Vai esperar a solução cair do céu? - Cefet-MG

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Vai esperar a solução cair do céu? - Cefet-MG
9912252000/2010DR/MG
CEFET-MG
é notícia
Belo Horizonte • # 26 • março 2015
Informativo do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais
Luciana Ruiz de Vilhena
Vai esperar a
solução
cair do céu?
2 | CEFET-MG é notícia
março | 2015
editorial
Para entender o
planeta água
Telson Crespo
Professor do Departamento de Ciência e Tecnologia Ambiental
março | 2015
CEFET-MG cria comissão para discutir
economia de água e energia
coluna criativa
brígida mattos ornelas
Déborah M. Oliveira
Aluna do Ensino Técnico Integrado
em Meio Ambiente, 3º ano, CEFET-MG
Grupo de servidores e alunos propõe ações como campanha de conscientização
e medidas práticas de combate ao desperdício na instituição
“Secam-se as águas
De açudes, rios, lagos;
Renovam-se as mágoas
Por aqueles preços já pagos.
Diogo Tognolo e Lorena Carmo
O
ano era 1961, quando o
astronauta russo Yuri Gagarin - a bordo da nave
Vostok 1, ao contemplar do
espaço nosso singelo e belo
planeta envolvido em brancas
nuvens, proferiu a frase jamais
esquecida: “A Terra é azul.”
Terra - azul, quase inteiramente coberta por água. Azul
dos seus imensos oceanos, berçários e jardins da vida. Terra
das águas, reino de Poseidon/
Netuno, criação divina. Águas
que invadiram, dominaram e
fertilizaram terras, que engravidaram e pariram células – laboratórios minúsculos para a vida.
Águas que evoluíram algas,
amebas, águas-vivas, peixes,
golfinhos, baleias e seres humanos; todos dependentes dessa gigantesca fonte de vida, espalhada por rios, lagos, mares...
Infelizmente, o mundo demorou a descobrir a importância dessa fonte. “Somente quando o poço está seco, entendemos o valor
da água”, é o que refletiu Benjamin Franklin. Demoramos a descobrir que, apesar da sua quantidade ser a mesma desde a origem
do planeta, localmente, ela tem se tornado escassa, fazendo sofrer
a população de muitas nações, num grave cenário mundial, onde
milhões de pessoas não têm acesso a ela ou a um saneamento adequado. Por essa razão, analistas econômicos e políticos se referem
à água como a mais nova commodity, chamam-na de “ouro azul” e
acenam para a possibilidade de guerras por seu controle. Entretanto, tais análises e previsões não matam a sede da aldeã africana que
caminha quilômetros - sob o sol inclemente da savana, atrás dos
poucos litros diários disponíveis para a sobrevivência da sua família;
não traz esperança para o sertanejo castigado pela seca nordestina;
ou para o cansado habitante da periferia das megacidades do terceiro mundo que não consegue vê-la sair por suas torneiras.
Planeta azul, planeta água. Urge entender e respeitar os mecanismos de funcionamento desse complexo sistema planetário,
que faz as águas evaporarem, precipitarem, escorrerem, infiltrarem
numa história sem fim, que se repete desde que o mundo é mundo,
como já diziam os hindus, há 3.000 anos: “Do oceano vêm as nuvens, das nuvens vem a chuva, da chuva nascem os rios e dos rios
nasce o oceano. Esse é o ciclo das águas. Esse é o ciclo do mundo.”
Precisamos, dessa forma, compreender que pertencemos a sistemas totalmente interconectados e que, portanto, alterações provocadas por nossas ações, como a poluição e a contaminação da
água, atingem a todos os seres vivos, e em especial a nós.
Hoje nossa civilização avança vorazmente sobre esse precioso
bem, que devemos proteger e tornar acessível a todos que dele necessitam. Para isso, precisamos preservar nossas florestas - verdadeiras “fábricas de água”; investir em pesquisa de novas tecnologias
para melhorar a oferta de água no campo e na cidade; e não nos
esquecermos de combater o desperdício em todas as esferas, inclusive no sistema de abastecimento de água, afinal há ainda no país
muita perda desse líquido durante o seu processo de distribuição.
Finalmente, precisamos de uma educação que nos permita
compreender e gerenciar de forma harmônica nosso complexo e
belo planeta, injustamente chamado Terra, mas, para isso, precisamos, antes de tudo, escutar o canto das baleias, pois talvez ele chame a atenção para a nossa insensatez, a nossa vaidade – refletida
nas águas que temos maculado há séculos. Talvez elas cantem para
nos dizer que, afinal, todos somos água e que, na verdade, como
dizia Morin: “não passamos de um peixe evoluído que sente saudades de casa.”
O que nós podemos fazer?
Quem poderá, agora, intervir?
Quando nos farão aprender
Se nunca nos ensinaram a prevenir?
Adestrados fomos como cães
A economizar água e energia;
Assim ensinaram às nossas mães,
Mas onde foi parar a cidadania?
A
O mundo pede mais educação,
Respeito pelos recursos naturais.
Só mesmo com conscientização
Resolveremos tais assuntos cruciais!”
Crises de água, Operação Lava Jato
e os santos do pau oco
Ana Paula Sant’Ana
Aluna do curso de Letras do CEFET-MG
Estamos vivendo crises naturais distintas nesse
nosso país de dimensões continentais e diferenças
sociais abissais. Enquanto no Norte chove sem parar, e no Acre há contágio e morte por leptospirose
por causa das enchentes, no Sul e no Sudeste falta água nos reservatórios e na TV há propaganda
para que os cidadãos diminuam seu tempo de banho e não deixem a torneira aberta mais do que o
necessário, clamando às pessoas para que façam
uso consciente dos recursos hídricos pelo governo. Em contrapartida há uma propaganda de um
movimento que diz: “A culpa não é do meu banho”.
Na verdade, os recursos hídricos não estariam
tão escassos se o governo aplicasse os investimentos corretamente; se as mineradoras não esgotassem os solos e acabassem com as nascentes;
se empresas não dragassem os rios para fornecer
às construtoras areia para a construção civil, provocando o assoreamento. O nosso minério vai a
preço de banana para a China há décadas, numa
incessante exploração, e em troca recebemos essas porcarias de 1,99 para revender, produtos sem
qualidade alguma. Esse negócio de ser um mero
fornecedor de matéria-prima e não investir em
tecnologia é o que temos feito desde que Portugal atracou aqui as suas naus. O governo brasileiro
afunda cada vez mais no mar negro de corrupção
que envolve a nossa estatal do petróleo. A Operação Lava Jato já completou um ano, e estamos aí,
todos os dias assistindo pela TV os escândalos de
bilhões de reais sendo revelados, e todas as listas
com nomes de políticos que vão sendo divulgados provocam um rebu no Congresso Nacional e
a queda do dólar nas bolsas... Se algum dia eles resolverem investigar as mineradoras também, veremos que a Petrobrás é apenas a ponta do iceberg,
pois o ralo por onde escoam muitos outros bilhões
estão nessas montanhas que hoje já são apenas
casca...
