vulva`s morphia [a morfina da vulva]

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vulva`s morphia [a morfina da vulva]
 Ano 2 | Nº 12 | Out 2014
ISSN 2316-8102
VULVA’S MORPHIA [A MORFINA DA VULVA],
1992-1997
por Carolee Schneemann
Carolee Schneemann, Vulva’s Morphia [A Morfina da Vulva], 1992. Grade de fotos suspensa: 35
impressões a laser coloridas sobre papel pintadas a mão, montada em tábua, cada uma 28 X 21,5
cm, tiras de texto, 147 X 5 cm. Quatro ventiladores elétricos pequenos instalados nos cantos.
Instalação de parede total 152 X 244 cm. Cortesia de Carolee Schneemann
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Durante muitos anos, pesquisei representações do poder da sexualidade
genital encontradas em culturas nominalmente excluídas da istória [1] da arte
ocidental. Em meados da década de 1990, desenvolvi um ensaio sobre
sexualidade feminina para o boletim Lusitânia. Eu tinha acumulado resmas e
resmas de anotações: mutilação genital feminina, o papa reclamando do
feminismo e da bruxaria, deformações lacanianas da sexualidade feminina,
castigos a adolescentes grávidas em escolas de ensino médio, pesquisas atuais
distorcidas a respeito de orgasmo feminino. Fazia semanas que eu batalhava para
compor e editar o material. Uma noite tive um sonho com uma voz instrutora que
afirmou: “Você nunca vai ser uma artista de volta ao estúdio, trabalhando com as
mãos, enquanto estiver com esta enorme pilha bagunçada de anotações espalhada
pelo chão. POR QUE NÃO DEIXA A VULVA FALAR?”
*
Vulva’s School [A Escola da Vulva], 1993 – 1996
por Carolee Schneemann
Vulva vai à escola e descobre que não existe...
Vulva vai à igreja e descobre que é obscena... (citação de Santo
Agostinho)
Vulva decifra Lacan e Baudrillard e descobre que não passa de um signo,
uma significação do vazio, da ausência, daquilo que não é masculino... (dão a ela
uma caneta, para que possa fazer anotações...)
Vulva lê biologia e compreende que é um amálgama de proteínas e
hormônios oxicitocina que governam todos os seus desejos...
Vulva estuda Freud e percebe que vai precisar transferir seu orgasmo
clitoridiano para a vagina...
Vulva lê Masters e Johnson e compreende que seus orgasmos vaginais não
foram medidos por qualquer instrumentalidade e que ela só deveria experimentar
orgasmos clitoridianos...
Vulva decodifica a semiótica construtivista feminista e percebe que não
tem nenhum sentimento autêntico; até suas sensações eróticas são construídas por
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projeções patriarcais, imposições e condicionamento...
Vulva lê Off Our Backs e examina o tribalismo; então ela anseia pelo
arranhar da barba por fazer de dois dias do outro gênero sexual, as mãos grandes e
o pau insistente dele...
Vulva interpreta textos feministas essencialistas e pinta o rosto com seu
sangue menstrual, uivando quando a lua está cheia...
Vulva fica pelada, enche a boca e a boceta com pincéis de pintura e entra
no Cedar Bar à meia-noite para assustar o fantasma de De Kooning, Pollock,
Kline...
Vulva lê Gramsci e Marx para examinar os privilégios de suas condições
culturais...
Vulva reconhece seus símbolos e nomes em pichações embaixo de
viadutos de ferrovia: racha, preciosa, pastel de pelo, perereca, felpuda, periquita,
boca de baixo...
Vulva aprende analisar política perguntando: “Será que isto é bom para
Vulva?”
