O viaduto de Millau bate todos os recordes

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O viaduto de Millau bate todos os recordes
O viaduto de Millau bate todos os
recordes
No dia 14 de Dezembro de 2004 foi inaugurado o viaduto de Milliau, no sul de
França. Esta obra faraónica ultrapassa todos os superlativos. E muito
justamente. Trata-se da ponte multi-cabos mais alta do mundo e foi montada
em tempo recorde.
A sua função é facilitar substancialmente o tráfego do vale do Reno e acabar
com as filas intermináveis que todos os anos irritavam as dezenas de milhares
de pessoas que partiam ao sul de férias.
O viaduto de Milliau é uma construção de uma beleza e de uma elegância excepcionais, que deve as suas
qualidades técnicas ao aço de primeira qualidade fornecido pela Arcelor.
As negociações que conduziram à construção desta obra de arte notável levaram mais tempo do que os
trabalhos propriamente ditos. Os primeiros estudos preparatórios datam já de 1987, mas foi preciso esperar
até 1996 para obter consenso na abordagem técnica e arquitectónica do projecto.
Depois disso, o governo Francês ainda acrescentou dois anos para decidir concessionar a ponte. Em 2001,
os responsáveis optaram por um tipo de construção em aço e, a partir de então, todo foi feito muito
rapidamente.
Controlo do espaço
A construção do viaduto de Milliau levou apenas 38 meses. Pouco tempo,
dadas as dimensões impressionantes da obra. O tabuleiro tem 2.460 metros de
comprimento, 32 metros de largura e 4,2 metros de espessura.
A ponte assenta em 7 pilares, sendo o sétimo pilar o mais curto, mas ainda
assim com 77 metros de altura. O pilar mais alto é o segundo, com 244,8
metros. Os travamentos entre pilares são suspensos com dois tirantes. Estes
tirantes são fixos por séries de 22 aos mastros, que se apoiam nos outros pilares.
Cada mastro ultrapassa o tabuleiro em 87 metros. Por outras palavras, o pilar mais alto e o seu respectivo
mastro perfazem 340 metros, ou seja, mais 19 metros que a Torre Eiffel.
O tabuleiro passa pelo vale do rio Tarn a 270 metros de altura do solo. Só o tabuleiro da Ponte Gorge no
Colorado (EUA) consegue ser ainda mais alta, mas é um outro tipo de ponte, sem mastros. Em termos de
altura total, a ponte americana em questão deve fazer uma vénia perante a sua concorrente francesa.
O viaduto de Millau tem um peso total de 242.000 toneladas, o que é muito
pouco no dizer dos especialistas. É a utilização do aço que lhe permitiu tal
leveza.
No decurso dos três anos, a Arcelor Flat Carbon Steel Commercial forneceu
7.000 toneladas de aço laminado a quente à Profilafroid, que fabricou 173
elementos da ponte, os quais constituem a espinha dorsal do viaduto. O
comprimento desses elementos varia entre os 16 e os 24 metros, mas a sua maior parte estão entre os 23
a 24 metros.
Estes elementos da ponte em aço foram montados no sítio da obra mesmo antes de ser elevados nos
pilares a partir das duas margens do Tarn, a uma velocidade de 8 metros por hora. Esta operação foi
efectuada com uma precisão máxima, controlada em permanência por meio de satélites GPS. Foi a 28 de
Maio de 2004, exactamente s 14h12, que se uniram as duas margens.
As vantagens do aço
A estrutura metálica da ponte pesa 36.000 toneladas. Para além do aço
laminado a quente, a Arcelor também forneceu outros volumes importantes de
chapa e de perfis para a construção da ponte. O viaduto de Millau ilustra
perfeitamente as múltiplas capacidades e possibilidades da construção em aço.
A maior parte dos elementos em aço foram soldadas, montadas e pintadas
integralmente no solo e, em muitos casos, em oficinas. Trata-se de uma maisvalia no que respeita a qualidade, mas também quanto à segurança. E, sendo um produto chave-na-mão,
representa uma redução de custos.
O aço é um material altamente reciclável. As construções em aço são
relativamente leves - pesam cerca de duas vezes menos que uma construção
em betão - e necessitam de menor número de camiões, por consequência,
menos combustível e menos poluição atmosférica.
Outro aspecto favorável foi conseguir fundações menos pesadas e reduzir o
número de mastros e de cabos para suportar o conjunto, o que tem uma
incidência positiva na factura final.
Deve-se ao Engenheiro Francês Michel Virgoleux a ideia de abraçar o vale do Tarn
com uma ponte multi-cabos.
Com a ajuda do arquitecto britânico Lord Norman Foster, que tem reputação
internacional com obras como o Reichstag de Berlim, a ponte Millennium em Londres
e o Aeroporto Check Lap Kok International em Hong-Kong. Com todas elas, assinou
uma obra admirável, que respeita o homem e a natureza.
Trata-se de um belo exemplo de uma solução durável para o problema de mobilidade,
onde a economia e a ecologia são dois imperativos de primeira ordem dificilmente
conciliáveis. É, por conseguinte, lógico que o aço tenha contribuído para um resultado óptimo.
Texto: Revista Arcelor FCS Commercial / Janeiro de 2005
Arquitecto: Lord Norman Foster
Fotografias: Daniel Jamme
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