No Nordeste, a seca e a miséria continuam a ser
dribladas por uma raça de brasileiros que parece
ter a pele até mais grossa por aguentar tanto sol
e sofrimento. Admiráveis sobreviventes que acabam se adaptando à falta de água e aprenderam
a conviver com isso. Muitos vão para o Sudeste
em busca de melhores condições de vida. Na atual
conjuntura, se fugissem para cá, encontriam também a seca e o risco de racionamento, se bem que
menos extremos do que lá...E resta a região Sul,
sempre verdinha, fria e, claro, com os sulistas sempre se perguntando: “Afinal, por que não nos separamos do resto do Brasil?”, porque eles sofrem as
consequências de fazerem parte de um país com
tantos extremos e por serem os estados mais europeizados. Mas apesar de tantos contrastes, parece que o povo está unido por compartilhar de
um sentimento geral de insatisfação, afinal política, economia, recursos naturais, diferenças sociais,
crescimento da China, PIB pífio do Brasil, tudo isso
está interligado e, de alguma forma, por mais que
não entendamos muito desses assuntos, sabemos
e sentimos que tudo está indo de mal a pior...O
que nos resta fazer diante desse mal-estar?
Resta fazer o que os brasileiros fizeram no último final de semana: ir às ruas e protestar. Pelo
menos recuperamos a capacidade de expressar a
nossa indignação. E nos resta refletir sobre uma
das poucas frases lúcidas e verdadeiras que a presidenta disse na entrevista coletiva após as últimas
manifestações: “A corrupção não nasceu hoje, não
nasceu agora, ela é uma velha senhora e está presente não só no governo, mas em todos os setores.
Onde há dinheiro há o risco de corrupçao. Por isso
é preciso haver mecanismos de controle, de fiscalização. Mas a corrupção está presente não só no
governo, mas na iniciativa privada, em todo lugar”.
Que caia como uma luva toda vez que nos pegarmos tentando cometer essas pequeninas corrupções do dia-a-dia. Se o homem é fruto do meio,
então esses políticos que aí estão nos representam
sim, e nós refletimos o que eles fazem, sempre tentando levar vantagem, é uma cultura que não vai
mudar do dia pra noite, somos um país muito jovem e temos ainda muito o que aprender. O santo
do pau oco não existe à toa, ele reflete o comportamento dos seus fiéis. E daí advém as montanhas
ocas, a moral oca, uma política e uma economia
ocas...Não sejamos também ocos! Vamos nos encher não só com conhecimento e entretenimento,
mas com valores e ética, pois só assim podemos
cobrar isso dos outros.
expediente
Informativo do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais
Diretor-Geral
Prof. Márcio Silva Basílio
Secretário de Comunicação Social
Luiz Eduardo Pacheco
Vice-Diretor
Prof. Irlen Antônio Gonçalves
Chefe de Redação
Gilberto Todescato Telini
Chefe de Gabinete
Profa. Heloísa Helena de Jesus Ferreira
Editoração
Leonardo W. Guimarães
Setor de Comunicação Visual
Equipe de Jornalismo
André Luiz Silva
Diogo Tognolo Rocha
Gilberto Todescato Telini
Nívia Rodrigues Pereira
Colaboração
Lorena Carmo
CEFET-MG é notícia | 3
Impressão
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penas 93 milhões de metros cúbicos de água para
abastecer mais de 2,3 milhões de pessoas. Essa é a quantidade que resta no Sistema
Paraopeba, conjunto de reservatórios de água que abastece
a Região Metropolitana de Belo
Horizonte. Dados da Companhia
de Saneamento de Minas Gerais
(Copasa) indicam que o Sistema, que estava 72,5% cheio em
março do ano passado, registrou
no dia 16 de março deste ano
apenas 33,9% do seu volume de
água. A situação se repete em
todo Estado de Minas Gerais, e a
crise hídrica passou a ser pauta
em todo o Brasil.
No CEFET-MG, a situação não
é diferente. Com mais de 11 mil
alunos e cerca de 1.500 professores e técnicos-administrativos em
todas as Unidades, a Instituição
tem um alto gasto nas suas atividades cotidianas – como o uso
de sanitários, limpeza e preparo
de alimentos nos restaurantes –,
bem como no ensino e na pesquisa. No ano de 2014, a Instituição
gastou 82.806.700 litros de água
e consumiu 3.343.740 kWh de
energia elétrica.
Como forma de combater a
crise hídrica, o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão
determinou a redução de 30% no
gasto com água e energia elétrica
nos órgãos e entidades federais.
O Ministério recomenda o acompanhamento das informações
referentes ao consumo e elenca
uma série de práticas para um
uso consciente de água e energia
elétrica.
Frente a essa situação, o CEFET-MG criou a “Comissão para
boas práticas de gestão e uso de
energia elétrica e água”. Reunindo
servidores e alunos, a comissão
busca formas práticas de reduzir
o consumo e combater o desperdício na Instituição. Segundo Fernando Gontijo, prefeito da Instituição, o grupo de trabalho reúne
Gastos
Para chegar a essas ações, a
comissão estudou o consumo em
todo o CEFET-MG. Foram reunidos dados desde 2008 em cada
Unidade, analisando o valor gasto na conta de água, o consumo
por pessoa, por área construída e
variáveis que possam ter influenciado as mudanças de consumo
ao longo do tempo, como construção de novos prédios ou funcionamento de restaurantes.
De acordo com Fernando
Gontijo, os dados sobre os restaurantes impressionaram. “Identificamos que 40% da água da Instituição é utilizada nos refeitórios.
Qualquer ação que realizarmos
lá, terá um efeito muito grande
na economia”. Como exemplo,
Fernando cita o Câmpus II (Belo
Horizonte). Antes da implantação
do restaurante, em 2008, o consumo mensal por pessoa era 301L.
Em 2011, esse consumo passou
para 533L. A situação se repete
em outras Unidades. “Em Curvelo, o consumo em 2011 era de
303L por pessoa. Após as obras
do restaurante serem finalizadas,
esse número saltou para 632L”.
Somando todas as Unidades, o
consumo médio no CEFET-MG é
de 488L por pessoa a cada mês.
Os números também flutuam
em função do período. Fernando estima que a diferença entre
os períodos de aula e de férias
é de cerca de 50% do consumo
de água e energia elétrica, o que
pode dificultar nas metas de economia. “Se temos aulas das 6h
às 22h, você tem que manter as
luzes ligadas das 6h às 22h. Estamos tentando conscientizar os
professores e alunos a desligarem luzes e ventiladores quando
não estão em uso, e reduzindo
a iluminação nas áreas externas
quando não há fluxo de pessoas”,
explica.
