SIMBOLISMO — PARTE 1

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SIMBOLISMO — PARTE 1
PORTUGUÊS - 2o ANO
MÓDULO 37
SIMBOLISMO — PARTE 1
C
d
p
s
c
o
fi
n
p
c
e
a
p
n
e
v
c
e
a
v
c
e
f
p
Como pode cair no enem
Gata
De neve, de uma maciez de arminho e lactescência
de neve, de uma nervosidade frenética, era luxuosa,
principesca, decerto, essa orgulhosa gata.
As esmeraldas dos seus olhos claros fosforeavam
sensualmente, eletricamente, quando alguém, no
conforto da casa, lhe acarinhava de manso o dorso,
o focinho tenro, pomposo, espiguilhado de prateados
fios sutis. E, no seu lindo pelo cetinoso e alvo, como
numa fresca e virginal epiderme de mulher aristocrata,
perpassava um frisson de ternura, um estremecimento,
como se em toda ela vibrasse alguma fibra de espiritual
e amoroso.
E era então fidalga nas sensações, no ronronar
apaixonado, ao luar, sob o cintilante cristal das estrelas,
pelas caladas vastidões da noite, ou nas horas de sesta,
nos quentes, enlanguescedores mormaços , preguiçosa
e fatigada, anelando o repouso, numa onda de gozo e
volúpia, enroscada, serpenteada, torcicolosa e convulsa,
como um organismo suave e débil que um vivo azougue
eletriza e agita.
Talvez fosse a alma de alguma vaporosa rainha que
ali vivesse nesse precioso animal, alguma misteriosa
visão polar dentro daquele feltro branco, daquela pelúcia rica, daqueles flocos eslavos, algum sonho, enfim,
errante, vago, perdido nesse nobre exemplar felino de
formas lascivas, flexuosas e delicadas.
Às vezes, mesmo, ela errava, como a nômade que
perde a rota da caravana pelos desertos escaldados
de sol, em busca de alimento; e os seus olhos, penetrantes no verde úmido e agudo das luminosas pupilas, mais até fantasiosa a tornavam e mais nevoeiro
davam à sua lenda de fadas.
(...)
(Cruz e Sousa)
Glossário:
1) arminho: roedor de pelo felpudo.
2) lactescência: brancura.
3) fosforear: brilhar.
4) anelar: desejar.
5) azougue: agitação.
Marque a opção correta sobre a análise do texto:
a) Trata-se de um texto modernista pela ausência de
métrica e rima e pela incorporação de elementos do
cotidiano.
b) É característico do estilo simbolista pela presença
de um ar artistocrata e pela predominância de valores
reflexivos e lógicos.
c) O autor adota a característica temática parnasiana
da impassibilidade diante do ser a que se refere.
d) Trata-se de um texto simbolista pela abordagem de
traços sensoriais, pela forte presença de sinestesias e
pela percepção de uma atmosfera imprecisa.
e) No fazer poético parnasiano, o artista deveria
dedicar-se inteiramente a procurar a expressão exata,
a combinar as palavras, a encontrar as rimas mais
preciosas, a imagem mais bonita, como se percebe
no texto acima.
Fixação
F
1) O fragmento abaixo, do poema Romance das Igrejas de Minas, de Murilo Mendes, pertence ao
Modernismo. No entanto, é possível encontrar nele um traço expressional próprio do Simbolismo.
Identifique-o, exemplificando.
A igreja agora agasalha
Uma densa multidão
Que procura comovida
Nos mistérios redivivos
Da nossa religião
Novo alento, luz e vida,
Sustento, consolação.
Sinos de bronze ressoam.
Ressoam sonoros sinos;
2
Vejo figuras de orantes.
c
t
Orantes e comungantes
Com os braços estendidos
Orando íntima oração
Glossário:
• redivivo: ressuscitado.
Fixação
O amor, a união e o trabalho de todos nós junto ao pai era uma mensagem de pureza
austera guardada em nossos santuários, comungada solenemente em cada dia, fazendo o
nosso desjejum matinal e o nosso livro crepuscular; sem perder de vista a claridade piedosa
desta máxima, meu irmão prosseguia na sua prece, sugerindo a cada passo e discretamente
a minha imaturidade na vida, falando dos tropeços a que cada um de nós estava sujeito ,
e que era normal que isso pudesse ter acontecido, mas que era importante não esquecer
também as peculiaridades afetivas e espirituais que nos uniam, não nos deixando sucumbir
às tentações, pondo-nos de guarda contra a queda (não importava de que natureza), era
este o cuidado, esta pelo menos a parte que cabia a cada membro, o quinhão a que cada
um estava obrigado, pois bastava que um de nós pisasse em falso para que toda a família
caísse atrás; e ele falou que estando a casa de pé, cada um de nós estaria de pé, e que,
para manter a casa erguida, era preciso fortalecer o sentimento do dever, venerando os
nossos laços de sangue.
