Panorama dos pré Panorama dos pré-socráticos

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Panorama dos pré Panorama dos pré-socráticos
Panorama dos prépré-socráticos ao helenismo
Heidi Strecker*
A filosofia é um saber específico e tem uma história que já dura mais de 2.500 anos. A
filosofia nasceu na Grécia antiga - costumamos dizer - com os primeiros filósofos,
chamados pré-socráticos. Mas a filosofia não é compreendida hoje apenas como um saber
específico, mas também como uma atitude em relação ao conhecimento, o que faz com que
seus temas, seus conceitos e suas descobertas sejam constantemente retomados.
A história da filosofia coloca em perspectiva o conhecimento filosófico e apresenta textos e
autores que fundamentam nosso conhecimento até hoje.
A história da filosofia na Antigüidade pode ser dividida em três grandes períodos: o período
pré-socrático, a Grécia clássica e a época helenística.
PréPré-socráticos
Os filósofos que viveram antes da época de Sócrates, como Parmênides e Heráclito,
investigaram a origem das coisas e as transformações da natureza. De seus textos só
restaram fragmentos. O conhecimento especulativo no período pré-socrático não se
distinguia dos outros conhecimentos, como a astronomia, a matemática ou a física.
Tales de Mileto foi o primeiro pensador que podemos chamar de filósofo. Como outros présocráticos, Tales dedicou-se a caracterizar o princípio ou a matéria de que é feito o mundo.
Sustentou que este princípio era a água.
A Grécia clássica
No período clássico, a filosofia vinculou-se a um momento histórico privilegiado - o da
Grécia clássica. Nesse período, que compreende os séculos 5 a.C. e 4 a.C., a civilização
grega conheceu seu apogeu, com o esplendor da cidade de Atenas. Essa cidade-estado
dominou a Grécia com seu poderio militar e econômico.
Adotando a democracia como sistema político, Atenas assistiu a um florescimento
admirável das ciências e das artes. Foi esse período histórico que deu origem ao
pensamento dos três maiores filósofos da Antigüidade: Sócrates, Platão e Aristóteles.
Sócrates não deixou uma obra escrita, mas conhecemos seu pensamento através das obras
de seu discípulo Platão. Este não escreveu uma obra sistemática, organizada de forma
lógica e abstrata, mas sim um rico conjunto de textos em forma de diálogo, em que
diferentes temas são discutidos. Os diálogos de Platão estão organizados em torno da figura
central de seu mestre - Sócrates.
Platão e Aristóteles
O conhecimento é resultado do convívio entre homens que discutem de forma livre e
cordial. No livro "A República", por exemplo, temos um grupo de amigos que incluem o
filósofo Sócrates, dois irmãos de Platão - Glauco e Adimanto - e vários outros personagens,
que serão provocados pelo mestre. O diálogo vai tratar de assuntos relacionados à
organização da sociedade e à natureza da política. A palavra política vem do grego polis,
que significa cidade ou Estado.
Aristóteles - ao contrário de Platão - criou uma obra sistemática e ordenada. A filosofia
aristotélica cobre diversos campos do conhecimento, como a lógica, a retórica, a poética, a
metafísica e as diversas ciências. No livro "A Política", Aristóteles entende a ciência
política como desdobramento de uma ética, cuja principal formulação encontra-se no livro
"Ética a Nicômaco".
Helenismo
O período helenístico corresponde ao final do século 3 a.C. (período que se sucede à morte
de Alexandre Magno, em 323 a.C.) e se estende, segundo alguns historiadores, até o século
6 d.C. As preocupações filosóficas fundamentais voltam-se para as questões morais, para a
definição dos ideais de felicidade e virtude e para o saber prático.
A influência da cultura helenística na civilização
ocidental
Fernanda Machado*
A importância de se conhecer a Grécia da Antigüidade (que se desenvolveu entre 2000
a.C. e 500 a.C.) é que a herança de sua cultura atravessou os séculos, chegando até os
nossos dias. Foram influências no campo da filosofia, das artes plásticas, da arquitetura, do
teatro, enfim, de muitas idéias e conceitos que deram origem às atuais ciências humanas,
exatas e biológicas.
No entanto, não podemos confundir a Antigüidade grega com o país Grécia que existe hoje.
Os gregos atuais não são descendentes diretos desses povos que começaram a se organizar
a mais de quatro mil anos atrás. Muita coisa se passou entre um período e outro e aqueles
gregos antigos perderam-se na mistura com outros povos. Depois, a Grécia antiga não
formava uma nação única, mas era composta de várias cidades, que tinham suas próprias
organizações sociais, políticas e econômicas.
Apesar dessas diferenças, os gregos tinham uma só língua, que, mesmo com seus dialetos,
podia ser entendida pelos povos das várias regiões que formavam a Grécia. Esses povos
tinham também a mesma crença religiosa e compartilhavam diversos valores culturais.
Assim, os festivais de teatro e os campeonatos esportivos, por exemplo, conseguiam reunir
pessoas de diferentes lugares da Hélade, como se chama o conjunto dos diversos povos
gregos.
CidadesCidades-Estados
Essa Grécia de 4.000 anos atrás era formada por ilhas, uma península e parte do continente
europeu. Compunha-se de várias cidades, com seus Estados próprios, que eram chamadas
de cidades-Estados. Essas cidades localizavam-se ao sul da Europa, nas ilhas entre os mares
Egeu e Jônio. Algumas das cidades gregas de maior destaque na Antigüidade foram Atenas,
Esparta, Corinto e Tebas.
