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lições - Portal IAP
B ÍBLICAS
LIÇÕES
R E V I S TA PA R A E S T U D O S N A S E S C O L A S B Í B L I C A S
3º TRIMESTRE • 2013 • Nº 304
MISSÃO DA
ESCOLA BÍBLICA
Transformar as pessoas em
discípulas de Cristo, através
do ensino e da prática da
palavra de Deus.
Copyright © 2013 – Igreja Adventista da Promessa
Revista para estudos na Escola Bíblica. É proibida a reprodução parcial
ou total sem autorização da Igreja Adventista da Promessa.
DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO CRISTÃ
Diretor
Alan Pereira Rocha
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Redação
Rua Boa Vista, 314 – 6º andar – Conj. A – Centro
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Jornalista responsável
Pr. Elias Pitombeira de Toledo (MTb. 24.465)
Redação e preparação
de originais
Alan Pereira Rocha
Andrei Sampaio Soares
Eleilton William de Souza Freitas
Jailton Sousa Silva
José Lima de Farias Filho
Kassio Passos Lopes
Márcio Guimarães
Virginia Ronchete David Perez
Willian Robson de Souza
Revisão de textos
Seleção de hinos
Leituras diárias
Eudoxiana Canto Melo
Silvana A. de Matos Rocha
Andrei Sampaio Soares
Projeto Gráfico
Editoração e capa
Marcorélio Cordeiro Murta
Farol Editora
Atendimento e tráfego Geni Ferreira Lima
Fone: (11) 2955-5141
Assinaturas
Informações na página 112
Impressão
Gráfica Regente – Maringá, PR
SUMÁRIO
Apresentação ................................................... 5
1
A escola de Jesus Cristo ...................................... 7
2
O que é ser um discípulo? ................................ 15
3
Exigências do discipulado.................................. 22
4
Discipulado tem custo....................................... 29
5
A missão de todo discípulo ............................... 36
6
O que significa discipular? ................................ 44
7
Precisa-se de mentores ..................................... 51
8
Por que devo discipular? ................................... 58
9
O ensino que transforma .................................. 65
10
A pedagogia do discipulado.............................. 72
11
Formas de fazer discípulos ................................ 79
12
O mestre por excelência.................................... 86
Projeto Proclamar – Sábado especial ............ 93
13
A vida de um discipulador................................. 94
Sugestão para programa de culto .............. 101
Sermão: Pregue no poder do Espírito ........ 104
Confira, nas páginas centrais, o encarte com informações sobre a
49ª Assembleia Geral das Convenções da IAP
ABREVIATURAS DE LIVROS DA BÍBLIA
UTILIZADAS NAS LIÇÕES
4
ANTIGO TESTAMENTO
NOVO TESTAMENTO
Gênesis
Êxodo
Levítico
Números
Deuteronômio
Josué
Juízes
Rute
1 Samuel
2 Samuel
1 Reis
2 Reis
1 Crônicas
2 Crônicas
Esdras
Neemias
Ester
Jó
Salmos
Provérbios
Eclesiastes
Cantares
Isaías
Jeremias
Lamentações
Ezequiel
Daniel
Oséias
Joel
Amós
Obadias
Jonas
Miquéias
Naum
Habacuque
Sofonias
Ageu
Zacarias
Malaquias
Mateus
Marcos
Lucas
João
Atos
Romanos
1 Coríntios
2 Coríntios
Gálatas
Efésios
Filipenses
Colossenses
1 Tessalonicenses
2 Tessalonicenses
1 Timóteo
2 Timóteo
Tito
Filemon
Hebreus
Tiago
1 Pedro
2 Pedro
1 João
2 João
3 João
Judas
Apocalipse
Gn
Ex
Lv
Nm
Dt
Js
Jz
Rt
1 Sm
2 Sm
1 Rs
2 Rs
1 Cr
2 Cr
Ed
Ne
Et
Jó
Sl
Pv
Ec
Ct
Is
Jr
Lm
Ez
Dn
Os
Jl
Am
Ob
Jn
Mq
Na
Hc
Sf
Ag
Zc
Ml
Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
Mt
Mc
Lc
Jo
At
Rm
1 Co
2 Co
Gl
Ef
Fp
Cl
1 Ts
2 Ts
1 Tm
2 Tm
Tt
Fm
Hb
Tg
1 Pe
2 Pe
1 Jo
2 Jo
3 Jo
Jd
Ap
ABREVIATURAS DE TRADUÇÕES
E VERSÕES BÍBLICAS
UTILIZADAS NAS LIÇÕES
AM
ARA
ARC
AS21
ECA
NVI
KJA
BV
NBV
BJ
TEB
NTLH
A Mensagem
Almeida Revista e Atualizada
Almeida Revista e Corrigida
Almeida Século 21
Edição Contemporânea de Almeida
Nova Versão Internacional
Tradução King James Atualizada
Bíblia Viva
Nova Bíblia Viva
Bíblia de Jerusalém
Tradução Ecumênica da Bíblia
Nova Tradução na Ling. de Hoje
Apresentação
Enquanto Jesus vivia como ser humano na terra, o que mais fazia era ensinar. Investiu o seu tempo e dedicou a sua vida na instrução das pessoas. Foi
mestre, no sentido mais profundo da palavra! Contudo, algo intrigante em
sua pedagogia foi a escolha de seus discípulos: ele recrutou gente que rabi
nenhum daquela época recrutaria.
Os seguidores de Jesus eram pessoas improváveis: pescadores, pecadores
e publicanos; pessoas simples, pobres e de pouco saber. Alguns desses discípulos tinham temperamento explosivo ou eram inconstantes na fé; outros
tinham falhas graves de caráter e eram mal vistos pela sociedade. Mas Cristo
os escolheu e transformou suas vidas para sempre.
Essa transformação que eles experimentaram foi fruto da influência do
Mestre, através do seu ensino e da convivência com ele. Os discípulos permaneceram ao lado de Cristo, dia e noite, por, aproximadamente, três anos.
Ouviram suas parábolas, seus sermões e retinham, em suas mentes e em seus
corações, as belas e profundas lições que ele deixava.
O ensino de Jesus era diferente! Ele ensinava como quem tem autoridade
ao falar (Mt 7:28-29). Além disso, vivia o que pregava e pregava o que vivia.
Aqueles homens comprovaram isso, ao caminhar com ele. Assim, passaram
por treinamento intensivo e foram moldados conforme o caráter do Filho de
Deus, tornando-se mais parecidos com ele (Mt 26:73).
Quando o treinamento acabou, Jesus lhes deu uma ordem: Agora, vão e façam
discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. (Mt 28:19-20).
A ordem foi clara: “Façam discípulos”. Cristo queria, agora, que eles se reproduzissem espiritualmente em outros. Desejava que seus seguidores ensinassem aos
outros, do mesmo jeito que ele lhes havia ensinado. E assim eles fizeram.
Foi assim que surgiu o discipulado cristão. Jesus havia estabelecido um
processo de aprendizado pelo qual todo cristão deveria passar, para amadurecer na fé e tornar-se parecido com ele. Como podemos notar, na experiwww.portaliap
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5
ência dos primeiros seguidores de Cristo, esse é um processo de mudança de
vida e crescimento espiritual.
Concordamos com Josué Campanhã, que faz a seguinte afirmação: “Discipulado não é um método, mas um processo. A igreja que entende o processo
de discipulado está a caminho de uma transformação. Primeiro a transformação dos seus membros e depois a transformação do mundo”.1
Fazer discípulos faz parte da missão da igreja. É uma ordem de Cristo a todos
nós, pois todo verdadeiro cristão é um discípulo de Jesus, e todo verdadeiro discípulo é, também, um missionário. Sendo assim, devemos investir em discipulado,
porque se trata de uma necessidade da igreja. Precisamos conscientizar-nos de que
“discípulos sem ensino se tornam crentes raquíticos. Crentes que não são discípulos se tornam ativistas. Discípulos com ensino bíblico transformam o mundo”.2
Chegou a hora de redescobrirmos o grande valor do discipulado. Todo
cristão precisa conhecer o seu significado e vivenciar as bênçãos dessa prática
espiritual ensinada por Jesus. Por isso, temos a satisfação de apresentar aos
alunos da Escola Bíblica esta nova série de lições bíblicas, intitulada: “Façam
discípulos!: a ordem do Mestre a todo cristão”. Trata-se de uma série especial, pois faz parte das ações estratégicas do Projeto Proclamar.
De nada adiantará a igreja “fazer convertidos”, sem “fazer discípulos”.
Sem discipulado, não haverá retenção, nem crescimento saudável. Por isso,
um dos objetivos desta série de estudos é mostrar-lhe, através da palavra de
Deus, como você pode ajudar um novo convertido a chegar à maturidade
cristã, a se integrar na vida da igreja e a alcançar outros para Cristo.
Contudo, antes de alguém aprender a discipular, é indispensável entender
o que é ser um discípulo de Jesus. Ninguém pode ser um discipulador, sem,
antes, ser um discípulo. Por isso, nos primeiros estudos, vamos relembrar e
conceituar o que significa seguir a Cristo. Nos demais estudos, vamos mostrar-lhe como colocar em prática o conteúdo de Mateus 28:19-20, o mandamento do Senhor, que é para todos os seus seguidores.
Nosso desejo é que Deus use cada um destes estudos para impactar a sua
vida. Que você compreenda o significado mais profundo do que é ser discípulo de Jesus e que se sinta desafiado fazer discípulos para ele.
Ao Mestre por excelência, sejam a glória, a honra e o louvor.
Pr. Alan Rocha,
Diretor do Departamento de Educação Cristã
1. Campanhã (2012:116).
2. Idem, p.5.
6
Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
1
A escola de
Jesus Cristo
6 DE JULHO DE 2013
Hinos sugeridos – BJ 06 • BJ 132
OBJETIVO
TEXTO BÁSICO
Mostrar ao estudante
da palavra de Deus o
convite de Jesus, em
Mateus 11:28-30, para
que sejamos seus alunos
e mostrar as principais
diferenças entre o ensino
de Cristo e o dos rabinos
da sua época.
Venham a mim, todos os que estão cansados
e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso.
Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam
de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as
suas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu
fardo é leve. (Mt 11:28-30 – NVI)
LEITURA DIÁRIA
D
S
T
Q
Q
S
S
30/06
01/07
02/07
03/07
04/07
05/07
06/07
Mt 4:18-19
Jo 1:35-43
Is 2:3
Mt 7:28-29
Jo 8:2
Gn 5:22-24
1 Jo 5:3
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Comentários Adicionais
e os Podcasts
deste capítulo em
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INTRODUÇÃO
Uma das academias mais famosas da história foi a “Academia de Atenas”, fundada pelo
reconhecido filósofo Platão. Ele selecionou alguns estudantes promissores das escolas públicas da época e ofereceu-lhes educação regular, por um período de três ou quatro anos,
num local fixo. Essa academia, considerada a
primeira da história a oferecer ensino superior,
funcionou por mais de 900 anos.
Por mais famosa que essa escola de Platão
tenha se tornado e por mais alunos que tenha
formado, nunca treinou tantos alunos quanto
outra escola: a de Jesus Cristo. Isso mesmo:
Jesus também iniciou uma escola. O convite
para matricular-se nela encontra-se em Mateus 11:28-30, texto base desta lição. É deste
que trataremos no presente estudo.
__________________
1. Boice (2001:31-32).
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7
I
HISTÓRIA DE DISCÍPULO
Tornei-me cristão quando cursava o segundo grau. (...) Ninguém
havia dito que eu precisava ler a Bíblia. Ninguém havia dito que eu precisa orar ou ir à igreja. Ninguém havia me dado qualquer material para
ler, muito menos uma Bíblia. Fiquei alguns dias com meus sentimentos
divididos. De uma hora para outra, passei a não sentir mais prazer nas
diversões de que costumava participar com meus velhos amigos. Contudo, também não me sentia à vontade entre os cristãos.
Eu me senti isolado até que Deus usou um jovem chamado Mark
para me abrigar sob seus cuidados. Mark me observou durante aquele
estudo bíblico, no dia em que entreguei minha vida a Cristo. Ele se
aproximou de mim e disse simplesmente: “Eu gostaria de encorajá-lo
e levá-lo à igreja comigo.
Eu estava mais aberto para isso. Mark levou-me à Capela do Calvário
e começou a ajudar-me a crescer espiritualmente. Ele ensinou-me a ler a
Bíblia, e nós orávamos juntos. Mark não era um grande estudioso da Bíblia
ou alguém especialmente dotado para ensinar. Mas ele foi realmente o primeiro cristão que vim a conhecer pessoalmente como um modelo do que
significa ser um discípulo de Jesus e um discipulador de outras pessoas.2
Com base nessa história, comente com a classe sobre a diferença
que um cristão matriculado na escola de Cristo pode fazer na
vida de alguém que está dando os primeiros passos nessa escola.
II
PARA O DISCÍPULO ENTENDER
Que belo convite o de Jesus:
“Venham a mim” e “aprendam de
mim”. Mark, personagem da história
que acabamos de ler, o havia aceitado. Ele era um aluno da “escola de
Jesus Cristo”, e, como tal, prestou
__________________
2. Laurie (2002:137-138).
8
Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
ajuda a outro que dava os primeiros
passos nessa escola. Sua atitude fez
toda a diferença! Nós também precisamos acatar esse convite. Para que
entendamos tudo que envolve essa
atitude, estudaremos as particula-
ridades do convite de Jesus. O que
significa, então, estar na escola do
Mestre dos mestres?
1. A escola: O convite de Jesus,
em Mateus 11:28-30, tem como
pano de fundo a relação entre rabino (mestre) e talmidim (palavra hebraica no plural, que significa discípulos) de sua época. A análise deste
texto deixará isso evidenciado. No
início do cap.11, Jesus comenta sobre a rejeição do povo em relação a
ele e a João Batista (vs. 16-19). Depois, denuncia algumas cidades por
onde passara realizando a maioria
dos seus milagres e onde também
fora rejeitado (vv. 20-24).
Na sequência, Jesus louva a Deus
e entende que essa rejeição havia
sido planejada pelo Pai, que escondera as verdades sobre o reino de
Deus e sobre a relevância dos milagres de Jesus dos sábios e cultos e as
revelara aos pequeninos (v.25 – NVI).
Os “sábios e cultos” são os autossuficientes, que se consideram sábios
demais para serem ensinados; os
“pequeninos”, aqueles que “são dependentes e amam ser ensinados”.3
É neste contexto que Jesus, aquele que conhece o Pai melhor do que
ninguém e que o revela só àqueles a
quem quiser revelar (v.27), faz o seu
convite: Venham a mim (...); aprendam de mim (v.28,29). Jesus compara a vida cristã a uma escola em que
ele é o professor. Com esse convite,
3. Carson (2010:326).
ele está recrutando seguidores que
estejam dispostos a aprender. Não
os “cultos e sábios” (no sentido aqui
apresentado), mas os que desejam, de
fato, ser ensinados. Quem são estes?
2. Os alunos: Quem está apto a
matricular-se na escola de Cristo?
Aqui, começa uma das grandes diferenças entre Jesus e os mestres de
sua época, que também recrutavam
discípulos. Segundo Kivitz, acontecia
mais ou menos assim: Os meninos
de Israel iniciavam o estudo da Torá
(os primeiros cinco livros da nossa
Bíblia) aos 6 anos. Aos 10 anos, no
final do primeiro ciclo de estudos, já
haviam decorado toda a Torá. 4
Kivitz também diz que, a partir
daí, alguns voltavam para casa, para
aprender o ofício da família; contudo,
os mais destacados, continuavam na
escola judaica, num segundo estágio,
sob a orientação de um rabino. Esses
meninos extraordinários eram chamados de talmidim (discípulos). Aos
12 anos, já haviam decorado todas
as Escrituras. Aos 14, já debatiam a
tradição oral.5 Entre 14 e 15 anos, só
os melhores entre os melhores ainda
estavam estudando, geralmente aos
pés de um rabino famoso.
Quem eram então os talmidim? Os
meninos extraordinários. Contudo, o
convite de Jesus é para todos: Vinde
a mim, todos ... (Mt 11:28). O convite não é só para extraordinários: é
4. Kivitz (2012:7).
5. Idem.
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9
também para gente comum. Essa verdade é vista na escolha dos doze discípulos. Nenhum estava entre a classe
intelectual da época. Com certeza,
aos 10 anos, depois de decorar a
Torá, haviam voltado para casa, para
aprender o ofício da família, pois não
haviam se destacado nos estudos. Na
escola de Cristo, todos podem se matricular. O curso dura a vida toda; a
“formatura é a glorificação”.6
3. A cartilha: O que Jesus quis dizer com a frase: Tomem sobre vocês
o meu jugo, de Mt 11:29? Novamente, precisamos recorrer ao contexto
da época. Primeiro, vamos entender
o que é jugo. Jugo era a travessa ou
quadro de madeira com o qual dois
animais de tração eram aparelhados
pela testa e pela nuca e postos diante do arado ou do carro. Na época,
o jugo posto sobre os animais para
puxar cargas pesadas era usado na literatura judaica como uma metáfora
para a soma total de obrigações que,
segundo o ensino dos rabinos, uma
pessoa deveria assumir.7
Os rabinos tinham formas diferentes de interpretar as Escrituras, e
era esse conjunto de regras e interpretações de um mestre da Lei que se
chamava de “jugo do rabino”.8 Nesse ambiente, cada rabino tinha o seu
“jugo”, isto é, seu jeito de ensinar e
interpretar a lei e seus talmidim, que
6. Boice (2001:36).
7. Hendriksen (2001a:714).
8. Kivitz (2012:7).
10
Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
o seguiam. É justamente nesse contexto que Jesus aparece para dizer:
Tomem sobre vocês o meu jugo; ou
seja, Jesus também tinha uma forma
de interpretar as Escrituras. Ele também tinha o seu “jugo”, sua “cartilha” para os seus discípulos seguirem.
E qual a diferença entre o “jugo” de
Jesus e o dos rabinos? Ele disse: Meu
jugo é suave e o meu fardo é leve (Mt
11:30). Os rabinos oprimiam seus seguidores com seus ensinos. Veja que Jesus,
apesar de convidar a todos, destaca os
“cansados e sobrecarregados”. E quem
eram estes? Mateus 24:3 fornece a resposta: todos os que se achavam oprimidos pelo pesado fardo de regras e
regulamentos postos sobre os seus ombros pelos escribas e fariseus.9 Diferentemente destes últimos, o ensino de Jesus
não oprime nem escraviza. O jugo dele
é suave. A palavra grega traz a ideia de
“bem ajustado”. Voltando à associação
com o jugo posto sobre os animais, podemos dizer que o jugo de Jesus não esfola o pescoço, pois é feito sob medida.
4. O professor: Existem três informações, em Mateus 11:29, sobre
o nosso professor, que ressaltam sua
excelência: Em primeiro lugar, vemos
o aspecto relacional do seu ensino.
Jesus disse: ... aprendam de mim
(v.29 – grifo nosso). Aprender “de
mim” é diferente de aprender “sobre mim”. No judaísmo, a relação
entre rabino e talmidim era intensa,
e assim mesmo é a relação entre Je9. Hendriksen (2001a:713).
sus e seus discípulos. Enquanto nos
relacionamos diariamente com ele,
aprendemos dele. É na proximidade
de Jesus que somos transformados.
Em segundo lugar, vemos as características pessoais do professor.
O texto diz: ... pois sou manso e humilde de coração (v.29b). A palavra
“manso” poderia ser traduzida também por “meigo” ou “amistoso”. Jesus é um professor assim. Jamais será
intolerante com os que tropeçarem.
A NTLH traduz o termo por “bondoso” e a KJA, por “amável”. A expressão “humilde de coração”, por sua
vez, nos diz que sua “mentalidade é
determinada pela humildade”.10 Alguém assim nunca esnoba um aluno.
Em terceiro lugar, vemos os resultados do ensino do professor. Jesus
foi categórico: ... e vocês encontrarão descanso para as suas almas
(v.29c). Ele já havia dito, no v.28: ... e
eu lhes darei descanso. O ensino de
Jesus é libertador. O “eu” é enfático. Só Cristo pode “mostrar à alma o
descanso que ela precisa, bem como
dar-lhe confiança para com Deus”.11
Todo discípulo de Cristo tem “descanso” interior, segurança e firmeza,
diante de todo o exterior.
Ser um dos talmidim de Jesus não
significa ter uma vida isenta de problemas ou dificuldades; contudo,
significa ter alívio dos esmagadores
fardos que a falsa religião impõe,
que a consciência sobrecarregada de
pecados impõe. O jugo que os rabinos da época colocavam sobre seus
discípulos era insuportável. Por isso
mesmo, este convite de Jesus é fora
de série! O que você está esperando? Divulgue a escola de Cristo para
o máximo de pessoas possíveis!
10. Haubeck & Siebenthal (2010:111).
11. Champlin (1979:381).
01. Leia Mt 11:16-27, o item 1 e comente com a classe sobre o
contexto do convite de Jesus (Mt 11:28-30). Mostre a diferença entre
os “sábios e cultos” e os “pequeninos”.
02. Leia o item 2 e fale sobre a escolha dos talmidim da época de
Jesus. Quem eram esses meninos que tinham o privilégio de estudar
com os rabinos? E com Jesus? Quem pode ser seu discípulo?
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11
03. Leia Mt 11:28,30, o item 3 e diga o que Jesus quis ensinar com a
frase: “Tomem sobre vocês o meu jugo”.
04. Existem três informações sobre o nosso professor, Jesus, que
ressaltam sua excelência, em Mateus 11:29. Quais são elas? Baseie-se
no item 4.
III
PARA O DISCÍPULO PRATICAR
1. Matricule-se já, na escola de Jesus: as matrículas são inclusivas.
“Cubram-se com a poeira dos pés
do seu rabino”.12 Esse era um antigo ditado que havia entre os antigos
rabinos para os meninos talmidim.
O ensino por trás do ditado é que o
discípulo precisava seguir o mestre
bem de perto, a ponto de não perder
nenhum lance de sua vida, de estar
sujo com a poeira dos pés dele, no
final do dia. Que privilégio seria para
esse pequeno e privilegiado grupo
de meninos seguir e conviver de perto com os grandes rabinos da época.
Pois bem, nosso mestre é bem
maior e mais importante do que qualquer outro que tenha existido. É Jesus! Foi-nos dado o privilégio de o seguirmos de perto. Não importa quem
você é, qual a sua idade, a sua classe
social, o seu passado, “o momento
da vida em que você está (...). Jesus
está chamando você para andar com
ele e ser um de seus discípulos”.13
E, por favor, se você já é cristão há
anos, não pense que o convite não
serve mais para você! Nessa escola,
não há formaturas aqui, nesta vida. A
duração do curso é a vida toda!
12. Kivitz (2012:8).
13. Idem, p. 7.
12
Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
05. Leia a primeira aplicação e fale sobre o nosso grande privilégio
de sermos discípulos de Jesus. Quem está incluso e tem direito a ele?
2. Matricule-se já, na escola de Jesus: os ensinos são libertadores.
O jugo que os mestres de Israel
punham sobre os ombros das pessoas era imenso e consistia num legalismo totalmente sem fundamento.
Os discípulos deles tinham uma lista
extensa de estipulações e aprendiam
que a salvação só era possível “por
meio da rigorosa obediência a este
enorme volume de regras”.14 Pense
no quanto viver dessa maneira era e
é prejudicial! A tensão mental que
uma vida assim produz pode levar
e tem levado pessoas aos médicos
e aos hospitais. Não podemos compactuar com isso!
Ao dizer que seu jugo é suave e o
seu fardo é leve, Jesus está afirmando que o seu ensino é libertador. Isso
não significa que ele não exija nada
dos seguidores. O que ele pede brota da confiança nele, e a obediência
a seus mandamentos, por gratidão
pela salvação já comunicada por ele,
é deleitosa, produz paz e alegria. Assim, a pessoa que “vive este gênero
de vida não é mais escrava. Tornou-se livre”.15 O que você está esperando para viver este tipo de vida?
14. Hendriksen (2001a:715).
15. Idem, p.716.
06. Por que viver os ensinos de Jesus traz deleite para a vida? O que
podem produzir?
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13
DESAFIO DA SEMANA
Você se lembra do Mark, da história do início desta lição? Pois
bem, o Mark, aparentemente, era alguém que havia se matriculado na escola de Cristo. Ao menos essa foi a impressão que ele
passou para o amigo recém-convertido, que viu nele um discípulo
de Jesus, mesmo não sendo especialmente dotado para ensinar.
Todos nós precisamos nos perguntar se realmente estamos matriculados na escola de Jesus e se somos alunos assíduos, no que
diz respeito à participação das aulas. Examine-se, durante esta semana. Você já sabe de que escola estamos tratando, dos alunos
que nela estudam, do conteúdo ministrado e das características do
professor. Seja um aluno nota 10, estudando a palavra do professor (Bíblia), interagindo com ele, em oração, e, através do contato
com os outros alunos, entendendo mais sobre seu agir. É isso!
14
Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
2
O que é ser um
discípulo?
13 DE JULHO DE 2013
Hinos sugeridos – BJ 299 • BJ 391
OBJETIVO
TEXTO BÁSICO
Mostrar, através das
Escrituras Sagradas, que
o discípulo de Cristo é
caracterizado por uma
vida de obediência, amor
e muitos frutos.
Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos,
se tiverdes amor uns aos outros. (Jo 13:35)
LEITURA DIÁRIA
D
S
T
Q
Q
S
S
07/07
08/07
09/07
10/07
11/07
12/07
13/07
Jo 8:30-32
Jo 13:33-35
Jo 15:1-8
Mc 3:13-19
Rm 6:19-22
Gl 5:22-23
Mt 7:15-23
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Comentários Adicionais
e os Podcasts
deste capítulo em
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INTRODUÇÃO
Quando percorremos as páginas do Novo
Testamento, percebemos que os seguidores
de Jesus não eram conhecidos como “evangélicos”, “crentes” ou mesmo “cristãos”, como
acontece em nossos dias. Na verdade, Jesus
chamou aqueles que os seguiam de “discípulos”. A palavra “discípulo” (mathetés, em grego) aparece 269 vezes no Novo Testamento e
significa “aprendiz” ou “aluno”.
No entanto, os discípulos de Jesus não
eram aprendizes de conceitos filosóficos
ou teológicos. Jesus não fez discípulos
trancando-os numa sala de aula. Ele lhes
ensinava com a sua vida. Assim, um discípulo de Cristo é aquele que aprende a viver
como o seu mestre. Deste modo, na lição
de hoje, nós nos ocuparemos de mostrar o
que significa, de fato, ser um discípulo de
Jesus. Vamos ao estudo.
