veemência e com poder indutivo para ações causadoras de mais
desordens e impossibilidade de aprendizagem e autocontrole.
No que se refere aos aspectos psicossociais, o adolescente é percebido como um ser que lida
diariamente com perdas e pela falta de maturidade para lidar com essas situações, acaba por
vivenciar flutuações de humor, afetividade e opiniões, gerando episódios de desânimo, fraqueza,
tristeza, desesperança e até depressão, que interfere significativamente na vida diária, nas relações
sociais e no seu bem-estar. O suicídio é a complicação mais grave do quadro depressivo, se
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apresentando como um ato de fuga, induzido pela necessidade de acabar com o sofrimento, que lhe
é causado e na sua concepção, disseminado para os familiares e amigos.
Segundo Ballone³, cerca de 5% da população mundial sofre de depressão, e que 10% a 25%
apresenta um episódio depressivo em algum momento de sua vida, sendo muito frequentemente
durante a adolescência, idade entre 15 e 19, apesar de nem sempre ser reconhecida. Dados
confirmados por Dr. Ricardo Krause, chefe do programa de depressão na infância da Santa Casa da
Sé no Rio de Janeiro - RJ, citado por Roseane, jornalista do Mundo News, que estatisticamente
revela ser 12% das crianças e adolescentes no Brasil sofrem de depressão4. E, para a Organização
Mundial de Saúde5 (OMS) a depressão atinge até 20% de meninos e meninas nessa faixa etária em
todo o mundo, e que para o Brasil, estudos indicam que esse percentual fica entre 8% e 12%4.
Assim, os adolescentes apresentam sintomas depressivos que muitas vezes, não são
valorizados ou passam despercebidos, por acreditar que são apenas alterações próprias da idade.
Contudo, para alguns autores a sintomatologia é característica, deve obedecer a um diagnóstico
preciso e um tratamento adequado, observando as diferenças existentes entre os sexos, como a
presença de sintomas mais subjetivos nas mulheres, vazio, raiva e ansiedade, bem como a
preocupação com a popularidade e aparência, e nos homens, sentimentos de desprezo e desdém,
assim como, fugas de casa e falta às aulas, violência física e abuso de substâncias.
A freqüência de comportamentos autodestrutivos, entre adolescentes e jovens merece
atenção especial, pela sociedade e pelo setor saúde, haja vista que as tentativas poderão culminar
em ato completo, a maioria dos jovens que conseguiram suicidar-se havia feito tentativas prévias, o
que merece ser um foco de alerta, considerando que as ações de envenenamento são freqüentes
para as mulheres e atitudes mais violentas, como o uso de armas de fogo e enforcamento para os
homens3.
É necessário manter um estado de vigia, conhecer o adolescer mediante as tensões da vida
cotidiana, agravadas por não saber lidar com as próprias manifestações da adolescência, atentando
para comportamentos que visualize o medo de fracassar, a pressão para realizar inúmeras tarefas e
importantes escolhas, no sentido de, estabelecer estratégias de prevenção de casos novos e
possíveis recidivas.
Nesse sentido, o presente estudo buscou conhecer o ser adolescente, as manifestações
clínicas quando portador da depressão e a organização dos serviços de saúde em Psiquiatria no
município de Pau dos Ferros – Brasil/RN.
METODOLOGIA
Estudo transversal, de caráter descritivo. A coleta de dados ocorreu através de visitas aos
serviços do município, contemplando as Unidades Básica de Saúde- UBS, Unidade Saúde da Família
Princesinha do Oeste, São Benedito e São Judas Tadeu, a APAE – Associação de Pais e Amigos
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Excepcionais, o Centro de Reabilitação Infantil e Adulto – CRI e o Centro de Atenção Psicossocial II –
CAPS II, e uma Clínica especializada da rede privada, no sentido de conhecer as manifestações
clínicas de um adolescente com depressão e a assistência/intervenções oferecida a esse usuário,
considerando que o ato de conhecer, no seu primeiro momento é uma descoberta plena de incerteza
e dúvida, sua base é o julgamento desconfiado e seu sucesso, um acesso verificado 6.
