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ANO - XXXII
121
PRIMEIRO SEMESTRE - JANEIRO/JUNHO 2015
NOVA ERA
Alfredo Castelo Marín
“Queremos ser a seguradora global de confiança
para empresas de todo o mundo”
CEO MAPFRE GLOBAL RISKS (MGR)
Ali Hauser
“A PEMEX tem sido tradicionalmente um dos
maiores compradores de seguro e resseguro”
GERENTE DE RISCOS E SEGUROS DA PEMEX
O gerenciamento de riscos como
ferramenta de gestão empresarial nas
grandes empresas e corporações
JAVIER NAVAS OLÓRIZ
Os perigos da informática: quando os
riscos se concretizarem!
FRANÇOIS SETTEMBRINO
Sinistros durante a construção e
montagem de Centrais Hidrelétricas
ITSEMAP
PRIMER SEMESTRE 2015
121
Sumario
Editorial
Estreamos novo formato, iniciamos nova etapa
digital
3
Entrevistas
Alfredo Castelo Marín, CEO MAPFRE
GLOBAL RISKS (MGR)
5
Ali Hauser (Risk Manager PEMEX)
13
Notícias
20
XXIV MAPFRE GLOBAL RISKS International Seminar
Notícias IGREA
Notícias FERMA:
AGERS: Actividades en el primer semestre 2015
Novo Produto: Riscos Cibernéticos
Agenda
32
Estudos
33
O gerenciamento de riscos como ferramenta de gestão
empresarial nas grandes empresas e corporações
JAVIER NAVAS OLORIZ
Os perigos da informática: quando os riscos se concretizarem!
FRANÇOIS SETTEMBRINO
Sinistros durante a construção e montagem de Centrais
Hidrelétricas
ITSEMAP
O mercado segurador latinoamericano: avanço 2014
59
Observatório de sinistros
62
Editorial
Estreamos novo
formato, iniciamos
nova etapa digital
Nos últimos editoriais, anunciamos o novo rumo que,
graças as suas sugestões entre outros aspectos, a nova
revista toma a partir de hoje. Nosso agradecimento
aos leitores e amigos que nos ajudam e encorajam a
continuar nesta aventura ao serviço dos profissionais
da Gerência de Riscos. Agora, quando entrar no
nosso site, vai descobrir uma revista diferente.
Começamos esta nova etapa com alguns detalhes
que nos identificam desde que a revista começou a
ser publicada há 32 anos, tais como entrevistas com
figuras representativas da Gerência de Riscos ou o
desenvolvimento de conteúdos com valor agregado
e visão própria; ainda assim, esperamos expandir o
alcance geográfico nas próximas entregas.
O número atual, correspondente ao primeiro semestre
de 2015, abre com a entrevista a Alfredo Castelo, que
publicamos após iniciada a segunda fase do projeto de
negócio Global Risks na MAPFRE e que permitirá
um crescimento maior na Área Internacional da
EMEA, APAC e América do Norte. A entrevista
fornece opiniões pessoais que, certamente, serão de
grande interesse para todos.
Na entrevista a Ali Hauser, Gerente de Riscos e
Seguros de Petróleos Mexicanos (PEMEX), a maior
empresa do México e oitavo produtor de petróleo
do mundo nos revela como o risk management
contribuiu para o desenvolvimento empresarial do
grupo e para satisfazer as necessidades energéticas da
sociedade.
Na seção sobre Atualidade são recolhidas informações
3
de algumas das principais atividades e novidades
das Associações Espanholas de Gerenciamento de
Riscos, AGERS e IGREA, bem como da Federação
das Associações Europeias de Gerência de Riscos
(FERMA).
Nesta mesma seção, incluímos uma resenha dos
riscos cibernéticos e a oportunidade de negócio que
o desenvolvimento na prevenção destes novos riscos
representa para a indústria de seguros.
Na seção Artigos são consideradas desta vez três
diferentes contribuições. O primeiro artigo, assinado
por Javier Navas, oferece uma visão sobre como com
um esforço adicional das áreas de Gerência de Riscos
podem ser proporcionadas soluções integradas que
permitam seu alinhamento com a estratégia do
Enterprise Risk Management (ERM) contribuindo,
assim, para maximizar o valor da empresa.
No segundo artigo, o autor, François Settembrino,
presidente de honra da FERMA, demonstra mais
uma vez seu estilo afinado e nos oferece seu ponto
de vista particular sobre um assunto singular e, às
vezes, não tão bem conhecido como são os perigos
da informática.
Finalmente, uma contribuição da Área de Engenharia
de MAPFRE GLOBAL RISKS (ITSEMAP)
pretende chamar a atenção para a necessidade urgente
de trabalhar firmemente na redução dos sinistros na
construção de usinas hidrelétricas.
Após o Avanço 2014 publicado pela FUNDACIÓN
MAPFRE sobre o mercado de seguros da América
GERENCIA DE RIESGOS Y SEGUROS
Nº 121 - 2015
Editorial
Latina, a seção do Observatório de Sinistros
conclui este primeiro número digital com um
trabalho sobre os danos causados em 2014 pelo
furacão Odile na infraestrutura hoteleira do Estado
Mexicano de Baja California Sur e a importância
da prevenção em face de desastres desta natureza.
Esperamos que sejam alcançados os objetivos
formulados no início desta nova época da revista,
e que possamos não apenas mantê-los, mas ampliálos ao longo do tempo. Para isso vamos dedicar
uma parte significativa de nosso esforço.
Nós os esperamos.
MAPFRE GLOBAL RISKS
Presidente: Alfredo Castelo Marín
Carretera de Pozuelo, 52
Director: Jose Luis Ibáñez Götzens
28222 Majadahonda, Madrid
Tel.: +34 91 581 13 00/27 45.
NUEVA ÉPOCA
www.gerenciaderiesgosyseguros.com
Gerencia de Riesgos y Seguros no se hace responsable del contenido de ningún artículo o trabajo firmado por los
autores, ni el hecho de publicarlos implica conformidad o identificación con los trabajos expuestos en esta publicación.
Está prohibida la reproducción total o parcial de los textos e ilustraciones de esta revista sin premiso previo del editor.
4
GERENCIA DE RIESGOS Y SEGUROS
Nº 121 - 2015
Entrevista
Alfredo
Castelo Marín
CEO MAPFRE GLOBAL RISKS (MGR)
“
Presta um excelente
serviço aos seus
segurados, oferecendo
soluções de segurança
inovadoras e com
garantia máxima de
solvência.
”
5
A proximidade e a orientação ao cliente
permitiram a MAPFRE Global Risks
alcançar uma posição de liderança no
segmento das grandes corporações
internacionais de origem espanhola e
latino-americana, além de uma presença
relevante no resto da Europa. Atualmente,
seu objetivo principal é ser a seguradora
global de confiança para empresas de
todo o mundo e ser reconhecida como
“uma empresa que presta um excelente
serviço aos seus segurados, oferecendo
soluções de segurança inovadoras e com
garantia máxima de solvência e criação de
valor sustentável para o acionista”, afirma
Alfredo Castelo.
GERENCIA DE RIESGOS Y SEGUROS
Nº 121 - 2015
Entrevista
‘Gerência de Riscos e Seguros’ (doravante
GReS): Em janeiro de 2009, a MAPFRE
Global Risks começou a operar como uma
entidade independente. Qual é a missão da
Unidade?
Alfredo Castelo (doravante A.C.): A MAPFRE
Global Risks tornou-se, efetivamente, uma entidade
independente em janeiro de 2009, após cinco
anos operando como uma divisão da MAPFRE
Empresas. Este passo está relacionado com nossa
escolha pela internacionalização, uma escolha que
possibilitou o aumento do nosso montante de
negócios e nossa diversificação geográfica, aspectos
que são essenciais em um projeto com estas
características.
Ao revermos o processo de internacionalização da
entidade, podemos observar que a Unidade avançou
nesta linha desde suas próprias origens. Primeiro,
focamo-nos em oferecer serviços a multinacionais
espanholas no exterior; depois, a partir de 2007,
tendo o objetivo de começar a conhecer o mercado
europeu de Global Risks, abrimos três escritórios
de representação na Europa –Londres, Paris e
Colônia–, e começamos a operar em Portugal por
meio da MAPFRE Seguros de Portugal. Dois anos
depois, demos nosso terceiro passo com a criação
da MAPFRE Global Risks como uma sociedade,
com o objetivo de oferecer o mesmo serviço
a multinacionais latino-americanas, iniciando
operações no México, Colômbia, Brasil, Chile e
Argentina. Finalmente, em 2013, nosso âmbito de
atuação ampliou-se para abranger empresas de todo
o mundo.
Nossa missão é oferecer programas de seguros
sob medida para grandes empresas. Oferecemos
soluções globais e completas a clientes corporativos
de todo o mundo: uma avaliação rigorosa e técnica
dos seus riscos, assim como a gestão de sinistros
especializada por linhas de negócio. Queremos ser
a seguradora global de confiança para empresas de
todo o mundo.
6
“A Unidade colocou em
prática a segunda fase do
Projeto de Negócios da Global
Risks. Isto possibilitará um
crescimento maior nas regiões
da EMEA, APAC e na América
do Norte.”
‘GReS’: Como evoluiu a Unidade no que se
refere ao faturamento e aos resultados? Quais
aspectos refletem sua solidez?
A.C.: A Unidade dobrou de tamanho nos últimos
anos, apesar das dificuldades da área. Em 2014,
registramos um volume de receitas que somam
1.049 milhões de euros, com um lucro líquido de
44 milhões de euros.
Em geral, a solidez financeira da MAPFRE tem
como base um balanço muito equilibrado, com
uma estrutura de fundos próprios muito potente e
com um baixo nível de dívidas.A busca permanente
de crescimento rentável, uma política adequada de
investimentos financeiros e um controle contínuo do
setor de gastos contribuíram para isso. Outro aspecto
que contribui para a sua solvência é a estabilidade
institucional, consequência da existência de um
acionista majoritário: FUNDACIÓN MAPFRE.
Com relação à MAPFRE Global Risks, uma
permanente análise de seus riscos é desenvolvida
com o objetivo de otimizar o consumo de capital
e obter os recursos necessários para cumprir
seus compromissos com os clientes derivados
da subscrição em Programas Multinacionais de
Seguros.
Com uma classificação de A Excellent concedido
pela AM Best e A pela Standard& Poor’s, nosso
principal desafio é manter essas classificações nos
diferentes mercados nos quais operamos e diante
de todos os nossos clientes, além de manter
nosso compromisso, baseado em uma política de
estabilidade e relações a longo prazo.
GERENCIA DE RIESGOS Y SEGUROS
Nº 121 - 2015
Entrevista
‘GReS’: Em quantos países vocês oferecem
os seus serviços?
A.C.: Atualmente, a MAPFRE Global Risks
presta seus serviços em 109 países, com presença
direta em 28 e mediante acordos de serviços com
empresas nos outros 81 países, o que nos torna
um verdadeiro global player, e nossa intenção é
continuar expandindo geograficamente.
Somos líderes na Espanha e na América Latina e
queremos ficar mais perto dos clientes na Europa,
onde contamos com três filiais: Londres, Paris e
Colônia, além de um escritório de representação
em Milão, possibilitando uma maior autonomia na
gestão.
‘GReS’: Como você vê o mercado espanhol?
Acredita
que
melhores
perspectivas
econômicas vão impulsionar os negócios da
MGR na Espanha?
A.C.: A MAPFRE Global Risks é uma referência
no mercado de riscos globais na Espanha, visto
que participamos como seguradora em 27 das
35 empresas do IBEX. Os últimos indicadores
econômicos mostram, efetivamente, que a economia
espanhola começou a trilhar seu caminho para a
recuperação. Muitas multinacionais interromperam
seus projetos de desenvolvimento nos últimos
tempos e, agora que as condições estão melhorando,
elas estão retomando seus investimentos.
PRINCIPAIS MAGNITUDES
‘GReS’: Em relação ao faturamento, quais
foram as áreas mais importantes durante o
ano passado?
A.C.: Analisando os dados de 2014, as áreas mais
importantes por faturamento em âmbito regional
encontram-se na Espanha, com uma participação
de negócio de 39,4% e prêmios de 413 milhões de
euros; na LATAM Sul, com 25% e 276 milhões; e
na LATAM Norte, com 12,7% e 103 milhões. A
seguir, temos Brasil e EMEA, com uma participação
de 9,8% e 103 milhões de euros cada um; América
do Norte com 2% e 21 milhões; e APAC com 1%
e 9 milhões.
Por linhas de negócio, 66,9% dos prêmios em
2014 são correspondentes a Danos, Aviação, 8,8%;
Transportes, 6,9%; Responsabilidade Civil, 6,8%;
Crédito, 5,1%; Engenharia, 4,7%; e Caução, 0,8%.
“Queremos ser a seguradora
global de confiança para
empresas de todo o mundo”
7
‘GReS’: Quais outros planos possuem dentro
do velho continente?
A.C.: O mapa estratégico da Unidade Global
Risks define um conjunto de ações focadas em
desenvolver negócios com clientes europeus e
posicionar a entidade como um dos operadores
de referência em mercados selecionados, assim
como desenvolver nossa capacidade de liderança
GERENCIA DE RIESGOS Y SEGUROS
Nº 121 - 2015
Entrevista
de operações nos lugares da Europa nos quais a
Unidade possui presença direta.
Já demos alguns passos. Desde o começo de 2015,
a MGR vem ampliando sua oferta de seguros, de
Londres às SpecialtyLines (seguros especiais para
riscos, por seu tamanho e complexidade incomuns),
nos setores Marítimo, de Aviação, de Energia, de
Construção e de Infraestruturas de Grande Porte.
Para possibilitar o desenvolvimento destas linhas de
negócio, reforçamos a equipe local e aumentamos
sua capacitação, ao mesmo tempo que mantemos
colaboração estreita com as áreas Comerciais em
Madrid.
maior dotação de recursos e com um enfoque
específico na grande empresa brasileira.
‘GReS’: A solidez da MGR na América
Latina é indiscutível. Sendo assim, quais são
os principais pontos de sucesso na zona, na
sua opinião? Qual a situação do Brasil?
A.C.: A MAPFRE Global Risks deseja tornar-se,
em apenas cinco anos, uma empresa de referência
no segmento de grandes contas da América Latina.
Já contamos, especificamente, como clientes com
80% do Top 25 Multilatinas.
PROGRAMAS INTERNACIONAIS
“A indústria de seguros deve
continuar se empenhando no
desenvolvimento de produtos
de seguro mais adequados aos
novos riscos dos clientes”
tA presença incomparável do Grupo na região,
com entidades em 18 países, possibilita que sejamos
vistos como uma referência no mercado latinoamericano, uma empresa que oferece um serviço
único às multinacionais presentes na região.
Contamos com um plano específico de
desenvolvimento para o Brasil. Queremos reforçar a
atividade da Unidade de Global Risks neste mercado
pelo grande potencial do mercado brasileiro, pela
capacidade de resseguro disponível e pelo limitado
grupo de concorrentes neste segmento. Por isso,
preparamos um plano comercial para o Brasil com
8
“A MAPFRE Global Risks
presta seus serviços em 109
países, com presença direta
em 28 e mediante acordos de
serviços com empresas nos
outros 81 países”
‘GReS’: Quais são as principais características
dos Programas Internacionais de Seguros
para uma grande empresa?
A.C.: Atendemos às necessidades de empresas de
setores de globais atividade: Marítimo, de Energia,
de Aviação, de Infraestruturas de Grande Porte,
de Caução e de Crédito (por meio da Solunion),
grandes corporações com um faturamento de 400
milhões de euros na Europa e um faturamento de
300 a 400 milhões de dólares no resto do mundo.
Nosso âmbito de atividade é internacional, graças
à rede de empresas da MAPFRE no mundo e às
entidades associadas nos países onde o grupo não
está presente. Isto permite oferecer soluções globais
aos nossos clientes, ou seja, produtos de seguros e
serviços em todo o mundo.
Nossa oferta é completa e feita sob medida para
grandes empresas, com uma estrutura organizacional
totalmente orientada para prestar-lhes o melhor
serviço, por meio de áreas comerciais especializadas
por setor de atividade que administram totalmente
todos os requerimentos dos nossos clientes, sendo
seus únicos interlocutores.
GERENCIA DE RIESGOS Y SEGUROS
Nº 121 - 2015
Entrevista
“A MAPFRE Global Risks
deseja tornar-se, em apenas
cinco anos, uma empresa de
referência no segmento de
grandes contas da América
Latina”
Ao mesmo tempo, nossas áreas comercias também
dispõem dos serviços especializados da ITSEMAP.
Assim, nossas soluções não apenas contêm
coberturas de seguros, mas também incluem a
análise e o tratamento dos riscos. São, portanto,
soluções integrais de gestão de riscos, administradas
com a máxima eficiência, graças ao nosso sistema
de interlocução única, e totalmente adaptadas às
necessidades do cliente.
‘GReS’: Quais são as estratégias que estão
sendo e continuarão a ser seguidas em relação
aos corretores? Qual é a importância desses
profissionais para seu sucesso?
A.C.: Nosso negócio é intermediado quase
100% por brokers. Esses profissionais são vitais
para os seguros corporativos e, por isso, tentamos
estabelecer laços fortes e relações duradouras com
eles, pois agregam muito valor à participação da
MAPFRE em Programas Internacionais de Seguros,
assessorando o cliente quanto à melhor forma de
segurar seus riscos e colocá-los no mercado com
independência total.