Carolee Schneemann, Vulva’s Morphia [A Morfina da Vulva], 1997. Palestra performática,
“Boudoir-in-exile”. New Museum of Contemporary Art, Nova York. Fotografia de Barbara
Yoshida. Cortesia de Carolee Schneemann
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Vulva's Bestiary [Bestiário da Vulva]
Cada amante foi uma manifestação psíquica de geografias secretas, de
geomancias anuviadas no tempo. Cada pênis, um barco em que Vulva entrou. A
pequena silhueta nas marés de seu barco oscila na direção da linha do horizonte
(perspectiva que vai diminuindo) ter um pênis é ser castrado do corpo da mãe
estar separado de seus poderes de replicação oval e recipiente ovoide canal que
empurra e pulsa paciência do óvulo para ser expulso paciência da abertura para
tragar os espermatozoides agitados ser homem é ser deixado de fora das
duplicações da fonte feminina para se aventurar a ousar a avançar no corpo como
uma enfiada fálica fálico define um órgão exposto vulnerável forte e outro não
feminino não gerador sustentável não a matriz complexa – fertilização gravidez
parto – de seus orgasmos variados
As guerras na Bósnia e em Ruanda lembraram ao mundo de como as mulheres e
sua família são vulneráveis e “demonstraram que o desrespeito deliberado aos
direitos humanos das mulheres é um componente central da estratégia militar em
todas as partes do mundo”, diz o relatório.
— Edith M. Ledere, “Amnesty International Sees Denial of Women’s Human
Rights” [Anistia Internacional vê direitos humanos das mulheres negados],
Philadelphia Inquirer, 7 de março de 1995
...ser homem é ser moldado por Vulva em desejo que tem medo da separação e de
volta Vulva recebe com êxtase o corpo dele e o corpo de conhecimento dele:
descrições obsessões anatomizações fantasias e projeções o quão estupefata? o
quão consensual? descrente? ou fisicamente emaranhada no abraço das confusões
dele? ... desejo inconsciente de heroicizar ... dilacerada...
Mulheres não têm permissão para trabalhar nem para sair em público sem um
parente homem; mulheres profissionais como professoras, tradutoras, médicas,
advogadas, artistas e escritoras foram forçadas a abandonar o emprego e
enfiadas em casa.
— “Women in Afghanistan” [As mulheres no Afeganistão], Email Extract, 8 de
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outubro de 1999
Seu mono-órgão heroico afirma filiação à irmandade de todos os outros pênis que
fogem de sua fonte maternal. Competições, confrontos por primazia valorizam
forças além da dobra dela / do corpo dela / da adoração a ela; da negação dela / da
denigração dela / da força dela... cada homem reconhece outros homens como “de
mulher” e “não mulher”...
Ele disse a ela: “Desde que a minha filha nasceu, sou completamente contra o
aborto... a não ser no caso de estupro”. Vulva contestou: “Mas e a minha
situação? Se eu tivesse que levar a cabo aquelas gravidezes, nunca teria
completado o meu trabalho”. Ele exclamou: “MAS VOCÊ PODIA TER TIDO
UMA ARTISTA!”
Se as tradições do patriarcado dividem o feminino em degradado / glamorizado,
limpo / ensanguentado, madona / vagabunda... corpo fraturado, como Vulva
poderia entrar no domínio masculino a não ser com superdeterminação ou
“neutralizada” ou neutra – como “castrada”?
Durante os julgamentos depravados de bruxaria entre os séculos doze e
dezessete, mulheres acusadas de bruxaria eram examinadas em suas “partes
privadas” em busca de qualquer protuberância ou “teta”; sua descoberta era a
prova de que ela alimentava um familiar desta excrescência, e era, portanto,
condenada ao enforcamento.
— Lauran Paine, Sex in Witchcraft [O sexo na bruxaria] (Nova York, Taplinger,
1972)
Se o corpo dela foi rasgado de suas percepções, de seu desejo criativo, de seu
centro gerador erótico, como poderia Vulva analisar as deformações
pseudoculturais que a rodeiam?
