colectio poemata in latinum VOL VI.iba

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colectio poemata in latinum VOL VI.iba
editio princeps
Colectio Poemata in
Latinum. Volumem VI
de carminibus latinis
anthologicom (2016)
helium magellanicum olivam (H.M. de Oliveira)
2016
collectio poemata
in latinum
1
free @:
http://openlibrary.org/works/OL16657822W/Collectio_poemata_in_Latinum_Vol._VI_
%28De_Carminibus_Latinis_Anthologicon%29
introdução em tom de prefácio
Por que escrever um livro em latim? Qual o público alvo? Ora, não sou conhecedor da língua (carece-me inclusive rudimentos), e conheço e concordo com a máxima traduttore traditore. Qual o sentido de fazê-lo: para quem e para que? Língua fenecida... Sou pragmático e não-perfeccionista: Nada de ótimo, nem ao menos sub-ótimo. O “mais ou menos” é o bastante – muito melhor do que cousa
nula. A diferença entre “fazer algo” (finis coronat opus) versus “não fazê-lo” é enorme. Ganho infinito. Divisão por zero: «Que importa
quão pequeno é o numerador, provido que seja não nulo?». A relação saída/entrada deriva em um ganho infinito. Daí "perdôo-me" o
trabalho eivado de falhas. Incomodará aos perfeccionistas, os vencedores e homens de sucesso. Estes proferirão: Mas isso é de pouca valia! Decerto. Despretensioso, sem “exibicionismos”. No livro "Manual para aprendiz de fantasma" de Annibal Gamma (Funtec,
2001, São Paulo), descubro-me: amo latim e vinho do Porto! A tudo perguntamos instintivamente a razão. A noção de causalidade permeia até quem não a conhece. Não cogito assim. Nada do que acontece precisa ter uma razão. Apenas pode acontecer, resultado de
um jogo aleatório, razão irracional, porém fantástica. Vitam regit fortuna, non sapientia (Cicero).
Desesperamo-nos querendo controlar as probabilidades e eventos, e até temos algum controle sobre elas. Mas o que resta é o “jogo”.
E qual o sentido? nenhum. O triunfo do bem sobre o mal? Ora, uma das frases minhas é:
«Manichæism est in ubiquitous deformitates et actionis rationem stultos.»
Perda de tempo! (tempo valioso aos desesperados). Não escrevo, pois, para lucrar algo (o mínimo que seja), ou para contribuir economicamente (pecado mortal aos olhares hodiernos). Nem para "mostrar ou justificar" algo a quem quer que seja. O mais longe possível
de soar "erudito", certos estejam. Tampouco para alguém específico ou com objetivo. Escrevo como presentear um ente estimado
com um brinde sem a menor utilidade. E isto faz todo sentido. Mas não é meramente auto-prazer: Pode haver quem colha um alvitre.
Quem apreciar (ainda que uma única linha) ou quem contemplar (com atração) um magro verso: Valeu!
Age! Recife, Iunii MMXVI. O tradutor: segue, pari passu volumes prévios.
(accommodatæ: H.M. de Oliveira).
2
Dedicado à “amici mei Franciscus Obice Pererius Iunior et Marise
Vesalius” (Francisco Barreira Pereira Junior e Maryse Versalius)
G ALERIA 1.1 S.P.Q.R
CIP-Brasil. Catalogação-na-fonte Câmara Brasileira do Livro. SP.
Collectio poemata in Latinum / Hélio Magalhães de Oliveira
– 1a Ed. (editio princeps) Recife: HMO, 2016, 66 p.
Bibliografia
1. poesia 2. latim
I. de Oliveira, Hélio Magalhães
CDD- B869.1 B869.1
Índices para catálogo sistemático: 1. Poesia B869.1
Copyfree: todos os direitos de cópia total ou parcial são cedidos,
desde que de uso gratuito.
Senatus Populusque Romanus,
[The entire book (or any part of it) may be: reproduced, distributed, stored in any database or retrieval system. The prior permission is fully granted by the author]
3
LANDSCAPE
FORMAT: landscape
FORMATO: paisagem
iv
Displodensque agro (isai)
Displodensque agro
(accommodatæ: H.M. de Oliveira)
Ego ambulavit per omnes iam terras.
Mille bellis Vici.
Perdidi multos pugnat,
vincitur a timore meo.
Fossæ fodisse medullis
in corde meo.
expertus sum mutila malorum somniabunt
et expergefactus lassus in medio Angelorum
alligatæ solitudinis tædium perpeti.
Ah! Factum est cor meum in displodensque agro.
Diligentissime eum
potest ut dissiliunt.
et sic post laceratus,
exarmatus ab qui venit.
qui vult instaurandum consequat.
Serit somnis, vivificabit et lilia.
quis in mihi vivere vult
et cor meum dissiliunt in amor.
5
Campo Minado
Campo Minado
(Jessé)
Já andei por tantas terras
Já venci mil guerras
Já levei porradas, dominei meu medo
Já cavei trincheiras no meu coração
Ah! Meu coração é um campo minado
Muito cuidado, ele pode explodir
E se depois de tão dilacerado
For desarmado por quem há de vir
Descobri nos pesadelos sonhos mutilados
E acordei no meio de anjos cansados
De serem usados pela solidão
Alguém que queira compensar a dor
Plantar o sonho e ver nascer a flor
Alguém que queira então me residir
E explodir meu coração de amor
6
durum (marius quintanam)
Duro Mario Quintana: Baú de espantos
(accommodatæ: H.M. de Oliveira)
stannum milites, tantum mori nesciunt.
non impetum, ante vel in ultima mortis hora,
de spuria cogitationes:
amicæ, matres, dilectus patriam aditus,
nihil ...
bellum in tota sua puritati, purus pœtica actio!
Os únicos que sabiam morrer de verdade eram os
[soldadinhos de chumbo.
Não os assaltavam, nem antes nem na hora extrema,
[pensamentos espúrios: namoradas, mães, pátria amada idolatrada,
nada disso…
Era a guerra em toda a sua pureza, a pura poesia da ação!
7
titubatione (nuno iudice): chance navigabilis
titubatione
limosoque palus obducat amittere nolui me harum viarum in hieme,
aut in caligo collibus,
in novum errore viarum, cursum rivorum in arundineto latitantem
ubi tantum cognoscit ad esse
per strepitu contra flumine saxa.
quærere notum arboribus: arbore amplectendo omnem murum
quia obtulit fructum suum,
ut aperiri per feminæ in verritur areis.
ramos arborem moro quia aspersis tuas manus et habitusque
in purpura labia, divinasse occulta occasum in nubibus;
cupressus in inflectitur in via
quæque cursum persequendum indicare
tenebris viridi cum, propulsare aves.
spero pluviæ patebat
spero hieme finis et immitis eius cursum.
subgrundiis silentium rumpit aquæ tecta iugiter perstillantia
– tamquam non venit noctem
retinendi me sub temporalia tectum protectione
si flumen se non perfuderit,
ipso trviis quæro.
8
Indecisão (Nuno Júdice): Navegação de acaso
Indecisão
Não me queria perder nesses caminhos
enlameados pelo inverno, na colinas que
a névoa transformou em novos
labirintos, nos juncos que escondem
o curso dos ribeiros que só se sabe
que existem pelo ruído da corrente
contra as pedras. procuro as árvores
familiares: a nogueira que abraçava
o muro a toda a volta, e oferecia
o seu fruto para que as mulheres o
partissem nas eiras; os ramos
dessa amoreira que te sujou as tuas mãos
e o vestido, e no roxo dos teus lábios
adivinhei o poente que as nuvens
escondiam; cipreste que se erguia
numa curva do caminho, como se
indicasse o rumo que se teria de
seguir com o verde sombrio que
afastava os pássaros.E espero que
a chuva acabe, que o inverno termine
o seu curso implacável, que o silencio
rompa o contínuo gotejar da água
nos beirais – como se a noite não caísse
para me prender ainda ao abrigo
provisório de um telhado, e o rio não
tivesse inundado a encruzilhada que procuro.