__________________
1. Phillips (2007:19).
2. Sousa (2012: 42).
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15
I
HISTÓRIA DE DISCÍPULO
Um dos mais fecundos compositores de cânticos litúrgicos cristãos
da Nigéria é Harcourt White. Ele é um leproso. Um dos principais centros mundiais para tratamento e cura de lepra é Uzuakoli, na região
oriental da Nigéria. Harcourt White foi para lá para se tratar.
Durante sua estada lá encontrou-se com o renomado médico da
hanseníase, Dr. Frank Davey. Além de ser clínico, também era pastor metodista e um talentoso músico. Harcourt White tinha ido para
Uzuakoli para curar-se da lepra. Enquanto lá estava encontrou muito
mais do que procurava. Ele aprendeu a arte de escrever e compor música, e descobriu o que significava ser discípulo de Jesus Cristo.
Quando era submetido aos testes clínicos para lhe conferir a cura,
capacitando-o a receber o certificado declarando estar curado, Harcourt White decidiu permanecer e trabalhar com os pacientes do leprosário. Ele também regeu e ensaiou o coro da capela da instituição.
Foi uma maneira de agradecer por tudo o que aprendeu e descobriu,
muito além do que esperava.3
Comente sobre a principal das descobertas do personagem
dessa história, enquanto estava na clínica de recuperação. Essa
descoberta mudou a sua vida em algum sentido?
II
PARA O DISCÍPULO ENTENDER
No evangelho narrado por João,
encontramos uma expressão muito
repetida por Jesus: “sereis” ou “sois
meus discípulos”. Nos textos de Jo
8:31, 13:35, 15:8, Jesus utilizou essa
expressão, indicando como seus seguidores poderiam “ser” verdadeiros discípulos. Cremos, portanto,
__________________
3. English (1995:67).
16
Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
que encontramos, nesses textos, as
características de um discípulo de
Jesus. A seguir, veremos quais são
estas características.
1. Permanecer na Palavra: Certa
feita, enquanto ensinava no templo,
Jesus falou desta característica básica
do discipulado: Se vós permanecerdes
na minha palavra, verdadeiramente sois
meus discípulos (Jo 8:31). Mas o que
será que Jesus estava querendo dizer
com isso? É muito simples. Para Jesus,
permanecer tem o significado de aderir
a seu ensino, orientar a vida por ele4.
Os ensinos de Jesus são a cartilha
de seus discípulos. Afinal, um discípulo verdadeiro está em sintonia com
a instrução do seu mestre.5 Mais do
que isso, a instrução do mestre torna-se regra de fé e prática do discípulo.6
Portanto, permanecer tem o mesmo
sentido de obedecer. Só permanece
na palavra de Jesus aquele que lhe
obedece. Essa é uma característica inconfundível de um discípulo de Cristo.
Infelizmente, a obediência à palavra parece não estar em alta, no
meio “evangélico”. Alguns cristãos
utilizam o método “mergulhe e
pule” de obediência à Escritura. Eles
mergulham nas promessas e pulam
as ordens.7 Preferem enfatizar as
bênçãos, os benefícios do discipulado, mas negligenciam completamente a marca de um verdadeiro
discípulo: a obediência.
Tragicamente, muitos se dizem
seguidores de Jesus; contudo, nem
sequer conhecem ou estudam sua
palavra. Como, então, poderão obedecer-lhe? Não se engane: se desejamos ser discípulos de Jesus, temos
4. Bruce (1987:173).
5. Idem.
6. Idem.
7. Philips (2007:47).
apenas um modo de fazê-lo: obedecendo a seus mandamentos. É ilusão, ou mesmo audácia, desejar ser
discípulo de Jesus sem lhe obedecer.
2. Amar uns aos outros: Jesus
estava preparando seus discípulos
para a sua partida. Ele já lhes havia garantido: Vou estar com vocês
apenas mais um pouco (Jo 13:33).
Sabendo, portanto, que pouco tempo lhe restava, tratou de lhes ensinar como poderiam se tornar seus
discípulos: Nisto conhecerão todos
que sois meus discípulos, se tiverdes
amor uns aos outros (Jo 13:35).
Eis aqui a inconfundível e peculiar
característica dos discípulos de Cristo: o
amor. Os atos de amor dos seguidores
de Jesus falam mais alto do que qualquer discurso ou pregação. Esses atos
de amor são o distintivo dos verdadeiros discípulos de Cristo. Sim, o amor é
a mais poderosa pregação que existe.
Assim sereis meus discípulos, garantiu
Jesus: se tiverdes amor uns aos outros.
Jesus diz que esse é um novo
mandamento (Jo 13:34). No Antigo
Testamento, a ordem era: Amarás
ao teu próximo como a ti mesmo
(Lv 19:18). Agora, no entanto,
o Mestre revoluciona, ao dizer:
Amem uns aos outros assim como
eu os amei (Jo 13:34). Este assim
como eu sugere que o caminho do
discipulado é a imitação de Cristo.
Ser discípulo é imitá-lo.
Encontramos inúmeras pessoas
religiosas, que participam ativamente de suas igrejas, mas cujas
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17
vidas, nem de longe, têm qualquer
semelhança com a vida de Cristo.8
Entretanto, se somos discípulos,
devemos aprender a tratar as pessoas com respeito e consideração,
com o cuidado e a graciosidade
com que Jesus as trataria.9 Por
quê? Porque o amor é a característica de um discípulo de Jesus.
3. Produzir frutos: Devemos perguntar ainda: Qual a característica de
um discípulo? Mais uma vez, Jesus
nos oferece uma bela resposta: Nisto
é glorificado meu Pai, que deis muito
fruto; e assim sereis meus discípulos
(Jo 15:8). Os discípulos de Jesus, então, são aqueles que dão fruto; aliás,
“muito” fruto. É importante entendermos do que Jesus está falando.
Em João 15, temos a alegoria da
“Videira”. Jesus diz que é a videira verdadeira (isso porque existem as falsas)
e compara seus discípulos aos ramos
dessa videira. Ele diz claramente que nenhum ramo pode dar fruto de si mesmo
(v. 4), e conclui: ... vocês também não
podem dar fruto, se não permanecerem
em mim (v. 4b – NVI). Se alguém permanecer em mim, e eu nele, esse dará
muito fruto (v. 5 – NVI). Aqui, temos o
segredo para a frutificação.
8.Sousa (2012:42-43)
9. Dudley (2006:295)
Produzir fruto, neste texto, é ser
semelhante a Jesus e refletir o seu
caráter. Deus é glorificado, quando
Jesus é refletido na vida dos seus discípulos, e é dessa maneira que estes
provam ser verdadeiros discípulos do
mestre da Galileia. O segredo para
refleti-lo não é outro senão permanecermos nele e ele em nós.
Um “ramo de videira não tem vida
nem utilidade se não continuar ligado à videira. A seiva viva que flui pelo
caule capacita-o a produzir uvas”.10
É assim com o discípulo de Jesus. É
na relação e na união com Cristo que
podemos refleti-lo e viver da maneira
que ele deseja: glorificando ao Pai,
amando o necessitado, servindo os
nossos irmãos na fé, proclamando a
boa nova do evangelho aos que estão sem esperança no mundo.
Você reparou que, ao longo desta
lição, repetimos, por várias vezes, a
expressão “verdadeiro discípulo”? A
razão pela qual fizemos isso é que,
em nossos dias, existem muitas pessoas religiosas que, por fora, parecem ser discípulas de Cristo, mas,
em suas vidas, não manifestam obediência, amor ou frutos. Não incorra
nesse equívoco! Seja um verdadeiro
discípulo de Jesus!
10. Bruce (1987:265).
01. Com base na introdução, comente em classe como Jesus chamou
seus seguidores. Eles eram conhecidos como evangélicos? O que é
ser um “discípulo”?
18
Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
02. Leia João 8:31; o item 1, e responda: O que significa permanecer
na palavra?
03. Leia o item 2; Jo 13:34-35, e responda: Qual a inconfundível e
peculiar característica dos discípulos de Cristo? Você acha que a
sociedade em que a igreja está inserida enxerga essa característica?
04. Leia João 15:8, o comentário do item 3 e responda: O que Jesus
estava querendo dizer com “produzir frutos”? Que frutos são estes?
III
PARA O DISCÍPULO PRATICAR
1. Seja um discípulo: imite a vida
de Jesus!
Todo discípulo é chamado para
“aprender as palavras, os atos e o estilo de vida do seu mestre”.11 A palavra-chave do discipulado cristão é “imita-
ção”. Um genuíno discípulo de Cristo
é aquele que o imita. Ser discípulo de
Jesus implica aprender com sua humildade e mansidão, negar o mundo12 e
permitir que seu caráter seja moldado
à semelhança do Mestre.
11. Philips (2007:19).
12. Idem, p. 44.
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19
É preciso admitir que essa característica do discípulo tem sido esquecida pelos cristãos hodiernos. No entanto, se você se propõe a ser discípulo de Cristo, deve estar disposto a
imitá-lo. Deve amar as pessoas como
ele as amava; viver em santidade
como ele viveu; orar como ele orava; perdoar como ele perdoou; fazer
discípulos como ele fazia, e ajudar os
necessitados como ele o fez. Seja um
discípulo: imite a vida de Jesus.
05. Seja honesto consigo mesmo: Você tem imitado a vida de Jesus?
Será que as pessoas com as quais você convive percebem que você se
parece com ele?
2. Seja um discípulo: obedeça aos
mandamentos de Jesus!
Uma característica dos cristãos
pós-modernos é a completa aversão
à obediência, a rejeição à lei e aos
mandamentos do Senhor. “Estamos
no tempo da graça”, dizem. Esquecem-se de que a graça nos capacita
à obediência, não à desobediência.
Isso nos lembra o que Jesus disse:
Nem todo o que me diz: Senhor,
Senhor! entrará no Reino dos céus,
mas aquele que faz a vontade de
meu Pai, que está nos céus (Mt 7:21)
Não basta vir à igreja, cantar,
ofertar etc. É preciso obedecer aos
mandamentos de Cristo. Muitos
dirão a Jesus: Senhor, Senhor, não
profetizamos nós em teu nome? E,
em teu nome, não expulsamos demônios? E, em teu nome, não fizemos muitas maravilhas? E ele lhes
dirá: Nunca vos conheci; apartai-vos
de mim, vós que praticais a iniquidade (Mt 7:22-23). Não se engane:
um verdadeiro discípulo obedece
aos mandamentos de Jesus.
06. Comente com a classe sobre a aversão de muitos cristãos à
obediência. É possível ser um discípulo de Jesus, sem lhe obedecer?
20
Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
DESAFIO DA SEMANA
Estudamos, hoje, sobre o que significa ser um discípulo de Jesus
e quais são suas características. O desafio desta semana será aferir
essas características em nossas próprias vidas. Você tem obedecido
aos mandamentos do Senhor? Tem amado as pessoas como Jesus
as ama? Você precisa perdoar alguém? E seus frutos? Você está
se parecendo mais com Jesus? Faça o seguinte: acorde mais cedo,
nesta semana, para ler a palavra e orar. Leia os textos desta lição
e, em oração a Deus, peça a sua ajuda para ser obediente, amar as
pessoas como ele as ama e ser um discípulo cheio de frutos, para
a glória de Cristo.
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21
3
Exigências do
discipulado
20 DE JULHO DE 2013
Hinos sugeridos – BJ 315 • BJ 186
OBJETIVO
TEXTO BÁSICO
Ensinar ao estudante
da Escola Bíblica, com
base na palavra de Deus,
que a escola de Jesus
tem suas exigências,
que devem ser postas
em prática, de maneira
convicta e submissa.
Então, convocando a multidão e juntamente
os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quer
vir após mim, a si mesmo se negue, tome a
sua cruz e siga-me. (Mc 8:34)
LEITURA DIÁRIA
D
S
T
Q
Q
S
S
14/07
15/07
16/07
17/07
18/07
19/07
20/07
Mc 8:34-38
Mt 19:16-22
Lc 9:57-62
Fp 2:5-11
2 Co 5:14-15
Cl 3:5-11
Gl 6:11-17
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22
INTRODUÇÃO
No estudo da semana passada, aprendemos o que é ser um discípulo. Analisamos
as características que este deve possuir.
Hoje, porém, trataremos das exigências do
discipulado. A propósito, o termo exigência
parece um tanto ríspido, nos dias de hoje.
Estamos cada vez mais acostumados a ter as
coisas de modo fácil e rápido, sem complicações ou sacrifícios.
Isso acaba por se refletir, de certa maneira, no âmbito religioso. Não é pouco o número de pessoas que rondam diversas igrejas, no intuito de encontrar uma religião sem
exigências, um lugar em que não se sintam
incomodadas em suas vontades, em que o
foco seja, acima de tudo, o ser humano. O
problema é que tais cristãos nunca serão, de
fato, discípulos de Jesus. Isso porque o discipulado tem suas exigências. Sobre estas,
estudaremos a seguir.
Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
I
HISTÓRIA DE DISCÍPULO
Susi era uma jovem universitária que havia crescido na igreja. Sua
família era rica, influente e ela se preparava para ser uma arquiteta de
renome, como seus pais. Já era batizada, frequentava as atividades da
igreja e era bem popular entre os jovens. Sentia que era salva, mas seu
compromisso com Jesus e com a igreja era superficial e ela mesclava
sua vida na igreja com a balada em lugares impróprios, uma vida cheia
de riscos e envolvimento com pessoas duvidosas. Ela sempre ouvia
falar da importância do discipulado, mas achava que isto era somente
para jovens que queriam ser “coroinhas do pastor”.
Depois de algum tempo, começou a perceber mudanças profundas
na vida de uma prima que também frequentava a igreja e que estava
participando do processo de discipulado. Aquilo começou a incomodá-la, pois as duas eram tão amigas, mas agora tinham atitudes e comportamentos diferentes. O incômodo a levou a participar de um grupo
de discipulado e ali começou o processo de transformação em sua vida.
Alguns meses depois de iniciar o processo de discipulado, ela compartilhou em seu grupo:
Preciso confessar para vocês hoje alguns pecados que tenho cometido contra Deus, contra meus pais e até mesmo contra a liderança da
igreja. Deus tem mexido profundamente com meu coração, e tirado
minha rebeldia, além de mostrar-me quanto preciso depender dele.1
De acordo com o texto acima, que tipo de atitudes uma pessoa
passa a valorizar, depois que entende que o discipulado exige
um comprometimento verdadeiro?
II
PARA O DISCÍPULO ENTENDER
Ao contrário do que fazem muitos
líderes religiosos de nosso tempo, Jesus
não pregava o que as pessoas almejavam ouvir. Por isso, cuidou em anun-
ciar a sua própria morte (Mc 8:31).
Em seguida, convocou a multidão e os
discípulos para lhes falar a respeito das
exigências do discipulado (v.34), que
__________________
1. Campanhã (2012:27-28).
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23
expressam as condições para permanecer na escola da qual ele é Senhor e
Mestre. Analisemos, portanto, as suas
instruções, com base em Mc 8:34.
1. Se alguém quer vir após
mim: Estas são as palavras que Jesus
proferiu, em Mc 8:34, antes de falar
das exigências do discipulado. Elas
revelam, antes de qualquer coisa,
que o caminhar com Jesus é condicional. Em outros termos, ninguém
pode ser discípulo de Jesus de qualquer maneira. O discipulado não é
movido pela quantidade de pessoas,
mas pela qualidade delas. Por isso,
deve ser levado a sério.
A expressão Se alguém quer
vir após mim revela uma proposta
abrangente. Jesus não se limita a oferecer a oportunidade de segui-lo a
uma elite espiritual, mas a todos que
quiserem. A Nova Bíblia Viva traduz
essa expressão assim: Se qualquer
um de vocês quiser ser meu seguidor.
O evangelho não é exclusivo, mas inclusivo e destinado a todas as classes,
sem distinção de cor, idade, sexo, etnia. Nesse sentido, qualquer pessoa
poderá ser um discípulo de Jesus.
Além disso, a mesma expressão
revela, também, a necessidade de
uma resposta voluntária. É correto
dizer, portanto, que a “soberania
de Deus não violenta a vontade humana. É preciso existir uma predisposição para seguir a Cristo”.2 Ele
nos concede o benefício da livre
escolha. A decisão é nossa. Ele não
quer que o sigamos por força ou
violência, mas por amor à sua pessoa e ao seu evangelho.
2. A si mesmo se negue: Negar-se, por sua vez, sugere a primeira exigência do discipulado. O que significa
negar a si mesmo? Significa, sobretudo, completa submissão ao senhorio
de Cristo, ou seja, o ego não tem
autoridade.3 Essa é uma condição
indispensável a quem almeja ser um
verdadeiro discípulo de Cristo.
Essas palavras proferidas por Jesus são confrontantes. Nem todas as
pessoas se propõem a abrir mão do
orgulho, da soberba, da presunção,
da autoconfiança. Poucos aceitam
descer do pedestal em que se encontram. Muitos gostam de ser servidos,
mas somente uma minoria dedica-se
a servir. Todos pecam, mas nem todos confessam o seu pecado.
Quando negamos a nós mesmos,
renunciamos a nossa própria vontade
pela vontade do Mestre e damos-lhe
toda a prioridade sobre nossa vida.
Satanás não fez isso; antes, optou
por ser arrogante (Is 14:13-15). O seu
pronome preferido era o “eu”: eu subirei ao céu; eu exaltarei o meu trono;
eu me assentarei no monte da congregação; eu subirei acima das mais
altas nuvens. Cristo, por sua vez, negou-se, assumindo a forma de servo
(Fp 2:5-11). É este e não aquele que
devemos tomar por exemplo.
2. Lopes (2006:393).
3. MacDonald (2009:14).
24
Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
3. Tome a sua cruz: A terceira expressão de Jesus é por demais
impactante, não só para nós, mas,
principalmente, para os seus contemporâneos. Para termos uma ideia, ao
ouvirem a expressão tome a sua cruz,
eles “pensaram num instrumento
cruel de tortura e morte. Pensaram
na morte pelo método mais agonizante jamais conhecido pelo homem.
Eles pensaram nos miseráveis criminosos condenados que pendiam as
cruzes à beira da estrada”.4
Portanto, não faria sentido associar
a expressão tome a sua cruz a uma
doença, a uma pessoa problemática
ou a uma situação estressante do
dia-a-dia. O ato de tomar a cruz não
provém de uma circunstância, mas de
uma escolha. Quem almeja ser discípulo de Jesus, condiciona-se, voluntariamente, a carregar a sua cruz.
Tomar a cruz significa, portanto,
enfrentar a vergonha, a perseguição
e o abuso que o mundo lançará sobre todo aquele que optar por seguir
contra a corrente,5 que disser “não”
às propostas tentadoras do maligno.
Tomar a cruz é trilhar o caminho do
sacrifício, mesmo que o final deste
seja a morte. Paulo escolheu a cruz:
Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro (Fp 1:21). E
nós, o que escolheremos?
4. Siga-me: Por fim, Jesus traz à
tona a sua última exigência concer4. MacArthur Jr. (2003:232).
5. MacDonald (2009:14-15).
nente ao discipulado: Siga-me, disse
ele. A abnegação e a cruz conduzem o
discípulo a ninguém menos que Cristo.
Seguir Jesus é imitá-lo, é ser parecido
com ele, é agir como ele agiu. É isso
que o verdadeiro discípulo faz: imita o
seu mestre. Seguir Cristo é fazer o que
ele faria em nosso lugar. É amar o que
ele ama e aborrecer o que ele aborrece.
É viver a vida na perspectiva dele.6
Seguir Jesus, porém, não é uma
atividade esporádica, mas corriqueira, habitual. É diária e contínua. Lucas 9:23 diz: ... dia a dia tome a
sua cruz e siga-me (grifo nosso). Não
podemos perder o nosso tempo com
outra coisa que não seja seguir o Senhor. Quem quer ser discípulo dele,
não pode esquecer-se disso. Seguir
homens e mulheres carismáticos, e
não Jesus, é um erro que muitos cometem, lamentavelmente.
Seguir Jesus não é uma atividade
secundária, mas prioritária. Em certa ocasião, um dos discípulos pediu
a Jesus permissão para sepultar o
próprio pai. A resposta do Mestre
foi: Segue-me, e deixe aos mortos o
sepultar os seus próprios mortos (Mt
8:22). Só Jesus, e mais ninguém, é a
prioridade do discípulo. O contrário
disso não tem respaldo bíblico.
Portanto, não voltemos atrás em
negarmos a nós mesmos, carregar a
nossa cruz e seguir a Cristo, pois o
discipulado, como vimos, tem suas
exigências. Motivados pelo amor a
6. Lopes (2006:395).
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25
Jesus e a seu evangelho, devemos
aceitá-las de bom grado. Para o dis-
cípulo praticar, veremos, a seguir,
duas importantes lições.
01. Após ler o item 1, responda: O que revela a expressão se alguém
quer vir após mim?
02. Com base no item 2, explique o que significa a expressão a si
mesmo se negue.
03. O que significa tomar a cruz? É correto associar essa expressão
a uma doença, a uma pessoa problemática ou a uma situação
estressante do dia-a-dia? Por quê? Baseie-se no item 3.
04. Após ler o item 4, responda: O que é seguir Jesus? Por que esta
prática não é uma atividade esporádica nem secundária?
III
PARA O DISCÍPULO PRATICAR
1. Siga Jesus de maneira convicta.
Às multidões e aos discípulos, Jesus
disse: Se alguém quer vir após mim
26
Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
(Mc 8:34a). Mesmo sendo Senhor e
Mestre, Jesus não obriga as pessoas
a segui-lo. Tampouco as engana, pro-
metendo um evangelho fácil, barato,
sem sacrifícios. Não é esse o seu perfil.
Ao contrário, Cristo procura ser firme
e claro em suas palavras. Ele permite
às pessoas o ato de decidir.
O jovem rico, descrito em Mt 19:2022, pôde escolher não ser um discípulo de Cristo, ao contrário de Levi, que
não hesitou em seguir a Jesus (Mc
2:14). Portanto, sejamos discípulos,
não por coação, mas por convicção
pessoal. Sigamos após Jesus, por livre
e espontânea vontade. Somente por
meio do amor não fracassaremos em
negar a nós mesmos, carregar a nossa
cruz e seguir o Mestre.
05. Por que é preciso seguir a Jesus de maneira convicta? Responda
com base na primeira aplicação.
2. Siga Jesus de maneira submissa.
Negue-se a si mesmo (Mc 8:34b)
é uma expressão por demais importante, por dois motivos. O primeiro
deles é que foi proferida por Jesus,
o Senhor dos senhores. O segundo
motivo é que foi destinada a todos os
que desejam ser seus discípulos, em
todas as épocas. Em outras palavras,
essa exigência é para nós, também.
Hoje em dia, poucos querem
submeter-se ao senhorio de Jesus. É
muito mais cômodo segui-lo de longe, não ter comprometimento com
nada, não lhe dar satisfações. Não
ajamos assim. Rendamo-nos as suas
exigências. Disponhamo-nos a servir
a ele e aos outros. Abaixo o orgulho,
a arrogância, a presunção. Viva a humildade e a submissão! Prevaleça a
vontade de Cristo sobre a nossa.
06. Por que é preciso seguir a Jesus de maneira submissa? Responda
com base na segunda aplicação.
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27
DESAFIO DA SEMANA
O estudo de hoje chegou ao fim, mas o desafio continua. Como
vimos, negar a si mesmo, carregar a cruz e seguir a Jesus são exigências do discipulado. Sabendo disso, somos desafiados, nesta
semana, a refletir sobre cada uma dessas exigências, praticando-as, diariamente. Se o seu ego tem falado mais alto, sujeite-o a
Cristo. Lute contra a arrogância. Se você tem sido tentado a se
conformar com o mundo, não ceda. Nade contra a maré. Sujeite-se à perseguição e carregue a cruz. Se o seu caráter não tem sido
semelhante ao de Jesus, submeta-se à transformação. Faça o que
ele faria. Pense como ele.
28
Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
4
Discipulado
tem custo
27 DE JULHO DE 2013
Hinos sugeridos – BJ 92 • BJ 173
OBJETIVO
TEXTO BÁSICO
Motivar o estudante da
Bíblia Sagrada a considerar
o custo de seguir a
Jesus, a fim de se tornar
um discípulo autêntico,
servindo ao Senhor com
perseverança e desapego.
Pois qual de vós, pretendendo construir uma
torre, não se assenta primeiro para calcular
a despesa e verificar se tem os meios para a
concluir? (Lc 14:28)
LEITURA DIÁRIA
D
S
T
Q
Q
S
S
21/07
22/07
23/07
24/07
25/07
26/07
27/07
Lc 14:25-33
2 Tm 3:11-12
Hb 11:32-38
Mc 10:29-31
Mt 10:16-26
Hb 10:32-34
Hb 10:35-39
INTRODUÇÃO
Na lição da semana passada, estudamos
sobre as exigências apresentadas a quem se
propõe a seguir Jesus. Hoje, porém, trataremos do custo do discipulado. “Como assim?”, alguém poderia perguntar. “Seguir
Jesus tem custo?”. Certamente. E mais do
que isso: nós é que arcaremos com esse custo, que não é barato.
Portanto, cuidado com o evangelho da
teologia da prosperidade. Se alguém usa,
em seus sermões, expressões como: “Pare
de sofrer”, desconfie. Jesus não trilhou por
esse caminho. Como as multidões que seguiam Jesus, há pessoas, em nosso tempo,
que frequentam igrejas somente em busca
de benefícios. O que Cristo nos ensinou, porém, foi o caminho do sacrifício.
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29
I
HISTÓRIA DE DISCÍPULO
Tiago era um adolescente criado na igreja desde bebê. Com 14 anos,
liderava os adolescentes na igreja e tinha tudo para seguir os passos
dos seus pais que também eram líderes. O pai era médico renomado
na capital onde moravam (...). Tiago tinha três irmãos e todos eram
cobrados severamente pelos pais em seus estudos, comportamento
e perspectiva profissional. Durante algum tempo, Tiago começou a
observar a vida de alguns jovens mais maduros que ele, e percebeu
que todos que eram discipulados mudavam radicalmente seu estilo de
vida. Ele (...) pediu que alguém o discipulasse.
Ele deixou de ser o “garoto perfeito” que todos admiravam e que
era orgulho dos seus pais e se transformou num “missionário itinerante”. (...) Em seguida, ele recebeu o chamado de Deus e decidiu que
seria missionário em países onde há perseguição religiosa. Essa experiência foi quase um choque para o seu pai que idealizava para ele uma
carreira bem-sucedida de médico na cidade onde estavam. Certo dia,
o pai de Tiago procurou o pastor para expressar seu espanto. Primeiro
ele perguntou:
– O que vocês fizeram com meu filho?