Aplicação de entrevistas semi-estruturadas com os enfermeiros das respectivas UBS e
questionários para Profissionais Técnicos de Enfermagem – APAE, Psicólogo - CRI, Enfermeiros –
CAPS II e Médico Psiquiatra – Clínica Especializada, no sentido de viabilizar respostas direcionadas
ao envolvimento direto desses profissionais no atendimento ao adolescente com depressão.
CONHECER PARA ACOLHER E ATUAR
Para as Unidades Básicas de Saúde (UBS), têm-se como entrevistados, os enfermeiros, os
quais serão identificados por nomes bíblicos para diferenciá-los: USF – Princesinha do Oeste: Daniel,
USF – São Benedito: Jacó e ESF – São Judas Tadeu: David.
É interessante observar que a ida desse indivíduo ao serviço da atenção básica ainda está
fortemente relacionada à sexualidade, confirmando o estigma de que o adolescente ainda é visto
como “máquina de fazer sexo”, por isso à preocupação com sistema reprodutor, o que contraria
toda a sua dimensão física, psíquica e social, construída ao longo da sua formação enquanto sujeito.
Para título de referência, os entrevistados, por unanimidade referiram o CAPS, porém, não se
tinha acompanhamento associado, o que nos leva a perceber que o adolescente é “entregue” a
outro serviço, sem a segurança de ser acolhido e reconhecido enquanto pessoa, primeiro por não se
estabelecer vínculo com a UBS de sua área de abrangência e depois, por teoricamente não fazer
parte do serviço a qual está sendo referenciado. É importante ressaltar ainda que em nenhum
momento, os entrevistados mencionaram os programas elaborados pelo Ministério da Saúde, o
PROSAD e o Adolescer – Compreender, Atuar e Acolher, como estratégias para qualificar a
assistência direcionada a esse público.
Para os demais questionamentos sobre a existência e o amparo do adolescente com
depressão, não obtive resposta de nenhum entrevistado(a), por não terem conhecimento de que na
sua unidade existe algum jovem com depressão. E, quando perguntados sobre o SUS e sua proteção
oferecida à população jovem, foram de comum acordo em dizer que a deficiência está na gestão e
na falta de prioridades das reais necessidades desses.
Sendo que David foi mais além, quando diz que, O SUS ideal traz em seu bojo mecanismos
tão
complexos
para
a
efetivação
da
integralidade,
destacando
a
vigilância
à
saúde,
a
intersetorialidade, a necessidade de novos saberes e atores capazes de realizar uma leitura profunda
no contexto em que se insere o adolescente e que lhe suscite novas carências e possibilidades de
reorientação da assistência, sim. Por outro lado, o SUS real, com suas inúmeras dificuldades de
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implementação, especialmente no âmbito da gestão e do financiamento, não atende de forma plena
não só a saúde do adolescente, como também do idoso, da mulher e assim por diante.
Em que para Daniel, esta situação poderia ser amenizada se promovesse de certo modo a
participação dos jovens nas famílias e sociedade, bem como no trabalho, na assistência básica, nos
movimentos sociais e em escolas, idéia complementada por Jacó que diz ser importante contar com
parceria permanente de outros profissionais, além das UBS.
Já David avança com propriedade quando acredita que, o exercício do controle social para a
efetivação da integralidade, equidade e universalidade, fosse um dos passos indispensáveis. Isso
porque, a participação popular na definição das políticas públicas de saúde e na fiscalização de sua
implementação pelos gestores nas três esferas do poder é uma garantia de inovação e
reconhecimento de que é preciso unir saberes, para a efetivação e consolidação do SUS. Assim, o
usuário, espera que exista a relação trabalhador de saúde – usuário, que seja capaz de promover
acolhimento, responsabilização com o seu sofrimento e seu problema, ou seja, espera que o
conjunto de ações de saúde ao qual se dispõe a se submeter lhe traga benefícios e quando isso não
acontece é desacreditado7.