9
philosophia classica
philosophia classica
(nuno iudice)
(accommodatæ: H.M. de Oliveira)
interim in Platonico dogmatis credidi.
intra speluncam fuit
et videre fatum hominum,
illius suo pondere sapientiæ et ignorantiam.
ibi sunt qui ambulare viam idearum,
et multi in via, nescientes quæ ordinem;
aliis non cogitandum,
tantum inanis colloquia, vacuo expleat multos populos.
Inter se, non elegi.
Nimis cogitare scimus semper minus omnia scire?
problemata ut obliviscatur quare una die, ut uno die ad faciem?
Ita Plato fuit depositus – Exivi de spelunca,
processio volant noctuæ apud me,
fingunt de abyssis, et umbram meam.
10
a filosofia clássica
(Nuno Júdice)
a filosofia clássica
Navegação de acaso
Por algum tempo acreditei nas virtudes da doutrina
platonica. Pude entrar no interior da caverna, e ver por dentro
o destino dos homens, com o seu peso de sabedoria e
ignorância. Uns subiam o caminho das ideias, e muitos ficavam
a meio, sem saber o que estava no fim; outros, nem pensavam,
tudo o que nunca saberemos? E porquê esquecer os problemas
como se, um dia, não tivéssemos de os enfrentar? Assim,
pus Platão de parte – e saí da caverna, trazendo comigo a procissão
dos morcegos, o mofo das profundezas e a minha própria sombra.
e suas conversas tratavam do vazio que pode encher
muitas vidas. Entre uns e outros, não optei. Para quê pensar
demasiado, se o que sabemos é sempre menos do que
11
verba (dantis mediolanensis)
verba
aridum verba,
refractarium, siccum
marginibus rupes
ut aqua fluente
tardus et insudet,
non occidere siti.
ut lapides in ore.
labi et titubât
quærentes.
quidam sicut oscula,
alia lacrimam.
iusta non dícere:
esse velint
multi magis quam verba.
quomodo potero capere
idea interminatis
(nescitur quo natus)...
quod qæerit in exprimere ...
verba aridum
in esurienti ora,
et cum oriuntur
non magis quam notes
defunct cantilenæ partes...
12
Vocabulário (Dante Milano)
Vocabulário
Áridas palavras,
Refratárias, secas
Arestas de fragas
Secretando uma água
Morosa, suada,
Que não mata a sede.
São pedras na boca.
Rolam balbuciantes
Buscando um sentido.
Uma quer ser beijo.
Outra quer ser lágrima.
Não basta dizê-las.
Elas querem ser
Mais do que palavras.
Como captarei
A ideia sem fim
(Não sei de onde vem)
Que tenta exprimir-se…
Áridas palavras
Para as bocas ávidas,
E quando elas brotam
Não são mais que as notas
De uma extinta música…
13
fortassis amor
(ioannes denver)
fortassis amor Amoris est instar requiem forte
Absconsionem tempestas
Ipsa est, ut te et consolabor
Fovet ibi custodes ut custodirent eam
Et in temporibus illis tribulationis
Maxime cum solus
Dilectionis memoriam reducam vos.
Quosdam enim vitæ
Aliis modum sentiendi
Forte amor est quoddam fenestram
Forte ostium apertum
It invitat ut propius accedant
Vult ostendere tibi magis
Et etiam si adepto perdidit
Et nescio quid faciam
Videbis te memoria amoris.
Forte amoris est quasi mare
Plenum pugnæ, tamquam doloribus plenas
Frigus foris cum ignis
Dum pluit tonitrui
Si ego in æternum
fortunisque omnibus somnium adveho verus
memoria mea erit amoris tu
Alii enim amor velut nubes
Aliis enim amor velut ferrum.
Dicunt etiam quidam amore insistat.
Dicunt etiam quidam amor abeuntem.
Et quidam dicunt amore insistat
Et quidam dicunt relinquit amor,
Et quidam dicunt omnia amor
Dicunt etiam quidam non sciunt
14
fortassis amor
Et quidam dicunt omnia amor
Et quidam dicunt nescio.
Forte amoris est quasi mare
Plenum pugnæ, tamquam doloribus plenas
Frigus foris cum ignis
Dum pluit tonitrui
Si ego in æternum
fortunisque omnibus somnium adveho veru
memoria mea erit amoris tu.
15
Perhaps Love (John Denver)
Perhaps Love
Perhaps love is like a resting place
A shelter from the storm
It exists to give you comfort
It is there to keep you warm
And in those times of trouble
When you are most alone
The memory of love will bring you home
Perhaps love is like a window
Perhaps an open door
It invites you to come closer
It wants to show you more
And even if you lose yourself
And don't know what to do
The memory of love will see you through
Love to some is like a cloud
To some as strong as steel
For some a way of living
For some a way to feel
And some say love is holding on
And some say letting go
And some say love is everything
And some say they don't know
Perhaps love is like the ocean
Full of conflict, full of pain
Like a fire when it's cold outside
Thunder when it rains
If I should live forever
And all my dreams come true
My memories of love will be of you
And some say love is holding on
And some say letting go
16
Perhaps Love
And some say love is everything
And some say they don`t know
Perhaps love is like the ocean
Full of conflict, full of pain
Like a fire when it`s cold outside
Or thunder when it rains
If I should live forever
And all my dreams come true
My memories of love will be of you
17
Hominem et maris (carolus baudelaire)
Hominem et maris
(accommodatæ: H.M. de Oliveira)
liberum tibi semper fovent marique vasto
mare contritio tua speculo; contemplans animam tuam
infinitis explicatio undis;
et cor tuum non minus acerba, abyssus est.
et ambo estis obscurum et discreta:
hominem – intimis esse ignotum est;
mare – occultissimis nemo novit fortitudinem
nunc tam nervose abdis!
tibi immergam in imagine tua;
maris oscularis manus oculosque, et dilatabitur cor tuum
qualicumque distrahitur interdum atque ex sua sonitus
querelam sonus, ferocia atque indomita.
et tamen ea sunt innumerabilia sunt, sæculorum
certaveris sine misericordia aut compunctionis ipsorum,
cædis et mortis estis vos ita cupidus.
– O gemina luctatorum – immitis conjuges æternum!
18
L'Homme et la mer
L'Homme et la mer
(Charles Baudelaire)
Homme libre, toujours tu chériras la mer!
La mer est ton miroir; tu contemples ton âme
Dans le déroulement infini de sa lame,
Et ton esprit n'est pas un gouffre moins amer.
Vous êtes tous les deux ténébreux et discrets:
Homme, nul n'a sondé le fond de tes abîmes;
Ô mer, nul ne connaît tes richesses intimes,
Tant vous êtes jaloux de garder vos secrets!
Tu te plais à plonger au sein de ton image;
Tu l'embrasses des yeux et des bras, et ton cœur
Se distrait quelquefois de sa propre rumeur
Au bruit de cette plainte indomptable et sauvage.
Et cependant voilà des siècles innombrables
Que vous vous combattez sans pitié ni remords,
Tellement vous aimez le carnage et la mort,
Ô lutteurs éternels, ô frères implacables!