Depois ele afirmou:
– (...) Eu sempre fui exigente com os meninos, mas queria apenas
que eles fossem bons frequentadores da igreja como nós fomos
a vida toda. Hoje, é o Tiago que me chama a atenção para que
eu viva um evangelho verdadeiro como discípulo de Cristo e fico
envergonhado, pois os meus valores estão muito mais ligados às
coisas materiais do que as espirituais.1
Com base nesse texto, responda: Quanto pode custar para uma
pessoa o real comprometimento com Cristo?
II
PARA O DISCÍPULO ENTENDER
A salvação é por graça. É um dom
exclusivo de Deus e não vem de nós
__________________
1. Campanhã (2012:54-55).
30
Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
(Ef 2:8), nem de nossas obras (v.9).
Nada pagamos por ela. Permanecer
na escola de Jesus, porém, envolve
o custo da renúncia e este é um preço com o qual todos nós precisamos
arcar, a menos que optemos por
não seguir o Mestre. É isso que o
Senhor ensina às multidões, em Lc
14:25-33. Relacionado a esse ensino, três importantes aspectos merecem destaque. Vejamo-los.
1. Novas prioridades: O ensino
de Jesus sobre o custo do discipulado começa da seguinte maneira: Se
alguém vier a mim e não aborrecer
a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos,
e irmãos, e irmãs, e ainda também a
sua própria vida, não pode ser meu
discípulo (Lc 14:26 – grifo nosso). Dá
para ser mais direto do que isso? Jesus não deu voltas. O ensino aqui é
sobre prioridades.
Quando colocamos o pé na estrada do discipulado, o foco deve
estar em Jesus. O termo “aborrecer” tem o sentido de amar menos,2
ou seja, o amor a Cristo deve superar
o amor por qualquer outra pessoa
ou coisa, inclusive os nossos próprios
desejos. A NVI traduz o versículo
neste sentido: Se alguém vem após
mim e ama a sua família, e até a sua
própria vida mais do que a mim, não
pode ser meu discípulo.
Um discípulo de Jesus deve estar
preparado para, se necessário, colocar a devoção ao seu Senhor acima
de qualquer ligação terrena. É importante entendermos também que,
quando Jesus fala sobre “aborrecer”
os familiares, não está nos encorajando ou ordenando a desprezar a
família, maltratá-la, deixá-la de lado
e não lhe dar atenção; afinal, se temos de amar até os nossos inimigos,
por que seria diferente com a nossa
própria família?!
“Aborrecer” também expressa
“preferência”. Essa palavra aparece em Rm 9:13 com esse sentido. A
ideia do versículo é a seguinte: “...
se houver conflito entre a lealdade
familiar e o desejo de seguir Jesus,
a pessoa tem de escolher Jesus; a
família e a própria vida (i.e., desejos
pessoais, desígnios e expectativas)
só podem ter o segundo lugar”.3 Se
desejamos seguir mesmo Jesus, sejamos absolutamente fiéis a ele.
2. O discipulado não é uma
aventura: À luz do v. 26, analisado
no item anterior, deu para perceber
o quanto a decisão de seguir Jesus
é séria. Ele não apresentou propostas que dependem da situação. Ao
contrário, para inculcar essa verdade na mente dos seus ouvintes,
Jesus conta duas parábolas. Ele
compara o caminho do discipulado
a dois empreendimentos.
A primeira parábola diz respeito à construção de uma torre (Lc
14:28-30). Jesus fala de alguém
que, antes de iniciar a construção,
se assenta para calcular o preço e
ver se terá dinheiro suficiente para
2. Hendriksen (2003:275).
3. Arrington & Stronstad (2003:418).
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31
completá-la. É vergonhoso para um
construtor deixar um edifício inacabado, porque seu capital se esgotou antes de terminar a construção.
As outras pessoas, ao verem os alicerces postos, sabendo que o dono
não tem condições de terminar,
irão zombar dele.
A segunda parábola diz respeito
ao envio de um exército à guerra
(vv.31-32). Jesus conta sobre um rei
que descobriu que o exército inimigo tinha o dobro do número de soldados do seu; então, se questiona
se vai ou não à guerra, pois é bem
provável que um exército de 20 mil
soldados derrote um com 10 mil.
Antes mesmo de ir à guerra, esse
rei precisa considerar tais questões.
E levando em conta a possibilidade
da derrota, deve enviar mensageiros,
pedindo condições de paz. Quão insensato é um comandante que não
calcula a força das suas tropas, antes
de levá-las ao campo de batalha!
Jesus também pede para os seus
discípulos calcularem se podem ou
não segui-lo. Ele não quer pessoas
que “tenham com ele compromissos
superficiais e inconsequentes. O discipulado não é uma aventura. Não
é compromisso assumido passionalmente, por emoção, no entusiasmo
do momento”.4 Reflitamos, antes de
dizer que queremos seguir Jesus.
3. Uma questão de tudo ou
nada: A expressão “não pode ser
meu discípulo” se repete três vezes, no trecho analisado nesta lição
(Lc 14:26,27,33). Jesus não floreava
nada mesmo: ninguém é obrigado a
segui-lo, mas, se alguém quiser fazê-lo, que faça as contas e não entre de
maneira irresponsável nessa relação.
Voltando às parábolas da torre
e do exército, é importante destacarmos que o cálculo para seguir
Jesus não é do tipo: “Tenho dois
milhões e vou gastar quinhentos
mil na torre”, ou: “Tenho um exército de cem mil soldados, mas vou
enviar apenas cinquenta mil para
a batalha”. Não! No discipulado,
“não contabilizamos expectativas
de investimento, margens de retorno, relação de custo benefício,
como se estivéssemos calculando
uma relação de lucros e probabilidades de sucesso”.5
O cálculo, na verdade, não tem
muitos segredos: ou você entrega
tudo, ou, então, não entrega nada:
... se não estiverem dispostos a renunciar até o que há de mais importante na vida de vocês – sejam
planos, sejam pessoas –, não estão
preparados para ser meus discípulos
(v.33 – AM). Todo discípulo precisa
estar disposto a entregar tudo a Jesus, se necessário for.
Jesus encerra esse trecho com a
imagem do sal imprestável: O sal
é bom, mas se ele perder o sabor,
como restaurá-lo? Não serve nem
4. Kivitz (2012:225).
5. Idem.
32
Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
para o solo nem para adubo; é jogado fora (Lc 14:34-35). Jesus usa
essa imagem por duas razões: Em
primeiro lugar, para enfatizar que
segui-lo envolve reflexão, pois um
discípulo que desiste no meio do
caminho (apostasia), porque a jornada é difícil demais, é como o sal
imprestável; em segundo lugar,
para ensinar que o discípulo que
não vive como discípulo vale tanto quanto sal que não salga. Seus
discípulos não podem ser “meros
discípulos nominais. Devem ser sal
genuíno, que ainda não perdeu
seu sabor”.6
O cerne do discipulado é viver em
total comprometimento com Cristo;
é amá-lo acima de todas as demais
coisas; é segui-lo com os pés no
chão. Essas são qualidades inerentes
ao discipulado. Se não as possuímos,
independentemente de quais outras
tenhamos, não estamos aptos para
seguirmos o Senhor Jesus. O discipulado tem custo.
6. Hendriksen (2003:278).
01. Com base em Lc 14:26 e no item 1, comente com a classe sobre o
sentido do verbo “aborrecer”.
02. Leia Lc 14:28-32; o item 2, e responda: Qual o principal ensino
das duas parábolas contadas por Jesus? O que ele estava querendo
enfatizar?
03. A expressão “não pode ser meu discípulo” se repete três vezes,
no trecho analisado nesta lição (Lc 14:26,27,33). Leia os três primeiros
parágrafos do item 3 e comente sobre por que Jesus a usa tanto.
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33
04. Em Lc 14:34-35, temos uma última imagem usada por Jesus. Que
imagem é essa e que ensinos ele quis transmitir?
III
PARA O DISCÍPULO PRATICAR
1. Seguir Jesus tem um custo: Perseveremos.
Na vida cristã, é comum lidarmos
com pessoas que começam bem, mas
logo desistem e se afastam do Mestre.
São solos em que a semente do evangelho não pôde criar raízes. Quando
as pressões do mundo vêm sobre tais
pessoas, estas percebem que o custo
de seguir Jesus é alto. Por isso, não
perseveram em andar com ele.
Infelizmente, é isso que acontece,
quando não se calcula o custo de seguir Cristo. As pessoas abandonam
o barco, quando percebem as bravas ondas. Por isso, analisemos os
custos e optemos por ir após o Mestre. Não retrocedamos em nossa fé
(Hb 10:38-39). Não permitamos que
as pressões impostas por este mundo nos afastem de nosso Senhor.
Perseveremos!
05. Por que, quando analisamos o custo de seguir Jesus, precisamos
ser perseverantes? Comente com base na primeira aplicação.
2. Seguir Jesus tem um custo: Desapeguemo-nos.
O discípulo que atentou em analisar o custo do discipulado sabe
que é impossível seguir Jesus sem
renuncia. Muitos pensam que discipulado é ganhar para poder ganhar, quando, na verdade, é perder
para poder ganhar. Por isso, hesi34
Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
tam em se desapegar dos prazeres deste mundo. O seu coração,
então, se volta para outras coisas,
menos para Jesus.
Porém, Cristo rebate essa atitude
com muita veemência: ... todo aquele que dentre vós não renuncia a
tudo quanto tem não pode ser meu
discípulo (Lc 14:33). Não há meio
termo: ou nos desapegamos dos privilégios deste mundo ou nunca poderemos ser chamados de discípulos
genuínos de Jesus Cristo. Sabendo
disso, que decisão tomaremos? Pensemos a respeito.
06. Por que, quando analisamos o custo de seguir a Jesus, precisamos
viver com desapego? Comente com base na segunda aplicação.
DESAFIO DA SEMANA
Pela graça de Deus, chegamos ao final de mais um estudo e
aprendemos que todos os que optam por seguir Jesus Cristo precisam, sem hesitar, calcular os custos, para, então, seguir Jesus com
perseverança e desapego. Com isso em mente, propomos ao estudante da Escola Bíblica o desafio de, durante a semana, fazer
uma profunda análise a respeito disso. Reflita se você tem, de fato,
abdicado de privilégios em favor do discipulado. Lembre-se: só perseverarão na escola de Cristo os que se propuserem ao desapego.
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5
A missão de
todo discípulo
3 DE AGOSTO DE 2013
Hinos sugeridos – BJ 123 • BJ 166
OBJETIVO
TEXTO BÁSICO
Levar o estudante
a entender qual é
a missão de todo
discípulo, mostrandolhe a ênfase correta
da grande comissão,
em Mt 28:18-20, e a
estratégia de Jesus para
o seu cumprimento;
mostrando-lhe também
que devemos encarar
essa comissão de modo
responsável e confiante.
Ide, portanto, fazei discípulos de todas as
nações, batizando-os em nome do Pai, e do
Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a
guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias
até à consumação do século. (Mt 28:19-20)
LEITURA DIÁRIA
D
S
T
Q
Q
S
S
28/07
29/07
30/07
31/07
01/08
02/08
03/08
Mt 28:18-20
Mc 16:15-20
At 1:8
At 2:36-47
At 5: 42
At 9:26-28
At 8:1-3
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36
INTRODUÇÃO
Os discípulos haviam passado por um intenso treinamento. Depois de, aproximadamente,
três anos, suas vidas haviam sido transformadas, pelo ensino de Jesus e pela convivência
com ele. Foram tratados e moldados à semelhança do Mestre. Agora, estavam prontos
para a vida. Eles já haviam recebido muitas
instruções, mas Jesus tinha ainda uma última
incumbência: que fizessem com outros o que
ele lhes havia feito.
O desejo de Cristo era que eles se reproduzissem espiritualmente, discipulando outras pessoas. Esta foi a ordem: Portanto, ide e fazei discípulos de todos os povos. Essa mesma ordem
é estendida para todo cristão, pois todo verdadeiro cristão é um discípulo de Jesus e todo
verdadeiro discípulo é também um missionário.
Como dizia Spurgeon: “Todo cristão ou é um
missionário ou é um impostor”. Pois bem, neste
quinto estudo desta série, vamos estudar mais
de perto a missão que foi dada a todo discípulo.
Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
I
HISTÓRIA DE DISCÍPULO
Gabriel era um homem de 80 anos. Convertido ao evangelho há
mais de cinquenta anos, estava aposentado, frequentava os cultos,
dava o dízimo e entendia que sua vida estava chegando ao fim. Ficava
a maior parte do tempo em casa, com a esposa, deixando a vida passar. Depois de observar que a vida de muitas pessoas da igreja estava
passando por transformação, decidiu descobrir o que estava acontecendo. Ele já era membro da igreja há tanto tempo e nunca tinha visto
nada parecido com o que via.
Depois de conversar com algumas pessoas, ouviu de todas elas que
o motivo da transformação de vida era a compreensão do que significa
ser discípulo de Jesus. A princípio ele ficou meio intrigado com o que
ouviu, mas como todos falaram tão bem do processo de discipulado
da igreja, decidiu participar de um dos grupos para ver de perto o que
tinha apenas ouvido. Após alguns meses estudando a Bíblia, sendo
discipulado e aprofundando o relacionamento com Deus, procurou o
pastor e fez a seguinte declaração:
– Pastor, por que vocês não ensinaram essas verdades para mim há
mais tempo? Se eu tivesse aprendido estes princípios há cinquenta
anos, minha vida teria sido diferente. Eu passei cinquenta anos em
diversas igrejas apenas com um estilo de vida superficial. Eu conhecia Jesus, mas nunca soube que poderia viver como discípulo
de forma tão profunda e radical.1
Não é curioso o fato de Gabriel ter convivido com diversos cristãos por mais de cinquenta anos e não ter sido discipulado por
ninguém? Em nossa volta, na igreja, há os novos convertidos e
outras pessoas que precisam ser discipuladas. De quem é essa
missão? É só do pastor?
II
PARA O DISCÍPULO ENTENDER
Gabriel, personagem da história
que acabamos de ler, é um exemplo
de cristão que não passou por um
processo de discipulado. Ninguém
__________________
1. Campanhã (2012:13-14).
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37
o havia adotado para ensinar-lhe e,
por muito tempo, viveu a fé cristã de
modo superficial. Casos como esse
podem ser evitados, se entendermos
o texto de Mateus 28:19-20. Nesta
passagem bíblica, Cristo nos dá um
mandamento e nos ensina como devemos cumpri-lo.
1. O mandamento: Iniciemos
esta parte observando, novamente,
o texto de Mateus: Ide, portanto,
fazei discípulos de todas as nações,
batizando-os (...); ensinando-os
(28:19-20). Qual o grande mandamento deste texto? O “Ide”? É
assim que a maioria de nós acostumou a responder. Mas será mesmo
que o grande mandamento desse
texto é o “Ide”? Nos próximos três
parágrafos, apresentaremos uma
explicação técnica, só para que se
entenda uma verdade gloriosa e, às
vezes, esquecida nesse texto. Por
isso, não os pule.
Um estudo mais profundo revelará que, na verdade, a ênfase da
grande comissão não está no “Ide”.
Temos apenas um imperativo em
Mateus 28:18-20, isto é, uma única
ordem. Esse único imperativo mostra onde está a ênfase da comissão
de Jesus. Os verbos gregos traduzidos por “ir”, “batizar” e “ensinar” estão no particípio.2 Verbos
no modo particípio, conforme estes
aparecem, são auxiliares e indicam
ação em desenvolvimento.
2. Carson (2010:688).
38
Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
O particípio, no grego, se parece com o nosso gerúndio, no português. Por isso, o primeiro verbo
grego que aparece no texto que estamos estudando seria melhor traduzido como “Indo”, em vez de “Ide”.
É importante destacarmos também
que alguns estudiosos afirmam que,
quando um particípio precede um
imperativo, tem força de imperativo.
Neste caso, o verbo grego traduzido
por “Ide”, apesar de não ser, teria
“força de imperativo”, pois precede um. É uma possibilidade. E é por
causa disso que, nas nossas traduções bíblicas, temos “Ide” ou “Vão”.
Contudo, esses estudiosos reconhecem que, mesmo tendo “força
de imperativo” e mesmo sendo traduzido por “Ide”, o verbo grego está
subordinado ao imperativo, o grande mandamento do texto. O imperativo é: .... fazei discípulos (gr. matheteusate). Essa é a única, principal
e grande ordem do texto. Poderia ser
traduzida também por “discipulai”.
Toda a ênfase do texto recai sobre
ela. Todos os outros verbos são auxiliares e explicam os estágios dela.
Pois bem, se você não pulou os
parágrafos anteriores, esperamos,
em Cristo, que tenha conseguido entender tecnicamente a explicação da
ênfase de Mateus 28:19-20. Se você
os pulou e começou a ler a partir daqui, saiba: a única ordem da grande
comissão é: façam discípulos. Mas
por que estamos dando tanta importância a isso? O que muda colocar
a ênfase no “fazei discípulos” e não
no “Ide”? Qual a relevância disso?
Colocar a ênfase no fazei discípulos mostra-nos que Jesus não está
interessado em que façamos “conversos” ou “adeptos do cristianismo”. Ele não nos mandou apenas
“ganhar almas”; não quer que nos
preocupemos tão somente com que
alguém “aceite a Cristo”. Não! Nosso trabalho não é somente esse! Isso
é muito pouco, diante da ordem de
Jesus. Ele quer discípulos! Fazer discípulos é muito mais difícil que convencer alguém a colocar o nome no
cartão de chamada de uma igreja.
Se você pregou e a pessoa recebeu
a Cristo, seu trabalho só está começando. A missão de todo discípulo
de Cristo é fazer outros discípulos. E
como fazemos isso?
2. O processo: De maneira simples, Jesus apresentou o processo do
discipulado. Ele disse: Ide, portanto,
fazei discípulos (...) batizando-os (...)
ensinando-os a obedecer a tudo o
que lhes ordenei (Mt 28:20). “Ide”,
“batizando” e “ensinando” revelam
como deve ser exercido o “fazei discípulos”. Esse foi o processo ensinado por Jesus. Vejamos cada etapa.
Em primeiro lugar, fazemos discípulos indo. Já mencionamos, anteriormente, que, na língua original
do Novo Testamento, o verbo traduzido por “Ide” não é um imperativo, mas uma ação em desenvolvimento. A ideia do verbo é indo. O
interessante é que, nos evangelhos,
esse verbo está associado à proclamação (Mt 10:6, 22:9; Mc 16:15; Lc
10:3). Por isso, em Mt 28:19, ele representa a primeira fase do discipulado. É o início, o primeiro estágio
do evangelismo. Pressupõe que o
discípulo de Jesus não está parado.
Não evangelizaremos e, consequentemente, não faremos discípulos, se
ficarmos parados.
O Indo faz parte da grande comissão e nos ensina que devemos
ser agentes missionários em todos
os lugares onde o Senhor nos levar:
na escola, na faculdade, no trabalho,
na vizinhança, em nosso país e fora
dele. Nunca podemos esquecer que
Jesus disse que “todas as nações”
(gentes) devem ser alcançadas. Então, indo, evangelize. Fale de Jesus a
outras pessoas. Convide-as a se matricularem na escola de Cristo. É nessa fase que você apresentará o plano
de salvação e o novo discípulo terá a
oportunidade de se render a Cristo
ou confirmar sua decisão.
Em segundo lugar, fazemos discípulos batizando. Isso também faz
parte do processo do discipulado.
Esta é a segunda fase do discipulado
e consiste em preparar o novo crente para o batismo e levá-lo a consumar este ato. Neste período, são
ensinadas as doutrinas básicas da
fé, essenciais para a pessoa se batizar consciente do que está fazendo.
Batizar diz respeito à integração do
discípulo na igreja, visto que o batismo simboliza a identificação com
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39
o povo de Deus; é um ato externo,
uma declaração pública de fé; representa a união do crente com Cristo
em sua morte e em sua ressurreição
para uma nova vida.
Todo discípulo deve ser batizado.
No primeiro século, não existiam cristãos sem batismo, que é a identificação com a igreja. Era como o “anel”
numa cerimônia de casamento, um
sinal externo da ligação do discípulo
com a comunidade. Depois que você
pregar o evangelho a alguém, e este
se decidir por Cristo, ajude-o em sua
integração na igreja. O novo crente, às vezes, fica meio deslocado no
novo ambiente. Adote-o. Participe de
uma classe bíblica com ele. A integração faz parte da trilha do discipulado.
Em terceiro e último lugar, fazemos discípulos ensinando. Esta é
a terceira fase do discipulado. É o
momento em que o novo crente é
edificado, equipado e treinado, de
forma mais profunda, por meio das
doutrinas bíblicas, para assemelhar-se a Cristo e dar frutos. O conteúdo
desse ensino foi dado por Cristo: ...
todas as coisas que vos ordenei (Mt
28:20b). Não são as nossas opiniões
ou tradições, mas as ordens de Jesus.
Qual delas? Todas. Essa é a etapa
mais demorada do discipulado; contudo, é a mais negligenciada por nós.
Talvez, você não tenha percebido,
mas ela acontece exatamente após
o batismo. Costumamos ensinar os
novos até serem batizados; depois,
nós os deixamos. Isso está errado! O
discipulado continua após o batismo.
Jesus não estava falando de um
curso de 6 meses, mas da disposição
de caminhar com alguém por algum
tempo (ele caminhou 3 anos com os
seus discípulos) e ensinar-lhe a vontade de Deus. Além disso, o Mestre
apresentou a finalidade do ensino: ...
ensinando a obedecer (20a). “Obedecer”, aqui, traz o sentido de “atender cuidadosamente”. Como você
ensina alguém a obedecer? Obedecendo! Fazer discípulo é “ensinar a
viver (...) como Jesus viveu e nos ensinou a viver”.3 Isso só acontecerá se
nos relacionarmos com a pessoa que
está sendo discipulada. Precisamos
de pessoas dispostas a ser como Jesus ao nosso lado, que andem como
Jesus e nos ensinem a viver como Jesus! Você aceita o desafio?
3. Kivitz (2012:25).
01. Leia o item 1; Mt 28:19-20, e comente sobre a ênfase desse texto.
Ela recai sobre que expressão? Qual a principal ordem?
40
Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
02. Leia o segundo e o terceiro parágrafos do item 2 e comente sobre
a primeira fase do discipulado, segundo o ensino de Jesus.
03. Leia o quarto e o quinto parágrafos do item 2 e comente sobre a
segunda fase do discipulado. O que ela envolve? Temos agido assim?
04. Leia o sexto e o sétimo parágrafos do item 2 e fale sobre a
terceira fase do discipulado, na ótica do Senhor Jesus. O que deve
ser ensinado? Quanto tempo isso dura? Há diferença entre “ensinar
tudo” e “ensinar a guardar tudo”? Se sim, qual?
III
PARA O DISCÍPULO PRATICAR
1. Cumpra sua missão de modo
responsável.
A grande comissão começa da seguinte maneira: Toda autoridade me
foi dada no céu e na terra. Ide, portanto ... (Mt 28:18-19a – grifo nosso). Autoridade, neste texto, é o direito
de exercer ou usar o poder. Jesus tinha
e têm essa autoridade. Na verdade, ele
não disse “eu tenho autoridade”, mas
“eu tenho toda autoridade”, ou seja,
a pessoa que está comissionando seus
discípulos à missão de fazer outros discípulos é alguém que tem credenciais
e competência para tal.
Destacamos, de propósito, a palavra “portanto”, que aparece no início do v.19. Ela revela que a autoridade de Jesus é a base para a ordem
que vem na sequência. É como se
Jesus dissesse: “Eu tenho autoridade, sou eu quem comanda; e, já que
é assim, façam discípulos!”. A comissão é para todo cristão. Se nós a
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negligenciarmos, estaremos desobedecendo ao Senhor do universo. Não
caiamos nesse erro. Ambicionemos
multiplicar o número de discípulos
de Jesus; afinal, temos essa responsabilidade diante dele.
05. Leia Mt 28:18; a primeira aplicação, e responda: Por que devemos
levar a trilha do discipulado a sério?
2. Cumpra sua missão de modo
confiante.
Quais são as últimas palavras da
grande comissão? E eis que estou
convosco todos os dias até a consumação do século (Mt 28:20). Grife
essas palavras de Jesus em sua Bíblia.
Não estamos diante de uma promessa, mas de uma realidade. Ele não disse “estarei” convosco, mas “estou”
convosco. Essa certeza deve ter entrado nos ouvidos dos primeiros discípulos de Jesus como um fato grandioso.
Podemos chamar esse versículo
de “o grande conforto” na “gran-
de comissão”. Quem se propõe a
servir na obra missionária, deve ter
esta confiança: de que não está sozinho. Você, pastor, presbítero, diácono, diaconisa, membro, o Senhor
o(a) comissionou para este nobre
empreendimento: multiplicar o número dos seus discípulos. Se estiver
engajado(a) na obra, deve saber que
não é fácil o dia-a-dia. Mas lembre:
Jesus não nos desampara! Você viverá experiências gloriosas com ele,
enquanto discipula outras pessoas.
Tenha certeza!
06. Leia Mt 28:20; a segunda aplicação, e responda: Qual o grande
conforto que temos, ao ingressarmos na trilha do discipulado
apresentada por Jesus?
42
Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
DESAFIO DA SEMANA
Você entendeu, agora, por que temos tantos cristãos vivendo
uma vida inferior àquela pretendida por Deus? Eles nunca entenderam o que realmente isto significa, pois nunca foram discipulados. Isso precisa mudar! Você aprendeu, nesta lição, que a
autoridade máxima do universo, Jesus, quer que façamos novos
discípulos. Essa é a ordem. Não fomos chamados a conquistar simpatizantes ou admiradores: fomos chamados a fazer discípulos!
Por isso, não se contente com uma decisão apenas verbal. Jesus já
disse o que você precisa fazer: Indo, evangelize; trabalhe na integração deste novo crente; depois, acompanhe-o, o tempo que for
preciso, ensinando-o a guardar tudo o que Jesus pediu.
Discipulado se faz “através de relacionamentos de intimidade,
afetividade, participação na vida de quem reparte a vida conosco”.4
Seu desafio, nesta semana é procurar alguém que esteja dando os
primeiros passos na fé cristã e se oferecer para caminhar a trilha
do discipulado com essa pessoa. Se for o caso, procure um cristão
mais maduro e peça que caminhe com você por algum tempo.
4. Idem, p.368.
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6
O que significa
discipular?
10 DE AGOSTO DE 2013
Hinos sugeridos – BJ 10 • BJ 175
OBJETIVO
TEXTO BÁSICO
Conscientizar o aluno
da Escola Bíblica
sobre o significado de
discipular, mostrandolhe os elementos que
compõem o discipulado
e o relacionamento que
o discipulador deve ter
com o discípulo.
E disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei
pescadores de homens. (Mt 4:19)
LEITURA DIÁRIA
D
S
T
Q
Q
S
S
04/08
05/08
06/08
07/08
08/08
09/08
10/08
Mt 4:18-22
Gl 4:12-20
At 14:21-22
At 18:23-28
1 Ts 2:10-12
2 Tm 2:1-7
Mt 16.24-26
INTRODUÇÃO
Já reparou na quantidade de pessoas que
entraram pelas portas da comunidade em que
você congrega e quantas delas já saíram? Viu
quantas pessoas já foram batizadas nas águas
e, depois, desanimaram com a fé? Podemos
detectar muitos motivos como: superficialidade na fé, coração infrutífero etc.
Porém, existe um motivo, que é um dos
maiores responsáveis pela não permanência
das pessoas, antes ou depois do batismo: a
falta de discipulado. Não se surpreenda, nem
ache estranho. Na grande comissão, já aprendemos que a maior ordem de Jesus é: ... fazer
discípulos! (Mt 28:19). Na lição de hoje, trataremos sobre o significado do discipulado.
I
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44
HISTÓRIA DE DISCÍPULO
Uma igreja fortemente evangelística (...)
possui uma interessante experiência sobre
a importância do aconselhamento [aqui
com significado de discipulado] para a permanência dos frutos [da evangelização].
Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
Examinando os livros de registros da igreja nos últimos dez anos,
descobriu-se que, nesse período, houve aproximadamente seiscentas
decisões por Cristo. Estas resultaram de diversos tipos de trabalho: retiros de jovens, séries de conferências semanais, cultos evangelísticos,
evangelização pessoal, etc. As estatísticas das profissões de fé, provenientes de uma análise do crescimento do rol de membros no mesmo
período, indicava menos de cem pessoas.
Portanto, ao que parece, somente um em cada seis decididos permaneceu firme. É certo que esses dados não levaram em conta que
talvez alguns já fossem membros de lá quando foram salvos, e que
outros tivessem permanecido firmes no Senhor, mas ligados a outra
igreja. Apesar disso, podemos afirmar com segurança que, se pudéssemos obter informações exatas com respeito a outros decididos, ainda assim, a proporção de um em seis não se alteraria muito. (...) sua
liderança resolveu que não poderia mais se contentar com o índice de
permanência baixo.
Alguns irmãos receberam instrução sobre como realizar o aconselhamento pessoal de novos convertidos, e resolveram pôr em prática
esses conhecimentos com cada pessoa que atendesse ao apelo nos
cultos. Pouco depois, realizou-se uma série de conferências na igreja,
e, pela primeira vez, procurou-se dar assistência a todos os decididos.
Após seis meses, o índice de permanência era de cinco em seis. O trabalho de aconselhamento realmente fizera muita diferença.1
Refletindo sobre o caso mencionado no texto que você acabou
de ler, discuta em classe sobre a importância da conexão entre
evangelização e discipulado. Se possível, faça um panorama da
igreja local de que você participa.
II
PARA O DISCÍPULO ENTENDER
O que é, de fato, discipular? Discipular “é transmitir ao outro não
somente conhecimento, mas, também, através do exemplo pessoal e
__________________
1. Kuhne (2008:15-6).
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45
do convívio, um estilo de vida condizente com os ensinos da palavra de
Deus”.2 A palavra grega traduzida
por discípulo é matheteuo, que significa: ser um aluno; ser discípulo,
instruir e até ensinar.3 A seguir, entenderemos mais sobre isso.
1. Os elementos do discipulado: Veremos, aqui, os elementos
que compõem o discipulado. Em
primeiro lugar, temos o ensinamento. Este ensinamento é todo o
evangelho de Cristo, os princípios
e os mandamentos presentes em
toda a Escritura. Devemos educar
o novo convertido com base em
toda a Bíblia, pois toda a Escritura
é útil (2 Tm 3:16).
Jesus usava toda a Escritura para
instruir os discípulos. Seu mandamento de fazer discípulos nos traz
esta exigência: ... ensinando-os a
obedecer a tudo quanto vos tenho ordenado (Mt 28:20a – KJA
– grifo nosso). Paulo demonstra
integralidade no ensinamento da
Escritura: ... porque eu não deixei
de contar a vocês toda a mensagem de Deus (At 20:27 – BV – grifo
nosso). Ao discipularmos, sejamos
fiéis à palavra.
O segundo elemento do discipulado é o discípulo. O discípulo é
aquele que segue Cristo (Mt 16.2426), é aquele que é um aluno, um
2. Evangelismo e discipulado (2010:87).
3. Bíblia de estudo palavras-chave hebraico e
grego (2289:2011).
46
Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
aprendiz. Ele se submete ao ensinamento de toda a Escritura para tornar-se semelhante ao seu Mestre,
Jesus. O terceiro elemento do discipulado é o discipulador. E quem é
ele? O discipulador é um discípulo
que foi ensinado sobre toda a verdade a respeito de Cristo, e, por ser
maduro na fé, produz frutos para
Deus. O discipulador é comprometido a ensinar, acompanhar e edificar
um cristão novo, até que este se torne um discípulo maduro, que, por
imitar Jesus, é capaz de produzir novos discípulos do Senhor. Todo cristão (e não só o pastor) deve desejar
ser um discipulador!4
O último elemento é o discipulado propriamente dito. Por discipulado, entendemos: “... o processo,
o método ou o meio pelo qual levamos uma pessoa a ser um discípulo
de Cristo”.5 Sem esse processo, os
novos cristãos não se desenvolvem
espiritualmente e as igrejas locais
permanecem imaturas. A seguir,
veremos que não há discipulado
sem relacionamento.
2. Discipulado é relacionamento: Precisamos entender que discipular alguém para ser um discípulo
verdadeiro de Jesus não é somente
transmitir conceitos, mas também
compartilhar a vida, ou seja, envolve
orar com o discípulo, conversar sobre seus problemas etc. As palavras
4. Evangelismo e discipulado (2010:88).
5. Lições Bíblicas, n.300, jul/set de 2012, p.88.
de Paulo mostram a sua dedicação
pelos que se haviam convertido:
Meus amados filhos, novamente estou sofrendo como que com dores
de parto por vossa causa, e isso até
que Cristo seja formado em vós (Gl
4:19 – KJA). É preciso acompanhar
o novo convertido.
Mas por quanto tempo? Temos a
informação de que Jesus passou por
volta de 3 anos ensinando os discípulos6. Se Cristo, sendo mestre e
Senhor, fez assim, nós não podemos
fazer o contrário. Percebemos que o
Senhor dedicou tempo aos discípulos, quando lemos Mc 1:17, em que
ele lhes diz: “... eu vos farei pescadores de homens”. A palavra “farei”
mostra que eles não seriam pescadores da noite para o dia. Seriam modelados na escola de Cristo.
Devemos, pacientemente, dedicar um tempo, um dia semanal
para acompanhar o processo de
crescimento de um novo convertido. Precisamos confirmar os discípulos (At 14:22, 15:41, 18:23).
Não há produção de discípulos
instantâneos: precisamos seguir
o exemplo dos apóstolos. Neste
sentido, as palavras de Paulo nos
ensinam muito: Eu plantei, Apolo
regou; mas Deus deu o crescimento (1 Co 3:6). Sabemos que o contexto do texto é outro, mas ele nos
ensina que devemos ter a atitude
de plantar (pregar), regar (cuidar)
e confiar que o crescimento será
dado por Deus.
Após o tempo mínimo de aprendizado, o discípulo deve transmitir
o que aprendeu. Esse é o incentivo
de Paulo a Timóteo: ... transmita-o a homens de confiança que,
por sua vez, estejam em grau de
ensiná-lo a outros (2 Tm 2:2 – EP).
Mas, para que isso aconteça, é necessário que a igreja local se empenhe na formação do discípulo, não
apenas no contato missionário,
através de estudos bíblicos, e na
classe batismal, depois da conversão, mas também no acompanhamento sistemático do novo crente,
após o batismo.
3. O que não é discipular: Você
deixaria um bebê recém-nascido cuidar-se sozinho? Imagine-o tendo de
tomar conta de si mesmo, tentando
providenciar sua alimentação, precisando tomar banho e arrumar sua
roupa. É simplesmente absurdo! Pois
bem, quando não nos aproximamos
de um novo convertido para instruí-lo, é o que fazemos.7
Por mais que uma igreja esteja
lotada, isso não significa uma multidão de discípulos. O discípulo é
diferente das multidões, pois “embora seguissem a Jesus (Mt 4.25), as
multidões não preenchiam os dois
pré-requisitos do discipulado: pagar
o preço e comprometer-se com a
6. Evangelismo e discipulado (2010:89).
7. Evangelismo e discipulado (2010:90).
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47
causa”.8 Não discipular é criar apenas frequentadores de igrejas, não
discípulos do Senhor.
Quando o discipulador ensina,
aquele que fazia parte da multidão
dos que “curtiam” o Senhor, passa
a ser fiel seguidor deste e a produzir
muitos frutos. Como disse o próprio
Cristo: Meu Pai é glorificado pelo fato
de vocês darem muito fruto; e assim
serão meus discípulos (Jo 15:8 – NVI).
Discípulos verdadeiros do Senhor
produzem frutos para o seu reino.
Então, veja o prejuízo do não discipular: pessoas que permanecem na
infância espiritual (Hb 5.12), seguidoras da multidão (Jo 6.26) e infrutíferas (Jo 15:4). Quando não discipulamos, a pessoa apenas muda de
8. Reid (2012:415).
religião, acredita em novas coisas ou
participa de novos rituais religiosos.
Discipular é encorajar o discípulo a
tornar-se semelhante a Jesus, a relacionar-se com ele e agir como ele.9
Embora apresente doutrinas, o evangelho tem como essência a amizade
com Cristo.10
Percebeu como discipular é algo
importantíssimo? Neste estudo, procurou-se apresentar o significado de
discipular, que é: ensinar a palavra
aos novos convertidos e acompanhá-los para que sigam Jesus. A seguir,
veremos lições práticas do discipulado. Que o Espírito Santo nos dê poder e força para ensinarmos e acompanharmos os novos cristãos.
9. Kivitz (2012:8).
10. Revista Ultimato, n.340, jan/fev de 2013, p.50.
01. No início da parte II da lição “Para o discípulo entender”,
recapitule com a classe o que significa discipular. Por que discipulado
não é somente ensino teórico?
02. Com base no item 1, comente sobre os elementos do discipulado.
03. Leia Mt 4:18; At 14:22; 2 Tm 2:2, e responda: Por que discipulado
é relacionamento?
48
Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
04. Baseando-se no item 3, fale sobre o que não é discipular e as
consequências de não acompanhar os novos convertidos.
III
PARA O DISCÍPULO PRATICAR
1. Discipule: Compartilhe o que
você aprendeu!
Não é nem um pouco errado focarmos o trabalho da igreja local na
evangelização. Mas, igualmente,
precisamos confirmar na fé aqueles que se renderam ao Senhor.
Precisamos discipular! Pense no
porquê de você ir à Escola Bíblica,
ouvir sermões, nos cultos, e fazer o
seu estudo pessoal da palavra, há
vários anos. Use esse conteúdo adquirido para discipular.
Precisamos “adotar” um novo
convertido e ensinar o que aprendemos. É hora de você transmitir
seu conhecimento adquirido ao
longo de vários anos de vida cristã.
Continue trazendo pessoas à igreja; continue preparando-as para o
batismo; todavia, após o batismo,
continue a ensinar. Quem sabe
acontecerá o mesmo que aconteceu em Atos: ... a Palavra do Senhor se espalhava. O número dos
discípulos crescia (6:7 – EP).
05. Você discipula ou já discipulou alguém? Como você pode
desenvolver essa prática em sua vida?
2. Discipule: Dedique-se a ensinar!
Não adianta querer fazer um discí-
pulo às pressas. O tempo do discipulado não é o tempo dos macarrões
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49
instantâneos: três minutos. Discipular exige, de nossa parte, paciência,
dedicação, prioridade, o que ajudará
no bom relacionamento com o discípulo de Cristo.
Mesmo que você já tenha tema
para os encontros de instrução, às
vezes, precisará conversar sobre a
vida do discípulo, sobre seus problemas e ajudá-lo. Seguindo o exemplo
de Jesus, que tinha discípulos e nos
mandou fazer o mesmo, dedique-se,
como os pais se dedicam na educação dos filhos. Como mãe ou pai espiritual (cf. 1 Ts 1:7, 2:11), cuide dos
novos convertidos.
06. Reflita com a classe sobre como essa filosofia dos “macarrões
instantâneos” prejudica o discipulado. Fale também da importância
da dedicação para com os novos convertidos.
DESAFIO DA SEMANA
Há uma palavra que perdeu o significado e que não tem sido
muito usada nas igrejas cristãs: discipular. E, “lamentavelmente,
‘discipular’ é um verbo pouco conjugado (...). Há uma terrível ausência de visão e de cultura de discipulado”.11 Já é hora de levantarmos a “bandeira” do discipulado. Nosso desafio é reunir a
liderança da igreja local (por exemplo, conselho local) e, depois,
todos os crentes mais maduros, para, juntos, tratarmos de planos
para o discipulado. Sabemos que esse desafio não deve limitar-se
a esta semana, mas, com o poder do Espírito, deve permanecer até
a volta de Jesus.
11. Evangelismo e discipulado (2010:87).
50
Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
7
Precisa-se
de mentores
17 DE AGOSTO DE 2013
Hinos sugeridos – BJ 34 • BJ 317
OBJETIVO
TEXTO BÁSICO
Ensinar ao estudante
da palavra de Deus
que é de fundamental
importância haver
mentores na igreja,
para que a obra de Deus
tenha continuidade,
com excelência, nas
próximas gerações.
Elias saiu e encontrou Eliseu, que estava arando a terra. Na frente dele iam doze pares de
bois, e ele estava arando com o último par.
Elias passou perto de Eliseu e jogou a sua
capa em cima dele. (1 Rs 19:19 – NTLH)
LEITURA DIÁRIA
D
S
T
Q
Q
S
S
11/08
12/08
13/08
14/08
15/08
16/08
17/08
1 Rs 19:15-21
Dt 31:14, 23
2 Rs 2:1-11
At 11:19-26
1 Tm 1:18-20
1 Co 2:1-5
Fp 2:19-23
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INTRODUÇÃO
Para alcançar um crescimento verdadeiro,
em quantidade e, principalmente, em qualidade, uma das maiores dificuldades que a
igreja de nossos dias enfrenta, se não a maior
delas, é justamente a quase inexistência da
figura do mentor. Imagine se, no rol de membros de sua igreja, houvesse gente disponível
a investir sua vida, seu exemplo e seu tempo
nos iniciantes na carreira da fé! Teríamos outra história a contar.
Pois bem, a lição de hoje visa proporcionar-nos, com base na experiência de Elias e Eliseu, uma reflexão séria acerca desse tema tão
importante. Veremos quais devem ser as atitudes entre discipuladores e discípulos. O discipulador ou mentor deve ser um orientador
e conselheiro do novo convertido, aquele que
aponta o caminho e apresenta opções, sem
jamais fazer escolhas no lugar do discípulo.
Veremos, à luz da palavra de Deus, que o discipulado não é um método, mas um relacionamento que transforma vidas.
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51
I
HISTÓRIA DE DISCÍPULO
Em 1919, um jovem soldado, que retornava da Guerra Mundial na Europa, alugou um pequeno apartamento em Chicago (...). Escolheu aquele
apartamento por estar próximo da casa de Sherwood Anderson, um famoso
escritor. Os dois tornaram-se bons amigos, e no decorrer de quase dois anos
se viam quase que diariamente. Não raro o jovem trazia amostras de seu trabalho para Anderson, e o veterano escritor fazia análises sinceras delas. Não
demorou muito e o jovem escritor passou a escrever por si mesmo. Em 1926,
publicou sua primeira obra que foi grandemente elogiada pela crítica. O título do livro era O Sol Também Nasce, e o nome do autor, Ernest Hemingway.
Mas esperem! A história não termina aqui. Depois que Hemingway
deixou Chicago, Anderson mudou-se para Nova York. Lá conheceu outro escritor, um poeta com uma sede insaciável de aperfeiçoar seu estilo.
Anderson instrui-o da mesma forma que havia feito com Hemingway:
lendo-lhe as obras, criticando, analisando, discutindo e animando-o.
Deu ao jovem livros de sua autoria e o aconselhou a que os lesse cuidadosamente, tomando nota das palavras, temas e desenvolvimento do
caráter das personagens e da narrativa. Após um ano de relacionamento, Anderson ajudou-o a publicar seu primeiro livro, Soldo. Três anos
mais tarde aquele novo talento, Willian Faulkner, escreveu O Som da
Fúria, que logo se tornou uma obra prima da literatura americana.
O papel de Anderson como mestre daqueles que desejavam escrever não parou por ai. Na Califórnia, trabalhou vários anos com Thomas
Wolfe, um escritor de peças teatrais, e com um outro jovem escritor
chamado John Steinbeck, entre outros. No total, três de seus pupilos
receberam o prêmio Nobel de Literatura, e quatro, o Prêmio Pulitzer. O
famoso crítico literário Macolm Cowley disse que Anderson foi “o único
escritor de sua geração que deixou a marca de seu estilo na geração
seguinte. O que fez com que Anderson dedicasse seu tempo e conhecimento tão generosamente à geração mais jovem? Um dos motivos
pode ser que ele mesmo tenha sido instruído e influenciado por outro
escritor mais velho, o grande Theodore Dreiser. Além disso, passou também uma temporada considerável em companhia de Carl Sandburg.1
Qual a importância do trabalho realizado por Sherwood Anderson? Que lições tiramos disso?
__________________
1. Hendricks (2005:92-93)
52
Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
II
PARA O DISCÍPULO ENTENDER
Após desafiar e vencer os profetas de Baal (1Rs 18.22-40), o profeta
Elias é ameaçado por Jezabel (19.12), esposa de Acabe, rei de Israel. Em
total colapso emocional, deprimido,
o profeta entra numa caverna, depois de uma longa viagem. Deus o
visita e, diferentemente do que o
profeta pensava, o incumbe de mais
uma missão: preparar um sucessor
(19.15-16). Aqui, ao contrário do
que muitos pensam, Deus não estava rejeitando Elias e finalizando
seu ministério, mas reafirmando-o e
dando-lhe uma nova tarefa: passar a
tocha para Eliseu. Isso exigiria tempo. Ainda não era o fim.
1. Elias, o discipulador: Elias nos
oferece alguns princípios, acerca da
tarefa de mentorear ou discipular alguém. Em primeiro lugar, é preciso
atitude. O versículo 19 informa-nos
que, após a ordem do Senhor, partiu, pois, Elias dali e achou a Eliseu.
Em pronta resposta à ordem do Senhor, Elias foi em direção a Eliseu; foi
procurá-lo, e, ao encontrá-lo, passou
por ele e lançou a sua capa sobre ele,
sinalizando que Deus o havia chamado para servi-lo e para sucedê-lo.
Elias não esperou por Eliseu, mas
foi ao encontro do pupilo. Como experiente profeta de Deus, poderia ter
esperado que Eliseu o procurasse. O
grande problema de nossos dias é
que os mentores em potencial não
assumem sua posição, muito menos
tomam a atitude de ir à busca de
pessoas a quem instruir. Dessa forma, não haverá razão para reclamar
da falta de pessoas preparadas no
dia de amanhã. Não haverá colheita,
sem semeadura.
Em segundo lugar, é preciso disponibilidade. Elias se mostrou disponível. Lançou sua capa sobre Eliseu,
que deixou os bois e correu após o
profeta; fez uma festa de despedida
com sua família e, em seguida, partiu com Elias (19:20-21). A partir daquele momento, os dois passaram a
ter um relacionamento que, como se
percebe, teve grande influência sobre a vida de Eliseu. Sem qualquer
recurso audiovisual, sem qualquer
manual de discipulado, a única coisa
que Elias podia fazer era oferecer-se.
Para ter impacto sobre a vida de
alguém, você não precisa ser um
grande escritor, ter um programa no
rádio ou na televisão e ser bem conhecido. Basta apenas ter atitude e
disponibilidade para investir na vida
de alguém, gastar tempo treinando pessoas, convivendo com elas e
compartilhando experiência de vida.
Em terceiro lugar, é preciso exemplo. Agora, o jovem profeta aprende
e observa o velho profeta. Provavelmente, Eliseu testemunhou a repreensão de Elias sobre o rei de Israel,
Acabe. Possivelmente, viu seu mestre repreender o rei Acazias, quando
este buscou auxílio de deuses pagãos
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53
para a sua cura (2 Rs 1.1-17). Seu
mentor era alguém que tinha autoridade. A convivência com um mentor
foi muito edificante e impactante sobre a vida desse jovem profeta.
Elias deu a Eliseu a oportunidade
de observá-lo em ação. Parece que o
veterano sabia que suas palavras não
seriam mais eficazes que suas ações.
As pessoas com quem convivemos
esquecem o que dizemos, mas raramente esquecem o que fazemos.2
Isso nos leva a refletir sobre a importância de sermos discípulos para que
possamos fazer discípulos.
2. Eliseu, o discípulo: Talvez você
se identifique mais com Eliseu do que
com Elias. Vejamos, então, o que
este jovem aprendiz tem a nos acrescentar. Queremos, à semelhança de
como fizemos em relação a Elias, destacar três características importantes
da vida de Eliseu para a eficácia do relacionamento entre mentor e pupilo.
Não é preciso muito esforço para
detectar as qualidades de Eliseu. A
primeira delas é a sua disposição. O
moço estava motivado, e isso pode
ser visto no momento em que Elias
lança sobre ele sua capa. Eliseu deixou os bois e correu após Elias (1 Rs
19:20). Ele não andou, simplesmente, mas correu para não perder de
vista o profeta. Essa atitude indica
que Eliseu estava pronto para aceitar
o desafio do crescimento.3
2. Idem, p. 100
3. Idem, p. 101.
54
Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
A segunda qualidade de Eliseu é a
sua humildade. O texto mostra-nos
que Eliseu não tinha disposição e motivação apenas para suceder o profeta, mas também para servi-lo no que
fosse necessário. Ele poderia não se
preocupar com as necessidades do seu
mentor, enquanto aprendia com ele;
poderia ter se orgulhado de ser o próximo ou mesmo ter rejeitado o profeta,
mas decidiu ser seu servo: ... passou a
seguir Elias e a servi-lo (1 Rs 19:21).
Um discípulo precisa ser humilde,
se, de fato, quer aprender. Alguém
que seja orgulhoso jamais se colocará
sob a tutela de outro. Os humildes se
mostrarão sempre abertos à aprendizagem e ao crescimento. A pessoa
com essas características está pronta
para ser mentoreada e discipulada.
Um discípulo humilde tem grandes
chances de ser um mentor humilde.
A terceira qualidade de Eliseu é sua
lealdade. Por três vezes, Eliseu teve a
oportunidade de deixar Elias, mas, a
cada uma delas, deu a mesma reposta: Vive o Senhor, e vive a tua alma,
que não te deixarei (2 Rs 2:2,4,6). Na
língua original em que o texto foi escrito, a palavra traduzida por “deixar”,
que aparece repetidamente aqui, significa abandonar, desamparar. Independentemente das circunstâncias,
Eliseu jamais largaria seu mestre, não
deixaria de servi-lo, até o momento
em que o Senhor o levasse.
A lealdade do discípulo é um fator
indispensável. Sem ela, é impossível
haver discipulado. Nesse relaciona-
mento, o mestre está investindo seu
tempo, sua vida, seus recursos, na expectativa de que seu aprendiz seja alguém que passe adiante, com a mesma lealdade, tudo que está aprendendo. Não basta motivação e humildade:
o discípulo também precisa ser leal.
Até agora, vimos a importância da
figura do discipulador ou mentor, ana-
lisando a história de Elias e Eliseu. Elias
precisava passar o bastão da liderança
para frente, e Eliseu, por sua vez, precisa
ser ensinado a dar continuidade à obra
iniciada por Elias, de maneira eficaz.
Que as qualidades de mentor e mentoreado, apresentadas nesta primeira parte, sejam vistas na relação de discípulo e
discipulador, em nossos dias.
01. Com base em 1 Rs 19:15-16, responda: Que ordem o Senhor deu a
Elias? Essa ordem representava o fim de seu ministério?
02. Discuta com a classe sobre as qualidades necessárias que todo
discipulador precisa possuir.
03. Comente com a classe sobre a reação de Eliseu, após Elias ter
lançado sobre ele sua capa (1 Rs 19:20-21a). Qual a importância da
motivação para o aprendizado?
04. Com base em 1 Rs 19:20-21, fale sobre a humildade de Eliseu.
Qual a importância de o aprendiz ser humilde?
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55
III
PARA O DISCÍPULO PRATICAR
1. Ser discípulos é nossa necessidade.
Analisando o capítulo 19 de 1
Reis, até percebemos algumas falhas
do profeta Elias: concentrou-se em si
mesmo e em seu fracasso, ao invés de
olhar para o Senhor;4 isolou-se numa
caverna. Mesmo assim, era sensível à
voz de Deus; teve discernimento para
reconhecer a voz do Senhor.
Precisamos ser discípulos do Senhor, pois ele disse que suas ovelhas
ouvem sua voz e ele as conhece (Jo
10:27). Precisamos discernir a voz de
Deus. Temos a profunda necessidade de conhecê-lo intimamente, mas
isso só será possível por meio do relacionamento pessoal com ele. Essa
foi a razão do sucesso do discipulado
e do ministério de Elias. Sejamos discípulos do Senhor!
4. Wiersbe (2006:475)
05. Antes de fazer discípulos, que avaliação precisamos fazer acerca
de nós mesmos?
2. Fazer discípulos é nosso chamado.
Ao visitar o profeta Elias na caverna, o Senhor lhe ordenou que voltasse
ao seu posto de trabalho. Elias havia
se queixado de que a geração passada havia falhado com ele e a geração
presente havia feito o mesmo (19.4).5
Então, o Senhor o chamou para preparar a geração futura, ungindo dois
reis e um profeta.6 Ao invés de reclamar do passado, no presente, Elias
deveria preocupar-se com o futuro.
Prezado estudante, não fomos
chamados para reclamar do que
nossos antepassados fizeram ou deixaram de fazer. Exaltar ou criticar o
passado não nos levará a lugar algum. Precisamos, neste tempo presente, preparar outros para dar continuidade ao serviço do reino, depois
que tivermos partido. Deus sepulta
seus servos, mas sua obra continua.7
Façamos discípulos. Todo cristão
deve ser um discipulador.