Aparelhos de ar-condicionado também fazem a diferença:
no Câmpus II, os meses de frio
registram um consumo energético cerca de 40% menor. Uma
das soluções foi ajustar o arcondicionado central para uma
temperatura mínima de 23°C:
isso impede que os usuários coloquem uma temperatura menor
e gastem mais energia elétrica. A
solução, no entanto, não é totalmente eficiente – ela só serve
para prédios que possuem um
aparelho central que regule a
temperatura. O Câmpus II, citado
por Fernando, possui aparelhos
individuais pulverizados em diversos prédios; nesse caso, a recomendação é conscientizar os
usuários.
Para Afonso Neto, prefeito
da Unidade Araxá, todas as iniciativas são válidas num assunto
de tanta relevância atualmente.
“Nós, da comunidade interna do
CEFET-MG, temos a responsabilidade ativa de formar cidadãos
que, a partir do conhecimento de
problemas da sociedade, sejam
capazes de encontrar soluções
mais adequadas ao desenvolvimento sustentável”.
profissionais com áreas afins aos
temas discutidos. “Temos servidores da Engenharia Ambiental,
professores ligados a pesquisas
de eficiência energética, um doutor em Recursos Hídricos, além de
servidores da Prefeitura e da Secretaria de Comunicação Social”.
O objetivo, segundo Fernando,
é que a comissão atue em duas
frentes: “Criamos uma campanha
de conscientização, abordagem
que achamos essencial, e destacamos servidores para avaliarem
as questões técnicas das ações a
serem tomadas”.
A comissão tem se reunido semanalmente e encaminhado aos
setores responsáveis as medidas
72,5%
33,9%
93 milhões
de m3
Redução
de 30%
82.8 milhões
de litros
3.343.740
kWh
a serem tomadas. Entre as ações,
estão a instalação de aerados e
redutores de vazão nas torneiras,
regulagem das válvulas de descarga dos sanitários, projetos de
reaproveitamento das águas da
chuva e regulagem do ar-condicionado central.
Dados da Copasa indicam que o Sistema,
que estava 72,5% cheio em março do ano
passado, registrou apenas 33,9% do seu
volume no dia 16 de março deste ano
Apenas 93 milhões de metros cúbicos
de água é a quantidade que resta no
Sistema Paraopeba para abastecer mais
de 2,3 milhões de pessoas
Como forma de combater a crise hídrica,
o MPOG determinou a redução de 30%
no gasto com água e energia elétrica
nos órgãos e entidades federais
No ano de 2014, o CEFET-MG gastou
82.806.700 litros de água
No ano de 2014, a Instituição consumiu
3.343.740 kWh de energia elétrica
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Medidas de economia dos recursos hídricos
e energéticos já estão em prática
Alunos e servidores defendem
importância da conscientização
Ajuste de vazão dos sanitários e estudos sobre reutilização
de água dos restaurantes estão entre as ações
Diogo Tognolo e Lorena Carmo
P
ara chegar a iniciativas práticas de
redução do gasto com água e energia elétrica no CEFET-MG, a “Comissão para boas práticas de gestão e uso
de energia elétrica e água” se debruçou
sobre os dados de consumo de toda a Instituição. Litros de água gastos, quilowattshora consumidos, analisados a cada mês,
por Unidade, traçando paralelos com o
número de alunos e servidores em cada
local, com a área construída do Câmpus,
com a presença de estruturas como restaurantes... Tudo isso para entender como
os recursos são utilizados no CEFET-MG e
em que pontos eles podem ser mais bem
empregados.
Fernando Gontijo, prefeito da Instituição,
elenca os locais em que as ações podem ser
tomadas. Ele cita os banheiros como lugares
em que a redução foi possível sem grandes
custos. “Medimos o gasto de água nas descargas dos sanitários: eram 14L a cada vez
que a válvula era acionada. Nós regulamos
para que eles funcionassem com 7,5L. Menos do que isso, ele perde a funcionalidade
e não consegue levar os detritos”. O procedi-
mento, que não tem custos, está sendo realizado em todas as Unidades.
Ainda nessa área, outros estudos estão
sendo feitos para ver a possibilidade de
mais economia. Há duas possibilidades:
trocar o sistema por uma caixa acoplada
ou a as válvulas existentes pelas de dois
estágios, que permite o sanitário funcionar
com 6L ou 3L. “Essas ações têm custos e
envolvem reformas nos banheiros. Precisamos analisar se isso representa uma economia eficiente”, afirma Fernando.
Outra iniciativa é a instalação de aeradores e redutores de vazão nas torneiras.
Os aeradores – dispositivos que misturam
ar à água, diminuindo o fluxo, mas mantendo sua funcionalidade – representam
uma economia de 10% a 80% no consumo
de cada torneira. O redutor de vazão pode
chegar a uma economia de 80%, mas, de
acordo com Fernando, ele não pode ser
utilizado em todos os locais. “Podemos
usar apenas nos andares mais baixos, em
que a pressão da água é maior. Em outros,
a redução é tanta que você não consegue
lavar a mão. Nosso desafio é reduzir o consumo, sem perder a funcionalidade dos objetos que usamos”, conta Fernando.
“A contribuição dos alunos na
redução do uso energético e
de água na instituição pode
ser aplicada com pequenas
atitudes diárias, como usar
conscientemente a descarga e as
torneiras dos banheiros e não deixar
os notebooks constantemente ligados
à tomada.”
é usada para lavagem de hortaliças, legumes e outros alimentos. Essa água, com um
tratamento bem simplificado, pode ser reaproveitada para outras atividades, como
limpeza do estacionamento, de salas de
aula e irrigação.”
A comissão se dedica, agora, a definir o
melhor local para instalar um reservatório
para coleta de água da chuva e de reuso
dos refeitórios dos Câmpus I e II. A Unidade Araxá também se dedica a estudar a
melhor forma de reuso da água e propõe,
aos “responsáveis pela gestão das atividades do restaurante, um estudo das possibilidades de revisão dos procedimentos
operacionais padrões, quanto à limpeza,
conservação e manipulação de alimentos,
observadas as condições exigidas pela vigilância sanitária”. Outras ações no CEFETMG incluem a substituição do aquecedor
elétrico de água dos refeitórios e dos chuveiros dos vestiários do setor de manutenção por aquecedores solares.
Em algumas Unidades, o consumo já
foi reduzido com a adoção de poços artesianos. Os dois menores consumos, por
pessoa, nas Unidades do CEFET-MG são
nas cidades de Araxá e Curvelo. Fernando
Gontijo conta que em Curvelo o consumo
mensal pago à Companhia de Saneamento
de Minas Gerais (Copasa) passou de 632L
por pessoa em 2013 para 117L em 2014.
Segundo a Unidade, o câmpus possui
uma extensa área verde, o que gerava um
grande gasto com irrigação. Atualmente, a
maior parte do que é pago à Copasa é devido ao tratamento de esgoto. Em Araxá, o
consumo por pessoa, após a implantação
de um poço artesiano, é de 186L.
