A transcendência pela tecnologia em 2001: A Space Odyssey

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A transcendência pela tecnologia em 2001: A Space Odyssey
A transcendência pela tecnologia em 2001: A Space Odyssey –
humanos, pós-humanos e trans-humanos.
Luís Paulo Piassi, Doutor em Educação
Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, [email protected]
Apoio: CNPq
Resumo: O filme 2001: Uma Odisseia no Espaço é até hoje uma das mais mencionadas
obras cinematográficas no que ser refere a suas complexas possibilidades de
interpretação. Nesse trabalho enfocamos a relação entre ser humano e tecnologia
presente no discurso da obra. Empregamos para isso o referencial da semiótica
greimaisina. Abordamos a questão da evolução humana no texto da obra, em sua
relação com o domínio da tecnologia e as contradições advindas de relações
dicotômicas como sujeito-objeto e humano-máquina. Finalmente, propomos algumas
categorias de análise que acreditamos possuírem validade para a interpretação de
produções de ficção científica que abordem a relação entre inteligências no contexto do
desenvolvimento tecnológico.
Palavras-chave: Ficção Científica, Cinema, Representações Ideológicas da Tecnologia,
Semiótica
Abstract: The film 2001: A Space Odyssey is one of the most mentioned as a reference
by their complex interpretation possibilities. In this paper we focus on the relationship
between humans and technology in the discourse of the film. We employ the theoretical
contributions from the greimaisian semiotics. We address the question of human
evolution in the text of the work in its relation to the field of technology and the
contradictions arising from relations such as subject-object and human-machine
dichotomies. Finally, we propose some categories of analysis that we believe having
validity for the interpretation of sci-fi works that address the relationship between
intelligence in the context of technological development.
Keywords: Science Fiction, Cinema, Ideological Representations of Technology,
Semiotics
Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível da mágica
O escritor britânico de ficção científica Arthur C. Clarke foi um dos mais
consagrados de seu gênero. Sua obra se caracteriza por uma preocupação com a
fundamentação precisa e pormenorizada dos aspectos científicos e tecnológicos
apresentados nos mundos ficcionais imaginados em algum tempo futuro (ou mesmo
passado). Esse procedimento, típico da chamada hard science fiction (ALLEN, 1976, p.
21), é empregado por Clarke para realizar especulações metafísicas sobre o futuro e os
destinos da humanidade (REID, 1997, p.23).
A obra mais conhecida de Clarke é provavelmente o roteiro do filme 2001:
Uma Odisseia no Espaço, dirigido por Stanley Kubrick (2001), escrito a quatro mãos
com o diretor nova-iorquino. Esse trabalho, que gerou concomitantemente um romance
homônimo (CLARKE, 1993) com pequenas diferenças de enredo, é um dos exemplos
mais marcantes do ponto de vista de Clarke sobre a relação entre o ser humano e a
tecnologia, expressa de forma sucinta na chamada Terceira Lei de Clarke que diz:
“qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível da mágica” (REID,
1997, p. 40).
Esse aspecto fundamental da obra de Clarke e, particularmente sua
manifestação na obra cinematográfica 2001: Uma Odisseia no Espaço, considerada uma
das mais importantes da história do cinema, nos permite estabelecer um modelo de
análise sobre as representações ideológicas das relações entre ser humano e tecnologia
no cinema. Para isso, empregaremos o referencial teórico derivado da semiótica
greimaisiana (GREIMAS, 1973; GREIMAS e COURTÉS, 2008).
A semiótica de linha francesa, derivada do trabalho de Greimas (1973) em sua
Semântica Estrutural tem como ideia central a compreensão de um texto a partir de seu
caráter narrativo. A abordagem formal da significação do texto proposta por Greimas se
baseia em três níveis de abstração interconectados. O primeiro deles, mais superficial é
o denominado nível discursivo, onde consideramos a formulação do espaço, tempo e
atores da narrativa tendo como pano de fundo as relações entre as figuras e os temas
apresentados no texto. Em um segundo nível, interpretamos a narrativa como a busca de
um sujeito abstrato por um objeto de valor, em uma espécie de sintaxe narrativa. No
terceiro nível, denominado nível profundo, a análise se dá por oposições semânticas de
valores, a partir de operações lógicas de asserção e negação que produzem relações de
contradição e contrariedade. O estudo da significação se dá pela análise interativa entre
esses três níveis denominada percurso gerativo do sentido, em que as condições
estabelecidas em cada nível se reportam às demais em uma relação de interdependência.
Nossa análise nesse trabalho estará concentrada nas oposições representadas pelo nível
fundamental.
