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Baixar PDF - Ciab FEBRABAN
nº 49
Preparados para os jogos
Bancos e fornecedores de tecnologia estão prontos para
receber milhões de turistas com o que há de mais moderno e eficiente
em serviços financeiros. Nesse campo, a Copa já começou
Pagamentos móveis
Governo Federal regulamenta e
empresas já testam soluções de
m-payment no Brasil
Sucesso internacional
Depois de passarem pelo Espaço Inovação,
startups conquistam prêmios e visibilidade
no exterior
8
Capa
Faltam poucos meses para a abertura da Copa
de 2014. A expectativa é receber 3,7 milhões
de turistas durante o período da competição.
Para isso, bancos e fornecedores de tecnologia
escalaram o que têm de melhor em soluções
e serviços para atender à demanda.
13
Orçamento
Alguns dos maiores bancos brasileiros confirmam a manutenção ou até o aumento dos
níveis de investimento em tecnologia. Uma
das áreas que mais recebem recursos é a revisão da arquitetura de sistemas.
17
Pagamento eletrônico
Conselho Monetário Nacional (CMN) e o
Banco Central (BC) publicaram a primeira
parte da regulamentação sobre m-payment.
No Brasil, algumas soluções já estão em operação. É o celular no lugar da carteira.
Comissão Organizadora
presidente: Marco Tavares - HSBC Bank Brasil
vice-presidente: Gustavo de Souza Fosse – Banco do Brasil
Membros
Adauto Del Fávero – HSBC
Armando Corrêa – Citibank
Eliane Grotti Borges – Caixa
Jorge Fernando Krug Santos – Banrisul
Jorge Luiz Viegas Ramalho – Itaú Unibanco
Jorge Vacarini – Deutsche Bank
Keiji Sakai – Banco BM&F Bovespa
Paulo César Duarte Cherberle – Bradesco
Ricardo Shigueaki Nozuma – Santander
Ronei Maranssati – Banco do Brasil
Diretoria de Eventos
Nair Macedo (diretora)
Marcelo Assumpção (gerente de relacionamento)
Hilda Nishijima Solera (assessora)
Diretoria de Comunicação
William Salasar (diretor)
Cleide Sanchez Rodriguez (gerente)
Danilo Gregório (assessor)
Diretoria Técnica
Wilson Antonio Salmeron Gutierrez (diretor)
Nilton César Gratão (assessor)
Vitor Lee Harris (assessor)
Marketing
Silvia Fernanda Mazzola (assessora)
Revista Ciab FEBRABAN
edição
Danilo Gregório
Pauta, reportagens e texto
ABCE Comunicação e Comunicação FEBRABAN
Projeto Gráfico e editoração
Ideia Visual
Jornalista responsável
Cleide Sanchez Rodriguez (MTb 15.318)
Índice
4
Editorial
17
Pagamento eletrônico
5
21
Biometria e ATMs
Espaço Inovação /10 anos
8
25
Atendimento na Copa
Update
13
Esta é uma publicação da Federação
Brasileira de Bancos – FEBRABAN
Av. Brigadeiro Faria Lima, 1485
14º andar – Torre Norte
01452-921 – São Paulo – SP
Copyright 2013 - dezembro
Todos os direitos reservados
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Orçamento
dezembro de 2013 • revista Ciab FEBRABAN • 3
Divulgação
editorial
Marco Tavares
Diretor Setorial de Tecnologia e Automação
Bancária da FEBRABAN
Prontos para
a jogada
B
asta andar pelas ruas de comércio popular de São Paulo para se dar conta do
quanto o consumidor brasileiro é aderente às novas tecnologias, com tablets e celulares
preenchendo a vista. Tablets figuraram como objeto de desejo de 8% das crianças paulistanas para o Natal, segundo pesquisa do Datafolha, à frente de bicicletas (4%). Antes
produtos “caros” e “supérfluos”, smartphones superaram as vendas de celulares mais simples no
terceiro trimestre de 2013, com 10,4 milhões de unidades vendidas ante 7,5 milhões do segundo
grupo, aponta a IDC Brasil.
Num mundo repleto de lançamentos de produtos conectados à internet, de óculos a refrigeradores, é difícil saber com exatidão qual a próxima onda, o que cairá no gosto popular, mesmo
para quem trabalha na indústria de tecnologia. Para os bancos, o desafio é claro: levar serviços e
produtos para os diversos meios, até as casas das pessoas, por exemplo. Isso implica evoluir para
novas funcionalidades, que permitam ao cliente fazer uma melhor gestão de seus recursos financeiros em ambiente de comodidade, segurança e rapidez.
Essa discussão promete ser o fio condutor do Ciab de 2014, cujo tema central já foi definido:
“Estratégia digital no mundo hiperconectado”. A maneira como a nova geração se comunica com o
banco, tendências da internet e mobile banking, a evolução do social banking e canais eletrônicos
intuitivos estarão na pauta.
Marcado para os dias 4,5 e 6 de junho de 2014, o Ciab precederá a Copa do Mundo, um
período excepcionalmente agitado na vida dos brasileiros e que também está afetando as áreas
de tecnologia. Os milhões de turistas esperados para as cidades-sedes dos jogos exigem esforços
adicionais na prestação dos serviços bancários, conforme mostra a nossa reportagem de capa.
A maior parte dos turistas provavelmente vai realizar suas operações em caixas eletrônicos,
muitos dos quais se comunicam em mais de um idioma, permitem saques com cartões internacionais e, em alguns casos, fazem até câmbio. Mas também haverá agências com funcionários a
postos para auxiliar visitantes estrangeiros em outra língua. É o compromisso de atender bem o
cliente que, afinal, norteia os nossos investimentos, seja em capital humano, seja em tecnologia. ■
4 • revista Ciab FEBRABAN • dezemBRO de 2013
Segurança bancária
Quando o
corpo é a senha
Avanço da biometria reflete engajamento das instituições
financeiras no combate a fraudes eletrônicas
U
ma nova geração de caixas eletrônicos (ATMs, na sigla em inglês) interativos chegará ao Banco
do Brasil a partir de 2014. Inicialmente, o banco pretende colocar até 30 equipamentos que “conversam” com o consumidor
em agências-conceito. Por meio de sensores,
esse modelo de ATM identifica quem se aproxima, fazendo seu reconhecimento facial e oferecendo possibilidades de operação por meio
de toque ou voz. O equipamento funciona
como um atendente virtual, com biometria
tripla – rosto, íris e voz – para reconhecer cada
cliente e autenticar as transações.
Mais do que uma ideia futurista, a iniciativa do banco é reflexo do grande esforço
das instituições financeiras brasileiras em combater tentativas de fraudes eletrônicas e levar
as transações bancárias a níveis de segurança
bem mais altos. A fim de evitar que criminosos usem dados roubados de clientes para
fazer movimentação financeira, os bancos têm
modernizado seus sistemas e coletado dados
biométricos, multiplicando o uso de tecnologias de segurança.
Confiança
Como se baseia em características pessoais –
biológicas ou comportamentais -, a biometria
Divulgação
Por Leandro Esteves
Solução de
biometria da Fujitsu
é destaque nos
bancos japoneses
Tokyo-Mitsubishi
e Ogaki Kyoritsu
Bank e no Bradesco
depende da aceitação dos clientes para crescer
em adoção. Mas o público está cada vez mais
disposto a entregar seus dados em troca de
maior segurança e praticidade. Segundo uma
pesquisa internacional da Unisys, que avalia
a percepção de segurança dos consumidores
em relação a uma série de ameaças, 75% dos
mais de mil brasileiros ouvidos afirmaram
confiar, de alguma forma, na capacidade das
tecnologias biométricas – tais como impressão
digital, identificação por íris, retina ou reconhecimento facial – para proteger suas transações financeiras.
No último mês de outubro, o Bradesco
atingiu a marca de 14,5 milhões de clientes dezembro de 2013 • revista Ciab FEBRABAN • 5
Segurança bancária
chapéu
Divulgação
Novos caixas
eletrônicos do
Banco do Brasil
vão conversar
com os clientes,
além de fazer
reconhecimento
facial
mais da metade de sua base total de 26 milhões
de correntistas – cadastrados em seu sistema
de biometria, que utiliza as veias da palma da
mão. O próximo passo será prover os clientes
pessoas jurídicas de equipamentos de identificação biométrica para operações de internet
banking, na sede dessas empresas, a exemplo
do uso disseminado de máquinas leitoras de
código de barras. Para esses usuários, será o fim
das senhas digitadas. Não é difícil imaginar que,
logo adiante, os clientes pessoas físicas venham
a desfrutar um recurso semelhante, até para as
transações mobile, pois já existem modelos de
smartphones dotados de sensores biométricos
para identificar seus proprietários.
cartões. “O Bradesco foi pioneiro e outros também estão adotando, como a TecBan”, informa.