Os clientes multinacionais precisam deixar que
mediadores profissionais com forte orientação para
riscos corporate os assessorem. Obroker contribui
com uma série de conhecimentos, elaborados graças
à experiência e formação prévia, que ressaltam o
valor das capacidades de boa gestão também no
caso de sinistros.
Para a MAPFRE Global Risks, o corretor é o
nosso cliente-distribuidor. A estratégia com esse
grupo tem como base uma lealdade recíproca e
retribuições por agregação de valor. Queremos
9
impulsionar nossa posição com os brokers
multinacionais e os grandes brokers locais.
“Queremos que os serviços
de engenharia sejam um
elemento que nos diferencie
da concorrência na verificação
de riscos e na elaboração
de programas de Risk
Management para nossos
segurados”
GESTÃO DE RISCOS
‘GReS’: Em geral, a aversão ao risco está
crescendo nas empresas igualmente em todos
os país nos quais operam?
A.C.: A aversão ao risco está crescendo em geral, à
medida que aumenta o conhecimento das ameaças
e seu impacto em qualquer negócio; além disso, dáse mais valor a aspectos como a prevenção. O risco
é intrínseco ao desenvolvimento empresarial, mas
é necessário fazer com que a convivência com ele
seja adequada em termos de exposição.
No cenário atual, é necessário que os clientes
assumam e apliquem, desde o início de suas cadeias
de fornecimento, as técnicas do Enterprise Risk
Management, e que os brokers, seguradoras e
resseguradoras desempenhem um papel fundamental
para promover as melhores práticas. A identificação
e avaliação de riscos em cenários críticos é uma
condição prévia para poder estimar o alcance das
exposições e evitar coberturas desnecessárias.
A indústria de seguros deve continuar se
empenhando no desenvolvimento de produtos
de seguro mais adequados aos novos riscos
dos clientes. Faz-se necessário estabelecer uma
estratégia adequada de retenção e financiamento
de riscos, definindo-se políticas homogêneas em
todos os países nos quais temos presença, por meio
GERENCIA DE RIESGOS Y SEGUROS
Nº 121 - 2015
Entrevista
da concepção e implementação de Programas
Internacionais de Seguros eficientes e adaptados às
necessidades da empresa a cada momento.
‘GReS’: Na sua opinião, que papel
desempenharão os gerentes de riscos no seio
das empresas nos próximos anos?
A.C.: O gerente de riscos ficará encarregado de
desempenhar um papel fundamental no processo
de tomada de decisões da empresa, de modo que
suas contribuições sejam planejadas corretamente
devido à sua necessária visibilidade perante o
Conselho de Administração. Igualmente, deve servir
como ponto de união e diálogo entre o próprio
Conselho de Administração, o Comitê de Diretoria
e os demais funcionários e áreas da empresa.
‘GReS’: Além de sua força financeira, por
que um gerente de riscos deve utilizar os
10
serviços da MGR?
A.C.: O princípio básico da relação com os nossos
clientes corporativos é satisfazer suas necessidades.
Para isso, fazemos uma análise adequada dos seus
riscos, indicando as coberturas mais apropriadas
à atividade econômica desenvolvida por eles e,
na hipótese de sinistros, indenizando os bens
danificados e reparando suas responsabilidades.
250-antrevista-alfredo
Para isso, é necessária uma proximidade
extraordinária com o cliente, a fim de conhecer
suas necessidades e avaliar de forma conveniente as
alternativas para cobrir os déficits de cobertura. Isso
permitiu que a MAPFRE Global Risks alcançasse
uma posição de liderança no segmento das grandes
corporações internacionais de origem espanhola e
latino-americana, além de uma presença relevante
no resto da Europa.
Nossa Unidade participa dos programas de
seguros de 27 das 35 empresas do IBEX-35; dos
programas de seguros de 75 das 350 empresas da
Standard&Poor’s Europe-350; e de 60 das 500
empresas da FORTUNE-500. Esse é o nosso
principal cartão de visita, marcado por sermos
uma entidade orientada para o cliente, com o qual
buscamos ter uma relação de longo prazo.
‘GReS’: Com que valor agregado a ITSEMAP
contribui para os clientes desta Unidade e
até que ponto isso representa um elemento
diferenciador em relação aos demais
participantes do seu mercado?
A.C.: O nosso objetivo é oferecer aos clientes
soluções integrais e especializadas de Gestão de
Riscos. Não oferecemos apenas capacidade e
transferência eficiente de seguros, como também
participamos de todo o ciclo de gestão dos seus riscos,
desde a identificação, análise e avaliação corretas até
sua prevenção e controle. Para isso, nossa Empresa
conta com a Área de Engenharia (ITSEMAP), que,
com mais de 30 anos de experiência internacional
e em coordenação com nossas Áreas Comerciais,
disponibiliza para os nossos clientes diversos
GERENCIA DE RIESGOS Y SEGUROS
Nº 121 - 2015
Entrevista
serviços técnicos e soluções integrais e inovadoras
na área de Gerência de Riscos, com foco na sua
avaliação e controle, principalmente. O objetivo
desses serviços de assessoria de engenharia de riscos
é ajudar nossos segurados tanto na implementação
dessas recomendações de melhoria derivadas das
tarefas habituais de verificação quanto na resolução
de determinados problemas técnicos relacionados à
gestão dos seus riscos identificados no decorrer da
cobertura.
Adicionalmente, a
ITSEMAP
desenvolve
estudos técnicos sobre riscos associados aos
diferentes processos industriais e analisa causas
em sinistros de alta intensidade ou frequência. As
principais conclusões derivadas desses estudos são
compartilhadas com os nossos segurados (inclusive
por meio de ações de formação ad-hoc), com a
intenção de ajudar a melhorar a gestão técnica dos
seus riscos e, consequentemente, a redução dos seus
custos.
A ITSEMAP é, portanto, um dos elementos
principais na Proposta de Valor que queremos
apresentar para os segurados e um claro diferencial
em relação a nossos principais concorrentes.
“Oferecemos soluções globais
e completas aos clientes
corporativos de todo o
mundo.”
OBJETIVOS E FUTURO
‘GReS’: De forma geral, quais são os objetivos
para 2015?
A.C.: CContamos com sete iniciativas que vão nos
ajudar a alcançar nosso objetivo, a médio prazo, de
ser uma operadora global.
A primeira é apresentar a decisão para os mercados
nos quais operamos, principalmente na América
Latina (os mercados escolhidos são Brasil, Chile,
11
Colômbia, México e Peru), reforçando as equipes
para que a decisão esteja mais próxima do cliente.
Em segundo lugar, para alcançar a excelência na
operação, vamos transformar a tecnologia em uma
ação estratégica, com o desenvolvimento de uma
plataforma tecnológica única para este negócio, o
que exige um importante investimento.
O terceiro ponto é o plano de crescimento na
Europa, que apresenta ações direcionadas ao
desenvolvimento de negócio, além de continuar
reforçando as filiais atuais com equipes eficientes e
análises de novas aberturas.
A quarta iniciativa é potencializar a oferta de
seguros de SpecialtyLines nos ramos Marítimo, de
Energia, de Construção e de Aviação e Espaço.
Em quinto lugar, queremos iniciar a atividade nos
mercados nos quais a MAPFRE conta com uma
presença limitada –América do Norte, África do
Norte, Oriente Médio e Ásia-, aproveitando nossa
presença em Londres.
“O gerente de riscos deve
desempenhar um papel
fundamental no processo
de tomada de decisões da
empresa”
A sexta iniciativa é a mais exigente: conseguir
expandir a capacidade de liderar programas de
seguro para clientes europeus.
E a última e fundamental: a gestão do talento.
Temos como objetivo principal potencializar
o compromisso das pessoas com os valores da
MAPFRE além de desenvolver suas habilidades e
capacidades globais.
‘GReS’: Pensando no futuro, até onde vocês
desejam chegar?
A.C.: Nosso futuro já está acontecendo. Queremos
que a Global Risks seja conhecida no setor como
uma empresa que presta um excelente serviço aos
seus segurados, oferecendo soluções de segurança
GERENCIA DE RIESGOS Y SEGUROS
Nº 121 - 2015
Entrevista
inovadoras e com garantia máxima de solvência.
Nosso lema é realizar tudo da melhor forma possível
e esse espírito de superação constante nos impede
de ter limites, para que no futuro continuemos
aprimorando nossos serviços, qualidade e eficiência.
“UM GRANDE DESAFIO” DIRIGIR A
UNIDADE DE LONDRES
Formado em Ciências Econômicas e
Atuariais, Alfredo Castelo incorporou-se à
MAPFRE em 2004, após uma longa trajetória
de doze anos em uma multinacional do
setor de seguros, dos quais quatro foram no
mercado asiático. É casado e tem três filhos.
Em seu tempo livre, pratica todos os esportes
que gosta, especialmente os relacionados com
o mar: vela, windsurf, pesca, como um bom
cidadão de Múrcia – nasceu em Águilas, em
1967. Também gosta muito de corrida. Em
2013, morou temporariamente em Londres
para impulsionar o lançamento da Fase II do
Projeto Global Risks da MAPFRE.
‘GReS’: O que aconteceu para você gerenciar
a Unidade Global Risks em Londres? Por que
deram este passo?
A.C.: Sem dúvidas, foi um grande desafio para
mim. Em 2013, o Conselho de Administração
decidiu me transferir para Londres para dirigir a
segunda fase de crescimento do projeto Global
Risks.
Ao estabelecer nossa carteira de negócios, por um
lado, vemos que praticamente 80% do negócio
é gerado na Espanha e na América Latina e, por
outro lado, cerca de 70% está concentrado em
Danos, apenas 10% em Aviação e o resto engloba
o negócio Marítimo, de Responsabilidade Civil, de
Engenharia, etc.
12
“Temos como objetivo
principal potencializar o
compromisso das pessoas
com os valores da MAPFRE
além de desenvolver suas
habilidades e capacidades
globais.”
Ao estabelecer nossa carteira de negócios, por um
lado, vemos que praticamente 80% do negócio
é gerado na Espanha e na América Latina e, por
outro lado, cerca de 70% está concentrado em
Danos, apenas 10% em Aviação e o resto engloba
o negócio Marítimo, de Responsabilidade Civil, de
Engenharia, etc.
Para ser um operador global, temos que ter
uma maior diversificação geográfica e devemos
desenvolver mais nossas capacidades nos ramos nos
quais nossa presença é menor, e temos potencial
para isso. Esses foram os motivos principais da
minha transferência para Londres. Analisar dentro
desse mercado as opções possíveis para conseguir
alcançar estes dois objetivos.
Londres é a capital mundial do seguro, lugar onde
se encontra a maioria do negócio internacional
e decidimos fortalecernossa estrutura na cidade
com a contratação de pessoas adequadas. Nossa
presença ali permite uma visão maior e possibilita a
superação de novos desafios, com um planejamento
mais operativo.
‘GReS’: Você está conseguindo que sua
equipe pense e opere globalmente?
A.C.: Nossa equipe, de grande qualificação
profissional e alta especialização, encontra-se
completamente orientada para o cliente e sempre
muito próxima dele.
GERENCIA DE RIESGOS Y SEGUROS
Nº 121 - 2015
Entrevista
“O risco é intrínseco ao
desenvolvimento empresarial,
mas é necessário fazer com
que a convivência com ele
seja adequada em termos de
exposição”
A globalização é um caminho sem volta, vivemos
em um mundo cada vez mais globalizado e, por
consequência, a equipe da MAPFRE Global Risks
está dando os passos necessários para atender às
empresas, ali onde estiverem, com uma visão global,
mas sem esquecer das necessidades locais.
13
Nossos clientes são empresas de setores de atividade
globais como os setores de Energia, Marinha,
Aviação, Infraestruturas de Grande Porte, etc., e
nosso objetivo é prestar um serviço completo a
estes clientes. Por isso, queremos potencializar o
compromisso de todas as pessoas que formam esta
Unidade com os valores da MAPFRE e desenvolver
suas habilidades e capacidades globais. Não pode
ser outra forma quando nosso objetivo principal é
ser a seguradora global de confiança.
GERENCIA DE RIESGOS Y SEGUROS
Nº 121 - 2015
Entrevista
Ali Hauser
GERENTE DE RISCOS E SEGUROS
DA PEMEX
“
O grau de aversão ao
risco da PEMEX foi
sempre “total”
”
Declara Ali Hauser, e continuará sendo agora que a petrolífera está dando os
passos necessários para tornar-se uma empresa produtiva do Estado. No controle
dos riscos, a Kot, sua cativa, desempenha um papel de destaque, que “tem como
objetivo-chave propiciar em questões de seguro a participação da PEMEX em joint
ventures”.
14
GERENCIA DE RIESGOS Y SEGUROS
Nº 121 - 2015
Entrevista
‘Gerência de Riscos e Seguros’ (doravante
GReS): Petróleos Mexicanos (PEMEX) é
a maior empresa do México e o oitavo
produtor de petróleo no mundo. Qual o
grau de aversão ao risco que existe em sua
empresa e como a Gerência de Riscos pode
ter contribuído para alcançar esta posição?
Ali Hauser (en adelante A.H.:) O grau de aversão
ao risco da nossa empresa tem sido tradicionalmente
total. Nos últimos 76 anos, a PEMEX tem sido uma
empresa paraestatal, cujas decisões eram tomadas
por funcionários públicos. Neste contexto, as ações
dos funcionários têm um impacto significativo no
patrimônio de uma empresa nacional, e, por isso,
existe uma forte pressão para que cada decisão evite
um dano patrimonial para a empresa pertencente a
todos os mexicanos.
“A PEMEX tem sido
tradicionalmente um dos
maiores compradores de
seguro e resseguro”
Neste sentido, a PEMEX tem sido tradicionalmente
um dos maiores compradores de seguro e resseguro.
No México, a seguradora que ganha nosso programa
integral, torna-se, de fato, a maior seguradora do
país. Em resseguro, também somos um dos maiores
compradores com limites em Responsabilidade
Civil e dano físico acima da média comprada pelos
nossos pares, o que demonstra a nossa alta aversão
ao risco.
GReS: O que vai acontecer agora, após
a constituição do novo Conselho de
Administração?
A.H.: De fato, no último mês de outubro foi
constituído um novo Conselho de Administração da
PEMEX que ficará encarregado de levar a empresa
de ser um modelo baseado no monopólio -focado
em fornecer todos os produtos e serviços ligados
a hidrocarbonetos-, a ser uma empresa produtiva
do Estado, destinada a gerar valor econômico e a
concentrar-se nas atividades que proporcionarem
o maior rendimento para a companhia. A PEMEX
deixa de ser sinônimo de “setor energia no
México”, para transformar-se em mais um ator,
claro que com vantagens competitivas significativas.
O apetite pelo risco é algo que a PEMEX definirá
no seio de um Comitê de Riscos subordinado ao
Conselho de Administração, e que será o motor do
sistema de Gestão do Risco Empresarial (Enterprise
Risk Management), que visará dotar a PEMEX de
ferramentas para melhorar suas exposições.
Dessa forma, a contribuição da Gerência de Riscos
e Seguros na PEMEX foi chave através da Kot,
nossa cativa de resseguro, para ter acesso direto aos
mercados de resseguro internacional com o objetivo
de oferecer os limites de cobertura exigidos pela
15
GERENCIA DE RIESGOS Y SEGUROS
Nº 121 - 2015
Entrevista
empresa, dada a sua alta aversão ao risco.
A gerência está atualmente composta por várias
subgerências que trabalham coordenadamente e em
paralelo para cumprir com o objetivo da própria
gerência e da PEMEX: tornar-se uma referência
na indústria de seguros. Como? Implementado as
melhores práticas da indústria.
Por um lado, está a Subgerência de Seguros e Fianças
que trabalha em conjunto com a nossa cativa Kot
Insurance Company -que pertence à Subgerência
de Estratégia de Seguro-, para definir os termos
e condições que devem ser cobertos localmente
e que, ao mesmo tempo, a Kot deve ser capaz de
reassegurar e proteger. Por outro lado, encontra-se
a Subgerência de Prevenção de Perdas que é chave
para a evolução, avaliação e inspeção de ativos.
Em resumo, trata-se de alcançar a missão da PEMEX
de estar entre as melhores empresas petrolíferas do
mundo.
SISTEMA DE ERM
GReS: De modo geral, como é o sistema de
risk management implantado no seu grupo?
A.H.: Atualmente, dentro da Diretoria Corporativa
de Finanças encontra-se a Subdiretoria de
Administração de Riscos. Esta Subdiretoria se
encarrega hoje em dia do seguro dos ativos e do
controle de riscos financeiros da PEMEX.
Como consequência da transformação da PEMEX,
de passar de ser uma empresa de propriedade do
Estado a ser uma empresa produtiva do Estado,
a nova estrutura orgânica também aumentará as
responsabilidades da Subdiretoria de Administração
de Riscos -agora denominada de Riscos e Seguro-,
que será composta por quatro gerências: de seguros,
de resseguro, de administração de riscos financeiros
e de administração de riscos de negócio.
de Administração de Riscos e Seguro que depende
diretamente do Diretor Corporativo de Finanças da
PEMEX, que faz um acompanhamento específico
dos assuntos de riscos para depois transmitir a
informação ao Diretor Geral da PEMEX.