19
Música surda Dante Milano
Obsurdesco music
(dantis mediolanensis)
Tamquam turbato mari, ubi omnia mergit
Lux mundi est sicut lux Phari
In nubem. Incertis et vita sunt.
Como num louco mar, tudo naufraga.
A luz do mundo é como a de um farol
Na névoa. E a vida assim é coisa vaga.
tempus solvet in frigus cineres,
Et ab antiquis sol clepsydris
Pulvisque lux sudavit super dies unus.
O tempo se desfaz em cinza fria,
E da ampulheta milenar do sol
Escorre em poeira a luz de mais um dia.
Cæci, surdi, exitialem fascinationem.
Est sicut lux Phari ...
Oh, ad immensum obtutus obliviscens.
Cego, surdo, mortal encantamento.
A luz do mundo é como a de um farol...
Oh, paisagem do imenso esquecimento.
20
splendida ær, levem æthera
(pauli eluard)
Air vif
(Paul Éluard)
(accommodatæ: H.M. de Oliveira)
tandem amant carmine.
vidi te ante me
in turba vidi te
Egregium campos inter vidi te
vidi te sub arbore
Postquam cuncta loca quæ transivi
imo omnes cruciatus
cumque evolutus esset omnibus cachinnis
ex aquis et acre ignis
hieme et æstate vidi te
vidi te in domo mea
brachiis meis vidi te
mihi somnia vidi te
ego nec dimittam te.
Derniers poèmes d’amour.
J’ai regardé devant moi
Dans la foule je t’ai vue
Parmi les blés je t’ai vue
Sous un arbre je t’ai vue
Au bout de tous mes voyages
Au fond de tous mes tourments
Au tournant de tous les rires
Sortant de l’eau et du feu
L’été l’hiver je t’ai vue
Dans ma maison je t’ai vue
Entre mes bras je t’ai vue
Dans mes rêves je t’ai vue
Je ne te quitterai plus.
21
É urgente o amor
(Eugénio de Andrade)
urgeat amore (eugenius de andrade)
(accommodatæ: H.M. de Oliveira)
urgeat amore
urgeat amoris.
urgeat vas in mari.
[statim dimittere vas in marinae.]
É urgente o amor
É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
urges jactabitis quidam sermones
odium, solitudo et crudelitas,
aliquam querensque delete,
et tot mucrones profuturam.
fingere motos præstat gaudium
multiplicabo oscula et seminatur
urgeat reperire rosarum et flumina
et clara mane.
silentio cadit in humero et lux
immundo, parta restituam.
instat amare urgeat
manere.
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.
22
dualitatis
(olaf bilaspour)
dualitatis
(accommodatæ: H.M. de Oliveira)
Bonus vel malus non es – humanam es et tristis...
iurgium inter orationibus et concupiscendo,
Quasi ignis corde habui
Clamor tumultusque latam Oceano perspiciebant.
Capax excelsum atrocities, vel sublime actiones,
Nunquam satis virtutum.
facinora non ignoscens.
tam in bono quam in malo pati:
Et volventes vesano vorticis,
medius inter credulitatis et disillusionment,
Inter spem et fidere.
Perpetua idealis quod devorat te
Simul in pectus transit
Dæmon quippe fremitus vel Deus clamoribus.
23
Dualismo
(Olavo Bilac)
Dualismo
Capaz de horrores e de ações sublimes,
Não ficas das virtudes satisfeito,
Nem te arrependes, infeliz, dos crimes:
Não és bom, nem és mau: és triste e humano...
Vives ansiando, em maldições e preces,
Como se, a arder, no coração tivesses
O tumulto e o clamor de um largo oceano.
Pobre, no bem como no mal, padeces;
E, rolando num vórtice vesano,
Oscilas entre a crença e o desengano,
Entre esperanças e desinteresses.
E, no perpétuo ideal que te devora,
Residem juntamente no teu peito Um demônio que ruge e um deus que chora.
24
Sonnet suicidium Sonnet suicidium (ioachim cardozum)
(accommodatæ: H.M. de Oliveira).
reserare fores propriis manibus
oblivioni dat aditum paradisi.
ubi video cisterna, video horto.
Et fructus aqua invalidum. Motus.
immenso abscissis alis aere
et claudere aperta mente.
essentialiter puncto curvam
quid est homo finem et finis ego sitienti.
Et operaretur terram propriis manibus.
Morte: terra prioris terræ, finis terra,
Et stercoralia tractantem de obliuioni.
Deique motum relaxata semen
Est ac vale nutus; solus et absens
In hoc horto, ego seminant ipse me.
25
Soneto do Suicida (Joaquim Cardozo)
Soneto do Suicida Com minhas próprias mãos abro esta porta
Que dá para o jardim do esquecimento
Onde vejo a cisterna e vejo a horta
De água e fruto inválidos. Movimento
Com minhas próprias mãos cultivo a terra
Da morte: a terra ex-terra, a finis terra,
E o adubo da Imemória manuseio
De asas infinitas os ares corta
E fecha o meu aberto pensamento
No ponto essencial da linha torta
Que do ser é limite e acabamento
O gesto de lançar uma semente
É como um gesto de adeus; só e ausente,
Neste jardim eu próprio me semeio.
26
Aliena amore (laura pausini)
Aliena amore
(Vulgata: H.M. de Oliveira)
Pænitet, ego relinquere.
Sed nesciebam quia mendacium
Quanto amissionis temporis
Pollicetur, et nunquam mutat
Amores in diverbium nos tribulationis
Re vera autem sumus.
Expectaret vocationem
sperantes se ipso est liberum
cum corde in stomacho
node in gutture
Ibi solum est in pertemptant
Sed quia non est ibi.
hic aliena amor est
Crescunt et ridere
inter lacrimas
Quot pages ut scriberetur
Somnia, et livor ut particeps
Amores in hoc situ
Miscere in anima
Sine decernebat quæ quæstiones
Si quæ tamen pro nobis.
Et quomodo tot amissos noctibus clamantes
Perlegebat istis litteris
Non abicias non potest quod
intra desiderium labyrintho
Nimiam caritatem finem habuerat
Sed quia manet in corde.
27
Aliena amore
Aliena amore
hic amoris transiens et adveniens
cogitationes quæ ibi latentes
ut verum fabulis sunt nobis
relinquunt, ut iusto nobis.
Mirum amor fragile
Captivus, liberávit...
Amor nescit hanc vivere
deerrare intus nos.
Mirum amor fragile
Captivus, liberávit...
Amor nescit hanc vivere
Sed revera, sumus.
Pænitet, ego relinquere.
Hoc me promisi
ego quarere amor
sine te.
28
Strani amore
(Laura Pausini)
Strani amore
Mi dispiace devo andare via
Ma sapevo che era una bugia
Quanto tempo perso dietro a lui
Che promette e poi non cambia mai
Strani amori mettono nei guai
Ma, in realtà, siamo noi
E lo aspetti ad un telefono
Litigando che sai libero
con il cuore nel lo stomaco
Un gomitolo nell'angolo
Lì da sola, dentro un brivido
Ma perché lei non c'è
E sono strani amori che
Fanno crescere e sorridere
Fra le lacrime
Quante pagine lì da scrivere
Sogni e lividi da dividere
Sono amori che spesso a questa età
Si confondono dentro a quest'anima
Che si interroga senza decidere
Se è un amore che va per noi
E quante notte perse a piangere
Rileggendo quelle lettere
Che non riesci più a buttare via
Dal labirinto della nostalgia
Grandi amori che finiscono
Ma perché restano nel cuore
29
Strani amore
Strani amore
Strani amori che vanno e vengono
Nei pensieri che lì nascondono
Storie vere che ci appartengono
Ma si lasciano come noi
Strani amori fragili
Prigionieri, liberi
Strani amori che non sanno vivere
E si perdono dentro noi
Strani amori fragili
Prigionieri, liberi
Strani amori mettono nei guai
Ma, in realtà, siamo noi
Mi dispiace devo andare via
Questa volta l'ho promesso a me
Perché ho voglia ad un amore vero
Senza te.