Mateus Mendes
Administração • presidente do DCE da Unidade Belo Horizonte
Sabine Ribeiro
Química • representante do Grêmio Estudantil
da Unidade Belo Horizonte
Redução
A Unidade Araxá tem tomado iniciativas semelhantes. Afonso Neto, prefeito na
Unidade, explica que a manutenção das
redes de água e energia elétrica tem sido
intensificada, dando prioridade de atendimento a ocorrências como vazamentos. Na
estrutura, Afonso cita a “instalação de redutor de vazão nas torneiras, substituição de
torneiras comuns por outras com controle
de ciclo de funcionamento, troca de bebedouros com problemas intermitentes de
vazamentos por novos”.
Na conta de energia, Fernando destaca a iluminação das áreas externas como
ponto de melhora. “Reduzimos a iluminação nas áreas públicas e na iluminação
decorativa. Os vigilantes estão instruídos
para, assim que diminuir o número de pessoas, desligar lâmpadas de corredores, estacionamentos e iluminação externa, sem
prejuízo da segurança dos alunos e servidores.”
Em Araxá, medidas estão sendo estudadas para proporcionar um melhor rendimento e eficiência da iluminação. Segundo Afonso Neto, foi acordado com o
setor de Educação Física uma adequação
da programação de atividades esportivas
nas quadras no período noturno. Assim,
evita-se o uso excessivo dos refletores de
iluminação.
Fernando e Afonso concordam que um
dos principais gastos no CEFET-MG vem
dos restaurantes: cerca de 40% do consumo de água. Fernando lembra que esta é
uma fonte de água continua, pois o restaurante tem funcionamento ininterrupto durante o período escolar. “A água descartada
pelo restaurante não é uma água suja: ela
“Primeiro, ter
consciência de que é
preciso se preocupar
com o esgotamento
da água; pois
cultivamos uma
ideia de que a água
é abundante e que
nunca acabará. Depois,
economizar adotando
medidas práticas de
economia. Além de divulgar
entre os amigos e colegas a
importância da campanha”.
“Desligar a luz quando sair da
sala de aula; nos laboratórios,
desligar os computadores e
equipamentos sem uso; nos
banheiros, reduzir a vazão
da torneira, quando for lavar
as mãos. Em casa, podemos
reduzir o tempo do banho,
fechar a torneira ao escovar os
dentes, desligar os equipamentos
eletrônicos da tomada quando não
estiverem em uso”.
Yasmim Delfino
Rede de Computadores • aluna da Unidade Nepomuceno
“O foco é o
autopoliciamento e
a consciência de que
devemos reduzir”.
Israel Zarconi
Rede de Computadores • Unidade Nepomuceno
Cássia Beatriz da Silva
Assistente em Administração • Unidade Contagem
Ajuste das
válvulas de descarga
dos sanitários
Instalação de reservatórios
para coleta de água da
chuva e de reuso dos
refeitórios dos Câmpus I e II
Ajuste do
ar-condicionado
central
afirma que todos já estão cientes
da atual situação e que medidas
de redução já estão em prática.
“Não só aqui na Unidade, mas
principalmente em casa, o que fazemos é um simples policiamento.
Tentamos usar menos luz, ventilador e outros equipamentos. Por
esse motivo, ao sairmos da sala ou
se virmos uma sala vazia, desligamos tudo”. Israel diz ainda sobre as
medidas tomadas em relação ao
pessoal da limpeza e manutenção,
que reduziram o consumo de água
usando panos de chão em vez de
baldes para limpar as salas e corredores, e ainda uma ideia, dedicada
aos meninos, para que utilizem
os mictórios em vez do vaso, para
economizar na descarga.
Para Cássia Beatriz da Silva,
assistente em Administração da
Unidade Contagem, a economia
não se restringe ao trabalho ou
ao ambiente doméstico. Ela diz
tomar medidas para combater o
desperdício em todos os locais.
“Durante a jornada de trabalho,
podemos adotar algumas medidas para reduzir o consumo de
água e energia, como apagar as
luzes e desligar ventiladores ao
sairmos da sala e organizar uma
equipe de trabalho para analisar
a melhor forma de reduzir o consumo de água e energia e posterior orientação aos usuários”. Em
casa, ela diz reutilizar a água da
chuva na limpeza.
Programar o computador
para entrar em estado
“hibernar” depois de
alguns minutos sem uso
Usar a descarga
apenas pelo tempo
necessário
Desligar luzes e
ventiladores quando
não estão em uso
Manutenção constante
das redes de água
e energia elétrica
Estudo sobre o
reuso da água dos
restaurantes
ca. Mateus Mendes, presidente
do Diretório Central Estudantil
(DCE) da Unidade Belo Horizonte e membro da comissão, alerta:
“Vimos nesses últimos tempos
que os recursos naturais, como
a água, podem se exaurir com
o mau uso e desperdício; para
tanto, devemos adotar práticas e
medidas que visem um consumo
mais eficiente e inteligente por
parte de todos”.
De acordo com a portaria nº
23, de 12 de fevereiro de 2015,
do Ministério do Planejamento,
Orçamento e Gestão, os órgãos e
entidades federais devam adotar
as providências necessárias para
implementar as boas práticas de
incentivo a economia dos recursos hídricos, inclusive elaborando
campanhas de conscientização,
por meio presencial e eletrônico.
Além disso, sugere práticas para
serem aplicadas no ambiente de
trabalho.
Pequenos gestos, como apagar
as luzes e desligar os ventiladores
ao sair da sala; ajustar a temperatura do ar-condicionado para, no
mínimo, 23°C, ou não ligá-lo nos
dias mais frios; não deixar a torneira aberta sem uso; usar a descarga
apenas pelo tempo necessário; e
ficar atento a vazamentos – uma
torneira pingando pode desperdiçar 46 litros de água por dia, o que
equivale a 1,4 mil litros no mês e
16,5 mil litros no ano.
Israel Zacaroni, aluno do curso
técnico em Redes de Computadores, da Unidade Nepomuceno,
O que alunos e servidores podem fazer
O que o CEFET-MG tem feito
Instalação de aeradores
e redutores de vazão
nas torneiras
“Podemos adotar algumas
medidas para reduzir o
consumo de água e energia:
pressionar a descarga do
vaso sanitário por um tempo
menor; apagar as luzes e
desligar ventiladores sempre
que sairmos da sala; organizar
uma equipe de trabalho para
analisar a melhor forma de
redução de consumo de água e
energia e posterior orientação aos
usuários. Em casa, adquiri dois tambores
para captar a água da chuva e utilizá-la na
limpeza da residência. Também utilizo água da máquina de lavar
roupas.”