“A PEMEX evoluiu
adotando melhores práticas
de administração de riscos,
enfatizando o lugar primordial
que a nossa área ocupa dentro
da empresa”
Nos últimos 20 anos, a PEMEX evoluiu adotando
melhores práticas de administração de riscos,
enfatizando o lugar primordial que a nossa área
ocupa dentro da empresa. Atualmente, com a nova
estrutura da empresa, ela desempenhará um papel
fundamental na adoção das estratégias de Enterprise
Risk Management.
GReS: Que outras Unidades, dentro da
petrolífera, participam no controle dos
riscos?
A.H.: Existem Unidades de Riscos e Seguros
dentro dos órgãos subsidiários, como as unidades
de reclamações e administração destas demandas.
Outros participantes do Controle de Riscos são
a Subdiretoria de Auditoria, Segurança Integral e
Proteção ao Ambiente (SASIPA), a Subdiretoria
de Disciplina Operacional, Segurança, Saúde e
Proteção Ambiental (SDOSSPA), e as Gerências de
Manutenção de cada unidade de negócio.
Por fim, um dos principais atores, que leva as ações
da Administração de Riscos a serem prioritárias, é a
equipe Executiva, que supervisiona o cumprimento
do que foi proposto pela Administração de Riscos
pelas áreas operacionais.
GReS: Que lugar o Departamento de
Gerência de Riscos ocupa dentro da PEMEX?
A.H.: A Gerência de Riscos é parte da Subdiretoria
16
GERENCIA DE RIESGOS Y SEGUROS
Nº 121 - 2015
Entrevista
“Um dos principais atores, que
leva as ações da Administração
de Riscos a serem prioritárias
é a equipe Executiva”
CONSCIENTIZAÇÃO SOBRE O
RISCO
GReS: Existe uma verdadeira conscientização
quanto ao risco dentro da organização?
A.H.: São realizadas campanhas de conscientização
constantemente como parte da Segurança, Saúde no
Trabalho e Proteção Ambiental (SSPA), como, por
exemplo, a iniciativa “Exploração com Segurança,
Administrando Riscos”. Estas campanhas são
divulgadas na empresa com o objetivo de lembrar
que nosso objetivo final é que cada trabalhador
volte para casa com bom estado de saúde.
Dentro das avaliações do desempenho, também é
dado um peso importante à conscientização do
risco dentro da tarefa de cada colaborador, bem
como à responsabilidade dele na prevenção de
17
perdas de qualquer tipo dentro da empresa.
GReS: Como a Gerência de Riscos se encaixa
no plano de negócios da PEMEX para os
próximos anos?
A.H.: A gerência de riscos continuará fortalecendose e ficará muito mais dinâmica com os potenciais
acordos de joint ventures e de operação que a
nova legislação decorrente da Reforma Energética
permitir.
Além de suas funções de contratação de seguros,
a gerência será responsável pelas reclamações de
forma centralizada.
Conforme mencionado anteriormente, a gerência
será dividida em “Gerência de Seguros” e “Gerência
de Resseguro”, para explorar de forma plena todo
o potencial da cativa, vinculado a uma abordagem
completa do risco na empresa matriz.
GReS: A PEMEX também tem projeção
fora do México. De que forma a Gerência de
Riscos é aplicada nestes casos?
A.H.: Por enquanto, além dos fretamentos de
GERENCIA DE RIESGOS Y SEGUROS
Nº 121 - 2015
Entrevista
petroleiros que entregam produto ao México,
as operações da PEMEX estão limitadas a dois
oleodutos no sul do Texas e ao armazenamento
nesta região. Isto nos exige a compra de apólices
de Responsabilidade Civil através de fronting com
empresas locais, e, posteriormente, a transferência
ao resseguro da cativa.
Alguns dos elementos primordiais da administração
de riscos são a identificação, a avaliação e a
transferência deles, e esta tarefa é realizada
juntamente com a cativa de resseguro, daí que a
participação da Gerência de Seguros seja primordial
para esta identificação, avaliação e transferência de
riscos dentro e fora do México.
“A participação da Gerência
de Seguros é primordial para
a identificação, avaliação e
transferência de riscos dentro
e fora do México”
OS RISCOS
GReS: A PEMEX desenvolve toda a
cadeia produtiva da indústria: exploração,
distribuição, comercialização de produtos
finais e setor petroquímico. Qual ou quais
destas atividades são mais vulneráveis, do
ponto de vista do risco?
A.H.: O risco da empresa está distribuído entre
todas as linhas de negócio.
GReS: Quais são os riscos que mais o
preocupam neste momento: o terrorismo, os
desastres naturais, a contaminação ambiental,
a queda no preço do petróleo…?
A.H.: Os dois primeiros assuntos são os que mais
nos preocupam, do ponto de vista do seguro. Em
cada ciclo, a gerência de riscos e seguros se encarrega
de garantir que o grupo PEMEX conte com
coberturas suficientes e adequadas para enfrentar os
desastres naturais.
18
“Em cada ciclo, a Gerência de
Riscos e Seguros encarregase de garantir que a PEMEX
conte com coberturas
suficientes para enfrentar os
desastres naturais”
Eventos como a poluição ambiental do Ixtoc em
1979 (explosão de um poço de exploração no
Golfo do México) e, posteriormente, a sabotagem
de umas linhas de gás em 2007, fizeram com que
fiquemos permanentemente em estado de alerta.
Por outro lado, em relação ao preço do petróleo,
somos uma empresa petrolífera que conhece a
indústria e que sabe que este negócio é cíclico.
Neste sentido, o que nos importa é o longo prazo.
No entanto, como qualquer empresa do mundo,
focada na rentabilidade, dedicamo-nos a
implementar maior eficiência nos processos e a
ter uma visão realista do presente sob as condições
atuais, para agir de forma consequente, e para que,
assim, possamos enfrentar as épocas de vacas magras.
GReS: Um capítulo especialmente importante
na hora de reduzir os efeitos dos riscos é,
portanto, o das coberturas seguradoras. Quais
são as linhas básicas dos seus programas de
seguro?
A.H.: Nossas linhas são as habituais para este tipo
de indústria: Danos físicos, Responsabilidade Civil,
Terrorismo, Sabotagem, Todo Risco Construção,
Responsabilidade Civil Ambiental, Fraude,
Executivos e Diretores, descontrole de poços, entre
outras.
GReS: Qual é o papel, presente e futuro, da
sua cativa?
A.H.: O papel primordial da Kot é fornecer
coberturas adequadas ao risco assegurado, como
também respaldar 100% das condições das apólices
de seguros, e esse é o papel que no futuro ela
continuará exercendo, como cativa de resseguro da
PEMEX.
GERENCIA DE RIESGOS Y SEGUROS
Nº 121 - 2015
Entrevista
“O papel primordial da
Kot é fornecer coberturas
adequadas ao risco assegurado,
bem como respaldar 100%
das condições das apólices de
seguros”
Diante dos novos desafios decorrentes da Reforma
Energética, a Kot tem como objetivo-chave facilitar
em termos de seguro a participação da PEMEX em
joint ventures.
GReS: Que papel seu Departamento assume
na gestão de situações de crise?
A.H.: A nossa área é mais um elemento na gestão
de crises. A Subdiretoria de Disciplina Operacional,
Segurança, Saúde e Proteção Ambiental
(SDOSSPA), através do Centro de Atendimento a
Emergências, realiza todos os passos em função da
gravidade do incidente.
A Área de Administração de Riscos busca sempre
fornecer à PEMEX os processos referentes a seguros,
garantindo a cobertura pertinente, por meio da
correta demanda e indenização ao mercado de
resseguro.
MERCADO MEXICANO
GReS: Qual é o desenvolvimento da Gerência
de Riscos no México?
A.H.: Cabe mencionar que a cultura do seguro
no México ainda se encontra em desenvolvimento.
Neste sentido, em empresas de pequeno e médio
porte é pouco provável encontrar uma Gerência
de Administração de Riscos, pois é comum
encontrar suas funções imersas em alguma Área
de Finanças ou de Administração. Podem inclusive
estar localizadas na Área de Compras, limitando
assim esta importante tarefa à compra de apólices
de seguros.
19
“A nível mundial, o papel
que o Gerente de Riscos
desempenhará será cada vez
mais importante por diversos
fatores”
Muitas empresas de maior porte são estrangeiras
e geralmente a Área de Administração de Riscos
tem pouco poder de decisão, pois a estratégia
neste quesito é definida pelo corporativo desta
companhia.
No caso da PEMEX, a Administração de Riscos
evoluiu ao longo dos últimos 25 anos. De ser um
pequeno escritório pertencente ao Departamento
de Tesouraria, dedicado apenas à compra de apólices
de seguros no mercado local, em 1993 é criada a
resseguradora cativa, com o papel que conserva
até hoje, e é em 2001 que surge a Subdiretoria de
Administração de Riscos, à qual a Kot pertence.
Desde então e até agora foram incorporados novos
elementos dentro da Kot que contribuem para a
evolução integral da Administração de Riscos da
PEMEX.
GReS: Por último, que futuro você imagina
para a Gerência de Riscos e para os gerentes?
A.H.: A nível mundial, o papel que o Gerente de
Riscos desempenha será cada vez mais importante
por vários motivos. Estou me referindo, sobretudo,
às novas exposições que estão chegando com os
avanços tecnológicos e os novos desafios e/ou
perigos que o mundo enfrenta, como a mudança
climática e os fenômenos naturais, que estes
profissionais deverão enfrentar e, para isso, estar
preparados, e daí a sua relevância.
É por isso que o Gerente de Riscos deve manter
uma visão completa das possíveis exposições
que a empresa possa enfrentar, como identificar,
analisar, controlar e transferir, por exemplo, o
risco cibernético e a cobertura de Cyber Liability,
ou buscar novas alternativas de financiamento e
transferência como os Insurance Linked Securities
ou as Transferências Alternativas de Risco, entre
GERENCIA DE RIESGOS Y SEGUROS
Nº 121 - 2015
Entrevista
outros. Embora estes instrumentos não sejam novos,
hoje em dia não são comumente usados.
Entretanto, é importante conhecer primeiramente a
nossa exposição como Gerentes de Riscos e, como
segundo passo, entender qual destes produtos nos
ajudará a transferir os riscos de forma otimizada.
Em geral, vejo um futuro cheio de desafios, de
aprendizagem e de inovação, em toda a indústria.
“Vejo um futuro cheio de
desafios, de aprendizagem e de
inovação, em toda a indústria”
DOIS DESAFIOS: CRIAR UMA ORGANIZAÇÃO MAIS SÓLIDA E ANALISAR A
ESTRATÉGIA
Durante os últimos onze anos, Ali Hauser desenvolveu a sua carreira profissional em diversas
áreas da PEMEX. Especificamente, ele ficou três anos no braço comercial da empresa, realizando
atividades de trading de destilados (diesel,
querosene, gás avião), onde teve a oportunidade
de trabalhar com três Diretores de Finanças nas
Áreas de Assessoria Financeira.
Posteriormente, desempenhou o cargo de
gerente de bens não produtivos, onde cuidava da
venda de produtos sem utilidade para a PEMEX.
Atualmente, e desde setembro de 2012, tem uma
dupla função: a de Gerente de Riscos e Seguros
da PEMEX e, simultaneamente, a de Diretor
Geral da resseguradora cativa da PEMEX, Kot
Insurance Company, AG, domiciliada na Suíça.
Hoje Ali Hauser trabalha em um projeto
primordial: “criar uma organização mais sólida
em capital humano, que se adapte às mudanças
e que reaja de forma oportuna diante dos desafios que a empresa matriz enfrentará”. Também,
acrescenta, “em executar uma análise da estratégia da Administração de Riscos para garantir
que seja coerente com as mudanças estruturais decorrentes da Reforma Energética que a
PEMEX enfrentará”.
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GERENCIA DE RIESGOS Y SEGUROS
Nº 121 - 2015
Notícias
XXIV International
Seminar MAPFRE Global
Risks
In this section you will find some of the key themes of the XXIV MAPFRE GLOBAL RISKS International
Seminar that were held at the Palacio de Congresos Euskalduna in Bilbao.
XXIV INTERNATIONAL SEMINAR MAPFRE GLOBAL RISKS SUMMARY
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GERENCIA DE RIESGOS Y SEGUROS
Nº 121 - 2015
Notícias
OPENING
CLOSURE
During the sessions new opportunities and
challenges of international markets were discussed.
In the opening, MAPFRE GLOBAL RISKS CEO,
Alfredo Castelo, explained that they want Global
Risks to be known in the sector as a company
that delivers excellent service to its insured parties,
providing innovative insurance solutions with the
guarantee of maximum solvency.
The programme of social activities started on 6th May at 20:30 hours with a Welcome Cocktail in the
Guggenheim Museum. On Thursday 7th May, at 20:00 hours, the traditional Gala Dinner was held in
the Frontón Bizkaia. Lastly, on Friday, 8th, May, at 14:00 hours, the programme finalised with the Closure
Cocktail at Bilbao´s Palacio Euskalduna.
FIREFIGHTING COMPETITION
A firefighting competition was also held in a
nearby venue.
The Chairman and CEO of MAPFRE,Antonio Huertas,gave the closing remarks at the Seminar.“Expanding
MAPFRE GLOBAL RISKS to new markets and reinforcing its presence in markets where it is already
one of the top companies or even the leader are constant ambitions,” he said. During his presentation, he
also mentioned some of the initiatives that MAPFRE has already launched to become the most trusted
global insurance company. For any further information, we invite you to visit the web site:
https://jornadasinternacionalesmapfreglobalrisks.com
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GERENCIA DE RIESGOS Y SEGUROS
Nº 121 - 2015
Notícias
NOTICIAS
REUNIÃO COM A PRESIDENTE DA FERMA
Durante uma reunião de associados, no dia 16 de
fevereiro, a Presidente da FERMA, Julia Graham, deu
uma conferência sobre as ações empreendidas para
alcançar os objetivos estratégicos estabelecidos pela
Associação Europeia de Gerentes de Riscos.
Em particular, reforçou seu entusiasmo pelo
desenvolvimento da profissão, inovação e
diversificação da mesma. Em sua opinião, os gerentes
de risco de hoje serão os Risk Leaders de amanhã.
Também lembrou a iniciativa de certificação de
gerentes de risco, indicando que se trata de um
dos projetos mais importantes assumidos pela
FERMA. O programa proporcionará certificação
das competências profissionais e experiência dos
gerentes de risco e será respaldada por um requisito
de formação profissional contínua e por um código
de ética.
Depois de uma animado colóquio posterior e da
seção de perguntas e respostas, foi encerrada a sessão
ressaltando o interesse por coordenar, promover
e impulsionar o desenvolvimento da Gerência de
Riscos, do Seguro e do Financiamento de Riscos na
Europa.
JORNADA RISK FRONTIERS – GOING GLOBAL
No dia 10 de março foi realizada em Madri uma
Jornada organizada em conjunto pela IGREA e
pela Commercial Risk Insurance. Notranscurso
da jornada foram abordados temas chave para as
grandes empresas espanholas, em sua tentativa de
administrar e transferir seus riscos corporativos,
23
com especial atenção ao mercado de seguros
corporativos na América Latina.
jornada-risk-fontiers
Brokers e seguradoras presentes na Jornada
concordaram em indicar que o hub para colocação
de riscos com interesses na América Latina no
qual Madri se constituiu, oferece uma notável
capacidade e, portanto, tornou-se uma alternativa
razoável para o mercado de Londres.
De acordo com a opinião dos profissionais,
Madri se tornou um polo de atração tanto
para multinacionais espanholas como para
“multilatinas” com presença em outras latitudes.
GERENCIA DE RIESGOS Y SEGUROS
Nº 121 - 2015
Notícias
JORNADA REPSOL – IGREA
JORNADA MARSH – IGREA
No último 14 de abril foi realizada uma sessão de
trabalho para os associados da Igrea nos escritórios da
Repsol em Madri.
A reunião foi convocada com o objetivo de analisar
e comparar ideias sobre a casuística particular das
sociedades Cativas.
A reunião foi coordenada pela Gerência de Riscos
da Repsol e nela foram analisados aspectos como
a necessidade destes instrumentos, os possíveis
endereços de localização e fundamentalmente a
incidência de Solvência II, cuja entrada em vigor está
anunciada para o próximo ano 2016.
Café da manhã Colóquio
novidades no regime de
civil
e
penal
de
Conselheiros e Diretores
D&O para 2015.
24
Jornada sobre as
responsabilidade
Administradores,
e no Seguro de
Celebrado no dia 12 de junho nos escritórios
da Marsh em Madri, contou com a exposição, a
cargo do Cuatrecasas Gonçalves Pereira, tanto de
aspectos críticos do seguro de D&O como dos
programas de Corporate Compliance e do seguro
de D&O.
Na mesma jornada foi apresentado o estudo de
D&O 2014 elaborado pelo Serviço de Estudos da
Marsh España e foi entregue um exemplar dele a
todo o público.
GERENCIA DE RIESGOS Y SEGUROS
Nº 121 - 2015
Notícias
NOTÍCIAS
A Federation of European Risk Management
Associations (FERMA) propõe publicar um
documento que forneça a perspectiva dos gerentes
de riscos da Europa sobre o gerenciamento de riscos
de segurança e saúde para atribuições e viagens
internacionais relacionadas a trabalho. O documento,
que deve ser preparado em cooperação com a
International SOS Foundation e a EU Occupation
Safety and Health Agency (EU-OHSA), fornecerá
informações e orientações sobre o dever de cuidar
das organizações em relação a seus funcionários em
atribuições fora do país.