5. Idem, p. 474
6. Idem.
7. Idem.
56
Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
06. Com base na segunda aplicação, responda: Que atitude devemos
ter com relação às gerações futuras?
DESAFIO DA SEMANA
Chegamos ao final de mais um estudo. Temos dois desafios
para esta semana. O primeiro é: reflita sobre quantos desafios semanais você, de fato, atendeu. Verifique o resultado de cada um
deles. O segundo desafio é: se você compreendeu quão urgente é
a necessidade de preparar pessoas para dar continuidade ao serviço do reino, não deixe que esta semana se passe, sem que você
tenha pedido a Deus que lhe mostre alguém para discipular. Seja
discípulo; depois, faça discípulos.
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57
8
Por que devo
discipular?
24 DE AGOSTO DE 2013
Hinos sugeridos – BJ 147 • BJ 172
OBJETIVO
TEXTO BÁSICO
Mostrar algumas razões
importantes que a palavra
de Deus nos oferece
sobre por que devemos
discipular os novos
convertidos e treinar
novos líderes.
Muito me alegrei (...) que falaram a respeito
da sua fidelidade, de como você continua andando na verdade. Não tenho alegria maior
do que ouvir que meus filhos estão andando
na verdade. (3 Jo 3-4)
LEITURA DIÁRIA
D
S
T
Q
Q
S
S
18/08
19/08
20/08
21/08
22/08
23/08
24/08
3 Jo 1-4
At 2:41-47
At 20:17-23
At 11:25-26
At 12:24
At 19:1,10,20
At 18:1, 11
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58
INTRODUÇÃO
Existem alguns cristãos e, talvez, até mesmo pastores que pensam que o discipulado
é apenas mais uma tática ou mais um método, dentre outros muitos, para fazer a igreja
crescer. Estão enganados! O discipulado não
é apenas mais uma estratégia: é a estratégia
que Jesus deu ao seu povo, para ser usada na
divulgação do evangelho.
Temos aprendido, nesta série de lições, que
o ato de discipular não é uma opção para igreja, mas uma ordem dada pelo Mestre a todo
cristão. Por isso, é fundamental sabermos os
verdadeiros motivos que temos para discipular
alguém, dedicando o nosso tempo para ensinar-lhe a palavra de Deus. Por que devemos
discipular? Hoje, iremos em buscar da resposta a esta pergunta.
Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
I
HISTÓRIA DE DISCÍPULO
Quando cheguei ao gueto, eu estava apaixonado pela evangelização
(...). Assim, comecei clubes bíblicos para crianças. Dezenas de crianças
vinham, todas queriam “aceitar a Jesus” e trazer seus amigos. As mães
ficavam contentes de que seus filhos estavam “ficando religiosos”, e os
jovens demonstravam interesse em saber quando teriam início clubes
para eles. Dentro de poucos anos 300 voluntários, jovens universitários
cristãos, juntaram-se a mim para ensinar estudos bíblicos semanais para
centenas de crianças. Organizamos reuniões evangelísticas. Muitas pessoas assistiam – algumas simplesmente “para ver esses brancos”.
Eu pregava uma mensagem simples de salvação, e sempre quase todos levantavam as mãos (...), centenas de pessoas do gueto de Los Angeles “aceitaram a Cristo”. Meus amigos me cumprimentavam e asseguravam-me de que eu estava realizando um excelente trabalho. Eu queria
acreditar neles. E por algum tempo acreditei. Mas, à medida que os meses se tornaram anos, eu tive de confessar que havia um problema muito
sério com todas essas decisões por Cristo, deveria haver vidas transformadas – centenas delas. Mas, por mais que procurasse, não encontrava
nenhuma sequer! Algo havia saído errado. Em parte por orgulho, em
parte por ignorância, eu continuava esperando que, de alguma forma,
as coisas se endireitassem. Mas não podia me livrar do sentimento perturbador de que tudo tinha sido em vão. Não havia frutos permanentes.
O índice de movimentação nos meus clubes bíblicos era grande
demais. Jovens diferentes vinham a cada semana. Adolescentes que
aprenderam de Cristo quando crianças ainda eram amigos, mas tinham-se tornado cafetões, prostitutas ou traficantes. Ex-membros do grupo
de estudo bíblico estavam andando com gangues de rua. Parecia que
o evangelho não tinha dado certo. Fiquei desanimado. Quase desisti.
Em desespero, procurei a palavra de Deus (...). Ao ler Mateus 28:19,20
novamente, recebi uma revelação alarmante. A comissão de Cristo para
sua Igreja não era “fazer convertidos”, mas sim “fazer discípulos”.1
Após ler essa história, comente com os demais alunos sobre o erro que cometemos, quando apenas evangelizamos e
não discipulamos.
__________________
1. Phillips (2009:16-17).
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59
II
PARA O DISCÍPULO ENTENDER
Certamente, com base no que já viu
até aqui, você pode apontar alguns motivos bíblicos para fazer discípulos, pois
são vários. Porém, na lição desta semana, vamos nos aplicar às razões mais fortes para essa prática cristã: (1) a ordem e
o exemplo de Jesus; (2) o exemplo dos
primeiros cristãos, e (3) o crescimento
saudável da igreja. Vamos lá.
1. O Senhor deu a ordem e o
exemplo: A primeira razão que temos para discipular é que Jesus mandou: Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e
do Espírito Santo; ensinando-os a
guardar todas as coisas que vos tenho ordenado (Mt 28:19-20 – grifo
nosso). Essa é a grande comissão de
Jesus dada à sua igreja.
O que é uma comissão? “É a ordem que uma pessoa dá a outra para
que efetue algum encargo. Assim, a
grande comissão é a ordem de Jesus
a seus seguidores, para serem seus representantes na terra”.2 O chocante
é que ele não nos mandou fazer convertidos, mas, sim, fazer discípulos,
ou seja, a nossa missão não se restringe à evangelização. Quando a igreja
apenas evangeliza, está convidando
pessoas a aceitarem as boas novas de
Cristo, mas não para serem discípulos
dele. A questão é mais profunda.
2. Campanhã (2012:17).
60
Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
Evangelizar é comunicar o evangelho; discipular, além de evangelizar,
é ensinar como ser um seguidor de
Jesus; é compartilhar vida; é ajudar
o novo convertido a crescer, a se integrar bem na vida da igreja e a alcançar outros para Cristo. No estudo
5 desta série, aprendemos, em Mt
28:19-20, que Jesus não apenas nos
ordenou a fazer discípulos, mas também nos mostrou como se faz: indo,
batizando e ensinando. Estas palavras
representam os três estágios do discipulado cristão: o evangelismo, a integração e a maturidade do discípulo.
Além de dar a ordem e a instrução, Jesus deu o exemplo. Investiu a
sua vida e o seu tempo discipulando.
Seus discípulos eram pecadores, imaturos, impulsivos, ignorantes e com
falhas de caráter, mas Jesus permaneceu ao lado deles, dia e noite, por
cerca de três anos, e transformou-os,
por meio do ensino; fez deles pessoas que impactaram o mundo. Por
que devemos discipular? Por que Jesus mandou e mostrou como fazer,
tanto na teoria quanto na prática.
2. Os primeiros cristãos discipulavam: A segunda razão para investirmos tempo ensinando e treinando
pessoas é o exemplo deixado pelos
primeiros cristãos. O ensino era uma
marca muito forte da igreja primitiva.
Na época dos apóstolos, a atenção da
igreja voltava-se “especialmente para
o ensino dos novos convertidos, com
a preocupação específica de explicar
as Escrituras à luz dos fatos cristãos e
não apenas anunciar o evangelho”.3
De acordo com Swindoll,4 a igreja de Atos 2:41 estava com três mil
novos convertidos diante dos apóstolos, sem prédio onde se reunir, sem
conhecimento da vida cristã, sem
constituição eclesiástica, sem conjunto de credos e com uma Bíblia ainda
incompleta, ou seja, não tinha nada!
Porém, através desse grupo, a chama
de Cristo se espalhou pelo mundo.
Qual o segredo? Sem dúvida, um
grande segredo dessa igreja era o
ensino. Se a igreja de Atos era um
corpo, então, a aprendizagem era a
espinha dorsal desse corpo. A Bíblia
nos informa que aqueles cristãos se
dedicavam ao ensino dos apóstolos
(At 2:42) e mostra também que os
apóstolos se dedicavam ao ensino
da palavra (At 6:4). O discipulado
era levado tão a sério que os cristãos
não eram chamados de evangélicos,
crentes ou irmãos, mas eram chamados de discípulos (At 6:1,7; 9:1,26,
14:21-28, 18:23).
Nesta questão, o apóstolo Paulo é
um modelo para nós. Ensinar pessoas
era uma prioridade na vida dele. Ele
não apenas levava vidas a Cristo, mas
ainda dedicava seu tempo a acompanhá-las e consolidá-las na fé. Sempre
que plantava uma nova igreja, ficava
3. Mendes (1992:25).
4. Swindoll (2006:43).
na cidade por um tempo, a fim de preparar os líderes (At 11:25-26, 18:1,11,
19:1,10,20, 20:17-23). Fez muitos
discípulos! O mais conhecido deles foi
Timóteo (cf. At 16:1; 2 Tm 2:2).
3. O único meio de crescimento
sadio: Outra razão para praticarmos o
discipulado é que, além de este ser uma
ordem e não uma sugestão de Jesus e
de ser algo praticado pelo Mestre e pelos primeiros cristãos, é o único meio
de termos um crescimento saudável na
igreja de Cristo. Só haverá membros
maduros e frutíferos na fé através do
ensino efetivo da palavra de Deus.
Vemos isso na igreja de Atos. Ela
não crescia apenas em quantidade,
mas também, e principalmente, em
qualidade. As pessoas convertiam-se
e experimentavam, efetivamente, uma
transformação de vida. Esse crescimento sadio era sempre associado ao discipulado, como nos informa At 6:1,7:
Naqueles dias, crescendo o número
de discípulos (...) a palavra de Deus se
espalhava. Crescia rapidamente o número de discípulos em Jerusalém. Em
outra passagem, o autor de Atos registra: ... a palavra de Deus continuava a
crescer e a espalhar-se (At 12:24).
Atualmente, fala-se muito sobre o
crescente número dos evangélicos, mas
será que esse crescimento tem sido sadio? Muitas igrejas evangélicas estão
dispostas a tudo para crescer. Porém,
qual é a vantagem de se ter um grande
rebanho, sem santidade, sem doutrina,
sem influência, nem brilho, na sociedade em que vive? Crescer dessa forma
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é um erro! Não devemos nos valer dos
mesmos expedientes e das mesmas estratégias de que tais igrejas se valem.
Para crescer de forma bíblica e saudável, a única saída é a igreja de Cristo
retornar ao processo simples de Deus
de fazer discípulos. Agindo assim, não
estará preocupada somente com os
números, mas, sobretudo, com a qualidade dos membros. Qualidade gera
quantidade, mas quantidade, sem
qualidade, é um prejuízo para a glória
de Deus e o testemunho cristão. Lembre que o nosso alvo, ao discipular, é
levar homens e mulheres a serem uma
expressão da glória de Jesus e a se tornarem cristãos maduros.
Relacionado a isso, algo preocupante que tem acontecido nas igre-
jas é a baixa retenção daqueles que
se decidem a Cristo. As estatísticas
apontam para este triste fato: os novos crentes saem da igreja tão rapidamente quanto entram nela. O discipulado é o único meio eficaz de fechar a
“porta dos fundos”,5 ou seja, se não
discipularmos os novos convertidos,
dificilmente, estes permanecerão no
caminho. Por que devemos discipular? Porque, além de promover um
crescimento bom, o discipulado possibilita a permanência dos novos convertidos no caminho. As pessoas virão
para a igreja, serão fortalecidas na fé e
permanecerão na casa do Senhor.
5. Tippit (1987:118).
01. Qual a primeira razão que temos para discipular? Qual a
diferença entre evangelizar e discipular? Baseie-se em Mt 28:19-20.
02. Que exemplo nos deixou Jesus, com relação ao discipulado?
03. Leia At 2:41-42, 11:25-26, 14:21-28 e comente a segunda razão que
temos para discipular. Qual era o segredo do crescimento da igreja de
Atos? Por que Paulo é um exemplo para nós, no discipulado?
62
Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
04. No item 3, afirmamos que o discipulado é o único meio para um
crescimento saudável na igreja. Você concorda? Baseie-se em At
6:1,7, 12:24. Qual é segredo da retenção na igreja?
III
PARA O DISCÍPULO PRATICAR
1. É preciso discipular, pois a qualidade dos membros de uma igreja está ligada ao discipulado.
Numa pesquisa6 feita entre igrejas evangélicas nos Estados Unidos,
descobriu-se que: 20% dos crentes
nunca oram, 25% nunca leem a Bíblia, 30% nunca vão à igreja, 40%
nunca contribuem para nenhum
fim, 50% nunca vão à Escola Bíblica,
60% nunca vão aos cultos da noite,
70% nunca fazem ofertas para missões, 80% nunca vão às reuniões
de oração, 90% nunca fazem culto
doméstico, 95% nunca levam uma
pessoa a Jesus.
Se essa pesquisa fosse feita em
nosso país, certamente, os números não seriam muito diferentes.
Por que isso acontece? Falta maturidade a esses cristãos. Muitos
não se tornaram verdadeiros seguidores de Cristo. Qual é o remédio
para isso? A resposta é simples: o
discipulado! É necessário investir
nisso. Todo cristão deveria ter um
discipulador que lhe ensinasse e o
acompanhasse, até atingir a maturidade na fé.
6. Moore (1984:13).
05. O que a qualidade dos membros de uma igreja tem a ver com o
ensino da palavra por meio do discipulado?
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63
2. É preciso discipular, pois a permanência dos novos convertidos
está ligada ao discipulado.
A mesma pesquisa citada anteriormente constatou que 40% dos que
são batizados anualmente se perdem
em 10 anos. Uma das grandes causas desse problema é a falta de um
acompanhamento efetivo dos novos
convertidos. Outras pesquisas indicam que os novos crentes que participam de grupos pequenos ou grupos
de estudos bíblicos têm cinco vezes
mais chances de ainda estar na igreja, cinco anos depois, do que aqueles
que apenas participam dos cultos.7
É preciso acordar. Chega de perdermos tantas vidas! Isso exigirá de
todos nós tempo, dedicação e envolvimento. Não é algo fácil, mas é
extremamente gratificante! João escreveu a um discípulo: Muito me alegrei (...) que falaram a respeito da sua
fidelidade, de como você continua
andando na verdade. Não tenho alegria maior (3 Jo 3-4). Poucas situações
podem lhe proporcionar mais satisfação que ver alguém que você levou
a Jesus e que você discipulou, depois
de certo tempo, permanecer firme,
trabalhando para Cristo na igreja.
7. Rainer & Geiger (2011:172).
06. O que a permanência dos novos convertidos tem a ver com o
discipulado. Leia 3 Jo 3-4.
DESAFIO DA SEMANA
Aprendemos, hoje, que devemos discipular, porque isso não foi
sugestão, mas, sim, uma ordem do nosso Senhor; também porque
temos o exemplo dos primeiros cristãos. Além disso, o discipulado
é a visão bíblica de crescimento e multiplicação da igreja; é o segredo da retenção dos novos convertidos entre o povo de Deus.
Por isso, propomos um desafio a você: Dê uma olhada nas pessoas
da igreja em que você congrega, verifique se há alguém precisando ser instruído na palavra. Certamente haverá! Pois bem, adote-o, para fazer dele um discípulo de Jesus.
64
Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
9
O ensino que
transforma
31 DE AGOSTO DE 2013
Hinos sugeridos – BJ 255 • BJ 202
OBJETIVO
TEXTO BÁSICO
Levar o discípulo a
compreender que o
ensino transformador
é o que tem a Bíblia
Sagrada como único
fundamento e a fazer
dessa verdade a base de
seu serviço discipulador.
Toda a Escritura é divinamente inspirada, e
proveitosa para ensinar, para redarguir, para
corrigir, para instruir em justiça; Para que o
homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente
instruído para toda a boa obra. (2 Tm 3:16-17)
LEITURA DIÁRIA
D
S
T
Q
Q
S
S
25/08
26/08
27/08
28/08
29/08
30/08
31/08
2 Tm 3:16-17
Rm 1:16
Mt 7:24-29
Rm 6:17-18
1 Co 15:51-53
Sl 37:16
Lc 8:26-39
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deste capítulo em
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INTRODUÇÃO
Chegamos à nona lição da série Façam discípulos: a ordem do mestre a todo cristão. Até
esta altura, é bem possível que você tenha se
dado conta do quanto discipular é importante
e necessário; afinal, já estudou sobre o que
significa ser um discípulo de Jesus; viu, também, o imperativo do discipulado e as razões
para discipular.
Na presente lição, trataremos do manual
do discipulado cristão, em que o discipulador
deve fundamentar seus ensinos e em que os
discípulos, novos ou antigos, devem procurar
orientações sobre como viver de modo a agradar a Deus. Estamos tratando da Bíblia, em
que encontramos expressa a vontade de Deus
para nós, em termos de fé e conduta. Ela é o
manual do discipulado.
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65
I
HISTÓRIA DE DISCÍPULO
Com a idade de 29 anos, Charles Grandison Finney era um advogado promissor no Estado de Nova Iorque. Os pastores que haviam tentado despertar-lhe o interesse pelo cristianismo desistiram, concluindo
que ele estava além das esperanças – era um ‘caso perdido’, alegavam.
Até 1821, Finney nunca havia possuído uma Bíblia, mas a fim de
tornar mais completa a sua coleção de livros, adquiriu uma para a sua
biblioteca. Mas fez mais do que isso. Começou a ler o Livro. Ao contrário de Saul, que experimentou uma conversão instantânea, Finney
começou gradualmente a transferir seu interesse, dos Comentários de
Blackwood para a Bíblia. [Tempos depois, passou a estudar a Palavra
de Deus com o pastor George Washington Gale, o seu mentor, e estes
estudos transformaram a sua vida].
Finney converteu-se e despediu-se de seus clientes e contou a seus
colegas advogados que havia recebido ‘uma procuração do Senhor
Jesus Cristo para pleitear a Sua causa’. Durante os anos que se seguiram, Finney experimentou um sucesso fenomenal como evangelista,
tanto na América como na Inglaterra. Em 1834, estabeleceu o Tabernáculo Broadway, na cidade de Nova Iorque, e mais tarde se tornou
o segundo diretor do Colégio Oberlin. Sua vida foi de uma dedicação
sempre crescente ao Senhor. E tudo isso aconteceu porque um ‘livro
de consulta’ lhe foi parar na biblioteca e posteriormente no coração.1
Com base nessa história, reflita sobre a importância do ensino
da palavra de Deus. O que este ensino causou na vida do grande evangelista Charles Finney?
II
PARA O DISCÍPULO ENTENDER
O pastor Charles Finney é um dos
maiores nomes da história do cristianismo, no século 19. Mas tudo seria
diferente, se ele não tivesse se interessado pela Bíblia e se não tivesse sido
discipulado por alguém. De fato, todo
cristão autêntico precisa ter interesse
no estudo da Escritura e deve também
estar disposto a ensiná-la a outros,
pois esse é o ensino que transforma.
__________________
1. A conversão opera mudanças. Disponível em: <http://www.sermao.com.br/ilustracoes/a-conversao-opera-mudancas>, acesso em 10 de abril de 2013.
66
Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
1. A responsabilidade bíblica
do discípulo: Pense na seguinte situação: Deus acaba de usar você para
pregar o evangelho a uma pessoa não
salva, e esta decidiu render-se a Cristo
Jesus. Foi justificada, perdoada, liberta. Festa no céu! Você está radiante, e
não é para menos. Mas, passado esse
momento de grande emoção, que fazer? Qual a sua responsabilidade para
com o pecador que você ajudou a dar
o primeiro e gigantesco passo, rumo
à salvação plena?
Diante de tudo que você aprendeu, nesta lição, já sabe que esse novo
crente precisa ser discipulado. Todos
têm responsabilidades quanto a isso;
afinal, Jesus nos mandou fazer discípulos. Já sabemos que o mestre disse
que todo discípulo deve ser ensinado a
guardar tudo que ele mandou. Onde
encontramos revelado “tudo que ele
ordenou”? Se você respondeu “na
Bíblia”, acertou. Precisamos ensinar a
palavra de Deus aos novos crentes.
Por isso mesmo, todo crente em
Jesus deve ser alguém que lê as Escrituras, reflete sobre ela, vive seu
conteúdo e a transmite a outros.
Lembra-se do conselho de Paulo a Timóteo? Procura apresentar-te a Deus
aprovado, como obreiro que não tem
de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade (2 Tm
2:15). Precisamos conhecer o manual
da nossa fé. Isso não significa usar a
Bíblia como se ela fosse um manual
de mágicos ou um código misterioso
de moral e bons costumes, ou, ain-
da, algo que, ao ser lido, transforma
automaticamente a vida das pessoas.
O mero contato com as Escrituras
Sagradas não resolve todos os problemas. Por que não é assim? Porque
a Bíblia conduz as pessoas a uma
pessoa: Jesus Cristo. Este é declarado nas páginas sagradas como Salvador e Senhor da humanidade, aquele com quem os pecadores devem
aprender a se relacionar de forma
verdadeira, ao longo da vida. Portanto, a sua responsabilidade espiritual
é ensinar o novo crente, à luz da Bíblia, a desenvolver um viver centrado
em Jesus Cristo e em seus ensinos.
2. A confiança bíblica do discípulo: É importante entendermos
que o discípulo de Cristo não escolhe
sem razão a Bíblia como manual para
ensinar ao novo crente. Ele confia
no poder do evangelho. Paulo tinha
essa convicção. Ele sempre ensinou
a palavra de Deus aos seus ouvintes.
Em Rm 1:16, o apóstolo afirma: ...
não me envergonho do evangelho,
porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê.
A Bíblia Viva traduziu assim esse
versículo: Não estou envergonhado
desta Boa Nova a respeito de Cristo. Ela é o poderoso método divino
de levar ao céu todos quantos crerem nela. Temos tal convicção? Vidas podem ser transformadas pela
pregação do evangelho. Conforme
já afirmamos, isso acontece não por
causa da Bíblia em si, mas por causa
daquele que é revelado nela.
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67
A Bíblia também é útil, segundo Paulo, para nos ensinar o que é
verdadeiro e para nos fazer compreender o que está errado em nossas
vidas. Ela nos ajuda a fazer o que é
correto (2 Tm 3:16-17 – NBV). Na Bíblia A Mensagem, Peterson traduz a
parte final de 2 Tm 3:17 da seguinte
maneira: Por meio da Palavra, somos unidos e moldados para as tarefas que Deus deseja nos incumbir.
Como a Bíblia é útil!
Independentemente de nossa
condição ser de um discipulador ou
de um discipulando, todos somos
discípulos de Jesus e devemos nos
encher de sua palavra. Se fizermos
isso, teremos uma influência poderosa para os momentos de tomada
de decisão. Quando lemos a Escritura, esta se “acomoda nos porões
do subconsciente e forma uma bagagem de valor inestimável, que
aflora naturalmente nos momentos
mais necessários”.2
3. O programa bíblico do discípulo: Você já aprendeu que sua responsabilidade como discípulo de Cristo é
ensinar a Bíblia a outros discípulos mais
novos e que deve crer na utilidade da
Escritura. Como você pode fazer isso?
Nesta parte, apresentaremos algumas
dicas. De início, é bom que você esteja ciente de que preparar uma pessoa
para dar frutos dignos do reino de
Deus exige muito trabalho, dedicação,
paciência e metodologia bíblica.
2. César (2005:14).
68
Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
É fundamental que você siga um
programa de ensino da palavra, regado a oração e jejum. É essencial saber
ensinar, na Bíblia, o plano que Deus
elaborou para resgatar o ser humano
do pecado. Você pode começar mostrando ao discipulando que a salvação dele acontece nos três tempos da
vida e que, em cada um desses tempos, é realizado um tipo de libertação
espiritual: O novo convertido precisa
saber que foi liberto da sentença do
pecado (Rm 5:1, 8:1-2); precisa saber
que, no presente, está sendo liberto do poder do pecado (Rm 6:14),
e precisa saber que, no futuro, será
liberto da presença do pecado (Rm
8:17; 1 Co 15:51-53; Ap 21:27).
O programa do discipulador precisa
estar cheio de exemplos bíblicos sobre
como homens e mulheres da Bíblia foram libertos e do que foram libertos.
Afinal, discipular também é mostrar o
rumo certo para a vida, ensinar a palavra de Deus. Se, no seu programa de
discipulador, a Bíblia for a única regra
de fé e prática, o seu discipulando será
liberto do pecado de julgar os outros
pela aparência (Lc 7:36-50). Será, de
igual modo, salvo de se irar contra seu
irmão, de se deitar com a mulher do
próximo, de jurar falsamente, de buscar a vingança, de ofertar hipocritamente, de orar e jejuar para ser visto,
de buscar riquezas humanas insaciavelmente, de viver ansioso, de expor a
sua intimidade, de ser enganado pelos falsos profetas e de construir a sua
casa na areia (Mt 5:21–7:29).
É nesse discipulado autêntico
que o discipulando é liberto até
mesmo da incapacidade de conhecer a Deus (Jo 14:9-10). Se você
sempre usar a Bíblia, o novo crente
aprenderá que o pouco nas mãos
de Deus é muito, e o muito, sem
Deus, é nada (Jo 6: 1-12; Sl 37:16);
também aprenderá a viver em constante obediência ao Pai, o que lhe
conferirá autoridade espiritual para
libertar pessoas dominadas por demônios violentos (Lc 8:26-39). Aos
poucos, começará a reproduzir o
que aprendeu: aplicar-se à leitura,
à exortação e ao ensino da palavra.
01. Leia 2 Tm 2:15; o item 1, e fale sobre a responsabilidade bíblica
de todo discípulo de Jesus.
02. Após ler Rm 1:16 e os primeiros parágrafos do item 2, responda:
O que o evangelho pode fazer na vida de quem crê?
03. Leia 2 Tm 3:16-17; os últimos parágrafos do item 2, e comente
sobre a utilidade da Escritura.
04. Leia o item 3 e comente com a classe sobre os primeiros assuntos
bíblicos de que o discipulador deve tratar com o novo convertido.
O que o discipulando pode aprender, se o discipulador tiver a Bíblia
como sua única regra de fé e de prática?
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69
III
PARA O DISCÍPULO PRATICAR
1. Para ver vidas transformadas,
use a Bíblia para ensinar.
Enquanto as pessoas perceberem
que a sua mensagem ou o seu ensino são confusos, inseguros, incertos, subjetivos, elas não confiarão e
continuarão sem o Deus verdadeiro.