A exemplo de outros fornecedores, a Fujitsu experimenta um crescimento no uso de
sua alternativa de biometria em todo o mundo.
Entre os clientes internacionais, destacam-se os
japoneses Tokyo-Mitsubishi e Ogaki Kyoritsu
Bank. No Brasil, segundo a Fujitsu, a aplicação de biometria interessa não apenas ao setor
financeiro, mas também ao varejo. Uma das
propostas é identificar clientes para controle
de acesso em edifícios e áreas de alta segurança
(como portos e centros de processamento de
dados), incluindo áreas de saúde e segurança
do trabalho.
Abertura de conta
Troca de ATMs
A Perto, uma das maiores fornecedoras de
ATMs no Brasil, informa que seu produto
Perto Palm Bio realiza o mapeamento das
veias da palma da mão
do cliente no momento da abertura da conta
no Bradesco. Nelson
Yassuo Osanai, diretor
executivo de vendas da
Fujitsu, outro grande
fornecedor de biometria para o Bradesco,
conta “que quatro anos
após adotar a leitura de
veias da palma da mão
nos seus ATMs, o Bradesco realizou mais de
700 milhões de transações sem registro de
fraudes”. Osanai enfatiza que o PalmSecure
oferece autenticação
mais segura por eliminar o uso de senhas e
As maiores fornecedoras de ATMs no Brasil estão prestes a comemorar um bom ano em função da multiplicação de recursos de segurança,
ampliação da base instalada e substituição de
equipamentos por máquinas com maior número de recursos. “Foram expedidos de janeiro a
setembro deste ano 4,2 mil equipamentos, número menor que o registrado em igual período
do ano passado, mas dentro de nossas previsões”,
detalha Wilton Ruas, vice-presidente de automações da Itautec. Ele salienta que o número
sofre oscilações previsíveis em função das estratégias dos clientes e destaca que o movimento
de ATMs no País se deve mais à substituição
do que à expansão: “Temos notado uma tendência maior de atualização do parque, com
introdução de novas funções, como biometria,
por exemplo, do que expansões.”
Carlo Benedetto, vice-presidente de vendas e marketing da Diebold Brasil, informa
que, atualmente, o mercado financeiro brasileiro demanda cerca de 25 mil equipamentos ao
ano entre troca e expansão. “A Diebold responde por quase 50% desse mercado e, segundo
estudos da RBR, o crescimento anual até 2017
6 • revista Ciab FEBRABAN • dezemBRO de 2013
Divulgação
Praticamente 100% dos
equipamentos que saem da
nossa fábrica, em Manaus,
vêm com dispositivos
biométricos instalados
Benedetto, da Diebold Brasil
será de 5% no canal autoatendimento.”
Tudo indica que o Brasil, para aumentar
a eficiência do canal autoatendimento e diminuir as fraudes, sai na frente com esse tipo de
tecnologia em relação ao restante do mundo,
pondera Benedetto. “Praticamente 100% dos
equipamentos que saem da nossa fábrica, em
Manaus, vêm com dispositivos biométricos
instalados.”
As alternativas mais solicitadas à Diebold
são as de palm vein (leitor de veias), finger vein
(leitores de veias dos dedos) e a mais conhecida:
a finger print (usada para impressões digitais).
“A biometria deve, em médio prazo, substituir
definitivamente as senhas”, reconhece Benedetto.
Na mesma direção vai a previsão do vice‑presidente da NCR América Latina e Caribe,
Elias Silva. “A biometria é uma das principais
tendências do mercado e pode substituir o uso
de cartões, já que temos índices importantes
de clonagem. No futuro, em vez de carregar
todos os cartões de débito, de crédito e de lojas, as pessoas poderão utilizar simplesmente a
biometria como identificador de operações, o
que é bem mais seguro e conveniente”.
Silva informa que a participação de mercado da NCR mais do que dobrou em três anos
e aponta motivos macroeconômicos para esse
impulso na economia local. “O poder de consumo dos brasileiros aumentou muito nos últimos
anos e continua em alta. Além disso, eventos internacionais, como a Copa do Mundo de 2014,
e outros tantos que estão sendo realizados no
País também contribuem para esse cenário.” ■
Ásia puxa aumento do parque mundial de ATMs
A
base instalada mundial de
ATMs deve crescer em até
44% entre 2012 a 2018, atingindo
o número de 3,7 milhões de unidades. Essa é a principal conclusão da RBR no seu mais recente
estudo global. A RBR é uma consultoria global, com sede em Londres e três décadas de experiência
no varejo, automação bancária e
sistemas de pagamento.
No relatório “Global ATM
Market and Forecasts to 2018”, a
RBR destaca que as regiões que mais
vão acelerar o uso de caixas eletrônicos serão a Ásia (lado do Pacífico), o
Oriente Médio e a África, que apresentam crescimento de 75%.
O país responsável pelo maior
crescimento é a China, onde são
emitidos um milhão de cartões por
dia, criando uma demanda sem precedentes para a indústria de ATMs.
A RBR aposta também em
aumento expressivo, de até 300%
nos próximos anos, na Índia, Bangladesh e Nigéria, considerando
a utilidade que caixas eletrônicos
têm em regiões de população não
bancarizada.
dezembro de 2013 • revista Ciab FEBRABAN • 7
Divulgação
Capa
Teremos oportunidades claras de
negócios se levarmos em conta,
por exemplo, o volume de tráfego
de dados no caso da transmissão
de vídeos em tempo real
Carvalho, da Alog
Atendimento
especial
Bancos e empresas de tecnologia se preparam
para suprir demanda diferenciada por serviços
financeiros durante a Copa do Mundo
Por Danilo Gregório e Gutemberg Medeiros
A
chegada de milhões de turistas
às 12 cidades-sedes da Copa do
Mundo de 2014 mobiliza um exército de pessoas, empresas e agentes
do governo para que a maior festa esportiva do
planeta deixe uma ótima impressão aos olhos
de uma plateia global. Os departamentos de
tecnologia dos bancos e seus fornecedores não
estão fora dessa lista, já que se espera uma
intensificação do uso de serviços financeiros
durante as semanas dos jogos. No período de
12 de junho a 13 de julho de 2014, o governo
projeta uma visita de cerca de 3,7 milhões de
turistas, entre os quais 600 mil estrangeiros.
8 • revista Ciab FEBRABAN • dezemBRO de 2013
Juntos, eles devem gastar um total de R$ 25,2
bilhões, segundo cálculos do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur). Atentos a esse
movimento atípico, bancos e empresas de
tecnologia estão se preparando para dar conta
do recado.
A Revista Ciab FEBRABAN ouviu alguns
dos principais bancos e fornecedores do mercado de tecnologia para apresentar as novidades
que estarão em campo em 2014. Nesta reportagem, buscamos ressaltar serviços, procedimentos e canais de atendimento que receberam
tratamento especial para a demanda provocada
pela Copa.
A BRQ Financial Services, que presta
consultoria para o setor financeiro, identificou
alguns impactos e oportunidades que a Copa
deve trazer para bancos de varejo e atacado.
Alexandre Camilo Perez, diretor de marketing
da empresa, aponta o aumento da demanda
por canais remotos (internet, telefone, dispositivos móveis, ATMs); picos de transações de
crédito, débito e saques fora dos padrões habituais; operações de câmbio e tesouraria com
maiores volumes; e o lançamento de produtos,
serviços de câmbio e meios de pagamento, estimulados pela chegada de uma massa de turistas
internacionais.
“O ponto mais importante é a mudança
que o evento causará no comportamento da
demanda por transações de débito, crédito
e saque, tanto em termos de dias e horários,
como locais de utilização”, diz Perez.
ATMs globais
As mudanças mais óbvias em sistemas e equipamentos aparecem nos caixas eletrônicos
(ATMs, na sigla em inglês). O Bradesco está
trocando seus ATMs localizados nos principais shopping centers e aeroportos das 12
cidades em que ocorrem as partidas da Copa.