30
Domus manus vectoris
(arjen duinker)
(vulgata: H.M. de Oliveira)
I
Vocatio fluctibus, rubro.
flos labitur per devexa
conferre odorem ad rupem
quiet: libera ad cælo.
Superbia cordis fluctus niger.
oculos furtum improvisa
cum parva folia fert subsidium
tranquillitas cutem tractum marcas.
II
Cilia conteram desiderium.
ruina machinas desiderant.
Cadence labia, cadentiæ sanguine!
Ventum pulverem hostium ubique ventum
Quod tenebris lucet, et nox clara!
cadence digitos, capillos cadence!
Domus manus vectori
III
Niveis et cacumina furentes clamor ...
in quem finem verba fumus ...
Navis calles absconditum lingua
facit pericula dissimilis in speculum spectant,
augetur in corde maris et ...
ubi flos ostendit pulchritudinem eius
euanescit salsa stillas rorisv sibilus, quasi papilio et in ære.
IV
Tremere cauda
retro, oculos sum
oculos vident enim duobus labiis.
Ubi flos continuando se pulchritudo ...
Navis Fulget ab importunis squamas
incertum navem cursum efferbuerunt
serpentes abyssum circa deliri: ubera,
fulget enim abysso sicut expavit cor.
31
palmarum iactans supercilium,
mures saltant colli cavi.
V
Repente sibi elementa laxandis uiscerum.
fulminis notarent sibi locum ad portum.
Capilli eius odore et ineluctabilis fabulosa.
Navis optaverat obviam tendit res,
pasco inter mutus et sonantis.
Eventus omnes conveniant eligere verba,
Omnia verba congregatos ad faciendum somnia
facit sic bene quod sonitus cessat.
VI
Ante ambulare asseri,
pedes cum illinendum, eiusque calciamenti ingredi columpna.
organum canit intentiones pro mergis fulicisque
Cum fulgurantis costume ex reliquias.
Ambulare antequam asseri soleatus cor.
unum certitudinem traicienti uteri.
speculum augurium circumdabit!
Caligo in somniis Philippines vertiginem,
lotis manibus Thai dolor retro
lucidus somniorum Hispaniæ in statera.
currit centrum a summis digitis,
VII
Braccæ sibilans cum globulis.
Cumulo lapidum in diaphanum vento.
Mulier poplites manuum ejus brachiis siccat.
quid somnium, lacrimas siccare nubes?
cœ tus verborum est turbine est
Qui habitat in utero, et oris.
ambitum acus hæream speculo ...
dum non labiorum ore,
dum lingua appropinquare sidera,
desiderium exponere crudelitatis
et euanuit, umerus quæstio possibilitatem,
ut labia sorbillat aureum mali,
dum linguis finditur in duas.
VIII
Optimus Lian, amicus, Lian pro navigantibus
ibi est alta, flavis capillis homo; dicit viro alteri:
in Jacohson quæ tetra a cella? Mafia illic agere.
Dempto capitis mei et ego vitam voluptua.
non intelligo quid dicit alius similis tui
intellectu tam pauci ad socialium?
32
Yin et Yang est, inquit, mali sanescunt.
quod nihil dicit aliud, est tibi gerere.
Ambulat rædam ostiarius aperit,
Splendidam aulam, triclinium ad sinistram
Gradibus ascendimus altera area,
ostium aperit: dominœs ludo,
in oculis igne ardentibus Campanie.
Lian, sumus in Genoa, ego reputabitur quadringenti plateis.
hic in Gandavo perdidi digitis, tantum habet scintillans fons.
Ostendit flore pulchritudo et sana nauta.
suspiciunt, bullulæ saliendo tremore pedes, talum interrogare
respice, bullæ osculans recta mensura.
IX
Verba in sua lingua medietates
et fiunt liberior est liberior est!
ut primum influit ululantium quæ se mutuo,
ambitiosa sub infinita Felix cæli
Operam miraculo grandi et diaphanum
ad astra fluat saliva!
Sacculo prope ad fenestram.
calceamenta fenestra.
cigarettes fenestra.
collaris super lectum.
Linguam autem verba non sint,
sed est lingua bona verborum,
fluctus pubertatis ornata talos.
digiti relaxata humo,
adorandi profundum sentire digitorum positos
digitos expandit atrorubræ pulverem,
æquabis lapsa per auras
digitos se in caligine.
X
Flos ostendit pulchritudinem eius
desiderium liberata est
Suspensi sunt nomina in duas ligaturas uvæ
scribit in cujus cute clavum.
Ubi flos ostendit pulchritudinem
hic et hic liberantur digitorum hic
manus tenaci capillos oleserica
colores spirant infinities infinita.
Ubi flos ostendit pulchritudinem
insecta huru in obscuræ lux,
transitu vultus venter quasi ebrius
brachio odoratur obliviscetur somniorum.
Flos ostendit pulchritudinem eius
clangorem consonantis inspires sonus vocali.
33
Flos ostendit pulchritudinem eius
papiliones accipere marisque.
Flos ostendit pulchritudinem eius
tempus delineat tattoos in parva folia.
34
Sailor’s Home (Arjen Duinker)
1
De roep van de golven rood.
Een bloem glijdt door een glooiing
En geeft haar parfum aan een steilte
Die vrij in de lucht zwijgt.
De trots van de golven zwart.
De ogen roven het onverwachte
Dat de striemen op de huid
Met blaadjes kalmeert.
2
De wimpers breken het verlangen.
De motoren stampen het verlangen fijn.
Sailor’s Home
3
Beukende kammen en gillende snavels…
Uiteinden van woorden in dikke walmen…
Het schip verdoezelt de wegen door het idioom,
Maakt omgekeerde krassen in de spiegel,
Het hart van de zee groeit aan en aan…
Waar de bloem haar schoonheid toont,
Verdampen zoute dauwdruppels in het gefluister
Van vlinder en lucht.
4
Siddering met staart
Op de rug, ogen Zien twee lippen.
Waar de bloem haar schoonheid toont…
Cadans in de lippen, cadans in het bloed!
Wind, jaag het gruis naar alle kanten, wind!
Laat het glinsteren in het donker, nacht zijn overdag!
Cadans in de vingers, cadans in het haar!
Schittert het schip tussen mateloze schubben,
Slingert het schip naar zijn kolkende bestemming,
Slingert de diepte zich om uitzinnige borsten heen,
Schittert de diepte als sidderend hart.
De motoren proeven hijgend van de olie.
De wimpers zien de olie in een waaier.
35
5
Plotseling laten de elementen hun ingewanden gaan.
Formidabele lichtflitsen markeren de route naar de haven.
De geur van losse haren is fabelachtig en onontkoombaar.
Het schip vaart de splitsing der werkelijkheden tegemoet,
Vaart door geruisloze feiten en feiten die gorgelen.
Alle feiten zijn hier bijeen om woorden te kiezen,
Alle woorden zijn bijeen om dromen te maken,
Zo goed dat er geen klapperende zeilen meer zijn.
6
Al voor de loopplank gaan de voeten,
Van gezouten eelt, in de schoenen op de kade.
Een orgel zingt bedoelingen naar de meeuwen
En hun schitterende kleed van etensresten.