Enquanto perceberem que você usa
mais o conhecimento das ciências
humanas, mais as suas habilidades
profissionais, elas continuarão onde
estão: perdidas. Do conteúdo do
mundo, elas estão cansadas.
Você quer ver pecadores transformados? Use a Bíblia para falar
com eles! Confie no evangelho,
porque é o poder de Deus para a
salvação de todo o que crê (Rm
1:16). Diga “não” ao desconhecimento da Escritura e do poder de
Deus (Mt 22:29). Entre para o time
dos apaixonados pela palavra de
Deus; encha-se dela, e deixe-a extravasar, para que haja libertação e
transformação (Lc 4:36).
05. À luz da primeira aplicação, se quisermos ver vidas
transformadas, qual deve ser nossa atitude? Comente.
2. Para ver vidas transformadas,
ensine no poder do Espírito Santo.
Será que você não é um cristão do
tipo que confia demasiadamente na
sua inteligência, nas suas estratégias,
nas suas táticas, nas suas experiências? Evidentemente, o conhecimento intelectual e experiencial é importante. O Senhor Deus não é contra
o desenvolvimento das nossas habilidades naturais. Mas será que não
está havendo exagero? Pense: De repente, você está mais para consultor
do que para discipulador.
70
Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
Você quer ser um ganhador e edificador de vidas para o reino de Deus?
Não use as suas qualidades naturais só
para ganhar o seu salário com dignidade. Elas também foram dadas a você
para a sua atuação no reino de Deus.
Use-as! Além disso, jejue, ore, busque,
bata, peça, jogue-se aos pés de Jesus e
peça-lhe que o encha do poder do Espírito Santo. Somente assim as fortalezas da incredulidade são quebradas e
a alma presa é liberta, para a glória de
Deus (Lc 24:49; At 1:8, 2:1-4 e 37-41,
4:31, 13:52; Ef 5:18; 2 Co 10:4-5).
06. À luz da segunda aplicação, se quisermos ver vidas
transformadas, qual deve ser nossa atitude? Comente.
DESAFIO DA SEMANA
Para esta semana, desafiamos três grupos de pessoas à reflexão:
1) Você, que é discípulo de Cristo há vários anos, reflita sobre o
quanto tem se dedicado a estudar a Bíblia Sagrada, nestes últimos
dias. Você tem lido a Bíblia? Meditado? Procurado viver à luz do
que as Escrituras dizem? Faça isso. Do contrário, você facilmente
será levado por todo e qualquer vento de doutrina; também não
estará apto a ajudar outros discípulos que estão no início da jornada do discipulado. 2) Você, que é discipulador, use a Bíblia como
manual do discipulado. Chega de livros de autoajuda! Chega de
encher a cabeça dos novos crentes com experiências pessoais. 3)
Você, que é novo convertido, que está iniciando o caminho do
discipulado, reflita, desde já, sobre o valor da Escritura e abra o seu
coração para se encher dela.
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71
10
A pedagogia
do discipulado
7 DE SETEMBRO DE 2013
Hinos sugeridos – BJ 374 • BJ 385
OBJETIVO
TEXTO BÁSICO
Explicar como funciona
o ciclo do discipulado,
mostrando que, ao
ensinarmos a palavra de
Deus a alguém interessado
no evangelho ou a um
novo convertido, devemos
dar um passo de cada vez,
sem pular as etapas.
Nós o proclamamos, advertindo e ensinando
a cada um com toda a sabedoria, a fim de
que apresentemos todo homem perfeito em
Cristo. Para isso eu me esforço, lutando conforme a sua força, que atua poderosamente
em mim. (Cl 1:28-29)
INTRODUÇÃO
LEITURA DIÁRIA
D
S
T
Q
Q
S
S
01/09
02/09
03/09
04/09
05/09
06/09
07/09
Cl 1:28-29
Ef 4:13
Mt 16:13-16
Ef 2:8-9
2 Pd 3:15
Mt 16:21-24
Rm 12:4-8
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72
Quando nos propomos a ensinar a palavra a alguém, normalmente somos tomados por algumas dúvidas: Que material
devo utilizar? Este curso bíblico é adequado
a essa pessoa? Devo começar com o curso
“Tesouros da verdade” ou com o “Prova de
Amor”, que tratam de forma bem simples o
evangelho? Ou será que devo iniciar já com
“O doutrinal”?
Quantas perguntas! Contudo, a grande
questão não é o “material” ou “curso”,
mas, sim, o conhecimento do que precisa
ser ensinado e do momento em que se deve
ensinar, ou seja, qual a primeira coisa que o
discípulo deve aprender? Qual é a segunda,
a terceira, a quarta... e assim por diante?
Ao acompanhar alguém na fé, é preciso
cumprir as etapas e dar os passos certos na
caminhada cristã.
Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
I
HISTÓRIA DE DISCÍPULO
Milene é uma enfermeira que morava em Vitória e agora está sendo
usada por Deus na África. Robson é um médico que morava em São
Paulo e agora é missionário na Ásia. João Luís e Maria também eram
de São Paulo, trabalhavam com esportes e agora são missionários na
Índia. Isabel e Darlene são professoras e residiam em Vila Velha. Agora
são missionárias na Europa. Gustavo era pastor em Belo Horizonte,
mas agora discipula pessoas no Rio de Janeiro. O que todas estas pessoas têm em comum? Todas passaram por um processo de discipulado
em sua vida, descobriram como poderiam estar em missão com Deus
e encararam o desafio.
Outro detalhe: nem todas elas se conhecem muito bem, mas todas fazem parte da mesma agência missionária, que tem como uma
de suas prioridades discipular pessoas. Lembro-me da história de
cada uma delas e... percebi uma coisa: a essência do discipulado
proporcionou transformação e ação na vida delas, e a estrutura e o
currículo foram ferramentas desse processo. Digo isso porque normalmente depois que pastores e líderes ouvem histórias de transformação, a primeira pergunta que surge é: “Que método e que
material vocês utilizam?”.
A resposta a essa pergunta é: “o método que o Espírito Santo
achar melhor e o material que o Espírito Santo decidir aplicar em
cada contexto”. A transformação dessas e de outras pessoas foi
fruto de um mover do Espírito Santo e da obediência dos líderes à
visão de Deus. Quando existe um mover de Deus e os líderes são
obedientes à direção de Deus, é como se o Senhor dissesse para
você: “Vou te abençoar por causa da sua obediência ao meu propósito. Escolha a estrutura mais conveniente à sua realidade e os
materiais com os quais as pessoas mais aprenderão da minha palavra. O restante eu faço”.1
Qual a importância de uma pessoa passar por um processo completo de discipulado? O que o chamou à atenção, nesse relato?
__________________
1. Campanhã (2012:137-138).
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73
II
PARA O DISCÍPULO ENTENDER
Quando uma criança entra na
escola, os seus estudos se iniciam,
oficialmente, pela primeira série do
ensino fundamental. A partir deste
momento, ela passará por diversas
etapas, até chegar àquele dia em
que receberá o diploma de uma
faculdade. Com exceção das superdotadas, nenhuma criança irá direto
para o ensino médio ou para a faculdade. Existem fases que precisam
ser respeitadas. Pois bem, algo muito
parecido acontece na escola da fé.
1. Respeite as etapas: Quando o
discipulado começa? Tudo começa no
evangelismo. Como sabemos, de acordo com Mateus 28:19-20, o ato de
“fazer discípulos” está dividido em três
estágios: o “indo”, o “batizando” e o
“ensinando”. O discipulado começa
já no estágio “indo”, ou seja, desde a
evangelização, cultivando o solo, plantando a semente, regando e colhendo.
Nossa primeira missão é levar a
pessoa não-crente a ter um encontro com Cristo, aceitando-o como
Senhor e Salvador de sua vida. Mas,
e se esta pessoa afirmar que já aceitou a Cristo, o que fazer? Passar logo
ao segundo estágio? Ainda não! É
necessário verificar, antes, em que
grau essa pessoa está em sua fé. É
preciso considerar se sua decisão
está firmada numa compreensão
verdadeira do que realmente é aceitar a Cristo e ser um discípulo dele.
74
Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
É muito importante que ela ouça
tudo a respeito do plano da salvação
e confirme sua decisão de entregar
a vida ao senhorio de Cristo. A falta
desse cuidado, no início do discipulado, tem produzido muitos membros
batizados sem uma verdadeira conversão e compreensão do evangelho.
Pois bem, esse é o início do discipulado cristão. É o ponto de partida de
uma longa caminhada, cujo destino
final é até que (...) cheguemos à maturidade (Ef 4:13 – NVI).
O alvo é termos um cristão maduro e frutífero. É isso que Paulo ensina, ao escrever aos Colossenses: Nós
o proclamamos, advertindo e ensinando a cada um com toda a sabedoria, para que apresentemos todo
homem perfeito em Cristo (Cl 1:2829 – NVI). Esse texto nos mostra um
ponto de partida (a proclamação) e
um destino final (a maturidade em
Cristo). Porém, até chegarmos a esse
objetivo final, existem algumas etapas, fases ou objetivos menores, que
precisam ser alcançados na caminhada. Não esqueçamos: “temos uma
quádrupla responsabilidade como
pais espirituais: amar, alimentar, proteger e treinar os novos discípulos”.2
Segundo Paulo, esse trabalho é
feito com muito esforço do discipulador, mas, sobretudo, na força do
2. Moore (1984:78).
Espírito Santo. De fato, sem o poder
do Espírito Santo, todo o trabalho
será vão! Assim, ao ajudarmos cristãos na escola da fé, precisamos advertir e ensinar a cada um com toda
a sabedoria, precisamos ter paciência para não pularmos as etapas e
confiar na ação do Espírito.
2. Estabeleça objetivos: Em Mateus 16:13-24, vemos, claramente,
Jesus mudando de fase, na aprendizagem de seus discípulos. Neste
texto, o Mestre faz com eles uma
espécie de prova oral, interrogando:
“Quem sou eu para vocês?” (v. 15).
Ao que Pedro responde: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo (v.16). Nota
dez! Mas há algo curioso aqui: até
aquele instante, Jesus ainda não havia dito aos doze que era o Messias
prometido. Porém, direcionou todo
o ensino e atitudes para que eles
chegassem àquela conclusão.
O Mestre por excelência havia definido um objetivo para os seus alunos.
Antes de aprenderem qualquer outra
lição, eles precisavam entender quem
ele era. E não passariam de fase, até
que atinassem nisso. O texto informa
que, a partir daí, Jesus começou a ensinar aos seus discípulos que era necessário que ele fosse para Jerusalém
e sofresse (...), e fosse morto e ressuscitasse no terceiro dia (v. 21).
Devemos seguir o exemplo do
nosso Senhor e também estabelecer
passos, ao ensinarmos o caminho de
Deus a alguém. Mas como faremos
isso? A Bíblia indica alguns passos que
o discipulador deve dar com a pessoa
que está sendo ensinada:3 o primeiro
passo é ajudá-la a entender e vivenciar a salvação. É imprescindível que o
novo convertido conheça o evangelho
de Cristo e tenha certeza de sua salvação (Mt 16:15; Ef 2:8-9). Se a pessoa não conhece Jesus ou ainda não
o aceitou, não faz sentido ensinar-lhe
questões profundas da Bíblia.
O segundo passo é ajudar a pessoa
a se relacionar com Deus. Depois de
conhecer o evangelho, o novo convertido precisa aprender a se comunicar
com Deus. Ter uma vida devocional diária é essencial para o seu crescimento
espiritual. Ensine-o a orar e ler a Bíblia.
O terceiro passo é ajudar a pessoa a
se preparar para o batismo. Não é necessário ensinar tudo, neste momento,
pois o discipulado está apenas começando. Ensine as questões que são
essenciais para o batismo e conduza
o novo cristão a esse ato, que é tão
importante em sua caminhada.
O quarto passo é ajudar a pessoa a
entender com profundidade as doutrinas bíblicas. O cristão precisa saber
em que crer e ser apto a defender sua
fé (1 Pd 3:15). Esse ensino bíblico desenvolve o caráter de Cristo em sua
vida. Ensine-o a praticar a Bíblia! Incentive-o a ser obediente (Mt 28:20).
O quinto passo é ajudar a pessoa a
integrar-se na vida da igreja local. O
novo crente precisa ser integrado na
igreja. Ele precisa se “encontrar” nela,
3. Kuhne (2008:19).
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descobrindo e exercitando seus dons
espirituais (Rm 12:4; 1 Co 12:1-31).
O sexto passo é ajudar a pessoa
a evangelizar e discipular outras
pessoas. O novo convertido precisa aprender a evangelizar, mas não
só isso: precisa entender a visão do
discipulado. Deve ser treinado e incentivado a se multiplicar. O ciclo do
discipulado termina quando o novo
crente consegue fazer outro discípulo e é capaz de acompanhá-lo na fé,
através do ensino bíblico e do aconselhamento pessoal.
Esse ciclo do discipulado é dinâmico. É uma roda que não pode parar,
pois, depois de ter dado todos esses
passos, o cristão estará apto para
acompanhar outro novo crente e ajudá-lo a dar esses seis passos, na caminhada cristã. Assim, cumpre-se o objetivo final do discipulado. A seguir,
após as perguntas, faremos duas considerações práticas sobre esta lição.
01. Leia Mt 28:19-20 e responda: O que uma criança indo à escola
nos ensina sobre o discipulado? Qual é a nossa primeira missão, ao
ensinarmos um interessado ou um novo convertido? É certo pular
etapas, na escola da fé?
02. Após ler Ef 4:13; Cl 1:28-29, responda: Qual é o objetivo final que
devemos ter, ao ensinarmos a palavra de Deus a uma pessoa? Neste
processo, qual é a quádrupla função do discipulador?
03. Como o texto de Mt 16:13-24 nos mostra Jesus mudando de
fase, na aprendizagem dos seus discípulos? Qual é a importância de
estabelecermos objetivos, quando estivermos passando um curso
bíblico a alguém?
76
Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
04. Comente os seis passos que devemos dar com o novo discípulo em
seu aprendizado. Pondere: Por que o ciclo do discipulado é dinâmico?
III
PARA O DISCÍPULO PRATICAR
1. Ao ensinar a palavra de Deus a
alguém, jamais ignore as etapas!
Ao seguir um roteiro de ensino bíblico, você não pode pular etapas: dê
um passo de cada vez. É imprescindível que cada passo seja respeitado.
Por exemplo, quando, nos primeiros
estudos, você apresenta o plano da
salvação a uma pessoa não-crente,
espera que ela creia em Jesus e o
aceite como Senhor de sua vida. Certo? Esse é o primeiro objetivo.
Sendo assim, enquanto essa pessoa não entender o evangelho e
se entregar a Cristo, não é correto
passar para o próximo estágio. Não
faz sentido ensinar o sábado, a abstinência e o batismo no Espírito Santo a essa pessoa que ainda não tem
compromisso com Cristo. A ideia de
respeitar as etapas do aprendizado é
princípio ensinado por Cristo, em Mt
16:13-24. Aplique esse princípio em
todos os passos do discipulado.
05. Em se tratando de pular etapas, é correto ensinar conceitos
complexos do evangelho e doutrinas, como o descanso no sábado
e o batismo no Espírito Santo, para alguém que nem aceitou Jesus
como Salvador? Justifique sua resposta.
2. Ao ensinar a palavra de Deus a
alguém, escolha o material certo!
Abraão Lincoln disse certa vez:
“Se de antemão já soubéssemos
onde nos situamos e o que pretendemos obter, poderíamos planejar
melhor o que iremos fazer e como
o faremos”. Essa frase se aplica ao
ensino cristão. Quando sabemos o
passo que devemos dar com o novo
convertido ou, ainda, o passo que
devemos dar com o líder que estawww.portaliap
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mos treinando, então, fica fácil sabermos que curso bíblico ou literatura iremos utilizar. Basta escolhermos
o material que atenda a finalidade.
Ao discipular, você precisa ter cuidado para não dar “comida sólida”
aos “bebês na fé”, nem “papinha”
ou “leite” aos mais crescidos. Ambas as atitudes levam os cristãos em
treinamento ao desânimo. Saiba que
o material é vasto: além do curso bíblico, você pode ensinar por meio de
livros e filmes cristãos. Pode, ainda,
usar apenas a Bíblia, numa leitura
direcionada. Mas pode também usar
aulas práticas: ensinar a orar, orando
com o novo crente, e a evangelizar,
evangelizando com ele. A escolha do
material ou da pedagogia dependerá
do objetivo que você tem em mente.
06. Comente a frase: “A escolha do material ou da pedagogia
dependerá do objetivo que você tem em mente”.
DESAFIO DA SEMANA
Já estamos no décimo estudo desta série, e, se você ainda não
está ensinando um novo convertido ou um interessado no evangelho, não perca mais tempo. Adote, agora mesmo, uma pessoa cujo
aprendizado na escola de Cristo você possa acompanhar. Faça o
ciclo do discipulado com ela, seguindo os passos propostos nesta
lição. Mas, se você não se sente preparado para ensinar, talvez
precise ser discipulado por alguém. Sendo assim, tome uma atitude! Tente descobrir que passo do discipulado não foi dado por
você, na caminhada cristã. Converse com o seu pastor ou com um
cristão mais maduro que você e peça-lhe que o ajude nisso.
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Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
11
Formas de
fazer discípulos
14 DE SETEMBRO DE 2013
Hinos sugeridos – BJ 48 • BJ 165
OBJETIVO
TEXTO BÁSICO
Instruir o estudante da
Bíblia a adotar estas
duas formas de fazer
discípulos: discipulado
pessoal e de pequenos
grupos, a fim de ser
usado por Deus para o
crescimento de sua obra.
E todos os dias, no templo e nas casas, não
cessavam de ensinar e de anunciar a Jesus
Cristo. (At 5:42)
LEITURA DIÁRIA
D
S
T
Q
Q
S
S
08/09
09/09
10/09
11/09
12/09
13/09
14/09
At 5:42
Lc 10:1
Mc 2:13
Mt 8:14
At 16:1-3
1 Co 4:17
Rm 16:3,5
INTRODUÇÃO
Você teria a coragem de se perguntar:
“Será que eu já fiz algum discípulo para o Senhor?”, ou: “Será que eu já abri minha casa
para fazer um pequeno grupo de estudo da
Bíblia?”. Essas perguntas devem ser feitas por
todos nós, seguidores de Jesus.
A lição de hoje vai tratar dessas duas importantes formas de fazer discípulos: de maneira
pessoal (um a um) ou em pequenos grupos.
Veremos, pela Bíblia, que essas eram as formas mais usadas por Jesus e os apóstolos, para
que, pelo poder do Espírito e o ensinamento
da palavra, o novo cristão permanecesse na fé.
I
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HISTÓRIA DE DISCÍPULO
Leciono há 24 anos em instituições
teológicas e há um bom tempo mudei
meu método de ensino. Nas aulas, não
transmito apenas conteúdos; elas são
verdadeiros laboratórios. Meu objetivo
não é que o aluno consiga nota; quero
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transferir-lhe experiência ou, quem sabe, parte de minha vida. Nem
sempre eles gostam. Às vezes, penso que prefeririam fazer provas e
decorar frases a desenvolverem comigo um projeto sobre o qual temos
de pensar cada fase da pesquisa e refletir de suas implicações.
No final (o que talvez seja o mais difícil para eles), muitas vezes
recebem o trabalho sem avaliação e têm de refazê-lo, quantas vezes
forem necessárias, até que o conceito tenha sido incorporado de fato.
O discipulado é mais que transferir conhecimentos; é transferir vida,
valores e modelos que podem ser aprendidos. Perdemos o contato
com os nossos mentores, mas a experiência trocada durante o período
de ministração mútua jamais se perderá.
Gosto da frase que ouvi de um professor de comunicação: “Conte-me, e eu esquecerei! Mostre-me, e eu lembrarei! Envolva-me, e
eu aprenderei! Convença-me, e eu mudarei!”. Se queremos formar
ministros, precisamos mudar nossos métodos pedagógicos. A cada
passo, precisamos criar oportunidades para que as pessoas pratiquem
o que aprenderam e a verdade deixe de ser um conhecimento e se
transforme em uma experiência que nos ensine a amar e estar perto
das pessoas, pois elas são objetos do amor de Deus.1
Comente sobre a mudança do método de ensino do personagem
dessa história. Ensinar de maneira envolvente é mais eficaz?
II
PARA O DISCÍPULO ENTENDER
Ensinar é muito mais que enfadar
os alunos com conhecimento teórico: é promover o aprendizado também através do exemplo do educador e da participação do aluno. No
caso do cristianismo, o conteúdo é
a palavra, que é a respeito de Cristo,
no Antigo (Gn 3:15) e no Novo Testamento (Jo 1:1). O novo convertido
necessita do crente com mais tempo
__________________
1. Piragine Jr. (2006:120-122).
80
Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
de fé que o discipule, que lhe ensine. Qual a forma de fazer discípulos?
Veja a seguir.
1. Discipulado pessoal: A primeira forma de discipulado que estudaremos é o discipulado pessoal. Mas o
que este vem a ser? Trata-se do “estabelecimento de um relacionamento
espiritual entre um crente maduro e
um crente novo, com o objetivo de
ajudar o segundo em seu crescimento
e nutrimentos espirituais”2. Jesus utilizava esta forma.
Começamos pelo chamado de Jesus aos discípulos: E disse-lhes: Vinde
após mim, e eu vos farei pescadores de homens (Mt 4:19). Como já
aprendemos, Jesus não os faria discípulos da noite para o dia. Por isso, o
Senhor “dedicou-se de forma quase
integral a esses homens, convivendo
com eles dia e noite”.3
Cristo ensinava as multidões (Mc
2:13), a um grupo de setenta pessoas
(Lc 10:1), aos doze discípulos (Mt 11:1),
e, ainda neste grupo, teve contato
mais específico com três (Pedro, Tiago
e João; cf. Mt 8:14; Lc 8:51, 22:8; Jo
21:20). Estes conviveram de maneira
mais íntima com o Senhor.4 Veja alguns episódios: na ressurreição da filha
de Jairo (Mc 5:37), na transfiguração
(Mt 17:1) e no Getsêmani (26:37).
Veja que, mesmo diante dos doze,
o Mestre Jesus se aproximou mais de
três. Pode ser que o Senhor tenha enxergado algo além neles, para tê-los
tornado grandes nomes da igreja cristã.5 Em At 12:2, Tiago morreu por causa do evangelho e Paulo escreveu sobre
dois deles: Pedro e João, tidos como colunas (Gl 2:9 – NVI). Em Paulo, também
vemos a prática do discipulado pessoal.
Deus usou muito a vida deste homem.
2. Kunhe (2008:20).
3. Evangelismo e discipulado (2010:94).
4. Tasker (1980:46).
5. Evangelismo e discipulado (2010:113).
No Novo Testamento, há mais de
100 pessoas que, de certa maneira, se
relacionam com Paulo. Destas, aproximadamente 35 mantinham com ele
um contato mais próximo; Timóteo
(1 Tm 1:2), Tito (Tt 1:4), Epafrodito
(Fp 2:25) e Tíquico (Cl 4:7) estavam
mais próximos ainda.6 Estes discípulos
de Cristo são chamados de filhos, irmãos, o que sugere uma proximidade
com seu discipulador, Paulo.
Trata-se de grandes cooperadores
da obra de Deus. Depois de certo tempo de discipulado, já estavam produzindo frutos. Timóteo, por exemplo,
foi convidado por Paulo a caminhar
ao seu lado (At 16:3), pois tinha bom
testemunho dos irmãos (16:1-2), por
onde andava, confirmando na fé as
igrejas (16:5). Após esse processo juntos, foi enviado sem o apóstolo, pois já
havia amadurecido na fé (1 Co 4:17).
2. Discipulado em pequenos
grupos: A segunda forma de discipulado que enfatizamos são os
pequenos grupos, que se reúnem
nas casas, com o foco principal no
ensino da palavra e na comunhão
entre as pessoas (At 2:46), para que
o evangelho seja espalhado e o discipulado, desenvolvido. Temos vários
nomes para esta forma de discipulado, como: grupo familiar, grupo de
oração e comunhão etc. A Igreja Adventista da Promessa adotou a designação “grupo de estudo bíblico”.7
6. Idem, p.94.
7. Evangelismo e discipulado (2010:112).
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81
Os pequenos grupos eram priorizados, na igreja primitiva. Embora o
templo tivesse seu lugar, na prática
da igreja, vemos que o “de casa em
casa” também fazia parte do dia-a-dia dos primeiros cristãos. O texto
básico da lição expressa isso muito
bem: E todos os dias, no templo e
nas casas, não cessavam de ensinar e
de anunciar a Jesus Cristo (At 5: 42).
Quando lemos o Novo Testamento, percebemos que a casa era um
espaço da igreja. Filemom (Fm 1:12) abriu a porta de sua casa. O casal
Priscila e Áquila também fez de sua
casa um espaço de compartilhamento do evangelho (Rm 16:3,5).
Também nos é informado, em Cl
4:15, que, em Laodiceia, Ninfa abriu
as portas de sua casa para as reuniões da igreja.8
Por sua vez, o apóstolo Paulo,
quando em Éfeso, ensinou publicamente e pelas casas (At 20:20 –
grifo nosso) a respeito da conversão
a Deus e da fé em nosso Senhor Jesus
Cristo; ensinou toda a mensagem de
Deus (20:21, 27). Ele mesmo nos informa sobre o tempo de seu discipulado: ... durante três anos, não cessei, noite e dia, de admoestar, com
lágrimas, a cada um de vós (20:31).
No último capítulo de Atos, lemos
sobre o discipulado de Paulo: Pregava
o Reino de Deus e ensinava a respeito do Senhor Jesus Cristo, abertamente e sem impedimento algum (28:31 –
8. Lucado (2010:77).
82
Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
NVI – grifo nosso). Por dois anos, numa
espécie de “prisão domiciliar”,9 ele
pregava e ensinava em casa (28:30).
Imagine quantos discípulos foram
formados, através desse “ponto de
pregação”! Nesses pequenos grupos,
eles tinham a possibilidade de manter
um contato mais próximo com seu discipulador, o que tornava o ensino da
palavra muito mais dinâmico.
Atos começa e termina informando-nos sobre a importância das casas
para o desenvolvimento dos novos
cristãos: Regularmente eles adoravam juntos no templo todos os dias,
reuniam-se em grupos pequenos nas
casas para a Comunhão (At 2:46 BV).
Além do mais, é informado que essa
igreja nova perseverava na doutrina
(2:42). Stott10 nos diz que “o Espírito
Santo abriu uma escola em Jerusalém; seus professores eram os apóstolos que Jesus escolhera; e havia três
mil alunos no jardim de infância!”.