Com o objetivo de fazer um
amplo diagnóstico da nossa situação hídrica e propor medidas
para o uso eficiente desse recurso, foi criada a “Comissão para
boas práticas de gestão e uso de
energia elétrica e de água”. Além
das ações nas instalações da Instituição, a comissão tem como
resultado esperado a conscientização da comunidade e seu
envolvimento no uso racional da
água e da energia com consequentes ganhos em economia.
O CEFET-MG lançou, em 22 de
março, Dia Mundial da Água, uma
campanha com o slogan “Vai esperar a solução cair do céu?”. O
desejo é alertar alunos, servidores e comunidade externa sobre
o desperdício de recursos hídricos e energéticos, com intervenções nas redes sociais, restaurantes, entre outros.
“Vivemos um momento muito
crítico nacionalmente tanto pelo
lado da escassez dos recursos hídricos, que tem gerado impactos
diretos no fornecimento de água
potável, quanto na geração de
energia elétrica e pela anunciada
crise econômica, que nos obrigará a rever os nossos gastos”,
explica o diretor-geral do CEFETMG, professor Márcio Silva Basílio.
“Com esse panorama, é imprescindível que o CEFET-MG tome
medidas urgentes em relação ao
uso eficiente desses recursos.”
As medidas visam incentivar
as boas práticas entre os membros da comunidade acadêmi-
Substituição de aquecedores
elétricos de água por
aquecedores solares
Utilizar o ar-condicionado
em uma temperatura
mínima de 23º e não
utilizá-lo em dias frios
6 | CEFET-MG é notícia
março | 2015
Ações simples e práticas para reduzir
os impactos ambientais
Aprovada em chamada do CNPq, microusina será responsável
por 5% da energia consumida na Unidade
Curso de extensão idealizado por alunos da Unidade Contagem ensina como
conviver melhor com o meio ambiente, por meio de pequenas atitudes
eletrodomésticos
Televisão
Geladeiras
Nívia Rodrigues
inversor
A
CEFET-MG é notícia | 7
Projeto prevê captação de
energia solar em Araxá
Contolador
de carga
Unidade do CEFET-MG em
Araxá está prestes a dar
início à instalação de equipamento de microgeração de
energia solar, por meio de painéis
fotovoltaicos. O projeto de pesquisa e extensão foi contemplado
na chamada CNPq – SETEC, que
dá apoio à pesquisa aplicada e à
extensão tecnológica, e aguarda
liberação de recursos.
Resultado de cooperação entre o CEFET-MG Araxá e a empresa BRC Energia Limpa, a microusina solar será instalada em dois
blocos de prédios na Unidade,
gerando 770KW/h (quilowattshora) por mês. “Esperamos uma
geração em torno de 5% de energia consumida na Unidade nesse
primeiro projeto, com economia
mensal prevista de R$ 500”, afirma um dos coordenadores, professor Admarço Vieira da Costa. A
instalação deve ser concluída em
março de 2017.
Um dos principais focos da
ação é o envolvimento da comunidade cefetiana. A equipe
é composta de dois professores
doutores, um aluno bolsista e
três colaboradores de Engenharia
de Automação Industrial; quatro
bolsistas do técnico, sendo três
de Eletrônica e um de Mecânica.
O professor Kleber Lopes Fontoura, que também coordena o
projeto, destaca a importância
da participação dos alunos em
março | 2015
Lâmpadas
Computador
painel solar
baterias
Sistema de geração de energia fotovoltaica ensinado no curso
Centro de Formação Profissional Júlio Dário
O diretor do CEFET-MG Araxá e coordenador do curso, professor Henrique Avelar (à esquerda),
com os alunos e o painel fotovoltaico montado durante a capacitação
uma ação como essa, pois além
de proporcionar a integração no
novo mercado de trabalho, “capacita-os por meio dos cursos de
extensão voltados para a transferência de tecnologia e conhecimento”.
A primeira etapa, segundo
Admarço, envolve os alunos na
revisão bibliográfica sobre o
tema, para depois, após liberação
dos recursos, darem início à instalação física. A partir do projeto,
serão desenvolvidos também três
trabalhos de conclusão de curso
e publicados ao menos dois artigos em conferências nacionais
para divulgação dos resultados.
De acordo com o texto submetido ao CNPq, o projeto visa
incentivar a implantação de sistemas fotovoltaicos, diagnosticar
o potencial energético da cidade,
promover a adoção de práticas
sustentáveis, fomentar o treinamento e a capacitação de profissionais, entre outros objetivos.
Capacitar para
aplicar
Os principais problemas enfrentados na diversificação da
matriz energética são o desconhecimento das tecnologias e a
falta de mão de obra especializada. Pensando nisso, em paralelo ao projeto de instalação de
painéis fotovoltaicos, a Unidade
Araxá desenvolveu o curso “Instalações elétricas para energias
alternativas”.
No final de fevereiro, foram realizadas duas turmas, com carga
horária de 20 horas-aula, sendo
uma para alunos do CEFET-MG e
outra aberta ao público interessado. Aliando teoria e prática, o curso abordou o funcionamento e a
instalação de sistemas fotovoltaicos e, ao final, os alunos participaram da montagem de sistemas
de energia com a utilização dos
painéis solares. As aulas foram
ministradas pelos graduandos de
Engenharia de Automação Industrial da Unidade. O curso foi uma
realização do CEFET-MG Araxá,
do Centro de Formação Profissional Júlio Dário e da Universidade
Aberta e Integrada de Minas Gerais (UAITEC).
Tanto o projeto de captação
de energia solar quanto o curso
tiveram início graças ao grupo de
pesquisa “Energias Alternativas e
Eletrônica de Potência”, que realiza parcerias com empresas para
o desenvolvimento de pesquisas aplicadas desde 2009. Sete
professores compõem a equipe,
cujo objetivo é desenvolver pesquisas nas áreas de aproveitamento de resíduos sólidos em
geração de energia elétrica, cogeração por painéis fotovoltaicos, células combustíveis, entre
outros temas.
André Luiz Silva
D
esmatamento,
poluição
ex­ces­siva, crise hídrica...
Quando se fala em meio
ambiente e sustentabilidade,
muitos são os temas e problemas
em questão. Mas como você, em
sua casa, com pequenas atitudes,
pode contribuir para melhorar
essa situação? Pensando nisso, a
turma do curso técnico em Controle Ambiental do CEFET-MG,
Unidade Contagem, orientada
pela professora Adriana Venuto,
criou, em novembro de 2014, o
curso de extensão “Controle ambiental e utilidades domésticas:
equações simples para redução
de impactos”.
A ideia dos alunos foi elaborar um curso teórico-prático para
conscientizar e orientar estu-
dantes, servidores, terceirizados
e mesmo a comunidade externa do CEFET-MG a respeito das
questões relacionadas ao meio
ambiente, por meio de ações
práticas e simples realizadas no
dia-a-dia, em casa mesmo. Segundo a professora Adriana Venuto, a iniciativa do curso partiu
dos próprios alunos durante o
terceiro bimestre da disciplina
de Sociologia. “Estávamos trabalhando com a unidade ‘Indivíduo
e Trabalho’, quando pedi um trabalho sobre intervenção social
na forma de um curso de extensão. A turma, então, concebeu
tudo... Desenvolveu os objetivos
do curso, elaborou seu propósito, decidiu o público-alvo, fez o
levantamento e criou o material
usado e, por fim, efetivou o curso”, explicou.