O dever de cuidar é a responsabilidade moral e legal
das organizações em relação a seus funcionários,
prestadores de serviços, voluntários e outras pessoas,
como familiares, especialmente quando eles estão em
atribuições internacionais ou em áreas remotas em
seu próprio país. As empresas devem gerenciar essas
responsabilidades e garantir a saúde e a segurança
desses funcionários por meio de uma política de
gerenciamento de riscos de viagem apropriada.
O dever de cuidar engloba responsabilidades de
diferentes áreas de negócios, funções e cargos em uma
organização.Vários tomadores de decisões, incluindo
25
gerentes seniores, diretores de gerenciamento,
gerentes de segurança corporativa, gerentes de
viagens, diretores médicos, chefes de RH, gerentes
jurídicos e gerentes de riscos e seguros, têm um papel
a desempenhar.
Em 2014, a International SOS Foundation,
juntamente com mais de 13 líderes especialistas
em saúde e segurança internacional, incluindo
a EU-OSHA e órgãos nacionais, lançaram a
primeira estrutura global do mundo para proteger
funcionários em viagens ou em atribuições fora do
país. O documento fornece orientações estratégicas
para as organizações identificarem perigos e ameaças
e gerenciarem os riscos a fim de garantir a saúde e a
segurança de seus funcionários.
Principais lições do documento:
•Apenas 32% das 628 organizações pesquisadas
pela International SOS Foundation realizaram
avaliações de riscos pessoais/de local antes de
atribuições de expatriação;
•O número de funcionários móveis está crescendo
rapidamente. O relatório Talent Mobility 2020
and Beyond , da PwC, estima um crescimento de
50% no número de funcionários móveis até 2020;
GERENCIA DE RIESGOS Y SEGUROS
Nº 121 - 2015
Notícias
•As empresas precisam olhar além dos funcionários
diretos e avaliar os riscos para todos os tipos de
viajantes empresariais, incluindo voluntários,
estudantes, trainees, dependentes e subcontratados;
•O seguro não é suficiente para garantir a saúde e
a segurança dos viajantes.
Hoje, a FERMA acredita que a educação da
comunidade de gerenciamento de riscos sobre este
assunto bastante específico, abrangendo riscos como
o ebola, a Ucrânia, ferimentos e acidentes de trânsito,
está incluída em sua função como líder na prática
efetiva do gerenciamento de riscos.
A finalidade do documento“Safety, health and security
risks management for work-related international
travel and assignments – The European risk manager’s
perspective” (Gerenciamento de riscos de segurança
e saúde para atribuições e viagens internacionais a
trabalho – a perspectiva do gerente de risco europeu)
é ajudar as organizações a compreender melhor suas
responsabilidades de dever de cuidar em relação a
seus funcionários e dependentes, além de fornecer
recomendações práticas.
O documento, incluindo leis e obrigações nacionais e
europeias e benchmark de práticas e recomendações
existentes, deve se tornar um material educacional
para a comunidade de gerenciamento de riscos.
MERCADO DE SEGURO CIBERNÉTICO: INCENTIVOS E SEGURANÇA
CIBERNÉTICA APRIMORADA PARA ORGANIZAÇÕES
Iniciativas francesas e britânicas estão levando em consideração o seguro para riscos cibernéticos em suas
estratégias nacionais de segurança cibernética.
Em junho de 2014, o governo do Reino Unido lançou uma iniciativa conjunta com algumas das principais
seguradoras britânicas a fim de elevar o nível de segurança de TI das empresas do Reino Unido. O esquema
chamado de Cyber Essentials baseia-se em certificados e garantirá que as organizações certificadas tenham
uma determinada quantidade de medidas de segurança em vigor. O Cyber Essentials foi desenvolvido com
participação ativa do setor de seguros e é apoiado pela AIG, Marsh, Swiss Re, BIBA (British Insurance
Brokers’ Association) e IUA (International Underwriting Association).
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GERENCIA DE RIESGOS Y SEGUROS
Nº 121 - 2015
Notícias
Algumas seguradoras se comprometeram a incorporar o Cyber Essentials aos seus processos de gerenciamento
de riscos e a oferecer incentivos às empresas para que obtenham a certificação, como tarifas preferenciais
para novas políticas de seguro cibernético. Em 23 de março, o governo britânico e a Marsh lançaram o
relatório “UK Cyber Security: The Role of Insurance in Managing and Mitigating the Risk” (Segurança
cibernética no Reino Unido: o papel do seguro no gerenciamento e na mitigação dos riscos), com base em
informações de 13 seguradoras de Londres e diversas empresas de grande porte. Ele confirma um desejo
por parte do setor de seguros do
Reino Unido de liderar o
gerenciamento de ameaças
cibernéticas
em
constante
crescimento.
Com um pouco de atraso, a
França agora está alcançando
o Reino Unido e começou a
avaliar o uso de seguro contra
riscos cibernéticos como um
catalisador para aumentar a
resiliência geral das indústrias francesas. O Ministério das Finanças lançou uma iniciativa e espera-se um
relatório em abril.
O interesse dos governos no seguro cibernético é orientado pela ideia de que uma grande adoção desses
produtos de seguro iria, no fim, contribuir para reforçar a segurança cibernética de organizações privadas.
A nova regulamentação da UE ainda está em discussão entre os estados membros no Conselho da UE; eles
estão lutando para chegar a um acordo sobre pontos importantes, como o formulário de consentimento que
o sujeito dos dados (cidadão, paciente, cliente) deve fornecer para que uma organização tenha permissão
para armazenar dados particulares ou o direito de ser esquecido (direito de solicitar o apagamento de dados
pessoais).
Os estados-membro com uma administração amplamente digitalizada, como os países bálticos, estão exigindo
requisitos flexíveis. Outros, tradicionalmente associados a um alto nível de proteção de privacidade, como
a França ou a Alemanha, estão demandando formalidades mais rígidas para a coleta do consentimento do
sujeito dos dados.
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GERENCIA DE RIESGOS Y SEGUROS
Nº 121 - 2015
Notícias
NOTÍCIAS
Actividades
en el primer
semestre
2015
Fóruns, apresentações e encontros marcam
os atos desenvolvidos pela AGERS durante a
primeira metade do ano.
Além de ter modificado, no começo do
ano, seus próprios Estatutos, a Associação
de Gerência de Riscos e Seguros (AGERS)
continuou desenvolvendo sua importante
atividade de divulgação e de formação ao
longo do primeiro semestre. Entre outras, cabe
mencionar:
ATUALIZAÇÃO DOS ESTATUTOS
DA AGERS
A Assembleia Geral Extraordinária, celebrada no dia 18
de fevereiro, aprovou por unanimidade a modificação
dos estatutos da AGERS que abordam alterações nas
definições de Gerência de Riscos, Administração do
Risco, Gestão de Riscos e, particularmente, na de
Gerente de Riscos e/ou Seguros.
Além disso, foram acrescentadas novas funções a serem
desenvolvidas pela Associação, tais como a promoção
de formação técnica e intercâmbio de informação, bem
como a resolução de conflitos por meio da criação de
um centro de mediação de conflitos.
Determina-se ainda a obrigatoriedade de apresentar
uma lista de candidaturas para a composição da
Assembleia Executiva da Associação, distinguindo
entre Gerentes de Riscos e não Gerentes de Riscos, de
modo que os cargos de Presidente, 1ºVice-presidente e
2º Vice-presidente serão cargos eleitos pela Assembleia
Executiva entre os Gerentes de Riscos da Associação.
FÓRUM DE CONTINUIDADE DE NEGÓCIO E GESTÃO DE CRISE
Este ato, realizado no dia onze de março na sede
da CEIM, e cuja abertura esteve a cargo de Alfredo
Zorzo, 1º Vice-presidente da AGERS e responsável
por seguros na ORANGE Espanha, contou com três
palestras de destaque a partir de outros tantos pontos
de vista:
•A visão do Cliente: “Evolução de um Plano de
Continuidade de Negócio para um Sistema de
Gestão Integrado de Continuidade de Negócio”, a
cargo de Alfonso Costa, Gerente de Continuidade
de Negócio da Mutua Madrileña
•A
visão
do
Consultor:
“Resiliência
Organizacional”, apresentada por Juan Muñoz,
28
Presidente da ASIS España
•A visão do Sistema Bancário: “Adequação
da Política de Continuidade Corporativa ao
Risco-País” por Manuel Campos, Gerente de
Continuidade de Negócio da ABANCA.
GERENCIA DE RIESGOS Y SEGUROS
Nº 121 - 2015
Notícias
APRESENTAÇÃO DA AGERS NA CATALUNHA
No dia 9 de abril, com a participação de mais de duzentos profissionais do setor, a AGERS organizou, no Hotel
Rey Juan Carlos de Barcelona, uma jornada de apresentação da Associação na cidade, o primeiro de uma série
de eventos que a AGERS pretende realizar na Catalunha para continuar potencializando o trabalho dos Gerentes
de Riscos e Seguros nessa Comunidade e províncias limítrofes.
Após as boas-vindas aos participantes e o colóquio de abertura foram desenvolvidos cinco painéis nos quais
foram tratados os seguintes conteúdos:
•Os riscos na Internacionalização das Empresas
•A reforma do regime dos Administradores Sociais e sua incidência no Seguro D&O
•Os Riscos Emergentes em Transportes
•Crises Empresariais e Gestão de Continuidade de Negócio
•Apresentação dos resultados da European Risk Management Benchmarking Survey, realizada pela FERMA.
FÓRUM DE BIOMEDICINA DO SEGURO SOBRE DOENÇAS CRÔNICAS
Na sala de Assembleias da CEIM foi celebrado, no
dia 15 de abril, em Madri, o Fórum de Biomedicina
“Doenças Crônicas e sua implicação nos Seguros
Pessoais”, ato inaugurado por José Miguel Rodríguez
Pardo, no qual foram oferecidas três visões diferentes
da problemática
•A visão Médica a cargo de AnaVillanueva, Diretora
Médica da MAPFRE RE
•A visão Atuarial do ponto de vista de Azucena López,
Diretora de Vida e Saúde da Hannover Re e
•A visão Legal, desenvolvida por Félix Benito,
Secretário Geral da Seção Espanhola da Associação
Internacional de Direito de Seguros (SEAIDA).
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GERENCIA DE RIESGOS Y SEGUROS
Nº 121 - 2015
Notícias
XXVI CONGRESSO ESPANHOL DE GERÊNCIA DE RISCOS E SEGUROS
O XXVI Congresso Espanhol de Gerência de
Riscos e Seguros da AGERS e o I Congresso de
Biomedicina do Seguro foram realizados nos dias 28
e 29 de maio, no Hotel Meliá Avenida de América de
Madri, com a participação de cerca de 300 pessoas.
A Sra. Krista Walochik, cofundadora da Talengo,
empresa global de Consultoria de Liderança e
Recrutamento de Executivos, proferiu a conferência
de abertura, onde expôs a importância da perspectiva
global da consultoria do ponto de vista de sua própria
exposição e experiência internacional, fazendo
menção especial à necessidade de prestar atenção
especial no cliente final, já que a globalização e a
digitalização geram clientes mais exigentes em nosso
Setor, tanto na Espanha como em outros países do
entorno.
Após a sessão matutina, com a realização de quatro
painéis e a apresentação do rascunho do Projeto
de Manual de Desastres Naturais 2015, na parte
vespertina foram realizadas duas interessantes oficinas:
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Oficina A: Programas de Seguros Internacionais.
Incidindo nas questões terminológicas, normativas
e fiscais e Oficina B: Sinistro real de uma empresa
localizada no Chile, onde a causa principal é um
terremoto em uma usina energética com uma apólice
global.
O XXVI Congresso Espanhol de Gerência de Riscos
e Seguros foi encerrado pelo Presidente da AGERS,
Juan Carlos López Porcel que, após agradecer a
presença tanto dos participantes como dos palestrantes
convidados, destacou a conjunção de dois conceitos
básicos na AGERS: Tradição e Vanguarda.
No dia 29 de maio, após a reunião exclusiva para os
Gerentes de Riscos na qual se manteve um animado
colóquio aberto entre todos os participantes, foi
realizada a Assembleia Geral Ordinária da Associação,
na qual foi eleita a Assembleia Executiva para 2015,
aprovando-se as diretrizes de boa governança da
Associação.
GERENCIA DE RIESGOS Y SEGUROS
Nº 121 - 2015
Notícias
NOVO PRODUTO:
RISCOS CIBERNÉTICOS
O FUTURO É HOJE
Antigamente, muitos dos atos que hoje fazem parte
do nosso cotidiano ou rotina diária provavelmente
seriam considerados pura ficção científica. Pedir
ao carro que ligue para casa, desbloquear o celular
utilizando a impressão digital ou guardar todos os
arquivos em uma nuvem digital, são alguns dos vários
exemplos que hoje nos parecem normais e que,
“pouco tempo atrás”, teríamos pensado que fariam
parte do roteiro de Homens de Preto.
As novas tecnologias avançam a uma velocidade
vertiginosa, e o mundo avança com elas.Afetam todos:
pessoas, governos, pequenos comércios e grandes
corporações, além de terem mudado completamente
a forma como nos relacionamos. Desde os aplicativos
de mensagens instantâneas à apresentação telemática
de documentos oficiais, passando por todas as
plataformas ou redes sociais. Alguém se lembra
dos ultraleves sobrevoando as praias com anúncios
pendurados?
Todos os avanços tecnológicos têm, como norma
geral, um princípio ou denominador comum, e são
criados para tornar muitas das tarefas dos homens,
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dos animais e da natureza mais fáceis, mais rápidas e
(muitas vezes) melhores.
Essa afirmação, a princípio positiva, leva também
a outra reflexão fora das discussões éticas: Novos
cenários, novos riscos.
O cenário patrimonial das empresas mudou de forma
significativa. Os bens intangíveis têm um peso e uma
GERENCIA DE RIESGOS Y SEGUROS
Nº 121 - 2015
Notícias
relevância cada vez maiores em relação aos bens
tangíveis. Essa mudança exigia uma substituição do
papel do seguro tradicional, que estava centrado em
oferecer soluções, principalmente na transferência
de riscos sobre os bens tangíveis, deixando um vazio
significativo quanto aos intangíveis.
A velocidade à qual as mudanças nos cenários são
provocadas fizeram com que a percepção dos novos
riscos, que poderíamos chamar de “riscos cibernéticos”,
se afastasse do seu alcance real.
Atualmente, podemos dizer que, no âmbito das grandes
multinacionais, essa distância começou a diminuir. Na
última pesquisa realizada no World Economic Forum
sobre os principais riscos que afetam a economia,
os ataques virtuais já se situam entre os cinco mais
preocupantes.
Em artigos publicados recentemente nos meios
especializados, percebe-se um discurso mais maduro
dos principais Risk Managers europeus. Nesse sentido,
manifesta-se a necessidade de uma conscientização
ampla por parte da empresa da qual a diretoria
executiva participe ativamente. Por outro lado, exigese da indústria de seguros soluções sob medida que se
adaptem à complexidade dos novos riscos. Já não
podemos nem devemos falar de um risco emergente,
nem de um problema limitado às áreas de TI das
empresas. Estamos em uma fase em que tanto os
Brokers quanto as empresas de seguros e os Risk
Managers começam a se coordenar e são obrigados a
se entender.
O crescente número de ataques cibernéticos (a
Espanha é o terceiro país do mundo, atrás dos EUA
e do Reino Unido) nos quais são geradas perdas
anuais para as empresas acima de 14 bilhões de
euros, bem como o considerável aumento de custo
médio por incidente, que passou de 0,5 milhão
de euros em 2012 para 0,8 milhão de euros em
2013, com um custo médio anual, por empresa,
de quase 9 milhões de euros, estão transformando
os investimentos em tecnologia em um dos itens
prioritários das agendas das empresas, embora ainda
haja um longo caminho a ser percorrido no que diz
respeito às pequenas e médias empresas.
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Nesse sentido, segundo o Cost of Cyber Crime
Study, publicado pelo Instituto Ponemon em 2014,
manifesta-se o alto retorno sobre o investimento
nas principais tecnologias de segurança, tais
como sistemas de encriptação (18%), sistemas de
inteligência em segurança (21%) ou perímetros
avançados de controle de firewall (15%).
A maioria dos sinistros de grande intensidade provém
do mercado norte-americano (Target, Anthem,
Home Depot), sendo derivados principalmente de
violações de seguranças que afetam grandes bancos
de dados pessoais.
Vale ressaltar que o mercado norte-americano foi
pioneiro nas coberturas de riscos cibernéticos como
resposta às particularidades das normas locais que
regulam as indenizações relacionadas à proteção
desses dados.
No caso concreto do Target, uma das maiores
redes de supermercados dos Estados Unidos, que
teve dados financeiros e pessoais de 110 milhões
de clientes roubados por delinquentes virtuais que
entraram nos sistemas da empresa através de um
pequeno fornecedor de serviços de refrigeração,
manifestou-se a necessidade de contar não só com
medidas de segurança próprias, mas também com
a necessidade de garantir que os fornecedores que
tiverem acesso a informações sensíveis tomem as
mesmas medidas.