Eles precisavam ser discipulados.
Você, que é discípulo do Senhor,
pôde refletir sobre estas duas formas
de discipulado: o pessoal e o de pequenos grupos, e perceber, através
de Jesus e da igreja primitiva, o quanto a prática do acompanhamento
dos novos cristãos é necessária para
o crescimento destes. Não esqueça,
então, de praticar o discipulado. A
seguir, você conhecerá dois princípios que o ajudarão nessa prática.
9. Lopes (2012:505).
10. Stott (2008:87).
01. Leia o primeiro parágrafo do item 1 e responda: O que é o
discipulado pessoal?
02. Agora, leia os demais parágrafos do item 1; os exemplos de
Jesus, em Mt 4:19, e de Paulo, em At 16:1-5, com relação a essa forma
de discipulado, e responda: Como isso desafia a sua vida cristã?
03. O item 2 trata sobre discipulado em pequenos grupos. Com base
no primeiro parágrafo desse item, conceitue essa forma de discipular.
04. Através do exemplo deixado pela igreja primitiva (At 5:42; Fm
1:1-2; Rm 16:3,5), explique a relevância dos pequenos grupos.
III
PARA O DISCÍPULO PRATICAR
1. Adotemos um novo convertido já!
Talvez o texto que mais transmita a
ideia de discipulado pessoal seja 2 Tm
2:2: O que ouviste de mim diante de
muitas testemunhas, transmite a ho-
mens fiéis e capacitados a fim de que
possam igualmente discipular a outros
(KJA). Essa pode até ser uma espécie
de “credo do discipulado pessoal”.
Nesse texto, entendemos que, apesar
de haver muitos ouvintes do ensinawww.portaliap
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83
mento cristão, Timóteo foi escolhido
por Deus e discipulado por Paulo.
Assim, após um período de tempo
com Paulo, Timóteo deveria ensinar
outras pessoas fiéis a Deus, que passariam o conteúdo do evangelho a
outros. E você? O que espera? Disponha-se a fazer discípulos de Jesus!
Olhe, na sua comunidade, o novo
convertido que precisa ser guiado.
Gaste tempo de estudo e comunhão
com ele. É dever de todo cristão fazer discípulos (Mt 28:19), não só do
pastor. Essa mensagem é para você
mesmo, não para outro. Adote já um
filho na fé!
05. Refletindo sobre a primeira aplicação, que nos mostra o dever
de fazermos discípulos, como está sua situação em relação ao
acompanhamento de novos cristãos?
2. Abramos nossa casa já!
A igreja local deve cultivar a prática de cada discípulo abrir a porta
de sua casa para pequenos grupos.
Como já dissemos, as casas eram um
prolongamento da vida da igreja. Em
Romanos, temos gente que abriu a
casa para isso: Saudai a Priscila e a
Áqüila (...). Saudai também a igreja
que está em sua casa (16:3a,5a).
Faça da sua casa um “ponto de
discipulado”. Convide as pessoas
para conhecerem a Jesus, e os mais
novos na fé para se aprofundarem
na palavra. Abra a porta de sua casa
e tenha a experiência de momentos
como os vividos na igreja primitiva. O
que está esperando? Procure o pastor local e ofereça sua casa para o
início de um grupo de estudo bíblico.
06. Sabendo que sua casa pode ser uma extensão da igreja local,
qual foi a última vez em que você abriu as portas para um grupo de
estudo bíblico? Você já fez isso?
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Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
DESAFIO DA SEMANA
A lição desta semana é bem desafiadora. Aprendemos que é
dever de todo cristão, não apenas da liderança, transmitir a fé e a
vida recebidas em Cristo Jesus. Devido a essa grandiosa verdade,
já é hora de praticarmos o discipulado. Temos que obedecer ao
mandamento de fazer discípulos (Mt 28:19).
Ore a Deus e chame, com a autorização do pastor, aquele novo
convertido para que você o ajude a crescer na fé. Marque um dia
fixo na semana para conversarem sobre a Bíblia e sobre a vida. Se
for possível abrir a sua casa a um grupo de estudo bíblico, faça
isso. Coopere com a obra de Deus!
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12
O mestre
por excelência
21 DE SETEMBRO DE 2013
Hinos sugeridos – BJ 04 • BJ 20
OBJETIVO
TEXTO BÁSICO
Mostrar ao aluno o
método de discipulado do
Mestre por excelência, que
inclui: chamado, convívio,
treino e comissão.
Terminando de dar instruções aos seus doze
discípulos, Jesus partiu dali para ensinar e pregar nas cidades da região. (Mt 11:1 – AS21)
INTRODUÇÃO
LEITURA DIÁRIA
D
S
T
Q
Q
S
S
15/09
16/09
17/09
18/09
19/09
20/09
21/09
Mc 1:16-20
Jo 1:35-42
Mc 3:13-19
Jo 7:14-17
Mc 4:34
Mc 6:31-32
Mt 9:9-13
Imagine uma pessoa que nunca se dedicou
ao estudo, à capacitação, que nunca frequentou uma escola, mas, mesmo assim, decidiu
que deseja dar aulas em uma faculdade. O sonho dessa pessoa dificilmente será alcançado,
pois, para ensinar, é preciso aprender e se preparar, primeiramente. Jesus sabia disso. Por
essa razão, ensinou alguns homens, para que
estes pudessem fazer o mesmo com outros.
Na lição desta semana, estudaremos a respeito do pedido de Jesus aos seus discípulos:
que fizessem outros discípulos, como lhes havia ensinado. O discipulado foi a forma que
Jesus usou para ensinar e preparar homens
que dessem continuidade ao seu ministério,
aqui na terra. O mestre por excelência será o
modelo para a análise neste estudo.
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86
HISTÓRIA DE DISCÍPULO
Numa retrospectiva ao longo de sua
vida, minha esposa poderia facilmente se identificar com Timóteo. Cynthia
Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
diria: ‘Foram minha mãe e minha avó que me moldaram.’ Eu diria: ‘ Foi
meu avô materno.’ L. O. Lundy de El campo, no Texas, era seu nome –
um homem de verdade, um exemplo de integridade e santidade.
Minha filha caçula, Collen, e eu viajávamos pelo Texas no outono
de 1987. Resolvemos pegar algumas rodovia áridas e passar por minha
cidade natal. Eu não voltara lá em mais de trinta anos. Chegamos a El
Campo e por fim localizamos o lar de meus avós. Quase imediatamente após estacionar em frente daquele lugar onde meus avós viveram
tantos anos antes, minhas lágrimas começaram a correr. As de Collen
também. Ela me ouviu falar frequentemente da influência que Vovô
teve em minha vida e leu meus pensamentos. Contemplei uma casa
antiga, imponente, onde certa vez residira um nobre cavalheiro. O que
mais me vem à lembrança é o amor que demonstrava ao tomar o netinho sobre os joelhos e falar-lhe bondosamente, e servir de modelo de
retidão e moldar seu pensamento. Claro que nem ele nem eu tínhamos a menor ideia de onde o futuro me levaria. Sentado ali em frente
com minha filha, olhando as janelas, a porta da frente, a varanda e a
entradinha, fui dominado pela gratidão. Lembrei-me da verdade, e
lembrei-me de quem aprendi a verdade.1
O exemplo e o ensino do avô do autor do texto permaneceram,
ao longo de sua vida. Discuta acerca das razões para o ensino
permanecer tanto tempo e influenciar tanto a vida do autor.
II
PARA O DISCÍPULO ENTENDER
É impressionante pensar que o
tempo de ministério de Jesus foi
todo designado para discipular homens. Jesus agiu de forma estratégica com o objetivo de instruir os discípulos, para que, quando não mais
estivesse entre eles, pudessem dar
continuidade ao trabalho. Veremos
quais os passos utilizados por Jesus
para o discipulado.
1. O mestre por excelência chamou os discípulos: Quando iniciou
seu ministério, após o batismo, Jesus
chamou alguns homens para segui-lo
(cf. Mc 1:16-20). Apesar de parecer,
este não foi o primeiro encontro dele
__________________
1. Swindoll (2006:163).
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com aqueles que seriam seus discípulos. André, João e Pedro, por exemplo, segundo João 1:35-42, já haviam
tido um primeiro encontro com Jesus,
já o conheciam. Possivelmente, eles
haviam crido em Jesus naquela ocasião. Pelo texto de João, este primeiro
encontro aconteceu fora da Galileia.
Quando esses pescadores voltaram para a Galileia, retornaram ao
seu trabalho normal. Eles creram em
Jesus, mas ainda não o estavam seguindo de perto, até o dia em que
Jesus os convidou. Os textos mostram que eles aceitaram rapidamente
abandonar tudo para seguir Jesus.2 A
razão? Já sabiam quem ele era. O momento do convite não foi o primeiro
encontro entre Jesus e eles. Contudo, naquele momento específico,
foram convidados a ser pescadores
de homens (Mt 4:18-22). A partir de
então, seriam preparados de maneira
mais intensa. Eram novos convertidos
que entrariam na escola do discipulado, seguindo Jesus de perto.
A expressão “pescadores de homens” era bastante usada, na época, e descrevia mestres que jogavam
suas iscas, ou seja, seu ensino, e fisgavam discípulos.3 Jesus diz: eu os farei (Mt 4:19). A ideia, aqui, é de “modelar”, e o verbo está no futuro. Eles
não seriam pescadores de homens
imediatamente. Eles deveriam seguir
Jesus imediatamente. Depois de acei-
tarem o convite, seriam formados
na melhor das escolas. Aprendemos
com Jesus, então, que o processo do
discipulado começa com o chamado.
2. O mestre por excelência conviveu com os discípulos: O método
de discipulado de Jesus não era algo
formal e inflexível: o ensino acontecia
na vivência. Jesus chamou doze homens para serem discípulos. Em Marcos 3:13-19, podemos ler a expressão
para estarem com ele, que esclarece o
método,4 que é relacional. Ele os ensinaria por meio de seu exemplo, do partilhar de sua vida. Os discípulos aprenderiam vendo, ouvindo e fazendo.
Quaisquer ocasiões seriam propícias
para o Mestre ensinar, no monte, no
templo, num poço, numa casa etc. (Mt
5:1; Jo 8:2, 4:7; Lc 5:17-19). À medida
que ensinava ao povo, ensinava aos
discípulos. Em suas ações e decisões,
também os instruía. Gastou tempo
com eles. Os discípulos eram homens
como o instável e impetuoso Simão,
que era um zelote, ou seja, fazia parte
de um grupo de extremistas que se insurgia contra Roma (Mc 3:18).
João e Tiago foram chamados de
Boanerges, apelido que transmite a
ideia de um zelo ardente e destrutivo,
como uma tempestade de trovões (Mc
3:17; Lc 9:54-55).5 Pense também em
Mateus, o cobrador de impostos (Mt
10:3). Não pareciam candidatos aptos,
mas, na convivência, sua maneira de
2. Carson (2010:150).
3. Wiersbe (2006:145).
4. Evangelismo e discipulado (2010:93).
5. Wiersbe (2006:155).
88
Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
pensar, falar e agir foi formada e transformada.6 Não ouviram apenas aulas
teóricas: aprenderam observando e absorvendo as atitudes perfeitas de Jesus.
3. O mestre por excelência treinou os discípulos: Inegavelmente,
Jesus era um mestre. Mesmo não
tendo frequentado as escolas famosas de sua época (Jo 7:15), agia
como mestre e era tratado como tal
(Jo 1:38; 8:2).7 E como ele treinou os
seus discípulos? O treinamento foi
intenso e pessoal. Eles aprendiam
enquanto caminhavam com Jesus.
Os discípulos iam aonde Jesus ia,
comiam com ele, bebiam com ele,
ouviam o que ele dizia, viam o que ele
fazia, eram convidados a entrar nas casas com ele e eram rejeitados com ele,
também; enfim, compartilhavam tudo
o que ocorria em torno de Jesus e sempre ouviam atentos aos seus ensinos.
O mestre sempre lhes ensinou a
palavra de Deus (Jo 17:8). Eles foram
“bombardeados” pela Escritura e receberam um ensino diferente dos ensinos
da época, pois Jesus ensinava com autoridade (Mc 1:22), porque falava do
que vivia, diferentemente dos mestres
de então, que eram do tipo “faça o que
eu digo, mas não faça o que eu faço”.
Além de ensinar seus discípulos com a
multidão, de maneira geral, reservava
tempo a sós com estes (Mc 4:34). Foram, aproximadamente, três anos de
muito aprendizado falado e vivido!
6. Mulholland (2004:121).
7. Marra (2007:56-57)
4. O mestre por excelência comissionou os discípulos: Parte do
treinamento constituiu-se do preparo dos doze discípulos por Jesus (Mc
3:14). Antes de sua morte, houve um
momento em que foram enviados em
duplas para fazerem outros discípulos
(Mc 6:7).8 Jesus os alertou sobre as
dificuldades que seriam encontradas
no caminho, mas lhes deu autoridade
sobre o maligno (Mt 10:1-42).
Aqueles doze homens foram
considerados apóstolos, pois o significado da palavra é “enviados da
parte de”. O título evidencia quem
enviou, não os enviados.9 O discípulo
não deve aparecer, mas deve tornar
Cristo visível. Foram apóstolos aqueles que conviveram e viram Jesus (At
1:21-22; 1 Co 9:1). Ninguém possui
esse título hoje, mas a função de discipular é dada a todos os cristãos.
Em Mateus 10, Jesus enviou os discípulos apenas para pregar aos judeus,
que rejeitaram o ensino sobre o reino de
Deus. Ao voltarem dessa missão, relataram a Jesus o que acontecera (Mc 6:30).
Após esse momento, Jesus quis lhes
dar um tempo de descanso (Mc 6:31).
Depois de sua ressurreição, com o treinamento encerrado, comissionou os
discípulos para cumprir seu chamado.
Conforme Mateus 28:19-20, eles deveriam fazer discípulos, batizar e ensinar.10
8. Evangelismo e discipulado (2010:93).
9. Idem.
10. Marra (2007:62).
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89
Os discípulos colocariam em prática o que haviam aprendido com
Jesus. Deveriam anunciar o evangelho e fazer novos discípulos em
todas as nações, e ensiná-los a obedecer tudo o que Jesus lhes ensinara. Observe que o texto diz ensi-
nando-os a guardar todas as coisas.
Não era simplesmente ensinar uma
teoria, mas ensinar a fazer o certo, na convivência, na imitação do
comportamento. O mesmo método
de discipulado de Jesus seria usado
pelos discípulos.
01. Leia Mt 4:18-22; o item 1, e comente com a classe sobre o
chamado de Jesus aos seus discípulos. Como se deu? O que significa
a expressão “pescadores de homens”? E o “farei”?
02. Leia o item 2 e discuta com a classe a importância de discipular na
convivência. Seria possível alguém acomodado aos seus erros ser um
bom discipulador?
03. Leia o item 3 e responda: Você acredita que, atualmente, há
discipuladores interessados em preparar sucessores? Por que isso
seria tão importante?
04. Depois de treinar seus discípulos, que passo Jesus deu com estes?
Comente a comissão dada por Jesus aos discípulos, em Mateus 28:19.
90
Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
III
PARA O DISCÍPULO PRATICAR
1. Imite o comportamento do
mestre por excelência.
Naturalmente, Jesus era um excelente mestre, pois, além de seu ensino ser surpreendente (Mt 11:1), seu
comportamento condizia com sua
fala. Atualmente, temos visto inúmeros líderes religiosos que não ensinam a palavra de Cristo e sequer a
vivem, mas querem ter status e usam
o nome de Cristo para se promover.
São falsos mestres. Fuja deles.
O verdadeiro discípulo tem Cristo
como seu padrão de comportamento e, ao ensinar, não faz discípulos
para si mesmo, mas faz seguidores
de Jesus. Que seu ensino e sua vida
se enquadrem no ensino e na vida
de Cristo. Não se acomode à mediocridade, mas se molde ao caráter
de Jesus, para que, ao ensinar, você
tenha autoridade. Lembre sempre: o
mestre é Jesus; você é o discípulo.
05. Por que é impossível a alguém que não imita a Jesus ser um
discipulador?
2. Imite a estratégia do mestre
por excelência.
Jesus tinha uma estratégia traçada, ao selecionar aqueles homens
para serem seus discípulos. Sua intenção era que, ao ascender aos
céus, sua mensagem continuasse a
ser difundida e pessoas continuassem a ser discipuladas. Como discípulos de Cristo, devemos ser estratégicos. Sozinhos, podemos fazer
pouco. Quanto mais discípulos, mais
difundido é o reino de Deus.
Somos discípulos, e, por isso, precisamos discipular outros, a fim de que
mais pessoas conheçam a Cristo. Não
somos meros coadjuvantes no trabalho de discipulado, enquanto o pastor
ou o líder de evangelismo faz toda a tarefa. Devemos todos assumir a missão
de discipular. Se assim for, nossas igrejas estarão cheias de cristãos genuínos.
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06. Por que nem todos assumem a missão de discipular? Você já
assumiu esse papel no reino de Deus?
DESAFIO DA SEMANA
Muitos pensam que devem conduzir alguém à igreja até que
este levante a mão ao apelo do pastor e aceite a Cristo. Pensam
que seu trabalho encerrou-se ali. Entretanto, é ali que começa o
verdadeiro trabalho. Certamente, haveria menos evasão, se imitássemos Jesus, na tarefa do discipulado. Jesus foi estratégico:
chamou, conviveu, treinou e comissionou homens para fazerem
o mesmo que ele havia feito. Que, nesta semana, você reflita se
tem imitado o discipulado de Cristo. Há inúmeros cristãos recém
convertidos, até crianças e adolescentes, que precisam de discipuladores. Assuma essa linda missão e faça como Jesus.
92
Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
SÁBADO
ESPECIAL
Escola Bíblica,
Programa de Culto,
e Sermão
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93
13
A vida de um
discipulador
28 DE SETEMBRO DE 2013
Hinos sugeridos – BJ 27 • BJ 87
OBJETIVO
TEXTO BÁSICO
Ensinar ao estudante
da Escola Bíblica as
características que
envolvem a vida de
um discipulador, a fim
de que, mediante as
lições aprendidas, seja
instigado a cuidar do
próprio caráter e a
motivar os outros.
E o que de minha parte ouvistes através de
muitas testemunhas, isso mesmo transmite a
homens fiéis e também idôneos para instruir
a outros. (2 Tm 2:2)
LEITURA DIÁRIA
D
S
T
Q
Q
S
S
22/09
23/09
24/09
25/09
26/09
27/09
28/09
1 Co 11:1
2 Co 6:4-10
Jo 13:13-17
Fp 1:8-10
Tt 1:4-5
2 Tm 2:1-3
At 11:19-26
INTRODUÇÃO
Na lição da semana passada, estudamos
sobre Jesus, o mestre por excelência. Sua dedicação em discipular pessoas é inspiradora.
Muito aprendemos com o exemplo dele. Nesta lição, a última desta série sobre discipulado,
trataremos sobre a vida de um discipulador,
tomando por base as atitudes de um importante homem de Deus, o apóstolo Paulo.
Que qualidades fundamentais devem caracterizar a vida de um autêntico discipulador?
O piedoso apóstolo, por meio de seu exemplo,
nos ajudará a responder essa pergunta corretamente. Ele era um verdadeiro discípulo de
Jesus e se desgastava, no intuito de formar novos discípulos. Ser um discipulador não é fácil,
mas é compensador.
I
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94
HISTÓRIA DE DISCÍPULO
[Em 3 João 4, o apóstolo] fala de sua
alegria ao ver crescerem em Cristo pessoas
que ele próprio “nutrira” espiritualmente
Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
I
HISTÓRIA DE DISCÍPULO
na fé (...). Tenho o mesmo sentimento que João, em relação ao aconselhamento dos novos convertidos. Contudo esta é uma alegria de que
poucos crentes estão compartilhando. (...) Converti-me com dezoito
anos de idade. Nos anos que se seguiram a essa decisão, estudando
na Universidade da Pensilvânia, passei a trabalhar com a Cruzada Estudantil e Profissional. Com o que aprendi nessa organização, logo
comecei a falar de minha fé aos outros.
Não demorou muito, e principiei a ver frutos, pessoas que oravam
recebendo a Cristo como Salvador, em decorrência de meu testemunho. A essa altura, descobri como era importante o trabalho de assistência ao novo crente. Surgiu um grande peso em meu coração, pois
muitos dos que, como eu supunha, entregavam a vida a Cristo, depois
voltavam atrás em sua decisão. E nem todos poderiam ser tachados de
solo rochoso ou cheio de espinhos [conforme parábola do semeador
em Mateus 13]. Eu recebera pouca instrução sobre como ajudar o
novo convertido a crescer espiritualmente e entendi que, em parte, a
culpa daquele afastamento da fé era minha.
Como o peso que eu sentia aumentasse, passei a procurar com afinco as informações de que precisava. Havia muito pouca coisa a respeito
do assunto. Tudo que encontrei foram algumas ideias sobre como se dá
a um recém-convertido a certeza da salvação, e como se faz para iniciá-lo no estudo da Bíblia. Isso fez com que eu começasse, independentemente, por meio de ensaios e erros, a criar métodos de trabalho para o
aconselhamento de novos convertidos (...). O Senhor abençoou meus
esforços, e pude ver grande número de novos crentes crescendo na fé.1
O que podemos aprender com a história dessa personagem?
Vale ou não a pena ser um discipulador?
II
PARA O DISCÍPULO ENTENDER
Paulo era um proclamador do
evangelho. E isso ele fazia com gran-
de ousadia (At 14:1). Mas, além de
proclamador, ele era um discipula-
__________________
1. Kuhne (2008:9-10).
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95
dor. Durante o seu ministério, Paulo
acompanhou várias pessoas de perto.
Pelo menos umas 30 pessoas são citadas na Bíblia como estando junto
dele. Dentre essas, há um destaque
para Timóteo, Lucas e Tito, como os
discípulos mais próximos do apóstolo.
Paulo investiu pesado na vida deles.
A seguir, veremos como ele fez isso,
mais especificamente, com Timóteo.
1. Dedicação para ensinar: Paulo chama a Timóteo de meu filho (2
Tm 2:1). Essas palavras indicam que
Timóteo era um de seus filhos na fé.2
O mesmo tratamento Paulo dá a Tito
(Tt 1:4) e a Onésimo (Fl 1:10). O apóstolo, porém, não era um pai displicente, mas providente: cuidava de seus
filhos alimentando-os com a palavra
(2 Tm 2:2). Ele levava o ensino a sério.
Com Barnabé, Paulo esteve na
igreja de Antioquia, e, durante o ano
inteiro reuniram-se naquela igreja e
instruíram muita gente (At 11:26). É
importante refletirmos sobre essa nobre atitude de Paulo, pois, uma vez
que alguém se rende a Jesus, precisa
de cuidados especiais, e o ensino é um
desses cuidados. Quando não levamos isso em consideração, pecamos.
Paulo, porém, não ensinava qualquer coisa. Ele era um habilidoso erudito nas Escrituras; mas não usava o
seu conhecimento para distorcer a
palavra. Seus ensinos baseavam-se
nas sagradas letras (2Tm 3:15) e por
elas eram provados (At 17:11). O que
temos ensinado aos nossos alunos: os
princípios da Escritura ou conceitos
contrários a eles? Temos tomado o
devido cuidado para não ensinarmos
outro evangelho? Pensemos nisso.
2. Caráter para exemplificar:
Como um autêntico discipulador, Paulo era exemplar. Não ensinava com
palavras o que não podia exemplificar
com atitudes. Era fiel em seu caráter e
irrepreensível em sua conduta. Era qualificado para aconselhar: Sede meus
imitadores como eu sou de Cristo (1
Co 11:1). Ele sabia o que estava dizendo e fazendo. Tinha caráter santo.
No entanto, ao invés de querer
tornar aqueles irmãos dependentes
de si mesmo, Paulo queria conduzi-los a uma identificação com Cristo,
pois a única razão pela qual deveriam
imitá-lo é que ele imitava a Cristo.3 O
discipulador, portanto, deve viver de
maneira coerente. O que ele ensina
deve ser confirmado por sua conduta diária. Timóteo aprendeu muito
com as atitudes de Paulo, seu pai
na fé. Além disso, recebeu dele esta
orientação: Procura apresentar-te a
Deus aprovado (2Tm 2:15).
Além de ser exemplo, ao discipulador cabe orientar o discípulo
a zelar por esse princípio. Timóteo,
a semelhança de Paulo, tinha de
ser um exemplo para os demais. O
termo aprovado (gr. dokimos) era
usado para indicar a genuinidade
do metal de moedas. Também indi-
2. Champlin (1980:371).
3. Morris (1983:121).
96
Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
ca o sentido de “aprovado através
de tribulações ou testes”.4 À semelhança de seu discipulador, Timóteo
precisava fazer o necessário para
ser aprovado por Deus.
3. Firmeza para encorajar:
Como um fiel discipulador, Paulo
era também encorajador. Antes de
encorajar, porém, ele havia recebido
encorajamento. Isso aconteceu pouco depois de sua conversão, quando
foi vítima da desconfiança dos crentes (At 9:26). Foi então que Barnabé
o defendeu e Saulo ficou com eles
(v.28), acabando, assim, por se tornar o mais proeminente missionário
cristão do qual já se teve notícia.
Você percebeu o quanto é importante o encorajamento, na vida de
uma pessoa? Faz toda a diferença,
não é mesmo? Encorajar é incentivar,
motivar. E foi isso que Paulo fez em
relação a Timóteo. Disse-lhe: ... fortifica-te na graça que está em Cristo
Jesus (2 Tm 2:1). O verbo fortificar
(gr. endunamoo), aqui, precisa ser
entendido com o sentido de revigorar, dar energia, adquirir forças, ser
forte, como ação linear, contínua.5
Quando encorajou a Timóteo com
essas palavras, Paulo não estava hospedado num hotel de primeira classe
ou numa mansão luxuosa: estava na
prisão, no corredor da morte. Aparentemente, tinha todos os motivos
para desistir do evangelho e de4. Champlin (1980:378).
5. Idem, p.371.
sencorajar Timóteo. Mas não o fez,
porque sua fé em Cristo era firme e
inabalável! Sabia que havia crido em
Cristo e que este o recompensaria
(2Tm 1:12). O discipulador, portanto, com fé firme, deve encorajar, não
desmotivar os outros.