2) O trecho acima foi retirado do livro Lavoura Arcaica, de Raduan Nassar. Observe a importância que o narrador dá à família, apontando a necessidade da união entre seus membros. Que
traço presente no texto permite-nos associá-lo ao Simbolismo?
Fixação
Impressionista
Uma ocasião.
Meu pai pintou a casa toda
De alaranjado brilhante
Por muito tempo moramos numa casa,
Como ele mesmo dizia,
Constantemente amanhecendo.
3) O texto acima, de Adélia Prado, poetisa contemporânea, apresenta traços do Simbolismo.
Comente.
F
4
Fixação
4) A mesma poetisa, Adélia Prado, deu a seguinte declaração:
Se você quer conhecer um país, vá ler a poesia desse. É isso que mostra quem esse
povo é. Nem a própria filosofia mostra com tal força e com tal verdade a alma de um povo,
de um país, como a poesia.
Comente a visão acima, considerando os movimentos parnasiano e simbolista.
Fixação
O poeta e a bala
Pessoas carregam afrontas, remorsos,
outros, dívidas, projetos
Conheço um poeta que carrega na
cabeça
uma bala viva.
Bala nada metafísica,
não metáfora-espelho,
bala mesmo, explosiva
no estopim do cerebelo.
Meteu-a lá um ladrão afoito
num de repente furtivo; meteu-a
lá, por nada, por hábito agressivo
num estúpido estampido.
Colocou-a não como se coloca
um livro na estante,
um verso no poema,
na próclise o pronome,
Atirou-a como se, no homem,
engatilhasse
a bala de um sobrenome.
Atirou-a como a granada
que se recusa a explodir
e fica, não no ar parada,
mas no corpo agasalhada.
(Affonso Romano de Sant’anna. para o poeta Alvaro Alves
Faria)
5) O tema do texto aborda a questão da violência, numa visão poética, como se observa
no verso:
Bala nada metafísica.
a) A valorização de temas que se afastam do
racional, valorizando aspectos metafísicos
caracterizou qual estilo de época?
b) A preocupação com a violência, presente
no poema acima, poderia aparecer em um
poema do estilo de época empregado como
resposta no item anterior? Justifique.
Fixação
6)
(Cruz e Sousa)
Glossário:
Ritos
À luz lirial da Lua abre tu’alma, artista, como
um solar antigo. Sob a névoa luminosa do grande
astro noctâmbulo, as visões que um dia amaste
aparecerão agora.
Ah! A tu’alma é um antigo solar, onde mulheres
prodigiosas, enfloradas de beleza, peles finas,
transparentes, de delicadezas de porcelana,
passaram...
És um solar antigo... Tens o ar enevoado do
crepúsculo de melancolia que há nos velhos solares.
Alguma coisa de nostálgico, de evocativo,
como vagos sons plangentes, à noite, ou à hora do
Angelus, na solidão dos campos, levanta e acorda
a tu’alma.
Teu coração é o Sagrado Viático, mais puro e
branco que as claras hóstias.
De que fundo de civilização, de que ramo de
raça, de que regiões viestes assim, numa original
sensação de nervos, palpitante, convulso como o
mar e como o mar sereno e também como o mar
profundo e grande?
(...) és a essência espiritual de infinitas camadas
humanas, o luminoso requinte dessas gerações
que findaram e que não foram mais do que simples
moléculas para formar o teu poderoso organismo
de artista (...)
1) lirial: branco como lírio.
2) noctâmbulo: que combina à noite.
3) hora do Angelus: 18:00.
4) sagrado viático: hóstia que se oferta ao moribundo na extrema
unção.
O texto anterior é um poema, retirado do livro Missal, de Cruz e Sousa. Assinale a opção que apresenta
uma análise incorreta sobre o texto.
a) Ao lado de elementos nitidamente simbolistas,
pode-mos perceber a sobrevivência de conceitos
naturalistas através de expressões como: “ramo de
raça”, “sensação de nervos”, “gerações”,“molecular”,
“organismos” etc.
b) Apesar de não estar graficamente disposto em versos, o texto explora a musicalidade pelas aliterações
e assonâncias nele presentes.
c) A criação surge da captação de dados imprecisos
espelhados na paisagem banhada pela luz da lua:
são as visões amadas pelo artista que lhe surgem no
ambiente indefinido de névoas e brilhos.
d) O título do texto e as alusões à liturgia religiosa indicam que o fazer poético corresponde a uma prática
de feições religiosas.
e) Como não está explícita a presença de um “eu” no
texto, é possível relacioná-lo ao Parnasianismo na
questão da impessoalidade, traço encontrado no estilo
que buscou a arte pela arte.