Para desafios contemporâneos,
uma nova postura
Os problemas socioambientais estão entre os principais desafios contemporâneos. Em razão
disso, segundo professora Adriana Venuto, os alunos têm buscado discutir e propor alternativas
a essas questões. “Hoje, o aluno
já não consegue mais pensar sua
profissão sem desconsiderar os
possíveis impactos no meio ambiente”, afirmou.
Edgar Mendes, ex-aluno de
Controle Ambiental do CEFETMG Unidade Contagem concorda com a opinião da professora
Adriana. “Atualmente, devido
à escassez de bens naturais, a
questão do meio ambiente está
se tornando uma grande preocupação. Todas as especialidades
estão sendo obrigadas a repensar
seus princípios básicos de funcionamento, adaptando-se a um no­
vo contexto. Consequentemente,
to­dos os especialistas formados,
de agora em diante, têm de estar
preparados para essa transição”,
disse Edgar, um dos organizadores do curso de extensão “Controle ambiental de utilidades domésticas: equações simples para
redução de impactos”.
Edgar ressaltou ainda a importância do curso para o seu
processo formativo. “Somou conhecimentos e experiência para
a minha formação como técnico.
De maneira geral, ter a oportunidade de participar de um projeto com um ideal tão simples e
importante ao mesmo tempo me
ensinou bastante”.
A própria turma definiu as
temáticas do curso e elaborou
uma apostila dividida em quatro módulos sobre: 1) conta de
água, 2) sabões e detergentes
caseiros, 3) composteira caseira
e reciclagem de alimentos e 4)
riscos dos produtos de limpeza
e seus componentes químicos.
No primeiro módulo, a turma
apresentou diversas questões
relativas ao serviço de fornecimento de água: o sistema de
abastecimento, desde a captação até a distribuição; a leitura
de consumo; a qualidade da
água; o histórico de consumo
etc. No segundo e terceiro módulos, de cunho mais prático, a
turma ensinou, primeiramente,
a fazer sabão e detergente utilizando óleo de cozinha e, posteriormente, a criar uma compos-
teira para “reciclo de alimentos”,
transformando-os em adubo.
Por fim, no quarto e último módulo, a turma falou sobre os riscos dos químicos contidos nos
produtos de limpeza.
De acordo com a professora
Adriana Venuto, a experiência
do curso de extensão foi excelente. “O grupo de participantes
do curso (cerca de 20 pessoas)
não poupou elogios aos alunos;
houve muito comprometimento por parte deles. Todo o processo de elaboração do projeto,
não só o curso em si, ensinou
muito para a turma. Essa iniciativa proporcionou uma visão
crítica ao aluno sobre seu papel
na sociedade, sobre as possibilidades de ele, como técnico, ter
de intervir na realidade social”,
ressaltou.
Em 2015, de acordo com
Adriana, o projeto deve se estender às comunidades do município. “A intenção é consolidar
o projeto, atendendo a um contingente maior de pessoas e envolvendo um número maior de
alunos. Neste ano, por exemplo,
quero fazer uma parceria com
algumas comunidades do município, tentar atender suas demandas”, contou.
Saiba como transformar resto de óleo de cozinha em sabão
Ingredientes necessários:
5 Continue mexendo até a mistura ficar
• 500 mL de água;
• 1 litro de óleo de cozinha coado;
• 250g de soda cáustica; e
• detergente e sabão em pó (a critério).
homogênea e um pouco mais grossa;
6 Durante o preparo, se preferir, pode
Modo de preparo:
1 Coloque a água para ferver
acrescentar um pouco de sabão
em pó, ajuda a formar espuma,
e sabão líquido ou amaciante, deixa cheiroso e
mais macio. Outra opção é acrescentar anilina,
para dar coloração ao sabão;
a, aproximadamente, 70°C;
7 A agitação do líquido deve ser feita entre 30 e
2 Antes de levantar fervura, retire do
fogo e adicione a água à soda cáustica
(mas mantenha distância e cuidado,
pois pode ocorrer pequena explosão
de gases nessa fase do processo);
3 Depois da adição da soda na água,
misture até dissolver;
4 Depois de dissolvida, adicione o óleo
de cozinha usado (deve estar coado –
com esponja de aço ou peneira bem fina);
45 minutos, até a mistura estar mais grossa;
8 Depois de pronto, despeje o
produto em qualquer assadeira
forrada com saco plástico;
9 Leve para o sol e espere secar. Ele fica
consistente em torno de dois dias.
Aguarde mais 10 dias para
utilizá-lo.
Reaproveitamento de sucata e economia
de água são o foco de Divinópolis
A prática da economia de água no laboratório de
Biomateriais do Câmpus I – Unidade Belo Horizonte
Medidas simples têm contribuído para a redução do descarte de componentes eletrônicos e do consumo de água
Em funcionamento, protótipo garante economia e reutilização de água em laboratório da Instituição
Nívia Rodrigues
A Unidade do CEFET-MG
Divinópolis, por meio da graduação em Engenharia Mecatrônica, promove, desde o ano
passado, o programa “Reaproveitamento de Sucata Eletrônica”. A rede de reaproveitamento
foi iniciada na turma do segundo período de “Introdução à
Prática Experimental” e agora
está sendo expandida para todo
o curso.
O programa consiste em
organizar uma rede de participantes interessados em captar,
divulgar e trocar componentes
eletrônicos que possam ser reaproveitados nos projetos desenvolvidos durante o curso. São
aceitos também outros elementos que possam ser utilizados
pelos alunos como motores, engrenagens, estruturas, correias,
fontes e transformadores.
Para o professor Renato de
Sousa Dâmaso, que acompanha
o projeto, a ação é importante
por poupar a natureza. “Reaproveitar é melhor que reciclar
que, por sua vez, é melhor que
descartar. Imagine a quantidade
de componentes úteis em um
videocassete estragado, numa
TV antiga, num celular obsoleto
pelo ciclo cada vez mais curto
provocado pelo avanço tecnológico”, analisa. O professor
explica que muitos desses componentes sequer estão disponíveis para compra nas lojas de
eletrônicos em Divinópolis e até
mesmo em Belo Horizonte.
O objetivo do programa é
montar um posto na Unidade
com equipamentos que possam
ser úteis na adaptação das peças
reaproveitadas, como estações
de solda e de ar quente. Dâmaso e o grupo buscam também
organizar feiras de reaproveitamento dentro da programação
das “Sextas Tecnológicas”, even-
tos promovidos regularmente
na Unidade. Além de trocar peças, os interessados poderiam
montar e mostrar coleções de
sucatas.
