de inverno - Living Inside

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de inverno - Living Inside
www.casavogue.com.br
CASA VOGUE 310 MIX DE INVERNO JUNHO 2011
Nº 310
JUNHO 2011
R$ 14,90
A 54ª BIENAL
DE ARTE DE VENEZA
É DOS JOVENS E
DAS MULHERES
ABRIL 2011
CHARLOTTE
PERRIAND
A DESIGNER É
CELEBRADA EM
LIVRO E MOSTRA
WWW.CASAVOGUE.COM.BR
A CASA ONDE
VIVEU A POETA
ELIZABETH BISHOP
NO BRASIL
REVIVAL XADREZ
MIX
ESTAMPAS CLÁSSICAS
PARA RENOVAR O DÉCOR
DE INVERNO
DE UMA CASA MODERNISTA EM SÃO PAULO A UM CASTELO
NA BÉLGICA, JEITOS ACOLHEDORES E ATUAIS DE MORAR
ESPECIAL CHÁ DAS 5: XÍCARAS, PRATOS E BULES PARA UMA MESA ELEGANTE
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Vista externa
do castelo cercado
de verde, em que
vive a família
Vervoordt, cuja
monumentalidade
impressiona
Castelo mágiCo
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O designer de interiOres e connaisseur d’art Axel VerVOOrdt ViVe numA prOpriedAde
de 50 cômOdOs erguidA nO séculO 12, próximO de grAVenwezel, nA BélgicA.
seu refinAmentO se trAduz nA BelA restAurAçãO e nO ecletismO exemplAr dOs AmBientes
TexTo e foTos Michael Paul
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À dir., vista da portaria
do século 16 a partir
de um dos quartos; abaixo,
a ponte que cruza o fosso,
acrescentada no século 18.
Na pág. ao lado, o estúdio
do proprietário revela
uma atmosfera masculina
com seus móveis escuros
e
les se aventuraram a reinventar uma propriedade
histórica. Foi em 1984 que o renomado designer de
interiores, dealer e colecionador de arte e antiguidades Axel Vervoordt, além de sua mulher, May,
adquiriram o castelo Gravenwezel, nas proximidades
da aldeia de mesmo nome, a nordeste de Antuérpia, na Bélgica. A restauração e os reparos da extraordinária construção
erguida no século 12 duraram quatro anos. Dar um senso moderno de magia e beleza ao local foi a maior façanha do casal.
O nome do construtor perdeu-se com o tempo, e o prédio
fora submetido a inúmeras alterações – muitas das quais afetaram negativamente suas características. Optou-se, então, por
uma espécie de “purificação” ao eliminar os acréscimos desnecessários. Mas os Vervoordt tomaram o cuidado de manter
algumas intervenções anteriores, feitas por sucessivos proprietários, desde que respeitassem a integridade do edifício.
A despeito de toda a grandeur que circunda a dupla, o castelo é, primordialmente, o lar de uma família – e revela sempre
aconchego. Mesmo depois da renovação e da chegada de confortos contemporâneos, hoje, o interior tem uma atmosfera do
século 18, com suas grandes janelas, salas espaçosas e tons de
terracota. Dá a impressão de que nada mudou durante anos.
São 50 cômodos totalmente diferentes, cada um decorado
em um estilo, para exibir peças e móveis antigos, além de telas de valor inestimável. Os visitantes que esperam descobrir
a abordagem de um museu clássico podem se preparar para
uma surpresa. De maneira bem particular, o interior reflete a
sensibilidade estética refinada de Axel e May e seu amor pelo colecionismo, que passeia por diferentes culturas e países.
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No hall de distribuição,
junto à escada
que leva ao primeiro
andar, sofá italiano
sob a tela de otto
Piene, de 1975.
Na pág. ao lado,
contra a parede
do hall de entrada,
há poltronas luís xV
e mesas italianas.
o ambiente liga-se
à sala de jantar azul,
ao fundo
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Poucos elementos compõem
esta sala, em que o sofá
branco destaca-se junto
às peças de tons terrosos
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Numa passagem,
o sofá luís xV fica
sob uma tela de Victor
Vasarely, de 1958.
o candelabro francês
é do século 18.
Na pág. ao lado,
a biblioteca tem
estantes de madeira
clara. uma pele
de animal sobrepõe
o tapete
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À esq., acima, um canto
do quarto de apelo
oriental, no segundo
pavimento, tem obras
de artistas japoneses;
e, abaixo, outro
dormitório, no sótão,
usa materiais naturais.
Na pág. ao lado,
a sala de jantar exibe
porcelanas Ming,
do século 17, nas paredes
Intencionalmente, não há qualquer estilo ou período predominante. Em vez disso, o décor traz uma fascinante e eclética
combinação de estilos orientais e ocidentais, com obras de arte
de alta qualidade que incluem desde vasos arqueológicos egípcios de pedra, Budas chineses da dinastia Sung, bronzes do
Renascimento e móveis do século 18 até telas contemporâneas
de pintores famosos. No verdadeiro estilo Vervoordt, nada é
transitório ou ligado a modismos. Tudo inspira uma beleza
eterna, universal e intrínseca, que torna os interiores sempre
contemporâneos e relevantes.
No pavimento inferior, fica o estúdio do proprietário, que
poderia ter saído de um set de filmagens, com ícones masculinos e alguns móveis de uma biblioteca inglesa. As paredes
do interior do hall de entrada são uma mistura de limo e terra escavada da propriedade, além de haver, ali, uma pintura
trompe-l’oeil usada para criar efeito de mármore. A cor natural
das paredes externas do castelo foi obtida por meio do mesmo
método: a mistura de terra e limo. Em todos os lugares, há sempre o testemunho de uma restauração apurada.
Os ambientes suaves e quase austeros denotam a importância, para o proprietário, de uma vida de meditação, do espaço
vazio, além do amor e respeito pela natureza. Axel, que se interessa pelas filosofias orientais, explica: “O estilo despojado
significa uma expressão essencialmente minimalista e zen.
Cada um dos cômodos tem poucos móveis, deixando o foco para o que foi cuidadosamente escolhido, inclusive as diferentes
obras de arte. As tábuas nuas do assoalho e a falta de decoração
nos incentivam a ‘ouvir’ o silêncio e nos instilam um profundo
sentido de liberdade espiritual”. n
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Tradução: Jusmar Gomes
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ladeada por abajures,
a cama com cabeceira
trabalhada se harmoniza
com outras peças neste
quarto. Na pág.
ao lado, estão
uma mesa de jogos
francesa de 1700
e uma tela de sadamasa
Motonaga, de 1974
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