Fixação
F
7) Assinale a opção em que se caracteriza a estética simbolista:
(
a) Culto do contraste, que opõe elementos como amor e sofrimento, vida e morte, razão e fé,b
numa tentativa de conciliar polos antagônicos.
A
b) Busca do equilíbrio e da simplicidade dos modelos greco-romanos, através, sobretudo, de
uma linguagem simples, porém nobre.
c) Culto do sentimento nativista, que faz do homem primitivo e sua civilização um símbolo de
independência espiritual, política, social e literária.
d) Exploração de ecos, assonâncias, aliterações, numa tentativa de valorizar a sonoridade da
linguagem, aproximando-a da música.
e) Preocupação com a perfeição formal, sobretudo com o vocabulário carregado de termos
científicos, o que revela a objetividade do poeta.
Fixação
(UNESP) As questões a seguir tomam por
base um texto do poeta simbolista brasileiro
Alphonsus de Guimaraens (1870-1921).
Eras a sombra do poente
Eras a sombra do poente
Em calmarias bem calmas;
E no ermo agreste, silente,
Palmeiras cheia de palmas.
Eras a canção de outrora,
Por entre nuvens de prece;
Palidez que ao longe cora
E beijo que aos lábios desce.
Eras a harmonia esparsa
Em violas e violoncelos:
E como um voo de garça
Em solitários castelos.
Eras tudo, tudo quanto
De suave esperança existe;
Manto dos pobres e manto
Com que as chagas me cobriste.
Eras o Cordeiro, a Pomba,
A crença que o amor renova...
És agora a cruz que tomba
À beira da tua cova.
(Pastoral aos Crentes do Amor e da Morte, 1923. Em:
GUIMARAENS, Alphonsus de. Poesias. Rio de Janeiro: Org.
Simões, 1955. V. 1, p. 284.)
Glossário:
1) ermo: distante.
2) silente: silencioso.
8) O texto em pauta, de Alphonsus de Guimaraens, apresenta nítidas características do
simbolismo literário brasileiro. Releia-o com
atenção e, a seguir:
a) aponte duas características tipicamente
simbolistas do poema;
b) com base em elementos do texto, comprove
sua resposta.
Fixação
F
1
9) (UNESP) A reiteração é um procedimento que, aplicado a diferentes níveis do discurso,C
permite ao poeta obter efeitos de musicalidade e ênfase semântica. Para tanto, o escritor pode
reiterar fonemas (aliterações, assonâncias, rimas), vocábulos, versos, estrofes, ou, pelo processo denominado “paralelismo”, retomar as mesmas estruturas sintáticas de frases, repetindo
alguns elementos e fazendo variar outros. Tendo em vista estas observações:
a) Identifique no poema de Alphonsus um desses procedimentos.
b) Servindo-se de uma passagem do texto, demonstre o processo de reiteração que você
identificou no item a.
G
Fixação
10) (UFV) Leia com atenção o seguinte poema de
Cruz e Sousa:
Sinfonias do Ocaso
Musselinosas como brumas diurnas.
Descem do ocaso as sombras harmoniosas,
Sombras veladas e musselinosas.
Para as profundas solidões noturnas.
Sacrários virgens, sacrossantas urnas,
Os céus resplendem de sidéreas rosas,
Da Lua e das Estrelas majestosas.
Iluminando a escuridão das furnas.
Ah! Por estes sinfônicos ocasos.
A terra exala aromas de áureos vasos,
Incensos de turíbulos divinos.
Os plenilúrnios mórbidos vaporam
E como que no Azul plangem e choram.
Cítaras, harpas, bandolins, violinos
(SOUSA, Cruz e. Obra completa. [Org.]. Andrade Murici. Rio de
Janeiro: Nova Aguilar, 1995. P. 86.)
Glossário:
1) Musselinoso: semelhante à musselina (tecido).
2) ocaso: pôr do sol.
3) sacrário: local onde se guardam as hóstias.
4) resplender: brilhar.
5) sidéreo: celeste.
6) furna: caverna.
7) turíbulo: vaso onde se queima o incenso.
8) plenilúnio: lua cheia.
9) cítara: instrumento de cordas.