O plano é substituir, até lá, os equipamentos
de 80 shoppings e 15 aeroportos por terminais
dotados de tecnologia “sem contato” (contactless), que permite a identificação do cartão
por meio de aproximação física do terminal,
sem a necessidade de inserção do código
PIN. “Estamos falando de algo em torno de
mil máquinas”, diz Mauricio Minas, diretor
executivo do Bradesco. Segundo o executivo,
essa tecnologia é comum em cartões europeus
e já está presente em mais de um terço do
parque total de ATMs do Bradesco, estimado
em 34 mil.
Durante o período da Copa, o Itaú vai
tornar disponível, em algumas agências, o
câmbio de dólares e euros para clientes e
não clientes (estrangeiros). Na sua rede de
caixas eletrônicos, ao menos nas 12 praças
dos jogos, a novidade serão os saques em
reais para estrangeiros portadores de cartões
das bandeiras Visa Plus, MasterCard Cirrus
e China UnionPay (CUP). Esses clientes
também poderão consultar saldos na moeda
de origem do cartão internacional.
A Caixa Econômica Federal (CEF)
estuda adotar medida semelhante. “A Caixa
vislumbra alocar terminais de autoatendimento
habilitados para essa operação e com
possibilidade de comunicação em mais de um
idioma”, adianta o superintendente nacional
de canais de distribuição da instituição, Ademir
Losekann.
Os bancos estrangeiros com atuação no
Brasil não fogem à regra. “Ofereceremos a
qualquer cliente, não importando a sua origem,
a oportunidade de realizar saques em moeda
local em nossa rede de autoatendimento, pri-
Pontos estratégicos
Bancos concentram atendimento diferenciado para turistas
nas 12 cidades-sedes da Copa do Mundo
Brasília (DF)
Fortaleza (CE)
Natal (RN)
Manaus (AM)
Recife (PE)
Cuiabá (MT)
Curitiba (PR)
Salvador (BA)
Belo Horizonte (MG)
Rio de Janeiro (RJ)
São Paulo (SP)
Porto Alegre (RS)
dezembro de 2013 • revista Ciab FEBRABAN • 9
Capa
chapéu
vilegiando as praças esportivas que receberão
os jogos em 2014”, diz o diretor executivo de
tecnologia do Santander, Fernando Diaz. O
modelo em desenvolvimento contará com informações em mais de um idioma.
Para executar transações no Brasil para
clientes estrangeiros, o HSBC, de origem
inglesa, se beneficia de uma plataforma global.
O banco afirma que toda a sua rede de ATMs
suporta os principais emissores mundiais
de cartões (como Visa e MasterCard) para
operações de saque em reais e extrato de
forma online. “Nossos ATMs já possuem as
opções português, inglês e espanhol para as
transações com cartões internacionais (Visa
Plus e Cirrus)”, ressalta Marco Tavares, Chief
Operating Officer (COO) e diretor executivo
de operações, tecnologia e serviços do HSBC
Bank Brasil.
Câmbio automático
Uma das expectativas fica por conta da adoção
de caixas eletrônicos que realizam o câmbio
manual de moeda estrangeira para nacional
e vice-versa. Esse tipo de operação é bastante
recente no Brasil: foi autorizado pela Resolução 4.113, do Conselho Monetário Nacional
(CMN), de 2012, limitado ao valor de US$ 3
mil por transação.
A Revista Ciab FEBRABAN ouviu quatro
fabricantes desse tipo de produto. O ATM
Adattis modelo CX3, da Itautec, é um caixa
eletrônico com função de câmbio, capaz de
reconhecer moedas estrangeiras em euro ou
dólar e trocá-las por reais. O vice-presidente
de automações da Itautec, Wilton Ruas, conta
que a companhia já domina essa tecnologia
há mais de 10 anos, tendo desenvolvido e fornecido ATMs com essa funcionalidade para
Aplicativos trazem orientações
D
os 141 postos de câmbio da
Caixa em todo o País, 68 estão
situados em cidades que abrigarão
os jogos da Copa. Para ajudar os turistas a localizarem os pontos mais
próximos, a Caixa pretende mostrar
na internet e em aplicativos de dispositivos móveis a relação dos postos de câmbio, com comunicação
em inglês e espanhol.
A maioria dos aplicativos de bancos já embute a tecnologia de localização de agências e ATMs, mas nem
todos eles informam postos com
serviço de câmbio. Essa informação
pode ser obtida no aplicativo Câmbio Legal, desenvolvido pelo Banco
10 • revista Ciab FEBRABAN • dezemBRO de 2013
Central do Brasil (BC) com dados fornecidos pelos bancos. O app foi concebido para atender, principalmente,
à demanda de turistas da Copa das
Confederações e da Jornada Mundial
da Juventude. Está disponível para
download gratuito nas lojas de aplicativos da Apple e do Google desde
junho de 2013. Indica os locais mais
próximos onde é possível comprar e
vender moedas estrangeiras ou sacar
reais com cartões internacionais. “Estão à disposição informações de mais
de 13 mil pontos localizados em todo
o Brasil de 46 instituições”, relata
Geraldo Magela Siqueira, secretário
executivo do BC.
clientes no exterior.
O equipamento visa a atender o grande
afluxo de pessoas previsto para grandes eventos
como Copa do Mundo e Olimpíadas. Além
de realizar consultas e saques, o ATM Adattis
modelo CX3 permite pagamento de contas em
dinheiro, com possibilidade de troco.
Sem revelar nomes, Ruas adianta que a solução da Itautec está em processo de avaliação
técnica em dois bancos nacionais. Ele lembra
que, nas duas últimas edições do Ciab FEBRABAN, a Itautec expôs alguns ATMs que
oferecem recursos convenientes para grandes
eventos esportivos como a Copa. Um exemplo
são equipamentos capazes de carregar cartões
contactless com créditos ou de controlar a liberação de passagem em áreas de acesso restrito.
O executivo ainda cita dispositivos de
hardware para imprimir ingressos perso-
nalizados na hora. “Neste momento, vários bancos estão avaliando as soluções e
verificando, dentro de suas estratégias, a
melhor forma e momento para sua adoção”,
sinaliza Ruas.
Para Carlo Benedetto, vice-presidente de
vendas e marketing da Diebold, a Copa do
Mundo é uma oportunidade de oferecer ao
setor bancário mais opções de autoatendimento, como máquinas de câmbio ou saques para
cartões internacionais. Esses serão os serviços
financeiros mais solicitados durante o Mundial,
de acordo com bancos e corretoras de câmbio
ouvidos pela Diebold. Nessa área, a fabricante
oferece o terminal Diebold 4500, munido de
validador de cédulas que reconhece dólares,
euros e reais. A Diebold afirma que a tecnologia está em processo de homologação em um
cliente. “E toda a linha de ATMs da Diebold
Para se dar bem com os gringos
U
m dos investimentos dos bancos
para o período da Copa é na capacitação dos profissionais que vão lidar
diretamente com a clientela que não
fala português. “Nas principais agências
das cidades-sedes, estamos treinando
funcionários bilíngues”, diz Mauricio Minas,
diretor executivo do Bradesco. O banco prevê prestar
um pré-atendimento especial para estrangeiros durante 30 minutos antes da abertura ao público da agência.
“O funcionário vai identificar a transação desejada e direcioná-la para o canal apropriado. Acreditamos
que a maioria das operações poderá ser feita nos caixas
eletrônicos. Mas, se o cliente quiser câmbio e a agência
não oferecer esse serviço, será informado o local mais
próximo para isso”, explica Minas. Os canais eletrônicos,
como internet, mobile banking e call center, terão infor-
mações em inglês e espanhol.