4. Disposição para treinar: No
reino de Deus, o discipulador treina
o discípulo a se tornar, também, um
discipulador. Paulo passou por esse
processo. Assim, não demorou a ensinar o que aprendera (At 9:20) e não
desperdiçou seu tempo. Começou
aprendendo com Ananias e com os
outros seguidores de Jesus, mas, depressa, tinha o seu próprio grupo de
discípulos, a quem ensinava a obedecer tudo o que Jesus havia ordenado.6
Disposição para treinar o discípulo
a dar frutos é uma característica do
discipulador. Paulo não demorou a
orientar a Timóteo nesse sentido: E
o que de minha parte ouviste através
de muitas testemunhas, isso mesmo
transmite a homens fiéis e também
idôneos para instruir a outros (2 Tm
2:2). Este discípulo tinha o dever de
treinar discípulos, a fim de que estes
logo se tornassem discipuladores.
Esse trabalho precisa ser contínuo.
Não pode parar.
O discipulador, em algum momento, precisará passar o bastão.
Paulo, por sua vez, estava prestes a
partir desta vida. Por muito tempo,
carregou a tocha do evangelho. Da6. Marra (2007:71).
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97
quele momento em diante, ele a pôs
nas mãos de Timóteo, que, por sua
vez, deveria passá-la a outros.7 Essa
visão de treinar novos discipuladores
tem de ser levada adiante. Contribuamos para isso.
Os exemplos observados na vida do
valoroso apóstolo, conforme apren7. Hendriksen (2001b:302).
demos até aqui, caracterizam a vida
do fiel discipulador, que se esmera
em ensinar àqueles que se submetem
ao ensino da palavra e exemplifica
o que ensina com o próprio caráter.
Além disso, está sempre encorajando
os discípulos que estão sob seus cuidados e treinando-os para, no futuro, tornarem-se bons discipuladores.
Que preservemos tais qualidades.
01. Leia Atos 11:26; 2 Tm 2:2, o item 1, e responda: Como deve ser
encarado o ensino, na vida de um discipulador.
02. Caráter exemplar é relevante, na vida de um discipulador?
Explique, baseando-se no item 2.
03. Com base em 2 Tm 2:1 e no item 3, responda: O ato de encorajar
é imprescindível para quem almeja ser um discipulador? Por quê?
04. Que disposição deve ter o discipulador para com as pessoas a
quem discipula? Comente com base em 2 Tm 2:2 e no item 4.
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Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
II
PARA O DISCÍPULO PRATICAR
1. Viva como um autêntico discipulador: cuide do seu caráter.
Nenhum discipulador será digno de ser identificado como tal, se
não viver piedosamente, influenciando de maneira positiva aqueles
a quem instrui. Paulo não tinha de
que se envergonhar, pois se conservava irrepreensível diante de
Deus e da igreja. Ele não disse: suporte os sofrimentos sozinho, mas:
participa dos meus sofrimentos (2
Tm 2:3 – grifo nosso).
Em outras palavras, é como se ele
dissesse: “Faça as coisas do jeito que
você me vê fazer”. O bom discipulador é aquele que convence não somente por suas palavras, mas, principalmente, por seu modo de viver;
é aquele que não diz: “faça o que
eu digo, mas não o que eu faço”. O
discipulador segundo o coração de
Deus instiga, com sua vida, o discípulo a ser bom exemplo, dentro e fora
da comunidade cristã. Essa tem sido
a nossa atitude como discipuladores?
05. Após ler a primeira aplicação, responda: Como discipulador, tem
você cuidado do seu caráter?
2. Viva como um autêntico discipulador: não pare de motivar.
A caminhada cristã não é um “mar
de rosas”. Muitos buscam um cristianismo sem dificuldades, isento de sofrimento, e se frustram nessa busca.
Jesus disse: ... no mundo tereis aflições (Jo 16:33). Todo discípulo, inevitavelmente, passará por momentos
turbulentos. Por isso, necessitará de
motivação, encorajamento. Foi essa
motivação que Jesus deu aos seus discípulos, ao continuar sua fala: ... mas
tende bom ânimo; eu venci o mundo.
Ao ser motivado por Barnabé,
Saulo superou a desconfiança (At
9:26). O mesmo aconteceu com
Marcos (15:38). Você já pensou em
quantos bons potenciais discipuladores perdemos, simplesmente por
nos omitirmos a motivá-los? Palavras encorajadoras poderão salvar
um próspero ministério. Expressões
como: “fortifica-te”, “persevera”,
“tem bom ânimo” fazem diferença
na vida de um discípulo. O discipulador não pode, em momento algum,
esquecer-se disso.
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06. Após ler a segunda aplicação, responda: Como um discipulador,
tem você persistido em motivar as pessoas?
DESAFIO DA SEMANA
Você passou treze semanas estudando sobre o discipulado; viu
que Jesus fundou uma “escola” e o convida a fazer parte dela, que
existem custos e exigências; entendeu o que é ser discípulo; releu a
grande comissão, e viu que o imperativo presente nela é que discipulemos; entendeu as razões por que devemos discipular; estudou
sobre as formas; meditou no exemplo máximo de um discipulador,
que foi Jesus, o mestre por excelência; hoje, viu as qualidades que
um discipulador deve ter. E aí? Ainda vai continuar sem se engajar
neste glorioso empreendimento, que é o discipulado? Não faça
isso! Mãos à obra! Discipule! Faça isso no poder do Espírito Santo
(como você aprenderá, no sermão que vem logo depois desta lição, nas próximas páginas). Que o Senhor o ajude!
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Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
SÁBADO ESPECIAL
Sugestão para programa de culto
Avisos e agradecimentos
Abertura - Leitura do texto - “Cheios
do Espírito!!!”
Isaías, inspirado pelo Espírito de Deus,
profetizou, dizendo: “O Senhor Deus me
deu o seu Espírito, pois ele me escolheu
para levar boas notícias aos pobres. Ele
me enviou para animar os aflitos, para
anunciar a libertação aos escravos e a liberdade para os que estão na prisão. Ele
me enviou para anunciar que chegou o
tempo em que o Senhor salvará o seu
povo, que chegou o dia em que o nosso
Deus se vingará dos seus inimigos. Ele me
enviou para consolar os que choram”.
Essa promessa se cumpre em nossas
vidas, por meio de Jesus Cristo! Assim
como foi com nosso Salvador, o Pai deseja que todos nós sejamos revestidos
do Espírito Santo, pois isso nos enche de
amor pelas pessoas, sejam elas jovens,
velhas, pobres, ricas, negras, brancas,
amarelas, pardas, altas, baixas, gordas,
magras, homens ou mulheres. Quando
somos cheios do Espírito Santo, nasce
em nós um amor especial pelos outros
e o desejo de pregar a palavra de Deus
com ousadia, aonde vamos e a quem
quer que seja.
Precisamos negar a nós mesmos, buscar a presença do Senhor pela oração,
guardar sua palavra no coração e praticar seus ensinos, em submissão ao nosso
Deus, pois ele está pronto a nos encher
com o Espírito Santo.
Hino - “Derrama teu Espírito” – BJ 76
Leitura bíblica: Atos 2:1- 2, 16b-25
Dirigente: Quando chegou o dia de
Pentecostes, todos os seguidores de Jesus estavam reunidos no mesmo lugar.
De repente, veio do céu um barulho que
parecia o de um vento soprando muito
forte e esse barulho encheu toda a casa
onde estavam sentados.
Homens: Então levantou-se Pedro
e começou a dizer à multidão: (...) está
acontecendo (...) o que o profeta Joel
disse: É isto o que eu vou fazer nos últimos dias - diz Deus -: Derramarei o meu
Espírito sobre todas as pessoas.
Dirigente: Os filhos e as filhas de vocês anunciarão a minha mensagem; os
moços terão visões, e os velhos sonharão.
Mulheres: Sim, eu derramarei o meu
Espírito sobre os meus servos e as minhas servas, e naqueles dias eles também
anunciarão a minha mensagem.
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Igreja: Em cima, no céu, farei com que
apareçam coisas espantosas; e embaixo,
na terra, farei milagres. Haverá sangue,
e fogo, e nuvens de fumaça; o sol ficará
escuro, e a lua se tornará cor de sangue,
antes que chegue o grande e glorioso Dia
do Senhor. Então todos os que pedirem a
ajuda do Senhor serão salvos.
Homens: Pedro continuou: - Homens
de Israel, escutem o que eu vou dizer.
Deus mostrou a vocês que Jesus de Nazaré era um homem aprovado por ele.
Pois, por meio de Jesus, Deus fez milagres, maravilhas e coisas extraordinárias
no meio de vocês, como vocês sabem
muito bem.
Mulheres: Deus, por sua própria vontade e sabedoria, já havia resolvido que
Jesus seria entregue nas mãos de vocês.
E vocês mesmos o mataram por mãos de
homens maus, que o crucificaram.
Dirigente: Mas Deus ressuscitou Jesus, livrando-o do poder da morte, porque não era possível que a morte o dominasse.
Todos: Davi disse a respeito de Jesus
o seguinte: “Eu via sempre o Senhor comigo porque ele está ao meu lado direito, para que nada me deixe abalado”.
Oração
Palavra pastoral
Inspiração musical
Um dia dirão - Eyshila - Cd “Nada
pode calar um adorador”
Um dia dirão em toda a terra
Jesus Cristo, ele é o Senhor.
Um dia dirão em todo o mundo
Santo, Santo, Santo é o Senhor.
Os joelhos se dobrarão até o chão
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Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
Levando cada nação a confessar
Que Jesus cristo é o filho de Deus
Senhor absoluto, Rei dos reis.
E toda língua há de declarar
Que em toda terra outro deus não há
O Cristo que morreu e ressurgiu
Para todo sempre reinará.
Um dia dirão em toda a terra
Jesus Cristo, ele é o Senhor.
Um dia dirão em todo o mundo
Santo, Santo, Santo é o Senhor.
Senhor, eis-me aqui eu quero declarar
Tua santidade que em meus lábios
Sempre está.
Dedicação das Ofertas e Dízimos –
música instrumental ou cântico
Bem mais que tudo (Above all) Aline Barros – Cd “Aline Barros 20 anos
- ao vivo” (Use a tradução que a igreja
costuma cantar)
Bem mais que as forças,
Poder e reis,
Que a natureza e tudo que se fez;
Bem mais que tudo criado por tuas
mãos,
Deus, tu és o início, meio e fim.
Bem mais que os mares,
Bem mais que o sol
E as maravilhas que o mundo conheceu,
E as riquezas, tesouros desta terra,
Incomparável és pra mim.
Por amor, sua vida entregou.
Meu senhor, humilhado foi;
Como a flor machucada no jardim,
Morreu por mim, pensou em mim,
Me amou.
Bem mais que as forças,
Poder e reis,
Que a natureza e tudo que se fez;
Bem mais que tudo, criado por tuas
mãos,
Deus, tu és o início, meio e fim.
Bem mais que os mares,
Bem mais que o sol
E as maravilhas que o mundo conheceu,
E as riquezas, tesouros desta terra,
Incomparável és pra mim.
Por amor, sua vida entregou.
Meu senhor, humilhado foi;
Como a flor machucada no jardim,
Morreu por mim, pensou em mim,
Me amou.
Vem Espírito - Renascer Praise - CD
Renascer Praise 12
Espírito de Deus, eis-me aqui,
Toca-me com brasas do altar,
Me enche com a tua unção,
Faz transbordar.
Estendo a ti as minhas mãos,
Do teu óleo quero mais,
No rio do teu poder,
Eu quero navegar.
(2x)
Vem, vem,
Espírito Santo, vem!
Vem, vem,
Unção derramar!
(2x)
Espírito de Deus, eis-me aqui,
Toca-me com brasas do altar,
Me enche com a tua unção,
Faz transbordar.
Estendo a ti as minhas mãos,
Do teu óleo quero mais,
No rio do teu poder,
Eu quero navegar.
Vem, vem,
Espírito Santo, vem!
Vem, vem,
Unção derramar!
(4x)
Vem, vem!
Vem, vem!
Vem, vem!
Unção derramar!
(2x)
Vem, vem - (7x)
Unção derramar!
Mensagem – “Pregue no poder do
Espírito”
Apelo
Oração
Hino – “Teu Espírito vem derramar”
– BJ 72
Encerramento - Benção apostólica
Obs.: Outras sugestões de músicas:
Isaías 61 (Gerson Ortega - CD “Igreja
Viva”); Cheios do Espírito (Ministério
Jovem - CD “Senhor, somos tua voz”).
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Sermão
PREGUE NO PODER
DO ESPÍRITO
INTRODUÇÃO
Graça e paz da parte de Cristo Jesus a todos vocês, irmãos e irmãs. Vamos
abrir nossas Bíblias em Atos dos Apóstolos, capítulo 2, versículos 14 até o 18.
Por favor, acompanhem a leitura do texto.
14
Então, se levantou Pedro, com os onze; e, erguendo a voz, advertiu-os nestes termos:
Varões judeus e todos os habitantes de Jerusalém, tomai conhecimento disto e atentai
nas minhas palavras. 15Estes homens não estão embriagados, como vindes pensando,
sendo esta a terceira hora do dia. 16Mas o que ocorre é o que foi dito por intermédio
do profeta Joel: 17E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu
Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos jovens terão
visões, e sonharão vossos velhos; 18até sobre os meus servos e sobre as minhas servas
derramarei do meu Espírito naqueles dias, e profetizarão.
Este sermão faz parte da série PESCADORES DE HOMENS. A cada 13º
sábado, estamos ouvindo uma mensagem desta série. O tema de hoje é:
Pregue no poder do Espírito. Vamos meditar na história de Pedro. Ele foi chamado para ser um pescador de homens e se tornou, pelo poder do Espírito
Santo, um dos maiores pregadores da história da igreja. Em Lucas 5:1-11, vemos quando ele foi chamado por Jesus. Era bem de manhã, e Jesus pregava
o evangelho a uma multidão, às margens do lago de Genesaré. Perto dali,
Pedro, Tiago e João lavavam as redes de pesca, preparando-se para uma nova
e mais feliz pescaria, pois a última havia sido um verdadeiro fiasco.
Jesus pediu a Pedro um barco emprestado para ensinar de cima dele.
Quando terminou, o Mestre disse a Pedro: Leve o barco para um lugar
onde o lago é bem fundo. E então você e os seus companheiros joguem
as redes para pescar (Lc 5:4 – NTLH). Inicialmente, ele resistiu, dizendo que
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Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
haviam trabalhado a noite inteira e nada haviam apanhado. Mas depois
cedeu à ordem do Mestre. Para a sua surpresa e a dos demais, ao lançarem
as redes, pegaram uma extraordinária quantidade de peixes! Ao sair do
barco, Pedro prostrou-se aos pés de Jesus e o ouviu dizer: De agora em
diante, serás pescador de homens. A Bíblia diz que ele deixando o barco na
praia, passou a andar com Jesus.
Por cerca de três anos, Pedro acompanhou Jesus e aprendeu deste, mas
ainda não havia se tornado, plenamente, um pescador de homens, como o
Mestre lhe dissera. Contudo, após sua morte e ressurreição, o Senhor reuniu
os discípulos, e, antes de voltar ao Pai, deu-lhes a ordem de ficarem em Jerusalém, até que recebessem o poder de Deus para testemunharem dele a todos
os povos (At 1:1-8). Lucas relata que, enquanto estavam em Jerusalém, no
dia de Pentecostes, o Espírito Santo veio sobre eles, e a promessa de Jesus se
confirmou (At 2:1-4). A palavra diz, ouvindo-os falar em outras línguas, que a
multidão indagou o que seria aquilo. Alguns, querendo zombar, diziam: Estão
embriagados! (At 2:5-13). Diante disso, Pedro, agora, cheio do Espírito Santo,
levantou-se e começou a pregar ousadamente o evangelho. O que se segue
nos ensina grandes e preciosas verdades sobre pregar no poder do Espírito. A
partir do exemplo de Pedro, aprendemos três princípios importantes.
1. QUEM PREGA NO PODER DO ESPÍRITO,
ENSINA AS ESCRITURAS SAGRADAS (At 2:14-21)
Diante da inquietação da multidão e das palavras de deboche, Pedro não
teve dúvidas: era a oportunidade de que precisava para pregar o evangelho
de forma esclarecedora. Primeiro, ele se dirige aos seus ouvintes e pede-lhes
a atenção; afinal havia muita gente ali, muita conversa paralela, muito ruído.
Em seguida, rebate as palavras dos zombadores: ... estes homens não estão
bêbados, como vocês supõem. Ainda são nove horas da manhã!. As palavras
de Pedro podem ser mais bem compreendidas por nós, se entendermos que
os judeus ortodoxos não comiam, nem bebiam, antes das nove horas da manhã do shabbath ou de outros dias santos.2
Depois de rebater os zombadores com esse argumento, Pedro passa, então, a explicar, a partir das Escrituras, o que estava acontecendo. Aquele
fenômeno não era algo do acaso, sem fundamento. Não se tratava de
histeria: era o cumprimento de uma profecia relatada pelo profeta Joel, cerca
2. Wiersbe (2006:529).
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de 750 anos atrás. Pedro chega a citar as palavras do profeta para facilitar a
compreensão de seus ouvintes:
Nos últimos dias, diz Deus, derramarei do meu Espírito sobre todos os povos. Os seus filhos
e as suas filhas profetizarão, os jovens terão visões, os velhos terão sonhos. Sobre os meus
servos e as minhas servas derramarei do meu Espírito naqueles dias, e eles profetizarão.
Mostrarei maravilhas em cima no céu e sinais em baixo, na terra, sangue, fogo e nuvens
de fumaça. O sol se tornará em trevas e a lua em sangue, antes que venha o grande e glorioso dia do Senhor. E todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo! (Jl 2:28-32).
Pedro, no poder do Espírito Santo, ensinou as Escrituras aos seus ouvintes. A
multidão estava confusa, precisando de um esclarecimento, e Pedro recorreu à
Palavra para apresentar uma resposta àquela gente. Ele lembrou a seus ouvintes o texto de Joel, interpretou-o e aplicou-o de forma relevante. O pregador
que prega no poder do Espírito não abandona a Bíblia; antes, cita-a, interpreta
-a, e aplica-a de maneira precisa e relevante, trazendo luz aos que o ouvem.
Afinal, a palavra de Deus é lâmpada para os nossos pés e luz para o nosso
caminho (Sl 119: 105); e foi exatamente isso que Pedro fez naquela ocasião.
O apóstolo Paulo afirmou aos cristãos de Roma que não se envergonhava
do evangelho, pois sabia que este é o poder de Deus para a salvação de todo
aquele que crê (Rm 1:16), ou seja, o poder do pregador não está em sua oratória, na sua eloquência ou na sua capacidade de persuasão. Quem decide
evangelizar alguém, não pode confiar apenas na força de seus argumentos.
O poder do pregador ou do evangelista está no evangelho, e somente nele. O
evangelho se basta! Devemos desconfiar de pregadores que se dizem cheios
do Espírito Santo, mas, em contrapartida, rejeitam o ensino das Escrituras.
Quando o pregador abre as Escrituras, interpreta o texto corretamente e extrai as aplicações possíveis desse texto, está sendo “boca de Deus” para seus
ouvintes. Assim, quando estiver evangelizando alguém, não fique prometendo bênçãos e milagres. Evangelize apresentando a palavra de Deus, o
evangelho, mostrando a salvação eterna que a pessoa receberá através dele.
Quem prega ou evangeliza no poder do Espírito, ensina as Escrituras Sagradas. Esse é o primeiro princípio. Vejamos o segundo.
2. QUEM PREGA NO PODER DO ESPÍRITO,
DENUNCIA O PECADO CORAJOSAMENTE (At 2:22-23)
Depois de esclarecer aos seus ouvintes o que era aquilo que viam e ouviam,
Pedro chama-os à atenção para mais uma grande verdade que tem a dizer-lhes:
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Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
Israelitas, ouçam estas palavras: Jesus de Nazaré foi aprovado por Deus diante de vocês
por meio de milagres, maravilhas e sinais, que Deus fez entre vocês por intermédio dele,
como vocês mesmos sabem. Este homem lhes foi entregue por propósito determinado
e pré-conhecimento de Deus; e vocês, com a ajuda de homens perversos, o mataram,
pregando-o na cruz (At 2:22-23).
É propício observarmos e comentarmos sobre a ousadia de Pedro. Antes
de receber o poder do Espírito Santo, na noite em que Jesus foi preso, Pedro
o havia negado por nada mais nada menos que três vezes! Pedro temera
por sua própria vida; por isso, se acovardara. Mas, agora, ele está ali, cerca
de cinquenta dias depois, diante de milhares e milhares de pessoas, inclusive de autoridades de Israel, e prega abertamente sobre Jesus. O mais espantoso é que ele diz claramente: Vocês, com a ajuda de homens perversos,
mataram o Messias!
No capítulo 3, podemos ver Pedro pregando a mesma mensagem, do mesmo jeito. Ouça:
O Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, o Deus dos nossos antepassados, glorificou seu
servo Jesus, a quem vocês entregaram para ser morto e negaram perante Pilatos, embora
ele tivesse decidido soltá-lo. Vocês negaram publicamente o Santo e Justo e pediram que
lhes fosse libertado um assassino. Vocês mataram o autor da vida (At 3:13-15).
Como podemos ver, Pedro tornou-se outro homem. Aquele homem
oscilante, incoerente, covarde, não existia mais. Ele havia recebido o poder do alto.
No poder do Espírito, Pedro denunciou o pecado da nação. Quem prega no poder do Espírito, não se nega a pregar sobre o pecado, que é a
rebelião contra Deus e precisa ser confrontado com a palavra da verdade.
Portanto, aquele que prega no poder do Espírito, como Pedro pregou,
não deve preocupar-se em arrancar aplausos de seus ouvintes ou receber
tapinhas nas costas, depois do sermão. O pregador cheio do Espírito Santo prega contra o pecado para que aqueles que vivem nele abandonem
seus maus caminhos e se voltem para Deus. Mas essa mensagem não é só
para quem prega aqui no púlpito. É também para você, meu irmão, que
precisa pregar o evangelho para um vizinho, um familiar, um amigo, um
colega de trabalho ou faculdade. Se você estiver cheio do Espirito, terá
coragem de mostrar para a pessoa que ela está errada naquele caminho e
que ela precisa de Deus. Muitos estão a caminho da destruição eterna, e
precisamos ter ousadia para avisá-los.
Quem prega ou evangeliza no poder do Espírito, denuncia o pecado. Este
é o segundo princípio. Vejamos o terceiro.
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3. QUEM PREGA NO PODER DO ESPÍRITO,
ANUNCIA O SALVADOR JESUS (At 2:24-36)
Pedro, no poder do Espírito Santo, anunciou que o Senhor não pôde ser
contido pela morte, mas que estava vivo, exaltado, à destra do Pai. O assunto
central do sermão de Pedro é a vida e a obra de Jesus Cristo, o filho de Deus.
A ênfase da mensagem está na sua ressurreição de Jesus, o que comprovava
ser ele o Messias, o Salvador. Para provar que Cristo era o messias, e que
estava vivo, que seu corpo não havia sido roubado, como muitos de seus ouvintes acreditavam, por terem ouvido rumores de uma mentira inventada por
alguns líderes religiosos (Mt 28:11-15), Pedro lhes deu quatro provas.
A primeira prova eram as obras de Jesus (v.22-24). Muitos de seus ouvintes viram os sinais, as maravilhas que Jesus realizara, sabiam que ele havia
ressuscitado pessoas. Como poderia, então, a morte o deter? A segunda
prova era a profecia de Davi (v. 25-31). Pedro cita o Salmo 16 e o relaciona à
ressurreição de Jesus. A terceira prova era o testemunho dos cristãos (v. 32).
Os apóstolos eram testemunhas vivas da ressurreição do Mestre. Eles não só
o viram como falaram e comeram com ele. A quarta prova era a presença do
Espírito Santo (v. 33). Todos podiam ver o Espírito Santo agindo na igreja.
Todo aquele que deseja pregar no poder do Espírito, aqui, no púlpito, precisa entender que Cristo é o centro de seu sermão. Podemos e devemos pregar sobre tudo o que está nas Escrituras; no entanto, não podemos perder de
vista que todas as verdades bíblicas apontam para Cristo (Jo 5:39). Nenhuma
outra doutrina ou assunto, por mais importante e relevante que seja, pode
ocupar a centralidade da pregação daquele que deseja pregar no poder do
Espírito. A teologia cristã primitiva era totalmente cristocêntrica. Paulo chega
a fazer um alerta à igreja de Corinto: Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo (1 Co 3:11).
É muito comum encontrarmos, hoje em dia, pregadores com uma mensagem nada cristocêntrica. As mensagens da cruz e do túmulo vazio já não
fazem parte do repertório de muitos pregadores populares. Estes preferem
pregar mensagens de autoajuda, cheias de conceitos da psicologia, ao invés de pregarem sobre a “ajuda que veio do alto”, que é Cristo, aquele
que desceu do céu para buscar e salvar o que se havia perdido. Se desejarmos pregar no poder do Espírito, precisamos voltar a fazer de Cristo o
centro da nossa mensagem.
Você, que é líder na igreja e é cheio do Espírito, deve fazer de Cristo o
centro de sua liderança. Você, que é músico, deve fazer de Cristo o centro
de sua música. Você, que professor ou professora, deve fazer de Cristo o
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Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2013
centro de seu ensino. Mas todos nós, que evangelizamos, devemos fazer de
Cristo o centro de nossa pregação. O Espírito Santo é um holofote apontado
para Jesus. Quando estamos cheios da presença dele, Cristo se torna o nosso
principal assunto.
CONCLUSÃO
Como vimos, Pedro é um exemplo claro do que Jesus pode fazer na vida
de um homem ou de uma mulher que se dispõe a “pescar homens”. Pedro
ouviu o chamado de Jesus, deixou o barco, as redes, e se preparou para ser
usado pelo Senhor, no ministério da evangelização. Uma vez revestido com
o poder do Espírito Santo, levantou-se, no meio de uma grande multidão, e
pregou com ousadia, ensinando as Escrituras, denunciando o pecado e anunciando que Jesus é o Cristo vivo e exaltado! A palavra nos diz que, naquele
dia, quase três mil pessoas se converteram, por meio de sua pregação.
Agora, chegou a nossa vez. A missão de “pescar homens” é também nossa. O Senhor nos convida a anunciar as virtudes daquele que nos chamou
do império das trevas para o reino da luz (1 Pd 2:9). A Bíblia garante que ele
perdoou todos os nossos pecados e nos concedeu o Espírito Santo (At 2:38).
É através do Espírito Santo que pregaremos o evangelho com clareza, com
autoridade e poder. Somente o Espírito Santo pode aplicar a obra de Deus
no coração humano. Somente o Espírito Santo pode transformar corações e
produzir vida espiritual. Que, a exemplo de Pedro, venhamos a nos encher
do Espírito Santo, através da oração, da consagração, do estudo sistemático
das Escrituras, para que possamos pregar com poder e para que vidas sejam
transformadas e salvas por Cristo Jesus.
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