Sobre o autor e o poema citados acima, é INCORRETA a afirmativa:
a) O autor explora sensações impalpáveis, vagas,
utilizando-se de linguagem hermética, difícil, busca
expressar o belo e o sublime de um cenário mais
interiorizado do que real.
b) Cruz e Sousa, autor simbolista, faz uso do
verso decassílabo, frequente também na poética
parnasiana.
c) No poema são intensamente explorados os
sentidos da audição, visão e olfato, buscando
transmitir ao leitor as impressões do eu lírico diante
do pôr do sol.
d) O poema apresenta uma visão subjetiva da
natureza, em que o fenômeno do ocaso é mais
sugerido que descrito.
e) No poema, expressivo do ideal da “arte pela
arte”, é evidente o repúdio ao subjetivismo e à
emoção, pela utilização de vocabulário preciso
e raro.
Proposto
1)
Foi bem rápido o instante em que de neve
se fez a rósea cor daquele rosto,
que a morte em haustos bafejou de leve.
Disse à minha alma: — Por que tal desgosto?
A lastimá-la morta quem se atreve?
Quem tem pena do sol porque ele é posto?
Nestes versos do simbolista Alphonsus de Guimaraens, encontra-se um dos seus temas
prediletos, que é:
a) a sublimação da morte da mulher amada;
b) o desespero diante da efemeridade humana;
c) a imortalização da beleza do ser amado;
d) a contemplação da natureza eterna;
e) a configuração da cor branca como símbolo da morte.
Proposto
2)
Nasce a manhã, a luz tem cheiro... Ei-la que assoma
pelo ar sutil... Tem cheiro a luz, a manhã nasce
Oh sonora audição colorida do aroma!
A linguagem poética, em todas as épocas, foi e é simbólica; o Simbolismo recebeu seu nome
por levar essa tendência ao paroxismo. Os versos acima atestam essa exuberância, pela fusão
de imagens auditivas, olfativas e visuais, constituindo rico exemplo de:
a) eufemismo; b) sinestesia; c) antítese;
d) polissíndeto;
e) paradoxo.
Proposto
3)
a) A objetividade e materialismo marcantes noP
estilo parnasiano.
b) A realidade focalizada de maneira vaga,
em versos que exploram a sonoridade das
palavras.
c) A preocupação formal e a presença de
rimas ricas.
d) O erotismo e bucolismo como temas recorrentes.
e) A impassibilidade dos elementos da natureza e a presença da própria poesia como musa.
Leve é o pássaro;
e a sua sombra voante,
mais leve
..............................................
E o desejo rápido
desse antigo instante,
mais leve.
E a figura invisível
do amargo passante,
mais leve.
(Cecília Meireles)
Mais claro e fino do que as finas pratas
O som da sua voz deliciava..
Na dolência velada das sonatas
Como um perfume a tudo perfumava.
(Cruz e Sousa)
Qual a semelhança ou o ponto de convergência entre a poesia neossimbolista de
Cecília Meireles e a de Cruz e Sousa?
Proposto
s
e
-
.
A Catedral
Entre brumas ao longe surge a aurora.
O hialino orvalho aos poucos se evapora,
Agoniza o arrebol.
A catedral ebúrnea do meu sonho
Aparece na paz do céu risonho
Toda branca de sol.
E o sino canta em lúgubres responsos:
Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!
O astro glorioso segue a eterna estrada.
Uma áurea seta lhe cintila em cada
Refulgente raio de luz.
A catedral ebúrnea do meu sonho,
Onde os meus olhos tão cansados ponho,
Recebe a bênção de Jesus.
Toda branca de luar.
E o sino chora em lúgubres responsos:
Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!
O céu é todo trevas: o vento uiva.
Do relâmpago a cabeleira ruiva.
Vem açoitar o rosto meu.
E a catedral ebúrnea do meu sonho
Afunda-se no caos do céu medonho
Como um astro que já morreu.
E sino chora em lúgubres responsos:
Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!
(in: CANDIDO, Antonio e CASTELO, J. Aderaldo. Presença da Literatura
Brasileira – do Romantismo ao simbolismo. Rio de janeiro, Difel, 1978.)
Glossário:
1) Hialino: transparente como o vidro.
2) arrebol: pôr do sol.
3) ebúrneo: de marfim.
4) lúgubre: triste.
E o sino canta em lúgubres responsos:
Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!
5) responso: canto religioso.
Por entre lírios e lilases desce
A tarde esquiva: amargurada prece
Põe-se a lua a rezar.