Economia de água
Já sensíveis às crises hídrica
e energética, professores e servidores do CEFET-MG em Divinópolis têm discutido soluções
alternativas. Graças às medidas
adotadas, a redução no consumo de água foi significativa nos
primeiros meses deste ano.
A Coordenação de Administração da Unidade organizou
uma planilha, baseada nas contas de água, e constatou o decréscimo do consumo. Comparando janeiro de 2014 a janeiro
de 2015, por exemplo, o valor
pago à Copasa teve redução de
46,48%.
“Com medidas simples,
como diminuir os dias em que
se rega a grama e reforçar junto aos servidores da conservadora, em reuniões periódicas, a
necessidade de estar atento às
medidas pequenas do dia a dia,
conseguimos reduzir substancialmente os gastos na Unidade”, contabiliza o diretor adjunto, Bruno Martins Teixeira.
Gilberto Todescato Telini
Até 2030, haverá um déficit
mundial de água da ordem de
40%, caso o consumo se mantenha o mesmo. Esse é o dado do
relatório publicado pela Unesco
no dia 20 de março. O mesmo documento pede que a melhor gestão deste recurso faça parte dos
objetivos do planeta, da ONU.
Preocupado com esse cenário, o CEFET-MG tem desenvolvido projetos que visam à economia, tanto da água quanto da
energia e, alguns deles, já foram
postos em prática. É o caso do
protótipo desenvolvido pelos
professores Ezequiel de Souza Costa Júnior e Joel Romano
Brandão, do departamento de
Engenharia de Materiais, que
alteraram as condições de instalação do destilador Pilsen do
Laboratório de Biomateriais para
economizar e reaproveitar a água
utilizada nas atividades do Laboratório. A grande justificativa
para esse projeto é o fato de que,
para 1L de água destilada, são
necessários aproximadamente
50L de água de resfriamento que
normalmente são descartados
na maioria dos laboratórios.
Segundo o professor Ezequiel, o dispositivo funciona
“resfriando o vapor d’água que
fica retido na câmara superior e
o vapor condensado (água destilada) é armazenado para uso
nas soluções utilizadas nas pesquisas desenvolvidas no laboratório. A água de resfriamento sai
por outra tubulação e é armazenada nas caixas d’água para os
mais diversos usos no laboratório, pois a água de resfriamento
mantém as mesmas características da água fornecida pela concessionária”, conclui.
Para chegar a esse resultado,
os professores e a Instituição se
mobilizaram na busca por essa
economia e o projeto passou por
várias etapas até a sua conclusão. Inicialmente, foi elaborado o
esquema de montagem do destilador; em seguida, a proposta
foi apresentada e aprovada pelo
setor de infraestrutura para dimensionamento da laje para
suportar duas caixas d´água de
1000L cada sobre os ambientes
de pesagem e de cultura de células; após a instalação das caixas,
foram montadas as tubulações e
a rede elétrica para alimentação
do destilador; em seguida, o destilador foi instalado, deslocando
os dispositivos de controle para
o alcance operacional e a conexão das mangueiras; finalmente,
houve o treinamento dos operadores no laboratório.
Com o destilador em pleno funcionamento, o professor
Ezequiel comemora a economia
de água de destilação e chama
a atenção também para posturas adequadas diante do atual
cenário de crise. “Ideias simples
do dia-a-dia podem ter grande
potencial e impacto e, para despertá-las, basta que estejamos
mais atentos aos desperdícios
de água e energia. Temos que
estar mais atentos a ações que
aparentemente são consideradas normais, mas que devem ser
alteradas”, encerra.
8 | CEFET-MG é notícia
março | 2015
entrevista
A crise e as oportunidades para
implantação de medidas de economia
Investimento em práticas inovadoras e consumo consciente são boas alternativas
para lidar com o atual quadro de escassez de água e de energia
Gilberto Todescato Telini
De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), nas últimas décadas o consumo de água cresceu duas vezes mais do que a
população e a estimativa é que essa demanda aumente 55% até 2050.
Neste mesmo ano, a agricultura e a indústria de alimentos deverão au-
S
egundo o Fundo das Nações
Unidas para a Infância (Unicef), menos da metade da
população mundial tem acesso
à água potável. Ainda de acordo
com a entidade, a irrigação corresponde a 73% do consumo de
água; a indústria por 21% e apenas 6% dela é destinada ao consumo humano. De que maneira
é possível compatibilizar desenvolvimento econômico e preservação dos recursos hídricos?
É possível compatibilizar de­
sen­volvimento econômico e preservação dos recursos hídricos,
mas para isso é preciso aplicar
tecnologias adequadas e eficientes, que envolvam menos
perda de água, principalmente
na agricultura, onde o consumo
é maior. Ao fazer isso, é possível
reduzir em 40% o consumo nesse
segmento. Israel, por exemplo, é
um país desértico que sofre com
a escassez de recursos hídricos e
baixos índices de chuvas. A água
é obtida em sua maior parte pelo
processo caríssimo de dessalinização. Porém, o sistema de irrigação deles é feito por gotejamento
diretamente na raiz, o que gera
uma grande economia de água.
Nesse sistema, há tubulações
que gotejam água próxima à raiz
das plantas. É o contrário da nossa cultura, predominantemente
marcada pela aspersão, em que
uma grande quantidade de água
é jogada para o alto, ocorrendo
grande evaporação e, com isso,
um aproveitamento pouco efetivo da água pela planta. Para tentar reverter essa prática, já existe
um segmento de Israel trabalhando nas culturas de café e cana no
Brasil.
Além disso, precisamos desenvolver tecnologias que possibilitem o reuso das águas, provenientes do esgoto doméstico,
como, por exemplo, das águas
cinzas (que utilizamos no banho
ou na lavagem das roupas). Essas
águas poderiam ser aplicadas em
usos menos nobres e a água potável passaria a ser utilizada apenas para fins de consumo humano. Nesse sentido, Israel também
está em vantagem, já que eles
reutilizam 80 ou 85% do esgoto e
parte das substâncias obtida pelo
processo serve como nutrientes
para as plantas, beneficiando
mais uma vez a agricultura. A
ideia é maximizar e distribuir os
escassos recursos hídricos.
A água das chuvas é responsável por abastecer os reservatórios das hidrelétricas, principal
mentar em 400% a demanda por água para elevar a produção.