Para seus clientes da Argentina,
Chile, México, Paraguai e Uruguai, o
Itaú também vai oferecer, em suas
agências, contato telefônico para atendimento especializado e bilíngue. Com
o objetivo de aperfeiçoar o atendimento a
clientes e turistas estrangeiros, especialmente durante os grandes eventos esportivos que o País sediará
nos próximos anos, o Banco do Brasil incluiu na sua política de distribuição de bolsas o curso de inglês de nível
básico. Além dessas bolsas, o BB informa que continua
oferecendo incentivos para cursos de inglês à distância
e para cursos presenciais de inglês e espanhol em vários
níveis e modalidades. No HSBC, gerentes de relacionamento das agências Premier estão prontos para se comunicar em inglês quando preciso.
dezembro de 2013 • revista Ciab FEBRABAN • 11
Capa
chapéu
Grandes números da Copa
R$
25,2
bilhões
de gastos por
Impactos diretos
3,7
milhões
de turistas
Origem dos visitantes
Outra fornecedora de soluções de autoatendimento é a Hess Latam. Dentre seus produtos se destaca um equipamento de câmbio
capaz de reconhecer moedas de 15 nacionalidades. Com um conjunto de hardware e software adaptados às necessidades do mercado
brasileiro, dá a opção de pagamento em até
três tipos de moeda. André Salvador, gerente
comercial da empresa, revela que a solução está
em fase de homologação em diversos clientes e
entra em operação em instituições financeiras
e corretoras de câmbio do País ainda em 2013.
Oportunidade para a cloud
0,6 milhão de turistas
internacionais
3,1 milhões de turistas
nacionais
Fonte: Embratur e Ministério do Turismo
está preparada para saques por meio de cartões internacionais, sejam pré ou pós‑pagos,”
garante Benedetto.
Conhecida pelos seus ATMs, a Perto
aposta nos terminais Paystation, equipamentos
multifuncionais que podem ser usados como
meios de pagamento no varejo, estacionamentos,
estações de transporte público e banco. O
hardware aceita cédulas, moedas, cartões de
crédito e de débito e também pode fazer o
pagamento de contas por meio de código de
barras, check-in em aeroportos e recarga de
crédito de cartões que servem de bilhetes de
transporte público. Está presente, inclusive, em
estações de metrô.
Já o Paystation Full Câmbio faz a conversão de cédulas de diferentes origens, conforme
a cotação do dia. “Nos Estados Unidos e na
Europa, o autoatendimento é uma realidade
em vários segmentos do mercado. No Brasil,
vem crescendo e é irreversível essa tendência”,
constata o gerente de negócios para software e
outsourcing da Perto, Fernando Mitidieri.
12 • revista Ciab FEBRABAN • dezemBRO de 2013
É fato que o aumento e o uso diferenciado de
serviços financeiros na época da Copa tendem
a exigir mais das áreas de armazenamento e
processamento de dados. Para evitar eventuais
sobrecargas, uma alternativa à pura expansão
de infraestrutura é a computação em nuvem.
“A nuvem permite atingir maior agilidade, que
evitaria perda de clientes e de renda e até serviços negados. A realidade é que um incidente
desses causa grandes prejuízos às marcas hoje
em dia”, lembra Rodrigo Gazzaneo, gerente
de soluções de virtualização da EMC para a
América Latina.
A Alog tem a postos para a Copa 2014
serviços previamente pensados na expansão
de fluxo de dados. Acreditando nesse potencial de negócios, acabou de inaugurar seu
segundo data center no Rio de Janeiro, com
investimento de R$ 40 milhões. Eduardo
Carvalho, presidente da Alog Data Centers
do Brasil, detalha que são quatro sites no
País – dois no Rio, um em Tamboré (bairro
de Barueri, na Grande São Paulo) e outro
na capital paulista. “Teremos oportunidades
claras de negócios se levarmos em conta, por
exemplo, o volume de tráfego de dados no
caso da transmissão de vídeos em tempo real”,
projeta o presidente. ■
Orçamento
Retorno certo
Bancos garantem investimentos em tecnologia em 2014
para ganhar eficiência e atender ainda melhor os clientes
Por Danilo Gregório
A
tecnologia que ampara as operações dos bancos no Brasil é frequentemente apontada como um
dos alicerces da reconhecida solidez do sistema financeiro nacional. Tamanho
prestígio não é fortuito, podendo ser explicado
pelos investimentos nessa área. Em 2012, segundo a Pesquisa FEBRABAN de Tecnologia
Bancária, os bancos que atuam no País gastaram R$ 20,1 bilhões em tecnologia, incluindo
manutenção de equipamentos, expansão de
infraestrutura, desenvolvimento de aplicações,
entre outros aspectos. Esse volume cresceu a
uma média anual de 12,4% entre 2008 e 2012
e não dá sinais de esgotamento.
Os números ainda não foram fechados, mas
alguns dos maiores bancos brasileiros já anunciaram elevação ou, no mínimo, manutenção
do orçamento de 2013 em 2014. É o caso do
Bradesco, que gastou cerca de R$ 4,1 bilhões em
tecnologia em 2013 - dentro da média estabelecida nos últimos anos. Para 2014, a previsão é de
que esse montante seja corrigido para R$ 4,3 bilhões. Quando se considera todo o conglomerado
financeiro, que envolve as unidades de seguros,
corretora e cartões (além do banco), o valor passará de R$ 5,5 bilhões para R$ 5,8 bilhões.
Uma das frentes que mais têm consumido
recursos e esforços da área é a revisão da arquitetura de sistemas - a forma como os sistemas
estão organizados e trabalham em conjunto.
“Em termos de desenvolvimento, que é onde
gastamos mais, 90% da nova arquitetura já está
pronta. O resíduo fica para 2014. A partir daí,
vamos nos dedicar à implantação desses sistemas, de forma cuidadosa e lenta”, diz Mauricio
Minas, diretor executivo do Bradesco responsável pela área de tecnologia.
A ideia básica é construir uma arquitetura
orientada a serviços (SOA, na sigla em inglês),
em que dados são processados de forma padronizada, nos mais diversos setores, diminuindo
o tempo de execução de tarefas e as chances
de erro na coleta de informações. “O cliente
ganha tempo de resposta nas transações e as
interfaces de atendimento, principalmente as
digitais, melhoram em aparência e conveniência”, explica o executivo. Sua fala não é simples
promessa. Desde que a implantação da nova
arquitetura teve início, alguns resultados codezembro de 2013 • revista Ciab FEBRABAN • 13
Divulgação
Orçamento
Em termos de desenvolvimento,
que é onde gastamos mais,
90% da nova arquitetura já
está pronta
Minas, do Bradesco
meçaram a aparecer. Nos caixas eletrônicos
(ATMs, na sigla em inglês), o tempo médio das transações de saque foi reduzido
em 25% em 2012 - já sob os efeitos do
novo modelo -, segundo Minas; nos caixas
tradicionais das agências, as transações ficaram
15% mais rápidas. Na hora de conceder um financiamento de veículo, o funcionário de uma
agência levava entre 15 e 16 minutos até acessar
toda a base de dados do cliente que queria fechar
negócio. “A partir do primeiro semestre de 2013,
esse mesmo processo leva apenas 9 segundos.”
Outro ganho menos visível, mas não menos relevante, é no desenvolvimento de aplicações, destino de 15% dos gastos de tecnologia
do Bradesco - fatia que só perde em volume
para a manutenção de infraestrutura e para a
rede de comunicações. “A arquitetura orientada a serviços permite levar produtos e serviços
ao mercado de maneira mais ágil”, afirma Minas. Isso porque a SOA reutiliza componentes
para a produção de software, evitando retrabalhos e aumentando a eficiência no processo de
desenvolvimento. Com ela, o departamento
de tecnologia do Bradesco conseguiu reduzir
40% do tempo de lançamento de produtos.
“Seja para a mobilidade, seja para a internet ou
para uso interno da gestão, o produto vai para
o mercado com mais competitividade, pois ganhamos com a economia de custos e quando
chegamos antes da concorrência.”
Para um cenário de múltiplas plataformas
e predominância dos meios digitais, essa agilidade é fundamental. No Bradesco, 87% das
14 • revista Ciab FEBRABAN • dezemBRO de 2013
transações já são feitas pelos canais eletrônicos:
internet (48%), ATMs (24%), mobile banking
(10%) e telefone (5%).
Arquitetura multicanal
As declarações de Luis Antonio Rodrigues,
diretor executivo de tecnologia do Itaú Unibanco, também revelam a ligação direta entre
a atuação em múltiplos canais e a necessidade
de revisão da arquitetura de sistemas. “Seguimos uma estratégia de evolução da arquitetura
de sistemas, focada em serviços, com modelos ainda mais alinhados com as necessidades
das áreas de negócios, agilizando o suporte à
inovação e o lançamento de produtos”, conta
Rodrigues. “Como exemplo, podemos citar o
projeto Arquitetura Multicanal, desenvolvido
com a visão aberta às novas possibilidades, em
que a solução técnica adotada permite disponibilizar produtos e serviços em todos os canais,
com maior facilidade na navegação, visão integrada dos produtos, proporcionando melhor experiência para o cliente e maior disponibilidade.”