A catedral ebúrnea do meu sonho
Aparece na paz do seu tristonho
4) Relacione as transformações ocorridas ao longo
do poema ao eu lírico. A catedral pode ser vista como
uma metáfora do Pobre Alphonsus? Justifique.
6) refulgente: brilhante.
Proposto
5) Identifique no texto anterior vocábulos referentes ao campo semântico do brilho e da luminosidade.
Proposto
-
Harpas Eternas
Hordas de Anjos titânicos e altivos,
Serenos, colossais, flamipotentes,
de grandes asas vividas, frementes,
de formas e de aspectos expressivos.
Passam, nos sóis da Glória redivivos
vibrando as de ouro e de Marfim dolentes,
finas harpas celestes, refulgentes,
da luz nos altos resplendores vivos.
E as harpas enchem todo o imenso
espaço
de um cântico pagão, lascivo, lasso,
original, pecaminoso e brando...
E fica no ar eterna, perpétua
a lânguida harmonia delicada
das harpas, todo o espaço avassalando.
(CRUZ E SOUSA. Obra Completa. Rio de Janeiro, Jose
Aguilar, 1961.)
Glossário:
1) altivo: orgulhoso.
2) flamipotente: com o poder do fogo.
3) fremente: vibrante.
4) redivivo: ressuscitado.
5) dolente: sofrido.
6) refulgente: brilhante.
7) lasso: lascivo.
6) O texto revela uma imagem contraditória.
Identifique-a.
Proposto
7) Leia atentamente os textos a seguir.
I) Quando será que tantas almas duras
Em tudo, já libertas, já lavadas
Nas águas imortais, iluminadas
Do sol do amor, hão de ficar bem puras?
Quando será que as límpidas frescuras
Dos claros rios de ondas estreladas
Dos céus do bem, hão de deixar clareadas
Almas vis, almas vãs, almas escuras?
II) Não acredito em bicho maligno mas besouro, não sei não. Olhe o que sucedeu com a
Rosa... Dezoito anos. E não sabia que os tinha.
Ninguém repara nisso. Nem dona Carlotinha,
nem dona Ana, entretanto já velhuscas e
solteironas ambas quarenta e muito. Rosa
vieira pra companhia delas aos sete anos
quando lhe morreu a mãe. Morreu ou deu a
filha que é a mesma coisa que morrer.
Em relação aos fragmentos apresentados,
assinale com V as proposições verdadeiras e
com F as falsas.
( ) Por suas características estilísticas, os versos de Cruz e Sousa pertencem ao simbolismo
e o texto de Mário de Andrade, ao modernismo.
( ) O simbolismo brasileiro apresenta conteúdo carregado de mistério, misticismo,
sonoridade e espiritualidade.
( ) No simbolismo o lirismo é altamente objetivo, apresentando cunho político-social.
( ) Os textos do modernismo apresentam,
além de linguagem cotidiana e dinâmica, frases despojadas.
A opção que apresenta sequência CORRETA, de cima para baixo, é:
a) V, F, F, V
b) V, V, F, F
c) V, V, F, V
d) F, F, V, V
e) V, F, V, V
Proposto
2) estertor: agonia.
3) clown: artista de circo; palhaço.
4) estuoso: agitado.
8) (UFRS) Leia o texto a seguir.
-
.
,
-
-
-
Acrobata da dor
Gargalha, ri num riso de tormenta,
Como um palhaço, que desengonçado,
Nervoso, ri, num riso absurdo, inflado,
De uma ironia e de uma dor violenta.
Da gargalhada atroz, sanguinolenta,
Agita os guizos, e convulsionado,
Salta gavroche, salta clown, varado
Pelo estertor dessa agonia lenta...
Pedem-se bis e um bis não se despreza!
Vamos! Retesa os músculos, retesa
Nessas macabras piruetas d’aço...
E embora caias sobre o chão, fremente
Afogado em teu sangue estuoso e quente
Ri! Coração, tristíssimo palhaço.
Glossário:
1) Gavroche: malandro.
(Cruz e Sousa)
Considere as seguintes afirmações em relação ao poema de Cruz e Sousa.
I) Trata-se de poema simbolista que não expressa nitidamente as emoções representadas,
o que é incompatível com a forma do soneto.
II) Os poetas do simbolismo, incapazes de captarem as sensações e os sentimentos humanos
em sua real dimensão, apelavam para imagens
obscuras.
III) O poema mistura em tom veemente imagens
contraditórias de riso e dor, utilizando em diferentes metáforas a imagem do palhaço.
Quais estão corretas?
a) Apenas I
b) Apenas II
c) Apenas III
d) Apenas II e III
e) Todas