Não obstante,além das peculiaridades do mercado nos
Estados Unidos, considerando-se as consequências
derivadas das ameaças virtuais, o impacto gerado
pela interrupção de negócio nas empresas exige
cada vez mais atenção. A operação da grande
maioria das empresas depende, principalmente, de
seus sistemas informáticos. Um ataque ou uma falha
nesses sistemas pode provocar um verdadeiro caos
interno, possivelmente contagiando os mercados.
Assim, todas as medidas de segurança não devem ser
orientadas apenas para a proteção de informações
sensíveis, mas também para proteger e garantir a
continuidade do negócio.
GERENCIA DE RIESGOS Y SEGUROS
Nº 121 - 2015
Notícias
A variedade de agentes que formam o quadro de
ameaças virtuais (espiões, delinquentes, hacktivistas,
terroristas ou, inclusive, os próprios funcionários
das empresas) e a crescente sofisticação das
ferramentas e dos métodos de ataque utilizados
por eles (phishing, malware, exploits…) colocam
todos em perigo. Há poucos dias, foi publicado que
hackers“assaltaram” os bancos de dados da Agência
de Pessoal do Governo dos Estados Unidos e
coletaram uma quantidade considerável de dados
pessoais de funcionários federais.
Como
mencionado
anteriormente,
o
desenvolvimento do papel da indústria de seguros
na prevenção desses novos riscos representa uma
oportunidade de negócio, sendo que as empresas que
souberem ouvir e se adaptar melhor às necessidades
do cliente terão uma vantagem competitiva.
Diante desse panorama, apesar de estarmos em uma
etapa que está avançando do ponto de vista legislativo
para se adaptar a esses novos cenários, a palavra-chave
a ser destacada é “prevenção”.
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Nº 121 - 2015
Agenda
Agenda
JORNADA
DATAS
LOCAL
CONVOCANTE
Annual Conference
15-17 Julho
Liverpool (Reino Unido)
AIRMIC
World Congress on Risk
19-23 Julho
Singapura (Singapura)
SRA
3rd World Risk &
Insurance Economics
Congress
2-6 Agosto
Munique (Alemanha)
EGRIE
Symposion 2015
9-11 Setembro
Munique (Alemanha)
DVS
Rendez-Vous de
Septembre
12-17 Setembro
Monte Carlo (Mónaco)
RVS
Rendez-Vous Riviera
13-15 Setembro
Niza (França)
RVR
3rd GRF One Health
Summit
4-7 Outubro
Davos (Suíça)
GLOBAL RISK FORUM
Forum 2015
4-7 Outubro
Veneza (Itália)
FERMA
24th Afro-Asian Insurers
Conference
12-15 Outubro
Cairo (Egipto)
FAIR
2015 Brokerslink
Conference
15-16 Outubro
New York (EUA)
BROKERSLINK
Forum 2015
3-4 Novembro
Pfäffikon (Suíça)
SIRM
16-17 Novembro
Singapura (Singapura)
SCI
12th Health and Ageing
Conference
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GERENCIA DE RIESGOS Y SEGUROS
Nº 121 - 2015
Estudos
O Gerenciamento
de Riscos como
ferramenta de gestão
empresarial nas
grandes empresas e
corporações
JAVIER NAVAS OLÓRIZ
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GERENCIA DE RIESGOS Y SEGUROS
Nº 121 - 2015
Estudos
Desde que começaram a ser utilizadas, há mais de
50 anos, técnicas de Avaliação, Gestão e Transferência
de riscos nas grandes empresas dos Estados Unidos,
o Gerenciamento de Riscos foi variando seus
conceitos e adotando novas formas em função
de que parte dos novos desafios e de que parte da
Organização empresarial seja a responsável por sua
instrumentalização.
Para os Responsáveis pelo controle de riscos
aleatórios transferidos ao Setor de Seguros, consistirá
basicamente em um método que permitirá financiar
perdas decorrentes de fatos de caráter aleatório, que
incidem sobre o Ativo de suas empresas.
Para os Diretores Financeiros consistirá basicamente
em utilizar um método que lhes permita antecipar-
se a situações nas variações da taxa de câmbio das
divisas, por exemplo.
Em geral, a gestão estratégica dos riscos deverá,
portanto, permitir integrar a política de riscos
no planejamento estratégico, nos projetos, no
desenvolvimento regulatório interno e, claro, no
próprio processo de tomada de decisões.
Até poucos anos atrás, o Gerenciamento de Riscos
era meramente um modelo de identificação, avaliação,
controle e financiamento dos riscos aos quais está
exposta qualquer Organização empresarial; em
poucas palavras, era um método de financiamento
de perdas que utilizava certa capacidade financeira
de caráter contingencial, proporcionado basicamente
pela Indústria de seguro.
QUESTÕES PRÉVIAS
A tendência do homem ao bem-estar permitenos afirmar que a ECONOMIA, ao estudar o
comportamento dos indivíduos em sua aspiração
ao bem-estar, que está condicionado pela escassez
de recursos, permite que o esforço e a inteligência
tenham um papel primordial em sua administração.
Por outro lado, a necessidade de evoluir e progredir
na companhia de outros indivíduos contribui
com a visão social das pessoas, até mesmo com o
objetivo de cooperação entre elas. Estes fatos dão
lugar ao nascimento da economia, sendo um de seus
resultados a Economia de mercado.
O Mercado não é um lugar nem uma coisa nem
uma associação, é simplesmente um processo ativado
pelas diversas ações dos sujeitos econômicos que
cooperam, sendo seus juízos de valor e suas ações
as forças que determinam seu estado em constante
mutação.
A situação reflete-se a cada momento na estrutura
dos preços, que orientam os produtores a respeito do
que, como e quando deve ser produzido.
Os processos de decisão mais fáceis de entender
correspondem aos ambientes de certeza, já que o
decisor conhece perfeitamente o estado de natureza
e sabe que decisão tomar, opera-se em segurança.
Mas esta não é a situação mais frequente, pelo
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contrário, as decisões que
tomamos o são, na esperança
de obter resultados desejáveis.
Sem esperança é impossível
empreender, mas, mesmo
com ela, os resultados serão
incertos, o que implica uma
aposta no futuro.
No campo da economia e,
especialmente, no mundo dos negócios, não existe
uma informação estatística sobre a frequência dos
diferentes resultados de uma ação, já que estes são
praticamente únicos e inéditos. Neste campo as
probabilidades não são objetivas, mas subjetivas,
encontramo-nos em um contexto de incertezas e
não de risco.
Existe uma diferença entre risco e incerteza, o risco é
passível de tratamento atuarial, enquanto a incerteza
não é passível deste tratamento.
O que importa é relacionar o lucro com a incerteza;
em poucas palavras, quando falarmos de lucro em
um processo real, faremos isto contando com os
erros, conflitos, inovações, desastre e mudanças de
qualquer tipo.
A incerteza, portanto, é a essência da atividade
empresarial e terá uma correlação direta com o lucro.
GERENCIA DE RIESGOS Y SEGUROS
Nº 121 - 2015
Estudos
UM COMENTÁRIO NÃO
ECONOMISTA SOBRE O RISCO
UMA GESTÃO EFICIENTE DOS
RISCOS
Hoje em dia a sociedade está vivendo uma época
de enormes transformações não apenas tecnológicas,
mas também sociais, políticas e, claro, econômicas,
especialmente truculentas em seu viés financeiro.
O tempo presente e, previsivelmente, o futuro serão
caracterizados pela instabilidade e teremos que nos
acostumar a esta nova forma de vida.
Estas transformações estão alterando o marco no qual
se desenvolvem as estruturas sociais e econômicas e,
particularmente, o das empresas. Estes fatores que
estarão em evolução permanente, aumentam de
forma notável a habitual incerteza que caracteriza
a atividade empresarial, tanto nos riscos de gestão
como nos riscos acidentais.
Sem dúvida, um dos motivos é a evolução que
iniciamos a partir de estruturas sociais limitadas ou
locais, no sentido de uma estrutura única e global
muito complexa e com acentuadas interdependências
entre seus componentes, muito difíceis de controlar e
conhecer de posições específicas.
O grande desafio, portanto, será antecipar-se às
situações futuras, precisaremos ser capazes de antever
os novos riscos que irão se juntando aos já conhecidos
por nossas empresas.
Sem a pretensão de efetuar um estudo rigoroso, que
não vem ao caso neste texto, é possível enumerar pelo
menos algumas das coordenadas que repercutem na
geração de novos riscos:
•Mercado Global (Internacionalização comercial,
econômica e financeira).
•Vulnerabilidade dos mercados financeiros.
•Comunicação em tempo real.
•Deslocalização (Paraísos trabalhistas).
•Paraísos fiscais.
•Mudança climática.
•Crescimento demográfico descompensado.
•Terrorismo.
•Demandas nacionalistas.
•Movimentos migratórios.
•Falta de regulamentação dos mercados.
•etc.
O que É O GERENCIAMENTO DE
RISCOS? Antes de responder é preciso
conseguir chegar a um acordo sobre algumas
bases mínimas, já que desde que começou a
entrar na moda nos Estados Unidos, o conceito
foi passando de uma posição inicial clássica até
uma mais moderna que engloba mais conceitos.
Uma primeira aproximação é tentar tratar apenas
os riscos aleatórios, usando o seguro tradicional
como elemento estabilizador da estratégia.
Dando mais um passo à frente, parece um grande
acerto estratégico conseguir que as grandes
empresas e corporações incorporem a política
de gestão de riscos ao processo de tomada de
decisões, coordenando as ações dos Gerentes de
riscos, de Finanças e de Auditoria interna, de
modo que os dados que são manipulados sejam
interpretados corretamente, dada a inter-relação
dos riscos empresariais.
Os responsáveis pelas finanças já admitem
não serem estratégicos apenas os riscos puros
de caráter financeiro, como a taxa de câmbio,
mas também os de exploração, os técnicos, os
regulatórios, de imagem, de responsabilidade e
os ambientais, para citar os mais importantes.
A gestão estratégica dos riscos permitirá
integrarmos a política de riscos ao planejamento
estratégico, aos projetos e, portanto, ao processo
de tomada de decisões.
Este novo conceito traz vantagens competitivas,
obtidas através do conhecimento integral do
risco nas empresas.
Evolui-se a partir de modelos de financiamento
de perdas que utilizam a capacidade seguradora
em direção a outras formas de controle de
riscos mais estratégicas e evoluídas, que cuidam
também da imagem do negócio e de sua
solvência, observando os processos de valor e
colaborando com o Comitê de finanças e de
auditoria.
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GERENCIA DE RIESGOS Y SEGUROS
Nº 121 - 2015
Estudos
O RISCO NA EMPRESA. MERCADO DE SEGUROS
Certos riscos como os financeiros, os fortuitos,
os operativos, operacionais e os estratégicos são
inerentes à gestão das empresas e, além disso, estão
profundamente ligados entre si.
Riscos como a taxa de câmbio, danos à propriedade,
desastres, concorrência e imagem, têm um forte
componente financeiro que marca de forma
determinante a empresa, caso se manifeste de forma
não planejada e imprevista.
Se além disso, aceitarmos que os mercados financeiros
e de seguros estão cada vez mais inter-relacionados,
percebemos que o enfoque que deverá predominar
no tratamento dos riscos nas empresas deve adaptarse a esta nova realidade que se impõe.
É importante dizer ainda que os riscos tradicionais
de caráter aleatório, como os incêndios, as
responsabilidades civis em alguns aspectos, estão
perdendo peso na percepção dos empresários,
sendo cada vez mais relevantes os chamados riscos
estratégicos, regulatórios, operativos e operacionais
como o aumento da
concorrência, a falha no
fornecimento de serviços
ou mercadorias, e/ou a
traição de funcionários.
É necessário superar,
portanto, a linha divisória
entre riscos seguráveis de
forma tradicional e os
transferíveis, orientandonos a uma gestão do risco
integrada.
Vale a pena fazer
uma reflexão sobre o
aumento da exigência
de responsabilidades das empresas, e neste sentido é
possível afirmar que a União Europeia está ampliando
continuamente o marco regulatório.
Aspectos como o estímulo à concorrência, a proteção
ao consumidor, a boa governança corporativa,
o aumento da regulamentação das atividades
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financeiras, preços de transferência, etc., criaram uma
enorme floresta normativa que obriga as empresas,
especialmente aquelas com cotação na bolsa, a dispor
de Áreas de Staff cada vez maiores, melhores e mais
sofisticadas.
O cenário torna-se cada vez mais complexo, já que
os tradicionais riscos operativos encontram-se agora
escoltados pelos novos riscos regulatórios, financeiros
e de imagem.
O Gerenciamento de Riscos neste novo cenário
deve assumir algumas responsabilidades, a saber:
•Intervir na coordenação das áreas implicadas no
Compliance.
•Contribuir com experiência em caso de crise.
•Procurar vias de atenuação no impacto das
reclamações. Seguros.
O mercado de seguros é um elemento muito
importante nesta forma de controle de riscos e vale a
pena fazer alguns comentários a este respeito.
No mercado de seguros, as perdas financeiras
suportadas
até
o
momento não foram
motivo suficiente para
encarecer os prêmios,
mas há outros fatores que
podem incidir e alterar o
ciclo. Um destes fatores
é a clara tendência
ao
oligopólio
das
Seguradoras de grandes
riscos acompanhada de
uma maior demanda
de rentabilidade para
seus acionistas em um
contexto de volatilidade
e incerteza financeira, o que pode provocar falta de
capacidade para riscos específicos.
No entanto, a Indústria do seguro está fazendo um
grande esforço neste campo e tentando adaptar-se
aos novos tempos.
GERENCIA DE RIESGOS Y SEGUROS
Nº 121 - 2015
Estudos
Os grandes compradores de seguros podem
questionar-se nos ciclos duros sobre que aumentos
de prêmios serão necessários no futuro para garantir
outros cem anos para esta indústria?
Difícil de responder, se enquadrarmos esta
problemática em um contexto de crise econômica
quase crônica com grandes distorções financeiras e
volatilidade nas bolsas.
As Seguradoras de grandes riscos estão sofrendo uma
grande pressão em relação ao nível de informação
exigida pelos retrocessionários, acompanhado de
certas reduções em algumas coberturas, bem como
da perda paulatina de autonomia na adesão local.
Isto obriga as grandes empresas a procurarem
alternativas que melhorem sua posição como grandes
compradores de seguros, implantando mecanismos
flexíveis de gestão que lhes permitam otimizar este
financiamento de seus riscos, o que acarretará uma
melhor posição relativa da função de Gerenciamento
de Riscos, reduzindo custos e ganhando autonomia
em relação a um mercado mutante e/ou em crise.
E.R.M.VALOR AGREGADO NAS EMPRESAS
Um aspecto relevante que vale a pena mencionar
é a chamada Reputação Corporativa. Há casos
de quedas nas cotações das ações de Companhias
produzidas apenas por notícias, boatos, atuação das
autoridades e até por ações de ordem pessoal e não
institucional.
Tudo o que se refere à governança corporativa
torna-se cada vez mais importante nas empresas com
cotação em bolsa e com isso se pretende avançar
com maior segurança em um mundo de negócios
globalizados.
Algumas das ações a serem seguidas pelo E.R.M.
(Gerenciamento Estratégico dos Riscos) são as
seguintes:
•Ativação de um Modelo Global de riscos nas
empresas.
•Desenvolvimento de uma Matriz de riscos
Corporativos Globais. (E.R.M.) Vs. Coberturas
de seguros.
•Integração de sistemas de Controle Interno
em um Modelo de controle e gestão de Riscos
Corporativos, bem como na cotação dos preços
nos prêmios ou no processo de financiamento
de riscos em Programas de seguros.
•Criação de um Padrão de Risco reconhecível
pelo mercado com a finalidade de participar nos
processos de qualificação de rating da empresa.
Este processo não deve significar uma degradação
da função de Gerenciamento de Riscos tradicional,
o que se pretende é aumentar a visibilidade que o
Departamento Financeiro pode proporcionar.
A razão fundamental desta evolução é que a administração de riscos empresariais é mais ampla que o simples
controle aleatório dos riscos e dos seguros, o que acarreta um enfoque mais consistente do tratamento do
risco empresarial.
A filosofia da gestão de riscos em uma Organização deve ser o conjunto de crenças e atitudes compartilhadas
que caracterizam o modelo com o qual esta entidade contempla o RISCO.
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GERENCIA DE RIESGOS Y SEGUROS
Nº 121 - 2015
Estudos
O GERENCIAMENTO DE RISCOS TRADICIONAL
Os modelos tradicionais de Gerenciamento de
Riscos, baseados na análise clássica dos riscos e em
sua transferência ao mercado de seguros, mesmo
contribuindo com valor e eficiência, devem evoluir
para novas formas mais estratégicas do que táticas,
contando com instrumentos que nos ajudem a
administrar de forma mais eficiente, agregando valor
e colaborando nas boas práticas corporativas.
Os Departamentos de Gerenciamento de Riscos atuais
costumam ser formados por poucas pessoas, lideradas
por um responsável com experiência e apoiados
pelas áreas legais e financeiras das próprias empresas.
Além disso, costumam trabalhar com Corretoras
de seguros e com Seguradoras que fornecem
capacidade financeira de caráter contingencial, bem
como conhecimentos e experiências diferentes dos
mercados de seguros.