Al voor de loopplank pompt het hart
Een uiterste zekerheid door de buik.
De spiegel betovert de kompasnaald!
Met dromen duizelig in de mist van Nieuw-Caledonië,
Met handen die de pijn van een Thaise rug wassen,
Met dromen glashelder in het evenwicht van Spanje.
De vingers draaiend op de toppen van hun centrum,
De palmen wuivend langs een wenkbrauw,
De muizen dansend in de holte van de nek.
7
Broek met overhemd met toeterende knopen.
De transparante deining in de stenen in de wind.
Een vrouw droogt haar polsen en haar armen.
Welke droom droogt de tranen van een wolk?
De gemeenschap van woorden is een werveling
Die in ingewanden woont, en in de mond.
Kompasnaald betovert spiegel…
Terwijl de lippen de mond niet nodig hebben,
Terwijl de tong volle sterren dichterbij haalt
Om uiteen te zetten hoe wreed verlangen is,
Naar ooglid, schouderblad, vraag, mogelijkheid,
Terwijl de lippen van een sinaasappel proeven,
Terwijl de tong zich vurig in tweeën splitst.
8
Beste Lian, dierbare vriend, Lian, voor het zeemanshuis
Staat een lange man met blond haar die tegen een ander zegt:
In Kopenhagen, in een smerige kelder? Daar logeert de maffia.
En ik word in het leven gehandicapt door mijn dure kop.
Wat ik niet goed begrijp, zegt de ander, hoe kun jij toch
Met jouw intellect zo weinig kijk hebben op sociale processen?
Dat is yin en yang, zegt de lange, kwaad geven en goed krijgen.
Niks van aan, zegt de ander, jij moet gewoon normaal doen.
36
Een auto rijdt langs, de deur gaat open,
De gang is elegant, links de eetzaal,
Trap klimt gehoekt naar de volgende,
Een deur gaat open: het dominospel,
De ogen brandend, met champagne.
Lian, we waren ooit in Genua, ik telde vierhonderd straten.
Hier in Gent ben ik vingers kwijt, alleen dit glanzende dok telt.
Waar de bloem haar schoonheid toont, is de zeeman op zijn
best.
Kijk, belletjes springen van trillende voeten naar vragende
enkels,
Kijk, belletjes kussen de diepte tussen de juiste hoeveelheid
ogen.
9
De woorden op de helften van de tong
Worden zelfstandiger en onafhankelijker!
Ze beginnen elkaar dingen toe te roepen,
Ambitieus onder een oneindige hemel!
Ze doen hun best, schokkend en transparant,
Om sterren uit speeksel te destilleren!
De tas bij het raam.
De schoenen bij het raam.
De sigaretten bij het raam.
De halsketting op het bed.
Nu zijn de woorden niet meer van de tong
Maar is de tong eigendom van de woorden,
Versierde golven die enkels strelen.
De tenen maken zich los van de vloer,
Adoratie in de diepte voelen de tenen,
De tenen verspreiden roodzwart poeder,
Zacht in de lucht glijden de tenen,
De tenen laten zich zien in een wolk.
10
Waar de bloem haar schoonheid toont,
Maakt het verlangen zich los van later,
Hangen namen in twee trossen van acht,
Krast een nagel de horizon in de huid.
Waar de bloem haar schoonheid toont
Gaan vingers over in hier en hier en hier,
Grijpen handen in sluiers van haar,
Ademen kleuren oneindig het oneindige.
Waar de bloem haar schoonheid toont
Zoemen insekten in onverstaanbaar licht,
Overschrijden ogen de bedwelmde buik,
Ruikt de onderarm vergeten dromen.
37
Waar de bloem haar schoonheid toont
Inspireert de medeklinker de klinker.
Waar de bloem haar schoonheid toont
Nemen vlinders het zout van de zee.
Waar de bloem haar schoonheid toont
Emailleert de tijd tatouages op blaadjes.
38
Nocte color de somno surgere, somnium color
(dantis milanionensis)
Nocte color de somno surgere, somnium color
(accommodatæ: H.M. de Oliveira).
Nocte color corpora ex somno moliebantur, somnium color,
Ardentis in tenebris quasi radius remugit,
Summitate cæli, fœdamque erat.
Et mulieri non locum latendi,
Quod confractum capillus
In brachiis meis ludet. Sic absorptus,
Vidi corpore cum diligis syncopen
Quia vidi faciem tuam, quasi osculans videtur mortuus.
Tamquam rupto vulneris ei osculum labiis suis
Os conformatur risu
Ambæ quasi osculum nocere.
Amor visiones habuit incertus.
Corpus tradita, sed dubia
Submersam obiecit revelata manus.
39
Na noite cor de sono, cor de sonho
(Dante Milano)
Na noite cor de sono, cor de sonho
Como se o beijo os lábios lhe torcesse,
A boca toma a forma de um sorriso
Que se contrai, como se o beijo doesse.
Na noite cor de sono, cor de sonho,
Fulgurando na treva, um raio estronda,
Final do céu, divino mas medonho.
E uma mulher sem ter onde se esconda,
Os cabelos desfeitos, aparece
E em meus braços se atira. Então, absorto,
Vi que o corpo, quando ama, desfalece,
Vi que o rosto, ao beijar, parece morto.
Visões do amor, possuídas mas incertas.
O corpo se entregou, mas indeciso,
E deixou-se cair de mãos abertas.
40
Lapsum (sa arietem)
Lapsum
(vulgata: H.M. de Oliveira)
Ego hæc omnia regi repugnantia
ego mutari ac misceri sollicitudine pango
et conversus relinquere... (sed labitur me
in caligine et altitudine remerguntur).
confirma me in color per vis præ contritione spiritus,
Prætende anima arma - vincat neruorum distentio ac ne ...!
cribri me in umbra - nihil me condensant ...
Anxietatibus destituamur lucis, adhuc volvebatur tamen.
Non potui traxerunt me, et ego me conterat
- victoria aliquando idem cadunt -
Et tamen luce, magnum incommodum,
In rabiem ascendam ad finem:
aspicio vertice glacies, tollite me et mittite in glaciem ...
. . . . . . . . . . . . . . .
Si forte aureum in manus meis
fiat falsum. proice abs cum fastidio....
ante thesaurum sentio contemptus
Morro ad lunam decrescit, propter excessum.
Cecidi ...
Et quemadmodum fractus mei ...
41
A Queda
(Mário de Sá-Carneiro, 'Dispersão')
A Queda
Alteio-me na côr à fôrça de quebranto, Estendo os braços de alma - e nem um espasmo venço!...
Peneiro-me na sombra - em nada me condenso...
Agonias de luz eu vibro ainda entanto.
E eu que sou o rei de toda esta incoerência,
Eu próprio turbilhão, anseio por fixá-la
E giro até partir... Mas tudo me resvala
Em bruma e sonolência.
Não me pude vencer, mas posso-me esmagar,
- Vencer ás vezes é o mesmo que tombar -
E como inda sou luz, num grande retrocesso,
Em raivas ideais, ascendo até ao fim:
Olho do alto o gêlo, ao gêlo me arremesso...
Se acaso em minhas mãos fica um pedaço de ouro,
Volve-se logo falso... ao longe o arremesso...
Eu morro de desdém em frente dum tesouro,
Morro á mingua, de excesso.
. . . . . . . . . . . . . . .
Tombei...
E fico só esmagado sobre mim!...
42
Surdi music
(dantis medilionensis)
Música surda (Dante Milano)
(vulgata: H.M. de Oliveira)
Como num louco mar, tudo naufraga.
A luz do mundo é como a de um farol
Na névoa. E a vida assim é coisa vaga.