Talvez por isso, que os registros dessa patologia na adolescência no setor público, foram
inexistentes, comprovando assim, os casos de subnotificação, no que se refere à depressão na
adolescência, em que epidemiologicamente falando, as taxas de prevalência obtidas com
instrumentos de rastreamento variam de 13,5 a 35,2%, quando pais ou substitutos são os únicos
informantes, e quando os próprios adolescentes fornecem informações, as taxas variam de 12,6 a
13,1%, sendo que para os professores, informantes exclusivos, as taxas são menores, variam entre
8,3 e 10,3%8.
Nesse contexto, as informações sobre a existência de adolescentes com depressão a APAE, o
CRI e o CAPS II foram unânimes em responder que não existiam adolescentes com esse transtorno
psicótico. APAE afirmou que seus usuários são os portadores de deficiência mental, associadas ou
não a outras deficiências ou autismo e que no momento não tinha registro de algum adolescente
especial com depressão. O CRI, embora atenda essa clientela específica, ressaltou que os
adolescentes atendidos em seus serviços estavam direcionados a reabilitação e estabilização de
quadros clínicos desenvolvidos em sua estrutura física, e que no momento não existia nenhum
adolescente com essa patologia associada.
O CAPS II, unidade de saúde referência para essa demanda, afirmou na faixa etária
estabelecida de 10 a 20 anos e proveniente da cidade de Pau dos Ferros – Brasil/RN, não existia
nenhum caso, então os casos existentes, não entraria para título de amostragem. Mediante esta
realidade indaga-se sobre onde encontrá-los, haja visto que estatisticamente acreditar que este
quadro não representa a realidade numa cidade de médio porte, no alto oeste potiguar, com uma
população de 26.727 habitantes.
Fato justificado pelo psiquiatra responsável pela clínica especializada, que diz, ser sempre
difícil para os pais ou familiares associarem determinada sintomatologia no adolescente com uma
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doença mental. Pois, na fase da adolescência é comum interpretar a sintomatologia depressiva como
parte da “fase”, e ainda, as emoções das famílias com relação ao adolescente deprimido variam
entre a incompreensão e o envolvimento excessivo. Alguns pais só procuram assistência quando o
adolescente deixa de se alimentar ou tenta suicídio. O que nos faz acreditar que, as famílias ainda
não compreendem o adolescer, e o medo e o preconceito interfere e camufla a realidade.
Para a psicóloga do CRI, no que concerne a assistência direcionada ao adolescente, em sua
concepção deixa lacunas, porém quando trabalhada de forma equivalente com os princípios
norteadores do SUS, corresponde ao esperado, lembrando que, nem sempre esse sistema irá suprir
todas as necessidades, até porque, de acordo com a psicóloga esse ‘dá conta das reais necessidades
apresentadas pela população jovem’ não existe de fato, sempre haverá outras e outras
necessidades. Já em relação aos motivos que levam esses adolescentes a procurar o serviço, no
geral correspondem às incapacidades físicas, devido a um acidente e/ou alguma deficiência desde o
nascimento.
Em relação à família, a entrevistada deixa claro que o envolvimento familiar com o serviço é
restrito as consultas, não há uma interação e nem se conhece como acontece o relacionamento
intrafamiliar. O que acaba por se configurar enquanto falha, em que o estabelecimento de vínculo
poderia ser uma grande ferramenta capaz de desempenhar laços afetivos e assim, propor novas
práticas de agir em saúde, impedindo que a relação se rompa diante dos mal entendidos,
incompreensões dos diferentes contextos de vida e insucessos que por ventura possam aparecer
pelo processo de busca de soluções para os problemas de saúde9.