A palavra que a Bíblia, com desgosto evidente, traduz como “bosque”, na
verdade não era bosque coisa nenhuma, mas uma Asherah: a árvore estilizada de
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vários galhos que simboliza a Grande Deusa de Canaã. Entre os títulos cananeus
de Asherah estão “A Dama que Atravessa o Mar” e “Aquela que Dá à Luz os
Deuses”.
— Barbara Walker, The Woman’s Dictionary of Symbols and Sacred Objects [O
dicionário da mulher de símbolos e objetos sagrados] (Nova York: Harper
Collins, 1988)
A projeção deforma a percepção do corpo feminino. Tão bizarro quanto foi
consagrado em mitos de criação ocidental como o de Atena que surge da cabeça
de Zeus; tão usurpador do Direito Materno quanto o nascimento de Dionísio da
coxa do pai; tão distorcido do ponto de vista biológico quanto o Senhor Jesus
nascer do corpo de uma mãe virgem. A violência política e pessoal contra a
mulher está entremeada por trás / no âmbito dessa desfeminilização surpreendente
da história. Para muitos de nós, as camadas de censura implícitas e explícitas que
constroem a nossa história social se combinam com contradições contemporâneas
para forçar a nossa radicalização.
Cidade do Vaticano – O papa João Paulo acautelou os bispos norte-americanos
ontem, dizendo que o cristianismo corre o risco de ser minado por feministas
radicais – incluindo freiras – que levaram alguns católicos à adoração da
natureza e a rituais pagãos. Ele acautelou especificamente contra algumas freiras
católicas que realizam esses rituais, que costumam homenagear a deusa terra.
— New York Post, 1993
Invocação eflorescência olho atento mão da boceta caverna central comando
central posto de comando as roçadas são penas e crina de cavalo seus afagos
fluem por cima da pedra – pássaros, genitália, bisão, cavalo cinza pederneira,
pigmentos crus – ocre, siena, azul – e sangue menstrual ela inscreve seus ciclos e
estações em pedras, ossos, pressionando a palma da mão e o pé na argila.
Em uma execução do século dezessete, catorze gatos foram fechados em uma
jaula com uma mulher que foi assada em fogo baixo enquanto os gatos,
miseráveis e apavorados, arranhavam-na em suas próprias agonias de morte.
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— Carl Van Vechten, The Tiger in the House [O tigre em casa] (Nova York,
Knopf, 1936)
Vulva encontra a receita que está procurando — uma prescrição medieval para
acalmar o desejo incontrolável da boceta de transar.
No século dezessete, entrou em voga conectar o útero acometido com “amor”
insatisfeito. Enemas eram um tratamento específico nesses casos. Quando usados
para purgar, eles nulificavam humores corruptos e irrigavam o interior do corpo.
Aplicados pela vagina para esfriar e umedecer o útero quente, os enemas
continham ervas “de refrigeração” como endívia, banana-da-terra ou papoula.
Fica claro, então, que o aparato do enema estava associado ao sistema de
geração feminino desde o início dos tempos, e isso é responsável pelo elemento
de erotismo inconfundível que acompanha as associações excrementícias dos
enemas em cenas com o procedimento.
— Laurinda S. Dixon, “Some Penetrating Insights” [Algumas reflexões sobre
penetração], College Art Journal (outono de 1993)
De acordo com uma acadêmica que escreveu sobre a questão em um texto
dedicado à escatologia, a confluência do canal vaginal com o canal anal é
atordoante. Um enema força líquido ou gás para dentro do reto ou cólon. Uma
ducha usa líquido para enxaguar a vagina.
Houston, Texas – Petição de Reintegração: De acordo com as novas diretrizes,
qualquer uma das três meninas grávidas – que não animaram nem lideraram a
torcida em quase um mês e meio – terá permissão para entrar com petição de
reintegração ao grupo de animadoras de torcida. Junto com a petição, devem
incluir um atestado médico de sua capacidade física para a participação.