Outro projeto tecnológico ressaltado por
Rodrigues para 2014 é o aperfeiçoamento de
canais no celular. “Alinharemos a utilização da
nova plataforma de dados à nossa plataforma
de mobilidade, gerando ao cliente uma experiência melhor e muito mais completa, tanto
no celular quanto nos tablets.” Sinais da aposta
na plataforma móvel foram dados ao longo de
2013, com o lançamento de aplicativos voltados exclusivamente para pagamentos, como
o Itaú QR Card (leitor de código de barras),
Rafael Rezende/Assunto Digital
Alinharemos a utilização da
nova plataforma de dados à
mobilidade, gerando uma experiência
melhor e muito mais completa
para o cliente
Rodrigues, do Itaú Unibanco
Itaú Mobile Card (equivalente a cartão de crédito registrado no smartphone), Itaú tokpag
(aplicativo que realiza transferências rápidas
entre os usuários) e o piloto de NFC (sigla em
inglês para comunicação por proximidade) em
parceria com a operadora TIM.
Assegurar que tudo permaneça “no ar”
para não frustrar o consumidor é prioridade
da área de tecnologia. O Itaú Unibanco mantém fóruns específicos para discutir e garantir
a disponibilidade em todos os canais: agências,
centrais telefônicas, internet e mobile. “Processos e investimentos em software e hardware
são priorizados até mesmo sobre necessidades
Santander prepara estreia de data center
chegando ao modelo de virtual data
center”, afirma Diaz.
Os investimentos em tecnologia em 2014 não se limitam ao CPD.
O banco também planeja elevar seu
nível de eficiência, por meio da me-
lhoria de processos e consolidação
de canais eletrônicos, por exemplo.
Outros projetos esperados são a introdução de leitura biométrica e o
aperfeiçoamento dos sistemas de
apoio a gestão e controle de fraudes.
Divulgação
A
data ainda não foi divulgada, mas
o Santander Brasil caminha para
inaugurar seu novo Centro de Processamento de Dados (CPD) no início de
2014. “Nosso data center já está em
fase de instalação dos servidores e
migração de aplicações”, revela o diretor executivo de tecnologia do banco, Fernando Diaz. O CPD foi construído em Campinas (SP) em uma área
de 660 mil metros quadrados.
“Este novo e importante componente do nosso modelo de TI nos
permitirá atingir níveis ainda mais
altos de disponibilidade de sistemas
e serviços, além de permitir aperfeiçoar nossa malha de processamento
de forma mais eficiente, utilizando
os melhores conceitos da virtualização de tecnologia em componentes
– como servidores, storage e rede –
Nosso data
center já está em
fase de instalação
dos servidores
e migração de
aplicações
Diaz, do Santander
dezembro de 2013 • revista Ciab FEBRABAN • 15
Divulgação
Orçamento
Estamos trabalhando com
maior ênfase em eficiência
operacional, na adoção de
padrões globais de compliance e
na proximidade com o cliente
Tavares, do HSBC
do negócio.” A evolução do processo de autorização das transações de cartão de crédito
reflete esse cuidado. “Hoje não existem mais
transações negadas por indisponibilidade de
nossos serviços. Temos contingenciamentos
efetuados por um segundo autorizador e pela
bandeira. O projeto para implantação do mesmo conceito para o cartão de débito está bem
avançado”, ressalta Rodrigues.
Mais eficientes
A busca por maior eficiência operacional deu o tom dos gastos com tecnologia nos
últimos tempos e deve continuar no radar
dos bancos. No Banco do Brasil, os recursos
direcionados para área de tecnologia devem
totalizar R$ 3,3 bilhões em 2013. Para 2014,
prevê-se um incremento de pouco mais de 12%,
para R$ 3,7 bilhões. O principal foco dos investimentos está na melhoria de processos. “O
programa de transformação tecnológica tem
como foco o ganho de agilidade e eficiência,
com a revisão de arquitetura e o tratamento
de legados”, esclarece Onildo Andrade, gerente
executivo de gestão estratégica de TI. Somente
nessa iniciativa, o banco estatal investiu R$ 100
milhões em 2013 e pretende injetar mais R$
70 milhões em 2014.
O HSBC, que planeja manter os mesmos níveis de investimento de 2012 em 2013,
está trabalhando com maior ênfase em eficiência operacional, na adoção de padrões globais de compliance e na proximidade com o
cliente, informa o Chief Operating Officer
16 • revista Ciab FEBRABAN • dezemBRO de 2013
(COO) e diretor executivo de tecnologia do
banco, Marco Tavares. Cabe destacar também
a mudança na arquitetura de sistemas. “Aos
poucos estamos migrando nosso legado para
o novo modelo. É o caso do core banking, solução global que está sendo pilotada no Brasil
e que abrange a substituição dos sistemas de
poupança, contas correntes e CDBs. Estamos
também revendo o front end (interface do
usuário) de agências, que utilizará arquitetura
mais flexível, com grandes ganhos de eficiência”, detalha Tavares.
Depois de reformular sua solução de mobile banking, adicionando funcionalidades e
tornando-o mais intuitivo, o HSBC também
pretende explorar a mobilidade para criar
formas de aproximação do gerente de relacionamento com o cliente. Outras iniciativas
citadas por Tavares são a redução de emissão
de papel, ferramentas de análise e concessão de
crédito e segurança da informação. O fortalecimento constante da segurança na realização
das transações, aliás, é um dos elementos por
trás da expansão dos canais digitais. As operações bancárias nos meios de atendimento
mais recentes, internet e mobile banking, já
superaram as de canais mais antigos, como
agências, ATMs e call centers, com participação de 42% contra 41% em 2012, segundo a
Pesquisa FEBRABAN de Tecnologia Bancária.
Tudo indica que a tendência é a mesma para os
próximos anos. Esse aspecto reforça a percepção de que as áreas de tecnologia dos bancos
não terão descanso tão cedo. ■
m-payment
Inclusão com
inovação
Governo regulamenta e empresas já testam meios de
pagamento móvel com foco no público não bancarizado
Por Tatiany Banagouro e Danilo Gregório
A
s portas estão abertas para o
desenvolvimento do mercado de
meios de pagamento móvel (m-payment) no Brasil. No dia 4 de
novembro, o Conselho Monetário Nacional
(CMN) e o Banco Central (BC) publicaram
a primeira leva da aguardada regulamentação
sobre o tema, seguindo a Lei 12.865, de 9 de
outubro deste ano, que, por sua vez, nasceu
da Medida Provisória 615, também de 2013.
As soluções de m-payment, que transformam
celulares ou qualquer outro dispositivo móvel
em substitutos de dinheiro em papel, fazem
parte do rol de instrumentos disciplinados pelas Resoluções 4.282 e 4.283, do CMN, e as
Circulares 3.680, 3.681, 3.682 e 3.683, do BC.
Com a regulamentação, o governo busca
supervisionar um mercado que estava fora de
seu alcance e, ao mesmo tempo, promover a
inclusão financeira, estimulando formas inovadoras e de baixo custo de acesso às vias formais
de pagamento. O termo “arranjo de pagamento” utilizado na legislação e na regulamenta-
ção se refere às variadas formas de pagamento
existentes ou que ainda venham a ser criadas,
de cartões de crédito e débito a moedas eletrônicas. Antes, até os plásticos podiam ficar
fora da regulamentação. O Banco Central só
tinha alçada para regular cartões emitidos por
instituições financeiras já fiscalizadas pela autoridade monetária. Agora, cartões pré-pagos
e seus emissores também passam a seguir as
normas editadas pelo BC.
Entre os objetivos expressos da regulamentação sobre os meios de pagamento, estão
a interoperabilidade – isto é, os vários produtos
desse mercado precisam ser compatíveis entre
si -; a inovação e a diversidade em modelos de
negócios; e a promoção de competição entre
os participantes. O governo espera que seja
possível transferir, por exemplo, saldos de um
meio de pagamento para outro, mesmo entre
instituições diferentes. O intuito é atrair mais
pessoas para o Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), fazendo com suas transações ocorram
em meios seguros, transparentes e eficientes.
dezembro de 2013 • revista Ciab FEBRABAN • 17
m-payment
Quem se antecipou à regulamentação, lançando soluções de pagamento inovadoras, recebeu um prazo de seis meses para se adequar às
novas normas. É o caso de bancos, operadoras
de telefonia e bandeiras de cartão de crédito que
já estão testando e oferecendo produtos desse
tipo – alguns, inclusive, são feitos em parceria.