Sicut insanus peruenerunt, vbi omnia desidit.
Lux mundi est sicut Fari
In caligine. Et ita obscure vitæ est.
O tempo se desfaz em cinza fria,
E da ampulheta milenar do sol
Escorre em poeira a luz de mais um dia.
Solvet sæculum in frigore cinereo,
Et sol antiquis clepsydris metiuntur
lucem ab alio diem liquescit in pulvere.
Cæci, surdi exitiales augurium.
Lux mundi est sicut Phari ...
Oh, obliviscens, ad immensum topiorum.
Cego, surdo, mortal encantamento.
A luz do mundo é como a de um farol...
Oh, paisagem do imenso esquecimento.
43
Lingua cum lambit
in: dilectio naturalis
(carolus drummond de andrade)
A língua lambe
em: amor natural
(Carlos Drummond de Andrade)
(pauper translation: H.M. de Oliveira). A língua lambe as pétalas vermelhas
da rosa pluriaberta; a língua lavra
certo oculto botão, e vai tecendo
lépidas variações de leves ritmos.
Lingua lambit lilia lilia
surrexit multi aperta; lingua fodienda
occulta puga pyga, et texit
celeri variegationes rhythm
Et lambit, lambitdiu, tarduslambit,
in morem pellis lycorine spelunca,
et magis lambent, magis activa,
cæli culmen pertingat ad cælum inter gemit
inter gemitu, vox gregum et clamor
rugitus leonum saltus indignantur.
E lambe, lambilonga, lambilenta,
a licorina gruta cabeluda,
e, quanto mais lambente, mais ativa,
atinge o céu do céu, entre gemidos,
entre gritos, balidos e rugidos
de leões na floresta, enfurecidos.
44
V (frigidissimi in tenebris albedinis)
(dante melidionensis)
V (frigidissimi in tenebris albedinis)
(accommodatæ: H.M. de Oliveira)
Demissione, parturientium contremescant, et dolore
Ponam eam grandior, nigriora inviso
Uisus simile mortuorum tantum in tenebris circuli
In frigidissimis tenebris albedinis
Cæcior mortuumque vita elucet.
Etiam intra sepulchrum
Ex vacillantibus sob lucis,
Lumen quod lumen quod inquinat
Pendidas petalorum in paludibus tenuisset
Spuma rupibus frigida pura
Ignibusque ad hyacinthus summa.
Sunt nervum quod dare totum
Patiar, quasi ventus in mari,
Sicut omnium rerum verarum.
45
V (Na treva mais gelada, na brancura) (Dante Milano)
V (Na treva mais gelada, na brancura)
Na treva mais gelada, na brancura
Mais cega e morta, a vida ainda transluz.
Até de dentro de uma sepultura
Brota um soluço trêmulo de luz,
Desalentos, angústias e canseiras
Tornam maior, mais tenebroso o olhar
Que lembra o olhar dos mortos: só olheiras
A luz que sua, a luz que desfigura
As pétalas pendidas nos pauis,
A espuma nos penhascos, fria e pura,
As chamas em seus ápices azuis.
São existências que se dão inteiras
E sofrem, como o vento, como o mar,
Como todas as coisas verdadeiras.
46
a dæmonio vexatur succubus (helium magellanicum olivam)
a dæmonio vexatur succubus
ibi devitans cunnilingus
tibi vitandum anilingus
relinquit canos condoluit temptatum frigore palato sapores.
sententiam mortis, celeritate decrescit ...
Quo fugis, temeraria amor?
amor furiosæ, atque congressus cupiditate
eras insani festinatione atque aviditate
ita perennis, invariant puta!
Hodie frui tibi conantur, sed o desperatione,
et mihi est perditus in calce exasperauit oculos truces
Excises me omnem erroresque et concitantem seditiones
obtuleritis mihi vetantibus acervus.
æternam, nec ferrea resistat centurias.
et contra systematica recusatio: irrationalitatem
prorumpens fumus, nunc defluens per vacuum
manantis est in digitis, tamquam liquidæ promiscua.
Fieri vix semivivum, vivat absque calore nebula
malitia illius, amor est absque ludum coxis.
deficit vitale, et mihi auferat raptus
suffocatio me paulatim te facta succubus.
47
Qui novit viam unius diei
(marius quintanam)
Quem Sabe um Dia
(Mario Quintana)
(accommodatæ: H.M. de Oliveira).
Quem sabe um dia
Quem sabe um seremos
Quem sabe um viveremos
Quem sabe um morreremos!
Forsitan unius diei
Forsitan erit
Forsitan manebit
Forsitan quibusdam morieris!
Quem é que
Quem é macho
Quem é fêmea
Quem é humano, apenas!
Forsitan unius diei
Forsitan masculum
Forsitan feminam
Quis homo, tantum homo!
Scienti diligere
Scis me et te
Scitis nobis
Notum esse unum!
die una
A mense
uno anno
A vita!
Sabe amar
Sabe de mim e de si
Sabe de nós
Sabe ser um!
Um dia
Um mês
Um ano
Um(a) vida!
48
testamentum Græce
(ivanum iunqueiram)
testamentum Græce
(accommodatæ: H.M. de Oliveira).
Aut non in ventum verba profertis
ventum quod sentio vertebræ?
Aut quod est iustum mendacium,
et cogitatio ad me mendacia?
Invius saxis in error,
sola, et presso gradu incedere,
Legentem testamentum Græce infelix
de infans iam extinctæ sint.
Quid docet hoc pænitet
docet qui audit, et esuriet;
modo discit in lumine instinctu
et non per intellectum cognoscere?
Nulla dolor vel passio quid legitur
sed consensus
quia omnium rubrum est
est magis Faustian argumentum est:
nulla unguenti Hyacinthi
aut pacem de oblivionis,
sed ibi italics esse violentum,
vertuntur viridi absinthium.
49
Testamento (Ivan Junqueira)
Testamento
Não será acaso o vento
o que nas vértebras sinto?
Ou será que apenas minto,
e mente-me o pensamento?
Sem trilhas no labirinto,
solitário, a passo lento,
leio o infausto testamento
de um infante agora extinto.
Não há dor nem sofrimento
no que leio, mas consinto
em que ali tudo está tinto
do mais fáustico argumento:
O que ensina esse lamento
a quem o escuta e, faminto,
só o aprende à luz do instinto,
e nunca à do entendimento?
Nuvens de rendas revoltas.
não o aroma do jacinto
nem a paz do esquecimento,
mas o grifo que, violento,
verte o verde do absinto.
50
superstes depressas navis
(dantis mediolanensis) O Náufrago
(Dante Milano)
(vulgata: helium olivam)
Inutilia gestus non uestigia non relinquerent
Facio et me demergat fluctus in pectore tuo.
A unda frangentes me in partes duas,
Alia fluctui videtur evulsione meo requiescat sinu.
Sentio quod confractum fuerat corpus fatigationem volarum,
Et an debilito strangulatus desiderium,
Sine sustentantia vacillate et,
nusquam locus, ita ambulo falsum.
Dolor meus est mensuratur in milles stadium.
mille passus vicero, nec terra olim, sed natantes
In itinere ad mare quod non indutiarum
Percutientes contra pectus meum dolet,
capiens, deprecatio offensionis, gesticulationibus
ut submersis frustra capto aqua...
Gestos inúteis que não deixam traços
Faço, e as ondas me afogam no seu seio.
Uma parece que me parte ao meio,
Outra parece que me arranca os braços.
Sinto o corpo quebrado de cansaços,
E num exausto, sufocado anseio,
Sem ter a que amparar-me, cambaleio,
Sem ter onde pisar, falseio os passos.