Humanos e seus contrários
Em qualquer texto podemos verificar oposições implícitas de valores
semânticos e, eventualmente, identificar operações que levam de um polo a outro dessa
oposição. Nossa análise terá como ponto central a categoria semântica “humano”, a
partir da qual identificaremos as oposições existentes no conteúdo do filme. A história é
dividida basicamente em quatro partes. Na primeira delas, os personagens são um grupo
de hominídeos pré-históricos em um ambiente desértico, supostamente a savana
africana. O surgimento de um objeto geométrico de cor negra, um provável artefato de
origem inteligente, parece provocar alterações no comportamento dos hominídeos, que
passam a manipular ossos de animais mortos como instrumentos de caça e defesa. Além
disso, passam a consumir carne, enquanto antes do contato com o objeto sua
alimentação era baseada em vegetais.
Figura 1 – Hominídeos e tapires
Uma das primeiras cenas mostra os hominídeos alimentando-se de arbustos,
em disputa com outros mamíferos, tapires ou antas, que consomem o mesmo recurso.
Temos nesse caso uma oposição semântica entre duas categorias de animais: de um lado
os hominídeos, de outro os tapires. Ao colocar os dois em disputa pelo mesmo alimento,
em condições semelhantes, o texto afirma a condição dos hominídeos na categoria
“animal” em oposição à categoria “humano”. Essa asserção será reiterada em cenas
posteriores em que os hominídeos são atacados por leopardos, situando-se, portanto na
categoria de presas, assim como outros animais.
Na semiótica greimasiana, representamos a oposição entre categorias
semânticas através de um esquema denominado quadrado semiótico (GREIMAS e
COURTÉS, 2007, p. 400), que pode ser representado graficamente da seguinte forma:
Humano
Animal
Não Animal
Não Humano
Figura 2 – Relações de contrariedade e contradição entre as categorias “humano” e “animal”
As categorias semânticas fundamentais que estabelecem a oposição são
denominadas contrários. Sua relação, de acordo com a semiótica de Greimas, não é
direta, mas sim composta operações de asserção, ou afirmação intercaladas com
operações de negação. A passagem do sentido “animal” para o sentido “humano”
requer, portanto, ao menos uma negação da primeira condição e depois uma posterior
afirmação da segunda. O trecho do filme onde há a disputa pelos alimentos configura a
afirmação da condição animal, mas, ao mesmo tempo, tem como pressuposta uma
oposição imaginada entre ser animal e deixar de sê-lo, o que configura o processo de
evolução. Essa negação da condição animal aparece no filme após o surgimento do
artefato, o monólito negro, quando um dos hominídeos começa a manipular ossos e
imaginar que eles podem ser usados como instrumentos. Aqui nós temos a primeira
etapa da transição da categoria “animal” para a categoria “humano”, que se dá
justamente pela negação daquilo que antes se afirmava. A afirmação do contrário, no
entanto, só irá ocorrer no final da primeira parte quando, após derrotar um oponente a
golpes de fêmur, um hominídeo lança sua arma para o alto e o corte nos leva a um
satélite em órbita da Terra, seguido de uma série de artefatos espaciais, objetos
tecnológicos e ambientes confortáveis na ocupação humana do espaço. A tecnologia
representa assim, em seu primeiro estágio, o da manipulação dos ossos, a negação da
condição animal e, com seu desenvolvimento em espaçonaves e outros produtos
tecnológicos a afirmação da condição humana.
Interlúdio aristotélico
Aristóteles em sua “Arte Poética” faz o que é considerado por muitos a
primeira sistematização dos estudos críticos da história ocidental. Em sua classificação
dos gêneros poéticos enfatiza a suas distinções. A imitação, ou mimesis, aspecto
fundamental da obra de arte, pode se dar, de acordo com o filósofo grego, segundo
diferentes meios, objetos ou modos, que irão definir seus aspectos essenciais (COSTA,
2006, p. 10). Em relação ao objeto, a imitação pode se dar pela representação de
personagens melhores, iguais ou piores do que nós. Gêneros como a epopeia e o drama,
por exemplo, retratam seres melhores do que nós, em suas realizações, linhagens e
ações. A comédia, ao contrário, é protagonizada por pessoas piores do que nós.
Esse aspecto interessante da obra aristotélica permite estabelecer um parâmetro
semântico hierárquico para definir relações entre diferentes, em oposição à categoria
semântico “humano”. Verificamos que em muitas histórias, sobretudo as de fantasia, há
a representação de diversos seres outros, construídos em contrariedades com os
humanos. Entretanto, é de importância na análise considerar a relação hierárquica
existente entre os contrários. Por exemplo, histórias de fantasia muito comuns incluem
seres mortos-vivos, como zumbis ou vampiros. Embora isso possa depender do texto
específico, no geral observamos nos zumbis um comportamento idiotizado e mecânico
que os situa na categoria “inferiores a nós”, enquanto a força, inteligência e
sensualidade da maior parte dos vampiros tende a classificá-los como “superiores a
nós”.
