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A Fibromialgia do ponto de vista de um homem
Por Bob Hall
Os homens podem ter ataques cardíacos, pernas partidas, gripe, varicela, papeira, doença renal, doença do fígado, cancro
e outras doenças. Os ataques cardíacos são bem aceites nos homens. Toda a gente sabe que um ataque cardíaco é o
resultado de um estilo de vida “tipicamente masculino”, mas para um homem ter uma doença que 1) tem de ser explicada,
2) não “aparece” nos raios X ou nas análises ao sangue e 3) não é universalmente aceite pela comunidade médica, é
verdadeiramente um tabu na nossa sociedade actual.
A fibromialgia (FM) está a tornar-se um pouco mais aceite, mas não muito rapidamente. É necessário compreender
primeiro o que é que a FM faz a uma “pessoa” antes de compreender o ponto de vista de um homem. A fibromialgia deixa
uma pessoa em constante dor e essa dor varia de pessoa para pessoa. Algumas pessoas são capazes de continuar a
trabalhar, enquanto outras ficam quase sem forças e devastadas pela dor. A fibromialgia não é uma doença nova da moda,
nem capricho ou mania. Já é conhecida entre nós desde o século IXX. Foi chamada uma “doença invisível” por não existir
nenhum sinal evidente de deficiência na “vítima”. Se existissem lesões cancerosas, feridas expostas, uma marca, alguma
evidência visual da dor crónica, isso ajudaria certamente a que a doença fosse aceite por muita gente.
Os homens não são diferentes das mulheres no que respeita a doenças. Eles têm a maioria dos sintomas comuns e têm
certamente a dor. Muitos estudos indicam que existe uma diferença entre os níveis de dor nos homens e nas mulheres. No
entanto, a maior parte dos homens não concorda com estes resultados. Eles apresentam os pontos dolorosos, a síndrome
do cólon irritável, a fadiga crónica, as perturbações cognitivas, as dores e desconforto físico, o esgotamento físico e mental
e distúrbios do sono. Contudo, os estudos indicam que as mulheres apresentam as formas mais graves de dor.
Desde a mais tenra idade que se ensina e diz aos homens “não ligues” ou “atira para trás das costas”. Ideias como “sê um
homem e comporta-te como um homem” são muitas vezes “instigadas” nas mentes de rapazinhos e de jovens, desde muito
cedo. Os homens podem ter braços partidos, isso está bem, mas não está certo que um homem tenha de se deitar por
causa de uma dor de cabeça, ou por causa de dores generalizadas e rigidez muscular, ou qualquer outra das manifestações
graves de dor da FM. Isso não é “viril”, ou não é “próprio de um homem”.
Os jovens são criados com super-heróis: O Super-Homem, o Batman e a lista continua. A “kryptonite” incapacita o
Super-Homem e retira-lhe todos os seus super --poderes. Isto é aceitável. Não é aceitável é que um homem fique
incapacitado por uma qualquer doença invisível. É muitas vezes duro ter de saltar, de uma assentada, por cima de altos
edifícios quando uma pessoa nem sequer se consegue levantar da cama, e muito menos caminhar...e saltar é a última
coisa no mundo que alguém neste estado deseja fazer.
A fibromialgia não pode ser simplesmente ignorada. É “kryptonite” para todos os que têm a doença. Homem ou mulher, a
FM não faz distinção, nem tem preferência de género quando ataca o corpo da sua vítima. A fibromialgia é assim como uma
espécie de grande vilão – um qualquer super ser do mal semeando a destruição por onde quer que passe. É uma força
demasiadamente destrutiva para ser tão desconhecida da grande maioria dos profissionais de saúde. É verdade que é cada
vez mais aceite, mas atendendo a que já se manifesta entre nós desde o século IXX, é alarmante apercebermo-nos de que
os médicos sabem tão pouco acerca da doença.
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A fibromialgia causa mais do que dor física nos homens. Causa também dor emocional, e medo até – medo de perder a
esposa ou os que amam. O medo de perder amigos, familiares, colegas de trabalho, e até o emprego, é um pensamento
constante na mente dos homens com FM. Será que o medo que os homens sentem é maior do que o medo sentido pelas
mulheres? Não, não é. Se um divórcio é o resultado de anos a lidar com a fibromialgia, já não importa se era o homem ou
a mulher que sofria de FM, as dores de um divórcio são igualmente sentidas pelos dois indivíduos. O resultado é o mesmo.
