Diáro Oficial do Estado de São Paulo 06 de junho de 2014

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Diáro Oficial do Estado de São Paulo 06 de junho de 2014
IV
SãoPaulo,
Paulo,124
124(105)
(105)
II ––São
sexta-feira, 6 de junho de 2014
A vez do produto orgânico
Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) lançou a primeira
semente orgânica de milho do País,
durante a Bio Brazil Fair, feira de
produtos orgânicos, naturais e ecológicos, no Ibirapuera, na capital, que
começou no dia 4 e termina amanhã
(7). A variedade, chamada Al Avaré,
foi pesquisada na fazenda Ataliba
Leonel, em Manduri, na região de
Assis, pelo Departamento de Sementes, Mudas e Matrizes da Cati, vinculada à Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento. Sua produção, no entanto, ocorreu numa propriedade particular em Marília, credenciada pela secretaria e órgãos
certificadores de sistemas orgânicos.
Ainda dá tempo de visitar a
Bio Brazil Fair, no Ibirapuera,
feira que reúne alimentos
produzidos sem utilização
de produtos químicos; ali,
a Cati lançou a 1ª semente
orgânica de milho do País
O produto estará disponível no
segundo semestre, com preço ainda indefinido, em sacos de 5 quilos,
nas casas de agricultura, em quase
todos os municípios paulistas, e em
outras unidades da Cati. Antes, a
semente será colhida, secada, limpa, selecionada, analisada, beneficiada, classificada e embalada para o comércio. Três técnicos da Cati
atendem os interessados no estande da Secretaria da Agricultura, na
Bio Brazil: os agrônomos João Paulo Whitaker, Cláudio Funai e o diretor do Departamento de Sementes, Edson Coutinho.
FOTOS: FERNANDES DIAS PEREIRA
A
Diário Oficial Poder Executivo - Seção II
A feira reúne 90 expositores em área de 7 mil m2, nos quais apresenta alimentos orgânicos de vegetais e animais, naturais e industrializados
Sem produtos químicos – Whitaker lembra que a variedade Al Avaré, do
tipo crioulo, é um milho mais rústico que o
convencional. “Vai gerar uma planta resistente a pragas e doenças, com baixa perda
por quebra e de boa tolerância a seca”, assegura. Whitaker diz se tratar de um produto
certificado pelo Ministério da Agricultura
e Abastecimento (Mapa) e pela entidade
IBD (Associação de Certificação do Instituto
Biodinâmico). Ele garante ser um grão especial para o manejo orgânico, sem utilização
de produtos químicos no controle de pragas
ou na adubação. A colheita de Marília deverá
render de 6 a 7 mil sacos de 5 quilos cada,
para venda ao produtor.
Passeando pelos estandes
Lona velha de caminhão, fibras de garrafa
PET, juta e outros materiais usados são a
matéria-prima para a pequena empresa de
nome curioso (Será o Benedito)
confeccionar bolsas, mochilas, roupas,
chapéus, bonés, cintos e outros acessórios.
O coordenador da confecção, localizada em
Caieiras (SP), Orivan Pavan, explica que os
produtos são resistentes e com aparência
rústica. “Até as emendas da lona são
verdadeiras, feitas pelos caminhoneiros,
antes de chegar à nossa oficina.”
Quem passa pelo estande da Ikove Organics
se surpreende com a variedade de cosméticos
feitos de frutos e plantas brasileiros. A
diretora comercial Evelyn Steiner conta que a
empresa tem 14 anos e vende seus produtos
em lojas “naturebas”, spas, feiras orgânicas,
farmácias naturais e, em breve, estará também
em grandes redes de drogarias. “Fomos
procurados e estamos negociando”, segreda.
As matérias-primas são, por exemplo, açaí (um
coquinho), andiroba (castanha), buriti (fruto) e
murumuru (palmeira).
A estudante do curso técnico de nutrição
Jaciane Gonçalves (centro) e as amigas de
escola Renata Carvalho (esq.) e Jolina Neves
vieram de Praia Grande, no litoral,
especialmente para conhecer as novidades
em produtos orgânicos, naturais e
ecológicos na Bio Brazil. Jaciane comprou
bolos, pães e até um disco para pizza.
Marisa Vidoz, uma das proprietárias da Fhom,
aproveitou para mostrar os produtos
alimentícios naturais de sua marca, criada há
20 anos por sua família, que começou com
batata natural (sem agrotóxicos) e hoje fabrica
também diversos tipos de torrada com pão
feito com farinha natural e gordura da planta
chamada palma, que vem do Estado do Pará.
Cláudio Funai informa que o Al Avaré
começou a ser estudado em 2009, na fazenda Ataliba Leonel, e este ano a produção de
Marília estará pronta para uso comercial.
“A utilização de compostos orgânicos neste
milho será essencial para seu desenvolvimento.” Edson Coutinho elogia o projeto da
Cati, principalmente pela parceria que uniu
o Governo paulista à iniciativa privada.
São Paulo Orgânico – Quem passa
pelo estande da Secretaria da Agricultura
também conhece as linhas de financiamento do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (Feap) para produtores que
desejam migrar do sistema convencional
para o orgânico. O objetivo do crédito é
financiar a compra de equipamentos, insumos, modernização do cultivo e certificação. Também é possível obter recursos
para o agricultor produzir o seu próprio
composto orgânico, analisar em laboratório água, solo, fertilizantes e outros materiais e, ainda, obter o pagamento de outorgas (licenciamento) da água e o georreferenciamento da propriedade.
Todos esses recursos estão previstos no
programa São Paulo Orgânico, das secretarias estaduais de Agricultura e do Meio
Ambiente, lançado em março do ano passado. O teto de financiamento é de R$ 200 mil
por agricultor, pessoa física ou jurídica; e
de R$ 500 mil por cooperativa ou associa-
ção de produtores. O prazo de pagamento é
de até sete anos, incluída a carência de até
quatro anos. O encargo financeiro é de 3%
de juros ao ano.
Outro objetivo do São Paulo Orgânico
é capacitar técnicos das duas secretarias
para que possam orientar o produtor no
novo sistema. Os cursos são feitos na unidade de agricultura ecológica da Agência
Paulista de Tecnologia dos Agronegócios
(Apta), em São Roque, por onde passaram
231 técnicos para atuar como multiplicadores do programa.
Otávio Nunes
Imprensa Oficial – Conteúdo Editorial
Setor em crescimento
A Bio Brazil Fair reúne 90 expositores em área de 7 mil metros quadrados,
nos quais apresenta alimentos orgânicos
de vegetais e animais, naturais e industrializados – massas, mel, café, cosméticos, roupas, acessórios, artesanatos – e
palestras técnicas. Dados da ONG Instituto de Promoção do Desenvolvimento
(IPD) preveem o setor, em nível nacional, faturando R$ 2 bilhões neste ano,
o que pode confirmar a média anual de
crescimento entre 30% e 40%.
Whitaker, Funai e Coutinho, com o milho da Cati, que uniu o Governo à iniciativa privada
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sexta-feira, 6 de junho de 2014 às 02:10:43.