Minha tristeza mede-se por léguas
Que venço, não em terra, mas nadando
No caminho do mar que não dá tréguas,
Batendo-me de peito contra mágoas,
Sôfrego, trôpego, gesticulando,
Como um náufrago em vão se agarra às águas...
51
Canticulum illud quod somniatum
(manuel languescere)
Soneto Sonhado
(Manuel Bandeira)
(accommodatæ: H.M. de Oliveira)
tu omnia, tu es dilectus meus et notus meus,
ecce tu, et tu compendiada in sonnet
professionem meam fidei et amoris,
Confessionem et pones ante pedes tuos compellit.
Meu tudo, minha amada e minha amiga, Eis, compendiada toda num soneto, A minha profissão de fé e afeto, Que à confissão, posto aos teus pés, me obriga.
Quid custodiebant animam, et præterita experientiis
experientia nihil valet, desiderium et inquietum.
gustus parum idealium amoris obiectum
tantum, et non solum carnali amore sicut micas.
O que n’alma guardei de muita antiga Experiência foi pena e ansiar inquieto. Gosto pouco do amor ideal objeto Só, e do amor só carnal não gosto miga.
quid suus 'optimus in illuminance amor.
sed, proh dolor! non ex nobis. erit adventus:
ubi fit? de cæli fit? ... quam procul? ...
O que há melhor no amor é a iluminância.
Mas, ai de nós! não vem de nós. Viria De onde? Dos céus?... Dos longes da distância?...
non tibi, igneus ardor vel gaudium
non emendationem ...
sed honestum tibi, sicut lucem.
Não te prometo os estos, a alegria, A assunção... Mas em toda circunstância Ser-te-ei sincero como a luz do dia.
52
nocte ventus
(robertus desnus)
Vent nocturne
(Robert Desnos)
Excerpta Corps et Verus (MCMXXX)
Extraits de Corps et biens (1930) (accommodatæ: H.M. de Oliveira).
Maritime mari pereunt perierat
mortuis moriuntur in venatione
venatores saltant rotunda rotæ
Divinum deorum! Humanum homines!
cum digital digitis tollitis cerebri cerebrum.
tribulationis tamquam tribulatio.
sed dominans dominarum habent pilos pilosus
et cælestes cæli
et terrestrium terra
Vbi uero cælitem terram?
Sur la mer maritime se perdent les perdus
Les morts meurent en chassant
des chasseurs dansent en rond une ronde
Dieux divins! Hommes humains!
De mes doigts digitaux je déchire une cervelle cérébrale.
Quelle angoissante angoisse!
Mais les maîtresses maîtrisées ont des cheveux chevelus
Cieux célestes
terre terrestre
Mais où est la terre céleste?
53
Age Maria pun inspirati Robertus Desnus
(helium magellanicum olivam)
Vem Maria
age Maria, [Ave Maria]
insidias plena! [Gratia plena]
primus tecum [Dominus tecum]
bene icta, tu [Benedicta tu]
mus et pueribus [In mulieribus]
etsis bene citus [Et benedictus]
luctus venti, quia sus. [Fructus Ventris tui, Jesu]
in tanta maris [Sancta Maria,]
cater meis: [Mater Dei,]
ore porno bis, pecca et torridus. [Ora pro nobis peccatoribus]
Num ceti in ora mortis [Nunc et in hora mortis nostræ]
(forte) a mens ... [Amen]
Vêm Maria,
cheia de armadilhas!
você em primeiro
assim que você ataca
o rato, e os alunos
embora rapidamente
ventos chorando pelo porco.
Apesar do mar
atenda ao meu (pedido):
boca porno duas vezes, pecado e seco.
Tenha uma baleia na beira da morte
{talvez} uma mente ...
54
Poetæ dixit
(petrus de ronsard, MDLXX)
Poetæ dixit
(accommodatæ: H.M. de Oliveira)
O parvo foro, pulchra foramine, pilosus foramen,
capillos molliter crispos,
qui dominaris potestati tuæ seditiosissimum:
Salve, et mirabilia parvum foramen,
quæ fortiter inter latera elucet;
Ave, O felix sclusam,
facit animam meam feliciter felix!
tu ne me torqueas
volatilia iuvenis sagittarius quod faciebat tribulationibus meis;
te acceptis quatuor tantum noctibus
fortitudinem jam sentio me tardus.
audacem ad omnes sperarent magnifice honorare te,
Genibus veniant et adorent te,
tollens flammantibus candelis in manu!
55
Les poètes l’ont si bien dit
(Pierre de Ronsard, 1570)
Les poètes l’ont si bien dit
Je te salue, Ô merveillette fente,
Qui vivement entre ces flancs reluis;
Je te salue, Ô bienheureux pertuis,
Qui rend ma vie heureusement contente!
Ô petit trou, trou mignard, trou velu,
D’un poil folet mollement crespelu,
Qui à ton gré domptes les plus rebelles:
C’est toi qui fais que plus ne me tourmente
L’archer volant qui causait mes ennuis;
T’ayant tenu seulement quatre nuits
Je sens sa force en moi déjà plus lente.
Tous vers galans devraient, pour t’honorer,
A beaux genoux te venir adorer,
Tenant au poing leurs flambantes chandelles!
56
ignotæ terras
(sybille rembard)
ignotæ terras
(accommodatæ: H.M. de Oliveira)
in finibus dementia provecto
cerebrum explicuit facultates
mirum tattoos
anima colorem non videt
ironiam hoc momento
perturbativa fabula
vagor inter alios
alienis nummis tempus
fine pluvia aurea
illa cadent in somniorum meorum
oculis meus aspicio mundi qualia Seraphim
permixtio colorum
læduntur
deterioratus
ego edax dolor
væ mihi
Ego sum mundi abyssum
vestigationem numquam desinere.
57
Terres inconnues
(Sybille Rembar)
Terres inconnues
J’erre parmi les autres
en sursis
une fine pluie dorée
tombe sur mes rêves
aux frontières de la folie
le cerveau déploie ses facultés
tatouages étranges
âme daltonienne
ironie du présent
fable inquiétante
Je regarde le monde avec les yeux d’un séraphin
les couleurs se mélangent
se blessent
Je régurgite la douleur
de mes aïeux
je suis le gouffre du monde
sans fin
58
adsimilis spongiis angularem (carolus drummond de andrade)
adsimilis spongiis angularem
(accommodatæ: H.M. de Oliveira)
pulchra
mane inopia fabula,
et melle sorbilia sine sacrilegio.
Umor harenam adhaeret pes meus.
devorarunt mare, deglutiens me.
Valvulæ curvæque cogitationes lumine umbras
hyacintho
plena
ex modis.
pulchra
hoc matutino tempore aut aliis possibilibus
hac vita, vel alterius artis excogitatio,
foris umbras, et sine spectris.
pulchra,
corpus loco, congregaveritis
in communi corpore mundi.
promptitudinem ad canendum. sed
clausero, gaudeo.
59
Canto esponjoso (Carlos Drummond de Andrade)
Bela
esta manhã sem carência de mito,
e mel sorvido sem blasfêmia.
Bela
esta manhã ou outra possível,
esta vida ou outra invenção,
sem, na sombra, fantasmas.
Canto esponjoso
Umidade de areia adere ao pé.
engulo o mar, que me engole.
Valvas, curvos pensamentos, matizes da luz
azul
completa
sobre formas constituídas.
Bela,
a passagem do corpo, sua fusão
no corpo geral do mundo.
Vontade de cantar. Mas tão absoluta
que me calo, repleto.