Cabe aqui uma observação. A oposição “nós” e “eles”, que também forma uma
polaridade de contrários semânticos, não se confunde com a oposição entre “humanos”
e “outros”. A título de exemplo, citamos a famosa série de best-seller infanto-juvenil
Harry Potter (ROWLING, 2000) na qual os personagens principais são bruxos cuja
identificação é claramente feita com o leitor implícito, em oposição às pessoas normais,
ali denominadas “trouxas”, na tradução brasileira. Esse é um caso em que “nós” são os
outros (bruxos) e “eles” são os humanos. A análise da associação entre diferentes pares
de categorias semânticas contrárias presentes em um texto é um instrumento que
permite extrair associações arbitrárias que servem como base para a análise ideológica
do texto.
A passagem da condição “animal” para a condição “humano”, no primeiro
trecho de 2001: Uma Odisseia no Espaço representa uma elevação de status, sendo os
“animais” considerados “inferiores a nós” e, nesse texto em particular (assim como em
muitos, mas não em todos), com valor axiológico negativo, ou seja, ser animal é “ruim”
ou “não desejável”. Essa valorização negativa é denominada disforia, em oposição à
valorização positiva que é chamada de euforia (GREIMAS e COURTÉS, 2007, p. 149).
Nosso interesse nessa questão está no fato de que no filme há mais duas
oposições interessantes em relação à categoria semântica “humano”. A primeira delas se
dá com o monólito, que figurativiza uma inteligência, civilização ou algum tipo de ser
essencialmente inalcançável e incompreensível, mas, de todo modo, “superior a nós”. A
outra aparece na terceira parte do filme, na qual o personagem principal é o computador
HAL-9000. Talvez um dos aspectos mais interessantes seja examinar a questão desse
computador ser ou não enquadrável na categoria “igual a nós”.
Infra-humanos, trans-humanos, supra-humanos
As relações dos humanos com outras entidades em 2001: Uma Odisseia no
Espaço pode ser caracterizada em uma escala de valores hierárquicos, que definiremos a
partir da definição aristotélica de objeto da mimesis poética. Para esse propósito
trabalharemos com termos que denotam três possibilidades. Os infra-humanos, aqui
expresso através dos animais e dos próprios hominídeos, caracterizados por possuírem
características que permitem classificá-los como inferiores aos humanos em alguma
escala de valores.
Uma relação bastante distinta é aquela travada com o computador HAL-9000.
No filme, o grande dilema gira em torno do fato de HAL ter desligado o suporte de vida
de parte da tripulação e, depois, provocado a morte do astronauta Frank Poole. O
sobrevivente David Bowman decide então desativar a máquina com defeito. Do ponto
de vista de HAL, no entanto, são os humanos que têm defeitos e estão atrapalhando o
cumprimento da missão e, portanto, eles é que devem ser desativados.
Figura 3 – Humanos e seus contrários tecnológicos
HAL nos coloca assim uma nova contrariedade, entre “humano” e “objeto”. A
máquina, antes instrumento de poder humano, usada para a sobrevivência agora
reivindica status de sujeito. Se isso não era possível ao fêmur usado como arma no
início do filme e nem mesmo às espaçonaves, o fato é que considerar que uma máquina
pode pensar leva imediatamente à negação de sua condição de “objeto” e à
possibilidade latente de que se afirme sua condição “sujeito” e, dessa forma, iguale-se a
nós em suas potencialidades. A próxima etapa se dá por uma nova contradição
semântica, que poderia ser descrita como a oposição entre “discriminação” e
“reconhecimento”. Na narrativa de 2001, o computador nega sua condição de objeto e
afirma-se sujeito. A tripulação humana nega o reconhecimento desejado por HAL e
afirma a discriminação, que implica em sua condição de objeto, ao desativá-lo. O verbo
desativar denota aqui o não reconhecimento, pois não se trata de uma morte, possível
apenas a seres vivos, mas de um desligamento, próprio de máquinas. Esse tipo de
relação em que verificamos uma equivalência pressuposta de condições entre diferentes,
mediada por uma contradição semântica entre reconhecimento e discriminação define
uma categoria hierárquica que denominaremos trans-humanos.
Uma relação bastante diversa é aquela estabelecida com o monólito negro.
Claramente inalcançável à cognição, o monólito apresenta-se como o grande mistério
do filme, desde o princípio. Ninguém sabe o que ele é exatamente, se é uma máquina ou
uma entidade sobrenatural. Sendo máquina, não se sabe qual sua função. Sua
simplicidade e seu comportamento ao mesmo tempo indiferente e fugidio coloca a
compreensão humana, definidora da humanidade, em um patamar prosaico e elementar.