A psicóloga acrescenta ainda, com entusiasmo que a escuta e o diálogo são os eixos
norteadores para a assistência e, que a utilização de medicamentos quase nunca é utilizada. O
limitante é que essas conversas estão restritas ao quadro clínico apresentado e não ao envolvimento
de usuário/família.
Para o CAPS II, tem-se também, uma equipe multidisciplinar, em que a enfermeira deixa
claro que, o atendimento em sua unidade está baseado nos princípios do SUS, mas que, existe uma
grande omissão no que se refere à assistência direcionada ao adolescente, pois não existe uma
prática efetiva da política de saúde mental apropriada para essa faixa etária, o que, para efeito
compensador poderia se pensar na educação, embora este setor, da forma como se encontra
também se mostra ineficiente. Nesse sentido, é bom lembrar que, o SUS é uma rede de cuidados,
então cabe aos gestores uma articulação maior entre os níveis de governo e sociais para agenciar e
apoiar mudanças de interesse sanitário e que consolide de fato o Sistema Único de Saúde 10.
Já para fonte de parceria e responsabilização com a assistência, diferentemente do CRI, o
CAPS convida a família para assumir a responsabilidade do cuidado com a equipe, exigindo
comprometimento para o cuidado coletivo em promover e manter a autonomia do usuário,
proporcionando a possibilidade de transformação, reconquistando a cidadania, seu espaço social 11.
Assim,
percebe-se
uma
preocupação
maior
com
o
adolescente
depressivo,
certo
direcionamento para a sua re-inserção no contexto social, bem como o desenvolvimento para o
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equilíbrio emocional, em que práticas educativas e interativas, reuniões com os familiares e o
próprio adolescente, são algumas de várias atividades utilizadas pelo centro de atenção, em realizar
sua assistência, de modo a garantir a efetivação de suas vontades, desejos e de ser de fato
considerado enquanto sujeito. Para assim, pensar numa melhor convivência, já que de modo geral,
a assistência propriamente dita a esse grupo fica a desejar, por não ter profissionais suficientes e
qualificados para atender essa demanda.
Dessa forma, e de modo geral, o CAPS é um serviço de transformação da atenção em saúde
mental, pois substitui uma internação de longo período por um tratamento inclusivo na família e na
comunidade, colaborando para a recuperação, reintegração social com sofrimento psíquico 11.
Dessa forma, em uma unidade de saúde da rede privada, Clínica Psiquiátrica, foram
coletados dados em prontuários eletrônicos, num universo de pacientes residentes em Pau dos
Ferros – Brasil/RN, atendidos no ano de 2008, numa faixa etária de 10 a 20 anos, chegando a uma
amostragem de 50 adolescentes, com indicadores representativos de transtorno mentais, sendo 11
para a Depressão. Apresentando assim, as expectativas encontradas na epidemiologia da saúde
mental no Brasil, como mostra o gráfico 01, distribuição de transtornos mentais em adolescentes
atendidos em um serviço privado em Pau dos Ferros – 2008, pois há registros de adolescentes com
depressão, em que no ano de 2008, foram registrados 11 casos, sendo a maioria acompanhada por
especialistas, psiquiatra e psicólogos. Bem como, outras patologias, que merecem destaque, como:
Retardo mental, esquizofrenia e transtorno de ansiedade.
Assim, esse resultado para o quantitativo da depressão confirma a epidemiologia escrita, pois
com onze usuários, temos 22% de adolescentes atendidos na rede privada em 2008. Desse todo,
podemos dissociar em sexos, obtendo 04 masculinos e 07 femininos, fato comprovadamente
relatado por Dráuzio Varela (2008) que diz que o número de casos entre as mulheres é o dobro dos
homens. Porém, não se sabe se a diferença é devida a pressões sociais, diferenças psicológicas ou
ambas.
Essa patologia de modo geral, interfere drasticamente com a qualidade de vida, pois
interrompem a interação intra e interpessoal, apresentando sentimentos temporários de tristeza,
com choro fácil, alteração no sono, e dificuldades em concentrar-se, como mostra o gráfico 02, com
os principais sintomas apresentados nos adolescentes com depressão.