Em comum, essas soluções recém-chegadas
apostam na tecnologia para facilitar o acesso
da população aos serviços financeiros.
Zuum
Mesmo incipientes, esses novos produtos já
dão uma ideia do que será o segmento de
pagamentos móveis. Uma das ferramentas é
o Zuum, solução lançada em maio de 2013
pela Mobile Financial Services (MFS), empresa resultante de uma joint venture entre
a MasterCard e a Telefonica International.
Em novembro, a MFS informou ter atingido
a marca de 170 mil clientes cadastrados e a
meta de alcançar 200 mil até o fim de 2013.
A MFS surgiu com a proposta de disseminar o conceito de pagamentos por meio de
18 • revista Ciab FEBRABAN • dezemBRO de 2013
dispositivos móveis e para promover a inclusão financeira. O Zuum permite ao usuário a
realização de depósitos, transferências, recarga
de crédito no celular, pagamento de contas
de consumo, como água, luz, TV por assinatura e telefone e ainda permite a realização
de compras nos estabelecimentos comerciais
credenciados. Além do cartão pré-pago pelo
celular, o cliente pode optar pela versão “física” do cartão tradicional, com a bandeira da
MasterCard.
A tecnologia usada no desenvolvimento
da solução se chama Unstructured Supplementary Service Data (USSD), que permite ao usuário acessar sua conta por meio de
qualquer modelo de aparelho celular com a
mesma simplicidade do envio de um SMS. A
ferramenta foi inicialmente lançada em cinco cidades do Estado de São Paulo: Sorocaba,
Mogi das Cruzes, Osasco, Jundiaí e Guarulhos.
Em agosto, o serviço começou a ser expandido
e passou a ser aceito na região metropolitana
de Belo Horizonte (MG); em setembro, na
de Porto Alegre (RS). O plano da empresa é
continuar o processo de expansão até atingir
todo o território nacional no fim de 2014.
Antes de mais nada, o usuário do Zuum
precisa ser cliente da operadora Vivo e ligar do
celular para a sequência *789#. Em seguida,
conforme as orientações da tela, o cliente valida seu cadastro e uma senha que serve como
uma espécie de “chave de segurança” para realizar as transações financeiras pelo celular.
Depósitos no cartão pré-pago são feitos
em estabelecimentos comerciais credenciados.
Para saques em dinheiro, o usuário pode procurar os caixas eletrônicos da rede Cirrus. O
site da ferramenta (zuum.com.br) informa
pontos de depósito e de saques. O cliente
desembolsa uma tarifa de R$ 6,90 para cada
saque pelo cartão de plástico e de R$ 0,99 para
cada transferência de dinheiro para o Zuum ou
Entenda a regulamentação
Novas figuras entram no alvo da regulação do Banco Central
Instituição de pagamento
Pessoa jurídica que, aderindo a um ou mais arranjos de pagamento, tenha como atividade principal ou acessória: saque
e depósito; executar/facilitar instrução de pagamento; gerir
conta de pagamento; emitir instrumento; credenciar aceitação; executar remessa; emitir, credenciar e gerir moeda eletrônica entre outras
Arranjo de pagamento
Conjunto de regras e procedimentos que disciplinam a
oferta de um determinado serviço de pagamento ao público, aceito por mais de um recebedor, mediante acesso direto pelos usuários finais, pagadores e recebedores. Exemplos: cartões de crédito e débito; soluções de m-payment;
e moedas eletrônicas
Conta de pagamento
Conta de registro em nome do usuário de serviço de pagamento utilizada para a execução de transações de pagamento
Fonte: Banco Central
entre contas do mesmo serviço. A emissão do
cartão de plástico custa R$ 14,90, e os demais
serviços, como depósitos, recargas de crédito
e compras, não são tarifados.
Oi Carteira
Também anunciada em maio deste ano, o Oi
Carteira funciona como um cartão pré-pago
recarregável no celular e oferece ao cliente a
versão tradicional do cartão de plástico para
ser utilizado em estabelecimentos comerciais
como um cartão de débito, caso o cliente não
esteja com o aparelho em mãos. A ferramenta
surgiu a partir de uma joint venture entre a
Oi e a Cielo, tendo como parceiro o Banco do
Brasil. O projeto, que começou a ser disponibilizado por etapas para o consumidor, agora já
pode ser utilizado por clientes em todo o Brasil.
Com o cartão, é possível consultar o
extrato, fazer compras nos estabelecimentos
credenciados à Cielo, recargas de celular e de
dinheiro, transferência de dinheiro entre portadores do Oi Carteira e saques nos terminais
de autoatendimento do Banco do Brasil e correspondentes autorizados.
As transações ocorrem via tecnologia
[email protected] Push, na qual todas as mensagens são
criptografadas e não ficam armazenadas no
dezembro de 2013 • revista Ciab FEBRABAN • 19
m-payment
celular, podendo ser feitas em qualquer tipo
de aparelho celular com chip. As transações só
ocorrem mediante a digitação da senha pessoal do cliente em seu celular, o que oferece
mais segurança na operação. Apesar do uso da
[email protected] Push, a Oi vem realizando testes com a
tecnologia Near Field Communication, mais
conhecida pela sigla NFC, que permite a troca
de informações entre dispositivos por meio
da aproximação física dos aparelhos, sem a
necessidade de cabos ou fios. A ideia da Oi é
incorporar essa tecnologia no seu portfólio de
smartphones, para funcionar como um complemento a outras formas de pagamento com
celular, além de viabilizar uma diversidade de
outras novas aplicações.
Para aderir ao Oi Carteira também é
preciso ser cliente da operadora de celular. A
ativação do serviço pode ser solicitada pelo endereço oi.com.br/oicarteira ou pelos telefones
informados na página do serviço.
Há limites para o depósito de dinheiro no
Oi Carteira. O valor mínimo é de R$ 30,00
e o valor máximo, de R$ 2.000,00. A tarifa
mensal é de R$ 8,00 e permite realizar cargas
de dinheiro, recargas de minutos e transferências ilimitadas, além de um saque por mês. As
tarifas serão revertidas automaticamente e integralmente em bônus em minutos para ligações
de celulares pré-pagos Oi para outros celulares
Oi e para telefones fixos. O valor da tarifa excedente para saques é de R$ 1,00 por transação,
debitada do saldo disponível no cartão. Para
emitir o cartão tradicional, o cliente paga uma
tarifa única de R$ 10,00, que também é revertida em bônus em minutos.
Meu Dinheiro Claro
Outro exemplar da categoria, anunciado oficialmente em outubro, é o Meu Dinheiro
Claro, também adepto da tecnologia USSD,
que permite seu acesso em qualquer modelo
20 • revista Ciab FEBRABAN • dezemBRO de 2013
de aparelho celular. A solução foi desenvolvida pela Mobile Payment Operator (MPO),
joint venture entre a Claro e o Banco Bradesco. A ferramenta funciona como um cartão
pré-pago e foi especialmente pensada para as
classes C e D. Ainda em fase de implantação,
em novembro, a ferramenta estava disponível
apenas em algumas cidades pilotos: Belford
Roxo, São João de Meriti e Duque de Caxias,
no Estado do Rio de Janeiro, e em Goiânia
(GO). A empresa ainda não tem estimativa
de números de usuários.
Pelo Meu Dinheiro Claro é possível realizar consultas de saldo e extratos, transferências
entre clientes Meu Dinheiro Claro e Bradesco,
compras em estabelecimentos comerciais e pela
internet, recarga de celular e saques de dinheiro
pela rede Bradesco. A adesão é gratuita, também
não há cobrança de mensalidade ou anuidade e
o cliente não precisa comprovar renda.
Assim como nas outras soluções capitaneadas por operadoras de telefonia celular, o
cliente do produto da MPO precisa ter linha
da Claro. A solicitação pode ser feita por uma
loja credenciada da Claro. Os usuários da ferramenta podem carregar dinheiro nos caixas
do Bradesco, por boleto bancário ou pelos
canais eletrônicos do banco para quem já é
correntista. As compras podem ser feitas em
estabelecimentos comerciais que tiverem as
máquinas de atendimento da bandeira Cielo.