A segunda parte do filme afirma reiteradamente a evolução humana, com a conquista
confortável do espaço, o suporte tecnológico, as ações científicas precisas e a polidez
contida dos personagens. Naquele momento, o monólito surge como objeto: uma
descoberta surpreendente que vem afirmar o progresso científico humano. A negação de
sua condição de objeto se dá no final dessa parte, quando os astronautas são afetados
por um som insuportável, supostamente provocado pelo artefato. A terceira parte coloca
em dúvida a noção do progresso humano, com máquinas que não funcionam tão bem
como o planejado, em contraste com a obediência das espaçonaves da parte dois,
valsando ao som de Strauss. A afirmação final da condição de sujeito, para o monólito,
surge na parte 4, em que David Bowman está em observação, até o final de sua vida, em
um ambiente que reproduz um luxuoso quarto de hotel, símbolo do progresso cultural
humano, convertido em uma espécie de gaiola de cobaia. O monólito representa o
supra-humano em seu mais alto grau, aquele frente ao qual somos impotentes e
tornamo-nos reduzidos à condição de objetos, de animais. Claramente, uma tecnologia
suficientemente avançada para implicar a ambiguidade entre sua natureza natural ou
sobrenatural.
Considerações finais: a transcendência pela tecnologia
Articuladamente às categorias hierárquicas infra-humano, trans-humano e
supra-humano, poderíamos considerar as categorias temporais pré-humano e póshumano. O termo pós-humano (GRAY, 2001; PRAYAR, 2010) vem sendo utilizado
para denotar possibilidades evolutivas dadas por tecnologias cibernéticas e genéticas
que podem modificar não apenas o corpo humano, mas a forma como nos relacionamos
com o mundo. Independente de qualquer aspecto específico, entendemos que póshumano se refere a um estágio temporalmente posterior ao humano e dele derivado,
assim como os hominídeos do filme são expressos como pré-humanos, ou um estágio
anterior ao nosso.
A referência à pós-humanidade em 2001: Uma Odisseia no Espaço é sutil, mas
marcante, pela presença do feto nas cenas finais. As narrativas de Arthur Clarke tendem
a nos colocar a possibilidade de um novo passo evolutivo (REID, 1997, p.28). O feto
estaria representando esse salto transcendente, em direção a um novo estágio evolutivo.
O diagrama a seguir representa a configuração das expressões dos seres no conteúdo de
2001 em um esquema tipo cartesiano, onde o eixo horizontal representa as categorias
temporais e o vertical, as hierárquicas.
Figura 4 – Evolução humana e relações entre “outros” em 2001: Uma Odisseia no Espaço.
No filme, a categoria supra-humana é eufórica, ou seja, um destino desejável.
A linha ascendente representa o trajeto evolutivo, desde a condição de hominídeos até
as possibilidades incertas futuras, dadas pelo contato com o ser-artefato de inteligência
superior. A transcendência em Arthur Clarke tem caráter acentuadamente agnóstico,
com a ambiguidade entre o natural e o sobrenatural colocada em termos de uma
inscrição do possível sobrenatural, explicitamente em um mundo físico causal, mas com
leis e comportamentos não apenas desconhecidas, mas aparentemente incognoscíveis. O
motor dessa evolução, dessa transcendência em etapas se dá pelo domínio da
tecnologia.
Com essas categorias, acreditamos estar de posse de alguns instrumentos de
análise que podem ser aplicados na interpretação de produções literárias e
cinematográficas, sobretudo aquelas cujo conteúdo expressa relações entre ser humano
e tecnologia mediante o contato com outras formas de inteligência, geralmente
enquadradas no rótulo amplo de ficção científica.
Referências Bibliográficas
ALLEN, L. D. No mundo da ficção científica. São Paulo, Summus, 1976.
COSTA, L. M. A poética de Aristóteles. 2ª edição. Série Princípios, volume 217. São
Paulo: Ática, 2006.
CLARKE, A. C. 2001: A Space Odyssey: 25th Anniversary Edition. New York: Ruc
Trade, 1993.
GRAY, C. H. Cyborg Citizen: Politics in the Posthuman Age. New York: London:
Routledge, 2001.
GREIMAS, A. J. Semântica estrutural. São Paulo: Cultrix, Edusp, 1973.
GREIMAS, A. J.; COURTÉS, J. Dicionário de semiótica. São Paulo: Contexto, 2008.
KUBRICK, Stanley. 2001: uma odisseia no espaço. Com: Keir Dullea e Gary
Lockwood. Vídeo. DVD. Cor. 148 min. Warner, 2001.
PRAYAR, P. K. An Introduction to New Media and Cybercultures. Chichester:
Blackwell, 2010.
REID, R. A. Arthur C. Clarke: A Critical Companion. Westport: Greenwood Press,
1997.
ROWLING, J. K. Harry Potter e a pedra filosofal. Rio de Janeiro: Rocco, 2000.

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