Muitas áreas de Gerenciamento de Riscos internas
costumam encarregar-se de algumas tarefas
estratégicas e também de gestão e em grande medida
de administração e financiamento de riscos; neste
contexto uma versão mais moderna do conceito
aconselha avançar nas seguintes tarefas:
•Definição de um modelo de riscos para o futuro.
•Elaboração de um mapa de riscos críticos.
•Definição de uma política de riscos e seguros.
•Concepção de um modelo estável de colaboração
com o mercado segurador e ressegurador.
•Definição, concepção e aplicação de Programas
de Seguros de caráter corporativo.
•Seleção, estudo e ativação de instrumentos de
gestão que contribuam com maior eficiência
(sociedades cativas, autosseguros planejados,
soluções ART, etc.).
Muitas das tarefas descritas anteriormente são
realizadas normalmente, e neste sentido esta
sistematização permite dispor de um método
permanente de identificação de riscos e de sua
quantificação, com a finalidade de buscar soluções
financeiras e de seguro, seja através das sociedades
cativas ou diretamente com o mercado de seguros.
POLÍTICA DE RISCOS
A definição da política de riscos é necessária para
determinar os níveis ideais de retenção de riscos
ou autosseguro planejado através das franquias e
limites de indenização.
Do mesmo modo, a concepção e implantação
de coberturas que o mercado não concede, bem
como atingir a autonomia máxima na liquidação
dos sinistros com a criação de sociedades cativas
de seguros ou resseguros se fosse necessário.
Dentro desta política de riscos, é preciso avançar
na linha de trabalho com programas de seguros
globais de caráter centralizado, bem como projetar
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o grau de interlocução direta com o resseguro e,
por último, determinar o grau de solvência que
exigiremos das seguradoras e resseguradoras dos
programas de seguros.
Como reflexão relevante, dentro da Política de
riscos vale a pena estudar a evolução dos riscos
de caráter empresarial com atenção especial
nos riscos de responsabilidade de Diretores e
Administradores, terrorismo internacional, meio
ambiente, perdas de mercado, riscos de clientes
e de crédito, erros e omissões e, claro, os riscos
políticos e os associados ao desenvolvimento.
GERENCIA DE RIESGOS Y SEGUROS
Nº 121 - 2015
Estudos
TAREFAS DE SUPORTE E APOIO
As tarefas de gestão deverão estar focadas na
implantação da política de riscos aprovada,
utilizando-se paralelamente os instrumentos
de eficiência criados com uma análise contínua
de como ela encaixa nos programas de seguros
tradicionais.
A ativação de um sistema matricial de detecção e
avaliação de riscos por países e por negócios é um
passo vital nas grandes corporações, já que sem ele
será muito difícil implantar programas eficientes
de seguros de caráter mundial centralizados, única
forma de obter economias significativas para a
organização.
O sistema de comparação internacional de custos
vinculados à atividade através do Benchmarking
para nossos programas de seguros deve ser
adequado e objetivo, o que permitirá garantir que
os preços adquiridos sejam os mais adequados.
Os processos administrativos na gestão de sinistros
são as tarefas mais ingratas e menos gratificantes
em todas as suas vertentes, o que aconselha sua
terceirização total com empresas especializadas e
de prestígio no mercado e que tenham um caráter
independente em relação à empresa, por razões
óbvias.
GESTÃO INTEGRADA DE RISCOS
Nos esquemas clássicos de identificação de riscos
pode-se observar que muitos dos que aparecem são os
habituais na gestão atual das Áreas de Gerenciamento
de Riscos e, sem dúvida, com um esforço adicional
é possível proporcionar soluções integradas que
permitam o alinhamento com a estratégia ERM,
ajudando a maximizar o valor da empresa.
Se fizéssemos um desmembramento mais detalhado
destes riscos, veríamos que os riscos de greve, traição,
morte e incapacidade são próprios das áreas de
Recursos Humanos, as taxas de câmbio, de juros,
preços dos materiais são riscos macroeconômicos sob
responsabilidade de finanças ou planejamento, e os
descumprimentos contratuais, falhas de fornecedores,
serão das áreas jurídicas, e assim por diante, e, ao mesmo
tempo, todos eles podem ser classificados como de
caráter interno ou, pelo contrário, de mercado.
O ideal seria conceber uma estratégia de dotação de
valor para o ERM, identificando riscos e buscando
oferecer sistemas de financiamento destes riscos, de forma
adequada e eficiente.
Para isto é preciso determinar as prioridades na empresa:
•Áreas de negócio que geram maior preocupação.
• Estudo piloto da área escolhida e estabelecimento de uma
sistemática de aproximação ao seu desenvolvimento.
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•Análise detalhada dos riscos inerentes e possíveis
soluções financeiras.
De esta manera se pueden conocer los vacíos
existentes y se podrán establecer acciones enfocadas a
la minimización de los riesgos detectados y su posible
financiación.
Una vez lograda esta primera etapa, se ampliaría el
método a toda la organización.
CONCLUSÕES
As áreas de Gestão de Riscos Corporativas
deverão, portanto:
•Agregar valor ao Grupo.
•Avançar na independência em relação aos
custos por meio de instrumentos que propiciem
transparência e eficiência na gestão, como, por
exemplo, as Sociedades Cativas.
•Manter a excelência em relação ao tratamento
dos riscos.
•Tornar-se uma unidade operacional de serviço
ao Grupo e suas filiais com eficácia, transparência
e eficiência.
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Nº 121 - 2015
Estudos
Os perigos da
informática: quando os
riscos se concretizarem!
FRANÇOIS SETTEMBRINO
Trata-se apenas de um bom título para atrair a atenção do leitor ou ele
representa uma visão realista da situação? Estamos tão mergulhados no mundo
dos computadores, em nossa relação com máquinas, contatos, e-mails e outras
redes associadas, que nem nos damos conta que há uma dependência excessiva.
Os médicos recomendam que nos desliguemos o mais frequentemente possível
para não colocarmos nossa saúde em risco. Além disso, eles nos lembram que
devemos, antes de mais nada, ser vigilantes quando estivermos trabalhando,
dirigindo ou participando de interações sociais reais. A única preocupação dos
médicos é permitir que nós consigamos manter um equilíbrio vital, que corre o
risco de desaparecer rapidamente sem que percebamos devido à intervenção das
máquinas, como mencionado acima. A zona problemática é muito mais extensa
do que podemos imaginar. A seguir, faremos uma abordagem simples de alguns
aspectos.
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GERENCIA DE RIESGOS Y SEGUROS
Nº 121 - 2015
Estudos
Vamos começar por uma data: 8 de abril de 2014. Não
faz muito tempo, mas esse foi o dia estabelecido pela
Microsoft para cortar os vínculos com o Windows
XP e interromper o fornecimento de atualizações
de segurança e suporte. A Microsoft não vai ficar
eternamente atualizando um programa ultrapassado
que foi substituído várias vezes de maneira muito mais
eficiente. Será que nós ainda podemos modernizar
os computadores antigos, já que a aquisição de um
computador novo pode representar um rombo muito
grande no orçamento de alguns usuários? Em algumas
máquinas, será possível realizar um upgrade, mas isso
não necessariamente facilitará o uso. Em muitos casos,
se as máquinas forem fracas demais, esse upgrade
será impossível e, consequentemente, os problemas
aumentarão com o tempo. No entanto, a situação é
mais grave do que parece. Muitas pessoas optaram por
correr os riscos e continuar usando o XP, pois não
possuem os recursos nem a vontade de comprar um
novo computador. Nas empresas, isso pode ser ainda
mais grave. Só na Grã-Bretanha, apenas no setor de
saúde, mais de um milhão de máquinas executavam o
XP… E estima-se que ao redor do mundo o mesmo
aconteça na maioria dos caixas eletrônicos. É claro
que, a menos que sejam confirmados, esses dados não
são totalmente precisos. Além disso, é possível que a
43
Microsoft precise rever sua posição ou adotar uma
postura mais flexível, mas isso pode ser apenas um
desejo nosso, pois quanto mais o tempo passa, mais
difícil se torna a situação. De qualquer forma, é bom
lembrar que há mais de um bilhão e meio de PCs
sendo usados no mundo todo, e mais de 90% desses
PCs executam o Windows. Nem todos são XP, mas
muitos deles ainda devem atender às necessidades
de seus usuários. Aqueles que ainda estão em uso
em empresas, principalmente em pequenas e médias
empresas, lucrariam muito se fossem modernizados
o mais rapidamente possível ou substituídos para
manter um nível satisfatório de segurança. Talvez seja
necessário pedir a ajuda de especialistas, o que não
sairá de graça.
A segurança também é o que mais precisa ser protegido
nas máquinas de pessoas físicas. As atividades bancárias
realizadas nos PCs podem se tornar um alvo fácil para
criminosos e, para se proteger, os bancos podem negar
acesso aos clientes XP. As pessoas que tiverem um
“guru” de informática como amigo deverão pedir a
ajuda dele o quanto antes. Se nenhum amigo puder
ajudar, talvez seja necessário solicitar os serviços de
um profissional, o que provavelmente será caro, e a
proteção nunca será completa.
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QUESTÕES A SEREM CONSIDERADAS
O que mais devemos monitorar e temer ou a que
mais devemos nos submeter? As considerações
a seguir são apenas exemplos. Algumas são
superficialmente conhecidas, em consequência de
tudo o que a mídia tem divulgado com razoável
competência; já outras são conhecidas com mais
detalhes, graças a certas revelações (as informações
fornecidas por Snowden sendo as mais recentes e
também as mais graves).Tudo começa com o roubo
de dados por meio de um e-mail. Menos visíveis,
contratos inteiros passam pelos serviços de tradução
on-line, que, sejam piratas ou suspeitos, permitem
que a concorrência seja informada rapidamente
sobre tudo. Dessa forma, a propriedade intelectual
não tem nenhum sistema de defesa válido, e os países
da Europa Ocidental não têm mais nenhum segredo;
é a economia desses países que está em perigo. Para
começar, não existe nenhuma regulamentação
eficaz sobre dados. Quando os primeiros cartões de
fidelidade começaram a proliferar nas lojas, ninguém
quis enxergar que os dados pessoais dos clientes
poderiam ser usados de maneira mal-intencionada
e que poderia ser perigoso saber tudo sobre esses
clientes.Vários elogios foram feitos sobre a proteção
de dados pessoais, mas todos têm o direito de
questionar e corrigir essa proteção como desejarem.
Mas quantos se aventuraram? Se é cliente de uma
cadeia de lojas internacional, você não tem a menor
ideia de como seus dados pessoais são usados, mas
sabe que eles têm um valor inestimável. Os arquivos
das grandes cadeias de loja permitem restringir
a parte aleatória das decisões de compra, já que o
perfil do comprador é quase totalmente conhecido.
Se adicionarmos tudo o que cada pessoa deixa
como rastro, ou seja, vários cartões, telefonemas em
que tudo é gravado, visitas a uma ou diversas redes
sociais, diferentes e-mails, eventuais prontuários
médicos e até mesmo o sistema GPS, tudo pode
ser usado de forma enganosa. Não se esqueça
também dos milhares de cookies que representam
44
um rastro indelével e contêm inúmeras informações
sobre você. Eles permitem que você seja rastreado,
que suas preferências sejam detectadas e que seus
comportamentos sejam recriados. O Google não
perde a oportunidade de enumerar os méritos dos
cookies; contudo, ele vai substituí-los por um login
anônimo, mais eficiente e mais capcioso, do qual o
Google será o único proprietário.
Você não poderá nem dar sua opinião. E chegará
uma hora em que os estabelecimentos comerciais
e industriais que não usam o Google Chrome não
poderão mais personalizar sua publicidade. Assim,
indivíduos como nós não têm mais nada, nada mais
nos pertence por direito ou de forma privada. Nossos
dados pessoais e todos os rastros que deixamos por
toda parte serão usados permanentemente, quer
trate-se de uma contratação, de uma garantia, de
um processo jurídico, etc. Além disso, todas essas
informações são coletadas por empresas (Google e
muitas outras) regidas por leis e tribunais estrangeiros
e que podem fazer praticamente o que quiserem.
No entanto, se quisermos ocultar algo de nossos
registros, não teremos o poder de fazê-lo. É muito
moderno ter um perfil no Facebook ou em qualquer
outra rede social, mas antes precisamos compreender
que a divulgação de nossa vida privada só poderá
ter consequências negativas. E boa sorte se houver
litígio e você quiser levar o caso aos tribunais,
principalmente se for um tribunal americano, pois os
principais favorecidos respondem às leis americanas.
Não devemos esquecer também que, para se
beneficiar da proteção das leis dos Estados Unidos, é
necessário ser cidadão americano.
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HISTORIA RECENTE
Se analisarmos a história, poderemos lembrar que
foram os militares americanos que permitiram o
desenvolvimento dos computadores pessoais, ou
PCs. Foram eles que requisitaram e promoveram essa
maravilhosa ferramenta chamada Informática. Poucas
pessoas perceberam que o próprio nome não passa da
justaposição de duas simples palavras: INFORmação/
autoMÁTICA. E, de fato, ao longo do tempo o
enorme desenvolvimento de computadores cada vez
mais potentes, de uma rapidez assustadora e dotados
de memórias praticamente infinitas tornou possível
quase que automaticamente a coleta de dados
confidenciais, até mesmo os mais secretos, e permitiu
o estabelecimento de uma vigilância quase universal.
O problema é que, mais uma vez, são os militares
americanos que detêm todo poder.
Porém, durante todo esse tempo, o poder de
intervenção das máquinas americanas só fez crescer.
Essas máquinas são capazes de invadir secretamente
qualquer lugar. Os poderosos americanos podem
interferir na vida de pessoas físicas como nós, através
da “porta dos fundos” de nossos computadores, e
também no funcionamento de qualquer organização,
até mesmo da polícia. O poder das máquinas usadas
por eles é surpreendente, o que lhes permite misturar
45
alguns parâmetros ínfimos de qualquer sistema ou
rede, industrial ou militar, e torná-los obsoletos ou
inoperantes. Até mesmo os sistemas de segurança
deles foram criados em conjunto. Uma criptografia
eficaz é uma questão para os grandes especialistas,
principalmente os americanos, e somente tal
criptografia pode proteger eficazmente as indústrias e
os governos. Quando você compra um computador,
90% do sistema é Windows, e quem pode garantir
que a proteção criptográfica pela qual você pagou
caro não possui um pequeno dispositivo, conhecido
apenas pelo desenvolvedor?
O título do artigo faz referência a nosso novo
ambiente; o risco não é mais aleatório nesse ambiente
e está sempre presente. Todos os dias, temos novas
provas.Veja a seguir algumas delas:
•A receita federal do Canadá descobriu uma falha
em seu software de criptografia que pode ter
permitido que os dados de um grande número de
pessoas tenham sido pirateados.
•Em Bélgica, o sistema de informática do SPF
Finances parece ser vulnerável, apresentando
falhas em todos os níveis.
•- O ING chamou a atenção do público
quando propôs vender informações sobre o
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comportamento de compras de seus clientes.
Nesse cenário, segurança e respeito à vida pública
parecem ser os grandes perdedores, pois os
arquivos dos clientes são vendidos ou alugados a
peso de ouro.
Esses são apenas alguns exemplos, e é muito
provável que alguns tipos de uso ilícito ocorram
impunemente em segredo absoluto. Nós, como
usuários, somos igualmente responsáveis, pois
poucas pessoas leem as letras miúdas que informam
que podemos impedir que nossos dados sejam
compartilhados com “parceiros” desconhecidos.
art-5-peligros-de-informatica-marzo-15Tentamos
chamar a atenção dos responsáveis políticos sobre
os perigos existentes, mas nenhuma medida tem
sido tomada. Nem a Europa percebe o perigo e só
planeja abordar o problema em 2015. Enquanto
isso, as redes coletam somas astronômicas, das quais
só receberemos migalhas que nunca serão capazes
de revitalizar nossa economia. Será que a situação
dos responsáveis pelo Gerenciamento de risco é
melhor? O famoso Instituto de gerenciamento de
risco (Institute of Risk Management) de Londres
aprofundou a questão do Cyber Risk, como é
chamado. O resultado é assustador:
•Um total de 360 milhões de contas bancárias
foram alvo de atividades criminosas e, segundo a
KPMG, só em 2012 os dados de 160 milhões de
pessoas foram divulgados sem autorização.
•70% dos responsáveis pelo gerenciamento de risco
não são qualificados nem têm experiência nesse
campo.
•Das empresas entrevistadas, 53% não têm diretrizes
sobre o assunto.
•Apenas 27% verificaram a integridade das
medidas de segurança usadas por sua “cadeia de
suprimentos”.
•Como se isso não fosse suficiente, 45% dos
entrevistados não sabiam se sua empresa já havia
sofrido ciberataques ou danos relacionados.
Há algo que nós possamos fazer? Pois o caso é urgente.
Aqueles que quiserem estudar o problema em mais
detalhe não podem se contentar em ler este modesto
artigo.Veja a seguir duas dicas:
•Em primeiro lugar, a incrível (em francês) “la
Souveraineté Numérique” de Pierre Bellanger,
edições Stock, 2014, visita a questão.
•- Em seguida, sugerimos um resumo e o relatório
sobre Cyber Risk do IRM (em inglês), que
podem ser baixados do site do instituto (www.
theirm.org).
CONCLUSÕES
De quem será a culpa se o risco se concretizar?