— New York Times, 3 de novembro de 1993
Se o pênis é um objeto ansioso, a vagina se transforma em espaço suprimido de
suas projeções hostis ou invejosas. Essas projeções são defensivas de modo que a
genitália feminina é desprovida de mobilidade, força muscular, lubrificação, força
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e pulsação. O clitóris é desprovido de delicadeza, sensibilidade superficial,
sutileza – a variação de suas reações, prazer e drama orgástico é desviada, negada.
Estima-se que 100 milhões de meninas e mulheres pelo mundo passaram por
mutilação genital feminina (MGF). A MGF assume formas diferentes em países
diferentes: corte da cobertura do clitóris (circuncisão), remoção do clitóris todo
(excisão) ou, em sua forma mais extrema, remoção de toda a genitália externa e a
costura dos dois lados da vulva, deixando apenas uma abertura vaginal muito
pequena (infibulação).
— Women’s Action Newletter [Boletim da Ação Feminina], novembro de 1993)
A variação transformativa da genitália feminina perturba a intenção mecanicista e
as homologias racionalizadas. Vulva relaciona isso a uma tradição artísticohistórica ocidental de perspectiva diminuída, as extensões de profundidade de
campo até o ponto em que desaparece – o “Círculo da Confusão” – Será este
alcance pictórico referente ao estado suprimido da abertura? Entrada do útero?
Porque aquilo que está dentro de você é o que lhe é externo, e aquele que formou
o lado externo é aquele que delineou o seu lado interno.
— Nag Hamadi, Thunder, Perfect Mind [Trovão, mente perfeita]
Vulva reflete sobre o “espaço negativo”: se pau é uma coisa e boceta, um lugar.
Como pintora, Vulva nunca aceitou o conceito de “espaço negativo” como algo
além de uma construção por meio da qual enfatizar “coisas” em primeiro-plano
(...) como se o espaço começasse e parasse de acordo com conceito ou vontade,
em vez de tatilidade, luz, caos, uma gestalt sempre em modificação. A
convolução estética perceptiva do “espaço negativo” corresponde a ilusões
sexuais masculinas: o conceito de vagina como “vazio”, como “buraco”. (Vagina:
músculo estriado ativo firme e apertado, um canal úmido de qualidades
paradoxais – sutis e não homólogas à medida fálica: clitóris não é pênis em
miniatura, e vagina não é buraco para pau.) A diferença entre COISA e LUGAR.
O conceito de espaço “negativo” era contraditório para Vulva a pintora, assim
como a ideia de vagina como “buraco” ou uma “ausência” era para ela enquanto
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mulher.
Cunt (boceta): Derivativo da Grande Deusa Oriental como Cunti, ou Kunda, a
Yoni do Universo. Da mesma raiz veio país kreinkunt, kin (parente) e kind
(bondoso; do inglês antigo cyn, do gótico kuni). Formas relacionadas eram o
latim cunnos, o inglês medieval cunte, o nórdico antigo e frísio kunta, o basco
cuna. Outros cognatos são “cunabula”, um berço que balança, ou a primeira
morada (maja, asuinpaikle); “Cunina”, uma deusa romana que protegia as
crianças no berço; “cunctipotent”, karklerviopa toda-poderosa (quer dizer,
possuidora da magia da boceta): “cunicle”, um buraco ou passagem.
— Barbara Walker, The Woman’s Encyclopedia of Symbols and Secrets [A
enciclopédia da mulher de símbolos e segredos] (Nova York: Harper and Row,
1983)
Choque quando críticos veem as primeiras colagens de vidro e pele: um
comentário comum: “Estas são perigosas, castradoras”. Mas essas obras exploram
reflexão, refração, transposição, espelhamento – você verá a si mesma nos
estilhaços e também no espaço a seu redor.