Essas cidades comercializavam e ao mesmo tempo guerreavam entre si. As guerras eram
motivadas pelo controle da região e para se conseguir escravos, os prisioneiros de guerra,
que moviam grande parte da economia daquelas sociedades.
Afora os escravos e os pequenos proprietários, havia os cidadãos propriamente ditos,
naturais da cidade e proprietários de terras, que tinham direitos políticos e podiam se
dedicar a atividades artísticas, intelectuais, guerreiras e esportivas. Isso indica que as
pessoas com mais prestígio e propriedade cuidavam exclusivamente do aprimoramento do
corpo e da mente. Os mais pobres e os escravos eram quem movimentava a economia,
fazendo o trabalho braçal, considerado, então, como algo desprezível.
Influência de Creta, Egito e Fenícia
Esses diversos povos gregos organizaram-se e ganharam força por volta do ano 2.000 a.C.
A cultura grega tornou-se tão importante porque foi a síntese, o resumo, de diversas outras
culturas da Antigüidade, dos povos que viveram na África e no Oriente Médio. Assim, os
gregos conheceram os cretenses, que eram excelentes navegadores. Tiveram contato com
os egípcios, famosos nos nossos dias pelo complexo domínio de conhecimentos técnicos
que possuíam e por sua organização social.
Por fim, a influência dos fenícios também foi muito importante na cultura grega. Os
fenícios foram o povo, naquela parte do planeta, que havia inventado o alfabeto cerca de
1.000 anos a.C. Esse alfabeto foi aperfeiçoado pelos gregos, que por sua vez deu origem ao
alfabeto latino, inventado pelos romanos. Como se sabe, a língua portuguesa, que nós
falamos, tem origem latina.
Todo esse processo demonstra como ocorreram freqüentes intercâmbios entre os povos ao
longo da história da humanidade, embora muitos conhecimentos e invenções tenham se
perdido ou deixado de fazer sentido quando essas civilizações desapareceram.
Sociedade espartana
As cidades-Estados sobre as quais sobreviveram mais informações são Atenas e Esparta.
Essas sociedades eram, aliás, bem diferentes e freqüentemente lutaram uma contra a outra.
A sociedade espartana era considerada rígida (nos dias de hoje, quando queremos dizer que
alguma coisa ou pessoa é muito cheia de regras, fechada, dizemos que é "espartana"). Em
Esparta, os homens viviam para a vida militar.
Eles só podiam casar depois de terem sido educados pelo Estado, em acampamentos
coletivos, onde viviam dos 12 até os 30 anos. Para o governo, existiam os conselhos de
velhos, que controlavam a sociedade e definiam as leis. As mulheres espartanas cuidavam
da casa e tinham também uma vida pública: administravam o comércio na ausência dos
homens.
Atenas e a democracia
Já Atenas, que foi considerada o exemplo mais refinado da cultura grega, teve seu apogeu
cultural e político no século 5 a.C. Na sociedade ateniense, diferentemente de Esparta, as
decisões políticas não estava nas mãos de um conselho, mas sim no governo da maioria, a
democracia. Dentro desse sistema, todos os cidadãos podiam representar a si mesmos (não
precisavam eleger ninguém) e decidir os destinos da cidade. Ao mesmo tempo em que
Atenas abria o espaço para os cidadãos, reservava menor espaço para as mulheres do que na
sociedade espartana. Em Atenas, as mulheres, assim como os escravos, não eram
consideradas cidadãs.
Os jogos olímpicos
De tempos em tempos, as civilizações que surgiram após os gregos - inclusive a nossa voltam seus olhos para essa cultura tão antiga, chegando mesmo a retomar alguns de seus
costumes. Assim aconteceu, por exemplo, com os Jogos Olímpicos. Essa atividade ganhou
importância no mundo ocidental na primeira metade do século 20, como uma forma de
celebrar pacificamente a rivalidade entre os países que se confrontaram em duas Guerras
Mundiais. Na verdade, as Olimpíadas foram reinventadas no final do século 19, ou seja,
mais de 2.000 anos depois de terem sido extintas.
Na Grécia Antiga, os jogos olímpicos eram um ritual de homenagem a Zeus (o deus
máximo de uma religião com muitos deuses). Esses jogos realizavam-se na cidade de
Olímpia e envolviam todas as cidades-Estados da Hélade em várias competições de
atletismo. Dentre as modalidades de esporte que se praticavam havia a corrida, a luta livre,
o arremesso de discos, salto e lançamento de dardos. Os vencedores voltavam às suas
cidades com uma coroa de folhas de oliveira e um imenso prestígio.
Os macedônios e a cultura helenística
No entanto, após o esplendor de Atenas no século 5 a.C., as cidades-Estados gregas foram
perdendo seu poder e acabaram conquistadas e unificadas pelos macedônios, no século 4 a.
C. Sob o domínio de Alexandre, o Grande, a cultura grega se expandiu territorialmente,
indo do Egito à Índia, num processo em que simultaneamente influenciava e sofria
influências. Essa cultura que correu mundo, tendo como raiz a tradição grega, foi chamada
de cultura helenística.
Por fim, no século 1 a.C., foi a vez dos romanos chegarem à Grécia antiga, conquistando-a.
Ainda que Roma tenha incorporado a maior parte dos valores gregos, inaugurando a cultura
greco-romana, os povos gregos da Antigüidade não conseguiram mais obter sua autonomia
política e assim foram, ao longo dos séculos, desaparecendo.
(http://educacao.uol.com.br/filosofia/ult3323u22.jhtm)
(http://educacao.uol.com.br/historia/ult1690u6.jhtm)

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