Nós seremos os primeiros culpados, pois estamos
envoltos por todos os tipos de perigo na rede.
Em seguida, podemos apontar os profissionais de
informática, que não avaliaram os riscos, ou ainda
os responsáveis pelo gerenciamento de risco, que
não acompanharam a evolução do problema
e não reagiram. Eles deveriam ter instruído
sua hierarquia e seus chefes, mas esses últimos
são ainda mais responsáveis por não terem se
preocupado suficientemente com o fenômeno.
O mundo político não conseguiu acompanhar,
quando, na verdade, deveria ter antecipado as
catástrofes que nos aguardam.
Daremos a palavra final a Pierre Bellanger:
“A internet e seus serviços são
controlados pelos americanos. A
internet rouba nossos empregos,
nossos dados, nossa prosperidade,
nosso sistema tributário, nossa
soberania”.
Essa é a certeza do momento atual; para merecer
seu nome, o gerenciamento de risco precisa reagir,
e já está mais do que na hora.
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Sinistros durante
a construção e
montagem de
Centrais Hidrelétricas
ITSEMAP
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INTRODUÇÃO
A relevância dos sinistros durante a
construção e montagem de centrais
hidrelétricas subjaz, não somente
pelo elevado custo de reconstrução
ou reposição de equipes em caso de
sinistro, mas também pelo efeito nos
prazos de execução da obra e atrasos
na implementação da instalação, com
o consequente lucro cessante.
Os sistemas de produção hidrelétrica
são uma alternativa viável e de baixo
custo para a produção de eletricidade
e, ao mesmo tempo, contribuem para
reduzir o impacto sobre as emissões de
Gases de Efeito Estufa na atmosfera
no âmbito da produção elétrica.
Atualmente este tipo de sistemas
conta com técnicas absolutamente
amadurecidas e testadas.
Embora a construção de centrais
hidráulicas na Europa se limite a
ampliar ou modernizar o parque
de centrais existentes, um maior
aproveitamento de recursos hídricos
com a construção de novas centrais
hidroelétricas é um dos focos para
o qual os países latino-americanos
estão orientando a sua capacidade de
produção energética para os próximos
anos. De acordo com a OLADE
(Organização Latino-Americana de
Energia), o grau de aproveitamento do
potencial hidrelétrico da região é de
somente 22% (fonte: junho de 2013).
Mundialmente,
aproximadamente
16% da geração elétrica é realizada
através do emprego desta tecnologia, e
está previsto um aumento da potência
instalada principalmente em países da
Ásia, África e América Latina.
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O QUE É UMA CENTRAL
HIDRELÉTRICA?
Uma central hidrelétrica é uma central elétrica que permite
o aproveitamento elétrico da força hidráulica com o emprego
de uma turbina hidráulica. A turbina hidráulica transforma
a energia potencial e cinética da água em movimentos
mecânicos. Ao instalar um gerador solidário com o eixo da
turbina os movimentos mecânicos são convertidos diretamente
em corrente elétrica.
A potência de uma turbina hidráulica (P) é determinada a
partir do produto da aceleração gravitacional (g), da densidade
da água, da altura ou queda da água (h), da pressão de água da
turbina (Q) e do rendimento (η), normalmente com valores
de 85-95%.
P=η*p*g*h*Q
As turbinas hidráulicas operam de acordo com curvas
características que relacionam os parâmetros apresentados
anteriormente.
TIPOS DE CENTRAIS HIDRELÉTRICAS
Partindo do conceito de aproveitamento elétrico descrito
anteriormente, podem ser definidos diferentes tipos de centrais
hidráulicas em função das construções civis necessárias de
acordo com as condições orográficas, hidrológicas e geotécnicas.
•Central de represa, é aquela central que implica a
construção de um muro grosso de diversos materiais com
o objetivo de armazenar água para encaminhá-la ou regular
seu curso fora do leito.
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•Central a fio d’água, é aquela que utiliza a
força da pressão do rio e a sua força de queda
para gerar eletricidade sem a necessidade de
inundar sua parte alta com a criação de um
reservatório ou de um desvio do rio do seu leito
natural, aproveitando o estreitamento do leito
para conseguir maior velocidade da água.
•Central reversível, é aquela central de
acumulação ou reversível na qual a água
armazenada em um reservatório inferior ou
proveniente de um rio é bombeada para um
reservatório superior para a sua acumulação e
posterior turbinagem.
TIPOS DE TURBINAS HIDRÁULICAS
Turbina Francis, é aquela turbina de passagem radial que
possui um amplo espectro de aproveitamento, normalmente
com altura de água e pressão elevadas, dando lugar a unidades
de geração de grande potência.
Turbina Kaplan, é aquela turbina com um rotor tipo
hélice e com uma passagem de fluxo totalmente axial. Seu
aproveitamento costuma ser em quedas de água inferiores a das
turbinas Francis.
Turbina tipo Bulbo, são um modelo especial de turbina
Kaplan. Estas turbinas são aptas para aproveitar quedas de pouca
altura e grande pressão e conta com a peculiaridade de que o
gerador elétrico fica dentro de uma cobertura que envolve o
bulbo.
Turbina Pelton, é aquela turbina de ação onde a energia
potencial da altura da água se transforma em cinética através
de injetores que projetam a água no rotor disposto com pás
que transformam esta energia cinética em giro da turbina. Sua
aplicação é limitada a grandes quedas de altura e baixa pressão.
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EVOLUÇÃO MUNDIAL DA GERAÇÃO HIDRELÉTRICA
De acordo com as conclusões do relatório da IEA “Technology Roadmap: Hydropower, 2012”, há uma previsão
de que a geração hidrelétrica possa dobrar sua contribuição no ano de 2050, alcançando 2000 GW de potência
instalada global e uma produção elétrica de cerca de 7000 TWh. Esta conquista, motivada principalmente pela
busca por energia limpa, poderia prevenir emissões anuais de até 3 bilhões de CO2 provenientes de fábricas de
combustível fóssil. A maior parte deste crescimento viria de instalações em economias emergentes e países em
desenvolvimento.
Gráfico 1. Projeção da geração hidrelétrica
A energia hidrelétrica é a tecnologia com maior peso na geração elétrica renovável no mundo e, de acordo com
a previsão, vai se manter nessa posição. Desde 2005, as novas instalações hidrelétricas geraram mais eletricidade
do que todas as energias renováveis combinadas.
O potencial para novas centrais hidrelétricas é considerável, principalmente na África, Ásia e América Latina.
Em países deste meio, projetos de grandes e pequenas centrais hidrelétricas podem ajudar no acesso a sistemas
elétricos modernos, aliviar a pobreza e promover o desenvolvimento social e econômico, principalmente em
comunidades locais. Nos países industrializados, benefícios adicionais podem ser derivados da modernização ou
melhoria das centrais existentes.
METODOLOGIA DE ANÁLISE
A pesquisa é realizada a partir da análise de sinistros na construção e montagem de centrais hidrelétricas na
carteira da MAPFRE.
A principal fonte de informação para a análise das amostras é a ferramenta Century. A partir do dado de número
da apólice foi possível examinar os diferentes expedientes de sinistros nas obras correspondentes. De una análise
rigorosa dos relatórios de perícias disponíveis e comunicações registradas, foi possível determinar, na maioria
dos sinistros, uma série de campos definidos que permitem tirar conclusões nos sinistros das obras hidrelétricas.
A análise das características das obras e das centrais hidrelétricas foi realizada com base nas informações fornecidas
pelos segurados para a assinatura ou renovação das apólices, embora não seja frequente a disponibilidade da
documentação técnica detalhada.
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Foi possível retirar as informações relacionadas às apólices das obras assinadas da ferramenta Siglo ou através do
conteúdo dos relatórios periciais.
La información relativa a las pólizas de las obras suscritas se ha podido extraer de la herramienta Siglo o bien a
través del contenido de los informes periciales.
AMOSTRAS DAS OBRAS HIDRELÉTRICAS
Conforme foi citado no ponto anterior, a amostra das obras hidráulicas foi retirada da identificação de uma
série de obras dentro da carteira da MAPFRE. Cabe destacar a tentativa de aumentar a amostra a partir das
informações que poderiam ser retiradas do setor (por exemplo, resseguro, IMIA), embora não tenha sido possível
reunir detalhe técnico/econômico suficiente nos sinistros encontrados para poder incorporar ao presente estudo.
A amostra compreende 9 obras hidrelétricas localizadas principalmente na região latino-americana, com exceção
da obra em La Muela II localizada na Espanha (ver Tabela 1).
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Com base na análise da documentação de assinatura e das apólices, foram obtidos os seguintes dados:
Cabe destacar que dentro das amostras de obras analisadas existem diferenças com relação à contratação de
diferentes coberturas, destacando a contratação ou não da garantia ALOP (Muela II), de diferentes coberturas
para erros de projeto, materiais ou montagem (geralmente LEG 2), ou cobertura/exclusão da máquinas de obra.
AMOSTRA DE SINISTROS
A escolha das amostras corresponde aos seguintes critérios:
•Foi identificado um total de 59 sinistros relacionados a obras hidrelétricas, baseada em sinistros reunidos no
Century.
•O estudo dos sinistros foi limitado àqueles com aplicação de garantias em Danos Materiais e ALOP, não sendo
objeto da sua análise e incorporação às estatísticas aqueles sujeitos a garantias de Responsabilidade Civil.
Com base na análise individualizada dos sinistros, foi definida uma série de campos em uma tabela de Excel
baseados em listas predefinidas e que depois do seu preenchimento permitiu analisar os resultados estatísticos.
Os conceitos analisados pelos sinistros são classificados em três grupos de dados correspondentes que abrangem:
•Análise do sinistro: causa de origem, danos ou consequências, cenário e período de ocorrência.
•Avaliação/Tramitação do sinistro: valor reclamado, avaliação e dedutíveis aplicáveis.
•Dados de obra ou instalação.
Com o objetivo de obter conclusões relevantes, os valores considerados foram sempre os valores totais 100%,
tanto nos danos materiais como no lucro cessante, considerando, neste caso, tanto a perda econômica como os
dias parados.
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PRINCIPAIS CONCLUSÕES
CENTRAIS HIDRÁULICAS
•Tipo de central. Dentro da amostra analisada, são diferenciados três tipos de centrais hidráulicas: Fio d’água
(RoR), Reversível e Represa, com uma concentração significativa da soma segurada nestas últimas, com cerca
de 72%. Do mesmo modo, são as centrais tipo represa as que possuem uma maior potência total instalada,
embora a instalação de La Muela seja a que maior potência instalada tem, cerca de 850 MW.
•Distribuição por obra. De acordo com os dados de assinatura e com os orçamentos das obras, foram
observadas grandes diferenças nas suas magnitudes como o seguinte gráfico apresenta. Nele se destacam três
obras com orçamentos superiores a 500 milhões de euros em danos materiais, enquanto a central hidrelétrica
de Laja está abaixo dos 100 milhões de euros.
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SINISTROS
•Distribuição dos sinistros por obra. Observa-se um número elevado de sinistros na obra de Laja,
concentrando quase 32% dos danos da amostra. Este fato tem uma maior relevância considerando seu escasso
peso nos dados da soma segurada apresentados no ponto anterior.Também cabe destacar um número elevado
de sinistros em La Muela como consequência de um sinistro de cerca de 14 milhões de euros.
•Distribuição de sinistros por países. Com relação ao comportamento por análise geográfica, se levarmos
em consideração a soma segurada correspondente, destacam-se negativamente a Espanha com o sinistro de La
Muela, uma porcentagem elevada de danos no Chile, dado o maior número de obras analisadas, e o sinistro
de Laja.
•Distribuição por tipo de central. Dentro da amostra, diferenciam-se três tipos de centrais, com um
número elevado de sinistros mais notável nas centrais do tipo a fio d’água, principalmente devido a Laja e La
Confluencia. Em contrapartida, e apesar de concentrar um valor maior de soma segurada, as centrais do tipo
represa pressupõem somente 15% da soma dos danos totais.
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•Sinistros por etapa do projeto. Destaca-se o elevado dano médio provocado nas últimas etapas da obra
durante os testes e a implementação da central. Neste ponto, aconteceram dois sinistros de elevada quantia
na central de Laja e de La Muela.
Analisando mais detalhadamente o período da obra no qual acontecem os sinistros, são observados os seguintes valores.
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•Distribuição dos sinistros por valor. Observa-se que uma porcentagem relativamente pequena dos
sinistros, isto é, 5 (8%), afeta aproximadamente 80% dos totais dos danos. Do mesmo modo, destaca-se que
os dois sinistros mais importantes da amostra (em Laja e La Muella) pressupõem cerca de 44% da perda
combinada (DM+PB).
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•Retenção do segurado em função dos dedutíveis. Sobre a base de sinistros analisados se teria a seguinte
distribuição da divisão da carga de sinistros (danos materiais), dependendo da franquia.
•Causas dos sinistros. Com relação aos grupos de causas pode-se observar uma clara incidência das falhas
no Projeto/Material (44%), seguido de Operação/Execução (32%), tanto na frequência como nos valores,
conforme é mostrado no gráfico seguinte. Os sinistros como consequência de eventos naturais extraordinários
pressupõem cerca de 20% do total dos danos.
•Cenário de danos. Com relação às circunstâncias onde acontece o sinistro, foram encontrados os seguintes
dados relevantes. Em primeiro lugar, destaca-se a elevada frequência do cenário Circulação de Veículos pela
elevada quantidade de sinistros reclamados por danos nas máquinas na obra de La Confluencia (15 sinistros).
Como cenário mais provável e de maior ocorrência, é observada a perda do controle ou a falta de segurança,
em sua maioria, motivado pelo impacto dos dois sinistros mais importante da amostra e ocorridos em La
Muela e em Laja.
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•Elemento origem da falha. Destaca-se a relevância dos sinistros originados em túneis com um maior
valor médio de danos, próximo a 4 milhões de euros, seguido dos sinistros originados pelos equipamentos
eletromecânicos. Tirando a elevada frequência dos sinistros motivada por máquinas móveis, destaca-se uma
maior frequência em equipamentos eletromecânicos, avenidas e originados na construção (escavações, talude,
túneis).
•Consequências ou Elementos danificados. As consequências com maior valor médio e piores consequências
em termos de perda de lucro associado estão concentradas nas avarias de equipamentos eletromecânicos. No
entanto, grande porcentagem da soma dos danos materiais está concentrada principalmente em danos à
construção.
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Estudos
CONCLUSÕES FINAIS
Da análise dos sinistros podem ser tiradas as seguintes conclusões:
•A amostra analisada compreende um número reduzido de obras (9) e de sinistros (59), de diferente tipo
e magnitude, por isso cabe levar em consideração as limitações das estatísticas apresentadas.
•Cabe destacar diferenças com relação à contratação de diferentes coberturas ou de valores dedutíveis, o
que limita a informação disponível nos sinistros que aconteceram em cada obra.
•Confirma-se a relevância das etapas finais da obra durante os testes e implementação da central. Nestas
etapas, a central se encontra com a maior parte da soma segurada instalada e os equipamentos são
submetidos à pressão, temperatura ou energização.
•Acontecem mais sinistros nos equipamentos eletromecânicos, o que evidencia a importância de realizar
um controle rigoroso da qualidade no fornecimento de material de fábrica, bem como na etapa de
projeto.
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Relatório
O mercado
segurador
latino-americano:
avanço 2014
CONTEXTO MACROECONÔMICO [1]
Durante 2014, as economias da América Latina
e do Caribe continuaram com o processo de
desaceleração que teve início em 2011 e mostraram
um crescimento conjunto de 1,1%. Esse menor
dinamismo da região foi motivado pelo escasso
crescimento, e inclusive pela contração, de algumas
das maiores economias da região: Argentina (-0,2%),
Brasil (0,2%) e República Bolivariana da Venezuela
(-3,0%). Já o Panamá e a República Dominicana
foram as economias que mais cresceram (ambas 6%).
A perda de dinamismo do consumo privado também
contribuiu para esta menor expansão, influenciada
pela situação do mercado de trabalho, onde foram
produzidos um estancamento na criação de empregos
e uma diminuição do crescimento dos salários em
termos reais, devido a um aumento da inflação na
maioria dos países. Ao mencionado, somou-se a
desaceleração da formação bruta de capital fixo e,
em alguns países, a contração do setor da construção
e a queda generalizada do investimento em máquinas
e equipamentos.
Com respeito ao setor exterior, as exportações
líquidas ajudaram no crescimento como resultado
da expansão das exportações de bens e serviços. A
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GERENCIA DE RIESGOS Y SEGUROS
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Relatório
recuperação das exportações foi maior no México
e em alguns países da América Central, que se
beneficiaram da recuperação dos EUA, bem como
de uma melhoria do turismo. As importações de
bens e serviços sofreram um estancamento devido ao
menor dinamismo do consumo privado e à redução
da formação bruta de capital fixo.
A taxa de inflação regional se elevou a 9,4% contra
7,6% de 2013. Para este resultado contribuiu de
forma especial o importante aumento da taxa oficial
comunicada pelas autoridades da Argentina (21%) e
da República Bolivariana da Venezuela (68,5%).
Os países da região continuaram reforçando a
regulamentação e a supervisão do setor financeiro de
acordo com o novo contexto externo.Também foram
criadas políticas macroprudenciais com a finalidade
de estabilizar o mercado cambiário, destacando as
operações de câmbio efetuadas pelo Banco Central
do Brasil para atenuar a volatilidade do real sem
comprometer o uso de suas reservas.