60
clausa
(helium magellanicum olivam)
tu omni die magis clauditur
clauduntur, sicut ostrea,
ostrea est, quæ clausa,
cor meum ita contritum est.
die die, amplius clausum
tantum occlusit
tu prope ostrea; ostreae ego factus.
et cor meum ad pannos.
quid futurum ad me?
numquam somnium phantasia
demersus in flumen Oblivionis
et libidinem mea, in carcerem cœrceri.
quid ad me?
phantasia, non erit verum.
in flumine letargo
et desiderium animæ meæ capti.
clausa
cupio piperis ardens in sinu meum
prope exsanguis, patior ad deficiendum.
cupio pectoris meum quam minor olivæ.
pæniteat quod non.
Ego volo ardenti pectore
quæ me insanio deficere
Volo enim mea pectus oppressus
dolentes quod factum est.
nulla spes
volo dolere quod nulla fugæ,
pænitet quid ultra reparatione,
sed ibi non est.
rei nulla spes potiundæ
Pænitet me non manere sine fuga,
in faciem quod est irreparabile,
sed non est spes mihi.
61
nox
(dantis mediolanensis)
noite
(Dante Milano)
(vulgata: helium olivam)
Astra non ficta: sunt.
autem uidetur fictum ...
As estrelas não são fictícias, são existentes,
Mas parecem fictícias...
et verum est somnium,
autem falso moveri uidentur.
Todos os sonhos são verdadeiros,
Mas parecem mover-se num plano irreal.
ex me omnia malum,
omnia munda mundis.
É de mim que nasce o mal,
Todas as coisas são puras.
ambulantes sum tamquam mortuus.
O, hoc cogitatio:
non ex me ab alto descendens.
coactus cogitare, quod factum
quantum abyss trahit ad mortem.
Sou como um morto andando à toa.
Oh, esse pensamento
Não vem de mim, vem do alto.
Tive de pensá-lo porque se fez presente
Como o abismo ao suicida.
Volo eam transcendere
In reformabit ficta mali,
malum in bono, præsenti et invisibilis.
Desejo transcendê-lo
E transformar o mal imaginário
Num bem presente e invisível
62
Ego reliquit mea
(nuno iudice) «in agris»
Ego reliquit mea
(vulgata: helium olivam) Ego reliquit dilectione mea,
musicam per liebdomadas saccharo,
claudere a “pyga vestimentum”, et aperuerit "Vita pyga".
exsiccatum flos in paginis libri
et tamen tam multa verba
et in impetu ad adepto,
cum extra cælum cæruleum.
inter aperta et clausis popinis.
Sed me amoris tui,
dico quod in aure
et ego cum meminisse,
radiantibus oculis subito,
Inauris amisit in silva, et in omni tempore invenies,
si videris æqualis
in hoc, ut invenirem
quo tantum te tu pasces me. Et omne indigeo habeo
etiamsi nihil ad nos; sicut et tua risu recordarer esse
tu proximus mihi sentire.
63
Deixei contigo o meu amor
(Nuno Júdice) "O Estado dos Campos"
Deixei contigo o meu amor, música de açúcar a meio da tarde, um botão de vestido por apertar, e o da vida por desapertar, a flor que secou nas páginas de um livro, tantas palavras por dizer e a pressa de chegar,
com o azul do céu à saída. por entre cafés fechados e um por abrir. Mas trouxe comigo o teu amor, os murmúrios que o dizem quando os lembro, a surpresa de um brilho no olhar, brinco perdido em secreto campo, o remorso de partir ao chegar, e tudo descobrir de cada vez, mesmo que seja igual ao que vês
neste caminho por encontrar em que só tu me consegues guiar. Por isso tenho tudo o que preciso mesmo que nada nos seja dado; e basta-me lembrar o teu sorriso para te sentir ao meu lado.
64
In turbine
(Antero de Quental)
No turbilhão
(Antero de Quental)
Babylon Ex Regum Proelio
A Jaime Batalha Reis
(vulgata: helium olivam)
Visione somniorum meorum, in pompam,
Spectris de cogitationes meæ,
Quasi duci a manus ventis
raptus est in ingens turbine ...
No meu sonho desfilam as visões,
Espectros dos meus próprios pensamentos,
Como um bando levado pelos ventos,
arrebatado em vastos turbilhões...
Spiralem de mirum contorsiones,
ex ululant, et clamoribus,
illis in opaca cœtus,
ego videbunt facies eorum ...
Num espiral, de estranhas contorções,
E donde saem gritos e lamentos,
Vejo-os passar, em grupos nevoentos,
Distingo-lhes, a espaços, as feições...
– spectrum me et anima mea,
Ut spectent cum summa tranquillitate consecuta,
In unda, turbidus et in tumultu,
– Fantasmas de mim mesmo e da minha alma,
Que me fitais com formidável calma,
Levados na onda turva do escarcéu,
Unde estis, fratres mei, sævientium?
Quis tu es miser et horrenda visis concitare?
Heu! heu! ... Ego sum, et ?!
Quem sois vós, meus irmãos e meus algozes?
Quem sois, visões misérrimas e atrozes?
Ai de mim! ai de mim! e quem sou eu?!...
65
elegantissimus dolore
(Paulus Leminski)
Dor elegante
(Paulo Leminski)
(accommodatæ: H.M. de Oliveira)
Homo, cum in dolore
Quod est multo elegantioribus
incurva cum ambulat
Cum enim moratus veniunt
postea, magis ut veniat
Um homem com uma dor
É muito mais elegante
Caminha assim de lado
Com se chegando atrasado
Chegasse mais adiante
Portat pondus dolore
Quomodo gestet insignia
Corona vel multa pecunia
Vel aliquid, quod tanti
Carrega o peso da dor
Como se portasse medalhas
Uma coroa, um milhão de dólares
Ou coisa que os valha
Opiates, Paradisus, lenimenta
Noli tangere in dolore
Dolor quid mihi reliquum.
Passio opus meum est.
Ópios, édens, analgésicos
Não me toquem nesse dor
Ela é tudo o que me sobra
Sofrer vai ser a minha última obra
66
Antero de quental
Antero de Quental (1842-1891), Lusitania
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Arjen Duinker
Arjen Duinker (1956- ), Netherlands.
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Charles Baudelaire (1821-1867-), Gallia.
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Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), Brasilia.
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Dantis Mediolanensis
Dante Milano (1899-1991), Brasilia.
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Eugenius de Andrade
Eugénio de Andrade (1923-2005), Lusitania.
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Helium Magellanicum Olivam
Hélio Magalhães de Oliveira (1959-), Brasilia.
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Ioachim Cardozum
Joaquim Cardozo (1897-1978), Brasilia.
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Ioannes Denver
John Denver (1943-1997), America.
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Isai
Jessé Florentino (1952-1993), Brasilia.
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Ivanum Iunqueiram
Ivan Junqueira (1934-2014), Brasilia.
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Laura Pausini
Laura Pausini (1974-), Italiae
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Manuel Bandeira (1886-1968), Brasilia.
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Marius Quintanam
Mario Quintana (1906-1994), Brasilia.
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Nuno Iudice
Nuno Júdice (1949- ), Lusitania.
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Olav Bilaspur
Olavo Bilac (1865-1918), Brasilia.
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Pauli Éluard
Paul Éluard (1895-1952), Gallia.
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Paulus Leminski
Paulo Leminski (1944-1989)
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Pierre de Ronsard (1524-1585), Gallia.
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Robertus Desnus
Robert Desnos (1900-1945), Gallia.
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Sá Arietem
Sá Carneiro (1890-1916), Lusitania.
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Sybille Rembard (1966- ), Italiae, Gallia.
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