É típico dos homens não se “abrirem” nem falarem do que lhes vai na alma, do que se passa nas suas cabeças, nas suas
vidas, e especialmente do que sentem. Alguns homens têm a sorte de ter um amigo com quem podem conversar sobre a
FM e de como se sentem, mas a maioria tem tendência a “enterrar” aquilo que realmente sente quando confrontada com a
doença. As mulheres fazem a mesma coisa. Faz parte da natureza humana básica.
À medida que o tempo passa, cada vez são diagnosticados mais homens com FM. Existe pouca informação sobre o assunto
dos homens e a fibromialgia. Não tem recebido tanta atenção como o das mulheres com FM. É verdade que há muito mais
mulheres com a doença do que homens. Isso pode dever-se em parte ao facto de os homens serem muito teimosos. Não
vão, nem irão ao médico por causa do que inicialmente parece ser apenas um mal estar e umas dores de pouca
importância.
Podemos interrogar-nos sobre como lidam os homens com a fibromialgia. Como lidam eles com o facto de já não poderem
brincar com os seus filhos, fazer coisas com os netos, ir dar uma volta com os amigos, e até fazer as tarefas mais simples
em casa? Eles sofrem. Por dentro. Lá bem no fundo. É assim que eles lidam com isso. Sofrem como as mulheres quando
confrontadas com as mesmas situações. Como se sentem eles quando são despedidos porque já não podem exercer o seu
emprego? Eles sofrem. Por dentro. Lá bem no fundo. Sentem tal e qual o mesmo que qualquer mulher que é despedida
porque a FM lhe roubou a capacidade de se manter a si própria e à família. É assim que os homens lidam com a FM.
É na expressão desses sentimentos que vemos algumas diferenças, muitos homens abafam sentimentos e guardam-nos
dentro de si, o que causa stress...o que agrava a FM. Muitos tornam-se irascíveis e amargos...mais uma vez piorando da
doença. Tendem a querer culpar alguma coisa ou alguém pela FM, por isso muitas vezes criticam ferozmente as pessoas
que estão à sua volta. Explosões de fúria mal contida são muito frequentes e essas não são, de forma alguma, específicas
do género masculino ou feminino. As mulheres agem frequentemente da mesma maneira.
Os homens tendem a resolver os seus próprios problemas. Estão habituados a “consertar” tudo o que se quebra e avaria.
Quando descobrem que não conseguem “consertar” a fibromialgia e têm de viver com ela, passam pelos mesmos
sentimentos que as mulheres experimentam quando tomam a decisão final de aprender a viver com a FM.
O mundo dos homens com fibromialgia é literalmente preenchido com verdadeiros super heróis. É feito de homens que se
levantam todos os dias e fazem o melhor que podem para levar uma vida normal; homens que tentam tão arduamente não
mostrar a dor que muitas vezes excedem os seus próprios limites só para terem alguns momentos extra com os seus entes
queridos...para ter uma fraçãozinha minúscula de uma vida normal. Tentam manter a posição de “homem da casa” o
melhor que podem; no entanto, não são capazes de o fazer sozinhos. Precisam do apoio da sua família e dos seus amigos.
Isto também é verdade no mundo das mulheres com FM, que tentam ser a esposa e a mãe.
Estes heróis adoptam uma boa atitude, um bom sentido de humor, um bom médico (que é difícil de encontrar), amigos
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íntimos, e laços familiares estreitos como ferramentas do seu “pacto social”. O humor pode ser uma ferramenta muito
eficaz para aguentar o dia. Mas mesmo com estas ferramentas, é muito difícil continuar sem desistir. Os verdadeiros
heróis, porém, simplesmente continuam a andar para a frente.
Quer se trate de um homem ou de uma mulher, a fibromialgia não se importa. Não tem piedade, é implacável. Assim,
muitas vezes é como se a FM tivesse uma única missão – produzir tanta dor quanto possível - física, emocional, e mental.
Parece atacar uma área do corpo e depois prosseguir para atacar outra. Portanto quem é que sofre mais – os homens ou as
mulheres? Isso é quase impossível de responder.
Fibromialgia. Dói. Cá dentro. Bem fundo de nós.
Fonte: http://www.fmaware.org/
NFA's FIBROMYALGIA ONLINE
Vol. 3, No. 9
May 7, 2003
Adaptação para a língua portuguesa:
Cristina Seabra

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