Para a Claro, a nova regulamentação ajuda a estimular o acesso da população aos serviços bancários, especialmente o público não
bancarizado. “Um dos benefícios é a simplificação do modelo de cadastramento nas contas mobile, por meio de telefone ou via web”,
afirmou a companhia em nota. A Oi segue a
mesma linha: “(A regulamentação) é um instrumento importante para o desenvolvimento
dos serviços de pagamentos móveis e para a
inclusão financeira da população brasileira.” ■
Espaço Inovação – 10 anos
Do Ciab para
o mundo
Com o impulso do Espaço Inovação,
empresas alcançam reconhecimento e
prêmios fora do Brasil
Por Cesar Augusto Sampaio
P
ara muitas das empresas brasileiras de tecnologia, fazer parte
do Ciab representou uma alçada à fama. Que o digam as participantes do Espaço Inovação, divisão do Ciab organizada pela
FEBRABAN e pelo Instituto de Tecnologia de Software (ITS) e
destinada a empresas inovadoras. A apresentação de produtos e serviços
nessa área temática do evento – que, em 2014, será organizada pelo décimo
ano consecutivo - tem gerado exposição de marcas, abertura de negócios,
desenvolvimento de tecnologias e reconhecimento não só no Brasil, mas
também no exterior. Evidência disso são os prêmios conquistados lá fora
dezembro de 2013 • revista Ciab FEBRABAN • 21
Divulgação
Espaço Inovação – 10 anos
chapéu
Tivemos uma boa
exposição da marca e
fechamos negócios que
nasceram no Ciab
Dariva, da Navita
por startups que, nos últimos anos, rechearam
os estandes do Espaço Inovação.
Tecnologia em nuvem
Uma das empresas reconhecidas internacionalmente é a Cash Monitor, provedora de soluções de controle financeiro. Fundada em 2006,
participou do Espaço Inovação em 2011 com
a solução E-Card, uma plataforma baseada na
nuvem que contabiliza e concilia transações
de cartão de crédito realizadas por varejistas
com as vendas processadas pelas bandeiras
dos plásticos, evitando demora no processo
e perda financeira. “Conseguimos apresentar
para o mercado de soluções financeiras nossa
tecnologia de simples implantação na nuvem
e constatamos que éramos pioneiros”, conta
Márcio Furtado, sócio-diretor da empresa.
Após o empurrão dado pelo Espaço Inovação, em 2012, a Cash Monitor foi selecionada
para compor a lista de empreendedores de alto
impacto da Endeavor, uma organização global de
fomento a empresas inovadoras com grande potencial de crescimento em mercados emergentes.
A escolha foi anunciada em um painel internacional, realizado em Cartagena, na Colômbia, e
formado por mais de 30 líderes de negócios, das
mais diversas nacionalidades. Entre os avaliadores, estavam ninguém menos que Jorge Paulo
Lemann, fundador do Banco Garantia e um dos
controladores de uma série de empresas de reno22 • revista Ciab FEBRABAN • dezemBRO de 2013
me internacional, Fábio Barbosa, CEO do Grupo Abril, e Laércio Cosentino, fundador da Totvs.
Representantes da Endeavor conheceram a Cash
Monitor durante o Espaço Inovação. “Agora temos credibilidade internacional, pois fazemos
parte de um seleto grupo de empreendedores de
alto impacto”, exalta Furtado.
Mobilidade
Estar entre as ocupantes do Espaço Inovação
em duas oportunidades – 2008 e 2009 - também trouxe resultados vistosos para a Navita,
uma desenvolvedora de aplicativos móveis e
prestadora de serviços de mobilidade e telecomunicações. “Tivemos uma boa exposição
da marca e fechamos negócios que nasceram
no evento”, revela Roberto Dariva, CEO da
empresa. Desde 2008, a Navita vem crescendo
em ritmo intenso, partindo de uma equipe de
30 funcionários naquele ano para os atuais 150.
Com a boa repercussão de seus aplicativos para celulares, o prestígio internacional
veio em 2011. Em outubro daquele ano, o
Navita Translator, um tradutor gratuito para
o BlackBerry, recebeu os prêmios de uso mais
inovador do serviço de publicidade e de app
mais viciante do BlackBerry Messenger (BBM)
- comunicador instantâneo do smartphone que
já foi item obrigatório de executivos.
Um mês depois, a Navita também apareceu na Mobilewalla 50, lista de desenvolvedo-
Divulgação
Nos dias de Ciab fizemos contato
com clientes potenciais e
parceiros de negócios. Levaríamos
meses para fazer o mesmo fora
daquele ambiente
Monteiro, da Neurotech
res com padrão de excelência na visão do Mobilewalla, serviço norte-americano que analisa
informações e mede a audiência de apps. “Nem
sabíamos que estávamos participando, pois a
seleção é independente e as empresas não se
inscrevem. Especialistas da área é que escolhem as soluções e as classificam. O principal
diferencial foi produzir apps que são simples
e fáceis de usar”, assegura Dariva. A Navita
ainda figurou em listas de melhores aplicativos
de diversas publicações dos Estados Unidos.
Desvendando dados
Presente em quatro edições do Espaço Inovação, inclusive a primeira, a Neurotech, fornecedora de soluções para crédito, cobrança e
prevenção a fraudes, atraiu os holofotes dos
estrangeiros em 2007. Além de ter abocanhado o prêmio de solução mais inovadora dessa
divisão do Ciab, a empresa ficou em segundo
lugar no concurso da Pacific-Asia Conference
on Knowledge Discovery and Data Mining
(PAKDD), conferência realizada anualmente,
sempre em algum país da Ásia ou Oceania.
“Naquele ano, na China, competimos com
mais de 250 equipes, o que incluiu times formados em centros de pesquisas das principais
universidades e empresas de todo o mundo”,
afirma Domingos Monteiro, presidente da
Neurotech. O desafio da turma foi propor uma
solução de KDD, sigla em inglês para extração
de conhecimento de uma base de dados.
O executivo da Neurotech acredita que a
premiação chancelou a competência técnica e a
capacidade inovadora da empresa. “Em seguida, isso se transformou em negócios e na evolução de nossos produtos a partir do aprendizado
proporcionado pelas competições e pelas interações com os clientes”, recorda Monteiro. Para
ele, o Espaço Inovação é “um ambiente muito
propício para o desenvolvimento empresarial”
e, nesse sentido, colaborou para o sucesso da
empresa. “Investimos na divulgação prévia
e nossas apresentações sempre foram muito
concorridas. Em poucos dias fizemos contato
com diversos clientes potenciais e parceiros de
negócios. Com certeza, levaríamos meses para
realizar a mesma quantidade de contatos fora
daquele ambiente de negócios. Mesmo assim,
não teríamos a energia proporcionada pelo ambiente do espaço.” O excelente retorno sobre
o investimento fez Monteiro ampliar sua área
demarcada no Ciab. “Em 2013, participamos
do Ciab com um estande próprio e já reservamos nosso espaço para 2014.”
Feira de ciências
A desenvolvedora de software empresarial
RedDrummer acumula três participações no
Espaço Inovação: 2010, 2011 e 2012. O ano
da estreia também foi marcado pela conquista do primeiro prêmio internacional, em
dezembro de 2013 • revista Ciab FEBRABAN • 23
Divulgação
chapéuInovação – 10 anos
Espaço
O Espaço Inovação traz uma
ideia de feira de ciências, onde os
espectadores entram para visitar
as empresas e seus projetos com
uma mente aberta e curiosa
Vellozo, da RedDrummer
Hong Kong, para a solução Enterprise Social Networking (ESN). No ano seguinte, a
RedDrummer levou o prêmio de “Best New
Technology Award 2011”, no Financial Tecnhology Insight Summit, em Boston (EUA),
para a solução Absolut Insight, uma camada
Para inglês conhecer
E
m novembro, o Instituto de Tecnologia de Software (ITS), parceiro da FEBRABAN na organização do Espaço Inovação, organizou uma comitiva para Londres com representantes de várias
empresas brasileiras de tecnologia, como Cash Monitor, MG Systems, RedDrummer e Sirsan, que já participaram do Espaço Inovação.
Segundo Descartes Teixeira, presidente do conselho gestor do
ITS , os executivos das empresas tiveram 36 reuniões com companhias do Reino Unido. “A maioria se interessou bastante pelos
serviços que essas empresas prestam aos bancos no Brasil.”