Para 2015, a CEPAL prevê um crescimento de 1%
em toda a região. Como ocorreu em 2014, haverá
diferenças entre os países. Espera-se crescimento no
Panamá, na Nicarágua e na República Dominicana.
Esta previsão vem motivada porque se espera um
aumento da demanda interna e, particularmente, da
formação bruta de capital fixo em vários países da
América do Sul, motivada, fundamentalmente, por
programas de investimento em infraestrutura.
MERCADO SEGURADOR
Descontado o efeito da inflação, os maiores
crescimentos foram obtidos por Costa Rica, Uruguai
e Nicarágua. Todos os países tiveram crescimentos
nominais em moeda local e só o Equador registrou
uma diminuição de 1%. O Brasil, maior mercado
da região, obteve uma elevação real de 7%, com
aumentos significativos nos segmentos de Vida e de
Não Vida, corrigindo a diminuição em prêmios de
Vida do primeiro semestre.
A valorização do dólar americano com relação às
moedas locais influiu no menor crescimento do
volume de prêmios da região expresso nessa moeda,
que atingiu uma receita próxima aos 162 bilhões de
dólares, que supõe um aumento de 2,7% com relação
ao ano anterior. O Brasil continua sendo o líder
indiscutível da região com um volume de prêmios
que supera 70 bilhões de dólares. É seguido pelo
México e pela Venezuela. Este último país recupera a
terceira posição que ocupava em 2012, e que em
2013 a Argentina ocupou. A valorização do dólar
com relação ao peso argentino, chileno e colombiano
leva estes mercados a apresentarem diminuições nas
receitas por prêmios.
Já que alguns países não publicam as estatísticas por
setores do exercício de 2014, o Centro de Estudos
61
estima que o crescimento dos setores de Não Vida
estará perto de 4%, enquanto o seguro de Vida
obteria um aumento aproximado de 1%, graças
ao bom comportamento dos maiores mercados:
Brasil, México e Argentina. Os seguros de Vida
individuais e coletivos[2] crescem ligeiramente e
as aposentadorias mostram uma queda de prêmios
como consequência do menor dinamismo deste
segmento no México e do decréscimo das Rendas
vitalícias no Chile e do seguro de Aposentadoria na
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Relatório
Argentina. Com respeito a Não Vida, os principais
impulsionadores foram os seguros de Automóveis e
de Saúde.
O resultado líquido agregado do setor segurador
de 2014 foi de 13,517 bilhões de dólares, o que
constitui um crescimento de 9,3% com relação ao
do ano anterior. Este valor não inclui os resultados
da Bolívia, do Panamá e da República Dominicana,
que em 2013 representavam 1,1% dos lucros da
região, e que ainda não foram publicados. Como
no caso dos prêmios, a valorização do dólar com
relação à maioria das moedas locais influiu neste
resultado.
Observa-se muita disparidade entre os resultados
dos diferentes países, com variações que oscilam
entre um aumento de 73,3% na Colômbia e
uma diminuição de 18,6% no Uruguai. Se forem
observados os resultados em moeda local, só são
apreciadas quedas em El Salvador (-0,9), Honduras
(-5,3) e Uruguai (-7,3). O resultado do Brasil, 7,483
bilhões de dólares, representa 55% das receitas totais
do setor na América Latina.
62
En Colombia, el fuerte incremento estuvo motivado
por un mejor comportamiento de los seguros de
Vida y por los resultados de las inversiones del sector,
impulsados principalmente por un buen desempeño
en los títulos de renta fija, cuyos activos han estado
representados, en su mayoría, por bonos del Gobierno
colombiano. En Argentina y en Ecuador los
aumentos fueron consecuencia de los fuertes ingresos
financieros que obtuvieron. En Ecuador además, se
produjo una mejora de su ratio de siniestralidad, lo
que optimiza también su rentabilidad técnica.
[1] Fuente: CEPAL. Balance preliminar de las economías de América
Latina y El Caribe 2014.
[2] Incluye los seguros VGBL de Brasil
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O olho
no
Furacão
63
O furacão Odile se tornou, junto com o
Olívia (1967), o furacão mais devastador
dos que ingressaram no estado mexicano
de Baixa Califórnia do Sul. Seus efeitos
se estenderam, também, para outras
áreas da costa atlântica mexicana e o
sudoeste dos Estados Unidos. O Odile
chegou a terra em 14 de setembro de
2014 com a categoria 3 (escala SaffirSimpson). Houve seis falecidos e os
danos materiais foram estimados em 2,5
bilhões de dólares, sendo que contava-se
com seguros para aproximadamente a
metade (1,2). A infraestrutura hoteleira,
principal atividade econômica da região,
ficou seriamente afetada. A análise dos
danos registrados nestes estabelecimentos
nos permite tirar conclusões sobre a
importância da prevenção em relação ao
fenômeno do furacão no setor hoteleiro.
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A GEOGRAFIA
Para uma adequada compreensão dos danos e da
evolução deste evento, é conveniente conhecer a
configuração geográfica do estado da Baixa Califórnia
do Sul, que consiste em uma península alongada e
paralela à costa pacífica mexicana, que dá origem ao
Golfo da Califórnia (Mar de Cortés).Trata-se de uma
área com um muito baixo nível de pluviosidade, na
qual a atividade econômica principal está centrada
no turismo em sua modalidade de sol e praia, e, em
menor medida, na pesca e na agricultura.
O FENÔMENO
Como o resto dos furacões que acabam se
transformando em um fenômeno devastador, o Odile
teve sua origem em uma depressão tropical. Esta
depressão teve início ao sul do Pacífico mexicano e em
apenas quatro dias evoluiu para furacão de categoria
4, com ventos máximos sustentados de 215 km/h.
No dia 14 de setembro (9:45 pm, hora local) chega a
terra após diminuir levemente sua velocidade para 205
Km/h (categoria 3).
A previsão inicial do NHC1 estabelecia uma trajetória
para o furacão paralela à península da Baixa Califórnia mas
afastada dela, no entanto, repentinamente ocorreu uma
mudança de rumo que direcionou o olho do furacão para
a ponta da península, a denominada região de Los Cabos.
Esta situação propiciou que a implantação dos níveis de
alerta na região começasse a funcionar com certo atraso e
que muitos dos turistas não pudessem abandonar a região,
de maneira que os hotéis se converteram no refúgio
necessário para 30 mil turistas (26 mil estrangeiros), o que
supôs uma ocupação de 46% da capacidade hoteleira no
momento do contato com terra do furacão.
64
Trajetória prevista.
Trajetória real.
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Escala de huracanes de Saffir-Simpsom
Depressão
tropical
Tormenta
tropical
Velocidade do vento
Maré
Pressão central
0-62 km/h
0m
>980 mbar
Nível de danos
Chuvas que podem chegar a causar graves danos e inclusive inundações.
Velocidade do vento
Maré
Pressão central
63–117 km/h
0–3 m
>980 mbar
Chuvas abundantes que podem provocar inundações devastadoras. Ventos
fortes que podem gerar tornados.
Danos potenciais
Quando a intensidade de um ciclone tropical supera a classificação de tormenta tropical, torna-se um furacão. As
cinco categorias de intensidade, em ordem crescente, são:
Velocidade do vento
Maré
Categoría 1 Pressão central
Nível de danos
Velocidade do vento
Maré
Categoría 2 Pressão central
Danos potenciais
Categoría 3
Velocidade do vento
Maré
Pressão central
Danos potenciais
Velocidade do vento
Maré
Categoría 4 Pressão central
Danos potenciais
Velocidade do vento
Maré
Categoría 5 Pressão central
Danos potenciais
65
119–153 km/h
1,2–1,5 m
980–994 mbar
Sem danos nas estruturas dos edifícios. Danos basicamente em casas
flutuantes não amarradas, arbustos e árvores. Inundações em zonas costeiras e
danos de pouco alcance em portos.
154–177 km/h
1,8–2,4 m
965–979 mbar
Danos em telhados, portas e janelas. Importantes danos na vegetação, casas
móveis, etc. Inundações em portos, bem como estrago de pequenas amarrações.
178–209 km/h
2,7–3,7 m
945–964 mbar
Danos estruturais em edifícios pequenos. Destruição de casas-móveis. As
inundações destroem edificações pequenas em zonas costeiras e objetos à
deriva podem causar danos em edifícios maiores. Possibilidade de inundações
terra adentro.
210–249 km/h
4,0–5,5 m
920–944 mbar
Danos generalizados em estruturas protetoras, desabamento de telhados
em edifícios pequenos. Alta erosão de areamentos e praias. Inundações em
terrenos interiores.
≥250 km/h
≥5,5 m
<920 mbar
Destruição de telhados, completa em alguns edifícios. As inundações podem
chegar aos térreos dos edifícios próximos do litoral. Pode ser requerida a
evacuação em massa das áreas residenciais.
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OS DANOS
O furacão causou danos nos municípios mais
importantes da região (San José del Cabo e Cabo
San Lucas). O impacto da tormenta deixou sem
eletricidade 92% da população do estado (239
mil pessoas), além de afetar significativamente o
abastecimento de água e as telecomunicações. O
número de moradias afetadas foi de aproximadamente
25 mil. Também houve danos nas infraestruturas
urbanas, nas estradas e nos aeroportos de San José e
Cabo San Lucas. A inatividade destes últimos, junto
com o mau estado das estradas, supôs uma importante
desvantagem na hora do envio de ajuda urgente à
região devastada.
Além de seis vidas humanas, houve danos diretos e
indiretos estimados em 2,5 bilhões de dólares, dos
quais somente a metade (1,2) se encontrava segurada.
Além dos danos ocasionados pelo Odile, devem ser
considerados os episódios de furtos e vandalismo que
ocorreram nas primeiras horas após o furacão, antes
da chegada do exército à região e da declaração da
lei marcial.
MAPFRE
A Companhia Mapfre, com importantes interesses segurados na região, colocou em funcionamento
desde o primeiro momento um Gabinete de Crise que desenvolveu um Plano de Ação e o envio de
pessoal técnico à área afetada. Tudo isso possibilitou, mediante contatos com as diferentes administrações
mexicanas, o envio, na fase mais delicada depois da passagem do furacão, dos diferentes reguladores de
seguros até a área do sinistro, de maneira que pudessem iniciar seus trabalhos o quanto antes. Também foi
possível estabelecer contato estreito com os segurados, dando a eles uma mensagem de confiança e apoio
para a melhor resolução da situação.
INFRAESTRUTURA HOTELEIRA
A costa de Los Cabos conta com um grande número
de hotéis pertencentes a redes internacionais, que
representam boa parte da atividade econômica do
estado da Baixa Califórnia do Sul. A localização deste
tipo de hotéis na primeira linha de praia, propicia
que eles sejam as primeiras edificações afetadas pelos
furacões ao tocar a terra, o que coincide com o
momento em que eles concentram o maior potencial
destrutivo, e que posteriormente diminui de forma
progressiva.
As perdas materiais na infraestrutura hoteleira
estiveram concentradas, como é comum, nos danos
provocados pela força do vento: ruptura de aberturas
e coberturas, destruição de áreas exteriores, jardins
e praia, e danos provocados pela água (inundação,
66
umidade) em instalações técnicas, mobília e elementos
decorativos, roupa de cama, mesa e banho, e muito
mais.
Perdas em roupa de cama, mesa e banho, e mobília.
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A interrupção da atividade e a conseguinte Perda
de Benefícios aproximou-se de 100% na atividade
hoteleira de Los Cabos durante as primeiras semanas
após da passagem do Odile. Um mês depois, os
primeiros hotéis começaram a abrir suas portas de
novo, ao mesmo tempo em que aeroportos, estradas
e o suprimento elétrico começavam a restabelecer
certo grau de normalidade. No entanto, a recuperação
da atividade para os níveis anteriores ao furacão se
prolongou durante vários outros meses.
Daños en el interior de una habitación.
LIÇÕES APRENDIDAS
Aspectos construtivos
Salvo exceções, os ciclones tropicais não costumam danificar significativamente a estrutura das edificações,
entendida como o esqueleto da construção, no entanto, as aberturas e coberturas podem ser afetadas de maneira
importante em função do tipo de material empregado. A passagem do furacão demonstrou que os materiais
sólidos (concreto, tijolo) apresentam um comportamento aceitável, muito diferente ao dos materiais leves, tais
como as placas de fibra de silicato, material denominado «tablaroca» na terminologia local. Este material é
empregado de maneira comum na construção de interiores e em algumas fachadas nos edifícios hoteleiros da
região de Los Cabos.
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Placas de tablaroca afetadas em fachada.
Tetos de áreas abertas.
Um dos problemas mais repetidos nos edifícios
hoteleiros, foi devido à ruptura das janelas já que,
mesmo quandoas aberturas exteriores contam com
uma adequada solidez, uma vez que é superado o
nível de resistência das janelas, a força do vento e
da água provocam danos generalizados nos quartos,
incluindo paredes interiores quando estas estão
realizadas com materiais leves.
Quarto afetado.
As persianas com proteção contra ciclones
constituem uma barreira eficaz para a limitação
de danos em interiores, tal como se demonstrou
nos casos analisados e demonstrou a importância
de dispor deste tipo de meios. Em outros casos, a
proteção de janelas foi realizada com tábuas de
madeira, que embora tenha sido efetivas em muitos
casos, não garantiram um nível de eficácia elevado
nas áreas diretamente mais expostas à força do vento.
Esta persiana contra ciclones impediu a ruptura da janela do recinto.
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As fortes rajadas de vento (em torno de 200 km/h) conseguiram arrancar em muitos casos as telhas das coberturas
e convertê-las em projéteis que impactaram contra as fachadas e outras coberturas próximas, nas quais ocorreram
a ruptura da camada impermeabilizante e os posteriores danos por entrada de água. O uso de falsas telhas
construídas com placas de concreto limitou significativamente os danos por este motivo nos edifícios analisados,
já que seu maior peso e sua maior resistência evitaram que fossem levantadas pelo vento.
Telhas tradicionais levantadas pela força do vento.
Falsas telhas (de concreto) sem danos.
ASPECTOS DE ORGANIZAÇÃO HUMANA
Os Planos de Emergência constituem um elemento de primeira ordem na hora de limitar os danos pessoais e
materiais nos hotéis. No caso do furacão Odile, apesar da escassa margem disponível devido à imprevista mudança do
trajeto do furacão, os estabelecimentos hoteleiros começaram a agir da forma prevista para este tipo de eventos com um
resultado, em geral, satisfatório, que permitiu o alojamento em condições seguras de 30 mil hóspedes. Em muitos casos
foi realizado o confinamento dos turistas em recintos comuns do hotel e em outros casos, nas áreas menos expostas,
permitiu-se a estadia em quartos.Além da coordenação da segurança dos hóspedes, na fase anterior à chegada do furacão,
foram iniciadas as ações preventivas, tais como:
•Proteção de janelas (tábuas de madeira, persianas com proteção contra ciclones).
•Programa de paralisação de certas instalações técnicas.
•Ancoragem de equipamentos e estruturas ao ar livre.
•Deslocamento de equipamentos ou partes de instalações para áreas protegidas.
•Proteção de áreas inundáveis.
•Preparação de grupos eletrogêneos e provisão de combustível.
•Cópias de segurança (registros, software, etc.).
Área inundada.
69
Estação dessalinizadora de hotel afetada pela entrada de água salgada e areia.
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Um aspecto, não menos importante, da organização
humana diante deste tipo de evento catastrófico é
constituído pelo Plano de Contingência ou de
continuidade de negócio. A rapidez e a eficácia
com a qual forem realizadas as primeiras ações pode
envolver uma diferença muito importante, às vezes
crítica, para o retorno à normalidade e a limitação
da perda de benefícios por interrupção da atividade.
Deve-se levar em conta a peculiar situação que ocorre
depois de um sinistro destas características, com
envolvimento total em uma área determinada, onde
as comunicações de todo tipo são interrompidas ou
muito afetadas e onde a possibilidade de obtenção de
materiais e pessoal qualificado para a reconstrução
apresenta graves dificuldades, devido à enorme
demanda e à escassez de recursos.
Um aspecto importante a ser considerado dentro do
plano de contingência, é o relativo à implicação do
pessoal próprio do hotel nas tarefas de restituição e
limpeza das instalações. Para isso, deve-se levar em
conta a possível incompatibilidade de trabalho que a
legislação de cada país possa estabelecer para exercer
estas tarefas.
Pessoal de um hotel realizando trabalhos de limpeza de mobília.
Por outro lado, a fim de facilitar o trabalho dos reguladores, ha evidências de que seria muito proveitoso
incorporar, dentro do conteúdo do plano de contingência, informações atualizadas com a descrição detalhada
dos bens segurados.
CONCLUSÕES
Da análise dos danos ocasionados na infraestrutura hoteleira depois da passagem do furacão Odile, surgem
linhas comuns para o conjunto dos estabelecimentos, que ratificam a eficácia das já conhecidas medidas
preventivas mais importantes diante deste tipo de fenômenos. Elas são baseadas fundamentalmente em
adequadas condições construtivas correspondentes ao tipologia de risco catastrófico previsível na região, e
em uma organização humana eficaz, que permita atuar sem improvisações, tanto na fase de preparação
diante do evento, como na fase posterior de normalização da atividade.
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