Concepção confirmada pelo psiquiatra, que diz, nem sempre no adolescente a depressão se
manifesta com os sintomas clássicos vistos no adulto. Muitas vezes, apenas a irritabilidade,
dificuldades na escola e sonolência excessiva são os sintomas mais evidentes. E ainda, de acordo
com o mesmo a depressão é uma doença que tira os prazeres. Prazer pela vida, pelos planos do
futuro, além de prejudicar a memória e a concentração, funções psíquicas tão importantes na escola
que é comum o abandono das atividades escolares, supervalorizando perdas, eventos negativos,
conflitos, ao mesmo tempo está mais sensível a tudo isso.
Assim, é possível observar que a sintomatologia já é esperada e que os cuidados podem ser
planejados de forma satisfatória, seguindo os limites e possibilidades de cada usuário, no sentido de
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amenizar o sofrimento, restabelecer a cura e proporcionar melhor qualidade de vida.
Na oportunidade, foi visualizado o tipo de tratamento destinado a cada paciente, alcançando
os seguintes resultados: 99% estavam sendo submetido ao tratamento medicamentoso e apenas
1% para o não medicamentoso, isso nos faz considerar que há uma resistência muito grande em
procurar o serviço especializado, chegando ao mesmo, com a patologia já instalada ao ponto de um
tratamento não medicamentoso, não surtir o efeito esperado, como se estivesse no início. O
psiquiatra ainda acrescenta geralmente só se procura um psiquiatra quando o paciente já passou
por vários outros profissionais como psicólogo, rezador, clínicos gerais etc..
Desses onze adolescentes com depressão, quatro tiveram acompanhamento associado ao
psicólogo, tendo em vista a necessidade apresentada pelos mesmos. O que nos confere a
importância em partilhar informações e desenvolver projetos terapêuticos de uma forma
interdisciplinar, não fragmentando o indivíduo, muito menos a assistência, exercendo maior
responsabilidade e compromisso com o restabelecimento e cura do usuário. Dessa forma, os
projetos terapêuticos não são produtos da simples aplicação dos conhecimentos sobre a doença,
mas sim, na perspectiva da integralidade, eles surgem do diálogo entre os profissionais da saúde,
usuário-família e do próprio serviço de saúde12.
Assim, essa característica propõe um novo modelo assistencial que considera o usuário
enquanto sujeito, co-responsável pelo desenvolvimento da terapêutica, em que suas revelações
sobre a inserção no âmbito social, econômico e cultural, irão proporcionar a compreensão sobre o
seu modo de ser e de viver em sociedade, evidenciando de forma mais precisa a identificação das
necessidades, conseqüentemente, sua transformação/superação. Note-se que, é uma construção em
conjunto, no sentido de viabilizar um projeto de intervenção capaz de dar respostas favoráveis ao
tratamento.
Porém, outro fator observado mostra que, do total, quatro abandonaram o tratamento, não
retornando para acompanhamento/avaliação. O que nos instiga para alguns questionamentos,
como: Por que esses usuários desistiram do tratamento? Será que a forma como o tratamento foi
conduzido era satisfatório e atendia as necessidades mostradas pelos usuários? Será que a escolha
do tratamento foi escolhida e avaliada em conjunto, com o paciente, familiares e o profissional de
saúde? O psiquiatra diz que os motivos mais freqüentes são os efeitos colaterais dos medicamentos,
a demora para obtenção de melhora, que pode levar até seis semanas e o medo de ter que tomar
remédios para a toda vida.