Segundo Teixeira, o objetivo da ida a Londres foi propiciar
negócios entre brasileiros e representantes de outros mercados
internacionais. “Queremos mostrar a postura inovadora brasileira. Temos uma nova geração de empreendedores, que oferece
soluções inovadoras para o setor visando o mercado global.” O
executivo do ITS contou que, em 2014, o ITS deve organizar o
Projeto Comprador, que vai convidar tomadores de decisão de
compras da Europa a vir para o Ciab FEBRABAN 2014. “Será uma
oportunidade excepcional para o visitante realmente interessado
na solução brasileira.”
24 • revista Ciab FEBRABAN • dezemBRO de 2013
de algoritmos que roda sobre o ESN e analisa
dados de redes. Em 2012, também em Boston,
o módulo Absolut Insight saiu com o título de
“Most Innovative Technology”.
Além de coroarem a trajetória da empresa,
as vitórias também indicam que o trabalho da
banca de examinadores do Espaço Inovação
está em sintonia com avaliadores internacionais. Para André Vellozo, CEO da empresa, o
Espaço Inovação é a porta perfeita para se entrar no mercado com uma proposta diferenciada. “É um ambiente aberto e organizado, uma
ideia de feira de ciências, onde os espectadores
entram para visitar as empresas e seus projetos
com uma mente aberta e curiosa. É diferente
de uma abordagem puramente comercial.”
Para Vellozo, o Espaço Inovação, permite
ganhar experiência e contatos. “O Espaço Inovação possui uma rede própria, ativa e vibrante, que une a academia, governos e empresas.”
Coincidentemente ou não, a RedDrummer
aumentou de tamanho de maneira surpreendente, subindo o número de funcionários de
dois para 60, entre 2010 – quando esteve no
Espaço Inovação pela primeira vez – e 2013.
Nesse meio tempo, a empresa iniciou seu
processo de globalização, montando escritório em Nova York e realizando aquisições na
Argentina e na Índia. “Em 2014, pretendemos
participar do Ciab com um estande próprio”,
adianta o presidente. ■
Update
Update
Marco Civil: “vacina” contra problemas
Até o fechamento desta edição da Revista Ciab FEBRABAN, o projeto que estabelece
o Marco Civil da Internet (PL 2.126/11) tramitava na Câmara dos Deputados e a expectativa era que o governo federal deixasse para
2014 a votação do texto. Para isso, será necessário tentar um acordo na base aliada para
resolver a questão no início do ano que vem.
O projeto de Marco Civil pode ser entendido como uma espécie de “constituição”
da internet, pois define princípios, garantias,
direitos e deveres para o uso da rede no Brasil.
Em suma, são quatro os assuntos mais importantes discutidos no projeto: privacidade,
neutralidade, garantia de dados no Brasil e
responsabilidade dos provedores.
Um dos pontos mais polêmicos é o dedicado à privacidade. A inviolabilidade e o sigilo
do fluxo de comunicações pela internet, bem
como a proteção e a indenização por dano
causado por violação são garantias dadas aos
usuários. O Marco Civil estipula que as empresas informem como coletam e usam os
dados dos internautas. Hoje, os dados pessoais
do usuário podem ser usados, monitorados
ou mesmo vendidos a terceiros.
A maior dificuldade do governo é convencer parte do Poder Legislativo a aceitar
o conceito de “neutralidade” previsto no
texto do relator Alessandro Molon (PT-RJ).
O artigo reza que “o responsável pela transmissão, comutação ou roteamento tem o
dever de tratar de forma isonômica quaisquer pacotes de dados, sem distinção por
conteúdo, origem e destino, serviço, terminal ou aplicação”. Assim, garante-se que a
conexão não será reduzida por motivos não
transparentes ao usuário. Atualmente, há
muitas reclamações de problemas na cone-
xão dependendo da atividade que usuários
realizam na rede.
Já a necessidade de guarda de dados no
Brasil foi resultado do recente escândalo de
espionagem internacional. A proposta obriga
a guarda de dados de cidadãos brasileiros ou
de atividades aqui executadas em data centers (grandes centros de armazenamento digital) instalados em solo nacional. Ainda não
há um texto final sobre essa medida no projeto e, mesmo que ela seja incluída no Marco
Civil, necessitaria ser regulamentada posteriormente. Isso porque seria preciso definir
quais empresas precisam atender à medida,
além dos tipos de dados sujeitos à guarda.
O artigo da responsabilidade dos provedores tem “o intuito de assegurar a liberdade
de expressão e impedir a censura”. O provedor somente “poderá ser responsabilizado
civilmente por danos decorrentes de conteúdo
gerado por terceiros se, após ordem judicial
específica, não tomar as providências para, no
âmbito e nos limites técnicos do seu serviço e
dentro do prazo assinalado, tornar indisponível o conteúdo apontado como infringente”.
O artigo visa combater estes problemas que
também são alvo de reclamações de usuários
em todo o País.
Segundo Demi Getschko, diretor do Comitê Gestor de Internet, a proposta quer a
proteção contra riscos que podem se tornar
palpáveis daqui a algum tempo, “uma vacina
para impedir doenças futuras”. Para o pesquisador da Universidade de São Paulo, se o
Marco Civil for aprovado, deve ser a melhor
legislação sobre internet no mundo. Pois não
é apenas a regulamentação da rede mundial
de computadores, mas a regulamentação dos
direitos daqueles que nela navegam. ■
dezembro de 2013 • revista Ciab FEBRABAN • 25
Update
UPDATE
chapéu
Update
Cartões de crédito e débito
chegam a 76,1% da população
Em cada quatro brasileiros, três possui
ao menos um meio eletrônico de pagamento. É o que indica a Pesquisa Abecs/Datafolha
2013, divulgada no 8º Congresso de Meios
Eletrônicos de Pagamento (CMEP). O evento
foi realizado pela Associação Brasileira das
Empresas de Cartões de Crédito e Serviços
(Abecs) e pela FEBRABAN entre os dias 29 e
30 de outubro de 2013, em São Paulo (SP). O
levantamento anual ouviu a população adulta (a partir de 18 anos) residente em 11 capitais: Belém, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba,
Goiânia, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de
Janeiro, Salvador e São Paulo. Nessas praças,
encontrou 20,4 milhões de detentores de
algum cartão de crédito ou débito, o equivalente a 76,1% da amostra. Em 2008, eram 16
milhões os usuários desses meios eletrônicos,
ou 68% da população.
Entre os fatores que explicam esse crescimento, estão a substituição do uso de che-
26 • revista Ciab FEBRABAN • dezemBRO de 2013
que por cartão, a disseminação dos plásticos
entre a população de mais baixa renda e o
aumento do universo de produtos e serviços
que podem ser pagos com cartão. A aceitação de cartões de débito em estabelecimentos comerciais passou de 99%, em 2007, para
100%, em 2013 – e os de crédito variaram de
96% para 97% nesse mesmo período.
Esses meios eletrônicos respondem pelo
pagamento de 57% dos gastos mensais dos
usuários, contra 43% dos meios não eletrônicos. Nessa última categoria, a pesquisa inclui dinheiro, cheque, vale-benefícios, débito
automático, fatura/boleto e carnês. Se considerarmos os pagamentos da população como
um todo, inclusive de quem não tem cartão, a
participação dos plásticos é de 50%, ante os
45% verificados em 2012. Os consumidores
citaram como pontos fortes dos meios eletrônicos a segurança, a praticidade e a agilidade para realizar os pagamentos.
Na preferência dos estabelecimentos
comerciais, os cartões só perdem para o dinheiro em papel. Para 86% dos comerciantes,
o dinheiro é o primeiro ou o segundo meio
de pagamento preferido – o cartão de débito
aparece com 79% de predileção, e o de crédito,
com 22%. Apesar da preferência pelo débito,
os cartões de crédito têm maior participação
no faturamento mensal médio dos estabelecimentos comerciais ouvidos na pesquisa, com
31% - só atrás do dinheiro, com 35%. Segundo
a Abecs, os volumes transacionados por crédito e por débito crescem, em média, 20% e
23% ao ano, respectivamente. No primeiro
semestre de 2013, o total de transações de
cartões de crédito chegou a R$ 249 bilhões, e
de débito, R$ 135 bilhões. ■

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