O doutor Burt, que já foi um médico bem conceituado, considerado meramente
excêntrico, deu início à cirurgia especial em 1966. Ao explicar sua filosofia em
seu livro de 1975, Surgery of Love [Cirurgia do amor], o doutor Burt escreveu:
“As mulheres são estruturalmente inadequadas para o ato sexual. Esta é uma
condição patológica, sujeita a cirurgia”. A cirurgia costumava incluir a remoção
da cobertura do clitóris da paciente, o reposicionamento da vagina, o
deslocamento da uretra e a alteração das paredes entre o reto e a vagina. A
intenção era, o médico escreveu, redesenhar a vagina para aumentar a resposta
sexual. Em vez disso, a cirurgia causava disfunção sexual, cicatrizes extensas,
infecções crônicas do rim, da bexiga e da vagina, e a necessidade de cirurgia
corretiva em muitas pacientes, de acordo com o conselho de medicina do Ohio.
— New York Times, 11 de dezembro de 1988
Um desejo feminino puro não despertado, não descoberto e possuído por sua
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particularidade sexual se torna ameaçador e repelente.
A tortura de animais, especialmente gatos, era uma diversão comum por toda a
Europa no início da era moderna. Para se proteger da bruxaria dos gatos, existia
um remédio clássico: aleijá-lo. Cortar o rabo, aparar as orelhas, esmagar uma
das pernas, cortar ou queimar o pelo, e assim você quebraria seu poder
malevolente.
— Robert Darton, The Great Cat Massacre and Other Episodes in French
Cultural History [O grande massacre de gatos e outros episódios na história
cultural francesa] (Nova York: Basic Books, 1984)
Tem a ver com a ausência de conceito de espaço vúlvico, a fratura simbólica do
corpo feminino. Eu parti do princípio de que entalhes e esculturas arcaicas de
formas de serpente eram atributos da deusa criada por mulheres artistas,
adoradoras e análogas ao nosso próprio conhecimento físico e sexual.
De acordo com um estudo recente da Organização Mundial da Saúde, sabe-se
que 58 mulheres morrem por dia neste continente devido às consequências de
tentativa de colocar fim à gravidez com o uso de “curas” caseiras ou clínicas
clandestinas não seguras. Muitos especialistas em saúde pública, no entanto,
dizem que esse número provavelmente representa a ponta infinitesimal do
iceberg.
Você sabia que alguns Pergaminhos do Mar Morto foram contrabandeados do
Iraque na vagina de uma secretária, no avião que levava pergaminhos de Vulva da
caverna a salvo na cabine do avião (Fúria: Vulva alada abraçando serpente)?
Você rasteja igual a um passarinho e se arrasta agora igual a um inseto
— Canção africana cantada depois da clitorectomia de meninas pequenas
Vulva’s Morphia (Morfina da Vulva), 1992-1997. Grade de fotos suspensa: 35
impressões a laser coloridas sobre papel pintadas a mão, montada em tábua, cada
uma 28 X 21,5 cm, tiras de texto, 147 X 5 cm. Quatro ventiladores elétricos
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pequenos, instalados nos cantos. Instalação de parede total 152 X 244 cm
Exposições
Centre Georges Pompidou, Paris, “Féminin/Masculin: le sexe de l’art” [Feminino
/ Masculino: o sexo da arte; 1995].
Elga Wimmer Gallery, Nova York, “Women on the Verge (Fluxus or Not)”
[Mulheres no limite (Fluxus ou não); 1995].
Trodheim Kunstmuseum, Trondheim, Noruega, “Sexuality, Love, Gender”
[Sexualidade, amor, gênero; 2000].
Arken Museum for Moderne Kunst, Skovvej, Dinamarca (2000-2001).
Nota
[1] Carolee Schneemann usa istory (istória) para evitar o pronome possessivo
masculino his incorporado na palavra history (história).
Tradução de Ana Ban
Revisão de Marcio Honorio de Godoy
© 2014 eRevista Performatus e o autor
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