Nesse ritmo, a escassez dos recursos hídricos deve aumentar e, para
acompanhar esse aumento, medidas de consumo inteligente precisam
ser implantadas. Para analisar o atual cenário vivido pela sociedade e
discutir sobre medidas viáveis de economia, o CEFET-MG É NOTÍCIA
deste mês entrevistou a professora Elizabeth Regina Halfeld da Costa.
perfil
Elizabeth Regina Halfeld da
Costa é professora do Curso
de Engenharia Ambiental e
Sanitária do CEFET-MG. Mestre e Doutora em Hidráulica e
Saneamento pela USP – São
Carlos, foi presidente da comissão proponente do Projeto Pedagógico do curso na
Instituição. Atualmente, atua
como coordenadora do eixo
de tecnologia ambiental.
fonte de geração de eletricidade
no Brasil. Desde o ano passado,
temos passado pelo pior regime de precipitações de que se
tem registro na história. Diante
desse quadro, quais são as alternativas possíveis para que não
enfrentemos apagões?
A crise hídrica parece ser um
tema atual, mas na verdade ela
é consequência de uma série de
fatos que aconteceram ao longo
de muito tempo. Nós temos cultivado a atual crise desde a chegada dos portugueses ao Brasil. Os
portugueses chegaram aqui com
o objetivo de explorar e o primeiro sinal de exploração deles foi o
corte de duas árvores para fazer
uma cruz e rezar a primeira missa.
De lá para cá, toda a madeira da
mata atlântica passou a ser retirada para a construção de navios.
Cada uma tinha especificidade,
uma servia para o mastro, outra
para o casco e assim por diante.
Durante o ciclo do café e da cana,
desmatamos uma grande diversidade de árvores para implantar
monoculturas e, mais uma vez,
desequilibramos a natureza. O
desmatamento na Amazônia, por
exemplo, é uma das causas da crise de abastecimento de água no
Sudeste. A ausência de árvores
influencia na geração de chuvas
para as regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil, que são produzidas em parte pela umidade
que vem da Amazônia. Com menos árvores, menos umidade chega à atmosfera e ocorrem menos
precipitações.
Em relação às alternativas
energéticas, países como a Alemanha, que possui o carvão
como matriz energética, começaram a pensar em novas opções
em função de um futuro cenário
de escassez. Hoje, eles exploram
a energia eólica e a solar, e olha
que eles nem tem sol e ventos
como o Brasil! Nós temos todos
os recursos que auxiliam na produção de energia: vento, sol, água
e culturas que produzem resíduos que são bons para a combustão. O bagaço da cana-de-açúcar,
por exemplo, é uma boa fonte de
energia, e pode ser bem aproveitada. Conversando uma vez com
uma pessoa que mora na Alemanha, cheguei à conclusão que
não enxergamos, ainda, o grande
potencial energético que possuímos. O investimento na diversificação das fontes de energia e a
procura pelas fontes renováveis
podem ser alternativas viáveis a
médio e longo prazo.
“
Nós temos cultivado
a atual crise desde
a chegada dos
portugueses ao Brasil.
Os portugueses
chegaram aqui com o
objetivo de explorar
e o primeiro sinal de
exploração foi o corte
de duas árvores para
fazer uma cruz e rezar
a primeira missa.
”
Um estudo desenvolvido na
escola de negócios Cass Business
School, ligada à City University,
de Londres, indica que um aumento de 10% no número de
pessoas com acesso a água potável nos países do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) conseguiria
elevar o crescimento do PIB per
capita do bloco cerca de 1,6% ao
ano. Qual é a relação entre indicadores econômicos como esse
e os recursos hídricos?
Uma pessoa que tem acesso
a boas condições de saneamento básico (água tratada, coleta e
tratamento de esgotos, coleta e
tratamento de resíduos sólidos)
possuem melhores condições
de saúde e melhor qualidade
de vida. Sabe-se que cada dólar
investido em saneamento economiza quatro em saúde. Uma
população saudável com certeza
produz melhor. Tudo isso representa ganhos em grande escala
para um país.
O Brasil consome 356 bilhões
de metros cúbicos de água por
ano e, por isso, é o quarto país
com o maior consumo do mundo, perdendo para a China, a
Índia e os Estados Unidos. Quais
medidas poderiam ser adotadas
para a redução desse consumo
no país?
Na irrigação, podemos investir em técnicas mais modernas,
como o gotejamento. Na pecuária, tomarmos também como
modelo o estado de Israel que, a
partir de tecnologias modernas,
gasta o mínimo de água para a
produção de leite. Devemos repensar as formas de tratamento
das águas que serão destinadas
ao consumo humano e daquelas
que não precisam de um fim tão
nobre. Em casa, o reuso é uma ótima alternativa, pois garante uma
boa economia.
Em alguns trabalhos de pesquisa desenvolvidos pela professora junto à Estação de Tratamento de Água (ETA) – Rio Manso,
localizada na região metropolitana de Belo Horizonte, foi possível
alcançar resultados promissores,
como economia de água de lavagem, melhoria da qualidade da
água filtrada e aumento de desempenho dos filtros da Estação.
Em grande escala, como esses resultados podem corroborar para
medidas de economia em Estações de Tratamento?
Na natureza, as águas possuem características diferentes,
portanto cada uma delas necessita de tratamentos diversos. Estudos específicos e bem fundamentados devem ser realizados com a
intenção de se obter a tecnologia
mais adequada ao tratamento
específico de cada água. Uma
tecnologia bem estabelecida normalmente gera qualidade e economia no tratamento de águas.
Durante dois anos, apliquei a
fundamentação da minha dissertação de mestrado e da minha
tese de doutorado na Estação Rio
Manso e, ambas, contribuíram
com medidas de economia e de
qualidade da água tratada.
No primeiro ano de trabalho,
fiz uma avaliação nos filtros da
estação e descobri que eles foram projetados para trabalhar de
uma forma, mas se encontravam
trabalhando de outra, similar, porém mais dispendiosa. Após um
ano de estudos foi possível fazer
pequenas adequações na estação para melhorar a operação
dos filtros. Os estudos resultaram
em economia de água de lavagem dos filtros, pois houve um
aumento da “carreira de filtração”,
que diz respeito ao tempo máximo de operação dos filtros, que
operavam em torno de 40 horas.
A partir desse estudo, eles passaram a operar com 80 horas economizando, assim, o volume gasto com a água para sua lavagem.
Dobrando a carreira de filtração, obteve-se uma economia de
36% de água de lavagem. Além
disso, o novo método de operação propiciou a melhoria da qualidade da água filtrada.
No ano seguinte, realizei estudos de tratabilidade da água
que abastece a ETA- Rio Manso.
Essa água possuía grande teor
de ferro e de manganês, o que
levava a crer que os sais de ferro
seriam adequados ao tratamento
da mesma, conforme recomendação da literatura. Ao longo das
pesquisas, pude constatar que os
sais de alumínio também foram
eficientes na remoção do ferro
e do manganês, bem como da
cor e da turbidez da água, com a
vantagem de não precisar utilizar
dosagens altas de alcalinizantes
para tratá-la. Sendo assim, a economia veio não só pela redução
na dosagem de alcalinizantes,
como também pela diferença de
custo do sulfato de alumínio em
relação aos sais de ferro, normalmente utilizados na estação.

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