Mesmo assim, é possível inquietar-se e analisar: Será que os profissionais envolvidos,
estabeleciam cada qual a sua terapêutica independente, sem articulações ou discussões entre eles,
e ainda desconheciam a sua produção e reprodução social? Na perspectiva da integralidade,
podemos dizer que não devemos reduzir um sujeito à doença que lhe causa sofrimento. Ao
contrário, devemos considerar, além dos nossos conhecimentos sobre as doenças, o conhecimento
sobre os modos de andar a vida daqueles com quem interagimos nos serviços de saúde. Isso implica
a busca de construir, a partir do diálogo com o outro, projetos terapêuticos individualizados 12.
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Isso porque, a idéia de saúde-doença como um processo, traz novos modos de agir em
saúde, visualizando o sujeito como objeto da atenção, mantendo uma postura inovadora capaz de
estabelecer
novas
práticas
mais
apropriadas
a
resolução/transformação
das
necessidades
apresentadas, seja em quaisquer níveis de complexidade.
Dessa forma, percebe-se que os serviços de saúde de Pau dos Ferros – RN, ainda não estão
preparados para uma assistência de qualidade ao adolescente com depressão, pois muitos são os
percalços a ser vencido, como a fragmentação da atenção, a valorização da doença em detrimento
do sujeito e a não construção de vínculos com o usuário/família, bem como o não conhecimento do
seu modo de viver, entre outros.
CONCLUSÃO
Observa-se que as ações acontecem de forma verticalizada e não há padrões estabelecidos
para esse tipo de assistência. Os serviços de saúde de Pau dos Ferros - Brasil/RN apresentam
desconhecimento sobre o adolescer e consequentemente não suprem suas necessidades, por
pensarem erroneamente em práticas que visualizam apenas a sexualidade e as drogas, e como
intervenção individual, o sistema reprodutor.
Assim, as UBS deixam lacunas em suas atividades assistenciais, tendo em vista não conhecer
em sua área de abrangência, adolescentes com depressão, mesmo que não sejam de sua
competência, mas que seria necessário a parceria e acompanhamento das ações, tornando-se coparticipe nesse processo assistencial. Utilizando-se de estratégicas terapêuticas que interfiram no
contexto familiar/social do indivíduo e da família.
Atender um adolescente com depressão é acolher também seus familiares e a sua forma de
produção e reprodução social, proporcionando uma assistência de responsabilidade multiprofissional
e intersetorial, que descentraliza o saber, o poder pela divisão das responsabilidades e desperta
para a construção de vínculos. O essencial da terapêutica é fazer com que o adolescente sinta-se
aceito, acolhido e estimulado e colabore com o tratamento.
Em relação a APAE, o CRI e o CAPS II precisa realizar ações coerentes com as necessidades
dos adolescentes portadores de depressão, iniciando com a busca e o diagnóstico dos casos, e
criação de uma parceria com as clínicas privadas, para encaminhamento dos casos. Haja visto
encontramos vários registros de adolescentes com depressão, compatíveis com índices nacionais na
clínica especializada privada.
Para superação desse contraste na atenção à saúde, é preciso intervenção para organizar os
serviços em rede, numa perspectiva resolutiva com centralização no usuário-sujeito, fazendo
desaparecer o amadorismo em saúde mental, rompendo as limitações para garantir qualidade de
vida aos adolescentes portadores de distúrbios mentais, como a depressão.
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-1115º Congreso Virtual de Psiquiatria.com. Interpsiquis 2014
www.interpsiquis.com - Febrero 2014
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LA ATENCIÓN DE SALUD PARA LOS ADOLESCENTES CON DEPRESIÓN EN UNA
PEQUEÑA CIUDAD EN EL NORESTE DE BRASIL
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 01: Distribuição de Transtornos Mentais em Adolescentes Atendidos em um
Serviço Privado em Pau dos Ferros - 2008
Fonte: Prontuários Eletrônicos de Clinica Psiquiátrica (2008)
Gráfico 02: Principais Sintomas Apresentados nos Adolescentes com
Depressão
Fonte: Prontuários Eletrônicos de Clinica Psiq
-1215º Congreso Virtual de Psiquiatria.com. Interpsiquis 2014
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